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Numero do processo: 10972.720019/2012-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. NOTA FISCAL. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS ATRAVÉS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA.
A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho.
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP.
Constitui infração à legislação tributária previdenciária, a empresa apresentar o documento a que se refere o art. 32, inc. V, § 5º da lei n° 8.212, de 24/07/1991, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. ALINHAMENTO COM DECISÃO JUDICIAL.
No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838/SP, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do inciso IV da Lei 8.212/1991, redação conferida pela Lei 9.876/1999, que prevê a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho.
Com isso, uma vez declarada a inconstitucionalidade desse fato gerador instituído pela Lei 9.876/1999, em decisão definitiva do STF e na sistemática da repercussão geral, por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as Turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. NOTA FISCAL. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS ATRAVÉS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Constitui infração à legislação tributária previdenciária, a empresa apresentar o documento a que se refere o art. 32, inc. V, § 5º da lei n° 8.212, de 24/07/1991, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. ALINHAMENTO COM DECISÃO JUDICIAL. No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838/SP, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do inciso IV da Lei 8.212/1991, redação conferida pela Lei 9.876/1999, que prevê a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Com isso, uma vez declarada a inconstitucionalidade desse fato gerador instituído pela Lei 9.876/1999, em decisão definitiva do STF e na sistemática da repercussão geral, por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 19 /2 01 2- 84 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as Turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10972.720019/201284 Acórdão n.º 2402004.944 S2C4T2 Fl. 579 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou impugnação improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 37.348.2701 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. NOTA FISCAL. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS ATRAVÉS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. NÃO DECLARADAS EM GFIP. IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho. Constatada a não declaração em GFIP dos fatos geradores/contribuições ou o não recolhimento das contribuições, a fiscalização lavrará de ofício o auto de infração de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e do período a que se referem. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário. 37.348.2698 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Constitui infração à legislação tributária previdenciária, a empresa apresentar o documento a que se refere o art. 32, inc. V, § 5º da lei n° 8.212, de 24/07/1991, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Fl. 580DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação e manter integralmente os autos de infração em exigência. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), como muito bem relatado na decisão a quo: Trata se de processo de AUTOS DE INFRAÇÃO lavrados por descumprimento de obrigações tributárias previdenciárias, conforme a seguir discriminados: DEBCAD 37.348.2701, emitido em 19/03/2012, no valor de R$225.190,38, relativo a contribuições a cargo da empresa, devidas à Seguridade Social, período de 01/2008 a 12/2008, incidentes sobre o valor dos serviços prestados por cooperados através de cooperativa de trabalho – UNIMED Uberaba Cooperativa de Trabalho Médico Ltda e UNIODONTO de Uberaba Cooperativa de Trabalho Odontológico, sendo que de 01 a 11/2008 foi aplicada a multa de 24% e na competência 12/2008 foi aplicada a de 75%. DEBCAD 37.348.2698, emitido em 19/03/2012, no código de fundamento legal 68, no valor de R$35.576,64, lavrado por omissão em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) de valores pagos a cooperativas de trabalho, nas competências de 01/2008 a 11/2008, quando a multa aplicada na obrigação principal foi a de 24% por ser mais benéfica ao contribuinte. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 19/03/21012 foi dada ciência à recorrente do lançamento. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, em 18/04/2012, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que contesta a constitucionalidade da exação e dos cálculos efetuados pelo Fisco. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando improcedente a impugnação. Em 02/10/2012, a recorrente foi cientificada do lançamento, conforme (AR). Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, em 31/10/2012, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que os mesmos argumentos já apresentados na defesa. Os autos foram enviados ao CARF, para análise e decisão. Em 23/01/2014 turma do CARF analisou os autos e resolveu converter o julgamento em diligência, para: Diante disso, entendo que especificamente no caso da Unimed deve ser realizada diligência para que a fiscalização se manifeste quanto aos requisitos previstos no art. 291 da IN SRP nº 03/2005, destacando, com a devida fundamentação e para cada contrato da Unimed: Fl. 581DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10972.720019/201284 Acórdão n.º 2402004.944 S2C4T2 Fl. 580 5 (i) se os contratos coletivos de saúde da Unimed objetos deste processo se inserem na modalidade de pagamento “por valor predeterminado” ou “por custo operacional”, e quais as cláusulas contratuais que sustentam a respectiva conclusão; (ii) se os pagamentos para a Unimed são feitos antes ou após o atendimento, e quais as cláusulas contratuais que sustentam a respectiva conclusão; (iii) em sendo o contrato “por valor predeterminado”, se se refere a contrato de grande risco ou de risco global, ou contrato de pequeno risco, e quais as cláusulas contratuais que sustentam a respectiva conclusão. O Fisco emitiu Informação Fiscal sobre a resolução e o sujeito passivo foi cientificado e apresentou suas razões. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO: Em data recente, esse colegiado jpa analisou caso idêntico e emitiu sua decisão, unânime, razão que transcrevo o voto e o utilizo como razão de decidir: "Constatase que o lançamento referese à contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999. De acordo com o artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC), devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF. Portaria MF n° 343 (Regimento Interno do CARF): Art. 62. (...) § 2o As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A partir da competência 03/2000, tornouse devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Entretanto, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838/SP, com repercussão geral reconhecida, esse fato gerador instituído pela Lei 9.876/1999 foi declarado inconstitucional pelo STF e, por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as Turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos. Em 25/02/2015 foi publicada a decisão definitiva do STF, proferida na sessão de 18/12/2014, no sentido de declarar inconstitucional a exação em questão, nos seguintes termos: “[...] Publicado acórdão, DJE, DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 25/02/2015 ATA Nº 16/2015. DJE nº 36, divulgado em 24/02/2015. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10972.720019/201284 Acórdão n.º 2402004.944 S2C4T2 Fl. 581 7 (...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) 595.838/SP EMENTA: Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. [...]” Com isso, percebese que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) – proferida no sentido de que o fato gerador incidente sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho (art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991), é inconstitucional –, tornouse definitiva em 25/02/2015 e, além disso, foi adotada a sistemática da repercussão geral (artigo 543B da Lei 5.869/1973, Código de Processo Civil), restando a esta Turma de julgamento reproduzila em seus acórdãos. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, nos termos do voto.(Processo: 13654.001068/200829, Acórdão: 2402004.751, Data: 09/12/2015, Relator: Ronaldo de Lima Macedo) Portanto, pacificada a questão, voto pelo provimento do recurso. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento do recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10280.901510/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Relatório
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório O presente litígio decorre de pedido de ressarcimento de créditos da Cofins não cumulativa exportação, para o período de apuração do 4º trimestre de 2008 (outubro a dezembro de 2008), no valor de R$ 53.538.132,17, cumulado com diversas declarações de compensações. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 01 51 0/ 20 12 -0 1 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901510/201201 Resolução nº 3402000.795 S3C4T2 Fl. 348 2 O Fisco reconheceu apenas parte do direito de crédito pleiteado (Despacho Decisório de fls. 41), realizando as glosas, descritas no Parecer Fiscal nº 424/2013 às fls. 45/74). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Tratase do pedido de ressarcimento nº 30550.92183.190110.1.1.093033 (fls. 2 a 5) 1 relativo a créditos oriundos de Cofins não cumulativa exportação para o período de outubro a dezembro de 2008, num valor total de R$ 53.538,132,17, dos quais R$ 50.965.191,35 passíveis de ressarcimento. Com base nesse pedido de ressarcimento foram transmitidas as seguintes declarações de compensação pelo contribuinte: (...). A DCOMP nº 31949.52021.110211.1.3.094929 (fls. 34 a 37) teve sua solicitação cancelada através do pedido nº 01642.14240.230211.1.8.093973 (fl. 38). Para a análise desse pedido de ressarcimento solicitou a DRF ao manifestante uma série de documentos como arquivos contábeis e fiscais digitai, memórias de cálculo digital representativa dos valores lançados no DACON, descrição completa do processo produtivo, cópias dos atos aprovadores emitidos pela SUDAM, notas fiscais, entre outros. Da análise desses documentos foram encontradas irregularidades, seja no rateio proporcional dos créditos de exportação, seja na utilização de créditos que não se caracterizariam como insumos. Diante disso, a DRF jurisdicionante emitiu o Despacho Decisório de fl. 41, deferindo um crédito parcial de R$ 35.858.736,05, o qual não foi suficiente para compensar integralmente todos os débitos correspondentes as DCOMPs anteriormente relacionadas. As DCOMPs 29083.75194.160611.1.3.092400 foi homologada parcialmente, enquanto a DCOMP 09734.86186.120711.1.3.090246 não foi homologada. Dessa forma, não haveria valor a ser ressarcido para o pedido aqui em análise, visto que o valor do crédito reconhecido foi totalmente utilizado nas compensações homologadas. A análise que levou a essa conclusão do Despacho Decisório se alicerça no Parecer SEORT/DRF/BEL nº 0546/2012, tendo o mesmo sido fornecido ao manifestante (fls. 45 a 74). A ciência foi dada ao contribuinte (fl. 79). O contribuinte apresentou, em 16/08/2012, manifestação de inconformidade às fls. 81 a 128. Inicialmente faz um resumo do processo produtivo da alumina. Em que a pese durante a manifestação o contribuinte misturar os tópicos de sua contestação, repetindoos muitas vezes durante sua argumentação, talvez por estarem interrelacionados, temos, em síntese, as seguintes alegações: Fl. 348DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901510/201201 Resolução nº 3402000.795 S3C4T2 Fl. 349 3 QUE é inexplicável as glosas relativas ao calcário/carbonato de cálcio e aos serviços portuários. Os dispêndios com transporte de rejeitos industriais, óleo BPF, ácido sulfúrico, oxigênio e serviços portuários são irrefutavelmente dedutíveis. Não vê como possa ser acatada a glosa dos serviços de transportes dos itens em voga. QUE há equívoco manifesto nas glosas sobre máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado (RECAP/REIDI/SUDAM). QUE os insumos que geram créditos de Cofins não cumulativa não se restringem ao universo das matérias primas, produtos intermediários, e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto destinado à venda, como entende a fiscalização. Insumo deve ser entendido como cada um dos elementos imprescindíveis para a produção das mercadorias ou para a prestação dos serviços. Cita o Parecer Normativo CST nº 65/79. QUE as glosas podem ser atribuídas ao fato de que tais insumos não integrariam os produtos aplicados ao processo de industrialização por inexistir contato físico dos mesmos com o produto final (a alumina), mas defende que mesmo sem tal contato, sem tais insumos jamais se poderia chegar ao produto final. QUE o § 3º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, estabelece como créditos passíveis de ressarcimento todos os custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, e não apenas os que digam respeito aos insumos empregados no processo produtivo da alumina exportada. QUE em relação à glosa de materiais e serviços diversos ligados ao seu ativo imobilizado temse permissão desses créditos no inciso VI, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, afirmando também que a IN SRF nº 457/2004 veiculou a facultatividade do cálculo do crédito, observada a periodicidade de 4 anos (1/48 ao mês). Entende, porém, que a Lei nº 11.196/05 (instituiu regime especial de tributação para o REPES, RECAP e para o Programa de Inclusão Digital), o Decreto nº 5.789/06 (dispõe sobre bens amparados pelo RECAP) e o Decreto nº 5.988/06 (instituiu depreciação acelerada incentivada no prazo de 12 meses em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM) previram incentivos para que as sociedades sujeitas ao SUDAM pudessem optar por uma periodicidade diferenciada (1/12) para os equipamentos descritos no RECAP. Destaca, ainda, que a alegação do Parecer da DRF de fundamentar que não teria observado as exigências da Lei nº 11.196/05, exigirialhe uma conduta impraticável. QUE não concorda com o entendimento de que o seu rol de máquinas e equipamentos, volvidos no ativo imobilizado, não teriam sido empregados na fabricação de produtos para venda, excluindo móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros. QUE não há como se vislumbrar infringência à Lei nº 11.488/07 (REIDI) no que se refere ao desconto de créditos de edificações. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901510/201201 Resolução nº 3402000.795 S3C4T2 Fl. 350 4 QUE não cabem as glosas sobre os bens considerados edificações e componentes do ativo imobilizado de acordo com o posicionamento da jurisprudência atual administrativa e judicial acerca do conceito de insumo para fins da contribuição. As glosas pontuadas pela fiscalização se referem a custos que deveriam ter sido homologados com base nos arts. 2º e 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. QUE destaca decisões oriundas do CARF assegurando o direito ao desconto dos créditos de quaisquer custos ou despesas que a empresa tenha suportado na produção do bem ou prestação de serviço, mesmo que não consumidos durante o processo produtivo. QUE não há como se negar que muitas soluções de consulta editadas pela Receita Federal do Brasil tem posicionamento restritivo para o conceito de insumo, sustentando que esses seriam aqueles itens aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, o que seria uma ilegítima importação do conceito de insumo previsto na legislação do IPI. Salienta que a jurisprudência defenderia que o correto seria aproximar insumo ao conceito de despesa dedutível para fins de IRPJ. QUE são incabíveis as glosas de créditos relativos ao ativo imobilizado e edificações, tendo em vista que o ativo imobilizado compreende todo o complexo de bens e direitos da empresa, inclusive móveis, utensílios, veículos, instalações, prédios construídos e em construção, com base nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, que qualquer ativo imobilizado gera crédito das contribuições. Bastaria que tivessem sido adquiridos para a produção de bens destinados à venda, sendo que para edificações e benfeitorias, nem mesmo tal exigência é feita. QUE a ALUNORTE é uma refinaria de alumina e não haveria mais nada que se pudesse fazer com os móveis, ferramentas, instrumentos, veículos, máquinas e equipamentos genéricos glosados. QUE não há qualquer dispositivo legal que diga que encargos de depreciação e de amortização somente possam ser computados no resultado do exercício a partir da utilização de cada bem considerado. QUE existem autores com entendimento doutrinário sobre a extensão e o alcance do conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições contrários a redução dessa amplitude conceitual disposta pela fiscalização. Por fim, requer que sejam acolhidas as razões de sua manifestação de inconformidade pra fim de desconstituir as glosas objeto desse processo no valor de R$ 15.106.455,30, e aproveitandose dos créditos lançados nos pedidos de compensação do 4º trimestre, advindos da não cumulatividade de Cofins exportação, com a restituição integral do crédito pleiteado no PER/DCOMP nº 30550.92183.190110.1.1.093033, e como a homologação das compensações lançadas na DCOMP nº 09734.86186.120711.1.3.090246, afastandose a cobrança constante no despacho decisório, sob pena de violação frontal ao § 12, art. 195 da Constituição Federal, ao § 1º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, ao art. 100, da Lei nº 5.172/66 (CTN), aos arts. 13 e 14, da Lei nº 11.196/05, ao art. 1º, do Decreto nº 5.789/06, aos arts. 1º, 2º e 3º, do Decreto nº Fl. 350DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901510/201201 Resolução nº 3402000.795 S3C4T2 Fl. 351 5 5.988/06, ao art 6º e 41, da Lei nº 11.488/07, ao art. 8º, da IN SRF nº 404/04, e aos arts. 1º e 2º, da IN SRF nº 457/04. Protesta, ainda, pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerandose a incompatibilidade entre a escrita contábil da ALUNORTE no período, e as razões de glosa suscitadas pela fiscalização, esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo, e indicando assistente técnico. Os argumentos aduzidos pela Recorrente, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito (fls. 227/241): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITO EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. Para cálculo do rateio proporcional dos créditos de mercado interno e de exportação, devem ser incluídas todas as receitas. DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade. BASE DE CÁLCULO. RECEITA, E NÃO O LUCRO. A base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente é a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro. PERÍCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de perícia quando as informações necessárias se encontram nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio. Ainda mais quando o constatado pela DRF jurisdicionante está baseado em documentação apresentada pelo próprio contribuinte, ou seja, em sua própria contabilidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 05/12/2013, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (fls. 243/244 e 321). Inconformada, em 03/01/2014 (fl. 245), apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 245/292), basicamente argumentando o que segue: que tais glosas são injustificáveis, bastando que se verifique que pela exposição do processo produtivo, os créditos pleiteados são reembolsáveis pela sistemática do desconto de créditos da COFINS nãocumulativa, embora o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003 e o art. 8º da Instrução Normativa IN/SRF n° 404/2004, tenham a mesma dicção clara quanto ao créditos sobre serviços utilizados como insumo; que o Fisco assenta suas negativas em reconhecer o direito ao desconto dos créditos em decisões internas e soluções de consultas que cita, que estas sim, em entendimento "pro fisco", restringem a acepção de insumos ainda quem em meio ao regime da não Fl. 351DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901510/201201 Resolução nº 3402000.795 S3C4T2 Fl. 352 6 cumulatividade de COFINS e PIS/PASEP tomando de "empréstimo" a previsão de "aplicação direta, com contato físico, consumo e ou desgaste" do regime da nãocumulatividade do IPI; discorre sobre o conceito de INSUMOS, o regime da não cumulatividade da Cofins Exportação, da extensão e alcance do direito a dedução dos créditos gerados sobre valores de aquisições e dispêndios, em conformidade com o ordenamento constitucional e consequente legislação ordinária infraconstitucional, do equivoco manifestado nas GLOSA de bens e serviços que se constituem em insumos diretamente aplicados ao processo produtivo; cita vários entendimentos e jurisprudências do CARF/CSRF, enfatiza o que dispõe o Parecer Normativo CST nº 65/79 sobre a expressão "consumidos"; discorre sobre os §§ 1º, 3º e 4º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, sobre a não incidência sobre as receitas de exportação; e argumenta sobre as glosas sobre Máquinas e Equipamentos incorporados ao Ativo Imobilizado RECAP/REIDI/SUDAM, a saber: (i) em relação à glosa de máquinas e de equipamentos incorporados ao seu ativo imobilizado, temse permissão desses créditos no inciso VI, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, afirmando também que a IN SRF nº 457/2004 veiculou a facultatividade do cálculo do crédito, observada a periodicidade de 4 anos (1/48 meses sobre o valor da aquisição do bem). Entende, porém, que a Lei nº 11.196/05 (instituiu regime especial de tributação para o REPES, RECAP e para o Programa de Inclusão Digital), o Decreto nº 5.789/06 (dispõe sobre bens amparados pelo RECAP) e o Decreto nº 5.988/06 (instituiu depreciação acelerada incentivada no prazo de 12 meses em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM) previram incentivos para que as sociedades sujeitas ao SUDAM pudessem optar por uma periodicidade diferenciada (1/12) para os equipamentos descritos no RECAP (Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para empresas exportadoras). Destaca, ainda, que a alegação do Parecer do Fisco de fundamentar que não teria observado as exigências da Lei nº 11.196/05, exigirlheia uma conduta impraticável. (ii) que não concorda com o entendimento de que o seu rol de máquinas e de equipamentos, volvidos no ativo imobilizado, não teriam sido empregados na fabricação de produtos para venda, excluindo móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros; (iii) que não há como se vislumbrar infringência à Lei nº 11.488/07 (REIDI) no que se refere à redução do prazo para utilização de créditos de edificações; (iv) que a glosa de bens considerados edificações e componentes do ativo imobilizado contraria a jurisprudência atual administrativa acerca do conceito de insumos; e (v) quanto aos encargos de depreciação, não há argumentos para glosas, uma vez que não há dispositivo legal que diga que tais encargos somente possam ser computados a partir da utilização de cada bem considerado; sendo a Recorrente uma sociedade empresarial preponderantemente exportadora e levado em consideração que também se reputam como insumos empregados na prestação de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação desses serviços, faz jus também, a ALUNORTE, à apropriação desses créditos. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901510/201201 Resolução nº 3402000.795 S3C4T2 Fl. 353 7 Requer, por fim, que seja deferido o aproveitamento dos créditos lançados nos pedidos de compensação, advindos da não cumulatvidade, sob pena de violação frontal ao art. 195, §12 da CR/88, Lei nº 10.833/2003; art. 100 da Lei 5.172/1966 (CTN); arts. 1º, 2º e 3º do Decreto 5.988/2006, art. 6º e 41 da Lei 11.488/2007, art. 8º, inciso I, alínea b e § 4º, inciso II, alíneas "a e b" da IN/SRF n° 404, de 2004, art. 1º, incisos I e II, §§ 1º e 2º da IN/SRF 457/2004, ao lado da farta doutrina e jurisprudência colacionadas no recurso Os autos, então, foram remetidos a este CARF, que ao analisar o recurso, definiu pela conversão do processo em diligência, conforme a Resolução nº 3202000.342, de 18/03/2015, com o seguinte teor (fl. 326): "(...) Diante do exposto, entendo que deve ser propiciada a ampla oportunidade para as partes esclarecerem os fatos, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório, e assim sendo, nos termos do que dispõem os artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente da DRF – Joaçaba SC: 1º) Intime a Recorrente a apresentar laudo técnico elaborado por instituição de reconhecida reputação técnica (IPT, INT, UNICAMP, ou outra similar), no qual deverá constar: a) A descrição detalhada do processo produtivo da Recorrente, apontando, discriminadamente, qual a utilização dos insumos ora glosados na produção dos bens destinados à venda; b) Quais insumos objeto da autuação fiscal são de aplicação direta ou indireta na produção; e c) Se tais insumos possuem natureza essencial à produção, ou seja, se a sua exclusão importaria na impossibilidade da produção. 2º) Após a juntada do laudo, promova diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo acerca da utilização efetiva, ou não, dos insumos ora glosados, em relação ao processo produtivo da Recorrente. Após a realização da diligência, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento". A unidade de origem, cumprindo o contido na Resolução, solicitou a intimação da Recorrente, conforme decorre dos Despachos de fl. 330: vejase: "(...) À ARF/ABAETETUBA, para intimar o contribuinte a apresentar o laudo técnico solicitado conforme resolução de fls. 322/326. Após ajuntada do laudo, retornar a este Seort para prosseguimento. Em 06/05/2015, a Recorrente foi intimada pela ARF/Abaetetuba(PA), conforme documento nº 19/2015 à fl. 331. Em 14/05/2014, consta do Aviso do Correios, a entrega da referida Intimação (fl. 332). Conforme consta do Despacho da unidade de origem à fl. 333, a empresa ALUNORTE não se manifestou, portanto, não atendeu a intimação. Vejase: "(...) Tendo sido intimado o contribuinte a apresentar laudo técnico, conforme despacho de fls. 330, e transcorrido o prazo de 30 dias, conforme AR de fls. 332, sem que tenha havido manifestação por parte Fl. 353DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901510/201201 Resolução nº 3402000.795 S3C4T2 Fl. 354 8 deste, devolvo o presente processo ao SEORT/DRF/BEL, para as devidas providências.". Em 03/08/2015, a DRF/Belém em atendimento a Resolução do CARF, elaborou o Relatório Fiscal/Seort nº 003/2015, consignando o que segue: "(...) 1. Trata o relatório de diligência solicitada pela Resolução nº 3202000.342–2ª Câmara/2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de 18 de março de 2015, fls. 322 a 326, nos autos do litígio sobre o pedido de ressarcimento de créditos de Cofins NãoCumulativa Exportação, apurados no 4º trimestre de 2008, cumulado com declarações de compensações vinculadas. 2. A Resolução nº 3202000.342 do CARF, instava a Recorrente a se manifestar, apresentando laudo técnico, conforme se extrai dos trechos abaixo: (...). 3. A Agência da Receita Federal do Brasil em Abaetetuba/PA, que jurisdiciona o domicílio tributário do sujeito passivo, emitiu a Intimação ARF/ABA/PA 19/2015, de 06/05/2015, fls. 331, encaminhando, em anexo, a Resolução nº 3202000.342 – 2ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária, para manifestação. 4. A correspondência foi recebida pelo interessado em 14/05/2015, conforme Aviso de Recebimento AR de fls. 332 (...).. Conclusão 5. A Recorrente não apresentou o laudo técnico, elaborado por instituição de reconhecida reputação técnica, contendo descrição detalhada do processo produtivo; apontando, discriminadamente, qual a utilização dos insumos glosados na produção dos bens destinados à venda; indicando quais insumos são de aplicação direta ou indireta na produção; e quais possuem natureza essencial à produção, ou seja, se a sua exclusão importaria na impossibilidade da produção. 6. Assim, não foram trazidos aos autos elementos novos, que porventura alterem as conclusões, já esposadas no Parecer SEORT/DRF/BEL nº 546, de 14/06/2012, fls. 45 a 74, acerca da utilização efetiva, ou não, dos insumos ora glosados, em relação ao processo produtivo da Recorrente. 7. Com base no exposto, este Relatório Fiscal será encaminhando à Recorrente para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. A Recorrente foi então cientificada do Relatório Fiscal acima em 06/08/2015 (fls. 337/340). No entanto, não consta dos autos que a Recorrente tenha se manifestado sobre a referida intimação. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901510/201201 Resolução nº 3402000.795 S3C4T2 Fl. 355 9 Os autos, então, foram encaminhados a este CARF, para prosseguimento do julgamento do recurso (fl. 341). Também foi dado ciência à PGFN a fim de que ela possa manifestarse sobre o retorno da diligência (fl. 343); em seu Despacho à fl. 344, pronunciouse infirmando que, "(...) reitera e requer que seja aplicado o entendimento apresentado pela DRJ de Porto Alegre/RS". É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da análise do processo O núcleo da questão em combate concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos bens e serviços adquiridos, que geram direito aos créditos da COFINS. Contudo, ainda quando da tarefa de relatar o processo, depareime com a seguinte questão prejudicial. Por mais que os itens glosados estejam categorizados e exemplificativamente arrolados no Parecer nº 546/2012 de fls. 45/74, o próprio texto do parecer aponta a existência de planilha onde estaria as glosas individualmente detalhadas, sendo ela: “Glosa e Créditos – COFINS –4_tri_2008.ods” No entanto, compulsando os autos, não encontrei tais planilhas. O mais próximo que cheguei disso foi ao localizar, à fl. 75, algo que provavelmente se trata de um "hiperlink" endereçado para a referida planilha, mas que provavelmente se perdeu com a digitalização do processo, ou com a conversão para o programa no formato ".pdf". Vejase (fl. 75): "A planilha Glosa_Creditos_COFINS_4tri2008.ods, que compõe o Despacho Eletrônico pode ser acessado clicandose no “CLIP” abaixo, à esquerda". Temse, assim, um problema técnico que inviabiliza a apreciação do processo, visto que não se tem como analisar as glosas de forma individualizada (como certamente visualizaram a Recorrente e a DRJ), de modo a permitir a verificação da conformidade ao conceito de insumo que vem sendo adotado predominantemente por este Colegiado. Diante do exposto, voto pela conversão do processo em Diligência, para que a unidade preparadora (DRFBelémPA), junte aos autos a planilha “Glosa e Créditos COFINS Fl. 355DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901510/201201 Resolução nº 3402000.795 S3C4T2 Fl. 356 10 –4_tri_2008.ods”, permitindo assim, após o retorno destes autos ao CARF, a continuidade da apreciação do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 356DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10830.004344/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.582
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior Presidente.
Ivaccir Júlio de Souza - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo e Alice Grecchi.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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João Bellini Junior– Presidente. Ivaccir Júlio de Souza Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo e Alice Grecchi. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 04 34 4/ 20 10 -5 9 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10830.004344/201059 Resolução nº 2301000.582 S2C3T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento de contribuição social previdenciária, por infração à legislação tributária, decorrente da não inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária a Terceiros (SalárioEducação., INCRA, SESC e SEBRAE), do valor do prêmio do seguro de vida pago à Real Corretora de Seguros S.A., sem previsão em Acordo ou Convenção Coletiva de trabalho e não disponibilizada a todos os seus empregados, que integraria a remuneração destes para os efeitos da legislação previdenciária. Às fls. 04 , registraramse que os levantamentos foram titulados pelos códigos SV e SV1 , ambos para denominarem seguro de vida. Em sua defesa, a Recorrente alegou imunidade tributaria, inocorrência de fato gerador de contribuição previdenciária e ausência de coresponsabilidade de seus Diretores. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas ( SP ) DRJ/CPS, na forma do Acórdão n ° 0531.627, às fls. 77, não anuiu os argumentos sobre a imunidade tributária e discordando de que não houvera ocorrido o fato gerador manteve o lançamento, no que concerne a imunidade tributária. Do Recurso Voluntário Conforme a peça interposta colacionada às fls. 123 , a recorrente reitera as alegações trazidas em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10830.004344/201059 Resolução nº 2301000.582 S2C3T1 Fl. 4 3 VOTO DO SEGURO DE VIDA EM GRUPO É cediço que a pessoa jurídica que efetivamente pagar o prêmio do Seguro de Vida em Grupo, se quiser não sofrer a tributação tem que observar o comando do § 9º inciso XXV do art. 214 do RPS, acrescentado pelo Decreto n°. 3.265, de 29 de novembro de 1999: Art. 214, § 9º , XXV do Decreto 3.048 : “ § 9º Não integram o salário de contribuição, exclusivamente: (...) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os art. 9° e 468 da Consolidação das Leis do trabalho. ( incluído pelo Decreto n° 3.365, de 1.999). ” O § 10 do aludido artigo, prevê que: “as parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram salário de contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Como se nota, o Caput do artigo 214 do Decreto 3.048 defini o que se entende por salário de contribuição. Entretanto, o § 9º no inciso XXV do referido artigo o Legislador impõe condições para que o efetivamente pago pela pessoa jurídica não seja definido como salário de contribuição e, por lógico, não sofra as incidências legais. Aduz que destacandose a parte final do inciso em tela : “desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes ..”, se observam com grifos de minha autoria 2 ( duas) condicionantes para que os referidos pagamentos não sejam entendidos como salário de contribuição, a saber : acordo ou convenção coletiva e disponibilidade à totalidade de seus empregados e dirigentes. DA EVENTUAL DISPENSA DE PREVISÃO EM CONVENÇÃO COLETIVA Os Ministros da segunda turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, por unanimidade, acordaram em dar provimento ao recurso Resp 660202/CE nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, ocasião em que os Srs. Ministros Eliana Calmon, Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. MinURUistro Herman Benjamin. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. Na condução do voto, o Relator entendeu que é irrelevante para esse raciocínio que a exigência para tal pagamento esteja estabelecida em acordo ou convenção coletiva, desde que o seguro seja em grupo e não individual.A regulamentação da Lei n. 8.212/91 por meio do art. 214, § 9º, inc. XXV, do Decreto n. 3.048/99, com a redação dada pelo Decreto n. 3.265/99, extrapolou os limites estabelecidos na norma e acabou por inovar ao estabelecer a necessidade de previsão em acordo ou convenção coletiva para fins de não incidência da contribuição previdenciária sobre o valor do prêmio de seguro de vida em grupo pago pela pessoa jurídica aos seus empregados e dirigentes. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10830.004344/201059 Resolução nº 2301000.582 S2C3T1 Fl. 5 4 "STJ RECURSO ESPECIAL Resp 660202 CE 2004/00957300 (STJ) Data de publicação: 11/06/2010 Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. NÃOINCIDÊNCIA. NECESSIDADE DE PREVISÃO EM CONVENÇÃO OU ACORDO COLETIVO (ART. 214 , § 9º , INC. XXV , DO DEC. N. 3.048 /99, COM A REDAÇÃO DADA PELO DEC. N. 3.265 /99). EXIGÊNCIA AFASTADA POR NÃO ESTAR PREVISTA NA LEI N. 8.212 /91. 1. Não havendo no acórdão omissão, contradição ou obscuridade capaz de ensejar o acolhimento da medida integrativa, tal não é servil para forçar a reforma do julgado nesta instância extraordinária. Com efeito, afigurase despicienda, nos termos da jurisprudência deste Tribunal, a refutação da totalidade dos argumentos trazidos pela parte, com a citação explícita de todos os dispositivos infraconstitucionais que aquela entender pertinentes ao desate da lide. 2. O art. 214 , § 9º , inc. XXV , do Decreto n. 3.048 /99, com a redação dada pelo Decreto n. 3.265 /99, estabelece que o prêmio de seguro de vida em grupo pago pela pessoa jurídica aos seus empregados e dirigentes não integra o saláriodecontribuição, desde que haja a previsão do pagamento em acordo ou convenção coletiva de trabalho. A contrario sensu, a existência de pagamentos sem a referida previsão ensejaria a incidência da exação. 3. Está assentado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que a Lei n. 8.212 /91, em sua redação original e com a redação conferida pela Lei n. 9.528 /97, não instituiu a incidência de contribuição previdenciária sobre o prêmio de seguro de vida em grupo pago pela pessoa jurídica aos seus empregados e dirigentes. 4. "(...) o seguro de vida em grupo pago pelo empregador para todos os empregados, de forma geral, não pode ser considerado como espécie de benefício ao empregado, o qual não terá nenhum proveito direto ou indireto, eis que estendido a todos uma espécie de garantia familiar, em caso de falecimento. Se de seguro individual se tratasse, não haveria dúvida quanto à incidência, o que, entretanto, não ocorre em relação ao seguro de vida em grupo" (REsp 1121853/RJ, Rel. Min " DO ATO DECLARATÓRIO Nº 12 /2011 Cumpre trazer à colação o teor do ATO DECLARATÓRIO Nº 12 /2011 da lavra da PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL quando define que nas ações judiciais que discutam a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles. estaria desistindo de apresentar contestação, de interposição de recursos bem como dos já interpostos, verbis: Fl. 131DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10830.004344/201059 Resolução nº 2301000.582 S2C3T1 Fl. 6 5 “ PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL ATO DECLARATÓRIO Nº 12 /2011 A PROCURADORA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2119 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles.” JURISPRUDÊNCIA: REsp 759.266/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/11/2009, DJe 13/11/2009; REsp 839.153/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/12/2008, DJe 18/02/2009; REsp 701.802 / RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA julgado em 06/02/2007, DJ 22/02/2007 p. 166; REsp 1121853 / RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 14/10/2009; AgRg no Resp 720.021/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 26/08/2009; AgRg no Ag 903.243/CE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 06.11.2007, DJe 31.10.2008; REsp 794.754/CE, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14.03.2006, DJ 27.03.2006; e REsp 441.096/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 03.08.2004, DJ 04.10.2004. Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO Procuradora Geral da Fazenda Nacional ” DO RELATÓRIO FISCAL O Relatório Fiscal às fls. 13 é efetivo na afirmação de que não houve previsão do benefício em Convenção ou Acordo Coletivo de Trabalho, mas não deixa claro se o pagamento fora ou não estendido à totalidade dos empregados bem como de que maneira. Registra que foram vistas as apólices e produzidas planilhas mas não as colacionou: "2.Das razões do levantamento do crédito Os valores consolidados neste AI encontramse relacionados no Discriminativo Analítico de Débito DAD, em anexo, e referem Fl. 132DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10830.004344/201059 Resolução nº 2301000.582 S2C3T1 Fl. 7 6 se aos valores a título de "Seguro de vida em grupo", pagos aos segurados empregados do setor "Administração", estando em desacordo com a legislação vigente. Dispõe o artigo 214, § 9o, item XXV do Decreto 3048/99 (alterado pelo Decreto 3265 de 29/11/99) que o valor das contribuições efetivamente pagas pela pessoa jurídica relativo a prémio de seguro de Vida em grupo não integra o salário de contribuição, desde que previsto em Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho e disponível a todos seus empregados e dirigentes. Nas Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho apresentados pela entidade, relativos ao período especificado no item "1" deste relatório fiscal, não houve a previsão para pagamento deste benefício. Portanto, a rubrica "seguro de vida em grupo" integra a remuneração para os efeitos da legislação previdenciária. 2.1 Utilizados os seguintes levantamentos: "SV" para as competências 01/2005 a 01/2006 e 03/2006 a 12/2006 e 07/2007 "SV1" para as competências 02/2006; 01 a 06/2007 e 08 a 12/2007. 3.Documentos os examinados Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho de 2005 a 2007 Apólice de seguro de vida em grupo n° 930.001.770, o corretor nomeado pelo Estipulante à intermediação é Real Corretora de Seguros S/A Cód. Int. 43551/ Cód. SUSEP 02992610384976 4.Apuração dos salários de contribuição O valor tributável foi apurado com base nas faturas mensais, pagas pela Fundação à empresa seguradora, sendo estes valores rateados pela totalidade de segurados empregados beneficiados. As planilhas demonstrando os valores apurados pela fiscalização a título de seguro de vida em grupo pago em desacordo com a legislação e a parcela pertinente a cada beneficiado, encontramse em arquivo digital anexado ao AIOP n° 37.212.7436. " Em razão de tudo que foi exposto, venho propor a esta colenda Turma que converta o julgamento em DILIGÊNCIA para confirmar se o benefício contratado pelo empregador foi em favor do grupo de empregados, sem que tenha havido a individualização do montante para cada um deles bem como se à totalidade deles. Por óbvio, os elementos probantes devem constar dos autos de modo a sustentar os registros que se fizeram na Informação Fiscal . CONCLUSÃO Desse modo, conheço do recurso para ao abrigo do art. 29 do Decreto 70/235/72, votar pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, para que a fiscalização verifique e demonstre se efetivamente os créditos a que se refere o lançamento observaram o que foi suso requerido. Ressaltese que o teor desta Resolução bem como a vinculada resposta, Fl. 133DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10830.004344/201059 Resolução nº 2301000.582 S2C3T1 Fl. 8 7 devem ser notificados ao Recorrente antes de retornarem a este Conselho para que , em querendo, o sujeito passivo possa se manifestar. É como voto Ivaccir Júlio de Souza Relator. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 21/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 16327.720152/2014-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EMPREGADOS. PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES - STOCK OPTIONS. NATUREZA SALARIAL. DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL. CARACTERÍSTICAS DOS PLANOS AFASTAM O RISCO.
Ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, tanto pela adoção de política remuneratória na forma de outorga de ações quanto pela correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Na maneira como executado o Plano, com a minimização do risco, passa a outorga de ações a representar a verdadeira intenção de ter o trabalhador a opção de ganhar com a compra das ações.
As vantagens econômicas oferecidas aos empregados na aquisição de lotes de ações da empresa, quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas ações, configuram-se ganho patrimonial do empregado beneficiário decorrente exclusivamente do trabalho, ostentando natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição - base de cálculo das contribuições previdenciárias.
PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES -STOCK OPTIONS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS.
O fato gerador ocorre (aspecto temporal), na data do exercício das opções pelo beneficiário, ou seja, quando o mesmo exerce o direito de compra em relação às ações que lhe foram outorgadas. Não há como atribuir ganho se não demonstrado o efetivo exercício do direito sobre as ações.
Desnecessidade de que efetivamente realize a venda posterior, para que se verifique o fato gerador da contribuição em caso, se o direito lhe foi conferido e a vantagem foi incorporada a sua esfera patrimonial.
PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES - STOCK OPTIONS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO PELA INDEVIDA INDICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo é uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. O ganho patrimonial, no caso, há que ser apurado na data do exercício das opções e deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário.
O ganho patrimonial do trabalhador se realiza nas vantagens econômicas que aufere quando comparadas com as condições de aquisição concedidas ao investidor comum que compra idêntico título no mercado de valores mobiliários. Precedente: Acórdão 2302-003.536 - 2ª TO/3ª CÂM/2ª SEJUL/CARF.
Sendo declarada a improcedência do lançamento, em face de vício na indicação da base de cálculo eleita, desnecessário apreciar as demais alegações do recorrente, no que tange a nulidades e decadência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Dílson Jatahy Fonseca Neto votaram pelas conclusões.
Fez sustentação oral, pelo contribuinte, a advogada Maria Isabel Tostes da Costa Bueno, OAB/SP nº 115.127 e, pela Fazenda Nacional, a Procuradora Raquel Godoy de Miranda Araújo Aguiar.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EMPREGADOS. PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS. NATUREZA SALARIAL. DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL. CARACTERÍSTICAS DOS PLANOS AFASTAM O RISCO. Ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, tanto pela adoção de política remuneratória na forma de outorga de ações quanto pela correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Na maneira como executado o Plano, com a minimização do risco, passa a outorga de ações a representar a verdadeira intenção de ter o trabalhador a opção de ganhar com a compra das ações. As vantagens econômicas oferecidas aos empregados na aquisição de lotes de ações da empresa, quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas ações, configuramse ganho patrimonial do empregado beneficiário decorrente exclusivamente do trabalho, ostentando natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição base de cálculo das contribuições previdenciárias. PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS. O fato gerador ocorre (aspecto temporal), na data do exercício das opções pelo beneficiário, ou seja, quando o mesmo exerce o direito de compra em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 01 52 /2 01 4- 93 Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.115 2 relação às ações que lhe foram outorgadas. Não há como atribuir ganho se não demonstrado o efetivo exercício do direito sobre as ações. Desnecessidade de que efetivamente realize a venda posterior, para que se verifique o fato gerador da contribuição em caso, se o direito lhe foi conferido e a vantagem foi incorporada a sua esfera patrimonial. PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO PELA INDEVIDA INDICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo é uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. O ganho patrimonial, no caso, há que ser apurado na data do exercício das opções e deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. O ganho patrimonial do trabalhador se realiza nas vantagens econômicas que aufere quando comparadas com as condições de aquisição concedidas ao investidor comum que compra idêntico título no mercado de valores mobiliários. Precedente: Acórdão 2302003.536 2ª TO/3ª CÂM/2ª SEJUL/CARF. Sendo declarada a improcedência do lançamento, em face de vício na indicação da base de cálculo eleita, desnecessário apreciar as demais alegações do recorrente, no que tange a nulidades e decadência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Dílson Jatahy Fonseca Neto votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, a advogada Maria Isabel Tostes da Costa Bueno, OAB/SP nº 115.127 e, pela Fazenda Nacional, a Procuradora Raquel Godoy de Miranda Araújo Aguiar. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.116 3 Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração tocante às contribuições sociais e previdenciárias, período de apuração 01/2009 a 12/2010, incidentes sobre os valores resultantes de outorgas de opções de compra de ações para empregados e administradores, integrado pelos Debcad nº 51.011.1513 (R$ 51.056.340,47, com multa de ofício de 75% e mais juros de mora, fl. 302) referente às contribuições previdenciárias patronais e Debcad nº 51.011.1521 (R$ 3.095.553,60, com multa de ofício de 75% mais juros de mora, fl. 316), referente às contribuições destinadas às outras entidades ou fundos Terceiros. Para delinear a construção do lançamento, mencionamos e transcrevemos a seguir partes do Termo de Verificação Fiscal, que consta das folhas 243 e seguintes: 1. Regularmente intimado o contribuinte apresenta documentos e arquivos requeridos pela Fiscalização; 2. A fiscalizada é sociedade por ações, regida pelas disposições da Lei nº 6.404, de 1976; 3. No curso do procedimento fiscal, foi constatado que o contribuinte remunerou seus administradores e seus empregados em função dos serviços que lhe prestaram através da outorga de opções de compra de ações da companhia, desde que atendidas certas condições contratualmente estabelecidas. A situação foi detectada a partir da análise do Estatuto Social, consolidado em 2009. Neste sentido, grifou o Auditor Fiscal o artigo 8º, § 2º do Estatuto (fl. 246); 4. Colheu ainda das demonstrações financeiras publicadas pela Sociedade em 2009 que houve um aumento das despesas com pessoal, "efeito gerado pelo plano de opções de compras de ações para os empregados", e que a Companhia reconheceu como despesas as parcelas dos contratos relativos a planos e opções de compra de ações. Sublinhou que em Nota explicativa às demonstrações contábeis a Companhia "oferece aos empregados e executivos planos de remuneração com base em ações, recebendo serviços como contraprestação e o valor justo das opções é reconhecido como despesa, durante o período no qual o direito é adquirido" (fl. 248). 5. Em relação a 2010, também o Auditor Fiscal chama a atenção para a consideração de despesas operacionais como resultado do plano de opções de ações e a questão de que a empresa explica que "oferece a empregados e executivos planos de remuneração com base em ações". 6. Considerando o período da ação fiscal, o Auditor delimita que estão em análise o Programa de Opção de Compra de Ações 2008/2009 e o Programa de Opção de Compra de Ações 2009. 7. Em relação ao primeiro, destaca que a concessão de inclusão no programa busca serviços considerados estratégicos e empregados considerados "talentos" e está condicionada ao cumprimento de metas de performance e redução de custos. Nem todos os cargos são elegíveis para o programa e será firmado contrato individual com cada participante. O preço de exercício das opções será a média do preço de fechamento dos últimos 20 pregões anteriores à data de sua concessão. O prêmio a ser pago para a aquisição desse programa será zero. O exercício da opção é realizado após o vencimento de cada carência e o preço do Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.117 4 exercício será pago à vista. A quantidade efetiva das opções que serão outorgadas a cada beneficiário será definida em função da avaliação de seu desempenho, em cada nível hierárquico (fl. 266/7). 8. Em relação ao segundo, também existem cargos elegíveis (não é extensivo a todos os empregados), buscando serviços estratégicos e talentos, e metas de desempenho. As demais características também se repetem, em relação ao programa anterior. Destaco o prêmio igual a zero, o preço de exercício e suas condições. 9. Para concluir pela natureza salarial dessa outorga de opções de compra de ações, como espécie de remuneração a médio e longo prazo, aponta o Auditor que existe diferença entre opções de ações comuns e esta opção para trabalhadores, porque naquela o comprador deve pagar para ter direito a comprar as ações da companhia por preço préfixado e, se ao final do período de carência, a ação estiver com preço de mercado abaixo daquele estipulado, perderá (prejuízo) o valor pago, enquanto que na segunda o trabalhador não paga nada pelo direito de comprar ações da empresa. Assim, mesmo que o valor da ação no mercado esteja abaixo do valor préfixado, na data em que poderia exercer sua opção, ele nada perderia, ou seja, "só corre o risco de ganhar, não corre o risco de perder...caso a ação esteja abaixo, o trabalhador nada perde; acima, sempre ganha" (fl. 270). 10. Aponta ainda que os planos de opções de ações para trabalhadores estão sujeitos a regras que podem ser ajustadas às necessidades específicas da companhia, não são transacionáveis nem podem ser objeto de cessão por qualquer forma. Ainda, os planos possuem regras que visam a reforçar a ligação entre a empresa e o trabalhador. 11. Apresenta reflexão quanto a quais objetivos teria a companhia em negociar essas ações com seus empregados: motivação, retenção de talentos, vinculação de performance, redução de conflitos e critério de avaliação. 12. Destaca que os planos de opções de ações não são concedidos apenas para reter certos profissionais difíceis de substituir, mas também para proteger o investimento em capital humano e são oferecidos a trabalhadores potenciais e altamente qualificados que a companhia pretende atrair. 13. Raciocina o Auditor que a opção de compra de ações não oferece risco ao trabalhador e caracteriza uma remuneração de médio/longo prazo, pelo trabalho realizado, com lealdade, à empresa. "Elas são outorgadas a eles, claramente, pelo trabalho realizado" (fl. 272). 14. Trata longamente dos elementos que compõem a situação em análise, como objeto patrimonial, medida de preço, valor justo, outorga, carência, exercício da opção (fl. 277/8). Conclui porque a outorga de opções de ações, no caso, tem natureza de remuneração e não natureza mercantil e, consequentemente, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias e sociais em comento. 15. Fala do momento da ocorrência do Fato Gerador. Entende que tratase de um contrato pendente de condição suspensiva. Conclui, com base em doutrina e no CTN, que "as outorgas de opções de ações para trabalhadores reputamse perfeitas e acabadas na data em que, após o implemento das condições suspensivas, ocorre o exercício dessas opções de compra, pelo beneficiário". (fl. 282) Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.118 5 16. Para definir a Base de Cálculo, diz o Auditor que a tributação se baseia na despesa assumida pela companhia, que se traduz "no valor que o beneficiário deixou de pagar pela opção de compra quando da sua outorga, o qual é mensurável pelo valor justo da opção de compra"(fl. 283). O Auditor aponta que: Valor justo (R$) Programa BMF 2007 22,60 Programa BVMF 2008 3,71 Programa BVMF 2009 2,93 17. Apontase o enquadramento legal da tributação em caso na Lei nº 8.212, de 1991, e no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação à primeira instância (fl. 330). Diz que não efetua qualquer espécie de pagamento aos titulares do plano de opções de compra de ações, que representam expectativa de direito de adquirir, no futuro, ações e que decorrem da celebração de contrato mercantil. Diz que o mesmo Auditor Fiscal, em relação ao mesmo plano, adotara critérios diferentes para o lançamento efetuado para o período 2007/2008, no que tange ao momento da ocorrência do fato gerador e base de cálculo. A impugnação foi analisada pela 14ª Turma da DRJ/SPO, que, em resumo, assim dispôs: 1 Decadência segundo a Fiscalização, o fato gerador verificase na data em que, após o implemento das condições suspensivas, ocorre o exercício dessas opções de compra. No presente caso, verificando ausência de apuração e ausência de recolhimento das contribuições devidas, a Fiscalização promoveu o lançamento de ofício, nos termos dos artigos 142 e 173 do CTN, e do artigo 37 da Lei nº 8212/91. Temse que não se aplica ao presente caso o disposto no artigo 150, parágrafo 4º do CTN. Constata se que não há qualquer competência fulminada pela decadência, uma vez que a competência mais antiga objeto de lançamento aqui é 02/2009 e que a constituição dos créditos se deu anteriormente a tal data, mais especificamente, em 28/02/2014. 2 Em que pese a nomenclatura da operação, resta claro que a oferta de opções de compra de ações aos segurados empregados e administradores da Impugnante teve por fundamento o trabalho prestado, pois foram ofertadas em retribuição aos serviços prestados em conseqüência do vínculo do trabalhador com a empresa por determinado período de tempo, e em função de sua dedicação ao cumprimento das metas que lhe foram impostas. Portanto, as parcelas resultantes destas operações devem sofrer a incidência das contribuições sociais previdenciárias e de Terceiros, posto que são oferecidas pelo trabalho. Desta forma, não há que se falar que a Fiscalização não evidenciou os elementos caracterizadores de salário/remuneração para as verbas em análise, nem que as autuações carecem de fundamentação e motivação. 3 Em relação às autuações integrantes do processo nº 16327.721267/2012 33, que abrangem o período de 12/2007 a 12/2008, a situação fática encontrada pela Fiscalização, bem como os documentos e informações apresentadas pelo Contribuinte, estão sendo lá tratados, em consonância com as normas reguladoras dos processos administrativo fiscais. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.119 6 4 A Autuada alega que os Planos/Programas para Outorga de Opções de Compra de Ações, têm nítido caráter mercantil. Entretanto aqui resta absolutamente claro o caráter retributivo do plano de opção de compra de ações, eis que somente se realiza em função da relação de trabalho e dos serviços prestados, nas condições que estipula. Basta que o objeto seja contraprestativo do trabalho e represente uma vantagem econômica. 5 Também não assiste razão à Impugnante, quando aduz que a base de cálculo eleita é imprópria e que o momento indicado como sendo o da ocorrência do fato gerador está equivocado (fl. 928/9). 5 No momento da outorga existe apenas uma expectativa de direito, direito este que só se perfaz com o cumprimento das condições contratadas. Somente com o exercício é que a aquisição das ações reputase perfeita e acabada. 6 Não merece reparo o procedimento fiscal explicitado nos Tópicos e do Termo de Verificação Fiscal, cabendo ressaltar que os valores justos das opções foram fornecidos pela Companhia: “Assim, a base de cálculo das contribuições previdenciárias é calculada multiplicandose a quantidade de opções de compra exercidas pelos beneficiários pelo seu valor justo.” 7 Concluiu que os valores relativos à outorga de ações aos beneficiários eleitos pela empresa para participar do Plano de Opção de Compra de Ações, integram o salário de contribuição, eis que pagos em função do contrato de trabalho em retribuição aos serviços prestados e nas condições estipuladas pelo empregador. Em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Outras Entidades Terceiros, incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91. 8 Reputou correta a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. 9 O crédito foi lançado contra a pessoa jurídica e somente dela está sendo exigido. No momento, não se fala em coresponsabilidade. O fato de constar no processo administrativo uma relação com os nomes e endereços dos representantes legais da autuada, não significa que a Administração está imputando aos dirigentes a responsabilidade pelo pagamento do crédito em questão.Tratase apenas de uma informação que poderá ser utilizada futuramente pela própria Administração ou pelo Judiciário. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo apropriada na via da execução judicial, somente na hipótese dos diretores serem convocados, por decisão judicial, para o pagamento do crédito. Deuse então o julgamento de 1ª instância para considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Cientificado dessa decisão em 04 de setembro de 2014, conforme AR na folha 939, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 03 de outubro de 2014, com protocolo na folha 941. Em sede de recurso, assim, resumidamente, apresenta as razões de sua inconformidade: a) os Planos em questão necessitam da aceitação pelo titular, baseiamse em contrato bilateral; geram a obrigação de entregar, no futuro, ações mediante o pagamento de preço préestabelecido; a Recorrente não efetua qualquer espécie de pagamento aos participantes; as opções decorrem da celebração de contrato mercantil que não pode ser Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.120 7 confundido com uma opção de mercado, na medida em que representa mera promessa de compra/venda, não sendo apreciável economicamente. b) requer preliminarmente a proteção do sigilo fiscal de terceiros mencionados no TVF; c) acentua que o mesmo Auditor Fiscal, em procedimento anterior, referente ao período de 2007/2008, considerou diferentes aspectos da hipótese de incidência, quais sejam: o fato gerador ao término do prazo de carência estipulado e a base de cálculo como a quantidade de ações ofertadas multiplicada pela diferença entre o preço médio da ação e o valor do exercício. Conclui que está demonstrada uma "total falta de critério nas autuações envolvendo stock options." Diz que se está pretendendo a "criação de um novo tributo". d) diz que a DRJ ao analisar o auto de infração onde se exigem contribuições previdenciárias devidas nos períodos de 2007/2008 entendeu que o lançamento deveria ser integralmente mantido. A mesma DRJ, ao examinar a autuação fiscal aqui combatida, também mantevea. Ocorre que os lançamentos são contraditórios no que tange aos fatos geradores e às bases de cálculo eleitas. Isso demonstra a inconsistência da tese fiscal. e) comparando ainda as autuações acima mencionadas com outros casos julgados pelo CARF (Caso ALL e Caso Cosan) fica clara a completa discricionariedade da Receita Federal e reforça o fato de que nem mesmo o Fisco tem certeza sobre a tributação de stock options. f) a Fiscalização considerou os "Planos" de outorga de opções de compra de ações para subsidiar a autuação. A DRJ não conseguiu demonstrar que houve o exame dos contratos, individualmente. É descabida a desconsideração do Plano, aprovado pela AGE, para a partir daí se exigir a contribuição previdenciária, sem levar em conta as especificidades de cada um dos contratos firmados entre as partes. g) Mesmo que se tome o fato gerador como efetivamente ocorrido no exercício das opções de compra, com relação às opções exercidas até 27/02/2009, ocorreu a decadência, contado o prazo na forma do artigo 150, § 4º do CTN. Cita decisões do STJ e da CSRF. REQUER o acolhimento da preliminar de ausência de fundamentação e de motivação da autuação lavrada ou o reconhecimento da decadência, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, caso não seja cancelada a integralidade do auto de infração, em razão do mérito discutido. h) No mérito, defende que, ao contrário do alegado pela Fiscalização, o que esses Planos permitem aos participantes é uma oportunidade de adquirir ações da companhia, mediante contrato oneroso e voluntário, portanto de natureza mercantil, e que, os eventuais ganhos viriam apenas após o exercício das opções outorgadas e conseqüente venda das ações eventualmente adquiridas pelos participantes. Não existe, assim, fato imponível da obrigação tributária objeto do lançamento, qual seja, remunerar por serviços prestados. A circunstância de serem todos os participantes diretores ou empregados do Recorrente decorre de expressa disposição de lei (cita a Lei nº 6.404, de 1976, artigo 168, § 3º). Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.121 8 i) Fala nas características de um contrato mercantil, em risco para o beneficiário; nas características da contraprestação pelo trabalho: retributividade e habitualidade. j) Entende que a base de cálculo eleita pela Fiscalização é imprópria e que o fato gerador escolhido é incompatível. Enfim conclui que o lançamento fiscal está maculado pela inocorrência/incompatibilidade do fato gerador das contribuições previdenciárias e não pode prosperar. k) defende a ilegalidade da incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício. l) diz ser impertinente a listagem denominada "relatório de vínculos" onde são listadas todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo. Inexistindo motivação, impõese a supressão dos nomes dos diretores da Recorrente. PEDE o provimento do recurso para que seja cancelado o auto de infração e extinto o crédito tributário nele consubstanciado. Os autos foram encaminhados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para análise e manifestação. A Fazenda Nacional apresenta contrarazões na folha 1080 e seguintes. Vejamos, em resumo: a) diz que não existe qualquer nulidade no procedimento fiscal, citando o Decreto nº 70.235, de 1972; o critério material foi adequadamente descrito pela autoridade lançadora, qual seja, remunerar segurados empregados e contribuintes individuais por meio dos rendimentos proporcionados por um plano de opção de compra de ações; o critério pessoal também está correto e identificado; quanto ao critério quantitativo, foi devidamente elucidado, sendo apontada como base de cálculo o valor justo das opções de compra na data das outorgas; também o aspecto temporal, definido como a data do efetivo exercício das opções. Em suma, o auto de infração preenche todos os requisitos de validade. b) ao defender a necessidade de norma específica para fundamentar a tributação dos benefícios auferidos, em discussão, a recorrente pretende que a tributação se dê com base em previsão taxativa. Mas não foi essa a solução adotada pelo legislador em matéria tributária. A incidência das contribuições previdenciárias demanda a caracterização da verba como remuneratória. c) diferencia stock options mercantis de employee stock options. Diz que no caso as stock options para empregados e diretores não são outorgadas aos beneficiários em contrapartida do recebimento de um prêmio, como no caso das stock options mercantis, mas em contrapartida ao trabalho que tais beneficiários prestam e prestarão para a companhia. d) diz que a própria recorrente trata seu Plano como "relevante componente de sua política de remuneração para diretores, administradores e empregados de alto nível". e) analisa os Planos da recorrente, a partir do Estatuto e AGE. Conclui que a concessão das opções de ação possui um caráter discricionário e retributivo, vinculado ao desempenho do profissional da empresa. Como previsto nos planos e programas, a performance do executivo e o alcance de metas eram determinantes na eleição dos Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.122 9 beneficiários e na atribuição do número de ações em cada contrato. Não há dúvidas, portanto, de que as Stock Options eram ofertadas como retribuição pela prestação de serviço. f) destaca que as opções não eram objeto de compra e venda entre a companhia e os executivos beneficiários, sendolhes graciosamente outorgadas, o que também atua para afastar o caráter mercantil. Aliás, as opções eram outorgadas como troca pelo trabalho a ser prestado pelos beneficiários à companhia. g) diz que os Planos de Opções de Ações previam resgates anuais por período de quatro anos consecutivos. A repetição uniforme, por quatro anos consecutivos, é apta a caracterizar a habitualidade exigida pelo legislador e, portanto, ficam preenchidos os requisitos para que os pagamentos subsumamse ao conceito de remuneração. h) fala dos juros sobre a multa, e DEFENDE a Fazenda Nacional que seja negado provimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. O recorrente, primeiramente, diz que o Auditor Fiscal deveria ter analisado cada um dos contratos individuais, para demonstrar suas características, e delas partir para a autuação, não podendo fazêlo o Auditor Fiscal a partir da análise geral das disposições estatutárias e de Assembléia Geral. Entendo que caberia ao fiscalizado apontar, então, qual contrato não seguiu o Plano geral e porque não se enquadra nas descrições da autuação. Existe algum contrato, especificamente, cujas características não seguiram as diretivas e por isso excepcionaria as "regras gerais" consideradas e expostas pela fiscalização para considerar as stock options como de natureza retributiva pelo trabalho e portanto passíveis de contribuição previdenciária patronal? Pareceme que essa alegação do recurso, e que já foi refutada na impugnação, apenas busca inviabilizar as conclusões da auditoria, sem demonstrar fundamento para tal. Diz ainda que não existe uma legislação específica para a tributação de stock options e que a Fiscalização busca "criar um novo tributo", inclusive apontando aspectos diferentes para a hipótese de incidência, em autuações sucessivas. Entendo que essa "preliminar" se confunde com o mérito, ou seja, com a análise dos elementos que compõem a hipótese de incidência tributária e lá será devidamente analisada. Rejeito essas preliminares, portanto. Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.123 10 MÉRITO Este Conselho já vem tratando há tempos da questão da tributação das stock options, representadas por planos de outorga de opções de compra de ações a preços pré fixados, pelas companhias, a seus próprios empregados, diretores e administradores. Entendo que devam ser analisados, para resolver a questão aqui em caso, três pontos: I a natureza do plano de opção para compra de ações (stock options), se salarial, como defende a Fiscalização, ou se mercantil, como defende o Recorrente; II quando ocorre o fato gerador (aspecto temporal da hipótese de incidência) e III qual é a base de cálculo do tributo (aspecto quantitativo da hipótese de incidência). I PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. NATUREZA. A Procuradoria da Fazenda Nacional bem destacou, em sua manifestação, a diferença entre as stock options mercantis das chamadas employee stock options. Transcrevo: Numa definição bem simplificada, um contrato de opção de compra de ações confere ao titular o direito de comprar ações a um preço determinado (preço de exercício), em uma determinada data (data de vencimento da opção). Chamase de prêmio o valor que a pessoa interessada em adquirir uma stock option paga por esse direito de comprar as ações no futuro por um preço prédeterminado. Como já mencionado anteriormente, existe um verdadeiro mercado de negociação de stock options. As stock options mercantis podem ser negociadas tanto em bolsa de valores, quanto em mercado de balcão. Após o lançamento da opção, comprador e lançador não interagem, sendo a liquidação realizada por meio de uma câmara ou caixa de liquidação. (...) Com os novos tempos de globalização e concorrência cada vez mais acirrada, as empresas têm continuamente buscado mecanismos para atração e manutenção de bons profissionais em seus quadros, pois deles depende o sucesso da atividade empresarial. Nesse diapasão, inúmeras são as empresas nacionais e multinacionais que oferecem uma variada gama de benefícios aos seus empregados e prestadores como forma de se tornarem mais competitivas, sendo as stock options um desses mecanismos. Por meio desses planos de compra de ações, as empresas concedem ao seu empregado ou executivo beneficiário o direito de, num determinado prazo, subscrever ações da companhia, a um preço determinado ou determinável, segundo critérios estabelecidos por ocasião da outorga, através de um plano previamente aprovado pela assembléia geral. Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.124 11 O recorrente defende a natureza mercantil de seus Planos, falando que o beneficiário deve adquirir as ações com seu próprio dinheiro, ou seja, ele não "empresta dinheiro" para a aquisição, que existe voluntariedade e onerosidade e que existe risco. Diz ainda que existe uma incompatibilidade do seu Plano com a hipótese de incidência de contribuições previdenciárias, porque não estão presentes o caráter retributivo nem a habitualidade. Arremata que a finalidade do Plano é a atração e retenção de funcionários qualificados e o compartilhamento dos riscos do negócio. Destaca que a legislação só permite a outorga de opções a uma determinada categoria de pessoas (administradores e empregados), conforme artigo 168 da Lei nº 6.404, de 1976. Portanto, o fato de não oferecer suas ações em condições vantajosas a todo o mercado, mas apenas a seus administradores e empregados, não decorre da vontade de beneficiálos ou retribuílos, mas de "expressa determinação legal". A isso, trago as disposições do Voto do Acórdão 2401003.891 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 11 de fevereiro de 2015, que tratou da mesma companhia e de autuação análoga, porém relativa aos períodos de 2007 e 2008: O fato da legislação das S.A ter previsto essa modalidade de pagamento, não a excluiu do conceito do salário de contribuição. Nesse ponto, entendo oportuno a indicação do auditor que a verba não está contida no rol de exclusões do art. 28, §9º, mas devemos nos aprofundar nos fatos indicados no relatório fiscal para constituição do crédito ora sob análise. Tal fato mostrase relevante para evitar que as empresas passem a adotar sistemáticas de remuneração indireta, passando as chamálas de stock options. (...) Como defendeu a autoridade fiscal, o caráter remuneratório nasce, na medida que se observa que o benefício concedido surge como um meio indireto de satisfazer o trabalhador, fidelizálo, ou simplesmente oferecerlhe um atrativo, de forma que o mesmo veja no trabalho prestado na empresa uma possibilidade de remuneração indireta. Destaco, porém, que embora não concorde com a frase dita de forma isolada, no contexto apresentado pelo auditor, entendo que a conclusão mostrase acertada. Bem, o beneficiário não paga qualquer "prêmio" pelo direito à outorga de opções. Ele participa do Plano a partir do preenchimento de condições que sem dúvida estão vinculadas ao trabalho, como desempenho, metas, qualificação profissional, etc. Se ao final do período de carência o preço da ação no mercado estiver superior ao preço fixado na outorga, ele exerce a opção e obtém uma vantagem. Se ao final do período o preço estiver inferior, ele simplesmente não exerce a opção. Não vejo que haja "compartilhamento dos riscos do negócio". Existe a possibilidade de receber um plus pelo sucesso da companhia ou não. Assim, não há risco de Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.125 12 perder, mas apenas o risco de "não ganhar". Destaco que esse é apenas um artifício de retórica, para clarear a situação. O recorrente diz que "ou há risco, ou não há". Mas então é preciso definir qual é o objeto do risco. Se o objeto do risco é o plus nas vantagens oferecidas pela companhia ao empregado ou se o objeto do risco é o resultado de mercado no preço das ações da companhia. Em relação ao primeiro, existe a possibilidade apenas de ganhar uma vantagem adicional. Em relação ao segundo, o participante do Plano, na forma como se colocou, não corre qualquer "risco", porque receberá seu salário nos termos do contrato e da legislação trabalhista. Assim, não se pode dizer que haja "compartilhamento dos riscos do negócio", mas a possibilidade de ter seus ganhos aumentados em função do sucesso da companhia, do qual participa em função de seu trabalho, seu empenho, sua fidelidade e sua capacidade. Destaco ainda do recurso: "uma stock option que não é exercida ou cujo valor de exercício encontrase superior ao valor dos ativos no mercado à vista (out of money), nada mais é do que mera expectativa de direito para o beneficiário. Este nada ganhou, nada auferiu, não experimentou alteração patrimonial alguma" (fl. 973) Mas, em sentido contrário, se exerceu a opção, porque no momento em que se preencheram as condições para o exercício a situação de mercado era vantajosa, ganhou, auferiu, teve acréscimo patrimonial! Advirto que não se pode misturar o fato gerador de contribuições previdenciárias decorrentes do pagamento de vantagens aos empregados com o fato gerador do imposto de renda, decorrente de se auferir a disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Ao argumento do recorrente de que "um empregado que exerça suas opções estaria sendo remunerado, mas se nunca exercer em razão de condições adversas do mercado, não estaria sendo remunerado"(fl. 978), destaco que a opção de compra é um adicional, um plus, um "ganho extra", que o empregado/diretor pode vir a ter. Não significa que trabalhou sem remuneração, significa que pode participar do eventual sucesso, mas no caso desse sucesso esperado não ocorrer, continuará a ter direito à sua remuneração contratual. Também ao argumento do participante do plano ter de usar "recursos próprios" para adquirir as ações, nesse caso ele só compra se quiser e se forem verificadas as condições vantajosas. Em se tratando de mercado de ações, é possível comprar e vender praticamente ao mesmo instante. Diz que o titular deve "sacrificar" recursos próprios para exercer as opções. Mas não "sacrifica" porque se comprar e quando comprar, ele estará ganhando, já que compra algo sabidamente por preço vantajoso. Aliás, essa questão da venda futura é totalmente independente das contribuições previdenciárias, em caso. Ela se alinha para verificação do ganho de capital eventualmente auferido pelo beneficiário e à incidência do imposto de renda das pessoas físicas, mas o fato de ter exercido seu direito a comprar ações com valor abaixo do preço de mercado, em evidente vantagem não oferecida ao mercado em geral, ostenta natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição – base de cálculo das contribuições previdenciárias. O recorrente diz ainda que existe uma tentativa do Fisco de caracterizar um "negócio realizado" como se remuneração fosse. E questiona se uma empresa alienasse um Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.126 13 bem qualquer a seus funcionários, como um computador ou um veículo, se também estarseia diante de uma remuneração. Mas é só se analisar as condições em que foi feita essa alienação. Se foi feita em condições de vantagem (não pelo valor de mercado do bem), que não seriam observadas se o bem fosse alienado a terceiros e desde que esse funcionário lhe tivesse prestado serviços de excelência, por período de tempo, com fidelidade e a vantagem só se desse em razão de sua especialidade ou capacidade laboral e cumpridas metas de desempenho funcional, a resposta é sim. Ou seja, o objetivo não era propriamente a alienação do bem assim como nesse Plano em discussão, o objetivo não é propriamente a alienação de ações , mas sim conceder vantagem ao empregado/dirigente em função de determinadas características dele e ao cumprimento de condições vinculadas ao trabalho. Discordo, portanto, que o Plano analisado e a outorga de opções de ações tenha natureza mercantil, sendo retribuição pelo trabalho e pela manutenção do vínculo laboral de interesse da companhia. Retribui o "bom trabalho", a fidelidade e a eficiência. Chego à mesma conclusão do Acórdão 2401003.891 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, já citado acima: Assim, ao condicionar a opção de compras de ações e o número de ações a serem outorgadas a condições relacionadas ao desempenho profissional, o recorrente acaba por desnaturar a operação mercantil do Stock options aproximando sua concessão a de um mero prêmio, demonstrando sua feição salarial (tão evidenciada pela autoridade fiscal), vez que acaba vinculando o seu pagamento ao implemento da prestação de serviços. Aqui ressalto, questão abordada no início deste voto, qual seja, não devemos nos ater apenas a nomenclatura utilizada pelo contribuinte para definição do salário de contribuição, mas identificar como, na prática davase o pagamento. O que define a eventualidade não é a periodicidade do pagamento ou ter sido esse realizado uma ou duas vezes, pois se assim fosse a gratificação natalina seria eventual, pois é paga apenas uma única vez ao ano, ainda que dividida, mas esse pagamento é habitual. A habitualidade, no caso, está presente na necessidade do vínculo laboral, no período de tempo que o empregado deve mantêlo para receber a vantagem. Se ele trabalha ali somente um mês, um uma vez, eventualmente, não seria escolhido para a outorga das ações. De novo, do Acórdão 2401003.891 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, já citado acima: A interpretação de ausência de habitualidade não deve indicar pagamentos contínuos, mas devem ser diferenciados de pagamentos eventuais, ou seja, aqueles que não tem qualquer relação com a prestação do serviços ou pelo vínculo de emprego. Estariam excluídos pela ausência de habitualidade aqueles benefícios decorrentes de um infortúnio. A habitualidade será determinante quando buscar a definição do conceito de remuneração para reflexos em outras verbas trabalhistas, tais com férias, 13 salário. Já para incidência de contribuições previdenciárias, o fato determinante é a natureza em si da verba, Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.127 14 donde buscamos caracterizar a verba como salarial, ou indenizatória se a mesma vinculase ao contrato de trabalho. Além disso, como destacou a PFN, em sua manifestação (fl. 1105): Os Planos de Opções de Ações previam resgates anuais por período de quatro anos consecutivos. A repetição uniforme, por quatro anos consecutivos, é apta a caracterizar a habitualidade exigida pelo legislador e, portanto, ficam preenchidos os requisitos para que os pagamentos subsumamse ao conceito de remuneração. Como se disse no início, este CARF já se deparou com diversos casos de stock options, chegando à conclusão, a partir da análise e condições dos Planos, que se desvirtua a concepção original, inclusive aquela prevista na Lei das Sociedades por Ações, para criar uma forma de retribuir alguns empregados/dirigentes 'especiais', atraindoos e mantendo os com a possibilidade de um plus ou ganho adicional decorrente e relacionado ao seu trabalho e sua fidelidade para com a companhia e ausente o risco típico do negócio mercantil. Vejamos: Acórdão 2401003.044 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS NATUREZA SALARIAL DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL CARACTERÍSTICAS DOS PLANOS AFASTAM O RISCO. Em sua concepção original o stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime de opção de compra de ações por preço préfixado, concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo inicialmente caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período prédeterminado ao longo do curso do contrato de trabalho. Em ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, qual seja, mera operação mercantil, seja, pela concessão de empréstimos, possibilidade de venda antecipada, troca de planos, correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Na maneira como executado, passa o negócio a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o empregado a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES;(...) Acórdão nº 2301003.597 Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.128 15 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELA INTEGRANTE. REMUNERAÇÃO. STOCK OPTIONS. INTEGRAÇÃO. Salário de Contribuição, para o contribuinte individual, é a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês. No presente caso a concessão de “stock options” aos segurados contribuintes individuais a serviço do sujeito passivo devem integrar o salário de contribuição, pois foram concedidos pelo trabalho do segurado, integraramse ao patrimônio do segurado e não podem ser conceituados como oriundos de negócio mercantil, pois ausente risco. E, principalmente no Acórdão abaixo, que se refere ao mesmo contribuinte e a autuação análoga, porém relativa ao período de 2007 e 2008: Acórdão 2401003.891 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS NATUREZA SALARIAL DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL CARACTERÍSTICAS DOS PLANOS AFASTAM O RISCO Em ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, seja, pela adoção de política remuneratória na forma de outorga de ações, possibilidade de venda antecipada, estabelecimento do custo de R$1,00, correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Na maneira como executado, como a minimização do risco pelo baixo custo e possibilidade de venda, sem nem mesmo ter o direito a totalidade das ações, passa a outorga de ações a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o trabalhador a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES. Não fosse essa a intenção da empresa, por qual motivo a recorrente teria estabelecido valores tão baixos. Correta a indicação de base de cálculo como o ganho real, (diferença entre o preço de exercício, previamente estipulado, e o preço de mercado no momento da compra de ações.) desde que constatado a natureza salarial da verba. Portanto, correta a tributação das stock options, neste caso, como uma forma indireta de remuneração, sujeitandose às contribuições destinadas à seguridade social. II QUANDO OCORRE O FATO GERADOR (ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA). O contribuinte alega que não "subsidia" a compra das ações, tendo o empregado que desembolsar a quantia para a compra das mesmas. Mas não se tributa o valor do desembolso, mas a diferença entre o valor real do bem e o efetivo desembolso. E, assim, Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.129 16 essa diferença é subsidiada pela empresa em favor do empregado, em troca do serviço prestado. Só há o efetivo pagamento, com natureza salarial, se de fato o beneficiário exercer sua a opção de compra que lhe foi outorgada. Relembro, como já se disse alhures, que não se pode confundir o fato gerador das contribuições previdenciárias, aqui em comento, com o imposto de renda. A teor do artigo 43 do CTN, o imposto sobre a renda incide sobre a disponibilidade econômica ou jurídica de renda, mas não posso entender que haja um pagamento de vantagem com natureza salarial no momento em que se outorga a opção de compra das ações, sendo incerto que vá ser exercida a opção, ou mesmo no momento em que se encerra o período de carência (vesting) quando o beneficiário "poderia" exercer a opção, mas, obviamente, dependente de condições favoráveis de mercado. Decorre tal comentário de terem sido verificadas autuações da Receita Federal considerando a ocorrência do fato gerador tanto no momento da outorga das opções quanto no término do período de carência (quando haveria uma "disponibilidade de exercício") mesmo que o exercício não viesse efetivamente a ocorrer. Como se estabeleceu no várias vezes aqui citado Acórdão 2401003.891, no julgamento do processo 16327.721267/201233, relativo ao mesmo contribuinte e a autuação análoga, porém dos períodos de 2007 e 2008: IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR DATA DA CARÊNCIA ANTECIPADA INDEPENDENTE DO EXERCÍCIO DAS AÇÕES VÍCIO NO LANÇAMENTO. O fato gerador de contribuições previdenciárias em relação ao plano de Stock Options ocorre pelo ganho auferido pelo trabalhador (mesmo que na condição de salário utilidade), quando o mesmo exerce o direito em relação as ações que lhe foram outorgadas. Improcedente o lançamento quando parte a autoridade fiscal de uma premissa equivocada de que o fato gerador no caso de stock options seria a data de vencimento da carência, independentemente do exercício das ações. Não há como atribuir ganho, se não demonstrou a autoridade fiscal, o efetivo exercício do direito de ações.(grifei) Assim, o correto momento de ocorrência do fato gerador, no caso, é aquele descrito no termo de verificação fiscal, pelo Auditor, nestes autos. Vejamos: Diante do que foi exposto, as outorgas de opções de ações para trabalhadores reputamse perfeitas e acabadas na data em que, após o implemento das condições suspensivas, ocorre o exercício dessas opções de compra. (...) Portanto, a data da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a outorga das opções é definida como sendo a data do exercício das opções pelo beneficiário. (f. 282) (grifo original) Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.130 17 Repito que nos autos do processo 16327.721267/201233, o Auditor Fiscal considerara de forma diferente, entendendo que o fato gerador ocorreria no momento em que se encerra o período de carência (vesting), independentemente do exercício da opção, o que já foi reputado incorreto por este CARF, conforme ementa acima transcrita. Esse momento da ocorrência do fato gerador já foi discutido também em outros Acórdãos paradigmas, neste Conselho. Citese: Acórdão 2401003.044 – Voto vencedor O momento da ocorrência do fato gerador, deuse com a concretização da opção, auferindo um ganho indireto. (o direito de compra). Não podemos dizer que se dará apenas com a venda, pois poderemos nos deparar com situações em que o empregado nunca realizasse essa venda. Mas, possua o “bem” (direito a ação) direito esse concedido, como no presente caso, pela contraprestação do serviços.(grifei) Entendese aqui que, para a incidência das contribuições sociais em questão é necessário o efetivo exercício da opção pelo beneficiário, verificadose que as outorgas de opções de ações para trabalhadores reputamse perfeitas e acabadas na data em que, após o implemento das condições suspensivas, ocorre o exercício dessas opções de compra, como bem determinou o Auditor Fiscal. III QUAL É A BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO (ASPECTO QUANTITATIVO DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA). O artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Socorrendome na doutrina de Regina Helena Costa: Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 205) No mesmo sentido vai Kiyoshi Harada: Aspecto quantitativo do Fato Gerador: neste aspecto, destacam se a base de cálculo e a alíquota. Na operação de lançamento tributário, após a verificação da ocorrência do fato gerador, da identificação do sujeito passivo e da determinação da matéria tributável, há que se calcular o montante do tributo devido Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.131 18 aplicandose a alíquota sobre a base de cálculo. Esta é, pois, uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. (HARADA. Kiyoshi. Direito Financeiro e Tributário, 23ª ed, Atlas : São Paulo, 2014, p. 544/545) Neste lançamento em debate, definiu o Auditor Fiscal, conforme Termo de Verificação Fiscal (fl. 282) que: No momento em que se esgota o prazo de carência, o trabalhador tem constituído o direito de exercer as opções de ações, recebendo em troca uma ação da companhia para cada opção que possui. ... a tributação ocorre sobre a parcela assumida como despesa pela empresa, que se traduz no valor que o beneficiário deixou de pagar pela opção de compra quando da sua outorga, o qual é mensurável pelo valor justo da opção de compra.(destaquei) Essa base de cálculo definida, entretanto, não se coaduna com a descrição que fez o Auditor Fiscal para definir o momento de ocorrência do fato gerador. Vejamos que o fato gerador, sujeito a condição suspensiva, só ocorre quando do efetivo exercício da opção pelo beneficiário, conforme se tratou no item anterior. Também, grifou o Auditor que "não se está tributando a compra da ação". Mas chegou à conclusão que a base de cálculo seria o valor justo da ação, no momento da outorga, ou seja, o valor que o beneficiário teria deixado de pagar para adquirir aquela ação, caso fosse comprála em mercado, quando a companhia lhe incluiu no Plano de compra de ações e ele adquiriu o direito, sob condição suspensiva, de comprála a determinado preço, no futuro. Mas qual seria esse preço de aquisição, préfixado, caso verificadas as condições suspensivas? O Termo de Verificação Fiscal não o menciona ao tratar da base de cálculo. Não seria a ele que se deveria fazer referência? Porque a "vantagem" de natureza salarial obtida pelo beneficiário do Plano e subsidiada pela companhia, pelo todo que vimos aqui sustentando, se verifica pela diferença entre o valor da ação na data do exercício (valor do bem em mercado sob condições normais) e aquele valor (préfixado e favorecido) que o beneficiário vai pagar à companhia dona das ações. Essa é, efetivamente, a medida da "vantagem" auferida. Naquele dia, do exercício, ele está ganhando a diferença entre o valor de mercado da ação e o valor pelo qual a está comprando porque, se vendêla imediatamente (e ele tem essa disponibilidade) será esse o valor acrescido a seu patrimônio. Vejamos jurisprudência deste CARF, no Acórdão 2302003.536, com o qual concordo perfeitamente: EMENTA STOCK OPTIONS. PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. VANTAGENS OBTIDAS NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.132 19 CONTRIBUIÇÃO. As vantagens econômicas oferecidas aos empregados da empresa na aquisição de lotes de ações próprias, quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas ações, configuramse ganho patrimonial do empregado beneficiário decorrente exclusivamente do trabalho, ostentando, portanto, natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição base de cálculo das contribuições previdenciárias. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito do lançamento, porque as vantagens econômicas oferecidas aos empregados na aquisição de lotes de ações da empresa, quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas ações, configuramse ganho patrimonial do empregado beneficiário decorrente exclusivamente do trabalho, ostentando natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição – base de cálculo das contribuições previdenciárias.(grifei) VOTO Nos planos em realce, o beneficiário se investe no direito de adquirir ações da Empresa, em condições vantajosas em relação à oferta de mercado. O ganho patrimonial do trabalhador se realiza nas vantagens econômicas que aufere quando comparadas com as condições de aquisição concedidas ao investidor comum que compra idêntico título no mercado de valores mobiliários. (...) O beneficiário tem ao seu dispor a faculdade de exercer ou não tal direito de aquisição. O exercício da faculdade de efetuar a “Contribuição para Aquisição dos Lotes Incorporados” dáse por mero aviso à empresa, acompanhado do pagamento do “Valor da Contribuição para Aquisição” correspondente ao Lote Incorporado a que se refere. O ganho patrimonial, portanto, há que ser apurado nesse momento histórico e deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário.(sublinhei) Com efeito. Se um investidor qualquer fosse ao mercado de valores mobiliários ou mercado de balcão adquirir ações da Companhia, iria pagar um preço de “x” Reais por ação. Por outro lado, o beneficiário do plano adquire na mesma data a mesma ação por um preço ‘y’ Reais, inferior ao preço de mercado. O ganho patrimonial “GP” desse Beneficiário corresponderá, logicamente, à diferença entre o valor “x” de mercado e o valor “y” de aquisição, multiplicada pelo número de ações adquiridas “n”. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.133 20 GP = (x – y) * n. Tal montante “GP” representa exatamente a importância que o empregado Beneficiário deixou de desfalcar o seu patrimônio inercial para a aquisição do mesmo quantitativo de ações no mercado de valores mobiliários. No caso presente, de acordo com o Relatório Fiscal, a data do fato gerador corresponde à data em que houve o exercício das opções, o qual se deu pelo pagamento do “Valor da Contribuição para Aquisição” correspondente ao Lote Incorporado a que se refere e a Base de Cálculo é, exatamente, a diferença entre o valor das “Contribuições para Aquisição das Ações” previstos nos contratos e o Valor de Mercado das Ações na data da liquidação financeira das referidas “Contribuições para Aquisição das Ações”.(sublinhei) As vantagens motivadoras do exercício do direito de ação são apuradas e apreciadas nesse exato momento histórico, pois é aqui que o empregado investidor irá vislumbrar se será vantajosa ou não a aquisição dos lotes de ações que lhe foram destinados. De outro canto, até que se efetive o pleno exercício do direito de opção, inexiste risco para o empregado, pois este tem a plena consciência das vantagens que está auferindo com a opção de compra, e pode se decidir, sem qualquer consequência, se exercita ou não o direito de opção em foco. A álea do negócio tem início, tão somente, a contar de então. Também no Voto do Acórdão nº 2301003.597, registrou o relator qual fora o critério empregado naquele lançamento que lá se analisava: Embora essa transação se apresente, à primeira vista, como negócio jurídico típico de relação comercial, o Fisco, todavia, entende que a oferta da empresa de opção de compra de ações aos seus funcionários, constituise em forma de remuneração indireta que visa incentivar e estimular a produtividade. Segundo a ótica do fisco a diferença apurada entre o valor das ações emitidas por meio do “stock options” e o seu valor real de mercado no dia em que foi exercida a opção é considerada parcela passível de contribuição previdenciária, já que se trata de remuneração diferida, a ser percebida no futuro, ou seja, no momento em que os papéis forem vendidos pelos empregados. (sublinhei) Aí voltamos à questão da desnecessidade de que efetivamente realize a venda, para que se verifique o fato gerador da contribuição em caso. O direito lhe foi conferido e a vantagem foi incorporada a sua esfera patrimonial. Se vai vendêla ou não, é problema seu. Quando e se vendêla, o ganho de capital será objeto do imposto de renda. CONCLUSÃO. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.134 21 No caso, a análise efetiva do Plano de opções de compra de ações (stock options) oferecido a determinados empregados/dirigentes consubstancia efetiva vantagem patrimonial em razão do trabalho desenvolvido para a companhia e, portanto, ostentando natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição – base de cálculo das contribuições previdenciárias. O fato gerador ocorre (aspecto temporal), conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, na data do exercício das opções pelo beneficiário, ou seja, quando o mesmo exerce o direito em relação as ações que lhe foram outorgadas. A base de cálculo (aspecto quantitativo) é o ganho patrimonial, e, portanto, há que ser apurado nesse momento histórico e deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. Neste lançamento, verificase, conforme TVF, que foi empregado como base de cálculo do valor das contribuições "a parcela assumida como despesa pela empresa, que se traduz no valor que o beneficiário deixou de pagar pela opção de compra quando da sua outorga, o qual é mensurável pelo valor justo da opção de compra". Ora, se houve equívoco na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na aferição do montante devido. Porque, observando o processo tributário, forma é aquilo que existe para garantir às partes o exercício de seus direitos, como, por exemplo, a ampla defesa e o livre acesso ao judiciário. Cito: "... porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1197) É necessário um novo lançamento, porque se feriram aspectos substanciais da hipótese de incidência tributária. Nesses casos, o novo lançamento só seria possível enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública e observadas todas as normas pertinentes, na legislação tributária. Em face dessas conclusões, desnecessário que se analise mais profundamente questões recursais relativas à nulidade da autuação e mesmo decadência de fatos geradores ocorridos anteriormente a 28/02/2009, como propôs o recorrente, lembrando do disposto no § 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Em conclusão, rejeito as preliminares argüidas e, no mérito, VOTO por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720152/201493 Acórdão n.º 2202003.367 S2C2T2 Fl. 1.135 22 Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10380.016589/2008-50
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
IRPJ. BENEFÍCIO FISCAL. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS: OPERAÇÕES DE MÚTUO. FINANCIAMENTO DE PARTE DO ICMS DEVIDO. REDUÇÃO DO VALOR DA DIVIDA. CARACTERIZAÇÃO.
A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Ceará, dentre eles a realização de operações de mútuo em condições favorecidas, notadamente quando presentes: i) a intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público em transferir capital para a iniciativa privada; e ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos em seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. As subvenções para investimentos devem ser registradas diretamente em conta de reserva de capital, não transitando pela conta de resultados.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção.
Numero da decisão: 9101-002.329
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido por maioria de votos, vencidas as Conselheiras Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez e, no mérito, dado provimento por unanimidade de votos, votaram pelas conclusões os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes Moura e Carlos Alberto Freitas Barreto.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Reduções de ICMS. Subvenções. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RIGESA DO NORDESTE INDUSTRIA DE EMBALAGENS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 IRPJ. BENEFÍCIO FISCAL. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS: OPERAÇÕES DE MÚTUO. FINANCIAMENTO DE PARTE DO ICMS DEVIDO. REDUÇÃO DO VALOR DA DIVIDA. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Ceará, dentre eles a realização de operações de mútuo em condições favorecidas, notadamente quando presentes: i) a intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público em transferir capital para a iniciativa privada; e ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos em seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. As subvenções para investimentos devem ser registradas diretamente em conta de reserva de capital, não transitando pela conta de resultados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 65 89 /2 00 8- 50 Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 3 2 Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido por maioria de votos, vencidas as Conselheiras Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez e, no mérito, dado provimento por unanimidade de votos, votaram pelas conclusões os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes Moura e Carlos Alberto Freitas Barreto. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em 16/12/2013, com fundamento nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF/2009), em que se alega a existência de divergências jurisprudenciais em relação: 1) ao tratamento que a autoridade julgadora deve dar às ocorrências de erro na apuração de matéria tributável e; 2) ao enquadramento, como subvenção para investimento, dos valores do incentivo fiscal concedido pelo FDI/PROVIN do governo do Estado do Ceará. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 120200.691, por meio do qual os membros da 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiram, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, também por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento ao pedido formulado pela contribuinte. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 IRPJ. INCENTIVOS. FINANCIAMENTO DE PARTE DO ICMS DEVIDO. OPERAÇÕES DE MÚTUO. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. ADI SRF N.° 22/2003. ATO ADMINISTRATIVO INTERPRETATIVO. CARACTERIZAÇÃO DE SUBVENÇÃO. Por expressa disposição fática negocial e o efeito contábil, restou caracterizada, inclusive reconhecida nos fundamentos de decidir do voto da Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 4 3 decisão de primeira instância, a adoção da subvenção para investimento, correto o tratamento tributário e contábil adotado pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO MENSAL DEVIDO POR ESTIMATIVA. PERCENTUAL DE 50%. CAUSA INEXISTENTE. Uma vez mantido o tratamento correto para o incentivo fiscal governamental, em restando configurada a subvenção para investimento, deixa de existir a causa da glosa e, consequentemente, a falta de recolhimento do imposto mensal devido por estimativa, por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, não ensejando a aplicação da multa de oficio isolada. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES CSLL E MULTA ISOLADA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. A Fazenda Nacional foi intimada do acórdão em 15/05/2012 e opôs, no dia seguinte, embargos de declaração, por entender que foram verificadas omissão e obscuridade entre a decisão que negou provimento ao recurso de ofício e seus fundamentos. A omissão adviria do fato de o acórdão não ter mencionado se o vício que inquinou o lançamento da multa isolada, por desrespeito do critério temporal na apuração do fato gerador, seria de natureza formal ou material. Além disso, existiria obscuridade advinda do fato de a decisão julgar improcedente em parte o lançamento da multa isolada, com fundamentação em vícios que conduziriam à sua anulação. Em 07/08/2013, foi proferido acórdão que acolheu parcialmente os embargos para sanar a omissão apontada. Declarouse que o vício mencionado no acórdão anterior tem natureza material, nos termos da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 OMISSÃO. VÍCIO MATERIAL. ASPECTO TEMPORAL DA MULTA ISOLADA. Uma vez conseqüente da hipótese legal de incidência, em relação a qual restou descaracterizada, não incide a multa isolada, tendo seu aspecto temporal interrompido por força de vício material que obstou tal aplicação nos autos. Além disso, o acórdão que apreciou os embargos de declaração declarou expressamente que, sanada a omissão, não houve nenhuma alteração na decisão original. Devidamente intimada da nova decisão em 04/12/2013, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial tempestivo insurgindose contra o Acórdão nº 120200.691, sob a Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 5 4 alegação de que ele teria dado à lei tributária interpretação diversa da que tem sido dada em outros processos julgados no âmbito do CARF. Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial, então previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF/2009 (requisitos que basicamente foram mantidos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II da versão atualmente vigente do Regimento, aprovada pela MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/2015), a Fazenda Nacional apontou acórdãos de câmaras dos extintos Conselhos de Contribuintes que teriam dado aos temas combatidos interpretação diversa daquela esposada no acórdão recorrido. Para fundamentar a divergência jurisprudencial em relação à correta providência a ser adotada pela autoridade julgadora diante de erro na apuração de matéria tributável, a recorrente apontou o Acórdão nº 10320.451. No recurso, a Fazenda Nacional reproduziu a íntegra da ementa do acórdão, além de instruir sua peça recursal com cópia de seu inteiro teor. Sendo assim, cumpriu os requisitos impostos pelos §§ 9º a 11 do art. 67 do Anexo II do RICARF/2015 (§ 7º a 9º do art. 67 do Anexo II do RICARF/2009). A ementa do acórdão apontado como paradigma é a seguinte: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Comprovado, por meio de diligência fiscal, equívocos na determinação da matéria tributável, sua revisão pela autoridade julgadora é medida que se impõe. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF/ILL CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL — PIS CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL A decisão proferida no processo relativo ao imposto de renda pessoa jurídica estende seus efeitos aos processo decorrentes, tendo em vista a estreita correlação entre os procedimentos principal e decorrentes. (Grifo no original) A recorrente argumenta que os acórdãos recorrido e paradigma tratam da mesma situação, referente à verificação de ocorrência de erro na determinação da matéria tributável. As decisões dos órgãos julgadores, entretanto, teriam divergido: enquanto no acórdão recorrido o Colegiado decidiu pela invalidação da multa isolada para os meses anteriores a dezembro (em virtude de a autoridade lançadora ter consolidado as multas, de apuração mensal, em um único valor anual e apontado o mês de dezembro como base temporal), no acórdão paradigma a Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes acolheu a tese de que erros nos valores da autuação deveriam ser ajustados de ofício, não invalidados. Após defender a semelhança entre as situações tratadas nos dois acórdãos, a recorrente passa a apresentar outras razões para a reforma da decisão em relação à primeira matéria. Argumenta a Fazenda Nacional que a retificação de ofício, pela autoridade julgadora, de erros ocorridos na apuração de matéria tributável durante a fase de fiscalização, privilegia os princípios da instrumentalidade processual, da economia processual, da instrumentalidade das formas e da salvabilidade dos atos processuais. Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 6 5 No caso do acórdão recorrido, verificando a ocorrência de erro na apuração na apuração da matéria tributável quanto ao critério temporal e não havendo dúvida quanto à infração imputada à contribuinte, o órgão julgador deveria providenciar a retificação de ofício de forma a preservar o direito da Fazenda Pública, e não invalidar o lançamento. Além desta matéria, a Fazenda Nacional questiona também em seu recurso especial a natureza do incentivo fiscal concedido pelo governo do Estado do Ceará à contribuinte, sob a forma de "créditos outorgados de ICMS", relativo ao Programa de Incentivo ao Funcionamento de Empresas PROVIN e com recursos subsidiados pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI) daquele estado. Como pressuposto de admissibilidade do recurso especial em relação a tal matéria, a recorrente apontou o Acórdão nº 20401.911, que teria entendimento dissonante daquele trazido pelo acórdão recorrido em relação à natureza da subvenção recebida pela contribuinte, conforme se depreende da ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: ARGÜIÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE. AMPLIAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. Ainda que tenha sido proferida em sessão Plenária, a decisão do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3° da Lei n° 9.718/98 que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins somente pode ser estendida aos demais contribuintes não integrantes da lide especifica após a edição da Resolução do Senado Federal de que trata o art. 52, X da CF. Aos integrantes do Conselho de Contribuintes é vedado deixar de aplicar norma legal ou ato normativo em virtude de inconstitucionalidade. Norma Regimental: art. 22A do Regimento Interno baixado pela Portaria MF n° 55/98. PIS. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. As contrapartidas das variações da moeda nacional em relação às moedas estrangeiras devem ser registradas contabilmente pelo regime de competência, obrigatoriamente no ano de 1999, e compor a base de cálculo da Cofins, na forma dos arts. 2°, 3° e 9° da Lei n° 9.718/98. Tais variações se identificam, por expressa disposição legal, às receitas financeiras, não estando albergadas pela isenção conferida às receitas de exportação. A partir do ano de 2000, a aplicação do regime de caixa está condicionada à opção por este regime também para o IRPJ, a CSLL e o PIS. Inexiste regime contábil ou disposição legal que permita o cômputo da receita no momento do vencimento da obrigação. PIS BASE DE CÁLCULO. VALORES DE INCENTIVOS FISCAIS CONCEDIDOS PELO GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ. O valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado do Ceará, em cumprimento ao Programa PROVIN, caracterizase como subvenção para custeio e deve ser registrado contabilmente como receita integrante da base de cálculo da contribuição. COMPENSAÇÃO ALEGADA E NÃO COMPROVADA. COMPENSAÇÃO COMO TESE DE DEFESA. A compensação de créditos com débitos de tributos e contribuições, deve ser devidamente declarada em DCTF e Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 7 6 comprovada pelo sujeito passivo. Não cabe alegação de compensação como argumento de defesa contra o lançamento. A autocompensação não pode ser convalidado pela autoridade administrativa (Grifo no original) Como similaridades entre as situações fáticojurídicas apreciadas nos acórdãos recorrido e paradigma, a recorrente afirma que em ambos se discute a tributação do benefício fiscal referente a "créditos outorgados de ICMS" pelo Estado do Ceará em cumprimento ao Programa PROVIN. Nos dois casos, houve contrato de mútuo firmado entre os contribuintes e o Banco do Estado do Ceará (BEC), administrador do FDI, em que as parcelas estavam vinculadas ao pagamento tempestivo de parte do ICMS devido. Todavia, em relação à interpretação acerca da natureza do incentivo fiscal, os acórdãos divergiriam. Enquanto o acórdão recorrido abraça o entendimento de que tratase de subvenção para investimento, o paradigma trazido pela recorrente defende que o incentivo caracteriza subvenção para custeio. Com o intuito de fortalecer seu ponto de vista, no sentido de que o incentivo fiscal recebido pela contribuinte consiste de subvenção para custeio e integra, assim, o lucro real e a base de cálculo da CSLL, a Fazenda Nacional desenvolve, em seu recurso especial, um apanhado teórico acerca do assunto, passando em seguida à análise do caso específico da contribuinte. São encontradas no documentos as seguintes afirmações: A subvenção é um termo oriundo do direito financeiro, caracterizando uma despesa pública conceituada no § 3º do art. 12 da Lei nº 4.320/1964, que pode ser classificada como subvenção social ou subvenção econômica; As subvenções econômicas podem ser destinadas a empresas privadas, mas para cobrir despesas específicas e restritas, conforme os arts. 18 e 19 da Lei nº 4.320/1964; A lei não prevê a utilização de subvenções econômicas para investimentos de entes privados na produção ou no comércio. Para esta hipótese, a figura prevista no § 6º do art. 12 da Lei nº 4.320/1964 é a transferência de capital; As transferências de capital para empresas de direito privado visam a realização de investimentos (termo definido no § 4º do art. 12 da Lei nº 4.320/1964) ou inversões econômicas (definido no § 5º do mesmo artigo); Já o art. 21 da Lei nº 4.320/1964 proíbe a utilização das transferências de capital que resultem em investimento que venha a se incorporar ao patrimônio de empresas privadas com fins lucrativos; O art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/1999) estabelece que as subvenções para investimento não devem ser computadas na determinação do lucro real, desde que registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou aumentar o capital social; Como a subvenção, nos termos da Lei nº 4.320/1964, só pode ser utilizada para custeio de despesas, concluise que a lei tributária empregou a expressão "subvenção" em uma acepção mais ampla, conforme o exposto no Parecer Normativo CST nº 112/78, que a entende como "auxílio que não importa em qualquer exigibilidade para o seu recebedor"; Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 8 7 O mesmo Parecer Normativo CST nº 112/78 diferencia as subvenção para custeio da subvenção para investimento: a primeira é um auxílio para fazer frente às despesas e a segunda, um auxílio para a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; O Parecer Normativo CST nº 112/78 fixa ainda que deve haver uma "perfeita sincronia entre a intenção do subvencionador com a ação do subvencionado", significando que a subvenção deve ser efetiva e especificamente aplicada nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; A legislação tributária, portanto, trata por "subvenções para investimento" aquilo que o direito financeiro denomina de "transferências de capital". Ocorre que, como a Lei nº 4.320/1964 proíbe que transferências de capital representem incremento no patrimônio de empresas privadas com fins lucrativos, a única interpretação possível é que a disposição contida no art. 443 do RIR/1999 diz respeito somente a empresas privadas sem fins lucrativos, sendo então estas as únicas destinatárias da isenção tributária ali prevista; No caso específico do incentivo fiscal concedido pelo governo do Estado do Ceará, a lei que instituiu o Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI) não previu a concessão de transferências de capital, ou seja, de subvenções para investimentos (art. 5º da Lei nº 10.367/1979, com a redação dada pela Lei nº 13.377/2003); Portanto, a interpretação possível para compatibilizar a lei estadual que instituiu o FDI com a lei geral de direito financeiro é considerar que os recursos oriundos do fundo servem, no máximo, à concessão de subvenções econômicas pelo Estado aos particulares, não amparadas, portanto, pela isenção do imposto de renda; Outra interpretação possível seria a de que, ao dispor que o FDI poderia ser utilizado para a "prestação de garantias e subsídios de principal e encargos financeiros", a lei estadual estaria prevendo uma transferência de capital indireta via subsídio para pagamentos de empréstimos. De toda forma, como não existem nos autos comprovantes de que houve a efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos na implantação dos empreendimentos econômicos projetados, não é possível se caracterizar o benefício recebido como subvenção para investimento; O próprio contrato firmado entre a contribuinte e o BEC não menciona o investimento em bens de capital, mas em composição do esquema financeiro necessário ao capital de giro da mutuária. Sendo assim, os recursos podem ser utilizado como convier à beneficiária, configurando subvenções para custeio, não isentas do imposto de renda; Por fim, à luz do Ato Declaratório Interpretativo da Secretaria da Receita Federal (ADI SRF) nº 22/2003, os incentivos concedidos pelo governo do Ceará sequer subvenções para custeio são, consistindo de simples reduções de custos ou despesas. O recurso especial se encerra com o pedido de que seja dado o provimento almejado, no sentido de que se reforme o acórdão recorrido e se restabeleça o lançamento tributário. A contribuinte solicitou e obteve, em 17/01/2014, cópia do presente processo administrativo, já instruído com o recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Assim, Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 9 8 mesmo antes de ser oficialmente cientificado acerca da interposição do recurso, a recorrida apresentou, em 12/02/2014, suas contrarrazões. No documento, em suma, defendese o seguinte: Em relação à tese levantada pela Fazenda Nacional, de que o órgão julgador deveria ter retificado os lançamentos relativos à multa isolada, ao invés de simplesmente invalidálos, a recorrida argumenta inicialmente que o acórdão apontado como paradigma trata de conjuntura fática inegavelmente distinta da tratada no acórdão recorrido, o que impede o conhecimento do recurso em relação à matéria; Enquanto o acórdão recorrido trata de anulação do lançamento em virtude de vícios materiais na estrutura da norma (critério temporal da hipótese infracional), o paradigma diz respeito à possibilidade de correção de lançamento em hipótese de erros de cálculo nos demonstrativos financeiros utilizados para a apuração de omissão de receitas; Além disso, em relação a esta primeira matéria, o recurso não teria indicado o dispositivo da lei tributária em que divergem as interpretações dadas pelo acórdão recorrido e pelo acórdão paradigma; Mesmo se fosse superado o óbice ao conhecimento do recurso relação à matéria, a retificação defendida pela Fazenda Nacional não seria possível, já que o lançamento de multa isolada relativa às estimativas mensais de IRPJ e de CSLL somente é admitido ao longo do mesmo anocalendário. Terminado o exercício, a base imponível da multa isolada é substituída por uma nova, qual seja, o montante de tributo eventualmente apurado com base no lucro real; Já sobre a segunda tese defendida no recurso especial, de que o contrato de mútuo celebrado entre a contribuinte e o Estado do Ceará teria natureza de subvenção para custeio, e não de subvenção para investimento, o acórdão paradigma trazido pela recorrente trataria do tema apenas secundariamente, sem desenvolver qualquer aprofundamento; Pelo fato de o acórdão recorrido tratar dos termos específicos do contrato firmado entre a recorrida e o Estado do Ceará, já resta afastada, de plano, a similitude fática deste com o acórdão apontado como paradigma. A análise do inteiro teor do acórdão paradigma demonstra que a conclusão de que o incentivo ali tratado não configurou subvenção para investimento baseouse no fato de que a documentação acostada aos autos revelava que os requisitos do Parecer Normativo CST nº 112/78 não foram cumpridos, enquanto no caso da recorrida, os julgadores a quo já haviam atestado o atendimento a tal Parecer Normativo, o que caracteriza a qualificação de subvenção para investimento; O caráter de subvenção para investimento do incentivo fiscal recebido pela recorrida vem sendo reconhecido desde a primeira instância, tendo a DRJ deixado de reformar a decisão apenas em virtude de sua vinculação funcional ao ADI SRF nº 22/2003; As subvenções, em qualquer hipótese, são espécies de doação concedidas pelo Poder Público isentas de tributação de IRPJ ou CSLL quando registradas como reserva de capital utilizáveis apenas para absorver prejuízos ou para se incorporar ao capital social; Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 10 9 Para que se configure a subvenção para investimento, devem ser atendidos os seguintes requisitos: i) transferência de recursos públicos para o contribuinte; ii) objetivo de estimular a implantação ou a expansão de empreendimento econômico e; iii) registro da transferência em conta de reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social; A noção de investimento diz respeito ao sentido de criação de bens de produção e de aplicação financeira, não existindo, para fins de configuração da subvenção para investimento, a condicionante de que o valor recebido esteja vinculado à aquisição de determinados bens ou direitos sujeitos a imobilização; As isenções ou reduções tributárias, tais como o programa de incentivo do Estado do Ceará (PROVIN), quando concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, são equiparadas às subvenções para investimento, gozando de idêntico tratamento tributário; Mesmo que eventualmente descaracterizada a subvenção para investimento, ainda assim a recorrida não poderia ser tributada por IRPJ ou CSLL porque goza de isenção de tais tributos sobre o lucro de exploração de seu empreendimento, conforme o art. 546 do RIR/1999, por ter projeto de instalação industrial aprovado pela extinta SUDENE. Após a juntada de tais contrarrazões, o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional foi submetido a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar o atendimento dos requisitos regimentalmente exigidos de tais manifestações de irresignação. O resultado foi o despacho de 19/11/2014 que apresentou as seguintes conclusões: a) não foi demonstrada a existência de divergência jurisprudencial a respeito da providência a ser adotada pela autoridade julgadora diante de erro na apuração de matéria tributável (invalidação ou retificação do lançamento), em razão de os acórdãos recorrido e paradigma tratarem de erros de natureza totalmente distinta; b) foi demonstrada a efetiva existência de divergência jurisprudencial em relação à natureza (subvenção para custeio ou subvenção para investimento) do incentivo fiscal concedido pelo governo do Estado do Ceará à contribuinte, sob a forma de "créditos outorgados de ICMS"; Sendo assim, e restando cumpridos os demais requisitos de admissibilidade estabelecidos regimentalmente, o recurso especial teve seguimento somente em relação à segunda matéria apontada pela Fazenda Nacional. A despeito de a recorrida já ter apresentado, em 12/02/2014, contrarrazões ao recurso especial, determinouse que nova ciência lhe fosse dada, inclusive sobre o teor dos despachos de exame e de reexame de admissibilidade do recurso, abrindose novo prazo para que ela ratificasse ou complementasse as contrarrazões anteriormente apresentadas. Esta nova ciência se deu em 06/03/2015, vindo a recorrida a apresentar novas contrarrazões, de forma tempestiva, em 23/03/2015. O documento basicamente repete as alegações já perfiladas por ocasião da primeira apresentação de contrarrazões, com a única diferença significativa de que foram apresentados vários julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) em que teriam prevalecido as teses defendidas pela recorrida. Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 11 10 Ao final de suas contrarrazões, a recorrida requer que o recurso especial da Fazenda Nacional não seja conhecido, tendo em vista a ausência do cumprimento dos requisitos de sua admissibilidade, e, no mérito, pede que seja negado provimento ao recurso, mantendose integralmente o acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Inicialmente, analiso a preliminar de nãoconhecimento apresentada pela recorrida em relação à única matéria que sobreviveu ao crivo do prévio exame de admissibilidade do recurso especial: a discussão acerca da natureza do incentivo fiscal concedido à contribuinte pelo governo do Estado do Ceará, nos termos do Programa de Incentivo ao Funcionamento de Empresas PROVIN e com recursos subsidiados pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI) daquele estado. Em resumo, a recorrida defende que o recurso especial não seja conhecido em relação a esta matéria por não terem sido atendidos os requisitos regimentais. O descumprimento teria se dado por conta de o acórdão indicado como paradigma não se prestar a comprovar a existência de divergência jurisprudencial, conforme exigido pelo caput e § 4º do art. 67 do Anexo II do RICARF/2009 (art. 67, caput e § 6º, do Anexo II do RICARF/2015). A recorrida alega que o acórdão paradigma discute, como assunto principal, a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, e só trata dos incentivos fiscais concedidos pelo Estado do Ceará, classificandoos como subvenções para custeio, de forma secundária e sem aprofundamento da análise. Mais do que isso, defende que o simples fato de a lide tratada nos presentes autos ter relação com os termos do contrato especificamente firmado entre ela e o Estado do Ceará já afastaria, de plano, a similitude fática das hipóteses confrontadas (acórdão recorrido e acórdão paradigma). Além disso, a recorrida transcreve trecho do voto vencedor do acórdão paradigma que indicaria que, naquele caso, a documentação acostada aos autos permitira concluir pela inobservância dos requisitos dispostos no Parecer Normativo CST nº 112/78, o que impediria a classificação dos recursos recebidos do governo do Estado do Ceará como subvenções para investimento. Enquanto isso, no acórdão recorrido, o cumprimento dos mesmos requisitos teria sido verificado. Entretanto, realizandose o cotejo entre as alegações de cada um dos acórdãos, percebese que as diferenças apontadas pela recorrida devemse já à divergência interpretativa requerida para fins de conhecimento de um recurso especial, e não a simples distinções fáticas. O voto vencedor do acórdão paradigma afirma que os requisitos do Parecer Normativo CST nº 112/78 não teriam sido cumpridos porque não havia a exigência, por parte do governo estadual, de que os recursos recebidos pela beneficiária fossem obrigatoriamente utilizados na aquisição de ativos imobilizados. In verbis: "(...) a impropriedade de sua classificação como subvenção para investimento avulta da leitura da documentação acostada aos autos, da qual inequivocamente se conclui não haver qualquer exigência para que os recursos recebidos dos cofres do Estado do Ceará sejam obrigatoriamente Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 13 12 aplicados na aquisição de ativos necessários à implantação ou à expansão do parque fabril da autuada." Já o voto condutor do acórdão recorrido traz a seguinte passagem, em que reproduz fundamentos perfilados no acórdão da DRJ em Fortaleza/CE: "(....) 2. A subvenção para investimento (deixando de lado o mérito de tratarse, juridicamente, de uma doação), caracterizase em função de sua natureza – de uma transferência de capital sendo irrelevante a destinação do seu valor. Vale dizer, "a palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira" (Bulhões Pedreira), jamais como condicionante de que o valor recebido deva estar vinculado (implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos) aquisição de determinados bens ou direitos sujeitos a imobilização. (...) 46. Segundo essa interpretação, para que se configure a subvenção de investimento, fazse mister a presença dos seguintes elementos: (i) transferência de recursos públicos para o contribuinte; (ii) o intuito de estimulo à implantação ou expansão de empreendimento econômico; (iii) registro da transferência em conta de reserva de capital, que somente deverá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social. Não é relevante, portanto, a destinação especifica dos recursos na aquisição de determinados bens e direitos. 47. Analisando o caso concreto, vislumbro a presença desses três requisitos, os quais estão reconhecidos pelo próprio autuante ou comprovados nos autos. É conveniente deterse em evidenciar a presença do segundo requisito, por expressar o intuito de subvencionar a implantação ou expansão do empreendimento econômico, a par de ser um requisito menos rigoroso àquele exigido pelo Parecer CST n.° 112/78, qual seja, a destinação especifica dos recursos na aquisição de determinados bens e direitos." (Grifouse) Diante do exposto, e evitandose adentrar demais na análise meritória que será desenvolvida em seguida, concluise que, ao contrário do que alega a contribuinte, o acórdão recorrido não considera que, no caso concreto dos presentes autos, todos os requisitos previstos no Parecer Normativo CST nº 112/78 restariam cumpridos, mas sim que a inobservância de um dos requisitos ali previstos, relacionado à obrigatoriedade de aplicação dos recursos em ativos específicos, não impede o enquadramento de determinado incentivo fiscal como sendo subvenção para investimento. Assim, rejeito a preliminar suscitada e CONHEÇO do recurso especial. Superada essa questão, passo ao mérito, entendendo que não assiste razão à recorrente. A respeito das subvenções outorgadas por Estados Membros da Federação Brasileira como incentivos à implementação ou ampliação da atividade industrial, adoto, com Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 14 13 pequenos ajustes, por estar bem fundamentado e apropriado à situação (já que trata do mesmo benefício fiscal do Estado do Ceará), o voto do ilustre Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, condutor do Acórdão unânime nº 9101001.798, de 19/11/2013, desta mesma Turma da Câmara Superior. "Tema 2 Não reconhecimento de incentivo fiscal de ICMS como subvenção para investimento. O acórdão recorrido1, em relação ao tema, tem a ementa com o seguinte teor: IRPJ SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO PROGRAMA DE INCENTIVO FISCAL ESTADUAL NÃO CARACTERIZAÇÃO Incentivo financeiro concedido por governo estadual, a titulo de subvenção para capital de giro, não se traduz em "subvenção para investimento", mormente quando não efetiva e especificamente aplicada pelo beneficiário nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, mas sim para atender despesas correntes do beneficiário. Não subsiste dúvida de que o tema em debate diz respeito à natureza pela qual os benefícios fiscais concedidos pelo Estado do Ceará devem ser contabilizados: se como subvenção de custeio (conforme definido no acórdão recorrido) ou se subvenção de investimento (conforme defendido pela Recorrente) 2. Em seu recurso especial o contribuinte discorre sobre as diferenças entre transferência de renda e transferência de capital, e também entre as subvenção de custeio e de investimento, cita o Parecer Normativo CST n. 112/78 e acrescenta que no caso de subvenção para investimento, a transferência de capital pode ser feita de duas formas: por meio de ingressos de recursos; ou por meio de isenções ou reduções de impostos, e após fixa quatro premissas para a caracterização dos ingressos como subvenção para investimento: I. As transferências devem ser contabilizadas como reserva de capital; II. Vinculação de sua aplicação aos projetos aprovados pelo Poder Público para ampliação ou expansão do empreendimento econômico; III. O seu beneficiário terá que ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico; e IV. As subvenções para investimentos podem ser tanto ingressos de recursos como isenções ou reduções de impostos. A seguir sustenta que não há dúvidas sobre o cumprimento das premissas I, III e IV e discorre sobre o cumprimento da premissa II a partir dos termos do contrato de mútuo e cita jurisprudência do CARF. Nas contrarrazões a PGFN discorre sobre os conceitos de subvenção e seus efeitos tributários, cita o Parecer Normativo CST n. 112/79 e doutrina, 1 Naquele caso, tratavase do Acórdão nº 130100.129. 2 Aqui invertemse as posições. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 15 14 sustentando que subvenções são receitas e que devem ser tributadas salvo se estiver prevista isenção, a qual deve ser interpretada literalmente (art. 111, II, do CTN). Adiante cita a Solução de Divergência Cosit n. 15/2003 (pareceme que, no caso presente, todos os requisitos ali previstos foram cumpridos). Adiante a PGFN sustenta que "a decisão recorrida foi perfeita ao classificar como de investimento as subvenções concedidas à Recorrente pelo Estado do Ceará." (pg. 12) Adiante revisa o pacto de mútuo e ressalta a cláusula que trata do uso dos recursos como capital de giro e sustenta que (a meu ver de maneira contraditória): "Além disso, o Contrato de Mútuo firmado pela Recorrente dispõe que os recursos do financiamento se destinam ao capital de giro, isto é, inclui apenas a transferência de recursos com a finalidade de auxiliar o beneficiário, o que afasta a subvenção da classe "subvenção de investimento"." Adiante cita a decisão da DRJ e Parecer Normativo CST n. 112/1978 e jurisprudência da CSRF que em casos semelhantes entendeu ser subvenção de custeio. Verificadas as posições do recorrente da Fazenda, passamos à análise do tema. Há um argumento, não constante do acórdão recorrido, mas que consta da decisão da DRJ/FOR (fl. 307), de que tal operação não se trata de subvenção, que merece consideração preliminar. Ora, se a operação em debate não for considerada subvenção, seria um empréstimo puro e simples e o lançamento da obrigação em conta de passivo eliminaria qualquer dúvida de que a contrapartida não deve ser contabilizada como receita tributável. Tratase de subvenção e o desenlace futuro da conta de reserva de capital (baixa ou conversão em participação) é tema cujo deslinde não impacta o lançamento em debate. Inicialmente há que se ressaltar que as subvenções são em regra receitas tributáveis pelo IRPJ, somente que as subvenções para custeio ou operação são sempre tributáveis e as subvenções de investimento não são receitas tributáveis se cumprirem determinados requisitos. É que se extrai do conjunto normativo que rege a matéria, em especial os artigos 392, I (com base no art. 44, IV, da Lei n. 4.506/1964), que trata das subvenções para custeio ou operação e 443 do RIR/1999, que tem a seguinte redação: Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 38, § 2 º, e DecretoLei n º 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 16 15 Frisese que no presente caso não se trata de isenção, mas de uma forma de redução do ICMS devido por via de esquema financeiro, o que a afasta a incidência do art. 111, II, do CTN. Do que consta dos autos defluise que a contrapartida efetuada pelo contribuinte foi na conta reserva de capital3 (conta 2.4.2.3.02000000 EEC FDI/PROVIN OPERAÇÃO 33.0097/8, representativa de Reserva de Capital e integrante do Patrimônio Liquido, cf. fls. 27 e 28). Assim neste aspecto cumpre a exigência do art. 443, I, do RIR. Resta perquerir se esta subvenção é de investimento no termos do caput do artigo, em virtude de que não há acusação de descumprimento dos termos do art. 545 do RIR, pois não resta dúvida de que tratase de redução de impostos, ainda que por via de esquema financeiro envolvendo agente financeiro oficial. Consta do item 1.3. do contrato4 que envolve o benefício que os recursos5 "destinamse à composição do esquema financeiro necessário ao capital de giro da unidade industrial da MUTUÁRIA para a produção de embalagens de papelão ondulado e outros, de acordo com o projeto econômico e respectiva memória de análise elaborada por equipe técnica do BEC." (fl. 52). Destaquese que foi a destinação à constituição de capital de giro, tendo sido o ICMS sobre vendas deduzido da receita, caracterizando a parcela do subsídio como redução de custos/despesas, que fundamentou a acusação fiscal para descaracterizar como subvenção de investimento (fl. 056), visto que os outros requisitos estão cumpridos. (...) (...) A PGFN em suas contrarrazões reforça este entendimento, mesmo porque no auto de infração e TVF não há motivação adicional (i.e., provas de destinação diversa dos recursos). Contudo pareceme não ser coerente considerarse apenas o contrato de mútuo para efeito da análise do caso presente. Antes do contrato, que é feito com um agente financeiro, há que se verificar os termos impostos pelo Governo do Estado que concedeu o benefício, e que fiscaliza o seu cumprimento. Assim, no protocolo de intenções, que decorre da lei que concedeu o incentivo, fica claro que o destino dos recursos é a expansão do empreendimento, condição que satisfaz a norma do art. 443 do RIR, pois se trata de utilizar os recursos da subvenção em "investimentos" que aqui tem sentido genérico7 (que não deve ser entendido somente como inversão em ativo imobilizado ou o investimento conforme consta da Lei 6.404/76, em seu art. 179, III, o que levaria à necessidade de usar os recursos para aquisição de ações ou quotas de capital de outra sociedade 3 No caso concreto, podese encontrar afirmações da autoridade fiscal de que há contabilização de reserva de capital no Auto de Infração de IRPJ (fls. 06 e 07 do eprocesso) e no Auto de Infração de CSLL (fls. 18 e 19 do e processo). 4 No caso concreto, mesmo item. 5 No original do voto: "destinamse à composição do esquema necessário ao capital de giro da unidade industrial da Mutuária (contribuinte) para a produção industrializada, comercialização e representação de conformados de chapas e vergalhões de aço, bem como a importação e exportação, de acordo com o projeto econômico e respectiva memória de análise elaborada por equipe técnica do BEC." (fl. 60) 6 No caso concreto, fls. 06 e 07 do eprocesso para o IRPJ e fls. 18 e 19 do eprocesso para a CSLL. 7 A doutrina também entende nesta forma, ver, e.g., Edmar Oliveira Andrade Filho. Imposto de Renda das Empresas. 6a ed. rev. at. São Paulo: Atlas, 2009, p. 133. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 17 16 o que seria uma contradição em relação à finalidade da lei estadual que criou o incentivo). Neste sentido, sustenta o contribuinte, em aspecto não refutado (fls.142): Com efeito, a concessão do aludido beneficio fiscal teve origem no Protocolo de Intenções assinado com o Governo do Estado do Ceará em 21 de novembro de 1995, cujo objetivo foi formalizar o estimulo à implantação de uma unidade industrial da empresa autuada. Referido documento deixou manifesto o interesse público do Estado do Ceará em fomentar o desenvolvimento da atividade econômica da empresa citada, por considerála de grande importância para o incremento da economia local e para a geração de empregos. 8 Filiome à mesma linha de raciocínio do voto condutor do paradigma apresentado pela corrente, i.e., o Acórdão da CSRF n. 910100.566, 10 de maio de 2010, de relatoria do i. Claudemir Rodrigues Malaquias que, forte na legislação do estado que concede o benefício, entende haver subvenção para investimento, dentre outros aspectos que reforçam aquele entendimento. O mesmo me parece ocorrer no caso presente em face de lei cearense (Lei n° 10.367, de 07/12/79), que prevê em seu art. 2º: Art.2° Para a promoção industrial o FDI assegurará às empresas industriais consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento econômico do Estado e/ou seus acionistas incentivos de implantação, funcionamento, relocalização, ampliação e modernização ou recuperação, sob a forma de subscrição de ações, participações societárias, empréstimos, observada a legislação federal pertinente. Forte também nos argumentos expendidos pela i. C. Sandra Faroni no Acórdão 10194.676, da 1ª Câmara do 1º CC, de 15 de setembro de 2004, sobre tema idêntico (mesma matéria ...), considero que a operação no caso concreto corresponde à subvenção para investimento, não tendo a fiscalização comprovado sua desqualificação enquanto tal ou demonstrado, sob o ponto de vista fático ou legislativo, que se trata de subvenção de custeio." (Grifouse) Os termos da decisão transcrita servem perfeitamente à análise do caso sob análise nos presentes autos. Examinemse as colocações da contribuinte, feitas por ocasião da apresentação de seu recurso voluntário: "Referido acordo tem como base a atribuição constitucional do Estado do Ceará de fomentar e regular atividades econômicas, cujo objeto central é o incremento do nível emprego e redução das desigualdades sociais, sendo para tanto fundamental que o Estado estimule novos investimentos, demandando para tal que comprometimento público e atuação focada e contínua por parte dos agentes e órgãos da administração pública. 8 No caso concreto, o Protocolo de Intenções consta às fls. 285 a 290 do eprocesso e traz a passagem: "(...) concessão de incentivos (...) em virtude de implantação de uma indústria destinada à fabricação de embalagens de papelão ondulado (...)". Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 18 17 Referido acordo também demonstra que é indispensável que o Estado, visando o incremento do desenvolvimento industrial e comercial, propicie condições para a realização de investimentos no setor produtivo, mediante a formação de parcerias com o setor privado, no caso a Recorrente, e que, por sua vez, o setor privado conta, para a execução desses empreendimentos, com a concessão por parte do Estado do Ceará de fomentos e financiamentos com recursos públicos por prazos que garantam o atingimento das exigências. (...) Assim, ocorrendo a adesão espontânea do contribuinte ao plexo de incentivos "será favorecido com vantagens fiscais que funcionam como sanções premiais no objetivo de estimulálo a, voluntariamente, participar das atividades prestigiadas de acordo com o planejamento estatal". (...) Portanto, é nítido que em razão da necessidade do Estado do Ceará necessitar de incentivo para empresas nele instalarem suas fábricas e conseqüentemente fábricas desenvolver a economia da região, em razão das conhecidas dificuldades e desvantagens de mercado em se iniciar um empreendimento industrial. É o que se pode entender como subvenção para investimento. (...) O conceito de subvenção para investimento dado pela Administração Tributária corresponde a uma transferência de recurso do Poder Público para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mas na aplicação especifica em bens e direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. (...) (...) Ora, os documentos anexados demonstram que efetivamente a Recorrente vem realizando continuamente grandes investimentos em bens e direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos (documentos de número 09 da Impugnação), SENDO QUE A DECISÃO DA DRJ CONFIRMOU ESTA INFORMAÇÃO E ESTA APLICAÇÃO NÃO HAVENDO DÚVIDAS DE QUE A RECORRENTE CUMPRIU TODOS OS REQUISITOS PARA CARACTERIZAR A COMO CORRETA A APLICAÇÃO DO DINHEIRO QUE RECEBEU, INDIRETAMENTE, DO ESTADO DO CEARÁ. Ademais, conforme ratificada pela decisão de Primeira Instancia, além do fato notório da Recorrente ter instalado a sua fábrica na cidade de Pacajus, Estado do Ceará. em 1996, no ano de 2004 a Recorrente elaborou um plano (e a efetiva execução), de modernização dessas instalações. Para tanto, montou um relatório extenso, cujas cópias são juntadas parcialmente nesse momento (doc. 9 da Impugnação) e que demonstram os investimentos realizados e a realizar; características técnicas dos produtos antes e depois da modernização; fotos e plantas do parque industrial, etc. Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 19 18 Somase a esse relatório a juntada de diversas notas fiscais, por amostragem, demonstrando a efetiva compra de maquinários para integrarem o ativo da Impugnante e serem, portanto, objeto de investimento. Dentre as notas fiscais, também são juntadas, em documentos anexos, as referentes ao ano de 2004 e 2005, demonstrando assim que os investimentos são contínuos (doc. 9 B da Impugnação). (...) Portanto, pelo acima exposto e pelo afirmado na decisão de Primeira Instancia nos §§ 67 e 68 pela própria DRJ, não resta dúvida de que os valores originários do incentivo fiscal de ICMS concedidos pelo Estado do Ceará, para viabilização do desenvolvimento econômico da região que a Recorrente montou o parque fabril, configuram subvenção para investimento e são, portanto, corretamente, contabilizados pela Impugnante a débito do Ativo Circulante em conta partida de conta de Reserva de Capital (Patrimônio Liquido), subgrupo "Doações e Subvenções para Investimento." (Grifouse) Efetivamente, as decisões exaradas pela DRJ em Fortaleza/CE e pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF (que usou fundamentalmente os argumentos daquela primeira) reconheceram a íntima conexão entre a transferência de capital recebida indiretamente pela contribuinte e os investimentos realizados no Estado do Ceará, apresentando entendimento mais flexível do que aqueles expostos pela autoridade autuadora, pelo Parecer Normativo CST nº 112/78 ou ainda pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 22/2003. O voto condutor proferido pela DRJ em Fortaleza/CE inclusive deixou claro que o único motivo do descompasso entre os seus argumentos e a sua conclusão foi a vinculação a que os julgadores daquele órgão se submetem em relação aos atos infralegais expedidos pela Secretaria da Receita Federal. Para não contrariar o ADI SRF nº 22/2003, que entende que situações como a vivenciada pela contribuinte não configuram o recebimento de subvenção, mas simples redução de custos ou despesas, o relator da decisão da DRJ conclui pela impossibilidade de que tais valores sejam excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Segue trecho retirado daquela decisão de primeira instância a cujo entendimento me alinho (deixando clara minha discordância em relação à conclusão que aquele acórdão expõe ao final): "35. Outra questão diz respeito à caracterização da renúncia como subvenção para custeio ou subvenção de investimento. Essa definição é importante, pois, à luz do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, a primeira é indedutivel das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, ao contrário da segunda. 36. O tratamento tributário das subvenções recebidas pelas pessoas jurídicas de direito privado é definido pelos artigos 392 e 443 do RIR/99, verbis: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 20 19 I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei n° 4.506/64, art. 44, IV); Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estimulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (Decretosleis n°s. 1.598/77, art. 38, § 2° e 1.730/79, art. 1 0, VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 556 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. 37. Do que se lê, as subvenções correntes para custeio ou operação devem ser classificadas nos resultados operacionais da empresa beneficiada; enquanto as subvenções de investimento não serão computadas na determinação do lucro real, mas desde que satisfeitas as condições exigidas no art. 443 do RIR/99. 38. Com o objetivo de analisar o tratamento fiscal das subvenções conferido pela Lei nº 4.506/64, art. 44, IV, e pelo Decretolei nº 1.598/77, art. 38, § 2°, foi editado o Parecer Normativo CST nº 112/78, que dispõe em seu bojo, o seguinte: (...) 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a "efetiva e especifica" aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. (...) 39. Como observado no item 2.12 acima transcrito, as subvenções, para se caracterizarem como de investimento, devem apresentar características bem marcantes. A primeira é que haja a clara manifestação do subvencionador de que os recursos relativos à subvenção sejam aplicados em investimento na implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado; a segunda característica é que os recursos correspondentes à subvenção sejam efetiva e especificamente aplicados na aquisição de bens e direitos para implantar ou expandir o empreendimento. 40. Delimitado o sentido e alcance do conceito de subvenção de investimento, registro que, em várias oportunidades, e com espeque Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 21 20 sobretudo no PN CST n.° 112/78, a Receita Federal do Brasil sequer tem admitido que a renúncia possa ser considerada ou classificada como subvenção, e, ainda que o fosse, não o seria de investimento. Nesse sentido, é a determinação vinculante do ADI SRF n.° 22/2003, verbis: Art. 1°. Os incentivos concedidos pelo Poder Público às pessoas jurídicas, consistentes em empréstimos subsidiados ou regimes especiais de pagamento de impostos, em que os juros e a atualização monetária, previstos contratualmente, incidem sob condição suspensiva, não configuram subvenções para investimento, nem subvenções correntes para custeio. 41. Não seria sequer subvenção, mas desconto no resgate de empréstimo. A tese se respalda nos seguintes fundamentos: (i) os recursos foram fornecidos sob a forma de mútuo, tendo como contrapartida uma exigibilidade no Passivo Exigível; (ii) o regaste dessa obrigação é efetuado em parcelas, mediante concessão de descontos cujo percentual abrange tanto o principal quanto os juros. 42. A seu turno, não seria subvenção de investimento, porquanto o beneficio obtido mediante a renúncia parcial do valor emprestado se destinava à "composição do esquema financeiro necessário ao capital de giro" da beneficiária, ao passo que seria mister a comprovação da aplicação especifica em bens ou direitos destinados à implantação ou expansão do empreendimento econômico. 43. Especificamente, esta Delegacia de Julgamento, em diversos julgados se contém manifestação no sentido da não caracterização da subvenção de investimento: 10380.014590/200173 (VULCABRAS DO NORDESTE S/A); 10380.010109/200251 (AÇO CEARENSE INDUSTRIAL LTDA), 10380.009701/20047 e 10380.009931/200431 (M DIAS BRANCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA); 10380.001277/2004 18, 10380.011278/200462, 10380.001279/200415 e 10380.001280/2004 31 (PETROPAR EMBALAGENS S/A). 44. Excetuando o pronunciamento da Primeira Câmara nos processos do contribuinte M DIAS BRANCO, todas as demais decisões foram reformadas pelo então Conselho de Contribuintes, para assentar, em Acórdão leading case na matéria, o seguinte entendimento: IRPJ. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS: OPERAÇÕES DE MÚTUO. FINANCIAMENTO DE PARTE DO ICMS DEVIDO. REDUÇÃO DO VALOR DA DÍVIDA. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Ceará, dentre eles a realização de operações de mútuo em condições favorecidas, notadamente quando presentes: i) a intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público em transferir capital para a iniciativa privada; e ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos em seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. (Acórdão 1.° CC n.° 10196716, sessão de 22.01.2002). 45. A natureza do benefício em tela foi minuciosamente abordada pelo então Conselheiro Natanael Martins, que, em votovista no Acórdão n.° 107 05912, transcreveu trabalho doutrinário publicado na Revista de Direito Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 22 21 Tributário n.° 61, p. 175186, aprovado por unanimidade em Congresso patrocinado pelo IDEP, sob a coordenação de Geraldo Ataliba. Por sua recorrente remissão nas decisões do Conselho de Contribuintes, vale transcrever as conclusões do i. Conselheiro sobre a matéria. 9. Conclusões 1. Juridicamente, a subvenção, em qualquer de suas modalidades, caracterizase como uma doação e, quando concedida pelo poder público, desde que registrada em conta de reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, não será tributada pelo imposto de renda. Conseqüentemente, tampouco servirá de base para cálculo da contribuição social e do imposto sobre o lucro liquido. 2. A subvenção para investimento (deixando de lado o mérito de tratarse, juridicamente, de uma doação), caracterizase em função de sua natureza de uma transferência de capital sendo irrelevante a destinação do seu valor. Vale dizer, "a palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira" (Bulhões Pedreira), jamais como condicionante de que o valor recebido deva estar vinculado (implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos) aquisição de determinados bens ou direitos sujeitos a imobilização. 3. As isenções ou reduções tributárias não se confundem, juridicamente, com subvenção. Todavia, quando concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, por ficção legal, equiparamse às subvenções para investimento, gozando de idêntico tratamento tributário (salvo em relação às isenções ou reduções do imposto de renda que de qualquer forma se submetem à incidência da contribuição social). 4. Com o advento do Decretolei 1.598/77, foi derrogado o art. 44 da Lei 4.506/64. Conseqüentemente, as transferências de recursos promovidas pelo poder público, de qualquer espécie (para investimentos ou correntes), atendidas as condições impostas, não são tributáveis pelo imposto de renda. 5. As subvenções recebidas pela sociedade, inclusive sob a forma de isenções ou redução tributária, devem se registradas diretamente em conta de reserva de capital, não transitando pela conta de resultados. 6. A provisão para o imposto de renda deve ser contabilizada pelo valor bruto e, posteriormente, do passivo criado, dever ser transferido para a respectiva conta de reserva de capital o montante da isenção ou redução do imposto, concedida como estimulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. (grifo nosso) 46. Segundo essa interpretação, para que se configure a subvenção de investimento, fazse mister a presença dos seguintes elementos: (i) transferência de recursos públicos para o contribuinte; (ii) o intuito de estimulo à implantação ou expansão de empreendimento econômico; (iii) registro da transferência em conta de reserva de capital, que somente deverá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 23 22 social. Não é relevante, portanto, a destinação especifica dos recursos na aquisição de determinados bens e direitos. 47. Analisando o caso concreto, vislumbro a presença desses três requisitos, os quais estão reconhecidos pelo próprio autuante ou comprovados nos autos. E conveniente deterse em evidenciar a presença do segundo requisito, por expressar o intuito de subvencionar a implantação ou expansão do empreendimento econômico, a par de ser um requisito menos rigoroso àquele exigido pelo Parecer CST n.° 112/78, qual seja, a destinação especifica dos recursos na aquisição de determinados bens e direitos. 48. Nesse desiderato, a benesse outorgada pelo Estado do Ceará à contribuinte, consistente na redução do valor da prestação do financiamento anteriormente contratado, está embebida desse propósito. Com efeito, no caso em exame, foi assinado em 7 de julho de 1994, entre o Governo do Estado do Ceará e a contribuinte, Protocolo de Intenções com o seguinte objeto (fls 743/749): Pelo presente instrumento objetiva estabelecer as relações obrigacionais que entre si ajustam, como partes, o GOVERNO DO CEARÁ (...) e a RIGESA, CELULOSE, PAPEL EMBALAGENS LTDA (...) obrigações essas decorrentes da concessão de incentivos administrados pelo Poder Público Estadual à aludida empresa, em virtude da implantação de uma indústria destinada à fabricação de embalagens de papelão ondulado, inclusive, mas limitado a: caixas e folhas de papelão ondulado e acessórios de polpa moldada, nos termos da legislação norteadora da espécie, especialmente a Lei no 11.524/88 e os Decretos nos 22.719A de 93 e 23.113 de 18.03.94, publicado no D.O. do dia 22.03.94 (...) 49. A teor do que contém a "CLÁUSULA SEGUNDA" da denominada avença, a contribuinte se comprometeu: a implantar no Município de PacajúsCeará, uma indústria destinada a fabricação de embalagens de papelão ondulado, inclusive, mas não limitado a: caixas e folhas de papelão ondulado e acessórios de polpa moldada, observadas as seguintes características básicas: Investimento Total: Será investida na implantação do Projeto a importância de US$ 8,400,000, com perspectiva de geração de ICMS de US$ 2,796,000 por ano. Programação de Produção: A RIGESA deverá produzir, anualmente, entre 36.000 m2 e 48.000 m2 de material para embalagens com ocupação de empregos diretos de 100 e 125 pessoas, respectivamente nas fases I e II do projeto. 50. De um lado, a contribuinte se comprometeu a executar o projeto de implantação no prazo de dois anos, sendo que o prazo global da operação de dez anos. De outro, o Estado do Ceará assumiu o compromisso de apoiar a iniciativa por meio da adoção de medidas a seu alcance, notadamente na área de infraestrutura, tais como: cessão de terreno de Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 24 23 84.000 metros quadrado no Distrito Industrial de Pacajus; colocar à disposição água em volume compatível com as necessidades do projeto; adotar as medidas necessárias ao acesso ao conjunto industrial da empresa, bem como a colocação no limite do terreno, de linhas de telefonia e transmissão de dados; assegurar o fornecimento de energia elétrica necessária à implantação e funcionamento do empreendimento. 51. O Governo do Estado do Ceará assumiu ainda o compromisso de garantir à contribuinte operações de crédito como recursos do FDI, destinados à formação do capital de giro, segundo as condições estabelecidas no PROVIN/FDI. 52. O Primeiro Aditivo ao Protocolo de Intenções reconhece o empreendimento como pioneiro na forma do § 40 do art. 19 do Decreto n.° 22.719A, de 20.08.93 (fl 749). 53. Por meio do Segundo Aditivo ao Protocolo de Intenções, o Estado do Ceará se comprometeu a assegurar "o diferimento do ICMS incidente sobre as aquisições de máquinas e equipamentos adquiridos no exterior, bem como sobre o diferencial de alíquotas daquele tributo incidente na aquisição de equipamentos nacionais, necessários à implantação da indústria". Na mesma linha, também assumiu o encargo de garantir o diferimento do ICMS incidente nas importações de matériaprima e de outros insumos, para o momento de saída subseqüente dos produtos industrializados (fl 752). 54. Como parte integrante das obrigações assumidas pelo Estado do Ceará, há o incentivo que se traduz na concessão de empréstimos, mediante utilização de recursos do Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará — FDI em condições especiais, o que de resto deu causa ao lançamento tributário objeto da presente demanda. 55. Conforme se constata pela leitura da cópia do CONTRATO DE MÚTUO, o FDI foi instituído pela Lei n° 10.367, de 1979, alterada pelas Leis de números 10.380, de 1980, 11.073, de 1985 e 11.524, de 1988, regulamentada pelo Decreto n° 22.719A, e conta com recursos "aportados à conta do Programa de Incentivo ao Funcionamento de Empresas — PROVIN, decorrendo referido empréstimo do enquadramento da Mutuária como empreendimento prioritário para o desenvolvimento econômico e social do Estado". 56. A Lei n° 10.367, de 1979, com as alterações supervenientes, constituiu o Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará — FDI, cujo objeto é a promoção do desenvolvimento das atividades industriais neste Estado, por meio do compromisso de assegurar às empresas consideradas de fundamental importância no processo: ... incentivos de implantação funcionamento, relocalização, ampliação e modernização ou recuperação, sob a forma de subscrição de ações, participações societárias, empréstimos, prestação de garantias e subsídios de encargos financeiros. 57. Ao regulamentar a Lei que instituiu o FDI, o Decreto n° 22.719A, de 1993, com as alterações introduzidas através do Decreto n° 23.113, de 1994, do que resultou a própria regulamentação do aludido Fundo, relativamente às operações de empréstimos, estabeleceu no artigo 15: Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 25 24 Art. 15° O valor do empréstimo ao amparo do FDI será concedido em 72 (setenta e duas) parcelas mensais e consecutivas para as empresas localizadas na Região Metropolitana de Fortaleza e 120 (cento e vinte) parcelas mensais e consecutivas para as empresas localizadas fora da Região Metropolitana de Fortaleza; e será diferenciado em função da localização ou da natureza do projeto apoiado, da seguinte forma: I — Implantação de Indústrias no Interior do Estado: O valor da parcela mensal do mútuo terá como parâmetro importância equivalente 100% (cem por cento) do ICMS efetivamente recolhido dentro do prazo legal, incidente sobre operações com a venda da produção própria, cabendo ao Governo do Estado responsabilizarse por 75% (setenta e cinco por cento), do valor da parcela e devendo o restante ser negociado com a Prefeitura do município sede do empreendimento; (...) 58. Nos termos da Cláusula Primeira do mencionado acordo de vontades, à contribuinte foram concedidos empréstimos periódicos, cujo, repasse mensal correspondia a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do ICMS recolhido, durante o período de maio de 1996 a abril de 2006. 59. Cumpridas as condições estabelecidas: pagamento ou resgate da parcela do empréstimo no dia 30 de cada mês a que corresponder, após 36 (trinta e seis) meses da data do desembolso, o valor a ser pago corresponderá a 25% (vinte e cinco por cento) do montante de cada desembolso. 60. Registro, por relevante, que dentre as denominadas "Obrigações Especiais" assumidas pela contribuinte para com o Mutuante, constam: 6.1 Executar o projeto financiado com toda a diligência e eficiência, de acordo com a boa técnica gerencial e as normas de engenharia, obrigandose a manter todos os registros e comprovantes indispensáveis. 6.2 Utilizar todos os recursos objeto do mútuo contratado por este instrumento, exclusivamente nos negócios normais relativos ao projeto apresentado e suas expansões futuras. (grifo nosso) 61. Dentre as justificativas apresentadas pelo Governo do Estado do Ceará, para adoção, implantação e utilização dos recursos do FDI, há o explicito reconhecimento de: contribuir para a consolidação e descentralização do setor industrial, através de incentivo à implantação, ampliação, modernização, diversificação, recuperação e relocalizaçâo de empresas industriais, consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento econômico do Estado. 62. Assim, como fácil é concluir, a outorga dos benefícios pelo Estado do Ceará não está restrita à concessão de empréstimos em condições especialíssimas; ao revés, corresponde eles a um conjunto de medidas concretas, que têm como contrapartida uma série de obrigações a serem Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 26 25 cumpridas pela empresa beneficiária, dentre as quais estão os investimentos, que visam a implantação de unidades fabris. 63. Em 1996, foi inaugurada a fábrica de embalagens de Pacajus (CE), com capacidade de produção de 6.000 metros quadrados por mês, visando atender o mercado do nordeste do Pais (fl 816). 64. Cumpre consignar que os Programas de Incentivos Industriais instituídos pelo Estado do Ceará, mediante utilização de recursos do Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará — FDI, não se resumem apenas às operações de mútuo que deram causa a exigência tributária sob exame, como já registrado. Em verdade, são constituídos por um amplo conjunto de direitos e obrigações assumidas tanto por parte do Estado, quanto pelas empresas que se habilitaram e se instalaram neste Estado. 65. Entendo pertinentes e perfeitamente adequadas ao caso concreto, as assertivas feitas pela Conselheira Maria Ilea Castro Lemos Diniz, no voto condutor do Acórdão n.° 10705912, de 2000, verbis: da análise da lei verificase, de pronto, que o legislador, ao se referir à figura da subvenção para investimento, o fez de forma exemplificativa, sem se preocupar, pois, quanto à forma ou meio pelo qual esta se materializa (...) Obviamente, caracterizou o legislador, como subvenção para investimento — extremandoa, pois, das subvenções correntes ou para custeio —, como sendo aquelas "consideradas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos", vale dizer, as concedidas pelo Poder Público em face, ordinariamente, de contrato firmado com contribuintes sob condições de que estes implantassem ou expandissem empreendimentos econômicos. Nas condições estabelecidas na lei não há, em momento algum, necessidade de comprovação de prévia destinação ou aplicação do montante da subvenção recebida em bem do ativo fixo, muito menos a que a subvenção, necessariamente, devesse ser direta, isto é, se materializasse financeiramente, mediante ação específica do Estado concedendo ao subvencionado recursos financeiros ou creditícios (créditos presumidos). 66. Assim, para se aferir a intuito do subvencionar, importa ter em consideração o conjunto de obrigações assumidas e cumpridas pelas partes e o objetivo do Estado na transferência de recursos, que é o de proporcionar o efetivo aumento do estoque de capital da empresa beneficiária que se propõe a instalar ou expandir empreendimento econômico de interesse do Estado. 67. Por fim, registro que estão presentes os seguintes elementos para a caracterização da subvenção de investimento: (i) a intenção da pessoa jurídica de direito público de subvencionar determinado empreendimento; (ii) a concretização dessa intenção, mediante transferência de capital; (iii) a incorporação dos recursos em conta de reserva de capital. 68. Em face do exposto, a conclusão lógica seria pela improcedência da pretensão fiscal. Sucede que o ADI, já mencionado, não considera a renúncia de parcela do empréstimo modalidade de subvenção, muito menos Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 27 26 de investimento. Com base nessa única razão de decidir, dou pela procedência dos lançamentos." (Grifos no original) Observese que o relator da primeira instância realizou completíssimo trabalho de esquadrinhamento da legislação aplicável e de análise das circunstâncias fáticas específicas do acordo firmado entre o governo do Estado do Ceará e a recorrida, ao qual me filio e não tenho mais a acrescentar, a não ser pela citação de outros julgados administrativos que vão ao encontro do entendimento exposto. O Acórdão nº 1202000.921, de 05/12/2012, do Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, reza o seguinte: IRPJ. LUCRO REAL. INCENTIVOS FISCAIS. EMPRÉSTIMOS SUBSIDIADOS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento de municípios no interior dos Estados do Ceará e da Bahia, consistentes em empréstimos subsidiados e crédito presumido de ICMS, configuram subvenções para investimento, notadamente quando presentes: i) a intenção do Poder Público em transferir capital para a iniciativa privada; ii) a verba oriunda da subvenção foi destinada para investimento na implantação de empreendimentos econômicos de interesse público; iii)) o beneficiário da subvenção é pessoa jurídica constituída sob a forma de companhia; iv) a subvenção foi registrada em conta de reserva de capital; v) ocorreu aumento de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação das reservas ao seu capital. A conta de reserva de capital poderá ser utilizada apenas para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, não podendo ser distribuída. No âmbito da Câmara Superior, podese encontrar o Acórdão nº 9101 001.094, de 29/06/2011, da relatoria do Conselheiro Alberto Pinto, que contém a seguinte ementa: IRPJ. Subvenção para Investimento. Na hipótese de implantação de empreendimento, há um descasamento entre o momento da aplicação do recurso e do gozo do benefício a título de subvenção para investimento, razão pela qual, natural que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operações e, consequentemente, começar a pagar o ICMS, comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação. Por fim, por tratarem de assuntos relacionados ao incentivo fiscal do Estado do Ceará (FDI/PROVIN), remeto ainda a precedentes do Extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, a saber: os Acórdãos nºs 10708.736, 10708.737, 10708.738 e 10708.739, todos de 20/09/2006, do Conselheiro relator Luiz Martins Valero; e o Acórdão nº 10193.716, de 22/01/2002, da lavra do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral, na oportunidade relator, encampado pelo voto vencedor do Acórdão nº 10196.416, de 07/11/2007, redigido pelo Conselheiro Caio Marcos Cândido. Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 28 27 E, ainda, vale transcrever trecho do voto condutor do Acórdão nº 9101 002.085, de 21/01/2015, mais recente julgado sobre esse tema e também relativo ao FDI/PROVIN: 9. Trouxe ainda, a recorrida, a legislação infralegal que comprova que o benefício estadual não ficou como letra norma na lei estadual, mas chegou a ser regulamentada pelo Governador do Estado. Daí que não se pode presumir que a empresa tenha deixado de observar a lei estadual e as regulamentações dela decorrentes, tendo em vista que o trabalho das autoridades fiscais não foi diligente nesse sentido. Nessa perspectiva, considerando a legislação do Estado do Ceará Decreto Estadual n. 22.719A/1993 e, posteriormente, Decreto n. 27.040/2003 , é possível observar, de forma incontroversa, que o benefício somente será concedido após análise e aprovação de projeto para ampliação, modernização e etc do empreendimento econômico, bem como a fiscalização da correta aplicação dos recursos transferidos e eventual sanção por descumprimento das obrigações. O Decreto n. 27.040/2003 consolida e regulamenta a legislação do Fundo de Desenvolvimento Industrial do Estado do Ceará FDI e dispõe no artigo 3º, parágrafo 1º; artigo 8º, parágrafo 3º; artigo 10; artigo 13; artigo 29, incisos IV e IX todos os mecanismos de análise do projeto de investimento, fiscalização e etc. A respeito do auto de infração de CSLL, como tributação reflexa, a decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, conforme entendimento amplamente consolidado na jurisprudência deste colegiado, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Por todo o exposto, NEGO provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Desse modo, voto no sentido de: CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em relação à matéria que discute a natureza de subvenção para investimento dos incentivos fiscais concedidos pelo governo do Ceará à contribuinte recorrida. NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 10380.016589/200850 Acórdão n.º 9101002.329 CSRFT1 Fl. 29 28 Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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Numero do processo: 10783.725297/2011-74
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DEVIDA À TERCEIROS - CARTÃO ALIMENTAÇÃO - INCIDÊNCIA
O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Entretanto, quando pago habitualmente e em pecúnia, a verba está sujeita às referidas contribuições.
No caso, o contribuinte não estava inscrito no PAT e efetuou o pagamento em forma de cartão alimentação.
Numero da decisão: 9202-003.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Patrícia da Silva, que negava provimento ao recurso.
Carlos Alberto Barreto - Presidente.
Gerson Macedo Guerra - Relator.
EDITADO EM: 17/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Patrícia da Silva, que negava provimento ao recurso. Carlos Alberto Barreto - Presidente. Gerson Macedo Guerra - Relator. EDITADO EM: 17/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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Entretanto, quando pago habitualmente e em pecúnia, a verba está sujeita às referidas contribuições. No caso, o contribuinte não estava inscrito no PAT e efetuou o pagamento em forma de cartão alimentação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Patrícia da Silva, que negava provimento ao recurso. Carlos Alberto Barreto Presidente. Gerson Macedo Guerra Relator. EDITADO EM: 17/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 52 97 /2 01 1- 74 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O crédito tributário objeto da presente discussão foi materializado na lavratura de autos de infração para cobrança de contribuições a cargo da sociedade empresária, GILRAT e contribuições devidas às outras entidades e fundos, referentes ao período compreendido entre 05/2008 a 12/2008. A Auditoria Fiscal apurou que o contribuinte realizava a distribuição de CARTÕES ALIMENTAÇÃO aos funcionários. Constatouse, ainda, a ausência de contra partida por parte dos funcionários (desconto em folha), bem como a ausência de inscrição no Programa de alimentação ao Trabalhador – PAT. Houve a interposição de impugnação, julgada improcedente pela DRJ, seguida da interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte ao CARF, que originou a decisão exarada pela 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Sessão de Julgamento, onde ficou consignado o seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2008 a 31/12/2008 ALIMENTAÇÃO EM TICKET. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o entendimento do STJ, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação, eis que, independente da forma como tal benefício é ofertado, não há como desqualificar o seu caráter indenizatório. Recurso Voluntário Provido.” Regularmente intimada, a União, tempestivamente, interpôs Recurso Especial de divergência, onde: 1. Invoca como paradigma decisões exaradas pela 1ª e 2ª Turmas Ordinárias da 4ª Câmara, da 2ª Sessão de Julgamento, onde fica patente o entendimento de que incide contribuições previdenciárias sobre o auxílio alimentação que não for concedido in natura, sendo o fornecimento de tickets aos segurados considerado pagamento em espécie; e 2. Argumenta no seguinte sentido: a. De acordo com o artigo 28, da Lei 8.212/91, entendese como salário de contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, aí incluídos os ganhos habituais sob forma de utilidades; b. Apenas está excluída do saláriodecontribuição a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação Fl. 400DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10783.725297/201174 Acórdão n.º 9202003.809 CSRFT2 Fl. 400 3 aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei 6.321/76; c. Os valores relativos aos cartões alimentação fornecidos devem integram o salário contribuição, pois não se enquadram como prestação in natura; d. O PAT não admite o fornecimento do auxílio alimentação em pecúnia, a teor do disposto no artigo 4º, do Decreto 5/1991; e. A interpretação das regras que tratam da exclusão de parcelas da base de cálculo das contribuições deve ser literal, em obediência ao artigo 111, I do CTN. Traz decisões do STJ nesse sentido; f. Nos termos da súmula 67, oriunda da Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais, “o auxílioalimentação recebido em pecúnia por segurado filiado ao Regime Geral de Previdência Social integra o salário de contribuição e sujeitase à incidência de contribuição previdenciária”. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, Contra Razões ao Recurso da Fazenda, alegando, em resumo: 1. Não haver incidência das contribuições previdenciárias sobre o auxílio alimentação oferecido mediante Cartão Alimentação, pois tal verba possui natureza indenizatória, não salarial; 2. As próprias convenções coletivas de trabalho inclusas nos autos asseveram que tal benefício não se integra ao salário; Além do alegado, o contribuinte relaciona decisões do TST e STJ sobre o tema, bem como traz decisão do STF, que reconheceu a natureza indenizatória do pagamento de vale transporte em pecúnia, afastando incidência das contribuições previdenciárias, para analogicamente, sustentar a argumentação em relação ao cartão alimentação. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Divergência nitidamente demonstrada, dúvidas não há quanto ao cabimento do Recurso Especial da União. Conforme disposto no artigo 22, da Lei 8.218/91, a contribuição da empresa, destinada à Seguridade Social, incide sobre sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos Fl. 401DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Conforme dispõe o § 2º do artigo 22 em questão, não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28, que, em sua alínea “c”, indica “a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976.” Pela Portaria 03/2002 do MTE, o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), instituído pela Lei nº. 6.321, de 14 de abril de 1976, tem por objetivo a melhoria da situação nutricional dos trabalhadores, visando a promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais. Pelo seu artigo 3º, é possível inferir que o PAT é destinado, prioritariamente, ao atendimento dos trabalhadores de baixa renda, isto é, aqueles que ganham até cinco salários mínimos mensais. Entretanto, as empresas beneficiárias poderão incluir no Programa, trabalhadores de renda mais elevada, desde que esteja garantido o atendimento da totalidade dos trabalhadores que percebam até cinco saláriosmínimos e o benefício não tenha valor inferior àquele concedido aos de rendimento mais elevado, independentemente da duração da jornada de trabalho (art. 3º, parágrafo único, da Portaria nº. 03/2002). Ao que me parece, a mens legis da alínea “c”, do § 9º, do artigo 28 em questão está calcada no estímulo aos contribuintes em investirem na alimentação dos trabalhadores de baixa renda, de modo a fornecerlhes condições nutricionais mínimas para a execução do trabalho. Assim, na hipótese em que o valealimentação, valerefeição ou cartão alimentação, sejam fornecidos no âmbito do PAT, não há que se falar em natureza salarial. Contudo, o que se vê na realidade atual são empregadores oferecendo altos valores em cartões refeição e alimentação, sem a devida inscrição no PAT, objetivando complementar a remuneração dos trabalhadores contratados e ainda se valer de benesse fiscal. Entendo que não foi esse o desejo do legislador. Com base nisso é que as mais recentes decisões do STJ vêm fincando o entendimento de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. Por outro lado, quando pago habitualmente e em pecúnia, a verba está sujeita a referida contribuição. É o que se pode notar do decidido no AgRg no REsp 1493587 / RS, cuja ementa abaixo transcrevo: “Ementa TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FOLHA DE SALÁRIOS. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. 1. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílio alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10783.725297/201174 Acórdão n.º 9202003.809 CSRFT2 Fl. 401 5 2. Entretanto, quando pago habitualmente e em pecúnia, a verba está sujeita a referida contribuição. Precedentes: REsp 1196748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/09/2010; AgRg no AREsp 5810/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10/06/2011; AgRg no Ag 1392454/SC, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 25/11/2011; AgRg no REsp 1.426.319/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/5/2014. 3. Agravo regimental não provido. (Processo AgRg no REsp 1493587 / RS Relator(a) Ministro BENEDITO GONÇALVES; Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA; Data do Julgamento 12/02/2015; Data da Publicação/Fonte DJe 23/02/2015) Esse entendimento tem perdurado inclusive quando o pagamento do auxílio alimentação ocorre na forma de tickets, conforme decidido no AgRg no REsp 1.474.955 / RS: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA. MATÉRIA JULGADA SOB O O RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. RESP 1.230.957/RS. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM TICKETS. INCIDÊNCIA DA REFERIDA CONTRIBUIÇÃO. PRECEDENTES. 1. A Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp 1.230.957/RS, processado nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, firmou a compreensão no sentido de que o pagamento de férias gozadas possui natureza remuneratória, razão pela qual incide a contribuição previdenciária. 2. Conforme entendimento deste Superior Tribunal, o auxílioalimentação pago in natura não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT; por outro lado, quando pago habitualmente e em pecúnia, incide a referida contribuição, como ocorre na hipótese dos autos em que houve o pagamento na forma de tickets. Precedentes: REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 28/09/2010; AgRg no Ag 1.392.454/SC, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, DJe 25/11/2011; AgRg no REsp 1.426.319/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 13/05/2014. 3. Agravo regimental a que se nega provimento.” Nesse contexto, voto por dar provimento ao Recurso da União, para reformar a decisão recorrida no sentido de que a alimentação fornecida através do cartão alimentação provido pelo contribuinte em questão deve integrar a remuneração do segurado. Gerson Macedo Guerra Relator Fl. 403DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10880.016451/00-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Comprovado nos autos que a Manifestação de Inconformidade foi apresentada após trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência do saldo devedor, conforme previsto no artigo 74, § 9º, da Lei n. 9.430/96, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que reconhece a intempestividade.
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EM FACE DA COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE
A recorrente se insurge contra suposta não homologação da compensação de ofício, no entanto não é facultado ao contribuinte insurgir-se contra homologação ou não-homologação de compensações realizadas de ofício. A homologação refere-se unicamente ao ato executado pelo contribuinte, não havendo necessidade da Administração homologar expressamente os atos por ela exercidos, haja vista investirem-se de imperatividade e auto-executoriedade.
Numero da decisão: 1302-001.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Comprovado nos autos que a Manifestação de Inconformidade foi apresentada após trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência do saldo devedor, conforme previsto no artigo 74, § 9º, da Lei n. 9.430/96, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que reconhece a intempestividade. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EM FACE DA COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE A recorrente se insurge contra suposta não homologação da compensação de ofício, no entanto não é facultado ao contribuinte insurgir-se contra homologação ou não-homologação de compensações realizadas de ofício. A homologação refere-se unicamente ao ato executado pelo contribuinte, não havendo necessidade da Administração homologar expressamente os atos por ela exercidos, haja vista investirem-se de imperatividade e auto-executoriedade.
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Comprovado nos autos que a Manifestação de Inconformidade foi apresentada após trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência do saldo devedor, conforme previsto no artigo 74, § 9º, da Lei n. 9.430/96, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que reconhece a intempestividade. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EM FACE DA COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE A recorrente se insurge contra suposta não homologação da compensação de ofício, no entanto não é facultado ao contribuinte insurgirse contra homologação ou nãohomologação de compensações realizadas de ofício. A homologação referese unicamente ao ato executado pelo contribuinte, não havendo necessidade da Administração homologar expressamente os atos por ela exercidos, haja vista investiremse de imperatividade e auto executoriedade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. EDELI PEREIRA BESSA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 64 51 /0 0- 73 Fl. 736DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI P EREIRA BESSA Processo nº 10880.016451/0073 Acórdão n.º 1302001.882 S1C3T2 Fl. 723 2 MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Através do Despacho Decisório de fls. 276/279, foi reconhecido o direito creditório da Embargante no importe de R$ 8.527.859,58 referente ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1999, com os acréscimos legais, e a homologação das compensações solicitadas (fls. 02 e 141), além de determinar que fosse compensado de ofício “as compensações constantes nas DCTF´s” (fls. 170 a 275), “tendo em vista que o contribuinte descumpriu o previsto no art. 14, §3º da IN 21/97, autorizando a restituição, caso reste ainda crédito a restituir”. A recorrente foi intimada do r. Despacho Decisório em 31/10/2005 (fl. 280 v). No entanto, a recorrente aduz que a ciência somente se deu em 07/02/2006, quando apresentou, por meio de procurador (fls. 284 a 294), petição declarandose, diante da vista dos autos, ciente de todos os atos processuais nele praticados, além de juntar instrumento de mandato e atos societários. Ato contínuo, em 09/03/2006, o contribuinte, por meio de procuradores, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 295 a 302), se insurgindo contra a possibilidade de compensação de ofício, haja vista não se tratar de tributos da mesma espécie. Nesta peça, a recorrente alega que “não há como atribuir qualquer fato ao Aviso de Recebimento constante dos autos, haja vista que não há qualquer menção sobre que documento foi enviado, não havendo qualquer possibilidade de identificálo”. A autoridade administrativa, não conhecendo da manifestação intempestivamente apresentada, efetuou a compensação de ofício e intimou o contribuinte, em 01/09/2006 (fl.327), a efetuar o recolhimento do saldo devedor em aberto “dentro do prazo de 30 dias, contados a partir do recebimento desta (data da assinatura do A.R.)”. Em 20/09/2006, após cálculos referentes às compensações efetuadas (data da compensação: 31/08/2006; vide tabela abaixo; fls. 332 a 349), a Autoridade Administrativa as homologou, tendo restado saldo devedor, cobrado conforme fls. 327/331. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI P EREIRA BESSA Processo nº 10880.016451/0073 Acórdão n.º 1302001.882 S1C3T2 Fl. 724 3 CÓDIGO PA VCTO IMPOSTO COMPENSADO UTILIZADO CRÉDITO SALDO 8.527.859,58 2484 07/2000 31/08/00 1.094.591,90 987.452,79 7.540.406,79 2484 06/2000 31/07/00 245.762,89 224.358,77 7.316.048,02 2484 08/2000 29/09/00 159.288,37 141.891,82 7.174,156,20 2484 09/2000 31/10/00 458.798,77 404.298,85 6.769.857,35 2484 11/2000 28/12/00 50.895,34 43.878,83 6.725.978,52 2484 01/2000 29/02/00 701.011,07 684.179,98 6.041.798,54 2484 02/2000 31/03/00 1.751.828,45 1.685,908,90 4.355.889,64 2484 03/2000 28/04/02 1.052.056,79 998.524,99 3.357.354,65 2484 05/2000 30/06/00 1.807.934,38 1.671.691,34 1.685.663,31 2484 06/2000 31/07/00 1.663.903,51 1.518.991,66 166.671,65 2484 07/2000 31/08/00 184.755,29 166.755,29 0,00 O contribuinte tomou ciência da intimação em 18/09/2006 (fl. 327v). Não se conformando, novamente apresentou, por meio de procuradores, nova Manifestação de Inconformidade em 18/10/2006 (fls. 358 a 366), argüindo, preliminarmente, a nulidade do processo, tendo em vista que a decisão de fl. 351 apenas homologou as compensações efetuadas pelo contribuinte, tendo deixado de homologar a compensação dos débitos efetuada por meio do SIEF (conforme demonstrativo de fls. 332 a 350). Adiante, o contribuinte voltou a manifestar sua discordância quanto à compensação de ofício efetuada, considerando as DCTF´s retificadoras apresentadas. Tendo em vista que o contribuinte, em sua Manifestação de Inconformidade, suscitou a tempestividade do recurso, a Autoridade Administrativa encaminhou o processo para a DRJ, para apreciação. Recebido o processo pela DRJ, esta reafirmou que o aviso de cobrança – AR (fl. 280v) aponta a data de intimação da decisão guerreada em 31/10/2005, confirmado pela assinatura do recebedor. A r. Delegacia de Julgamento fundamentou sua decisão com base nos dispositivos 14, 15 e 23, do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, os quais ratificam que a impugnação/manifestação de inconformidade deve ser apresentada no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do intimado; e que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI P EREIRA BESSA Processo nº 10880.016451/0073 Acórdão n.º 1302001.882 S1C3T2 Fl. 725 4 Assim, sendo de trinta dias o prazo para a interposição da impugnação/manifestação de inconformidade, o prazo fatal para protocolar a peça de resistência seria o dia 30/11/2005. Todavia, a Recorrente somente protocolou Manifestação de Inconformidade no dia 09/03/2006. Desse modo, por se tratar de defesa efetivamente intempestiva, sabendose que no âmbito do processo administrativo fiscal, a Manifestação de Inconformidade intempestiva não instaura fase litigiosa do procedimento nem é objeto de decisão de primeira instância, e amparada por diversa jurisprudência do CARF (à época denominado Conselho de Contribuintes), a DRJ não tomou conhecimento da Manifestação de Inconformidade Interposta. Inconformada com a decisão da DRJ, a empresa interpôs Recurso Voluntário contra a decisão retro mencionada, alegando em síntese: I. A tempestividade da manifestação de inconformidade de fls. 358/366, tendo em vista que esta (segunda) manifestação de inconformidade insurge se, sim, contra a decisão de fls. 351 (com intimação às fls. 327), decisão esta que não homologou as compensações efetuadas sem processo pela recorrente (diretamente em DCTF). Tempestividade justificada pelo art. 74, §9º da lei 9430/96; II. A inexistência de lançamento tributário dos valores que o Fisco entende como devidos na forma definida pelo artigo 68 e 69 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005; III. Decadência dos débitos relacionados às fls. 328/331 eis que extintos por homologação tácita das DCTF’s em que foram compensados; IV. Regularidade das compensações sem processo efetuadas; V. Requereu o reconhecimento da tempestividade da Manifestação de Discordância com a Compensação de Ofício determinada de fls. 295/303 e da Manifestação de Inconformidade de fls. 358/366; VI. Requer seja reconhecida a extinção dos débitos constantes das fls. 328/331, diante da homologação tácita das DCTF’s do 1º, 2º, 3º e 4º TRIMESTRE de 2000; VII. Em caso de não acolhimento da preliminar de extinção dos débitos por homologação tácita das DCTFs, requer determinese a conversão do julgamento em diligência para o fim de que a Manifestação de Inconformidade de fls. 358/366 seja apreciada em 1º Grau, revendose as compensações efetuadas por I. Técnico da Receita Federal às fls. 332/350 e submetendonas à apreciação do Sr. Cehefe da Divisão – DIORT – a fim de que este, considerando os fundamentos de mérito apresentados na Manifestação de Inconformidade e no presente Recurso, bem como seus respectivos documentos (DIPJs, DCTFs retificadoras e planilhas de compensação): Fl. 739DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI P EREIRA BESSA Processo nº 10880.016451/0073 Acórdão n.º 1302001.882 S1C3T2 Fl. 726 5 se manifeste acerca da efetiva existência do direito creditório alegado quanto aos períodos de apuração 31/12/1994, 31/12/1995, 31/12/1996, 31/12/1999, os quais foram utilizados para as compensações em DCTFs dos 4 trimestres de 2000; em seguida, proceda à HOMOLOGAÇÃO das compensações efetuadas em DCTF pela Recorrente e NÃO homologação das compensações de ofício efetuadas ou à NÃO homologação das compensações efetuadas em DCTF pela Recorrente e homologação das compensações de ofício efetuadas pela r. Autoridade Fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA. O recurso voluntário é tempestivo e a recorrente está devidamente representada, por isso dele conheço. Em primeiro plano cumpre analisar a questão da intempestividade da Manifestação de Inconformidade, posto que se não superada esta questão, não será apreciada qualquer outra alegação do recurso, que não seja esta. A recorrente alega em sede de preliminar que a Manifestação de Inconformidade de fls. 295/303 é tempestiva haja vista ter tomado conhecimento do despacho decisório de fls. 276/279 por meio de petição protocolada em 07/02/2006, quando se deu por intimada do decisium, e ter apresentado manifestação no dia 09/03/2006, discordando da compensação de ofício determinada. No entanto, constatase que nos autos do processo está o aviso de recebimento – AR (fl. 280v) da intimação do referido despacho decisório, que aponta como data de recebimento o dia 31/10/2005, bem como a devida assinatura do recebedor. Com base nisso, o prazo fatal para protocolar a peça de resistência seria o dia 30/11/2005. Logo, tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada intempestivamente. Com relação à Manifestação de Inconformidade de fls. 358/366, apurase que o contribuinte tomou ciência da intimação para efetuar o recolhimento do saldo devedor em aberto, em 18/09/2006 (fl. 327v) e, novamente apresentou Manifestação de Inconformidade, em 18/10/2006 (fls.358 a 366). Fl. 740DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI P EREIRA BESSA Processo nº 10880.016451/0073 Acórdão n.º 1302001.882 S1C3T2 Fl. 727 6 Preliminarmente, a recorrente esclarece que a decisão de fls. 351, proferida pelo Chefe da Divisão da MF/SRF/SRRF8ª/DERAT/SP de 20/09/2006 apenas homologou as compensações efetuadas pelo contribuinte, deixando, entretanto, de aprovar a compensação dos débitos efetuada através do SIEF/PROCESSO, na forma requerida pela Fiscalização, à mesma fl. 351. No recurso voluntário apresentado, o contribuinte afirma que o acórdão exarado pela DRJ incorre em erro quando aponta a intempestividade da petição de fls. 358/366, haja vista não se tratar da mesma matéria da manifestação de fls. 295/302. Esclarecendo, o conteúdo da manifestação de inconformidade de fls. 295/302 é restrito à discordância com a compensação de ofício determinada às fls. 278/279. De outro lado, a manifestação de fls. 358/366 se se insurge contra a não homologação das compensações efetuadas em DCTF´s, com fundamento no artigo 74, §§7º e 9º, da Lei 9.430/96. Assim, tendo apresentado a petição dentro do prazo previsto no mencionado dispositivo legal, restaria tempestiva a manifestação de inconformidade. Mesmo diante de tal argumento, não merece acolhimento a preliminar de tempestividade, ou mesmo a admissão da manifestação de fls. 358/366 dos autos do processo administrativo em epigrafe, pois, do dispositivo indicado pelo recorrente para atribuir a tempestividade a sua manifestação de inconformidade, emana o motivo de sua rejeição. Vejamos o que reza o art. 74 da Lei n. 9.430/96: Art. 74, Lei 9.430/96: O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) (...) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (..) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 741DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI P EREIRA BESSA Processo nº 10880.016451/0073 Acórdão n.º 1302001.882 S1C3T2 Fl. 728 7 O dispositivo é claro ao asseverar que só será dado ao contribuinte o direito (e dever da administração) de ser cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos, assim como a faculdade de apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação por ele perpetrada. Não obstante a clareza do dispositivo, a recorrente alega que seu manifesto era de inconformidade quanto à nãohomologação das compensações efetuadas em DCTF´s de fls. 327/351, a mesma contra a qual se insurgira em manifesto anterior (fls. 295/302). Elucidando a argumentação defendida pelo contribuinte, este entende que a homologação expressa (fl. 351) das compensações por si efetuadas através de Declarações de Compensação constantes do processo, importaria em uma nãohomologação da compensação de ofício realizada através do SIEF/PROCESSO, e, diante de tal “rejeição”, o mesmo reputou se amparado pela disposição do artigo 74, §§ 7º e 9º, da Lei 9.430/96, e, assim, investido da faculdade de insurgirse contra a “nãohomologação” sobredita. A argumentação sustentada pelo contribuinte não merece prosperar haja vista que a “nãohomologação” de que trata o multicitado artigo 74, se refere ao procedimento/atividade por ele (contribuinte) efetuado, não tendo nada que ver com a compensação de ofício procedida pela Administração. A compensação de ofício, é ato administrativo, e, como tal, contém os atributos inerentes de atos realizados pela Administração, quais sejam: presunção de legitimidade; imperatividade; exigibilidade; autoexecutoriedade e tipicidade. Importa tecer notas, especificamente, sobre a imperatividade e auto executoriedade. Pois bem, sabese que a imperatividade permite ao ato administrativo, a criação unilateral de obrigações aos particulares, independentemente da anuência destes. Já com relação à autoexecutoriedade, constituise a permissiva à Administração em realizar a execução material dos atos administrativos ou de dispositivos legais, usando a força física se preciso for para desconstituir situação violdora da ordem jurídica, dispensando autorização judicial. Outrossim, a inteligência do artigo 150 do Código Tributário Nacional, certifica que a homologação efetuada pela Administração se resume à atividade exercida pelo obrigado, quando pratica ato de competência da administração sem seu prévio exame. Ademais, a própria constatação do extrato de arrecadação, constante do processo às fls. 348/349, atesta que houve, sim, compensação efetuada de ofício via SIEF, além das compensações solicitadas pelo contribuinte, limitada ao valor do crédito reconhecido. Fato este que arruína, em sua totalidade, o argumento do recorrente, uma vez que toda a fundamentação do recurso está amarrada a nãohomologação da compensação de ofício. Portanto, não há que se falar em homologação ou nãohomologação dos atos praticados pela própria Administração, em razão desse instituto direcionarse apenas à atividade exercida pelo contribuinte. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI P EREIRA BESSA Processo nº 10880.016451/0073 Acórdão n.º 1302001.882 S1C3T2 Fl. 729 8 É como voto. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 743DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI P EREIRA BESSA
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Numero do processo: 10865.003928/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/08/2009
ISENÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. AUSÊNCIA DO CEAS NO PERÍODO FISCALIZADO. Para que a entidade beneficente de assistência social tenha direito à isenção das contribuições previdenciárias patronais no período objeto do lançamento, deve atender aos requisitos legais previstos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, o que não fora verificado nos autos do presente processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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REQUISITOS LEGAIS. AUSÊNCIA DO CEAS NO PERÍODO FISCALIZADO. Para que a entidade beneficente de assistência social tenha direito à isenção das contribuições previdenciárias patronais no período objeto do lançamento, deve atender aos requisitos legais previstos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, o que não fora verificado nos autos do presente processo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 39 28 /2 01 0- 18 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por SANTA CASA DE MISERICÓRDIA HOSPITAL SÃO VICENTE, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.283.7336, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias destinadas a terceiros (SALÁRIO EDUCAÇÃO, SESC, SENAC, SEBRAE e INCRA) e incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais, declaradas pela recorrente como isentas em razão de tratarse de Entidade de Beneficência e Assistência Social. O relatório fiscal esclarece que através da Resolução n. 41 do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, de 15 de março de 2007, com publicação no Diário Oficial da União DOU de 22/03/2007 foi indeferido o pedido de Renovação do CEAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e posteriormente através do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n. 001 de 08/10/2008 emitida pela DRF de Limeira, o contribuinte teve cancelada a isenção das contribuições de que tratam os artigos, 22 e 23 da Lei ns 8.212, de 24 de julho de 1991. Por tais motivos a fiscalização verificou que a recorrente está sem o certificado de entidade beneficente desde 01/01/2001 até presente data, e, mesmo tendo conhecimento do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais, continuou a informar nas GFIP´s o FPAS 639 como sendo entidade com isenção. Haja vista que a Medida Provisória n° 449, em vigor desde 04/12/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, introduziu modificações na penalidade a ser aplicada para a de falta de recolhimento e para a falta de declaração ou declaração inexata, a autoridade lançadora, após proceder, por competência, as comparações devidas, aplicou as multas mais, benéficas ao sujeito passivo (CTN, art. 106, II. "c"), conforme demonstrado no Anexo 04 / '"Comparação e Cálculo da Multa Aplicada": para as competências 01/2005 a 11/2008, aplicaramse as multas previstas na legislação anterior; e para as competências de 12/2008 a 08/2009, aplicaramse as multas de ofício de 75% previstas na legislação superveniente. O lançamento compreende o período de 01/2005 a 08/2009, tendo sido a contribuinte cientificada em 16/12/2010 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 163/165), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a expedição do Ato Cancelatório está intimamente ligada constituição do crédito tributário por meio do presente Auto de Infração, motivo pelo qual, nesta oportunidade, deve ser apreciada a motivação daquele ato; 2. que o motivo que embasou o Ato Cancelatório não mais subsiste, sendo necessário o cancelamento do presente Auto de Infração; 3. A necessidade de adoção do princípio da instrumentalidade das formas, de sorte que nesta Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10865.003928/201018 Acórdão n.º 2402005.045 S2C4T2 Fl. 3 3 oportunidade devam ser apreciados os fundamentos objeto do Ato Cancelatório, motivo pelo qual também não poderia o julgador de primeira instância declararse como incompetente na análise do pleito formulado em sede de impugnação; 4. que não houve descumprimento dos requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91, uma vez que a recorrente protocolou em 2000 o pedido de renovação de seu certificado; 5. que mesmo indeferido o pedido foi apresentado pedido de reconsideração ao CNAS o qual possui efeito suspensivo, devendo ser considerado válido o CEAS que possuía até o julgamento de seu pedido de reconsideração; 6. que foi cientificada do Ato Cancelatório da isenção somente em 08/10/2008, cujo motivo determinante foi a inexistência do CEAS; 7. que a emissão do Ato Cancelatório não observou o fato de que ainda existia pedido de reconsideração pendente de análise pelo CNAS; 8. que nos termos do art. 39 da MP 446/08 o pedido de renovação do CEAS, ainda não definitivamente julgado fora automaticamente deferido; 9. que se o ato cancelatório n. 001/2008 foi expedido unicamente em razão da suposta ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003, comprovado pela documentação juntada aos autos, cessou a causa determinante para a continuidade dos efeitos do Ato Cancelatório; 10. que mesmo no período que sucede 01/01/2001 a 31/12/2003, não haveria a necessidade da recorrente em demonstrar ter obtido a renovação de seu certificado; 11. mesmo assim, protocolizou em 10/12/2008, no Ministério da Saúde, quando ainda vigorava a MP 446/08, pedido de renovação de seu certificado, com o registro sob o n. 25000.215707/2008, devendo comprovar o cumprimento dos requisitos legais para os três anos anteriores ao pedido (2005, 2006. 2007), pedido este que ainda não veio a ser analisado; 12. que em não tendo sido analisado o pedido, diante da natureza do reconhecimento da isenção possuir efeitos Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 ex tunc, certamente haverá de ser reconhecida sua isenção para referido período; 13. finaliza argumentando não ter infringido a Lei, quando declarou o FPAS 639; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10865.003928/201018 Acórdão n.º 2402005.045 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Pretende a recorrente a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em comento, suscitando deter imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, c/c artigo 55 da Lei n° 8.212/91, notadamente quando sempre cumpriu os requisitos para concessão e manutenção de referido benefício, estando o procedimento fiscal apoiado em arbitrariedade sem qualquer fundamento legal e/ou motivação. Conforme já relatado, o presente lançamento decorreu da prévia emissão do Ato Cancelatório n. 001/2008, como depreendese do Relatório Fiscal (fl.43/56). Restou consignado na informação fiscal que acompanha o Ato (fls. 176), que a entidade autuada não era portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social válido para o período posterior a de 01/01/2001, já que o pedido para renovação do CEAS do período de 01/01/1998 a 31/12/2000 havia sido indeferido por decisão do Conselho Nacional de Assistência Social nos autos do processo 44006.005370/200087. Em decorrência de não terlhe sido deferida a supracitada renovação, a entidade autuada teve cancelada, a partir de 01/01/2001, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91, por descumprimento do artigo 55, inciso II da Lei n° 8.212/91, o que se deu através do Ato Cancelatório n. 001/2008. Sustenta que em face de referido indeferimento, apresentou pedido de reconsideração da decisão, o qual veio a ser deferido pelo CNAS, por força do artigo 39 da Medida Provisória MP 446/2008, de modo que o fundamento do Ato Cancelatório n. 001/2008 não mais subsistia, pois passou a ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social com validade para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003. Com o intuito de verificar as informações trazidas em sede de recurso voluntário, os autos foram baixados para atendimento das seguintes diligências: " qual o andamento e situação do processo administrativo n. 44006.005370/200087, informando em que fase o mesmo se encontra e qual fora o resultado do julgamento do recurso interposto pelo contribuinte em face do indeferimento da renovação do Ato Cancelatório 001/2008, se é que já houve refeido julgamento, fazendo juntar aos autos o respectivo acõrdão; Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 se o ato cancelatório n. 001/2008 veio a ser reformado, seja por decisão do recurso administrativo interposto pela recorrente, seja mesmo pelas alterações da MP 446/08;" Assim, verifico à fl. 246, o atendimento das informações solicitadas por este Conselho, como mostro a seguir: "(i) qual o andamento e situação do processo administrativo nº 44006.00537/200087, informando em que face o mesmo se encontra e qual fora o resultado do julgamento do recurso interposto pelo contribuinte em face do indeferimento da renovação do Ato Cancelatório 001/2000, se é que já houve referido julgamento, fazendo juntar aos auto o respectivo acordão; R: O processo administrativo 44006.0053/200087 pedido de renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS teve seu Deferimento em grau de reconsideração em conformidade com o artigo 39 da Medida Provisoria nº 446, de 07/11/2008, publicada em 10/11/2008, com período de validade da renovação de 01/01/2001 a 31/12/2003. (ii) se o ato Cancelatório nº 001/2008 veio a se reformado seja por decisão do recurso administrativo interposto pela recorrente, seja mesmo pelas alterações da MP 446/08; R: O PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DO CANCELAMENTO DA ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – protocolo auxiliar ARF SÃO JOSE DO RIO PARDO nº 1534, de 24/10/2008, interposto pelo contribuinte em face do cancelamento do reconhecimento da isenção das contribuições previdenciárias já foi apreciado pela autoridade competente e tendo como resultando o INDEFERIMENTO do pedido, e a manutenção do ATO DECLATORIO nº 001/2008. Juntado aos autos os seguinte documentos a) Certificado CEBAS ás fls. 212 as 215: b) Certificado Renovação ás fls. 216; c) Cons. Req. Renovação ás fls. 217 a 227 ; d) Ato Cancelatório ás fls. 228 as 235 : e) Pedido de Reconsideração ás fls. 236 as 245 ." De antemão verifico que o pedido de reconsideração interposto em face do Ato Declaratório n. 001/2008, que ensejou a presente autuação já fora julgado de forma definitiva em sede administrativa, tendo sido mantido incólume pela autoridade competente na análise de tal recurso, de modo que não vejo óbice ao julgamento do presente recurso voluntário, confirmandose a não benesse da isenção a partir de 01/2001. Pois bem, conforme atestado pela autoridade fiscal, a recorrente de fato teve o seu pedido de renovação do CEAS deferido para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003 conforme determinado pela MP 446/08, conforme consta, inclusive, às fls. 216 dos autos. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10865.003928/201018 Acórdão n.º 2402005.045 S2C4T2 Fl. 5 7 Todavia, verifico que o lançamento objeto do presente processo relacionase ao período de 01/2005 a 08/2009, período no qual a recorrente também não possuía o seu CEAS, conforme apontado pelo relatório fiscal da infração, de modo que, mesmo com a renovação do período de 2001/2003, entendo que o lançamento deva ser mantido, tendo em vista que os efeitos da renovação compreenderam somente tal período e não os posteriores. Ademais, ao analisar detidamente o recurso protocolado, e os autos, vejo que o Julgamento levado a efeito na DRJ bem exprimiu os motivos necessários a afastar o pleito constante no recurso voluntário, os quais peço vênias para adotar como razões de decidir. Vejamos: No presente caso, conforme demonstrado pela autoridade lançadora, a entidade autuada não era portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003. j á que o pedido para renovação do CEAS para esse período havia sido indeferido pela Resolução n° 41/2007 do Conselho Nacional de Assistência Social. Em decorrência, emitiuse o Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais n° 01, de 08/10/2008, pelo qual a entidade autuada leve cancelada, a partir de 01/01/2001, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91, por descumprimento do artigo 55, inciso II da Lei n° 8.212/91. Posteriormente, o pedido de renovação do CEAS para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003 foi deferido pelo CNAS, por força do artigo 39 da Medida Provisória n° 446/2008", ante a existência de pedido de reconsideração pendente de julgamento na data da publicação da citada MP. Em decorrência, como alega a entidade impugnante, não mais existiria o fundamento fático que justificou a expedição do Ato Cancelatório de Isenção n° 01/2008: ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003. Conduto, até que referido ato administrativo seja revisto pela autoridade competente para tanto, ele continuará válido, produzindo os efeitos que lhe são inerentes. Ressaltese que cabe a entidade autuada protocolar recurso de revisão do Ato Cancelatório perante à Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF, autoridade competente para revêlo, haja vista que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ é incompetente para rever Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção em processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários (Auto de Infração). Tratamse de atos e procedimentos administrativos distintos: o Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção tem por conteúdo o cancelamento de isenção anteriormente reconhecida; já este Auto de Infração tem por conteúdo a constituição de um crédito tributário. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 11020.721934/2011-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - EXCLUSÃO DO SIMPLES - INCOMPETÊNCIA DA 2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO PARA APRECIAÇÃO DO MÉRITO DA PROCEDÊNCIA DA EXCLUSÃO - NULIDADE DA DECISÃO.
Nos termo do art. 2º do RICARF, aprovado pela Portaria 343, de 09 de junho de 2015, à 1ª Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário que versem sobre aplicação da legislação relativa a Exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, medi ante regime único de arrecadação (Simples- Nacional).
Considerando a incompetência da 2ª Seção de julgamento para julgar o mérito da exclusão do SIMPLES, deve ser anulado o acórdão que apreciou essa matéria.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9202-003.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para declarar a nulidade da decisão recorrida, por falta de competência regimental do colegiado, com envio dos autos para apreciação do recurso voluntário pela 1ª Seção, quanto à exclusão do simples, e retorno à 2ª Seção, quanto à exigência das Contribuições Previdenciárias, se for o caso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Nos termo do art. 2º do RICARF, aprovado pela Portaria 343, de 09 de junho de 2015, à 1ª Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário que versem sobre aplicação da legislação relativa a Exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, medi ante regime único de arrecadação (Simples Nacional). Considerando a incompetência da 2ª Seção de julgamento para julgar o mérito da exclusão do SIMPLES, deve ser anulado o acórdão que apreciou essa matéria. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para declarar a nulidade da decisão recorrida, por falta de competência regimental do colegiado, com envio dos autos para apreciação do recurso voluntário pela 1ª Seção, quanto à exclusão do simples, e retorno à 2ª Seção, quanto à exigência das Contribuições Previdenciárias, se for o caso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 19 34 /2 01 1- 28 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.721934/201128 Acórdão n.º 9202003.898 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório O Auto de Infração Debcad nº 37.294.7689 referese ao lançamento das contribuições da empresa incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, e às contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, nas competências compreendidas entre julho/2007 a dezembro/2008. O Auto de Infração Debcad nº 37.294.7697 referese ao lançamento das contribuições da empresa destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), nas competências compreendidas entre julho/2007 a dezembro/2008. Conforme descrito no Relatório Fiscal de fls. 34 a 51, que as contribuições são devidas em razão da exclusão do sujeito passivo do Simples Nacional por prestação de serviços de manutenção industrial, o que caracteriza atividade vedada, conforme artigo 17, inciso XI da Lei Complementar nº 123/2006, artigo 12, inciso XXII da Resolução CGSN nº 4/2007 e anexo I da Resolução CGSN nº 6/2007. Assim enfatizou o auditor em seu relatório: A exclusão do contribuinte do Simples Nacional foi formalizada por meio do Ato Declaratório Executivo – ADE DRF/CXL nº 98, de 27/05/2011, cuja ciência foi dada em conjunto com os Autos de Infração acima citados. Os efeitos da exclusão ocorreram a partir de 01/07/2007 até 31/12/2008. Foi verificado pela fiscalização, conforme declarações do sujeito passivo e contratos de prestação de serviço citados no Relatório Fiscal, que o contribuinte exerceu e exerce atividade de manutenção industrial, abrangendo a manutenção de máquinas e equipamentos industriais. As atividades realizadas pela empresa, no período de 07/2007 a 12/2008, não se limitavam àquelas constantes de seus atos constitutivos da época. Consta do Relatório Fiscal que a atividade de manutenção industrial passou a ser permitida no Simples Nacional a partir de 01/2009, com a alteração do § 1º do artigo 17 e do inciso IX do § 5ºB do artigo 18 da Lei Complementar nº 123/2006, nos termos, respectivamente, do artigo 2º e do artigo 3º da Lei Complementar nº 128/2008. Os valores correspondentes às contribuições patronais previdenciárias –CPP constantes dos DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional), foram abatidos dos valores apurados em razão da exclusão da empresa autuada do Simples Nacional. Considerando a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e em atendimento ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Fl. 327DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Código Tributário Nacional (CTN), a fiscalização efetuou a comparação das penalidades de multa, até a competência 11/2008, com a finalidade de aplicar a mais benéfica ao contribuinte. O resultado da comparação está descrito no Relatório Fiscal e demonstrado, por competência, no “Demonstrativo da Multa mais Benéfica e Cálculo do Valor da Multa Aplicada” (fls. 161). Conforme cópia do ato declaratório Executivo DRF/CXL nº 98/2011, que determinou a exclusão da empresa do Simples Nacional, 01.784.703/000110 Em sessão plenária de 14/08/2012, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 280301.742 (fls. 271 a 282 ), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TERCEIROS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. SUSPENSÃO DO DIREITO DE LANÇAMENTO DO FISCO. INOCORRÊNCIA Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão acerca da exclusão do SIMPLES não tem efeito suspensivo, não impedindo o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos. Recurso Voluntário Negado. Cientificado do acórdão em 28/09/2012, fl. 285, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 09/10/2012, o recurso especial em análise (fls. 287 a 310). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 337 a 340. O recorrente traz como alegações: · As atividades de manutenção sempre foram as atividades desenvolvidas pela recorrente e já foram objeto de análise pela DRJ/POA conforme demonstrado no decorrer do processo administrativo, com julgamento favorável a contribuinte, no sentido de que não havia impedimento. · Diz o auditor que até 30 de junho de 2007 a empresa podia ser optante do SIMPLES, depois de julho de 2007 até dezembro de 2008 não podia ser optante do SIMPLES NACIONAL, e a partir de janeiro de 2009 podia ser optante não existindo vedação até esta data. · Ou seja, o entendimento do Fisco não está de acordo com os aconteciomentos, considerando que no período em que se entendeu a atividade de manutenção industrial não tinha vedação, a empresa sofreu a exclusão do SIMPLES, tendo depois sido reformado tal entendimento pela DRJ/POA. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.721934/201128 Acórdão n.º 9202003.898 CSRFT2 Fl. 4 5 · Esse entendimento contraditório deixa a recorrente em total insegurança jurídica, considerando que cada auditor que analisa tem um entendimento diferente. · Requer o reconhecimento de que a exercente não exerceu atividade vedada pel lei complementar 126/2006, além da divergência de entendimento demonstrada e, por assim anular o Ato declaratório DRF/CXL nº 98 de 27/05/2001, bem como os autos de infração. Devidamente cientificada PGFN, em 07/11/2015, apresenta contrarazões às fls. 677 a 680, onde alega, § Consoante dispõe o art. 17, XI, da Lei Complementar nº 123/2006, a Recorrente exerce atividade vedada ao Simples Nacional, qual seja a prestação de serviços de manutenção industrial. § Ainda, a Resolução CGSN nº 06, de 18/06/2007, determina as seguintes atividades como impeditivas de ingresso no Simples Nacional: · “33112/ 00 Manutenção e reparação de tanques, reservatórios metálicos e caldeiras, exceto para veículos; · 33147/ 02 Manutenção e reparação de equipamentos hidráulicos e pneumáticos, exceto válvulas; · 33147/ 18 Manutenção e reparação de máquinas para a indústria metalúrgica, exceto máquinasferramenta.” § Conforme se verifica dos dispositivos acima, são vedadas de optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que tenham como atividade a prestação de serviços de manutenção industrial. § Verificada claramente nestes autos a situação de fato prevista na lei, sem que a empresa interessada lograsse invalidar sua inocorrência, aliada à plena demonstração por meio das provas, impõese a manutenção da decisão atacada de forma a confirmar a exclusão da empresa do sistema. É o relatório. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Antes mesmo de adentrar as questões acerca do mérito da procedência da contribuição do recorrente, entendo existir uma questão prejudicial. Como consta da Decisão de Primeira Instância e decisão recorrida, o lançamento parte do indevido enquadramento da empresa no sistema Simples Nacional, fato que gerou Ato Declaratório. Todavia, embora tenha o processo sido julgado na Câmara previdenciária, estendo existir um óbice regimental ao conhecimento da procedência da exclusão do Simples. Senão vejamos o art. 2º do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria 343, de 09 de junho de 2016: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: [...] V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, medi ante regime único de arrecadação (Simples Nacional); Da mesma forma, convém apreciar os termos do regimento em relação a competência desta 2ª Turma da CSRF: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julga r recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF); II IRRF; III Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (IT R); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as insti tuídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.721934/201128 Acórdão n.º 9202003.898 CSRFT2 Fl. 5 7 Em que pese a possibilidade de os processos, em determinadas situações, serem vinculados no âmbito do CARF seja por conexão, decorrência ou reflexo, entendo que o §2º do art. 6º impede que a vinculaçao ultrapasse a competência regimental de cada Seção deste conselho, vejamos: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônoma s; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III d o § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Com base nos dispositivos acima descritos, chego a conclusão que a matéria referente a exclusão do Simples não deveria ter sido julgada pela turma a quo, considerando sua incompetência regimental para apreciação das questões inerentes ao SIMPLES. Dessa forma, o acórdão deve ser anulado, bem como deve o processo ser encaminhada a 1ª Seção de julgamento, considerando a competência daquela seção para julgamento das questões relativas a exclusão. Dessa forma, em cumprimento a previsão regimental, encaminho por anular o acórdão 280301.742 de 14 de agosto de 2012 e, por conseqüência, declinar da competência Fl. 331DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 em relação a matéria de exclusão do Simples para apreciação pela 1ª Seção de Julgamento do CARF. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso interposto pelo sujeito passivo, para anular o acórdão nº 280301.742 , bem como DECLINAR da competência para 1ª Seção em relação a matéria Exclusão do Simples e retorno à 2ª Seção, quanto à exigência das Contribuições Previdenciárias, se for o caso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 332DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15471.004114/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
Ementa:
IRPF. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE.
Constatado de forma inequívoca erro no preenchimento da DIRPF, nos termos do § 2º do art. 147 do Código Tributário Nacional, deve a autoridade administrativa rever o lançamento para adequá-lo aos elementos fáticos reais
Numero da decisão: 2201-003.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator.
EDITADO EM: 30/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. Constatado de forma inequívoca erro no preenchimento da DIRPF, nos termos do § 2º do art. 147 do Código Tributário Nacional, deve a autoridade administrativa rever o lançamento para adequálo aos elementos fáticos reais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 41 14 /2 01 0- 30 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2007, consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls. 06, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 9.668,55. A fiscalização apurou Compensação Indevida de Imposto Complementar no valor de R$ 6.757,52 (fl. 08). Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Do valor da infração de R$ 6.757,92 está questionando R$ 3.371,25. Deve ser desconsiderado na Declaração Retificadora o lançamento do Imposto Complementar, considerando as diferenças do novo imposto a pagar, com as correções até a presente data. Solicita prioridade na análise da impugnação, conforme previsão do art. 71 da lei 10.471 de 01/10/2003 – Estatuto do Idoso. A 21ª Turma da DRJ Rio de Janeiro/RJ1 julgou improcedente a impugnação, conforme ementas abaixo transcritas: GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO COMPLEMENTAR Somente os recolhimentos efetuados no decorrer do Ano calendário, até o ultimo dia útil de dezembro, podem ser objeto de compensação a título de imposto complementar na DAA do exercício correspondente. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. A Declaração de Ajuste Anual Retificadora tem a mesma natureza da Declaração Original, substituindoa integralmente, sendo correto o lançamento que a teve como objeto. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CARNÊLEÃO. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72. Impugnação Improcedente O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 19/04/2013 (fl. 33) e, em 16/05/2013, interpôs o recurso de fls. 37/43, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15471.004114/201030 Acórdão n.º 2201003.083 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia, nesta Segunda Instância, à compensação indevida de imposto complementar no valor de R$ 6.757,52, informado pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual Retificadora AnoCalendário 2007. Em seu apelo alega o recorrente que "... entregou sua declaração de Imposto de Renda do Exercício 2008 AnoCalendário 2007 através do recibo n° 19.43.00.80.5120, que resultou no recolhimento de Imposto no valor de R$ 6.597,86, o qual foi devidamente quitado em 6 (seis) parcelas. Posteriormente, "... elaborou e entregou uma declaração retificadora, a qual foi acolhida através do recibo n° 30.14.34.99.4322 (DOC IV) , porém, cometendo novo equívoco, o contribuinte informou o valor de R$ 6.597,86 (o valor já pago através do código 0211 em seis parcelas) como imposto complementar (código 0246), resultando em um saldo a pagar no valor de R$ 3.226,61. (...) Em decorrência dos equívocos acima o contribuinte foi autuado através da notificação de lançamento n° 2008/872024336663402 (DOC V) a recolher NOVAMENTE O VALOR DE R$ 6.757,92". Conclui o suplicante que “... a autoridade fiscal DEIXOU DE COMPENSAR O VALOR DE R$ 6.757,92 PAGO EM 6 QUOTAS, conforme declaração Original (DOC II)". Pois bem, compulsandose os autos, verificase que o recorrente apresentou uma declaração retificadora do exercício 2008, anocalendário 2007, tendo informado o montante de R$ 6.597,86 como imposto complementar (código 0246), valor este que, segunda argumenta, já havia sido pago na declaração original no código 0211. Por meio da Notificação de Lançamento, fls. 06, a autoridade fiscal glosou o valor de R$ 6.597,86, já que, em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não havia recolhimentos no anocalendário de 2007 com código 0246. Ora, os erros ou equívocos devem ser reparados tanto quanto possível, já que erros ou equívocos não tem, perante a legislação tributária, o condão de transformarse em fatos geradores de impostos. In casu, verificase que o recorrente de fato consignou na declaração retificadora o valor de R$ 6.597,86, apurado na declaração original (código 0211), como sendo antecipação do imposto (código 0246). Assim, como o imposto apurado na declaração retificadora foi de R$ 3.226,61, fl. 21, restou a pagar o montante de R$ 6.597,86, ou seja, o mesmo valor informado na declaração original como imposto código 0211. Não se pode perder de vista que o § 2º do art. 147 do CTN permite a retificação da declaração pela autoridade administrativa a que competir a revisão. Vejase: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º. Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. (grifei) Esse é o entendimento da CSRF, consoante a ementa transcrita: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Rerratificase o Acórdão CSRF/03 04.093“ITR – VALOR DA TERRA NUA MÍNIMO – ERRO NO PREENCHIMENTO DA DITR. – Constatado de forma inequívoca erro no preenchimento da DITR, nos termos do § 2º, do art. 147 do Código Tributário Nacional, deve a autoridade administrativa rever o lançamento para adequálo aos elementos fáticos reais (...) (Acórdão nº. : CSRF/0304.351) Deixo aqui consignado que de acordo com o princípio da verdade material, todo erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível. Ademais, o citado princípio encontrase respaldo na ordem contida no art. 142 do CTN, já que se deve evitar a formalização de créditos exorbitantes e em descompasso com aquele que realmente seria devido. Assim, como informa o recorrente que o valor do imposto de R$ 6.757,92 foi pago por meio de débito na Conta Corrente Bradesco n° 1180193, Agência 01295 em 6 parcelas: Abril (R$1.099,64); maio (R$1.110,63); junho (R$1.120,31); julho (R$1.130,86); agosto (R$1.142,63) e setembro (R$1.153,85), deve a autoridade responsável pela execução do acórdão verificar se o valor foi efetivamente recolhido e, caso positivo, cancelar o lançamento. Ante a todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso, devendo a autoridade responsável pela execução do acórdão verificar a disponibilidade do valor de R$ 6.757,92, recolhido no código 0211 e, caso positivo, cancelar o lançamento. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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