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Numero do processo: 13839.900184/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.402
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Recorrente QUÍMICA AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 01 84 /2 01 2- 41 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13839.900184/201241 Acórdão n.º 3301004.402 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 06051.719, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí foi indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. Em referido ato administrativo, a autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS cumulativa/o, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. A interessada defende, em apertada síntese, o direito ao crédito solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base de cálculo da contribuição recolhida. Diz que o ato administrativo foi proferido de forma precipitada e com flagrante desrespeito à legislação tributária, notadamente a que trata da necessidade de lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso não existe óbice à restituição, nos termos do art. 165, do Código Tributário Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito declarado em DCTF, constituise em uma mera informação. Relata que está juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência do pagamento a maior do que o devido e que este documento faz a prova necessária para confirmar o indébito alegado. Acrescenta que em caso de dúvida quanto ao crédito o julgamento pode ser convertido em diligência para que a interessada seja intimada a demonstrar, através de outros elementos, o crédito vindicado. Defende a tese relativa a improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF, consoante o voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13839.900184/201241 Acórdão n.º 3301004.402 S3C3T1 Fl. 4 3 (PIS e Cofins). Sustenta que a interpretação da autoridade tributária relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte (interpretação do art. 3º da Lei 9.718, de 1988) é contrária ao art. 110 do CTN, uma vez que não se caracteriza como juízo de inconstitucionalidade, mas sim como controle administrativo interno dos atos administrativos. Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição) em referido RE é iminente e que o proferimento dela pelo Supremo Tribunal Federal tornará sua observância obrigatória pela Administração Tributária. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de afastar o Despacho Decisório questionado e deferir integralmente o pedido de restituição. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e pela impossibilidade de exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, basicamente, repetindo os argumentos trazidos em sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13839.900184/201241 Acórdão n.º 3301004.402 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.397, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.900183/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.397): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo não haver previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: Pelas argumentações trazidas em sua manifestação de inconformidade, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, na forma aduzida pela interessada, já que esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário. De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar nº 70, de 1991, a Lei nº 9.715, de 1998 (que resultou da conversão da Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ao longo de seus dispositivos, definem expressamente todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS e à Cofins. As citadas normas definem os sujeitos passivos da relação tributária, os casos de nãoincidência, a alíquota, a base de cálculo, o prazo de recolhimento, etc., e submetem as contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13839.900184/201241 Acórdão n.º 3301004.402 S3C3T1 Fl. 6 5 subordina, de forma subsidiária, à legislação do imposto de renda. Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem expressamente todas as feições das exações instituídas, nada deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão os limites da remissão; limites estes, aliás, que, in concreto, jamais se estendem sobre a definição das bases de cálculo das contribuições. O conceito de faturamento tem sua extensão perfeitamente delimitada pela explicitação de seu conteúdo e pela expressa enumeração das exclusões passíveis de serem efetuadas, não havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS devido pela venda de mercadorias. Caso pretendesse o legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria a hipótese expressamente prevista como uma das exclusões da receita bruta. Sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402 004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13839.900184/201241 Acórdão n.º 3301004.402 S3C3T1 Fl. 7 6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13839.900184/201241 Acórdão n.º 3301004.402 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo da Cofins "sem o ICMS", com a qual, juntamente como os documentos mencionados na seqüência, pretende provar o seu direito ao crédito em discussão: (...) Instrui o recurso voluntário com relatórios "NOVA GIA" a demonstrarem a apuração do ICMS, referente apenas a novembro de 2011, como também o balancete referente apenas a este período. O acordão recorrido assim se manifestou quando lhe fora levada dita planilha: "não sendo hábil para a comprovação do direito à repetição do indébito, uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil e fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo". Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão de direito que defende, de não inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também, a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da escrituração e do crédito", somente mereceria provimento, em caso de demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Insurgese a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual consta alocado o pagamento objeto do pedido de restituição), foi constituído, nos termos do art. 142 do CTN, através de [...] DCTF apresentada pela interessada, posto que essa declaração constituí confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, conforme prevê o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984". Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm entendido pela relativização de tal meio de prova, com as quais concordo, privilegiandose o princípio da verdade material: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13839.900184/201241 Acórdão n.º 3301004.402 S3C3T1 Fl. 9 8 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material Recurso Voluntário Provido (CARF, 3º Seção, 3º Câmara, 1º Turma Ordinária, Ac. 3301 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas). O acórdão de piso entendeu não ter se configurado qualquer das hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de tributo, especialmente por que "não existe a comprovação de que tenha ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor a maior do que o devido"; como também porque "não foi demonstrada a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de indébito tributário (relativamente ao pagamento apontado no pedido de restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição. não havendo decisão". Argumenta a recorrente ter havido erro na composição da base de cálculo da Cofins, visto que "a Recorrente considerou inadvertidamente o ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que não ocorre, poderseia falar no dito erro. Assim, pelo exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13839.900184/201241 Acórdão n.º 3301004.402 S3C3T1 Fl. 10 9 Fl. 121DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.000581/2005-02
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do Fato Gerador: 01/01/2002
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EFEITO DECLARATÓRIO. ATIVIDADE VEDADA.
Consoante o que dispõe a legislação do Simples Federal, Lei 9.317, de 1996, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em situação vedada.
O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos.Os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal devem observar o disposto na legislação de regência.
No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9.º da Lei n.º 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão dar-se-ão a partir de 1.º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002 (Súmula CARF n.º 56).
Recurso Voluntário Negado
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.209
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: 00962070432 - CPF não encontrado.
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MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EFEITO DECLARATÓRIO. ATIVIDADE VEDADA. Consoante o que dispõe a legislação do Simples Federal, Lei 9.317, de 1996, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em situação vedada. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos.Os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal devem observar o disposto na legislação de regência. No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9.º da Lei n.º 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão darseão a partir de 1.º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002 (Súmula CARF n.º 56). Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 05 81 /2 00 5- 02 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13005.000581/200502 Acórdão n.º 1002000.209 S1C0T2 Fl. 69 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 62/64) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 49/56), proferida em sessão de 5 de setembro de 2008, consubstanciada no Acórdão n.º 189.555, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS (DRJ/STM), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 35/40) que pretendia desconstituir o Ato Declaratório Executivo (ADE) n.º 15, de 20 de março de 2006 (efl. 33), que excluiu a contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Federal, com efeitos a partir de 01/01/2002, por prestar serviços de limpeza, conservação e locação de mãodeobra, na forma da alínea "f" do inciso XII do artigo 9.º; artigo 12; alínea "a" do inciso II do artigo 13; inciso I do artigo 14; inciso II e § 3.º do artigo 15, todos da Lei n.º 9.317, de 5 de dezembro de 1996, a, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 ATIVIDADE IMPEDIDA. EXCLUSÃO. É vedada a opção pelo Simples às empresas que prestam serviços de limpeza e conservação de florestas. Solicitação Indeferida Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13005.000581/200502 Acórdão n.º 1002000.209 S1C0T2 Fl. 70 3 Inicialmente houve Representação Administrativa do INSS — Instituto Nacional do Seguro Social (fls. 01 e 03), instruída com originais e/ou cópias de documentos de folhas 04 a 20, pela constatação de que a empresa teria prestado "serviços de corte de madeiras, manutenção e limpeza de estradas", o que estaria comprovado pelas cópias das notas fiscais que anexou. A autoridade fiscal instruiu os autos com originais e/ou cópias de documentos (fls. 21 a 23). Então foi emitido o Parecer DRF/SCS/Sacat n.º 37/2006 (fls. 24 a 30), propondo a exclusão da interessada do Simples por exercer atividades econômicas vedadas: serviços de limpeza, conservação e locação de mãodeobra. Então a empresa foi excluída do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES conforme Ato Declaratório Executivo n.º 15, de 20/03/2006 (fl. 31), com efeitos a partir de 01/0l/2002, pelo exercício das atividades econômicas vedadas, acima referidas. A interessada tomou ciência da exclusão, em 24/03/2006, conforme Aviso de Recebimento AR que consta a folha 32. Apresentou sua manifestação de inconformidade (impugnação), em 24/04/2006, conforme consta às folhas 33 a 38, instruída com cópias e/ou originais de documentos de folhas 39 a 42, argumentando, em síntese, como segue: inicialmente protesta contra o excesso de fundamentos legais apontados para sua exclusão do Simples, especialmente a referente ao excesso de receita bruta que não seria seu caso; sustenta que não existe vedação legal à opção pelo Simples para as atividades por ela exercidas; de forma não muito clara, parece argumentar no sentido de ter incorrido em erro na indicação do seu código de atividade; então lembra o ADI n.º 16/2002, que possibilita a retificação de ofício nos casos de constatação de erro de fato; referese ao código CNAE 74993/05 Serviços administrativos para terceiros; lembra que as vedações contidas no inciso XII do artigo 9.º não comportam interpretação extensiva dos seus limites; entende que as vedações alcançam apenas as profissões cujo exercício dependa de habilitação regulamentada; sustenta que a atividade que exerce prescinde de profissional habilitado; diz que seus funcionários são de pouca instrução; argumenta que o ato administrativo que a excluiu do Simples deve indicar à qual figura se assemelha sua atividade, sob pena de ultrapassar o limite entre discricionariedade e a arbitrariedade; nesse sentido lembra o princípio da legalidade; insiste que a atividade exercida não se encontra arrolada no citado inciso da Lei; por isso entende a necessidade da expressa indicação de qual seria a atividade assemelhada, sob pena de nulidade da exclusão; por fim entende que a exclusão do Simples, com efeitos retroativos representa atentado ao ato jurídico perfeito, além de o Estado estar se aproveitando de sua própria inércia, na medida em que permitiu a opção da interessada. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13005.000581/200502 Acórdão n.º 1002000.209 S1C0T2 Fl. 71 4 Requer a nulidade da exclusão pela falta de fundamentação legal válida à situação, ou, se excluída, que o seja sem efeitos retroativos. As teses suscitadas na manifestação de inconformidade não foram acolhidas pela DRJ/STM (efls. 49/56), de cuja decisão o contribuinte foi intimado, via Carta com Aviso de Recebimento (efls. 60/61), na data de 07 de outubro de 2008. No recurso voluntário protocolado, pelos correios, em 31 de outubro de 2008 (efl. 65), o contribuinte, irresignado com a decisão de primeira instância, suscitou violação ao princípio da irretroatividade da lei tributária, bem como a impossibilidade de ato administrativo infralegal exonerar o enquadramento no Simples Federal outorgado pela Lei n.º 9.317/96. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 07/10/2008, efls. 60/61, e protocolo em 31/10/2009, efl. 65), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, trata de exclusão do Simples, desvinculada do crédito tributário. Eventual crédito tributário não é exigido nestes autos, bem como não visualizo qualquer critério que justifique a vinculação destes autos a eventual processo de exigibilidade do crédito tributário, não verificando a aplicação de quaisquer das formas de vinculação constantes do art. 6.º, § 1.º, do Anexo II, do RICARF. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Preliminar ao conhecimento do mérito Aduz o recorrente em seu Recurso Voluntário, a título de Preliminar, que o decisum é nulo, haja vista que: Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13005.000581/200502 Acórdão n.º 1002000.209 S1C0T2 Fl. 72 5 Pelo princípio constitucional da irretroatividade tributária a Lei que tratar da imposição e majoração de tributo só poderá valer para frente, nunca voltar atrás para prejudicar o contribuinte. Quando do enquadramento da empresa no SIMPLES, a Secretaria da Receita Federal concordou a inclusão pleiteada, não podendo vir agora, contrariando o seu próprio entendimento, querer cobrar exação que na época entendeu ser devida. Fere também tal decisão, em desobediência a Constituição Federal, na Lei de introdução ao Código Civil e aos Princípios Tributários Constitucionais. Sendo a matéria de inclusão no SIMPLES tratada pela Lei Ordinária 9.317/96, não podendo vir mero Ato Declaratório Interno da Receita desejar exonerar tal enquadramento por ferir a hierarquia das leis. A retroatividade já foi rechaçada em decisão do TRF. Da 3.ª Região São Paulo, que decidiu que "a exclusão de empresas do SIMPLES pela receita Federal não pode ter efeito retroativo, passando a surtir efeito a partir do mês seguinte em que a empresa é comunicada". Pois bem. Quanto a alegada inconstitucionalidade por violação do princípio da irretroatividade, princípios constitucionais e da Lei de Introdução ao Código Civil (hoje, conhecida como Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, na forma da Lei n.º 12.376, de 2010, que a renomeou), temse que destacar a Súmula CARF n.º 2 enuncia que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdão n.º 10194876, de 25/02/2005, Acórdão n.º 10321568, de 18/03/2004, Acórdão n.º 105 14586, de 11/08/2004, Acórdão n.º 10806035, de 14/03/2000, Acórdão n.º 10246146, de 15/10/2003, Acórdão n.º 20309298, de 05/11/2003, Acórdão n.º 20177691, de 16/06/2004, Acórdão n.º 20215674, de 06/07/2004, Acórdão n.º 20178180, de 27/01/2005, Acórdão n.º 20400115, de 17/05/2005. Por corolário lógico, não há que se admitir matérias que pretendem discutir constitucionalidade, limites constitucionais e controle de legalidade de atos normativos, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum de norma infraconstitucional, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar, demais disto, o enunciado da Súmula CARF n.º 2, acima mencionado. Observese, igualmente, o disposto no art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, com redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009, que enuncia o mesmo entendimento ao dispor que: "No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Sendo assim, afasto as preliminares de violação da Constituição, especialmente dos princípios tributários constitucionais, irretroatividade e Lei de Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13005.000581/200502 Acórdão n.º 1002000.209 S1C0T2 Fl. 73 6 Introdução ao Código Civil (hoje, conhecida como Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, na forma da Lei n.º 12.376, de 2010, que a renomeou). Mérito No recurso voluntário, a recorrente não alega qualquer matéria a título de mérito, de toda sorte, parte da alegada matéria preliminar, afastandose a questão constitucional apreciada e rejeitada, pode ser tratada como meritum causae e, assim, passo a analisar. Pois bem. No recurso consta que, quando do enquadramento no Simples, a Secretaria da Receita Federal teria concordado com a inclusão, de modo que não poderia vir agora, contrariando o seu próprio entendimento, querer cobrar exação que na época entendeu ser devida. Também, diz que a matéria de inclusão no Simples, regida pela Lei n.º 9.317, de 1996, não pode ser afastada por mero Ato Declaratório Interno da Receita Federal e que não pode ter o efeito retroativo. Entendo que não assiste razão ao contribuinte. Explico. Quanto a controvérsia principal da exclusão do Simples, relativo ao exercício da atividade vedada, a contribuinte sequer recorre deste aspecto, tornandose fato incontroversa a prática de atividade vedada. Portanto, neste ângulo, não vejo óbice no Ato Declaratório de exclusão. Além disto, as razões de decidir da DRJ parecemme bastante consistentes e não foram enfrentadas no recurso para tal temática. De mais a mais, os efeitos da exclusão são declaratórios, de modo que não se cuida de retroatividade de lei tributária, mas sim da produção de efeitos retroativos reflexos da aplicação dos efeitos declaratórios do ato de exclusão. Destaquese que o ato de exclusão tem amparo legal e este suporte é exatamente na Lei n.º 9.317, de 1996, na forma do art. 16, bem como no inciso II do art. 15, este último preceituando na época de sua vigência que o efeito da exclusão deve ter efeitos a partir do mês subsequente ao que for incorrida a situação excludente e não o momento em que procedida a exclusão, tão pouco o momento em que se tornar definitiva a decisão administrativa que discute a exclusão. Logo, o Ato Declaratório de exclusão não afasta a Lei n.º 9.317, de 1966, pelo contrário, a aplica e a confirma. O efeito declaratório apenas reconhece uma situação preexistente, anterior, e, neste caso, se a situação era a inadequação para permanência no Simples, então a contribuinte efetivamente já não fazia jus a referida sistemática, desde momento pretérito em que incorria na causa de exclusão, daí não podendo se valer apenas dos pontos positivos da Lei n.º 9.317, de 1996, devendo também se adequar as normas restritivas da referida legislação. Nessa esteira, os efeitos da citada exclusão devem retroagir. Nesse sentido, cito o Acórdão nº 1301001.523, da 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária deste CARF, sessão de 08 de maio de 2014, assim ementado: EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. IRRETROATIVIDADE. ATO DECLARATÓRIO. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13005.000581/200502 Acórdão n.º 1002000.209 S1C0T2 Fl. 74 7 não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. Com igual posicionamento, destaco: Acórdãos ns.º 2202003.552, da 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 20/10/16; 1302002070, da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 21/03/17; 1201001.843, da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 15/08/2017. Por conseguinte, concluise que o ato de exclusão do Simples pode ter efeitos retroativos por força, em verdade, de seu efeito declaratório, para tanto devendo observar o disposto na legislação de regência. Por fim, transcrevo a ementa de outro precedente do CARF, Acórdão nº 120100.395, da 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção, sessão de 27 de janeiro de 2011, verbis: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 EXCLUSÃO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. O ato administrativo que declara a exclusão da pessoa jurídica do Simples em virtude da prestação de serviços vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra, gera efeitos a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente. Em complemento, observese que, ao contrário do que parece entender o requerente, a opção pelo Simples é responsabilidade exclusiva da empresa optante, sendo sujeita a fiscalização posterior e, caso a autoridade fiscal verifique que a opção é indevida, ela tem o poder/dever de proceder a exclusão da empresa da sistemática, face a sua atividade vinculante e obrigatória. Por conseguinte, o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido do Simples, pode ser usufruído, desde que se atenda as exigências legais e dentre as condições encontrase a vedação a prestação de alguns serviços, os quais foram exercidos pela contribuinte a ensejar a proibição para o Simples. Aliás, relembrese que a atividade vedada, no recurso voluntário, já não foi mais contestada ou negada, restando precluso este ponto de debate. Considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário, em rejeitar a preliminar de violação da Constituição, especialmente dos princípios tributários constitucionais, irretroatividade e Lei de Introdução ao Código Civil (hoje, conhecida como Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, na forma da Lei n.º 12.376, de 2010, que a renomeou) e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13005.000581/200502 Acórdão n.º 1002000.209 S1C0T2 Fl. 75 8 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.725159/2016-35
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF - RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA) - COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF
O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos
Numero da decisão: 2002-000.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IRPF - RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA) - COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 51 59 /2 01 6- 35 Fl. 119DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 06 a 11), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação por compensação indevida de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos declarados como recebidos acumuladamente. Ainda, conforme a autuação, o número de meses relativo aos rendimentos declarados acumuladamente não está correto. Tal infrações geraram lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 59.462,40, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, em 27/06/2016, à e fl. 02 a 53 dos autos. A impugnação foi apreciada na 9ª Turma da DRJ/BHE que, por unanimidade, em 20/07/2016, no acórdão 0269.442, às efls. 64 a 67, julgou parcialmente procedente a impugnação. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 03/04/2017, apresentou recurso voluntário, às efls. 75 a 111, no qual alega, em resumo, que: § não houve compensação indevida de imposto de renda retido na fonte já que a empresa reclamada efetuou a retenção, devendo ser afastada a glosa do valor de R$24.161,27. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 11/03/2017, efls. 72 , e interpôs o presente Recurso Voluntário em 03/04/2017, efls. 75, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na compensação indevida de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos declarados como recebidos acumuladamente. Ainda, a fiscalização entendeu que os rendimentos recebidos acumuladamente não foram declarados relativamente ao número de meses correspondentes. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 18470.725159/201635 Acórdão n.º 2002000.111 S2C0T2 Fl. 114 3 Alega o recorrente que ajuizou processo 006330090.1991.5.01.003 na 3ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, sendo beneficiário do montante de R$282.663,93, cuja numeração do alvará é 1109/2012. Desta feita foi retido na fonte o valor de R$24.161,27. Alega que todo o valor recebido decorrente da ação judicial foi declarado corretamente. Informa ainda que os rendimentos recebidos acumuladamente respeitaram o número de meses disposto na sentença judicial. A decisão da DRJ deu provimento quanto a correção dos meses em que os rendimentos recebidos acumuladamente foram declarados, como se vê: Com referência ao número de competências a que se referem os rendimentos recebidos acumuladamente, constatase pela análise das planilhas extraídas dos autos processuais trabalhistas, e acostadas às fls. 31/39, que o período a ser considerado na regra da tributação exclusiva é aquele decorrido entre 05 de outubro de 1986 e 23 de novembro de 1990, com os respectivos 13º (décimo terceiros) salários. Dessa forma, considerase comprovado como número de meses a ser utilizado na apuração do Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente o total de 54 (cinqüenta e quatro) meses. Contudo, a decisão da DRJ manteve a glosa da compensação do imposto de renda na fonte, entendendo que não houve comprovação de que os valores de fato foram retidos: Quanto à planilha que se encontra às fls. 45/53, elaborada pela CONSAT Assessoramento Técnico Ltda, não há sinais que tenha sido utilizada para amparar as decisões judiciais exaradas nos autos processuais, nem mesmo que integre esses autos. Além disso, notase que sua elaboração também se deu após o levantamento dos rendimentos em 2012, conforme data de atualização em 01/01/2013, registrada à fl. 51. No tocante à prestação de contas fornecida pelo advogado (fl.40), é esse o documento onde se informa o valor de imposto de renda compensado pelo contribuinte, R$24.161,27. Contudo, diante da ausência de peças processuais que confirmem a retenção desse valor, não cabe o seu aproveitamento, porque a declaração emitida pelo advogado não é prova conclusiva dessa retenção. De fato, não há no processo qualquer documento que nos autos que comprovem a retenção do imposto pela empresa reclamada. Conforme jurisprudência deste CARF: Fl. 121DF CARF MF 4 IRPF RETIDO NA FONTE E NÃO RECOLHIDO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. No caso de IRRF retido e não recolhido pela fonte pagadora, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de oficio e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. Recurso provido. (Acórdão nº 280200.264 10 de maio de 2010) A fonte pagadora é responsável pela retenção do imposto de renda cujo contribuinte é a pessoa física. Quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, cabe ao contribuinte comprovar documentalmente que a fonte pagadora reteve valores a título do imposto, para fins de compensação do montante devido. Caso não possua comprovação, procederseá a glosa, como aconteceu no presente caso. Desta forma, mantenho a decisão da DRJ nos seguintes termos: Feitas essas considerações e efetuados os cálculos, utilizando se o programa IRPF 2013 e incluindo como meses relativos aos rendimentos recebidos acumuladamente o quantitativo de 54 (cinqüenta e quatro), bem como incluindo como rendimentos tributáveis sujeitos à tributação exclusiva na fonte o valor de R$194.816,37, obtémse imposto suplementar a pagar de R$14.017,62. Às fls. 60/63 destes autos, foi juntada por esta relatora cópia da apuraçãodo imposto devido RRA. Por todo o exposto, voto por considerar procedente em parte a impugnação e por retificar o imposto lançado, passandoo para R$14.017,62 (quatorze mil, dezessete reais e sessenta e dois centavos), sendo, no código 2904, R$5.146,66 (cinco mil, cento e quarenta e seis reais e sessenta e seis centavos) e no código 0211, R$8.870,96 (oito mil,oitocentos e setenta reais e noventa e seis centavos), valores a serem exigidos com os devidos acréscimos legais. Desta forma, conheço do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento, sendo mantido a glosa da compensação indevida do imposto de renda retido na fonte, nos termos da decisão da DRJ. Thiago Duca Amoni Fl. 122DF CARF MF Processo nº 18470.725159/201635 Acórdão n.º 2002000.111 S2C0T2 Fl. 115 5 Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13048.720014/2017-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. RETIFICADORA PARA RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO
A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado.
Declaração retificadora com objetivo de obtenção de restituição do Imposto de Renda sobre período que entende como abrangido pela isenção em razão de Moléstia Grave.
A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte por se tratar de informação de médico particular. Ausência de laudo médico que contenha elementos que indiquem a ocorrência da situação no período correspondente.
Numero da decisão: 2001-000.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Jorge Henrique Bakces, que lhe deu provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. RETIFICADORA PARA RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Declaração retificadora com objetivo de obtenção de restituição do Imposto de Renda sobre período que entende como abrangido pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte por se tratar de informação de médico particular. Ausência de laudo médico que contenha elementos que indiquem a ocorrência da situação no período correspondente.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. RETIFICADORA PARA RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Declaração retificadora com objetivo de obtenção de restituição do Imposto de Renda sobre período que entende como abrangido pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte por se tratar de informação de médico particular. Ausência de laudo médico que contenha elementos que indiquem a ocorrência da situação no período correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Jorge Henrique Bakces, que lhe deu provimento parcial. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 04 8. 72 00 14 /2 01 7- 03 Fl. 89DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por pleito de direito creditório, para efeito de restituição, sobre rendimentos considerados isentos pelo Recorrente em razão da alegada moléstia grave no período. O lançamento da Fazenda Nacional resulta na apuração de saldo de imposto a restituir ajustado de R$1.085,80, frente a imposto a restituir declarado de R$12.855,03, referente ao anocalendário de 2013. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta a falta de comprovação suficiente para justificar a não aceitação da isenção, nos moldes que entende devam ser atendidos os requisitos legais, com a apresentação de elementos de forte comprovação da ocorrência da moléstia alegada no espaço temporal da utilização do benefício fiscal da isenção. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que os comprovantes não se enquadram nas exigências da legislação em vigor à época da ocorrência, como a seguir dispõe: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento nº 2014/939627695349406, expedida em 23/01/2017, referente a imposto sobre a renda de pessoa física, exercício 2014, anocalendário 2013, com apuração de saldo de imposto a restituir ajustado de R$1.085,80 frente a imposto a restituir declarado de R$12.855,03, fls. 5 a 8. O lançamento decorreu da apuração de omissão de rendimentos, no valor de R$48.790,37 (=R$97.580,74 R$48.790,37), em relação à fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcs do Banco do Brasil, CNPJ nº 33.754.482/000124, com a seguinte manifestação da autoridade lançadora: Somente podem ser aceitos laudos periciais expedidos por instituições públicas, independentemente da vinculação destas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os laudos periciais expedidos por entidades privadas não atendem à exigência legal e, portanto, não podem ser aceitos, ainda que o atendimento decorra de convênio referente ao SUS. (...) O direito à isenção do pagamento do imposto de renda das pessoas portadoras de moléstia grave está previsto na norma contida no art. 6º, incisos XIV e XXI, da Lei nº 7.713/88. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13048.720014/201703 Acórdão n.º 2001000.297 S2C0T1 Fl. 90 3 (...) Interpretase da leitura da mencionada norma que a isenção do imposto de renda está condicionada ao cumprimento de dois requisitos, de forma concomitante: a) que os rendimentos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que a pessoa física seja portadora de moléstia grave, indicada na lei. Por outro lado, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 95, definiu que a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). (...) A Carta de Concessão/Memória de Cálculo de fls. 24 assinala que o interessado é aposentado por tempo de contribuição desde 01/06/2009. Os laudos médicos de fls. 17 e 20 não se prestam a comprovar que o autuado é portador de moléstia grave, pois não indicaram o órgão emissor, o qual, necessariamente, deve ser serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Não basta que o interessado decline na sua defesa que os médicos que emitiram os laudos estejam vinculados a um ou outro serviço médico, pois os elementos exigidos devem compor, originalmente, o laudo pericial. Ante tais considerações, deve ser mantida a omissão de rendimentos apurada pelo fisco. Voto por julgar a impugnação improcedente e não reconhecer o direito creditório pleiteado. Assim, ao final, conclui o decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, pelo não reconhecimento do direito à isenção referente período. Fl. 91DF CARF MF 4 Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13048.720014/201703 Acórdão n.º 2001000.297 S2C0T1 Fl. 91 5 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A questão aqui tratada é de reconhecimento ou não ao direito à isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, para portadores de moléstia grave prevista em lei, devendo para isso preencher os requisitos básicos, cumulativamente, no mesmo período, de recebimento de rendimentos de aposentaria, reforma, reserva remunerada ou pensão com a existência da enfermidade que permite a isenção do imposto. O de natureza legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão, especialmente o art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 11.052, de 2004, assim estabelece: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. (grifei) Em sequência temse o previsto no inciso XXXIII, artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, "não entrarão no cômputo do rendimento bruto": "XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);" O parágrafo 4º do mesmo dispositivo define as condições para reconhecimento de tal isenção: Fl. 93DF CARF MF 6 "§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº9.250, de 1995, art. 30 e § 1º)." Seguindo no disciplinar das condições para verificação de enquadramento de contribuintes nas regras isentivas, o artigo 5º do mesmo artigo assim dispõe: "§5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo pericial ou do parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." A matéria inclusive já se encontra sumulada no CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Outro, o de natureza comprobatória da existência da moléstia grave e a constatação da data de início da comprovação do direto ao benefício fiscal, apontado em laudo pericial específico, para esse fim elaborado, fulcro do objeto da lide. Assim, os elementos comprobatórios para a concessão da isenção do Imposto sobre a Renda no caso de Moléstia Grave, cumulativamente no mesmo período, são: 1 – Ser o contribuinte portador de moléstia especificada na Lei; 2 – Ser o contribuinte recebedor de rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão; 3 – Dispor o contribuinte de Laudo que constate a Doença Grave, identificando a data do início da ocorrência e, na falta desta informação a que corresponda à realização dos exames definidores da moléstia. Postas as condições para concessão da desoneração tributária em lide cumpre analisar, no caso concreto, a situação fática e legal de enquadramento do Recorrente. O Contribuinte efetuou sua declaração do Imposto de Renda considerando os rendimentos de aposentadoria no item específico que isenta do tributo com base no inciso XIV, art. 6º, da Lei nº 7.713/88 e inciso XXXIII, do art. 39, do Decreto nº 3.000/99, e por essa Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13048.720014/201703 Acórdão n.º 2001000.297 S2C0T1 Fl. 92 7 providência usufruir do benefício fiscal da isenção em razão da existência de sua moléstia considerada grave. A lide aponta de maneira fulcral para a questão da prova e data da constatação da moléstia e da data de início da efetiva causalidade do pressuposto básico e definidor do direito ao benefício da isenção com base nos dispositivos legais antes citados. Ocorre que o laudo médico particular foi redigido e assinado, pelo Dr. Francisco T. Rotta, em 20/01/2016, e em seu texto relata que o diagnóstico teria sido feito em 25/07/2014 (fl. 42), sendo que as duas datas são posteriores ao anocalendário de 2013. Outro laudo médico também particular foi redigido e assinado, pelo Dr. Jairo Gus, em 01/02/2016, confirmando o diagnostico do início da enfermidade em 25/07/2014 (fl. 41), exercício posterior ao ano base da declaração do imposto de renda. Da mesma forma, e finalmente, o Laudo Pericial denominado Oficial foi expedido em 30/05/2017. O relatório médico relata um quadro de progressão da doença, com agravamento de dificuldades motoras, estando o pacientecontribuinte já em cadeira de rodas, sem movimentos voluntários e força nos membros. O laudo médico oficial tem força probatória legal, contudo, o laudo pericial apresentado carece de perfeita oficialidade de vez que não está apresentado em forma de documento oficial (timbrado), porém conta com aposição de carimbo com a identificação do Município de Tramandaí, sobre o nome do firmador do documento, Dr. Saleh Asad Abdala Junior. Mesmo que se considere o documento apresentado pelo Recorrente como Laudo Oficial, permanece a questão da disparidade temporal entre a data base da apuração do imposto de renda (2013) e o diagnóstico da doença (2014), conforme se observa do conjunto probatório nos autos. Afirma o Recorrente que o laudo médico em questão é proveniente da Secretaria da Saúde da Prefeitura Municipal de Tramandaí RS, e emitido por profissional habilitado, contudo, permanece a não concomitância temporal da doença e o período de apuração do imposto de renda, razão do pleito da isenção por moléstia grave, conforme disposto na legislação. Neste sentido como o pedido do Recorrente é pela restituição dos valores que foram retidos pela fonte pagadora de seus proventos de aposentadora referente ao anobase de 2013, mas antes da comprovação oficial da moléstia, a decisão deste Acórdão é de negar provimento, desconsiderando os efeitos da declaração retificadora apresentada pelo Contribuinte. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO, para não reconhecer o direito creditório pleiteado com base na isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria do anobase de 2013, na forma da declaração retificadora. Mantida, porém, a apuração de saldo de imposto a restituir ajustado de R$1.085,80, valor este já restituído (fl. 07). (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 95DF CARF MF 8 Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.913822/2012-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 09053.525, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra o Despacho Decisório que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, em 31/03/2006, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao anocalendário de 2009, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/200504. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 13 82 2/ 20 12 -4 6 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10680.913822/201246 Resolução nº 1302000.566 S1C3T2 Fl. 3 2 O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasouse no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi reconhecido no processo administrativo nº 13009.000190/0046, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999. O Acórdão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo uma vez que, a decisão final do processo administrativo nº 13009.000190/0046 reconheceu a existência de saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados no âmbito do processo administrativo nº 13009.000062/200504, a título de CSLL, somente totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir. Previamente à apreciação dos Recursos, fazse necessário esclarecimento, de modo que deixo de detalhar as razões recursais e passo à elucidação dos pontos a serem esclarecidos. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302 000.556, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.913812/201219. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.556): O exame dos documentos constantes do processo nº 13009.00062/200504 indica que o sujeito passivo parcelou, em janeiro de 2005, débitos relativos a estimativas de CSLL, referente ao anocalendário de 1999, no total de R$ 588.468,60. Em agosto de 2006, contudo, o referido parcelamento foi rescindido, para adesão ao parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006. Em setembro de 2009, nova rescisão, desta vez para adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Extrato constante à fl. 292 daquele processo, ainda, faz parecer que todo o débito teria sido quitado no âmbito deste último parcelamento. A quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL, bem como a apuração dos montantes que permanecem disponíveis em relação a tais pagamentos, tem efeito direto na análise do PER de que trata o presente processo, bem como na análise de PER similares referentes aos demais pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL, no âmbito do processo n° 13009.00062/200504. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10680.913822/201246 Resolução nº 1302000.566 S1C3T2 Fl. 4 3 É que o presente processo constitui paradigma em relação a lote de processos com fundamento em idêntica questão de direito (repetitivos), na forma permitida pelo art. 47, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. PROCESSO DATA DO PAGAMENTO VALOR TOTAL DO PAGAMENTO 10680.913813/201255 30/06/2005 23.178,06 10680.913814/201208 29/07/2005 23.523,58 10680.913815/201244 31/08/2005 23.851,71 10680.913816/201299 30/09/2005 24.212,44 10680.913817/201233 31/10/2005 24.538,40 10680.913818/201288 30/11/2005 24.844,81 10680.913819/201222 29/12/2005 25.144,69 10680.913821/201200 31/01/2006 25.464,13 10680.913820/201257 24/02/2006 25.774,89 10680.913822/201246 31/03/2006 26.024,79 10680.913823/201291 28/04/2006 26.333,37 10680.913824/201235 31/05/2006 26.568,06 10680.913816/201299 30/06/2006 26.846,21 Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte/MG), para que: a) informe sobre o saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/0046, e, em caso de extinção total ou parcial, detalhar a forma de extinção do referido saldo; b) informar se os pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/200504 foram utilizados para quitação de débitos, discriminadamente, bem como sobre eventual saldo disponível; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte/MG), para que: Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10680.913822/201246 Resolução nº 1302000.566 S1C3T2 Fl. 5 4 a) informe sobre o saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/0046, e, em caso de extinção total ou parcial, detalhar a forma de extinção do referido saldo; b) informar se os pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/200504 foram utilizados para quitação de débitos, discriminadamente, bem como sobre eventual saldo disponível; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Cumpridas as diligências, reencaminhese o processo a este Colegiado para prosseguimento do julgamento (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727709/2014-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2010
APRECIAÇÃO DO ARGUMENTO DA DEFESA. OMISSÃO DA INSTÂNCIA RECORRIDA. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DE NORMA POR ILEGALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO.
O julgador administrativo deve apreciar todos os fatos trazidos na impugnação, mas não poderá decidir sobre aqueles que a norma o obriga a se abster. A instância recorrida está vinculada aos atos administrativos expedidos pela Receita Federal. É vedado ao julgador da primeira instância administrativa o afastamento de norma hígida sob a alegação de ilegalidade. Não há omissão do acórdão a quo e nem nulidade da decisão quando o julgador não decide sobre a ilegalidade de decretos.
LEGALIDADE DE DECRETO. CARF. COMPETÊNCIA.
Os atos administrativos gozam de presunção de legitimidade, veracidade e legalidade. O afastamento de ato administrativo por ilegalidade é competência do Poder Judiciário. A Administração Pública pode rever, de ofício, seus próprios atos. A revisão de ofício do ato administrativo só pode se dar pela autoridade que o expediu, ou outra hierarquicamente superior. O Carf não é competente para avaliar a legalidade ou rever de ofício atos administrativos ou regulamentares expedidos pelo Presidente da República.
Numero da decisão: 2301-005.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2010 APRECIAÇÃO DO ARGUMENTO DA DEFESA. OMISSÃO DA INSTÂNCIA RECORRIDA. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DE NORMA POR ILEGALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. O julgador administrativo deve apreciar todos os fatos trazidos na impugnação, mas não poderá decidir sobre aqueles que a norma o obriga a se abster. A instância recorrida está vinculada aos atos administrativos expedidos pela Receita Federal. É vedado ao julgador da primeira instância administrativa o afastamento de norma hígida sob a alegação de ilegalidade. Não há omissão do acórdão a quo e nem nulidade da decisão quando o julgador não decide sobre a ilegalidade de decretos. LEGALIDADE DE DECRETO. CARF. COMPETÊNCIA. Os atos administrativos gozam de presunção de legitimidade, veracidade e legalidade. O afastamento de ato administrativo por ilegalidade é competência do Poder Judiciário. A Administração Pública pode rever, de ofício, seus próprios atos. A revisão de ofício do ato administrativo só pode se dar pela autoridade que o expediu, ou outra hierarquicamente superior. O Carf não é competente para avaliar a legalidade ou rever de ofício atos administrativos ou regulamentares expedidos pelo Presidente da República.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, e João Bellini Junior (Presidente).
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OMISSÃO DA INSTÂNCIA RECORRIDA. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DE NORMA POR ILEGALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. O julgador administrativo deve apreciar todos os fatos trazidos na impugnação, mas não poderá decidir sobre aqueles que a norma o obriga a se abster. A instância recorrida está vinculada aos atos administrativos expedidos pela Receita Federal. É vedado ao julgador da primeira instância administrativa o afastamento de norma hígida sob a alegação de ilegalidade. Não há omissão do acórdão a quo e nem nulidade da decisão quando o julgador não decide sobre a ilegalidade de decretos. LEGALIDADE DE DECRETO. CARF. COMPETÊNCIA. Os atos administrativos gozam de presunção de legitimidade, veracidade e legalidade. O afastamento de ato administrativo por ilegalidade é competência do Poder Judiciário. A Administração Pública pode rever, de ofício, seus próprios atos. A revisão de ofício do ato administrativo só pode se dar pela autoridade que o expediu, ou outra hierarquicamente superior. O Carf não é competente para avaliar a legalidade ou rever de ofício atos administrativos ou regulamentares expedidos pelo Presidente da República. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 77 09 /2 01 4- 30 Fl. 142DF CARF MF 2 João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, e João Bellini Junior (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de ofício, Auto de Infração nº 51.060.3858, para a exigência das contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (Giil RAT), relativas ao período de 1/2010 a 12/2010. A Autoridade Lançadora identificou que a empresa declarou em Gfip, 1% de GillRAT e 1,66% de contribuição para o Fator Acidentário de Prevenção (FAP), embora, no período fiscalizado, a empresa estivesse enquadrada no CNAE 6190699, o que implicaria, respectivamente, nos percentuais de 2% e 1,6671%. Na impugnação, a Recorrente admitiu devidas as diferenças do FAP, porquanto não havia considerado as duas últimas casas decimais da alíquota. Porém, quanto ao GiilRAT, sustentou que a majoração da alíquota de 1% para 2% por meio dos decretos nºs. 6.042, 12 de fevereiro de 2007, e 6.957, de 9 de setembro de 2009, é indevida, pois não teria resultado de estudos que comprovassem o aumento de acidentes de trabalho nas atividades de telecomunicações a justificar a modificação do enquadramento de risco leve para risco médio. Por essa razão, estaria ferido o princípio da motivação e, portanto, os atos seriam inválidos. A instância a quo manteve integralmente o lançamento. No recurso voluntário, a Recorrente alegou que a turma de origem preferiu não adentrar aos argumentos ventilados pela recorrente (efl. 124, grifo do original), sob alegação de que seria incompetente para se manifestar quanto à legalidade ou constitucionalidade de normas vigentes. Entendeu, a Recorrente, que o colegiado a quo, embora estivesse impedido de se pronunciar quanto à constitucionalidade, deveria ter se manifestado quanto à legalidade dos decretos. No mais, a Recorrente repisou, no apelo voluntário, os exatos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. O recurso é tempestivo. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10580.727709/201430 Acórdão n.º 2301005.278 S2C3T1 Fl. 143 3 1 Do conhecimento 1.1 DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS A Recorrente solicitou o cancelamento da representação fiscal para fins penais decorrente da ação fiscal da qual derivou este processo. Cabe ao Carf a análise da controvérsia de natureza tributária, apreciando as matérias que estejam na lide. Não compete ao Carf avaliar a pertinência da representação penal oriunda da ação fiscal. Esse é o teor da Súmula Carf nº 28, de observância obrigatória a este colegiado. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Portanto, não conheço da matéria. Conheço, pois, das demais matérias do apelo. 2 Das preliminares 2.1 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA POR NÃO APRECIAR OS ARGUMENTOS DA IMPUGNAÇÃO A Recorrente afirmou que a decisão recorrida foi proferida sem que os argumentos apostos na impugnação fossem apreciados, sob a justificativa de que não caberia à instância a quo considerar a legalidade ou constitucionalidade dos decretos nºs. 6.042, de 2007, e 6.957, de 2009. Quanto à inconstitucionalidade das normas, a Recorrente admitiu a impossibilidade da discussão no âmbito administrativo; porém, sustentou que a DRJ/Juiz de Fora não estaria impedida de avaliar a legalidade dos atos, enfrentando a questão colocada na impugnação. Diante da omissão, a decisão teria sido nula Não assiste razão à Recorrente, pois a DRJ/Juiz de Fora, instância administrativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), pronunciouse sobre a questão apontada na impugnação nos seguintes termos (efl. 116): as normas inquinadas de ilegais pelo impugnante continuam válidas, não sendo lícito à autoridade administrativa absterse de cumprilas e nem declarar sua ilegalidade. A instância a quo apreciou o argumento contido na impugnação, abstendose, motivadamente, de se manifestar quanto à alegada ilegalidade suscitada pela Impugnante. Não há vício na decisão recorrida porque ela está vinculada aos atos expedidos pelo órgão de que faz parte, a Receita Federal. No contexto, consta da Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007, a expressa vedação à autoridade julgadora daquele órgão para afastar a aplicação de decreto sob a alegação de ilegalidade: Art. 18. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: Fl. 144DF CARF MF 4 I tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; II haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República ou, nos termos do art. 4º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional. Não há, pois, qualquer nulidade no acórdão recorrido por haver deixado de se pronunciar acerca do argumento de ilegalidade apontado na impugnação. 3 Do mérito 3.1 APLICAÇÃO DOS DECRETOS NºS. 6.042, DE 2007, E 6.957, DE 2009 Não há questionamento quanto à diferença de contribuição ao FAP; portanto, a matéria resta incontroversa. A lide reside, pois, na reclassificação da atividade da empresa, que é de telecomunicações em que prepondera o código Cnae 61906/99, promovida pelo Decreto nº 6.042, de 2007, do grau de risco leve, correspondente à alíquota de 1%, para o grau de risco médio, cuja alíquota é de 2%. Posteriormente, pelo Decreto nº 6.957, de 2009, nova reclassificação manteve a atividade da empresa no grau mesmo grau de risco. Questionou, a Recorrente, a ausência de motivação para os reenquadramentos promovidos pelos decretos, sem que fossem acompanhados e justificados por estudos técnicos que apontassem a necessidade das modificações. Assim asseverou a Recorrente (efl. 135, item 26): À maneira do contribuinte que buscou guarida no Judiciário, não pretende a recorrente negar à administração o direito de reenquadramento do risco labora de cada atividade. Exige, apenas, com fulcro na lei, que este reenquadramento seja motivado, demonstrando que o aumento da alíquota decorre do aumento de acidentes de trabalho na atividade preponderante (telecomunicações). Essa comprovação técnica, contudo, não foi disponibilizada pelo Governo Federal, de modo a exsurgir a invalidade do ato normativo. Pretende, a Recorrente, que se afaste a aplicação dos decretos e, por conseguinte, que se lhe aplique a alíquota relativa ao grau de rico baixo, de 1%. É certo que os decretos em questão integram a legislação tributária, nos termos do art. 96 do CTN: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. (Sem grifo no original.) Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10580.727709/201430 Acórdão n.º 2301005.278 S2C3T1 Fl. 144 5 Os atos administrativos, inclusive os de natureza regulamentar, como os decretos, gozam da presunção de legitimidade, veracidade e legalidade e a administração pública que, pelo princípio da hierarquia administrativa, não pode deixar de observálos. Essa presunção decorre do princípio da legalidade, inserto no art. 37 da Carta Magna, e pode ser afastada por decisão judicial. Também é lícito que a própria administração pública reveja, de ofício, os atos que entender viciados (Súmula STF nº 4731), inclusive por ausência de motivação, como pretende a Recorrente. Considerando, porém, que os atos apontados pela Recorrente como nulos foram expedidos pela Presidência da República, órgão máximo do Poder Executivo, somente nessa instância poderia se dar a revisão ou anulação. Sendo o Carf órgão subordinado diretamente ao Ministério da Fazenda e, indiretamente, à Presidência da República, não lhe seria possível, pelo princípio da hierarquia administrativa, a apreciação da legalidade dos atos expedidos pelo órgão ou autoridade subordinante. Ao afastar o ato presumidamente legal, por decisão própria, o Carf estaria a inobservar a hierarquia administrativa e a usurpar função própria Poder Judiciário, Nesse sentido, incovo o Acórdão nº 2301005.150, desta turma, no qual, unanimemente, os membros se posicionaram sobre a matéria, nos termos do voto do relator Conselheiro João Bellini Júnior: Ademais, como visto, a subrogação também é expressa no Decreto 566, de 1992, o que, por si só, vincula a decisão deste Colegiado, uma vez que o CARF não detém competência para negar vigência à interpretação dada ao sistema normativo tributário pelo Decreto 566, de 1992, uma vez que decretos, sendo emitidos pelo Presidente da República, possuem hierarquia superior, devendo ser observados por toda a Administração Pública Federal, inclusive pelo Ministério da Fazenda, do qual este CARF é parte integrante. Carf não pode rever ou deixar de aplicar ato administrativo presumidamente legítimo, verdadeiro e legal, de hierarquia superior, porquanto vinculante. Tampouco cabe ao Carf, apropriandose da função judicial, expurgar do mundo jurídico a norma tida por ilegal pela Recorrente. Sob esses argumentos, indefiro o pedido acerca da matéria. Conclusões Voto, pois, no sentido de conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso 1 A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque dêles (sic) não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Fl. 146DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.001774/2006-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2003
Ementa:
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. EQUÍVOCO RECONHECIDO.
Identificado o erro material tal equívoco deve ser sanado, sem que isso implique em efeitos infringentes.
Embargos acolhidos apenas para fins de retificação de erro material.
Numero da decisão: 3402-005.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para retificar o erro material no acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2003 Ementa: EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. EQUÍVOCO RECONHECIDO. Identificado o erro material tal equívoco deve ser sanado, sem que isso implique em efeitos infringentes. Embargos acolhidos apenas para fins de retificação de erro material.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para retificar o erro material no acórdão embargado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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HOLDING S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2003 Ementa: EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. EQUÍVOCO RECONHECIDO. Identificado o erro material tal equívoco deve ser sanado, sem que isso implique em efeitos infringentes. Embargos acolhidos apenas para fins de retificação de erro material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para retificar o erro material no acórdão embargado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 17 74 /2 00 6- 02 Fl. 298DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição do contribuinte, manifestação essa julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto. 2. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando a legitimidade do seu crédito, bem como a submissão do Poder Executivo ao precedente vinculante do STF veiculado no âmbito do julgamento do RE n. 390.840/MG. Tal recurso foi provido por esta Turma julgadora, conforme retratado no acórdão n. 3402004.91 (fls. 285/288) 3. Ocorre que, em sede de cumprimento da decisão alhures mencionada, o titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, interpôs os embargos de declaração de fls. 293/294, tendo por escopo suprir erro material. 4. Tal recurso foi admitido pelo r. despacho de fls. 296/297. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. 7. No mérito tal recurso merece ser provido, já que de fato possui notório erro material. Isso porque, ao se analisar o teor do relatório do voto embargado, bem como sua parte dispositiva, este Relator, por um lapso, afirmou que o presente caso tratarseia de compensação declarada pelo contribuinte e não homologada pelo fisco, enquanto que, em verdade, o que se tem aqui é pedido de restituição indeferido pela fiscalização. 8. Tal lapso está presente tanto no relatório do voto, quando na sua parte dispositiva, motivo pelo qual os embargos inominados interpostos devem ser conhecidos e provido para a retificação do acórdão embargado. Dispositivo 9. Ante o exposto, voto por conhecer e dar provimento aos embargos inominados interpostos, sem efeitos infringentes, devendo o acórdão embargado ser retificado para que, onde se lê 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte... seja lido 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10850.001774/200602 Acórdão n.º 3402005.250 S3C4T2 Fl. 299 3 despacho decisório que indeferiu pedido de restituição apresentado pelo contribuinte... bem como para que, onde se lê 10. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. seja lido 10. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que o pedido de restituição apresentado pelo contribuinte seja analisado pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. 10. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.919408/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO
Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1201-002.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1392; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.919408/200951 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.106 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2018 Matéria IRPJ Recorrente UNIBANCO LEASING S.A. ARRENDAMENTO MERCANTIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 94 08 /2 00 9- 51 Fl. 306DF CARF MF 2 Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Trata o presente processo de Despacho Decisório (DD), fl. 41, emanado pela Autoridade Administrativa que analisou a DCOMP nº 10216.41205.100305.1.3.045865 e não homologou a compensação declarada, em razão da não confirmação da existência do crédito informado, pois o DARF discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Tal DARF, conforme a referida DCOMP possui: período de apuração – 01/06/2004; data de arrecadação – 30/07/2004; código de receita – 2319 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL); valor total R$790.641,03. O Despacho Decisório é de 10/12/2009 e a transmissão da DCOMP ocorreu em 10/03/2005. 2. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, protocolada em 20/01/2010 (fl. 2), alegando, em síntese, que: (...) II – DO DIREITO II.A DA EFETIVA PRESENÇA DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO INVOCADO (...) De início, convém ressaltar que o direito do Manifestante ao crédito de IRPJ (cód. 2319) decorrente do recolhimento a maior efetuado a esse título não pode ser contestado por argumentos de índole meramente secundária (ordem formal), tal como pretende a digna Autoridade Fiscal, visto que se trata de direito plenamente amparado na Constituição Federal e na respectiva legislação tributária aplicável, como melhor se verificará a seguir. A não homologação da compensação pleiteada no Per/Dcomp em referência (doc.02), decorrente de despacho eletrônico, parece ter ocorrido no preenchimento na DCTF, visto que o valor efetivamente devido a titulo de IRPJ, do mês de junho de 2004, monta em R$ 773.569,65, conforme consignado na competente DIPJ anocalendário 2004 (doc.03), e não de R$ 790.641,03, conforme constara na DCTF (doc.04). Desta forma, tendo em vista que a manifestante efetuou o recolhimento de DARF (doc. 05), no valor de R$ 790.641,03 em 30/07/2004, e havia apurado na ocasião, o valor devido de IRPJ de R$ 773.569,65, concluise que, a manifestante possui um indébito passível de compensação, no montante de R$ 17.071,38, Fl. 307DF CARF MF Processo nº 16327.919408/200951 Acórdão n.º 1201002.106 S1C2T1 Fl. 3 3 valor esta declarado na PERDCOMP objeto da presente manifestação, conforme abaixo demonstrado: Outubro de 2004: Valor devido de IRPJ : R$ 773.569,65 Valor pago de IRPJ via DARF: R$ 790.641,03 Valor do recolhimento a maior: R$ 17.071,38 A corroborar com o informado na DIPJ, anexamos à presente manifestação cópia do Balancete da empresa no mês de junho de 2004, onde consta lançado na rubrica contábil 8941000002 — Imposto de Renda —, o valor devido de IRPJ no montante de R$ 771.569,65, que somados ao acerto efetuado pela contabilidade em julho de 2004 de R$ 2.000,00, chegase ao valor indicado de IRPJ.(docs.06 e 07). Assim sendo, concluise que, o procedimento adotado resultou em crédito suficiente para efetivar a compensação realizada por meio do PER/DCOMP objeto da presente manifestação. Assim, não existem motivos para a não homologação da presente compensação, visto que está devidamente declarada. Desta feita, inferese que o equívoco de ordem formal é claro e fora nodal para a concretização da glosa combatida, visto que o Despacho Decisório tomou como supedâneo as informações desencontradas constantes nos informes alhures. Informações estas que, aliás, foram erroneamente prestadas pelo Manifestante, de modo que, corrigindose tais lapsos, resta evidenciado o lídimo direito creditório do Manifestante. De mais a mais, fica evidente que o Despacho Decisório atacado é manifesto fruto de erro de fato constante na DCTF do 2º trimestre de 2004, eis que foi o próprio Manifestante quem declarou de forma errônea informações imperiosas para que os sistemas da Receita Federal do Brasil pudessem cruzar a origem do indébito pretendido, de forma que, uma vez corrigido tal lapso, resta evidente que a glosa em questão não pode subsistir, frente ao que determina os primados norteadores da atividade administrativa, em especial, o da Verdade Material. Visto que, ante a cabal demonstração dos lapsos perpetrados pelo Manifestante, carece de ser corrigido de ofício o quanto equivocadamente declarado no respectivo informe, eis que maculado por flagrante erro de preenchimento, só que esse equívoco de ordem puramente formal não importa dizer em qualquer vedação ao lídimo direito patrimonial do Manifestante frente ao Fisco. Por essa razão, requerse que este C. Órgão de Julgamento realize a conjugação entre a realidade material envolvida com a formal vertida nos informes fiscais em referência, de modo que, na necessária busca da Verdade Material, constatandose erro Fl. 308DF CARF MF 4 de fato, é deverpoder deste Órgão reformar o r. Despacho Decisório no quanto aqui atacado, reconhecendo o direito creditório e homologando o presente expediente compensatório. (...) Desta feita, resta evidente que pelo mero equivoco de ordem formal (erro no preenchimento das competentes DCTFs) não pode o Manifestante ter o seu direito creditório tolhido pela r. autoridade fiscal. Ademais, válido ainda frisar que, o lídimo direito de qualquer contribuinte ao imediato ressarcimento daquilo que recolheu indevidamente ou a maior, seja pela via da compensação, seja pela via da restituição do indébito, encontra ancoro na Carta Magna, mormente no direito de propriedade (art. 5º, XXII) e do devido processo legal (art. 5º, LIV), como nos primados da Legalidade (art. 150, I) e da Moralidade Administrativa (art. 37, caput). Isso porque, todo ato administrativo perpetrado com vistas à cobrança de determinado tributo manifestamente indevido ou a maior, bem como que obstaculizar a sua devolução, mostrase frontalmente contrário aos ditames dos preceitos constitucionais retro alinhavados. (...) Desta feita, fica evidenciado que eventuais equívocos de índole acessória constantes das declarações apresentadas pelo Manifestante, individualmente analisados, não suportam o indeferimento do presente pedido de compensação, visto que o direito do Manifestante à compensação do crédito aqui pleiteado resta devidamente comprovado nos autos, bem como garantido na Constituição Federal e na legislação tributária em vigor. II DO PEDIDO Diante de todo o exposto, requerse: (i) o acatamento das razões aqui lançadas com a correspondente declaração e INSUBSISTÊNCIA do Despacho Decisório atacado; (ii) seja declarado o CANCELAMENTO da cobrança noticiada ao Manifestante; (iii) o RECONHECIMENTO integral do direito creditório pleiteado com a consequente HOMOLOGAÇÃO integral da compensação levada a efeito. 3. À fl. 72, consta despacho da Autoridade Preparadora encaminhando os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. 3.1. À fl. 71, consta Histórico das Comunicações, atestando entrega e ciência do DD pelo Contribuinte em 21/12/2009. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 16327.919408/200951 Acórdão n.º 1201002.106 S1C2T1 Fl. 4 5 Decisão da DRJ/SPO Em 12/09/2014 a 4°Turma de Julgamento da DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme ementa que trago abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. A alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova, não é suficiente para reformar a decisão que não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a totalidade da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Recurso Voluntário A Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual repisa seus argumentos trazidos em Manifestação de Inconformidade no sentido de que houve mero erro de informação na DCTF mas que a existência do crédito resta comprovada através de sua DIPJ, DARF, LALUR e Escrituração Contábil. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, assim, merece ser apreciado. Mérito Em apertada síntese a presente discussão se refere à crédito de IRPJ do mês de junho de 2004 no montante de R$ 17.071,38 decorrente da diferença entre o valor de IRPJ recolhido no montante de R$ 790.641,03 e o que seria devido, segundo a Recorrente, no montante de R$ 773.569,65. A Recorrente traz os seguintes argumentos: Fl. 310DF CARF MF 6 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16327.919408/200951 Acórdão n.º 1201002.106 S1C2T1 Fl. 5 7 Traz também, explicações sobre as despesas de doação para Projeto Culturais incentivados: Do conjunto probatório trazido aos autos e explicações relacionadas, me parece estar devidamente evidenciada a existência do crédito pleiteado pela Recorrente, não obstante o erro cometido no preenchimento da DCTF Isso porque, os valores constantes em DIPJ e LALUR ratificam o cálculo apresentado pela Recorrente que resultaria em IRPJ a pagar montante de R$ 773.569,65 o que comparado ao montante recolhido no valor de R$ 790.641,03 resultaria no exato valor do crédito pleiteado. Além disso, os balancetes trazidos aos autos comprovam e dão validade às informações constantes nos documentos fiscais. Veja, a própria turma da DRJ reconhece a existência do DARF no valor de R$ 790.641,02 e a informação constante na DIPJ, vejamos aqui trecho do voto do acórdão da DRJ: 7.2. E, com efeito, na DIPJ do anocalendário de 2004 original (transmitida em 30/06/2005), constatase que na Ficha 11 (Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução), mês de junho/2004, Linha 13 (Imposto de Renda a Pagar) consta o valor de R$773.569,65, contrastando com o valor declarado na DCTF de junho/2004 R$790.641,03. 8. Para comprovar o pagamento a maior que o devido, a Recorrente apenas trouxe cópias do referido DARF, da DCTF do 2º trimestre de 2004, da DIPJ anocalendário de 2004; da presente DCOMP; da planilha de Demonstração do Lucro Real e de balancetes do período. Notese que a ela caberia o ônus de provar a existência do crédito pleiteado, visto que, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública. 8.1. Mantémse, no presente caso, a necessidade de comprovação do quanto alegado (ou seja, da ocorrência do Fl. 312DF CARF MF 8 pagamento a maior que o devido), por meio da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial, entre outros, os Livro Diário e Razão, além de transcrição no LALUR (visto que a base de cálculo do imposto mensal por estimativa foi apurada com base em balanço/balancete de suspensão/redução em todos os meses de 2004), bem como a respectiva documentação de respaldo – de modo a esclarecer quais os valores efetivamente corretos em relação aos por ela informados nas declarações e pagamentos efetuados à Receita Federal do Brasil , em obediência ao disposto no art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Ora, me alinho com o racional adotado pela DRJ, contudo, discordo da conclusão. Isso porque, me parece cristalino pela documentação trazida aos autos pela Recorrente em conjunto com as devidas explanações que houve, sim, equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações (acertadas) da DIPJ e, por fim, restou comprovado o recolhimento a maior em razão do DARF juntado aos autos. Este Conselho é reconhecido no mundo jurídico brasileiro por decidir as causas que lhe são submetidas com aplicação de refinada expertise na legislação e na prática tributária, além de se pautar, invariavelmente, pela busca constante da verdade material. Isso porque, diante da extrema complexidade da legislação e das obrigações tributárias no Brasil, não é anormal, mesmo para as grandes empresas que têm condições de manter caras estruturas de "compliance" fiscal, cometer erros e equívocos. Contudo, tais erros e equívocos não pode dar origem ao enriquecimento sem causa do Fisco. Este é o caso que se apresenta nos autos. Houve erro no preenchimento de uma das obrigações acessórias relacionadas ao pagamento do tributo. Uma vez comprovado o erro e o recolhimento do tributo que se alega ter sido efetuado, não há razão para penalizar o contribuinte. Desta feita, em homenagem do Princípio da Verdade Material, aceito a documentação apresentada junto ao Recurso Voluntário e com base nisso entendo procedente o crédito pleiteado. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no MÉRITO DARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16327.919408/200951 Acórdão n.º 1201002.106 S1C2T1 Fl. 6 9 Fl. 314DF CARF MF
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Numero do processo: 10945.721314/2014-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
Ementa:
GLOSAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE, USUALIDADE E NORMALIDADE DA DESPESA.
À falta de comprovação quanto à necessidade, usualidade e normalidade das despesas glosadas pela fiscalização, em relação às atividades da empresa, implica considerá-las indedutíveis.
POSTERGAÇÃO
A alegação de postergação de pagamento do tributo, sem a devida comprovação do seu efetivo pagamento, não pode ser comprovada apenas mediante os registros contábeis.
MULTA QUALIFICADA.
Não comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64, no intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, não se admite a qualificação da multa de ofício, nos termos definidos pela legislação.
Numero da decisão: 1302-002.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a multa qualificada, vencidos os conselheiros Rogério Aparecido Gil e Lizandro Rodrigues de Sousa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
(assinado digitalmente)
Flavio Machado Vilhena Dias - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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DESPESAS DESNECESSÁRIAS. OMISSÃO DE RECEITA. VENDA DE IMÓVEL Recorrente DANI & CIA LTDA. (DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS BACIQUETTI LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012 Ementa: GLOSAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE, USUALIDADE E NORMALIDADE DA DESPESA. À falta de comprovação quanto à necessidade, usualidade e normalidade das despesas glosadas pela fiscalização, em relação às atividades da empresa, implica considerálas indedutíveis. POSTERGAÇÃO A alegação de postergação de pagamento do tributo, sem a devida comprovação do seu efetivo pagamento, não pode ser comprovada apenas mediante os registros contábeis. MULTA QUALIFICADA. Não comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64, no intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, não se admite a qualificação da multa de ofício, nos termos definidos pela legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a multa qualificada, vencidos os conselheiros Rogério Aparecido Gil e Lizandro Rodrigues de Sousa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 13 14 /2 01 4- 47 Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator (assinado digitalmente) Flavio Machado Vilhena Dias Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 0266.657, de 25 de setembro de 2015, da 3ª Turma da DRJ de Belo Horizonte (DRJ/BHE) que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de mérito e no mérito julgou improcedente a Impugnação, registrandose a seguinte ementa: NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. GLOSA DE DESPESAS. DESPESAS NECESSÁRIAS. NÃO COMPROVADO. INDEDUTIBILIDADE. Não comprovado que as despesas glosadas pela fiscalização estavam ligadas à atividade da empresa, as mesmas são indedutíveis, em razão da desnecessidade, sendo cabível a autuação. POSTERGAÇÃO PAGAMENTO Não basta a simples alegação da ocorrência de postergação de pagamento do tributo, sendo indispensável a comprovação do seu efetivo pagamento e não apenas a contabilização. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. LANÇAMENTOS DECORRENTES Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 4 3 O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Conforme destacado no Termo de Verificação Fiscal (TVF), em 15/05/2014 iniciaramse os procedimentos de fiscalização, em relação aos anos calendários de 2010 e 2011, constatouse: a) a omissão de receita não operacional, por falta de contabilização de venda de bens do ativo imobilizado; e b) a contabilização indevida de despesas, passíveis de glosa, como a seguir detalhado: Glosa de Despesas A Recorrente contabilizou diversas despesas, nos anos calendários de 2010 e 2011, sem que preenchessem os requisitos legais quanto à necessidade, normalidade e usualidade para as atividades da empresa, estabelecidos nos artigos 299 e 300 do RIR, de 1999, Decreto n° 3000, de 1999. O detalhamento das despesas glosadas consta das planilhas anexadas ao processo. As cópias dos documentos que embasaram esta planilha também estão anexados ao processo. Tais despesas foram contabilizadas como "Diversos", "Despesas" ou " Vendas" e não possuem elementos suficientes para identificação da operação e têm idoneidade duvidosa. Também glosaramse valores contabilizados como despesas: Juros e Financiamentos Glosouse o valor de R$ 30.000,00 que é parte da devolução de empréstimo, portanto, não constitui despesa. Também foi glosada a importância de R$ 25.369,99, parte do principal de empréstimo pago e não constitui despesa. Apresentouse documento emitido pela Caixa Econômica Federal para comprovar despesa de R$ 43.191,28. O documento apresentado extrato bancário não permite identificar a inclusão de encargos financeiros nos valores debitados, muito menos a sua quantificação. Despesas com Marketing Além de não preencherem os requisitos legais de dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os documentos apresentados, em sua maioria, discriminam de maneira generalizada o serviço ou a mercadoria, não possuindo elementos suficientes para identificação da operação, além de possuírem idoneidade duvidosa. Omissão de receita A empresa omitiu receita não operacional, caracterizada pela não contabilização de venda do ativo imobilizado de sua propriedade. O valor da venda foi de R$ 1.300.000,00, parcelado. O Contrato de Compra e Venda contém cláusula que determina o pagamento direto aos sócios da empresa. Tal decisão foi considerada pela DRJ como atitude deliberada da empresa, com o intuito de omitir a receita não operacional para pagar menos tributo que o Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 5 4 efetivamente devido. Desta forma, foi aplicada a multa de ofício de 150% sobre o valor dos tributos devidos a este título. Razões de Defesa A Recorrente foi intimada do Acórdão da DRJ, em 29/09/2015 (fl. 565) e interpôs Recurso Voluntário, em 27/10/2015 (fl. 590). São razões podem ser resumidas nos termos a seguir: Preliminar de Nulidade Em preliminar, alega que não obstante ter sido intimada para ciência do auto de infração (22/09/2014), não teria recebido cópia integral do auto de infração, na forma prevista na legislação. Por esse motivo, alega que teria sidolhe retirado o direito de defesa. Invoca o Decreto n° 70.235, de 1972 e ilustra com manifestação de Helly Lopes Meirelles. Alega cerceamento do direito de defesa e agressão ao princípio constitucional da isonomia. Da venda do ativo imobilizado regular contabilização Alega que teria havido erro por parte da Fiscalização. Pois, teria procedido à adequada contabilização da venda do imóvel. A venda do imóvel teria sido realizada em pagamentos parcelados, tendo início em 05/05/2010, somente findando em 20/11/2012; apenas parte da área teria sido vendida: 4.502,50 m2 de uma área total de 12.830,50 m2. O contrato teria cláusula resolutiva, considerando tratarse de pagamentos parcelados; o inadimplemento do contrato colocaria fim ao pacto com a devolução dos valores pagos. Defende que pelo fato de a transação ter sido formalizada por meio de Instrumento Particular de Compra e Venda de Imóvel, não teria o poder legal de transmitir a propriedade do bem imóvel, de modo que a transmissão de propriedade somente poderia se perfazer, mediante a com a emissão da Escritura Pública e seu respectivo registro perante o Cartório de Registro de Imóveis. Desta forma, o auto de infração padeceria de vício em seu lançamento, uma vez que somente poderia ser considerada realizada a venda, quando do efetivo registro da escritura junto ao Cartório de Registro de Imóveis. Dadas as características do contrato, a autuada somente contabilizou a venda do bem após vencidas as condições resolutivas previstas no contrato, tais como pagamentos parcelados e a efetiva escrituração do bem em favor da Cooperativa Copagril. A cópia do Livro Razão da empresa referente ao AC 2012 poderia comprovar que a empresa realizou o lançamento da venda do imobilizado, com a realização do pagamento do imposto relativo ao ganho de capital, na forma prevista no Regulamento do Imposto de Renda. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 6 5 Da denúncia espontânea Na remota hipótese de se admitir pela obrigação do lançamento mensal dos valores em função do contrato de compra e venda, a demonstração do lançamento realizado pela empresa antes de qualquer atuação fiscal caracterizaria a denúncia espontânea, de modo que deveria ser afastada toda e qualquer pretensão de cobrança de multa. Invoca o art. 138 do CTN e transcreve passagem de Aliomar Baleeiro. Apuração do ganho de capital Salienta que, caso houvesse a determinação quanto à origem dos valores alienação de bem do ativo imobilizado o lançamento somente poderia ser em relação ao efetivo valor do ganho de capital, conforme art. 418 do RIR, de 1999. Ainda que não se admita a observância do regime de competência, a previsão do art. 273 do RIR, de 1999 milita em favor da autuada. Contabilização das despesas A despeito dos comentários (baseados em presunção e sem qualquer comprovação técnica) sobre grafias dos documentos, a glosa foi efetuada pelo entendimento de que tais despesas não eram dedutíveis na forma como contabilizadas. Invoca os arts. 299 e 300 do RIR, de 1999 para argumentar que a simples previsão legal ao caso em comento e a inexistência de uma única prova de que os valores constantes das notas fiscais não foram efetivamente pagos evidenciam a improcedência do auto de infração. A presunção no lançamento fiscal não é admitida, uma vez que não existe até a presente data a regulamentação do parágrafo único do art. 116 do CTN. Desta forma, insiste em alegar que teria sido regularmente realizada a escrituração contábil e fiscal; que o ônus da prova acerca da irregularidade ou ilegitimidade da escrituração contábil seria do fisco, que não haveria se falar em inversão do ônus da prova. Multa Qualificada Alega que, o fisco teria entendido que a não escrituração dos valores relativos à venda do ativo imobilizado constituiria prática deliberada de omissão de receitas, justificando a qualificação da multa. Ressalta que, os motivos arrolados não justificariam a qualificação da multa. Como demonstrado, não haveria qualquer tentativa de sonegação de tributos, houve sim, a consideração da venda do imóvel, após a transferência junto ao registro de imóveis, dentro do AC de 2012. No presente caso, com a simples demonstração da contabilização da venda do imóvel seria suficiente para jogar por terra qualquer alegação de fraude ou simulação. Ilustra com jurisprudência administrativa. Pedidos Requereu o acolhimento da preliminar de nulidade, e na hipótese de afastamento, provimento ao recurso voluntário, exonerandose inclusive a multa de 150%. É o relatório. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma relatada, o recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Conheço do recurso. Preliminar de nulidade A Recorrente alega a nulidade do lançamento, argumentando que somente recebeu o Auto de Infração e o Termo de Verificação Fiscal, não recebendo a integralidade da cópia do processo que embasou o feito fiscal. O Decreto n° 70.235/72 assim prescreve, acerca do Processo Administrativo Fiscal: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) [...] Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I. a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Notese que, dentre os elementos obrigatórios do auto de infração não está incluída a cópia integral do processo; a disposição legal infringida, a penalidade aplicável e a descrição dos fatos correspondentes reportamse aos elementos necessários para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. Contudo, ainda que assim não entenda o sujeito passivo, a ele está facultada a obtenção da cópia integral do processo, mediante solicitação à RFB, conforme preceitua a Lei n° 9.250, de 1995: Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 8 7 Art. 38. Os processos fiscais relativos a tributos e contribuições federais e a penalidades isoladas e as declarações não poderão sair dos órgãos da Secretaria da Receita Federal, salvo quando se tratar de: I encaminhamento de recursos à instância superior; II restituições de autos aos órgãos de origem; III encaminhamento de documentos para fins de processamento de dados. § 1° Nos casos a que se referem os incisos I e II deverá ficar cópia autenticada dos documentos essenciais na repartição. § 2° E facultado o fornecimento de cópia do processo ao sujeito passivo ou a seu mandatário. Não consta do processo, nem mesmo foi mencionada pela Recorrente qualquer petição desta natureza. A propósito, as infrações apontadas pelo fisco foram apuradas a partir da verificação dos documentos apresentados pelo próprio contribuinte, de modo que, não se pode alegar desconhecimento de seu conteúdo. Acerca da nulidade aventada pelo impugnante, o artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972: "Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. " Não se vislumbra, no presente caso, qualquer óbice que determine a precariedade do ato realizado pelo Fisco, uma vez que efetuado nos moldes estabelecidos pela legislação afeta ao procedimento. Constatase que o Auto de Infração em questão foi prolatado por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, portanto, norteados dentro do Princípio da Legalidade. Os motivos do lançamento foram precisamente identificados pela autoridade competente e, por sua vez, a argumentação desenvolvida pela Recorrente permite concluir que a motivação dos lançamentos foi compreendida, tanto que impugnada e objeto do recurso voluntário em questão. Dessa forma, concluise que a argumentação acerca da nulidade apresentada pela Recorrente não tem razão de ser: o ato em questão não resultou em cerceamento do direito de defesa, uma vez que a Recorrente foi devidamente cientificada do procedimento, da sua motivação e da capitulação legal correspondente. Rejeitase, portanto, a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. Mérito Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 9 8 O auto de infração em discussão neste processo tem como discussão dois temas, a) a omissão de receitas não operacionais e b) a dedução de despesas não necessárias ou não comprovadas. Tendo em vista a argumentação apresentada pela Recorrente, temse: Venda do ativo imobilizado O fisco apurou a omissão de receitas não operacionais, caracterizada pela não contabilização de venda do ativo imobilizado de propriedade da Recorrente, no valor de R$ 1.300.000,00. Os pagamentos foram efetuados parceladamente e o fisco considerou como ocorrido o fato gerador nas datas e valores dos efetivos recebimentos: maio/2010 a novembro/2012. A Recorrente argumenta que a compra/venda apontada pelo fisco iniciouse em maio/2010, mas somente findou em 20/11/2012 e que a área vendida 4.502,50 m2 é parte de uma área total de 12.830,50 m2. O pacto entre as partes foi formalizado com cláusula resolutiva e não tem o poder legal de transmitir a propriedade do bem imóvel, que somente se dá com a emissão da Escritura Pública de Compra e Venda e seu registro junto ao Cartório de Registro de Imóveis. Neste contexto, argumenta que somente contabilizou a venda do bem após vencidas as condições resolutivas previstas no contrato. Menciona o lançamento da venda do imobilizado no ano de 2012, com o pagamento do imposto relativo ao ganho de capital apurado, na forma prevista no Regulamento do Imposto de Renda. Apresenta diversos documentos no intuito de comprovar suas alegações. Contesta ainda a apuração do imposto devido a este título apurado pelo fisco, argumentando que o lançamento somente poderia ocorrer em relação ao valor do ganho de capital. O Contrato de Compra e Venda apresentado pela autuada na fase de auditoria, anexado às fls. 356 a 361 do processo, contém as seguintes informações: Do Objeto da Compra e Venda (...) contratam a venda e compra da porção equivalente a 4.502,50 m2 a serem desmembrados do imóvel denominado Chácara 336/A, (...) com todas as benfeitorias nele existentes, imóvel este que encontrase registrado junto ao CRI de Marechal Cândido Rondon sob a matrícula 24.080, que conta em sua totalidade com 12.830,50m2, de propriedade da compromitente. (...) Do Preço O valor total da venda do imóvel resta ajustado por meio do presente instrumento em R$ 1.300.000,00, o qual será pago da seguinte maneira: R$ 650.000,00 a serem pagos no ato da assinatura deste instrumento. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 10 9 seis parcelas mensais e consecutivas, cada uma no valor de R$ 35.000,00, sendo a primeira vencível em data de 10 de junho de 2010 e a última em data de 10 de novembro de 2010. vinte e quatro parcelas mensais e consecutivas, cada uma no valor de R$ 18.333,34, sendo a primeira vencível em data de 10 de dezembro de 2010 e a última em data de 10 de novembro de 2012. Parágrafo único: os pagamentos supra serão efetuados diretamente nas mãos dos sócios da compromitente que ficam obrigados a emitir o devido recibo. (...) Da Rescisão Se os compromitentes, após o pagamento do sinal, recusaremse a outorgar a escritura definitiva em favor da compromissária, esta poderá exigir a restituição, em dobro (...) Por sua vez, o documento apresentado pela Recorrente junto com a impugnação, emitido pelo Cartório de Registro de Imóveis contém as seguintes informações: IMÓVEL Consta do LOTE URBANO n° 09 (...) com a área de 4.502,50m2, com uma construção de alvenaria com área de 1.146,61 m2(...) Nos termos da Escritura Pública de Compra e Venda, datada de 29 de dezembro de 2011 (...) o imóvel constante da presente matrícula, foi adquirido por COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL COPAGRIL, (...) por compra feita de DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS BACIQUETTILTDA (...) Pelo valor de R$ 1.300.000,00 (...) Condições: DO VALOR E DA FORMA DE PAGAMENTO: Que o preço certo e ajustado da venda é de R$ 1.300.000,00, pagos da seguinte forma: R$ 1.098.333.26 foram pagos em moeda nacional, parcelado conforme contrato firmado em 04 de maio de 2010. (...) o saldo no valor de R$ 201.666,74 deverá ser pago em moeda nacional em 11 parcelas fixas mensais no valor de R$ 18.333,34 cada uma, sendo o vencimento da primeira em data de 10/01/2012 e as demais em igual dia dos meses subseqüentes, cuja quitação darseá contra recibo. Da leitura dos documentos acima, constatase: • Ambos os documentos referemse à aquisição de fração de 4.502,50 m2 de terreno com área total de 12.830,50m2. • A Escritura Pública de Compra e Venda do imóvel identificado pelo cartório data de 29/12/2011 e o registro no Cartório de Registro de Imóveis ocorreu em 03/02/2012. • O imóvel identificado no Registro de Imóveis à fl. 523 é composto pela área de 4.502,50 m2, com uma construção de alvenaria com área de 1.146,61 m2. • O imóvel identificado no Contrato de Compra e Venda referese à porção equivalente a 4.502,50 m2 a serem desmembrados do imóvel denominado Chácara 336/A, com todas as benfeitorias nele existentes; tal documento não Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 11 10 menciona a existência de construção de alvenaria, apesar de fazer alusão a benfeitorias. • O Contrato de Compra e Venda apresentado ao fisco quando da auditoria previa a outorga da escritura definitiva em favor da compromissária após o pagamento do " sinal", sob pena de multa. Considerando as informações acima, constatase que: Diferente do argumento utilizado pela Recorrente, a escritura definitiva do imóvel estava prevista para efetivação "logo após o pagamento do sinal', de modo que a transferência do imóvel após o pagamento do valor parcelado tal como aventada pela Recorrente está em desacordo com pacto efetuado. Acrescentese ainda que, a escritura pública apresentada foi lavrada antes do pagamento integral das parcelas pactuadas, em 03/02/2012 e não em dezembro/2012, como menciona a Recorrente. Verificando as DIPJs apresentadas pela autuada referentes ao período de 2010 a 2012, são encontradas as seguintes informações: BALANÇO PATRIMONIAL Período DIPJ AC 2009 DIPJ AC 2010 DIPJ AC 2011 DIPJ AC 2012 39. Terrenos R$ 7.500,00 R$ 7.500,00 R$ 7.500,00 R$ 3.748,49 40.Edifícios e Construções R$ 102.908,34 R$ 102.908,34 R$ 120.545,33 R$ 0,00 41.Construções em Andamento R$ 71.050,77 R$ 75.050,77 R$ 75.050,77 R$ 0,00 Considerando as informações do demonstrativo acima, fornecidas pela própria Recorrente em suas DIPJs, constatase que o Ativo Imobilizado Terrenos somente foi alterado pelo contribuinte no AC de 2012. Ainda verificando as informações prestadas pela Recorrente nas DIPJs, tem se: DIPJ AC 2010 DIPJ AC 2011 DIPJ AC 2012 1° trimestre 66.Receitas Alien.Bens Direitos Invest.,Imob.e Intangível R$ 0,00 R$ 999,51 R$ 0,00 70.()Valor Contábil dos Bens e Direitos Alienado R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 2° trimestre 66.Receitas Alien.Bens Direitos Invest.,Imob.e Intangível R$ 9.000,15 R$ 0,00 R$ 0,00 70.()Valor Contábil dos Bens e Direitos Alienados R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 3° trimestre 66.Receitas Alien.Bens Direitos Invest.,Imob.e Intangível R$ 0,00 R$ 39.933,43 R$ 0,00 70.()Valor Contábil dos Bens e Direitos Alienados R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 1.238,04 4° trimestre 66.Receitas Alien.Bens Direitos Invest.,Imob.e Intangível R$ 266,49 R$ 0,00 R$ 0,00 70.()Valor Contábil dos Bens e Direitos Alienados R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 12 11 O demonstrativo acima indica as receitas não operacionais advindas da alienação de bens e direitos; a receita da alienação do imóvel apontado pelo fisco, no valor de R$ 1.300.000,00 não foi localizada nas informações prestadas pelo contribuinte, nem mesmo no AC de 2012, quando o impugnante alega seu oferecimento à tributação. Apesar de a Recorrente mencionar a apuração e pagamento do IRPJ referente ganho de capital auferido quando da alienação em questão, não foi apresentada tal apuração nem os pagamentos correspondentes, assim como também não foram localizados nos sistemas informatizados da RFB quaisquer pagamentos a este título. Por outro lado, o Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3000, de 1999 (RIR, de 1999) assim prescreve acerca do assunto: Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 31). § 1° Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 31, § 1°). § 2 O saldo das quotas de depreciação acelerada incentivada, registradas no LALUR, será adicionado ao lucro líquido do período de apuração em que ocorrer a baixa. [...] Art. 421. Nas vendas de bens do ativo permanente para recebimento do preço, no todo ou em parte, após o término do anocalendário seguinte ao da contratação, o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, reconhecer o lucro na proporção da parcela do preço recebida em cada período de apuração (Decretolein° 1.598, de 1977, art. 31, §2°). Parágrafo único. Caso o contribuinte tenha reconhecido o lucro na escrituração comercial no período de apuração em que ocorreu a venda, os ajustes e o controle decorrentes da aplicação do disposto neste artigo serão efetuados no lAlUR. Pela leitura do dispositivo legal acima transcrito, percebese que o legislador identificou com clareza a forma de tributação para o caso em questão: o lucro pode ser reconhecido na proporção da parcela do preço recebida em cada período de apuração, exatamente como apurou o fisco ao efetuar o lançamento. Ainda que a apuração em comento tenha por base o valor contábil do bem, a Recorrente não apresentou qualquer documento destinado a comprovar o valor contábil do bem alienado, de modo que, ao fisco não houve alternativa a não ser tributar a totalidade do rendimento auferido com esta alienação. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 13 12 A Recorrente também não apresentou qualquer documento ou mesmo alegação a respeito, limitase a contestar o apurado de forma genérica. Postergação Com referência à postergação aventada pela Recorrente, cabe lembrar que esta hipótese somente pode ser considerada quando do pagamento do imposto devido fora do prazo previsto em lei, em função da contabilização efetuada a destempo. No caso em questão, não foi comprovado o pagamento do imposto devido, de modo que, não há que se falar em postergação. Denúncia espontânea A Recorrente também menciona a ocorrência da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. De pronto, cabe lembrar que a denúncia espontânea é prevista quando do efetivo pagamento do tributo devido e dos juros de mora correspondentes, portanto, inaplicável ao caso vertente, uma vez que sequer foi comprovado o pagamento do imposto devido. Glosa de despesas O fisco efetuou a glosa de diversas despesas, considerando que os respectivos não preenchem os requisitos legais para serem consideradas necessárias, usuais e normais para as atividades da empresa; também foram glosadas despesas não efetivamente comprovadas pelo contribuinte na fase da auditoria. A Recorrente rechaça a glosa efetuada, argumentando, em síntese, que não existe prova de que os valores constantes das notas fiscais não foram efetivamente pagos pela autuada e que não estão equiparadas à sua atividade específica. Conclui que o lançamento em questão foi efetuado por presunção legal que, até a presente dada não foi regulamentada pela legislação ordinária. De pronto, cabe esclarecer que a presunção legal tem previsão na legislação tributária vigente (exemplificando, o art. 281, do RIR, de 1999); contudo, não cabe aqui dissertar acerca do assunto, considerando que o lançamento em discussão não foi efetuado por presunção legal. O Lucro Real, base para apuração do IRPJ é o lucro líquido do período de apuração, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por lei. Por sua vez, o lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações, determinado com observância dos preceitos da legislação comercial. O Lucro Operacional, nos termos do RIR, de 1999: LUCRO OPERACIONAL Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 11). Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 14 13 Parágrafo único. A escrituração do contribuinte, cujas atividades compreendam a venda de bens ou serviços, deve discriminar o lucro bruto, as despesas operacionais e os demais resultados operacionais (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 11, § 1°). [...] Custos, Despesas Operacionais e Encargos Subseção I Disposições Gerais Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47). § 1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 1°). § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 2o). § 3° O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Diante dos esclarecimentos acima, em respeito aos dispositivos legais afetos à matéria, para que sejam computadas na apuração do lucro operacional, as despesas devem ser necessárias à atividade da empresa e da manutenção da manutenção da fonte produtora, e somente são admitidas se usuais ou normais no tipo de transação, operação ou atividade da empresa. Como se vê, não basta comprovar o efetivo pagamento da despesa fato este nem discutido neste processo; as despesas devem preencher os requisitos legais previstos na lei. As despesas contabilizadas como "Despesas c/ alimentação" e "Material de Consumo" glosadas pelo fisco são aquelas constantes das planilhas anexadas ao processo, cujos dados foram extraídos dos documentos fornecidos pelo contribuinte e também anexados ao processo. Da análise destes documentos, temse: • A grande parte dos documentos apresentados corresponde a "Notas Fiscais de Venda ao Consumidor", em valores não usuais, e emitidos por estabelecimentos que fornecem alimentação a varejo: Lanchonete e Garapeira Águia Dourada, Lanchonete Bom Lanches, Bar e Lanchonete Asa Branca, Mercado Superação, Bar e Mercearia dos Amigos, Mercado Frankfurt, Mercado Sete, Pesque e Pague Petri, Confeitaria Maravilhas do Céu, Embutidos Mercedes. • A discriminação do produto nestes documentos limitase à descrição genérica de "lanches", "café", "despesas", "vendas", "diversos"; ou seja, não se pode sequer identificar o produto adquirido, nem a quem foi destinado: não tem a identificação do comprador, considerando tratarse de documento destinado a consumidor final. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 15 14 • Os demais documentos, também correspondentes a "Nota Fiscal de Venda ao Consumidor', advém de Loja Noili (comércio varejista de roupas), Informática e Livraria Paraná, VM Transporte Rodoviário, todos em valores pouco usuais considerando tratarse de consumidor final, e também com descrição genérica dos produtos adquiridos: "despesas", "materiais diversos", "vendas diversas". Com efeito, a simples descrição genérica dos produtos constantes dos documentos apresentados já impede a constatação da necessidade da aquisição para a manutenção da fonte produtora. Acrescentando a este impedimento, a aquisição de quaisquer dos produtos comercializados pelos fornecedores apontados comerciantes varejistas pelos valores constantes dos documentos apresentados, é absolutamente fora do usual para o porte e o ramo de atividade exercido pela autuada. Ainda que não se possa identificar o produto pretensamente adquirido pela autuada, grande parte dos fornecedores tem como objeto gêneros alimentícios. Acerca da despesa com alimentação do trabalhador, o RIR, de 1999 assim prescreve: Alimentação do Trabalhador Art. 369. Admitirseão como dedutíveis as despesas de alimentação fornecida pela pessoa jurídica, indistintamente, a todos os seus empregados, observado o disposto no inciso V do parágrafo único do art. 249 (Lei n° 9.249, de 1995, art. 13, § 1°). Parágrafo único. Quando a pessoa jurídica tiver programa aprovado pelo Ministério do Trabalho, além da dedução como despesa de que trata este artigo, fará também jus ao benefício previsto no art. 581. A Recorrente não trouxe ao processo qualquer documento ou alegação a comprovar a necessidade e usualidade das despesas deduzidas; também não foi apresentada qualquer comprovação acerca do fornecimento de alimentação indistintamente a seus empregados. Neste contexto, as despesas glosadas pelo fisco computadas pela Recorrente na apuração do lucro operacional da empresa estão em total desconformidade com a legislação tributária vigente, de modo que, mantémse a glosa efetuada pelo fisco. Juros de financiamentos e variações monetárias passivas Também foram glosadas pelo fisco despesas com "juros e financiamentos", "variações monetárias passivas" . Estas despesas foram glosadas em decorrência da ausência da sua comprovação. A Recorrente não traz ao processo alegações específicas acerca da questão, limitase a argumentar que o fisco não comprovou a inexistência do efetivo pagamento e que sua escrituração contábil faz prova em seu favor. O CTN, acerca do assunto: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 16 15 comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. O RIR, de 1999, acerca da escrituração do contribuinte: Da Prova Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei n° 1.598, de 1977, art. 9°, § 1°). À vista dos dispositivos legais acima transcritos, constatase que o sujeito passivo deve manter em boa guarda todos os documentos que ampararam sua escrituração até que ocorra a prescrição dos créditos tributários correspondentes. Desta feita, todos os documentos que ampararam a apuração dos impostos e contribuições devidos em função da legislação vigente devem estar disponíveis ao fisco para verificação, dentro do prazo previsto em lei. Neste contexto, caberia à Recorrente comprovar a legalidade dos procedimentos por ela executados; não comprovados os fatos registrados em sua escrituração e a sua subsunção à legislação vigente, submetese à ação do fisco e às sanções previstas em lei: não comprovada a despesa e a sua previsão legal de dedutibilidade, legítima a glosa efetuada pelo fisco, na apuração dos impostos/contribuições efetivamente devidos. Multa qualificada de 150% O fisco aplicou a multa de ofício qualificada de 150% quanto ao crédito tributário apurado em função da omissão de receitas não operacionais. Motivou a qualificação da multa pela intenção deliberada da omissão, considerando a cláusula constante do Contrato de Compra e Venda do Imóvel, que previu, expressamente, o pagamento das parcelas diretamente aos sócios. A Recorrente contesta a aplicação da multa qualificada, argumentando, em síntese, que o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado na autuação e que os motivos apresentados pelo fisco não justificam a qualificação da multa. A inexistência de qualquer tentativa de sonegação pode ser comprovada com a contabilização da venda do imóvel em 2012. De pronto, cabe lembrar que apesar de mencionar a contabilização da receita em questão, o contribuinte não apresentou esta contabilização nem a comprovação do pagamento do imposto correspondente; este pagamento também não foi localizado nos sistemas informatizados da RFB. A conduta da Recorrente em direcionar o pagamento destinado à empresa para as pessoas físicas dos sócios demonstra que a autuada deliberadamente agiu no intuito de retardar, total ou parcialmente, o conhecimento do fato gerador da obrigação Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 17 16 principal por parte da autoridade fazendária, com a finalidade de eximirse do pagamento do imposto devido. A Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, acerca do assunto: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A situação fática do processo que originou a qualificação da multa referente à omissão de receitas não operacionais enquadrase no dispositivo legal acima transcrito, caracterizando a conduta dolosa do contribuinte, submetendo o imposto omitido à multa qualificada prevista no parágrafo 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Neste contexto, pelos mesmos motivos, mantémse o lançamento referente à CSLL. Jurisprudência Administrativa Tendo em vista ainda, que a Recorrente dentre outros fundamentos, arrima suas razões em entendimento emanado de jurisprudências administrativas como fonte de direito tributário, cumpre considerar que o art. 100, inc. II, do Código Tributário Nacional, dispõe que as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa são fontes secundárias de direito tributário, como normas complementares das chamadas fontes primárias, quando a lei lhes atribuir eficácia normativa. Ressalvando a hipótese do art. 113 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, que versa sobre a edição de súmula vinculante na esfera administrativa, inexiste norma legal que atribua às decisões administrativas, no âmbito do processo administrativo fiscal a eficácia normativa prevista no CTN; dessa forma, elas têm eficácia restrita aos casos para os quais foram proferidas. Portanto, sem propósito arrimar razões de discordância em ementas de acórdãos do CARF, que são eficazes apenas em relação à matéria circunscrita nos autos do Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 18 17 processo respectivo em que foram proferidos, mormente porque, à míngua do inteiro teor do acórdão, não há sequer como o julgador aquilatar, cabal e insofismavelmente, a natureza e limites da matéria versada, nem como aferir os parâmetros de alcance e temporalidade da ementa paradigma. Jurisprudência Judicial Com relação às manifestações do Poder Judiciário, citadas pela Recorrente, cabe esclarecer que, ressalvadas as hipóteses expressamente previstas em lei, não vinculam a autoridade administrativa de primeiro grau. Somente poderiam ser opostas à Administração quando das hipóteses previstas no art. 19 da Lei n° 10.522, de 2002 na versão dada pela Lei n° 12.844, de 2013, ou a existência de processo judicial regularmente instaurado em nome do próprio contribuinte e autorização expressa da autoridade judiciária em prol do que se pretende. A Administração Pública está pautada pelo princípio da legalidade, que significa dizer que o administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum, e deles não pode se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse à responsabilidade disciplinar e civil, conforme o caso. Os lançamentos referentes ao IRPJ e à CSLL têm origem no mesmo fundamento factual, de modo que, não afastadas as irregularidades apontadas pelo fisco, que apurou o crédito tributário devido da forma como prescrita na legislação tributária vigente, deve ser mantido o lançamento. Doutrina Considerando ainda que a Recorrente traz à baila manifestações de ilustres juristas, esclareço que a doutrina que permeia a peça de defesa não se sobrepõe às prescrições legais, tampouco às orientações normativas regularmente editadas pela Receita Federal do Brasil, uma vez que elas não produzem efeito vinculante sobre os atos administrativos em geral. Conclusão Concluindo, diante de tudo acima exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 19 18 Voto Vencedor Flávio Machado Vilhena Dias Redator do voto vencedor. No ponto em que se analisa a qualificação da multa imposta pelo agente autuante, ousase, data venia, em discordar do douto Conselheiro Relator. No Recurso Voluntário apresentado, a Recorrente alega que não restou comprovada nenhuma conduta dolosa que pudesse ensejar a qualificação da multa, uma vez que, em suas palavras, "o intuito doloso deve ser plenamente demonstrado na autuação, sob pena de não restar evidenciado o ardil característico da fraude, elemento indispensável para ensejar o lançamento da multa qualificada". De pronto, devese esclarecer que, como já pacificado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a simples omissão de receitas não é suficiente para se fundamentar a qualificação da multa. Há, inclusive, súmula neste sentido: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim, para a qualificação da multa, cabe ao agente autuante comprovar a prática, pelo contribuinte, das condutas descritas na legislação. No presente caso, como se denota termo de verificação fiscal, a única justificativa para a qualificação da multa seria o fato de o contribuinte ter deixado de levar à tributação receitas, que posteriormente foram identificadas como tributáveis pelo agente fiscal. Vejase trecho neste sentido: O contrato de compra e venda do citado imóvel, contém no parágrafo único da Cláusula Segunda, que trato "Do preço" e da forma de pagamento (a seguir reproduzido), determinação para pagamento direto aos sócios da empresa: "Parágrafo Único: os pagamentos supra, serão efetuados diretamente em mãos dos sócios da compromitente que ficam obrigados a emitir o devido recibo." Tal decisão, permite concluir que, deliberadamente, a empresa omitiu a receita não operacional, fruto da venda do seu ativo imobilizado, para, em consequência, pagar menos tributo do que o efetivamente devido. Dessa forma, conforme previsto no parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 (Artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000/1999). aplicamos a multa de 150¨% sobre o valor dos tributos devidos, incidentes sobre a omissão de receita não operacional apontada. Pelo o que se percebe do trecho transcrito (e esta é a única fundamentação para a qualificação da multa, ressaltese) e de toda a documentação carreada nos autos, não houve, por parte da fiscalização, imputação e/ou comprovação de condutas dolosas praticadas pelo contribuinte a ensejar a qualificação da multa. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 20 19 Como sabido, o parágrafo 1º do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, determina a aplicação da penalidade em dobro quando constatada a prática de alguma das condutas previstas no artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Citase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por sua vez, os dispositivos da Lei nº 4.502/64 que autorizam a qualificação da multa são os seguintes: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72 Repisese: não há nos autos qualquer imputação e/ou comprovação de condutas dolosas praticadas de acordo com os dispositivos acima transcritos. É fato, é claro, que o contribuinte deixou de levar à tributação algumas receitas que seriam tributáveis, mas não se pode olvidar que este mesmo contribuinte apresentou à fiscalização todos os elementos para que estas receitas pudessem ser identificadas. Assim, a única conclusão a que se pode chegar é que não houve conduta dolosa. Se estivesse agindo com dolo, ao certo, que nem os contratos em que a fiscalização apurou omissão de receitas seriam entregues, muito menos os demais documentos contábeis e fiscais. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 21 20 Ainda, não se pode olvidar a orientação da citada súmula CARF nº 14, que é de aplicação vinculada pelos órgãos colegiados do conselho, e que preceitua a necessidade de comprovação das condutas dolosas do contribuinte, no caso de omissão de receitas, a ensejar qualificação da multa. Portanto, voto, neste ponto, por DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar a qualificação da multa, por ausência de comprovação pela fiscalização das condutas dolosas praticadas pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 629DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.003064/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO.
Para fins de apuração de crédito do PIS/Pasep e da Cofins não-cumulativos, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade.
No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com embalagens, fretes das embalagens, e gás combustível para empilhadeira e mantida a glosa no que tange à despesa com condomínio.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-004.523
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens e, por maioria de votos, em negar provimento para manter a glosa relativa à despesa com condomínio, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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Recorrente POMAGRI FRUTAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. Para fins de apuração de crédito do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, adotandose, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornandose imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade. No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com embalagens, fretes das embalagens, e gás combustível para empilhadeira e mantida a glosa no que tange à despesa com condomínio. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens e, por maioria de votos, em negar provimento para manter a glosa relativa à despesa com condomínio, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 30 64 /2 00 9- 31 Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento, cumulado com declarações de compensação, relativo a crédito da Cofins NãoCumulativa, vinculado a receitas de vendas submetidas à alíquota zero (produção e comercialização de maçãs), deferido parcialmente por Despacho Decisório exarado pela unidade de origem. Dessa forma, apenas parte das compensações declaradas foi homologada. Conforme Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal constante nos autos, o reconhecimento parcial do crédito decorreu de glosas efetuadas em itens diversos de custo e despesa que compunham o crédito demonstrado pelo contribuinte no Dacon. Cientificado do decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual pede o reconhecimento integral do crédito de ressarcimento, com base nas seguintes razões: (i) Os materiais de embalagens (cantoneiras, bandejas, fitas adesivas, pallets, papelseda, plástico bolha, tampas, fundos, caixas de papelão etc) são indispensáveis ao acondicionamento do produto, não exclusivamente com o fim de transporte, porquanto utilizados para assegurar a integridade da fruta até o seu destino; (ii) O papelseda, fita, cantoneira e outros são insumos na produção da maçã, conforme item acima, de modo que gera creditamento a despesa com o serviço de transporte para adquirilos; (iii) A despesa com condomínio deve ser creditada da mesma forma que a despesa com aluguel, pois o acessório segue o principal; (iv) O GLP relacionado à glosa foi empregado nas empilhadeiras destinadas à movimentação das maçãs, de modo que o combustível está diretamente ligado ao processo produtivo; (v) Não existe lei formal determinando a aplicação do conceito de insumo do IPI à apuração das contribuições nãocumulativas; (vi) O critério de insumo utilizado na decisão recorrida não está em conformidade com Soluções de Consulta emanadas das Superintendências da Receita Federal do Brasil (Processo de Consulta nº 99/09 da SRRF6ªRF), com decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Recurso Voluntário nº 146.778) e com a jurisprudência judicial (Acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, de 26 de março de 2009; Agravo Regimental no REsp nº 1.125.253/SC, de 15 de abril de 2010). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, nos termos do Acórdão nº 08033.967. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão e, insatisfeito com o seu teor, interpôs Recurso Voluntário, através do qual requereu: (i) recebimento do recurso voluntário; ii) procedência do recurso para reformar o acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito ao crédito de COFINS requerido no pedido de ressarcimento. É o breve relatório. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.509, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.003017/200997, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.509): "Voto Vencido O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1) Do direito ao creditamento de COFINS linhas gerais Consoante acima indicado, a presente demanda versa sobre o direito ao creditamento de COFINS em razão da análise do conceito de insumos disposto na legislação de regência. A DRJ seguiu a legislação do IPI, entendendo que, para que fosse concedido o crédito, seria essencial o desgaste físico no produto no processo produtivo da empresa. Esse entendimento, contudo, encontrase superado por este Conselho, que construiu uma corrente intermediária própria, fugindo tanto às normas atinentes ao IPI quanto às normas atinentes ao IRPJ. E é com base nesta corrente intermediária, com a qual me alinho, que serão analisados a seguir os itens que foram objeto de glosa por parte da fiscalização. Importante destacar que o embasamento da glosa realizada pela fiscalização foi a ausência de previsão legal para autorização do creditamento realizado, e não a falta de comprovação da sua origem. Logo, a questão deve ser apreciada sobre o aspecto de direito. Sobre o creditamento, o art. 3º da Lei nº 10.833/2003 assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 6 5 em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. No que tange à alínea II acima, embora ciente que alguns julgadores deste Conselho adotam interpretação restritiva do conceito de insumos para fins de admissão do crédito, inclusive acolhendo em alguns casos o conceito de insumos inserto na legislação do IPI, tem prevalecido nas decisões proferidas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais uma posição menos engessada, por meio da análise dos créditos aplicáveis em cada caso concreto, em razão da atividade desempenhada pela empresa. A análise do presente caso, portanto, em determinadas situações, perpassa pela definição do conceito de insumos para o PIS e a COFINS. Nos termos dos recentes julgados proferidos por este Conselho, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 7 6 essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Logo, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade à atividade desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente. Esta, inclusive, também é a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento daquela Corte pode ser visualizado no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques, proferido nos autos do Recurso Especial nº 1.246.317MG: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 8 7 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Quanto ao tema, filiome à corrente intermediária acima indicada, pelo que entendo merecer reforma a decisão recorrida quanto aos seus fundamentos, uma vez que, para a compreensão do direito à apuração de créditos de PIS e COFINS no sistema da nãocumulatividade, não deve ser adotado o conceito estrito de insumos constante da decisão recorrida. 2) Dos itens em que o direito ao creditamento restou afastado pela DRJ A empresa em questão planta, produz e comercializa frutas. O recorrente se insurge contra o entendimento da DRJ, argumentando que as despesas com aquisições de embalagens, frete das embalagens, gás combustível para empilhadeiras e condomínio devem gerar crédito de COFINS por serem todas diretamente necessárias à comercialização do produto. Afirma que tais despesas se relacionam diretamente com a preservação da integridade do produto, transporte de insumos e armazenamento. Com relação ao condomínio, afirma que este é acessório que deve seguir a sorte do principal, que é o aluguel, devendo todas essas despesas gerar créditos de COFINS. A decisão da primeira instância analisou a legislação que trata do conceito de insumo para fins de creditamento da COFINS, e concluiu que o caso dos presentes autos não se enquadra no conceito legal, visto que as embalagens utilizadas pelo contribuinte têm a finalidade única de servir ao transporte das frutas, não havendo comprovação de que acompanham o Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 9 8 produto em sua apresentação final ao consumidor, de modo a agregarlhe valor. Manteve a glosa do crédito referente ao frete das embalagens por terem sido desconsideradas como insumo. Quanto aos gastos com condomínio, rejeitou o argumento de que o acessório segue o principal em razão de não haver a alegada relação de acessoriedade, visto que o pagamento do condomínio independe da existência de relação locatícia, e que o acolhimento de um brocardo para alargar a hipótese de creditamento iria de encontro ao princípio da legalidade. Além disso, a utilidade decorrente do condomínio é deslocada espaçotemporalmente do processo produtivo da maçã. Por fim, manteve as glosas dos créditos sobre as despesas com gás combustível para as empilhadeiras, por não ter havido a desconstituição pelo contribuinte da constatação de que as empilhadeiras possuem uso geral para transporte de objetos, não estando sua utilidade adstrita à produção das maçãs. Entendo que assiste razão ao contribuinte em seus argumentos, consoante restará devidamente demonstrado nos tópicos a seguir. 2.1. Das embalagens As embalagens aqui analisadas são as seguintes: bandejas (utilizadas nas caixas de papelão para separar e acondicionar as maçãs), cantoneiras (utilizadas nas caixas de papelão, para proteger o produto, durante o transporte até o cliente, evitando o amassamento da caixa e das maçãs), fitas adesivas (para lacrar o fundo das caixas), pallets e seus acessórios (tais como pregos e etiquetas, utilizados no armazenamento e transporte das caixas de maçãs), papelseda (utilizado para embrulhar a maçã), plástico bolha (empregado para envolver a maçãs, evitando o atrito entre elas), caixa e fundos (usados no acondicionamento das frutas), tampas (utilizadas para proteger a fruta do contato com o ambiente externo), cola (utilizada para colar os rótulos nas caixas de madeira), filme PVC (usado para segurar as caixas nos pallets), termógrafo (usado para controlar a temperatura das caixas quando transportadas). Quanto às embalagens, entendo que a legislação admite o direito ao crédito no caso concreto ora analisado, ainda que as embalagens utilizadas. Isso porque, em razão da especificidade dos produtos produzidos pela Recorrente, é inconteste que as embalagens servem não apenas para o mero transporte, mas também para o seu acondicionamento, apresentandose essenciais à conservação da integridade e qualidade do produto. Conforme fundamentos constantes do tópico anterior, entendo desnecessário que as embalagens sejam incorporadas ao produto durante o processo de industrialização para que seja reconhecido o seu direito ao crédito. É imprescindível, na verdade, identificar se o insumo em questão é essencial à atividade produtiva desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente, tendo concluído no caso dos presentes autos que sim. Até porque, ainda que se entendesse que as embalagens em questão seriam destinadas apenas ao transporte, o que não é o caso, a legislação Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 10 9 atinente à COFINS não acoberta a restrição realizada pela fiscalização para fins de tomada de crédito, a qual levou em consideração a legislação do IPI, cuja aplicável há de ser afastada. Estes custos com embalagens para acondicionamento e transporte, em razão da especificidade dos produtos que a Recorrente comercializa, são essenciais a que o produto produzido pela empresa seja colocado à venda, pelo que se insere no conceito de insumo que adoto, nos termos acima analisados. Entendo, ainda, que este item específico também se insere no inciso IX, que expressamente autoriza o creditamento relativo à armazenagem de mercadoria e frete na importação de vendas, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Isso porque, verificase que a adoção da embalagem em questão é necessária tanto para a armazenagem quanto para o transporte dos produtos que a recorrente industrializa e comercializa, em razão das suas especificidades. Há de se destacar, inclusive, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caso análogo, já se manifestou pelo direito ao crédito em tal caso. É o que se infere da decisão a seguir transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO. Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido) TAMBORES UTILIZADOS COMO EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito da contribuição ao PIS/PASEP nãocumulativo em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, tendo em vista a relação de pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 11 10 Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido) TAMBORES UTILIZADOS COMO EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito da contribuição à COFINS nãocumulativa em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, tendo em vista a relação de pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo. (Acórdão n. 9303004.192, de 04/08/2016). Logo, entendo que a decisão recorrida também deverá ser reformada neste ponto, para fins de admitir o direito ao crédito também no que concerne aos tambores utilizados para acondicionamento e transporte. Sendo assim, entendo que deverá ser reconhecido o direito ao crédito no que concerne às embalagens. 2.2. Dos fretes das embalagens A segunda glosa objeto da presente demanda incidiu sobre o serviço de transporte de material não considerado insumo na produção da maçã, tais como papelseda, fitas, filmes, cantoneira, cola, termógrafo etc. O contribuinte defende que, uma vez considerado insumo o material de embalagem utilizado, a despesa com frete na sua aquisição é capaz de gerar creditamento. No que tange aos fretes das embalagens, uma vez admitido o crédito no que concerne às embalagens, entendo que há de ser admitido o direito ao crédito também no que tange aos fretes das referidas embalagens. Até porque, penso que o gasto com frete pago ou creditado pelo comprador à pessoa jurídica domiciliada no País incorporase ao custo de aquisição do insumo, além de encontrar previsão de desconto de crédito no artigo 3º, inciso IV da Lei nº 10.833/2003, cumulado com o inciso II deste mesmo dispositivo legal. (...) 2.3. Do gás combustível para empilhadeira Por fim, no que tange ao gás combustível para empilhadeira, concordo com os fundamentos do Recorrente neste ponto. Isso porque, não resta dúvidas que este item é essencial ao próprio processo produtivo da recorrente, integrando o custo de produção dos produtos em tela. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 12 11 Nesse mesmo sentido, inclusive, já se manifestou este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ao julgar processo análogo ao presente (Proc. nº 18088.720677/201252, Acórdão n. 3403002.648): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços” que integram o custo de produção. EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito das contribuições em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, por integrarem o custo de produção dos produtos. Afasto, portanto, a glosa realizada pela fiscalização quanto ao combustível para empilhadeiras. 3. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de reconhecer o direito ao crédito no que tange aos seguintes itens: (a) embalagens; (b) fretes das embalagens; (c) gás combustível para empilhadeiras e (d) condomínio. É como voto. (...) Voto Vencedor (...) Quanto às despesas com condomínio, é de se concluir que não assiste razão ao contribuinte em seu pleito, em razão da ausência de respaldo legal para o creditamento de tal despesa. Por concordar com os fundamentos constantes da decisão recorrida no que concerne a tal despesa, transcrevoo a seguir: 42. Em contraparte, o manifestante sustenta a possibilidade de creditamento com base nas despesas de condomínio, à semelhança do que sucede em relação às despesas de aluguel, invocado o velho brocardo de que o acessório segue o principal (accessorium seguitur principale). Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 13 12 43. De fato, o inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, prevê a possibilidade de as despesas incorridas com aluguel gerarem crédito na apuração nãocumulativa das contribuições. Entretanto, a máxima não se aplica à espécie, por dois motivos básicos. 44. Em primeiro lugar, não há acessoriedade entre aluguel e encargo de condomínio, uma vez ausente vínculo de causalidade entre eles. Com efeito, pagase condomínio não porque o imóvel é alugado, mas porque se usufrui de utilidades compartilhadas pelos proprietários ou usuários de prédios. 45. Pelo contrato de locação, uma das partes se obriga a ceder o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição. As despesas de condomínio, por sua vez, são destinadas a gastos relativos ao imóvel respectivo como, por exemplo, salários de empregados, materiais de consumo, equipamentos, serviços prestados ao condomínio, podendo, até mesmo, haver sobra em um mês determinado. Dessa forma, percebese que despesas de condomínio não se relacionam com aluguel. 46. Em segundo lugar, a aplicação de um brocardo não pode resultar na ampliação, por analogia, de hipóteses de creditamento que interferem na determinação da base de cálculo da contribuição, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade tributária. 47. Resta verificar se os gastos com condomínio podem ser considerados insumo. 48. Dado que deles resultam utilidades imateriais para o contribuinte, seriam insumos se assim caracterizados sob o aspecto funcional. Entretanto, os serviços de condomínio são completamente deslocados espaçotemporalmente do processo produtivo da maçã. 49. Por essa razão, correta está a glosa das despesas de condomínio. Nesse mesmo sentido, já se manifestou este Conselho, consoante se extrai do Acórdão nº 3302.001.491, a seguir colacionado: (...). COFINS NÃO CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. Os bens e serviços que geram direito a crédito da contribuição são aqueles conceituados como insumos, assim entendidos os que sejam diretamente utilizados ou consumidos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Despesa de condomínio incorrida por indústria de beneficiamento de carnes não enquadra neste conceito. Nego, portanto, o direito creditório quanto a tal item." Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 14 13 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir o creditamento de embalagens, fretes das embalagens e gás combustível para empilhadeira, e para manter a glosa relativa à despesa com condomínio. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 222DF CARF MF
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