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Numero do processo: 10875.902976/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Relatório
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 02 97 6/ 20 08 -4 9 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10875.902976/200849 Resolução nº 3301000.960 S3C3T1 Fl. 235 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Tratase de Manifestação de Inconformidade, proposta em razão da expedição de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação Eletrônica ("PER/DCOMP"), cujos dados são os seguintes: [...] O Despacho Decisório assim fundamentou a não homologação da compensação pretendida pelo Contribuinte: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, ..., mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado o Despacho Decisório, o Contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade, afirmando que seria detentor do crédito declarado, já que teria realizado recolhimento a maior e que teria, inclusive, retificado a respectiva DCTF, da qual apresenta cópia. Requer o acolhimento da Manifestação de Inconformidade, porque estaria"... demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/11/2003 A 30/11/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO COMPENSADO Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10875.902976/200849 Resolução nº 3301000.960 S3C3T1 Fl. 236 3 Declaração de compensação, sem que o respectivo crédito esteja prévia e devidamente formalizado pelo Contribuinte, segundo os mecanismos institucionais e informatizados de controle da competente Autoridade Administrativa. No âmbito do processo administrativo fiscal, é pressuposto indispensável efetivação da compensação a comprovação da existência e da demonstração do respectivo crédito. A mera alegação da sua existência, desacompanhada de provas, não basta para sua comprovação, por desatender às disposições do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, basicamente repisando os argumentos antes apresentados. Em síntese, alega que sobre os redutores de velocidade que fabrica estaria reduzida a zero a alíquota de Cofins e a impossibilidade de desconsideração da DCTF e da DACON retificadoras. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara deste Seção de Julgamento emitiu a Resolução convertendo o julgamento em diligência, para "que a DRF competente verifique e confirme, à luz da DCTF retificadora apresentada, a existência ou não do crédito alegado pela Recorrente nestes autos ". Sobreveio então informação fiscal da Delegacia da Receita Federal em Campinas, sobre a qual se manifestou a contribuinte. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10875.902976/200849 Resolução nº 3301000.960 S3C3T1 Fl. 237 4 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário foi dado por tempestivo na dita resolução1. A recorrente dá conta de que retificou DCTF e DACON após o despacho decisório que deu pela não homologação a compensação pretendida, o que, a seu ver, teria ocorrido única e exclusiva em virtude da ausência de retificação destas declarações. Um exame da conclusão do acórdão da DRJ aponta que esta só consideraria retificações anteriores ao despacho decisório (ainda que não tenha afirmado categoricamente o aceite ou não das retificações posteriores): Finalmente, e considerando os pressupostos (informações e documentos), sobre os quais se assenta o Despacho Decisório recorrido (cronologicamente: DCTF original e retificação anterior ao Despacho Decisório, respectivas DARF e PER/DCOMP); e, considerando os demais documentos e elementos constantes dos autos, impõese a inexorável constatação de que o Contribuinte, tendo deixado de atender as exigências legais do Decreto 70.235/1972, não logrou demonstrar a efetiva existência do crédito, do qual pretendia se compensar. Entendo que a retificação extemporrânea da DCTF não causa prejuízo ao direito alegado, desde que comprovado por outros meios. Na mesma linha apontou o Resolução citada. Sigo jurisprudência do CARF: RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10875.902976/200849 Resolução nº 3301000.960 S3C3T1 Fl. 238 5 (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/ 200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). Alega a recorrente o seu direito a crédito em função de que sobre os redutores de velocidade que fabrica estaria reduzida a zero a alíquota de Cofins, pelo art. 3º da Lei 10.485/04. Segue, em sua versão original: Art. 3º Fica reduzida a 0% (zero por cento) a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à receita bruta da venda: I dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei; II dos produtos referidos no art. 1o, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5º, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. De fato, como lá informa: Aduz ter equivocadamente aplicado a alíquota de 3% a tais produtos, apontando planilhas, tendo havido indevido pagamento a maior a justificar seu crédito: Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10875.902976/200849 Resolução nº 3301000.960 S3C3T1 Fl. 239 6 [...] A informação fiscal decorrente da diligência determinada pela dita resolução concluiu que "apurandose, com base nas notas fiscais anexadas, que o contribuinte, a princípio, faria jus a um crédito de PIS de [...]" (grifos do original), mas deu pela "ausência de registros contábeis que atestem, de forma inequívoca, que as receitas relativas às notas fiscais". Reproduzo o trecho completo: Pois bem. Juntamente ao Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: Recibos de Entrega de DCTF e sua cópia parcial (fls.175 a 180), Recibos de Entrega de DACON e sua cópia parcial (fls. 181 a 192), Demonstrativo de Cálculo do PIS – período jan/2003 a dez/2003 (fl. 193); Planilha com informações relativas às vendas, no mês de nov/2003, de redutores de velocidade (fls. 194 a 196); Cópia de notas fiscais de vendas (fls. 197 a 201); Memória de Cálculo de pagamentos indevidos ou a maior de PIS e COFINS – período nov/2002 a jul/2004 (fl. 203, 205 a 210) e Planilha com a relação dos débitos compensados pelos pagamentos indevidos ou a maior (fl. 212). Embora o contribuinte tenha evidenciado na Planilha de Vendas (fl. 196) e na Memória de Cálculo (fls. 203 e 208) o montante de R$ 2.054.728,86 (dois milhões, cinqüenta e quatro mil, setecentos e vinte e oito reais e oitenta e seis centavos), oriundo das vendas de redutores de velocidade no mês de nov/2003, o que teria acarretado, aplicandose a alíquota de 1,65%, na apuração indevida do PIS de R$ 33.903,03 (trinta e Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10875.902976/200849 Resolução nº 3301000.960 S3C3T1 Fl. 240 7 três mil, novecentos e três reais e três centavos), fez a anexação aos autos de notas fiscais, cuja somatória monta apenas em R$ 551.054,06 (quinhentos e cinqüenta e um mil, cinqüenta e quatro reais e seis centavos). Considerando que a nota fiscal é o documento hábil para a comprovação da operação comercial, para fins de determinação do valor de crédito do PIS passível de compensação, serão utilizadas tão somente as notas fiscais carreadas aos autos. Assim, de conformidade com o determinado na Resolução nº 3202 000.140, expedida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), foram averiguadas as alegações contidas na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, bem como examinados os documentos juntados aos autos, o que inclui a DCTF e DACON retificadores, apurandose, com base nas notas fiscais anexadas, que o contribuinte, a princípio, faria jus a um crédito de PIS de R$ 9.092,39 (nove mil, noventa e dois reais e trinta e nove centavos). [...] No entanto, em razão da ausência de registros contábeis que atestem, de forma inequívoca, que as receitas relativas às notas fiscais, para as quais foi calculado o crédito de PIS, foram de fato contabilizadas na base de cálculo da contribuição inicialmente apurada, tornase prejudicada a emissão de qualquer juízo de valor acerca do direito do contribuinte ao referido crédito. No entanto, este relator identificou que a contribuinte anexou aos autos, antes da resolução que determinou a diligência, "Recibos de Entrega de Arquivos Digitais" em CD/DVD (fls 213 a 214). Pelo exposto, considerando a busca pela verdade material, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que a Delegacia de Origem: 1) Verifique a liquidez e certeza dos créditos alegados, com base nos elementos constantes e mencionados dos autos; intimando a contribuinte a apresentar informações e documentos que entender necessários; e 2) Conceda prazo de trinta dias para a contribuinte se manifestar, finda a diligência, sobre o relatório dela decorrente, retornando os autos, em seguida, ao CARF para retomada do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 23034.008002/2003-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/07/1995 a 30/04/2002
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO.
No caso de lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento, o prazo de cinco anos para Fazenda Pública efetuar o lançamento de ofício tem seu termo inicial na data de ocorrência dos fatos geradores ou no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de não haver antecipação de pagamento.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE E VERACIDADE. PROVA EM CONTRÁRIO. ÔNUS DO RECORRENTE.
O lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cumpre ao Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção.
Numero da decisão: 2402-006.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial de modo a excluir do lançamento as competências até 03/1999, inclusive, em virtude de decadência. Vencido o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que não conheceu do recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/07/1995 a 30/04/2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO. No caso de lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento, o prazo de cinco anos para Fazenda Pública efetuar o lançamento de ofício tem seu termo inicial na data de ocorrência dos fatos geradores ou no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de não haver antecipação de pagamento. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE E VERACIDADE. PROVA EM CONTRÁRIO. ÔNUS DO RECORRENTE. O lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cumpre ao Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção.
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I. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/1995 a 30/04/2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO. No caso de lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento, o prazo de cinco anos para Fazenda Pública efetuar o lançamento de ofício tem seu termo inicial na data de ocorrência dos fatos geradores ou no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de não haver antecipação de pagamento. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE E VERACIDADE. PROVA EM CONTRÁRIO. ÔNUS DO RECORRENTE. O lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cumpre ao Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, darlhe provimento parcial de modo a excluir do lançamento as competências até 03/1999, inclusive, em virtude de decadência. Vencido o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que não conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 80 02 /2 00 3- 14 Fl. 641DF CARF MF Processo nº 23034.008002/200314 Acórdão n.º 2402006.671 S2C4T2 Fl. 638 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo, no presente relatório, o conteúdo da Informação nº 2.927/2004, da Divisão de Análise de Defesa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), fls. 334 a 336: Informação nº 2.927/2004 – DIADE/CGACI/DIFIN/FNDE/MEC [...] Em inspeção do Programa Integrado de Inspeção em Empresas e Escolas PROINSPE, realizada à empresa em epígrafe, para verificação da regularidade da situação dos recolhimentos da contribuição social do SalárioEducação, quanto ao período de 01/1995 a 11/2002, os técnicos constataram débito referente às competências 07/1995 a 03/2001, 02 a 04/2002, proveniente de falha de recolhimento, compensações indevidas, respectivamente, conforme se verifica através dos quadros de fls. 55/56 e Informação n.º 450/2004 de fls. 57/58. Para a cobrança do debito, esta Coordenação emitiu a Notificação para Recolhimento de Débito NRD n.° 439/2004 de fl. 61, no valor de R$ 387.996,43 (trezentos e oitenta e sete mil, novecentos e noventa e seis reais e quarenta e três centavos), conforme Quadro de Atualização de Débito, fls. 62/64. A cobrança foi devidamente recepcionada pela empresa, conforme AR de fl. 83. Diante da cobrança, a empresa apresentou defesa tempestiva, acostada às fls. 85/306, com as seguintes alegações:' a) que o credito tributário do período de 07/95 a 11/97, foi abrangido pela decadência; b) que parte dos débitos já estão incluídos em parcelamento constituídos nas NFLD's n.ºs 35.371.5034/35.371.5131, compreendendo as competências de 04/97 a 12/97; c) a superposição de cobrança, sob o argumento de que parte dos débitos exigidos na NRD, também teriam sido objeto de lançamentos por parte do INSS em ações fiscais; Fl. 642DF CARF MF Processo nº 23034.008002/200314 Acórdão n.º 2402006.671 S2C4T2 Fl. 639 3 Com relação à alegação da decadência do prazo para cobrança do débito do período de 11/95 a 07/99, informamos que de acordo com a Instrução Normativa do INSS nº 100, de 18/12/2003, aprovada pela IN INSS/DC nº 107, de 22/04/2004 em seu artigo 583 § 2°, aduz que: “O prazo decadencial das contribuições devidas a outras entidades e fundos é de 10 anos, exceto para fatos geradores ocorridos até 18 de junho de 1995, cujo prazo decadencial é de cinco anos." Acrescentamos, ainda, o disposto na Lei n“ 9.766, de 18/12/1998, art. 1°, “in verbis”; “A contribuição social do SalárioEducação, a que se refere o art. 15 da Lei n" 9. 424. de 24 de dezembro de 1996, obedecerá aos mesmos prazos e condições, e sujeitarseá às mesmas sanções administrativas ou penais e outras normas relativas as contribuições sociais e demais importâncias devidas à Seguridade Social, ressalvada a competência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, sobre a matéria”. Portanto, a alegação da empresa não procede, tendo em vista que os fatos geradores desta cobrança ocorreram entre julho/1995 a abril/2002. O atr. 45 da Lei n.º 8.212/91 enumera que: “O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderá ter sido constituído: II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal. a constituição de crédito anteriormente efetuada. E, ainda, em seu art. 46 diz que:" O direito de cobrar os créditos da Seguridade Social constituídos na forma do artigo anterior, prescreve em 10 (dez) anos. " Diante do exposto, não cabe a alegação da empresa sobre o decurso do prazo para cobrança das competências 07/95 a 11/97. Com relação ao questionamento de que pane dos débitos já estariam incluídos em parcelamento, constituídos pela NFLD n.“ 35.371.5131, ou seja, o período de 01/99 a 04/01 , após análise da documentação, constatamos que as diferenças apuradas nesta NFLD, referemse a fatos geradores não informados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social (GFIP), sendo que estas diferenças não foram levantadas na inspeção realizada pelo PRO1NSPE, bem como as apuradas por meio da NFLD n.° 35.371.5115, concernente ao período de 01/96 a 03/97, portanto, não há fundamento no questionamento da empresa. Consta, ainda, levantamento de débito para o SalárioEducação referente ao período de 01/99 a 04/01, por meio de outras NFLD's, inclusive a NFLD n.º 35.371.5140, abrangendo os valores do SalárioEducação apurados pelo PROINSPE, no Fl. 643DF CARF MF Processo nº 23034.008002/200314 Acórdão n.º 2402006.671 S2C4T2 Fl. 640 4 entanto, o fiscal do INSS relata no relatório de fl. 196 da fiscalização que os débitos apurados nestes levantamentos, resultam do total das contribuições sociais do SalárioEducação, incidentes sobre a remuneração dos empregados constante das folhas de pagamento, deduzidas as contribuições recolhidas pelo convênio do SalárioEducação e as contribuições compensadas devido ao processo judicial ajuizado a respeito da constitucionalidade do SalárioEducação. Por fim, quanto a alegada superposição de cobrança, sob o argumento de que parte dos débitos exigidos na NRD, também teria sido objeto de lançamentos por parte do INSS em ações fiscais, temos a esclarecer que, o fiscal informa em seu relatório que o levantamento tem o intuito de evitar a decadência até a decisão final a respeito do processo judicial sob o n.° 9700753271, ajuizado pela empresa contra a constitucionalidade da contribuição social do SalárioEducação. Cabe, ainda, salientar que na documentação apresentada pela empresa, não consta qualquer documento de parcelamento ou quitação do débito cobrado por meio da NRD em epígrafe. Isto posto, sugerimos o INDEFERIMENTO DA DEFESA, informando que o montante do crédito tributário é de R$ 401.441,86 (quatrocentos e um mil, quatrocentos e quarenta e um reais e oitenta e seis centavos), conforme Quadro de Atualização de Débito, acostado às fls. 306/308. (Grifos no original) O indeferimento da defesa, proposto nessa informação, foi, então, confirmado pela presidência do FNDE, nos seguintes termos, fl. 337: Decido pelo INDEFERIMENTO DA DEFESA, pelas razões expostas pela CGACI. Retomem os autos à DIADE/CGACI, para que seja providenciada a expedição de oficio à empresa em questão, dandolhe ciência do que foi decidido e informando quanto às alternativas de recolhimento do débito, da formalização de acordo para parcelamento da dívida, bem como do seu direito de interpor recurso ao Conselho Deliberativo do FNDE, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência desta decisão, com as razões e, se for o caso, documentos que o fundamentem, esclarecendo que a interposição de recurso deverá obedecer às disposições do § 2º, do artigo 15, do Decreto n.º 3.142, de 16/08/1999. (Grifos no original) Cientificada da decisão, em 21/3/05, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 384, a contribuinte, por meio de seu advogado (procuração de fl. 632), apresentou o recurso voluntário de fls. 388 a 400, em 15/3/05, no qual traz, em síntese, as seguintes alegações: Fl. 644DF CARF MF Processo nº 23034.008002/200314 Acórdão n.º 2402006.671 S2C4T2 Fl. 641 5 DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA [...] fazse imperioso repisarmos que, na verdade, foram ilegalmente constituídos na NRD em tela todos os valores lançados pelo FNDE relativos às competências anteriores a novembro de 1997, inclusive. E assim se afirma porque, consoante já exposto, incide sobre o presente lançamento a figura jurídica da decadência. [...] DA NULIDADE FORMAL DO ATO POR INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS NORTEADORES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Insta registrar que a autoridade administrativa, ao lavrar a NRD em tela, atevese a dispor valores de forma imprecisa, deixando de explicitar adequadamente os motivos que ensejaram a cobrança das importâncias impostas, gerando muitas dúvidas na identificação dos valores lançados pela NRD em cada competência, e não permitindo a necessária conferência destes. [...] De inferirse, portanto, que o lançamento fiscal não pode surtir qualquer efeito, ante a irrefutável nulidade formal que o contamina, por ausência de devida e precisa motivação, necessária tanto para o exercício da ampla defesa por parte do contribuinte (CF 88, art. 5°, LV), quanto para o adequado controle jurisdicional. DA DUPLA COBRANÇA Cumpre notar que os débitos ora discutidos são objeto de dupla cobrança pelo próprio FNDE em determinadas competências, uma vez que foram os mesmos objeto de compensação pela empresa como um todo, de uma só vez. (sic) Destarte, notase que nas competências de abril a dezembro e a gratificação natalina de 1997 e janeiro a março de 1998, cobra o fiscal os valores devidos a título de SalárioEducação para esta filial em específico (000800), além de lançar os valores compensados pela empresa como um todo na matriz (000126). Assim, exige duas vezes a mesma exação, pois aqueles valores já se encontravam incluídos nestes últimos, consoante atesta, inclusive o documento em anexo. Destarte, comprovado que os valores lançados como devidos, por esta filial, a título da exação em comento nas competências acima descriminadas encontramse abarcados pelas compensações realizadas, necessária a exclusão das respectivas bases de cálculo e fatos geradores da presente NRD. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 23034.008002/200314 Acórdão n.º 2402006.671 S2C4T2 Fl. 642 6 DA SUPERPOSIÇÃO DE COBRANÇAS Conforme já pisado e repisado na peça de bloqueio, os débitos ora discutidos são objeto de dupla cobrança, uma vez que já foram lançados pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, em agosto de 2001, mediante a lavratura das seguintes NFLDS: As notificações elencadas, da lavra do INSS, possuem o mesmo objeto (salárioeducação), utilizaram a mesma base de cálculo, correspondem ao mesmo período, bem como aplicaram a mesma alíquota aplicada aos débitos lançados na presente NRD, configurando, portanto, indubitavelmente uma dupla cobrança de um débito que, a rigor, é o mesmo. [...] Patente que a Recorrente está sendo objeto de dupla cobrança dos valores destinados ao FNDE e, por que não dizer, tripla cobrança, se considerarmos o período compreendido entre as competências de abril a dezembro e a gratificação natalina de 1997 e janeiro a março de 1998, pelas razões já expostas anteriormente. (Grifos no original) É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e foi apresentado por procurador devidamente constituído, porém, não será conhecido em relação à alegação de nulidade, uma vez que tal alegação não chegou a ser prequestionada, em sede de impugnação, e seu exame, no presente julgamento, importaria na supressão de instância e consequente afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Tributário. Da preliminar de decadência Alega a Recorrente que os valores lançados pelo FNDE e relativos às competências anteriores a novembro de 1997, inclusive, teriam sido “ilegalmente constituídos na NRD em tela”, pois, em seu entendimento, teria incidido, no presente lançamento, “a figura jurídica da decadência”. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 23034.008002/200314 Acórdão n.º 2402006.671 S2C4T2 Fl. 643 7 Pois bem, compulsando o Quadro de Atualização de Débito de fls. 89 a 91, que segue em anexo à Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) nº 0000439/2004, fl. 87, constatase que o lançamento sob foco diz respeito às competências de 07/1995 a 04/2002. Por sua vez, segundo o AR de fl. 93, a ciência da NRD ocorreu em 20/7/04. Acontece que, nos termos do art. 45, da Lei 8.212, de 24/7/91, o direito da Seguridade Social de apurar e lançar seus créditos extinguiase em 10 (dez) anos1, regra esta empregada pela decisão de primeira instância, em 7/12/04, porém, em decorrência do julgamento dos Recursos Extraordinários 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, o Supremo Tribunal Federal (STF) editou, em 12/6/08, a Súmula Vinculante nº 8 (DOU 20/6/2008), nos seguintes termos: São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5º do Decreto Lei nº 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nesta feita, ao analisar os efeitos da edição da Súmula Vinculante nº 8 do STF, assim concluiu o Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008: a) no caso do pagamento parcial da obrigação, independentemente de encaminhamento de documentação de confissão (DCTF, GFIP ou pedido de parcelamento), o prazo de decadência para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4º, do art. 150, do Código Tributário Nacional; b) no caso de não pagamento, nas hipóteses acima elencadas (com ou sem o encaminhamento de documentação de confissão), o prazo é contado com base no inciso I, do art. 173, do CTN; A esse respeito, vejamos o que dispõe o Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 1 Contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 23034.008002/200314 Acórdão n.º 2402006.671 S2C4T2 Fl. 644 8 [...] Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme se observa, o prazo para a Seguridade Social apurar e lançar seus créditos passou a ser de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nas hipóteses em que o tributo obedeça ao regime de lançamento por homologação e desde que haja início de pagamento (antecipação), ainda que parcial (art. 150, § 4º, do CTN), ou a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na hipótese de inexistência de início de pagamento (art. 173, I, do CTN). Portanto, tendo em vista que as contribuições lançadas dizem respeito às competências de 07/1995 a 04/2002, e que a ciência do lançamento ocorreu em 20/7/042, pela nova regra decadencial, restariam assim atingidas pela decadência: As contribuições até a competência 06/1999, inclusive, pela regra do art. 150, § 4º, do CTN – havendo antecipação de pagamento; e As contribuições até a competência 11/1998, inclusive, pela regra do art. 173, inciso I, do CTN – não havendo antecipação de pagamento. Para análise da existência ou não de recolhimento, trazemos à baila o seguinte histórico constante do Termo de Encerramento da Inspeção de fl. 7, elaborado pelos técnicos do Programa Integrado de Inspeção em Empresas e Escolas (PROINSPE3): Histórico: Após análise da documentação, constatamos que a empresa acima, utilizou uma guia única, com o CNPJ final 000126, para fazer o recolhimento Social do Salário Educação incluindo todas as empresas do grupo, apenas na competência 06/95, e nas demais competências, até a competência 03/97, não houve recolhimentos. A partir da competência 04/1997 a 03/1998, usou a compensação, em função da Liminar concedida através da impetração da Ação Ordinária, Processo n° 97.00753271 RJ, questionando a constitucionalidade da contribuição, porém, a compensação foi feita também junto, numa guia única do CNPJ citado acima, conforme cópia em anexo, e Demonstrativo de 2 Deve ser considerada a data da ciência do lançamento e não a data de início da fiscalização, constante do Termo de Visita – Empresa de fl. 3, ou seja, 3/12/02. 3 Criado pela Resolução n° 15, de 19/10/93, do Conselho Deliberativo do FNDE. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 23034.008002/200314 Acórdão n.º 2402006.671 S2C4T2 Fl. 645 9 Recolhimentos. De 04 de 1998 a 03 de 1999, 02, 03 e 04 de 2002, também compensou, já em guia própria conforme Demonstrativo. De 04 de 1999 a 03 de 2001 não houve recolhimento nem compensação. A partir de 05/2002 até a presente data, a empresa vem fazendo o recolhimento em sua própria guia. Quanto ao demonstrativo das indenizações, a empresa foi orientada a entrar em contato com o setor de cadastro para regularização e povoamento da RAI, no prazo de 15 dias. O Quadro de Lançamento de Débitos de fls. 64 e 65, por sua vez, informa o recolhimento dos seguintes valores em relação às competências de 04/1998 a 03/1999: COMPETÊNCIA RECOLHIMENTO 04/1998 1,81 05/1998 1,82 06/1998 1,47 07/1998 1,67 08/1998 1,73 09/1998 1,74 10/1998 1,44 11/1998 1,23 12/1998 1,39 13/1998 1,13 01/1999 1,98 02/1999 1,83 03/1999 1,94 Portanto, encontramse atingidas pela decadência as contribuições referentes às competências até 03/1999, inclusive. Da alegada dupla cobrança Segundo a Recorrente, estaria ocorrendo dupla cobrança pelo FNDE em determinadas competências, uma vez que "nas competências de abril a dezembro e a gratificação natalina de 1997 e janeiro a março de 1998, cobra o fiscal os valores devidos a título de SalárioEducação para esta filial em específico (000800), além de lançar os valores compensados pela empresa como um todo na matriz (000126). Acontece, porém, que as competências abrangidas por essa alegada dupla cobrança se encontram atingidas pela decadência e serão excluídas do lançamento, como visto no tópico anterior deste voto. Logo, temse por prejudicada a análise desse item do recurso, o qual, portanto, não será objeto de julgamento. Da alegada superposição de cobranças Conforme se observa nesse item da defesa, trazendo quase as mesmas alegações da impugnação, a Recorrente alega que os “débitos ora discutidos” já teriam sido Fl. 649DF CARF MF Processo nº 23034.008002/200314 Acórdão n.º 2402006.671 S2C4T2 Fl. 646 10 “lançados pelo Instituto Nacional do Seguro social – INSS” nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLDs) que relaciona. Aduz, ainda, que tais NFLDs possuiriam o mesmo objeto (salárioeducação), utilizariam mesma base de cálculo, corresponderiam ao mesmo período, bem como estariam aplicando a mesma alíquota dos débitos lançados na presente NRD, configurando, portanto, em seu entendimento, dupla cobrança e, talvez, tripla cobrança, se forem considerados os valores referentes ao período de abril a dezembro de 1997, inclusive o 13º, e de janeiro a março de 1998. Todavia, segundo se extrai da decisão recorrida, não merecem guarida tais argumentos. Senão, vejamos: Com relação ao questionamento de que parte dos débitos já estariam incluídos em parcelamento, constituídos pela NFLD n.º 35.371.5131, ou seja, o período de 01/99 a 04/01, após análise da documentação, constatamos que as diferenças apuradas nesta NFLD, referemse a fatos geradores não informados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social (GFIP), sendo que estas diferenças não foram levantadas na inspeção realizada pelo PRO1NSPE, bem como as apuradas por meio da NFLD n.° 35.371.5115, concernente ao período de 0l/96 a 03/97, portanto, não há fundamento no questionamento da empresa. Consta, ainda, levantamento de débito para o SalárioEducação referente ao período de 01/99 a 04/01, por meio de outras NFLD's, inclusive a NFLD n.º 35.371.5140, abrangendo os valores do SalárioEducação apurados pelo PROINSPE, no entanto, o fiscal do INSS relata no relatório de fl. 196 da fiscalização que os débitos apurados nestes levantamentos, resultam do total das contribuições sociais do SalárioEducação, incidentes sobre a remuneração dos empregados constante das folhas de pagamento, deduzidas as contribuições recolhidas pelo convênio do SalárioEducação e as contribuições compensadas devido ao processo judicial ajuizado a respeito da constitucionalidade do SalárioEducação. Primeiramente, insta destacar que tais débitos parcelados citados na transcrição acima não chegaram a ser mencionados no recurso voluntário, constando na impugnação apenas uma referência a respeito, no último item dos pedidos, nos seguintes termos: “ Por todo o exposto, a Defendente requer: [...] c) A suspensão dos débitos já submetidos a parcelamentos, em razão do disposto no CTN, artigo 151, inciso VI”. Também cabe destacar que os valores referentes ao período de 04/1998 a 03/1999 foram atingidos pela decadência e serão excluídos do lançamento. Quanto às demais alegações constantes desse item do recurso, percebese, claramente, que a decisão de primeira instância fez os devidos esclarecimentos, mostrando que não houve coincidência de valores entre aqueles apurados na inspeção realizada pelo Programa Integrado de Inspeção em Empresas e Escolas (PROINSPE) e aqueles lançados nas citadas NFLDs. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 23034.008002/200314 Acórdão n.º 2402006.671 S2C4T2 Fl. 647 11 Ponderese que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cumpria à Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), fazendo a devida demonstração (comprovação) da alegada superposição de cobrança, porém, não o fez. Conclusão Isso posto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, excluindo do lançamento as contribuições até a competência de 03/1999, inclusive, uma vez que atingidas pela decadência. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 651DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000162/2003-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1994, 1995
RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. PRAZO PRESCRICIONAL.
Aquele que paga indevidamente, possui direito à restituição (princípio da vedação ao enriquecimento sem causa). O art. 168 do CTN prevê o prazo de natureza prescricional de 5 anos para o pedido de repetição de indébito, contados da extinção do crédito tributário.
Numero da decisão: 2001-000.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Jose Ricardo Moreira que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1994, 1995 RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. PRAZO PRESCRICIONAL. Aquele que paga indevidamente, possui direito à restituição (princípio da vedação ao enriquecimento sem causa). O art. 168 do CTN prevê o prazo de natureza prescricional de 5 anos para o pedido de repetição de indébito, contados da extinção do crédito tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Jose Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
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PRAZO PRESCRICIONAL. Aquele que paga indevidamente, possui direito à restituição (princípio da vedação ao enriquecimento sem causa). O art. 168 do CTN prevê o prazo de natureza prescricional de 5 anos para o pedido de repetição de indébito, contados da extinção do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Jose Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 01 62 /2 00 3- 13 Fl. 141DF CARF MF 2 Tratase de pedido de restituição apresentado pelo interessado o qual pretende reaver valores correspondentes ao IRRF incidente nas verbas referentes a licenças prêmio e férias não gozadas nos anos de 1994 e 1995. Na apreciação do pleito, em manifestação exarada no Despacho Decisório, a autoridade administrativa o indefere em razão da suposta extinção do direito do requerente à repetição do indébito. Apresentou o contribuinte a manifestação de inconformidade, por intermédio de seus procuradores, alegando, em síntese: que o prazo decadencial para exercer o direito do pedido de restituição no caso em comento se encerraria em 2005 e que não se deve falar em incidência de IR sobre pagamento de férias não gozadas. Cita doutrina para corroborar o quanto alega e jurisprudência administrativa e judicial para corroborar a sua argumentação. A DRJ Florianópolis manifestou seu entendimento no sentido de que o direito do contribuinte estava extinto, vale dizer, o contribuinte somente protocolou o pedido de restituição em 2003 e neste momento já havia ocorrido a decadência do direito à repetição de indébitos ocorridos em data anterior a 31/12/1995 . Em sede de Recurso Voluntário, a contribuinte repisa as fundamentações e alega que não pode ser penalizado por uma decisão que não reconheça seu claro direito a restituição nos moldes expostos no decorrer da peça recursal. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Conforme mencionado no relatório acima, a discussão administrativa decorre do pedido de restituição do IR pelo contribuinte, incidente sobre pagamento de férias não gozadas. Os auditores julgadores demonstraram claro entendimento, fundamentado, de que o direito do contribuinte já teria sido extinto em decorrencia do prazo prescricional estabelecido em lei. Por outro lado, o contribuinte, ora Recorrente, traz diversos argumentos, doutrina e jurisprudência para corroborar seu entendimento de que, no seu caso, o prazo prescricional ainda não teria decorrido quando da elaboração do pleito de restituição. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11516.000162/200313 Acórdão n.º 2001000.804 S2C0T1 Fl. 3 3 Sabemos que quem paga indevidamente, possui direito à restituição. A fundamentação de tal assertiva decorre do princípio da vedação ao enriquecimento sem causa, pois, não é crível que o Direito admita aumento patrimonial em decorrência de erro de outrem. Tanto que o art. 876 do Código Civil dispõe que aquele que recebeu o que não lhe era devido fica obrigado a restituir. De acordo com Caio Mário da Silva Pereira, a obrigação de restituir referese "a uma obrigação que ao accipiens é imposta por lei, mas nem por isto menos obrigação, a qual se origina do recebimento do indébito, e que somente se extingue com a restituição do indevido".(PEREIRA, 2008) No campo do direito tributário, aplicase a regra geral do dever de restituir quando houver pagamento indevido, tal como previsto no art. 165 do CTN, que assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Por sua vez, o art. 168 do CTN prevê o prazo de natureza prescricional de 5 anos para o pedido de repetição de indébito, contados da extinção do crédito tributário. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Notese que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário, antes da Lei Complementar 118/05, na modalidade tácita, ocorria em período distinto. Vejamos. Nos tributos lançados de ofício e por declaração, o prazo do pedido de restituição contase a partir do pagamento do tributo, o que equivale a sua extinção. Ocorre que Fl. 143DF CARF MF 4 para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, até a promulgação da LC 118/05, havia divergências acerca do termo a quo do prazo prescricional para a ação de repetição de indébito. Até a publicação da Lei 118/05, prevalecia o entendimento de que o prazo inicial para a contagem do prazo prescricional para a ação de repetição do indébito não seria a data do pagamento, mas da homologação. Nessa toada, dispõe o art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Nos dizeres de Ricardo Alexandre, “é com a homologação que a autoridade administrativa manifesta sua concordância com a atividade do sujeito passivo, atestando sua correção. Como decorrência, nos tributos sujeitos a tal modalidade de lançamento, não é com o pagamento, mas sim com a homologação, que se pode considerar o crédito tributário definitivamente extinto”.(ALEXANDRE, 2013, pag. 369) Assim, a extinção somente é definitiva com a homologação, que poderá ser expressa ou tácita. A homologação expressa ocorre quando a autoridade administrativa editar ato em que formalmente concorde as informações prestadas e o tributo pago antecipadamente pelo sujeito passivo. Já a homologação tácita ocorre após 5 anos do efetivo pagamento do tributo, data cuja extinção do crédito tributário é ultimada. Assim dispõe o CTN, em seu art. 150, § 4º: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Sendo assim, se o sujeito passivo tem direito de pedir a restituição do imposto após 5 anos da extinção do crédito, nos termos do art. 160, inciso I do CTN, logo, tem se o prazo de 10 anos para as ações de repetição de indébito nos tributos sujeito a lançamento por homologação, quando realizada na modalidade tácita, o que ocorre na maioria das vezes. Foi o que ficou denominado de a tese dos 5 mais 5. Porém, com a edição da Lei Complementar 118/05, definiuse que o termo a quo do prazo prescricional para as ações de repetição de indébito em relação aos tributos lançados por homologação seria da data do efetivo pagamento, independentemente da data da homologação. Assim, dispõe o art. 3° da LC 118/05: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11516.000162/200313 Acórdão n.º 2001000.804 S2C0T1 Fl. 4 5 Até esse ponto, não havia discussões, pois tal matéria estava no âmbito de conformação do legislador. Ocorre que, a referida LC 188/05, em seu art. 4°, expressamente consignou que a norma que dispunha acerca do termo inicial para as ações de repetição de indébito nos tributos sujeitos a lançamento por homologação deveria ser considerada como meramente interpretativa. Vejase o teor do art. 4° da LC 118/05: Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. O art. 106, inciso I do CTN afirma que a lei aplicase a ato ou fato pretérito em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados. Desse modo, pretendeuse atingir todas as ações de repetição de indébito tributário, inclusive àquelas ajuizadas antes da LC 118/05, de modo a reduzir o prazo prescricional de 10 para 5 anos, o que implicaria uma redução no pagamento de tributos pagos indevidamente pelos sujeitos passivos. O STJ rechaçou a tentativa legislativa de conferir natureza interpretativa ao art. 4º da LC 188/05 e definiu que se aplicaria o termo inicial do prazo prescricional da data do efetivo pagamento para os pagamentos indevidos realizados após 09/06/2005, permanecendo válido o prazo de 10 anos – termo inicial da prescrição a partir da homologação – para os pagamentos realizados anteriormente àquela data. Em substancial acórdão, o STJ assim posicionouse: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA.TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Fl. 145DF CARF MF 6 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida (...). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932 / SP, Rel. Ministro LUIZ FUX. S1 PRIMEIRA SEÇÃO. DJe 18/12/2009) Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11516.000162/200313 Acórdão n.º 2001000.804 S2C0T1 Fl. 5 7 Porém, o STF definiu outros marcos temporais para a aplicação do art. 3° da LC 118/05, considerandose não a realização do pagamento indevido, como fez o STJ, mas a data do ajuizamento da ação. DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para arepetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Portanto, definiuse que, uma vez reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/05, considerouse legítimo o prazo de 5 anos apenas para as demandas propostas após o período da vacatio legis de 120 dias, isto é, a partir de 09 de Junho de 2005. Ressaltese que enquanto o STJ admite como válida a aplicação do antigo prazo Fl. 147DF CARF MF 8 prescricional de 10 anos para as demandas em que se afirma o pagamento indevido até 09 de Junho de 2005, para o STF o relevante não seria a data do pagamento indevido, mas a propositura da ação de repetição de indébito. Ao traçar pertinentes comentários acerca dos dois julgados acima transcritos, Márcio Cavalcante esclarece que por se tratar de matéria envolvendo a interpretação da lei em face da Constituição Federal, prevaleceu a posição do STF. Assim, o STJ afirma expressamente que está superado seu antigo entendimento para se adequar a posição do STF (CAVALCANTE, 2013, pag. 980) Portanto, o que atualmente prevalece, de forma pacífica, é a posição do STF. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário e reconhecer o direito creditório guerreado pelo contribuinte, devidamente atualizado. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.927776/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste norma legal que prescreva a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Entender de forma diversa implicaria em violação aos art. 5º, II, e 37, caput, da Constituição e art. 97 do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste norma legal que prescreva a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Entender de forma diversa implicaria em violação aos art. 5º, II, e 37, caput, da Constituição e art. 97 do CTN. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste norma legal que prescreva a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Entender de forma diversa implicaria em violação aos art. 5º, II, e 37, caput, da Constituição e art. 97 do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 77 76 /2 01 1- 11 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 11080.927776/201111 Acórdão n.º 3301005.193 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) da Contribuição para o PIS, em virtude de o pagamento informado estar totalmente alocado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado a ocorrência de decadência para a análise do PER, uma vez que fora transmitido havia mais de cinco anos, pleiteando a aplicação do prazo previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/1996, para reconhecimento da ocorrência de homologação tácita. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 10042.206, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando o pleito por falta de previsão legal e por ausência de comprovação do direito creditório. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando praticamente os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 11080.927776/201111 Acórdão n.º 3301005.193 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.190, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 11080.927782/201161, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.190): O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Como relatado, a Recorrente transmitiu Pedido de Ressarcimento, visando à restituição do crédito nele informado em razão de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Cabe esclarecer que a prova do recolhimento indevido não foi objeto de defesa da empresa. A Delegacia de origem emitiu Despacho Decisório que indeferiu o pleito diante da inexistência do crédito, nos termos do art. 165 do CTN. Sustenta a contribuinte que entre a data de transmissão do PER, 11/11/2005, até a ciência do despacho decisório, 21/12/2011, transcorreu prazo superior a cinco anos, o que implica na homologação tácita do ressarcimento, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Dispõe o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ressaltese que a Declaração de Compensação DCOMP e o Pedido de Restituição PER são declarações diferentes com efeitos também diversos. Assim, não cabe aplicar ao Pedido de Restituição a homologação tácita prevista para a Declaração de Compensação. Como bem apontado pela DRJ, a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório (Declaração de Compensação), enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento (Pedido de Restituição), sendo a compensação operada e satisfeita de imediato, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, ao passo que o valor da restituição pleiteada não é entregue imediatamente ao contribuinte, havendo a necessidade de uma decisão explícita e nunca tácita da Administração Tributária. Não há como se acolher a pretensão da Recorrente, porquanto a previsão legal de homologação tácita referese tão somente ao pedido de compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Observese que neste processo não houve qualquer Fl. 78DF CARF MF Processo nº 11080.927776/201111 Acórdão n.º 3301005.193 S3C3T1 Fl. 5 4 vinculação entre crédito e débito, apenas houve o pleito de ressarcimento. Entender de forma diversa implicaria em violação aos art. 5º, II, e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.002128/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO N. 70.235/72.
RECURSO VOLUNTÁRIO – PEREMPÇÃO – NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece, por perempto, o recurso do contribuinte apresentado após o decurso de prazo de 30 dias da ciência da decisão da autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, contado na forma estabelecida pelo artigo 5º do referido diploma legal.
Numero da decisão: 1202-000.697
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por perempto, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Geraldo Valentim Neto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO N. 70.235/72. RECURSO VOLUNTÁRIO – PEREMPÇÃO – NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece, por perempto, o recurso do contribuinte apresentado após o decurso de prazo de 30 dias da ciência da decisão da autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, contado na forma estabelecida pelo artigo 5º do referido diploma legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por perempto, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, Nelson Lósso Filho (Presidente), Viviane Vidal Wagner, Nereida De Miranda Finamore Horta, Carlos Alberto Donassolo e Orlando José Gonçalves Bueno. . Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/02/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10540.002128/200739 Acórdão n.º 1202000.697 S1C2T2 Fl. 1.596 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (“DRJ/SDR”), que julgou improcedente a Impugnação da Contribuinte, ora Recorrente. Em 13/12/2007, a Recorrente foi intimada do Ato Declaratório Executivo nº 42 de 23/11/2007, segundo o qual, em decorrência de situações excludentes, devidamente indicadas no documento, a excluía do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições de Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Em 14/01/2008, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade tão somente com a alegação de que houve cerceamento a seu direito de defesa, tendose em vista que teve ciência apenas do Ato Declaratório Executivo, não tendo sido apresentados os fatos e motivos que levaram à sua exclusão do SIMPLES. Quanto ao teor do Ato Declaratório, consta neste que a Requerente foi excluída do SIMPLES com efeitos retroativos a 24/05/2006 em razão de (i) o titular ou sócio participar com mais de 10% do capital de outra empresa; (ii) auferir receita bruta superior a R$ 1.200.000,00; e (iii) estar constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou titular, no caso de empresa individual. Por tais razões, requereu a Recorrente anulação do Ato Declaratório nº 42/2007, tendose em vista sua alegação preliminar de cerceamento de defesa, mantendoa no regime de tributação do SIMPLES. Em 21/05/2009, A 1ª Turma da DJR/SDR julgou improcedente a solicitação da Recorrente, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. Ficando comprovado que o sócio de fato controlador da pessoa jurídica e do grupo de "microempresas" já tinha conhecimento de todos os elementos que deram causa ao ato declaratório de exclusão do contribuinte da sistemática de tributação pelo "Simples", descabe o alegado cerceamento ao direito de defesa, ainda que não lhe tenha sido enviado todo o relatório fiscal. Solicitação Indeferida” O julgador de 1ª instância da RFB/SDR considerou incontroverso o fato de que o contribuinte recebeu somente o “ADE nº 42 de 23/11/2007” e nada mais, conforme consta do “AR” de fls. 1564, não obstante considerou que o contribuinte tinha ciência dos fatos contra ele alegados tendose em vista que a pessoa jurídica CRIATIVA SUL CALÇADOS LTDA. faz parte do “Grupo Silva Calçados”, o qual é constituído por outras catorze empresas, todas beneficiárias do regime de tributação favorecida em questão. Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/02/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10540.002128/200739 Acórdão n.º 1202000.697 S1C2T2 Fl. 1.597 3 Observou acertadamente o Delegado da RFB/SDR que para as demais empresas (com exceção a Calçados Jequié Ltda., Moda Arte Confecções Ltda., LG Calçados Ltda., e Atos Shoes Ltda.) foi devidamente expedido pelo Fisco tanto o Ato Declaratório Executivo, como o Relatório de Fiscalização, onde estão motivadas, pormenorizadamente, as razões da exclusão. Desta forma, o Conselho concluiu sua fundamentação de decisão em negar provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte em questão, ora Recorrente, destacando que o sócio controlador do Grupo Silva Calçados, Daniel Soares Neto, tinha o devido conhecimento das razões porque o fisco houvera excluído todas as quinze empresas do sistema Simples de tributação, tendose em vista que o Relatório de Fiscalização fora enviado para 9 (nove) das 15 (empresas) do grupo e continham as mesmas caracterizações de infração. Ademais, ressaltou o Conselho que a causa está defendida pelo mesmo patrono, o escritório de advocacia FREIRE, FRAGA & TRIGO. Por tais razões, a RFB/SDR considerou não haver cerceamento de defesa. Em 28/7/2009, inconformada, a Recorrente apresentou seu recurso voluntário. Alega ser acusação falsa do órgão fiscalizador o fato de a Recorrente ser parte de um grupo de empresas e que seu direito de defesa foi impossível devido à não apresentação do Relatório de Fiscalização quando de sua intimação. Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Tratase de recurso voluntário interposto por Criativa Sul Calçados Ltda. contra a decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que indeferiu a solicitação da interessada, mantendo o despacho que a excluiu do Simples. A norma reguladora do prazo para a interposição de recurso voluntário contra decisão de primeira instância está expressa no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972, que estabelece o seguinte: “Art. 33: Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/02/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10540.002128/200739 Acórdão n.º 1202000.697 S1C2T2 Fl. 1.598 4 A legislação acima transcrita que dispõe sobre o processo administrativo fiscal é clara e objetiva ao estabelecer prazo limite para que o contribuinte possa exercer o seu direito de defesa em segunda instância no contencioso administrativo. Os prazos para interposição de impugnações e recursos estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 são fatais, de forma que as petições da espécie apresentadas após os prazos estabelecidos em lei não devem ser conhecidas pelas instâncias administrativas julgadoras. No caso em exame verificase que pelo aviso de recebimento (fl. 1585) a Recorrente foi regularmente notificada em seu domicílio fiscal em 25 de junho de 2009 (quintafeira). No entanto, o recurso voluntário foi interposto em 28 de julho de 2009 (terça feira), ou seja, 1 dia após o término do prazo legal, contado nos termos do artigo 5º do referido Decreto. Destarte, os elementos constantes do presente processo demonstram, de forma inequívoca, que a Recorrente não observou o prazo de 30 dias estabelecido na norma legal para interposição de recurso voluntário, o qual venceu em 27 de julho de 2009 (segunda feira). Em vista dos fatos, não pairam dúvidas sobre a ocorrência da perempção, nos termos do posicionamento deste E. Conselho, a exemplo da ementa abaixo transcrita: “SIMPLES. EXCLUSÃO. PEREMPÇÃO. O recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão de primeira instância, não deve ser conhecido por perempção. Precedentes: Acórdão 30132.786, 3027.575, 30127.583, 30127.584, 30233.878 e 303 27.884, dentre outros. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.” (Terceiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 30131149). Diante do acima exposto, voto no sentido de não conhecer o Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 24/02/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.721195/2013-54
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 1993.2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Pedido de restituição de contribuições previdenciárias incidentes sobre mão-de-obra na construção civil com o argumento da ocorrência de decadência. Recolhimentos efetuados com o objetivo de obtenção de CND e regularização de obra. Direito Creditório não Reconhecido.
Numero da decisão: 2001-000.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 1993.2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Pedido de restituição de contribuições previdenciárias incidentes sobre mão-de-obra na construção civil com o argumento da ocorrência de decadência. Recolhimentos efetuados com o objetivo de obtenção de CND e regularização de obra. Direito Creditório não Reconhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1292; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 54 1 53 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.721195/201354 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.823 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente HUMBERTO SAD CAETANO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 1993.2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Pedido de restituição de contribuições previdenciárias incidentes sobre mão deobra na construção civil com o argumento da ocorrência de decadência. Recolhimentos efetuados com o objetivo de obtenção de CND e regularização de obra. Direito Creditório não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 11 95 /2 01 3- 54 Fl. 58DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de inconformidade por negativa de reconhecimento de direito creditório para devolução de Contribuição Social Previdenciária referente ao período de 01.01.1993 a 31.12.2000. A fundamentação para o não reconhecimento creditório é a afirmação de ausência de pagamento indevido de vez que os recolhimentos das contribuições previdenciárias ocorreram em razão da incidência legal e o pedido se deu fora dos procedimentos regulamentares. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na expedição da decisão de negativa do direto creditório pleiteado, como segue: O Requerente pleiteia a restituição de contribuições previdenciárias no montante de R$ 8.719,15 (valor originário, recolhido em 20/11/2012). Segundo se depreende dos elementos disponíveis dos autos: 1. Em 20/11/2012 – o Requerente realizou o recolhimento de contribuições previdenciárias para regularização de obra de construção civil, após ter ingressado, ao que consta, em 24/10/2012, com pedido para obtenção de CND da respectiva obra. 2. 08/01/2013 – o Requerente ingressou com seu pedido de restituição, através de petição, para reaver valores pagos a título de contribuições previdenciárias sobre obra de construção civil, para regularizála. 3. Em 07/07/2014 – proferido o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição. 4. 11/07/2014 – o Requerente é intimado do Despacho Decisório. 5. 16/07/2014 – o Requerente apresenta Manifestação de Inconformidade. Despacho Decisório Em razão do aludido requerimento foi proferido o Despacho Decisório nº 1.239DRF/BHE, de 07/07/2014 (fls. 10/13), que: 1. Relata que o pedido não cumpriu as pertinentes exigências legais (§§ 1º e 2º do artigo 3º, artigo 111 e §§ 2º ao 5º do artigo 113 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012), que exigem a sua formulação através do programa PER/DCOMP – Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação. 2. Conclui pelo indeferimento do pedido formulado. (...) O recolhimento de contribuições previdenciárias, cuja restituição dos respectivos valores constitui objeto deste processo, deuse, segundo se depreende da Manifestação de Inconformidade, em razão do indeferimento, pelo órgão local da RFB, de pedido de CND sob o alegado fundamento de ocorrência da decadência dos respectivos valores incidentes sobre a remuneração da mãodeobra empregada na realização de obra de construção civil. Em que pese ter o Requerente procurado demonstrar a ocorrência da decadência, e, por não ter logrado êxito, optou pelo recolhimento das respectivas contribuições, em razão do que, tendo recebido a CND, Fl. 59DF CARF MF Processo nº 15504.721195/201354 Acórdão n.º 2001000.823 S2C0T1 Fl. 55 3 obteve a averbação da correspondente obra na respectiva matrícula do imóvel no competente Cartório de Registro. Ora, nestas circunstâncias duas são as questões suscitadas pela Manifestação de Inconformidade: 1. Obtenção de CND para a regularização da obra de construção civil. Tratase, pois, de processo administrativo fiscal cujo objeto é a regularização de obra de construção civil. 2. Restituição de contribuições previdenciárias pagas, segundo alegação do Contribuinte, de forma indevida (justamente em razão da decadência). Tratase, pois, de processo administrativo fiscal, cujo objeto é a restituição de contribuições que teriam sido indevidamente pagas. A obtenção de CND constitui questão específica (com objeto próprio), tratada pelo Requerente em processo também específico, no qual, justamente por não ter sido reconhecida a ocorrência da decadência, foram cobradas as contribuições previdenciárias devidas, contribuições estas que foram espontaneamente pagas, resultando, inclusive, na consequente emissão de CND sob tal fundamento (o do recolhimento das contribuições devidas). O Requerente inclusive se valeu da correspondente CND obtida e promoveu a regularização da obra de construção civil. Aliás, o Cartório de Registro de Imóvel, ao fazêlo (ao averbar a obra de construção civil na respectiva matrícula), assim procedeu adotando a premissa de que o Requerente havia regularizado a sua situação tributária, quanto ao recolhimento das contribuições devidas sobre a remuneração da mãodeobra empregada na construção. Por isso, em face desta premissa (a de regularização tributária, mediante recolhimento das contribuições devidas), a restituição das contribuições recolhidas implicaria em cancelar, tornar sem efeito o procedimento do Cartório, procedimento este, que, neste caso, seria incompatível com a pressuposição da regularidade do ato (o registro) conferida exatamente pelo recolhimento dos valores apurados. Ou seja, caso fosse deferida a restituição, o ato de registro praticado pelo respectivo Cartório perderia seu fundamento, deixando de pressupor o recolhimento das contribuições, para se fundar no reconhecimento da decadência, fundamento este absolutamente não considerado no ato de registro. Ora, o respectivo processo administrativo – no qual se discutiu a ocorrência (ou não) da decadência – teve seu trâmite próprio, concluindose com o recolhimento espontâneo das contribuições apuradas. Por outro lado, o presente processo (de restituição de contribuições previdenciárias que teriam sido recolhidas indevidamente), além de ter também objeto próprio, exige o cumprimento de formalidades legais específicas, não cumpridas pelo Requerente, fato este Fl. 60DF CARF MF 4 (descumprimento de formalidades legais) suficiente para dar causa ao seu indeferimento. São, pois, processos distintos. Naquele se discutindo a decadência; neste a restituição. Aquele já concluído e com efeitos legais já consumados (registro imobiliário de obra de construção civil). Este, sem que o Requerente tenha sequer cumprido as formalidades legais, quanto ao procedimento a ser observado no pedido. Pelas razões expostas e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto pela improcedência da manifestação de Inconformidade, com o indeferimento do Pedido de Restituição, sem reconhecimento do direito creditório. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da manifestação de inconformidade e decide pela manutenção da negativa do direito creditório pleiteado. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: O Processo nº 15.504.721195/201354, em epígrafe, originouse da recusa da DRF/BH em fornecer “Certidão Negativa de Débito – CND sobre obra de construção civil – DISO” com objetivo de comprovar o período decadencial de uma casa, construída, aproximadamente, há trinta anos, pelo proprietário anterior; A regularização promovida junto à Prefeitura de Belo Horizonte em 2010 foi concluída em 2012 com a expedição de dois únicos documentos: “Certidão de Baixa de Construção” nº 02137/2012 e a “Planta Arquitetônica Baixa” devidamente aprovada e autenticada. (Anexo II). Em respeito á orientação da DRF/BH (Plantão Fiscal) foram anexados à “DISO”, em 24.10.2012, todos os documentos pedidos conforme relação denominada “Documentos para CND Decadência”, total de treze, faltando, apenas, um documento, “Certidão de Baixa de Habitese”, pelo motivo abaixo explicado: (...) É pedida a atenção dos senhores Conselheiro: “de um dos documentos listados...”. O contrário, os demais doze documentos, logicamente foram aceitos como prova da existência da decadência e, portanto, a DRF/BH não poderia deixar de emitir a CND. O único documento não anexado foi a “Certidão de Baixa de Habite se” e, em atenção ao Ofício da DRG/BH, foi esclarecido que a Prefeitura/BH não emitiu tal documento porque se tratava de regularização de imóvel já construído e não imóvel novo, para o qual, finalizada a construção a certidão é o meio que diz da baixa e autoriza o habitese. Regularização do imóvel somente ocorre porque foi construído irregularmente e, portanto, não poderia existir “Certidão de Baixa e Habitese”. Destarte, ao concluir o processo de regularização a Fl. 61DF CARF MF Processo nº 15504.721195/201354 Acórdão n.º 2001000.823 S2C0T1 Fl. 56 5 Prefeitura de BH somente expediu a de “Baixa de Construção”. (Esta certidão de nº 02137/2012 foi confundida como sendo “Certidão de Baixa de Habitese” no item 1 do oficio da DRF/BH). (Anexo II). A IN 971/2009 citada no Ofício da DRF/BH, quando relaciona os documentos exigidos no § 3º o faz para o geral e não para os casos específicos em que não havendo fatos que lhes deem origem sejam eles exigidos. Consequentemente a comprovação plena da decadência estava realizada com os demais documentos (12 no total). Ainda, resposta ao Ofício, foram adicionados outros documentos com base no § 1º do art. 390 da IN SRF 971/2009: planta arquitetônica comprada com fotografias do imóvel, fotografias da rua, na época da compra do imóvel, com a avenida atual, contratos de aluguel etc. Documentação mais do que suficiente para convencimento de que o imóvel estava apto a receber a Certidão Negativa de Débito. Toda essa gama de documentos, protocolizada na DRF/BH, encontrase no processo. (Anexo V). Houve bom seno do julgador que analisou os documentos a única atitude correta seria expedir a Certidão Negativa do Débito – CND e não causar prejuízo ao recorrente e aos cofres públicos. Em 20.11.2012 ao comparecer à DRF/BH para receber a CND, porque foi juntada farta documentação comprobatória da decadência, ao contrário, foi entregue ao recorrente guia com a cobrança de R$ 8.719,15 (oito mil, setecentos e dezenove reais e quinze centavos) a título de “Guia da Previdência Social – Cod. 2208”. Este lançamento, feito sem fato gerador porque a decadência estava comprovada, foi constituído ilegalmente. Lançamento de tributo somente pode ocorrer quando existem: base legal e o fato gerador (contribuições previdenciárias têm natureza tributária e, portanto, submetemse ao CTN. Assim, notificação de valor a recolher, que não guarda consonância com a Lei, conforme explicado no item 13, tributo não pode ser. É cobrança indevida. Não há, portanto, impugnação. Ao receber, tal guia, o recorrente foi compelido a pagála para registrar o imóvel no Cartório. Se, ao contrário, fosse tributo e impugnado a morosidade da resposta impediria o registro até hoje. Assim, fezse a opção de liquidar o valor de R$ 8.719,15 para requerer a devolução posteriormente. (Anexo VI). Face ao exposto, senhores conselheiros, recorro a esse Conselho para desconsiderar o Acórdão 1466901 12 Turma da DRJ/POR, porque não tratou do mérito do processo – pedido de restituição – e não observou o pedido feito através do programa PER/DCOMP de 27.08.2014 realizado com orientação da DRF/BH (Anexo I), determinado a DRF/BH que se procedam as seguinte providências: Preliminarmente reconhecer a decadência; Proceder a restituição do valor de R$ 8.719,15 indevidamente cobrado corrigido de acordo coma Lei. Fl. 62DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Vencidas as questões de formalidades no pedido de restituição PER/DCOMP, em observância a possibilidade de formalização por meio de formulário Pedido de Restituição ou Ressarcimento, constante do Anexo I da Instrução Normativa, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos à Contribuição Previdenciária, constante do Anexo II da Instrução Normativa, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos probatórios do pretendido direito de crédito, conforme disposto no § 2º, do art. 3º, da INRFB nº 1.300/2012, devendo a lide ser tratada diretamente na questão de mérito. O pedido de restituição foi feito sob a alegação de decadência das contribuições embora tenha o Recorrente recolhido espontaneamente. Pelo que se constata há processos distintos que tratam separadamente de alegação e pedido de reconhecimento de decadência das contribuições sobre mãodeobra empregada em obra de construção civil e este que trata de manifestação de inconformidade por negativa de reconhecimento de direito creditório e pedido de restituição de contribuições previdenciárias recolhidas pelo Contribuinte. As contribuições identificadas nestes autos, segundo alegação do Recorrente teriam sido feitas indevidamente porque já em período decadencial. Ocorre que o Contribuinte mesmo sabedor da negativa de sua solicitação de reconhecimento da decadência do período que indica, ainda assim as recolheu com o fito de obter CND de forma ágil e realizar a regularização documental da obra de construção civil. A obtenção da CND tratase de questão específica providenciada pelo Recorrente em procedimento próprio, tendo ocorrida em razão do pagamento das contribuições previdenciárias por não ter sido reconhecido pela Receita Federal a decadência alegada pelo Contribuinte. A CND expedida teve sua utilização aplicada junto ao Cartório de Registro de Imóveis, tendo sido executada a averbação e respectivo registro na matrícula do imóvel, diante dos requisitos que a constituíram mediante pagamento das correspondentes contribuições assim como apontadas pelo Fisco a pedido do Contribuinte. O processo administrativo que tratou da decadência teve seu trâmite naquele momento próprio e anterior a este, tendo sido concluído com o não reconhecimento da decadência requerida e o recolhimento espontâneo das contribuições previdenciárias apuradas. Este processo trata de pedido de restituição de contribuições previdenciárias sob alegação de decadência aqui não comprovada o que se conclui não haver contribuições indevidamente recolhidas que resguarde eventual decisão de considerar a existência de direito creditório que permita restituição de valores. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 15504.721195/201354 Acórdão n.º 2001000.823 S2C0T1 Fl. 57 7 Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao pleito de direito creditório conforme solicitado. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 64DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002178/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 78 /2 00 9- 60 Fl. 374DF CARF MF Processo nº 19515.002178/200960 Acórdão n.º 1402003.552 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 19515.002178/200960 Acórdão n.º 1402003.552 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 376DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.914691/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE.
Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastando-se entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação.
Numero da decisão: 1402-003.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15374.910035/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastando-se entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação.
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COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastandose entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15374.910035/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 46 91 /2 00 9- 04 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 15374.914691/200904 Acórdão n.º 1402003.439 S1C4T2 Fl. 3 2 Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que estimativas recolhidas a maior/indevidamente só podem ser objeto de compensação ao final ou após o período de apuração do IRPJ e da CSLL. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que a Lei nº 9430/96 garante a compensação de quaisquer indébitos, fruto de recolhimento indevido ou maior, não se sustentando legalmente a impossibilidade invocada pela Autoridade Fiscal. Traz excertos jurisprudenciais e doutrinários. Também pugna pela inconstitucionalidade da Instrução Normativa nº 600/05 e invoca do princípio da busca pela verdade material. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, deixando de conhecer a matéria constitucional invocada e, na parte conhecida, negando provimento à defesa, por entender haver vedação expressa no art. 10 da IN nº 600/05 que impediria essa pretensão compensatória da Contribuinte. Ressaltase lá a vinculação daqueles N. Julgadores aos entendimentos da Receita Federal do Brasil. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, abandonando as alegações de inconstitucionalidade, mas reiterando e frisando a legalidade da compensação das estimavas, no mesmo período em que apurado o indébito, trazendo novos julgados deste E. CARF que corroboram sua pretensão e infirmam o posicionamento do v. Acórdão combatido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.428, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.910035/2009 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.428): Fl. 109DF CARF MF Processo nº 15374.914691/200904 Acórdão n.º 1402003.439 S1C4T2 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ausentes alegações preliminares, passase ao mérito da demanda. O tema exclusivo agora sob análise é a possibilidade legal da Contribuinte utilizar em compensação, via DCOMP, crédito oriundo de estimativas recolhidas indevidamente, ainda no mesmo período de apuração. Como fica muito claro nos autos, o único fundamento para a denegação da compensação foi a suposta vedação da manobra intentada, como se verifica tanto no r. Despacho Decisório como, posteriormente, no v. Acórdão, ora recorrido, que expressamente invocam o art. 10 da IN SRF nº 600/05, vigente à época da transmissão da DCOMP. Registrese que não houve qualquer análise da materialidade do crédito ou da sua quantificação, ainda que a Recorrente tenha carreado documentação aos autos, sendo a motivação da não homologação da compensação exclusivamente jurídica. Pois bem, tal matéria sob apreço é tema há muito debatido neste E. CARF (e no predecessor E. Conselho de Contribuintes), sendo, desde 10 de dezembro de 2012, objeto da Súmula CARF nº 84, a qual, recentemente, em sessão de 03 de setembro de 2018, pela composição do Pleno da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi mantida e teve sua redação revisada: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como se observa da leitura de tal entendimento sumular, da mesma forma como defende a Recorrente, é autorizada a compensação de estimativas recolhidas a maior (indébito) a partir do seu pagamento. Logo, o óbice imposto à Contribuinte não deve prevalecer, em obediência a tal enunciado. Inclusive, não há qualquer limitação temporal da aplicabilidade da Súmula nº 84, mostrandose, no entender deste Conselheiro, irrelevante qual normativo interno da Receita Federal do Brasil regulava a matéria à época do pleito de compensação. Contudo, apenas para robustecer o presente julgamento, esclarecese que existem inúmeros precedentes desta C. 1ª Seção que, especificamente, abordam e afastam a vedação Fl. 110DF CARF MF Processo nº 15374.914691/200904 Acórdão n.º 1402003.439 S1C4T2 Fl. 5 4 contida no art. 10 da IN nº 600/05, para promover a devida e mandatória aplicação da referida Súmula. Nesse sentido, ilustrando aquilo acima consignado, confirase o recente Acórdão nº 1301003.233, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta C. 1ª Seção, de relatoria do I. Conselheiro Nelso Kichel, publicado em 30/08/2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (destacamos) Desse modo, merece reforma o v. Acórdão (assim como r. Despacho Decisório, digase), vez que lícita e viável a postura procedimental da Contribuinte. Porém, como já esclarecido, em momento algum houve investigação sobre a existência e quantificação do crédito empregado, fruto do alegado recolhimento a maior/indevido de estimativa (por consequência lógica do afastamento sumário da regularidade da postura da Recorrente, não havendo, então, em se falar de lapso nos julgamentos pretéritos). De forma reversa, agora, uma vez aceita a circunstância jurídica da compensação, mister proceder à devida análise de materialidade do valor utilizado. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 15374.914691/200904 Acórdão n.º 1402003.439 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, tal análise não deve ser direta e imediatamente feita por esta C. 2ª Instância, sobre pena de supressão do iter regular processual, bem como do próprio direito de defesa da Contribuinte, devendo os autos serem remetidos à Unidade Local competente para a análise da documentação acostada ao feito e de sistemas de informação internos, proferindose novo Despacho Decisório, com o prosseguimento do regular do processo (garantida, inclusive, a apresentação de nova Manifestação de Inconformidade, Recurso Voluntário e todos outros apelos contemplados pela legislação). Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, invocada tanto no r. Despacho Decisório, como no v. Acórdão recorrido. Devem ser os autos encaminhados à D. Unidade Local competente para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos e sistemas de informações internos da RFB. Deverá também ser retomado o curso natural e ordinário do processo administrativo após tal nova decisão." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19726.000432/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.712
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e/ou para que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) informe(m) o status atual da Execução Fiscal nº 2006.51.01.530412-7 e da Ação Declaratória nº 2005.51.01.021812-5, trazendo aos autos cópia da petição inicial e de todas decisões proferidas nas referidas demandas judiciais.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e/ou para que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) informe(m) o status atual da Execução Fiscal nº 2006.51.01.530412-7 e da Ação Declaratória nº 2005.51.01.021812-5, trazendo aos autos cópia da petição inicial e de todas decisões proferidas nas referidas demandas judiciais. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
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CONSTRUÇÃO CIVIL. Recorrente INEPAR S/A INDÚSTRIA E CONSTRUÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e/ou para que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) informe(m) o status atual da Execução Fiscal nº 2006.51.01.5304127 e da Ação Declaratória nº 2005.51.01.0218125, trazendo aos autos cópia da petição inicial e de todas decisões proferidas nas referidas demandas judiciais. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 26 .0 00 43 2/ 20 09 -1 8 Fl. 272DF CARF MF Processo nº 19726.000432/200918 Resolução nº 2402000.712 S2C4T2 Fl. 273 2 RELATÓRIO Tratase o presente caso de Notificação Fiscal referente às contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, além das contribuições dos segurados. A apuração das contribuições foi realizada com fulcro no instituto da responsabilidade solidária, em virtude da execução de obra de construção civil, pela empresa ENGEFAP EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA, CNPJ 00.771.551/000159, conforme relatório fiscal, de fls. 21/24. A contratante não comprovou o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal e/ou fatura correspondente aos serviços executados, motivo pelo qual houve lançamento das contribuições, conforme informa o referido relatório fiscal. Cientificadas, a contribuinte e a responsável solidária apresentaram as respectivas impugnações. A Delegacia da Receita Previdenciária julgou procedente em parte a exigência fiscal, nos termos da Decisão Notificação nº 17.401.4/0501/2005, retificando o lançamento nos termos da informação fiscal de fls. 79/80. Cientificadas, apenas a contribuinte apresentou recurso ao antigo Conselho de Recursos da Previdência Social (fs. 103 / 138), reiterando os termos da impugnação apresentada. O recurso voluntário foi considerado deserto (fls. 215). O contribuinte ajuizou Mandado de Segurança requerendo a autorização para interposição do susodito recurso administrativo, cuja segurança restou denegada pelo MM Juízo da 6ª Vara Cível da Justiça Federal do Rio de Janeiro (fls. 227 / 231). Assim foi que o débito objeto do presente processo foi inscrito em dívida ativa da União, tendo sido ajuizada a respectiva Execução Fiscal nº 2006.51.01.5304127, conforme despacho de fls. 238/239. É o relatório. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 19726.000432/200918 Resolução nº 2402000.712 S2C4T2 Fl. 274 3 VOTO Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Conforme descrito no relatório supra, o recurso voluntário do contribuinte foi considerado deserto, pelo que o débito objeto do presente PAF foi inscrito em dívida ativa da União, com o ajuizamento da respectiva execução fiscal nº 2006.51.01.5304127. Ocorre que, conforme consta no despacho de fls. 238 / 239, o contribuinte protocolizou petição nos autos do mencionado executivo fiscal – que engloba outros créditos a interessada protocolizou petição na qual alega a decadência de parte dos créditos, com relação aos fatos geradores ocorridos entre 01/1994 e 01/1999, nos termos do disposto no art. 173, 1, do CTN. Referida petição encontrase às fls. 241 / 249. Outrossim, às fls. 250 encontrase outra petição protocolizada pelo contribuinte naquele processo executivo, juntando, naquela ação, certidão informativa na qual estão elencadas as NFLD'S discutidas na Ação Declaratória nº 2005.51.01.0218125, dente elas, aquela objeto do presente PAF: Fl. 274DF CARF MF Processo nº 19726.000432/200918 Resolução nº 2402000.712 S2C4T2 Fl. 275 4 Verificase, pois, que além de elencar as NFLDs objeto da Ação Declaratória nº 2005.51.01.0218125, referida certidão é expressa ao informar que foi proferida sentença julgando procedente o pedido em parte, declarando a incidência do prazo decadencial nos créditos tributários descritos na exordial, com exceção, apenas, daqueles objeto das NFLDs 35.682.8166 e 35.683.136 1. Como se vê, nos termos da certidão de fls. 252, temse que foi reconhecida nos autos da Ação Declaratória nº 2005.51.01.0218125 a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário objeto do presente PAF, sendo certo que tal alegação também foi arguida pelo contribuinte nos autos da Execução Fiscal nº 2006.51.01.5304127. Neste contexto, tendo os presentes autos retornado a este Colegiado, já que o contribuinte, nos termos do despacho de fls. 268, em face do Ordenamento Jurídico vigente, obteve o direito de ver ser recebido e julgado pelo órgão julgador de segunda instância seu RECURSO ADMINISTRATIVO SEM DEPOSITO, apresentado tempestivamente em 02/09/2005. Registrese, pela sua importância, que o referido despacho de fls. 268 é o último documento do presente processo até o momento e data de outubro/2009. Assim, em face do quanto pontuado linhas acima e tendo em vista que o débito objeto do presente processo se refere a uma única competência, é possível que o mesmo já esteja definitivamente extinto – ou não – em face do curso das ações judiciais já mencionadas. Neste contexto, o envio dos autos para a Unidade de Origem e/ou para a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional é medida que se impõe para que esta(s) preste(m) informações atualizadas acerca das ações judiciais destacadas. Conclusão Neste espeque, em homenagem aos princípios da verdade material e da economia processual, voto pela conversão do presente em julgamento para a Unidade de Origem e ou para a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para que esta(s) informe(m) o status atual da Execução Fiscal nº 2006.51.01.5304127 e da Ação Declaratória nº 2005.51.01.0218125, trazendo aos autos cópia de todas decisões proferidas nas referidas demandas judiciais. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior. Fl. 275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16539.720008/2017-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2013
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. PERIDICIODIDADE DOS PAGAMENTOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA.
Conforme disposição do § 2º, do artigo 2º, da Lei 10.101/00, é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76.
Tratando-se de valores pagos aos diretores não empregados, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da Lei nº 10.101/2000, posto que nos termos do art. 2º da referida Lei, essa só é aplicável aos empregados.
A verba paga aos diretores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados para efeitos de exclusão do conceito de salário de contribuição, posto que não remunerou o capital investido na sociedade, mas, sim, o trabalho executado pelos diretores, compondo dessa forma, o conceito previsto no art. 28, II da Lei nº 8.212/91.
PREVIDENCIÁRIO. GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE. CARÁTER HABITUAL, NÃO EVENTUAL E PRESTATIVO AO TRABALHO. INCIDÊNCIA. NÃO APLICABILIDADE DE ATO DECLARATÓRIO Nº 16/2011.
Incidem contribuições previdenciárias sobre a gratificação contingente, concedida de forma habitual, prevista em acordo coletivo de trabalho, como contraprestação pelo trabalho. Situação na qual não se pode aplicar o disposto no Ato Declaratório nº 16/2011, pelo fato de materialmente a gratificação não assumir a essência de um pagamento por liberalidade de caráter eventual, mas, ao contrário, visar substituir parcela nitidamente remuneratória dos serviços prestados.
BÔNUS DE DESEMPENHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA.
Diante da natureza remuneratória destes, como forma de incentivo ao desempenho funcional, sendo concedidos, pelo e não, para, o trabalho, há, portanto, a incidência de contribuição previdenciária sobre tal rubrica.
REMUNERAÇÃO DE DIRETORES. PROFISSIONAIS CEDIDOS POR TERCEIRO. RESPONSABILIDADE DO SUJEITO QUE REMUNERA OS PROFISSIONAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA.
Configura contribuinte o sujeito de direito que, recebendo profissionais cedidos por outrem, os remunera quanto aos serviços a ele prestado, configurando-se a sua relação pessoal e direta com o fato gerador da contribuição previdenciária. A partir desta relação, imputa-se ao sujeito passivo as correspondentes obrigações tributárias, principal e acessória.
Numero da decisão: 2202-004.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que se refere à gratificação contingente e à participação nos lucros dos diretores, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), que deram provimento nesses pontos; acordam ainda, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto às demais matérias. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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LEI Nº 10.101/00. PERIDICIODIDADE DOS PAGAMENTOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. Conforme disposição do § 2º, do artigo 2º, da Lei 10.101/00, é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76. Tratandose de valores pagos aos diretores não empregados, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da Lei nº 10.101/2000, posto que nos termos do art. 2º da referida Lei, essa só é aplicável aos empregados. A verba paga aos diretores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados para efeitos de exclusão do conceito de salário de contribuição, posto que não remunerou o capital investido na sociedade, mas, sim, o trabalho executado pelos diretores, compondo dessa forma, o conceito previsto no art. 28, II da Lei nº 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO. GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE. CARÁTER HABITUAL, NÃO EVENTUAL E PRESTATIVO AO TRABALHO. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 53 9. 72 00 08 /2 01 7- 12 Fl. 2136DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.137 2 INCIDÊNCIA. NÃO APLICABILIDADE DE ATO DECLARATÓRIO Nº 16/2011. Incidem contribuições previdenciárias sobre a gratificação contingente, concedida de forma habitual, prevista em acordo coletivo de trabalho, como contraprestação pelo trabalho. Situação na qual não se pode aplicar o disposto no Ato Declaratório nº 16/2011, pelo fato de materialmente a gratificação não assumir a essência de um pagamento por liberalidade de caráter eventual, mas, ao contrário, visar substituir parcela nitidamente remuneratória dos serviços prestados. BÔNUS DE DESEMPENHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. Diante da natureza remuneratória destes, como forma de incentivo ao desempenho funcional, sendo concedidos, “pelo” e não, “para”, o trabalho, há, portanto, a incidência de contribuição previdenciária sobre tal rubrica. REMUNERAÇÃO DE DIRETORES. PROFISSIONAIS CEDIDOS POR TERCEIRO. RESPONSABILIDADE DO SUJEITO QUE REMUNERA OS PROFISSIONAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. Configura contribuinte o sujeito de direito que, recebendo profissionais cedidos por outrem, os remunera quanto aos serviços a ele prestado, configurandose a sua relação pessoal e direta com o fato gerador da contribuição previdenciária. A partir desta relação, imputase ao sujeito passivo as correspondentes obrigações tributárias, principal e acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que se refere à gratificação contingente e à participação nos lucros dos diretores, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), que deram provimento nesses pontos; acordam ainda, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto às demais matérias. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Fl. 2137DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.138 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 16539.720008/201712, em face do acórdão nº 1474.928, julgado pela 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão do dia 14 de novembro de 2017, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Tratase de lançamento de crédito tributário previdenciário, relativo à contribuição devida pela empresa à Seguridade Social e ao adicional de financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa e riscos ambientais do trabalho – RAT/GILRAT (Auto de Infração de fls. 02/74) e contribuições devidas aos Terceiros FNDE Salário educação, INCRA e FDEPM1 (Auto de Infração de fls. 75/174), no período compreendido pelas competências 07/2012 a 12/2013. O procedimento fiscal teve como objeto a verificação do cumprimento da legislação previdenciária, por todos os estabelecimentos da empresa, com relação: a) a valores pagos, devidos ou creditados a segurados empregados da empresa a título de Gratificação Contingente. De acordo com os parâmetros das folhas de pagamento, a empresa não reconheceu tais valores como base de cálculo de contribuição previdenciária e, portanto, os mesmos não foram informados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social GFIP, assim como não foram recolhidas as contribuições previdenciárias correspondentes; b) a valores pagos, devidos ou creditados a empregados e aos diretores da empresa a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR. De acordo com os parâmetros das folhas de pagamento, a empresa não reconheceu tais valores como base de cálculo de Intimouse o contribuinte, através do Termo de Início de Procedimento contribuição previdenciária e, portanto, os mesmos não foram informados em GFIP, assim como não foram recolhidas as contribuições previdenciárias correspondentes; c) ao pagamento de parcelas remuneratórias a dirigentes da empresa. Intimouse o contribuinte, através do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF) e de Termos de Intimação Fiscal (TIF) a apresentar, dentre outros, os seguintes documentos: folhas de pagamentos de todos os segurados em meio digital, de acordo com o formato previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais e Autenticação de Arquivos Digitais SVA, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n° 12, de 20/06/2006 (MANAD) (DOU de 04/07/2006); folhas de pagamento de todos os segurados em formato “.pdf”; Acordos Fl. 2138DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.139 4 Coletivos de Trabalho de 2012 e 2013; contratos de prestação de serviços de plano de saúde celebrados com terceiros; recibos e comprovantes de pagamentos feitos a prestadores de plano de saúde; recibos e comprovantes de pagamentos feitos a contribuintes individuais, dirigentes, administradores, conselheiros e diretores; e regulamento da participação nos lucros ou resultados PLR de 2012 e 2013.As GFIP consideradas pela fiscalização, para efeito de perda de espontaneidade do sujeito passivo, foram obtidas por meio de sistema informatizado interno da Receita Federal do Brasil, tendo sido enviadas pelo contribuinte antes de 13/09/2016, data de início do procedimento fiscal. A seguir, por rubrica, apresenta os fundamentos pelos quais entendeuse cabível o lançamento. GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE O fato gerador das contribuições apuradas foi o pagamento de remunerações a diversos segurados empregados a título de “Gratificação Contingente”, as quais deveriam ter sido consideradas pelo contribuinte como integrantes da base de cálculo de contribuições previdenciárias, mas não o foram. Verificouse nas folhas de pagamento (MANAD) da empresa a ocorrência de rubrica relativa ao pagamento de Gratificação Contingente (rubrica "1469 Gratificação Contingente") a diversos segurados empregados no anos de 2012 e 2013. Intimouse o contribuinte, por meio do Termo de Intimação Fiscal TIF nº 3, datado de 04/04/2017, a apresentar, dentre outros, explicações acerca da rubrica da folha de pagamento “1469 Gratificação Contingente”. O contribuinte, em resposta datada de 11/05/2017, expôs o seguinte: "1469 Gratificação Contingente: Gratificação prevista em Acordo Coletivo de Trabalho, correspondente ao pagamento extraordinário de uma remuneração a todos os empregados". A fiscalização segregou os acordos coletivos de trabalho por segmento de sindicatos envolvidos, a saber: O documento "Acordo Coletivo de Trabalho 2011_2013_Terra" contém o Acordo Coletivo de Trabalho, vigente no período de 01/09/2011 até 31/08/2013, celebrado entre a Petrobrás Transporte S.A. Transpetro e os seguintes sindicatos acordantes: Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo do Estado do Rio de Janeiro; Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Petróleo dos Estados do Pará, Amazonas, Maranhão e Amapá; Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo no Estado de Alagoas e Sergipe e Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista. (item 2.6 do Relatório Fiscal) A Gratificação Contingente, paga entre 01/09/2011 e 31/08/2013 aos segurados empregados que trabalhavam em terra, é prevista na Cláusula 4a do Acordo Coletivo, transcrevendose: Cláusula 4 a. Gratificação Contingente A Companhia pagará de uma só vez a todos os empregados admitidos até 31 de agosto de 2011 e que estejam em efetivo exercício em 31 de agosto de 2011, uma Fl. 2139DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.140 5 Gratificação Contingente, sem compensação e não incorporado aos respectivos salários, no valor correspondente a 100% (cem por cento) da sua remuneração normal, excluídas as parcelas de caráter eventual ou médias, ou R$ 6.000.00 (seis mil reais), o que for maior. Os documentos "Acordo Coletivo de Trabalho 2011_2013_Marítimos Parte 1" e anexos "Acordo Coletivo de Trabalho 2011_2013_Marítimos Parte 2", contêm o Acordo Coletivo de Trabalho, vigente no período de 01/11/2011 até 31/10/2013, celebrado entre a Petrobrás Transporte S.A. Transpetro e os seguintes sindicatos, federações e Confederações acordantes: Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários e Aéreos na Pesca e nos Portos; Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários e Afins; Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante SINDMAR; Sindicato Nacional dos Mestres de Cabotagem e dos Contramestres em Transportes Marítimos; Sindicato Nacional dos Condutores da Marinha Mercante; Sindicato Nacional dos Enfermeiros da Marinha Mercante; Sindicato Nacional dos Taifeiros Culinários e Panificadores Marítimos; Sindicato Nacional dos Marinheiros e Moços de Máquinas em Transportes Marítimos e Fluviais e Sindicato Nacional dos Marinheiros e Moços de Máquinas em Transportes Marítimos. (item 2.7 do Relatório Fiscal) A Gratificação Contingente, paga entre 01/11/2011 e 31/10/2013 aos segurados empregados marítimos que trabalhavam embarcados, é prevista na Cláusula 44a. do Acordo Coletivo, transcrevendose: Cláusula 44a. Gratificação Contingente A Companhia pagará de uma só vez a todos os empregados admitidos até 31 de outubro de 2011 e que estejam em efetivo exercício em 31 de outubro de 2011, uma Gratificação Contingente, sem compensação e não incorporado aos respectivos salários, no valor correspondente a 100% (cem por cento) da sua remuneração normal, excluídas as parcelas de caráter eventual ou médias, ou R$ 6.000.00 (seis mil reais), o que for maior. O documento "Acordo Coletivo de Trabalho 2013 Terra" contém o Acordo Coletivo de Trabalho, vigente no período de 01/09/2013 até 31/08/2015, celebrado entre a Petrobrás Transporte S.A. Transpetro e os seguintes sindicatos, federações e Confederações acordantes: Federação Única dos Petroleiros FUP e os Sindicatos da categoria profissional dos trabalhadores na indústria do petróleo. (item 2.8 do Relatório Fiscal) A Gratificação Contingente, paga entre 01/09/2013 e 31/08/2015 aos segurados empregados que trabalhavam em terra, é prevista na Cláusula 4a. do Acordo Coletivo: Cláusula 4a. Gratificação Contingente A Companhia pagará de uma só vez a todos os empregados admitidos até 31 de outubro de 2013 e que estejam em efetivo exercício em 31 de outubro de 2013, uma Gratificação Contingente, sem compensação e não incorporado aos Fl. 2140DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.141 6 respectivos salários, no valor correspondente a 100% (cem por cento) da sua remuneração normal, excluídas as parcelas de caráter eventual ou médias, ou R$7.200.00 (sete mil e duzentos reais), o que for maior. O documento "Acordo Coletivo de Trabalho 2013 Marítimos" contém o Acordo Coletivo de Trabalho, vigente no período de 01/11/2013 até 31/10/2015, celebrado entre a Petrobrás Transporte S.A. Transpetro e os seguintes sindicatos, federações e Confederações acordantes: Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários e Aéreos na Pesca e nos Portos; Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários e Afins; Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante SINDMAR; Sindicato Nacional dos Mestres de Cabotagem e dos Contramestres em Transportes Marítimos; Sindicato Nacional dos Condutores da Marinha Mercante; Sindicato Nacional dos Enfermeiros da Marinha Mercante; Sindicato Nacional dos Taifeiros Culinários e Panificadores Marítimos; Sindicato Nacional dos Marinheiros e Moços de Máquinas em Transportes Marítimos e Fluviais e Sindicato Nacional dos Marinheiros e Moços de Máquinas em Transportes Marítimos. (item 2.8.1 do Relatório Fiscal) A Gratificação Contingente, paga entre 01/11/2013 e 31/10/2015 aos segurados empregados que trabalhavam embarcados, é prevista na Cláusula 52a. do Acordo Coletivo: Cláusula 52a. A Companhia pagará de uma só vez a todos os empregados admitidos até 31 de outubro de 2013 e que estejam em efetivo exercício em 31 de outubro de 2013, uma Gratificação Contingente, sem compensação e não incorporado aos respectivos salários, no valor correspondente a 100% (cem por cento) da sua remuneração normal, excluídas as parcelas de caráter eventual ou médias, ou R$ 7.200.00 (sete mil e duzentos reais), o que for maior. Em vista destas disposições, sustenta a fiscalização que apesar de prevista nos Acordos Coletivos, para ser paga em parcela única, não se incorporando aos salários dos segurados empregados beneficiados pelo pagamento, a Gratificação Contingente não consiste em um pagamento eventual. Verificou se no sítio da FUP Federação Única dos Petroleiros (http://www.fup.org.br/acordoscoletivos) que a Transpetro pagou, em parcela única, a Gratificação Contingente em todos os anos do período de 2007 até 2015. Os documentos com os Acordos Coletivos de Trabalho e seus respectivos Termos Aditivos, obtidos do site da FUP, vigentes no período de 01/09/2007 a 31/08/2015, foram anexados ao Relatório Fiscal. A seguir, relaciona para cada ano a que o Acordo Coletivo se refere, o número da cláusula relativa à Gratificação Contingente no respectivo documento e um resumo das condições de pagamento da rubrica: a) 2007 a 2009 Cláusula 96a. 80% (oitenta por cento) da sua remuneração normal, excluídas as parcelas de caráter eventual ou médias, a todos os empregados admitidos até 31 de agosto de 2007 e que estejam em efetivo exercício em 31 de agosto de 2007. Fl. 2141DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.142 7 b) 2010 Cláusula 3a. 100% (cem por cento) da sua remuneração normal, excluídas as parcelas de caráter eventual ou médias, ou R$ 6.000,00 (seis mil reais), o que for maior, a todos os empregados admitidos até 31 de agosto de 2010 e que estejam em efetivo exercício em 31 de agosto de 2010. c) 2011 a 2013 Cláusula 4a. 100% (cem por cento) da sua remuneração normal, excluídas as parcelas de caráter eventual ou médias, ou R$ 6.000,00 (seis mil reais), o que for maior, a todos os empregados admitidos até 31 de agosto de 2011 e que estejam em efetivo exercício em 31 de agosto de 2011. d) 2013 a 2015 Cláusula 4a. 100% (cem por cento) da sua remuneração normal, excluídas as parcelas de caráter eventual ou médias, ou R$ 7.200,00 (sete mil e duzentos reais), o que for maior, a todos os empregados admitidos até 31 de agosto de 2013 e que estejam em efetivo exercício em 31 de agosto de 2013. Conclui que a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados da Transpetro, nos anos de 2012 e de 2013, a título de Gratificação Contingente, não configurou um simples ganho eventual para esses segurados empregados, já que o pagamento desse montante, ainda que em parcela única no ano, foi realizado por 9 (nove) anos seguidos, a partir de 2007, o que descaracteriza o seu caráter de eventualidade. Dada a natureza salarial dos valores pagos, devidos ou creditados a título de Gratificação Contingente, a Transpetro deveria têlos considerado, em suas folhas de pagamento, como integrantes do salário de contribuição dos segurados empregados beneficiados com ela, informando em GFIP a totalidade do salário de contribuição desses segurados, abrangendo a referida gratificação, e efetuando o recolhimento das respectivas contribuições previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Principia a abordagem do tema pela citação da legislação de regência (Lei nº 8.212/91, Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99 e Lei nº 10.101/00). Da análise dos dispositivos legais emergem algumas considerações: 1) O primeiro ponto a considerar é o objetivo da lei, expresso em seu artigo 1o. Tratase de munir as empresas de instrumento para estímulo à produtividade de seus empregados. Este instrumento se traduz na distribuição de resultados, vale dizer, recompensas pecuniárias. 2) Tais pagamentos não se sujeitam à incidência da contribuição previdenciária, desde que efetuados nos termos da lei. Significa dizer que a nãoincidência da contribuição previdenciária sobre a PLR é admitida, desde que observados determinados requisitos legais, e estes requisitos se encontram na própria Lei nº 10.101/2000. 3) Os requisitos legais de nãoincidência, definidos pela Lei no 10.101/2000, têm relação com a participação das entidades representativas dos trabalhadores (sindicatos) na definição dos Fl. 2142DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.143 8 critérios de apuração e pagamento da PLR, com a definição de regras claras e objetivas, relativas a estes critérios, que deverão constar dos instrumentos decorrentes da negociação (art. 2o, parágrafo 1o), e com a periodicidade dos pagamentos (art. 3o, parágrafo 2o). 4) Neste ponto, outra consideração se impõe. Os requisitos não são aleatórios; ao contrário, derivam do objetivo mesmo da lei. Tratase de garantir que a PLR seja um instrumento de incentivo pecuniário aos empregados como um todo, segundo critérios claros e objetivos definidos não somente pela empresa, mas por esta em conjunto com os próprios empregados, organizados em comissão (com participação obrigatória de representante do sindicato) ou representados pelo seu sindicato, e materializada esta convergência de vontades em instrumentos previstos na lei. 5) Sob o aspecto da periodicidade, se a PLR é medida de incentivo, guardando relação com o resultado e a produtividade, os pagamentos serão necessariamente incidentais ou excepcionais. 6) Sob o aspecto da representação dos empregados, as participações a serem distribuídas devem ser calculadas segundo critérios aprovados pelos empregados como um todo, representados pelas suas entidades sindicais, sendo estes critérios formalizados em instrumento próprio, arquivado na sede do sindicato, à disposição dos interessados; não sendo assim, as participações poderiam beneficiar uns poucos em detrimento dos restantes, ou transformarse em veículo para pagamento de benefícios diversos e liberalidades, a juízo da empresa, desvirtuando a finalidade do instituto e distorcendo o resultado fiscal. 7) Sob o aspecto da definição de regras claras e objetivas não basta a mera previsão em acordo coletivo ou a fixação de valores, percentuais e prazos de pagamentos. É necessário que deste acordo conste regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, tais como índices de produtividade, qualidade e lucratividade, e programas de metas e resultados. Sem a observância às regras previstas na legislação, a participação nos lucros será mera verba que complementa o salário, representando campo de incidência de contribuição previdenciária. 8) Vedação de pagamento de PLR a pessoas ligadas à empresa sem a qualidade de empregados (art. 2o e art. 3o da Lei no 10.101/2000). Verificouse nas folhas de pagamento (MANAD) da empresa a ocorrência de rubricas relativas ao pagamento de PLR (rubrica "/B10 Particip Lucr e ou Result") a diversos segurados empregados nas competências 04/2013, 05/2013 e 07/2013. Portanto, o PLR pago a esses empregados na competência 05/2013 violou a regra da periodicidade de pagamento da PLR, Fl. 2143DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.144 9 uma vez que o período entre os pagamentos foi inferior a um trimestre civil. Para não violar a regra da periodicidade do pagamento da PLR, que não admite pagamentos em período inferior a um trimestre civil, a Transpetro, ao efetuar pagamentos sob a rubrica Participação nos Lucros e ou Resultados a alguns empregados cumulativamente nas competências 04/2013 e 05/2013, deveria ter considerado como integrante do salário de contribuição desses empregados a parte paga a título de PLR em 05/2013, informando esses valores em GFIP e realizando o recolhimento das respectivas contribuições previdenciárias. Concluiu, portanto, a fiscalização, que os valores pagos a título de PLR na competência 05/2013 aos segurados empregados que receberam PLR cumulativamente nas competências 04/2013 e 05/2013 enquadramse no conceito de salário de contribuição previdenciário, sujeitos, portanto, à incidência das contribuições previdenciárias, haja vista não atenderem à lei específica a que se refere a alínea "j" do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, combinada com o § 10 do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. PAGAMENTO DE PLR A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS O fato gerador das contribuições apuradas foi o pagamento de remunerações a diversos segurados contribuintes individuais a título de PLR, que deveriam ter sido consideradas pelo contribuinte como integrantes da base de cálculo de contribuições previdenciárias, mas não o foram. Verificouse nas folhas de pagamento (MANAD) da empresa a ocorrência de rubrica relativa ao pagamento de PLR (rubrica "/B10 Particip Lucr e ou Result") a diversos segurados contribuintes individuais em 2013: Agenor Cesar Junqueira Leite categoria 11 diretor não empregado sem FGTS; Cláudio Ribeiro Teixeira Campos categoria 11 diretor não empregado sem FGTS; Jose Sergio de Oliveira Machado – categoria 5 diretor não empregado com FGTS; Marcelo Rosa Renno Gomes categoria 5 diretor não empregado com FGTS; e, Rubens Teixeira da Silva categoria 5 diretor não empregado com FGTS. Embora o inciso XI do artigo 7° da Constituição Federal de 1988 e o artigo 1° da Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000 (publicada no DOU de 20 de dezembro de 2000), mencionem a PLR para os trabalhadores, o artigo 2° da referida lei regulou a PLR mediante negociação entre a empresa e seus empregados, de forma que, para efeito de dispensa de incidência de contribuição previdenciária, a PLR está restrita às parcelas pagas aos segurados empregados, excluindose os demais trabalhadores que laboram para a empresa, como os segurados contribuintes individuais. No período em que exerciam as funções de direção da companhia, os diretores, inclusive o diretor presidente, ainda que empregados de carreira, eram contribuintes individuais, sendo, inclusive, relacionados nas folhas de pagamento (MANAD) nas categorias 5 (diretor não empregado com FGTS) e 11 (diretor não empregado sem FGTS). Além disso, Fl. 2144DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.145 10 naturalmente, os administradores gozavam de posição privilegiada em relação aos empregados com relação ao estabelecimento dos critérios e metas para atribuição do montante a ser recebido a título de PLR. Portanto, embora a Transpetro não estivesse impedida de realizar pagamentos de PLR a seus diretores e a seu presidente, no ano de 2013 não pode usufruir da exclusão de incidência de contribuições previdenciárias sobre tais valores, prevista no artigo 28, § 9°, "j" da Lei n° 8.212/1991. Mesmo que o contribuinte considerasse que a rubrica recebida pelos membros da Diretoria da Transpetro em 2013 referiase à PLR de administradores, prevista no artigo 190 da Lei n° 6.404/76, os valores pagos, devidos ou creditados sob esse título deveriam compor a base de cálculo de contribuições previdenciárias. A PLR de administradores é uma forma de contraprestação pelos serviços prestados por dirigentes da empresa e não está incluída no rol exaustivo de exclusões de incidência de contribuição previdenciária, previsto no § 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/1991. DIRETORES EMPREGADOS DA PETROBRÁS O fato gerador das contribuições apuradas foi o pagamento de remunerações a diretores (segurados contribuintes individuais) da Transpetro cedidos pela empresa Petrobrás, as quais deveriam ter sido consideradas pelo contribuinte como integrantes da base de cálculo de contribuições previdenciárias, mas não o foram. Verificouse nas folhas de pagamento (MANAD) da empresa a ocorrência de pagamentos aos diretores (contribuintes individuais categoria 11: diretores não empregados sem FGTS) Agenor César Junqueira Leite e Cláudio Ribeiro Teixeira Campos em 2012 e 2013 sob as seguintes rubricas: a) rubrica /0333 13° Salário Dezembro com incidência de contribuições previdenciárias segundo as folhas de pagamento (MANAD) da empresa; b) rubrica /0337 Diferença de 13° Salár com incidência de contribuições previdenciárias segundo as folhas de pagamento (MANAD) da empresa; c) rubrica 0C04 Grat Férias ACT no mês com incidência de contribuições previdenciárias segundo as folhas de pagamento (MANAD) da empresa; d) rubrica MC03 Férias no Mês com incidência de contribuições previdenciárias segundo as folhas de pagamento (MANAD) da empresa; e) rubrica MC04 Férias 1/3 no Mês com incidência de contribuições previdenciárias segundo as folhas de pagamento (MANAD) da empresa; e, f) rubrica 1010 Rem Global Dir S Enc sem incidência de contribuições previdenciárias segundo as folhas de pagamento (MANAD) da empresa. Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.146 11 Intimouse o contribuinte, por meio do Termo de Intimação Fiscal TIF n° 3, datado de 04/04/2017, a apresentar, dentre outros, esclarecimentos acerca da rubrica da folha de pagamento “1010 Rem Global Dir S Enc”. O contribuinte, em resposta datada de 11/05/2017 (documento de resposta em anexo), expôs o seguinte: "1010 Honorários pagos aos Dirigentes cedidos, com vínculo empregatício com a Petrobrás Brasileiro S/A Petrobrás, que é a responsável pelo recolhimento dos encargos trabalhistas e previdenciários". Verificouse que a Transpetro, ao omitir os diretores Agenor Cesar Junqueira Leite e Cláudio Ribeiro Teixeira Campos em GFIP, também deixou de declarar em GFIP os valores pagos sob as rubricas mencionadas acima a esses diretores, descumprindo o disposto no artigo 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, além de não efetuar o recolhimento das respectivas contribuições previdenciárias, previstas no artigo 22, inciso III, da Lei nº 8.212/1991. Verificouse que estes dois diretores da Transpetro são segurados empregados da empresa Petrobrás CNPJ 33.000.167/000101, empresa do mesmo grupo empresarial. Assim, a Petrobrás cedeu estes dois segurados empregados à Transpetro para exercer cargos de direção, mantendo contudo o vínculo como empregados da Petrobrás, para onde retornariam após o fim do mandato como diretores da Transpetro. A empresa Petrobrás permaneceu nesse período declarando estes dois segurados em GFIP e efetuando o recolhimento das respectivas contribuições previdenciárias, realizando as duas empresas um acerto destes valores entre elas. Desta forma, a rubrica "1010 Rem Global Dir S Enc" é apontada nas folhas de pagamento (MANAD) como sem incidência de contribuições previdenciárias, haja vista se referirem a valores pagos a dois segurados cedidos pela Transpetro à Petrobrás, ficando a cargo desta empresa declarar os valores pagos a esses segurados em GFIP e efetuar o recolhimento das respectivas contribuições previdenciárias. BÔNUS DE DESEMPENHO O fato gerador das contribuições apuradas foi o pagamento de remunerações a título de bônus de desempenho a alguns segurados contribuintes individuais, as quais deveriam ter sido consideradas pelo contribuinte como integrantes da base de cálculo de contribuições previdenciárias, mas não foram. Verificouse nas folhas de pagamento (MANAD) da empresa a ocorrência de rubricas relativas ao pagamento de Bônus Desempenho (rubrica "2007 – Bônus Desempenho") aos seguintes segurados contribuintes individuais na competência 04/2013: Agenor Cesar Junqueira Leite categoria 11 diretor não empregado sem FGTS; Cláudio Ribeiro Teixeira Campos categoria 11 diretor não empregado sem FGTS; Jose Sergio de Oliveira Machado categoria 5 diretor não empregado com FGTS; Marcelo Rosa Renno Gomes categoria 5 diretor não Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.147 12 empregado com FGTS; e) Rubens Teixeira da Silva categoria 5 diretor não empregado com FGTS. Intimouse o contribuinte, por meio do Termo de Intimação Fiscal TIF n° 3, datado de 04/04/2017, a apresentar, dentre outros, explicações acerca da rubrica da folha de pagamento “2007 Bônus Desempenho”. O contribuinte, em resposta datada de 11/05/2017 (documento de resposta em anexo), expôs o seguinte: "2007 Bônus Desempenho : Bônus pagos extraordinariamente aos Dirigentes, correspondente a uma remuneração". Intimouse, então, o contribuinte, por meio do Termo de Intimação Fiscal TIF n° 5, datado de 11/05/2017, a apresentar explicações adicionais acerca da rubrica “2007 BÔNUS DESEMPENHO”: (3.1) Quais foram os critérios utilizados, em 2013, na decisão de quais trabalhadores receberiam essa rubrica? (3.2) Quais foram os critérios utilizados pela empresa para chegar ao montante pago a cada beneficiário da rubrica em 2013? (3.3) A previsão de pagamento dessa rubrica em 2013 estava formalizada em algum documento? Se positiva a resposta, em que documento? (3.4) Qual é periodicidade de pagamento de tal rubrica em 2012 e 2013 ? (3.5) Em caso de resposta positiva ao subitem (3.3), solicitase a apresentação de cópia digital do documento em que estava revisto o pagamento da rubrica 2007 BÔNUS DESEMPENHO em 2013." O contribuinte, em resposta datada de 06/06/2017 (documento de resposta em anexo), expôs, em relação aos itens 3.1 a 3.5 do TIF n° 5, respectivamente, o seguinte: "Foi aprovado em reunião do Conselho de Administração da Companhia, de 03/04/2013, cópia do extrato parcial em anexo, o pagamento de uma remuneração a título de bônus para os membros da Diretoria (Presidente e Diretores)." “Conforme aprovado pelo Conselho de Administração da Companhia, o valor do Bônus seria de uma remuneração, R$ 76.010,55, para o Presidente e R$ 67.784,14, para os Diretores." "Sim. Em decisão constante de extrato parcial de Ata de reunião do Conselho de Administração da Companhia." "Anual". "Segue cópia do extrato parcial de Ata da Reunião do Conselho de Administração." A rubrica “2007 Bônus Desempenho” foi apontada nas folhas de pagamento (MANAD) da empresa como provento sem incidência de contribuições previdenciárias, não sendo declarados em GFIP os valores pagos sob essa rubrica aos segurados contribuintes individuais. Quanto à natureza do pagamento da Bônus de Desempenho (Rubrica 2007), tratase de simples abono ou gratificação, pago Fl. 2147DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.148 13 a dirigentes em retribuição/reconhecimento ao trabalho desenvolvido, por decisão da administração da empresa. Convém esclarecer que os pagamentos não foram efetuados a segurados empregados e sim a dirigentes contribuintes individuais. Após citar a legislação previdenciária, afirma que o conceito de remuneração tem forma ampla, alcançando importâncias pagas pela empresa ao prestador do serviço, sem importar a forma de retribuição ou o título; são vantagens econômicas acrescidas ao patrimônio do trabalhador em decorrência da relação laboral. Neste diapasão há que se concluir que a livre manifestação do empregador possui a natureza de convenção particular e cujos efeitos, consoante o disposto no artigo 123 do CTN, não podem ser opostos à Fazenda Pública, não afastam a incidência da contribuição previdenciária, cujos termos têm eficácia restrita às partes aderentes, não podendo se contrapor às disposições da Lei n° 8.212/91. Assim sendo, a livre manifestação da empresa, ainda que expressamente negue a incorporação do pagamento ao "salário", aqui entendido remuneração, não têm força de lei para impor a não incidência de contribuições previdenciárias sobre tais parcelas, nos termos do art. 123 do CTN. Tendo em vista que os valores pagos aos dirigentes (contribuintes individuais) sob a rubrica "2007 Bônus Desempenho" tratamse de remuneração em retribuição aos serviços prestados, sem qualquer previsão legal que afaste a incidência de contribuições previdenciárias, esse valores devem integrar a base de cálculo da remuneração dos contribuintes individuais, incidindo sobre eles, por conseguinte, as contribuições previdenciárias. Ressaltese que o fato de terem sido tais remunerações pagas em parcela única em 04/2013 não caracteriza o pagamento como eventual, pois conforme exposto no item 3.4 da resposta do contribuinte, datada de 06/06/2017, a periodicidade de pagamento de tal rubrica em 2012 e 2013 é anual. Portanto, como a Transpetro não considerou a remuneração paga, devida ou creditada a cada um dos membros de sua própria Diretoria, sob a rubrica “2007 – Bônus Desempenho”, como integrante da base de cálculo para a Previdência Social, não a incluiu nos respectivos salários de contribuição informados na GFIP do estabelecimento 02.709.449/0001 59, na competência 04/2013, acarretando uma contribuição previdenciária declarada em GFIP, para esse estabelecimento/competência, inferior à devida. Tendo em vista que os fatos geradores das contribuições lançadas no presente processo ocorreram na vigência da Lei no 11.941/09, que introduziu o artigo 35A na Lei n° 8.212/91, aplicase no presente lançamento a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), conforme disposto no inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. Devidamente intimado o contribuinte sobre o lançamento, comparece aos autos apresentando o instrumento de impugnação de fls. 694/751. Alega, em apertada síntese: Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.149 14 DO DIREITO DA CONTRIBUIÇÃO A OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS: MESMA BASE DE CÁLCULO UTILIZADA PARA CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL 1) De acordo com o art. 109 da Instrução Normativa RFB n° 971/09, as contribuições destinadas a Outras Entidades ou Fundos (Terceiros) incidem sobre a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das contribuições destinadas à Previdência Social, ou seja, a folha de pagamento de salários. Cita legislação e julgados. DA EXCLUSÃO DAS VERBAS DE GRATIFICAÇÃO DE CONTINGENTE DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES 2) Cita o artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91. O dispositivo transcrito determinou que a base de cálculo das contribuições à Seguridade Social corresponde ao total das remunerações destinadas a retribuir o trabalho, ou seja, o salário do empregado, não havendo o que se falar na inclusão nesta base de cálculo de determinadas remunerações pagas sem correlação com a prestação de serviços realizada pelo empregado. Nem se alegue, em desfavor desta constatação, que a Lei utiliza a palavra "remuneração", e não "salário", eis que caso fosse esse o desejo do legislador, a Lei não preceituaria que a incidência da contribuição deve ocorrer apenas sobre as verbas "destinadas a retribuir o trabalho". Dessa forma, afirmese em rigorosa síntese que as contribuições ora em voga, devem incidir tão somente sobre as verbas que correspondam a uma contraprestação ao serviço prestado pelo trabalhador, ou seja, as verbas de natureza estritamente salarial, e não sobre a remuneração sob uma visão geral de toda e qualquer quantia recebida. Com tanto mais razão, o plano jus trabalhista considera distintos os conceitos de remuneração e salário. O primeiro, mais amplo, tem definição controvertida entre os doutrinadores, recebendo pelo menos três sentidos diferenciados que, apesar de se aproximarem, possuem determinadas particularidades. Entretanto, a mais aceita das acepções, fundada no modelo sugerido pelo texto dos arts. 76 e 457, caput, da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, consolida o entendimento de que os conceitos em discussão guardam entre si considerável diferença. Cita doutrina. 3) Destarte, remuneração é todo provento legal e habitualmente auferido pelo empregado em virtude do contrato de trabalho, podendo incluirse neste, o salário que, por seu turno, é contraprestação direta devida pelo empregador ao empregado em virtude de serviço prestado em face do contrato de trabalho. Cita doutrina. 4) Em seguimento a esse elenco, importante destacar que a gratificação de contingente é pagamento feito pela Impugnante aos empregados sem respectiva contraprestação pelo trabalho. Tratase de quantia paga em decorrência de previsão do Acordo Coletivo de Trabalho, o que foi reconhecido pela própria Fiscalização, não havendo qualquer correlação direta com a Fl. 2149DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.150 15 prestação de serviço. O pagamento de gratificação de contingente não configura remuneração decorrente do trabalho, mesmo porque não há qualquer obrigatoriedade da Impugnante realizar o pagamento, havendo apenas um acordo entre ela e o sindicato para o referido pagamento. 5) Há de se ressaltar que a Impugnante não estava obrigada a acordar a concessão da gratificação no Acordo Coletivo de Trabalho, fazendo isso por livre e espontânea vontade, e deixando constar expressamente que não há qualquer vinculação do pagamento com a remuneração decorrente do trabalho prestado. Importante destacar que esta rubrica não possui uma das principais características das quantias que compõem o salário de contribuição, qual seja, a habitualidade. A gratificação de contingente não é paga de forma habitual, sendo pagamento realizado eventualmente e, de acordo com o Acordo Coletivo de Trabalho. 6) Mostrase deveras equivocado o argumento da Autoridade Fiscal no sentido de que, por terem sido tais gratificações pagas nos anos de 2012 e 2013, período objeto da fiscalização, na verdade, haveria habitualidade. Acrescentese, ainda, que a autoridade menciona que, conforme verificado no site da Federação Única dos Petroleiros, a Impugnante pagou, em parcela única, a Gratificação de Contingente em todos os anos do período de 2007 a 2015. Ora, a autoridade fiscal não verificou como foram feitos os pagamentos nos anos de 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2014 e 2015, não tendo avaliado condições, previsões em Acordos Coletivos de Trabalho, tampouco critérios de pagamento, já que a fiscalização foi apenas dos anos de 2012 e 2013. Assim, não pode a autoridade fiscal utilizar informação genérica obtida em site da Federação Única dos Petroleiros para presumir que há habitualidade no pagamento da Gratificação de Contingência e justificar o lançamento das contribuições em exigência, sem analisar qualquer documento relativo aos pagamentos nos anos não fiscalizados. 7) Destaquese, inclusive, que o Superior Tribunal de Justiça STJ já se manifestou no sentido de que o pagamento de abono único em sucessivos anos não caracteriza a habitualidade do pagamento da verba, sendo evidente que o pagamento da gratificação de contingente é eventual e, portanto, não pode sofrer a incidência das contribuições. A habitualidade, na verdade, se refere apenas ao período de vigência do Acordo Coletivo que prevê o pagamento da verba. Assim a quantia deve ser paga uma única vez dentro do prazo do ACT e não durante toda a relação de emprego do empregado. Como pode se observar, ainda, nos Acordos Coletivos de Trabalho apresentados à época da fiscalização e constantes nos presentes autos, suas cláusulas são expressas ao determinar que a gratificação de contingente não integra os salários dos empregados, deixando claro, ainda, que não consiste em contraprestação do trabalho realizado pelos mesmos. 8) Cita precedente do Tribunal Superior do Trabalho – TST, específico sobre a gratificação contingente (Orientação Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.151 16 Jurisprudencial nº 64 da SBDI1), do Superior Tribunal de Justiça STJ, o Ato Declaratório PGFN nº 16/2011 e precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. 9) Diante de todo o exposto, resta claro que é pacífico o entendimento de segundo o qual a gratificação de contingente é verba de natureza não salarial, já que paga de forma eventual, e sem natureza retributiva do trabalho do empregado. A Fiscalização, ao mencionar o artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, o trata como norma isentiva, estabelecendo rol taxativo das hipóteses ali apontadas. No entanto, a doutrina é pacífica ao entender que o referido dispositivo normativo trata de casos de não incidência tributária com rol exemplificativo, especialmente no que se refere ao item 7 da alínea “e”. Cita doutrina. É oportuno destacar, ainda, que não merece prosperar o argumento no sentido que somente a lei poderia afastar a natureza salarial das rubricas mencionadas no item 7 da alínea “e” do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91. Cita doutrina. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS 10) A Autoridade Fiscal não verificou que os empregados que receberam PLR nos meses de 04 e 05/2013 não ocupavam o mesmo cargo nos dois períodos, ou seja, estes empregados receberam o PLR nos meses de abril e maio/2013, mas ocupando cargos diversos. Como se vê na planilha anexa ao Relato Fiscal, em que é informada a matrícula do empregado beneficiado pelo pagamento na coluna “Cód Trab”, apesar de se tratar do mesmo empregado, ele recebeu o PLR de 04 e 05/2013 ocupando cargos diferentes, havendo, inclusive, descrição diversa do mesmo trabalhador. Apresenta planilha que demonstra que o PLR pago ao mesmo empregado sem observância da periodicidade estabelecida em lei foi, todas as vezes que o empregado ocupava outro cargo, o que pode ser verificado pela sua matrícula no período. 11) Destaquese, ainda, que é possível verificar que os empregados Cristina Helena Zagratzki Smith da Silva e Antonio Jose Caldas Rodrigues receberam PLR duas vezes no mês de maio, sendo certo que ocupavam cargos diferentes em ambos os recebimentos, bem como em abril e julho. Ora, é evidente que a Impugnante não pagaria PLR ao mesmo empregado duas vezes no mesmo mês, sequer em meses seguidos, sem observância da periodicidade exigida em lei, tendo ocorrido tais pagamentos justamente porque os empregados ocupavam cargos diferentes quando do recebimento do benefício. 12) É importante lembrar que somente receberam PLR aqueles empregados que atingiram as metas e resultados estabelecidos para as posições que ocupavam na empresa no período. Assim, é possível verificar que os pagamentos realizados, apesar de terem sido destinados aos mesmos empregados, se deram em razão de colocação em cargos diferentes, tendo, inclusive, recebido valores diversos. A legislação não faz qualquer restrição para a Fl. 2151DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.152 17 concessão diferenciada de PLR em setores ou unidades da mesma empresa, razão pela qual, a Impugnante decidiu que o pagamento de PLR para empregados ocupantes de cargos diferentes ocorreria em períodos diversos. 13) No caso sob apreciação, o fato de existirem mais pagamentos no mesmo exercício ou no mesmo trimestre não desnatura a PLR, posto que evidenciado tratarse de pagamentos a empregados ocupantes de cargos diferentes quando dos recebimentos. Como se sabe, a periodicidade estabelecida pela Lei n° 10.101/00 tem como objetivo impedir que o pagamento de PLR seja feito como complemento ao salário mensal, de forma que não substitua a remuneração. Ora, no presente caso é evidente que os pagamentos de PLR nos meses de abril e maio não objetivaram substituir a remuneração decorrente de contrato de trabalho, principalmente porque foram feitos quando os empregados ocupavam diferentes cargos. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR PAGA AOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS 14) Cita a Constituição Federal de 1988 e a Lei nº 10.101/00. Somente em razão do artigo 2o da Lei nº 10.101/00 se referir a "empresa e seus empregados", a Fiscalização entendeu que os pagamentos feitos a título de PLR a contribuintes individuais sofrem a incidência das contribuições. Lembrese que a Constituição de 1988 não faz referência a empregados, mencionando de forma abrangente o termo "trabalhadores", de forma que não épossível a limitação pretendida pela autoridade fiscal. Não é demais lembrar, inclusive, que o pagamento de PLR a dirigentes e diretores encontrase previsto na Lei n° 6.404/76 em seus arts. 152, § 1° e 190. 15) Ocorre que, diferentemente do sustentado pela Autoridade Fiscal, a não incidência das contribuições sobre os pagamentos feitos a título de PLR também se estende aos pagamentos feitos aos diretores e dirigentes, contribuintes individuais. A referência somente a empregados na Lei n° 10.101/00 não pode criar um novo campo de incidência das contribuições previdenciárias para os contribuintes individuais, sendo certo que os lucros e resultados pagos a eles também não se incluem na base de cálculo dos referidos tributos. Cita julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. 16) Assim, o entendimento adotado pela autoridade fiscal diverge de toda jurisprudência do CARF, sendo evidente que se admitir a incidência das contribuições sobre as verbas pagas a título de PLR somente aos diretores (contribuintes individuais) caracterizaria manifesta afronta à isonomia, princípio constitucionalmente assegurado. A Lei n° 8.212/91, em seu art. 28, § 9°, alínea “j” dispõe expressamente que não integram o salário de contribuição as verbas pagas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, desde que observados os requisitos estabelecidos em lei. Como de natural obviedade, os pagamentos feitos a contribuintes individuais somente sofrerão a incidência das contribuições previdenciárias quando pagos de forma habitual e em contraprestação ao trabalho realizado. Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.153 18 17) Como se sabe, o pagamento referente a participação nos lucros e resultados não se dá em razão do trabalho realizado pelo diretor, tratase, na verdade, de rendimento do capital, o que comprova a ausência de um dos requisitos para inclusão da verba no saláriodecontribuição. Na esteira desse raciocínio, a PLR não é paga de forma habitual, pelo que também não resta atendido o outro requisito para inclusão da verba no saláriode contribuição. Cita doutrina. DOS PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS DA PETROBRÁS 18) A Fiscalização exige contribuições sobre as verbas pagas aos diretores Agenor Cesar Junqueira Leite e Cláudio Ribeiro Teixeira Campos, nos anos de 2012 e 2013, sob a rubrica “Remuneração Global Dir. S. Enc”. Ocorre, no entanto, que se tratam de honorários pagos aos dirigentes cedidos pela Petrobrás, com vínculo empregatício com esta empresa, razão pela qual a responsável pelo recolhimento das contribuições incidentes sobre tais verbas era a Petrobrás e não a Impugnante. Cabe lembrar que, conforme reconhecido pela própria Autoridade Fiscal, a Petrobrás permaneceu declarando os dois segurados em GFIP e efetuando o recolhimento das respectivas contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos diretores. Como de natural obviedade, considerando que as remunerações dos dois dirigentes estavam sendo declaradas na GFIP da Petrobrás e as respectivas contribuições previdenciárias também estavam sendo recolhidas por esta empresa, a Impugnante não procedeu à mesma declaração em GFIP, tampouco ao recolhimento em duplicidade das contribuições. 19) Não obstante, a Autoridade Fiscal entendeu que a Impugnante ao não incluir em GFIP os pagamentos realizados aos dois diretores da Petrobrás, bem como ao não recolher as respectivas contribuições, descumpriu o disposto nos arts. 22, inciso III e 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91. Não é demais repetir que a Petrobrás estava realizando todas as declarações e recolhimentos devidos, o que foi reconhecido na Fiscalização. No entanto, de acordo com a Autoridade Fiscal, a Petrobrás não declarou a totalidade dos valores e, consequentemente, não recolheu a integralidade das contribuições devidas, razão pela qual estão sendo exigidas da impugnante as diferenças não recolhidas. 20) Ora, é evidente que, em sendo os dirigentes considerados vinculados à Petrobrás, em havendo declaração da remuneração dos mesmos na GFIP daquela empresa, cabe tão somente a ela o recolhimento das contribuições devidas, não havendo o que se falar em responsabilidade da Impugnante, razão pela qual o lançamento tributário deve ser feito em face da Petrobrás, que declarou incorretamente e recolheu a menor. 21) Importante lembrar que nos contratos de trabalho consta a Petrobrás como contratante de ambos os diretores, razão pela qual o ônus referente ao recolhimento das contribuições Fl. 2153DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.154 19 incidentes sobre as verbas pagas a eles, é da Petrobrás e não da Impugnante que tomou os serviços por curto espaço de tempo. Dessa forma, se a Petrobrás declarou incorretamente os valores que foram efetivamente pagos a título de remuneração aos diretores e, consequentemente, recolheu a menor as respectivas contribuições devidas, é evidente que a cobrança deve ser feita em face da referida empresa e não da Impugnante. DAS VERBAS DE BÔNUS DE DESEMPENHO 22) Conforme já informado durante a Fiscalização, o bônus de desempenho foi um pagamento feito uma única vez aos diretores em razão de decisão do Conselho de Diretores. Impede assinalar, desde logo, que o mencionado pagamento foi realizado uma única vez, não havendo o que se falar em habitualidade no pagamento da rubrica. Ora, os dirigentes receberam as quantias de bônus de desempenho uma única vez, não tendo sido, inclusive, uma contraprestação do trabalho desenvolvido, já que pago desproporcionalmente e sem qualquer vinculação às atividades realizadas no ano. Verificase, dessa forma, que o bônus de desempenho não possui as duas características essenciais para que seja atribuída natureza salarial à verba, ou seja, a retributividade e a habitualidade. Cita doutrina. 23) No presente caso, não houve qualquer proporcionalidade no pagamento realizado, o que, por si só, já afasta a característica da retributividade, já que completamente desvinculada do trabalho dos diretores. A eventualidade do pagamento é evidente, não existindo habitualidade em um pagamento realizado uma única vez aos diretores, e, conforme amplamente já demonstrado na presente defesa, pagamentos eventuais não integram o salário de contribuição. A ausência de habitualidade nos pagamentos, bem como a inexistência de contraprestação impedem que valores pagos aos empregados componham o salário de contribuição, sendo evidente que a Impugnante, em momento algum, pretendeu substituir ou complementar a remuneração de seus empregados com os referidos/bônus/benefícios. Cita julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. 24) Destaquese, ainda, que os valores de bônus de desempenho considerados no lançamento combatido incluem os pagamentos feitos aos diretores Agenor César Junqueira Leite e Cláudio Ribeiro Teixeira Campos, os quais, conforme já informado, são empregados da Petrobrás, razão pela qual não há o que se falar em exigência em face da Impugnante. Dessa forma, ainda que as contribuições incidissem sobre as verbas pagas a título de bônus de desempenho, os valores referentes às quantias pagas aos diretores Agenor César Junqueira Leite e Cláudio Ribeiro Teixeira Campos deveriam ser exigidos da Petrobrás. 25) Diante dos elementos trazidos à colação, resta descaracterizada a contraprestatividade ao serviço prestado pelo trabalhador, não se podendo, pois, falar em salário; motivo pelo qual tais verbas devem ser excluídas da base de cálculo das Fl. 2154DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.155 20 contribuições sociais e previdenciárias, devendo, portanto, serem integralmente afastadas as cobranças combatidas. DA COBRANÇA ABUSIVA DE MULTA 26) Por derradeiro, por amor ao debate e ainda que fosse possível a aplicação de penalidade no presente caso, insta repisar que a multa exigida vai de encontro ao ordenamento jurídico pátrio. Como é sabido, os parâmetros para fixação das multas devem obedecer aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, preceitos do Direito Tributário cuja função primordial reside na atuação consciente da Administração Pública, sem a imposição de punições além das necessárias ao atendimento do interesse público. Cita doutrina. 27) À guisa do entendimento ora dado à estampa, concluise que o princípio da proporcionalidade é aquele que norteia a Administração Pública quando esta procede com as imposições de sanções pecuniárias aos contribuintes, devendo esta, portanto, aplicar a multa de forma proporcional entre o delito, a sanção e o prejuízo econômico causado. No presente caso, multa de ofício de 75% do valor do tributo supostamente devido, acrescida de juros, considerando que este sequer é devido, mostrase exorbitante e desproporcional. Ressaltese, ainda, que a imposição da multa de 75%, avança de forma desmedida no patrimônio do contribuinte para injustificadamente impingirlhe gravame punitivo. Destaquese que exigir multa em razão do não recolhimento do referido tributo, quando este não era devido, como pretende a Receita Federal no caso em comento, caracteriza manifesto confisco, em frontal violação dos preceitos constitucionais. Cita entendimento do Supremo Tribunal Federal STF e doutrina. DO PEDIDO 28) Por todo o exposto, espera firmemente a Impugnante sejam consideradas as relevantes razões de fato e de direito aduzidas na presente e requer sejam julgados improcedentes os Autos de Infração, cancelando, na sua totalidade, o lançamento tributário. Caso assim não se entenda, protestase pela redução da multa arbitrada em homenagem aos princípios da legalidade e não confisco. Vieramme os autos à conclusão. É o relatório. Passo a decidir.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo, assim o crédito tributário lançado, na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 1111/1168, reiterando, as alegações expostas em impugnação. Em anexo ao Recurso Voluntário, o contribuinte juntou aos autos documentos a fim de comprovar suas alegações, quais sejam: Fl. 2155DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.156 21 · Às fls. 1206/1245 e fls. 1312/1351 junta “Descrição dos fatos e enquadramento legal – Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador”; · Às fls. 1352/1400 e fls. 1401/1440 “Demonstrativo de Apuração – Contribuição para outras entidades e fundos”; · Às fls. 1441/1498, Acórdão que deu parcial provimento ao Recurso Especial no processo em que também é recorrente (processo n° 16682721489/201398); · Às fls. 1499/1669 e fls. 1673/2128, contratos individuais de trabalho; É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Da Gratificação Contingente Sobre a rubrica “1469 Gratificação Contingente”, pagas nos anos de 2012 e 2013, basicamente a fiscalização sustenta: a) Previsão em acordos coletivos, que transcreve. b) Habitualidade no pagamento da rubrica (de 2007 a 2015), em parcela única, após pesquisa no sítio da FUP Federação Única dos Petroleiros (http://www.fup.org.br/acordoscoletivos), transcrevendo as previsões dos acordos de trabalho localizados no site. De sua parte, no tópico “DA EXCLUSÃO DAS VERBAS DE GRATIFICAÇÃO DE CONTINGENTE DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES”, alega o contribuinte, basicamente: a) As contribuições previdenciárias devem incidir tão somente sobre as verbas que correspondam a uma contraprestação ao serviço prestado pelo trabalhador, ou seja, as verbas de natureza estritamente salarial, e não sobre a remuneração sob uma visão geral de toda e qualquer quantia recebida. b) A gratificação de contingente é pagamento feito pela Impugnante aos empregados sem respectiva contraprestação pelo trabalho. Tratase de quantia paga em decorrência de previsão do Acordo Coletivo de Trabalho, não havendo qualquer correlação direta com a prestação de serviço. c) Impugnante não estava obrigada a acordar a concessão da gratificação no Acordo Coletivo de Trabalho, fazendo isso por livre e espontânea vontade d) A rubrica não possui uma das principais características das quantias que compõem o salário de contribuição, qual seja, a habitualidade. e) Sobre a verificação no site da Federação Única dos Petroleiros, a autoridade fiscal não verificou como foram feitos os pagamentos nos anos de 2007, 2008, Fl. 2156DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.157 22 2009, 2010, 2011, 2014 e 2015, não tendo avaliado condições, previsões em Acordos Coletivos de Trabalho, tampouco critérios de pagamento, já que a fiscalização foi apenas dos anos de 2012 e 2013. Assim, não pode a autoridade fiscal utilizar informação genérica obtida em site da Federação Única dos Petroleiros para presumir que há habitualidade no pagamento da Gratificação de Contingência e justificar o lançamento das contribuições em exigência, sem analisar qualquer documento relativo aos pagamentos nos anos não fiscalizados. f) O Superior Tribunal de Justiça STJ já se manifestou no sentido de que o pagamento de abono único em sucessivos anos não caracteriza a habitualidade do pagamento da verba, sendo evidente que o pagamento da gratificação de contingente é eventual. g) O tema já foi objeto de pronunciamento pelo Tribunal Superior do Trabalho – TST, conforme Orientação Jurisprudencial nº 64 da SBDI1. O contribuinte alega que o pagamento da Gratificação Contingente não se deu com habitualidade, e, em face do artigo 201, § 11 da Constituição Federal de 1988, não estaria abrangido pela hipótese de incidência previdenciária. Sobre o tema, consoante destacado pela CONTRIBUINTE, o Tribunal Superior do Trabalho – TST, em reiterados julgados, tem se manifestado nos seguintes termos: “RECURSOS DE REVISTA INTERPOSTOS PELAS RECLAMADAS. IDENTIDADE DE MATÉRIAS. ANÁLISE CONJUNTA. GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE E PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PREVISTAS EM NORMA COLETIVA A EMPREGADOS DA ATIVA. NATUREZA JURÍDICA NÃO SALARIAL. NÃO INTEGRAÇÃO NA COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. Segundo a diretriz fixada na Orientação Jurisprudencial Transitória nº 64 da SBDI1 do TST, as parcelas gratificação contingente e participação nos resultados, concedidas por força de acordo coletivo a empregados da Petrobras em atividade, pagas de uma única vez, não integram a complementação de aposentadoria. Dessa orientação divergiu o acórdão recorrido. Recurso de revista parcialmente conhecido e provido.” (TST, RR 12320009.2008.5.04.0202 , Relator Ministro: Walmir Oliveira da Costa, Data de Julgamento: 27/09/2017, 1ª Turma, Data de Publicação: DEJT 29/09/2017) “RECURSO DE REVISTA DA PRIMEIRARECLAMADA PETROBRAS COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA COMPETÊNCIA JUSTIÇA DO TRABALHO DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL MODULAÇÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO. No dia 20/2/2013, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs RE 586.453 e RE 583.050, proferido com repercussão geral, concluiu que cabe à Justiça Comum julgar processos decorrentes de contrato de previdência complementar privada, ainda que oriunda do contrato de trabalho. Contudo, os efeitos da decisão, por questões de segurança jurídica, foram modulados para estabelecer que permanecerão na Justiça do Trabalho todos os processos com sentença de mérito proferida até aquela data. Logo, como na situação a decisão de primeiro grau com resolução de mérito foi prolatada antes do julgamento da matéria pela Corte Suprema, fica preservada a competência da Justiça do Trabalho para a resolução do litígio. Fl. 2157DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.158 23 Recurso de revista da primeirareclamada não conhecido. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA PETROBRAS PETROS PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE NORMA COLETIVA NATUREZA INDENIZATÓRIA EXTENSÃO AOS APOSENTADOS IMPOSSIBILIDADE. O art. 7º, XI, da Constituição Federal estabelece a natureza jurídica indenizatória da participação nos lucros. Além disso, nos termos do art. 7º, XXVI, da Constituição da República, deve ser prestigiado o pactuado em norma coletiva, invocandose o princípio da autonomia da vontade coletiva, desde que não haja o desrespeito a norma de ordem pública ou máfé. Logo, a participação nos lucros e a gratificação contingente, previstas em norma coletiva e pagas em parcela única, são devidas apenas aos empregados em atividade e têm natureza jurídica indenizatória, sendo descabida a extensão das referidas parcelas aos inativos e a sua integração aos proventos de complementação de aposentadoria. Incide a Orientação Jurisprudencial Transitória nº 64 da SBDI1 do TST. Recurso de revista da primeirareclamada conhecido e provido. RECURSO DE REVISTA DA SEGUNDARECLAMADA PETROS PERDA SUPERVENIENTE DO OBJETO. Ante o conhecimento e provimento do recurso de revista da primeirareclamada, com a improcedência dos pedidos iniciais dos autores, fica prejudicado o exame do apelo de revista da segundareclamada, em razão da total perda superveniente do seu objeto. Recurso de revista da segundareclamada prejudicado.” (TST, RR 14630082.2002.5.01.0041 , Relator Ministro: Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, Data de Julgamento: 26/10/2016, 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT 28/10/2016) “I EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA FUNDAÇÃO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL PETROS. GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE. OMISSÃO. Reconhecida a omissão em relação ao tema gratificação contingente, dáse provimento aos embargos de declaração para sanar omissão e analisar o recurso de revista quanto ao tema em questão. Embargos de declaração conhecidos e providos, com efeito modificativo. II RECURSO DE REVISTA. GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE. A decisão regional em que se deferiu a inclusão da parcela denominada "Gratificação Contingente" no cálculo da complementação de aposentadoria, está em contrariedade aos termos da OJ 64 da SBDI1 Transitória, segundo a qual "As parcelas gratificação contingente e participação nos resultados, concedidas por força de acordo coletivo a empregados da Petrobras em atividade, pagas de uma única vez, não integram a complementação de aposentadoria". Recurso de revista conhecido por contrariedade à OJ Transitória nº 64 da SBDI1 e provido, no particular.” (TST, EDARR 21140086.2008.5.04.0203, Relator Ministro: Alexandre de Souza Agra Belmonte, Data de Julgamento: 22/11/2016, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 25/11/2016) Fl. 2158DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.159 24 O Tribunal Superior do Trabalho buscou uniformizar a jurisprudência, resultando na edição da OJ Transitória 64 SBDI1, nos seguintes termos: “64. Petrobras. Parcelas gratificação contingente e participação nos resultados deferidas por norma coletiva a empregados da ativa. Natureza jurídica não salarial. Não integração na complementação de aposentadoria. (DeJT 03/12/2008). As parcelas gratificação contingente e participação nos resultados, concedidas por força de acordo coletivo a empregados da Petrobras em atividade, pagas de uma única vez, não integram a complementação de aposentadoria.” No julgamento do Recurso de Revista nº 738054/2001.0, a 5ª Turma do TST, por intermédio do voto da lavra do eminente ministro Emmanoel Pereira, reconheceu a natureza indenizatória das parcelas denominadas "participação nos resultados" e "gratificação de contingente". Cumpre transcrever trecho do voto condutor daquele julgado. Confirase: “2. MÉRITO PETROBRÁS. PARCELA PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS DEFERIDAS POR NORMA COLETIVA A EMPREGADOS DA ATIVA. NATUREZA JURÍDICA NÃO SALARIAL. NÃOINTEGRAÇÃO NA COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. Limitase a controvérsia em definir a natureza jurídica imanentes às parcelas creditadas aos empregados da ativa, ligados à PETROBRAS, a título de "participação nos resultados" e "gratificação de contingente". No âmbito do Tribunal Superior do Trabalho, a questão não mais comporta questionamento. Em termos gerais, a Corte entende que a parcela instituída por negociação coletiva com destinação específica aos empregados em atividade a serem pagas uma única vez e não incorporadas ao salário não são passíveis de reflexos na complementação de aposentadoria. É o que deflui da Orientação Jurisprudencial nº 346 da SBDI1, abaixo reproduzida: ABONO PREVISTO EM NORMA COLETIVA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. CONCESSÃO APENAS AOS EMPREGADOS EM ATIVIDADE. EXTENSÃO AOS INATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. DJ 25.04.07 A decisão que estende aos inativos a concessão de abono de natureza jurídica indenizatória, previsto em norma coletiva apenas para os empregados em atividade, a ser pago de uma única vez, e confere natureza salarial à parcela, afronta o art. 7º, XXVI, da CF/88. No caso em foco, relativo à PETRO e PETROBRAS, o TST também pacificou entendimento. As parcelas creditadas aos empregados da ativa, em parcela única, sem reflexo em outras verbas, a título de "participação nos resultados" e "gratificação de contingente" revestemse de natureza indenizatória e, por isto, não comportam extensão aos inativos. Nesse sentido, menciono os seguintes precedentes específicos à PETROBRAS e PETROS: Fl. 2159DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.160 25 "GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE E PARTICIPAÇÃO DE RESULTADO ACORDO COLETIVO REPERCUSSÃO NA COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA PETROBRAS. Não se há falar em ofensa ao art. 457, § 1º, da CLT, pela peculiaridade registrada na decisão Regional, de que as verbas deferidas não se incorporam ao salário, já que os abonos concedidos o foram a título de participação nos resultados, conforme firmado em acordo coletivo, e pagos em parcela única. Recurso de Embargos não conhecido" (ERR44387/ 20029001100, Rel. Min. Carlos Alberto Reis de Paula, DJ 22/06/07); "EMBARGOS. PETROBRAS PARTICIPAÇÃO EM RESULTADOS. GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE. INCORPORAÇÃO À COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA INDEVIDA. 1. Não se identificam elementos hábeis à declaração da natureza salarial das verbas gratificação contingente e participação de resultados. A inexistência de habitualidade afasta, de imediato, a incorporação das parcelas ao contrato de trabalho, não havendo falar em violação ao artigo 457, § 1º, da CLT. 2. O art. 7º, XI, da Constituição da República não foi prequestionado, nos termos da Súmula nº 297 do TST. Embargos não conhecidos" (ERR44381/ 20029001100, Rel. Min. Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, DJ 25/05/07); "GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE E PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA DA PARCELA. ACORDO COLETIVO. Devese prestigiar o pactuado entre empregados e empregadores por meio de convenções e acordos coletivos de trabalho, sob pena de violação ao disposto no art. 7º, inc. XXVI, da Constituição da República. A flexibilização no Direito do Trabalho, fundada na autonomia coletiva privada, permite a obtenção de benefícios para os empregados com concessões mútuas. Portanto, se as partes decidiram vedar a incorporação das verbas em apreço na remuneração, não se pode dar interpretação elastecida ao instrumento normativo. Recurso de Embargos de que não se conhece" (ERR785.415/ 2001.5 Rel. Min. João Batista Brito Pereira, DJ 02/02/07). Ante o exposto, dou provimento ao recurso de revista, para, reconhecendo a natureza indenizatória das parcelas denominadas "participação nos resultados" e "gratificação de contingente", julgar improcedente todos os pedidos deduzidos na petição inicial. Invertido o ônus da sucumbência. Custas pelos reclamantes, no importe de R$ 27,00, calculadas sobre o valor atribuído à causa, de cujo pagamento ficam dispensados na forma da lei.” (grifouse) O Recorrente alega, ainda, que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, editou o Ato Declaratório nº 16, de 20 de dezembro de 2011 (DOU de 22.12.2011), em que reconhece expressamente que sobre o abono único previsto em convenção coletiva de trabalho, e desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não incide contribuição previdenciária, in verbis: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso Fl. 2160DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.161 26 II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que ‘nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária’. JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp nº 1.125.381/SP (DJe 29/4/2010), REsp nº 840.328/MG (DJ 25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe 18/5/2009). Por oportuno, transcrevo a ementa de julgado deste Conselho, pelo afastamento da incidência de contribuição previdenciária sobre a rubrica gratificação contingente: [...] GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE. NORMA COLETIVA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. Nos termos do art. 7º, XXVI, da Constituição da República, deve ser prestigiado o pactuado em norma coletiva, invocandose o princípio da autonomia da vontade coletiva, desde que não haja o desrespeito a norma de ordem pública ou máfé. Logo, a gratificação contingente, prevista em norma coletiva e paga em parcela única, é devida apenas aos empregados em atividade e têm natureza jurídica indenizatória, sendo descabida a extensão das referidas parcelas aos inativos e a sua integração aos proventos de complementação de aposentadoria. Incide a Orientação Jurisprudencial Transitória nº 64 da SBDI1 do TST. [...] (Acórdão nº 2401005.284, Relatora Luciana Matos Pereira Barbosa, julgado em 07.02.2018.) Verifico, no presente caso, que se encontram presentes os requisitos estabelecidos no art. 28, §9º, ‘e’, item 7, da Lei 8.212/91, para a não incidência da contribuição previdenciária, a vista que as importâncias recebidas são expressamente desvinculados do salário, conforme determinam os Acordos Coletivos (não incorporados os respectivos salários) e pagos sem habitualidade, não possuindo natureza salarial e portanto, deve ser afastada a contribuição previdenciária sobre a rubrica gratificação contingente. Da Participação nos Lucros e Resultados PLR Quanto à Participação nos Lucros e Resultados, após várias considerações teóricas sobre o tema, a fiscalização fundamenta o lançamento em dois pontos específicos: 1) Rubrica "/B10 Particip Lucr e ou Result" paga a diversos segurados empregados nas competências 04/2013, 05/2013 e 07/2013, violandose a regra da periodicidade exigida pela Lei nº 10.101/00, promovendo o lançamento dos valores pagos tão somente na competência 05/2013. 2) Pagamento de PLR, conforme registro das folhas de pagamento, aos seguintes segurados contribuintes individuais: Agenor César Junqueira Leite categoria 11 diretor não empregado sem FGTS; Cláudio Ribeiro Teixeira Campos categoria 11 diretor Fl. 2161DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.162 27 não empregado sem FGTS; Jose Sergio de Oliveira Machado categoria 5 diretor não empregado com FGTS; Marcelo Rosa Renno Gomes categoria 5 diretor não empregado com FGTS; e, Rubens Teixeira da Silva categoria 5 diretor não empregado com FGTS. 2a) Posição privilegiada dos administradores, em comparação aos empregados, com relação ao estabelecimento dos critérios e metas para atribuição do montante a ser recebido a título de PLR. 2b) Mesmo que o contribuinte considerasse que a rubrica recebida pelos membros da Diretoria da Transpetro em 2013 referiase à PLR de administradores, prevista no artigo 190 da Lei n° 6.404/76, os valores pagos, devidos ou creditados sob esse título deveriam compor a base de cálculo de contribuições previdenciárias. Em relação ao item 1, a contribuinte impugna o primeiro ponto do lançamento (pagamentos em violação à regra da periodicidade mínima), afirmando, em síntese, que o motivo justificador destes pagamentos é o fato de que os empregados que receberam PLR nos meses de 04 e 05/2013 não ocuparem o mesmo cargo nos dois períodos, ou seja, estes empregados receberam o PLR nos meses de abril e maio/2013, mas ocupando cargos diversos. Ainda, afirma que somente receberam PLR aqueles empregados que atingiram as metas e resultados estabelecidos para as posições que ocupavam na empresa no período. A DRJ se posicionou sobre o tema: "(...) ouso divergir do contribuinte. Poderia até ser possível que um mesmo segurado atingisse as metas e objetivos de cada um dos cargos, ao longo de um período razoável de tempo, por exemplo, um semestre. No entanto, considerando que em um mês está ele provendo um cargo, e no outro, já ocupa novo cargo, resta sumamente difícil crer que em período tão curto de tempo tenha atingido as metas e resultados no novo cargo. Se assim ocorreu, obviamente, as metas fixadas não eram por cargos, mas sim gerais, e, dessa forma, pouco importava se em um ou em outro cargo, a periodicidade mínima deveria ser respeitada. A fiscalização traz aos autos o Anexo II de fls. 418/420. Confira se os valores pagos a cada empregado: (...) Ora, os valores são consideráveis para se entender que em tão pouco tempo, de um mês para outro, houve o atingimento de metas e resultados pelos segurados em relação aos cargos ocupados. Aliás, é interessante observar que o contribuinte não traz qualquer elemento de prova que demonstre que, de fato, houve a suposta transferência dos segurados e em relação a quais cargos eles atingiram suas metas respectivas e quais foram estas metas a justificar a suposta “complementação de PLR”. A Lei nº 10.101/2000 não impede que se receba a PLR em relação a cargos distintos, desde que, evidentemente, se comprove cabalmente que houve o atingimento das metas respectivas em cada um deles. O que não se mostra razoável é que de um mês a outro se atinja a meta do novo cargo, ou, como alega o contribuinte, no caso dos segurados Cristina Helena Zagratzki Smith da Silva e Antonio José Caldas Rodrigues, que nos meses de maio, abril e julho, receberam valores de cargos diferentes! A alegação afronta o bom senso! Fl. 2162DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.163 28 Outrossim, a simples verificação da matrícula do segurado empregado não prova nada, pois é apenas um número interno de controle do contribuinte que não tem demonstrada a eventual relação que ele tenha com este ou aquele cargo, não tendo este Relator mediunidade para adivinhar esta vinculação! Isto é ônus probatório do contribuinte, não desempenhado, frisese. Dispõe a Lei nº 10.101/2000: Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 20 de junho de 2013) Diante disso, concluiu a DRJ, cujo entendimento compartilho, que seja antes do advento da Lei nº 12.832/2013, como após ela, os pagamentos feitos em três parcelas a determinados segurados sem qualquer comprovação no sentido de que, de fato, faziam jus ao pagamento complementar, seja por erro quanto aos pagamentos originários, seja pela suposta mudança de cargo, neste caso provandose o atingimento de metas no cargo em questão, configuram parcela integrante do salário de contribuição, porque feitos em desacordo com a Lei nº 10.101/00, a teor do artigo 28, § 9º, alínea “j” da Lei nº 8.212/91. Portanto, carece de razão a contribuinte neste tocante. Pois bem. Em relação ao item 2, entendo que se os ditames da Lei nº 10.101/00 se aplicam ao contribuinte individual, ou seja, cumpridos os requisitos previstos na Lei nº 10.101/00, há isenção da contribuição previdenciária nos pagamentos realizados ao contribuinte individual a título de PLR. Ao instituir uma gama de direitos aos trabalhadores, a Constituição Federal assim determinou: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ... XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;” (grifouse) Não quis, o Constituinte, diferenciar os trabalhadores. Podemos assim inferir, pois quando optou por identificar determinados trabalhadores, a Carta Fundamental assim o fez, como se pode observar no inciso XXXIV e parágrafo único, ambos do mesmo artigo 7º acima, que se referem especificamente ao trabalhador avulso, que teve seus direitos equiparados; e ao doméstico, que na redação original da Carta, os teve diminuídos. Idêntica redação tem a Lei 10.101, de 2000, que em seu artigo 1º, explicita: “Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à Fl. 2163DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.164 29 produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição.” (grifouse) Para alguns, por mencionar a categoria dos empregados, nos caputs dos artigos 2º e 3º, dispositivos que explicitam os requisitos para a validade da PLR, a Lei nº 10.101 restringiria a estes trabalhadores o direito à participação nos lucros e resultados. No acórdão nº 2201003.370, o Conselheiro Relator Carlos Henrique de Oliveira, assim expõe seu voto, o qual foi acolhido por unanimidade na sessão de julgamento de 18 de janeiro de 2017, cujo entendimento compartilho: "(...) o uso do vocábulo empregado se constituiu um pressuposto lógico, pois o dispositivo constante do artigo 2º trata da participação do sindicato na elaboração do plano, e o do artigo 3º versa sobre a integração da verba paga a título de PLR na remuneração e nos reflexos trabalhistas que só existem para o empregado. A uma não haveria outro modo de redigir a norma, pois ao desejar que os trabalhadores estivessem representados na mesa de negociação com os empregadores por alguém que lhe defendessem os interesses, esse alguém só poderia ser o sindicato, entidade típica dos empregados, que já tem – por expressa previsão constitucional – esse mister. A outra, porque reflexos trabalhistas sobre verbas pagas pelo trabalho, também só surgem para os empregados. Mera busca na letra fria da lei só encontra mais uma remissão aos empregados, justamente no parágrafo 1º do artigo 3º, de onde se conclui que não há, nem do ponto de vista semântico, a intenção do legislador de restringir o benefício. Reiterese, que, ao tratar da questão da tributação da renda decorrente do recebimento da PLR, volta novamente o legislador a utilizarse da expressão “trabalhador”. Por fim, necessário recordar, numa interpretação teleológica, que o contribuinte individual, por exemplo, o diretor, contribui também com seu labor para o atingimento das metas e resultados da empresa. Subtrair tal benefício dessa categoria é discriminar alguém que, em regra, não sendo detentor do capital, só possui o trabalho para obter renda e sustentar sua família. Vários julgados deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais corroboram esse entendimento (PAF 10920.002868/200881, Ac. 2301003.024, dj; PAF 11020.002008/201079, Ac. 2301002.492 dj 18.01.2014). Wagner Balera e Thiago Taborda Simões, em obra de fôlego sobre o tema (Participação nos Lucros e nos Resultados: Natureza Jurídica e Incidência Previdenciária, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, FISCOSoft Editora, 2014, p. 163), asseveram: “...Na linha da literalidade, entendese que a norma de isenção descreve a materialidade a exclusão da incidência sobre as verbas pagas aos empregados da pessoa jurídica, conceito que não albergaria os contribuintes individuais (diretores estatutários, administradores, conselheiros), por não gozarem dessa qualidade. Fl. 2164DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.165 30 Por outro lado, a interpretação sistemática considera o benefício fiscal extensivo aos estatutários, por não integrarem o salário de contribuição. Enfileiramonos com a segunda posição. A norma de isenção da PLR é extensiva aos diretores (contribuintes individuais), já que a norma específica que trata do tema – Lei nº 10.101/2000 – não estabelece a limitação” Não obstante o todo o exposto, outro ponto, ao meu ver irrefutável, deve ser analisado. Disse, há pouco, que não quis o Constituinte distinguir os trabalhadores, ao reverso, fez questão de aproximálos pois, quando entendeu necessário, expressamente se referiu a um e a outro. Porém, outra consideração de cunho eminentemente jurídico deve ser apresentada. É cediço que a interpretação jurídica deve ser feita com estrito respeito aos princípios jurídicos que enfeixam o Direito. Mestre JJ Gomes Canotilho, no clássico Direito Constitucional e Teoria da Constituição (7ª edição, Almedina, pag. 1223), elucida que a Constituição deve ser interpretada segundo um catálogo dos princípios tópicos da interpretação constitucional, desenvolvido a partir de uma postura metódica hermeneutico concretizante, recortados pelo autores de forma diversa. Para ele, dois princípios são determinantes: "Princípio da unidade da constituição: O princípio da unidade da constituição ganha relevo autônomo com princípio interpretativo quando com ele se quer significar que a constituição deve ser interpretada de forma a evitar contradições (antinomias, antagonismos) entre suas normas. Como "ponto de orientação", "guia de discussão" e "factor hermenêutico de decisão", o princípio da unidade obriga o intérprete a considerar a constituição em sua globalidade e a procurar harmonizar os espaços de tensão entre as normas constitucionais a concretizar (...). Daí que o interprete deva sempre considerar as normas constitucionais não como normas isoladas e dispersas, mas sim como preceitos integrados num sistema interno unitário de normas e princípios. Princípio da máxima efetividade Este princípio, também designado por princípio da eficiência ou princípio da interpretação efectiva, pode ser formulado da seguinte maneira: a uma norma constitucional deve ser atribuído o sentido que maior eficácia lhe dê. (...)" (destaques não constam do original) Ainda mais enfática é a posição de Humberto Ávila (Teoria dos Princípios: da definição à aplicação dos princípios jurídicos. 15ª ed. Malheiros. pag. 158/160). Após recordar que: "Princípios não são necessariamente meras razões ou simples argumentos afastáveis, mas também estruturas e condições inafastáveis" Fl. 2165DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.166 31 O doutrinador e professor titular da UFRGS, assevera com tintas fortes: "Quando a Constituição contém um dispositivo que privilegia o caráter descritivo da conduta, ou a definição de um âmbito de poder, há, nesse contexto e nesse aspecto, a instituição de uma regra que não pode ser simplesmente desprezada pelo legislador, ainda que haja internamente alguma margem de indeterminação para a definição de seu sentido" Nesse mesmo sentido, Tércio Sampaio Ferraz (Direito Constitucional, Manole, 2007, pg. 10 'in fine'), ensina: "Por exemplo, uma norma constitucional que impõe uma vedação (proibição de instituir tributo que não seja uniforme) valida normas legais que estatuam tributações, se respeitada a vedação, independentemente de se os fins (provimento de recursos adequados às necessidades) estão ou não sendo alcançados" A Carta da República, em seu artigo 150, que versa sobre as limitações do poder de tributar, peremptoriamente, assevera: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado a União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos" Refletindo sobre os princípios tributários, Paulo de Barros Carvalho (Direito Tributário: Linguagem e Método, 2ª ed. Noeses, 2008, pg. 267), esclarece: "Quando a estimativa "igualdade" é empregada em direito tributário, o critério é bem objetivo: dois sujeitos de direito que apresentarem sinais de riqueza expressos no mesmo padrão monetário haverão de sofrer a tributação em proporções absolutamente iguais" Voltemos às disposições da Lei nº 10.101/00: "Art.3º A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 5º A participação de que trata este artigo será tributada pelo imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, no ano do recebimento ou crédito, com base na tabela progressiva anual constante do Anexo e não integrará a base de cálculo do imposto devido pelo beneficiário na Declaração de Ajuste Anual." Fl. 2166DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.167 32 Ao recordarmos que a Lei nº 10.101/00 trata sobre o Imposto sobre a Renda da Pessoa Física incidente sobre os valores percebidos pelo trabalhador a título de Participação nos Lucros e Resultados e mais, o faz de forma favorecida, se torna patente que a interpretação que discrimina o diretor estatutário, vedando seu direito ao recebimento da Participação, ofende de morte a Constituição Federal posto que colide frontalmente com a regra (caráter descritivo da conduta nos dizeres de Humberto Ávila), constante do inciso II do artigo 150 transcrito. Por óbvio que tal interpretação não pode ser aceita uma vez que contraria direito do contribuinte constitucionalmente esculpido, tratado pela Carta como vedação ao poder de tributar. Ao afastarmos o direito a percepção da PLR nos termos da Lei nº 10.101/00, o contribuinte individual estaria submetido a tributação sobre o valor recebido com base na tabela vigente para a remuneração decorrente do trabalho. Já, para a mesma verba, recebida pelo diretor empregado ou seja, trabalhador na mesma ocupação profissional ou função este teria direito a uma menor tributação para a mesma renda obtida, vez que decorrente de PLR. Leandro Paulsen (Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da jurisprudência e da doutrina, 15ª ed. Livraria do Advogado Ed., 2013, pg. 185), é enfático em afirmar: " O art. 150, II, da CF é expresso em proibir qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos" Como nos recorda JJ Canotilho, a interpretação deve ser realizada evitandose antinomias constitucionais e mais, ampliandose o gozo de direitos constitucionalmente esculpidos Não há tal vício de inconstitucionalidade na Lei nº 10.101/00. Não será o interprete que irá criálo. Assim, acompanhados pela jurisprudência administrativa e pela moderna doutrina, e principalmente, por entender que a norma de isenção representada pela Lei nº 10.101/00, não limitou o benefício fiscal e trabalhista à determinada categoria de trabalhadores – até porque tal procedimento seria claramente discriminatório e inconstitucional – sou de opinião que a PLR, desde que devidamente implementada, com o programa de criação do plano – devidamente aprovado pelo sindicato dos empregados explicitamente não excluindo os contribuintes individuais, pode sim ser extensiva a todos os trabalhadores da empresa. Do exposto, forçoso reconhecer que o recurso voluntário deve ser provido nessa parte. Assim, que preenchidos os requisitos para não incidência de contribuição previdenciária sobre pagamento de PLR aos seguintes segurados contribuintes individuais: Agenor César Junqueira Leite categoria 11 diretor não empregado sem FGTS; Cláudio Ribeiro Teixeira Campos categoria 11 diretor não empregado sem FGTS; Jose Sergio de Fl. 2167DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.168 33 Oliveira Machado categoria 5 diretor não empregado com FGTS; Marcelo Rosa Renno Gomes categoria 5 diretor não empregado com FGTS; e, Rubens Teixeira da Silva categoria 5 diretor não empregado com FGTS. Dos Pagamentos Realizados a Diretores Empregados da Petrobrás No que tange à parte do lançamento denominada “Diretores Empregados da Petrobrás”, sustenta a fiscalização, em linhas fundamentais, que o contribuinte remunerou dois diretores (segurados contribuintes individuais), cedidos pela Petrobrás S.A, Srs. Agenor César Junqueira Leite e Cláudio Ribeiro Teixeira Campos. Dentre as várias rubricas pagas, a única que não sofreu incidência previdenciária foi a rubrica “1010 Rem Global Dir S Enc”, abrangendo pagamento de honorários aos diretores, como informado pelo contribuinte. Em consequência, o contribuinte não inseriu esta rubrica na folha de pagamento e não a declarou em Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. A Petrobrás S.A também não o fez relativamente à rubrica “1010 Rem Global Dir S Enc”. O contribuinte afirma que se trata de honorários pagos aos dirigentes cedidos pela Petrobrás, com vínculo empregatício com esta empresa, razão pela qual a responsável pelo recolhimento das contribuições incidentes sobre tais verbas era a Petrobrás e não ele. Considerandose, assim, que as remunerações dos dois dirigentes estavam sendo declaradas na GFIP da Petrobrás e as respectivas contribuições previdenciárias também estavam sendo recolhidas por ela, a Impugnante não procedeu à mesma declaração em GFIP, tampouco ao recolhimento em duplicidade das contribuições. A questão que se põe não envolve maiores dificuldades, resolvendose pela atribuição pertinente da responsabilidade pelos fatos geradores. Nos termos do Código Tributário Nacional CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; Nos termos da Lei nº 8.212/91, eis a relação pessoal e direta que se estabelece entre o contribuinte e os diretores que lhe prestam serviços: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Assim, sabendose que a teor dos artigos 12, inciso V, alínea “f” e 28, inciso III, todos da Lei nº 8.212/91, os diretores não empregados são segurados contribuintes individuais, pouco importa que eles permaneçam de alguma forma vinculados à Petrobrás S.A. O que importa no presente caso é que o contribuinte autuado, e não a Petrobrás S.A realizou pagamento de remuneração tributável, porquanto se trata de honorários pelos serviços prestados na qualidade de diretores, constituindo ele, o contribuinte autuado, a Petrobrás Transporte S.A – Transpetro, o sujeito passivo da exação, cabendolhe, como corolário, proceder à inserção das rubricas tributáveis na folha de pagamento e a respectiva declaração na Fl. 2168DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.169 34 Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, não cabendo a imputação desta responsabilidade a outrem, ainda que este seja o cedente dos profissionais remunerados pelo contribuinte. É dizer, ainda que tenha sido cedido o diretor e haja acordo entre as duas empresas, isto não afasta a ocorrência do fato gerador e a responsabilidade em relação a ele, a cargo da Transpetro, o contribuinte que, de fato, remunerou os profissionais cedidos, e não a Petrobrás. Assim, poderia até ser que por um acordo entre as empresas a Transpetro realizasse os pagamentos remuneratórios e procedesse aos recolhimentos previdenciários devidos, e, em momento posterior, obtivesse o reembolso ou compensação pela Petrobrás, estabelecendose uma relação civil na espécie. O que não se admite é antecipar toda esta relação para alterar os efeitos tributários da ocorrência do fato gerador. Portanto, seja no que pertine à obrigação principal de recolhimento tributário, seja no que toca ao cumprimento das obrigações acessórias (inserção de todas as rubricas na folha de pagamento e integral declaração na Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social GFIP), a responsabilidade tributária se mantém no contribuinte autuado, porquanto foi ele, e não a Petrobrás, quem praticou os fatos geradores, remunerando segurados contribuintes individuais a seu serviço. Carece de razão a contribuinte, portanto. Do Bônus de Desempenho Sobre a rubrica “Bônus de Desempenho”, recebida, segundo a folha de pagamento, pelos diretores segurados contribuintes individuais, na competência 04/2013, Srs. Agenor César Junqueira Leite, Cláudio Ribeiro Teixeira Campos, Jose Sergio de Oliveira Machado, Marcelo Rosa Renno Gomes e Rubens Teixeira da Silva, a fiscalização sustenta ter intimado o contribuinte a prestar esclarecimentos e os esclarecimentos prestados demonstraram tratarse simples abono ou gratificação, pago a dirigentes em retribuição/reconhecimento ao trabalho desenvolvido, por decisão da administração da empresa. Também afirma que o fato de terem sido tais remunerações pagas em parcela única em 04/2013 não caracteriza o pagamento como eventual, pois conforme exposto na resposta do contribuinte, a periodicidade de pagamento de tal rubrica é anual. De sua parte, o contribuinte impugna esta parte do lançamento, sob o argumento segundo o qual o bônus de desempenho foi um pagamento feito uma única vez aos diretores em razão de decisão do Conselho de Diretores, não tendo sido, inclusive, a natureza de contraprestação do trabalho desenvolvido, já que pago desproporcionalmente e sem qualquer vinculação às atividades realizadas no ano. Ainda, afirma que o bônus de desempenho não possui as duas características essenciais para que seja atribuída natureza salarial à verba, ou seja, a retributividade e a habitualidade. Também não houve qualquer proporcionalidade no pagamento realizado, o que, por si só, já afasta a característica da retributividade, já que completamente desvinculada do trabalho dos diretores. Por fim, os valores pagos a título de bônus de desempenho considerados no lançamento combatido incluem os pagamentos feitos aos diretores Agenor César Junqueira Leite e Cláudio Ribeiro Teixeira Campos, os quais são empregados da Petrobrás, razão pela qual não haveria o que se falar em exigência em face da Impugnante. Com a devida vênia, a justificativa apresentada pelo contribuinte não convence. Se é um “Bônus de Desempenho” (friso e carrego na tinta) como admitirse que tenha sido pago sem o caráter de contraprestação ao trabalho. Se é um pagamento que decorre do desempenho do profissional – pois “desempenho” pressupõe algo esperado ou desejado – natural e essencialmente há que se aquilatar e pressupor que haja um mérito quanto ao seu cabimento, isto é, que se tenha uma meta ou resultado, ou mesmo um objetivo ou performance esperada, que tenha sido atingido Fl. 2169DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.170 35 como critério justificador do pagamento da rubrica. Caso contrário, ou seja, não havendo nenhum aspecto de mérito a ser considerado como supedâneo ao pagamento, a rubrica paga decorre meramente da prestação dos serviços, e como tal, deve ser tributada. Por outro lado, em termos de contribuintes individuais não há que se falar na distinção entre salário e remuneração, porquanto, constituindo seus serviço uma prestação material fora do contexto do trabalho subordinado, todos os pagamentos por ele recebidos integram o conceito de remuneração tributável, salvo, obviamente, os valores recebidos a título de indenização por danos sofridos ou reembolso de despesas comprovadas. Quanto a contribuintes individuais não há que se falar em proporcionalidade do pagamento, retributividade e habitualidade ou não. Tratandose de uma relação de trabalho peculiar, não sujeita ao poder diretivo do empregador, e sem as salvaguardas inerentes à relação de emprego, uma vez que se fundamenta nos princípios da autonomia e da liberdade de contratar, não há que se buscar amparo nos conceitos da relação de trabalho subordinado, pois nela vigora o princípio da hipossuficiência do empregado. Ademais, o tema já não comporta maiores digressões, pois já foi objeto de pronunciamento pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme o já citado processo administrativo nº 16682.721450/201371, acórdão nº 2401004.562 – 4a. Câmara / 1a. Turma Ordinária, cujo julgamento se deu em sessão datada de 19/01/2017: No voto da Conselheira Relatora Luciana Matos Pereira Barbosa resta assim delineada a questão: "O Recorrente alega que os citados pagamentos deramse como forma de indenização pelos desempenhos dos empregados, exsurge cristalina a natureza remuneratória destes, como forma de incentivo ao desempenho funcional, sendo concedidos, “pelo” e não, “para”, o trabalho. Nesse tocante, tornase irrelevante se há ou não previsão de extensão a todos os empregados, dado que a lei não trata da abrangência das citadas rubricas como critério de incidência de contribuição. Aliado a isso a (artigos. 22, I, c/c art. 28, ambos, da Lei nº 8.212/91), ausência de norma que isenta em lei ou ACT a inaplicabilidade do Ato Declaratório PGFN nº 16, de 20.12.2011. Dessa forma, mostrase firme o lançamento nos moldes efetuados." Assim, compartilho da conclusão da DRJ de origem, onde concluise que o bônus concedido nada mais é do que uma remuneração mensal adicional ao Presidente e aos Diretores, sem qualquer vinculação a metas, resultados, objetivos, atuação profissional ou qualquer outro requisitos de performance. Apenas, única e exclusivamente, o bônus é devido pelo simples fato da atuação de cada um dos profissionais como Presidente e Diretores, respectivamente, o que corrobora o caráter salarial da verba, concedida que foi “pelo” trabalho executado. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para afastar da base de cálculo do lançamento fiscal os valores pagos a título de: a) "gratificação contingente"; b) PLR aos seguintes segurados contribuintes individuais: Agenor César Junqueira Leite categoria 11 diretor não empregado sem FGTS; Cláudio Ribeiro Teixeira Campos categoria 11 diretor não empregado sem FGTS; Jose Sergio de Oliveira Machado categoria 5 diretor Fl. 2170DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.171 36 não empregado com FGTS; Marcelo Rosa Renno Gomes categoria 5 diretor não empregado com FGTS; e, Rubens Teixeira da Silva categoria 5 diretor não empregado com FGTS. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada Felicito o i. Conselheiro Martin da Silva Gesto, pela clareza com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento, em relação à gratificação de contingência e PLR pago a contribuintes individuais. Gratificação de contingência Primeiramente, a verba de contingência, como demonstrado pela fiscalização, não se tratou de parcela única, nem está expressamente desvinculada do salário por expressa previsão legal, a fim de que a ela seja aplicado o Parecer da PGFN nº 2114/2011, que deu origem ao Ato Declaratório nº 16/2011, publicado no DOU de 09/12/2011, e como determina legislação específica previdenciária que expressamente nomeia as verbas que não integram o saláriocontribuição. Ademais, peço vênia para transcrever trecho do voto condutor do Acórdão nº 9202003.044, que explica com acerto, a confusão que tem sido feita entre os conceitos de não eventualidade e habitualidade para fundamentar, a meu ver equivocadamente, a não incidência de contribuição previdenciária sobre determinadas verbas: Como se vê, da leitura do art. 22, I e do art, 28,1 da Lei n° 8.212/91 e do art. 201, § 1o do RPS, que somente é exigido o requisito da habitualidade no que diz respeito ao "salário in natura", por incluir, expressamente, no conceito de remuneração os "ganhos habituais sob a forma de utilidades", sem fazer menção ao requisito habitualidade para os pagamentos em espécie. Ou seja, no campo de incidência das contribuições previdenciárias encontramse: a) a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, inclusive gorjetas (salário em espécie); e b) os ganhos habituais sob a forma de utilidades (salário in natura/ Podese, então, concluir que a lei, ao definir a hipótese de incidência da contribuição previdenciária, exige o requisito da habitualidade tão somente para o salário in natura. Por seu turno, o art. 28, § 9o , alínea "e", item "7" prevê expressamente que as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais são isentas de contribuições sociais previdenciárias: "Não integram o saláriodecontribuição (remuneração) para os fins desta Lei, exclusivamente: (...)as importâncias: (...)recebidas a título de ganhos eventuais (...)"Assim sendo, podese afirmar que "a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho ", independentemente de serem ou não habituais, Fl. 2171DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.172 37 encontramse no campo de incidência das contribuições previdenciárias. Entretanto, "as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais " encontramse excluídas da sua base de cálculo por se tratarem de importâncias atingidas pela isenção. Entendo que está sendo criada uma grande confusão ao tentarem comparar os conceitos de "habitualidade com o de não eventualidade" ou o "não habitualidade com o de eventualidade". Para o Dicionário Michaelis, as definições são: Habitual 1 Que acontece ou se faz por hábito. 2 Frequente, comum, vulgar. 3 Usual. Eventual 1 Dependente de acontecimento incerto. 2 Casual, fortuito. 3 Variável. De acordo com o Vocabuário Jurídico de Plácido e Silva: Habitualidade De habitual, entendese a repetição, a sucessividade, a constância, a iteração, na prática ou no exercício de certos e determinados atos, em regra da mesma espécie ou natureza, com a preconcebida intenção de fruir resultados materiais ou de gozo. Eventualidade De evento, significa o caráter e a condição do que é eventual, mostrando assim a possibilidade e a probabilidade do fato, cuja realização é esperada ou aguardada. A habitualidade, como requisito para que a prestação in natura, integre o saláriodecontribuição, diz respeito a freqüência da concessão da referida prestação. Já a eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no art. 28, § 9o , alínea "e", item "7", ou seja, que decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, dizem respeito a ocorrência de caso fortuito. No presente caso há de se assinalar, primeiramente, que foram realizados pagamentos em pecúnia, o que afasta a necessidade de se indagar a habitualidade com que o pagamento foi realizado. No presente caso há de se assinalar, que os pagamentos foram em pecúnia, o que afasta a necessidade de se indagar a habitualidade com que eles foram realizados; nem se trata de pagamento decorrente de caso fortuito, pois é um pagamento que se perpetua no tempo, como demonstrou a fiscalização. Portanto, nada há de eventual em tal pagamento. Porém, ad argumentandum tantum, não há que se falar que a fiscalização tenha se baseado em informação genérica obtida em site da Federação Única dos Petroleiros, mas nos Acordos Coletivos de Trabalho, que constam nesses sites, inclusive a auditoria relacionou por ano o que dispunha cada um deles. A defesa aduz que a fiscalização não avaliou os critérios em que os pagamentos foram efetuados nos demais anos. Então, a recorrente não nega que nos demais anos também foram efetuados pagamentos relativos a essas rubricas. Ademais, a auditoria relacionou a descrição sobre tal verba nos Acordos Coletivos de Trabalho dos demais anos, que, aliás, traziam as mesmas descrições nos ACT's dos anos abrangidos pelo procedimento Fl. 2172DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.173 38 fiscal, em que foram verificados tais pagamentos. E, digase que a auditoria ao utilizar informações do site da Federação Única dos Petroleiros, apenas demonstrou a verdade material sobre a previsão desses pagamentos nos ACT's dos demais anos, o que apenas reforça a convicção desta redatora de que tal verba nada tem de eventual, que pudesse afastar a incidência da contribuição previdenciária. Ora, diante dessas informações, a recorrente deveria comprovar que tais pagamentos não foram efetuados; e, não me diga se trata de prova negativa, pois a simples apresentação das folhas de pagamento dos anos apontados pela fiscalização demonstraria isso, e como ela diz que a auditoria não verificou as condições em que os pagamentos foram efetuados, deveria em sua defesa demonstrar quais seriam esses critérios que afastariam a referida verba da tributação. Mesmo que assim fosse, como já exposto, para verbas pagas em pecúnia não há que se discutir se houve ou não habitualidade, nem se discute que se trata de um abono único, pois para que assim fosse haveria que estar desvinculada do salário expressamente por lei, o que não ocorreu no caso. É certo que o art. 28, I, da Lei nº 8.212/91 trata do que é considerado remuneração para fins de incidência de contribuição previdenciária, entre a qual se enquadra a verba em comento, por ser paga em decorrência do vínculo de trabalho que os segurados mantêm com a recorrente, ou seja, é uma verba paga em razão do trabalho e não para o trabalho. O estipulado entre as partes de forma particular não sobressai ao que dispõe a lei que trata da matéria, não podendo um ACT ou Convenção Coletiva isentar verbas da incidência de contribuição previdenciária, cuja legislação específica trata do que não se inclui no saláriode contribuição. Portanto, o lançamento deve ser mantido nessa parte. PLR pago a contribuintes individuais No que toca ao PLR pago aos contribuintes individuais me filio à corrente que entende que a Lei nº 10.101/2001 se restringe à categoria de empregados, visto que os administradores tem dispositivo próprio na Lei nº 6.404/76, que trata da participação dos administradores nos lucros da empresa. Por isso, correto os fundamentos da decisão de piso, os quais adoto como razões de decidir: Como se vê, os dispositivos tratam de nítida remuneração aos administradores, considerados como segurados contribuintes individuais. Paralelamente a isto, não consta dos autos qualquer demonstração de que os valores pagos refiramse a dividendos ou a participação nos lucros, participação esta não no sentido da Lei nº 10.101/00, mas sim como a participação sobre o resultado positivo da atividade econômica, isto é, o lucro como fruto do capital empregado na atividade empresária. Ocorre, contudo, que o contribuinte incorre em contradição ao sustentar que tais pagamentos se tratam de participação estatutária dos administradores e fundamentar a não incidência das contribuições previdenciárias nos moldes da participação nos resultados. Isto porque, a participação nos resultados, enquanto um direito sócioeconômico, não é um direito inerente aos segurados contribuintes individuais, seja na condição de prestador de serviço autônomo, seja na condição de administrador. Fl. 2173DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.174 39 Em relação ao prestador de serviços autônomos, ao assumir a condução de sua própria atividade, sem se submeter à hierarquia e subordinação empregatícia, age como efetivo empresário independente, de forma que não há que se falar na integração capitaltrabalho, pois tanto o capital como o trabalho pertencem ao próprio prestador de serviço. No que tange aos administradores, a mesma razão se impõe, com o acréscimo de que os administradores integram o quadro social da empresa, como quotistas ou acionistas, e, nestes casos, têm suas retiradas a título de pro labore, como fruto do seu trabalho na empresa, e, enquanto parcelas não excludentes, suas retiradas de lucros, fruto civil decorrente do emprego do capital na atividade empresária. Assim, não tem sentido permitirse o pagamento de participação nos lucros e resultados a administradores da empresa, uma vez que tal benefício não assume pertinência lógica quanto à sua essência, objetivando estimular a relação capitaltrabalho desenvolvida entre empregados e a empresa. Sequer há, portanto, de se cogitar se o pagamento realizado pelo contribuinte observou ou não alguma meta estabelecida, critério de cálculo ou de aferição, nos moldes da Lei nº 10.101/2000, pela evidente e lógica razão de que sua sistemática não se aplica a contribuintes individuais (prestadores de serviços autônomos ou administradores). Não se nega que os administradores da sociedade anônima, assim como em qualquer outra forma societária, podem receber remuneração pelo exercício de suas funções (Lei nº 6.404/76, artigo 152). No entanto, esta remuneração integra o salário de contribuição, sofrendo, destarte, incidência de contribuições providenciarias, na forma dos artigos 12, inciso V, alínea "f e 28, inciso III, todos da Lei nº 8.212/91: [...] Outrossim, cabe ressaltar que este entendimento não objetiva promover uma tributação direta ou direta do lucro propriamente dito. No caso do contribuinte, por ser uma sociedade anônima, não há uma distribuição de lucros direta, mas proporcional às ações subscritas por cada acionista, sob a forma de dividendos. As contribuições previdenciárias não incidem sobre o lucro distribuídos aos acionistas, pois esta renda é fruto civil do capital empregado na atividade econômica, e não fruto do trabalho. Já a suposta PLR paga aos administradores não assume qualquer similitude com a distribuição nos lucros, não se podendo confundir a "participação nos lucros ou resultados" da Lei nº 10.101/00, com a "participação nos lucros sociais" de que trata a Lei nº 6.404/76. Neste contexto, embora a Constituição Federal de 1988, no caput do seu artigo 7o adote a expressão "trabalhadores" a inteligência da Lei nº 10.101/00 não admite o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados PLR a diretores não empregados, enquadrados como segurados contribuintes individuais, constituindo instrumento fecundo ao fomento da relação integrada "capitaltrabalho" entre empresário e Fl. 2174DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.175 40 empregados, stricto sensu. Justificase este entendimento pelo fato de que o artigo 7o da Constituição Federal de 1988 objetiva a tutela do aspecto sócioeconômico, tendo como foco os direitos sociais e econômicos relativos à dignidade da pessoa humana na sua exteriorização laborativa, isto é, na tutela da sua expressividade econômica pura, objetivando o trabalho edificante, seguro e realizador. Ao contrário, a administração empresária se situa em outro objetivo, qual seja, a perseguição do lucro, a administração dos complexos interesses da empresa, convergentes ou não, objetiva a maximização dos resultados etc. Assim, o administrador não é remunerado tal qual um empregado, ainda que de alto nível na empresa, e este é o sentido do artigo 152 da Lei nº 6.404/76. Não que haja uma posição melhor ou mais importante que a outra. Não! O que há é a diversidade natural dos cargos e a complexidade inerente a cada um. Isto basta, segundo penso, para divorciar a remuneração dos administradores segurados contribuintes individuais da PLR de que trata a Lei nº 10.101/2000. Em que os acórdãos do Carf citados pelo recorrente, em sentido contrário ao posicionamento da decisão de piso, colho recente julgado no Acórdão 2403006.526, de 10/08/2018, cujo voto vencedor vai em direção ao posicionamento ao qual me filio: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76 Tratandose de valores pagos aos diretores não empregados, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da lei 10.101/2000, posto que nos termos do art. 2º da referida lei, essa só é aplicável aos empregados. A verba paga aos diretores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados para efeitos de exclusão do conceito de salário de contribuição, posto que não remunerou o capital investido na sociedade, mas, sim, o trabalho executado pelos diretores, compondo dessa forma, o conceito previsto no art. 28, II da lei 8212/91. Mesma linha de raciocínio é desenvolvido pela CSRF nos Acórdãos nº 9202 005.705, de 29.08.2017; nº 9202004.490, de 29/09/2016; nº 9202003.196, de 07/05/2014. Aliás, merece transcrição o voto vencedor da conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que enfrentou a questão com primazia, no Acórdão nº 9202004.490, que transcrevo com complemento às minhas razões de decidir: De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7o São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 2175DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.176 41 XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Conforme previsto no § 6o do art. 150 da Constituição Federal, somente a Lei pode instituir isenções. Assim, o § 2o do art. 22 da Lei n° 8.212/91 dispõe que não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9o do art. 28 da mesma Lei. O § 9o do art. 28 da Lei n° 8.212/91 enumera, exaustivamente, as parcelas que não integram o salário de contribuição. De acordo com o art. 9o, inciso V, alínea "f §§ 2o e 3o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, são considerados contribuintes individuais tanto o diretor não empregado como o membro do conselho de administração da sociedade anônima, vejamos: Regulamento da Previdência Social (RPS), Decreto 3.048/1999: Art. 9o São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pelo Decreto n°3.265, de 1999) (...) j) o diretor não empregado e o membro de conselho de administração na sociedade anônima: (Redação dada pelo Decreto n°3.265, de 1999) (...) §2° Considerase diretor empregado aquele que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja contratado ou promovido para cargo de direção das sociedades anônimas, mantendo as características inerentes à relação de emprego, § 3o Considerase diretor não empregado aquele que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja eleito, por assembléia geral dos acionistas, para cargo de direção das sociedades anônimas, não mantendo as características inerentes à relação de emprego, (g.n.) No mesmo sentido, prevê o art. 12, inciso V, da Lei 8.212/1991 como contribuintes individuais os administradores (o diretor não empregado e o membro de conselho de administração) da companhia. Lei 8.212/1991: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 1999). (...) j) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o Fl. 2176DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.177 42 associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei n° 9.876, de 1999). (g.n.) Logo, a legislação previdenciária enquadra os administradores da Recorrente como contribuintes individuais. Esse entendimento está consubstanciado pela concepção organicista em que os administradores (membros da Diretoria e do Conselho de Administração) são órgãos da companhia, na medida em que o ato praticado por eles, dentro de seus poderes, é um ato da própria sociedade empresária (Recorrente), linha adotada por Fábio Ulhoa Coelho (Curso de Direito Comercial. São Paulo: Saraiva, 1999, v. 2, p. 239241). Em outras palavras, os membros da Diretoria (administradores), o que é o caso dos autos, possuem poder decorrentes da lei e do estatuto, sendo que isso viabiliza todo o poder para a condução das atividades diárias da companhia e distanciase da subordinação pessoal da relação empregatícia1. Verificase que a legislação aplicável à espécie determina, em um primeiro momento, a regra geral de incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração total dos segurados obrigatórios da previdência social, no caso, na qualidade de contribuintes individuais, incluindo no sentido lato de remuneração toda e qualquer retribuição, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5a; Somente em um segundo momento é que são definidas, de forma expressa e exaustiva, porquanto excepcionais, as hipóteses de não incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. Vale destacar que, entendo que o art. 28, §9° descreve as parcelas que não compõem o conceito de salário de contribuição de forma genérica, não afastando os pagamentos feitos os demais segurados, por exemplo Contribuintes individuais, da possibilidade de terem valores recebidos dos contratantes também excluídos do conceito de salário de contribuição, como analisaremos adiante. Resta claro ao analisar os art. 28, §9°, que a legislação previdenciária, alinhandose ao preceito constitucional, identifica verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória, assistencial, ou mesmo por expressa previsão legal seguindo os parâmetros descritos no dispositivo. Quanto à participação nos lucros, encontrase expressamente descrito na alínea "j": Art. 28(...) Fl. 2177DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.178 43 § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Não restou demonstrado pelo recorrente que o pagamento enquadravase na exclusão acima descrita. Em relação a esse dispositivo e aos termos do art. 7, XI, inicialmente, ocorreu a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, e veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. T, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empresados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifo nosso) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2° O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário (...) §3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos Fl. 2178DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.179 44 espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Art. 4o Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I Mediação; II — Arbitragem de ofertas finais. § 1o Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2o O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3o Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4o O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Cabe observar que o § 2o, do art. 2o, da Lei nº 10.101, foi introduzido no ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória nº 955, de 24 de março de 1995, e o § 3o, do art. 3o, a partir da Medida Provisória nº 1.69851, de 27 de novembro de 1998. Nessa primeira análise é possível concluir que a lei 10.101/2000, conversão das citadas MPs, trouxe ao mundo jurídico a regulamentação de um anseio constitucional, qual seja, a definição da forma como o PLR estaria desvinculado da remuneração. Esse raciocínio, encontrase em perfeita consonância com o entendimento do próprio STF, que destaca que o direito previsto no art. 7, XI não é auto aplicável, iniciandose apenas a partir da edição da MP 794/1994, reeditada várias vezes e finalmente convertida na Lei 10.101/2000. Esse entendimento é extraído do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE 398284/RJRio de Janeiro. RE 398284 / RJ RIO DE JANEIRO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. MENEZES DIREITO Julgamento: 23/09/2008 Órgão Julgador: Primeira Turma Ementa EMENTA Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7o, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo. diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.180 45 Merece transcrição excerto do voto do Ministro Menezes Direito (Relator do RE 398284/RJ): "Há três precedentes monocráticos na Corte. Um que foi relator o Eminente Ministro Gilmar Mendes; e dois outros da relatoria do Ministro Eros Grau. Então a questão está posta com simplicidade. E estou entendendo, Senhor Presidente, com a devida vênia da bela sustentação do eminente advogado, que realmente a regra necessita de integração, por um motivo muito simples: é que o exercício do direito é que se vincula à integração, não é a regra só, que nesses casos, quando manda que a lei regule o exercício, que vale por si só. Se a própria Constituição determina que o gozo do exercício dependa de lei, tem que haver a lei para que o exercício seja pleno. Se não há lei, não existe exercício. E com um agravante que, a meu ver, parece forte o suficiente para sustentar esse raciocínio. E que o fato de existir a participação nos lucros, desvinculada da remuneração, na forma da lei, não significa que se está deixando de dar eficácia a essa regra, porque a participação pode ser espontânea; já havia participação nos lucros até mesmo antes da Constituição dos 80. E, por outro lado, só a lei pode regular a natureza dessa contribuição previdenciária e também a natureza jurídica para fins tributários da participação nos lucros. A lei veio exatamente com esse objetivo. E uma lei que veio para determinar, especificar, regulamentar o exercício do direito de participação nos lucros, dando consequência à necessária estipulação da natureza jurídica dessa participação para fins tributários e para fins de recolhimento da Própria Previdência Social. Ora, se isso é assim, e, a meu sentir, parece ser, pela leitura que faço eu do dispositivo constitucional, não há fundamento algum para afastarse a cobrança da contribuição previdenciária antes do advento da lei regulamentadora." Pelo abordado acima, já se manifestou o STF que não apenas o texto constitucional não é auto aplicável, como a norma que regulamento o art. 7o, inciso XI, surgiu apenas com a edição da MP 794/94, convertida posteriormente na lei 10.101/2000, o que afasta a argumentação também de que a lei 6404/76 teria sido recepcionada pela Constituição para efeitos de regulamentação do art. 7o, XI. Ainda nessa linha de raciocínio, notese, conforme grifado no art. 2o da referida lei, que a PLR descrita na Lei 10.101/2000 serve apenas para regulamentar a distribuição no âmbito dos "empregados", ou seja, não serve para afastar do conceito de remuneração os valores pagos à título de "participações estatutárias" (administradores não empregados). Não se pode elastecer o conceito de participação nos lucros ou resultados, sob pena de todas as empresas enquadrarem como resultados, todo e qualquer pagamento feito aos seus trabalhadores e em função dessa nomenclatura desvincular as verbas do conceito de remuneração e salário. A Lei nº 10.101/2000, resultado da conversão das Medidas Provisórias anteriores, é cristalina nesse sentido. Fl. 2180DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.181 46 Apenas para ressaltar, afastase aqui, também, qualquer argumento de que o dispositivo constitucional, por si só , já afastaria para todo e qualquer trabalhador a "participação nos Lucros e resultados" do conceito de remuneração, considerando o fato de que o "caput do art. 7o da CF/88, utilizou a nomenclatura "trabalhadores". Basta analisarmos os 34 incisos do próprio art. 7o, para que identifiquemos, que o termo "trabalhadores urbanos e rurais", referese ao direitos dos "empregados urbanos e rurais". Essa constatação é cristalina na medida que os direitos elencados no dispositivo constitucional, nos trazem a certeza do sentido estrito do direcionamento ao empregado, pretendido pelo legislador, ao considerarmos que: férias com adicional de 1/3, FGTS, repouso semanal remunerado, salário mínimo, jornada de trabalho, piso salarial, licença maternidade, licença paternidade, aviso prévio, previsão de indenização no caso de dispensa imotivada, salário família, horas extras, adicional noturno, insalubridade, periculosidade, dentro outros muitos ali elencados, são assegurados apenas aos trabalhadores detentores de uma relação de emprego, ou seja, garantidos aos empregados. No parágrafo único, também observamos a nomenclatura "trabalhadores", porém com referência aos empregados domésticos. Levando a efeito o raciocino pretendido pelo recorrente, chegaríamos a conclusão de obrigatoriedade de atribuir a observância dos direitos ali elencados a todos os trabalhadores autônomos. Assim, entendo que não há como acolher a pretensão do recorrente. Isto posto, rejeito qualquer argumentação de que o termo trabalhador descrito também no art. 1o da lei 10.101/2000, seria capaz de abranger a categoria de administradores e demais contribuintes individuais. Vejase, que o termo autônomo ou para previdência social, contribuinte individual, não é uma pessoa que trabalha de forma subordinada, devendo cumprir metas alcançar resultados, pois se assim o fosse, estaríamos atribuindo um requisito de empregado, qual seja a subordinação. Também vale lembrar que o trabalho de um mesmo trabalhador autônomo exigindo o cumprimento de resultados e metas durante um período (exercício) não deve ser utilizado de forma continuada, pois senão estaríamos atribuindo o segundo requisito que é a habitualidade na prestação de serviços. Dessa forma, entendo inviável qualquer interpretação em sentido contrário, razão pela, qual todo e qualquer pagamento feito a contribuintes individuais constituem salário de contribuição, salvo se possível o seu enquadramento dentre as hipóteses elencadas no art. 28, §9º da lei 8212/91. Percebese, então, que, se o STF entendeu que não havia lei regulamentando o pagamento de PLR antes da edição da MP nº 794/1994. Dessa forma, não há como acolher o entendimento de que a expressão "lei específica" contida na alínea "j" do § 9o do art. 28 da Lei 8.212/1991, também se refere a outras leis extravagantes, tal como a Lei 6.404/1976 que dispõe sobre as Sociedades por Ações (companhia), inclusive o seu art. 152, § 1o, estabeleceu que o estatuto da companhia pode atribuir aos Fl. 2181DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.182 47 administradores participação nos lucros da companhia, desde que sejam atendidos dois requisitos: (i) a fixação dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro líquido; e (ii) o total da participação estatutária não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros, prevalecendo o limite que for menor. Corroborando ainda mais esse entendimento, o Supremo Tribunal Federal (STF) pacificou sua posição quanto ao tema por meio do RE 569441/RS, rei. orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, de 30/10/2014 (Info 765), submetido a sistemática de repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), nos seguintes termos: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO 569.441 RIO GRANDE DO SUL RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI REDATOR DO ACÓRDÃO: MIN TEORIZAVASCKI EMENTA: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7o, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7o, XI, da CF— inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários depende de regulamentação. 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. (g.n.) 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento. " Por força do artigo 62, §2° do Regimento Interno do CARF2, aprovado pela 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC), devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF. Entendo que o citado RE 569441/RS esclarece a inaplicabilidade da lei 6.404/76, seja como recepcionada para regulamentação do art. 7o, XI da CF/88 aos contribuintes individuais, seja dando respaldo a exclusão do conceito de salário de contribuição previsto no art. 29, §9° da lei 8212/90. Pela transcrição do trecho do acórdão do STF acima, podemos dizer que a decisão daquela corte apenas ratifica o posicionamento adotado por essa relatora e por diversas outras decisões desse conselho acerca do tema. Essa linha de interpretação também se amolda ao posicionamento do STJ: "(...) A contribuição previdenciária sobre a participação nos lucros é devida no período anterior à Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.183 48 MP n. 794/94, uma vez que o benefício fiscal concedido sobre essa verba somente passou a existir no ordenamento jurídico com a entrada em vigor do referido normativo. (...)" (STJ. 2a Turma. AgRg no AREsp 95.339/PA, Rei. Min. Humberto Martins, julgado em 20/11/2012). De fato, concluise que a Lei 8.212/1991 em seu art. 28, §9°, "j", ao excluir da incidência das contribuições os pagamentos efetuados de acordo com a lei específica, quis se referir à PLR paga em conformidade com a Lei 10.101/2000, a qual é destinada apenas aos empregados e que EXPRESSAMENTE, descreve: "A participação de que trata o art. 2" não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista (...)"Por fim, para espancar qualquer argumentação de que o pagamento estaria de acordo com o descrito na lei 6404/76, ressalto que a participação descrita na referida lei, dáse em função do capital investido. Ademais, também não entendo que a lei 6404/76 tenha, de forma alguma, excluído os valores do conceito de salário de contribuição, e, por consequência, possa respaldar os argumentos do recorrente, vejamos o texto da lei, assim, como já descrito pela autoridade fiscal: Lei 6.404/1976: Art. 152. A assembléia geral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive beneficios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 1o O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor, (g.n.) § 2o Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. Quanto às participações estatutárias, tal como a participação no lucro dos administradores diretores não empregados, qualificados como segurados contribuintes individuais , elas dependem de o resultado da companhia, no respectivo exercício social, ter sido positivo, pois do contrário não haverá lucros a serem partilhados aos diretores não empregados com base nos lucros, conforme determinar o art. 190 da LSA: "as participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanesceram depois de deduzidas a participação anteriormente calculada" (g.n.). Considerando não ter sido trazido qualquer argumentação de que tratavamse de acionistas, os fatos acima mencionados evidenciam que a Recorrente concedeu aos diretores não Fl. 2183DF CARF MF Processo nº 16539.720008/201712 Acórdão n.º 2202004.816 S2C2T2 Fl. 2.184 49 empregados (contribuintes individuais) uma remuneração distinta dos lucros previstos no art. 152 da Lei 6.404/1976 (Lei da LSA) ou distribuiu uma verba cognominada de lucros em desacordo com as regras estampadas na Lei 6.404/1976 (artigo 152 c/c o artigos 189 e 190). Isso nos leva a clara conclusão de que, efetivamente, a verba paga aos diretores não empregados, caracterizase como uma remuneração pelo exercício de atividades na empresa, decorrente da relação contratante/contratado, que é distinta da relação acionista e diretores não empregados. Essa argumentação deixa claro a impossibilidade de acatar a interpretação dada pela ilustre conselheira relatora, seja porque os valores recebidos enquanto "diretores não empregados" não remunerou o capital investido, seja porque, a autorização da referida lei, acerca da possibilidade de distribuir lucros aos administradores nunca isentou tais valores da incidência de contribuições previdenciárias, ao contrário do que expressamente prevê a lei 10.101/2000, aplicável a categoria de empregados em consonância com o art. 28, §9º, j" da lei 8212/90. Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados contribuintes individuais em decorrência do contrato e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Dessa forma, estando no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento em toda a sua extensão em relação aos administradores contribuintes individuais, negandose provimento integralmente ao recurso do sujeito passivo. (Grifos no original). Portanto, dadas as corretas razões da decisão de piso, corroboradas pelos julgados neste Conselho, o lançamento deve ser mantido nessa parte. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 2184DF CARF MF
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