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Numero do processo: 15586.001214/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
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DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 01 21 4/ 20 07 -1 1 Fl. 668DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.001214/200711 Resolução nº 2402000.578 S2C4T2 Fl. 669 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que, por maioria, julgou procedente autuação fiscal com ciência em 04/12/2007 para constituição de crédito correspondente à retenção de 11% sobre serviços prestados por cessão de mão de obra. Segue transcrição de trechos da decisão recorrida: Decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2007 CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO DE 11%. A empresa tomadora de serviços executados mediante cessão de mão deobra é obrigada a reter e recolher, em nome da contratada, 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, a teor do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/99. ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não sendo a instancia administrativa competente para tanto. ... A inclusão dos serviços supra citados no rol dos sujeitos à retenção em questão, se contratados mediante cessão de mãodeobra, encontra respaldo na seguinte fundamentação legal explicitada pela fiscalização: a) Serviços prestados pela Pedra e Cal Engenharia Ltda em 04/2003: art. 102, I1I, da Instrução Normativa INSS/DC n° 71, de 10 de maio de 2002; b) Serviços prestados pela Associação Amigos dos Deficientes Físicos de 08/2004 a 07/2005: art. 154, V e VI, e art. 155, XXIV, da Instrução Normativa INSS/DC n° 100, de 18 de dezembro de 2003; c) Serviços prestados pela Associação Amigos dos Deficientes Físicos de 08/2005 a 06/2007: art. 145, V e VI, e art. 146, XXIV, da Instrução Normativa SRP n° 3, de 14 de julho de 2005. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Afirma que os valores dos da ação fiscal foram devidamente recolhidos pelas empresas contratadas no prazo devido, conforme documentação obtida após a fiscalização diretamente com a cedente de mãodeobra e Fl. 669DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.001214/200711 Resolução nº 2402000.578 S2C4T2 Fl. 670 3 anexada a este processo, não sendo lícito cobrar da notificada os valores já quitados somente sob o fundamento de que esta não realizou a retenção no momento oportuno. Defende que essa cobrança consiste em enriquecimento sem causa do Órgão Federal exeqüente, "que receberia em dobro o valor referente às contribuições devidas, em prejuízo do erário estadual responsável pela manutenção da Autarquia ora impugnante". Ressalta ainda que o equívoco quanto à ausência da retenção pela impugnante se deu em virtude de as empresas prestadoras de serviço não terem destacado o valor da retenção nas respectivas notas fiscais. Alega que, mesmo se as contribuições não tivessem sido integralmente recolhidas pelas empresas prestadoras de serviço, não haveria responsabilidade da impugnante quanto ao suposto débito, tendo em vista a inconstitucionalidade do art. 33, §5°, da Lei 8.212/91. ... E ainda que: Em primeiro plano, porque ao contrário do fundamento expendido na decisão recorrida, não seria necessária uma ação fiscal nas empresas contratadas, com levantamento de documentos, a fim de se aferir os recolhimentos previdenciários incidentes sobre as faturas de prestação de serviços. É que a Recorrente juntou aos presentes autos todos os comprovantes que demonstram tais recolhimentos, de forma que não há a necessidade de qualquer diligência nesse sentido, mas tão somente a constatarão efetiva do pagamento das contribuições contida nos documentos juntados. O julgamento foi convertido em diligência para que a fiscalização se manifestasse sobre os documentos juntados pelo recorrente, averiguasse sobre a validade da representação para atuar no processo e também a natureza jurídica de uma dos prestadores de serviços: Surgiu também (uma dúvida) quanto ao regime jurídico de uma das contratadas, associação de amigos de deficientes físicos. Embora pela sua denominação pareça ser uma entidade beneficente, presta serviços de natureza econômica. (correção nossa) Em resposta, informa a fiscalização: 1) Quanto à documentação apresentada, esta já havia sido por nós examinada quando da execução da ação fiscal, tendo em vista ser obrigação da empresa contratante solicitar tais documentos à contratada, no que tange a GFIP e a Folha de Pagamento. 2) Quanto à afirmação de que as prestadoras de serviços efetuaram o recolhimento integral da contribuição lançada para todas as competências incluídas na NFLD, isto só pode ser verificado através de uma ação fiscal nas empresas contratadas, com análise de todas as folhas de pagamento (não só a do contratante), bem como das GFIP´s e guias de recolhimento, além de livros contábeis e outros documentos que o auditor fiscal julgue necessários. Entretanto, ressaltamos que não há na legislação qualquer Fl. 670DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.001214/200711 Resolução nº 2402000.578 S2C4T2 Fl. 671 4 previsão que importe em beneficio de ordem ou que imponha qualquer verificação na prestadora de serviços para que seja apurado o crédito na tomadora. Ou seja, não há condição resolutiva de extinção da obrigação da contratante caso as empresas contratadas recolham, no prazo legal, as contribuições incidentes sobre as suas folhas de pagamento. ... 3) Assim sendo, podemos comprovar pelo descrito no item acima que a contratante não estava dispensada de efetuar a retenção em nenhuma hipótese. 4) Com relação à discussão acerca da competência do Diretor Presidente em contratar assessoria jurídica, intimamos a empresa para esclarecer por escrito essa questão. A intimada esclareceu que a empresa tem competência para a efetuar dita contratação através do ofício PRODEST/DIPRE no 155/2013, cuja cópia anexamos ao processo. Manifestase a recorrente pela necessidade de cumprimento da diligência. É o Relatório. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.001214/200711 Resolução nº 2402000.578 S2C4T2 Fl. 672 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Uma questão importante que ainda não foi discutida e que consta da diligência é a dúvida sobre a possibilidade de o prestador de serviço “Associação Amigos dos Deficientes Físicos” está em gozo de imunidade tributária. De acordo com o contrato de prestação de serviços, fls. 48, extraise: ASSOCIAÇÃO AMIGOS DOS DEFICIENTES FÏSICOS AADEF, entidade civil sem fins lucrativos, OSCIP MJ 0805.0113461200337... 1.1 Pelo presente contrato a AADEF realizará os serviços constantes do ANEXO 1 ao presente contrato mediante a utilização de mãode obra composta integralmente por deficientes físicos, que executarão atividades compatíveis com suas condições físicas; ... A informação é relevante em razão de a própria Instrução Normativa SRP n° 3, de 14 de julho de 2005 desobrigar a retenção quando a contratada é entidade beneficente de assistência social isenta de contribuições sociais: Art. 176. Não se aplica o instituto da retenção: ... III à contratação de entidade beneficente de assistência social isenta de contribuições sociais; Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos solicitados e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias sobre o relatório conclusivo a ser redigido pela fiscalização. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 672DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13896.912590/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Constatado a existência de saldo de crédito disponível para a compensação pleiteada, torna-o líquido e certo, impondo-se reconhecer o direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, desde que o mesmo já não tenha sido utilizado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1301-002.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos acolher os embargos para, no mérito, NEGAR-LHES PROVIMENTO. O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e José Eduardo Dornelas Souza.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Constatado a existência de saldo de crédito disponível para a compensação pleiteada, torna-o líquido e certo, impondo-se reconhecer o direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, desde que o mesmo já não tenha sido utilizado pelo contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos acolher os embargos para, no mérito, NEGAR-LHES PROVIMENTO. O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro declarou-se impedido. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e José Eduardo Dornelas Souza.
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EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Constatado a existência de saldo de crédito disponível para a compensação pleiteada, tornao líquido e certo, impondose reconhecer o direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, desde que o mesmo já não tenha sido utilizado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos acolher os embargos para, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO. O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro declarouse impedido. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e José Eduardo Dornelas Souza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 25 90 /2 01 1- 91 Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão 1301001.964, sessão de 03 de março de 2016, cujo julgamento, por unanimidade de votos, foi no sentido de se conhecer dos embargos, para no mérito darlhes provimento parcial, sem efeitos infringentes. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2004 EMBARGOS. OMISSÃO. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE, COMPROVANTES DE RETENÇÃO, NECESSIDADE. Detectada em parte a omissão apontada pela Fazenda Nacional, deve a mesma ser sanada apenas para incluir os fundamentos e esclarecimentos pertinentes, mas sem efeitos infringentes, mantendo a decisão do acórdão embargado. Nos termos do disposto no art. 55 da Lei n° 7.450, de 1985, para fins de restituição de indébito ou compensação, o aproveitamento do imposto retido na fonte é condicionado à apresentação de documento próprio emitido em nome do beneficiário pela fonte pagadora. A Embargante sustenta no presente pleito que esta E. Turma apresentou manifestação sobre a existência de comprovante de retenção de imposto emitido pela fonte pagadora, mas não analisou se o crédito foi ou não utilizado em outros processos. Aduz, que tal exame é de suma importância para evitar uma possível duplicidade de compensação. O Presidente desta Primeira Turma Ordinária admitiu os presentes embargos nos termos do art. 65, Anexo II, do RICARF, para que sejam prestados os devidos esclarecimentos ou o saneamento do vício, se for o caso. É o relatório do essencial. Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 13896.912590/201191 Acórdão n.º 1301002.032 S1C3T1 Fl. 12 3 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Os embargos são tempestivos, já que opostos dentro do prazo regimental. Da leitura dos autos, verificase, com relação a matéria embargada, que o acórdão recorrido (1301001.964), de fato, reconheceu o valor pleiteado em compensação pelo contribuinte à vista dos "Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte". No entanto, o voto recorrido não traz qualquer análise a respeito se o crédito foi ou não utilizado em outros processos de compensação, como quer a ora Embargante. Resumese inicialmente, que a controvérsia que aqui deparamonos é relativamente simples e sua solução não demanda quaisquer delonga. É que, diante de compensação efetuada pelo contribuinte e analisada pelas autoridades competentes discutiuse a efetiva existência do direito creditório alegado e sua suficiência para a compensação apresentada, no que restou pela sua procedência nos termos do Acórdão (original) 1301001.706, de 25 de novembro de 2014 e Acórdão (embargado) 1301 001.964, de 03 de março de 2016. Assim, o resultado afirmativo de que os créditos utilizados pelo contribuinte eram suficientes para a compensação declarada, faz evidenciar nos termos legais do processo administrativo fiscal em dar a causa a solução justa de se reconhecer o direito creditório conforme pleiteado, ou seja, não há que se negar a validade e existência do crédito, sendo que evidentemente e por obvio cabe a autoridade executora, Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, verificar se o valor do crédito envolvidos nos autos não foi utilizado em outras compensações formalizadas. Por todo o exposto, conheço os embargos e no mérito NEGOLHES PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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Numero do processo: 10510.002090/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/03/2007
AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADO RECOLHIDO A PRISÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO REMUNERADO. SEGURADO OBRIGATÓRIO A ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. Considerando que no presente caso, os detentos, à época dos fatos geradores, realizavam serviços nos termos da Lei 7.210/84 (Lei de Execução Penal) e percebiam a respectiva remuneração por tal prestação, devem ser considerados como segurados obrigatórios da previdência social, por força do art. 12 da Lei 8.212/91 e o art. 1º do Decreto 4.729/03.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JETON. MEMBROS DO CONSELHO PENITENCIÁRIO DO ESTADO. ALEGAÇÃO DE VINCULAÇÃO A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. LANÇAMENTO. MANUTENÇÃO. Tendo em vista que os membros do conselho penitenciário do Estado foram remunerados pela concessão de JETONS pagos por sua participação em sessões deliberativas, e não restou comprovado que estes eram filiados a regime próprio de previdência, é de ser mantido o lançamento efetuado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente.
Lourenço Ferreira do Prado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Lourenço Ferreira do Prado
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADO RECOLHIDO A PRISÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO REMUNERADO. SEGURADO OBRIGATÓRIO A ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. Considerando que no presente caso, os detentos, à época dos fatos geradores, realizavam serviços nos termos da Lei 7.210/84 (Lei de Execução Penal) e percebiam a respectiva remuneração por tal prestação, devem ser considerados como segurados obrigatórios da previdência social, por força do art. 12 da Lei 8.212/91 e o art. 1º do Decreto 4.729/03. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JETON. MEMBROS DO CONSELHO PENITENCIÁRIO DO ESTADO. ALEGAÇÃO DE VINCULAÇÃO A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. LANÇAMENTO. MANUTENÇÃO. Tendo em vista que os membros do conselho penitenciário do Estado foram remunerados pela concessão de JETONS pagos por sua participação em sessões deliberativas, e não restou comprovado que estes eram filiados a regime próprio de previdência, é de ser mantido o lançamento efetuado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 20 90 /2 00 8- 32 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Lourenço Ferreira do Prado Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10510.002090/200832 Acórdão n.º 2402005.186 S2C4T2 Fl. 247 3 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto pelo ESTADO DE SERGIPE ADMINISTRAÇÃO DIRETA, em face de acórdão que manteve parcialmente o Auto de Infração n. 37.136.8588, lavrado para a cobrança de contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais e segurados empregados. Foram considerados como fatos geradores do presente lançamento: a) CIF — Contribuintes individuais fora GFIP: referente a valores pagos a contribuintes individuais pela prestação de serviços a partir de 04/2003 constantes da conta contábil 34.90.36 — Outros Serviços de Terceiros — Pessoa Física, sob a alíquota de 11%; b) FC1 — Folha Comissionados 1: referente ao período de 01/1998 a 12/1998; c) IPG — Internos pós GFIP: referente aos valores pagos a contribuintes individuais designados "internos" ou "apenados" pela prestação de serviços diversos a partir de 04/2003 a 2007, nos diversos presídios e Manicômios Judiciários vinculados à Secretaria de Justiça, constantes da conta 349036 — Outros Serviços de Terceiros — Pessoa Física, sob a alíquota de 11 %; d) FFG — Fretistas fora GFIP: referente aos valores pagos a contribuintes individuais fretistas pela prestação de serviços de transporte a partir da competência de 04/2003, sob a alíquota de 11 % sobre a remuneração resultante da aplicação de 20% sobre o valor bruto do frete, carreto ou transporte de passageiros; e) JPG — Jetons pós GFIP: referente aos valores pagos a contribuintes individuais a partir da competência 04/2003 pela prestação de serviços como membros dos conselhos penitenciários e de entorpecentes vinculados à Secretaria de Justiça constantes da conta 349036 — Outros Serviços de Terceiros — Pessoa Física, sob a alíquota de 11 % sobre a remuneração. Consta do relatório fiscal que a lavratura deuse com base nas informações contábeis, arquivos digitais e folhas de pagamento apresentadas durante a ação fiscal, sendo que os pagamento supra não foram informados em GFIP. O lançamento compreende o período de 01/1998 a 03/2007, tendo sido o contribuinte cientificado do lançamento em 27/05/2008. Quando do julgamento em primeira instância, foram excluídas do lançamento as competências até 04/2003, em razão da aplicação da decadência quinquenal, com base no art. 150, §4º do CTN. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Fora então, interposto o presente recurso voluntário, através do qual sustenta o contribuinte: 1. a ilegalidade da inclusão do detento que presta serviço no rol dos segurados obrigatórios do RGPS, pois, conquanto aparentemente inspirada no princípio de, que todos os trabalhadores com ou sem vínculo empregatício devem filiarse ao Regime Geral da Previdência Social, tornandose segurados, apresenta o inconveniente de ser nociva aos fundamentos da política nacional de execução penal presentes na Lei 7.210/84, na medida em que, dentre outros motivos, ainda cria embaraços à contratação de serviços dos internos pelas empresas. 2. os detentos não constam do rol de segurados constantes no art. 12 da Lei 8.212/91; 3. que o Decreto 4.729/03 levou a efeito ilegal ampliação da base de cálculo das contribuições previdenciárias; 4. com relação ao pagamento de JETONS, o ilustre auditor não considerou a existência de regime próprio de previdência que ampara diversos servidores que percebem esta verba; 5. os servidores que ocupam cargos comissionados, mas que já se tratavam de servidores ocupantes de cargos efetivos, ou seja, mantinham vínculo estatutário com a pessoa jurídica de direito público e que foram cedidos para ocupar um cargo comissionado, não devem contribuir ao RGPS, visto que, apesar de estarem cedidos, permanecem contribuindo e vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social. 6. a ausência de demonstração pelo fisco do destino de todo o montante recolhido pelo contribuinte, com vistas a abater o saldo da dívida apurada, se não considerado como saldo credor, traz indubitável cerceamento de defesa; 7. por fim, requer a realização de perícia de modo a que seja apurado se todos os pagamentos efetuados foram devidamente considerados no presente lançamento, bem como para que se apure a existência de discrepância entre a base de cálculo apurada com base na folha de pagamentos e a declarada na GFIP Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10510.002090/200832 Acórdão n.º 2402005.186 S2C4T2 Fl. 248 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES A recorrente sustenta o cerceamento de seu direito de defesa, em razão da ausência de demonstração pelo fisco do destino de todo o montante recolhido pelo contribuinte quando do lançamento. Sem razão. Nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação pertinente, atribuindo à recorrente, a responsabilidade pelo pagamento das contribuições não adimplidas e não declaradas em época própria, levando a efeito simplesmente aquilo que determinado pela Lei 8.212/91. Assim, uma vez que não houve qualquer transgressão a norma legal em vigor, não há que se reconhecer a nulidade do lançamento. Ao que se depreende do relatório fiscal, verificase ter sido observado o que disposto no art. 142 do CTN a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Da análise do relatório fiscal de cada um dos Autos de Infração, verificase que estes vieram devidamente acompanhados de todos os anexos do Auto de Infração, sendo deles parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, na medida em que todos os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura do Auto e a imposição fiscal restaram devida e precisamente demonstrados esclarecidos, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das contribuições sociais não informadas, conforme também restou decidido pelo acórdão de primeira instância. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Ademais, quanto aos valores recolhidos assim constou do relatório fiscal: 10. A presente auditoria fiscal não engloba a cobrança de valores declarados em GFIP pelo contríbuinte. Porém, os valores das guias pagas foram prioritariamente apropriadas aos valores declarados em GFIP pelo contribuinte e constantes nos levantamentos FC2 e CIG, conforme relatórios "Relação de Documentos Apresentados RDA" e "Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA. As eventuais sobras de recolhimento foram devidamente apropriadas aos demais levantamentos em que se apuraram contribuições a recolher e também constam no RADA. 11. A discriminação, por competência, das bases de cálculo e das rubricas com respectivas alíquotas e contribuições lançadas neste Auto de Infração constam respectivamente no Relatório de Lançamentos RL e no Discriminativo Analítico do Débito DAD, anexos. Já o montante apurado por levantamento e competência, bem como o montante para o período de lançamento do crédito, inclusive com multa e juros SELIC, constam no relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, também anexo. Assim, rejeito a preliminar. MÉRITO Passo, pois, a análise dos demais pontos constantes no recurso voluntário Consideração dos Detentos como Segurados da Previdência Social Conforme se apura do relatório fiscal da infração, a seguir, aponto as razões adotadas para consideração dos detentos como segurados da previdência social: 9.4.1 O órgão fiscalizado, responsável pela administração penitenciária do Estado de Sergipe, remunera seus apenados em contrapartida pela prestação de serviços diversos nas respectivas unidades prisionais e em unidades prisíonais diversas, conforme cópias das folhas de pagamento anexadas por amostragem. De acordo com o Sr. Sildeno Dantas, Diretor Administrativo e Financeiro da Secretaria, além da remuneração que recebem os condenados têm também o benefício da redução da pena conforme a quantidade de dias trabalhados. A Lei n. 7.210 de 11 de julho de 1984 – Lei de Execução Penal nas disposições relativas ao trabalho dos apenados estabelece, dentre outros artigos: Art. 28. O trabalho do condenado, como dever social e condição de dignidade humana, terá finalidade educativa e produtiva. Art. 29. O trabalho do preso será remunerado, mediante prévia tabela, não podendo ser inferior a 314 (três quartos) do salário mínimo. Art. 41 Constituem direitos do preso: 11 atribuição de trabalho e sua remuneração; Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10510.002090/200832 Acórdão n.º 2402005.186 S2C4T2 Fl. 249 7 III Previdência Social; A Lei n. 8.212/91, em seu artigo 12, inciso V, estabelece: Art. 12 São segurados obrigatórios da Previdência social as seguintes pessoas físicas: V Como contribuinte individual: g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Alínea incluída pela Lei n0 9.876, de 26.11.99) " A Constituição Federal, em seu art. 195 institui: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. § 50 Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total. 9.4.2 Desta forma, os condenados, ao receberem remuneração pelos serviços prestados, se enquadram como segurados obrigatórios da previdência social, na qualidade de contribuintes individuais, pelo que devem contribuir para constituir lastro que assegure seu direito à previdência social, conforme previsão na lei de execução penal. Em contrapartida a tais argumentos, a recorrente aduz que a sua consideração como segurados da previdência tratase de medida nociva aos fundamentos da política nacional de execução penal presentes na Lei 7.210/84 e que causa embaraços às contratações dos mesmos para a prestação de serviços. Tais argumentos não podem ser aceitos, já que, conforme se verifica da legislação supra, a garantia à previdência social aos presos, além de decorrer de expressa disposição da Lei 7.210/84, também possui clara previsão na Lei 8.212/91, sobretudo considerando que estes prestam serviços lhes que são remunerados pela autuada sem vínculo empregatício, situação esta reconhecida pela própria recorrente. Ademais, considerando a época dos fatos geradores das contribuições lançadas, quanto analisadas as disposições sobre o assunto constantes no Decreto 3.048/99 e 4.729/03, também não há que se falar em qualquer ilegalidade, mas em novo reconhecimento da necessidade de reconhecer a condição de contribuinte individual do segurado recolhido À Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 prisão. A propósito, cito o art. 1º do Decreto 4.729/03, que fazendo expressa menção à figura de segurado obrigatório do preso. Vejamos: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: [...] IV o) o segurado recolhido à prisão sob regime fechado ou semi aberto, que, nesta condição, preste serviço, dentro ou fora da unidade penal, a uma ou mais empresas, com ou sem intermediação da organização carcerária ou entidade afim, ou que exerce atividade artesanal por conta própria; Assim, tenho que merece ser mantida a autuação sobre estes aspecto. Pagamento de JETONS Sobre o assunto a recorrente aponta que algumas das pessoas que são beneficiários dos JETONS, em verdade são regidas pelo regime próprio de previdência do Estado. São elas os servidores que ocupam cargos comissionados, mas que já se tratavam de servidores ocupantes de cargos efetivos, ou seja, que já mantinham vínculo estatutário com a pessoa jurídica de direito público e que foram cedidos para ocupar um cargo comissionado e que permanecem contribuindo e vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social. Sobre o assunto, assim se manifestou a DRJ: Não há nos autos qualquer prova de que houve inclusão indevida de valores pagos a ocupantes de cargos comissionados que também ocupam cargos efetivos e, por isso, contribuintes e vinculados ao regime próprio de previdência do Estado de Sergipe. Na forma do art. 15 e § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, as provas documentais devem apresentadas pelo impugnante juntamente com sua impugnação, conduta que o sujeito passivo não adotou: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16.... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei n'9,532, de 1997) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10510.002090/200832 Acórdão n.º 2402005.186 S2C4T2 Fl. 250 9 b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) " A impugnação apresenta argumentos sem qualquer produção probatória. Por seu turno, a ocupação exclusiva de cargo em comissão de servidor no Estado, vinculao ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS) na condição de segurado obrigatório como empregado na forma da alínea "i" do inciso I do art. 9° do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999. Assim, sua remuneração é fato gerador da contribuição social previdenciária. Sobre o assunto, vejo que a recorrente fez juntar ao seu recurso voluntário o Regimento Interno do Conselho Penitenciário do Estado de Sergipe, que em seu art. 3º, aponta a composição de referido órgão, apontando que dele farão parte os seguintes integrantes: I 1 (um) professor de Direito Penal, Processual Penal ou Penitenciário, de Instituição de ensino superior, II 1 (um) representante do Ministério Público Federal, indicado pelo Procurador Geral da República; III 1 (um) representante do Ministério Público Estadual, indicado pelo Procurador Geral de Justiça; IV 1 (um) representante da Defensoria Pública do Estado, indicado pelo Defensor PúblicoGeral; V 2 (dois) advogados; VI 1 (um) psiquiatra; VII 1 (um) psicólogo; VIII 1 (um) representante do Departamento do Sistema Penitenciário. Da análise de referido artigo vejo que a sua composição detém pessoas que sequer estão ligadas a qualquer órgão do poder público, de modo que estas certamente não estariam abarcadas por um regime próprio de previdência, o que já justificaria a incidência das contribuições previdenciárias objeto do presente lançamento. Ademais, da mesma forma que a DRJ, não vislumbro dos autos, provas que demonstrem que os componentes do órgão vinculados ao poder público, estejam filiados a regime próprio de previdência, sobretudo considerando que o Regimento apresentado não é o vigente na data dos fatos geradores das contribuições lançadas, eis que aprovado em 05 de maio de 2008. Logo, não vejo como acatar tais fundamentos. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 10 Ante todo o exposto voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 10508.000537/2005-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: REGIMES ADUANEMOS
Data do fato gerador: 20/01/1999, 25/06/1999, 16/07/1999, 19/07/1999,
10/09/1999, 03/12/1999
Recurso de Oficio
DRAWBACK SUSPENSÃO. PRAZO DECADENCIAL.
O prazo decadencial para o lançamento de oficio decorrente do
descumprimento dos requisitos inerentes ao drawback suspensão será determinado com base na regra de que trata o art. 173, inciso I, do em A contagem do referido prazo deverá se dar a partir do trigésimo dia
subsequente ao do vencimento do prazo estabelecido, no respectivo ato concessorio, para o cumprimento das obrigações assumidas pelo beneficiário (encerramento do regime).
Recurso Voluntário
DRAWBACK SUSPENSÃO.
A concessão do regime condiciona-se ao cumprimento dos termos e
condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78 do Decreto-lei n°37/1966). O descumprimento das exigências estabelecidos em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos suspensos relativos às mercadorias importadas sob esse regime aduaneiro especial, acrescidos dos encargos legais.
Numero da decisão: 3201-000.411
Decisão: ACORDAM os membros da 2° Câmara / 1° Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio, por unanimidade de votos negar provimento a preliminar de decadência, nos termos do voto da relatora. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso no mérito. Vencido os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, Rosa Maria de Jesus da Silva C. de Castro Marcelo Ribeiro Nogueira, que davam provimento. A Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando votou pela conclusão pela conclusão, pois aceita a fungibilidade mas não
a exportação fora do prazo.
Nome do relator: Mercia Helena Trajano D´amorim
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Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2010 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Recorrentes CARGILL AGRÍCOLA SA DREFORTALEZA/CE ASSUNTO: REGIMES ADUANEMOS Data do fato gerador: 20/01/1999, 25/06/1999, 16/07/1999, 19/07/1999, 10/09/1999, 03/12/1999 Recurso de Oficio DRAWBACK SUSPENSÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial para o lançamento de oficio decorrente do descumprimento dos requisitos inerentes ao drawback suspensão será determinado com base na regra de que trata o art. 173, inciso I, do erN. A contagem do referido prazo deverá se dar a partir do trigésimo dia subsequente ao do vencimento do prazo estabelecido, no respectivo ato concessorio, para o cumprimento das obrigações assumidas pelo beneficiário (encerramento do regime). Recurso Voluntário DRAWBACK SUSPENSÃO. A concessão do regime condiciona-se ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78 do Decreto-lei n° 37/1966). O descumprirnento das exigências estabelecidos em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos suspensos relativos às mercadorias importadas sob esse regime aduaneiro especial, acrescidos dos encargos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da ? Câmara / 1' Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio, por unanimidade de votos negar provimento a preliminar de decadência, nos termos do voto da relatora. Pelo _voto de qualidade, negar provimento ao recurso no mérito. Vencido os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, Rosa Maria de Jesus da Silva C. de Castro e 2- 4 , 1 Processo tf 10508.000537/2005-35 S3-C2T1 Acórdão C3201-00411 Fl. 1.011 _ Marcelo Ribeiro Nogueira, que davam provimento. A Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando votou pela conclusão pela conclusão, pois aceita a fungibilidade mas não a exportação fora do prazo fritA_Ci...4.„ d JUD DO AMARAL MARCONDE . 1 ' I O Presidente -j - -1--"-„go.., de, tewv. `rn4.4_, n R • LENA ANO D'AMORIM R . tora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, Rosa Maria de Jesus da Silva C. de Castro, Ricardo Paulo Rosa e Marcelo Ribeiro Nogueira. 1 1 2 Processo n° 10508.000537/2005-35 S3-C2T1 Acórdão n.° 3101-00411 Fl. 1.012 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. A DRI acima identificada recorre, também, a este Conselho, tendo em vista recurso de oficio, nos termos do art. 34, do Decreto n° 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei n°9.532/97 e Portaria MF n°03, de 03/01/2008. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, às fls. 927/933, que transcrevo, a seguir: __ "Da autuação Trata-se de lançamento do Imposto de Importação —II, acrescido dos juros de mora previstos no art. 13 da Lei n°9.065/95 (fatos geradores — FG entre 01/01/1995 e 31/12/1996) e no art. 61, § 3°, da Lei 9.430/96 (FG a partir de 01/01/1997), bem como da multa de oficio tipificada no inciso Ido art. 4° da Lei n° 8.218/91, combinada com o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, perfazendo, na data da autuação, crédito tributário no valor total de RS 14.133.412,37. A ação fiscal teve por objeto 14 (quatorze) atos concessorios de drawback suspensão (conforme listagem às fls. 17), todos emitidos no ano de 1999, cujo exame demonstrou o descumprimento parcial dos compromissos assumidos junto à Secretaria de Comércio Exterior — SECEX, notadamente, a realização de exportações depois do vencimento do prazo de validade dos atos concessorios, e a não aplicação dos insumos importados aos bens exportados, em ofensa ao principio da vincula ção fisica, cuja observação, segundo as autoridades lançadoras, seria obrigatória por força do Parecer Normativa CST n°12/79. Quanto ao ato conce-ssório n° 2000-99/000033-9 (fis. 243) a empresa fora autorizada a importar torta de cacau com o compromisso de exportar pó de cacau. Em relação aos demais atos concessórios (fls. 256, 291, 336, 372, 410, 430, 467, 494, 518, 544, 569, 589 e 651), a autorização para importar abordou exclusivamente amêndoas de cacau em seu estado bruto, tendo a interessada se compromissado a exportar manteiga de cacau, pó de cacau, torta de cacau e/ou liquor de cacau. Por meio do "Relatório de Auditoria Fiscal", fls. 17/32, que é parte integrante do auto de infração, além de expender várias considerações acerca do regime drawback na modalidade suspensão (base legal, definição, natureza jurídica, princípios informadores e decadência) que serviram de fundamento para a autuação, o autuante destaca as infrações apuradas durante o procedimento fiscal, conforme exposto a seguir: 3 Processo a° 10508.00053712005-35 S3-C2T1 Acórdão o.° 3201-00.411 Ft. 1.013 i) Exportações efetuadas após o vencimento do prazo de validade do ato concessório: Na tabela 1 (fls. 27) foram elencados todos os atos concessórios, seus respectivos prazos de validade, e as datas de apresentação de aditivos visando à prorrogação desses prazos. De acordo com a citada tabela, foram desconsiderados dois aditivos vinculados ao ato concessório n o 2000- 99/000393-1, ao argumento de que estes teriam sido apresentados após o prazo de validade do ato concessó rio. Constam da tabela 2 ((ls. 28) os Registros de Exportação — RE não considerados para fins de comprovação do compromisso de exportar uma vez que as respectivas averbações ocorreram depois do vencimento do prazo de validade dos atos concessórios correspondentes. Não aplicação dos insumos importados aos bens importados: As autoridades fiscais apuraram, com base em informações da própria empresa, que esta, "em seu processo produtivo, [...] não segrega ou controla as amêndoas de cacau por origem" e "por ocasião dos produtos exportados vinculados aos Atos Concessorios objeto desta fiscalização, a empresa não pode assegurar que tenha utilizado somente amêndoas importadas ao amparo do regime de Drawback". Segundo a fiscalização, a beneficiária informa que não possui dados que possam identificar "qual foi o percentual da eventual mistura realizada, considerando que a empresa possui uma linha estândar de produtos acabados (sic)". Ainda de acordo com a descrição dos fatos, os produtos finais da empresa foram obtidos a partir de uma mistura de amêndoas de diversas origens e tipos, o que fez com que (fls. 22/23): nas operações vinculadas aos Atos Concessários pane da matéria-prima utilizada na fabricação dos produtos exportados fosse nacional; nas vendas não vinculadas aos Atos Concessários (inclusive para o mercado interno) pane da matéria-prima utilizada na fabricação dos produtos fosse aquela importada com o beneficio tributário. No entender do Fisco tal prática caracterizou "desvio de finalidade dos insumos importados com o beneficio da suspensão do Imposto de Importação, uma vez que tais insumos deveriam ter sido totalmente e exclusivamente utilizados, em sua identidade física na produção dos produtos exportados para o cumprimento dos compromissos assumidos ". Ressaltam ainda os agentes fiscais que "a legislação que disciplina o Regime Especial de Drawback não admite substituição da matéria prima importada" e que a SECEX não fora comunicada de que os insumos importados utilizados no processo industrial seriam misturados a insumos nacionais. 4 Processo n°10508000537/2005-35 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.411 Fl. 1.014 O cálculo do crédito tributário foi baseado na tabela de fis. 30, denominada índice de utilização de insunzos importados, onde se obteve uma estimativa do percentual de utilização de amêndoas importadas, "a partir da proporção entre amêndoas de origem nacional e as importadas ao amparo do regime de Drawback disponíveis para processamento a cada mês". Para tanto, os fiscais autuantes calcularam os percentuais mensais de insumos que se referiam a produtos importados, o que foi obtido com base nos estoques iniciais, nas entradas totais e nas entradas inerentes a importações. A partir de cada percentual mensal, foi calculada a média ponderada de 35,93%, que foi considerada como "o percentual de matéria prima importada ao amparo do regime especial de Drawback utilizado na fabricação dos produtos da empresa no ano sob análise". Esse percentual, —depois de aplicado sobre os totais exportados, representou as quantidades consideradas das exportações para fins de comprovação do compromisso assumido no regime (ver tabela 5 às fls. 31). Sobre os insumos excedentes foi formalizado o lançamento objeto da lide, conforme demonstrado na tabela 6 às fls. 32. Da impugnação Cientificada do lançamento em 21/10/2005 (fls. 05), a recorrente insurgiu-se contra a exigência, tendo apresentado, em 22/11/2005, a impugnação de fls. 685/719, onde, após fazer uma breve descrição dos fatos, apresenta as seguintes razões de defesa: - com base no 4°, do art. 150, do Código Tributário Nacional — CTIV, assim como em respeitável jurisprudência do STJ e em acórdãos do Conselho de Contribuintes, assevera que o lançamento não deveria prosperar em função da decadência, ao argumento de que já haveriam se passado mais de cinco anos entre a expedição do ato concessó rio e a lavratura do auto de infração, e que a contagem do prazo decadencial não se interrompe nem se suspende, mesmo em relação à suspensão do crédito tributário por conta do regime de drawback; - alega cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que o lançamento abrangeu a Declaração de Importação — Dl n°99/0056659-9, vinculada ao Ato Concessório n° 2000-98/000720-9, este, não relacionado dentre os atos concessórios que foram objeto da ação fiscal conduzida contra a recorrente; além disso, referida DI teria sido objeto de outra autuação lavrada em 12/04/2002, correspondente ao processo administrativo n°10508.000187/2002-64; - que, ao contrário do que afirmam as autoridades administrativas, o aditivo n° 1543-00/000019-2, relativo à prorrogação do prazo de validade do ato concessório n° 2000-99/000393-1, teria sido apresentado antes de findo o prazo de vigência originalmente concedido, o que poderia ser comprovado diante da cópia do documento protocolizado junto ao Banco do Brasil, acostado às fis. 742 dos autos; tal fato também tornaria válido o segundo - aditivo apresentado- (n° 1543-00/000053-2), o qual havia sido considerado 5 Processo e 10508.000537/2005-35 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.411 Fl 1.015 % intempestivo unicamente por conta da suposta extemporaneidade da entrega do primeiro aditivo; - que as exportações vinculadas ao Ato Concessório n° 2000-99/000479-2 teriam ocorrido tempestivamente, uma vez que o prazo de validade para a realização das mesmas seria até o dia 31/05/2000, conforme aditivo de prorrogação n°1543-00/000067-2, emitido em 16/02/2000 (fls. 747), e não o dia 31/03/2000, considerado pelo Fisco para a fonnalização do lançamento; - que as exportações objeto dos Registros de Exportação — RE es 00/0019709-001 e 00/0019743-001, vinculadas ao Ato Concessário n° 2000- 99/000344-3, apesar de terem sido averbadas depois de vencido seu prazo de validade, teriam sido embarcadas em 11/02/2000, ou seja, quando o ato concessório ainda estava vigendo; ademais, as mercadorias teriam sido comercializadas mediante cláusula FOB, segundo a qual a transferência da propriedade ocorre no momento do embarque junto ao terminal marítimo; ressalta ainda que a data da averbação do RE não pode ser considerada para fins de cumprimento da data limite estabeleci* no Ato Concessório, uma vez que dita averbação não depende somente de atos da impugnante, podendo sofrer atrasos, por exemplo, em virtude de greve da Receita Federal; procura provar o alegado com os documentos dep. 748/751; - com respeito ao Ato Concessório n° 1543-99/000007-0, afirma que as autoridades fiscais, na tabela n°5, não consideraram a quantidade total de manteiga, torta e pó de cacau efetivamente aportados; na referida tabela os agentes fiscais consideraram apenas a exportação de 988,59 Kg de pá de cacau e 41,81 Kg de torta de cacau; não obstante, os Relatórios Unificados de Drawback anexos às fls. 752057 demonstrariam a exportação efetiva de 988,59 Kg de pó de cacau, 332,81 Kg de torta de cacau e 1.193,307 Kg de manteiga de cacau; - após um breve histórico acerca do instituto do drawback e de ressaltar sua importância para a economia nacional, defende a interpretação finalística, sistemática e teleológica do incentivo à exportação em destaque; aduz que a interpretação restritiva, particularmente adotada em relação à suspensão do icrédito tributário e à outorga de isenção, "não deve amarrar o aplicador da lei de tal sorte que seu trabalho de hermenêutica resulte na 1impraticabilidade do Direito, tornando inócuo o sentido da norma"; argumenta que os limites à interpretação restritiva teriam sido bem delineados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, através do acórdão CRF/01-0.867, onde foi trazida respeitável doutrina de Paulo de Barros Carvalho, transcrita às fls. 703/704; reproduz ainda respeitáveis ensinamentos doutrinários e jurisprudência administrativa e judicial que corroboram o entendimento defendido pela reclamante; - que a exigência de observação do princípio da vincula ção fisica é incompatível com os objetivos de eficiência e ganhos de produtividade da indústria moageira do cacau, urna vez que, ao final do processo produtivo, obtém-se os mesmos produtos, independentemente de se utilizar insumo nacional ou importado; 6 Processo n°10508000537/2005-35 83-C2T1 Acórdão a.° 3201-00.411 Fl. 1.016 - aduz que em se admitindo que para o direito ao drawback o contribuinte tenha que efetuar comprovações no sentido de que determinado insumo foi fisicamente utilizado na fabricação de produto exportado, isto significaria frustrar a finalidade da lei e prejudicar o desempenho exportador do País, sem vantagem justificável; - que, pelo fato do drawback se caracterizar como um incentivo à exportação, a interpretação da legislação que rege tal instituto deve considerar como relevante, para fins de seu adimplemento, "que o beneficiário realize as exportações indicadas no respectiva ato concessário"; - que, "em nenhum momento, a fiscalização pós em dúvida o fato de que a Impugnante exportou efetivamente a- quantidade total de produtos prevista -- nos Atos Concessórios em exame, tanto é que, após a análise de aproximadamente 950 processos de exportação, apurou apenas 03 supostas irregularidades, as quais, reitere-se, já foram exaustivamente descaracterizadas na presente impugnação"; - que os agentes fiscais concordaram, expressamente (fls. 07), "que, de acordo com os demonstrativos apresentados pela 1mpugnante, foi possível concluir-se que de uma forma global as amêndoas importadas seriam suficientes para a fabricação dos produtos exportados em operações vinculadas"; por conta disso, "forçosa é a conclusão de que as amêndoas importadas pela Impugnante guardam total relação com as exportações vinculadas que realizou, o que não causa prejuízo algum ao Erário"; - após transcrever os itens 10 e 11 da Portaria MF 36/82, relativos à concessão de drawback modalidades isenção e suspensão, faz exegese no sentido de que, "se o contribuinte der outra destinaçã o às matérias-primas importadas, não as utilizando nos produtos a serem exportados, mas empregando nestes insumos nacionais em quantidade e qualidade equivalentes, não há razão para desconstituir o beneficio da suspensão do tributo, eis que inexiste prejuízo à Fazenda Pública"; - destaca que o princípio da identidade, "tão invocado pela fiscalização, e na verdade criado por ela mesma, se aplicável for, deve ser apenas em relação aos casos em que se mostrar possível a identificação fisica do insumo importado"; nesse sentido, transcreve excertos de voto referente a acórdão do TRF da 4° Região (fls. 711/712), segundo o qual a industrialização de produto aportado com insumo nacional similar ao importado, "que não pode ser identificado fisicamente para efeito de controle da sua utilização", não descaracteriza o drawback; traz, ainda, acórdão da 2° Turma do mesmo Tribunal que corrobora o entendimento em favor do princípio da equivalência; - que as amêndoas de cacau importadas e nacionais são equivalentes, sendo impossível sua separação, o que seria corroborado pelo próprio método utilizado de fiscalização por Via indireta, assim como por estudo técnico que atesta a equivalência entre w produtos (conforme documento de fls. 773/792); 7 Processo te 10508.000537/2005-35 53-C2T1 Acórdão a° 3201-00.411 Fl. 1.017 - que a classificação dos produtos nacional e importado nos mesmos códigos da TEC e da TIPI corroboraria tal entendimento; - a recorrente apresenta dados que demonstram o incremento das importações brasileiras de amêndoas de cacau e a queda das exportações de amêndoas e de seus derivados por conta da praga dos cacaueiros denominada "vassoura-de-bruxa"; mostra, ainda, a elasticidade da demanda entre amêndoas nacionais e importadas no consumo da indústria moageira, ressaltando a dependência desta em relação ao regime de drawback para a manutenção da utilização do parque fabril, dos empregos e do mercado externo para derivados de cacau; - com base nestes dados, reforça a efetiva equivalência existente entre as amêndoas nacionais e importadas, uma vez que "a Impugnante se vê obrigada a buscar amêndoas no mercado estrangeiro apenas em virtude da escassez deste insumo no mercado interno"; ademais, isso demonstraria inexistência de desvio de finalidade na destinação dada aos derivados, posto que "tais insunzos foram adquiridos com a única finalidade de exportação ", cumprindo ao Fisco apenas V..] verificar se os produtos exportados incorporaram quantidade de amêndoas equivalentes à importada, dentro dos prazos estabelecidos nos atos concessórios"; Ao final, requer o cancelamento do lançamento por conta das preliminares argüidas, ou ainda, no mérito, que seja julgado improcedente o lançamento com base na inaplicabilidade do princípio da identidade fisica, em detrimento ao principio da equivalência, "contrariando a própria essência do regime de Drawback cuja legislação não deve ser interpretada de forma restrita e literal". Diante da impugnação apresentada, e após ajuntada da documentação que a acompanhou 07s. 720/792) o processo foi encaminhado a esta DRJ/FOR, unidade competente para julgamento da lide. Atendendo a requerimento da contribuinte este órgão julgador realizou a juntada aos autos de cópia do Acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça face ao Recurso Especial n° 413.564 — RS (l7s. 797/811), o qual versaria sobre idêntica matéria que está sendo discutida no presente. Da diligência solicitada Submetido o presente processo a julgamento, por meio da Resolução DRJ/FOR n° 720, de 30/10/2006, fls. 813/826, decidiram os membros da 2° Turma da DRJ/Fortaleza, por maioria de votos, pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor, com a devolução dos autos à unidade de origem para que fossem adotadas pelas autoridades lançadoras as seguintes providências: (fls. 825/826) "a) manifestar-se quanto à alegação da impugnante de que a Declaração de Importação n°9910056659-9/001 não se encontra Processo n° 10508.000537/2005-35 S3-C2T1 Acórdão a° 3201-00.411 Fl. 1.018 vinculada a nenhum dos atos concessórios relacionados ao presente processo, visto que tal DI já teria sido objeto de uma outra auditoria fiscal que resultou no processo administrativo n° 10508.000187/2002-64; b) examinar a autenticidade dos aditivos de prorrogação ;Cs 1543-00/000019-2 e 1543-00/000067-2, acostados adis. 742 e 747, relativos aos atos concessórios n's 2000-99/000393-1 e 2000-99/000479-2, respectivamente; c) anexar os extratos dos RE rel 00/0019709-001 e 00/0019743- 001, bem como examinar a autenticidade dos conhecimentos de embarque de fls. 750/751; d) diante dos Relatórios Unificados de Drawback e anexos relativos ao ato concessório n° 1543-99/00007-0, acostados às fls. 671/681 e 752/757, venficar quais os documentos válidos; e)em função dos itens anteriores, elaborar demonstrativo especificando a parcela do crédito tributário lançado: I - inerente à Dl n°99/0056659-9/001; 11— relativo aos RE rz' 00/0019709-001 e 00/0019743-001; III — informar a parcela do crédito tributário a ser excluída no caso de restar comprovada a autenticidade dos aditivos de prorrogação !Cs 1543-00/000019-2 e 1543-00/000067-2, e ainda, no caso de serem considerados pela fiscalização os documentos juntados pela impugnante ás fls. 752/757; fi ao final, elaborar relatório acerca do resultado da diligência." Em cumprimento ao solicitado na diligência, foram juntados ao processo, pela unidade lançadora, a documentação às fls. 830/901 e o "Relatório de Diligência Fiscal" às fis. 902/904, com as conclusões da fiscalização acerca do exame de cada uma das questões formuladas por este órgão julgador. Cientificada do resultado da diligência (doc. fls. 905) em 31/10/2007, com a reabertura de prazo para sua manifestação (docs. fls. 906/907), em 29/11/2007 a contribuinte apresentou seus argumentos através do expediente às fls. 908/911, apressando "sua concordância com o resultado da diligência requerida por esta Delegacia de Julgamento" e reiterando as razões de mérito apresentadas por ocasião de sua impugnação ao lançamento. Á litigante aproveita a oportunidade para novamente trazer aos autos cópia da decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial n°413,564 —RS (doc. às fls. 913/923). Na seqüência, por meio de despacho exarado às fls. 924, o processo foi devolvido a esta DRJ/Fortaleza." O pleito foi indeferido parcialmente, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ /FOR e 08-12 877, de 15/02/2008, às fls. 925/956, proferida pelos 9 Processo e 10508.000537/2005-35 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.411 Fl. 1.019 membros da 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/01/1999, 25/06/1999, 16/07/1999, 19/07/1999, 10/09/1999, 03/12/1999, 10/12/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 20/01/1999, 25/06/1999, 16/07/1999, 19/07/1999, 10/09/1999, 03/12/1999, 10/12/1999 DRÁ WBACK SUSPENSÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial para o lançamento de oficio decorrente do descumprimento dos requisitos inerentes ao drawback suspensão será determinado com base na regra de que trata o art. 173, inciso I, do CTN. A contagem do referido prazo deverá se dar a partir do trigésimo dia subseqüente ao do vencimento do prazo estabelecido, no respectivo ato concesserio, para o cumprimento das obrigações assumidas pelo beneficiário (encerramento do regime). DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCIPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. DESCUMIIRBIENTO. EXIGÊNCIA PROPORCIONAL DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. A ausência de controles de estoques, em separado, de matérias primas nacionais e importadas distintas, utilizadas na industrialização de produtos exportados sob o regime aduaneiro especial de drawback suspensão, exige a formalização de lançamento para a exigência dos tributos incidentes na importação, o que se dará com base em estimativa do percentual dos Sumos importados não utilizados nas mercadorias destinadas à exportação. Lançamento Procedente em Parte." A decisão DM foi no sentido de rejeitar as arguições de nulidade suscitadas pela impugnante e reconhecer a decadência do lançamento concernente às Declarações de Importação nea 99/0589455-1, 99/0517639-0, 99/0517604-7, 99/0517603-9 e 99/0517602-0 (atos concessorios de n" 2000-99/000238-2 e 2000-99/000326-5). E,no mérito, para julgar procedente em parte o lançamento objeto da lide, devendo ser mantido o montante de R$ 3.469.114,72 (três milhões, quatrocentos e sessenta e nove mil, cento e quatorze reais e setenta e dois centavos), inerente ao Imposto sobre as Importações - II, com a conseqüente exoneração do crédito tributário no valor de RS 1.612.818,23 (um milhão, seiscentos e doze mil, oitocentos e dezoito reais e vinte e três centavos). A DRJ recorre de oficio em virtude de o crédito tributário exonerado superar o limite de alçada previsto na Portaria MF n°03, de 03 de janeiro de 2008 e nos termos do art. 34, do Decreto n°70.235/72. to Processo tf 10508.000537/2005-35 53-C2T8 Ao5rdão o.° 3201-00.411 FL 1020 Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressaltando, ainda preliminar de decadência. O processo foi distribuído a esta Conselheira, à fi. 1010 (última) que trata dos trâmites deste Conselho. É o relatório. 11 Processo n° 10508.000537/2005-35 S3-C2T1 Aa5rdão o.° 3201-00.411 19. 1.021 Voto Conselheira MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORAI, Relatora Trata-se de autuação para cobrança do Imposto de Importação —II, acrescido dos juros de mora previstos no art. 13 da Lei n° 9.065/95 (fatos geradores — FG entre 01/0111995 e 31/12/1996) e no art. 61, § 3°, da Lei 9.430/96 (FG a partir de 01/01/1997), bem como da multa de oficio tipificada no inciso Ido art. 40 da Lei n° 8218/91, combinada com o inciso Ido art. 44 da Lei n° 9.430/96. A ação fiscal teve por objeto 14 (quatorze) atos concessórios de drawback suspensão, todos emitidos no ano de 1999, cujo exame demonstrou o descumprimento parcial dos compromissos assumidos junto à Secretaria de Comércio Exterior — SECEX, notadamente, a realização de exportações depois do vencimento do prazo de validade dos atos concessórios, e a não aplicação dos insumos importados aos bens exportados, em ofensa ao princípio da vincula* fisica, cuja observação, segundo as autoridades lançadoras, seria obrigatória por força do Parecer Normativo CST n°12/79. RECURSO DE OFICIO DECADÊNCIA A decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, relativamente ao imposto de importação, foi objeto de disposição especifica do Decreto-lei n° 37/1966, na redação que lhe deu o art. 1° do Decreto-lei n° 2.472/1988, verbis: "An. 138- O direito de exigir o tributo extingue-se em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Parágrafo único — Tratando-se de exigência de diferença de tributo, contar-se-á o prazo a partir do pagamento efetuado." A norma é pacifica no sentido de tratar, no capta, da situação de não lançamento do tributo e, em seu parágrafo único, da em que houve o pagamento, relacionada esta última com o art. 150, § 4°, da Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional - CTN). Entendo que, como a hipótese em exame — drawback modalidade de suspensão - não diz respeito à exigência de diferença de tributo a que se refere o parágrafo único acima transcrito, deve a matéria ser subsumida no caput do artigo. Trata-se de beneficio fiscal concedido sob condição resolutiva, em que a Fazenda Nacional só poderá agir após ter conhecimento, de parte do órgão administrador do beneficio, no caso a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Relatório de Comprovação de Drawback que demonstre o cumprimento ou não do compromisso assumido. Vale dizer, os créditos tributários correspondentes somente poderão ser exigidos do beneficiário do regime se inadimplido o compromisso de exportação por ele assumido, o que somente poderá ser conhecido pelo fisco após a manifestação do órgão concedente e administrador do beneficio. Em sendo assim, o prazo de cinco anos para o fisco exercer a ação de exigência do imposto é o consagrado no art. 173, inciso I, do CTN, com o qual o art. 138 acima 12 Processo o° 10508.00053712005-35 53-C2T1 Acórdão n.°3201-00.411 Fl 1 022 transcrito guarda integral harmonia, visto praticamente repetir sua redação. Da mesma forma ocorre com o imposto sobre produtos industrializados, tendo em vista a disposição expressa no art. 61, inciso II, do Regulamento do TI aprovado pelo Decreto n° 87.981, de 23/12/1982, cuja base legal é o mesmo art. 173, inciso I, do CTN. No entanto, a contagem se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia do encerramento do regime. Os 30 dias ulteriores ao encerramento do regime correspondem ao prazo que o beneficiário tem para, quanto ao produto importado eventualmente remanescente, reexportá-lo, nacionalizá-lo, ou destrui-10 sob controle aduaneiro (conforme itens 26.2 e 26.3 do Comunicado DECEX 21, de 11/07/1997 — Consolidação das Normas do Regime de Drawback — CND). Verifica-se, portanto, que o prazo para a realização das exportações relativamente aos atos concessórios de n' 2000-99/0002382 e 2000-99/000326- — 5,(considerando os aditivos correspondentes) foi o dia 15/11/1999. Definido tal prazo, e considerando os 30 dias previstos, a Fazenda Nacional, já a partir de meados de dezembro de 1999, poderia iniciar o exame quanto à observação dos compromissos assumidos nos citados atos concessórios. Iniciada a contagem do prazo decadencial em 1°/01/2000, tem-se que a data limite para a lavratura do auto de infração findou no final de 2004. Considerando que o lançamento ocorreu apenas em 21/10/2005 (ciência), conclui-se que o direito da Fazenda já se encontrara extinto, pela decadência, o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário. Destarte, não cabe o lançamento nos 2 atos concessórios mencionados acima, por conta da ocorrência da decadência nos motivos apresentados, portanto; não merece reparo o voto da DRJ no voto vencedor. DAS EXPORTAÇÕES EFETUADAS APÓS O VENCIMENTO DO PRAZO DE VALIDADE ESTABELECIDO NO ATO CONCESSORIO Por conta do Relatório de Diligência Fiscal, às fls. 902/904, que conclui: - Aditivos aos Atos Concessórios nas 2000-99/000393-1 e 2000-99/000479- 2 Após exame da autenticidade dos aditivos de prorrogação n's 1543- 00/000019-2 e 1543-00/000067-2, acostados às fls. 742 e 747, relativos aos atos concessórios les 2000-99/000393-1 e 2000-99/000479-2, assim informou a fiscalização no item "b" do seu relatório de diligência (fls. 902): "Quanto ao Aditivo de Prorrogação n° 1543-00/000019-2, o contribuinte apresentou o documento de folha 901, no qual consta declaração do Banco do Brasil de que o referido 1 documento é cópia fiel do original arquivado. Relativamente ao Aditivo de Prorrogação n° 1543-00/000067-2, verifica-se que ocorreu um erro na elaboração da Tabela 01 «olha 27), na qual foi assinalada a data de validade de 3)103/2000 para o Ato Concessório 2000-99/000479-2, quando deveria ter sido assinalada a data de 3110512000, conforme se constata no documento de folha 548, juntado aos autos pelos próprios autuantes. -- 13 Processo n° 10508.000537/2005-35 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00411 EL 1.023 De todo modo, o interessado apresentou os originais dos documentos de folhas 841/844, por mim conferidos e autenticadas. "(write» Logo, em relação ao Ato Concessório n° 2000-991000393-1, restou demonstrado por meio do documento à fl. 901 que o pedido de piou ogação de prazo do regime de que trata o Aditivo n° 1543-00/000019-2 foi protocolizado junto ao Banco do Brasil S/A em 28/12/1999, ou seja, tempestivamente, o que autoriza também ser considerado válido o Aditivo n° 1543-00/000053-2 (fls. 503/505) que foi emitido em seguida, prorrogando o prazo até 29/02J2000 para realização de exportações vinculadas ao referido Ato Concessorio. Não procede a glosa dos RE IN 00/0010361-001, 00/0010369-001, 0010014460-001, 00/0055931-001, e 99/1332202-001 (Tabela 02 - fl. 28) efetuada pela fiscalização, devendo o Imposto de Importação exigido em relação à DI n°99/0763216-3 ter o seu valor reduzido de R$ 77.277,47 para R$ 72.223,61 (vide item 111(a) do relatório de diligência — fls. 904). Quanto ao aditivo n° 1543-00/000067-2 (fls. 548 e 841), após a diligência, a própria fiscalização reconheceu o equívoco que cometeu ao elaborar a Tabela 01, fls. 27, pois a data correta a ser considerada como termo final para realização de exportações ao amparo do Ato Concessório n° 2000-99/000479-2 é 31/05/2000 e não 31/03/2000, como havia sido apontado na autuação. Assim, devem ser desconsideradas as glosas de todos os RE relacionados a este Ato Concessório, conforme elencados pela fiscalização na Tabela 02 (fl. 28), o que implica a redução do valor do Imposto de Importação lançado inerente à DI 99/1049111-7 de R$ 537.848,05 para R$ 458.119,61 (item III (a) do relatório de diligência — fls. 904). - RE d's 00/0019709-001 e 00/0019743-001 A recorrente argumentou que, embora as exportações objeto dos REs 00/0019709-001 e 00/0019743-001 tenham sido averbadas após vencido o prazo de validade do Ato Concessório ri° 2000-99/000344-3, o qual estavam vinculadas, os respectivos embarques das mercadorias teriam ocorrido em 11/02/2000, ou seja, dentro do prazo de vigência do referido Ato Concessório. Juntou ao processo os documentos de fls. 748/751. A autoridade fiscal que conduziu a diligência noticiou em seu relatório que: "Encontram-se às folhas 877/885 e 886/894 as telas impressas com os dados dos Registros de Exportação n°00/0019709-001 e n°00/0019743-001 Quanto aos conhecimentos de embarque de folhas 750 e 751, o interessado exibiu os documentos originais, ficando cópias dos mesmos às folhas 839 e 840. Portanto, conclui-se que são autênticos os documentos de folhas 750 e 751. Os dados constantes dos conhecimentos não divergem dos dados registrados no Siscornex."(negriteD Assim sendo a comprovação do adimplemento do compromisso deexportação deve ser efetuada mediante a apresentação dos registros de exportação pertinentes, devidamente averbados, dos quais constem as datas de embarque respectivas. 14 Pnxesso 0 10508.00053712005-35 S3-C2T1 Acórdão n°3201 .00411 Fl. 1.024 Conclui-se que o embarque das mercadorias informad2s nos RE nos 00/0019709-001 e 00/0019743-001 ocorreu em 11/02/2000, ou seja, antes de findo o prazo estabelecido no Ato Concessório em questão (15/02/2000) DA PARCELA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVO À DI N° 99/0056659 -9 Por ocasião da diligência realizada no âmbito do presente processo, a autoridade fiscal constatou a procedência da alegação da recorrente de que o lançamento em discussão abrangeu indevidamente a DI n° 99/0056659-9 (fls. 867/869), não se encontrando referida operação de importação vinculada a quaisquer dos atos concessórios relacionados na autuação. A fiscalização declara que referida DI está relacionada à LI n° LI -99/0042302-2 (fls. 872/873), e que esta LI-"refere-se expressamente ao Ato Concessório n° — — 2000-981000720-9, que não foi objeto da auditoria fiscal de que tratam os autos (4". Assim sendo, deverá ser também excluída do lançamento a parcela do Imposto de Importação relativa a esta DI, no valor de R$ 91.497,86, além da multa de oficio e dos juros de mora respectivos. DA QUANTIDADE DE PRODUTOS EXPORTADOS PARA FINS DE COMPROVAÇÃO DO ATO CONCESSÓRIO N° 1543-99/000007-0 Quanto ao Ato Concessório n° 1543-99/000007-0, argumenta a recorrente que as autoridades fiscais não consideraram, para fins de apuração do valor lançado nos autos, a quantidade total de manteiga, torta e pó de cacau, efetivamente exportados; em seus cálculos os agentes fiscais teriam considerado apenas a exportação de 988,59 Kg de pó de cacau e 41,81 Kg de torta de cacau; não obstante, os Relatórios Unificados de Drawback anexos às fls. 752/757 demonstrariam a exportação efetiva de 988,59 Kg de pó de cacau, 332,81 Kg de torta de cacau e 1.193,307 Kg de manteiga de cacau. Diante dos Relatórios Unificados de Drawback e anexos relativos ao Ato Concessório n° 1543-99/000007-0, acostados pela recorrente por ocasião de sua impugnação, a primeira instância, solicitou o pronunciamento da unidade lançadora acerca dos referidos documentos, tendo a mesma se pronunciado da seguinte forma: fls. 903 "A controvérsia acerca do Ato Concessório n° 1543-99/00007-0 prende-se à quantia de produtos exportados. Enquanto os autuantes consideram que houve exportação de 988.590 Kg de pó de cacau e 41.810 Kg de torta de cacau, afirma a impugnante que teria havido exportação de 988.590 Kg de pó de cacau, 332.810 Kg de torta de cacau e 1.193.307 Kg de manteiga de cacau. Ante a divergência entre a documentação juntada pelos autuantes (folhas 671/682) e a documentação apresentada pela impugnante galhas 752/757), foram solicitados à contribuinte os Relatórios Unificados de Drawback completos apresentados a SEC& com protocolo de recebimento. Tais documentos encontram-se às folhas 845/866. 15 Processo n° 10508.000537/2005-35 83-0T1 Acórdão 3301-00.411 Fl. 1.025 Tendo em vista que há concordância de ambas as partes quanto à exportação de 988.590 Kg de pá de cacau, torna-se desnecessária a análise da documentação relativa a esta matéria. No que concerne à exportação de tona de cacau, na autuação fora considerada a quantia de 41.810 Kg, com base no documento de folha 679. Á impugnante apresenta duas listagens de RE: a primeira (folha 847), que não necessita de maiores análises, pois é idêntica ao documento de folha 679, já aceito na autuação; e a segunda (folha 855), na qual consta um total de 290.000 Kg de tona de cacau exportada. Em consulta sistema Siscomex, verifiquei que os dados indicados no documento de folha 855 não apresentam discrepâncias dos registros do sistema. Por isso, entendo que deva também ser considerada a exportação de 290.000 Kg de torta de cacau, de modo a totalizar a quantia aportada de 331.810 Kg de torta de cacau para o Ato Concessório ri' 1543-99/00007-0. Relativamente à exportação de manteiga de cacau, a defendente apresenta a listagem de folha 857, cujos dadai foram confirmados no Siscomex, com uma única ressalva: o peso relativo ao RE 00/0603399-001 consta no Siscomex como 44.000 Kg, ao invés dos 43.307 Kg indicados no relatório de folha 857. Em razão disto, entendo que o peso total aportado de manteiga de cacau relafivarnente ao Ato Concessário no 1543-99/00007-0 _foi de 1.194.000 Kg. Por fim, concluo que tanto os documentos de folhas 671/681 quanto os documentos de folhas 752/757 são válidos, sendo ambos subconjuntos dos Relatórios Unificados de Drawback do Ato Concessório ri' 1543-99/00007-0." (negrita° Restou à unidade lançadora considerar como realizadas exportações de 988.590 Kg de pó de cacau, 331.810 Kg de torta de cacau, e 1.194.000 Kg de manteiga de cacau. Tais quantitativos de produtos exportados apurados pela fiscalização por ocasião da diligência realizada devem ser considerados para fins refazimento do cálculo do Imposto de Importação devido em relação a este Ato Concessório (Tabela 05 — fls. 31). Assim, neste caso, diante da informação contida no item Dl (b) Relatório de Diligência Fiscal (fis. 904) e dos dados extraídos do auto de infração, o Imposto de Importação lançado inerente à DI 99/1072512-6 deve ter o seu valor reduzido de R$ 778.709,07 para R$ 409.364,23. Pelo exposto e por tudo o mais que do processo consta, nego provimento ao recurso oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Inicialmente, no que concerne à preliminar de decadência arguida pela recorrente para o restante dos atos concessórios. Os mesmos princípios tratados no âmbito do recurso de oficio são aproveitados aqui no recurso voluntário. 16 Processo n° 10508.000537/2005-35 S3-C2T1 Acórdão n.° 3701-00.411 Fl. 1.026 A alegação da recorrente, de que o prazo decadencial tem inicio com a data do fato gerador da obrigação tributária - no caso, o registro da declaração de importação -, não guarda qualquer compatibilidade com a legislação pertinente, nem com ela é razoável, visto não haver como o fisco agir enquanto estiverem se desenvolvendo as operações pertinentes ao beneficio, inclusive eventuais alterações solicitadas pela beneficiária e aceitas por seu órgão administrador. Não tem qualquer subsistência a alegação da recorrente no sentido de ser incluído o regime de drawback nas disposições do art. 150, § 40, do CTN, de forma a que o prazo de decadência seja contado a partir da data do registro da declaração de importação. Com efeito, e apenas a título exemplificativo, a vigorar tal interpretação, jamais seria possível ao Fisco o lançamento decorrente de inadimplemento de compromissos de drawback nos casos de aplicação desse regime aduaneiro especial para a importação de mercadorias destinadas à produção- de bens de capital-de longo ciclo de fabricação, quando for concedido o prazo-de -- suspensão de cinco anos, como facultado pelo art. 250, § 4°, do Regulamento Aduaneiro, tendo em vista que o prazo de exportação seria o mesmo do de decadência. Afastada a preliminar de decadência, passemos ao mérito. Cabe ressaltar, que como considerado no voto pertinente ao recurso de oficio, foi realizada diligência, bem como a recorrente foi cientificada do resultado da diligência (doc. fls. 905) em 31/10/2007, com a reabertura de prazo para sua manifestação (docs. fls. 906/907), em 29/11/2007 a mesma apresentou seus argumentos, expressando "sua concordância com o resultado da diligência requerida pela Delegacia de Julgamento". Quanto ao mérito, ressalte-se que o beneficio de drawback, modalidade de suspensão, está previsto no art. 78 do Decreto-lei n°37/1966, verbis: "Art. 78. Poderá ser concedida nos termos e condições estabelecidos no regulamento: 11 — Suspensão do pagamento dos tributos incidentes sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; Esse dispositivo não é auto-aplicável, dependente que é da superveniência de normas que lhe sirvam de regulamento. Inicialmente o beneficio foi regulado pelo Decreto n° 68.904/1971, norma regulamentar que foi revogada expressamente pelo art. 2° do Decreto n° 91.030/1985, que aprovou o Regulamento Aduaneiro (RA), vigente à época da lavra lura. Os arts. 314 a 334 desse Regulamento estabelecem os termos e condições a que a Lei se refere. Tratam-se, assim, de dispositivos complementares à Lei e que permitem que o beneficio seja objeto de aplicação, observados os requisitos e as condições expressos no Regulamento. Destaco no art. 315 deste Regulamento, que dispôs, in verbis: "Art. 315 - O beneficio do "drawbaek" poderá ser concedido: 17 Processo na 10508.000537/2005-35 S3-C2T1 Acórdão a 3201-00.411 Fl. 1.027 .0 à mercadoria importada para beneficiamento no Pais e posterior exportação; f0 à mercadoria - matéria-prima, produto semi-elaborado ou acabado - utilizada na fabricação de outra exportada, ou a exportar; (negritei) Destarte, os dispositivos previstos no RA têm caráter imperativo, devendo ser fiel e totalmente observados, não comportando questionam entos quanto à sua existência e eficácia. Significa dizer: não é crível que a Lei determine constar em diploma regulamentar norma que deva ser obedecida, mas cujo cumprimento seja prescindível. Ademais, em se tratando de suspensão de crédito tributário, há que se interpretar literalmente as normas que lhe dizem respeito (art. 111, I, C'TN). A interpretação literal não permite a integração extensiva ou restritiva, e sim, determina a aplicação do significado gramatical que lhe respeita, podendo em certos casos o contribuinte ser beneficiado, em outros não, dependendo da norma. De observar-se que a norma expressa no art. 111, I, do CTN, tem aplicação abrangente aos casos a que se refere e que para a mesma não foi prevista qualquer exceção, bastando que o pagamento do tributo seja afastado pelo instituto da suspensão, independentemente de ser esta decorrente de simples beneficio ou de beneficio considerado incentivo fiscal, como é o caso de drawback. As normas de drawback estabelecidas do RA são de cumprimento obrigatório, porque relacionam-se a casos de dispensa de pagamento de tributo em função do beneficio fiscal referido, considerado incentivo à exportação. O art. 325 do RA determina que "a utilização do beneficio previsto neste Capitulo será anotada no documento comprobatário da exportação". É norma de observância compulsória e inserida como requisito necessário na comprovação do regime por sapiência do legislador, pois é a partir da informação do beneficiário do regime, de que o despacho de exportação refere-se ao drctwback, que o Fisco pode usar dos controles apropriados para verificar o efetivo retorno ao exterior dos bens importados e desembaraçados com suspensão sob os auspícios desse regime aduaneiro especial. De outra parte, o descumprimento desse dispositivo implica prejuízo à salutar concorrência, com reflexos negativos na economia, na medida em que concede maiores vantagens aos que o descumprem, em relação àqueles beneficiários que fielmente satisfazem a referida obrigação. Para fins de controle fiscal, a obrigação fimdamental e relevante é o atendimento da norma expressa no art. 325 do RA, de informação de vinculaç:áo ao regime no momento da operação de exportação. Conforme relatado, houve a glosa parcial das exportações relacionadas aos atos concessorios objeto da lide em razão da não aplicação dos insumos nos bens exportados (principio da vinculação fisica), e à realização de exportações quando já vencido o prazo de validade estabelecido no ato concessório correspondente. 18 Processo n° 10508.000537/2005-35 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.411 Fl. 1.028 Quanto à primeira questão, o motivo da glosa foi ocasionado pela ausência de controle de estoques em separado das matérias primas importadas e daquelas obtidas no mercado interno, o que levou a fiscalização a estimar o percentual de utilização das amêndoas importadas nos produtos exportados, constituindo o lançamento em relação à parcela atribuída como não destinada à exportação. Pois, deve-se observar o princípio da vinculação fisica. Destarte, a vinculação é de natureza fisica entre o produto importado e o exportado, ou seja, entre os insumos importados e os bens a serem exportados, devendo os insumos importados serem totalmente utilizados no processo industrial dos produtos a serem exportados. Como bem esclarece o Parecer Normativo CST n o 12, de 12/03/79, citado pelos autuantes em seu relatório fiscal: "(...a vinculação ... é sempre de natureza fisica, ou seja, o bem importado deve ser obrigatoriamente exportado ou tis matérias- primas e produtos intermediários importados devem ter sido ou ser totalmente utilizados na industrialização de bens já aportados ou a aportar...). O parecer é claro ao explicitar que no regime aduaneiro especial de drawback a vinculação é de natureza fisica entre o produto importado e o exportado, ou seja, entre os insumos importados e os bens a serem exportados, devendo os Sumos importados serem totalmente utilizados no processo industrial dos produtos a serem exportados. Por todo o exposto, não há dúvidas de que a rega prevista na legislação que rege esse beneficio é que a exportação diga respeito à mercadoria que tenha sido importada e utilizada no processo industrial. Indiscutivelmente, trata-se de requisito básico e de prestação obrigatória para efeitos de a.dimplemento do regime. No caso em exame ficou demonstrado que a autuada praticou operações que não compactuam com o beneficio que lhe foi outorgado, tendo sido demonstrado na auditoria fiscal, que a autuada utilizou apenas parcialmente (35,93% - índice apurado pela fiscalização, à I fl. 30) os insumos importados com beneficio na fabricação de produtos exportados sob o Iregime. Quanto à parte do lançamento relacionada às exportações efetuadas depois do vencimento dos prazos de validade estabelecidos nos atos concessórios, já teci os devidos comentários no voto do recurso de oficio; tendo em vista realização da diligência que esclareceu diversos pontos. Diante do exposto, afasto a preliminar de decadência levantada pela recorrente e voto por que se negue provimento ao recurso voluntário. Concluo, finalmente, pelo afastamento das preliminares levantadas e nego provimento aos recursos de oficio e voluntário. Exonero do crédito tributário no valor de R$ 1.612.818,23 (um milhão, seiscentos e doze mil, oitocentos e dezoito reais e vinte e três centavos). 4...„ H L A r Sal das Sessões, em 18 de março de 2010 -1-1 _C/14.Cc... -.. _\ ,b2.N.,...aicioarsGt.rn RCIA N gD'AMOR_Evl 19 Processo 1C 10508.000537/2005-35 53-C2T1 Acórdão me 3201-00.411 Fl. 1.029 20 • Or MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO Processo 110 : 18471.001643/2004-21 Recurso n.°: 139.397 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 30 do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n". 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Primeira Turma da Segunda Câmara da Terceira Sessão, a tomar ciência do Acórdão n.° 3201-00.422. Brasília, 22 de abril de 2010. /] il LUIZ HUMBiES.TOpUZ FERNANDES Chefe chi 2' ea'firira da Te eira Seção f Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência i [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional • ..
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721607/2015-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
LANÇAMENTO. IRPF. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. PAGAMENTOS COMPROVAÇÃO.
Demonstrada pelo impugnante os pagamentos declarados a título de pensão alimentícia judicial,saneia-se o vício apontado pela autoridade revisora no lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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IRPF. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. PAGAMENTOS COMPROVAÇÃO. Demonstrada pelo impugnante os pagamentos declarados a título de pensão alimentícia judicial,saneiase o vício apontado pela autoridade revisora no lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 16 07 /2 01 5- 95 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), a quo, que julgou a impugnação procedente em parte, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Demonstrada pelo impugnante parte dos pagamentos declarados a título de pensão alimentícia judicial, saneiase, à medida da comprovação realizada, o vício apontado pela autoridade revisora no lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Para esclarecimento, segundo a fiscalização, nos termos da Notificação de Lançamento (NL), o lançamento decorre de dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Ainda segundo o Fisco, o valor foi glosado por falta do efetivo pagamento, conforme solicitado em devido Termo de Intimação Fiscal (TIF). Em 10/02/2015, conforme aviso de recebimento, o recorrente foi cientificado da NL. Em 27/11/2014, tempestivamente, o recorrente apresentou impugnação ao lançamento, alegando, em síntese, que, para comprovar o pagamento, anexa recibos de pagamento da pensão e cópia da decisão judicial. A DRJ analisou os autos e julgou, como já assinalado, procedente em parte a impugnação, por, em síntese, não restar comprovado integralmente o pagamento, nos seguintes termos: " À época do estabelecimento da citada pensão (1995), o salário mínimo vigente correspondia a R$ 100,00; logo, inferese que os alimentos foram fixados na ordem de três salários mínimos mensais (R$ 300,00 : R$ 100,00). Para o anocalendário 2010 o salário mínimo restou definido em R$ 510,00, o que, em tese, proporcionaria àquela pensionista o benefício mensal correspondente a até R$ 1.530,00. Nesse mister, a análise dos documentos oferecidos revela que: 1 o comprovante de solicitação de ordem de pagamento, no valor de R$ 1.395,00, à fl. 7, emitido na data de 04/02/2010, Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.721607/201595 Acórdão n.º 2402005.112 S2C4T2 Fl. 65 3 além de não expressar alguma chancela/autenticação sobre o efetivo pagamento, o remetente não é o interessado; 2 os comprovantes de transferência de R$ 113,00 (18/02/2010) e de R$ 1.395,00 (08/01/2010), à fl. 7, são hábeis para a prova requerida; 3 à fl. 8, o único comprovante de transferência efetivo consiste naquele referente a 07/06/2010, na monta de R$ 1.530,00, uma vez que os quatro outros constantes dessa folha correspondem a "agendamentos", os quais se sujeitam a cancelamento, daí não espelharem, com propriedade, as transferências ocorridas; 4 de igual sorte, à fl. 9, os cinco comprovantes de transferências, ali residentes, revelam "agendamentos"; logo, não são admitidos para o fim colimado; 5 a transferência indicada no documento de fl. 11, além de também corresponder a agendamento realizado em 30/12/2010, faz referência à data de 07/01/2011, cujo pagamento, se efetivo e comprovado, somente acarretaria reflexo no exercício 2012, considerado o regime de caixa, próprio do IRPF. Nos termos do disposto no art. 78 do RIR/1999, é de se restabelecer a dedução correspondente no total de R$ 3.038,00 (R$ 113,00 + R$ 1.395,00 + R$ 1.530,00), o que equivale a afastar a exigência da parcela do imposto suplementar de R$ 835,45 (R$ 3.038,00 x 0,275)." Intimado da decisão em 03/07/2015, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 21/07/2015, alegando, em síntese, que: 1. Pagou os valores de pensão glosados equivocadamente pelo Fisco; 2. Como prova do pagamento traz aos autos, como já trouxera na impugnação, recibo de pagamento de pensão, emitido pela beneficiária da pensão; 3. Como já tinha informado na impugnação, traz agora cópia da declaração de rendimentos (DIRPF) da beneficiária da pensão, em que há a informação do valor recebido; 4. Anexa vários acórdãos de DRJ, de diferentes exercícios do lançamento, em que, pelo recibo apresentado, sua impugnação foi julgada procedente; 5. Solicita o acolhimento e o provimento de seu recurso. Os autos vieram ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Quanto ao mérito, tratase de glosa de despesas com pensão alimentícia, devido à falta de comprovação de pagamento. O valor lançado corresponde, em síntese, ao pagamento de pensão de três salários mínios, (R$510,00 X 3 x 12 = R$ 18.360,00), valor declarado pelo contribuinte em sua declaração. A DRJ considerou pagamentos nos meses de janeiro, fevereiro e junho, por comprovação por recibos de transferência bancária. Em outros meses o contribuinte apresentou "agendamentos" de pagamentos, que, por serem agendamentos e não efetivos pagamentos. Já em recurso o contribuinte traz aos autos os recibos de transferências dos meses março, abril, maio, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro. Portanto, até utilizando do mesmo critério utilizado pela DRJ, considero comprovado o efetivo pagamento dessas despesas, que devem ser deduzidas no lançamento. Destaco que não desrespeitamos o § 4º, Art. 16, do Decreto 70.235/1972, pois mesmo com documento apresentado após a emissão da decisão a quo, esse se mostra válido para a solicitação do litígio, pois foi somente um detalhamento de outros documentos já apresentados. A utilização dessa documentação para a solução da questão está em consonância com decisões já proferidas pelo CARF. Sobre a questão, muito bem desenvolve a questão da preclusão o nobre conselheiro Ronnie Soares Anderson, que no acórdão 2802003.088 assim se pronuncia: "A par disso, cabe destacar que, quando da interposição do recurso voluntário, o contribuinte apresentou novos documentos a título de comprovação de despesas médicas, os quais reputa terem o condão de sanar eventuais vícios constantes nos anteriormente entregues. Vale observar, por oportuno, que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 impõe restrições à apresentação de documentos em momento posterior à impugnação. A prescrição legal traduz norma de preclusão temporal, atinente às relações processuais desenvolvidas no bojo do contencioso administrativo tributário, e que objetiva, principalmente, impulsionálo de forma segura e Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.721607/201595 Acórdão n.º 2402005.112 S2C4T2 Fl. 66 5 ordenada para a solução do conflito instaurado, dentro de um contexto de proteção à boa fé. Nessa linha, a aceitação como prova de documento apresentado em momento posterior à impugnação deve ser cogitada, excepcionalmente, desde que respeitadas três condições. Primeiro, possuir o documento a característica de permitir o pronto deslinde do caso controverso, viabilizando se assim o atendimento aos princípios da verdade material, da informalidade moderada e da instrumentalidade. Segundo, que sua análise não implique retorno à etapa processual já superada, salvo para diligência complementar de natureza essencial e âmbito restrito, sob pena de violação frontal aos princípios da preclusão, da duração razoável do processo e da eficiência, os quais servem de esteio ao mencionado art. 16 do Decreto nº 70.235/72. E terceiro, que não reste evidenciado o fato de ter sido a entrega do documento nessa etapa do rito conduta com fins procrastinatórios, em atenção aos deveres de lealdade e ética no curso do processo. Com efeito, o atendimento a essas condições permite maximizar a eficácia do princípio preclusivo, assim entendido como técnica a serviço da composição administrativa dos conflitos tributários." A documentação apresentada soluciona a questão, é mero detalhamento de documentos já apresentados na impugnação, não ocasionará retorno à etapa processual já superada e não se demonstra como forma de procrastinar a decisão final nos autos, por iso devem ser conhecidos, analisados e suficientes para o provimento do recurso. CONCLUSÃO: Pelos motivos expostos, voto em dar provimento ao recurso do contribuinte, a fim de excluir da base de cálculo do lançamento os valores constantes dos recibos apresentados no recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.966357/2009-28
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
SÚMULA CARF nº 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.
Não se conhece recurso especial interposto contra acórdão que adotou o entendimento da Súmula CARF nº 84 (RICARF, art. 67, §3o), bem como fundado em acórdão paradigma de divergência que contraria o referido entendimento sumulado (RICARF, art. 67, §12o).
Numero da decisão: 9101-002.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido por unanimidade de votos.
(assinatura digital)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinatura digital)
LUÍS FLÁVIO NETO - Relator.
EDITADO EM: 09/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. Não se conhece recurso especial interposto contra acórdão que adotou o entendimento da Súmula CARF nº 84 (RICARF, art. 67, §3o), bem como fundado em acórdão paradigma de divergência que contraria o referido entendimento sumulado (RICARF, art. 67, §12o). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido por unanimidade de votos. (assinatura digital) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinatura digital) LUÍS FLÁVIO NETO Relator. EDITADO EM: 09/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 63 57 /2 00 9- 28 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO 2 DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é parte PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS (doravante “PETROBRAS”, “contribuinte” ou “recorrido”), em face do acórdão n. 110200.704 (doravante “acórdão a quo”), proferido pela r. 2a Turma Ordinária da 1 a Câmara desta 1 a Seção (doravante “Turma a quo”). O contribuinte constatou ter efetuado recolhimento a maior na oportunidade do pagamento da estimativa do IRPJ de janeiro de 2007 e realizou compensação desse indébito para a quitação de débito fiscal da competência de junho daquele mesmo ano, também atinente ao pagamento de estimativa de IRPJ. A declaração de compensação apresentada, no entanto, não foi homologada, o que ensejou a apresentação de manifestação de inconformidade pelo contribuinte. A DRJ/RJ1, por meio do Acórdão 1230.602, julgou improcedente essa manifestação de inconformidade. A decisão restou assim ementada: “RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A compensação de valor pago a maior a título de estimativa mensal só pode ser feita no cálculo do imposto devido anual.” Interposto recurso voluntário ao CARF, a Turma a quo reconheceu o direito do contribuinte à referida compensação (fls. 91 e seg. do eprocesso). O acórdão a quo, proferido em 10.04.2012, restou assim ementado: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007. IRPJ. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS PAGAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O pagamento espontâneo de parcela de estimativa de imposto em valor superior ao que seria devido, se calculado de acordo com a legislação tributária aplicável, constitui pagamento a maior, nos termos do artigo 165 do CTN. Nos termos das leis reguladoras do instituto da compensação, tal crédito do sujeito passivo pode ser objeto de compensação tão logo se concretize o pagamento a maior, não havendo a obrigatoriedade de aguardar o encerramento do período de apuração anual, para somente então computálo na apuração do imposto anual. Foi interposto recurso especial pela PFN, requerendo a reforma do acórdão a quo e arguindo, em síntese, que a compensação de valor pago a maior a título de estimativa mensal só poderia ser realizada na oportunidade do ajuste final do IRPJ devido (fls. 93 e seg. do eprocesso). Em 11.05.2015, ainda na vigência do “antigo” RICARF, foi proferido despacho de admissibilidade do recurso especial (fls. 120 e seg. do eprocesso). Nesse despacho, verificouse que o acórdão recorrido estaria conforme a Súmula CARF nº 84, segundo a qual o “Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. Não obstante, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela PFN, pelos seguintes fundamentos: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 15374.966357/200928 Acórdão n.º 9101002.292 CSRFT1 Fl. 191 3 “Nada obstante o acima exposto, contudo, o fato é que o acórdão recorrido não aplicou a referida súmula — o que inviabilizaria o manejo do recurso especial, nos termos do art. 67, § 2, do RICARF — posto que inexistente à época de sua prolação. Ademais, nos termos regimentais, somente não servem de paradigma para a interposição do especial os acórdãos cuja tese esteja superada na data de interposição do recurso (art. 67, § 10, do RICARF). No caso, o recurso foi interposto em 22/06/2012, e a Súmula CARF no 84 foi aprovada somente na sessão de 10/12/2012. Assim, não é possível concluir que a tese esposada nos acórdãos paradigmas já estivesse superada pela CSRF por ocasião da interposição do recurso.” Nesse seguir, o contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 131 e seg. do eprocesso), arguindo a legitimidade da compensação realizada. Concluise, com isso, o relatório. Voto A admissibilidade do presente recurso especial, realizada sob a égide do “antigo” RICARF, deve ser revista em face das normas adotadas pela Portaria MF n. 343, de 09.06.2015, que aprovou o atual RICARF. Por sua vez, o atual RICARF prevê, em seu art. 67, §§ 3o e 12: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretaçaõ divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) §3o. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. (...) §12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (...) III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Como se pode observar, o atual RICARF impede que seja manejado recurso especial em face de decisão que se alinhe à Súmula do CARF, “ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposiçaõ do recurso”. No caso em análise, o acórdão a quo, proferido em 10.04.2012, se alinha perfeitamente à Súmula CARF nº 84, aprovada na sessão de 10.12.2012, enquanto que a decisão paradigmática de divergência dela destoa: Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO 4 “Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. Nesse cenário, voto por NÃO CONHECER o recurso especial interposto pela PFN, matendose a decisão recorrida em sua integralidade. (assinatura digital) Conselheiro Luís Flávio Neto Relator Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LUIS FLAVIO NETO
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Numero do processo: 19515.001604/2009-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. Correta a exigência integralmente fundamentada no art. 42 da Lei nº 9.430/96 se o sujeito passivo não apresenta livros e documentos de sua escrituração e não prova a origem dos depósitos bancários mantidos em contas de sua titularidade. Ainda que presentes evidências de os depósitos bancários decorrerem do recebimento de cobrança ou de exportação, a imputação de omissão de receitas na data do depósito bancário e pelo valor nele expresso decorre da lei que estabelece a presunção.
ARBITRAMENTO. A falta de apresentação de livros e documentos impõe o arbitramento dos livros ainda que o sujeito passivo seja optante pela sistemática do lucro presumido.
MULTA QUALIFICADA. Provada a fraude, consistente na declaração reiterada de receitas ínfimas frente aos depósitos bancários provenientes de cobrança e câmbio em exportação, é aplicável a penalidade no percentual de 150%.
Numero da decisão: 1302-001.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as arguições de nulidade da decisão de 1ª instância e do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. Correta a exigência integralmente fundamentada no art. 42 da Lei nº 9.430/96 se o sujeito passivo não apresenta livros e documentos de sua escrituração e não prova a origem dos depósitos bancários mantidos em contas de sua titularidade. Ainda que presentes evidências de os depósitos bancários decorrerem do recebimento de cobrança ou de exportação, a imputação de omissão de receitas na data do depósito bancário e pelo valor nele expresso decorre da lei que estabelece a presunção. ARBITRAMENTO. A falta de apresentação de livros e documentos impõe o arbitramento dos livros ainda que o sujeito passivo seja optante pela sistemática do lucro presumido. MULTA QUALIFICADA. Provada a fraude, consistente na declaração reiterada de receitas ínfimas frente aos depósitos bancários provenientes de cobrança e câmbio em exportação, é aplicável a penalidade no percentual de 150%.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as arguições de nulidade da decisão de 1ª instância e do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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OMISSÃO DE RECEITAS. Correta a exigência integralmente fundamentada no art. 42 da Lei nº 9.430/96 se o sujeito passivo não apresenta livros e documentos de sua escrituração e não prova a origem dos depósitos bancários mantidos em contas de sua titularidade. Ainda que presentes evidências de os depósitos bancários decorrerem do recebimento de cobrança ou de exportação, a imputação de omissão de receitas na data do depósito bancário e pelo valor nele expresso decorre da lei que estabelece a presunção. ARBITRAMENTO. A falta de apresentação de livros e documentos impõe o arbitramento dos livros ainda que o sujeito passivo seja optante pela sistemática do lucro presumido. MULTA QUALIFICADA. Provada a fraude, consistente na declaração reiterada de receitas ínfimas frente aos depósitos bancários provenientes de cobrança e câmbio em exportação, é aplicável a penalidade no percentual de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as arguições de nulidade da decisão de 1ª instância e do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 04 /2 00 9- 48 Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001604/200948 Acórdão n.º 1302001.868 S1C3T2 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001604/200948 Acórdão n.º 1302001.868 S1C3T2 Fl. 4 3 Relatório DISTRIBUIDORA DE CARNES VALE DO SAPUCAÍ LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 29/05/2009, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 14.407.814,15. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte acima identificado e, em razão de irregularidades apuradas, foram lavrados 4 (quatro) Autos de Infração, em 25/05/2009, com ciência dada em 29/05/2009, por meio dos quais foram constituídos os seguintes créditos tributários: IRPJ (fls. 265) Þ R$ 5.019.767,84 (cinco milhões, dezenove mil, setecentos e sessenta e sete reais e oitenta e quatro centavos); PIS (fls. 277) Þ R$ 1.264.644,78 (um milhão, duzentos e sessenta e quatro mil, seiscentos e quarenta e quatro reais e setenta e oito centavos); COFINS (fls. 288) Þ R$ 5.836.824,08 (cinco milhões, oitocentos e trinta e seis mil, oitocentos e vinte e quatro reais e oito centavos), e; CSLL (fls. 298) Þ R$ 2.286.577,45 (dois milhões, duzentos e oitenta e seis mil, quinhentos e setenta e sete reais e quarenta e cinco centavos). 2. Totalizaram, portanto, tais lançamentos, a importância de R$ 14.407.814,15 (quatorze milhões, quatrocentos e sete mil, oitocentos e quatorze reais e quinze centavos), aí incluídos os valores dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora (estes calculados até 30/04/2009). 3. A fiscalização apresenta através do “Termo de Verificação Fiscal” (fls.164 a 169), basicamente o seguinte: 3.1. em 05/05/2008 o contribuinte foi intimado a apresentar os livros comerciais e fiscais e os documentos de suporte da escrituração. O contribuinte optou pelo Lucro Presumido na DIPJ/2006; 3.2. em 16/06/2008 foi lavrada a intimação recebida pelo sócio da empresa em 20/06/2008, sendo solicitados os livros e documentos que constaram do termo de início da fiscalização e da intimação acima mencionada e, ainda foi dado o prazo de 20 dias para, no caso de não ter os livros, fosse providenciado a escrituração dos mesmos; 3.3. em razão do não atendimento das intimações e a declaração do contribuinte de que estava impossibilitado de enviar a documentação solicitada, pois, a mesma tinha sido extraviada quando do encerramento da sua Matriz em São Paulo (fl. 9) e, pelo fato da receita bruta declarada, no anocalendário de 2005, ser de R$ 269.032,95 para uma movimentação financeira de R$ 78.126.489,11, foi solicitada a emissão da Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira – RMF com base no item XI do artigo 3º do Decreto nº 3.724 de 2001; 3.4. em 18/12/2008 foi emitida intimação, recebida em 22/12/2208, solicitando a comprovação mediante a apresentação de documentação hábil, da origem e o registro fiscal/contábil dos recursos, listados, e que foram depositados e/ou Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001604/200948 Acórdão n.º 1302001.868 S1C3T2 Fl. 5 4 creditados nas contas correntes, mantidas nas instituições financeiras: Banco do Brasil S/A; Bradesco S/A; Banco do Estado de São Paulo S/A – Banespa e Banco Nossa Caixa S/A; 3.5. o contribuinte, em 05/01/2009, respondeu a intimação (fl.145), informando que alguns depósitos relacionados eram recursos advindos das operações normais da empresa e por serem em grande número, não era possível identificar cada um com a respectiva receita bruta declarada, ainda mais por ter apurado o resultado pelo lucro presumido, não possuindo contabilidade. A fiscalização, em decorrência do apurado, concluiu que os depósitos/créditos bancários listados foram originados pelos valores não registrados na contabilidade, caracterizando a omissão de receitas; 3.6. a fiscalização elaborou planilha segregando os valores creditados em contas correntes bancárias por tipo de histórico dos lançamentos e apurou os valores relacionados a: créditos de cobrança, câmbio de exportação e depósitos e créditos diversos; 3.7. os valores registrados nos extratos bancários como sendo cobrança e câmbio de exportação foram considerados como sendo omissão de receita de vendas, enquanto os depósitos e recebimentos diversos foram considerados como sendo presunção de omissão de receitas. Considerando que nos valores de receitas de cobranças apuradas estão contidos os valores das receitas declaradas na DIPJ/2006 a fiscalização efetuou a compensação desses valores na apuração da omissão de receitas; 3.8. em decorrência da falta de apresentação dos livros contábeis/fiscais e documentos o lucro foi arbitrado conforme previsto no artigo 530, item III do Decreto nº 3000, de 26/03/1999; 3.9. a base de cálculo para apuração do lucro arbitrado foi constituída pelos valores dos créditos/depósitos bancários não comprovados, conforme abaixo demonstrados: PERÍODO COBRANÇA CAMBIO PRESUNÇAO DE RECEITA OMITIDA EXPORTAÇÃO OMISSÃO DE RECEITA OMITIDA RECEITA JANEIRO/2005 5.361.847,97 192.196,83 1.626.493,69 FEVEREIRO/2005 4.276.947,23 234.836,38 1.266.868,24 MARÇO/2005 4.241.627,51 113.685,90 1.326.600,45 ABRIL/2005 3.830.510,30 540.011,87 1.347.276,61 MAIO/2005 4.948.905,11 516.889,52 1.465.661,04 JUNHO/2005 4.082.877,50 1.104.062,48 1.408.868,79 JULHO/2005 3.514.698,88 1.167.979,51 1.590.216,98 AGOSTO/2005 4.745.439,14 784.005,02 1.747.279,13 SETEMBRO/2005 4.071.621,49 469.101,47 1.363.948,74 OUTUBRO/2005 4.607.946,32 819.167,13 1.547.207,08 NOVEMBRO/2005 4.064.575,03 133.268,75 1.501.430,64 DEZEMBRO/2005 4.320.642,35 153.921,04 1.578.467,61 3.10. os valores da coluna “Cobrança Receita Omitida”, do quadro acima, já estão deduzidos das quantias das receitas declaradas nos trimestres, na DIPJ/2006, a saber: março/2005 R$ 65.079,50; junho/2005 R$ 67.073,85; setembro/2005 R$ 68.106,65 e dezembro/2005 R$ 68.772,95; Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001604/200948 Acórdão n.º 1302001.868 S1C3T2 Fl. 6 5 3.11. foi aplicada multa qualificada de 150% para os valores de cobranças e operações de câmbio, creditadas nas contas correntes bancárias e, consideradas como omissão de receitas; 4. os enquadramentos legais utilizados para fundamentar as autuações encontram se nos respectivos autos de infração e são a seguir discriminados: 4.1. IRPJ: artigos: 530, inciso III; 532; 537 do RIR/99 e artigos 27, inciso I, e 42 da Lei nº 9.430/96; 4.2. PIS: artigos: 1º e 3º da Lei Complementar nº 7/70; artigo 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95; artigos 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524/02; 4.3. Cofins: artigos 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524/02; 4.4. CSLL: artigo 2o e §§, da Lei nº 7.689/88; artigo 20 da Lei nº 9.249/95; artigo 29 da Lei nº 9.430/96 e artigo 37 da Lei nº 10.637/02. 5. A fiscalização declara que, “considerando que os fatos descritos acima em tese configuram crime contra a ordem tributária, conforme artigo 1º da Lei nº 8.137/90, foi feita a Representação Fiscal para Fins Penais”. 6. A Empresa tempestivamente apresentou impugnação protocolada em 26/06/2009 (fls.310 a 330) contestando a lavratura dos Autos de Infração, alegando basicamente o seguinte: 6.1. a movimentação financeira constante de extratos bancários nem sempre configura a infração de omissão de rendimentos; tratase de elemento indiciário que necessita de outros para se promover uma ligação causal entre uma forma de evasão e os respectivos depósitos; 6.2. que a fiscalização sem um procedimento investigatório com maior profundidade simplesmente lançou mão dos depósitos registrados nos extratos bancários e sobre o somatório efetuou o lançamento do tributo constante do Auto de Infração, fato inconcebível à luz do direito; 6.3. que o Professor HELENILSON CUNHA ensina que, o CTN, que é lei complementar tributária, em seu artigo 43 prevê que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda – assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos – e proventos de qualquer natureza – assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito anterior; 6.4. que está assentado na jurisprudência e na doutrina que a exigência dos tributos com base exclusivamente em depósitos bancários, sem a demonstração objetiva da existência de renda consumida, através da comprovação fiscal de sinais exteriores de riqueza, não atende às exigências do sistema constitucional tributário e do Código Tributário Nacional; 6.5. que não se pode afirmar que o artigo 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza o lançamento ora impugnado. Em verdade, esse dispositivo legal não pode ser interpretado literal e isoladamente, mas, ao contrário, deve ser interpretado de forma sistemática e em harmonia com as regras dos artigos 43 e 142, do CTN, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da hierarquia das leis; 6.6. que a fiscalização atribuiu aos registros bancários na contacorrente sob a rubrica de cobrança e câmbio de exportação, como sendo omissão de receita de vendas, enquanto os depósitos e recebimentos diversos foram considerados como sendo presunção de omissão de receitas; Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001604/200948 Acórdão n.º 1302001.868 S1C3T2 Fl. 7 6 6.7. que as rubricas que a fiscalização retirou dos extratos bancários são terminologias que as instituições financeiras utilizam e que por si só nada provam. Considerar isso como prova de omissão de receita é absurdo; 6.8. a real omissão de receita só pode ser apurada diretamente. A Impugnante dá exemplo de como pode ser feita tal apuração; 6.9. a fiscalização segregou as três rubricas. Considerou as duas primeiras como sendo omissão de receita e a última como sendo presunção de omissão de receita. Não obstante, ao lavrar o auto de infração, enquadrou todas as supostas irregularidades no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Ora, é omissão de receita ou presunção de omissão de receita?; 6.10. se a fiscalização concluiu que há omissão de receita, é imperioso que sejam levados ao processo todos os elementos e todas as provas que dêem razão ao lançamento. Nada disso existe no processo. Lançamento com tamanho defeito há de ser declarado insubsistente; 6.11. que no item “3” do “Termo de Fiscalização Fiscal” está descrito que a falta de apresentação de livros e documentos solicitados pela fiscalização determinou o arbitramento do lucro conforme previsto no artigo 530, III do Decreto nº 3000/99. Mas, o arbitramento é a última alternativa para se apurar o lucro e a falta de apresentação dos livros fiscais não traduz motivo para o arbitramento; 6.12. a fiscalização examinou a declaração apresentada pela empresa e não relatou nela ter encontrado inexatidões que autorizasse o arbitramento do lucro. Para este período, anocalendário de 2005, o imposto de renda foi apurado pelo lucro presumido e a declaração foi tempestivamente apresentada; 6.13. as supostas omissões de receitas e as supostas presunções de omissões de receitas, sobre as quais se exigem os tributos, deveriam ter o tratamento tributário de que trata o artigo 24 da Lei nº 9.249/95; 6.14. no item “7” do “Termo de Verificação Fiscal”, a fiscalização enquadrou as irregularidades somente no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Certo é que a omissão de receita originária de depósito bancário de origem não comprovada configura simples presunção de omissão de receita, sobre a qual deve ser aplicada somente a multa de ofício de 75%, com o fito de quantificar a base de cálculo do imposto, nos termos do artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96; 6.15. já no item “6” do “Termo de Verificação Fiscal” foi considerado que os valores depositados nas contas bancárias com as rubricas “Cobrança” e “Câmbio Exportação” são caracterizados como omissão de receita, passível, portanto, de multa qualificada de 150%, conforme artigo 957, inciso II do RIR/99; 6.16. para que ocorra a subsunção no referido artigo, é necessário o elemento subjetivo do tipo, no caso o dolo, ao passo que a inclusão como rendimentos de valores depositados em contas correntes caracteriza fato simples de presunção de omissão de rendimentos, com o afastamento do dolo e sem a aplicação da multa qualificada. A fraude não se presume, ela terá que ser provada, através dos meios legais próprios; 6.17. pergunta: Por quê? Com base em quê? “Se não houve comprovação pela Impugnante dos depósitos listados nos extratos de sua movimentação financeira, sob uma ou outra rubrica, por que a fiscalização agravou a multa em parte dos depósitos”?; 6.18. essa multa agravada deverá ser reduzida para o patamar legal estipulado nos termos do artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, principalmente por se tratar de presunção de omissão de receita como a própria fiscalização entendeu. A simples presunção de omissão de receita, oriunda de valores depositados em contas Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001604/200948 Acórdão n.º 1302001.868 S1C3T2 Fl. 8 7 bancárias, deve ser apenada com multa no percentual de 75% e não 150% como aplicada pela fiscalização; A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA RELATIVOS A COBRANÇA E CÂMBIO Créditos lançados nos extratos bancários relativos à cobrança e fechamento de câmbio de exportação, não contabilizados, configuram omissões de receitas. ARBITRAMENTO Não apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, configura situação prevista em Lei que enseja o arbitramento do resultado, com base na receita conhecida (receita declarada e receita omitida), para efeito de apuração do Imposto de Renda e seus reflexos. MULTA QUALIFICADA A falta de registro contábil, das quantias creditadas nos extratos bancários em decorrência de cobrança e fechamento de câmbio de exportação, representa condição para o agravamento da multa de ofício. AUTOS REFLEXOS PIS, COFINS e CSLL O decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação reflexa. A tentativa de intimação da decisão de 1ª instância dirigida ao domicílio tributário da contribuinte resultou improfícua (fls. 385/396), mas em razão de intimação recepcionada no domicílio de seu sócio administrador Bruno José Lemos de Britto em 24/12/2009 (fls. 398/408), a contribuinte tomou conhecimento da decisão de primeira instância e interpôs recurso voluntário em 25/01/2010 (fls. 409/422), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação, além de arguir a nulidade da decisão de 1ª instância. Aduz a recorrente que a autoridade julgadora de 1ª instância praticamente ignorou a impugnação, apenas repetindo as conclusões trazidas pela Fiscalização. Destaca que apesar de apurar três diferentes omissões de receitas, todas as exigências foram fundamentadas no art. 42 da Lei nº 9.430/96, apesar de apenas uma delas decorrer de presunção, e a autoridade julgadora de 1ª instância reconhece que tal generalização se verificou no item 7 do Termo de Verificação Fiscal, apesar de defender que outro foi o enquadramento legal adotado no auto de infração. Assevera, assim, que a motivação do lançamento não é clara ou sequer determinável, dado que não existe nos autos qualquer prova conectando a motivação aventada com os fatos efetivamente ocorridos. A autoridade julgadora, ao repetir os argumentos da fiscalização, despreza a matéria discutida que é de grande valia, pelo menos para a recorrente. Defende que a real omissão de receita só pode ser apurada diretamente, a partir dos livros fiscais em confronto com o Livro Diário, mas o trabalho fiscal se prendeu à verificação dos depósitos bancários de origem não comprovada. Afirma que não há provas nos autos que justifiquem o lançamento, e tal defeito acarreta sua insubsistência. E acrescenta: Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001604/200948 Acórdão n.º 1302001.868 S1C3T2 Fl. 9 8 No item 10, página 10 da decisão da DRJ, o relator tenta eximir o fisco da responsabilidade de comprovar o nexo de causalidade entre omissão de receitas e depósito bancário por se tratar de presunção legal. Tremendo absurdo. Pois é justamente pela ausência da busca da verdade material e falta de motivação, que a decisão é nula, pois, utiliza de pura presunção e indícios, motivo que leva a nulidade da decisão da DRJ/SP. Argumenta que não encontra guarida em lei a conclusão adotada pela autoridade julgadora de 1ª instância, no sentido de que a Fiscalização não precisaria aprofundar suas investigações para além da demonstração da existência dos depósitos bancários de origem não comprovada, invoca o disposto no art. 142 do CTN e conclui que: Ou seja, o Auto de Infração ou outro instrumento público destinado à constituição de crédito tributário emitido deve anunciar, na exata previsão legal e em linguagem competente, o acontecimento do 'fato gerador" e da relação jurídica obrigacional tributária que lhe segue, identificados os sujeitos ativo e passivo, expondo, liquida, determinada, a prestação pecuniária a esta (obrigação) correspondente. Cita doutrina em favor do princípio da verdade material, afirma que o lançamento foi precipitado e a autuação despropositada. Reitera que não há congruência entre os supostos fatos apurados como fundamento para imputação e a conclusão a que chega a DRJ. A recorrente também ressalta que o ônus da prova em matéria tributária cabe à autoridade administrativa, na forma do art. 142 do CTN e do art. 924 do RIR/99. Classifica de absurda a afirmação, da autoridade julgadora, de que o Fisco não necessita provar o nexo de causalidade entre omissão de receitas e depósito bancário, nem a efetiva disponibilidade econômico ou jurídica de renda ou receita tributável. Cita doutrina e acrescenta que mesmo nas presunções legais, cabe à autoridade lançadora demonstrar a ocorrência da presunção, caracterizadora da infração, no intuito de se garantir o devido processo legal, o contraditório e o conhecimento dos fatos para exercício da defesa pelo sujeito passivo. Destaca que o lançamento é ato administrativo vinculado e que o desconhecimento das causas do lançamento permite a anulação da exigência, consoante jurisprudência que transcreve. A decisão recorrida seria, assim, arbitrária, impondo uma verdade fictícia, e não poderia prevalecer. Questiona, também, o arbitramento dos lucros, por se tratar da ultima alternativa para se apurar o lucro e a falta de apresentação dos livros fiscais não traduz motivo para tanto. Observa que apurou os tributos segundo a sistemática do lucro presumido, e que assim deveria ter sido atendido ao disposto no art. 24 da Lei nº 9.249/95. Reportase ao art. 148 do CTN, cita doutrina, e conclui pela necessária observância da forma de tributação por ela adotada. Quanto à multa qualificada, diz que a autoridade julgadora quedouse inerte ao ratificar o erro da Fiscalização, destacando inexistir da acusação o motivo que levou a fiscalização ao agravamento da multa, a evidenciar a nulidade do ato. Firma o entendimento de que a falta de comprovação da origem de alguns depósitos bancários não significa a intenção de fraudar o recolhimento do imposto, acaso devido, dado que a fraude somente se caracteriza com o uso de documentos inidôneos, nota calçada, etc. E, no presente caso, a autoridade fiscal se valeu de presunção de omissão de receita, inclusive enquadrando toda a exigência no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001604/200948 Acórdão n.º 1302001.868 S1C3T2 Fl. 10 9 Com referência aos apontamentos da Fiscalização acerca de depósitos vinculados às rubricas "Câmbio Exportação" e "cobrança", entende que não se classificam como motivos para qualificação da penalidade, dado que esta demanda a demonstração de dolo, ausente frente à simples presunção de omissão de receitas. Aduz, ainda, que a fraude não se presume e deve ser provada através dos meios legais próprios, consoante julgados administrativos cuja ementa cita. Finaliza pleiteando a declaração de improcedência, também, das exigências reflexas, e a consequente extinção de todo o crédito tributário constituído. E aponta endereço para o qual deveriam ser enviadas futuras correspondências, dada a desativação da empresa. Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001604/200948 Acórdão n.º 1302001.868 S1C3T2 Fl. 11 10 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados da intimação da decisão de 1ª instância dirigida, por via postal, ao sócio administrador da pessoa jurídica, razão pela qual é desnecessário discutir a adoção da referida intimação como termo inicial do prazo recursal. Por tais razões, bem como tendo em conta que o recurso voluntário foi assinado pelo referido sócio administrador, cuja condição de representante legal da pessoa jurídica está evidenciada no contrato social juntado à peça de defesa, o recurso voluntário deve ser conhecido. Preliminarmente cumpre REJEITAR a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância porque todos argumentos de defesa foram validamente apreciados. De fato, a autoridade julgadora de 1ª instância invocou a presunção legal para afastar as alegações de superficialidade da investigação fiscal, expressou seu entendimento acerca dos fundamentos fáticos e legais adotados para caracterização das infrações em confronto com a postura da contribuinte durante o procedimento fiscal, demonstrou o cabimento do arbitramento dos lucros, bem como a validade dos motivos de qualificação da penalidade. Em verdade, quando a recorrente afirma que a autoridade julgadora de 1ª instância praticamente ignorou a impugnação, apenas manifesta seu inconformismo com a rejeição de suas alegações de defesa, e não logra provar qualquer omissão que pudesse caracterizar cerceamento ao seu direito de defesa. Em sua abordagem contra a validade da decisão de 1ª instância, a recorrente assevera que a motivação do lançamento não é clara ou sequer determinável, dado que não existe nos autos qualquer prova conectando a motivação aventada com os fatos efetivamente ocorridos. Este argumento que poderia ensejar a declaração de nulidade do lançamento também exige sua apreciação preliminar. Como relatado, a contribuinte não apresentou à Fiscalização os livros e documentos de sua escrituração comercial e, sempre alegando dificuldades em face do extravio de tal documentação por ocasião do encerramento das atividades de seu estabelecimento matriz, também deixou de comprovar a origem dos depósitos bancários identificados pela Fiscalização em extratos obtidos por meio de Requisição de Movimentação Financeira dirigida às instituições bancárias nas quais a contribuinte manteve contas no anocalendário 2005. A autoridade lançadora também questionou a causa dos cheques e transferências relacionados às fls. 151/161 e, em resposta, a contribuinte informou que: Todos os cheques nominais à própria empresa foram emitidos para pagamento de despesas e tributos diversos; Os cheques emitidos para Companhia Brasil Petróleo foram para pagamentos de fornecimentos de combustíveis; Os demais cheques foram emitidos para pagamentos de Bens, MatériaPrima e Serviços. Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001604/200948 Acórdão n.º 1302001.868 S1C3T2 Fl. 12 11 Frente a tais circunstâncias, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 164/169, a autoridade lançadora conclui que: Decorrido o prazo consignado no termo de intimação nenhuma documentação e livros foram apresentados, assim concluo que estes créditos bancários foram originados pelos valores não registrados em sua contabilidade, caracterizando a omissão de receita. Com base nos valores intimados em 22/12/2008 elaboramos a planilha anexa a este Termo de Verificação Fiscal segregando os valores por tipo de histórico. Assim procedendo foi possível observar que a empresa possui créditos de cobrança, câmbio de exportação e depósitos e créditos diversos. A intimação datada de 29/04/2009, referentes a emissão de cheques e transferências bancárias, vem demonstrar, juntamente com os créditos de cobrança e câmbio de exportação, que a empresa operou no período analisado, muito além do valores declarados como receita. Na planilha anexa, parte integrante deste termos de verificação, estão demonstrados os valores apurados de receitas de cobrança, cambio exportação e depósitos e créditos diversos os quais apresentamos resumidamente abaixo: [...] Os valores registrados nos extratos bancários como sendo de cobrança e câmbio de exportação foram considerados como sendo omissão de receita de vendas enquanto os depósitos e recebimentos diversos foram considerados como sendo presunção de omissão de receitas. Considerando que nos valores de receitas de cobranças apurados estão contidos os valores das receitas declaradas efetuamos a compensação desses valores na apuração da omissão de receitas, abaixo a demonstração da compensação efetuada : [...] 4 DA BASE TRIBUTÁVEL A base de cálculo para apuração do lucro arbitrado será constituída pelo valor dos créditos/depósitos bancários não comprovados conforme descritos no item 2 acrescidas das receitas declaradas, conforme abaixo : [...] 6 DA MULTA QUALIFICADA. Os valores das cobranças e operações de câmbio creditadas nas contas correntes da empresa e consideradas como omissão de receitas de vendas e não declaradas na DIPJ do Exercício de 2006, anocalendário de 2005 caracteriza a omissão de informações às autoridades tributárias. Quando o agente deixa de prestar declarações ou as presta em desacordo com a realidade dos fatos e se utiliza desses expedientes para a redução ou supressão de tributos ou contribuição social configura o intuito de fraude como previsto no art. 72 da Lei n° 4.502 de 30 de novembro de 1964, in verbis: [...] 7 DO ENQUADRAMENTO LEGAL INFRAÇÃO: Depósitos e/ou créditos Bancários Não Contabilizados/Origens dos recursos Não Comprovados — Art. 42 da Lei nº 9.430/96. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001604/200948 Acórdão n.º 1302001.868 S1C3T2 Fl. 13 12 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º 0 valor das receitas ou"dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela insittuição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributações específicas, previstas na legislação vigentes à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualmente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). A redação deste inciso foi dada pelo art. 4° da Medida Provisória n° 1.563/96. § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. É de se considerar, ainda, as seguintes legislações além da citada anteriormente: IRPJ : arts. 27, inciso 1 da Lei no 9.430/96 e artigos 532 e 537 do RIR/99; PIS : art. 1º e 3º Lei Complementar nº 7/70; art. 24, § 2º , da Lei nº 9.249/95; arts. 2º, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3º, 10, 22,51 e 91 do Decreto nº 4.524/02; COFINS: art. 2, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524/02; CSLL : art. 2º e §§, da Lei 7.689/88: art. 20 e 24 da Lei nº 9.249/95; art. 29 da Lei nº 9.430/96 e art. 37 da Lei n° 10.637/02; O Auto de Infração de IRPJ traz a seguinte descrição dos fatos às fls. 267/270: Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2005 06/2005 09/2005 12/2005 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso III, do RIR/99. 001 RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS Omissão de receitas da revenda de mercadorias conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração. [...] Enquadramento Legal Arts. 532 e 537, do RIR/99 002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração. [...] Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001604/200948 Acórdão n.º 1302001.868 S1C3T2 Fl. 14 13 Enquadramento Legal Arts. 27, inciso I, e 42 da Lei nº 9.430/96; Arts. 532 e 537 do RIR/99. 003 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal. [...] Art. 532 do RIR/99. Como se vê, a descrição dos fatos resumida nos Autos de Infração tem por referência o que exposto no Termo de Verificação Fiscal e, neste, o auditor responsável é claro no sentido de que a infração constatada correspondeu, essencialmente, a depósitos bancários de origem não comprovada, consoante previsto no art. 42 da Lei nº 9.430/96. E nem poderia ser diferente, visto que a autoridade lançadora não teve acesso a qualquer outro elemento informativo das atividades da contribuinte, senão os extratos bancários e a DIPJ, da qual, em benefício do sujeito passivo, extraiu as receitas declaradas que admitiu como origem de parte dos depósitos bancários vinculados, nos históricos dos lançamentos bancários, a operações de venda, reduzindo, assim, os créditos tributários aos quais foi aplicada a multa qualificada. A conclusão assim expressa pela autoridade lançadora é válida pois, mesmo que os históricos dos lançamentos bancários evidenciem os depósitos como correspondentes a receitas da atividade, a afirmação desta receita para fins de incidência tributária ainda depende da presunção legal por ser desconhecida a data de ocorrência do fato gerador e os reais componentes da operação que resultaram no valor líquido creditado em conta bancária. Desta forma, ainda que presentes evidências de que o depósito bancário decorreu de uma operação, no caso, de venda de mercadorias, somente é possível tributálo como receita omitida na data do depósito bancário e pelo valor recebido porque o art. 42 da Lei nº 9.430/96 assim autoriza. Em verdade, equivocouse a autoridade julgadora de 1ª instância ao concluir, a partir do que exposto no Auto de Infração, que somente foram enquadrados no artigo 42, como presunção de omissão de receitas, os depósitos e recebimentos diversos de origem não comprovada, já que os créditos em conta correntes bancários relativos a cobrança e câmbio de exportação foram enquadrados no artigo 537, do RIR/99 que trata de omissão de receita. Na medida em que o Auto de Infração traz, apenas, resumo da descrição dos fatos, e aponta para o Termo de Verificação Fiscal como elemento principal de acusação, deve prevalecer o conteúdo deste segundo documento como referência para interpretação dos motivos do lançamento. Demais disso, o art. 537 do RIR/99 não exclui sua aplicação sobre omissão de receitas presumidas. Vejase: Art. 537. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 1º). Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001604/200948 Acórdão n.º 1302001.868 S1C3T2 Fl. 15 14 Assim, afastadas as considerações acima expostas pela autoridade julgadora de 1ª instância e delineados os reais contornos do lançamento, resta claro que as exigências estão formalizadas de forma coerente com os elementos coletados durante o procedimento fiscal e com os fundamentos fáticos e legais expostos na acusação, razão pela qual deve ser REJEITADA a arguição de nulidade do lançamento. Passando ao mérito, como antes exposto, as receitas apuradas têm por referência os depósitos bancários de origem não comprovada, mas a autoridade lançadora a elas agregou duas circunstâncias para separálas em três grupos submetidos a diferentes penalidades: 1) depósitos bancários de origem não comprovada cujos históricos dos lançamentos bancários faziam referência a cobrança e câmbio exportação, mas alcançavam os montantes de receitas informados em DIPJ, e assim demandavam a exigência apenas dos tributos equivalentes à diferença entre o coeficiente de arbitramento e o coeficiente de lucro presumido originalmente aplicado pela contribuinte, com acréscimo de multa de ofício de 75%; 2) depósitos bancários de origem não comprovada cujos históricos dos lançamentos bancários faziam referência a cobrança e câmbio exportação e apresentavam montantes superiores às receitas informados em DIPJ, a evidenciar fraude nas informações prestadas, em evidente descordo com a realidade dos fatos, justificando a aplicação de multa qualificada de 150%; 3) depósitos bancários de origem não comprovada sem históricos esclarecedores, motivadores de mera presunção legal de omissão de receitas, justificando a aplicação de multa de ofício de 75%. As infrações, assim, estão regularmente capituladas a partir do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não prosperando a pretensão da recorrente de que diferentes fundamentações legais fossem expostas na acusação fiscal. Há, por certo, outros dispositivos legais que afetam a determinação dos valores devidos a título de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS, especialmente tendo em conta o arbitramento dos lucros, mas eles estão consignados na acusação fiscal e os demonstrativos de apuração evidenciam que eles foram observados mediante aplicação dos coeficientes de 9,6% e 9% para apuração, respectivamente, do IRPJ e da CSLL a partir das receitas apuradas, além da determinação da Contribuição ao PIS e da COFINS em sistemática cumulativa, dado o arbitramento dos lucros. A recorrente prossegue defendendo que a real omissão de receita só pode ser apurada diretamente, a partir dos livros fiscais em confronto com o Livro Diário, assim invocando sua própria torpeza para cancelar integralmente a exigência, na medida em que descumpriu sua obrigação acessória de manter a guarda dos livros e documentos de sua escrituração, expressa no art. 264 do RIR/99. A lei autoriza que se presuma a existência de receitas omitidas quando o sujeito passivo, devidamente intimado, não comprova a origem dos depósitos bancários mantidos em conta de sua titularidade, e não exige qualquer aprofundamento da investigação fiscal para comprovar o nexo da causalidade entre omissão de receitas de depósito bancário. Em verdade, esse nexo é decorrência lógica da titularidade da conta bancária, cumprindo à autoridade fiscal apenas identificar os depósitos bancários de origem não comprovada e intimar o contribuinte a se manifestar acerca de tais créditos. Neste sentido, aliás, é a Súmula CARF nº 26 (A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada). A recorrente aponta afronta ao art. 142 do CTN, porém tal dispositivo exige que a autoridade lançadora prove a ocorrência do fato gerador, determinando a matéria tributável e calculando o tributo devido, e a presunção é meio de prova, no caso, prova indireta Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001604/200948 Acórdão n.º 1302001.868 S1C3T2 Fl. 16 15 condutora da mesma "probabilidade fática" da prova direta, consoante ensina Maria Rita Ferragut (in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001): Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível. O presente lançamento, assim, ao contrário do que defende a recorrente, anuncia na exata previsão legal e em linguagem competente, o acontecimento do "fato gerador" e da relação jurídica obrigacional tributária que lhe segue, identificados os sujeitos ativo e passivo, expondo, liquida, determinada, a prestação pecuniária a esta (obrigação) correspondente. Os indícios que autorizam a presunção legal estão validamente demonstrados, sendo impróprio, agora, invocar o princípio da verdade material se o sujeito passivo não se desincumbiu de manter a guarda de seus livros e documentos e assim permitir à autoridade lançadora examinálos e determinar a partir deles a origem da volumosa movimentação financeira mantida no período autuado. Logo, se alguma verdade fictícia está a prevalecer, tal decorre, tão só, da negligência do sujeito passivo em demonstrar ao Fisco os reais contornos de sua atividade, bem como da evidente intenção de ocultálos para evitar a exigência tributária. A recorrente questiona, ainda, o arbitramento dos lucros, por se tratar da ultima alternativa para se apurar o lucro e a falta de apresentação dos livros fiscais não traduz motivo para tanto. A legislação, porém, é clara ao determinar o arbitramento dos lucros quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, no caso de optantes pelo lucro presumido, como era a autuada (art. 530, III do RIR/99). O art. 24 da Lei nº 9.249/95, por sua vez, apenas orienta a determinação dos tributos devidos em razão de receita omitida de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. E o art. 530, inciso III do RIR/99 impõe o arbitramento como regime de tributação, nos termos precedentes. Inexiste, assim, qualquer ofensa ao art. 148 do CTN. Por tais razões, não há reparos aos créditos tributários principais apurados pela autoridade lançadora, devendo ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste ponto. Quanto à multa qualificada, a recorrente diz inexistir o motivo que levou a fiscalização ao agravamento da multa. Aduz que a falta de comprovação da origem de alguns depósitos bancários não significa a intenção de fraudar o recolhimento do imposto, acaso devido, dado que a fraude somente se caracteriza com o uso de documentos inidôneos, nota calçada, etc. Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001604/200948 Acórdão n.º 1302001.868 S1C3T2 Fl. 17 16 A autoridade lançadora, porém, demonstra que, apesar de informar em DIPJ o auferimento de receitas trimestrais em torno de R$ 65.000,00, a contribuinte apresentou expressiva movimentação bancária, destinando os recursos assim auferidos a pagamento de abatedouros, fornecedores de combustíveis e outros beneficiários identificados às fls. 151/161, os quais a contribuinte vinculou a pagamentos de despesas, bens, matériaprima e serviços decorrentes de sua atividade. Vejase que os depósitos bancários decorrentes de cobrança totalizaram R$ 52.336.671,78 em 2005, e os créditos vinculados a câmbio exportação representaram R$ 6.229.125,91 no mesmo período, restando ainda outros depósitos/créditos diversos no montante de R$ 17.770.319,00. Frente a tais constatações, somente há simples omissão de receitas em relação aos depósitos/créditos diversos que totalizaram R$ 17.770.319,00. Aos demais créditos a autoridade lançadora agrega elementos robustos no sentido de que a contribuinte manteve intensa atividade operacional em todos os períodos de apuração de 2005, mas apresentouse ao Fisco como uma empresa de pequeno porte, auferindo receitas ínfimas de, em média, R$ 20.000,00 mensais. A contribuinte desmerece a força probatória dos históricos de lançamentos bancários, mas não há qualquer razão para supor que os valores creditados a título de LIQUIDAÇÃO DE COBRANÇA pudessem ter outra origem que não o recebimento de duplicatas colocadas em cobrança nas instituições financeiras. O mesmo se diga em relação aos créditos sob o título autoexplicativo CÂMBIO EXPORTAÇÃO. Claro está, frente a tais evidências, que a autuada, em todos os meses do período fiscalizado, embora auferindo volume significativo de receitas em sua atividade, apresentou declarações omitindo estas informações e fazendo crer que suas operações pouco resultavam em termos tributários. E, relativamente a tais circunstâncias, há muito os Colegiados desta instância administrativa, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais admitem a penalização, com gravidade, daqueles que têm conhecimento da dimensão do fato gerador ocorrido, e optam reiteradamente por ocultálo, para ostentar aparente regularidade no cumprimento das obrigações acessórias e principais. Neste sentido são os julgados cujas ementas são, a seguir, transcritas: Acórdão nº 910100.140, sessão de 12/05/2009, 1a Turma da CSRF MULTA AGRAVADA – CONDUTA REITERADA – Nos termos da jurisprudência majoritária da CSRF, e das Câmaras da Primeira Seção do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte de fraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco. Acórdão nº 910100.172, sessão de 15/06/2009, 1a Turma da CSRF MULTA QUALIFICADA DE 150% A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96. O fato de o contribuinte ter apresentado Declaração de Rendimentos de forma reiterada e com valores significativamente menores do que o apurado, legitima a aplicação da multa qualificada. Acórdão nº 910100.320, sessão de 25/08/2009, 1a Turma da CSRF MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável a multa de ofício qualificada de 150 %, naqueles casos em que restar constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001604/200948 Acórdão n.º 1302001.868 S1C3T2 Fl. 18 17 Acórdão nº 910100.417, sessão de 03/11/2009, 1a Turma da CSRF MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível quando o Contribuinte presta declaração, em três anos consecutivos, com os valores zerados, não apresenta DCTF nem realiza qualquer pagamento. Este conjunto de fatos demonstra a materialidade da conduta, configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. A conduta ardilosa de declarar sistematicamente ao Fisco valores menores do que aqueles que de fato seriam os verdadeiros, ou mesmo afirmar que nada deve, sem que nenhuma justificativa plausível para tanto seja apresentada, além de retardar o conhecimento do fato gerador por parte da autoridade administrativa, ainda faz essa supor, pelo princípio da boafé, que aquele contribuinte está cumprindo com suas obrigações, desviando seu foco para outros que nem mesmo apresentaram as devidas declarações. Daí a inaplicabilidade das Súmulas nº 14 (A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo) e 25 (A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64), na medida em que restou evidenciado o referido intuito de fraude na conduta do sujeito passivo, relativamente à omissão de receitas decorrente de depósitos bancários vinculados a liquidação de cobrança e câmbio exportação. Quanto ao uso de presunção para qualificação da penalidade, importa ter em conta a imperatividade do uso da presunção na esfera tributária, defendida com sólidos argumentos por Maria Rita Ferragut (in Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação, Revista Dialética de Direito Tributário nº 67, Dialética, São Paulo, 2001, p. 119/120): Por outro lado, insistimos que a preservação dos interesses públicos em causa não só requer, mas impõe, a utilização da presunção no caso de dissimulação, já que a arrecadação pública não pode ser prejudicada com a alegação de que a segurança jurídica, a legalidade, a tipicidade, dentre outros princípios, estariam sendo desrespeitados. Dentre as possíveis acepções do termo, definimos presunção como sendo norma jurídica lato sensu, de natureza probatória (prova indiciária), que a partir da comprovação do fato diretamente provado (fato indiciário), implica juridicamente o fato indiretamente provado (fato indiciado), descritor de evento de ocorrência fenomênica provável, e passível de refutação probatória. É a comprovação indireta que distingue a presunção dos demais meios de prova (exceção feita ao arbitramento, que também é meio de prova indireta), e não o conhecimento ou não do evento. Com isso, não se trata de considerar que a prova direta veicula um fato conhecido, ao passo que a presunção um fato meramente presumido. Só a manifestação do evento é atingida pelo direito e, portanto, o real não tem como ser alcançado de forma objetiva: independentemente da prova ser direta ou indireta, o fato que se quer provar será ao máximo jurídica certo e fenomenicamente provável. É a realidade impondo limites ao conhecimento. Com base nessas premissas, entendemos que as presunções nada “presumem” juridicamente, mas prescrevem o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Faticamente, tanto elas quanto as provas diretas (perícias, documentos, depoimentos pessoais etc.) apenas “presumem”. Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.001604/200948 Acórdão n.º 1302001.868 S1C3T2 Fl. 19 18 E, mais à frente, abordando diretamente a questão da prova da fraude, a mesma autora acrescenta: As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfe em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa. Como se vê, a exigência imposta à verificação de fraude, para atribuirlhe uma conseqüência é a prova, e esta pode se dar por meio de presunção. Assim, tendo a autoridade fiscal reunido indícios consistentes e convergentes no sentido da reiterada omissão de receitas da atividade, associada à declaração de valores ínfimos, há prova de fraude a ensejar a aplicação da multa de ofício de 150% sobre os créditos tributários destacados pela Fiscalização. Diante do exposto, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário também no que se refere à qualificação da penalidade. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10380.904902/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PAGAMENTOS DE ESTIMATIVA INDEVIDO OU A MAIOR. BENEFÍCIOS FISCAIS. ADENE. REDUÇÃO DA BASE. BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. MUDANÇA DE FORMA DE APURAÇÃO DE ESTIMATIVAS. IMPOSSIBILIDADE.
Inadmissível a formação de indébito mediante mudança na forma de apuração de estimativa.
Numero da decisão: 1302-001.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Eduardo de Andrade, Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PAGAMENTOS DE ESTIMATIVA INDEVIDO OU A MAIOR. BENEFÍCIOS FISCAIS. ADENE. REDUÇÃO DA BASE. BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. MUDANÇA DE FORMA DE APURAÇÃO DE ESTIMATIVAS. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a formação de indébito mediante mudança na forma de apuração de estimativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Eduardo de Andrade, Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 49 02 /2 00 9- 90 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 28/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 2 Tratase de recurso voluntário face ao provimento parcial de manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório que indeferiu a declaração de compensação informada por meio do PER/DCOMP n° 41505.15115.080206.1.3.046852. O pedido de compensação objetivava compensar débitos com suposto pagamento a maior de COFINS, efetuado em 29/04/2005. O Despacho Decisório (fls. 06/07) considerou improcedente o crédito informado na PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: A DRF indeferiu o pedido "...por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ e CSLL do período ". O limite de crédito analisado correspondia ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PERIDCOMP: R$337.316,41. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: os arts. 165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005; art. 74 da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificado da decisão em 31/04/2009 (fls. 08), a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, em 30/04/2009 (fls. 09/12), requerendo a homologação da compensação pleiteada com crédito oriundo de pagamento a maior, com as seguintes alegações. Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ/FOR reconheceu a legitimidade da compensação, mas acolheu apenas em parte o pedido, para excluir do crédito o valor relativo à sua atualização mensal e determinar que tal atualização somente tivesse início em janeiro de 2006. Nesse sentido, entendeu que o pagamento da estimativa do IRPJ somente se tornou indevido (a maior) com a apuração do imposto, que ocorreu no dia 31 de dezembro de 2006, e que depois de encerrado o exercício não poderia mais haver a retificação dos Balancetes de Suspensão ou Redução BSR. Diante do indeferimento de parte de seu crédito, a recorrente interpõe recurso voluntário tempestivamente. (intimação: 27/04/2011, fl. 78; protocolo: 20/05/2011). As razões de recurso da recorrente, em síntese, são as seguintes: a) o acórdão recorrido faz indevida referência ao Balancete de Suspensão ou Redução BSR, que não foi o motivo da constatação do pagamento indevido das antecipações; Fl. 138DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 28/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10380.904902/200990 Acórdão n.º 1302001.787 S1C3T2 Fl. 3 3 b) independentemente da apuração do resultado parcial que ocorre nos referidos balancetes a Recorrente pagou a estimativa de forma incorreta e a maior no mês de março de 2005. Isso porque deixou de deduzir da base de cálculo da estimativa o valor correspondente às receitas da atividade incentivada (Benefício concedido pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste ADENE em 20.12.2005, com efeitos retroativos a janeiro de 2005), nos termos do §6.° do art. 223 do RIR/99; c) uma vez aplicada corretamente a legislação que trata da apuração da base de cálculo da estimativa de IRPJ, o valor a ser pago deveria ser bem menor. Assim, tratase de pagamento indevido cujo crédito dele decorrente poderia ser aproveitado no mês seguinte. Como tal, portanto, deve ser considerado para efeito de atualização pela SELIC; d) a revogação do art. 10 da Instrução Normativa n.° 600/2005, a Administração Tributária reconheceu o direito de os contribuintes utilizarem o crédito oriundo dos pagamentos indevidos de estimativa de IRPJ para compensar com débitos de outros tributos devidos dentro do mesmo ano, ou seja, antes da apuração feita em de dezembro; e) requereu o acolhimento do recurso para que haja a reforma da decisão recorrida na parte que restringiu a aplicação da SELIC, para determinar que a aplicação da SELIC se dê a partir do mês seguinte àquele em que ocorreu cada pagamento indevido. Inicialmente, ainda que tempestivo o recurso, não havia sido juntado contrato social necessário a comprovar a legitimidade do representante legal da recorrente. A procuração ao subscritor do recurso voluntário foi outorgada por pessoa sem comprovação de representação legal da recorrente. Essa situação foi regularizada pela recorrente mediante a juntada posterior dos documentos. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL À vista da regularização da representação processual e por ser tempestivo, conheço do recurso. Observase que a DRJ/FOR reconheceu a legitimidade da compensação, mas acolheu apenas em parte o pedido, para excluir do crédito o valor relativo a sua atualização mensal e determinar que tal atualização somente tivesse início em janeiro de 2006. Nesse sentido, entendeu que o pagamento da estimativa somente se tornou indevido (a maior) com a apuração do imposto, que ocorreu no dia 31 de dezembro de 2005, e que depois de encerrado o exercício não poderia mais haver a retificação dos Balancetes de Suspensão ou Redução BSR. A alegação de pagamento indevido ou a maior de estimativa, no mês de março de 2005, fundamentouse no fato de que não se deduziu da base de cálculo da estimativa o valor correspondente às receitas da atividade incentivada (Benefício concedido pela Agência Fl. 139DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 28/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 4 de Desenvolvimento do Nordeste ADENE em 20.12.2005, com efeitos retroativos a janeiro de 2005), nos termos do §6.° do art. 223 do RIR/99. A DRJ considerou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, pelo fato de somente se obteve tal crédito, em função da alteração da sistemática de apuração. Notese que, a DCTF original indicou apuração de estimativa, com base na receita bruta. Na DCTF retificadora reduziuse a zero o valor devido, com base em balancete de suspensão/redução. Sendo assim, verificase que, em realidade, a pretensão da recorrente foi de retificar sua apuração para converter o recolhimento de estimativa, promovido com base na receita bruta e acréscimos, em indébito evidenciado pela posterior elaboração de balancete de suspensão/redução, ainda que ali considerando os efeitos do benefício fiscal em referência. Essa conclusão é extraída do fato de que o demonstrativo apresentado com a manifestação de inconformidade evidencia que o indébito apurado em março/2005 (R$ 337.316,41) considerou o imposto de renda apurado a partir do lucro real acumulado naquele mês, e não o recálculo da receita bruta e acréscimos com os efeitos da redução do imposto posteriormente declarada, como deveria ser. Desse modo, a discussão não se limita à possibilidade ou não de compensação de indébitos a partir de estimativas, já definida na Súmula CARF nº 84, nem tampouco ao marco inicial da atualização monetária do crédito. A questão central reside, na realidade, na pretensão da recorrente de retificar sua apuração para converter o recolhimento de estimativa promovido, com base na receita bruta e acréscimos, em indébito evidenciado pela posterior elaboração de balancete de suspensão/redução (o que não permitido), ainda que ali considerando os efeitos do benefício fiscal em referência. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Confirmandose a representação processual, importa esclarecer que, como bem relatado, a não homologação da compensação decorreu do entendimento firmado, pela autoridade fiscal, de que o indébito, por decorrer de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Fl. 140DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 28/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10380.904902/200990 Acórdão n.º 1302001.787 S1C3T2 Fl. 4 5 Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ e CSLL do período. A maioria da Turma Julgadora, embora admitindo a formação de indébitos a partir de estimativas, considerou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade porque a apuração do crédito, embora justificada pelo posterior conhecimento do Laudo Constitutivo nº 334/2005 que conferiu à contribuinte o benefício fiscal de redução do imposto de renda em 75%, foi promovida mediante alteração da sistemática de apuração. A contribuinte informou na DCTF original que apurara a estimativa com base na receita bruta, e na retificadora reduziu a zero o valor devido, com base em balancete de suspensão/redução. Frente a tais circunstâncias, prevaleceu o entendimento expresso no voto vencedor de que o valor recolhido de estimativa, embora não constituísse indébito naquele momento, poderia ser apropriado no saldo negativo e aproveitado para compensações, mas com acréscimo de juros apenas a partir de janeiro/2006. Em recurso voluntário, a contribuinte argumenta que promoveu pagamento a maior porque deixou de deduzir da base de cálculo da estimativa o valor correspondente às receitas da atividade incentivada, consoante benefício que lhe foi concedido em 20/12/2005, mas com efeitos retroativos a janeiro/2005. Ressalta, ainda, que a Administração Tributária já reconhecera o direito dos contribuintes se valerem de indébitos apurados a partir de recolhimentos de estimativas. Em petição posteriormente apresentada, a contribuinte requer que seja considerada, no julgamento, a Súmula CARF nº 84. Ocorre que, o demonstrativo apresentado com a manifestação de inconformidade evidencia que o indébito apurado em março/2005 (R$ 337.316,41) tem em conta o imposto de renda apurado a partir do lucro real acumulado naquele mês, e não o recálculo da receita bruta e acréscimos com os efeitos da redução do imposto posteriormente declarada. Tanto o é que todo o valor recolhido é afirmado como indevido, circunstância que não se verificaria na exclusão parcial resultante do benefício alegado. Logo, não se trata, aqui, de mera discussão acerca da possibilidade ou não de indébitos a partir de estimativas, já definida na Súmula CARF nº 84. A pretensão da contribuinte foi retificar sua apuração para converter o recolhimento de estimativa promovido com base na receita bruta e acréscimos, em indébito evidenciado pela posterior elaboração de balancete de suspensão/redução, ainda que ali considerando os efeitos do benefício fiscal em referência. Frente a tais circunstâncias, esta Conselheira sequer admitiria o reconhecimento parcial do indébito promovido na decisão de 1ª instância, alinhandose ao entendimento exposto na declaração de voto que a integra, nos seguintes termos: O contribuinte declarou a compensação de débitos com um alegado crédito oriundo do pagamento a maior da estimativa de IRPJ. Essa compensação foi não homologada com o fundamento de que o valor pago a maior de estimativa não pode ser compensado, podendo ser utilizado apenas na apuração do imposto devido no final do exercício. Esta Turma já entendeu, no Acórdão n° 19.817, de 18/01/2011, que a compensação do valor pago a maior de estimativa pode ser compensado. Os mesmos fundamentos tornam superada a nãohomologação supracitada. Com isso, verificouse necessário um olhar sobre o mérito do crédito pleiteado. O contribuinte apurou a antecipação do IRPJ devida com base no lucro bruto, conforme a DCTF apresentada na época. Em dezembro, a Adene emitiu o laudo Fl. 141DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 28/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 6 constitutivo n° 0334/2005, concedendo incentivo fiscal de redução do IRPJ em 75%, com prazo iniciando em 2005. Em seguida, o contribuinte retificou a referida DCTF, informando que apurou a estimativa em balancete de suspensão ou redução (BSR), surgindo assim um pagamento a maior dessa estimativa, que foi apresentado como crédito na compensação em análise. É certo que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração original, sendolhe possível alterar os débitos declarados e os pagamentos vinculados, nos termos do artigo 9º da Instrução Normativa RFB n° 1.110, de 24 de dezembro de 2010, salvo as exceções apontadas por este dispositivo normativo, que não ocorrem no presente caso: Art. 9° A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Todavia, cabe à Administração Tributária a prerrogativa de auditar os valores declarados (artigo 8° da referida Instrução Normativa). Havendo dúvida sobre a legitimidade do crédito, surgiria a necessidade de uma atuação do Fisco para apurar o valor correto e o respectivo crédito. Na existência de prova de que o crédito é indevido, seria cabível a nãohomologação da compensação. No presente caso, não há dúvida de que a redução do IRPJ é devida, mas questiona se a possibilidade dessa redução poder ser aproveitada retroativamente. O contribuinte poderia ter utilizado a referida redução apenas na apuração anual do IRPJ, mas preferiu utilizaIa já na estimativa, mudando a forma de sua apuração, agora por meio de BSR. Sobre isso, cabe referência à Instrução Normativa SRF n° 93, de 24 de dezembro de 1997, que dispõe sobre a apuração do IRPJ: Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: .... § 5° O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. Como se vê, para viabilizar a utilização de BSR na apuração da estimativa, é necessária a sua transcrição no livro Diário antes da data limite de pagamento do imposto. Essa condição não foi adimplida pelo contribuinte, que apurou a estimativa, na época, com base no lucro bruto. Assim, não cabe agora a confecção e utilização de um demonstrativo que deveria ter sido feito na época a que se refere. O voto divergente também não admite o BSR intempestivo, mas indica a homologação da compensação, fazendo com que o crédito pleiteado seja utilizado na compensação não como pagamento de estimativa, mas como parcela do saldo negativo apurado em 31 de dezembro, mesmo que o contribuinte não tenha incluído esse valor na referida apuração, nem tenha declarado compensação com o respectivo crédito de saldo negativo. A adoção dessa solução equivaleria a se fazer uma retificação de oficio da apuração anual apresentada pelo contribuinte, seguida de uma compensação de oficio, a revelia deste, o que, penso, não ser admissível no conjunto normativo tributário atual. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 28/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10380.904902/200990 Acórdão n.º 1302001.787 S1C3T2 Fl. 5 7 Ademais, não se conhece precedentes doutrinários ou pretorianos, sequer no âmbito do julgamento administrativo. O julgador administrativo está vinculado à legislação tributária e somente em suas lacunas poderá inovar. Mesmo assim, deverá informarse nas fontes do Direito e, ainda, em uma análise de conveniência e oportunidade, atividade típica da Administração Pública. A solução proposta, além de ser contrária à legislação, também é inconveniente, uma vez que cria uma regra geral somente aplicável para aqueles que tiverem a sua lide julgada na presente Turma, gerando tratamentos diferenciados para contribuintes em situações semelhantes. Diante do exposto, acompanho o relator na nãohomologação da compensação, afastando a referida proposta de compensação de oficio. Considerando que a parcela do crédito reconhecida pela autoridade julgadora de 1ª instância não está sujeita a revisão nesta instância de julgamento, importa apenas concluir que não merecem homologação as compensações que por ela não foram alcançadas. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 28/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL
score : 1.0
Numero do processo: 13007.000065/2005-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF - ISENÇÃO - COMPROVAÇÃO MOLÉSTIA GRAVE - LAUDO OFICIAL OMISSO EM RELAÇÃO AO TERMO INICIAL DA DOENÇA - NATUREZA DECLARATÓRIA - DEMAIS ELEMENTOS DE PROVA.
Considerando que o laudo emitido pelo perito oficial do Instituto Nacional de Seguro Social se baseou exclusivamente em documentos trazidos pelo próprio contribuinte para reconhecê-lo como portador de patologia abrangida pela norma isentiva do art. 6º da Lei nº 7.713/88, deve-se concluir que referido instrumento possui natureza meramente declaratória, retroagindo seus efeitos à data descrita nos documentos médicos juntados aos autos.
Recurso especial do procurador negado.
Numero da decisão: 9202-004.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI - Relatora.
EDITADO EM: 01/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Considerando que o laudo emitido pelo perito oficial do Instituto Nacional de Seguro Social se baseou exclusivamente em documentos trazidos pelo próprio contribuinte para reconhecêlo como portador de patologia abrangida pela norma isentiva do art. 6º da Lei nº 7.713/88, devese concluir que referido instrumento possui natureza meramente declaratória, retroagindo seus efeitos à data descrita nos documentos médicos juntados aos autos. Recurso especial do procurador negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 7. 00 00 65 /2 00 5- 50 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 2 EDITADO EM: 01/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de auto de infração lavrado eletronicamente (fls. 02) cuja origem se deu pela revisão da declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2002. O contribuinte apresentou declaração (fls. 53/55) requerendo restituição do Imposto de Renda no valor de R$ 22.367,66. Ocorre que a fiscalização, após proceder a revisão da declaração, considerou indevidamente classificados como "rendimentos de aposentadoria isentos por moléstia grave" valores recebidos em decorrência de ação trabalhista. Em sede de impugnação o contribuinte junta aos autos cópia da ação trabalhista e respectivas decisões, afirmando ser o valor recebido decorrente de diferenças de rendimentos de aposentaria complementar, esclareceu ainda que no momento de recebimento dos valores já era portador de neoplasia maligna, doença abrangida pela norma isentiva do art. 6º da Lei nº 7.713/82, juntou laudos médicos e declaração do INSS reconhecendo a existência da patologia. A Delegacia Fiscal de Julgamento reconheceu que os valores percebidos pelo contribuinte eram relativos à complementação de aposentadoria, entretanto, julgou improcedente a impugnação, pois uma vez não tendo o ofício emitido pelo INSS feito referência quanto a data do início da enfermidade, entendeu ser essa a data da expedição desse documento, qual seja, 03 de janeiro de 2002. Tendo o pagamento ocorrido em julho/2001, mantevese o lançamento. Em recurso voluntário o contribuinte contesta a presunção adotada pela decisão e argumenta haver nos autos provas suficientes (atestado médico particular, relatório de cirurgia, exames laboratoriais e o boletim hospitalar) que comprovam a existência da patologia mesmo antes da cirurgia realizada em 22/05/2001. Destaca ainda que tal argumentação/impedimento sequer fundamentou ou foi apontado pelo auto de infração, datado de 24/02/05. A 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, por unanimidade dos votos, deu provimento ao recurso. O entendimento do acórdão recorrido foi no sentido de que uma vez tendo o laudo oficial reconhecido ser o contribuinte portador de moléstia grave, a omissão quanto a eventual data de início da patologia pode ser suprida em razão do conjunto probatório juntado aos autos. Entendeuse, pelos documentos apresentados, ser o contribuinte portador da moléstia grave pelo menos desde maio de 2001. Em sede de Recurso Especial alega a Fazenda Nacional ter o acórdão contrariado decisões desta Corte, cita como paradigmas acórdãos nos quais não se a) admitiu como documentos hábeis a comprovar a data do início da doença especificada na Lei nº Fl. 209DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13007.000065/200550 Acórdão n.º 9202004.272 CSRFT2 Fl. 3 3 7.713/88 documentos que não fossem emitidos por serviço médico oficial; b) diante da ausência de data do início da moléstia em um dos laudos médicos elaborados por serviço médico oficial, foi considerado como marco temporal a data de sua emissão. Defende a aplicação do art. 111 do CTN, para o qual normas de isenção devem ser interpretada literalmente. Em contrarrazões foi comunicado o óbito do contribuinte e requerida a habilitação da Sra. Shiela da Costa Ramos como sua sucessora. No mérito requer a manutenção da decisão a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri O recurso, como bem destacado no despacho de admissibilidade, deve ser conhecido haja vista comprovada divergência de entendimento entre a decisão a quo e o segundo acórdão paradigma apresentado pela Recorrente. Como bem delimitado pelo Relator do acórdão recorrido, a controvérsia resumese a definir se o contribuinte faz jus à isenção do art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, no tocante aos valores percebidos do Banco Santander Meridional S/A em julho de 2011 (fls. 43 e 65), especificamente se o autuado era portador de moléstia especificada na Lei na data da percepção dos valores, pois restou incontroversa serem as verbas recebidas complementação de aposentadoria, conforme decisão da Delegacia de Julgamento. E no que tange a controvérsia, entendo não haver argumentos suficiente para fundamentar a revisão do julgado, pela análise dos autos é possível abstrair que foram observados todos os requisitos legais para aplicação da isenção pleiteada. Segundo determina a Súmula CARF nº 63, "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios." Ora, acompanhando o entendimento acima, destacamos que há nos autos (I) comprovação de serem os valores envolvidos rendimentos de aposentadoria, e (II) laudo oficial reconhecendo ser o contribuinte portador de doença grave. Em relação ao segundo requisito, o Ofício INSS nº 0001/2002 (fl. 77) assevera que: Atendendo a solicitação do segurado, acima referenciado, informamos que após a análise da documentação apresentada, foi concluído pelo médico perito, que vossa senhoria é portadora de patologia que se enquadra no art. 30 , da Lei 9.250, de Fl. 210DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 4 26/12/1995, fazendo juz, portanto, a isenção do Imposto de Renda sobre o valor, pago a titulo de Aposentadoria por Tempo de Contribuição. (grifamos) Percebese que o médico perito foi claro ao atestar que a sua conclusão pelo reconhecimento de ser o contribuinte portador de patologia grave se baseou exclusivamente na documentação apresentada pelo próprio contribuinte, o que nos leva a concluir que não foi realizada qualquer perícia adicional ou realizada qualquer diligencia complementar. Diante disto, entendo que o laudo oficial possui natureza meramente declaratória e como tal apenas reconheceu a condição do Contribuinte de ser, desde a data constante nos documentos analisados, portador da doença abrangida pela norma isentiva do art. 6º da Lei nº 7.713/88. O acórdão recorrido se manifestou neste mesmo sentido: Aliando o reconhecimento acima da Autarquia Previdenciária, com o atestado médico de fl. 78, de 11/10/2001, que assevera que o Sr. João Menezes Ramos é portador de neoplasia maligna pulmonar, tendo sido submetido a tratamento cirúrgico no dia 22/05/2001, como se comprova pela cópia do anotomopatológico nº 235654, do Laboratório Geyer (fls. 79 e 80), documentação estas trazidas desde a impugnação, tudo reforçado pela Nota de Alta Hospitalar emitida Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, acostada no recurso voluntário (fls. 118 e 119), não se pode negar que o autuado era portador de moléstia especificada na Lei tributária desde, pelo menos, maio de 2001, ou seja, quando ele recebeu os valores da complementação da aposentadoria do Banco Santander Meridional S/A em julho de 2001, inegavelmente tal montante estava acobertado pelo manto da isenção do art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, pois se tratava de proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave. Assim, havendo laudo oficial mas sendo esse omisso quanto a data do acometimento da doença, deve ser considerado como tal aquela mencionada nas demais provas trazidas aos autos: maio de 2011. Por fim, importante destacar que decisão diversa seria facilmente derrubada pelo Poder Judiciário. Afinal, segundo jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, sequer se afigura como necessária à comprovação da moléstia grave por meio de laudo expedido por médico oficial, sendo legítimo ao juiz, com base em outras provas dos autos, entender estar devidamente comprovada as condições para aplicação da isenção do imposto de renda, nos termos do art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88. Vejamos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IRRF. ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. VIOLAÇÃO ART. 30 DA LEI 9.250/95. INOCORRÊNCIA. LAUDO PERICIAL. SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. PRESCINDIBILIDADE. LIVRE CONVICÇÃO MOTIVADA DO MAGISTRADO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. 1. "O Superior Tribunal de Justiça vem entendendo ser desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento da isenção de imposto de renda no caso de Fl. 211DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13007.000065/200550 Acórdão n.º 9202004.272 CSRFT2 Fl. 4 5 moléstia grave, tendo em vista que a norma prevista no art. 30 da Lei 9.250/95 não vincula o Juiz, que, nos termos dos arts. 131 e 436 do CPC, é livre na apreciação das provas" (AgRg no REsp 1.233.845/PR Rel. Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 16/12/2011). No mesmo sentido: AgRg no AREsp 371.436/MS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 11/04/2014; AgRg no AREsp 436.268/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 27/03/2014. 2. Incide, na espécie, a Súmula 83/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 540471 / RS) Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 212DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10715.008479/2009-76
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 05/11/2005, 07/11/2005, 21/11/2005
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 05/11/2005, 07/11/2005, 21/11/2005
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 05/11/2005, 07/11/2005, 21/11/2005 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 05/11/2005, 07/11/2005, 21/11/2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/11/2005, 07/11/2005, 21/11/2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 84 79 /2 00 9- 76 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.008479/200976 Acórdão n.º 9303003.789 CSRFT3 Fl. 246 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3201001.126, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.008479/200976 Acórdão n.º 9303003.789 CSRFT3 Fl. 247 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.008479/200976 Acórdão n.º 9303003.789 CSRFT3 Fl. 248 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.008479/200976 Acórdão n.º 9303003.789 CSRFT3 Fl. 249 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 249DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.008479/200976 Acórdão n.º 9303003.789 CSRFT3 Fl. 250 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 250DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.008479/200976 Acórdão n.º 9303003.789 CSRFT3 Fl. 251 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 251DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.008479/200976 Acórdão n.º 9303003.789 CSRFT3 Fl. 252 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.008479/200976 Acórdão n.º 9303003.789 CSRFT3 Fl. 253 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 253DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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