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7252877 #
Numero do processo: 11065.722333/2016-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012 IRPJ/CSLL - SIMULAÇÃO - INEXISTÊNCIA O direito de se auto-organizar autoriza a constituição de sociedades pelos mesmos sócios, que tenham por escopo atividades similares, complementares ou mesmo distintas. Se corretamente constituídas e operadas, afasta-se o entendimento de que se trata de mera simulação. Para que determinada operação seja considerada simulada, devem ser consideradas as características do caso concreto, demonstradas através de provas.
Numero da decisão: 1301-002.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencida a Conselheira Milene de Araújo Macedo que votou por dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer parcialmente o lançamento, concedendo o direito à dedução dos tributos recolhidos pela pessoa jurídica "SAARA", e o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votou por dar provimento parcial em menor extensão para restabelecer em parte o lançamento, restabelecendo parcialmente a multa de ofício para o percentual de 75% e concedendo o direito à dedução dos tributos recolhidos pela pessoa jurídica "SAARA". (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA

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1301­002.843  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de março de 2018  Matéria  SIMULAÇÃO  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  STAMPA ARTEFATOS DE COURO LTDA    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2011, 2012  IRPJ/CSLL ­ SIMULAÇÃO ­ INEXISTÊNCIA   O  direito  de  se  auto­organizar  autoriza  a  constituição  de  sociedades  pelos  mesmos sócios, que tenham por escopo atividades similares, complementares  ou  mesmo  distintas.  Se  corretamente  constituídas  e  operadas,  afasta­se  o  entendimento  de  que  se  trata  de  mera  simulação.  Para  que  determinada  operação  seja  considerada  simulada,  devem  ser  consideradas  as  características do caso concreto, demonstradas através de provas.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso de ofício, vencida a Conselheira Milene de Araújo Macedo que votou  por dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer parcialmente o  lançamento,  concedendo  o  direito  à  dedução  dos  tributos  recolhidos  pela  pessoa  jurídica  "SAARA",  e  o  Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votou por dar provimento parcial em menor  extensão  para  restabelecer  em  parte  o  lançamento,  restabelecendo  parcialmente  a  multa  de  ofício para o percentual de 75% e concedendo o direito à dedução dos tributos recolhidos pela  pessoa jurídica "SAARA".  (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente  (assinado digitalmente)  José Eduardo Dornelas Souza ­ Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 23 33 /2 01 6- 21 Fl. 3215DF CARF MF Processo nº 11065.722333/2016­21  Acórdão n.º 1301­002.843  S1­C3T1  Fl. 3.216          2 Participaram  do  presente  julgamento  os Conselheiros Roberto  Silva  Junior,  José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de  Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando  Brasil de Oliveira Pinto  Relatório  Trata­se de Recurso de Ofício contra o acórdão nº 12­85.557, proferido pela  2ª  Turma  da  DRJ/RJO,  na  sessão  de  21  de  fevereiro  de  2017,  que,  por  maioria  de  votos,  entendeu julgar procedente a impugnação do sujeito passivo para exonerar o crédito tributário  exigido.  Por bem descrever o ocorrido, valho­me do  relatório  elaborado por ocasião  do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito:  Tratam os presentes autos de exigências de ofício do imposto de  renda de pessoa jurídica, R$ 4.004.457,20, fls. 2696, do PIS, R$  264.294,07, fls. 2702, da COFINS, R$ 1.217.354,87, fls. 2717, e  da  CSLL,  R$  1.441.604,59,  fls.2727,  atinentes  aos  anos  calendário  de  2011  e  2012,  acrescidas  de  penalidade  qualificada,  150%,  e  encargos  moratórios,  de  pessoa  jurídica  tributada com base no lucro real, fls. 207 e 257.  2.­  De  acordo  com  o  Relatório  de  Ação  Fiscal  (RAF)  de  fls.  2655/2695,  fundamentaram  as  exações  a  omissão  de  receitas,  assim  considerados  royalties  por  uso  de  franquia,  apropriados  como receita por empresa do mesmo grupo econômico, tributada  sob  lucro presumido, SAARA ARTEFATOS DE COURO LTDA,  CNPJ  nº  09.350.555/0001­38,  visto  que,  em  recíproca,  custos/despesas  identificados,  decorrentes  de  encargos  da  franqueadora  junto  a  terceiros,  decorrentes  dos  contratos  de  franquias,  foram apropriados pela autuada,  tributada com base  no  lucro  real.  Em  consequência,  os  valores  tributados  na  franqueadora foram considerados receitas omitidas desta última.  Isto porque, a entendimento da fiscalização:  2.1.­ informações prestadas pela Stampa em resposta ao Termo  09  conjuntamente  com  pesquisa  realizada  no  site  do  INPI  revelaram  que  o  registro  de  marca  Luz  da  Lua  junto  àquela  autarquia  foi  realizado  originalmente  pela  empresa  Stampa  entre os anos de 1994 e 2002. Posteriormente, em junho/2007, a  titularidade do registro das marcas Luz da Lua foi transferido da  empresa Stampa para a pessoa jurídica São Bento Participações  Sociais  Ltda.,  (CNPJ  n°  04.329.626/0001­25,  fls.  1678/1680),  conforme  instrumentos  particular  de  cessão  e  transferência  obtidos pela Fiscalização junto ao INPI. Cabe destacar que esta  cessão/transferência ocorreu a título gratuito (fls. 2692/2693).  2.1.1­  No  final  de  2007  foi  constituída  a  empresa  Saara.  A  seguir, em 2008, foi celebrado o Contrato de Licença de Uso de  Marca entre a São Bento e a Saara, em que a Licenciante (São  Bento) dá à Licenciada (Saara) o direito de utilizar e implantar  um  sistema  de  franquia  empresarial  da  marca  Luz  da  Lua,  Fl. 3216DF CARF MF Processo nº 11065.722333/2016­21  Acórdão n.º 1301­002.843  S1­C3T1  Fl. 3.217          3 lembrando  que  tal  licença  também  foi  concedida  a  título  gratuito.  2.1.2.­ A partir de então, a Saara, na qualidade de franqueadora,  passou a formalizar, com terceiros (franqueados) os contratos de  franquia Luz da Lua, lembrando que as receitas que deixaram de  ser  escrituradas  e  tributadas  pela  Stampa  são  as  provenientes  das operações previstas nestes contratos de franquia.  2.1.3.­ Como até 2010 as duas sociedades tinham como forma de  tributação o Lucro Presumido, o reconhecimento pela Saara de  receitas  que  eram  da  Stampa,  ainda  que  indevido,  não  ocasionava  maiores  reflexos  tributários.  Todavia,  a  partir  de  2011, ano em que a Stampa foi obrigada a adotar o Lucro Real,  o  fato  de  uma  parcela  de  suas  receitas  ter  sido  reconhecida  e  tributada pela Saara  trouxe uma  significativa vantagem para o  grupo empresarial.  2.1.4.­  Isto  porque,  vislumbrando  a  possibilidade  de  reduzir  a  sua carga tributária, ainda que de forma artificial, e diante das  particularidades associadas a  cada uma dessas  sistemáticas de  tributação, foi adotado procedimento diferenciado relativamente  às  receitas  e  despesas  associados  as  operações  de  franquia.  Enquanto  as  receitas  decorrentes  dessa  atividade  eram  atribuídas  a  pessoa  jurídica  tributada  pelo  Lucro  Presumido  (Saara),  as  despesas  foram  contabilizadas  pela  pessoa  jurídica  tributada pelo Lucro Real (Stampa), fls. 2679.  2.1.5.­ Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal Nº 6 a própria  Saara  confirmou  (fls.  1931/1935)  que  os  custos  e  despesas  relacionados  às  receitas  de  franquia  foram  satisfeitos  pela  empresa  Stampa,  e  que  inexistem  dispêndios  desta  natureza  escriturados na  contabilidade da Saara. Os  valores mensais de  receitas dos contratos de franquia foram escriturados pela Saara  nos  anos  de  2011  e  2012,  a  qual  discriminou  os  custos  e  despesas relacionados às receitas de franquia esclarecendo que  estes  (custos/despesas)  foram  satisfeitos  pela  empresa  Stampa.  Na  seqüência,  a  Saara  informou  que  inexistem  custos/despesas  desta natureza escriturados na contabilidade da Saara em 2011  e 2012, fls. 2680/2682.  2.1.6.­  Em  conseqüência,  a  remuneração  decorrente  das  operações da franquia Luz da Lua deve ser considerada receita  da  pessoa  jurídica  que  efetivamente  atuou  como  franqueadora,  no caso a Stampa. Logo, os montantes que foram artificialmente  e  indevidamente  transferidos  para  a  pessoa  jurídica  Saara  devem ser considerados receitas omitidas pela empresa Stampa.  2.2.­ A penalidade qualificada, fundada no artigo 44, parágrafo  1º,  da  Lei  n°  9.430/1996,  com  a  redação  dada  pela  Lei  n°  11.488/2007,  materialmente  se  lastreou  a  utilização  de  planejamento  tributário  abusivo  com  a  clara  finalidade  de  diminuir  o  valor  dos  tributos  incidentes  sobre  as  receitas  decorrentes da exploração da franquia Luz da Lua, fls. 2684.  Fl. 3217DF CARF MF Processo nº 11065.722333/2016­21  Acórdão n.º 1301­002.843  S1­C3T1  Fl. 3.218          4 2.3.­  Finalmente,  foram  lavrados  Termos  de  Responsabilidade  Passiva Solidária:  2.3.1.­  da  pessoa  física  CELSO  ANTONIO  JORGE,  CPF  n°  385.427.659­15,  fls. 2696, com fundamento nos artigos 124, I e  135,  III,  do  CTN,  sócio  majoritário  das  pessoas  jurídicas,  fls.  2689;  2.3.2.­ das pessoas jurídicaS SAARA ARTEFATOS DE COURO  LTDA, CNPJ nº 09.350.555/0001­38 e São Bento Participações  Sociais Ltda., CNPJ n° 04.229.626/0001­25, com fundamento no  artigo  124,  I,  do  CTN,  fls.  2696,  porquanto,  a  entender  da  fiscalização, estaria configurada a presença do interesse comum  ou  liame  inequívoco  (vinculação  ao  fato  gerador)  entre  as  empresas formalmente constituídas, fls. 2688.  2.32.1.­  No  caso  teria  sido  configurada  a  independência  meramente  formal  das  pessoas  jurídicas  Saara  e  São  Bento,  como  também  a  confusão  patrimonial  envolvendo  as  três  empresas do grupo (Stampa, Saara e São Bento), fls. 2692.  Cientes  das  exigências,  tanto  a  contribuinte,  como  os  responsáveis passivos solidários na mesma data 28/09/2016, fls.  2739,  2742,  2745  e  2748,  apresentaram  impugnação  conjunta,  de fls. 2758/2793, acostada da documentação de fls. 2828/3158,  protocolada  em  27/10/2016,  fls.  3159  e  3179,  através  da  qual  alegam, em síntese:  3.1.­  legalidade e  legitimidade civil  e  tributárias das operações  de  franquia  realizadas  pela  SAARA  ARTEFATOS DE  COURO  LTDA, CNPJ nº 09.350.555/0001­38;  3.2.­ inexistência de confusão patrimonial entre a STAMPA e os  demais  sujeitos  passivos,  o  que  ensejaria,  no  máximo,  a  segregação dos  custos  e/ou  despesas  vinculadas  à  atividade  de  franquia assumidas pela STAMPA e  sua  respectiva glosa, para  efeitos  de  IRPJ  e  CSLL,  não  caracterizando,  portanto,  a  configuração  de  Grupo  Econômico,  nos  termos  em  que  restou  autuado pelo Auditor Fiscal;  3.2.1.­  a  STAMPA,  SAARA  e  SÃO  BENTO,  para  efetuarem  as  operações de franquia das lojas "Luz da Lua", não ocultaram e  nem  falsearam  nenhum  elemento  e/ou  dado,  não  havendo,  ademais, confusão patrimonial;  3.2.2.­  os  créditos  tributários  deveriam  ter  sido  constituídos  a  partir  das  glosas  de  despesas  e/ou  custos  pertinentes  às  operações  de  franquia  das  Lojas  "Luz  da  Lua",  que  foram  assumidas  pela  STAMPA nos  exercícios  de  2011  e 2012,  cujos  efeitos se daria na sua apuração do IRPJ e da CSLL, as quais,  como  já  verificado,  por  não  decorrerem  de  condutas  dolosas  voltadas  à  sonegação  de  tributos,  estariam  sujeitas  à multa  de  ofício  de,  no  máximo,  75%  e,  não,  de  150%,  em  consonância  com  a  jurisprudência  do Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  reproduzida  às  fls.  2777/2778.  Tal  Fl. 3218DF CARF MF Processo nº 11065.722333/2016­21  Acórdão n.º 1301­002.843  S1­C3T1  Fl. 3.219          5 procedimento redundaria nos créditos  tributários demonstrados  às fls. 2779;  3.3.­  impossibilidade  de  sujeitar  a  SAARA,  SÃO  BENTO  e  CELSO  às  disposições  constantes  dos  arts.  124,  I,  e  135,  III,  ambos do Código Tributário Nacional (CTN) e, por conseguinte,  enquadrá­los  na  condição  de  responsáveis  solidários  dos  créditos  tributários  lançados,  consoante  Acórdãos  do  CARF,  ementas reproduzidas às fls. 2782/2783;  3.4.­ ante a requalificação da situação jurídica apresentada pelo  contribuinte,  sob  o  princípio  da  legalidade  objetiva  deve­se  analisar a imputação dos efeitos daí decorrentes, necessidade de  serem abatidos os valores pagos pela SAARA, a  título de IRPJ,  CSLL, PIS e COFINS, no regime de lucro presumido, sob pena  de  majoração  indevida  dos  créditos  constituídos  contra  a  STAMPA;  3.5.­  incabível  a  aplicação  da  penalidade  qualificada,  150%,  sobre os créditos tributários lançados por não estar caraterizado  o  dolo  nas  operações  objetos  destes  autos,  não  sendo ocultado  e/ou omitido qualquer fato gerador de obrigação tributária, para  efeitos  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS.  Deve  haver  a  plena  caracterização  e  comprovação  da  prática  de  uma  conduta  fraudulenta,  restando  demonstrada,  de  modo  cabal,  a  materialidade  dessa  conduta,  o  que  não  foi  o  caso,  conforme  Acórdãos do CARF, ementas reproduzidas às fls. 2789/2791.  É o relatório.  Na  seqüência,  foi  proferido  o  Acórdão  nº  12­85.557,  pela  2ª  Turma  da  DRJ/RJO, julgando procedente a impugnação apresentada, com o seguinte ementário:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2011, 2012  PLANEJAMENTO  TRIBUTÁRIO.  SIMULAÇÃO  ABSOLUTA. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS  JURÍDICOS.  ART.  116,  PARÁGRAFO  ÚNICO  DO  CTN.  UNIDADE  ECONÔMICA.  ART.  126,  III,  DO  CTN.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  A alteração na estrutura de um grupo econômico, separando em  duas  pessoas  jurídicas  diferentes  as  diferentes  atividades  de  industrialização  e  de  distribuição,  não  configura  conduta  abusiva  nem  a  dissimulação  prevista  no  art.  116,  parágrafo  único,  do  CTN,  nem  autoriza  o  tratamento  conjunto  das  duas  empresas como  se  fosse uma  só, a pretexto de configuração de  unidade econômica, não se aplicando ao caso o art. 126, III, do  CTN.  Impugnação Procedente  Crédito Tributário Exonerado  Fl. 3219DF CARF MF Processo nº 11065.722333/2016­21  Acórdão n.º 1301­002.843  S1­C3T1  Fl. 3.220          6 Ciente  do  acórdão  recorrido,  o  contribuinte  não  apresentou  Recurso  Voluntário, sendo objeto de apreciação unicamente o Recurso de Ofício.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator.  Quanto  à  admissibilidade  do  recurso  de  ofício,  deve­se  ressaltar  que  a  Portaria MF  nº  63,  de  2017,  estabeleceu  novo  limite  para  interposição  de  recurso  de  ofício  pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ).  Confira­se:  Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  recorrerá de ofício  sempre que  a decisão  exonerar  sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior  a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais).  No caso  em  tela,  somando­se  os  valores  exonerados  em primeira  instância,  verifico que superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma  em referência. Portanto, conheço do recurso de ofício.  Assim, passo ao exame do mérito da questão em apreciação:  Trata­se  o  presente  processo  de  autos  de  infrações  lavrados  contra  a  recorrente, exigindo­se crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, acrescidos de  multa qualificada de 150%, todos referentes aos anos­calendário de 2011 e 2012.  No entender da fiscalização, as empresas STAMPA, SAARA e SÃO BENTO  formam  uma  única  empresa,  possuindo  idêntico  quadro  societário  e  coincidência  de  administrador,  e  que  celebraram  entre  si  instrumentos  contratuais  simulados,  "com  o  fim  de  burlar direitos e sonegar tributos, sendo tal situação comum em estratégias de planejamento  tributário abusivo". (pag. 36 do RAF).  Aduziu ainda que os contratos de franquia da marca "Luz da Lua", firmados  entre a SAARA, na qualidade de franqueadora, e  terceiros, na qualidade de franqueados, não  foram executados por aquela, e sim pela empresa STAMPA, ora interessada, e por isso, em sua  ótica,  esta última é a verdadeira beneficiária das  receitas advindas deste contrato,  incorrendo  esta última empresa, portanto, em omissão de receitas, com base no art. 24 da Lei nº 9.249/95.  Por outro lado, em consonância com a impugnação apresentada, os autuados  advogam a tese de legitimidade das operações de franquia realizadas pela SAARA, sustentando  que  os  referidos  contratos,  inclusive  os  celebrados  entre  o  grupo,  estão  em  harmonia  com  a  legislação de  regência,  apresentando­se válidos,  com partes  capazes,  objeto  lícito,  possível  e  determinado  e  forma  prescrita  em  lei,  tudo  em  conformidade  com  o  artigo  104  do  Código  Civil, que transcrevem.  Ponderam que além dos requisitos elencados acima, ditos contratos possuem  valor  econômico,  sendo  que  os  valores  recebidos  e  frutos  das  operações  de  franquia,  foram  Fl. 3220DF CARF MF Processo nº 11065.722333/2016­21  Acórdão n.º 1301­002.843  S1­C3T1  Fl. 3.221          7 tempestivamente oferecidos à tributação pela SAARA sob o regime de lucro presumido, e que  não  cabe  à  fiscalização  interferir  na  liberdade  das  empresas  de  organizarem  suas  atividades  empresariais. Por fim, reconhecem que os custos/despesas não atrelados à atividade da empresa  STAMPA deveriam ser glosados, já que não necessários ao exercício da sua atividade.  Pois bem. A primeira questão que deve ser verificada diz respeito à existência  ou  não  de  simulação  no  fato  de  sócios  da  pessoa  jurídica  tributada  com  base  no  lucro  real  constituírem  uma  nova  pessoa  jurídica,  esta  tributada  no  regime  de  lucro  presumido,  para  desmembrar suas operações comerciais, relativas a produtos por ela fabricados.  Perfilho do entendimento de que tal fato, por si só, não comprova de que se  trata de simulação, pois o simples desmembramento de atividades antes exercidas por uma das  empresas não caracteriza ato ilícito.   O  direito  de  se  auto­organizar  autoriza  a  constituição  de  sociedades  pelos  mesmos  sócios,  que  tenham  por  escopo  atividades  similares,  complementares  ou  mesmo  distintas. Se corretamente constituídas e operadas, afasta­se o entendimento de que se trata de  mera simulação.   Ora,  “Simular”  significa  disfarçar  uma  realidade  jurídica,  encobrindo  uma  que  é efetivamente praticada,  ou que não existe. Assim, para que determinada operação  seja  considerada simulada (art. 167, I, do Código Civil1), devem ser consideradas as características  do caso concreto, demonstradas através de provas.  No  caso,  a  regularidade  na  constituição  e  operação,  as  declarações  transmitidas  à  Receita,  notas  fiscais,  bem  assim  a  contabilização  pela  SAARA  das  receitas  auferidas  com  o  correspondente  pagamento  de  tributo,  são  provas  suficientes  de  que  não  existiu  disfarce  de  uma  realidade.  Tal  entendimento  não  é  inédito  no  CARF,  conforme  transcrição a seguir:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2007  GANHO  DE  CAPITAL  ­  CISÃO  PARCIAL  ­  CONSTITUIÇÃO  DE  NOVA  PESSOA  JURÍDICA.  SIMULAÇÃO.  NÃO  CONFIGURADA  Nem toda ação ou omissão do contribuinte com o fito de reduzir  sua base tributável antes da ocorrência do fato gerador pode ser  enquadrada como fraudulenta, pois  somente aquelas que sejam  ilícitas poderiam levar a tal conclusão.  Não se pode enquadrar como simulação a cisão realizada para  constituir uma outra sociedade, com o  fim de que esta viesse a  alienar o bem recebido em  integralização, pois  se trata apenas                                                              1 Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na  forma.  § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:  I – aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou  transmitem.  II – contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira.  III – os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós­datados  Fl. 3221DF CARF MF Processo nº 11065.722333/2016­21  Acórdão n.º 1301­002.843  S1­C3T1  Fl. 3.222          8 de  um  negócio  jurídico  indireto,  pelo  qual  a  nova  sociedade  é  constituída  para  surtir  os  efeitos  que  lhes  são  próprios  e  não  para dissimular outros negócios jurídicos.  (Acórdão 1302­002.062, sessão de 21/03/2017)    Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Exercício. 2002  Ementa:  SIMULAÇÃO  ­  INEXISTÊNCIA  ­  Não  é  simulação  a  instalação de  duas  empresas  na mesma  área geográfica  com  o  desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas,  objetivando  racionalizar  as  operações  e  diminuir  a  carga  tributária.  (...)   Recurso provido.  (Acórdão nº 103­23.357, sessão de 23/01/2008)    Ano­calendário: 2008  SIMULAÇÃO. INEXISTÊNCIA.  Simular  é  ato  de  fingir,  mascarar,  esconder  a  realidade,  camuflar o objetivo de um negócio jurídico valendo­se de outro,  eis que o objetivo intentado seria alcançado por negócio diverso,  daí  o  motivo  de  o  artigo  167  do  Código  Civil  dispor  que  o  negócio jurídico simulado é nulo.  Não  é  simulação  o  desmembramento  das  atividades  por  empresas do mesmo grupo econômico, objetivando racionalizar  as operações e diminuir a carga tributária.  Recurso de Ofício Negado.  (Acórdão nº 3302­003138, sessão de 17/03/2016).    Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP  Ano­calendário: 2000, 2001, 2002, 2003  PIS.  REGIME  MONOFÁSICO.  PLANEJAMENTO  TRIBUTÁRIO.  SIMULAÇÃO  ABSOLUTA.  DESCONSIDERAÇÃO  DE  ATOS  E  NEGÓCIOS  JURÍDICOS.  ART. 116, P.U. DO CTN. UNIDADE ECONÔMICA. ART. 126,  III, DO CTN. NÃO CARACTERIZAÇÃO.  Não se configura simulação absoluta se a pessoa jurídica criada  para exercer a atividade de revendedor atacadista efetivamente  existe  e  exerce  tal  atividade, praticando atos  válidos  e  eficazes  Fl. 3222DF CARF MF Processo nº 11065.722333/2016­21  Acórdão n.º 1301­002.843  S1­C3T1  Fl. 3.223          9 que evidenciam a intenção negocial de atuar na fase de revenda  de produtos.  A  alteração  na  estrutura  de  um  grupo  econômico,  separando  em duas pessoas jurídicas diferentes as diferentes atividades de  industrialização  e  de  distribuição,  não  configura  conduta  abusiva nem a dissimulação prevista no art. 116, p.u. do CTN,  nem autoriza  o  tratamento  conjunto  das  duas  empresas  como  se  fosse  uma  só,  a  pretexto  de  configuração  de  unidade  econômica, não se aplicando ao caso o art. 126, III, do CTN.  Recurso voluntário provido. Recurso de ofício prejudicado.  (Acórdão nº 3403­002.519, sessão de 22/10/2013)  No que diz respeito às operações de franquias realizadas pela SAARA, aduz a  fiscalização que a receita auferida por esta última como resultado do exercício de sua atividade,  na verdade, deveria ser reconhecida pela empresa STAMPA, pois em seu entender, seria ela a  verdadeira franqueadora das lojas "Luz da Lua", e argumenta que, "as receitas decorrentes dos  contratos  de  franquia  foram  transferidas  de  forma  artificial  para  a  pessoa  jurídica  SAARA  com a única finalidade de tributar tais receitas de maneira mais vantajosa". (e­fls. 2657).  Assim,  STAMPA  e  SAARA  teriam  formatado  estruturas  operacionais  para  que  as  receitas  e/ou  despesas  vinculadas  aos  contratos  de  franquia  das  lojas  "Luz  da  Lua"  fossem manejadas,  em  razão  do  regime  tributário  optado  por  cada  uma  das  empresas  (lucro  real/STAMPA  e  lucro  presumido/SAARA),  com  intuito  de  se  sujeitarem  à  menor  carga  tributária possível.  Sobre o ponto, sustenta a autuada legitimidade de tais operações, ponderando  que  os  contratos  de  franquia  das  lojas  "Luz  da  Lua",  firmados  pela  SAARA  com  os  seus  franqueados,  encontram­se  em  harmonia  com  a  legislação  de  regência,  ou  seja,  são  válidos,  apresentam partes capazes, objeto lícito, possível e determinado e forma prescrita em lei, além  de possuírem valor econômico e cumprirem suas funções sociais.  De  fato,  além  dos  aspectos  formais  elencados  em  defesa,  os  contratos  de  franquias  apresentam  substância,  pois  além  de  inexistir  nos  autos  notícias  de  que  estas  operações não ocorreram, é fato que a empresa SAARA assumiu responsabilidades contratuais  perante  seus  clientes,  percebendo  receitas  em  decorrência  disso,  inclusive,  recolhendo  os  tributos devidos nos respectivos anos­calendário fiscalizados.  Dessa  forma,  tem­se  que  os  contratos,  na  forma  em  que  apresentados,  não  podem ter os seus efeitos tributários descaracterizados, com vistas a aumentar, segundo penso,  de modo indevido, a carga tributária.  Com referência à alegação fiscal de inexistência de estrutura operacional da  SAARA,  tanto  pela  falta  de  estrutura  física,  como  pela  falta  de  estrutura  pessoal,  o  que  comprova,  segundo  a  fiscalização,  "que  as  responsabilidades  da  SAARA  na  posição  de  franqueadora  existiriam  apenas  no  plano  formal  dos  contratos  de  franquia,  e  que  foi  a  STAMPA quem de fato assumiu e efetivou as obrigações da franqueadora" (pag. 36 do RAF),  também entendo que deve ser afastada tal ponderação.  Fl. 3223DF CARF MF Processo nº 11065.722333/2016­21  Acórdão n.º 1301­002.843  S1­C3T1  Fl. 3.224          10 O  tipo  de  atividade  desenvolvida  pela  SAARA  não  atrai  investimentos  em  altas estruturas física e pessoal, podendo essa atividade ser desenvolvida por uma única pessoa,  pelo menos  inicialmente,  com o uso de  comunicação adequada para vender  e acompanhar o  serviço de franquia empresarial das  lojas  "Luz da Lua",  inclusive,  ser  iniciada no  interior de  uma  pequena  sala,  seja  ela  residencial  ou  comercial.  O  que  deve  ser  verificado  é  se  há  incompatibilidade de estrutura operacional da SAARA considerando o tipo de atividade por ela  desenvolvida, e, no caso, penso não existir tal incompatibilidade.   Logo,  não  há  que  se  falar  em  inexistência  de  estrutura  operacional,  para  respaldar a assertiva de que a responsabilidade dessa empresa existiria apenas no plano formal,  não  havendo  que  se  falar  em  qualquer  irregularidade  no  fato  da  SAARA  fazer  uso,  inicialmente,  da estrutura operacional da STAMPA, de  forma a diminuir  custos  e otimizar  a  ampliação da rede de lojas "Luz da Lua", via sistema de franquias.   Veja­se ainda que, no ano de 2007, em contrato legítimo e legal, devidamente  registrado  no  INPI,  a  São  Bento  Participações  teve  outorgado  a  titularidade  do  direito  de  exploração  da  marca  "Luz  da  Lua",  e  no  ano  seguinte,  em  2008,  a  São  Bento  transfere  a  SAARA, mediante contrato de licença de uso da marca, o direito de implantar um sistema de  franquia  empresarial  da  marca,  o  que  de  fato  foi  realizado  por  esta  última  empresa,  pois  a  partir  do  ano  que  iniciou  suas  atividades  passou  a  perceber  receitas  de  royalties,  e  estas  receitas  foram  tempestivamente  oferecidas  à  tributação.  Portanto,  também  não  há  dúvida  de  que a titularidade das disponibilidades advindas de royalties de exploração de franquias deve  ser atribuída à empresa SAARA e não à STAMPA.   Acrescente­se  que  até  o  ano­calendário  de  2010,  tanto  pessoa  jurídica  STAMPA como  a SAARA  tinham como  forma de  tributação  o  Lucro  Presumido  (DIPJ AC  2010  às  fls.  2535/2558  e  2559/2572),  e  que  se  somadas  as  receitas  auferidas  por  ambas  as  empresas, o resultado não ultrapassava o limite legal para que ambas se mantivessem no Lucro  Presumido naquele ano­calendário. Embora o período fiscalizado seja 2011 e 2012, penso que  este  fato  demonstra  inexistir  qualquer  intenção  de  se  criar  uma  segunda  empresa  para  incremento  de  planejamento  tributário  abusivo,  sendo  tal  criação,  unicamente  fruto  de  desmembramento de atividades que, como visto, não representa, por si´só, ilegalidade.  Em outras palavras,  a  fiscalização  infere­se de  forma  indevida na  liberdade  dessas  empresas  organizarem  suas  atividades,  olvidando­se  do  fato  constatado  pelo  acórdão  recorrido, de que essas empresas "possuem objetos sociais distintos, fls. 2658, contabilizações  de  suas  atividades  e  patrimônios  próprios,  conforme DIPJs  de  fls.  207/256  (impugnante),  1942/1964 (SAARA), e fls. 2690/2691 (São Bento)". (fl. 3182).  Por isso, os efeitos jurídicos decorrentes das operações de franquia realizada  pela  SAARA  não  podem  ser  desconsiderados,  não  sendo  possível,  por  conseguinte,  que  as  receitas auferidas pela SAARA, devidamente  tributadas, sejam alocadas à STAMPA, para se  sujeitarem a uma nova incidência tributária.  Porém,  do  mesmo  modo  que  não  se  deve  alocar  receitas  percebidas  pela  SAARA,  devidamente  constituída,  em  decorrência  de  suas  obrigações  assumidas  perante  terceiros,  para  terceira  empresa,  no  caso,  a STAMPA,  os  custos  decorrentes  da  atividade  da  SAARA não podem ser absorvidos pela STAMPA, e por ela contabilizados, com a finalidade  de  diminuir  a  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  CSLL  desta  última  empresa,  pois  determinados  custos/despesas não são necessárias e decorrentes de suas atividades operacionais.   Fl. 3224DF CARF MF Processo nº 11065.722333/2016­21  Acórdão n.º 1301­002.843  S1­C3T1  Fl. 3.225          11 Logo,  deveria  o  Auditor  Fiscal  ter  procedido  às  glosas  das  despesas  e/ou  custos assumidos pela STAMPA na sua base de cálculo do IRPJ e CSLL, no período autuado, e  não desqualificar a estrutura organizacional formada por essas empresas (STAMPA, SAARA e  SÃO BENTO), impondo­se, no caso, aplicação da regra prevista no art. 299 do RIR/99.  Ora, a descrição dos fatos pelo relatório fiscal indica que a STAMPA deduziu  indevidamente  custos  e/ou  despesas  da  SAARA,  e  sendo  tais  despesas  consideradas  indedutíveis,  deveria  proceder  a  necessária  glosa  desses  valores,  porém,  ao  invés  de  assim  proceder,  preferiu  a  fiscalização  ir  na  direção  de  apontar  o  cometimento  de  simulação,  sem  provas,  a  meu  ver,  da  existência  de  tal  ilícito,  procedendo,  assim,  indevidamente  a  desqualificação da pessoa jurídica da SAARA.  Na esteira dessas considerações, despiciendo atentar à penalidade qualificada,  150%,  e  aos  Termos  de  Responsabilidade  Passiva  Solidária,  direta  e  intrinsecamente  vinculados às infrações.  CONCLUSÃO  Portanto,  diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  NEGAR  provimento  ao  recurso  de  ofício, mantendo­se  os  termos  da  decisão  recorrida,  que  considerou  procedente  a  impugnação e exonerou o crédito tributário exigido.  (assinado digitalmente)  José Eduardo Dornelas Souza                                Fl. 3225DF CARF MF

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Numero do processo: 10850.907850/2011-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2000 a 30/08/2000 PIS/COFINS. RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO. Não compõem a base de cálculo das contribuições sociais as receitas decorrentes de atividades estranhas ao objeto social da empresa, devendo ser excluídas na apuração.
Numero da decisão: 3402-005.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório no montante reconhecido na Diligência Fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório no montante reconhecido na Diligência Fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1418; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 2          1 1  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10850.907850/2011­44  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3402­005.275  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de maio de 2018  Matéria  PIS/COFINS  Recorrente  DM MOTORS DO BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/08/2000 a 30/08/2000  PIS/COFINS.  RECEITAS  ESTRANHAS  AO  CONCEITO  DE  FATURAMENTO.  Não  compõem  a  base  de  cálculo  das  contribuições  sociais  as  receitas  decorrentes de atividades estranhas ao objeto social da empresa, devendo ser  excluídas na apuração.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório no montante reconhecido  na Diligência Fiscal realizada nos autos.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Carlos Augusto Daniel Neto ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  seguintes  Conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra  (Presidente),  Rodrigo  Mineiro  Fernandes,  Carlos  Augusto  Daniel  Neto,  Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais  de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 78 50 /2 01 1- 44 Fl. 508DF CARF MF     2 Relatório  Trata­se  de  processo  administrativo  decorrente  de  manifestação  de  inconformidade interposta pelo contribuinte, por meio de seus representantes legais, em face de  Despacho  Decisório  eletrônico  resultante  da  apreciação  de  Pedido  de  Restituição,  correspondente aos períodos e tributos lá discriminados.   A  análise  da  liquidez  e  certeza  do  crédito  pleiteado  foi  efetuada  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  São  José  do  Rio  Preto,  que  emitiu  Despacho  Decisório eletrônico no qual a autoridade competente  indeferiu o Pedido de Restituição, em  virtude  dos  pagamentos  localizados  terem  sido  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.  Inconformado,  o  contribuinte manifestou­se  alegando,  quanto  ao mérito:  i)  falta de aprofundamento na investigação dos fatos;  ii)  inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da  Lei nº 9.718/98 e advento de decisão do STF declarando­a sob a sistemática de Repercussão  Geral, o que implicaria em novo cálculo dos débitos, com a base de cálculo correta, e apuração  do pagamento indevido.  A DRJ julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, pelo que  apresentou o Contribuinte Recurso Voluntário ao CARF, reiterando as razões de seu pleito.  Converteu­se o julgamento em diligência para que se cumprisse o seguinte:  I)  Que  a  DRF  intime  o  contribuinte  a  apresentar  os  livros  contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da  natureza  das  receitas  que  compuseram  a  base  de  cálculo  das  contribuições  sociais  do  período  cuja  restituição  pleiteia  o  Recorrente.  II)  Após  o  recebimento  e  análise  da  documentação  a  ser  entregue  pelo  Recorrente,  a  autoridade  fiscalizadora  deverá  elaborar  relatório  discriminando  a  parcela  da  base  de  cálculo  correspondente  às  receitas  excluídas  por  força  do  Recurso  Extraordinário  RE  585.235,  julgado  sob  sistemática  de  Repercussão  Geral,  calculando  o  valor  do  tributo  correspondente.  III)  Elaborado  o  relatório,  deve­se  dar  ciência  ao  contribuinte  para  manifestação  sobre  o  teor  do  relatório  da  diligência,  retornando então o processo a este Colegiado, para julgamento.  Intimado,  o  contribuinte  apresentou  a  documentação  solicitada  e  a  fiscalização  juntou  aos  autos  informação  fiscal.  Posteriormente,  o  contribuinte  apresentou  petição manifestando­se sobre o resultado da diligência fiscal.  É o relatório, em síntese.    Voto             Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10850.907850/2011­44  Acórdão n.º 3402­005.275  S3­C4T2  Fl. 3          3 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento.  O  presente  caso  é  recorrente  neste  Conselho,  visto  que  todos  aqueles  que  recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º  do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno  legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente.  O  contribuinte  junta  ao  seu  Recurso  Voluntário  planilhas  que  indicam  a  existência  de  receitas  financeiras  na  apuração  da  base  de  cálculo  das  contribuições  sociais,  indicando de forma perfunctória o direito pleiteado. Em razão disso, optou­se pela conversão  do julgamento em diligência para que a instrução probatória fosse melhor desenvolvida.  A minuciosa informação fiscal juntada pela fiscalização analisou as planilhas  apresentadas,  bem  como  o  contrato  social  da  empresa,  com  a  finalidade  de  identificar  quais  receitas fazem parte do objeto social da empresa e que deveria compor o faturamento dela.  Na mesma linha de julgamentos sobre a inconstitucionalidade do alargamento  da base de cálculo do PIS e da Cofins, que culminou com a decisão, tomada no julgamento do  Recurso  Extraordinário  nº  527602,  com  repercussão  geral,  o  STF,  nos  RE  346.084/PR,  357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, estabeleceu que a receita bruta, prevista no art. 3.º da  Lei  9.718/98,  corresponde  ao  conceito  de  faturamento  expresso  no  artigo  2º,  da  Lei  Complementar 70/91:  Art. 2° A contribuição (...) incidirá sobre o faturamento mensal,  assim considerado a  receita bruta das  vendas de mercadorias,  de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.  Analisando as receitas da empresa, a informação fiscal aduziu a existência de  créditos  decorrentes  de  pagamento  a  maior,  passíveis  de  restituição,  conforme  planilha  apresentada na informação fiscal.  Sobre  isto,  o  contribuinte  manifestou  sua  expressa  concordância,  reconhecendo a correção do entendimento adotado na diligência fiscal.  Portanto,  no  que  é  pertinente  aos  créditos  reconhecidos  pela  informação  fiscal,  não  resta  qualquer  controvérsia  nos  autos,  devendo  serem  reconhecidos  por  este  Colegiado.  Desse  modo,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  Recurso  Voluntário  no  sentido  de  reconhecer  o  direito  creditório  no  montante  determinado  na  informação  fiscal  juntada aos autos.  É como voto.  Carlos  Augusto  Daniel  Neto  ­  Relator             Fl. 510DF CARF MF     4                   Fl. 511DF CARF MF

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7285779 #
Numero do processo: 19515.002177/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 28/02/1996 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 28/02/1996 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.

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2201­004.187  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de março de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  CONTAX­MOBITEL S.A    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1996 a 28/02/1996  RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA.  NORMA  PROCESSUAL.  APLICAÇÃO  IMEDIATA.  ENUNCIADO  Nº  103 DA SÚMULA CARF.  A  norma  que  fixa  o  limite  de  alçada  para  fins  de  recurso  de  ofício  tem  natureza  processual,  razão  pela  qual  deve  ser  aplicada  imediatamente  aos  processos pendentes de julgamento.  Não  deve  ser  conhecido  o  recurso  de  ofício  de  decisão  que  exonerou  o  contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de  alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do Recurso de Ofício.     (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente e Relator     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  José  Alfredo  Duarte  Filho,  Douglas  Kakazu  Kushiyama, Marcelo Milton  da  Silva  Risso, Dione  Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto  do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 77 /2 01 0- 59 Fl. 192DF CARF MF     2   Relatório  O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47,  §§ 1º  e 2º,  do RICARF,  aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto,  adoto  o  relatório  objeto  do  Acórdão  nº  2201­004.162  ­  2ª  Câmara/1ª  Turma  Ordinária,  proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/2010­31, paradigma deste julgamento.  Acórdão nº 2201­004.162 ­ 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária  "Trata­se  de  recurso de  ofício  apresentado em  face da  decisão  de  primeiro  grau,  pela  qual  se  deu  integral  provimento  à  impugnação  do  sujeito  passivo  ao  auto  de  infração  que  constituiu  crédito  tributário  relativo  à  contribuição a  cargo  da  empresa  e  à  contribuição  para  o  financiamento  da  complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT)  apuradas  com  base  nas  remunerações  paga  aos  segurados  empregados de empresa prestadora de serviços.  De  acordo  com  o  relatório  da  fiscalização,  trata­se  de  constituição  de  crédito  tributário  visando  restabelecer  a  exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  ­  NFLD,  referente  a  contribuições  apuradas  com  base  no  instituto  da  solidariedade,  que  foi  anulada por vício formal.  A  exigência  foi  impugnada  pelo  sujeito  passivo,  o  que  rendeu  ensejo  ao  Acórdão  recorrido,  pelo  qual  se  reconheceu  a  decadência  do  direito  de  lançar  do  fisco,  uma  vez  que  entre  a  data  que  declarou  a  nulidade  por  vício  formal  do  lançamento  anterior  e  aquela  em  que  o  novo  crédito  foi  constituído  transcorreu­se prazo superior a cinco anos.  Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído  na  ação  fiscal  superou  o  limite  de  alçada previsto  na Portaria  MF  nº  3,  de  2008,  de  RS  1.000.000,00.  Considerando  esse  somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF.  Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em  sessão pública para esta conselheira.  É o que havia para ser relatado."  Fl. 193DF CARF MF Processo nº 19515.002177/2010­59  Acórdão n.º 2201­004.187  S2­C2T1  Fl. 3          3   Voto             Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira ­ Relator    Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 2201­004.162 ­  2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo  n° 19515.002149/2010­31, paradigma ao qual o presente processo encontra­se vinculado.    Transcreve­se, como solução deste  litígio, nos  termos  regimentais, o  inteiro  teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201­004.162 ­ 2ª  Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018:  Acórdão nº 2201­004.162 ­ 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária  “Conforme  se  extrai  do  relatório,  este  processo  compõe  um  conjunto  de  processos  decorrentes  da  mesma  ação  fiscal  e  julgados  na  mesma  sessão,  com  um  total  de  crédito  tributário  afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria  MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora  de primeira instância administrativa recorresse de ofício.  Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de  ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na  data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o  enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF:  Para  fins  de  conhecimento  de  recurso  de  ofício,  aplica­se  o  limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda  instância.  Os  fundamentos  das  decisões  que  serviram de  paradigma para  este  enunciado  são  bem explicitados  pelo  trecho  que  abaixo  se  transcreve  do  Acórdão  nº  9202­003.027,  relator  o  Conselheiro  Marcelo Oliveira:  Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou  não,  de  recurso  de  ofício  quando  há  elevação  do  valor  de  alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento  pelo CARF.  Como é cediço, as normas processuais  têm aplicação  imediata,  conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC):  CPC:  “Art.  1.211. Este Código  regerá o  processo  civil  em  todo o  território  brasileiro.  Ao  entrar  em vigor,  suas  disposições aplicar­se­ão desde  logo aos processos  pendentes.”  Fl. 194DF CARF MF     4 Para  a  recorrente,  entretanto,  a  norma  posterior  não  pode  prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu  direito à defesa.  Com todo respeito, não concordamos com a recorrente.  Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado  nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma  posterior  que  fundamentou  o  não  conhecimento  do  recurso  de  ofício.  No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das  partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas  as  partes,  beneficiando­as  ou  as  prejudicando,  a  depender  da  fase  em  que  se  encontre  o  processo,  daí  a  necessidade  de  garantia de direitos.  Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do  poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta  enquanto  sujeito  processual  representado  pela  Fazenda  Nacional,  possa  criar  normas  abrindo  mão  de  seus  próprios  direitos.  Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este  Conselho:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL RURAL ITR  Exercício: 2002  RECURSO  DE  OFÍCIO.  NÃO  CONHECIMENTO.  LIMITE  DE  ALÇADA.  NORMA  PROCESSUAL.  APLICAÇÃO IMEDIATA.  Não  deve  ser  conhecido  o  recurso  de  ofício  contra  decisão  de  primeira  instância  que  exonerou  o  contribuinte  do  pagamento  de  tributo  e/ou multa  no  valor  inferior  a  R$  1.000.000,00  (Um  milhão  de  reais), nos  termos do artigo 34,  inciso  I, do Decreto  nº  70.235/72,  c/c  o  artigo  1º  da  Portaria  MF  nº  03/2008,  a  qual,  por  tratar­se  norma  processual,  é  aplicada  imediatamente, em detrimento à  legislação  vigente  à  época  da  interposição  do  recurso,  que  estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno.  (Acórdão:  9202002.652  –  CSRF.  Relator:  Rycardo  Henrique Magalhães de Oliveira).  ...    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997  RECURSO  DE  OFÍCIO.  ALTERAÇÃO  DO  LIMITE  DE  ALÇADA.  CONHECIMENTO  EQUIVOCADO  NULIDADE.  Fl. 195DF CARF MF Processo nº 19515.002177/2010­59  Acórdão n.º 2201­004.187  S2­C2T1  Fl. 4          5 A  verificação  do  limite  de  alçada,  para  efeitos  de  conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad  quem,  é  levada  a  efeito  com  base  nas  normas  jurídicas  vigentes  na  data  do  julgamento  desse  recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado  o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal  julgamento  é  nulo,  de  pleno  direito,  visto  que,  a  competência do órgão  julgador, no caso concreto, é  conferida  pela  devolutividade  do  recurso.  Processo  Anulado.  (Acórdão:  9303002.165  –  CSRF.  Relator:  Henrique Pinheiro Torres).  ...    REEXAME  NECESSÁRIO  —  LIMITE  DE  ALÇADA  — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplica­se  aos casos não definitivamente julgados o novo limite  de  alçada  para  reexame  necessário,  estabelecido  pela  Portaria  MF  n°  03,  de  03/01/2008  (DOU  de  07/01/2008).  (Acórdão:  CSRF/0400.965.  Relatora:  Maria Helena Cotta Cardozo)    A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício  tem  como  um  de  seus  objetivos  dar  celeridade  à  solução  do  processo  no  âmbito  administrativo  fiscal,  pela  diminuição  de  julgamentos  pela  segunda  instância  em  processos  em  que  a  própria  parte  (União)  demonstra  ausência  de  interesse  na  continuidade do litígio.  Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da  Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis:  Art.  1º  O  Presidente  de  Turma  de  Julgamento  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar  sujeito  passivo  do  pagamento  de  tributo  e  encargos  de  multa,  em  valor  total  superior  a  R$  2.500.000,00  (dois  milhões e quinhentos mil reais).  §  1º  O  valor  da  exoneração  deverá  ser  verificado  por  processo.  §  2º  Aplica­se  o  disposto  no  caput  quando  a  decisão  excluir  sujeito  passivo  da  lide,  ainda  que  mantida  a  totalidade da exigência do crédito tributário.    Pelos  parâmetros  estabelecidos  nesta  Portaria,  o  recurso  de  ofício  será  cabível  sempre  que  a  decisão  exonerar  sujeito  passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor  total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil  reais), valor este que deverá ser verificado por processo.  Fl. 196DF CARF MF     6 O  crédito  tributário  exonerado  no  processo  em  análise  não  atende  a  esses  pressupostos,  de  forma  que  o  recurso  de  ofício  não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido.    Conclusão  Com  base  no  exposto,  voto  por  não  conhecer  do  recurso  de  ofício.    Dione Jesabel Wasilewski – Relatora"    Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício.    (assinado digitalmente)  Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira                              Fl. 197DF CARF MF

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Numero do processo: 10855.000851/2005-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/04/2004, 30/07/2004 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DIF-PAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIF-Papel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF - Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF - PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF - Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Numero da decisão: 3201-003.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para adequar a multa imposta ao que dispõe o texto da Lei 11945, de 4 de junho de 2009. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE

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3201­003.631  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de abril de 2018  Matéria  IPI  Recorrente  AIR PRESS EDITORA LTDA ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data  do  fato  gerador:  31/07/2002,  31/10/2002,  31/01/2003,  30/04/2003,  31/07/2003, 31/10/2003, 30/04/2004, 30/07/2004  ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF.  APLICAÇÃO.  De  conformidade  com  a  Súmula  CARF  nº  2,  este  Colegiado  não  é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  DIF­PAPEL  IMUNE.  INSCRIÇÃO  NO  REGISTRO  ESPECIAL.  OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.  A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial  está  obrigada  a  apresentar  a  DIF­Papel  Imune,  independentemente  de  ter  havido ou não operação com papel imune no período.  MULTA  POR  FALTA  DE  ENTREGA  DA  “DIF  PAPEL  IMUNE”.  PREVISÃO LEGAL.  É cabível  a aplicação da multa por ausência da  entrega da chamada “DIF  ­  Papel  Imune”,  pois  esta  encontra  fundamento  legal  no  art.  16  da  Lei  nº  9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158­35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º,  11 e 12 da IN SRF n° 71/2001.  VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU  FALTA DA ENTREGA DA “DIF ­ PAPEL IMUNE”.  Com  a vigência  do  art.  1º  da Lei  nº  11.945/2009,  a  partir  de 16/12/2008  a  multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF ­ Papel  Imune” deve ser  cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral,  e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art.  57 da MP nº 2.158­35/ 2001.  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  APLICAÇÃO.  MATÉRIA  DE  ORDEM  PÚBLICA.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 08 51 /2 00 5- 78 Fl. 368DF CARF MF     2 Por  força  da  alínea  “c”,  inciso  II  do  art.  106  do CTN,  há  que  se  aplicar  a  retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova  lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da  ocorrência do fato.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  para  adequar  a  multa  imposta  ao  que  dispõe  o  texto  da  Lei  11945, de 4 de junho de 2009.   (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Leonardo Vinicius Toledo de Andrade ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio  Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e  Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.    Relatório  Por  retratar  com  fidelidade  os  fatos,  adoto,  com  os  devidos  acréscimos,  o  relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos:  "Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de  fls.  34/40,  que  se  prestou  a  exigir  crédito  tributário  relativo  a  multa regulamentar (código de arrecadação: 3199), aplicada em  razão  do  descumprimento  de  obrigação  acessória  prescrita  na  Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001,  que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao  Controle de Papel Imune (DIF­Papel Imune).  O  crédito  tributário  consolidado  no  referido  auto  de  infração,  referente aos fatos geradores relativos ao período compreendido  entre o 2° trimestre de 2002 e o 2° trimestre de 2004, atingiu o  montante de R$ 249.000,00.  O  lançamento  fundamentou­se  nas  disposições  contidas  nos  seguintes  comandos  normativos:  art.  57,  inciso  I,  da  Medida  Provisória (MP) n° 2.158­35, de 24 de agosto de 2001; art. 1°,  10 e 12 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto  de 2001; e também no art. 40 do Decreto­Lei n° 1.680/79.  A  ação  fiscal  foi  realizada  conforme  determinação  contida  no  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF)  n°  08.1.10.00­2004­ 00588­9 (fl. 01), tendo a fiscalizada sido inicialmente intimada a  regularizar sua situação fiscal em relação à entrega das DIF —  Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10855.000851/2005­78  Acórdão n.º 3201­003.631  S3­C2T1  Fl. 3          3 Papel  Imune  relativas  ao  período  acima  mencionado,  ou  apresentar o respectivo comprovante de entrega (fl. 13).  Após  solicitar  prorrogação  de  prazo  para  o  atendimento  5,  intimação fiscal (fl.15), a  intimada informou que seus Registros  Especiais  de  Importador  e  Usuário  de  Papel  Imune,  por  ela  requeridos em 31/01/2002, foram feitos indevidamente porque a  empresa "nunca possuiu instalações industriais", como requer  o art. 2° da IN SRF n° 71/2001.  Informou,  outrossim,  que  nunca  "efetuou  ou  efetuará  qualquer  importação ou aquisição de papel imune, sendo que somente faz  o  layout  das  revistas;  as  quais  são  impressas  em  gráficas  contratadas  diversas,  que  cobram  por  exemplar  impresso,  utilizando  mão  de  obra  e  papel  imune  próprios".  Concluiu  o  atendimento 5. intimação fiscal asseverando que "para atender a  solicitação  de  V.Sa.,  geramos  e  transmitimos  a  DIF  —  Papel  Imune".  O  sujeito  passivo  foi  cientificado  do  lançamento  por  meio  de  correspondência  encaminhada  por  Aviso  de  Recebimento,  recebida  em  31/03/2005  (fl.  111),  tendo  protocolado  sua  impugnação  em  02/05/2005,  conforme  peça  de  fls.  44/46,  e  anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese:  a)  que  solicitou  seus  Registros  Especiais  de  Importador  e  Usuário  de  Papel  Imune  por  orientação  da  Editora  Gráfica  Grande  ABC,  "que  fazia  todo  processo  de  edição  das  revistas  Aventura e Ação e Air Press";  b) que gerou e transmitiu as declarações solicitadas no termo de  intimação fiscal, "embora acreditássemos que os registros acima  foram efetuados indevidamente e equivocadamente";  c)  que  somente  faz  o  leiaute  de  suas  revistas,  a  partir  de  produtos  já  industrializados  pelas  empresas  gráficas  contratadas,  "que  cobram  por  exemplar  impresso,  utilizando  mão de obra e papel próprios";  d)  que  as  cópias  das  notas  fiscais  de  alguns  de  seus  fornecedores,  anexadas  A  peça  impugnatória,  emitidas  com  Código Fiscal de Operações relativos a vendas de mercadorias  industrializadas,  comprovam  que  a  empresa  nunca  realizou  operações com papel destinado A impressão de livros, jornais e  periódicos,  tendo  somente  adquirido  periódicos  destinados  A  revenda;  e) que não atende o requisito do item III do art. 2° da IN SRF n°  71/2001,  "pois  não  possui  qualquer  instalação  industrial,  nem  tem  capacidade  financeira  para  tal,  conforme  comprovam  seu  capital registrado";  f)  que  os  artigos  1°  e 2° da  IN  SRF n°  159,  de  16 de maio  de  2002, que aprovou o programa gerador da DIF — Papel Imune,  determinam a obrigatoriedade de entrega da declaração para as  "editoras e gráficas que REALIZAREM OPERAÇÕES COM  Fl. 370DF CARF MF     4 PAPEL destinados à impressão de livros, jornais e periódicos".  "A  AIR  PRESS  EDITORA  LTDA  —  ME,  nunca  exerceu  a  atividade  de  Editora  e  Gráfica,  nunca  REALIZOU  OPERACÕES COM PAPEL, bem como nunca OPEROU COM  PAPEL". De acordo com a  IN SRF n° 159/2002,  "entendemos  que esta empresa NÃO estaria obrigada A apresentação da DIF  — Papel Imune; motivo pelo qual não o fizemos anteriormente".  (grifos originais)  A  impugnante  conclui  asseverando  que  "por  acreditarmos  ser  injusto o Auto de Infração, processo n° 10855000851/2005/78, é  que solicitamos a impugnação do mesmo"."  A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação e apresenta a seguinte  ementa:  "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Data  do  fato  gerador:  31/07/2002,  31/10/2002,  31/01/2003,  30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/04/2004, 30/07/2004   DIF­PAPEL  IMUNE.  INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL.  OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.  A  pessoa  jurídica  possuidora  de  estabelecimento  inscrito  no  Registro  Especial  está  obrigada  a  apresentar  a  DIF­Papel  Imune,  independentemente  de  ter  havido  ou  não  operação  com  papel imune no período.  Lançamento Procedente"  O recurso voluntário da recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva,  contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos:  (i)  em  momento  algum  se  utilizou  de  papel  imune,  ao  passo  que  nunca  exerceu a atividade de Editora e Gráfica e nunca realizou operações com papel  imune, sendo  que sempre adquiriu o produto totalmente acabado, revendendo­os aos consumidores;  (ii)  o  estabelecimento  da  obrigação  acessória  pela  IN  71/2001  encontra­se  eivado de vícios constitucionais e legais;  (iii) Somente a lei pode criar a obrigação principal, como também os deveres  instrumentais;  (iv)  repugna­se  ao  senso  jurídico,  que  uma  pessoa  possa  ser  compelida  a  pagar  multa  com  base  no  acatamento  de  um  dever  criado  por  norma  jurídica  infralegal,  ao  passo que o artigo 113, § 2° do Código Tributário Nacional, o qual disciplina que a obrigação  acessória  decorre  de  "legislação  tributária",  deve  ser  interpretado  conforme  a  Constituição  Federal;  (v)  que  o  Registro  Especial  ao  qual  a  Instrução  Normativa  SRF  71/2001  refere­se, possui natureza completamente diversa e incompatível com a matéria a ser regulada  nas  operações  com  papel  imune.  Isto  porque  o Registro Especial  regulado  pelo Decreto­Lei  1.593/77 é especifico para os fabricantes de cigarro, sendo este um requisito obrigatório para a  exploração desta atividade em vista do interesse do Estado na saúde publica;  Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10855.000851/2005­78  Acórdão n.º 3201­003.631  S3­C2T1  Fl. 4          5 (vi)  a  hipótese  de  obrigatoriedade  de  o  sujeito  passivo  entregar  em  dia  Declaração  Especial  de  Informações  Relativas  ao  Controle  do  Papel  Imune  —  DIF  Papel  Imune,  embora  prevista  pelo  artigo  12  da  IN  SRF  71/2001,  não  se  enquadra  na  hipótese  sancionatória insculpida no artigo 57, inciso I da Medida Provisória 2.158­35/2001;  (vii)  O  art.  112  do  Código  Tributário  Nacional  impõe  que  a  interpretação  mais  favorável  ao  contribuinte  sempre  terá  pertinência  quando  haja  dúvida  na  exegese  da  norma punitiva, como também quando não restar claro o dispositivo legal ou a vontade da lei, e  ainda quando restar dúvida quanto o enquadramento fático à hipótese jurídica;  (viii)  a  conduta  de  a  Recorrente  ter  protocolado  a  destempo  as  D1F­Papel  Imune,  relativas  ao  período  fiscalizado,  não  configura  fato  jurídico  sancionador  imponivel,  mormente por não possuir tal multa, qualquer pressuposto legal de validade;  (ix) o ato de requerer informações/regularizações do contribuinte, perpetrado  pela  Receita  Federal  do  Brasil,  no  âmbito  de  suas  atribuições,  por  meio  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  0811000.2004.00588­0,  deveras  constituiu  em mora  o  contribuinte,  nos  termos do artigo 57, inciso I, da MP 2.158­ 4/2001, sendo certo que, uma vez não apresentadas  as informações e/ou regularizações no prazo legal (5 dias, previsto pelo artigo 19, § 1°, da Lei  n°  3.470/58),  a  Receita  Federal  estaria  apta  a  aplicar  a  multa  prevista  pelo  referendado  dispositivo jurídico pregoado em Medida Provisória;  (x)  somente  se  deixasse  de  prestar  as  informações  solicitadas  pela  Receita  Federal do Brasil, no prazo concedido (cinco dias úteis), abrolharia ao Fisco o direito de impor  a penalidade prevista pelo artigo 57, inciso I, da MP 2.158­34/2001;  (xi) a multa aplicada possui caráter confiscatório;  (xii)  para  cada  mês­calendário  omitido,  incidiria  a  multa  de  R$  5.000,00,  sendo única, ou seja, não incide por mês de atraso, não é moratória; e  (xiii) não foi aplicada a multa mais benéfica em seu favor.  A  recorrente  pugna,  ao  final,  pelo  cancelamento  do  auto  de  infração,  ou,  alternativamente, a redução da multa imposta.  Em  petição  protocolizada  em  18/08/2009,  a  recorrente  requer,  de  modo  subsidiário,  a  aplicação mais  benéfica  da  penalidade,  em  função  da  previsão  legal  estatuída  pelo inciso II, do § 4°, do art. 1° da Lei n° 11.945/2009.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade  Fl. 372DF CARF MF     6 Preliminarmente,  em  relação  as  alegações  de  inconstitucionalidade  tecidas  pela  recorrente  em  sua  peça  recursal,  as  afasto  em  razão  da  incompetência  deste  Colegiado  para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária.  A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009  a seguir ementada:  “Súmula CARF nº 2   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária”  Assim,  sendo  referida  súmula  de  aplicação  obrigatória  por  este  colegiado,  maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias.  No  que  tange  ao  mérito  da  questão,  assiste  parcial  razão  a  recorrente  conforme será demonstrado adiante.  Antes,  devem  ser  analisados  pontos  suscitados  na  peça  recursal  e  que  não  socorrem a recorrente.  Com relação ao argumento de que em momento algum se utilizou de papel  imune, ao passo que nunca exerceu a atividade de Editora e Gráfica e nunca realizou operações  com papel imune, sendo que sempre adquiriu o produto totalmente acabado, revendendo­os aos  consumidores, tal alegação não merece prosperar.  Neste  sentido,  é  de  se  reportar  ao  contido  na  decisão  recorrida,  a  qual,  acertadamente assim consigna:  "Ora,  a  obrigatoriedade  de  entrega  das  DIF­Papel  Imune  decorre  do  simples  fato  de o  sujeito  passivo  estar  devidamente  inscrito no Registro Especial de que trata o art. 1° da mesma IN  SRF  n°  71/2001.  Do  referido  ato,  transcrevo  os  dispositivos  normativos pertinentes, in verbis:  Art.  1° Os  fabricantes,  os  distribuidores,  os  importadores,  as  empresas  jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem  operações com papel destinado à impressão de livros,  jornais e  periódicos  estão  obrigados  à  inscrição  no  registro  especial  instituído  pelo  art.  1°  do  Decreto­lei  n°  1.593,  de  21  de  dezembro  de  1977,  não  podendo  promover  o  despacho  aduaneiro,  a  aquisição,  a  utilização  ou  a  comercialização  do  referido papel sem prévia satisfação dessa exigência.  ...  Art.  10. Fica  instituída  a  Declaração  Especial  de  Informações  Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF­ Papel Imune), cuja  apresentação  é  obrigatória  para  as  pessoas  jurídicas  de  que  trata o art. 1°.  Veja­se, assim, que toda empresa que estiver inscrita no Registro  Especial  (de  que  trata  o  art.  1°)  está  obrigada  à.  entrega  da  DIF­Papel  Imune  nos  prazos  fixados  no  art.  11  da  mesma  norma, que segue transcrito in verbis:  Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10855.000851/2005­78  Acórdão n.º 3201­003.631  S3­C2T1  Fl. 5          7 Art. 11. A DIF­Papel Imune deverá ser apresentada até o último  dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação  aos  trimestres  civis  imediatamente  anteriores,  em  meio  magnético,  mediante  a  utilização  de  aplicativo  a  ser  disponibilizado pela SRF.  Parágrafo  único.  A  DIF­Papel  Imune,  relativa  ao  período  de  fevereiro  a  março  de  2002,  poderá,  excepcionalmente,  ser  apresentada até o dia 31 de julho de 2002.  (...)  Enquadrando­se,  portanto,  na  hipótese  de  obrigatoriedade,  deveria  o  sujeito  passivo  ter  entregado  as  reportadas  declarações,  nos  prazos  fixados  no  art.  11  da  IN  SRF  n°  71/2001.  Destarte,  como as declarações  foram entregues após os prazos  fixados no art. 11 da IN SRF n° 71/2001, a aplicação da multa  decorreu  do  disposto  no  art.  12,  da  mesma  norma,  que  se  reportou, por sua vez, ao art. 57 da Medida Provisória (MP) n°  2.158­3 (última reedição), verbis:  IN SRF n° 71/2001:  Art.  12.  A  não  apresentação  da  DIF­Papel  Imune,  nos  prazos  estabelecidos  no  artigo  anterior,  enseja  a  aplicação  da  penalidade  prevista  no  art.  57  da Medida Provisória  n° 2.158­ 34, de 27 de julho de 2001.  ................................................................................................  MP n° 2.158­35/2001:  Art.  57.0  descumprimento  das  obrigações  acessórias  exigidas  nos  termos  do  art.  16  da  Lei  n°  9.779,  de  1999,  acarretará  a  aplicação das seguintes penalidades:  I  ­  R$  5.000,00  (cinco  mil  reais)  por  mês­calendário,  relativamente as pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos  prazos  estabelecidos,  as  informações  ou  esclarecimentos  solicitados;  (...)  Cabe  consignar,  nesse  passo,  que  a  instituição  da  obrigação  acessória  de  entrega  da  DIF­Papel  Imune  visa  prover  a  Administração Tributária de informações acerca das operações  havidas  (ou  não  havidas)  com  aquela  mercadoria,  sujeitas  à  imunidade de tributos.  Assim  sendo,  de  posse  do  cadastro  de  empresas  inscritas  no  Registro  Especial,  que  pretendem  realizar  operações  com  a  referida  mercadoria,  a  fiscalização  passa  a  acompanhar  a  movimentação do Papel Imune por meio da entrega das DIFs.  Fl. 374DF CARF MF     8 A  inscrição  no  Registro  Especial,  realizada  por  solicitação  do  próprio contribuinte, é condição para a realização de operações  com o Papel Imune. Uma vez inscrito, deve ele entregar as DIFs  tempestivamente, sob pena de incidência da multa regulamentar.  Não  deveriam  restar  dúvidas  aos  contribuintes  de  que  a  obrigatoriedade do Registro Especial  s6 atinge "os  fabricantes,  os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou  editoras  e  as  gráficas  que  realizarem  operações  com  papel  destinado  impressão  de  livros,  jornais  e  periódicos".  Esta  é  a  disposição  literal  do  comando  normativo.  Se  o  sujeito  passivo  solicitou  sua  inscrição  é  porque  se  enquadrava  naquela  situação.  E  se,  posteriormente,  até  por  razões  de  mercado,  decidiu  que,  definitivamente,  não  irá  realizar  operações  com  papel imune, poderá solicitar o cancelamento da sua inscrição, a  qualquer  tempo.  Mas  enquanto  assim  não  proceder,  permanecerá obrigado à entrega das DIFs."  Com relação ao argumento de ilegalidade da multa imposta, de igual modo,  improcedente.  Trata­se  no  caso,  a  DIF  ­  Papel  Imune  de  uma  declaração  instituída  com  fundamento  na  Lei  9.779/99,  de  caráter  acessório  e  geral,  cujo  descumprimento  sujeita  ao  contribuinte  ao  disposto  no  art.  505  do  RIPI/2002,  de  acordo  com  o  previsto  no  art.  57  da  Medida Provisória nº 2.158­35/01.  Constata­se, então, que possui previsão legal.  O entendimento do CARF sobre a legalidade da exigência, pode ser ilustrado  com a seguinte decisão:  "ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS IPI   Data  do  fato  gerador:  31/07/2002,  31/10/2002,  31/01/2003,  30/04/2003,  31/07/2003,  31/10/2003,  31/01/2004,  30/04/2004,  31/07/2004   DECLARAÇÕES  ESPECIAIS  DE  INFRAÇÕES  FISCAIS  RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE (DIF PAPEL  IMUNE).  MULTA  POR  ATRASO  OU  FALTA  NA  ENTREGA.  LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA.  DIF ­ Papel imune é obrigação acessória amparada no artigo 16  da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O atraso na entrega da  declaração  sujeita  ao  infrator  à  pena  cominada  no  505  no  RIPI/2002  (cfr. artigo 57 da Medida Provisória 2.15834, de 27  de julho de 2001) c/c artigo 12 da IN SRF 71, de 24 de agosto de  2001,  com  a  retroatividade  benigna  do  artigo  12,  inciso  II  e  parágrafo único da IN SRF 976/2009.  Recurso  Especial  do  Procurador  Provido  em Parte"  (Processo  10830.001378/2006­13;  Acórdão  9303­001.456;  Relatora  Conselheira Nanci Gama; sessão de 31/05/2011)   O Superior Tribunal de Justiça assim entende:  Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10855.000851/2005­78  Acórdão n.º 3201­003.631  S3­C2T1  Fl. 6          9 "PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  OBRIGAÇÃO  TRIBUTÁRIA  ACESSÓRIA.  DIF  ­  PAPEL  IMUNE.  NÃO­ APRESENTAÇÃO NO PRAZO LEGAL. PENALIDADES. IN/SRF  N. 71/2001. ART. 57 DA MEDIDA PROVISÓRIA 2.158/2001.  1.  A  Fundação  Universidade  de  Passo  Fundo  ajuizou  ação  ordinária com vista à repetição de indébito de valores referentes  ao  pagamento  de  multa  imposta  com  base  no  art.  57,  I,  da  Medida  Provisória  2.158­34/2001,  por  descumprimento  da  obrigação  acessória  de  apresentar  a  Declaração  Especial  de  Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF ­ Papel  Imune).  (...)  4. A legislação tributária não deixa dúvidas de que a Fundação  recorrente  estava  obrigada  à  apresentação  da  "DIF­Papel  Imune", independentemente de qualquer notificação por parte da  Receita  Federal,  sob  pena  de  sujeitar­se  à  aplicação  da  penalidade  pecuniária.  Assim,  ao  descumprir  a  referida  obrigação  acessória,  a  recorrente  ficou  à  mercê  das  sanções  dispostas no art. 57 da MP 2.158­34/2001.  5. O  art.  57,  I,  da MP  2.158­34/2001  estabeleceu  a  multa  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias  em  R$  5.000,00  por  mês­calendário.  6. Na hipótese dos autos,  tem aplicação a  Instrução Normativa  da  SRF  71/2007,  que  instituiu  obrigação  tributária  acessória  consistente  na  apresentação  da  DIF­Papel  Imune  à  Secretaria  da Receita Federal, que deverá ser feita até o último dia útil dos  meses  de  janeiro,  abril,  julho  e  outubro,  em  relação  aos  trimestres  civis  imediatamente  anteriores.  (...)  (REsp  1222143/RS,  Rel.  Ministro  HERMAN  BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA, julgado em 22/02/2011, DJe 16/03/2011)  Ocorre que, sobreveio a Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, resultado da  conversão da Medida Provisória n° 451/2008, que tratou da matéria nos seguintes termos:  "Art.  1°  Deve  manter  o  Registro  Especial  na  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que:  I  ­  exercer  as  atividades  de  comercialização  e  importação  de  papel  destinado  à  impressão  de  livros,  jornais  e  periódicos,  a  que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição  Federal; e   II  ­ adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do  art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão  de livros, jornais e periódicos.  §  1°  A  comercialização  do  papel  a  detentores  do  Registro  Especial  de  que  trata  o  caput  deste  artigo  faz  prova  da  regularidade  da  sua  destinação,  sem  prejuízo  da  responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que,  Fl. 376DF CARF MF     10 tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua  finalidade constitucional.  §  2°  O  disposto  no  §  1°  deste  artigo  aplica­se  também  para  efeito do disposto no § 2° do art. 2° da Lei n° 10.637, de 30 de  dezembro de 2002, no § 2° do art. 2° e no § 15 do art. 3° da Lei  n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8° da  Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004.  §  3° Fica  atribuída  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  competência para:  I  ­  expedir  normas  complementares  relativas  ao  Registro  Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as  pessoas jurídicas para sua concessão;   II  ­  estabelecer  a  periodicidade  e  a  forma  de  comprovação  da  correta  destinação  do  papel  beneficiado  com  imunidade,  inclusive  mediante  a  instituição  de  obrigação  acessória  destinada ao controle da sua comercialização e importação.  § 4° O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do §  3°  deste  artigo  sujeitará  a  pessoa  jurídica  às  seguintes  penalidades:  I ­ 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e  não  superior  a  R$  5.000,00  (cinco  mil  reais),  do  valor  das  operações com papel  imune omitidas ou apresentadas de forma  inexata ou incompleta; e   II  ­  de R$ 2.500,00  (dois mil  e  quinhentos  reais)  para micro  e  pequenas  empresas  e  de R$ 5.000,00  (cinco mil  reais) para  as  demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste  artigo,  se  as  informações  não  forem  apresentadas  no  prazo  estabelecido.  §  5°  Apresentada  a  informação  fora  do  prazo,  mas  antes  de  qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II  do § 4° deste artigo será reduzida à metade."  Assim,  tem­se que  a nova  legislação estipulou penalidade mais benéfica  ao  contribuinte.   O Código Tributário Nacional ­ CTN, em seu artigo 106, inciso II, alínea c,  dispõe, expressamente, que  "Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;   II tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10855.000851/2005­78  Acórdão n.º 3201­003.631  S3­C2T1  Fl. 7          11 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática."  O dispositivo aplica­se ao caso concreto, em razão de se tratar de norma mais  benigna ao contribuinte, em matéria de penalidade. Anteriormente, a multa aplicada equivalia  ao número de meses­calendário em atraso, o que resultava na aplicação de multa (penalidade)  por demais gravosa ao contribuinte, a depender,  inclusive, da demora, por parte do Fisco, em  aplicá­la.  Com  a  superveniência  da  Lei  n°  11.945/2009,  a  penalidade  passou  a  ser  exigida  levando­se  em  conta  cada  obrigação  acessória  isolada,  e  não  mais  a  quantidade  de  meses em atraso.  Por se tratar de penalidade, é evidente e cristalina a sua natureza de matéria  de ordem pública, fato que torna possível a sua apreciação por este órgão de julgamento,sendo  lícita  e  legítima a  aplicação do novo  texto  legal  à hipótese versada,  ainda que não  instada  a  tanto.  No  caso  concreto,  aplicou­se  a  multa  no  valor  total  de  R$  249.000,00,  de  multa  pela  não  apresentação  no  prazo  estabelecido  da  Declaração  Especial  de  Informações  relativas ao Controle de Papel Imune (DIF ­ PAPEL IMUNE), referente aos 2° trimestre 2002,  3° trimestre 2002, 4° trimestre 2002, 1° trimestre 2003, 2° trimestre 2003, 3° trimestre 2003, 1°  trimestre 2004 e 2° trimestre 2004.  No  cálculo,  considerou­se,  por  mês  em  atraso,  a  multa  de  R$  1.500,00,  resultando no valor de R$ 249.000,00.  Com  a  sistemática  mais  benéfica,  estabelecida  pela  Lei  n°  11.945/2009,  a  multa  de R$  2.500,00,  para micro  e  pequenas  empresas  deve  ser  exigida  em  relação  a  cada  obrigação em atraso, no caso, 8 (oito) trimestres.  No  total, portanto,  a multa que deverá  incidir,  conforme o exposto,  será no  valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais ­ 8 trimestres x R$ 2.500,00).  Nestes  termos,  tem  decidido  o  CARF,  através  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais, conforme decisões a seguir colacionadas:  "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Data  do  fato  gerador:  31/10/2002,  31/10/2003,  31/01/2004,  30/04/2004, 31/07/2004   MULTA  POR  FALTA  DE  ENTREGA  DA  “DIF­  PAPEL  IMUNE”. PREVISÃO LEGAL.  É  cabível  a  aplicação  da  multa  por  ausência  da  entrega  da  chamada  “DIF  Papel  Imune”,  pois  esta  encontra  fundamento  legal  nos  seguintes  comandos  normativos:  art.  16  da  Lei  nº  9.779/99; art. 57 da MP nº. 2.158­35/ 2001; arts. 1º, 11 e 12 da  IN SRF n° 71/2001.  Fl. 378DF CARF MF     12 VALOR  A  SER  APLICADO  A  TÍTULO  DE  MULTA  POR  ATRASO  OU  FALTA  DA  ENTREGA  DA  “DIF­PAPEL  IMUNE”.  Com  a  vigência  do  art.  1º  da  Lei  nº  11.945/2009,  a  partir  de  16/12/2008  a  multa  pela  falta  ou  atraso  na  apresentação  da  “DIF  Papel  Imune”  deve  ser  cominada  em  valor  único  por  declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por  mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57  da MP nº 2.15835/ 2001.  RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.  Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se  aplicar  a  retroatividade  benigna  aos  processos  pendentes  de  julgamento quando a nova  lei comina penalidade menos severa  que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.  Recurso  Especial  do  Procurador  negado."  (Processo  11080.001057/2006­01;  Acórdão  9303­005.273;  Relator  Conselheiro  Charles  Mayer  de  Castro  Souza;  sessão  de  21/06/2017)    "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Data  do  fato  gerador:  31/01/2003,  30/04/2003,  31/07/2003,  31/10/2003,  30/01/2004,  30/04/2004,  30/07/2004,  31/10/2004,  10/02/2005   MULTA  POR  FALTA  DE  ENTREGA  DA  “DIF  PAPEL  IMUNE”. PREVISÃO LEGAL.  É  cabível  a  aplicação  da  multa  por  ausência  da  entrega  da  chamada  “DIF  Papel  Imune”,  pois  esta  encontra  fundamento  legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158­ 35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n°  71/2001.  VALOR  A  SER  APLICADO  A  TÍTULO  DE  MULTA  POR  ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”.  Com  a  vigência  do  art.  1º  da  Lei  nº  11.945/2009,  a  partir  de  16/12/2008  a  multa  pela  falta  ou  atraso  na  apresentação  da  “DIF  Papel  Imune”  deve  ser  cominada  em  valor  único  por  declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por  mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57  da MP nº 2.15835/ 2001.  RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.  Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se  aplicar  a  retroatividade  benigna  aos  processos  pendentes  de  julgamento quando a nova  lei comina penalidade menos severa  que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.  Recurso Especial do Procurador Provido em Parte."  (Processo  19515.000759/2005­33;  Acórdão  9303­004.953;  Relator  Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017)  Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10855.000851/2005­78  Acórdão n.º 3201­003.631  S3­C2T1  Fl. 8          13 Diante  do  exposto,  voto  por  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário  interposto,  para que  a multa  seja  adequada  ao que dispõe o  texto da Lei n° 11.945, de 4 de  junho de 2009, no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais).  Leonardo  Vinicius  Toledo  de  Andrade  ­  Relator                               Fl. 380DF CARF MF

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Numero do processo: 10830.005293/2009-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Somente estão isentos de tributação os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia grave elencada em lei, devidamente reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Numero da decisão: 2002-000.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL

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2002­000.089  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  18 de abril de 2018  Matéria  IRPF  Recorrente  MARIO GONÇALVES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2005  ISENÇÃO.  PROVENTOS  DE  APOSENTADORIA.  PORTADOR  DE  MOLÉSTIA GRAVE.  Somente  estão  isentos  de  tributação  os  proventos  de  aposentadoria  ou  reforma motivada  por  acidente  em  serviço  e  os  percebidos  por  portador  de  moléstia  grave  elencada  em  lei,  devidamente  reconhecida  mediante  laudo  pericial emitido por serviço médico oficial.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Virgílio Cansino Gil ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira  Passos  da  Costa  Develly Montez  (Presidente),  Virgílio  Cansino Gil,  Thiago  Duca Amoni  e  Fábia Marcília Ferreira Campêlo.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 52 93 /2 00 9- 49 Fl. 54DF CARF MF     2   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  (fls.43/44)  contra  decisão  de  primeira  instância  (fls.33/36),  que  negou  provimento  a  impugnação  do  sujeito  passivo  por  falta  de  subsunção do caso concreto à norma legal em abstrato.  Foi  lavrado o  auto de  infração, por Omissão de Rendimentos Recebidos de  Pessoa Jurídica, pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social de CNPJ 29.979.036/0001­40.  Inconformado com o auto de infração, em razões preliminares o contribuinte  alega  que  a  Lei  nº  11.052  de  29  de  dezembro  de  2004,  no  art.  1º  que  regulamenta  a  nova  redação ao inciso XIV do art. 6ºda Lei 7.713 de 22 de dezembro de 1988, sendo que em seu  preâmbulo há consistência para a isenção do pagamento do imposto. No mérito, aponta que os  proventos de aposentadoria são isentos da cobrança de Imposto de Renda, nos termos do artigo  suso citado.  O contribuinte  foi  intimado a apresentar Laudo Pericial emitido por serviço  médico oficial e documentação comprobatória da natureza dos rendimentos percebidos (fl.26),  tendo o mesmo apresentado somente as justificativas de fls. (28/29).  É o relatório. Passo ao voto.  Voto             Conselheiro Virgílio Cansino Gil ­ Relator  A preliminar lançada em sede de Recurso Voluntário em verdade não se trata  de  questão  processual  antecedente  ao  mérito,  mas  apenas  de  esclarecimento  a  respeito  da  legislação pertinente, e com o mérito será analisada.  Sem razão o contribuinte.  Diz  o  artigo  6º,  inciso  XIV,  da  Lei  7.713/88:  “Art.  6º  Ficam  isentos  do  imposto  de  renda  os  seguintes  rendimentos  percebidos  por  pessoas  físicas:  ...XIV  –  os  proventos  de  aposentadoria  ou  reforma  motivada  por  acidente  em  serviço  e  os  percebidos  pelos  portadores  de  moléstia  profissional,  tuberculose  ativa,  alienação  mental,  esclerose  múltipla,  neoplasia  maligna,  cegueira,  hanseníase,  paralisia  irreversível  e  incapacitante,  cardiopatia  grave,  doença  de  Parkinson,  espondiloartrose  anquilosante,  nefropatia  grave,  hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação  por radiação, síndrome da  imunodeficiência adquirida, com base em conclusão de medicina  especializada,  mesmo  que  a  doença  tenha  sido  contraída  depois  da  aposentadoria  ou  reforma;” (g.n).   Com a interpretação gramatical do texto legal é possível afirmar que a lei não  estende o benefício da isenção a todo e qualquer provento de aposentadoria, mas apenas e tão  somente em duas hipóteses, quais sejam: a) quando a aposentadoria ou reforma foi motivada  por acidente em serviço; b) quando os beneficiários dos proventos de aposentadoria ou reforma  forem portadores da patologias descritas no texto legal.  Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10830.005293/2009­49  Acórdão n.º 2002­000.089  S2­C0T2  Fl. 3          3 É certo que o recorrente não aponta em quais das duas hipóteses de isenção  estaria  enquadrado,  de  sorte  que  não  aplicável  o  benefício  requerido  pelo  contribuinte.  Registre­se,  por  relevante,  que  apesar  de  ter  sido  dada  oportunidade  para  o  recorrente  apresentar a documentação médica que daria lastro ao pedido de isenção, o contribuinte não a  apresentou.  Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário,  e no mérito nega­se provimento, mantendo a r. decisão de origem, a qual adoto como razões de  decidir.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Virgílio Cansino Gil                                Fl. 56DF CARF MF

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Numero do processo: 10680.933379/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.333
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para determinar o retornar à Unidade Preparadora para proceder à reanálise do despacho decisório considerando a DCTF retificadora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA

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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para determinar o retornar à Unidade Preparadora para proceder à reanálise do despacho decisório considerando a DCTF retificadora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1711; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 49          1 48  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.933379/2009­24  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3201­001.333  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  24 de maio de 2018  Assunto  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Recorrente  CONSTRUTORA ANDRADE GUTIERREZ SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, para determinar o  retornar à Unidade Preparadora para proceder à  reanálise do despacho decisório considerando a DCTF retificadora.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Paulo Roberto Duarte Moreira ­ Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro  Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira,  Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de  Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.  Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida  pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG.  Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado com declaração de  compensação cujo crédito alegado é oriundo de pagamento a maior de IOF, relativo ao período  de apuração de 30/01/2008.  A DRF  de  jurisdição  do  contribuinte  indeferiu  o  Pedido  de Restituição  e  não  homologou  a  compensação  declarada  sob  o  argumento  de  que  o  pagamento  foi  utilizado  na  quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 33 37 9/ 20 09 -2 4 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10680.933379/2009­24  Resolução nº  3201­001.333  S3­C2T1  Fl. 50          2 O despacho decisório foi emitido, eletronicamente, em 07/10/2009 (fl. 04), e a  ciência do contribuinte deu­se em 20/10/2009 (fl. 14).  Todavia, o contribuinte transmitiu DCTF retificadora em 24/08/2009, conforme  relatado na decisão da DRJ (fl. 17), ou seja, em data anterior à emissão do despacho decisório  que indeferiu o pleito e não homologou a compensação.  A  Unidade  de  origem  encaminhou  o  processo  para  a  Delegacia  da  Receita  Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG que, por intermédio da 1ª Turma, no  Acórdão  nº  02­40.734,  sessão  de  01/10/2012,  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  do  contribuinte,  não  reconheceu  o  direito  creditório  postulado  e  não  homologou a compensação. A decisão foi assim ementada:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  OPERAÇÕES  DE  CRÉDITO,  CÂMBIO  E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES  MOBILIÁRIOS ­ IOF   Data do fato gerador: 30/01/2008   COMPENSAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  PROVAS  DA  EXISTÊNCIA  DO  CRÉDITO.  Na ausência de provas, a DCTF retificadora não pode ser considerada  instrumento hábil para conferir certeza e  liquidez ao crédito indicado  na declaração de compensação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido   A  decisão  recorrida  fundamentou­se  no  fato  de  que,  inobstante  a  DCTF  retificadora transmitida dentro do prazo legal, não houve apresentação de prova inequívoca de  erro  de  fato  no  preenchimento  da  DCTF  original,  que  demonstraria  a  certeza  e  liquidez  do  crédito alegado.  Inconformada  com  a  decisão,  a  contribuinte  apresenta  recurso  voluntário,  no  qual aduz:   1. Diante do Pedido de Restituição/Compensação formulado e DCTF válida, a  aferição  quanto  á  certeza  e  liquidez  do  crédito  pretendido  torna­se  incumbência  da  Fazenda  Pública;  2. Cometeu erro ao informar na DCTF valor incorreto do IOF devido, retificado  em DCTF posterior;  3. Há espontaneidade na  retificação da DCTF, não configurando nenhuma das  hipóteses de sua vedação elencadas no art. 11 da IN RFB nº 903/2008;  4. O Fisco não lhe concedeu oportunidade para fazer prova do erro cometido no  preenchimento da DCTF original;  5. Pede ao final, o provimento do recurso para que seja reconhecido seu direito e  homologada a compensação.  Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10680.933379/2009­24  Resolução nº  3201­001.333  S3­C2T1  Fl. 51          3 É o relatório.  Voto  Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator  O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual  dele tomo conhecimento.  Infere­se  do  despacho  decisório  que  a  não  homologação  da  compensação  pleiteada decorreu da ausência de crédito para a quitação de débito vincendo no momento do  encontro de contas  ­ o crédito decorrente de pagamento indevido em confronto com o débito  confessado em DCTF.   Consta  no  corpo  do  despacho  decisório  que  o  pagamento  referente  ao DARF  indicado  foi  integralmente  utilizado  para quitação  de  débito,  não  restando  crédito  disponível  para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP.  Ocorre que tal decisão não considerou a DCTF retificadora válida e eficaz nos  termos do art. 11 da IN RFB nº 903/2008:  Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada  mediante  apresentação  de  DCTF  retificadora,  elaborada  com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para  a  declaração  retificada.  §  1º  A  DCTF  retificadora  terá  a  mesma  natureza  da  declaração  originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente,  e  servirá  para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos  já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados.  § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar  os débitos relativos a impostos e contribuições:  I ­ cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria­Geral  da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em  que  importe  alteração  desses  saldos;  II  ­  cujos  valores  apurados  em  procedimentos  de  auditoria  interna,  relativos  às  informações  indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento,  parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade,  já  tenham  sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III ­ em relação aos  quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento  fiscal.  No  caso  dos  autos,  não  ha  incidência  de  nenhuma  das  hipóteses  de  inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operou­ se  ao  abrigado  da  espontaneidade,  porquanto  efetuada  antes  de  qualquer  procedimento  do  Fisco. A própria decisão recorrida afirmou a regularidade da declaração.  Nessas  circunstâncias,  a  DCTF  retificadora  apresentada  alterou  eficazmente  a  situação  jurídica anterior;  contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram desconsiderados  no despacho decisório.  Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10680.933379/2009­24  Resolução nº  3201­001.333  S3­C2T1  Fl. 52          4 A  nova  realidade  estampada  na  DCTF  retificadora  tem  de  ser  devidamente  avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência  é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação.  Este  entendimento  é  compartilhado  por  esta Turma  em  sua maioria  e  passo  a  aderi­lo.  Em  recente  voto  de minha  relatoria,  restei  vencido  pelos  demais Conselheiros  em situação análoga que se traduz na "impossibilidade de se considerar a inexistência de prova  da  certeza  e  liquidez  do  crédito  para  indeferir  o  pleito  de  restituição/compensação  quando o  Fisco sequer analisou DCTF retificadora válida e oportunizou ao contribuinte a comprovação  de seu direito".  A decisão a que me refiro foi prolatada na sessão de 30/01/2018, reproduzida na  imagem:    Conclusão   Diante  do  exposto,  voto  para  que  o  julgamento  seja  convertido  em  diligência  para  a que  a Unidade de Origem promova a  reanálise do despacho decisório  considerando a  DCTF retificadora.  Paulo Roberto Duarte Moreira  Fl. 52DF CARF MF

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7248222 #
Numero do processo: 15375.000606/2009-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 231          1 230  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  15375.000606/2009­19  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­006.642  –  2ª Turma   Sessão de  22 de março de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  HOSPITAL E MATERNIDADE SANTA RITA S.A    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  LEI  Nº  8.212/1991,  COM  A  REDAÇÃO  DADA  PELA  MP  449/2008,  CONVERTIDA  NA  LEI  Nº  11.941/2009.  PORTARIA  PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.   Na aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre dispositivos,  percentuais  e  limites. É necessário,  antes  de  tudo,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.  O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria  PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito  passivo.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial  e,  no mérito,  em dar­lhe provimento,  para que  a  retroatividade benigna  seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.  (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente em exercício  (assinado digitalmente)  Patrícia da Silva ­ Relatora     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 5. 00 06 06 /2 00 9- 19 Fl. 231DF CARF MF     2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Elaine  Cristina  Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes,  Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da  Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).    Relatório  Trata­se de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, interposto pela Fazenda  Nacional em face da decisão da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, consubstanciada  no Acórdão n° 2301­003.270 que:  I)  Por maioria  de  votos:  a)  deu  provimento  parcial  ao Recurso,  no mérito,  para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996,  se mais benéfica  à  Recorrente; e  II) Por unanimidade de votos: a) deu provimento parcial ao recurso, a fim de  determinar  que  a  Relação  de  CoResponsáveis  (CORESP),  o  Relatório  de  Representantes  Legais  (RepLeg)  e  a  Relação  de  Vínculos  (VÍNCULOS),  anexos  a  auto  de  infração  previdenciário  lavrado  unicamente  contra  pessoa  jurídica,  não  atribuem  responsabilidade  tributária  às  pessoas  ali  indicadas  nem  comportam  discussão  no  âmbito  do  contencioso  administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.  Ementa, na parte que nos interessa  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999  MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.  O  não  pagamento  de  contribuição  previdenciária  constituía,  antes  do  advento  da  Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a  multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.  Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009,  devem  ser  comparadas  as  penalidades  anteriormente  prevista  com  a  da  novel  legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo  que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art.  106,  II,  “c”  do  CTN).  Não  há  que  se  falar  na  aplicação  do  art.  35A  da  Lei  nº  8.212/1991  combinado  com  o  art.  44,  I  da  Lei  nº  9.430/1996,  já  que  estes  disciplinam  a  multa  de  ofício,  penalidade  inexistente  na  sistemática  anterior  à  edição  da  MP  449/2008,  somente  sendo  possível  a  comparação  com  multas  de  mesma natureza.  Interposto então, o presente Recurso Especial, requerendo:   seja  dado  total  provimento  ao  presente  recurso  a  fim  de  que  prevaleça  o  entendimento  de  que  deve  ser  verificada  qual  a  norma  mais  benéfica  ao  contribuinte: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da  MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009.  Trouxe como paradigmas o Acórdão 920202.086.  Fl. 232DF CARF MF Processo nº 15375.000606/2009­19  Acórdão n.º 9202­006.642  CSRF­T2  Fl. 232          3 O Contribuinte, intimado, quedou­se silente  Na origem,  trata­se  de Notificação Fiscal  de Lançamento  de Débito NFLD  lavrado  em  face  do  HOSPITAL  E  MATERNIDADE  SANTA  RITA  S/A,  pertinente  às  contribuições  previdenciárias  pertinentes  a  parte  do  segurado,  a  cota  patronal,  bem  como  as  designadas para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de  incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GIIL­RAT, devidas pela  empresa em epígrafe, na qualidade de responsável solidário, conforme se  infere do Relatório  Fiscal às fls. 48/60.  É o relatório.    Voto             Conselheira Patrícia da Silva ­ Relatora  Entendo presentes todos os requisitos de tempestividade e divergência fática  suficiente para conhecimento do presente.  No  mérito,  a  discussão  cinge­se  à  controvérsia  relativa  às  penalidades  aplicadas  às  contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações  promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao  sujeito passivo.  A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do  CTN, a seguir transcrito:   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando  lhe comine penalidade menos severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos)  De  inicio,  cumpre  registrar  que  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  (CSRF),  de  forma  unânime  pacificou  o  entendimento  de  que  na  aferição  acerca  da  aplicabilidade da  retroatividade benigna, não basta  a verificação da denominação atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  dispositivos,  percentuais  e  limites.  É  necessário,  basicamente,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art.  Fl. 233DF CARF MF     4 61  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  não  é  aplicável  quando  realizado  o  lançamento  de  ofício,  conforme  consta  do  Acórdão nº 9202­004.262  (Sessão  de 23 de junho de 2016),  cuja  ementa  transcreve­se:  AUTO DE INFRAÇÃO ­ OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ­ MULTA ­  APLICAÇÃO  NOS  LIMITES  DA  LEI  8.212/91  C/C  LEI  11.941/08  ­  APLICAÇÃO  DA  MULTA  MAIS  FAVORÁVEL  ­  RETROATIVIDADE  BENIGNA  NATUREZA  DA  MULTA  APLICADA.  A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal  lavrados  após  a MP  449/2008,  convertida  na  lei  11.941/2009,  mesmo que referente a  fatos geradores anteriores a publicação  da referida lei, é de ofício.   AUTO  DE  INFRAÇÃO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  E  ACESSÓRIA  ­  COMPARATIVO  DE  MULTAS  ­  APLICAÇÃO  DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.  Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna,  não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  percentuais  e  limites.  É  necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a  mesma  natureza material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao mesmo  tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações  acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício,  ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art.  32­A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35­ A, penalidade única combinando as duas condutas.  A  legislação  vigente  anteriormente  à  Medida  Provisória  n°  449,  de  2008,  determinava, para  a  situação em que ocorresse  (a)  recolhimento  insuficiente do  tributo  e  (b)  falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício,  acrescido  das multas  previstas  nos  arts.  35,  II,  e  32,  §  5o,  ambos  da Lei  n°  8.212,  de  1991,  respectivamente.  Posteriormente,  foi  determinada,  para  essa  mesma  situação  (falta  de  pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz  remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.  Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar  (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991,  e (b) a multa prevista no art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991.   A  comparação  de  que  trata  o  item  anterior  tem  por  fim  a  aplicação  da  retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores  no  sistema  de  cobrança,  a  fim  de  que,  em  cada  competência,  o  valor  da multa  aplicada  no  AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%.   Prosseguindo  na  análise  do  tema,  também  é  entendimento  pacífico  deste  Colegiado  que  na  hipótese  de  lançamento  apenas  de  obrigação  principal,  a  retroatividade  benigna  será  aplicada  se,  na  liquidação  do  acórdão,  a  penalidade  anterior  à  vigência  da MP  449,  de  2008,  ultrapassar  a multa  do  art.  35­A da Lei  n°  8.212/91,  correspondente  aos  75%  previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei  nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de  2009),  tenham  sido  aplicadas  isoladamente  ­  descumprimento  de  obrigação  acessória  sem  a  imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal ­ deverão ser  Fl. 234DF CARF MF Processo nº 15375.000606/2009­19  Acórdão n.º 9202­006.642  CSRF­T2  Fl. 233          5 comparadas com as penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no  caso  de  competências  em  que  o  lançamento  da  obrigação  principal  tenha  sido  atingida  pela  decadência.  Neste  sentido,  transcreve­se  excerto  do  voto  unânime  proferido  no  Acórdão  nº  9202­004.499:  Até  a  edição  da  MP  449/2008,  quando  realizado  um  procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos  previdenciários,  lavrava­se  em  relação  ao  montante  da  contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito ­  NFLD.  Caso  constatado  que,  além  do  montante  devido,  descumprira  o  contribuinte  obrigação  acessória,  ou  seja,  obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem  correlação  direta  com o  fato  gerador),  a  empresa  era  autuada  também por descumprimento de obrigação acessória.  Nessa  época os dispositivos  legais aplicáveis  eram multa  ­  art.  35  para  a  NFLD  (24%,  que  sofria  acréscimos  dependendo  da  fase  processual  do  débito)  e  art.  32  (100%  da  contribuição  devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o  Auto de infração de obrigação acessória.  Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu  o art. 32­A, o qual dispõe o seguinte:  “Art.  32­A.  O  contribuinte  que  deixar  de  apresentar  a  declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei  no  prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado  a  apresentá­la  ou  a  prestar  esclarecimentos e sujeitar­se­á às seguintes multas:   I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e   II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.   § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no  inciso  II do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não­ apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento.   § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão  reduzidas:   I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou   II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação  da declaração no prazo fixado em intimação.   § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:   Fl. 235DF CARF MF     6 I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e   II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.”   Entretanto,  a MP 449,  Lei  11.941/2009,  também acrescentou  o  art. 35­A que dispõe o seguinte,   “Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.”   O  inciso  I  do  art.  44  da  Lei  9.430/96,  por  sua  vez,  dispõe  o  seguinte:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata “  Com  a  alteração  acima,  em  caso  de  atraso,  cujo  recolhimento  não ocorrer de  forma espontânea pelo contribuinte,  levando ao  lançamento  de  ofício,  a  multa  a  ser  aplicada  passa  a  ser  a  estabelecida  no  dispositivo  acima  citado,  ou  seja,  em  havendo  lançamento  da  obrigação principal  (a  antiga NFLD),  aplica­se  multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão leva­nos ao  raciocínio  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  existe  lançamento,  refere­se a multa de ofício  e não a multa de mora  referida no antigo art. 35 da lei 8212/91.  Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de  "multa de ofício" não podemos  isoladamente aplicar 75% para  as  Notificações  Fiscais  ­  NFLD  ou  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP,  pois  estaríamos  na  verdade  retroagindo para agravar a penalidade aplicada.  Por  outro  lado,  com  base  nas  alterações  legislativas  não mais  caberia,  nos  patamares  anteriormente  existentes,  aplicação  de  NFLD  +  AIOA  (Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória)  cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa  passa a ser exclusivamente de 75%.  Tendo  identificado  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  há  lançamento,  é  de multa  de  ofício,  considerando  o  princípio  da  retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”,  do Código  Tributário Nacional,  há  que  se  verificar  a  situação  mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas.  No presente caso, foi  lavrado AIOA julgada, e alvo do presente  recurso  especial,  prevaleceu  o  valor  de  multa  aplicado  nos  moldes do art. 32­A.  No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito  no  relatório  a  multa  aplicada  ocorreu  nos  termos  do  art.  32,  inciso  IV, § 5º,  da Lei nº 8.212/1991  também revogado, o qual  previa  uma  multa  no  valor  de  100%  (cem  por  cento)  da  Fl. 236DF CARF MF Processo nº 15375.000606/2009­19  Acórdão n.º 9202­006.642  CSRF­T2  Fl. 234          7 contribuição não declarada,  limitada aos  limites previstos no §  4º do mesmo artigo.  Face essas considerações para efeitos da apuração da situação  mais  favorável,  entendo  que  há  que  se  observar  qual  das  seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte:  · Norma anterior,  pela  soma da multa aplicada nos moldes do  art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º,  observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou   · Norma atual,  pela aplicação da multa de  setenta e  cinco por  cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação,  excluído o valor de multa mantido na notificação.  Levando  em  consideração  a  legislação  mais  benéfica  ao  contribuinte,  conforme  dispõe  o  art.  106  do Código  Tributário  Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão  deve,  quando  do  trânsito  em  julgado  administrativo,  efetuar  o  cálculo  da  multa,  em  cada  competência,  somando  o  valor  da  multa  aplicada  no  AI  de  obrigação  acessória  com  a  multa  aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de  75%,  previsto  no  art.  44,  I  da  Lei  n°  9.430/1996.  Da  mesma  forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das  multa  de  ofício  não  pode  exceder  75%.  No  AI  de  obrigação  acessória,  isoladamente,  o  percentual  não  pode  exceder  as  penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991.  Observe­se  que,  no  caso  de  competências  em  que  a  obrigação  principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação  do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a  obrigação  acessória,  isoladamente,  relativa  às  mesmas  competências, não atingidas pela decadência posto que regidas  pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade  limitada  ao  valor  previsto  no  artigo  32­A  da  Lei  nº  8.212,  de  1991.  Cumpre  ressaltar  que  o  entendimento  acima  está  em  consonância  com  o  que  dispõe  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  13  de  novembro  de  2009,  alterada  pela  Instrução  Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão  do  que  estabelece  a  Portaria  PGFN/RFB  nº  14  de  04  de  dezembro  de  2009,  que  contempla  tanto  os  lançamentos  de  obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto  ou isoladamente.  Neste passo, para os  fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade  responsável pela execução do acórdão, quando do  trânsito em julgado administrativo, deverá  observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 ­ que se reporta à aplicação  do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em  face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação  principal  e  de  obrigação  acessória,  em  conjunto  ou  isoladamente,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com  as  alterações  promovidas  pela  MP  449/2008,  convertida  na  Lei  nº  Fl. 237DF CARF MF     8 11.941/2009.  De  fato,  as  disposições  da  referida  Portaria,  a  seguir  transcritas,  estão  em  consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema:  Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009  Art.  1º  A  aplicação  do  disposto  nos  arts.  35  e  35­A  da  Lei  nº  8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e  aos  demais  débitos  não  pagos  até  3  de  dezembro  de  2008,  inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo  ainda  não  definitivamente  julgado,  observará  o  disposto  nesta  Portaria.  Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito  pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e  os  lançamentos,  se  necessário,  serão  retificados,  para  fins  de  aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c"  do  inciso  II  do  art.  106  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966 ­ Código Tributário Nacional (CTN).  §  1º  Caso  não  haja  pagamento  ou  parcelamento  do  débito,  a  análise do valor das multas referidas no caput será realizada no  momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional (PGFN).  § 2º A análise a que se refere o caput dar­se­á por competência.  §  3º  A  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica  na  forma  deste  artigo dar­se­á:  I  ­  mediante  requerimento  do  sujeito  passivo,  dirigido  à  autoridade  administrativa  competente,  informando  e  comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou  II ­ de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a  possibilidade de aplicação.  §  4º  Se  o  processo  encontrar­se  em  trâmite  no  contencioso  administrativo  de  primeira  instância,  a  autoridade  julgadora  fará  constar  de  sua  decisão  que  a  análise  do  valor das multas  para  verificação e aplicação daquela que  for mais benéfica,  se  cabível,  será  realizada  no  momento  do  pagamento  ou  do  parcelamento.  Art.  3º A  análise  da  penalidade mais  benéfica,  a  que  se  refere  esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos  valores  das  multas  aplicadas  nos  lançamentos  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  conforme  o art.  35  da  Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei  nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e  5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à  dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada  na  forma  do art.  35­A  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  acrescido  pela Lei nº 11.941, de 2009.  § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  tenham  sido  aplicadas  isoladamente,  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  Fl. 238DF CARF MF Processo nº 15375.000606/2009­19  Acórdão n.º 9202­006.642  CSRF­T2  Fl. 235          9 obrigação  principal,  deverão  ser  comparadas  com  as  penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, com  a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.  §  2º A  comparação na  forma do  caput deverá  ser  efetuada em  relação  aos  processos  conexos,  devendo  ser  considerados,  inclusive,  os débitos pagos,  os parcelados,  os não­impugnados,  os  inscritos  em  Dívida  Ativa  da  União  e  os  ajuizados  após  a  publicação  da Medida Provisória  nº  449,  de  3  de  dezembro  de  2008.  Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei  nº 8.212, de 1991,  em sua redação anterior à dada pela Lei nº  11.941,  de  2009,  sobre  as  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  deverá  ser  comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35­ A daquela  Lei,  acrescido  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  e,  caso  resulte  mais  benéfico  ao  sujeito  passivo,  será  reduzido  àquele  patamar.  Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a  contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  a  multa  aplicada  limitar­se­á  àquela  prevista  no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei  nº 11.941, de 2009.  Diante  de  todo  o  exposto,  conheço  e  dou  provimento  ao  recurso  para  determinar que a multa seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04  de dezembro de 2009.  (assinado digitalmente)  Patrícia da Silva                            Fl. 239DF CARF MF

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Numero do processo: 10680.001481/2006-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/12/1999 a 28/12/2005 INDÉBITOS. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. A contagem do prazo da prescrição quinquenal do direito à restituição de indébito tributário, decorrente de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pedido foi protocolado depois da data de 8 de junho de 2005, é feita a partir da data de extinção do respectivo crédito tributário pelo pagamento. A tese dos "cinco mais cinco" somente se aplica aos pedidos protocolados até a data de 8 de junho de 2005.
Numero da decisão: 9303-006.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Acórdão nº  9303­006.531  –  3ª Turma   Sessão de  15 de março de 2018  Matéria  COFINS ­ PER/DCOMP  Recorrente  NACIONAL EXPRESSO LTDA.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 30/12/1999 a 28/12/2005  INDÉBITOS.  TRIBUTO.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA.  A  contagem  do  prazo  da  prescrição  quinquenal  do  direito  à  restituição  de  indébito  tributário,  decorrente  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  cujo pedido  foi  protocolado depois  da data de 8 de  junho de  2005, é feita a partir da data de extinção do respectivo crédito tributário pelo  pagamento.  A tese dos "cinco mais cinco" somente se aplica aos pedidos protocolados até  a data de 8 de junho de 2005.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, em negar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza  (Suplente  convocado),  Demes Brito,  Luiz  Eduardo  de Oliveira  Santos,  Érika Costa  Camargos Autran,  Vanessa Marini  Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 14 81 /2 00 6- 16 Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10680.001481/2006­16  Acórdão n.º 9303­006.531  CSRF­T3  Fl. 548          2 Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  de  Divergência  interposto  tempestivamente  pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 3301­00.536, de 25/05/2010, proferido pela 1ª Turma  Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção do CARF, conforme ementa:  "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/07/2000 a 31/12/2003  PAGAMENTO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA  O pagamento da Cofins sobre operações com combustíveis  derivados de petróleo e álcool hidratado carburante, sob o  regime  de  substituição  tributária,  efetuadas  com  consumidores finais desses produtos, vigeu somente até 30  de  junho  de  2000,  sendo  que  a  partir  de  1°  de  julho  a  alíquota foi reduzida a zero em tais operações.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 31/12/1999 a 05/02/2001  INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA  A  decadência  do  direito  de  se  pleitear  restituição  e/  ou  compensação  de  indébito  fiscal  ocorre  em  cinco  anos,  contados  da  data  de  extinção  do  crédito  tributário  pelo  pagamento.  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO  A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada  pelo  próprio  sujeito  passivo,  mediante  entrega  de  Pedido  de Restituição/Declaração de Compensação  (Per/Dcomp),  está  condicionada  à  certeza  e  liquidez  dos  créditos  financeiros declarados.  Recurso Voluntário Negado."  No  Recurso  Especial,  o  contribuinte  insurgiu­se  contra  a  prescrição  quinquenal do seu direito de repetir/compensar os indébitos reclamados, defendendo a tese dos  "cinco mais cinco", ou seja, de que o quinquênio deve ser contado depois de decorridos cinco  anos do respectivo fato gerador, para a extinção do crédito tributário pela homologação tácita,  resultando  prazo  total  de  dez  anos,  cinco  anos  para  a  extinção  e mais  cinco  para  exercer  o  direito.  Suscitou  ainda  a  correção  monetária  dos  indébitos  tributários  reclamados  pela  taxa  Selic.  Por meio do despacho às fl. 536, o Presidente da Terceira Câmara da Terceira  Seção deu seguimento ao recurso apenas com relação à prescrição.  Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10680.001481/2006­16  Acórdão n.º 9303­006.531  CSRF­T3  Fl. 549          3 Intimado  do  recurso  especial  do  contribuinte  e  do  despacho  de  sua  admissibilidade,  a  Fazenda Nacional  apresentou  contrarrazões  às  fls.  538/545,  requerendo  o  provimento do recurso especial para reformar o acórdão recorrido, declarando­se a decadência  do direito de pleitear a restituição do crédito financeiro pleiteado.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  O  recurso  apresentado  atende  ao  pressuposto  de  admissibilidade  e  deve  ser  conhecido.  Inicialmente,  informo  que  as  contrarrazões  apresentadas  pela  Fazenda  Nacional não serão levadas em conta no julgamento, tendo em vista o equívoco cometido por  ela. Na  petição  às  fls.  538/545,  possivelmente,  por  conta  da  "cultura  copiar/colar",  fez  uma  miscelânea  entre  "contrarrazões"  e  "recurso  voluntário".  À  fl.  538,  consta  literalmente  "A  UNIÃO  (FAZENDA  NACIONAL),  por  intermédio  de  sua  Procuradora,  vem,  com  fulcro  no  artigo 70, Anexo  II,  do Regimento  Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais,  apresentar, tempestivamente, CONTRARRAZÕES em face do recurso especial interposto ...".  Já  nas  fls.  539,  consta  não  só  o  título  "RECURSO ESPECIAL",  mas,  de  fato,  um  recurso  especial  de  divergência.  Nele  consta  literalmente  "Insurge  se  a  União  (Fazenda  Nacional)  contra o acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que  deu provimento ao recurso do contribuinte, com o  fim de afastar a decadência do direito de  pleitear  a  restituição  de  tributo  supostamente  pago  a  maior.".  Nas  páginas  seguintes  apresentou suas razões contra o acórdão recorrido que, de fato, negou provimento ao recurso  voluntário  do  contribuinte  e  não  provimento,  como  equivocadamente  entendeu  a  Fazenda  Nacional.  Também em relação à decisão no acórdão recorrido, conforme se verifica do  voto condutor e das ementas transcritas acima, a decisão contrária ao contribuinte teve como  fundamento não só a prescrição do seu direito de repetir/compensar os  indébitos  reclamados,  mas  principalmente  a  inexistência  dos  valores  reclamados,  conforme  demonstrado  no  voto  condutor daquele acórdão recorrido.  Assim, ainda que superada a prescrição do seu direito, o contribuinte não terá  direito à repetição/compensação dos valores reclamados.  Quanto  à  decadência,  matéria  em  discussão,  nesta  instância  especial,  ao  contrário do entendimento do contribuinte, a tese dos "cinco mais cinco" somente se aplica aos  processos protocolado até a data de 09 de junho de 2005.  Os  indébitos  reclamados  são  decorrentes  dos  pagamentos  da  contribuição  sujeitas  ao  regime  de  substituição  tributária,  nas  aquisições  de  mercadorias,  no  período  de  30/12/1999 a 28/12/2005.  Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10680.001481/2006­16  Acórdão n.º 9303­006.531  CSRF­T3  Fl. 550          4 Na  data  de  protocolo  do  presente  pedido  de  restituição,  em  06/02/2006,  o  direito de o interessado repetir os valores reclamados já havia prescrito pelo decurso do prazo  quinquenal  contado  das  datas  de  extinção  dos  respectivos  créditos  tributários,  tidos  como  indevido, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), c/c o disposto  no art. 3º da LC nº 118, de 09/02/2005.  A  prescrição  do  direito  de  se  repetir/compensar  indébitos  tributários  está  regulada no CTN, art. 165, I, c/c o art. 168, I, que assim dispõe:  “Art.  165. O  sujeito  passivo  tem direito,  independentemente  de  prévio  protesto,  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  seja  qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto  no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:  I  ­  cobrança  ou  pagamento  espontâneo  de  tributo  indevido  ou  maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;  […].  Art.  168. O  direito  de  pleitear  a  restituição  extingue­se  com  o  decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  nas  hipóteses  dos  incisos  I  e  II  do  artigo  165,  da  data  da  extinção do crédito tributário; (destaque não original)  […].”  A tese dos “cinco mais cinco”, reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça  (STJ), em face da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 566.621, somente se  aplica para os processos protocolados até a data de 8 de junho de 2005.  Na decisão do RE nº 566.621, o Plenário do STF, ao negar provimento ao RE  nº 566.221 interposto pela União Federal, contra a decisão que reconheceu que a LC nº 118, de  09/02/2005, somente se aplica a partir de sua vigência, sacramentou­se o entendimento de que  a tese dos “cinco mais cinco” somente deve ser aplicada aos processos protocolados antes da  data da entrada em vigor daquela lei complementar, em 9 de junho de 2006.  A  aplicação  da  tese  "dos  cinco  mais  cinco"  para  pedidos  de  restituição/ressarcimento,  inclusive,  já  foi objeto de súmula do Pleno do CARF, determinado  seu emprego apenas aos processo protocolados antes de 09/06/2005, in verbis:  "Súmula  CARF  nº  91:  Ao  pedido  de  restituição  pleiteado  administrativamente  antes  de  9  de  junho  de  2005,  no  caso  de  tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica­se o prazo  prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador."  No presente  caso,  o  pedido  de  restituição  foi  protocolado  na data  de 06  de  fevereiro de 2006, conforme provam as datas dos carimbos de protocolo à fl. 01 e à fl. 05.  Ante  o  exposto,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  especial  do  Contribuinte, mantendo a decisão recorrida.  Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10680.001481/2006­16  Acórdão n.º 9303­006.531  CSRF­T3  Fl. 551          5 É como voto.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas                                Fl. 551DF CARF MF

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7286159 #
Numero do processo: 15586.720571/2014-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, substituído pelo Conselheiro Suplente convocado Vinícius Guimarães. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra -Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo -Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Vinícius Guimarães (Conselheiro Suplente convocado). RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de Auto de Infração - AI (fls. 66 a 85) sobre o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) contra o qual foi protocolizada impugnação (fls. 92 a 104). A descrição sintética do AI é de que houve “Saída de Produtos sem lançamento do IPI - Inobservância de classificação fiscal e/ou alíquota do IPI”. A ciência deu-se dia 1º de dezembro de 2014 (fl. 87). O detalhamento dos valores lançados, bem como a fundamentação legal de cada rubrica do lançamento encontram-se no bojo do AI, não obstante o teor do Termo de Verificação Fiscal de fls. 58 a 65, o qual explica as razões do enquadramento fiscal diverso, elabora demonstrativos e planilhas com Notas Fiscais - NF e os respectivos valores a lançar devido à reclassificação fiscal adotada. Transcreve-se aqui partes do Termo de Verificação Fiscal, onde se explicam as razões que ensejaram o lançamento tributário ora combatido: “3. DO ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL Regularmente atendida a intimação, verificamos que o estabelecimento adotou classificação fiscal errada em relação a uma série de produtos classificados com códigos 7214.91.00 e 7214.99.90 da Tabela de Incidência - TIPI, com alíquota zero. classificação esta equivocada no que se refere ao enquadramento de produtos denominados "Laminados Planos". De fato. a referida tabela, na Nota 1, alínea K do Capítulo 72, assim define os laminados planos, para efeito de classificação fiscal: ... Não obstante tal definição, o estabelecimento classificou vários produtos contidos na 'Relação do produtos com classificação errada', com medidas dentro das acima especificadas, como "barra", que também tem sua definição estabelecida na alínea m, da Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI: m) Barras: os produtos que não satisfaçam a qualquer das definições constantes das alíneas ij), k) e i) acima, ... ... Os " laminados planos" estão classificados nas posições 72.08 a 72.12 da TIPI. e são tributados pela alíquota de 5% (cinco por cento) no período fiscalizado. As "barras" estão classificadas nas posições 72.14 e 72.15. sendo a posição 72.14 a utilizada pelo estabelecimento. Vejamos que a partir de 08 de fevereiro de 2006, os produtos classificados na posição 72.14 tiveram sua alíquota de tributação reduzida a zero por força do disposto no artigo 1°, inciso I, do Decreto 5.697/2006. Portanto, para efeito de incidência do IPI. o critério a se considerar para fins de classificação fiscal de produtos são as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, base da Nomenclatura Comum do Mercosul e, consequentemente, da TIPI. conforme estabelece o Decreto-lei n° 1.154, de 10 de março de 1971. Segundo essas regras, os produtos que atendam as especificações da alínea K, da Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI. são definidos como "laminados planos", tributados a alíquota de 5%. ... 4. DA FALTA DE DESTAQUE DO IPI Os lançamentos de débito realizados mensalmente pela fiscalização não geraram saldos devedores de IPI, mas tão somente reduziram seus saldos credores. No entanto, o erro de classificação fiscal constitui infração conforme o disposto no artigo 648 do RIPI/10 que determina: Art. 548- Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária que importe em inobservância de preceitos estabelecidos ou disciplinados por este Regulamento ou pelos atos administrativos de caráter normativo destinados a complementá-lo (Lei n°4.502, de 1964, art. 64)' Demonstrou-se. assim, de maneira inequívoca, que o contribuinte não efetuou o destaque do IPI devido pela saída de produtos tributados, já que efetuou classificação fiscal incorreta em relação a uma série de produtos por ele industrializados, havendo a necessidade do lançamento dos débitos do imposto não destacado, gerando a cobrança da multa estabelecida no artigo 569 do RIPI/10. conforme a seguir transcrito: Art. 569. A falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto destacado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido (Lei n° 4.502. de 1964. art. 80. e Lei 1.488. de 2007, art. 13). ... 7. MULTA APLICADA O lançamento dos débitos do imposto não foram suficientes para gerar saldos devedores do imposto, porém, a falta de destaque do valor do imposto nas respectivas notas fiscais, sujeitará o contribuinte à multa de oficio conforme artigo 569 do RIPI/10. Portanto está sendo aplicada a multa equivalente a 75 % do valor de IPI não destacado nas notas fiscais de saída com valor total de R$ 6.377 955.14 (Seis milhões, trezentos e setenta e sete mil, novecentos e cinqüenta e cinco reais e quatorze centavos).” A impugnação foi protocolizada dia 31 de dezembro de 2014. O lançamento combatido, multa isolada do IPI não lançado com cobertura de crédito, decorre de divergência quanto à classificação fiscal adotada pela impugnante em relação a certos produtos. Reprisando, enquanto a fiscalização classificou os produtos em Laminados Planos, cuja posição é 72.08 a 72.12 da TIPI (com alíquota de 5% de IPI), a impugnante classificou tais produtos como Barras de ferro ou aço não ligado, posição 72.14 (alíquota 0%). Defende que, em se tratando de lançamento e multa isolada, não houve prejuízo ao Erário, razão pela qual a multa é confiscatória e deve ser abolida por ferir os princípios constitucionais de vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade. Argui, em caráter preliminar, a nulidade do AI, por preterição ao direito de defesa, defendendo que o relatório fiscal limita-se “em trazer uma planilha de checagem das dimensões para as barras chatas fiscalizadas e, caso atendidas disposições atinentes aos produtos laminados planos, determinada barra era glosada pelo fisco. Veja-se, portanto, não ter sido trazido aos autos qualquer elemento de ordem técnica a implicar na vinculação entre as barras ora autuadas e conceito de produto laminado plano. Trata-se, portanto, de autuação completamente desmotivada, na medida em que não traz elementos suficientes a legitimar o reenquadramento proposto pelo fisco.” Defende também o não lançamento da multa por suposta falta de previsão legal, além de, por falta de prejuízo ao Erário, não haver valor devido sobre o qual incida a multa. Repetiu a defesa de que a multa isolada se reveste de confisco, conflitando com os princípios constitucionais da vedação ao confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. Finalizou, repetindo a solicitação de nulidade do AI por vício de motivação e solicitou seja o processo baixado em diligência para que “o fisco apresente, em cada um dos produtos autuados pela fiscalização, os motivos que ensejaram o seu enquadramento como produto laminado plano”. Reiterou que deve ser afastada a cobrança de multa isolada referente ao IPI não lançado com cobertura de crédito por não ser figura típica e não constar da lei tal penalidade em caso de recomposição da conta gráfica, e ainda, que se mantida a multa, seja cancelada ou reduzida a patamares constitucionalmente admitidos, em respeito aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e não confisco. Em 13 de fevereiro de 2015, a impugnante apresentou aditamento à sua impugnação, alegando a necessidade de apresentar novos documentos e pela superveniência de fatos novos, requerendo seu recebimento com fundamento no princípio da verdade material (fls. 207 a 243). Argumentou também que a nova impugnação encontra-se amparada no art. 16, §4º e §5º do Decreto nº 70.235/72. Levantou a hipótese, alegando apenas que 30 dias não seriam suficientes para o levantamento efetuado, de que parte dos produtos objeto de reclassificação tarifária procedida pela fiscalização estariam acobertados por regimes diferenciados, tais como o art. 29 da Lei nº 10.637/02, que suspende o IPI no caso de produtos utilizados no setor automotivo/auto peças. Acrescenta que, após a impugnação original, a empresa recebeu 9 despachos decisórios não homologatórios de compensações por ela declaradas, todos com base no saldo credor glosado decorrente do presente auto de infração, e que, portanto, os despachos representam fato novo e também a necessidade de novos esclarecimentos acerca do feito. Por esta razão, também, solicitou sejam julgamos juntos este processo e os demais referentes aos despachos decisórios já referidos, defendendo que o resultado do presente processo afeta aos demais. A defesa também repete os argumentos da impugnação original, bem como acrescenta a defesa referente aos processos envolvendo as compensações não homologadas. Trouxe ao presente a diferenciação dos produtos referente à normatização siderúrgica, bem como defende que esta seja utilizada no balizamento da interpretação da NCM e TIPI. De argumento novo, defendeu que, ainda que a classificação fiscal dos produtos seja revista, sua destinação implica a inexistência de imposto a recolher por força da suspensão do IPI. Nesta situação, apresentou as seguintes situações: transferência de produção entre estabelecimentos (art. 43, X, do RIPI/10); transferência para estabelecimentos situados na Zona Franca de Manaus (art. 43,X c/c art. 84 do RIPI/10) e para a Amazônia Ocidental (art. 43, X c/c art. 96 do RIPI/10); vendas para a Amazônia Ocidental, Zona Franca de Manaus e demais Áreas de Livre Comércio; vendas para a indústria automobilística e empresas fabricantes de autopeças, inclusive exportadoras (art. 136 do RIPI/10); vendas a estaleiros navais (art. 10 da Lei nº 9.493/97). Repete, ao final, todos os argumentos da impugnação original. Ainda, foi apresentada, em 28 de maio de 2015, nova impugnação (fls. 416 a 438) referente ao processo nº 15586.720086/2015-19, mas, segundo a impugnante, vinculado ao presente. O enfoque da referida impugnação é o processo nº 15586.720086/2015-19, cuja decisão sofre o efeito do lançamento discutido no presente processo. Ato contínuo, a DRJ-PORTO ALEGRE (RS) julgou a impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 IPI. LAMINADOS PLANOS. Classificam-se como laminados planos os produtos não enrolados, de largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, quando esta for inferior a 4,75 mm, ou de largura superior a 150 mm ou a pelo menos duas vezes a espessura, quando esta for igual ou superior a 4,75 mm. IPI. COBERTURA DE CRÉDITO. MULTA ISOLADA. É cabível o lançamento de multa isolada pelo IPI não lançado com cobertura de crédito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente repisou os mesmos argumentos utilizados em sua impugnação e solicitou a análise por este Colegiado de legislaçao superveniente à lavratura do auto de infração atinente a edição do ADE RFB nº06 de 17 de dezembro de 2014 que deu nova redação ao capítulo 72, nota 1, alínea “k”, primeiro parágrafo. Essa norma, segundo afirma a Recorrente, teria caráter interpretativo, nos termos do art.4º, parágrafo único do Decreto nº7.660/2011 e art. 106, inciso I, do CTN. É o relatório.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO

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RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de Auto de Infração - AI (fls. 66 a 85) sobre o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) contra o qual foi protocolizada impugnação (fls. 92 a 104). A descrição sintética do AI é de que houve “Saída de Produtos sem lançamento do IPI - Inobservância de classificação fiscal e/ou alíquota do IPI”. A ciência deu-se dia 1º de dezembro de 2014 (fl. 87). O detalhamento dos valores lançados, bem como a fundamentação legal de cada rubrica do lançamento encontram-se no bojo do AI, não obstante o teor do Termo de Verificação Fiscal de fls. 58 a 65, o qual explica as razões do enquadramento fiscal diverso, elabora demonstrativos e planilhas com Notas Fiscais - NF e os respectivos valores a lançar devido à reclassificação fiscal adotada. Transcreve-se aqui partes do Termo de Verificação Fiscal, onde se explicam as razões que ensejaram o lançamento tributário ora combatido: “3. DO ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL Regularmente atendida a intimação, verificamos que o estabelecimento adotou classificação fiscal errada em relação a uma série de produtos classificados com códigos 7214.91.00 e 7214.99.90 da Tabela de Incidência - TIPI, com alíquota zero. classificação esta equivocada no que se refere ao enquadramento de produtos denominados "Laminados Planos". De fato. a referida tabela, na Nota 1, alínea K do Capítulo 72, assim define os laminados planos, para efeito de classificação fiscal: ... Não obstante tal definição, o estabelecimento classificou vários produtos contidos na 'Relação do produtos com classificação errada', com medidas dentro das acima especificadas, como "barra", que também tem sua definição estabelecida na alínea m, da Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI: m) Barras: os produtos que não satisfaçam a qualquer das definições constantes das alíneas ij), k) e i) acima, ... ... Os " laminados planos" estão classificados nas posições 72.08 a 72.12 da TIPI. e são tributados pela alíquota de 5% (cinco por cento) no período fiscalizado. As "barras" estão classificadas nas posições 72.14 e 72.15. sendo a posição 72.14 a utilizada pelo estabelecimento. Vejamos que a partir de 08 de fevereiro de 2006, os produtos classificados na posição 72.14 tiveram sua alíquota de tributação reduzida a zero por força do disposto no artigo 1°, inciso I, do Decreto 5.697/2006. Portanto, para efeito de incidência do IPI. o critério a se considerar para fins de classificação fiscal de produtos são as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, base da Nomenclatura Comum do Mercosul e, consequentemente, da TIPI. conforme estabelece o Decreto-lei n° 1.154, de 10 de março de 1971. Segundo essas regras, os produtos que atendam as especificações da alínea K, da Nota 1 do Capítulo 72 da TIPI. são definidos como "laminados planos", tributados a alíquota de 5%. ... 4. DA FALTA DE DESTAQUE DO IPI Os lançamentos de débito realizados mensalmente pela fiscalização não geraram saldos devedores de IPI, mas tão somente reduziram seus saldos credores. No entanto, o erro de classificação fiscal constitui infração conforme o disposto no artigo 648 do RIPI/10 que determina: Art. 548- Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária que importe em inobservância de preceitos estabelecidos ou disciplinados por este Regulamento ou pelos atos administrativos de caráter normativo destinados a complementá-lo (Lei n°4.502, de 1964, art. 64)' Demonstrou-se. assim, de maneira inequívoca, que o contribuinte não efetuou o destaque do IPI devido pela saída de produtos tributados, já que efetuou classificação fiscal incorreta em relação a uma série de produtos por ele industrializados, havendo a necessidade do lançamento dos débitos do imposto não destacado, gerando a cobrança da multa estabelecida no artigo 569 do RIPI/10. conforme a seguir transcrito: Art. 569. A falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto destacado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido (Lei n° 4.502. de 1964. art. 80. e Lei 1.488. de 2007, art. 13). ... 7. MULTA APLICADA O lançamento dos débitos do imposto não foram suficientes para gerar saldos devedores do imposto, porém, a falta de destaque do valor do imposto nas respectivas notas fiscais, sujeitará o contribuinte à multa de oficio conforme artigo 569 do RIPI/10. Portanto está sendo aplicada a multa equivalente a 75 % do valor de IPI não destacado nas notas fiscais de saída com valor total de R$ 6.377 955.14 (Seis milhões, trezentos e setenta e sete mil, novecentos e cinqüenta e cinco reais e quatorze centavos).” A impugnação foi protocolizada dia 31 de dezembro de 2014. O lançamento combatido, multa isolada do IPI não lançado com cobertura de crédito, decorre de divergência quanto à classificação fiscal adotada pela impugnante em relação a certos produtos. Reprisando, enquanto a fiscalização classificou os produtos em Laminados Planos, cuja posição é 72.08 a 72.12 da TIPI (com alíquota de 5% de IPI), a impugnante classificou tais produtos como Barras de ferro ou aço não ligado, posição 72.14 (alíquota 0%). Defende que, em se tratando de lançamento e multa isolada, não houve prejuízo ao Erário, razão pela qual a multa é confiscatória e deve ser abolida por ferir os princípios constitucionais de vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade. Argui, em caráter preliminar, a nulidade do AI, por preterição ao direito de defesa, defendendo que o relatório fiscal limita-se “em trazer uma planilha de checagem das dimensões para as barras chatas fiscalizadas e, caso atendidas disposições atinentes aos produtos laminados planos, determinada barra era glosada pelo fisco. Veja-se, portanto, não ter sido trazido aos autos qualquer elemento de ordem técnica a implicar na vinculação entre as barras ora autuadas e conceito de produto laminado plano. Trata-se, portanto, de autuação completamente desmotivada, na medida em que não traz elementos suficientes a legitimar o reenquadramento proposto pelo fisco.” Defende também o não lançamento da multa por suposta falta de previsão legal, além de, por falta de prejuízo ao Erário, não haver valor devido sobre o qual incida a multa. Repetiu a defesa de que a multa isolada se reveste de confisco, conflitando com os princípios constitucionais da vedação ao confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. Finalizou, repetindo a solicitação de nulidade do AI por vício de motivação e solicitou seja o processo baixado em diligência para que “o fisco apresente, em cada um dos produtos autuados pela fiscalização, os motivos que ensejaram o seu enquadramento como produto laminado plano”. Reiterou que deve ser afastada a cobrança de multa isolada referente ao IPI não lançado com cobertura de crédito por não ser figura típica e não constar da lei tal penalidade em caso de recomposição da conta gráfica, e ainda, que se mantida a multa, seja cancelada ou reduzida a patamares constitucionalmente admitidos, em respeito aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e não confisco. Em 13 de fevereiro de 2015, a impugnante apresentou aditamento à sua impugnação, alegando a necessidade de apresentar novos documentos e pela superveniência de fatos novos, requerendo seu recebimento com fundamento no princípio da verdade material (fls. 207 a 243). Argumentou também que a nova impugnação encontra-se amparada no art. 16, §4º e §5º do Decreto nº 70.235/72. Levantou a hipótese, alegando apenas que 30 dias não seriam suficientes para o levantamento efetuado, de que parte dos produtos objeto de reclassificação tarifária procedida pela fiscalização estariam acobertados por regimes diferenciados, tais como o art. 29 da Lei nº 10.637/02, que suspende o IPI no caso de produtos utilizados no setor automotivo/auto peças. Acrescenta que, após a impugnação original, a empresa recebeu 9 despachos decisórios não homologatórios de compensações por ela declaradas, todos com base no saldo credor glosado decorrente do presente auto de infração, e que, portanto, os despachos representam fato novo e também a necessidade de novos esclarecimentos acerca do feito. Por esta razão, também, solicitou sejam julgamos juntos este processo e os demais referentes aos despachos decisórios já referidos, defendendo que o resultado do presente processo afeta aos demais. A defesa também repete os argumentos da impugnação original, bem como acrescenta a defesa referente aos processos envolvendo as compensações não homologadas. Trouxe ao presente a diferenciação dos produtos referente à normatização siderúrgica, bem como defende que esta seja utilizada no balizamento da interpretação da NCM e TIPI. De argumento novo, defendeu que, ainda que a classificação fiscal dos produtos seja revista, sua destinação implica a inexistência de imposto a recolher por força da suspensão do IPI. Nesta situação, apresentou as seguintes situações: transferência de produção entre estabelecimentos (art. 43, X, do RIPI/10); transferência para estabelecimentos situados na Zona Franca de Manaus (art. 43,X c/c art. 84 do RIPI/10) e para a Amazônia Ocidental (art. 43, X c/c art. 96 do RIPI/10); vendas para a Amazônia Ocidental, Zona Franca de Manaus e demais Áreas de Livre Comércio; vendas para a indústria automobilística e empresas fabricantes de autopeças, inclusive exportadoras (art. 136 do RIPI/10); vendas a estaleiros navais (art. 10 da Lei nº 9.493/97). Repete, ao final, todos os argumentos da impugnação original. Ainda, foi apresentada, em 28 de maio de 2015, nova impugnação (fls. 416 a 438) referente ao processo nº 15586.720086/2015-19, mas, segundo a impugnante, vinculado ao presente. O enfoque da referida impugnação é o processo nº 15586.720086/2015-19, cuja decisão sofre o efeito do lançamento discutido no presente processo. Ato contínuo, a DRJ-PORTO ALEGRE (RS) julgou a impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 IPI. LAMINADOS PLANOS. Classificam-se como laminados planos os produtos não enrolados, de largura igual a pelo menos dez vezes a espessura, quando esta for inferior a 4,75 mm, ou de largura superior a 150 mm ou a pelo menos duas vezes a espessura, quando esta for igual ou superior a 4,75 mm. IPI. COBERTURA DE CRÉDITO. MULTA ISOLADA. É cabível o lançamento de multa isolada pelo IPI não lançado com cobertura de crédito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente repisou os mesmos argumentos utilizados em sua impugnação e solicitou a análise por este Colegiado de legislaçao superveniente à lavratura do auto de infração atinente a edição do ADE RFB nº06 de 17 de dezembro de 2014 que deu nova redação ao capítulo 72, nota 1, alínea “k”, primeiro parágrafo. Essa norma, segundo afirma a Recorrente, teria caráter interpretativo, nos termos do art.4º, parágrafo único do Decreto nº7.660/2011 e art. 106, inciso I, do CTN. É o relatório.

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3402­001.341  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  17 de abril de 2018  Assunto  Classificação Fiscal  Recorrente  Arcelormittal Brasil Ltda  Recorrida  Fazenda Nacional    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  RESOLVEM  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente  o  Conselheiro  Jorge  Olmiro  Lock  Freire,  substituído  pelo  Conselheiro  Suplente  convocado  Vinícius Guimarães.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­Presidente  (assinado digitalmente)  Pedro Sousa Bispo ­Relator   Participaram do presente  julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra  (Presidente, Maria  Aparecida Martins  de  Paula,  Carlos  Augusto  Daniel  Neto, Maysa  de  Sá  Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e  Vinícius Guimarães (Conselheiro Suplente convocado).  RELATÓRIO  Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos  acréscimos:  Trata  o  presente  processo  de  Auto  de  Infração  ­  AI  (fls.  66  a  85)  sobre  o  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI)  contra  o  qual  foi  protocolizada  impugnação  (fls. 92 a 104).     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 20 57 1/ 20 14 -1 0 Fl. 762DF CARF MF Processo nº 15586.720571/2014­10  Resolução nº  3402­001.341  S3­C4T2  Fl. 753          2 A descrição sintética do AI é de que houve “Saída de Produtos sem lançamento  do IPI ­ Inobservância de classificação fiscal e/ou alíquota do IPI”. A ciência deu­se dia 1º de  dezembro de 2014 (fl. 87).  O  detalhamento  dos  valores  lançados,  bem  como  a  fundamentação  legal  de  cada  rubrica  do  lançamento  encontram­se  no  bojo  do AI,  não  obstante  o  teor  do Termo de  Verificação Fiscal de fls. 58 a 65, o qual explica as razões do enquadramento fiscal diverso,  elabora demonstrativos e planilhas com Notas Fiscais ­ NF e os respectivos valores a lançar  devido à reclassificação fiscal adotada.  Transcreve­se aqui partes do Termo de Verificação Fiscal, onde se explicam as  razões que ensejaram o lançamento tributário ora combatido:  “3. DO ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL Regularmente atendida  a  intimação,  verificamos  que  o  estabelecimento  adotou  classificação  fiscal  errada  em  relação  a  uma  série  de  produtos  classificados  com  códigos 7214.91.00 e 7214.99.90 da Tabela de Incidência ­ TIPI, com  alíquota  zero.  classificação  esta  equivocada  no  que  se  refere  ao  enquadramento de produtos denominados "Laminados Planos".  De fato. a referida tabela, na Nota 1, alínea K do Capítulo 72, assim  define os laminados planos, para efeito de classificação fiscal:  ...  Não  obstante  tal  definição,  o  estabelecimento  classificou  vários  produtos contidos na 'Relação do produtos com classificação errada',  com  medidas  dentro  das  acima  especificadas,  como  "barra",  que  também  tem  sua  definição  estabelecida  na  alínea  m,  da  Nota  1  do  Capítulo 72 da TIPI:  m) Barras: os produtos que não satisfaçam a qualquer das definições  constantes das alíneas ij), k) e i) acima, ...  ...  Os " laminados planos" estão classificados nas posições 72.08 a 72.12  da  TIPI.  e  são  tributados  pela  alíquota  de  5%  (cinco  por  cento)  no  período fiscalizado.  As  "barras"  estão  classificadas  nas  posições  72.14  e  72.15.  sendo  a  posição 72.14 a utilizada pelo estabelecimento. Vejamos que a partir  de 08 de fevereiro de 2006, os produtos classificados na posição 72.14  tiveram  sua  alíquota  de  tributação  reduzida  a  zero  por  força  do  disposto no artigo 1°, inciso I, do Decreto 5.697/2006.  Portanto,  para  efeito  de  incidência  do  IPI.  o  critério  a  se  considerar  para fins de classificação fiscal de produtos são as Regras Gerais para  Interpretação do Sistema Harmonizado, base da Nomenclatura Comum  do  Mercosul  e,  consequentemente,  da  TIPI.  conforme  estabelece  o  Decreto­lei n° 1.154, de 10 de março de 1971. Segundo essas regras,  os produtos que atendam as especificações da alínea K, da Nota 1 do  Capítulo  72  da  TIPI.  são  definidos  como  "laminados  planos",  tributados a alíquota de 5%.  ...  Fl. 763DF CARF MF Processo nº 15586.720571/2014­10  Resolução nº  3402­001.341  S3­C4T2  Fl. 754          3 4.  DA  FALTA  DE  DESTAQUE  DO  IPI  Os  lançamentos  de  débito  realizados  mensalmente  pela  fiscalização  não  geraram  saldos  devedores de IPI, mas tão somente reduziram seus saldos credores.  No entanto, o erro de classificação fiscal constitui infração conforme o  disposto no artigo 648 do RIPI/10 que determina:  Art.  548­  Constitui  infração  toda  ação  ou  omissão,  voluntária  ou  involuntária que  importe em  inobservância de preceitos estabelecidos  ou disciplinados por este Regulamento ou pelos atos administrativos de  caráter normativo destinados a complementá­lo (Lei n°4.502, de 1964,  art.  64)'  Demonstrou­se.  assim,  de  maneira  inequívoca,  que  o  contribuinte  não  efetuou  o  destaque  do  IPI  devido  pela  saída  de  produtos  tributados,  já  que  efetuou  classificação  fiscal  incorreta  em  relação  a  uma  série  de  produtos  por  ele  industrializados,  havendo  a  necessidade  do  lançamento  dos  débitos  do  imposto  não  destacado,  gerando a cobrança da multa estabelecida no artigo 569 do RIPI/10.  conforme a seguir transcrito:  Art. 569. A falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na  respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto destacado  sujeitará o contribuinte à multa de ofício de setenta e cinco por cento  do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido (Lei n°  4.502. de 1964. art. 80. e Lei 1.488. de 2007, art. 13).  ...  7.  MULTA  APLICADA  O  lançamento  dos  débitos  do  imposto  não  foram  suficientes  para  gerar  saldos  devedores  do  imposto,  porém,  a  falta  de  destaque  do  valor  do  imposto  nas  respectivas  notas  fiscais,  sujeitará  o  contribuinte  à  multa  de  oficio  conforme  artigo  569  do  RIPI/10.  Portanto está sendo aplicada a multa equivalente a 75 % do valor de  IPI  não  destacado  nas  notas  fiscais  de  saída  com  valor  total  de  R$  6.377 955.14 (Seis milhões, trezentos e setenta e sete mil, novecentos e  cinqüenta e cinco reais e quatorze centavos).”  A impugnação foi protocolizada dia 31 de dezembro de 2014.  O lançamento combatido, multa isolada do IPI não lançado com cobertura de  crédito,  decorre  de  divergência  quanto  à  classificação  fiscal  adotada  pela  impugnante  em  relação  a  certos  produtos.  Reprisando,  enquanto  a  fiscalização  classificou  os  produtos  em  Laminados  Planos,  cuja  posição  é  72.08  a  72.12  da  TIPI  (com  alíquota  de  5%  de  IPI),  a  impugnante classificou tais produtos como Barras de ferro ou aço não ligado, posição 72.14  (alíquota 0%).  Defende que, em se tratando de lançamento e multa isolada, não houve prejuízo  ao Erário, razão pela qual a multa é confiscatória e deve ser abolida por  ferir os princípios  constitucionais de vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade.  Argui,  em  caráter  preliminar,  a  nulidade  do  AI,  por  preterição  ao  direito  de  defesa, defendendo que o relatório fiscal limita­se “em trazer uma planilha de checagem das  dimensões  para  as  barras  chatas  fiscalizadas  e,  caso  atendidas  disposições  atinentes  aos  produtos laminados planos, determinada barra era glosada pelo fisco. Veja­se, portanto, não  Fl. 764DF CARF MF Processo nº 15586.720571/2014­10  Resolução nº  3402­001.341  S3­C4T2  Fl. 755          4 ter sido trazido aos autos qualquer elemento de ordem técnica a implicar na vinculação entre  as barras ora autuadas e conceito de produto laminado plano. Trata­se, portanto, de autuação  completamente desmotivada, na medida em que  não  traz  elementos  suficientes a  legitimar o  reenquadramento proposto pelo fisco.”  Defende também o não lançamento da multa por suposta falta de previsão legal,  além de, por falta de prejuízo ao Erário, não haver valor devido sobre o qual incida a multa.  Repetiu a defesa de que a multa isolada se reveste de confisco, conflitando com  os  princípios  constitucionais  da  vedação  ao  confisco,  da  proporcionalidade  e  da  razoabilidade.  Finalizou,  repetindo a  solicitação de nulidade do AI por vício de motivação e  solicitou seja o processo baixado em diligência para que “o fisco apresente, em cada um dos  produtos  autuados  pela  fiscalização,  os motivos  que  ensejaram  o  seu  enquadramento  como  produto laminado plano”.  Reiterou  que  deve  ser  afastada  a  cobrança  de multa  isolada  referente  ao  IPI  não  lançado  com  cobertura  de  crédito  por  não  ser  figura  típica  e  não  constar  da  lei  tal  penalidade em caso de recomposição da conta gráfica, e ainda, que se mantida a multa, seja  cancelada ou reduzida a patamares constitucionalmente admitidos, em respeito aos princípios  da proporcionalidade, razoabilidade e não confisco.  Em  13  de  fevereiro  de  2015,  a  impugnante  apresentou  aditamento  à  sua  impugnação, alegando a necessidade de apresentar novos documentos e pela superveniência  de fatos novos, requerendo seu recebimento com fundamento no princípio da verdade material  (fls. 207 a 243).  Argumentou também que a nova impugnação encontra­se amparada no art. 16,  §4º e §5º do Decreto nº 70.235/72.  Levantou a hipótese, alegando apenas que 30 dias não seriam suficientes para o  levantamento efetuado, de que parte dos produtos objeto de reclassificação tarifária procedida  pela fiscalização estariam acobertados por regimes diferenciados, tais como o art. 29 da Lei  nº  10.637/02,  que  suspende  o  IPI  no  caso  de  produtos  utilizados  no  setor  automotivo/auto  peças.  Acrescenta que, após a  impugnação original,  a  empresa  recebeu 9 despachos  decisórios não homologatórios de compensações por ela declaradas, todos com base no saldo  credor  glosado  decorrente  do  presente  auto  de  infração,  e  que,  portanto,  os  despachos  representam fato novo e também a necessidade de novos esclarecimentos acerca do feito.  Por  esta  razão,  também,  solicitou  sejam  julgamos  juntos  este  processo  e  os  demais  referentes  aos  despachos  decisórios  já  referidos,  defendendo  que  o  resultado  do  presente processo afeta aos demais.  A  defesa  também  repete  os  argumentos  da  impugnação  original,  bem  como  acrescenta a defesa referente aos processos envolvendo as compensações não homologadas.  Fl. 765DF CARF MF Processo nº 15586.720571/2014­10  Resolução nº  3402­001.341  S3­C4T2  Fl. 756          5 Trouxe  ao  presente  a  diferenciação  dos  produtos  referente  à  normatização  siderúrgica,  bem  como  defende  que  esta  seja  utilizada  no  balizamento  da  interpretação  da  NCM e TIPI.  De argumento novo, defendeu que, ainda que a classificação fiscal dos produtos  seja  revista,  sua  destinação  implica  a  inexistência  de  imposto  a  recolher  por  força  da  suspensão do IPI.  Nesta  situação,  apresentou  as  seguintes  situações:  transferência  de  produção  entre estabelecimentos (art. 43, X, do RIPI/10);  transferência para estabelecimentos situados  na Zona Franca de Manaus (art. 43,X c/c art. 84 do RIPI/10) e para a Amazônia Ocidental  (art.  43,  X  c/c  art.  96  do  RIPI/10);  vendas  para  a  Amazônia  Ocidental,  Zona  Franca  de  Manaus  e  demais  Áreas  de  Livre  Comércio;  vendas  para  a  indústria  automobilística  e  empresas  fabricantes  de  autopeças,  inclusive  exportadoras  (art.  136  do  RIPI/10);  vendas  a  estaleiros navais (art. 10 da Lei nº 9.493/97).  Repete, ao final, todos os argumentos da impugnação original.  Ainda,  foi  apresentada, em 28 de maio de 2015, nova  impugnação  (fls.  416 a  438) referente ao processo nº 15586.720086/2015­19, mas, segundo a impugnante, vinculado  ao presente.  O enfoque da referida impugnação é o processo nº 15586.720086/2015­19, cuja  decisão sofre o efeito do lançamento discutido no presente processo.  Ato  contínuo,  a  DRJ­PORTO  ALEGRE  (RS)  julgou  a  impugnação  do  contribuinte nos seguintes termos:  Assunto:  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI  Período  de  apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 IPI. LAMINADOS PLANOS.  Classificam­se como laminados planos os produtos não enrolados, de  largura  igual  a  pelo  menos  dez  vezes  a  espessura,  quando  esta  for  inferior a 4,75 mm, ou de largura superior a 150 mm ou a pelo menos  duas vezes a espessura, quando esta for igual ou superior a 4,75 mm.  IPI. COBERTURA DE CRÉDITO. MULTA ISOLADA.  É  cabível  o  lançamento  de  multa  isolada  pelo  IPI  não  lançado  com  cobertura de crédito.  Assunto: Normas Gerais  de Direito Tributário Período  de  apuração:  01/01/2010  a  31/12/2012  ARGUIÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de  julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade  Impugnação Improcedente.  Crédito Tributário Mantido.  Em  seguida,  devidamente  notificada,  a Recorrente  interpôs  o  presente  recurso  pleiteando a reforma do acórdão.  Fl. 766DF CARF MF Processo nº 15586.720571/2014­10  Resolução nº  3402­001.341  S3­C4T2  Fl. 757          6 Em  seu  Recurso  Voluntário,  a  Recorrente  repisou  os  mesmos  argumentos  utilizados  em  sua  impugnação  e  solicitou  a  análise  por  este  Colegiado  de  legislaçao  superveniente  à  lavratura do  auto de  infração atinente  a edição do ADE RFB nº06 de 17 de  dezembro de 2014 que deu nova redação ao capítulo 72, nota 1, alínea “k”, primeiro parágrafo.  Essa  norma,  segundo  afirma  a  Recorrente,  teria  caráter  interpretativo,  nos  termos  do  art.4º,  parágrafo único do Decreto nº7.660/2011 e art. 106, inciso I, do CTN.   É o relatório.    VOTO  Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator.  Trata  o  presente  processo  de  lançamento  fiscal  decorrente  de  erro  de  classificação  de  mercadoria.  Disso  resultou  a  identificação  da  saída  de  produtos  tributáveis  pelo IPI sem destaque nas notas fiscais, ensejando, consequentemente, a aplicação da multa de  75%, e redução dos saldos credores de IPI apurados ao longo do período fiscalizado.   A  Autoridade  Tributária,  utilizando  as  Regras  Gerais  de  Interpretação  do  Sistema  Hamonizado,  conclui  que  os  produtos  aos  quais  a  Empresa  deu  saída  no  período  fiscalizado se tratavam de "laminados planos", classificados nas posições 72.08 a 72.12 da TIPI  e  sujeitos  à  alíquota  de  5%  (cinco  por  cento)  de  IPI.  Tendo  em  vista  as  características  dos  produtos,  entendeu  a  Fiscalização  que  se  identificavam  adequadamente  com a descrição  dos  laminados planos constante na Nota 1, alíneas k, do capítulo 72, in verbis:  Capítulo 72 Ferro fundido, ferro e aço Notas.  1.Neste Capítulo e, no que se refere às alíneas d), e) e  f) da presente  Nota, na Nomenclatura, consideram­se:  ....  k)  Produtos  laminados  planos:  os  produtos  laminados,  maciços,  de  seção  transversal retangular, que não satisfaçam à definição da Nota  1­ij) anterior:  ­ em rolos de espiras sobrepostas, ou ­ não enrolados, de largura igual  a pelo menos dez vezes a espessura, quando esta for inferior a 4,75mm,  ou  de  largura  superior  a  150mm  ou  a  pelo  menos  duas  vezes  a  espessura, quando esta for igual ou superiora 4,75mm.  Os  produtos  que  apresentem  motivos  em  relevo  provenientes  diretamente da laminagem (por exemplo: ranhuras, estrias, gofragens,  lágrimas,  botões,  losangos)  e  os  que  tenham  sido  perfurados,  ondulados,  polidos,  classificam­se  como  produtos  laminados  planos,  desde que  aquelas  operações  não  lhes  confiram as  características  de  artefatos ou obras incluídos em outras posições.  A Recorrente,  por  sua  vez,  entende  que  os  produtos  objeto  do  lançamento  se  tratam  em  verdade  de  "Barras  de  ferro  ou  aço  não  ligado",  estando  correta  a  classificação  adotada com os códigos 7214.91.00 e 7214.99.90 da Tabela de Incidência ­ TIPI, com alíquota  Fl. 767DF CARF MF Processo nº 15586.720571/2014­10  Resolução nº  3402­001.341  S3­C4T2  Fl. 758          7 zero.  Essa  classificação  decorreu  do  seu  entendimento  de  que  os  seus  produtos  não  se  classificariam  em  nenhuma  das  definições  específicas  constantes  nas  notas  do  capítulo  72,  devendo ser aplicada a definição residual constante na alínea m, in verbis:   m) barras ­ os produtos que não satisfaçam a qualquer das definições  constantes  das  alíneas  ij),  k)  e  l)  acima,  nem  à  de  fio,  e  cuja  seção  transversal, maciça e constante, tenha a forma de círculo, de segmento  circular,  oval,  de  quadrado,  retângulo,  triângulo  ou  de  outros  polígonos  convexos  (incluídos  os  "círculos  achatados"  e  os  "  retàngulos  modificados",  em  que  dois  dos  lados  opostos  tenham  a  forma  de  arcos  de  círculo  convexo  e  os  dois  outros  sejam  retilíneos,  iguais e paralelos.  Portanto,  a  classificação  de  um  produto  como  "barra  chata”  se  dá  de  forma  residual, quando não satisfeitas quaisquer das definições específicas, das notas do capítulo 72  da NESH.  A  questão  abordada  no  processo  não  é  nova  nas  turmas  desta  Câmara  administrativa,  tendo  inclusive  esse  colegiado,  em  composição  diferente  da  atual,  já  se  manifestado  quanto  a  questão  no  processo  nº10640.721511/2014­91,  envolvendo  o  mesmo  contribuinte e praticamente os mesmos produtos, no acórdão nº3402003.804 de 25 de janeiro  de 2017.   Entendo que essa discussão sobre a classificação de fiscal das mercadorias, por  ora, deve ser postergada até que se esclareça dúvida a respeito da outra matéria de defesa da  empresa que tem reflexo direto sobre a base de cálculo, atinente a existência de saídas sem o  destaque  de  IPI  nas  notas  fiscais,  decorrentes  de  regimes  especiais  e  isenções  aos  quais  a  empresa seria beneficiária.   A Recorrente  informa que parte das  suas  saídas, objeto do  lançamento, estaria  sujeita a regimes especiais de suspensão ou isenção, tais como, mercadorias transferidas entre  estabelecimentos da empresa; transferência para estabelecimentos situados na Zona Franca de  Manaus  e  para  a  Amazônia  Ocidental;  vendas  para  a  Amazônia  Ocidental,  Zona  Franca  de  Manaus e demais Áreas de Livre Comércio; vendas para a indústria automobilística e empresas  fabricantes de autopeças,  inclusive exportadoras e vendas a estaleiros navais. O amparo legal  que fundamentou cada regime especial também foi indicado pela Recorrente.   Conforme  consta  na  decisão  recorrida.  a  referida  alegação  primeiramente  foi  apresentada intempestivamente em impugnação aditiva que foi conhecida pelo Julgador a quo ,  uma vez que este entendeu que foram atendidas as condições previstas nos §§ 4º e 5º do art. 16  do Decreto nº 70.235/72.   Noticia­se  ainda nos  autos que a  empresa fundamentou a  sua defesa, quanto a  esse  ponto,  utilizando­se  de  tabela  com  relação  de  algumas  notas  fiscais  escolhidas  por  amostragem  que  exemplificaria  os  casos  de  suspensão  do  IPI  ocorridos.  Justificou  tal  procedimento adotado devido ao número expressivo de notas fiscais a serem apresentadas no  tempo exíguo ao qual dispôs para recurso. Juntou ainda aos autos cópias das notas  fiscais as  quais fez referência (374 a 407).   A Recorrente solicitou ainda a realização de diligência fiscal com o objetivo de  sanar a insubsistência do auto de infração.  Fl. 768DF CARF MF Processo nº 15586.720571/2014­10  Resolução nº  3402­001.341  S3­C4T2  Fl. 759          8 O Julgador da instância a quo não acolheu a alegação do Contribuinte, quanto a  essa matéria,  sob o  fundamento de que não  foram especificados mensalmente os valores das  notas  fiscais  que  teriam  direito  aos  regimes  especiais,  da  não  comprovação  do  cumprimento  das condições para seu usufruto da suspensão do  imposto e, por  fim, sob a argumentação de  que  na  saída  de  produto  sujeito  à  alíquota  de  5%,  mesmo  que,  hipoteticamente,  sujeito  à  suspensão,  seu  lançamento  ainda  é  obrigatório,  com  o  destaque  do  Imposto,  não  tendo  sido  efetuado, caberia o lançamento de ofício.  Ao contrário do que afirma a Autoridade a quo, o RIPI/2010 é expresso quanto  ao não destaque do IPI nos casos de suspensão. A título de exemplo, transcrevo o dispositivo  que  trata  de  aspectos  das  notas  fiscais  no  caso  de  vendas  para  indústrias  de  autopeças,  in  verbis:  Nota  Fiscal  Art.  139.  Nas  notas  fiscais,  relativas  às  saídas  referidas  nos  incisos  III a VI do caput do art. 136, deverá constar a expressão  “Saído  com  suspensão  do  IPI”,  com  a  especificação  do  dispositivo  legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas  (Lei nº 9.826, de 1999, art. 5º, § 4º, Lei nº 10.485, de 2002, art. 4º, e  Lei no 10.637, de 2002, art. 29, § 6o).  Entendo que nesses casos a não obrigação de destaque do imposto suspenso na  nota fiscal de saída teria reflexo direto no deslinde da presente lide, quanto a multa lançada.  Ao conferir a documentação apresentada, constatei ainda que há indícios fortes  de que a empresa de fato teve produtos destinados a estabelecimentos localizados na Amazônia  Ocidental, na Zona Franca de Manaus e vendas para fabricantes de autopeças.  Assim, entendo, com base na documentação apresentada pela Recorrente, que há  uma  forte  probabilidade  da  Empresa  possuir  outras  saídas,  além  daquelas  apresentadas  na  amostragem,  sujeitas  aos  regimes  especiais  citados  anteriormente  e  sem  o  destaque  do  IPI  suspenso  na  nota  fiscal.  Nesse  sentido,  a  fim  de  apurar  a  realidade  dos  acontecimentos,  necessita­se levantar os valores totais mensais de saída sem destaque de IPI a fim avaliar o seu  reflexo sobre o presente lançamento.  Diante do exposto e em homenagem ao princípio da verdade material, proponho  a conversão do julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem realize os seguintes  procedimentos:  a) Intimar a empresa a indicar, em forma de planilha, quais notas constante do  arquivo não paginavel "Notas Fiscais Reclassificadas" estariam sujeitas a suspensão ou isenção  do IPI (fls.43);  b) No mesmo Termo solicitar o amparo legal para a suspensão ou isenção do IPI  nas  referidas  saídas,  bem  como  comprovar  que  atende  as  condições  para  o  usufruto  da  suspensão ou a isenção do IPI, aos quais seja beneficiária;  d) Indicar os reflexos das informações obtidas, na forma acima indicada, sobre o  lançamento fiscal;  e) Efetuar quaisquer outras verificações que julgar necessárias para esclarecer as  questões postas; e  Fl. 769DF CARF MF Processo nº 15586.720571/2014­10  Resolução nº  3402­001.341  S3­C4T2  Fl. 760          9 f) Elaborar  relatório  fiscal conclusivo detalhando os procedimentos  realizados,  anexar todos os documentos gerados na diligência e facultar à recorrente o prazo de trinta dias  para se pronunciar, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011;  Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se  dê prosseguimento ao julgamento.  É como voto.   (assinado digitalmente)  Pedro Sousa Bispo ­ Relator    Fl. 770DF CARF MF

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7259756 #
Numero do processo: 16682.720950/2014-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 RECURSO DE OFÍCIO. RECEPÇÃO CONCLUSÕES DE DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Nega-se provimento a recurso de ofício quando a decisão que exonerou parte das exigências baseou-se nas conclusões de diligência que concluir pela comprovação de parte das despesas anteriormente glosadas. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. APRESENTAÇÃO DE NOVOS DOCUMENTOS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. As alegações apresentadas na impugnação devem ser acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo, em observância à legislação do processo administrativo fiscal. Descabe apresentação de novos documentos em sede de recurso voluntário sem a justificação da impossibilidade de apresentação anterior e sem a possibilidade de análise pela instância anterior. NULIDADE DA DECISÃO DE PISO. FALTA E FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Inocorre vício de falta de fundamentação da decisão de Piso quando se comprova que a mesma analisou as provas apresentadas e justificou, fundamentadamente aquelas que foram dispensadas por não cumprirem os requisitos legais. GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE NOTAS FISCAIS OU PAGAMENTOS SEM A COMPROVAÇÃO DE SUA EFETIVIDADE. Ausente a comprovação da efetividade de despesas - ainda que regularmente intimada a contribuinte - e carente dos demais elementos comprobatórios tais como notas fiscais ou contratos entre outros elementos, correta é a glosa correspondente. GLOSA DE DESPESAS. DUPLICIDADE DE GLOSA. PROCEDÊNCIA. Verificando-se que nas glosas realizadas pela fiscalização encontra-se despesa glosada em duplicidade, é de se determinar a redução do excesso de glosa. RATEIO DE DESPESAS INTRAGRUPO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO CONTRATO E CRITÉRIOS. IMPROCEDÊNCIA. Procede a glosa de despesas oriunda de referido rateio de despesas quando não comprovada a existência de contrato de rateio, juntamente com os critérios para distribuição de custos. POSTERGAÇÃO DE DESPESAS. IMPROCEDÊNCIA. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA PARA ESCRITURAÇÃO. As despesas devem ser apropriadas ao exercício em que são realizada. Incabível a postergação da dedução de despesas para exercício seguinte, sem a existência de motivos justificadores da atuação. A escrituração das despesas deve seguir o princípio da Competência. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na fase de impugnação. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. ABSORÇÃO DA MULTA ISOLADA PELO LIMITE DA MULTA DE OFÍCIO Incabível a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício sobre os mesmos fatos. Aplica-se o Princípio da Consunção, absorvendo-se a multa isolada até o limite do valor da multa de ofício aplicada. LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. PROCEDÊNCIA. Os valores levados a lançamento a título de IRPJ devem, obrigatoriamente, refletir-se nos lançamentos da CSLL em razão da base tributável das contribuições derivar da base do IRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, não conhecer o item 9 do recurso por sua preclusão, já que não foi objeto de impugnação em primeiro grau, nem os documentos carreados apenas por ocasião do recurso voluntário; os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva votaram pelas conclusões quanto ao não conhecimento dos documentos. No mérito, também por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação o montante de R$ 36.237,30, a título de duplicidade de glosa de despesas de aluguel e, por maioria de votos, para excluir a aplicação da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Ailton Neves da Silva que negavam provimento ao recurso para manter as multas isoladas. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Aílton Neves da Silva. Ausente o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, (Presidente em Exercício), Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2310; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 2.765          1 2.764  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16682.720950/2014­76  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1401­002.293  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de março de 2018  Matéria  IRPJ ­ GLOSA DE DESPESAS  Recorrente  CAMBRAIA E ROSA COMÉRCIO DE VEÍCULOS E SERVIÇOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009  RECURSO DE OFÍCIO.  RECEPÇÃO CONCLUSÕES DE DILIGÊNCIA.  COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.  Nega­se provimento a recurso de ofício quando a decisão que exonerou parte  das  exigências  baseou­se  nas  conclusões  de  diligência  que  concluir  pela  comprovação de parte das despesas anteriormente glosadas.  IMPUGNAÇÃO.  ÔNUS  DA  PROVA.  APRESENTAÇÃO  DE  NOVOS  DOCUMENTOS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.  As alegações apresentadas na impugnação devem ser acompanhadas das provas  documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador  administrativo,  em  observância  à  legislação  do  processo  administrativo  fiscal.  Descabe apresentação de novos documentos em sede de recurso voluntário sem  a justificação da impossibilidade de apresentação anterior e sem a possibilidade  de análise pela instância anterior.  NULIDADE  DA  DECISÃO  DE  PISO.  FALTA  E  FUNDAMENTAÇÃO.  INEXISTÊNCIA.   Inocorre  vício  de  falta  de  fundamentação  da  decisão  de  Piso  quando  se  comprova  que  a  mesma  analisou  as  provas  apresentadas  e  justificou,  fundamentadamente  aquelas  que  foram  dispensadas  por  não  cumprirem  os  requisitos legais.  GLOSA  DE  DESPESAS.  AUSÊNCIA  DE  NOTAS  FISCAIS  OU  PAGAMENTOS SEM A COMPROVAÇÃO DE SUA EFETIVIDADE.   Ausente  a  comprovação  da  efetividade  de  despesas  ­  ainda  que  regularmente  intimada  a  contribuinte  ­  e  carente  dos  demais  elementos  comprobatórios  tais  como  notas  fiscais  ou  contratos  entre  outros  elementos,  correta  é  a  glosa  correspondente.  GLOSA DE DESPESAS. DUPLICIDADE DE GLOSA. PROCEDÊNCIA.   Verificando­se  que  nas  glosas  realizadas  pela  fiscalização  encontra­se  despesa  glosada em duplicidade, é de se determinar a redução do excesso de glosa.  RATEIO  DE  DESPESAS  INTRAGRUPO.  AUSÊNCIA  DE  DEMONSTRAÇÃO DO CONTRATO E CRITÉRIOS. IMPROCEDÊNCIA.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 09 50 /2 01 4- 76 Fl. 2765DF CARF MF     2 Procede a glosa de despesas oriunda de referido rateio de despesas quando não  comprovada a existência de contrato de rateio, juntamente com os critérios para  distribuição de custos.  POSTERGAÇÃO  DE  DESPESAS.  IMPROCEDÊNCIA.  PRINCÍPIO  DA  COMPETÊNCIA PARA ESCRITURAÇÃO.  As despesas devem ser apropriadas ao exercício em que são realizada. Incabível  a postergação da dedução de despesas para exercício seguinte, sem a existência  de motivos justificadores da atuação. A escrituração das despesas deve seguir o  princípio da Competência.  MATÉRIA NÃO IMPUGNADA   Considera­se  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada na fase de impugnação.   MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. ABSORÇÃO  DA MULTA ISOLADA PELO LIMITE DA MULTA DE OFÍCIO   Incabível a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício sobre  os mesmos  fatos. Aplica­se  o  Princípio  da Consunção,  absorvendo­se  a multa  isolada até o limite do valor da multa de ofício aplicada.  LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. PROCEDÊNCIA.  Os  valores  levados  a  lançamento  a  título  de  IRPJ  devem,  obrigatoriamente,  refletir­se  nos  lançamentos  da  CSLL  em  razão  da  base  tributável  das  contribuições derivar da base do IRPJ.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares,  não  conhecer  o  item  9  do  recurso  por  sua  preclusão,  já  que  não  foi  objeto  de  impugnação  em  primeiro  grau,  nem  os  documentos  carreados  apenas  por  ocasião  do  recurso  voluntário;  os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin  e Daniel Ribeiro Silva  votaram  pelas  conclusões  quanto  ao  não  conhecimento  dos  documentos.  No  mérito,  também  por  unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação o montante de  R$ 36.237,30, a título de duplicidade de glosa de despesas de aluguel e, por maioria de votos, para  excluir a aplicação da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e  Ailton  Neves  da  Silva  que  negavam  provimento  ao  recurso  para  manter  as  multas  isoladas.  Participou  do  julgamento  o Conselheiro  Suplente Aílton Neves  da Silva. Ausente  o Conselheiro  Luiz  Augusto  de  Souza  Gonçalves.  Ausente  momentaneamente  a  Conselheira  Lívia  De  Carli  Germano.  (assinado digitalmente)   Guilherme Adolfo dos Santos Mendes ­ Presidente em Exercício.   (assinado digitalmente)  Abel Nunes de Oliveira Neto ­ Relator.    Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Guilherme  Adolfo  dos  Santos  Mendes,  (Presidente  em  Exercício),  Ailton  Neves  da  Silva,  Livia  De  Carli  Fl. 2766DF CARF MF Processo nº 16682.720950/2014­76  Acórdão n.º 1401­002.293  S1­C4T1  Fl. 2.766          3 Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues  Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.    Relatório  Iniciemos com a transcrição do relatório da Decisão de Piso.  Trata­se  de  autos  de  infração  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  –  IRPJ  e  lançamentos reflexos, às fls. 550­569, lavrados para exigir de CAMBRAIA E ROSA COMÉRCIO  DE  VEÍCULOS  E  SERVIÇOS  LTDA.,  pessoa  jurídica  tributada  pelo  regime  do  Lucro  Real,  crédito tributário de R$ 15.937.006,54, incluídos juros de mora, calculados até dezembro de 2014,  cf.  Demonstrativo Consolidado  do Crédito  Tributário  acostado  à  fl.  2,  em  virtude  das  seguintes  infrações,  verificadas  no  ano­calendário  de  2009,  que  se  encontram  discriminadas  no Termo  de  Verificação Fiscal – TVF – às fls 495­525:  1) CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS   Despesas  não  dedutíveis,  por  não  atenderem  aos  requisitos  da  necessidade,  normalidade  e  usualidade, no tipo de operações desenvolvidas pela empresa, em desacordo aos preceitos legais,     Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3° da Lei  n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do  RIR de1999     2) DESPESAS NÃO COMPROVADAS   Glosa de despesas para as quais o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou documentos  hábeis e idôneos, que comprovassem sua existência e dedutibilidade.     Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3° da Lei  n° 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 264, 276, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99     3)  INOBSERVÂNCIA  DO  REGIME  DE  ESCRITURAÇÃO  REDUÇÃO  INDEVIDA  DO  LUCRO REAL CAUSADA POR POSTERGAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS   Postergação no reconhecimento de custos ou despesas dedutíveis, referentes ao ano­calendário de  2008, resultando no não recolhimento (ou recolhimento a menor) do IRPJ no(s) período(s) em que  reconheceu o custo ou despesa postergada.    Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009. art. 3° da Lei n°  9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 273 e 274 do RIR/99     4) MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE  CÁLCULO ESTIMADA   Falta  de  pagamento  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica,  incidente  sobre  a  base  de  cálculo  estimada em função de balanços de suspensão ou redução.   Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 31/01/2009 e 31/12/2009. Arts. 222 e 843  do RIR/99; art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei  n° 11.488/07    Fl. 2767DF CARF MF     4 2. No referido TVF, a autoridade fiscal informa que o procedimento fiscal em tela – respaldado  pelo  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  n°  07.1.85.00­2013­00204­4  –  foi  instaurado  em  decorrência de  Inferência Fiscal,  elaborada pela Demac/RJO, cujo  foco era a verificação das  receitas  não  operacionais  e  grupos  de  contas  de  despesas  operacionais  previamente  selecionadas.   3. A ação fiscal teve início em 25/06/2013, quando foi dada ciência à contribuinte do Termo de  Início  de  Fiscalização,  às  fls.  3­4;  seguiram­se,  depois  disso,  10  intimações  entre  agosto  de  2013  e  novembro  de  2014,  nas  quais  a  autoridade  fiscal  requereu,  sem  sucesso  em  muitas  ocasiões,  à  fiscalizada que apresentasse  livros  societários  e  fiscais,  além de demonstrações  e  esclarecimentos sobre despesas e ganhos não operacionais.,   Despesas não dedutíveis ou não comprovadas     4. A análise da documentação enfim disponibilizada pela contribuinte revelou que grande parte  dos  documentos  comprobatórios  apresentados  consistia  tão­somente  de  transferências  bancárias  (DOC,  TED)  insuficientes  para  a  confirmar  a  efetiva  prestação  de  serviços  ou  fornecimento  de materiais,  nos  termos  do  art.  299  do RIR  de  1999  e  do  Parecer Normativo  CST nº 321, de 1981, dado que, verbatim:     (...) somente poderá ser considerada operacional e dedutível, para fins do IRPJ e da CSLL, a  despesa para qual for demonstrada a estrita conexão do gasto com a atividade explorada, bem  como,  é  condição  essencial  que  esteja  revestida  de  caráter  de  necessidade,  normalidade  e  usualidade, no tipo de operações desenvolvidas pela empresa.     5. Desse modo – ressaltou a autoridade fiscal – a contribuinte teria deixado de cumprir com sua  obrigação  de  manter  em  boa  ordem  livros  e  documentos  relacionado  a  suas  atividades  e  situação  patrimonial,  e  de  apresentá­los  à  fiscalização  quando  demandada,  conforme  estabelecem  os  art.  264,  276  e  923  do  RIR  de  1999,  além  de  pacífica  jurisprudência  administrativa. Não foram, portanto, consideradas operacionais – conclui – despesas lastreadas  tão­somente em notas fiscais com especificação genérica emitidas pela prestadora dos serviços,  ou a demonstração de um pagamento efetuado, sem respaldo em contratos ou notas fiscais.   6. No caso em tela, salienta, a finalidade da interessada, conforme documentação societária é:  a) comercialização de veículos nacionais e importados, novos e usados; b) comercialização de  auto peças; c) manutenção de veículos em geral; d) locação de veículos em geral; e) exposição  de veículos; f) participação em outras sociedades e, por fim, g) intermediação de negócios; não  podem se enquadrar na categoria de despesas dedutíveis, pois, despesas que constituem “ato de  favor, estranho aos objetivos sociais”.     Rateio de despesas entre Pessoas Jurídicas pertencentes a um mesmo grupo econômico     7.  No  mesmo  sentido,  a  dedutibilidade  de  despesas  rateadas  entre  sociedades  empresárias  pertencentes a um mesmo grupo econômico para a apuração do lucro real e da base de cálculo  da CSLL,  encontra­se disciplinada no art. 299 do RIR de 1999,  segundo o qual devem estar  devidamente demonstradas – por meio de escrituração e comprovantes de pagamento – e ser  calculadas com base em critérios de rateio objetivos, previamente ajustados e formalizados por  instrumento  firmado entre os  intervenientes,  cf. Solução de Consulta COSIT nº 8 de 2012 e,  mais  recentemente, da Solução de Divergência COSIT nº ° 23 ­ Cosit, de 23 de setembro de  2013.     Regime de competência   Fl. 2768DF CARF MF Processo nº 16682.720950/2014­76  Acórdão n.º 1401­002.293  S1­C4T1  Fl. 2.767          5   8. Em seguida, a autoridade fiscal destaca o descumprimento da obrigação de ser observado o  Regime de Competência na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL estatuída nos  art. 247 e 273 do RIR de 1999, segundo o qual o lançamento de diferença de imposto apurado  em  virtude  de  inexatidão  quanto  ao  período  de  incidência  deve  ser  feito  pelo  valor  líquido  depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o  contribuinte tiver direito.     Lançamentos – Despesas não comprovadas ou não dedutíveis     9.  Em  face  dos  eventos  apurados,  bem  assim,  do  conteúdo  da  Declaração  de  Informações  Econômico  Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  ­  DIPJ  e  das  Declarações  de  Débitos  e  Créditos  Tributários Federais ­ DCTF referentes ao ano­calendário de 2009, a autoridade fiscal decidiu:   a)  glosar  as  despesas  não  comprovadas  documentalmente,  ou  com  comprovação  deficiente,  discriminadas  nos  Anexo  1  e  2  do  TVF  às  fls.  526­532,  no  total  de  R$  5.146.387,29  e  R$  3.839.931,06, respectivamente;   b)  glosar  as  despesas  cuja  efetividade  e  necessidade  não  foram  demonstradas,  dado  que  diversas notas fiscais ou recibos de honorários apresentados pela contribuinte continham uma  descrição genérica do serviço prestado; cf. se encontra discriminado Anexo 3, às fls. 533­536 ,  que totaliza R$ 6.366.365,77;   c) glosar despesas rateadas entre pessoas jurídicas do mesmo grupo por falta de demonstração  das  despesas  e  de  demonstração  dos  critérios  de  rateio  empregados;  –  informa  a  autoridade  fiscal que, nesse quesito, a contribuinte apresentou Notas de Débito – ND – emitidas por outras  pessoas  jurídicas  pertencentes  ao  mesmo  grupo  empresarial  desacompanhadas,  porém,  de  demonstrativos  dos  critérios  de  rateio  utilizados,  de  comprovantes  do  efetivo  pagamento  e  assinadas  apenas  pelo  contador  da  interessada;  outra  particularidade  –  acrescenta  –  é  que  ocorrem  repetições  sistemáticas  de  débitos  das  mesmas  despesas  administrativas  simultaneamente por diversas empresas do grupo, embora com valores diferentes, o que não é  comum, dado que o normal seria a concentração em uma única empresa, do controle dos gastos  referentes aos departamentos de apoio administrativo centralizados e posterior rateio dos custos  e despesas administrativas;   d) tais despesas, alcançaram R$ 8.526.870,55, cf. vide anexos Anexos 4 e 5, às fls. 536­545;     10.  Todas  as  glosas  supra  referidas  foram  sintetizadas  na  tabela  à  folha  516,  reproduzida  a  seguir.   Fl. 2769DF CARF MF     6     11. Note­se que as despesas objeto da Infração 1 (Despesas não dedutíveis) está contemplada  no  Anexo  3,  enquanto  as  Infrações  2  (Despesas  não  comprovadas)  e  3  (Inobservância  do  Regime de Escrituração) englobadas nos demais anexos.     Lançamento – Não adição de despesas não dedutíveis     12. Ato  contínuo,  a  autoridade  fiscal  aborda  no  TVF  a  ausência  de  adição  de  despesas  não  dedutíveis,  como  o  imóvel  residencial  alugado,  em  nome  da  empresa,  escriturado  como  “residência da senhora Beth”, no total de R$ 210.279,31, cf. tabela à fl. 517.   13.  Analogamente,  os  aluguéis  discriminados  na  planilha  "Composição  alugueis  Cambraia  2009" na qual constam os valores de R$ 52.000,00  (entre  janeiro e março de 2009) e de R$  56.087,00 (entre abril e dezembro daqueles anos) para a despesa de aluguel da concessionária  MARSEILLE, tendo em vista que, no contrato de aluguel comercial, firmado entre a empresa e  a locadora, SRR (pertencente ao mesmo grupo econômico), vigente no período de 01/10/2006  a 30/09/2016, consta o valor  inicial de R$ 26.600,00, corrigido  anualmente pela variação do  IGPM/FGV.   14.  Adotando  o  IGPM  da  Fundação  Getúlio  Vargas,  para  corrigir  o  valor  desse  aluguel  registrado  em  contrato,  a  autoridade  fiscal  entendeu  que  a  diferença  a  maior  contabilizada  como despesas pela  contribuinte,  sem apresentar motivo  justificável,  constituía  ato de  "mera  liberalidade",  inidôneo,  portanto,  para  permitir  a  dedução  da  despesa  de R$  281.440,87,  cf.  tabela à fl. 518.   15. No mesmo  sentido,  o  sujeito  passivo  apresentou,  em  resposta  aos  Termos  de  Intimação  Fiscal  nº  03  a  10,  comprovante  da  despesa  de  R$  134.000,00,  referente  à  aquisição  de  22  pulseiras de ouro amarelo; dado que a atividade principal da contribuinte é a comercialização  de  veículos,  também  essa  despesa  não  atenderia  –  juízo  da  autoridade  fiscal  a  quo  –  aos  requisitos da necessidade, normalidade e usualidade.   16. Acrescente que despesas com brindes – caso  fosse essa a hipótese –  também não seriam  dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, devendo, portanto,   as  bases  de  cálculo,  nos  termos  do  artigo  13, VII,  da  Lei  nº  9.249,  de  1995,  c/c  o  art.  249,  parágrafo único, VIII, do RIR de 1999.   Fl. 2770DF CARF MF Processo nº 16682.720950/2014­76  Acórdão n.º 1401­002.293  S1­C4T1  Fl. 2.768          7 17.  O  somatório  dessas  despesas  constituem  o  montante  da  Infração  1  alcançando:  R$  625.720,18, cf. tabela à fl. 519.     Postergação de Despesas     18. A autoridade fiscal constatou que notas fiscais e de honorários no total de R$ 178.525,01,  referiam­se  a  despesas  operacionais  do  ano­calendário  de  2008,  caracterizando,  assim,  inobservância  do  regime  de  competência,  e,  consequentemente,  postergação  de  despesas  daquele ano­calendário para o de 2009, cf. tabela à fl. 520.   19. Tais despesas, ademais, não tinham sido contabilizadas no ano­calendário de 2008, o que  teria  implicado  duplicidade  de  deduções,  em  face  da  inexatidão  do  período  de  apuração  de  competência.  Procedeu,  então,  ao  lançamento  de  diferença  de  imposto  com  base  no  valor  líquido depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração  a que o contribuinte tinha direito.   20. Explica a autoridade fiscal:     Como  no  ano­calendário  de  2008  o  contribuinte  apurou  prejuízo  real  e  base  negativa  da  CSLL, no valor de R$ 29.535.594,03, conforme se observa em sua Declaração de Informações  Econômico  Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  ­  DIPJ  2009/2008,  original,  transmitida  em  14/10/2009,  sob  o  nº  0001523399,  anexa  a  este  processo,  a  postergação  de  despesas  operacionais  do  ano­calendário  de  2008  para  2009  implicou  na  redução  indevida  do  lucro  real e da base de cálculo da CSLL no ano­calendário de 2009, posto que já não havia imposto  nenhum a compensar em 2008.   Outrossim,  a  correta  apropriação  das  despesas  dedutíveis  incorridas  no  ano­calendário  de  2008,  por  esta Fiscalização,  ocasionou  o  aumento  do  prejuízo  fiscal  e  da  base  negativa  da  CSLL, neste período, para o valor de R$ 29.714.119,04. Tais alterações  foram consideradas  por esta Fiscalização no presente levantamento, como também, foram devidamente registradas  em nossos controles.   Desta forma, tendo o contribuinte não observado o regime de competência na escrituração de  algumas  despesas  operacionais,  ocasionando  a  redução  indevida  do  lucro  real  no  ano­ calendário de 2009, cabe à fiscalização apurar estes valores, conforme demonstrado no Anexo  6  a  este  Termo  de  Verificação  Fiscal,  intitulado  "Despesas  do  Ano­calendário  de  2008  Postergadas para o Ano­calendário de 2009", e lançar a respectiva infração.   21. A Tabela 3,  à  fl.  521,  reproduzida abaixo, discrimina os valores  a  serem  adicionados de  ofício os referidos às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (infração reflexa) no ano­calendário  de 2009, e, os montantes a pagar destes tributos.     Fl. 2771DF CARF MF     8   Multas de ofício e isolada aplicadas concomitantemente     22.  Por  fim,  foram  aplicadas  a multa  de  ofício  e  a multa  isolada,  essa  última  em virtude  da  insuficiência  ou  falta  de  pagamento,  após  o  término  do  ano­calendário.  As  sanções  foram  calculadas  sobre  as  diferenças  de  IRPJ  e  CSLL  apuradas  mensalmente,  no  período  entre  01/2009  e  12/2009,  não  declaradas  em  DCTF,  com  códigos  de  recolhimento  2362  e  2484,  respectivamente, conforme discriminado nos Anexos 7 e 8, às fls. 547­548 dos autos.   23. Antecipa­se a autoridade fiscal em defender a compatibilidade da cobrança cumulativa da  multa de ofício e da multa isolada, nos seguintes termos:     Da  análise  do  artigo  44  da  Lei  n°  9.430/1997,  combinado  com  o  art.  16  da  Instrução  Normativa (IN) SRF n° 93/1997, de 24 de dezembro de 1997, (...) verifica­se que tanto a multa  de  ofício  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  aplicada  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, quanto à multa de 50% (cinquenta por cento), exigida  isoladamente sobre o valor do pagamento mensal da estimativa não recolhida, estão previstas  em hipóteses legais distintas (incisos I e II da Lei n° 9.430/1996), havendo previsão explícita  para  que  sejam  cobradas  de  forma  cumulativa,  e  após  o  período  de  apuração  (IN  SRF  n°  93/1997). A multa  isolada ainda é devida mesmo que o  somatório das  estimativas apuradas  pela Fiscalização supere a contribuição apurada ao final do ano­calendário. Tal entendimento  resta evidente da leitura da alínea “b” do art. 44 da Lei n°9.430/1996.   24. Reforça o entendimento com reiterada jurisprudência administrativa.   25. Acrescenta que a comprovação das infrações referentes à CSLL e ao IRPJ são decorrentes  dos  mesmos  elementos  de  prova,  os  Autos  de  infração  foram  formalizados  em  um mesmo  processo, conforme determina o art. 92, §1º, do Decreto nº 70.235, de 1972.     Ciência do auto de infração     26.  Devidamente  cientificada  em  17/12/2014,  cf.  documento  à  fl.  594,  a  contribuinte  apresentou, em 15/01/2015,  impugnação, coligida às fls. 690­722, subscrita por representante  com poderes conferidos por procuração e documentos profissionais e societários às fls. 1.149­ 1.199. Acompanham a peça impugnatória os documentos às fls. 738­1.141, 1.200­1.390   Fl. 2772DF CARF MF Processo nº 16682.720950/2014­76  Acórdão n.º 1401­002.293  S1­C4T1  Fl. 2.769          9   Impugnação   Preliminar de Nulidade     27. Em caráter preliminar a contribuinte alega que o lançamento em tela contém vícios em sua  fundamentação que não permitiram à Contribuinte identificar as razões específicas pelas quais  os  comprovantes  de  despesas  apresentados  foram  desconsiderados  pela  fiscalização,  implicando, assim, cerceamento de seu direito de defesa.   28.  Argumenta  que,  de  acordo  com  o  TVF,  teria  cometido  três  diferentes  infrações:  1)  não  comprovação de despesas (R$ 23.879.554,67); 2) falta de adição de despesas indedutíveis (R$  625.720,18)  e  3)  indevida  postergação  de  despesas  (R$  178.525,01).  A  motivação  do  lançamento decorre do fato de que, supostamente, não teria logrado comprovar a existência e a  dedutibilidade das despesas mencionadas.   29. Acrescenta que:     (...)  nas  poucas  oportunidades  em  que  o  TVF  se  refere,  em  específico,  aos  documentos  apresentados pela Contribuinte, restam dúvidas sobre os motivos que levaram a fiscalização a  desconsiderá­los.  É  o  que  ocorre,  exemplificativamente,  quanto  às  notas  fiscais  relativas  à  prestação  de  serviços  jurídicos,  de  consultoria  empresarial  e  de  propaganda  e  marketing,  despesas  operacionais  cuja  documentação  foi  grosseiramente  descartada  pela  autoridade  administrativa.     30.  Haveria,  pois,  ausência  de  fundamentação  legal  e  de motivação,  razões  suficientes  para  provocar a nulidade do auto de infração lavrado. O ato administrativo está, ademais, vinculado  aos motivos que o provocaram – cf. a teoria dos motivos determinantes – a portanto, se esses  são inexistentes ou falsos, inquinam o ato de nulidade.   31. Reforça seu entendimento com respeitável jurisprudência administrativa.     Razões de mérito     32. Em breve resumo alega que:     a)  todas  as  despesas  deduzidas,  além  de  necessárias  às  atividades  da  pessoa  jurídica,  encontram­se devidamente comprovadas pela documentação que instrui a impugnação;   b)  um  simples  exame  do  Anexo  1  revela  que  as  despesas  ali  glosadas  se  referem,  em  sua  maioria,  a  diversos  dispêndios  legítimos,  de  tal  sorte  que  o  fundamento  da  autuação,  nesse  caso,  não  reside  na  natureza  das  despesas  glosadas,  mas  sim  na  suposta  ausência  de  sua  comprovação; por esse motivo, a peça impugnatória foi instruída com documentos que atestam  a existência, a natureza, e o efetivo pagamento de  tais  rubricas; – segue­se um detalhamento  mensal de algumas dessas despesas, às fls. 698­700;     Fl. 2773DF CARF MF     10 c) há despesas operacionais que teriam sido triplamente glosadas, quais sejam, as escrituradas  na conta contábil 442002 – Despesas Operacionais Diversas, consolidadas na tabela à fl. 700,  que totalizam R$ 432.861,12;   d) tais despesas, decorrentes de serviços de planejamento tributário e de consultoria, estariam  integralmente  comprovadas pela documentação  que  acompanham a  impugnação e  foram por  glosadas pela Fiscalização em três ocasiões: duas no Anexo 1 (meses de janeiro e abril) e uma  no Anexo 2 (janeiro);   e) cf. consta do próprio Anexo 1 do TVF, no mês de janeiro, as despesas da conta 442002, que  se  referiam  ao  pagamento  de  honorários  advocatícios  e  antes  estavam  escrituradas  na  conta  411405,  foram  reclassificadas  por  engano  como  "despesas  diversas  operacionais";  por  esse  motivo,  consta  do  campo  "histórico"  a  sigla  RECLAS  CONTAS,  que  indica  justamente  a  reclassificação contábil promovida pela contribuinte; em abril de 2009, contudo, a impugnante  observou o erro cometido e promoveu reclassificação contábil na qual retornou os mesmos R$  432.861,12  para  a  conta  411405,  sem,  contudo,  deduzir  novamente  a  despesa  dado  que  se  tratava de mera reclassificação contábil;   f) teria ocorrido, porém, um novo equívoco, pois essa mesma despesa foi incluída no Anexo 2  do TVF, que trata de despesas glosadas pela apresentação deficiente de documentos;   g) no que se  refere  às despesas de aluguéis,  existem contratos de  locação vigentes durante o  período fiscalizado que foram acostados ao conjunto probatório que acompanha a impugnação,  uma parte dos quais  foi  paga por meio de  cheques, cujas microfilmagens,  serão  exibidas em  momento oportuno;   h) referido Anexo 1 glosa em duplicidade o valor de R$ 36.237,30 – cf. tabela à fl. 703 – que  envolve,  mais  uma  vez,  mera  reclassificação  de  despesa,  cf.  se  observa  do  histórico  do  documento;   i)  constam  ainda  do  Anexo  1  do  TVF  despesas  que  não  chegaram  a  ser  deduzidas  pela  contribuinte,  vez que  foram estornadas  antes do procedimento  fiscal,  é o  caso, por  exemplo,  dos valores de R$ 200.000,00 e R$ 6.690,00 (DOC 100011382), referentes ao mês de janeiro  de 2009, contabilmente estornados pelo DOC 100018862 e, portanto, não deduzidos do lucro  líquido da contribuinte; todos estes valores – entende – devem ser excluídos da base de cálculo  dos presentes lançamentos;   j) quanto às despesas para as quais, de acordo com o TVF, os documentos apresentados pela  impugnante, serviriam à comprovação do pagamento mas não da efetiva prestação dos serviços  ou  entrega  dos  materiais,  a  interessada  vem  apresentar,  desde  já,  parte  da  documentação  necessária, a qual, devido ao grande volume, será oportunamente complementada;     k) por ora, destaca a comprovação de despesas relativa à prestação de serviços de planejamento  tributário, advocatícios e consultoria de viabilidade técnica, bem como de desenvolvimento de  programas de computador, aquisição de produtos de limpeza e de placas automotivas, despesas  vinculadas à propaganda e marketing, serviços de panfletagem e o fornecimento de buffet para  evento de lançamento de novos veículos;   l)  o  art.  366  do  RIR  de  1999  admite  como  despesa  dedutível  gastos  com  propaganda  e  publicidade,  segundo  a  fiscalização,  porém,  os  documentos  a  eles  relacionados  não  foram  suficientes para comprová­los o que impôs um ônus adicional à interessada, haja vista que não  Fl. 2774DF CARF MF Processo nº 16682.720950/2014­76  Acórdão n.º 1401­002.293  S1­C4T1  Fl. 2.770          11 dispõe de outros meios de comprovação além das notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas  idôneas, e comprovantes das operações bancárias de pagamento;   m) as despesas referentes a assessoria advocatícia, prestados por Autos Consultoria e Pesquisa,  Terco Grant Thornton Auditoria e Consultoria e CF 2009 Consultoria Empresarial Ltda, podem  ser  classificadas  como  operacionais,  na  forma  do  art.  47,  §2º,  da  Lei  nº  4.506,  de  1964,  demandando, portanto, sua exclusão dos lançamentos ora atacados;   n)  a  sociedade  empresária  AUTOS  CONSULTORIA  prestou  à  impugnante  serviços  de  desenvolvimento  de  marketing  de  venda  de  veículos  novos  e  usados;  TERCO  GRANT  THORNTON AUDITORIA E CONSULTORIA, empresa idônea e com tradição no mercado,  examinou  os  parcelamentos  tributários  mantidos  pela  impugnante  e,  finalmente,  CF  2009  CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. prestou serviços de levantamento e identificação de  créditos  de  PIS  e  COFINS  na  aquisição  de  veículos  novos.  Em  todos  os  casos  trata­se  de  despesas corretamente classificadas como operacionais e dedutíveis;   o)  nota  fiscal  e  comprovante  bancário,  também  foram  apresentados  para  comprovar  despesa  com  honorários  advocatícios  do  escritório  MATTOS  FILHO  &  ADVOGADOS  ASSOCIADOS (NFS 97393, 99283 E 99655); e, contraditoriamente,  foram admitidos para a  dedução de despesas em relação ao exercício de 2008;   p) a glosa das despesas para a contratação de buffet para confraternização de final de ano de  seus funcionários – pagos à fornecedora VIA FUNCHAL EMPREENDIMENTOS LTDA. no  mês de novembro de 2009 não merece prosperar porque gastos dessa natureza são amplamente  aceitos pela  jurisprudência  administrativa como dedutíveis,  devendo,  assim,  ser  excluídos da  base de cálculo do IRPJ e da CSLL;   q) na rubrica despesas glosadas pela  falta de demonstração da efetividade e dos critérios de  rateio empregados, objeto dos Anexos 4 e 5, encontram­se os dispêndios realizados em razão  de contrato de compartilhamento de custos celebrado com outras empresas pertencentes ao seu  mesmo grupo econômico; a ilação da autoridade fiscal segundo a qual a prática adotada   pela  impugnante  era  "pouco comum",  porque  todas  as despesas  foram  concentradas  em uma  única  empresa,  não  resiste  ao  argumento  de  que  não  existe  norma  determinando  o  compartilhamento  de  custos  com  todas  as  empresas  do  grupo;  portanto,  a  comprovação  da  existência de critérios objetivos para o rateio é suficiente para afastar a glosa em questão;   r) a suposta falta de adição da despesa não dedutível, no montante de R$ 281.440,87, referente  à diferença entre o valor do aluguel contratado pela impugnante e aquele que fora efetivamente  pago  durante  o  ano  de  2009,  não  merece  prosperar,  porque  o  contrato  que  serviu  de  fundamento  à  Fiscalização  foi  rescindido  no  ano  de  2008,  tendo  sido  substituído  por  instrumento  contratual  anexado  à  impugnação  com  validade  entre  01/03/2008  e  28/02/2018.  Tal contrato estipula o aluguel em exatos R$ 52 mil – cf. cláusula terceira – não havendo que  se falar, pois, em pagamentos a maior, por "mera liberalidade";   s)  do  mesmo  modo,  não  há  que  se  falar  em  postergação  de  despesas  dado  que,  segundo  documentos que  acompanham a  impugnação  referidas despesas  “foram  incorridas durante o  ano­calendário de 2009, uma vez que efetivamente pagas neste exercício”;     Concomitância das Multas     Fl. 2775DF CARF MF     12 33. No que diz respeito à aplicação concomitante de multa de ofício (75%) e de multa isolada  (50%) em razão do não recolhimento das estimativas mensais lançadas nos moldes das demais  rubricas, a impugnante alega que tais multas devem ser afastadas, em primeiro lugar, em face  dos argumentos apresentados anteriormente, que demonstram a legalidade de todos os atos por  ela praticados, e adicionalmente porque do contrário, haveria indevido bis in idem, penalizando  a contribuinte duas vezes por uma mesma conduta.   34.  Argumenta  que  a  matéria  é  regida  pelo  art.  44,  I  e  II,  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  que  estabelecem os mesmos critérios pessoal e material da norma de incidência em ambos os casos,  nesses  termos,  se  a  quantificação  da  obrigação  principal  é  o  valor  decorrente  da  apuração  definitiva  do  tributo,  o  mesmo  tratamento  deve  ser  adotado  em  relação  à  aplicação  das  penalidades, devendo prevalecer, pois,  a multa aplicada quando o  contribuinte não  recolhe o  tributo devido em conformidade com a apuração definitiva.   35. Ademais,  a conduta: deixar de recolher antecipadamente o  tributo,  se exaure com o não  recolhimento do tributo apurado quando da consolidação da obrigação principal devida ao final  do exercício, nessas circunstâncias, se várias normas sancionadoras concorrem entre si, importa  identificar  o  bem  jurídico  tutelado  a  fim de  solucionar o  conflito  normativo,  deve­se,  então,  investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra,  no  caso  de  o  fato  tipificado  transitar  de  uma  lesão menor,  para  outra,maior, mas  de mesma  natureza. No caso em tela – continua – o bem jurídico mais  importante é o crédito  tributário  apurado  ao  fim do  ano­calendário,  enquanto  o  secundário  é  a  antecipação  do  fluxo  de  caixa  associado  àquele,  portanto,  a  penalidade  da  segunda  conduta,  deve  ser  absorvida  pela  penalidade vinculada à obrigação principal.   36.  Conclui  alegando  que  a  legislação  não  determina  expressamente  a  concomitância  das  sanções e traz ao feito, respeitável jurisprudência administrativa sobre a matéria.     Lançamentos reflexos     37. As imputações fiscais resultaram no lançamento de auto de infração relativo ao imposto de  renda  e,  reflexamente,  também  da  CSLL,  como  consequência  lógica,  de  toda  as  despesas  comprovadamente  efetivas  e  necessárias  que  forem  excluídas  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  também deverão ser expurgadas da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido.   38. Segundo a  impugnante, o  art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988 c/c art. 13 da  lei nº 9.249, de  1995, e  também a mais  recente  jurisprudência administrativa do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais – CARF – determina que deverão ser excluídas da base de cálculo da CSLL  todas  as  despesas  cuja  efetividade,  na  forma  da  legislação  comercial,  restarem  comprovada,  ainda que, por outras razões, sejam consideradas indedutíveis em relação à base de cálculo do  imposto de renda.   39.  Portanto,  no  que  tange  à  CSLL,  a  comprovação  de  que  a  pessoa  jurídica  incorreu  na  despesa na forma prevista pela legislação comercial, é suficiente para a sua dedução da base de  cálculo da contribuição, ainda que, eventualmente, seja mantida na base de cálculo do IRPJ.     Pedido     40. Requer, por fim, que a impugnação seja conhecida e integralmente provida.     Fl. 2776DF CARF MF Processo nº 16682.720950/2014­76  Acórdão n.º 1401­002.293  S1­C4T1  Fl. 2.771          13 Da  análise  da  impugnação  e  das  razões  da  autuação  a  Delegacia  de  Julgamento entendeu pelo cancelamento parcial das glosas realizadas e julgou procedente em  parte a impugnação, reduzindo parcialmente o auto de infração.  Desta  redução,  que  montou  em  valores  originais  de  R$  1.028.675,14  a  própria Delegacia  recorreu  de ofício  a  esta CARF,  na  forma das  normas  regulamentares  em  vigor à época da decisão.  Cientificado  da  autuação  o  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  no  qual aduziu as seguintes alegações:  1 ­ Nulidade ­ Vício na Fundamentação ­ Alega que não restou claro nem na  fiscalização  e  nem  na  decisão  da DRJ  o  porque  de  parte  dos  documentos  apresentados  pela  empresa  como  comprovantes  de  suas  despesas  não  ter  sido  considerado.  Alega  que  não  foi  apresentada  fundamentação  para  não  aceitação  das  despesas  com  contratos  de  planejamento  tributário, consultoria empresarial, propaganda e marketing, transporte, vale­transporte, outras  despesas  operacionais  e  rateio  de  despesas  com  as  demais  empresas  do  grupo  econômico.  Alega  citações  da  doutrina  e  a  teoria  dos  motivos  determinantes  como  essenciais  para  caracterizar o vício da autuação.  2  ­ Mérito  ­ Despesas não Comprovadas  ­ Alega que  tanto na  impugnação,  quanto  agora  no  recurso  voluntário,  apresentam  não  só  os  comprovantes  de  sua  existência,  como de seu pagamento e efetividade de acordo com os documentos acostados junto com suas  peças recursais. Apresenta, em sua defesa, a contestação de algumas despesas específicas com  a  exemplificação  de  sua  efetividade  e  essencialidade,  como  consultoria  tributária,  vale­ transporte,  SERASA,  pagamento  de  honorários  advocatícios,  frete  para  o  transporte  de  veículos.  3  ­ Mérito  ­  Receitas  Triplamente  Glosadas  ­  Argumenta,  neste  ponto  que  embora o acórdão tenha reconhecido parcialmente a duplicidade de glosa das despesas da conta  442002,  alega  que  estas  foram  glosadas  em  triplicidade  e  que,  mais  ainda,  estas  estariam  devidamente  comprovadas.  Alega  que  estas  despesas  foram  classificadas  incorretamente  na  conta 411405, depois foi reclassificada para a conta 442002,  tendo sido glosadas duas vezes.  Tais despesas de referiam a honorários advocatícios. Assim alega que a glosa deve ser excluída  tanto em janeiro, quanto em abril/2009.  4 ­ Mérito ­ Glosa de Despesa de Aluguel ­ Duplicidade ­ Alega que na tabela  abaixo está demonstrada que a despesa de aluguel foi indevidamente glosada duas vezes.    Alega ainda que a glosa deve ser cancelada porque durante o procedimento  foi apresentado comprovante bancário de valor menor em razão da dedução do IR não retido  em meses anteriores e mesmo assim a despesa foi glosada sem qualquer justificativa.  Fl. 2777DF CARF MF     14 5  ­ Mérito  ­ Despesas Posteriormente Estornadas  ­ Alega que determinadas  despesas incluídas no mês de janeiro/2009 como por exemplo de R$ 200.000,00 e R$ 6.690,00,  foram posteriormente estornadas e, assim, não influíram no resultado líquido da empresa.  6  ­  Mérito  ­  Despesas  Glosadas  ­  Documentação  deficiente  ­  II  Item  da  infração I­ Este ponto se refere às despesas que teriam sido comprovadas como pagas, mas que  não  consta  comprovação  da  efetividade  dos  serviços.  Alega  que  nem  a  fiscalização,  nem  a  Decisão  de  Piso  apresentaram  os  motivos  pelos  quais  consideraram  que  as  despesas  não  estavam devidamente comprovadas.   7 ­ Mérito ­ Despesas Glosadas ­ Não demonstrada Efetividade e Necessidade  dos Serviços ­ III Item da infração I ­   Propaganda e Publicidade => A glosa foi mantida em razão de a empresa não  ter  demonstrado  a  efetividade  na  prestação  dos  serviços.  A  recorrente  entende  que  sendo  despesas operacionais e rotineiras a simples apresentação das notas fiscais e comprovantes de  pagamento é suficiente para demonstrar sua efetividade.  Honorários advocatícios, Assessoria e Consultoria => Alega neste item que o  contrato  firmado  com  a  empresa  Autos  se  refere  a  serviços  de  consultoria  operacional  e  de  marketing.  Que  se  tratam  de  despesas  operacionais.  Que  o  valor  dispendido  no  ano  de  R$  1.328.000,00 é plenamente compatível com o valor ajustado entre as partes.  Os serviços da Empresa Terco Grant se referiam a exames dos parcelamentos  tributários  a  fim  de  verificar  a  existência  de  duplicidades  e,  sendo  necessárias,  devem  ser  mantidas.  A  empresa  CF  2009  Consultoria  realizou  serviços  de  levantamento  de  créditos de PIS/COFINS na aquisição de veículos novos.  Alega  que  em  relação  a  estes  itens  não  foi  apresentada  justificativa  para  a  manutenção das glosas, apesar de ter sido comprovado o efetivo pagamento dos serviços.  8 ­ Mérito ­ Despesas Glosadas ­ Falta de demonstração da efetividade e dos  Critérios  de  Rateio  Empregados  ­  Alega  a  existência  de  contrato  de  compartilhamento  de  custos  entre  as  empresas  do  grupo.  Que  o  contrato  em  questão  determina  a  repartição  dos  custos  em  razão  do  faturamento  de  cada  empresa  do  grupo  e  que  inexiste  previsão  legal  a  impedir a utilização destes contratos.  9 ­ Mérito ­ Contradição nos Lançamentos ­ Entende ter havido contradição  no  lançamento  tendo  em  vista  que,  desconsiderando  o  contrato  de  compartilhamento  a  fiscalização  glosou  os  lançamentos  de  débito  referentes  ao  contrato,  no  entanto, manteve  os  lançamentos a crédito da empresa baseados no mesmo contrato. Pleiteia, assim, que caso seja  mantida  a  desconsideração  do  rateio  de  despesas,  que  seja  feito  com  todas  as  suas  consequências também em relação aos lançamentos a crédito.  10 ­ Mérito ­ Infração 03 ­ Postergação de Despesas ­ Alega a empresa que as  despesas glosadas referem­se efetivamente ao ano de 2009 vez que foram pagas neste ano.  11  ­  Concomitância  das  Multas  Isoladas  e  de  Ofício  ­  Protesta  pela  impossibilidade de manutenção das aplicação das duas multas em conjunto sobre os mesmos  fatos.  Fl. 2778DF CARF MF Processo nº 16682.720950/2014­76  Acórdão n.º 1401­002.293  S1­C4T1  Fl. 2.772          15 12  ­ Lançamentos Reflexos de CSLL ­ Alega que devem ser  cancelados os  lançamentos de CSLL para as despesas que, sendo glosadas na apuração do lucro real, sejam  dedutíveis na apuração do lucro líquido, tendo em vista que as normas que regulam os tributos  são diversas. Apresenta precedentes do próprio CARF.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  legais,  assim  dele  tomo  conhecimento.  Do Recurso de Ofício  Na análise do recurso de ofício, faz­se mister verificar se a soma dos valores  atualizados do principal, multa e juros reduzidos pela decisão de primeira instância monta em  mais de R$ 2.500.000,00 conforme valor de alçada modificado após a prolação da Decisão de  Piso.   Realizando  a  atualização  do  montante  excluído,  R$  1.028.675,14,  resultou  em multa de R$ 771.506,35 e  juros de R$ 1.111.612,06,  totalizando R$ 2.911.763, 55,  razão  pela qual deverá ser objeto de análise o recurso de ofício.  Com  relação  ao  recurso  de  ofício  manejado  pelos  julgadores  a  quo,  verificamos  que  o  julgamento  de  primeira  instância  já  aprofundou  a  análise  realizada  pela  fiscalização  e  admitiu  diversas  despesas  que  teriam  sido  comprovadas  pela  documentação  apresentada juntamente com a impugnação.  Assim, tendo em vista que a decisão a quo limitou­se apenas a reconhecer as  despesas  que  foram  comprovadas,  de  acordo  com  a  sua  apreciação,  a  partir  da  nova  documentação entendemos não haver ressalvas a realizar, devendo ser negado provimento ao  recurso de ofício manejado pela Decisão de Piso.    Do Recurso Voluntário  Com  relação  à  análise  do  recurso  voluntário  verificamos,  inicialmente,  que  junto  com  a  apresentação  deste  o  recorrente  trouxe  à  colação  diversos  documentos  que,  em  tese, comprovariam a realização das despesas cuja validade é alegada no recurso.  Ocorre,  no  entanto,  que  ao  realizarmos  a  verificação  da  documentação  apresentada  junto  ao  recurso  constatamos  que  os  documentos  são  novos  e  distintos  dos  documentos apresentados na impugnação, ou seja, em verdade o contribuinte está, em sede de  recurso  voluntário,  complementando  a  prova  apresentada  anteriormente  durante  o  procedimento fiscal e na impugnação.  Fl. 2779DF CARF MF     16 Constatamos que, durante o procedimento fiscal o contribuinte  foi  intimado  por  dez  vezes  a  apresentar  a  documentação  comprobatória  de  suas  despesas,  referido  procedimento fiscalizatório perdurou por cerca de um ano e meio,  tempo que considero mais  do que suficiente para a pesquisa e juntada da documentação necessária.  Na  sua  impugnação  o  contribuinte  apresentou mais  documentos,  entretanto  nem  todos  eram  prova  material  da  efetivação  das  despesas,  muitos  eram  apenas  ordens  de  compra de emissão da própria empresa, sem a apresentação das notas fiscais e comprovantes  de  pagamento.  Em  razão  disto  é  que  a  Delegacia  de  Julgamento  aceitou  apenas  os  comprovantes de despesas que demonstravam a efetividade dos serviços e o seu pagamento.  Quando da apresentação do recurso voluntário o contribuinte apresenta nova  documentação, agora na tentativa de comprovar a realização das despesas cuja documentação  apresentada no recurso não tenha sido suficiente.  O  problema  da  apresentação  da  documentação  comprobatória  em  sede  de  recurso voluntário é que  transforma o  julgamento recursal em fase de praticamente  instrução  processual,  desvirtuando  o  curso  normal  do  processo  administrativo. Neste  sentido,  aos  que  possam  reclamar  do  cerceamento  do  direito  de  defesa,  uma  coisa  é,  na  fase  recursal,  o  colegiado resolver pela realização de diligência para esclarecer fatos e análise de documentos  já anteriormente apresentados. Esta tarefa faz parte da análise das alegações do recurso.  Diferente é, no  julgamento de  recurso, voltar  à  fase de  instrução probatória  com a apresentação de novos documentos que não antes tenham sido apresentados no processo.  Por isso é que existe a norma do art. 15, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrita, na  qual  existe  a  determinação  de  que  a  documentação  comprobatória  das  alegações  seja  apresentada juntamente com a impugnação.   Art.  15.  A  impugnação,  formalizada  por  escrito  e  instruída  com  os  documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador  no  prazo  de  trinta  dias,  contados  da  data  em que  for  feita  a  intimação da  exigência.  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  a  menos  que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)  a)  fique demonstrada a  impossibilidade de  sua apresentação oportuna, por  motivo  de  força  maior;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.532,  de  1997)  (Produção de efeito)  b)  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.532, de 1997) (Produção de efeito)  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.  (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)  §  5º  A  juntada  de  documentos  após  a  impugnação  deverá  ser  requerida  à  autoridade  julgadora,  mediante  petição  em  que  se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições  previstas  nas  alíneas  do  parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de  efeito)  §  6º  Caso  já  tenha  sido  proferida  a  decisão,  os  documentos  apresentados  permanecerão  nos  autos  para,  se  for  interposto  recurso,  serem apreciados  Fl. 2780DF CARF MF Processo nº 16682.720950/2014­76  Acórdão n.º 1401­002.293  S1­C4T1  Fl. 2.773          17 pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº  9.532, de 1997) (Produção de efeito)    Por  isso  é  que,  neste  julgamento,  com  relação  à  análise  da  nova  documentação apresentada pelo contribuinte, voto por considerar preclusa a juntada desta nova  documentação,  devendo  a  análise  recursal  realizar­se  apenas  com  a  documentação  que  foi  objeto de análise na impugnação e a partir do que foi decidido pela Delegacia de Julgamento  com relação a esta.    Vejamos  os  pontos  levantados  pelo  recorrente  e  nossa  análise  sobre  os  mesmos.  1 ­ Nulidade ­ Vício na Fundamentação  Com relação à primeira nulidade apontada, que se refere a possível vício na  fundamentação tanto do auto de infração quanto da decisão da DRJ, a alegação do recorrente  refere­se  ao  fato  de  parte  da  documentação  apresentada  não  ter  sido  considerada  segundo  o  mesmo.  Inobstante  a  apresentação  desta  alegação,  entendo  não  existirem  motivos  para  a  declaração da nulidade requerida.  Em consulta aos elementos de fundamentação apresentados pela fiscalização  e  pela  DRJ,  podemos  verificar,  conforme  abaixo,  a  existência  de  fatos  e  fundamentos  suficientes para o esclarecimento dos motivos que levaram à não aceitação da documentação e  à glosa das despesas.  No TVF  O contribuinte continuou a apresentar apenas algumas poucas notas fiscais  comprobatórias.      Desta  forma,  tendo  em  vista  o  atendimento,  até  então,  extremamente  deficitário do contribuinte às solicitações da fiscalização, foi agendado uma  reunião com representante da Cambraia, sr. Marcos Donizetti da Silveira,  em 09/09/2014, onde se questionou as injustificáveis faltas de apresentação  de documentos e esclarecimentos por parte da empresa, e  se esclareceu as  implicações  que  tal  procedimento  acarretaria. O  contribuinte  se  desculpou  pela demora no atendimento da fiscalização, alegando dificuldades diversas,  e se comprometeu em apresentar a documentação pendente no prazo máximo  de 10 (dez) dias.    Sendo assim, o contribuinte foi novamente intimado, pessoalmente, por meio  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  No  10,  concedendo  um  prazo  adicional  de  mais  10  (dez)  dias  para  atendimento  das  solicitações  contidas  nos  termos  anteriores, e ainda pendentes.   Fl. 2781DF CARF MF     18  Finalmente,  em  correspondência  datada  de  19/09/2014,  a  empresa  apresentou boa parte da documentação anteriormente solicitada.    Após  análise  da  documentação  disponibilizada  pela  empresa,  em  sua  resposta ao TIF no 10, constatamos que para grande parte dos documentos  comprobatórios solicitados pela fiscalização, a empresa apenas apresentou o  comprovante do efetivo pagamento (TED, DOC, transferência bancária etc.),  sendo este insuficiente para a comprovação da efetiva prestação de serviços  ou fornecimento de materiais.    Portanto,  intimamos  novamente  o  contribuinte,  pessoalmente,  por meio  do  Termo de Intimação Fiscal No 11, onde solicitamos novos esclarecimentos e  ratificamos  a  solicitação  para  apresentar  cópias  digitalizadas  dos  documentos comprobatórios (notas fiscais, faturas, contratos etc.), referentes  aos  lançamentos  contábeis,  selecionados  por  amostragem,  obtidos  da  escrituração contábil digital do contribuinte – SPED, sendo que no Anexo 1  do TIF foram relacionados os documentos ainda pendentes de apresentação  e no Anexo 2 os documentos apresentados de forma deficiente.    Nesta mesma data, a empresa apresentou mais algumas poucas notas fiscais  comprobatórias, anteriormente solicitadas.    Por  último,  na  data  de  05/11/2014,  a  empresa  continuou  a  atender  a  fiscalização de  forma parcial,  apresentando mais  alguns  esclarecimentos  e  documentos comprobatórios, quando, então, foi derradeiramente reintimada,  de forma pessoal, a apresentar, por meio do Termo de Intimação Fiscal No  12, datado de 04/11/2014, a documentação e esclarecimentos anteriormente  solicitados, e ainda pendentes de resposta.    Novamente a  empresa  não  se pronunciou e,  também, não apresentou mais  algum novo documento.    Na Decisão de Piso  Preliminar de Nulidade   45.  Não merece  prosperar  a  preliminar  de  nulidade,  dada  a  ausência  dos  requisitos  legais  para  a  sua  declaração,  estipulados  pelo  artigo  59  do  Decreto nº 70.235 de 1972, reproduzido abaixo:   Art. 59. São nulos:   I­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;   II ­ os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com  preterição do direito de defesa.   §  1º  A  nulidade  de  qualquer  ato  só  prejudica  os  posteriores  que  dele  diretamente dependam ou sejam conseqüência.   Fl. 2782DF CARF MF Processo nº 16682.720950/2014­76  Acórdão n.º 1401­002.293  S1­C4T1  Fl. 2.774          19 §  2º  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados,  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento  ou  solução  do  processo.   §  3º  Quando  puder  decidir  do  mérito  a  favor  do  sujeito  passivo  a  quem  aproveitaria  a  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  julgadora  não  a  pronunciará  nem mandará  repetir  o  ato  ou  suprir­lhe  a  falta.  (Incluído  pela  Lei nº 8.748, de 1993)   46. A contribuinte argumenta que viu o seu direito de defesa ser limitado em  razão  da  obscuridade  dos  autos  de  infração  impugnados,  tal  raciocínio  é  autocontraditório  haja  vista  que,  malgrado  eventual  falta  de  clareza  de  algum  elemento  tópico  dos  referidos  autos,  a  interessada  apresentou  impugnação consistente questionando todas infrações apuradas.   Apresentação posterior de provas documentais   47. A contribuinte afirma que apresentará, em momento oportuno, elementos  comprobatórios  outros  que  darão  suporte material  a  seus  argumentos.  Tal  pretensão não merece acolhida, em face da disposição expressa no art. 15 do  Decreto nº 70.235, de 1972, reproduzido abaixo.   Art.  15.  A  impugnação,  formalizada  por  escrito  e  instruída  com  os  documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no  prazo  de  trinta  dias,  contados  da  data  em  que  for  feita  a  intimação  da  exigência.   48.  A  disposição  legal  resguarda  o  processo  administrativo  fiscal  que,  do  contrário, ficaria impedido de cumprir seu propósito – produzir um acórdão  –  em  virtude de  um ato  de  vontade do  impugnante. No  caso  em  tela,  há  a  agravante  de  se  tratar  de matéria  reiteradamente  arguida  pela  autoridade  fiscal em pelo menos uma dezena de ocasiões.   49.  Superada  a  preliminar  e  a  questão  genérica  sobre  prova,  passa­se  à  análise do mérito da lide.  Ora,  conforme  tivemos  de  apresentar  trechos  do  relatado  no  TVF  e  na  Decisão  da  DRJ,  a  fundamentação  relativa  à  análise  dos  documentos  apresentados  pela  empresa foi corretamente apresentada. Foram analisados os documentos que comprovavam não  só o pagamento de despesas, como o  tipo de serviço prestados e a certeza de sua realização.  Por isso, antes do julgamento de primeira instância foi determinada a realização de diligência  na  qual,  não  somente  foi  analisada  a  documentação  apresentada,  como  foi  informado  os  documentos que foram considerados e, na Decisão da DRJ, foram informados os documentos  aceitos  e  as  revisões  realizadas,  sendo  que,  quanto  aos  documentos  não  aceitos,  estes,  ao  contrário do que entende o contribuinte, deixaram de ser considerados porque não constituíam  uma prova completa da efetivação de despesas por parte da empresa e não por má vontade ou  inépcia dos responsáveis pelo procedimento de fiscalização.  Sendo assim, entendo que foi apresentada a fundamentação acerca da análise  documental,  consoante  o  acima  demonstrado  e,  neste  ponto  voto  por  rejeitar  a  preliminar  levantada.  Fl. 2783DF CARF MF     20   2 ­ Mérito ­ Despesas não Comprovadas   Neste  ponto  o  recorrente  argumenta  que  teria  apresentado  tanto  na  impugnação, quanto no recurso voluntário os comprovantes da existência e da efetividade do  pagamento das despesas.  Conforme  já  narrado  acima,  os  documentos  apresentados  pela  empresa  na  impugnação  e  no  recurso  voluntário  são  diversos.  A  documentação  apresentada  no  recurso  voluntário é,  em verdade, complementar à apresentada na  impugnação,  tendo em vista que a  que  foi  apresentada  na  impugnação  não  apresentava  a  maioria  dos  comprovantes  de  pagamentos, notas de serviço ou comprovantes do tipo de serviço prestado.  Infelizmente,  conforme  indicamos  no  início  deste  voto,  não  é  possível  demonstrar­se  a comprovação da  efetividade do  pagamento  e da  realização das despesas por  meio dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário em face de ter precluído o  direito  da  empresa  de  apresentá­los  após  a  fase  impugnatória,  sem  a  demonstração  da  impossibilidade anterior.  Por  isso,  e  levando  em  consideração  que  a  Delegacia  de  julgamento  já  realizou  a  análise  desta  documentação  tendo  considerado  que  parte  da mesma  foi  suficiente  para a comprovação parcial das despesas glosadas inicialmente, entendo não mais haver como  se apurar novas as despesas a serem consideradas como legítimas haja vista a inexistência de  prova a este respeito que possa ser considerada em face da preclusão já analisada acima.  Pelo  exposto,  em  relação  a  este  item  entendo  por  negar  provimento  ao  recurso  em  face  da  preclusão  do  direito  da  empresa  de  apresentar  novos  documentos  para  apresentar suas despesas, na forma do estatuído pelo art. 15, § 4º, do Decreto­Lei Nº 70.235/72.    3 ­ Mérito ­ Despesas Triplamente Glosadas ­ Argumenta, neste ponto que  embora o acórdão tenha reconhecido parcialmente a duplicidade de glosa das despesas da conta  442002,  alega  que  estas  foram  glosadas  em  triplicidade  e  que,  mais  ainda,  estas  estariam  devidamente  comprovadas.  Alega  que  estas  despesas  foram  classificadas  incorretamente  na  conta 411405, depois foi reclassificada para a conta 442002,  tendo sido glosadas duas vezes.  Tais despesas de referiam a honorários advocatícios. Assim alega que a glosa deve ser excluída  tanto em janeiro, quanto em abril/2009.  Em relação a este tema e consoante análise das observações apresentadas pela  Delegacia de Julgamento, já foram objeto de exclusão da autuação, do montante alegado pelo  recorrente  de  R$  432.861,12,  o  valor  de  R$  404.079,83  que  a  Delegacia  de  Julgamento  conseguiu comprovar que estava glosado em duplicidade. Vejamos a narrativa da Delegacia de  Julgamento quanto à análise destas glosas, aos quais anuímos integralmente.  65. A tabela abaixo, retirada da fl. 700, reproduz o conjunto dessas despesas  sintetizado pela contribuinte em sua peça impugnatória.  Fl. 2784DF CARF MF Processo nº 16682.720950/2014­76  Acórdão n.º 1401­002.293  S1­C4T1  Fl. 2.775          21   66. Tais despesas encontram­se mais bem discriminadas na tabela à fl. 843,  reproduzida abaixo:    Fl. 2785DF CARF MF     22   67. Confrontando, os dois anexos verifica­se que, de fato, dos R$ 432,861,12,  reclamados, as despesas associada a Spart Participações e Gilberto Álvares,  totalizando R$ 404.079,83,  encontram­se duplicadas  e,  por  esse motivo,  as  glosas respectivas devem ser canceladas. Não foram encontradas no Anexo 2  referências  à  despesa  da  Nota  Fiscal  nº  80  no  total  de  R$  3.634,89  de  Gilberto Álvares.  68. Não  constam,  tampouco,  dos  anexos  referidos,  duplicatas  relacionadas  aos  três  outros  fornecedores,  ficando  prejudicada,  assim,  a  alegação  da  interessada nesse sentido.  Resulta do exposto que, em verdade a maior parte do pleito do recorrente já  foi objeto de análise e cancelamento por meio da decisão de Piso, não o sendo por completo em  razão de não constarem no anexo referido ou inexistirem os comprovantes das despesas.  Neste sentido voto por negar provimento ao recurso quanto a este item.    4 ­ Mérito ­ Glosa de Despesa de Aluguel ­ Duplicidade   Alega  que  na  tabela  abaixo  está  demonstrada  que  a  despesa  de  aluguel  foi  indevidamente glosada duas vezes.    Alega ainda que a glosa deve ser cancelada porque durante o procedimento  foi apresentado comprovante bancário de valor menor em razão da dedução do IR não retido  em meses anteriores e mesmo assim a despesa foi glosada sem qualquer justificativa.  Neste  ponto,  em  relação  à  duplicidade  da  glosa  apontada  pelo  recorrente  entendemos  assistir  razão  ao  mesmo.  Efetivamente  comprova­se  por  meio  de  consulta  aos  registros contábeis juntados ao processo que a classificação correta da conta deveria ter sido a  411501 – Alugueis PJ e não 411415 – Aluguéis PF.   Fl. 2786DF CARF MF Processo nº 16682.720950/2014­76  Acórdão n.º 1401­002.293  S1­C4T1  Fl. 2.776          23 Por esta razão é que a empresa realizou a reclassificação da despesa relativa  ao mesmo período e, assim, a fiscalização ao realizar a glosa, o fez duplamente com relação a  esta mesma despesa. Desta forma, em relação a esta item deve ser excluída da infração o valor  da glosa no montante de R$ 36.237,30 relativo à conta 411415.  Assim,  neste  ponto,  voto  por  considerar  parcialmente  procedente  o  recurso  para  excluir  da  autuação  o  valor  da  glosa  no  montante  de  R$  36.237,30  relativo  à  conta  411415.    5  ­  Mérito  ­  Despesas  Posteriormente  Estornadas  ­  Alega  que  determinadas despesas incluídas no mês de janeiro/2009 como por exemplo de R$ 200.000,00  e R$ 6.690,00, foram posteriormente estornadas e, assim, não influíram no resultado líquido da  empresa.      Quanto  a  este  item,  consultando  a  Decisão  de  Piso  constatamos  que  nela  a  Delegacia  de  Julgamento  manteve  a  glosa  por  entender  que  não  houve  a  comprovação,  na  documentação apresentada juntamente com a impugnação, do documento alegado que levou ao  estorno das despesas que  teriam sido glosadas. Conforme alegação do contribuinte o estorno  das despesas teria sido realizado por meio do documento nº 100018862 que teria sido anexado  à impugnação.      Tendo em vista a firmeza das alegações do recorrente neste ponto, realizamos  exaustiva  busca  nos  documentos  apresentados  junto  com  a  impugnação  e  conseguimos  localizar um único documento,  abaixo  transcrito,  no qual  aparece um  lançamento,  datado de  31/01/2009,  onde  as  contas  de débito  e  de  crédito  são  de  despesas,  ou  seja,  houve,  como  já  afirmado  pela DRJ,  houve  apenas  uma modificação  das  contas  de  despesas  e  não  o  estorno  destas.    Mais ainda, o único documento apresentado é datado de 31/01/2009 e não de  abril/2009 como alegou o recorrente. A título de exemplo, apresentamos lançamento realizado  em  outra  conta  onde  identifica­se,  perfeitamente,  o  lançamento  a  título  de  estorno  de  outra  despesa realizada.  Fl. 2787DF CARF MF     24     Assim,  corroborando  o  que  já  foi  analisado  e  decidido  pela  Delegacia  de  Julgamento,  entendo  que  inexiste  a  comprovação  da  realização  do  estorno  das  despesas  que  foram objeto de glosa e, assim, voto por negar provimento ao recurso neste ponto.    6  ­ Mérito  ­ Despesas Glosadas  ­ Documentação deficiente  ­  II  Item da  infração I  Este ponto se  refere às despesas que  teriam sido comprovadas como pagas,  mas que não consta comprovação da efetividade dos serviços. Alega que nem a fiscalização,  nem a Decisão de Piso apresentaram os motivos pelos quais consideraram que as despesas não  estavam devidamente comprovadas.   Com  relação  a  esta  contestação,  em  verdade  o  assunto  já  foi  objeto  de  tratamento na preliminar de nulidade apresentada pelo recorrente, razão pela qual não mais é  necessária  sua  análise,  posto  que  não  foi  aceita  a  apresentação  de  nova  documentação  comprobatória das despesas.  Assim,  conforme  já  analisado  em  sede  de  preliminar  rejeita­se  o  recurso  apresentado.    7  ­  Mérito  ­  Despesas  Glosadas  ­  Não  demonstrada  Efetividade  e  Necessidade dos Serviços ­ III Item da infração I   Propaganda e Publicidade => A glosa foi mantida em razão de a empresa  não ter demonstrado a efetividade na prestação dos serviços. A recorrente entende que sendo  despesas operacionais e rotineiras a simples apresentação das notas fiscais e comprovantes de  pagamento é suficiente para demonstrar sua efetividade.  Honorários advocatícios, Assessoria e Consultoria => Alega neste item que o  contrato  firmado  com  a  empresa  Autos  se  refere  a  serviços  de  consultoria  operacional  e  de  marketing.  Que  se  tratam  de  despesas  operacionais.  Que  o  valor  dispendido  no  ano  de  R$  1.328.000,00 é plenamente compatível com o valor ajustado entre as partes.  Os serviços da Empresa Terco Grant se referiam a exames dos parcelamentos  tributários  a  fim  de  verificar  a  existência  de  duplicidades  e,  sendo  necessárias,  devem  ser  mantidas.  A  empresa  CF  2009  Consultoria  realizou  serviços  de  levantamento  de  créditos de PIS/COFINS na aquisição de veículos novos.  Alega  que  em  relação  a  estes  itens  não  foi  apresentada  justificativa  para  a  manutenção das glosas, apesar de ter sido comprovado o efetivo pagamento dos serviços.  Fl. 2788DF CARF MF Processo nº 16682.720950/2014­76  Acórdão n.º 1401­002.293  S1­C4T1  Fl. 2.777          25 Com relação a estes itens de contestação acima apresentados, reportamo­nos,  novamente,  à  análise  da  nulidade  empreendida  no  início  deste  voto,  onde  restaram  demonstrados os argumentos da fiscalização e da Delegacia de Julgamento para desconsiderar  os elementos de prova apresentados.   Ante  a  ausência  da  documentação  comprobatória  apresentada  à  época  da  fiscalização e da impugnação, não pode este colegiado considerar a documentação apresentada  em fase recursal para comprovar fatos que já deveriam ter sido comprovados anteriormente e  submetidos ao crivo do julgamento da impugnação.  Assim,  não  nos  resta  outra  opção  senão  a  de  negar  provimento  ao  recurso  neste ponto.    8 ­ Mérito ­ Despesas Glosadas ­ Falta de demonstração da efetividade e  dos Critérios de Rateio Empregados ­ Alega a existência de contrato de compartilhamento de  custos  entre  as  empresas  do  grupo.  Que  o  contrato  em  questão  determina  a  repartição  dos  custos  em  razão  do  faturamento  de  cada  empresa  do  grupo  e  que  inexiste  previsão  legal  a  impedir a utilização destes contratos.  Neste ponto assim se pronunciou a decisão de Piso:  Anexos 4 e 5 – Rateios de Despesas   78. Ainda uma vez a  impugnante confunde a  faculdade de  ratear despesas,  admitida  pela  legislação  tributária,  com a  sua  comprovação. Não  constam  dos autos documentos que comprovem os critérios adotados para tal rateio,  mesmo que incomuns.   79. Em face da ausência de comprovação  idônea da repartição pretendida,  deve­se manter integralmente as glosas consolidadas nos anexos 4 e 5.  Em que pese bastante singela a alegação, consultamos o que foi relatado pela  fiscalização no mesmo procedimento. Vejamos:  VI.1.4. Despesas Glosadas pela Falta de Demonstração da Efetividade das  Despesas  Rateadas  entre  empresas  do  Grupo  e  dos  Critérios  de  Rateio  Empregados:    Por meio dos Termos de Intimação Fiscal No 03, 04, 05 e 06, o contribuinte  foi intimado nas datas de 27/12/2013, 07/02/2014, 14/03/2014 e 15/04/2014,  respectivamente, a apresentar, entre outras solicitações, cópias digitalizadas  dos documentos comprobatórios do efetivo pagamento das despesas rateadas  entre  empresas do grupo e  respectivos demonstrativos de  rateio,  referentes  aos  lançamentos  contábeis,  selecionados  por  amostragem,  obtidos  da  escrituração  contábil  digital  do  contribuinte  –  SPED,  conforme  relação  constante do anexo 2 daquele Termo de Intimação. Foi solicitado que fosse  apresentado  ainda  os  critérios  de  rateio  utilizados  pelas  empresas  intervenientes.   Fl. 2789DF CARF MF     26  Em  resposta  datada  de  12/05/2014,  o  contribuinte  apresentou  Notas  de  Débito  ­  ND  emitidas  por  outras  empresas  pertencentes  ao  grupo  empresarial  em desfavor da Cambraia referentes ao  rateio de despesas, as  quais  foram  anexadas  ao  presente  processo  administrativo.  Entretanto  o  contribuinte não apresentou os critérios de rateio utilizados e,  também não  comprovou o  efetivo  pagamento  das  despesas  rateadas. Observa­se,  ainda,  que as Notas de Débito apresentadas encontram­se todas assinadas somente  pelo contador da Cambraia, sr. Ricardo César Zolesi.    Outra  particularidade  observada  nas  Notas  de  Débito  apresentadas  pela  Cambraia  é  que  ocorrem  repetições  sistemáticas  de  débitos  das  mesmas  despesas administrativas  simultaneamente por diversas empresas do grupo,  embora com valores diferentes. Assim, por exemplo, despesas com “salário e  encargos”,  “assistência  médica  e  social”,  “telefones  /  comunicação”,  “consultoria  / auditoria  / assessoria”, entre outras,  são debitadas contra a  Cambraia, nas mesmas competências, pelas empresas Carfrance, Francecar,  Saint Germain e Saint Michel.    Tal procedimento não é comum. O usual seria a concentração em uma única  empresa,  do  controle  dos  gastos  referentes  aos  departamentos  de  apoio  administrativo  centralizados,  para  posterior  rateio  dos  custos  e  despesas  administrativas  comuns  entre  as  empresas  que  não  a  mantenedora  da  estrutura administrativa concentrada.  Sendo assim, esta  fiscalização reintimou a empresa, por meio do Termo de  Intimação Fiscal No  07,  em 06/06/2014,  para  que  fosse  disponibilizado  os  documentos anteriormente solicitados ainda pendentes de apresentação.       Neste  mesmo  termo,  foi  requisitado  que  fossem  apresentadas  cópias  digitalizadas  dos  documentos  comprobatórios  do  efetivo  pagamento  das  despesas rateadas entre empresas do grupo e respectivos demonstrativos de  rateio,  referentes  a  novos  lançamentos  contábeis,  selecionados  por  amostragem  da  escrituração  contábil  digital  do  contribuinte  –  SPED,  conforme relação constante do Anexo 3 daquele Termo de Intimação, como  também, os critérios de rateio utilizados pelas empresas intervenientes.   Embora  sistematicamente  reintimado,  por  meio  dos  Termos  de  Intimação  Fiscal  No  08,  09,  10,  11  e  12,  nas  datas  de  31/07/2014,  20/08/2014,  09/09/2014, 14/10/2104 e 05/11/2014, o contribuinte não se pronunciou mais  sobre este tema e, tampouco, apresentou mais nenhum novo elemento.   Embora o rateio de custos entre empresas do mesmo grupo possa ser prática  usual no mercado,  visando a otimização dos  recursos disponíveis,  tanto de  pessoal  como  de  equipamentos  ou  sistemas,  tal  fato  não  dispensa  os  contribuintes de provarem, se intimados pelo fisco, que a despesa a título de  rateio existiu e que é dedutível na formação do lucro real.   A Tabela abaixo sintetiza os montantes de Notas de Débito ­ ND emitidas por  outras  empresas  pertencentes  ao  grupo  empresarial  em  desfavor  da  Cambraia, conforme dados obtidos de sua contabilidade.   Fl. 2790DF CARF MF Processo nº 16682.720950/2014­76  Acórdão n.º 1401­002.293  S1­C4T1  Fl. 2.778          27   Conforme  detalhado  no  tópico  V.4,  para  que  despesas  rateadas  entre  empresas  pertencentes  ao  mesmo  grupo  empresarial  sejam  dedutíveis  do  IRPJ  e  da  CSLL,  é  imprescindível  que  essas  despesas  sejam  devidamente  comprovadas,  pagas  e  escrituradas  e  que  sejam  calculadas  com  base  em  critérios de rateio razoáveis e objetivos, previamente ajustados, formalizados  por instrumento firmado entre os intervenientes.   Como a empresa nada comprovou a este respeito, não resta outra alternativa  à  fiscalização  senão  efetuar  a  glosa  dessas  despesas,  de  acordo  com  a  legislação  de  regência,  anteriormente  descrita  nos  tópicos  V.2  e  V.4  deste  termo, e conforme relacionado nos Anexos 4 e 5 a este Termo de Verificação  Fiscal,  intitulados,  respectivamente,  “Notas  de  Débito  Selecionadas  da  Contabilidade”  e  “Despesas  Glosadas  pela  Falta  de  Demonstração  da  Efetividade das Despesas Rateadas entre empresas do Grupo e dos Critérios  de Rateio Empregados”.   Portanto, concluindo, diante de tudo o que foi exposto no presente relatório,  e tendo em vista a existência de despesas não devidamente comprovadas na  TABELA 1 abaixo, cabe adicionar de ofício os referidos valores às bases de  cálculo do IRPJ e da CSLL (infração reflexa) do ano­calendário de 2009, e,  uma vez recalculado os montantes a pagar destes tributos, lançar os créditos  tributários correspondentes.  Realizamos a  transcrição do  relatado pelo  fiscal  a  fim de demonstrar que  a  empresa  foi  por  diversas  vezes  instada  a  demonstrar  a  existência  do  contrato  de  compartilhamento  de  custos  e  a  efetividade  da  realização  das  despesas.  Apesar  de  diversas  vezes  intimado  não  cuidou  de  apresentar  os  contratos  e  documentações  que  assegurassem  a  legitimidade das despesas.  Mais ainda, mesmo em sua impugnação, já com o lançamento realizado, pude  constatar que o contribuinte não apresentou referido contrato de compartilhamento de custos.  Em  outro  julgado  já  me  manifestei  que  a  existência  de  contrato  de  compartilhamento  de  custos  como  medida  de  racionalidade  administrativa  é  perfeitamente  legítima. Acontece que para tanto, há de se estabelecerem controles mínimos que garantam a  possibilidade  de  se  aferir  o  total  efetivamente  dispendido  pelas  empresas  contratantes  do  compartilhamento e o seu critério de rateio a cada uma das empresas envolvidas no contrato.  Do exposto, inexistindo a comprovação solicitada, voto por negar provimento  ao recurso neste ponto.    Fl. 2791DF CARF MF     28 9  ­  Mérito  ­  Contradição  nos  Lançamentos  ­  Entende  ter  havido  contradição  no  lançamento  tendo  em  vista  que,  desconsiderando  o  contrato  de  compartilhamento  a  fiscalização  glosou  os  lançamentos  de  débito  referentes  ao  contrato,  no  entanto, manteve os lançamentos a crédito da empresa baseados no mesmo contrato. Pleiteia,  assim, que caso seja mantida a desconsideração do rateio de despesas, que seja feito com todas  as suas consequências também em relação aos lançamentos a crédito.  Quanto a este ponto, verificamos que, em sua  impugnação a  recorrente não  apresentou  pedido  semelhante,  razão  pela  qual  este  ponto  não  foi  objeto  de  análise  pela  Delegacia  de  Julgamento.  Assim,  não  havendo  impugnação  quanto  à  necessidade  de  se  excluírem as receitas possivelmente vinculadas ao contrato de compartilhamento de custos, não  se pode, em sede de juízo recursal, realizar discussão sobre assunto não tratado da decisão de  primeira instância em face de sua não apresentação pelo impugnante.  Desta forma, não sendo estabelecido o contraditório pela falta de impugnação  deste  ponto,  não  se  conhece  do  recurso  voluntário  interposto  a  tal  título,  razão  pela  qual  entendemos por negar provimento ao recurso.    10 ­ Mérito ­ Infração 03 ­ Postergação de Despesas ­ Alega a empresa que  as despesas glosadas referem­se efetivamente ao ano de 2009 vez que foram pagas neste ano.  Quando da realização da autuação assim se pronunciou a fiscalização quanto  a este ponto:  VI.3.  Infração  03:  Da  Redução  Indevida  do  Lucro  Real  Causada  por  Postergação de Despesas – IRPJ e CSLL:   Por  meio  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  No  03,  na  data  de  27/12/2013,  intimamos o contribuinte a apresentar  cópias digitalizadas dos documentos  comprobatórios  (notas  fiscais,  faturas,  comprovantes  fiscais  do  efetivo  pagamento  etc.),  referentes  aos  lançamentos  contábeis,  selecionados  por  amostragem,  obtidos  da  escrituração  contábil  digital  do  contribuinte  –  SPED, conforme relação constante do Anexo 1 daquele Termo de Intimação.    Pela  análise  da  documentação  comprobatória  dos  lançamentos  contábeis  selecionados,  apresentados  pelo  contribuinte  ao  longo  do  procedimento  fiscal,  constatamos  que  algumas  notas  fiscais  ou  notas  de  honorários  se  referiam a despesas operacionais do ano­calendário de 2008, caracterizando  assim,  inobservância  do  regime  de  competência,  e,  consequentemente,  postergação de despesas do ano­calendário de 2008 para o ano­calendário  de 2009.   A tabela a seguir relaciona as notas fiscais e notas de honorários referentes  a  despesas  do  período  de  apuração  de  2008,  indevidamente  postergadas  para  2009.  Estes  comprovantes  de  despesas  foram  anexados  ao  presente  processo administrativo­fiscal.  Fl. 2792DF CARF MF Processo nº 16682.720950/2014­76  Acórdão n.º 1401­002.293  S1­C4T1  Fl. 2.779          29   Convém ressaltar, neste ponto, que essas despesas não foram contabilizadas  no ano­calendário de 2008, o que  implicaria neste caso  em duplicidade de  deduções,  conforme  constatação  realizada  por  esta  fiscalização  na  contabilidade  da  empresa  deste  período,  obtida  via  escrituração  contábil  digital do contribuinte – SPED.  Como no ano­calendário de 2008 o contribuinte apurou prejuízo real e base  negativa da CSLL, no  valor de R$ 29.535.594,03,  conforme  se observa  em  sua  Declaração  de  Informações  Econômica­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  –  DIPJ 2009/2008, original, transmitida em 14/10/2009, sob o no 0001523399,  anexa  a  este  processo,  a  postergação  de  despesas  operacionais  do  ano­ calendário de 2008 para 2009 implicou na redução indevida do lucro real e  da  base  de  cálculo  da CSLL no  ano­calendário  de 2009,  posto  que  já  não  havia imposto nenhum a compensar em 2008    Outrossim,  a  correta  apropriação  das  despesas  dedutíveis  incorridas  no  ano­calendário  de  2008,  por  esta  Fiscalização,  ocasionou  o  aumento  do  prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL, neste período, para o valor de R$  29.714.119,04. Tais alterações foram consideradas por esta Fiscalização no  presente  levantamento,  como  também,  foram  devidamente  registradas  em  nossos controles.  Desta forma tendo o contribuinte não observado o regime de competência na  escrituração  de  algumas  despesas  operacionais,  ocasionando  a  redução  indevida  do  lucro  real  no  ano­calendário  de  2009,  cabe  à  fiscalização  apurar  estes  valores,  conforme  demonstrado  no  Anexo  6  a  este  Termo  de  Verificação  Fiscal,  intitulado  “Despesas  do  Ano­calendário  de  2008  Postergadas  para  o  Ano­calendário  de  2009”,  e  lançar  a  respectiva  infração.    Portanto, diante de tudo o que foi exposto no presente relatório, e tendo em  vista  a  demonstração  de  diferenças  não  tributadas  na  TABELA  3  abaixo,  cabe adicionar de ofício os referidos valores às bases de cálculo do IRPJ e  da  CSLL  (infração  reflexa)  do  ano­calendário  de  2009,  e,  uma  vez  recalculado  os  montantes  a  pagar  destes  tributos,  lançar  os  créditos  tributários correspondentes.    As alegações do contribuinte não condizem com a forma de apuração de seus  lucros.  Inobstante  as  despesas  terem  sido  pagas  em  2009,  pelo  regime  de  competência,  obrigatório às empresas tributadas com base no lucro real, as despesas devem ser reconhecidas  Fl. 2793DF CARF MF     30 desde  a  data  da  emissão  do  respectivo  documento  comprobatório. Assim,  se  as  despesas  se  referem ao ano de 2008, conforme ratificado pelo próprio contribuinte, neste ano deveriam ter  sido reconhecidas e utilizadas na dedução do lucro tributável.   Assim não procedendo, tal procedimento implica na postergação de despesas  pela  inobservância  do  regime  de  escrituração,  razão  pela  qual  procedentes  as  razões  do  lançamento neste ponto. Colecionamos, abaixo, alguns precedentes deste CARF que ratificam  o entendimento.  IRPJ  ­  INOBSERVANCIA  DO  REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  0  registro  contábil,  em data errônea, de custo, despesa ou receita, quer no resultado,  quer  no  patrimônio  líquido  como  ajuste  de  exercícios  anteriores,  se  enquadra  perfeitamente  nas  disposições  de  inobservância  do  regime  de  competência, que, conforme dispõe o PN CST n° 2/96, que interpreta o § 5"  do art. 6° do Decreto­Lei n° 1.598/77, só po de gerar lançamento se houver  prejuízo ao fisco. Acórdão n° 1803­00.017, de 18/03/2009, da 5ª Câmara / 1º  Conselho de Contribuintes.   IRPJ  ­  ESCRITURAÇÃO  DE  DESPESA.  REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  INOBSERVÂNCIA. EFEITOS. A inexatidão quanto ao período de apuração  de escrituração de despesa constitui fundamento para lançamento de ofício,  quando dela resultar postergação do pagamento do imposto para período de  apuração posterior ao em que seria devido, ou a redução indevida do lucro  real  em qualquer  período  de  apuração. CSLL – TRIBUTAÇÃO REFLEXA.  Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência  de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicar­ se­ão igualmente no julgamento de todas as exações. Acórdão n° 07­15.670,  de 13/04/2009, da 3ª Turma da DRJ/FNS.   IRPJ  ­  INOBSERVÂNCIA  DO  REGIME  DE  COMPETÊNCIA  EM  ESCRITURAÇÃO  DE  DESPESA.  A  inexatidão,  quanto  ao  período  de  apuração,  na  escrituração  de  receita,  custo  ou  despesa,  somente  constitui  fundamento  para  lançamento  de  imposto  ou  diferença  de  imposto,  se  dela  resultar a postergação do pagamento do imposto para período de apuração  posterior  ao  em que  seria  devido,  ou  a  redução  indevida  do  lucro  real  em  qualquer período de apuração. Acórdão n° 1102­000.463, de 30/06/2011, da  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF    Do  exposto,  confirmando­se  a  irregularidade  do  procedimento  do  contribuinte no que toca ao reconhecimento, em 2009, de despesas  relativas ao ano de 2008,  voto por julgar improcedente o recurso neste ponto.    11  ­  Concomitância  das  Multas  Isoladas  e  de  Ofício  ­  Protesta  pela  impossibilidade  de manutenção  da  aplicação  das  duas multas  em  conjunto  sobre  os mesmos  fatos.  Com  relação ao  auto de  infração  relativo  a  aplicação de multa  isolada pela  falta de recolhimento por estimativa, por diversas vezes este tema foi objeto de discussão nesta  Câmara, existindo três diferentes vertentes de opinião:  Fl. 2794DF CARF MF Processo nº 16682.720950/2014­76  Acórdão n.º 1401­002.293  S1­C4T1  Fl. 2.780          31 1) A primeira segue no sentido de que a aplicação de multa de ofício relativo  ao  período  de  apuração  anual  do  imposto  impede  a  aplicação  da multa  isolada  pela  falta  de  recolhimento por estimativa em função de tratar­se, em essência do mesmo tributo exigido no  exercício e, assim, o contribuinte estaria sendo penalizado em duplicidade.  2) A segunda corrente advoga no sentido de que as multas de ofício e isolada  punem  condutas  distintas  e  assim,  podem  subsistir  concomitantemente  sem  qualquer  empecilho, visto que os fatos geradores são distintos e também distintas as bases de cálculo.  3)  A  terceira  posição  interpretativa  segue  no  sentido  de  que  os  fatos  geradores sendo complementares as sanções, visto que uma pune a falta de antecipação durante  o  exercício  e  a  outra  pune  a  falta  do  pagamento  no  ajuste  anual,  a  maior  penalidade  deve  prevalecer até o montante em que consuma integralmente a punição pela falta de antecipação,  somente subsistindo esta se comportar montante maior do que a multa de ofício.  Pessoalmente  sou  adepto  da  terceira  corrente  e  da  adoção  do  princípio  da  consunção.  Por  isso,  transcrevo  os  valiosos  fundamentos  do  Conselheiro  Guilherme  Adolfo Mendes no Acórdão 1201­000.235:  As  regras  sancionatórias  são  em  múltiplos  aspectos  totalmente  diferentes  das  normas  de  imposição  tributária,  a  começar  pela  circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por  uma  conduta  antijurídica,  ao  passo  que  das  segundas  se  trata  de  conduta  lícita.  Dessarte,  em múltiplas  facetas o  regime das  sanções pelo  descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do  tributário.  Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre  as  funções  da  pena,  há  a  PREVENÇÃO  GERAL  e  a  PREVENÇÃO  ESPECIAL.   A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da  prescrição da nonna punitiva,  inibe­se o comportamento da coletividade de  cometer  o  ato  infracional.  Já  a  segunda  é  dirigida  especificamente  ao  infrator para que ele não mais cometa o delito.  É,  por  isso,  que  a  revogação  de  penas  implica  a  sua  retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma  conduta  não mais  é  tipificada  como  delitiva,  não  faz  mais  sentido  aplicar  pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas.  Essa  discussão  se  torna  mais  complexa  no  caso  de  descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais.  Hector Villegas,  (em Direito Penal Tributário. São Paulo,  Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate  Fl. 2795DF CARF MF     32 da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis  temporárias e excepcionais.  No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo  há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal,  no caso, o art. 3°:  Art.  3"  ­  A  lei  excepcional  ou  temporária,  embora  decorrido  o  período  de  sua  duração  ou  cessadas  as  circunstâncias  que  a  determinaram, aplica­se ao fato praticado durante sua vigência.  O legislador penal impediu expressamente a retroatividade  benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções  de prevenção. Explico e exemplifico.  Como  é  previsível  a  cessação  da  vigência  de  leis  extraordinárias e certo,  em relação às  temporárias, a exclusão da punição  implicaria  a  perda  de  eficácia  de  suas  determinações,  uma  vez  que  todos  teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de  uma  lei  que  impõe  a  punição  pelo  descumprimento  de  tabelamento  temporário  de  preços.  Se  após  o  período  de  tabelamento,  aqueles  que  o  descumpriram não  fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por  que então cumprir a lei no período em que estava vigente?  Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal  é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra  que  estabelece  o  dever  de  antecipar  não  ser  temporária,  cada  dever  individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento  definitivo que se caracterizará no ano seguinte.  Nada  obstante,  também  entendo  que  as  duas  sanções  (a  decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar  em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões  de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal.  Nesta  seara  mais  desenvolvida  da  Dogmática  Jurídica,  aplica­se  o  Princípio  da  Consunção.  Na  lição  de  Oscar  Stevenson,  "pelo  princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja  execução  atravessa  fases  em  si  representativas  desta,  bem  como  de  outras  que  incriminem  fatos  anteriores  e  posteriores  do  agente,  efetuados  pelo  mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é  meio  necessário,  fase  normal  de  preparação  ou  execução,  ou  conduta  anterior  ou  posterior  de  outro  crime,  é  excluída  pela  norma  deste". Como  exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime  de estelionato absorve o de  falso. Nada obstante, se o crime de estelionato  não chega a ser executado, pune­se o falso.  É  o  que  ocorre  em  relação  às  sanções  decorrentes  do  descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de  receita,  que  enseja  o  descumprimento  de  pagar  definitivamente,  também  acarreta  a  violação  do  dever  de  antecipar.  Assim,  pune­se  com  multa  Fl. 2796DF CARF MF Processo nº 16682.720950/2014­76  Acórdão n.º 1401­002.293  S1­C4T1  Fl. 2.781          33 proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas  não do de pagar, pune­se a não antecipação com multa isolada.  No presente caso, percebe­se que a multa de ofício excede o valor da multa  isolada pelo não recolhimento da estimativa, absorvendo­a integralmente. Desta forma entendo  por dar provimento ao recurso a fim de excluir a aplicação da multa isolada em razão desta ter  sido integralmente abrangida pela multa de ofício.    12 ­ Lançamentos Reflexos de CSLL ­ Alega que devem ser cancelados os  lançamentos de CSLL para as despesas que, sendo glosadas na apuração do lucro real, sejam  dedutíveis na apuração do lucro líquido, tendo em vista que as normas que regulam os tributos  são diversas. Apresenta precedentes do próprio CARF.  Ao  contrário  do  que  pretende  o  recorrente  a  glosa  das  despesas  realizadas  pela fiscalização provocou alterações na apuração do  lucro  líquido da empresa e não em seu  lucro  real,  vez  que  se  referiam  a  despesas  consideradas  na  dedução  do  lucro  bruto.  Assim,  qualquer  alteração  nestas  despesas,  conforme  realizado  no  procedimento  de  fiscalização  em  análise,  provoca  alterações  no  lucro  líquido  da  empresa  e,  em  consequência,  reflete  na  apuração da CSSL, vez que a base de cálculo original desta é o lucro líquido.  Assim, referindo­se os lançamentos à apuração do lucro líquido da empresa,  devem obrigatoriamente  refletir­se na apuração da CSLL como consequência obrigatória dos  lançamentos de IRPJ.  Do exposto, neste ponto entendo por negar provimento ao recurso voluntário.    CONCLUSÃO  À  vista  de  todo  o  exposto  e  demonstrado  voto  do  sentido  de  rejeitar  as  preliminares  suscitadas,  não  conhecer  dos  documentos  apresentados  com  o  recurso  e  não  conhecer do recurso em relação ao  Item 9 ­ Contradição do Lançamento em face de sua não  impugnação  e,  no  mérito,  dar  parcial  provimento  ao  recurso  para  excluir  da  autuação  o  montante de R$ 36.237,30, a título de duplicidade de glosa de despesas de aluguel e de excluir  a  aplicação  de  multa  isolada  concomitantemente  à  multa  de  ofício  em  razão  desta  ter  sido  integralmente abrangida por àquela.    Abel Nunes de Oliveira Neto ­ Relator                           Fl. 2797DF CARF MF     34     Fl. 2798DF CARF MF

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