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Numero do processo: 10820.720005/2006-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÃO. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO.
A revisão interna da declaração configura uma hipótese de procedimento de fiscalização, não havendo óbice que a formalização da exigência de crédito tributário decorrente de infração à legislação tributária ocorra mediante notificação de lançamento. Na época dos fatos, a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico prescindia da assinatura do chefe do órgão expedidor.
DILIGÊNCIA FISCAL. PRESCINDIBILIDADE.
É prescindível para o deslinde do julgamento a realização de diligência fiscal quando os fatos a serem verificados não são controvertidos sob a ótica do julgador administrativo. Por sua vez, a diligência fiscal não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL). ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NÃO EXIGÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL. PARECER PGFN/CRJ Nº 1.329/2016.
Para fins de exclusão da tributação relativamente às áreas de preservação permanente e de reserva legal, é dispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão estadual conveniado. Tal entendimento alinha-se com a orientação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL RURAL.
A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Para fins de exclusão da base de cálculo, a área de reserva legal deverá estar averbada até a data de ocorrência do fato gerador do imposto.
ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. REQUISITOS.
Para fins de aceitação da área de exploração extrativa declarada pelo contribuinte é necessária a existência do plano de manejo sustentado devidamente autorizado pelo órgão federal, acompanhado da prova do cumprimento do cronograma físico-financeiro das atividades desenvolvidas no imóvel rural.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS.
Cabe manter o Valor da Terra Nua (VTN) médio atribuído pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), em detrimento do VTN declarado pelo contribuinte, quando aquele reflete melhor o preço de mercado de terras apurado em 1º de janeiro do ano a que se refere a declaração.
Numero da decisão: 2401-005.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para restabelecer a área de preservação permanente de 750,0 ha e reconhecer uma área de utilização limitada (reserva legal) de 4.574,9 ha. Vencido o conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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Recorrente ZUER SOARES LEMOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÃO. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. A revisão interna da declaração configura uma hipótese de procedimento de fiscalização, não havendo óbice que a formalização da exigência de crédito tributário decorrente de infração à legislação tributária ocorra mediante notificação de lançamento. Na época dos fatos, a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico prescindia da assinatura do chefe do órgão expedidor. DILIGÊNCIA FISCAL. PRESCINDIBILIDADE. É prescindível para o deslinde do julgamento a realização de diligência fiscal quando os fatos a serem verificados não são controvertidos sob a ótica do julgador administrativo. Por sua vez, a diligência fiscal não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL). ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NÃO EXIGÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL. PARECER PGFN/CRJ Nº 1.329/2016. Para fins de exclusão da tributação relativamente às áreas de preservação permanente e de reserva legal, é dispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão estadual conveniado. Tal entendimento alinhase com a orientação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 00 05 /2 00 6- 56 Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 623 2 ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL RURAL. A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Para fins de exclusão da base de cálculo, a área de reserva legal deverá estar averbada até a data de ocorrência do fato gerador do imposto. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. REQUISITOS. Para fins de aceitação da área de exploração extrativa declarada pelo contribuinte é necessária a existência do plano de manejo sustentado devidamente autorizado pelo órgão federal, acompanhado da prova do cumprimento do cronograma físicofinanceiro das atividades desenvolvidas no imóvel rural. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. Cabe manter o Valor da Terra Nua (VTN) médio atribuído pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), em detrimento do VTN declarado pelo contribuinte, quando aquele reflete melhor o preço de mercado de terras apurado em 1º de janeiro do ano a que se refere a declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria, darlhe provimento parcial para restabelecer a área de preservação permanente de 750,0 ha e reconhecer uma área de utilização limitada (reserva legal) de 4.574,9 ha. Vencido o conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 624 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), por meio do Acórdão nº 0416.201, de 05/12/2008, cujo dispositivo considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 288/304): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ARGUIÇÃO DE NULIDADE PELA AUSÊNCIA DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF A ausência de Mandado de Procedimento Fiscal na revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não acarreta a nulidade do lançamento. Somente serão nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DE DEFESA A alegação de cerceamento do direito de defesa na fase do lançamento do crédito tributário é incabível, pois, o direito do contraditório é exercido quando da impugnação da autuação, momento este em que, de fato, se instaura a fase litigiosa. PEDIDO DE PERÍCIA. Há de ser indeferido o pedido de perícia que visa unicamente, levantar provas a favor do contribuinte, as quais poderiam ser produzidas por ele, por outros meios. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE. Durante todo o curso do processo fiscal, onde o lançamento está em discussão, os atos praticados pela administração obedecerão aos estritos ditames da lei, com o fito de assegurarlhe a adequada aplicação, sendolhe defeso apreciar argüições de aspectos da constitucionalidade da lei. PRESERVAÇÃO PERMANENTE/RESERVA LEGAL. ADA Não reconhecidas como de interesse ambiental nem comprovada a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório junto ao IBAMA ou órgão conveniado, incide o imposto sobre as áreas declaradas a título de preservação permanente e reserva legal. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 625 4 VALOR DA TERRA NUA VTN Deverá ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, por falta de documentação hábil para comprovar o valor declarado do imóvel e suas características particulares desfavoráveis, que o justificassem. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Para aceitação da área utilizada com exploração extrativa declarada na DITR é necessário que o contribuinte faça prova com o plano de manejo sustentado devidamente autorizado pelo órgão competente e que o cronograma físico financeiro esteja sendo cumprido no período a que se referir. Lançamento Procedente 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 01301/00460/2006, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativa ao exercício de 2003, vinculada ao imóvel denominado de "Fazenda Nossa Senhora da Medalha Milagrosa", localizado no município de Aripuanã (MT), com área total de 27.464,5 ha (fls. 02/07). 2.1 A autoridade tributária considerou não comprovada a isenção das seguintes áreas declaradas pelo sujeito passivo: (i) Área de Preservação Permanente: 750,0 ha; (ii) Área de Utilização Limitada (Reserva Legal): 21.971,6 ha; e (iii) Área de Exploração Extrativa: 3.332,0 ha. 2.2 Ademais disso, o agente fazendário procedeu também ao arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com base nas informações do Sistema de Preços de Terras (SIPT), desprezando o valor declarado. 2.3 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração Anual, exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. O contribuinte foi cientificado da autuação por via postal, em 23/10/2006, e impugnou a exigência fiscal no dia 22/11/2006 (fls. 03/04, 136/186 e 269/270). 4. Intimado em 13/01/2009, também por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 11/02/2009, em que faz considerações a respeito da validade do acordão recorrido e repisa os argumentos de impugnação, a seguir resumidos (fls. 307/309 e 312/383): (i) nulidade do lançamento, porque a Notificação foi expedida por agente público que não detinha a condição de chefe do órgão fazendário, além de não conter assinatura do responsável pela emissão; Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 626 5 (ii) há também vício de nulidade porque a constituição do crédito tributário deveria resultar de lavratura de auto de infração, instrumento destinado à apuração de infração, bem como imposição de penalidade; (iii) invalidade do lançamento devido à negativa de realização de diligência fiscal para averiguar a verdade material, em especial o fato de que o recorrente não tinha a posse nem o domínio útil do imóvel rural no exercício fiscal de 2003; (iv) o recorrente não poderia integrar o polo passivo da relação tributária pretendida pelo Fisco, dado que o imóvel rural foi invadido pelos integrantes do Movimento dos Sem Terra no dia 25/08/1998, configurando, desde então, uma propriedade meramente sob o aspecto formal, eis que ausente qualquer uma das faculdades asseguradas ao proprietário pelo direito civil; (v) é descabida a exigência do Ato Declaratório Ambiental (ADA) relativamente às áreas declaradas de preservação permanente e de reserva legal, as quais são existentes e estão comprovadas nos autos, cuja exclusão da base de cálculo tributável do imposto advém diretamente do texto de lei; (vi) o imóvel rural é formado por 11 (onze) glebas, com respectivas certidões de matrícula, sendo que 4 (quatro) delas com área de reserva legal regularmente averbada, enquanto as demais estavam com os procedimentos encerrados, prontas para averbação, quando deuse a ocupação da fazenda pelo Movimento dos Sem Terra; (vii) desde o ano de 1987, o recorrente possuía projeto de manejo florestado sustentado aprovado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); (viii) o laudo de avaliação mostra, fundamentalmente, o baixo valor da terra nua do imóvel; e (ix) os diversos atos praticados pela Secretaria da Receita Federal (RFB) e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) trouxeram para o recorrente inúmeros prejuízos que se traduzem em verdadeiro confisco. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 627 6 5. Algum tempo depois do protocolo do recurso voluntário, em 30/03/2011, o recorrente apresentou requerimento em que solicitou prioridade na tramitação do processo administrativo, assim como o julgamento em conjunto dos Processos nº 10183.003873/2006 21, 10820.720005/200656, 10820.720006/200609 e 10820.720007/200645, tendo em vista referiremse ao mesmo imóvel e matéria tributável, diferenciandose apenas quanto ao exercício fiscal (fls. 425/427). 6. Por meio do Acórdão nº 210201.635, de 26/11/2011, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar a exigência fiscal, acolhendo a preliminar de ilegitimidade passiva (fls. 428/440). 7. A Fazenda Pública, por intermédio da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), interpôs recurso especial contra o Acórdão nº 210201.635, de 26/11/2011, o qual foi devidamente admitido, tendo o sujeito passivo apresentado contrarrazões (fls. 442/452, 465/466 e 474/479). 8. Através do Acórdão nº 9202004.585, de 24/11/2016, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, afastando a ilegitimidade passiva e determinando o retorno dos autos ao colegiado "a quo" para análise das demais questões deduzidas pelo interessado no recurso voluntário (fls. 554/564). 9. O contribuinte foi cientificado do provimento do recurso especial da Fazenda Nacional e opôs, no prazo legal, embargos de declaração contra o acórdão, os quais não foram admitidos (fls. 568/569, 571/598 e 604/606). Ao receber a notícia do resultado, o sujeito passivo manifestouse pela necessidade de intimação do novo julgamento do recurso voluntário, oportunizando ao patrono a sustentação oral no dia da sessão designada (fls. 609/610 e 613/616). 10. Por fim, tendo em vista que Turma de origem foi extinta, foi realizado novo sorteio e distribuição deste processo administrativo para o julgamento do recurso voluntário (fls. 620/621). É o relatório. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 628 7 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 11. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Considerações Iniciais 12. Como visto, foi provido o recurso especial da Fazenda Nacional para manter a sujeição passiva do contribuinte, na condição de proprietário do imóvel, com determinação de retorno dos autos à instância anterior para julgamento das demais questões objeto do recurso voluntário. 13. Desse modo, superada a alegação da impossibilidade do lançamento do crédito tributário em nome do recorrente, um dos argumentos ventilados na peça recursal, passo ao exame das outras matérias de defesa. 14. Antes, porém, esclareço que os Processos nº 10820.720005/200656 e 10820.720007/200645, distribuídos para minha relatoria, estão sendo julgados nesta mesma sessão do colegiado, juntamente com o Processo nº 10183.003873/200621 sorteado para a relatoria do conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, o que possibilita, em tese, a prolatação de decisões uniformes. 14.1 Por fim, no tocante ao Processo nº 10820.720006/200609, foi negado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e mantida, por consequência, a decisão que afastou a sujeição passiva do contribuinte em relação ao crédito tributário lançado. Preliminares 15. No que se refere à formalização do lançamento, reproduzo abaixo dispositivos do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação vigente à época do procedimento fiscal: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 629 8 demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. (...) (GRIFEI) 16. Como se observa da leitura acima, o art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a exigência do crédito tributário poderá ser formalizada mediante auto de infração ou notificação de lançamento, não prevalecendo a alegação do recorrente que a exigência fiscal decorrente de infração à legislação tributária verificada em procedimento de fiscalização somente pode ser efetuada mediante a lavratura de auto de infração. 17. O lançamento de ofício tem origem em procedimento de revisão interna da DITR/2003, com formalização do crédito tributário por intermédio da emissão de Notificação de Lançamento (fls. 02/07). 17.1 A verificação do cumprimento das obrigatórias tributárias, por parte do sujeito passivo, poderá ocorrer em procedimento de fiscalização externo e/ou interno. A revisão interna da declaração configura uma hipótese de procedimento de fiscalização. 17.2 Com base na declaração entregue pelo sujeito passivo, não havia, a princípio, necessidade da coleta de elementos adicionais em procedimento de diligência externa para demonstração do ilícito tributário, muito embora foi oportunizado ao contribuinte, previamente ao lançamento de ofício, apresentar todos os elementos comprobatórios da verdade dos dados informados por ele na sua declaração anual. Ressalto, desde já, que a avaliação sobre a aceitação das explicações e/ou justificativas do fiscalizado é matéria reservada ao mérito da autuação fiscal. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 630 9 17.3 Além do mais, prescindia de emissão de Mandado de Procedimento Fiscal o procedimento de fiscalização relativo à revisão interna de declarações, conforme se infere do inciso IV do art. 11 da Portaria SRF nº 6.087, de 21 de novembro de 2005, que dispunha sobre o planejamento das atividades fiscais e a execução de procedimentos fiscais pelas unidades fazendárias: Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: (...) IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais). (...) 18. A Notificação de Lançamento em destaque, às fls. 02/07, foi emitida por processo eletrônico, o que, segundo o parágrafo único do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não exige a assinatura do emitente. 18.1 De qualquer modo, verifico que na Notificação de Lançamento estão perfeitamente identificados o órgão expedidor, no caso a Delegacia da Receita Federal de Cuiabá (DRF/CUIABA), que administra e fiscaliza o tributo, além do nome do chefe local, o Delegado da Receita Federal, AuditorFiscal da Receita Federal João Rosa de Caravellas Neto, matrícula 76211 (fls. 02). 19. Não há que se falar até aqui, portanto, em vícios no ato de constituição do crédito tributário. 20. O recorrente pondera, entretanto, que a nulidade da notificação justificase também pela ocorrência de cerceamento ao seu direito de defesa, tanto no curso do procedimento de investigação dos fatos pela fiscalização, quanto no exame das questões litigiosas pela decisão de primeira instância, porquanto foilhe negado de forma indevida a realização de diligência fiscal com a finalidade de comprovar que o proprietário não mantinha, desde 25/08/1998, ocasião em que a fazenda foi ocupada por pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a posse do imóvel rural nem o domínio útil da propriedade. 21. Pois bem. No atual estágio processual, a diligência pretendida pelo recorrente é claramente prescindível para o deslinde dos pontos em litígio, visto que, no âmbito administrativo, a instância especial julgadora entendeu que o interessado detém a condição de proprietário do imóvel rural e, portanto, é parte legítima para figurar no polo passivo da relação tributária. 22. A bem da verdade, seja no lançamento fiscal, seja nas decisões proferidas pelas instâncias julgadoras, favoráveis ou não ao pleito do recorrente, a situação relativa à posse e à ocupação da Fazenda "Nossa Senhora da Medalha Milagrosa", por integrantes do Movimento dos Sem Terra, nunca foi uma questão desconhecida dos julgadores, muito menos controvertida. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 631 10 22.1 Em nenhum instante, pelo que observei dos atos administrativos, transpareceu dúvidas reclamando a determinação de diligência para a averiguação "in loco" dos fatos narrados pelo recorrente ou pedindo a obtenção de informações adicionais a respeito do andamento do processo administrativo relacionado à desapropriação do imóvel, instaurado pelo Incra. 22.2 Ao fim e ao cabo prevaleceu a interpretação, mesmo a par da realidade dos fatos, que enquanto não transferida a propriedade, verificada a imissão prévia na posse ou a desapropriação do imóvel, o proprietário legal do imóvel rural, ora recorrente, mantinha as obrigações tributárias de apresentar a respectiva declaração, apurar o imposto devido e efetuar o pagamento do tributo no prazo legal. 22.3 Em outras palavras, a condição de proprietário representava o suporte fático da tributação do imposto sobre o imóvel rural. 23. Por sua vez, após avaliação dos fatos, acrescento que o pedido do recorrente para empreender diligência ou oficiar o Ibama a fim de saber acerca do projeto de manejo sustentado aprovado antes da ocupação do imóvel rural não é providência que caiba o deferimento pelo órgão julgador, na medida em que a diligência fiscal não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. 23.1 Sobre tal pedido impende deixar registrado que o recorrente não apontou de maneira particularizada quais os documentos e/ou dados existentes no órgão de fiscalização ambiental, distintos, evidentemente, daqueles que já instruem os autos, que dariam respaldo à declaração de uma área de exploração extrativa no imóvel rural de 3.332,0 ha, considerando o exercício de 2003. 24. Logo, ratificando a desnecessidade da diligência fiscal, também afasto a alegação de cerceamento ao direito de defesa. Mérito a) Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal 25. A autoridade fiscal efetivou a glosa das áreas declaradas pelo recorrente a título de preservação permanente e utilização limitada, equivalentes, respectivamente, a 750,0 ha e 21.971,6 ha (fls. 02/07). Quanto a essas áreas do imóvel rural, o recorrente assevera que a apresentação do ADA não é condição necessária e obrigatória para a fruição da redução do valor a pagar do imposto. 26. Pois bem. As áreas de preservação permanente e de reserva legal estão excluídas da tributação pelo ITR, segundo previsto na alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Reproduzo a redação do dispositivo de lei na redação vigente à época do fato gerador: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 632 11 § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) 27. Nada obstante, para fins de afastar a tributação no tocante às áreas não tributáveis a que alude a lei, inclusive de preservação permanente e de reserva legal, é necessária, como regra geral, a informação tempestiva da respectiva área ao Ibama por intermédio do ADA, a cada exercício, nos prazos definidos na legislação infralegal. 27.1 Nesse escopo interpretativo, o texto expresso do inciso I do § 3º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta o ITR: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. (...) (GRIFEI) Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 633 12 28. Em nível de lei ordinária, a apresentação do ADA para efeito de redução da área tributável, antes opcional, passou a ser obrigatória com o advento da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) (GRIFEI) 29. A exclusão da tributação de determinadas áreas de interesse de preservação e de caráter limitado quanto ao seu aproveitamento econômico ficou condicionada à informação tempestiva ao Ibama, permitindo o controle e a verificação delas pelo órgão nacional responsável pela proteção ambiental. 30. Segundo o ponto de vista pessoal, o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, revogado pela Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, que aprovou o novo Código Florestal, não quis tornar inexigível a apresentação do ADA para o reconhecimento das áreas não tributáveis, em detrimento ao conteúdo do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981: Art. 10 (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis 30.1 A meu ver, o texto do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, cuidou de explicitar apenas que o ITR é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ficando dispensado, no momento da entrega da declaração, a comprovação da informação da área em ADA. 31. Como argumento de reforço, sublinho que a interpretação da lei acima está alinhada com o entendimento dado pelo Poder Executivo quando da regulamentação da matéria, por meio do inciso I do § 3º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 2002, antes reproduzido. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 634 13 32. Se o poder regulamentar da União acabou extrapolando o que lhe era permitido, impondo uma exigência não prevista na lei ordinária, tal como defende o recurso voluntário, tratase de discussão acerca da ilegalidade da norma emanada pelo chefe do Poder Executivo, o que exorbita, em minha ótica, o âmbito de atuação do contencioso administrativo federal. 32.1 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é um órgão de natureza administrativa, ainda que dotado de função judicante. A vigilância que exerce sobre a legalidade dos atos encontra limite, via de regra, nas ações de controle que poderiam ser exercidas pelo Ministro da Fazenda. 32.2 Por isso, considerando o atual modelo do sistema brasileiro de controle administrativo de legalidade, penso que escapamlhe os atos emitidos pelo Presidente da República, os quais são chancelados também pelo Ministro de Estado, em que o Poder Executivo os baixa com o propósito de fiel execução das leis, com fundamento constitucional no inciso IV do art. 84 da Carta Política de 1988. 33. No entanto, a despeito da opinião acima, o Poder Judiciário tem inúmeros precedentes, aplicáveis a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, no sentido da dispensa da apresentação do ADA para reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas a afastálas da tributação do ITR, a partir de um determinado viés interpretativo para o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 33.1 Com essa finalidade, inclusive, a PGFN, órgão responsável pela defesa em juízo do crédito tributário da União, elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, em que dispensa o Procurador da Fazenda Nacional, relativamente a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, de contestar e recorrer nas demandas judiciais que versem sobre a necessidade de apresentação do ADA para fins do reconhecimento do direito à isenção do ITR em área de preservação permanente e de reserva legal. 33.2 Tal orientação foi incluída no item 1.25, "a", da Lista de dispensa de contestar e recorrer, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional (art. 2º, incisos V, VII e §§3º a 8º, da Portaria PGFN nº 502/2016). 34. À vista disso, embora o entendimento não tenha caráter vinculante no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a falta de ADA não deve ser considerada impeditiva à exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, mantendo coerência, desse modo, com a conduta que seria adotada pela Procuradoria da Fazenda Nacional caso a questão controvertida fosse levada à apreciação do Poder Judiciário. 35. Assinalo também que, segundo o Laudo Agronômico de Fiscalização elaborado por técnicos do Incra, utilizando o período de set/2003 a ago/2004, para fins do processo de classificação fundiária e desapropriação do imóvel rural, atestouse uma área aproximada de 20.954 ha do imóvel rural com vegetação nativa, incluindo áreas sem uso, inaproveitáveis a atividade agropastoril, e as áreas de preservação permanente (fls. 248/253). Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 635 14 35.1 De modo mais específico, o documento faz referência a uma área de preservação permanente de 1.136,9 ha, o que sinaliza para a plausibilidade da existência, no início do ano de 2003, de uma área de preservação permanente de 750,0 ha, conforme declarado pelo contribuinte. 36. Desse modo, cabe restabelecer a Área de Preservação Permanente de 750,0 ha declarada pelo sujeito passivo. 37. Quanto à área de reserva legal, entretanto, a solução é distinta. É que a alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, alhures reproduzida, reportase expressamente às disposições da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, à época o Código Florestal brasileiro. Por sua vez, o art. 16 do Código Florestal disciplinava características da área de reserva legal. Transcrevo o § 8º desse artigo: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (...) (GRIFEI) 38. É de verse do texto em destaque que, diferentemente da área de preservação permanente, a legislação traz a obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, a fim de comprovar formalmente a área preservada destinada à reserva legal. 38.1 O ato de averbação é dotado de eficácia constitutiva, condicionante do direito de usufruir a isenção fiscal. Para escapar à incidência tributária é indispensável a prévia averbação da área de reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel. 38.2 Em outros dizeres, a averbação deverá ocorrer até a data da ocorrência do fato gerador do imposto como prova da existência da área de reserva legal. Senão vejamos, o § 1º do art. 12 do Decreto nº 4.382, de 2002: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 636 15 § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. (...) 39. Os documentos que instruem os autos revelam que o imóvel rural é composto por 11 glebas contíguas com as seguintes matrículas constantes do 6º Serviço Notarial e Registro de Imóveis de Cuiabá (MT): nº 23.377, de 27/12/1985; nº 22.748, de 23/10/1985; nº 16.823, de 24/10/1983; nº 16.822, de 24/10/1983; nº 16.820, de 24/10/1983; nº 16.821, de 24/10/1983; nº 24.868, de 05/06/1986; nº 15.660, de 29/04/1983; nº 15.656, de 29/04/1983; nº 15.657, em 29/04/1983; e nº 21.867, de 15/08/1985 (fls. 189/216). 40. Contudo, referente à área de reserva legal, encontravase averbada tão somente em 4 matrículas, a saber: AV3/15.660 (1.242,9 ha), AV3/16.821 (1.250,0 ha), AV3/21.867 (832,0 ha) e AV3/24.868 (1.250/0 ha), totalizando uma área de 4.574,9 ha (fls. 204/205, 207/208, 210/211 e 216). 40.1 Em todos os casos, a área de reserva legal foi anotada à margem da inscrição da matrícula do imóvel rural antes da ocorrência do fato gerador do lançamento fiscal, ou seja, antes de 01/01/2003. 41. Logo, independentemente da apresentação do ADA, cabe reconhecer uma Área de Utilização Limitada (Reserva Legal) igual a 4.574,9 ha. 42. Por outro lado, é irrelevante para a redução da base de cálculo a argumentação de que o reclamante só não ultimou a averbação das demais áreas em razão do seu desapossamento, na medida em que já haviam sido objeto de levantamento topográfico, realizado por técnico habilitado, bem como providenciada a assinatura de Termos de Responsabilidade de Averbação Legal junto ao Ibama, expedidos em 26/10/1998 (fls. 217/222). 43. Como acima justificado, a averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário e/ou possuidor como reserva legal é ato constitutivo do direito à exclusão da tributação. Quero dizer que somente após a realização do ato de averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de cálculo para apuração do ITR. b) Área de Exploração Extrativa 44. Segundo a fiscalização, após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a implantação de plano de manejo sustentado para exploração extrativa ou o cumprimento do cronograma físicofinanceiro nele previsto com relação à area declarada de 3.332,0 ha, relativamente ao exercício de 2003. 45. Pois bem. A respeito da área objeto de exploração extrativa, prescreve a Lei nº 9.393, de 1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 637 16 pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: (...) V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: (...) c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; (...) § 5º Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do § 1º, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. (...) 46. O recorrente alega que desde o ano de 1998 já existia para o imóvel rural um plano de manejo florestal devidamente autorizado pelo Ibama. Para fins de comprovação das suas alegações, juntou aos autos uma cópia de um plano de manejo sustentado com área de projeto de 3.332,0 ha, datado de 20/08/1987 (fls. 70/73). 47. Acontece que, para produção de efeitos tributário no exercício de 2003, nenhum documento foi efetivamente apresentado para comprovar a aprovação do plano de manejo sustentado junto ao Ibama, nem a regular execução do cronograma planejado, por meio do Relatório Técnico de Execução. 48. Como salientado pela decisão de piso, a declaração de área de exploração extrativa no exercício fiscal pressupõe o plano de manejo contemplado no período de validade da autorização dada pelo órgão federal e a comprovação do cumprimento do cronograma físicofinanceiro das atividades desenvolvidas no imóvel, cujo ônus o contribuinte não se desincumbiu. 49. Em verdade, com a ocupação da fazenda pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, no ano de 1998, há igualmente dificuldade de identificação da área aproveitável verdadeiramente utilizada pelos posseiros para a atividade rural no imóvel, no ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do imposto. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 638 17 c) Valor da Terra Nua (VTN) 50. Por fim, no que pertine ao VTN declarado, foi alterado, com base nas informações do SIPT, por falta de comprovação por meio de Laudo de Avaliação com os requisitos estabelecidos na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 51. Pois bem. O VTN será declarado pelo contribuinte e deve corresponder ao valor de mercado das terras na data do fato gerador, conforme prescreve o § 2º do art. 8º da Lei nº 9.393, de 1996: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. (...) (GRIFEI) 52. Na hipótese de arbitramento do VTN, é obrigatório considerar o critério de aptidão agrícola do imóvel rural para avaliação do preço da terra, nos termos do § 1º do art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996: Lei nº 9.393, de 1996 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (...) (GRIFEI) Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 639 18 Lei nº 8.629, de 1993, (com a redação da Medida Provisória nº 2.18356, de 24 de agosto de 2001) Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (GRIFEI) 53 O VTN utilizado pelo agente fazendário para o cálculo do imposto foi extraído do SIPT, todavia não levou em conta a aptidão agrícola, consistindo no valor médio apurado com base nas declarações fiscais processadas no exercício de 2003 para o município de localização do imóvel (fls. 287). 54. Em tais circunstâncias, em que o valor do VTN não considera a aptidão agrícola das terras que compõem o imóvel avaliado, isto é, sem plena observância aos requisitos legais, caberia, via de regra, acolher o valor da terra nua declarado ou, alternativamente, o valor apurado em Laudo de Avaliação apresentado pelo sujeito passivo, desde que revestido das formalidades indispensáveis a sua validade, e contemporâneo ao fato gerador. 55. Acontece que o Laudo Técnico de Avaliação colacionado aos autos pelo recorrente, o qual, ressaltase, não está acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), é datado de 21/09/1998, tendo sido elaborado por engenheiro agrônomo com a finalidade de determinar o valor de mercado da Fazenda "Nossa Senhora da Medalha Milagrosa" em 31/12/1994, chegando a um VTN de R$ 31,27/ha (fls. 109/129). Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 640 19 56. Além de tudo, o próprio recorrente trás a informação nos autos da existência de um Laudo de Avaliação, subscrito por peritos federais agrários designados pelo Incra para fins do processo de desapropriação do imóvel rural, no qual foi estimado um preço de mercado da fazenda, no ano de 2006, equivalente a R$ 15.003.965,28, que mesmo após aplicado o coeficiente de ancianidade de 40%, estabelecido na legislação, resultou na importância de R$ 6.133,844,85 (fls. 370/372). 57. É razoável, assim, admitir que houve subavaliação do VTN declarado, na medida em que o valor total do imóvel rural informado pelo sujeito passivo foi igual a R$ 2.882.390,00, com baixo valor de avaliação para benfeitorias e pastagens, representando um VTN igual a 100,0/ha (fls. 06). 58. Nesse cenário, cabe manter o VTN médio atribuído pela fiscalização, no valor exato de R$ 128,38/ha, equivalente a um valor total do imóvel de R$ 3.661.832,51, mais próximo de espelhar, ao que tudo indica, a avaliação do preço de mercado da terra nua em 01/01/2003. 59. Por outro lado, aduz o recorrente que, em contrariedade à legislação aplicável, ocorreu modificação de ofício no critério jurídico utilizado na realização do lançamento tributário referente aos exercícios de 2003 a 2005, quando comparado com o lançamento do imposto efetuado no mesmo dia, e para o mesmo imóvel, relativo ao exercício de 2002. 60. Não lhe assiste razão, porque a fiscalização não alterou o entendimento de forma retroativa para a revisão de lançamentos já efetuados. 60.1 O fato gerador do ITR é fixado no primeiro dia de cada ano, devendo o VTN refletir o preço de mercado das terras nesse momento. No exercício de 2002, o agente fiscal aceitou o valor declarado pelo contribuinte, segundo sua avaliação dos fatos. Todavia, nos exercícios seguintes, o agente lançador exigiu a comprovação de que o valor declarado não estava subavaliado, considerando, em relação a esses anos, as informações sobre preços de terras obtidas no SIPT. 61. A título de considerações finais, anoto que a ocupação do imóvel rural, ocorrida em agosto de 1998, e os percalços e dissabores dela resultantes no que diz respeito ao recebimento de indenização pela desapropriação da Fazenda "Nossa Senhora da Medalha Milagrosa" certamente acarretaram ao recorrente, como narra o recurso voluntário, prejuízos de ordem econômicofinanceiro. 62. Contudo, uma vez ultrapassada a questão da ilegitimidade passiva para responder pelo crédito tributário objeto do lançamento fiscal, segundo decidido em sede de recurso especial, a avaliação das demais matérias controvertidas põe em evidência a exigência de comprovação da regularidade dos dados informados pelo recorrente na DITR/2003, sendo que os impactos financeiros suportados pelo contribuinte não influenciam a valoração do conjunto probatório. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10820.720005/200656 Acórdão n.º 2401005.439 S2C4T1 Fl. 641 20 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para restabelecer a Área de Preservação Permanente de 750,0 ha e reconhecer uma Área de Utilização Limitada (Reserva Legal) de 4.574,9 ha. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 641DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.901142/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ERRO EM DCTF Recorrente BANCO BANERJ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 11 42 /2 00 8- 81 Fl. 110DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 66/71, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 57/61, que não deu provimento à Manifestação de Inconformidade do contribuinte, não homologando a compensação pleiteada haja vista a ausência de comprovação da existência do crédito. Tratase do PER/DCOMP nº 11134.58945.120504.1.3.043047, fls. 02/06, no qual o contribuinte buscava compensar suposto crédito no valor original de R$ 7.024,87, oriundo do pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561, com o débito de CPMF, da 1º semana de maio de 2004, no valor de R$ 9.369,77. Conforme Despacho Decisório de fl. 07, a compensação pleiteada não foi homologada pois "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados em PER/DCOMP". Da Manifestação de Inconformidade Em razão da clareza didática do resumo elaborado pela DRJ em São Paulo/SP das razões apresentadas em manifestação de inconformidade, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: " 4. Irresignado, o contribuinte apresentou em 30/05/2008 a Manifestação de Inconformidade de fls. 10 a 14, informando, em suma, o seguinte: • Que recebeu o despacho decisório consignando a não homologação da compensação. • Que a não homologação eletrônica impede o contribuinte de exercer o seu direito constitucional de ampla defesa, pois falta ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram a não homologação da compensação. • Que no caso em tela o fisco não trouxe aos autos nenhum elemento que, por si, desse suporte ao que alegou como fato motivador da não homologação da declaração de compensação, exceto a descrição dos valores apurados. • Que o ato administrativo deve ser sempre motivado. • Que a falta de demonstração de que os valores foram utilizados em outros pagamentos, por exemplo, acarreta a total impossibilidade de o contribuinte exercer sua prerrogativa constitucional de ampla defesa, sendo o despacho decisório em tela nulo de pleno direito. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 15374.901142/200881 Acórdão n.º 2201004.427 S2C2T1 Fl. 98 3 • Que o peticionante, por erro, declarou na DCTF do 3º trim/02 "4ª semana de agosto/02", o valor de R$ 7.024,87, como DARF vinculado ao débito do período, sendo que este valor corresponde a pagamento efetuado a maior. • Que no PER/DCOMP o valor do débito compensado corresponderia a este crédito devidamente atualizado. Podendo o alegado ser comprovado pelo PER/DCOMP e pelo DARF anexados ao processo. • Que o valor do débito da DCTF (fls. 32 a 42), contém um erro que deve ser observado, especificamente, o campo “pagamento com DARF”, pois o valor de R$ 7.024,87 (fls. 39) foi totalmente recolhido indevidamente. Anexa também a DCTF onde consta o débito declarado no PER/DCOMP corretamente vinculado à compensação. 4.1 Ao final o manifestante solicita que seja alterado de ofício as informações das DCTF, de acordo com os dados informados e ainda que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade a fim de que seja julgado improcedente o despacho decisório, reconhecendose o direito de compensação.” Da Decisão da DRJ A DRJ em São Paulo/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, na decisão assim emendada (fls. 57/61): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 27/08/2002 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em suas razões, a autoridade julgadora afastou a preliminar de nulidade arguida pelo contribuinte, afirmando não haver violação ao princípio constitucional da ampla defesa, considerando que no Despacho Decisório de fl. 07 informa, com clareza, as razões pela qual não reconhece o direito creditório invocado. Também nas palavras da autoridade julgadora, o DARF foi vinculado ao débito nos termos da própria declaração apresentada pelo contribuinte (fl. 32/48). Fl. 112DF CARF MF 4 Quanto ao mérito, afirma que o contribuinte não provou as alegações de erro de preenchimento da DCTF, notadamente não apresentando prova documental capaz de provar, cabalmente, a existência do direito creditório. A DRJ entendeu que os documentos apresentados (PER/DCOMP, DARF e quadro demonstrativo) não servem para demonstrar erro o erro de fato que culminou no pagamento indevido ou a maior. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, cientificado do Acórdão da DRJ em 10/06/2010, conforme faz prova o AR de fl. 64, apresentou o recurso voluntário de fls. 66/71 em 19/06/2012. Em suas razões, praticamente reiterou as alegações de mérito apresentadas em sede de manifestação de inconformidade, além de defender que o processo administrativo se rege pelo princípio da verdade material e que os documentos apresentados, quando interpretados sob a ótica de tal princípio, são suficientes para comprovar a existência do direito creditório. Ademais, juntou ao processo documentação que acredita ser relevante para comprovar a existência do pagamento indevido ou a maior de IRRF, qual seja, o depósito de valores realizado nos autos do processo judicial nº 2246/94, que tramitou na 1ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, bem como o DARF vinculado àquele processo (fls. 87/91). Sobre esse tema, alega que, em 27/08/2002, por equívoco, efetuou cálculo e recolhimento do IRRF, no valor de R$ 7.024,87 (fl. 91), enquanto tal levantamento só veio a ocorrer em 05/04/2004 (fl. 92), o que acarretou um novo recolhimento de IRRF no valor de R$ 2.844,18 em 14/04//2004 (fl. 93). Com isso, entende ter efetuado indevidamente o recolhimento do IRRF no montante de R$ 7.024,87 (fl. 91), já que, posteriormente, efetuou corretamente o recolhimento do IRRF, no valor de R$ 2.844,18 em 14/04/2004 (acrescido de multa e juros), no momento em que o exfuncionário levantou a quantia depositada judicialmente (fl. 92/93). Portanto, entendeu ter demonstrado o recolhimento em duplicidade do tributo e, consequentemente, o seu direito ao crédito pleiteado, o qual não foi contemplado somente por erro no preenchimento da DCTF. Alegou que tal erro não poderia ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento do crédito. Este recurso de voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Da Alegação de Prevalência do Princípio da Verdade Material Fl. 113DF CARF MF Processo nº 15374.901142/200881 Acórdão n.º 2201004.427 S2C2T1 Fl. 99 5 Conforme demonstrado pelo Despacho Decisório de fl. 07, o pedido de compensação não foi homologado por não restar crédito disponível para compensação, devido ao DARF ter sido utilizado integralmente para quitar débito do RECORRENTE relativo ao código 0561 (IRRF rendimento do trabalho assalariado) cujo período de apuração foi 24/08/2002. Sustenta o RECORRENTE que, em verdade, houve equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas, haja vista que o mesmo débito foi declarado em dois DARFs distintos. Aduz ser equivocada a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do CARF reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte, pois no processo administrativo vigora o princípio da verdade material. Um dos princípios norteadores do processo administrativo é o cumprimento a estrita legalidade, desta forma, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso dos tributos federais, a compensação tributária ocorre nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No presente caso, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 07 informando que o crédito que se almeja compensar já estava consignado em outro débito, confessado pelo contribuinte em DCTF. Neste sentido, assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 114DF CARF MF 6 § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prova lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 15374.901142/200881 Acórdão n.º 2201004.427 S2C2T1 Fl. 100 7 Apenas em sede de Recurso Voluntário o contribuinte traz um mínimo de provas para fundamentar sua alegação de ocorrência de erro de fato, qual seja, a cópia de alguns trechos do processo judicial 2246/94, que tramitou na 1ª Vara do Rio de Janeiro, processo este que originou o débito de IRRF objeto da presente celeuma. Contudo, não deveria o contribuinte comprovar o suposto recolhimento em duplicidade, pois é evidente que houve o recolhimento, tanto que o despacho decisório atesta a utilização do pagamento reputado como a maior pelo contribuinte para quitar débito confessado pelo RECORRENTE. Em verdade, deveria o contribuinte comprovar que cometeu equívoco na sua DCTF; ou seja, que os débitos confessados nessa declaração estavam equivocados. Assim, deveria ter comprovado o erro na DCTF através de balanços contábeis e demais documentos aptos a comprovar o valor correto devido a título IRRF para o período em questão, ou então auditoria realizada por perito independente. Neste sentido se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. É bem verdade que, em razão do princípio da autotutela, pode a Administração Tributária reconhecer de ofício a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em desacordo com a legislação aplicável, ou tenha denegado ao contribuinte pleito que faz jus. Todavia, não existe nos autos evidências suficientes para se proceder com a correção de ofício, considerando que, o crédito tributário objeto de pedido compensação foi integralmente utilizado para quitar dívida confessada pelo contribuinte. Não há, também, nos presentes autos elementos que justifiquem eventual conversão em diligência, ante ausência quase que integral de conteúdo probatório do direito do contribuinte. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos ao princípio da Verdade Material. Todo o procedimento fáticoprobatório e jurídico presente nos autos foi levado em consideração nesta decisão, uma vez não comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Fl. 116DF CARF MF 8 Conclusão Pelas razões acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 10508.720458/2015-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
A decadência do direito ao lançamento, regra geral, é regida pelo art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional (CTN), apenas quando se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte tiver realizado o respectivo pagamento antecipado. Em não havendo tal pagamento, afasta-se a aplicação da primeira parte do dispositivo, incidindo o art. 173, I, do mesmo Código.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.361
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Simões (Suplente convocada), que dava provimento para excluir a incidência de juros sobre a multa.
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. A decadência do direito ao lançamento, regra geral, é regida pelo art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional (CTN), apenas quando se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte tiver realizado o respectivo pagamento antecipado. Em não havendo tal pagamento, afasta se a aplicação da primeira parte do dispositivo, incidindo o art. 173, I, do mesmo Código. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Simões (Suplente convocada), que dava provimento para excluir a incidência de juros sobre a multa. José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 72 04 58 /2 01 5- 16 Fl. 17449DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1057.895, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: O estabelecimento acima qualificado foi autuado por Auditores Fiscais da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 5ª Região Fiscal, por falta de cobrança e de recolhimento do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF). A exigência referese ao principal, no valor de [...], acrescido de juros de mora e de multa de 75%, totalizando [...], e foi formalizada no Auto de Infração das fls. 12319 a 12325. Os motivos do lançamento de ofício encontramse explicitados no Termo de Verificação de Infração das fls. 12327 a 12384, a seguir resumido. Registrese que a ação fiscal também investigou a regularidade na apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), tendo havido a formalização de exigências referentes a essas exações, em processos próprios. Segundo a fiscalização, o sujeito passivo firmou contratos de mútuo com empresas ligadas, cujas operações foram registradas nas contas contábeis 1210102002 – “c/c controladas e coligadas” e 1210102001 – “c/c sócios”, nos anoscalendário de 2010 e 2011. A análise desses documentos revelou que os valores foram liberados em parcelas, ao longo dos anos de 2010 e 2011, caracterizando a modalidade de “crédito rotativo". À vista disso, a fiscalização consignou que o IOF incide sobre as operações de crédito realizadas entre pessoas jurídicas, nos termos do art. 2º, I, “c”, do Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007, que regulamenta o referido imposto. Conforme disposição do art. 3º, § 1º, I, do mesmo diploma regulamentar, constitui fato gerador do IOF a entrega do montante ou do valor que constitua objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do Fl. 17450DF CARF MF Processo nº 10508.720458/201516 Acórdão n.º 3301004.361 S3C3T1 Fl. 17.450 3 interessado. Ocorre o fato gerador do IOF e, consequentemente é devido o tributo, na data em que foram realizadas as respectivas operações. O art. 4º do Decreto nº 6.306, de 2007, define como contribuintes do IOF as pessoas físicas ou jurídicas tomadoras do crédito, enquanto o art. 5º, III, desse mesmo ato normativo estabelece que o responsável pela cobrança e recolhimento do imposto é a pessoa jurídica que conceder o crédito, nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros. Já o art. 7º, I, “a”, desse mesmo decreto estabelece que a base de cálculo do IOF nas operações de créditos, quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, é o somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês. A alíquota a ser aplicada sobre a base de cálculo é de 0,0041%. A partir de 3 de janeiro de 2008, sem prejuízo de sua incidência normal, referida no item precedente, o IOF incide ainda sobre as mesmas operações de créditos à alíquota adicional de 0,38%, independentemente do prazo da operação, seja o mutuário pessoa física ou jurídica, conforme disposto no art. 7º, §15, do Decreto nº 6.306, de 2007. Nesse caso, a base de cálculo corresponde ao somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores, de acordo com o art. 7º, §16, do Decreto nº 6.306, de 2007. Em face do estabelecido no art. 10, I, do Decreto nº 6.306, de 2007, o IOF deve ser cobrado no primeiro dia útil do mês subsequente ao de apuração, nas hipóteses em que a apuração da base de cálculo é feita no último dia de cada mês. Já o prazo para recolhimento, conforme preceitua o parágrafo único deste mesmo artigo, é o terceiro dia útil subsequente ao decêndio da cobrança ou do registro contábil do imposto. Assim, considerando os fatos geradores apurados e tendo em conta à subsunção dos fatos à legislação que regula o IOF, verificouse que o sujeito passivo, responsável pela cobrança e recolhimento do imposto, deixou de cobrar, declarar e recolher o tributo incidente sobre as operações de crédito em que figurou na condição de mutuante, ocorridas no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2011. A apuração do IOF consta do “Demonstrativo de apuração do IOF”, das fls. 17019 a 17034, cujos valores levados a débito e a crédito foram extraídos da conta contábil 1210102 – “mútuos”, que é uma conta sintética que possui as subcontas: 1210102001 – “c/c sócios” e 1210102002 – “c/c controladas e coligadas”. A infração foi enquadrada no art. 5º, § 3º, 44, I e §§ 1º e 2º, e 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e nos arts. 2º, I, 3º ao 7º, 47, 49 e 50 do Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007. Cientificado da exigência em 9 de dezembro de 2015, segundo consta nas fls. 12385 e 12386, o interessado apresentou a impugnação das fls. 12318 a 12327, em 8 de janeiro de 2016, subscrita por advogados, credenciados pela procuração e documentos societários das fls. 17370 a 17383, alegando, em síntese, o que segue. O lançamento fiscal deve ser julgado nulo, por vício de motivação do ato administrativo. O Relatório Fiscal cita a “Operação Alquimia” como Fl. 17451DF CARF MF 4 elemento motivador para a abertura do procedimento fiscal contra o impugnante. A citada operação decorreu do Inquérito Policial n° 134/02 (Processo nº 2002.38.01.0050739), que se arrasta por mais de dez anos ainda sem conclusão, indiciamento e, por óbvio, sem oferecimento de denúncia pelo Ministério Público. Por conta disso, foi proferida decisão pelo Superior Tribunal de Justiça determinando o trancamento do referido inquérito em relação ao suposto crime tributário. É certo que os créditos tributários cobrados na ação fiscal são absolutamente discutíveis e não guardam qualquer correlação com a citada “Operação Alquimia”. À vista disso, restam meras conjecturas infundadas de parte da fiscalização, elementos vazios, sem qualquer substrato fático ou jurídico, com o nítido propósito de manchar a imagem do impugnante e confundir os doutos julgadores. Mudando de perspectiva, ainda que a obrigação de recolhimento do IOF não tenha sido observada pelo impugnante, considerando que a autuação se refere ao período de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, configurouse a decadência do direito ao lançamento de ofício do crédito tributário correspondente, conforme será demonstrado mediante exposição dos fundamentos de fato e direito a seguir aduzidos. Em se tratando de lançamento por homologação, hipótese em que cabe ao sujeito passivo identificar a ocorrência do fato gerador, definir a base de cálculo e alíquotas, identificar o valor do tributo a ser recolhido e realizar o respectivo pagamento, conforme disposição do art. 150, §4º, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), o prazo decadencial para que se tenha o lançamento do crédito tributário pelo ente tributante iniciase a partir da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Portanto, ocorrido o fato gerador do tributo, o ente tributante possui o prazo de 5 (cinco) anos para efetivar o lançamento do crédito tributário, pois, caso contrário restará configurada a decadência do referido crédito, e, por conseguinte, deflagrada a sua impossibilidade de exigência ou execução, a exemplo do caso em deslinde. Considerando que as operações de crédito realizadas pelo impugnante ocorreram no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2011 e a ciência do lançamento de ofício ocorreu em 9 de dezembro de 2015, o crédito tributário referente às operações realizadas de janeiro a novembro de 2010 já estava fulminado pela decadência. Notese que o próprio AuditorFiscal atribui o último dia de cada mês em que as operações de crédito se consumaram, como a data de ocorrência do fato gerador das obrigações tributárias, consoante o demonstrativo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, anexo ao Auto de Infração. Sobre o tema, o impugnante cita e transcreve a ementa do Acórdão nº 3301002.282, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que em caso similar, também relacionado ao IOF incidente sobre operações de crédito decorrentes Fl. 17452DF CARF MF Processo nº 10508.720458/201516 Acórdão n.º 3301004.361 S3C3T1 Fl. 17.451 5 de contratos de mútuos, ratificou a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial. Para a defesa, deve ser excluída a aplicação do art. 173, I, do CTN, ao presente caso. A aplicação do referido dispositivo somente seria possível nas hipóteses excessivas previstas no próprio art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal, “salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”, o que em momento algum restou demonstrado. No caso, o AuditorFiscal não fez qualquer menção a dolo, fraude ou simulação, nem a quaisquer das situações previstas no art. 135 do CTN. Prova disso é a multa de ofício aplicada, fixada em 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor principal da autuação. Caso houvesse constatado qualquer indício de dolo, fraude ou simulação, o autuante logo teria aplicado a multa em dobro, fixada em 150% (cento e cinquenta por cento) sobre o valor principal autuado. Sob outra perspectiva, o impugnante pede que seja afastada a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, porquanto, no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a legislação atualmente em vigor não autoriza a exigência de juros sobre multa. Cita e transcreve excerto do Acórdão nº 10196008, da 1ª Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes. O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA AUTUAÇÃO. É descabida a alegação de nulidade do lançamento de ofício, fundada em suposta falta de motivação, não verificada no caso concreto, por terem sido as infrações descritas e enquadradas com clareza. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. Sem que tenha ocorrido pagamento antecipado do IOF, a contagem do prazo decadencial de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício proporcional ao IOF é débito para com a União, decorrente de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, sobre o qual incidirão juros de mora calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do respectivo prazo, até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 17453DF CARF MF 6 AUSÊNCIA PARCIAL DE IMPUGNAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, em síntese, defende: preliminarmente, a nulidade da autuação em razão da falta de motivação do ato administrativo e a decadência do direito ao lançamento; ao passo que, no mérito, insurgese contra a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 17454DF CARF MF Processo nº 10508.720458/201516 Acórdão n.º 3301004.361 S3C3T1 Fl. 17.452 7 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. Preliminar A recorrente defende, em sede de preliminar, a nulidade da autuação em razão da falta de motivação do ato administrativo, haja vista a falta de correlação entre a operação "Alquimia" e procedimento fiscal em pauta, por aquela motivada. E acrescenta: 15. É oportuno que se diga que a citada “Operação Alquimia” decorrem do Inquérito Policial nº 134/02 (Processo nº 2002.38.01.0050739) que se arrastava por mais de quinze anos ainda sem conclusão, indiciamento e, por óbvio, sem oferecimento de denúncia pelo Ministério Público. [...] 18. Eis que, recentemente, em março de 2017, o mesmo Superior Tribunal de Justiça, ao analisar o Recurso em Habeas Corpus nº 61.451 – MG, determinou o trancamento DEFINITIVO do Inquérito Policial nº 134/02 em relação a TODOS os crimes investigados, o que resulta no fim da malsinada Operação Alquimia. [...] 22. Como é cediço, um dos elementos necessários do lançamento tributário é a motivação, com a descrição exata e precisa dos elementos de fato e de direito que lhe serviram de fundamento. A falta destes elementos, ou a sua existência de forma inadequada, resulta a prática de ato administrativo imotivado, acarretando, por consequência, a sua nulidade. Falta de motivação não houve. O acórdão de piso relata que os motivos da autuação encontramse expostos no Termo de Verificação de Infração das fls. 12327 a 12384, onde constam a descrição dos fatos, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável e a determinação da exigência. Sobre o destino da operação policial, esta já não guarda qualquer relação com o exigência fiscal em análise, pela independência de instâncias. 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 17455DF CARF MF 8 Aduz também a recorrente, a decadência do direito ao lançamento, matéria regida pela regra geral do art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional (CTN), apenas quando se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte tiver realizado o respectivo pagamento antecipado. No caso em pauta, não houve tal pagamento antecipado do tributo, afastandose a aplicação da primeira parte do dispositivo, incidindo o art. 173, I, do mesmo Código. Nesse sentido, o STJ já se pronunciou no REsp 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 18/09/2009. Nesses temas, portanto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Mérito No mérito, a recorrente se insurge contra a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O art. 161 do CTN assevera que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta", tendo tal crédito decorrente da obrigação principal, esta que " surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária ", nos termos dos artigos 113, § 1º, e 139 do mesmo Código, havendo, portanto, base legal para tal incidência. Portanto, nas questões de mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator (assinado digitalmente) Fl. 17456DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.903578/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2002 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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ERRO EM DCTF Recorrente BANCO BANERJ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 35 78 /2 00 8- 12 Fl. 118DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 58/63, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 49/53, que não deu provimento à Manifestação de Inconformidade do contribuinte, não homologando a compensação pleiteada haja vista a ausência de comprovação da existência do crédito. Tratase do PER/DCOMP nº 15761.58518.180804.1.3.041027, fls. 02/06, no qual o contribuinte buscava compensar suposto crédito no valor original de R$ 23.385,55, oriundo do pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561, com o débito de CPMF, da 2º semana de agosto de 2004, no valor de R$ 33.076,52. Conforme Despacho Decisório de fl. 07, a compensação pleiteada não foi homologada pois "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados em PER/DCOMP". Da Manifestação de Inconformidade Em razão da clareza didática do resumo elaborado pela DRJ em São Paulo/SP das razões apresentadas em manifestação de inconformidade, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: " 4. Irresignado, o contribuinte apresentou em 18/06/2008 a Manifestação de Inconformidade de fls. 10 a 14, informando, em suma, o seguinte: • Que recebeu o despacho decisório consignando a não homologação da compensação. • Que a não homologação eletrônica impede o contribuinte de exercer o seu direito constitucional de ampla defesa, pois falta ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram a não homologação da compensação. • Que no caso em tela o fisco não trouxe aos autos nenhum elemento que, por si, desse suporte ao que alegou como fato motivador da não homologação da declaração de compensação, exceto a descrição dos valores apurados. • Que o ato administrativo deve ser sempre motivado. • Que a falta de demonstração de que os valores foram utilizados em outros pagamentos, por exemplo, acarreta a total impossibilidade de o contribuinte exercer sua prerrogativa constitucional de ampla defesa, sendo o despacho decisório em tela nulo de pleno direito. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 15374.903578/200812 Acórdão n.º 2201004.432 S2C2T1 Fl. 106 3 • Que o peticionante, por erro, declarou na DCTF do 2 trim/02 1ª semana de maio/02, o valor de R$ 23.385,55, como DARF vinculado ao débito do período, sendo que este valor corresponde a pagamento efetuado a maior. • Que no PER/DCOMP o valor do débito compensado corresponderia a este crédito devidamente atualizado. Podendo o alegado ser comprovado pelo PER/DCOMP, pelas DCTFs do 2º trim/02 e do 3º trim/04 e pelo DARF anexados ao processo. • Que o valor do débito da DCTF (fls. 33 a 38), contém um erro que deve ser observado, especificamente, o campo “pagamento com DARF”, pois o valor de R$ 23.385,55 (fls. 36) foi totalmente recolhido indevidamente. Anexa também a DCTF onde consta o débito declarado no PER/DCOMP corretamente vinculado à compensação. 4.1 Ao final o manifestante solicita que seja alterado de ofício as informações das DCTF, de acordo com os dados informados e ainda que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade a fim de que seja julgado improcedente o despacho decisório, reconhecendose o direito de compensação.” Da Decisão da DRJ A DRJ em São Paulo/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, na decisão assim emendada (fls. 49/53): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 03/05/2002 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em suas razões, a autoridade julgadora afastou a preliminar de nulidade arguida pelo contribuinte, afirmando não haver violação ao princípio constitucional da ampla defesa, considerando que no Despacho Decisório de fl. 07 informa, com clareza, as razões pela qual não reconhece o direito creditório invocado. Também nas palavras da autoridade julgadora, o DARF foi vinculado ao débito nos termos da própria declaração apresentada pelo contribuinte (fls. 33/42). Fl. 120DF CARF MF 4 Quanto ao mérito, afirma que o contribuinte não provou as alegações de erro de preenchimento da DCTF, notadamente não apresentando prova documental capaz de provar, cabalmente, a existência do direito creditório. A DRJ entendeu que os documentos apresentados (PER/DCOMP, DARF e quadro demonstrativo) não servem para demonstrar erro o erro de fato que culminou no pagamento indevido ou a maior. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, cientificado do Acórdão da DRJ em 18/05/2012, conforme faz prova o AR de fl. 56, apresentou o recurso voluntário de fls. 58/63 em 19/06/2012. Em suas razões, praticamente reiterou as alegações de mérito apresentadas em sede de manifestação de inconformidade, além de defender que o processo administrativo se rege pelo princípio da verdade material e que os documentos apresentados, quando interpretados sob a ótica de tal princípio, são suficientes para comprovar a existência do direito creditório. Ademais, juntou ao processo documentação que acredita ser relevante para comprovar a existência do pagamento indevido ou a maior de IRRF, qual seja, documentação relativa ao processo judicial nº 1300100544/96, que tramitou na 13º Junta de Conciliação e Julgamento do Recife, bem como o DARF vinculado àquele processo (fls. 83/102). Sobre esse tema, alega ter cometido erro na apuração do tributo, pois efetuou o recolhimento do IRRF com a informação de que o fato gerador ocorreu em maio de 2002 (data da mera transferência do deposito judicial à Vara do Trabalho em Recife), quando o correto seria indicar como fato gerador os meses de maio e junho de 2003 (data do levantamento da quantia depositada judicialmente). Assim, afirma ter efetuado o recolhimento indevido do IRRF no montante de R$ 23.385,15 (fl. 93). Para corrigir seu erro, o RECORRENTE alega que optou por fazer um novo recolhimento do imposto de renda apontando o fato gerador correto, o que resultou no pagamento do montante de R$ 29.050.81 (fl. 94/96). Portanto, entendeu ter demonstrado o recolhimento em duplicidade do tributo e, consequentemente, o seu direito ao crédito pleiteado, o qual não foi contemplado somente por erro no preenchimento da DCTF. Alegou que tal erro não poderia ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento do crédito. Este recurso de voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 15374.903578/200812 Acórdão n.º 2201004.432 S2C2T1 Fl. 107 5 Da Alegação de Prevalência do Princípio da Verdade Material Conforme demonstrado pelo Despacho Decisório de fl. 07, o pedido de compensação não foi homologado por não restar crédito disponível para compensação, devido ao DARF ter sido utilizado integralmente para quitar débito do RECORRENTE relativo ao código 0561 (IRRF rendimento do trabalho assalariado) cujo período de apuração foi 04/05/2002. Sustenta o RECORRENTE que, em verdade, houve equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas, haja vista que o mesmo débito foi declarado em dois DARFs distintos. Aduz ser equivocada a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do CARF reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte, pois no processo administrativo vigora o princípio da verdade material. Um dos princípios norteadores do processo administrativo é o cumprimento a estrita legalidade, desta forma, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso dos tributos federais, a compensação tributária ocorre nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No presente caso, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 07 informando que o crédito que se almeja compensar já estava consignado em outro débito, confessado pelo contribuinte em DCTF. Neste sentido, assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Fl. 122DF CARF MF 6 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prova lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 15374.903578/200812 Acórdão n.º 2201004.432 S2C2T1 Fl. 108 7 Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Apenas em sede de Recurso Voluntário o contribuinte traz um mínimo de provas para fundamentar sua alegação de ocorrência de erro de fato, qual seja, a cópia de alguns trechos do processo nº 1300100544/96 que tramitou na 13º Junta de Conciliação e Julgamento do Recife, processo este que originou o débito de IRRF objeto da presente celeuma. Contudo, não deveria o contribuinte comprovar o suposto recolhimento em duplicidade, pois é evidente que houve o recolhimento, tanto que o despacho decisório atesta a utilização do pagamento reputado como a maior pelo contribuinte para quitar débito confessado pelo RECORRENTE. Em verdade, deveria o contribuinte comprovar que cometeu equívoco na sua DCTF; ou seja, que os débitos confessados nessa declaração estavam equivocados. Assim, deveria ter comprovado o erro na DCTF através de balanços contábeis e demais documentos aptos a comprovar o valor correto devido a título IRRF para o período em questão, ou então auditoria realizada por perito independente. Neste sentido se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. É bem verdade que, em razão do princípio da autotutela, pode a Administração Tributária reconhecer de ofício a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em desacordo com a legislação aplicável, ou tenha denegado ao contribuinte pleito que faz jus. Todavia, não existe nos autos evidências suficientes para se proceder com a correção de ofício, considerando que, o crédito tributário objeto de pedido compensação foi integralmente utilizado para quitar dívida confessada pelo contribuinte. Não há, também, nos presentes autos elementos que justifiquem eventual conversão em diligência, ante ausência quase que integral de conteúdo probatório do direito do contribuinte. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos ao princípio da Verdade Material. Todo o procedimento fáticoprobatório e jurídico presente nos autos foi levado em consideração nesta decisão, uma vez não comprovada a ocorrência de erro de fato; a Fl. 124DF CARF MF 8 cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Conclusão Pelas razões acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.000513/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA JÁ EXISTENTE
A prática habitual de atividades comerciais com o objetivo de lucro, afasta a alegação de intermediação e autoriza a tributação da receita como sendo auferida pela pessoa jurídica.
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO
Incabível a alegação de erro na identificação do sujeito passivo, quando demonstrado nos autos que a pessoa jurídica autuada tem relação direta com a situação que constitui o fato gerador dos tributos.
Numero da decisão: 1302-002.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA JÁ EXISTENTE A prática habitual de atividades comerciais com o objetivo de lucro, afasta a alegação de intermediação e autoriza a tributação da receita como sendo auferida pela pessoa jurídica. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Incabível a alegação de erro na identificação do sujeito passivo, quando demonstrado nos autos que a pessoa jurídica autuada tem relação direta com a situação que constitui o fato gerador dos tributos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA JÁ EXISTENTE A prática habitual de atividades comerciais com o objetivo de lucro, afasta a alegação de intermediação e autoriza a tributação da receita como sendo auferida pela pessoa jurídica. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Incabível a alegação de erro na identificação do sujeito passivo, quando demonstrado nos autos que a pessoa jurídica autuada tem relação direta com a situação que constitui o fato gerador dos tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 05 13 /2 00 9- 53 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10384.000513/200953 Acórdão n.º 1302002.806 S1C3T2 Fl. 262 2 Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em exame, transcrevo o relatório da DRJ/RPO: “Em procedimento fiscal, verificouse que VALDEMAR CARDOSO VIEIRA, CPF 038.955.05315, tendo sido intimado para justificar depósitos bancários efetuados em conta corrente, de sua titularidade, no Banco do Brasil S/A, apresentou documentos de créditos e notas fiscais (entrada e de produtor), referentes a operações de vendas, de castanha de caju, para diversas empresas. Constatandose, que, no caso em foco, a Pessoa Física equiparase a Pessoa Jurídica, a fiscalização tributou as receitas comprovadas através das notas fiscais de folhas 55 a 136, no valor de R$ 1.261.458,32, na Pessoa Jurídica: V. C.VIEIRA COMÉRCIO E TRANSPORTE LTDA, de titularidade do sujeito passivo, submetido ao processo fiscalizatório. Foram lavrados os autos de infração de fls. 3 a 44, exigindo os seguintes tributos: O enquadramento legal para o lançamento dos tributos encontrase descrito nos autos de infração. Notificada da autuação, a contribuinte, representada pelo procurador Jorge Henrique Furtado Baluz (fl. 188), ingressou com a impugnação de fls. 169 a 187, na qual alega: ● A pessoa física autuada dedicase à intermediação de vendas de produtos de origem vegetal auferindo comissão a título de contraprestação pecuniária pela intermediação. As notas fiscais de venda emitidas em nome da pessoa física servem apenas para viabilizar o trânsito dos produtos até a indústria adquirente. Prova disso Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10384.000513/200953 Acórdão n.º 1302002.806 S1C3T2 Fl. 263 3 são os contratos celebrados que prevêem o pagamento de comissão sobre o valor de venda. ● Analisando o extrato bancário da pessoa física que serviu como indício de omissão de receita, percebese que todo depósito corresponde a uma saída (débito) imediata, que caracteriza que a impugnante repassa o valor do produto diretamente ao respectivo produtor rural, ficando em sua conta corrente apenas o percentual equivalente a sua comissão. ● Portanto, a pretensa omissão de receitas apurada é, em verdade, decorrente da atividade de intermediação de venda de produtos de origem rural, onde o Impugnante (na pessoa de seu titular) procede à ligação entre o produtor rural e respectivo industrial ou revendedor. ● Assim, ausente a compra e venda do produto, inválida a equiparação do contribuinte à pessoa jurídica adotada pelo fisco, já que não há que se falar em atividades mercantis realizadas pela pessoa física do contribuinte. Nessa ordem de ideias afigurase nulo o lançamento. ● Mesmo que se pudesse alcunhar os fatos objeto do auto de infração como atividade mercantil e, portanto, equiparada à empresa individual, o resultado da fiscalização deveria ser outro. Como cediço, o contribuinte pessoa física que pratica reiterada e habitualmente atos de cunho comercial está equiparado, para fins fiscais, às pessoas jurídicas. Destarte, o sujeito passivo da obrigação tributária decorrente das operações de venda de produtos, na forma apurada pela autuação, é a pessoa física que praticou o negócio jurídico, in casu, o Sr. Valdemar Cardoso Vieira. Ou seja, o contribuinte pessoa física é, na presente hipótese, equiparado à empresa individual que, a sua vez, sujeitase ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (ainda que através do SIMPLES), por força do que preconiza o art. 150 do Regulamento do Imposto de Renda. ● A equiparação da pessoa física à pessoa jurídica prescrita no Regulamento do Imposto de Renda se basta para seu fim, não conduzindo à alteração da sujeição passiva da relação tributária, por meio da criação de nova personalidade jurídica, como o fez a autuação. ● Na clara dicção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, somente há espaço para a imputação do crédito tributário decorrente da omissão de receitas a terceiro não titular da conta corrente bancária onde houve a apuração do ilícito fiscal quando comprovado, efetivamente, que os respectivos valores pertencem ao terceiro, caracterizando a interposição de pessoa (no caso, do titular da empresa Impugnante).Vale dizer, não há nos autos prova conducente à conclusão de que os valores transitados na conta corrente da pessoa física são fruto das atividades praticadas pelo impugnante, figurando este, neste particular, como parte ilegítima para compor o pólo passivo da relação tributária erigida pela autuação. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10384.000513/200953 Acórdão n.º 1302002.806 S1C3T2 Fl. 264 4 Com essas considerações, verificase que houve erro na identificação do sujeito passivo e deve ser anulado o lançamento. ● Da Base de Cálculo. A autuação tributou toda a suposta receita quando há provas da existência da atividade de corretagem ou intermediação da venda de produto rural. A receita de corretagem corresponde a uma parcela não quantificada de venda do produto rural tendo em vista que a fiscalização computou no seu levantamento quantitativo toda a movimentação havida junto aos clientes, considerada a movimentação bancária e as notas fiscais emitidas. ● Na falta de uma identificação completa das transações que deram causa as receitas de corretagem e das transações que corresponderiam às compras e vendas, não há como prevalecer o lançamento, dês que não há efetiva identificação da hipótese de incidência dos tributos em testilha. ● Destarte, uma vez que a autoridade lançadora não demonstrou a efetiva ocorrência do fato gerador e nem apontou os fundamentos de fato e de direito que autorizam a presunção de omissão de receitas, é de ser anulado o auto de infração. ● A fiscalização, em evidente inobservância ao princípio da capacidade contributiva, deixou de levar em consideração que o real rendimento do impugnante, nas operações de intermediação, consiste na comissão sobre o preço de venda, não configurando faturamento próprio os valores que apenas transitam em seu caixa, relativos aos pagamentos realizados aos respectivos produtores rurais. No caso vertente, insistase, há depósitos de terceiros que transitaram nas contas do titular do Impugnante; são valores que não pertencem ao Impugnante, mas sim aos respectivos produtores rurais alienantes. Essencial, assim, a contabilização dos pagamentos realizados pelo impugnante, para se estabelecer, a precisão necessária, os valores passíveis de tributação. ● No caso vertente, notadamente por força do primado da legalidade estrita (art. 142 do CTN), donde decorre a obrigatoriedade da investigação adequada dos fatos que antecedem a formalização e quantificação do crédito tributário via auto de infração, a autuação, verificado o mero indicio de omissão, estava obrigada a analisar todas as notas fiscais de venda de mercadorias e proceder ao levantamento analítico de estoque, para constatar a entrada de mercadorias e a sua eventual omissão. ● Assim sendo, não possuindo qualquer informação de ordem técnica acerca das entradas e saídas de mercadorias comercializadas pela impugnante, não há como arrimar a alegação de que esta deixou de recolher os tributos federais sobre supostas vendas omitidas”. Após análise das razões apresentadas pelo contribuinte, os membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/POR julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa do Acórdão nº 1454.435, transcrito a seguir: Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10384.000513/200953 Acórdão n.º 1302002.806 S1C3T2 Fl. 265 5 “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. A prática habitual de atividades comerciais com o objetivo de lucro, afasta a alegação de intermediação e autoriza a tributação da receita como sendo auferida pela pessoa jurídica. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Incabível a alegação de erro na identificação do sujeito passivo, quando demonstrado nos autos que a pessoa jurídica autuada tem relação direta com a situação que constitui o fato gerador dos tributos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão retro, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário para apreciação por este Conselho reiterando as razões expostas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. Com supedâneo no §3º, do art. 57, da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprova o novo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), e tendo em vista a ausência de apresentação de novas razões de defesa perante este Conselho, adoto as razões de decidir da decisão recorrida, conforme transcrito a seguir: “A contribuinte alega na impugnação que houve erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que não há nos autos prova de que os valores transitados na conta corrente da pessoa física são fruto das atividades praticadas pela impugnante. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10384.000513/200953 Acórdão n.º 1302002.806 S1C3T2 Fl. 266 6 Acrescenta que não se tratam de operações de compra e venda, como entendeu a fiscalização, mas de prestação de serviços de intermediação. Defende que há depósitos de terceiros que transitaram nas contas do titular /Impugnante e são valores que não lhe pertencem, mas sim aos respectivos produtores rurais alienantes. Não procedem tais alegações. Em primeiro lugar, porque foram tributados na presente autuação, como omissão de receita, os valores das notas fiscais de venda de castanha de caju e não os depósitos efetuados na conta bancária de Valdemar Cardoso Vieira. Em segundo lugar porque, quando intimado, Valdemar Cardoso Vieira justificou os depósitos bancários efetuados em sua conta corrente no Banco do Brasil S/A, apresentando documentos de créditos e notas fiscais (entrada e de produtor), referentes a operações de vendas de castanha de caju para diversas empresas. Tais documentos comprovam que houve, na realidade, atos de comércio, ou seja, efetuavase a venda dos produtos e o valor desses bens era depositado em conta bancária. Os depósitos na conta corrente comprovam o recebimento pela venda do produto, concluindose que ocorreram operações de compra e venda de castanha de caju e não mera “intermediação”. Não há nenhum elemento nos autos que possa comprovar que Valdemar Cardoso Vieira tenha agido em nome e por conta de terceiros. No contrato apresentado juntamente com a impugnação (fls. 195 a 199) consta que referida pessoa se obrigava a adquirir e entregar, no prazo e condições pactuadas, o objeto negociado, assumindo o risco do negócio juntamente com a contratante. Os pagamentos efetuados pela empresa compradora em razão da execução do citado contrato, e de acordo com a emissão das notas fiscais de compras, foram realizados mediante depósitos/créditos em conta de titularidade da citada pessoa física. Além disso, foi apresentado unicamente o referido contrato que não se fez acompanhar de outros documentos, tais como aqueles citados no contrato: “recibo, com retenção de imposto de renda incidente na fonte e ISS, na forma da Lei”. Devese, portanto, afastar a alegação de que se tratou de simples intermediação. A partir dessa conclusão e considerando que os negócios eram feitos com habitualidade é lícito considerar que a natureza jurídica desses atos é a de uma operação de compra e venda mercantil, onde uma parte efetivamente entregou a coisa e a outra pagou o preço pactuado, tendo ambas assumido os riscos do negócio. Como se vê no processo, várias notas fiscais avulsas (por exemplo, fls. 75, 76, 82 a 85, 120 a 125, 136, 137) foram emitidas em nome da contribuinte e não da pessoa física, o que leva à conclusão de que se trata de receita a ser tributada na pessoa jurídica da impugnante. Assim, considero correta a atribuição de tais vendas à pessoa jurídica da qual Valdemar Cardoso Vieira participa, que possui como objeto social a venda de castanha de caju”. Conclusão Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10384.000513/200953 Acórdão n.º 1302002.806 S1C3T2 Fl. 267 7 É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator Fl. 267DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.722571/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2009
INTIMAÇÃO. RECEBIMENTO. ENDEREÇO DA CONTRIBUINTE. REGISTRO NA RFB. COMPROVAÇÃO POR AR. TEORIA DA APARÊNCIA. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO.
No caso de pessoa jurídica, o STJ admite há muito tempo a aplicação da teoria da aparência para as citações por oficial de justiça e pelos correios.
Do mesmo modo, a carta registrada enviada ao endereço constante do cadastro da pessoa jurídica junto à Receita Federal do Brasil, ainda que não recebida e assinada no aviso de recebimento (AR) por representante legal, supre a exigência de forma no ato de intimação.
MULTA QUALIFICADA. DÚVIDA QUANTO A OCORRÊNCIA DO ATO DOLOSO. INTERPRETAÇÃO DO ART. 112 CTN.
Considerando-se que o art. 112 do Código Tributário Nacional prevê interpretação favorável da lei tributária que define infrações ou comine penalidades em casos de dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato, à natureza da penalidade ou sua graduação, deve ser afastada a qualificadora na hipótese em que não resta caracterizada a prática de ação que vide impossibilitar ou retardar a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1201-002.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestivo e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencidas as conselheiras Eva Maria Los e Ester Marques Lins de Sousa que davam provimento ao recurso de ofício para manter a multa qualificada.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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RECEBIMENTO. ENDEREÇO DA CONTRIBUINTE. REGISTRO NA RFB. COMPROVAÇÃO POR AR. TEORIA DA APARÊNCIA. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. No caso de pessoa jurídica, o STJ admite há muito tempo a aplicação da teoria da aparência para as citações por oficial de justiça e pelos correios. Do mesmo modo, a carta registrada enviada ao endereço constante do cadastro da pessoa jurídica junto à Receita Federal do Brasil, ainda que não recebida e assinada no aviso de recebimento (AR) por representante legal, supre a exigência de forma no ato de intimação. MULTA QUALIFICADA. DÚVIDA QUANTO A OCORRÊNCIA DO ATO DOLOSO. INTERPRETAÇÃO DO ART. 112 CTN. Considerandose que o art. 112 do Código Tributário Nacional prevê interpretação favorável da lei tributária que define infrações ou comine penalidades em casos de dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato, à natureza da penalidade ou sua graduação, deve ser afastada a qualificadora na hipótese em que não resta caracterizada a prática de ação que vide impossibilitar ou retardar a ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestivo e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencidas as conselheiras Eva Maria Los e Ester Marques Lins de Sousa que davam provimento ao recurso de ofício para manter a multa qualificada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 25 71 /2 01 1- 21 Fl. 1957DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório No âmbito do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n. 08.1.85.00 2011 002270 (fl. 2), contra a contribuinte acima identificada foi lavrado auto de infração que exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), acrescidos de juros de mora, multa de ofício e multa de ofício qualificada. O substrato do lançamento baseouse em falta de contabilização de ganho de capital apurado em alienação de investimento avaliado pelo valor do patrimônio líquido e compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores, conforme quadro a seguir: Foi glosada a importância de R$ 70.849.309,17, correspondente ao custo do investimento na Usina Moema, pertencente à impugnante e decorrente de ágio interno, destituído de propósito de negócio. Foram realizados ajustes da compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa nos períodos subsequentes, em conformidade com a legislação. Os demonstrativos de fls. 1129/1130 registram o valor glosado, a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. O ganho de capital antes referido foi obtido com a venda, ocorrida no dia 15/5/2006, que a contribuinte efetuou à Usiagropar Participações Ltda. de sua participação na Usina Moema. Fl. 1958DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 3 3 O procedimento fiscal foi instaurado com o Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 5/6) que intimou a contribuinte a apresentar estatuto social e alterações, organograma da pessoa jurídica e a prestar informações relativas à incorporação da Elbelpar Agro Participações e Empreendimentos S.A. (Elbelpar Agro) e ElbelparMo Participações e Empreendimentos S.A. (Elbelpar Mo), e da cessão onerosa de quotas da Usina Moema Açúcar e Álcool Ltda. para a Usiagropar Participações Ltda. O Termo de Verificação Fiscal (TVF, fls. 1097/1133) registra que a Santa Elisa Participações S.A. (Separ) assinou em 13/4/2006 com Usiagropar Participações Ltda. (Usiagropar) compromisso de transferir onerosamente 36,05% do capital social da Usina Moema Açúcar e Álcool Ltda. (Moema), em vista de que a Separ incorporaria Elbelpar Agro e Elbelpar Mo, que eram detentoras da participação na Moema. Em 20/4/2006 a Separ incorporou a totalidade das ações, a valor de mercado da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro. Quatro dias após a incorporação das ações, em 24/4/2006, a Separ incorporou a Elbelpar Mo e Elbelpar Agro. Posteriormente, em 15/5/2006, a Separ alienou à Usiagropar a participação de 36,05% na Moema, sem registrar lucro contábil sobre tal transação. Segundo a fiscalização, a família Biagi detinha participação direta ou indireta tanto na contribuinte quanto na Elbelpar Mo e Elbelpar Agro (fls. 1099/1101). Conforme consta do TFV, a impugnante fora constituída em 22/9/2004 com capital inicial de R$ 10.000,00, tendo como acionista majoritária a Usina Santa Elisa S.A. Em 29/10/2004 o capital social foi aumentado para R$ 29.725.875,53, totalmente integralizado pela Usina Santa Elisa, mediante conferência de bens e direitos. Em 5/4/2005 o capital foi novamente elevado para R$ 44.725.875,53, com emissão de 3.332.497 ações ao preço de R$ 4,501129, calculado com base em rentabilidade futura. Após os acionistas terem cedido gratuitamente o direito à subscrição a Companhia de Bebidas Ipiranga (CBI), acionista da Usina Santa Elisa, integralizou 2.506.068 ações, no valor de R$ 11.280.136,13, restando 826.429 ações a integralizar. Em 24/5/2005, após renúncia dos demais acionistas, a CBI integralizou o restante das ações, no valor de R$ 3.719.863,82. Nesta data o capital foi novamente aumentado em R$ 2.600.000,00, correspondente a 577.633 ações, integralizadas por Alebisa, após os demais acionistas terem renunciado. Posteriormente a tais movimentações, em 13/4/2006, houve a cessão antes referida, da participação na Usina Moema, para a Usiagropar, que na qualidade de promitente cessionária acordou em efetuar pagamento de R$ 79.688.626,83 (fls. 1103/5). Da Assembléia Geral de 20/4/2006 Na Assembléia Geral Extraordinária realizada pela contribuinte em 20/4/2006 foram tratados alguns temas, desdobrados a seguir. Fl. 1959DF CARF MF 4 aprovação do Protocolo de Incorporação de Ações e Justificação, celebrado com a Elbelpar Mo e a Elbelpar Agro em 20/4/2006 nomeação da Setape Assessoria Econômica Ltda. (Setape) como empresa avaliadora para elaborar laudos de avaliação da contribuinte, da Elbelpar Agro e da Elbelpar Mo, baseado na metodologia do valor patrimonial ajustado, utilizandose das demonstrações financeiras auditadas, do período de abril 2004 a abril/2005 e não auditadas, de fevereiro/2005 a março/2006; aprovação dos laudos de avaliação elaborados com base na metodologia descrita anteriormente, que apurou os valores de R$ 75.775.000,00, R$ 52.768.000,00 e R$ 486.212.000,00, atribuídos à totalidade de ações de emissão de Ebelpar Mo, Elbelpar Agro e da contribuinte, respectivamente; aprovação da incorporação da totalidade das ações das incorporadas, visando convertêlas em subsidiárias integrais da contribuinte; aprovação o aumento de capital que passou de R$ 47.325.875,53 para R$ 175.868.875,53, com emissão de 8.892.776 ações de diversas espécies , que foi totalmente subscrito pelos acionistas da Elbelpar Agro e Elbelpar Mo e integralizado mediante a conferência da totalidade de ações de emissão da Elbelpar Agro e Elbelpar Mo. Consta do TVF que a Companhia Energética Santa Elisa (Cese), controlada da contribuinte foi objeto de avaliação pelo método do fluxo de caixa descontado que, após ajustes, elevou seu valor de mercado de R$ 88.439.000,00 para R$ 485.465.000,00 (fl. 1112/3). Em razão disso a contribuinte, como controladora da Cese, registrou como investimento naquela sociedade o valor de R$ 397.026.000,00 tendo como contrapartida a contra patrimonial de Reserva de Reavaliação. Segundo consta do TVF, a avaliação a valor de mercado da contribuinte teve origem tãosomente nos ajustes efetuados na Cese, sua controlada, que também foi avaliada a valor de mercado. Semelhante fato ocorreu com a Elbelpar Mo e a Elbelpar Agro. A primeira possuía investimentos na Usina Moema, sua única investida, tendo o investimento sido elevado de R$ 4.218.000,00 para R$ 36.821.000,00. Em decorrência disso, houve aumento no valor patrimonial da Elbelpar Mo, de R$ 32.603.000,00, representado exclusivamente pelos ajustes nas contas de investimento da Usina Moema. A segunda possuía investimentos na Usina Moema, sua única investida, tendo o investimento sido elevado de R$ 4.948.000,00 para R$ 43.194.000,00. Em face de tal circunstância, houve aumento no valor patrimonial da Elbelpar Mo, de R$ 38.246.000,00, representado exclusivamente pelos ajustes nas contas de investimento da Usina Moema. Da Assembléia Geral de 24/4/2006 e do protocolo de incorporação da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro Na assembléia geral a contribuinte aprovou o protocolo de incorporação das sociedades empresárias Elbelpar Mo e Elbelpar Agro, ao mesmo tempo em que ratificou a nomeação da empresa que procedeu à avaliação das incorporadas, aprovou o laudo de avaliação e, por fim, aprovou as incorporações. Fl. 1960DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 4 5 No mesmo dia da assembléia a contribuinte, a Elbelpar Mo e a Elbelpar Agro firmaram Protocolo de Incorporação e Justificação, que registra como capital integralizado os valores de R$ 175.868.875,53, R$ 43.171.482,10 e R$ 14.404.242,91, respectivamente. Segundo a fiscalização a operação atendeu, dentre outras, as condições adiante: o critério utilizado para a avaliação do patrimônio das incorporadas integrado pela incorporadora foi o valor do patrimônio líquido contábil, apurado com base nos balanços levantados em 31/3/2006; em razão de as incorporadas serem subsidiárias integrais da incorporadora, a incorporação foi realizada sem qualquer aumento no capital social da incorporadora; contratouse para elaboração do laudo de avaliação do patrimônio das incorporadas a empresa Diretriz Tributária e Contábil S/C Ltda. consta dos laudos de avaliação da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro que os acervos a serem incorporados ao patrimônio da Separ compreendem os bens, direitos e obrigações registrados nos livros contábeis em 30/3/2006, pelas importâncias de R$ 43.171.482,10 e R$ 14.522.208,73, respectivamente. Da alienação para a Usiagropar da participação que a Separ detém na Usina Moema Por meio da alteração contratual realizada em 15/5/2006 na Usina Moema ficou deliberada a transferência das quotas detidas por Ebelpar Mo e Ebelpar Agro para a Separ que, ato contínuo, retirouse da sociedade transferindo 661.343 quotas de sua propriedade à Usiagropar que assim ingressou na sociedade. Na mesma alteração a Cese também transfere 85.939 quotas de sua propriedade à Usiagropar. Do ágio interno Registra o TVF que ...a Separ, empresa controlada pela família Biagi, emitiu novos títulos de capital social, títulos estes que foram subscritos pela própria família Biagi através da totalidade de suas participações societárias nas empresas Elbelpar Mo e Elbelpar Agro (100% de participação no capital social de ambas as empresas). Para a Separ, o custo de aquisição dos investimentos nas empresas Elbelpar Mo e Elbelpar Agro foi o valor do patrimônio líquido das mesmas acrescido de um ágio no valor total de R$ 70.849 mil, ágio este gerado internamente, intragrupo, uma vez que tanto a Separ como a Elbelpar Mo e Elbelpar Agro eram empresas controladas pela família Biagi. Fl. 1961DF CARF MF 6 Segundo a fiscalização, o intangível decorreu da incorporação de ações de pessoas jurídicas avaliadas a valor de mercado sem qualquer desembolso verificado na referida operação, o que impede o reconhecimento contábil desse ágio. O ágio gerado internamente não decorre de operação com propósito de negócio; não há qualquer forma de desembolso que dê amparo à existência de valor justo de ativo negociado entre partes independentes, ocorrência que não encontra respaldo na teoria contábil, tampouco no âmbito da CVM, que por meio do Ofício Circular CVM/SNC/SEP n. 1/2007, manifestou entendimento de que as transações envolvendo ágio gerado internamente não se revestem de substância econômica e independência entre as partes que justifique registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. A operação tampouco encontra respaldo no âmbito do Conselho Federal de Contabilidade, pois pelo Princípio do Registro pelo Valor Original, previsto na Resolução CFC 750/1993, os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior. Assim, a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerandose os resultantes do consenso com agentes externos ou da imposição destes. Dessa forma, o ativo intangível correspondente ao ágio apenas pode ser reconhecido se pago e adquirido de terceiros, não podendo ser reconhecido aquele que for gerado pela própria empresa ou dentro do conjunto de empresas sob controle comum. A fiscalização considerou evidente o intuito, por parte do grupo econômico da Separ, em neutralizar o ganho de capital obtido com a venda de sua participação na Usina Moema à Usiagropar, após ter ocorrido a reorganização societária adiante caracterizada: avaliação a valor de mercado da Moema, única investida das empresas Elbelpar Mo e Elbelpar Agro, em 31/3/2011; incorporação das ações da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro, pela Separ, registrando em sua contabilidade, a título de investimento, um valor inflado pelo ágio proveniente da reavaliação da Usina Moema, em 20/4/2011; incorporação das sociedades empresárias Elbelpar Mo e Elbelpar Agro pela Separ, registrando, em 24/4/2011, na contabilidade desta última um investimento na Usina Moema inflado pelo ágio; alienação em 15/5/2006, à Usiagropar, da participação que a Separ detinha na Usina Moema por valor próximo ao custo de aquisição, que se encontrava inflado pelo ágio, mascarando o lucro obtido nesta operação,. as operações foram realizadas em sequência, em curto espaço de tempo entre cada uma delas, com um único objetivo atingido ao término de todas etapas, a saber, a neutralização do ganho de capital em vista da criação de ágio interno; embora a justificativa apresentada pela contribuinte fosse a de obtenção de maior eficiência operacional, administrativa e financeira, aliadas à redução de custos, a fiscalização constatou que as sedes das empresas localizavamse no mesmo endereço, elas não realizaram despesa com aluguéis, não possuíam empregados, tampouco houve qualquer desembolso a título de remuneração de dirigentes e do conselho de administração, o que afasta a alegação de que haveria redução de custos, pois eles inexistiam. Fl. 1962DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 5 7 Por entender que a contribuinte teve intenção dolosa de fazer surgir ágio artificial com o objetivo de inflar o custo do investimento na Usina Moema e neutralizar tributariamente o ganho de capital obtido com a alienação utilizandose de atos elaborados em curto espaço de tempo, cuja função foi distorcer o resultado final caso as partes não efetuassem o planejamento, ocasionando redução indevida de IRPJ e CSLL houve imposição de multa qualificada sob o fundamento de ter existido sonegação e fraude no procedimento adotado. A autoridade fiscal intimou a contribuinte a retificar o Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e o Registro de Apuração da Contribuição Social. Formalizouse representação fiscal para fins penais, autuada sob o processo administrativo n. 10840.722573/201111 e arrolamento de bens e direitos para acompanhamento do patrimônio do sujeito passivo, autuado sob n. 10840.722572/201176. Impugnação Intimada da imposição tributária, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1142/1227 com alegação preliminar de: nulidade decorrente de cerceamento do direito de defesa em vista de que a fiscalização não indagou acerca dos motivos empresariais, operacionais e extra tributários que levaramna a realizar suas operações da forma como foram implementadas, circunstância que fere o princípio do contraditório e da ampla defesa; nulidade decorrente de erro de sujeito passivo, pois com a desconsideração das sociedades Elbelpar Mo e Elbelpar Agro a venda das quotas da Usina Moema deveria ser considerada como sendo feita pelas pessoas físicas que detinham participação naquelas sociedades empresárias; nulidade decorrente de erro no enquadramento legal e na descrição dos fatos em face de que ao listar as normas infringidas a fiscalização não estabeleceu a necessária relação entre os conteúdos e os fatos que originaram a imposição tributária. Antes de declinar as questões de mérito relativas a seu inconformismo a impugnante consignou em breve histórico que: no contexto da reorganização societária que ocorreu envolvendo dois núcleos da família Biagi as partes resolveram dividir seus negócios em dois segmentos, em que um deles (família Biagi I) cuidaria dos investimentos na impugnante e suas controladas e outro (família Biagi II), inclusive o senhor Maurílio Biagi Filho, cuidaria dos investimentos na Usina Moema; os integrantes da família Biagi I principiaram discutir a forma como se daria a alienação das quotas da Usina Moema, que detinham indiretamente, por meio da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro; a Elbelpar Mo e a Elbelpar Agro foram constituídas mais de um ano antes da reorganização societária, com o propósito de servir de holdings puras da família Biagi I, para concentrar as quotas da Usina Moema que pertenciam aos seus integrantes e, assim permitir representação homogênea dos interesses do grupo na Usina Moema, principalmente Fl. 1963DF CARF MF 8 para fazer frente aos crescentes conflitos que surgiam com o senhor Maurílio Biagi Filho na administração da usina; outro aspecto relevante que surgiu com a decisão de alienar a participação na Usina Moema era o de manter e perpetuar os investimentos dos membros da família Biagi I, tendo a impugnante surgido como opção natural para canalizar e reaplicar os recursos que seriam obtidos com a alienação; a alienação das quotas da Usina Moema teria como consequência natural a desnecessidade de manutenção da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro, daí porque a venda dessas sociedades surgiu como uma das opções para a família Biagi I; como a Elbelpar Mo e a Elbelpar Agro tinham como único ativo as quotas da Usina Moema, a venda das sociedades seria uma opção que permitiria à família Biagi I obter o mesmo preço cobrado na alienação das quotas da Usina Moema, desfazendose das holdings, com a carga fiscal de IRPF sobre ganho de capital a cargo dos integrantes da família; entretanto tal opção não atenderia à diretiva de manter os recursos em uma pessoa jurídica para que fossem reinvestidos em outros negócios; outra opção aventada seria a incorporação prévia da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro pela Usina Moema, com a qual os integrantes da família Biagi I passariam a deter suas quotas na usina e poderiam vendêlas à Usiagropar, com carga fiscal de IRPF sobre ganho de capital; essa segunda opção também não atendia à diretiva de manutenção dos recursos em uma pessoa jurídica. Em vista de que as opções de negócio antes relatadas não satisfaziam aos interesses, adotouse a estrutura a seguir: incorporação de ações da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro pela impugnante, a valor de mercado, fazendo com que ela se tornasse a única titular das sociedades e, ao mesmo tempo, passasse a ser detida diretamente pelas pessoas físicas da família Biagi I; incorporação das próprias holdings Elbelpar Mo e Elbelpar Agro pela impugnante, fazendo com que ela se tornasse detentora direta das quotas da Usina Moema que pertenciam à família Biagi I; por fim, alienação efetiva das quotas da Usina Moema pela impugnante. Arguiu que dessa forma a carga fiscal imposta às pessoas físicas da família Biagi I correspondeu ao mesmo IRPF que seria devido caso fosse adotada qualquer das outras formas antes descritas. Assim, cada pessoa física recolheu IRPF decorrente de ganho de capital, relativamente à diferença entre o valor de mercado da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro e seus respectivos custos de aquisição. A impugnante descreve detalhadamente e em ordem cronológica cada um dos passos dados cujo objetivo final foi a alienação das quotas da Usina Moema pela família Biagi I, já relatado anteriormente. Sobreleva registrar que alegou ter deixado às claras toda a estrutura que seria implementada para a venda das quotas da Usina Moema, razão por que deve ser afastada a conduta dolosa que a fiscalização suscitou para majoração da multa de ofício. No mérito, a impugnante teceu as alegações a seguir. Fl. 1964DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 6 9 Do custo de aquisição das quotas da Usina Moema, da incorporação de ações e da incorporação da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro e da alienação do investimento na Usina Moema. Segundo arguiu, a questão a ser tratada referese à possibilidade de utilizar o custo de aquisição na incorporação de ações da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro na alienação de quotas da Usina Moema, afastandose qualquer discussão acerca de amortização de ágio, que teria sido suscitada pela fiscalização, uma vez que a matéria a ser tratada decorre de incorporação de ações das sociedades Elbelpar Mo e Elbelpar Agro. No que se refere à incorporação de ações, alegou que deve ser analisada sob dois pontos de vista, a saber, o dos componentes da família Biagi I que tiveram suas ações transferidas de uma sociedade a outra por força da incorporação de ações, e da pessoa jurídica que incorporou e recebeu as ações das sociedades Elbelpar Mo e Elbelpar Agro. Da óptica dos membros da família Biagi I que tiveram as ações de sua titularidade incorporadas, houve uma substituição das ações antigas, da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro pelas da impugnante, que à opção do contribuinte sujeitamse à avaliação pelo valor patrimonial ou pelo de mercado, conforme autorizam o art. 23 e § 2º, da Lei n. 9.249, de 1995. No caso vertente a avaliação das ações da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro foi feita pelo valor de mercado, tendo os respectivos ganhos de capital resultantes da operação sido tributados pelo IRPF à alíquota de 15%, ressalvandose que não foram considerados pela fiscalização quando do lançamento tributário. Da óptica da impugnante, com a transferência das ações da Elbelpar Mo e da Elbelpar Agro por meio da incorporação, ela passou a deter investimento relevante nas empresas, de forma que o uso do método de equivalência patrimonial tornouse obrigatório. Em face da regra do art. 385 do RIR/1999, desdobrou o custo de aquisição do investimento em duas rubricas, uma delas representativa do valor do patrimônio e a outra, do ágio. Arguiu que a fundamentação econômica do ágio está baseada na mais valia dos ativos da Elbelpar Mo e da Elbelpar Agro, conforme previsto no inciso I do § 2º do art. 385 do Rir/1999, que não foi objeto de questionamento por parte da fiscalização e que em sua essência ele não é causa, mas resultante do próprio custo de aquisição. Posteriormente, com a incorporação da Elbelpar Mo e da Elbelpar Agro ao seu patrimônio, o ágio resultante do desdobramento do custo de aquisição decorrente da incorporação das ações passou a ter o tratamento fiscal previsto no § 1º do inciso I do art. 386 do Rir/1999, em contrapartida à conta que registrava os direitos que lhe deram causa. Quando da alienação do investimento na Usina Moema a impugnante adotou como custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital o valor do patrimônio líquido pelo qual o investimento na usina estava registrado em sua contabilidade, com acréscimo do ágio resultante do custo de aquisição, registrado no momento da incorporação das ações da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro, que passou a compor o custo do investimento da impugnante na Usina Moema com a extinção das duas sociedades. Fl. 1965DF CARF MF 10 Da necessidade de reconhecimento do ágio ainda que a Elbelpar Mo e a Elbelpar Agro fossem desconsideradas Segundo a impugnante, ainda que a Elbelpar Mo e a Elbelpar Agro fossem desconsideradas o resultado seria como se ela tivesse recebido as quotas da Usina Moema por contribuição em aumento de capital, efetuada pela família Biagi, a valor de mercado. Nesse caso a impugnante deveria desdobrar o investimento então detido diretamente na Usina Moema em valor de patrimônio líquido das quotas da usina e ágio. Quanto ao ágio, deveria ser tratado como parte do custo de aquisição, a teor do que preceitua o art. 426 do Rir/1999. No que se refere à baixa do investimento, as regras do art. 427 do Rir/1999 também teriam sido atendidas, uma vez que tal regra preceitua que a baixa de investimento relevante por alienação deverá ser feita pelo valor de patrimônio líquido levantado na data da aquisição ou em até 30 dias antes dessa alienação. Do ágio interno Segundo a impugnante a discussão que se instaurou não trata da amortização fiscal de ágio, mas do custo de aquisição. Citou doutrina para alegar que se a lei não proíbe a formação de ágio em operações entre partes relacionadas, as autoridade fiscais não podem glosar importâncias debitadas ao resultado sob o argumento de que o ágio apenas seria justificável em operações com terceiros, traduzidas em aquisição de ações ou quotas. Conquanto a fiscalização tivesse fundamentado o lançamento na impossibilidade de a impugnante constituir ágio de si própria, não há indicação de norma contábil vigente à época em que ocorreram os fatos que ampare a imposição tributária. Todos os procedimentos adotados pela impugnante estavam amparados pelas disposições dos arts. 248 da Lei das S.A. e 385, 386 e 426, do Rir/1999. O Ofício Circular CVM 01/07 foi publicado posteriormente aos fatos e veiculou orientações técnicas que não são de aplicação obrigatória sequer para companhias abertas, ressalvandose que tratou de operações específicas de reavaliação espontânea de sociedades controladas ou coligadas. Os atos normativos contábeis suscitados pela fiscalização não produzem efeitos fiscais pois nenhuma das entidades mencionadas tem competência para legislar sobre matéria tributária, com a ressalva de que a legislação tributária deve prevalecer sobre aquelas normas, sob pena de afronta ao princípio da legalidade. O fato de não ter havido circulação de moeda em decorrência da incorporação de ações não desnatura sua natureza jurídica de aquisição, em vista de que o custo da impugnante foi a emissão de novas ações de seu capital, pelo valor de mercado das ações da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro. A aquisição de um bem ou direito a que se refere o art. 385 do Rir/1999 comporta interpretação mais abrangente da que fora adotada pela fiscalização, no sentido de que sua titularidade pode ser adquirida por meio do recebimento de um bem em contribuição a seu capital social. Fl. 1966DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 7 11 A interpretação do acórdão 920200.662 proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais consolidou o entendimento de que a incorporação é uma alienação que deve estar sujeita à tributação quando realizada a valor de mercado. Dessa forma, não seria possível considerar que para a família Biagi I teria havido uma alienação de suas ações, enquanto que para a impugnante, que figura como incorporadora das ações, essa mesma operação não representaria uma aquisição. Sobre as operações terem sido realizadas em sequência pleiteou que o caso seja analisado sob a perspectiva do conjunto dos fatos jurídicos ocorridos, considerandose as razões empresariais e extratributárias motivadoras das operações. Alegou que o modo como as operações foram planejadas e estruturadas não se deu com finalidade ilícita, mas com o objetivo de promover a venda de negócio que não mais integrava o plano de negócios da família Biagi I e tornar possível a manutenção dos recursos na impugnante, o que possibilitaria seu fortalecimento e o investimento dos recursos decorrentes das operações. O fato de as operações terem sido estruturadas em curto espaço de tempo, além de não encontrar óbice de natureza legal, ocorreu em razão de tratarse de venda de participação societária com peculiaridades econômicas independentes de economia tributária. A inexistência de estrutura operacional e administrativa da Elbelpar Mo e Elbelpar Agro decorre de ambas estarem voltadas à concentração do investimento das pessoas físicas da família Biagi I na Usina Moema, o que as caracteriza como holdings puras, que não necessitam ter empregados ou outros ativos além de participações societárias. A mera detenção de participação societária constitui seu propósito de negócio, amparado pela legislação tributária no art. 31 da Lei n° 11.727, de 2008. O fato de a Elbelpar Mo e Elbelpar Agro terem sido constituídas mais de um ano antes das operações questionadas no auto de infração demonstra que não foram utilizadas com fins de economia tributária. Quando a família Biagi I optou pela operação de alienação das quotas da Usina Moema não realizou procedimento abusivo ou excessivo passível de questionamento fiscal, tendo apenas exercido seu direito de estruturar uma alienação real e efetiva, praticada com terceiros e embasada em razões empresariais e econômicas verdadeiras. Assim, “não cabe, portanto, qualquer tentativa da D. Fiscalização de caracterização da conduta da Requerente como indevida, uma vez que todos os atos por ela praticados, bem como pela Família Biagi I e pelas sociedades holdings estiveram sempre suportados pela legislação fiscal em vigor e por autorizada doutrina sobre a matéria”. Da compensação do IRPF pago pelas pessoas físicas Alegou que se as questões de fato e de direito suscitadas forem desconsideradas ao final, resulta que o IRPF pago pelas pessoas físicas em relação ao ganho de capital oriundo da incorporação das ações da Elbelpar Mo e da Elbelpar Agro seria indevido. Fl. 1967DF CARF MF 12 Citou jurisprudência administrativa que reconhece o direito de compensação dos valores arrecadados por pessoa física nos lançamentos efetuados contra pessoa jurídica. Caso a operação seja desconsiderada todo o imposto pago pelas pessoas físicas seria indevido, motivo por que pleiteou que em nome do princípio da razoabilidade e da economia processual o julgamento leve em conta os impostos recolhidos e autorize, de ofício, sua compensação com os valores lançados. Da impossibilidade de aplicação da Teoria do “Propósito Negocial” e da “Substância sobre a Forma” por inexistência de previsão legal Segundo a impugnante, ainda que o propósito de negócio não existisse a autuação fiscal não poderia desconstituir operação realizada em conformidade com a legislação em vigor, unicamente por conta das motivações econômicas. Embora a fiscalização não tivesse se baseado em simulação ou abuso de direito para embasar a imposição tributária, a introdução do parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional (CTN) pela Lei Complementar n° 104/2001 permite a desconsideração de atos ou negócios praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Entretanto não se trata de legislação autoaplicável, mas exige regulamentação por lei ordinária, que até o momento não ocorreu. Nesse sentido caminham o entendimento da própria Secretaria da Receita Federal, do então Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário. Da multa e dos juros aplicados A imposição da multa qualificada exige que se comprove por meio de provas diretas que as operações foram realizadas com evidente intuito doloso de retardar ou impedir o surgimento da obrigação tributária, o que não ocorreu no caso presente, em que a fiscalização presumiu sua existência para justificar a imposição da qualificadora. Tampouco existiu conduta contrária à lei, praticada de forma intencional pela impugnante. Nenhuma dessas condutas foi praticada, em vista de que: todas operações societárias foram registradas e levadas ao conhecimento dos órgãos competentes, na forma da lei; as operações foram lançadas na contabilidade das sociedades envolvidas, inclusive com pagamento de IRPF devido pela família Biagi I; a operação foi realizada com propósito de negócio, materializados em: a) concentração dos recursos financeiros resultantes da alienação no patrimônio da impugnante, e, b) simplificação e maior eficiência da estrutura societária do Grupo; o instrumento de Cessão de Quotas anteriormente declarava toda a operação que seria realizada. Fl. 1968DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 8 13 Os negócios conferiram e transferiram direitos para seus verdadeiros titulares, contêm declarações, condições e cláusulas verdadeiras, nenhum documento foi antedatado ou pósdatado, tendo todos os atos lícitos sido realizados antes da ocorrência do fato gerador; as operações foram baseadas em razões empresariais extratributárias, o que afasta a figura de simulação. No que diz respeito à cobrança de juros pela taxa Selic, a jurisprudência tem reconhecido sua inaplicabilidade para os créditos tributários, uma vez que tal taxa não foi criada por lei para tal finalidade. Ao final, pleiteou acolhimento integral da impugnação escorada nas conclusões que sintetizam o que foi alegado, expostas a seguir: esta Impugnação é tempestiva e deve ser integralmente apreciada e acolhida em suas preliminares, bem como em suas razões de fato e de direito, que demonstram a total improcedência desta infundada exigência fiscal; preliminarmente, ficou demonstrado que a falta de questionamento da D. Fiscalização acerca de um dos principais fundamentos do presente Auto de Infração (falta de propósito negocial) representa verdadeiro cerceamento do direito de defesa da Requerente. Como visto, a Requerente não teve nem a oportunidade de se manifestar a respeito das razões empresariais e não tributárias que motivaram a sua operação, o que, por si só, é o bastante para a declaração da nulidade do presente Auto de Infração; ainda, ficou demonstrado também o erro de sujeito passivo e da matéria tributável – resultantes da desconsideração total da estrutura pela D. Fiscalização –, e o erro na descrição dos fatos e do enquadramento legal da infração – resultantes da aparente desconsideração parcial da estrutura pela D. Fiscalização. Assim, por também não preencher os requisitos trazidos pelo artigo 10 do Decreto 70.235/72, o presente Auto de Infração deve ser declarado nulo; nas razões de fato e de direito acima expostas, ficou muito claro que foi equivocada a premissa adotada pela D. Fiscalização na lavratura do presente Auto de Infração, de modo que este deve ser integralmente cancelado. A D. Fiscalização supôs, de modo completamente infundado, que as operações implementadas envolvendo a Requerente e as sociedades holdings ElbelparMo e ElbelparAgro deveriam ser desconsideradas, por terem sido supostamente praticadas sem propósito negocial e com o exclusivo intuito de neutralizar um ganho de capital decorrente da alienação das quotas da Usina Moema; a verdade é que, ao contrário do que supôs a D. Fiscalização, foram justamente as razões empresariais e nãotributárias que motivaram a reorganização societária questionada pela D. Fiscalização. Tanto essa reorganização foi movida por razões não tributárias que a Família BiagiI poderia ter implementado outras estruturas societárias para a venda das quotas da Usina Moema sem qualquer participação da Requerente, chegando rigorosamente à mesma carga fiscal de 15% sobre o ganho de capital auferido por cada um de seus integrantes, tal como foi efetivamente recolhido na opção finalmente adotada; como visto, o ponto de principal divergência da estrutura implementada foi a incorporação das ações da ElbelparMo e ElbeparAgro pela Requerente, a valor de mercado. Essa incorporação de ações a valor de mercado, no entanto, foi uma opção legal (artigo 23 da Lei 9.249/95) das pessoas físicas da Família BiagiI e da Requerente. Como resultado da Fl. 1969DF CARF MF 14 incorporação de ações a valor de mercado: (a) as pessoas físicas auferiram um ganho de capital tributável (e tributado) pelo IRPF e; (b) a Requerente foi obrigada a desdobrar o seu custo de aquisição já incorrido na incorporação das ações da ElbelparMo e Elbelpar Agro (artigo 385 do RIR/99) em patrimônio líquido e ágio. Esse ágio, resultante do custo de aquisição da Requerente, foi fundamentado no valor de mercado dos ativos das sociedades holdings adquiridas; o custo de aquisição finalmente detido pela Requerente nas quotas da Usina Moema, portanto, existiria de qualquer forma, independentemente do tratamento fiscal atribuído ao ágio em questão. Ainda assim, o registro desse ágio segundo as normas fiscais em vigor e a posterior incorporação das sociedades holdings ElbelparMo e ElbelparAgro ao seu patrimônio fizeram com que a Requerente ficasse obrigada a contabilizar o valor do ágio em contrapartida à conta que registrava os bens ou direitos que lhe deram causa. Como resultado da incorporação, a Requerente passou a deter participação direta na Usina Moema, pelo seu respectivo valor de mercado; em conformidade com a legislação tributária (artigo 386, inciso I, combinado com o § 3º, inciso I do mesmo dispositivo), quando da alienação das quotas detidas, pelo valor de mercado, na Usina Moema à Usiagropar, a Requerente adotou como custo de aquisição, para fins de apuração do ganho de capital: (a) o valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento na Usina Moema estava registrado na contabilidade da Requerente, somado do (sic); (b) ágio registrado no momento da aquisição da ElbelparMo e Elbelpar Agro, que passou a compor o custo do investimento da Requerente na Usina Moema após a incorporação das duas sociedades holdings; ainda que as sociedades holdings ElbelparMo e ElbelparAgro fossem desconsideradas, o que se admite apenas por argumentação, o tratamento e os efeitos tributários da operação da Requerente seriam os mesmos: (a) as pessoas físicas da Família BiagiI teriam reconhecido um ganho de capital tributável (artigo 23 da Lei n° 9.249/95) e; (b) o ágio resultante do custo de aquisição de uma suposta incorporação de ações da Usina Moema integraria, obrigatoriamente, o custo de aquisição da Requerente para fins de apuração do ganho de capital decorrente da alienação das quotas da Usina Moema (artigo 426 do RIR/99); o ágio gerado na incorporação das ações da ElbelparMo e ElbelparAgro foi, portanto, mero resultado do custo de aquisição já incorrido pela Requerente ao emitir ações de seu capital social, equivalentes ao valor de mercado das ações das duas sociedades holdings, em favor das pessoas físicas da Família BiagiI. Ou seja, o ágio não é a causa do custo de aquisição, mas decorre do custo de aquisição da Requerente, de forma que o debate acerca da legitimidade ágio (sic) é irrelevante para o caso sob análise; ainda que o debate sobre a legitimidade do ágio fosse relevante para o caso sob análise, a Requerente demonstrou também que, ao tempo da operação (anocalendário de 2006) não havia qualquer norma tributária ou contábil que vedasse o reconhecimento de ágio em operações dentro do mesmo Grupo Econômico; além de demonstrada a legitimidade das operações da Requerente, e seus respectivos efeitos tributários, toda a operação foi movida por verdadeiras razões empresariais que ultrapassam a economia tributária. A operação foi movida pelas seguintes razões negociais principais: (a) a intenção da Família BiagiI de alienar suas quotas detidas na Usina Moema, que por razões societárias encontravamse detidas pelas holdings, ElbelparMo e Elbelpar Agro; (b) a intenção da Família BiagiI de se desfazer dessas holdings previamente à alienação Fl. 1970DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 9 15 das quotas da Usina Moema, visto que estas perderiam sua função empresarial; e (c) a intenção da Família BiagiI de que os recursos procedentes da venda das quotas da Usina Moema fossem mantidos na Requerente, podendo ser por ela utilizados para investimentos e fortalecimento de seus negócios; foi também demonstrado que, mesmo que as operações da Requerente não estivessem revestidas de um efetivo propósito negocial, o que se admite somente para argumentar, não poderia a D. Fiscalização pretender desconsiderar tais operações com base apenas nessa justificativa. No caso em exame, muito ao contrário, as razões empresariais foram tão relevantes que foi justamente em função delas que a estrutura levada a efeito pela Requerente está sendo questionada pela D. Fiscalização, já que antes dessa reorganização a Requerente não participava, nem mesmo indiretamente, do capital da Usina Moema; concluise, assim, que foram corretos todos os procedimentos adotados pela Requerente em relação à apuração do ganho de capital decorrente da alienação das quotas da Usina Moema. Todo o cálculo do seu custo de aquisição foi feito de acordo com as normas tributárias e contábeis em vigor no anocalendário de 2006; ainda que o equivocado questionamento da D. Fiscalização seja considerado legítimo, o que se admite apenas por argumentação, todo o valor do IRPF pago pelas pessoas físicas da Família BiagiI seria indevido, pois a desconsideração da estrutura da Requerente provocaria a reclassificação de rendimentos recebidos pela pessoa física como se tivessem sido recebidos pela Requerente. Dessa forma, caso esse presente Auto de Infração seja julgado procedente, o que se admite para argumentar, pedese que a D. Autoridade Julgadora autorize a compensação de ofício do imposto já pago pelas pessoas físicas da Família BiagiI com o presente crédito tributário exigido da Requerente, em linha com o entendimento adotado pela jurisprudência administrativa; a multa agravada também não pode ser aplicada, já que não houve qualquer tipo de fraude ou sonegação, ou mesmo nenhuma forma de dolo ou máfé. Muito pelo contrário, toda a operação da Requerente foi feita às claras e de forma transparente. Além disso, ainda que assim não fosse, o que se admite para argumentar, o valor exigido a título de multa neste caso é exageradamente elevado, ultrapassando todos os limites da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser imediatamente reduzida; a taxa SELIC não pode ser aplicada aos créditos tributários e, se admitida a sua aplicação, só poderá incidir sobre o crédito tributário principal, não podendo recair sobre o valor da multa de ofício, que é penalidade e não tem natureza tributária. Acórdão da DRJ/RPO Em sessão de 29 de outubro de 2012 a 1°Turma da DRJ/POR julgou procedente em parte a impugnação, mantendo os tributos lançados e exonerar o valor de R$ 13.962.444,09 relativo à qualificadora da multa de ofício, sendo R$ 10.266.503,01 de IRPJ e R$ 3.695.941,08 de CSLL, para mantêla no patamar de 75%, restando multa mantida no valor total de R$ 14.228.087,01, conforme ementa abaixo: Fl. 1971DF CARF MF 16 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2009 ÁGIO. ORIGEM. PRESSUPOSTOS. O ágio se origina de uma contraposição de receita para o vendedor e custo para o comprador, tendo por pressupostos a aquisição de participação societária e o fundamento econômico, em que se registram no ativo diferido as despesas incorridas que contribuirão para a formação de resultados de exercícios futuros. GANHO DE CAPITAL. COLIGADAS. ÁGIO. ORIGEM. SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. PROPÓSITO DE NEGÓCIO. AUSÊNCIA. Descabe ao adquirente registrar ágio de coligada, por faltarem lhe os pressupostos, haja vista a ausência de substância econômica daquela operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as companhias envolvidas. NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. Improcedem as argüições de nulidade por ausência de motivação, cerceamento do direito de defesa, respeito ao devido processo legal se o lançamento demonstra de forma clara a razão fática e jurídica da desconsideração dos fatos, elementos e esclarecimentos apresentados. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. DOLO DEMONSTRAÇÃO. AUSÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo no lançamento demonstração da fraude praticada, de modo a caracterizar a intenção dolosa, é improcedente o agravamento da multa. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007, 2009 LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendese ao lançamento reflexo os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. Fl. 1972DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 10 17 Foi apresentado Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Em 04/03/2013, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual ratifica seus argumentos de Impugnação além de alegar que teria sido intimada da decisão de primeira instância administrativa apenas quando seu patrono, devidamente constituído nos autos, teve vista dos autos do processo administrativo, o que se deu em 1º de março de 2013 (fl. 1875). Resolução n. 1101000.117 O documento de fls. 1.739 dos autos trata de certidão em que se lê que o sujeito passivo não teria apresentado Recurso Voluntário, o que determinou a transferência dos créditos tributários que teriam sido acometidos pela preclusão para o Processo Administrativo n. 15594.720012/201385, que também foi inserido em pauta na presente assentada. A razão pela qual a autoridade fiscal que subscreve o ato que consta da citada fl. 1739 afirmou a inexistência de Recurso Voluntário reside no fato de que, à fl. 1734, existe Aviso de Recebimento da decisão da instância a qua que teria sido recebido no endereço da contribuinte no dia 10 de dezembro de 2012, sendo que efetivamente não houve apresentação de irresignação no trintídio subsequente a essa data. Conforme informa o relator Conselheiro Benedicto Celso Benicio Junior, no referido Aviso de Recebimento, é possível visualizar que o respectivo código de rastreamento é RA377815464BR, assim como é possível vislumbrar o carimbo e a assinatura da recebedora, a Sra. Marcela Savoia, cujo RG é 34.390.5760. Apenas em 4 de março de 2013, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega que, em verdade, teria sido intimada da decisão de primeira instância apenas em 01/03/2013 (fl. 1875). Em razão de tal dúvida, em 11/02/2014 a 1° Turma da 1° Câmara resolveu através da Resolução 1101000.117 converter tanto o presente quanto o Processo Administrativo n. 15954.720012/201385 em diligência para que fosse apurada a autenticidade do documento de fl. 1880 – ainda que isso demande o envio de ofício aos Correios para dirimir a controvérsia –, bem como para que as autoridades preparadoras tragam aos autos o documento que dê conta do status da encomenda atrelada ao Código de Rastreamento RA377815464BR. Da resposta à diligência Em cumprimento as solicitações contidas nestas diligências, os Correios foram instados a prestar informações mediante Ofício nº 663/2014/DRF/RPO/Secat/EQCCT RM, de 24,07,2014, efls. 19151917. Assim, os Correios expediram o Ofício 02318/2014 SUGED/GEDIS/DR/SPI, de 07.11.2014, no seguinte sentido (fl. 1920): Fl. 1973DF CARF MF 18 Em atenção ao ofício em referência, através do qual Vossa Senhoria solicita informações a respeito da entrega do objeto postal registrado sob n°. RA377815464BR, postada em 07/12/2012, informamos que a impossibilidade de atendimento, visto que o prazo de guarda da Lista de Objetos Entregues ao Carteiro (LOEC), documento comprobatório da entrega, é de doze meses. Desta forma, não temos mais como fornecer as informações solicitadas. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade Da Tempestividade do Recurso Voluntário Conforme informado no relatório, parte do crédito tributário em discussão chegou a ser transferido para o Processo Administrativo n. 15594.720012/201385 em razão da ausência de apresentação do Recurso Voluntário. Isso porque, segundo a autoridade fiscal, há nos autos um Aviso de Recebimento da decisão da DRJ que indica o recebimento no endereço da ora Recorrente em 10/12/2012, contudo, o Recurso Voluntário fora apresentado apenas em 04/03/2013, portanto, fora do prazo de 30 dias. Verifiquei tal comprovante de AR nos autos onde consta o código de rastreamento é RA377815464BR, a data de recebimento (10/12/12) e a pessoa que a recebeu a Sra. Marcela Savoia, cujo RG é 34.390.5760. Fl. 1974DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 11 19 O presente processo e também o Processo Administrativo n. 15954.720012/201385 foram convertidos em diligência para que fosse apurada a autenticidade do referido comprovante de Aviso de Recebimento, contudo, conforme relatado ao norte, a resposta dos correios em nada ajudou. Assim, cabe a este Conselheiro analisar se tal comprovante de Aviso de Recebimento deve ou não ser considerado para fins de início de contagem do prazo para apresentação do Recurso Voluntário. Para tal análise, entendo que devemos seccionar o documento em questão em seus variados elementos autenticidade, local (endereço de entrega), data de recebimento e pessoa que a recebeu. Primeiramente, ressalto que não tenho nos presentes autos, evidências que me possam levar à conclusão de que o Aviso de Recebimento constantes dos autos não é verdadeiro. Se por um lado a resposta dos correios em nada ajudou para o deslinde da questão, por outro, isso não significa que tal ausência de esclarecimentos adicionais seja o suficiente para que a conclusão vá no sentido de que o Aviso de Recebimento não é verdadeiro. Ora, se assim fosse, diante da resposta dos correios, bastaria então alegar a invalidade do AR para que esta fosse aceita sem maiores ressalvas se tal análise ocorresse após 12 meses que é o prazo pelo qual os correios mantém a documentação suporte arquivada. Desta sorte, a simples alegação pela Recorrente não me parece suficiente para invalidar um documento juntado aos autos num processo administrativo federal. Veja, não se trata aqui de um embate entre duas partes privadas, onde, eventualmente, poderia haver abuso ou máfé de uma das partes. Fl. 1975DF CARF MF 20 Estamos aqui diante de um documento dos Correios que fora juntado aos autos pela própria Administração Pública e não é preciso divagar muito sobre a presunção de autenticidade e veracidade dos atos da Administração Pública. Assim, afasto a possibilidade de questionamento da veracidade do documento de Aviso de Recebimento (AR) juntados aos autos do presente processo. Indo além, no tangente ao local de entrega do aqui combatido Aviso de Recebimento, não houve alegação da Recorrente no sentido de que o endereço estava incorreto e que não é o mesmo que consta no cadastro junto à Receita Federal do Brasil. Assim, o endereço também não seria um elemento que invalide o documento em questão. Com relação à data do recebimento, não há qualquer rasura ou falta de qualidade na imagem do documento que coloque em xeque que o AR foi efetivamente recebido em 10/12/12. Assim, também não é este o elemento que invalida tal intimação. Por fim, trouxe a Recorrente argumentos de que a pessoa que recebeu a intimação e que assina o AR, a Sra. Marcela Savoia, não tem qualquer relação com a Recorrente, seja como procuradora ou mera funcionária. Tal alegação me parece irrelevante, tendo em vista que, conforme acima abordado, o endereço de entrega está correto. Isso porque, temos que aplicar aqui a Teoria da Aparência segundo a qual é deve ser validado o ato praticado por pessoa que se apresenta como representante da pessoa jurídica, ainda que não esteja devidamente legitimada para tanto. Assim, considerase válida a intimação recebida por pessoa que esteja no estabelecimento sem manifestar qualquer ressalva quanto à ausência de poderes de representação. Seria impossível proceder a qualquer intimação ou citação, ainda mais se efetuada pelos correios, se tal teoria não fosse aplicada e aceita. Não é crível que seja exigido que um funcionário dos correios faça uma análise de procuração e documentos societário de uma empresa, para a entrega de uma intimação. A teoria da aparência é me parece estar intimamente ligada aos princípios da instrumentalidade (arts. 188 e 277 do CPC), lealdade e boafé processual (art. 5º do CPC), in verbis: “Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé.” “Art. 188. Os atos e os termos processuais independem de forma determinada, salvo quando a lei expressamente a exigir, considerandose válidos os que, realizados de outro modo, lhe preencham a finalidade essencial.” “Art. 277. Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade.” Fl. 1976DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 12 21 No caso de pessoa jurídica, o STJ admite há muito tempo a aplicação da teoria da aparência para as citações por oficial de justiça e pelos correios. Do mesmo modo, a carta registrada enviada ao endereço constante do cadastro da pessoa jurídica junto à Receita Federal do Brasil, ainda que não recebida e assinada no aviso de recebimento (AR) por representante legal, supre a exigência de forma no ato de intimação. Desta sorte, tendo a intimação sido recebida no endereço da ora Recorrente que consta nos registros da Receita Federal do Brasil, não há como negarlhe validade. Diante do exposto, tenho como intempestivo o Recurso Voluntário apresentado. Recurso de Ofício O Recurso de Ofício se refere, basicamente, ao afastamento da multa qualificada de 150% para o patamar de 75%, tendo em vista que os julgadores de 1°instância entenderam pela ausência de dolo por parte da contribuinte. Tendo em vista meu integral alinhamento ao entendimento dos julgadores da DRJ no tangente ao afastamento da multa qualificada, adoto o respectivo trecho do acórdão recorrido. Da multa aplicada Marco Aurélio Greco (op. cit., págs. 249 e seguintes) leciona que a imposição de multa mais onerosa supõe a “ocorrência inequívoca de dolo no seu mais puro sentido penal”. Conforme o jurista, se não houve intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido – que levava ao enquadramento em regime ou previsão legal tributariamente mais favorável , não se trata de caso regulado pelo § 1º do artigo 44, mas de divergência na qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente distinta da fraude e da sonegação a que se referem os dispositivos para os quais o § 1º remete. Considerando que a autoridade fiscal buscou nas figuras da fraude e da sonegação o substrato para imposição da multa majorada, no que diz respeito à fraude, vale destacar as considerações que o professor Marco Aurélio Greco faz acerca da questão. Segundo ele na hipótese de fraude dois aspectos demonstram sua inaplicabilidade à quase totalidade dos casos de efetiva fraude à lei. Uma delas suscita o interesse imediato, em vista da relação com o caso presente, a saber, as situações de planejamento fiscal em que o contribuinte pratica fato gerador cujo regime tributário seja mais brando, que tem sua conformação mantida desde o início, como no caso presente, em que a Fl. 1977DF CARF MF 22 série de alterações estatutárias resultou na incorporação da Usiagropar pela Usina Moema, daí resultando a amortização do ágio. Para que seja aplicada penalidade qualificada, pela ocorrência de fraude, o tipo deve estar devidamente descrito, enquadrado e exaustivamente comprovado. No que se refere à sonegação entendo que para caracterizála é imprescindível que se demonstre ter o agente praticado deliberadamente atos com a intenção de iludir a administração tributária, produzindo ou omitindo falsa imagem de sua conduta tributária, mediante simulação, ocultação ou outro ardil, com a finalidade de descumprimento da obrigação tributária. Não consegui identificar a subsunção dos atos praticados pelos envolvidos no processo aos verbos impedir e retardar, caracterizadores dos tipos previstos nos arts. 71 e 72 da Lei n. 4.502/1964. No que se refere à ocorrência do fato gerador, não restou caracterizada a prática de ação visando impossibilitar a execução, o prosseguimento ou oposição de qualquer forma de obstáculo, ou, ainda, alguma forma de retardamento do fato gerador. Houve publicação dos atos, registro contábil das operações e informação à administração tributária. Tampouco vislumbrei a incidência de alguma forma de exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto, evitar ou diferir seu pagamento. Colho excerto do voto prolatado pelo conselheiro Paschoal Raucci, no Acórdão n. 10321.046, no âmbito do julgamento do processo n° 11040.0001472/9636, da Terceira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes: (...) 54. O comando legal que remete aos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4502/1964, delimita a aplicação da multa agravada aos casos de evidente intuito de fraude. (grifo no original) 55. A “evidência” indicada na lei exige que o intuito de fraude aflore com tal clareza que não se possa por em dúvida ter havido máfé nos atos praticados, com inequívoco propósito de violar disposição legal. (...) 59. O que não padece de dúvidas é a intenção do contribuinte em economizar imposto, tendo ele praticado todos os atos que entendeu válidos, na forma da lei. Se conseguiu o “desideratum” é outro aspecto da questão, mas daí a afirmar e estar configurado um “evidente” intuito de fraude há, no meu juízo, um considerável distanciamento. Considerandose que o art. 112 do Código Tributário Nacional prevê interpretação favorável da lei tributária que define infrações ou comine penalidades em casos de dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato, à natureza da penalidade ou sua graduação, voto pelo afastamento da qualificadora para reduzir a multa imposta a 75% (setenta e cinco por cento) sobre os tributos lançados. Fl. 1978DF CARF MF Processo nº 10840.722571/201121 Acórdão n.º 1201002.110 S1C2T1 Fl. 13 23 Conclusão Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário em razão de sua intempestividade e CONHEÇO do Recurso de Ofício para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1979DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13981.000195/2001-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO EXTERNA. INADMISSIBILIDADE. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO QUE TAMBÉM PODE SER REALIZADO PELO ÓRGÃO COLEGIADO.
Para fins de embargos de declaração não há contradição quando o suposto vício se dá entre a decisão embargada e as provas acostadas nos autos. A contradição que dá azo a interposição deste recurso é aquela qualificada como interna, ou seja, entre a motivação e a conclusão da decisão em si considerada.
A existência de um juízo de admissibilidade positivo quanto à interposição dos embargos de declaração não impede que o colegiado reveja essa questão previamente ao juízo de delibação.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. INADMISSIBILIDADE. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO QUE TAMBÉM PODE SER REALIZADO PELO ÓRGÃO COLEGIADO.
Os embargos de declaração não merecem conhecimento quando demonstrada a inexistência de omissão por parte do acórdão recorrido.
A existência de um juízo de admissibilidade positivo quanto à interposição dos embargos de declaração não impede que o colegiado reveja essa questão previamente ao juízo de delibação.
Numero da decisão: 3402-005.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO EXTERNA. INADMISSIBILIDADE. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO QUE TAMBÉM PODE SER REALIZADO PELO ÓRGÃO COLEGIADO. Para fins de embargos de declaração não há contradição quando o suposto vício se dá entre a decisão embargada e as provas acostadas nos autos. A contradição que dá azo a interposição deste recurso é aquela qualificada como interna, ou seja, entre a motivação e a conclusão da decisão em si considerada. A existência de um juízo de admissibilidade positivo quanto à interposição dos embargos de declaração não impede que o colegiado reveja essa questão previamente ao juízo de delibação. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. INADMISSIBILIDADE. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO QUE TAMBÉM PODE SER REALIZADO PELO ÓRGÃO COLEGIADO. Os embargos de declaração não merecem conhecimento quando demonstrada a inexistência de omissão por parte do acórdão recorrido. A existência de um juízo de admissibilidade positivo quanto à interposição dos embargos de declaração não impede que o colegiado reveja essa questão previamente ao juízo de delibação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO EXTERNA. INADMISSIBILIDADE. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO QUE TAMBÉM PODE SER REALIZADO PELO ÓRGÃO COLEGIADO. Para fins de embargos de declaração não há contradição quando o suposto vício se dá entre a decisão embargada e as provas acostadas nos autos. A contradição que dá azo a interposição deste recurso é aquela qualificada como interna, ou seja, entre a motivação e a conclusão da decisão em si considerada. A existência de um juízo de admissibilidade positivo quanto à interposição dos embargos de declaração não impede que o colegiado reveja essa questão previamente ao juízo de delibação. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. INADMISSIBILIDADE. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO QUE TAMBÉM PODE SER REALIZADO PELO ÓRGÃO COLEGIADO. Os embargos de declaração não merecem conhecimento quando demonstrada a inexistência de omissão por parte do acórdão recorrido. A existência de um juízo de admissibilidade positivo quanto à interposição dos embargos de declaração não impede que o colegiado reveja essa questão previamente ao juízo de delibação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 00 01 95 /2 00 1- 22 Fl. 667DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o caso em questão, emprego aqui parte do relatório desenvolvido quando da lavratura do acórdão embargado de n. 3403003.657 (fls. 603/606), de relatoria do então Conselheiro Ivan Allegretti, o que passo a fazer nos seguintes termos: Tratase de pedido de ressarcimento de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em relação ao 2º trimestre de 2000, com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/99. A Delegacia da Receita Federal do Brasil indeferiu o pedido, ao fundamento de que o art. 5º, § 3º, da IN SRF nº 33/99 apenas autoriza o ressarcimento de saldo credor que tenha sido formado a partir de aquisições ocorridas depois da edição do art. 11 da Lei nº 9.779/99. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando, dentre outros fundamentos, que a Lei nº 9779/99 assegura às empresas a o direito ao ressarcimento do saldo credor, independente de sua composição ser formada por créditos básicos ou incentivados, como é o caso dos créditos correspondentes à aquisição de matériaprima empregada em produtos exportados. Argumenta, ademais, que a exigência da Instrução Normativa extrapola a previsão da Lei, que não condiciona o direito de ressarcimento ao esgotamento dos créditos gerados antes da Lei. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Brasil de Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão 1439.996, de 22 de janeiro de 2013 (fls. 501/513), negou provimento à manifestação de inconformidade, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 31/06/2000 RESSARCIMENTO. LEI nº 9.779, de 1999. O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de Fl. 668DF CARF MF Processo nº 13981.000195/200122 Acórdão n.º 3402005.266 S3C4T2 Fl. 668 3 produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE 1998. Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação devendo estes ficar anotados à margem da escrita fiscal ou serem estornados no RAIPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 519/559), por meio do qual reitera os mesmos fundamentos de sua manifestação de inconformidade. (...). 2. Em 20 de março de 2015, a então turma julgadora, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 31/06/2000 IPI. RESSARCIMENTO. ART. 11 DA LEI 9779/99. ART. 5 DA IN SRF 33/99. Comprovado que o saldo credor objeto do pedido de ressarcimento corresponde a créditos gerados exclusivamente por aquisições realizadas dentro do próprio trimestre, sem haver aproveitamento de crédito gerado em períodos anteriores, deve se reconhecer o direito de crédito, visto que em conformidade com a legislação tributária aplicável. Recurso provido. 3. Uma vez intimada, a Fazenda Nacional apresentou os embargos de declaração de fls. 1608/610, oportunidade em que, em suma, alegou: · que a decisão teria sido omissa, uma vez que teria ignorado o fato de a decisão de 1a instância ter se fundado na tese de que o crédito vindicado teria por origem o créditoprêmio de IPI, o qual teria sido extinto em 1983. Fl. 669DF CARF MF 4 4. Em 07 de junho de 2016 o Presidente da 3a Seção deste Tribunal Administrativo admitiu os embargos de declaração interpostos (fls. 614/615) sob o singelo fundamento que: (...). O voto condutor da decisão omitiuse na análise do consignado na decisão administrativa de primeira instância, segundo a qual, em 31/12/1998, existira saldo credor de IPI no valor de R$ 310.470,66, saldo esse que permaneceu na conta gráfica do IPI, já que, confessadamente, não foi estornado pelo contribuinte, conforme requerido pelo § 3º do art. 5° da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999. (...). 5. Uma vez distribuídos os embargos supra mencionado e ante o seu notório caráter infringente, proferi o despacho de fls. 616/617, para que fosse dada oportunidade à parte embargada manifestarse a respeito do recurso interposto. O contribuinte apresentou sua manifestação por intermédio da petição de fls. 630/633. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro I. A inadmissibilidade dos embargos de declaração interpostos 7. Em sede de juízo de prelibação, entendo que os embargos de declaração interpostos não merecem conhecimento, conforme será demonstrado a seguir. 8. Como é sabido, os embargos de declaração configuram uma espécie recursal de fundamentação vinculada, na medida em que, como regra, apresenta objetivos muito específicos, i.e., suprir omissões, contradições e obscuridade e, com isso, qualificar a decisão embargada. 9. Dentre tais hipóteses de cabimento, resta caracteriza a omissão quando a decisão atacada deixa de analisar algum fato, prova ou fundamento deduzido pelas partes litigantes. No presente caso a Fazenda Nacional alega que a decisão embargada teria ignorado o fundamento de que o crédito vindicado seria originário do extinto créditoprêmio de IPI. É o que se observa dos seguintes trechos dos embargos de declaração: (...). 1. A r. decisão de 1a instância assentou que tratase de saldo de créditoprêmio de IPI, valor que não poderia constar de sua escrita fiscal, pois tal benefício foi extinto em 1983, nos termos do DL nº 1.658/79, conforme interpretação da Administração Tributária já chancelada pelos Tribunais Regionais Federais da 3ª e 4ª Regiões. 2. A conclusão de que a revogação do créditoprêmio à exportação ocorreu em 30/06/83 consta do Parecer nº AGUSF Fl. 670DF CARF MF Processo nº 13981.000195/200122 Acórdão n.º 3402005.266 S3C4T2 Fl. 669 5 01/98 (com ementa a seguir reproduzida), que se encontra anexo ao Parecer AGU nº 172/98, de 13/10/98 (DOU de 23/10/98, pág. 23). (...). 2. Tal interpretação tornouse vinculante para toda a Administração Pública Federal, nos termos da Lei Complementar nº 73, de 1993, art. 40, § 1º, uma vez que adotado pelo Advogado Geral da União e aprovado pelo Presidente da República. 3. Porém, o v. acórdão ora embargado não analisou tal questão, evidenciando a clara OMISSÃO do julgado acerca deste ponto central. (...). 10. Acontece que tal questão foi analisada, ainda que implicitamente, pelo acórdão recorrido. É o que se observa do seguinte trecho da decisão embargada: (...). O direito previsto neste dispositivo de Lei foi regulamentado por meio da Instrução Normativa SRF nº 33/99, cujo art. 5º detalha que “Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação”, devendo ficar anotados à margem da escrita fiscal (§ 1º). Como se percebe, a Instrução Normativa persegue o objetivo de impedir que o saldo credor acumulado até 31/12/1998 contamine os saldos credores formados a partir dos créditos gerados a partir de 01/01/1999, segregandoos. No presente caso concreto não é necessário entrar na discussão quanto à legalidade ou não do critério previsto na referida Instrução Normativa. Isto porque a prova dos autos demonstra de maneira objetiva e segura que o saldo de crédito, em relação ao qual se pleiteia o ressarcimento, é formado exclusivamente de créditos gerados dentro do próprio trimestre (fl. 23). (...) (g.n.). 11. Ao afirmar que o crédito vindicado é formado por um saldo exclusivamente composto no 2o trimestre de 2000 e com base no art. 5o da IN SRF n. 33/99, o acórdão atacado nega que tal crédito tenha natureza de créditoprêmio de IPI, mas que, em verdade, decorre do acúmulo proveniente de operações com saídas isentas. 12. Nesse sentido, encaminho meu voto para não conhecer os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Aliás, neste tópico em particular, convém Fl. 671DF CARF MF 6 destacar que a existência de um prévio despacho positivo de admissibilidade para este recurso não é impeditivo para que este colegiado reveja tal questão. 13. O RICARF, ao disciplinar a questão, prescreve que: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. (...). §2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. (...). 14. Segundo tal dispositivo, o Presidente de Turma pode designar o Relator do caso para prover o despacho de admissibilidade dos embargos de declaração. Embora não seja isso o que tenha ocorrido no caso em concreto, já que o despacho de admissibilidade foi proferido pelo Presidente da 3a Seção, o que se conclui do citado dispositivo é que, ao prever tal possibilidade, o RICARF atribuiu competência concorrente para os Relatores promoverem esse juízo de prelibação, inclusive em sede de julgamento colegiado, até porque não faz qualquer sentido jurídico que um colegiado tenha competência para fazer juízo de delibação recursal, i.e., para resolver o mérito de um recurso, mas não possa analisálo sob uma perspectiva formal, ou seja, quanto aos pressupostos de admissibilidade. 15. Em ultima ratio, tal aptidão tratarseia de uma questão de lógica formal, já que afirmar que o Relator pode realizar tal despacho significa dizer que ele não está proibido de fazêlo: logo, se Pp então Vp. 16. Por fim, tal sistemática, i.e., de um "duplo" juízo de prelibação recursal, não é nenhuma novidade no ordenamento processual brasileiro, sendo esta a tônica imposta ao recurso de apelação durante a vigência do CPC/73 e que, com o advento do CPC/2015, ainda permanece em vigor nas hipóteses de interposição de recursos especial e extraordinário. 17. Diante deste quadro, deixo de conhecer os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Dispositivo 21. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento dos embargos de declaração sub judice. 22. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Fl. 672DF CARF MF Processo nº 13981.000195/200122 Acórdão n.º 3402005.266 S3C4T2 Fl. 670 7 Fl. 673DF CARF MF
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Numero do processo: 11618.000193/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2000
SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS. IMUNIDADE. ISENÇÃO.
Os serviços sociais autônomos não têm imunidade constitucional quanto à incidência da Cofins. O art. 14, inciso X, da MP 2.158-35/2001 prevê que a isenção somente se aplica a partir de 01/01/1999, do que se conclui não haver isenção ou imunidade antes desse dispositivo.
BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS.
As receitas financeiras não compõem a base de cálculo da Cofins, para pessoas jurídicas tributadas com base na Lei 9.718/98, por decisão do Supremo Tribunal Federal, no RE 585.235/MG.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 3201-003.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, em relação às receitas de caráter contraprestacional, cancelar a autuação dos períodos a partir de 1° de fevereiro de 1999, e em relação às receitas financeiras, cancelar a autuação de todos os períodos
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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IMUNIDADE. ISENÇÃO. Os serviços sociais autônomos não têm imunidade constitucional quanto à incidência da Cofins. O art. 14, inciso X, da MP 2.15835/2001 prevê que a isenção somente se aplica a partir de 01/01/1999, do que se conclui não haver isenção ou imunidade antes desse dispositivo. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras não compõem a base de cálculo da Cofins, para pessoas jurídicas tributadas com base na Lei 9.718/98, por decisão do Supremo Tribunal Federal, no RE 585.235/MG. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, em relação às receitas de caráter contraprestacional, cancelar a autuação dos períodos a partir de 1° de fevereiro de 1999, e em relação às receitas financeiras, cancelar a autuação de todos os períodos (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 01 93 /2 00 3- 18 Fl. 890DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Auto de Infração de Cofins, no valor total original de R$ 742.305,58, incluindo multa de ofício e juros de mora. Resultou de auditoria efetuada pelo Auditor Fiscal da Receita Federal Silvino Marcos da C. Miranda. Informa o aututante que apurou insuficiência de recolhimento de Cofins, em vista de não considerar que a entidade, uma sociedade civil sem fins lucrativos, sob a forma de serviço social autônomo, com personalidade jurídica de Direito Privado, não atende aos requisitos de isenção ou imunidade. Fundamenta que: os beneficiários da atividade da entidade são empresas, que não estão incluídas no rol de assistência social do art. 2º da Lei 8.742/93 – Lei Orgânica da Assistência Social, e art. 203 da Constituição Federal; Não cumpriria as funções de atender necessidades básicas do cidadão, cf. art. 1º da mesma Lei; Não atenderia aos requisitos do art. 170, §3º, I, do RIR/99, posto que, no Estatuto, havia cláusula de remuneração de diretores; Não atenderia ao requisito do art. 170,§3º,VII, do RIR/99, porque o Estatuto é omisso quanto à destinação do patrimônio em caso de dissolução da sociedade; Não possuía certificados de fins filantrópicos. Informa que a MP 1.8586/1999, art 14, X, combinado com art. 13, VII, isentou da Cofins, retroativa a 1º de fevereiro de 1999, as receitas decorrentes de atividades próprias dos serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei. Isenção mantida na MP 2.15835/2001, art 14, X. Considera como receitas próprias dos serviços sociais autônomos, as decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento de seus objetivos sociais, cf. Parecer Normativo CST nº 5/92. Assim, tributou as receitas de caráter contraprestacional, provenientes de serviços e/ou venda de mercadorias. A associação então apresentou Impugnação, onde apresenta suas razões de defesa. Copio trecho do relatório de primeira instância para o relato: 1. não procede a autuação, tendo em vista que o SEBRAE é uma entidade sem fins lucrativos, instituída por escritura pública, sob a forma de serviço social autônomo, cujo orçamento é composto por apenas 10% de recursos próprios (palestras, seminários, cursos, assessoramento para a classe dos micros empresários, Fl. 891DF CARF MF Processo nº 11618.000193/200318 Acórdão n.º 3201003.666 S3C2T1 Fl. 891 3 empregados e pequenos empreendedores), o qual é "(...) destinado ao desenvolvimento da micro e pequena empresa, na elaboração de projetos, execução dos seus programas e manutenção da instituição, tais como: PROCARIRI, COURO E CALÇADOS, ARTESANATO, PROJETO DAS MANDALAS cujo objetivo é o plantio pelo pequeno agricultor, da agricultura de subsistência, (..); 2. a imunidade tributária do SEBRAE se configura tanto pelo fato de ela ser constituída sob a forma de serviço social autônomo, como por se enquadrar como entidade sem fins lucrativos de educação e de assistência social, como descreve, inclusive promovendo a integração ao mercado de trabalho, como forma de promoção da dignidade, sendo pacifico o entendimento da doutrina e da jurisprudência nesse sentido, conforme textos que reproduz; 3. a Impugnante busca convencer o julgador a respeito de sua tese, alegando, que: a) as atividades de cursos e seminários de capacitação praticadas pelo SEBRAE/PB, com fulcro no fomento e no desenvolvimento das micro e pequenas empresa, nada mais são do que atividades tipicamente educacionais; b) o SEBRAE/PB se caracteriza como entidade de assistência social, pois tem por objetivo um trabalho social continuo, na elaboração e execução de projetos, ministrando cursos, palestras e seminários, assessorando a micro empresa e empregados desses pequenos empresários, sempre visando a integração destes ao mercado de trabalho; c) conforme os ensinamentos da doutrina, a promoção da integração ao mercado de trabalho não engloba somente o trabalhador subordinado, mas, também, o autônomo e o empregador, enquanto empreendedores do crescimento do Pais, dos quais, nesse raciocínio, podese exemplificar atuações do SEBRAE/PB por meio dos projetos já citados acima; 4. assevera a Impugnante que a proibição ao recebimento de vantagens outorgadas aos dirigentes ou associados foi recentemente flexibilizada pela Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência e Assistência Social, a qual, analisando a situação que descreve, entendeu que o disposto no inciso IV, do artigo 55 da Lei n° 8.212/91 restringese apenas à remuneração percebida nas funções de dirigente da entidade beneficente de assistência social, não podendo ser cassada ou não concedida a isenção, pelo fato de o dirigente exercer, de forma cumulada, outras funções e por essas ser remunerado, sob pena de afronta ao principio da liberdade constitucional de profissão; 5. acrescenta, ainda que a MP n° 1.602, de 14/11/1997, convertida na Lei 9.532/1997, teve o caput do seu artigo 12, alterado para constar a expressão "sem fins lucrativos", e que a introdução dessas restrições adicionais As previstas no artigo Fl. 892DF CARF MF 4 14, do Código Tributário Nacional (CTN), poderá ser questionada por entidades que se sentirem prejudicadas pelos novos requisitos, assim, como, a submissão dos rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou variável à tributação na fonte, não sendo feita qualquer restrição A imunidade quanto A natureza do rendimento, pela Constituição Federal de 1988; 6. com relação ao fato de o SEBRAE/PB ter sido cadastrado junto A SRF (CNPJ) como associação, mas estar declarando como fundação, ocorreu um equivoco, que será sanado nas próximas declarações de imposto de renda, nas quais a ora Impugnante informará o código 302 6 (Entidades sem Fins Lucrativos Associação); II Da Isenção da COFINS. Nesse tópico a Impugnante se limita a colacionar a legislação que isentou da COFINS as receitas das atividades próprias dos serviços sociais autônomos criados ou autorizados por lei (artigos 13 e 14, da MP n° 2.15835, de 24/08/2001, em vigor por força do dispõe a EC ° 12, de 11/09/2001), sem fazer qualquer menção à ressalva contida na peça acusatória acerca do não arrolamento dos valores que constituiriam as receitas oriundas das citadas atividades. Acrescenta comentário versando sobre a hierarquia das leis, cujo principio determina que a lei complementar prevalece sobre a ordinária, e ilustra a tese com julgado da lavra do STJ, concluindo ser a Lei Complementar n° 70, de 1991 hierarquicamente superior à Lei n° 9.430, de 1996, não podendo esta revogar a isenção da COFINS concedida por aquela às sociedades civis. Assim, quer pela imunidade gozada pela Autuada, por sua natureza jurídica, assegurada pela Constituição Federal, quer pela isenção da COFINS, da qual a entidade é beneficiária, o lançamento não merece prosperar, devendo ser arquivado o presen e Auto de Infração. Acrescento que a Impugnação se debate também contra a tributação das receitas financeiras, seja porque seriam atividades próprias da impugnante, o que ensejaria a isenção, seja porque não se configurariam como o faturamento, base de cálculo da Lei 9.718/98. A DRJ/FORTALEZA/CE – 4ª Turma, por meio do Acórdão 0811.546, de 14/07/2007, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMUNIDADE. ISENÇÃO. INSTITUIÇÃO PRIVADA NÃO CARACTERIZADA COMO ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL NEM COMO INSTITUIÇÃO DE ENSINO – ALCANCE DA ISENÇÃO DA COFINS CONCEDIDA AOS SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS. Fl. 893DF CARF MF Processo nº 11618.000193/200318 Acórdão n.º 3201003.666 S3C2T1 Fl. 892 5 Instituição privada que tenha por atividade principal a prestação de serviços de apoio às empresas, comvistas à melhoria de seus resultados, não se caracteriza como sendo de assistência social, nem como instituição de ensino, nos termos da Lei, não fazendo jus à imunidade e/ou à isenção das contribuições para a seguridade social (CF/88, art. 150, VI, "c", art. 195, § 7°, e art. 203), mesmo que se apresente como sem finalidades lucrativas, e preste serviços a segmentos de menor expressão econômica as micro e pequenas empresas e que, entre suas atividades secundárias, também participe de programas de caráter assistencial e desenvolva atividades como cursos, palestras ou seminários. A isenção da COFINS concedida pela MP n° 1.858 6, de 29/06/1999, restringese às receitas das atividades próprias dos serviços sociais autônomos criados ou autorizados por lei. A Associação então interpôs o Recurso Voluntário, onde reforça os argumentos da Impugnação. Acrescenta pedido de nulidade da decisão recorrida, por irregularidade no MPF – Mandado de Procedimento Fiscal, e questionamento quanto à tributação das receitas financeiras; Em 16/03/2016 o processo veio a julgamento nesta Turma, que o converteu em diligência. Transcrevo pequeno trecho para da Resolução para esclarecimento do que se requereu: “Não obstante, para que se possa aplicar o raciocínio aqui expendido, qual seja, de que o alcance semântico de que "receitas decorrentes de atividades próprias" são aquelas que convergem para os objetivos sociais, e sem caráter empresarial, da Recorrente, terse ia que trazer a conhecimento, sob quais rubricas estariam as receitas objeto da autuação. Considerandose que a fiscalização considerou que todas as receitas que não fossem oriundas de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional, todas as demais receitas, por exclusão, estariam sujeitas à incidência. Assim sendo, em face de todo o exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora identifique e especifique a natureza das receitas objeto da autuação.” A diligência foi procedida, tendo a Associação sido intimada a esclarecer a natureza das contas que compuseram as receitas lançadas, e da conta de convênio, detalhar os serviços contratados. A recorrente cumpriu a intimação, detalhando a natureza das receitas. Sobre os convênios, dos quais não conseguiu detalhar todos eles em função do tempo passado, mais de 17 anos, afirma que todos se configuram como receitas de atividade própria, “alinhadas com o objetivo institucional da entidade, qual seja, a promoção da competitividade e do desenvolvimento sustentável dos pequenos negócios, mediante o estímulo e o fomento ao empreendedorismo, visando o fortalecimento da economia paraibana” (fls. 810). O Auditor Fiscal manifestase em relação a cada conta, e que, com exceção da conta 4.1.1.0.0.000 – constribuições sociais, que não compôs o lançamento, todas as demais Fl. 894DF CARF MF 6 teriam caráter contraprestacional, ou seja, seriam tributáveis. Fundamenta no sentido de que, nos termos do art. 47 da Instrução Normativa da Receita Federal nº 247/2001, que as receitas derivadas das atividades próprias são aquelas “decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Transcrevo suas considerações (fl. 832): A conta 4.1.2.0.0.000 Contribuições de Empresas Beneficiadas, presente nos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, registra receitas decorrentes de atividades próprias do SEBRAE/PB oriundas da prestação de serviços a pessoas físicas e jurídicas, tais como consultorias, cursos, palestras, oficinas, entre outros; A conta 4.1.3.0.0.000 Receitas de Convênios, presente nos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, registra receitas oriundas de acordos de cooperação técnicafinanceira ou financeira com entidades públicas e/ou privadas, cujos objetivos envolvem a realização de ações de interesse mútuo dos partícipes, voltadas para o atendimento das atividades finalísticas e de apoio do SEBRAE/PB, detalhados minunciosamente através da CARTA SUPER Nº 22/2017, de 21/03/2017; As contas 4.1.4.1.1.000 Receitas de Aplicações Financeiras Contrib. Social, 4.1.4.1.2.000 Receitas de Aplicações Financeiras Conv. Especiais, 4.1.4.1.3.000 – Receitas de Aplicações Financeiras Rec. Próprios e 4.1.4.1.5.001 Receita c/c 6.7865, presentes nos anoscalendário de 1999 e 2000, registram receitas financeiras de recursos aplicados em aplicações em instituições financeiras a curto prazo; A conta 4.1.4.2.0.001 – Juros, presente nos anoscalendário de 1999 e 2000, registram receitas relativas ao acréscimo sobre valores recebidos de devedores que estavam inadimplentes no pagamento de títulos e as atualizações monetárias, calculadas em função da perda do poder aquisitivo da moeda, a exemplo de cheques devolvidos pela alínea 12; A conta 4.1.4.3.0.002 Variação Monet. Ativas Exig. A Longo Prazo, presente no anocalendário de 1999, registrou em setembro de 1999 a receita pela redução de empréstimos e financiamentos pertencentes ao passivo exigível a longo prazo das contas 2.2.1.1.0.001 – imobilizações – 254/92 e 2.1.1.1.0.002 – cooper. financeira – 80/97; A conta 4.1.9.0.0.001 – Aluguéis, presente nos anoscalendário de 1999 e 2000, registra receitas oriundas da cessão de espaço à Associação dos Lojistas do Shopping Sebrae; A conta 4.1.9.0.0.003 Recuperações e Restituições, presente nos anoscalendário de 1999 e 2000, registra receitas decorrentes das recuperações de valores lançados como perdas de capital; Fl. 895DF CARF MF Processo nº 11618.000193/200318 Acórdão n.º 3201003.666 S3C2T1 Fl. 893 7 A conta 4.1.9.0.0.004 Outras Receitas, presente nos anos calendário de 1999 e 2000, registra as receitas diversas não classificadas em nenhuma das anteriores. Finaliza lembrando que o Sebrae não apresentou o CEBAS. A recorrente manifestase acerca da diligência, onde reitera os argumentos expendidos já em seus recursos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. O Recurso é tempestivo e trata de matéria de competência desta Turma, devendo ser conhecido. Inicialmente, cabe assentar que as Turmas do Carf não podem afastar expressa previsão legal por considerações de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula Carf nº 21. Assim, as questões principiológicas somente terão lugar como função interpretativa sistemática das disposições expressas de Lei. A MP 1.8286/1999, art 14, X, combinado com art. 13, VII, isentou da Cofins, retroativamente a 1º de fevereiro de 1999, as receitas decorrentes de atividades próprias dos serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei. A isenção foi confirmada na MP 2.15835/2001, art 14, X, combinado com art. 13, VI2, ainda vigente. Os requisitos de Cebas e outros não se aplicam à recorrente, posto que o dispostivo isentivo dos serviços sociais autônomos, art. 14, X combinado com art. 13, VI, é distinto dos dispositivos dirigidos às “entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação”, do art. 13, III3, e das “instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os 1 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 2 Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; (...) Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. 3 III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Fl. 896DF CARF MF 8 coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”, do art, 13, IV4. A lei não tem palavras inúteis, muito menos dispositivos inúteis. Se os dispositivos legais acima mencionados isentam as receitas de atividades próprias dos serviços sociais autônomos somente a partir de 1º de fevereiro de 1999, certo é que antes disso não eram isentas. Não se pode considerar a possibilidade de imunidade da recorrente, porque a Lei não a trata como imune. E assim se superam todas os esforços da recorrente quanto às argumentações de inconstitucionalidades e hierarquia de leis, e as acusações do Fisco quanto a o cumprimento de requisitos para isenção ou imunidade. A Lei tem a definição: são isentas, a partir de 1º de fevereiro de 1999, as receitas de atividades próprias dos serviços sociais autônomos. A questão seguinte a ser enfrentada é definir quais são as receitas de atividades próprias da recorrente. No entender do Fisco, conforme IN 247/2001, art. 47, §2º, ainda vigente, “consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.”, isto é, excluemse da isenção as receitas que tenham caráter contraprestacional. A recorrente sustenta, colacionando farta jurisprudência, que as atividades próprias das entidades isentadas no art. 14, X, são aquelas utilizadas na consecução das suas finalidades institucionais. A fim de interpretar a questão, invoco a Súmula Carf nº 107: Súmula CARF nº 107 : A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. Embora não trate especificamente dos serviços sociais autônomos, a súmula considera que as receitas derivadas do caráter contraprestacional da entidade sem fins lucrativos não são excluídas da isenção. Assim, aplico o mesmo entendimento no presente caso. Observo que o fundamento do lançamento são os requisitos para fruição de isenções, superados pela expressa previsão legal do art. 14, X, da MP 2.15835/2001, e a vedação da isenção das receitas de caráter contraprestacional, pela IN 247/2001, o que supero invocando a interpretação assumida pela Súmula 107. Quanto às receitas financeiras, devem ser afastadas da tributação, por decisão do STF no RE 585.235/MG, sob o regime de repercussão geral, vinculante às Turmas do Carf, 4 IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; Fl. 897DF CARF MF Processo nº 11618.000193/200318 Acórdão n.º 3201003.666 S3C2T1 Fl. 894 9 nos moldes do §2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 20155. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para, em relação às receitas de caráter contraprestacional, cancelar a autuação dos períodos a partir de 1º de fevereiro de 1999, e em relação às receitas financeiras, cancelar a autuação de todos os períodos. Marcelo Giovani Vieira Relator 5 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 898DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.900020/2008-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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ERRO EM DCTF Recorrente BANCO BANERJ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 20 /2 00 8- 77 Fl. 112DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 59/64, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 47/51, que não deu provimento à Manifestação de Inconformidade do contribuinte, não homologando a compensação pleiteada haja vista a ausência de comprovação da existência do crédito. Tratase do PER/DCOMP nº ,06725.73494.191103.1.3.047427, fls. 19/24, no qual o contribuinte buscava compensar suposto crédito no valor original de R$ 26.430,44, oriundo do pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561, com o débito de CPMF, da 2º semana de novembro de 2003, no valor de R$ 28.040,05. Conforme Despacho Decisório de fl. 16, a compensação pleiteada não foi homologada pois "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados em PER/DCOMP". Da Manifestação de Inconformidade Em razão da clareza didática do resumo elaborado pela DRJ no Rio de Janeiro/RJ das razões apresentadas em manifestação de inconformidade, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: "Inconformada, a interessada apresentou, em 28/03/2008, a Manifestação de Inconformidade de fls. 3/7, na qual alega, em síntese: 3.1) que faltou ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram. à nãohomologação da compensação, o que a impediu de exercer o direito constitucional de ampla defesa; 3.2) que o Fisco não trouxe aos autos nenhum elemento que desse suporte ao fato motivador da nãohomologação da compensação, exceto a descrição dos valores apurados; 3.3) que o ônus da prova incumbe a quem alega o fato constitutivo de seu direito; 3.4) que o ato administrativo há de ser sempre motivado; 3.5) que o "auto de infração" é nulo de pleno direito por não haver a demonstração do alegado, não permitindo apreender o motivo e o fato da autuação; 3.6) que declarou, por erro, o valor que indica como pagamento indevido ou a maior como DARF vinculado ao débito do período; Fl. 113DF CARF MF Processo nº 15374.900020/200877 Acórdão n.º 2201004.425 S2C2T1 Fl. 100 3 3.7) que sua alegação é comprovada pelo PER/DCOMP (fls. 16/21), DARF (fl. 22) e quadro demonstrativo (fl. 23) trazidos aos autos; 3.8) que o valor do débito apresentado na DCTF (fls. 24/33) contém erro que deve ser observado, especificamente, no campo pagamento com DARF, pois o valor pleiteado foi recolhido indevidamente; e 3.9) que pede a alteração de oficio das informações constantes da DCTF.” Da Decisão da DRJ A DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, na decisão assim emendada (fls. 47/51): “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer cerceamento a direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERALS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se homologa compensação baseada em direito creditório, o qual não foi devidamente demonstrado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em suas razões, a autoridade julgadora afastou a preliminar de nulidade arguida pelo contribuinte, afirmando não haver violação ao princípio constitucional da ampla defesa, considerando que no Despacho Decisório de fl. 16 informa, com clareza, as razões pela qual não reconhece o direito creditório invocado. Também nas palavras da autoridade julgadora, o DARF foi vinculado ao débito nos termos da própria declaração apresentada pelo contribuinte (fl. 27/36). Quanto ao mérito, afirma que o contribuinte não provou as alegações de erro de preenchimento da DCTF, notadamente não apresentando prova documental capaz de provar, cabalmente, a existência do direito creditório. A DRJ entendeu que os documentos apresentados (PER/DCOMP, DARF e quadro demonstrativo) não servem para demonstrar erro o erro de fato que culminou no pagamento indevido ou a maior. Fl. 114DF CARF MF 4 Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, cientificado do Acórdão da DRJ em 07/06/2010, conforme fazem prova o AR de fl. 58 e a tela de consulta dos Correios de fl. 80, apresentou o recurso voluntário de fls. 59/64 em 06/07/2010. Em suas razões, praticamente reiterou as alegações de mérito apresentadas em sede de manifestação de inconformidade, além de defender que o processo administrativo se rege pelo princípio da verdade material e que os documentos apresentados, quando interpretados sob a ótica de tal princípio, são suficientes para comprovar a existência do direito creditório. Ademais, juntou ao processo documentação que acredita ser relevante para comprovar a existência do pagamento indevido ou a maior de IRRF, qual seja, o demonstrativo de cálculo realizado nos autos do processo judicial nº 2200/99, que tramitou na 62ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, bem como o DARF vinculado àquele processo (fls. 87/90). Sobre esse tema, afirmou que, em decorrência de acordo realizado na ação trabalhista, homologado em 27/08/2003, deveria recolher o valor de R$ 28.492,16 a título de IRRF (conforme cálculos de fl. 88). No entanto, o RECORRENTE alega que em 29/07/2003 já tinha efetuado o recolhimento do IR no montante indevido de R$ 26.430,44 (fl. 86). Assim, afirmou que, para corrigir seu erro e não trazer prejuízos ao exfuncionário, efetuou novo recolhimento do IRRF em 09/09/2003 no valor correto de R$ 28.492,16 (fl. 90). Portanto, entendeu ter demonstrado o recolhimento em duplicidade do tributo e, consequentemente, o seu direito ao crédito pleiteado, o qual não foi contemplado somente por erro no preenchimento da DCTF. Alegou que tal erro não poderia ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento do crédito. Este recurso de voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Da Alegação de Prevalência do Princípio da Verdade Material Conforme demonstrado pelo Despacho Decisório de fl. 16, o pedido de compensação não foi homologado por não restar crédito disponível para compensação, devido ao DARF ter sido utilizado integralmente para quitar débito do RECORRENTE relativo ao código 0561 (IRRF rendimento do trabalho assalariado) cujo período de apuração foi 26/07/2003. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 15374.900020/200877 Acórdão n.º 2201004.425 S2C2T1 Fl. 101 5 Sustenta o RECORRENTE que, em verdade, houve equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas, haja vista que o mesmo débito foi declarado em dois DARFs distintos. Aduz ser equivocada a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do CARF reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte, pois no processo administrativo vigora o princípio da verdade material. Um dos princípios norteadores do processo administrativo é o cumprimento a estrita legalidade, desta forma, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso dos tributos federais, a compensação tributária ocorre nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No presente caso, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 16 informando que o crédito que se almeja compensar já estava consignado em outro débito, confessado pelo contribuinte em DCTF. Neste sentido, assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Fl. 116DF CARF MF 6 Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prova lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Apenas em sede de Recurso Voluntário o contribuinte traz um mínimo de provas para fundamentar sua alegação de ocorrência de erro de fato, qual seja, a cópia de alguns trechos do processo judicial 002200/99, que tramitou na 62ª Vara do Rio de Janeiro, processo este que originou o débito de IRRF objeto da presente celeuma. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 15374.900020/200877 Acórdão n.º 2201004.425 S2C2T1 Fl. 102 7 Contudo, não deveria o contribuinte comprovar o suposto recolhimento em duplicidade, pois é evidente que houve o recolhimento, tanto que o despacho decisório atesta a utilização do pagamento reputado como a maior pelo contribuinte para quitar débito confessado pelo RECORRENTE. Em verdade, deveria o contribuinte comprovar que cometeu equívoco na sua DCTF; ou seja, que os débitos confessados nessa declaração estavam equivocados. Assim, deveria ter comprovado o erro na DCTF através de balanços contábeis e demais documentos aptos a comprovar o valor correto devido a título IRRF para o período em questão, ou então auditoria realizada por perito independente. Neste sentido se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. É bem verdade que, em razão do princípio da autotutela, pode a Administração Tributária reconhecer de ofício a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em desacordo com a legislação aplicável, ou tenha denegado ao contribuinte pleito que faz jus. Todavia, não existe nos autos evidências suficientes para se proceder com a correção de ofício, considerando que, o crédito tributário objeto de pedido compensação foi integralmente utilizado para quitar dívida confessada pelo contribuinte. Não há, também, nos presentes autos elementos que justifiquem eventual conversão em diligência, ante ausência quase que integral de conteúdo probatório do direito do contribuinte. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos ao princípio da Verdade Material. Todo o procedimento fáticoprobatório e jurídico presente nos autos foi levado em consideração nesta decisão, uma vez não comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Conclusão Pelas razões acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 118DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 119DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.686566/2009-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa:
PROCESSUAL - VERDADE MATERIAL - LIMITES - PROVA POSTERIOR - OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS DO ART. 16, §4º, DO DECRETO 70.235/72.
Ainda que jungido ao principio da verdade material, o processo administrativo também se encontra limitado pelo princípio da legalidade e pela regra do devido processo legal. O momento de que dispõe o contribuinte para produzir provas e trazer documentos é o da oposição de sua impugnação, admitindo-se, como exceção, a produção de provas e argumentos em momento posterior apenas nas hipótese devidamente demonstradas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Rogerio Aparecido Gil.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Ainda que jungido ao principio da verdade material, o processo administrativo também se encontra limitado pelo princípio da legalidade e pela regra do devido processo legal. O momento de que dispõe o contribuinte para produzir provas e trazer documentos é o da oposição de sua impugnação, admitindose, como exceção, a produção de provas e argumentos em momento posterior apenas nas hipótese devidamente demonstradas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Rogerio Aparecido Gil. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 65 66 /2 00 9- 57 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.686566/200957 Acórdão n.º 1302002.735 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Em Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Paulo (DERAT), o pedido de compensação anteriormente transmitido pelo contribuinte não foi homologado, uma vez que, nos termos constates do Despacho exarado, contatouse que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos, do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Intimado da referida decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, preliminarmente, que o crédito não foi identificado, uma vez que houve um erro interno, já que, uma vez identificado o pagamento indevido ou a maior, olvidou se de retificar as suas DCTF's. Assim, segundo alega, esta ausência de retificação impossibilitou a fiscalização de identificar o crédito apontado em seu pedido de compensação. Afirma que retificou as DCTF's após o recebimento dos despachos decisórios, que acabaram por não homologar os diversos pedidos de compensação apresentados no período. Alegou, ainda, que o seu direito creditório decorre da interpretação da Receita Federal do Brasil, exarada na resposta de consulta de nº 07/2009, em que restou definido que "a venda (desenvolvimento e edição) de softwares prontos para uso (de prateleira, standard) é classificada como venda de mercadoria e o percentual para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica é de oito por cento". Com essa nova interpretação, alegou, o Recorrente, que identificou o erro na apuração do IRPJ e da CSLL, resultando em um recolhimento indevido ou a maior destes tributos. E exatamente por conta desses recolhimentos a maior é que apresentou os pedidos de compensação, utilizando os créditos originados do pagamento indevido ou a maior (resultantes da interpretação exarada pela Receita Federal do Brasil), para pagar débitos próprios, nos termos e contornos exigidos pela legislação. Em análise à Manifestação de Inconformidade, a douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) entendeu por bem julgar o apelo do contribuinte como improcedente. Como fundamento da decisão, o acórdão considerou (i) a impossibilidade de se analisar as DCTF's retificadas após o início do procedimento fiscal e (ii) que o contribuinte não comprovou que fabrica software prontos para o uso (de prateleira). Devidamente intimado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, repisa os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. No que tange às retificações das DCTF's, o Recorrente alega que mesmo tendo sido as retificações realizadas após o procedimento fiscal, são elas as DCTF's retificadas que comprovam a realidade das suas operações e que, por isso, não podem ser desprezadas pelos órgãos judicantes. Por outro lado, anexa aos autos documento em que detalha o seu processo de produção, para concluir que produz softwares prateleira e, por isso, teria o direito de se valer da Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.686566/200957 Acórdão n.º 1302002.735 S1C3T2 Fl. 4 3 forma de cálculo do IRPJ e da CSSL, nos termos exarados pela Receita Federal do Brasil, através de solução de consulta. Junta aos autos, ainda, planilha em que segrega suas vendas, com arrimo na DIPJ, que também anexa aos autos. Assim, pede provimento ao Recurso Voluntário e o consequente reconhecimento do seu direito creditório. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.731, de 12.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.686567/200900, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento, contido no voto vencedor, que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302 002.731): "[...] Aqui, vejam bem, existem dois motivos para entender que, ainda que o direito ao crédito seja plausível, semelhante plausibilidade somente alçaria ares de verdade absoluta a partir da prova de que: a) as DCTFs retificadas contemplavam informações corretas e acompanhadas de documentos que lhes comprovavam a veracidade; b) tendo origem em classificação equivocada da atividade desenvolvida, mormente quanto ao tipo de software que seria objeto de venda ou cessão, trouxesse o contribuinte a prova de que, efetivamente, seus programas de computador seriam aqueles considerados como de prateleira (isto é, softwares fechados, sem transferência de código fonte). O problema é que, como a origem do crédito está jungida a estes dois fatos, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade (=impugnação), trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação de se postulava. Essa, digase, é a mens legis do art. 170, caput, do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação, senão vejamos: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.686566/200957 Acórdão n.º 1302002.735 S1C3T2 Fl. 5 4 com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Os pressupostos, pois, do direito crédito a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Neste passo, e no caso presente, como as premissas do pleito compensatório eram, num primeiro momento, a existência do crédito a partir da retificação de DCTFs e, num segundo momento, o erro de classificação da atividade do contribuinte (que, digase, resultou, justamente, na retificação da declaração anteriormente citada), competia ao contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, nos estritos do art. 16, § 4º, do Decreto 70.2351, trazer as provas que emprestariam ao crédito postulado a liquidez e certeza: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. E nem se diga que ao caso se aplicaria a exceção descrita na alínea "c", acima, já que o próprio contribuinte cuidou de informar que a origem dos créditos objetos deste feito seria a já citada reclassificação de sua atividade (de prestação de serviços para comercialização de produtos/mercadorias); ou seja, a natureza dos softwares, a parcela da receita a que se referiria a venda destes softwares, e a veracidade das informações contidas nas DCTFs retificadoras não são questões novas, surgidas apenas a partir do julgamento realizado pela DRJ; foram, desde logo, suscitadas pelo recorrente (conforme se extrai especificamente da alegação constante de efls. e, digase, não demonstradas. Não podemos, aqui, sob o pálio da verdade material suplantar as regras procedimentais aplicáveis ao processo administrativo e permitir, por fundamentos metajurídicos2, e ao arrepio do princípio da isonomia, fazernos substituir à autoridade fiscal ou a própria DRJ, para refazer todo o trabalho que deveria ter sido 1 A que está sujeito procedimento instaurado a partir da oposição da manifestação de inconformidade, por força de previsão explicita contida no § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96. 2 Ainda que me condoa do contribuinte e ainda que, aparentemente, haja uma "fumaça de bom direito" em sua tese, a prova de sua efetiva existência tinha que ter sido produzida no momento oportuno. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.686566/200957 Acórdão n.º 1302002.735 S1C3T2 Fl. 6 5 concretizado e trazido ao feito pelo sujeito passivo, pretensamente, detentor do crédito. Insisto, não encontro óbices para considerar as informações prestadas mediante declaração retificadora após o início da ação fiscal; mas não tenho como verificar a correção das ditas informações se o próprio contribuinte não traz ao processo provas e documentos que demonstrem que tais dados são verdadeiros. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta pelo já aventado princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas não contempladas pela instância interior, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno, e, na espécie, tais provas não foram, reprisese, produzidas. Como não se verificam, no concreto, a ocorrência das situações descritas no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235 e, lado outro, como o contribuinte não produziu as provas necessárias à demonstração da liquidez e certeza de seu direito creditório, não nos cabe, agora, franquearlhe, por meio de diligência, tal oportunidade, pena de malferir, não o decreto anteriormente invocado, como, também, e como já dito, o princípio da isonomia. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 111DF CARF MF
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