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Numero do processo: 10183.720529/2007-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2004
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE.
O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria.
Numero da decisão: 9202-005.175
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceu do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CANTAREIRA DO XINGU AGROPECUARIA LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceu do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). (Assinado digitalmente) Luis Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 01 83 .7 20 52 9/ 20 07 -8 1 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Especial do Procurador Especial do Procurador 2ª Turma 2ª Turma janeiro de 2017 janeiro de 2017 FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL CANTAREIRA DO XINGU AGROPECUARIA LTDA CANTAREIRA DO XINGU AGROPECUARIA LTDA A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 01 83 .7 20 52 9/ 20 07 -8 1 A Fl. 609DF CARF MF 2 Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 18/02/2014, foi julgado o Recurso Voluntário e o Recurso de Ofício s/n, prolatando-se o Acórdão nº 2202002.565 (e-fls. 203/217), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE REAL. Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade real, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua expressão econômica. Precedentes. ITR. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. COMPROVAÇÃO. Considera-se área de exploração extrativa para fins de dedução na apuração do ITR a área objeto de plano de manejo aprovado pelo órgão competente, cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. Tendo o contribuinte cumprido com os requisitos apontados, imperioso se faz o reconhecimento para fins de apuração do grau de utilização da terra. Precedentes. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA. NECESSIDADE. Relativamente à necessidade de prévia averbação da matrícula para fins de isenção do ITR, em 21/10/2013, o STJ apreciou a questão em embargos de divergência no recurso especial (EResp 1.027.051/SC), entendendo ser legítima a exigência da averbação, uniformizando a interpretação jurídica sobre o tema, esclarecendo o requisito necessário para a consideração da ARL. Não tendo o contribuinte averbado a área à margem da matrícula, não se preenche o requisito exigível para gozo da isenção. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Precedentes. Cientificado do acórdão em 30/07/2024 (e-fls. 543), a Fazenda apresentou Recurso Especial (e-fls. 544/551), no qual pretende a manutenção do VNT atribuído pela Fiscalização. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10183.720529/2007-81 Acórdão n.º 9202-005.175 CSRF-T2 Fl. 610 3 Em exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial, conforme o Despacho n° s/n, de 25/09/2015 (e-fls. 553/556), para arbitramento do VTN com base no SIPT – Sistema de Preços de Terras, utilizando-se o VTN médio das DITR de outros contribuintes. Intimada, o Contribuinte apresentou Contrarrazões aduzindo, que não restou comprovada pela Fiscalização a inaptidão do laudo carreado aos autos pelo Contribuinte, razão pela qual não deve ser aplicado o acórdão paradigma (e-fls. 589/604). É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Trata-se de exigência de ITR - Imposto Territorial Rural do exercício de 2004, tendo em vista a desconsideração do VTN lançado pelo contribuinte e o consequente arbitramento do valor total do imóvel com base no SIPT. O Recurso Especial da Fazenda Nacional, contra decisão por unanimidade dos votos, proferida em 18/02/2014, foi interposto na modalidade de divergência jurisprudencial, com fundamento no art. 67 do Regimento Interno do CARF. Destarte, sendo tempestivo e estando de acordo com os demais requisitos do Regimento Interno, o Recurso Especial deve ser conhecido. Passando a me manifestar acerca da temática de pronto vale ressaltar que o SIPT, Sistema de Preços de Terras, é um instrumento essencial na atuação do Fisco no que concerne a fiscalização do ITR. O Sistema possui base legais a justificar sua existência, qual seja o art. 14 da Lei n° 9.393/96. Contudo deve ser destacado o fato de que a legalidade de tal sistema não significa uma legitimidade incondicional do SIPT. O próprio regramento do Sistema de Preços de Terra prevê que as informações que comporão o sistema considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. O intuito de tal direcionamento legal é evidenciar o princípio da verdade material, o qual no ramo do Direito Tributário é de suma importância. Assim, em que pese a presunção de veracidade que envolve os atos da Administração, no presente caso deve-se considerar o fato de que a legitimidade para atuar do Fisco, conforme art. 14 da Lei n° 9.393/96, é quando há “subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas”. Contudo, em nenhum momento a Fiscalização trouxe elementos que justificassem a utilização do SIPT. É por essa razão, que entendo ilegítimo o arbitramento do VTN mediante o Sistema de Preços de Terras, visto que tal mecanismo deve ser utilizado somente nos casos estritamente previsto na lei, o que não se observou, posto que utilizado o SIPT indiscriminadamente. Fl. 611DF CARF MF 4 Ao contrário do Fisco, que não reuniu elementos a comprovar suas afirmações, o Contribuinte juntou aos autos documentação para comprovar o valor declarado na DIRT. Ora, a verdade material é princípio do Direito Tributária, razão pela qual é garantida ao contribuinte fazer prova em contrário ao VTN arbitrado pelo o Fisco. Portanto, tendo o contribuinte feito prova do seu direito de ter o VTN por ele declarado mantido, não merece prosperar o VTN arbitrado pela Fiscalização. Ressalte-se que a maioria do colegiado conclui que para que se arbitre é necessário o atendimento as dois requisitos, média do DITR e aptidão agrícola do imóvel, o que não existia aqui, não sendo possível o arbitramento. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional, para manter o acórdão recorrido, e desconsiderar o VTN arbitrado pela fiscalização, acolhendo o valor alcançado mediante o laudo técnico apresentado por profissional devidamente qualificado. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 612DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.002414/2004-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Constatada omissão no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não sendo possível relacionar os depósitos/créditos em conta corrente com os documentos trazidos pelo sujeito passivo, relativos às vendas de produtos agropecuários, deve ser mantido o lançamento por omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários sem comprovação de origem.
Numero da decisão: 2402-005.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os embargos de declaração para suprir unicamente a omissão do acórdão embargado no tocante à apreciação dos documentos juntados em 19/12/2006 (fls. 1290/1719), sem alteração no resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada omissão no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. NÃO COMPROVAÇÃO. Não sendo possível relacionar os depósitos/créditos em conta corrente com os documentos trazidos pelo sujeito passivo, relativos às vendas de produtos agropecuários, deve ser mantido o lançamento por omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários sem comprovação de origem.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os embargos de declaração para suprir unicamente a omissão do acórdão embargado no tocante à apreciação dos documentos juntados em 19/12/2006 (fls. 1290/1719), sem alteração no resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
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Embargante ORDEMIRO GARCIA ALEVE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada omissão no acórdão, acolhemse os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. NÃO COMPROVAÇÃO. Não sendo possível relacionar os depósitos/créditos em conta corrente com os documentos trazidos pelo sujeito passivo, relativos às vendas de produtos agropecuários, deve ser mantido o lançamento por omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários sem comprovação de origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 24 14 /2 00 4- 01 Fl. 2184DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os embargos de declaração para suprir unicamente a omissão do acórdão embargado no tocante à apreciação dos documentos juntados em 19/12/2006 (fls. 1290/1719), sem alteração no resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 2185DF CARF MF Processo nº 10120.002414/200401 Acórdão n.º 2402005.753 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Temse em pauta embargos de declaração (fls. 2129/2135) opostos pelo sujeito passivo que acusa obscuridade no acórdão no 10249.363, da 2.ª Câmara do então 1.o Conselho de Contribuintes, prolatado na sessão de 05 de novembro de 2008 (fls. 2056 a 2083), cujas ementa e decisão transcrevemos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 SUJEITO PASSIVO. IDENTIFICAÇÃO. A comprovação do uso de conta bancária em nome de terceiros para movimentação de valores tributáveis, enseja o lançamento sobre o titular de fato, verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária. COMPROVAÇÃO MATERIAL. CARACTERIZAÇÃO. A comprovação material é passível de ser produzida não apenas a partir de uma prova única, concludente por si só, mas também como resultado de um conjunto de indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza manifesta de uma dada situação de fato. Nesses casos, a comprovação é deduzida como conseqüência lógica destes vários elementos de prova, não se confundindo com as hipóteses de presunção. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, inclusive quando efetuados em conta bancária mantida em nome de interposta pessoa. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. A presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA. APURAÇÃO MENSAL. OBRIGATORIEDADE DE AJUSTE ANUAL. Fl. 2186DF CARF MF 4 A partir do anocalendário de 1989, o imposto de renda das pessoas físicas passou a ser exigido mensalmente à medida que os rendimentos são auferidos. O imposto assim apurado, contudo, desde a edição da Lei nº 8.134, de 1990, não é definitivo, sendo mera antecipação, tendo em vista a obrigatoriedade de ser procedido o ajuste anual. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da mesma pretensão. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º., do CTN, ainda que não tenha havido pagamento antecipado. Homologa se no caso a atividade, o procedimento realizado pelo sujeito passivo, consistente em “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo”, inclusive quando tenha havido omissão no exercício daquela atividade. A hipótese de que trata o artigo 149, V, do Código, é exceção à regra geral do artigo 173, I. A interpretação do caput do artigo 150 deve ser feita em conjunto com os artigos 142, caput e parágrafo único, 149, V e VII, 150, §§1º. e 4º., 156, V e VII, e 173, I, todos do CTN. Recurso parcialmente provido. Por unanimidade de votos: a) NÃO CONHECER das preliminares de nulidade do lançamento, por quebra de sigilo bancário sem autorização judicial e pela irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001, por ser objeto de ação judicial.; b) AFASTAR as demais preliminares. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir das exigências os valores de: R$ 40.308,75 em 1999; R$ 93.750,00 em 2000 e R$ 179.813,87 em 2001. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que dava provimento ao recurso e apresenta declaração de voto. Os embargos foram recebidos, consoante despacho (fls. 2166/2169) cujo teor transcrevemos em parte: Fl. 2187DF CARF MF Processo nº 10120.002414/200401 Acórdão n.º 2402005.753 S2C4T2 Fl. 4 5 Alega o embargante que foram juntados ao processo em 19/12/2006 (vide petição de efls. 1281 a 1289) documentos comprobatórios de origem das receitas tributadas, tanto do embargante como do Sr. João Batista Lopes, cuja conta corrente, na autuação, se imputou de titularidade do embargante, na proporção de 50%. Retoma a vencida argumentação de se tratarem as receitas assim comprovadas de atividades rurais desenvolvidas individualmente pelo embargante e pelo Sr. João Batista, com notas fiscais de venda independentes, ressaltando que, ainda assim, se considerou que as contas bancárias do Sr. João Batista Lopes, seriam de sua responsabilidade e do Sr. José Rubens Ferreira Lopes (feito 10120.006761/200402). Argumenta, porém, que o vergastado, equivocadamente, optou por excluir tão somente 50% dos valores comprovados da conta corrente objeto de tributação de titularidade do Sr. João Batista Lopes, quando deveriam ter sido excluídas, ainda, as receitas efetivamente comprovadas por documentos fiscais individuais do embargante, caracterizada, assim, omissão. Analiso. Entendo estar, no caso, caracterizada a existência de obscuridade, uma vez que: a) Contrariamente ao afirmado no voto condutor à efl. 2064, o lançamento e recurso voluntário em análise abrangem, além de créditos não comprovados ocorridos na conta de número 7.079 3, da Agência 06262, do Banco Bradesco (de titularidade do Sr. João Batista Lopes e imputada na proporção de 50% ao embargante), também outras contas, essas de titularidade do embargante (vide demonstrativo anexo ao Auto de Infração, de efls. 1041 a 1075, em especial a consolidação de efls. 1063 e ss.). b) Há alegação formal do contribuinte, no sentido dos documentos anexados através da petição de efls. 1281 a 1289 (os quais foram, posteriormente, objeto de diligência provocada pela Resolução de efls. 1720 a 1724), não se referirem à comprovação dos créditos ocorridos na conta do Sr. João Batista Lopes, os quais teriam sido anexados no âmbito do Proc. 10120.006761/200402 (vide efl. 1281). c) Ainda assim, não há qualquer manifestação expressa no teor do voto condutor acerca dos referidos documentos (anexados às efls. 1290 a 1719), sequer acerca da correlação entre estes e os documentos anexados às fls. 738/1562 do Processo 10120.006761/200402, que pudesse eventualmente justificar a exclusão em valor coincidente com a efetuada naquele outro feito. Caracterizada, assim, obscuridade, a ser sanada com o consequente acolhimento dos presentes embargos. Destarte, diante do exposto, proponho que os presentes embargos de declaração sejam conhecidos e acolhidos, a fim de Fl. 2188DF CARF MF 6 que se sane a obscuridade acerca da exclusão de valores idênticos aos reconhecidos no feito 10120.006761/200402 para os anos calendário de 1999, 2000 e 2001. Admitidos os embargos, vieram os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 2189DF CARF MF Processo nº 10120.002414/200401 Acórdão n.º 2402005.753 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Tendo os embargos sido previamente admitidos, passamos diretamente ao exame de mérito. Nos embargos de declaração (fls. 2129/2135), o sujeito passivo acusa omissão e divergência do acórdão em relação aos fatos e documentos do processo. Segundo diz, os documentos juntados em 19/12/2006 comprovariam receitas tanto do embargante quanto do sr. João Batista Lopes, provenientes de atividades rurais desenvolvidas individualmente e que não se confundem. No entanto, o relator teria equivocadamente relacionado como exclusão da tributação tão somente 50% das receitas comprovadas por José Rubens Ferreira Lopes no processo no 10120.006761/200402, quando o correto seria excluir a totalidade das receitas comprovadas por documentos fiscais de Ordemiro Garcia Aleve e ainda, acrescidas de 50% das receitas comprovadas do sr. João Batista Lopes. Alega, ainda, que os valores excluídos no acórdão vergastado foram os mesmos utilizados no acórdão do processo no 10120.006761/200402 José Rubens Ferreira Lopes, comprovando assim a contradição objeto destes embargos. De fato, o voto condutor do acórdão no 10249.363 (fls. 2056 a 2083) deixou de se manifestar expressamente acerca dos documentos juntados pelo contribuinte ao feito em 19/12/2006 (fls. 1290/1719), pelos quais o sujeito passivo buscava identificar a origem dos depósitos bancários nas suas contas correntes, objeto do lançamento fiscal. No entanto, tais documentos foram objeto de diligência fiscal, devidamente relatada no acórdão recorrido nos seguintes termos: Fl. 2190DF CARF MF 8 Do exposto, observase que o próprio sujeito passivo reconheceu não ser possível relacionar os depósitos/créditos em conta corrente com os documentos relativos às vendas de produtos agropecuários. Logo, impossível aproveitar os documentos juntados (fls. 1290/1719) como comprovação da origem dos depósitos bancários efetuados em suas contas correntes. Nesses termos, nada há para excluir do lançamento, visto que não foi comprovada por documentos fiscais nenhuma receita de Ordemiro Garcia Aleve que se relacionasse aos depósitos bancários. Assim, embora omisso o acórdão embargado, no mérito não assiste razão ao embargante na matéria. Por outro lado, no tocante aos depósitos havidos na conta corrente no 7.0793, em nome de João Batista Lopes, devese observar que na petição (f. 1281) de 19/12/2006, o sujeito passivo afirma que: Fl. 2191DF CARF MF Processo nº 10120.002414/200401 Acórdão n.º 2402005.753 S2C4T2 Fl. 6 9 "Em relação aos documentos probatórios das receitas de João Batista Lopes, que visam justificar os depósitos da conta corrente n. 7.0793, todos estão anexados no processo n. 10120.006761/200402 JOSE RUBENS FERREIRA LOPES" Por esse motivo, o relator do acórdão embargado adotou como suas as razões expedidas no processo no 10120.006761/200402, onde foram examinados todos os documentos comprobatórios das receitas de João Batista Lopes. Naquele processo, foram excluídos do lançamento 50% dos valores comprovados de atividade rural por João Batista Lopes. Logo, os outros 50% dos valores comprovados devem ser excluídos do presente lançamento, pelo que resta explicado porque os valores excluídos aqui coincidem com aqueles excluídos no processo no 10120.006761/200402. Neste ponto, quanto às receitas comprovadas do sr. João Batista Lopes, entendo que não há obscuridade nem contradição no acórdão embargado, pelo que rejeito o recurso na matéria, mantendo a decisão recorrida. Conclusão Diante do exposto, voto por acolher em parte os embargos de declaração para suprir unicamente a omissão do acórdão embargado no tocante a apreciação dos documentos juntados em 19/12/2006 (fls. 1290/1719), sem alteração no resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Fl. 2192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.730553/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Aplicação da Súmula nº 63 do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Aplicação da Súmula nº 63 do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 05 53 /2 01 3- 10 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 15504.730553/201310 Acórdão n.º 2202003.708 S2C2T2 Fl. 154 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado). Relatório Contra o sujeito passivo foi lavrada notificação de lançamento de IRPF (fls. 05/14), relativa ao exercício 2012, anocalendário 2011, por omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 140.973,23, resultando no imposto suplementar no valor originário de R$ 34.538,43, acrescidos de multa e juros. Na impugnação às fls. 02, acompanhada dos documentos de fls. 15/34 e 58/59, o contribuinte alega que o valor líquido de R$ 140.973,23 se trata de rendimentos do período de 09/1999 a 11/2001, recebidos do INSS mediante alvará judicial, que foram informados indevidamente na declaração como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte, quando deveriam ter sido informados em rendimento recebidos acumuladamente (RRA). Em revisão realizada pela autoridade lançadora (Termo Circunstanciado de fls. 61/62 e Despacho Decisório de fls. 64), os cálculos foram refeitos conforme os esclarecimentos e comprovantes trazidos pelo contribuinte, apurandose o imposto devido no valor de R$ 17.462,29 e, concluindose, assim, pela procedente parcial do lançamento. Ciente dessa revisão, o interessado complementou a impugnação com a manifestação de fls. 70 e documentos de fls. 71/76, alegando ter direito à isenção por moléstia grave, de acordo com laudo médico pericial apresentado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA (SDR), no Acórdão nº 1539.421, às fls. 122/124, julgou improcedente a impugnação por entender que houve uso de analogia no laudo; que ficou duvidosa a data da identificação da doença; e que não foi apresentado comprovante de aposentadoria nos anos de 1999 e 2001. Cientificado desse acórdão em 17/03/2016 (AR de fls. 128), o contribuinte, em 15/04/2016, interpôs o recurso voluntário de fls. 130/131, com os documentos de fls. 132/141, reafirmando o seu direito à isenção por moléstia grave. Em 22/08/2016, houve a juntada de manifestação noticiando o falecimento do contribuinte e solicitando decisão quanto ao processo. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 15504.730553/201310 Acórdão n.º 2202003.708 S2C2T2 Fl. 155 3 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, conforme Lei nº 7.713/1998 e Súmula CARF nº 63, a seguir: Lei nº 7.713/1988 : Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 11.052, de 2004); Súmula CARF Nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso dos autos, de se destacar que o crédito lançado foi revisado pela autoridade lançadora, reduzindo seu valor originário de R$ 34.538,43 para R$ 17.462,29, conforme Termo Circunstanciado de fls. 61/62 e Despacho Decisório de fls. 64. O contribuinte trouxe com o recurso os documentos de fls. 137 a 141, emitidos pela Divisão de Gestão de Pessoas da Superintendência de Administração do Ministério da Fazenda em Minas Gerais e pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que não haviam sido apresentados na impugnação. Tais documentos demonstram que o laudo médico em questão (fls. 75), não aceito pela DRJ, foi utilizado para deferimento da isenção do imposto de renda pela fonte pagadora e que o contribuinte estava aposentado no período a que se refere os rendimentos acumulados. Não se desconhece que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16. Porém, a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos Fl. 155DF CARF MF Processo nº 15504.730553/201310 Acórdão n.º 2202003.708 S2C2T2 Fl. 156 4 documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Portanto, há que se conhecer dos documentos apresentados às fls. 137/141, nesta análise. Quanto à alegação de que os rendimentos recebidos são isentos em face de moléstia grave, a DRJ não a acatou porque entendeu que o laudo médico apresentado (fls. 75) fez uso de analogia, o que não é permitido, nos termos do art. 111, do CTN; e porque ficou duvidosa a data da identificação da doença; e ainda, porque, não foi apresentado comprovante de aposentadoria nos anos de 1999 e 2001, conforme trecho do voto no acórdão, a seguir transcrito: O laudo pericial apresentado pelo interessado (fls. 75), emitido em 2014, informa que o mesmo é portador de CID I63.0 (infarto cerebral devido a trombose de artérias pré cerebrais), diagnosticado em 02/02/2011. Acrescenta que a doença é equivalente a paralisia irreversível e incapacitante. Esta equivalência, porém, não é admissível como base para a isenção tributária, considerando que as normas que definem isenção devem ser interpretadas literalmente, como determina o art. 111 do Código Tributário Nacional, não sendo admissível o uso de analogia. O laudo afirma que o servidor é considerando “no momento” portador de doença especificada no art. 1º da Lei 11.052/04. Por outro lado, afirma que não há necessidade de posterior reavaliação. Não estabelece, assim, se a condição que daria direito à isenção (paralisia) fora identificada no momento do diagnóstico do infarto cerebral (02/02/2011) ou se somente foi constatada na verificação pericial, caso em que a data de isenção seria a data de emissão do próprio laudo. Ademais, não foi apresentado comprovante de concessão de aposentadoria. Não há assim prova de que os rendimentos em questão, relativos aos anos de 1999 e 2001, sejam rendimentos de aposentadoria. A isenção por moléstia grave somente se aplica aos rendimentos de aposentadoria. O laudo médico pericial nº 0.113.600/2014, de avaliação para fins de isenção o imposto de renda sobre a aposentadoria, trazido pelo interessado às fls. 75 (e reapresentado às fls. 92), foi emitido em 28/07/2014, por junta médica do Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor (SIASS) Universidade Federal de Minas Gerais, e atesta ser o interessado portador de doença especificada no art. 1º da Lei nº 11.052/04 (que deu a redação atual ao inciso XIV, do art. 6º, da Lei nº 7.713/88), equivalente à paralisia irreversível e incapacitante, CID 10: I63.0 (infarto cerebral devido a trombose de artérias pré cerebrais), diagnosticado em 02/02/2011. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 15504.730553/201310 Acórdão n.º 2202003.708 S2C2T2 Fl. 157 5 Da análise do referido laudo, não se faz a mesma interpretação da autoridade julgadora de primeira instância. Notese que na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID10) não consta a moléstia denominada como "paralisia irreversível e incapacitante". Logo, entendese que o termo "equivalente" não é uma analogia, mas sim um enquadramento da doença que acomete o interessado na nomenclatura contida na Lei de isenção. Dessa forma, concluise que esse laudo atesta que o interessado está acometido de paralisia irreversível e incapacitante, desde 02/02/2011. De se mencionar ainda que o referido laudo pericial foi utilizado pelo Ministério da Fazenda para deferir a isenção do imposto de renda sobre os proventos do contribuinte, a partir de 02/02/2011, conforme documento de fls. 137. O comprovante de rendimentos emitido pelo INSS em favor do contribuinte, de dezembro de 1995, às fls. 140/141, mostra sua condição de aposentado. E o documento de alteração de proventos do Ministério da Fazenda, às fls. 139, registra que o ato de aposentadoria se deu em 17/08/1987. Assim, no período a que se refere os rendimentos recebidos acumuladamente (09/1999 a 11/2001, conforme reconhecido pela fiscalização no Termo Circunstanciado de fls. 61/63), o recorrente estava aposentado. Observase também, no extrato de fls. 18, que o levantamento desses rendimentos acumulados, oriundos de ação judicial, ocorreu em 06/05/2011, ou seja, quando o contribuinte já era portador de moléstia grave com direito à isenção. Nesse sentido, ressaltase que, para o portador de moléstia grave, atestada por laudo médico oficial, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão e suas complementações são isentos da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial, conforme disposto no art. § 5º, III e § 6º, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, a seguir: Art. 39. (...) (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: (...) III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (...) § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. (...) Cumpre mencionar também os esclarecimentos trazidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) no "Perguntas e Respostas" do exercício de 2012, quanto à aplicação da isenção em comento na hipótese de rendimentos acumulados, a seguir: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 15504.730553/201310 Acórdão n.º 2202003.708 S2C2T2 Fl. 158 6 DOENÇA GRAVE — RENDIMENTOS ACUMULADOS 265 — São tributáveis os rendimentos de aposentadoria ou pensão recebidos acumuladamente por beneficiário portador de doença grave? Os rendimentos recebidos de aposentadoria ou pensão, embora acumuladamente, não sofrem tributação, por força do disposto na Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, art. 6º, inciso XIV, que isenta referidos rendimentos recebidos por portador de doença grave. A isenção aplicase aos rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão inclusive os recebidos acumuladamente relativos a período anterior à data em que foi contraída a moléstia grave, desde que percebidos a partir: • do mês da concessão da pensão, aposentadoria ou reforma, se a doença for preexistente ou a aposentadoria ou reforma for por ela motivada; • do mês da emissão do laudo pericial que reconhecer a doença, contraída após a aposentadoria, reforma ou concessão da pensão; • da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial emitido posteriormente à concessão da pensão, aposentadoria ou reforma. A comprovação deve ser feita mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de1988, arts. 6º, XIV e XXI, e 12; Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, arts. 1º e 2º; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 30; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), art. 39, incisos XXXI, XXXIII e § 6º; Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, art. 5º, §§ 2º e 3º; Ato Declaratório Normativo Cosit nº 19, 25 de outubro de 2000) (Grifouse) Portanto, comprovado por laudo médico oficial que o contribuinte estava acometido por moléstia grave prevista na lei isentiva, desde 02/02/2011; e que recebeu, em 06/05/2011, rendimentos acumulados relativos à aposentadoria, se faz necessário reconhecer a não incidência do imposto de renda sobre essas verbas, afastando, assim o lançamento efetuado. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso e DARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 158DF CARF MF Processo nº 15504.730553/201310 Acórdão n.º 2202003.708 S2C2T2 Fl. 159 7 Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.914954/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.887
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão.
(Assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
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ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 49 54 /2 00 9- 31 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10783.914954/200931 Acórdão n.º 3402003.887 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de compensação declarada em PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de PIS, atinente ao período de apuração indicado na folha de rosto do acórdão. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, negouse homologação à compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ sob os seguintes fundamentos: i) o contribuinte não indicou como apurou o crédito que alega possuir e indicado na Declaração de Compensação e ii) o contribuinte não juntou quaisquer provas do referido crédito. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega inauguralmente que a questão não necessitaria de produção de provas, por se tratar de incidência de PIS sobre receitas financeiras, declarada inconstitucional pelo STF no RE nº 346.084. Ao final, solicita a realização de diligência. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.885, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10783.914970/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.885): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório contestado nesse processo administrativo teve sua homologação negada sob fundamento do crédito alegado ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da pessoa jurídica. Desde o início, o contribuinte não juntou qualquer documentação fiscal ou contábil que permita determinar o valor do crédito ou pelo menos um mínimo lastro probatório de sua existência. Menos ainda, sequer articulou argumento que sustentasse as razões para a Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10783.914954/200931 Acórdão n.º 3402003.887 S3C4T2 Fl. 4 3 manutenção do crédito pretendido, limitandose a afirmar a sua existência. O Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é expresso no sentido de que o contribuinte deve trazer ao litígio todos os motivos de contrariedade, acompanhados dos elementos probatórios que fundamentem suas alegações. Senão vejamos: Art. 15 A impugnação, formalizado por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(inciso III com redação determinada pela Lei 8. 748/1993) §4. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razoes posteriormente trazidos aos autos. Como precisamente apontado na decisão a quo, aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Tampouco se vislumbra nos autos quaisquer das exceções previstas no art. 16, §4º do Decreto 70.235/72. Assim, operouse a preclusão acerca do direito do contribuinte de produzir quaisquer provas do seu crédito, o que nos permite seguramente corroborar as conclusões alcançadas pela DRJ. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz uma reconstrução da discussão que culminou na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, para afirmar que o crédito se refere a receitas financeiras que compuseram a base de cálculo, o que causou o pagamento indevido das contribuições sociais. Quanto a este argumento, além de encontrar óbice no art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), não foi corroborado por qualquer prova nos autos, sequer existindo algum indício disto. Tratase de uma afirmação tão vazia quanto à afirmação do crédito na Manifestação de Inconformidade, não merecendo qualquer guarida deste Colegiado. Por fim, alega o Recorrente: Concluindo, o recolhimento a maior de parte do darf de RS 25.045,85 é decorrente do alargamento da base de cálculo do COFINS (código de receita 2172), a qual deu fundamento para a Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10783.914954/200931 Acórdão n.º 3402003.887 S3C4T2 Fl. 5 4 compensação ora não homologada, o que poderá ser comprovado por mera diligência fiscal. O autor simplesmente alega a necessidade de uma diligência fiscal, mas sem atender aos requisitos do art. 14, IV do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A despeito da falha do Recorrente em indicar os elementos necessários para a solicitação de uma diligência, ainda assim o Colegiado poderia propor a conversão do julgamento em diligência se entender necessária, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Todavia, a diligência não tem a função de, atuando em lugar do Contribuinte, atender a um ônus probatório que não foi observado por este, mas sim esclarecer fatos que foram aventados no processo. Desse modo, nego o pedido de diligência. Conclusão Forte no exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004352/2010-42
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA.
Não se conhece de recurso especial no qual não restou comprovada a existência de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas apontados.
Numero da decisão: 9101-002.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo em virtude da arguição de impedimento dos conselheiros representantes da Fazenda, suscitada pelas partes, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Gerson Macedo Guerra. Por unanimidade de votos, acordam em rejeitar a preliminar de impedimento dos conselheiros representantes da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Gerson Macedo Guerra. A declaração por escrito, dos conselheiros fazendários, manifestando-se pelo não impedimento e suas razões, será anexada aos autos. Acordam, ainda, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de prejudicialidade quanto à força probante do Lalur e da DIPJ, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo e, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Solicitou apresentar declaração de voto quanto à preliminar de impedimento o conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e ausente a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. Não se conhece de recurso especial no qual não restou comprovada a existência de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas apontados.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. Não se conhece de recurso especial no qual não restou comprovada a existência de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas apontados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo em virtude da arguição de impedimento dos conselheiros representantes da Fazenda, suscitada pelas partes, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Gerson Macedo Guerra. Por unanimidade de votos, acordam em rejeitar a preliminar de impedimento dos conselheiros representantes da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Gerson Macedo Guerra. A declaração por escrito, dos conselheiros fazendários, manifestandose pelo não impedimento e suas razões, será anexada aos autos. Acordam, ainda, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de prejudicialidade quanto à força probante do Lalur e da DIPJ, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo e, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Solicitou apresentar declaração de voto quanto à preliminar de impedimento o conselheiro Demetrius Nichele Macei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 52 /2 01 0- 42 Fl. 555DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 556 2 (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e ausente a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzo o relatório da decisão recorrida: Pelo que se extrai do auto de infração cuja cópia consta a partir da fl. 121, tratase de exigência notificada ao recorrente em 14/12/2010 (fl. 122), identificando o seguinte, com o enquadramento legal que segue. 001 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDO DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES Enquadramento Legal: art. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do Regulamento do Imposto de Renda. Pelo que se extrai do Termo de Verificação Fiscal de fls. 108 e seguintes, assim como do relatório do acórdão recorrido, parcialmente adotado por este relator. Destaca a autoridade que, através dos Demonstrativos de Compensação de Prejuízos Fiscais (SAPLI) e respectivas DIPJs, foi constatado que a recorrente efetuou compensação de prejuízos, no anocalendário de 2005, no valor de R$ 31.183.697,16, apresentando um excesso de R$ 2.794.257,95 em função do saldo inexistente de períodos anteriores, bem como, no anocalendário de 2006, apresentou compensação indevida de R$ 31.313.924,79. Pelo que se extrai do Termo de Verificação Fiscal, à fl. 111, foram procedidas verificações retroativas ao anocalendário de 2003 para a correta apuração dos valores indevidamente compensados nos anoscalendário de 2005 e 2006, sendo encontrados os seguintes dados: Fl. 556DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 557 3 Segundo o relatório fiscal, no anocalendário de 2003 a empresa apresentou prejuízo de R$ 50.062.938,78, após as adições e exclusões procedidas no lucro líquido antes do IRPJ no valor de R$ 121.181.708,31, sendo que, da análise do lucro líquido apresentado, constatouse o seguinte: Desta forma, segundo destacou a autoridade fiscal, o prejuízo não operacional de R$ 34.701.839,57 encontrase reduzindo o lucro líquido, conforme quadro que segue: Procedimento idêntico ao acima referido foi feito em relação aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, sendo que, em relação a estes dois últimos, transcrevo os seguintes quadros do termo de verificação fiscal: Fl. 557DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 558 4 Em face do exposto efetuou compensação indevida no valor de R$ 2.794.257,95. No ano de 2006, a empresa obteve resultado operacional conforme quadro que segue: Fl. 558DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 559 5 Em síntese, nos termos do relatório fiscal, a empresa compensou a maior os seguintes valores: Intimada da autuação, a parte interessada apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) A apuração do prejuízo fiscal operacional do anocalendário de 2003, efetuada pela fiscalização no item II.1 do Termo de Verificação Fiscal, e que resultou no valor de R$ 15.361.099,21, não está correta porque: (i) deixou de considerar o montante de R$ 40.126.427,73, relativo a receitas não operacionais, que foram adicionadas pela Impugnante à base de cálculo para apuração do Lucro Real daquele exercício; (ii) não se apercebeu, assim, que, em razão da receita acima mencionada, o resultado não operacional do período não foi negativo em R$ 34.701.839,57, mas positivo em R$ 5.424.588,16, restando afastada, assim, a aplicação dos §§ 5º e 6º do artigo 36 da IN/SRF nº 11/96; (iii) dessa forma, o valor do prejuízo fiscal de R$ 50.062.938,78, indicado na DIPJ, só retrata prejuízo operacional; (iv) em consequência, não mais subsiste o único fundamento invocado pela fiscalização para glosar as compensações realizadas em 2005 e 2006. A DRJ julgou improcedente a impugnação, sendo que, desta decisão, a autuada, de forma tempestiva, apresentou o recurso de fls. 395 e seguintes, alegando: I) que a autuação foi lavrada sob o fundamento de que o prejuízo fiscal operacional da recorrente, em 2003, seria de apenas R$ 15.361.099,21, e não de R$ 50.062.938,78, uma vez que parte deste prejuízo fiscal seria supostamente relativo a prejuízo não operacional. II) que a autoridade fiscal só lavrou a presente autuação porque partiu de premissa equivocada, posto que não considerou a Fl. 559DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 560 6 existência, no ano de 2003, de receita não operacional no montante de R$ 40.126.427,73, correspondente a reversão de receita diferida de venda de ativo. III) a autuação não merece prosperar, pois a própria autoridade fiscal reconheceu que consta do LALUR, relativo ao ano calendário de 2003, na parte de adições, que o montante de R$ 40.126.427,73 compôs a base de cálculo do IRPJ, integrando o total das adições de R$ 146.044.052,29, sendo esse o mesmo total de adições que compõe a linha 24 da página 6 da Ficha 9A da DIPJ. iv) Afastada a premissa de que o saldo do prejuízo fiscal operacional relativo ao ano de 2003 seria de R$ 15.361.099,21, e não de R$ 50.062.938,78, corretamente escriturado pela recorrente, resta demonstrada a improcedência da autuação; v) Caso mantida a autuação, não podem ser exigidos juros sobre a multa, pois a lei prevê a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos. Ao julgar o recurso, a Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF proferiu o Acórdão nº 1402001.377, de 7 de maio de 2013, cujas ementa e decisão transcrevo, respectivamente: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ. GLOSA DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS APURADOS EM PERÍODOS ANTERIORES. REGISTROS CONTÁBEIS. DIPJ E LALUR. VALORAÇÃO DA PROVA FRENTE À REALIDADE DOS FATOS. É certo que os registros contábeis, divorciados da realidade dos fatos, não se constituem em meios hábeis para comprovação de fato jurídicotributário. Em se tratando de operações comerciais, glosas de despesas, ou pagamentos realizados, para efeitos tributários, é necessário verificar se estes eventos efetivamente ocorreram no mundo dos fatos. No entanto, passados quase 9 (nove) anos (sic) de situação caracterizada por registros constantes em DIPJ tempestivamente entregue, corroborada com registros regulares verificados no LALUR, não pode a autoridade fiscal desconsiderar tais informações pelo fato de que o sujeito passivo não lhe apresentou o Livro Diário, consumido em incêndio devidamente comprovado. Da análise do caso concreto, considerando os elementos existentes nos autos, chega se à conclusão de que não subsiste o lançamento efetuado em 2010, para efetuar a glosa de prejuízos fiscais Fl. 560DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 561 7 apurados/acumulados nos anos de 2002 e 2003, pois tais valores constam nas DIPJ regular e tempestivamente apresentadas pelo contribuinte. Nessas situações especificas, cabe ao Fisco observar o prazo decadencial para proceder ao lançamento, nos termos dos arts. 142, 149, 150 e 173 do Código Tributário Nacional, combinados com o art. 9º. § 4º, do Decreto 70.235/1972 (alterado pela Lei 11.941/2009, já em vigência à época da autuação). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Carlos Pelá e Alexandre Antônio Alkmim Teixeira acompanharam o Relator pelas conclusões. Ausente o Conselheiro Alexei Macorin Vivan. Participou do julgamento o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira. Inconformada, a Fazenda Nacional apresenta recurso especial por divergência, argumentando, em síntese: a) que é possível serem revistos fatos ocorridos no passado que gerem efeitos tributários futuros; e b) que não foi observado, pelo acórdão recorrido, o disposto no art. 264 do RIR/1999 – “Conservação de Livros e Comprovantes”. O recurso especial, quanto àquele primeiro ponto, foi admitido pelo presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões, a seguir resumidas: a) que o acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário por dois fundamentos independentes e autônomos, ambos capazes de, individualmente, justificar a exoneração do crédito lançado; b) que a Fazenda Nacional, ciente desse fato, insurgiuse contra os dois fundamentos; c) que, porém, o despacho de admissibilidade de recurso especial, ao admitir o recurso especial da Fazenda Nacional, manifestouse apenas a respeito da primeira divergência, abstendose totalmente de fazêlo quanto à segunda, gerando a necessidade de sua complementação, sob pena de nulidade; d) que, caso esse despacho de admissibilidade tivesse examinado a segunda divergência, concluindo pela inadmissibilidade do recurso especial nessa parte, teria persistido, de forma definitiva, fundamento suficiente para a manutenção do acórdão recorrido, inviabilizando o conhecimento daquele recurso especial; e) que, preliminarmente, com relação ao primeiro fundamento do acórdão recorrido, o acórdão paradigma nº 140200.607 não pode ser admitido, já que foi julgado exatamente pela mesma turma que proferiu o acórdão recorrido; Fl. 561DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 562 8 f) que também o acórdão paradigma nº 120100.595 não serve como paradigma, em razão da ausência de similitude fática entre a situação nele tratada e a pertinente ao acórdão recorrido; g) que, no tocante ao segundo fundamento do acórdão recorrido, tratase de matéria de prova, não sendo, pois, cabível o recurso especial interposto; h) que, de todo modo, o acórdão apontado pela Fazenda Nacional como paradigma (Acórdão nº 230300.301) não guarda qualquer similitude fática com o caso concreto; e i) que, no mérito, deve ser desprovido o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, quanto aos dois fundamentos do acórdão recorrido. Em despacho de saneamento que proferi em 14 de outubro de 2014, determinei que fosse retornado o processo à Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, para complementação da análise de admissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional, no que se refere ao segundo fundamento da decisão recorrida. O recurso especial, quanto a esse segundo fundamento, foi também admitido pelo presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF. Devidamente cientificado, o contribuinte reiterou as contrarrazões anteriormente apresentadas (alíneas “e” a “i”). É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator 1ª Preliminar – Sobrestamento Suscitada a preliminar de sobrestamento para melhor discussão do tema do impedimento suscitado em face do em função do Bônus de Eficiência e Produtividade Medida Provisória nº 765, de 29 de dezembro de 2015, entendo que não se trata de matéria suscetível de impor o sobrestamento do feito exatamente pelos motivos abaixo elencados, ou seja, que não há que se discutir aqui a matéria de impedimento por conta da Medida Provisória nº 765, de 29 de dezembro de 2015. 2ª Preliminar Impedimento No início do julgamento foi suscitado pelo recorrido uma preliminar de impedimento dos Conselheiros representantes da Fazenda Nacional em função do Bônus de Eficiência e Produtividade Medida Provisória nº 765, de 29 de dezembro de 2015. Nos termos do art. 44 do RICARFAnexo II, consultados, nenhum dos Conselheiros representantes da Fazenda Nacional se declarou impedido, tendo a matéria submetida à votação foi decido à unanimidade pela inexistência de impedimento, tendo sido feita manifestação por escrito dos motivos da não existência do impedimento, nos termos do art. 44 do RICARFAnexo II, conforme documento acostado aos presentes autos. Neste sentido, de forma mais detalhada, não me entendo impedido também pelos motivos que seguem adiante. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 563 9 Em razão da arguição de impedimento aduzida pelo patrono da contribuinte por ocasião da sustentação oral ocorrida na sessão de julgamento realizada no dia 18 de janeiro de 2017, ao argumento de que nós, Conselheiros representantes da Fazenda Nacional, estaríamos impedidos de atuar no presente julgamento, fazse necessário juntarse aos autos a presente manifestação, nos termos do art. 44 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, haja vista que não reconhecemos tal impedimento. A argüição foi motivada pela publicação da Medida Provisória nº 765, de 29 de dezembro de 2015, cujo art. 5º prevê um Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, com o objetivo de incrementar a produtividade nas áreas de atuação dos ocupantes dos cargos de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de Analista Tributário da Receita Federal do Brasil, nos seguintes termos: Art. 5o Ficam instituídos o Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil e o Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, com o objetivo de incrementar a produtividade nas áreas de atuação dos ocupantes dos cargos de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de AnalistaTributário da Receita Federal do Brasil. § 1o O Programa de que trata o caput será gerido pelo Comitê Gestor do Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil, composto por representantes do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e da Casa Civil da Presidência da República, nos termos a serem definidos em ato do Poder Executivo federal. § 2o O valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira será definido pelo Índice de Eficiência Institucional, mensurado por meio de indicadores de desempenho e metas estabelecidos nos objetivos ou no planejamento estratégico da Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o Ato do Comitê Gestor do Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil será editado até 1o de março de 2017, o qual estabelecerá a forma de gestão do programa e a metodologia para a mensuração da produtividade global da Secretaria da Receita Federal do Brasil e fixará o Índice de Eficiência Institucional. § 4o A base de cálculo do valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira será composta pelo valor total arrecadado pelas seguintes fontes integrantes do Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização FUNDAF, instituído pelo DecretoLei no 1.437, de 17 de dezembro de 1975: I arrecadação de multas tributárias e aduaneiras incidentes sobre a receita de impostos, de taxas e de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil a que se refere o art. 4o da Lei no 7.711, de 22 de dezembro de 1988, inclusive por descumprimento de obrigações acessórias; e II recursos advindos da alienação de bens apreendidos a que se refere o inciso I do § 5o do art. 29 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976. § 5o O valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira a ser distribuído aos beneficiários do Programa corresponde à multiplicação da base de cálculo do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira pelo Índice de Eficiência Institucional. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 564 10 § 6o O valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira não poderá ultrapassar o valor da base de cálculo de que trata o § 4o. Em apertada síntese, foi alegado que, em decorrência do §4º do supracitado artigo prever que o bônus possui como base de cálculo, além do produto da alienação de bens objeto de pena de perdimento, o valor da arrecadação das multas tributárias e aduaneiras incidentes sobre a receita de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e aquelas exigidas em virtude do descumprimento de obrigações acessórias, considerando que o CARF é o órgão competente para o julgamento de recursos versando sobre as multas que servirão como base de cálculo para o bônus, os resultados dos seus julgamentos deveriam repercutir no valor a ser pago aos AuditoresFiscais e AnalistasTributários, o que caracterizaria interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, fato que, por sua vez, impediria os Conselheiros representantes da Fazenda Nacional de atuarem no julgamento de recursos, nos termos do art. 42 do Anexo II do RICARF, ora colacionado: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e III como parte, cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 3º (terceiro) grau. § 1º Para efeitos do disposto no inciso II do caput, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes preste ou tenha prestado consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ou perceba remuneração do interessado, ou empresa do mesmo grupo econômico, sob qualquer título, no período compreendido entre o primeiro dia do fato gerador objeto do processo administrativo fiscal até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso. § 2º As vedações de que trata o § 1º também são aplicáveis ao caso de conselheiro que faça ou tenha feito parte como empregado, sócio ou prestador de serviço, de escritório de advocacia que preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, bem como tenha atuado como seu advogado, nos últimos cinco anos. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) § 3º O conselheiro estará impedido de atuar como relator em recurso de ofício, voluntário ou recurso especial em que tenha atuado, na decisão recorrida, como relator ou redator relativamente à matéria objeto do recurso. § 4º O impedimento previsto no inciso III do caput aplicase também aos casos em que o conselheiro possua cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 2º (segundo) grau que trabalhem ou sejam sócios do sujeito passivo ou que atuem no escritório do patrono do sujeito passivo, como sócio, empregado, colaborador ou associado. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Ocorre que tal dispositivo só tem aplicação para os Conselheiros representantes dos Contribuintes, consoante o disposto no seu §1º. E, consoante a doutrina processual civil, as hipóteses de impedimento são objetivas, definidas a partir da presunção absoluta de Fl. 564DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 565 11 parcialidade do julgador, de modo que se a hipótese não está prevista no diploma regulador do processo, não é possível constituíla a partir de uma interpretação extensiva da norma. De toda a sorte, há uma razão para a hipótese regimental não alcançar os Conselheiros representantes da Fazenda Nacional. Essa diferença de tratamento reside nas conseqüências advindas da não observância ao próprio dispositivo. É que, para os Conselheiros representantes dos Contribuintes, nos termos do art. 45, inciso I, do Anexo II do RICARF, configurado o impedimento, se o Conselheiro argüido assim não se reconhecer, fica caracterizada hipótese de descumprimento ao Regimento Interno, configurando hipótese de perda de mandato. No entanto, para os Conselheiros representantes da Fazenda Nacional, o descumprimento acarreta ato de improbidade administrativa, nos termos dos incisos I e VIII do art. 9º da Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992, punível com a demissão, nos termos do art. 132 da Lei nº 8.112, de 1990. Nesse sentido, o Presidente do CARF, no âmbito da atribuições de exarar atos administrativos complementares ao Regimento Internos, nos termos do art. 3º, incisos IV, XI e §2º do Anexo I, bem como os incisos IV e XIII do art. 20 do Anexo II, todos do RICARF, editou a Portaria CARF nº 1, de 2017, ora transcrita: O PRESIDENTE DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos IV, XI e § 2º do art. 3º do Anexo I, bem como os incisos IV e XIII do art. 20 do Anexo II, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face de questionamentos suscitados por Conselheiros representantes da Fazenda Nacional diante do disposto no art. 5º da Medida Provisória nº 765, de 29 de dezembro de 2016, DECLARA: Art. 1º A hipótese de impedimento prevista no inciso II do art. 42 do Anexo II do RICARF aplicase exclusivamente aos conselheiros da representação dos contribuintes dada a especificidade de que trata o § 1º do mesmo dispositivo. § 1º O interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, ocorre nos casos em que o conselheiro da representação dos contribuintes, em relação ao interessado ou empresa do mesmo grupo econômico: I preste ou tenha prestado consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil; ou II perceba remuneração, sob qualquer título, no período compreendido entre o primeiro dia do fato gerador objeto do processo administrativo fiscal até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso. § 2º Eventual enquadramento de conselheiro da representação da Fazenda Nacional nos casos de que trata este artigo tipificaria improbidade administrativa nos termos dos incisos I e VIII do art. 9º da Lei nº 8.429, de 02 de junho de 1992. Art. 2º Há impedimento do conselheiro da representação da Fazenda Nacional: I na hipótese em que tenha atuado como autoridade lançadora, ou praticado ato decisório monocrático, nos termos do inciso I do art. 42 do Anexo II do RICARF; Fl. 565DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 566 12 II quando o interesse for presumido pelo vínculo de parentesco ou de afinidade, nos termos do inciso III do mesmo artigo; e III na qualidade de relator, quando tiver atuado na condição de relator ou redator em decisão anterior. Art. 3º Esta Portaria será publicada no Boletim de Serviço do CARF. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Com efeito, o Regimento anterior ao atual, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente ao tempo em que advogados podiam atuar como Conselheiros representantes dos Contribuintes, concomitantemente com a prática da advocacia, já dispunha: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; III como parte, cônjuge, companheiro, parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau; IV participado do julgamento em primeira instância. Parágrafo único. Para os efeitos do inciso II, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes: I preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, ou dele perceba remuneração sob qualquer título, no período da instauração do processo administrativo fiscal e até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso; e II atue como advogado, firmando petições, em ação judicial cujo objeto, matéria, ou pedido seja idêntico ao do recurso em julgamento Ou seja, mesmo quando o Regimento não obrigava os representantes dos Contribuintes a se licenciar da Ordem dos Advogados do Brasil, o dispositivo já era direcionado aos Conselheiros representantes dos Contribuintes. Situação diferente ocorria em Regimentos anteriores, em que a redação do dispositivo que tratava do impedimento trazia em seu bojo, a título de parágrafo, uma complementação ao caput, usando a expressão “considerase também”. A título exemplificativo, transcrevese o que constava da Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007: Art. 15. O conselheiro estará impedido de participar do julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e III cônjuge, companheiro ou parentes, consangüíneos ou afins, até o terceiro grau, como parte, , ou como advogado da parte. § 1º Para os efeitos deste artigo, considerase também existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro: Fl. 566DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 567 13 I percebe ou percebeu remuneração do recorrente, de advogado, de sociedade de advogados, de consultoria ou assessoria que lhe preste assistência jurídica e/ou contábil, em caráter eventual ou permanente, qualquer que seja a razão ou o título da percepção, no período que medeia o início da ação fiscal e a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso; II figure como representante ou mandatário, legal ou convencional, em ação judicial que tenha por fundamento ou pedido, no todo ou em parte, a mesma matéria que seja objeto do recurso em julgamento. § 2º O conselheiro representante da Fazenda Nacional estará impedido de atuar como relator em recurso no Conselho de Contribuintes quando tiver atuado como relator em instância inferior.(Negritamos) É importante destacar, ainda, que ao Processo Administrativo Fiscal aplicase o Decreto nº 70.235, de 1972 e, somente em caráter subsidiário, a Lei nº 9.784, de 1999, cujo art. 69 traz disposição expressa nesse sentido: "Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei." E o Decreto nº 70.235, de 1972, remete ao Regimento Interno do CARF, a disciplina do seu julgamento, nos termos do art. 37, verbis: Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. Todavia, ainda que se entenda ser possível interpretação diversa aquela conferida por meio da Portaria CARF nº1, de 2017, é oportuno esclarecer que o bônus de eficiência, tal como regulamentado por meio da Portaria RFB nº 31, de 18 de janeiro de 2017, ainda que precariamente, posto que será submetido ao Comitê Gestor do Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil, composto por representantes do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e da Casa Civil da Presidência da República, somente será devido se a Secretaria da Receita Federal do Brasil atingir as metas constantes do Anexo II. Para tanto, será necessário que os indicadores de 1 a 8, que não são atrelados à arrecadação, sejam positivos. Consoante a fórmula trazida no §2º do art. 2º, a arrecadação somente influenciará o fator de multiplicação F (Indicador 9), o qual, por sua vez, será multiplicado pela somatório de todos os demais indicadores, de onde se conclui que, se a soma não for positiva, ou, em outras palavras, se os demais indicadores de eficiência e produtividade não foram atingidos, o indicador representativo da arrecadação será multiplicado por “zero”, resultando, por conseguinte, em um bônus igual a zero. Entretanto, ainda que todos esses argumentos até então aduzidos estivessem superados, considerase oportuno registrar que nós, na condição de julgadores representantes da Fazenda Nacional, ora signatários da presente manifestação, entendemos não estar impedidos porque sempre nos vimos julgando de acordo com o melhor direito, pautado na imparcialidade que a própria condição de julgador nos impõe. Nesse sentido, e com a devida vênia aos que aduziram o nosso impedimento, entendemos ser necessário colocar e analisar os cenários possíveis decorrentes da presente problemática: Pois bem, para levantamento desses cenários possíveis, devemos considerar que: Fl. 567DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 568 14 (a) a multa lançada pode ser (i) indevida ou (ii) devida e (b) no julgamento, essa multa pode ser (i) mantida ou (ii) cancelada. Dessa forma, por análise combinatória, concluímos que os cenários possíveis são: I. multa indevida mantida; II. multa indevida cancelada; III. multa devida mantida; e IV. multa devida cancelada. A seguir, analisaremos em separado cada um desses quatro possíveis cenários. O primeiro cenário, de multa indevida mantida, é justamente aquele que aparentemente tem apelo. Poderseia pensar que o conselheiro julgaria como devida uma multa indevida para aumentar a base de cálculo do bônus e, assim, aumentar sua parcela no bônus futuramente devido. Entretanto, esse pensamento é equivocado porque não considera dois pontos essenciais: a verdadeira natureza do julgamento administrativo, uma revisão de legalidade do lançamento, que é facultativa e sujeita à palavra final do Poder Judiciário; e que a base de cálculo do bônus de eficiência não é a multa mantida administrativamente, mas sim a multa efetivamente devida, aceita, conformada e recolhida. Na verdade, todo crédito tributário mantido no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, antes de ser recolhido, pode ser questionado no Poder Judiciário, em ação própria ou em sede de embargos à execução. E o Poder Judiciário é que tem a palavra final, é ele quem diz se a multa era efetivamente devida ou indevida. A palavra do Poder Judiciário é superior ao julgamento administrativo, podendo reformálo e, inclusive, dentro das regras legais e regimentais, vincular todos os julgamentos administrativos futuros. Nesse caso, se o Poder Judiciário efetivamente decidir que uma multa mantida no âmbito do Processo Administrativo Fiscal era indevida, não haverá qualquer possibilidade de seu valor influenciar a base de cálculo do bônus de eficiência. Ao contrário, essa situação ensejaria ônus da sucumbência. E o mais importante, esse diálogo com o Poder Judiciário sinaliza o critério a ser utilizado administrativamente em situações equivalentes. Portanto, como a multa administrativamente mantida e considerada indevida pelo Poder Judiciário não é a multa efetivamente recolhida, fica aqui afastada para esse primeiro cenário, a alegação de interesse indireto e, consequentemente, de impedimento do conselheiro fazendário. Passamos agora à análise do segundo cenário, de multa indevida cancelada. Ora, uma multa indevida e cancelada no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, por óbvio não aumentaria a base de cálculo do Bônus de Produtividade, o que afasta também nesse cenário qualquer possibilidade de impedimento. O terceiro cenário, de multa devida mantida, é o que a sociedade espera da atuação do Estado, das autoridades tributárias e de todos os julgadores administrativos, sejam eles representantes da Fazenda Nacional, sejam eles representantes dos contribuintes: a aplicação correta da legislação. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 569 15 Todavia, nessa situação, para o caso de o sujeito passivo entender que a multa seria por acaso indevida, caberia a discussão junto ao Poder Judiciário, o que torna aqui aplicáveis todas as explicações já apresentadas para o primeiro cenário. Portanto, também não se pode alegar que, nesse cenário, falarseia de parcialidade e consequentemente de impedimento. Por fim, o quarto cenário, de multa devida cancelada, é o cenário que toda a sociedade quer evitar. Uma multa que pudesse ser considerada devida pelo Poder Judiciário, em face da legislação, e que fosse, entretanto, cancelada no âmbito administrativo caracteriza crédito tributário teoricamente devido, porém definitivamente perdido, porque, nesse caso, a decisão administrativa (ainda que equivocada) é definitiva, por não ter a União legitimidade para recorrer ao Poder Judiciário contra decisão administrativa, salvo que seja provada máfé, por corrupção. Esse cenário, sim, é desencorajado pelo bônus de eficiência. Mas esse cenário é ilegal, além de não interessar à sociedade e, conseqüentemente, ao Estado, aos bons contribuintes ou até mesmo aos conselheiros. Na verdade, esse cenário somente interessaria ao sonegador e àqueles que viessem a lucrar com a sonegação perpetrada. Aliás, situações relacionadas a esse cenário foram apontadas pelo que se depreende do que foi publicado na imprensa ao longo dos anos de 2015 e 2016 na chamada operação "Zelotes". Ora, não se pode dizer que um mecanismo que inibe o erro e a corrupção venha a ser motivo de impedimento de atuação do conselheiro. Portanto, afastase aqui, para esse cenário, também, a possibilidade de impedimento. Enfim, para todos os cenários possíveis: a multa é devida ou indevida em face da legislação e não da vontade do conselheiro; e independentemente de sua vontade, nenhuma multa que o interessado considere indevida será recolhida sem que a ele seja assegurada a possibilidade de discussão junto ao Poder Judiciário. Pelo que se encontra exposto acima, resta claro que não há interesse do conselheiro, seja direto ou indireto, na multa por ele julgada. Confirmando a conclusão acima, cabe olhar mais uma vez para o passado e perquirir como aqueles que nos antecederam analisaram a situação sobre a qual agora nos debruçamos. Isso porque a presente situação é ontologicamente idêntica àquela que vigiu por mais de uma década nos Conselhos de Contribuintes, entre o início de 1989 e meados de 1999, quando a remuneração dos então AuditoresFiscais do Tesouro Nacional era composta pela RAV Remuneração Adicional Variável. A RAV, instituída pela Lei n° 7.711, de 1988, era calculada sobre o produto da arrecadação de multas em função da eficiência individual e plural da atividade fiscal. O valor dessa RAV foi limitado, inicialmente, ao valor do soldo do Almirante de Esquadra e, posteriormente, a 8 (oito) vezes o valor máximo do vencimento do AuditorFiscal e o valor da RAV devida aos conselheiros era o valor médio devido aos demais AuditoresFiscais. Ora, em tudo a RAV se assemelhava ao atual Bônus de Eficiência: a base era a mesma (produto de multas arrecadadas); Fl. 569DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 570 16 o critério era o mesmo (eficiência da atividade fiscal); os limites eram equivalentes, valores máximos de soldos ou vencimentos (atualmente o limite é o vencimento de Ministro do Supremo Tribunal Federal); e o Regimento Interno vigente à época tinha dispositivo de impedimento equivalente. Entretanto, durante todo o período da RAV, nunca foi sequer apontado um caso concreto de parcialidade por interesse direto ou indireto, nem discutido o impedimento dos conselheiros representantes da Fazenda Nacional, em função dessa remuneração. No entendimento deste conselheiro, a inexistência desse questionamento se deve ao fato de os que nos antecederam terem feito a análise de cenários aqui apresentados e visualizado a inocorrência de interesse direto ou indireto dos conselheiros na multa em julgamento. Mais do que isso, não há registro, durante esse período, de aumento de multas indevidas mantidas administrativamente. Portanto, a história confirma a análise aqui realizada e corrobora a inexistência de qualquer interesse direto ou indireto do conselheiro fazendário na multa em julgamento. Aliás, se fosse possível inferir tal interesse, caberia arguir impedimento em qualquer julgamento acerca de exigências de crédito tributário promovido por funcionários públicos, quer em sede de processo administrativo ou judicial, vez que os tributos arrecadados são a principal fonte de recursos a assegurar a remuneração dos servidores públicos. Ainda, a título de reforço, cumpre fazer referência a outros tribunais administrativos que, em 22 Estados Membros da Federação, também remuneram seus agentes com base na eficiência da fiscalização e arrecadação tributárias, sem que isso implique impedimento para o julgamento administrativo dos lançamentos de ofício. Nesse sentido, convém trazer à tona o modelo do Estado de Pernambuco, onde se tem um Tribunal Administrativo autônomo, composto por julgadores concursados especificamente para tal fim, ou seja, sequer há paridade nos termos do CARF e, a despeito disso, não há diferença entre AuditorFiscal e Julgador, pois ambos os cargos recebem, entre outros valores, um bônus de 30% da arrecadação de multas (dividido por todos os auditores e julgadores, incluindo aposentadorias e pensões). Por esses motivos não me declaro impedido. 3ª Preliminar – Prejudicialidade da 2ª Matéria Foi suscitada também a preliminar de Prejudicialidade da 2ª Matéria (força probante do Lalur e da DIPJ), de forma que não fosse necessário julgar tal tema, ainda em sede de conhecimento, em face de o primeiro tema iria exaurir a 2ª matéria. Entendo que esta preliminar não deve prosperar pois a prejudicialidade, no caso presente é da análise do mérito e não da admissibilidade, de forma que estando os dois temas interligados, e em face da forma como foi elaborado o voto exarado no Acórdão recorrido em torno do dois temas, entendo que no caso presente, a análise de admissibilidade dos dois temas fazse necessária, seguida, se for o caso, da análise do mérito (situação em que, se poderá, aí sim, discutir a prejudicialidade). Neste sentido, entendo que deve o julgamento seguir seu curso. Superada estas preliminares passo à análise do recurso em si. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 571 17 O recurso é tempestivo, porém, entendo que a divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas apontados não restou comprovada e, por isso, não conheço do especial. Vejase que não podem ser admitidos os Acórdãos paradigmas nºs 1201 00.595, de 2011, e 140200.607, de 2011, assim ementados, respectivamente: DCOMP. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. O prazo estabelecido em lei para que o Fisco proceda à homologação da declaração de compensação é de cinco anos contados de sua apresentação, e não da data do surgimento do direito creditório. SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado, escriturado e declarado ao Fisco, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. De igual forma, a administração tributária conta também com 5 anos para verificar a correção dos valores pleiteados, estando a contribuinte obrigada a manter a escrituração e comprovantes em boa guarda, em observância ao artigo 264 do RIR/2009 (sic). Observase que ambos os acórdãos (nºs 120100.595, de 2011, e 1402 00.607, de 2011) tratam de situações fáticas distintas em relação à decisão recorrida, a saber: procedimentos de homologação de Declaração de Compensação e de restituição de saldos negativos de IRPJ ou CSLL acumulados, respectivamente, enquanto, no presente caso, trata se de procedimento de revisão de declarações (auto de infração), em que se glosou prejuízos fiscais compensados indevidamente, por insuficientes os respectivos saldos. Não se trata, evidentemente, de “não reconhecimento do crédito tributário pleiteado na DCOMP”, pela “retificação do prejuízo fiscal do período em litígio”, reduzindo então “o Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ”, como equivocadamente entendeu o despacho de exame de admissibilidade de recurso especial, de efls. 461. Ainda, aquele segundo acórdão paradigma (Acórdão nº 140200.607, de 2011), embora também trate, em sua ementa, do disposto no art. 264 do RIR/1999 “Conservação de Livros e Comprovantes”, não pode ser admitido, por se tratar de decisão da mesma turma recorrida (Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF). Resta, portanto, para exame, a fundamentação contida na segunda parte do voto condutor da decisão recorrida relativa à força probante do Lalur e da DIPJ, diante da impossibilidade de apresentação do livro Diário e respectivos documentos, perdidos em incêndio, passados 7 (sete) anos da situação que se pretendeu investigar , para a qual se indicou apenas o acórdão paradigma nº 230200.301, de 2009, assim ementado: FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS, INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados a contribuições previdenciárias. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 572 18 O extravio de documentos da empresa não exime a responsabilidade da mesma em providenciar a legalização de novos livros, conforme artigo 10 do DecretoLei 486/1969 e artigo 264 do Decreto 3.048/99 (sic). Contudo, referido aresto, além de se referir a contribuições previdenciárias, teve como objeto auto de infração decorrente de aplicação de multa pela falta de apresentação de documentos exigidos pelo Fisco, e não — como no presente caso — auto de infração decorrente de procedimento de revisão de declarações, em que se glosou prejuízos fiscais compensados indevidamente, por insuficientes os respectivos saldos, ou seja, situações fáticas distintas. Também a matéria ali discutida em nada se assemelha à questão relativa à força probante do Lalur e da DIPJ, diante da impossibilidade de apresentação do livro Diário e respectivos documentos, perdidos em incêndio, passados 7 (sete) anos da situação que se pretendeu investigar. Por fim, tratandose de questão relativa a matéria de prova —“valoração da prova frente à realidade dos fatos” (como consta da ementa do acórdão recorrido) —, não há falarse em divergência de julgados, uma vez que a discrepância a ser configurada no recurso especial diz respeito à interpretação da mesma norma jurídica. Vejase (efls. 438 e 439): Da análise do caso concreto, considerando os elementos existentes nos autos, chegase à conclusão de que não subsiste o lançamento calcado na premissa de que, em não mais existindo o Livro Diário de 2002, há que se presumir que os valores lançados na contabilidade, inclusive no LALUR, como sendo oriundos de receita não operacional não correspondem à verdade. Para afastar os registros levados a efeito pelo contribuinte cabia à autoridade fiscal, observando sempre o prazo decadencial, apresentar prova de que os mesmos continham omissão ou inexatidão. Do exposto, não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, por não restar comprovada a existência de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas apontados. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Seguem abaixo Declarações de Votos apresentadas no prazo Regimental. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 573 19 Declaração de Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em relação a decisão proferida pela 2a. Turma da 4a. Câmara desta 1a Seção do CARF. Antes mesmo de enfrentar o mérito e as questões de conhecimento do Recurso, os patronos do contribuinte, em sede de sustentação oral, argüiram o impedimento dos Conselheiros Fazendários em virtude da edição da Medida Provisória Presidencial (MP) no. 765/2016. Tal MP criou o que vem sendo chamado de “bônus de eficiência” dos auditores fiscais da Receita Federal (art. 6o, inc. I). Para o patrono do contribuinte, o bônus cria um incentivo para que os auditores apliquem mais multas e as qualifiquem durante as autuações. Por acreditarem que o incentivo será pago também aos auditores que atuam como membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), entendem que o mecanismo estimula julgadores a concordar com o Fisco, violando seu dever de imparcialidade e criando situações de impedimento. O impedimento, segundo o contribuinte, tem fundamento no art. 42, inc. II, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF (RICARF) que prevê que o Conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto. De acordo com a MP, os recursos para pagar o bônus virão de um fundo composto das multas que forem aplicadas a contribuintes em autuações fiscais, o que, por sí só, já confirguraria o chamado interesse indireto. Ocorre que, no presente caso, todos os Conselheiros Fazendários entenderam que não estavam impedidos de julgar e, por isso, de acordo com o art. 44 do RICARF, estão obrigados a manifestarse por escrito neste sentido. Ainda, de acordo com o mesmo artigo do Regimento, todo o colegiado ou seja, também os Conselheiros representantes dos Contribuintes, que não foram objeto de arguição de impedimento deve deliberar sobre o tema. Colhidos os votos de toda a turma julgadora, decidiuse à unanimidade pelo NÃO impedimento dos colegas fazendários. Contudo, no caso dos conselheiros dos contribuintes, todos votaram "pelas conclusões." E este foi o motivo desta declaração de voto, que passo a sustentar. De industria, é preciso deixar claro que não estamos aqui questionando a lisura, neutralidade ou a imparcialidade dos colegas julgadores fazendários. Não se trata também de suspeição, que envolve foro intimo, de caráter subjetivo. O que estamos julgando aqui é a aplicação objetiva da lei. Em outras palavras, quem está suspeitando da imparcialidade não são os contribuintes, não é a Fazenda Nacional, não é a PGFN e muito menos nós, conselheiros representantes dos contribuintes: Quem desconfia é a Lei! Fl. 573DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 574 20 Digo isto porque se a legislação diz, por exemplo, que nós mesmos, conselheiros dos contribuintes, estamos impedidos de julgar processos que estejam sendo patrocinados por escritórios de advocacia em que, eventualmente, tenhamos trabalhado nos últimos anos, significa que o legislador desconfiou de nós. Contudo, isto não pode ser motivo de revolta e poderíamos até nos ofender por suspeitarem de nossa idoneidade pois é a regra posta pelo sistema, de forma democrática. Menciono isto pois alguns colegas manifestam indignação com a arguição de impedimento, mas entendo que isto não pode nem deve ocorrer, pois estamos aqui verificando, simplesmente, se da norma vertida no artigo 6o. da MP pode decorrer a aplicação do artigo 42, II do RICARF. É apenas uma questão de subsunção normativa. O assunto é mais polêmico do que pode parecer. Tanto é assim, que no período compreendido entre o julgamento deste caso e o momento da sua formalização, inúmeros artigos científicos e jornalisticos foram produzidos exatamente sobre este tema, qual seja: o impedimento dos conselheiros fazendários após a vigência da MP 765/2016. Na mesma tribuna em que foi arguido o impedimento, o Ilustre representante da Fazenda Nacional (PGFN) solicitou a retirada de pauta dos processos, ao menos até que o tema fosse objeto de interpretação por órgãos externos ao CARF (AGU, p. ex) evitando assim a judicialização do tema. A retirada não ocorreu e já há notícia, inclusive, de liminar proferida pelo Poder Judiciário de primeiro grau, acolhendo a tese do impedimento em favor de determinado contribuinte. Tal o impacto do tema sobre os processos em julgamento nesta data, que o Ilmo. Presidente do CARF emitiu a Portaria CARF n. 01, de 18.01.2017, cujo artigo 1º declara que a hipótese de impedimento prevista no inciso II do art. 42 do Anexo II do RICARF aplica se exclusivamente aos conselheiros da representação dos contribuintes dada a especificidade de que trata o § 1º do mesmo dispositivo. Com efeito, o Presidente do CARF usou da prerrogativa que lhe é conferida pelo RICARF para editar atos complementares bem como suprir e dirimir as omissões e as dúvidas suscitadas na aplicação do RICARF (arts. 3o. e 20). Por outro lado, ainda no RICARF, está previsto que a inobservância aos seus comandos acarreta automaticamente a perda de mandato do Conselheiro desatento. (art. 45, inc. I) Já caminhado para a conclusão do meu voto, entendo que, após a publicação da referida Portaria CARF 01/2017, seja o representante fazendário, seja o indicado pelos contribuintes, não pode decidir de outra forma, sob pena de contrariar comando contido na Portaria e, por conseguinte, ofender comando contido no RICARF, o que acarreta para todos nós repitase hipótese de perda de mandato. Não nos cabe, neste momento, ingressar nos aspectos de competência administrativa ou concordância com o conteúdo da Portaria citada. Para isso, seria necessário ingressar em discussões como o possibilidade (ou não) de o próprio Presidente do CARF normatizar em causa própria, visto que também é auditor fiscal, ou ainda, discussões sobre o sentido e alcance do artigo 18, inc. I, da Lei 9.784/99 que estabelece que o impedimento de atuar em processo administrativo o servidor ou autoridade que tenha interesse direto ou indireto na matéria, sem diferenciar conselheiros fazendários de contribuintes etc. É importante salientar ainda que, no exato momento do julgamento do presente Recurso, a MP 765/2017 não havia sido sequer regulamentada, no que tange ao referido Bônus de produtividade. Aliás, a norma é essencialmente "provisória". Apesar de deter Fl. 574DF CARF MF Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 9101002.529 CSRFT1 Fl. 575 21 força de lei e aplicação imediata, sujeitarseá à competente conversão (ou não) em Lei nos próximos meses. Por todos estes motivos, não é razoável exigirse posição definitiva deste tema... Nem é conveniente que se trate de tema tão relevante de forma tão expedita. Questionar esta Portaria, portanto, seria o mesmo que deixar de aplicar Súmula CARF por não concordar com o seu texto. Ambas as situações acarretam na perda de mandato do julgador administrativo. Por essas razões, ressalvado o direito de, no momento oportuno, manifestar me sobre o mérito do referido impedimento caso a Portaria seja revogada, anulada ou modificada , opto por julgar improcedente o argumento de impedimento, por falta de regulamentação e precariedade do tema, sem ouvidar a publicação da Portaria CARF 01/2017, ocorrida no mesmo dia deste julgamento e, por isso, voto pelas conclusões do Ilustre Conselheiro Relator que, por sua vez, julgou improcedente o argumento no mérito, ou seja, afirmando que os conselheiros fazendários não estão impedidos neste caso. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 575DF CARF MF
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Numero do processo: 12268.000059/2007-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 00 59 /2 00 7- 21 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 12268.000059/200721 Acórdão n.º 9202004.914 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 12268.000059/200721 Acórdão n.º 9202004.914 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 12268.000059/200721 Acórdão n.º 9202004.914 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 207DF CARF MF Processo nº 12268.000059/200721 Acórdão n.º 9202004.914 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 12268.000059/200721 Acórdão n.º 9202004.914 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 209DF CARF MF Processo nº 12268.000059/200721 Acórdão n.º 9202004.914 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 12268.000059/200721 Acórdão n.º 9202004.914 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 211DF CARF MF Processo nº 12268.000059/200721 Acórdão n.º 9202004.914 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 12268.000059/200721 Acórdão n.º 9202004.914 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12689.001133/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 05/03/2008
REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI. APURAÇÃO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO ÂMBITO DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, por meio do ato de desembaraço aduaneiro é realizada a liberação da mercadoria, põe termo a fase de conferência aduaneira e dar início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei.
Enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário, na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, a autoridade fiscal deve proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis.
RETROATIVIDADE BENIGNA
A alteração promovida pela Lei 13.043/2014, que modificou o critério de apuração dos impostos previstos no artigo 67, da Lei nº 10.833/2003 não deve ser aplicado retroativamente. Inaplicabilidade do artigo 106, do Código Tributário Nacional.
BASE DE CÁLCULO
Não comprovado alegado erro na apuração da base de cálculo pela autoridade fiscal, impõe-se a manutenção do lançamento fiscal.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 05/03/2008
REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI. APURAÇÃO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO ÂMBITO DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, por meio do ato de desembaraço aduaneiro é realizada a liberação da mercadoria, põe termo a fase de conferência aduaneira e dar início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei.
Enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário, na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, a autoridade fiscal deve proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis.
RETROATIVIDADE BENIGNA
A alteração promovida pela Lei 13.043/2014, que modificou o critério de apuração dos impostos previstos no artigo 67, da Lei nº 10.833/2003 deve ser aplicado retroativamente em razão do instituto da retroatividade benigna.
BASE DE CÁLCULO
Não comprovado alegado erro na apuração da base de cálculo pela autoridade fiscal, impõe-se a manutenção do lançamento fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3302-003.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir o crédito correspondente às mercadorias já consideradas como passíveis de classificação de acordo com o resultado da diligência, bem como os 16 produtos listados no tópico 9a e os 177 produtos listados no tópico 9b (Tabelas A a J) do Voto. Vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e a Conselheira Maria do Socorro, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 04/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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E OUTRA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 05/03/2008 REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI. APURAÇÃO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO ÂMBITO DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, por meio do ato de desembaraço aduaneiro é realizada a liberação da mercadoria, põe termo a fase de conferência aduaneira e dar início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei. Enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário, na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, a autoridade fiscal deve proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. RETROATIVIDADE BENIGNA A alteração promovida pela Lei 13.043/2014, que modificou o critério de apuração dos impostos previstos no artigo 67, da Lei nº 10.833/2003 não deve ser aplicado retroativamente. Inaplicabilidade do artigo 106, do Código Tributário Nacional. BASE DE CÁLCULO Não comprovado alegado erro na apuração da base de cálculo pela autoridade fiscal, impõese a manutenção do lançamento fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 05/03/2008 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 11 33 /2 01 0- 71 Fl. 633DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 3 2 REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI. APURAÇÃO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO ÂMBITO DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, por meio do ato de desembaraço aduaneiro é realizada a liberação da mercadoria, põe termo a fase de conferência aduaneira e dar início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei. Enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário, na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, a autoridade fiscal deve proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. RETROATIVIDADE BENIGNA A alteração promovida pela Lei 13.043/2014, que modificou o critério de apuração dos impostos previstos no artigo 67, da Lei nº 10.833/2003 deve ser aplicado retroativamente em razão do instituto da retroatividade benigna. BASE DE CÁLCULO Não comprovado alegado erro na apuração da base de cálculo pela autoridade fiscal, impõese a manutenção do lançamento fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir o crédito correspondente às mercadorias já consideradas como passíveis de classificação de acordo com o resultado da diligência, bem como os 16 produtos listados no tópico 9a e os 177 produtos listados no tópico 9b (Tabelas A a J) do Voto. Vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e a Conselheira Maria do Socorro, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 04/02/2017 Fl. 634DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 4 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de Auto de Infração objetivando a cobrança da quantia de R$ 5.553,968,47, relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto de Importação (I.I), multa de ofício de 75%, multa por embaraço à fiscalização, multa isolada de 1% sobre o valor aduaneiro pela declaração inexata das mercadorias objeto das DI´s 0517600 040/2008 e 0517600041/2008. Foram incluídas no polo passiva do presente processo, COSTA CRUZEIRO AGÊNCIA MARÍTIMA E TURISMO LTDA. E COSTA INTERNATIONAL B.V A Recorrente (Costa Cruzeiro) foi autuada em solidariedade ao armador estrangeiro que a designou1, a saber: COSTA INTERNATIONAL B.V CNPJ (MF) sob o nº 05.721.890/000144, respondendo, conjuntamente, por toda e qualquer obrigação tributária, principal e acessória, que decorra da permanência da embarcação em águas nacionais. Conforme descreve o Relatório de Fiscalização (fls.9/22), anexo ao auto de infração, em 09/12/2007 chegou ao pais, por seus próprios meios, a embarcação denominada Costa Mágica, cuja vinda foi promovida pela empresa COSTA INTERNATIONAL B.V. CNPJ 05.721.890/000144 domiciliada nos Países Baixos. A recepção da embarcação, destinada a permanecer no país por tempo determinado, foi conduzida por meio do representante da empresa no Brasil, denominada COSTA CRUZEIROS AGENCIA MARÍTIMA E TURISMO LTDA CNPJ: 61.450.292/000159. Durante o verão, é comum que embarcações desse tipo venham trazendo passageiros procedentes do exterior que desembarcam em nossos portos. A embarcação permanece em águas nacionais durante a estação e explora cruzeiros percorrendo a costa brasileira, havendo passageiros que embarcam e desembarcam em portos brasileiros. A bordo permanecem disponíveis, para compra ou consumo, mercadorias de origem estrangeira, que são oferecidas aos passageiros, em lojas e bares instalados na própria embarcação, inclusive àqueles que embarcam e desembarcam no país. Embora a operação seja considerada para todos os efeitos como importação comum, visto tratarse de entrada no Brasil de mercadoria estrangeira para revenda ou consumo no território nacional, o fato é que referida operação apresenta algumas peculiaridades, as quais foram reguladas especificamente pela Instrução Normativa SRF n° 137, de 23 de novembro de 1998. Neste ponto, destacase as determinações previstas no artigo 5º, §3º, do referido ato normativa: "Art.5º (...) §3º O despacho aduaneiro das mercadorias estrangeiras será processado em nome do mandatário, com base em uma única Declaração Simplificada de 1 Artigo 2º, da IN SRF nº 137/1998 c/c Atigo 95, inciso II, do DecretoLei nº 37/66. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 5 4 Importação DSI, para o total de mercadorias vendidas no período de apuração estabelecido no §3º, do artigo 2º2. Ao contrário da operação de importação comum que impõe a apresentação de declaração no momento da entrada do produto no território nacional e, somente após o embaraço poderá dar o consumo ou a revenda das mercadorias, no caso sob análise a ordem é invertida, ou seja, a declaração de importação é apresentada em momento posterior, quando a embarcação terminar sua estadia no território nacional. Além disso, exigese a apresentação de inventário na entrada da embarcação no país, com a relação de todas as mercadorias colocadas à disposição para o consumo e, inventário ao final da temporada com o resultado das vendas das mercadorias consumidas, sendo que a diferença entre o inventário inicial e o final será o valor do despacho aduaneiro de importação. A embarcação denominada Costa Mágica permaneceu em território nacional durante o período de 09/12/2007 a 05/03/2008 e, ao final de sua permanência registrou 02 (duas) Declarações de Importação, a primeira em 05/03/2008, sob o nº 0517600040, que relaciona as mercadorias vendidas ou consumidas a bordo no período entre 09/12/2007 e 01/03/2008, e, a segunda DSI, também registrada em 05/03/2008, sob o nº 0517600041, relaciona as mercadorias vendidas ou consumidas a bordo no período entre 01/03/2008 e 04/03/2008, ambas com a relação dos produtos consumidos durante o período (fls.23374 volume 1). Por meio da intimação ALF/SDR nº 001/2009, a fiscalização intimou as Recorrentes para apresentar diversos documentos, revisar todos os itens das mercadorias constantes nas DIs, e, proceder a retificação dos itens apontadas na relação carreada às fls. 277 289, sob pena de sofrer as imposições da multa prevista no artigo 67, da Lei nº 10.833/2003. As Recorrentes apresentaram os documentos solicitados pela fiscalização e, requereram dilação de prazo para proceder a revisão e retificação dos itens constantes na DIs (fls.290291).Todavia, mesmo depois de expirado o prazo de dilação, as Recorrentes permaneceram inertes, deixando de cumprir parte das determinações contidas na Intimação nº 001/2009. Dado isso, a fiscalização procedeu a análise dos documentos entregues pelas Recorrentes e apurou as seguintes infrações objeto do presente Auto de Infração3: 1. Erro na taxa de câmbio utilizada para o cálculo dos tributos incidentes na importação. No caso, a operação de importação com logística atípica foi disciplinada pela IN SRF n° 137/1998, cujo art.5° assim prevê: "Art.5°. ... §3°. O despacho aduaneiro das mercadorias estrangeiras será processado em nome do mandatário, com base em uma única Declaração Simplificada de 2 Art. 2º Para os fins do disposto nesta Instrução Normativa, o armador estrangeiro deverá constituir representante legal no País, pessoa jurídica, outorgandolhe poderes para, na condição de mandatário: 3 Trecho extraído da decisão de piso. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 6 5 Importação DSI, para o total de mercadorias vendidas no período de apuração estabelecido no § 3°do art. 2°". Para o caso dos navios de passageiro com mercadorias estrangeiras passíveis de serem vendidas ou consumidas a bordo, como no momento de sua entrada no país ainda não se sabe o quantitativo de mercadorias que será consumido ou revendido no país, a legislação admite que a Declaração de Importação (DI) seja apresentada a posteriori, quando seja conhecida a quantidade e natureza das mercadorias efetivamente vendidas ou consumidas a bordo, no território nacional. Em resumo, na entrada da embarcação no país deve ser apresentado um inventário de todas as mercadorias de procedência estrangeira que ficarão disponíveis para a venda ou consumo a bordo durante a sua permanência em águas nacionais. Ao final da temporada no país, um novo inventário deve ser realizado para apurar o saldo de mercadorias que permanece a bordo da embarcação, não vendidas nem consumidas, e que retornarão ao exterior. A diferença entre os inventários de entrada e saída corresponde ao montante de mercadorias revendidas ou consumidas a bordo, no país, sujeitas ao despacho aduaneiro de importação. As mercadorias restantes, não consumidas nem revendidas a bordo nesse período, obviamente retornarão ao exterior sem pagamento de tributo. Assim, um único despacho de importação é exigido para a regularização de todas as mercadorias, de procedência estrangeira, vendidas ou consumidas a bordo, em território nacional. No caso das embarcações de cruzeiro, a IN SRF 137/98, art. 5°, determina a apresentação de uma Declaração Simplificada de Importação (DSI) para dar início ao Despacho Aduaneiro das mercadorias. No caso, a contribuinte preferiu registrar duas DSI, a primeira, em 05/03/2008, sob o n° 0517600040, que relaciona as mercadorias vendidas ou consumidas a bordo no período entre 09/12/2007 e 01/03/2008, e, a segunda DSI, também registrada em 05/03/2008, sob o n° 0517600 041, relaciona as mercadorias vendidas ou consumidas a bordo no período entre 01/03/2008 e 04/03/2008. O valor das mercadorias utilizado para a formação da base de cálculo dos tributos incidentes na importação está consignado originalmente em moeda estrangeira, no caso, Dólares dos Estados Unidos. Para o cálculo dos tributos incidentes, é necessário converter tais valores para expressálos em Reais. O art. 24, c/c o art. 23, ambos do DecretoLei n°37, de 1966, definem qual é a taxa de câmbio que deve ser utilizada para conversão dos valores de moeda estrangeira para moeda nacional. A fiscalização constatou que na DSI n° 0517600 040/2008, registrada em 05/03/2008, foi indevidamente utilizada a taxa de câmbio referente ao dia 03/03/2008, de US$ 1,00 = R$ 1,6723, quando deveria ter sido utilizada a taxa de câmbio referente ao dia 05/03/2008, de US$ 1,00 = R$ 1,6816. Essa inexatidão na declaração resultou na redução do valor aduaneiro em R$ 26.025,49, com reflexos diretos no cálculo dos tributos declarados pelo contribuinte à época. Na apuração dos tributos devidos, no Auto de Infração, considerouse a taxa de câmbio vigente em 05/03/2008, aquela que o importador deveria ter utilizado. Os reflexos nos valores dos tributos foram considerados na nova apuração do valor dos tributos e multas devidos, conforme indicado nos itens seguintes. 2. Houve descrição incompleta das mercadorias importadas (declaração inexata). Multa de 1% sobre o Valor Aduaneiro (VA). As DSI apresentadas são os documentosbase do despacho de importação. Nelas devem estar consignadas de forma clara, correta, verdadeira e exata todas as Fl. 637DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 7 6 informações de interesse para a Autoridade Aduaneira. Assim, o importador não deve utilizar designações, códigos, abreviaturas e congêneres cujo significado só ele conheça, porque tais práticas dificultam ou inviabilizam a atuação da autoridade aduaneira, mormente na situação em que o contribuinte se nega a corrigir a informação, e a fiscalização não disponha de outro meio para apurar o real significado das expressões utilizadas. Nessa prática irregular incorreu a autuada. A título de exemplo representativo de prática que se estendeu por todo o conteúdo de ambas as DSI registradas, apontaramse as seguintes descrições: "KYOTO SMALL HO (fls. 114)— (cód NCM 4202.22.10) classificado como bolsa; KYOTO SM HOBO (fls. 124) — (cód NCM 9102.29.00) classificado como relógio de pulso não automático; YSL RDNT TCHE (fls. 78)— (cód NCM 9104.10.00) utilizou um código NCM de classificação inexistente; PRO GOGGLES (fls. 79) (cód NCM 8536.50.90) classificado como interruptor; PLAYING CARD TROLLS (fls. 40) (cód NCM 8471.90.90) classificado como máquina para processamento de dados". A fiscalização acusa que por toda a lista de itens de ambas as declarações, a interpretação do significado da descrição da mercadoria, quando não se mostra inviável, sequer apresenta correspondência razoável com a classificação NCM indicada, ainda que se tenha procedido a um penoso exercício de tentativa de tradução das expressões enigmáticas apresentadas em italiano e inglês. O art. 491 do Regulamento Aduaneiro (RA/2002) vigente à época determina que a declaração de importação deve conter a identificação e a classificação das mercadorias, elementos essenciais da declaração, que obviamente devem estar registrados de forma a não dar margem a dúvidas, com vistas a se estabelecer o correto tratamento aduaneiro e tributário. Em complemento, a IN SRF n° 680, de 2006, no seu art.25, e também em seu Anexo Único, item 42, esclarece que o importador deve prestar uma descrição detalhada da mercadoria, de modo a permitir a sua perfeita identificação e caracterização, com vistas a se fazerem presentes os elementos necessários à sua correta classificação fiscal. A desobediência a essas normas leva à sanção estabelecida no art.69 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: "Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, (...). § 1°. A multa a que se refere o caput aplicase (...) ao importador, (...)que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2°. As informações referidas no § 1°, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou cientifico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; (Grifos nossos). A multa a que se refere o caput do artigo retro citado é de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria, conforme indicado no caput do art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 8 7 DSI 0517600040/2008 (de 05/03/2008) Valor Aduaneiro (VA) informado pelo importador R$ 4.679.830,98 VA retificado, com a taxa de câmbio vigente na data do registro da DSI (em 05/03/2008) R$ 4.705.856,47 Multa de 1% sobre o VA R$ 47.058,56 DSI 0517600041/2008 (de 05/03/2008) Valor Aduaneiro (VA) informado pelo importador R$ 54.827,71 Multa de 1% sobre o VA R$ 548,27 Consignou se que a aplicação da multa de 1% sobre o VA não impede a aplicação de outras penalidades decorrentes da conduta do importador, em especial aos seus reflexos no âmbito tributário, nos termos do § 2° do art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001: "Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria:(..) § 2°. A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis". 3. Impossibilidade de identificação da mercadoria importada. Alíquota aplicável sobre a diferença de tributos (declaração inexata). Diante das descrições de mercadorias por meio de expressões enigmáticas (obscuras), impossibilitando a correta identificação e classificação fiscal das mercadorias, a fiscalização aduaneira intimou a interessada a proceder à revisão das descrições dos bens importados, para poder dar andamento ao despacho, conforme docs de fls.273/287, mas o importador preferiu ignorar a intimação, omitindose em atendêla no prazo estabelecido. A autoridade fiscal viuse impossibilitada de identificar a natureza das mercadorias importadas, vendidas ou consumidas a bordo, durante a permanência da embarcação em águas nacionais. Lembrase que as DSI só foram apresentadas após a partida da embarcação, quando não mais havia possibilidade de aferição/apuração por meio de mercadorias idênticas que restaram no inventário das lojas e bares da embarcação. Para situações assim, a Lei 10.833/2003 assim previu: "Art.67. Na impossibilidade de identificação da mercadoria importada, em razão de seu extravio ou consumo, e de descrição genérica nos documentos comerciais e de transporte disponíveis, serão aplicadas, para fins de determinação dos impostos e dos direitos incidentes, as alíquotas de 50% (cinqüenta por cento) para o calculo do Imposto de Importação e de 50% (cinqüenta por cento) para o cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados". Assim, a Lei estabelece que sejam aplicadas alíquotas genéricas de 50% (cinqüenta por cento) para o cálculo do Imposto dc Importação e de 50% (cinqüenta por cento) para o cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados. Aqui não se trata de sanção, mas de procedimento de cálculo legalmente instituído para apuração do tributo devido, nas situações que se enquadrem na hipótese do antecedente normativo. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 9 8 Neste sentido apurouse a diferença devida do imposto de importação, conforme quadro seguinte, lançada de oficio por meio do Auto de Infração objeto deste processo: DI 0517600040/2008 de 05/03/2008 VA informado pelo importador R$ 4.679.830,98 VA retificado (c/ tx de câmbio do dia 05/03/2008), base de cálculo do I I R$ 4.705.856,47 Alíquota do II 50% 50% Valor do II devido R$ 2.352.928,23 Valor do II pago (fls. 22 c 24) R$ 908.764,64 Valor do II não recolhido RS 1.444.163,59 DI 0517660041/2008 de 05/03/2008 VA informado pelo importador R$ 54.827,71 Alíquota do II 50% 50% Valor do II devido R$ 27.413,85 Valor do II pago (fls. 242) R$ 10.638,02 Valor do II não recolhido RS 16.775,83 4. Juros de Mora sobre a diferença de I I não recolhida (decorrente as aplicação de alíquota incorreta declaração inexata). O não pagamento dos tributos devidos (diferença), até a data de vencimento, torna o sujeito passivo devedor dc atualização monetária do valor não pago. Esta regra esta prevista no art. 61 da Lei n° 9.430, dc 1996. A taxa de atualização a que se refere o dispositivo está indicada no §3° do art. 5° da mesma Lei, in verbis: "Art. 5°. ... § 3 ° . As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento". Neste sentido apurouse o valor dos juros de mora relativos à diferença do imposto de importação não recolhida, devida na data do fato gerador 05/03/2008: DI 05 17600040/2008 de 05/03/2008 Valor do II não recolhido R$ 1.444.163,59 % Juros dc Mora (mar/2008 a set/2010) 25,57% Valor dos Juros de Mora R$ 369.272,63 DI 0517600041/2008 de 05/03/2008 Valor do II não recolhido R$ 16.775,83 % Juros dc Mora (mar/2008 a set/2010) 25,57% Valor dos Juros de Mora R$ 4.289,57 Fl. 640DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 10 9 5. Multa de ofício sobre a diferença de I I não recolhida (decorrente as aplicação de alíquota incorreta declaração inexata). Tendose apurado tributo devido e não recolhido no prazo estipulado pela legislação, fica caracterizada a infração da qual decorre a pena prevista no art. 44 da Lei n°9.430, de 1966: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007)". A multa de ofício foi aplicada apenas sobre a diferença não recolhida do imposto de importação (I I). No caso do IPI, como não houve o desembaraço das mercadorias, ato que identifica o aspecto temporal do fato gerador do tributo, não se aplicou multa nem correção monetária s/a diferença do IPI devida, que a data limite para o seu recolhimento não foi ultrapassada. Desta forma, apurou se a multa citada, s/ o I I, conforme o quadro seguinte, consoante o lançamento de oficio no Auto de Infração objeto deste processo: DI 0517600040/2008 de 05/03/2008 Valor do II não recolhido R$ 1.444.163,59 % da Multa (art.44 da Lei 9.430/96) 75 % Valor da Multa de ofício RS 1.083.122,69 DI 0517600041/2008 de 05/03/2008 Valor do II não recolhido R$ 16.775,83 % da Multa (art.44 da Lei 9.430/96) 75 % Valor da Multa de ofício R$ 12.581,87 6. Multa por Embaraço à fiscalização (falta de resposta à intimação). Verificada a infração relativa à inexatidão da declaração, o importador foi intimado a regularizála, por meio da Intimação ALF/SDR 11° 001/2009 (fls. 273 a 287). Ciente da intimação, o importador atendeua parcialmente, no que se refere à apresentação do CD e do instrumento de mandato, e requereu em 27/02/2009 dilação por mais quinze dias do prazo para atendimento do restante das exigências dc regularização da DSI (fls 288 a 294). O pleito de prorrogação do prazo foi atendido, porém o importador não mais procurou a RFB para atendimento das exigências. A conduta omissiva do sujeito passivo de simplesmente abandonar o despacho aduaneiro à própria sorte, ignorando a solicitação da fiscalização tem conseqüências graves e, por si só, independente de haver ou não tributo devido, está sujeita à punição prevista no art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, assim: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei n°10.833, de 29.12.2003) Fl. 641DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 11 10 c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; § 2°. As multas previstas neste artigo não prejudicam a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso (Incluído pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003)". Sendo assim, no Auto de Infração foi aplicada a multa de R$ 5.000,00 por embaraço à fiscalização, pela omissão do importador em atender intimação fiscal para cumprir o seu dever de prestar a devida informação nas Declarações Simplificadas de Importação. 7. Recomposição da base de cálculo do IPI (declaração inexata). Alíquota do IPI a ser aplicada. Diferença de tributo. O art. 67 da Lei n° 10.833/2003 também estabelece alíquota de 50% para o IPI na hipótese de impossibilidade de identificação da mercadoria importada. Da mesma forma como descrito antes para o I.I, apurouse a diferença devida do IPI, lançada de oficio no Auto de Infração, conforme indicado a seguir. Neste cálculo foram considerados os reflexos da recomposição da base de cálculo do IPI decorrentes da alteração do valor devido do Imposto de Importação. DI 0517600040/2008 de 05/03/2008 Valor aduaneiro informado pelo importador R$ 4.679.830,98 Valor aduaneiro retificado (tx câmbio dia 5.03.2008) R$ 4.705.856,47 Valor do I I devido R$ 2.352.928,24 Base de cálculo do IPI R$ 7.058.784,71 Alíquota do IPI 50% Valor do IPI devido R$ 3.529.392,35 Valor do IPI pago (fls. 22 e 24) R$ 987.593,14 Valor do IPI não recolhido RS 2.541.799,21 DI 0517600041/2008 de 05/03/2008 Valor aduaneiro informado pelo importador R$ 54.827,71 Valor do I I devido R$ 27.413,86 Base de cálculo do IPI R$ 82.241,56 Alíquota do IPI 50% Valor do 1P1 devido R$ 41.120,78 Valor do IPI pago (fls. 22 e 24) R$ 11.764,54 Valor do IPI não recolhido R$ 29.356,24 Segundo a fiscalização, no caso do IPl, como ainda não havia ocorrido o desembaraço das mercadorias, ato que identifica o aspecto temporal do fato gerador do tributo, não se aplicou multa ou correção monetária s/o valor devido, que a data limite para o recolhimento não foi ultrapassada. Devidamente intimadas em 02/12/2010 (fls.300301), as Recorrentes apresentaram conjuntamente impugnação ao Auto de Infração (fls.305326), requerendo a declaração de nulidade material do Auto de Infração em razão da precariedade do procedimento fiscal e, o cancelamento integral da autuação, em razão do descabimento da Fl. 642DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 12 11 multa isolada e da improcedência das exigências a título de II e IPI, cujas razões foram sintetizadas da seguinte maneira4: 1. Questão preliminar: Nulidade do auto de infração A Autoridade Fiscal presumiu, a partir de meia dúzia de exemplos, que todas as descrições das DSI teriam sido elaboradas de maneira inadequada. Na impugnação, as interessadas fizeram o mesmo. Com base em alguns exemplos, demonstram que a maioria das descrições, nas DSI, foi elaborada de maneira adequada. Muito bem: qual generalização seria mais correta? Se os Senhores julgadores ficaram em dúvida, então as Impugnantes já cumpriram o seu papel. Não poderia haver evidência maior da nulidade do Auto de Infração que essa dúvida que ora paira na cabeça de VV.Exas. A "falácia de generalização apressada" não é compatível com o artigo 142 do CTN. À luz dessas ponderações, devese reconhecer a nulidade material do Auto de Infração ante a invalidade da sua motivação, fruto de generalização que não possui base legal. O Auto de Infração deve ser desconstituído in totum. 2. Descabimento da multa isolada A descrição das mercadorias constantes da DSI não é informação necessária ao controle aduaneiro apropriado. No caso da viagem de cruzeiro pela costa brasileira, a identificação do procedimento de controle aduaneiro depende apenas de duas informações: (i) a de se tratar de navio estrangeiro, e (ii) de estar em viagem de cruzeiro pela costa brasileira. Quando se omite uma ou outra dessas informações estará opondo obstáculo ao controle aduaneiro. Mas não ocorreu isso. Se existe alguma penalidade por preencher inadequadamente as DSI, o que as impugnantes desconhecem, com certeza não é a prevista no art.69 da Lei 10.833/03, e a imposição de qualquer outra penalidade dependeria de um novo lançamento. Deve, pois, ser cancelada esta multa, cuja hipótese típica não guarda identidade com os fatos descritos no AI. 3. Inaplicabilidade da alíquota de 50% para o cálculo do II e do IPI A autoridade fiscal invoca o art.67 da Lei 10.833/03, para aplicar a alíquota de 50% sobre as bases de cálculo do II e do IPI. Mais uma vez não deu a atenção devida aos termos do legislador. A simples leitura da norma referida permite constatar que: i) Não faz alusão a DSI, ou a qualquer documento fiscal de importação; e ii) Aponta como pressuposto de sua aplicação a descrição genérica das mercadorias em documentos comerciais e documentos de transporte. Nenhum desses documentos se identifica com a DSI. Este é documento puramente fiscal, cuja função é instrumentalizar o lançamento. Assim, se a DSI não é documento comercial nem é de transporte, não pode dar ensejo à aplicação do art.67 da Lei 10.833/03. 4. Erro na identificação da Base de Cálculo 4 Trechos extraídos da decisão de piso. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 13 12 Por amor ao debate, considerese que o art.67 da Lei 10.833/03 seja aplicável neste processo. Ainda que isso ocorresse, a exigência de II e do IPI à alíquota de 50% não poderia ser mantida, porque a autoridade fiscal identificou erroneamente a base de cálculo aplicável, desobedecendo ao §1° daquele dispositivo legal. Vale dizer, deveria ter arbitrado a base de cálculo a partir dos valores em kg das mercadorias importadas a título definitivo pela mesma via de transporte, constantes das declarações de importação registradas no semestre anterior. A autoridade fiscal simplesmente ignorou o citado §1° do art.67, considerando como base de cálculo o valor aduaneiro declarado nas DSI registradas pela primeira impugnante. Configurado o erro na base de cálculo, tornase insubsistente o lançamento, conforme inúmeras decisões dos Conselhos de Contribuintes como, por exemplo, as correspondentes às ementas transcritas às fls.321. Portanto, ainda que se admitisse a aplicação do art.67 da Lei 10.833/03, o AI haveria de ser cancelado no que tange à exigência de diferenças de II e IPI. 5. Subsidiariamente: Impossibilidade de Revisão do Lançamento. A ilegal revisão de lançamento constatase porque, nos termos do art.9° da IN 137/98, para as importações por navios de cruzeiro, o despacho aduaneiro de importação se finda com a liberação do navio para retorno ao exterior. É nesse momento que o armador comprova o pagamento dos tributos apurados ao Fisco, o qual, manifestando sua anuência, libera o navio para seguir viagem. E é essa conduta liberatória que homologa o procedimento do contribuinte, fixando o critério jurídico utilizado.O Fisco sempre teve acesso às DSI com a descrição das mercadorias. Não houve emergência de qualquer fato novo, excluindose a possibilidade de erro de fato. É assim clara a mudança de critério jurídico, o que é vedado pelo art.146 do CTN, devendo determinarse o cancelamento do AI. Através do acórdão nº 1138.186, houve por bem a 6ª Turma da DRJ/REC, julgar, por unanimidade de votos, a impugnação apresentada pelas Recorrentes nos termos da ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 05/03/2008 PRELIMINAR DE NULIDADE DA AUTUAÇÃO. AFASTADA. O procedimento fiscal teria incorrido em generalização indevida. O exame dos documentos acostados evidencia que a autoridade fiscal explicitou, quanto às descrições que podiam ser compreendidas, que houve 331 (trezentos e trinta e um) erros especificamente apontados, de enquadramento e classificação fiscal, mas, além disso, também indicou um grande rol de mercadorias cuja descrição foi inadequada e insuficiente a permitir a devida classificação fiscal. Resta evidente que tais conclusões não decorreram do exame apenas dos oito exemplos constantes da amostra indicada no relatório anexo ao auto de infração. Não houve a alegada generalização. Afastada a preliminar de nulidade. MULTA ISOLADA DE 1% SOBRE O VALOR ADUANEIRO. Para a parte especificada das mercadorias consumidas a bordo do navio, durante cruzeiro ao longo da costa brasileira, caracterizouse a conduta infracional tendente a comprometer o efetivo controle aduaneiro daquelas mercadorias, erigindo obstáculo a que autoridade aduaneira pudesse conferir a classificação fiscal declarada pelo importador. No caso cabe a aplicação da sanção prevista no art.69 da Lei n° 10.833/03. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 14 13 ALÍQUOTA DE 50% APLICÁVEL NA SITUAÇÃO DESCRITA. Nos termos da lei regente, impossibilitada a classificação da mercadoria importada, diante do seu extravio ou consumo, deverá ser aplicada a alíquota de 50% para cálculo do valor do imposto de importação e do IPI vinculado. A aplicação da referida alíquota não representa sanção por ato ilícito, mas sim a utilização de alíquota alternativa eleita pelo legislador para contornar a conduta do importador que resultou em impedimento à conferência das mercadorias importadas. IDENTIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS. A ninguém é dado beneficiarse da própria torpeza. O importador declarou parte das mercadorias consumidas a bordo de modo insuficiente a definir a precisa classificação fiscal, o que levou à adoção da alíquota alternativa prevista na Lei. Isso não impede que a autoridade aduaneira e fiscal acate como razoável o valor aduaneiro das mercadorias declarado pelo próprio importador. É o valor aduaneiro que serve de base de cálculo para apuração dos impostos aduaneiros especificados. REVISÃO FISCAL. MESMO CRITÉRIO JURÍDICO. A previsão de revisão fiscal, dentro do prazo legal, dos atos praticados na fase de desembaraço aduaneiro, inclui a possibilidade de análise do enquadramento declarado dos produtos importados aos códigos de classificação fiscal vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores. Não se caracterizou no caso nenhuma alteração dos critérios jurídicos adotados. Ato contínuo, as Recorrentes foram intimadas da decisão combatida em 10/10/2012 (fls.385) e, interpuseram recurso voluntário em 08/11/2012 (fls.387423), reproduzindo, além das matérias objeto de impugnação, novos argumentos relacionados à aplicação da multa prevista no multa prevista no artigo 67, da Lei nº 10.833/2003, a saber: (i) Concomitância exigida pelo artigo 67, da Lei nº 10.833/2003; (ii) Impossibilidade diretamente decorrente do extravio; (iii) Conceitos de extravio e consumo; e (iv) Natureza de sanção por ato ilícito. Encaminhado o processo à este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a antiga composição desta Turma, decidiu, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a fiscalização prestasse os seguintes esclarecimentos: (i) discrimine quais mercadorias estão descritas corretamente e classificadas corretamente e seu respectivo Valor Aduaneiro; (ii) Em seqüência, discrimine quais mercadorias estariam descritas corretamente, mas classificadas incorretamente, e seu respectivo Valor Aduaneiro; (iii) Que identifique os itens cuja descrição não permita a adequada identificação, intimando o contribuinte, para nesses casos, apresentar a tradução da descrição apresentada da DSI; e (iv) Finalmente, que a fiscalização se manifeste pela adequação dessa tradução e sobre a correspondente classificação adotada, ao final mencionando o correspondente Valor Aduaneiro. No interregno entre o cumprimento da diligência e a apresentação de manifestação de inconformidade, as Recorrentes apresentaram petição (i) noticiando que a Lei nº 13.043/2014 modificou o artigo 67, da Lei nº 10.833/2003, no sentido de aplicar alíquota única de 80%, ao vez de aplicar a alíquota de 50% para cada tributo; e (ii) requereu, como Fl. 645DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 15 14 argumento subsidiário, a aplicação da referida norma nos termos do artigo 106, II, "c", do CTN, que determina a retroatividade de norma mais benéfica. Já em 27/01/2015, as Recorrentes foram intimadas à prestar informação para autoridade fiscal, no intuito de atender a diligência fiscal e, protocolaram petição apresentando planilha com tradução de todas descrições consignadas nas DSIs, bem como argumentos sobre a irregularidade no procedimento fiscal (fls.579583). A conclusão da diligência foi realizada por meio do Relatório de Diligência ALF/SDR nº 01/2015 carreadas às fls. 590596, restando asseverado pela fiscalização a resposta aos quesitos formulados na Resolução nos seguintes termos: Questão 1 1) discrimine quais mercadorias estão descritas corretamente e classificadas corretamente e seu respectivo Valor Aduaneiro; RESPOSTA: As mercadorias constantes das declarações de importação que estão corretamente descritas e classificadas, e seu respectivo valor aduaneiro são as que constam da relação a seguir: (...) Estes itens, ainda que descritos em língua estrangeira, permitem a sua classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul. Todas as demais descrições são insuficientes para os objetivos previstos na legislação, o que as torna INCORRETAS – deste modo, não é possível avaliar se a classificação indicada pelo autuado está ou não correta. Observese que, a simples indicação da natureza da mercadoria, não é suficiente para definir a sua correta classificação. Ainda que da descrição defeituosa apontada se possa intuir a natureza da mercadoria, a sua correta classificação depende de outros elementos que a especificam, especialmente a sua matéria constitutiva, que foi omitida, como regra. Além disso, trago mais uma vez ao foco desta diligência, o conjunto de elementos que a Lei indica expressamente como essenciais à descrição da mercadoria (Art. 69, 2º inciso III da Lei nº 10.833/2003): “descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que confiram sua identidade comercial”. Questão 2) Em seqüência, discrimine quais mercadorias estariam descritas corretamente, mas classificadas incorretamente, e seu respectivo Valor Aduaneiro; RESPOSTA: As mercadorias constantes das declarações de importação que estão corretamente descritas e classificadas incorretamente, e seu respectivo valor aduaneiro, são as que constam da relação a seguir: (...) Esclareçase que no anexo da Intimação ALF/SDR nº 001/2009, conforme ali expressamente colocado, apresentaramse classificações em caráter meramente “indicativo”, visto que não se dispunha da correta e detalhada descrição das mercadorias. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 16 15 Em regra apontaramse itens cujas descrições continham elementos flagrantes que determinavam a classificação escolhida como INCORRETA, mas que não eram suficientes para inferirse a correta classificação. Em nenhum momento durante a ação fiscal ficou estabelecida ou designada a classificação correta e definitiva da mercadoria. Esta só poderia ser alcançada por meio da revisão de sua descrição, atendendose ao comando da legislação. Na citada intimação, tomouse o cuidado de apenas sugerir a classificação, por meio do uso da expressão “classificação indicada”. Questão 3) Que identifique os itens cuja descrição não permita a adequada identificação, intimando o contribuinte, para nesses casos, apresentar a tradução da descrição apresentada da DSI; RESPOSTA: O contribuinte foi devidamente intimado conforme Intimação ALF/SDR nº 001/2014, anexada às fls. 487 a 490. Questão 4) Finalmente, que a fiscalização se manifeste pela adequação dessa tradução e sobre a correspondente classificação adotada, ao final mencionando o correspondente Valor Aduaneiro. RESPOSTA: A tradução apresentada pelo contribuinte não foi suficiente para afastar os defeitos daquilo que se pretendia desde o início, que era obter a correta descrição detalhada da mercadoria. Em verdade, o trabalho realizado não foi de simples tradução, mas de agregação de informações que não constaram nas Declarações de Importação apresentadas, nem foram apresentadas no curso do despacho aduaneiro, quando expressamente foi exigido do importador, por meio da Intimação ALF/SDR nº 001/2009, que se apresentasse a descrição detalhada das mercadorias. O trabalho realizado pelo contribuinte ainda peca, em muitos casos, por sua superficialidade, pelo qual se limitou a incluir no início de cada descrição, a categoria ou natureza de cada mercadoria, persistindo a insuficiência da informação, nos termos demandados pela legislação. Outrossim, esclarecemos que o prejuízo a descrição da mercadoria NÃO se deveu ao uso do idioma inglês ou italiano, mas do uso pelo importador de “designações, códigos, abreviaturas e congêneres que só ele conhece o significado”. Sendo assim, não se pode falar em tradução de termos que não fazem parte do vernáculo português, inglês ou italiano. O autuado, deliberadamente, se utilizou de uma codificação própria para descrever as mercadorias importadas e não apresentou a descrição detalhada quando tempestivamente lhe foi exigido. Preclusa a oportunidade de colaborar com a elucidação das obscuridades apontadas, temse por óbvio que a inclusão extemporânea de novas informações traria o risco de desmantelar todo o esforço empreendido na ação fiscal, durante a qual foi dada AMPLA oportunidade de manifestação ao autuado. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 17 16 Mais uma vez, apresentamos os dispositivos da legislação que tratam da obrigatoriedade e dos requisitos da descrição da mercadoria que devem ser observados pelo importador na declaração de importação, objetivando especialmente a sua identificação e correta classificação fiscal. Estes dispositivos foram apresentados no auto de infração, e aqui são transcritos apenas para reforçar o caráter obrigatório da descrição detalhada da mercadoria. (...) Intimadas do Relatório de Diligência ALF/SDR nº 01/2015 em 25/02/2015, as Recorrentes apresentaram manifestação de inconformidade em 27/03/2015 (fls.602626), discordando do Relatório de Diligência, vez que, segundo elas, o trabalho fiscal não alcançou o objetivo da diligência fiscal, já que falhou em quantificar com exatidão os produtos cujas descrições revelamse imprestáveis e, requerendo que (i) seja determinada nova análise da planilha apresentada pela Recorrente, a fim de que seja realizada verificação item a item, obtendose, ao final, o número preciso dos produtos eventualmente sujeitos à aplicação do artigo 67, da Lei nº 10.833/2003; e (ii) sejam excluídas do lançamento as mercadorias elencadas pela Recorrente, nas planilhas juntadas na manifestação de inconformidade, bem como aquelas elencadas pela autoridade fiscal, considerando que as descrições são suficientes e precisas. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade O recurso voluntário interposto pelas Recorrentes é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Revelia As Recorrentes não impugnaram as autuações relativas (i) ao erro na taxa de câmbio utilizada para o cálculo dos tributos incidentes na importação; (ii) a cobrança de juros de mora sobre a diferença de II não recolhida (decorrente da aplicação de alíquota incorreta declaração inexata); (iii) a cobrança da multa de ofício sobre a diferença de II não recolhida (decorrente da aplicação de alíquota incorreta declaração inexata); e (iv) a cobrança da multa por embaraço à fiscalização (falta de resposta à intimação). Em relação as matérias não impugnadas, aplicase as determinações contidas no artigo 54, do Decreto 7574, de 29 de setembro de 2011, que assim dispõe: Art. 54. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável (Decreto no 70.235, de 1972, art. 21, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). Fl. 648DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 18 17 § 1o No caso de identificação de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. § 2o Esgotado o prazo de cobrança amigável sem que tenha sido pago ou parcelado o crédito tributário, o órgão preparador encaminhará o processo à autoridade competente para promover a cobrança executiva. III Recurso Voluntário O cerne principal da questão é verificar se as descrições das mercadorias apresentadas pelas Recorrentes nas DSIs nºs 0517600040/2008 e 0517600041/2008, preenchem os requisitos previstos no inciso III, do §2º, do artigo 695, da Lei nº 10.833/2003 c/c o §2º, do inciso II, do artigo 846, da MP 2.15835, de 2001, para fins de permitir à autoridade fiscal perquirir a adequada classificação fiscal dos produtos e bens consumidos. Em sede recursal, as Recorrentes requereram a reforma da decisão de piso para cancelar, integralmente, o lançamento fiscal em razão (i) da patente nulidade do Auto de Infração, considerando a precariedade do procedimento de verificação fiscal; (ii) do descabimento da multa isolada; e (iii) da improcedência das exigências a título de II e IPI. Adicionalmente, as Recorrentes por meio de petição carreadas às fls. 568 570, pleitearam a aplicação retroativa da Lei nº 13.043/2014, que deu nova redação ao artigo 67, da Lei nº 10.833/2003 e, em sede de manifestação de conformidade, requereram que a fiscalização procedesse nova análise da descrição das mercadorias com base nas planilhas de fls. 630, ou a exclusão do lançamento das mercadorias por elas indicadas na referida planilha. Desta forma, passase à análise dos argumentos apresentados pelas Recorrentes. IV Nulidade do Auto de Infração As Recorrentes alegam que a autoridade fiscal concluiu que todas as descrições das mercadorias informadas nas DSIs estariam erradas por meio de indevida generalização, posto que o exame realizado pela fiscalização teria recaído apenas em meia dúzia de exemplos, sendo, assim, impossível concluir que para as demais mercadorias as descrições também apresentavam imperfeições. Alega, ainda, que a maioria das mercadorias constantes das DSIs estavam bem descritas e, para demonstrar tal conclusão apresenta a sua "generalização", citando outra meia dúzia de exemplos e formulando os seguintes questionamentos: “qual generalização seria mais correta? Se os Senhores julgadores ficaram em dúvida, então as Impugnantes já cumpriram o seu 5 Art.69 (...) § 2o. As informações referidas no § 1o, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: (...) II descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; 6 Art.84 § 2º. A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art.44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis”. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 19 18 papel: não poderia haver evidência maior da nulidade do Auto de Infração que essa dúvida que ora paira na cabeça de V.Exas”. De fato, a fiscalização apontou no relatório fiscal, em caráter meramente exemplificativo, 05 (cinco) produtos que foram indicados nas DSIs e que não foram devidamente descritos, a saber: (i) KYOTO SMALL II() (11s. 114)— (cód NCM 4202.22.10) classificado como bolsa KYOTO SM HOBO (11s. 124) — (cód NCM 9102.29.00) classificado como relógio de pulso não automático YSL E (fls. 78)— (cód NCM 9104.10.00) utilizou um código NCM de classificação inexistente PRO GOGGLES (fls. 79) (cód NCM 8536.50.90) classificado como interruptor PLAYING CARD TROLLS (fls. 40) (cód NCM 8471.90.90) classificado como máquina para processamento de dados. Contudo, a análise das mercadorias não ficou restrita somente aos produtos anteriormente citados, tendo a fiscalização procedido a análise da descrição de outras mercadorias e, intimado as Recorrentes para (i) proceder a retificação de todos os itens informados nas DSIs; e (ii) retificar os itens constante da relação elaborada pela própria fiscalização, que contém aproximadamente 300 (trezentas) mercadorias analisadas, conforme se verifica no termo de Intimação ALF/SDR nº 001/2009 (fls.275276). Ao que parece, as Recorrentes ignoraram a lista anexa a Intimação nº 001/2009, parte integrante do processo administrativo e elaborada em data anterior a lavratura do Auto de Infração, para considerar, com base apenas nas informações contidas no relatório fiscal, que a fiscalização realizou seu trabalho pautada apenas em 05 (cinco) exemplos. Com efeito, todo procedimento fiscalizatório que antecede a lavratura do Auto de Infração faz parte do processo administrativo e se presta para embasar o lançamento fiscal. Logo, todos atos praticados anteriores a lavratura do Auto de Infração devem ser considerados como parte integrante do lançamento fiscal. Portanto, não houve um procedimento de "generalização" adotado pela fiscalização para declarar insuficiente as descrições das mercadorias apresentadas pelas Recorrentes nas DSIs, considerando que o trabalho fiscal foi amplo e satisfatório para embasar o lançamento fiscal. Aliás, a desídia das Recorrentes em não atender completamente a Intimação nº 001/2009, contribuiu substancialmente para a fiscalização declarar a insuficiente das descrições das mercadorias e aplicar as regras previstas nos artigos 67 e 69, da Lei nº 10.833/2003. Cabe esclarecer, que no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Fl. 650DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 20 19 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pelas Recorrentes. V. Descabimento da multa isolada A Recorrentes contestam a aplicação da multa de 1% sobre o valor da mercadoria com base nas seguintes alegações: (i) a descrição inadequada de mercadorias nas DSIs não seria pressuposto para a aplicação da penalidade prevista no artigo 69 da Lei 10.833/03; (ii) que a descrição da mercadoria não seria informação necessária ao controle aduaneiro apropriado no caso de cruzeiro pela costa brasileira; (iii) que no presente caso, somente quando se omitisse as informações disciplinadas pela IN SRF 137/2008 é que se estaria opondo obstáculo ao controle aduaneiro, qual seja, a de se tratar de navio estrangeiro e, de estar em viagem de cruzeiro pela costa brasileira. Nos termos do artigo 69, § 2º, inciso III, da Lei nº 10.833/03, o importador deve discriminar de forma minudente a operação de comércio exterior de que participa, aí incluída a descrição completa da mercadoria com todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial. O importador que se omite ou que presta tais informações de forma incompleta ou inexata descumpre a norma em questão e se sujeita ao pagamento da multa nela prevista. Nas palavras Eurico Marcos Diniz de Santi: "A Medida Provisória nº 215835/2001, por seu artigo 884, instituiu multa de um por cento do valor aduaneiro na hipótese de ocorrer, na importação, a classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. A penalidade em testilha é aplicada por ato administrativo de compentência dos auditores da Receita Federal do Brasil. Configurase, como norma primária sancionadora, na qual o antecedente rela a classificação da mercadoria na NCM situação que denota o descumprimento da obrigação ou a prática do ato ílicito. Como consequência deste ato, o referido Fl. 651DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 21 20 órgão administrativo federal estaria legitimado aplicar multa equivalente a um por cento do valor aduaneiro 7". Ademais, é a partir da precisa descrição feita pelo importador que a fiscalização aduaneira poderá constatar eventual disparidade com o real conteúdo da mercadoria importada, a repercutir inclusive no tratamento tributário conferido à operação de comércio exterior. Portanto, restando comprovado a insuficiência, ainda que parcial, de descrição das mercadorias de modo a impedir a autoridade fiscal de proceder/conferir a classificação fiscal, o devido enquadramento na NCM, bem como comprometido o efetivo controle aduaneiro das mercadorias consumidas, deverá ser aplicada a sanção prevista nos artigos 69, da Lei 10.833/2003 c/c artigo 84, da MP 215835/2001. Por outro lado, a IN SRF 137/2008, como norma secundária e de cunho meramente instrutivo, não se sobrepõe a regra especial prevista nos dispositivos anteriormente citados. O fato da Instrução Normativa não disciplinar como procedimento de controle aduaneiro a penalidade por declaração inexata, não quer dizer que os importadores relacionados as operações de navio estrangeiro possam deixar de observar os demais ditames legais instituídos para as operações de comércio exterior. A IN SRF 137/2008 nada mais fez do que disciplinar procedimentos operacionais nas operações de navio estrangeiro em viagem de cruzeiro pela costa brasileira, sem que isso acarretasse supressão das legislações pertinentes as operações de comércio exterior. Desta forma, a descrição imprecisa de mercadorias importadas estará sujeita ao pagamento de multa prevista na legislação. VI. Inaplicabilidade da alíquota de 50% para o cálculo do II e do IPI As recorrentes pretendem afastar a aplicação do artigo 67, da Lei nº 10.833/2003, que à época dos fatos determinava a aplicação da alíquota de 50% para cálculo do Imposto de Importação e do Imposto Sobre Produtos Industrializados, quando restasse comprovado a impossibilidade de identificação da mercadoria importado, em razão de seu extravio ou consumo, e de descrição genérica nos documentos comerciais e de transporte, com base nos seguintes fundamentos: A DSI não é documento comercial nem é de transporte, então não poderia dar ensejo à aplicação do artigo 67, da Lei nº 10.833/2003; e A exigência de impostos mediante a aplicação de alíquota de 50% infringiria frontalmente o artigo 3º, do CTN, que veda a cobrança de tributo como sanção por ato ílicito. A operação de navio estrangeiro exigese a apresentação de inventário na entrada da embarcação no país, com a relação de todas as mercadorias colocadas à disposição para o consumo e, inventário ao final da temporada com o resultado das vendas das mercadorias consumidas, sendo que a diferença entre o inventário inicial e o final será o valor 7 Trecho extraído do Livro: Classificação Fiscal de Mercadorias Autor: Milton Carmo de Assis Jr. Editora Quartier Latin Edição 2015 página 58 Fl. 652DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 22 21 do despacho aduaneiro de importação, conforme previsto no inciso II, do artigo 5º e inciso I, do artigo 9º, da IN 137/2008: Art. 5º O controle aduaneiro sobre as mercadorias de origem estrangeira transportadas no navio em viagem de cruzeiro, ou embarcadas no País para reposição de estoques, destinadas à provisão de bordo ou à venda em lojas, bares e instalações semelhantes, observará o seguinte: (...) II mercadorias estrangeiras destinadas à venda: o comandante do navio manterá registro do estoque diário de mercadorias estrangeiras a bordo, que permita identificar o movimento ocorrido no período, relativamente ao saldo inicial, entradas, saídas e saldo final. Art. 9º A autorização de saída do veículo do País fica condicionada à apresentação, pelo mandatário, na unidade aduaneira que jurisdicone o porto onde ocorrer a última escala do navio com destino ao exterior, dos seguintes documentos: I relatório sobre a movimentação de mercadorias estrangeiras durante o período, identificando a posição de seu estoque final e relacionando as mercadorias vendidas, com indicação da quantidade, discriminação do produto e valores, unitários e totais, em moeda nacional, determinados pela taxa cambial vigente na data de registro da DSI Como se vê, nas operações sob análise é exigido que as declarações simplificadas de importação sejam entregues acompanhadas de um relatório contendo a movimentação de mercadorias estrangeiras durante o período de estadia do navio. Não é exigido outro documento. As Recorrentes trazem a lume o conceito de "documentos comerciais" descrevendo que "são aqueles previstos na legislação comercial. O principal documento comercial é a fatura comercial, a qual, aliás, é objeto de regramento também por parte do regulamento aduaneiro. Podem ser considerados documentos comerciais outros papéis como boletos, borderôs, títulos de crédito, contratos, recibos, etc. Numa interpretação abrangente, admitese que até os livros comerciais (diário, caixa, razão, etc...) sejam considerados documentos comerciais." (grifei) E concluem: "Nenhum desses documentos, contudo, se identifica com a DSI. Esta é um documento puramente fiscal, cuja função é a de instrumentalizar o lançamento da obrigação tributária. A DSI não cumpre função comercial, e, desse modo, definitivamente não é um documento comercial." Todavia, ainda que a DSI não seja considerado um documento comercial ou de transporte, na operação de navio estrangeiro não é exigido nenhum outro documento além das declarações simplificadas de importação e de um relatório contendo a movimentação de mercadorias estrangeiras durante o período de estadia do navio, o que, por critério de exclusão, cumpre a função comercial. Por outro lado, o relatório de movimentação de mercadorias estrangeiras, parte integrante da DSI, também intitulado como "Registro de Inventário", pode ser considerado como livro comercial para fins de enquadramento do artigo 67, da Lei nº 10.833/2003. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 23 22 Já em relação ao outro argumento apresentado pelas Recorrentes, entendo que a decisão de piso está correta ao afastar suas pretensões nos seguintes termos: "A indicação da referida alíquota para o cálculo dos impostos aduaneiros especificados evidentemente não representa qualquer sanção por ato ilícito, mas sim a utilização de alíquota alternativa eleita pelo legislador para contornar a conduta do importador que resultou em impedimento à aferição ou conferência das mercadorias importadas". Neste ponto, adoto os fundamentos da decisão de piso para afastar as pretensões das Recorrentes. Por fim, cabe apreciar o pedido realizado em petição protocolada em data posterior a interposição do recurso voluntário, no sentido de aplicar a nova redação dada pela Lei nº 13.043/2014 ao artigo 67, da Lei nº 10.833/2003. Em novembro de 2014, com o advento da Lei n° 13.043/2014, que modificou o artigo 67 da Lei n° 10.833/03, as alíquotas de 50% anteriores aplicadas tanto para o cálculo do Imposto de Importação quanto para cálculo do Imposto Sobre Produtos Industrializados foram modificadas para aplicar a alíquota única de 80% em regime de tributação simplificada para os referidos impostos, in verbis: "Art. 67. Na impossibilidade de identificação da mercadoria importada, em razão de seu extravio ou consumo, e de descrição genérica nos documentos comerciais e de transporte disponíveis, será aplicada, para fins de determinação dos impostos e dos direitos incidentes na importação, alíquota única de 80% (oitenta por cento) em regime de tributação simplificada relativa ao Imposto de Importação II, ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, à Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep, à Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e ao Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante AFRMM. O artigo 106, do CTN, prevê: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Como se vê, o inciso I trata da lei expressamente interpretativa, ou seja, aquela que não inova o ordenamento jurídico; ao contrário, se presta a esclarecer o conteúdo de outra, a exemplo do art. 3º do CTN que traz o conceito de tributo. Por sua vez, o inciso II cuida da lei tributária mais benéfica, determinando a retroatividade da lei quando ela deixar de definir um ato como infração (Penalidade), deixando de considerar um ato como obrigação acessória, ou quando cominar penalidade menos severa. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 24 23 Inexiste no artigo 106, do CTN, hipótese que preveja sua aplicação aos casos de alteração/modificação de alíquota. Dessa forma, as alteração no artigo 67 da Lei nº 10.833/03 trazida pela Lei n° 13.043/2014 que modificou a alíquota do tributo não é hipótese de incidência do artigo 106, do CTN. Com efeito, a retroatividade normativa, vedada às normas que veiculam obrigações tributárias, é admitida para as normas que instituem sanções em matéria tributária, desde que não estabeleçam regime mais gravoso, conforme previsão expressa do art. 106 do CTN. Ora, a mera alteração do critério quantitativo não caracteriza hipótese de penalidade (cuja moldura tem como antecedente uma conduta ilícita) como equivocadamente pretende a Recorrente Em resumo, o texto normativa somente se aplica aos casos em que (i) haja lei expressamente interpretativa; (ii) a lei deixar de definir um ato como infração; e (iii) cominar penalidade menos severa, o que não é o caso dos autos. Deste modo, entendo correto o lançamento fiscal neste ponto. VII. Erro na identificação da Base de Cálculo Neste ponto, alegam as Recorrentes que a autoridade fiscal simplesmente ignorou o citado §1º do art.67, que deveria ter arbitrado a base de cálculo a partir dos valores em kg das mercadorias importadas a título definitivo pela mesma via de transporte, constantes das declarações de importação registradas no semestre anterior, que na hipótese legal apontada não se poderia considerar como base de cálculo o valor aduaneiro declarado nas DSI registradas em 05/03/2008. Alegam, ainda, que caso fosse aplicado a regra do referido dispositivo haveria duas bases de cálculo distintas, dentre as quais a autoridade fiscal somente poderia optar pelo menos onerosa ao contribuinte, a teor do previsto no artigo 112, do CTN. De fato, o §1º, do artigo 67, da Lei nº 10.833/2003 prevê o arbitramento para casos em que restar impossível a identificação da mercadoria importada, em razão de seu extravio ou consumo, e de descrição genérica nos documentos comerciais e de transporte disponíveis, senão vejamos: “Art. 67. Na impossibilidade de identificação da mercadoria importada, em razão de seu extravio ou consumo, e de descrição genérica nos documentos comerciais e de transporte disponíveis, serão aplicadas, para fins de determinação dos impostos e dos direitos incidentes, as alíquotas de 50% (cinqüenta por cento) para o cálculo do Imposto de Importação e de 50% (cinqüenta por cento) para o cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados. § 1o. Na hipótese prevista neste artigo, a base de cálculo do Imposto de Importação será arbitrada em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas a título definitivo, pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no semestre anterior, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de 2 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 25 24 Todavia, não vejo que o método adotado pela fiscalização para apuração dos tributos devidos, utilizando os valores informados pelas próprias Recorrentes, caracterize erro na base de cálculo. Isto porque, é o valor aduaneiro que serve de base de cálculo para apuração dos impostos aduaneiros, sendo razoável que a fiscalização utilize para fins de apuração do débito os valores declarados pelos contribuintes. Além disso, há previsão expressa no Acordo de Valoração Aduaneira e na IN SRF 137/2008, dispondo que a base de cálculo dos tributos em comento serão o valor aduaneiro da mercadoria estrangeira, in verbis: Art. 2º O valor aduaneiro, base de cálculo do Imposto de Importação, é o valor da mercadoria importada, conforme definido no Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994 (Acordo de Valoração Aduaneira), promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. Art.2º (...) § 2o A base de cálculo será, quanto: (...) b) ao imposto de importação II, o valor aduaneiro da mercadoria estrangeira; c) ao imposto sobre produtos industrializados IPI, vinculado à importação, o valor aduaneiro da mercadoria estrangeira acrescido do imposto de importação; Dessa forma, uma vez demonstrado que foi com base nos preços informados nas relações de mercadorias emitidas pela Recorrente que a fiscalização calculou os tributos; e na determinação do real valor aduaneiro foram utilizados os preços efetivamente praticados nas correspondentes operações de importação, entendo que não há motivos para cancelar o lançamento fiscal. No mais, entendo que os argumentos utilizados pela decisão piso para afastar o pedido de cancelamento por erro da base de cálculo estão totalmente corretos, razão pela qual utilizo como fundamento para manutenção do lançamento fiscal. VIII.Subsidiariamente: Impossibilidade de Revisão do Lançamento. As Recorrente defendem que o encerramento do despacho aduaneiro representa a adoção de novos critérios jurídicos, o que é vedado em nosso ordenamento jurídico. Que para as importações por navios de cruzeiro, o despacho aduaneiro de importação se finda com a liberação do navio para retorno ao exterior, e é nesse momento que o armador comprova o pagamento dos tributos apurados ao Fisco, o qual, manifestando sua anuência, libera o navio para seguir viagem. Que essa conduta liberatória homologa o procedimento do contribuinte, fixando o critério jurídico utilizado. Em relação à esta matéria adoto como fundamento para afastar a pretensão das Recorrentes o voto proferido por esta Turma, de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, nos autos do processo nº 10314.0048897/200267 (acórdão 3302003.083), saber: Fl. 656DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 26 25 "A recorrente alegou impossibilidade jurídica da realização do procedimento de revisão aduaneira em apreço, com base no argumento de que ato de desembaraço aduaneiro configurava homologação expressa do lançamento, logo, a realização de novo lançamento era vedada por configurar mudança de critério jurídico. Não assiste razão à recorrente. Sabidamente, o ato de desembaraço aduaneiro não tem a natureza de ato de lançamento de ofício e tampouco ato de homologação expressa do lançamento por homologação. Com efeito, o ato desembaraço aduaneiro, proferido ao final da fase de conferência aduaneira do despacho aduaneiro de importação, tem efeito de formalizar a liberação ou desembaraço da mercadoria, conforme expressamente estabelecido no art. 51 do Decretolei 37/1966. E como as informações e os valores consignados na DI, incluindo a classificação fiscal da mercadoria, foram prestados pelo próprio importador, previamente ao início do despacho aduaneiro, se algum critério jurídico foi definido até o ato de desembaraço aduaneiro, certamente, ele deve ser atribuído ao importador e não a autoridade fiscal, que se limitou a liberar a mercadoria. Entretanto, ainda que haja lançamento de crédito tributário, apurado na fase de conferência aduaneira, por força de autorização legal expressa (art. 54 do Decretolei 37/1966), na fase de revisão aduaneira, a autoridade administrativa tem plena competência, para, na eventual apuração de irregularidade no pagamento de tributos, na aplicação de benefício fiscal e na exatidão das informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. Dessa forma, se o ato de desembaraço aduaneiro se restringe ao respectivo despacho aduaneiro de importação e tem como efeito a liberação da mercadoria importada, obviamente, a ele não pode ser atribuído a natureza de ato de homologação expressa dos tributos devidos na correspondente operação de importação, por não atender as condições previstas no art. 150 do CTN. E por ter natureza de direito indisponível, cabe a lei mencionar qual o ato administrativo que tem o efeito de extinguir o crédito tributário. E o desembaraço aduaneiro, inequivocamente, não tem esse efeito, pois não se encontra mencionado no rol taxativo dos atos extintivos do crédito tributário, elencados no art. 156 do CTN. Não se pode olvidar, ademais, que a necessidade de celeridade dos atos de liberação da imensa quantidade de mercadorias importadas e estocadas diariamente nos recintos alfandegados brasileiros, impossibilita que a fiscalização aduaneira, na fase de conferência aduaneira do despacho, realize um exame minucioso de todos os aspectos aduaneiros e tributários atinentes aos inúmeros despachos aduaneiros de importação que se processam diariamente nas inúmeras unidades aduaneiras da RFB. Dada essa característica, para evitar prejuízo financeiro aos importadores, decorrentes de demora na liberação das mercadoria, e prejuízo à Fazenda Nacional, com o não pagamento de tributos devidos, andou bem a lei em autorizar a realização procedimento de revisão aduaneira do despacho aduaneiro após o ato de desembaraço aduaneiro, enquanto não ocorrida a decadência do direito de constituir o crédito tributário. Assim, se há expressa previsão legal, o lançamento por homologação, realizado pelo importador, mediante antecipação do pagamento dos tributos apurados na DI, ou o lançamento de ofício realizado na fase de conferência aduaneira do despacho de importação, pode ser revisto pela autoridade fiscal antes Fl. 657DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 27 26 de findo o prazo decadencial, conforme autoriza o art. 149, I, do CTN, a seguir transcrito: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; [...] (grifos não originais) E em consonância como referido comando legal, a lei expressamente determina que, se apurada falta ou insuficiência de pagamento de tributos, na fase de revisão do despacho aduaneiro de importação, por força do disposto no art. 142 do CTN, o lançamento para exigência dos valores apurados deve ser feito pela autoridade fiscal, sob pena responsabilidade funcional. Com base nessas considerações, rejeitase a alegada preliminar de impossibilidade jurídica de realização de revisão do despacho aduaneiro importação. IX. Declaração Inexata: Análise das descrições das mercadorias Por meio da intimação ALF/SDR nº 001/2009, a fiscalização intimou as Recorrentes para apresentar diversos documentos, revisar todos os itens das mercadorias constantes nas DIs e, proceder a retificação dos itens apontadas na relação carreada às fls. 277 289, sob pena de sofrer as imposições da penalidade prevista no artigo 67, da Lei nº 10.833/2003. As Recorrentes apresentaram os documentos solicitados pela fiscalização e, requereram dilação de prazo para proceder a revisão e retificação dos itens constantes na DIs (fls.290291).Todavia, mesmo depois de expirado o prazo de dilação, as Recorrentes permaneceram inertes, deixando de cumprir parte das determinações contidas na Intimação nº 001/2009. Vale destacar que o ônus da prova na classificação fiscal de uma mercadoria é do importador, conforme leciona o professor Milton Carmo de Assis Júnio in "Classificação Fiscal de Mercadorias"8, a saber: "...o ônus da prova na classificação de uma mercadoria em conformidade com suas especificações técnicas é do importador, do industrial ou do comerciante de acordo com a etapa do ciclo econômico em que a mesma se encontre. Ou seja, na importação o ônus é do importador; na industrialização e no comércio a obrigação é do industrial; já na revenda do produto industrializado o encargo é do comerciante. Cada um desses eventos é apto para constituição de obrigações tributárias distintas, cada qual com seus responsáveis." Em razão da desídia das Recorrentes, a fiscalização considerou que houve descrição incompleta de todas as mercadorias importadas (declaração inexata) e procedeu ao lançamento fiscal para cobrança dos tributos e penalidades já devidamente citadas anteriormente. 8 Editora Quartier Latin do Brasi Edição 2016l página 223227 Fl. 658DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 28 27 Posteriormente, em resposta a diligência solicitada pela antiga composição desta Turma, a fiscalização modificou o critério adotado inicialmente para considerar que algumas das mercadorias listadas pelas Recorrentes estavam descritas e classificadas corretamente. Do universo de aproximadamente 5.000 mercadorias, a fiscalização elencou apenas 83 itens tidos por corretamente descritos e classificados, conforme se verifica na listagem abaixo: 11 itens da mercadoria abaixo descrita, com alteração apenas em relação ao fabricante e /ou marca do produto: CLASSIFICAÇÃO PRODUTO 2201.10.00 ACQUA PERRIER GAS VAP 6 OZ Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 2201.10.00 Águas minerais e águas gaseificadas 15% 10 itens da mercadoria abaixo descrita, com alteração apenas em relação ao fabricante e/ou marca do produto: CLASSIFICAÇÃO PRODUTO 2203.00.00 BIRRA CARLSBERG LATTINA CL. 33 Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 2203.00.00 Cervejas de malte. 40% 05 itens da mercadoria abaixo descrita, com alteração apenas em relação ao fabricante e /ou marca do produto: CLASSIFICAÇÃO PRODUTO 2204.10.10 CHAMPAGNE PIPER HEIDSIECK ML 750 Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 2204.10.10 Tipo champanha (“champagne”) 20% 06 itens da mercadoria abaixo descrita, com alteração apenas em relação ao fabricante e/ou marca do produto: CLASSIFICAÇÃO PRODUTO 2204.10.90 SPUMANTE PROSECCO BRUT ANERI AZ.EDEN CL 75 Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 2204.10. Vinhos espumantes e vinhos espumosos 2204.10.10 Tipo champanha (“champagne”) 20% Fl. 659DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 29 28 2204.10.90 Outros 20% 08 itens da mercadoria abaixo descrita, com alteração apenas em relação ao fabricante e/ou marca do produto: CLASSIFICAÇÃO PRODUTO 2208.20.00 COGNAC REMY MARTIN VSOP 1 LT Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 2208.20.00 Aguardentes de vinho ou de bagaço de uvas 60% 05 itens da mercadoria abaixo descrita, com alteração apenas em relação ao fabricante e/ou marca do produto: CLASSIFICAÇÃO PRODUTO 2208.50.00 GIN BEEFEATER 1 LT Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 2208.50.00 Gim e genebra 60% 08 itens da mercadoria abaixo descrita, com alteração apenas em relação ao fabricante e/ou marca do produto: CLASSIFICAÇÃO PRODUTO 2208.60.00 VODKA ABSOLUT 1 LT Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 2208.60.00 Vodca 60% 30 itens da mercadoria abaixo descrita, com alteração apenas em relação ao fabricante e/ou marca do produto: CLASSIFICAÇÃO PRODUTO 2208.70.00 LIQUORE AMARETTO DI SARONNO 1 LT Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 2208.70.00 Licores 60% A conclusão em relação aos demais itens permaneceu na forma inicialmente instaurada, conforme informação prestada pela fiscalização no relatório de diligência ALF/SDR nº 01/2015, cujas razões foram expostas da seguinte forma: Todas as demais descrições são insuficientes para os objetivos previstos na legislação, o que as torna INCORRETAS – deste modo, não é possível avaliar se a classificação indicada pelo autuado está ou não correta. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 30 29 Observese que, a simples indicação da natureza da mercadoria, não é suficiente para definir a sua correta classificação. Ainda que da descrição defeituosa apontada se possa intuir a natureza da mercadoria, a sua correta classificação depende de outros elementos que a especificam, especialmente a sua matéria constitutiva, que foi omitida, como regra. Por sua vez, instada a se manifestar sobre as informações e conclusões apresentadas no referido relatório de diligência, as Recorrentes apresentaram manifestação de inconformidade discordando do Relatório de Diligência, vez que, segundo elas, o trabalho fiscal não alcançou o objetivo da diligência fiscal, já que falhou em quantificar com exatidão os produtos cujas descrições revelamse imprestáveis e, requerendo que (i) seja determinada nova análise da planilha apresentada pela Recorrente, a fim de que seja realizada verificação item a item, obtendose, ao final, o número preciso dos produtos eventualmente sujeitos à aplicação do artigo 67, da Lei nº 10.833/2003; e (ii) sejam excluídas do lançamento as mercadorias elencadas pela Recorrente, nas planilhas juntadas na manifestação de inconformidade, bem como aquelas elencadas pela autoridade fiscal, considerando que as descrições são suficientes e precisas. Não vislumbro que seja o caso de nova devolução do processo à autoridade fiscal, considerando que houve manifesto por parte dela sobre todas as mercadorias, ainda que implicitamente. Ora, a partir do momento que a fiscalização afirma que dos quase 5.000 itens relacionados apenas 83 estão descritos e classificados corretamente, subentendese que houve a devida analisada por parte da fiscalização. Desta forma, não vejo como necessário a realização de nova diligência. Por outro lado, entendo que a limitação de 83 itens apresentado pela fiscalização merece reparos, considerando que há outras mercadorias que permitem a sua classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul, mesmo que descritos em língua estrangeira. Além disso, destacase que a fiscalização ao indicar os 83 itens deixou de contabilizar outros produtos com idêntica descrição, os quais, por igualdade de tratamento, deverão ser acrescidos ao resultado da diligência. Senão vejamos. IX.a As mercadorias admitidas pela fiscalização que não constam do relatório de diligência Toda mercadoria constante do relatório anexo as DSIs apresenta o número de registro de inventário, NCM, descrição e valor da mercadoria objeto de importação. Analisando os números de registro das mercadorias admitidas pela fiscalização e do relatório apresentado pelas Recorrentes, constatasse que há algumas mercadorias de idêntica descrição que não foram incluídas no relatório de diligência, a saber: NCM Inventário Descrição 2203.00.00 197240 BIRRA FRANZISKANER HEFE WEISSBIER CL. 50 2204.10.10 506553 CHAMPAGNE ASTI 2204.10.10 506555 CHAMPAGNE ASTI 2204.10.90 104864 SPUMANTE ASTI MARTINI 2208.50.00 9221 GORDON S GIN 2208.60.00 6321 SEAGRAMS VO 10L Fl. 661DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 31 30 2208.60.00 530723 ABSOLUT PEACH 1LT 2208.60.00 30025 ABSOLUT BLUE 8 2208.60.00 30122 ABSOLUT CITRON 2208.60.00 30229 SMIRNOFF RED 8 2208.60.00 427208 GREY GOOSE VOD 2208.60.00 471182 KETEL ONE VODK 2208.60.00 558259 KETEL ONE VODKA LITE 2208.60.00 559049 ABSOLUTE PEACH 2208.60.00 596082 ABSOLUT PEARS 2208.70.00 466299 AMARULA CREAM Desta forma, por igualdade de tratamento, considero que as mercadorias constantes na tabela alhures, cuja descrição e classificação fiscal são idênticas as admitidas pela própria fiscalização, devem ser excluídas do lançamento fiscal. IX.b As demais mercadorias relacionadas no inventário Neste ponto, as Recorrentes alegam que: i) o número de mercadorias corretamente descritas e classificadas não se limita às 83 elencadas pela D. Autoridade Fiscal. A Recorrente reviu a planilha apresentada e identificou pelo menos 1.025 mercadorias perfeitamente descritas e classificadas, o que denota superficialidade da análise da fiscalização, visto que o número de mercadorias é muito superior ao apontado em seu relatório; e ii) as 08 mercadorias elencadas pela D. Autoridade Fiscal é bastante inferior à quantidade de mercadorias identificadas pela Recorrente. Com efeito, pelo menos 292 mercadorias além das 8 mencionadas pela fiscalização possuem descrição adequada, embora discutível a sua classificação fiscal, evidenciandose, uma vez mais, a superficialidade de sua análise. Partindo do mesmo pressuposto adotado pela fiscalização quando do retorno da diligência, verificase que de fato, além das 83 mercadorias elencadas pela fiscalização, há outros produtos relacionados que permitem a sua classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul, ainda que descritos em língua estrangeira, a saber: TABELA "A" NCM Inventário Descrição 2202.10.00 101415 BEVANDA SPRITE CL,33/12 OZ CAN 2202.10.00 103268 BEVANDA COCA COLA TINS CL.33 2202.10.00 104705 BEVANDA RED BULL TINS CL. 25 2202.10.00 104709 BEVANDA COCA COL A BAG IN BOX LT. 20 2202.10.00 104713 BEVANDA TONICA SCHWEPPES TINS CL.33 2202.10.00 104715 BEVANDA SODA SCHWEPPES CL.18 2202.10.00 104716 BEVANDA LIMONE SCHWEPPEE CL.18 2202.10.00 104722 BEVANDA ARANCIATA FANTA LATTINA CL.33 2202.10.00 104724 BEVANDA TONICA KINLEY BAG IN BOX LT. 5 2202.10.00 104727 BEVANDA COCA COL A LIGHT TINS CL.33 Fl. 662DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 32 31 2202.10.00 196812 BEVANDA LEMON BITTER SCHWEPPES TINS CL.33 2202.10.00 503153 BEVANDA THE FREDDO PESCA NESTEA 33 CL 2202.10.00 503154 BEVANDA THE FREDDO LIMONE NESTEA 33 CL 2202.10.00 504622 BEVANDA COCA COLA ZERO TINS CL.33 Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 2202.10.00 Águas, incluídas as águas minerais e as águas gaseificadas, adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas 27 É de ser que as citadas mercadorias dizem respeito a refrigerantes e refrescos mundialmente conhecidos, permitindo, assim, a sua identificação na Nomenclatura Comum do Mercosul. TABELA "B" NCM Inventário Descrição 2204.29.00 101732 VINO ROSSO AMARONE CLASSICO MASI CL 75 2204.29.00 103098 VINO ROSSO CHATEAUNEUF DU PAPE G.DUBOEUF CL 75 2204.29.00 104768 VINO ROSSO CABERNET SAUVIGNON MORAGO PASQUA 2204.29.00 104770 VINO ROSSO CABERNET SAUVIGNON R.M. WOODBRIDGE 2204.29.00 104771 VINO ROSSO CABERNET SAUVIGNON B.TESIS FANTINEL 2204.29.00 104773 VINO BIANCO CHARDONNAY SERBATO BATASIOLO 2204.29.00 104776 VINO ROSSO COTE DU RHONE G.DUBOEUF CL. 75 2204.29.00 104786 VINO BIANCO PINOT GRIGIO COLLIO FANTINEL 2204.29.00 104790 VINO BIANCO DEINHARD RIESLING 2204.29.00 104797 VINO ROSE ZINFANDEL WHITE WOODBRIDGE BTL 2204.29.00 104802 VINO ROSSO BEAUJOLAIS VILLAGE G.DUBOEUFCL. 75 2204.29.00 104803 VINO ROSSO BEAUJOLAIS VILLAGE G.DUBOEUF CL.375 2204.29.00 104816 VINO ROSSO CHIANTI CLASSICO ROCCA MACIE CL.75 2204.29.00 104818 VINO ROSE CHIARETTO GARDA FLLI PASQUA 2204.29.00 104822 VINO ROSSO DOLCETTO D'ALBA BATASIOLO 2204.29.00 104824 VINO ROSSO FRANCIACORTA ROSSO R.CURBASTRO 2204.29.00 104831 VINO ROSSO KOSHER WINE RED MANISCHEWITZ CL.75 2204.29.00 104838 VINO BIANCO MUELLER THURGAU MEZZACORONA CL. 75 2204.29.00 104839 VINO ROSO TEROLDEGO ROT. MEZZAC. 75 CL 2204.29.00 104851 VINO BIANCO SOAVE PASQUA LS. 1,5 2204.29.00 104853 VINO ROSE MATEUS SOGRAPE 2204.29.00 104854 VINO BIANCO TERREALTE LIVID FELLUGA 750 ML 2204.29.00 104858 VINO ROSSO VALPOLICELLA PASQUA LT. 1,5 2204.29.00 104862 VINO BIANCO VERNACCIA SAN GIM. ROCCA MACIE 2204.29.00 181465 VINO BIANCO CHARDONNAY WOODBRIDGE TWN OAKSROBERT NIONDAVI 2204.29.00 184777 VINO BIANCO CERVARO DELLA SALA IGT ANTINORI 2204.29.00 184786 VINO BIANCO ROERO ARNEIS DAIVEJ DELTETTO 2204.29.00 184787 VINO BIANCO ROERO ARNEIS GIANAT NEGRO 2204.29.00 184788 VINO ROSSO ROERO BRAJA DELTETTO Fl. 663DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 33 32 2204.29.00 184792 VINO ROSSO SOLAIA IGT ANTINORI 2204.29.00 184797 VINO BIANCO VERMENTINO DI SARDEGNA DOC COSTAMOLINO ARGIOLAS 2204.29.00 184803 VINO BIANCO UMBRIA IGT BRAMITO DEL CERVO ANTINORI ML 750 2204.29.00 191729 VINO ROSSO BARDOLJNO FLLI PASQUA CL.75 2204.29.00 191760 VINO ROSSO TURRICIA IGT 2204.29.00 191765 VINO BIANCO VERDICCHIO JESI FAZI B. CL. 75 2204.29.00 195174 VINO ROSSO BARBARESCO DOCG GAGLIARDO C.75 2204.29.00 195175 VINO ROSSO BARBERA D ASTI SUPERIORE SABRY DOC 2002 BATASIOLO CL 75 2204.29.00 195176 VINO ROSSO BAROLO VIGNETO C.DA BRICCOLINA DOCG 1998 BATASIOLO CL 75 2204.29.00 195177 VINO BIANCO BIANCO DI CUSTOZA DOC PASQUA CL 75 2204.29.00 195181 VINO BIANCO CHARDONNAY PETILLANT KETTMEIR CL 75 2204.29.00 195183 VINO ROSE CIPRESSETO ROSATO ANTINORI TOSCANA IGT CL 75 2204.29.00 195190 VINO BIANCO KOSHER CHARDONNAY B. HERZOG 2204.29.00 195249 VINO ROSSO CHIANTI CLASSICO ROCCA MAICE CL.38 2204.29.00 197116 VINO BIANCO VERDICCHIO JESI FAZI BATTAGLIA CL. 38 2204.29.00 197226 VINO ROSSO AMARONE CLASSICO ANERI STELLA 2204.29.00 198041 VINO ROSSO MERLOT DOC CONTE BERNARDI ML 750 2204.29.00 198042 VINO BIANCO SOAVE DOC CONTE BERNARDI ML 750 2204.29.00 198535 VINO ROSSO SOLARE CAPANNELLE ML 750 2204.29.00 500039 VINO ROSSO CABERNET FRANC FRIULI GRAVE DOC CABERNET ML 750 2204.29.00 500040 VINO ROSSO CABERNET SAUVIGNON SAN NICOLAS ML 750 2204.29.00 500041 VINO BIANCO CHABLIS PREMIER CRU AC MONTMAINS ML 750 2204.29.00 500042 VINO BIANCO CHARDONNAY RESERVE SABRINA SAN NICOLAS ML 750 2204.29.00 500043 VINO ROSSO CHIANTI CLASSICO RISERVA DOCG VILLA BRANCA ML 750 2204.29.00 500044 VINO ROSSO CRIANZA RIOJA DOC BODEGAS BERONIA ML 750 2204.29.00 500045 VINO BIANCO BLANCO CRIANZA RIOJA DOC PABLITO DEL MONTE ML 750 2204.29.00 500046 VINO ROSO BORDEAUX AC L'UNION DE PRODUCTEURS ML 750 2204.29.00 500047 VINO ROSSO BRUNELLO DI MONTALCINO DOC CANTINA Dl MONTALCINO 2204.29.00 500048 VINO BIANCO GAVI DEL COMUNE DI GAVI DOCG FONTANAFREDDA ML 750 2204.29.00 500049 VINO BIANCO GRECO DI TUFO DOCG CANTINE DI MANIMURCI ML 750 2204.29.00 500050 VINO BIANCO INSOLIA SICILIA IGT MEDITERRANEA ML 750 2204.29.00 500051 VINO ROSO LAGREIN DUNKEL TRENTINO DOC CAVIT ML 750 2204.29.00 500052 VINO ROSSO LAMBRUSCO DI SORBARA DOC RIGHI ML 750 2204.29.00 500053 VINO BIANCO LEDA ALTO ADIGE DOC ANERI ML 750 2204.29.00 500054 VINO ROSSO NEBBIOLO D'ALBA DOC FONTANAFREDDA ML 750 2204.29.00 500055 VINO ROSSO NERO D'AVOLA IGT MEDITERRANEA ML 750 2204.29.00 500056 VINO ROSSO PRIMITIVO DI MANDURIA DOC AGRICOLA PLINIANA ML 750 2204.29.00 500057 VINO BIANCO RIBOLLA GIALLA COLLIO DOC ZUCCOLO ML 750 2204.29.00 500058 VINO ROSSO RIOJA GRAN RESERVA DOC BODEGAS BERONIA ML 750 2204.29.00 500059 VINO ROSSO SAGRANTINO DI MONTEFALCO DOCG CASALE TRIOCCO ML 750 2204.29.00 500060 VINO BIANCO SOAVE CLASSICO DOC PASQUA ML 750 2204.29.00 500061 VINO BIANCO SOAVE CLASSICO DOC PASQUA ML 375 2204.29.00 500062 VINO ROSSO SYRAH SICILIA IGT FEUDO ARANCIO ML 750 2204.29.00 500603 VINO ROSSO NOBILE DI MONTEPULCIANO DOCG VITAROCCIA ML 750 Fl. 664DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 34 33 2204.29.00 503010 VINO ROSO BARBERA PIEMONTE DOC MANFREDI 2204.29.00 503011 VINO BIANCO CORTESE PIEMONTE DOC MANFREDI ML 750 2204.29.00 503012 VINO ROSSO VALPOLICELLA RIPASSO SUPERIORE DOC CECILIA BERETTA ML 750 Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 2204.29.00 Outros 10 Ex 01 Vinhos da madeira, do porto e de xerez 40 Tratase de uma bebida mundialmente conhecida, sendo que a descrição apresentada pelas Recorrentes permite sua classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul. TABELA "C" NCM Inventário Descrição 2208.30.20 8222 J DANIELS BLK 2208.30.20 132260 JW MULTIPACK 4 2208.30.20 356783 DEWARS 12YO RESERVE 2208.30.20 369160 JW GOLD 750ML 2208.30.20 543395 BUCHANAN DELU 10 L 2208.30.20 546290 JW RED 4 5 L 2208.30.20 558225 MACALLAN 12 YR SHERR 2208.30.20 100128 WHISKY JACK DANIELS BLACK LABEL 1 LT 2208.30.20 101698 WHISKY CANADIAN CLUB 1 LT 2208.30.20 101699 WHISKY CHIVAS REGAL 1 LT 2208.30.20 101706 WHISKY DEWARS 1 LT 2208.30.20 101708 WHISKY GLENFIDDICH 1 LT 2208.30.20 101710 WHISKY GLENLI VET 12 YEARS 1 LT 2208.30.20 101712 WHISKY J + B 1 LT 2208.30.20 101713 WHISKY JAMESON IRISH WHISKY 1 LT 2208.30.20 101714 WHISKY JIM BEAM 1 LT 2208.30.20 101715 WHISKY JOHNNIE WALKER BLACK LABEL 1 LT 2208.30.20 101718 WHISKY JOHNNIE WALKER RED LABEL 1 LT 2208.30.20 101720 WHISKY LAPHROAIG 10 YEARS 1 LT 2208.30.20 104900 WHISKY BALLANTINES 100 FINEST 1 LT 2208.30.20 104901 WHISKY BALLANTINES 100 GOLD SEAL 1 LT 2208.30.20 104903 WHISKY CANADIAN CLUB MIGNON 5 CL 2208.30.20 104904 WHISKY CHIVAS ROYAL SALUTE 70 CL 2208.30.20 104908 WHISKY ROYAL CROWN 750 ML 2208.30.20 195717 WHISKY BOURBON JW DANT CL. 100 Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 2208.30 Uísques 2208.30.10 Com um teor alcoólico, em volume, superior a 50%, em recipientes de capacidade superior ou igual a 50 litros 60 Fl. 665DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 35 34 Ex 01 Destilado alcoólico chamado uísque de malte ("malt Whisky") com teor alcoólico em volume superior a 54% e inferior a 70%, obtido de cevada maltada 30 Ex 02 Destilado alcoólico chamado uísque de cereais ("grain Whisky") com teor alcoólico em volume superior a 54% e inferior a 70%, obtido de cereal não maltado adicionado ou não de cevada maltada 30 2208.30.20 Em embalagens de capacidade inferior ou igual a 2 litros 60 Neste item, há outras mercadorias com a mesma denominação, contudo, não apresentam a capacidade do recipiente. Assim, aos itens não relacionados na planilha anterior, com a denominação "Whisky", por não apresentarem a descrição mínima do produto e por estarem classificados de forma errônea, deverão ser mantidos no lançamento. TABELA "D" NCM Inventário Descrição 2208.40.00 10825 BACARDI GOLD 10L 2208.40.00 110473 BACARDI 8YR 2208.40.00 401290 BACARDI LIGHT 1L 2208.40.00 548917 BACARDI LIGHT 1L 2208.40.00 184836 BACARDI BREEZER LIME CL. 275 2208.40.00 184837 BACARDI BREEZER ORANGE CL. 275 2208.40.00 184838 BACARDI BREEZER PINEAPPLE CL. 275 2208.40.00 184839 BACARDI FREEZER GRAPEFRUIT CL. 275 Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 2208 40.00 Rum e outras aguardentes provenientes da destilação, após fermentação, de produtos da canadeaçúcar 60 Tratase de outra mercadoria conhecida mundialmente, permitindo sua classificação da Nomenclatura Comum do Mercosul. TABELA "E" NCM Inventário Descrição 2208.90.00 31723 JOSE CUERVO GO 2208.90.00 102997 TEQUILA POURING CL. 100 Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 22.08 Álcool etílico não desnaturado, com um teor alcoólico em volume inferior a 80% vol.; aguardentes, licores e outras bebidas espirituosas (alcoólicas). 2208.90.00 Outros 60 Ex 01 Álcool etílico 8 Ex 02 Bebida refrescante com teor alcoólico inferior a 8% 40 Tratase de outra mercadoria conhecida mundialmente, permitindo sua classificação da Nomenclatura Comum do Mercosul. TABELA "F" NCM Inventário Descrição 2402.20.00 531173 CAMEL KING SIZE 800 Fl. 666DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 36 35 2402.20.00 368841 CAMEL LIGHT 2402.20.00 368844 CAMEL FILT REG 2402.20.00 413906 MARLBORO LIGHT 100 2402.20.00 413908 MARLBORO MED 2402.20.00 470751 MARLBORO LT BO KG 2402.20.00 603882 CAMEL BLUE 400 2402.20.00 102250 SIGARETTE MARLBORO KING SIZE BOX 2402.20.00 104751 SIGARETTE PHILIP MORRIS SURER LIGHT Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 24.02 Charutos, cigarrilhas e cigarros, de tabaco ou dos seus sucedâneos. 2402.10.00 Charutos e cigarrilhas, contendo tabaco 30 2402.20.00 Cigarros contendo tabaco 330 Ex 01 Feitos à mão 30 Tratase de outra mercadoria conhecida mundialmente, permitindo sua classificação da Nomenclatura Comum do Mercosul. TABELA "G" NCM Inventário Descrição 3304.99.10 483408 NIVEA AFTER SUN MILK 3304.99.10 483411 NIVEA SUN TAN 3304.99.10 483412 NIVEA SUN TAN 3304.99.10 483413 NIVEA SUN TAN MILK S 3304.99.10 483415 NIVEA SUN TAN MILK S 3304.99.10 483416 NIVEA SUN TAN Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 33.04 Produtos de beleza ou de maquilagem preparados e preparações para conservação ou cuidados da pele (exceto medicamentos), incluídas as preparações antisolares e os bronzeadores; preparações para manicuros e pedicuros. 3304.99.10 Cremes de beleza e cremes nutritivos; loções tônicas 22 3304.99.90 Outros 22 Ex 01 Preparados bronzeadores 12 Ex 02 Preparados antisolares, exceto os que possuam propriedades de bronzeadores 0 Tratase de outra mercadoria conhecida mundialmente, permitindo sua classificação da Nomenclatura Comum do Mercosul. TABELA "H" NCM Inventário Descrição 9004.10.00 539961 SUNGLASSES PLASTIC 9004.10.00 539963 SUNGLASSES METAL 9004.10.00 539965 SUNGLASSES SPORT 9004.10.00 540186 RBAN L2823 BLKGREEN Fl. 667DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 37 36 9004.10.00 540188 RBAN L0205 GOL 9004.10.00 540192 RBAN W3234 GOLDGREEN 9004.10.00 540195 RBAN W3277 SILFLSH S 9004.10.00 540196 RBAN W3275 SLV 9004.10.00 540199 RBAN 004 71 GU 9004.10.00 540205 RBAN 006 71 BL 9004.10.00 540229 RBAN 601/58 BLK/GRN PO 9004.10.00 540237 RBAN 004 71 GU 9004.10.00 540248 RBAN 004 71 GU Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 90.04 Óculos para correção, proteção ou outros fins, e artigos semelhantes. 9004.10.00 Óculos de sol 15 9004.90 Outros 9004.90.10 Óculos para correção 5 9004.90.20 Óculos de segurança 5 9004.90.90 Outros 5 Tratase de outra mercadoria conhecida mundialmente, permitindo sua classificação da Nomenclatura Comum do Mercosul. TABELA "I" NCM Inventário Descrição 8517.12.31 N/A IPHONE ULOCKED 8 GB tPEN DRIVE 2GB 8517.12.31 N/A MOTOROLA DOLCE & GABBANA 8519.80.00 N/A IPOD 4 GB 8519.80.00 N/A IPOD 160 GB 8519.80.00 N/A IPOD 80 GB 8519.80.00 N/A IPOD 30 GB Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 85.17 Aparelhos telefônicos, incluídos os telefones para redes celulares e para outras redes sem fio; outros aparelhos para transmissão ou recepção de voz, imagens ou outros dados, incluídos os aparelhos para comunicação em redes por fio ou redes sem fio (tal como um rede local (LAN) ou uma rede de área estendida (WAN)), exceto os aparelhos das posições 84.43, 85.25, 85.27 ou 85.28. 8517.12 Telefones para redes celulares e para outras redes sem fio: 8517.12.31 Portáteis 15 85.19 Aparelhos de gravação de som; aparelhos de reprodução de som; aparelhos de gravação e de reprodução de som. 8519.8 Outros aparelhos Tratase de outras mercadorias conhecidas mundialmente, permitindo sua classificação da Nomenclatura Comum do Mercosul. TABELA "J" Fl. 668DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 38 37 NCM Inventário Descrição 1806.90.00 526219 FERRERO ROCHER 1806.90.00 526317 KINDER BUENO 4 1806.90.00 603889 MAOAM POP CHUPA CHUP 1806.90.00 471086 ITALY CHOCOPOS 1806.90.00 471087 FLORENCE CHOCO 1806.90.00 471088 MILAN CHOCOPOS 1806.90.00 471089 NAPLES CHOCOPO 1806.90.00 471090 ROME CHOCOPOST 1806.90.00 471091 VENICE CHOCOPO 1806.90.00 489836 TOBLERONE MILK 1806.90.00 489837 SMARTIES MILK 1806.90.00 522349 WAFFELETTEN FO 1806.90.00 522458 CHOKINI 125G 1806.90.00 544845 TOBLERONE 400G 1806.90.00 544847 M M CHOCOLATE 1806.90.00 588722 KINDER CIOCCOL 1806.90.00 588724 GALAK BARRETTE Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 18.06 Chocolate e outras preparações alimentícias contendo cacau. 1806.90.00 Outros 5 Ex 01 Achocolatados, assim entendidos os produtos à base de chocolate, em pó ou em grânulos, destinados à mistura com água ou leite 0 Tratase de outras mercadorias conhecidas mundialmente, permitindo sua classificação da Nomenclatura Comum do Mercosul. Feito a análise de todas as mercadorias relacionadas nas DSIs, entendo que os itens acima devem ser excluídos do lançamentos, posto que sua descrição, ainda que insuficiente, permite sua identificação fiscal na Nomenclatura Comum do Mercosul. Já em relação as demais mercadorias, por ausência de descrição do produto que permita a conferência/identificação de sua classificação fiscal na Nomenclatura Comum do Mercosul, deve ser mantido o lançamento fiscal. A título de exemplificativo das mercadorias com descrição inexata, além daquelas mencionado no Auto de Infração, podemos citar: Exemplo "1": Indicado pelas Recorrentes na planilha juntada após o retorno da diligência como Máquina fotográfica F1 LCD BLK DIA, sendo que além da descrição não permitir sua correta identificação para fins de classificação fiscal, a NCM 9102.99.09 não existe. 9102.99.09 528666 F1 LCD BLK DIA Exemplo "2": Indicado pelas Recorrentes na planilha juntada após o retorno da diligência como Relógio Tissot modelo PR 50 QRTZ LDS WH DIA, sendo que além da Fl. 669DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 39 38 descrição não permitir sua correta identificação para fins de classificação fiscal, a NCM 9102.99.09 não existe. 9102.99.09 492071 PR50 QRTZ LDS WH DIA Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: NCM Descrição Alíquota 91.02 Relógios de pulso, relógios de bolso e relógios semelhantes (incluídos os contadores de tempo dos mesmos tipos), exceto os da posição 91.01. 9102.1 Relógios de pulso, elétricos, mesmo com contador de tempo incorporado: 9102.11 De mostrador exclusivamente mecânico 9102.11.10 Com caixa de metal comum 20 9102.11.90 Outros 20 9102.12 Com mostrador exclusivamente optoeletrônico 9102.12.10 Com caixa de metal comum 20 9102.12.20 Com caixa de plástico, exceto as reforçadas com fibra de vidro 20 9102.12.90 Outros 20 9102.19.00 Outros 20 9102.2 Outros relógios de pulso, mesmo com contador de tempo incorporado: 9102.21.00 De corda automática 20 9102.29.00 Outros 20 9102.9 Outros: 9102.91.00 Funcionando eletricamente 20 Ex 01 Com caixa de metal comum, mesmo dourado, prateado ou platinado 15 Ex 02 Com caixa de plásticos sem carga ou reforço de fibras de vidro 15 9102.99.00 Outros 20 Exemplo "3": Indicado pelas Recorrentes na planilha juntada após o retorno da diligência como Óculos de Sol Dolce & Gabbana modelo 0DD8018 570, sendo que a descrição não permite sua correta identificação para fins de classificação fiscal. 9004.10.00 618284 0DD8018 570 Tabela TIPI Decreto nº 6.006/2006: 90.04 Óculos para correção, proteção ou outros fins, e artigos semelhantes. 9004.10.00 Óculos de sol 15 9004.90 Outros 9004.90.10 Óculos para correção 5 9004.90.20 Óculos de segurança 5 9004.90.90 Outros 5 Em resumo, a descrição das mercadorias relacionadas pelas Recorrentes quando da entrega das DSIs apresentaram descrição inexata, sendo que, exceção feita àquelas que foram admitidas pela fiscalização e por este julgador, entendo que o lançamento fiscal deve persiste em relação aos demais produtos. Aliás, mesmo após o retorno da diligência, onde a Recorrente trouxe a tradução das mercadorias, entendo que há deficiência em relação a correta descrição das mercadorias, considerando que não houve o devido detalhamento dos produtos, configurando, assim, declaração inexata. X. Conclusão Fl. 670DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302003.508 S3C3T2 Fl. 40 39 Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, dou parcial provimento para excluir do lançamento fiscal as mercadorias admitidas pela fiscalização, mencionadas no relatório de diligência de fls. 590 596, bem assim os produtos indicados nos tópicos "IX.a As mercadorias admitidas pela fiscalização que não constam do relatório de diligência " e "IX.b Outras mercadorias descritas e passíveis de classificação", nos exatos termos do voto relator. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 671DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.910469/2009-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DCOMP. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. EFEITOS EQUIVALENTES AO DO PAGAMENTO.
Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido o crédito do contribuinte e homologada a compensação, torna-se de rigor sua extinção.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO.
Quando extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, crédito tributário anteriormente não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora, segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, com aplicação obrigatória no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 1201-001.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 DCOMP. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. EFEITOS EQUIVALENTES AO DO PAGAMENTO. Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido o crédito do contribuinte e homologada a compensação, torna-se de rigor sua extinção. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. Quando extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, crédito tributário anteriormente não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora, segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, com aplicação obrigatória no âmbito do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes.
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CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. EFEITOS EQUIVALENTES AO DO PAGAMENTO. Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido o crédito do contribuinte e homologada a compensação, tornase de rigor sua extinção. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. Quando extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, crédito tributário anteriormente não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora, segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, com aplicação obrigatória no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 04 69 /2 00 9- 52 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16327.910469/200952 Acórdão n.º 1201001.538 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: Por meio do Despacho Decisório constante nos autos (f. 14), foi negada a homologação da Declaração de Compensação (Dcomp) nº 28212.71851.230806.1.3.040046, em que recolhimento a título de estimativa mensal figura como crédito do tipo pagamento indevido ou a maior. No referido despacho consta o seguinte: Irresignada, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 5) na qual sustenta a ilegalidade da vedação imposta pelo art. 10 da IN SRF nº 600/2005 à compensação de pagamentos indevido ou a maior de estimativas mensais, posto que este dispositivo estaria a inovar a ordem jurídica, o que seria possível somente por norma de hierarquia superior, como a advinda de lei. Em virtude da edição da Solução de Consulta Interna nº 19, de 05/12/2011, que estabeleceu novo entendimento quanto à utilização em compensação/restituição de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal, este julgador solicitou a realização de diligência (fl. 23) para que a autoridade diligenciadora se manifestasse sobre a existência do direito creditório, em face do novo entendimento. Em atendimento, a autoridade diligenciadora produziu o despacho de fl. 107/108. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 16327.910469/200952 Acórdão n.º 1201001.538 S1C2T1 Fl. 4 3 Em sessão de 18 de outubro de 2013 a 3a Turma da Delegacia de Julgamento de Florianópolis, por unanimidade de votos, julgou procedente a Manifestação de Inconformidade, conforme atesta a ementa daquele julgado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 RECOLHIMENTO MENSAL POR ESTIMATIVA. UTILIZAÇÃO COMO CRÉDITO EM COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 30/12/2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose retroativamente aos PER/DComp apresentados antes de 1º de janeiro de 2009, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa Com a ciência da decisão, a interessada, embora vencedora em primeira instância, interpôs Recurso Voluntário, para questionar a cobrança da multa de mora, pois alega que informou à Receita Federal o débito e aproveitouse, portanto, do instituto da denúncia espontânea. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A única matéria em discussão nos autos se refere à exigência da multa de mora, no valor de R$ 5.072,38, calculada ao tempo da transmissão da PER/DCOMP. Aduz a Recorrente que: Com efeito, no presente caso, o débito de CSLL do período de março de 2005 foi liquidado, em 23/08/2006, por meio da compensação (doc.03), antes de ter sido informado na DCTF original (doc.04), visto que a retificadora só foi transmitida em 20/03/2007 (doc.05). Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16327.910469/200952 Acórdão n.º 1201001.538 S1C2T1 Fl. 5 4 Desta forma, comprovada a liquidação do débito via Per/Dcomp, antes de qualquer procedimento fiscalizatório e, ainda, antes da transmissão da correspondente DCTF, resta configurada a ocorrência da denúncia espontânea, o que afasta a aplicação de quaisquer penalidades aos débitos, conforme prevê o artigo 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Nesse passo, vale destacar que muito embora o artigo 138 do CTN refirase a pagamento e a compensação seja apenas uma forma de extinção do crédito tributário, o fato é que há que se considerar os efeitos idênticos em ambos os casos, quando homologados, visto que tanto o pagamento quanto a compensação extinguem o crédito tributário na data em que realizados. A análise dos autos indica que em 25 de agosto de 2006 a interessada comunicou à Receita Federal a denúncia espontânea de vários tributos (fls. 167), que foram compensados sem a inclusão das respectivas multas de mora. Entende o Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos, que a denúncia espontânea alberga a figura das multas moratórias, desde que não tenha havido declaração prévia do contribuinte, como na hipótese do autos. Nesse sentido, reproduzimos a seguir acórdão paradigmático do STJ: Superior Tribunal de Justiça 1ª Seção REsp 1149022 / SP 09/06/2010 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer Fl. 197DF CARF MF Processo nº 16327.910469/200952 Acórdão n.º 1201001.538 S1C2T1 Fl. 6 5 procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Decisão Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Compareceu à sessão, o Dr. LUIZ PAULO ROMANO, pelo recorrente. A partir da consolidação do entendimento no STJ, este Conselho também tem adotado a tese de que as multas moratórias devem ser excluídas quando da comprovação de denúncia espontânea, a teor do acórdão da Câmara Superior a seguir reproduzido: Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Acórdão nº 40106009 do Processo 109120001689991 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 16327.910469/200952 Acórdão n.º 1201001.538 S1C2T1 Fl. 7 6 Data 12/08/2008 Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 DENÚNCIA ESPONTÂNEA PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA CTN. ART. 138 INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA RESTITUIÇÃO Tendo o contribuinte efetuado, após seu vencimento, o recolhimento do tributo devido, com juros de mora, de forma voluntária e antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, há de se lhe aplicar o benefício da denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional, que alcança todas as penalidades, sejam punitivas ou compensatórias, decorrentes de descumprimento de obrigações principais. A multa de mora constitui penalidade resultante de infração legal, devendo, portanto, ser excluída pela denúncia espontânea. Em decorrência, a multa de mora recolhida por ocasião da denúncia espontânea caracteriza indébito tributário, devendo ser reconhecido o direito do contribuinte à restituição dos respectivos valores. Recurso especial negado. No caso dos autos, penso ser possível considerar a compensação como equivalente ao pagamento, para fins de exclusão da multa de mora e aplicação do recurso repetitivo do STJ, entendimento que encontra guarida na jurisprudência deste Conselho, conforme ementa a seguir reproduzida: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 DCOMP. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. EFEITOS EQUIVALENTES AO DO PAGAMENTO. Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido crédito do contribuinte e homologada a compensação a extinção tornase definitiva. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF. Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, crédito tributário antes não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF. Como o direito creditório da Recorrente já foi reconhecido pela decisão de piso, cabe afastar a exigência da multa de mora, por força da denúncia espontânea, com a Fl. 199DF CARF MF Processo nº 16327.910469/200952 Acórdão n.º 1201001.538 S1C2T1 Fl. 8 7 aplicação da inteligência do entendimento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por DARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720023/2012-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAC¸A~O DIFERIDA.
A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 9101-002.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator) e Lívia De Carli Germano (suplente convocada), que não conheceram e, no mérito, acordam, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Adriana Gomes Rego. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pela conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Cristiane Silva Costa), André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAC¸A~O DIFERIDA. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
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RESERVA DE REAVALIAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WTORRE SÃO PAULO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DIFERIDA. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator) e Lívia De Carli Germano (suplente convocada), que não conheceram e, no mérito, acordam, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Adriana Gomes Rego. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pela conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 23 /2 01 2- 61 Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.489 2 (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Cristiane Silva Costa), André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é recorrida a WTORRE SÃO PAULO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA (doravante “WTORRE”, “contribuinte” ou “recorrida”), em face do acórdão nº 1102001.103 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 2a Turma Ordinária da 1a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). A empresa BR PROPERTIES SA consta como responsável solidária. Em brevíssima síntese, está em discussão se o saldo mantido em reserva de reavaliação de ativos, por empresa tributada pelo lucro real, deve ou não submeterse à tributação pelo fato de o contribuinte optar pelo regime do “lucro presumido”. Na forma explicitada pela recorrente, “a controvérsia da presente lide envolve saber se o conteúdo do artigo 520 do RIR/99 se aplica aos casos de não tributação de saldos de Reserva de Reavaliação decorrentes da reavaliação de bens do ativo permanente”. Colhese do acórdão a quo o seguinte relato quanto ao presente caso (efls. 1160 e seg.): “Tratase de recurso de ofício interposto pela 5a Turma da DRJ/SP1, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2007 MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DIFERIDA. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.490 3 Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O auto de infração foi lavrado em 09/02/2012, relativo ao IRPJ e CSLL do anocalendário de 2007, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, em face da verificação de falta de recolhimento sobre ganho de capital incidente sobre o valor da reavaliação de bens integrantes do Ativo Imobilizado, que deveriam ter sido oferecidos quando da mudança do regime de lucro real para lucro presumido. Encontrase às fls. 467 a 490, o Termo de Verificação com o relato dos procedimentos executados pela fiscalização, transcritos a seguir: Para o anocalendário de 2007, o contribuinte WTORRE SÃO PAULO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA efetuou opção pelo regime de tributação do IR com base no Lucro Presumido conforme Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ n° 1601869 (recibo n° 21.61.53.49.2022), entregue em 30/06/2008. Como visto anteriormente, o sujeito passivo optou pelo regime de lucro presumido para a tributação de suas operações ocorridas durante o anocalendário de 2007. Em análise efetuada na escrituração contábil apresentada pelo contribuinte, referente ao anocalendário de 2007, esta fiscalização constatou que a conta contábil "P1418 Reserva de Ativos Próprios", integrante do patrimônio líquido, registrou em 01/01/2007, como saldo inicial, o valor de R$ 165.304.637,03 (cento e sessenta e cinco milhões, trezentos e quatro mil, seiscentos e trinta e sete reais e três centavos), originário dos bens reavaliados em 30/11/2006. Desta forma, este é o valor do saldo existente em 31/12/2006, período em que o contribuinte foi optante do lucro real e que, em decorrência da mudança para o regime de lucro presumido no anocalendário de 2007, deveria ser oferecido à tributação. Verificando a DIPJ Lucro Presumido, do anocalendário de 2007, podemos observar que no 1o trimestre do anocalendário de 2007, nenhum valor foi computado na "Ficha 14A Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido", mais precisamente, linha 08, campo onde deveriam ser consignados para compor a base de cálculo tributável, os valores relativos a "Realização de Valores cuja Tributação Tenha Sido Diferida" e tampouco foi informado qualquer valor na linha 06 da "Ficha 18A Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido", campo correlato da linha 08. Portanto, ao não adicionar à base de cálculo do IRPJ devido no 1o trimestre de 2007, o valor referente a reavaliação procedida nos bens do seu Ativo Imobilizado, e que estava amparado pelo diferimento em virtude da utilização do regime de tributação pelo lucro real, o contribuinte infringiu o comando legal inserto no art. 54 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, consolidado no art. 520 do RIR/99. Restando incontroverso então, que, no anocalendário de 2007, o contribuinte optou pela tributação com base no regime de apuração pelo Lucro Presumido, a Reserva de Reavaliação, no valor de R$ 165.304.637,03 (cento e sessenta e cinco milhões, trezentos e quatro mil, seiscentos e trinta e sete reais e três centavos) deveria ter sido objeto de realização e computada na base de cálculo da determinação do lucro presumido, o que poderia ser confirmado pelo fisco com as informações que deveriam ser prestadas nas linhas 08 e 06 das Fichas 14A e 18A, respectivamente, da DIPJ do anocalendário de 2007. A autoridade fiscal relata que a matéria objeto da autuação, trata da Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.491 4 tributação de saldos, cuja tributação havia sido diferida, em contribuinte que optou pelo regime de tributação pelo lucro presumido. Ou seja, o fato gerador que dá origem ao lançamento não é a realização da reserva de reavaliação. O que de fato enseja o lançamento é a mudança do regime de apuração, onde o contribuinte migra do lucro real para o lucro presumido. Consta ainda no Termo de Verificação Fiscal a atribuição de responsabilidade solidária pelos créditos tributários constituídos à WTORRE PROPERTIES S/A, CNPJ 07.875.234/000121, sucessora por cisão parcial do patrimônio da autuada, WTORRE SÃO PAULO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, em 30/07/2011, já posteriormente aos fatos geradores sob análise (fls. 485/490). Cientificada do lançamento em 16/03/2012, a empresa autuada, por meio de seu procurador regularmente constituído (fls. 536 e 537), apresentou em 17/04/2012 a impugnação de fls. 494 a 534, acompanhada dos documentos às fls. 535 a 734, assim sintetizada: i. O art. 54 da Lei no 9.430/96 somente se aplica a valores cuja tributação tenha sido diferida (benefício fiscal), o que não é o caso da Reserva de Reavaliação. A não tributação da Reserva de Reavaliação não resulta de uma norma de diferimento, mas sim da ausência de concretização da própria materialidade do IRPJ e da CSLL; ii. A tributação da Reserva de Reavaliação em virtude da simples mudança do regime de tributação do Lucro Real para o Lucro Presumido é incompatível com o princípio da realização da receita ou do ganho tributável; é incompatível com o conceito legal do "fato gerador" dos tributos sobre a renda, definido como a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda (CTN, art. 43); e é incompatível com o princípio constitucional da capacidade contributiva (CF, art. 145, §1o); iii. A conclusão de que o saldo da Reserva de Reavaliação não pode ser tributado por força da simples mudança do regime tributário da Impugnante do Lucro Real para o Lucro Presumido é também confirmada pelo art. 49 Lei no 9.959/00, segundo o qual a contrapartida da reavaliação de bens somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL quando ocorrer a "efetiva realização" do bem reavaliado; iv. O art. 54 da Lei no 9.430/96 foi tacitamente revogado pelo art. 4a da Lei no 9.959/00, pois esses dispositivos legais são absolutamente incompatíveis; v. O art. 54 da Lei no 9.430/96 referese apenas à adição de valores à base de cálculo do IRPJ, não tratando da base de cálculo da CSLL; vi. A Impugnante não obteve qualquer vantagem fiscal com a reavaliação dos imóveis, nem foi causado qualquer prejuízo ao Fisco, já que o novo valor atribuído ao imóvel nunca foi utilizado. Com efeito, os imóveis reavaliados foram reclassificados para o circulante e vendidos em anocalendário no qual a Impugnante estava sujeita ao Lucro Presumido, regime no qual o custo dos bens vendidos era totalmente irrelevante; vii. A manutenção dos autos de infração resultaria na dupla tributação da mesma valorização patrimonial, uma vez que essa valorização já foi oferecida à tributação pela Impugnante no momento em que os imóveis foram alienados; viii. Mesmo que os autos de infração ora impugnados não sejam Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.492 5 integralmente anulados, o que admitimos apenas em exercício de argumentação, deve afastada a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, por falta de previsão legal para a sua aplicação; ix. ix. A WTORRE PROPERTIES não é solidariamente responsável pelos supostos débitos em questão. Ainda que assim não fosse, a responsabilidade não alcançaria as multas impostas e seria proporcional ao valor do patrimônio líquido por ela incorporado, não recaindo sobre a integralidade do débito. Cientificada do lançamento em 21/03/2012, a responsável solidária, por meio de seu procurador regularmente constituído (fls. 773 e 774), apresentou em 20/04/2012 sua impugnação de fls. 735 a 772, acompanhada dos documentos às fls. 773 a 909, na qual alega, em síntese, o seguinte: A mera reavaliação de bens não configura realização da renda para fins tributários, motivo pelo qual não pode ser considerado fato gerador do IRPJ e da CSLL. O registro do valor da Reserva de Reavaliação na Parte B do LALUR é um mero procedimento de controle do contribuinte, para deixar registrada a necessidade de sua tributação em eventual venda/alienação desse ativo (realização). O total equívoco cometido pela Fiscalização ao fundamentar os presentes lançamentos, uma vez que não se verificou no caso o pressuposto para a aplicação do artigo 520 do RIR/99: "valores com tributação diferida" a serem adicionados no momento da mudança do regime do lucro real para o lucro presumido Cita que esse é o entendimento manifestado pela Receita Federal em recente Solução de Consulta proferida pela SRRF09 (no 56/2012). Mesmo com a mudança do regime de tributação do lucro real para o lucro presumido, o valor da reavaliação continuará sendo controlado pela conta contábil de "Reserva de Reavaliação". Não se verifica, no caso concreto, a presença do "interesse comum", previsto no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional, para dar ensejo à eventual responsabilidade solidária A impossibilidade do Lançamento da multa de ofício o art. 132 do CTN responsabiliza a sucessora tão somente pelos tributos devidos pela sucedida, não englobando portanto eventuais multa punitivas. O acórdão de 1a instância (fls. 931/945) julgou pela IMPROCEDÊNCIA do lançamento tributário, conforme fundamentação abaixo: (...) De plano observase que o autuante equivocouse quanto a natureza da Reserva de Reavaliação. A contrapartida da reavaliação de bens do ativo imobilizado, baseada em laudo nos termos do artigo 8o da Lei no 6.404/1976, não transita pelo lucro liquido apurado pelo contribuinte. É contabilizada diretamente no passivo como Reserva de Reavaliação. O fato de a mesma ser controlada na parte B do LALUR não significa que a receita foi diferida, mesmo porque, enquanto não ocorrer uma das hipóteses previstas no artigo 435 do RIR/1999 não se fala em realização da reserva. A matéria em questão foi objeto da Solução de Consulta SRRF/9o no 56 de 23/03/2012 (...) O fato de o LALUR não ser obrigatório para a pessoa jurídica que optou pela tributação com base no Lucro Presumido não justifica a imediata realização da Reserva de Reavaliação. Como bem destacou o relator da solução de consulta a mesma Lei que determina a realização da tributação diferida quando da opção pelo Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.493 6 lucro presumido (9.430/1996), determina em seu artigo 52 que a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido somente pode computar no ganho de capital os valores acrescidos em virtude de reavaliação de bens se comprovar que os mesmos foram oferecidos à tributação. Ora, não tem sentido solicitar a comprovação da tributação do valor acrescido a um bem em um artigo e determinar a realização antecipada em outro. Destarte, a mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. Devido à proposta de exoneração total do lançamento deixo de me manifestar acerca das alegações apresentadas pela impugnante e responsável solidária. Por superar o valor de alçada, foi interposto o presente recurso de ofício. A Fazenda Nacional apresentou petição denominada de “RAZÕES AO RECURSO DE OFÍCIO”, protocolando com esteio no art. 48, par. 2o do Anexo II do RICARF (previsão para contrarrazões ao recurso voluntário), cujos argumentos às fls. 958/984 estão demonstrados a seguir, literis: Em resumo, como o registro do custo de aquisição dos bens reavaliados passa a registrar a reavaliação sem qualquer distinção do custo original, e como o contribuinte não estaria mais obrigado a manter os registros do controle do diferimento dessa tributação na Parte B do LALUR, não seria possível controlar a tributação da reavaliação quando da alienação dos bens no futuro (...) Segundo a Autoridade Julgadora de primeira instância, o artigo 520 do RIR/99 se aplica somente aos casos de diferimento de tributação incidente sobre resultados que transitam pelo lucro líquido apurado pelo contribuinte, não se aplicando, portanto, em situações de não tributação de reavaliação de bem do ativo permanente. Nesse diapasão, a Turma ressaltou que, mesmo não sendo controlado pelo LALUR, o valor da reavaliação não tributada só poderá integrar o custo de aquisição do bem alienado se tiver sido tributado. Portanto, seria infundado o receio de não tributação no futuro da “mais valia” reconhecida. (...) Dessa forma, o objetivo do artigo 520 é assegurar a tributação em face do fato de o contribuinte que opta pelo lucro presumido não ter mais a obrigação de manter a existência do LALUR. E, como a Parte B do LALUR controla os elementos que poderão afetar os resultados de períodos futuros, todos esses elementos devem ser antecipados e tributados quando da opção pelo lucro presumido. (...) A decisão ora recorrida destaca que o receio de não tributação do futuro do valor da reavaliação é injustificado uma vez que, ainda que os bens reavaliados tenham seus custos atualizados, os saldos de Reserva de Reavaliação constante da contabilidade da empresa somente poderão ser considerados como custo se tiverem sido tributados. Portanto, o controle da tributação futura dos referidos saldos seria feito pelo próprio contribuinte ao optar por cancelálos Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.494 7 quando da alienação dos bens reavaliados. Diante desse cenário proposto pela decisão recorrida, indaga se: se o contribuinte, antes de alienar o bem reavaliado, lograr cancelar o valor constante dos saldos de Reserva de Reavaliação sem qualquer tributação, e sem cancelar o respectivo montante do custo de aquisição do bem? De acordo com o entendimento da DRJ de São Paulo, caso a hipótese aventada ocorra, o Fisco então não teria como controlar a tributação da reavaliação quando da alienação do bem, haja vista que além da inexistência do LALUR, também não haveria qualquer registro dos saldos na contabilidade da empresa, contudo, o custo de aquisição do bem reavaliado permaneceria atualizado. Portanto, em face do objetivo com o qual foi redigido o artigo 520 do RIR/99 e do entendimento exposto pela decisão recorrida, resta, finalmente, averiguar se a hipótese acima aventada pode ocorrer ou não. Caso seja possível uma empresa cancelar o saldo de Reserva de Reavaliação sem tributálo e sem cancelar o respectivo valor do custo de aquisição do bem reavaliado, a aplicação do artigo 520 se mostrará viável e justa. Inúmeras são as possibilidades de uma empresa cancelar contabilmente o saldo de uma Reserva de Reavaliação sem tributálo e sem cancelar o correspondente registro no custo de aquisição do bem reavaliado. Como, a partir da vigência do artigo 4o da Lei no 9.959/2000, a contrapartida de reavaliação somente é tributada quando da efetiva realização do bem reavaliado, basta à empresa utilizar contabilmente o saldo da reserva para algum fim sem, contudo, realizar o bem reavaliado. Como exemplos dessa manobra contábil, citase a possibilidade de a empresa utilizar o saldo de Reserva de Reavaliação para aumentar o capital social ou amortizar prejuízos acumulados (...) Demonstrase, assim, a possibilidade e a razoabilidade da aplicação do artigo 520 do RIR/99 aos saldos de Reserva de Reavaliação quando uma empresa opta pelo lucro presumido. Como há a possibilidade concreta de a empresa nunca tributar esses saldos com a extinção do LALUR, é justa a tributação desses valores quando da opção pelo novo regime. Tendo em vista que o Acórdão de 1a instância (fls. 931/945), ora recorrido, julgou improcedente o lançamento por entender que o art. 520 do RIR não se aplicaria ao caso em análise, deixou, por conseguinte, de analisar os demais elementos de fato e de direito trazidos pelo contribuinte e pelo responsável tributável. Diante deste fato, deixo também de transcrever as razões da PFN acerca desses elementos de fato e de direito não abordados pelo acórdão recorrido. O contribuinte apresentou petição às fls. 986 a 1.037 reiterando os mesmos argumentos apresentados na impugnação, requerendo como fato novo o desentranhamento da petição fazendária sob argumento de inexistência de previsão legal no RICARF.” A Turma a quo, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício. A aludida decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2007 MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DIFERIDA. Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.495 8 A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. CSLL. DECORRÊCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Em face do aludido acórdão, a PFN interpôs recurso especial (efls. 1175 e seg.), o qual foi integralmente admitido por despacho (efls. 1200 e seg. ). Em breve síntese, suscita a recorrente: “Em resumo, como o registro do custo de aquisição dos bens reavaliados passa a registrar a reavaliação sem qualquer distinção do custo original, e como o contribuinte não estaria mais obrigado a manter os registros do controle do diferimento dessa tributação na Parte B do LALUR, não seria possível controlar a tributação da reavaliação quando da alienação dos bens no futuro. Nesse sentido, registrase a seguinte passagem do Termo de Verificação Fiscal: (...) 52. Outrossim, o bem reavaliado já consta do Ativo Permanente com o novo valor, e a reserva de reavaliação deixa de figurar na DIPJ para os optantes pelo lucro presumido. Assim, no caso de alienação do bem, a reavaliação fará com que o ganho de capital seja menor que o efetivamente ocorrido, fazendo com que uma parcela de tributos deixe de ser devidamente apurada.” “Diante desse cenário proposto pela decisão recorrida, indagase: e se o contribuinte, antes de alienar o bem reavaliado, lograr cancelar o valor constante dos saldos de Reserva de Reavaliação sem qualquer tributação, e sem cancelar o respectivo montante do custo de aquisição do bem? De acordo com o entendimento da DRJ de São Paulo, caso a hipótese aventada ocorra, o Fisco então não teria como controlar a tributação da reavaliação quando da alienação do bem, haja vista que além da inexistência do LALUR, também não haveria qualquer registro dos saldos na contabilidade da empresa, contudo, o custo de aquisição do bem reavaliado permaneceria atualizado.” “E, nem se imagine que o fato de a empresa autuada ter transferido os bens reavaliados para o ativo circulante e ter tributado a receita de sua alienação como faturamento pelas regras do lucro presumido afasta a aplicação do artigo 520 do RIR/99. Não obstante esse ponto não constituir a controvérsia ora em debate, uma vez que não fora analisada pela decisão recorrida, vale destacar que não se esta aqui discutindo o que o contribuinte fez com os bens reavaliados após a opção pelo lucro presumido, mas sim a tributação da reavaliação em face da mudança de regime. Se o contribuinte não aproveitou o custo reavaliado dos bens, esse fato se restringe a sua liberalidade. O que não pode ocorrer no presente julgamento é a falta de aproveitamento do custo reavaliado acarretar o cancelamento da tributação que é devida sobre ela. Não se pode considerar que o fato gerador deixou de ocorrer em face do destino que o contribuinte deu à riqueza auferida. Seria o mesmo que não se tributar o aumento patrimonial que fora posteriormente doado a Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.496 9 terceiros.” Ao final, requereu a PFN a reforma integral do acórdão recorrido e o retorno dos autos à DRJ para o julgamento das demais questões que restaram prejudicadas. O contribuinte apresentou contrarrazões, arguindo, em síntese (efls. 1207 e seg.): o despacho de admissibilidade do recurso especial da PFN teria sido proferido por agente incompetente; o acórdão indicado como paradigma não se prestaria a caracterizar a divergência jurisprudencial necessária ao conhecimento do recurso especial. Nem o contexto fático seria semelhante e nem a questão jurídica necessariamente seria a mesma. no mérito, a reserva de reavaliação somente poderia ser tributada quando efetivamente realizada pela venda, baixa ou depreciação do bem reavaliado. A decisão recorrida seria incompatível com o princípio da realização da renda, com a exigência da disponibilidade econômica ou jurídica da renda constante do art. 43 do Código Tributário Nacional (“CTN”), e com o princípio constitucional da capacidade contributiva (CF, art. 145, § 1º); o art. 54 da Lei nº 9.430/96 somente se aplicaria aos saldos de valores constantes do LALUR cuja tributação tenha sido diferida. A impossibilidade de tributação da reserva de reavaliação antes de sua realização não decorre de uma norma de “diferimento”, de benefício fiscal, mas da ausência de caracterização da própria materialidade do IRPJ e da CSLL, razão pela qual o art. 54 da Lei nº 9.430/96 não seria aplicável ao presente caso; mesmo que o art. 54 da Lei nº 9.430/96 fosse aplicável às reservas de reavaliação, esse dispositivo legal referese apenas à adição de valores à base de cálculo do IRPJ, não tratando a base de cálculo da CSLL; o art. 4º da Lei nº 9.959/00 – posterior ao art. 54 da Lei nº 9.430/96 – estabeleceria que a contrapartida da reavaliação de bens somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base cálculo da CSLL quando ocorrer a “efetiva realização” do bem avaliado. O art. 54 da Lei n. 9.430/96 teria sido tacitamente revogado, ao menos parcialmente, pelo art. 4º da Lei nº 9.959/00. não teria havido vantagem fiscal com o procedimento adotado, uma vez que parte dos imóveis reavaliados (os imóveis do Bloco A e parte do terreno do Bloco C) teria sido posteriormente transferida para o ativo circulante e alienada dentro do regime de tributação com base no lucro presumido e a reserva de reavaliação dos imóveis que permaneceram no ativo foi devidamente estornada no anocalendário 2010 em contrapartida do custo reavaliado dos imóveis com o objetivo de atender ao novo padrão contábil introduzidos no país. Não haveria, então, qualquer prejuízo ao Fisco; Haveria bitributação da mesma apreciação dos imóveis reavaliados. Uma vez, mediante a tributação direta da própria reserva de reavaliação (correspondente à diferença entre o valor contábil e o valor de mercado Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.497 10 estimado nos laudos de avaliação), no momento da opção pelo lucro presumido, enquanto o ganho era ainda meramente potencial. Também apresentou contrarrazões, na qualidade de devedora solidária, a BR PROPERTIES SA, arguindo, em síntese (efls. 1293 e seg.): a análise da admissibilidade não foi feita pelo presidente da Turma, portanto, seria nulo o despacho feito por agente incompetente; o acórdão paradigma trataria de situação fática diversa do acórdão recorrido. No caso paradigma, o contribuinte teria utilizado saldo registrado como reserva de reavaliação para aumento de capital, o que não se verificaria no caso sob julgamento; a recorrente não teria demonstrado as partes específicas do acórdão recorrido que são divergente do acórdão paradigma. A recorrente teria se insurgido em vários momentos contra a decisão proferida pela DRJ e não contra o acórdão recorrido; a reavaliação de imóveis não representa um ganho efetivo de capital (realização de renda), mas sim uma expectativa sobre o acréscimo patrimonial potencial, fundamento no art. 4º da Lei nº 9.959/00; a reserva de reavaliação não teria sido utilizada para nenhuma finalidade. Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido CONHECIMENTO Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Suscita o contribuinte que o despacho de admissibilidade do recurso especial da PFN foi proferido por agente incompetente, tendo em vista tratarse de ato de competência do presidente da Câmara, conforme o art. 68 do RICARF então vigente, o que demandaria que novo despacho fosse proferido por agente competente. Compreendo que essa alegação não merece prosperar. Embora o Sr. Sérgio Rodrigues Mendes, AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, tenha auxiliado a elaboração do despacho de admissibilidade, este foi ratificado e assinado pelo então Presidente da 1a Câmara da 1a Seção do CARF, Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Suscita o contribuinte, ainda, que o acórdão paradigma indicado pela recorrente não se prestaria a demonstrar divergência de interpretação, pois teria enfrentado situação diversa. No caso do acórdão paradigma, a reserva de reavaliação teria sido utilizada para aumento do capital social, bem como a revogação do art. 54 da Lei n. 9.430/96 pelo art. 4o da 9.959/2000 teria sido determinante, o que não se verifica no caso concreto. Compreendo que, nesse ponto, assiste razão ao contribuinte. Ocorre que, enquanto no acórdão recorrido analisouse situação em que houve apenas a alteração do regime de tributação do lucro real para o presumido, no acórdão paradigma há elementos fáticos a mais: a reserva de reavaliação teria sido utilizada para aumento do capital social. Tratase de elemento fático relevante e que, de fato, pode conduzir a entendimentos diversos. Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.498 11 Não se pode afirmar que, caso ausente esse elemento fático, a solução do acórdão indicado como paradigma seria a mesma, o que evidencia a distinção do contexto atinente ao acórdão recorrido. Não se trata, portanto, de acórdão hábil a demonstrar a divergência requerida pela norma regimental para a interposição do recurso especial. Voto, então, pelo não conhecimento do recurso especial. Voto vencedor MÉRITO Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Por restar vencido quanto ao não conhecimento do recurso especial, passo à análise de seu mérito. A decisão recorrida explicitou o ponto nuclear para o julgamento do presente caso, in verbis (e fls. 1168 e seg.): “A quantificação, a legitimidade ou a formação do valor da reserva de reavaliação dos bens do ativo do contribuinte não foi questionado pela autuação, mas somente a falta de oferecimento à tributação desse valor após a mudança de regime do lucro real para o lucro presumido. Logo não se faz necessaŕio analisar os requisitos legais para formação da reserva sob análise. (...) Asseverou a fiscalização que o fato gerador do lançamento tributário não era a realização da reserva de reavaliação, mas sim a mudança do regime de apuração, conforme trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 479/480): 49. Verificase neste dispositivo, que o fato gerador que dá origem ao lançamento não é a realização da reserva de reavaliação. O que de fato enseja o lançamento é a mudança do regime de apuração, onde o contribuinte migra do lucro real para o lucro presumido.” Notese, ainda, que o art. 4o da Lei n. 9.959/2000 possui a seguinte redação. Art. 4º A contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. Para o julgamento do recurso especial, importa saber: o fato jurídico da opção pelo regime de tributação do lucro presumido enseja a “efetiva realização do bem reavaliado”, com a disponibilização de renda tributável ao contribuinte? Inclusive por força do art. 146 da Constituição, a legislação tributária deve ser interpretada sob a diretriz do CTN. E como elemento fundamental para a configuração do fato gerador do tributo, o art. 43 do CTN exige a “disponibilidade” da renda, seja “econômica” ou “jurídica”. De forma objetiva, é possível assumir que a aquisição de disponibilidade da renda pressupõe a entrada de novos recursos ao patrimônio ou de direitos incondicionalmente Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.499 12 passíveis de liquidação. São precisas as palavras de RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA1, quando aduz que “o fato gerador é o aumento patrimonial formado pelas renda cuja disponibilidade tenha ocorrido durante determinado período de tempo”. No caso sob exame, o saldo mantido em reserva de reavaliação de ativos, por empresa tributada pelo lucro real, não se torna renda disponível em face da simples opção pelo lucro presumido. Compreendo que o acórdão a quo alcançou conclusão correta e, portanto, não deve ser reformado. Os argumentos apresentados pela PFN não infirmam a conclusão da decisão da recorrida. Como se pode observar, em sua peça recursal, a recorrente labora com a suposição da potencialidade da ocorrência de possíveis patologias na relação jurídico tributária, afirmando que o agente fiscal teria agido corretamente, antecipandose à ocorrência de possíveis irregularidades. Mas não se pode exigir tributo com base em suposições de que o contribuinte, no futuro, pode vir a transgredir a legislação tributária. Apenas a partir da ocorrência do fato gerador é que se tornaria pertinente verificar as consequências tributárias do saldo de reserva de reavaliação dos bens em questão, bem como oportuno o ato administrativo do agente fiscal, caso os dispositivos legais que tutelam a obrigação tributária não fossem respeitados pelo contribuinte. Ocorre que a autoridade fiscal realizou o lançamento sem que nenhum fato gerador tenha ocorrido. Concretizado o fato gerador, na hipótese do contribuinte ser pessoa jurídica optante pelo lucro presumido, ao menos duas formas distintas para o cálculo da obrigação tributária emergiriam, distinguindose bens do ativo não circulante (apuração do ganho de capital) de bens do ativo circulante (apuração do lucro presumido). O art. 52 da Lei n. 9.430/96, ao tutelar o ganho de capital apurado pela sistemática do lucro presumido, prescreve que, quando vier a ocorrer o fato gerador do tributo (por exemplo, com a venda do bem), impondose ao contribuinte a apuração do ganho de capital, a reserva de reavaliação apenas poderá ser considerada como custo de aquisição se já houver sido submetida à tributação: Art. 52. Na apuração de ganho de capital de pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido ou arbitrado, os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente poderão ser computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar que os valores acrescidos foram computados na determinação da base de cálculo do imposto de renda. O enunciado prescritivo em questão impõe, em especial, as seguintes normas atinentes às empresas optantes pelo lucro presumido: Quando ocorrer evento que dê ensejo à apuração de ganho de capital (fato gerador), a reserva de reavaliação somente poderá ser considerada no custo de aquisição de bens e direitos quando comprovadamente submetida a anterior tributação. Quando não ocorrer o fato gerador, não 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz. Breves considerações sobre o significado da disponibilidade da renda do fato gerador do Imposto de Renda. Revista do Superior Tribunal de Justiça, Brasília, v. 28, n. 242, 2016, p. 645 e seg. Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.500 13 haverá competência da administração fiscal para tributar a reserva de reavaliação. Quando ocorrer o fato gerador, que dê ensejo à apuração de ganho de capital, competirá à Administração Fiscal averiguar se a reserva de reavaliação foi considerada como custo de aquisição do bem. A partir daí, ao menos três hipóteses podem surgir: i) a verificação de que a reserva de reavaliação não foi considerada no custo de aquisição para a apuração do ganho de capital, de forma a não haver, em relação a isso, irregularidades; ii) a verificação de que a reserva de reavaliação foi considerada no custo de aquisição para a apuração do ganho de capital, bem como que há comprovação quanto à anterior tributação desta, de forma a não haver, em relação a isso, irregularidades; iii) a verificação de que a reserva de reavaliação foi considerada no custo de aquisição para a apuração do ganho de capital, sem a demonstração da anterior tributação desta, o que torna vinculante o lançamento de ofício para a glosa dessa parcela do custo. No caso concreto, contudo, sequer houve a ocorrência de quaisquer fatos que ensejassem a apuração de ganho de capital. Não há fato gerador do IRPJ ou da CSLL. Não houve, por exemplo, alienação dos bens imóveis ou, ainda, aumento de capital social da pessoa jurídica com o saldo da reserva de reavalização atinente aos referidos bens, como se deu caso do acórdão paradigma apresentado pela recorrente. E não há qualquer previsão legal para que a opção pelo lucro presumido imponha a apuração de ganhos de capital. Pelo contrário, a manutenção do auto de infração tornaria letra morta a regra do art. 52 da Lei n. 9.430/96, bem como uma série de instrumentos legais vigentes. A exigência fiscal imposta ao contribuinte não resiste, portanto, ao teste da legalidade. É fundamental observar que a autuação ora sob julgamento contraria o entendimento exarado pela Secretaria da Receita Federal. Um bom exemplo é colhido da Solucã̧o de Consulta n. 56 SRRF09/Disit: “a mudança de regime do lucro real para o presumido não obrigada a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada”. Nesta solução de consulta, a Administração Fiscal apresenta a seguinte constatação em face do art. 52 da Lei n. 9.430/96: “19. Assim, se a empresa tributada pelo lucro presumido efetuar a venda de bem reavaliado, o valor correspondente à parcela ainda não realizada da reserva de reavaliação não poderá ser computada como custo. Essa hipótese só é possível porque a migração do lucro real para o presumido não implica tributação do valor da reserva, conforme se afirmou acima.” Deve ser verificado, ainda, o argumento do contribuinte de que parte dos bens imóveis em questão pertenceriam ao ativo circulante e, posteriormente, teriam sido alienados e tributados sob a sistemática do lucro presumido como receita operacional. Em relação a tal fator, assim aduziu a PFN em seu recurso especial: Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.501 14 “E, nem se imagine que o fato de a empresa autuada ter transferido os bens reavaliados para o ativo circulante e ter tributado a receita de sua alienação como faturamento pelas regras do lucro presumido afasta a aplicação do artigo 520 do RIR/99. Não obstante esse ponto não constituir a controvérsia ora em debate, uma vez que não fora analisada pela decisão recorrida, vale destacar que não se esta aqui discutindo o que o contribuinte fez com os bens reavaliados após a opção pelo lucro presumido, mas sim a tributação da reavaliação em face da mudança de regime. Se o contribuinte não aproveitou o custo reavaliado dos bens, esse fato se restringe a sua liberalidade. O que não pode ocorrer no presente julgamento é a falta de aproveitamento do custo reavaliado acarretar o cancelamento da tributação que é devida sobre ela. Não se pode considerar que o fato gerador deixou de ocorrer em face do destino que o contribuinte deu à riqueza auferida. Seria o mesmo que não se tributar o aumento patrimonial que fora posteriormente doado a terceiros.” Compreendo não assistir razão aos argumentos da recorrente, que não são capazes de infirmam a solução apresentada pelo acórdão a quo. É certo que, na hipótese de tributação do “ganho de capital” obtido com bem do ativo não circulante, o seu custo de aquisição será relevante para a apuração do tributo, conforme analisado acima. No entanto, como é comum em empresas do mercado imobiliário e tradicionalmente tutelado pelo Direito, bens imóveis também podem compor o estoque da entidade (ativo circulante). Nesse caso, a alienação de bem do estoque, sob o regime do lucro presumido, o IRPJ e a CSLL devem ser apurados conforme a sistemática pertinente às receitas operacionais (e não aos ganhos de capital), em que o custo de aquisição dos respectivos bens, incluindo eventual reserva de reavaliação, é absolutamente irrelevante. Ocorre que, na sistemática do lucro presumido, o requisito do acréscimo patrimonial é determinante para a apuração de rendimentos como ganhos de capital, mas presumido diante de receitas operacionais imobiliárias: a base de cálculo do tributo corresponderia a 8% (IRPJ) e 12% (CSL) sobre a receita da venda dos bens imóveis do ativo circulante2. Sobre o lucro presumido em questão devem, então, incidir as alíquotas de IRPJ e CSL. Nesse contexto, se o bem imóvel reavaliado pertencer ao ativo circulante da pessoa jurídica optante pelo lucro presumido no momento de sua alienação, pouco importa se a reserva de reavaliação foi ou não anteriormente submetida à tributação. A reserva de reavaliação, assim como todo o custo do bem, embora registrados pela contabilidade, não seriam de nenhuma serventia ao para o cálculo do IRPJ e da CSLL. Frisase: tratandose de venda de bem imóvel registrado no ativo circulante da pessoa jurídica optante pelo lucro presumido, não é liberalidade adotar a sistemática de apuração prevista pelo legislador às suas receitas operacionais, isto é, ignorar os custos e aplicar os percentuais de presunção de lucratividade previstas em lei. Não procede, portanto, a afirmação da recorrente, de que “se o contribuinte não aproveitou o custo reavaliado dos bens, esse fato se restringe a sua liberalidade”. O que aconteceria se o auto de infração fosse mantido? Haveria (ao menos) bitributação da renda do contribuinte, que seria expropriado: (i) a título IRPJ e CSLL incidentes sobre a reserva de reavaliação, no momento do mero exercício da opção fiscal ao 2 Vide: Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 15, caput e § 4º, e art. 20. Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.502 15 lucro presumido e, (ii) novamente a título de IRPJ e CSLL, quando e porventura alienasse o bem, agora calculados conforme o lucro presumido. Haveria a tributação de renda meramente potencial (saldo de reserva de reavaliação) somada à tributação da renda presumidamente obtida com a efetiva alienação do bem imóvel. Assim, não bastasse a ausência de previsão legal para o fato gerador considerado pelo auto de infração, há evidente conflito com normas vigentes e prescritas pelo legislador competente, o que não pode ser ignorado. Tratase da fundamental lição do Professor EROS GRAU, de que “não se interpreta o Direito em tiras”. Por fim, em face da argumentação da recorrente, cumpre ainda afirmar que não há a incidência ao caso do art. 54 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, refletido no art. 520 do RIR/99: Art. 520. A pessoa jurídica que, até o anocalendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, controlados na parte "B" do LALUR (Lei nº 9.430, de 1996, art. 54). O aludido dispositivo é aplicável aos saldos de valores constantes do LALUR cuja tributação tenha sido diferida. Entretanto, conforme acima fundamentado, a impossibilidade de tributação da reserva de reavaliação antes de sua realização não decorre de uma norma de “diferimento”, de uma vantagem fiscal, mas sim da ausência da materialidade necessária para a incidência do IRPJ e da CSLL. Assim, como o art. 54 da Lei nº 9.430/96 (RIR, art. 520) tutela hipótese cuja tributação tenha sido diferida, mas o caso sob julgamento diz respeito à não ocorrência do fato gerador propriamente dita, o seu enunciado prescritivo não tem aplicação. Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER o recurso especial interposto pela PFN e, no mérito, por NEGARLHE PROVIMENTO. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rêgo Redatora Designada CONHECIMENTO Ouso divergir do ilustre relator no tocante ao não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional por entender que a divergência restou, sim, caracterizada. Para tal análise, fazse necessário verificar como foi feita a presente autuação. Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.503 16 Pois bem, o auto de infração teve como fundamento os arts. 434 do RIR/1999 e 54 da Lei nº 9.430/96 (art. 520 do RIR/99). Na parte B do Lalur não havia nenhum controle da conta Reserva de Reavaliação. A contrapartida dos valores agregados aos bens do ativo imobilizado em virtude da reavaliação está lançada na conta Reserva de Ativos Próprios (PL), com saldo em 01/01/2007 de aproximadamente R$ 165 milhões. Dentro do grupo Reserva de Reavaliação, havia a redutora “Tributos sobre Reavaliação”, cujo saldo em 01/01/2007 era de aproximadamente R$ 11 milhões. Ocorre que a contribuinte optou pelo lucro presumido para o AC 2007 e, em face disso, a Fiscalização entendeu que o saldo inicial da conta Reserva de Ativos Próprios, R$ 165 milhões, originário dos bens reavaliados em 30/11/2006, deveria ter sido oferecido à tributação. Defende a Fiscalização que o fato gerador não é a realização da reserva de reavaliação, mas sim a mudança do regime de apuração. No item 59 do TVF, a Fiscalização destaca que, consoante o §4º do art. 521 do RIR/99, os valores acrescidos ao Custo Original, a título de reavaliação, poderão ser parte integrante deste somente se o contribuinte comprovar que a reavaliação foi oferecida à tributação. A partir do item 66 do TVF, a Fiscalização consigna que em 2011 a contribuinte sofreu uma cisão parcial mas o faz tão somente para atribuir responsabilidade solidária à pessoa jurídica que recebeu uma parcela do patrimônio cindido, a WTORRE PROPERTIES. Foi lançado, então, o ganho de capital no valor do saldo da Reserva não oferecida à tributação, atribuindose responsabilidade solidária à WTORRE PROPERTIES (do mesmo grupo econômico, e que detinha 99,99% do capital social) em virtude de uma cisão parcial que ocorreu em 2011, segundo a qual tal PJ recebeu parcela do patrimônio da autuada. Para tanto, citouse os arts. 124 e 132 do CTN, além do art. 207, III, do RIR/99. Mas a DRJ/SP1, por unanimidade, entendeu que a mudança do regime para presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do IRPJ/CSLL o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada e fundamentou tal entendimento no item 17 da Solução de Consulta SRRF/9 nº 56, de 2012. O colegiado a quo , por unanimidade, manteve o mesmo entendimento da primeira instância, acrescentando em sua fundamentação a SC Cosit. nº 61 SRRF09/Disit, de 2013. A Procuradoria recorreu, trazendo como paradigma, o Acórdão nº 1101 00.705, de 2012. Segundo o relatório do voto condutor, a infração foi exatamente a falta de adição à base de cálculo do saldo da conta Reserva de Reavaliação, quando efetuou a alteração de regime do real para o presumido. Na base legal constam os arts. 434 e 520 do RIR/99. Em sua defesa, o contribuinte deste processo argui que o art. 4º da Lei nº 9.959, de 2000 “proíbe o computo de qualquer valor que não corresponda à efetiva realização do bem reavaliado”. Do voto condutor desse acórdão, destaco: No que tange a adição da reserva de reavaliação, cabe destacar que a divergência do contribuinte é apenas quanto ao direito Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.504 17 aplicado, pois não discorda dos fatos. Ou seja, o contribuinte concorda que possuía, em 1995, R$ 19.871.684,00 com tributação diferida, mas discorda que devesse oferecer tal valor para a tributação pela simples mudança de sistema de tributação. .......................................... Como se verá adiante, o contribuinte apenas alega que, dentre as diversas espécies de valores com a tributação diferida (e controlados na parte B do Lalur), esta não se submete a regra da tributação quando da saída do lucro real. Sustenta que só deve tributar o montante diferido quando da venda do imóvel (proc. fl. 400). .................................................................................... Portanto, a questão de fato (existência de R$ 19.871.684,00 com tributação diferida e mudança do lucro real para o presumido) é pacifica no presente processo. Só existe discordância quanto ao direito aplicado. No que se refere ao direito, o argumento da defesa consiste em afirmar que o art. 4° da Lei 9.959, de 2000, é posterior e incompatível com o art. 54 da Lei 9.430, de 1996, e, por isso, o revogou tacitamente. Analisando este argumento e considerando que na parte B do Lalur são controlados valores de diversas naturezas para serem adicionados ou excluídos de exercícios seguintes, percebese que o contribuinte defende uma revogação tácita parcial do art. 54 da Lei n° 9.430, de 1996. E toda linha de argumentação do voto condutor do acórdão paradigma reside na mudança de regime. Não há qualquer menção ao fato de a reserva ter sido utilizada para aumento de capital. A situação de aumento de capital só é tratada na declaração de voto da ex Conselheira Edeli Pereira Bessa, quando aduz: Quanto à tributação da reserva de reavaliação, vejo na acusação fiscal que a contribuinte reavaliou bens em períodos anteriores, computando o aumento correspondente em conta patrimonial de Reserva de Reavaliação, a qual foi utilizada para aumento de capital em 2004. Em razão da mudança de regime de tributação dos lucros da pessoa jurídica a partir de 2006, de lucro real para lucro presumido, a autoridade lançadora concluiu, com base nos art. 434 a 437 do Decreto n° 3000/99 e no art. 4° da Lei n° 9.959/2000 que o saldo da conta de Reserva de Reavaliação deveria ter sido oferecido A. tributação no 1 ° trimestre de 2006. ......................................................................................................... ................ Para afirmar que tal valor estava diferido e, em razão da mudança de sistemática de tributação de lucro real para lucro presumido, deve ser incluído na base tributável, entendo necessário discorrer um pouco mais sobre as diferenças entre a apuração contábil do lucro e a determinação do lucro real. Diz a lei societária que a contrapartida de aumento de valoratribuídoa elemento do ativo em virtude de nova avaliação é classificada em conta patrimonial de reserva de reavaliação, e Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.505 18 tal aumento de valor somente pode ser computado como lucro, para efeito de distribuição de dividendos ou participações, quando realizado. Significa dizer que este ganho somente autoriza a distribuição de lucros quando ele efetivamente se materializa. Em conseqüência, enquanto não é possívela distribuição de lucros, os sócios também não poderiam utilizar aquele aumento de valoratribuído a elemento do ativo para aumento de capital. Dai porque o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI — Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis,Atuariais e Financeiras da USP, em sua 3' edição de 1991 (Editora Atlas: Sao Paulo) reconhece a validade da interpretação fiscal que afirmava a tributação da reserva de reavaliação no momento de sua incorporação ao capital social. Vejase (p. 483): ........................................................................................................ Ou seja, contabilmente, ao promover a incorporação da reserva de reavaliação ao capital social, a pessoa jurídica deixa de manter o aumento de valor atribuído a elemento do ativo em conta de Reserva, e inviabiliza a sua transferência para conta de Lucros ouPrejuízosAcumulados no(s) momento(s) de sua realização. Tal valor não transitará por resultado contábil, nem pela conta de lucros acumulados, mas a futura realização do bem representará um menor ganho de capital, em razão do cômputo de seu custo reavaliado. Em conseqüência, para evitar a redução do lucro real em momento futuro, deve o sujeito passivo manter o aumento de valoratribuído a elemento do ativo que não mais consta em Reserva de Reavaliação, porque integrado ao capital, controlado na parte "B" do LALUR, para sua inclusão futura no lucro real, consoante orienta o RIR/99: .................................................................................... Correta, portanto, a conclusão fiscal de que o valor da reserva de reavaliação incorporada ao capital social em 2004 deveria ser adicionado ao primeiro período de apuração no qual foi adotada a sistemática do lucro presumido. Ocorre que, nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF, o Recurso de Divergência só é cabível contra “decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF”. Ou seja, inexiste Recurso Especial contra Declaração de Voto e a razão disso decorre do fato de que a Declaração de Voto representa o entendimento de um conselheiro, e não do colegiado. Em face desses argumentos, divirjo do Relator no que diz respeito ao não conhecimento do Recurso da Fazenda Nacional, porque o conheço. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.506 19 Declaração de Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araújo Ouso divergir do ilustre relator tanto em relação ao conhecimento quanto ao mérito, pelos motivos a seguir aduzidos. 1. DO CONHECIMENTO Entendo que se deve conhecer do Recurso Especial. Isto porque o acórdão recorrido e o acórdão paradigma divergem na interpretação exatamente da mesma legislação tributária aplicada a fatos semelhantes. Adianto que a não concordância com o voto do relator é quanto à semelhança entre os fatos considerados nos dois acórdãos, já que entendo que não há necessidade de identidade completa entre todos os fatos existentes nos dois processos. O que importa para a admissão do recurso especial é a semelhança entre os fatos apreciados e considerados relevantes nas duas decisões, somente a existência de um fato relevante ao qual foi dada uma qualificação jurídica decisiva é que pode obstar eventual configuração da divergência. Assim constou na ementa do acórdão recorrido, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, que negou provimento ao Recurso de Ofício: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2007 MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DIFERIDA. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Recurso de ofício negado. Interpretando de forma oposta os artigos 4º da Lei n° 9.959, de 2000, e 54 da Lei n° 9.430, de 1996, assim constou na ementa do acórdão paradigma, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, que deu provimento parcial ao Recurso voluntário: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005, 2006 PROVAS. A demonstração dos fatos alegados deve estar baseada em fortes elementos de convicção Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.507 20 ASSUNTO: NORMAS GERAIS Exercício: 2005, 2006 ANTINOMIA APARENTE. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DIFERENTE. Não é possível haver conflito entre regras que têm pressupostos de incidência diferentes. ANTINOMIA APARENTE. LEI GENÉRICA. LEI ESPECIAL. Lei genérica posterior não revoga tacitamente lei especial que disponha em contrário. ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Exercício: 2005, 2006 CONTRAPARTIDA DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO. MUDANÇA DO LUCRO REAL. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS DIFERIDAS. O contribuinte que sai do lucro real e que tem contrapartidas de reserva de reavaliação diferidas é obrigado a oferecer tais parcelas no primeiro período de tributação pelo lucro presumido ou arbitrado. O art. 4º da Lei n° 9.959, de 2000, não revogou tacitamente e parcialmente o art. 54 da Lei n° 9.430, de 1996, pois não existe incompatibilidade entre os dois dispositivos, que incidem em hipóteses diferentes. GLOSA DESPESAS. DESPESAS INEXISTENTES. REQUISITOS. A glosa de despesas, ao argumento de sua inexistência, exige a demonstração da inexistência. A falta de pagamentos é um forte elemento de convicção da inexistência da despesa, em algumas situações, mas não em todas. MUDANÇA DE SISTEMA. ADIÇÃO DE RESERVA DE REAVALIAÇÃO. A legislação determina a adição dos valores controlados na parte B do Lalur, quando o contribuinte sai do lucro real e vai para o lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Tanto no acórdão recorrido quanto no acórdão paradigma tratase de reservas de reavaliação constituídas em exercícios em que os contribuintes apuraram o lucro pelo regime do lucro real. Tanto no acórdão recorrido quanto no acórdão paradigma os contribuintes optaram por migrar para a tributação pelo lucro presumido. E em ambos os casos não houve a tributação espontânea prescrita pelo artigo art. 54 da Lei n° 9.430, de 1996, dos valores com tributação diferida refletidos na escrita fiscal. No acórdão paradigma constatase que a reserva de reavaliação foi utilizada para aumento do capital social antes da migração do lucro real para o lucro presumido, fato não existente no acórdão recorrido. Devemos aferir se há relevância desse elemento fático suficiente para distinguir os contextos a que se depararam os dois acórdãos. Primeiro devese destacar que a incorporação da reserva de reavaliação para aumento do capital social não mais constava como hipótese para sua inclusão na base tributável do IRPJ ou da CSLL do período correspondente (art 436 do RIR/99). Desta forma, o diferimento da tributação persistia por determinação legal. Segundo devese destacar que não há a alegação, no acórdão paradigma, de que a incorporação da reserva de reavaliação para aumento do capital social tenha mudado o status de tributação diferida para a reserva de reavaliação. Bem resumiu o voto condutor no acórdão Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.508 21 paradigma que “o contribuinte concorda que possuía, em 1995, R$ 19.871.684,00 com tributação diferida”. Assim descreveu o voto condutor no acórdão paradigma: De fato, constatase na impugnação e recurso que o contribuinte não discorda sobre a existência de saldo de contrapartida da reserva de reavaliação. Inclusive declara na linha 31 da ficha 37 A, da DIPJ do anocalendário de 2005, o saldo de R$ 19.871.684,00 de reserva de reavaliação, em 31/12/2005 (proc. fl. 318), que também está retratado no seu razão do ano de 2006, na conta 2.4.1.03.001 (proc. fl. 267). Ainda, constatase que o contribuinte não questiona no seu recurso que a contrapartida de reserva de reavaliação foi utilizada para aumento de capital, conforme 9° aditivo do contrato social, datado de 2004 (proc. fl. 162). Além disso, o contribuinte não discute que este valor teve sua tributação diferida e que em 2005 seu saldo era de R$ 19.871.684,00. O contribuinte sequer discorda que tal montante seja controlado na parte B do Lalur. Como se verá adiante, o contribuinte apenas alega que, dentre as diversas espécies de valores com a tributação diferida (e controlados na parte B do Lalur), esta não se submete a regra da tributação quando da saída do lucro real. Sustenta que só deve tributar o montante diferido quando da venda do imóvel (proc. fl. 400). (Destaquei) Em outra passagem do acórdão o paradigma destaca que a questão de fato (existência de R$ 19.871.684,00 com tributação diferida e mudança do lucro real para o presumido) “é pacifica no processo”. Só existe discordância quanto ao direito aplicado. E é esta questão de fato que é semelhante e relevante nos dois processos: existência de tributação diferida oriunda de reserva de reavaliação de ativo permanente e mudança do lucro real para o presumido. Constatada a semelhança dos fatos relevantes e a divergência jurisprudencial, deve se admitir o recurso especial. 2. DO MÉRITO Considero acertado o entendimento de que os artigos 4º da Lei n° 9.959, de 2000, e 54 da Lei n° 9.430, de 1996, não são incompatíveis e regulam situações diferentes. No caso dos autos, devese aplicar o art. 54 da Lei n° 9.430, de 1996, pois presentes todos os elementos prescritos em seu texto então vigente: Art. 54. A pessoa jurídica que, até o anocalendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido ou for tributada com base no lucro arbitrado, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, controlados na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. Como já bem explicado no voto condutor do acórdão paradigma n. 110100.705, razões que aqui adoto, o art. 4° da Lei n° 9.959, de 2000, é uma regra genérica do lucro real e estabelece uma proibição. O art. 54 da Lei 9.430, de 1996, é uma regra especifica de saída do lucro real e estabelece uma obrigação. Por isso não existe contradição entre eles e não cabe falar em revogação tácita do art. 54 da Lei 9.430, de 1996. Se aplicado ao caso presente, o disposto no art. 52 da Lei n. 9.430/96 prescreveria a proibição de se considerar como custo parcela não realizada da reserva de Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 9101002.553 CSRFT1 Fl. 1.509 22 reavaliação em eventual venda de bem reavaliado. Desta forma, em caso de desobediência do art. 54, o art. 52 preveria que não se utilizasse como custo parcela não realizada da reserva de reavaliação. Tais eventos não impediriam o lançamento de ofício que deveria ter sido efetuado espontaneamente pelo contribuinte (no ato da migração do lucro real para o lucro presumido). Logo, não há conflito entre o art. 52 da Lei n. 9.430/96 e o art. 54 da Lei n. 9.430/96. Observo que a ementa do acórdão recorrido somente diverge do texto legal (art. 54 da Lei n. 9.430/96) em sua conclusão (oposta à do texto legal), quando prescreve que, nas mesmas circunstâncias, não se obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DIFERIDA. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. Adianta o voto condutor do acórdão recorrido que “a simples reavaliação de bens lançada em conta de Reserva” não se subsume ao fato gerador do IRPJ, pois: “... a riqueza esperada para fins de materialização da renda tributada somente ocorreria com uma das hipóteses de realização dessa reserva.” Se o legislador prescreveu que o saldo mantido em reserva de reavaliação de ativos, por empresa tributada pelo lucro real que muda de regime para o lucro presumido, deve ser adicionado à base de cálculo do imposto de renda, somente a invalidação do dispositivo legal pelo Poder Judiciário poderia afastar a aplicação da norma. Como a decisão recorrida afasta a aplicação da lei (art. 54 da Lei n° 9.430, de 1996), acredito que tal negativa de vigência esteja vedada pela Súmula nº 2 do CARF (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Repiso que a questão é apenas de direito: é sobre a revogação ou não do 54 da Lei n° 9.430, de 1996. Defendi a não revogação. O que importou para o legislador não foi tanto se os valores estariam de fato controlados na Parte B do LALUR, mas que deveriam estar controlados enquanto o contribuinte estivesse no lucro real. Caso não estivesse mais no lucro real não haveria mais a obrigação do controle. Neste caso, o não atendimento da obrigação acessória não poderia ser suficiente para se deixar de aplicar a norma. No primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido ou for tributada com base no lucro arbitrado, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido deverão ser adicionados à base de cálculo do imposto de renda. Nesse cenário, voto por CONHECER o recurso especial interposto pela PFN e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1509DF CARF MF
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Numero do processo: 11041.000123/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/03/2010
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO.
Admitindo-se os embargos como inominados, o lapso manifesto identificado no Acórdão deve ser prontamente corrigido.
Numero da decisão: 2401-004.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos, para retificar o dispositivo analítico do acórdão embargado, que passa a ser "voto no sentido de conhecer do recurso, para no mérito negar-lhe provimento, posto que já aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte".
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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LAPSO MANIFESTO. Admitindose os embargos como inominados, o lapso manifesto identificado no Acórdão deve ser prontamente corrigido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos, para retificar o dispositivo analítico do acórdão embargado, que passa a ser "voto no sentido de conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento, posto que já aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte". (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 1. 00 01 23 /2 01 0- 61 Fl. 160DF CARF MF 2 Participaram do julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11041.000123/201061 Acórdão n.º 2401004.683 S2C4T1 Fl. 161 3 Relatório Tratase de embargos inominados (fls. 148/151) opostos pela Delegacia da Receita Fedral do Brasil em Pelotas/RS, recebidos com fulcro no art. 66 do RICARF (Portaria MF nº. 256/2009), por ocorrência do que seria lapso manifesto na decisão proferida. O acórdão embargado (2401003.222 de fls. 134/142) julgou parcialmente procedente o Recurso Voluntário da ora embargada para o fim de recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I, da Lei nº. 9.430/96, deduzindose os valores levantados a título de multas nas NFLD correlatas. A manifestação da DRF de Pelotas se dá pelos seguintes fatos: 3. Ao analisar o recurso impetrado pelo Frigo W Matadouro e Frigorífico Ltda, que teve contra si o Auto de Infração – AI 37.248.2023, contido no Processo em epígrafe, a Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF/MF proferiu a decisão a seguir transcrita: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carolina Wanderley Landim, que aplicavam a regra do art. 32A da Lei nº 8.212/91.(grifo nosso)Isto posto, requer o embargante o retorno do processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, para apreciar a existência de equívoco no enunciado. 5. Temos a informar que a situação mais benéfica ao contribuinte foi apurada por ocasião do lançamento, conforme está descrito no tópico “Da Retroatividade Benigna” do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, à fl. 21, do Volume – V1 deste processo. 6. No referido tópico, foi informado que, a partir de 04 de dezembro de 2008, com a edição da Medida Provisória 449/2008 posteriormente convertida na Lei 11.941, em 27 de maio de 2009, foram alterados os percentuais, previstos na Lei 8.212/91, no que concerne às multas aplicadas em lançamentos de ofício e por descumprimento de obrigações acessórias. 7. Até aquela data, de acordo com a Lei 8.212/91 o percentual da multa de mora aplicada em lançamentos de oficio era o previsto no inciso II do art. 35, ou seja, 24% do valor corrigido. 8. A multa aplicada por descumprimento de obrigações acessórias, no que tange à declaração omissa em GFIP, era a prevista no parágrafo 5º do art. 32 da Lei 8.212/91 e Fl. 162DF CARF MF 4 correspondia a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada. 9. Com a edição da referida MP a aplicação da multa, em lançamentos de oficio, passou a ser a prevista no inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96, correspondente à 75% da contribuição não recolhida. 10. Assim, reiteramos que na lavratura do presente Auto de Infração, foi observado o princípio da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN, ou seja, foi aplicada a penalidade menos severa ao contribuinte. 11. Desta forma em cada competência, a multa aplicada foi a de menor valor, resultante da comparação entre a multa de oficio estabelecida pelo inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 que corresponde a 75%, com a soma da multas previstas na Lei 8.212/91, ou seja, a prevista no inciso II do art. 35, que corresponde a 24% e a multa variável, equivalente a 100% do valor da contribuição não declarada, em razão da omissão de fatos geradores em GFIP, prevista no §5o do art. 32. 12. Em demonstrativo anexo denominado “Relatório Comparativo de Penalidades Aplicáveis” (fls 45/46, do Volume V1), apresentamos os valores das multas, calculados segundo cada dispositivo legal, por competência com a identificação da penalidade mais benéfica aplicada. 13. Realizada a comparação das penalidades a serem aplicadas, restou mais benéfico ao contribuinte a multa prevista na legislação anterior nas competências 02/2005, 12/2005, 01/2006 e 05/2006 a 08/2006 conforme demonstrativo denominado Pan VI Cálculo da Multa Aplicada (fls 47). Assim, em que pese o acórdão embargado ter determinado a aplicação da retroatividade benigna na redução das multas, a ser a análise realizada pela delegacia de origem mediante a comparação para cada competência, o AFRFB responsável pela execução do julgado apresentou os embargos inominados para informar, justamente, que este procedimento já fora realizado no momento da lavratura do Auto de Infração, razão pela qual haveria lapso manifesto no acórdão embargado. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11041.000123/201061 Acórdão n.º 2401004.683 S2C4T1 Fl. 162 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Pressupostos de Admissibilidade Os embargos inominados, assim recebidos nos termos do art. 66 do RICARF, não se sujeitam à análise da tempestividade, pois esta não se aplica para a correção de erro manifesto no julgado, razão pela qual recebo os presentes por atender os pressupostos de admissibilidade. Da Análise dos Embargos O AFRFB da DRF de Pelotas/RS aponta equívoco cometido na elaboração do acórdão embargado, o qual determinou a realização de procedimento (comparativo de multas para aplicarse a mais benéfica ao contribuinte) já realizado pela autoridade fiscal na lavratura do Auto de Infração. Assim, resta evidente que, para melhor elucidação do acórdão embargado, deve o lapso manifesto do mesmo ser sanado, a fim de que o mesmo possa ser executado pela autoridade fazendária na origem. Do Mérito dos Embargos Conforme se extrai do acórdão embargado, temos que a conclusão do julgado restou redigida da seguinte forma: As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Fl. 164DF CARF MF 6 Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Analisando o Auto de Infração, vemos que consta do Relatório Fiscal de fls. 21, o seguinte tópico: Assim, resta claro que, de fato, a comparação das multas já foi realizada na lavratura do auto de infração, aplicandose a retroatividade benigna em favor da embargada. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11041.000123/201061 Acórdão n.º 2401004.683 S2C4T1 Fl. 163 7 Por essa razão, deve ser acolhida a manifestação da DRF de Pelotas/RS, como embargos inominados, para fim de corrigir a conclusão do Acórdão nº. 2401003.222 (fls. 134/142), com efeitos infringentes formais, sem efeitos materiais no cômputo do crédito tributário, alterandose a conclusão para: "CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, posto que já aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte " CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer da manifestação como embargos inominados e, no mérito, DOULHE provimento, sem efeitos infringentes ao acórdão embargado, a fim de que a conclusão e o dispositivo do mesmo sejam redigidos nos termos a seguir: "CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, posto que já aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte " " Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, posto que já aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte". É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 166DF CARF MF
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