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Numero do processo: 10183.004684/2007-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003, 2004, 2005
APP - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. GLOSA. ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL INTEMPESTIVO.
Incabível o acolhimento de Área Preservação Permanente cujo ADA foi protocolado após o início da ação fiscal.
ARL - ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação da Área de Reserva Legal à margem da matrícula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador, autoriza o acolhimento da área averbada, independentemente do protocolo do ADA.
Numero da decisão: 9202-004.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para restabelecer a glosa da APP - Área de Preservação Permanente de 600 ha e, com relação à ARL - Área de Reserva Legal, admitir a exclusão de 12.980,3 ha nos exercícios de 2003 e 2004, e de 16.081,579 ha no exercício de 2005, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento e, ainda, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial em menor extensão.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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GLOSA. ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL INTEMPESTIVO. Incabível o acolhimento de Área Preservação Permanente cujo ADA foi protocolado após o início da ação fiscal. ARL ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. ATO CONSTITUTIVO. A averbação da Área de Reserva Legal à margem da matrícula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador, autoriza o acolhimento da área averbada, independentemente do protocolo do ADA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para restabelecer a glosa da APP Área de Preservação Permanente de 600 ha e, com relação à ARL Área de Reserva Legal, admitir a exclusão de 12.980,3 ha nos exercícios de 2003 e 2004, e de 16.081,579 ha no exercício de 2005, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento e, ainda, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial em menor extensão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 46 84 /2 00 7- 56 Fl. 664DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo, da exigência de ITR Imposto Territorial Rural dos exercícios de 2003, 2004 e 2005, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Vale do Guariba" (NIRF 0.731.1915), possuído em condomínio pelo Contribuinte em epígrafe e sua esposa Maria Madalena Oliveira da Costa. Foram glosadas as Áreas de Preservação Permanente de 600 hectares e de Reserva Legal de 15.981,0 hectares, por falta de apresentação tempestiva do ADA Ato Declaratório Ambiental. Em sessão plenária de 08/02/2012, foi julgado o Recurso Voluntário 509.903, prolatandose o Acórdão 210201.815, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003, 2004, 2005 EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) ITR. SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO. CERTIDÃO DO IMÓVEL. No caso do ITR, o sujeito passivo é o proprietário do imóvel rural, o titular do seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, sendo certo que as informações contidas nos registros de imóvel caracterizam a propriedade. ADA INTEMPESTIVO. O ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGAÇÃO DE AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE. DEFERIMENTO LIMITADO À ÁREA DECLARADA NA DITR. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10183.004684/200756 Acórdão n.º 9202004.633 CSRFT2 Fl. 665 3 § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais, protetivo do meio ambiente. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da benesse tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal. Por fim, a área de reserva legal a ser deferida em segunda instância deve ficar limitada àquela pugnada na DITR auditada. Recurso Voluntário Provido em Parte” A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva da recorrente Maria Madalena Oliveira da Costa. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em RECONHECER uma área de preservação permanente de 600 ha e, por voto de qualidade, em reconhecer uma área de reserva legal de 15.981,0 ha. Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura (relatora), que reconhecia uma área de reserva legal de 14.969,3 ha para os exercícios 2003 e 2004 e de 18.069,5 ha para o exercício 2005, e Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Rubens Maurício Carvalho, que reconheciam uma área de reserva legal de 18.069,5 ha para os três exercícios. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos." O processo foi encaminhado à PGFN em 18/04/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 428) e, em 27/04/2012, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 429 a 437 (Despacho de Encaminhamento de fls. 446), visando rediscutir a necessidade de apresentação tempestiva do ADA Ato Declaratório Ambiental, para exclusão das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal da tributação do ITR Imposto Territorial Rural dos exercício de 2003, 2004 e 2005. Fl. 666DF CARF MF 4 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, por meio do Despacho de Admissibilidade de 02/05/2012 (fls. 447/448), Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: constam nos Manuais do ITR que as condições para exclusão das áreas de preservação permanente e utilização limitada/reserva legal, da área tributável do imóvel, é condicionada à protocolização, junto ao Ibama, no prazo de seis meses, contado da data final do período de entrega da declaração do ITR, do Ato Declaratório Ambiental; a exigência de apresentação do ADA encontra previsão na Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, art. 1º, que assim dispõe: "Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." o Decreto nº 4.382, de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR (Regulamento do ITR), e que consolidou toda a base legal deste tributo que se encontrava em vigência à data de sua edição, assim dispôs sobre a matéria, em seu art. 10: "Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); III de reserva particular do patrimônio natural (Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto nº 1.922, de 5 de junho de 1996); IV de servidão florestal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001); V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea " b" ); VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10183.004684/200756 Acórdão n.º 9202004.633 CSRFT2 Fl. 666 5 competente, federal ou estadual (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea " c" ). (...) § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, §5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR." não obstante o contribuinte ter acostado aos autos Laudo, Mapas, Cópia da matrículas com averbação da área de reserva legal para comprovar a existência das pretendidas áreas porém, é preciso ressaltar que esses documentos não dispensam a necessidade de se comprovar o cumprimento tempestivo da protocolização do ADA; conforme se observa à fl. 26, o ADA foi protocolizado em 23/08/2007, portanto esse documento não regulariza as áreas isentas declaradas em 2003, 2004 e 2005; .os atos normativos ao estabelecerem a necessidade de reconhecimento do Poder Público, por meio de ADA e da averbação, fixaram condição para fins da não incidência tributária sobre as áreas isentas Preservação Permanente e Reserva Legal, não podendo o v. acórdão ora recorrido dispensar os requisitos previstos na legislação tributária. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do recurso, restaurandose o inteiro teor da decisão de Primeira Instância. Cientificado do Recurso Especial do Contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento em 16/08/2012 (AR Aviso de Recebimento de fls. 469), o Contribuinte, em 30/08/2012, interpôs o Recurso Especial de fls. 471 a 590 e ofereceu as ContraRazões de fls. 596 a 647. Ao Recurso Especial do Contribuinte foi negado seguimento, conforme Despacho de Admissibilidade de 07/03/2014 (fls. 652 e 654), o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame de fls. 655. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte argumenta, em síntese: a exigência legal diz respeito à apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA perante o IBAMA, tãosomente, não há exigência de prazo para cumprimento dessa obrigação, contemporânea à entrega do DITR ou no prazo de seis meses após a declaração; Fl. 668DF CARF MF 6 como a lei não exige prazo, entendese que uma vez protocolado o ADA, e ainda não lavrado o Auto de Infração pela glosa da área de preservação permanente ou de reserva legal, o contribuinte mantém garantido o direito de serem consideradas referidas áreas como áreas não tributáveis para fins de lançamento do imposto, prevalecendo, nessa situação, o Princípio da Verdade Material: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001, 2002 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratándose de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Ato Declaratório Ambiental ADA, ainda que apresentado/protocolizado intempestivamente, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei nº 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei nº 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao lançamento. Recurso especial negado. (2a TURMA/CSRF/CARF/MF/DF/Câmara Superior de Recursos Fiscais, Rei Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Proc 16045.000248/200515, j. 10/05/2012) ademais, a Área de Reserva Legal que constou na Declaração do ITR encontrase devidamente averbada na matrícula imobiliária correspondente, e demonstrada por meio de Laudo Técnico de Avaliação do Imóvel Rural que declarou a existência de referida área na propriedade rural; os atos normativos expedidos pelo Ministério da Fazenda e pela Secretaria da Receita Federal, como atos de normalização inferior deverão obedecer a lei em que se fundamentam, pois os mesmos tem como finalidade regulamentála, sendolhes vedado criar situações novas não amparadas em lei; assim sendo, estes atos tem como princípio fundamental estarem de acordo com a lei, devendo ser afastados, seja sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, seja em razão de sua ilegalidade, quando divergir de sua finalidade legal, face o Princípio da Legalidade e o Princípio da Eficiência que regem a Administração Pública; desse modo, o Poder Executivo pode, por ato próprio, determinar o afastamento de uma lei ou de um ato normativo que de acordo com o seu entendimento esteja contrário à Constituição Federal, ou seja, apresente vício de inconstitucionalidade; a declaração de inconstitucionalidade tanto pode recair sobre uma lei ou sobre um ato normativo, o Supremo Tribunal Federal tem admitido ação direta de inconstitucionalidade cujo objeto seja decreto, quando este, no todo ou em parte, manifestadamente não regulamenta lei, apresentandose, assim, como decreto autônomo; Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10183.004684/200756 Acórdão n.º 9202004.633 CSRFT2 Fl. 667 7 no caso em análise, a situação caracteriza não um vício de inconstitucionalidade, mas sim um vício de ilegalidade, pois a exigência do Ato Declaratório Ambiental para a exclusão da área de preservação permanente e da área de reserva legal como áreas não tributáveis do imóvel rural vem expressa no Decreto nº. 4.382/2002 e na Instrução Normativa n°. 43/97, alterada pela Instrução Normativa n°. 67/97, e na Instrução Normativa n°. 256/2002, contrariando a Lei n°. 9.393/1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR; o §7°, do art. 10, da Lei n°. 9.393/96, incluído pela Medida Provisória n°. 2.16667, de 2001, dispõe que a declaração para fins de isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal (previstas na Lei ne 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei na 7.803, de 18 de julho de 1989) e sob regime de servidão florestal ou ambiental (incluída pela Lei ns 11.428, de 22 de dezembro de 2006), não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos na lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira; desse modo, afastou o §7°, do art. 10 da Lei de ITR a exigência contida no art. 17O da Lei n°. 6.938/1981, introduzido pela Lei nº. 10.165/2000 que estabeleceu a obrigatoriedade do ADA para efeito de redução de ITR, repetido pelo decreto n°. 4.382/2002, pois lei posterior revoga lei anterior naquilo que lhe for contrário; nesse sentido, acórdão do TRF da 1a Região, em julgamento do Recurso de Apelação Cível n. 2001.38.00.0382002/MG, que por unanimidade deu parcial provimento a apelação proposta pela empresa Agromar Ltda em face da Fazenda Nacional, sob o fundamento de que Decretos e Instruções Normativas da Secretaria da Secretaria da Receita Federal não são instrumentos hábeis para a imposição de condições para exclusão de área tributável do imóvel rural na apuração do ITR (base de cálculo e alíquotas), pois fere o Princípio da Reserva da Lei; a Constituição Federal, no art. 146, estabelece que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes, e, b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. A lei complementar em questão é o Código Tributário Nacional, o qual prescreve em seu art. 6o que: "a atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei". assim sendo, caberá ao titular da competência tributária a instituição dos tributos discriminados na Constituição Federal, e no caso, a União, como titular da competência tributária para a instituição do ITR, assim o fez através da Lei n 9.393/96 que regulamenta todos os aspectos pertinentes ao fato gerador, a base de cálculo e alíquotas, identificação do sujeito passivo e do sujeito ativo da relação tributária, observando neste mister a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional; Fl. 670DF CARF MF 8 no uso de sua competência legal, determinou que determinadas áreas fossem excluídas do conceito de área tributável do imóvel rural para fins de cálculo ITR em razão de nas mesmas ser vedado o desenvolvimento de qualquer atividade econômica, e essa exclusão tem nítido amparo constitucional, pois o ITR tem por finalidade desestimular a manutenção de propriedades improdutivas (art. 153, §4°, I, da CF) e o grau de aproveitamento do imóvel rural constitui em um dos critérios a serem observados para o cálculo da sua produtividade; e para a exclusão da área de preservação permanente e de reserva legal da área tributável do imóvel rural não impôs a Lei n°. 9.393/96 qualquer critério específico, ou seja, não exigiu a apresentação do Ato Declaratório Ambiental; por esta razão, a exigência contida no Decreto n°. 4.382/2002 e na Instrução Normativa n°. 256/2002 é completamente ilegal, vez que a Lei que regulamenta o ITR prescreveu de modo claro e objetivo as atribuições da Secretaria da Receita Federal, deixando a cargo do órgão federal a administração do ITR, incluindo as atividades de arrecadação, tributação e fiscalização quanto às informações prestadas na Declaração do ITR e caso as mesmas não corresponderem à verdade, seria permitido o lançamento suplementar do imposto, com todas as conseqüências previstas em lei, ou seja, juros e multa de mora; desse modo, é totalmente ilegal a exigência da apresentação de qualquer adicional para a exclusão de áreas tributáveis do imóvel rural por meio de Decretos e Instruções Normativas, pois estes instrumentos apenas permitem que a Secretaria da Receita Federal estabeleça prazos e condições para apuração e pagamento do imposto, e assim fazendo, a Secretaria da Receita Federal por ato próprio está legislando sobre matéria reservada a lei, já que diz respeito diretamente à base de cálculo e à alíquota do tributo (a lei que regulamenta o ITR em nenhum momento delegou competência à Administração Fazendária para instituição de ex: ênc s capazes de alterar a base de cálculo e a alíquota do ITR, que somente pode ser f adi» e alterada por lei"), ferindo, por conseguinte, o Princípio da Legalidade; logo, Decreto e Instrução Normativa não são instrumentos hábeis para impor condições para exclusão de área tributável para fins de apuração de ITR, e assim o fazendo fere o princípio constitucional da reserva de lei; por todo o exposto, a exigência de apresentação de Ato Declaratório Ambiental para a exclusão da área de preservação permanente e de reserva legal da área tributável do imóvel rural é totalmente ilegal, desrespeitando a Lei n°.9.393/96 e viciando o Auto de Infração originado de lançamento suplementar do imposto efetivado sob o amparo de não apresentação do ADA no prazo legal; por ser ilegal o fundamento do lançamento suplementar do ITR (motivo do ato administrativo), o Auto de Infração é nulo de pleno direito devendo a nulidade ser reconhecida pela Administração Pública no julgamento do presente recurso administrativo; o motivo do ato administrativo se traduz na idéia de fundamentação do ato administrativo em bases legais (fundamento de direito) e fáticas verdadeiras (fundamentos de fatos), pressuposto de direito é o dispositivo legal em que se baseia o ato e o pressuposto de fato corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato, a ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo; na imposição de penalidade administrativa por desrespeito à legislação tributária, como manifestação clara de um ato administrativo punitivo, deve ter presente todos Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10183.004684/200756 Acórdão n.º 9202004.633 CSRFT2 Fl. 668 9 os elementos previstos em lei que revestem a sua validade: competência forma, finalidade, motivo e objeto; os atos punitivos são aqueles que contem uma sanção imposta pela lei e aplicada pela Administração, visando punir as infrações administrativas ou condutas irregulares de servidores ou particulares perante a Administração, logo, o Auto de Infração que exterioriza a manifestação da Administração Pública deve conter todos os requisitos que a lei estabelece na confecção do ato administrativo para ser considerado válido; uma vez não estando presente um dos elementos legais, caracterizada está a ilegalidade na prática do ato administrativo, pois o mesmo viola a lei, e a medida que se impõe é a declaração de sua invalidade pela própria Administração Pública no exercício do Princípio da Autotutela que norteia os atos emanados pelos agentes públicos; assim, diante da violação da lei, pois o auto de infração não possui todos os elementos para a caracterização da regularidade do ato administrativo punitivo que é, pois presente vício insanável que recai sobre o objeto da autuação inexistência de motivo na sua lavratura face a comprovação de que os fundamentos de direito utilizados para amparar o lançamento suplementar do ITR são ilegais, o auto de infração lavrado é nulo de pleno direito, devendo a nulidade ser reconhecida pela Administração Pública quando do julgamento do presente recurso administrativo: Súmula 346 STF. "A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos." Súmula 473 STF "A administração pode anular os seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência e oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. " a Secretaria da Receita Federal, no prazo concedido para proceder a homologação do lançamento, tem o poder de verificar a veracidade de referidas informações e caso as mesmas não correspondam à verdade, proceder ao lançamento suplementar, e nesse sentido, o §7° do art. 10, da Lei n°. 9393/1996, introduzido pela Medida Provisória 2.166 67/2001, o qual não exige qualquer procedimento especial para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal como áreas tributáveis do imóvel rural, mas se posteriormente ficar comprovado que as informações prestadas para o cálculo do tributo não são verdadeiras, o contribuinte se sujeitará às conseqüências previstas em lei (penalidade administrativa); entretanto, a Secretaria da Receita Federal está agindo contrário à lei, pois ao invés de verificar a efetiva existência das áreas de preservação permanente e de reserva legal no imóvel rural constantes na Declaração do ITR, está substituindo o seu poder de fiscalização pela exigência do Ato Declaratório Ambiental (ADA) a ser apresentado no prazo de 06 meses a contar do prazo final de entrega da Declaração do ITR; e no caso de falta da apresentação do ADA, procede ao lançamento suplementar do tributo, excluindo as áreas de preservação permanente e de reserva legal como áreas não tributáveis do imóvel rural, e observase que tal exclusão é feita sem ter a Secretaria da Receita Federal realizado qualquer ato de fiscalização tributária; Fl. 672DF CARF MF 10 além disso, mediante a exigência de apresentação do Ato Declaratório Ambiental para a concessão do benefício da isenção fiscal, a Secretaria da Receita Federal acabou por instituir condicionamentos à validade do autolançamento, criando mecanismo de fiscalização a priori expressamente vedado na legislação, bem como alterou a característica do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, qual seja, o lançamento será efetuado a partir de uma declaração do contribuinte, procedida através do preenchimento de formulários padronizados, sendo que as informações prestadas ficarão sujeitas à fiscalização a posteriori pelo Fisco, para verificar a sua exatidão; cabe consignar, entretanto, que não se pretende, por meio desta contra razões de recurso administrativo, elidir o direito inquestionável da Receita Federal em fiscalizar a veracidade ou autenticidade das informações prestadas pelo contribuinte, mas se ataca a exigência ilegal de apresentação do malfadado Ato Declaratório Ambiental que constitui, pelo que foi exposto, uma arbitrariedade instituída ao arrepio da lei; dentre dos deveres impostos ao Poder Público aduz a Constituição Federal que caberá aos entes federados, União, Estados, Municípios e Distrito Federal, "definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção"; e através do dispositivo acima mencionado a Constituição Federal buscou impor uma especial tutela em relação a quatro áreas de flora nativa, a saber: a área de preservação permanente, a área de reserva legal, as unidades de conservação e as áreas de especial preservação; é somente na Lei 4.771/65 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei 7.803/89, e na Lei n°. 9.393/96, com as modificações introduzidas pela MP n°. 2.16667/2001 que vamos encontrar a definição de áreas de preservação permanente e de reserva legal e as suas características legais (artigos 1o, 2o, 3o e 16), e as regras a serem seguidas para a sua exclusão do conceito de área tributável do imóvel rural; basta uma simples leitura dos arts. 1o, 2o, 3o e 16 do Código Florestal para, sem grande esforço interpretativo, constatar que a Lei n°. 4.771/65, modificada pela Lei n°. 7.803/89 (referida pela Lei n°. 9.393/96, que disciplina o lançamento do ITR) e pela MP 2166 67/01, ao definir as áreas de preservação permanente e de reserva legal o fez de modo exaustivo, prescindindo de qualquer ato administrativo complementar para sua configuração. Na verdade, chegou a repelir, expressamente, no caput do seu art. 2°, a idéia de um tal ato que complementasse os conceitos ao dizer, textualmente, "consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais.."; e, relativamente à aplicação da Lei n°. 10.165/2000, que altera a Lei n°. 6.938/81, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, acrescentandolhe o art. 17 0, temos que a mesma cuida de situação específica, não irradiando efeitos relativamente na configuração dos institutos da área de preservação permanente e reserva legal previstos no Código Florestal, uma vez que a determinação constante no art. 170 da Lei n°. 6.938/81 tem aplicação centrada, como se vê do caput do dispositivo, consistente na imposição de uma taxa de vistoria que deve ser pasa nas hipóteses em que a redução do valor do imposto territorial rural estiver condicionada à emissão de um ato da autoridade ambiental; a norma inscrita no § 1o, do art. 170, da Lei 6.938/81 obrigatoriedade do ADA deve ser interpretada em sintonia com caput do mesmo artigo e com o art. 10, da Lei n°. 9.393, de 1996, notadamente com o §7° introduzido pela Medida Provisória n°. 2.166 Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10183.004684/200756 Acórdão n.º 9202004.633 CSRFT2 Fl. 669 11 67/2001, que deixou de exigir por parte do contribuinte qualquer procedimento específico para a comprovação da área de preservação permanente e da área de reserva legal declarada no ITR e considerada como nãotributável; os Autuados promoveram o Licenciamento Ambiental de sua propriedade, matrícula n°. 34.545, do CRI do 6o ofício de CuiabáMT, dando início ao processo no ano de 2003 Processo n°. 6117 tendo sido deferido o Licenciamento Ambiental, com a emissão da Licença Ambiental Única n°. 806/2004, com validade de 05 anos. (Doc. anexo); e na Licença Ambiental Única foi reconhecida uma área de 365,9801 hectares a título de área de preservação permanente e uma área de 8.090,7790 hectares de reserva legal, a qual corresponde a 81,07% da área total do imóvel rural; logo, os autuados têm reconhecido por órgão estadual do meio ambiente integrante do SISNAMA o quantitativo de área de preservação permanente e de reserva legal existente no imóvel rural e, por esta razão, cabe a Secretaria da Receita Federal reconhecer esse quantitativo desde o ano de 2003, quando foi dado início ao processo de Licenciamento Ambiental para excluílas da base de cálculo do Imposto Territorial Rural; ante todo o exposto, temse demonstrado a ilegalidade da exigência da Secretaria da Receita Federal, no sentido de condicionar o reconhecimento do quantitativo da área de preservação de permanente e da reserva legal do imóvel rural à apresentação do Ato Declaratório Ambiental perante o IBAMA, e, quanto à reserva legal, também à necessidade de encontrarse averbada à margem da matrícula imobiliária. Ao final, o Contribuinte pede que se negue provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O apelo visa rever a necessidade de apresentação tempestiva do ADA Ato Declaratório Ambiental, para exclusão das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal da tributação do ITR Imposto Territorial Rural dos exercício de 2003, 2004 e 2005. Tratase da exigência de ITR dos exercícios de 2003, 2004 e 2005, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Vale do Guariba" (NIRF 0.731.1915), possuído em condomínio pelo Contribuinte em epígrafe e sua esposa Maria Madalena Oliveira da Costa. Foram glosadas as Áreas de Preservação Permanente de 600 hectares e de Reserva Legal de 15.981,0 hectares, por falta de apresentação tempestiva do ADA Ato Declaratório Ambiental, protocolado em 23/08/2007 (fls. 26). O Termo de Início da Ação Fiscal foi cientificado ao Contribuinte em 29/06/2007 (fls. 14 a 16). No que tange à Reserva Legal, constam as seguintes averbações nas matrículas dos imóveis: Fl. 674DF CARF MF 12 Matrícula 34.544, folha 67 ( 46/verso): AV14 – Termo de Responsabilidade de Manutenção da Floresta Manejada, de 12/12/1997: 7.990,80 hectares (fls. 46); Matrícula 34.545: AV14 – Termo de Responsabilidade de Manutenção da Floresta Manejada, de 12/12/1997: 7.990,80 hectares; AV15 – Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal, de 16/07/1998: 4.989,5 hectares (fls. 49); e AV16 – Termo de Retificação de Averbação de Reserva Legal, de 02/12/2004: 8.090,7790 hectares (fls. 51). No que tange à APP Área de Preservação Permanente, examinandose a legislação de regência, verificase que, com o advento da Lei n° 10.165, de 2000, foi alterada a redação do §1° do art. 170, da Lei n° 6.938, de 1981, que tornou obrigatória a utilização do ADA Ato Declaratório Ambiental, para efeito de redução do valor a pagar do ITR. Assim, a partir do exercício de 2001, tal exigência passou a ter previsão legal, portanto é legítima, conforme a seguir: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000. § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído pela Lei nº 10.165, de 2000). § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. Assim, a despeito das alegações do Contribuinte em sede de Contrarrazões, no sentido de suposta ilegalidade/inconstitucionalidade da exigência do ADA, esta tem respaldo legal, não sendo dado ao Conselheiro questionála, conforme determina o art. 62, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF RICARF, bem como a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda em sede de Contrarrazões, o Contribuinte alega que o art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, com as alterações da Medida Provisória nº 2.16667/2001, teria dispensado qualquer exigência para fins de sua exclusão de áreas ambientais da tributação do ITR. Entretanto, dito dispositivo legal não teve tal escopo, visando tãosomente sedimentar a alteração da modalidade de lançamento anterior do ITR (por declaração, conforme a Lei nº 8.847, de 1994), para lançamento por homologação. Assim, a dispensa de comprovação prévia nada tem a ver com dispensa de ADA, ou de averbação, e sim com a sistemática de lançamento, igualandoo à modalidade dos demais tributos administrados pela Receita Federal. É certo que, no caso da APP, tratase de acidentes geográficos já existentes na natureza, porém a exclusão da tributação desta área ambiental não está condicionada à criação da área e sim da sua preservação, como a própria denominação está a indicar. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), é claro que a fruição do benefício está condicionada à preservação à época do fato gerador. Nesse passo, a Receita Federal, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias, especificou o prazo de seis meses após a data de Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10183.004684/200756 Acórdão n.º 9202004.633 CSRFT2 Fl. 670 13 entrega da DITR. Tratandose de declarar algo que a priori já existiria na natureza, este Colegiado consolidou a jurisprudência no sentido de aceitarse o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. Entretanto, no presente caso tratase dos exercícios de 2003 a 2005, e o ADA Ato Declaratório Ambiental somente foi protocolado em 23/08/2007 (fls. 26), sendo que a ação fiscal foi cientificada ao Contribuinte em 29/06/2007 (fls. 14 a 16), portanto não há como acolher a APP de 600 hectares. No que diz respeito à ARL Área de Reserva Legal, há um requisito específico para a sua exclusão da tributação do ITR, qual seja, a averbação no registro de imóveis competente. Tal obrigação encontra amparo na Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Medida Provisória nº 16667, de 24/08/2001, conforme a seguir: “Art. 16 As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código." Repitase que o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), a averbação da ARL, no presente caso, deveria ter sido providenciada, na sua integralidade (15.981,0 hectares, tal como declarado às fls. 03), até 1º de janeiro de 2003, para que fosse aproveitada nos exercícios de 2003 a 2005. Entretanto, conforme os registros nas matrículas do imóvel, acima resumidos, a ARL Áreas de Reserva Legal restou assim averbada, antes dos respectivos fatos geradores: exercício de 2003 12.980,3 hectares (7.990,80 + 4.989,5) exercício de 2004 12.980,3 hectares (7.990,80 + 4.989,5) exercício de 2005 16.081,579 hectares (7.990,80 + 8.090,7790) Esclareçase que, no caso da ARL Área de Reserva Legal, a área ambiental não é específica, como a APP, portanto ela é inexistente, até que seja registrada à margem da matrícula no cartório de registro de imóveis, portanto a averbação é ato constitutivo. Assim, somente pode ser acolhida a ARL cuja averbação tenha ocorrido antes do fato gerador do ITR. Nesse passo, filiome ao posicionamento adotado nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que a averbação da ARL Área de Reserva Legal à margem do Fl. 676DF CARF MF 14 registro do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador, supre a necessidade de apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento parcial para restabelecer a glosa da APP Área de Preservação Permanente de 600 hectares e, relativamente à ARL Área de Reserva Legal, admitir apenas 12.980,3 hectares nos exercícios de 2003 e 2004, e 16.081,579 hectares no exercício de 2005. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 677DF CARF MF
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Numero do processo: 17546.000206/2007-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/01/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a omissão apontada no julgado.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DISTINTA.
Acolhem-se os embargos declaratórios, atribuindo-lhes efeitos infringentes, para sanar o vício apontado, quando existente omissão no julgado, consistente na falta de apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 2401-004.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, dar-lhe provimento parcial, com efeitos infringentes, para afastar a multa aplicada sobre o crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos a cooperativas de trabalho.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2001 a 31/01/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a omissão apontada no julgado. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DISTINTA. Acolhem-se os embargos declaratórios, atribuindo-lhes efeitos infringentes, para sanar o vício apontado, quando existente omissão no julgado, consistente na falta de apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Embargos Acolhidos em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, dar-lhe provimento parcial, com efeitos infringentes, para afastar a multa aplicada sobre o crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
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CONCOMITÂNCIA. Embargante HOTÉIS ROYAL PALM PLAZA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/01/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a omissão apontada no julgado. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DISTINTA. Acolhemse os embargos declaratórios, atribuindolhes efeitos infringentes, para sanar o vício apontado, quando existente omissão no julgado, consistente na falta de apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 02 06 /2 00 7- 50 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 2401004.469 S2C4T1 Fl. 343 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, darlhe provimento parcial, com efeitos infringentes, para afastar a multa aplicada sobre o crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 2401004.469 S2C4T1 Fl. 344 3 Relatório Cuidamse de embargos de declaração tempestivamente opostos pelo contribuinte, às fls. 325/328, contra o Acórdão nº 230102.665, da relatoria do Conselheiro Mauro José Silva, proferido pela 1ª Turma de 3ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o qual está juntado às fls. 269/291. 2. Os embargos foram opostos especificamente na parte relativa à incidência da contribuição previdenciária sobre as notas fiscais de serviços emitidas por cooperativas de trabalho, para a qual a embargante aponta omissão no v. acórdão (Levantamento "COP" Débitos Coop de Trabalho). 2.1 Conquanto tenha reconhecido a concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial, o Colegiado deixou de manifestarse sobre os seguintes pontos questionados no recurso voluntário: (i) reconhecimento expresso que há identidade das partes do processo judicial e do processo administrativo fiscal; e (ii) inaplicabilidade da multa e juros de mora sobre o crédito tributário, tendo em vista a existência de causa suspensiva da sua exigibilidade, consistente na concessão de medida liminar em ação cautelar, relativamente à matéria discutida na ação judicial sob o nº 2000.61.05.0021929. 3. Uma vez designado relator "ad hoc" para pronunciamento sobre a admissibilidade dos embargos de declaração opostos, os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do presidente da 2ª Seção 1 (fls. 332 e 333/334). É o relatório. 1 A designação "ad hoc" deuse com fundamento no § 7º do art. 49 c/c § 2º do art. 65 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 2401004.469 S2C4T1 Fl. 345 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator "ad hoc" 4. Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos, passo ao exame de mérito. 5. Antes, porém, saliento que a designação de relator "ad hoc" é medida excepcional, neste caso devida à circunstância de o relator originário não mais compor o colegiado. 5.1 À vista disso, incumbeme a emissão de opinião sobre a necessidade de saneamento do Acórdão nº 230102.665, a fim de submeter a questão à apreciação da Turma. Ressalvo, assim, que tal juízo não implica a minha concordância ou discordância com os fundamentos e as conclusões da decisão embargada. 6. Pois bem. Com relação à existência de vício na análise da identidade das partes componentes da ação judicial e do processo administrativo, entendo improcedentes as alegações da embargante. 7. Ao manifestarse pela concomitância entre processo administrativo e judicial, o relator assim consignou em seu voto: "A recorrente ingressou com ação judicial que trata da incidência das contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (levantamento COP), como admitiu em sua peça de defesa. Assim deve ser aplicada ao caso a Súmula CARF nº 1, in verbis: (...)" (grifei) 8. Ora, um dos pressupostos para a concomitância é a identidade entre as partes nos processos administrativo e judicial, pouco importando a ordem delas nos pólos das respectivas demandas. 8.1 O enunciado da Súmula Carf nº 1, mencionado naquele voto, é expresso nesse sentido: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.“ (grifei) Fl. 345DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 2401004.469 S2C4T1 Fl. 346 5 8.2 A despeito da diferença no número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), ao acatar as alegações da recorrente, necessariamente o relator do Acórdão nº 230102.665 concordou com a tese da identidade entre autor da ação judicial e o sujeito passivo do lançamento fiscal. 8.3 Em outros dizeres, a questão controvertida foi solucionada de modo fundamentado pelo acórdão, restando unívoco, embora implícito, que a discussão judicial envolve a mesma parte onerada pelo lançamento fiscal. 9. Logo, é inexistente, nesse ponto, o alegado vício de omissão na decisão embargada. 10. Por outro lado, no concernente à discussão sobre a possibilidade de lançamento em relação à multa e aos juros, não sendo tais matérias objetos da demanda judicial, deveriam ter sido apreciadas pelo acórdão recorrido. 10.1 A concomitância pressupõe identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial e, no caso concreto, a incidência da multa e dos juros de mora quando do lançamento fiscal escapa à demanda judicial, tanto sobre a ótica do pedido quanto da causa de pedir, pois o objeto da ação judicial cingese à incidência da contribuição previdenciária sobre o valor bruto da nota fiscal de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho (fls. 121, item 4.3, e fls. 239). 11. Além de discorrer sobre a existência de ação judicial, a recorrente argumentou que tal fato, aliado à concessão de medida cautelar, inibiria a aplicação de multa e juros de mora sobre o crédito tributário. 11.1 De fato, tal questão não passou despercebida do relatório do Acórdão nº 2301 02.665, nesses termos (fls. 271): (...) Alega ter ação judicial tratando da incidência das contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. A existência de ação judicial excluiria a aplicação de multas e juros de mora. (grifei) (...) 11.2 Todavia, a matéria restou não apreciada no voto do Conselheiro Mauro José Silva. 12. Na ação de segurança nº 2000.61.05.0021929, foi concedida a ordem para afastar a exigência da contribuição de 15% (quinze por cento) incidente sobre a nota fiscal ou fatura, relativa a serviço prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, ao passo que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em grau de apelação, deu provimento ao recurso da Fazenda Nacional e reformou a sentença (fls. 234/235). Fl. 346DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 2401004.469 S2C4T1 Fl. 347 6 12.1 Na sequência, o sujeito passivo interpôs o Recurso Extraordinário nº 455.158/SP, conjuntamente com a Ação Cautelar nº 693/SP, junto ao Supremo Tribunal Federal, esta última com a finalidade de obter efeito suspensivo ao recurso extraordinário contra o acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (fls. 261/264). 12.2 Em 20/4/2005, o Ministro Sepúlveda Pertence, deferiu a medida cautelar para suspender, até a decisão definitiva do recurso extraordinário, a eficácia do acórdão judicial recorrido. A decisão foi publicada em 2/5/2005 (fls. 265/266). 13. De verse que, em 1º/2/2006, data da ciência do Termo de Início da Ação Fiscal, conforme fls. 142, já se encontrava suspensa a exigibilidade do crédito tributário referente às notas fiscais emitidas pelas cooperativas de trabalho, com fundamento nos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN) 14. A discussão da matéria perante o Poder Judiciário, ainda que com a exigibilidade do crédito tributário suspensa, não afastou a possibilidade de o Fisco efetuar o lançamento destinado a prevenir a decadência, cuja ciência ao sujeito passivo deuse em 21/7/2016. 14.1 Nessa hipótese, contudo, aplicável o regramento do art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a seguir transcrito: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. 14.2 Como se vê da leitura do caput e § 2º do art. 63, o legislador determinou o afastamento da multa devida na constituição do crédito tributário destinado a prevenir a decadência, independentemente da natureza dessa penalidade, isto é, se multa de ofício ou de mora. 15. Evidenciada a omissão sobre ponto relevante, é possível acolher os embargos, atribuindolhes efeito modificativo, para afastar a multa incidente sobre o crédito tributário cuja exigibilidade estava suspensa, na data de sua constituição, por força de decisão judicial (Levantamento "COP"). Fl. 347DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 17546.000206/200750 Acórdão n.º 2401004.469 S2C4T1 Fl. 348 7 16. Por outro lado, quanto ao juros de mora, os quais têm a finalidade de compensar a falta de disponibilidade dos recursos financeiros pelo período correspondente ao atraso do pagamento, a sua exclusão ocorre tão somente na hipótese de existir depósito integral dos valores discutidos, consoante inciso II do art. 151 do CTN. 16.1 A matéria encontra previsão no enunciado da Súmula nº 5, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), assim redigida: Súmula Carf nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. 17. No caso em tela, não consta prova do depósito integral dos valores discutidos, antes do lançamento fiscal, o que implica a manutenção dos juros moratórios. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, DARLHES PARCIAL PROVIMENTO para sanar a omissão existente no Acórdão 2301 02.665, acolhendo os embargos, com efeitos infringentes, tão somente para afastar a multa aplicada sobre o crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos a cooperativas de trabalho, mantida, contudo, a incidência dos juros de mora (Levantamento "COP"). É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 348DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000680/2010-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Comprovado o dolo, a fraude ou a simulação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos, prevista no art. 150, § 4º, do CTN, desloca-se para a regra geral, prevista no art. 173, I, do mesmo diploma legal.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal inserida na legislação pelo referido dispositivo torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Comprovada a vinculação entre os depósitos levantados pela fiscalização e as notas fiscais emitidas e tributadas pela contribuinte, imperativo que se reduza a exigência relativamente aos respectivos valores.
MULTA QUALIFICADA
Mantém-se a qualificação da multa, mormente no caso do evidente intuito de suprimir ao Fisco o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela utilização de conta-corrente pertencente a terceiro (sócio), mantida à margem da escrituração regular, e por onde transitaram valores, referentes a receitas operacionais da contribuinte, em muito superiores àquelas declaradas, e em períodos subsequentes, evidenciando conduta reiterada da infração.
Numero da decisão: 1402-002.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base tributável do 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2005 os valores de R$ 13.280,00, R$ 14.600,00, R$ 32.000,00 e R$ 14.500,00, respectivamente, e na base tributável do 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2006 os valores de R$ 13.300,00, R$ 21.850,00, R$ 11.200,00 e R$ 27.600,00, respectivamente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Comprovado o dolo, a fraude ou a simulação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos, prevista no art. 150, § 4º, do CTN, desloca-se para a regra geral, prevista no art. 173, I, do mesmo diploma legal. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal inserida na legislação pelo referido dispositivo torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Comprovada a vinculação entre os depósitos levantados pela fiscalização e as notas fiscais emitidas e tributadas pela contribuinte, imperativo que se reduza a exigência relativamente aos respectivos valores. MULTA QUALIFICADA Mantém-se a qualificação da multa, mormente no caso do evidente intuito de suprimir ao Fisco o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela utilização de conta-corrente pertencente a terceiro (sócio), mantida à margem da escrituração regular, e por onde transitaram valores, referentes a receitas operacionais da contribuinte, em muito superiores àquelas declaradas, e em períodos subsequentes, evidenciando conduta reiterada da infração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base tributável do 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2005 os valores de R$ 13.280,00, R$ 14.600,00, R$ 32.000,00 e R$ 14.500,00, respectivamente, e na base tributável do 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2006 os valores de R$ 13.300,00, R$ 21.850,00, R$ 11.200,00 e R$ 27.600,00, respectivamente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, e Paulo Mateus Ciccone.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Comprovado o dolo, a fraude ou a simulação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos, prevista no art. 150, § 4º, do CTN, deslocase para a regra geral, prevista no art. 173, I, do mesmo diploma legal. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal inserida na legislação pelo referido dispositivo torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Comprovada a vinculação entre os depósitos levantados pela fiscalização e as notas fiscais emitidas e tributadas pela contribuinte, imperativo que se reduza a exigência relativamente aos respectivos valores. MULTA QUALIFICADA Mantémse a qualificação da multa, mormente no caso do evidente intuito de suprimir ao Fisco o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela utilização de contacorrente pertencente a terceiro (sócio), mantida à margem da escrituração regular, e por onde transitaram valores, referentes a receitas operacionais da contribuinte, em muito superiores àquelas declaradas, e em períodos subsequentes, evidenciando conduta reiterada da infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 06 80 /2 01 0- 65 Fl. 2918DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.918 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base tributável do 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2005 os valores de R$ 13.280,00, R$ 14.600,00, R$ 32.000,00 e R$ 14.500,00, respectivamente, e na base tributável do 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2006 os valores de R$ 13.300,00, R$ 21.850,00, R$ 11.200,00 e R$ 27.600,00, respectivamente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 2919DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.919 3 Relatório O processo veio ao CARF para o julgamento do recurso voluntário apresentado pela empresa PLASTCLIN CLÍNICA DE CIRURGIA PLÁSTICA, ESTÉTICA E REPARADORA LTDA, tendo sido inicialmente distribuído ao Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Em uma análise preliminar, o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva propôs ao colegiado a conversão do julgamento em diligência. Porém, antes de adentrar nas razões que motivaram a diligência (Resolução nº 1402000.227, de 06/11/2013), reproduzi abaixo o relatório elaborado pelo Conselheiro, com base na decisão recorrida, por bem retratar os fatos a que se refere o processo: “Tratase dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e às Contribuições para o Programa de Integração Social Pis e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, lavrados em 23/12/2010, que formalizaram o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 1.110.582,36, incluindo multa de ofício, no percentual de 150%, e juros de mora calculados até 30/11/2010, em razão de: (i) omissão de receita da atividade (anoscalendário 2005 e 2006), tendo sido exigidos o tributo e a contribuição mediante a sistemática do Lucro Presumido. As infrações foram discriminadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que acompanha os autos de infração (fls. 03/07): “Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Oficio, nos termos do art. 926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93 1 INFRAÇÃO APURADA OMISSÃO DE RECEITAS da atividade sem emissão das Notas Fiscais caracterizada por valores creditados em contas correntes mantidas em instituições financeiras (Banco Unicred 748 ag. 3309 c/c 0001813; Banco do Brasil 001 ag. 0076 c/c 36088; Banco do Brasil 001 ag. 0076 c/c 18830; Banco do Brasil 001 ag. 0076 c/c 36098; Banco do Brasil 001 ag. 0076 c/c 2335), em relação aos quais os sócios responsáveis informou (sic) (fl. 79 deste processo e fls. 08, 09, item 5 da fl. 78, item 4 da fl. 97, do anexo I, e fls. 33 do anexo XI) que os valores creditados em suas contas correntes e de seus dependentes eram provenientes da receita da FISCALIZADA, que regulamente intimada (fls. 55/77), confirmou que (fls. 79) “os depósitos mencionados referemse a cirurgias efetuadas na clínica, porém, conforme documentação entregue anteriormente, não é possível vincular todos os depósitos com as cirurgias realizadas em Fl. 2920DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.920 4 função da falta de controle interno”, sendo, dessa forma, receitas não lançadas em sua contabilidade e não oferecidas à tributação. Além disso, conforme item 5, o presente Auto de Infração foi acrescido de MULTA QUALIFICADA DE 150% devido a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crime contra a Ordem Tributária, pois a FISCALIZADA utilizouse das contas correntes de seus sócios para depositar as receitas de suas atividades não declaradas e não tributadas, conforme confirmado pelo sócioresponsável na fl. 79 deste processo e nas fls. 08, 09, item 5 da fl. 78, 96, 97, do anexo I, mesmo tendo a sua própria contacorrente em funcionamento (anexo IX). 1 INTRODUÇÃO Tratase de procedimento fiscal instaurado pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 08108002010005285, objetivando fiscalização do tributo Imposto de Renda Pessoa Jurídica nos anoscalendário 2005 a 2006. A FISCALIZADA, por intermédio da utilização das contas correntes pertencentes aos sócios da empresa, DJALMA AZEVEDO TAVARES JÚNIOR, doravante denominado DJALMA, e MARIA BERNADETE BORUSIEWICZ TAVARES, doravante denominada MARIA BERNADETE, omitiu receita de suas atividades, conforme declarado pelo sócioresponsável DJALMA AZEVEDO TAVARES JÚNIOR no procedimento de fiscalização (MPF 08108002009001018) em sua pessoa física. O mesmo justificou e comprovou, por meio de documentação hábil e idônea, que os depósitos eram receitas omitidas da FISCALIZADA, restando, após justificativas, uma receita de prestação de serviço omitida de R$ 1.344.674,37 e R$ 1.515.290,76 nos anoscalendário 2005 e 2006, respectivamente. 1.1 RESUMO DO RITO PROCEDIMENTAL DE FISCALIZAÇÃO NO SÓCIORESPONSÁVEL PELA FISCALIZADA A fiscalização no sócioresponsável foi iniciada, em 23/01/2010, mediante ciência postal do Termo de Início de Fiscalização, de fls. 001/003 do anexo I, por meio do qual foi intimado a apresentar, entre outros documentos, os extratos bancários de todas as contas mantidas pelo sócioresponsável, DJALMA AZEVEDO TAVARES JÚNIOR e seus dependentes. Em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, o sócio responsável entregou a documentação solicitada (fls. 006/042 do anexo I) e informou (fls. 008 do anexo I) que “os únicos rendimentos tributáveis que possui como pessoa física são os decorrentes de consultas médicas e honorários profissionais recebidos da UNIMED, ambos devidamente declarados”, como também a esposa do sócioresponsável e sócia da FISCALIZADA, Maria Bernadete Borusiewicz Tavares, dependente do mesmo, “não possui qualquer rendimento tributável na sua pessoa física, sendo os depósitos em sua conta bancária originados de transferências das contas correntes do INTIMADO (sócioresponsável) junto à UNICRED e Banco do Brasil e, eventualmente, de receitas da pessoa jurídica da qual é sócia”. Cabe também ressaltar o sócio responsável solicitou, fls. 009 do anexo I, que “sejam considerados como receita da pessoa jurídica os depósitos efetuados na conta do intimado e Fl. 2921DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.921 5 de sua esposa, deduzidos dos rendimentos tributáveis, isentos ou de tributação exclusiva declarados e as receitas originadas das vendas de bens móveis ou imóveis”. A pessoa jurídica a que se refere "DJALMA" é a pessoa jurídica constante de sua DIRPF e de qual é sócioresponsável PLASTCLIN CLINICA DE CIRURGIA PLÁSTICA ESTÉTICA E REPARADORA LTDA, CNPJ 02.296.723/000105. Após a devolução dos documentos entregues necessários para comprovação da origem dos depósitos, o sócioresponsável foi intimado (fls. 045/75 do anexo I), com ciência pessoal por sua procuradora (fls. 011 do anexo I) a comprovar a origem, por meio de documentação hábil e idônea, dos valores creditados/depositados em suas contascorrente, além de demonstrar que foram regularmente tributados e/ou que não estavam sujeitos à tributação (rendimentos isentos, não tributáveis, etc). DJALMA respondeu, conforme item 5 do documento entregue (fls. 78 do anexo I), que “sua receita, objeto de depósitos bancários na conta da pessoa física, originaramse, exclusivamente, de serviços prestados pela sua pessoa jurídica PLASTCLIN CLÍNICA DE CIRURGIA PLÁSTICA ESTÉTICA E REP. S/S LTDA, CNPJ 02.296.723/000105. Por falta de orientação, não manteve conta bancária na pessoa jurídica para este fim (depósito das receitas). Os recebimentos da pessoa física foram devidamente declarados nos anos fiscalizados”. Além disso, encaminhou comprovantes ou justificativas de parte dos depósitos bancários de suas contas correntes (Banco do Brasil e UNICRED) de titularidade do sócioresponsável e de sua esposa MARIA BERNADETE BORUSIEWICZ TAVARES e de seu filho FELIPE BORUSIEWICZ TAVARES, como também explicação do processo de desconto de cheques realizado na UNICRED TAUBATÉ (fls. 82/92 do anexo I). Em 26/07/2010, o sócioresponsável foi reintimado (fls. 93) por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal n. 003, fls. 093 do anexo I, com ciência pessoal de sua procuradora e cônjuge, MARIA BERNADETE BORUSIEWICZ, CPF 209.943.35857, a comprovar a origem, por meio de documentação hábil e idônea, dos valores creditados/depositados ainda não justificados em suas contas correntes, além de demonstrar que foram regularmente tributados e/ou que não estavam sujeitos à tributação (rendimentos isentos, não tributáveis, etc). Em sua resposta, o sócioresponsável declarou (fls. 096/097 do anexo I) que “os recursos financeiros e econômicos não declarados na pessoa física são exclusivamente oriundos da pessoa jurídica, porém, movimentados, incorretamente, na conta bancária da pessoa física, conforme documentos anexos (por amostragem) de fichas dos pacientes, cópia dos comprovantes de depósitos onde, tanto no anexo A como no anexo B, fica comprovado que todos os procedimentos cirúrgicos foram feitos na clínica, portanto, qualquer omissão de receita que venha a ser apurada é originada da pessoa jurídica, uma vez que o intimado não possui nenhuma receita na pessoa física além daquelas já declaradas”. No item 4 de sua resposta, fls. 97 do anexo I, o sócio responsável “repete que não exerce qualquer outra atividade Fl. 2922DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.922 6 que não seja a de cirurgião plástico e que todos os procedimentos cirúrgicos são executados na sua clínica, PESSOA JURÍDICA, conforme agenda da clínica em 2005 e 2006, folhas de pagamentos e empregados de 2005 e 2006, notas fiscais de compra de materiais cirúrgicos em nome da pessoa jurídica PLASTCLIN CLÍNICA PLÁSTICA ESTÉTICA E REPARADORA LTDA, relação dos procedimentos anestésicos e ainda fotos que comprovam que todos os pacientes são submetidos a procedimentos cirúrgicos naquela unidade pertencente à Pessoa jurídica”. O sócioresponsável justificou (fls. 96) que os créditos/depósitos em suas contas bancárias teriam origem na receita da pessoa jurídica PLASTCLIN CLÍNICA DE CIRURGIA PLÁSTICA ESTÉTICA E REP. LTDA, CNPJ 02.296.723/000105, e apresentou vários documentos comprovando sua função (cirurgião plástico) como: Agenda dos anoscalendário 2005 (anexo II) do e 2006 (anexo III); Fichas médicas de pacientes e os valores recebidos declarados e não declarados como receita da clínica médica (anexos IV e V); Fotos da clínica médica (anexo VI); A notoriedade da profissão executada pelo sócioresponsável, sendo sua única atividade profissional. 2 DESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL 2.1 TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL/TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO (FLS. 55/78) Após declarado, justificado e comprovado pelo sócio responsável da FISCALIZADA que os depósitos efetuados em suas contascorrentes e de seus dependentes são oriundos da receita das atividades da FISCALIZADA, a FISCALIZADA foi intimada (fls. 55/78) com ciência pessoal do sócioresponsável no dia 04/11/2010, a comprovar a origem, mediante a documentação hábil e idônea, dos valores creditados/depositados que não foram até então comprovados nas contas correntes do sócio responsável e de seus dependentes e, para os valores cuja origem seja apresentada comprovação, DEMONSTRAR, por meio de documentação hábil e idônea, que foram regularmente tributados e/ou que não estavam sujeitos a tributação (rendimentos isentos, não tributáveis, etc). Foram excluídos os créditos/depósitos já comprovados e oferecidos à tributação pela pessoa física DJALMA AZEVEDO TAVARES JÚNIOR, como também os créditos devidamente conciliados entre as contascorrentes pessoas físicas. 2.2 RESPOSTA AO TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL/TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO Em sua resposta, a FISCALIZADA informou (fls. 79) que os “depósitos mencionados referemse a cirurgias efetuadas na clínica", porém, conforme documentação entregue anteriormente durante procedimento fiscal na pessoa física do sócio Fl. 2923DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.923 7 responsável, "não é possível vincular todos os depósitos com as cirurgias realizadas em função da falta de controle interno”. 3 INFRAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA OCORRIDA PELA EXISTÊNCIA DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA E CONFIRMADA/JUSTIFICADA COMO RECEITA DA FISCALIZADA PELO SÓCIORESPONSÁVEL DA PESSOA JURÍDICA 3.1 ANÁLISE DA RESPOSTA DA FISCALIZADA E DO SÓCIO RESPONSÁVEL REFERENTE À ORIGEM E SEU OFERECIMENTO A TRIBUTAÇÃO DOS CRÉDITOS EM CONTASCORRENTES DO SÓCIORESPONSÁVEL E DE SEUS DEPENDENTES. A FISCALIZADA informou (fls. 79) em sua resposta, que os “depósitos mencionados referemse a cirurgias efetuadas na clínica”, porém, conforme documentação entregue anteriormente durante procedimento fiscal na pessoa física do sócio responsável, “não é possível vincular todos os depósitos com as cirurgias realizadas em função da falta de controle interno”. Durante o procedimento de fiscalização do sócioresponsável da FISCALIZADA, o mesmo declarou e comprovou (anexos II a VI e fls. 98/140) que os créditos em suas contas correntes eram provenientes da receita das atividades da FISCALIZADA. No entanto, não foi provado o seu oferecimento à tributação, conforme "ANEXO AO AUTO DE INFRAÇÃO" (fls. 221/224 ). 3.2 ANÁLISE À LUZ DO ART. 24 DA LEI N° 9.429/95 O art. 24 da Lei n° 9.429/95 (art. 528 do RIR/1999) dispõe que: Art. 528. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 519 (Lei n° 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei n° 9.249, de 1995, art. 24, § 1°). Com o advento da Lei n° 9.430/96, a existência de depósitos bancários de origem não comprovada tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de rendimentos, o que implica inversão do ônus da prova. No entanto, conforme declarado em várias oportunidades (fls. na fl. 79 deste processo e nas fls. 08, 09, item 5 da fl. 78, 96, 97, do anexo I) pelo sócio responsável da FISCALIZADA tais créditos/depósitos em suas contascorrentes e de seus dependentes referemse a cirurgias efetuadas na clínica, porém, conforme documentação entregue anteriormente durante procedimento fiscal na pessoa física do sócioresponsável e resposta ao Termo de Constatação Fiscal / Termo de Início de Fiscalização (fls. 55/56), “não é possível vincular todos os depósitos com as cirurgias realizadas em função da falta de controle interno”. A comprovação da origem dos créditos pelo sócio responsável se deu por meio da seguinte documentação: Fl. 2924DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.924 8 Agenda dos anoscalendário 2005 (anexo II) do e 2006 (anexo III); Fichas médicas de pacientes e os valores recebidos declarados e não declarados como receita da clínica médica (anexos IV e V); Fotos da clínica médica (anexo VI); A notoriedade da profissão executada pelo sócioresponsável, sendo sua única atividade profissional. Em face dos documentos levantados e declarações do sócio responsável pela pessoa jurídica que tais créditos são originados pela receita das atividades da FISCALIZADA, tal omissão de receita é concreta. Em resumo, ficou comprovado que todos os créditos efetuados nas contas correntes dos sócios e seus dependentes, se tratam de receitas da FISCALIZADA, oriundas da prática de cirurgias plásticas, para as quais não houve a emissão da competente nota fiscal e não lançamento em contabilidade. Nessa análise, foram eliminados os valores relativos a transferências entre suas contascorrentes, resgates de aplicações e poupanças, cheques devolvidos cujo depósito pôde ser identificado, estorno de débitos, sinistro de veículo (anexo X), alienação de imóveis (fls. 139/140 do anexo I ) e de veículo (anexo X) e todos os outros créditos cuja origem também pode ser identificada sem a apresentação de novos documentos por parte da FISCALIZADA. Desse trabalho resultaram as planilhas denominadas "ANEXO DO TERMO DE INTIMAÇÃO" (fls. 57/78), onde foram listados todos os créditos acima de R$ 1.000,00, cuja origem caberia à FISCALIZADA comprovar mediante apresentação de documentação complementar. Em sua resposta, a FISCALIZADA não justificou os depósitos restantes desta última intimação e informou (fls. 79) que os "depósitos mencionados referemse a cirurgias efetuadas na clínica", porém, conforme documentação entregue anteriormente durante procedimento fiscal na pessoa física do sócio responsável, "não é possível vincular todos os depósitos com as cirurgias realizadas em função da falta de controle interno". Após todas as intimações e respostas do sócioresponsável pela FISCALIZADA e da FISCALIZADA, a situação de cada crédito/depósito quanto à comprovação da origem e oferecimento à tributação se encontra no "ANEXO AO AUTO DE INFRAÇÃO" (fls. 221/224), entregue à FISCALIZADA junto com o AUTO DE INFRAÇÃO. 4 APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA Por tudo acima exposto, ficou COMPROVADO que a FISCALIZADA, por meio da utilização das contascorrentes dos sócios DJALMA AZEVEDO TAVARES JÚNIOR e MARIA BERNADETE BORUSIEWICZ TAVARES para depositar a receita das atividades da FISCALIZADA, mesmo tendo conta corrente em seu nome, sem, no entanto, oferecer à tributação. Fl. 2925DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.925 9 Os valores totais de depósitos/receita omitida foram de R$ 1.344.674,37 e 1.514.490,76 nos anoscalendário 2005 e 2006, respectivamente, em face de uma receita declarada de R$ 264.030,00 e R$ 235.599,50 nos referidos anos. Assim, é de se proceder à QUALIFICAÇÃO DA MULTA prevista no art. 44, inciso I, § 1º, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488/07, que abaixo se transcreve "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." Abaixo, transcrevemse os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Além disso, a FISCALIZADA infringiu os art. 1º e 2º da Lei n. 8.137/90 que dispõe: "Art. 1º Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei n° 9.964, de 10/04/2000) (...) Fl. 2926DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.926 10 II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei n° 9.964, de 10.4.2000) I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo;" Diante do exposto acima, ficou demonstrada a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crime contra a Ordem Tributária, conforme legislação supracitada, sendo formalizado um processo de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS (processo n. 16045.000681/201018), acompanhada dos respectivos elementos de prova, em cumprimento ao disposto na Portaria n° 2.439/10. 5 LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO Diante do exposto, tendo em vista ter ficado caracterizada omissão de receita das atividades pelo não oferecimento à tributação da receita obtida com a prestação de serviços pela FISCALIZADA, que utilizou das contascorrentes dos sócios como forma de impedir que a Fazenda Nacional tributasse parte de suas receitas, foram lavrados os presentes Autos de Infração de tributos do IRPJ e seus reflexos, relativos aos anos calendário de 2005 e 2006, nos termos do art. 926 e 957 do Decreto n° 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda, c/c art. 17, da Lei n° 9.317/96. 6 DESCRIÇÃO DO CONTEÚDO DOS ANEXOS DO PROCESSO EM EPÍGRAFE . Anexo I cópia do processo n. 16045.000577/201015 (Auto de infração IRPF, contribuinte Djalma Azevedo Tavares Júnior) Anexo II Agenda 2005 da Plastclin Clinica de Cirurg. Plast. Estética Rep. Anexo III Agenda 2006 da Plastclin Clinica de Cirurg. Plast. Estética Rep. Anexo IV Fichas médicas de pacientes e os valores recebidos declarados e não declarados como receita pela Plastclin Clinica de Cirurg. Plast. Estética Rep. Em 2005 Anexo V Fichas médicas de pacientes e os valores recebidos declarados e .ao declarados como receita pela Plastclin Clin. de Cirurg. Plast. Estética Rep. em 2006 Anexo VI Fotos da Plastclin Clinica de Cirurg. Plast. Estética Rep. Anexo VII Cópia Extratos bancários dos sócios da Plastclin Clinica de Cirurg. Plast. Estética Rep. e seus dependentes no Banco do Brasil e suas justificativas Anexo VIII Extratos bancários dos sócios da Plastclin Clinica de Cirurg. Plast. Estética Rep. na Unicred e suas justificativas Fl. 2927DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.927 11 Anexo IX Extratos bancários da Plastclin Clinica de Cirurg. Plast. Estética Rep. no Banco do Brasil Anexo X Cópia da documentação do Sinistro e alienação de veículos Anexo XI Diligências em Cláudio Roberto Borusiewicz, Elizabeth Maria de Miranda Borusiewicz e Maria Bernadete Borusiewicz Tavares (titulares de contas correntes em conjunto com Maria Bernadete Borusiewicz Tavares e/ou Djalma Azevedo Tavares Júnior)” A interessada foi cientificada dos autos de infração em 23/12/2010. Inconformada, apresentou, em 19/01/2011, por intermédio de seus representantes legais, impugnação de fls. 241/270, acompanhada de documentos de fls. 271/393. Faz um breve resumo dos fatos, dizendo que, inicialmente, a ação fiscal foi direcionada às pessoas físicas sócias da autuada, tendo sido constituída exigência frente ao sócio Djalma Azevedo Tavares Júnior, apenas na omissão de Ganho de Capital. E que, após comprovação das atividades reais da pessoa jurídica, mudou se o foco da auditoria para a ora impugnante. Acusa que “em várias passagens do relatório fiscal há afirmações incoerentes e inconsistentes”. Iniciando pela origem dos depósitos bancários questionados, enfatiza que, em momento algum, o sócio responsável teve intenção de utilizar suas contas correntes para depositar receitas da atividade da pessoa jurídica, com o intuito de fraudar o Fisco. Voltandose ao item 1.1 do relatório fiscal, acrescenta que todos os depósitos na conta da sócia e dos dependentes do casal originaramse de transferências das contas correntes do sócio responsável. Alega improcedente e incoerente a afirmação fiscal de ter sido comprovado que todos os créditos efetuados nas contas correntes dos sócios e de seus dependentes tratam de receitas da fiscalizada, para as quais não houve emissão de nota fiscal nem lançamento em contabilidade, considerando que as contas foram movimentadas livremente, contendo, também, depósitos das receitas da pessoa jurídica (já tributadas), dos honorários da pessoa física, de transferências entre contas, do resgate de aplicações financeiras, da venda de veículos, de imóveis, de financiamentos bancários (empréstimos e desconto de cheques), de lucros distribuídos pela pessoa jurídica, dentre outros valores, conforme constam das declarações de ajuste dos anos fiscalizados (Anexos 01 a 08). E continua: “Convenhamos, Ilustre Julgador: onde há a comprovação de que TODOS OS DEPÓSITOS efetuados, nas contas correntes dos sócios e de seus dependentes se tratam de RECEITAS DA FISCALIZADA? Não existe um único depósito na conta dos dependentes dos sócios da fiscalizada originado de omissão de receita da pessoa jurídica PLASTICLIN. Todos foram feitos por transferências das contas correntes do seu sócio responsável. Já, no item 4 do relatório o fiscal, admite que as receitas supostamente omitidas foram originadas de depósitos nas contas correntes dos sócios da autuada. Onde então ficou Fl. 2928DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.928 12 comprovado depósitos da pessoa jurídica nas contas dos dependentes de seus sócios? Essa distinção é relevante porque o autor do feito está induzindo o julgador a entender que houve depósitos da pessoa jurídica em conta de interposta pessoa, o que jamais ocorreu. Aqui a afirmação fiscal padece de mínima consistência, sendo, igualmente, tendenciosa.” Passando ao tema do valor da omissão da receita apurada, voltase às disposições do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, concluindo não ter por objetivo provocar exigência de tributo maior que o devido, tratando apenas de forma indireta de se apurar eventuais valores tributáveis, os quais deverão estar o mais próximo possível do real. Nesse diapasão, com base no preço médio de uma cirurgia (R$ 5.000,00) e da média semanal de procedimentos realizados (três por semana), efetua cálculo estimado da quantidade de intervenções médicas necessárias para se atingir a receita considerada como omitida pela fiscalização, alcançando o número de 269 cirurgias, no ano 2005, e 362 cirurgias, no ano 2006, “o que seria, convenhamos, impossível para um só profissional executar em 210 dias úteis”. Entende ter restado provado que todos os depósitos feitos nas contas bancárias dos dependentes dos sócios da pessoa jurídica foram efetuados por transferência das contas correntes deste. E se o que a fiscalização afirmou é verdadeiro, questiona porque não foram computados tais depósitos (dos dependentes) como omissão de receitas da pessoa jurídica? Alega ter tido acesso às planilhas, já expurgadas das transferências entre contas correntes, empréstimos e financiamentos, resgates de aplicações financeiras, estorno de débitos e outros valores justificados. Acusa, porém, que “outros rendimentos e valores escriturados e declarados, que obrigatoriamente deviam ter sido excluídos dos depósitos e/ou créditos totais efetuados nas contas correntes do sócio Djalma (...), não foram considerados”. Aponta jurisprudência (Ac. CSRF/0105531, de 19/09/06, e Ac. 10709.145, de 12/09/07). Acrescenta que várias notas fiscais emitidas pela autuada tiveram, também, seus rendimentos depositados nas contas correntes bancárias do sócio responsável (Anexo 09). Por outro lado, diz que ao aplicar a multa qualificada do art. 44, § 1º da Lei nº 11.488/77 (sic), com base na sonegação (arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964), pretendeu a fiscalização deslocar a regra de contagem do prazo decadencial, prevista no art. 150, § 4º, do CTN, para aquela do art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal. Afirma jamais ter tomado qualquer atitude que demonstrasse embaraço à ação fiscal, tendo cumprido todas as intimações no prazo fixado. Assim, se os três primeiros trimestres de 2005 foram atingidos pela decadência, relativamente ao IRPJ e à CSLL, e os meses de janeiro a novembro de 2005, relativamente ao Pis e à Cofins, tal fato se deu “por inépcia do auditorfiscal que, em inúmeras oportunidades reiterava o mesmo teor de intimações anteriores já atendidas pela fiscalizada. Se a fiscalização se arrastou por exatos 11 (onze) meses, com certeza não foi por ação ou omissão da então fiscalizada”. Ressalta que se pretendesse sonegar teria utilizado contas bancárias de interpostas pessoas (laranjas) e não dos sócios da autuada. Informa ter esclarecido à fiscalização a utilização das contas correntes do sócio Djalma para movimentar as operações financeiras da pessoa jurídica autuada e, como prova dessa prática, aponta estarem incluídos nos depósitos em tais contas, também, as receitas decorrentes das notas fiscais regularmente emitidas. Fl. 2929DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.929 13 Acrescenta que todas as receitas, as despesas e os custos da pessoa jurídica transitaram nas contas correntes do sócio Djalma. E conforme se verifica da conta corrente da fiscalizada (conta 51424676) apenas alguns depósitos originaramse de operações da autuada, sendo que nenhuma nota fiscal de sua emissão teve o respectivo valor recebido transitado naquela conta e sim nas contas bancárias do sócio responsável. Acusa que todos os pagamentos (fornecedores, folhas de pagamentos, água, luz, telefone, auxiliares, anestesistas, etc) foram feitos através de saques na mesma conta e que os depósitos efetuados na conta da pessoa jurídica, que possam caracterizar omissão de receitas, omitidos pelo autor do feito no Auto de Infração, foram computados pela autuada nas planilhas demonstrativas das bases de cálculo refeitas (Anexos 10 a 30). Cita jurisprudência (Ac. 10809.007, de 21/09/06; Ac. 10249.346, de 09/10/08; Ac. 10422.975, de 23/01/08 e Súmulas CARF nºs 25 e 34). E conclui: “3.8. Concluindo este item, a autuada entende que a aplicação da multa de ofício de 150% não pode prosperar porque: 1º a autuada registrou suas operações no Livro Caixa e na sua contabilidade, porém, transitou todos os recebimentos (receitas, empréstimos, aplicações financeiras, etc), e todos os pagamentos (fornecedores, salários, impostos, água, luz, telefones, etc), através das contas correntes do Banco do Brasil e da UNICRED, de titularidade da pessoa física de seu sócio Djalma Azevedo Tavares Júnior. 2º a autuada apresentou, tempestivamente, suas DIPJs dos anoscalendário fiscalizados, bem como cumpriu suas obrigações acessórias dentro dos prazos legais; logo, a Receita Federal teve em seus arquivos magnéticos elementos para revisálas bem antes, além das informações de sua movimentação bancária e de seus sócios nos mesmos períodos, cujas declarações de ajuste também foram apresentadas tempestivamente. As informações da CPMF e da DIMOF estavam disponíveis na Receita Federal nos anos de 2006 e 2007, em relação aos períodos fiscalizados. 3º em momento algum a fiscalizada criou qualquer tipo de embaraço à fiscalização, tendo fornecido todos os documentos e prestados todos os esclarecimentos solicitados pela mesma, sem qualquer restrição e nos devidos prazos. 4º se o intuito dos sócios da fiscalizada fosse o de cometer fraude ou agir com dolo ou má fé, jamais teria transitado suas operações pelas contas bancárias de seu sócio responsável, mas sim utilizado interposta pessoa ou adquirido moeda estrangeira (dólar, por exemplo), para desviar as receitas presumivelmente omitidas. Concorda que seus procedimentos não observaram os trâmites normais para registro e controle de suas operações, porém, daí a classificálos como prática criminosa vai uma distância muito grande, pelas razões já expostas.” No que concerne à decadência, reitera a observação já feita, de a Receita Federal ter em seus arquivos, desde logo, todas as informações necessárias à revisão do lançamento, tais como as DIPJ, DCTF, DIRPF e movimentações bancárias. Assim, se os trabalhos de auditoria somente se iniciaram no último ano do prazo fatal, Fl. 2930DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.930 14 entende não caber culpa nenhuma à fiscalizada, que não estaria, por ora, questionando a perempção do prazo para se operar o lançamento relativo aos três primeiros trimestres de 2005. Reitera, também, que inexistindo pressupostos para a prática da fraude ou dolo não é lícita a aplicação da multa qualificada, de modo que a contagem do prazo decadencial deve seguir as disposições do art. 150, § 4º, do CTN. Julga que manter a penalidade no patamar de 150% “significa dar cobertura a uma imposição fiscal cujo único objetivo foi o de mascarar sua inépcia” . Cita jurisprudência (Ac. 10614.197, de 16/09/04; Ac. 10615.893, de 18/10/06; Ac. 10709.145, de 12/09/07 e REsp. 332.693/SP, rel. Min. Eliana Calmon). Em outra frente de defesa, aponta divergência na apuração da base de cálculo. Acusa que, dentre as contas bancárias cujos extratos o auditor fiscal intimou seus titulares a apresentálos, constavam as contas conjuntas de Cláudio Roberto Borusiewicz com Maria Bernadete Borusiewicz Tavares e de Elizabeth Maria de Miranda Borusiewicz com Maria Bernadete Borusiewicz. E que, contrariando as normas da Receita Federal, a fiscalização intimou apenas os dois primeiros titulares de cada conta (Anexos 88 e 94). E continua, em suas palavras: “5.3. Juntamente com o Termo de Intimação e Diligência Fiscal o autuante encaminhou planilhas onde constavam os créditos/depósitos das mesmas contas (Anexos 89, 90 e 95), intimando os Srs. Cláudio Roberto e Elizabeth Maria a comprovarem a origem dos créditos/depósitos ali discriminados. 5.4. Ao receber as respostas dos intimados o Auditor Fiscal autor do feito assim se manifestou em seu relatório fiscal (Anexos 91/92 e 96/97), em relação ao fiscalizado Cláudio Roberto Borusiewicz: “O contribuinte em epígrafe informou, mediante documentação hábil e idônea, que os créditos em sua conta bancária supracitada ocorreram em virtude da alienação de ações (fls. 23/26, 35/36 e 54/64), sendo necessária a abertura de fiscalização (MPFF nº 0808002010005196)” (grifo da autuada). Já em relação à fiscalizada Elizabeth Maria M. Borusiewicz a mesma resposta foi dada e os mesmos procedimentos foram adotados (Anexos 88 a 101). Em ambos os casos sob análise a conclusão fiscal foi a mesma. Tanto o Sr. Cláudio Roberto Borusiewicz quanto a Sra. Elizabeth Maria de Miranda Borusiewicz foram autuados por omissão de receitas relativa a ganhos líquidos em operações em bolsa de valores, com multa de 75% (Anexos 93 e 98). 5.5. Pois bem Ilustre Julgador: para surpresa da autuada o fiscal autuante resolveu considerar parte dos depósitos/créditos assinalados nas planilhas anexas (Anexos 89/90 e 95), das referidas contas conjuntas, como sendo omissão de receitas da autuada, manifestando uma incoerência absurda, vez que já tinha admitido a comprovação de todos os créditos demonstrados através de documentação hábil e idônea, como já mencionado. Acrescentese a isso tudo o fato de, em momento algum, ter o mesmo fiscal questionado referidos depósitos feitos em conta bancária de duas pessoas físicas que nada têm a ver com as operações da autuada. Fl. 2931DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.931 15 5.6. A autuada não entendeu o porque desse procedimento do autuante. Afinal o Sr. Cláudio Roberto Borusiewicz é proprietário de uma lanchonete (Anexo 99) porque não atribuir ao mesmo a omissão de receitas? A Sra. Maria Bernadete B. Tavares, embora seja sócia da autuada, não foi intimada a prestar qualquer esclarecimento, embora nenhuma relação tivesse com as referidas contas. Finalmente, qual a prova ou indício, que levou o autuante a concluir que se tratava de omissão de receita da pessoa jurídica impugnante? Qual o critério que determinou essa relação? Porque os demais depósitos nas mesmas contas não compuseram o Auto de Infração? Porque a outra titular não foi intimada? A autuada junta declarações do Sr. Cláudio Roberto e Sra. Elizabeth Maria (Anexos 100 e 101), de que referidos depósitos/créditos foram originados das suas operações com ações, já comprovadas nos seus respectivos processos fiscais, para que, mais uma vez, não se configure a hipótese de crime pela utilização de conta bancária de interposta pessoa para registro de suas receitas. Atribui tal procedimento do auditor fiscal a um possível equívoco e não a erro intencional. 5.7. A autuada traz à colação no presente processo algumas folhas onde constam a movimentação das operações em bolsas de valores, tanto do Sr. Cláudio Roberto Borusiewicz quanto da Sra. Elizabeth Maria de Miranda Borusiewicz, onde fica evidenciado o grande volume de operações em ambos os casos (Anexos 102 a 114). Portanto, Ilustre Julgador, por nada ter a ver com os depósitos nas contas conjuntas supracitadas, considerados pelo autuante como receitas omitidas pela autuada, foram feitas as exclusões dos respectivos valores na apuração das bases de cálculo do lucro presumido, do PIS e da COFINS apuradas pelo AFRB. 5.8. Conforme ficou demonstrado no curso da fiscalização e reconhecidas pelo autor do feito, todas as receitas da pessoa jurídica (com algumas exceções que, mais adiante se demonstrará), e da pessoa física (honorários de consultas, quotas de produção da UNIMED, venda de imóveis e veículos, resgates de aplicações financeiras, lucro presumido distribuído, etc), transitaram pela conta corrente bancária do representante da autuada, Sr. Djalma Azevedo Tavares Júnior. Todavia, ao apurar a base de cálculo que serviu de base à apuração do crédito tributário final (fls. 222 a 235 do processo), o autor do feito não promoveu os ajustes devidos, deixando de excluir os valores, declarados e tributados na pessoa física ou na própria pessoa jurídica autuada, demonstrados nas planilhas elaboradas pela autuada (Anexos 10 a 30). 5.9. Para fins de exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSL os valores dos subitens foram agrupados por trimestre e para fins de apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS foram consideradas em cada mês. Os ajustes feitos pela autuada originaram os cálculos demonstrados nas planilhas (Anexos 115, 115a, 116 e 117). 5.10. Conforme mencionado, neste item 3.7 nem todas as receitas transitaram pela conta bancária da pessoa física do Fl. 2932DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.932 16 representante da autuada. Os valores de R$ 8.500,00 (...) em 2005, e de R$ 2.231,66 (...), em 2006, referemse a receitas depositadas na conta bancária da pessoa jurídica, não consideradas pelo autuante. A autuada procedeu sua inclusão nos demonstrativos constantes das planilhas (Anexos 10 a 30) por se tratar de uma questão de justiça. As receitas mensais da pessoa jurídica foram extraídas do Livro de Prestação de Serviços, cujo total confere com a receita declarada e tributada. O cálculo do lucro distribuído foi apurado trimestralmente para fins de sua exclusão das bases de cálculo do PIS e da COFINS e para fins de sua exclusão das bases de cálculo do IRPJ e da CSL. A totalização dos valores parciais (mensais e trimestrais), foram apurados com observância das normas legais (lucro presumido menos tributos). 5.12. Para melhor entendimento do Ilustre Julgador a autuada relaciona os valores excluídos das planilhas do autuante na apuração da real base de cálculo tributável: 5.12.1 – depósitos na conta 2335 (B.Brasil) de Cláudio Roberto Borusiewicz (fls. 223 do processo): 10/04/06 = R$ 15.000,00 10/05/06 = R$ 1.086,69 09/06/06 = R$ 1.086,69 10/07/06 = R$ 1.086,69 10/10/06 = R$ 1.055,54 10/12/06 = R$ 10.000,00 12/12/06 = R$ 1.055,54 5.12.2 – depósitos na conta 36098 (B.Brasil) de Elizabeth Maria de Miranda Borusiewicz (fls. 224 do processo): 10/04/06 = R$ 60.000,00 05/05/06 = R$ 24.000,00 OBS: esses valores destoam daqueles relativos aos depósitos das receitas da autuada, nada tendo a ver com suas operações. 5.12.3 – depósitos na conta de Djalma Azevedo Tavares Júnior: 30/09/05 = R$ 1.250,00 (depósitos prédatado: é idêntico ao do dia 03/10/05). (fls. 228 do processo) 12/05/06 = R$ 1.172,49 – honorários UNIMED, já tributados na pessoa física (fls. 231 do processo). Esses valores estão assinalados nas planilhas elaboradas pelo autor do feito (Anexos 119 a 123). 5.13. Concluindo este item a autuada esclarece que, conforme restou comprovado, as contas correntes do seu sócio responsável foi utilizada, indevidamente, porém, sem objetivo Fl. 2933DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.933 17 de fraude, para registrar as operações (receitas, rendimentos, custos, despesas, compras, etc.) das pessoas físicas de seus sócios e da pessoa jurídica. Daí a justificativa para excluir da base de cálculo apurada pelo autor do feito, além daquelas exclusões já contempladas, os rendimentos da sua pessoa física e as receita da pessoa jurídica, já tributadas, bem como o valor do lucro distribuído, porque mantido na mesma conta, por razões óbvias, já que aquele representante da autuada não possuía outras contas bancárias além das apresentadas ao fisco. Também foram excluídos os depósitos relativos à venda da BMW e adicionadas as receitas depositadas na conta da pessoa jurídica (subitem 5.10).” Encerra com as seguintes conclusões: Por entender que restou comprovado, em razão do comportamento da autuada no atendimento da fiscalização e, também, face às inúmeras decisões dos órgãos colegiados (CRF e CSRF), que amparam o pleito da autuada, de não procedência da aplicação da multa qualificada de 150% (...), pelas razões apresentadas nesta peça e, ainda, porque é totalmente procedente a exclusão dos valores das receitas já tributadas na pessoa jurídica da autuada e os rendimentos tributados e isentos declarados pelas pessoas físicas dos seus sócios daqueles depósitos/créditos utilizados como base de cálculo pelo autor do feito (fls. 222 a 235 do processo e item 4 do Relatório Fiscal), porque todos os valores excluídos compuseram, também referidos depósitos/créditos das contas examinadas pelo autuante e, considerando, finalmente, que os depósitos em conta de terceiros devem ser expurgados da base tributável porque já comprovados e aceitos como idôneos pelo autor do feito em ação fiscal própria nas pessoas físicas titulares daquelas contas, a autuada, com base nos valores por ela apurados como devidos de IRPJ, CSL, PIS e COFINS (Anexos 115, 115a, 116 e 117), estará pleiteando junto à Receita Federal do Brasil o parcelamento do débito por ela apurado em 60 (...) parcelas. Excluídos da apuração os 1º, 2º e 3º trimestres de 2005 porque já decaído o direito de a Fazenda Nacional proceder o lançamento. 6.2. Aguarda, confiante, decisão favorável de V.S. quanto aos valores parcialmente impugnados na presente manifestação de inconformidade e que compuseram o Auto de Infração que originou o processo em referência, com ciência em 23/12/2010.” Às fls. 395/397 consta o Termo de Transferência de Crédito Tributário para o processo nº 10860.720102/201130, à vista da impugnação parcial ao lançamento efetuado, remanescendo em discussão nestes autos os débitos relacionados no extrato de fls. 398/404. A decisão recorrida está assim ementada: Decadência. Lançamento por Homologação. Nos casos comprovados de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos, prevista no art. 150, § 4º, do CTN, deslocase para a regra geral, prevista no art. 173, I, do mesmo diploma legal. Fl. 2934DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.934 18 Omissão de Receita. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada. Interposta Pessoa. A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. Retificase a exigência para dela excluir os depósitos de origem não comprovada nas contas mantidas pela sócia em conjunto com terceiros, porque não restou devidamente comprovado nos autos que referida omissão tenha vínculo exclusivo com um único cotitular das respectivas contas, nem, tão pouco, que corresponda a receita das atividades da empresa autuada. Multa Qualificada. Se as provas carreadas aos autos pelo Fisco evidenciam a intenção de evitar a ocorrência do fato gerador, pela prática fraudulenta de desviar receitas da tributação, mediante a utilização de interposição de pessoa, cabe a aplicação da multa qualificada. Impugnação Procedente em Parte. Credito Tributário Mantido em parte. No voto condutor da decisão recorrida, destacamse os seguintes fundamentos quanto aos valores exonerados: “(...) Porém, impõese, de fato, a exclusão da presente exigência dos depósitos questionados nas contas bancárias de Maria Bernadete mantidas no Banco do Brasil em conjunto com Cláudio e Elizabeth, cuja origem não se logrou comprovar. Para atribuir exclusivamente à Maria Bernadete (sócia da autuada e dependente de Djalma) os depósitos de origem não comprovada nas contas mantidas no Banco do Brasil em conjunto com Cláudio e Elizabeth e desconsiderar a ressalva feita por Djalma, de inexistir qualquer relação entre tais depósitos com a empresa autuada, a fiscalização toma por fundamento apenas as respostas às intimações, constantes de fls. 79 (autuada) e de fls. 08, 09, 78, 96 e 97 do Anexo I (Djalma). (...)” Ainda segundo o Relatório elaborado pelo Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, a contribuinte foi cientificada da decisão recorrida em 15/6/2011, v. efls 511, tendo apresentado o recurso voluntário, em 13/7/2011, v. efls. 513/547, no qual repisa as alegações da peça impugnatória quanto as parcelas mantidas e ao final, requer o provimento nos seguintes termos: “V CONCLUSÃO Fl. 2935DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.935 19 1. A autuada e recorrente, entende que a função da Secretaria da Receita Federal do Brasil é, essencialmente, arrecadatória. Todavia, a nível do CARF e da CSRF, os julgamentos dos recursos devem ser decididos com grau de independência e isenção, sob pena de afronta, não só ao direito e à justiça fiscal mas, e principalmente, à ética e a moral. Se o lançamento de ofício e a decisão de primeira instância demonstraram estar afinados com essa missão arrecadatória da Receita Federal, na segunda instância de julgamento as decisões devem ser norteadas por princípios de justiça fiscal e independência, sob pena de avolumarse cada vez mais os recursos na esfera judicial. 2. Na matéria sob exame no presente recurso ficou claro que o sócio da autuada jamais poderia ser interposta pessoa da pessoa jurídica da qual é sócio e representante legal. Não há como se admitir que uma mesma conta bancária movimente operações da interposta pessoa e da suposta mandante. Isso, definitivamente não é o caso de interposta pessoa. Decaídos portanto os 1º , 2º e 3º trimestres de 2005 (IRPJ e CSL) e os meses de janeiro a novembro (PIS/COFINS) do mesmo ano. 3. Finalmente, a recorrente provou e comprovou que o autor do feito tributou todas as receitas já declaradas e tributadas pela autuada, protestando pela sua exclusão das bases de cálculo dos tributos objeto do lançamento de ofício e, também, dos rendimentos já tributados e isentos declarados pela pessoa física de seu sócio Djalma Azevedo Tavares Júnior, porque não comprovada sua exclusão dos depósitos bancários utilizados como base de cálculo dos tributos lançados de ofício no curso da ação fiscal. 4. Atendidos esses pleitos da recorrente o lançamento de ofício estará sanado, quanto à determinação correta de seus valores, restabelecendose os princípios de direito e de justiça fiscal. (...)” Com base nas alegações da contribuinte em seu recurso voluntário, firmouse o convencimento pela Turma Julgadora de que o processo deveria ser convertido em diligência para que a fiscalização se manifestasse quanto aos valores já tributados e que, por conseguinte, poderiam estar constando em duplicidade na base de cálculo lançada de ofício. Vejamos os argumentos exposados pela parte: "1. Embora comprovado que o autor do feito não excluiu as receitas já tributadas pela pessoa jurídica (Anexos 26 e 26 A 2005 e anexo 56 2006) e, ainda, pela não demonstração da exclusão, da base de cálculo dos tributos lançados, também dos rendimentos tributados e isentos da pessoa física, a recorrente protesta (se ainda remanescer alguma dúvida) seja baixado o processo em diligência para que o autor do feito, ou outro AFRFB, demonstre em relação aos períodos fiscalizados: 1º. O valor das receitas já tributadas pela pessoa jurídica autuada e sua exclusão das bases de cálculo dos tributos lançados; 2º O valor dos rendimentos tributados e isentos declarados pelo sócio da autuada (honorários, inclusive os recebidos da UNIMED, rendimentos de tributação exclusiva e lucro Fl. 2936DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.936 20 presumido distribuído), recebidos pelo titular das contas bancárias, Djalma Azevedo Tavares Júnior; 3º O valor das bases de cálculo de cada tributo, por período de apuração (mensal e trimestral), devidamente reajustados. (grifei) Baixados os autos à unidade de origem da Receita Federal, e em atendimento à Resolução nº 1402000.227, de 06/11/2013, foi a contribuinte intimada nos seguintes termos: Em resposta à referida intimação, a contribuinte juntou ao processo os docs. de efls. 2.755/2.822. Em relação ao item 1 da intimação acima reproduzida, informa que conseguiu comprovar apenas uma parte dos depósitos que alega serem correspondentes às receitas já tributadas, correspondentes às notas fiscais emitidas (em torno de 40% do valor total das NFs emitidas). Para tanto, elaborou as planilhas de efls. 2.757/2.773, onde lista todas as Notas Fiscais emitidas no período fiscalizado (2005/2006), fazendo a correspondência com os depósitos constantes de suas contascorrentes. Lastreou essas planilhas nos documentos de e fls. 2.774/2.822 (obtidos junto à Unicred Taubaté). Quanto aos itens 2 e 3 da intimação fiscal, reconhece a fiscalizada que, ou foram excluídos da base de cálculo pelo autuante (no caso do item 2), ou foram excluídos pela decisão recorrida (item 3), não havendo mais nenhuma discussão a esse respeito. Ao analisar os documentos apresentados pela recorrente, a autoridade fiscal manifestouse (v. efls. 2.823/2.824) no sentido de que "os argumentos apresentados pela autuada não podem ser aceitos, posto não restarem comprovados serem correspondentes às Notas Fiscais emitidas", no caso, os depósitos de origem não comprovada. A autoridade fiscal não conseguiu vislumbrar a vinculação entre as notas fiscais emitidas e os depósitos realizados, haja vista que as datas e valores constantes destes documentos não coincidiriam com aqueles constantes do Livro Caixa da empresa. Para exemplificar a situação, apresentou a planilha que reproduzo abaixo: Fl. 2937DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.937 21 Nota Fiscal Data do Livro Caixa Data Depósito no Banco 1221 31/01/2005 26/01/2005 e 25/02/2005 1263 12/05/2005 04/05/2005 e 06/06/2005 1284 24/06/2005 15/06/2005 e 14/07/2005 1313 08/08/2005 17/08/2005 e 19/09/2005 1326 01/09/2005 19/08/2005 e 19/09/2005 1346 31/10/2005 11/11/2005 e 12/12/2005 1379 17/02/2006 16/02/2006 e 02/03/2006 1468 25/05/2006 17/05/2006 e 16/06/2006 Os autos retornaram ao CARF, ainda sob a análise do Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que, novamente, propôs ao colegiado a conversão do julgamento em diligência. Abaixo reproduzimos os argumentos expendidos pelo Conselheiro para justificar mais esse pedido: Do exame da prova dos autos e das circunstâncias do pagamento de cirurgias mediante cheques prédatados, por vezes, descontados antecipadamente na Cooperativa em que o médico, sócio da fiscalizada e responsável pelas cirurgias era associado, somado ao fato de um único depósito contemplar mais de um cheque, de pacientes distintos, revelase nítido, para não dizer impossível, a conciliação dos depósitos bancários com as notas fiscais emitidas. Nestas circunstâncias o procedimento mais plausível é pegar a soma dos depósitos bancários e dele subtrair as transferências entre contas da mesma titularidade e a receita declarada. A diferença, sem comprovação de origem, será o valor omitido. (grifei) A sistemática do procedimento aqui referido tem como razão de ser a forma como os fatos ocorrem no mundo real, pois não é crível que quem queira sonegar receita deposite os valores omitidos em conta bancária e mantenha à margem do sistema financeiro os valores regularmente declarados e tributados. No caso dos autos, do exame da planilha de fls. 256, anexa ao auto de infração, verificase que a autoridade fiscal excluiu da base de cálculo os valores de transferência da mesma titularidade, por assim dizer, já que considerou as transferências que o Sócio Djalma ou seus familiares fizeram à empresa como sendo recursos desta. No entanto, a controvérsia surge a partir dos valores depositados na UNICRED DE TAUBATÉ, na conta nº 0001813, indicados a partir da fl. 259, a seguir exemplificados: (...) Fl. 2938DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.938 22 Argumenta a recorrente que vários depósitos dos indicados às fls. 259/272 correspondem a notas fiscais emitidas e devidamente tributadas, assim, devem ser excluídos da base de cálculo. Em ocasião anterior, quando o processo esteve em pauta, o Colegiado converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal se manifestasse acerca das alegações da recorrente, tendo esta concluído que "os argumentos apresentados pela autuada não podem ser aceitos, posto não restarem comprovados serem correspondentes às Notas Fiscais emitidas", conforme demonstra a tabela acima transcrita, citada a título de exemplo. Pois bem, do exame da prova penso que a matéria merece maior atenção a alguns detalhes. A propósito, a título de exemplo, a autoridade fiscal mencionou que não estava comprovado que o valor de R$ 5.500,00, referente à nota fiscal nº 1379, emitida em 03/02/2006, tivesse transitado pelas contas e fizesse parte dos depósitos de origem não comprovada. Todavia, quando se aprecia a prova dos autos se vê que no dia 16/02/2006 tem um depósito bloqueado por 24h, no valor de R$ 6.250,00. Confrontando este dado com o anexo 02, apresentado em memoriais, constatase que no dia 16/02/2006 a recorrente remeteu para o Banco 3 cheques, nos valores abaixo indicados:(v. efls. 2.907) (...) O outro cheque de R$ 2.500,00, vinculado à nota fiscal nº 1379, conforme documento abaixo, foi depositado em 02/03/2006, junto com mais três cheques totalizando R$ 7.400,00, que também integra a base de cálculo dos depósitos de origem não comprovada (v. efls. 2.907). (...) Na avaliação da prova, feita quando da sessão de julgamento, o colegiado, em análise preliminar, considerou verossímeis as alegações da recorrente, que inclusive apresentou, em memoriais, acompanhadas das respectivas notas fiscais e depósitos bancários, demonstrando possíveis equívocos na análise feita quando da diligência fiscal. Neste ponto, em relação ao anocalendário de 2005, transcrevo a seguinte parte da planilha contida nos memoriais:(v. efls. 2.908) (...) Apesar da planilha acima e dos documentos que o acompanharam os memoriais permitir que se forme juízo de valor acerca da situação controvertida, o Colegiado se viu diante do impasse em saber se além dos valores analisado em memoriais existiam outros a serem considerados. Fl. 2939DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.939 23 A proposta do relator era por examinar o mérito acolhendo a exclusão da base de cálculo dos valores efetivamente demonstrados, à semelhança dos que foram relacionados à nota fiscal nº 1379. Todavia, a partir das considerações feitas pela defesa, em sustentação oral, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a recorrente, à semelhança do que fez quando dos exemplos apontados nos memoriais, relacione quais os valores que no seu entender correspondem a nota fiscal já oferecida à tributação, correlacionando as devidas provas. ISSO POSTO, voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade de origem intime a recorrente para, no prazo de 30 dias, relacionar quais os valores que no seu entender correspondem a nota fiscal já oferecida à tributação, indicando as provas existentes, à semelhança de como procedeu em relação à nota fiscal nº 1379. É o voto. Assim, o processo retornou à origem para que fosse providenciada a nova diligência. A fiscalização, então, procedeu a nova intimação (v. efls. 2.911), reiterando os termos da Resolução nº 1402000.296, que desta feita não teve resposta por parte da contribuinte (v. efls. 2.914). Neste ínterim, o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva deixou de fazer parte desta Turma julgadora, razão pela qual os autos foram a mim redistribuídos. É o relatório. Fl. 2940DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.940 24 Voto Conselheiro LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Como já vimos no Relatório, a recorrente foi autuada por omissão de receita decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, com a imposição de multa qualificada, haja vista a caracterização de conduta fraudulenta por movimentar recursos financeiros, oriundos de sua atividade, em contas de terceiros (sócios), à margem da contabilidade. Baixados os autos para diligência, por duas oportunidades, o processo retorna para a pauta de julgamento. Após uma análise acurada das circunstâncias que envolvem a autuação, bem assim das informações apuradas nas diligências empreendidas, chegamos à conclusão de que a controvérsia se resume apenas aos valores que, segundo a recorrente, já teriam sido objeto de tributação nos anos calendários de 2005 e 2006 e que estariam incluídos no rol dos depósitos bancários efetuados na contacorrente nº 0001813 (UNICREDTaubaté), de origem não comprovada, segundo a fiscalização. A referida contacorrente é de titularidade do Sr. DJALMA AZEVEDO TAVARES JÚNIOR (daqui em diante denominado de Sr. DJALMA), sócio da empresa PLASTCLIN, e foi movimentada, quase que em sua totalidade, com recursos provenientes da atividade operacional de autuada, inobstante a referida empresa ter suas próprias contas bancárias. Antes de adentrar na questão de mérito acima aduzida, vamos tratar da preliminar de decadência aventada pela recorrente. Alega ter ocorrido a decadência de parte do crédito tributário lançado, o que fulminaria a pretensão da exigência do IRPJ e da CSLL relativos aos 03 primeiros trimestres de 2005 e, em relação ao PIS e à COFINS, aos 11 primeiros meses do mesmo ano calendário. Sustenta a autuada que ao lançamento deveria ser aplicada a regra de contagem prevista no art. 150, § 4º, do CTN, pois, ao seu ver, não teria praticado nenhuma conduta fraudulenta que justificasse a majoração da penalidade. Ora, tal alegação é incabível, haja vista os contornos fáticos em que está envolta a fiscalização. Primeiramente, é de se lembrar que a auditoria iniciouse na pessoa física dos sócios e de seus dependentes. Somente após ter sido detectada pela fiscalização a expressiva movimentação financeira nas contas bancárias do sócio Sr. DJALMA, este confessa trataremse de valores pertencentes, quase que em sua totalidade, à pessoa jurídica PLASTCLIN. Tais valores foram mantidos à margem da contabilidade e, consequentemente, da tributação. Em várias passagens de seu recurso, a recorrente insiste na afirmação de que não pode ser qualificado como interposta pessoa, ou dito como "terceiro", haja vista ser o Fl. 2941DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.941 25 titular da empresa, conjuntamente com sua esposa. Faz isso para desqualificar a acusação fiscal, mormente naquilo que diz respeito à imposição da multa qualificada, que tem reflexos, diretos, na questão decadencial. Entretanto, não importa apenas que a conta bancária utilizada pela empresa para sua movimentação financeira seja do sócio ou de um "laranja", para a caracterização da interposta pessoa. Ao caso importa muito mais o fato de que a conta bancária estava sendo utilizada à margem da escrituração, o que caracteriza o intuito de esconder da Administração Tributária a ocorrência do fato gerador dos tributos a que estava sujeita. E isso é fraude, nos exatos termos da Lei nº 4.502/64, em seu art. 72: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Além do mais, ao utilizar sua conta bancária para movimentar recursos da PLASTCLIN, o Sr. DJALMA qualificouse como interposta pessoa (ou terceiro), na verdadeira acepção do termo, que significa uma simulação consistente em ocultar o verdadeiro interessado em determinado negócio jurídico (vide Dicionário Aurélio). A maior interessada na referida movimentação era a PLASTCLIN, que não pode ser confundida com a figura de seu sócio, para todos os efeitos legais. Somese a isso o fato de a empresa possuir suas próprias contas bancárias, o que implicaria na total desnecessidade da utilização de terceiros para tal mister. O dolo está fartamente caracterizado, basta notar a discrepância entre os valores declarados e aqueles que foram omitidos, evidenciados pela fiscalização: AnoCalendário Receita Declarada Receita Omitida 2005 R$ 264.030,00 R$ 1.344.674,37 2006 R$ 235.599,50 R$ 1.514.490,76 Analisando os números acima, encontramos um percentual de omissão de mais de 80%, em períodos subsequentes, o que denota uma prática reiterada por parte da autuada, afastando qualquer alegação de erro escusável. Portanto, nenhum reparo deve ser feito à autuação neste ponto, incidindo, in casu, a regra constante do art. 173, I, do CTN, para regular o prazo decadencial. Segundo tal regra, o lançamento cientificado ao sujeito passivo em 23/12/2010, relativo a fatos geradores ocorridos em 2005, está perfeito. Passando à análise da questão de mérito posta em julgamento, verificamos que a mesma, a princípio, é relativamente simples. Devemos focar nas Notas Fiscais emitidas pela autuada e decidir se os vínculos por ela realizados com os depósitos indicados estão corretos (v. docs. de efls. 2.755/2.822, apresentados quando da 1ª diligência, em resposta à intimação fiscal de efls. 2.752), excluindo os valores devidamente comprovados da base de cálculo dos tributos exigidos. Estas vinculações, entretanto, não seriam válidas, segundo a autoridade fiscal que procedeu à sua análise, haja vista que "os recebimentos escriturados no Livro Caixa, Fl. 2942DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.942 26 referentes às Notas Fiscais emitidas, NÃO coincidem com os depósitos bancários na conta corrente do sócio, lançados pela Fiscalização e alegados pela autuada como já tributados, tendo em vista a divergência de datas e valores, sendo que por essa razão não é possível estabelecer o vínculo pretendido pela interessada". Em seu relatório fiscal, o Auditor listou uma série de exemplos, já reproduzidos no Relatório, em que restariam caracterizadas essas divergências. Abaixo cito a primeira linha daquela planilha para efeito de análise. Nota Fiscal Data do Livro Caixa Data Depósito no Banco 1221 31/01/2005 26/01/2005 e 25/02/2005 Vejam que nesse caso, pinçado aleatoriamente da citada tabela, a data de registro da Nota Fiscal no Livro Caixa é posterior à data do primeiro depósito, razão pela qual a autoridade fiscal não acolheu a alegação da contribuinte. Ocorre que a alegação da autuada para esse tipo de ocorrência é de que as respectivas Notas Fiscais teriam sido contabilizadas conforme as datas de sua emissão, e nesses casos, a respectiva emissão teria se dado após a realização da cirurgia ou do pagamento pelo cliente. Isso é bastante plausível, se formos verificar como as coisas acontecem no mundo real. A atividade empreendida pela autuada está sujeita a esse tipo de eventualidade. Não é incomum que, em casos tais, a cliente busque a Nota Fiscal em momentos posteriores à realização do serviço. Além do mais, filiome à posição do Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que no seu voto condutor, para fundamentar a segunda diligência, assim se manifestou: A sistemática do procedimento aqui referido tem como razão de ser a forma como os fatos ocorrem no mundo real, pois não é crível que quem queira sonegar receita deposite os valores omitidos em conta bancária e mantenha à margem do sistema financeiro os valores regularmente declarados e tributados. Para reforçar essa visão, deparemonos com os demonstrativos de efls. 2.846/2.847, apresentados pela autuada após a ciência do referido Relatório Fiscal, em que ela faz um esforço adicional, identificando, para cada Nota Fiscal, o nome e endereço do cliente, número do cheque, banco e conta bancária do emitente. Apesar de não haver 100% de certeza de que tais cheques se refiram às respectivas Notas Fiscais, é possível de se perceber que em vários casos, onde houve a emissão de mais de um documento, os números são sequenciais, dando maior veracidade à informação prestada. Para se ter total certeza a respeito, seria necessária a apresentação das cópias dos respectivos cheques, entretanto, a instituição financeira declarou não possuílos mais, tendo em vista o decurso do prazo de mais de 05 anos (v. efls. 2.896/2.897). Este Colegiado tem pautado seus julgamentos de forma que prevaleça, sempre que possível, a verdade material dos fatos. Não sem razão, ao analisar as planilhas de e fls. 2.846/2.847 (apresentadas pela contribuinte após a ciência do relatório fiscal de efls. 2.823/2.825), decidiu por bem converter o julgamento em nova diligência (a segunda), para que não restasse dúvida da existência de outros valores que pudessem vir a ser considerados neste julgamento. Baixados os autos em diligência, a recorrente foi novamente intimada a complementar o conteúdo probatório dos autos, entretanto, quedouse inerte. Fl. 2943DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.943 27 Assim, consideramos como válidos para fazer prova dos valores já tributados pela recorrente aqueles constantes da planilha de efls. 2.846/2.847, e que perfazem os seguintes totais a serem excluídos da exigência: Ano Mês Valores a serem excluídos da exigência 1 8.300,00 2 1.980,00 3 3.000,00 Total 1º Trimestre 13.280,00 4 2.100,00 5 6.700,00 6 5.800,00 Total 2º Trimestre 14.600,00 7 13.000,00 8 7.500,00 9 11.500,00 Total 3º Trimestre 32.000,00 10 5.500,00 11 3.000,00 12 6.000,00 2005 Total 4º Trimestre 14.500,00 TOTAL ANUAL 74.380,00 1 2.800,00 2 5.500,00 3 5.000,00 Total 1º Trimestre 13.300,00 4 8.000,00 5 6.850,00 6 7.000,00 Total 2º Trimestre 21.850,00 7 7.700,00 8 3.500,00 9 0,00 Total 3º Trimestre 11.200,00 10 3.000,00 11 12.600,00 12 12.000,00 2006 Total 4º Trimestre 27.600,00 TOTAL ANUAL 74.380,00 Isto posto, preliminarmente, voto por afastar a decadência, e no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para unicamente excluir da exigência os valores acima identificados, mantendose a qualificação da multa de ofício. Em 09 de agosto de 2016 (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES – Relator Fl. 2944DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Acórdão n.º 1402002.260 S1C4T2 Fl. 2.944 28 Fl. 2945DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.907548/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2006
PAGAMENTO INDEVIDO OU À MAIOR. COFINS. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Considerando a comprovação documental da validade do crédito, não pode ser o sujeito passivo penalizado pelo simples equívoco material no preenchimento da documentação fiscal, à luz do princípio da verdade material e do art. 165, do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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COFINS. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, não pode ser o sujeito passivo penalizado pelo simples equívoco material no preenchimento da documentação fiscal, à luz do princípio da verdade material e do art. 165, do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 75 48 /2 00 9- 53 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de PER/DCOMP n.º 05395.84166.281207.1.3.046845 apresentado pelo contribuinte para a compensação de débito de CSLL com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS Cumulativa relativa ao PA de 31/05/2006 (código de receita 2172), recolhido através de DARF no valor de R$ 45.939,29 (acostado à fl. 165 do processo eletrônico). Por considerar que o crédito pleiteado teria sido integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS da competência de maio/2006, foi emitido Despacho Decisório Eletrônico de fl. 7 pela DRF/Manaus não homologando a compensação objeto deste processo. Inconformado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fl. 10, informando que a única razão para a não visualização da validade do crédito seria a divergência de informações entre o DACON e a DCTF, tendo sido esta última retificada para indicar a inexistência de débitos de COFINS no código de receita 2172, conforme DACON originário acostado às fls. 38 do processo eletrônico. Por considerar que não foram trazidas aos autos provas suficientes para comprovar o alegado, a DRJ em Belém/PA julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 6567). Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, oportunidade na qual apresentou novos documentos para respaldar a validade do crédito (planilha de composição das receitas, planilha de composição dos créditos, livro razão, balancete, DCTF retificada e cópia do DARF) invocando, por conseguinte, a aplicação ao caso do princípio da busca da verdade material. Confirmada a tempestividade do Recurso Voluntário e por considerar que existia indício de que o contribuinte teria direito ao crédito, este Conselho entendeu por converter o julgamento em diligência conforme Resolução n.º 3101000.420 de fls. 169172 para que a Delegacia de origem apurasse "o valor a recolher da contribuição Cofins com base na escrituração fiscal e contábil, com todos os documentos existentes nos autos, período de apuração de Maio de 2006 e se existe o recolhimento a maior no valor de R$ 45.939,29, recolhido através de DARF em 14/06/2006" (fl. 171). Em cumprimento da diligência foi proferido o Parecer SEORT/DRF/MNS n.º 11 (fls. 234239) no qual o I. Fiscal da DRF/Manaus indicou com clareza a validade do crédito e a sua suficiência para a liquidação total dos débitos objeto deste processo e dos processos correlatos mencionados acima. A proposição do Parecer foi exarada nos seguintes termos: "a) INFORMAR que, após análise da escrituração fiscal e contábil da empresa, bem como a análise das declarações entregues à Receita Federal (DACON e DCTF), o contribuinte, de fato, efetuou pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 45.939,29 (quarenta e cinco mil novecentos e trinta e nove reais e vinte e nove Fl. 250DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10283.907548/200953 Acórdão n.º 3402003.205 S3C4T2 Fl. 250 3 centavos), de COFINS Cumulativa (2172), ocorrido em 14/06/2006, para o período de apuração 05/2006; b) INFORMAR ainda que, após as análises já citadas, é entendimento deste SEORT/DRF/MNS que deva haver a homologação total da Declaração de Compensação no 05395.84166.281207.1.3.046845, haja vista a existência do crédito indicado como origem da compensação e este ser suficiente para a liquidação total do débito;" (fl. 239) É o relatório. Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne Presentes os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, conheço do Recurso Voluntário. Como delineado no relatório, após a conversão do processo em diligência, a própria Delegacia de origem confirmou a validade do crédito aproveitado pelo contribuinte considerando toda a documentação acostada aos autos. Como indicado com clareza no Parecer n.º 11/2016: "13. Observarmos que o contribuinte apresentou 2 (duas) DCTF’s para o período de apuração de 05/2006. Verificamos que na DCTF Original (fls. 210219) foi informado, equivocadamente, débito apurado de COFINS (2172) no valor de R$ 45.939,29 (fl. 216). Há ainda a informação que este débito foi extinto através de pagamento em DARF, pagamento este ocorrido em 14/06/2006. Já na DCTF Retificadora (fls. 220227), constatase que não há débito apurado de COFINS (2172), estando a DCTF em conformidade com a DACON apresentada. 14. Em consulta realizada no sistema SIEF/Documentos de Arrecadação (fls. 228 229), observase que o contribuinte, de fato, efetuou o recolhimento de DARF, em 14/06/2006, no valor de R$ 45.939,29, para o tributo COFINS, código de receita 2172. 15. Observase ainda na mesma consulta, que não há alocações para este pagamento, estando o mesmo, tão e somente, vinculado a este processo ora analisado. 16. Portanto, com base em análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, bem como na análise de sua DACON e DCTF, entendo que, de fato, ocorreu pagamento indevido ou a maior de COFINS (2172), para o período de apuração 05/2006, no valor de R$ 45.939,29, conforme DARF recolhido em 14/06/2006. Entendo também que, apesar da DCTF ter poder de confissão de dívida, não pode ser o contribuinte penalizado por um equívoco no preenchimento da mesma, ainda mais quando apresentou declaração retificadora, tendo sido esta aceita e processada pela Receita Federal. 17. Desta forma, pelo até aqui exposto, entendo que o contribuinte faz jus a Homologação Total da DCOMP no 05395.84166.281207.1.3.046845 (fls. 26), já que o crédito alegado na referida DCOMP encontrase integralmente disponível." (fl. 236 grifei) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 Como bem consignado pelo I. Fiscal no parecer acima transcrito, considerando a comprovação documental da validade do crédito, não pode ser o sujeito passivo penalizado pelo simples equívoco no preenchimento da documentação fiscal (no caso, a DCTF). Ora, de fato, o art. 165 do Código Tributário Nacional não traz qualquer limite de ordem formal para o reconhecimento do direito creditório do sujeito passivo, devendo ser reconhecido quando comprovada a sua validade material, inclusive no caso de elaboração indevida de qualquer documento relativo ao pagamento: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento." (grifei) Ademais, restou fartamente demonstrado que o caso se trata, apenas, de simples erro formal de preenchimento da DCTF, atraindo a aplicação do Princípio da Verdade Material, que exige o acolhimento e análise das provas acostadas pelo sujeito passivo. Esse é o entendimento sólido deste E. CARF: “ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido.” (Acórdão 3302002.208. Sessão de 27/06/2013. Relatora Fabíola Cassiano Keramidas.– grifei). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 30/05/2003 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão 3301002.677. Sessão de 08/12/2015. Relator Luiz Augusto do Couto Chagas grifei) “AUTOS DE INFRAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DCTF E DACON. ARGUIÇÃO DE MERO ERRO MATERIAL PELO SUJEITO PASSIVO NO PREENCHIMENTO DA DACON. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELO RECORRENTE. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL . Restando comprovado pelo sujeito passivo que houve retenções dos tributos indicados em DCTF, e que houve apenas erro material no preenchimento da DACON, a verdade material recomenda sejam acolhidas as provas apresentadas pelo sujeito passivo. Remanescem, todavia, as receitas não comprovadas no processo. Recurso Voluntário parcialmente provido.” Fl. 252DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10283.907548/200953 Acórdão n.º 3402003.205 S3C4T2 Fl. 251 5 (Acórdão 3802001.071. Sessão de 16/09/2013. Relator Bruno Mauricio Macedo Curi grifei) Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a integralidade do crédito objeto da DCOMP n.º 05395.84166.281207.1.3.046845 e homologar integralmente a compensação nela indicada. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 253DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06 /09/2016 por MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 13888.904200/2009-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 28/02/2003
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 28/02/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente CRISTINA APARECIDA FREDERICH & CIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 42 00 /2 00 9- 93 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904200/200993 Acórdão n.º 9303004.067 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3303002.488, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 285DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904200/200993 Acórdão n.º 9303004.067 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904200/200993 Acórdão n.º 9303004.067 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904200/200993 Acórdão n.º 9303004.067 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 288DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904200/200993 Acórdão n.º 9303004.067 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904200/200993 Acórdão n.º 9303004.067 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904200/200993 Acórdão n.º 9303004.067 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 291DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11080.914805/2012-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.267
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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anomes_sessao_s : 201609
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.805, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 05 /2 01 2- 58 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914805/201258 Acórdão n.º 9303004.267 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914805/201258 Acórdão n.º 9303004.267 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 197DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006792/2005-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 21/07/2004
Produto comercialmente denominado VITAMIN E 50% POWER FEED GRADE.
Tratando-se de preparação especificamente elaborada para ser adicionada à ração animal e/ou pré-misturas, há que se promover sua reclassificação fiscal, empregando-se o subitem 2309.90.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul, em vez do 2936.28.12, originalmente indicado pelo Sujeito Passivo.
Multa de Ofício de 75%. Aplicabilidade.
O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, na medida em que representa prestação de declaração inexata, maxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco.
Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita.
Multa por Ausência de Licença de Importação. Inaplicabilidade.
O exclusivo erro de classificação não é suficiente para atrair a aplicação da multa capitulada na atual redação do art. 169, I do Decreto-lei nº 37, de 1966. É necessário que se demonstre que tal erro prejudicou o exercício do controle administrativo das importações. (Acórdão 3102-00.708)
Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Negados.
Numero da decisão: 9303-003.842
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 21/07/2004 Produto comercialmente denominado VITAMIN E 50% POWER FEED GRADE. Tratando-se de preparação especificamente elaborada para ser adicionada à ração animal e/ou pré-misturas, há que se promover sua reclassificação fiscal, empregando-se o subitem 2309.90.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul, em vez do 2936.28.12, originalmente indicado pelo Sujeito Passivo. Multa de Ofício de 75%. Aplicabilidade. O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, na medida em que representa prestação de declaração inexata, maxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita. Multa por Ausência de Licença de Importação. Inaplicabilidade. O exclusivo erro de classificação não é suficiente para atrair a aplicação da multa capitulada na atual redação do art. 169, I do Decreto-lei nº 37, de 1966. É necessário que se demonstre que tal erro prejudicou o exercício do controle administrativo das importações. (Acórdão 3102-00.708) Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Negados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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E FAZENDA NACIONAL M CASSAB COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 21/07/2004 Produto comercialmente denominado “VITAMIN E 50% POWER FEED GRADE”. Tratandose de preparação especificamente elaborada para ser adicionada à ração animal e/ou prémisturas, há que se promover sua reclassificação fiscal, empregandose o subitem 2309.90.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul, em vez do 2936.28.12, originalmente indicado pelo Sujeito Passivo. Multa de Ofício de 75%. Aplicabilidade. O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, na medida em que representa prestação de “declaração inexata”, maxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita. Multa por Ausência de Licença de Importação. Inaplicabilidade. O exclusivo erro de classificação não é suficiente para atrair a aplicação da multa capitulada na atual redação do art. 169, I do Decretolei nº 37, de 1966. É necessário que se demonstre que tal erro prejudicou o exercício do controle administrativo das importações. (Acórdão 310200.708) Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e por maioria de votos, em negar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 67 92 /2 00 5- 29 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006792/200529 Acórdão n.º 9303003.842 CSRFT3 Fl. 248 2 provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência da Fazenda Nacional e do contribuinte à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), apresentados tempestivamente, em face do Acórdão n° 310200.708, de 29/07/2010. Eis a ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 21/07/2004 Produto comercialmente denominado “VITAMIN E 50% POWER FEED GRADE”. Tratandose de preparação especificamente elaborada para ser adicionada à ração animal e/ou prémisturas, há que se promover sua reclassificação fiscal, empregandose o subitem 2309.90.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul, ao invés do 2936.28.12, originalmente indicado pelo Sujeito Passivo. Multa de Ofício de 75%. Aplicabilidade. O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, na medida em que representa prestação de “declaração inexata”, maxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. 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É necessário que se demonstre que tal erro prejudicou o exercício do controle administrativo das importações. Recurso Voluntário Provido em Parte. Conforme consta no relatório feito pela DRJ, foi lavrado em 10/10/2005, o presente Auto de Infração para a cobrança da diferença do I.I. – imposto de importação, do IPI, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Importação, bem como os acréscimos legais cabíveis, tendo em vista a desclassificação fiscal da mercadoria importada. Ainda de acordo com o referido relatório: Consta da “Descrição dos Fatos” (folha 03), que faz parte integrante do citado auto de infração, que: através da DI nº 04/07129167, registrada em 21/07/2004, o contribuinte importou a seguinte mercadoria: 18.000 kg. de Vitamina E, nome técnico Acetato de DLAlfaTocoferol, adotando o código tarifário NCM 2936.28.12, com alíquota do I.I. de 0,00%, do IPI de 0,00%, PISimportação de 0,00% e COFINSimportação de 0,00%. A mercadoria foi desembaraçada através do canal verde de conferência aduaneira; a fiscalização, posteriormente, verificou que a descrição da mercadoria informada na D.I. encontravase incorreta, tendo sido omitido o nome comercial “VITAMIN E 50% POWER FEED GRADE”, conforme constava da fatura comercial; o contribuinte informou ao fazer a descrição detalhada da mercadoria que a “classificação adotada está de acordo com a Decisão DIANA/COANA no. 002/99”. Ocorre que a citada Decisão referese tão somente aos produtos MICROVIT E PROMIX 50, do fabricante RhônePoulenc Nutrition Animale e ROVIMIX E50 Adsorbato, do fabricante F. Hoffmann – La Roche AG, portanto, diferentes da mercadoria importada através da DI 04/07129167; em outra DI do importador (no. 03/0084294/0) que foi objeto de conferência física com retirada de amostras (LAB 283/EQPEA), resultou na emissão do Laudo de Análise no. 0553.01 de 26/03/2003. Este Laudo informa que “não se tratava somente de Acetato de Vitamina E (tocoferol)”, conforme indicado pelo contribuinte, mas sim de “Preparação constituída de Acetato de Tocoferol (Acetato de Vitamina E) e substâncias inorgânicas à base de sílica (excipiente), na forma de Fl. 249DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006792/200529 Acórdão n.º 9303003.842 CSRFT3 Fl. 250 4 microesferas, não doseada, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração animal e/ou prémisturas”; com base na 1ª. e 6ª RGI/SH a classificação correta para o produto é NCM 2309.90.90; o novo código NCM 2309.90.90 exige LI – licença de importação nãoautomática, a qual deixou de ser apresentada tempestivamente; assim, fica evidenciado que o importador adotou posição tarifária incorreta, deixou de apresentar a competente LI e descreveu a mercadoria de forma incorreta. A empresa regularmente cientificada da autuação, no dia 27/12/2005 (fl. 62 – verso), apresentou tempestivamente a Impugnação, em 25/01/2006 (fls. 63/ss), onde alega em síntese que: o produto importado pela Impugnante foi corretamente classificado sob o código 2936.2812, como Acetato de D ou DL Alfa de Tocoferol, nome técnico da Vitamina E 50%;; o enquadramento tarifário adotado pelo contribuinte para a correta classificação tarifária das mercadorias foi baseado em resposta da DINOM – Divisão de Nomenclatura, Classificação e Origem de Mercadorias, à Consulta Administrativa formulada pelo SINDIRAÇÕES Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (processo 10168.003154/98+36); a fiscalização deve aplicar as decisões proferidas pelo DINOM/SRF, órgão máximo e competente para dirimir todas as dúvidas atinentes à correta classificação fiscal das mercadorias; as Decisões proferidas em Consulta Fiscal vinculam a Administração Pública; na Notas Explicativas ao Capítulo estão expressamente indicados os produtos que “devem ser classificados como provitaminas ou vitaminas na acepção da posição 2936”, estando incluída nesta lista a Vitamina E. Transcreve trechos da citada Nota; a Vitamina E 50% em seu estado puro, somente é termoestável na ausência de oxigênio (ar) e da luz, propriedade que a torna de difícil manuseio e comercialização, pois, para efeito de estocagem e transporte, requer o acondicionamento a vácuo, em recipientes herméticos. Assim, a Vitamina E na forma de pó foi produzida a partir da sua absorção pelo dióxido de silício, passando, com isso, do estado líquido para o estado sólido (pó), adquirindo, inclusive, grande estabilidade para transporte, estocagem e manipulação, sem que esta adsorção interferisse nas propriedades bioquímicas da vitamina. De acordo com a NESH , os produtos da presente posição podem ser estabilizados para tornálas aptos à conservação ou transporte por adsorção em substâncias apropriadas (ácido sílico, por exemplo); Fl. 250DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006792/200529 Acórdão n.º 9303003.842 CSRFT3 Fl. 251 5 a presença de outros elementos tais como Acetato de Tocoferol e Substância Inorgânica a base de Sílica, não tornam os produtos uma “preparação empregada na alimentação de animais”, capaz de excluílos do capítulo 29; é incabível a multa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente por entender que a classificação fiscal adotada está correta, além disso, afirma que descreveu devidamente o produto por ela importado. Portanto, aduz que a mercadoria foi descrita sem nenhuma espécie de imprecisão que pudesse prejudicar sua identificação no momento da realização do despacho de importação. requer que seja declarada a nulidade do auto de infração. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 21/07/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Preparação constituída de Acetato de Tocoferol (Acetato de Vitamina E) e Substâncias Inorgânicas à base de Sílica (excipiente), na forma de microesferas, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração, conforme laudo técnico oficial, classificase no código NCM 2309.90.90. Lançamento Procedente Após tomar ciência da decisão recorrida em 23/03/2009, comparece a recorrente mais uma vez aos autos em 17/04/2009, para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa, acrescentando exclusivamente suas considerações acerca da aplicação das conclusões exaradas na Decisão Coana nº 002/1999, que, segundo alega, trata de produto idêntico ao debatido no presente litígio. O Recurso Voluntário foi parcialmente provido nos termos da ementa transcrita acima. Ambas as partes apresentaram Recurso Especial e contrarrazões, tendo os recursos sido admitidos. A Fazenda Nacional insurgiuse contra o afastamento, pela decisão recorrida, da multa de 30% do valor aduaneiro da mercadoria importada, por falta de licença de importação. O contribuinte (M. CASSAB COM. IND. LTDA.) insurgese contra a decisão que manteve o lançamento tributário no tocante a classificação fiscal apontado pelo Fisco. Considera, ao contrário de como decidido, que o acórdão recorrido diverge da jurisprudência de outros órgãos Julgadores do CARF, que decidiram no sentido de que a correta classificação do produto VITAMINA E 50% é na posição 2936.28.12 da NCM, adotada pelo contribuinte, ao invés da posição 2309.90.90 da NCM, adotada pelo Fisco. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006792/200529 Acórdão n.º 9303003.842 CSRFT3 Fl. 252 6 É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir os Recursos Especiais foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. No acórdão recorrido, relativamente à aplicação da multa por falta de licença de importação, o relator observa que na hipótese em que tanto a classificação empregada pelo importador, quanto a definida pelo Fisco não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Conclui que, no presente caso, não restou demonstrado o prejuízo ao controle administrativo, apesar da demonstração, pela autoridade fiscal, do erro na indicação da classificação, uma vez que o produto foi alvo de controle por parte do mesmo órgão governamental que seria responsável pelo controle administrativo, caso viesse a ser empregado o código tarifário correto. O conselheiro relator do acórdão recorrido tratou bem da matéria, tanto na parte probatória como jurídica, assim vou usar as suas razões de decidir para embasar o presente voto. Com relação a esse aspecto do lançamento, estou em que razão assiste ao sujeito passivo. Por razões diversas das manejadas, entendo que não se configurou a infração abstratamente prevista no art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966, que teve sua redação alterada pela Lei nº 6.562, de 1978, à época regulamentado pelo Art. 633 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 2002. Vejase a redação do dispositivo regulamentar: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169 e § 6º, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º): (...) II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6º, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º); e Dúvida não há que o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso Fl. 252DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006792/200529 Acórdão n.º 9303003.842 CSRFT3 Fl. 253 7 afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Desta feita, se ficar demonstrado erro na indicação da classificação tarifária e o item tarifário apontado como correto estiver sujeito a controle administrativo não previsto para a classificação original (v.g. o código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática), forçosamente, mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada em violação ao controle administrativo das importações, bem jurídico expressamente tutelado pelo art. 633 anteriormente transcrito. Ocorre que, por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Ou seja, se tanto o código tarifário indicado pelo Fisco, quanto o defendido pelo sujeito passivo estiverem sujeitos ao mesmo tratamento administrativo, não vejo como considerar que a mercadoria deixou de ser licenciada em razão do erro de classificação. Compulsando os autos, em especial o trecho do relatório fiscal à fl. 04 e o extrato de Licença de Importação à fl. 34, verificase que, apesar de lograr êxito na demonstração do equívoco na indicação da classificação fiscal, não restou demonstrado o prejuízo ao controle administrativo produzido por tal erro. Aliás, o que se infere do referido extrato é que o produto em análise foi efetivamente alvo de controle por parte do Ministério da Agricultura e Produção Agropecuária, mesmo órgão que seria responsável pelo controle administrativo, caso viesse a ser empregado o código tarifário correto. Portanto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela PGFN. Por sua vez, o contribuinte (M. CASSAB COM. IND. LTDA.) insurgese contra a decisão que manteve o lançamento tributário no tocante à classificação fiscal apontado pelo Fisco. Considera, ao contrário de como decidido, que o acórdão recorrido diverge da jurisprudência de outros órgãos julgadores do CARF, que decidiram no sentido de que a correta classificação do produto VITAMINA E 50% é na posição 2936.28.12 da NCM, adotada pelo contribuinte, em vez da posição 2309.90.90 da NCM, adotada pelo Fisco. A matéria da classificação fiscal já foi bastante debatida neste Conselho, inclusive com votos bem fundamentados dos conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Nanci Gama. Assim, tanto nas matérias da classificação quanto da multa de ofício, usarei o voto do ilustre conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro como razões de decidir do presente voto. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006792/200529 Acórdão n.º 9303003.842 CSRFT3 Fl. 254 8 Classificação Fiscal Com relação à primeira questão, pelo menos segundo os elementos constantes dos autos, razão não assiste ao Recorrente, que pretendia empregar o código 2936.28.121. A meu ver o produto em discussão deve ser classificado no subitem 2309.90.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul, código defendido pelo Fisco. Com efeito, preliminarmente, há que se ter em mente que o produto ora debatido, efetivamente, não está formalmente protegido pelo palio da solução de consulta nº 002, de 1999, na medida em que, efetivamente, não se encontra elencado no rol de mercadorias submetidas à análise que culminou com aquele ato, que se limitou a ratificar a classificação de dois produtos com origem e fabricante diversos. Mais importante que tal aspecto formal, a meu ver é a diferença entre as premissas que orientaram a expedição daquela solução de consulta cujas conclusões de pretende ver replicadas e as que foram consideradas pelo Fisco quando da lavratura do auto de infração litigioso. De fato, segundo o D. parecerista, o processo de adsorção22 (não confundir com absorsão) ao qual o produto consultado teria sido submetido não o tornaria apto a um fim específico, confirase excerto da préfalada Solução de Consulta: Ora, como as mercadorias 1 e 2 são insumos para a produção das prémisturas e a sílica expandida, posta nestas duas mercadorias, não modifica o caráter do acetato de dlalfatocoferol, preservando sua aplicação geral, devese desconsiderar a posição 2309 para abrigar tais mercadorias. Além disto, há também aqui uma indicação valiosa sobre a posição mais adequada para comportar as mercadorias 1 e 2, ou seja, a posição 2936. Consequentemente, deveria ser aplicada a regra interpretativa assentada nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh) da posição 2309, que diz: Excluemse da presente posição: (...) e) As vitaminas, mesmo de constituição química definida, misturadas entre si ou não, mesmo apresentadas em um solvente ou estabilizadas por adição de agentes antioxidantes ou antiaglomerantes, por adsorção em um substrato ou por revestimento, por exemplo, com gelatina, ceras, matérias graxas (gordas*), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos 1 2936.28.12 Acetato de D ou DLalfatocoferol 2 processo pelo qual átomos, moléculas ou íons são retidos na superfície de sólidos através de interações de natureza química ou física (cf Dicionário Houaiss, edição eletrônica) Fl. 254DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006792/200529 Acórdão n.º 9303003.842 CSRFT3 Fl. 255 9 específicos de preferência à sua aplicação geral (posição 29.36). Por outro lado, considerou o D. parecerista que o processo de adsorção teria finalidade apta a atrair as Notas do Capítulo 29 e as Nesh da posição 2936. Confirase: As Notas do Capítulo 29 da NCM apresentam o comando: 1 Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente capítulo apenas compreendem: c) Os produtos das posições 2936 a 2939, os éteres e ésteres de açúcares e respectivos sais, da posição 2940 e os produtos da posição 2941, de constituição química definida ou não; f) Os produtos das alíneas "a", "b", "c'; "d" ou "e" acima, adicionados de um estabilizante (incluído um agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte; Desse modo as duas mercadorias em pauta podem ser locadas no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul. A certeza a respeito dessa locação advém das NESH, no seu Subcapítulo XI Provitaminas, Vitaminas e Hormônios, que orienta assim: Os produtos da presente posição podem ser estabilizados para tomálos aptos à conservação ou transporte; por adição de agente antioxidante, por adição de agentes antiaglomerantes (hidratos de carbono, por exemplo), por revestimento com substâncias apropriadas (gelatinas, ceras, matérias graxas, por exemplo), mesmo plastificadas, ou por adsorção em substâncias apropriadas (ácido silícico, por exemplo), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas ou os tratamentos a que são submetidos não sejam superiores aos necessários à sua conservação ou transporte, nem modifiquem o caráter do produto de base nem os tomem particularmente aptos para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Nessa mesma esteira, trouxe o parecerista à colação parecer do Comitê do Sistema Harmonizado (HSC) acerca da classificação (documento COM/AS 21 Feb. 1998). De se registrar que, posteriormente, dito documento foi publicado por meio da Instrução Normativa SRF nº 99/99, onde se lia: Código: 2936.28 1. Preparações constituídas de vitamina E (cerca de 50% em peso) estabilizadas em uma matriz por meio de agentes Fl. 255DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006792/200529 Acórdão n.º 9303003.842 CSRFT3 Fl. 256 10 antioxidantes e de outros aditivos ou embebidas em sílica amorfa para sua conservação ou transporte. Ocorre que, no vertente processo, as características que deram suporte à solução de consulta são expressamente rejeitadas pelo laudo técnico que respaldou a autuação3. Confirase as conclusões do instituto de análise (destaquei): Tratase de Preparação constituída de Acetato de Tocoferol; (Acetato de Vitamina E) e Substâncias (sic) inorgânicas à base de sílica (excipiente), na forma de microesferas, não doseada, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração, uma preparação especificamente elaborada para ser adicionada à ração animal e/ou prémisturas. Segundo Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal (cópia anexa), preparações contendo 50% de Acetato de Vitamina E são utilizadas exclusivamente na produção de ração animal, após prémistura sobre um suporte adequado. (...) A sílica na quantidade presente não têm função de antiaglomerante, impureza, estabilizante e nem de agente antipoeira. Como é possível verificar, o Laboratório Nacional de Análises, após a realização de exames laboratoriais no produto importado (e não o consultado), afirmou categoricamente que a sílica empregada deixa o produto apto a ser empregado em uma função específica, e que, por outro lado, tal substância não tem a função de estabilizante. Acerca do valor tais afirmações, não custa recordar o que diz o art. 30, caput e §§, do Decreto nº 70.235, de 19724, que determina a adoção, em seus aspectos técnicos, dos laudos elaborados pelo Laboratório Nacional de Análises, salvo se comprovada a improcedência desses laudos. Se não foi trazida aos autos qualquer elemento que infirme as conclusões dos experts, não vejo como deixar de considerálas. 3 Doc. à fl. 53. 4 Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. § 2º A existência no processo de laudos ou pareceres técnicos não impede a autoridade julgadora de solicitar outros a qualquer dos órgãos referidos neste artigo. § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) quando tratarem de máquinas, aparelhos, equipamentos, veículos e outros produtos complexos de fabricação em série, do mesmo fabricante, com iguais especificações, marca e modelo. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 256DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006792/200529 Acórdão n.º 9303003.842 CSRFT3 Fl. 257 11 Aliás, se cotejados os documentos de lavra do próprio Sujeito Passivo, a informação que se extrai é a de que o produto em discussão realmente só pode ser utilizado na finalidade apontada no laudo técnico. Vejase o que consta do extrato de Licença de Importação à fl. 34 Produto 01 Especificação VITAMINA E NOME TECNICO: ACETATO DE DLALFATOCOFEROL , NOME CIENTIFICO: ACETATO DE 2,5,7,8 TETRAMETIL2 (4,8,12TRIMETIL TRICEDIL 6CROMANOL) USO DO PRODUTO: SUPLEMENTO VITAMINICO EXCLUSIVO EM ATIVIDADES AGROPECUARIAS/ALIMENTAÇÃO ANIMAL. (destaquei) (...) Nessa moldura, não vejo assumir a premissa de que o produto litigioso é idêntico ao que foi alvo da consulta fiscal, nem, consequentemente, tomar emprestadas as conclusões da Solução de Consulta 002, de 1999. Da mesma forma, restou demonstrado que as notas do Capítulo 29 rejeitam a classificação do produto na posição 2936, em homenagem à RGI nº 1, não há como acatar a pretensão do Sujeito Passivo. Relembrese do que diz a referida regra: 1. OS TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAPÍTULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA OS EFEITOS LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES. Importante ainda é recordar a Nesh que esclarece o conteúdo desse comando (destaquei): V) Na disposição III) b) a frase “desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas”, destinase a precisar, sem deixar dúvidas, que os dizeres das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo prevalecem, para a determinação da classificação, sobre qualquer outra consideração. Por exemplo, no Capítulo 31, as Notas estabelecem que certas posições só englobam determinadas mercadorias. Conseqüentemente, o alcance dessas posições não pode ser ampliado para englobar mercadorias que, de outra forma, aí se incluiriam por aplicação da Regra 2 b). Restaria, portanto, avaliar se o subitem indicado pelo Fisco é realmente o que melhor classifica a mercadoria litigiosa. 2309 PREPARAÇÕES DOS TIPOS UTILIZADOS NA ALIMENTAÇÃO DE ANIMAIS Fl. 257DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006792/200529 Acórdão n.º 9303003.842 CSRFT3 Fl. 258 12 2309.90 Outras 2309.90.90 Outras Sendo certo que, de acordo com o laudo técnico, o produto importado é empregado com insumo na produção de ração animal, é importante que se tome em consideração as Nesh da posição 2309, onde se lê (os destaques não constam do original): Esta posição compreende não só as preparações forrageiras adicionadas de melaço ou de açúcares, como também as preparações empregadas na alimentação de animais, constituídas de uma mistura de diversos elementos nutritivos, destinados: 1) quer a fornecer ao animal uma alimentação diária racional e balanceada (alimentos completos); 2) quer a completar os alimentos produzidos na propriedade agrícola, por adição de algumas substâncias orgânicas ou inorgânicas (alimentos complementares); 3) quer a entrar na fabricação dos alimentos completos ou dos alimentos complementares. (...) II. OUTRAS PREPARAÇÕES A. AS PREPARAÇÕES DESTINADAS A FORNECER AO ANIMAL A TOTALIDADE DOS ELEMENTOS NUTRITIVOS NECESSÁRIOS PARA UMA ALIMENTAÇÃO DIÁRIA RACIONAL EBALANCEADA (ALIMENTOS COMPOSTOS "COMPLETOS") Estas preparações caracterizamse pelo fato de conterem produtos que pertencem a cada um dos três grupos de elementos nutritivos seguintes: 1) Elementos nutritivos denominados "energéticos" constituídos de matérias hidrocarbonadas, tais como amido, açúcar, celulose e gorduras, e destinados a serem queimados pelo organismo animal, para produzirem a energia necessária à vida e alcançar os objetivos dos criadores de animais. Podem citarse como exemplo de substâncias desta espécie os cereais, beterrabas semi sacarinas, sebos e palhas. 2) Elementos nutritivos ricos em substâncias protéicas ou minerais, designados "construtores". Ao contrário dos precedentes, estes elementos não são "queimados" pelo organismo animal, mas intervêm na formação dos tecidos e dos diferentes produtos animais (leite, ovos, etc.). São essencialmente constituídos por matérias protéicas ou minerais. Podem citarse como exemplo de matérias ricas em substâncias protéicas utilizadas para este fim, as sementes de leguminosas, as borras da indústria da cerveja, as tortas (bagaços) e os subprodutos lácteos. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006792/200529 Acórdão n.º 9303003.842 CSRFT3 Fl. 259 13 As matérias minerais destinamse, principalmente, à formação do esqueleto do animal e, no caso das aves, das cascas dos ovos. As mais utilizadas contêm cálcio, fósforo, cloro, sódio, potássio, ferro, iodo, etc. 3) Elementos nutritivos "funcionais". São substâncias que asseguram a boa assimilação pelo organismo animal, dos elementos hidrocarbonados, protéicos e minerais. Citamse as vitaminas, os oligoelementos, os antibióticos. A ausência ou carência destas substâncias ocasiona, na maior parte dos casos, pertubações na saúde do animal. (...) C. AS PREPARAÇÕES DESTINADAS A ENTRAR NA FABRICAÇÃO DOS ALIMENTOS "COMPLETOS" OU "COMPLEMENTARES" DESCRITOS NOS GRUPOS A E B, ACIMA Estas preparações, designadas comercialmente prémisturas, são geralmente compostos de caráter complexo que compreendem um conjunto de elementos (às vezes denominados "aditivos"), cuja natureza e proporções variam consoante a produção zootécnica a que se destinam. Esses elementos são de três espécies: 1) os que favorecem à digestão e, de uma forma mais geral, à utilização dos alimentos pelo animal, defendendo o seu estado de saúde: vitaminas ou provitaminas, aminoácidos, antibióticos, coccidiostáticos, oligoelementos, emulsificantes, aromatizantes ou aperitivos, etc.; A leitura sistemática dessas notas, permite concluir que, de acordo com a literatura técnica acostada ao laudo, a mercadoria importada se insere no grupo das preparações destinadas à fabricação de alimentos compostos, na condição de elemento nutritivo “funcional” e, como tal, correta é o seu enquadramento na posição 2309. Dentre os desdobramentos da referida posição citamse: 2309.10.00 Alimentos para cães e gatos, acondicionados para venda a retalho 2309.90 Outras Sendo certo que não se discute sua aplicação como alimento para cães ou gatos, restaria empregar a suposição 2309.90 Outras e, dentre os desdobramentos dessa subposição, o 2309.90.90, eis que não ventilou a presença de qualquer característica capaz de atrair o enquadramento nos itens 2309.90.10 a 2309.90.90. 2309.90.10 Preparações destinadas a fornecer ao animal a totalidade dos elementos nutritivos necessários para uma alimentação diária racional e equilibrada (alimentos compostos completos) Fl. 259DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006792/200529 Acórdão n.º 9303003.842 CSRFT3 Fl. 260 14 2309.90.20 Preparações à base de sal iodado, farinha de ossos, farinha de concha, cobre e cobalto 2309.90.30 Bolachas e biscoitos 2309.90.40 Preparações contendo Diclazuril 2309.90.90 Outras Multa de Ofício Como é cediço, o erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 19965, na medida em que representa prestação de “declaração inexata”. Nessa esteira, restando caracterizado que, de fato, a classificação declarada não é a cabível, somente seria possível afastar a penalidade se verificada circunstância excludente expressamente enumerada no Ato Declaratório Interpretativo SRF no 13, de 10/09/2002, em cujo art. 1º se lê: Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Art. 2º Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 10, de 16 de janeiro de 1997. Conforme é possível extrair do referido dispositivo, a hipótese de erro de classificação não faz parte das condutas taxativamente elencadas no referido ato: reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex. Não custa destacar que, como se extrai do artigo 2ª do mesmo ADI 13, de 2002, o ato declaratório que dava respaldo à exclusão da multa em razão de erro de classificação (ADN 10, de 1997) foi expressamente revogado desde 10/09/2002, data significativamente anterior ao fato gerador objeto do litígio. Tão significativa quanto a ausência de previsão normativa para a pretensão é o fato de a descrição da mercadoria, diferentemente do alegado pela Recorrente, contém inexatidão capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Relembre Fl. 260DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.006792/200529 Acórdão n.º 9303003.842 CSRFT3 Fl. 261 15 se, foi alegado que o produto estaria albergado por uma solução de consulta que contempla mercadoria diversa. Podemos depreender pela minúcia e exaurimento das matérias constantes no voto condutor do acórdão recorrido que nada se tem a acrescentar. Nego provimento também ao recurso interposto pelo contribuinte. Pelo exposto, voto por negar provimento a ambos os recursos especiais. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 261DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13227.720566/2014-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
NULIDADE
Não há que se falar de nulidade quando os satisfeitos os requisitos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.
BENEFÍCIO FISCAL. ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO
O descumprimento dos requisitos da Lei nº 10.996/2004, notadamente, a transferência de mercadorias para outro estabelecimento (matriz), situada fora da ALC, implica a perda do benefício, e o conseqüente responsabilidade tributária pelo pagamento do Cofins/PIS que seriam devidos caso o benefício não existisse.
Recurso Voluntário negado. Crédito Tributário mantido.
Numero da decisão: 3402-003.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 NULIDADE Não há que se falar de nulidade quando os satisfeitos os requisitos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. BENEFÍCIO FISCAL. ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO O descumprimento dos requisitos da Lei nº 10.996/2004, notadamente, a transferência de mercadorias para outro estabelecimento (matriz), situada fora da ALC, implica a perda do benefício, e o conseqüente responsabilidade tributária pelo pagamento do Cofins/PIS que seriam devidos caso o benefício não existisse. Recurso Voluntário negado. Crédito Tributário mantido.
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O. MARTINS & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 NULIDADE Não há que se falar de nulidade quando os satisfeitos os requisitos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. BENEFÍCIO FISCAL. ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO O descumprimento dos requisitos da Lei nº 10.996/2004, notadamente, a transferência de mercadorias para outro estabelecimento (matriz), situada fora da ALC, implica a perda do benefício, e o conseqüente responsabilidade tributária pelo pagamento do Cofins/PIS que seriam devidos caso o benefício não existisse. Recurso Voluntário negado. Crédito Tributário mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 05 66 /2 01 4- 52 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/1 0/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Auto de Infração decorrente da ausência de recolhimento das contribuições sociais ao PIS e a Cofins, verificada em decorrência do descumprimento dos requisitos para fruição do benefício fiscal previsto na Lei nº 10.996/2004 (com redação da Lei nº 11.945/2009), em seu art.2º, §3º, c/c Lei 8.210/1991, que estabelecia alíquota zero das contribuições citadas à receita de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Área de Livre Comércio de GuarajáMirim/RO (ALCGM), bem como a aplicação das multas pela infração constatada. Por razões de economia, reproduzse trecho do relatório da decisão recorrida: A fiscalização informou que empresa ora autuada apresentou todas as notas fiscais da matriz e filiais no formato SINTEGRA, porém não apresentou livro caixa, diário, ou razão, mas apenas, livro de registro de saídas, de entradas e de apuração do ICMS, bem como houve o download por intermédio do sistema ReceitanetBX, sistema este onde os fornecedores, e o contribuinte em fiscalização, apresenta as notas fiscais eletrônicas tanto de transferência, como de compra e venda de mercadorias. Em conformidade com as diretrizes e finalidade da fiscalização, esta totalizou as notas fiscais de transferência, anexo aos Termos Fiscais recebidos por três vezes pelo contribuinte nas datas de 26/06/2014, 23/07/2014 e 31/07/2014, no entanto, este se absteve de prestar os esclarecimentos que por três vezes fora solicitado. O contribuinte ainda fora intimado a esclarecer, diante das notas fiscais dos seus fornecedores, quais destas não foram transferidas, e lhe foi oportunizado apresentar o livro de inventário para que as mercadorias que não foram transferidas fossem retiradas da base de cálculo. No entanto, o sujeito passivo não apresentou o livro de registro de inventário e também não apresentou alegações sobre quais mercadorias não foram transferidas. A fiscalização, observou que, o lapso temporal entre o recebimento do primeiro termo em que fora questionado sobre as transferências de mercadorias e a data de confecção do relatório datar de mais de oitenta dias, ou seja, no entendimento da fiscalização; tempo mais do que suficiente para esclarecer o que se pediu, além do lapso temporal de 25 dias para comprovar quais mercadorias não foram transferidas, ou apresentar, ainda, o livro de registro de inventário para que se pudesse retirar da base de cálculo as mercadorias que não foram transferidas da origem. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/1 0/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13227.720566/201452 Acórdão n.º 3402003.251 S3C4T2 Fl. 3 3 No TVF consta que quando da entrega do Termo de Constatação e Intimação Fiscal no dia 28/08/2014, o sr. Altair Ortega Martins, ao recebêlo, admitiu aos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil Tiago Paes Barreto e Artur Henrique Campos Peres que efetivamente havia realizado a transferência de todas as mercadorias da filial de GuajaráMirim para sua matriz em JiParaná. A fiscalização elaborou um resumo mensal das operações de transferências de mercadoria da filial localizada em Guajará Mirim, à matriz da sociedade empresária:(...) Diante da constatação acima e tendo em vista os fundamentos legais previstos no art. 2° da Lei 10.996/2004 c.c. o art. 22 da Lei 11.945/09, segundo os quais os bens destinados a comercialização nas Áreas de Livre Comércio estão sujeitos a alíquotas zero de PIS/COFINS, sob condição de posterior revenda, consumo ou industrialização exclusivamente nas Áreas de Livre Comércio, consideramos irregulares as operações de transferências de mercadorias internadas e adquiridas através do estabelecimento de Guajará Mirim/RO sem o efetivo recolhimento dos tributos que deixaram de ser recolhidos, restando evidente, desta maneira, a responsabilidade do contribuinte ora fiscalizado pelo pagamento dos tributos. O contribuinte apresentou sua impugnação onde aduziu os seguintes argumentos: i) nulidade por ausência de intimação do contribuinte; ii) nulidade das demais notificações; iii) a cobrança indevida das contribuições sobre parte das operações. A DRJ de Brasília julgou sua impugnação improcedente em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 NULIDADE Não há que se falar de nulidade quando os satisfeitos os requisitos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. BENEFÍCIO FISCAL. ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO O descumprimento dos requisitos da Lei nº 10.996/2004, notadamente, a transferência de mercadorias para outro estabelecimento (matriz), situada fora da ALC, implica a perda do benefício, e o conseqüente pagamento do Cofins/PIS. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário onde aduziu os seguintes argumentos: I) Preliminar de nulidade do auto de infração, 1. por ter sido intimado apenas do "Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento de Procedimento Fiscal", cf. fls. 117/118. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/1 0/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 2. ausência de clareza, pela presença de partes "truncadas" nas tabelas elaboradas pela Fazenda. 3. ausência de provas acerca de quais mercadorias foram efetivamente transferidas para a matriz da empresa, considerando transferidas todas elas. Alega, vício na motivação, por não ter sido discriminada entre mercadorias sujeitas à tributação monofásica, isentas ou não sujeitas à incidência. II) Quanto ao mérito: 1. Reitera a alegação de que não foram discriminadas mercadorias sujeitas à tributação monofásica, isentas ou não sujeitas à incidência, apontando que a planilha de totalização das transferências seria maior que a de entradas. 2. Que o auditor realizou o lançamento em relação a notas fiscais de entrada com data posterior a 21/12/2010, em razão do art.2º, §4º da Lei 10.996, incluído pela Lei nº 12.350/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. De início, pleiteia o Recorrente que seja concedida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário para manutenção da expedição de certidões negativas do contribuinte. Cumpre esclarecer que tal efeito decorre diretamente do art.151, III do Código Tributário, que estabelece a suspensão do crédito tributário pela existência de reclamações e recursos administrativos, de modo que não cabe este colegiado deferir ou indeferir tal provimento. Quanto à expedição das certidões negativas, também foge ao alcance desse colegiado, por decorrer da aplicação do art.205 do CTN, pressupondo a regularidade fiscal do contribuinte. 1. Das Preliminares a) Da ausência de notificação do lançamento tributário Alega o Recorrente que não fora intimado do auto de infração, recebendo apenas o "Termo de Ciência do Lançamento e Encerramento do Procedimento Fiscal", o que configuraria nulidade do procedimento por vício na notificação. Ora, o contribuinte tomou ciência inequívoca da realização do lançamento tributário, haja vista que o termo mencionado foi acompanhado do auto de infração e relatório fiscal, conforme se verifica no próprio, em fl.103: Fl. 239DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/1 0/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13227.720566/201452 Acórdão n.º 3402003.251 S3C4T2 Fl. 4 5 Declarome ciente do encerramento do procedimento fiscal e dos documentos de lançamento acima identificados, tendo nesse momento recebido esse termo e todos os documentos de lançamento (autos de infração/notificações de lançamento) e documentos complementares que instruem os processos, em mídia digital não regravável (CD/DVD), bem como os livros e demais documentos entregues à fiscalização no curso do procedimento fiscal. Prova inequívoca disto foi a apresentação tempestiva de defesa técnica adequadamente construída à partir das imputações fiscais presentes na autuação fiscal. Afasto, portanto, a preliminar de nulidade. b) Da ausência de inteligibilidade das tabelas Quanto a outra alegação de nulidade, a falta de formatação da tabelas/clareza, não carece de razão, pois, as tabelas referidas são inteligíveis, e quanto ao pseudo cerceamento, a contribuinte no tópico posterior demonstra exatamente o contrário, haja vista que se defendeu especificamente do assunto demonstrando o perfeito entendimento das infrações. Mais do que isso, as tabelas foram montadas à partir de informações e documentos fornecidos pelo próprio contribuinte que, em caso de dúvida, poderia facilmente compulsar do documento correspondente, que tem em sua posse, para sanar eventual dúvida. Desse modo, não há qualquer prejuízo ao direito à ampla defesa, pelo que não deve proceder também esta preliminar de nulidade. c) Não discriminação de mercadorias e ausência de provas A Recorrente ainda se manifesta quanto uma possível falta de provas ou provas insuficientes, contudo, a questão de prova é uma questão de mérito, não de preliminar. Na realidade, as provas foram carreadas aos autos, devendo a contribuinte, então, rebater as provas constantes dos autos, e não simplesmente entender como insuficientes. Portanto, afasto a preliminar de nulidade para análise das provas no juízo de mérito. II) Do Mérito. Tratase no caso de Contribuinte sujeito ao benefício fiscal estabelecido na Lei 10.996/2004, com alteração da Lei 11.945/09, que reduz a zero as alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas a consumo/revenda ou industrialização nas Áreas de Livre Comércio, auferidas por empresas com estabelecimento fora das ALCs. Diz a mencionada legislação: Lei 10.996/2004 Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de Fl. 240DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/1 0/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1° Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 3º As disposições deste artigo aplicamse às vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização nas Areas de Livre Comércio de que tratam as Leis n. 7.965, de 22 de dezembro de 1989, 8.210, de 19 de julho de 1991, e 8.256, de 25 de novembro de 1991, o art. 11 da Lei n. 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e a Lei n. 8.857, de 8 de março de 1994, por pessoa jurídica estabelecida fora dessas áreas. (Incluído pela Lei n° 11.945, de 2009). A Lei 8.210/91 inclui a ALC de GuajaráMirim/RO (ALCGM) entre as áreas que gozam do incentivo fiscal, para desenvolver as regiões fronteiriças do extremo oeste de Rondônia. Em caso de descumprimento das regras estabelecidas para a fruição do benefício, o art.22 da Lei 11.945/2009 prescreve a seguinte consequência: Lei 11.945/2009 Art. 22. Salvo disposição expressa em contrário, caso a não incidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação for condicionada à destinação do bem ou do serviço, e a este for dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento das contribuições e das penalidades cabíveis, como se a nãoincidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas não existisse. A literalidade do dispositivo é clara: caso haja uma tresdestinação dos bens ou serviços sujeito ao benefício fiscal cuja fruição seja condicionada a uma destinação específica para eles, aquele que lhe der causa se tornará responsável tributário pelo pagamento das contribuições e das penalidades cabíveis, como se o benefício não existisse. Pois bem, a autuação fiscal se baseia na verificação de desvio de finalidade das mercadorias, o que implicaria a cobrança do tributo da empresa responsável pela tresdestinação dos bens como se não houvesse o benefício. Devese frisar de plano que não é negado pelo contribuinte que houve o descumprimento do benefício, com a saída das mercadorias para estabelecimento da Recorrente fora da ALC. Em cima disto, argumenta o Recorrente que a fiscalização considerou como se todas as mercadorias adquiridas dos fornecedores tivessem sido transferidas para outro estabelecimento da Recorrente, para fins de composição da base de cálculo. Após análise detida das provas juntadas aos autos, a fim de demonstrar com bastante clareza as operações de transferências praticadas pelo contribuinte, a fiscalização Fl. 241DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/1 0/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13227.720566/201452 Acórdão n.º 3402003.251 S3C4T2 Fl. 5 7 elaborou quadro demonstrativo contendo a identificação das Notas Fiscais de transferência CFOP 5152 e 5409, constante do anexo I do relatório fiscal. O fiscal justificou tal composição da base no Relatório Fiscal, em fls. 14, verbis: Em conformidade com as diretrizes e finalidade desta fiscalização, totalizamos as notas fiscais de transferência, anexo aos Termos Fiscais recebidos por três vezes pelo contribuinte nas datas de 26/06/2014, 23/07/2014 e 31/07/2014, no entanto, este se absteve de prestar os esclarecimentos que por três vezes fora solicitado. O contribuinte ainda fora intimado a esclarecer, diante das notas fiscais dos seus fornecedores, quais destas não foram transferidas, e lhe foi oportunizado apresentar o livro de inventário para que as mercadorias que não foram transferidas fossem retiradas da base de cálculo. No entanto, o sujeito passivo não apresentou o livro de registro de inventário e também não apresentou alegações sobre quais mercadorias não foram transferidas. Somese ainda o fato de que o lapso temporal entre o recebimento do primeiro termo em que fora questionado sobre as transferências de mercadorias e a data de confecção deste relatório datar de mais de oitenta dias, ou seja, tempo mais do que suficiente para esclarecer o que se pede, além do lapso temporal de 25 dias para comprovar quais mercadorias não foram transferidas, ou apresentar, ainda, o livro de registro de inventário para que se pudesse retirar da base de cálculo as mercadorias que não foram transferidas da origem. Quando da entrega do Termo de Constatação e Intimação Fiscal no dia 28/08/2014, o sr. Altair Ortega Martins, ao recebêlo, admitiu aos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil Tiago Paes Barreto e Artur Henrique Campos Peres que efetivamente havia realizado a transferência de todas as mercadorias da filial de GuajaráMirim para sua matriz em Ji Paraná. Após análise detida das provas juntadas aos autos, a fim de demonstrar com bastante clareza as operações de transferências praticadas pelo contribuinte, elaborouse quadro demonstrativo contendo a identificação das Notas Fiscais de transferência – CFOP 5152 e 5409, constante do anexo I relatório. Como se verifica nos termos de intimação fiscal, diversas vezes o auditor solicitou informações acerca do destino das mercadorias, mas sem resposta satisfatória. Posteriormente, o Recorrente apresentou resposta alegando que os livros de inventário foram extraviados em 2012, juntando cópia dos jornais da época, onde informou o ocorrido (fls.163 168). É dever do contribuinte guardar seus livros comerciais e fiscais para fins de fiscalização, conforme se depreende do art.195, parágrafo único do CTN, verbis: Fl. 242DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/1 0/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Art. 195. (...) Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Complementa essa disposição o art.527, II do RIR/99, que determina a obrigatoriedade de manutenção do Livro Registro de Inventário, o que portanto sujeita o contribuinte à sua manutenção e preservação para acesso oportuno dos fiscais. A despeito de ter publicado em jornal de grande circulação o aviso, não há nos autos comprovação do cumprimento das obrigações legais decorrentes do extravio de livros obrigatórios, previstos pelo art.264, §1º do RIR/99, verbis: Art.264.A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). §1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). §2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). Não cumprindo tais requisitos, a empresa também estava desautorizada à elaboração de novo livro. De qualquer modo, não pode agora o contribuinte alegar o extravio como justificativa para a não comprovação do destino dos bens que lhe foram transferidos de fornecedores, tampouco comprovando quais o bens estão presentes em seu estabelecimento, o que autoriza a ilação, pela fiscalização (sobretudo após o representante da empresa informar que todas as mercadorias haviam sido transferidas), de que a base de cálculo deverá ser composta pelos valores de todas as transferências efetuadas. Por outro lado, alega o Recorrente que na planilha de notas fiscais de entrada possuem produtos sujeitos à apuração de PIS e Cofins monofásico, nos termos do art.1º da Lei 10.485/2002, o que lhe garantiria alíquota zero sobre a venda de tais bens. Ocorre que o fornecedor, a despeito de estar sujeito ao regime de PIS e Cofins monofásico para determinados produtos, estava sujeito à alíquota zero para a receita da venda desses produtos para a Recorrente, em razão do benefício fiscal já explicado. Com o descumprimento do benefício fiscal, ficaria a Recorrente sujeita ao pagamento do PIS e Cofins devidos (no regime monofásico), na condição de responsável tributário, como se o incentivo não existisse. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/1 0/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13227.720566/201452 Acórdão n.º 3402003.251 S3C4T2 Fl. 6 9 O contribuinte está correto em afirmar que caso não existisse o benefício, ele estaria dentro da sistemática monofásica das contribuições sociais, e portanto sujeito à alíquota zero, para determinados produtos (CFOP 6401). Com o benefício, o contribuintesubstituto tem direito à alíquota zero nas vendas para a Recorrente, mas, com o descumprimento das condições do incentivo fiscal não há um retorno à situação ordinária de monofasia, mas sim o estabelecimento de uma regra de responsabilidade tributária da Recorrente em relação ao PIS e Cofins que deveriam ter sido pagos pelo contribuintesubstituto aquele se torna responsável pelos débitos deste. Portanto, correta a inclusão dos valores dessas aquisições de CFOP 6401 no cálculo das contribuições devidas. Por fim, argumenta a Recorrente que a partir de 21 de Dezembro de 2010 não se aplicava mais o benefício fiscal aos seus fornecedores, por força da Lei 12.350/2010, que inseriu o §4º no art.2º da Lei 10.996/2004, verbis: Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. (Vide Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o As disposições deste artigo aplicamse às vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização nas Áreas de Livre Comércio de que tratam as Leis nos 7.965, de 22 de dezembro de 1989, 8.210, de 19 de julho de 1991, e 8.256, de 25 de novembro de 1991, o art. 11 da Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e a Lei nº 8.857, de 8 de março de 1994, por pessoa jurídica estabelecida fora dessas áreas. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeitos). § 4o Não se aplica o disposto neste artigo às vendas de mercadorias que tenham como destinatárias pessoas jurídicas atacadistas e varejistas, sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, estabelecidas nas Áreas de Livre Comércio referidas no § 3o. A fiscalização sequer considerou tal exceção quando da montagem da planilha de cálculo, e tal fato foi pobremente analisado pela DRJ em seu acórdão, resumindose a dizer: Fl. 244DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/1 0/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 No mais, alega que a partir 21 de dezembro de 2010, não mais se aplicaria a redução a zero das alíquotas da Cofins e do PIS, contudo, não apresenta a tal alteração legislativa. Ademais, também não aponta quais notas fiscais teriam sido agrupadas com datas após 21 de dezembro. Ora, se em relação à questão da preliminar de nulidade a decisão a quo sugeriu a máfé do contribuinte, parece que aqui a situação se inverte: ele exige que o contribuinte demonstre a alteração legislativa! É brocardo antigo o iura novit curia é dever do julgador conhecer o Direito e as leis que o embasam, assim como é dever do auditor aplicálas de ofício. A alteração está clara na legislação e deveria ter sido considerada pelo julgador. Além disso, não precisaria o Recorrente indicar quais notas fiscais foram agrupadas com datas após 21/12/2010, pois o próprio auditor fiscal o fez nas tabelas anexas ao relatório fiscal. Mas, por outro lado, a movimentação das mercadorias se deu a título de transferência entre estabelecimentos da mesma empresa, e não a título de venda, como é expressamente excepcionado no §4º do art.2º da Lei 10.996/2004. Portanto, deve ser mantida a cobrança do PIS e Cofins sobre as Notas Fiscais a partir de 21/12/2010, discriminadas nas fls.99/101 do processo. III) Conclusão Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 245DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/1 0/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 12898.000378/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL.
O contratante de serviços de construção civil, qualquer que seja a modalidade de contratação, responde solidariamente com o prestador pelas obrigações previdenciárias decorrentes da Lei nº 8.212/91, conforme dispõe o art. 30, inciso VI da citada lei.
AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE.
Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §3º, da Lei nº 8.212/91.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores corridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, a ser calculada no momento do pagamento, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-004.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário; quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alice Grecchi e Gisa Barbosa Gambogi Neves; pela tese "b" Andrea Brose Adolfo e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, pelo voto de qualidade, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alice Grecchi e Gisa Barbosa Gambogi Neves; com isto, as multas restaram mantidas, como constam no lançamento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo. Fez sustentação oral o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF 36.531.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo Redatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. O contratante de serviços de construção civil, qualquer que seja a modalidade de contratação, responde solidariamente com o prestador pelas obrigações previdenciárias decorrentes da Lei nº 8.212/91, conforme dispõe o art. 30, inciso VI da citada lei. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §3º, da Lei nº 8.212/91. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores corridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplicase a multa mais benéfica, a ser calculada no momento do pagamento, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 03 78 /2 01 0- 15 Fl. 235DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário; quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alice Grecchi e Gisa Barbosa Gambogi Neves; pela tese "b" Andrea Brose Adolfo e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, pelo voto de qualidade, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alice Grecchi e Gisa Barbosa Gambogi Neves; com isto, as multas restaram mantidas, como constam no lançamento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo. Fez sustentação oral o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF 36.531. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo – Redatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves. Relatório Com fundamento na responsabilidade solidária, a fiscalização de tributos federais lavrou auto de infração DEBCAD nº 37.271.6806 contra a ora Recorrente, objetivando o recolhimento de contribuição previdenciária patronal, devida originariamente pela empresa prestadora de serviços PROCTOR CONSTRUÇÕES INST. E ENGENHARIA LTDA., relativa ao mês de janeiro/1999. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 21), a autuação baseiase no fato de a Recorrente não ter apresentado à fiscalização os comprovantes de pagamento dos débitos exigidos, como forma de elidirse da responsabilidade solidária, prevista no art. 30, inc. VI da Lei nº 8.212/91. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 12898.000378/201015 Acórdão n.º 2301004.835 S2C3T1 Fl. 236 3 A base de cálculo do tributo lançado de ofício foi apurada por meio de arbitramento por aferição indireta (40% sobre o valor da nota fiscal, nos termos do art. 336 da Instrução Normativa RFB 971/2009), tendo sido ainda acrescido de multa e de juros. O valor lançado, com os acréscimos, alcançou R$ 70.162,02, em 12/04/2010. O crédito foi inicialmente constituído por meio da NFLD n° 35.442.2391, cuja ciência do sujeito passivo deuse em 13/03/2002. Tal NFLD foi julgada nula, por vício formal, pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, por meio do acórdão n° 000807/2005, de 25/05/2005. Novo lançamento de ofício foi então promovido pela fiscalização, o qual foi cientificado à Recorrente e à devedora originária em 19/04/2010. Inconformada, a Recorrente e a devedora originária apresentaram impugnação, contestando a validade do auto de infração. Em decisão de primeira instância administrativa (fls. 169), a DRJ/Rio de Janeiro deu provimento parcial às impugnações ao manter a responsabilidade solidária, considerar correto o arbitramento promovido; conservar as multas de ofício lançadas; mas restringir a base tributável ao resultado da aplicação de 40% sobre o valor das notas fiscais de serviços emitidas pela empresa prestadora de serviços (PROCTOR) e também abater o valor constante de uma das GRPS acostadas: 59. Em face de todo o exposto, dou provimento parcial à impugnação para retificar a base de cálculo, restringindoa ao resultado da aplicação do percentual de 40% sobre o valor das notas fiscais de serviço emitidas pela prestadora, e excluir do débito o valor constante na rubrica SEGURADOS da GRPS acostada às fls. 103. Após a decisão de primeira instância, o valor lançado, com os acréscimos, passou a ser o seguinte, em 12/04/2010 (fls. 225): principal ................................................................... R$ 1.111,30 multa ........................................................................ R$ 133,36 juros de mora ............................................................. R$ 1.927,99 TOTAL ...................................................................... R$ 3.172,65 Ainda inconformada, a Recorrente apresenta recurso voluntário a este CARF, argumentando, em síntese, que a responsabilidade solidária não dispensa a fiscalização de: (i) fiscalizar o prestador de serviços para confirmar que o tributo exigido não foi quitado espontaneamente; (ii) verificando a existência do débito, realizar lançamento em face do prestador, que é o real contribuinte; (iii) analisar a escrituração contábil do prestador, e, apenas no caso da sua total imprestabilidade, lançar por arbitramento (aferição indireta); (iv) a redução da multa lançada com base na Lei nº 11.941/2009; e (v) a realização de prova pericial. A prestadora de serviços PROCTOR não apresentou recurso voluntário. É o relatório. Fl. 237DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 21/10/2011 (sexta feira) e o recurso voluntário foi interposto em 21/11/2011. Por ser tempestivo e por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Pedido de Realização de Perícia A Recorrente solicita a realização de prova pericial com o intuito de confirmar se a análise das guias de pagamento juntadas aos autos em confronto com a folha de salários da PROCTOR aponta para a existência de qualquer débito em aberto para janeiro de 1999. O pedido, a meu ver, não procede e deve ser indeferido. A folha de salários da PROCTOR sequer foi juntada ao presente processo, não havendo como se realizar a diligência pretendida. Responsabilidade Solidária Em virtude da relação jurídica existente entre as empresas envolvidas (contratação para execução de obras de construção civil), a Recorrente figurou como responsável solidária da PROCTOR com relação ao cumprimento das obrigações previdenciárias desta. Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) A imputação de responsabilidade solidária à Recorrente não é um ponto controvertido no presente processo. Arbitramento das Contribuições Previdenciárias por Aferição Indireta O ponto controvertido, todavia, referese ao procedimento adotado pela fiscalização para apurar as contribuições previdenciárias supostamente devidas. A fiscalização entende que, em virtude de a Recorrente não lhe ter apresentado os documentos exigidos pela legislação, estava autorizada a arbitrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, mediante a técnica de aferição indireta (art. 33, §3º, Lei nº 8.212/91), não sendo imperiosa qualquer diligência prévia perante o contribuinte Fl. 238DF CARF MF Processo nº 12898.000378/201015 Acórdão n.º 2301004.835 S2C3T1 Fl. 237 5 (PROCTOR) com o fito de verificar o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil. Já a Recorrente defende que a imputação de solidariedade não retira o ônus de fiscalização de promover as competentes averiguações prévias perante o contribuinte (PROCTOR) para que só então, diante da impossibilidade de verificação dos salários pagos pela execução de obra de construção civil, utilizese do arbitramento. Nessa questão, considero assistir razão à Recorrente. O instituto da responsabilidade solidária visa a conferir maior proteção ao crédito tributário ao atribuir a mais de um sujeito a obrigação pelo seu adimplemento. A responsabilidade solidária não nasce com o fato gerador da obrigação tributária, mas sim com o inadimplemento da obrigação pelo contribuinte originário (PROCTOR), que não restou comprovado nos autos. O procedimento adotado pela fiscalização de arbitrar diretamente a base de cálculo das contribuições previdenciárias com base no valor das notas fiscais, sem ouvir previamente a prestadora (PROCTOR), tornou a falta de apresentação da documentação pela Recorrente uma presunção absoluta de inadimplência dos tributos. Assim, o Fisco deveria ter procedido ao levantamento da real base de cálculo das contribuições junto à prestadora de serviços (PROCTOR), analisando sua folha de pagamento, seus livros contábeis etc. o que acabou não acontecendo. Por essa razão, entendo que o lançamento fiscal deve ser cancelado. Redução da Multa Na eventualidade de restar vencido no julgamento das questões anteriores, avanço minha análise sobre a cobrança da multa, a qual foi originalmente aplicada com base no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97 (fls. 10): Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I – para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II – para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; Fl. 239DF CARF MF 6 b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III – para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Todavia, por força da modificação implementada no dispositivo pela Lei nº 11.941/2009, aplicase a retroatividade benigna constante do art. 106, inc. II, “c” do CTN, de modo a limitar a cobrança da referida multa ao percentual de 20%: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer e dar provimento integral ao recurso voluntário interposto pela Recorrente, cancelandose toda a exigência fiscal contida no auto de infração. É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator Fl. 240DF CARF MF Processo nº 12898.000378/201015 Acórdão n.º 2301004.835 S2C3T1 Fl. 238 7 Voto Vencedor Conselheira Redatora Andrea Brose Adolfo. Peço vênia para discordar do nobre relator, com relação aos termos do seu voto no que tange à responsabilidade solidária e consequente aferição indireta das contribuições previdenciárias, bem como à redução da multa aplicada. Responsabilidade Solidária. Aferição Indireta. Sobre a responsabilidade solidária, entendo que a recorrente (tomadora dos serviços) se insurge por ter sido chamada a responder pelas contribuições previdenciárias apuradas antes do prestador do serviço, sustentando que a solidariedade entre ambos só ocorreria na falta de pagamento primeiro pelo contribuinte, conforme os seguintes trechos colacionados do recurso: Importante destacar que, apesar de a Lei n° 8.212/91 prever a responsabilidade solidária do tomador em determinados serviços, o fato é que o contribuinte originário das contribuições continua sendo a empresa prestadora do serviço, que é quem efetivamente pratica o fato gerador (pagamento de seus empregados). Assim, praticado o fato gerador pelo contribuinte originário (que é inclusive aquele que detém a capacidade contributiva do evento tributado), compete a ele recolher o tributo devido. Apenas no caso de sua inadimplência é que o devedor solidário poderá ser chamado a pagar o débito, até mesmo porque ele é um garantidor do débito, e não o contribuinte original. ... Transmutando estas lições para o presente caso, vislumbramos que a Proctor Construções e a Recorrente assumem posições diversas perante o fato gerador: o primeiro é empregador e prestador de serviço, a segunda é tomadora do serviço. Ou seja, a Proctor Construções Inst. e Engenharia Ltda. está diretamente ligada ao fato gerador (contribuinte), ao passo que a Recorrente está apenas indiretamente ligada (responsável). ... No presente caso, a RFB limitouse a fiscalizar e autuar a Recorrente. Acertou apenas nesta última etapa, visto que a lei o autoriza a eleger a Impugnante como pagadora do crédito, mas errou ao não constituir este crédito perante o contribuinte, tornando nulas as duas primeiras etapas acima descritas. ... Fl. 241DF CARF MF 8 Notese, portanto, que o equívoco cometido na autuação fiscal, ratificado pela DRJ, é imputar à Recorrente, desde o nascimento do fato gerador da contribuição previdenciária, a responsabilidade pelo adimplemento da obrigação da empresa prestadora de serviço, quando o certo seria verificar primeiro se houve cumprimento da obrigação pelo contribuinte originário da exação, qual seja a empresa contratada. ... No caso dos autos, como a autoridade fiscal, além de não ter efetuado prévio lançamento contra o devedor original, sequer verificou se o débito havia ou não sido quitado pelo prestador do serviço, fica clara a impossibilidade de se exigir o pagamento diretamente do devedor solidário. Assim, apesar da recorrente não contestar sua responsabilidade solidária com as contribuições previdenciárias lançadas, refuta o modus operandi adotado pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Neste ponto, entendo que não assiste razão à recorrente, prevalecendo o entendimento explanado pela turma julgadora a quo, de que, ao não exigir "da prestadora o comprovante do pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura", a tomadora assumiu o ônus da obrigação tributária por solidariedade, podendo o crédito ser constituído contra qualquer um dos solidários. A solidariedade está prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/1966): Art. 124. São solidariamente obrigadas: I. as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II. as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. O artigo 128 do mesmo diploma legal dispõe que a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação: Portanto, o contribuinte e o responsável tributário, no caso o recorrente, são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Compete à Receita Federal do Brasil cobrar de todos os sujeitos passivos a satisfação da obrigação. Sendo a responsabilidade solidária uma garantia Conforme destacado no art. 30, VI da Lei n 8.212/1991, o proprietário, incorporador ou dono da obra não importa qual seja o tipo de contratação é solidário com o construtor pelo cumprimento das obrigações perante a previdência social. Assim, descreve o texto legal: Art. 30. (...) Fl. 242DF CARF MF Processo nº 12898.000378/201015 Acórdão n.º 2301004.835 S2C3T1 Fl. 239 9 VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Por sua vez, o Decreto nº 2.173, de 5/03/1997, vigente à época do fato gerador, assim dispunha em seu art. 43, verbis: Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Assim, ao atribuir responsabilidade solidária pelo cumprimento da obrigação tributária, o legislador outorgou à autoridade previdenciária a possibilidade de cobrar a obrigação de qualquer dos solidários. A constituição do crédito tributário pode ocorrer tanto no prestador quanto no tomador de serviços. Tal questão, inclusive, restou submetida à análise pelo Conselho Pleno do CRPS Conselho de Recursos da Previdência Social, que, por meio do Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº. 1, de 31 de janeiro de 2007, publicada no DOU de 05/02/2007assim decidiu: Enunciado Nº 30 Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Fl. 243DF CARF MF 10 Na mesma linha de fundamentação, não é outro o entendimento firmado pelo STJ, conforme ementa do acórdão no Agravo Regimental nos Embargos de Declaração no Recurso Especial Nº 1.177.895 RS: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELOS EMPREGADOS, TRABALHADORES TEMPORÁRIOS E AVULSOS. CONSTRUÇÃO CIVIL. DONO DA OBRA E CONSTRUTOR OU EMPREITEIRO. SUBSTITUTOS TRIBUTÁRIOS. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA (SÚMULA 126/TRF ANTERIOR À PROMULGAÇÃO DA CF/88). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA (CF/88 ATÉ A LEI 9.711/98). RESPONSABILIDADE PESSOAL DO TOMADOR DO SERVIÇO DE EMPREITADA DE MÃODEOBRA (LEI 9.711/98). (...) 6. A responsabilidade tributária, quanto aos seus efeitos, pode ser solidária ou subsidiária (em havendo coobrigados) e pessoal (quando o contribuinte ou o responsável figura como único sujeito passivo responsável pelo recolhimento da exação). 7. Por oportuno, forçoso ressaltar que a solidariedade tributária não é forma de inclusão de terceiro na relação jurídica tributária, mas grau de responsabilidade dos coobrigados, sejam eles contribuintes ou contribuinte e responsável tributário, vale dizer: a responsabilidade de sujeitos passivos coobrigados (contribuintes entre si, responsáveis entre si ou contribuinte e responsável) pode ser solidária ou subsidiária (notas de Mizabel Derzi na atualização da obra "Direito Tributário Brasileiro", de Aliomar Baleeiro, 11ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2000, pág. 729). 8. O artigo 124, do Codex Tributário, ao tratar da solidariedade na seara tributária, fixa que a mesma não comporta benefício de ordem (parágrafo único) quando se estabeleça entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (inciso I) e entre as pessoas expressamente designadas por lei (inciso II), o que importa em evidente tautologia, uma vez que a inaplicabilidade do beneficium excussionis decorre da essência do instituto em tela. 9. Deveras, na obrigação solidária, dessumese a unicidade da relação tributária em seu pólo passivo, autorizando a autoridade administrativa a direcionarse contra qualquer dos coobrigados (contribuintes entre si, responsáveis entre si, ou contribuinte e responsável). Nestes casos, qualquer um dos sujeitos passivos elencados na norma respondem in totum et totaliter pela dívida integral. 10. Flagrante ausência de tecnicidade legislativa se verifica no artigo 134, do CTN, em que se indica hipótese de responsabilidade solidária "nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte" , uma vez cediço que o instituto da solidariedade não se coaduna com o benefício de ordem ou de excussão. Em Fl. 244DF CARF MF Processo nº 12898.000378/201015 Acórdão n.º 2301004.835 S2C3T1 Fl. 240 11 verdade, o aludido preceito normativo cuida de responsabilidade subsidiária. 11. Conseqüentemente, exsurge a necessidade de exame dos diplomas legais que regeram e que regem as relações jurídicas em comento, a fim de se identificar o(s) sujeito(s) passivo(s) eleito(s) pelo ente tributante legiferante e o grau de responsabilidade instituído entre os mesmos ou atribuído a um único sujeito passivo (contribuinte ou responsável). 12. É certo que a responsabilidade solidária prevista na legislação previdenciária abrange tanto as contribuições sociais devidas pela empresa (enquanto contribuinte, portanto), como aquelas decorrentes da substituição tributária (contribuições sociais devidas pela mãodeobra contratada), sobressaindo, ao menos, 3 (três) regimes legais que subordinam o thema iudicandum . 13. Destacase, preliminarmente, o período anterior à promulgação da Constituição Federal de 1988, (...) (...) 15. Outrossim, após a entrada em vigor da Constituição Federal, que reconheceu a natureza tributária das contribuições sociais devidas à Seguridade Social, o preceito normativo inserto no artigo 124, do CTN, passou a ser, indubitavelmente, aplicável à espécie, legitimando a interpretação de que era solidária a responsabilidade prescrita na Lei 3.807/60 e no Decreto 89.312/84, que expressamente dispunham sobre a responsabilidade tributária solidária entre os substitutos tributários (dono da obra/proprietário/condômino e executor/prestador/empreiteiro) quanto às contribuições sociais devidas pela mãodeobra contratada e entre o substituto (dono da obra/proprietário/condômino) e o contribuinte (executor/prestador/empreiteiro) quanto às contribuições sociais devidas pela empresa contratante da mão deobra. 16. Forçoso reconhecer que o referido regime sobreviveu à edição das Leis 8.212/91 e 9.528/97 (que enfatizou a inaplicabilidade, em qualquer hipótese, do benefício de ordem), findando com o início da produção dos efeitos da Lei 9.711/98, que se deu em 1º de fevereiro de 1999 (artigo 29). 17. Nesses moldes, multifários precedentes do STJ, que pugnam pela solidariedade da responsabilidade tributária, facultando ao ente previdenciário eleger o sujeito passivo de seu crédito tributário, observadas as normas referentes ao direito regressivo do contratante contra o executor, a possibilidade de prévia retenção pelo tomador de serviço e a possibilidade de elisão da responsabilidade tributária do prestador ante a comprovação de recolhimento prévio das contribuições, mediante retenção efetuada pela contratante (REsp 376.318/SC, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 05.02.2002, DJ 18.03.2002; AgRg no Ag 463.744/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Fl. 245DF CARF MF 12 Primeira Turma, julgado em 20.05.2003, DJ 02.06.2003; REsp 477.109/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.08.2003, DJ 15.09.2003; AgRg no REsp 186.540/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 28.10.2003, DJ 15.12.2003; REsp 410.104/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.05.2004, DJ 24.05.2004; REsp 623.975/RS, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 23.05.2006, DJ 19.06.2006; REsp 780.703/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 01.06.2006, DJ 16.06.2006; REsp 971.805/PR, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 06.11.2007, DJ 29.11.2007; e AgRg nos EDcl no REsp 375.769/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.12.2007, DJ 14.12.2007). 18. A Lei 9.711/98, entretanto, que introduziu a hodierna redação do artigo 31, da Lei 8.212/91 (terceiro regime legal que se vislumbra), instituiu técnica arrecadatória via substituição tributária (...) (...) 22. Agravo regimental desprovido. Acerca do procedimento de aferição indireta dos salários de contribuição, temse que a legislação previdenciária oferece à fiscalização mecanismos para lançar os valores devidos, utilizando como base de aferição o valor da nota fiscal de prestação de serviço, que contém a parcela referente à mãodeobra utilizada. Como a ação fiscal foi realizada na tomadora, a base de cálculo foi apurada por aferição indireta, incidente sobre as notas fiscais de serviços emitidas pela prestadora, em procedimento previsto no § 3º do art. 33 da Lei nº 8212/1991, que dá à auditoria fiscal a prerrogativa de, ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Portanto, ao deixar de apresentar a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária na competência 01/1999, quais sejam, cópia da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento elaborada distintamente pelo executor em relação a cada contratante, a recorrente não conseguiu fazer prova da quitação das contribuições previdenciárias incidentes sobre a mãodeobra constante da nota fiscal de prestação de serviços, justificando, assim, a aplicação da aferição indireta pela fiscalização. Desta feita, correto o lançamento do crédito previdenciária constante dos autos. Multa. Retroatividade benigna. Em relação à multa previdenciária aplicada, transcrevo trecho do voto vencedor da lavra da Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis no Acórdão nº 2301004.384, sessão de 08/12/2015, que considero bastante didático para demonstrar que o entendimento da decisão de piso não está equivocado como aponta a recorrente. O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 12898.000378/201015 Acórdão n.º 2301004.835 S2C3T1 Fl. 241 13 A lei nova revogou o art 35 da Lei 8.212/91, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as contribuições sociais em atraso para pagamento espontâneo, que é o realizado após a data de vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), para pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário de notificação fiscal de lançamento de débito (inciso II) e para pagamento de créditos incluídos em dívida ativa (inciso III) e definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009) e 75% no caso de exigência de tributo em lançamento de ofício, passível de agravamento (art 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009). Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106 inciso II do Código Tributário Nacional. Para tanto, é necessário identificar a natureza do instituto objeto de comparação e os dados quantitativos a serem comparados. A lei nova definiu claramente dois institutos: 1) multa de mora para pagamento espontâneo em atraso (art. 35) e 2) multa para pagamento não espontâneo incluído em lançamento tributário chamada de multa de ofício (art. 35A), que, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, é única para três condutas: i) falta de pagamento ou recolhimento; ii) falta de declaração e iii) declaração inexata. A lei nova também definiu claramente os dados quantitativos de cada uma delas: no primeiro caso, até 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96 ; no segundo caso, de 75%, passível de agravamento, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96. O presente processo trata de multa sobre contribuições incluídas em lançamento tributário, portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. A multa para pagamento de contribuições incluídas em lançamento tributário que é o caso conforme já mencionado aqui, na nova sistemática do art. 35A da Lei 8.212/91, é única para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata. Já o revogado art. 35, inciso II, da Lei 8.212/91, dizia respeito apenas à multa por falta de pagamento ou recolhimento de contribuições incluídas em lançamento tributário. Era o revogado art. 32, inciso IV, §§4o e 5o , da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, que regulava a aplicação de penalidade ao contribuinte que apresentasse declaração inexata ou deixasse de apresentála, fazendo incidir multa isolada. Fl. 247DF CARF MF 14 Portanto, na norma anterior, o dado quantitativo da multa para dívidas incluídas em lançamento tributário, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento de contribuições não declaradas e/ou com declaração inexata, deve ser apurado pela soma da multa do revogado art. 35, inciso II, com a multa do revogado art. 32, inciso IV, §§ 4º e 5º. A multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação do dado quantitativo resultante do cálculo conforme descrito no parágrafo anterior (vigente à época dos fatos geradores) com o dado quantitativo resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991, acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) ... Portanto, entendo que a multa mais benéfica deve ser calculada de acordo com o disposto no art. 476A da IN RFB 971/2009, acima transcrito, e deverá ser apurada no momento do pagamento, nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. No presente caso, como não houve lançamento da multa por falta de entrega de GFIP, correto o entendimento da decisão a quo de que o comparativo darseá entre a multa aplicada (art. 35, Lei nº 8.212/91, na redação anterior à Lei nº 11.941/2009) e a multa de ofício na novel redação do art. 35A, (incluído pela Lei nº 11.941, de 2009), a teor do disposto no artigo 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, na redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027/2010. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 12898.000378/201015 Acórdão n.º 2301004.835 S2C3T1 Fl. 242 15 Tal análise deverá ser realizada no momento da liquidação do débito (pagamento ou parcelamento), ou, na sua falta, no momento do ajuizamento da execução fiscal, a teor do disposto no art. 2º, caput e § 1º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário constituído. É como voto. Andrea Brose Adolfo Fl. 249DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.721753/2015-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 21 75 3/ 20 15 -7 7 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 12448.721753/201577 Resolução nº 2401000.525 S2C4T1 Fl. 45 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 5 a 9) no valor de R$ 4.987,40 referente à Imposto de Renda do contribuinte, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal assim descriminados: Inconformado com o teor da autuação a contribuinte apresentou impugnação administrativa (fls. 2/3) alegando em síntese, que cometera um erro no preenchimento do DARF com o código 0191 quando o correto era o código 0190. Anexou documentos (fls 10 a 15), quais sejam,: DARF’s dos pagamentos do carnê leão e o DARF com o erro no preenchimento. Por fim, a 01ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) – DRJ/CGE julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, mantendo integralmente o crédito tributário exigido conforme inferese da ementa do Acórdão nº 0439.900 abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA CARNÊ LEÃO. A mera alegação pelo impugnante de erro de fato no preenchimento do DARF de recolhimento sem que apresente qualquer prova desse erro em contraposição aos elementos constantes nos sistemas da RFB, não pode ser aceita para efeito de cancelamento do lançamento de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão no dia 29/10/2015 (fls. 33) o contribuinte protocolou no dia 06/11/2015 Recurso Voluntário (fls.36), onde traz as mesmas alegações da impugnação, mas anexa novo documento: comprovante de retificação do DARF – REDARF. É o relatório Fl. 45DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 12448.721753/201577 Resolução nº 2401000.525 S2C4T1 Fl. 46 3 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Apresentada pela contribuinte a circunstância fática em que ocorreu o pagamento do carnêleão, e, ainda, verificada no Recurso Voluntário a Redarf do pagamento de novembro de 2013, no valor de R$ 3.768,70(fl. 40), constatase a legalidade do ato por si praticado. Isso porque, no caso de recolhimento de carnêleão dentro do prazo legal, em que foi preenchido o Darf por engano código incorreto a contribuinte pode solicitar sua retificação por meio de Redarf, o que foi realizado no caso em questão. Assim, correto o agir da contribuinte, porém não é possível a estes julgadores, de antemão, verificar a correta alocação dos recursos no código correto em que destinado no Redarf, razão pela qual entendese que deve o presente processo administrativo fiscal ser remetido à autoridade fiscal de origem, para o fim de verificar se: a) o pagamento (via Redarf – fl. 40) está disponível para alocação no código apontado pela contribuinte, sendo assim possível conferir certeza e liquidez do crédito referente ao pagamento do Redarf? CONCLUSÃO Por todo exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para o fim de que a autoridade fiscal de origem se manifeste acerca da efetiva existência do crédito e a respectiva disponibilidade do recurso para alocação em decorrência do pagamento realizado pela contribuinte, via Redarf de fl. 40. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI
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