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Numero do processo: 10768.720477/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1988 a 31/10/1995
EMBARGOS. DEMONSTRAÇÃO DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. FALTA DESSA DEMONSTRAÇÃO LEVA A SE REJEITAR O RECURSO.
Quando não se logra comprovar a omissão, ou a obscuridade, ou a contradição alegadas nos Embargos, recomenda-se que não lhes seja dado provimento pelas razões postas no recurso.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/1988 a 31/10/1995
EMBARGOS. DEMONSTRAÇÃO DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. FALTA DESSA DEMONSTRAÇÃO LEVA A SE REJEITAR O RECURSO.
Quando não se logra comprovar a omissão, ou a obscuridade, ou a contradição alegadas nos Embargos, recomenda-se que não lhes seja dado provimento pelas razões postas no recurso.
Numero da decisão: 3401-003.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os Embargos apresentados.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente).
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1988 a 31/10/1995 EMBARGOS. DEMONSTRAÇÃO DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. FALTA DESSA DEMONSTRAÇÃO LEVA A SE REJEITAR O RECURSO. Quando não se logra comprovar a omissão, ou a obscuridade, ou a contradição alegadas nos Embargos, recomenda-se que não lhes seja dado provimento pelas razões postas no recurso. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/1988 a 31/10/1995 EMBARGOS. DEMONSTRAÇÃO DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. FALTA DESSA DEMONSTRAÇÃO LEVA A SE REJEITAR O RECURSO. Quando não se logra comprovar a omissão, ou a obscuridade, ou a contradição alegadas nos Embargos, recomenda-se que não lhes seja dado provimento pelas razões postas no recurso.
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Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado VISE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1988 a 31/10/1995 EMBARGOS. DEMONSTRAÇÃO DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. FALTA DESSA DEMONSTRAÇÃO LEVA A SE REJEITAR O RECURSO. Quando não se logra comprovar a omissão, ou a obscuridade, ou a contradição alegadas nos Embargos, recomendase que não lhes seja dado provimento pelas razões postas no recurso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1988 a 31/10/1995 EMBARGOS. DEMONSTRAÇÃO DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. FALTA DESSA DEMONSTRAÇÃO LEVA A SE REJEITAR O RECURSO. Quando não se logra comprovar a omissão, ou a obscuridade, ou a contradição alegadas nos Embargos, recomendase que não lhes seja dado provimento pelas razões postas no recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os Embargos apresentados. Rosaldo Trevisan Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 04 77 /2 00 7- 71 Fl. 211DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao amparo do art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão n° 3403003.178, que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1988 a 31/10/1995 COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO DE AÇÃO JUDICIAL ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. ART. 170A DO CTN. APLICAÇÃO NO TEMPO. RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ART. 62A DO RICARF C/C ART. 543C DO CPC. Entende o Superior Tribunal de Justiça, em precedente firmado sob o regime de recurso repetitivo (art. 543C do CPC), que "Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001". (REsp 1.164.452/MG, DJe 02/09/2010). Entendimento que se aplica no julgamento administrativo por força do art. 62 A do Regimento Interno do CARF. Recurso provido." Alega o embargante que há contradição e descompasso entre a decisão e a sua fundamentação, pois a primeira se refere a dar provimento ao recurso voluntário, enquanto que a segunda afirma que os autos devem ser devolvidos à unidade local para que verifique o quantum do crédito e análise demais requisitos de entender aplicáveis. Despacho de admissibilidade encaminhou este recurso à apreciação deste Colegiado. É o relatório Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10768.720477/200771 Acórdão n.º 3401003.491 S3C4T1 Fl. 3 3 Tempestividade e demais requisitos atestados no despacho de admissibilidade. O questionamento da respeitável embargante se cinge à aparente diferença entre o teor do que ficou registrado como decisão daquele julgamento e o dispositivo conclusivo do Acórdão. Vejamos as ponderações da recorrente: Trata‑se de declaração de compensação apresentada com fundamento em indébito tributário sob discussão judicial. A compensação não foi homologada, sob o fundamento de que não havia trânsito em julgado à época das transmissões das declarações. Insatisfeito com a decisão da DRJ que indeferiu sua manifestação de inconformidade, o contribuinte interpôs recurso voluntário para pedir a homologação da compensação. Ao analisar a irresignação recursal, esta Turma proferiu decisão assim ementada: ʺASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1988 a 31/10/1995 COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO DE AÇÃO JUDICIAL ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. ART. 170‑A DO CTN. APLICAÇÃO NO TEMPO. RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ART. 62‑A DO RICARF C/C ART. 543‑ C DO CPC. Entende o Superior Tribunal de Justiça, em precedente firmado sob o regime de recurso repetitivo (art. 543‑C do CPC), que ʺEm se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização ʺantes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicialʺ, conforme prevê o art. 170‑A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001ʺ. (REsp 1.164.452/MG, DJe 02/09/2010). Entendimento que se aplica no julgamento administrativo por força do art. 62‑ A do Regimento Interno do CARF. Recurso provido.ʺ O dispositivo do acórdão ora embargado está assim redigido: ʺAcordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.ʺ Ante a leitura da parte dispositiva, depreende‑se que o colegiado teria dado provimento ao recurso voluntário. Entretanto, esta decisão não é a mesma expressa no voto do relator, que assim conclui: "Em razão deste fundamento, deve ser provido o recurso voluntário, para o fim de que, superado tal obstáculo formal para a compensação, devem os autos ser devolvidos para a Delegacia de origem para que promova a análise do Fl. 213DF CARF MF 4 quantum do direito de crédito e dos demais requisitos que entenda aplicáveis." Enquanto o dispositivo da decisão expressa a conclusão pelo provimento do recurso, o voto condutor expressa seu entendimento pelo provimento parcial do recurso para devolver os autos à Delegacia de origem sob o comando de que promova a análise do direito de créditos e dos demais requisitos aplicáveis. Verifica‑se, portanto, descompasso entre a decisão e sua fundamentação. À primeira leitura, esses textos parecem indicar uma diferença. Entretanto, em minha leitura do voto completo, essa impressão inicial é esclarecida. E pretendo nas próximas linhas expor minha visão a esse respeito. Notemos que os pedidos de compensação, que trazem implícito um pedido de reconhecimento de direito creditório, foram não homologados com motivação no fato da ação judicial indicada pelo contribuinte não ter transitado em julgado, nos termos exigidos pelo artigo 170A do CTN. O contraditório inaugurado pela contestação das contribuintes centrou se nessa causa de indeferimento. Os Julgadores de 1º piso consideraram improcedente a manifestação de inconformidade e mantiveram a decisão da autoridade de administração tributária local: não homologar as compensações requeridas. Mas o Colegiado de 2º piso reformou essa decisão, afastando o seu fundamento. Ao agir assim, acolheu a alegação da contribuinte que atacava a decisão de não homologação, ou seja, deu provimento ao recurso voluntário. Entretanto, ressaltemos que a administração tributária com competência para apreciar aqueles pedidos originários não havia analisado a procedência dos valores. Há a necessidade que o processo retorne à unidade de jurisdição local para, superado o motivo baseado no art. 170A do CTN, se analisar o mérito dos pedidos. Essa é a necessária orientação contida no dispositivo conclusivo do voto. Apesar do provimento ao recurso voluntário, esse provimento não significa que o direito creditório tenha sido reconhecido e as compensações possam ser consideradas homologadas sem análise prévia. Com certeza não concorre ao interesse da Fazenda Nacional, nem da contribuinte, que os valores tratados naqueles pedidos originários não sejam submetidos a cuidadosa verificação da sua procedência e correção. Uma forma alternativa de agir, que o Colegiado poderia ter adotado, seria enviar os autos em diligência para que se verificasse esse quantum e se levantasse quaisquer outros aspectos considerados requisitos para a conclusão do crédito e das compensações. Mas o Colegiado escolheu outro caminho, não menos válido e adequado do que este. Em meu entendimento, não há a contradição ou o descompasso apontados pela embargante. Na verdade, o dispositivo conclusivo do voto é que prevalece, pois esclarece e fundamenta o que ficou registrado como decisão do Colegiado: deuse provimento ao recurso voluntario, e o processo retorna à autoridade local para apreciar o mérito dos pedidos, afastada a causa de não homologação baseada no artigo 170A do CTN. Por essas razões proponho sejam conhecidos os Embargos, mas, no mérito, não seja lhe dado provimento. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10768.720477/200771 Acórdão n.º 3401003.491 S3C4T1 Fl. 4 5 Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.723204/2014-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
AJUSTE. DESCONTO SIMPLIFICADO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTE.
Ainda que optante pelo desconto simplificado, a inclusão na declaração de dependente que receba rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, de qualquer valor, obriga a que sejam acrescentados tais rendimentos na Declaração de Ajuste Anual do declarante.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTE Recorrente MARIA DA GRAÇA DINIZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 AJUSTE. DESCONTO SIMPLIFICADO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTE. Ainda que optante pelo desconto simplificado, a inclusão na declaração de dependente que receba rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, de qualquer valor, obriga a que sejam acrescentados tais rendimentos na Declaração de Ajuste Anual do declarante. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 32 04 /2 01 4- 67 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10320.723204/201467 Acórdão n.º 2401004.654 S2C4T1 Fl. 70 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10320.723204/201467 Acórdão n.º 2401004.654 S2C4T1 Fl. 71 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0831.748 (fls. 41/44): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos recebidos de pessoas físicas não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. Em face da contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2013/177782754189141, relativa ao anocalendário 2012, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurado omissão de rendimentos recebidos de pensão alimentícia em nome dos dependentes declarados, no valor de R$ 23.010,91 (fls. 30/33). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. Cientificada da notificação por via postal em 10/9/2014, às fls. 35, a contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2/3). 4. Intimada em 26/1/2015, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 50/51, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 25/2/2015, no qual alega que utilizou o modelo simplificado para apresentar a declaração de rendimentos e, por lapso, os seus filhos foram incluídos como dependentes. Dada a opção pelo desconto simplificado, não houve qualquer benefício para a contribuinte oriundo de dedução com tais dependentes (fls. 55). É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10320.723204/201467 Acórdão n.º 2401004.654 S2C4T1 Fl. 72 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. É incontroverso que a declarante incluiu na DAA 2013/2012 os seus filhos, Januário Diniz Silva e Frederico Diniz Silva, na qualidade de dependentes para fins do imposto sobre a renda. Os descendentes receberam rendimentos no anocalendário 2012 a título de pensão alimentícia determinada via judicial (fls. 9/23). 7. A inclusão de dependente que receba rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, de qualquer valor, obriga a que sejam acrescentados tais rendimentos na Declaração de Ajuste Anual (DAA) do declarante. 8. Com efeito, tal conduta implica opção pela tributação em conjunto dos rendimentos, correspondendo a base de cálculo do imposto devido no anocalendário a diferença entre todos os rendimentos percebidos e as deduções permitidas pela legislação, relativamente ao declarante e a seus dependentes. 9. A opção pelo desconto simplificado, consoante o art. 10 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, não altera a situação fiscal da declarante. Art. 10. O contribuinte poderá optar por desconto simplificado, que substituirá todas as deduções admitidas na legislação, correspondente à dedução de 20% (vinte por cento) do valor dos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, independentemente do montante desses rendimentos, dispensadas a comprovação da despesa e a indicação de sua espécie, limitada a: (...) VI R$ 14.542,60 (quatorze mil, quinhentos e quarenta e dois reais e sessenta centavos) para o anocalendário de 2012; (...) 9.1 Como diferença relevante, apenas, que a declaração simplificada autoriza o uso do desconto padrão em substituição a todas as deduções admitidas na legislação tributária, equivalente à dedução de 20% do valor dos rendimentos tributáveis na DAA, observado o limite máximo, dispensadas a comprovação da natureza das despesas e indicação de sua espécie. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10320.723204/201467 Acórdão n.º 2401004.654 S2C4T1 Fl. 73 5 9.2 Em outras palavras, o desconto simplificado engloba todas as despesas admitidas na legislação tributária, inclusive a dedução com os filhos da declarante. 10. Por outro lado, não há notícias nos autos que os filhos não poderiam constar como dependentes na declaração anual da recorrente, tampouco que apresentaram declarações em separado. 11. Verifico, ainda, que no caso sob apreciação a inclusão dos filhos dependentes não caracteriza um mero erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos. De maneira sincera, a contribuinte reconhece em sua petição que lhe faltou uma melhor análise e orientação por ocasião da apresentação da declaração, tendo em vista a legislação tributária de regência. 12. Logo, não merece reparo o procedimento fiscal, pois a contribuinte deixou de declarar o valor de R$ 23.010,91 de rendimentos recebidos de pensão alimentícia por seus dependentes. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.722626/2013-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2011 a 31/07/2011, 01/10/2011 a 31/10/2011
CISÃO, SEGUIDA DE INCORPORAÇÃO. SUCESSÃO DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES
A sucessão de direitos e obrigações prevista na legislação societária e no Código Civil deve ser aplicada no campo tributário. E entre os direitos sucedidos, encontram-se o Registro Especial, necessário à aquisição de selos de controle, e o registro relativo ao enquadramento de bebidas, para fins de IPI.
SAÍDA DE PRODUTOS SEM SELO DE CONTROLE E EXCESSO DE SELOS EM ESTOQUE. ERRO NO PROCESSO DE VALIDAÇÃO DO SALDO ESCRITURAL. NULIDADE
Há de se anular os lançamentos de IPI e da multa regulamentar, em razão de suposto excesso no estoque físico de selos. A autuante, para a validação do saldo escritural, computou as compras supostamente irregulares em duplicidade e não computou as baixas de selos adquiridos regularmente, derivadas de vendas de produtos.
DESCONTOS INCONDICIONAIS. INCIDÊNCIA DE IPI. DECISÃO STJ COM REPERCUSSÃO GERAL
Deve ser aplicada a decisão do STJ, em sede de repercussão geral, e afastar da incidência do IPI os descontos incondicionais, concedidos sob a forma de bonificações em mercadorias.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3301-003.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2011 a 31/07/2011, 01/10/2011 a 31/10/2011 CISÃO, SEGUIDA DE INCORPORAÇÃO. SUCESSÃO DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES A sucessão de direitos e obrigações prevista na legislação societária e no Código Civil deve ser aplicada no campo tributário. E entre os direitos sucedidos, encontramse o Registro Especial, necessário à aquisição de selos de controle, e o registro relativo ao enquadramento de bebidas, para fins de IPI. SAÍDA DE PRODUTOS SEM SELO DE CONTROLE E EXCESSO DE SELOS EM ESTOQUE. ERRO NO PROCESSO DE VALIDAÇÃO DO SALDO ESCRITURAL. NULIDADE Há de se anular os lançamentos de IPI e da multa regulamentar, em razão de suposto excesso no estoque físico de selos. A autuante, para a validação do saldo escritural, computou as compras supostamente irregulares em duplicidade e não computou as baixas de selos adquiridos regularmente, derivadas de vendas de produtos. DESCONTOS INCONDICIONAIS. INCIDÊNCIA DE IPI. DECISÃO STJ COM REPERCUSSÃO GERAL Deve ser aplicada a decisão do STJ, em sede de repercussão geral, e afastar da incidência do IPI os descontos incondicionais, concedidos sob a forma de bonificações em mercadorias. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 26 26 /2 01 3- 25 Fl. 3143DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 11 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fl. 3144DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "AUTOS DE INFRAÇÃO Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2010), aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, consoante capitulação legal consignada às fls. 12 e 16, foi lavrado o auto de infração à fl. 08, em 30/12/2013, para exigir R$ 821.237,48 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 169.889,30 de juros de mora calculados até 31/12/2013 e R$ 1.231.856,22 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário parcialmente consolidado de R$ 2.222.983,00. Na mesma data, também foi lavrado o auto de infração à fl. 22 para exigir R$ 2.294.653,36 de multa regulamentar, conforme o enquadramento legal às fls. 27 e 28. O crédito tributário total consolidado é no montante de R$ 4.515.636,36 (fl. 02). Consoante as descrições dos fatos, às fls. 09/16 e 23/28, foi constatado o seguinte: a) IPI não lançado em virtude de enquadramento incorreto em classes de valores, nos meses de abril a julho e outubro de 2011; b) saídas de bebidas sem a aplicação de selos de controle, e, conseqüentemente, sem lançamento do imposto, em razão de excesso no estoque físico de selos de controle verificado em 31 de outubro de 2011; c) multa regulamentar relativa às saídas de bebidas sem a aplicação de selos de controle em virtude do excesso no estoque físico de selos de controle apurado em 31/10/2011; d) multa regulamentar relativa ao emprego ou posse de selos de controle legítimos de terceiro, ou seja, não adquiridos diretamente da repartição fornecedora, referente aos fatos geradores de 31/03/2011, 01/04/2011, 15/04/2011, 02/05/2011 e 17/05/2011. No relatório fiscal, às fls. 32/119, há o que segue, de forma resumida, mas abrangente quanto ao conteúdo. Todos os termos lavrados no decorrer da ação fiscal estão discriminados, de forma cronológica, no quadro sinótico às fls. 45/62. Sumário do relatório fiscal às fls. 44 e 45. OBSERVAÇÕES PRELIMINARES, AUTONOMIA DE ESTABELECIMENTOS E REGISTRO ESPECIAL A empresa Vinhos Duelo Ltda., CNPJ nº 86.549.425/000170, foi submetida a cisão parcial em março de 2011 e passou a ser chamada de Bebidas Duelo Ltda. Com a cisão parcial, uma parte do patrimônio foi transferida à empresa Vinhos Duelo do Sul, CNPJ nº 12.678.989/000176 (posteriormente denominada “Vinhos Duelo Ltda.”, conforme alteração contratual de 02/07/2012), e outra parte à empresa Bebidas Florete Ltda., CNPJ nº 12.679.101/000110 (a epigrafada, doravante denominada FLORETE, situada à Av. Marechal Castelo Branco, Pinheiro Preto, SC). Em 27/10/2011, a FLORETE, por meio do respectivo sócioadministrador, informou à RFB (documento carreado aos autos) que possuía selos de controle Fl. 3145DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 13 4 adquiridos de outra empresa, com a pretensão de efetuar a devolução desses selos. Os selos de controle haviam sido adquiridos em nome de Vinhos Duelo Ltda. e transferidos para a FLORETE, em virtude da sobredita cisão parcial. É vedada a posse de selos de controle de terceiros (RIPI/2010, arts. 315, 316 e 585, II), sendo cabível a apreensão e destruição destes e a não aceitação de devolução (RIPI/2010, arts. 315 e § único; 316, IV e § 2º; 585, II e § 1º). A devolução de selos, com ressarcimento dos valores, somente é prevista no caso de selos em situação regular. Portanto, para a apuração dos fatos foi realizada diligência fiscal, transformada mais tarde em fiscalização. A FLORETE havia sido constituída em 18/10/2010 (data de registro na JUCESC de contrato social firmado em 23/08/2010), ou seja, algum tempo antes de incorporar parte do patrimônio de outra empresa (cisão com registro na JUCESC em 28/03/2011). A concessão do Registro Especial de Bebidas deve ser providenciada para cada estabelecimento distinto (IN SRF nº 504, de 2005, art. 2º, § 1º), o que dá direito à aquisição de selos de controle (IN SRF nº 504, de 3 de fevereiro de 2005, art. 21). Na ausência do Registro Especial próprio, a FLORETE adquiriu selos de controle da empresa cindida (Vinhos Duelo Ltda., CNPJ nº 86.549.425/000170). Somente em junho de 2011 (ADE DRF/JOA nº 62, de 01/07/2011), a FLORETE obteve o Registro Especial de Bebidas e passou a adquirir selos de controle diretamente da repartição fiscal, conforme extrato do Sistema de Administração de Selos de Controle (SELECON). Em 03/06/2011, a empresa dera baixa em alguns selos de terceiros no Livro de Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle; contudo, em 27/10/2011, mediante a referida comunicação, informou a RFB acerca da existência de um saldo de selos adquiridos de terceiros, com pedido de devolução destes. A transferência de selos de terceiros aconteceu por ocasião da cisão (março de 2011) e nos dois meses subseqüentes (abril e maio). A transferência de selos de controle somente é prevista entre estabelecimentos de uma mesma empresa, com autorização prévia da RFB (com diligência fiscal específica). Todos os selos de controle apreendidos em ação fiscal e destruídos (333.172 unidades), haviam sido adquiridos na Receita Federal do Brasil em nome de terceiro, vale dizer, empresa diversa da fiscalizada (RIPI/2010, IV), de acordo com extrato do sistema SELECON. Há a previsão de penalidade para tal circunstância, nos termos do RIPI/2010, art. 585, II. Foi possível, ademais, reconstituir a quantidade de selos adquirida irregularmente de terceiro desde o evento sucessório até junho de 2011 (total de 830.357 selos de controle), o que implica a imposição de multa regulamentar. Consoante a Instrução Normativa SRF nº 504, de 2005, que dispõe sobre registro especial referente a bebidas alcoólicas e aos respectivos selos de controle, o registro especial do estabelecimento produtor, engarrafador, atacadista ou importador (art. 2º, § 1º), vinculase à pessoa jurídica requerente e não somente a um conjunto de instalações e equipamentos industriais (art. 4º), sendo que, mesmo um importador de bebidas alcoólicas, sem instalações industriais, deve apresentar informações concernentes à pessoa jurídica para a concessão do registro especial. O número do CNPJ é um dos requisitos para o pedido de registro (art. 4º, I). Inexiste previsão normativa, ademais, para que um registro especial seja estendido a outros estabelecimentos, inclusive no caso de sucessão, tendo a empresa sucessora que efetuar o pedido de registro especial. O registro especial é precípuo de um Fl. 3146DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 14 5 estabelecimento e não pode ser utilizado por outro. Na hipótese de cisão parcial há a transferência de parcela dos bens e direitos patrimoniais, porém não há a transferência de registro especial, tampouco dos enquadramentos das bebidas nas classes de valores. Numa cisão/incorporação, conforme a legislação tributária, nem tudo se transfere automaticamente de uma empresa cindida à incorporadora. A falta de inscrição no registro especial impede o exercício das atividades da empresa de bebidas (produtor, engarrafador, atacadista ou importador), sendo a concessão do registro especial conditio sine qua non para o fornecimento de selos de controle pela repartição fiscal (IN SRF nº 504, de 2005, arts. 2º, caput, e 21). No art. 33, § 2º, da IN SRF nº 504, de 2005, como já aduzido anteriormente, há apenas a previsão de transferência de selos de controle entre estabelecimentos de uma mesma firma “mediante prévia autorização da unidade fornecedora”, sendo que as convenções particulares não têm o condão de influir na seara tributária (CTN, art. 123; RIPI/2010, art. 23). Do relatório fiscal: “Analisando a Instrução Normativa SRF n° 504, de 2005, pode se constatar que quem apresenta o requerimento do Registro Especial é a Pessoa Jurídica (a Empresa que possui o estabelecimento a receber o registro especial), conforme Caput do art. 3° dessa instrução, mas o pedido deve ser apresentado pela Pessoa Jurídica à DRF do domicílio fiscal do estabelecimento indicado para receber o registro especial, conforme art. 4°, pois, a concessão do registro é por estabelecimento (podendo ser a Matriz ou qualquer uma das filiais da pessoa jurídica requerente), conforme § 1° do art. 20 da citada legislação. Ou seja, o registro especial é concedido para o Contribuinte autônomo do IPI (o Contribuinte detentor de um CNPJ específico). Porém não é um mero conjunto de equipamentos ou um endereço isolado que recebe o registro. O estabelecimento a receber o registro especial está vinculado a uma determinada Pessoa Jurídica, isto é, vinculado à pessoa jurídica requerente, pois, a concessão do Registro Especial está condicionada também à regularidade cadastral e fiscal da Pessoa Jurídica requerente, bem como regularidade de seus sócios e de outros a ela vinculados, conforme art. 5° da IN SRF 504, de 2005. E a Delegacia da Receita Federal, antes de conceder o registro a um estabelecimento vinculado a uma pessoa jurídica determinada, deve fazer análise da referida regularidade em relação a essa pessoa jurídica. Observandose as exigências e condições estabelecidas referentes ao Registro Especial, podese concluir também que não há autorização para que o uso do registro especial concedido a um estabelecimento de uma empresa seja transferido para outra empresa, mesmo que essa outra pessoa jurídica tenha adquirido equipamentos e/ou instalações do Estabelecimento que era detentor do registro especial, e ainda que o endereço de atuação da nova empresa seja no mesmo local anteriormente ocupado pelo Estabelecimento que era possuidor de registro. Fl. 3147DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 15 6 Diante disso, e considerando a necessidade das referidas verificações pela DRF é indispensável que, quando um estabelecimento detentor de registro especial transfere suas instalações a outra empresa, a empresa adquirente das instalações solicite à RFB um novo registro específico onde o estabelecimento estará vinculado à essa nova pessoa jurídica (Cada CNPJ identifica um distinto contribuinte autônomo do IPI, um estabelecimento específico e vinculado a uma determinada pessoa jurídica). Por isso, a empresa BEBIDAS FLORETE LTDA., ao adquirir as instalações industriais de Vinhos Duelo Ltda (Atual Bebidas Duelo Ltda), necessitou providenciar junto à Receita Federal o Registro Especial referente ao seu estabelecimento industrial de CNP3 n° 12.679.101/000110, para exercer suas atividades industriais de forma regular (cuja concessão foi efetivada através do ADE DRF/JOA no 62, de 01/06/2011 está juntada no Processo Administrativo Fiscal). A existência de ADE concedendo Registro Especial referente a um estabelecimento específico (o qual está obrigatoriamente vinculado a uma pessoa jurídica específica, possuindo CNPJ específico) é condição para que o estabelecimento industrial possa exercer suas atividades industriais bem como condição para adquirir selos de controle na repartição da Receita Federal do Brasil, conforme disposto no art. 2° combinadamente com o art. 21 da referida instrução normativa. Vejamos: “Art. 2° Os produtores, engarrafadores (....), estão obrigados à inscrição no registro especial (...), não podendo exercer suas atividades sem prévia satisfação dessa exigência. § 1° A concessão do registro especial darseá por estabelecimento, de acordo com o tipo de atividade desenvolvida, e será específico para: ................................................................. Art. 3° O registro especial será concedido (...), a requerimento da pessoa jurídica interessada que deverá atender aos seguintes requisitos: ................................................................. Art. 21. O fornecimento de selo de controle será condicionado à concessão do registro especial de que trata o art. 2°.” O relativo rigor com relação às formalidades referentes ao Registro Especial e ao Selo de Controle de bebidas alcoólicas tem como objetivo salvaguardar o interesse público, por facilitar a fiscalização e o controle do cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes que operacionalizam tais produtos. O selo, tal qual o Registro Especial, tem a finalidade de controle e foram instituídas na Legislação Tributária formalidade e Fl. 3148DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 16 7 cautelas próprias visando defender o interesse do Estado (Vide art. 46 da Lei nº 4.502. de 1964). Por isso, reiteramos ao Contribuinte que até a transferência de selos entre estabelecimentos de uma MESMA EMPRESA, depende de atendimentos a certos requisitos e condições, conforme determina a legislação tributária aplicável. E um dos requisitos exigidos pela Legislação Tributária PARA OCORRER TRANSFERÊNCIA REGULAR DE SELOS É A EXISTÊNCIA DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO FORMAL EMITIDA PELA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL. Porém, conforme já citamos antes, não há na legislação tributária nenhuma previsão autorizando a transferência de selos entre estabelecimentos de empresas distintas, não há previsão para transferência de selos entre estabelecimentos de pessoas jurídicas diferentes (Vide IN SRF 504/2005, arts. 33 a 35). Citamos aqui o §2° do art. 33 da IN SRF no 504, de 2005, que fala sobre a transferência de selos no caso de um estabelecimento deixar de fabricar produtos: “§ 2° Na hipótese do inciso I, o estabelecimento poderá, mediante prévia autorização da unidade fornecedora, transferir os selos que possuir em estoque para outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica.” A referida autorização formalizada é emitida pela Delegacia da Receita Federal após verificação do atendimento dos requisitos necessários previstos na legislação, sendo cabível prévia diligência feita por AuditorFiscal para verificação o estado dos selos e a sua quantidade antes da autorização de transferência. Essa diligência para verificação seria precedida de pedido do Estabelecimento interessado sobre autorização de transferência de selo. Não foi encontrado na DRF Joaçaba/SC nenhum requerimento das empresas envolvidas, solicitando autorização para transferência de selo de controle entre elas, e, mesmo que tivesse sido tal documento apresentado, não seria possível conceder autorização, tendo em vista a legislação aplicável já amplamente mencionada neste Relatório vedar tal pretensão. Por oportuno, repetimos ainda aqui que, nos termos da legislação tributária (Art. 23 do Decreto 7.212/2010 – RIPI), “As convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento do imposto, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição do sujeito passivo das obrigações correspondentes (Lei n° 5.172, de 1966, art. 123).” O IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos que é balizado por dispositivos como os arts. 24, § único, e 384 do RIPI/2010. Cada estabelecimento é identificado por um número distinto de CNPJ, ainda que da mesma firma. No âmbito do IPI, mesmo estabelecimentos diferentes de uma mesma empresa são considerados “terceiros” em relação a um estabelecimento específico da empresa. Fl. 3149DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 17 8 Aduz a autoridade fiscal: “A Lei n° 5.172, de 1966, esclarece que, para fins do imposto sobre produtos industrializados – IPI, cada estabelecimento é considerado um contribuinte distinto e autônomo. Transcrevemos a seguir o Parágrafo único do art. 24 do Decreto 7.212, de 2010 (Regulamento do IPI – RIPI/2010): “Considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial ou comerciante, em relação a cada fato gerador que decorra de ato que praticar (Lei n° 5.172, de 1966, art. 51, parágrafo único).” No Código Civil (Lei 10.406, de 2002), em seu art. 1.142, consta o seguinte significado para estabelecimento: “Considerase estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária.” De acordo com a legislação tributária (Vide IN RFB no 1.183/2011 referente ao CNPJ – Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas), a Pessoa Jurídica deve cadastrar cada um de seus estabelecimentos no sistema CNPJ administrado pela Receita Federal do Brasil, sendo concedido um número de CNPJ distinto para cada estabelecimento. Esse cadastramento CNPJ facilita a identificação de cada contribuinte do IPI, individualmente, pois o número identificador do CNPJ é composto por duas partes essenciais, que revelam qual é a pessoa jurídica e qual é o estabelecimento (se é estabelecimento Matriz ou estabelecimento Filial). A primeira parte numérica desse identificador do Contribuinte indica a entidade ou empresa que exerce atividades no estabelecimento; Já a segunda parte do número identificador do Contribuinte referese ao Estabelecimento, referese ao complexo de bens organizado, o qual está vinculado a um local onde a entidade exerce atividades e/ou armazena suas mercadorias, e indica o número do estabelecimento, que pode ser a Matriz ou uma das filiais da empresa, conforme informado no Cadastro. Para fins do Imposto sobre Produtos Industrializados, acordo com o RIPI/2010, art. 384, “Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz (Lei n° 4.502, de 1964, art. 57).” Portanto, da análise dos referidos dispositivos, temse que o Contribuinte autônomo industrializador (RIPI/2010, art. 24, parágrafo único) está vinculado a duas características que estão interligadas e se complementam: Fl. 3150DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 18 9 a) – está vinculado a um “Estabelecimento” (que pode ser entendido como sendo “todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa...”, conforme art. 1.142 do Código Civil); e b) – está vinculado a um industrial, ou seja, vinculado a uma pessoa, a uma empresa, que exerce no estabelecimento as atividades de industrialização, pois, de acordo com o mencionado artigo do Código Civil de 2002, o estabelecimento está vinculado a uma empresa (Pessoa Jurídica), a um empresário ou a uma sociedade empresária (“Considerase estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária”, conforme art. 1.142 da Lei nº 10.406, de 2002). Dessa forma, a despeito da terminologia adotada na legislação, fica evidenciado que cada estabelecimento industrial é considerado como sendo um contribuinte autônomo para fins da legislação do IPI e é identificado por um CNPJ específico, possuindo um complexo de bens organizado (vinculado a um local/endereço) além de estar vinculado a uma pessoa jurídica que exerce industrialização ali. O identificador essencial do Contribuinte do IPI é o número do CNPJ (e não o nome citado na razão social nem tão pouco seria suficiente citar apenas um endereço ou local para identificar um Contribuinte), pois o número do CNPJ é que reflete as características fundamentais que identificam o Contribuinte autônomo do IPI (identificam a pessoa jurídica e identifica o local da atividade industrial, o estabelecimento Matriz/filial). Assim, direitos e obrigações específicos de um contribuinte autônomo (CNPJ específico) não se confundem com os direitos e obrigações de outro contribuinte autônomo (outro CNPJ). No caso de cisão parcial, embora algumas máquinas, bens e equipamentos possam ser transferidos a uma empresa sucessora, o número do CNPJ do estabelecimento da cindida não é objeto de transferência a quem adquiriu a parcela do patrimônio, pois cada estabelecimento da empresa incorporadora possui um CNPJ próprio diferente do CNPJ de cada um dos estabelecimentos da empresa cindida. Lembramos ainda que o CNPJ do estabelecimento de uma empresa cindida pode inclusive continuar a existir, alterandose o endereço correspondente, caso a Pessoa Jurídica cindida parcialmente continue a manter atividades vinculados ao referido CNPJ em outro local (que foi o que ocorreu com a Matriz da empresa Cindida, a qual continuou a existir e mudou se para outra Jurisdição). A existência dessa possibilidade de mudança de razão social de uma pessoa jurídica ajuda a esclarecer que o identificador de um Contribuinte autônomo do IPI é o seu CNPJ e que o estabelecimento industrial de uma empresa (com determinado CNPJ) não pode ser confundido com o estabelecimento industrial de outra empresa (de CNPJ diferente), mesmo no caso de cisão parcial. Fl. 3151DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 19 10 Esse conceito sobre a autonomia de cada Contribuinte/Estabelecimento para fins de IPI, inclusive com respeito ao Registro Especial de Bebidas e à aquisição e posse de selos de controle, ambos administrados pela Receita Federal, bem como no que se refere a enquadramento de bebidas, mesmo no caso de cisão parcial, conforme análise da legislação deixa claro,é relevante para compreensão dos lançamentos de ofício efetuados neste Trabalho Fiscal”. (destaques do original) No Termo de Intimação Fiscal (TIF) nº 348, de 10/08/2012, ficaram registradas as quantidades de selos de controle adquiridos de terceiros e apreendidos/destruídos (333.172 unidades cuja verificação e contagem foi acompanhada por representante da empresa) e de selos adquiridos regularmente existentes em 31/10/2011 no estoque físico (430.346 unidades). Os produtos selados foram retidos para verificação durante a diligência fiscal de 31/10/2011. Os produtos com selos regulares foram liberados e os produtos com selos adquiridos de terceiro foram liberados após a retirada/destruição dos selos em situação irregular. A discordância do sujeito passivo em relação ao TIF nº 348 não foi concernente à quantidade de selos apurados, mas se restringiu ao fato de o Fisco ter considerado irregular a aquisição de selos de terceiros. Foi encetado também um levantamento para estabelecer a quantidade total de selos adquiridos irregularmente pela FLORETE, desde 31/03/2011 até a data da auditoria (31/10/2011), com a finalidade de calcular as multas regulamentares (RIPI/2010, art. 585, I e II) e o imposto referente à diferença no estoque de selo. A empresa teve ciência do extrato SELECON, com informações sobre todos os selos de controle, no Termo de Início de Fiscalização, e, em resposta, manifestou concordância. A quantidade de selos soltos, adquiridos irregularmente, de 31/03/2011 a 17/05/2011, conforme documentação/declarações/livros, foi de 830.357 unidades. A transferência de produtos já selados para outra empresa (em virtude de evento sucessório – transferência patrimonial de produtos – ou simplesmente para revenda) não configura irregularidade, somente a transferência de selos soltos. ENQUADRAMENTO DE BEBIDAS As bebidas e os selos de controle têm códigos internos (fls. 74 e 75). Para cada bebida, com código interno distinto, inclusive para efeito de apuração do valor da multa regulamentar, foi calculado o preço médio ponderado em relação ao período de 01/04/2011 a 31/10/2011 (fls. 75 e 76), a despeito da apresentação de tabela de preços pela impugnante. O enquadramento provisório e o enquadramento estabelecido por Ato Declaratório Executivo (no caso, o ADE DRFB/JOA nº 70, expedido em 1º de julho de 2011, com efeitos a partir de 16/07/2011) estão discriminados na planilha às fls. 76 e 77. O enquadramento das bebidas alcoólicas nas classes de valores é fixado em Ato Declaratório Executivo (ADE) e é específico para o estabelecimento peticionário. Antes da prolação do ADE, o enquadramento deve ser empreendido de maneira provisória, nos termos do RIPI/2010, art. 210, § 8º, de acordo com a tabela Fl. 3152DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 20 11 constante do art. 209 (a maior classe de valores para cada faixa de capacidade do recipiente do produto). O ADE é válido apenas para os produtos nele especificados. Para produtos não discriminados no ADE, é aplicável o referido enquadramento provisório. A relação de produtos do Ato Declaratório Executivo DRF/JOA nº 70, de 1º de julho de 2011, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 16/07/2011, encontrase transcrita às fls. 78 e 79. A tabela para determinação do valor do IPI para cada classe de valor, reproduzida às fls. 79 e 80, corresponde àquela da Nota Complementar NC (223) da TIPI/2006, aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, e com a redação dada pelo Decreto nº 6.588, de 1º de outubro de 2008. No que concerne ao período examinado (abril a outubro de 2011) não houve a edição de nenhum outro ADE, além do já citado. No referido período, é aplicável o enquadramento provisório para os produtos que não figuram no ADE DRF/JOA nº 70, de 1º de julho de 2011. Houve uma diferença de IPI apurada em virtude da diferença de classes de valores considerando o enquadramento provisório e o enquadramento utilizado pelo sujeito passivo. O destaque a menor do imposto nas notas fiscais de saída de bebidas alcoólicas ocorreu até 15/07/2011, data anterior à de entrada em vigor do sobredito ADE. Nas planilhas de quantidades de bebidas sem lançamento e de diferenças entre o IPI destacado na nota fiscal e o IPI correto, não foram computadas as saídas a título de revenda e para exportação. As planilhas “CÁLCULO DA DIFERENÇA DE IPI” e “RESUMO DAS DIFERENÇAS ENTRE IPI DESTACADO NA NOTA FISCAL PELO CONTRIBUINTE E O IPI CORRETO CALCULADO PELO FISCO” foram anexadas ao libelo impositivo. Resumos transcritos às fls. 103/106. Aduz a autoridade fazendária no relatório fiscal: “Para cada produto, nos períodos em que tenha sido detectado pelo Fisco diferença de lançamento do IPI (vide planilhas já mencionadas), são apresentados no sistema esafira a data do fato gerador e a quantidade de lançamento correspondente, obtendose ao final dos cálculos uma diferença de IPI para lançamento de ofício igual a R$ 685.524,72 (seiscentos e oitenta e cinco mil, quinhentos e vinte e quatro reais e setenta e dois centavos), conforme Demonstrativos elaborados pelo Fisco, ficando cabível ainda a aplicação da multa de ofício. Esclarecemos que a Quantidade de lançamento citada no Auto de Infração, para cada mês ou fato gerador, quando o produto for igual ou menor que mil mililitros, é a própria quantidade de recipientes que saíram do Estabelecimento (conforme notas fiscais emitidas), para o produto considerado, em cada período em que tenha sido encontrada alguma diferença de IPI. Fl. 3153DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 21 12 Porém, quando se referir a um produto acondicionado em recipiente de capacidade superior a mil mililitros, a quantidade de lançamento citada no Auto de Infração elaborado através do sistema Esafira é igual à quantidade de recipientes do produto multiplicada pela capacidade em litros do recipiente, tendo em vista a necessidade de adequação do cálculo do IPI ao disposto no § 9° do art. 210 do RIPI/2010 (Decreto n° 7.212, de 2010), onde determina que o cálculo do IPI para recipientes dessa capacidade deve ser feito proporcionalmente ao que for estabelecido no enquadramento para o recipiente de capacidade de mil mililitros (Lei n° 7.798. de 1989. Nota do seu Anexo I)”. MULTA REGULAMENTAR – RECEPÇÃO/POSSE DE SELO DE CONTROLE ADQUIRIDO DE OUTRA EMPRESA. Do relatório fiscal: “Conforme já mencionado na introdução deste Relatório Fiscal, item “1” (Descrição dos fatos e observações preliminares) e nas observações feitas nos textos do Auto de Infração referente a essa infração, bem como de acordo com os livros e documentos apresentados ao Fisco pelo Contribuinte, ficou assumido por ele e comprovado nos autos que Bebidas Florete Ltda recebeu de outra empresa (de Vinhos Duelo Ltda) transferência e posse de selos de controle, durante os meses de março, abril e maio de 2011. Nos termos da legislação tributária já citada e comentada, não é possível transferência de selo de controle entre empresas distintas, nem mesmo no caso de cisão parcial e incorporação, considerando que a finalidade do Registro Especial e do Selo é o Controle, visando salvaguardar o interesse da Administração tributária em benefício da sociedade. A possibilidade existente para transferência de selos seria apenas entre estabelecimentos de uma mesma empresa, e mesmo assim, desde que atendidas as condições e certas situações previstas na legislação tributária pertinente. Portanto, apesar de a empresa apresentar entendimento de que a referida transferência, inclusive após a data da cisão, estaria correta, a legislação tributária não apóia tal interpretação. Portanto tal situação implica na aplicação da multa regulamentar prevista no art. 585, inciso II, do RIPI/2010, referente à totalidade dos selos adquiridos e possuídos de forma irregular. Contribuinte Fiscalizado, apresentou uma tabela contendo relação de “Estoque de selos transferidos” correspondentes à transferência de selos ocorrida em 31/10/2011, de Vinhos Duelo Ltda para Bebidas, assinada pelo Responsável Legal de Bebidas Florete Ltda (Vide Tabela inicialmente apresentada – Seqüencial de juntada “12a”). Posteriormente Contribuinte apresentou nova tabela retificando alguns números referente a selos utilizados em Vinhos bem como Fl. 3154DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 22 13 incluiu selos do tipo/cor “Bebida Alcoólica Cinza” que foram localizados posteriormente no Estabelecimento e que também haviam sido transferidos por Vinhos Duelo Ltda, conforme já era mencionado no Livro de Registro de Inventário de Bebidas Florete Ltda, no seu levantamento referente a 31/03/2011 (Vide cópia do livro de Inventário juntado no processo administrativo fiscal, bem como a tabela retificada – Seqüencial “12b”). Contribuinte também apresentou Tabelas contendo “Estoque de Produtos Acabados Transferidos” em “31/03/2011” (Vide Seqüencial “11a”), sendo uma assinada pelo Responsável Legal de Vinhos Duelo Ltda e outra, semelhante, com os mesmos quantitativos, assinada pelo Responsável Legal de Bebidas Florete Ltda, citando quais selos teriam sido aplicados em alguns desses recipientes. Posteriormente, Contribuinte retificou alguns dados referente tabela anterior e apresentou nova tabela retificada (vide Seqüencial “11b”). De acordo com os referidos documentos apresentados pelo Contribuinte, e confirmados no Livro de Registro de Inventário, para a data de 31/03/2011, Vinhos Duelo Ltda transferiu de seu estoque para Bebidas Florete Ltda, 430.357 selos soltos, não aplicados em produtos do estoque transferido. O total de selo citado no Livro de Inventário para a referida data foi de 636.889, mas, como pode ser verificado no mesmo livro e nas tabelas apresentadas pelo Contribuinte, os produtos engarrafados sujeitos a selo que foram transferidos selados foi de 206.532. Assim sendo, 636.889 menos 206.532 resulta 430.357 selos soltos transferidos irregularmente. Vejamos:” Quadro demonstrativo à fl. 81. “Considerando informação no livro de Selo do Contribuinte, as entradas ocorridas a partir de 1/4/2011 e antes de 03/06/2011, recebidas de Vinhos Duelo Ltda, foram 400.000 selos. Somados aos 430.357 selos soltos adquiridos irregularmente em 31/03/2011, o total de selos irregulares possuídos por Bebidas Florete Ltda foi de 830.537. A primeira aquisição regular de selo na RFB pela Bebidas Florete Ltda foi em 03/06/2011, conforme extrato SELECON. As aquisições efetuadas a partir de1/4/2011 e anteriores a essa data – as quais foram citadas como entrada no Livro de Registro de Entrada e Saída de selo de Controle de Bebidas Florete Ltda (Vide Cópia do referido livro que foi juntada no processo administrativo fiscal) – foram feitas em nome de terceiro (Vinhos Duelo Ltda) e transferidas irregularmente à Bebidas Florete Ltda. O Total, portanto, de selos soltos (não aplicados) irregularmente recebidos foi de 830.357 unidades, conforme a seguir tabelamos:” Quadro demonstrativo à fl. 82. “Vide Seqüencial de juntada “4b” – ANEXO 02 do Relatório Fiscal – “Selos adquiridos diretamente na RFB por Bebidas Florete Ltda”. Fl. 3155DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 23 14 A aquisição/posse irregular de 830.357 selos por Bebidas Florete Ltda resultou na multa regulamentar do art. 585, inciso II, do RIPI/2010, correspondente a essa quantidade, de R$ 1,00 por unidade. Esclarecemos que, apesar de ser comprovado, conforme análise do Livro de Inventários e outros documentos do Contribuinte que foram recebidos irregularmente no Estabelecimento 830.357 selos de terceiro soltos, foi escriturado por ele no Livro de Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle dessa empresa entrada irregular de 830.321, pelo que essa foi a quantidade glosada daquele livro para fins de se calcular o correto saldo escriturado para a data de 31/10/2011, para posterior apuração da diferença no estoque físico de selo (Conforme consta mencionado também na tabela retificada apresentada pelo Contribuinte – Seqüencial “12b”). Lembramos ainda que foram apreendidos pela Fiscalização ainda na posse do Contribuinte, diversos selos de terceiros, conforme pode ser confirmado na leitura dos diversos termos assinados pelo Fisco e pelo Contribuinte, juntados no processo administrativo fiscal. A conferência de tais selos foram (sic) feitas comparativamente à numeração mencionada no extrato SELECON, sendo constatado que eram realmente selo de terceiro. Alguns desses selos apreendidos foram juntados, a título de exemplo, no “Termo de Constatação Fiscal Referente Amostra de Selos de Controle apreendidos pela Fiscalização na posse de Bebidas Florete Ltda” (Vide tal documento juntado no processo administrativo fiscal – Seqüência “4e”, sendo que uma via/cópia está sendo entregue ao Contribuinte em anexo a este Relatório). No Termo de Intimação Fiscal no 348, de 10/08/2012, é apresentado um resumo tanto dos selos que estavam regulares no estoque físico do Contribuinte, bem como dos selos considerados irregulares (apreendidos/destruídos). O total de selos de terceiros apreendidos para destruição durante a Fiscalização foi igual a 333.172 unidades, enquanto que os selos próprios/regulares foi igual a 430.346 unidades. Transcrevemos abaixo o conteúdo dessa tabelas e observações existentes no referido Termo de Intimação Fiscal:” Conforme o demonstrativo à fl. 83, 321.489 selos de outra empresa, soltos, com posse irregular pela FLORETE, foram apreendidos mediante a lavratura do termo TA03, de 31/10/2011 (77.417 selos tipo/cor “bebida alcoólica/cinza” foram apreendidos posteriormente, em 21/06/2012, pelo termo TA05). Quanto aos selos aplicados em bebidas engarrafadas apreendidas na mesma data com os termos TA 01 e TA02: a) dos 432 selos tipo/cor “bebida alcoólica azul marinho” apreendidos pelo termo TA01, item A, apenas 29 estavam regulares e foram liberados posteriormente (termo TL01, de 21/06/2012); 403 selos estavam irregularmente na posse da FLORETE (adquiridos de outra empresa); b) dos selos tipo/cor “bebida alcoólica verde” aplicados em bebidas apreendidas por meio dos termos TA 01 e TA02, 15.636 estavam regulares (bebidas apreendidas referidas no item A do TA 01, liberadas com os selos em 21/06/2012, com o TL01) e 11.280 estavam Fl. 3156DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 24 15 irregulares (conforme item B do TA01 e TA02; TL01, de 21/06/2012, e TL02, de 22/12/2011). O total de selos de controle encontrados em situação regular em 31/10/2001 foi de 430.346 unidades, consoante o demonstrativo à fl. 84. “Como já demonstrado, a verificação da numeração dos selos adquiridos irregularmente pela Bebidas Florete Ltda no período de 1/4/2011 a 02/06/2011 citados no “Livro de Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle” dessa empresa (antes da obtenção do Registro Especial de Bebidas e primeira aquisição de selos da referida empresa na RFB) comparativamente à numeração e data de aquisição citadas no extrato SELECON levam à clara conclusão de que tais selos não foram adquiridos diretamente na RFB por Bebidas Florete Ltda. Quanto aos selos de controle soltos recebidos de Vinhos Duelo Ltda pela Bebidas Florete Ltda, já foi comprovado também que foram transferidos sem autorização da Legislação Tributária. Foi constatado ainda pelo Fisco na presença de representante do Contribuinte, conforme termos de apreensão e termos de liberação lavrados e juntados nos autos, contendo assinatura do Fisco e do Responsável Legal do Contribuinte, que os selos soltos ou aplicados que permaneceram apreendidos para destruição não haviam sido adquiridos na Receita Federal do Brasil em nome do CNP3 12.678.989/000176. Contribuinte Fiscalizado, através de seu responsável Legal, concordou com a informações citadas nos termos Fiscais. Lembramos ainda que, de acordo com o § 4 do art. 585 do RIPI/2010 (Decreto Lei nº 1.593, de 1977, art. 33, § 3°, e Lei nº 10.637, de 2002, art. 52), que discrimina as penalidades para as irregularidades pertinentes ao selo de controle, é considerado irregular a totalidade selos contidos no lote onde os selos irregulares foram encontrados. Portanto, conforme já exposto e comprovado nos autos, em harmonia com os livros e documentos apresentados pelo Contribuinte, foram recebidos irregularmente no Estabelecimento Bebidas Florete Ltda 830.357 selos de terceiro soltos”. (g. m.) EXCESSO DE SELOS NO ESTOQUE FÍSICO: SAÍDA DE PRODUTOS SEM SELO E MULTA REGULAMENTAR Do relatório fiscal: “Esclarecemos que, apesar de ser comprovado – conforme análise do Livro de Inventário e outros documentos do Contribuinte – que foram recebidos irregularmente por Bebidas Florete Ltda em data anterior a 03/06/2011, no Estabelecimento, 830.357 selos de terceiro soltos (Conforme já demonstrado no item “VII” deste Relatório Fiscal), a escrituração do Contribuinte no Livro de Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle dessa empresa constou como entrada irregular apenas Fl. 3157DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 25 16 830.321 unidades. Por isso, essa foi a quantidade glosada naquele livro para fins de se calcular o correto saldo escriturado referente à data de 31/10/2011, para posterior apuração da diferença no estoque físico de selo. Conforme pode ser constatado no livro de Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle autenticado na JUCESC (Vide cópia juntada no processo administrativo fiscal – item seqüencial “14b”), o Contribuinte, após regularizar sua situação pertinente ao Registro Especial de Bebidas e adquirir pela primeira vez, em 03/06/2011, selos diretamente na RFB, ele registrou em seu livro, para a referida data, para cada tipo/cor de selo, baixa correspondente ao saldo de selos de terceiros que haviam sido adquiridos por Bebidas Florete Ltda irregularmente (Tais selos são os mencionados em sua correspondência de 27/10/2011, já mencionada neste Relatório e juntada no Processo). Considerando que no dia em que foi iniciada a auditoria no Contribuinte, em 31/10/2011, foram encontrados mais alguns selos de terceiros naquele estabelecimento, além dos selos apresentados inicialmente para devolução/apreensão (Vide no processo administrativo fiscal os diversos termos de apreensão, liberação e/ou constatação, que foram juntados, bem como os resumos citados pelo Fisco em termos de Intimação fiscal), o Contribuinte registrou baixa complementar referente à data de 31/10/2011 em seu livro de selo. As baixas pertinentes a tais selos de terceiro ainda em sua posse (e apreendidos pelo Fisco) foram registradas pelo Contribuinte na coluna de saída do seu Livro autenticado referente a “Entrada e Saída do Selo de Controle” são as seguintes:” No demonstrativo às fls. 86 e 87, a baixa registrada no livro de selos pela FLORETE: 244.072 unidades. “O Fisco, ao recalcular o saldo escritural, efetuando glosa dos registros de entrada de selo que foram consideradas irregulares (830.321 unidades, conforme já esclarecido neste Relatório Fiscal), levou em conta também os registros de saídas nesse livro a título de baixas efetuadas pelo Contribuinte pertinente a selos de terceiros (Conforme tabela acima apresentada: 244.072 unidades), de forma a ter um resultado correto, sem efetuar dupla redução. Portanto, para se obter o saldo escritural ajustado referente à data de 31/10/2011, a quantidade do saldo informado pelo Contribuinte em seu livro autenticado pela Jucesc, referente a cada tipo/cor de selo, teve uma redução igual à diferença entre a glosa fiscal das entradas irregulares registradas e a quantidade já baixada pelo Contribuinte. Veja o demonstrativo desse cálculo na tabela abaixo:” Cálculo do saldo final ajustado no livro de entrada e saída do selo de controle referente a 31/10/2011 ( 58.152 unidades), de acordo com o demonstrativo à fl. 88. Fl. 3158DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 26 17 “Os saldos negativos em cada tipo cor de selo significam que saíram mais produtos (com emissão de notafiscal) do que a quantidade de selos regularmente entrada no estabelecimento, ou seja, as diferenças negativas significam que a quantidade ali apurada referese a produtos saídos do Estabelecimento com emissão de notafiscal mas sem a aplicação de selo (ou com aplicação de selo de terceiro, que, nos termos da legislação aplicável, é considerado também como produto sem selo). A somatória total , considerando todos os tipos/selos de controle, resulta num resultado negativo de 58.152 unidades. Porém, cada tipo/cor de selo deve ser considerado separadamente. Por oportuno, informamos constatação fiscal de que o Contribuinte, ao elaborar o novo livro de Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle para fins de encaminhálo à JUCESC para autenticar, cometeu falhas – omissões referentes a algumas entradas referentes a devoluções recebidas. Ou seja, esqueceu de informar ali dados referentes a entrada de selos decorrentes de “Devoluções de Vendas de produção do estabelecimento”, código 2201, as quais haviam sido mencionadas adequadamente nas folhas/cópias contendo Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle (rubricadas) apresentadas ao Fisco em 31/10/2011, antes de o Contribuinte refazer e complementar os Registros do livro para fins de autenticação na JUCESC. Porém, apesar de não ficarem registradas no referido livro autenticado pela JUCESC os dados referentes a entradas decorrentes de recebimento de produtos/selos devolvidos, constatouse que a quantidade dessas entradas em devolução foram consideradas de forma implícita pelo Contribuinte nesse livro autenticado quando calculou e informou o saldo inicial de cada mês seguinte ao mês em que ocorreram as entradas a título de devolução. A título de exemplo, citamos que o livro autenticado não informa os 24 selos do tipo/cor “Aguardente – Laranja” que entraram no estabelecimento em 07/04/2011 (nota fiscal no 7.577, série 1, corresponde ao emitente ALM – COM. DE ALIM. E HORTIFRUTI GRANJ. LTDA, CNPJ 10.875.026/000137), sendo que o saldo final do mês de abril/2011 informado naquele livro foi 114.356 selos, não considerando aí as devoluções ocorridas. Entretanto, constatase que o saldo inicial do mês seguinte – isto é, maio/2011 – a quantidade ali informada foi 114.380, que é diferente do saldo final do mês anterior. Ou seja, embora não registrada explicitamente a quantidade de selos recebidos em devolução no mês de abril/2011, nem consideradas pelo Contribuinte no cálculo do saldo final desse mês, a referida entrada por devolução foi considerada (implicitamente) no cálculo e informação do saldo inicial do mês de maio/2011. Pois, 114.356 (saldo final de abril/2011 lá Fl. 3159DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 27 18 informado) acrescido de 24 (selos recebidos em devolução, embora não discriminados) resultam exatamente a quantidade de 114.380, que foi a informada no livro como sendo o saldo inicial de maio/2011. Diante disso, apesar do equívoco/falha do Contribuinte ao refazer o Livro de Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle, não houve prejuízo para fins de apuração do saldo final em 31/10/2011 de cada tipo/cor de selo. Pois, nesse saldo final em 31/10/2011 informado pelo Contribuinte no livro autenticado também está considerando adequadamente no seu cálculo a quantidade referente a devoluções ocorridas. Por isso, constatamos que o saldo final de 31/10/2011 mencionado no livro autenticado para cada tipo/cor de selo não foi prejudicada em decorrência da referida omissão e, atendendose o disposto no art. 299 do RIPI/2010 (Decreto no 7.212, de 15/06/2010), foram consideradas como entrada regular as devoluções recebidas de produtos (mencionadas no livro não autenticado apresentado anteriormente ao Fisco, ainda que não citados no novo livro autenticado pela JUCESC). Assim, sendo, nos cálculos pelo Fisco para fins de apuração do saldo ajustado do Livro de Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle, partiuse do saldo escritural de 31/10/2011 informado naquele livro autenticado e efetuandose glosa fiscal em relação a algumas entradas irregulares de selos soltos (não aplicados) adquiridos de terceiros (adquiridos de outra empresa) e ajustes necessários para se obter ao final o saldo escritural ajustado. A auditoria de estoque de selos consiste na comparação do saldo escritural com o estoque físico de selos, apurandose, dessa forma, a diferença existente para cada tipo/cor de selo. A quantidade de selo existente Estoque físico menos a quantidade do saldo escriturai resulta na diferença total de selo. O estoque físico de selo consta no termo de Constatação lavrado em 31/03/2011 (TC04) acrescido de outros selos regularmente adquiridos, conforme constatação feita posteriormente, tendo em vista que alguns dos produtos selados que haviam sido apreendidos em 31/10/2011 para verificação, foram considerados, após análise, como possuindo selagem regular e liberados (Termo de Liberação TL01, de 21/06/2012). Vide no Termo de Intimação Fiscal no 348, de 10/08/2012, resumo dos “SELOS (SOLTOS + APLICADOS) CUJA POSSE, EM 31/10/2011 ESTAVA REGULAR”. Naquele Termo é esclarecido com detalhes quais, dentre os selos apreendidos para verificação, foram considerados irregulares e quais os considerados regulares. O total de selos, cuja posse estava regular, conforme tabela citada no referido TIF no 348, abaixo transcrita, foi de 430.346 unidades:” Fl. 3160DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 28 19 Demonstrativo às fls. 90 e 91. “Ao fazermos a comparação entre o estoque físico de selo regular encontrado no Estabelecimento em 31/10/2011 com o saldo escritural ajustado referente à mesma data, encontramos um excesso no estoque físico de selo, considerando a totalidade dos tipos e cores de selo, igual a 488.498 unidades”. Demonstrativo à fl. 91. “A conta referente ao total da diferença no estoque de selos é a seguinte: 430.346 – ()158.152 = 430.346 + 58.152 = 488.498 Ou seja, houve um excesso no estoque físico, comparativamente ao saldo escritural ajustado num total de 488.498 unidades, que, nos termos da legislação aplicável, caracteriza saída de produtos sem selo, implicando na necessidade do lançamento de ofício do IPI, bem como na aplicação da multa regulamentar correspondente à falta de selo no produto que saiu sem o selo (vide artigos 300, inciso II, e 301, do RIPI/2010): 'Art. 300. Apuradas diferenças no estoque do selo, caracterizam se, nas quantidades correspondentes: (...) II o excesso, como saída de produtos sem aplicação do selo (Lei nº 4.502. de 1964. art. 46, § 3º. Alínea “b”, e DecretoLei nº 34, de 1966, art 2º, alteração 12ª). Art. 301. Nas hipóteses previstas no art. 300, será cobrado o imposto sobre as diferenças apuradas, sem prejuízo das sanções e outros encargos exigíveis (Lei n” 4.502 de 1964. art. 46. § 4°. E DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2°, alteração 12ª). Parágrafo único. No caso de produto de diferentes preços, desde que não seja possível identificar o preço do produto, o imposto será calculado com base no de valor mais elevado (Lei n° 4.502. de 1964. art. 46 § 4º. E DecretoLei nº 34, de 1966. art. 2º, alteração 12ª).' Porém, cada tipo/cor de selo é usado em diversos produtos e, a princípio, qualquer desses produtos poderiam ter saído sem o selo, não sendo possível precisar qual deles exatamente foi o produto que saiu sem o selo. Diante dessa situação, e de acordo com a legislação aplicável, devese adotar como produto saído, para fins de cálculo do IPI e da multa regulamentar a serem lançados de ofício, o produto de maior valor entre os diversos cabíveis a cada tipo/cor de selo”. Considerando os diversos tipos/cores de selos de controle e o preço médio para cada produto calculado no período de 01/04/2011 a 31/04/2011 (conforme já referido alhures), foi elaborada a planilha às fls. 94 e 95 com os valores para apuração do imposto devido (não lançado em virtude do excesso de selo no estoque) e da multa regulamentar. Fl. 3161DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 29 20 No demonstrativo às fls. 96 e 97 consta a apuração do IPI devido (R$ 135.712,76) e da multa regulamentar (R$ 1.463.319,76). QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO E REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS A reiteração da conduta não é explicada por mero erro e caracteriza o dolo. A sonegação e a fraude são circunstâncias qualificativas previstas na legislação e foram observadas na conduta do sujeito passivo no tocante a todas as infrações relatadas. Portanto, a multa de ofício aplicável, no caso, é a de 150% (duplicação da multa básica). Transcrição parcial do relatório fiscal: “Considerando que o primeiro ADE concedendo enquadramento para o Estabelecimento inscrito no CNPJ sob o nº 12.678.989/000176 foi emitido pela DRF/JOA sob o n° 70, de 2011, com efeitos apenas a partir de 16/07/2011, o IPI calculado e destacado nas notas fiscais referentes à comercialização de seus produtos antes da referida data deveria ter sido feito utilizando o enquadramento provisório, conforme previsto no § 8° do art. 210 do Regulamento do IPI (Decreto 7.212, de 15/06/2010). Porém, essa Fiscalização constatou que o Contribuinte mencionado utilizou em suas operações, desde 1/4/2011, um enquadramento de valor menor que o estabelecido na legislação, destacando em suas notasfiscais de saída IPI menor que o devido. Analisandose os fatos descritos por esta Fiscalização em linhas anteriores, podese concluir que o Contribuinte de CNPJ n° 12.679.101/000110 (Bebidas Florete Ltda) reiteradamente, por mais de um período mensal de apuração, calculou o IPI referente a seus produtos de forma contrária ao determinado na legislação tributária, utilizando enquadramento em classe incorreta, e lançando/destacando IPI também em valor inferior ao que seria devido, ou seja, Contribuinte inseriu informação incorreta em documentos fiscais, reduzindo indevidamente o valor do imposto. (...) Contribuinte também apresentou a este Fisco arquivo em meio magnético no formato do Sistema SINTEGRA, contendo dados das notas fiscais, o que possibilitou uma análise mais facilitada dos dados das notasfiscais, possibilitou uma análise eletrônica. Utilizando o sistema da RFB denominado CONTÁGIL, acessamos os dados do referido arquivo e constatamos que os valores totais mensais referentes às saídas daquele arquivo são semelhantes aos valores totais mensais informadas no Livro de “Registro de Saídas” acima. Por isso, consideramos cabível utilizar os dados desse arquivo referente ao SINTEGRA para os cálculos deste Fisco, cujo resultado foi apresentado em planilhas que estão sendo entregues ao Contribuinte em anexo a este Relatório. Fl. 3162DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 30 21 Constatamos, portanto, na análise fiscal, que os valores de IPI das notasfiscais de saída (com valor menor que o devido) do Contribuinte foram informados no Livro de “Registro de Saídas”, cujo totais mensais (contendo a referida irregularidade no valor do IPI) foram transferidos para o Livro de “Registro e Apuração do IPI” (LRAIPI) do Contribuinte, conforme transcrevemos abaixo:” Planilha à fl. 108. “Os valores mensais acima contidas no Livro de Registro e Apuração do IPI estão iguais aos totais mensais obtidos nos livros “Registro de Entradas” e “Registro de Saídas”. Os três livros foram apresentados a este Fisco em cópias impressas, assinadas pelo Contador e Responsável legal, e juntadas ao processo. Os saldos devedores mensais contidos no livro “Registro e Apuração do IPI” ficaram, portanto, com valores menores que os devidos Por sua vez, sendo constatado que o saldo apurado de IPI foi exatamente o informado em DCTF pelo Contribuinte (Vide tabela de cálculo apresentadas atrás), concluise que o valor declarado está também a menor que o devido (Veja no processo administrativo fiscal um extrato do sistema DCTF, contendo débitos apurados de IPI declarados pelo Contribuinte Fiscalizado). Esse comportamento reiterado do Contribuinte, conforme descrito acima, com destaque de IPI nas notas fiscais menor que o devido, assim como escrituração também incorreta nos livros fiscais, evidencia, em tese, a determinação da empresa, através de seus representantes, de reduzir indevidamente o montante de IPI recolhido. Não há como imaginar que se trataram de meros erros cometidos no preenchimento das notasfiscais ou na escrituração contábil/fiscal. O estabelecimento informou, sem amparo legal ou judicial, nas notas fiscais de saída, o IPI em valor menor que o corretamente devido, bem como transferiu para os livros de “Registro de Saídas” e “Registro de Apuração do IPI” valores mensais menores que o devido, gerando saldo devedor a menor. Essa conduta pode ser considerada, em tese, fraude, mencionada no art. 72 da Lei n° 4.502. de 1964. O Fato do Contribuinte informar à RFB mediante DCTF valores de IPI menores que o devido, pode ser considerada, em tese, sonegação, mencionada no art. 71 da Lei no 4.502. de 1964”. Presente, em tese, crime contra a ordem tributária, foi formalizada representação fiscal para fins penais (processo nº 10925.722627/201370). SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Por força do CTN, arts. 124 e 135, foi lavrado termo de sujeição passiva solidária em relação ao sócio Gilmar Natalino de Costa, CPF nº 435.232.77000, único com função de administração da sociedade empresária em questão. Fl. 3163DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 31 22 Do relatório fiscal, excerto de interesse: “O Código Tributário Nacional, em seu art. 124, fala também sobre a solidariedade e menciona quem são obrigados solidariamente. Vejamos: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Nota: como exemplo de pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (solidariedade de fato): 3 pessoas coproprietárias de um imóvel, em relação ao IPTU. II – as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” O mesmo Código ainda prescreve: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I – os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II – os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III – os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes: IV – o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V – o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI – os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII – os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artiao anterior: Fl. 3164DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 32 23 II – os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Em análise do art. 134, percebese que o administrador de uma empresa é um administrador de bens de terceiro, tendo em vista que a pessoa física do Administrador, mesmo quando ele é um sócio da Pessoa jurídica, ele é uma pessoa distinta da empresa, não devendo fazer confusão ou identificação entre a Pessoa Jurídica administrada e a Pessoa Física do Administrador. E nessa situação, poderia ocorrer uma responsabilização subsidiária do Administrador, o qual passaria a responder solidariamente com a Pessoa Jurídica, no caso de ficar impossível a exigência da Pessoa Jurídica o cumprimento da obrigação principal. Entretanto, no caso do Sr. Gilmar Natalino de Costa, poderia ainda ser feita a capitulação da responsabilidade/solidariedade no art. 135 do CTN, pois, além de ser Administrador de bens de terceiro (art. 135, I, considerando o inciso III do art. 134), também ele pode ser considerado o Diretor/gerente/Representante de uma Pessoa Jurídica de direito privado, pois, inclusive, conforme determinado no Contrato Social, foi denominado Diretor (Art. 135, III), e, nessa condição, tendo o poder de mando, praticou/permitiu atos de infração de lei, ou seja, praticou/permitiu as infrações já mencionadas neste Relatório Fiscal as quais geraram os Autos de Infração lavrados. E, estando, portanto, a figura do sócioadministrador contemplado na designação da lei, nos termos do art. 135, aplicase a tal situação também o art. 124, inciso II e seu parágrafo único, não comportando benefício de ordem. Não bastasse as capitulações acima, em decorrência de o Sr. Gilmar Natalino de Costa ser um Administrador/Diretor, temos que levar em conta ainda que o ele não é um simples Administrador/Diretor, ele é ao mesmo tempo um sócio, e, portanto, nessa condição de sócioadministrador, tinha interesse comum e também o poder de mandar na empresa autuada Bebidas Florete Ltda. E, assim sendo, qualquer benefício ou vantagem decorrente das ilicitudes praticadas na empresa seriam também a seu favor, inclusive, o maior beneficiado dentre os sócios, pois era e é o que possuiu a quantidade maior de quotas em relação aos demais sócios, conforme se constata no Contrato Social e em suas alterações e no extrato do sistema Radar, anexados ao processo administrativo fiscal. Assim sendo, concluise que é cabível aplicar ao Sr. Gilmar Natalino de Costa. CPF n° 435.232.77000, a responsabilidade solidária correspondente ao art. 124, inciso I, bem como o art. 124, II, não lhe cabendo o benefício de ordem, parágrafo único do art. 124, além da responsabilidade decorrente do art. 135, todos do CTN, e, por conseqüência, a referida pessoa física fica solidariamente obrigada ao pagamento dos créditos tributários Fl. 3165DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 33 24 lavrados nos autos de infração contidos no processo administrativo fiscal n° 10925.722626/2014325. Ainda que tenha sido citado no Termo de Sujeição Passiva Solidária, referente ao Sr. Gilmar Natalino de Costa, os artigos 124 e 135 do CTN, esclarecemos que cada um desses artigos – isoladamente – ampara a aplicação da Sujeição Passiva Solidária ao SócioAdministrador. Ou seja, foi citado no referido Termo mais de um motivo (ou dispositivo legal) para amparar a sujeição passiva solidária, mas ressaltamos que cada dispositivo legal (art. 124 ou o art. 135 do CTN),. ainda que aplicado isoladamente, seria suficiente para amparar a referida sujeição passiva solidária, pelo que bastaria, portanto, por exemplo, considerar apenas o art. 124 (e mais especificamente o seu inciso I, considerando o interesse comum existente) para fins de embasar o Termo de Sujeição Passiva para o Sócio Administrador”. ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS Finalmente, com supedâneo na Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, arts. 64 e 64A, e na IN RFB nº 1.171, de 7 de julho de 2011, art. 6º (crédito tributário maior que 30% do patrimônio conhecido e superior a R$ 2.000.000,00), foram formalizados processos de arrolamento de bens da pessoa jurídica (processo nº 10925.722629/201369) e da pessoas física (sócioadministrador da empresa) e respectivo cônjuge (processo nº 10925.722650/201364). CIÊNCIA E IMPUGNAÇÃO A empresa tomou ciência da exação em 07/01/2014, por intermédio do representante legal (diretor). Em 06/02/2014, insubmissa, a contribuinte apresentou a impugnação às fls. 1.803/1.912, subscrita pelos patronos da pessoa jurídica qualificados nas procurações às fls. 1.922/2.116, em que resume os pontos principais da autuação, faz alusão a outros processos administrativos fiscais sobre a mesma matéria e aduz, as seguintes razões de defesa acerca da imposição fiscal em tela, conforme resumo elaborado pela própria impugnante: “a) Indevida desconsideração dos efeitos da cisão/incorporação – as alegações do Fisco são teratológicas e negam o óbvio: o estabelecimento industrial (situado à Av. Mar. Castelo Branco) sempre foi o mesmo, tendo apenas transposto a INCORPORADORA (CNPJ nº 12.679.101/00010). Com a operação societária, a “Bebidas Florete Ltda.” sucedeu o estabelecimento fabril em todos os direitos e obrigações (estoques, bens, produtos, funcionários, inclusive nos registros, enquadramentos de produtos e selos de controle de bebidas). A alteração do registro perante o CNPJ é requisito cadastral irrelevante à solução da presente contenda, pois a inscrição serve como mero número identificador de cadastro, que não confere personalidade jurídica a uma entidade e não tem o condão de criar ou modificar relações jurídicas (arts. 985 e 1.142 do CC/2002, Consulta Fiscal da RFB n° 225/2012, AC n° 2006.83.00.0026908 do TRF da 5ª e Resp n° 242.721/SC, no STJ). Pelo que, as condutas da empresa autuante não se Fl. 3166DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 34 25 amoldam aos tipos infracionais elencados pela Administração Fazendária: c) Inocorrência da Infração 0002 (Auto de Infração de IPI): a autoridade fiscalizadora entende que equivale à venda de produtos sem selo a saída de produto utilizando selagem “adquirida de terceiros”. Todavia, não houve na hipótese vertente “posse, recebimento ou aquisição de selos de controle de terceiro”, mas, face à incorporação, utilização pelo estabelecimento de seus próprios selos (bens corpóreos) legítimos (procedimento respaldado pela legislação de regência). O estabelecimento produtor fiscalizado (situado à Av. Mar. Castelo Branco) sempre foi o titular e o detentor de legitimidade para possuir e utilizar os selos, mesmo em face dos efeitos da cisão. Pelo que, com fulcro nos selos referidos e nas notas fiscais emitidas, todo valor devido a título de IPI foi devida e tempestivamente pago pela empresa Impugnante. Inclusive, após o procedimento de cisão/incorporação, a Impugnante espontaneamente devolveu à Receita Federal do Brasil o montante de Selos de Controle soltos que havia sucedido na incorporação do estabelecimento industrial da Av. Mar. Castelo Branco e não havia aplicado em produtos (sucedidos ou produzidos no instante seguinte à cisão), circunstância que denota a boafé da empresa; II. Inocorrência da Infração 0001 (Auto de Infração de IPI): o Auditor Autuante desconsiderou indevidamente o enquadramento concedido aos produtos do estabelecimento sucedido (Av. Marechal Castelo Branco), para fins de tributação do IPI. O pedido de enquadramento, nos moldes do art. 210, § 8° do Regulamento do IPI (Dec. N° 7.212/2010), deve ser formulado (e endereçado ao Ministério da Fazenda) sempre que houver a confecção de novos produtos, nunca antes objeto dessa classificação. Enquanto o Ministro da Fazenda não expedir Ato Declaratório determinando a pertinente categorização, a tributação do IPI deve se dar segundo o “enquadramento provisório” do art. 209 do Decreto n° 7.212/2010, calculado segundo a maior classe de valores. Não é o caso dos autos: com o procedimento de cisão/incorporação não houve modificação do estabelecimento industrial e dos produtos fabricados, que já estavam devidamente enquadrados em suas respectivas classes (tanto é que com a superveniência do Ato Declaratório o número de cadastro do estabelecimento fabril e a classe dos produtos comercializados permaneceram inalterados). No caso, bastava simples alteração cadastral, desnecessário novo pedido. O novo pedido foi feito por indução da própria Autoridade Fiscal b) Indevida conclusão de “excesso no estoque físico de selos”, representado pelos selos adquiridos pela Bebidas Florete Ltda. com o Registro Especial que identificava o estabelecimento da Av. Mar. Castelo Branco como a ela vinculado (CNPJ n° 12.679.101/000110), concedido à Impugnante em junho/2011 (ADE n° 62/2011). Além de glosar aqueles supostamente recebidos de terceiros (sucedidos integralmente pela Impugnante com a incorporação), incluiu no cálculo para apuração de Fl. 3167DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 35 26 eventual “excesso de estoque” aqueles que reputou explicitamente como aquisição legal e correta. Esses últimos selos referiamse a vendas futuras, que aguardavam o engarrafamento das respectivas bebidas. c) Indevida cobrança de valores que não compõem a base de cálculo do IPI, como é o caso das bonificações (que não contribuem para a formação do preço da operação); d) Erro na apuração do imposto supostamente devido e nulidade do lançamento: mesmo que houvesse algum valor a título de IPI a ser exigido da Impugnante, não merece prosperar o lançamento fiscal na forma como se apresenta, ante a ausência de aplicação da redução prevista no art. 210, § 3° do Decreto n° 7.212/2010 (RIPI/2010) e no art. 9°, I e II da IN/RFB nº 866/2008 para as aguardentes de cana e vinhos comuns; e) Dúplice apenamento da mesma “infração”: o Auditor Fiscal penaliza duas vezes a Impugnante pela conjecturada prática da seguinte infração: efetuar “saída de bebidas sem estarem seladas, caracterizadas por excesso verificado no estoque físico de selos de controle” (Infração 0002 do Auto de IPI e Infração 0001 do Auto de Outras Multas Administradas pela RFB). f) Inexigibilidade das multas qualificadas e violação à vedação do confisco: além de aplicar penalidade qualificada (150%) sem que se comprovasse, no caso concreto, a ocorrência das infrações e das situações qualificadoras (atos fraudulentos, de sonegação ou falsificação documental), a autoridade fazendária exige multas aviltantes e confiscatórias, aplicadas justamente com o propósito de suplantar o patrimônio da empresa e atingir a esfera patrimonial dos sócios. O ultraje e a desproporção fazendárias são evidentes: mais de 76% da importância integral da exigência fiscal (R$ 4.515.636,36) corresponde às multas impostas, que totalizam o montante de R$ 3.526.509,58. g) Improcedência da responsabilidade tributária solidária automática e imotivadamente imputada ao sócio diretor da empresa Impugnante, Sr. Gilmar Natalino Nery De Costa: primeiramente, é preciso ter em mente que o art. 135 do CTN é inaplicável às exigências de multas punitivas, que não se transferem a terceiros por solidariedade, sendo exigível tão somente do sujeito ativo do ato infracional. De todo modo, o Fiscal não comprovou (porque de fato não ocorreram) quaisquer atos praticados dolosamente pelo sócio administrador em excesso de poder, infração à lei ou ao contrato social que pudesse ensejar sua responsabilização (pelo suposto imposto calculado) nos termos do art. 135 do CTN. Ademais, o STJ e o STF possuem entendimento consolidado no sentido de que a responsabilidade do art. 135 do CTN é subsidiária, pessoal e indireta: requer estrito enquadramento ao tipo legal (Rext/STF n° 562.276/PR, Súmula/STJ n° 430, Repetitivo/STJ n° 1.101.728/SP, Embargos de Divergência no Resp n° 174.532/PR)”. Fl. 3168DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 36 27 Por derradeiro, requerem os impugnantes que a impugnação seja julgada procedente, com o cancelamento do auto de infração, em face da argumentação aduzida; que seja anulado e extinto o Termo de Sujeição Passiva Solidária; e que, em prol dos princípios da ampla defesa, efetividade e economia processual, quaisquer intimações sejam lavradas em nome do subscritor da impugnação, mandatário do sujeito passivo, por via postal ou pessoalmente, no endereço constante do mandato." A impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário lançado foi integralmente mantido. O Acórdão n° 1452.519, de 30 de julho de 2014, foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2011 a 31/07/2011, 01/10/2011 a 31/10/2011 SUCESSÃO EMPRESARIAL. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DE ESTABELECIMENTOS. REGISTRO ESPECIAL. ENQUADRAMENTO EM CLASSES DE VALORES. SELOS DE CONTROLE ADQUIRIDOS DIRETAMENTE DA RFB. Se houver sucessão empresarial, como cisão e incorporação, com alteração de número de inscrição de CNPJ, ainda que o endereço continue o mesmo, é o caso de estabelecimentos distintos, nos termos do princípio da autonomia de estabelecimentos; o estabelecimento sucessor deve providenciar a inscrição no registro especial para atividade de industrialização de bebidas alcoólicas, o enquadramento correto nas classes de valores previstas na legislação, sendo os produtos também sujeitos a selos de controle próprios, ou seja, adquiridos diretamente da repartição fiscal de jurisdição. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. BEBIDAS ALCOÓLICAS. ENQUADRAMENTO DE CLASSE DE VALORES INCORRETO. Cobrase o imposto devido se o sujeito passivo deixar de aplicar enquadramento provisório de classes de valores nas saídas de bebidas do estabelecimento industrial, antes ou depois da concessão de registro especial específico. MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS. DOLO. Infligese a penalidade pecuniária duplicada (150%) em relação ao patamar básico, presentes uma ou mais circunstâncias qualificativas previstas na legislação, como a sonegação e a fraude, indicadoras da existência de dolo na atuação do sujeito passivo. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. SELOS DE CONTROLE. EXCESSO NO ESTOQUE FÍSICO. SAÍDAS DE BEBIDAS ALCOÓLICAS SEM SELO. SAÍDAS À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO FISCAL. Fl. 3169DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 37 28 Cobrase o imposto não lançado nas saídas de bebidas alcoólicas sem selo de controle, decorrente do excesso de selos na aferição do respectivo estoque físico, o que corresponde à saída de produtos sem a emissão de notas fiscais. MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS. DOLO. EXCESSO NO ESTOQUE FÍSICO DE SELOS DE CONTROLE PRÓPRIOS. Das saídas de bebidas alcoólicas sem selo de controle e sem a emissão de notas fiscais, em virtude do excesso de selos de controle próprios (adquiridos regularmente na repartição fiscal) no respectivo estoque físico auditado, decorre a inflição da penalidade pecuniária duplicada (150%) em relação ao patamar básico, presentes uma ou mais circunstâncias qualificativas previstas na legislação, como a sonegação e a fraude, indicadoras da existência de dolo na atuação do sujeito passivo. MULTA REGULAMENTAR. POSSE DE SELOS DE CONTROLE ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. EXCESSO DE SELOS DE CONTROLE PRÓPRIOS NO ESTOQUE FÍSICO AUDITADO. É infligida a multa regulamentar, consoante cominação legal, se o sujeito passivo for pilhado na posse de selos de controle de terceiros e se for constatado, em determinada data, o excesso na auditoria do estoque físico de selos de controle próprios, ou seja, adquiridos regularmente pelo sujeito passivo. CUMULAÇÃO DE PENAS. PREVISÃO LEGAL. Sendo infrações distintas, há previsão legal para a imposição concomitante de duas sanções pelos atos ilícitos tributários, no caso, a multa de ofício e a multa regulamentar. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2011 a 31/07/2011, 01/10/2011 a 31/10/2011 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. A vedação ao confisco pela Constituição Federal, assim como a necessidade de observância dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu, sendo o princípio da estrita legalidade o paradigma de atuação no âmbito da Administração Tributária. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PRESENÇA DE INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO FÁTICA. PRÁTICA DE INFRAÇÃO DE LEI. Há sujeição passiva solidária se estiver configurado que as pessoas, jurídica e física, no caso, possuam interesse comum na situação que consubstancie o fato gerador da obrigação Fl. 3170DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 38 29 tributária principal; além disso, sendo a pessoa física sócio administrador da empresa, que esta tenha praticado infração de lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2011 a 31/07/2011, 01/10/2011 a 31/10/2011 INTIMAÇÕES. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. As intimações, para ciência, devem ser encaminhadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte e o responsável solidário, em peça única, interpuseram recurso voluntário, em que, basicamente, repetem os argumentos contidos na impugnação, os quais foram sumariados pelo relator da decisão de primeira instância e acima transcritos. Adicionalmente, carrearam aos autos documento, por meio do qual noticiam que a 3° Turma Ordinária, da 4° Câmara, da 3° Seção, em sessão do dia 29 de janeiro de 2015, proferiu o Acórdão n° 3403003.534, em processo que, em seu entender, tem teor idêntico ao presente, dando provimento parcial ao recurso voluntário. Citada contenda envolveu a empresa Vinhos Duelo Ltda., que vem a ser uma das pessoas jurídicas constituídas com versão de patrimônio da Vinhos Duelo Ltda. (após o evento, alterou sua razão social para Bebidas Duelo Ltda.). É o relatório. Fl. 3171DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 39 30 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Foi lavrado auto de infração para a cobrança de (fl. 2): R$ 821.237,48, de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 169.889,30, de juros de mora, R$ 1.231.856,22, de multa de ofício qualificada (150%), e de R$ 2.294.653,36, de multa regulamentar, totalizando R$ 4.515.636,36. Foram identificadas as seguintes infrações (fls. 9 a 16): i) Incorreção no enquadramento fiscal de bebidas, nos meses de abril a julho e outubro de 2011, que gerou insuficiência de pagamento de IPI. ii) Posse ou emprego irregular de selos de controle, o que acarretou na aplicação da multa regulamentar prevista no inciso I do art. 585 do Decreto n° 7.212/2010. iii) Saídas de bebidas sem a aplicação de selos de controle, e, conseqüentemente, sem lançamento do imposto, em razão de excesso no estoque físico de selos de controle verificado em 31 de outubro de 2011. Esta infração é punida com a multa regulamentar prevista no inciso II do art. 585 do RIPI/2010. Foi atribuída responsabilidade solidária ao Sr. Gilmar Natalino de Costa. Com base na Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, artigos. 64 e 64A, e na IN RFB nº 1.171, de 7 de julho de 2011, art. 6º (crédito tributário maior que 30% do patrimônio conhecido e superior a R$ 2.000.000,00), foram formalizados processos de arrolamento de bens da pessoa jurídica (processo nº 10925.722629/201369) e da pessoas física (sócioadministrador da empresa) e respectivo cônjuge (processo nº 10925.722650/201364). No relatório, foi apresentado extenso e detalhado relato sobre os fatos e fundamentos que levaram à autuação, bem como as alegações aduzidas pela Recorrente na impugnação, basicamente as mesmas da peça recursal. Em linhas gerais, a autuação é decorrente do fato de o Fisco ter entendido que a sucessão de direitos e deveres, prevista nas legislações societária e civil, não dá amparo à transferência: a) do estoque de selos de controle de IPI existentes no estabelecimento incorporado pela Recorrente, na data do evento; b) do Registro Especial para aquisição de selos; e c) do registro concernente ao enquadramento das bebidas para fins de IPI. Fazse mister, portanto, em primeiro lugar, analisarmos os conceitos jurídicos de cisão, incorporação e sucessão de direitos e obrigações (âmbito societário) e algumas implicações legais, notadamente no campo tributário. Fl. 3172DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 40 31 I) CISÃO, COM VERSÃO DE PATRIMÔNIO EM OUTRA PESSOA JURÍDICA SUCESSÃO UNIVERSAL Até 28/03/2011, a empresa Vinhos Duelo Ltda. possuía três estabelecimentos: Matriz (Av. Marechal Castelo Branco, Centro, Pinheiro Preto/SC), Filial 1 (Linha Santo Isidro, Interior, Pinheiro Preto/SC) e Filia 2 (Rodovia Mário Covas, n° 112, Coqueiros, Belém/PA). Naquela data, a Vinhos Duelo Ltda. foi cindida. Continuou operando no estabelecimento em que situavase a Filial 2, sob nova razão social, Bebidas Duelo Ltda.. Os acervos da Matriz e Filial 1, neles compreendidos os bens corpóreos e incorpóreos (ex: estoque de bebidas e selos soltos, imóvel, máquinas e equipamentos, registros em órgãos públicos, marcas, fundo de comércio etc.) foram vertidos, respectivamente, em duas empresas preexistentes: a Bebidas Florete Ltda. (Recorrente) e a Vinhos Duelo do Sul Ltda.. Tais alterações encontramse nos atos societários que suportam as operações, notadamente nos itens 14.02 e 15 do "Protocolo de Intenção da Cisão Parcial da Empresa Vinhos Duelo Ltda. e de Absorção do Patrimônio Cindido" (fls. 2.050 e 2.051): (. . .) (. . .)" Destaquese que os atos societários foram registrados na JUCESC, em 28/03/2011 (fls. 1.409 e 1.411 e 1.412), produzindo efeitos contra terceiros, nos termos do inciso I do art. 1° da Lei n° 8.934/1994 (Lei dos Registros Públicos) e art. 1.154 da Lei n° 10.406/2002 (Código Civil). Foram também efetuadas as devidas alterações no cadastro da RFB (CNPJ), com a concessão de novo registro para o estabelecimento. Fl. 3173DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 41 32 Os efeitos societários e patrimoniais da cisão, com incorporação de patrimônio em sociedade preexistente, estão previstos nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/1976 e 1.116 da Lei n° 10.406/2002 (Código Civil). Lei n° 6.404/1976 Cisão Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. § 1º Sem prejuízo do disposto no artigo 233, a sociedade que absorver parcela do patrimônio da companhia cindida sucede a esta nos direitos e obrigações relacionados no ato da cisão; no caso de cisão com extinção, as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da companhia cindida sucederão a esta, na proporção dos patrimônios líquidos transferidos, nos direitos e obrigações não relacionados. (. . .) § 3º A cisão com versão de parcela de patrimônio em sociedade já existente obedecerá às disposições sobre incorporação (artigo 227). (. . .)" "Incorporação Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. (. . .) Código Civil "Art. 1.116. Na incorporação, uma ou várias sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, devendo todas aprovála, na forma estabelecida para os respectivos tipos." (g.n.)" Segundo a Professora Maria Helena Diniz (Dicionário Jurídico, 2° Ed. São Paulo, 2005, volume 4, página 549), por sucessão, entendese "(. . .) 3. Na linguagem jurídica: (. . .) b) sequência de pessoas que se substituem; c) seguimento; (. . .) g) substituição; (. . .). Direito Comercial: (. . .) b) efeito produzido pelas operações de incorporação, fusão ou cisão, em que direitos e obrigações relativos a um produto ou conjunto do produtos são transferidos, em caráter singular ou universal, de uma pessoa jurídica para outra. (g.n.)" Fl. 3174DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 42 33 De posse do conceito jurídico de sucessão, é possível então interpretar os artigos da Lei n° 6.404/1976, acima reproduzidos. Em uma operação de cisão, com incorporação do patrimônio cindido por outra pessoa jurídica, a sociedade receptora do acervo vertido substitui a sociedade cindida na condição de titular dos direitos e obrigações relacionados ao patrimônio transferido. Não resta dúvida de que o instituto da sucessão não se confunde com o da compra e venda, previsto em outro dispositivo legal (art. 481 do Código Civil). É provável que, antes da partilha do acervo, entre os sócios, tenha havido operações de compra e venda de quotas de capital, para que cada um passasse a deter o número de quotas de capital representativo do patrimônio que seria vertido para sua empresa. Mas, de forma, alguma, houve venda de ativos da empresa, tais como, de imóveis, estoques, selos soltos, máquinas e equipamentos etc.. Perscrutamos o conceito jurídico de sucessão, posto que, como fruto das aludidas operações societárias, a Recorrente sucedeu a sociedade cindida em "direitos e obrigações". E o que nos importa neste segundo momento é a abrangência do significado do vocábulo "direitos", de acordo com a legislação societária e o Código Civil. Quando a Lei n° 6.404/1976 fala em "direitos", referese a bens corpóreos e incorpóreos, a saber: " Lei n° 6.404/1976 Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; (. . .) IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; (. . .) VI – no intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) (. . .) (g.n.)" Consta nos atos societários (vide excerto acima reproduzido) que foi vertido para a Recorrente o estabelecimento localizado na Av. Mar Castelo Branco, Centro, Pinheiro Preto/SC, nele compreendidos todos os direitos e obrigações correlatas. O conceito de estabelecimento encontrase no art. 1.142 do Código Civil: Fl. 3175DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 43 34 "Art. 1.142. Considerase estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária." Segundo a doutrina contemporânea, estabelecimento é sinônimo de fundo de comércio. E a amplitude deste conceito merece redobrada atenção desta Turma. A obra "Código Civil Comentado" (página 1.1165, 6° Ed., São Paulo: Saraiva, 2008) elaborada sob a coordenação da Professora Regina Beatriz Tavares da Silva, traz o seguinte comentário acerca do art. 1.142 do Código Civil: "Elogiável a distinção a que procedeu o Código entre empresa e estabelecimento, mostrando que este corriqueiramente designado por fundo de comércio nada mais é do que a projeção patrimonial daquela, constituindo um conjunto de bens, corpóreos e incorpóreos, unidos pela vontade e determinação de seu titular que é o empresário." Sobre fundo de comércio, novamente recorro àquela obra da Professora Maria Helena Diniz (volume 2, páginas 719 e 720): "(. . .) 3. Conjunto de direitos e bens mobiliários (clientela, nome empresarial, insígnia, patente de invenção, marca de fábrica, mercadorias etc.) pertencentes ao empresário e à sociedade empresária, que lhe possibilita realizar suas atividades econômicas organizadas, voltadas à produção ou circulação de bens e serviços. (. . .)." Por fim, vejamos ainda precedente do Superior Tribunal de Justiça (STJ): "ADMINISTRATIVO DESAPROPRIAÇÃO DE EMPRESA INDENIZAÇÃO FUNDO DE COMÉRCIO JUROS COMPENSATÓRIOS JUROS MORATÓRIOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. A jurisprudência desta Corte consolidouse no sentido de incluir na indenização de empresa expropriada o valor do fundo de comércio. 2. O fundo de comércio é considerado patrimônio incorpóreo, sendo composto de bens como nome comercial, ponto comercial e aviamento, entendendose como tal a aptidão que tem a empresa de produzir lucros. 3. A empresa que esteja temporariamente paralisada ou com problemas fiscais, tal como intervenção estatal, não está despida do seu patrimônio incorpóreo, o qual oscila de valor, a depender do estágio de sua credibilidade no mercado. Situação devidamente sopesada pelo Tribunal de origem que adotou o arbitramento feito pelo perito, estimando o fundo de comércio em 1/3 (um terço) do patrimônio líquido ajustado a 31/05/1985. (...) 7. Recurso especial da União provido em parte." (REsp 704726/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/12/2005, DJ 06/03/2006, p. 329) (grifos nossos) .)" Fl. 3176DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 44 35 Pelas legislações societária e civil e os precedente e doutrina reunidos, temos que estabelecimento, ou fundo de comércio, é conjunto dos ativos corpóreos (imóvel, estoques e tributos a compensar relacionados, máquinas e equipamentos etc.) e incorpóreos (marcas, licenças, registros nas autoridades competentes etc.) necessários à consecução dos objetivos sociais e obtenção de lucro. Em princípio, todos os elementos essenciais ao desenvolvimento das atividades produtivas. Em síntese, até este ponto, temos que, em operações de cisão, com versão de patrimônio em outra pessoa jurídica, esta última sucede, ou melhor, substitui a sociedade cindida na condição de titular dos direitos e obrigações relacionados ao patrimônio vertido. E, por direitos, entendamos como todos os bens corpóreos e incorpóreos necessários à manutenção das atividades produtivas do estabelecimento transferido, fonte produtora de receitas. E como estes conceitos são aplicados, no âmbito tributário? Cumpre reproduzir o art. 109 do CTN: " Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários." Sobre o artigo 109 acima transcrito, comentou o Professor Ruy Barbosa Nogueira (Curso de Direito Tributário, 4° Ed., Ed. Saraiva, 1995, página 104): "(. . .) quando as categorias de Direito Privado estejam apenas referidas na lei tributária, o intérprete há de ingressar no Direito Privado para bem compreendêlas, porque neste caso elas continuam sendo institutos, conceitos e formas de puro Direito Privado, porque não foram alteradas pelo Direito Tributário, mas incorporadas sem alteração e portanto vinculantes dentro deste." O Direito Tributário é silente, no que tange à sucessão de "direitos", em casos de incorporação, fusão e cisão. No art. 132 do CTN, dispõe exclusivamente sobre a sucessão de tributos devidos. Portanto, podemos desde já concluir que o conceito de sucessão de "direitos e obrigações", presente na legislação societária e no Código Civil, são plenamente aplicáveis no campo do direito tributário. A título ilustrativo, vale mencionar a Solução de Consulta Disit/SRRF08 nº102, de 23 de abril de 2012, em que o Fisco admite que a sucessora compense ativo representativo de tributos pagos a maior pela sucedida, mencionando, inclusive, como um de seus fundamentos, os artigos 227 e 229 da lei n° 6.404/1976, acima transcritos: " Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário SUCESSÃO POR CISÃO PARCIAL SEGUIDA DE INCORPORAÇÃO. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS A MAIOR OU INDEVIDOS. Não há qualquer óbice ao aproveitamento dos créditos decorrentes de pagamentos a maior ou indevidos de titularidade da sucedida através de compensação, pela sucessora, de quaisquer débitos próprios relativos a tributos administrados por esta RFB, excetuadas as contribuições previdenciárias e as contribuições recolhidas para Fl. 3177DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 45 36 outras entidades ou fundo, ressalvada, porém, a hipótese de inexistência de outro propósito negocial além da economia tributária. Dispositivos Legais: Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, arts. 227 e 229; Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 165, inciso I e art. 170; Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 74; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, arts. 2º. inciso I, 3º., § 8º. e 34" E, por meio do Solução de Consulta Cosit nº 62, de 21 de fevereiro de 2014, também reconhece a amplitude do conceito de "direitos" acima explanada. Permite a transferência de titularidade de projeto aprovado, para fruição de benefícios fiscais, da sucedida para a sucessora. E, igualmente crucial para a presente contenda, confere caráter meramente declaratório aos atos da RFB que formalizam a transferência de titularidade do projeto, ao reconhecer que os efeitos do reconhecimento retroagem à data do requerimento: "ASSUNTO: Normas de administração Tributária EMENTA: REPENEC. TRANSFERÊNCIA DA TITULARIDADE DO PROJETO POR INCORPORAÇÃO. HABILITAÇÃO E CO HABILITAÇÃO. VALIDADE DOS ADEs. O benefício fiscal do REPENEC pode ser transferido por sucessão, em virtude de incorporação do projeto habilitado, mediante requerimento à Delegacia da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o estabelecimento matriz, desde que observados os limites e as condições fixados na legislação. O Ato Declaratório Executivo (ADE) emitido à pessoa jurídica objeto de incorporação deve ser alterado a fim de fazer constar como beneficiário a sociedade incorporadora. Os ADEs de co habilitação permanecem válidos, devendo essa informação ser consignada no ADE de transferência do regime por sucessão. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 11.434, de 2006, IN RFB nº 1.074, de 2010 ASSUNTO: Normas gerais de direito tributário EMENTA: REGISTRO DOS ATOS CONSTITUTIVOS. VALIDADE. EFEITO RETROATIVO. Os efeitos do registro dos atos constitutivos da empresa retroagem à data de assinatura dos atos, observado o prazo de apresentação estabelecido pelo artigo 36 da Lei nº 8.934, de 1994. Encerro o tópico, reiterando que, a meu ver, o conceito de "sucessão de direitos", extraído do Direito Privado, emanado dos dispositivos da legislação societária e do Código Civil anteriormente mencionados, devem ser adotados no âmbito do direito tributário. II) "INFRAÇÃO N° 1: IPI NÃO LANÇADO BEBIDA DA LEI N° 7;798/1989 / SAÍDA DE PRODUTO SEM LANÇAMENTO DE IPI INOBSERVÂNCIA DE ALÍQUOTA ESPECÍFICA DE IPI" (FLS 9 A 12) Fl. 3178DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 46 37 Nos meses de abril a junho e outubro de 2011, foram vendidas bebidas alcoólicas, com adoção do enquadramento fiscal que havia sido conferido aos produtos, quando produzidos pela empresa Vinhos Duelo Ltda. empresa sucedida, da qual foi vertido o patrimônio com o qual foi constituída a Recorrente, Bebidas Florete Ltda.. Segundo a autuante, a sucessão prevista na legislação societária e no Código Civil não abrange o enquadramento de bebidas alcoólicas, para fins de IPI. Entende que, após a cisão, surgiu um estabelecimento distinto, com novo CNPJ e obrigatoriedade de obter novo enquadramento. Naquele período, o contribuinte ainda não possuía Ato Declaratório Executivo (ADE) específico, deferindo o enquadramento fiscal de seus produtos, o que somente ocorreu com a publicação do ADE/DRF/JOA n° 70, de 1/7/2011, que produziu efeitos a partir de 16/7/2011. Com efeito, mesmo após a edição daquele ato, foram identificadas diferenças de IPI no mês de outubro de 2001, relativas a produtos que não haviam sido incluídos no citado ADE/DRF/JOA n° 70/2011. De acordo com o § 8° do art. 209 do Decreto n° 7.212/2010 RIPI/2010, enquanto não editado ato do Ministério da Fazenda, deve ser adotado enquadramento provisório, na maior classe de valores, observadas as classes por tamanho do recipiente. Assim, apurou diferenças de IPI, que foram lançadas com acréscimo de multa de ofício qualificada (150%) e juros Selic. A DRJ corroborou os argumentos da DRF. Por seu turno, a Recorrente sustenta, em síntese, que: poderia utilizar o enquadramento outrora concedido à empresa Vinhos Duelo Ltda., pois a sucedeu em direitos e obrigações, por força da cisão daquela empresa, seguida de incorporação de parte de seu patrimônio pela Recorrente; não houve interrupção das atividades do estabelecimento transferido pelos eventos de cisão e incorporação de patrimônio; não obstante o citado no item anterior, por cautela, em maio de 2011, requereu à RFB que fosse publicado novo ADE, com o enquadramento de seus produtos o que, apesar de sua insistência, somente teria ocorrido em 01/07/2011, com produção de efeitos a partir de 16/07/2011; em relação ADE/DRF/JOA n° 70, de 1/7/2011, com efeitos a partir de 16/07/2011, destaca que, caso fosse necessário novo enquadramento, apenas oito produtos tiveram seus enquadramentos modificados e, deste grupo, apenas um é tributado pelo IPI, o que geraria uma diferença irrisória de IPI não recolhido (R$ 381,60); a própria decisão recorrida reconhece que os novos enquadramentos baixados pelo ADE/DRF/JOA n° 70 eram iguais aos anteriormente válidos para a aempresa cindida; os artigos 209 e 210 do RIPI/2010 exigem novo enquadramento para produtos novos, o que não foi o caso; e Fl. 3179DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 47 38 apesar de considerar legítima a aquisição de bens selados, aplicou o enquadramento provisório para as bebidas seladas, recebidas da cindida (17.300 caixas). A meu ver, a incorporação do estabelecimento localizado na Av. Mar Castelo Branco, Centro, Pinheiro Preto/SC pela Recorrente deve ser vista de um modo muito mais abrangente do que uma simples integração de um estabelecimento e seus bens corpóreos. Os sócios decidiram cindir o negócio de indústria e comércio de bebidas alcoólicas que era desenvolvido pela Vinhos Duelo Ltda. em três novos negócios. E quando digo negócio, refirome a todos os direitos e obrigações relacionados a cada uma das três partes em que se dividiu, e, notadamente, ao fundo de comércio. E, como já expus, entendo como fundo de comércio todos os bens corpóreos e incorpóreos, tudo aquilo que era necessário para que o negócio continuasse a operar normalmente. Incluise, portanto, não somente o imóvel e os estoques, máquinas e equipamentos, porém também todos os registros necessários ao seu regular funcionamento. E, dentre eles, o registro das bebidas outrora obtido na RFB, que declara seu enquadramento para fins de IPI. Observese que tal registro determina o valor do IPI, que é adicionado ao preço. Impacta de forma determinante os negócios. Não poderia a Recorrente, durante o período entre o pedido de alteração e a concessão do novo registro, simplesmente, alterar o preço tradicionalmente praticado com os clientes, por uma mera formalidade fiscal. Qual seria a implicação disto para os negócios? Perda de mercado, talvez. Ou a sugestão alternativa seria a de, temporariamente, parar de vender? E os compromissos com fornecedores, clientes, empregados e o próprio Fisco? Não se está aqui declarando a desnecessidade da alteração cadastral, a qual, com efeito, foi requerida e obtida pelo contribuinte. Estáse, tão somente, colocandoa em um plano inferior ao da continuidade plena do empreendimento. E dando ao novo registro obtido uma conotação declaratória e não constitutiva. Por fim, chamo a atenção dos Conselheiros para decisão de grande relevância para o presente caso. A discussão é idêntica e envolve a empresa Vinhos Duelo Ltda. (antiga Vinhos Duelo do Sul Ltda.), uma das sociedades constituídas como resultado da cisão da Vinhos Duelo Ltda.. Tratase do Acórdão n° 3403003.354, proferido em sessão de 29 de janeiro de 2015, em que por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso voluntário, no que concerne à utilização pela sucessora do enquadramento para fins de IPI outrora concedido para a sucedida. Até a conclusão do presente voto, constava do sítio virtual do CARF que o processo ainda se encontra nesta corte administrativa, pendente julgamento de embargos de declaração. Reproduzo a parte da ementa que interessa para o presente tópico: "ENQUADRAMENTO DE PRODUTOS. ADE. CISÃO. INCORPORAÇÃO. SUCESSÃO. O contribuinte que incorpora parte do patrimônio vertido em decorrência de processo de cisão, sem interrupção do processo de industrialização dos mesmos produtos, tem assegurado o Fl. 3180DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 48 39 direito de uso do enquadramento dos produtos concedidos ao estabelecimento da empresa cindida, desde que não haja modificação do preço dos produtos, não se tratando de hipótese para utilização do enquadramento provisório." Com base no acima exposto, concluo, votando pelo cancelamento do crédito tributário lançado de ofício, relativo à diferença de IPI existente entre os valores constantes das Classes de valores adotadas pela Recorrente, presentes do registro originalmente concedido à sociedade cindida e depois ratificado pelo próprio Fisco, quando da concessão do registro em nome da Recorrente, e os adotados pela autuante, que eram os valores máximos da tabela. III) NECESSIDADE DE OBTENÇÃO DE NOVO REGISTRO ESPECIAL e LEGITIMIDADE DOS SELOS TRANSFERIDOS OU ADQUIRIDOS DA EMPRESA SUCEDIDA Em 28/03/2011, 430.321 selos de controle foram transferidos para a Recorrente, por força das comentadas operações societárias. Nos meses de abril a junho de 2011, outros 400.000 foram adquiridos em repartição da RFB, porém com uso do Registro Especial da sucedida, Vinhos Duelo Ltda., totalizando 830.321. Em 29/10/2010 foi requerido pela Recorrente novo Registro Especial, o qual somente foi concedido em 03/06/2011. A partir desta data, passou a adquirir selos em seu próprio nome. Em 27/10/2011, a Recorrente comunicou formalmente possuir estoque de selos que não se encontravam em seu nome, com a intenção de devolvêlos. A RFB considerou que a comunicação fora intempestiva e não mais caberia sua devolução, porém sua apreensão, para destruição. A iniciativa do contribuinte acabou por deflagrar um processo de fiscalização, o qual, entre outras implicações, resultou na destruição de um estoque de 333.712 unidades. A fiscalização alegou que cada estabelecimento é um contribuinte distinto e autônomo. Que o Registro Especial para aquisição de selos é concedido ao estabelecimento. Que, todavia, o estabelecimento não é um mero conjunto de bens, existentes em um endereço. É necessário que esteja vinculado a um pessoa jurídica. Sendo assim, quando há transferência da titularidade do estabelecimento, há necessidade de se requerer novo Registro Especial. Destaca que o Registro Especial não se transfere de uma pessoa jurídica para outra por sucessão, derivada de cisão, seguida de incorporação. Nesta linha, concluiu que os selos transferidos da cindida para a Recorrente (430.357) e os adquiridos em nome daquela pessoa jurídica (400.000) foram comprados irregularmente (art. 315 do RIPI/2010). Foi aplicada a multa regulamentar prevista no inciso II do art. 585 do RIPI, equivalente a R$ 1,00 por selo adquirido irregularmente (total de R$ 830.357,00). Analiso especificamente a cobrança desta multa no tópico seguinte. A obrigatoriedade de obtenção do Registro Especial para funcionamento e aquisição de selos de controle das bebidas alcoólicas produzidas e comercializadas pela Recorrente, classificadas no Capítulo 22 da TIPI, está prevista no art. 284 do RIPI/2010 e nos artigos 2°, 3° e 21 da IN SRF n° 504/2005. Reproduzo este último, abaixo: Fl. 3181DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 49 40 "Art. 2º Os produtores, engarrafadores, cooperativas de produtores, estabelecimentos comerciais atacadistas e importadores dos produtos a que se refere esta Instrução Normativa estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1º do Decretolei nº 1.593, de 1977, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, não podendo exercer suas atividades sem prévia satisfação dessa exigência. § 1º A concessão do registro especial darseá por estabelecimento, de acordo com o tipo de atividade desenvolvida, e será específico para: (. . .) Art. 3º O registro especial será concedido pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal (DRF) ou da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização (Defic), em cuja jurisdição estiver domiciliado o estabelecimento, mediante expedição de Ato Declaratório Executivo (ADE), a requerimento da pessoa jurídica interessada que deverá atender aos seguintes requisitos: (. . .) Art. 21. O fornecimento de selo de controle será condicionado à concessão do registro especial de que trata o art. 2º." (g.n.) No tópico I, discorri longamente acerca dos efeitos da sucessão de bens e direitos, derivadas da cisão da empresa Vinhos Duelo Ltda. e versão de parte de seu patrimônio na Recorrente. Em suma, expus que é sucessora de todos os bens corpóreos e incorpóreos necessários à continuidade das atividades operacionais, neles incluídos, indubitavelmente, por imprescindíveis que eram, os registros obtidos pela sucedida na RFB: enquadramento das bebidas para fins de cálculo do IPI, tratado no item precedente, e o Registro Especial, necessário para a aquisição de selos de controle. Sobre o Registro Especial concedido à Recorrente em 03/06/2011 (ADE DRF/JOA n° 62/2011), assim como o ADE/DRF/JOA n° 70, de 1/7/2011, que dispôs sobre o enquadramento fiscal para fins de IPI das bebidas, entendo que teve caráter meramente declaratório e não constitutivo. Portanto, dou provimento às alegações da recorrente, no que concerne à legitimidade da transferência de selos de controle da empresa sucedida e das aquisições destes, com a utilização do Registro Especial que estava em nome daquela sociedade. Como consequência direta do reconhecimento da legitimidade de tais operações, deve ser cancelada a multa regulamentar aplicada, no montante de R$ 830.357,00, que tinha como fundamento o inciso II do art. 508 do RIPI/2010. Não obstante ter decido, em questão idêntica, em sentido oposto ao que acabei de explanar, tenho o dever de remeterme, novamente, ao Acórdão n° 3403003.354, proferido em sessão de 29 de janeiro de 2015. Pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto ao direito à utilização dos selos transferidos da sucedida para a sucessora, a saber (trecho da decisão aplicável ao presente tópico): Fl. 3182DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 50 41 "(. . .) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto: (. . .) b) ao direito à utilização dos selos transferidos da sucedida para a sucessora.(. . .)" IV) SAÍDA DE PRODUTOS SEM SELO DE CONTROLE E EXCESSO DE SELOS EM ESTOQUE A fiscalização auditou o saldo de selos de controle de 31/10/2011, registrado no Livro de Entradas e Saídas de Selo de Controle. Encontrou saldo negativo, isto é, excesso de selos de controle, de 488.498. Nos termos do art. 300 do RIPI/2010, caracterizase como saída de produtos sem aplicação de selo o excesso de selos de controle. E, com base no art. 301, cobrou IPI sobre as saídas cursadas sem selos de controle, com multa de ofício agravada (150%) e juros Selic. E no inciso I do art. 585, multa regulamentar, igual ao valor comercial dos produtos saídos sem selo de controle, não inferior a R$ 1.000,00. Em sua defesa, a Recorrente aponta erros nos cálculos da fiscalização e conclui que não houve excesso de selos em estoque. Nas fls. 85 a 101, constam os elementos utilizados pelo Fisco. E, com base neles, entendo que assiste razão à Recorrente. Na fl. 90, o agente fiscal detalha o trabalho realizado: Na fl.88, apresenta o seguinte quadro: Fl. 3183DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 51 42 Nas fls 90 a 92, acresce ao saldo negativo de 58.152 a quantidade de selos adquiridos regularmente, no montante de 430.346. Chega, assim, ao excesso de 488.498. No cálculo da fiscalização, verificase duas imperfeições que o fulminam. Nas fls. 86 e 87, consta que o montante de 244.072 (vide tabela acima) consiste no saldo de 03/06/2011 de selos de controle supostamente adquiridos irregularmente. Ora, se se trata de SALDO, então, nele, obviamente, já se encontravam computadas todas as ENTRADAS e saídas de selos irregulares. Portanto, não haveria que se deduzir do saldo escritural de 31/10/2011 (528.097 vide tabela acima) os montantes de 430.321 e 400.000, representativos das ENTRADAS supostamente irregulares de selos. Portanto, o volume de entradas (total de 830.321) foi computado duas vezes no processo de validação. A segunda imperfeição diz respeito às operações com selos consideradas como regulares, pois efetuadas após a obtenção do Registro especial, em 03/06/2011. Agiu corretamente a fiscalização, quando computou as compras regulares, no montante total de 430.346. Entretanto, por outro lado, não computou as baixas, por vendas ocorridas nos meses de junho a outubro de 2011. Na hipótese de não terem sido registradas vendas naquele período, o que pareceme pouco provável, uma vez que a empresa se encontrava em operação, tal informação deveria constar no Relatório Fiscal. Fl. 3184DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 52 43 Por oportuno, registro que a Recorrente, na peça recursal (fl. 3.033), afirma que houve vendas. Com base acima exposto, concluo que houve erro no processo de validação do saldo escritural de selos de controle de 31/10/2011. Portanto, voto por considerar nulos os correspondentes lançamentos do IPI, acrescido de multa de ofício qualificada e juros Selic, no total de R$ 362.638,06, e da multa regulamentar, de R$ 1.464.296,36. V) TRIBUTAÇÃO PELO IPI DE BONIFICAÇÕES Apesar de não ter sido expressamente mencionado no Relatório Fiscal, a Recorrente alega que houve lançamento de ofício de IPI sobre saídas de mercadorias dadas a clientes como bonificação. Explica tratarse, na verdade, de "estratégia comercial para vender mais e superar concorrentes". "Ao invés de ofertar diferença monetária no produto, a Recorrente opta por entregar um número maior de produtos do que aquele pedido pelo cliente, sem cobrar por eles." Nesta linha, aduz que os valores não devem ser tributados pelo IPI "por não integrarem o valor da operação previsto no art. 47 do CTN." Tratavase, portanto, de descontos concedidos, incondicionalmente. E aduz que não o Fisco não poderia ter efetuado tal lançamento, pois haveria discussão judicial sobre o tema, com identidade de objeto e partes, consubstanciada no processo n° 2009.72.03.0002768, distribuído perante a Vara Federal Única da Subseção Judiciária de Joaçaba/SC. O processo estaria sobrestado no TRF 4° Região, aguardando julgamento do tema pelo STF, em sede de repercussão geral. A ação judicial teria sido originalmente proposta pela Vinhos Duelo Ltda., porém, com a cisão, seguida de incorporação, a representação processual teria sido regularizada, passando a Recorrente a ocupar o polo ativo da ação. Citados argumentos foram incluídos na impugnação e rechaçados pela DRJ. Consignou que a aludida ação judicial é de pessoa jurídica diversa, inexistindo identidade entre as partes. No mérito, entende que as bonificações, na verdade, equivalem a descontos, os quais integram valor tributável para fins de IPI (inciso II do caput e § 3° do art. 190 do RIPI/2010). A ação judicial consta dos autos. No pedido realmente consta a discussão em tela. Contudo, não se encontra nos autos despacho, deferindo a transferência do polo ativo da referida ação judicial. Assim, entendo que não haveria fundamento para votar pelo não conhecimento da matéria, por concomitância (Súmula CARF n° 1). Não obstante, é importante mencionar que, em consulta ao sítio virtual do TRF 4° Região, verifiquei que, em 14/04/2015, houve trânsito em julgado de decisão favorável à Vinhos duelo Ltda., em razão de o STF ter declarado inconstitucional a incidência do IPI sobre descontos incondicionais (leading case: RE 567.935). Apesar de não haver evidências documentais de que a Recorrente figura no polo ativo da referida decisão judicial, a decisão do STF, em sede de repercussão geral, deve ser seguida por este colegiado, nos termos do § 2° do art. 53 do RICARF. Fl. 3185DF CARF MF Processo nº 10925.722626/201325 Acórdão n.º 3301003.235 S3C3T1 Fl. 53 44 Assim, voto dar provimento ao recurso voluntário, no que concerne à não incidência do IPI sobre as bonificações. CONCLUSÃO Voto pelo provimento do recurso voluntário e exoneração do crédito tributário. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Fl. 3186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.720552/2014-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2010
EMBARGOS. DIREITO DE DEFESA.
Embargos acolhidos, com efeitos infringentes, em nome do direito de ampla defesa e ao contraditório, para tornar sem efeitos a decisão no que se refere à "glosa dos gastos com serviços de movimentação e embarque em porto de produtos acabados", uma vez que ela não cumpunha originariamente o contraditório neste processo administrativo.
ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO JURÍDICO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIAS.
Não constitui alteração do fundamento jurídico, nem constitui contradição, a decisão em grau de recurso que reconhece parte da razão adotada pela autoridade fiscal ou administrativa, mesmo que com interpretações gerais distintas entre si a respeito dos dispositivos da legislação.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2010
EMBARGOS. DIREITO DE DEFESA. (1ª alternativa)
Embargos acolhidos, com efeitos infringentes, em nome do direito de ampla defesa e ao contraditório, para tornar sem efeitos a decisão no que se refere à "glosa dos gastos com serviços de movimentação e embarque em porto de produtos acabados", uma vez que ela não cumpunha originariamente o contraditório neste processo administrativo.
ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO JURÍDICO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIAS.
Não constitui alteração do fundamento jurídico, nem constitui contradição, a decisão em grau de recurso que reconhece parte da razão adotada pela autoridade fiscal ou administrativa, mesmo que com interpretações gerais distintas entre si a respeito dos dispositivos da legislação.
Numero da decisão: 3401-003.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para reconhecer o julgamento extra petita, e não conhecer das demais alegações de omissão e contradição, por perda do objeto.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente), Hélcio Lafetá Reis.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2010 EMBARGOS. DIREITO DE DEFESA. Embargos acolhidos, com efeitos infringentes, em nome do direito de ampla defesa e ao contraditório, para tornar sem efeitos a decisão no que se refere à "glosa dos gastos com serviços de movimentação e embarque em porto de produtos acabados", uma vez que ela não cumpunha originariamente o contraditório neste processo administrativo. ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO JURÍDICO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIAS. Não constitui alteração do fundamento jurídico, nem constitui contradição, a decisão em grau de recurso que reconhece parte da razão adotada pela autoridade fiscal ou administrativa, mesmo que com interpretações gerais distintas entre si a respeito dos dispositivos da legislação. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2010 EMBARGOS. DIREITO DE DEFESA. (1ª alternativa) Embargos acolhidos, com efeitos infringentes, em nome do direito de ampla defesa e ao contraditório, para tornar sem efeitos a decisão no que se refere à "glosa dos gastos com serviços de movimentação e embarque em porto de produtos acabados", uma vez que ela não cumpunha originariamente o contraditório neste processo administrativo. ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO JURÍDICO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIAS. Não constitui alteração do fundamento jurídico, nem constitui contradição, a decisão em grau de recurso que reconhece parte da razão adotada pela autoridade fiscal ou administrativa, mesmo que com interpretações gerais distintas entre si a respeito dos dispositivos da legislação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para reconhecer o julgamento extra petita, e não conhecer das demais alegações de omissão e contradição, por perda do objeto. Rosaldo Trevisan - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente), Hélcio Lafetá Reis.
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DIREITO DE DEFESA. Embargos acolhidos, com efeitos infringentes, em nome do direito de ampla defesa e ao contraditório, para tornar sem efeitos a decisão no que se refere à "glosa dos gastos com serviços de movimentação e embarque em porto de produtos acabados", uma vez que ela não cumpunha originariamente o contraditório neste processo administrativo. ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO JURÍDICO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIAS. Não constitui alteração do fundamento jurídico, nem constitui contradição, a decisão em grau de recurso que reconhece parte da razão adotada pela autoridade fiscal ou administrativa, mesmo que com interpretações gerais distintas entre si a respeito dos dispositivos da legislação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2010 EMBARGOS. DIREITO DE DEFESA. (1ª alternativa) Embargos acolhidos, com efeitos infringentes, em nome do direito de ampla defesa e ao contraditório, para tornar sem efeitos a decisão no que se refere à "glosa dos gastos com serviços de movimentação e embarque em porto de produtos acabados", uma vez que ela não cumpunha originariamente o contraditório neste processo administrativo. ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO JURÍDICO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIAS. Não constitui alteração do fundamento jurídico, nem constitui contradição, a decisão em grau de recurso que reconhece parte da razão adotada pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 05 52 /2 01 4- 32 Fl. 4364DF CARF MF 2 autoridade fiscal ou administrativa, mesmo que com interpretações gerais distintas entre si a respeito dos dispositivos da legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para reconhecer o julgamento extra petita, e não conhecer das demais alegações de omissão e contradição, por perda do objeto. Rosaldo Trevisan Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente), Hélcio Lafetá Reis. Relatório Trata este de Embargos ingressado pela contribuinte que questiona o Acórdão cuja Ementa reproduzo a seguir: ACÓRDÃO 3401003.030 SESSÃO DE 25 DE JANEIRO DE 2016. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa. CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. DESPESAS DE MOVIMENTAÇÃO E DE EMBARQUE DE MERCADORIAS EM ÁREA PORTUÁRIA DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA GERAR CRÉDITOS DE PIS E COFINS. Fl. 4365DF CARF MF Processo nº 13855.720552/201432 Acórdão n.º 3401003.450 S3C4T1 Fl. 3 3 Por falta de previsão legal específica e por não se demonstrar que se referem a insumos necessários aos processo de produção, não geram créditos de PIS e COFINS as despesas com movimentação das mercadorias na área portuária e as despesas com o embarque dessas mercadorias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa. CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. DESPESAS DE MOVIMENTAÇÃO E DE EMBARQUE DE MERCADORIAS EM ÁREA PORTUÁRIA DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA GERAR CRÉDITOS DE PIS E COFINS. Por falta de previsão legal específica e por não se demonstrar que se referem a insumos necessários aos processo de produção, não geram créditos de PIS e COFINS as despesas com movimentação das mercadorias na área portuária e as despesas com o embarque dessas mercadorias. Recurso voluntário negado Crédito tributário mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.. Como exposto no despacho de admissibilidade, a Embargante afirma que o acórdão recorrido traz contradição e omissão porque: · teria havido julgamento extra petita pois o acórdão proferido com relação ao processo administrativo 13855.72052/201432 trata de glosas dos gastos com frete interno de produtos acabados e glosas dos gastos com movimentação e embarque no porto de produtos acabados, mas essa decisão foi estendida ao processo administrativo 13855.720550/201443 pela unidade de jurisdição local. Ocorre que este processo só trata de despesas com frete interno. · contradição e omissão relativamente à alteração do fundamento jurídico do lançamento fiscal (o acórdão recorrido afasta o entendimento da Fl. 4366DF CARF MF 4 autoridade lançadora apoiado na legislação do IPI e adota entendimento alternativo), mas isso contraria o artigo 146 do CTN por inovar e modificar o fundamento do auto de infração; · contradição e omissão relativamente ao creditamento relacionado aos serviços de movimentação e de elevação (embarque) (pois o acórdão recorrido expõe seu entendimento de que o direito de creditamento estaria reservado para fatores em que estivesse demonstrado ser ele necessário para a geração da receita tributável, mas contraditoriamente deixa de reconhecer que os serviços de movimentação e embarque no porto são indispensáveis para a exportação mas o acórdão recorrido se apóia na falta de previsão legal Em face destes elementos, a Embargante requereu fosse conhecido e providos os Embargos, para o fim de sanar a contradição e a omissão apontados neste recurso. Os Embargos foram admitidos e vieram a apreciação neste colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestividade e demais requisitos apreciados no despacho de admissibilidade. Conforme atos e documentos constantes no processo até o acórdão recorrido, trataria o presente de autos de infração que constituíram e exigem PIS e COFINS faturamento, incidência não cumulativa, para o período de apuração compreendido entre 01/03/2009 a 31/12/2010. A contribuinte é usina cooperada da COPERSUCAR, que produz açúcar e alcool. A autoridade fiscal constatou que ela pretendeu aproveitar créditos de PIS e COFINS referentes a (i) despesas de movimentação e embarque de seus produtos em porto e (ii) despesas de fretes de transporte entre as unidades da cooperativa (transporte interno), todos elas rateados pela COPERSUCAR entre seus cooperados. Sobre o aproveitamento de créditos a partir de gastos com frete interno, a contribuinte ingressara com ação judicial, por meio da qual obteve sentença favorável (sentença proferida no mandado de segurança n.002081228.2010.4.03.6100). A contribuinte ingressou com Embargos de Declaração alegando: 1. ter havido julgamento extra petita pois o acórdão proferido com relação ao processo administrativo 13855.72052/201432 trata de glosas dos gastos com frete interno de produtos acabados e glosas dos gastos com movimentação e embarque no porto de produtos acabados, mas essa decisão foi estendida ao processo administrativo 13855.720550/201443 Fl. 4367DF CARF MF Processo nº 13855.720552/201432 Acórdão n.º 3401003.450 S3C4T1 Fl. 4 5 pela unidade de jurisdição local. Ocorre que esse processo só trata de despesas com frete interno e aquele dos gastos com movimentação e embarque em porto. 2. contradição e omissão relativamente à alteração do fundamento jurídico do lançamento fiscal (o acórdão recorrido afasta o entendimento da autoridade lançadora apoiado na legislação do IPI e adota entendimento alternativo), mas isso contraria o artigo 146 do CTN por inovar e modificar o fundamento do auto de infração; 3. contradição e omissão relativamente ao creditamento relacionado aos serviços de movimentação e de elevação (embarque) (pois o acórdão recorrido expõe seu entendimento de que o direito de creditamento estaria reservado para fatores em que estivesse demonstrado ser ele necessário para a geração da receita tributável, mas contraditoriamente deixa de reconhecer que os serviços de movimentação e embarque no porto são indispensáveis para a exportação mas o acórdão recorrido se apoia na falta de previsão legal ). Primeira parte: A contribuinte alega, nos Embargos de Declaração, ter havido julgamento extra petita pois o acórdão proferido com relação ao processo administrativo 13855.720552/201432 trata de glosas dos gastos com frete interno de produtos acabados e glosas dos gastos com movimentação e embarque no porto de produtos acabados, quando os autos de infração só cuidariam da exigência a partir da glosa com frete interno. E, além disso, essa decisão foi estendida ao processo administrativo 13855.720550/201443 pela unidade de jurisdição local, que só trata de despesas com serviços de movimentação e embarque em porto. A autoridade de administração da jurisdição local informa em seu despacho de fls. 4241 (datado de 27/06/2016) que o processo 13855.720550/201443 cuida somente dos autos de infração com origem na glosa das despesas com movimentação e embarque em porto, enquanto que o processo 13855.720552/201432 cuidaria somente dos autos de infração com origem nas glosas dos gastos com frete interno. Vejamos em suas palavras: O presente processo administrativo trata de auto de infração lavrado pela DRF/Franca, com lançamento decorrente de glosa de créditos de PIS e COFINS. Conforme se depreende da leitura do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 4101 a 4115, verificase que as glosas referemse a: 1 Despesas de movimentação e embarque de seus produtos em porto; e 2 Despesas de fretes de transporte entre as unidades da cooperativa (transporte interno), todos elas rateados pela COPERSUCAR entre seus cooperados. Cabe esclarecer que, apesar de o citado Termo de Verificação Fiscal não mencionar, o lançamento em questão foi cindido em dois processos administrativos, sendo os débitos referentes ao item 1 controlados no presente processo, e o item 2 controlado no processo administrativo n° 13855.720552/201432. Fl. 4368DF CARF MF 6 Importante mencionar, ainda, que o item 2 acima (transporte interno) está sendo integralmente discutido no Mandado de Segurança n° 002081228.2010.4.03.6100. Ocorre que, quando da apresentação da impugnação referente ao processo administrativo n° 13855.720552/201432, o contribuinte apresentou argumentos a fim de refutar os dois itens supracitados ("transporte interno", que como já dito, tem seus débitos controlados no processo n° 13855.720552/201432, e "despesas de movimentação e embarque de seus produtos em porto", com débitos controlados no presente processo). Quando do julgamento da referida impugnação, a DRJ/Ribeirão Preto decidiu pela manutenção do lançamento, julgando procedente a glosa decorrente do item 1 (despesas de movimentação e embarque de seus produtos em porto) e considerando a renúncia à instância administrativa quanto ao item 2 (transporte interno), uma vez que, como já explicado, o mesmo é objeto do Mandado de Segurança n° 002081228.2010.4.03.6100 (fls. 4209 a 4225). O contribuinte, então, interpôs recurso voluntário, mais uma vez apresentando argumentos refutando os dois itens acima. O Carf, quando do julgamento do recurso voluntário, de maneira semelhante à DRJ, manteve o lançamento com relação ao item 1 e não se pronunciou em relação ao item 2, devido à concomitância com a discussão judicial já mencionada (fls. 4226 a 4241). Diante do acima exposto, concluise que tanto os débitos constantes do processo n° 13855.720552/201432, como os débitos constantes do presente processo, tiveram sua legalidade verificada pelos órgãos colegiados administrativos. Assim, considerando que o contribuinte, em impugnação juntada ao presente processo às fls. 4136 a 4202, utilizou exatamente os mesmos argumentos da impugnação interposta no processo n° 13855.720552/201432, conforme já mencionado, já julgados pela DRJ e pelo Carf, e, como também já explicado, aquele processo e este decorrem, na verdade do mesmo Auto de Infração (originado do mesmo Mandado de Procedimento Fiscal), proponho que o contribuinte seja informado de que os acórdãos proferidos no processo administrativo n° 13855.720552/201432 também se aplicam ao presente, com seguimento na cobrança administrativa do item 1 supra (despesas de movimentação e embarque de seus produtos em porto) que constitui a integralidade dos débitos aqui controlados. Pela consulta ao sistema eprocesso, noto que esse processo 13855.720550/201443 ainda não percorreu as instâncias julgadoras do contraditório, diferentemente daquele que traz o acórdão embargado. Ele estava na Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto desde 16/07/2014 aguardando distribuição e julgamento (fls. 4206), mas a unidade local solicitou sua devolução em 27/06/2016 (fls. 4207), ocasião em que nele foram juntadas o Acórdão proferido pela DRJ Ribeirão Preto e o Acórdão proferido pelo CARF, ambos no processo 13855.720552/201432. Esse processo 13855.720550/201443 foi juntado em julho de 2016 ao processo 13855.720552/201432, e, com os Embargos, foram encaminhados a este Colegiado. Faço notar que o acórdão recorrido foi proferido tendo como certo que ele tratava de autos de infração com origem nas matérias: (a) glosa de créditos dos gastos com frete interno e (b) glosa de créditos dos gastos com serviços de movimentação e embarque em Fl. 4369DF CARF MF Processo nº 13855.720552/201432 Acórdão n.º 3401003.450 S3C4T1 Fl. 5 7 porto. E sublinho que a impugnação, o acórdão proferido pela instância a quo e o recurso voluntário laboraram na mesma crença. Ao consultarmos os valores as exigências fiscais de cada processo, realmente eles não são iguais. Enquanto que o processo 13855.720550/201443 define o valor lançado em R$ 118.322,79, o outro processo define o lançamento em R$ 1.371.135,73. O despacho da autoridade de administração local trouxe informação não percebida antes e que ilumina o processo para desvelarlhe fatos importantes. O objeto do processo administrativo 13855.720552/201432 não se refere a autos de infração com origem nas glosas dos dois itens acima enumerados, mas somente com origem na glosa dos gastos com frete interno. Não haveria, neste processo, base para a discussão da glosa com serviços de movimentação e embarque de produtos em porto pois ela não tem repercussão nas exigências fiscais dos autos de infração. A autoridade de administração tem razão ao afirmar que os Julgadores de primeiro piso e o CARF apreciaram as duas matérias (as duas glosas) e, com isso, verificaram a sua legalidade. Entretanto, apesar de eu esposar o principio da instrumentalidade da forma, nesse caso, creio que se deve respeitar os elementos originário que constituem o objeto de cada processo. Por isso, não posso acompanhar o entendimento e conclusão sugeridos pela autoridade de administração, mesmo como suponho com seus elevados ideais de observar os Princípios que devem reger os Atos da Administração Pública, tais como a economicidade, a eficiência e a razoabilidade Sendo assim, pareceme que razão assiste à Embargante, o acórdão recorrido decidiu extra petita ao apreciar o recurso voluntário e o acórdão de 1ª instância quanto à matéria "glosa com serviços de movimentação e embarque em porto de produtos acabados". Por isso, proponho que sejam os Embargos acolhidos, com efeitos infringentes, para tornar sem efeitos a decisão no que se refere à "glosa dos gastos com serviços de movimentação e embarque em porto de produtos acabados". Deve permanecer apenas o reconhecimento da concomitância com ação judicial que discute a "glosa dos gastos com frete interno". Tendo este Colegiado aceita esta minha proposição, entendo que há desnecessidade de apreciar nesta sessão a pretensão da autoridade de administração tributário fiscal de estender ou transpor para o outro processo administrativo. Inclusive por que ela mesma afirma que eles foram apoiados em fatos fiscais distintos. Da mesmo forma, pareceme desnecessário analisarmos a segunda parte dos embargos, que discute as supostas omissões e contradições no acórdão recorrido, pois foi essa matéria (glosa dos gastos com serviços de movimentação e embarque em porto de produtos acabados) que foi retirada da decisão atacada. Fl. 4370DF CARF MF 8 Proponho acolhimento dos Embargos com efeitos infringentes para reconhecer o julgamento extra petita e não conhecer das demais alegações de omissão e contradição, por perda do objeto. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 4371DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.907656/2009-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.924, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 76 56 /2 00 9- 12 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10675.907656/200912 Acórdão n.º 9101002.638 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10675.907656/200912 Acórdão n.º 9101002.638 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10675.907656/200912 Acórdão n.º 9101002.638 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.901223/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2006
COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. RETIFICAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não se há de reconhecer direito creditório decorrente de alegado pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ na situação em que a interessada não comprova cabalmente a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo.
Numero da decisão: 1301-002.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ARRENDAMENTO MERCANTIL) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. RETIFICAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não se há de reconhecer direito creditório decorrente de alegado pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ na situação em que a interessada não comprova cabalmente a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 12 23 /2 00 9- 90 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 16327.901223/200990 Acórdão n.º 1301002.244 S1C3T1 Fl. 191 2 SANTANDER LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL (nova denominação de REAL LEASING S.A. ARRENDAMENTO MERCANTIL), já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito, em parte. Trata o presente processo da declaração de compensação nº 05439.733286.291105.1.3.04.5516, de pagamento de IRPJ, código de receita 2319, relativo a fevereiro de 2005, no valor de R$ 1.188.143,38, com débito de CSLL relativo ao mês de março do mesmo ano calendário. Em 16/02/2009 (fls. 15) foi emitido despacho decisório que não homologou a compensação declarada com base nos seguintes fundamentos: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 277.176,97 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (1RPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” Reproduzo quadro do despacho decisório em que são demonstradas as características do pagamento utilizado como direito creditório: A contribuinte protocolou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: [...] Em resposta à intimação1 a impugnante alega o seguinte (fls. 41/49): a) Na competência de fevereiro/2005, o cálculo do IRPJ mensal foi efetuado com base no Balanço/Balancete Suspensão ou Redução, conforme DIPJ/2006. b) O que ensejou o recolhimento a maior do DARF foi a ausência do cômputo das exclusões das Provisões com Perdas em Opções para Incentivos Fiscais 1 Diligência determinada pelo Julgador em primeira instância Resolução nº 16.000.306, fls. 30/33. Nota do Relator de segunda instância. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 16327.901223/200990 Acórdão n.º 1301002.244 S1C3T1 Fl. 192 3 (Permanente/Investimento e Adições Temporárias) que foram adicionadas (oferecidas à tributação) no ano calendário de 2004 e 2005, conforme Parte A (págs. 23 e 25 do LALUR). c) De acordo com o LALUR: i) Provisão p Perdas Opções Inc Fiscais IR – conta interna 1886000050047678000761348 – foi adicionada no Lucro Real apurado no ano calendário de 2004, pelo valor de R$ 1.218.635,62 e continuou a ser adicionado em fev/2005, ao invés de ser excluído da apuração mensal do IRPJ (cálculo original); ii) Provisão p Perdas Opções Inc Fiscais – conta interna 213990060065331566529002 – foi escriturado na Parte B do Lalur do ano calendário de 2004 e adicionado e excluído da apuração do IRPJ mensal em fev/2005, pelo valor de R$ 1.230.364,49. d) Juntamos a presente, cópia das Fichas 9 e 12 da DIPJ/2006, apuração da base de cálculo do IRPJ fev/2005 e o balancete CADOC – Bacen 4010 de fev/2005. Assim que o balancete analítico e o Lalur completo do ano calendário 2005 forem emitidos, eles serão juntados ao presente PAF. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1653.985, de 02/01/2014 (fls. 128/133), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Ciente da decisão de primeira instância em 28/01/2014, conforme documento de fl. 138, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 11/02/2014 (registro de recepção à fl. 157, razões de recurso às fls. 158/165), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: No que se refere ao entendimento do acórdão recorrido de que não estaria provada a correção da modificação da base de cálculo da estimativa de IRPJ em fev/2005, a recorrente afirma o valor probatório do balancete de fls. 72/82 dos autos, que seria documento oficial da recorrente, exigido pelo Banco Central do Brasil. Acrescenta que: No presente caso, a receita originada da reversão da provisão de opções por incentivos fiscais, no valor de R$ 1.218.635,62 está devidamente registrado no Balancete CADOC 4010 de Fevereiro/2005 (fls. 72/82 do PAF). Isto porque no Saldo de R$ 522.272,41 da Conta 1.8.8.60.005, como evidencia o Razão Analítico do mês (Fev/2005), é composto por duas movimentações: (i) uma despesa de constituição de provisão, no valor de R$ 1.740.908,03; e (ii) uma receita de reversão da provisão em questão, no valor de R$ 1.218.635,62. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 16327.901223/200990 Acórdão n.º 1301002.244 S1C3T1 Fl. 193 4 Está, portanto, comprovado o registro da receita de R$ 1.218.635,62 em Fev/2005, demonstrandose a regularidade da exclusão desta receita da base de cálculo do IRPJ e da CSLL mensal (apurados por balanço de suspensão ou redução), visto que já tinha sido tributada pelo IRPJ e CSLL quando adicionadas ao lucro real do anocalendário 2004. A recorrente tem, assim, por comprovado o indébito de R$ 277.176,96 levado à compensação ora discutida. Em adição aos argumentos acima, a recorrente lembra que IRPJ e CSLL pagos mensalmente por estimativa, seja por balanço seja por percentual da receita bruta, são meras antecipações do tributo devido no final do período de apuração anual. E prossegue (grifos no original): No presente caso, embora tenha recolhido uma estimativa de IRPJ (2319) de Fev/2005 no valor de R$ 1.188.143,38 (DARF de fl. 15), a Recorrente informou em sua DIPJ 2006 (AC 2005) ter feito neste mesmo mês um pagamento de apenas R$ 910.866,42 (Ficha 11, linha 12 da Discriminação de Fevereiro – fls. 26 do ePAF). Ao proceder desta forma, reconhecendo expressamente ter realizado um recolhimento a maior a título de estimativa, a Recorrente deixou de computar o recolhimento de R$ 277.176,96 (diferença entre o valor pago e o declarado) no saldo de IRPJ pago no encerramento do anocalendário de 2005 (Linha 12 da Ficha 12B da DIPJ 2006/2005), reduzindo o Saldo Negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário. Isto porque a Recorrente, após calcular a base de cálculo mensal (Fev/2005) mediante levantamento de balanço (art. 35 da Lei nº 8.981/95), a Recorrente constatou que não havia excluído da base de cálculo a receita de reversão de provisão de opção por incentivos fiscais, uma vez que já tinha sido adicionada ao lucro real à época da sua constituição, conforme determina a legislação. [...] Além disso, tanto a DCTF Retificadora/Ativa referente a Fev/2005 quanto o IRPJ apurado no encerramento do AnoCalendário 2005 foram devidamente homologadas pela Receita Federal do Brasil, não havendo o que se falar, neste momento, em comprovação da regularidade da base de cálculo (seja da estimativa mensal seja da base anual) do IRPJ apurado pela Recorrente. No entender da recorrente, a decisão a quo teria contrariado disposições basilares atinentes ao fato gerador e à base de cálculo do IRPJ, considerando que estimativas mensais representariam fatos geradores independentes da apuração anual. Colaciona jurisprudência administrativa no sentido da impossibilidade de lançamento de estimativas após o encerramento do período de apuração. A interessada acrescenta que, na pior das hipóteses (pedido subsidiário), o crédito de R$ 277.176,96 deveria ser acolhido como parte do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2005, extinguindose por compensação os débitos da DCOMP até o limite do crédito disponível. Em outra linha argumentativa, a recorrente protesta que o acórdão recorrido teria ido além da verificação objetiva da existência do pagamento indevido/a maior, Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16327.901223/200990 Acórdão n.º 1301002.244 S1C3T1 Fl. 194 5 condicionando a validação da compensação à comprovação dos motivos pelos quais o débito informado na DCTF era inferior ao valor do DARF pago. Ao assim agir, a DRJ teria extrapolado sua competência e invadido a competência da DEINF (lavrar lançamento de ofício para constituir créditos tributários não confessados pelo contribuinte). O acórdão recorrido padeceria de vício insanável, por ter sido praticado por pessoa incompetente. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno do alegado direito creditório, a ser utilizado em compensação tributária, no montante de R$ 277.176,96, correspondente à diferença entre o valor recolhido em DARF (R$ 1.188.143,38, fl. 17) e o valor da estimativa mensal de IRPJ do mês de fevereiro de 2005. Sustenta a recorrente que o valor correto da estimativa seria R$ 910.866,42. Por outro lado, o total originalmente declarado em DCTF foi de exatos R$ 1.188.143,38, posteriormente retificado para R$ 910.866,42. A questão em discussão, como se vê, é qual seria o correto valor da estimativa de IRPJ de fevereiro de 2005. Inicialmente, foi negada homologação à compensação declarada, ao fundamento de que estimativas somente poderiam ser objeto de aproveitamento ao final do anocalendário, por ocasião do ajuste anual. Não se procedeu, naquele momento, a qualquer análise mais aprofundada do direito creditório, sendo a preliminar suficiente para a decisão então tomada. Essa preliminar foi superada já em primeira instância. A questão é atualmente pacífica, tanto no âmbito da Receita Federal quanto neste CARF, cabendo lembrar a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Nesta fase processual, não há mais qualquer litígio a esse respeito. No entanto, superada a questão preliminar ainda em primeira instância, a autoridade julgadora a quo avançou na análise do direito creditório, o que entendo correto. O reconhecimento do direito creditório para fins de homologação impõe o exame minucioso por parte da autoridade administrativa, não residindo aí qualquer nulidade. Ao contrário do que sustenta a recorrente, o que o julgador de primeira instância buscou, superada a preliminar, foi a comprovação da alegação de que teria havido erro na apuração da estimativa, a caracterizar pagamento a maior do que o devido. Não se trata, em absoluto, de lançamento de ofício para constituir créditos tributários não confessados pelo contribuinte, em invasão de competência de outro órgão da Receita Federal. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16327.901223/200990 Acórdão n.º 1301002.244 S1C3T1 Fl. 195 6 A realização de diligência evidenciou a origem da diferença entre o valor do IRPJ originalmente apurado pela contribuinte (R$ 1.188.143,38) e aquele a seguir tido por ela própria como correto (R$ 910.866,42). Tratase, supostamente, da falta de exclusão da receita de reversão de provisão de opção por incentivos fiscais, anteriormente adicionada ao lucro real à época de sua constituição. Ao descobrir o erro, a contribuinte teria promovido a devida retificação, com a exclusão do valor de R$ 1.218.635,62 da base de cálculo do IRPJ, conduzindo à diferença, para menos, no valor de estimativa a recolher. A decisão de primeira instância considerou insuficientes os documentos até então juntados aos autos, e indeferiu a manifestação de inconformidade. Confirase o seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido (fl. 132): As provisões controladas na parte B do Lalur podem ser excluídas do lucro líquido para fins de determinação do lucro real quando forem revertidas contabilmente. Não há prova nos autos de que a provisão constituída (em 2003 ou 2004) tenha sido revertida em fevereiro de 2005. Para demonstrar a reversão da provisão, e consequentemente o registro contábil de uma receita a ser excluída do lucro líquido, bastaria anexar a escrituração contábil e fiscal relativa ao mês de fevereiro de 2005. Somente a escrituração contábil e fiscal é documento hábil a demonstrar a legitimidade da exclusão pretendida pela contribuinte. Em sede recursal, a recorrente reitera a correção de seu procedimento e faz juntar novo balancete, mais detalhado, com o que tem por comprovado o direito creditório pleiteado. Compulsando os autos, encontro, às fls. 83 e segs. cópias do LALUR do ano calendário 2004. À fl. 87, correspondente à parte A do Lalur, ajustes de dez/2004, verificase uma adição no valor de R$ 1.218.635,62, com o histórico Provisão p/ Perdas Opções Inc. Fiscais Ir relativo ao Ano Calendário de 2004, lançado na conta cosif/conta interna/item 188600050047678000761348. Ainda na parte A, à fl. 89 essa adição integra a apuração do lucro real em dez/2004. À fl. 106 encontro a folha correspondente da parte B, evidenciando que uma parte (R$ 106.699,07) do montante adicionado veio de 2003 e uma outra parte R$ 1.123.665,42) veio de 2004. O balancete geral de dez/2004 (fls. 114 e segs.), juntado aos autos por ocasião da diligência, apresenta tão somente o saldo da conta 1.8.8.60.005 Opções por Incentivos Fiscais, no valor de R$ 522.272,41, não trazendo quaisquer informações sobre a movimentação dessa conta, ainda que apenas por totais de débitos e créditos. Não obstante, ainda que não tenha sido localizada nos autos a comprovação de que esse valor tenha constituído uma despesa no anocalendário 2004, admitase que se trate de despesa com provisão indedutível adicionada em 2004, quando de sua constituição. Alega a recorrente, desde a manifestação de inconformidade, que a provisão teria sido revertida contabilmente em fevereiro/2005. Essa reversão contábil implicaria um lançamento a crédito do resultado (receita), que poderia nesse momento ser excluído para fins de apuração do lucro real. O balancete geral de fev/2005 (fls. 72 e segs.), juntado aos autos por ocasião da diligência, não traz qualquer modificação em comparação com o balancete de dez/2004, Fl. 195DF CARF MF Processo nº 16327.901223/200990 Acórdão n.º 1301002.244 S1C3T1 Fl. 196 7 anteriormente mencionado: apresenta tão somente o saldo da conta 1.8.8.60.005 Opções por Incentivos Fiscais, no valor de R$ 522.272,41, não trazendo quaisquer informações sobre a movimentação dessa conta, ainda que apenas por totais de débitos e créditos. Foi diante disso que o julgador a quo considerou esses documentos insuficientes a comprovar a reversão contábil da provisão em questão. Esclareçase que não se tratou de negar fé a esse balancete, como parece ter compreendido a recorrente, mas sim de sua imprestabilidade para os fins propostos. Com o recurso voluntário, a interessada junta (fls. 179 e segs.) um balancete mais detalhado para o mês de fevereiro/2005, contendo saldo inicial, total de débitos, total de créditos e saldo final. A recorrente entende que, com isso, seria possível aferir a regularidade da exclusão por ela pretendida. O novo documento, apesar de mais detalhado, não conduz a conclusão diferente daquela esposada pelo julgador de primeira instância. Senão vejamos. À fl. 180, é possível verificar que a conta 1.8.8.60.005 (com o mesmo saldo anterior de R$522.272,41) é composta por duas subcontas, a saber: cód. 761347, que apresenta saldos inicial e final R$1.740.908,03; e cód. 761348, que apresenta saldos inicial e final R$1.218.535,52. A soma algébrica dos saldos das subcontas conduz ao saldo da conta principal. Mas, a exemplo da conta principal, também as duas subcontas apresentam total de débitos e total de créditos no período iguais a zero, ou seja, não há qualquer prova de que tenham sido movimentadas nesse mês. Em particular, não há prova de que tenha sido revertida contabilmente a provisão aqui discutida, cuja contrapartida seria, em tese, a crédito do resultado contábil. Com isso, permanece a impossibilidade de sua exclusão, para fins de apuração da base de cálculo da estimativa de IRPJ no mês de fevereiro. Tendo sido a estimativa de fevereiro de 2005 apurada originalmente (antes das retificações) e paga na forma prevista na legislação pertinente, não se há de reconhecer que a retificação pretendida pela interessada, sem a comprovação de sua regularidade, possa fazer surgir um pretenso indébito por pagamento a maior de estimativa mensal passível de compensação. Finalmente, cumpre acrescentar que não cabe falar em homologação de estimativas nem de DCTF. O que se homologa é o tributo devido ao final do período de apuração. E não há, nestes autos, qualquer notícia acerca do IRPJ apurado ao final do ano calendário 2005, a menos da cópia de algumas fichas da DIPJ, acostadas pela própria interessada às fl. 64/69, nem é aqui que se discute um eventual direito creditório decorrente de saldo negativo apurado naquele ano. Por esse mesmo motivo, o pedido subsidiário da interessada (acolhimento do crédito de R$ 277.176,96 como parte do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2005) se revela impossível de ser atendido. Tal pedido somente faria sentido no processo em que estivesse sendo analisado esse hipotético saldo negativo. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16327.901223/200990 Acórdão n.º 1301002.244 S1C3T1 Fl. 197 8 Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.730182/2011-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
VALOR PAGO EM AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N º 42.
Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
1.0 = *:*
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NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N º 42. Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 01 82 /2 01 1- 38 Fl. 125DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 12448.730182/201138 Acórdão n.º 2401004.658 S2C4T1 Fl. 126 3 Relatório Da Notificação de Lançamento: (efls. 29 a 33) Apurouse a omissão de rendimentos tributáveis recebidos pela Contribuinte em virtude de ação judicial federal no valor de R$ 45.829,08, com retenção na fonte de R$ 1.374,87, conforme Dirf entregue pela Caixa Econômica Federal, efls. 43 a 44). Em virtude dessa infração, foi apurado o imposto de renda suplementar de R$ 6.656,07, acrescido de multa de ofício e juros de mora regulamentares, perfazendo o crédito total de R$ 12.328,37. A descrição dos fatos e o devido enquadramento legal constam da notificação acrescidos da informação: "Documentação apresentada insuficiente para identificar bem a finalidade da desapropriação impossibilitando verificar incidência ou não do imposto de renda." (v. efl. 20) Da Impugnação: (efls. 2 a 12 e 24 a 27) Inconformada, a procuradora do espólio da Interessada apresentou a impugnação de fls. 2 a 12, argumentando em síntese que os rendimentos recebidos referemse a desapropriação de terras por interesse público e assim sendo a verba recebida não está sujeita à tributação. Complementa a seguir, que foi retido 3% sobre o montante pago, e discorre que não incide a tributação de ganho de capital sobre bens sujeitos à “justa indenização”. Por fim, pede o integral acolhimento da impugnação de lançamento. Do Acórdão de Impugnação: (efls. 102 a 106) A 18ª Turma de julgamento da DRJRJ1, por meio do acórdão 1262.209, julgou procedente em parte a impugnação devendo ser mantido o imposto lançado acrescido da multa de 10% e juros de mora regulamentares e cancelada a multa de ofício de 75%. Veja os trechos extraídos do voto condutor do acórdão, que sintetizam as fundamentações do aresto: "[...] A cópia do Diário Oficial D.O. (fl. 27) datado de agosto de 1957 por meio do Decreto nº 41.540 classifica sob a rubrica “Interesse Público” a desapropriação em pauta. Conseqüentemente, a fonte efetivamente recolhida em DARF e transmitida à RFB por meio da DIRF (cópia de fls. 43 e 44), enseja a imposição legal da apuração do imposto devido, tendo em vista não ter sido a indenização recebida decorrente de desapropriação para fins de reforma agrária. Ressaltese que a interessada na sua impugnação não demonstrou que se trata de rendimento isento, tampouco o poder judiciário quando da expedição do Alvará de fl. 24, determinou a isenção. [...] Fl. 127DF CARF MF 4 Sendo assim, considerando que não foram trazidos aos autos qualquer documentação que pudesse afastar a informação prestada em DIRF (fls. 43 e 44) aos sistemas da RFB, é de se manter a omissão de rendimentos apurada. Diante do todo exposto, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação mantendose o crédito tributário exigido" Do Recurso Voluntário: (efls. 112 a 117) Cientificada do acórdão de impugnação em 04/11/2014, efl. 50 e conforme atestado no doc. efl. 61, a Representante interpôs em 28/11/2014, o Recurso Voluntário alegando, em síntese: 1. que se trata de valor decorrente de desapropriação de terras por interesse público e reconhecidamente isento de imposto sobre a renda; 2. que por força do disposto no art. 19, V, da Lei nº 10.522/02 a RFB deve submeterse ao entendimento consignado pelo STJ no Recurso Especial nº 1.116.460/SP; 3. que o Recurso Especial nº 1.116.460/SP foi julgado na âmbito da sistemática instituída pelo art. 543C do CPC e, portanto, sua decisão deve ser reproduzida pelo CARF, por força do art. 62A do RICARF; 4. que a matéria consta consolidada em Súmula nº 42 do CARF. Requer o provimento do presente recurso, tornando insubsistente a Notificação de Lançamento. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 12448.730182/201138 Acórdão n.º 2401004.658 S2C4T1 Fl. 127 5 Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins Relator 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recurso Voluntário foi apresentado em 28/11/2014 após a ciência da Contribuinte do Acórdão de Impugnação ocorrida em 04/11/2014. Portanto, o recurso é tempestivo e deve ser conhecido. 2. DO MÉRITO A matéria discutida no presente processo foi sumulada no âmbito deste Conselho Súmula CARF nº 42: "Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação." Portanto, devese dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.730840/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF Nº 63. COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DE LAUDO OFICIAL. REQUISITOS LEGAIS OBSERVADOS
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Levando em consideração todo o conjunto probatório acostado aos autos, em especial os laudos oficiais constantes às fls. 6 e 49, restou comprovado por documento hábil, e, por conseguinte, atendidos os requisitos legais necessários para o gozo da isenção dos proventos de aposentadoria recebidos pela Recorrente, no calendário de 2008, nos termos do os requisitos exigidos pelo art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial. Vencido o relator. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Relator
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF Nº 63. COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DE LAUDO OFICIAL. REQUISITOS LEGAIS OBSERVADOS Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Levando em consideração todo o conjunto probatório acostado aos autos, em especial os laudos oficiais constantes às fls. 6 e 49, restou comprovado por documento hábil, e, por conseguinte, atendidos os requisitos legais necessários para o gozo da isenção dos proventos de aposentadoria recebidos pela Recorrente, no calendário de 2008, nos termos do os requisitos exigidos pelo art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF Nº 63. COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DE LAUDO OFICIAL. REQUISITOS LEGAIS OBSERVADOS Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Levando em consideração todo o conjunto probatório acostado aos autos, em especial os laudos oficiais constantes às fls. 6 e 49, restou comprovado por documento hábil, e, por conseguinte, atendidos os requisitos legais necessários para o gozo da isenção dos proventos de aposentadoria recebidos pela Recorrente, no calendário de 2008, nos termos do os requisitos exigidos pelo art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 08 40 /2 01 0- 51 Fl. 61DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, darlhe provimento parcial. Vencido o relator. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Relator (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10580.730840/201051 Acórdão n.º 2401004.584 S2C4T1 Fl. 62 3 Relatório Das declarações de ajuste do exercício 2009: (efls. 13 a 26) A Contribuinte transmitiu duas declarações de ajuste para este exercício: A primeira, entregue em 25/04/2009, informando ter recebido R$ 59.145,19 de pessoas jurídicas, com retenção na fonte de imposto sobre a renda de R$1.451,13; resultando em imposto a pagar de R$3.730,75. A segunda, retificadora entregue em 26/04/2010, informando ter recebido R$22.856,98 de pessoas jurídicas, com imposto sobre a renda retido na fonte de R$1.451,13; resultando em imposto a restituir de R$1.451,13. A retificadora alterou os rendimentos tributáveis recebidos da Secretaria da Educação de R$49.325,19 para R$17.946,98. Entretanto, a fonte pagadora informou na Declaração do Imposto sobre a Renda retido na Fonte Dirf, que a Contribuinte teria recebido de rendimentos tributáveis no valor de R$31.478,66. Da Notificação de Lançamento: (efls. 8 a 12) A partir da divergência entre o valor dos rendimentos tributáveis, informado pela Contribuinte em sua declaração de ajuste retificadora e a Dirf da Secretaria da Educação, constatouse omissão de rendimentos tributáveis de R$13.531,68, exigidos por meio da Notificação de Lançamento. Com as alterações efetuadas no lançamento, o imposto a restituir foi reduzido de R$1.451,13 para R$835,85. Da Impugnação: (efls. 2 a7) A Contribuinte afirma não ter omitido rendimentos e sim declarado como isento a parcela ora exigida, por ser portadora de paralisia irreversível e incapacitante. Junta Relatório Médico à efl. 6, datado de 22/09/2010 e emitido em papel timbrado do Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos Universidade Federal da Bahia, atestando que a Contribuinte apresenta sequelas que caracterizam "paralisia irreversível e incapacitante que a impede de exercer atividades laborativas definitivamente. O AVC ocorreu em 17/07/2008".(efl. 06) Do acórdão de impugnação: (efls. 37 e 38) A terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador julgou improcedente a impugnação, prolatando o acórdão nº 1532.713, de 10 de julho de 2013. No voto condutor do acórdão a justificativa para a decisão consta do seguinte trecho, efl. 38, a saber: "O documento apresentado pelo contribuinte (fls. 06) não possui características de um laudo pericial oficial. O fato de haver sido emitido em papel com o timbre do Hospital Universitário Professor Edgar Santos, vinculado à Universidade Federal da Bahia, não lhe confere esta qualidade, pois não há qualquer indicação de delegação de competência Fl. 63DF CARF MF 4 autorizando o profissional emitente a representar o órgão em caráter oficial na realização de perícias, nem sequer a sua matrícula na instituição. Sem os elementos requeridos, o laudo não se distingue de um atestado particular emitido em formulário timbrado, disponível aos médicos que aí prestam serviços sem exercerem cargo de representação oficial." Do Pedido de prorrogação de prazo e Laudo: (efls. 41 a 43) Cientificada do acórdão em 23/07/2013, a Contribuinte solicitou prorrogação de prazo por meio do documento de efl. 41, protocolado na DRF em Salvador/BA em 16/08/2013. Nesta mesma data, apresentou Laudo médico nº 299, de 23/05/2012, emitido pela Junta Médica do Estado da Bahia. Do Recurso Voluntário: (efls. 44 a 56) Em 09/09/2013, a Contribuinte, por meio de seu representante, protocolou complementação do recurso "para fins de comprovar a patologia grave de que é portadora e que lhe garante, na forma da lei a isenção de imposto de renda que pleiteia." Juntou Laudos e Relatórios Médicos, comprovantes de rendimentos e outros documentos às efls. 46 a 56. Solicita a reforma da decisão com o reconhecimento da isenção do imposto sobre a renda, conforme preceitua o art. 1º da Lei nº 11.052, de 2004. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10580.730840/201051 Acórdão n.º 2401004.584 S2C4T1 Fl. 63 5 Voto Vencido Conselheiro Marcio de Lacerda Martins – Relator 1. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: 1.1. TEMPESTIVIDADE: Cientificada do acórdão nº 1532.713 em 23 de julho de 2013, terçafeira, conforme entrega postal comprovada por Aviso de recebimento juntado à efl. 40, a Contribuinte teria que recorrer até o dia 22/08/2013, quintafeira, em obediência ao prazo de trinta dias fixados na legislação. Entretanto, em 16/08/2013, a Recorrente entregou pedido de prorrogação de prazo para apresentação de novas provas, juntou o Laudo Médico pericial nº 299/2012, e justificou estar providenciando nova perícia médica que lhe demandaria mais tempo para a sua defesa. Transcrevo a seguir suas justificativas: (efl. 41) Assim, apesar da Contribuinte nomear sua petição como simples pedido de prorrogação de prazo, conheço da petição apresentada em 16/08/2013 como recurso voluntário e, como tal, tempestivo, e acato a documentação complementar juntada posteriormente a esta data. 1.2. DELIMITAÇÃO DA LIDE: A lide foi estabelecida a partir da rejeição do doc. efl. 06 como prova hábil para comprovar ser a Contribuinte portadora de moléstia grave dentre as listadas no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988. O documento apresentado não tem as características e os requisitos exigidos pelo art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995. Fl. 65DF CARF MF 6 2. MÉRITO: A lei nº 9.250, de 1995, estabeleceu os requisitos para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1998, a saber: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). A Recorrente cita o art. 1º da Lei nº 11.052, de 2004, que assim dispõe: Art. 1º O inciso XIV do art. 6oda Lei no7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei no 8.541, de 23 de dezembro de 1992, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 6o............................................................................ ........................................................................................ XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; ......................................................................................." (NR) Assim, examinando o documento apresentado pela Contribuinte, a terceira Turma da DRJ em Salvador julgou improcedente a impugnação porque faltou ao documento apresentado as características de um laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios Em 16/08/2013, a Contribuinte apresenta o Laudo Médico Pericial nº 299/2012, da Secretaria da Administração do Estado da Bahia, datado de 23 de maio de 2012 que atesta que "a inspecionada é portadora de MONOPLEGIA DO MEMBRO SUPERIOR SECUNDÁRIO A SEQUELA DE ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL CID G 83.2, condição patológica que atende ao disposto na Lei 8541/1992, fazendo jus à Isenção de Imposto de Renda em Caráter Definitivo."(Destaque do original) Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10580.730840/201051 Acórdão n.º 2401004.584 S2C4T1 Fl. 64 7 Em 09/09/2016 a Contribuinte complementa as informações com os documentos de efls. 44 a 56: juntou laudo datado de 23/05/2012 onde consta declarado que a contribuinte "é portadora de monoplegia do membro superior secundário a sequela de acidente vascular cerebral." Apresentou ainda, efl. 47, Laudo Médico Pericial nº 2437/2009 que declara que a inspecionada é portadora de Hemiplegia Flácida CID G 81.0. Hemiplegia é a paralisia de todo um lado do corpo, conforme definição extraída de dicionário de termos utilizados em medicina: "Hemiplegia é um conceito que deriva da língua grega e que se usa no âmbito da medicina para evocar a paralisia de todo um lado do corpo. Isto significa que a pessoa que sofra de hemiplegia verá paralisada uma metade lateral do seu corpo." 1 É lícito concluir que a hemiplegia diagnosticada pelos laudos pode ser considerada uma paralisia irreversível e incapacitante como consta registrado no doc. efl.06. Apesar dos Laudos Médicos de efls. 42 e 47, documentos que atendem aos requisitos legais faltantes ao doc. efl. 06, não especificarem a data de início da doença, afirmam que a moléstia identificada foi "secundário a sequela de acidente vascular cerebral", ou seja, decorrente de sequelas de um AVC. Entretanto, extraise dos autos nos docs. efls. 06 e 49 que a Contribuinte foi acometida de um AVC isquêmico em 15/07/2008 e que esta doença provocou sequelas, a monoplegia do membro superior ou hemiplegia flácida. Superadas as condições formais dos laudos restou sem comprovação o termo inicial da enfermidade, uma vez que o exame clínico, mais antigo, ter sido realizado em 12 de novembro de 2009. Seria, portanto, inservível para comprovar o direito à isenção para o ano calendário de 2008, como requer a Contribuinte. Ocorre que, quando não há nos laudos, devidamente formalizados, a menção a data em que a doença foi contraída devese considerar como termo de início da cobertura isentiva, a data de emissão do laudo. No caso, o laudo mais antigo apresentado é datado de 12/11/2009, portanto, inservível para dar a isenção pretendida pela Recorrente relacionada ao anocalendário de 2008. Diante do exposto, conheço do recurso e, no mérito, nego provimento ao recurso. É como voto . (assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins. 1 Pesquisa no google extraido do site conceito.de Fl. 67DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto – Redatora Designada Peço vênia para manifestarme de forma divergente do voto do nobre julgador. Segundo o i. Relator, é lícito concluir que a hemiplegia diagnosticada pelos laudos adunados aos autos, pode ser considerada uma paralisia irreversível e incapacitante como consta registrado no documento juntado à efl.06. No entanto, entendeu que restou sem comprovação o termo inicial da enfermidade, uma vez que o laudo mais antigo apresentado faz prova somente a partir de 12/11/2009, portanto, não se presta para dar a isenção pretendida pela Recorrente relacionada ao anocalendário de 2008. Discordo da conclusão firmada. É certo que ao beneficiário da isenção do imposto sobre a renda recai o ônus de comprovar o cumprimento dos requisitos legais para a sua fruição, quais sejam: (i) serem os rendimentos percebidos por portador de moléstia grave provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão; (ii) ser a moléstia grave devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Quanto à prova hábil para comprovar ser a Contribuinte portadora de moléstia grave relativa ao anocalendário de 2008, cumpre observar que foram juntados os seguintes documentos: · Relatórios Médicos emitidos por serviço médico da Universidade Federal da Bahia – Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgar Santos (fl. 6) e pelo Instituto Baiano de estudos em neurologia (fl. 49), os quais comprovam que a Contribuinte foi acometida de um AVC isquêmico em 15/07/2008 e que esta doença provocou sequelas, a monoplegia do membro superior ou hemiplegia flácida; · Perícia Médica emitida por junta médica do Estado da Bahia, com a emissão do Laudo Médico Pericial da Secretaria da Administração do Estado da Bahia (fls. 46/47), através dos quais atestam ser a inspecionada é portadora de Hemiplegia Flácida CID G 81.0, Monoplegia do Membro Superior Secundário e sequela de Acidente Vascular Cerebral CID G 83.2, condição patológica que atende ao disposto na Lei nº 8.541/1992, fazendo jus à Isenção de Imposto de Renda em Caráter Definitivo; · Documentos anexados ao processo da Diretoria de administração dos benefícios Previdenciários, com a juntada de vários documentos (fls. 52/56), onde constam laudos e exames Médicos, em que resta comprovada a sua condição de portadora de moléstia grave isentiva, decorrente de sequelas de um AVC isquêmico desde 2008. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10580.730840/201051 Acórdão n.º 2401004.584 S2C4T1 Fl. 65 9 Assim sendo, levando em consideração todo o conjunto probatório acostado aos autos, em especial os laudos constantes às fls. 6 e 49, considero comprovado por documento hábil (art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/988), e, por conseguinte, atendidos os requisitos legais necessários para o gozo da isenção dos proventos de aposentadoria recebidos pela Recorrente, no calendário de 2008, nos termos do art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995. Conclusão Por todo o exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.724941/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
VALOR PAGO EM AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N º 42.
Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N º 42. Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 49 41 /2 01 2- 12 Fl. 66DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 12448.724941/201212 Acórdão n.º 2401004.657 S2C4T1 Fl. 67 3 Relatório Da Notificação de Lançamento: (efls. 18 a 23) Apurouse a omissão de rendimentos tributáveis recebidos pela Contribuinte em virtude de ação judicial federal no valor de R$ 45.829,08, com retenção na fonte de R$ 1.374,87, conforme Dirf entregue pela Caixa Econômica Federal, efls. 43 a 44). Em virtude dessa infração, foi apurado o imposto de renda suplementar de R$ 6.656,07, acrescido de multa de ofício e juros de mora regulamentares, perfazendo o crédito total de R$ 12.328,37. A descrição dos fatos e o devido enquadramento legal constam da notificação acrescidos da informação: "Documentação apresentada insuficiente para identificar bem a finalidade da desapropriação impossibilitando verificar incidência ou não do imposto de renda." (v. efl. 20) Da Impugnação: (efls. 2 a 12 e 24 a 27) Inconformada, a procuradora do espólio da Interessada apresentou a impugnação de fls. 2 a 12, argumentando em síntese que os rendimentos recebidos referemse a desapropriação de terras por interesse público e assim sendo a verba recebida não está sujeita à tributação. Complementa a seguir, que foi retido 3% sobre o montante pago, e discorre que não incide a tributação de ganho de capital sobre bens sujeitos à “justa indenização”. Por fim, pede o integral acolhimento da impugnação de lançamento. Do Acórdão de Impugnação: (efls. 45 a 48) A 18ª Turma de julgamento da DRJRJ1, por meio do acórdão 1257.410, julgou improcedente a impugnação face à não comprovação de se tratar de desapropriação para fins de reforma agrária. Veja os trechos extraídos do voto condutor do acórdão, que sintetizam as fundamentações do aresto: "[...] A cópia do Diário Oficial D.O. (fl. 27) datado de agosto de 1957 por meio do Decreto nº 41.540 classifica sob a rubrica “Interesse Público” a desapropriação em pauta. Conseqüentemente, a fonte efetivamente recolhida em DARF e transmitida à RFB por meio da DIRF (cópia de fls. 43 e 44), enseja a imposição legal da apuração do imposto devido, tendo em vista não ter sido a indenização recebida decorrente de desapropriação para fins de reforma agrária. Ressaltese que a interessada na sua impugnação não demonstrou que se trata de rendimento isento, tampouco o poder judiciário quando da expedição do Alvará de fl. 24, determinou a isenção. [...] Fl. 68DF CARF MF 4 Sendo assim, considerando que não foram trazidos aos autos qualquer documentação que pudesse afastar a informação prestada em DIRF (fls. 43 e 44) aos sistemas da RFB, é de se manter a omissão de rendimentos apurada. Diante do todo exposto, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação mantendose o crédito tributário exigido" Do Recurso Voluntário: (efls. 54 a 59) Cientificada do acórdão de impugnação em 04/11/2014, efl. 50 e conforme atestado no doc. efl. 61, a Representante interpôs em 28/11/2014, o Recurso Voluntário alegando, em síntese: 1. que se trata de valor decorrente de desapropriação de terras por interesse público e reconhecidamente isento de imposto sobre a renda; 2. que por força do disposto no art. 19, V, da Lei nº 10.522/02 a RFB deve submeterse ao entendimento consignado pelo STJ no Recurso Especial nº 1.116.460/SP; 3. que o Recurso Especial nº 1.116.460/SP foi julgado na âmbito da sistemática instituída pelo art. 543C do CPC e, portanto, sua decisão deve ser reproduzida pelo CARF, por força do art. 62A do RICARF; 4. que a matéria consta consolidada em Súmula nº 42 do CARF. Requer o provimento do presente recurso, tornando insubsistente a Notificação de Lançamento. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12448.724941/201212 Acórdão n.º 2401004.657 S2C4T1 Fl. 68 5 Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins Relator 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recurso Voluntário foi apresentado em 28/11/2014 após a ciência da Contribuinte do Acórdão de Impugnação ocorrida em 04/11/2014. Portanto, o recurso é tempestivo e deve ser conhecido. 2. DO MÉRITO A matéria discutida no presente processo está sumulada no âmbito deste Conselho a Súmula CARF nº 42: "Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação." Portanto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.002154/2002-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-004.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Júlio César Alves Ramos. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Júlio César Alves Ramos. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 21 54 /2 00 2- 96 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10660.002154/200296 Acórdão n.º 9303004.418 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pelo contribuinte com fundamento no art. 67 do anexo II da Portaria MF nº 256/2009, antigo Regimento do CARF, contra o Acórdão nº 20403.477, de 08/10/2008, proferido pela Quarta Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Não se considera produtor, para fins fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. A condição sine qua non para a fruição do crédito presumido de 1PI é ser, para efeitos legais, produtor de produtos industrializados destinados ao exterior. Recurso voluntário negado. A recorrente é cooperativa de produção que requereu crédito presumido de IPI decorrente da exportação de café assim especificado em seu pedido: "café cru não descaf. em grão arábica", classificação fiscal 09.01.11.10, produto "NT" na Tabela de IPI TIPI. Em 17/10/2007, antes de proferir o acórdão recorrido, a 4ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº 20400.491, determinou a realização de diligência com o intuito de que fosse esclarecido o processo produtivo do contribuinte. Tal feito foi atendido por meio do esclarecimentos de fls. 98/115. Em seu recurso especial, fls. 165/186, o contribuinte combate os argumentos da decisão recorrida. Afirma em síntese que a Lei nº 9.363/96 não restringiu o aproveitamento do crédito presumido do IPI às pessoas jurídicas contribuintes deste tributo ou que produza produtos tributados pelo IPI. Bastaria para tanto que a pessoa jurídica fosse produtora e praticasse qualquer das ações previstas no art. 3º do RIPI, o qual conceitua o processo de industrialização. O recurso especial foi admitido, por meio do despacho de fls. 202/203. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou as contrarrazões de fls. 207/217. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10660.002154/200296 Acórdão n.º 9303004.418 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Relator. O recurso especial do contribuinte é tempestivo e atende aos requisitos formais de admissibilidade. Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional defende o não conhecimento do recurso especial com base no art. 7º do RICARF que assim dispunha: §3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Câmaras que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes ou da Camara Superior de Recursos Fiscais, ou que na apreciação de matéria preliminar decida pela anulação da decisão de primeira instância. Afirmou que o CARF sedimentou entendimento a esse assunto nos termos da Súmula CARF nº 20, in verbis: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Equivocase a Fazenda Nacional. Esta súmula não foi a razão de decidir do acórdão recorrido e ela não foi editada utilizando precedentes que tratam da matéria "crédito presumido de IPI". Esta súmula é específica para os créditos básicos de IPI. São matérias de conteúdos bem distintos. O Acórdão paradigma apresentado, fls. 188/198, representa bem a divergência de interpretação e, portanto, o recurso especial do contribuinte deve ser conhecido. Porém, quanto ao mérito, entendo que não cabe razão ao recurso especial, devendo ser mantida a decisão recorrida. Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10660.002154/200296 Acórdão n.º 9303004.418 CSRFT3 Fl. 5 4 intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizado a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Como é sabido, a lei que trata de concessão de benefícios fiscais deve ter sua aplicação restritiva, com interpretação literal, para atingir somente os casos expressamente permitidos. É o que se extrai, por exemplo, do disposto da leitura do art. 111 do CTN. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos do RIPI/98 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto nos atuais regulamentos: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10660.002154/200296 Acórdão n.º 9303004.418 CSRFT3 Fl. 6 5 Assim vem entendendo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 10 da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10660.002154/200296 Acórdão n.º 9303004.418 CSRFT3 Fl. 7 6 (...) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Diante de tudo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10660.002154/200296 Acórdão n.º 9303004.418 CSRFT3 Fl. 8 7 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama No que tange ao mérito discutido no Colegiado, qual seja, se o sujeito passivo possui ou não direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação de café – “café cru não descaf. em grão arábica” – classificação fiscal 09.01.11.10 –produto NT na Tabela de IPI – TIPI. A priori, importante trazer que o sujeito passivo é uma cooperativa de cafeicultores de produtores rurais. No caso em comento, o sujeito passivo havia formalizado requerimento de ressarcimento do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, com base na Portaria MF 38/97. Depreendendose da análise dos autos do processo, é evidente se tratar de "estabelecimento industrial", pois, para a obtenção do produto final, o sujeito passivo observa os processos de industrialização e em seguida produz mercadorias que são destinadas ao mercado externo, aquecendo desta forma a economia nacional, é patente a configuração de atividade industrial. Dessa forma, importante analisar se a caracterização da pessoa jurídica requerente como estabelecimento industrial, à luz da legislação do IPI, poderia influir no direito ao incentivo fiscal. Para tanto, trago o art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” Somente com a leitura desse dispositivo, é possível, a princípio, entender que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, não circunscrevendo seu alcance aos produtos industrializados. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10660.002154/200296 Acórdão n.º 9303004.418 CSRFT3 Fl. 9 8 Não obstante, vêse que a Lei trouxe que, para a fruição do crédito presumido do IPI a dependência de as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam utilizadas no processo produtivo. Nesse ínterim, vêse que a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS e a COFINS considerou o processo de produtivo ou seja, a industrialização desses materiais, para fins de se produzir determinado produto a ser exportado. Vêse que o crédito presumido do IPI tem o escopo de ressarcir o contribuinte, do montante pago a título de PIS e COFINS, em todas as operações em que este adquiriu insumos, com o intuito de empregálos na produção de mercadorias exportadas. O dispositivo em referência trouxe efetivamente um benefício às empresas que industrializam produtos e os vendem para o mercado externo. E, ademais, notase que não condiciona tal fruição para produtos tributados pelo IPI. Ou seja, o crédito trazido pela Lei não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI. O crédito presumido do IPI incide sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo. Devendo tal crédito ser utilizado para ressarcimento das contribuições ao PIS e à Cofins devidas pelas empresas produtoras e exportadoras. O que, por conseguinte, resta concluir que, para fins de definição se o sujeito passivo possui direito ao crédito presumido de IPI, devese verificar se preenche os seguintes requisitos: · Ser produtora; · Ser exportadora daquela mercadoria nacional por ela produzida; · Ser contribuinte do PIS e da Cofins; · Adquirir no mercado interno matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para a produção da mercadoria a ser exportada. No caso em comento, analisando os autos do processo, é de se verificar que o produto objeto da industrialização é o“café cru não descaf. em grão arábica” – classificação fiscal 09.01.11.10 – produto NT na Tabela de IPI – TIPI. Para a fabricação desse produto NT, resta claro que o sujeito passivo com a disposição de vários procedimentos obtém com a industrialização o produto a ser exportado. Para melhor elucidar as etapas do processo de industrialização, importante trazer os seguintes esclarecimentos constantes dos autos do processo do sujeito passivo: “[...] Descrição minuciosa da forma em que o café é adquirido e qual o processo produtivo que passa para fins de exportação, descrevendo pormenorizadamente as Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10660.002154/200296 Acórdão n.º 9303004.418 CSRFT3 Fl. 10 9 etapas desse processo até resultar no produto final exportável, diferenciandoo daquele ao adentrar no estabelecimento produtivo, Inicialmente cumpre ressaltar que todo o café adquirido é essencialmente puro não sofrendo qualquer beneficiamento anterior 6 entrada nos armazéns da COCATREL, quando da saída do produtor_ Sendo, portanto, todo o café adquiridoem grãos. Para elucidar melhor o processo até resultar no produto final exportável, o diferenciado daquele que adentrou ao estabelecimento, segue abaixo o caminho percorrido pelo café adquirido pela COCATREL em três etapas. 2. Como e em que medida os insumos são utilizados no curso do processo produtivo; A partir da entrada do café adquirido dos produtores são efetuados os testes de qualidade do café, o armazenamento e o beneficiamento do mesmo no maquinário. Não são utilizados outros insumos para preparação do café. Os mesmos são apenas armazenados em sacas (sacarias) onde aguardarão o momento da saída(venda). 3. Quem são os fornecedores dos insumos listados nos autos,apontando aqueles fornecidos por cooperativas e pessoas físicas,juntando os documentos fiscais de suas aquisições. Os fornecedores dos insumos (café) são os produtores de café da região de Três Pontas (associados). À época do presente processo administrativo os fornecedores do café eram especificamente pessoas físicas. Torrefação/empacotamento: Uma pequena parte do café é torrado, moído e empacotado para comercialização. Tratase de aproximadamente 0,05% do total de vendas de café da cooperativa. A COCATREL após a classificação dos grãos seleciona uma parte para que seja comercializado. Esses grãos, além de corresponderem aos grãos de maior qualidade (bebida dura) são beneficiados, ou seja, os mesmos são processados no maquinário. V — Na etapa seguinte os grãos são depositados em funis para que seja feito o ensacamento. 0 processo de beneficiamento no maquinário ocorre em três situações: • Definição estratégica do poder diretivo da COCATREL — devido a uma expectativa de alta de pregos e manutenção de grãos em alta qualidade de consumo (café exportação), são efetuados beneficiamentos rotineiros. • Solicitação do Produtor — Como o maquinário beneficia os grãos reduzindo os defeitos e proporcionando um melhor retorno financeiro, alguns produtores solicitam o beneficiamento na busca de maiores pregos do seu grão. Para esse trabalho de beneficiamento, a cooperativa cobra uma taxa de utilização do maquinário. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10660.002154/200296 Acórdão n.º 9303004.418 CSRFT3 Fl. 11 10 • Solicitação do cliente — em alguns casos o cliente solicita um grão especifico de forma a apresentar um número limite de defeitos, um tamanho, cor, etc. Dessa forma, são feitos os beneficiamentos do café já em boa qualidade conforme a encomenda do cliente. No processo de beneficiamento existem umas saídas maquinário, as quais sugam o pó (resíduos) dos grãos. Esse pó é reutilizado como adubo nas plantações e são fornecidos aos produtores (fornecedores) pela COCATREL sem ônus. IV — Na finalização do processo de beneficiamento do café, os grãos são enviados das tulhas para a parte eletrônica, onde as máquinas selecionam os grãos por cor. III — A etapa seguinte é o peneirão onde é definido o tamanho do grão. Nessa etapa, por fundamentos estratégicos pode ser definido exatamente o tamanho do grão beneficiado através de regulagem do maquinário. Após essa separação no peneirão os grãos selecionados são levados as tulhas (compartimento onde se guardam grãos). Fase Intermediária Maquinário: A COCATREL possui um maquinário movido A energia elétrica que beneficia ocafé adquirido dos fornecedores (produtores). 0 maquinário possui cinco etapas onde o café a ser beneficiado será processado: I — É feito a estiva do café selecionado para o beneficiamento e alocado na moeda (nome dado ao condicionamento do café para a entrada no maquinário). Nessa fase são retiradas as impurezas (barbantes da sacaria e outros). II — Posteriormente o café passa por outro processo o são retiradas as palhas,pedras e também nesse momento são separados os os quebradiços e os resíduos. Posteriormente, os mesmos são ligados (misturados) resultando em um maior lotede café em grão de ótima qualidade pronto para a venda. [...] Terceira Etapa: Após a classificação do café pela amostra, são feitas ligas (misturasblend). Primeiramente, separamse os cafés de qualidade equivalente. Ou seja, aqueles que foram classificados em padrões próximos, referente à tipo de bebida, e quantidade de defeitos (impurezas, cor, aspecto). Posteriormente, misturase o café na xícara acabando com a borra para que seja feito o teste da bebida. Antes de fazer o teste da bebida, os provadores verificam o aroma em cada xícara para identificar possíveis impurezas ainda presentes que possam prejudicar o sabor da bebida. Com isso é identificado em qual padrão de bebida será classificado o café: Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10660.002154/200296 Acórdão n.º 9303004.418 CSRFT3 Fl. 12 11 • Estritamente mole — gosto muito suave, sabor adocicado • Mole — gosto suave, adocicado • Dura — levemente ácido e adstringente, agradável • Riada — gosto ligeiramente químico, que lembra iodo • Rio — gosto mais acentuado que a bebida Riada • Rio zona — apresenta forte gosto químico das bebidas Riada e Rio Após a classificação inicial (numeração dos defeitos), as amostras são divididas em rodadas para o teste de bebida. No caso, as mesas de bebida comportam a base de 16 (dezesseis) testes a cada rodada.Nesse momento o café é torrado, moído — um pouco mais grosso que o normal para consumo, separado em xícaras com cerca de 10g (dez gramas) cada uma onde é colocada água fervendo da chaleira para que seja escaldado. Nos galpões da COCATREL existem áreas (quadras) especificas para o café certificado. Tratase de fazendas (produtores/fornecedores) que conquistaram a certificação da qualidade do café, em relação ao tratamento do plantio, colheita até a secagem dos grãos. Com isso, o café produzido nessas fazendas já sai com a qualidade de um bom café, com a tendência de bebida dura e consequentemente são mais valorizados no mercado. [...] São colhidas amostras de todas as sacas, independente da quantidade adquirida do produtor. Em um primeiro momento, essas amostras têm um intuito especifico de verificar se todo o café adquirido daquele produtor tem o mesmo padrão em todo o lote. Esse teste de padrão é feito imediatamente na entrada do café através do furo em todas as sacas. A partir da definição do padrão do café, se o mesmo deve ser dividido ou não, essas amostras são colhidas, colocadas em latinhas identificadas pelo lote, fornecedor e quantidade de sacas, lacradas e enviadas ao departamento de classificação de forma proporcional à quantidade de sacas daquele produtos, em relação ao padrão do café. [...]” Inegável, portanto, que para se obter o produto final – observase o processo de industrialização, devendose dar o direito ao crédito presumido do IPI, eis que observa todos os requisitos para a fruição desse benefício. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10660.002154/200296 Acórdão n.º 9303004.418 CSRFT3 Fl. 13 12 Em vista do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 240DF CARF MF
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