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Numero do processo: 11065.722333/2016-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
IRPJ/CSLL - SIMULAÇÃO - INEXISTÊNCIA
O direito de se auto-organizar autoriza a constituição de sociedades pelos mesmos sócios, que tenham por escopo atividades similares, complementares ou mesmo distintas. Se corretamente constituídas e operadas, afasta-se o entendimento de que se trata de mera simulação. Para que determinada operação seja considerada simulada, devem ser consideradas as características do caso concreto, demonstradas através de provas.
Numero da decisão: 1301-002.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencida a Conselheira Milene de Araújo Macedo que votou por dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer parcialmente o lançamento, concedendo o direito à dedução dos tributos recolhidos pela pessoa jurídica "SAARA", e o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votou por dar provimento parcial em menor extensão para restabelecer em parte o lançamento, restabelecendo parcialmente a multa de ofício para o percentual de 75% e concedendo o direito à dedução dos tributos recolhidos pela pessoa jurídica "SAARA".
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Se corretamente constituídas e operadas, afastase o entendimento de que se trata de mera simulação. Para que determinada operação seja considerada simulada, devem ser consideradas as características do caso concreto, demonstradas através de provas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencida a Conselheira Milene de Araújo Macedo que votou por dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer parcialmente o lançamento, concedendo o direito à dedução dos tributos recolhidos pela pessoa jurídica "SAARA", e o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votou por dar provimento parcial em menor extensão para restabelecer em parte o lançamento, restabelecendo parcialmente a multa de ofício para o percentual de 75% e concedendo o direito à dedução dos tributos recolhidos pela pessoa jurídica "SAARA". (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 23 33 /2 01 6- 21 Fl. 3215DF CARF MF Processo nº 11065.722333/201621 Acórdão n.º 1301002.843 S1C3T1 Fl. 3.216 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relatório Tratase de Recurso de Ofício contra o acórdão nº 1285.557, proferido pela 2ª Turma da DRJ/RJO, na sessão de 21 de fevereiro de 2017, que, por maioria de votos, entendeu julgar procedente a impugnação do sujeito passivo para exonerar o crédito tributário exigido. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratam os presentes autos de exigências de ofício do imposto de renda de pessoa jurídica, R$ 4.004.457,20, fls. 2696, do PIS, R$ 264.294,07, fls. 2702, da COFINS, R$ 1.217.354,87, fls. 2717, e da CSLL, R$ 1.441.604,59, fls.2727, atinentes aos anos calendário de 2011 e 2012, acrescidas de penalidade qualificada, 150%, e encargos moratórios, de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, fls. 207 e 257. 2. De acordo com o Relatório de Ação Fiscal (RAF) de fls. 2655/2695, fundamentaram as exações a omissão de receitas, assim considerados royalties por uso de franquia, apropriados como receita por empresa do mesmo grupo econômico, tributada sob lucro presumido, SAARA ARTEFATOS DE COURO LTDA, CNPJ nº 09.350.555/000138, visto que, em recíproca, custos/despesas identificados, decorrentes de encargos da franqueadora junto a terceiros, decorrentes dos contratos de franquias, foram apropriados pela autuada, tributada com base no lucro real. Em consequência, os valores tributados na franqueadora foram considerados receitas omitidas desta última. Isto porque, a entendimento da fiscalização: 2.1. informações prestadas pela Stampa em resposta ao Termo 09 conjuntamente com pesquisa realizada no site do INPI revelaram que o registro de marca Luz da Lua junto àquela autarquia foi realizado originalmente pela empresa Stampa entre os anos de 1994 e 2002. Posteriormente, em junho/2007, a titularidade do registro das marcas Luz da Lua foi transferido da empresa Stampa para a pessoa jurídica São Bento Participações Sociais Ltda., (CNPJ n° 04.329.626/000125, fls. 1678/1680), conforme instrumentos particular de cessão e transferência obtidos pela Fiscalização junto ao INPI. Cabe destacar que esta cessão/transferência ocorreu a título gratuito (fls. 2692/2693). 2.1.1 No final de 2007 foi constituída a empresa Saara. A seguir, em 2008, foi celebrado o Contrato de Licença de Uso de Marca entre a São Bento e a Saara, em que a Licenciante (São Bento) dá à Licenciada (Saara) o direito de utilizar e implantar um sistema de franquia empresarial da marca Luz da Lua, Fl. 3216DF CARF MF Processo nº 11065.722333/201621 Acórdão n.º 1301002.843 S1C3T1 Fl. 3.217 3 lembrando que tal licença também foi concedida a título gratuito. 2.1.2. A partir de então, a Saara, na qualidade de franqueadora, passou a formalizar, com terceiros (franqueados) os contratos de franquia Luz da Lua, lembrando que as receitas que deixaram de ser escrituradas e tributadas pela Stampa são as provenientes das operações previstas nestes contratos de franquia. 2.1.3. Como até 2010 as duas sociedades tinham como forma de tributação o Lucro Presumido, o reconhecimento pela Saara de receitas que eram da Stampa, ainda que indevido, não ocasionava maiores reflexos tributários. Todavia, a partir de 2011, ano em que a Stampa foi obrigada a adotar o Lucro Real, o fato de uma parcela de suas receitas ter sido reconhecida e tributada pela Saara trouxe uma significativa vantagem para o grupo empresarial. 2.1.4. Isto porque, vislumbrando a possibilidade de reduzir a sua carga tributária, ainda que de forma artificial, e diante das particularidades associadas a cada uma dessas sistemáticas de tributação, foi adotado procedimento diferenciado relativamente às receitas e despesas associados as operações de franquia. Enquanto as receitas decorrentes dessa atividade eram atribuídas a pessoa jurídica tributada pelo Lucro Presumido (Saara), as despesas foram contabilizadas pela pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real (Stampa), fls. 2679. 2.1.5. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal Nº 6 a própria Saara confirmou (fls. 1931/1935) que os custos e despesas relacionados às receitas de franquia foram satisfeitos pela empresa Stampa, e que inexistem dispêndios desta natureza escriturados na contabilidade da Saara. Os valores mensais de receitas dos contratos de franquia foram escriturados pela Saara nos anos de 2011 e 2012, a qual discriminou os custos e despesas relacionados às receitas de franquia esclarecendo que estes (custos/despesas) foram satisfeitos pela empresa Stampa. Na seqüência, a Saara informou que inexistem custos/despesas desta natureza escriturados na contabilidade da Saara em 2011 e 2012, fls. 2680/2682. 2.1.6. Em conseqüência, a remuneração decorrente das operações da franquia Luz da Lua deve ser considerada receita da pessoa jurídica que efetivamente atuou como franqueadora, no caso a Stampa. Logo, os montantes que foram artificialmente e indevidamente transferidos para a pessoa jurídica Saara devem ser considerados receitas omitidas pela empresa Stampa. 2.2. A penalidade qualificada, fundada no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007, materialmente se lastreou a utilização de planejamento tributário abusivo com a clara finalidade de diminuir o valor dos tributos incidentes sobre as receitas decorrentes da exploração da franquia Luz da Lua, fls. 2684. Fl. 3217DF CARF MF Processo nº 11065.722333/201621 Acórdão n.º 1301002.843 S1C3T1 Fl. 3.218 4 2.3. Finalmente, foram lavrados Termos de Responsabilidade Passiva Solidária: 2.3.1. da pessoa física CELSO ANTONIO JORGE, CPF n° 385.427.65915, fls. 2696, com fundamento nos artigos 124, I e 135, III, do CTN, sócio majoritário das pessoas jurídicas, fls. 2689; 2.3.2. das pessoas jurídicaS SAARA ARTEFATOS DE COURO LTDA, CNPJ nº 09.350.555/000138 e São Bento Participações Sociais Ltda., CNPJ n° 04.229.626/000125, com fundamento no artigo 124, I, do CTN, fls. 2696, porquanto, a entender da fiscalização, estaria configurada a presença do interesse comum ou liame inequívoco (vinculação ao fato gerador) entre as empresas formalmente constituídas, fls. 2688. 2.32.1. No caso teria sido configurada a independência meramente formal das pessoas jurídicas Saara e São Bento, como também a confusão patrimonial envolvendo as três empresas do grupo (Stampa, Saara e São Bento), fls. 2692. Cientes das exigências, tanto a contribuinte, como os responsáveis passivos solidários na mesma data 28/09/2016, fls. 2739, 2742, 2745 e 2748, apresentaram impugnação conjunta, de fls. 2758/2793, acostada da documentação de fls. 2828/3158, protocolada em 27/10/2016, fls. 3159 e 3179, através da qual alegam, em síntese: 3.1. legalidade e legitimidade civil e tributárias das operações de franquia realizadas pela SAARA ARTEFATOS DE COURO LTDA, CNPJ nº 09.350.555/000138; 3.2. inexistência de confusão patrimonial entre a STAMPA e os demais sujeitos passivos, o que ensejaria, no máximo, a segregação dos custos e/ou despesas vinculadas à atividade de franquia assumidas pela STAMPA e sua respectiva glosa, para efeitos de IRPJ e CSLL, não caracterizando, portanto, a configuração de Grupo Econômico, nos termos em que restou autuado pelo Auditor Fiscal; 3.2.1. a STAMPA, SAARA e SÃO BENTO, para efetuarem as operações de franquia das lojas "Luz da Lua", não ocultaram e nem falsearam nenhum elemento e/ou dado, não havendo, ademais, confusão patrimonial; 3.2.2. os créditos tributários deveriam ter sido constituídos a partir das glosas de despesas e/ou custos pertinentes às operações de franquia das Lojas "Luz da Lua", que foram assumidas pela STAMPA nos exercícios de 2011 e 2012, cujos efeitos se daria na sua apuração do IRPJ e da CSLL, as quais, como já verificado, por não decorrerem de condutas dolosas voltadas à sonegação de tributos, estariam sujeitas à multa de ofício de, no máximo, 75% e, não, de 150%, em consonância com a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), reproduzida às fls. 2777/2778. Tal Fl. 3218DF CARF MF Processo nº 11065.722333/201621 Acórdão n.º 1301002.843 S1C3T1 Fl. 3.219 5 procedimento redundaria nos créditos tributários demonstrados às fls. 2779; 3.3. impossibilidade de sujeitar a SAARA, SÃO BENTO e CELSO às disposições constantes dos arts. 124, I, e 135, III, ambos do Código Tributário Nacional (CTN) e, por conseguinte, enquadrálos na condição de responsáveis solidários dos créditos tributários lançados, consoante Acórdãos do CARF, ementas reproduzidas às fls. 2782/2783; 3.4. ante a requalificação da situação jurídica apresentada pelo contribuinte, sob o princípio da legalidade objetiva devese analisar a imputação dos efeitos daí decorrentes, necessidade de serem abatidos os valores pagos pela SAARA, a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no regime de lucro presumido, sob pena de majoração indevida dos créditos constituídos contra a STAMPA; 3.5. incabível a aplicação da penalidade qualificada, 150%, sobre os créditos tributários lançados por não estar caraterizado o dolo nas operações objetos destes autos, não sendo ocultado e/ou omitido qualquer fato gerador de obrigação tributária, para efeitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Deve haver a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta, restando demonstrada, de modo cabal, a materialidade dessa conduta, o que não foi o caso, conforme Acórdãos do CARF, ementas reproduzidas às fls. 2789/2791. É o relatório. Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 1285.557, pela 2ª Turma da DRJ/RJO, julgando procedente a impugnação apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. UNIDADE ECONÔMICA. ART. 126, III, DO CTN. NÃO CARACTERIZAÇÃO A alteração na estrutura de um grupo econômico, separando em duas pessoas jurídicas diferentes as diferentes atividades de industrialização e de distribuição, não configura conduta abusiva nem a dissimulação prevista no art. 116, parágrafo único, do CTN, nem autoriza o tratamento conjunto das duas empresas como se fosse uma só, a pretexto de configuração de unidade econômica, não se aplicando ao caso o art. 126, III, do CTN. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 3219DF CARF MF Processo nº 11065.722333/201621 Acórdão n.º 1301002.843 S1C3T1 Fl. 3.220 6 Ciente do acórdão recorrido, o contribuinte não apresentou Recurso Voluntário, sendo objeto de apreciação unicamente o Recurso de Ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar que a Portaria MF nº 63, de 2017, estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Confirase: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso em tela, somandose os valores exonerados em primeira instância, verifico que superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, conheço do recurso de ofício. Assim, passo ao exame do mérito da questão em apreciação: Tratase o presente processo de autos de infrações lavrados contra a recorrente, exigindose crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, acrescidos de multa qualificada de 150%, todos referentes aos anoscalendário de 2011 e 2012. No entender da fiscalização, as empresas STAMPA, SAARA e SÃO BENTO formam uma única empresa, possuindo idêntico quadro societário e coincidência de administrador, e que celebraram entre si instrumentos contratuais simulados, "com o fim de burlar direitos e sonegar tributos, sendo tal situação comum em estratégias de planejamento tributário abusivo". (pag. 36 do RAF). Aduziu ainda que os contratos de franquia da marca "Luz da Lua", firmados entre a SAARA, na qualidade de franqueadora, e terceiros, na qualidade de franqueados, não foram executados por aquela, e sim pela empresa STAMPA, ora interessada, e por isso, em sua ótica, esta última é a verdadeira beneficiária das receitas advindas deste contrato, incorrendo esta última empresa, portanto, em omissão de receitas, com base no art. 24 da Lei nº 9.249/95. Por outro lado, em consonância com a impugnação apresentada, os autuados advogam a tese de legitimidade das operações de franquia realizadas pela SAARA, sustentando que os referidos contratos, inclusive os celebrados entre o grupo, estão em harmonia com a legislação de regência, apresentandose válidos, com partes capazes, objeto lícito, possível e determinado e forma prescrita em lei, tudo em conformidade com o artigo 104 do Código Civil, que transcrevem. Ponderam que além dos requisitos elencados acima, ditos contratos possuem valor econômico, sendo que os valores recebidos e frutos das operações de franquia, foram Fl. 3220DF CARF MF Processo nº 11065.722333/201621 Acórdão n.º 1301002.843 S1C3T1 Fl. 3.221 7 tempestivamente oferecidos à tributação pela SAARA sob o regime de lucro presumido, e que não cabe à fiscalização interferir na liberdade das empresas de organizarem suas atividades empresariais. Por fim, reconhecem que os custos/despesas não atrelados à atividade da empresa STAMPA deveriam ser glosados, já que não necessários ao exercício da sua atividade. Pois bem. A primeira questão que deve ser verificada diz respeito à existência ou não de simulação no fato de sócios da pessoa jurídica tributada com base no lucro real constituírem uma nova pessoa jurídica, esta tributada no regime de lucro presumido, para desmembrar suas operações comerciais, relativas a produtos por ela fabricados. Perfilho do entendimento de que tal fato, por si só, não comprova de que se trata de simulação, pois o simples desmembramento de atividades antes exercidas por uma das empresas não caracteriza ato ilícito. O direito de se autoorganizar autoriza a constituição de sociedades pelos mesmos sócios, que tenham por escopo atividades similares, complementares ou mesmo distintas. Se corretamente constituídas e operadas, afastase o entendimento de que se trata de mera simulação. Ora, “Simular” significa disfarçar uma realidade jurídica, encobrindo uma que é efetivamente praticada, ou que não existe. Assim, para que determinada operação seja considerada simulada (art. 167, I, do Código Civil1), devem ser consideradas as características do caso concreto, demonstradas através de provas. No caso, a regularidade na constituição e operação, as declarações transmitidas à Receita, notas fiscais, bem assim a contabilização pela SAARA das receitas auferidas com o correspondente pagamento de tributo, são provas suficientes de que não existiu disfarce de uma realidade. Tal entendimento não é inédito no CARF, conforme transcrição a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL CISÃO PARCIAL CONSTITUIÇÃO DE NOVA PESSOA JURÍDICA. SIMULAÇÃO. NÃO CONFIGURADA Nem toda ação ou omissão do contribuinte com o fito de reduzir sua base tributável antes da ocorrência do fato gerador pode ser enquadrada como fraudulenta, pois somente aquelas que sejam ilícitas poderiam levar a tal conclusão. Não se pode enquadrar como simulação a cisão realizada para constituir uma outra sociedade, com o fim de que esta viesse a alienar o bem recebido em integralização, pois se trata apenas 1 Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I – aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem. II – contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira. III – os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados Fl. 3221DF CARF MF Processo nº 11065.722333/201621 Acórdão n.º 1301002.843 S1C3T1 Fl. 3.222 8 de um negócio jurídico indireto, pelo qual a nova sociedade é constituída para surtir os efeitos que lhes são próprios e não para dissimular outros negócios jurídicos. (Acórdão 1302002.062, sessão de 21/03/2017) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício. 2002 Ementa: SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA Não é simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com o desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. (...) Recurso provido. (Acórdão nº 10323.357, sessão de 23/01/2008) Anocalendário: 2008 SIMULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Simular é ato de fingir, mascarar, esconder a realidade, camuflar o objetivo de um negócio jurídico valendose de outro, eis que o objetivo intentado seria alcançado por negócio diverso, daí o motivo de o artigo 167 do Código Civil dispor que o negócio jurídico simulado é nulo. Não é simulação o desmembramento das atividades por empresas do mesmo grupo econômico, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. Recurso de Ofício Negado. (Acórdão nº 3302003138, sessão de 17/03/2016). Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 PIS. REGIME MONOFÁSICO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. ART. 116, P.U. DO CTN. UNIDADE ECONÔMICA. ART. 126, III, DO CTN. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não se configura simulação absoluta se a pessoa jurídica criada para exercer a atividade de revendedor atacadista efetivamente existe e exerce tal atividade, praticando atos válidos e eficazes Fl. 3222DF CARF MF Processo nº 11065.722333/201621 Acórdão n.º 1301002.843 S1C3T1 Fl. 3.223 9 que evidenciam a intenção negocial de atuar na fase de revenda de produtos. A alteração na estrutura de um grupo econômico, separando em duas pessoas jurídicas diferentes as diferentes atividades de industrialização e de distribuição, não configura conduta abusiva nem a dissimulação prevista no art. 116, p.u. do CTN, nem autoriza o tratamento conjunto das duas empresas como se fosse uma só, a pretexto de configuração de unidade econômica, não se aplicando ao caso o art. 126, III, do CTN. Recurso voluntário provido. Recurso de ofício prejudicado. (Acórdão nº 3403002.519, sessão de 22/10/2013) No que diz respeito às operações de franquias realizadas pela SAARA, aduz a fiscalização que a receita auferida por esta última como resultado do exercício de sua atividade, na verdade, deveria ser reconhecida pela empresa STAMPA, pois em seu entender, seria ela a verdadeira franqueadora das lojas "Luz da Lua", e argumenta que, "as receitas decorrentes dos contratos de franquia foram transferidas de forma artificial para a pessoa jurídica SAARA com a única finalidade de tributar tais receitas de maneira mais vantajosa". (efls. 2657). Assim, STAMPA e SAARA teriam formatado estruturas operacionais para que as receitas e/ou despesas vinculadas aos contratos de franquia das lojas "Luz da Lua" fossem manejadas, em razão do regime tributário optado por cada uma das empresas (lucro real/STAMPA e lucro presumido/SAARA), com intuito de se sujeitarem à menor carga tributária possível. Sobre o ponto, sustenta a autuada legitimidade de tais operações, ponderando que os contratos de franquia das lojas "Luz da Lua", firmados pela SAARA com os seus franqueados, encontramse em harmonia com a legislação de regência, ou seja, são válidos, apresentam partes capazes, objeto lícito, possível e determinado e forma prescrita em lei, além de possuírem valor econômico e cumprirem suas funções sociais. De fato, além dos aspectos formais elencados em defesa, os contratos de franquias apresentam substância, pois além de inexistir nos autos notícias de que estas operações não ocorreram, é fato que a empresa SAARA assumiu responsabilidades contratuais perante seus clientes, percebendo receitas em decorrência disso, inclusive, recolhendo os tributos devidos nos respectivos anoscalendário fiscalizados. Dessa forma, temse que os contratos, na forma em que apresentados, não podem ter os seus efeitos tributários descaracterizados, com vistas a aumentar, segundo penso, de modo indevido, a carga tributária. Com referência à alegação fiscal de inexistência de estrutura operacional da SAARA, tanto pela falta de estrutura física, como pela falta de estrutura pessoal, o que comprova, segundo a fiscalização, "que as responsabilidades da SAARA na posição de franqueadora existiriam apenas no plano formal dos contratos de franquia, e que foi a STAMPA quem de fato assumiu e efetivou as obrigações da franqueadora" (pag. 36 do RAF), também entendo que deve ser afastada tal ponderação. Fl. 3223DF CARF MF Processo nº 11065.722333/201621 Acórdão n.º 1301002.843 S1C3T1 Fl. 3.224 10 O tipo de atividade desenvolvida pela SAARA não atrai investimentos em altas estruturas física e pessoal, podendo essa atividade ser desenvolvida por uma única pessoa, pelo menos inicialmente, com o uso de comunicação adequada para vender e acompanhar o serviço de franquia empresarial das lojas "Luz da Lua", inclusive, ser iniciada no interior de uma pequena sala, seja ela residencial ou comercial. O que deve ser verificado é se há incompatibilidade de estrutura operacional da SAARA considerando o tipo de atividade por ela desenvolvida, e, no caso, penso não existir tal incompatibilidade. Logo, não há que se falar em inexistência de estrutura operacional, para respaldar a assertiva de que a responsabilidade dessa empresa existiria apenas no plano formal, não havendo que se falar em qualquer irregularidade no fato da SAARA fazer uso, inicialmente, da estrutura operacional da STAMPA, de forma a diminuir custos e otimizar a ampliação da rede de lojas "Luz da Lua", via sistema de franquias. Vejase ainda que, no ano de 2007, em contrato legítimo e legal, devidamente registrado no INPI, a São Bento Participações teve outorgado a titularidade do direito de exploração da marca "Luz da Lua", e no ano seguinte, em 2008, a São Bento transfere a SAARA, mediante contrato de licença de uso da marca, o direito de implantar um sistema de franquia empresarial da marca, o que de fato foi realizado por esta última empresa, pois a partir do ano que iniciou suas atividades passou a perceber receitas de royalties, e estas receitas foram tempestivamente oferecidas à tributação. Portanto, também não há dúvida de que a titularidade das disponibilidades advindas de royalties de exploração de franquias deve ser atribuída à empresa SAARA e não à STAMPA. Acrescentese que até o anocalendário de 2010, tanto pessoa jurídica STAMPA como a SAARA tinham como forma de tributação o Lucro Presumido (DIPJ AC 2010 às fls. 2535/2558 e 2559/2572), e que se somadas as receitas auferidas por ambas as empresas, o resultado não ultrapassava o limite legal para que ambas se mantivessem no Lucro Presumido naquele anocalendário. Embora o período fiscalizado seja 2011 e 2012, penso que este fato demonstra inexistir qualquer intenção de se criar uma segunda empresa para incremento de planejamento tributário abusivo, sendo tal criação, unicamente fruto de desmembramento de atividades que, como visto, não representa, por si´só, ilegalidade. Em outras palavras, a fiscalização inferese de forma indevida na liberdade dessas empresas organizarem suas atividades, olvidandose do fato constatado pelo acórdão recorrido, de que essas empresas "possuem objetos sociais distintos, fls. 2658, contabilizações de suas atividades e patrimônios próprios, conforme DIPJs de fls. 207/256 (impugnante), 1942/1964 (SAARA), e fls. 2690/2691 (São Bento)". (fl. 3182). Por isso, os efeitos jurídicos decorrentes das operações de franquia realizada pela SAARA não podem ser desconsiderados, não sendo possível, por conseguinte, que as receitas auferidas pela SAARA, devidamente tributadas, sejam alocadas à STAMPA, para se sujeitarem a uma nova incidência tributária. Porém, do mesmo modo que não se deve alocar receitas percebidas pela SAARA, devidamente constituída, em decorrência de suas obrigações assumidas perante terceiros, para terceira empresa, no caso, a STAMPA, os custos decorrentes da atividade da SAARA não podem ser absorvidos pela STAMPA, e por ela contabilizados, com a finalidade de diminuir a base de cálculo do IRPJ e CSLL desta última empresa, pois determinados custos/despesas não são necessárias e decorrentes de suas atividades operacionais. Fl. 3224DF CARF MF Processo nº 11065.722333/201621 Acórdão n.º 1301002.843 S1C3T1 Fl. 3.225 11 Logo, deveria o Auditor Fiscal ter procedido às glosas das despesas e/ou custos assumidos pela STAMPA na sua base de cálculo do IRPJ e CSLL, no período autuado, e não desqualificar a estrutura organizacional formada por essas empresas (STAMPA, SAARA e SÃO BENTO), impondose, no caso, aplicação da regra prevista no art. 299 do RIR/99. Ora, a descrição dos fatos pelo relatório fiscal indica que a STAMPA deduziu indevidamente custos e/ou despesas da SAARA, e sendo tais despesas consideradas indedutíveis, deveria proceder a necessária glosa desses valores, porém, ao invés de assim proceder, preferiu a fiscalização ir na direção de apontar o cometimento de simulação, sem provas, a meu ver, da existência de tal ilícito, procedendo, assim, indevidamente a desqualificação da pessoa jurídica da SAARA. Na esteira dessas considerações, despiciendo atentar à penalidade qualificada, 150%, e aos Termos de Responsabilidade Passiva Solidária, direta e intrinsecamente vinculados às infrações. CONCLUSÃO Portanto, diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício, mantendose os termos da decisão recorrida, que considerou procedente a impugnação e exonerou o crédito tributário exigido. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 3225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.907850/2011-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2000 a 30/08/2000
PIS/COFINS. RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO.
Não compõem a base de cálculo das contribuições sociais as receitas decorrentes de atividades estranhas ao objeto social da empresa, devendo ser excluídas na apuração.
Numero da decisão: 3402-005.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório no montante reconhecido na Diligência Fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
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RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO. Não compõem a base de cálculo das contribuições sociais as receitas decorrentes de atividades estranhas ao objeto social da empresa, devendo ser excluídas na apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório no montante reconhecido na Diligência Fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 78 50 /2 01 1- 44 Fl. 508DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de manifestação de inconformidade interposta pelo contribuinte, por meio de seus representantes legais, em face de Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação de Pedido de Restituição, correspondente aos períodos e tributos lá discriminados. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, em virtude dos pagamentos localizados terem sido integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Inconformado, o contribuinte manifestouse alegando, quanto ao mérito: i) falta de aprofundamento na investigação dos fatos; ii) inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 e advento de decisão do STF declarandoa sob a sistemática de Repercussão Geral, o que implicaria em novo cálculo dos débitos, com a base de cálculo correta, e apuração do pagamento indevido. A DRJ julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, pelo que apresentou o Contribuinte Recurso Voluntário ao CARF, reiterando as razões de seu pleito. Converteuse o julgamento em diligência para que se cumprisse o seguinte: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado, para julgamento. Intimado, o contribuinte apresentou a documentação solicitada e a fiscalização juntou aos autos informação fiscal. Posteriormente, o contribuinte apresentou petição manifestandose sobre o resultado da diligência fiscal. É o relatório, em síntese. Voto Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10850.907850/201144 Acórdão n.º 3402005.275 S3C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O presente caso é recorrente neste Conselho, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. O contribuinte junta ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais, indicando de forma perfunctória o direito pleiteado. Em razão disso, optouse pela conversão do julgamento em diligência para que a instrução probatória fosse melhor desenvolvida. A minuciosa informação fiscal juntada pela fiscalização analisou as planilhas apresentadas, bem como o contrato social da empresa, com a finalidade de identificar quais receitas fazem parte do objeto social da empresa e que deveria compor o faturamento dela. Na mesma linha de julgamentos sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, que culminou com a decisão, tomada no julgamento do Recurso Extraordinário nº 527602, com repercussão geral, o STF, nos RE 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, estabeleceu que a receita bruta, prevista no art. 3.º da Lei 9.718/98, corresponde ao conceito de faturamento expresso no artigo 2º, da Lei Complementar 70/91: Art. 2° A contribuição (...) incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Analisando as receitas da empresa, a informação fiscal aduziu a existência de créditos decorrentes de pagamento a maior, passíveis de restituição, conforme planilha apresentada na informação fiscal. Sobre isto, o contribuinte manifestou sua expressa concordância, reconhecendo a correção do entendimento adotado na diligência fiscal. Portanto, no que é pertinente aos créditos reconhecidos pela informação fiscal, não resta qualquer controvérsia nos autos, devendo serem reconhecidos por este Colegiado. Desse modo, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no sentido de reconhecer o direito creditório no montante determinado na informação fiscal juntada aos autos. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 510DF CARF MF 4 Fl. 511DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002177/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 28/02/1996
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 28/02/1996 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002177/201059 Recurso nº 1 De Ofício Acórdão nº 2201004.187 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONTAXMOBITEL S.A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 28/02/1996 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 77 /2 01 0- 59 Fl. 192DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 193DF CARF MF Processo nº 19515.002177/201059 Acórdão n.º 2201004.187 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 194DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 19515.002177/201059 Acórdão n.º 2201004.187 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 196DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.000851/2005-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/04/2004, 30/07/2004
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DIF-PAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIF-Papel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período.
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF - Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001.
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF - PAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF - Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Numero da decisão: 3201-003.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para adequar a multa imposta ao que dispõe o texto da Lei 11945, de 4 de junho de 2009.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DIFPAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIFPapel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 08 51 /2 00 5- 78 Fl. 368DF CARF MF 2 Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para adequar a multa imposta ao que dispõe o texto da Lei 11945, de 4 de junho de 2009. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 34/40, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multa regulamentar (código de arrecadação: 3199), aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). O crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referente aos fatos geradores relativos ao período compreendido entre o 2° trimestre de 2002 e o 2° trimestre de 2004, atingiu o montante de R$ 249.000,00. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 57, inciso I, da Medida Provisória (MP) n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001; art. 1°, 10 e 12 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001; e também no art. 40 do DecretoLei n° 1.680/79. A ação fiscal foi realizada conforme determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08.1.10.002004 005889 (fl. 01), tendo a fiscalizada sido inicialmente intimada a regularizar sua situação fiscal em relação à entrega das DIF — Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10855.000851/200578 Acórdão n.º 3201003.631 S3C2T1 Fl. 3 3 Papel Imune relativas ao período acima mencionado, ou apresentar o respectivo comprovante de entrega (fl. 13). Após solicitar prorrogação de prazo para o atendimento 5, intimação fiscal (fl.15), a intimada informou que seus Registros Especiais de Importador e Usuário de Papel Imune, por ela requeridos em 31/01/2002, foram feitos indevidamente porque a empresa "nunca possuiu instalações industriais", como requer o art. 2° da IN SRF n° 71/2001. Informou, outrossim, que nunca "efetuou ou efetuará qualquer importação ou aquisição de papel imune, sendo que somente faz o layout das revistas; as quais são impressas em gráficas contratadas diversas, que cobram por exemplar impresso, utilizando mão de obra e papel imune próprios". Concluiu o atendimento 5. intimação fiscal asseverando que "para atender a solicitação de V.Sa., geramos e transmitimos a DIF — Papel Imune". O sujeito passivo foi cientificado do lançamento por meio de correspondência encaminhada por Aviso de Recebimento, recebida em 31/03/2005 (fl. 111), tendo protocolado sua impugnação em 02/05/2005, conforme peça de fls. 44/46, e anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese: a) que solicitou seus Registros Especiais de Importador e Usuário de Papel Imune por orientação da Editora Gráfica Grande ABC, "que fazia todo processo de edição das revistas Aventura e Ação e Air Press"; b) que gerou e transmitiu as declarações solicitadas no termo de intimação fiscal, "embora acreditássemos que os registros acima foram efetuados indevidamente e equivocadamente"; c) que somente faz o leiaute de suas revistas, a partir de produtos já industrializados pelas empresas gráficas contratadas, "que cobram por exemplar impresso, utilizando mão de obra e papel próprios"; d) que as cópias das notas fiscais de alguns de seus fornecedores, anexadas A peça impugnatória, emitidas com Código Fiscal de Operações relativos a vendas de mercadorias industrializadas, comprovam que a empresa nunca realizou operações com papel destinado A impressão de livros, jornais e periódicos, tendo somente adquirido periódicos destinados A revenda; e) que não atende o requisito do item III do art. 2° da IN SRF n° 71/2001, "pois não possui qualquer instalação industrial, nem tem capacidade financeira para tal, conforme comprovam seu capital registrado"; f) que os artigos 1° e 2° da IN SRF n° 159, de 16 de maio de 2002, que aprovou o programa gerador da DIF — Papel Imune, determinam a obrigatoriedade de entrega da declaração para as "editoras e gráficas que REALIZAREM OPERAÇÕES COM Fl. 370DF CARF MF 4 PAPEL destinados à impressão de livros, jornais e periódicos". "A AIR PRESS EDITORA LTDA — ME, nunca exerceu a atividade de Editora e Gráfica, nunca REALIZOU OPERACÕES COM PAPEL, bem como nunca OPEROU COM PAPEL". De acordo com a IN SRF n° 159/2002, "entendemos que esta empresa NÃO estaria obrigada A apresentação da DIF — Papel Imune; motivo pelo qual não o fizemos anteriormente". (grifos originais) A impugnante conclui asseverando que "por acreditarmos ser injusto o Auto de Infração, processo n° 10855000851/2005/78, é que solicitamos a impugnação do mesmo"." A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/04/2004, 30/07/2004 DIFPAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIFPapel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Lançamento Procedente" O recurso voluntário da recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) em momento algum se utilizou de papel imune, ao passo que nunca exerceu a atividade de Editora e Gráfica e nunca realizou operações com papel imune, sendo que sempre adquiriu o produto totalmente acabado, revendendoos aos consumidores; (ii) o estabelecimento da obrigação acessória pela IN 71/2001 encontrase eivado de vícios constitucionais e legais; (iii) Somente a lei pode criar a obrigação principal, como também os deveres instrumentais; (iv) repugnase ao senso jurídico, que uma pessoa possa ser compelida a pagar multa com base no acatamento de um dever criado por norma jurídica infralegal, ao passo que o artigo 113, § 2° do Código Tributário Nacional, o qual disciplina que a obrigação acessória decorre de "legislação tributária", deve ser interpretado conforme a Constituição Federal; (v) que o Registro Especial ao qual a Instrução Normativa SRF 71/2001 referese, possui natureza completamente diversa e incompatível com a matéria a ser regulada nas operações com papel imune. Isto porque o Registro Especial regulado pelo DecretoLei 1.593/77 é especifico para os fabricantes de cigarro, sendo este um requisito obrigatório para a exploração desta atividade em vista do interesse do Estado na saúde publica; Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10855.000851/200578 Acórdão n.º 3201003.631 S3C2T1 Fl. 4 5 (vi) a hipótese de obrigatoriedade de o sujeito passivo entregar em dia Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune — DIF Papel Imune, embora prevista pelo artigo 12 da IN SRF 71/2001, não se enquadra na hipótese sancionatória insculpida no artigo 57, inciso I da Medida Provisória 2.15835/2001; (vii) O art. 112 do Código Tributário Nacional impõe que a interpretação mais favorável ao contribuinte sempre terá pertinência quando haja dúvida na exegese da norma punitiva, como também quando não restar claro o dispositivo legal ou a vontade da lei, e ainda quando restar dúvida quanto o enquadramento fático à hipótese jurídica; (viii) a conduta de a Recorrente ter protocolado a destempo as D1FPapel Imune, relativas ao período fiscalizado, não configura fato jurídico sancionador imponivel, mormente por não possuir tal multa, qualquer pressuposto legal de validade; (ix) o ato de requerer informações/regularizações do contribuinte, perpetrado pela Receita Federal do Brasil, no âmbito de suas atribuições, por meio do Mandado de Procedimento Fiscal 0811000.2004.005880, deveras constituiu em mora o contribuinte, nos termos do artigo 57, inciso I, da MP 2.158 4/2001, sendo certo que, uma vez não apresentadas as informações e/ou regularizações no prazo legal (5 dias, previsto pelo artigo 19, § 1°, da Lei n° 3.470/58), a Receita Federal estaria apta a aplicar a multa prevista pelo referendado dispositivo jurídico pregoado em Medida Provisória; (x) somente se deixasse de prestar as informações solicitadas pela Receita Federal do Brasil, no prazo concedido (cinco dias úteis), abrolharia ao Fisco o direito de impor a penalidade prevista pelo artigo 57, inciso I, da MP 2.15834/2001; (xi) a multa aplicada possui caráter confiscatório; (xii) para cada mêscalendário omitido, incidiria a multa de R$ 5.000,00, sendo única, ou seja, não incide por mês de atraso, não é moratória; e (xiii) não foi aplicada a multa mais benéfica em seu favor. A recorrente pugna, ao final, pelo cancelamento do auto de infração, ou, alternativamente, a redução da multa imposta. Em petição protocolizada em 18/08/2009, a recorrente requer, de modo subsidiário, a aplicação mais benéfica da penalidade, em função da previsão legal estatuída pelo inciso II, do § 4°, do art. 1° da Lei n° 11.945/2009. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 372DF CARF MF 6 Preliminarmente, em relação as alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, assiste parcial razão a recorrente conforme será demonstrado adiante. Antes, devem ser analisados pontos suscitados na peça recursal e que não socorrem a recorrente. Com relação ao argumento de que em momento algum se utilizou de papel imune, ao passo que nunca exerceu a atividade de Editora e Gráfica e nunca realizou operações com papel imune, sendo que sempre adquiriu o produto totalmente acabado, revendendoos aos consumidores, tal alegação não merece prosperar. Neste sentido, é de se reportar ao contido na decisão recorrida, a qual, acertadamente assim consigna: "Ora, a obrigatoriedade de entrega das DIFPapel Imune decorre do simples fato de o sujeito passivo estar devidamente inscrito no Registro Especial de que trata o art. 1° da mesma IN SRF n° 71/2001. Do referido ato, transcrevo os dispositivos normativos pertinentes, in verbis: Art. 1° Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1° do Decretolei n° 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. ... Art. 10. Fica instituída a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune), cuja apresentação é obrigatória para as pessoas jurídicas de que trata o art. 1°. Vejase, assim, que toda empresa que estiver inscrita no Registro Especial (de que trata o art. 1°) está obrigada à. entrega da DIFPapel Imune nos prazos fixados no art. 11 da mesma norma, que segue transcrito in verbis: Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10855.000851/200578 Acórdão n.º 3201003.631 S3C2T1 Fl. 5 7 Art. 11. A DIFPapel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. Parágrafo único. A DIFPapel Imune, relativa ao período de fevereiro a março de 2002, poderá, excepcionalmente, ser apresentada até o dia 31 de julho de 2002. (...) Enquadrandose, portanto, na hipótese de obrigatoriedade, deveria o sujeito passivo ter entregado as reportadas declarações, nos prazos fixados no art. 11 da IN SRF n° 71/2001. Destarte, como as declarações foram entregues após os prazos fixados no art. 11 da IN SRF n° 71/2001, a aplicação da multa decorreu do disposto no art. 12, da mesma norma, que se reportou, por sua vez, ao art. 57 da Medida Provisória (MP) n° 2.1583 (última reedição), verbis: IN SRF n° 71/2001: Art. 12. A não apresentação da DIFPapel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória n° 2.158 34, de 27 de julho de 2001. ................................................................................................ MP n° 2.15835/2001: Art. 57.0 descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei n° 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente as pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; (...) Cabe consignar, nesse passo, que a instituição da obrigação acessória de entrega da DIFPapel Imune visa prover a Administração Tributária de informações acerca das operações havidas (ou não havidas) com aquela mercadoria, sujeitas à imunidade de tributos. Assim sendo, de posse do cadastro de empresas inscritas no Registro Especial, que pretendem realizar operações com a referida mercadoria, a fiscalização passa a acompanhar a movimentação do Papel Imune por meio da entrega das DIFs. Fl. 374DF CARF MF 8 A inscrição no Registro Especial, realizada por solicitação do próprio contribuinte, é condição para a realização de operações com o Papel Imune. Uma vez inscrito, deve ele entregar as DIFs tempestivamente, sob pena de incidência da multa regulamentar. Não deveriam restar dúvidas aos contribuintes de que a obrigatoriedade do Registro Especial s6 atinge "os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado impressão de livros, jornais e periódicos". Esta é a disposição literal do comando normativo. Se o sujeito passivo solicitou sua inscrição é porque se enquadrava naquela situação. E se, posteriormente, até por razões de mercado, decidiu que, definitivamente, não irá realizar operações com papel imune, poderá solicitar o cancelamento da sua inscrição, a qualquer tempo. Mas enquanto assim não proceder, permanecerá obrigado à entrega das DIFs." Com relação ao argumento de ilegalidade da multa imposta, de igual modo, improcedente. Tratase no caso, a DIF Papel Imune de uma declaração instituída com fundamento na Lei 9.779/99, de caráter acessório e geral, cujo descumprimento sujeita ao contribuinte ao disposto no art. 505 do RIPI/2002, de acordo com o previsto no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/01. Constatase, então, que possui previsão legal. O entendimento do CARF sobre a legalidade da exigência, pode ser ilustrado com a seguinte decisão: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 DECLARAÇÕES ESPECIAIS DE INFRAÇÕES FISCAIS RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE (DIF PAPEL IMUNE). MULTA POR ATRASO OU FALTA NA ENTREGA. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. DIF Papel imune é obrigação acessória amparada no artigo 16 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O atraso na entrega da declaração sujeita ao infrator à pena cominada no 505 no RIPI/2002 (cfr. artigo 57 da Medida Provisória 2.15834, de 27 de julho de 2001) c/c artigo 12 da IN SRF 71, de 24 de agosto de 2001, com a retroatividade benigna do artigo 12, inciso II e parágrafo único da IN SRF 976/2009. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte" (Processo 10830.001378/200613; Acórdão 9303001.456; Relatora Conselheira Nanci Gama; sessão de 31/05/2011) O Superior Tribunal de Justiça assim entende: Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10855.000851/200578 Acórdão n.º 3201003.631 S3C2T1 Fl. 6 9 "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DIF PAPEL IMUNE. NÃO APRESENTAÇÃO NO PRAZO LEGAL. PENALIDADES. IN/SRF N. 71/2001. ART. 57 DA MEDIDA PROVISÓRIA 2.158/2001. 1. A Fundação Universidade de Passo Fundo ajuizou ação ordinária com vista à repetição de indébito de valores referentes ao pagamento de multa imposta com base no art. 57, I, da Medida Provisória 2.15834/2001, por descumprimento da obrigação acessória de apresentar a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune). (...) 4. A legislação tributária não deixa dúvidas de que a Fundação recorrente estava obrigada à apresentação da "DIFPapel Imune", independentemente de qualquer notificação por parte da Receita Federal, sob pena de sujeitarse à aplicação da penalidade pecuniária. Assim, ao descumprir a referida obrigação acessória, a recorrente ficou à mercê das sanções dispostas no art. 57 da MP 2.15834/2001. 5. O art. 57, I, da MP 2.15834/2001 estabeleceu a multa por descumprimento de obrigações acessórias em R$ 5.000,00 por mêscalendário. 6. Na hipótese dos autos, tem aplicação a Instrução Normativa da SRF 71/2007, que instituiu obrigação tributária acessória consistente na apresentação da DIFPapel Imune à Secretaria da Receita Federal, que deverá ser feita até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores. (...) (REsp 1222143/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/02/2011, DJe 16/03/2011) Ocorre que, sobreveio a Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, resultado da conversão da Medida Provisória n° 451/2008, que tratou da matéria nos seguintes termos: "Art. 1° Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1° A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, Fl. 376DF CARF MF 10 tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2° O disposto no § 1° deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2° do art. 2° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2° do art. 2° e no § 15 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8° da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3° Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4° O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3° deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5° Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4° deste artigo será reduzida à metade." Assim, temse que a nova legislação estipulou penalidade mais benéfica ao contribuinte. O Código Tributário Nacional CTN, em seu artigo 106, inciso II, alínea c, dispõe, expressamente, que "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10855.000851/200578 Acórdão n.º 3201003.631 S3C2T1 Fl. 7 11 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." O dispositivo aplicase ao caso concreto, em razão de se tratar de norma mais benigna ao contribuinte, em matéria de penalidade. Anteriormente, a multa aplicada equivalia ao número de mesescalendário em atraso, o que resultava na aplicação de multa (penalidade) por demais gravosa ao contribuinte, a depender, inclusive, da demora, por parte do Fisco, em aplicála. Com a superveniência da Lei n° 11.945/2009, a penalidade passou a ser exigida levandose em conta cada obrigação acessória isolada, e não mais a quantidade de meses em atraso. Por se tratar de penalidade, é evidente e cristalina a sua natureza de matéria de ordem pública, fato que torna possível a sua apreciação por este órgão de julgamento,sendo lícita e legítima a aplicação do novo texto legal à hipótese versada, ainda que não instada a tanto. No caso concreto, aplicouse a multa no valor total de R$ 249.000,00, de multa pela não apresentação no prazo estabelecido da Declaração Especial de Informações relativas ao Controle de Papel Imune (DIF PAPEL IMUNE), referente aos 2° trimestre 2002, 3° trimestre 2002, 4° trimestre 2002, 1° trimestre 2003, 2° trimestre 2003, 3° trimestre 2003, 1° trimestre 2004 e 2° trimestre 2004. No cálculo, considerouse, por mês em atraso, a multa de R$ 1.500,00, resultando no valor de R$ 249.000,00. Com a sistemática mais benéfica, estabelecida pela Lei n° 11.945/2009, a multa de R$ 2.500,00, para micro e pequenas empresas deve ser exigida em relação a cada obrigação em atraso, no caso, 8 (oito) trimestres. No total, portanto, a multa que deverá incidir, conforme o exposto, será no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais 8 trimestres x R$ 2.500,00). Nestes termos, tem decidido o CARF, através da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisões a seguir colacionadas: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº 9.779/99; art. 57 da MP nº. 2.15835/ 2001; arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. Fl. 378DF CARF MF 12 VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador negado." (Processo 11080.001057/200601; Acórdão 9303005.273; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 21/06/2017) "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 31/10/2004, 10/02/2005 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158 35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte." (Processo 19515.000759/200533; Acórdão 9303004.953; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017) Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10855.000851/200578 Acórdão n.º 3201003.631 S3C2T1 Fl. 8 13 Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto, para que a multa seja adequada ao que dispõe o texto da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 380DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.005293/2009-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Somente estão isentos de tributação os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia grave elencada em lei, devidamente reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Numero da decisão: 2002-000.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Somente estão isentos de tributação os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia grave elencada em lei, devidamente reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 52 93 /2 00 9- 49 Fl. 54DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.43/44) contra decisão de primeira instância (fls.33/36), que negou provimento a impugnação do sujeito passivo por falta de subsunção do caso concreto à norma legal em abstrato. Foi lavrado o auto de infração, por Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social de CNPJ 29.979.036/000140. Inconformado com o auto de infração, em razões preliminares o contribuinte alega que a Lei nº 11.052 de 29 de dezembro de 2004, no art. 1º que regulamenta a nova redação ao inciso XIV do art. 6ºda Lei 7.713 de 22 de dezembro de 1988, sendo que em seu preâmbulo há consistência para a isenção do pagamento do imposto. No mérito, aponta que os proventos de aposentadoria são isentos da cobrança de Imposto de Renda, nos termos do artigo suso citado. O contribuinte foi intimado a apresentar Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial e documentação comprobatória da natureza dos rendimentos percebidos (fl.26), tendo o mesmo apresentado somente as justificativas de fls. (28/29). É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator A preliminar lançada em sede de Recurso Voluntário em verdade não se trata de questão processual antecedente ao mérito, mas apenas de esclarecimento a respeito da legislação pertinente, e com o mérito será analisada. Sem razão o contribuinte. Diz o artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ...XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão de medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (g.n). Com a interpretação gramatical do texto legal é possível afirmar que a lei não estende o benefício da isenção a todo e qualquer provento de aposentadoria, mas apenas e tão somente em duas hipóteses, quais sejam: a) quando a aposentadoria ou reforma foi motivada por acidente em serviço; b) quando os beneficiários dos proventos de aposentadoria ou reforma forem portadores da patologias descritas no texto legal. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10830.005293/200949 Acórdão n.º 2002000.089 S2C0T2 Fl. 3 3 É certo que o recorrente não aponta em quais das duas hipóteses de isenção estaria enquadrado, de sorte que não aplicável o benefício requerido pelo contribuinte. Registrese, por relevante, que apesar de ter sido dada oportunidade para o recorrente apresentar a documentação médica que daria lastro ao pedido de isenção, o contribuinte não a apresentou. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento, mantendo a r. decisão de origem, a qual adoto como razões de decidir. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.933379/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.333
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para determinar o retornar à Unidade Preparadora para proceder à reanálise do despacho decisório considerando a DCTF retificadora.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para determinar o retornar à Unidade Preparadora para proceder à reanálise do despacho decisório considerando a DCTF retificadora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado com declaração de compensação cujo crédito alegado é oriundo de pagamento a maior de IOF, relativo ao período de apuração de 30/01/2008. A DRF de jurisdição do contribuinte indeferiu o Pedido de Restituição e não homologou a compensação declarada sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 33 37 9/ 20 09 -2 4 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10680.933379/200924 Resolução nº 3201001.333 S3C2T1 Fl. 50 2 O despacho decisório foi emitido, eletronicamente, em 07/10/2009 (fl. 04), e a ciência do contribuinte deuse em 20/10/2009 (fl. 14). Todavia, o contribuinte transmitiu DCTF retificadora em 24/08/2009, conforme relatado na decisão da DRJ (fl. 17), ou seja, em data anterior à emissão do despacho decisório que indeferiu o pleito e não homologou a compensação. A Unidade de origem encaminhou o processo para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG que, por intermédio da 1ª Turma, no Acórdão nº 0240.734, sessão de 01/10/2012, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, não reconheceu o direito creditório postulado e não homologou a compensação. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 30/01/2008 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. Na ausência de provas, a DCTF retificadora não pode ser considerada instrumento hábil para conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão recorrida fundamentouse no fato de que, inobstante a DCTF retificadora transmitida dentro do prazo legal, não houve apresentação de prova inequívoca de erro de fato no preenchimento da DCTF original, que demonstraria a certeza e liquidez do crédito alegado. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresenta recurso voluntário, no qual aduz: 1. Diante do Pedido de Restituição/Compensação formulado e DCTF válida, a aferição quanto á certeza e liquidez do crédito pretendido tornase incumbência da Fazenda Pública; 2. Cometeu erro ao informar na DCTF valor incorreto do IOF devido, retificado em DCTF posterior; 3. Há espontaneidade na retificação da DCTF, não configurando nenhuma das hipóteses de sua vedação elencadas no art. 11 da IN RFB nº 903/2008; 4. O Fisco não lhe concedeu oportunidade para fazer prova do erro cometido no preenchimento da DCTF original; 5. Pede ao final, o provimento do recurso para que seja reconhecido seu direito e homologada a compensação. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10680.933379/200924 Resolução nº 3201001.333 S3C2T1 Fl. 51 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inferese do despacho decisório que a não homologação da compensação pleiteada decorreu da ausência de crédito para a quitação de débito vincendo no momento do encontro de contas o crédito decorrente de pagamento indevido em confronto com o débito confessado em DCTF. Consta no corpo do despacho decisório que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. Ocorre que tal decisão não considerou a DCTF retificadora válida e eficaz nos termos do art. 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operou se ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. A própria decisão recorrida afirmou a regularidade da declaração. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram desconsiderados no despacho decisório. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10680.933379/200924 Resolução nº 3201001.333 S3C2T1 Fl. 52 4 A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. Este entendimento é compartilhado por esta Turma em sua maioria e passo a aderilo. Em recente voto de minha relatoria, restei vencido pelos demais Conselheiros em situação análoga que se traduz na "impossibilidade de se considerar a inexistência de prova da certeza e liquidez do crédito para indeferir o pleito de restituição/compensação quando o Fisco sequer analisou DCTF retificadora válida e oportunizou ao contribuinte a comprovação de seu direito". A decisão a que me refiro foi prolatada na sessão de 30/01/2018, reproduzida na imagem: Conclusão Diante do exposto, voto para que o julgamento seja convertido em diligência para a que a Unidade de Origem promova a reanálise do despacho decisório considerando a DCTF retificadora. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15375.000606/2009-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 5. 00 06 06 /2 00 9- 19 Fl. 231DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, consubstanciada no Acórdão n° 2301003.270 que: I) Por maioria de votos: a) deu provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; e II) Por unanimidade de votos: a) deu provimento parcial ao recurso, a fim de determinar que a Relação de CoResponsáveis (CORESP), o Relatório de Representantes Legais (RepLeg) e a Relação de Vínculos (VÍNCULOS), anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Ementa, na parte que nos interessa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999 MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Interposto então, o presente Recurso Especial, requerendo: seja dado total provimento ao presente recurso a fim de que prevaleça o entendimento de que deve ser verificada qual a norma mais benéfica ao contribuinte: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Trouxe como paradigmas o Acórdão 920202.086. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 15375.000606/200919 Acórdão n.º 9202006.642 CSRFT2 Fl. 232 3 O Contribuinte, intimado, quedouse silente Na origem, tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrado em face do HOSPITAL E MATERNIDADE SANTA RITA S/A, pertinente às contribuições previdenciárias pertinentes a parte do segurado, a cota patronal, bem como as designadas para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GIILRAT, devidas pela empresa em epígrafe, na qualidade de responsável solidário, conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 48/60. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Entendo presentes todos os requisitos de tempestividade e divergência fática suficiente para conhecimento do presente. No mérito, a discussão cingese à controvérsia relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. Fl. 233DF CARF MF 4 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser Fl. 234DF CARF MF Processo nº 15375.000606/200919 Acórdão n.º 9202006.642 CSRFT2 Fl. 233 5 comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 235DF CARF MF 6 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da Fl. 236DF CARF MF Processo nº 15375.000606/200919 Acórdão n.º 9202006.642 CSRFT2 Fl. 234 7 contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº Fl. 237DF CARF MF 8 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de Fl. 238DF CARF MF Processo nº 15375.000606/200919 Acórdão n.º 9202006.642 CSRFT2 Fl. 235 9 obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante de todo o exposto, conheço e dou provimento ao recurso para determinar que a multa seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 239DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.001481/2006-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/12/1999 a 28/12/2005
INDÉBITOS. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA.
A contagem do prazo da prescrição quinquenal do direito à restituição de indébito tributário, decorrente de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pedido foi protocolado depois da data de 8 de junho de 2005, é feita a partir da data de extinção do respectivo crédito tributário pelo pagamento.
A tese dos "cinco mais cinco" somente se aplica aos pedidos protocolados até a data de 8 de junho de 2005.
Numero da decisão: 9303-006.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/12/1999 a 28/12/2005 INDÉBITOS. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. A contagem do prazo da prescrição quinquenal do direito à restituição de indébito tributário, decorrente de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pedido foi protocolado depois da data de 8 de junho de 2005, é feita a partir da data de extinção do respectivo crédito tributário pelo pagamento. A tese dos "cinco mais cinco" somente se aplica aos pedidos protocolados até a data de 8 de junho de 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 14 81 /2 00 6- 16 Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10680.001481/200616 Acórdão n.º 9303006.531 CSRFT3 Fl. 548 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 330100.536, de 25/05/2010, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção do CARF, conforme ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2000 a 31/12/2003 PAGAMENTO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA O pagamento da Cofins sobre operações com combustíveis derivados de petróleo e álcool hidratado carburante, sob o regime de substituição tributária, efetuadas com consumidores finais desses produtos, vigeu somente até 30 de junho de 2000, sendo que a partir de 1° de julho a alíquota foi reduzida a zero em tais operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/12/1999 a 05/02/2001 INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA A decadência do direito de se pleitear restituição e/ ou compensação de indébito fiscal ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante entrega de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. Recurso Voluntário Negado." No Recurso Especial, o contribuinte insurgiuse contra a prescrição quinquenal do seu direito de repetir/compensar os indébitos reclamados, defendendo a tese dos "cinco mais cinco", ou seja, de que o quinquênio deve ser contado depois de decorridos cinco anos do respectivo fato gerador, para a extinção do crédito tributário pela homologação tácita, resultando prazo total de dez anos, cinco anos para a extinção e mais cinco para exercer o direito. Suscitou ainda a correção monetária dos indébitos tributários reclamados pela taxa Selic. Por meio do despacho às fl. 536, o Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção deu seguimento ao recurso apenas com relação à prescrição. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10680.001481/200616 Acórdão n.º 9303006.531 CSRFT3 Fl. 549 3 Intimado do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 538/545, requerendo o provimento do recurso especial para reformar o acórdão recorrido, declarandose a decadência do direito de pleitear a restituição do crédito financeiro pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso apresentado atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. Inicialmente, informo que as contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional não serão levadas em conta no julgamento, tendo em vista o equívoco cometido por ela. Na petição às fls. 538/545, possivelmente, por conta da "cultura copiar/colar", fez uma miscelânea entre "contrarrazões" e "recurso voluntário". À fl. 538, consta literalmente "A UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por intermédio de sua Procuradora, vem, com fulcro no artigo 70, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentar, tempestivamente, CONTRARRAZÕES em face do recurso especial interposto ...". Já nas fls. 539, consta não só o título "RECURSO ESPECIAL", mas, de fato, um recurso especial de divergência. Nele consta literalmente "Insurge se a União (Fazenda Nacional) contra o acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que deu provimento ao recurso do contribuinte, com o fim de afastar a decadência do direito de pleitear a restituição de tributo supostamente pago a maior.". Nas páginas seguintes apresentou suas razões contra o acórdão recorrido que, de fato, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte e não provimento, como equivocadamente entendeu a Fazenda Nacional. Também em relação à decisão no acórdão recorrido, conforme se verifica do voto condutor e das ementas transcritas acima, a decisão contrária ao contribuinte teve como fundamento não só a prescrição do seu direito de repetir/compensar os indébitos reclamados, mas principalmente a inexistência dos valores reclamados, conforme demonstrado no voto condutor daquele acórdão recorrido. Assim, ainda que superada a prescrição do seu direito, o contribuinte não terá direito à repetição/compensação dos valores reclamados. Quanto à decadência, matéria em discussão, nesta instância especial, ao contrário do entendimento do contribuinte, a tese dos "cinco mais cinco" somente se aplica aos processos protocolado até a data de 09 de junho de 2005. Os indébitos reclamados são decorrentes dos pagamentos da contribuição sujeitas ao regime de substituição tributária, nas aquisições de mercadorias, no período de 30/12/1999 a 28/12/2005. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10680.001481/200616 Acórdão n.º 9303006.531 CSRFT3 Fl. 550 4 Na data de protocolo do presente pedido de restituição, em 06/02/2006, o direito de o interessado repetir os valores reclamados já havia prescrito pelo decurso do prazo quinquenal contado das datas de extinção dos respectivos créditos tributários, tidos como indevido, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), c/c o disposto no art. 3º da LC nº 118, de 09/02/2005. A prescrição do direito de se repetir/compensar indébitos tributários está regulada no CTN, art. 165, I, c/c o art. 168, I, que assim dispõe: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; […]. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (destaque não original) […].” A tese dos “cinco mais cinco”, reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em face da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 566.621, somente se aplica para os processos protocolados até a data de 8 de junho de 2005. Na decisão do RE nº 566.621, o Plenário do STF, ao negar provimento ao RE nº 566.221 interposto pela União Federal, contra a decisão que reconheceu que a LC nº 118, de 09/02/2005, somente se aplica a partir de sua vigência, sacramentouse o entendimento de que a tese dos “cinco mais cinco” somente deve ser aplicada aos processos protocolados antes da data da entrada em vigor daquela lei complementar, em 9 de junho de 2006. A aplicação da tese "dos cinco mais cinco" para pedidos de restituição/ressarcimento, inclusive, já foi objeto de súmula do Pleno do CARF, determinado seu emprego apenas aos processo protocolados antes de 09/06/2005, in verbis: "Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." No presente caso, o pedido de restituição foi protocolado na data de 06 de fevereiro de 2006, conforme provam as datas dos carimbos de protocolo à fl. 01 e à fl. 05. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do Contribuinte, mantendo a decisão recorrida. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10680.001481/200616 Acórdão n.º 9303006.531 CSRFT3 Fl. 551 5 É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 551DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720571/2014-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, substituído pelo Conselheiro Suplente convocado Vinícius Guimarães.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra -Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo -Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Vinícius Guimarães (Conselheiro Suplente convocado).
RELATÓRIO
Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos:
Trata o presente processo de Auto de Infração - AI (fls. 66 a 85) sobre o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) contra o qual foi protocolizada impugnação (fls. 92 a 104).
A descrição sintética do AI é de que houve Saída de Produtos sem lançamento do IPI - Inobservância de classificação fiscal e/ou alíquota do IPI. A ciência deu-se dia 1º de dezembro de 2014 (fl. 87).
O detalhamento dos valores lançados, bem como a fundamentação legal de cada rubrica do lançamento encontram-se no bojo do AI, não obstante o teor do Termo de Verificação Fiscal de fls. 58 a 65, o qual explica as razões do enquadramento fiscal diverso, elabora demonstrativos e planilhas com Notas Fiscais - NF e os respectivos valores a lançar devido à reclassificação fiscal adotada.
Transcreve-se aqui partes do Termo de Verificação Fiscal, onde se explicam as razões que ensejaram o lançamento tributário ora combatido:
3. DO ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL Regularmente atendida a intimação, verificamos que o estabelecimento adotou classificação fiscal errada em relação a uma série de produtos classificados com códigos 7214.91.00 e 7214.99.90 da Tabela de Incidência - TIPI, com alíquota zero. classificação esta equivocada no que se refere ao enquadramento de produtos denominados "Laminados Planos".
De fato. a referida tabela, na Nota 1, alínea K do Capítulo 72, assim define os laminados planos, para efeito de classificação fiscal:
...
Não obstante tal definição, o estabelecimento classificou vários produtos contidos na 'Relação do produtos com classificação errada', com medidas dentro das acima especificadas, como "barra", que também tem sua definição estabelecida na alínea m, da Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI:
m) Barras: os produtos que não satisfaçam a qualquer das definições constantes das alíneas ij), k) e i) acima, ...
...
Os " laminados planos" estão classificados nas posições 72.08 a 72.12 da TIPI. e são tributados pela alíquota de 5% (cinco por cento) no período fiscalizado.
As "barras" estão classificadas nas posições 72.14 e 72.15. sendo a posição 72.14 a utilizada pelo estabelecimento. Vejamos que a partir de 08 de fevereiro de 2006, os produtos classificados na posição 72.14 tiveram sua alíquota de tributação reduzida a zero por força do disposto no artigo 1°, inciso I, do Decreto 5.697/2006.
Portanto, para efeito de incidência do IPI. o critério a se considerar para fins de classificação fiscal de produtos são as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, base da Nomenclatura Comum do Mercosul e, consequentemente, da TIPI. conforme estabelece o Decreto-lei n° 1.154, de 10 de março de 1971. Segundo essas regras, os produtos que atendam as especificações da alínea K, da Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI. são definidos como "laminados planos", tributados a alíquota de 5%.
...
4. DA FALTA DE DESTAQUE DO IPI Os lançamentos de débito realizados mensalmente pela fiscalização não geraram saldos devedores de IPI, mas tão somente reduziram seus saldos credores.
No entanto, o erro de classificação fiscal constitui infração conforme o disposto no artigo 648 do RIPI/10 que determina:
Art. 548- Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária que importe em inobservância de preceitos estabelecidos ou disciplinados por este Regulamento ou pelos atos administrativos de caráter normativo destinados a complementá-lo (Lei n°4.502, de 1964, art. 64)' Demonstrou-se. assim, de maneira inequívoca, que o contribuinte não efetuou o destaque do IPI devido pela saída de produtos tributados, já que efetuou classificação fiscal incorreta em relação a uma série de produtos por ele industrializados, havendo a necessidade do lançamento dos débitos do imposto não destacado, gerando a cobrança da multa estabelecida no artigo 569 do RIPI/10. conforme a seguir transcrito:
Art. 569. A falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto destacado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido (Lei n° 4.502. de 1964. art. 80. e Lei 1.488. de 2007, art. 13).
...
7. MULTA APLICADA O lançamento dos débitos do imposto não foram suficientes para gerar saldos devedores do imposto, porém, a falta de destaque do valor do imposto nas respectivas notas fiscais, sujeitará o contribuinte à multa de oficio conforme artigo 569 do RIPI/10.
Portanto está sendo aplicada a multa equivalente a 75 % do valor de IPI não destacado nas notas fiscais de saída com valor total de R$ 6.377 955.14 (Seis milhões, trezentos e setenta e sete mil, novecentos e cinqüenta e cinco reais e quatorze centavos).
A impugnação foi protocolizada dia 31 de dezembro de 2014.
O lançamento combatido, multa isolada do IPI não lançado com cobertura de crédito, decorre de divergência quanto à classificação fiscal adotada pela impugnante em relação a certos produtos. Reprisando, enquanto a fiscalização classificou os produtos em Laminados Planos, cuja posição é 72.08 a 72.12 da TIPI (com alíquota de 5% de IPI), a impugnante classificou tais produtos como Barras de ferro ou aço não ligado, posição 72.14 (alíquota 0%).
Defende que, em se tratando de lançamento e multa isolada, não houve prejuízo ao Erário, razão pela qual a multa é confiscatória e deve ser abolida por ferir os princípios constitucionais de vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade.
Argui, em caráter preliminar, a nulidade do AI, por preterição ao direito de defesa, defendendo que o relatório fiscal limita-se em trazer uma planilha de checagem das dimensões para as barras chatas fiscalizadas e, caso atendidas disposições atinentes aos produtos laminados planos, determinada barra era glosada pelo fisco. Veja-se, portanto, não ter sido trazido aos autos qualquer elemento de ordem técnica a implicar na vinculação entre as barras ora autuadas e conceito de produto laminado plano. Trata-se, portanto, de autuação completamente desmotivada, na medida em que não traz elementos suficientes a legitimar o reenquadramento proposto pelo fisco.
Defende também o não lançamento da multa por suposta falta de previsão legal, além de, por falta de prejuízo ao Erário, não haver valor devido sobre o qual incida a multa.
Repetiu a defesa de que a multa isolada se reveste de confisco, conflitando com os princípios constitucionais da vedação ao confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade.
Finalizou, repetindo a solicitação de nulidade do AI por vício de motivação e solicitou seja o processo baixado em diligência para que o fisco apresente, em cada um dos produtos autuados pela fiscalização, os motivos que ensejaram o seu enquadramento como produto laminado plano.
Reiterou que deve ser afastada a cobrança de multa isolada referente ao IPI não lançado com cobertura de crédito por não ser figura típica e não constar da lei tal penalidade em caso de recomposição da conta gráfica, e ainda, que se mantida a multa, seja cancelada ou reduzida a patamares constitucionalmente admitidos, em respeito aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e não confisco.
Em 13 de fevereiro de 2015, a impugnante apresentou aditamento à sua impugnação, alegando a necessidade de apresentar novos documentos e pela superveniência de fatos novos, requerendo seu recebimento com fundamento no princípio da verdade material (fls. 207 a 243).
Argumentou também que a nova impugnação encontra-se amparada no art. 16, §4º e §5º do Decreto nº 70.235/72.
Levantou a hipótese, alegando apenas que 30 dias não seriam suficientes para o levantamento efetuado, de que parte dos produtos objeto de reclassificação tarifária procedida pela fiscalização estariam acobertados por regimes diferenciados, tais como o art. 29 da Lei nº 10.637/02, que suspende o IPI no caso de produtos utilizados no setor automotivo/auto peças.
Acrescenta que, após a impugnação original, a empresa recebeu 9 despachos decisórios não homologatórios de compensações por ela declaradas, todos com base no saldo credor glosado decorrente do presente auto de infração, e que, portanto, os despachos representam fato novo e também a necessidade de novos esclarecimentos acerca do feito.
Por esta razão, também, solicitou sejam julgamos juntos este processo e os demais referentes aos despachos decisórios já referidos, defendendo que o resultado do presente processo afeta aos demais.
A defesa também repete os argumentos da impugnação original, bem como acrescenta a defesa referente aos processos envolvendo as compensações não homologadas.
Trouxe ao presente a diferenciação dos produtos referente à normatização siderúrgica, bem como defende que esta seja utilizada no balizamento da interpretação da NCM e TIPI.
De argumento novo, defendeu que, ainda que a classificação fiscal dos produtos seja revista, sua destinação implica a inexistência de imposto a recolher por força da suspensão do IPI.
Nesta situação, apresentou as seguintes situações: transferência de produção entre estabelecimentos (art. 43, X, do RIPI/10); transferência para estabelecimentos situados na Zona Franca de Manaus (art. 43,X c/c art. 84 do RIPI/10) e para a Amazônia Ocidental (art. 43, X c/c art. 96 do RIPI/10); vendas para a Amazônia Ocidental, Zona Franca de Manaus e demais Áreas de Livre Comércio; vendas para a indústria automobilística e empresas fabricantes de autopeças, inclusive exportadoras (art. 136 do RIPI/10); vendas a estaleiros navais (art. 10 da Lei nº 9.493/97).
Repete, ao final, todos os argumentos da impugnação original.
Ainda, foi apresentada, em 28 de maio de 2015, nova impugnação (fls. 416 a 438) referente ao processo nº 15586.720086/2015-19, mas, segundo a impugnante, vinculado ao presente.
O enfoque da referida impugnação é o processo nº 15586.720086/2015-19, cuja decisão sofre o efeito do lançamento discutido no presente processo.
Ato contínuo, a DRJ-PORTO ALEGRE (RS) julgou a impugnação do contribuinte nos seguintes termos:
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 IPI. LAMINADOS PLANOS.
Classificam-se como laminados planos os produtos não enrolados, de largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, quando esta for inferior a 4,75 mm, ou de largura superior a 150 mm ou a pelo menos duas vezes a espessura, quando esta for igual ou superior a 4,75 mm.
IPI. COBERTURA DE CRÉDITO. MULTA ISOLADA.
É cabível o lançamento de multa isolada pelo IPI não lançado com cobertura de crédito.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Impugnação Improcedente.
Crédito Tributário Mantido.
Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso pleiteando a reforma do acórdão.
Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente repisou os mesmos argumentos utilizados em sua impugnação e solicitou a análise por este Colegiado de legislaçao superveniente à lavratura do auto de infração atinente a edição do ADE RFB nº06 de 17 de dezembro de 2014 que deu nova redação ao capítulo 72, nota 1, alínea k, primeiro parágrafo. Essa norma, segundo afirma a Recorrente, teria caráter interpretativo, nos termos do art.4º, parágrafo único do Decreto nº7.660/2011 e art. 106, inciso I, do CTN.
É o relatório.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de Auto de Infração - AI (fls. 66 a 85) sobre o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) contra o qual foi protocolizada impugnação (fls. 92 a 104). A descrição sintética do AI é de que houve Saída de Produtos sem lançamento do IPI - Inobservância de classificação fiscal e/ou alíquota do IPI. A ciência deu-se dia 1º de dezembro de 2014 (fl. 87). O detalhamento dos valores lançados, bem como a fundamentação legal de cada rubrica do lançamento encontram-se no bojo do AI, não obstante o teor do Termo de Verificação Fiscal de fls. 58 a 65, o qual explica as razões do enquadramento fiscal diverso, elabora demonstrativos e planilhas com Notas Fiscais - NF e os respectivos valores a lançar devido à reclassificação fiscal adotada. 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Não obstante tal definição, o estabelecimento classificou vários produtos contidos na 'Relação do produtos com classificação errada', com medidas dentro das acima especificadas, como "barra", que também tem sua definição estabelecida na alínea m, da Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI: m) Barras: os produtos que não satisfaçam a qualquer das definições constantes das alíneas ij), k) e i) acima, ... ... Os " laminados planos" estão classificados nas posições 72.08 a 72.12 da TIPI. e são tributados pela alíquota de 5% (cinco por cento) no período fiscalizado. As "barras" estão classificadas nas posições 72.14 e 72.15. sendo a posição 72.14 a utilizada pelo estabelecimento. Vejamos que a partir de 08 de fevereiro de 2006, os produtos classificados na posição 72.14 tiveram sua alíquota de tributação reduzida a zero por força do disposto no artigo 1°, inciso I, do Decreto 5.697/2006. Portanto, para efeito de incidência do IPI. o critério a se considerar para fins de classificação fiscal de produtos são as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, base da Nomenclatura Comum do Mercosul e, consequentemente, da TIPI. conforme estabelece o Decreto-lei n° 1.154, de 10 de março de 1971. Segundo essas regras, os produtos que atendam as especificações da alínea K, da Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI. são definidos como "laminados planos", tributados a alíquota de 5%. ... 4. DA FALTA DE DESTAQUE DO IPI Os lançamentos de débito realizados mensalmente pela fiscalização não geraram saldos devedores de IPI, mas tão somente reduziram seus saldos credores. No entanto, o erro de classificação fiscal constitui infração conforme o disposto no artigo 648 do RIPI/10 que determina: Art. 548- Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária que importe em inobservância de preceitos estabelecidos ou disciplinados por este Regulamento ou pelos atos administrativos de caráter normativo destinados a complementá-lo (Lei n°4.502, de 1964, art. 64)' Demonstrou-se. assim, de maneira inequívoca, que o contribuinte não efetuou o destaque do IPI devido pela saída de produtos tributados, já que efetuou classificação fiscal incorreta em relação a uma série de produtos por ele industrializados, havendo a necessidade do lançamento dos débitos do imposto não destacado, gerando a cobrança da multa estabelecida no artigo 569 do RIPI/10. conforme a seguir transcrito: Art. 569. A falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto destacado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido (Lei n° 4.502. de 1964. art. 80. e Lei 1.488. de 2007, art. 13). ... 7. MULTA APLICADA O lançamento dos débitos do imposto não foram suficientes para gerar saldos devedores do imposto, porém, a falta de destaque do valor do imposto nas respectivas notas fiscais, sujeitará o contribuinte à multa de oficio conforme artigo 569 do RIPI/10. Portanto está sendo aplicada a multa equivalente a 75 % do valor de IPI não destacado nas notas fiscais de saída com valor total de R$ 6.377 955.14 (Seis milhões, trezentos e setenta e sete mil, novecentos e cinqüenta e cinco reais e quatorze centavos). A impugnação foi protocolizada dia 31 de dezembro de 2014. O lançamento combatido, multa isolada do IPI não lançado com cobertura de crédito, decorre de divergência quanto à classificação fiscal adotada pela impugnante em relação a certos produtos. Reprisando, enquanto a fiscalização classificou os produtos em Laminados Planos, cuja posição é 72.08 a 72.12 da TIPI (com alíquota de 5% de IPI), a impugnante classificou tais produtos como Barras de ferro ou aço não ligado, posição 72.14 (alíquota 0%). Defende que, em se tratando de lançamento e multa isolada, não houve prejuízo ao Erário, razão pela qual a multa é confiscatória e deve ser abolida por ferir os princípios constitucionais de vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade. Argui, em caráter preliminar, a nulidade do AI, por preterição ao direito de defesa, defendendo que o relatório fiscal limita-se em trazer uma planilha de checagem das dimensões para as barras chatas fiscalizadas e, caso atendidas disposições atinentes aos produtos laminados planos, determinada barra era glosada pelo fisco. Veja-se, portanto, não ter sido trazido aos autos qualquer elemento de ordem técnica a implicar na vinculação entre as barras ora autuadas e conceito de produto laminado plano. Trata-se, portanto, de autuação completamente desmotivada, na medida em que não traz elementos suficientes a legitimar o reenquadramento proposto pelo fisco. Defende também o não lançamento da multa por suposta falta de previsão legal, além de, por falta de prejuízo ao Erário, não haver valor devido sobre o qual incida a multa. Repetiu a defesa de que a multa isolada se reveste de confisco, conflitando com os princípios constitucionais da vedação ao confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. Finalizou, repetindo a solicitação de nulidade do AI por vício de motivação e solicitou seja o processo baixado em diligência para que o fisco apresente, em cada um dos produtos autuados pela fiscalização, os motivos que ensejaram o seu enquadramento como produto laminado plano. Reiterou que deve ser afastada a cobrança de multa isolada referente ao IPI não lançado com cobertura de crédito por não ser figura típica e não constar da lei tal penalidade em caso de recomposição da conta gráfica, e ainda, que se mantida a multa, seja cancelada ou reduzida a patamares constitucionalmente admitidos, em respeito aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e não confisco. Em 13 de fevereiro de 2015, a impugnante apresentou aditamento à sua impugnação, alegando a necessidade de apresentar novos documentos e pela superveniência de fatos novos, requerendo seu recebimento com fundamento no princípio da verdade material (fls. 207 a 243). Argumentou também que a nova impugnação encontra-se amparada no art. 16, §4º e §5º do Decreto nº 70.235/72. Levantou a hipótese, alegando apenas que 30 dias não seriam suficientes para o levantamento efetuado, de que parte dos produtos objeto de reclassificação tarifária procedida pela fiscalização estariam acobertados por regimes diferenciados, tais como o art. 29 da Lei nº 10.637/02, que suspende o IPI no caso de produtos utilizados no setor automotivo/auto peças. Acrescenta que, após a impugnação original, a empresa recebeu 9 despachos decisórios não homologatórios de compensações por ela declaradas, todos com base no saldo credor glosado decorrente do presente auto de infração, e que, portanto, os despachos representam fato novo e também a necessidade de novos esclarecimentos acerca do feito. Por esta razão, também, solicitou sejam julgamos juntos este processo e os demais referentes aos despachos decisórios já referidos, defendendo que o resultado do presente processo afeta aos demais. A defesa também repete os argumentos da impugnação original, bem como acrescenta a defesa referente aos processos envolvendo as compensações não homologadas. Trouxe ao presente a diferenciação dos produtos referente à normatização siderúrgica, bem como defende que esta seja utilizada no balizamento da interpretação da NCM e TIPI. De argumento novo, defendeu que, ainda que a classificação fiscal dos produtos seja revista, sua destinação implica a inexistência de imposto a recolher por força da suspensão do IPI. Nesta situação, apresentou as seguintes situações: transferência de produção entre estabelecimentos (art. 43, X, do RIPI/10); transferência para estabelecimentos situados na Zona Franca de Manaus (art. 43,X c/c art. 84 do RIPI/10) e para a Amazônia Ocidental (art. 43, X c/c art. 96 do RIPI/10); vendas para a Amazônia Ocidental, Zona Franca de Manaus e demais Áreas de Livre Comércio; vendas para a indústria automobilística e empresas fabricantes de autopeças, inclusive exportadoras (art. 136 do RIPI/10); vendas a estaleiros navais (art. 10 da Lei nº 9.493/97). Repete, ao final, todos os argumentos da impugnação original. Ainda, foi apresentada, em 28 de maio de 2015, nova impugnação (fls. 416 a 438) referente ao processo nº 15586.720086/2015-19, mas, segundo a impugnante, vinculado ao presente. O enfoque da referida impugnação é o processo nº 15586.720086/2015-19, cuja decisão sofre o efeito do lançamento discutido no presente processo. Ato contínuo, a DRJ-PORTO ALEGRE (RS) julgou a impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 IPI. LAMINADOS PLANOS. Classificam-se como laminados planos os produtos não enrolados, de largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, quando esta for inferior a 4,75 mm, ou de largura superior a 150 mm ou a pelo menos duas vezes a espessura, quando esta for igual ou superior a 4,75 mm. IPI. COBERTURA DE CRÉDITO. MULTA ISOLADA. É cabível o lançamento de multa isolada pelo IPI não lançado com cobertura de crédito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente repisou os mesmos argumentos utilizados em sua impugnação e solicitou a análise por este Colegiado de legislaçao superveniente à lavratura do auto de infração atinente a edição do ADE RFB nº06 de 17 de dezembro de 2014 que deu nova redação ao capítulo 72, nota 1, alínea k, primeiro parágrafo. Essa norma, segundo afirma a Recorrente, teria caráter interpretativo, nos termos do art.4º, parágrafo único do Decreto nº7.660/2011 e art. 106, inciso I, do CTN. É o relatório.
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, substituído pelo Conselheiro Suplente convocado Vinícius Guimarães. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Vinícius Guimarães (Conselheiro Suplente convocado). RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de Auto de Infração AI (fls. 66 a 85) sobre o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) contra o qual foi protocolizada impugnação (fls. 92 a 104). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 20 57 1/ 20 14 -1 0 Fl. 762DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201410 Resolução nº 3402001.341 S3C4T2 Fl. 753 2 A descrição sintética do AI é de que houve “Saída de Produtos sem lançamento do IPI Inobservância de classificação fiscal e/ou alíquota do IPI”. A ciência deuse dia 1º de dezembro de 2014 (fl. 87). O detalhamento dos valores lançados, bem como a fundamentação legal de cada rubrica do lançamento encontramse no bojo do AI, não obstante o teor do Termo de Verificação Fiscal de fls. 58 a 65, o qual explica as razões do enquadramento fiscal diverso, elabora demonstrativos e planilhas com Notas Fiscais NF e os respectivos valores a lançar devido à reclassificação fiscal adotada. Transcrevese aqui partes do Termo de Verificação Fiscal, onde se explicam as razões que ensejaram o lançamento tributário ora combatido: “3. DO ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL Regularmente atendida a intimação, verificamos que o estabelecimento adotou classificação fiscal errada em relação a uma série de produtos classificados com códigos 7214.91.00 e 7214.99.90 da Tabela de Incidência TIPI, com alíquota zero. classificação esta equivocada no que se refere ao enquadramento de produtos denominados "Laminados Planos". De fato. a referida tabela, na Nota 1, alínea K do Capítulo 72, assim define os laminados planos, para efeito de classificação fiscal: ... Não obstante tal definição, o estabelecimento classificou vários produtos contidos na 'Relação do produtos com classificação errada', com medidas dentro das acima especificadas, como "barra", que também tem sua definição estabelecida na alínea m, da Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI: m) Barras: os produtos que não satisfaçam a qualquer das definições constantes das alíneas ij), k) e i) acima, ... ... Os " laminados planos" estão classificados nas posições 72.08 a 72.12 da TIPI. e são tributados pela alíquota de 5% (cinco por cento) no período fiscalizado. As "barras" estão classificadas nas posições 72.14 e 72.15. sendo a posição 72.14 a utilizada pelo estabelecimento. Vejamos que a partir de 08 de fevereiro de 2006, os produtos classificados na posição 72.14 tiveram sua alíquota de tributação reduzida a zero por força do disposto no artigo 1°, inciso I, do Decreto 5.697/2006. Portanto, para efeito de incidência do IPI. o critério a se considerar para fins de classificação fiscal de produtos são as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, base da Nomenclatura Comum do Mercosul e, consequentemente, da TIPI. conforme estabelece o Decretolei n° 1.154, de 10 de março de 1971. Segundo essas regras, os produtos que atendam as especificações da alínea K, da Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI. são definidos como "laminados planos", tributados a alíquota de 5%. ... Fl. 763DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201410 Resolução nº 3402001.341 S3C4T2 Fl. 754 3 4. DA FALTA DE DESTAQUE DO IPI Os lançamentos de débito realizados mensalmente pela fiscalização não geraram saldos devedores de IPI, mas tão somente reduziram seus saldos credores. No entanto, o erro de classificação fiscal constitui infração conforme o disposto no artigo 648 do RIPI/10 que determina: Art. 548 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária que importe em inobservância de preceitos estabelecidos ou disciplinados por este Regulamento ou pelos atos administrativos de caráter normativo destinados a complementálo (Lei n°4.502, de 1964, art. 64)' Demonstrouse. assim, de maneira inequívoca, que o contribuinte não efetuou o destaque do IPI devido pela saída de produtos tributados, já que efetuou classificação fiscal incorreta em relação a uma série de produtos por ele industrializados, havendo a necessidade do lançamento dos débitos do imposto não destacado, gerando a cobrança da multa estabelecida no artigo 569 do RIPI/10. conforme a seguir transcrito: Art. 569. A falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto destacado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido (Lei n° 4.502. de 1964. art. 80. e Lei 1.488. de 2007, art. 13). ... 7. MULTA APLICADA O lançamento dos débitos do imposto não foram suficientes para gerar saldos devedores do imposto, porém, a falta de destaque do valor do imposto nas respectivas notas fiscais, sujeitará o contribuinte à multa de oficio conforme artigo 569 do RIPI/10. Portanto está sendo aplicada a multa equivalente a 75 % do valor de IPI não destacado nas notas fiscais de saída com valor total de R$ 6.377 955.14 (Seis milhões, trezentos e setenta e sete mil, novecentos e cinqüenta e cinco reais e quatorze centavos).” A impugnação foi protocolizada dia 31 de dezembro de 2014. O lançamento combatido, multa isolada do IPI não lançado com cobertura de crédito, decorre de divergência quanto à classificação fiscal adotada pela impugnante em relação a certos produtos. Reprisando, enquanto a fiscalização classificou os produtos em Laminados Planos, cuja posição é 72.08 a 72.12 da TIPI (com alíquota de 5% de IPI), a impugnante classificou tais produtos como Barras de ferro ou aço não ligado, posição 72.14 (alíquota 0%). Defende que, em se tratando de lançamento e multa isolada, não houve prejuízo ao Erário, razão pela qual a multa é confiscatória e deve ser abolida por ferir os princípios constitucionais de vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade. Argui, em caráter preliminar, a nulidade do AI, por preterição ao direito de defesa, defendendo que o relatório fiscal limitase “em trazer uma planilha de checagem das dimensões para as barras chatas fiscalizadas e, caso atendidas disposições atinentes aos produtos laminados planos, determinada barra era glosada pelo fisco. Vejase, portanto, não Fl. 764DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201410 Resolução nº 3402001.341 S3C4T2 Fl. 755 4 ter sido trazido aos autos qualquer elemento de ordem técnica a implicar na vinculação entre as barras ora autuadas e conceito de produto laminado plano. Tratase, portanto, de autuação completamente desmotivada, na medida em que não traz elementos suficientes a legitimar o reenquadramento proposto pelo fisco.” Defende também o não lançamento da multa por suposta falta de previsão legal, além de, por falta de prejuízo ao Erário, não haver valor devido sobre o qual incida a multa. Repetiu a defesa de que a multa isolada se reveste de confisco, conflitando com os princípios constitucionais da vedação ao confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. Finalizou, repetindo a solicitação de nulidade do AI por vício de motivação e solicitou seja o processo baixado em diligência para que “o fisco apresente, em cada um dos produtos autuados pela fiscalização, os motivos que ensejaram o seu enquadramento como produto laminado plano”. Reiterou que deve ser afastada a cobrança de multa isolada referente ao IPI não lançado com cobertura de crédito por não ser figura típica e não constar da lei tal penalidade em caso de recomposição da conta gráfica, e ainda, que se mantida a multa, seja cancelada ou reduzida a patamares constitucionalmente admitidos, em respeito aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e não confisco. Em 13 de fevereiro de 2015, a impugnante apresentou aditamento à sua impugnação, alegando a necessidade de apresentar novos documentos e pela superveniência de fatos novos, requerendo seu recebimento com fundamento no princípio da verdade material (fls. 207 a 243). Argumentou também que a nova impugnação encontrase amparada no art. 16, §4º e §5º do Decreto nº 70.235/72. Levantou a hipótese, alegando apenas que 30 dias não seriam suficientes para o levantamento efetuado, de que parte dos produtos objeto de reclassificação tarifária procedida pela fiscalização estariam acobertados por regimes diferenciados, tais como o art. 29 da Lei nº 10.637/02, que suspende o IPI no caso de produtos utilizados no setor automotivo/auto peças. Acrescenta que, após a impugnação original, a empresa recebeu 9 despachos decisórios não homologatórios de compensações por ela declaradas, todos com base no saldo credor glosado decorrente do presente auto de infração, e que, portanto, os despachos representam fato novo e também a necessidade de novos esclarecimentos acerca do feito. Por esta razão, também, solicitou sejam julgamos juntos este processo e os demais referentes aos despachos decisórios já referidos, defendendo que o resultado do presente processo afeta aos demais. A defesa também repete os argumentos da impugnação original, bem como acrescenta a defesa referente aos processos envolvendo as compensações não homologadas. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201410 Resolução nº 3402001.341 S3C4T2 Fl. 756 5 Trouxe ao presente a diferenciação dos produtos referente à normatização siderúrgica, bem como defende que esta seja utilizada no balizamento da interpretação da NCM e TIPI. De argumento novo, defendeu que, ainda que a classificação fiscal dos produtos seja revista, sua destinação implica a inexistência de imposto a recolher por força da suspensão do IPI. Nesta situação, apresentou as seguintes situações: transferência de produção entre estabelecimentos (art. 43, X, do RIPI/10); transferência para estabelecimentos situados na Zona Franca de Manaus (art. 43,X c/c art. 84 do RIPI/10) e para a Amazônia Ocidental (art. 43, X c/c art. 96 do RIPI/10); vendas para a Amazônia Ocidental, Zona Franca de Manaus e demais Áreas de Livre Comércio; vendas para a indústria automobilística e empresas fabricantes de autopeças, inclusive exportadoras (art. 136 do RIPI/10); vendas a estaleiros navais (art. 10 da Lei nº 9.493/97). Repete, ao final, todos os argumentos da impugnação original. Ainda, foi apresentada, em 28 de maio de 2015, nova impugnação (fls. 416 a 438) referente ao processo nº 15586.720086/201519, mas, segundo a impugnante, vinculado ao presente. O enfoque da referida impugnação é o processo nº 15586.720086/201519, cuja decisão sofre o efeito do lançamento discutido no presente processo. Ato contínuo, a DRJPORTO ALEGRE (RS) julgou a impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 IPI. LAMINADOS PLANOS. Classificamse como laminados planos os produtos não enrolados, de largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, quando esta for inferior a 4,75 mm, ou de largura superior a 150 mm ou a pelo menos duas vezes a espessura, quando esta for igual ou superior a 4,75 mm. IPI. COBERTURA DE CRÉDITO. MULTA ISOLADA. É cabível o lançamento de multa isolada pelo IPI não lançado com cobertura de crédito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso pleiteando a reforma do acórdão. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201410 Resolução nº 3402001.341 S3C4T2 Fl. 757 6 Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente repisou os mesmos argumentos utilizados em sua impugnação e solicitou a análise por este Colegiado de legislaçao superveniente à lavratura do auto de infração atinente a edição do ADE RFB nº06 de 17 de dezembro de 2014 que deu nova redação ao capítulo 72, nota 1, alínea “k”, primeiro parágrafo. Essa norma, segundo afirma a Recorrente, teria caráter interpretativo, nos termos do art.4º, parágrafo único do Decreto nº7.660/2011 e art. 106, inciso I, do CTN. É o relatório. VOTO Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. Trata o presente processo de lançamento fiscal decorrente de erro de classificação de mercadoria. Disso resultou a identificação da saída de produtos tributáveis pelo IPI sem destaque nas notas fiscais, ensejando, consequentemente, a aplicação da multa de 75%, e redução dos saldos credores de IPI apurados ao longo do período fiscalizado. A Autoridade Tributária, utilizando as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Hamonizado, conclui que os produtos aos quais a Empresa deu saída no período fiscalizado se tratavam de "laminados planos", classificados nas posições 72.08 a 72.12 da TIPI e sujeitos à alíquota de 5% (cinco por cento) de IPI. Tendo em vista as características dos produtos, entendeu a Fiscalização que se identificavam adequadamente com a descrição dos laminados planos constante na Nota 1, alíneas k, do capítulo 72, in verbis: Capítulo 72 Ferro fundido, ferro e aço Notas. 1.Neste Capítulo e, no que se refere às alíneas d), e) e f) da presente Nota, na Nomenclatura, consideramse: .... k) Produtos laminados planos: os produtos laminados, maciços, de seção transversal retangular, que não satisfaçam à definição da Nota 1ij) anterior: em rolos de espiras sobrepostas, ou não enrolados, de largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, quando esta for inferior a 4,75mm, ou de largura superior a 150mm ou a pelo menos duas vezes a espessura, quando esta for igual ou superiora 4,75mm. Os produtos que apresentem motivos em relevo provenientes diretamente da laminagem (por exemplo: ranhuras, estrias, gofragens, lágrimas, botões, losangos) e os que tenham sido perfurados, ondulados, polidos, classificamse como produtos laminados planos, desde que aquelas operações não lhes confiram as características de artefatos ou obras incluídos em outras posições. A Recorrente, por sua vez, entende que os produtos objeto do lançamento se tratam em verdade de "Barras de ferro ou aço não ligado", estando correta a classificação adotada com os códigos 7214.91.00 e 7214.99.90 da Tabela de Incidência TIPI, com alíquota Fl. 767DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201410 Resolução nº 3402001.341 S3C4T2 Fl. 758 7 zero. Essa classificação decorreu do seu entendimento de que os seus produtos não se classificariam em nenhuma das definições específicas constantes nas notas do capítulo 72, devendo ser aplicada a definição residual constante na alínea m, in verbis: m) barras os produtos que não satisfaçam a qualquer das definições constantes das alíneas ij), k) e l) acima, nem à de fio, e cuja seção transversal, maciça e constante, tenha a forma de círculo, de segmento circular, oval, de quadrado, retângulo, triângulo ou de outros polígonos convexos (incluídos os "círculos achatados" e os " retàngulos modificados", em que dois dos lados opostos tenham a forma de arcos de círculo convexo e os dois outros sejam retilíneos, iguais e paralelos. Portanto, a classificação de um produto como "barra chata” se dá de forma residual, quando não satisfeitas quaisquer das definições específicas, das notas do capítulo 72 da NESH. A questão abordada no processo não é nova nas turmas desta Câmara administrativa, tendo inclusive esse colegiado, em composição diferente da atual, já se manifestado quanto a questão no processo nº10640.721511/201491, envolvendo o mesmo contribuinte e praticamente os mesmos produtos, no acórdão nº3402003.804 de 25 de janeiro de 2017. Entendo que essa discussão sobre a classificação de fiscal das mercadorias, por ora, deve ser postergada até que se esclareça dúvida a respeito da outra matéria de defesa da empresa que tem reflexo direto sobre a base de cálculo, atinente a existência de saídas sem o destaque de IPI nas notas fiscais, decorrentes de regimes especiais e isenções aos quais a empresa seria beneficiária. A Recorrente informa que parte das suas saídas, objeto do lançamento, estaria sujeita a regimes especiais de suspensão ou isenção, tais como, mercadorias transferidas entre estabelecimentos da empresa; transferência para estabelecimentos situados na Zona Franca de Manaus e para a Amazônia Ocidental; vendas para a Amazônia Ocidental, Zona Franca de Manaus e demais Áreas de Livre Comércio; vendas para a indústria automobilística e empresas fabricantes de autopeças, inclusive exportadoras e vendas a estaleiros navais. O amparo legal que fundamentou cada regime especial também foi indicado pela Recorrente. Conforme consta na decisão recorrida. a referida alegação primeiramente foi apresentada intempestivamente em impugnação aditiva que foi conhecida pelo Julgador a quo , uma vez que este entendeu que foram atendidas as condições previstas nos §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Noticiase ainda nos autos que a empresa fundamentou a sua defesa, quanto a esse ponto, utilizandose de tabela com relação de algumas notas fiscais escolhidas por amostragem que exemplificaria os casos de suspensão do IPI ocorridos. Justificou tal procedimento adotado devido ao número expressivo de notas fiscais a serem apresentadas no tempo exíguo ao qual dispôs para recurso. Juntou ainda aos autos cópias das notas fiscais as quais fez referência (374 a 407). A Recorrente solicitou ainda a realização de diligência fiscal com o objetivo de sanar a insubsistência do auto de infração. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201410 Resolução nº 3402001.341 S3C4T2 Fl. 759 8 O Julgador da instância a quo não acolheu a alegação do Contribuinte, quanto a essa matéria, sob o fundamento de que não foram especificados mensalmente os valores das notas fiscais que teriam direito aos regimes especiais, da não comprovação do cumprimento das condições para seu usufruto da suspensão do imposto e, por fim, sob a argumentação de que na saída de produto sujeito à alíquota de 5%, mesmo que, hipoteticamente, sujeito à suspensão, seu lançamento ainda é obrigatório, com o destaque do Imposto, não tendo sido efetuado, caberia o lançamento de ofício. Ao contrário do que afirma a Autoridade a quo, o RIPI/2010 é expresso quanto ao não destaque do IPI nos casos de suspensão. A título de exemplo, transcrevo o dispositivo que trata de aspectos das notas fiscais no caso de vendas para indústrias de autopeças, in verbis: Nota Fiscal Art. 139. Nas notas fiscais, relativas às saídas referidas nos incisos III a VI do caput do art. 136, deverá constar a expressão “Saído com suspensão do IPI”, com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas (Lei nº 9.826, de 1999, art. 5º, § 4º, Lei nº 10.485, de 2002, art. 4º, e Lei no 10.637, de 2002, art. 29, § 6o). Entendo que nesses casos a não obrigação de destaque do imposto suspenso na nota fiscal de saída teria reflexo direto no deslinde da presente lide, quanto a multa lançada. Ao conferir a documentação apresentada, constatei ainda que há indícios fortes de que a empresa de fato teve produtos destinados a estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental, na Zona Franca de Manaus e vendas para fabricantes de autopeças. Assim, entendo, com base na documentação apresentada pela Recorrente, que há uma forte probabilidade da Empresa possuir outras saídas, além daquelas apresentadas na amostragem, sujeitas aos regimes especiais citados anteriormente e sem o destaque do IPI suspenso na nota fiscal. Nesse sentido, a fim de apurar a realidade dos acontecimentos, necessitase levantar os valores totais mensais de saída sem destaque de IPI a fim avaliar o seu reflexo sobre o presente lançamento. Diante do exposto e em homenagem ao princípio da verdade material, proponho a conversão do julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem realize os seguintes procedimentos: a) Intimar a empresa a indicar, em forma de planilha, quais notas constante do arquivo não paginavel "Notas Fiscais Reclassificadas" estariam sujeitas a suspensão ou isenção do IPI (fls.43); b) No mesmo Termo solicitar o amparo legal para a suspensão ou isenção do IPI nas referidas saídas, bem como comprovar que atende as condições para o usufruto da suspensão ou a isenção do IPI, aos quais seja beneficiária; d) Indicar os reflexos das informações obtidas, na forma acima indicada, sobre o lançamento fiscal; e) Efetuar quaisquer outras verificações que julgar necessárias para esclarecer as questões postas; e Fl. 769DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201410 Resolução nº 3402001.341 S3C4T2 Fl. 760 9 f) Elaborar relatório fiscal conclusivo detalhando os procedimentos realizados, anexar todos os documentos gerados na diligência e facultar à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011; Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 770DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720950/2014-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
RECURSO DE OFÍCIO. RECEPÇÃO CONCLUSÕES DE DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.
Nega-se provimento a recurso de ofício quando a decisão que exonerou parte das exigências baseou-se nas conclusões de diligência que concluir pela comprovação de parte das despesas anteriormente glosadas.
IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. APRESENTAÇÃO DE NOVOS DOCUMENTOS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
As alegações apresentadas na impugnação devem ser acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo, em observância à legislação do processo administrativo fiscal. Descabe apresentação de novos documentos em sede de recurso voluntário sem a justificação da impossibilidade de apresentação anterior e sem a possibilidade de análise pela instância anterior.
NULIDADE DA DECISÃO DE PISO. FALTA E FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Inocorre vício de falta de fundamentação da decisão de Piso quando se comprova que a mesma analisou as provas apresentadas e justificou, fundamentadamente aquelas que foram dispensadas por não cumprirem os requisitos legais.
GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE NOTAS FISCAIS OU PAGAMENTOS SEM A COMPROVAÇÃO DE SUA EFETIVIDADE.
Ausente a comprovação da efetividade de despesas - ainda que regularmente intimada a contribuinte - e carente dos demais elementos comprobatórios tais como notas fiscais ou contratos entre outros elementos, correta é a glosa correspondente.
GLOSA DE DESPESAS. DUPLICIDADE DE GLOSA. PROCEDÊNCIA.
Verificando-se que nas glosas realizadas pela fiscalização encontra-se despesa glosada em duplicidade, é de se determinar a redução do excesso de glosa.
RATEIO DE DESPESAS INTRAGRUPO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO CONTRATO E CRITÉRIOS. IMPROCEDÊNCIA.
Procede a glosa de despesas oriunda de referido rateio de despesas quando não comprovada a existência de contrato de rateio, juntamente com os critérios para distribuição de custos.
POSTERGAÇÃO DE DESPESAS. IMPROCEDÊNCIA. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA PARA ESCRITURAÇÃO.
As despesas devem ser apropriadas ao exercício em que são realizada. Incabível a postergação da dedução de despesas para exercício seguinte, sem a existência de motivos justificadores da atuação. A escrituração das despesas deve seguir o princípio da Competência.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na fase de impugnação.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. ABSORÇÃO DA MULTA ISOLADA PELO LIMITE DA MULTA DE OFÍCIO
Incabível a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício sobre os mesmos fatos. Aplica-se o Princípio da Consunção, absorvendo-se a multa isolada até o limite do valor da multa de ofício aplicada.
LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. PROCEDÊNCIA.
Os valores levados a lançamento a título de IRPJ devem, obrigatoriamente, refletir-se nos lançamentos da CSLL em razão da base tributável das contribuições derivar da base do IRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.293
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, não conhecer o item 9 do recurso por sua preclusão, já que não foi objeto de impugnação em primeiro grau, nem os documentos carreados apenas por ocasião do recurso voluntário; os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva votaram pelas conclusões quanto ao não conhecimento dos documentos. No mérito, também por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação o montante de R$ 36.237,30, a título de duplicidade de glosa de despesas de aluguel e, por maioria de votos, para excluir a aplicação da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Ailton Neves da Silva que negavam provimento ao recurso para manter as multas isoladas. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Aílton Neves da Silva. Ausente o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, (Presidente em Exercício), Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 RECURSO DE OFÍCIO. RECEPÇÃO CONCLUSÕES DE DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Negase provimento a recurso de ofício quando a decisão que exonerou parte das exigências baseouse nas conclusões de diligência que concluir pela comprovação de parte das despesas anteriormente glosadas. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. APRESENTAÇÃO DE NOVOS DOCUMENTOS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. As alegações apresentadas na impugnação devem ser acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo, em observância à legislação do processo administrativo fiscal. Descabe apresentação de novos documentos em sede de recurso voluntário sem a justificação da impossibilidade de apresentação anterior e sem a possibilidade de análise pela instância anterior. NULIDADE DA DECISÃO DE PISO. FALTA E FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Inocorre vício de falta de fundamentação da decisão de Piso quando se comprova que a mesma analisou as provas apresentadas e justificou, fundamentadamente aquelas que foram dispensadas por não cumprirem os requisitos legais. GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE NOTAS FISCAIS OU PAGAMENTOS SEM A COMPROVAÇÃO DE SUA EFETIVIDADE. Ausente a comprovação da efetividade de despesas ainda que regularmente intimada a contribuinte e carente dos demais elementos comprobatórios tais como notas fiscais ou contratos entre outros elementos, correta é a glosa correspondente. GLOSA DE DESPESAS. DUPLICIDADE DE GLOSA. PROCEDÊNCIA. Verificandose que nas glosas realizadas pela fiscalização encontrase despesa glosada em duplicidade, é de se determinar a redução do excesso de glosa. RATEIO DE DESPESAS INTRAGRUPO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO CONTRATO E CRITÉRIOS. IMPROCEDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 09 50 /2 01 4- 76 Fl. 2765DF CARF MF 2 Procede a glosa de despesas oriunda de referido rateio de despesas quando não comprovada a existência de contrato de rateio, juntamente com os critérios para distribuição de custos. POSTERGAÇÃO DE DESPESAS. IMPROCEDÊNCIA. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA PARA ESCRITURAÇÃO. As despesas devem ser apropriadas ao exercício em que são realizada. Incabível a postergação da dedução de despesas para exercício seguinte, sem a existência de motivos justificadores da atuação. A escrituração das despesas deve seguir o princípio da Competência. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na fase de impugnação. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. ABSORÇÃO DA MULTA ISOLADA PELO LIMITE DA MULTA DE OFÍCIO Incabível a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício sobre os mesmos fatos. Aplicase o Princípio da Consunção, absorvendose a multa isolada até o limite do valor da multa de ofício aplicada. LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. PROCEDÊNCIA. Os valores levados a lançamento a título de IRPJ devem, obrigatoriamente, refletirse nos lançamentos da CSLL em razão da base tributável das contribuições derivar da base do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, não conhecer o item 9 do recurso por sua preclusão, já que não foi objeto de impugnação em primeiro grau, nem os documentos carreados apenas por ocasião do recurso voluntário; os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva votaram pelas conclusões quanto ao não conhecimento dos documentos. No mérito, também por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação o montante de R$ 36.237,30, a título de duplicidade de glosa de despesas de aluguel e, por maioria de votos, para excluir a aplicação da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Ailton Neves da Silva que negavam provimento ao recurso para manter as multas isoladas. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Aílton Neves da Silva. Ausente o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, (Presidente em Exercício), Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Fl. 2766DF CARF MF Processo nº 16682.720950/201476 Acórdão n.º 1401002.293 S1C4T1 Fl. 2.766 3 Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da Decisão de Piso. Tratase de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e lançamentos reflexos, às fls. 550569, lavrados para exigir de CAMBRAIA E ROSA COMÉRCIO DE VEÍCULOS E SERVIÇOS LTDA., pessoa jurídica tributada pelo regime do Lucro Real, crédito tributário de R$ 15.937.006,54, incluídos juros de mora, calculados até dezembro de 2014, cf. Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário acostado à fl. 2, em virtude das seguintes infrações, verificadas no anocalendário de 2009, que se encontram discriminadas no Termo de Verificação Fiscal – TVF – às fls 495525: 1) CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS Despesas não dedutíveis, por não atenderem aos requisitos da necessidade, normalidade e usualidade, no tipo de operações desenvolvidas pela empresa, em desacordo aos preceitos legais, Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR de1999 2) DESPESAS NÃO COMPROVADAS Glosa de despesas para as quais o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou documentos hábeis e idôneos, que comprovassem sua existência e dedutibilidade. Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3° da Lei n° 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 264, 276, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99 3) INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL CAUSADA POR POSTERGAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS Postergação no reconhecimento de custos ou despesas dedutíveis, referentes ao anocalendário de 2008, resultando no não recolhimento (ou recolhimento a menor) do IRPJ no(s) período(s) em que reconheceu o custo ou despesa postergada. Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009. art. 3° da Lei n° 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 273 e 274 do RIR/99 4) MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução. Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 31/01/2009 e 31/12/2009. Arts. 222 e 843 do RIR/99; art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07 Fl. 2767DF CARF MF 4 2. No referido TVF, a autoridade fiscal informa que o procedimento fiscal em tela – respaldado pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 07.1.85.002013002044 – foi instaurado em decorrência de Inferência Fiscal, elaborada pela Demac/RJO, cujo foco era a verificação das receitas não operacionais e grupos de contas de despesas operacionais previamente selecionadas. 3. A ação fiscal teve início em 25/06/2013, quando foi dada ciência à contribuinte do Termo de Início de Fiscalização, às fls. 34; seguiramse, depois disso, 10 intimações entre agosto de 2013 e novembro de 2014, nas quais a autoridade fiscal requereu, sem sucesso em muitas ocasiões, à fiscalizada que apresentasse livros societários e fiscais, além de demonstrações e esclarecimentos sobre despesas e ganhos não operacionais., Despesas não dedutíveis ou não comprovadas 4. A análise da documentação enfim disponibilizada pela contribuinte revelou que grande parte dos documentos comprobatórios apresentados consistia tãosomente de transferências bancárias (DOC, TED) insuficientes para a confirmar a efetiva prestação de serviços ou fornecimento de materiais, nos termos do art. 299 do RIR de 1999 e do Parecer Normativo CST nº 321, de 1981, dado que, verbatim: (...) somente poderá ser considerada operacional e dedutível, para fins do IRPJ e da CSLL, a despesa para qual for demonstrada a estrita conexão do gasto com a atividade explorada, bem como, é condição essencial que esteja revestida de caráter de necessidade, normalidade e usualidade, no tipo de operações desenvolvidas pela empresa. 5. Desse modo – ressaltou a autoridade fiscal – a contribuinte teria deixado de cumprir com sua obrigação de manter em boa ordem livros e documentos relacionado a suas atividades e situação patrimonial, e de apresentálos à fiscalização quando demandada, conforme estabelecem os art. 264, 276 e 923 do RIR de 1999, além de pacífica jurisprudência administrativa. Não foram, portanto, consideradas operacionais – conclui – despesas lastreadas tãosomente em notas fiscais com especificação genérica emitidas pela prestadora dos serviços, ou a demonstração de um pagamento efetuado, sem respaldo em contratos ou notas fiscais. 6. No caso em tela, salienta, a finalidade da interessada, conforme documentação societária é: a) comercialização de veículos nacionais e importados, novos e usados; b) comercialização de auto peças; c) manutenção de veículos em geral; d) locação de veículos em geral; e) exposição de veículos; f) participação em outras sociedades e, por fim, g) intermediação de negócios; não podem se enquadrar na categoria de despesas dedutíveis, pois, despesas que constituem “ato de favor, estranho aos objetivos sociais”. Rateio de despesas entre Pessoas Jurídicas pertencentes a um mesmo grupo econômico 7. No mesmo sentido, a dedutibilidade de despesas rateadas entre sociedades empresárias pertencentes a um mesmo grupo econômico para a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, encontrase disciplinada no art. 299 do RIR de 1999, segundo o qual devem estar devidamente demonstradas – por meio de escrituração e comprovantes de pagamento – e ser calculadas com base em critérios de rateio objetivos, previamente ajustados e formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes, cf. Solução de Consulta COSIT nº 8 de 2012 e, mais recentemente, da Solução de Divergência COSIT nº ° 23 Cosit, de 23 de setembro de 2013. Regime de competência Fl. 2768DF CARF MF Processo nº 16682.720950/201476 Acórdão n.º 1401002.293 S1C4T1 Fl. 2.767 5 8. Em seguida, a autoridade fiscal destaca o descumprimento da obrigação de ser observado o Regime de Competência na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL estatuída nos art. 247 e 273 do RIR de 1999, segundo o qual o lançamento de diferença de imposto apurado em virtude de inexatidão quanto ao período de incidência deve ser feito pelo valor líquido depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito. Lançamentos – Despesas não comprovadas ou não dedutíveis 9. Em face dos eventos apurados, bem assim, do conteúdo da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referentes ao anocalendário de 2009, a autoridade fiscal decidiu: a) glosar as despesas não comprovadas documentalmente, ou com comprovação deficiente, discriminadas nos Anexo 1 e 2 do TVF às fls. 526532, no total de R$ 5.146.387,29 e R$ 3.839.931,06, respectivamente; b) glosar as despesas cuja efetividade e necessidade não foram demonstradas, dado que diversas notas fiscais ou recibos de honorários apresentados pela contribuinte continham uma descrição genérica do serviço prestado; cf. se encontra discriminado Anexo 3, às fls. 533536 , que totaliza R$ 6.366.365,77; c) glosar despesas rateadas entre pessoas jurídicas do mesmo grupo por falta de demonstração das despesas e de demonstração dos critérios de rateio empregados; – informa a autoridade fiscal que, nesse quesito, a contribuinte apresentou Notas de Débito – ND – emitidas por outras pessoas jurídicas pertencentes ao mesmo grupo empresarial desacompanhadas, porém, de demonstrativos dos critérios de rateio utilizados, de comprovantes do efetivo pagamento e assinadas apenas pelo contador da interessada; outra particularidade – acrescenta – é que ocorrem repetições sistemáticas de débitos das mesmas despesas administrativas simultaneamente por diversas empresas do grupo, embora com valores diferentes, o que não é comum, dado que o normal seria a concentração em uma única empresa, do controle dos gastos referentes aos departamentos de apoio administrativo centralizados e posterior rateio dos custos e despesas administrativas; d) tais despesas, alcançaram R$ 8.526.870,55, cf. vide anexos Anexos 4 e 5, às fls. 536545; 10. Todas as glosas supra referidas foram sintetizadas na tabela à folha 516, reproduzida a seguir. Fl. 2769DF CARF MF 6 11. Notese que as despesas objeto da Infração 1 (Despesas não dedutíveis) está contemplada no Anexo 3, enquanto as Infrações 2 (Despesas não comprovadas) e 3 (Inobservância do Regime de Escrituração) englobadas nos demais anexos. Lançamento – Não adição de despesas não dedutíveis 12. Ato contínuo, a autoridade fiscal aborda no TVF a ausência de adição de despesas não dedutíveis, como o imóvel residencial alugado, em nome da empresa, escriturado como “residência da senhora Beth”, no total de R$ 210.279,31, cf. tabela à fl. 517. 13. Analogamente, os aluguéis discriminados na planilha "Composição alugueis Cambraia 2009" na qual constam os valores de R$ 52.000,00 (entre janeiro e março de 2009) e de R$ 56.087,00 (entre abril e dezembro daqueles anos) para a despesa de aluguel da concessionária MARSEILLE, tendo em vista que, no contrato de aluguel comercial, firmado entre a empresa e a locadora, SRR (pertencente ao mesmo grupo econômico), vigente no período de 01/10/2006 a 30/09/2016, consta o valor inicial de R$ 26.600,00, corrigido anualmente pela variação do IGPM/FGV. 14. Adotando o IGPM da Fundação Getúlio Vargas, para corrigir o valor desse aluguel registrado em contrato, a autoridade fiscal entendeu que a diferença a maior contabilizada como despesas pela contribuinte, sem apresentar motivo justificável, constituía ato de "mera liberalidade", inidôneo, portanto, para permitir a dedução da despesa de R$ 281.440,87, cf. tabela à fl. 518. 15. No mesmo sentido, o sujeito passivo apresentou, em resposta aos Termos de Intimação Fiscal nº 03 a 10, comprovante da despesa de R$ 134.000,00, referente à aquisição de 22 pulseiras de ouro amarelo; dado que a atividade principal da contribuinte é a comercialização de veículos, também essa despesa não atenderia – juízo da autoridade fiscal a quo – aos requisitos da necessidade, normalidade e usualidade. 16. Acrescente que despesas com brindes – caso fosse essa a hipótese – também não seriam dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, devendo, portanto, as bases de cálculo, nos termos do artigo 13, VII, da Lei nº 9.249, de 1995, c/c o art. 249, parágrafo único, VIII, do RIR de 1999. Fl. 2770DF CARF MF Processo nº 16682.720950/201476 Acórdão n.º 1401002.293 S1C4T1 Fl. 2.768 7 17. O somatório dessas despesas constituem o montante da Infração 1 alcançando: R$ 625.720,18, cf. tabela à fl. 519. Postergação de Despesas 18. A autoridade fiscal constatou que notas fiscais e de honorários no total de R$ 178.525,01, referiamse a despesas operacionais do anocalendário de 2008, caracterizando, assim, inobservância do regime de competência, e, consequentemente, postergação de despesas daquele anocalendário para o de 2009, cf. tabela à fl. 520. 19. Tais despesas, ademais, não tinham sido contabilizadas no anocalendário de 2008, o que teria implicado duplicidade de deduções, em face da inexatidão do período de apuração de competência. Procedeu, então, ao lançamento de diferença de imposto com base no valor líquido depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tinha direito. 20. Explica a autoridade fiscal: Como no anocalendário de 2008 o contribuinte apurou prejuízo real e base negativa da CSLL, no valor de R$ 29.535.594,03, conforme se observa em sua Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2009/2008, original, transmitida em 14/10/2009, sob o nº 0001523399, anexa a este processo, a postergação de despesas operacionais do anocalendário de 2008 para 2009 implicou na redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL no anocalendário de 2009, posto que já não havia imposto nenhum a compensar em 2008. Outrossim, a correta apropriação das despesas dedutíveis incorridas no anocalendário de 2008, por esta Fiscalização, ocasionou o aumento do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL, neste período, para o valor de R$ 29.714.119,04. Tais alterações foram consideradas por esta Fiscalização no presente levantamento, como também, foram devidamente registradas em nossos controles. Desta forma, tendo o contribuinte não observado o regime de competência na escrituração de algumas despesas operacionais, ocasionando a redução indevida do lucro real no ano calendário de 2009, cabe à fiscalização apurar estes valores, conforme demonstrado no Anexo 6 a este Termo de Verificação Fiscal, intitulado "Despesas do Anocalendário de 2008 Postergadas para o Anocalendário de 2009", e lançar a respectiva infração. 21. A Tabela 3, à fl. 521, reproduzida abaixo, discrimina os valores a serem adicionados de ofício os referidos às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (infração reflexa) no anocalendário de 2009, e, os montantes a pagar destes tributos. Fl. 2771DF CARF MF 8 Multas de ofício e isolada aplicadas concomitantemente 22. Por fim, foram aplicadas a multa de ofício e a multa isolada, essa última em virtude da insuficiência ou falta de pagamento, após o término do anocalendário. As sanções foram calculadas sobre as diferenças de IRPJ e CSLL apuradas mensalmente, no período entre 01/2009 e 12/2009, não declaradas em DCTF, com códigos de recolhimento 2362 e 2484, respectivamente, conforme discriminado nos Anexos 7 e 8, às fls. 547548 dos autos. 23. Antecipase a autoridade fiscal em defender a compatibilidade da cobrança cumulativa da multa de ofício e da multa isolada, nos seguintes termos: Da análise do artigo 44 da Lei n° 9.430/1997, combinado com o art. 16 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 93/1997, de 24 de dezembro de 1997, (...) verificase que tanto a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, quanto à multa de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente sobre o valor do pagamento mensal da estimativa não recolhida, estão previstas em hipóteses legais distintas (incisos I e II da Lei n° 9.430/1996), havendo previsão explícita para que sejam cobradas de forma cumulativa, e após o período de apuração (IN SRF n° 93/1997). A multa isolada ainda é devida mesmo que o somatório das estimativas apuradas pela Fiscalização supere a contribuição apurada ao final do anocalendário. Tal entendimento resta evidente da leitura da alínea “b” do art. 44 da Lei n°9.430/1996. 24. Reforça o entendimento com reiterada jurisprudência administrativa. 25. Acrescenta que a comprovação das infrações referentes à CSLL e ao IRPJ são decorrentes dos mesmos elementos de prova, os Autos de infração foram formalizados em um mesmo processo, conforme determina o art. 92, §1º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Ciência do auto de infração 26. Devidamente cientificada em 17/12/2014, cf. documento à fl. 594, a contribuinte apresentou, em 15/01/2015, impugnação, coligida às fls. 690722, subscrita por representante com poderes conferidos por procuração e documentos profissionais e societários às fls. 1.149 1.199. Acompanham a peça impugnatória os documentos às fls. 7381.141, 1.2001.390 Fl. 2772DF CARF MF Processo nº 16682.720950/201476 Acórdão n.º 1401002.293 S1C4T1 Fl. 2.769 9 Impugnação Preliminar de Nulidade 27. Em caráter preliminar a contribuinte alega que o lançamento em tela contém vícios em sua fundamentação que não permitiram à Contribuinte identificar as razões específicas pelas quais os comprovantes de despesas apresentados foram desconsiderados pela fiscalização, implicando, assim, cerceamento de seu direito de defesa. 28. Argumenta que, de acordo com o TVF, teria cometido três diferentes infrações: 1) não comprovação de despesas (R$ 23.879.554,67); 2) falta de adição de despesas indedutíveis (R$ 625.720,18) e 3) indevida postergação de despesas (R$ 178.525,01). A motivação do lançamento decorre do fato de que, supostamente, não teria logrado comprovar a existência e a dedutibilidade das despesas mencionadas. 29. Acrescenta que: (...) nas poucas oportunidades em que o TVF se refere, em específico, aos documentos apresentados pela Contribuinte, restam dúvidas sobre os motivos que levaram a fiscalização a desconsiderálos. É o que ocorre, exemplificativamente, quanto às notas fiscais relativas à prestação de serviços jurídicos, de consultoria empresarial e de propaganda e marketing, despesas operacionais cuja documentação foi grosseiramente descartada pela autoridade administrativa. 30. Haveria, pois, ausência de fundamentação legal e de motivação, razões suficientes para provocar a nulidade do auto de infração lavrado. O ato administrativo está, ademais, vinculado aos motivos que o provocaram – cf. a teoria dos motivos determinantes – a portanto, se esses são inexistentes ou falsos, inquinam o ato de nulidade. 31. Reforça seu entendimento com respeitável jurisprudência administrativa. Razões de mérito 32. Em breve resumo alega que: a) todas as despesas deduzidas, além de necessárias às atividades da pessoa jurídica, encontramse devidamente comprovadas pela documentação que instrui a impugnação; b) um simples exame do Anexo 1 revela que as despesas ali glosadas se referem, em sua maioria, a diversos dispêndios legítimos, de tal sorte que o fundamento da autuação, nesse caso, não reside na natureza das despesas glosadas, mas sim na suposta ausência de sua comprovação; por esse motivo, a peça impugnatória foi instruída com documentos que atestam a existência, a natureza, e o efetivo pagamento de tais rubricas; – seguese um detalhamento mensal de algumas dessas despesas, às fls. 698700; Fl. 2773DF CARF MF 10 c) há despesas operacionais que teriam sido triplamente glosadas, quais sejam, as escrituradas na conta contábil 442002 – Despesas Operacionais Diversas, consolidadas na tabela à fl. 700, que totalizam R$ 432.861,12; d) tais despesas, decorrentes de serviços de planejamento tributário e de consultoria, estariam integralmente comprovadas pela documentação que acompanham a impugnação e foram por glosadas pela Fiscalização em três ocasiões: duas no Anexo 1 (meses de janeiro e abril) e uma no Anexo 2 (janeiro); e) cf. consta do próprio Anexo 1 do TVF, no mês de janeiro, as despesas da conta 442002, que se referiam ao pagamento de honorários advocatícios e antes estavam escrituradas na conta 411405, foram reclassificadas por engano como "despesas diversas operacionais"; por esse motivo, consta do campo "histórico" a sigla RECLAS CONTAS, que indica justamente a reclassificação contábil promovida pela contribuinte; em abril de 2009, contudo, a impugnante observou o erro cometido e promoveu reclassificação contábil na qual retornou os mesmos R$ 432.861,12 para a conta 411405, sem, contudo, deduzir novamente a despesa dado que se tratava de mera reclassificação contábil; f) teria ocorrido, porém, um novo equívoco, pois essa mesma despesa foi incluída no Anexo 2 do TVF, que trata de despesas glosadas pela apresentação deficiente de documentos; g) no que se refere às despesas de aluguéis, existem contratos de locação vigentes durante o período fiscalizado que foram acostados ao conjunto probatório que acompanha a impugnação, uma parte dos quais foi paga por meio de cheques, cujas microfilmagens, serão exibidas em momento oportuno; h) referido Anexo 1 glosa em duplicidade o valor de R$ 36.237,30 – cf. tabela à fl. 703 – que envolve, mais uma vez, mera reclassificação de despesa, cf. se observa do histórico do documento; i) constam ainda do Anexo 1 do TVF despesas que não chegaram a ser deduzidas pela contribuinte, vez que foram estornadas antes do procedimento fiscal, é o caso, por exemplo, dos valores de R$ 200.000,00 e R$ 6.690,00 (DOC 100011382), referentes ao mês de janeiro de 2009, contabilmente estornados pelo DOC 100018862 e, portanto, não deduzidos do lucro líquido da contribuinte; todos estes valores – entende – devem ser excluídos da base de cálculo dos presentes lançamentos; j) quanto às despesas para as quais, de acordo com o TVF, os documentos apresentados pela impugnante, serviriam à comprovação do pagamento mas não da efetiva prestação dos serviços ou entrega dos materiais, a interessada vem apresentar, desde já, parte da documentação necessária, a qual, devido ao grande volume, será oportunamente complementada; k) por ora, destaca a comprovação de despesas relativa à prestação de serviços de planejamento tributário, advocatícios e consultoria de viabilidade técnica, bem como de desenvolvimento de programas de computador, aquisição de produtos de limpeza e de placas automotivas, despesas vinculadas à propaganda e marketing, serviços de panfletagem e o fornecimento de buffet para evento de lançamento de novos veículos; l) o art. 366 do RIR de 1999 admite como despesa dedutível gastos com propaganda e publicidade, segundo a fiscalização, porém, os documentos a eles relacionados não foram suficientes para comproválos o que impôs um ônus adicional à interessada, haja vista que não Fl. 2774DF CARF MF Processo nº 16682.720950/201476 Acórdão n.º 1401002.293 S1C4T1 Fl. 2.770 11 dispõe de outros meios de comprovação além das notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas idôneas, e comprovantes das operações bancárias de pagamento; m) as despesas referentes a assessoria advocatícia, prestados por Autos Consultoria e Pesquisa, Terco Grant Thornton Auditoria e Consultoria e CF 2009 Consultoria Empresarial Ltda, podem ser classificadas como operacionais, na forma do art. 47, §2º, da Lei nº 4.506, de 1964, demandando, portanto, sua exclusão dos lançamentos ora atacados; n) a sociedade empresária AUTOS CONSULTORIA prestou à impugnante serviços de desenvolvimento de marketing de venda de veículos novos e usados; TERCO GRANT THORNTON AUDITORIA E CONSULTORIA, empresa idônea e com tradição no mercado, examinou os parcelamentos tributários mantidos pela impugnante e, finalmente, CF 2009 CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. prestou serviços de levantamento e identificação de créditos de PIS e COFINS na aquisição de veículos novos. Em todos os casos tratase de despesas corretamente classificadas como operacionais e dedutíveis; o) nota fiscal e comprovante bancário, também foram apresentados para comprovar despesa com honorários advocatícios do escritório MATTOS FILHO & ADVOGADOS ASSOCIADOS (NFS 97393, 99283 E 99655); e, contraditoriamente, foram admitidos para a dedução de despesas em relação ao exercício de 2008; p) a glosa das despesas para a contratação de buffet para confraternização de final de ano de seus funcionários – pagos à fornecedora VIA FUNCHAL EMPREENDIMENTOS LTDA. no mês de novembro de 2009 não merece prosperar porque gastos dessa natureza são amplamente aceitos pela jurisprudência administrativa como dedutíveis, devendo, assim, ser excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; q) na rubrica despesas glosadas pela falta de demonstração da efetividade e dos critérios de rateio empregados, objeto dos Anexos 4 e 5, encontramse os dispêndios realizados em razão de contrato de compartilhamento de custos celebrado com outras empresas pertencentes ao seu mesmo grupo econômico; a ilação da autoridade fiscal segundo a qual a prática adotada pela impugnante era "pouco comum", porque todas as despesas foram concentradas em uma única empresa, não resiste ao argumento de que não existe norma determinando o compartilhamento de custos com todas as empresas do grupo; portanto, a comprovação da existência de critérios objetivos para o rateio é suficiente para afastar a glosa em questão; r) a suposta falta de adição da despesa não dedutível, no montante de R$ 281.440,87, referente à diferença entre o valor do aluguel contratado pela impugnante e aquele que fora efetivamente pago durante o ano de 2009, não merece prosperar, porque o contrato que serviu de fundamento à Fiscalização foi rescindido no ano de 2008, tendo sido substituído por instrumento contratual anexado à impugnação com validade entre 01/03/2008 e 28/02/2018. Tal contrato estipula o aluguel em exatos R$ 52 mil – cf. cláusula terceira – não havendo que se falar, pois, em pagamentos a maior, por "mera liberalidade"; s) do mesmo modo, não há que se falar em postergação de despesas dado que, segundo documentos que acompanham a impugnação referidas despesas “foram incorridas durante o anocalendário de 2009, uma vez que efetivamente pagas neste exercício”; Concomitância das Multas Fl. 2775DF CARF MF 12 33. No que diz respeito à aplicação concomitante de multa de ofício (75%) e de multa isolada (50%) em razão do não recolhimento das estimativas mensais lançadas nos moldes das demais rubricas, a impugnante alega que tais multas devem ser afastadas, em primeiro lugar, em face dos argumentos apresentados anteriormente, que demonstram a legalidade de todos os atos por ela praticados, e adicionalmente porque do contrário, haveria indevido bis in idem, penalizando a contribuinte duas vezes por uma mesma conduta. 34. Argumenta que a matéria é regida pelo art. 44, I e II, da Lei n° 9.430, de 1996, que estabelecem os mesmos critérios pessoal e material da norma de incidência em ambos os casos, nesses termos, se a quantificação da obrigação principal é o valor decorrente da apuração definitiva do tributo, o mesmo tratamento deve ser adotado em relação à aplicação das penalidades, devendo prevalecer, pois, a multa aplicada quando o contribuinte não recolhe o tributo devido em conformidade com a apuração definitiva. 35. Ademais, a conduta: deixar de recolher antecipadamente o tributo, se exaure com o não recolhimento do tributo apurado quando da consolidação da obrigação principal devida ao final do exercício, nessas circunstâncias, se várias normas sancionadoras concorrem entre si, importa identificar o bem jurídico tutelado a fim de solucionar o conflito normativo, devese, então, investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, no caso de o fato tipificado transitar de uma lesão menor, para outra,maior, mas de mesma natureza. No caso em tela – continua – o bem jurídico mais importante é o crédito tributário apurado ao fim do anocalendário, enquanto o secundário é a antecipação do fluxo de caixa associado àquele, portanto, a penalidade da segunda conduta, deve ser absorvida pela penalidade vinculada à obrigação principal. 36. Conclui alegando que a legislação não determina expressamente a concomitância das sanções e traz ao feito, respeitável jurisprudência administrativa sobre a matéria. Lançamentos reflexos 37. As imputações fiscais resultaram no lançamento de auto de infração relativo ao imposto de renda e, reflexamente, também da CSLL, como consequência lógica, de toda as despesas comprovadamente efetivas e necessárias que forem excluídas da base de cálculo do IRPJ também deverão ser expurgadas da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. 38. Segundo a impugnante, o art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988 c/c art. 13 da lei nº 9.249, de 1995, e também a mais recente jurisprudência administrativa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – determina que deverão ser excluídas da base de cálculo da CSLL todas as despesas cuja efetividade, na forma da legislação comercial, restarem comprovada, ainda que, por outras razões, sejam consideradas indedutíveis em relação à base de cálculo do imposto de renda. 39. Portanto, no que tange à CSLL, a comprovação de que a pessoa jurídica incorreu na despesa na forma prevista pela legislação comercial, é suficiente para a sua dedução da base de cálculo da contribuição, ainda que, eventualmente, seja mantida na base de cálculo do IRPJ. Pedido 40. Requer, por fim, que a impugnação seja conhecida e integralmente provida. Fl. 2776DF CARF MF Processo nº 16682.720950/201476 Acórdão n.º 1401002.293 S1C4T1 Fl. 2.771 13 Da análise da impugnação e das razões da autuação a Delegacia de Julgamento entendeu pelo cancelamento parcial das glosas realizadas e julgou procedente em parte a impugnação, reduzindo parcialmente o auto de infração. Desta redução, que montou em valores originais de R$ 1.028.675,14 a própria Delegacia recorreu de ofício a esta CARF, na forma das normas regulamentares em vigor à época da decisão. Cientificado da autuação o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu as seguintes alegações: 1 Nulidade Vício na Fundamentação Alega que não restou claro nem na fiscalização e nem na decisão da DRJ o porque de parte dos documentos apresentados pela empresa como comprovantes de suas despesas não ter sido considerado. Alega que não foi apresentada fundamentação para não aceitação das despesas com contratos de planejamento tributário, consultoria empresarial, propaganda e marketing, transporte, valetransporte, outras despesas operacionais e rateio de despesas com as demais empresas do grupo econômico. Alega citações da doutrina e a teoria dos motivos determinantes como essenciais para caracterizar o vício da autuação. 2 Mérito Despesas não Comprovadas Alega que tanto na impugnação, quanto agora no recurso voluntário, apresentam não só os comprovantes de sua existência, como de seu pagamento e efetividade de acordo com os documentos acostados junto com suas peças recursais. Apresenta, em sua defesa, a contestação de algumas despesas específicas com a exemplificação de sua efetividade e essencialidade, como consultoria tributária, vale transporte, SERASA, pagamento de honorários advocatícios, frete para o transporte de veículos. 3 Mérito Receitas Triplamente Glosadas Argumenta, neste ponto que embora o acórdão tenha reconhecido parcialmente a duplicidade de glosa das despesas da conta 442002, alega que estas foram glosadas em triplicidade e que, mais ainda, estas estariam devidamente comprovadas. Alega que estas despesas foram classificadas incorretamente na conta 411405, depois foi reclassificada para a conta 442002, tendo sido glosadas duas vezes. Tais despesas de referiam a honorários advocatícios. Assim alega que a glosa deve ser excluída tanto em janeiro, quanto em abril/2009. 4 Mérito Glosa de Despesa de Aluguel Duplicidade Alega que na tabela abaixo está demonstrada que a despesa de aluguel foi indevidamente glosada duas vezes. Alega ainda que a glosa deve ser cancelada porque durante o procedimento foi apresentado comprovante bancário de valor menor em razão da dedução do IR não retido em meses anteriores e mesmo assim a despesa foi glosada sem qualquer justificativa. Fl. 2777DF CARF MF 14 5 Mérito Despesas Posteriormente Estornadas Alega que determinadas despesas incluídas no mês de janeiro/2009 como por exemplo de R$ 200.000,00 e R$ 6.690,00, foram posteriormente estornadas e, assim, não influíram no resultado líquido da empresa. 6 Mérito Despesas Glosadas Documentação deficiente II Item da infração I Este ponto se refere às despesas que teriam sido comprovadas como pagas, mas que não consta comprovação da efetividade dos serviços. Alega que nem a fiscalização, nem a Decisão de Piso apresentaram os motivos pelos quais consideraram que as despesas não estavam devidamente comprovadas. 7 Mérito Despesas Glosadas Não demonstrada Efetividade e Necessidade dos Serviços III Item da infração I Propaganda e Publicidade => A glosa foi mantida em razão de a empresa não ter demonstrado a efetividade na prestação dos serviços. A recorrente entende que sendo despesas operacionais e rotineiras a simples apresentação das notas fiscais e comprovantes de pagamento é suficiente para demonstrar sua efetividade. Honorários advocatícios, Assessoria e Consultoria => Alega neste item que o contrato firmado com a empresa Autos se refere a serviços de consultoria operacional e de marketing. Que se tratam de despesas operacionais. Que o valor dispendido no ano de R$ 1.328.000,00 é plenamente compatível com o valor ajustado entre as partes. Os serviços da Empresa Terco Grant se referiam a exames dos parcelamentos tributários a fim de verificar a existência de duplicidades e, sendo necessárias, devem ser mantidas. A empresa CF 2009 Consultoria realizou serviços de levantamento de créditos de PIS/COFINS na aquisição de veículos novos. Alega que em relação a estes itens não foi apresentada justificativa para a manutenção das glosas, apesar de ter sido comprovado o efetivo pagamento dos serviços. 8 Mérito Despesas Glosadas Falta de demonstração da efetividade e dos Critérios de Rateio Empregados Alega a existência de contrato de compartilhamento de custos entre as empresas do grupo. Que o contrato em questão determina a repartição dos custos em razão do faturamento de cada empresa do grupo e que inexiste previsão legal a impedir a utilização destes contratos. 9 Mérito Contradição nos Lançamentos Entende ter havido contradição no lançamento tendo em vista que, desconsiderando o contrato de compartilhamento a fiscalização glosou os lançamentos de débito referentes ao contrato, no entanto, manteve os lançamentos a crédito da empresa baseados no mesmo contrato. Pleiteia, assim, que caso seja mantida a desconsideração do rateio de despesas, que seja feito com todas as suas consequências também em relação aos lançamentos a crédito. 10 Mérito Infração 03 Postergação de Despesas Alega a empresa que as despesas glosadas referemse efetivamente ao ano de 2009 vez que foram pagas neste ano. 11 Concomitância das Multas Isoladas e de Ofício Protesta pela impossibilidade de manutenção das aplicação das duas multas em conjunto sobre os mesmos fatos. Fl. 2778DF CARF MF Processo nº 16682.720950/201476 Acórdão n.º 1401002.293 S1C4T1 Fl. 2.772 15 12 Lançamentos Reflexos de CSLL Alega que devem ser cancelados os lançamentos de CSLL para as despesas que, sendo glosadas na apuração do lucro real, sejam dedutíveis na apuração do lucro líquido, tendo em vista que as normas que regulam os tributos são diversas. Apresenta precedentes do próprio CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Do Recurso de Ofício Na análise do recurso de ofício, fazse mister verificar se a soma dos valores atualizados do principal, multa e juros reduzidos pela decisão de primeira instância monta em mais de R$ 2.500.000,00 conforme valor de alçada modificado após a prolação da Decisão de Piso. Realizando a atualização do montante excluído, R$ 1.028.675,14, resultou em multa de R$ 771.506,35 e juros de R$ 1.111.612,06, totalizando R$ 2.911.763, 55, razão pela qual deverá ser objeto de análise o recurso de ofício. Com relação ao recurso de ofício manejado pelos julgadores a quo, verificamos que o julgamento de primeira instância já aprofundou a análise realizada pela fiscalização e admitiu diversas despesas que teriam sido comprovadas pela documentação apresentada juntamente com a impugnação. Assim, tendo em vista que a decisão a quo limitouse apenas a reconhecer as despesas que foram comprovadas, de acordo com a sua apreciação, a partir da nova documentação entendemos não haver ressalvas a realizar, devendo ser negado provimento ao recurso de ofício manejado pela Decisão de Piso. Do Recurso Voluntário Com relação à análise do recurso voluntário verificamos, inicialmente, que junto com a apresentação deste o recorrente trouxe à colação diversos documentos que, em tese, comprovariam a realização das despesas cuja validade é alegada no recurso. Ocorre, no entanto, que ao realizarmos a verificação da documentação apresentada junto ao recurso constatamos que os documentos são novos e distintos dos documentos apresentados na impugnação, ou seja, em verdade o contribuinte está, em sede de recurso voluntário, complementando a prova apresentada anteriormente durante o procedimento fiscal e na impugnação. Fl. 2779DF CARF MF 16 Constatamos que, durante o procedimento fiscal o contribuinte foi intimado por dez vezes a apresentar a documentação comprobatória de suas despesas, referido procedimento fiscalizatório perdurou por cerca de um ano e meio, tempo que considero mais do que suficiente para a pesquisa e juntada da documentação necessária. Na sua impugnação o contribuinte apresentou mais documentos, entretanto nem todos eram prova material da efetivação das despesas, muitos eram apenas ordens de compra de emissão da própria empresa, sem a apresentação das notas fiscais e comprovantes de pagamento. Em razão disto é que a Delegacia de Julgamento aceitou apenas os comprovantes de despesas que demonstravam a efetividade dos serviços e o seu pagamento. Quando da apresentação do recurso voluntário o contribuinte apresenta nova documentação, agora na tentativa de comprovar a realização das despesas cuja documentação apresentada no recurso não tenha sido suficiente. O problema da apresentação da documentação comprobatória em sede de recurso voluntário é que transforma o julgamento recursal em fase de praticamente instrução processual, desvirtuando o curso normal do processo administrativo. Neste sentido, aos que possam reclamar do cerceamento do direito de defesa, uma coisa é, na fase recursal, o colegiado resolver pela realização de diligência para esclarecer fatos e análise de documentos já anteriormente apresentados. Esta tarefa faz parte da análise das alegações do recurso. Diferente é, no julgamento de recurso, voltar à fase de instrução probatória com a apresentação de novos documentos que não antes tenham sido apresentados no processo. Por isso é que existe a norma do art. 15, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrita, na qual existe a determinação de que a documentação comprobatória das alegações seja apresentada juntamente com a impugnação. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados Fl. 2780DF CARF MF Processo nº 16682.720950/201476 Acórdão n.º 1401002.293 S1C4T1 Fl. 2.773 17 pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Por isso é que, neste julgamento, com relação à análise da nova documentação apresentada pelo contribuinte, voto por considerar preclusa a juntada desta nova documentação, devendo a análise recursal realizarse apenas com a documentação que foi objeto de análise na impugnação e a partir do que foi decidido pela Delegacia de Julgamento com relação a esta. Vejamos os pontos levantados pelo recorrente e nossa análise sobre os mesmos. 1 Nulidade Vício na Fundamentação Com relação à primeira nulidade apontada, que se refere a possível vício na fundamentação tanto do auto de infração quanto da decisão da DRJ, a alegação do recorrente referese ao fato de parte da documentação apresentada não ter sido considerada segundo o mesmo. Inobstante a apresentação desta alegação, entendo não existirem motivos para a declaração da nulidade requerida. Em consulta aos elementos de fundamentação apresentados pela fiscalização e pela DRJ, podemos verificar, conforme abaixo, a existência de fatos e fundamentos suficientes para o esclarecimento dos motivos que levaram à não aceitação da documentação e à glosa das despesas. No TVF O contribuinte continuou a apresentar apenas algumas poucas notas fiscais comprobatórias. Desta forma, tendo em vista o atendimento, até então, extremamente deficitário do contribuinte às solicitações da fiscalização, foi agendado uma reunião com representante da Cambraia, sr. Marcos Donizetti da Silveira, em 09/09/2014, onde se questionou as injustificáveis faltas de apresentação de documentos e esclarecimentos por parte da empresa, e se esclareceu as implicações que tal procedimento acarretaria. O contribuinte se desculpou pela demora no atendimento da fiscalização, alegando dificuldades diversas, e se comprometeu em apresentar a documentação pendente no prazo máximo de 10 (dez) dias. Sendo assim, o contribuinte foi novamente intimado, pessoalmente, por meio do Termo de Intimação Fiscal No 10, concedendo um prazo adicional de mais 10 (dez) dias para atendimento das solicitações contidas nos termos anteriores, e ainda pendentes. Fl. 2781DF CARF MF 18 Finalmente, em correspondência datada de 19/09/2014, a empresa apresentou boa parte da documentação anteriormente solicitada. Após análise da documentação disponibilizada pela empresa, em sua resposta ao TIF no 10, constatamos que para grande parte dos documentos comprobatórios solicitados pela fiscalização, a empresa apenas apresentou o comprovante do efetivo pagamento (TED, DOC, transferência bancária etc.), sendo este insuficiente para a comprovação da efetiva prestação de serviços ou fornecimento de materiais. Portanto, intimamos novamente o contribuinte, pessoalmente, por meio do Termo de Intimação Fiscal No 11, onde solicitamos novos esclarecimentos e ratificamos a solicitação para apresentar cópias digitalizadas dos documentos comprobatórios (notas fiscais, faturas, contratos etc.), referentes aos lançamentos contábeis, selecionados por amostragem, obtidos da escrituração contábil digital do contribuinte – SPED, sendo que no Anexo 1 do TIF foram relacionados os documentos ainda pendentes de apresentação e no Anexo 2 os documentos apresentados de forma deficiente. Nesta mesma data, a empresa apresentou mais algumas poucas notas fiscais comprobatórias, anteriormente solicitadas. Por último, na data de 05/11/2014, a empresa continuou a atender a fiscalização de forma parcial, apresentando mais alguns esclarecimentos e documentos comprobatórios, quando, então, foi derradeiramente reintimada, de forma pessoal, a apresentar, por meio do Termo de Intimação Fiscal No 12, datado de 04/11/2014, a documentação e esclarecimentos anteriormente solicitados, e ainda pendentes de resposta. Novamente a empresa não se pronunciou e, também, não apresentou mais algum novo documento. Na Decisão de Piso Preliminar de Nulidade 45. Não merece prosperar a preliminar de nulidade, dada a ausência dos requisitos legais para a sua declaração, estipulados pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235 de 1972, reproduzido abaixo: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 2782DF CARF MF Processo nº 16682.720950/201476 Acórdão n.º 1401002.293 S1C4T1 Fl. 2.774 19 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) 46. A contribuinte argumenta que viu o seu direito de defesa ser limitado em razão da obscuridade dos autos de infração impugnados, tal raciocínio é autocontraditório haja vista que, malgrado eventual falta de clareza de algum elemento tópico dos referidos autos, a interessada apresentou impugnação consistente questionando todas infrações apuradas. Apresentação posterior de provas documentais 47. A contribuinte afirma que apresentará, em momento oportuno, elementos comprobatórios outros que darão suporte material a seus argumentos. Tal pretensão não merece acolhida, em face da disposição expressa no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, reproduzido abaixo. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 48. A disposição legal resguarda o processo administrativo fiscal que, do contrário, ficaria impedido de cumprir seu propósito – produzir um acórdão – em virtude de um ato de vontade do impugnante. No caso em tela, há a agravante de se tratar de matéria reiteradamente arguida pela autoridade fiscal em pelo menos uma dezena de ocasiões. 49. Superada a preliminar e a questão genérica sobre prova, passase à análise do mérito da lide. Ora, conforme tivemos de apresentar trechos do relatado no TVF e na Decisão da DRJ, a fundamentação relativa à análise dos documentos apresentados pela empresa foi corretamente apresentada. Foram analisados os documentos que comprovavam não só o pagamento de despesas, como o tipo de serviço prestados e a certeza de sua realização. Por isso, antes do julgamento de primeira instância foi determinada a realização de diligência na qual, não somente foi analisada a documentação apresentada, como foi informado os documentos que foram considerados e, na Decisão da DRJ, foram informados os documentos aceitos e as revisões realizadas, sendo que, quanto aos documentos não aceitos, estes, ao contrário do que entende o contribuinte, deixaram de ser considerados porque não constituíam uma prova completa da efetivação de despesas por parte da empresa e não por má vontade ou inépcia dos responsáveis pelo procedimento de fiscalização. Sendo assim, entendo que foi apresentada a fundamentação acerca da análise documental, consoante o acima demonstrado e, neste ponto voto por rejeitar a preliminar levantada. Fl. 2783DF CARF MF 20 2 Mérito Despesas não Comprovadas Neste ponto o recorrente argumenta que teria apresentado tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário os comprovantes da existência e da efetividade do pagamento das despesas. Conforme já narrado acima, os documentos apresentados pela empresa na impugnação e no recurso voluntário são diversos. A documentação apresentada no recurso voluntário é, em verdade, complementar à apresentada na impugnação, tendo em vista que a que foi apresentada na impugnação não apresentava a maioria dos comprovantes de pagamentos, notas de serviço ou comprovantes do tipo de serviço prestado. Infelizmente, conforme indicamos no início deste voto, não é possível demonstrarse a comprovação da efetividade do pagamento e da realização das despesas por meio dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário em face de ter precluído o direito da empresa de apresentálos após a fase impugnatória, sem a demonstração da impossibilidade anterior. Por isso, e levando em consideração que a Delegacia de julgamento já realizou a análise desta documentação tendo considerado que parte da mesma foi suficiente para a comprovação parcial das despesas glosadas inicialmente, entendo não mais haver como se apurar novas as despesas a serem consideradas como legítimas haja vista a inexistência de prova a este respeito que possa ser considerada em face da preclusão já analisada acima. Pelo exposto, em relação a este item entendo por negar provimento ao recurso em face da preclusão do direito da empresa de apresentar novos documentos para apresentar suas despesas, na forma do estatuído pelo art. 15, § 4º, do DecretoLei Nº 70.235/72. 3 Mérito Despesas Triplamente Glosadas Argumenta, neste ponto que embora o acórdão tenha reconhecido parcialmente a duplicidade de glosa das despesas da conta 442002, alega que estas foram glosadas em triplicidade e que, mais ainda, estas estariam devidamente comprovadas. Alega que estas despesas foram classificadas incorretamente na conta 411405, depois foi reclassificada para a conta 442002, tendo sido glosadas duas vezes. Tais despesas de referiam a honorários advocatícios. Assim alega que a glosa deve ser excluída tanto em janeiro, quanto em abril/2009. Em relação a este tema e consoante análise das observações apresentadas pela Delegacia de Julgamento, já foram objeto de exclusão da autuação, do montante alegado pelo recorrente de R$ 432.861,12, o valor de R$ 404.079,83 que a Delegacia de Julgamento conseguiu comprovar que estava glosado em duplicidade. Vejamos a narrativa da Delegacia de Julgamento quanto à análise destas glosas, aos quais anuímos integralmente. 65. A tabela abaixo, retirada da fl. 700, reproduz o conjunto dessas despesas sintetizado pela contribuinte em sua peça impugnatória. Fl. 2784DF CARF MF Processo nº 16682.720950/201476 Acórdão n.º 1401002.293 S1C4T1 Fl. 2.775 21 66. Tais despesas encontramse mais bem discriminadas na tabela à fl. 843, reproduzida abaixo: Fl. 2785DF CARF MF 22 67. Confrontando, os dois anexos verificase que, de fato, dos R$ 432,861,12, reclamados, as despesas associada a Spart Participações e Gilberto Álvares, totalizando R$ 404.079,83, encontramse duplicadas e, por esse motivo, as glosas respectivas devem ser canceladas. Não foram encontradas no Anexo 2 referências à despesa da Nota Fiscal nº 80 no total de R$ 3.634,89 de Gilberto Álvares. 68. Não constam, tampouco, dos anexos referidos, duplicatas relacionadas aos três outros fornecedores, ficando prejudicada, assim, a alegação da interessada nesse sentido. Resulta do exposto que, em verdade a maior parte do pleito do recorrente já foi objeto de análise e cancelamento por meio da decisão de Piso, não o sendo por completo em razão de não constarem no anexo referido ou inexistirem os comprovantes das despesas. Neste sentido voto por negar provimento ao recurso quanto a este item. 4 Mérito Glosa de Despesa de Aluguel Duplicidade Alega que na tabela abaixo está demonstrada que a despesa de aluguel foi indevidamente glosada duas vezes. Alega ainda que a glosa deve ser cancelada porque durante o procedimento foi apresentado comprovante bancário de valor menor em razão da dedução do IR não retido em meses anteriores e mesmo assim a despesa foi glosada sem qualquer justificativa. Neste ponto, em relação à duplicidade da glosa apontada pelo recorrente entendemos assistir razão ao mesmo. Efetivamente comprovase por meio de consulta aos registros contábeis juntados ao processo que a classificação correta da conta deveria ter sido a 411501 – Alugueis PJ e não 411415 – Aluguéis PF. Fl. 2786DF CARF MF Processo nº 16682.720950/201476 Acórdão n.º 1401002.293 S1C4T1 Fl. 2.776 23 Por esta razão é que a empresa realizou a reclassificação da despesa relativa ao mesmo período e, assim, a fiscalização ao realizar a glosa, o fez duplamente com relação a esta mesma despesa. Desta forma, em relação a esta item deve ser excluída da infração o valor da glosa no montante de R$ 36.237,30 relativo à conta 411415. Assim, neste ponto, voto por considerar parcialmente procedente o recurso para excluir da autuação o valor da glosa no montante de R$ 36.237,30 relativo à conta 411415. 5 Mérito Despesas Posteriormente Estornadas Alega que determinadas despesas incluídas no mês de janeiro/2009 como por exemplo de R$ 200.000,00 e R$ 6.690,00, foram posteriormente estornadas e, assim, não influíram no resultado líquido da empresa. Quanto a este item, consultando a Decisão de Piso constatamos que nela a Delegacia de Julgamento manteve a glosa por entender que não houve a comprovação, na documentação apresentada juntamente com a impugnação, do documento alegado que levou ao estorno das despesas que teriam sido glosadas. Conforme alegação do contribuinte o estorno das despesas teria sido realizado por meio do documento nº 100018862 que teria sido anexado à impugnação. Tendo em vista a firmeza das alegações do recorrente neste ponto, realizamos exaustiva busca nos documentos apresentados junto com a impugnação e conseguimos localizar um único documento, abaixo transcrito, no qual aparece um lançamento, datado de 31/01/2009, onde as contas de débito e de crédito são de despesas, ou seja, houve, como já afirmado pela DRJ, houve apenas uma modificação das contas de despesas e não o estorno destas. Mais ainda, o único documento apresentado é datado de 31/01/2009 e não de abril/2009 como alegou o recorrente. A título de exemplo, apresentamos lançamento realizado em outra conta onde identificase, perfeitamente, o lançamento a título de estorno de outra despesa realizada. Fl. 2787DF CARF MF 24 Assim, corroborando o que já foi analisado e decidido pela Delegacia de Julgamento, entendo que inexiste a comprovação da realização do estorno das despesas que foram objeto de glosa e, assim, voto por negar provimento ao recurso neste ponto. 6 Mérito Despesas Glosadas Documentação deficiente II Item da infração I Este ponto se refere às despesas que teriam sido comprovadas como pagas, mas que não consta comprovação da efetividade dos serviços. Alega que nem a fiscalização, nem a Decisão de Piso apresentaram os motivos pelos quais consideraram que as despesas não estavam devidamente comprovadas. Com relação a esta contestação, em verdade o assunto já foi objeto de tratamento na preliminar de nulidade apresentada pelo recorrente, razão pela qual não mais é necessária sua análise, posto que não foi aceita a apresentação de nova documentação comprobatória das despesas. Assim, conforme já analisado em sede de preliminar rejeitase o recurso apresentado. 7 Mérito Despesas Glosadas Não demonstrada Efetividade e Necessidade dos Serviços III Item da infração I Propaganda e Publicidade => A glosa foi mantida em razão de a empresa não ter demonstrado a efetividade na prestação dos serviços. A recorrente entende que sendo despesas operacionais e rotineiras a simples apresentação das notas fiscais e comprovantes de pagamento é suficiente para demonstrar sua efetividade. Honorários advocatícios, Assessoria e Consultoria => Alega neste item que o contrato firmado com a empresa Autos se refere a serviços de consultoria operacional e de marketing. Que se tratam de despesas operacionais. Que o valor dispendido no ano de R$ 1.328.000,00 é plenamente compatível com o valor ajustado entre as partes. Os serviços da Empresa Terco Grant se referiam a exames dos parcelamentos tributários a fim de verificar a existência de duplicidades e, sendo necessárias, devem ser mantidas. A empresa CF 2009 Consultoria realizou serviços de levantamento de créditos de PIS/COFINS na aquisição de veículos novos. Alega que em relação a estes itens não foi apresentada justificativa para a manutenção das glosas, apesar de ter sido comprovado o efetivo pagamento dos serviços. Fl. 2788DF CARF MF Processo nº 16682.720950/201476 Acórdão n.º 1401002.293 S1C4T1 Fl. 2.777 25 Com relação a estes itens de contestação acima apresentados, reportamonos, novamente, à análise da nulidade empreendida no início deste voto, onde restaram demonstrados os argumentos da fiscalização e da Delegacia de Julgamento para desconsiderar os elementos de prova apresentados. Ante a ausência da documentação comprobatória apresentada à época da fiscalização e da impugnação, não pode este colegiado considerar a documentação apresentada em fase recursal para comprovar fatos que já deveriam ter sido comprovados anteriormente e submetidos ao crivo do julgamento da impugnação. Assim, não nos resta outra opção senão a de negar provimento ao recurso neste ponto. 8 Mérito Despesas Glosadas Falta de demonstração da efetividade e dos Critérios de Rateio Empregados Alega a existência de contrato de compartilhamento de custos entre as empresas do grupo. Que o contrato em questão determina a repartição dos custos em razão do faturamento de cada empresa do grupo e que inexiste previsão legal a impedir a utilização destes contratos. Neste ponto assim se pronunciou a decisão de Piso: Anexos 4 e 5 – Rateios de Despesas 78. Ainda uma vez a impugnante confunde a faculdade de ratear despesas, admitida pela legislação tributária, com a sua comprovação. Não constam dos autos documentos que comprovem os critérios adotados para tal rateio, mesmo que incomuns. 79. Em face da ausência de comprovação idônea da repartição pretendida, devese manter integralmente as glosas consolidadas nos anexos 4 e 5. Em que pese bastante singela a alegação, consultamos o que foi relatado pela fiscalização no mesmo procedimento. Vejamos: VI.1.4. Despesas Glosadas pela Falta de Demonstração da Efetividade das Despesas Rateadas entre empresas do Grupo e dos Critérios de Rateio Empregados: Por meio dos Termos de Intimação Fiscal No 03, 04, 05 e 06, o contribuinte foi intimado nas datas de 27/12/2013, 07/02/2014, 14/03/2014 e 15/04/2014, respectivamente, a apresentar, entre outras solicitações, cópias digitalizadas dos documentos comprobatórios do efetivo pagamento das despesas rateadas entre empresas do grupo e respectivos demonstrativos de rateio, referentes aos lançamentos contábeis, selecionados por amostragem, obtidos da escrituração contábil digital do contribuinte – SPED, conforme relação constante do anexo 2 daquele Termo de Intimação. Foi solicitado que fosse apresentado ainda os critérios de rateio utilizados pelas empresas intervenientes. Fl. 2789DF CARF MF 26 Em resposta datada de 12/05/2014, o contribuinte apresentou Notas de Débito ND emitidas por outras empresas pertencentes ao grupo empresarial em desfavor da Cambraia referentes ao rateio de despesas, as quais foram anexadas ao presente processo administrativo. Entretanto o contribuinte não apresentou os critérios de rateio utilizados e, também não comprovou o efetivo pagamento das despesas rateadas. Observase, ainda, que as Notas de Débito apresentadas encontramse todas assinadas somente pelo contador da Cambraia, sr. Ricardo César Zolesi. Outra particularidade observada nas Notas de Débito apresentadas pela Cambraia é que ocorrem repetições sistemáticas de débitos das mesmas despesas administrativas simultaneamente por diversas empresas do grupo, embora com valores diferentes. Assim, por exemplo, despesas com “salário e encargos”, “assistência médica e social”, “telefones / comunicação”, “consultoria / auditoria / assessoria”, entre outras, são debitadas contra a Cambraia, nas mesmas competências, pelas empresas Carfrance, Francecar, Saint Germain e Saint Michel. Tal procedimento não é comum. O usual seria a concentração em uma única empresa, do controle dos gastos referentes aos departamentos de apoio administrativo centralizados, para posterior rateio dos custos e despesas administrativas comuns entre as empresas que não a mantenedora da estrutura administrativa concentrada. Sendo assim, esta fiscalização reintimou a empresa, por meio do Termo de Intimação Fiscal No 07, em 06/06/2014, para que fosse disponibilizado os documentos anteriormente solicitados ainda pendentes de apresentação. Neste mesmo termo, foi requisitado que fossem apresentadas cópias digitalizadas dos documentos comprobatórios do efetivo pagamento das despesas rateadas entre empresas do grupo e respectivos demonstrativos de rateio, referentes a novos lançamentos contábeis, selecionados por amostragem da escrituração contábil digital do contribuinte – SPED, conforme relação constante do Anexo 3 daquele Termo de Intimação, como também, os critérios de rateio utilizados pelas empresas intervenientes. Embora sistematicamente reintimado, por meio dos Termos de Intimação Fiscal No 08, 09, 10, 11 e 12, nas datas de 31/07/2014, 20/08/2014, 09/09/2014, 14/10/2104 e 05/11/2014, o contribuinte não se pronunciou mais sobre este tema e, tampouco, apresentou mais nenhum novo elemento. Embora o rateio de custos entre empresas do mesmo grupo possa ser prática usual no mercado, visando a otimização dos recursos disponíveis, tanto de pessoal como de equipamentos ou sistemas, tal fato não dispensa os contribuintes de provarem, se intimados pelo fisco, que a despesa a título de rateio existiu e que é dedutível na formação do lucro real. A Tabela abaixo sintetiza os montantes de Notas de Débito ND emitidas por outras empresas pertencentes ao grupo empresarial em desfavor da Cambraia, conforme dados obtidos de sua contabilidade. Fl. 2790DF CARF MF Processo nº 16682.720950/201476 Acórdão n.º 1401002.293 S1C4T1 Fl. 2.778 27 Conforme detalhado no tópico V.4, para que despesas rateadas entre empresas pertencentes ao mesmo grupo empresarial sejam dedutíveis do IRPJ e da CSLL, é imprescindível que essas despesas sejam devidamente comprovadas, pagas e escrituradas e que sejam calculadas com base em critérios de rateio razoáveis e objetivos, previamente ajustados, formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes. Como a empresa nada comprovou a este respeito, não resta outra alternativa à fiscalização senão efetuar a glosa dessas despesas, de acordo com a legislação de regência, anteriormente descrita nos tópicos V.2 e V.4 deste termo, e conforme relacionado nos Anexos 4 e 5 a este Termo de Verificação Fiscal, intitulados, respectivamente, “Notas de Débito Selecionadas da Contabilidade” e “Despesas Glosadas pela Falta de Demonstração da Efetividade das Despesas Rateadas entre empresas do Grupo e dos Critérios de Rateio Empregados”. Portanto, concluindo, diante de tudo o que foi exposto no presente relatório, e tendo em vista a existência de despesas não devidamente comprovadas na TABELA 1 abaixo, cabe adicionar de ofício os referidos valores às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (infração reflexa) do anocalendário de 2009, e, uma vez recalculado os montantes a pagar destes tributos, lançar os créditos tributários correspondentes. Realizamos a transcrição do relatado pelo fiscal a fim de demonstrar que a empresa foi por diversas vezes instada a demonstrar a existência do contrato de compartilhamento de custos e a efetividade da realização das despesas. Apesar de diversas vezes intimado não cuidou de apresentar os contratos e documentações que assegurassem a legitimidade das despesas. Mais ainda, mesmo em sua impugnação, já com o lançamento realizado, pude constatar que o contribuinte não apresentou referido contrato de compartilhamento de custos. Em outro julgado já me manifestei que a existência de contrato de compartilhamento de custos como medida de racionalidade administrativa é perfeitamente legítima. Acontece que para tanto, há de se estabelecerem controles mínimos que garantam a possibilidade de se aferir o total efetivamente dispendido pelas empresas contratantes do compartilhamento e o seu critério de rateio a cada uma das empresas envolvidas no contrato. Do exposto, inexistindo a comprovação solicitada, voto por negar provimento ao recurso neste ponto. Fl. 2791DF CARF MF 28 9 Mérito Contradição nos Lançamentos Entende ter havido contradição no lançamento tendo em vista que, desconsiderando o contrato de compartilhamento a fiscalização glosou os lançamentos de débito referentes ao contrato, no entanto, manteve os lançamentos a crédito da empresa baseados no mesmo contrato. Pleiteia, assim, que caso seja mantida a desconsideração do rateio de despesas, que seja feito com todas as suas consequências também em relação aos lançamentos a crédito. Quanto a este ponto, verificamos que, em sua impugnação a recorrente não apresentou pedido semelhante, razão pela qual este ponto não foi objeto de análise pela Delegacia de Julgamento. Assim, não havendo impugnação quanto à necessidade de se excluírem as receitas possivelmente vinculadas ao contrato de compartilhamento de custos, não se pode, em sede de juízo recursal, realizar discussão sobre assunto não tratado da decisão de primeira instância em face de sua não apresentação pelo impugnante. Desta forma, não sendo estabelecido o contraditório pela falta de impugnação deste ponto, não se conhece do recurso voluntário interposto a tal título, razão pela qual entendemos por negar provimento ao recurso. 10 Mérito Infração 03 Postergação de Despesas Alega a empresa que as despesas glosadas referemse efetivamente ao ano de 2009 vez que foram pagas neste ano. Quando da realização da autuação assim se pronunciou a fiscalização quanto a este ponto: VI.3. Infração 03: Da Redução Indevida do Lucro Real Causada por Postergação de Despesas – IRPJ e CSLL: Por meio do Termo de Intimação Fiscal No 03, na data de 27/12/2013, intimamos o contribuinte a apresentar cópias digitalizadas dos documentos comprobatórios (notas fiscais, faturas, comprovantes fiscais do efetivo pagamento etc.), referentes aos lançamentos contábeis, selecionados por amostragem, obtidos da escrituração contábil digital do contribuinte – SPED, conforme relação constante do Anexo 1 daquele Termo de Intimação. Pela análise da documentação comprobatória dos lançamentos contábeis selecionados, apresentados pelo contribuinte ao longo do procedimento fiscal, constatamos que algumas notas fiscais ou notas de honorários se referiam a despesas operacionais do anocalendário de 2008, caracterizando assim, inobservância do regime de competência, e, consequentemente, postergação de despesas do anocalendário de 2008 para o anocalendário de 2009. A tabela a seguir relaciona as notas fiscais e notas de honorários referentes a despesas do período de apuração de 2008, indevidamente postergadas para 2009. Estes comprovantes de despesas foram anexados ao presente processo administrativofiscal. Fl. 2792DF CARF MF Processo nº 16682.720950/201476 Acórdão n.º 1401002.293 S1C4T1 Fl. 2.779 29 Convém ressaltar, neste ponto, que essas despesas não foram contabilizadas no anocalendário de 2008, o que implicaria neste caso em duplicidade de deduções, conforme constatação realizada por esta fiscalização na contabilidade da empresa deste período, obtida via escrituração contábil digital do contribuinte – SPED. Como no anocalendário de 2008 o contribuinte apurou prejuízo real e base negativa da CSLL, no valor de R$ 29.535.594,03, conforme se observa em sua Declaração de Informações EconômicaFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2009/2008, original, transmitida em 14/10/2009, sob o no 0001523399, anexa a este processo, a postergação de despesas operacionais do ano calendário de 2008 para 2009 implicou na redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL no anocalendário de 2009, posto que já não havia imposto nenhum a compensar em 2008 Outrossim, a correta apropriação das despesas dedutíveis incorridas no anocalendário de 2008, por esta Fiscalização, ocasionou o aumento do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL, neste período, para o valor de R$ 29.714.119,04. Tais alterações foram consideradas por esta Fiscalização no presente levantamento, como também, foram devidamente registradas em nossos controles. Desta forma tendo o contribuinte não observado o regime de competência na escrituração de algumas despesas operacionais, ocasionando a redução indevida do lucro real no anocalendário de 2009, cabe à fiscalização apurar estes valores, conforme demonstrado no Anexo 6 a este Termo de Verificação Fiscal, intitulado “Despesas do Anocalendário de 2008 Postergadas para o Anocalendário de 2009”, e lançar a respectiva infração. Portanto, diante de tudo o que foi exposto no presente relatório, e tendo em vista a demonstração de diferenças não tributadas na TABELA 3 abaixo, cabe adicionar de ofício os referidos valores às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (infração reflexa) do anocalendário de 2009, e, uma vez recalculado os montantes a pagar destes tributos, lançar os créditos tributários correspondentes. As alegações do contribuinte não condizem com a forma de apuração de seus lucros. Inobstante as despesas terem sido pagas em 2009, pelo regime de competência, obrigatório às empresas tributadas com base no lucro real, as despesas devem ser reconhecidas Fl. 2793DF CARF MF 30 desde a data da emissão do respectivo documento comprobatório. Assim, se as despesas se referem ao ano de 2008, conforme ratificado pelo próprio contribuinte, neste ano deveriam ter sido reconhecidas e utilizadas na dedução do lucro tributável. Assim não procedendo, tal procedimento implica na postergação de despesas pela inobservância do regime de escrituração, razão pela qual procedentes as razões do lançamento neste ponto. Colecionamos, abaixo, alguns precedentes deste CARF que ratificam o entendimento. IRPJ INOBSERVANCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. 0 registro contábil, em data errônea, de custo, despesa ou receita, quer no resultado, quer no patrimônio líquido como ajuste de exercícios anteriores, se enquadra perfeitamente nas disposições de inobservância do regime de competência, que, conforme dispõe o PN CST n° 2/96, que interpreta o § 5" do art. 6° do DecretoLei n° 1.598/77, só po de gerar lançamento se houver prejuízo ao fisco. Acórdão n° 180300.017, de 18/03/2009, da 5ª Câmara / 1º Conselho de Contribuintes. IRPJ ESCRITURAÇÃO DE DESPESA. REGIME DE COMPETÊNCIA. INOBSERVÂNCIA. EFEITOS. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de despesa constitui fundamento para lançamento de ofício, quando dela resultar postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido, ou a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. CSLL – TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicar seão igualmente no julgamento de todas as exações. Acórdão n° 0715.670, de 13/04/2009, da 3ª Turma da DRJ/FNS. IRPJ INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA EM ESCRITURAÇÃO DE DESPESA. A inexatidão, quanto ao período de apuração, na escrituração de receita, custo ou despesa, somente constitui fundamento para lançamento de imposto ou diferença de imposto, se dela resultar a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido, ou a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. Acórdão n° 1102000.463, de 30/06/2011, da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF Do exposto, confirmandose a irregularidade do procedimento do contribuinte no que toca ao reconhecimento, em 2009, de despesas relativas ao ano de 2008, voto por julgar improcedente o recurso neste ponto. 11 Concomitância das Multas Isoladas e de Ofício Protesta pela impossibilidade de manutenção da aplicação das duas multas em conjunto sobre os mesmos fatos. Com relação ao auto de infração relativo a aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa, por diversas vezes este tema foi objeto de discussão nesta Câmara, existindo três diferentes vertentes de opinião: Fl. 2794DF CARF MF Processo nº 16682.720950/201476 Acórdão n.º 1401002.293 S1C4T1 Fl. 2.780 31 1) A primeira segue no sentido de que a aplicação de multa de ofício relativo ao período de apuração anual do imposto impede a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa em função de tratarse, em essência do mesmo tributo exigido no exercício e, assim, o contribuinte estaria sendo penalizado em duplicidade. 2) A segunda corrente advoga no sentido de que as multas de ofício e isolada punem condutas distintas e assim, podem subsistir concomitantemente sem qualquer empecilho, visto que os fatos geradores são distintos e também distintas as bases de cálculo. 3) A terceira posição interpretativa segue no sentido de que os fatos geradores sendo complementares as sanções, visto que uma pune a falta de antecipação durante o exercício e a outra pune a falta do pagamento no ajuste anual, a maior penalidade deve prevalecer até o montante em que consuma integralmente a punição pela falta de antecipação, somente subsistindo esta se comportar montante maior do que a multa de ofício. Pessoalmente sou adepto da terceira corrente e da adoção do princípio da consunção. Por isso, transcrevo os valiosos fundamentos do Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes no Acórdão 1201000.235: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da nonna punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate Fl. 2795DF CARF MF 32 da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3" A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa Fl. 2796DF CARF MF Processo nº 16682.720950/201476 Acórdão n.º 1401002.293 S1C4T1 Fl. 2.781 33 proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. No presente caso, percebese que a multa de ofício excede o valor da multa isolada pelo não recolhimento da estimativa, absorvendoa integralmente. Desta forma entendo por dar provimento ao recurso a fim de excluir a aplicação da multa isolada em razão desta ter sido integralmente abrangida pela multa de ofício. 12 Lançamentos Reflexos de CSLL Alega que devem ser cancelados os lançamentos de CSLL para as despesas que, sendo glosadas na apuração do lucro real, sejam dedutíveis na apuração do lucro líquido, tendo em vista que as normas que regulam os tributos são diversas. Apresenta precedentes do próprio CARF. Ao contrário do que pretende o recorrente a glosa das despesas realizadas pela fiscalização provocou alterações na apuração do lucro líquido da empresa e não em seu lucro real, vez que se referiam a despesas consideradas na dedução do lucro bruto. Assim, qualquer alteração nestas despesas, conforme realizado no procedimento de fiscalização em análise, provoca alterações no lucro líquido da empresa e, em consequência, reflete na apuração da CSSL, vez que a base de cálculo original desta é o lucro líquido. Assim, referindose os lançamentos à apuração do lucro líquido da empresa, devem obrigatoriamente refletirse na apuração da CSLL como consequência obrigatória dos lançamentos de IRPJ. Do exposto, neste ponto entendo por negar provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO À vista de todo o exposto e demonstrado voto do sentido de rejeitar as preliminares suscitadas, não conhecer dos documentos apresentados com o recurso e não conhecer do recurso em relação ao Item 9 Contradição do Lançamento em face de sua não impugnação e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da autuação o montante de R$ 36.237,30, a título de duplicidade de glosa de despesas de aluguel e de excluir a aplicação de multa isolada concomitantemente à multa de ofício em razão desta ter sido integralmente abrangida por àquela. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 2797DF CARF MF 34 Fl. 2798DF CARF MF
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