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Numero do processo: 10935.906280/2012-16
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/11/2009
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 80 /2 01 2- 16 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/11/2009 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906280/201216 Acórdão n.º 1802003.247 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10850.904564/2011-27
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
COMBUSTÍVEIS. DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, não podem se creditar das aquisições de produtos destinados à revenda em face de vedação expressa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
:
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COMBUSTÍVEIS. DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, não podem se creditar das aquisições de produtos destinados à revenda em face de vedação expressa. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. : (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, não podem se creditar das aquisições de produtos destinados à revenda em face de vedação expressa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. : (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 45 64 /2 01 1- 27 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904564/201127 Acórdão n.º 3801003.651 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciado Pedido de Ressarcimento (PER/DCOMP) de nº 01321.87950.201008.1.1.110619, por intermédio da qual o contribuinte pretende ver ressarcido crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo, no valor de R$ 30.022,66, concernente a COFINS (COFINS NÃO CUMULATIVO MERCADO INTERNO), período de apuração: 4º trimestre de 2006. Por meio de despacho decisório de fl. 7, com fundamento na informação fiscal de fls. 55/57, constatouse que o interessado apurou créditos relativos às aquisições de gasolina e óleo diesel para pleitear ressarcimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), considerando as suas saídas com alíquota zero. O pedido do contribuinte foi indeferido, pois apesar de sair produtos com alíquota zero, as tributações do COFINS, referentes ao óleo diesel e à gasolina, ocorrem de forma concentrada (incidência monofásica) no produtor ou importador, não havendo previsão legal da possibilidade de manutenção de créditos na aquisição pelo distribuidor ou revendedor atacadista ou revendedor varejista. Diante disso, como não foi constatado o auferimento de receitas não tributadas no mercado interno, passíveis de ressarcimento, o despacho decisório concluiu que o interessado não tem direito ao ressarcimento pleiteado. Regularmente cientificado do Despacho Decisório em 17/01/2012 (fl. 8), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 09/47, insurgindose contra o teor do despacho decisório de fl. 7, acompanhado de Informação Fiscal, na qual alega, em síntese, que: a) por entender ter direito ao crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, em relação aos produtos que adquiriu, pleiteou o seu ressarcimento; b) não pleiteou direito ao creditamento sobre álcool, gás liquefeito ou natural ou biodiesel, mas apenas ao creditamento na aquisição de gasolina A e óleo diesel, doravante englobados pelo termo combustível; c) as normas devem ser interpretadas sistematicamente sob pena de desvirtuamento da ordem jurídica, sendo desejo expresso do legislador que não existisse mais qualquer vedação ao creditamento pretendido como forma de dar efetividade à não cumulatividade; d) a contribuinte está obrigatoriamente sob a incidência das leis da nãocumulatividade, nos termos da Lei nº 10.637/2002 (PIS não cumulativo) e da Lei nº 10.833/2003 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904564/201127 Acórdão n.º 3801003.651 S3TE01 Fl. 4 3 (Cofins nãocumulativa), já que não se enquadra nas exceções; e) é de se consignar que os distribuidores já constaram expressamente como jungidos à cumulatividade, mas houve uma mutação na redação original que instituiu como substituto a refinaria e substituídos os distribuidores; f) a Lei nº 9.990/00 retirou a distribuidora da incidência; g) há ainda uma menção residual aos distribuidores de combustíveis, mas totalmente esvaziada, pois já não existe mais a substituição tributária aventada; h) há norma latente para os distribuidores enquanto substitutos, mas não há como contribuintes diretos, pois não estão mais na cumulatividade; i) quem se encontra em limbo tributário são os produtores não os distribuidores, já que passaram a ser submetidos às chamadas alíquotas diferenciadas; j) essa mixórdia se refere a “produtor” e “importador”, não arrastando para a balbúrdia os “distribuidores”; k) a legislação da cumulatividade não se destina à contribuinte já que os distribuidores, que apuram resultados para o imposto sobre a renda pelo lucro real, foram postos compulsoriamente na nãocumulatividade; l) cita os artigos que foram apresentados como fundamento para vedação definitiva dos créditos aqui discutidos; m) na cadeia produtiva de combustíveis, as distribuidoras estão em uma etapa que está sob a incidência da legislação do PIS/Cofins nãocumulativos e, para completar os critérios da regramatriz de incidência, já tinha ficado estabelecido que os distribuidores operariam com alíquota zero, conforme MP nº 2.15835/01; n) é descabido confundir alíquota zero com não incidência, pois são fenômenos distintos; o) quando a lei estabelece a tributação dita monofásica, ela expressamente coloca a incidência em uma única fase que não se confunde com a nãocumulatividade que pressupõe a tributação em várias fases mesmo que em uma ou alguma delas a incidência se dê à alíquota zero; p) nesse caso, não há direito a creditamento para outras fases, porque o resto da cadeia está fora do campo de incidência do tributo, uma vez que a tributação ficou inteiramente concentrada em um único contribuinte, independente da sistemática dos demais elos da cadeia produtiva. Nestes específicos casos, descabe falar em cumulatividade ou nãocumulatividade. Todavia, se incidir, ainda que com alíquota zero, não é o caso de tributação monofásica, o que não ocorreu com os combustíveis aqui discutidos: gasolina A e Diesel; q) é constrangedora a freqüência com que se repete, até em atos regulamentares inferiores, que os combustíveis estão sob o sistema de monofasia, porém não há tributação monofásica justamente porque todos estão submetidos à incidência da tributação das citadas contribuições (alíquota zero); r) por meio da MP nº 206, publicada e vigente em 09/08/2004, surgiu o artigo 16, que virou o artigo 17, quando convertida na Lei nº 11.033/2004, criando condições para a plena nãocumulatividade no que tange ao PIS/Cofins, como expresso na Exposição de Motivos da referida MP; s) a MP que introduziu o artigo 17 é norma politemática; t) a Lei nº 11.116/2005 veio para dar maior efetividade ao creditamento como instrumento da nãocumulatividade; u) a autoridade administrativa usou o argumento equivocado para Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904564/201127 Acórdão n.º 3801003.651 S3TE01 Fl. 5 4 negar o direito da empresa, citando as disposições da IN SRF nº 594/2005, que teria expressamente introduzido a vedação, e mais, com efeito retroativo. No Estado Democrático de Direito, as limitações e restrições ao agir dos contribuintes somente podem estar previstas em lei; v) pela normatização do PIS/Cofins nãocumulativos, o método escolhido pelo legislador foi o indireto subtrativo, ou seja, independe de quanto foi, ou sequer se houve, tributação na cadeia anterior, ou se o elo anterior estava no regime da nãocumulatividade, pois se baseia somente em incidência da alíquota base sobre as aquisições, independente se a aquisição seja decorrente de creditamento sobre etapas não tributadas, ou tributadas com alíquota diferente; x) em 03/01/2008, foi editada a MP nº 413, que alterou o permissivo de creditamento das leis da nãocumulatividade, porém tal dispositivo não foi aprovado; y) após toda a exposição, transcreve as seguintes premissas: 1) se a contribuinte é distribuidora de combustíveis; 2) se a contribuinte é tributada pelo Lucro Real (regime nãocumulativo para o PIS/Cofins); 3) o único instrumento com poderes para criar restrições é a lei; 4) existe norma que previu expressamente que a contribuinte deveria tributar o PIS/Cofins com alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofasia ou não incidência; 5) o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 prevê expressamente que todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, podem creditarse de PIS/Cofins; 6) a Lei nº 11.033/2004 é politemática; 7) o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 fez foi dotar de mais garantias a previsão do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 8) sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a contribuinte, sendo certo que normas infralegais não tem tal condão; 9) o creditamento é coerente com a técnica de não cumulatividade empregada no PIS/Cofins, em consonância com a prescrição constitucional; 10) o Poder Executivo, via medida provisória, tentou restaurar a vedação ao creditamento, mas por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; z) repisese, creditamento sobre a aquisição de Gasolina A e óleo Diesel, como consta de seu pedido. Ao final, requer a procedência da Manifestação de Inconformidade para o fim de se deferir o creditamento pretendido e homologada a compensação efetuada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DERIVADOS DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEIS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDA VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a creditamento de PIS/PASEP relativo às operações de distribuição e varejo de combustíveis, realizadas à alíquota zero, com base na sistemática da nãocumulatividade. É Fl. 123DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904564/201127 Acórdão n.º 3801003.651 S3TE01 Fl. 6 5 incontroverso que a Lei nº 9.990/2000 fixou a incidência monofásica do PIS/PASEP e da Cofins sobre combustíveis derivados de petróleo, permanecendo concentrada na produção e importação a incidência do tributo, inviabilizando, por esse motivo, o creditamento pretendido. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Reforça as teses suscitadas na manifestação de inconformidade e insiste que com o art. 17 da Lei n° 11.033/04 reaparece permissão para a mantença dos créditos discutidos e que o art. 16 da Lei nº 11.116/05 permitiu a utilização dos referidos créditos. Questiona o mérito das decisões judiciais colacionadas no acórdão. Argumenta que no caso da recorrente há: a) uma incidência tributária no início da cadeia, com alíquota diferenciada e ocasionalmente mais alta que a regra geral; b) e também uma incidência tributária nos demais elos da cadeia, igualmente com alíquota diferenciada e ocasionalmente mais baixa que a da regra geral. Pontua que monofásico seria, como a própria nomenclatura já adianta, só incidir em uma fase, ficando as demais como NT; que não é, como visto, o que ocorre, afinal a contribuinte está também ao alcance das contribuições sociais, apenas com uma alíquota diferenciada. Reitera que monofasia não é alíquota zero citando artigos das Leis 10.865/04 e 10.560/2002. Alega que o acórdão recorrido passou sem maiores análises sobre o fundamental art. 17 da Lei nº 11.033/04, que, por ser norma específica e posterior, revoga qualquer obstáculo que houvesse ao creditamento pretendido. Discorda da tese de que o art. 17 da Lei n° 11.033/04 não pode prevalecer sobre a vedação. Aduz que o art. 17 só pode se destinar exatamente para os casos que tinham vedação expressa. Os demais não precisavam, justamente porque não estavam vedados. De outro giro, apresenta os contornos das edições da Medidas Provisórias 413 e 451 de 2008, que não foram convertidas em Lei. Por fim, colaciona novamente as premissas legais apresentadas na manifestação de inconformidade e requer a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904564/201127 Acórdão n.º 3801003.651 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Para a solução da lide é importante um breve histórico da evolução legislativa em face da tributação das contribuições PIS e Cofins sobre os combustíveis. De imediato, registrese que não há controvérsia em relação ao fim do instituto da substituição tributária nas operações com combustíveis (gasolina e óleo diesel) a partir da edição da MP 199115, de 10 de março de 2000, e Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que alteraram a redação original da Lei 9.718/98: Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. (Vide arts. 4º e art. 92, da Medida Provisória nº 215835, de 2001) Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) I – dois inteiros e sete décimos por cento e doze inteiros e quarenta e cinco centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) II – dois inteiros e vinte e três centésimos por cento e dez inteiros e vinte e nove centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) III – dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento e onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liqüefeito de petróleo – GLP; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Fl. 125DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904564/201127 Acórdão n.º 3801003.651 S3TE01 Fl. 8 7 PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) III – 10,2% (dez inteiros e dois décimos por cento) e 47,4% (quarenta e sete inteiros e quatro décimos por cento) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo (GLP) dos derivados de petróleo e gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III 10,2% (dez inteiros e dois décimos por cento) e 47,4% (quarenta e sete inteiros e quatro décimos por cento) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) IV – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades.(Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) Parágrafo único. Revogado.(Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000)" Anotese, por pertinente, que a MP 199115, de 10 de março de 2000 (atual e em vigor MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001) em seu art. 43 reduziu a zero as alíquotas das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre os combustíveis vendidos pelos distribuidores e comerciantes, uma vez que se adotou o regime concentrado com alíquotas diferenciadas: Art. 43 Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolina automotiva, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas;(...) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às hipóteses de venda de produtos importados, que se sujeita ao disposto no art. 6º da Lei no 9.718, de 1998, com a redação atribuída pelo art. 2º desta Medida Provisória. (...) Fl. 126DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904564/201127 Acórdão n.º 3801003.651 S3TE01 Fl. 9 8 Art. 46. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (...) II no que se refere à nova redação dos arts. 4o a 6o da Lei no 9.718, de 1998, e ao art. 43 desta Medida Provisória, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de julho de 2000, data em que cessam os efeitos das normas constantes dos arts. 4o a 6o da Lei no 9.718, de 1998, em sua redação original, e dos arts. 4º e 5º desta Medida Provisória. . Como visto, o regime de substituição tributária nas operações com combustíveis foi extinto a partir da edição da MP 199115/2000 e de suas reedições. Desta forma, o regime em relação à incidência das contribuições PIS e Cofins passou a ser concentrado, em uma única fase, incidindo apenas sobre a receita de venda das refinarias. Com a instituição da sistemática de incidência nãocumulativa para as contribuições PIS e Cofins, as receitas de venda de combustíveis, inicialmente, não integravam a base de cálculo da contribuição em face de vedação legal, PIS/Pasep: art. 1°, § 3°, inciso IV, da MP nº 66/2002 e da Lei n° 10.637/2002 e Cofins: art. 1°, § 3°, inciso IV, da MP nº 135/2003 e da Lei n° 10.833/2003. Este status foi alterado pela Lei n° 10.865/2004 (DOU 30/4) que permitiu por força do disposto nos artigos 21 e 37, a utilização da sistemática nãocumulativa em relação às receitas da venda de gasolinas (exceto gasolina de aviação), óleo diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP) e autorizou o aproveitamento dos créditos relativos a tais produtos. Destacase a vedação da utilização de créditos por parte dos revendedores em relação aos produtos adquiridos para revenda, nos termos do art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.637/2002 e art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003. Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP Fl. 127DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904564/201127 Acórdão n.º 3801003.651 S3TE01 Fl. 10 9 derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008)(grifouse) A recorrente insiste que o art. 17 da Lei nº 11.033/04 alterou esse cenário e por ser norma específica e posterior, revoga qualquer obstáculo ao pretenso crédito. Não assiste razão à recorrente. Este dispositivo legal, abaixo transcrito, não alcança os produtos sujeitos ao regime monofásico. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Por força de expresso dispositivo legal (art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.637/2002 e art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003), o regime monofásico não possibilita o creditamento referentes as aquisições de mercadorias para revenda. Tenhase presente que a tributação concentrada nos produtores, importadores e refinarias de petróleo foi uma opção do legislador e não foi modificada pelo citado art. 17. Não se pode perder de vista que o referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004. A exposição de motivos reafirma o caráter meramente interpretativo deste diploma legal: “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS” Deste modo, o artigo 17 da Lei nº 11.033/04 não gerou novas hipóteses de creditamento como quer fazer crer a recorrente. Reiterase que a vedação expressa não foi revogada tacitamente. Interpretação equivocada a da recorrente e que não tem guarita neste Conselho e no Poder Judiciário. Por pertinente, transcrevese a expressão do § 8º da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002: 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904564/201127 Acórdão n.º 3801003.651 S3TE01 Fl. 11 10 as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária.(grifouse). Nesse sentido, recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial 1.259.770 PR, assim se pronunciou: COFINS. CREDITAMENTO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004, C/C ART. 16, DA LEI N. 11.116/2005. REVENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES E AUTOPEÇAS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS. REGIME ESPECIAL EM RELAÇÃO AO REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. 1. Consoante os precedentes desta Segunda Turma de Direito Tributário do Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas ao pagamento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS em Regime Especial de Tributação Monofásica não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do Regime de Incidência NãoCumulativo, a teor dos artigos 2º, §1º, e incisos; e 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. Desse modo, não se lhes aplicam, por incompatibilidade de regimes e por especialidade de suas normas, o disposto nos artigos 17, da Lei n. 11.033/2004, e 16, da Lei n. 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao Regime NãoCumulativo, salvo determinação legal expressa. Precedentes: REsp. Nº 1.267.003 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013; AgRg no REsp. Nº 1.239.794 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 17.09.2013. 2. Indiferentes se tornam as alterações efetuadas no art. 8º VII "a" da Lei n.º 10.637/2002 e art. 10, VII "a" da Lei n.º 10.833/2003 pelo art. 42, III, "c" e "d", da Lei n. 11.727/2008, e pelo art. 21, da Lei n. 10.865/2004 no art. 1º, §3º, IV, da Lei n. 10.833/2003 e pelo art. 37 da Lei n. 10.865/2004 no art. 1º, §3º, IV, da Lei n. 10.637/2002, pois a incompatibilidade é dos próprios regimes de tributação. 3. Incompatibilidade que se restringe às mercadorias e produtos sujeitos à tributação monofásica, não alcançando as atividades empresariais como um todo. 4. Agravo regimental não provido.(grifouse) Assinalese, também, que este entendimento está em consonância com os princípios constitucionais da capacidade contributiva, que se aplica as diversas espécies tributárias, e universalidade do custeio da seguridade social. Uma interpretação equivocada de um dispositivo legal, art. 17 da Lei nº 11.033/04, não pode enriquecer ilicitamente parcela dos contribuintes. De outro giro, o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, esteado no princípio da solidariedade, não autoriza o creditamento dos produtos adquiridos para revenda sujeitos à tributação concentrada. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904564/201127 Acórdão n.º 3801003.651 S3TE01 Fl. 12 11 De modo que, ao contrário do alegado, não há que se falar em direito à restituição dos valores de PIS e Cofins, visto que há vedação expressa ao creditamento referente às aquisições de produtos monofásicos destinados à revenda. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações pleiteadas. Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10803.000073/2010-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE PROCEDIMENTO CRIMINAL.
Nos termos do artigo 332 do CPC, a prova da verdade dos fatos poderá ser feita por todos os meios legais e moralmente legítimos, sendo lícita a utilização de provas produzidas a partir de procedimento criminal realizado com a observância do quanto disposto no artigo 5º, inciso XII, da Constituição da República.
LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA.
Não havendo preterição do direito de defesa, com a descrição dos fatos e a observância dos elementos necessários à constituição do crédito tributário, não há que se falar em nulidade do lançamento.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Em se tratando de omissão de rendimentos, o prazo para o lançamento tributário efetuado nos casos em que haja comprovação de dolo, fraude ou simulação desloca o dies a quo do prazo decadencial para o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante determinado pela combinação dos arts. 150, §4º, e 173, I, do CTN.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR INTERPOSTA PESSOA, SENDO O CONTRIBUINTE O SEU BENEFICIÁRIO.
O recebimento de rendimentos tributáveis por interposta pessoa não oferecidos à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, sendo o contribuinte o seu beneficiário final, configura omissão de rendimento, sujeita ao lançamento de ofício.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INTERPOSTA PESSOA. AUSÊNCIA DE PROVA ACERCA DO SEU REAL BENEFICIÁRIO.
Cabe ao Fisco o ônus de demonstrar que o contribuinte é o efetivo beneficiário dos rendimentos recebidos por interposta pessoa. Não restando configurada a prova do efetivo recebimento de recursos, não há que se falar em omissão.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
Comprovando-se o dolo, a fraude ou a simulação, impõe-se ao infrator a aplicação da multa qualificada no montante de 150% prevista na legislação de regência.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Na forma da Súmula nº 4 deste Tribunal, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para afastar o item 2 do lançamento, relativo à OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS - GRUPO MUDE - intermédio do doleiro RENATO LANZUOLO FILHO - LANZA. Vencidos os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins e Eduardo de Souza Leão, que votaram por negar provimento ao recurso. Recurso apreciado na sessão da tarde do dia 12 de agosto de 2014. Realizou sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Igor Nascimento de Souza - OAB-SP 173167.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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NULIDADE. AUSÊNCIA. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE PROCEDIMENTO CRIMINAL. Nos termos do artigo 332 do CPC, a prova da verdade dos fatos poderá ser feita por todos os meios legais e moralmente legítimos, sendo lícita a utilização de provas produzidas a partir de procedimento criminal realizado com a observância do quanto disposto no artigo 5º, inciso XII, da Constituição da República. LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. Não havendo preterição do direito de defesa, com a descrição dos fatos e a observância dos elementos necessários à constituição do crédito tributário, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Em se tratando de omissão de rendimentos, o prazo para o lançamento tributário efetuado nos casos em que haja comprovação de dolo, fraude ou simulação desloca o dies a quo do prazo decadencial para o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante determinado pela combinação dos arts. 150, §4º, e 173, I, do CTN. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR INTERPOSTA PESSOA, SENDO O CONTRIBUINTE O SEU BENEFICIÁRIO. O recebimento de rendimentos tributáveis por interposta pessoa não oferecidos à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, sendo o contribuinte o seu beneficiário final, configura omissão de rendimento, sujeita ao lançamento de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 73 /2 01 0- 90 Fl. 3160DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000073/201090 Acórdão n.º 2101002.529 S2C1T1 Fl. 3.115 2 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INTERPOSTA PESSOA. AUSÊNCIA DE PROVA ACERCA DO SEU REAL BENEFICIÁRIO. Cabe ao Fisco o ônus de demonstrar que o contribuinte é o efetivo beneficiário dos rendimentos recebidos por interposta pessoa. Não restando configurada a prova do efetivo recebimento de recursos, não há que se falar em omissão. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Comprovandose o dolo, a fraude ou a simulação, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada no montante de 150% prevista na legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Na forma da Súmula nº 4 deste Tribunal, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para afastar o item 2 do lançamento, relativo à “OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS GRUPO MUDE intermédio do doleiro RENATO LANZUOLO FILHO LANZA”. Vencidos os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins e Eduardo de Souza Leão, que votaram por negar provimento ao recurso. Recurso apreciado na sessão da tarde do dia 12 de agosto de 2014. Realizou sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Igor Nascimento de Souza OABSP 173167. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior e Eivanice Canário da Silva. Fl. 3161DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000073/201090 Acórdão n.º 2101002.529 S2C1T1 Fl. 3.116 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em 19 de setembro de 2011 (efls. 2938/3054) contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (efls. 2883/2930), do qual o Recorrente tomou ciência em 18 de agosto de 2011 (efl. 2937), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de efls. 2051/2063, lavrado em 03 de dezembro de 2010 (ciência em 18/12/2010, efl. 2065), em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas (001 – omissão de rendimentos por participações nos lucros – Grupo Mude – interposta pessoa: April Holdings Overseas Ltd.; 002 – omissão de rendimentos por participações nos lucros – Grupo Mude – intermédio do doleiro Renato Lanzuolo Filho – Lanza; 003 omissão de rendimentos por participações nos lucros – Grupo Mude – na interposta pessoa da empresa: DBRO Assessoria e Consultoria Empresarial), verificada nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento, enquanto ato administrativo. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciando se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTE NO EXTERIOR. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os recursos financeiros recebidos do exterior, tendo o contribuinte como seu beneficiário final. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR MEIO DE PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS. Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de pessoas jurídicas interpostas em vários anoscalendário e não os Fl. 3162DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000073/201090 Acórdão n.º 2101002.529 S2C1T1 Fl. 3.117 4 ofereceu à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada, que deverá ser mantida. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Demonstrada a intenção deliberada do contribuinte em omitir rendimentos em sua declaração de ajuste anual, tornase perfeitamente aplicável a multa qualificada de 150%. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Eventual inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da norma legal deve ser apreciada pelo Poder Judiciário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 2938/3054), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar a parte remanescente do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Preliminarmente, alega o Recorrente a impossibilidade de utilização das provas obtidas no Procedimento Criminal n.º 2005.61.0092851, da 4ª Vara Federal Criminal da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo (SP), sob o argumento de que tal medida não encontra amparo no artigo 5º, incisos X, XI e XII, da Constituição. Não é esse, contudo, o entendimento que deve prevalecer. Exatamente como determina o artigo 5º, inciso XII, da Constituição da República, a quebra do sigilo das correspondências e comunicações foi realizada em cumprimento de ordem judicial (Ofício n.º 3693/2008 – S7 – SVZ, emitido em 16/06/2008 pelo Exmo. Juiz Alexandre Cassettari – cf. fl. 1.846), nos termos estabelecidos em lei para fins de investigação criminal. Mediante requisição da Justiça Federal, servidores da Secretaria da Receita Federal do Brasil participaram da investigação criminal na condição de assistentes técnicos. Não há vedação na Constituição, tampouco na legislação relativa ao processo administrativo, acerca do traslado de documentos ou utilização de provas realizadas em processo diverso. A propósito, em consonância com o Texto Constitucional, o artigo 332 do Código de Processo Civil autoriza o seu uso, ao determinar que “todos os meios legais, bem Fl. 3163DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000073/201090 Acórdão n.º 2101002.529 S2C1T1 Fl. 3.118 5 como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa.” Importante consignar, ademais, que a lavratura do auto de infração observou os ditames do devido processo legal, possibilitandose ao contribuinte o exercício do contraditório e ampla defesa. Nesse sentido, considerando que as provas foram produzidas em face da regular instauração do procedimento criminal e que foram observadas as garantias do contribuinte no processo administrativo tributário, não há que se falar em nulidade decorrente da sua utilização, como, aliás, já reconheceu em inúmeras oportunidades esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a exemplo do julgado cujo excerto ora se reproduz: “(...) PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE LAUDO PERICIAL CONFECCIONADO PELA POLÍCIA FEDERAL – DOCUMENTAÇÃO TRAZIDA DO EXTERIOR COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL – PROVA EMPRESTADA – POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PELO FISCO – DOCUMENTOS INCIDENTAIS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA – DESNECESSIDADE DE TRADUÇÃO PARA O VERNÁCULO O fisco pode se valer de prova emprestada, produzida em outro processo administrativo fiscal ou mesmo processo judicial, inclusive em processo criminal. Não há necessidade de que a prova do Processo Administrativo Fiscal seja produzida por Auditor Fiscal da Receita Federal. Peças incidentais em língua estrangeira, as quais não criaram qualquer dificuldade para a defesa do recorrente, estando, ressaltese, nos pontos que interessam à solução da presente lide, traduzidas para vernáculo nos ofícios e laudos da Polícia Federal, não inquinam de nulidade o lançamento em debate. (...).” (Recurso Voluntário ref. Processo Administrativo n.º 18471.001360/200641, Acórdão n.º 10617029, Relator Giovanni Christian Nunes Campos, j. em 07/08/2008). Também não merece acolhida a preliminar arguida pelo Recorrente acerca da nulidade do lançamento por suposta violação aos princípios da impessoalidade e da motivação, em razão da inexistência de relação entre as atuações fiscais lavradas em face da empresa MUDE e a apuração do IRPF havida nos presentes autos. Sob a ótica do Recorrente, o acórdão da DRJ teria incorrido em contradição, ao afirmar que (i) o lançamento tributário efetivado contra a empresa Mude não altera o presente lançamento e, por outro lado, (ii) que a base do lançamento tributário é a distribuição dos lucros da operação tida por fraudulenta. Não há, no presente caso, qualquer violação aos princípios da impessoalidade e da motivação, porquanto houve a apuração, de acordo com a legislação pertinente, dos fatos aptos à incidência da norma tributária, realizando a autoridade, nos exatos termos do artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, a atividade administrativa do lançamento. Para tanto, houve a expedição do devido Mandado de Procedimento Fiscal, procedendose à constituição do crédito tributário e possibilitandose ao contribuinte o exercício das garantias constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. De igual modo, não há que se falar em contradição no julgado, eis que a utilização do mesmo contexto probatório, no qual restou caracterizada a fraude tributária, não deve ser afetada em razão do lançamento distinto realizado em face da empresa Mude. Tal como bem consignado no acórdão recorrido, “os lançamentos em face da MUDE e do Fl. 3164DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000073/201090 Acórdão n.º 2101002.529 S2C1T1 Fl. 3.119 6 contribuinte são distintos e possuem fundamentação diferente, em que pese a investigação ter sido iniciada por meio dos mesmos instrumentos judiciais e administrativos. A convergência encontrase tãosomente na caracterização da fraude tributária, já que a intenção de cometer o ilícito emerge de todo o conjunto probatório coletado pela autoridade fiscal no decorrer de todas as investigações e de todos os procedimentos conduzidos contra todo o grupo.” (efl. 2.908). Rejeitadas as preliminares arguidas pelo Recorrente, passo ao exame do mérito. O caso dos autos, relativo a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, decorre de fatos desvendados em decorrência da chamada “Operação Persona”, deflagrada em 16/10/2007 pela Receita Federal do Brasil conjuntamente com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, com a instauração do Procedimento Criminal n.º 2005.61.0092851, que tramitou na 4ª Vara Federal Criminal da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo (SP), a qual apontou um esquema de importação tido por fraudulento, valendose de empresas e pessoas interpostas, cujas reais beneficiárias eram a empresa Mude Comércio e Serviços Ltda. e a multinacional americana Cisco Systems Inc. Diante do conjunto probatório obtido, constatouse “a participação efetiva do sujeito passivo Moacyr Alvaro Sampaio no esquema fraudulento JDCT/Mude e, concomitantemente, dos recebimentos pelo próprio de rendimentos tributáveis por participações nos resultados do Grupo JDCT/Mude (...).” (cf. Termo de Constatação e Intimação Fiscal – efl. 1.769 dos autos). Consoante se extrai do Termo de Verificação e Constatação Final, datado de 03/12/2010, o Grupo JDCT/Mude “era constituído por empresas sediadas no Panamá, Ilhas Virgens Britânicas, Bahamas, Estados Unidos e Brasil. A distribuição dos recursos financeiros obtidos através do esquema de interposição fraudulenta ocorria basicamente em paraísos fiscais, através de offshores, e, em território nacional, pela própria MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., mediante pagamentos de prolabore e de prestação de serviços de empresas individuais inexistentes” (efl. 1.847 dos autos). Foi lavrado, assim, o auto de infração de efls. 2051/2063, apontandose omissões de rendimentos recebidos do Grupo JDCT/Mude pelo Recorrente, por intermédio da empresa April Holdings Overseas Ltd., do doleiro Renato Lanzuolo Filho – Lanza, bem como da empresa DBRO Assessoria e Consultoria Empresarial. Sustenta o Recorrente, de início, a violação aos princípios da legalidade, da motivação e da ampla defesa, seja em razão (i) da suposta ausência de indicação de forma clara e precisa da condição jurídica do Recorrente perante a empresa Mude, seja em razão (ii) da alegada ausência de fundamentação legal específica no auto de infração para desconsiderar a existência ou a personalidade jurídica das empresas April e DBRO. No que concerne à indicação da condição jurídica do Recorrente perante a empresa Mude, o Termo de Verificação e Constatação Final é claro ao apontar, em sua Parte II, intitulada “Participação efetiva de MOACYR ALVARO SAMPAIO no esquema JDTC/MUDE”, sua participação como um dos principais beneficiários do esquema criado pelo grupo, juntamente com PEDRO LUIS ALVES COSTA, HELIO BENETTI PEDREIRA, FERNANDO MACHADO GRECCO, MARCELO NAOKI IKEDA, LUIS SCARPELLI FILHO, JOSÉ ROBERTO PERNOMIAN RODRIGUES, CARLOS ROBERTO Fl. 3165DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000073/201090 Acórdão n.º 2101002.529 S2C1T1 Fl. 3.120 7 CARNEVALI, PAULO ROBERTO MOREIRA, CID GUARDIA FILHO, ERNANI BERTINO MACIEL e MARCILIO PALHARES LEMOS. (cf. efl. 1.931, item 3). Verificouse a existência de “Acordo de Associação com Opção de Compra de Quotas/Ações”, firmado entre o Recorrente e outras pessoas físicas (HÉLIO BENETTI PEDREIRA, PEDRO LUIS ALVES COSTA, FERNANDO MACHADO GRECCO, MARCELO NAOKI IKEDA, LUIZ SCARPELLI FILHO e JOSÉ ROBERTO PERNOMIAN RODRIGUES) para exploração de negócios de distribuição de produtos da área de informática, no qual se estabelece que a empresa Mude em conjunto com as empresas americanas “MUDE USA, LLC” e “LOGCIS, LLC” reunirão esforços para o alcance dos objetivos descritos no contrato (efls. 1.932/1.933). Conclui a fiscalização, diante dos elementos arrecadados nos autos, que o Sr. Moacyr A. Sampaio “sempre teve pleno conhecimento e responsabilidade por todas as situações factuais relativas ao grupo MUDE”, sendo “um dos grandes mentores do esquema, compondo, ao lado de MOACYR SAMPAIO, CARLOS CARNEVALLI, PEDRO COSTA e FERNANDO GRECCO, juntamente com MARCELO IKEDA, LUIS SCARPELLI e JOSE ROBERTO PERNOMIAN, “os quadros hierárquicos superiores do grupo JDTC/MUDE” (efl. 1.943). Não há que se falar, pois, em ausência de indicação da condição jurídica do Recorrente perante a empresa MUDE, cumprindo a fiscalização com seu mister ao apontálo como real beneficiário da operação, compondo os quadros de comando do grupo. Também não merece guarida a alegação do Recorrente acerca da ausência de fundamentação legal para desconsideração da existência ou da personalidade jurídica das empresas April e DBRO. O auto de infração aponta os fundamentos legais que embasam a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, a saber: art. 1º a 3º da Lei n.º 7.713/88, arts. 1º a 3º da Lei n.º 8.134/90, art. 1º da Lei n.º 11.119/05, art. 1º da Lei n.º 11.311/06, art. 1º da Lei n.º 11.482/07, bem como os arts. 43, 45 e 49 a 53 do RIR/99. Ademais, verificase no Termo de Verificação e Constatação Final (fls. 1994 e ss. dos autos), que é parte integrante e indissociável do auto de infração, que foi apontada a “simulação dos atos praticados”, identificandose, ademais, os fundamentos que embasaram o reconhecimento do ato ilícito, caracterizador da prática fraudulenta, quais sejam, arts. 166 e 187 do Código Civil. À luz dos mencionados artigos do Código Civil, procedeuse à requalificação jurídica dos fatos, nos exatos termos do artigo 118, I, do CTN. Ao contrário do que alega o Recorrente, diante da clara identificação da fundamentação legal do auto de infração, não se verificou qualquer prejuízo à defesa. Sustenta o Recorrente, outrossim, a incompetência da Fiscalização para a desconsideração da personalidade jurídica das empresas April e DBRO, sob o fundamento de que compete à Justiça do Trabalho, de acordo com o artigo 114 da Constituição, processar e julgar todos os casos oriundos da relação de trabalho. Aduz que o artigo 50 do Código Civil determina que somente no âmbito judicial é possível desconsiderar a personalidade jurídica da empresa, desde que configurado o abuso de forma caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial. Ainda que assim não fosse, o artigo 116 do CTN, o qual depende de edição de lei ordinária regulamentadora, sequer teria sido citado no auto de infração. Acrescenta o Recorrente, em outro ponto da defesa, que, não bastasse a ausência de correlação Fl. 3166DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000073/201090 Acórdão n.º 2101002.529 S2C1T1 Fl. 3.121 8 dos dispositivos apontados pela fiscalização (arts. 166 e 187 do Código Civil, e arts. 118, inc. I, e 135 do CTN) com a suposta ocorrência de simulação ou abuso de forma, tais figuras jurídicas não teriam sido perpetradas. Não lhe assiste razão, contudo. Tal como apontado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, diante do esquema fraudulento desvendado, verificouse a interposição de pessoas com vistas a desnaturar o verdadeiro beneficiário das operações, configurandose verdadeira hipótese de simulação. Na simulação, é essencial que haja uma completa dissociação entre o negócio jurídico que aparentou ter sido realizado e aquele que efetivamente o foi, sendo este ajuste realizado com o intuito de prejudicar terceiros. Como esclarece Alberto Xavier, “a simulação é um caso de divergência entre a vontade (vontade real) e a declaração (vontade declarada), procedente de acordo entre o declarante e o declaratário e determinada pelo intuito de enganar terceiros” (XAVIER, Alberto. Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva. São Paulo: Dialética, 2001. p. 52). Referido conceito, como é cediço, não se confunde com o de negócio jurídico indireto. Neste último, “as partes, ao adotarem essa estrutura jurídica típica, objetivaram atingir um fim diverso daquele para o qual o negócio jurídico foi criado. Em outras palavras, as partes realizam um negócio jurídico típico para atingir uma finalidade própria de outro negócio jurídico, também típico” (BIANCO, João Francisco. Op. cit. p. 184). Não se trata, portanto, da aplicação do disposto no artigo 116 do Código Tributário Nacional, que trata da desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos da obrigação tributária, mas, sim, da típica hipótese de simulação, configurada nos exatos termos do artigo 167 do Código Civil: “Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. § 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado.” Em casos tais, o Código Tributário Nacional, em seus arts. 118, inc. I, e 149, inc. VII, prevê a requalificação jurídica dos fatos, competindo à autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício. Vejase: “Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: Fl. 3167DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000073/201090 Acórdão n.º 2101002.529 S2C1T1 Fl. 3.122 9 I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; (...).” *** “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII – quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação.” Percebese, pois, que o ordenamento admite o lançamento de crédito tributário nas hipóteses em que comprovado o dolo, a fraude ou a simulação, não havendo qualquer violação aos termos do artigo 114 da Constituição ou 50 do Código Civil, por não se tratar de caso oriundo de relação de trabalho, tampouco do abuso de forma, mas, sim, de um negócio jurídico simulado, prescindindose da declaração judicial de sua nulidade. Outro não é o entendimento que vem sendo adotado por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, reconhecendose o cabimento do lançamento de ofício naqueles casos nos quais restar configurada a simulação. É o que se infere do julgado cuja ementa ora se reproduz: “SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. PREVALECE O PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. INCIDÊNCIA ART. 149, VII, DO CTN. Os fatos devem prevalecer sobre a aparência, formal ou documentalmente, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços por intermédio de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas, nos termos do art. 149, VII, do CTN. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Recurso Voluntário ref. Processo Administrativo n.º 11040.721574/201126, Acórdão n.º 2402003.528, Relator Ronaldo de Lima Macedo, 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção do CARF, j. em 17/04/2013). Fl. 3168DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000073/201090 Acórdão n.º 2101002.529 S2C1T1 Fl. 3.123 10 Descabe, também, o argumento do Recorrente acerca da inexistência de vínculo empregatício com a empresa Mude, tratandose, em verdade, de rendimentos advindos não da relação de trabalho, para a qual, de fato, seriam necessários os requisitos da subordinação, onerosidade, continuidade, habitualidade e pessoalidade, mas, ao contrário, de omissão de rendimentos decorrentes da efetiva participação nos lucros do Grupo Mude, diante da comprovação da participação do Recorrente como seu real beneficiário. E como se extrai do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal Final, reconheceuse que o Sr. Moacyr é sócio ou exsócio de várias empresas do grupo (efl. 1942); que “faz parte do esquema fraudulento desde seus primórdios” (efl. 1943); que, apesar de não ter participação formal no quadro societário da Mude, tem representado empresas do Grupo, sendo, a partir de 13/07/2007, um dos seus controladores (efls. 1943/1944); concluindose, ademais, que o Recorrente é “integrante do quadro societário de empresas, no caso a “MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS”. Diante da comprovação da efetiva participação do Recorrente como integrante do quadro societário da empresa, não há que se falar na necessidade de comprovação dos requisitos necessários à configuração de vínculo empregatício. Aponta o Recorrente, ainda, supostas inconsistências no trabalho da fiscalização, por não haver qualquer relação entre os documentos apreendidos pela Polícia Federal e o fato gerador do IRPF, não se sustentando o lançamento com base em mera planilha apreendida na residência dos participantes. Salienta, ainda, que a autuação fiscal é ilíquida e incerta, em especial no ponto atinente à operação intitulada “Venda da Mude”, a qual não teria ocorrido, não se desincumbindo a fiscalização de demonstrar se as informações e planilhas apontadas teriam alguma sustentação documental e/ou fática. Aduz que não há, nos autos, a comprovação documental dos fatos presumidos pela fiscalização, a qual se reporta a meras planilhas que não retratam os fatos aos quais se possa atribuir natureza tributária. Reitera a alegação de não comprovação de disponibilização de recursos ao Recorrente, ao sustentar que o Termo de Verificação e Conclusão Fiscal está calcado em suposições. Especificamente em relação às transferências que teriam sido efetuadas pelo Sr. Renato Lanzuolo Filho, afirma que o referido Termo de Verificação sequer definiu se as supostas remessas ilegais de recursos teriam sido feitas pelo Sr. Renato Lanzuolo ou, ainda, pelo Sr. Renato Lanzuolo Filho. No que concerne à apontada operação de venda da empresa Mude, afirma que tal operação sequer teria existido, não assinando o Recorrente qualquer documento nesse sentido. Mais que isso, o Termo de Verificação e Conclusão Fiscal ora aponta o valor de U$ 8,613,146.60 como decorrente da venda da empresa Mude, ora aponta, em sua Parte III, como rendimentos supostamente omitidos pelo Recorrente, o que confere iliquidez e incerteza à autuação, a qual, quando muito, deveria aplicar a alíquota de 15%, relativa a eventual ganho de capital auferido, e não a alíquota de 27,5%. Ainda que se admitisse, em atenção ao princípio da eventualidade, como verdadeira a operação de venda da participação societária do Recorrente, o crédito tributário teria sido atingido pela decadência, nos termos dos artigos 142 e 852 do RIR/99. Há que se fazer, aqui, a distinção entre as apontadas omissões em relação aos rendimentos recebidos pelas interpostas pessoas jurídicas April e DBRO, daquelas omissões decorrentes dos rendimentos apontados como recebidos por intermédio do doleiro Renato Lanzuolo Filho. No que concerne às primeiras operações (April e DBRO), irretocáveis as conclusões havidas no acórdão recorrido, no sentido de que o Recorrente foi o real beneficiário Fl. 3169DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000073/201090 Acórdão n.º 2101002.529 S2C1T1 Fl. 3.124 11 de tais rendimentos, as quais, pela clareza em que foram explicitadas, merecem ser aqui reproduzidas: “No caso concreto em análise, de acordo com as considerações anteriores, entendese que se configura a simulação. De acordo com as conclusões expendidas no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, o conjunto de fatos e documentos apontam a participação efetiva do sujeito passivo no esquema de importação com interposição fraudulenta de pessoas jurídicas, do qual era um dos principais mentores, compondo ao lado de outros, os quadros hierárquicos superiores do grupo JDCT/MUDE. Além de sua atual participação no quadro diretivo da MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., o impugnante era um dos sócios ocultos de um grupo ainda maior, cuja holding, a J.D.C.T – EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., tinha na MUDE um dos seus investimentos no país. Detectouse que a distribuição de lucros apurados aos envolvidos nesse grande negócio, que movimentava centenas de milhares de dólares por ano, era realizada, em regra, no exterior, através de offshores denominadas operacionais, vinculadas ao grupo JDCT/MUDE, que alimentavam as contas de offshores particulares. Tais empresas, embora formalmente em nome de terceiros (interpostas pessoas vinculadas a um escritório de advocacia), tinham seus atos de gestão praticados por sócios ocultos do esquema, reais proprietários das mesmas, que as controlava através de procurações com plenos poderes. Restou ainda demonstrada a utilização de doleiros no envio de recursos para estas empresas. Apurouse que as offshores FULFILL HOLDING, RAYWELL OVERSEAS, SANSONS INVESMENTS, NORDSTROM TRADING, CASPIAN OVERSEAS faziam parte do grupo JDCT/MUDE, que controlava as empresas FULFILL DISTRIBUIDORA e MUDE COMÉRCIOS E SERVIÇOS. O impugnante ocupava o cargo de CEO (Chief Executive Office) da Mude Comércio e Serviços, aparecendo também formalmente como sócio de José Roberto Pernomian na Mude USA de Miami. A partir de documentos apreendidos pela Polícia Federal na chamada “Operação Persona” e de informações e documentos apresentados pela empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., autoridade fiscal apurou que o impugnante omitiu rendimentos auferidos por intermédio da pessoa jurídica APRIL HOLDING OVERSEAS LTD., da qual era proprietário de fato. Em vista disso, reconstitui o verdadeiro ato praticado e efetuou a exclusão das relações jurídicas defeituosas (interpostas pessoas) e a inclusão do sujeito oculto (Moacyr Álvaro Sampaio), restabelecendo o fato gerador geral e os verdadeiros sujeitos da relação jurídica constitutiva da obrigação tributária decorrente. A Fiscalização verificou que o impugnante (...) constituiu no território nacional as empresas FERCICA & BARNEY PARTICIPAÇÕES e MOMA PARTICIPAÇÕES LTDA., através das quais efetuou a aquisição de inúmeros móveis e imóveis e outros investimentos diversos, sem a incidência de qualquer tributação. Verificouse ainda que a empresa MOMA investiu ou transferiu valores para as empresas DS2 EDITORA DE COMUNICAÇÃO E MARKETING LTDA. e J.IDA AGROPECUÁRIA LTDA. Assim, a forma principal de atuação do grupo era constituir uma empresa em um paraíso fiscal, em nome de interpostas pessoas (“laranjas”), que depois repassavam a titularidade para o real dono, na forma de procurações com plenos Fl. 3170DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000073/201090 Acórdão n.º 2101002.529 S2C1T1 Fl. 3.125 12 poderes de gestão sobre as mesmas. A fase final era fazer com que os recursos disponíveis nas offshores retornassem ao país, sob a forma de investimentos no país, em empresas vinculadas a integrantes do grupo, geralmente a título de aumento de capital. (...) O conjunto de fatos e documentos analisados pela fiscalização evidenciaram e comprovam a participação efetiva do impugnante no esquema fraudulento e, concomitantemente, o recebimento pelo próprio de rendimentos tributáveis por participações nos resultados do grupo JDCT/MUDE, decorrentes, entre outros ilícitos, de subfaturamento das importações, sonegação de tributos estaduais e federais, notadamente o IPI, falsidade ideológica e documental, utilizandose, por intermédio de simulações praticadas, da interposta empresa APRIL HOLDINGS OVERSEAS LTD. As constituições das empresas Moma Participações Ltda., Fercica & Barney Ltda., estabelecidas no território nacional, e April Holdings Overseas Ltd., estabelecida no exterior, fizeram parte das simulações tramadas pelo sujeito passivo, visando ao recebimento indireto de recursos obtidos através do esquema de interposição fraudulento. Dentre os inúmeros fatos apurados pela Fiscalização, constatouse que o impugnante, utilizandose da empresa FERCICA & BARNEY PARTICPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA. era proprietário de quatro veículos e adquiriu desde 1.999 um total de 22 (vinte e dois) imóveis utilizandose da empresa MOMA PARTICIPAÇÕES LTDA. associase a outras empresas constituídas pela sua família, repassando a estas, sob a forma de investimentos, a maior parte dos recursos financeiros encaminhados pela APRIL. O impugnante utilizouse também, no território nacional, da empresa DBRO ASSESSORIA E CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA., CNPJ 07814.645/000107, para receber, de maneira disfarçada, rendimentos isentos pela sua participação societária no esquema fraudulenta [sic]. A pessoa jurídica DBRO foi constituída no final de 2005, juntamente com Pedro Luis Alves da Costa, Helio Benetti Pedreira e José Roberto Pernomian Rodrigues, com o fito de efetuarem retiradas da MUDE. A fiscalização constatou que, no anocalendário de 2006, 97,95% da receita da DBRO foi proveniente de rendimentos obtidos da empresa MUDE. No ano calendário 2007, esse índice subiu para 100%. Constatouse, ainda, que os rendimentos da Mude simulavam pagamentos por serviços prestados pela DBRO, gerando, consequentemente, lucros para a empresa DBRO, que eram distribuídos aos sócios, para informarem como rendimentos isentos e não tributáveis (Lucros e Dividendos Recebidos) nas Declarações de Ajuste Anual da Pessoa Física. Além da empresa nacional DBRO, o grupo JDTC/MUDE constituiu também a DBRO Hold. Cia Limited, em Bahamas, a qual desempenha o papel de offshore operacional do esquema. Documentos arrecadados pela Polícia Federal demonstram que o impugnante assinou documentos como representante da DBRO Hold. Cia Limited. Assim, após análise de todos os elementos juntados aos autos, fica claro que empresa APRIL HOLDING OVERSEAS LTD. e a empresa DBRO operaram durante suas existências como interpostas pessoas, no intuito de acobertar as Fl. 3171DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000073/201090 Acórdão n.º 2101002.529 S2C1T1 Fl. 3.126 13 movimentações financeiras do impugnante, para que este deixasse de recolher os tributos federais sobre as receitas omitidas. A fiscalização levantou provas convincentes deste ilícito. (...).” (efls. 2.919/2.922) Como se verifica, portanto, o conjunto probatório dos autos não deixa dúvidas acerca da percepção, por interpostas pessoas (April Holdings Overseas Ltd. e DBRO Assessoria e Consultoria Empresarial), de rendimentos decorrentes da empresa Mude, evidenciando a simulação havida com o intuito de afastar a tributação. Especificamente em relação à apontada omissão de rendimentos da empresa April Overseas Ltd., vêse que as offshores vinculadas ao grupo JDCT/MUDE remeteram valores àquela empresa, controlada pelo Recorrente mediante a outorga de procurações com plenos poderes. Como bem retratado no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal Final, houve um “entrelaçamento” entre as empresas, com o fito de possibilitar o retorno dos valores ao país, geralmente a título de aumento de capital. Como se extrai do aludido termo: “(...), essa é basicamente a forma de atuação do grupo. Constitui uma empresa em um paraíso fiscal, em nome de interpostas pessoas ("laranjas") do escritório ALCOGAL, que depois repassam a titularidade para o real dono, na forma de procurações com plenos poderes de gestão sobre as mesmas. A fase final é fazer com que os recursos disponíveis nestas offshores possam retornar ao país, sob a forma de investimentos no pais, em empresas vinculadas a integrantes do grupo, geralmente a título de aumento de capital.” (efl. 1972/1973). Há que se enfrentar, nesse ponto, o argumento do Recorrente apontado no memorial protocolado em 18 de julho de 2014, no sentido de que “por um lado, a D. Fiscalização alega que os rendimentos obtidos foram recebidos por intermédio da integralização de capital, mas, por outro, toma por base tributável não os valores efetivamente integralizados, mas aqueles constantes em uma mera planilha – o documento “SP20IT221”.” (fls. 7/8 do memorial). Ocorre que, como verificado, a planilha referida apenas vem a corroborar os demais elementos constantes nos autos, no sentido de que o Recorrente foi o efetivo beneficiário de remessas realizadas pela April, efetuadas “geralmente”, mas não apenas, “a título de aumento de capital”, com a constituição das empresas Fercica e Moma, as quais, por sua vez, efetuaram a aquisição de inúmeros bens e realizaram diversos investimentos. Não há que se considerar, pois, como requer o Recorrente, apenas os valores recebidos a título de integralização de capital, no montante de R$ 3.331.040,00, haja vista que o auto de infração é abrangente de todas as remessas apontadas. De igual modo, deve ser afastado o argumento do Recorrente de que já teria havido o recolhimento do imposto devido sobre todos os rendimentos recebidos da April, consoante DARFs anexados nos autos. Como se infere dos documentos juntados, tais recolhimentos decorrem das remessas realizadas diretamente ao Recorrente, já efetivamente declaradas em sua Declaração de Imposto sobre a Renda. Ademais, o lançamento foi efetuado sob a rubrica “omissão de rendimentos”, caracterizada justamente em razão do recebimento de rendimentos não declarados, o que não se coaduna com os documentos juntados, os quais demonstram o recolhimento do tributo devido sobre aqueles rendimentos já efetivamente Fl. 3172DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000073/201090 Acórdão n.º 2101002.529 S2C1T1 Fl. 3.127 14 declarados pelo contribuinte. Notese, ainda, que os rendimentos apontados como recebidos pela empresa April referemse apenas ao anocalendário de 2005, sendo certo que os DARFs juntados abrangem também os anoscalendário de 2006/2007. Não há que se acolher, pois, os argumentos do Recorrente consignados no memorial apresentado. Já no que concerne à empresa DBRO, vêse que houve a simulação de pagamentos por serviços supostamente prestados pela empresa, o que gerava lucros na empresa a serem distribuídos aos sócios sob a rubrica de rendimentos isentos e não tributáveis. Constatouse, ainda, que os rendimentos da Mude simulavam pagamentos por serviços prestados pela DBRO, gerando, consequentemente, lucros para a empresa DBRO, que eram distribuídos aos sócios, para informarem como rendimentos isentos e não tributáveis (Lucros e Dividendos Recebidos) nas Declarações de Ajuste Anual da Pessoa Física. Sabese, como bem reconhecem Aires F. Barreto e Cléber Giardino, que na investigação material “podem prevalecer processos mentais conducentes à afirmação, ainda que por vias oblíquas ou indiretas, da efetiva ocorrência de acontecimento juridicamente relevante.” (BARRETO, Aires F.; GIARDINO, Cléber. As presunções no Direito Tributário. In: BARRETO, Aires F. et al. (Colab.). Presunções no direito tributário. [Caderno de Pesquisas Tributárias, n. 9]. p. 186250. p. 203). No caso dos autos, mais que isso, resta comprovada, pela farta documentação anexada aos autos, a percepção de rendimentos pelo Recorrente, por meio das apontadas interpostas pessoas. Conclusão diversa, contudo, é a que se chega ao se analisar a apontada omissão de rendimentos por intermédio do Sr. Renato Lanzuolo Filho. Extraise do “Termo de Verificação e Conclusão Fiscal” que o lançamento realizado em relação à suposta omissão de omissão de rendimentos recebidos por intermédio do Sr. Renato Lanzuolo Filho teve por fundamento uma planilha com as iniciais do Recorrente, Moacyr Sampaio (MS). Vejase: “DO DOLEIRO RENATO LANZUOLO FILHO 110) Os documentos arrecadados na chamada “OPERAÇÃO PERSONA” demonstram que o grupo JDTC/MUDE utilizou doleiros para enviar recursos financeiros à margem dos controles cambiais brasileiros. As interceptações telefônicas realizadas antes da deflagração da Operação já indicavam a participação do doleiro RENATO LANZUOLO FILHO, conhecido por “LANZA”. Muitas das vantagens monetárias distribuídas aos membros do grupo JDTC/MUDE eram transferidas ao doleiro LANZA para que o mesmo remetesse as quantias às contas bancárias das offshores particulares dos membros da organização sediadas em paraísos fiscais. Estas transferências eram realizadas à margem dos controles cambiais brasileiros. Para exemplificar, apresentamos a planilha referente às retiradas de MOACYR SAMPAIO. Nesta planilha, documento SP11IT81 1, constam diversos lançamentos sob o título “Pago ao Lanza”: (...).” (efl. 1.902). Em outra planilha, de controle dos câmbios realizados, há a indicação de realização de inúmeros câmbios apontados como “CAMBIO RE”, supostamente referindose ao doleiro Renato Lanzuolo Filho: Fl. 3173DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000073/201090 Acórdão n.º 2101002.529 S2C1T1 Fl. 3.128 15 “Entretanto, as operações chamadas de "cabo" são operações tradicionais realizadas por doleiros que por meio de compensação conseguem enviar recursos a margem dos controles cambiais brasileiros. O título RE corresponde as iniciais de RENATO, suposto doleiro RENATO LANZA. Existem inúmeros lançamentos sob o título "câmbio RE", demonstrando que um grande montante de recursos financeiros eram remetidos ao exterior por meio do doleiro LANZA.” (efl. 1.904). Referidos documentos, no entanto, não são hábeis a comprovar que o Recorrente foi o efetivo beneficiário de tais valores. Exatamente em razão desse fundamento, já se decidiu em caso análogo ao presente, que teve origem na mesma “Operação Persona”, inclusive em caso lavrado em face do próprio contribuinte que ora se cuida, em relação a período anterior ao autuado. Segue em destaque trecho do voto do relator: “Passo à análise dos outros itens da autuação, os itens 02, 03 e 04. Tratase de valores repassados, respectivamente, às empresas BRAVO TRADING, DELAIR e do doleiro Renato Lanzuolo Filho, o “Lanza”. Aqui, diferentemente do que acontece quanto aos aportes de capital na empresa H.M.P. PARTICIPAÇÕES em que há comprovação da efetiva transferência de recursos para a empresa e a utilização, por esta, em benefício do ora recorrente, não há nos autos evidência do efetivo benefício do Recorrente no recebimento dos tais recursos. O único elemento em que se baseia a autuação é em uma planilha, apreendida na residência do Recorrente, em que constaria a indicação dos valores repassados às empresas e ao doleiro, o que se supôs tratarse de pagamentos de rendimentos ao ora Recorrente. Tratase da planilha às fls.1409. Ali, como se vê, tratase de mera planilha, sem indicação de autor e que sugere a entrega de recursos às empresa e ao doleiro, ali indicados. A conclusão de que tais valores referemse a rendimentos recebidos pelo ora Recorrente é mera ilação, embora razoável, consideradas as circunstâncias do caso, mas insuficientes, a meu juízo, para configurar prova inequívoca da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda pelo Contribuinte. É certo, como ressaltado pela decisão de primeira instância que em operações envolvendo fraude, como neste caso, há uma dificuldade natural de se produzir provas da efetividade dos ganhos pelos partícipes de tais operações, dada a ausência de documentos a formalizarem as movimentações financeiras, mas tal dificuldade não dispensa o Fisco de comprovar a aquisição da disponibilidade da renda, o que faz é ampliar os meios de prova admissíveis que, certamente, não são os mesmos daquelas obtidas quando se cuida de operações regulares. Mas uma simples planilha com a indicação e valores e sem a referência expressa ao Recorrente, mesmo nas circunstâncias do caso analisado, não permite concluir tratasse de rendimentos pagos ao Recorrente.” (Número do Processo: 10803.000062/2009 76, Acórdão n.º 2201002.029, Rel. Cons. Pedro Paulo Pereira Barbosa, j. em 16/05/2013). Também no mesmo sentido o julgado relativo ao Recurso Voluntário ref. ao Processo Administrativo n.º 10803.000082/200947, cujo trecho do voto do relator ora se reproduz: “Quanto aos valores imputados ao contribuinte e que teriam sido recebidos através do doleiro Renato Lanzuolo Filho, os elementos carreados aos Fl. 3174DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000073/201090 Acórdão n.º 2101002.529 S2C1T1 Fl. 3.129 16 autos que demonstram essa relação não são suficientes, a meu juízo, para caracterizar a aquisição da renda pelo ora Recorrente. Em verdade, o único elemento aportado aos autos é uma planilha, sem identificação de autoria, apreendida pelo Polícia Federal, onde constam vários itens com o histórico “pago ao Lanza” e a constatação de que o referido “Lanza” é doleiro conhecido. Embora plausível a suposição de que recursos foram movimentados para os membros da organização através de doleiro, penso que a mera suposição, sem outros elementos que as corrobore, não é suficiente para caracterizar a ocorrência do fato gerador do imposto. É certo, como ressaltado pela decisão de primeira instância, que em operações envolvendo fraude, como neste caso, há uma dificuldade natural de se produzir provas da efetividade dos ganhos pelos partícipes de tais operações, dada a ausência de documentos a formalizarem as movimentações financeiras, mas tal dificuldade não dispensa o Fisco de comprovar a aquisição da disponibilidade da renda, o que faz é ampliar os meios de prova admissíveis que, certamente, não são os mesmos daquelas obtidas quando se cuida de operações regulares. Mas uma simples planilha com a indicação e valores e sem a referência expressa ao Recorrente, mesmo nas circunstâncias do caso analisado, não permite concluir tratarse de rendimentos pagos ao Recorrente.” (Número do Processo: 10803.000082/2009 47, Acórdão n.º 2201002.030, Rel. Cons. Pedro Paulo PereiraBarbosa, j. em 16/05/2013). Afastase, também, a alegação do Recorrente no sentido de que o auto de infração estaria eivado de iliquidez e incerteza, porquanto a Fiscalização teria partido da premissa de que teria havido uma operação de venda da empresa Mude, sem considerar, no entanto, que referida operação “sequer foi implementada, tendo em vista a desistência das partes signatárias de referido documento (...).” (efl. 3005). Tal com bem consignado no acórdão recorrido, “não se está aqui a tratar de omissão de ganho de capital, como quer fazer crer o interessado, mas de omissão de rendimentos tributáveis sujeitos à retenção na fonte e ao ajuste anual” (efl. 2911). Com efeito, o Termo de Verificação e Conclusão Fiscal alude a uma operação de venda da MUDE ocorrida em 2002, porém tal informação não verbera no lançamento, fundamentado em omissões de rendimentos em decorrência de valores recebidos por interpostas pessoas. E é diante desse quadro que há de ser analisada a preliminar de decadência de suposto ganho de capital decorrente da venda da participação societária do Recorrente na empresa Mude. Ao sustentar o Recorrente que, ainda que se admitisse o creditamento de valores na conta da empresa April, “tal hipótese deveria receber o tratamento tributário relativo ao ganho de capital (...), já que foi justamente a operação de compra e venda de participação societária que a D. Fiscalização pretendeu demonstrar (...)” (efl. 3012), afirma que teria havido a decadência do direito de lançar referidos valores. Para tanto, alega que o ganho de capital está sujeito à sistemática da tributação definitiva e, portanto, o imposto poderia ter sido lançado apenas até o último dia do mês subsequente à ocorrência do suposto fato gerador, os quais teriam ocorrido em 30/08/2005. Assim, o lançamento do tributo poderia se dar apenas até 30/08/2010. Fl. 3175DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000073/201090 Acórdão n.º 2101002.529 S2C1T1 Fl. 3.130 17 Referido entendimento, contudo, não merece acolhida, tendo em vista que, como anteriormente demonstrado, não se trata de ganho de capital, mas sim de omissão de rendimentos cujo período de apuração se encerra em 31 de dezembro de cada ano. No caso em tela, tendo em vista a existência de simulação, aplicável o prazo constante no art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional. Com efeito, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, o Fisco teria 5 (cinco) anos, a partir da data da ocorrência do fato gerador, para constituir o crédito tributário por meio do lançamento, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação, em que o termo inicial seria o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do disposto no artigo 173, I, do CTN. No presente caso, o fato gerador relativo ao anocalendário de 2005 ocorreu em 31 de dezembro daquele ano. Assim, considerandose que o lançamento poderia ter sido efetuado a partir da datalimite para entrega da declaração, o que teria ocorrido em 2006, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 1º/01/2007. Logo, o prazo para constituição do crédito tributário, de acordo com o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional, esgotarseia em 31/12/2011. Considerandose que o lançamento foi realizado em 18/12/2010, consoante AR de efl. 2.065, concluise que não se operou a decadência, motivo pelo qual a preliminar deve ser afastada. Há que ser analisado, ainda, o argumento do Recorrente no sentido de que a multa qualificada é indevida em razão da não comprovação do evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio. Não é essa, contudo, a conclusão a que se chega do exame do conjunto probatório dos autos, que aponta para a necessária manutenção da multa qualificada. No caso em exame, como anteriormente demonstrado, houve a clara intenção do Recorrente em omitir rendimentos, a ensejar a manutenção da multa no montante de 150%, tendo em vista restar configurada a simulação com o intuito de ocultar o real beneficiário dos rendimentos. Por fim, quanto à impossibilidade de cobrança da taxa de juros SELIC, também sem razão o Recorrente. A respeito da possibilidade de aplicação da Taxa SELIC a título de juros de mora, é expressa a legislação federal, mais especificamente a Lei Federal n.º 9.430/96. Confira se: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Desta feita, como já visto, não compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pronunciarse acerca da inconstitucionalidade de leis. Isso porque, tendo tais Fl. 3176DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10803.000073/201090 Acórdão n.º 2101002.529 S2C1T1 Fl. 3.131 18 normas obedecido o trâmite previsto na Lei Maior para ingressar no ordenamento jurídico, tornamse cogentes e, portanto, são plenamente aplicáveis por força da presunção de validade. Não lhe cabe, portanto, usurpando prerrogativa própria de órgão do Poder Judiciário, julgar a relação de pertinencialidade das normas com o ordenamento. Devese limitar, pois, a estabelecer o fenômeno de subsunção do fato à norma. Assim, à luz do dispositivo mencionado retro, foi sumulada a questão, atual Súmula 4 deste CARF, segundo a qual “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento EM PARTE ao recurso, para afastar o item 2 do lançamento, relativo à “OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS GRUPO MUDE intermédio do doleiro RENATO LANZUOLO FILHO LANZA”. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 3177DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/09/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19515.723102/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário:2010
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Havendo concomitância entre a matéria objeto do processo administrativo e ação judicial ajuizada pelo contribuinte, deve ser reconhecida a renúncia à discussão na esfera administrativa. Hipótese em que se suspende a exigibilidade dos valores lançados até decisão final no processo judicial, em que ocorre depósito judicial, por força do art. 151, II, do CTN.
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial
Numero da decisão: 2202-002.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento quanto a ilegalidade do lançamento e por não conhecer das demais questões por concomitância da discussão nas vias administrativa e judicial.
(Assinado Digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 05/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Jimir Doniak Junior, Vinicius Magni Vercoza Dayse Fernandes Leite, Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário:2010 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Havendo concomitância entre a matéria objeto do processo administrativo e ação judicial ajuizada pelo contribuinte, deve ser reconhecida a renúncia à discussão na esfera administrativa. Hipótese em que se suspende a exigibilidade dos valores lançados até decisão final no processo judicial, em que ocorre depósito judicial, por força do art. 151, II, do CTN. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento quanto a ilegalidade do lançamento e por não conhecer das demais questões por concomitância da discussão nas vias administrativa e judicial. (Assinado Digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente. (Assinado Digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator. EDITADO EM: 05/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Jimir Doniak Junior, Vinicius Magni Vercoza Dayse Fernandes Leite, Fabio Brun Goldschmidt.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Havendo concomitância entre a matéria objeto do processo administrativo e ação judicial ajuizada pelo contribuinte, deve ser reconhecida a renúncia à discussão na esfera administrativa. Hipótese em que se suspende a exigibilidade dos valores lançados até decisão final no processo judicial, em que ocorre depósito judicial, por força do art. 151, II, do CTN. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento quanto a ilegalidade do lançamento e por não conhecer das demais questões por concomitância da discussão nas vias administrativa e judicial. (Assinado Digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 31 02 /2 01 2- 77 Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 05/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Jimir Doniak Junior, Vinicius Magni Vercoza Dayse Fernandes Leite, Fabio Brun Goldschmidt. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 944/947) constituído em razão de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, correspondente ao anocalendário 2010, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF exigindo o crédito tributário na monta de R$ 13.578.958,50, já incluídos os juros. Não foi imposta multa, em face do art. 151, inciso II, do CTN. O detalhamento da infração imputada ao recorrente vem bem descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 935/941). Procedimento de Fiscalização A presente ação fiscal se deu para o fim de examinar a correta apuração do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital na venda de ações ordinárias de emissão da Vicunha Steel, conforme Contrato de Compra e Venda de Ações de fls. 1.521/1.544, datado de 30 de junho de 2005, em que figura como parte vendedora o Espólio de Clotilde Rabinovich Pasternak, representado pelos herdeiros, Suzane Pasternak e Jacyr Pasternack, pelo preço de R$ 502.998.988,93, dividido em cinco parcelas. No contrato de compra e venda foi estipulado que o preço seria pago em cinco parcelas anuais, sendo a primeira de, no máximo, R$ 86.998.988,93, com vencimento em 30/06/2006, e as restantes de, no máximo, R$ 104.000.000,00, cada uma, com vencimentos em 30 de junho de 2007, 2008, 2009 e 2010. O contrato previu, ainda, que cada parcela seria atualizada monetariamente pelo índice correspondente a 101,5% da DICETIP. O montante do preço seria ajustado pela subtração ao seu valor máximo dos dividendos que o vendedor viria a receber pertinentes ao saldo do exercício de 2004 e à totalidade daqueles devidos pelo exercício 2005. Conforme Partilha de Bens de fls.839/882, ao contribuinte coube 50% das ações em tela recebidos do espólio de Clotilde Pasternak. Recebida a parcela referente a 30 de junho de 2010, o contribuinte apurou o ganho de capital da operação considerando como valor de alienação o valor do principal de cada parcela acrescido da correção monetária pactuada. Assim, no cálculo do imposto efetuado pelo contribuinte, aplicouse a alíquota de 15% sobre o total do montante pago, incluída a parte relativa à atualização monetária. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.723102/201277 Acórdão n.º 2202002.722 S2C2T2 Fl. 10 3 A Fiscalização, entretanto, com base no disposto no art. 123, §6º, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999, e do art. 19, §3º, da Instrução Normativa SRF 84 de 2001 verificou a incorreção dessa apuração conforme abaixo transcrito: “(...) os valores recebidos a título de reajuste, no caso de pagamento parcelado, qualquer que seja a sua designação, a exemplo de juros e reajuste de parcelas, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão).Neste caso, deveria ser aplicada a tabela progressiva do imposto de renda,com alíquota máxima de 27,5%”. No decorrer da ação fiscal, o Fisco tomou conhecimento da Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídico Tributária,com Pedido de Tutela Antecipada,nº 2009.61.00.0168729(fls. 702/725) ajuizada na 6ª Vara Cível da Justiça Federal, de São Paulo. Na petição da Ação Declaratória, o contribuinte, entre os outros, apresenta os seguintes pedidos: “REQUEREM os Autores a V. Exa. antecipação parcial da tutela para os fins de: a) declarar que o depósito efetuado à ordem desse DD. Juízo preenche as finalidades para o qual foi realizado, nos termos do art. 3º do Provimento retro mencionado; b) seja determinado à Ré que se abstenha de proceder a qualquer autuação contra os Autores, especialmente de exigirlhe multa penal e multa isolada calculadas sobre o montante de imposto de renda à alíquota de 27,5%(vinte e sete e meio por cento) incidente sobre a parcela de correção monetária vencida a 30 de junho de 2008 e paga no dia seguinte, até decisão final transitada em julgado, visto que o valor depositado transformarseá em rendada União na hipótese de não ser acolhida a pretensão dos Autores. 65. Por tudo quanto aqui demonstrado à saciedade e pelo mais que se provará no curso do processo, pedem e esperam os Autores: a) seja deferida a tutela antecipada nos termos acima expostos, com fulcro no artigo 273 do CPC e artigo 151, II do CTN; e b) seja decretada a procedência desta ação por esse DD. Juízo, para o fim de reconhecer a inexistência de relação jurídico tributária que autorize a Ré a cobrar IR à alíquota de 27,5% (vinte e sete e meio por cento) sobre o montante de atualização monetária da parcela recebida em 30.06.08, bem como sobre iguais montantes que integrem as parcelas posteriores (vencimentos a 30.6.09 e30.6.10), devendo tais acréscimos serem considerados parte do principal para fins de Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 apuração do ganho de capital e tributados pelo IR à alíquota de 15%(quinze por cento) — e não juros; c) se V. Exa. entender que o índice de atualização monetária constante do contrato é misto, embutindo parcela de juros, seja declarada a inexistência de relação jurídico tributária que permita à Ré cobrar IR à alíquota de 27,5% (vinte e sete e meio por cento) sobre o montante total do valor acrescido ao principal,mas apenas sobre a parte desse montante que efetivamente constituir juros conforme apurado mediante perícia, continuando a outra parte tributada como ganho de capital à alíquota de 15% (quinze por cento); d) seja a final autorizado o levantamento do valor depositado, total ou parcialmente, conforme seja deferido um dos pedidos sucessivos antes formulados (itens b e c supra) nos termos do art. 289 do Código de Processo Civil e art. 4o do Provimento mencionado;” Na Decisão de fls. 699/700, o Juízo da 6ª Vara Federal autoriza o depósito e suspende a exigibilidade do débito discutido na petição inicial. “Tendo em vista o acima exposto, com a realização do depósito no montante integral e em dinheiro, fica suspensa a exigibilidade do débito discutido na inicial, nos termos do art. 151, II do CTN, e determino que a ré abstenhase de proceder a autuação da parte autora, especialmente de exigir multa penal e multa isolada calculadas sobre o montante de imposto de renda à alíquota de 27,5%.” Diante das informações prestadas pelo recorrente, a lavratura da infração se deu sobre a seguinte rubrica: 1. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas Sujeitos a Carnê Leão. Omissão de rendimentos de atualização monetária em venda a prazo de participação societária, sujeita a carnêleão. Enquadramento legal: artigos 1° ao 3° e parágrafos, art. 8º e artigo 6° da Lei 7.713/88, artigos 1°e 3° da Lei 8.134/90, artigo 1°, da Lei 9.887/99. Impugnação O contribuinte foi cientificado do lançamento do crédito tributário, apresentando tempestivamente a impugnação (fl. 956/976), alegando em síntese: a) o contrato de compra e venda das ações do Grupo Vicunha já foi objeto de fiscalização tendo como consequência a lavratura de auto de infração relativa às parcelas anteriores recebidas pelos sucessores da Sra. Clotilde RabinovichPasternak; Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.723102/201277 Acórdão n.º 2202002.722 S2C2T2 Fl. 11 5 b) os lançamentos anteriores, entre outros pontos, consideraram que a atualização monetária não compõe o valor da alienação, devendo ser tributada como juros, por meio do carnêleão; c) em contraponto, entendem os contribuintes que atualização monetária não é renda, mas mera recomposição do capital, como mesmo utiliza o Fisco na cobrança de seus créditos; d) sabedor do entendimento da fiscalização sobre os pagamentos recebidos pela venda das ações do Grupo Vicunha, adiantouse a contribuinte, e propôs Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária relativa aos recebimentos de 2008, 2009 e 2010. e) a Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária foi distribuída à 6ª Vara Federal de São Paulo sob o n° 2009.61.00.0168729; f) conformeé sabido, a discussão judicial de crédito tributário, nos termos doparágrafo único do artigo 38 da Lei n. 6.830/80, implica na impossibilidadede discussão na esfera administrativa; g) contrariandoa decisão judicial proferida nos autos da Ação Declaratória n°2009.61.00.0168729,e também a Lei n. 6.830/80, foi lavrado o presentemandado de procedimento fiscal que, ao final, apurou crédito em favor daFazenda Nacional no montante total de R$ 13.578.958,50; h) emborao Contrato não estabeleça juros incidentes sobre as parcelas dopreço, mas apenas índice de atualização monetária livrementepactuadospelas partes, entendeu a fiscalização que os montantes de atualizaçãomonetária das parcelas deveriam ser objeto de recolhimento mensal atravésdo "carne leão", e não ganho de capital; i) afiscalização desconsiderou as disposições do contrato de compra e vendadas ações relativamente às cláusulas de atualização monetária, considerandoasjuros e não reposição do valor de compra da moeda nacional em face dainflação, conforme inclusive já determinado pela sentença judicial; j) importamencionar que os limites delineados no parágrafo primeiro do artigo38 da Lei n. 6.830/80 são claros ao afirmar que a propositura de ação judicialpelo contribuinte importa em renúncia da discussão na esfera administrativa; k) qualquerdiscussão relativa ao crédito tributário discutido judicialmentedeveria ser tratada nos autos do processo judicial, por ser aquela a atual viacompetente de discussão; Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 l) opretendido aqui neste auto de infração é inicialmente ilegal, e demonstra adesproporcionalidade das ações do Fisco em relação aos peticionários; m) nãose alegue que a lavratura tem a finalidade de resguardar os interesses doEstado, isso porque todo o valor posto em debate encontrase depositado nosautos das ações judiciais; n) ospróprios cálculos aqui apresentados já foram objeto de discussão nosautos da ação judicial, o que confirma a falta de proporcionalidade dapresente lavratura; o) nãose sustenta a tese da necessidade da lavratura para constituição docrédito tributário, pois ao final da ação, caso o Fisco seja vencedor, seráautorizada a conversão em renda em favor da União, prescindível, portanto,a lavratura; p) a peticionária e seu irmão propuseram ação judicial e posteriormenteobtiveram autorização para realizar depósito judicial visando assegurar a suspensão da exigibilidade dos valores que Fisco entende devidos, especialmente para que Autoridade Administrativa abstenhase de exigirlhe multa penal e multa isolada calculadas sobre o montante do imposto de renda à alíquota de 27,5% (vinte e sete e meio por cento) incidente sobre a correção monetária das parcelas da venda das ações do Grupo Vicunha; q) conforme também é notório, é possível verificar dos autos judiciais já mencionados, que o Fisco, por meio de petição apresentada pela sua Procuradoria, já havia apresentado manifestações sustentando que os depósitos realizados não seriam suficientes para cobertura dos créditos tributários discutidos judicialmente, questão esta, destaquese, que restou superada; r) o valor da correção monetária da parcela vencida em 2010 foi de R$42.862.874,08 que sobre tal montante foi calculado o IR como ganho de capital à alíquota de 15% (quinze por cento) que resultou R$ 6.429.431,11. Essa importância foi oferecida à tributação e recolhida ao Erário juntamente com o principal, tendo sido recolhida a DARF no valor de R$13.440.284,86; s) em razão disso, do IR à alíquota de 27,5% que poderia ser exigido pelo Fisco, foi deduzido para cálculo da importância a ser depositada, o valor járecolhido aos cofres da União e referido no item anterior; t) a diferença depositada decorre exatamente da qualificação adotada que ensejou a propositura das ações judiciais medida cautelar de depósito eação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária; u) não há diferença a ser depositada, já que os cálculos apresentados acima, e demonstrados nos autos judiciais, refletem a exatidão do valor depositado, tanto que há decisão judicial neste sentido; Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.723102/201277 Acórdão n.º 2202002.722 S2C2T2 Fl. 12 7 v) a concordância relativa à necessidade de complementação do depósito equivaleria a decidir, desde já, a questão, antes mesmo da sentença judicial, suprimindo instância e vedando o acesso á justiça; w) fica cabalmente demonstrada a impropriedade da presente lavratura, seja quanto a sua existência, seja quanto aos cálculos apresentados. Por outro lado, para que seja assegurada a ampla defesa é a presente para novamenterepisar a incorreção de mérito da presente lavratura; x) a atualização monetária de valores é imune a qualquer tributação, visto não representar um ganho real, mas mera modificação da quantidade de dinheiro representativa de um valor em face da perda de poder aquisitivo da moedadecorrente da inflação; y) o contrato de compra e venda das ações não contempla o pagamento de juros pela compradora ao vendedor das ações de "Vicunha Steel S.A." através dele transacionadas. Apenas elege um índice escolhido de comum acordo pelas partes para realizar a atualização monetária do valor das parcelas vincendas, dentro do princípio da liberdade contratual prestigiado pela Lei Maior e peloCódigo Civil; z) o contrato não estabelece pagamento de juros. Indica, isto sim, o indexador para proceder à atualização monetária das parcelas (DICETIP). E, como visto acima, tanto a doutrina como a jurisprudência são unânimes em sustentar que o resultado de tal operação é imune a qualquer tributação, por ser mera adaptação de valor diante do fenômeno inflacionário, o plus decorrente da atualização monetária não se confunde com renda. A sua tributação implicará inevitavelmente a tributação do patrimônio, que não constitui elemento material do fato gerador do imposto de renda. Acórdão da DRJ A 16ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o auto de infração. (fls. 1031/1040), conforme ementa que segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 31/08/2010 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO CRÉDITO EXIGIBILIDADE SUSPENSA DEPÓSITOS JUDICIAIS MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO JUDICIAL.A ocorrência do fato gerador do tributo faz surgir não só a obrigação, mas também o crédito tributário. Uma vez existente o crédito, para tornálo exigível, cabe ao Fisco efetuar o lançamento tributário, nos moldes do art. 142, do Código Tributário Nacional. Nos Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 casos em que houver depósito judicial, a legislação tributária não veda o lançamento de ofício, apenas exige que seja sem imposição da penalidade pecuniária, conforme o disposto no art. 63 da Lei no 9.430, de 1996, mormente quando o valor total dos depósitos não é suficiente para quitar os créditos tributários. AÇÃO JUDICIAL CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.Havendo concomitância entre a matéria objeto do processo administrativo e ação judicial ajuizada pelo contribuinte, deve ser reconhecida a renúncia à discussão na esfera administrativa. Hipótese em que suspendese a exigibilidade dos valores lançados até decisão final no processo judicial. Recurso Voluntário Da decisão proferida pela DRJ, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 1045/1065, repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Deve ser confirmada a Decisão da DRJ, como se expõe abaixo. A impugnante sustenta que a propositura de ação judicial, na forma do artigo 38, §1°, da Lei n. 6.830/80 importa em renúncia da discussão na esfera administrativa. Alega que qualquer discussão relativa ao crédito tributário discutido judicialmente deveria ser tratada somente nos autos do processo judicial, por ser aquela a atual via competente de discussão. Sustenta, que não poderia o Fisco ter lavrado o presente auto de infração, nem mesmo para evitar decadência, em razão da existência de ação judicial. Entendo que melhor sorte não assiste à recorrente quanto ao ponto, isso porque, nos termos do art. 151 do CTN, nada obsta o lançamento tributário para prevenir a decadência cuja exigibilidade estiver suspensa. A Lei nº 9.430no art. 63, inclusive, prevê essa possibilidade. Vejase: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.723102/201277 Acórdão n.º 2202002.722 S2C2T2 Fl. 13 9 § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. A inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 17, vai ao encontro do sentido expresso na Lei nº 9.430, quando ao prever“Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.”deixa clara a possibilidade do lançamento para prevenir a decadência. Ademais, como a questão de mérito debatida nos autos encontrase sub judice, nos termos do artigo 1º, §2º, do Decreto Lei nº 1.737/1979 e do artigo 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/1980, em que determina que a propositura pelo contribuinte de ação judicial importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto, é que não merece ser conhecido o recurso interposto pela recorrente nos demais pontos. Nesse mesmo sentido dispõe a Súmula nº 01 do CARF, com suporte em pacíficajurisprudência administrativa: Súmula CARF nº 01: importa em renúncia às instâncias administrativas apropositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidadeprocessual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto doprocesso administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão dejulgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Conclusão Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário quanto à ilegalidade do lançamento, e não conheço das demais questões por concomitância da discussão nas vias administrativa e judicial. (Assinado Digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10580.721251/2009-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de oficio, por erro escusável. Vencido o Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, que provia o recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora.
EDITADO EM: 13/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:. Antonio Lopo Martinez (Presidente Em Exercício), Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso provido em parte.
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DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 12 51 /2 00 9- 48 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de oficio, por erro escusável. Vencido o Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, que provia o recurso. (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 13/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:. Antonio Lopo Martinez (Presidente Em Exercício), Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.721251/200948 Acórdão n.º 2202002.719 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do acórdão 1526.396, da 3 ª Turma da DRJ/SDR que deu parcial provimento à impugnação ao Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física, referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no qual foi apurado crédito tributário no valor de R$ 153.531,32, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, tão somente para adequação da alíquota aplicável, mantendo o imposto no valor R$ 67.937,07, e exonerando o valor de R$ 4.699,23. Conforme descrição constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis, rendimentos estes que foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar Estadual nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. A contribuinte sustentou em sua impugnação, em apertada síntese que: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em Fl. 252DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Em sessão realizada em 03 de março de 2011, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, a 3ª turma julgou PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, Acórdão de fls. 126/131, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido, fundamentando que os argumentos utilizados pela contribuinte, afirmando os atos estavam em acordo com a legislação estadual da Bahia não justificam o recolhimento indevido, pois, deve ser considerada a legislação federal. Quanto ao não cabimento da tributação de verbas relativas à correção incidente sobre férias indenizadas e 13º salário, a DRJ acolheu a impugnação, desconstituindo em parte o auto de infração para adequálo às corretas alegações da contribuinte. Quanto ao art. 3º da Lei Complementar 20/2003, do Estado da Bahia, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de Fl. 253DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.721251/200948 Acórdão n.º 2202002.719 S2C2T2 Fl. 4 5 isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN, não havendo, pela mesma razão, violação do princípio da isonomia. A impugnante reclama isonomia de tratamento frente aos membros da esfera federal, entretanto, tratase de funcionários públicos sujeitos a leis específicas distintas, cada um com suas peculiaridades. Observese, ainda, que o reconhecimento da isenção na esfera federal decorreu de resolução no âmbito do poder judiciário federal, cujo alcance não pode ser ampliado mediante a aplicação da analogia. Quanto à alegação de que o responsável pela retenção do imposto era a fonte pagadora, cabe observar o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, que dispõe que a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF extinguese no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É certo, também, que o parágrafo único do art. 100 do CDTN exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, nos casos em que o contribuinte age em observância às normas complementares nele previstas. Entretanto, os informes de rendimentos fornecidos pelo Ministério Público Estadual não tem caráter normativo, nem a autoridade administrativa emitente tem competência para tratar a matéria tributável federal. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas em tabela progressiva. Nessa situação, o imposto apurado mediante aplicação direta Fl. 254DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 10 de junho de 2011 (fls. 136/227), representada por advogados, no qual repisa as alegações da peça impugnatória sem trazer qualquer novo elemento, no sentido de conduzirem todos ao cancelamento do lançamento, salvo quando argui que a DRJ não enfrentou a tese de ilegitimidade da União para exigência do imposto, o que exigiria o retorno dos autos à DRJ para novo julgamento, de forma a não haver supressão de instância. Em sessão de julgamento do dia 26 de setembro de 2011 determinouse o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010, e que ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Com a edição da portaria MF n° 545/2013, foi afastada a necessidade de sobrestamento, razão pela qual o feito é ora apresentado à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão a Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Assim também, devese ressaltar que, nada obstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento contestado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões do recorrente, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.721251/200948 Acórdão n.º 2202002.719 S2C2T2 Fl. 5 7 A tese é simples e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Assim, para ilustrar, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida ao Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Importante destacar que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002 posteriormente estendida pela Lei Federal 10.477 aos membros do Ministério Público Federal. Este abono foi criado pela lei federal n° 9.655, de 1998 e alcançou unicamente a Magistratura Federal e, por extensão, o Ministério Público Federal. Os membros de MP estadual tiveram cada uma suas respectivas leis, sendo relevante ressaltar que os dispositivos legais: Art. 2º O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1º Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 § 2º Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. Já o art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998 estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 2º e 3º da Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003 do Estado da Bahia dispõem: “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” De tal modo, com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pela Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporanemente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza de rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer eiva de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso percebese ter ocorrido uma recomposição salarial que, apesar da extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.721251/200948 Acórdão n.º 2202002.719 S2C2T2 Fl. 6 9 Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no Resp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o Resp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministro que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Portanto, rejeito as preliminares arguidas e no mérito voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 259DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.721251/200948 Acórdão n.º 2202002.719 S2C2T2 Fl. 7 11 Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 260DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 15504.729139/2012-87
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. ELABORAÇÃO DE ACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS. OBRIGAÇÃO.
Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.
É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.516
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. ELABORAÇÃO DE ACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS. OBRIGAÇÃO. 1. Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. 2. É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 91 39 /2 01 2- 87 Fl. 641DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729139/201287 Acórdão n.º 2803003.516 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729139/201287 Acórdão n.º 2803003.516 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Autos de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado (DEBCAD 51.031.6999 e 51.031.7014). O primeiro diz respeito à multa por infração ao art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 32A do mesmo diploma legal, tendo em vista que a empresa ter preparado as GFIP`s das competências junho, novembro e dezembro de 2008 com as inexatidões demonstradas no anexo II. O segundo diz respeito à multa por infração ao art. 32, I, da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 225, I e § 9º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em virtude de o sujeito passivo não ter incluído em suas folhas de pagamento do período de janeiro a dezembro de 2008 as remunerações pagas a trabalhadores que lhe prestaram serviços com todos os elementos do conceito figura legal de segurados empregados, apesar da contratação com pessoas jurídicas. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 12 de setembro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2007 a 31/12/2008 GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. A apresentação de GFIP com incorreções ou omissões caracteriza infração à legislação. FOLHA DE PAGAMENTO SEM A INFORMAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES. Preparar folhas de pagamento sem informar todos os fatos geradores de contribuição constitui infração à legislação tributária. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. Não cabe à esfera administrativa conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AOS PROCURADORES. INDEFERIMENTO. Não pode ser acolhido o pedido de que o endereçamento dos avisos, intimações e notificações ao contribuinte seja feita aos seus procuradores em razão de a legislação determinar que tais comunicações sejam efetuadas no domicílio tributário do sujeito passivo, que corresponde ao endereço postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. Impugnação Improcedente Fl. 643DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729139/201287 Acórdão n.º 2803003.516 S2TE03 Fl. 5 4 Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A Fiscalização lavrou contra a ora Recorrente os Autos de Infração ora Recorridos para o lançamento e consequentemente a cobrança de supostas multas, decorrentes do Processo Administrativo Fiscal Comprot nº 15504.729139/201287 (i) relativo à cobrança de obrigações acessórias por declarar a GFIP de maneira inexata – Código de Fundamentação Legal – CFL 78, e (ii) por deixar de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados (responsáveis por empresas contratadas consideradas como empregados pela fiscalização) e das pagas devidas aos contribuintes individuais (valores pagos aos Sócios da Vox Mercado considerados como Prólabore pela fiscalização, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil – RFB – CFL 30. Conforme consta no Termo de Relatório Fiscal, a empresa ora recorrente teria declarado a GFIP de modo inexato e deixado de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço. Na impugnação ao auto de Infração, a ora Recorrente preliminarmente suscitou a nulidade do auto de infração tendo em vista a prejudicial dos Autos de Infração nº 37.334.6867 e nº 37.334.6883, tendo em vista a inexistência de obrigação principal, nada há que se falar em descumprimento de obrigações acessórias. No mérito, a Recorrente impugnou (i) a dupla punição pelo mesmo fato, haja vista as multas de mora e de ofício lançadas nos Autos de Infração nº 37.334.6867 e nº 37.334.6883 e (ii) a ilegalidade/inconstitucionalidade do patamar da multa aplicada. O acórdão recorrido não enfrentou a preliminar de nulidade por vício formal, tendo em vista a ausência de correlação entre o Processo Administrativo Fiscal constante do Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário e o Processo Administrativo Fiscal constante no Relatório fiscal do presente Auto de Infração, o que implica no reconhecimento da nulidade do presente processo. Antes de serem demonstradas as razões que justificam a anulação do auto de infração, observase a presença de preliminar cujo acatamento redundará na extinção dos créditos tributários, sem o julgamento do mérito dos lançamentos. Isso porque, como se verá Inexistente Obrigação Principal – nada que se falar em descumprimento de obrigações acessórias. Na eventualidade de não ser acatada a preliminar levantada, o que se admite apenas por hipótese, constatarseá que nenhuma das supostas irregularidades apontadas pela Fiscalização e consignada no auto de infração lavrado se sustenta. Houve dupla punição pelo mesmo fato. É imperioso ressaltar que a não inserção dos dados referidos deveuse não à desídia ou à negligência da Recorrente, mas à sua absoluta convicção de que nenhum dos Fl. 644DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729139/201287 Acórdão n.º 2803003.516 S2TE03 Fl. 6 5 segurados possuía vínculo empregatício com a Recorrente e que os valores transferidos aos sócios em razão de contratos de mútuo não podem ser classificados como remuneração. Tendo em vista que a não informação na GFIP é consequência lógica e natural da conclusão acerca da inexistência de vínculo empregatício, a multa imposta no auto de infração principal exclui e impede a imposição da presente multa. Diante dos fundamentos postos acima, requer seja recebido e devidamente processado o presente Recurso Voluntário, posto que preenchidos os seus requisitos legais, atribuindose efeito suspensivo, devendo ao final serlhe dado provimento para reformar o acórdão recorrido, a fim de que seja reconhecida a insubsistência do Auto de Infração discutido, com a consequente exoneração do crédito tributário exigido. Requer, também, seja a Recorrente devidamente intimada da data de julgamento do presente Recurso, protestandose, desde já, pela produção da oportuna sustentação oral, sob pena de nulidade. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729139/201287 Acórdão n.º 2803003.516 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Inicialmente, indefiro o pedido de intimação requerido pelo contribuinte, com fulcro no parágrafo único do art. 55 do RICARF. No que diz respeito à preliminar de nulidade por vício formal, sem razão o contribuinte. Compulsando os autos, inclusive aqueles das obrigações principais, restou amplamente evidenciado que o contribuinte cometeu as falhas apontadas pela fiscalização. A autuação objeto do presente recurso, foi executada de acordo com os preceitos legais e o Auto de Infração lavrado, contém todos os elementos essenciais à sua validade, descritos no at. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, devendo ser mantido na sua integralidade, já que a recorrente não comprovou a correção da falta. Cuidam os presentes autos de discussão acerca de obrigações acessórias descumpridas pelo contribuinte (DEBCAD 51.031.6999 e 51.031.7014). O primeiro diz respeito à multa por infração ao art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 32A do mesmo diploma legal, tendo em vista que a empresa ter preparado as GFIP`s das competências junho, setembro a dezembro de 2008 com as inexatidões demonstradas no anexo I. O segundo diz respeito à multa por infração ao art. 32, I, da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 225, I e § 9º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em virtude de o sujeito passivo não ter incluído em suas folhas de pagamento do período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008 as remunerações pagas a trabalhadores que lhe prestaram serviços com todos os elementos do conceito figura legal de segurados empregados, apesar da contratação com pessoas jurídicas; deixando, também, de incluir em folhas de pagamento os valores de pro labore dos sócios, pagos sob o título de “mútuo”, sem que esta operação tenha sido comprovada e caracterizada. Apesar da clareza das informações contidas nos autos, o sujeito passivo, em seu recurso, utiliza os mesmos argumentos de suas defesas, notadamente no que se refere à suposta nulidade do lançamento, sob o argumento de que inexistente a obrigação principal, nada há que se falar em descumprimento de obrigações acessórias. Ao agir da forma em que agiu, não resta qualquer dúvida de que a matéria de mérito não foi contestada pelo contribuinte, situação que se amolda na regra disposta no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: In casu, não houve qualquer configuração de dupla punição pelo mesmo fato. Uma coisa é a punição pelo descumprimento de obrigação principal, a outra, o descumprimento de obrigações acessórias, conforme estabelece o art. 113 do CTN. No ponto, sem reparos as considerações contidas no acórdão recorrido. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729139/201287 Acórdão n.º 2803003.516 S2TE03 Fl. 8 7 O Relatório Fiscal da Infração (fls.7 e seguintes) informa que o sujeito passivo emitiu GFIP de maneira inexata (CFL 78), bem como deixou de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados (responsáveis por empresas contratadas, considerados como empregados pela fiscalização) e das pagas ou devidas aos contribuintes individuais (valores pagos aos Sócios da Vox Mercado considerados como Prólabore pela fiscalização), a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB (CFL 30). Ao proceder na forma especificada no parágrafo anterior, a empresa infringiu o disposto no inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212/91 c/c o § 9º e inciso I do art. 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Como se pode observar, restou amplamente demonstrado que a falta apontada existiu. Não tendo o contribuinte cumprindo as determinações previstas na legislação de regência, correto o lançamento. A recorrente estava obrigada a confeccionar folha de pagamento com todas as remunerações pagas aos segurados a seu serviço. A obrigação de preparar folhas para todos os pagamentos a segurados vem expressa na legislação vigente, artigo 32, I, da Lei n. 8.212/9, combinado com o inciso I e parágrafo 9º do artigo 225 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Os citados artigos estão assim redigidos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; O Decreto n.º 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social traz no seu artigo 225, parágrafo 9º, os elementos que devem conter a folha de pagamento: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; Fl. 647DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729139/201287 Acórdão n.º 2803003.516 S2TE03 Fl. 9 8 II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. É, pois, obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Vêse da análise dos autos, que constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos. É obrigatória, portanto, a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Em seu recurso, como já referido, o contribuinte não discutiu o mérito. Ele ficou restrito a questões genéricas. No que diz respeito ao DEBCAD 51.031.7014, restou amplamente evidenciado que a empresar apresentou GFIP de maneira inexata, situação que a enquadra no CFL 78. No ponto, repitase, houve descumprimento de obrigação principal, situação que implica in casu, necessariamente, no descumprimento da obrigação acessória ora discutida. Destarte, a conduta do contribuinte constituiu infração ao disposto no artigo 32A da lei nº 8.212/91. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.729139/201287 Acórdão n.º 2803003.516 S2TE03 Fl. 10 9 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10280.720103/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
Ementa
Embargos de Declaração. Ausente a contradição apontada, descabe os embargos, com efeito infringente, para reexame da matéria julgada
Numero da decisão: 1202-001.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para negar-lhes provimento.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues de Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito, Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Ausente a contradição apontada, descabe os embargos, com efeito infringente, para reexame da matéria julgada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para negarlhes provimento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues de Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito, Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 01 03 /2 00 7- 29 Fl. 791DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10280.720103/200729 Acórdão n.º 1202001.177 S1C2T2 Fl. 5 2 Trata o presente recurso de Embargos de Declaração, protocolado por Paulo Afonso Costa, referente ao acórdão nº 1202.000725, proferido em 15/03/2012 por esta câmara. Alega o Embargante haver contradição no r. acórdão proferido por inexistir no texto do voto relator, qualquer justificativa para o não provimento do Recurso Voluntário, bem como, alega na motivação dos Embargos de Declaração a inexistência de sua participação capital nas operações da empresa autuada e/ou interesse comum nos fatos geradores. Aduz ser frágil a presunção ou indício de sua participação capital nas operações da autuada, alegando que não há documento que comprove o seu vinculo com a Soberano Alimentos Ltda., ou desta com a Mafrinorte, bem como que o fato de possuir procuração, na qual a Soberano Alimentos (autuada) outorga poderes em seu nome, por si só, não justifica a sua responsabilização como solidário, reafirmando nos presentes Embargos alegações já conhecidas e analisadas neste processo, requerendo por fim o acolhimento dos embargos, com efeitos infringentes para o cancelamento do aludido Termo de Sujeição Passiva. Quanto à responsabilização do Embargante, o Recurso Voluntário entendeu que o Embargante possui interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação imposta, posto que é proprietário de 99% quotas da empresa Mafrinorte, que por sua vez, prestava serviços de abate para a Autuada. Entendeu o r. acórdão que a responsabilização do Embargante também decorre do fato que empresas Soberano Alimentos e a Boi Bom, foram constituídas para esconder as atividades de compra, processamento e venda da Mafrinorte, que é de sua propriedade. E neste sentido, ainda esclareceu o r. acórdão que o Embargante possuindo procuração pública para administrar isoladamente a empresa Autuada tinha plenos poderes de gestão para todos os atos da administração e portanto controle direto da empresa e conhecimento de todos os fatos a ela relativos. Por fim, o Embargante alega contradição quanto ao relatório do r. acórdão e as provas existentes nos autos, argumentando que estas seriam apenas indícios de participação capital e que não podem ser consideradas para presunção de participação capital. Eis o Relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 792DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10280.720103/200729 Acórdão n.º 1202001.177 S1C2T2 Fl. 6 3 Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele se toma conhecimento. Não se vislumbra no presente recurso contradição a ser sanada. Os Embargos de Declaração são tempestivos, nos termos do art. 65, § 1º do Regimento Interno deste E. Conselho: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão. O Embargante equivoca – se ao alegar que há contradição na decisão ora combatida. Pronunciouse o r.acórdão com a clareza e fundamentação necessárias para esclarecer a questão de responsabilidade solidária do Embargante. Trouxe à tona toda a construção realizada pela fiscalização quanto à criação de empresa de “fachada” para maquiar operações realizadas pela empresa Mafrinorte, cujo sócio majoritário é o Embargante. A autoridade administrativa, portanto, utilizandose da combinação dos indícios acima mencionados no relatório, concluiu que o Sr. Paulo Afonso Costa, possuía interesse comum na empresa autuada e na situação que constituiu a obrigação principal, o considerando responsável solidário pelo crédito tributário em foco. Discorreu acerca dos indícios que formaram a mais plena convicção dos julgadores da DRJ e deste E. Conselho, aprofundando todas as características necessárias ao reconhecimento do Embargante como responsável solidário nos presentes autos. A contradição apontada não merece prosperar, considerando que a expressão utilizada no r. acórdão “participação capital”, apontada pelo Embargante como participação não comprovada, demonstra não só interesse comum do Embargante nos fatos geradores do tributo, como a sua expressiva participação nos negócios da empresa autuada. Não se trata de necessidade de comprovação de tal ato, mas sim da afirmativa de que todos os indícios colhidos pela fiscalização, traduz uma situação em que há de fato e de direito a presença de responsabilidade solidária do Embargante, sem mais dúvidas acerca de sua participação. A construção dos fatos e das provas trazidas aos autos foram suficientes para chegar a decisão prolatada. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10280.720103/200729 Acórdão n.º 1202001.177 S1C2T2 Fl. 7 4 De acordo com o raciocínio construído no presente despacho e nas decisões prolatadas pela DRJ e no acórdão recorrido, não vislumbro contradição a ser enfrentada, pois a matéria foi apreciada em ambas decisões sobre provas robustas nos autos. Conclusão que se pode depreender é a de que o verdadeiro intuito das embargantes reside no interesse de buscar a reapreciação da matéria de mérito já decidida, situação essa que somente seria possível, em sede de Recurso Especial. Portanto, por não estar presente o requisito de cabimento dos presentes embargos, qual seja, a contradição, em conformidade com o que estabelece o artigo 65, caput do RICARF, votase pelo não provimento do recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 794DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.907099/2011-46
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/01/2002
PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3803-005.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/01/2002 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2083; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 6 1 5 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.907099/201146 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.601 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de fevereiro de 2014 Matéria Compensação Recorrente COTRIGUAÇU COOPERATIVA CENTRAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2002 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negouse provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 70 99 /2 01 1- 46 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015070396), indeferiu o Per/DComp transmitida em 15/01/2002, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado, o crédito nele informado foi integralmente utilizado no pagamento de outros débitos, não restando saldo credor para a restituição pleiteada. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte alegou que apurou as contribuições ao PIS e à Cofins, com base no art. 3º da então vigente Lei nº 9.718/98; que ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 346.084, julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo trazido por esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços e outras receitas – financeiras, aluguéis, recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o pagamento do valor apurado. Ao final postula pela restituição dos valores pagos a maior a título de PIS, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional e art. 2º, III, ‘c’, da IN RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic. Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 0640.347, a decisão proferida pela 3ª Turma DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade aviada, consoante transcrição da ementa a seguir ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/01/2002 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo Fl. 54DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907099/201146 Acórdão n.º 3803005.601 S3TE03 Fl. 7 3 as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitouse à alegação de que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo inconstitucional contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o mesmo era perfeitamente aplicável; e que as condições para o afastamento da aplicação da norma julgada inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, o que fez em observância ao disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/09. Por tal razão deixou o voto condutor de reconhecer o direito creditório pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada. No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos autos provas do direito alegado, eis que a contribuinte não demonstrou fazer parte de ação judicial na qual foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo informado na peça inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN, eis que incumbe à interessada trazer aos autos junto à peça contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72. Cientificado do teor da decisão de primeira instância por meio de AR em 29/04/2013 e, com ela irresignado, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/05/2013, reiterando os termos expendidos na exordial, de forma minudente, para pugnar pela reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo devolvido a esta Corte versa acerca da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da liquidez e certeza do crédito, cuja restituição foi suscitada pela contribuinte, com a devida atualização de acordo com a taxa Selic. O Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Nos julgamentos realizados no âmbito do CARF a regulação acerca deste tema encontra supedâneo no disposto artigo 62A do RICARF/09, que assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62A do Regimento Interno do CARF/09, e igualmente o faço nesta oportunidade, com o fito de solucionar a questão atinente ao reconhecimento do direito alegado pela Recorrente. No que atine à questão probatória, bem se vê que a decisão a quo esteve silente em relação à eficácia da planilha e dos DARF’s correspondentes, colacionados aos autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907099/201146 Acórdão n.º 3803005.601 S3TE03 Fl. 8 5 Quanto a este aspecto o aresto recorrido limitouse a indicar a ausência nos autos de documentos “inominados” e de livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN. Logo, a conclusão a que chegou a referida decisão é que os documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a legitimidade de sua pretensão. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou. Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas. Com tais observações oriento o meu voto para NEGAR provimento ao recurso interposto. É assim que voto. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2014. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10380.723002/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
ILEGITIMIDADE PASSIVA
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26).
Rejeitar a preliminar
Recurso negado
Numero da decisão: 2202-002.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado) que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. ILEGITIMIDADE PASSIVA A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). Rejeitar a preliminar Recurso negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 30 02 /2 00 9- 43 Fl. 556DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado) que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Acórdão n.º 2202002.714 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte, VAGNER FERNANDES, foi lavrado auto de infração de fls. 02/16, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2005, ano calendário 2004, no valor de R$ 4.662.852,54, valor já acrescido dos juros de mora e multa de ofício, calculados de acordo com a legislação de regência. O lançamento de ofício decorreu de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, tendo sido constatado omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Auto de infração e Termo de Verificação anexos, parte integrante deste Auto de Infração ora guerreado, conforme abaixo transcritos: 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas correntes de depósito, mantidas em instituições financeiras, Caixa Econômica Federal e Banco HSBC BANK BRASIL S/A, no ano calendário de 2004, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme especificado a seguir. De acordo com a descrição dos fatos presente no auto de infração e no relatório da autoridade de primeira instância: O contribuinte acima identificado, foi selecionado para fiscalização na operação Movimentação Financeira Incompatível com Rendimentos Declarados PF, mediante Mandado de Procedimento Fiscal n° 03.1.01.002008005113, emitido em 14/03/2008, relativo ao ano calendário de 2004, em razão de: Na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física do Ano calendário 2004, exercício 2005 DIRPF/ 2005, anexa, ter informado rendimento disponível igual a R$27.593,37, inobstante ter apresentado movimentação financeira no montante de R$ 5.835.972,32 As informações sobre a movimentação financeira foram disponibilizadas pelos referidos bancos, em cumprimento ao que dispõe o parágrafo 2°, do artigo 11, da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996. Através do Termo de Início de Fiscalização, anexo, cuja ciência ocorreu em 23/05/2008, conforme Aviso de Recebimento AR, anexo, foi o contribuinte acima identificado INTIMADO a apresentar, os elementos/esclarecimentos a seguir especificados: Fl. 558DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 1.Extratos bancários com a movimentação diária de todas as contas de depósito, poupança ou investimento, mantidas pelo contribuinte ora intimado, cônjuge e dependentes, durante o ano calendário de 2004, em qualquer instituição financeira, no Brasil ou no exterior. 2.Informar e comprovar, mediante documentação original, hábil e idônea (ou cópia autenticada), a origem dos valores depositados, durante o ano calendário de 2004, era todas as contas de depósito, poupança ou investimento, mantidas pelo contribuinte ora intimado, cônjuge e dependentes, em qualquer instituição financeira, no Brasil ou no exterior e se tais contas são conjuntas. Em 27/06/2008, após pedido de prorrogação de prazo, concedido em 13/06/2008, anexo, o contribuinte apresentou resposta ao Termo de Inicio de Fiscalização, anexa, onde informou que: Estava repassando as cópias dos extratos bancários referentes ao ano de 2004 das contas, as quais mantinha movimentação, Caixa econômica Federal agência 0578, Caixa Econômica Federal agência 1560 e Banco HSBC agência 1258; e As correspondências em seu nome poderiam ser enviadas para seu novo endereço, Rua Homero Castelo Branco, 841 Lago Jacarei Fortaleza CE CEP: 60822280. Após análise da documentação apresentada pelo contribuinte constatamos os fatos especificados no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 11/08/2008(data em que, por engano, foi posto o ano de 2004), anexo, cuja ciência ocorreu em 14/08/2008, conforme comprovante de recebimento, anexo, e informação do contribuinte na resposta recebida 27/08/2008, e no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal lavrado em 28/08/2008, anexo, cuja ciência, pessoal, ocorreu em 29/08/2008, conforme consta no próprio termo, e intimamos o contribuinte a apresentar os necessários esclarecimentos ou documentos comprobatórios ou de contestação e, especificamente, em relação aos Créditos/Depósitos, informar e comprovar, mediante apresentação de documentação original, hábil e idônea (ou cópia autenticada), a origem dos valores depositados,durante o anocalendário de 2004, em suas contas corrente, especificados nos anexos ao termo lavrado em 11/08/2008 (ANEXO I, ANEXO II e ANEXO III) e no termo lavrado em 28/11/2008. Em 17/02/2009, através do Termo de Reintimação Fiscal, anexo, cuja ciência ocorreu em 19/02/2009, conforme Aviso de Recebimento AR, anexo, intimamos o contribuinte fiscalizado a apresentar todos os documentos e comprovantes solicitados através do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, de 11/08/2008 (data em que, por engano, foi posto o ano de 2004), e Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, de 28/08/2008, e não atendidos integralmente até aquela data, inclusive já tendo sido vencido o prazo adicional concedido ao contribuinte em pedido de prorrogação de prazo, anexo. Destacamos nesse termo (Termo de Reintimação Fiscal), a REINTIMAÇÃO do contribuinte para informar e comprovar, mediante apresentação de documentação original, hábil e idônea (ou cópia autenticada), a origem dos valores depositados, Fl. 559DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Acórdão n.º 2202002.714 S2C2T2 Fl. 4 5 durante o ano calendário de 2004, em suas contas correntes, que seguiram especificados nos anexos (ANEXO I, ANEXO II e ANEXO III) ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, de 11/08/2008 (data em que, por engano, foi posto o ano de 2004), e no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, de 28/08/2008. Em 09/03/2009, o contribuinte apresentou resposta, anexa, informando que não foi possível entregar as informações solicitadas por essa fiscalização, pois as instituições financeiras, as quais mantinha suas contas correntes, não repassaram os dados que necessitava e, sendo assim, autorizava a Secretaria da Receita Federal a solicitar os dados necessários para o bom andamento da fiscalização. Através do Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 12/03/2009, anexo, cuja ciência ocorreu em 17/03/2009, conforme Aviso de Recebimento AR, anexo, essa fiscalização intimou o contribuinte fiscalizado a apresentar os elementos a seguir especificados: "1. Cópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos créditos, que seguiram especificados nos anexos (ANEXO I, ANEXO II e ANEXO III) ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, de 11/08/2008 (data em que, por engano, foi posto o ano de 2004), e no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, de 28/08/2002, de forma que seja identificado o emitente do crédito; 2.Cópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos débitos, relacionados nos extratos bancários apresentados pelo contribuinte, efetuados em suas ContasCorrentes, de forma que seja identificado o destinatário do valor debitado." Em 24/03/2009 o contribuinte apresentou resposta, anexa, onde reafirma que as instituições financeiras não entregaram a documentação por ele solicitada e afirma que, sem a colaboração das instituições financeiras, nas quais mantinha suas contas, fica impossível apresentar e especificar os créditos efetuados no período de 01/01/2004 a 31/12/2004. Continuando ainda sua resposta, o contribuinte fiscalizado, no item 4, confirma a abertura de suas contas bancárias a Receita Federal, como foi descrito na resposta anterior de 09/03/2009, e reafirma que somente com os dados bancários, por ele solicitados aos bancos, ver a condição de atender a essa fiscalização e pede a intervenção junto às instituições financeiras, Caixa Econômica Federal e HSBC. Diante do não atendimento à intimação, da abertura de suas contas bancárias a Receita Federal, conforme especificado nas respostas citadas 09/03/2009 e 24/03/2009 e pelo pedido de intervenção junto às instituições financeiras, Caixa Econômica Federal e HSBC, e considerando ainda a afirmação do contribuinte fiscalizado de que somente com os dados bancários, por ele solicitados aos bancos, ver a condição de atender a essa fiscalização, foi solicitado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza Ce (DRF/FORTALEZA), por essa fiscalização, emissão de Requisição de Informações sobre Fl. 560DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Movimentação Financeira RMF em 02/06/2009, solicitação anexa. Em 08/06/2009 a DRF FORTALEZA emitiu a RMF n° 03.1.01.002 009000581, anexa, e a RMF n° 03.1.01.002009000590, anexa, dirigidas a Caixa Econômica Federal e ao Banco HSBC BANK BRASIL S/A, respectivamente, solicitando os dados a seguir especificados, relativos ao ano de 2004: A Caixa Econômica FederalCópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos créditos acima de R$ 5.000,00, efetuados na C/C 202025, AG. 1560, de forma que seja identificado o emitente do crédito; e Cópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos débitos acima de R$ 3.000,00, efetuados na C/C 202025, AG. 1560, de forma que seja identificado o destinatário do valor debitado. A Caixa Econômica Federal Cópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos créditos acima de R$ 5.000,00, efetuados na C/C 84990, AG. 0578, de forma que seja identificado o emitente do crédito; e Cópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos débitos acima de R$ 3.000,00,' efetuados na C/C 84990, AG. 0578, de forma que seja identificado o destinatário do valor debitado.Ao Banco HSBC BANK BRASIL S/A Cópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos créditos acima de R$ 5.000,00, efetuados na C/C 850017, AG. 1258, de forma que seja identificado o emitente do crédito; e Cópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos débitos acima de R$ 3.000,00, efetuados na C/C 850017, AG. 1258, de forma que seja identificado o destinatário do valor debitado. Em 27/10/2009, lavramos Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, anexo, cuja ciência ocorreu em 30/10/2009, conforme comprovante de recebimento, anexo, e informação do contribuinte no Termo de Declaração, anexo, informando ao contribuinte as constatações dessa fiscalização, conforme lá especificado, intimando a apresentar os necessários esclarecimentos ou documentos comprobatórios ou de contestação, onde destacamos os seguintes fatos: 1. que, até aquela data, o contribuinte não comprovou a origem dos Créditos/Depósitos intimados por essa fiscalização, no item 2 do Termo de Início de Fiscalização, depois especificados individualmente no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal lavrado em 11/08/2008 (data em que, por engano, foi posto o ano de 2004) e no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal lavrado em 28/08/2008 (Informar e comprovar, mediante documentação original, hábil e idônea (ou cópia autenticada), a origem dos valores depositados, durante o ano calendário de 2004, especificados); 2. não ser possível a essa fiscalização, isoladamente, sem a interferência e esclarecimentos do próprio contribuinte fiscalizado, identificar, através das respostas dos bancos referidos, a origem dos Créditos/Depósitos e Débitos/Saques, para que, com essa identificação, se pudesse determinar a origem dos Créditos/Depósitos que foram intimados; Fl. 561DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Acórdão n.º 2202002.714 S2C2T2 Fl. 5 7 3. que se encontravam à disposição do contribuinte os dados enviados pelos referidos bancos (Caixa Econômica Federal e Banco HSBC BANK BRASIL S/A), que poderiam possibilitar a comprovação dos Créditos/Depósitos, intimados à comprovação por parte dessa fiscalização, conforme afirmou o próprio contribuinte fiscalizado em sua resposta. Através do citado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 27/10/2009, foi o contribuinte, também, especificamente, reintimado a; Em relação aos Créditos/Depósitos, informar e comprovar, mediante apresentação de documentação original, hábil e idônea (ou cópia autenticada), a origem dos valores depositados, durante o ano calendário de 2004, em suas contas correntes, especificados nos anexos ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal lavrado em 11/08/2008 (ANEXO I, ANEXO II e ANEXO III) e Termo de Constatação e de Intimação Fiscal lavrado em 28/08/2008. Ainda no citado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 27/10/2009, informamos ao contribuinte que: O mesmo deveria esclarecer e comprovar individualmente cada um dos créditos/depósitos efetuados em sua contacorrente, que foram especificados nos anexos ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 11/08/2008 (ANEXO I, ANEXO II e ANEXO III), e no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 28/08/2008; caso julgasse necessário, poderia agendar comparecimento a essa DRF/FORTALEZA para recebimento ou consulta/esclarecimento dos dados enviados pelos referidos bancos; e segundo consta na Lei n.° 9.430, de 27/12/1996:"Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações". Em 13/11/2009, o contribuinte fiscalizado compareceu a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, onde, em resposta ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 27/10/2009, prestou a termo as declarações constantes no Termo de Declaração, que anexamos ao presente Auto de Infração. Observando as declarações prestadas pelo contribuinte fiscalizado, no citado Termo de Declaração, podemos destacar que, apesar de informar que sua atividade profissional em 2004 era como corretor de imóveis, tendo trabalhado para a empresa Magno Torres Muniz, como autônomo e com corretagem de câmbio para as empresas Wall Street Câmbio e Turismo, Amoretur Câmbio e Turismo e Barcelona Turismo e que sua principal fonte de renda em 2004 era decorrente da atividade citada, não apresentou documentação para comprovar as declarações prestadas (itens 4 e 5). Fl. 562DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Destacamos, ainda no citado Termo de Declaração que, em relação à constatação da conclusão de que até a data do referido Termo de Constatação e de Intimação Fiscal (27/10/2009) o contribuinte não comprovou a origem dos Créditos/Depósitos intimados por essa fiscalização, o contribuinte declarou que os depósitos/créditos efetuados em suas contas correntes são oriundos das empresas de câmbio citadas, os quais eram depositados com a finalidade de aquisições de moedas estrangeiras, as quais, após compradas, eram transferidas, para as respectivas empresas, através de SEDEX, e que, com essa atividade, obtinha, em média, um ganho correspondente a 1% dos valores depositados por essas empresas de câmbio já citadas, e que toda a documentação referente às operações citadas, tais como planilha de controle de entrada dos créditos, comprovantes de envio de SEDEX, e, acredita que, comprovantes de depósitos efetuados pela Amoretur em suas contas correntes (do declarante), encontram se sob o poder da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, por terem sido apreendida pela Polícia Federal em 05/10/2005 em processo que continua em andamento, concluindo que, no momento não dispunha de nenhuma documentação para apresentar a essa fiscalização (item 7.4). No entendimento dessa fiscalização, a alegação do contribuinte, nesse item 7.4 do citado Termo de Declaração, de que a documentação (referente às operações citadas, tais como planilha, de controle de entrada dos créditos, comprovantes de envio de SEDEX, e comprovantes de depósitos efetuados pela Amoretur em suas contascorrentes), encontrase sob o poder da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, não justifica a não apresentação de comprovação da origem dos créditos/depósitos intimados, pois, do que se tem conhecimento, a Justiça Federal do Rio Grande do Sul (ou qualquer outra) poderia ter fornecido tal documentação, pelo menos, em cópia, e do início dessa fiscalização (23/05/2008) até a data do Termo de Declaração (13/11/2009) se passaram aproximadamente 17 meses, o que seria um tempo mais do que suficiente para obtenção de tal documentação. Destacamos ainda, no citado Termo de Declaração, a declaração prestada pelo contribuinte, no item 8, de que os rendimentos tributáveis declarados na DIRPF/2005, referente ao ano calendário de 2004, no valor de R$ 35.000,00, foram decorrentes de comissões auferidas nas intermediações de aquisições de moeda estrangeira e foram recebidos das empresas de câmbio citadas, declaração esta que o contribuinte, também, não anexou comprovação. Destacamos ainda, por fim, no citado Termo de Declaração, que o contribuinte, verificando a documentação enviada pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco HSBC, apresentada por essa fiscalização, anexada ao citado termo, informou que os depósitos/créditos efetuados nos citados bancos, foram feitos pelas empresas de cambio, citadas, apesar de não constarem identificadas na documentação enviada pelos referidos bancos e que os cheques emitidos por ele (declarante), dos citados bancos, foram para transações pessoais, não tendo relação com sua atividade profissional de câmbio exercida em 2004, sem, no Fl. 563DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Acórdão n.º 2202002.714 S2C2T2 Fl. 6 9 entanto, apresentar nenhuma documentação para comprovação da declaração (itens 9.2 e 9.3). No entendimento dessa fiscalização, notase haver, entre essa declaração, por ultimo destacada e a declaração do item 7.4, do Termo de Declaração, uma contradição. Vejamos: quando o contribuinte informa, no item 7.4, que os depósitos/créditos, efetuados em suas contas correntes, são oriundos das empresas de câmbio, os quais eram depositados com a finalidade de aquisições de moedas estrangeiras, as quais, após compradas, eram transferidas, para as respectivas empresas, através de SEDEX, está afirmando que os depósitos foram efetuados para aquisição de moedas estrangeiras e, se as transferiu através de SEDEX, seria porque as comprou, e, se as comprou utilizou algum valor para essa finalidade, e, segundo ele próprio, os depósitos foram efetuados com essa finalidade. Segundo a outra informação prestada pelo contribuinte, os cheques por ele emitidos (saldo de valor), dos citados bancos, foram para transações pessoais, não tendo relação com sua atividade profissional de câmbio exercida em 2004. Se os cheques foram emitidos para transações pessoais, não tendo relação com sua atividade profissional, como afirma, com quais recursos, então, ele teria adquirido as citadas moedas que disse que repassou através de SEDEX? Considerando que os débitos são saídas de valores, que encontramse depositados nas contas correntes, então os créditos/depósitos que, segundo afirmação do contribuinte, tinham a finalidade de aquisição de moedas estrangeiras foram utilizados para finalidade diversa da definida pelos depositantes, em transações pessoais ? Diante do exposto, confirmado que o contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea que,comprovasse a origem dos créditos/depósitos efetuados em suas contas correntes, devidamente intimados, nos diversos termos lavrados no decorrer dessa fiscalização, efetuamos o Lançamento de Ofício, através do presente Auto de Infração, por omissão de rendimentos, com base em depósitos cuja origem não foi comprovada. Os valores mensais encontram se especificados na planilha "DEMONSTRATIVO MENSAL DE CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS", anexa ao presente Auto, a qual foi consolidada mensalmente com base nos valores individuais constantes nos anexos ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 11/08/2008 (data em que, por engano, foi posto o ano de 2004), anteriormente citados (ANEXOS I, II e III) e com base no valor constante no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 28/08/2008, estão considerados no mês em foram recebidos e sujeitos a tributação na Declaração de Ajuste Anual, conforme determina a legislação. Conforme, também, determina a legislação e especificado no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 11/08/2008 (data em que, por engano, foi posto o ano de 2004), nos anexos I, II e III foram excluídos os Créditos/Depósitos referentes aos cheques depositados e posteriormente devolvidos e os Créditos/Depósitos referentes às transferências entre contas correntes do contribuinte que foram detectados por esta fiscalização. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação em 28/12/2009, fls. 503/508, a seguir transcrita: Fl. 564DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 “(...) No dia 23/maio/2008 iniciouse a fiscalização sobre minha declaração de imposto de renda, exercício 2004, iniciando assim, conjuntamente, uma fiscalização sobre minhas contas correntes; Bancos: HSBC , agencia 1258 e CEF, agencias 1560 e 0578. Esta fiscalização ficou a cargo da Sra. Auditora Fiscal, Lúcia de Fátima Fernandes Souza, que intimou me a apresentar as origens dos créditos/depósitos efetuados em minhas contas correntes durante o período de 01/janeiro/2004 à 31 /dezembro/2004. Após o recebimento da intimação, através de correspondência protocolada, enviei minha solicitação às instituições financeiras, HSBC e CEF, para que as mesmas me entregassem cópias das movimentações financeiras durante o período acima citado. Este procedimento foi efetuado por duas vezes, pois na primeira tentativa não obtive êxito. Quando recebi os extratos bancários entreguei, ou melhor, apresentei os à Sra, Auditora que disse que os mesmos não satisfaziam as exigências e necessidades para o esclarecimento dos fatos relacionados àquela fiscalização, pois não continham dados específicos sobre os autores dos depósitos/créditos efetuados em minhas contas correntes. DA AUSÊNCIA DE FATO GERADOR PARA PAGAMENTO ORIUNDO DE QUANTIA. TRIBUTÁVEL Inicialmente vem o requerente solicitar que sejam respeitados as prescrições dos períodos supostamente tributáveis. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramentos legais do IRPF, aplicado pela Receita Federal, especialmente o agente fiscal, não revela a realidade dos fatos, vejamos: Como sempre agi durante o período da fiscalização, tentando facilitar a identificação dos depósitos e os depositantes, que até aquele momento era o pedido feito pela Sra. Auditora, entreguei a ela uma correspondência datada em 09/março/2009, onde autorizava à Receita Federal que interferisse junto às instituições financeiras, já citadas acima, para que repassassem as informações, na forma e conteúdo que era exigido pela Receita Federal, para poder esclarecer os referidos crédito/depósitos, durante o período de 01/janeiro/2004 a 31/dezembro/2004 À partir de 12/março/2009 a Sra Auditora Fiscal da Receita Federal, pede que seja apresentado, além dos créditos/depósitos em minha conta corrente, também os documentos relativos aos débitos/saídas efetuados nas mesmas. Com a emissão pela DRF/ Fortaleza solicitando às Instituições financeiras, HSBC agência 1258 e CEP, agências 1560 e 0578, uma requisição de informações sobre movimentação financeira, cujo teor é o seguinte: " Cópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos créditos acima de RS 5,000,00, de forma que seja identificado o emitente do crédito; e cópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos débitos acima de RS 3.000,00, efetuados nas referidas contas, de forma que seja identificado o destinatário do valor debitado". Após receber os dados enviados pelas instituições financeiras a Sra. Auditora Fiscal conclui que: Fl. 565DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Acórdão n.º 2202002.714 S2C2T2 Fl. 7 11 "Constatamos não ser possível a essa fiscalização, isoladamente, sem interferência e esclarecimento do próprio contribuinte fiscalizado, identificar, em tais respostas, a origem dos créditos/depósitos que foram intimados". Estas informações me foram repassadas através de uma correspondência da Receita Federal datada em 27/outubro/2009, onde pediam maiores esclarecimentos. No dia 13/novembro/2009 estive na DRF em Fortaleza para prestar esclarecimentos e colaborar, como sempre fiz, na continuidade da fiscalização. Diante da Sra Auditora, Lúcia de Fátima Fernandes Souza e Sra Maria Mazzarelo Cito Ramalho Soares tentei esclarecer o que segue; Que durante o ano de 2004, além de Corretagem de imóveis atuei como intermediário na compra de moedas estrangeiras nesta cidade, para instituições de cambio cadastradas junto ao Banco Central do Brasil com sedes em Fortaleza e São Paulo, sendo que a empresa com maior fluxo de compras dessas moedas e responsável pela grande maioria dos depósito/créditos em minhas contas corrente chamava se Amoretur Cambio e Turismo, localizada na cidade de São Paulo. Esclareci sobre o meio e forma de remessa das moedas e qual seria a minha participação na intermediação. Foi apresentado pela Sra. Auditora cheques por mim emitido à terceiros, onde esclareci que em alguns casos não eram para pagamento de compra de moedas estrangeiras e sim para outros fins. Fiquei surpreso quando na "Conclusões Finais", do Auto de Infração, a Sra, Auditora conclui que: "Os cheques emitidos por ele (declarante), dos citados bancos foram para transações pessoais, não tendo relação com sua atividade profissional de cambio, exercida em 2004, sem no entanto apresentar nenhuma documentação para comprovação da declaração (itens 9,2 e 9.3)" ISSO NÃO OCORREU NEM MUITO MENOS CONSTA QUALQUER MATERIALIDADE DA SUPOSTA PRÁTICA DO ATO ACUSADO, CLARO QUE HOUVE CHEQUES PARA TRANSAÇÕES PESSOAIS, MAS NÃO ACERCA DOS VALORES LANÇADOS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO. Gostaria de esclarecer que esta declaração feita por mim no dia 13/novembro/2009, na sede da Receita Federal em Fortaleza, durou cerca de 3:00 hs, que não li o fechamento da declaração pois enquanto depunha a Sra. Auditora transcrevia para o seu computador. Recebi uma cópia da declaração somente após vários dias. Diante da conclusão da Sra. Auditora me pergunto, Se não emitisse cheques e fizesse saques como poderia ter recursos em espécie para a compra de moedas estrangeiras dentro do mercado de fortaleza? Sendo que o turista estrangeiro necessita do Real para cobrir seus custos durante sua estada na cidade. Tenho certeza que a Sra. Auditora não utilizou de má fé quando declara nas, Descrições dos Fatos; Fl. 566DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 "Que os cheques emitidos por mim foram para transações pessoais." Mas com isso, não quer dizer que os valores lançados no auto de infração são os valores tributáveis, pois o defendente não auferiu os referidos valores. Destarte que, contudo não houve valor tributável na forma que descreve o Auto de Infração, em nenhum momento há prova nesse sentido. Não foram rendas auferidas os valores lançados na descrição dos fetos e enquadramentos, o que será provado durante a instrução do processo e efetivação das diligências requeridas a seguir, em respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa. DAS DILIGÊNCIAS ACERCA DOS CRITÉRIOS ADOTADO PELO AGENTE FISCAL Gostaria de concluir este pedido de impugnação perguntando: 1) Se foi recebido das instituições financeiras os relatórios de crédito/depósitos como foram pedidos, (identificar o emitente do crédito), porque a fiscalização diz em seu relatório final, " Não ser possível identificar as origens dos depósitos" ? As instituições financeiras não apresentaram os relatórios/extratos como foram exigidos? Buscouse saber quem eram os donos das contas que fizeram os depósitos? 2) Porque a base de cálculo para emissão do auto de infração é sobre o montante depositado? a)Foi dito e esclarecido a finalidade dos depósitos. b)Foi dito quem eram as empresas responsáveis pelos depósitos e houve devolução dos valores em moeda estrangeira, que revela de forma inequívoca que não são reais os valores supostamente tributáveis nas descrições dos fatos e enquadramentos pelo agente fiscal. c)Foi dito para quem era entregue as moedas compradas no mercado de Fortaleza. d) Foi dito o quanto era a lucratividade na intermediação entre compra e venda. e)Depósitos/créditos não são rendimentos. 3) Porque não houve contato com as empresas citadas para comprovação do que foi declarado? 4) Porque não se consultou a Polícia Federal de Caxias do Sul e/ou a Justiça Federal de Caxias do Sul sobre as minhas declarações, já que foi declarado à Sra, Auditora Fiscal que não tenho em mãos nenhum documento, fiscal ou contábil, até a data de 05/outubro/2005, quando em uma operação da Polícia Federal foram apreendidos todos os meus documentos.? Não interferi de forma negativa na fiscalização realizada pela DRF de Fortaleza. Tentei colaborar sempre, de todas as formas possíveis. Caso tenha que pagar tributo à União, farei dentro das possibilidades e condições, porém peço que seja revisto os valores, que sejam justos e que os fatos possam ser analisados e concluídos com bom senso PARA UM REAL VALOR TRIBUTÁVEL, O QUE NÃO OCORREU ATÉ AGORA. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Acórdão n.º 2202002.714 S2C2T2 Fl. 8 13 A DRJ julga a impugnação improcedente, mantendo o lançamento em sua integridade, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tratando se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Discute que os cheques não seriam utilizados para despesas pessoais. Reitera a natureza de sua atividade de corretagem que justificariam os depósitos efetuados, que não seria renda para o recorrente; Que não teria interferido de forma negativa na fiscalização. É o relatório. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; Fl. 569DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Acórdão n.º 2202002.714 S2C2T2 Fl. 9 15 VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 570DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que Fl. 571DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Acórdão n.º 2202002.714 S2C2T2 Fl. 10 17 importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Notase portanto a coerência do arrazoado da autoridade recorrida, afastando os argumentos que o recorrente suscitou na impugnação: Percebese que a substanciosa movimentação detectada requereu aprofundamento. A presente ação fiscal iniciouse em 23 de maio de 2008 e finalizouse em 24/11/2009, com efeito, não lavrou a Autoridade Fiscal o Auto de Infração, pura e simplesmente, sem antes tentar obter esclarecimentos e procurar investigar adequadamente a matéria, segundo os meios legais à sua disposição. Inclusive, p. ex., comunicando o impugnante do procedimento fiscal em curso e permitindo, de forma ampla, que elidisse cabalmente, ponto a ponto, as questões levantadas. Há, portanto, suporte fático e legal para a lavratura do Auto de Infração. Não lhe assiste razão, quando tenta descaracterizar a movimentação financeira como fenômeno a dar ensejo à apuração de omissão de rendimentos, argumentando acerca de suposta dúvida da efetiva ocorrência dos fatos geradores. O fato imponível do lançamento não é a mera movimentação de recursos pela via bancária. Na realidade, o fato gerador é a aquisição de disponibilidade de renda representada pelos recursos que ingressaram no patrimônio por meio de depósitos ou créditos bancários, cuja origem não foi esclarecida, segundo o determinado pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam de atividades de corretagem, cabe ao recorrente demonstrar o que alega, comprovando cada depósitos individualizadamente. A DRJ aponta com acerto no voto condutor do acórdão: A insinuação de que a Autoridade Fiscal não levou em consideração a sua atividade de corretor de imóveis e de cambio, perde sustentação, quando não se comprova, de forma individualizada, a alegada intermediação, isto é, a transferência dos recursos dos clientes/compradores para a(s) sua(s) conta(s) corrente(s), documentada com as notas fiscais, cheques nominativos ou outros documentos hábeis e idôneos da compra e venda; os contratos de intermediação firmados com os fornecedores do produto, identificando os termos do acordo (comissões, p.ex.) e a correlacionada transferência do valor Fl. 572DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 acertado para os representados. Ademais, após análise das respostas enviadas pelos referidos bancos (Caixa Econômica Federal e Banco HSBC BANK BRASIL S/A), a fiscalização intimou o autuado para identificar, em tais respostas, a origem dos Créditos/Depósitos e Débitos/Saques, para que, com essa identificação, pudesse determinar a origem dos Créditos/Depósitos que foram intimados, o que até o presente momento o mesmo não se manifestou. Cabe repisar, a partir do preceito legal acima transcrito, que a comprovação da origem dos recursos deve ser individualizada, ou seja, há que existir correspondência de datas e valores constantes da movimentação bancária, a fim de que se tenha certeza inequívoca da procedência e natureza dos créditos movimentados (§ 3º do art. 42 da Lei 9.430/1996). Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Entendo que inobstante os argumentos não há ainda elemento probante consistente, persiste a dúvida sobre a efetiva origem dos depósitos. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; Fl. 573DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Acórdão n.º 2202002.714 S2C2T2 Fl. 11 19 b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. As provas tem que ser concentradas na explicação de cada depósito considerado como de origem não comprovada. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 574DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11516.001488/2009-45
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/04/2007
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias.
Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, ou mesmo quando existe relação de coordenação entre as diversas empresas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: Por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da competência 11/2005, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito: Por maioria de votos em negar provimento ao recurso entendendo caracterizado o grupo econômico. Vencido o relator, Marcelo Magalhães Peixoto, e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. A conselheira Daniele Souto Rodrigues votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Redator Designado
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: Por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da competência 11/2005, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito: Por maioria de votos em negar provimento ao recurso entendendo caracterizado o grupo econômico. Vencido o relator, Marcelo Magalhães Peixoto, e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. A conselheira Daniele Souto Rodrigues votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Redator Designado Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, ou mesmo quando existe relação de coordenação entre as diversas empresas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 14 88 /2 00 9- 45 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: Por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da competência 11/2005, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito: Por maioria de votos em negar provimento ao recurso entendendo caracterizado o grupo econômico. Vencido o relator, Marcelo Magalhães Peixoto, e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. A conselheira Daniele Souto Rodrigues votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Redator Designado Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 2403002.606 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por PROACTIVA MEIO AMBIENTE BRASIL LTDA, em face do Acórdão n. 0725.478, proferido pela 5ª Turma da DRJ/FNS, que entendeu por bem manter o Auto de Infração, AI DEBCAD n. 37.204.6037, originalmente no importe de R$ 70.120,88 (setenta mil cento vinte reais e oitenta e oito centavos), referente ao período de 11/2005 a 04/2007, consolidado em 01/12/2010 e cientificado o contribuinte em 23/12/2010. Segundo a Fiscalização, fls. 22/37 (Relatório Fiscal), a base de cálculo utilizada no presente lançamento corresponde à diferença encontrada entre as remunerações creditadas pelo contribuinte fiscalizado (ARMIPLAN – ATERRO E TERRAPLANAGEM LTDA) a empregados reconhecidas por esta pessoa jurídica como bases de cálculo, conforme o art. 20, da Lei 8.212/91, nas folhas de pagamento elaboradas para os meses de 11/2005 a 04/2007, e os valores dos saláriosdecontribuição declarados nas últimas guias GFIP, do mencionado período, que a ARMIPLAN transmitiu antes do início da ação fiscal. Para tanto, afirma que analisados e confrontados a documentação e os esclarecimentos apresentados pelo contribuinte no decorrer da auditoria, constatouse que este deixou de informar nas últimas guias GFIP elaboradas e transmitidas até o início da fiscalização para as competências de 11/2005 a 04/2007 parte considerável das remunerações que reconheceu serem base de cálculo das contribuições previdenciárias acima mencionadas nas folhas de pagamento de empregados que elaborou para o mesmo período. Através de verificações feitas junto aos bancos de dados informatizados do Ministério da Fazenda – MF e da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, inferiu a fiscalização que não foram efetuados o recolhimento ou a regularização das contribuições previdenciárias nos incisos I e II do art. 22 da Lei n. 8.212/1991, incidentes sobre estas remunerações informadas nas folhas de pagamento e omitidas nas guias GFIP. Além de ter autuado a empresa ARMIPLAN, a fiscalização imputou responsabilidade solidária a empresa PROACTIVA, afirmando que esta realizou recolhimento de contribuições previdenciárias em relação às competências objeto da fiscalização sob a cifra de “Retenções para a Seguridade Social”, destacadas em notas ficais emitidas com o timbre do contribuinte fiscalizado, em referência a “Serviços de Terraplanagem”. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil considerou as notas fiscais como nulas e que os serviços de terraplanagem discriminados nos documentos seriam fictícios. Afirma também que em consulta ao programa de informática responsável pela apuração, após pesquisa ali demonstrada, os códigos CNAE 90.000 LIMPEZA URBANA E ESGOTO; E ATIVIDADES CONEXAS e o CNAE Fiscal 38211/00 Tratamento e disposição de resíduos nãoperigosos, como os mais apropriados à realidade da atividade econômica praticada pela empresa e aos serviços e funções desempenhados pela maioria dos trabalhadores contratados através da mesma, que foram lotados e colocados a laborar por todo o período fiscalizado no estabelecimento de propriedade da pessoa jurídica à qual se pretende atribuir responsabilidade solidária, responsável pela recepção e pelo depósito do lixo urbano e hospitalar produzido nos municípios da Região Metropolitana de Florianópolis – SC. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa solidária PROACTIVA MEIO AMBIENTE BRASIL LTDA contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 39/72. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Autuada, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – SC, DRJ/FNS, prolatou o acórdão 07 25.478, fls. 171/186, mantendo o lançamento, conforme ementa que abaixo segue transcrita, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/04/2007 GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas contribuições sociais previdenciárias devidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Período de apuração: 01/11/2005 a 30/04/2007 SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente responsáveis pela mesma. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2005 a 30/04/2007 APRECIAÇÃO DE MATÉRIA CRIMINAL. COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. A discussão sobre a ocorrência ou não de crime não é matéria de competência dos órgãos que atuam no processo administrativo fiscal. INTIMAÇÃO. ARTIGO 23 DO DECRETO N. 70.235/1972. As intimações, em sede de processo administrativo fiscal federal, devem ser efetuadas conforme o prescrito no artigo 23, do Decreto n. 70.235/1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformado com o resultado acima, a empresa PROACTIVA MEIO AMBIENTE BRASIL LTDA, apresentou Recurso Voluntário, de fls. 195/231, requerendo a Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 2403002.606 S2C4T3 Fl. 4 5 sua exclusão do pólo passivo da exação, uma vez que não haveria que se falar em grupo econômico. É o relatório. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme o documento de fl. 195, conheço do recurso em razão de sua tempestividade, assim como por preencher os demais requisitos legais. DA APENSAÇÃO O presente processo encontrase em apenso ao processo principal de número 11516.001487/200909, no qual estão presentes demais documentos probatórios. PRELIMINARMENTE – DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: Fl. 242DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 2403002.606 S2C4T3 Fl. 5 7 CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Analisando os autos, percebese que consta as Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP do período sob fiscalização. Ademais, o próprio Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil afirma que a pessoa jurídica apontada como responsável solidário realizou as retenções e os recolhimentos de contribuições em notas fiscais de serviços de terraplanagem, portanto, verifico que houve pagamento em todas as competências, mesmo que parcial, razão pela qual aplico o prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do CTN. O período de apuração compreendeu as competências 11/2005 a 04/2007. A notificação ocorreu em 23/12/2010 (fl. 2). Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação apenas à competência de 11/2005, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme explicado. DO GRUPO ECONÔMICO A autoridade autuante justifica o arrolamento da empresa solidária com base no art. 124, I do Código Tributário Nacional, assim como no art. 30 da Lei 8.212/91 por se tratarem de empresas integrantes de um mesmo grupo econômico. Para tanto, junta o que entende por provas aptas a caracterizar a presente situação. Dentre elas estão as seguintes: a) Declaração prestada pelo engenheiro Ernani Luz Santa Rita (fl. 24 do Anexo I do presente processo) na qual aduz que é o responsável pelo gerenciamento do aterro sanitário da PROACTIVA que apesar de ele ser Fl. 243DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 registrado como empregado na PROACTIVA, ele também gerencia o trabalho desempenhado tanto pelos funcionários da PROACTIVA, quanto da ARMIPLAN e que até o final do ano de 2008 todos os trabalhadores formalmente registrados como empregados da ARMIPLAN seriam transferidos para a PROACTIVA; e que o pagamento de funcionários e o recolhimento de impostos da ARMIPLAN são controlados pela PROACTIVA; b) Declaração prestada pela Sra. Ana Paula Ramos, na qual aduz que a partir de fevereiro de 2007 começou a emitir as notas fiscais da ARMIPLAN, mas que antes deste mês, quem emitia as notas em nome da ARMIPLAN era a própria PROACTIVA; c) Declaração prestada pelo Sr. Valdecir Antônio Ramos, formalmente sócio majoritário da ARMIPLAN, na qual aduz que aceitou emprestar o nome para criar tal empresa porque precisava de seu emprego no aterro sanitário localizado em Biguaçu/SC; que achava que a ARMIPLAN era do SIMLES; e que nem sabia que a ARMIPLAN não estava entregando declarações como a DIPJ e a DCTF; d) A ARMIPLAN a partir do início de 2005, prestou serviços unicamente à PROACTIVA, conforme demonstrado pelas notas ficais reproduzidas no Anexo I do presente processo; e) A ARMIPLAN fornece como seu próprio endereço a localização do aterro sanitário em Biguaçu/SC de propriedade da PROACTIVA; f) Há vários anos, todos os trabalhadores formalmente vinculados à ARMIPLAN, laboram exclusivamente no aterro sanitário de propriedade da PROACTIVA no município de Biguaçú/SC; g) Com base no Laudo de Condições Ambientais de Trabalho – LTCAT reproduzido nas fls. 250 a 275 e nas folhas de pagamento, de que diversos trabalhadores registrados formalmente na ARMIPAN exerciam, no aterro sanitário de propriedade da PROACTIVA no município de Biguaçu/SC, funções necessárias ao funcionamento do aterro sanitário em questão, mas totalmente desvinculadas do tipo de serviço que consta ter sido prestado pela ARMIPLAN à PROACTIVA nas notas ficais reproduzidas no Anexo I do presente processo; h) Declaração do Sr. Miguel Ramos Filho que figura nas folhas de pagamento da empresa ARMIPLAN como empregado na função de auxiliar administrativo, mas na verdade tem a incumbência de controle de acesso ao aterro sanitário de Biguaçu/SC de veículo e do pessoal tanto da ARMIPLAN quanto da PROACTIVA; Fl. 244DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 2403002.606 S2C4T3 Fl. 6 9 i) Na fl. 1287 dos autos, o auditor afirma que a ARMIPLAN é na verdade empresa interposta, mascarada como um prestador de serviços para apenas vincular a empresa ao polo passivo de cada processo judicial, de execução fiscal ou trabalhista. Afirma que a parte tem se beneficiado desse procedimento, conforme se perceberiam de reclamações trabalhistas que já teriam sido arquivadas, ou mesmo as em curso de processamento nas Varas do Trabalho de São José SC, em que os trabalhadores reclamantes não conseguiram ver decretada pelo Juízo a responsabilidade solidária ou subsidiária da PROACTIVA em relação aos créditos trabalhistas dada a inexistência de patrimônio em nome da ARMIPLAN, ou mesmo de seus sócios formais. No entanto, apesar de as provas juntadas e os argumentos expendidos induzirem à conclusão da existência de um grupo econômico, este fato por si só não determina a inclusão da empresa solidária no polo passivo do presente processo. Este relator entende que para que haja a caracterização de grupo econômico é necessário mais do que empresas possuírem sócios em comum e a existência de um ou outro empregado que se transfere de uma empresa para outra. Na realidade, é entendimento deste, que mesmo que fosse provada a existência do grupo econômico, isso não seria motivo suficiente para as empresas incluídas serem consideradas como responsáveis solidárias. Ocorre que, invariavelmente se confundem relações tributárias com as relações trabalhistas quando se trata de solidariedade, como ocorreu no caso em apreço. Nas relações trabalhistas podem entrar no pólo passivo empresas com vínculo jurídico de controle, em face do seu caráter mais protecionista, pois se trata das relações com as empresas e os “hipossuficientes”, que devem ser protegidos de quaisquer “armadilha” tentada pelo empregador que não deseja pagar o devido ao seu empregado. Sendo assim juridicamente aceitável a configuração de grupo econômico independente do controle jurídico, com base apenas na organização comum da atividade econômica. É o denominado “grupo composto por coordenação” em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento (TRT4RO19827/97 – DOMG. 22.07.98). No entanto, quando se trata da aplicação da responsabilidade solidária no campo fiscal, esse caráter protecionista não pode ser aplicado, já que no polo ativo da relação não está o trabalhador e sim o Fisco. O Superior Tribunal de Justiça – STJ, em recente julgado, já se manifestou em vários precedentes sobre o assunto, conforme colacionado, verbis: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. REEXAME DE PROVAS EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 1. Não caracteriza a solidariedade passiva em execução fiscal o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico. Precedentes do STJ. 2. Para verificar as alegações da parte agravante de existência de solidariedade entre o banco e a empresa de arrendamento, em contraposição ao que foi decidido pelo Tribunal de origem, é necessário o revolvimento de matéria de provas, o que é inadmissível em recurso especial, conforme a Súmula 7/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1240335/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/05/2011, DJe 25/05/2011) **************************************************** AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES: AGRG NO ARESP 21.073/RS, REL. MIN HUMBERTO MARTINS, DJE 26.10.2011 E AGRG NO AG 1.240.335/RS, REL MIN. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJE 25.05.2011. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A jurisprudência dessa Corte firmou o entendimento de que o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a solidariedade passiva em execução fiscal. 2. Tendo o Tribunal de origem reconhecido a inexistência de solidariedade entre o banco e a empresa arrendadora, seria necessário o reexame de matéria fáticoprobatória para se chegar a conclusão diversa, o que encontra óbice na Súmula 7 desta Corte, segundo a qual a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. 3. Agravo Regimental do MUNICÍPIO DE GUAÍBA desprovido. (AgRg no Ag 1415293/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/06/2012, DJe 21/09/2012) ************************************************ TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. 2. A pretensão da recorrente em ver reconhecido o interesse comum entre o Banco Bradesco S/A e a empresa de leasing na Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 2403002.606 S2C4T3 Fl. 7 11 ocorrência do fato gerador do crédito tributário encontra óbice na Súmula 7 desta Corte. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011) Ademais, o entendimento do artigo 124 do CTN, somente permite que a fiscalização busque colocar no polo passivo da obrigação previdenciária empresas que possuem efetivamente vínculo jurídico de controle ou de administração ou que tenham participado conjuntamente da materialidade do fato gerador e não apenas se apresentem como um grupo empresarial para o mercado, devido a controle ou ligação comum no exterior, verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Portanto, não merece prosperar a imputação fiscal em razão de não estar comprovado que as empresas arroladas como solidárias praticaram o fato gerador sob análise. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso voluntário interposto, para, preliminarmente, reconhecer a decadência da competência 11/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional e, no mérito, dar provimento ao recurso para determinar a exclusão da recorrente PROACTIVA do pólo passivo da autuação fiscal, ante a falta de demonstração da prática conjunta do fato gerador. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari – Redator Designado GRUPO ECONÔMICO – SOLIDARIEDADE Apresento aqui divergência com o relator do processo quanto ao tema grupo econômico – solidariedade. O artigo 30 da Lei 8.212/91, Lei essa que institui o plano de custeio da Previdência Social, estabelece a solidariedade entre os grupos de empresas de qualquer natureza, quanto ao cumprimento das obrigações previdenciárias. Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; O legislador, na Lei 8.212/91, especificou que a solidariedade é para grupo econômico de qualquer natureza. Portanto, não fica restrito aos grupos econômicos regularmente constituídos. O Relator do voto vencido entende que “mesmo que fosse provada a existência do grupo econômico, isso não seria motivo suficiente para as empresas incluídas serem consideradas como responsáveis solidárias.” Transcrição do voto vencido: Este relator entende que para que haja a caracterização de grupo econômico é necessário mais do que empresas possuírem sócios em comum e a existência de um ou outro empregado que se transfere de uma empresa para outra. Na realidade, é entendimento deste, que mesmo que fosse provada a existência do grupo econômico, isso não seria motivo suficiente para as empresas incluídas serem consideradas como responsáveis solidárias. É essa a origem da divergência. Entendo que a Lei específica que trata do custeio da Previdência Social é harmônica com o CTN e deve ser aplicada num processo que trata das contribuições previdenciárias que custeiam o sistema previdenciário. Quanto à harmonia com o CTN temos que o artigo 124 deste, estabelece como regra para a solidariedade tributária o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal ou as pessoas expressamente designadas por lei. Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 248DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 2403002.606 S2C4T3 Fl. 8 13 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Também a Consolidação das Leis do Trabalho Decretolei 5452/43 , em seu artigo 2º, § 2º estabelece a solidariedade (trabalhista) entre integrantes do mesmo grupo econômico e critérios legais para definição de grupo econômico. Conforme essa orientação, existe grupo econômico quando uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra (grupo econômico por subordinação). Tratase de grupo econômico de dominação, que pressupõe uma empresa principal ou controladora e uma ou várias empresas controladas (subordinadas). Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 1º Equiparamse ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Entretanto, o entendimento prevalente na Justiça do Trabalho é no sentido de que também é possível a configuração de grupo econômico sem relação de dominação, bastando que haja uma relação de coordenação entre as diversas empresas, como acontece quando o controle das empresas está nas mãos de uma ou mais pessoas físicas, detentoras de um número de ações suficiente para criar um elo entre todas (unidade de comando). "EMENTA: GRUPO ECONÔMICO CARACTERIZAÇÃO Para configuração do grupo econômico, não mister que uma empresa seja a administradora da outra, ou que possua grau hierárquico ascendente. Ora, para que se caracterize um grupo econômico basta uma relação de simples coordenação dos entes empresariais envolvidos. A melhor doutrina e jurisprudência admitem hoje o grupo econômico independente da controle e fiscalização de uma empresalíder. Basta unia relação de coordenação, conceito obtido por uma evolução na interpretação meramente literal do art. 2", parágrafo 2° da CLT," (TR7' 3° R. 4T RO/8486/01 Rel. Juiz Márcio Flávio Salem Vidigal DJMG 18/08/2001 P.14). Fl. 249DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 "EMENTA: GRUPO ECONÔMICO Empresas que embora tenham personalidade jurídica distinta, são dirigidas pelas mesmas pessoas, exercem sua atividade no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente á outra formam um grupo econômico a teor das disposições trabalhistas,sendo solidariamente responsáveis pelos legais direitos do empregado de qualquer delas." (TRT 3"R, 2T RO/1551/86 Rel. Juiz Édson Antônio Fiúza Gouthier DJMG 12/09/1986P.). "EMENTA : GRUPO ECONÔMICO DE FATO CARACTERIZAÇÃO, O parágrafo 2º do art. 2º da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que o seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer; na prática, situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma subordinação especifica em relação a uma empresa mãe, mas sim uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados, fartamente, o controle e a direção por determinadas pessoas tísicas que, de fato, mantém a administração das empresas„ sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária." (PROCESSO TRT/15ª REGIÃON00902200108315000R0 (22352/2002RO9) RECURSO ORDINÁRIO DA 3ª VARA DO TRABALHO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS). Em atenção ao princípio da verdade material, a responsabilidade solidária recai sobre grupos de empresas constituídos formal (contrato social ou estatuto social) ou informalmente, sendo que estes últimos são identificados a partir da análise da relação entre a empresa empregadora e as demais. Isto porque nem sempre é fácil a identificação da existência de grupo econômico, porque as empresas se utilizam de diferentes expedientes para ocultar o liame existente entre elas. A Justiça do Trabalho tem identificado grupos de empresas constituídos informalmente a partir dos seguintes indícios, conforme comentários da Juíza do Trabalho Regina M. V. Dubugras ao art. 2º, § 2º, da CLT (in CLT interpretada: artigo por artigo, parágrafo por parágrafo. Antonio Cláudio da Costa Machado (org.). Domingos Sávio Zainaghi (coord). 2ª ed. Barueri, SP: Manole, 2009. p. 4): · a direção e/ou administração das empresas pelos mesmos sócios e gerentes e o controle de uma pela outra; · a origem comum do capital e do patrimônio das empresas; · a comunhão ou a conexão de negócios; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 2403002.606 S2C4T3 Fl. 9 15 · a utilização da mãodeobra comum ou outros elos que indiquem o aproveitamento direto ou indireto por uma empresa da mãodeobra contratada por outra. O conjunto de provas contido no processo deixa claro a existência do grupo econômico, como por exemplo: · a declaração prestada pelo Sr. Valdecir Antônio Ramos (fls. 57 a 59 do Anexo I do presente processo 11516.001487/200909), formalmente sócio majoritário da ARMIPLAN, na qual aduz que aceitou emprestar o nome para criar tal empresa porque precisava de seu emprego no aterro sanitário localizado em Biguaçu/SC; que achava que a ARMIPLAN era do SIMPLES; e que nem sabia que a ARMIPLAN não estava entregando declarações como a DIPJ e a DCTF; · a declaração prestada pela Sra. Ana Paula Ramos (fl. 38 do Anexo I do processo 11516.001487/200909), na qual aduz que a partir de fevereiro de 2007 começou a emitir as notas fiscais da ARMIPLAN, mas que antes deste mês, quem emitia as notas em nome da ARMIPLAN era a própria PROACTIVA; · a declaração prestada pelo Engenheiro Ernani Luz Santa Rita (fl. 24 do Anexo I do presente processo 11516.001487/200909), na qual aduz que é o responsável pelo gerenciamento do aterro sanitário da PROACTIVA localizado no município de Biguaçu/SC; que, malgrado seja empregado registrado da PROACTIVA, gerencia o trabalho desempenhado tanto pelos funcionários da PROACTIVA quanto da ARMIPLAN; que até o final do ano de 2008 todos os trabalhadores formalmente registrados como empregados da ARMIPLAN seriam transferidos para a PROACTIVA; e que o pagamento de funcionários e o recolhimento de impostos da ARMIPLAN são controlados pela PROACTIVA; · a declaração prestada pelo Sr. Armelindo Ramos (fls. 94/94v do Anexo I do presente processo 11516.001487/200909), procurador formalmente investido de poderes para administrar a gerir a ARMIPLAN (cópia de procuração de fl. 41 do Anexo I do presente processo 11516.001487/200909), na qual aduz que a sua função no aterro é de encarregado do pessoal; que a PROACTIVA emprestou R$ 60.000,00 a ARMIPLAN em 2005 para pagar o IRRF dos funcionário desta; e que a PROACTIVA, visando manter a ARMIPLAN em atividade, já a ajudou e quitou dividas dela. · a constatação de que a ARMIPLAN, a partir do inicio de 2005, prestou serviços unicamente a PROACTIVA, conforme demonstrado pelas notas fiscais reproduzidas as fls. 416 a 454 dos autos e as fls. 281 a 316 do Anexo I do presente processo (11516.001487/200909); Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 · a constatação de que a ARMIPLAN fornece como seu próprio endereço, a localização do aterro sanitário em Biguaçu/SC de propriedade da PROACTIVA, · a constatação de que, há vários anos, todos o trabalhadores formalmente vinculados à ARMIPLAN, laboram exclusivamente no aterro sanitário de propriedade da PROACTIVA no município de Biguaçu/SC (folhas de pagamento de fls. 476 a 857); · a declaração, pelo Sr. Miguel Ramos Filho (fl. 23 do Anexo I do presente processo 11516.001487/200909), que figura nas folhas de pagamento elaboradas em nome da empresa ARMIPLAN como empregado na função de auxiliar administrativo, de que tem como verdadeira incumbência laboral o controle de acesso ao aterro sanitário de Biguaçu/SC de veículos e do pessoal tanto da ARMIPLAN quanto da PROACTIVA; · o capital social previsto no documento de constituição da ARMIPLAN é irrisório (R$ 5.000,00) e de que esta não detém a propriedade/posse formal de nenhum equipamento/máquina necessário à prestação de serviços de terraplanagem. CONCLUSÃO Pelas razões legais e fáticas acima expostas, entendo correta a sujeição passiva solidária da empresa Proactiva Meio Ambiente Brasil Ltda. Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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