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Numero do processo: 12466.000160/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/10/2005 a 16/05/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA.
A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. PEREMPÇÃO CARACTERIZADA. INTIMAÇÃO ELETRÔNICA REGULAR. PROCURADOR DESAUTORIZADO. DESCABIMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Restando demonstrado nos autos que a intimação do sujeito passivo solidário, através do Domicílio Tributário Eletrônico - DTE pela RFB, foi efetivada nos termos do § 2º, inciso III, alínea 'b', do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, descabe a arguição de nulidade da referida intimação, por ter sido acessada por funcionário não habilitado para tal atividade.
Numero da decisão: 3302-005.372
Decisão: RO Negado e RV Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário da recorrente MERCOCAMP e em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário da SIMM - SOLUÇÕES INTELIGENTES e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA. A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. PEREMPÇÃO CARACTERIZADA. INTIMAÇÃO ELETRÔNICA REGULAR. PROCURADOR DESAUTORIZADO. DESCABIMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Restando demonstrado nos autos que a intimação do sujeito passivo solidário, através do Domicílio Tributário Eletrônico DTE pela RFB, foi efetivada nos termos do § 2º, inciso III, alínea 'b', do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, descabe a arguição de nulidade da referida intimação, por ter sido acessada por funcionário não habilitado para tal atividade. RO Negado e RV Não Conhecido Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário da recorrente MERCOCAMP e em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário da SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 01 60 /2 01 0- 41 Fl. 1833DF CARF MF 2 [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Trata o presente de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe, na data de 03/01/2011, para exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e Contribuição PIS e COFINS, acrescidos de juros de mora e multa de ofício, além de multa isolada do Imposto de Importação, no valor de R$ 6.785.363,02 em virtude dos fatos a seguir descritos. No período de 2005 a 2008 a empresa fundapeana MERCOCAMP promoveu a importação por contas e ordem da empresa SIMM (denominado ADQUIRENTE) aparelhos moveis da marca HTC (HIGH TEC COMPUTER) de origem chinesa (Taiwan). Até março de 2008 descreviaos em campo próprio nas Declarações de Importação como "MAQUINA AUTOMÁTICA DIGITAL PARA PROCESSAMENTO DE DADOS" . De abril a maio/2008 passou a denominálos "COMPUTADOR DE BOLSO POCKET PC". Acreditase que tenhamno feito para diferenciálos dos conhecidos DESKTOPS (computadores de mesa). A MERCOCAMP utilizouse de duas classificações fiscais da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) em suas operações, a saber: 8471.41.10 (OUTRAS MAQUINAS DIGITAIS RARA PROCESSAMENTO DE DADOS, CONTENDO NO MESMO CORPO, PELO MENOS UMA UNIDADE CENTRAL DE PROCESSAMENTO E, MESMO COMBINADAS, UMA UNIDADE DE ENTRADA E UMA DE SAÍDA, DE PESO INFERIOR A 750 GR.,SEM TECLADO, COM RECONHECIMENTO DE ESCRITA, ENTRADA DE DADOS E DE COMANDOS POR MEIO DE UMA TELA ("ÉCRAN") DE AREA INFERIOR A 280 CM2), com alíquotas de II e de IPI de, respectivamente, 12% e 15%; Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.834 3 8471.41.90 (OUTRAS MAQUINAS DIGITAIS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS), com alíquotas de II e IPI de, respectivamente, 16% e 15%. A utilização das classificações fiscais acima parte da premissa de que os vários modelos de aparelhos móveis da marca HTC são PDAs ("Personal Digital Assistants"). A fiscalização constatou que os aparelhos do fabricante HTC importados por conta e ordem da empresa SIMM são SMARTPHONES e não simplesmente PDAs (ou "handhelds"). Concluise, seguindo a 1a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI1), que a classificação correta é 8525.20.22 (para importações registradas até 31/12/2006) ou 8517.12.31 (a partir de 01/01/2007) da NCM/SH/TEC. O ADQUIRENTE das mercadorias é RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO pelo recolhimento dos créditos tributários, seja porque ambos tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos, seja por previsão expressa de lei. O contribuinte MERCOCAMP COMERCIO INTERNACIONAL SA foi cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 02/02/2010 (fls.5), através do seu despachante aduaneiro. Em 30/04/2010, o contribuinte MERCOCAMP foi intimado através de CARTA DE COBRANÇA, via Aviso de Recebimento (folhas 356/357 do processo digital),para efetuar o recolhimento do saldo devedor em aberto dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir do recebimento da intimação. O contribuinte MERCOCAMP COMERCIO INTERNACIONAL SA protocolizou PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE, em 02/02/2010.(grifei) O impugnante alegou que: Conforme se depreende da "descrição dos fatos" ás fls. 04/14, as infrações verificadas, tiveram como objeto, a importação por conta e ordem da SIMM —SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA O MERCADO MÓVEL DO BRASIL S/A (adquirente), de aparelhos móveis da marca HTC (High Tec Computer), provenientes da China. As operações que serviram de objeto da fiscalização ocorreram nos anos de 2005 a 2008. De acordo com a Douta Autoridade Fiscal, a Requerente, quando do registro da Declaração de Importação, até março de 2008 descrevia os respectivos aparelhos no campo próprio, como "MÁQUINA AUTOMÁTICA DIGITAL PARA PROCESSAMENTO DE DADOS". Já de abril a maio de 2008, foi utilizada a classificação referente à "COMPUTADOR DE BOLSO — POCKET PC". Transcreve os textos dos códigos NCMs 8471.41.10 e 8471.41.90. Fl. 1835DF CARF MF 4 Contudo, entendeu a Autoridade Alfandegária, que "em sentido comum os aparelhos do fabricante HTC importados por conta e ordem da empresa SIMM são SMARTPHONES e não simplesmente PDAs (ou "handhelds). Ao final, efetuou o lançamento de oficio da diferença verificada no que se refere aos tributos incidentes na operação, com a aplicação de juros de mora e multa, perfazendo um crédito tributário de R$ 6.785.363,02. DA AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO — NOTIFICAÇÃO IRREGULAR — INSTRUMENTO PROCURATÓRIO COM PRAZO EXPIRADO A Requerente foi intimada do referido auto de infração, através de ciência pessoal de despachante aduaneiro, Sr. Arles Tebaldi Filho, que apôs sua assinatura ás fls. 03 do processo administrativo em referência, no dia 02/0212010.(sic). Ocorre, porém, que o preposto que tomou ciência, não mais tinha poderes para a prática de tal ato, haja vista que o prazo de validade da procuração expirara no dia 31/01 12010, conforme comprova o instrumento procuratório acostado às fls.196/198 do processo administrativo em referência.(sic) Desta feita, comprovada a irregularidade na notificação, não pode ser considerada como para declarar a intempestividade da impugnação administrativa ao Auto de Infração. Quadra enfatizar, que a Requerente tomou conhecimento da existência de um auto de infração, apenas quando do recebimento da CARTA COBRANÇA SECAT/ALF/PORTO VITÓRIA N°. 026, de 28/04/2010, vindo a ter ciência de seu conteúdo no dia 13/05/2010, quando se dirigiu até a Alfândega do Porto de Vitória, e foi pronta e diligentemente atendida pelo Auditor Fiscal, Sr. Luciano Rocha Madeira, que forneceu todas as informações necessárias. A essa altura, em que aparentemente não havia mais nada a ser feito na esfera administrativa (o vicio na notificação foi constatado alguns dias depois), os administradores da Requerente passaram a empreender todos os esforços, no sentido de localizar a origem do crédito tributário objeto da carta cobrança, sendo possível constatar, a improcedência do auto de infração, tendo em vista que grande parte das diferenças lançadas de oficio, já haviam sido recolhidas espontaneamente, quando apontada a diferença da classificação pela fiscalização em um processo de importação do ano de 2008. Certo é, que se a Requerente tivesse sido regularmente intimada à época, o fato já estaria elucidado, eis que não teria qualquer dificuldade em demonstrar o alegado no parágrafo acima, sem ter de adentrar em discussões jurídicas de cunho instrumental. No entanto, haja vista o vicio na notificação, não obstante a aparente ciência (pela aposição da assinatura de despachante aduaneiro sem poderes de representação)em 02/02/2010, a Requerente se vê obrigada a perquirir, como matéria preliminar ao mérito, a TEMPESTIVIDADE de sua impugnação (na Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.835 5 hipótese de V. Sa. não acatar o pedido principal deste petitório), cujas razões segue em anexo. No entanto, utilizase, primeiramente, de seu direito de petição esculpido na Constituição Federal, no intuito de demonstrar, através de prova incontroversa, o pagamento das diferenças apontadas pela fiscalização à época. Cabe salientar, na oportunidade, que o pagamento das diferenças (que serão detalhadas adiante), se deu de forma espontânea pela Requerente, com o objetivo exclusivo de evitar qualquer autuação ou questionamento por parte da autoridade fazendária. DOS FUNDAMENTOS DE DIREITO QUE ENSEJAM A REVISÃO ADMINISTRATIVA DO LANÇAMENTO Esclarece a Requerente que não pretende através do presente requerimento, discutir qualquer fundamento de fato ou de direito em que se funda o auto de infração em referência (o que é objeto da impugnação em anexo, cujo recebimento constitui pedido subsidiário do presente requerimento, caso não seja declarado nulo o auto de infração). Mas, apenas, solicitar a revisão do lançamento, haja vista a não apreciação de fato relevante, não conhecido quando da lavratura do auto de infração, consubstanciado no pagamento espontâneo de grande parte das diferenças apontadas, com o condão de alterar significativamente a base tributável. A intenção da Requerente veiculada no presente requerimento, não obstante não ter previsão na legislação que regula o processo administrativo tributário federal, encontra amparo no direito de petição esculpido no artigo 5°, inciso XXXIV da Constituição Federal, e no artigo 149, inciso VIII, do Código Tributário Nacional. Transcreve os respectivos incisos. Isto posto, será demonstrado adiante, de maneira detalhada pagamentos efetuados espontaneamente pela Requerente em 2008, que foram novamente lançados no auto de infração. DOS FUNDAMENTOS DE FATO QUE ENSEJAM A REVISÃO DO LANÇAMENTO — PAGAMENTOS EFETUADOS ESPONTANEAMENTE PELA REQUERENTE O impugnante colaciona de folhas 363 a 374 do processo digital tabelas com o número da fl. do processo administrativo fiscal n°. 12466.000160/201041 (Demonstrativo de Apuração) onde se encontra o lançamento da diferença, também identificado pelo número da Declaração de Importação (DI). Conforme se depreende da relação dos recolhimentos efetuados espontaneamente pela Requerente, é de se verificar que quase a metade do total das diferenças apuradas no procedimento administrativo fiscal é absolutamente inexigível. Fl. 1837DF CARF MF 6 No intuito de demonstrar o impacto na base tributável, segue abaixo, demonstrativo do montante da diferença apurada (Impostos e contribuições), e o montante já recolhido espontaneamente, em relação a cada tributo incidente nas operações de origem. Dessa forma, notase, que praticamente a metade do valor principal, que acrescido de juros, multas e etc. deu origem ao lançamento em foco, já havia sido recolhido no dia 29/0812008, espontaneamente pela requerente, fato não conhecido na ocasião da lavratura do auto de infração. Quadra ressaltar, que os valores recolhidos espontaneamente pela Requerente, foram devidamente atualizados, conforme comprovam os DARFs em anexo, o que demonstra sua patente boafé, e retidão de conduta perante a Administração Tributária, premissas inarredáveis em suas atividades empresariais. A propósito, é de se verificar que a classificação fiscal utilizada nos casos em que não houve o recolhimento espontâneo da diferença, teve como fator determinante, a Solução de Consulta n°. 338, de 10 de novembro de 2003, da lavra da Superintendência Regional da Receita Federal da r Região Fiscal (DOC n°. 30), que entendeu que o Código TEC para "computador de bolso, com telefone celular integrado, não possuindo teclado alfanumérico físico, utilizado para telefonia móvel", é o 8471.41.10, utilizado pela Requerente. Evidente, portanto, que não houve qualquer tentativa por parte da Requerente de reduzir a carga tributária através da escolha de classificação mais benéfica, até mesmo pelo fato de que se embasou em pronunciamento da própria autoridade fazendária, restando claro que a revisão teve como motivação a modificação de critérios jurídicos adotados pela Administração Tributária. Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.836 7 DO RECEBIMENTO DA IMPUGNAÇÃO — SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CREDITO — IMPUGNAÇÃO QUE SUSCIDA PRELIMINAR DE TEMPESTMDADE — ADNCOSIT n°. 15/96 Caso o pedido de revisão de oficio do lançamento em foco, com a conseqüente decretação de NULIDADE do auto de infração em referência não seja acolhido de plano, o que se admite somente ad argumentandum, requer a V. Sa., o recebimento da IMPUGNAÇÃO, cujas razões segue em anexo, nos termos do artigo 15 do Decreto n°.70.235/72. Transcreve o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 15/96, que dispõe sobre o tratamento que deve ser dado pela administração federal às impugnações apresentadas fora do prazo legal. Nos casos em que a tempestividade é suscitada como preliminar da impugnação, há a instauração da fase litigiosa do procedimento, a suspensão da exigibilidade do crédito, além de comportar o julgamento em primeira instância. Presentes os dois requisitos constantes da ADNCOSIT n°. 15/96, quais sejam, a demonstração cabal de vicio na notificação da Requerente, e a arguição da tempestividade em sede de preliminar da impugnação cujas razões seguem anexo. Isto posto, caso V. Sa., ad argumentandum, não acolha o pedido der revisão de oficio do lançamento enfocado, com o imediato cancelamento (anulação) da exigência fiscal e lavratura de um novo auto de infração, se for o caso, pugna a Requerente, pelo recebimento da impugnação, cujas razões segue em anexo, operandose, de imediato, a suspensão da exigibilidade do crédito objeto do auto de infração em referência, com fulcro na ADNCOSIT n°. 15/96. DOS PEDIDOS Face ao todo exposto, requer a V. Sa.: a) A SUSPENSÃO IMEDIATA dos atos de cobrança do crédito constituído por meio do auto de infração que se objetiva a revisão, haja vista o teor da CARTA COBRANÇA SECAT/ALF/PORTO VITÓRIA N°. 026, de 28/04/2010; b) A IMEDIATA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CREDITO enquanto não apreciado o pedido contido no presente petitório, com supedâneo na ADNCOSIT n°. 15/96; c) A REVISÃO do lançamento em foco, tendo em vista o vicio de notificação e a existência de prova inequívoca do pagamento espontâneo pela Requerente, de impostos e contribuições que representam quase a metade das exações lançadas no auto de infração, pugnando, com efeito, pela: c.1) ANULAÇÃO do auto de infração em referência; e c.2) LAVRATURA de novo auto de infração, desconsiderando os Fl. 1839DF CARF MF 8 tributos cujo pagamento se demonstra de forma incontroversa através dos documentos acostados; d) Caso assim não entenda V. Sa., requer o RECEBIMENTO DA IMPUGNAÇÃO, cujas razões segue em anexo, nos termos do artigo 15, do Decreto n°. 70.235/72, ressaltando a argüição em sede de preliminar, da sua TEMPESTIVIDADE, devendo a mesma, ser remetida à primeira instância julgadora, haja vista a instauração da fase litigiosa do procedimento, com a conseqüente suspensão da exigibilidade do crédito, nos termos do ADN COSIT n°. 15/96. O contribuinte empresa MERCOCAMP COMERCIO INTERNACIONAL S/A, PROTOCOLIZOU IMPUGNAÇÃO, intempestivamente em 02/06/2010, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 379 à 416 do processo digital. O impugnante alegou que: DAS PRELIMINARES DA TEMPESTIVIDADE DA PRESENTE IMPUGNAÇÃO A primeira preliminar suscitada, se refere à PATENTE TEMPESTIVIDADE DA PRESENTE IMPUGNAÇÃO, não obstante constar formalmente no processo administrativo que a ciência (notificação) ocorrera no dia 0210212010. Doutos Julgadores, a tentativa de notificação da Impugnante do teor do auto de infração, se deu através de ciência pessoal de despachante aduaneiro, Sr. Arles Tebaldi Filho, que apôs sua assinatura às fls. 03 do processo administrativo em referência, no dia 02/02/2010. Ocorre, porém, que o preposto que tomou ciência, não mais tinha poderes para a prática de tal ato, haja vista que o prazo de validade da procuração expirara no dia 31/01/2010, conforme comprova o instrumento procuratório acostado ás fls. 196/198 do processo administrativo em referência. Quadra enfatizar, que a Impugnante tomou conhecimento da existência de "um" auto de infração, apenas quando do recebimento da CARTA COBRANÇA SECAT/ALF/PORTO VITÓRIA N°. 026, de 28/04/2010, vindo a ter ciência de seu conteúdo somente no dia 13/05/2010, quando se dirigiu até a Alfândega do Porto de Vitória, e foi pronta e diligentemente atendida pelo Auditor Fiscal, Sr. Luciano Rocha Made, que forneceu todas as informações necessárias. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto: o. (TRF 1 a R. AG 01000253692 (200201000253692) DF e T. Rela Desa Fed.Maria Isabel Gallotti Rodrigues DJU 10.02.2003); (2° CC, 3a Câmara. Acórdão n°. 203 09140, dj. 09/09/2003) e TRF4aR. Proc. 2005.71.12.0029500 6 T. Rel. Desemb. João Batista Pinto Silveira DD 23.02.2007) Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.837 9 É de se verificar, e isso não passará despercebido ao crivo de vossas senhorias, que além de ser uma prática usual na área de comércio exterior, a fixação de prazo determinado foi justamente para balizar o tempo de atuação daquele profissional na defesa dos interesses da Impugnante junto à Alfândega do Porto de Vitória. Com efeito, é de se constatar a flagrante nulidade da ciência dada ao despachante aduaneiro, Sr. Arles Tebaldi Filho, no dia 0210212010, haja vista a inexistência de poderes para representar a impugnante junto ao órgão autuante, de forma que a presente impugnação afigurase manifestamente TEMPESTIVA. Isto posto, é indispensável que o Termo de Revelia lavrado ás fls. 351 seja tornado sem efeito, com o conseqüente conhecimento da presente Impugnação. DA NULIDADE DA INTIMAÇÃO DA DEVEDORA SOLIDÁRIA SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA O MERCADO MÓVEL BRASIL SA Além da nulidade da intimação do sujeito passivo, ora Impugnante, verificase, ainda, a nulidade da intimação da devedora solidária, haja vista a inexistência de comprovação de sua ciência inequívoca pela via postal. Conforme se depreende da análise da intimação SECAT/ALF/Porto Vitória n° 39, acostado às fls. 349 do processo administrativo, de 04/0212010, constatase apenas o código SL491909545BR escrito a mão. Já ás fls. 350, encontrase o relatório de rastreamento dos Correios, supostamente relativo à correspondência por meio da qual teria sido enviada a intimação a que se refere o documento de fls. 349. De acordo com o rastreamento dos Correios, a correspondência postada sob o código de registro SL491909545BR foi entregue ao seu destinatário (sem especificação de conteúdo, endereço ou até mesmo remetente da correspondência) no dia 13/02/2010, não constando dos autos o Aviso de Recebimento ("AR"), emitido e controlado pelos Correios, relativo à suposta intimação. Dessa forma, não havendo o documento comprobatório do envio e seu conseguinte recebimento, não há como se decretar a revelia da devedora solidária, haja vista a total e incontestável ausência de prova de ciência inequívoca do conteúdo do auto de infração. Vale ressaltar, que os Avisos de Recebimento pertinentes às Cartas Cobrança acostadas às fls. 353/354 foram devidamente juntados aos autos do processo administrativo com a aposição das assinaturas dos recebedores. Fl. 1841DF CARF MF 10 Verificase, ainda, que o Termo de Revelia (fls. 352) está datado de 13/01/2010, ou seja, foi assinado em data anterior à suposta Intimação. Sendo assim, é absolutamente factível que a correspondência relativa ao código alfanumérico SL491909545BR não se refira à Intimação. Resta, portanto, evidente, a ilegalidade do procedimento de intimação adotado, que violou de maneira contundente a regra inserta no artigo 23, inciso II, do Decreto n°. 70.235/72, fazendose mister, a nulidade da intimação da devedora solidária SIMM —SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA 0 MERCADO MÓVEL DO BRASIL S/A, tornando sem efeito o Termo de Revelia acostado ás fls. 352, com a realização de nova intimação, e conseqüente reabertura do prazo de impugnação. NULIDADE DO LANÇAMENTO (AUTO DE INFRAÇÃO) — IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DO LANÇAMENTO — ERRO DE DIREITO Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Paulo de Barros Carvalho e Hugo de Brito Machado. Sendo assim, no que se relaciona com o caso sob análise, é de se verificar que não é possível a revisão de lançamento de oficio para reclassificação fiscal de mercadoria importada, após a homologação expressa pelo Fisco, através da conclusão do desembaraço aduaneiro. Entendimento contrário representaria para a Administração Tributária, permissivo para equívocos de interpretação que poderiam ser sanados indiscriminadamente através de ato de revisão. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: (REsp 1112702/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/10/2009, DJe 06/11/2009) e (STJ, Segunda Turma, RESP – RECURSO ESPECIAL — 700371, publicado no DJ em 16/08/2007). Face ao exposto, concluise que o lançamento sub occulis, consubstanciado no auto de infração combatido, deve ser declarado nulo, haja vista que possui como fundamento, a ocorrência de suposto erro de direito (classificação fiscal das mercadorias importadas), não encontrando guarida no ordenamento jurídico pátrio. DO MÉRITO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL ADOTADA PELA IMPUGNANTE— AUSÊNCIA DE ERRO — CORRETA NCM Conforme se depreende dos manuais acostados às fls. 202/233 do processo administrativo em foco, os aparelhos móveis em referência, tratamse, efetivamente, de computadores móveis de bolso (com ou sem teclado), possuidores das mais diversas funções, dentre as quais se encontra a de telefone. Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.838 11 Tais aparelhos são conhecidos no mercado, e possuem como especificação técnica, a denominação de Personal Digital Assistant (PDA). Com a evolução destes equipamentos para a transmissão de dados por meio do sistema de telefonia móvel, tais computadores de bolso passaram também a ser vulgarmente conhecidos como "Smartphonesn. Não obstante a nomenclatura Smartphone seja de fato utilizada vulgarmente como referência popular aos computadores de bolso da HTC, os aparelhos possuem diversas funções interativas, tais como sistema operacional, editores de texto, jogos, câmera fotográfica, leitores de arquivos, navegadores de internet, gerenciador de emails, GPS, etc. A propósito, a avançada tecnologia desses aparelhos faz com que sejam vendidos a preços equivalentes aos computadores pessoais de mesa (desktops), e até mesmo aos computadores portáteis (notebooks), em muito se distanciando, em termos de utilidade, dos simples telefones celulares regularmente comercializados. Por conseguinte, os consumidores de tais aparelhos, ao adquiri los, pagam um preço muito mais alto, se comparados aos aparelhos celulares comuns, haja vista a essencialidade das múltiplas funções que esses computadores oferecem. Com efeito, a impugnante, ao importar os computadores de bolso da HTC por conta e ordem da SIMM — SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA o MERCADO MÓVEL DO BRASIL S/A, classificouos como máquinas digitais para processamento de dados, adotandose as posições NCM 8471.41.10 15 , 8471.41.90 16 e 8471.30.19 17 . Todavia, a autoridade fiscal encarregada do procedimento administrativo fiscal que deu origem ao auto de infração combatido, entendeu que a classificação fiscal adotada pela Impugnante para classificar tais equipamentos, s6 seria cabível para dispositivos móveis sem a função de telefonia, utilizando a denominação "FDA", contrapondose aos Smartphones, os quais deveriam ser classificados como telefones portáteis na posição |NCM 8525.20.22 até 31 de dezembro de 2005, posteriormente convertido para o NCM 8517.12.31 18 . Não passará despercebido ao crivo desta Turma, que a posição adotada pela autoridade fiscal, encontra supedâneo em publicações "postadas" na "Wikipédia", enciclopédia digital notoriamente conhecida em razão da possibilidade de qualquer usuário, cuja intenção seja até mesmo fazer pilhéria na Internet, realizar a inclusão, modificação e exclusão de artigos e noticias sobre determinado assunto. É público e notório que a "Wikipedia" não constitui fonte de consulta confiável na WORLD WIDE WEB, sem qualquer credibilidade técnica ou cientifica. A fundamentação encontrada na fonte em referência (frisase, de credibilidade no mínimo duvidosa), vai de encontro ao próprio posicionamento da Fl. 1843DF CARF MF 12 Receita Federal do Brasil, especialmente, o da lavra da própria 7' Região Fiscal, que classifica computador de bolso com telefone integrado, fabricado pela HTC, na posição 8471.41.10, evidenciando a correta classificação fiscal dos equipamentos in foco. Nos termos da solução de consulta acima, independentemente da função de telefonia, tais equipamentos devem efetivamente ser classificados na posição. A classificação do computador de bolso se dá em virtude da capacidade de processamento de dados, sendo irrelevante a eventual integração com funções típicas da telefonia móvel celular. Além disso, a modificação da denominação de "PDA", para smattphone não ocorreu devido à função integrada de telefonia móvel, e sim, começou a ser comercialmente adotada a partir da ampliação dos serviços de transmissão de dados (principalmente envio e recebimento de emails), sendo certo que o simples nome comercial adotado, por si só, não altera a natureza do produto para efeitos de classificação fiscal. Portanto, em se tratando de computador de bolso, com ou sem o serviço de telefonia integrada, sua posição na TIPI, para efeito de classificação fiscal deve ser a 8471. Transcreve a Solução de Consulta n° 13/2009, da 4ª Região Fiscal. Transcreve a Resolução CAMEX n° 43/2009. Notese, que o primeiro critério para o enquadramento de determinado bem é a verificação da compatibilidade do item com a descrição contida em cada seção e capitulo da TEC, interpretandose em consonância com as determinações contidas nas respectivas notas explicativas. Com base em interpretação canhestra, com supedâneo em informações equivocadas obtidas em textos desprovidos de qualquer credibilidade técnica ou cientifica (extraídas do Wikipédia), e calcandose na Nota 5D do capitulo 84 da NCM, aprovada pela Resolução CAMEX n° 43/06, entendeu a autoridade fiscal, que os aparelhos importados não poderiam ser classificados no capitulo 84 da NCM. Quadra ressaltar que em verdade, o item 2 da Nota 5D inclui os aparelhos para transmissão ou recepção de voz como item "não classificável" na posição NCM 8471, todavia, o ilustre auditor fiscal não se atentou ao item 2, relativamente ao caput da nota 5D, o qual restringe a adoção da posição 8471 tão somente em relação àqueles bens que possuam isoladamente a transmissão ou recepção de voz, de forma que apenas os equipamentos que possuem única e exclusiva função de telefonia móvel, não podem ser classificados na NCM 8471. Com efeito, não se aplica a restrição em comento aos equipamentos importados pela impugnante, haja vista que possuem diversas outras funções e utilidades, prioritárias em comparação A simples função de telefonia. Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.839 13 Transcreve Notas 3 e 5 da Seção XVI da TEC. Notase, que a combinação de máquinas (assim entendidas como os bens classificados nos itens 84 e 85) em um s6 corpo deve ser classificada de acordo com a função principal que caracterize o conjunto, de forma que os equipamentos objeto da indevida reclassificação, só podem ser classificados na posição NCM 8471, utilizado para máquinas automáticas para processamento de dados, haja vista se constituírem em computadores móveis de bolso equipados com diversos recursos que pressupõem a existência de complexo e potente sistema de processamento e armazenamento de dados, a fim de possibilitar a execução de aplicativos como editor de texto, câmera fotográfica, gerenciador de email, navegador de internet, recursos multimídia, jogos, GPS, etc. Resta evidente que a função principal dos equipamentos em exame, é a alta capacidade de processamento de dados para a execução de diversas funções, assim como um computador de mesa ou lap top, sendo a função de telefone celular, apenas mais uma das diversas funções. Desta forma, utilizandose o primeiro critério para interpretação do Sistema Harmonizado, o qual prega pela harmonização entre os textos e notas da TEC atinentes As seções em que cada produto pode ser enquadrado, fica claro que a aplicação lógica das Notas 3 e 5 da Seção XVI da TEC, levam à conclusão de que a correta classificação dos computadores de bolso, é a posição NCM 8471, não havendo outras subposições cabíveis a não ser aquelas adotadas quando do registro da declaração de importação. DO RECOLHIMENTO ESPONTÂNEO REALIZADO PELA LMPUGNANTE FATO NÃO CONHECIDO PELA AUTORIDADE FISCAL No intuito de demonstrar de maneira inequívoca os pagamentos efetuados, bem como, otimizar a análise por VV. Sas., os comprovantes encontramse anexados presente peça impugnatória, fazendo referência, como elemento de identificação, à Declaração de Importação, de forma a possibilitar o confronto com os lançamentos constantes do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO elaborados pela autoridade fiscal quando da lavratura do auto de infração. O impugnante colaciona de folhas 399 a 412 do processo digital tabelas com o número da fl. do processo administrativo fiscal n°. 12466.000160/201041 (Demonstrativo de Apuração) onde se encontra o lançamento da diferença, também identificado pelo número da Declaração de Importação (DI). No intuito de demonstrar o impacto na base tributável, segue abaixo, demonstrativo do montante da diferença apurada (Impostos e contribuições), e o montante já recolhido espontaneamente, em relação a cada tributo incidente nas operações de origem. Fl. 1845DF CARF MF 14 Vale ressaltar, que o recolhimento efetuado pela Impugnante encontra amparo na denúncia espontânea regulada no artigo 138 do Código Tributário Nacional, que afasta a pecha de infração à legislação tributária. Transcreve o artigo 138 do Código Tributário Nacional. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Hugo de Brito Machado. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto: . (03 04.315, 3ª Turma, CSRF, 22/02/2005). DOS PEDIDOS Isto posto, requer: a) o RECEBIMENTO DA PRESENTE IMPUGNAÇÃO, nos termos das razões aduzidas nesta pega, nos termos do artigo 15, do Decreto n° 70,235/72, ressaltando a argüição em sede de preliminar, da sua TEMPESTIVIDADE, haja vista o flagrante vicio de notificação da Impugnante devidamente comprovado, com a conseqüente suspensão da exigibilidade do crédito, nos termos do ADNCOSIT n°.15/96; b) seja a presente impugnação RECEBIDA, CONHECIDA e TOTALMENTE PROVIDA para: b.1) DECRETAR A NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO, tendo em vista se tratar de lançamento originado em procedimento administrativo de revisão de oficio fundado em erro de direito, o que é inadmissível de acordo com a legislação em vigor, mormente os artigos 146 e 149 do Código Tributário Nacional; e b.2) caso assim não entendam VV. Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.840 15 Sas., o que se admite somente por hipótese, JULGAR ABSOLUTAMENTE IMPROCEDENTE 0 LANÇAMENTO, com fulcro nos argumentos expendidos no item 3.1. c) Por derradeiro, na remota hipótese dos pedidos acima não serem acolhidos, requer que os valores recolhidos, devidamente comprovados nos termos do item 3.2, sejam considerados, com o CANCELAMENTO dos créditos respectivos, constantes do auto de infração. O contribuinte SIMM — SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA MERCADO MÓVEL DO BRASIL S.A. foi cientificado do Auto de Infração, em 13/02/2010, via Aviso de Recebimento (folhas 353 do processo digital).(grifei) Em 03/05/2010, o contribuinte empresa SIMM foi intimado através de CARTA DE COBRANÇA, via Aviso de Recebimento (folhas 354/355 do processo digital),para efetuar o recolhimento do saldo devedor em aberto dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir do recebimento da intimação. Protocolizou impugnação, intempestivamente em 02/06/2010, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 973 à 1.000. O impugnante alegou que: DAS PRELIMINARES DA TEMPESTIVIDADE A NULIDADE DA SUPOSTA INTIMAÇÃO Consoante se verifica pela simples análise da Intimação SECAT/ALF/Porto Vitória nº 39 (fls. 349), datada de 04 de fevereiro de 2010, inferese a existência de rubrica manuscrita (em área próxima a seu rodapé) com o seguinte código alfanumérico: SL491909545BR. Em documento contido às fls. 350 encontrase o relatório de rastreamento dos Correios, supostamente relativo à correspondência por meio da qual teria sido enviada a intimação a que se refere o documento de fls. 349. Neste documento de controle de rastreamento realizado pelos Correios, apontase como data de entrega como tendo ocorrido em 13/02/2010. Nas folhas seguintes dos autos do processo em referência se encontram os "Termos de Revelia" respectivamente da MERCOCAMP COMÉRCIO INTERNACIONAL S.A. ("MERCOCAMP") — fls. 351, já devidamente qualificada nos presentes autos (fls.01), bem como da ora IMPUGNANTE (fls. 352). Ocorre que, contrariamente à cediça praxe administrativa, não foi juntado aos autos o chamado Aviso de Recebimento ("AR"), emitido e controlado pelos Correios, relativo à suposta Fl. 1847DF CARF MF 16 intimação a que se refere a correspondência SL491909545BR, apontado no documento de fls. 349. Por mais que os atos praticados pelas Autoridades Administrativas gozem presunção de veracidade e legalidade, seus atos administrativos necessitam ser detidamente comprovados, a simples menção de envio de intimação, sem qualquer documento comprobatório de seu envio (e, pior, de seu respectivo recebimento), implicaria presunção absoluta sem qualquer lastro documental, prática esta vedada pelo Direito Administrativo. Transcreve o artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto: (Ac.No 10196532, Rela. Sandra Maria Faroni); (Ac. 10194898, Rel. Paulo Roberto Cortez) e (Ac. 10246574, Rel. José Oleskovicz). Junta textos da doutrina a respeito do assunto de James Marins e de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinéz Lopes. Deste modo, não tendo sido juntado o AR pelas Autoridades Autuantes, como se poderia afirmar que a alegada correspondência (supostamente contendo a Intimação da ora Impugnante) foi efetivamente recebida no domicilio do contribuinte? Notese que não se questiona o endereço encaminhado, nem mesmo o envio de alguma correspondência que contenha o código de rastreabilidade SL491909545BR. Em vista da inquestionável ausência do AR, o que a IMPUGNANTE questiona o efetivo recebimento da referida correspondência. DA NULIDADE DO TERMO DE CIÊNCIA DO SUPOSTO REPRESENTANTE DA MERCOCAMP Reitera os argumentos já apresentados pela MERCOCAMP 8 DA IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DO LANÇAMENTO EM DECORRÊNCIA DE SUPOSTO ERRO DE DIREITO Com efeito, é cediço que o lançamento nas operações de importação é feito por homologação, modalidade na qual, nos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional ("CTN"), ocorre quanto aos tributos que a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Hugo de Brito Machado. Salientese que relativamente às importações em questão, houve efetiva verificação documental e física especificadamente em relação às seguintes DIs:05/10911620, 07/05916116, 08/04758772 e 08/07199065, submetidas aos procedimentos inerentes ao denominado "Canal Vermelho". Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.841 17 Deste modo, em decorrência de todos os elementos inerentes a apuração fiscal terem sido disponibilizados h fiscalização no momento do desembaraço aduaneiro, frisese, momento em que lhe é oferecida a possibilidade da conferência documental ou física dos bens importados (efetivamente realizado em várias DIs), naquela oportunidade é dever da Autoridade Fiscal apurar todos os elementos de fato e de direito inerentes ao lançamento, para somente após sua aferição ser adimplido o desembaraço aduaneiro. Transcreve o artigo 149 do Código Tributário Nacional. Porém, é de se notar que o artigo 149, CTN não traz nenhuma hipótese para revisão de oficio do lançamento tributário relacionada a erro de direito, como ocorre nos casos de suposto erro na classificação fiscal adotada pelo contribuinte. Em outras palavras, o mencionado dispositivo legal não autoriza que a autoridade fazendária revise o lançamento tributário com base em erro fundado pela diversa aplicação e/ou interpretação da legislação tributária pelas autoridades fazendárias em relação a tributo já homologado, como ocorre relativamente ao questionamento acerca da classificação fiscal adotada pelo contribuinte Transcreve o artigo 146 do Código Tributário Nacional. Deste modo, quando do desembaraço aduaneiro, munida de toda a documentação necessária para a aprovação de tal procedimento, a autoridade fiscal poderia muito bem ter exigido a alteração da classificação fiscal (ou ao menos questionado o importador), podendo, até mesmo, ter realizado eventual conferência física/documental de tais bens. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto. DO MÉRITO. DA CORRETA CLASSIFICAÇÃO FISCAL ADOTADA PELA IMPUGNANTE Tal como mencionado no tópico factual, durante os anos de 2005 a 2008 a IMPUGNANTE importou, por conta e ordem da MERCOCAMP, aparelhos móveis de diversos modelos da marca HTC (HIGH TEC COMPUTER). Como se verifica dos manuais juntados às fls. 202/233, tratase de efetivos computadores móveis de bolso (com ou sem teclado), possuidores das mais diversas funções, dentre as quais se encontra a função de telefone. Os mencionados aparelhos são comumente conhecidos como Personal Digital Assistant ("PDA"). Com a evolução destes equipamentos para a transmissão de dados por meio da telefonia móvel, tais computadores de bolso passaram também a serem vulgarmente conhecidos como "Smartphones". Fl. 1849DF CARF MF 18 Independente da terminologia que se dê aos computadores de bolso da HTC, certo é que tais computadores possuem diversas funções interativas, tais como sistema operacional (muitas vezes em versões muito similares aos utilizados em computadores de mesa), editores de texto, jogos, câmera fotográfica, leitores de arquivos, navegadores de Internet, gerenciador de emails, GPS, etc. Bem por isso, a IMPUGNANTE, ao importar os computadores de bolso da HTC por conta e ordem da MERCOCAMP, classificouos como máquinas digitais para processamento de dados classificados, adotandose as posições NCM 8471.41.10 4 , 8471.41.90 5 e, ainda, 8471.30.19 6 . Contudo, a R. Autoridade Autuante entendeu que a classificação fiscal adotada pela IMPUGNANTE para classificar tais equipamentos deveria ser utilizada apenas para dispositivos móveis sem a função de telefonia. Relativamente a tais equipamentos, a R. Autoridade Autuante os denominou como PDAs, contrapondose aos Smartphones, os quais deveriam ser classificados como telefones portáteis na posição NCM 8525.20.22 até 31 de dezembro de 2005, posteriormente convertido para o NCM 8517.12.31. Frisese que a suposta restrição da classificação do chamado PDA somente aos computadores de bolso sem telefonia móvel integrada está "fundamentada" em artigos e apontamentos publicados no "Wikipédia", enciclopédia digital notoriamente conhecida em razão da abertura que qualquer usuário da Internet pode realizar para a inclusão de artigos e noticias sobre determinado verbete. Em razão do inconteste e cristalino entendimento apresentado pela própria 7a Região Fiscal da RFB, que classifica computador de bolso com telefone integrado, fabricado pela HTC, na posição 8471.41.10. Transcreve a Solução de Consulta n° 338/03, 7a Região Fiscal, publicada no DOU em 10/12/2003. Fazse relevante apontar que o bem objeto da consulta foi denominado como PDA, porque à época de sua publicação (2003), pouco se comentava no mercado sobre a figura dos Smartphones. Frisese, à época da consulta a denominação comumente utilizada para tais equipamentos se restringia aos termos: PDAs, Handhelds, Palms e congêneres. Transcreve a Solução de Consulta nº 13/2009, emitida pela 4a Região Fiscal. Notese, por importante, que por ser mais recente (meados de 2009) a Solução de Consulta em questão já equipara a denominação PDA e Smartphone. Segundo este novel entendimento fiscal (que ratifica a Solução de Consulta 7a RF, no 338/2003), contrariamente ao pretendido pela D. Autoridade Autuante, verificase que inexiste qualquer diferenciação entre Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.842 19 um e outro equipamento. Seja denominado Smartphone ou PDA, tais computadores de bolso devem serem ambos apontados na posição NCM 8471. Esclarecida a infundada discriminação entre Smartphone e PDA (comprovadamente idênticos, sendo irrelevante a eventual integração de telefonia móvel), resta necessário apontar a correta interpretação decorrente da Resolução CAMEX no 43/2009. Transcreve a Resolução CAMEX no 43/2009. Baseada em interpretações equivocadas extraídas do Wikipédia, bem como fundamentandose na Nota 5D do capitulo 84 da NCM, aprovada pela Resolução CAMEX n° 43/06, entendeu a R. Autoridade Autuante que os bens importados pela IMPUGNANTE não poderiam ser classificados no capitulo 84 da NCM. Em resumo, segundo a interpretação da D. Autoridade Autuante, a Nota 5D do capitulo 84 da NCM supostamente vedaria a classificação de bens contendo a função de telefonia em qualquer posição com o inicio 8471. Nada obstante, a R. Autoridade Autuante olvidouse de interpretar o item 2 relativamente ao caput da nota 5D, o qual restringe a adoção da posição 8471 tão somente em relação àqueles bens que possuam ISOLADAMENTE a transmissão ou recepção de voz. Assim, apenas os aparelhos que apresentem, única e exclusiva função de telefonia, devem ser excluídos da posição NCM 8471. Ocorre que tal situação não é aplicável aos bens importados pela IMPUGNANTE; posto que tais bens, como já exposto, claramente possuem diversas outras funções e utilidades além da simples função de telefonia. Não é necessário grande esforço dialético para se concluir que a Nota 5D apenas exclui da posição 8471 os aparelhos de telefonia móvel que possuam (isolada e tão somente) as funções de transmissão ou recepção de voz, ainda que se utilizem de redes restritas. Transcreve as Notas 3 e 5 da Seção XVI da TEC. Como se verifica da redação das notas em comento, a combina e máquinas (assim entendidas como os bens classificados nos itens 84 e 85) em um só corpo deve ser classificada de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. Ora, os bens importados pela IMPUGNANTE, sejam eles denominados PDAs ou Smartphones, só podem ser classificados em posição NCM 8471, a qual é aplicável em relação às máquinas automáticas para processamento de dados. Isso porque, os bens importados, tal como já mencionado acima, são verdadeiros computadores móveis de bolso equipados com Fl. 1851DF CARF MF 20 diversos recursos que pressupõem a existência de complexo e potente sistema de processamento e armazenamento de dados, a fim de possibilitar a execução de aplicativos como editor de texto, câmera fotográfica, gerenciador de email, navegador de internet, recursos multimídia, jogos, GPS, etc. E notável que se não fosse a avançada central de processamento e armazenamento de dados dos bens importados pela IMPUGNANTE, tais bens não seriam hábeis a executar nenhum de seus programas e dispositivos. Nesse particular, fica facilmente perceptível que a função principal do conjunto importado pela IMPUGNANTE é a ampla capacidade de processamento de dados para a execução de diversas funcionalidades, tal como se um computador de mesa fosse; sendo que a função de telefone celular é apenas mais uma das diversas utilidades existentes em tais bens. Transcreve a Regra 3b das Regras Gerais para interpretação do Sistema Harmonizado. Uma rápida leitura do item 3b acima exposto permite concluir que, na hipótese de classificação de bens compostos por mais de um item ou produto, o critério de classificação a ser adotado deve observar a matéria ou artigo que lhe confere a característica essencial. No presente caso, a característica essencial dos bens importados pela IMPUGNANTE é a existência de um potente e compacto processador de dados, o qual permite a execução de diversos aplicativos e funcionalidades inerentes a um computador de bolso, tal como já exaustivamente mencionado. E justamente essa alta capacidade de processamento de dados que diferencia os bens importados pela IMPUGNANTE de um simples aparelho de telefonia celular, por meio do qual apenas é possível realizar e efetuar chamadas e enviar mensagens simples de texto. Portanto, em síntese do até aqui exposto, fica evidente que os aparelhos HTC importados pela IMPUGNANTE são verdadeiros computadores móveis de bolso, em que a função ou característica essencial é o processamento e o armazenamento de dados, os quais são realizados por meio de um potente processador de dados. Em conclusão, em razão de todo o exposto, não poderia a IMPUGNANTE ter classificado os bens por ela importados em qualquer item da posição NCM iniciada com 85, na qual devem ser enquadrados apenas os bens classificáveis como simples telefones celulares. Em vista de todo o acima exposto, deve ser o auto de infração ora combatido julgado integralmente improcedente. DO PAGAMENTO ESPONTÂNEO REALIZADO PELA IMPUGNANTE Reitera os argumentos já apresentados pela MERCOCAMP. DO PEDIDO Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.843 21 Diante de todo o acima exposto, antes às razões aduzidas em sede de preliminares, requer a IMPUGNANTE seja a presente pega impugnativa conhecida e recebida por inequívoca tempestividade, seja face à ausência de comprovação do envio e recebimento da intimação ao domicilio da IMPUGNANTE, seja em vista da nulidade do termo de intimação ter sido preenchido por pessoa desprovida de procuração vigente. Neste contexto, em vista da suscitação da tempestividade ser tratada em sede de preliminar, nos termos do Ato Declaratório Normativo COSIT no 15/2006, requer a imediata suspensão da exigibilidade do suposto crédito tributário objeto do lançamento ora cobatido.(sic) Requer ainda se dignem V.Sas decretar a nulidade do auto de infração lavrado, em razão da violação aos artigos 146 e 149, ambos do CTN, por ser fundamentado em suposto erro de direito. A luz do principio da eventualidade, na hipótese remota de não ser decretada a nulidade do auto de infração ora combatido, em vista de todo o acima exposto e confiante no elevado grau de justiça que sempre norteou as decisões proferidas por este D. Colegiado, requer a IMPUGNANTE que os lançamentos sejam julgados integralmente improcedentes, uma vez que decorrem de equivocada aplicação das regras de interpretação do Sistema Harmonizado, baseado em presunções sem qualquer critério técnico ou cientifico, em nítida afronta à Solução de Consulta no 338/2003 emitida pela 7a Região Fiscal (também corroborada pela Solução de Consulta no 13/2009 emitida pela 4a Região Fiscal), especifica e expressamente aplicável a equipamento fabricado pela HTC, que clara e inequivocadamente aponta tais equipamentos na posição NCM 8471, sendo irrelevante a existência de função de telefone móvel integrado. Por fim, na remota hipótese da manutenção das razões do lançamento, sejam considerados os valores comprovadamente recolhidos pela IMPUGNANTE, pagamento este realizado de forma espontânea, cujos valores foram ignorados quando da apuração do lançamento pela Autoridade Autuante. A 23ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo decidiu baixar os presentes autos em diligência, através da Resolução nº 16000.410, de 26 de fevereiro de 2014, indagando à autoridade preparadora o seguinte: 1. o quadro, presente às folhas 374 do processo digital, bem como as tabelas referentes ao processo administrativo fiscal n°. 12466.000160/201041 (Demonstrativo de Apuração), de folhas 363 a 373 do processo digital, PROCEDEM? Se procedem enquanto RECOLHIMENTO ESPONTÂNEO, o valor apontado no quadro acima pode ser exonerado do crédito tributário devido na presente autuação? 2. A informação trazida pelo impugnante empresa MERCOCAMP é pertinente? O Despachante Aduaneiro Sr. Fl. 1853DF CARF MF 22 Arles Tebaldi da Silva tomou ciência com o prazo de procuração expirado? Ou havia uma outra procuração que possibilitou essa ciência? Findada a instrução, intimouse a parte interessada, via ciência eletrônica (folhas 1.382) concedido o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, em atenção ao art. 28 da Lei No. 9.784/99 c/c art. 35, Parágrafo ùnico do Decreto 7.574/2011.(sic). A parte se manifestou no sentido de reforçar as alegações já apresentadas na impugnação. É o Relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/10/2005 Importação de aparelhos moveis da marca HTC (HIGH TEC COMPUTER) de origem chinesa (Taiwan). Até março de 2008 o importador descreviaos como "MAQUINA AUTOMÁTICA DIGITAL PARA PROCESSAMENTO DE DADOS".De abril a maio/2008 passou a denominálos "COMPUTADOR DE BOLSO POCKET PC, com classificação tributária nos códigos NCM 8471.41.10 e 8471.41.90. A mercadoria em análise é um SMARTPHONE, ou um aparelho para transmissão ou recepção de voz, de imagens ou de outros dados. O texto da Nota 5 D do capitulo 84 da NCM, aprovada pela Resolução CAMEX n°82, de 15/12/2009, exclui a classificação tributária na posição 8471. Se o equipamento possui a função de telefone, necessariamente deve ser classificado na posição 8517 por aplicação direta da Regra 1 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Em resposta à Resolução, a autoridade preparadora reconheceu que parte dos tributos devidos foram pagos espontaneamente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte MERCOCAMP COMERCIO INTERNACIONAL S/A, foi regularmente intimada da decisão de primeira instância, através da Intimação nº: 121/2015, fl.1.479, em 15/05/15, conforme TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, fl.1505. Em 18/06/15, foi lavrado o TERMO DE PEREMPÇÃO , fl.1507. Em 18/08/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl.1511, foi apresentado Recurso Voluntário de fls.1.512/1.535, com data de sua feitura em 13/08/2015, arguindo a preliminar de tempestividade do referido recurso, visto que a ciência realizada por Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.844 23 seu procurador 826.884.35787 ANGELO RAFAEL ZARDO, na data de 15/05/2015 15:44:35, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72” é absolutamente nula, eis que o procurador identificado não tem procuração específica para atuação no processo que encarta o v. Acórdão recorrido. Em 27/08/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl. 1539, foi apresentada Petição Inicial em MS nº 012388651.2015.4.02.5001, cuja autoridade coatora é o Inspetor Chefe da Alfândega do Porto de Vitória/ES, tendo como pedidos: a) que seja deferido o pedido de concessão de Liminar; para que a autoridade coatora seja obrigada a processar imediatamente o Recurso Voluntário tempestivamente protocolado, e assim, seja emitida certidão positiva com efeito de negativa(grifei) b) seja Notificada a autoridade coatora, a fim de que preste informações (...) Em 16/10/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl.1606, foi apresentado o MANDADO JUDICIAL , fls.,1607/1614, com o objetivo de notificar o Presidente do CARF da decisão judicial que INDEFERIU O PEDIDO DE LIMINAR. SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA MERCADO MOVEL DO BRASIL S.A. foi regularmente intimada da decisão de primeira instância, através da Intimação nº 122/2015, fl.1.490, em 14/05/15, conforme TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, fl.1504. Em 18/06/15, foi lavrado o TERMO DE PEREMPÇÃO , fl.1508. Em 18/09/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl.1555, foi apresentada petição para juntada de mandato procuratório. Em 19/10/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl. 1627, foi apresentado Recurso Voluntário de fls. 1.628/1.654, cujo carimbo do CAC/Paulista é 11/09/2015, fl.1628, arguindo a preliminar de tempestividade do referido recurso, pois conforme é possível verificar pela simples análise do Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (fls. 1515), datado de 14 de maio de 2015, inferese que a intimação do resultado do julgamento ora combatido foi realizado por procurador alheio à RECORRENTE, O que determinaria como termo para a propositura do presente recurso o dia 15 de junho de 2015. Acrescenta que referido procurador não possui poderes para representar os interesses da RECORRENTE nos autos do processo em epígrafe, tampouco para representar a SIMM em qualquer ato perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, de tal sorte que a contribuinte nunca teve, até o presente momento, ciência do auto aqui combatido, tornando nula a intimação via eCac. Destaca ainda que no caso em tela, a pessoa cientificada é integrante da sociedade responsável pela elaboração das demonstrações contábeis da MERCOCAMP COMÉRCIO INTERNACIONAL S.A. (doravante "MERCOCAMP"), responsável solidária no presente processo, não possuindo poderes para atuar no processo em epígrafe, tampouco para Fl. 1855DF CARF MF 24 autuar em nome da RECORRENTE. Assim, por uma falha na plataforma digital do eCac, não pode o contribuinte ser penalizado pela má gestão dos recursos digitais fornecidos pelo ente público. Em 20/10/2016, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl. 1658, a empresa MERCOCAMP, solicita a juntada das peças processuais de fls.1659/1725, entre as quais a decisão proferida no Agravo de Instrumento AO 002879052.2016.4.01.3400, que deu provimento ao agravo e suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. Em 08/11/2016, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl. 1.727, a empresa MERCOCAMP, solicita a juntada das peças processuais de fls. 1728/1816, entre as quais a decisão proferida no Agravo de Instrumento AO 002879052.2016.4.01.3400. Em 21/02/2017, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl. 1.818, são juntadas as peças de fls.1.821/1.832, tais como extrato da movimento dos processos judiciais, cópia da decisão em Agravo de Instrumento, já apresentada e um despacho da unidade ,nos seguintes termos: Atento à solicitação contida na mensagem em anexo, e à vista das demais informações obtidas junto ao sítio do TRF da 1ª Região, vide dossiê 10120.005305/101617, verifiquei que a decisão proferida no AI nº 0031670 32.2016.4.01.0000 permanece em vigor, de modo que os créditos tributários lançados no presente AI seguem alcançados pelos efeitos do disposto no art. 151, inc. IV, da Lei nº 5.172/66, razão pela qual registrei junto ao SIEF a subsistência da condição suspensiva. . É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício se refere ao recolhimento espontâneo realizado pela EMPRESA MERCOCAMP, objeto da FATO NÃO CONHECIDO PELA AUTORIDADE FISCAL, objeto da Resolução/DRJ/SPO nº 16000.410, de 26 de fevereiro de 2014, nos seguintes termos: A) Se o quadro às folhas 374 do processo digital, bem como B) as tabelas referentes ao processo administrativo fiscal nº 12466.000160/201041 (Demonstrativo de Apuração), de folhas 363 a 373 do processo digital, Procedem? C) Se procedem enquanto RECOLHIMENTO ESPONTÂNEO, D) o valor apontado no quadro acima pode ser exonerado do crédito tributário devido na presente autuação? Informa o Relatório Fiscal de fls. 1.376/1380: 1A Foi feita uma analise nos DARF papel e nos comprovantes de pagamento de DARF/ DARF SIMPLES e verificouse que PROCEDE. “Na folha 374 do processo digital” verificouse que Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.845 25 o montante apurado pela fiscalização no auto de infração condiz com o Auto de Infração e que o valor de *R$ 1.473.307,31* que a requerente diz ter recolhido espontaneamente em 29/08/2008 está bem próximo do valor apurado após levantamento feito com os comprovantes de pagamento de DARF/ DARF SIMPLES. O valor apurado foi um pouco maior, foi de R$ 1.473.311,05*. 1B Quanto as tabelas referentes ao processo administrativo fiscal nº 12466.000160/2010 41 (Demonstrativo de Apuração), de folhas 363 a 373 do processo digital verificouse que também PROCEDE, mas foi verificado um pequeno erro no valor constante para DI 08/04578405 que está no item 5.28 da folha 373 do Processo digital, pois este indicava que teve a diferença apurada para PIS no valor de R$ 330,42, enquanto no Auto de Infração a diferença apurada para o PIS é o valor de R$ 493,93 (fls. 114 do Processo digital). 1C PROCEDE QUANTO A RECOLHIMENTO EXPONTANEO. Foi verificado que os valores recolhidos foram pagos acrescidos de juros de mora com data retroativa a data do registro da DI respectiva e também que foram feitos antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, isto é, foi verificado que os pagamentos foram recolhidos em 29/08/2008, isto é, antes do RPF (com data 08/12/2009, conforme a folha 02 do processo digital), antes da intimação (com data 09/12/2009, conforme a folha 197 do processo digital) e antes do auto de infração 12446.000160/201041 (com data 20/01/2010, conforme a folha 01 do processo digital). 1D Segundo o SACAT a exoneração dos créditos em comento, através da alocação dos pagamentos aos respectivos débitos, não teria êxito caso o recolhimento seja considerado espontâneo, porque o sistema efetuaria a cobrança com incidência da multa de mora, em desacordo com os princípios da denuncia espontânea. Também não é certo que o sistema aceitaria a alocação de pagamentos anteriores à data de lavratura do auto. Quanto ao procedimento adequado para a supressão dos lançamentos, o SACAT entende ser conveniente aguardar decisão a ser proferida pelo órgão julgador, que poderá manter os créditos, extinguilos ou determinar a reforma do auto de infração. Diante da Informação Fiscal acima referida, concluiu a decisão de piso: Portanto, assiste razão aos impugnantes. Diante do exposto, no uso da competência legal, outorgada pelo inciso I do art. 61 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, com redação dada pela Lei no 9.019, de 30 de março de 1995, art. 7o, § 5o, julgase PROCEDENTE EM PARTE a impugnação constante no presente processo, MANTENDO o crédito Fl. 1857DF CARF MF 26 tributário no valor de R$ 3.765.271,92 e EXONERANDO o crédito tributário no valor de R$ 3.020.091,10. Estando comprovado o aludido recolhimento, inferese que não há reparos na decisão de piso, cujos créditos exonerados e mantidos estão demonstrados às fls.1.437/1.441, negandose portanto provimento ao Recurso de Ofício. RECURSOS VOLUNTÁRIOS Dos requisitos de admissibilidade Analisase a seguir as petições apresentadas, com o fim de conferir os pressupostos legais de admissibilidade, já que ambas as empresas apresentam preliminar de tempestividade do recurso voluntário. Empresa MERCOCAMP Conforme relatado a empresa MERCOCAMP regularmente intimada da decisão de primeira instância, em 15/05/15, conforme TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, fl.1505, apresentou em 18/08/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl.1511, Recurso Voluntário de fls.1.512/1.535, arguindo a preliminar de tempestividade do referido recurso, visto que a ciência realizada por seu procurador 826.884.35787 ANGELO RAFAEL ZARDO, na data de 15/05/2015 15:44:35, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72” é absolutamente nula, eis que o procurador identificado não tem procuração específica para atuação no processo que encarta o v. Acórdão recorrido. Em vista do TERMO DE PEREMPÇÃO, lavrado em 18/06/15, fl.1507, a empresa impetrou MS nº 012388651.2015.4.02.5001, com vistas à obtenção de liminar que determinasse o processamento "o Recurso Voluntário tempestivamente protocolado", cuja decisão foi assim prolatada: Pretende a impetrante seja reconhecida a nulidade da intimação feita ao contador da empresa impetrante, em 15/05/2015, sobre o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, bem como do Termo de Perempção lavrado em 18/06/2015, a fim de ver processado o Recurso Voluntário protocolado em 18/08/2015 para que, assim, o débito oriundo do Auto de Infração n.°07276002009009834 tenha sua exigibilidade suspensa, com a consequente emissão da certidão positiva com efeito de negativa. O deferimento do pedido liminar pressupõe os seguintes requisitos previstos no art. 70, III, da Lei n°. 12.016/2009: fundamento relevante (fumus boni iuris) e risco de ineficácia da medida (periczdum in mora). Não vislumbro a presença do primeiro requisito. As Leis n° 11.196/2005 e n° 12.865/2013, o Decreto n° 70.235/1972, e a Portaria MF n° 527/2010, que regulamentam o Processo Administrativo Fiscal a ser observado no âmbito do Ministério da Fazenda e órgãos da Receita Federal do Brasil, dispõem taxativamente que a intimação do contribuinte por meio eletrônico em procedimento administrativo fiscal somente é válida no caso de autorização expressa do sujeito passivo. Como Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.846 27 ainda literalmente previsto no art. 23 do referido Decreto n° 70.235/72, não existe preferência entre os meios de intimação pessoal, postal e eletrônica. Na hipótese, resta claro da narrativa e documentos da inicial, a inequívoca opção da impetrante para ser intimada por meio do seu endereço eletrônico e, nos termos da legislação de regência, deverá arcar com as consequências de sua escolha. Com efeito, não prospera a tese de que o profissional da empresa, certificado digitalmente, não possui poderes específicos para receber notificação eletrônica, resultando nulas as intimações realizadas pela administração fazendária. Isso porque, caberia à empresa credenciar profissional que efetivamente acompanhasse a empresa, pois não se mostra razoável pretender seja autorizada, pela Administração, uma espécie de sistema híbrido de utilização da via eletrônica, isto é, por um lado interpõe recursos, consulta andamento dos processos e manifesta ciência do que lhe convém, etc., mas, lado outro, não admite a intimação de determinados atos administrativos, exceto se por meio de procurador com poderes específicos para tanto. Aliás, sequer indica a requerente quem seria o responsável ou mesmo em que data ocorreu a ciência de ato lavrado em seu desfavor, limitando se a dizer que recentemente teve a noticia. Dessa forma, certo é que, a partir do momento em que autoriza a criação de seu endereço eletrônico por parte da RFB, por sua livre e espontânea vontade, nos termos dos normativos, a impetrante deverá orientar seus funcionários habilitados a acessar o sistema em relação as providencias a serem tomadas em relação às intimações lavradas pela RFB. Se houve eventual negligencia por parte do profissional (contador) da empresa, tal ônus não pode ser transferido Receita Federal porque, a adotar o entendimento da inicial, restaria inviabilizado o próprio funcionamento sistema eletrônico. Ressaltese que, caso a Autora não tivesse autorizado a criação de seu endereço eletrônico previamente, o setor competente da administração fazendária não conseguiria encaminhar, pela via eletrônica, a intimação dando conta do Acórdão prolatado desde 29/10/2014, nem teria lavrado e encaminhado o Termo de Perempção por ter decorrido o prazo de 30 (trinta) dias da ciência do Termo de ciência por abertura de mensagem, situação na qual estaria a Receita obrigada a realizar as intimações através da via postal. Ou seja, não há como a impetrante alegar prejuízo à sua defesa porque indubitavelmente teve ciência da intimação dos atos administrativos por via eletrônica, porém, optou por interpor o recurso somente dois meses após ter sido lavrado Termo de Perempção. No que tange à alegação de necessidade de processamento do recurso apresentado ao CARF, ainda que intempestivo, ante o Fl. 1859DF CARF MF 28 que preceitua o Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 15/96 , tenho que melhor sorte não assiste à impetrante.(grifei) Transcrevo o instrumento normativo, in verbis: (...) De fato, segundo estabelece o Ato, as defesas apresentadas "extemporaneamente" devem, sim, ser apreciadas, em caso de preliminar de tempestividade, com a devida suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Todavia, a norma é clara ao tratar da revelia e não da perempção. Estabelece que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Dessa forma, na espécie, não houve a declaração de revelia, o que conduz à lógica de prosseguir o recurso aviado, mas verificouse a própria declaração de extinção do processo administrativo fiscal. Posto isso, por entender ausente o requisito da prova inequívoca da verossimilhança da alegação, INDEFIRO o pedido de liminar.(grifei). Ante o exposto, depreendese que a questão relativa à preliminar de tempestividade suscitada na petição de fls.1.512/1.535, posta na via administrativa está submetida ao crivo do Poder Judiciário, já que expressamente analisada na peça decisória acima demonstrada. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já sumulou a questão, nos seguintes termos: "SÚMULA CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, referida matéria está normatizada pelo Parecer Normativo RFB nº 7, de 22 de agosto de 2014, DOU de 27.8.2014, cuja conclusão a seguir se transcreve apenas como reforço argumentativo sobre o alcance e consequências da concomitância de pedidos: 55. Desse modo, considerando que os arts. 1º, § 2º, do Decreto nº 1.737/1979, e 38, § único, da Lei nº 6.830/80, tem como único objetivo conferir eficácia ao princípio da economia processual, concluise que o não reconhecimento da concomitância pelo CARF resultará numa decisão administrativa prejudicada, redundante e inútil, após a prolação da sentença contrária de mérito no processo judicial que trate da mesma relação jurídica. Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.847 29 56. Repetindo: o não reconhecimento da concomitância tornará o julgamento administrativo desnecessário e inútil naquilo que for contrário à decisão de mérito do Poder Judiciário, simplesmente porque a coisa julgada judicial faz lei entre as partes em caráter definitivo e sua eficácia (ex tunc) não está condicionada ao resultado do julgamento do processo administrativo (arts. 467 e 468 do CPC). A decisão judicial de mérito passada em julgado tem como atributos especiais a indiscutibilidade, a imutabilidade e a coercibilidade, o que obriga o seu cumprimento pela autoridade administrativa, ainda que exista acórdão do CARF em sentido contrário.(gn) Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; Como bem ressaltou o i.magistrado, não há como a impetrante alegar prejuízo à sua defesa porque indubitavelmente teve ciência da intimação dos atos administrativos por via eletrônica, porém, optou por interpor o recurso somente dois meses após ter sido lavrado Termo de Perempção e ainda, [No que tange à alegação de necessidade de processamento do recurso apresentado ao CARF, ainda que intempestivo, ante o que preceitua o Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 15/96 , tenho que melhor sorte não assiste à impetrante.] Pelo que está posto, deixase de conhecer da preliminar de tempestividade, visto que a matéria foi submetida ao Poder Judiciário, conforme acima delineado. SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES A empresa SIMM, regularmente intimada da decisão de primeira instância, em 14/05/15, conforme TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, fl.1504, apresenta em 19/10/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl. 1627, Recurso Voluntário de fls. 1.628/1.654, cujo carimbo do CAC/Paulista é 11/09/2015, fl.1628, arguindo a preliminar de tempestividade do referido recurso, visto que a intimação do resultado do julgamento , conforme análise do Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (fls. 1515), datado de 14 de maio de 2015, foi realizado por procurador alheio à RECORRENTE, O que determinaria como termo para a propositura do presente recurso o dia 15 de junho de 2015. Cumpre destacar as disposições previstas no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, quanto às formas de intimação e a efetivação destas para fins de contagem dos prazos processuais: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 1861DF CARF MF 30 (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.848 31 I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)(grifei) Observese que no caso em exame, quando de opção do Contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE (ciência pelo eCAC), constam no processo as informações acerca do TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM”, fl. 1.504, conforme disciplina o inciso III, alínea "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito, quando efetivamente ocorrido o referido evento, conforme se constata pela transcrição do citado termo: PROCESSO/PROCEDIMENTO: 12466.000160/201041 INTERESSADO: 05521163000133 MERCOCAMP COMERCIO INTERNACIONAL S/A DESTINATÁRIO: 06964587000488 SIMM SOLUCOES INTELIGENTES PARA MERCADO MOVEL DO BRASIL S.A. TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM O destinatário teve ciência dos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 14/05/2015 15:51:41, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72. Data do registro do documento na Caixa Postal: 14/05/2015 13:38:07 Acórdão de Impugnação Documentos Diversos Outros Demonstrativos II exonerado x mantido Documentos Diversos Outros Demonstrativo IPI exonerado x mantido Documentos Diversos Outros Demonstrativo COFINS exonerado x mantido Documentos Diversos Outros Demonstrativo PIS exonerado x mantido. Intimações Outros 122/2015 SIMM No presente caso , estando demonstrado que o sujeito passivo tomou ciência do Acórdão de Impugnação no dia 14/05/2015 (quintafeira), pela abertura dos arquivos correspondentes, situação prevista no art. 23, § 2º, III, "b" do Decreto nº 70.235, de 1972, tem se assim iniciada a contagem no dia 15/05/2015 (sextafeira) e finda em 15/06/2015 (segunda feira), como ratifica a própria recorrente, o Recurso Voluntário de fls. fls. 1.628/1.654, apresentado tão somente em 11/09/2015, conforme comprova o carimbo do CAC/Paulista, fl.1628, é extemporâneo ao prazo legal estabelecido no art. 56 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim prevê: Fl. 1863DF CARF MF 32 Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de 30 (trinta) dias, contados da ciência. Cabe ressaltar que o exame do recurso voluntário compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, quando interposto contra decisão das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, inclusive quanto à tempestividade do recurso. Nesse mister, por força das disposições do 1art. 35 do já citado Decreto nº 70.235, de 1972, o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Com efeito, tratandose a contagem dos prazos processuais, de regras objetivas e sistematizadas no Decreto nº 70.235, de 1972, como acima exposto, inexistindo neste caso controvérsia quando às datas acima destacadas, visto que a própria recorrente reconhece que o dia 15/06/2015 (segundafeira), é o 30º dia para apresentação tempestiva do recurso, cabe então avaliar a nulidade do TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, fl. 1.504, visto que argui a empresa que a ciência realizada em 14/05/2015, foi efetuada por procurador alheio à RECORRENTE. Repisando o já citado § 4º do art. 23. Decreto nº 70.235, de 1972, verificase a seguinte disposição: § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)(grifei) Observese que a legislação processual tributária admite que os atos e termos processuais possam ser encaminhados de forma eletrônica ou apresentados em meio magnético ou equivalente, estando a prática de tais atos e termos processuais em forma eletrônica, bem como a digitalização e armazenamento de documentos digitais no âmbito do Ministério da Fazenda, disciplinada pela Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010: (...) Art. 3º Será considerada como data de protocolo da impugnação, do recurso e dos documentos apresentados eletronicamente a data e hora de recebimento dos dados pelo centro virtual dos órgãos do MF disponível na Internet. § 1º O recebimento pelo centro virtual a que se refere o caput será efetuado das 8 às 20 horas, horário de Brasília. § 2º A tempestividade da impugnação ou do recurso será aferida pela data e hora referida no caput. Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pelo órgão competente do MF mediante: 1 Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 12466.000160/201041 Acórdão n.º 3302005.372 S3C3T2 Fl. 1.849 33 I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a caixa postal a ele atribuída pela Administração Tributária e disponibilizada no centro virtual na Internet, desde que o sujeito passivo expressamente autorize. § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo aos órgãos competentes do MF de Termo de Opção, por meio do centro virtual, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico.(grifei). Observase que a recorrente ao questionar a referida nulidade não infirma a sua opção pelo domicílio tributário, não existindo dúvida no processo quanto ao envio da Intimação nº 122/2015, fl.1.490 e documentos anexados, tal como o Acórdão de Intimação, ao seu domicílio tributário eletrônico eleito, inexistindo na regra posta, condições para a efetividade da intimação, exceto a expressa autorização do sujeito passivo e essa não foi questionada, logo se a caixa postal do referido sujeito foi acessada por pessoa não autorizada pela referida empresa, essa é uma questão administrativa, de controle interno da empresa, sem qualquer efeito sobre a efetividade da intimação pela RFB, visto que referida instituição observou as disposições legais do inciso III, do art. 23. Decreto nº 70.235, de 1972, notadamente as disposições do § 4º, para efetuála. Por oportuno, tomo de empréstimo a fundamentação da decisão proferida no MS nº 012388651.2015.4.02.5001, acima já destacado, repisandose apenas a parte de interesse: não prospera a tese de que o profissional da empresa, certificado digitalmente, não possui poderes específicos para receber notificação eletrônica, resultando nulas as intimações realizadas pela administração fazendária. Isso porque, caberia à empresa credenciar profissional que efetivamente acompanhasse a empresa, pois não se mostra razoável pretender seja autorizada, pela Administração, uma espécie de sistema híbrido de utilização da via eletrônica (...) certo é que, a partir do momento em que autoriza a criação de seu endereço eletrônico por parte da RFB, por sua livre e espontânea vontade, nos termos dos normativos, a impetrante deverá orientar seus funcionários habilitados a acessar o sistema em relação as providencias a serem tomadas em relação às intimações lavradas pela RFB. Se houve eventual negligencia por parte do profissional (contador) da empresa, tal ônus não pode ser transferido Receita Federal porque, a adotar o entendimento da inicial, restaria inviabilizado o próprio funcionamento sistema eletrônico. (...) Fl. 1865DF CARF MF 34 Ressaltese que, caso a Autora não tivesse autorizado a criação de seu endereço eletrônico previamente, o setor competente da administração fazendária não conseguiria encaminhar, pela via eletrônica, a intimação dando conta do Acórdão(grifei). Pelos fundamentos acima, não se vislumbra a nulidade arguida, visto que a intimação por meio eletrônico do Acórdão de Impugnação observou a norma processual de regência, nos termos acima ressaltados. Assim, por se tratar de pleito intempestivo, não há como se vislumbrar a abertura da via recursal à interessada. Ante o exposto, com base nos fundamentos acima expostos, voto: 1) POR NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO; 2) POR NÃO CONHECER da preliminar de tempestividade do Recurso Voluntário, apresentado pela empresa MERCOCAMP, em virtude da concomitância da matéria e respectiva renúncia à via administrativa; 2) POR CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário, apresentado pela empresa SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES, E NA PARTE CONHECIDA, relativa à preliminar de tempestividade, negarlhe provimento. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 1866DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721246/2015-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, em sobrestar o julgamento; retornando os autos à DRF de origem para aguardar a decisão definitiva quanto aos processos nº 16561.720070/2014-76 e 16561.720147/2014-16, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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Resolvem os membros do colegiado, em sobrestar o julgamento; retornando os autos à DRF de origem para aguardar a decisão definitiva quanto aos processos nº 16561.720070/201476 e 16561.720147/201416, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Adotase o relatório da decisão de primeira instância, com os complementos necessários: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .7 21 24 6/ 20 15 -6 3 Fl. 3816DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratase da manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório da DRF Bauru (SP) que indeferiu o pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2011 e não homologou as compensações relacionadas ao crédito. O pedido de restituição foi formulado no PER/DCOMP 40794.35869.240712.1.2.023067, pelo valor de R$ 15.139.286,35. O saldo negativo foi obtido a partir de retenções de imposto de renda na fonte, das quais, registramse como de maior relevância as realizadas por Usina Barra Grande de Lençóis e Açucareira Zillo Lorenzetti, nos valores de R$ 11.995.212,97 e R$ 4.055.364,83. A incidência tributária deveuse à remuneração de debêntures adquiridas por Companhia Agrícola Luiz Zillo e Sobrinhos e Companhia Agrícola Zillo Lorenzetti, sociedades incorporadas pela interessada. Todas as empresas citadas – inclusive a interessada – eram ou foram integrantes do mesmo grupo econômico. A DRF Bauru não reconheceu o saldo negativo em face de as retenções na fonte terem sido realizadas sobre operações inoponíveis ao fisco. A decisão sofreu reflexo dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), lavrados contra as emissoras das debêntures, visando a retirar os efeitos tributários dos títulos. As autuações são conduzidas nos processos administrativos 16561.720147/201416 e 16561.720070/201476. A fiscalização reputou que as operações com debêntures seriam desprovidas de substrato negocial e objetivariam a redução drástica do pagamento de tributos. No entender fiscal, somente o fato de emitentes e subscritoras serem empresas pertencentes aos mesmos sócios justificaria a emissão das debêntures, uma vez que não houve captação de recursos novos, os acertos de direitos e obrigações entre as partes ocorreram sem transferência de recursos (por mero encontro de contas) e a remuneração dos títulos se deu, além dos juros de 12% a.a., pela elevada participação nos lucros no percentual de 50%. Segundo a unidade fiscal, a vantagem tributária para as emissoras dos títulos dar seia pela redução das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, decorrentes de despesas registradas com a remuneração dos títulos, bem como pela não tributação dos prêmio na emissão dos títulos (art. 442, III, do RIR/99); e, para a sucessora das debenturistas, pelo impacto tributário nulo representado pelas remunerações, uma vez que habitualmente apresenta resultado negativo em suas atividades e tem prejuízo ou base de cálculo negativa a compensar (atividade rural não se submete à trava dos 30%), e pela possibilidade de amortizar prêmio pago na aquisição das debêntures. A DRJ Belo Horizonte indeferiu as impugnações apresentadas pela emitente (contribuinte) e adquirente (responsável, sucedida pela interessada) para cancelar os lançamentos. As autuadas impetraram recursos voluntários ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Tais recursos encontramse pendentes de julgamento. Nos termos do despacho decisório recorrido, a glosa do imposto de renda retido na fonte deduzido do IRPJ pela contribuinte na declaração do anocalendário 2011 foi consequência lógica da desconsideração das operações com debêntures. Ademais, a unidade fiscal alertou para possível duplicidade na utilização dos valores recolhidos, tendo em conta que as empresas autuadas (emissoras das debêntures) pleitearam o expurgo das quantias retidas nas impugnações aos autos de infração. Assim, as Fl. 3817DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 4 3 compensações não foram homologadas em razão do descumprimento dos requisitos do art. 170 do CTN (liquidez e certeza do crédito). A analista do crédito consignou que a compensação do lucro da atividade geral com prejuízos fiscais da mesma atividade, oriundos de períodos anteriores, no valor de R$ 1.806.803,58, excedeu a disponibilidade de R$ 351.793,23, controlada pelo sistema SAPLI (fls. 715/717). Com isso, o lucro real e, consequentemente, o imposto de renda devido teriam sido reduzidos irregularmente. A interessada foi intimada do despacho decisório em 27/5/16 e apresentou manifestação de inconformidade em 27/6/16. Inicialmente, a autuada esclarece ter cometido erro formal na DIPJ, ao informar que a compensação de prejuízos fiscais foi realizada integralmente com o saldo existente da atividade geral, de R$ 1.806.803,58: o Lalur comprova o aproveitamento do saldo de R$ 351.793,23 dos prejuízos fiscais das demais atividades e R$ 1.455.010,35 dos prejuízos fiscais da atividade rural. A contribuinte pede o reconhecimento da integralidade do crédito pleiteado e a homologação das compensações. Supletivamente, requer o desmembramento do processo e posterior reunião aos de número 16561.720147/201416 e 16561.720070/201476, de acordo com as respectivas proporções, de forma a possibilitar o julgamento conjunto das demandas, porque discutiriam o tratamento a ser dado às mesmas operações com debêntures das quais participaram pessoas incorporadas por ela. Quanto ao menos, requer o sobrestamento deste processo até o julgamento definitivo dos processos 16561.720147/201416 e 16561.720070/201476. As razões da inconformidade são, basicamente, estas: a) o saldo negativo apurado é regular e independe da desconsideração dos efeitos fiscais das debêntures; b) a decisão deste litígio é reflexo do resultado consignado para os autos de infração; c) a regularidade dos efeitos fiscais das transações com debêntures só poderia ser questionada até 2007, uma vez que os títulos foram emitidos no ano de 2002 (decadência, conforme art. 150, § 4º, do CTN); d) as justificativas para o indeferimento da restituição e compensações não demonstram a prática de operações abusivas, uma vez que não foi avaliado se as debêntures serviram ao financiamento das atividades produtivas da emissora e se o prêmio pago e percentual de participação nos lucros não se justificavam economicamente, considerando o retorno esperado com o montante recebido, além de não ter sido comparada a redução da carga tributária mediante financiamento via debêntures com participação no lucro (DPL) face a obtenção de empréstimo bancário ou pagamento de juros sobre o capital próprio; e) a transação praticada tem fundamentos econômicos, pois os parâmetros definidos na emissão das debêntures e os valores pagos em resgate à debenturista são explicáveis, comutativos e inferiores aos custos de um financiamento perante instituição independente ou por pagamento de juros sobre o capital próprio, ao passo que a transação também foi lucrativa para a requerente; f) as autoridades fiscais são incompetentes para qualificarem atos jurídicos como abusivos ante a ausência da regulamentação do art. 116, parágrafo único, do CTN; e g) transcorreu o prazo fixado no direito civil para anulação de atos considerados abusivos. Fl. 3818DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 5 4 Pela referida decisão, a manifestação de inconformidade foi considerada improcedente, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2011 REUNIÃO DE PROCESSOS. AUTOS DE INFRAÇÃO DE IRPJ E CSLL E RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. TITULARES DIFERENTES. QUESTÕES DE FUNDO SIMILARES. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal não prevê a reunião de processo de exigência tributária de IRPJ com de restituição/compensação de saldo devedor de IRPJ, sobretudo quando são distintos os titulares e porque já houve julgamento em primeira instância. SOBRESTAMENTO DE PROCESSO. Não há autorização legislativa para o sobrestamento do processo administrativo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2011 DECADÊNCIA. FATOS COM REPERCUSSÃO EM PERÍODOS FUTUROS. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes envolvidas, não possuindo caráter normativo, exceto nos casos previstos em lei. DEBÊNTURES. ATOS CONSIDERADOS ABUSIVOS. DESCARACTERIZAÇÃO DE OPERAÇÕES. São inoponíveis ao fisco as operações com debêntures realizadas apenas entre empresas do mesmo grupo, sem captação efetiva de recursos novos, dissociada de realidade negocial efetiva e levada a efeito em condições anormais e não usuais, com o objetivo de eliminar a incidência dos tributos incidentes sobre o lucro. RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO BASEADA EM REMUNERAÇÃO CUJA CAUSA FOI DESCONSIDERADA. PAGAMENTO SEM CAUSA. TITULARIDADE SOBRE EVENTUAL CRÉDITO. Com a descaracterização dos efeitos da operação sobre a qual se baseou a retenção de imposto de renda na fonte, o pagamento deve ser considerado sem causa, passível de tributação por alíquota diferenciada, tributação exclusiva na fonte e base de cálculo reajustada. Na hipótese de existir eventual indébito, o titular para reivindicálo seria a fonte pagadora. Protocolado o competente Recurso Voluntário, foi alegado, em apertada síntese: Fl. 3819DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 6 5 Regularidade do saldo negativo apurado independentemente da desconsideração dos efeitos fiscais das debêntures. Admitindose, somente para argumentar, que as debêntures em exame deveriam ter o seu tratamento fiscal afastado a partir dos elementos expostos, mesmo assim é inafastável o direito ao saldo negativo. Afinal, a Recorrente recebeu rendimentos tributados na fonte como antecipação do devido e no encerramento do período não tinha IRPJ a recolher em razão de o lucro apurado ser compensável com prejuízo fiscal sem o limite de 30%, como faculta a própria legislação. Decadência. Impossibilidade de o Fisco impugnar as operações mais de 5 anos após terem sido realizadas, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. As debêntures resgatadas em 2011 foram emitidas em 2002. Logo a regularidade dos efeitos fiscais da transação só poderia ser questionada até 2007 e não como feito em 2016 por meio do despacho decisório inicialmente recebido. Reunião do presente feito ao processo originário dos autos de infração em que glosadas as despesas com as debêntures. Na eventualidade de os argumentos anteriores não serem acatados, requerse a reunião do presente feito com os PA’s ns. 16561.720147/201416 e 16561.720070/201476 – decorrente dos AIs com as glosas das despesas com as debêntures pois ambos tratam da mesma transação e, se decididas separadamente, correse o risco de se ter conclusões diversas, o que é injustificável. Quando menos, deve ser sobrestada a solução do presente litígio até que sejam encerrados os PAs ns. 16561.720147/201416 e 16561.720070/201476, na medida em que esses constituem feitos principais, enquanto o presente qualificase como reflexo. A solução que vier a ser dada no processo principal vinculará o resultado do presente, que trata de um reflexo (saldo negativo fruto de IRRF) da transação lá impugnada. Inexistência de operação abusiva. Ausência de demonstração da prática de operação abusiva. Os elementos levantados não se mostram hábeis e suficientes a autorizar a conclusão adotada, no sentido de que teria se dado a prática de operações abusivas. Para que pudesse realizar tal avaliação, seria necessário verificar/avaliar: (1) se as debêntures serviram ao financiamento das atividades produtivas da emissora; (2) se o prêmio pago e o percentual de participação nos lucros não se justificavam economicamente, bem como confrontar o retorno esperado com o montante recebido; e (3) se houve redução de carga tributária, a partir de demonstração comparativa, com a opção pelo financiamento via DPLs, ao invés de obtenção de empréstimo bancário ou JCPs. Nenhuma das medidas descritas foi adotada no caso concreto, o que era imprescindível. A título de homologar o saldo negativo, o despacho e a DRJ se apressaram em concluir pela existência de operação abusiva tão só em razão de a emissora e emitente possuírem os mesmos acionistas, as debêntures preverem remuneração parcial em lucros e a Recorrente, sucessora por incorporação da subscritora original, possuir resultados fiscais negativos passíveis de compensação sem a necessidade de observância da trava de 30%, circunstâncias insuficientes para servirem de motivação à glosa realizada; e A transação praticada tem fundamentos econômicos. Os parâmetros Fl. 3820DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 7 6 definidos na emissão das debêntures e os valores pagos à debenturista em resgate são explicáveis, comutativos e inferiores aos custos que seriam incorridos caso houvesse a opção pela obtenção de financiamento junto à instituição independente ou pelo pagamento de juros sobre o capital próprio. Do lado da Recorrente, a transação foi igualmente lucrativa. Logo, o tratamento tributário aplicado configura exercício regular de direito. Impossibilidade de desconsideração dos efeitos fiscais ao argumento da ocorrência de abuso de direito. Incompetência das autoridades fiscais para qualificarem atos jurídicos como abusivos ante a ausência da edição de lei regulamentando o artigo 116, parágrafo único, do CTN. Ainda que representassem abuso de direito, assunção aceita unicamente a título de argumentação, as operações não poderiam ser impugnadas sob tal fundamento, na medida em que a Lei Complementar 104/01, que introduziu o parágrafo único ao artigo 116 do CTN justamente com o objetivo de afastar os efeitos fiscais de operações abusivas, é norma de eficácia limitada, dependente de regulamentação por lei ordinária inexistente até o presente. Impossibilidade de qualificação das operações como abusivas com fundamento na legislação de direito privado. Transcurso do prazo prescricional fixado. Mesmo que pudessem ser classificadas como abuso de direito, tal como disciplinado no direito privado, ilação admitida tão só para argumentar, as operações avaliadas não permitiriam a glosa dos créditos realizada, haja vista o transcurso do prazo, igualmente fixado no direito civil, para a anulação de atos abusivos. Existência de prejuízos fiscais no montante de R$ 1.806.803,58, suficiente a autorizar a dedução no lucro tributável e a regularidade da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. Admissibilidade. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Preliminar. Conexão. Informa a recorrente que existem dois processos em face de Açucareira Zillo Lorenzetti S.A e Usina Barra Grande de Lençóis S.A., respectivamente, nº 16561.720070/201476 e nº 16561.720147/201416, decorrentes de Autos de Infração relativos às glosas das despesas com as debêntures. Nesses dois processos, a recorrente foi arrolada com responsável solidária. Fl. 3821DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 8 7 Argumenta que aqueles, assim como este processo, "tratam da mesma transação e, se decididas separadamente, correse o risco de se ter conclusões diversas, o que é injustificável". Pugna pela reunião dos feitos ou, "quando menos, deve ser sobrestada a solução do presente litígio até que sejam encerrados os PAs ns. 16561.720147/201416 e 16561.720070/201476, na medida em que esses constituem feitos principais, enquanto o presente qualificase como reflexo. A solução que vier a ser dada no processo principal vinculará o resultado do presente, que trata de um reflexo (saldo negativo fruto de IRRF) da transação lá impugnada". Na decisão de primeira instância, com base na Súmula nº 235 do Superior Tribunal de Justiça, no artigo 11 da Lei nº 9.784 e nos artigos 1º e 2º da IN RFB 666/2008, substituída pela IN RFB nº 356/2016, assim se pronunciou o relator: O Código de Processo Civil (CPC) expressa que duas ou mais ações são entendidas como conexas quando o pedido ou a causa de pedir lhes forem comuns (art. 55). Assim, a conexão permitiria deslocar a competência relativa originária de um juízo para outro, desde que não haja julgamento prévio de um deles, como orienta súmula do STJ: Súmula 235. A conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi julgado. Os dois autos de infração já foram julgados pelas DRJ Rio de Janeiro e Belo Horizonte e aguardam decisão do Carf, em sede de recurso voluntário. Dessa forma, não seria possível realizar a reunião dos processos, sob o prisma do CPC. As regras do CPC somente são aplicáveis supletivamente ao processo administrativo fiscal quando nenhuma norma disponha explicitamente sobre o tema. Para o caso, no entanto, há normas específicas contempladas no processo administrativo fiscal. A Lei 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo da administração pública federal, assim dispõe: Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos. Por sua vez, a Portaria RFB 666/08 estabeleceu: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: [...]II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a não homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo Fl. 3822DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 9 8 dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; V as multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada. [...]Art. 2º Os autos serão apensados nos seguintes casos: I recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada e ao lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; ou (Redação dada pela Portaria 2.324/10.) II recurso hierárquico relativo ao indeferimento de pedido de retificação, cancelamento ou desistência de Pedido de Restituição ou Ressarcimento e de Declaração de Compensação e à manifestação de inconformidade contra indeferimento do Pedido de Restituição ou Ressarcimento ou a não homologação da Declaração de Compensação originais."(NR) (Redação dada pela Portaria 2.324/10.) III de exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes às Contribuições Previdenciárias e àquelas relativas a terceiros. [...]A Portaria RFB 354/16 substituiu a Portaria RFB 666/08 a partir de 14/3/16, sem promover alterações substanciais a influenciar no presente caso. Como visto, a legislação do processo administrativo fiscal não determinou a reunião dos processos tal como pleiteado pela recorrente. Por outro lado, não há vinculação desta decisão em relação aos acórdãos proferidos pelas DRJ Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Ainda que a peticionária tenha figurado com responsável solidária naqueles processos e as causas sejam relacionadas (insubsistência das debêntures), as partes são distintas e os objetos também. Igualmente não há autorização legislativa para o sobrestamento do processo administrativo. Quanto à reunião destes autos com os dos outros dois processos, nenhum reparo merece a decisão de piso, haja vista eles terem como sujeitos passivos pessoas jurídicas diversas (muito embora o arrolamento da recorrente como responsável solidária nestes últimos). Contudo, em que pese o brilhante voto do i. relator da decisão de piso, não há como não se reconhecer a questão da prejudicialidade. Se nos processos em que glosadas as despesas com as debêntures houver decisão em favor dos sujeitos passivos, o IRRF que compôs o saldo negativo considerado como crédito no presente processo há de ser reconhecido e homologadas as compensações até o limite do crédito. Se, noutro rumo, a decisão for contrária aos sujeitos passivos, a discussão se instaura em torno das alegações do recurso voluntário que não restarem prejudicadas. Fl. 3823DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 10 9 Cabe a citação da declaração de voto emitida pelo julgador Leomar Wayerbacher relativamente ao julgamento do presente processo na DRJ/POA: Esta declaração de voto destinase a registrar divergência em relação ao entendimento adotado no voto do relator de que (i) a autonomia de escopo havida entre o presente litígio e aqueles que foram objeto de apreciação pretérita pelas DRJ Belo Horizonte e Rio de Janeiro (ii) autoriza a apreciação, pela 1ª Turma da DRJ/POA, dos argumentos apresentados pela interessada em defesa da regularidade das operações de resgate de debêntures, que teriam originado o crédito tributário de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF em discussão nos presentes autos. Salvo melhor juízo, entendo que a discussão atinente à desconsideração de efeitos, para fins tributários, das operações de emissão e resgate de debêntures formalizadas pelas empresas Usina Barra Grande de Lençóis e Açucareira Zillo Lorenzetti (i) representam um antecedente lógico (uma questão prejudicial) em relação à discussão sobre a origem do crédito de IRRF reclamado nos presentes autos, (ii) cuja solução, no âmbito da primeira instância administrativa, já ocorreu no contexto do julgamento das impugnações apresentadas contra os lançamentos de ofício realizados contra as empresas emissoras das debêntures, (iii) sendo portanto insuscetível de nova apreciação na primeira instância administrativa. Conforme orientação recentemente introduzida pelo art. 503 do novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16/03/2015) – que é aplicável subsidiariamente no âmbito do processo administrativo fiscal –, a eficácia da coisa julgada passa a abarcar não apenas os limites “da questão principal expressamente decidida” (ver texto do art. 503, transcrito abaixo), mas também “à resolução de questão prejudicial, decidida expressa e incidentalmente no processo”, se “dessa resolução depender o julgamento do mérito”. Senão, vejamos o inteiro teor do citado art. 503: Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. § 1º O disposto no caput aplicase à resolução de questão prejudicial, decidida expressa e incidentemente no processo, se: I dessa resolução depender o julgamento do mérito; II a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de revelia; III o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvêla como questão principal. Entendo que a situação ora enfrentada subsumese, precisamente, a essa hipótese normativa, como fica flagrante no seguinte encadeamento: (i) os lançamentos de ofício pretéritos tiveram por objeto a análise da validade e eficácia de negócios jurídicos formalizados em torno da suposta emissão de debêntures por parte das pessoas jurídicas Usina Barra Grande de Lençóis e Açucareira Zillo Lorenzetti; (ii) a autoridade lançadora concluiu pela ocorrência de planejamento tributário abusivo, desconsiderou os efeitos dessas operações para fins tributários, constituiu o crédito tributário em relação às pessoas jurídicas Usina Barra Grande de Lençóis e Açucareira Zillo Lorenzetti (emitentes das debêntures), aplicou multa de ofício Fl. 3824DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 11 10 qualificada e classificou a pessoa jurídica Companhia Agrícola Quatá como responsável tributário, em face do interesse comum havido em relação aos fatos (hipótese do art. 124, I, do CTN); (iii) os autos de infração foram contestados pelas interessadas, que alegaram a regularidade dos negócios jurídicos; (iv) no julgamento do mérito, as DRJ Belo Horizonte e Rio de Janeiro acataram a tese da fiscalização e concluíram pela desconsideração de efeitos dos atos praticados pelos respectivos sujeitos passivos, mantendo a aplicação da multa qualificada, em face da constatação de dolo; (v) as conclusões firmadas naqueles processos repercutem diretamente no julgamento do presente feito, visto que o crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF reclamado pela Companhia Agrícola Quatá é derivado de retenções de imposto de renda levadas a efeito pelas pessoas jurídicas Usina Barra Grande de Lençóis e Açucareira Zillo Lorenzetti, cuja causa estaria pretensamente atrelada ao suposto resgate das debêntures. Nesse contexto, e à luz do referido art. 503 do CPC, entendo que não é possível à DRJ/POA concluir em sentido diverso das DRJ congêneres, no que se refere à desconsideração dos efeitos, para fins tributários, dos negócios jurídicos envolvendo a emissão de debêntures pelas pessoas jurídicas Usina Barra Grande de Lençóis e Açucareira Zillo Lorenzetti. Essa matéria já foi objeto de decisão anterior na primeira instância administrativa, sendo suscetível de reforma somente no âmbito do CARF, a quem cabe a apreciação do recurso voluntário apresentado pelas partes, nos respectivos processos. Assim sendo, e em que pese concordar integralmente com as conclusões adotadas pelo relator quanto à apreciação do tópico “Operações com debêntures” – que, aliás, estão inteiramente alinhadas com o decidido anteriormente pelas DRJs Belo Horizonte e Rio de Janeiro –, entendo que cumpre à DRJ/POA – especificamente quanto a esse tópico – manifestar que a resolução da questão prejudicial já foi exaurida na primeira instância administrativa, cabendo tãosomente prosseguir no julgamento das demais questões levantadas pela interessada. Além de todo o arrazoado supra, temse que, na impugnação relativa aos autos de infração (processos nº 16561.720147/201416 e nº 16561.720070/201476) foi pedida a compensação do IRRF com o IRPJ e a CSLL lançados de ofício. Vejase: Processo nº 16561.720147/201416. Relatório do acórdão de impugnação juntado às fls. 2.015 a 2.030: que “é descabida, por incongruente, a requalificação fiscal feita, no sentido de tratar as remunerações pagas como distribuição de lucros, na medida em que a CAQ não era sócia da Impugnante”, mas que, ainda que fosse este o caso, “o IRRF em nome da CAQ deve ser compensado com o IRPJ e a CSLL lançados de ofício, na medida em que, assim como os dividendos pagos, não representam despesas dedutíveis, tampouco configuram rendimentos tributados”; (Grifo acrescido) Processo nº 16561.720070/201476. Relatório do acórdão de impugnação juntado às fls. 2.956 a 2.975: Fl. 3825DF CARF MF Processo nº 10825.721246/201563 Resolução nº 1201000.325 S1C2T1 Fl. 12 11 4.6. Incongruência da requalificação feita pela Fiscalização. Impossibilidade de ser dado o tratamento de distribuição de lucros. Ao menos, deveria haver a compensação do IRPJ e da CSLL lançadas de ofício com IRRF recolhido sobre as remunerações pagas ao debenturista. (Grifo acrescido) É muito provável (praticamente certo) que esses pedidos também tenham sido veiculados no recurso voluntário. Conclusão. Em face do exposto, voto pelo sobrestamento do presente feito, retornando os autos à DRF da circunscrição do sujeito passivo para que seja aguardada a decisão definitiva quanto aos processos nº 16561.720070/201476 e nº 16561.720147/201416. Não mais cabendo recurso administrativo relativamente aos citados processos, os acórdãos relativos aos recursos neles interpostos deverão ser juntados a estes autos, com o retorno ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 3826DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.902501/2010-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
Ementa:
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO.
O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo da Cofins apurada no regime não cumulativo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-004.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Henrique Mauri, que negava provimento.
José Henrique Mauri - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1363; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 253 1 252 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.902501/201086 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.396 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2018 Matéria COFINS Recorrente ATORAG PARTICIPAÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo da Cofins apurada no regime não cumulativo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Henrique Mauri, que negava provimento. José Henrique Mauri Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 25 01 /2 01 0- 86 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11080.902501/201086 Acórdão n.º 3301004.396 S3C3T1 Fl. 254 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 213 a 226) interposto pelo Contribuinte, em 30 de setembro de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1046.162 (fls. 200 a 208), de 5 de setembro de 2013, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 179 a 197). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: A contribuinte supracitada solicitou restituição de Cofins do mês de apuração de novembro de 2004, com vencimento em dezembro de 2004, para fins de compensação com débitos e recebimento em espécie, conforme Dcomps de fls.02/24. A DRF de origem apreciou o pleito da contribuinte, indeferindoo parcialmente, conforme Despacho Decisório Nº 0012/2011, de fls.93. Neste, fundamentado na Informação Fiscal, de fls.86/92, foi negado parcialmente o pleito de restituição/compensação devido à não inclusão na base de cálculo do PIS e da Cofins dos valores relativos à título de crédito presumido de ICMS, oriundo de incentivo fiscal previsto no art. 32, incisos LXIX (redação dada pelo Decreto Estadual Nº 42.563/2003 e alterações posteriores) do Regulamento do ICMS do estado do Rio Grande do Sul (Decreto Estadual No 37.699/1997), o qual não estaria incluído nas hipóteses enumeradas no §3o incisos I a VI do art. 10 da Lei 10.833/2003. Irresignada, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, de fls.179/197. Nesta, inicia fazendo um resumo do pedido e da decisão da DRF, para depois fazer suas alegações. Pertinente ao crédito presumido de ICMS, afirma que somente constitui receita, e portanto base de cálculo das contribuições para o PIS/Cofins, o ingresso de novos valores ao patrimônio da empresa. Como os créditos presumidos de ICMS nada mais são do que um benefício fiscalescritural (relacionado à redução de custos na industrialização da farinha de trigo para que a Empresa obtenha maior competitividade em relação aos produtos derivados do trigo), não configuram receita auferida pela empresa a ensejar capacidade contributiva, sendo equivocado o procedimento da sua inclusão como receita para o cálculo das contribuições. Aduz como suporte à sua tese, doutrina e precedentes do CARF (relativo à Lei 9.718/98), do TRF da 4a Região e do STJ . Segundo a contribuinte, admitir que os créditos presumidos de ICMS como receita bruta, para fins de incidência da contribuição, seria aceitar a intervenção federal em matéria privativa dos Estados, pois o benefício do ICMS teria sua eficácia limitada pela União, conforme Jurisprudência do TRF da 4a Região. Por fim, argumenta ainda que a RFB incorre em “bis in idem”, uma vez que a impugnante já é obrigada a recolher o PIS e a Cofins sobre o valor do ICMS destacado nas operações de vendas de mercadorias, sendo que, mantido o entendimento da Fiscalização, teria que adicionar o crédito presumido do ICMS na Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11080.902501/201086 Acórdão n.º 3301004.396 S3C3T1 Fl. 255 3 base de cálculo destas contribuições federais. Transcreve Acórdão do TRF da 4a Região relativo a caso análogo e que seria aplicável a sua tese. Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1046.162 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. O crédito presumido do ICMS integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não existe previsão legal para a exclusão do crédito presumido de ICMS da base de cálculo do tributo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Observase que o Contribuinte, por meio do Recurso Voluntário apresentado, visa a reforma da decisão consubstanciada no ora analisado Acórdão para que se afaste a incidência de PIS e Cofins dos créditos presumidos de ICMS, reconhecendo o direito integral do Contribuinte sobre à restituição dos valores recolhidos a maior destes tributos. Nesse sentido, cito trecho do referido Recurso em que o Contribuinte explicita as razões de reforma do Acórdão ora recorrido (fl. 226): Ocorre que tal decisão não encontra guarida na legislação atinente ao caso em comento, tampouco está em concordância com a jurisprudência, seja do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, seja dos Tribunais Regionais Federais, seja do Superior Tribunal de justiça, conforme restou devidamente comprovado por meio de todo o aqui exposto. Assim, cotejando os documentos apresentados pela recorrente ao longo do processo administrativo com a legislação aplicável à espécie e o entendimento dos respeitáveis Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Tribunal Regional Federal da 4ª Região e Superior Tribunal de justiça, chancelando o direito ora pleiteado, não merece prosperar o entendimento exarado na decisão da Segunda Turma da DRJ/POA. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11080.902501/201086 Acórdão n.º 3301004.396 S3C3T1 Fl. 256 4 Já o entendimento trazido pelo voto no referido Acórdão é no sentido de que o crédito presumido de ICMS deve integrar a base de cálculo do PIS e Cofins, uma vez que se trata de uma receita que não tem previsão legal de exclusão ou mesmo isenção, conforme se verifica neste seguinte trecho do voto: O crédito presumido de ICMS enquadrase no conceito de receita – outras receitas operacionais, conforme previsto no art. 392, inciso I do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR) e deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins. Não há dúvida de que a autora obtém vantagens financeiras com o crédito presumido do ICMS, qual seja, a dispensa do pagamento do imposto estadual nas saídas tributadas, podendo assim dispor dos recursos próprios (não despendidos) como capital de giro ou mesmo na aplicação em investimentos. Outrossim, considerando que tal crédito é presumido, inferese que o mesmo constitui receita nova, ou melhor “receita decorrente de benefício fiscal”, concedido pela Fazenda Estadual, no caso de ser compensado com o ICMS devido. Portanto, em síntese, tratase de receita auferida pelas empresas independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Do ponto de vista jurídico, podemos dizer que o crédito presumido não significa devolução de algo indevido, eis que nada foi pago pela autora de forma indevida, mas sim estímulo de ordem financeira a prestigiar o setor contemplado. O crédito presumido não deixa, pois, de ser espécie de subvenção governamental para este setor, uma subvenção de custeio, já que, por ela, recuperamse custos, conforme previsto no art. 392, inciso I do Regulamento do Imposto de Renda: Subvenções e Recuperações de Custo Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I – as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); Esse dispositivo é claro no sentido de que o crédito presumido do ICMS é receita e, portanto, entra no cômputo do Lucro como rendimento das pessoas jurídicas. Subvenção, sob o ângulo da legislação do imposto renda das pessoas jurídicas, é um auxílio que não importa em qualquer exigibilidade para o seu recebedor, ou seja, o patrimônio da empresa beneficiária é enriquecido com recursos vindos de fora sem que isto importe na assunção de uma dívida ou obrigação. As subvenções, quando feitas pelo Poder Público, podem se traduzir através de redução, isenção ou dedução de impostos, como no caso presente. As subvenções têm natureza de receitas e são, de ordinário, tributáveis, tanto que foram classificadas pela legislação do Imposto de Renda como "Outros Resultados Operacionais", na modalidade subvenção correntes para custeio ou operação (art. 335 do RIR, de 1994 ou art. 392 do RIR, de 1999). E como o próprio nome diz, subvenção são créditos, concedidos por lei, cujo objetivo é beneficiar determinado setor da economia, caracterizandose assim como benefício fiscal. No caso em comento, como o crédito presumido é compensado com o ICMS devido pela Impugnante fica evidenciada a sua natureza de “receita decorrente de benefício fiscal”, desonerando o valor devido do imposto estadual. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11080.902501/201086 Acórdão n.º 3301004.396 S3C3T1 Fl. 257 5 Juridicamente, podese afirmar que o crédito presumido do ICMS não significa devolução de um pagamento indevido, posto que nada foi recolhido indevidamente pela impugnante, mas implica, isto sim, um estímulo financeiro para prestigiar o setor contemplado. E esta forma de renúncia fiscal caracteriza uma subvenção de custeio. O incentivo relativo ao crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto Estadual, constitui, para os fins da legislação tributária federal, subvenção corrente para custeio ou operação, devendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, visto tratarse de receita para a qual não há expressa previsão legal de exclusão ou isenção. (grifouse). Em que pese o entendimento da DRJ/POA, acredito que se encontra consolidada a jurisprudência no sentido de o crédito presumido de ICMS não integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins por se tratar apenas de mera recuperação de custos. Nesse sentido, considero relevante citar na íntegra o voto vencedor do il. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, consubstanciado no Acórdão nº 9303005.783 da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, proferido em 20 de setembro de 2017 no processo nº 13401.000483/200675, que bem elucida a questão e que serve de razões para decidir: Está mais do que pacificada na jurisprudência a tese de que o crédito presumido de ICMS concedido pelos Estados às pessoas jurídicas que neles se instalem ou aumentem a produção já instalada não integra a base de cálculo do PIS/Cofins não cumulativos, por constituirse, segundo este entendimento, apenas mera recuperação de custos. Exemplificativamente, confiramse as seguintes ementas de decisões do Superior Tribunal de Justiça – STJ, a quem cabe, como se sabe, a tarefa de uniformizar a interpretação de lei federal: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO À CLÁUSULA DA RESERVA DE PLENÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno interposto em 20/04/2016, contra decisão publicada em 29/03/2016. II. Na esteira do entendimento firmado no STJ, "o crédito presumido de ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS" (STJ, AgRg no AREsp 626.124/PB, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/04/2015). No mesmo sentido: STJ, AgRg no REsp 1.402.204/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 02/06/2015. III. Consoante a jurisprudência desta Corte, "a questão referente à ofensa ao princípio da reserva de plenário (art. 97 da CF) não deve ser confundida com a interpretação de normas legais embasada na jurisprudência deste Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11080.902501/201086 Acórdão n.º 3301004.396 S3C3T1 Fl. 258 6 Tribunal" (STJ, AgRg no REsp 1.330.888/AM, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 21/02/2014). IV. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 843051 / SP, Rel. Min. Assussete Magalhães, DJe 02/06/2016). PROCESSUAL REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ ACERCA DA MATÉRIA. SÚMULA 83/STJ. 1. Não se conhece do Recurso Especial em relação à ofensa ao art. 535 do CPC quando a parte não aponta, de forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão impugnado. Aplicação, por analogia, da Súmula 284/STF. 2. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento do STJ de que os créditos presumidos de ICMS, por se tratarem de mero ressarcimento, não representam ingresso de valores nos caixas da empresa e, portanto, não são tributáveis. Incidência da Súmula 83/STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1573339 / SC, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 24/05/2016). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO. INCENTIVO FISCAL. NATUREZA JURÍDICA DIVERSA DE RECEITA OU FATURAMENTO. 1. Segundo a jurisprudência desta Corte os valores provenientes do crédito presumido do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes: AgRg no AREsp 626.124/PB, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 6/4/2015; AgRg no REsp 1.494.388/ES, Rel. Ministra Marga Tessler (Juíza Federal convocada do TRF 4a Região), Primeira Turma, DJe 24/3/2015; AgRg no AREsp 596.212/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 19/12/2014; AgRg no REsp 1.329.781/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 3/12/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1247255 / RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 26/11/2015). TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. LEIS 10.637/02 E 10.833/03: O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS CONFIGURA INCENTIVO VOLTADO À REDUÇÃO DE CUSTOS, COM VISTAS A PROPORCIONAR MAIOR COMPETITIVIDADE NO MERCADO PARA AS EMPRESAS DE UM DETERMINADO ESTADOMEMBRO, NÃO ASSUMINDO NATUREZA DE RECEITA OU Fl. 258DF CARF MF Processo nº 11080.902501/201086 Acórdão n.º 3301004.396 S3C3T1 Fl. 259 7 FATURAMENTO, PELO QUE NÃO COMPÕE A BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ENTENDIMENTO APLICÁVEL AO IRPJ E À CSLL. PRECEDENTE: AGRG NO RESP. 1.227.519/RS, REL. MIN. BENEDITO GONÇALVES, DJE 7.4.2015. AGRAVO REGIMENTAL DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça assentou o entendimento de que o crédito presumido de ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. 2. A Primeira Turma desta Corte assentou o entendimento de que o crédito presumido de ICMS não se inclui na base de cálculo do IRPJ e da CSLL; Não há dúvida alguma que a aplicação desse sistema de incentivo aos exportadores amplia os lucros das empresas exportadoras. Se não ampliasse, não haveria interesse nem em conceder, nem em utilizar. O interesse é que move ambas as partes, o Fisco e o contribuinte; neste caso, o Fisco tem o interesse de dinamizar as exportações, por isso concede o benefício, e os exportadores têm o interesse de auferir maiores lucros na atividade exportadora, por isso correm reivindicam o benefício. Isso é absolutamente básico e dispensável de qualquer demonstração. 3. Nesse sentido, deve o legislador haver ponderado que, no propósito de menor tributação, a satisfação do interesse público primário representado pelo desenvolvimento econômico, pela geração de emprego e de renda, pelo aumento de capacidade produtiva, etc. preponderaria sobre a pretensão fiscal irrestrita, exemplo clássico de interesse público secundário. 4. Agravo Regimental da Fazenda Nacional desprovido. (AgRg no REsp 1461415 / SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 26/10/2015). PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. Recurso especial em que se discute a inclusão do crédito presumido de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na base de cálculo de: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para Programa de Integração Social (PIS) e Constribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). 2. "O crédito presumido de ICMS configura "benefício fiscal" que ao ser lançado na escrita contábil da empresa promove, indiretamente, a majoração de seu lucro e impacta, consequentemente, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL". Nesse sentido: AgRg nos EDcl no REsp 1.458.772/RS, Rel Ministro HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJe 13/10/2014; AgRg no REsp 1.461.032/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 27/11/2014; AgRg nos EDcl no REsp 1.465.870/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 31/3/2015. 3. "Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas mera recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11080.902501/201086 Acórdão n.º 3301004.396 S3C3T1 Fl. 260 8 governo para desoneração das operações, NÃO integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS". Nesse sentido: AgRg no REsp 1422739/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 18/02/2014; AgRg no REsp 1.463.364/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, julgado em 24/3/2015, DJe 30/3/2015. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1402204 / SC, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 02/06/2015). O fundamento de tais decisões judiciais reside no disposto na alínea “b” do inciso V do § 3º do art. 1º das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, 29 de dezembro de 2003, que assim determinam: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) V referentes a: (...) b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (g.n.) Esse entendimento também foi compartilhado pelo ProcuradorGeral da República, como se vê do parecer que exarou nos autos do Recurso Extraordinário – RE nº 835818/PR, no qual reconhecida a repercussão geral da matéria levada à apreciação do Supremo Tribunal Federal: PARECER No 117184/2016 – ASJCIV/SAJ/PGR Recurso Extraordinário 835818 – PR Relator: Ministro Marco Aurélio Recorrente: União Recorrida: O.V.D. Importadora e Distribuidora Ltda. DIREITO CONSTITUCIONAL E DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 843. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. NÃO INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA. PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA, DA ISONOMIA E DA PROPORCIONALIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS. DESPROVIMENTO. 1 – Proposta de Tese de Repercussão Geral (Tema 843): Devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores correspondentes a créditos presumidos de ICMS decorrentes de incentivos Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11080.902501/201086 Acórdão n.º 3301004.396 S3C3T1 Fl. 261 9 fiscais concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, sob pena de ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da isonomia e da proporcionalidade. 2 – Parecer pelo não provimento do recurso extraordinário. Brasília (DF), 30 de maio de 2016. Rodrigo Janot Monteiro de Barros ProcuradorGeral da República Portanto, na esteira de remansosa jurisprudência do STJ, o crédito presumido de ICMS conferido pelos estados não integra a base de cálculo do PIS/Cofins, razão pela qual DOU PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. Com isso, me filio a posição adotada no voto supracitado, uma vez que considero que os créditos presumidos de ICMS concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal às pessoas jurídicas não integram a base de cálculo de PIS e Cofins nãocumulativo. Reforço a posição com a decisão proferida por maioria de votos no Acórdão 3301004.055, de 27 de setembro de 2017, de relatoria do il. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, que ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. INCIDÊNCIA DE PIS Tratase de incentivo fiscal, cujo objetivo é o de reduzir a despesa com ICMS. Portanto, não é receita e não deve ser incluído nas bases de cálculo do PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. INCIDÊNCIA DE COFINS Tratase de incentivo fiscal, cujo objetivo é o de reduzir a despesa com ICMS. Portanto, não é receita e não deve ser incluído nas bases de cálculo do COFINS. Neste mesmo sentido temse a decisão proferida em 07 de dezembro de 2017 pelo Superior Tribunal de Justiça no AgInt no REsp 1606998/SC de relatoria da il. Ministra Regina Helena Costa: Ementa TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO. PIS. COFINS. IRPJ. CSLL. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. MAJORAÇÃO DE HONORÁRIOS. ART. 85, § 11, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. NÃO CABIMENTO. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplicase o Código de Processo Civil de 2015. II O crédito presumido de ICMS, concedidos pelos EstadosMembros, configura incentivo voltado à redução de custos, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo pelo qual não Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11080.902501/201086 Acórdão n.º 3301004.396 S3C3T1 Fl. 262 10 compõe a base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS. III Revelase incabível a inclusão do crédito presumido de ICMS na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. IV Tratandose de recurso especial sujeito ao Código de Processo Civil de 1973, impossibilitada a majoração de honorários nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015. V A Agravante não apresenta, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VI Agravo Interno improvido. (grifouse). Portanto, tendo em vista a legislação aplicável ao caso e a jurisprudência mais recente sobre o tema, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Valcir Gassen Relator Fl. 262DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.720678/2012-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir atividade vedada na sistemática do Simples Nacional, conforme Anexo I da Resolução CGSN nº 6 de 2007, fica impedida de opção de ingresso, ainda que se trate de atividade secundária ou não a exerça.
Numero da decisão: 1001-000.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010 SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir atividade vedada na sistemática do Simples Nacional, conforme Anexo I da Resolução CGSN nº 6 de 2007, fica impedida de opção de ingresso, ainda que se trate de atividade secundária ou não a exerça.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1319; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 36 1 35 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.720678/201248 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.429 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 04 de abril de 2018 Matéria SIMPLES NACIONAL INDEFERIMENTO DA OPÇÃO Recorrente PICBUM INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇO LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir atividade vedada na sistemática do Simples Nacional, conforme Anexo I da Resolução CGSN nº 6 de 2007, fica impedida de opção de ingresso, ainda que se trate de atividade secundária ou não a exerça. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 06 78 /2 01 2- 48 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10783.720678/201248 Acórdão n.º 1001000.429 S1C0T1 Fl. 37 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1247.486, de 15/06/2012 (efls. 17/20), objetivando a reforma do referido julgado. Em 25/01/2010, a empresa fez a opção pelo Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional”, de 23/02/2012 (efl. 12), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, nas seguintes situações impeditivas: Atividades econômicas vedadas: 73190/01 "Criação de estandes para feiras e exposições" e 74901/04 "Atividade de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários". O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que o código foi colocado por engano no Requerimento de Empresário quando da abertura da empresa e que efetuou a devida alteração, excluindo a atividade vedada. Acrescenta que por se tratar de erro material sanável, solicita o deferimento do seu pedido de inclusão no Simples Nacional. Na manifestação de inconformidade, o interessado alegou que promoveu alteração contratual retirando as atividades impeditivas, cujo registro na Junta Comercial se deu em 30/01/2012. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 TERMO DE INDEFERIMENTO. ATIVIDADE ECONÔMICA. CNAE. PRAZO. Mantémse o termo de indeferimento se o fato que lhe deu causa não foi elidido dentro do prazo legal de opção pelo regime. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 31/05/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 22, a recorrente apresentou recurso voluntário em 01/07/2013 (efls. 23/34), conforme envelope de postagem pelos correios à efl. 23. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10783.720678/201248 Acórdão n.º 1001000.429 S1C0T1 Fl. 38 3 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude de possuir atividade econômica vedada em seu objetivo social. A base legal do indeferimento foi o inciso XI, do art. 17, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) XI – que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; (Revogado pela Lei Complementar nº 147, de 7 de agosto de 2014) (efeitos: de 01/07/2007 a 31/12/2014) Nesse particular, mediante o art 7º, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: (grifos não constam do original) Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3 º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) No recurso interposto, a recorrente reitera a alegação de que promoveu alteração contratual retirando as atividades impeditivas, cujo registro na Junta Comercial se deu em 30/01/2012. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, completandoo ao final: (grifos no original) Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10783.720678/201248 Acórdão n.º 1001000.429 S1C0T1 Fl. 39 4 Da consulta aos sistemas informatizados da RFB (CNPJ/CONSULTA/CNPJ) de fls. 15, vêse que o interessado, embora tenha efetuado a Solicitação de ingresso no Simples Nacional em 25.01.2010, somente alterou seu cadastro junto à RFB, em 19.01.2012, informando como data do evento: 30.01.2012. 12. Referida alteração no CNPJ, foi aceita pela unidade cadastradora de jurisdição do interessado e processada em 30.01.2012, permanecendo no CNPJ do interessado a atividade CNAE principal 7739003 e as seguintes atividades econômicas secundárias (fls. 14): (omissis) 13. Todas as atividades constantes no CNPJ constam no contrato social do interessado (fls.6), registrado no órgão competente em 30.01.2012. 14. Referidos códigos CNAE não constam nos Anexos I e II da Resolução CGSN nº 6, de 18.06.2007, que tratam, respectivamente, dos códigos previstos na CNAE impeditivos ao Simples Nacional e os que abrangem concomitantemente atividade impeditiva e permitida ao Simples Nacional. 15. Como o interessado inobservou o prazo estabelecido na norma para regularização da pendência (até o último dia útil do mês de janeiro de 2010), o indeferimento deve ser mantido. Acrescenta, ainda, a recorrente que "não praticava e nem nunca praticou a atividade 73190/01 (Criação de estandes para feiras e exposições)". Quanto à alegação de que nunca explorou a atividade, está bem claro no Perguntas e Respostas do Simples Nacional, coletânea de diversas orientações do Comitê Gestor do Simples Nacional, que se houver no contrato social da empresa alguma atividade impeditiva, constante do Anexo I da Resolução CGSN nº 6 de 2007, mesmo que não a exerça, estará impedida de optar: (grifos não constam do original) 2.4. AS MICROEMPRESAS (ME) E AS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (EPP) QUE EXERÇAM ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, SENDO APENAS UMA DELAS VEDADA E DE POUCA REPRESENTATIVIDADE NO TOTAL DAS RECEITAS, PODEM OPTAR PELO SIMPLES NACIONAL? Não poderão optar pelo Simples Nacional as ME e as EPP que, embora exerçam diversas atividades permitidas, também exerçam pelo menos uma atividade vedada, independentemente da relevância da atividade impeditiva. 2.5. SE CONSTAR DO CONTRATO SOCIAL ALGUMA ATIVIDADE IMPEDITIVA À OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL, AINDA QUE NÃO VENHA A EXERCÊLA, TAL FATO É MOTIVO DE IMPEDIMENTO Á OPÇÃO? Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007, seu ingresso no Simples Nacional será vedado, ainda que não exerça tal atividade. Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo II da Resolução CGSN nº 6, de 2007, seu Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10783.720678/201248 Acórdão n.º 1001000.429 S1C0T1 Fl. 40 5 ingresso no Simples Nacional será permitido, desde que não exerça tal atividade e declare, no momento da opção, esta condição. De outra parte, também estará impedida de optar pelo Simples Nacional a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social (Ver Pergunta 2.4). 2.6. A ME OU A EPP INSCRITA NO CNPJ COM CÓDIGO CNAE CORRESPONDENTE A UMA ATIVIDADE ECONÔMICA SECUNDÁRIA VEDADA PODE OPTAR PELO SIMPLES NACIONAL? Não A Lei Complementar nº 123, de 2006, prevê que o exercício de algumas atividades impede a opção pelo Simples Nacional. Essas atividades impeditivas estão listadas no Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007. O exercício de qualquer dessas atividades pela ME ou EPP impede a opção pelo Simples Nacional, bem como a sua permanência no Regime, independentemente de essa atividade econômica ser considerada principal ou secundária. Assim, como o contribuinte tinha até o último dia de janeiro de 2010 para regularizar as pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional e não o fez dentro deste prazo, há que se manter o indeferimento da Opção pelo Simples Nacional. Por todo o exposto, face à comprovada existência em seu contrato social de atividade econômica vedada na data limite para a opção, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.902235/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO.
Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1402-002.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese pedido de perícia ou diligência quando sua realização revelese impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 22 35 /2 00 8- 31 Fl. 29DF CARF MF Processo nº 10983.902235/200831 Acórdão n.º 1402002.934 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, buscando extinguir por compensação de débito próprio. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC – DRF Florianópolis proferiu o Despacho Decisório, o qual não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento arrolado como crédito já teria sido integralmente utilizado. Conseqüentemente, foi promovida a cobrança do débito arrolado na compensação, com os acréscimos legais decorrentes da mora (multa de mora e juros). Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com a autuação, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que foi entregue retificadora da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica referente ao exercício 2003, anocalendário de 2002, e também DCTF retificadora, sendo informados os débitos correspondentes ao exercício. Complementa dizendo que não merece prosperar o entendimento exarado pela autoridade fiscal, posto tratarse de compensação devida e que houve pagamento a maior/indevido. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, entendeu que não há elementos suficientes para concluir que o pagamento arrolado como crédito é maior que o devido, devendo, por isso, ser mantido o que foi decidido através do Despacho Decisório e ser considerada não homologada a compensação. Fundamentou a sua decisão que a recorrente admite que apresentou a DCTF retificadora, somente após a ciência do Despacho Decisório. Portanto, a conclusão a que chegou o Despacho Decisório advém das informações contidas nos sistemas de controle da RFB, que foram prestadas pela própria interessada através da DCTF original. Destarte, é certo, porém, que a retificação da DCTF promovida através da mera apresentação de declaração retificadora, sem a comprovação documental do erro anteriormente cometido, não tem o condão de, de pronto, alterar o débito anteriormente informado e, conseqüentemente, fazer surgir crédito para ser utilizado em compensação. Neste sentido, deve ser levado em conta que a interessada apresentou retificação da DCTF somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação e, ainda, sem a devida comprovação de que o valor do débito anteriormente confessado não é devido, o que seria obrigatório na hipótese ora analisada, dada a perda de espontaneidade. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos: Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10983.902235/200831 Acórdão n.º 1402002.934 S1C4T2 Fl. 4 3 O art. 1º da IN nº 166/99 reconhece a possibilidade de restituição e/ou compensação de tributos a partir da DIPJ retificadora, sem condicionar a necessidade de DCTF retificadora; Os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade, sendo ônus da fiscalização solicitar documentos, nos termos do art. 9º, caput, do Decreto nº 70.235/72; A apresentação da DCTF retificadora apresentada após o início do MPF não constituiria motivo por si só para indeferimento do pedido de restituição; Aplicarseia a verdade material, pois um erro material no envio da DCTF retificadora não poderia prevalecer sobre o direito do crédito, este decorrente de pagamento indevidamente efetuado, e informado na DIPJ. Cita alguns acórdãos e ementas pertinentes para corroborar seu raciocínio; Se houvesse dúvida, poderia ser convertido o julgamento em diligência, para análise do direito creditório e da compensação; Dispõe posteriormente sobre a formalidade moderada e da verdade material que regem o processo administrativo fiscal para justificar a apresentação da DIPJ e demais documentos que demonstram o direito ao crédito; Disto pede que seja julgado procedente o presente recurso, e alternativamente, seja determinada a conversão em diligência para apuração da compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.926, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.901701/200941. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.926): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pela recorrente, para apuração da compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos. Destarte, aplicase o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10983.902235/200831 Acórdão n.º 1402002.934 S1C4T2 Fl. 5 4 diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. Embora o comando legal inserido no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Destarte, INDEFIRO o pedido de diligência. Da questão material Conforme relatado, o Despacho Decisório cerne da peça recursal declarou a inexistência do direito creditório pleiteado pela recorrente, em razão do pagamento indicado encontrarse totalmente utilizado, vinculado a débito de mesmo valor. Irresignada, a recorrente alega que no ano de 2004 retificou a DIPJ do período, informando os verdadeiros débitos correspondentes ao exercício. Em análise aos elementos constantes nos autos, no período pertinente ao tributo em discussão no presente processo, foi apresentada a DCTF original, no prazo legal para tanto. Igualmente, foi apresentada, no seu prazo devido, a DIPJ original, referente ao anocalendário do tributo e respectivo período de apuração do tributo em questão neste processo. Percebese que o pagamento efetuado pelo contribuinte mostra se compatível com o que fora declarado na DCTF e na DIPJ originais. Destarte, em algum tempo depois, considerando o débito que consta na DIPJ última entregue, e sem ter retificado a DCTF original, a recorrente apresentou a DCOMP pleiteando a compensação ora em exame, que não foi homologada pela autoridade fiscal. Somente no ano de 2009, após tomar ciência do Despacho Decisório, a recorrente retificou a DCTF original, informando nesta o valor então apurado na DIPJ última entregue. Aqui, há que se atentar que é por meio da DCTF, e não pela DIPJ, que o débito do sujeito passivo considerase juridicamente constituído. A DIPJ tem caráter meramente informativo, distinto da DCTF, que tem caráter declaratórioconstitutivo, significando uma confissão de débitos apurados pela pessoa jurídica. Destarte, na data da apresentação da DCOMP não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF original ainda não tinha sido retificada, o que significa que o crédito utilizado pela recorrente em sua compensação, juridicamente, não existia. No caso que se examina, não há dúvidas que a recorrente retificou sua DCTF somente após a ciência da decisão administrativa que não homologou a compensação pretendida. Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10983.902235/200831 Acórdão n.º 1402002.934 S1C4T2 Fl. 6 5 liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Há ainda que se destacar que a retificação da DCTF ocorreu já com o decurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito ali declarado, nos termos do art. 168, caput, do CTN, de forma que a referida retificação não poderia produzir quaisquer efeitos tributários. Com este entendimento, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeito a solicitação de diligência e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 33DF CARF MF
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Numero do processo: 10435.720833/2013-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2012
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista previsão na Lei n.º 10.426/2002.
DCTF. QUARTA-FEIRA DE CINZAS. DIA ÚTIL COMPUTÁVEL
A quarta-feira de cinzas é dia útil para fins de cálculo do prazo para entrega da DCTF. A agenda tributária, divulgada pela Administração, é apta a esclarecer eventuais dúvidas e assegurar as garantias do contribuinte. A sua diligente consulta possibilita o cumprimento, tempestivo, das obrigações.
IMPOSSIBILIDADE DE SE AFASTAR A APLICAÇÃO NORMATIVA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49).
Numero da decisão: 1002-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2012 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista previsão na Lei n.º 10.426/2002. DCTF. QUARTA-FEIRA DE CINZAS. DIA ÚTIL COMPUTÁVEL A quarta-feira de cinzas é dia útil para fins de cálculo do prazo para entrega da DCTF. A agenda tributária, divulgada pela Administração, é apta a esclarecer eventuais dúvidas e assegurar as garantias do contribuinte. A sua diligente consulta possibilita o cumprimento, tempestivo, das obrigações. IMPOSSIBILIDADE DE SE AFASTAR A APLICAÇÃO NORMATIVA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49).
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Recorrente HDL ADMINISTRADORA DE BENS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2012 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista previsão na Lei n.º 10.426/2002. DCTF. QUARTAFEIRA DE CINZAS. DIA ÚTIL COMPUTÁVEL A quartafeira de cinzas é dia útil para fins de cálculo do prazo para entrega da DCTF. A agenda tributária, divulgada pela Administração, é apta a esclarecer eventuais dúvidas e assegurar as garantias do contribuinte. A sua diligente consulta possibilita o cumprimento, tempestivo, das obrigações. IMPOSSIBILIDADE DE SE AFASTAR A APLICAÇÃO NORMATIVA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 08 33 /2 01 3- 67 Fl. 38DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância, datada de 21/08/2013, consubstanciada no Acórdão n.º 0826.342, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (DRJ/FOR), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) de Dezembro do AnoCalendário 2012, , deixando de acolher a impugnação apresentada pela recorrente, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2012 DCTF. QUARTAFEIRA DE CINZAS. DIA ÚTIL. A quartafeira de cinzas é dia útil para fins de cálculo do prazo para entrega da DCTF. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. O auto de infração em espécie foi lavrado em 26/02/2013, na DRF Caruaru, por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa (...). Fundamentação: Art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n.º 11.051, de 2004. Demonstrativo: Dezembro/2012, Multa R$500,00 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, no entanto não foi acolhida pela DRJ. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, além de reiterar os termos da impugnação, contraargumentou, em outras palavras, que a quartafeira de cinzas não é dia útil para fins de contagem do prazo do termo final da entrega da DCTF. De qualquer sorte, invocou a tese do erro de tipo, erro desculpável, ponderando não haver ilicitude. Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10435.720833/201367 Acórdão n.º 1002000.090 S1C0T2 Fl. 39 3 Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Quanto ao juízo de mérito, não assiste razão a recorrente. É que não se discute nos autos a apresentação extemporânea da DCTF, nem se desincumbiu a recorrente de demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo de tal obrigação. A agenda tributária era clara e contabilizou a quartafeira de cinza como dia útil e computável por ser dia em que há expediente normal após às 14 horas. Portanto, a DCTF foi apresentada extemporaneamente, sujeitandose a multa. Esses pleitos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos, desde logo, como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do § 1.º do art. 50 da Lei n.º 9.784/1999 e em atenção ao disposto no § 3.º do art. 57 do RICARF: 5. O artigo 5° da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, determina que: Art. 5 º As pessoas jurídicas devem apresentar a DCTF até o 15 º (décimo quinto) dia útil do 2 º (segundo) mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. 6. O cerne da questão é determinar se a quartafeira de cinzas é dia útil ou não. 7. Segundo o Dicionário Houaiss (versão eletrônica), dia útil é “qualquer dia da semana, salvo domingos, feriados e dias santos; dia de branco; dia de trabalho; dia de semana”. Portanto, é qualquer dia de trabalho, ou seja, dia em que se possa receber explicações ou apresentar petições na repartição administrativa. 8. Na quartafeira de cinzas de 2013 (13/02/2013), o expediente nas repartições federais foi facultativo até às 14h, conforme artigo 1.º, inciso IV, da Portaria MPOG n.º 3, de 03/01/2013. A contrário senso, houve expediente das 14h até às 18h, período em que o contribuinte poderia realizar qualquer ato, ingressar com petições ou tomar Fl. 40DF CARF MF 4 esclarecimentos acerca da legislação tributária. Portanto, a quartafeira de cinzas é considerado dia útil para a Administração Tributária Federal. 9. Para dirimir quaisquer dúvidas referentes a prazos fiscais, a Receita Federal edita a agenda tributária, mês a mês. Na espécie, foi lavrado o Ato Declaratório Executivo Codac n.º 6, de 28/01/2013, cujo Anexo Único prescreve a data de 25/02/2013 como termo final para a apresentação da DCTF relativa a dezembro de 2012. 10. Tal entendimento da Receita Federal não é novidade no sistema jurídicotributário. Desde o Ato Declaratório Executivo Codac n.º 5, de 28/01/2008 (Agenda Tributária de fevereiro de 2008), quando o termo final se dava no 5º dia útil do 2° mês subsequente aos fatos geradores, a quarta feira de cinzas já era considerada dia útil. Vejase, a título exemplificativo, que no Ato Declaratório Executivo Codac n.º 5, de 24/01/2012 (Agenda tributária de fevereiro de 2012), o termo final para entrega da DCTF se deu em 23/02/2012, ou seja, considerouse a quartafeira de cinzas como dia útil. 11. O contribuinte invocou o artigo 5.°, parágrafo único, do Decreto n.° 70.235, de 1972: “Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato”. Tal norma possui o mesmo texto do artigo 210, parágrafo único, do CTN e prescreve a prorrogação do prazo apenas quando seu termo inicial ou o final coincide com dia de expediente anormal da repartição. Todavia, resta inaplicável na espécie, tendo em vista que a quartafeira de cinzas não ocorreu no término do prazo para entrega da citada DCTF (15º dia útil de fev/2013), mas sim aconteceu no 7° dia útil de fev/2013. 12. Nessa linha de raciocínio, não cabem as alegações do contribuinte relativas à incidência de erro (de tipo ou de proibição) ou da dúvida mencionada no artigo 112 do CTN, pois a Administração declara expressamente (vide Atos Declaratórios acima mencionados), mês a mês, o termo final para entrega de todas as declarações obrigatórias, entre elas a DCTF Mensal. 13. Apenas para argumentar, até mesmo quando o prazo recursal findou na quartafeira de cinzas, o Superior Tribunal de Justiça entendeua como dia útil, conforme EDcl no AgRg no AREsp nº 69.665, de 27/03/2012. Como bem ponderou a decisão recorrida, a quartafeira de cinza é computável e a agenda tributária, amplamente publicizada, era suficiente para evitar quaisquer dúvidas. Tinha a recorrente o ônus de observála. Portanto, como o art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, enuncia a obrigação de entrega da DCTF, sob pena de sanção, há que se manter a penalidade. Registrese, por oportuno, que é vedado a este Conselho apreciar questão de constitucionalidade, ou não, da legislação tributária que impôs a exigência e a multa correspondente, enquanto que a denúncia espontânea não se aplica no caso em tela estando sumulada a matéria no CARF. A Súmula CARF n.º 2 dispõe que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10435.720833/201367 Acórdão n.º 1002000.090 S1C0T2 Fl. 40 5 A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdão n.º 10194876, de 25/02/2005, Acórdão n.º 10321568, de 18/03/2004, Acórdão n.º 105 14586, de 11/08/2004, Acórdão n.º 10806035, de 14/03/2000, Acórdão n.º 10246146, de 15/10/2003, Acórdão n.º 20309298, de 05/11/2003, Acórdão n.º 20177691, de 16/06/2004, Acórdão n.º 20215674, de 06/07/2004, Acórdão n.º 20178180, de 27/01/2005, Acórdão n.º 20400115, de 17/05/2005. Por corolário lógico, não há que se afastar o momento do cumprimento do prazo e afastar a multa, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum da norma infraconstitucional que impôs a multa, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar, demais disto, o enunciado da Súmula CARF n.º 2, acima mencionado. Observese, igualmente, o disposto no art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, com redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009, que enuncia o mesmo entendimento ao dispor que: "No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Por sua vez, a denúncia espontânea, também está sumulada, nestes termos: "Súmula CARF n.º 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração." A mencionada súmula foi lavrada com base nos seguintes paradigmas: Acórdão n.º CSRF/0400.574, de 19/06/2007, Acórdão n.º 19200.096, de 06/10/2008, Acórdão n.º 19200.010, de 08/09/2008, Acórdão n.º 10709.410, de 30/05/2008, Acórdão n.º 10249.353, de 10/10/2008, Acórdão n.º 10196.625, de 07/03/2008, Acórdão n.º 107 09.330, de 06/03/2008, Acórdão n.º 10709.230, de 08/11/2007, Acórdão n.º 10516.674, de 14/09/2007, Acórdão n.º 10516.676, de 14/09/2007, Acórdão n.º 10516.489, de 23/05/2007, Acórdão n.º 10809.252, de 02/03/2007, Acórdão n.º 10195.964, de 25/01/2007, Acórdão n.º 10809.029, de 22/09/2006, Acórdão n.º 10194.871, de 25/02/2005. Portanto, não há reformas a serem acolhidas em relação a decisão vergastada. Observo, outrossim, que a multa foi aplicada de acordo com a legislação em vigor. Importa acrescentar que a ninguém é permitido deixar de cumprir as normas legais alegando que não as conhece, consoante se extrai do art. 3.º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, constante do DecretoLei n.º 4.657, de 1942. Dito isto, asseverese que o art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação vigente na época da infração, estabelece a obrigação de entrega da DCTF, sob pena de aplicação de multa, ao enunciar que: Art. 7.º O sujeito passivo que deixar de apresentar (...), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, (...), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo Fl. 42DF CARF MF 6 estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) § 1.º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. Neste contexto, temse que o fundamento de validade constante do auto de infração (art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002) apresentase adequado e pertinente ao caso em comento. Constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico Obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Se é verdade que a administração tributária não pode cobrar mais do que lhe é efetivamente devido, também não pode cobrar menos do que lhe é ordenado exigir em atividade vinculada e obrigatória de lançamento. No caso em comento, observo a atuação dentro dos padrões delineados pelo campo da legalidade. Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. A importância do cumprimento do dever instrumental devese a necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10435.720833/201367 Acórdão n.º 1002000.090 S1C0T2 Fl. 41 7 facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002000.006, 1002000.007, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.011, 1002000.012, 1002000.013 e 1002000.016 seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Destarte, o controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, ora exercido por força da devolutividade recursal, aponta, em nossa análise, a correta aplicação do direito, não havendo reparos a serem efetivados. Por conseguinte, a recorrente não conseguiu se desincumbir do ônus probatório que lhe competia de demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da administração tributária de lhe exigir a entrega da declaração, a tempo e modo, sob pena de sanção. Fl. 44DF CARF MF 8 Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10435.720833/201367 Acórdão n.º 1002000.090 S1C0T2 Fl. 42 9 (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no consequente da regramatriz de incidência. É a não prestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denominase relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... O dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária, logo é possível ficar livre da sanção fiscal, caso siga o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Vale dizer, o contribuinte só eventualmente é onerado pela multa e isto se deve as suas escolhas, a sua governança tributária, considerando que não há punição sem culpa, decorrente de um agir ou de uma omissão quando estava obrigado ao exercício de uma conduta e não a executou. Por isso, no caso em apreço, o controle de legalidade se apresenta correto. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 46DF CARF MF 10 Por fim, no que se refere a insistência para que as intimações sejam pessoais no endereço domiciliar das sócias, reitero o afirmado pela DRJ no sentido de que o inciso II do art. 23 do Decreto n.° 70.235, de 1972, disciplina que a intimação via postal deve acontecer no domicílio tributário do sujeito passivo, enquanto que o § 4.º dispõe que, para fins de intimação, o domicílio tributário do contribuinte pode ser somente em dois locais, quais sejam, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária ou o endereço eletrônico a ele atribuído. Sendo assim, inferese que não há que se falar em violação ao direito de defesa se a intimação for encaminhada exclusivamente para o domicílio fiscal eleito pela pessoa jurídica. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário. No mérito, em negarlhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida e o crédito tributário lançado na forma constante do auto de infração. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 47DF CARF MF
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Numero do processo: 12157.000098/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
COFINS. VALORES DECLARADOS EM DCTF. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
O artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, o qual deve ter como dies ad quem a manifestação da Administração Tributária por despacho decisório a respeito do pedido formulado pelo contribuinte, fato que, ocorrido dentro do quinquênio legal, retira-lhe da inércia capaz de levar à homologação tácita da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento ao Recurso. A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne irá apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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VALORES DECLARADOS EM DCTF. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. O artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, o qual deve ter como dies ad quem a manifestação da Administração Tributária por despacho decisório a respeito do pedido formulado pelo contribuinte, fato que, ocorrido dentro do quinquênio legal, retiralhe da inércia capaz de levar à homologação tácita da compensação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento ao Recurso. A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne irá apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 15 7. 00 00 98 /2 00 9- 47 Fl. 421DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 422 2 Relatório Trata o presente processo em que a empresa HOLCIM BRASIL S/A., requer créditos tributários referentes a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), períodos de apuração de setembro a dezembro de 2001, compensados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), com crédito decorrente de Ação judicial Ação de Repetição de Indébito n° 00.06490042, que recebeu o n° 90.03.178674 na remessa oficial perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Tal ação judicial, tinha por objeto os pagamentos de FINSOCIAL realizados em 1982, dada a inconstitucionalidade de sua cobrança no mesmo exercício em que instituída e transitou em julgado favoravelmente à Recorrente em março de 1991. Na sequência, efetuou pedido de autorização judicial para a compensação dos créditos tributários ali reconhecidos, deferido em 05.09.2000. Diante disso, a Recorrente fez a compensação acima referida, declarandoa em DCTF (fls. 8/15). Em 18/05/2004, por intermédio do PAF n° 19515.000948/200425, a empresa foi autuada em virtude de insuficiência de crédito de FINSOCIAL, (decorrente da mencionada Ação Judicial), para compensação com débitos da COFINS, nos períodos de apuração 12/2001 e 01/2002. A exigência tributária constante do Auto de Infração foi impugnada perante a DRJ, a qual, por se tratar de débitos já confessados em DCTF, julgou improcedente o lançamento e recorreu de ofício ao CARF (2ª instância Administrativa), com ciência em 21/05/2008, que negou provimento ao recurso de ofício e manteve a decisão de 1ª instância (Acórdão proferido em 03/02/2010). Em 19/02/2010, a Recorrente requereu a desistência parcial da impugnação, para fins de parcelamento (pedido fl. 315), entretanto, em 03/02/2010 já havia ocorrido a decisão do CARF que confirmou a decisão da DRJ. Por conta disso, o presente processo foi enviado para a DERAT/SP, para análise dos procedimentos de compensação realizada pela Recorrente. Desta análise, conforme bem relatada pela decisão recorrida, resultou o Despacho Decisório, de 22/06/2012 (fls. 324/329), com ciência à contribuinte em 02/07/2012 (fl. 331), no qual restou decidido que o crédito de FINSOCIAL não foi suficiente para compensar todos os débitos relacionados pela contribuinte na DCTF, devendo ser convalidadas as compensações do crédito tributário da COFINS, referentes aos períodos de apuração de setembro/2001 e outubro/2001 e parcialmente convalidada a compensação do débito relativo a novembro/2001 no valor de R$ 160.609,69, devendo ser encaminhados a cobrança o débito parcial no valor de R$ 205.568,13 referente à COFINS, código 2172, relativo ao período de apuração de novembro/2001, e o débito total de COFINS, código 2172, referente ao período de apuração de dezembro de 2001, relativos às compensações não convalidadas em virtude da insuficiência do crédito. A interessada foi cientificada do Despacho Decisório em 02/07/2012 (fl. 330/331), sendolhe concedido o prazo para recurso de 10 (dez) dias do recebimento postal, de acordo com o art. 44 da Lei n° 9.784/99. Apresentou Manifestação de Inconformidade contra esta decisão a qual não foi analisada, sendo os débitos encaminhados para cobrança. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 423 3 No entanto a Recorrente teve deferido o pedido liminar, nos autos do Mandado de Segurança nº 001568456.2012.403.6100, para determinar que a sua Manifestação de Inconformidade fosse apreciada pela RFB, com a suspensão da exigibilidade dos créditos tributário discutidos (fls. 352/353). Em sua Manifestação de Inconformidade a Recorrente limitouse a alegar a ocorrência da homologação tácita das compensações, considerando que foram efetivadas em DCTF transmitidas em novembro de 2001 e fevereiro de 2002 e a intimação da negativa de homologação ocorreu em 02/07/2012, portanto, depois dos 5 anos previstos no art. 74, § 5°, da Lei nº 9.430/96. No entanto, a Delegacia da RFB de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 0736.642, de 11/02/2015, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos (fls. 365/368): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 COMPENSAÇÃO EM DCTF. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A homologação tácita prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/1996 somente se aplica às compensações informadas em Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi intimado da decisão DRJ via endereço eletrônico/Caixa Postal (DTE) em 15/01/2016 (fl. 373). Descontente com a decisão de primeira instância, em 16/02/2016 (fl. 375), protocolou o recurso voluntário de fls. 375/382, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação, que, em síntese, reproduzo: as compensações foram efetivadas nas DCTFs relativas aos 3º e 4º trimestres de 2001, transmitidas em novembro de 2001 e fevereiro de 2002, respectivamente; não há qualquer óbice à aplicação retroativa do art. 74 da Lei n° 9.430/96, uma vez que o próprio dispositivo admite a sua aplicação a fatos pretéritos, ao prever expressamente que os pedidos de compensação já realizados e pendentes de apreciação seriam considerados declarações de compensação, para fins de aplicação do instituto da homologação tácita. É dizer que o art. 74 reconhece explicitamente a aplicação do instituto à compensações ocorridas antes de 31.12.2002, não havendo que se cogitar, portanto, da sua irretroatividade, como sustenta o acórdão atacado; cita jurisprudências administrativas e judiciais; com efeito, não há óbice à aplicação da homologação tácita às compensações efetuadas diretamente em DCTF, visto que essa última, assim como a DCOMP, também tem o condão de constituir o crédito tributário. Esse foi, inclusive, o fundamento que ensejou a anulação do Auto de Infração n° 19515.000948/200425, lavrado em face da Recorrente em virtude da suposta insuficiência dos créditos oferecidos à compensação; a interpretação adotada pelo acórdão recorrido é inadmissível, já que traduz grave violação ao princípio da segurança jurídica, na medida em que concede ao Fisco prazo Fl. 423DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 424 4 indeterminado para homologar as compensações realizadas pelo contribuinte, expondoo ao risco de sofrer cobranças de débitos até mesmo décadas depois da sua compensação. por fim, ainda que se entenda que o art. 74 da Lei n° 9.430/96 não pode ser aplicado ao caso dos autos, o que se admite apenas para argumentar, deverá ser reconhecida, desde já, a prescrição dos valores exigidos, nos termos do art. 174 do CTN. Ante o exposto, pede o provimento do recurso voluntário, para que seja reformado o acórdão combatido e reconheceremse como tacitamente homologadas as compensações em exame, com extinção dos débitos tributários pretendidos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Objeto da lide O cerne da lide, diz respeito a ocorrência ou não da homologação tácita das compensações em questão, fundamentando no § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. 3. Das Compensações efetuadas COFINS Aduz a Recorrente em seu recurso que "(...) No caso concreto, as compensações foram efetivadas nas DCTFs relativas aos 3o e 4o trimestres de 2001, transmitidas em novembro de 2001 e fevereiro de 2002, respectivamente. Por sua vez, a intimação da negativa de homologação data de 02.07.2012, muito além dos cinco anos previstos no art. 74, § 5o, da Lei n° 9.430/96, quando de há muito já implementada a homologação tácita". "(...) De fato, não há qualquer óbice à aplicação retroativa do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Inclusive, o próprio dispositivo admite a sua aplicação a fatos pretéritos, ao prever expressamente que os pedidos de compensação já realizados e pendentes de apreciação seriam considerados declarações de compensação, para fins de aplicação do instituto da homologação tácita. É dizer, o art. 74 reconhece explicitamente a aplicação do instituto a compensações ocorridas antes de 31.12.2002, não havendo que se cogitar, portanto, da sua irretroatividade, como sustenta o acórdão atacado". Por outro giro, o acórdão recorrido consignou que o §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, não seria aplicável ao caso em debate, eis que as DCTFs foram transmitidas em novembro de 2001 e fevereiro de 2002, antes, pois, da entrada em vigor das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, que deram nova redação ao dispositivo acima. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 425 5 Deixou consignado também o acórdão recorrido que a homologação tácita não poderia ser reconhecida in casu, eis que o instituto seria aplicável unicamente às Declarações de compensação, já que essas possuem natureza constitutiva do crédito tributário compensado, o qual é considerado extinto sob condição resolutória de posterior homologação pela Administração Tributária. Desta forma, a equiparação prevista no art. 74, § 4o, também não incidiria neste caso, eis que a empresa não formulou o Pedido de Compensação, e apenas esses pedidos foram equiparados às DCOMPs, quando da entrada em vigor das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. Já a Recorrente, em seu recurso aduz que "não há óbice à aplicação da homologação tácita às compensações efetuadas diretamente em DCTF, visto que essa última, assim como a DCOMP, também tem o condão de constituir o crédito tributário. Esse foi o fundamento que ensejou a anulação do Auto de Infração n° 19515.000948/200425, lavrado em virtude da suposta insuficiência dos créditos oferecidos à compensação". Pois bem. Consta dos autos que a compensação objeto desta análise foi informada pela Recorrente por meio das DCTF apresentadas entre novembro de 2001 e fevereiro de 2002, incluindo débitos de COFINS referentes aos períodos de apuração 09/2001 a 12/2001 e direito creditório decorrente da Ação de Repetição de Indébito n° 00.06490042. Em seu recurso, a Recorrente alega a ocorrência da homologação tácita das compensações em questão, fundamentando tal alegação no §5° do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Vejase: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003). Grifei. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 426 6 Como pode se extraído do texto acima, a homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das Declarações de Compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Este CARF vem decidindo que a regra estabelecida pelo §5º do artigo 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Medida Provisória nº 135, de 2003, possui natureza processual, aplicandose imediatamente a todos os processos de compensação em curso na RFB. Neste diapasão, o §4º expressamente trouxe para o âmbito de aplicação da disciplina do novo texto da Lei n. 9.430/96 aqueles pedidos de compensação que se encontravam pendentes de apreciação em 30/10/2003. As datas importantes para o presente julgamento são as seguintes: (i) as compensações foram efetivadas nas DCTFs relativas aos 3º e 4º trimestres de 2001, transmitidas em novembro de 2001 e fevereiro de 2002, respectivamente. (ii) em 18/05/2004, por intermédio do PAF n° 19515.000948/200425, a empresa foi autuada em virtude de insuficiência de crédito de FINSOCIAL, (decorrente da mencionada Ação Judicial), para compensação com débitos da COFINS, nos períodos de apuração 12/2001 e 01/2002; (iii) a exigência tributária constante do Auto de Infração foi impugnada perante a DRJ, a qual, por se tratar de débitos já confessados em DCTF, julgou improcedente o lançamento e recorreu de ofício à 2ª instância Administrativa CARF (ciência em 21/05/2008), que negou provimento ao recurso de ofício e manteve a decisão de 1ª instância (Acórdão nº 3402000.441, de 03/02/2010); (iv) em 19/02/2010, a Recorrente requereu a desistência parcial da impugnação (para fins de aderir ao parcelamento), entretanto, em 03/02/2010 já havia ocorrido a decisão do CARF que confirmou a decisão de 1ª instância. Por conta disso, o presente processo foi enviado para a DERAT/SP para análise dos procedimentos de compensação realizada pela Recorrente; (v) desta análise resultou o Despacho Decisório, de 22/06/2012 (fls. 324/329), com ciência à Recorrente em 02/07/2012, no qual restou decidido que o crédito de FINSOCIAL não foi suficiente para compensar todos os débitos relacionados pela contribuinte na DCTF; (vi) a Recorrente foi cientificada do Despacho Decisório, sendolhe concedido o prazo para recurso de 10 (dez) dias do recebimento postal, de acordo com o art. 44 da Lei n° 9.784/99. Apresentou Manifestação de Inconformidade contra esta decisão a qual não foi analisada, sendo os débitos encaminhados para cobrança. A interessada impetrou e teve deferido o pedido liminar, nos autos do Mandado de Segurança nº 0015684 56.2012.403.6100, para determinar que a sua Manifestação de Inconformidade fosse apreciada pela RFB, com a suspensão da exigibilidade dos créditos tributário discutidos (fls. 350/352). Fl. 426DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 427 7 Em síntese, o que sustenta a Recorrente é que "(...) Por sua vez, a intimação da negativa de homologação data de 02.07.2012, muito além dos cinco anos previstos no art. 74, § 5o, da Lei n° 9.430/96, quando de há muito já implementada a homologação tácita". Como é consabido, o instituto da homologação tácita visa exteriorizar resposta da Administração Tributária em razão de seu silêncio, de sua inércia. No caso, não houve tal inércia, e sim a normal atividade da Receita Federal do Brasil que avaliou a compensação (em 18/05/2004) pretendida pela Recorrente pouco mais de dois anos depois de sua apresentação (DCTF transmitidas em novembro de 2001 e fevereiro de 2002), não havendo espaço algum para se falar em homologação tácita. Saliente se que para fins de cumprimento do artigo 489, §1º, do CPC, todos os procedimentos colacionados pela Recorrente em sua defesa, corroboram o juízo aqui exposto, uma vez que se limitam a reconhecer a homologação tácita na hipótese de inércia da Administração Pública, o que, como já destacado, não se efetivou no presente caso. 4. Da alegada retroatividade da norma Trouxe ainda a Recorrente em seu recurso, argumentos sobre a possibilidade de aplicação retroativa da norma, alegando que "(...) De fato, não há qualquer óbice à aplicação retroativa do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Inclusive, o próprio dispositivo admite a sua aplicação a fatos pretéritos, ao prever expressamente que os pedidos de compensação já realizados e pendentes de apreciação seriam considerados declarações de compensação, para fins de aplicação do instituto da homologação tácita. É dizer, o art. 74 reconhece explicitamente a aplicação do instituto a compensações ocorridas antes de 31.12.2002, não havendo que se cogitar, portanto, da sua irretroatividade, como sustenta o acórdão atacado". Esta matéria, como bem pontuado pela decisão de piso, restou consignada que a legislação acima citada, corresponde às alterações efetuadas no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Considerando que a primeira foi publicada somente em 31/12/2002, concluise que tais alterações não estavam em vigor à época da entrega das DCTF em tela (11/2001 e 02/2002). As novas normas instituíram a chamada Declaração de Compensação DCOMP, por meio da qual o sujeito passivo deve formalizar, obrigatoriamente, qualquer compensação pretendida no âmbito da RFB. A DCOMP, ao contrário do anterior “Pedido de Compensação”, possui natureza constitutiva do crédito tributário compensado, o qual é considerado extinto sob condição resolutória de posterior homologação pela Administração da compensação informada, a qual deve ocorrer no prazo de cinco anos da entrega da declaração, sob pena de ser considerada a compensação homologada tacitamente. Além disso, a Lei equiparou os pedidos de compensação pendentes de apreciação à DCOMP. Assim é que, no presente caso, não há que se falar em homologação tácita das compensações. As inovações trazidas por tal legislação, assim como os efeitos delas decorrentes, inclusive a homologação tácita, estão vinculados à apresentação da DCOMP, a qual sequer existia quando da apresentação das DCTF em análise. Além disso, não foi apresentado pelo sujeito passivo o Pedido de Compensação previsto na norma aplicável anteriormente, não havendo, portanto, que se falar na equiparação trazida pela Lei nº 10.637/2002. 5. Da prescrição dos valores exigidos Fl. 427DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 428 8 Aduz a Recorrente que, "(...) Por fim, ainda que se entenda que o art. 74 da Lei n° 9.430/96 não pode ser aplicado ao caso dos autos — o que se admite apenas ad ar gumentandum , deverá ser reconhecida, desde já, a prescrição dos valores exigidos, nos termos do art. 174 do CTN. Com efeito, se os débitos de COFINS foram constituídos pela Recorrente nas DCTFs transmitidas em novembro de 2001 e fevereiro de 2002, é evidente que não poderiam ter sido exigidos pela Fiscalização mais de dez anos depois da sua constituição, como se deu no presente caso". Como se vê, tratase de argumentos que se refere a prescrição intercorrente, ou seja, a análise de questões relativas à prescrição vinculadas à possibilidade de cobrança do crédito tributário declarado em DCTF, que estão sendo tratados neste processo. Assim, o CTN prevê em seu art. 174 que o prazo prescricional do crédito tributário começa a ser contado na data de sua constituição definitiva. Na esfera administrativa, existindo impugnação ao referido crédito tributário, suspendese sua exigibilidade, nos termos do que dispõe o art. 151, inciso II, do Código Tributário Nacional. Assim, não há que se falar em prescrição quando pendente recurso administrativo interposto pelo Contribuinte. Ainda sobre a prescrição intercorrente, é cediço que tratase de matéria sumulada no âmbito deste CARF, conforme define a Súmula nº 11 do CARF, que determina que: "Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal". Sendo as Súmulas, conforme definido no RICARF, de aplicação obrigatória pelo Colegiado, deve ser rechaçado esse argumento. 6. Dispositivo Forte em todo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Declaração de Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Na sessão de julgamento, ousei em divergir do I. Conselheiro Relator por entender que ocorreu efetivamente na hipótese a prescrição dos valores constituídos em DCTF, como passo a esclarecer a seguir. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 429 9 Como já tive a oportunidade de trazer um breve retrospecto da legislação aplicável às compensações de créditos judiciais no Acórdão n.º 3402003.843, a compensação de tributos federais foi autorizada originariamente pelo art. 66 da Lei n.º 8.383/19911, segundo o qual a compensação de tributos da mesma espécie e de mesma destinação constitucional poderia ser realizado de forma autônoma pelo contribuinte em seus documentos fiscais e contábeis, independentemente de requerimento prévio. Nesses moldes, a compensação era realizada pelo sujeito passivo e declarada nos documentos fiscais correspondentes (DCTF, GFIP ou similares). Contudo, essa disciplina legal foi alterada pelo art. 74 da Lei n.º 9.430/96, passando a ser exigido um requerimento prévio pelo interessado para a realização da compensação com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Vejamos a redação original deste dispositivo, vigente à época dos fatos geradores autuados e da transmissão da DCTF sob análise: "Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração." (grifei) Assim, diferentemente do que era viabilizado no regime anterior do art. 66 da Lei n.º 8.383/1991, com a disciplina introduzida pela Lei n.º 9.430/1996 o contribuinte não mais poderia proceder de forma autônoma com as compensações nos documentos fiscais (DCTF, GFIP ou equivalente). Passou a ser exigida a apresentação de requerimento prévio à Receita Federal. Essa questão foi muito bem elucidada pelo então Ministro do Superior Tribunal de Justiça Teori Albino Zavascki, no voto proferido no Recurso Especial n.º 548.161, na qual analisou caso de contribuinte que solicitou compensação em ação judicial protocolada em 1998. Vejamos primeiramente a ementa deste julgado: "TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECLARADO INCONSTITUCIONAL PELO STF. PRESCRIÇÃO. NOVA ORIENTAÇÃO FIRMADA PELA 1ª SEÇÃO DO STJ, NA APRECIAÇÃO DO ERESP 423.994/MG. FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DIFERENTES. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS. ÍNDICES. 1. A 1ª Seção do STJ, no julgamento do ERESP 423.994/MG, Min. Peçanha Martins, sessão de 08.10.2003, consagrou o seguinte entendimento, quanto ao prazo para pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação cuja cobrança foi declarada inconstitucional pelo STF: (a) se a declaração de inconstitucionalidade ocorreu em sede de ação de controle concentrado, o prazo de cinco anos inicia na data da publicação do respectivo acórdão; e (b) se a inconstitucionalidade foi declarada na via do controle difuso, o prazo qüinqüenal tem início na data da resolução do Senado Federal suspendendo a execução da norma (CF, art. 52, X). Inexistindo resolução do Senado, aplicase a regra geral adotada para a repetição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, qual 1 "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995)" (grifei) Fl. 429DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 430 10 seja, a de considerar como termo inicial do cinco anos da prescrição a data da homologação do lançamento. Adotase o entendimento firmado pela Seção, com ressalva do ponto de vista pessoal. 2. No regime da Lei 9.430/96, a compensação dependia de requerimento à autoridade fazendária, que, após a análise de cada caso, efetuaria ou não o encontro de débitos e créditos. Essa situação somente foi modificada com a edição da Lei 10.637/02, que deu novas redação ao art. 74 da Lei 9.430/96, autorizando, para os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a compensação de iniciativa do contribuinte, mediante entrega de declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos utilizados, cujo efeito é o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 3. Temse, assim, que, à época da propositura da demanda (1998), não havia autorização legal para a realização da compensação pelo próprio contribuinte, sendo indispensável o seu requerimento à Secretaria da Receita Federal, razão pela qual o pedido veiculado na inicial não poderia, com base no direito então vigente, ser atendido. Fica ressalvado, contudo, o direito da autora de proceder à compensação dos créditos na conformidade com as normas supervenientes. 4. Recurso especial provido." (REsp 548.161/PE, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/11/2003, DJ 09/12/2003, p. 235 grifei) Da íntegra do julgado acima depreendese um claro histórico da legislação aplicável à compensação no âmbito federal, evidenciando a impossibilidade da compensação autônoma pelo sujeito passivo a partir de 27/12/1996: "2.À luz do quadro legislativo correspondente, e se atendendo à regra geral segundo a qual a lei aplicável à compensação é a vigente na data do encontro entre os débitos e créditos, resulta que (a) até 30.12.91, não havia, em nosso sistema jurídico, a figura da compensação tributária; (b) de 30.12.91 a 27.12.96, havia autorização legal apenas para a compensação entre tributos da mesma espécie, nos termos do art. 66 da Lei 8.383∕91; (c) de 27.12.96 a 30.12.02, era possível a compensação entre valores decorrentes de tributos distintos, desde que todos fossem administrados pela Secretaria da Receita Federal e que esse órgão, a requerimento do contribuinte, autorizasse previamente a compensação, consoante o estabelecido no art. 74 da Lei 9.430∕96; (d) a partir de 30.12.02, com a nova redação do art. 74 da Lei 9.430∕96, dada pela Lei 10.637∕02, foi autorizada, para os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a compensação de iniciativa do contribuinte, mediante entrega de declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos utilizados, cujo efeito é o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O pedido formulado na inicial, datada de 1998, está expresso nos seguintes termos: "que à impetrante seja reconhecido o direito em proceder com a compensação do valor pago indevidamente a título de FINSOCIAL, com impostos e contribuições devidos ao impetrado, conforme já pacificou o STJ, ratificado pelo Decretolei 2.138∕96" (fls. 13). O Decreto mencionado regulamentava o art. 74 da Lei 9.430∕96, estatuindo em pelo menos dois artigos que a compensação seria realizada pela própria Receita Federal — exigência que, conforme já se afirmou, não existia no regime do art. 66 da Lei 8.383∕91: Art. 1º, parágrafo único: A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. (...) Fl. 430DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 431 11 Art. 3º A Secretaria da Receita Federal, ao reconhecer o direito de crédito do sujeito passivo para restituição ou ressarcimento de tributo ou contribuição, mediante exames fiscais para cada caso, se verificar a existência de débito do requerente, compensará os dois valores. Temse, assim, que, à época da propositura da demanda (1998), não havia autorização legal para a realização da compensação pelo próprio contribuinte, sendo indispensável o seu requerimento à Secretaria da Receita Federal, que, após a análise de cada caso, efetuaria ou não o encontro de débitos e créditos. O pedido veiculado na inicial não poderia, portanto, com base no direito então vigente, ser atendido. Sobrevieram, contudo, as modificações legislativas acima aludidas, relativas à abrangência e ao procedimento da compensação. Sobreveio também a Lei Complementar 104∕2001, que introduziu no Código Tributário o art. 170A, segundo o qual "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". Agregouse, com isso, novo requisito para a realização da compensação tributária: a inexistência de discussão judicial sobre os créditos a serem utilizados pelo contribuinte na compensação. Atualmente, portanto, a compensação será viável apenas após o trânsito em julgado da decisão, devendo ocorrer, de acordo com o regime previsto na Lei 10.637∕02, isto é, (a) por iniciativa do contribuinte, (b) entre quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, (c) mediante entrega de declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos utilizados, cujo efeito é o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação." (grifei) Inicialmente, no âmbito infralegal, a disciplina para a compensação trazida pela Instrução Normativa n.º 21/1997 (DOU 11/03/1997) conciliou os dois regimes trazidos pelos diplomas legais acima mencionados, autorizando a compensação por meio de documento fiscal somente de tributos da mesma espécie e destinação (art. 14), exigindo o requerimento prévio para a compensação de tributos de espécies distintas (art. 12). Entretanto, para quaisquer dessas situações, o requerimento prévio era exigido em se tratando de indébito reconhecido por sentença judicial transitada em julgado (como no caso sob análise), com a devida comprovação da desistência da execução na via judicial (art. 17). Vejamos a exata disciplina normativa, vigente à época do presente processo: "Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. (...) § 7º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. l7. (...) Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos Fl. 431DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 432 12 subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. (...) § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. (...) Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997)" Importante frisar que a disciplina da Instrução Normativa n.º 21/1997 acima transcrita é clara quanto aos casos semelhantes ao presente, que envolvem crédito reconhecido judicialmente por decisão judicial transitada em julgado. Em qualquer caso, o contribuinte deveria apresentar previamente pedido de restituição/ressarcimento e "comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios" (art. 17, §1º). No presente caso, como bem relatado pelo I. Conselheiro Relator, a empresa Recorrente exsurge contra o despacho decisório emitido que negou as compensações declaradas em DCTF com os créditos de FINSOCIAL reconhecidos judicialmente (Ação de Repetição de Indébito n° 00.06490042, que recebeu o n° 90.03.178674 na remessa oficial perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região). Em conformidade com a exigência normativa da época, a empresa efetuou um pedido formal junto à Receita Federal para a compensação, que foi deferida em 05/09/2000. Com fulcro nessa autorização e na disciplina normativa então vigente, a Recorrente procedeu com a compensação via DCTF de débitos de COFINS, transmitidas em 2001 (efls. 8/15). Por entender que a compensação não poderia ser homologada face a insuficiência do crédito judicial, foi lavrado Auto de Infração para a cobrança dos débitos declarados relativos ao período de 12/2001 e 01/2002, no PTA n° 19515.000948/200425. Naquele processo, a própria DRJ e o CARF reconheceram o equívoco procedimento cometido pela lavratura do Auto de Infração, vez que os débitos já estavam constituídos por estarem confessados em DCTF. Nas palavras do acórdão da DRJ proferido naqueles autos e acostados aos presentes às efls, 116/126, cujos termos foram mantidos pelo CARF após análise do recurso de ofício: Fl. 432DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 433 13 "No entanto, a própria autoridade lançadora observa no referido termo que os valores de COFINS compensados foram objeto de informação em DCTF ( fl s. 322 a 337 e 373). (...) Os valores declarados em DCTF são, em princípio, passíveis de exigência imediata, no todo ou em parte, por meio da referida declaração, em decorrência de vinculação incorreta, caso assim também entenda a autoridade competente. Concluise, portanto, pela improcedência do presente lançamento em relação a tais períodos de apuração, tanto em relação à contribuição, uma vez que já declarada espontaneamente em DCTF, como em relação à multa de oficio, uma vez que não se verifica a ocorrência de nenhuma das hipóteses legais para sua constituição." (e fls. 121 e 126 grifei) Ora, uma vez já reconhecido que os débitos foram confessados em DCTF quando de sua apresentação, em 2001, e a correspondente desnecessidade de proceder com o Auto de Infração, evidente que o único caminho que poderia ser seguido pela Receita Federal era o direcionamento dos débitos para dívida ativa para cobrança executiva. Como evidenciado no acórdão da DRJ acima transcrito proferido no processo do Auto de Infração, os valores declarados são, em princípio, passíveis de exigência imediata com fulcro na própria Declaração, desnecessária outra providência por parte da Receita Federal. Contudo, para esse procedimento de cobrança judicial dos valores constituídos administrativamente, corre o prazo de prescrição de 5 (cinco) previsto no art. 174 do CTN constados de sua constituição definitiva, qual seja, sua declaração em DCTF: "Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva." Nesse sentido é a manifestação em sede de recurso repetitivo do Superior Tribunal de Justiça, entendendo que a contagem do prazo prescricional deve se dar da data indicada para vencimento dos tributos declarados na DCTF: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO DE O FISCO COBRAR JUDICIALMENTE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO POR ATO DE FORMALIZAÇÃO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE (IN CASU, DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS). PAGAMENTO DO TRIBUTO DECLARADO. INOCORRÊNCIA. TERMO INICIAL. VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECLARADA. (...) 1. O prazo prescricional quinquenal para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário contase da data estipulada como vencimento para o pagamento da obrigação tributária declarada (mediante DCTF, GIA, entre outros), nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que, não obstante cumprido o dever instrumental de declaração da exação devida, não restou adimplida a obrigação principal (pagamento antecipado), nem sobreveio quaisquer das causas suspensivas da exigibilidade do crédito ou interruptivas do prazo prescricional (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 658.138/PR, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministra Eliana Calmon, julgado em 14.10.2009, DJe 09.11.2009; REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, julgado Fl. 433DF CARF MF Processo nº 12157.000098/200947 Acórdão n.º 3402004.847 S3C4T2 Fl. 434 14 em 28.11.2007, DJ 07.02.2008; e AgRg nos EREsp 638.069/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 25.05.2005, DJ 13.06.2005). 2. A prescrição, causa extintiva do crédito tributário, resta assim regulada pelo artigo 174, do Código Tributário Nacional, verbis: (...) 3. A constituição definitiva do crédito tributário, sujeita à decadência, inaugura o decurso do prazo prescricional quinquenal para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário. 4. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei (dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a lançamento por homologação), é modo de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 5. O aludido entendimento jurisprudencial culminou na edição da Súmula 436/STJ, verbis: "A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco." 6. Consequentemente, o dies a quo do prazo prescricional para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário declarado, mas não pago, é a data do vencimento da obrigação tributária expressamente reconhecida. (...) 19. Recurso especial provido, determinandose o prosseguimento da execução fiscal. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1120295/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/05/2010, DJe 21/05/2010) Assim, uma vez que os débitos foram confessados e definitivamente constituídos pela Recorrente com a sua declaração em DCTF, incorrida em 2001, o prazo prescricional para sua cobrança transcorreu em 2006. A lavratura de um despacho decisório nos idos de 2012 foi somente uma tentativa, que deveria ser fatalmente frustrada, de novamente constituir valores já constituídos com sua declaração em DCTF, o que não poderia ser de qualquer forma admitido. Sob esta perspectiva que ousei em divergir do I. Conselheiro Relator para dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte para cancelar a exigência dos débitos objeto do despacho decisório por já estarem fulminados pela prescrição na forma do art. 174, do CTN. É como declaro o meu voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Conselheira Fl. 434DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.002326/00-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Não é conhecido recurso especial se não há divergência na interpretação da lei tributária.
Numero da decisão: 9101-003.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo -Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Não é conhecido recurso especial se não há divergência na interpretação da lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 23 26 /0 0- 10 Fl. 374DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Auto de Infração de IRPJ, quanto ao anocalendário de 1996, com imposição de multa de 75% ao crédito tributário (Auto de Infração às fls. 68/71). Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 64/65): No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, em prosseguimento aos trabalhos de fiscalização desenvolvidos junto ao Banco Fenícia S/A, sucedido pelo contribuinte acima identificado, verificamos, consoante se depreende da análise do item 28 da "Ficha 06 Demonstração do Lucro Liquido" da Declaração de Rendimentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do anocalendário de 1996, exercício financeiro de 1997, a apropriação da Provisão para a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido no valor de R$ 3.860.582,47, superior, portanto, aos R$ 2.788.253,34 referentes A CSLL declarada no item 22 da "Ficha 11 Cálculo da CSLL", sem que tenha procedido à necessária adição ao Lucro Liquido no "Livro de Apuração do Lucro Real LALUR", da respectiva diferença no importe de R$ 1.072.329,13. Regularmente intimado a justificar seu procedimento, o fiscalizado respondeu, em resumo, que "...não há que se falar em erro no transporte da Linha 27 da Ficha 06 para a Linha 22 da Ficha 11 uma vez que, conforme consta do próprio manual de preenchimento da DIRPJ, o valor a ser apontado ai é o referente à soma das provisões para CSLL sobre os lucros real e diferido, enquanto que o valor apontado na Ficha 11 corresponde A CSLL efetivamente devida no período." (sic) Tendo em vista que o auditado não adicionou ao Lucro Liquido do AC/96 a referida importância de R$ 1.072.329,13, procederemos â sua adição através de lançamento de oficio, com a constituição do pertinente crédito tributário a ser consubstanciado pela lavratura do competente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, do qual o presente "Termo" fará parte integrante. Enquadramento legal : Artigos 193, 194 e 195, Inciso I, todos do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11.01.94 (RIR194), vigente à época da ocorrência do fato. O contribuinte apresentou impugnação administrativa (fls. 73), que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (fls. 127/135): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1996 Ementa: IRPJ. LUCRO REAL. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16327.002326/0010 Acórdão n.º 9101003.423 CSRFT1 Fl. 375 3 Na determinação do Lucro Real, é vedado deduzir do lucro liquido a contrapartida da provisão para pagamento da CSLL em anocalendário futuro. Apenas as provisões expressamente autorizadas no Regulamento e em ato do Ministro da Fazenda são dedutiveis para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Lançamento Procedente Em recurso voluntário, o contribuinte sustenta, em síntese, (i) a correção das informações na DIPJ (linhas 6/28 e 11/22), diante do MAJUR; (ii) não se aplicaria o entendimento “a contrario sensu” de que teria registrado despesas para a formação de provisão par aa CSLL em valor superior ao da CSLL devida, por força do MAJUR mencionado, que validaria os lançamentos na forma do artigo 100, do Código Tributário Nacional; (iii) não haveria impactos de ordem tributária, tema que teria sido analisado em precedentes do CARF (10189.296); (iv) seria inaplicável a taxa de juros SELIC (fls. 144/160). A Turma a quo deu parcial provimento ao recurso voluntário, cancelando o auto de infração e reduzindo o saldo negativo de IRPJ, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir (fls. 242, volume 2): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 PROVISÃO DE CSLL DEDUTIBILIDADE A provisão que deve ser informada na Linha 06/28 da DIPJ/97 é a "soma das provisões para a contribuição social, calculada sobre o lucro do períodobase e sobre os lucros diferidos." 0 contribuinte deve calcular a CSLL sobre o lucro do períodobase e não realizar o cálculo com base em um lucro estimado por esta. IRPJ. AUTO DE INFRAÇÃO. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. EXIGÊNCIA DE TRIBUTO. Identificada a inclusão de deduções indevidas, devese, após a competente glosa, integrar o respectivo valor na apuração da base de cálculo para se encontrar o montante do tributo devido. Se remanesce negativo o saldo de tributo a pagar mesmo após a exclusão da dedução indevida, deve ser procedido o ajuste do saldo negativo do imposto, e não o lançamento do tributo que, ao final do período de apuração, mostrase indevido. Recurso procedente em parte. A Procuradoria foi intimada deste acórdão, sem que tenha apresentado recurso (fls 253). Fl. 376DF CARF MF 4 O contribuinte, intimado em 06/08/2012 (fls. 260, volume 2), apresentou embargos de declaração em 10/08/2012, no qual alega contradição no acórdão embargado. A Turma a quo acolheu os embargos para suprir omissão, sem efeitos infringentes, em acórdão ementado da forma seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. No caso de existência de saldo negativo, este não afeta a apuração da base de incidência do IRPJ e da CSLL, uma vez que o saldo negativo é crédito do contribuinte e que pode, inclusive, ser objeto de pedidos de compensação com outros tributos de outras espécies, por meio da apresentação da competente PER/DCOMP. Assim, caso se realize o lançamento e não se promova a absorção desse crédito, é dado ao julgador administrativo promover referida redução, que não afeta a formação da norma individual e concreta de tributação, mas apenas a composição do valor exigível a partir da autuação O contribuinte foi intimado quanto ao acórdão em 21/07/2014 (fls. 296), apresentando recurso especial em 05/08/2014 (fls. 298). Neste recurso, sustenta divergência com o paradigma 10323.605, no qual se decidiu que “se feita tal recomposição verificase que o auto de infração era para ter sido lavrado com redução de saldo negativo do IRPJ (...). Dessa forma, verificase que o auto de infração foi lavrado de forma completamente indevida, incluindo a cobrança de multa de ofício indevida, motivo pelo qual deve ser cancelado”. O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas pelo Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção (fls. 362/364) Com vistas à análise, transcrevo a ementa do acórdão indicado como paradigma, no que interessa ao exame da matéria: Acórdão nº 10323.605 16/10/2008 3ª Câmara/1º CC (...) Examinando o acórdão apresentado como paradigma, na íntegra, verificase que trata de situação similar à analisada no acórdão recorrido, com conclusão distinta. O acórdão paradigma, ao verificar que a recomposição do lucro realizada pelo Fisco ensejaria no máximo a lavratura do auto como redução de saldo negativo do 1RPJ, entendeu que o lançamento deveria ser cancelado, pois teria sido efetuado de forma indevida, inclusive com a cobrança de multa de ofício O acórdão recorrido, por sua vez, ao examinar situação similar entendeu que apesar de ser indevida a exigência da diferença do tributo lançado com multa de ofício, o saldo negativo do IRPJ Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16327.002326/0010 Acórdão n.º 9101003.423 CSRFT1 Fl. 376 5 originalmente apurado deveria ser ajustado mediante a redução proporcional do IRPJ, apurado em face da glosa do excesso de compensação de prejuízos. Assim, entendo que restou caracterizada a divergência jurisprudencial alegada Em cumprimento ao disposto no art. 18, III, do Anexo II do RICARF, e com base nas razões retro expostas que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 21/03/2016, que apresentou contrarrazões em 31/03/2016, requerendo não seja conhecido o recurso, ou, subsidiariamente, sejalhe negado provimento. Em síntese, sustenta falta de similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária, como também ausência de indicação do dispositivo legal aplicado de forma distinta pelos acórdãos recorrido e paradigma. Esclareçase, ainda, que a Procuradoria não questionou o mérito do recurso especial. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O recurso especial do contribuinte é tempestivo. Passo, assim, à análise dos demais requisitos questionados expressamente pela Procuradoria recorrida. Legislação interpretada de forma divergente A Procuradoria questiona o conhecimento do recurso especial diante da ausência de indicação do dispositivo legal aplicado de forma distinta pelos acórdãos recorrido e paradigma. A Procuradoria questiona o conhecimento do recurso especial, sustentando que “a parte contribuinte sequer apontou qual o dispositivo legal teria sido aplicado diversamente.” (trecho das contrarrazões, fls. 371). Com efeito, o atual Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015) prevê tal exigência em seu artigo 67, §1º, verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 378DF CARF MF 6 § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) A despeito disso, o RICARF (Portaria MF 256/2009) vigente ao tempo da interposição do recurso especial (05/08/2014) não exigia a “demonstração objetiva” da legislação interpretada de forma divergente. Sem que existisse norma expressando a exigência, não pode ser imposto aos recorrentes o ônus de seu cumprimento. Assim, rejeito a alegação da Procuradoria, passando à análise dos demais requisitos para conhecimento do recurso. Similitude Fática e Demonstração da Divergência A Procuradoria questiona, ainda, a similitude fática e demonstração da divergência quanto ao acórdão paradigma indicado pelo contribuinte. Lembro que o contribuinte apresentou recurso especial indicando como único paradigma o acórdão nº 10323.605 (Processo Administrativo nº 15374.001507/0019). Este acórdão paradigma tem a seguinte situação fática relatada pelo Conselheiro Relator da Turma julgadora: Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: "Versa o presente processo sobre o auto de infração de fls. 61/62, lavrado pela DRF/RL em 05/06/2000, sendo exigido da interessada acima identificada Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$138.024,29, acrescido de multa de 75% e juros de mora. O crédito total lançado monta a R$306.455,32. O lançamento foi efetuado em virtude de ter a fiscalização verificado a prática de INFRAÇÃO NÃO SUJEITA A REDUÇÃO POR PREJUÍZO, por INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%, resultando na GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMEIVTE, na apuração dos seguintes fatos, conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal, de 05/06/2000, àfl.57: Compensação indevida do saldo, em 31/12/96, de prejuízos fiscais apurados pela incorporada LASA TRADING S/A, do 1° semestre/92 até o Anocalendário 1996, conforme controle registrado à fl. 19 do LALUR N° 6 (11.58), tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro líquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação do Imposto de Renda. Enquadramento legal: artigos 196, inciso III, 197, parágrafo único, do RIR/94, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11/01/1994, e artigo 15 e parágrafo único, da Lei n°9.065/95. A interessada juntou aos autos, em 28/06/2000, a impugnação de fls. 71/78, alegando, preliminarmente, que não pretende discutir o mérito objeto do Mandado de Segurança impetrado junto à 90 Fl. 379DF CARF MF Processo nº 16327.002326/0010 Acórdão n.º 9101003.423 CSRFT1 Fl. 377 7 Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro (processo n° 98.000.3943), através do qual visa obter autorização para compensar os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro, existentes em 31 de dezembro de 1996, com lucros apurados a partir de 01 de janeiro de 1997, sem a limitação de 30% determinada pela Lei n° 8.981/95. Aduziu pretender demonstrar que, apesar de contar com autorização para depósito judicial de todas as quantias questionadas, deixou de. efetuar o depósito judicial do IRPJ, por deter crédito legítimo de Imposto de Renda Retido na Fonte, o qual foi compensado com o Imposto de Renda de 1997, apurado sem o efeito da liminar relativa ao processo em referência, ou seja, o IRPJ integralmente devido foi pago, de forma absoluta, pela compensação do 1RRF retido, porquanto a impugnação deve ser conhecida e analisada. Diante deste quadro fático, a Turma prolatora do único acórdão paradigma (10323.605) decidiu que: Por outro lado, apesar de a recorrente ter enveredado por uma linha de defesa muito confusa, percebo que sua intenção seja mesmo de indicar a falta de recomposição do resultado final do IRPJ apurado no final do ano. E de fato tem ela razão se considerado sob essa outra ótica. De fato, o autuante não fez a recomposição do lucro real, quando da identificação da infração de compensação a maior de prejuízos fiscais (30%). Conforme ficha 08 da DIPJ/98 (fls.11) a recorrente possuía no referido anocalendário da autuação um saldo negativo de R$ 251.699,07 não observado pelo autuante. Posta essa premissa e se feita tal recomposição verificase que o auto de infração era para ter sido lavrado como redução de saldo negativo do IRPJ de R$ 251.699,07 para R$ 21.658,57, conforme cálculo abaixo, mas não foi isso que aconteceu: (...) Dessa forma, verificase que o auto de infração foi lavrado de forma completamente indevida, incluindo a cobrança de multa de oficio indevida, motivo pelo qual deve ser cancelado. Inclusive tal ajuste já foi efetuado contabilmente pela recorrente conforme consta de prova nos autos (doc. de fls. 42 — razão analítico), em que o imposto a recuperar foi diminuído. Lembro que o caso dos presentes autos é relatado da forma seguinte pelo acórdão recorrido (fls. 242, volume 2): Segundo se extrai do relatório proferido pela DRJ: (...) 2.1. Conforme descrito no Termo de Verificação (fly. 44): verificamos, consoante se depreende da análise do item 28 da "Ficha 06 Demonstração do Lucro Liquido" da Declaração de Rendimentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do anocalendário de 1996, exercício financeiro de 1997, a apropriação da Provisão para a Contribuição Social sobre o Fl. 380DF CARF MF 8 Lucro Liquido no valor de R$ 3.860.582,47, superior, portanto, aos R$ 2.788.253,34 referentes it CSLL declarada no item 22 da "Ficha 11 — Cálculo da CSLL", sem que tenha procedido à necessária adição ao Lucro Liquido no "Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR", da respectiva diferença no importe de R$ 1.072.329,13. Regularmente intimado a justificar seu procedimento, o fiscalizado respondeu, em resumo, que "...não há que se falar em erro no transporte da Linha 27 da Ficha 06 para aliriha 22 da Ficha 11 uma vez que, conforme consta do próprio manual de preenchimento da DIRPJ, o valor a ser apontado ai é o referente soma das provisões para a CSLL sobre os lucros real e diferido, enquanto que o valor apontado na Ficha 11 corresponde à CSLL efetivamente devida no período." (sic) Tendo em vista que o auditado não adicionou ao lucro Liquido do AC/96 a referida importância de R$ 1.072.329,13, procederemos a sua adição através de lançamento de oficio, com a constituição do pertinente crédito tributário a ser consubstanciado pela lavratura do competente Auto de Infracão de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, do qual o presente "Termo "fará parte integrante." A Turma a quo, no acórdão recorrido, decidiu assim cancelar o auto de infração e reduzir o saldo negativo do IRPJ, conforme voto do exConselheiro Relator, do qual se extrai: Neste momento, fazse mister ressaltar que as provisões são reduções de ativo ou acréscimos no passivo cujos valores não são ainda totalmente definidos. A medida que essas perdas tornamse definitivas, devem deixar de ser consideradas provisões, transformando em obrigações liquidas e certas, com valor já definido. Segundo esse raciocínio, quando da apuração do resultado anual (31/12/1996), a Recorrente deveria ter calculado o valor que seria devido a título de CSLL, uma vez que já dispunha da base de cálculo desta. Assim, deveria ter ajustado sua provisão para que espelhasse o valor realmente devido, após a apuração da CSLL. Não há como interpretar as regras do MAJUR como quer a Recorrente. A provisão que deve ser informada na Linha 06/28 é a "soma das provisões para a contribuição social, calculada sobre o lucro do períodobase e sobre os lucros diferidos." Ou seja, o contribuinte deve calcular a CSLL sobre o lucro do períodobase e não realizar o cálculo com base em um lucro estimado por esta. Ou seja: como ao final do anocalendário o contribuinte já possui dados suficientes para o cálculo da CSLL, esta deve ser avaliada e informada na DIPJ. Não cabe ao contribuinte manter uma provisão de CSSL, em 31 de dezembro, divergente da que realmente é devida, sendo que, nesta data, já é possível o cálculo do valor correto. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 16327.002326/0010 Acórdão n.º 9101003.423 CSRFT1 Fl. 378 9 Diante do exposto, não acolho os argumentos de que o preenchimento da DIPJ se deu na forma determinada pelo Manual de Orientações para Preenchimento da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (MAJUR). Alega, ainda, a Recorrente que não poderia a Fiscalização glosar os valores relativos à provisão constituída para fazer frente A. CSLL, em virtude na necessidade de verificação de oferecimento da provisão à tributação em consequencia de sua reversão (...) Ocorre que, ao analisar o Razão Analítico acostado aos autos pela Recorrente, não pode ser observado a reversão no valor de R$ 1.072.329,13 com o devido crédito no resultado. Além disso, mesmo que houvesse a comprovação da reversão dos valores provisionados, com o devido crédito no resultado, não há provas de que tais valores compuseram a base de cálculo do lucro real no ano seguinte. O simples fato de constar um crédito no resultado não significa que participou da formação da base de cálculo dos tributos do anocalendário subseqüente. Assim, não acolho tal argumento aventado pela Recorrente. Da mesma forma, improcede o alegado erro na apuração do IRPJ devido, para fins de cálculo do adicional, tendo em vista que a dedução da parcela de R$ 240.000,00 já havia sido procedida quando da apuração do IRPJ na Declaração apresentada pela contribuinte (Ficha 08 da DIPJ/97 — fl. 25). No entanto, compulsando o autos, verifico que, mesmo tomando como corretas as imputações realizadas pela Autoridade lançadora, a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ no anocalendário 1996, sendo que, após a glosa pretendido no presente auto de infração, remanesce negativo o imposto de renda devido no período. Disso decorre que o presente auto de infração não poderia ter sido lavrado como saldo de tributo a pagar, mas sim como redução de saldo negativo de IRPJ para os exercícios seguintes. Nesse sentido já se pronunciou o CARF, em situação com efeito semelhante, a saber: IRPJ. O lançamento deve ser cancelado quando o autuante não faz a recomposição do lucro real, quando da identificação da infração (compensação a maior de prejuízos fiscais 30%) e se verifica que a recomposição do lucro ensejaria no máximo a lavratura do auto como redução de saldo negativo do IRPJ . Ementario publicado no DOU n° 13 de 20/01/2009. Págs. 05/09 (acórdão 103 23605) Fl. 382DF CARF MF 10 Assim, deveria a Autoridade Fiscal ter procedido o ajuste do saldo negativo de IRPJ, e não o lançamento do tributo acrescido de multa e juros. Ora, identificada a inclusão de deduções indevidas, devese, após a competente glosa, integrar o respectivo valor na apuração da base de cálculo para se encontrar o montante do tributo devido. Se remanesce negativo o saldo de tributo a pagar mesmo após a exclusão da dedução indevida, deve ser procedido o ajuste do saldo negativo do imposto, e não o lançamento do tributo que, ao final do período de apuração, mostrase indevido. No caso dos autos, após a retificação dos valores constantes da DCTF, o IRPJ devido pela Recorrente encontrase negativo em R$1.201.1785,11, e não em R$ 1.456.757,38, como apontando na DIPJ. Esse valor é encontrado após a seguinte recomposição: (...) Diante do exposto, voto dar parcial provimento ao presente recurso, para cancelar o lançamento e reduzir o saldo negativo do anocalendário de 1996 para R$1.201.175,11 (um milhão, duzentos e um mil, cento e setenta e cinco reais e onze centavos), devendo a Autoridade Executora proceder a devida retificação no registro próprio. Em julgamento de embargos de declaração, o acórdão recorrido foi integrado para explicitar o quanto segue, conforme voto condutor: No primeiro caso prejuízo fiscal – a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro: IRPJ. O lançamento deve ser cancelado quando o autuante não faz a recomposição do lucro real, quando da identificação da infração (compensação a maior de prejuízos fiscais 30%) e se verifica que a recomposição do lucro ensejaria no máximo a lavratura do auto como redução de saldo negativo do IRPJ . Ementario publicado no DOU nº 13 de 20/01/2009. Págs. 05/09. (acórdão 103.23605) Vejase: tratase da correta formação da matéria tributável, ou seja, na composição do quantum do tributo devido, dentro da formação da base de cálculo do tributo. No segundo caso, saldo negativo – a existência do saldo negativo não afeta a apuração da base de incidência do IRPJ e da CSLL, uma vez que o saldo negativo é crédito do contribuinte e que pode, inclusive, ser objeto de pedidos de compensação com outros tributos de outras espécies, por meio da apresentação da competente PER/DCOMP. Assim, caso se realize o lançamento e não se promova a absorção desse crédito, é dado ao julgador administrativo promover referida redução, que não afeta a formação da norma individual e concreta de tributação, mas Fl. 383DF CARF MF Processo nº 16327.002326/0010 Acórdão n.º 9101003.423 CSRFT1 Fl. 379 11 apenas a composição do valor exigível a partir da autuação. Vejase a jurisprudência do CARF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJANOCALENDÁRIO: 2002 BASE DE CÁLCULO. RECOMPOSIÇÃO.AO REALIZAR O LANÇAMENTO DE OFICIO DO IRPJ E DA CSLL, DECORRENTE DA GLOSA DA PARTE DO PREJUÍZO FISCAL COMPENSADA PELA CONTRIBUINTE COM INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADOS PELAS ADIÇÕES E EXCLUSÕES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA, A AUTORIDADE TRIBUTÁRIA DEVERÁ APROVEITAR O SALDO NEGATIVO DO IRPJ E DA CSLL APURADOS PELO SUJEITO PASSIVO, EXCETO SE ESSES VALORES JÁ HOUVEREM SIDO OBJETO DE COMPENSAÇÃO. (acórdão 1201.00306) Neste sentido, promovese a absorção do lançamento pelo saldo negativo como mecanismo de liquidação, e não de composição da matéria tributável. Diante do exposto, voto por acolher os embargos sem efeitos infringentes, integrando a decisão proferida por meio do acórdão nº 140100.305 deste Colegiado. Notese que ao julgar os embargos de declaração, a Turma a quo, no acórdão recorrido, expressa entendimento sobre ser distinto o tratamento para o prejuízo fiscal e saldo negativo, mencionando exatamente o acórdão paradigma (10323605) para esclarecer que quanto ao prejuízo fiscal deveria ser cancelado o auto de infração por inteiro, entendimento não aplicável ao saldo negativo quando é matéria para liquidação, não alterando a matéria tributável. Diante disso, entendo que os acórdãos paradigma e recorrido são convergentes na interpretação da lei tributária. Assim, não conheço do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.005234/2002-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Ano-calendário: 1999, 2000
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF. APLICAÇÃO.
Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF. APLICAÇÃO.
É defeso a este colegiado administrativo de julgamento pronunciar-se sobre inconstitucionalidade de leis, aplicando-se ao caso a Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 3302-005.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF. APLICAÇÃO. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF. APLICAÇÃO. É defeso a este colegiado administrativo de julgamento pronunciarse sobre inconstitucionalidade de leis, aplicandose ao caso a Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 52 34 /2 00 2- 01 Fl. 262DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Por meio do Auto de Infração de fls. 3/15 da DRF Vitória, foi lançado o crédito tributário discriminado na tabela abaixo, referente a fatos geradores ocorridos entre 04/08/1999 e 02/08/2000: (...) O Auto de Infração foi assim motivado: Valor da CPMF apurado mediante informações encaminhadas pelas instituições responsáveis pela retenção e recolhimento da CPMF, relativamente aos contribuintes que se manifestaram em sentido contrário à retenção, bem assim àqueles que, beneficiados por medida judicial revogada, tenham encerrado suas contas antes de 29/09/2000; ou ainda contribuintes que não foram cobrados por apresentarem em suas contas insuficiência de fundos na data da retenção da contribuição, conforme Demonstrativo de fls. 2/3. (fl. 7). IMPUGNAÇÃO 3. O Interessado tomou ciência do Auto de Infração em 21/12/2002 (fl. 20) e, em 20/01/2003, interpôs a Impugnação de fls. 21/25, alegando, em síntese, que: 3.1 A exigência de CPMF, no período que vai até 31/10/2002, está sendo questionada perante a Justiça Federal do Espírito Santo, Mandado de Segurança (MS) 99.00051076, em que o Interessado pediu a concessão de liminar que impedisse o Delegado da Receita Federal em Vitória de exigir o desconto de CPMF; 3.2 A Sentença denegatória da segurança determinou que os bancos passassem a reter a CPMF. Todos os recolhimentos foram feitos em um depósito especial a favor do juízo, consoante determinado pelo juiz de 1ª instância; 3.3 Contra a decisão, foi interposta Apelação, em cujo julgamento, o TRF 2 determinou o desbloqueio dos depósitos a favor da União, logo todos os valores de CPMF foram recolhidos; Na Ação Civil Pública (ACP) 99.000.48873, movida pelo Ministério Público Federal do Espírito Santo (MPF/ES), foi concedida liminar afastando a exigibilidade da CPMF para todos os contribuintes daquele Estado, em 12/07/1999; 3.5 A constitucionalidade da prorrogação da CPMF pela Emenda Constitucional (EC) 21/99 está em discussão no STF (ADI 2.0315) ; 3.6 Entre o termo final da Lei n° 9.539/97, 23/01/1999, e o início da vigência da EC 21/99, 16/06/1999, não há base legal Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11543.005234/200201 Acórdão n.º 3302005.368 S3C3T2 Fl. 13 3 para cobrança da CPMF; 3.7 Pede o cancelamento integral do Auto de Infração. 4. Anexada à Impugnação, há pesquisa sobre Acórdãos do TRF 2 em linha com as teses do Interessado (fls. 26/37). 5. Em 21/12/2005, por meio da Resolução DRJ/RJ1 155/2005, o julgamento foi convertido em diligência para que, preliminarmente, a unidade preparadora informasse se o Interessado realizou efetivamente depósitos judiciais, a título de CPMF. Como veremos mais adiante, a resposta foi negativa, de tal sorte que os demais quesitos não foram respondidos, pois se subordinavam a uma primeira resposta positiva (fl. 51). 6. Na fl. 99, consta despacho do Seort da DRF Vitória, parcialmente transcrito abaixo: Em atenção ao despacho que distribuiu a este servidor o Mandado de Intimação n° MAN.0001.0006037/ 2008, com cópia às fls. 51, informo que registrei no SICAJ o Acórdão do TRF 2a Região, cientificado a esta DRF Vitória (ES) pelo mandado mencionado. (...). Tal Acórdão, proferido nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.50.01.0081739, negou provimento à Apelação da impetrante, interposta contra sentença que decretou a inépcia da inicial quanto ao pedido de inexigibilidade do valor principal da CPMF; além disso, esse acórdão deu provimento à Apelação da União e a remessa necessária, interpostas contra a referida sentença na parte que concedeu a segurança, "para determinar a autoridade impetrada que se abstenha de exigir os juros e a multa de mora incidentes sobre o valor da CPMF incidente sobre aplicações ou lançamentos verificados durante a vigência da medida liminar deferida no Mandado de Segurança n° 99.00051076". A decisão transitou em julgado em 12/02/2008, conforme extrato às fls.66. Informo, outrossim, que verificando o andamento do Mandado de Segurança n° 99.00051076, constatase dos documentos acostados às fls.75/85 que transitou em julgado, em 25/06/2007, decisão monocrática do TRF 2a Região, ratificando sentença que havia julgado improcedente o pedido da impetrante, em razão da constitucionalidade da cobrança da CPMF. Juntamos, por fim, os documentos de fls. 87/96, que noticiam decisões proferidas nos autos da Ação Civil Pública n° 99.00048873 que podem guardar relação com o crédito controlado pelo presente processo administrativo. 7. Na fl. 108, o despacho do Secat da DRF Vitória traz as seguintes informações: Trata o processo de Auto de Infração, relativo à CPMF, impugnado tempestivamente pelo interessado e convertido em Fl. 264DF CARF MF 4 diligência para manifestação quanto aos depósitos judiciais efetuados pela empresa. Complementando os esclarecimentos constantes do despacho às fl. 97 e em vista dos despachos SEORT e SEFIS, respectivamente às fl. fl. 98/99, anexei ao processo as pesquisas no sistema SIEF, SINAL 07 e SINALDEP com a informação de que não consta dos sistemas pagamentos ou depósitos referentes a CPMF no CNPJ da empresa interessada. 8. Cientificado do resultado da diligência em 10/06/2013 (fls. 112/114), o Interessado apresentou, em 09/07/2013, o Aditamento de fls. 116/118, no qual alega/informa/requer, em síntese, o que segue: 8.1 Foi incorporada pelo Supermercado São Silvano Ltda EPP, CNPJ 03.639.334/000106, que atualmente denominase Locação de Máquinas e Serviços Agropecuários São Silvano Ltda. EPP (fls. 127/147); 8.2 Consoante o PTA 10783.451731/200445 e a CDA 7260700119056, a incorporadora assumiu os débitos da incorporada, por sucessão. Em 21/05/2007, a PGFN protocolou execução em face da incorporadora, que recebeu o n° 2007.50.05.0002985 e, após digitalização, o n° 0000298.73.2007.4.02.5005. Em 14/08/2012, acolhendo proposta da PGFN, o juiz competente extinguiu o processo, por decadência do crédito executado, e o próprio exequente cancelou a inscrição 72.6.07.00119056 (doc. 4, fl. 148); 8.3 A RFB e a PGFN mantiveram os processos 10783.451731/200445 e 11543.005234/200201, que se referem aos mesmos fatos geradores de CPMF, em face respectivamente da incorporadora e da incorporada; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:1999, 2000 CONCOMITÂNCIA ENTRE AÇÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA A opção do contribuinte pela via judicial impede que se dê início ou continuidade à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE (ADI) EFEITOS SOBRE O PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF) A decisão transitada em julgado que declara inconstitucionalidade em sede de ADI, deve ser aplicada no PAF. Entretanto, se a inconstitucionalidade não for declarada, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) não gera efeito novo sobre o processo, haja vista que os julgadores Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11543.005234/200201 Acórdão n.º 3302005.368 S3C3T2 Fl. 14 5 administrativos não podem afastar a aplicação de lei ou ato normativo, sob fundamento de inconstitucionalidade. QUESTÕES IMPERTINENTES NÃO CONHECIMENTO FALTA DE INTERESSE DE AGIR Questões que não tenham influência sobre o julgamento não devem ser conhecidas, por falta de interesse de agir. Em razão do exposto, requer a extinção do PTA 11543.005234/200201. 9. É o relatório. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 07/10/2013, conforme AR de fl. 214, apresenta em 06/11/2013, fl. 216/253 Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, onde repisa os argumentos já colacionados em sede impugnatória. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da Prescrição Intercorrente Quanto à prescrição intercorrente arguida no curso do processo administrativo fiscal, em razão da demora da Administração Pública para conclusão do processo administrativo, cabe destacar que embora a Lei nº 11.457, de 2007, tenha introduzido no âmbito administrativo um prazo para análise das petições e recursos, esse prazo é considerado impróprio para ultimar a tutela administrativa já que não existe nas normas especificas, ex vi do Decreto nº 70.235, de 1972, um lapso temporal para findar o processo administrativo fiscal. Assim, no curso do processo administrativo, não ocorre a prescrição intercorrente, pois, enquanto o recurso administrativo não for definitivamente julgado, a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa, não sendo possível falar em prescrição. Nesse sentido dispõe o seguinte julgado do STJ: TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. MULTA DO ART. 23, § 2º DA LEI 4.131/62. ARGUIÇÃO DE PRESCRIÇÃO ADMINISTRATIVA INTERCORRENTE. NÃO OCORRÊNCIA. TERMO INICIAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 174, DO CTN. (...). 7. O recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o Fl. 266DF CARF MF 6 contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), momento em que não se cogita do prazo decadencial, até seu julgamento ou a revisão ex officio, sendo certo que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem início a contagem do prazo prescricional, afastandose a incidência prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica. (...). 1 (STJ, 1ª T., REsp 840.111/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, j. em 02/06/2009, DJe de 01/07/2009).(grifei). A matéria já foi sumulada por esse E. Conselho, nos termos a seguir transcritos: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Natureza confiscatória da multa Com relação à natureza confiscatória das multas, por forma regimental, é vedado ao julgador administrativo a análise dessa matéria, com matiz constitucional, por força do artigo 62 do RICARF, bem como em face da Súmula CARF nº 2, aplicada no tocante a essa matéria como razão de decidir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Ante o exposto, VOTO POR CONHECER PARCIALMENTE O RECURSO VOLUNTÁRIO E NA PARTE CONHECIDA, NEGARLHE PROVIMENTO. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904977/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2000
CONEXÃO. NÃO EXISTÊNCIA DE FATOS IDÊNTICOS. NÃO OCORRÊNCIA.
Quando os processos não se baseiam em fatos idênticos, apesar de ser a mesma matéria, pois os períodos de apuração são distintos, não se vislumbra a conexão.
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
Apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF, o que se fazia necessário, a diligência comprovou a existência do crédito em virtude do princípio da verdade material.
Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-005.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos da diligência efetuada.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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NÃO EXISTÊNCIA DE FATOS IDÊNTICOS. NÃO OCORRÊNCIA. Quando os processos não se baseiam em fatos idênticos, apesar de ser a mesma matéria, pois os períodos de apuração são distintos, não se vislumbra a conexão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO EM DILIGÊNCIA. Apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF, o que se fazia necessário, a diligência comprovou a existência do crédito em virtude do princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos da diligência efetuada. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 49 77 /2 01 1- 13 Fl. 399DF CARF MF 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo. Relatório Adotase o relatório da resolução nº 3803000.532, relator Jorge Victor Rodrigues, fls.179/1841: A autoridade administrativa competente por meio de Despacho Decisório emitido em 01/11/2011, após análise do valor do direito creditório informado em Per/DComp, concluiu pela inexistência do crédito pleiteado, por conseguinte não homologando a compensação declarada. Manifestando a sua inconformidade com o decidido no referido despacho, a contribuinte aduziu sucintamente: (i) A despeito da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a autoridade administrativa houve por bem indeferir o pedido de restituição apresentado, sem que fosse fundamentadas as razões para tanto, por conseguinte não reúne condições mínimas para prosperar, pois está em desacordo com a legislação vigente e jurisprudência já pacificada sobre o tema, impondose a restituição integral da quantia pleiteada no pedido de restituição apresentado. (ii) Em homenagem ao princípio da economia processual requer a reunião dos processos adiante listados para apreciação em julgamentos simultâneos, posto que possuem o mesmo objeto, fundamento legal e partes (conexão). São eles: 10850.906133/201103, 10850.906134/201140, 10280.904439/201129, 10280.904424/201161, 10280.904436/201195, 10280.904440/201153, 10280.904438/201184, 10280.904443/201197, 10280.904441/201106, 10280.904427/201102, 10280.904425/201113, 10280.904437/201130, 10280.904426/201150, 10280.904431/201162, 10280.906137/201183, 10280.906135/201194, 10280.906136/201139, 10280.906138/201128, 10280.906139/201172, 10280.904444/201131, 10280.904446/201121, 10280.904433/201151, 10280.904430/201118, 10280.904432/201115, 10280.904445/201186, 10280.904435/201141, 10280.904447/201175 e 10280.904442/201142 (28 PAF). (iii) Reclamou pela inexistência de realização de diligência ao seu estabelecimento para verificação da exatidão das informações prestadas, em contrariedade ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, uma vez que não foi intimada para prestar quaisquer esclarecimentos acerca da higidez de seu crédito. 1 Todas as páginas, referenciadas no acórdão, correspondem ao eprocesso. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10280.904977/201113 Acórdão n.º 3302005.260 S3C3T2 Fl. 3 3 (iv) Com base no art. 195, I, CF/88 a LC nº 70/91 instituiu a Cofins sobre o faturamento mensal das pessoas jurídicas em geral, assim entendido "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza". (v) O legislador ordinário pretendeu modificar a sistemática de apuração da contribuição em comento e ampliar a sua base de cálculo, o que foi feito por meio da Lei nº 9.718/98, notadamente através dos seus arts. 2º e 3º, inclusive o caput e § 1º, deste. (vi) Ao assim proceder o legislador ordinário afrontou o mandamento constitucional do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, bem como contrariou a norma consubstanciada no art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. (vii) Essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quando, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/99, mediante decisão proferida no julgamento do RE nº 390840/MG, em 09/11/05. Após o que inúmeros outros RE foram julgados no mesmo sentido a exemplo dos números 342.051/2006, 479.612/2006, 346.084/2005 e 585.235/2008, respectivamente, este considerado como de repercussão geral, com proposta de súmula vinculante a respeito do assunto. entendimento (sic) este que já foi pacificado por meio da Lei nº 11.941/09, que revogou o malsinado § 1º do art. 3º dessa Lei. (viii) a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação pelo Fisco, das decisões prolatadas neste sentido no âmbito do poder Judiciário, conforme os acórdãos proferidos pela CSRF do CARF em destaque: 230378, 226802 e 239790/2010 (3ª T, CSRF), 142592 e 147967/2010 (1ª T, CSRF). (ix) Ademais disso, o inciso I, do § 6º, do art. 26A, do Dec. nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 11.941/09, veda aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, no mesmo sentido vai o art. 59 do Dec. nº 7.574/11, como também no caput do art. 62A do RICARF/09. (x) No caso concreto em comento a requerente faz jus a um crédito de R$ 5.388,86, valor que foi calculado sobre receita que não integra o seu faturamento, razão pela qual não é alcançada pela hipótese de incidência da mencionada contribuição. Fl. 401DF CARF MF 4 (xi) E para que não restem quaisquer dúvidas a esse respeito, a requerente acostou aos autos: a) cópia do respectivo DARF, o qual demonstra o recolhimento indevido (doc. 03); b) o demonstrativo por ela elaborado, onde está discriminado o valor que foi indevidamente computado à base de cálculo da COFINS (doc. 04); e c) cópia dos documentos contábeis com o registro dos valores que compõem o crédito aqui pleiteado (doc. 05). (xii) Requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos para, ao final, requerer pela reforma do despacho decisório. Conclusos foram os autos para apreciação pela 4ª Turma da DRJ/RPO/SP, que em sessão realizada em 18/04/13, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, também não reconhecendo o direito creditório, consoante os termos vazados na ementa adiante transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Data do fato gerador: 31/03/1999 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. a prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Relativamente à questão atinente à reunião de processos o voto condutor mencionou o contido no inciso IV do art. 1º da Portaria SRF nº 666/2008, que disciplina a formalização de processos no âmbito da SRF, para fundamentar a rejeição ao pleito, eis que os processos não são oriundos do mesmo crédito, condição no seu entender sine qua non para o atendimento ao pleito formulado pela contribuinte. Acerca do motivo do indeferimento do pedido supôs o acórdão de piso que a interessada possa haver cometido erro no preenchimento do Per/DComp, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado, eis que do confronto das informações constantes do Per/DComp com as do DARF, verificouse que houve inversão entre as datas de arrecadação e de vencimento no preenchimento do pedido. Ademais disso, remanesceu a questão do direito creditório, eis que ao realizar pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse que a contribuinte confessou um débito de R$ 52.027,65 da Cofins para o mês de março de 1999, quitado com três DARF's, um deles no valor de R$ 45.396,03, que se encontra totalmente utilizado para quitar o referido débito, portanto dentre os débitos confessados pela própria contribuinte por meio de DCTF, em valor até superior ao do recolhimento objeto do Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10280.904977/201113 Acórdão n.º 3302005.260 S3C3T2 Fl. 4 5 pedido de restituição. Não existe, portanto, saldo passível de restituição. Aduziu ainda o juízo de piso que para existir saldo a restituir seria necessário que a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão de seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior e, neste caso, a autoridade fiscal poderia determinar a realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que fosse verificada, mediante exame da sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, conforme prevê o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, suscitada pela recorrente. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada, ou mesmo a vinculação do CARF em face da decisão plenária, na sistemática da repercussão geral. No entendimento vazado no acórdão de primeira instância apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise, isto consubstanciado em excertos do Parecer PGFN nº 2.025/11, que trata da repercussão no âmbito da inscrição, administração e cobrança administrativa e judicial da dívida ativa da União, nos casos de julgamentos submetidos à sistemática dos arts. 543B (repercussão geral) e 543C (recurso repetitivo) do CPC. Do referido Parecer concluiu a autoridade julgadora que: "podese afirmar que a adequação prática das atividades administrativas não significa concordância com a tese contrária à da Fazenda. Inexistindo alterações na legislação de regência, Parecer aprovado pelo PGFN, Súmula ou Parecer da AGU ou Súmula do CARF, que concluam no mesmo sentido do pleito do particular, não há razões jurídicas que obriguem a Fazenda Nacional a anuir à tese contrária aos interesses da União". Mencionou ainda que o contribuinte que houver pago crédito considerado indevido pelos tribunais Superiores, em virtude do julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C do CPC, não faz jus à restituição do montante pago, uma vez que: (i) a Fazenda Nacional, ao deixar de contestar e recorrer em razão de julgado oriundo da sistemática dos recursos extremos repetitivos, não manifesta concordância com a tese dos Tribunais Superiores. (ii) os fundamentos jurídicos que autorizam a Fazenda Nacional a absterse de cobrar não extravasam para o plano do direito material (não há remissão sem lei tributária específica). Fl. 403DF CARF MF 6 (iii) observe que o tributo é devido. A lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e o julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C, do CPC, embora revestido de força persuasiva qualificada, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes. Em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. Ademais, sobretudo para os créditos extintos por pagamento em momento anterior ao advento do julgado do STF ou STJ, não há como questionar a validade dos pagamentos efetuados. (iv) a restituição do indébito, em situações tais, dependeria de lei que considerasse indevidos os valores pagos quando houvesse julgamento na sistemática dos recursos extremos repetitivos. Dessa forma, seria possível o enquadramento nas hipóteses de restituição do art. 165, I, do CTN. Por derradeiro, ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para compará la com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235. Cientificado da decisão de piso por meio de AR, em 30/08/13, e irresignada com o nela decidido, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/09/13, para aduzir: · Relativamente à reunião de processos alegou a recorrente acerca da existência de conexão entre os mesmos, pois têm o mesmo objeto e causa de pedir, mencionando jurisprudência administrativa em prol de sua tese. · Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos – falta de retificação de DCTF, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12, segundo o qual a autoridade competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Isto por força do contido no art. 142 do CTN. Notadamente porque a DCTF não é o Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10280.904977/201113 Acórdão n.º 3302005.260 S3C3T2 Fl. 5 7 único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. · O art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. Trata se de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. · A exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público. · A recorrente, seja porque a lei não contém semelhante restrição, seja porque se trata de medida de formalismo excessivo, entendeu que a retificação de declarações não se afigura legítima como condição à restituição de indébito tributário, mencionando, inclusive jurisprudência e doutrina em defesa de sua tese. Analisando a situação por outro viés temse que o descumprimento de obrigação acessória não altera a disciplina referente à obrigação principal, e viceversa, o que, transportado ao caso em comento, significa dizer que a não retificação da DCTF não interfere na obrigação principal (recolhimento de imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente. · A falta de retificação de uma declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sendo certo que o aproveitamento do crédito é corolário do princípio da legalidade. Além do mais, em matéria de fato, são válidos todos os meios de prova em direito admitidos, sendo certo que, desde o advento do Código Comercial de 1850, prescreve que a contabilidade em ordem faz prova em favor da pessoa jurídica, conforme se observa pela leitura de seu art. 23, III, não mais em vigor, por força do advento do Código Civil de 2002, entretanto em plena vigência e expressamente previsto no art. 923 do RIR/99 (art. 9º, § 1º, DL nº 1.598/77), citando jurisprudência administrativa em defesa de sua tese. · Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado, eis que o valor em foco recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à Fl. 405DF CARF MF 8 manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, ex vi do art. 230 do RIR/99. · Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que ocorreu por ocasião da decisão contida no despacho decisório, o que se fez mediante a manifestação de inconformidade, inclusive para contrapor os argumentos aventados pelo acórdão recorrido, a recorrente requer com base neste fundamento, a juntada aos presentes autos do Livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado, posto que é documento obrigatório para todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, ex vi do art. 259, do RIR/99, que incorporou os art. 14 da Lei nº 8218/91 e 62 da Lei nº 8383/91. No mais, em relação à discussão de mérito, a recorrente reitera os termos expendidos na exordial, de maneira minudente, para postular ao final, pelo provimento do recurso, pela reforma do acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da Cofins, calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Conforme exposto anteriormente, o presente processo é um retorno de diligência, onde o relator reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no transcorrer do seu voto. Ele converteu o feito em diligência para, trechos in verbis, fls. 189: Assim oriento o meu voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser efetivamente apurado e informado, DETALHADAMENTE, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos retromencionados. Vencida esta etapa deve a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela contribuinte, se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente nessa data. A Recorrente foi intimada para apresentar o livro diário geral e o livro razão. Após a elaboração da informação fiscal, ela também foi intimada a manifestarse e assim o fez. Diante das informações prestadas pela Recorrente, o feito foi novamente convertido em diligência sob a minha relatoria, Resolução 3302000.649, para que: (...) aprecie a alegação da recorrente quanto à necessidade de exclusão do custo de aquisição da base de cálculo relativa à venda de veículos automotores usados. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10280.904977/201113 Acórdão n.º 3302005.260 S3C3T2 Fl. 6 9 Sobreveio a informação fiscal, fls. 364 e seguintes, sendo que houve ciência por parte da Recorrente, fls. 371, e manifestação pelo acolhimento da diligência. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Preliminar 2.1. Da reunião de processos A Recorrente pleiteia pela reunião dos seguintes processos: 10850.906134/201140; 10850.906133/201103; 10280.904439/201129; 10280.904424/2011 61; 10280.904436/201195; 10280.904440/201153; 1280.904438/201184; 10280.904443/201197; 10280.904441/201106; 10280.904427/201102; 10280.904425/2011 13; 10280.904437/201130; 10280.904426/201150; 10280.904431/201162; 10850.906137/201183; 10865.906135/201194; 10850.906136/201139; 10850.906138/2011 28; 10850.906139/201172; 10280.904444/201131; 10280.904446/201121; 10280.904433/201151; 10280.904430/201118; 10280.904432/201115; 10280.904445/2011 86; 10280.904435/201141; 10280.904447/201175 e 10280.904442/201142. Afirma que os processos, acima listados, têm o mesmo objeto, qual seja a restituição de crédito, decorrente do recolhimento indevido da COFINS ou da contribuição para o PIS/Pasep, pautado na inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A Recorrente afirma que por serem idênticos, os processos devem ser reunidos. Pleiteia pela conexão dos processos a fim de cumprir o princípio constitucional da celeridade processual. A fim de verificar sobre a reunião ou dos processos, importante transcrever a Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 RICARF: RICARF Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito Fl. 407DF CARF MF 10 passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. (grifos e sublinhados não constam no original) No caso em análise, não se trata de processos baseados em fatos idênticos, pois apesar de ser a mesma matéria, os períodos de apuração são distintos, portanto, rejeitase o pedido de reunião dos processos. 3. Do mérito 3.1. Das demais matérias e do resultado da diligência A Recorrente insurgese contra o tratamento dispensado ao seu caso, manifestando o fato de que a fiscalização deveria ter se aprofundado para verificar a existência do seu crédito. Afirma que não há necessidade de retificação da DCTF, tratandose de um formalismo exagerado, portanto, afronta o princípio da verdade material. Insurgese também contra a insuficiência de provas, conforme decidido pela DRJ/Ribeirão Preto, e afirma que fez a produção probatória necessária para lastrear a existência de seu crédito. Solicita pela complementação das provas e, posteriormente, faz longa explicação sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. No caso em análise, antes de adentrar no resultado da diligência propriamente dita, importante considerar o RE nº 585.2351/MG decidido sobre o regime da repercussão geral: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE nº 585.2351/MG; Relator: Cezar Peluso: Data do julgamento: 10/09/2008) (grifos não constam no original) A declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, teve efeitos "erga omnes" e tal dispositivo foi revogado pela Lei nº 11.941, de 2009. Portanto, foi considerada inconstitucional a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e para COFINS. No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10280.904977/201113 Acórdão n.º 3302005.260 S3C3T2 Fl. 7 11 RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Portanto, é dever deste Tribunal Administrativo aplicar decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declarou dispositivo inconstitucional sob o regime de repercussão geral. Quanto ao prazo para pleitear a restituição, sua contagem somente ocorre a partir da revogação expressa da regra, que permitia o alargamento da base de cálculo, pela Lei nº 11.941, de 2009, sendo que somente a partir daí é que se tornou disponível o direito para postular pela restituição do pagamento indevido pela contribuinte. No que concerne às provas e aprofundamento da fiscalização, tais argumentos encontramse superados, uma vez que o feito foi convertido em diligência por dois momentos. Do resultado da segunda diligência, temse que, fls. 366: Através de pesquisas efetuadas no sistema SIEF Pagamentos localizamos um pagamento no valor total de R$92.135,18, data de arrecadação 15/09/2000, referente ao recolhimento da COFINS (2172), cujo valor foi utilizado para amortizar o débito confessado através da DCTF da COFINS (2172) do Período de Apuração do mês de agosto de 2000. Conforme demonstrado na planilha acima, o valor apurado a título de Cofins para o mês de agosto de 2000 foi de R$89.556,14, enquanto que o valor recolhido foi de R$92.135,18, pelo que, apuramos um recolhimento a maior de R$2.579,04. Desta forma, proponho que do valor pleiteado de R$3.658,77 seja reconhecido o valor parcial de R$2.579,04 do direito creditório pleiteado no PER nº 04044.28863.060605.1.2.04 0435, transmitido em 06/06/2005 (fls. 02/04) Fl. 409DF CARF MF 12 (grifos não constam no original) Apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF, o que se faz necessário, não se tratando de mero formalismo, reconhecese o crédito parcialmente pleiteado, conforme o resultado da diligência, em virtude do princípio da verdade material. 4. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, conceder provimento parcial. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 410DF CARF MF
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