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Numero do processo: 10783.720365/2012-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
Não comprovada a divergência de interpretação da legislação entre o acórdão recorrido e o aresto paradigma, resta não atendido um dos pressupostos do recurso especial de divergência, pelo que não deve este ser conhecido.
Recurso Especial do contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-008.331
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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Recurso Especial do contribuinte não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 03 65 /2 01 2- 90 Fl. 17710DF CARF MF Processo nº 10783.720365/201290 Acórdão n.º 9303008.331 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3301002.785, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem pedido de reconhecimento de direito creditório (ressarcimento) de contribuição não cumulativa. Nos termos do despacho decisório, foi decidido procedência parcial do pedido. Inconformado, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pelo colegiado de primeira instância. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, que teve provimento negado. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário, as divergências suscitadas pelo Contribuinte são as seguintes: 1 da nulidade da decisão de primeiro grau e de todo o processo administrativo., com a supressão da garantia do contraditório e da ampla defesa; 2 as empresas fornecedoras de café para a recorrente não são as mesmas das citadas no acórdão recorrido; 3 do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas. Para comprovar a divergências jurisprudenciais suscitadas, o Contribuinte apresentou como paradigma o acórdão de nº 3401001.794 a fim de comprovar a matéria do item 1 da nulidade da decisão de primeiro grau e de todo o processo administrativo, com a supressão da garantia do contraditório e da ampla defesa; e acórdão nº 3102002.341 Fl. 17711DF CARF MF Processo nº 10783.720365/201290 Acórdão n.º 9303008.331 CSRFT3 Fl. 4 3 referente a matéria do item 3 do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas. O Recurso Especial do Contribuinte foi parcialmente admitido, para que seja rediscutida apenas a matéria do item 3– do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas, conforme despacho de fls. 16.889 a 16.895. O Contribuinte interpôs agravo, sendo que este não foi admitido. Inconformado com a decisão, o Contribuinte opôs novamente embargos de declaração, sendo que a petição não foi conhecida, mas foi admitida como veículo de alegações de lapso manifesto ou inexatidão material. Desta forma, foi indeferida por nada demonstrar neste sentido. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido v. acórdão. É o relatório em síntese. Fl. 17712DF CARF MF Processo nº 10783.720365/201290 Acórdão n.º 9303008.331 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.320, de 20 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10783.720354/201218, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.320): 1 "Com a devida vênia, divirjo da i. Conselheira Érika Autran, pois entendo que não houve divergência de interpretação de divergência da legislação entre o aresto recorrido e o paradigmático em relação à matéria admitida pelo despacho de admissibilidade (do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas), pelo que não deve ser conhecido o recurso em testilha. Isso porque ambos deram o mesmo entendimento em relação à possibilidade de apuração integral de créditos nas aquisições de café de cooperativa. Ambos proferiram entendimentos de que se o café adquiridos das cooperativas já tivessem sofrido as etapas industriais de que cuida a legislação, haveria direito ao crédito integral. Porém, no acórdão recorrido, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovou esta condição (ressalta ainda no voto de que o próprio contribuinte havia declarado em atendimento a termo de intimação que ele próprio é quem realizava as operações de beneficiamento exigidos pela Lei). Por sua vez o acórdão paradigma entendeu que estas condições estavam comprovadas. Vejase trechos dos respectivos acórdãos: Acórdão recorrido: Agora, após o lançamento consumado, o contribuinte quer alterar totalmente a realidade antes afirmada. Agora ele não é mais um típico beneficiador de café na concepção da lei. De forma inusitada ele agora já adquire o grão beneficiado e é somente um revendedor de café que nesta condição não tem mais direito ao crédito presumido e sim ao crédito integral. Que sua principal atividade é a revenda de café já beneficiado. Para tanto traz como prova, uma amostra das notas de aquisição das 1 Transcrito apenas o entendimento vencedor no julgamento dos autos. Íntegra dos votos pode ser obtida no processo paradigma (10783.720354/201218). Fl. 17713DF CARF MF Processo nº 10783.720365/201290 Acórdão n.º 9303008.331 CSRFT3 Fl. 6 5 cooperativas, nas quais não consta o carimbo indicativo da suspensão do PIS e da Cofins. Junto com esta pretensa prova, apresenta como se fosse uma realidade óbvia do mercado as três etapas da comercialização do café: 1ª) a compra do produto in natura; 2ª ) o beneficiamento transformando o café in natura em "café cru em grão"; e 3º) a revenda do "café cru em grão" pela recorrente no máximo exercendo sobre o produto algum rebeneficiamento, o qual não atingiria as condições cumulativas previstas no art. 6º da IN SRF nº 660/2006. Contrariando o que declarou expressamente, em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, agora ele afirma que atua na 3ª etapa, o que caracteriza simples revenda. Muito oportuno esta mudança, não fosse uma necessidade essencial de fazer prova efetiva em seu favor. Acórdão paradigma 3102002.341 (fls. 16.859 e segs.): Portanto, não há divergência de interpretação a ensejar o conhecimento do recorrido. CONCLUSÃO Ante o exposto, não conheço do recurso de divergência do contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 17714DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.907375/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.688
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CESUSC COMPLEXO DE ENSINO SUPERIOR DE SANTA CATARINA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito resultante de pagamento indevido ou a maior de PIS/Cofins. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis manifestouse pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, visto que estes já teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando créditos disponíveis, conforme o DARF discriminado no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 07 37 5/ 20 09 -8 6 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10983.907375/200986 Resolução nº 3201001.688 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: a) que efetuou pagamento a maior da contribuição, sendo que utilizou este crédito para compensação com débitos de outros tributos; b) que havia crédito original, na data da transmissão da DCOMP, em montante suficiente para efetivar a compensação declarada, acreditando que o despacho decisório tenha indeferido o pleito pelo fato da empresa ter se equivocado na DCTF original, onde teria informado valor da contribuição maior que o efetivamente devido; c) que retificou a DCTF corrigindo a informação (conforme documento em anexo), pelo que será possível identificar a existência do crédito e a validade do PER/DCOMP transmitido. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.684, de 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10983.904405/200901, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10983.907375/200986 Resolução nº 3201001.688 S3C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.684): "Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente ao recolhimento a maior de tributos. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que após a apuração e recolhimento do tributo calculado, verificou que incorreu em erro no preenchimento de sua DCTF e DACON, acarretando em recolhimento a maior. Descreve os valores declarados e aqueles efetivamente devidos, visando a demonstrar o alegado recolhimento a maior. Esclarece que verificado o erro a partir da intimação do despacho decisório, providenciou a retificação da DCTF original. Foram anexadas à Manifestação de Inconformidade cópias das declarações mencionadas e do Razão Consolidado do Período A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a Manifestação apresentada ao argumento de que a posterior retificação da DCTF não tem o condão de validar o crédito postulado, uma vez que este deveria estar disponível ao contribuinte antes da apresentação do PER/DComp: Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passou a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação já efetuada pode produzir efeitos em relação a DCOMP apresentadas posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP e até mesmo posteriormente à emissão e intimação do Despacho Decisório Eletrônico. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa acrescenta à documentação as cópias do Termo de abertura e encerramento do livro diário e cópias do período em exame. Na hipótese dos autos, entendo não ter ocorrido não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que a Fiscalização, apegandose a aspectos formais relacionados às declarações prestadas pelo contribuinte, deixou de examinar as alegações de erro pelo contribuinte e a documentação pertinente apresentada. Discordo, contudo, do posicionamento adotado pela Autoridade Julgadora. A alegação de erro na prestação de informações pelo sujeito passivo pode e deve ser verificada no curso do processo administrativo fiscal, que, como é cediço, preza pela verdade material dos fatos. Erro não é fato gerador de obrigação tributária. Ainda que concorde ser inviável a retificação da DCTF após o despacho decisório, tal fato não impede a comprovação do erro em sede de procedimento administrativo de revisão do crédito tributário, como o presente. Por óbvio que a alegação de erro deve vir acompanhada da documentação pertinente, e isso se verifica na hipótese dos autos. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10983.907375/200986 Resolução nº 3201001.688 S3C2T1 Fl. 5 4 Quanto ao fato de ter sido juntada documentação adicional em sede de Recurso Voluntário, tenho que, na hipótese dos autos, tal circunstância não impede a sua apreciação. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Nesse contexto, em que o Despacho Decisório não esclarece os elementos necessários para sua contradição, e que os elementos exigidos pela decisão recorrida foram trazidos, ao menos aparentemente, no Recurso Voluntário, entendo que há abrigo na dialética processual, artigo 16 do Decreto 70.235/72 PAF, para consideração das provas trazidas, atento ao princípio da verdade material. Além disso, o Parecer Cosit 2/2015 orienta: 19. Dependendo do momento ou situação em que o PER é indeferido ou a DCOMP é apresentada ou a intimação para autorregularização é feita ou que a não homologação é decidida, é possível que o sujeito passivo não possa mais retificar sua DCTF por alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010. A autoridade administrativa ou julgadora, contudo, ao analisar o caso concreto, pode reconhecer ou não o crédito do sujeito passivo de acordo com as circunstâncias fáticas e/ou materiais contidas no processo. Assim, e com base no artigo 291, combinado com artigo 16, §§4º e 6º2, do PAF, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos documentos apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respectivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos apresentados pelo contribuinte em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário que visam à comprovar o erro incorrido na DCTF original, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento." 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10983.907375/200986 Resolução nº 3201001.688 S3C2T1 Fl. 6 5 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação do equívoco que alega ter cometido. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado CONVERTEU O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos apresentados pelo contribuinte junto à Manifestação de Inconformidade e ao Recurso Voluntário, que visam comprovar o erro incorrido na DCTF original, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 69DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.903441/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFISSÃO DA INFRAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR PAGAMENTO. OCORRÊNCIA.
Considera-se ocorrida a denúncia espontânea, para fins de aplicação do art. 19 da Lei nº 10.522/2002, quando o sujeito passivo confessa a infração e, até este momento, extingue a sua exigibilidade apenas com o pagamento, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 4/2011.
Numero da decisão: 2402-006.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, dar-lhe provimento, cancelando-se integralmente o lançamento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, dar-lhe provimento, cancelando-se integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
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CONFISSÃO DA INFRAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Considerase ocorrida a denúncia espontânea, para fins de aplicação do art. 19 da Lei nº 10.522/2002, quando o sujeito passivo confessa a infração e, até este momento, extingue a sua exigibilidade apenas com o pagamento, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 4/2011. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, darlhe provimento, cancelando se integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 34 41 /2 00 8- 04 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10882.903441/200804 Acórdão n.º 2402006.805 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.800 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 5 de dezembro de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10882.902156/2009 49, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.800 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão de 1ª Instância Administrativa proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Campinas/SP DRJ/CPS, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade oferecida pelo Contribuinte em destaque e não lhe reconheceu direito creditório com fulcro em pagamento indevido ou a maior de IRRF, consoante decisão sumarizada na ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF MULTA DE MORA. PAGAMENTO E DECLARAÇÃO NÃO CONCOMITANTES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO OCORRÊNCIA. Na ausência de concomitância entre o pagamento e a confissão em DCTF, declaração essa que só veio a ser apresentada no curso de procedimento fiscal, não há como estender, ao presente caso, a caracterização de denúncia espontânea. Sendo devida a multa de mora, não se reconhece direito creditório originado de seu pagamento e não se homologa a correspondente compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificado do Acórdão suso citado, o Sujeito Passivo do presente Lançamento Tributário interpôs, no prazo regimental, o competente Recurso Voluntário reforçando a procedência do direito creditório, esgrimindo, em linhas gerais, os mesmos argumentos da aludida Manifestação de Inconformidade. Sem contrarrazões. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.800 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10882.903441/200804 Acórdão n.º 2402006.805 S2C4T2 Fl. 4 3 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 5 de dezembro de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10882.902156/200949, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo ilustre Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.800 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 5 de dezembro de 2018: Acórdão nº 2402006.800 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Não obstante a tempestividade do Recurso Voluntário e o atendimento aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores, dele CONHEÇO PARCIALMENTE, tendo em vista que trata, também, de matéria atávica à competência da 1ª Seção de Julgamento, sequer prequestionada em sede de Manifestação de Inconformidade, consoante se verá a seguir. Inicialmente, é relevante destacar que a gênese desta lide encontrase assentada em Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada pelo Contribuinte em relevo via PER/DCOMP. Em face do Despacho Decisório acima reproduzido, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual se houve por julgada improcedente pela DRJ/CPS. Enfrentando a decisão da Instância de Piso, a Impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário alegando que restou configurada a denúncia espontânea, bem como a impossibilidade de cobrança de "estimativa" de IRPJ e CSLL. De plano cabe ressaltar que as alegações da Recorrente quanto à impossibilidade de cobrança de "estimativa" de IRPJ e CSLL não são passíveis de conhecimento por esta Corte, uma vez que, não apenas caracterizam inovação recursal, pois não houve prequestionamento em sede de Impugnação Administrativa ao Lançamento, mas também por se tratar de matéria relativa a tributos que são de competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, consoante disposto no art. 2° do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2013. Assim, a presente análise restringirseá à matéria inerente à Denúncia Espontânea e ao pleiteado crédito proveniente do pagamento efetuado a título de multa de mora após a alegada consumação da Denúncia Espontânea. Da análise dos autos verificase que o cerne da presente lide concentrase no reconhecimento, ou não, da ocorrência do instituto da denúncia espontânea, a par da concomitância, ou não, do pagamento efetuado pela Recorrente com a apresentação de DCTF, mediante a qual o crédito tributário foi constituído por confissão de dívida, no curso de ação fiscal abrigada em Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF). A denúncia espontânea, também chamada de "confissão espontânea", é um instituto previsto no art. 138 do CTN por meio do qual o devedor, antes que o Fisco instaure contra ele qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, confessa para a Fazenda que praticou uma infração tributária e paga os tributos em atraso e os juros de mora. Em contrapartida, fica dispensado do pagamento da multa: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10882.903441/200804 Acórdão n.º 2402006.805 S2C4T2 Fl. 5 4 pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. De se observar que a denúncia espontânea exclui tanto as multas punitivas, como também as moratórias. Para que a denúncia espontânea seja eficaz e afaste a incidência da multa, é necessário o preenchimento de três requisitos cumulativos: i) A "denúncia" (confissão) da infração; ii) O pagamento integral do tributo devido com os respectivos juros moratórios; e iii) A espontaneidade (a confissão e o pagamento devem ocorrer antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório por parte da Administração Tributária relacionado àquela determinada infração). Desta forma, resta caracterizado que um dos requisitos para que se configure a denúncia espontânea é que o infrator/devedor confesse e pague o débito antes que a Administração Tributária instaure em seu desfavor "qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração". É cediço que o procedimento administrativo fiscal para apurar infração à legislação tributária iniciase com a ciência do sujeito passivo do Termo de Início de Fiscalização, previsto no art. 196 do CTN: Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo. (grifei) No caso presente, o início da ação fiscal ocorreu em 20/05/2003, com a ciência do Contribuinte, ora Recorrente, do teor do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) nº 08.1.71.00.2003000064, emitido em 5 de março de 2003 e com validade até 27 de julho de 2004 tributo IRPJ P.A.: de 01/1998 a 12/2001. No litígio ora em apreciação, o IRRF Cód. Receita 8053 não foi objeto da ação fiscal em debate, além de se referir a período de apuração posterior àquele delimitado no correspondente Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização MPFF nº 08.1.71.00.2003000064, observandose ainda que este não determinou a efetiva realização dos procedimentos de verificações obrigatórias, previsto na Portaria nº 3.007/2001, no sentido de cotejar débitos apurados/contabilizados pelo sujeito passivo com aqueles declarados em DCTF, não se vislumbrando, portanto, qualquer liame entre aquele tributo e a ação fiscal em tela. Noutro viés, verificase, pelo resgate cronológico de datas, que o débito em apreço (IRRF Cód. Receita 8053) foi recolhido pelo valor do Principal, acrescido dos Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10882.903441/200804 Acórdão n.º 2402006.805 S2C4T2 Fl. 6 5 devidos juros de mora, em data posterior ao seu regular vencimento, sem que tivesse sido apresentada a respectiva DCTF, o que veio de fato a ocorrer em data posterior ao já citado recolhimento do tributo. Posteriormente, a Recorrente efetuou o pagamento da parcela relativa à multa de mora relacionada ao tributo em tela, eis que este se houve por recolhido em atraso. Como se observa do relato acima, a confissão do débito ocorreu posteriormente ao respectivo recolhimento, que teria sido vinculado ao débito na DCTF na qual foi confessado. Com a apresentação da DCTF e consequente constituição do crédito tributário com vinculação ao respectivo recolhimento já efetuado, podese afirmar que, neste momento, ocorreu a denúncia espontânea e a concomitante extinção do crédito tributário confessado. De se observar que, via de regra, o prazo para apresentação da DCTF ocorre após a data do vencimento do tributo, do que decorre que os recolhimentos se dêem antes da apresentação da DCTF, na qual serão constituídos os respectivos créditos tributários e vinculados aos recolhimentos já efetuados, extinguindoos concomitantemente. Nesse sentido, a Solução de Consulta Cosit nº 384/2014, in verbis: [...] 23. Do exposto, observase: a) considerase ocorrida a denúncia espontânea, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, quando o sujeito passivo confessa a infração e, até este momento, extingue a sua exigibilidade apenas com o pagamento, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 4, de 20 de dezembro de 2011; (grifei) b) omissis [...] Coaduna com esse entendimento o STJ, no REsp nº 1.149.022/SP, representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C do então vigente CPC, cujo excerto de sua ementa transcrevo a seguir: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022SP (2009/01341424) [...] 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10882.903441/200804 Acórdão n.º 2402006.805 S2C4T2 Fl. 7 6 denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. [...] O entendimento esposado no REsp nº 1.149.022/SP é seguido pela PGFN, nos termos do Parecer/PGFN/CRJ nº 2124/2011. Nessa perspectiva, resta caracterizado como pagamento indevido/a maior o recolhimento de multa de mora efetuado em data posterior à Denúncia Espontânea, credenciandose a lastrear a compensação declarada via PER/DCOMP, uma vez que o recolhimento do principal com os devidos juros de mora, e portanto a Denúncia Espontânea, ocorreu em data anterior, oportunidade em que o sujeito passivo confessou a infração e naquele momento extinguiu a sua exigibilidade, conforme a inteligência da Solução de Consulta Cosit nº 384/2014 c/c Ato Declaratório PGFN nº 4/2011. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO, cancelandose integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, cancelandose integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002716/2008-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de informação sobre a remuneração de segurados da Previdência Social em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119)
Numero da decisão: 9202-007.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de informação sobre a remuneração de segurados da Previdência Social em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de informação sobre a remuneração de segurados da Previdência Social em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 16 /2 00 8- 35 Fl. 505DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória, Debcad 37.159.0647, em razão de a empresa ter apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo consta do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fl. 15), além das da sanção aqui referida, a ação fiscal originou os lançamentos registrados sob os DEBCAD nº 37.170.9369, nº 37.170.9377 e nº 37.170.9385. Convém esclarecer, posto que necessário ao deslinde do litígio, que, dentre os lançamentos acima indicados, versam sobre obrigações tributárias principais os referentes aos DEBCAD nº 37.170.9369 (contribuições patronais, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho) e nº 37.170.9377 (contribuições dos segurados empregados). Consta do item 13.3 da decisão de primeira instância administrativa (fls. 435/446) que os valores decorrentes dos lançamentos relativos às obrigações principais foram recolhidos pelo contribuinte. Com relação ao presente processo temse que, em sessão plenária de 17/07/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803003452 (fls. 475/481), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2004 INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. PROVA DE CORREÇÃO PARCIAL DE FALTA. PROPORCIONALIDADE. Havendo prova de correção parcial da falta no prazo da impugnação, quando assim permitido pela natureza da obrigação acessória, deve ser incorrer na relevação parcial de multa, em razão dos princípios da proporcionalidade e interpretação mais benéfica ao contribuinte (art. 291 do R.P.S. c/c 112 do CTN). RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, devese aplicar a norma mais benígna ao contribuinte. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ATRIBUIÇÕES. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 19515.002716/200835 Acórdão n.º 9202007.623 CSRFT2 Fl. 3 3 Cabe à autoridade fiscal apenas averiguar, em tese, se há possibilidade de ocorrência de fatos tipificados como crimes pela legislação penal, e informar a autoridade competente, por meio da Representação Fiscal para Fins Penais. A avaliação da ocorrência do tipo penal in concreto é de competência do Ministério Público Federal e, depois, do Poder Judiciário, caso o crédito tributário de contribuições previdenciárias tenha sido mantido (art. 83, da Lei n. 9430/1998). Recurso Voluntário Provido em Parte – Crédito Tributário Mantido em Parte O processo foi encaminhado à PGFN em 16/09/2014 (Despacho de fls. 482) e, em 15/10/2014, foi interposto o Recurso Especial de fls. 483/492 (Despacho de Encaminhamento de fl. 493), fundamentado no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, visando rediscutir a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. A Fazenda Nacional requer que seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido, a fim de que prevaleça o entendimento de que deve ser verificado, na fase de execução, qual norma mais benéfica ao contribuinte: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou aquela prevista no art. 35 A da Lei nº 8.212/1991, incluído pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho de 22/03/2016 (fls. 495/499). Cientificado, em 01/09/2016 (fl. 503), do acórdão de recurso voluntário, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento, o Contribuinte não apresentou manifestação. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O lançamento decorre de Auto de Infração em razão de a empresa ter apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Conforme já restou esclarecido no relatório, no mesmo procedimento fiscal foram exigidas multas por descumprimento de obrigação principal, bem como por descumprimento de obrigação acessória por falta de declaração de fatos geradores em GFIP. Fl. 507DF CARF MF 4 Nesse caso, o entendimento consolidado na esfera administrativa é de que a retroatividade benigna deve ser aplicada a partir da comparação entre a soma das duas multas previstas na legislação vigente à época do lançamento (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou aquela referida no art. 35A da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, consoante estabelecido na Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/2009. Tal entendimento, que coincide com a tese exprimida no Recurso Especial, restou pacificado com a edição da Súmula CARF nº 119, de observância obrigatória por este Colegiado. Senão vejamos: Súmula CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 508DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.900231/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF. RETIFICAÇÃO.
Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-002.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso voluntário, por maioria. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que negava provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13609.901608/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso voluntário, por maioria. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que negava provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13609.901608/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso voluntário, por maioria. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que negava provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13609.901608/201460, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 02 31 /2 01 5- 11 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13609.900231/201511 Acórdão n.º 1201002.864 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório MG MIX CONCRETO E ARGAMASSA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 12.089189, pela DRJ Rio de Janeiro I, interpôs recurso voluntário dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de declaração de compensação a qual aponta direito creditório no valor de R$ 26.026,05 a título de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. A compensação foi não homologada pela Administração Tributária, nos termos do despacho decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Contra essa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ, em decisão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2012 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO NÃO COMPROVADO. É improcedente a alegação de pagamento indevido ou a maior, fundamentada em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos capazes de comprovar o erro cometido. Cientificado dessa última decisão, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, por meio do qual faz as seguintes considerações: i) o contribuinte apurou prejuízos fiscais em todos os quatro trimestres de 2012; ii) a correspondente DCTF, em que é apontado imposto devido, foi apresentada com erro, mas foi retificada; iii) a decisão recorrida não admitiu a retificação da DCTF, por ter sido apresentada após o despacho decisório da DRF, o que viola o princípio da verdade material; iv) a sua DIPJ 2012 demonstra que não houve imposto a pagar no período em questão; v) o artigo 832 do RIR/99 autoriza a retificação da DCTF laborada pelo contribuinte; Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13609.900231/201511 Acórdão n.º 1201002.864 S1C2T1 Fl. 4 3 vi) o Parecer Normativo Cosit nº 02, de 2015, autoriza a retificação da DCTF, mesmo após a ciência do despacho decisório que não homologou a DCOMP. Com isso requer a reforma de decisão recorrida, para que seja homologada a compensação declarada. É o relatório Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.863, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13609.901608/2014 60, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.863): O contribuinte foi cientificado da decisão recorrida em 26/07/2017 (fls. 42) e apresentou o seu recurso voluntário em 24/06/2017, dentro do prazo recursal. O recurso voluntário atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. O contribuinte apresentou declaração de compensação em que aponta crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ devido no 3º trimestre de 2012, no valor de R$ 57.621,46. A Administração Tributária verificou que o pagamento estava totalmente utilizado, conforme os débitos declarados pelo contribuinte (DCTF). No presente contencioso administrativo, o contribuinte alega que errou ao declarar, em DCTF, imposto devido no 3º trimestre de 2012. Informa que realizou a retificação daquela declaração, após a ciência do despacho decisório da DRF, com fundamento do princípio da verdade material, no artigo 832 do RIR/99 e no Parecer Normativo Cosit nº 02, de 2015. O contribuinte, ao apresentar sua manifestação de inconformidade (fls. 2), fez juntar uma DCTF retificadora de setembro de 2012, com IRPJ zerado, e o comprovante de arrecadação de IRPJ para o terceiro trimestre de 2012, em valor superior ao pleiteado na DCOMP. Diante dessa documentação, a decisão de piso foi no sentido de não considerar os efeitos da DCTF retificadora, por imposição da legislação e por considerar insuficientes as provas apresentadas pelo interessado. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13609.900231/201511 Acórdão n.º 1201002.864 S1C2T1 Fl. 5 4 Junto ao presente recurso voluntário, o interessado acrescentou aos autos a sua DIPJ 2013, que aponta prejuízo fiscal no terceiro trimestre de 2012 (fls 78). Verifico que, na data da apresentação da presente DCOMP, o contribuinte tinha apresentado duas declarações à Administração Tributária, DIPJ e DCTF, que conflitavam no que diz respeito ao valor devido de IRPJ no terceiro trimestre de 2012. Com isso, a Administração Tributária não homologou a compensação sem que o contribuinte tenha sido intimado para que sanasse o conflito. O contribuinte sanou o conflito após a ciência do despacho decisório ora combatido, retificando a correspondente DCTF para que ficasse de acordo com a DIPJ e apresentou manifestação de inconformidade, mas esta foi considerada improcedente. Entendo que, em um nível inicial de cognição, a DIPJ original, tempestivamente apresentada, em que é apontado prejuízo fiscal, é prova relevante de que houve pagamento indevido de IRPJ, de forma que a rejeição sumária da manifestação de inconformidade não é o caminho para encontrar o melhor direito. Havendo a impossibilidade de se realizar a retificação da DCTF e, assim, persistindo dúvida sobre a certeza do direito creditório, penso que uma diligência fiscal seria a medida a ser adotada. Todavia, o recorrente demonstra que não existia tal impossibilidade, pelo contrário, a retificação da DCTF é uma necessidade, nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 2, de 2015, cuja ementa inicia assim: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF original ou retificadora que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6o do art. 9o da IN RFB n° 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13609.900231/201511 Acórdão n.º 1201002.864 S1C2T1 Fl. 6 5 restrições impostas pela IN RFB n° 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. Não havendo impedimento para a retificação realizada pelo contribuinte e havendo concordância entre os dados apresentados na nova DCTF e na DIPJ original, apontando inexistência de IRPJ a pagar no terceiro trimestre de 2012, entendo que o direito creditório pleiteado é certo e a compensação deve ser homologada. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito pleiteado e homologar a compensação em tela. Aplicase a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito pleiteado e homologar a compensação. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000591/2007-62
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jun 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/03/1996 a 30/04/1997
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.212/95.
PAGAMENTOS POSTERIORES A MARÇO DE 1996. "VACATIO LEGIS".
No julgamento da Adin n° 1417-0/DF, o STF decidiu pela
constitucionalidade das alterações incorporadas à disciplina do PIS pela MP n° 1.212/95 e suas reedições. A mesma corte decidiu, também, que o termo a quo do prazo de anterioridade da contribuição social criada ou aumentada por medida provisória é a data de sua primitiva edição, e não daquela que - após sucessivas reedições - tenha sido convertida em lei (STF, AI 520091 AgRAgR
/SP).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.222
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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Recorrida DRJ em Campinas/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 30/04/1997 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.212/95. PAGAMENTOS POSTERIORES A MARÇO DE 1996. "VACATIO LEGIS". No julgamento da Adin n° 1417-0/DF, o STF decidiu pela constitucionalidade das alterações incorporadas à disciplina do PIS pela MP n° 1.212/95 e suas reedições. A mesma corte decidiu, também, que o termo a quo do prazo de anterioridade da contribuição social criada ou aumentada por medida provisória é a data de sua primitiva edição, e não daquela que - após sucessivas reedições - tenha sido convertida em lei (STF, AI 520091 AgR- AgR /SP). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da P CÂMARA / 1' TURMA ORDINÁRIA da - SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. .410 01 CA O MARCOS CÂNDIDI Pre ident ra 17,117 • .N10 44 MER Relator o • Processo n°12045.00059112007-62 S2-CIT1 Acórdão s.° 2101-00.222 Fl. 61 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martínez López. Relatório A empresa Samburá Hotéis e Turismo Ltda. requereu a restituição de PIS, combinado com pedido de compensação de débitos de TRPJ, PIS e Cofins, por meio do Processo n° 10821.000844/2001-30, protocolizado em 30/10/2001. Os créditos são do período de março de 1996 a abril de 1997 e o pedido foi fundamentado na Adin n° 1.417-0. O referido processo foi extraviado quando já se encontrava em fase de apreciação do recurso voluntário, no âmbito deste Conselho, como se pode ver nos documentos de fls. 01/37 do presente, montado para comportar a reconstituição dos autos perdidos. A DRF em São Sebastião/SP indeferiu o pleito porque a declaração de inconstitucionalidade da MP n° 1.212/95 alcançou apenas os fatos geradores do período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, não beneficiando o período requerido, que se iniciou em março de 1996. Irresignada, a requerente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: - a Adia n° 1.417-0/DF não retirou do mundo jurídico, em sua inteireza, a MP 1.212/95 e a Lei n° 9.715/98, que a sucedeu, vindo, sim, a expungir apenas a expressão "aplicando-se aos fatos geradores ocorridos a partir de 10 de outubro de 1995"; - dessa forma, como a Lei n° 9.715/98 só entrou em vigor em 1998, todo o período anterior deve ser considerado como de vacatio !agis, não havendo hipótese de incidência tributária para que seja efetuada qualquer cobrança por parte do Fisco; - no referido período também não cabe a aplicação da Lei Complementar n° 07/70, uma vez que, de acordo com o Decreto-Lei n° 4.657, de 04/09/1942 (Lei de Introdução ao Código Civil), não há possibilidade de vigência de duas leis ao mesmo tempo, tratando da mesma matéria. Por fim, requer a improcedência do despacho que determinou o indeferimento do pedido de restituição, reconhecendo-se o direito creditório do montante total do crédito pleiteado e a manutenção do direito à compensação com débitos futuros, a serem protocolizados oportunamente. A DRJ em Campinas/SP, ao apreciar a manifestação de inconformidade, manteve o indeferimento total do pleito. 2 • Processo n°12045.00059112007-62 S2-CIT1 Acórdão 2101-00/22 Fl. 62 No procedimento de reconstituição do processo, os autos foram encaminhados para a DRF em Taubaté, que jurisdiciona o domicílio fiscal da requerente, a fim de que fosse obtida cópia do recurso voluntário, bem como elementos que permitissem verificar a sua tempestividade. Neste afã, a contribuinte foi intimada, no endereço cadastral e no de seu sócio-gerente, porém as intimações não foram atendidas, sendo o processo devolvido à esta Turma, para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator Na ausência de norma específica no Decreto n° 70.235/72, o processo de reconstituição dos autos fundamentou-se no art. 1.063 do Código de Processo Civil, verbis: "Art. 1.063. Verificado o desaparecimento dos autos, pode qualquer das partes promover-lhes a restauração. Parágrafo único. Havendo autos suplementares, nestes prosseguirá o processo." No âmbito infralegal, o Manual de formalização, preparação, apreciação, julgamento e movimentação do processo administrativo-tributário — Maproc, restrito ao ambiente interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dispõe, no seu item 2.50, que, "havendo desaparecimento ou extravio de processo, o servidor que primeiro tomar conhecimento do fato deve comunicar formalmente à sua chefia o ocorrido". Em respeito ao princípio da oficialidade, disposto no art. 2°, parágrafo único, inciso XII, da Lei n° 9.784/99, todos os esforços devem ser envidados para que não se configure qualquer ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Neste contexto, tendo em vista que o recurso voluntário não foi localizado, admite-se que todas as razões de discordância apresentadas na manifestação de inconformidade foram, também, argüidas perante esta segunda instância de julgamento. Mesmo assim, a única questão em litígio resume-se ao alcance da declaração +_ de inconstitucionalidade da MP 1.212/95, proferida pelo STF na ADIn n° 1.417-0. A recorrente defende a tese de que, em decorrência da sucessiva reedição da referida MP, até a sua conversão na Lei n 2 9.715/98 não haveria norma legal apta a determinar a incidência da contribuição para o PIS. Conseqüentemente, os pagamentos que efetuou no referido período seriam indevidos, tendo o direito de repeti-los. A MP n2 1.212, em seu art. 15 (que veio a se transformar no art. 18 da Lei n2 9.715/98), determinou que as suas disposições fossem aplicadas "aos fatos geradores ocorridos a partir de 1"de outubro de 1995", mas o STF, no julgamento da Adin ri 2 1.417-0, declarou que esta retroação da norma era inconstitucional. Em decorrência desta decisão, a 3 ' Processo n° 12045.00059112007-62 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.222 a 63 referida MP foi submetida à anterioridade nonagesirnal prevista no § 6 2 do art. 195 da Constituição Federal de 1988, produzindo efeitos apenas a partir de 12/03/1996. A decisão do STF foi bastante clara, não deixando qualquer dúvida sobre a validade da cobrança do PIS com base na referida MP a partir de 1 2 de março de 1996. Este entendimento foi registrado pelo próprio STF, conforme ementa do AI 520091 AgR-AgR/SP, julgado em 25/04/2006 (DJ de 19/05/2006, p.14), redigida nos seguintes termos: "I. PIS: MPr 1212/95: firmou-se o entendimento do STF, a partir do julgamento da ADIn 1417 (Gallotti, Di 23.03.01), no sentido da constitucionalidade das alterações incorporadas à disciplina do PIS pela MPr 1212/95 e suas reedições. Contribuição social: instituição ou aumento por medida provisória: prazo de anterioridade (CE, art. 195, § 6). O termo a quo do prazo de anterioridade da contribuição social criada ou aumentada por medida provisória é a data de sua primitiva edição, e não daquela que - após sucessivas reedições - tenha sido convertida em lei: precedentes." Ante tão cristalina decisão da Corte Suprema, despicienda se toma a análise das demais questões levantadas pela defesa, em face do perecimento do direito, no seu próprio nascedouro. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Sala • Ses ' es, em 05 de junho de 2009. A IO Z. ER 4 Page 1 _0081800.PDF Page 1 _0081900.PDF Page 1 _0082000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10880.976880/2012-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior do período de apuração 12/2009, no valor de R$ 23.348,93 (Darf código 8109, valor total de R$ 23.348,93, recolhido em 22/01/2010). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 76 88 0/ 20 12 -2 4 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10880.976880/201224 Resolução nº 3201001.844 S3C2T1 Fl. 3 2 A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação declarada, fundamentando: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 23.348,93 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse Despacho em 13/11/2012, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 12/12/2012, alegando, em síntese e fundamentalmente, equívoco nas informações prestadas em DCTF e Dacon originais, em decorrência de alterações em seu sistema de informática utilizado para cálculo dos tributos. Informa que já procedeu a retificação dessas declarações. Requer aplicação do princípio da verdade material, citando jurisprudência administrativa em amparo ao seu entendimento. Apresenta cópia de declarações e planilha de memória de cálculo para comprovar suas alegações. A 14ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto/SP, por meio do Acórdão 1476.577, de 05/03/2018, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido. No Recurso Voluntário, a empresa informa que a origem do erro foi a apuração no RET, regime tributário especial relativo a patrimônio de afetação imobiliária (Lei 10.931/2004). Detalha as características do cálculo do indébito, apresentando balancetes assinados por contador, demonstrativo e Darf. Pede, subsidiariamente, por diligência, a fim de se aferir a verdade material do caso. Voto Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.976880/201224 Resolução nº 3201001.844 S3C2T1 Fl. 4 3 Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício tem o mesmo valor da original, e a substitui integralmente, porque a motivação da alteração é espontânea. Todavia, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF incide em ausência de espontaneidade, caracterizando vício de motivação, e por isso, exige comprovação material. Vigia, então, a Instrução Normativa RFB 1110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.976880/201224 Resolução nº 3201001.844 S3C2T1 Fl. 5 4 atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. Assim, estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se possa retificálo, após os procedimentos de ofício, é necessária prova de sua inexatidão. É preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. A escrituração contábil/fiscal difere de meras planilhas quanto à confiabilidade, posto que possuem requisitos de registros e temporalidade. Além disso, a própria contabilidade não prescinde de ser lastreada em documentos do relacionamento da empresa com terceiros, tais como notas fiscais e contratos, a conferir veracidade ao registro. Esses aspectos da força probante dos documentos são tratados nos artigos 219 e 226 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. (...) Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.976880/201224 Resolução nº 3201001.844 S3C2T1 Fl. 6 5 Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fechando o arcabouço legal pertinente, temse ainda que, em se tratando de pedido de restituição e consequente compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2. A decisão recorrida considerou que o documento trazido pela recorrente na Manifestação de Inconformidade, como mera planilha, não atende aos requisitos de prova. Não obstante, no Recurso Voluntário, a recorrente trouxe balancetes assinados. Nesse contexto, em que o Despacho Decisório não esclarece os elementos necessários para sua contradição e não examina o mérito do indébito, e que os elementos exigidos pela decisão recorrida foram trazidos, ao menos aparentemente, no Recurso Voluntário, entendo que há abrigo na dialética processual, artigo 16 do Decreto 70.235/72 PAF, para consideração das provas trazidas, atento ao princípio da verdade material. Além disso, a própria Receita Federal, por meio do Parecer Cosit 2/2015, orienta: 19. Dependendo do momento ou situação em que o PER é indeferido ou a DCOMP é apresentada ou a intimação para autorregularização é feita ou que a não homologação é decidida, é possível que o sujeito passivo não possa mais retificar sua DCTF por alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010. A autoridade administrativa ou julgadora, contudo, ao analisar o caso concreto, pode reconhecer ou não o crédito do sujeito passivo de acordo com as circunstâncias fáticas e/ou materiais contidas no processo. Assim, e com base no artigo 293, combinado com artigo 16, §§4º e 6º4, do PAF, e no princípio da verdade material, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos documentos apresentados no 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 4 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.976880/201224 Resolução nº 3201001.844 S3C2T1 Fl. 7 6 Recurso Voluntário, em confronto com os respetcivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre a pretendida compensação. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 188DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.002379/2004-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTENTE. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE PREVISTA NO ARTIGO 145 DO CTN
A exclusão de parcelas da base de cálculo requeridas em impugnação não implica a nulidade do auto de infração, mas sua alteração, a teor do artigo 145 do CTN.
BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVA MÉDICA OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. INCIDÊNCIA SOBRE O ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS. CABIMENTO.
As contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidem sobre os atos ou negócios jurídicos praticados por cooperativa prestadora de serviço médico com terceiros tomadores do referido serviço, asseguradas as exclusões e deduções legalmente previstas.
BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. INDENIZAÇÕES EFETIVAMENTE PAGAS. INTERPRETAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL.
Para efeitos de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º do art. 9º da Lei n. 9.718/98 corresponde ao total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, conforme §9º-A do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998.
BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. OPERAÇÕES DE INTERCÂMBIO EVENTUAL. UNIMEDS.
As operações de intercâmbio eventual entre as Unimeds associadas entre si, configuram ato cooperativo, nos termos do artigo 79 da Lei 5.764/1971.
BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PROMOVIDA PELO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.235-1/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO ANEXO II DO RICARF.
É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.235-1/MG, no qual reconheceu-se a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito do CARF. As receitas financeiras não consistem em receitas típicas oriundas das atividades empresarias das cooperativas de trabalho médico.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
Numero da decisão: 3302-006.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe dar provimento parcial para excluir da base de cálculo as receitas financeiras escrituradas nas contas 3.02.01.01 para o ano de 2000, conta 3.4 para o ano de 2001, 2002 e 2003, as receitas de intercâmbios eventuais segregadas e os eventos indenizáveis líquidos - grupo 4.1.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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INEXISTENTE. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE PREVISTA NO ARTIGO 145 DO CTN A exclusão de parcelas da base de cálculo requeridas em impugnação não implica a nulidade do auto de infração, mas sua alteração, a teor do artigo 145 do CTN. BASE DE CÁLCULO. COOPERATIVA MÉDICA OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. INCIDÊNCIA SOBRE O ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS. CABIMENTO. As contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidem sobre os atos ou negócios jurídicos praticados por cooperativa prestadora de serviço médico com terceiros tomadores do referido serviço, asseguradas as exclusões e deduções legalmente previstas. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. INDENIZAÇÕES EFETIVAMENTE PAGAS. INTERPRETAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL. Para efeitos de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º do art. 9º da Lei n. 9.718/98 corresponde ao total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, conforme §9ºA do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. OPERAÇÕES DE INTERCÂMBIO EVENTUAL. UNIMEDS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 23 79 /2 00 4- 99 Fl. 712DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 682 2 As operações de intercâmbio eventual entre as Unimeds associadas entre si, configuram ato cooperativo, nos termos do artigo 79 da Lei 5.764/1971. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PROMOVIDA PELO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.235 1/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO ANEXO II DO RICARF. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.2351/MG, no qual reconheceuse a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito do CARF. As receitas financeiras não consistem em receitas típicas oriundas das atividades empresarias das cooperativas de trabalho médico. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe dar provimento parcial para excluir da base de cálculo as receitas financeiras escrituradas nas contas 3.02.01.01 para o ano de 2000, conta 3.4 para o ano de 2001, 2002 e 2003, as receitas de intercâmbios eventuais segregadas e os eventos indenizáveis líquidos grupo 4.1. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de PIS/Pasep, relativo ao período de 1º/01/2000 a 31/12/2003. O lançamento ocorreu sobre a totalidade da receita bruta, não se efetuando qualquer exclusão de que tratou o §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, efls. 296/311. Em impugnação, a recorrente alegou, inicialmente, que se sujeita apenas ao PIS sobre a folha de pagamento. Subsidiariamente, caso ultrapassada a primeira alegação, a não incidência sobre os atos cooperativos, a impossibilidade de lei ordinária revogar a isenção sobre os atos cooperativos principais, efetuou parcelamento PAES apenas sobre a receita dos atos cooperativos auxiliares e não cooperativos até novembro/2001 e, a partir de dezembro/2001, foi considerada o total de receita, com exclusão dos eventos que compõem o Fl. 713DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 683 3 grupo 41 acrescidos dos valores de intercâmbio. Alegou que a fiscalização não considerou tais exclusões, nem o custo com os cooperados pessoas físicas. Por fim, alegou a natureza confiscatória da multa de ofício aplicada e a ilegalidade da taxa Selic. Apreciando a defesa, a DRJ julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 Ementa: BASE DE C4CULO. SOCIEDADES COOPERATIVAS. As sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS incidente sobre a receita bruta como determinado pela Lei n° 9.718, de 1998, independentemente de iela resultar de atos cooperativos ou de atos nãocooperativos. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO — As exclusões na base de cálculo da Cofins e do PIS/PASEP, previstas no art. 15 da MP 2.158 35/2001, não alcançam ás cooperativas de trabalho médico. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 Ementa: ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Descabe a declaração de nulidade do lançamento tributário quando as informações aduzidas no levantamento fiscal permitem ao contribuinte exercer plenamente o seu direito de defesa. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO — As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Lançamento Procedente Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em impugnação, especialmente quanto à natureza jurídica das cooperativas, eficácia da LC nº 70/91, ofensa ao princípio da legalidade, o adequado tratamento ao ato cooperativo, da ofensa ao princípio da isonomia, o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, a ilegalidade da taxa Selic, a inexistência do pressuposto material para incidência do PIS/Pasep, as exclusões permitidas pelo artigo 15 da MP nº 2.15835/2001 e pelo §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Na sessão de 05/08/2008, o julgamento foi convertido em diligência mediante a Resolução nº 20100.762, para que fossem tomadas as seguintes sanadas as seguintes dúvidas: Fl. 714DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 684 4 1) qual a situação atual do parcelamento Paes? 2) Existem débitos declarados naquele parcelamento e que estão sendo cobrados neste processo? 3) A base de cálculo utilizada para a apuração dos débitos considerou o total da receita bruta, incluindo as receitas financeiras? 4) Com relação às exclusões do § 9º do art. 32 da Lei n2 9.718/98, é possível identificar os valores nos documentos juntados nos autos? 5) A contribuinte deve ser intimada para que apresente os valores que entende devam ser excluídos, identificando as parcelas de forma mensal e discriminada. Em cumprimento, a unidade administrativa firmou a seguinte resposta à diligência: "1. A contribuinte optou pelo PAES e a situação da conta está ativa com regularidade nos pagamentos. 2. Os valores que estão sendo cobrados nesse processo não estão contemplados pelo PAES. 3. A base de cálculo utilizada para apuração dos débitos considerou o total da receita bruta, incluindo as receitas financeiras. 4. A contribuinte não firmou contrato de coresponsabilidade e de transferência de responsabilidade com outras operadoras de plano de saúde, deste modo, não existem valores referentes às exclusões previstas no § 9º do art. 3° da Lei n° 9.718/98. 5. A contribuinte apresentou planilha com os valores que entende devam ser excluídos. No período de janeira de 2000 a novembro de 2001 a contribuinte entende que devam ser excluídos os valores provenientes dos Atos Cooperativos Principais e as Receitas Financeiras. No período de dezembro de 2001 a dezembro de 2003 a contribuinte entende, que os valores pagos aos médicos, hospitais, clínicas, etc, são EVENTOS e, portanto enquadrados no § 9° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. Conforme visto anteriormente, este parágrafo engloba unicamente os valores relativos à coresponsabilidade e transferência de responsabilidade firmados mediante contrato com outras operadoras de plano de saúde. Manifestandose sobre a resultado da diligência, a recorrente insurgese quanto à não exclusão dos valores correspondentes aos eventos ocorridos, os quais estão devidamente comprovados nos autos, quanto aos custos com cooperados pessoas físicas e sobre a exclusão das receitas nãooperacionais em razão da inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, resumindo o que entende deveria ser excluído da base de cálculo: Fl. 715DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 685 5 "a) De janeiro de 2000 a novembro de 2001, a recorrente entende que os valores que devem ser excluídos da base de cálculo são os provenientes dos Atos Cooperativos Principais e as Receitas Financeiras. a.1) ATOS COOPERATIVOS PRINCIPAIS: correspondem aos valores provenientes das movimentações entre seus cooperados e com as demais Unimeds conforme artigo 79, da Lei 5764/71. Para se calcular a proporcionalidade dos ingressos entre os tipos de Atos, o seu total é rateado conforme o comportamento dos eventos (custos) de cada mês.Os valores correspondentes às produções dos cooperados e das demais/Unimeds, são classificados como Atos Cooperativos Principais. a.2) RECEITAS FINANCEIRAS: O Supremo Tribunal Federal já julgou inconstitucional o parágrafo 1 0, do artigo 3 0 da Lei 9.718, de 27/11/1998, que alargou a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Com isso, estas receitas não constituem base' de cálculo das contribuições. b) Com base na MP 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as Operadoras de Planos de Saúde, a partir de dezembro de 2001, passou a excluir da base de cálculo, os valores correspondentes aos EVENTOS (nas seguradoras, chamase de sinistros) e os valores correspondentes as PROVISÕES TÉCNICAS ocorridos em cada competência, conforme prevê o parágrafo 9º, do artigo 2º da MP 2.15835, que diz: "§ 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades." Salientamos que eventos são os valores pagos aos médicos, hospitais, clínicas, laboratórios, etc., por conta da utilização do plano de saúde pelos beneficiários das Operadoras de Planos de saúde. Pelo mesmo argumento da letra "a") as Receitas Financeiras não constituem base de cálculo das contribuições. Na sessão de 24/07/2018, o julgamento foi convertido novamente em diligência, mediante a Resolução nº 3302000.775, para que a autoridade fiscal: certificasse se os valores informados nas contas 4.1 EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS e 4.4.1.3.6.0.01.0.0.1 CUSTOS CONGÊNERES USUÁRIOS DE FORA na contabilidade da recorrente, discriminando os valores que correspondem à nova interpretação, dada pelo §9ºA, ao inciso III, do § 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998; intimasse a recorrente a apresentar os valores de receitas a título de intercâmbio eventual (sem transferência de responsabilidade) de outras cooperativas e de pessoas jurídicas não cooperativas, devendo a autoridade fiscal realizar a certificação da informação na escrita contábil da recorrente; Fl. 716DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 686 6 intimasse a recorrente a apresentar os valores de receita decorrentes de venda de planos de saúde aos próprios cooperados, devendo a autoridade fiscal realizar a certificação da informação na escrita contábil da recorrente. caso houvesse divergência entre os valores pleiteados e os deferidos pela fiscalização, esta deveria elaborar relatório com as devidas justificativas e cientificar a recorrente de suas conclusões, para que se manifeste, se desejar, no prazo de trinta dias. O relatório fiscal da diligência informou os valores das contas 4.1 Eventos Indenizáveis Líquidos e 4.4.1.3.6.0.01.0.0.1 Custos Congêneres Usuários de fora nos meses de dez/2001 dezembro/2003; que, conforme resposta da recorrente, os eventos indenizáveis líquidos são todos os custos assistenciais decorrentes da utilização pelo beneficiário das coberturas proporcionadas pelo plano e os custos com congêneres representa os custos assistenciais decorrentes de utilização de beneficiários de outras operadoras Unimed; informou as receitas de intercâmbio eventual de janeiro/2001 a dezembro/2003, sendo que janeiro/2000 a dezembro/2000, não foi possível realizar tal separação dos valores das demais receitas; que não há receitas vendidas aos próprios cooperados, tudo relatado conforme a resposta da recorrente de efls. 642/656. Na forma regimentar, o processo foi redistribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Das Preliminares Em preliminar, a recorrente alega a nulidade da autuação por estar eivada de impropriedades técnicas e ausência de fundamentação legal. Destacase, de plano, que o Auto de Infração contém os requisitos legais exigidos no artigo 10 do Decreto 70.235/72 e foi lavrado por pessoa competente, não ocorrendo qualquer nulidade nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. Verificase, ademais, que a questão é de mérito. De fato, as questões levantadas em sede recursal referemse à composição da base de cálculo e tributação de atos cooperativos principais, receitas financeiras e falta de exclusão de valores, segundo a recorrente, o que não implica qualquer nulidade, mas, eventualmente, alteração no lançamento, conforme disposto no inciso I do artigo 145 do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; Fl. 717DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 687 7 III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Assim, afastase a nulidade arguida. Do mérito No mérito, a recorrente defende, inicialmente, a não sujeição dos valores pagos às cooperativas ao PIS/Pasep faturamento, alegando a impossibilidade de revogação da isenção prevista na LC 70/1991 por lei ordinária, ofensa ao princípio da isonomia e capacidade contributiva. De plano, esclareçase que a argüição de inconstitucionalidade de atos normativos e legislativos deve ser formulada perante o Poder Judiciário, em vista da competência constitucional prevista nos artigos 97 e 102 da Carta Magna, sendo vedado a este conselho conhecer desta alegação, conforme artigo 59 do Decreto nº 7.574/2011, exceto nas hipóteses previstas no artigo 621 d Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Neste sentido, foi publicada a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, eventual ofensa a princípios constitucionais e reserva de matéria à lei complementar são matérias que não podem ser conhecidas por este colegiado. Concernente à sujeição das receitas de vendas de plano de saúde à tributação do PIS/Pasep e da Cofins, a matéria foi objeto de deliberação nesta turma em recentes julgados, especialmente o Acórdão nº 3302003.136, processo nº 16682.720633/201450, cujas razões externadas pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento transcrevo abaixo e as adoto como razão de decidir, nos termos do §1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/1999: "1) Da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o ato cooperativo próprio e impróprio. Com base no artigo 79 da Lei 5.764/1971 e baseado em doutrina, a recorrente alegou que não havia incidência tributária das referidas contribuições sobre os atos cooperativos principais e auxiliares, porque os valores decorrentes de tais atos não representavam faturamento/receita bruta da atividade exercida pelas cooperativas, mas meros ingressos, sem exteriorização de conteúdo econômico inerente à atividade mercantil. Para a recorrente, os atos praticados pelas cooperativas médicas dividirseiam em atos cooperativos (principais e 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Fl. 718DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 688 8 auxiliares) e atos não cooperativos. Os primeiros, segundo a recorrente, estavam fora do campo de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por conseguinte, a receita bruta deles advinda não integrava a base de cálculo dessas contribuições. A definição de atos cooperativos adota pela recorrente compreende todos aqueles praticados com o objetivo de realizar o objeto social da cooperativa e os dividiu em atos principais e auxiliares. Os atos cooperativos principais eram aqueles praticados entre cooperativa e cooperado e os auxiliares os praticados entre cooperativa e terceiros ou entre terceiros e cooperados. Já os atos não cooperativos seriam aqueles que não tivessem vinculação direta com o objeto da cooperativa, ou seja, os negócios estranhos ao objeto social da cooperativa. Tal entendimento, induvidosamente, amplia o alcance definição legal de ato cooperativo apresentada no art. 79 da Lei 5.764/1971, que tem o seguinte teor, in verbis: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Por se tratar de definição veiculada em diploma legal, em razão do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972, aos integrantes deste Conselho é expressamente vedada afastála, em detrimento de qualquer outra apresentada na doutrina ou na jurisprudência, por mais bem elaborados ou “judiciosos” que sejam. E a propósito, depois de intensa controvérsia, essa também é a definição de ato cooperativo que, ao final, prevaleceu no âmbito da jurisprudência dos tribunais superiores, conforme a seguir demonstrado. Assim, com base no referido preceito legal, as sociedades cooperativas só praticam dois tipos atos ou negócios, a saber: a) os atos cooperativos (típicos, internos ou próprios), celebrado entre a cooperativa e o cooperado ou ainda entre a cooperativa e outra cooperativa a ela associada, para a consecução dos objetivos sociais; e b) atos não cooperativos (atípicos, externos ou impróprios) aqueles praticados com terceiros (não cooperados ou associados), ainda que para a consecução dos objetivos sociais. Além disso, o parágrafo único do art. 79 em comento, deixa claro que somente o ato cooperativo não implica operação de mercado, o que, em regra, assegurao possível de adequado, mas não privilegiado, tratamento tributário, conforme previsto no art. 146, III, “c”, da CF/1988; a contrario sensu, o ato não cooperativo tem natureza de operação de mercado, o que, em regra, submeteo a normal tratamento tributário. A propósito, a Fl. 719DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 689 9 lei atualmente vigente (Lei 5.764/1971), que dispõe sobre o regime das sociedades cooperativas, expressamente, prevê a tributação das receitas/resultados obtidos com os atos não cooperativos, nos termos dos arts. 86 e 111, a seguir transcritos: Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Especificamente em relação à tributação das receitas auferidas pelas cooperativas pela Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, depois de longa discussão sobre a matéria, no âmbito da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos RREE 598.085/RJ e 599.362/RJ, realizado sob regime de repercussão geral, nas assentadas dos dias 5 e 6 de novembro do corrente ano, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deu provimento aos recursos interpostos pela Fazenda Nacional, para reconhecer que as receitas das cooperativas auferidas da prestação serviços a terceiros estava sujeita à tributação das referidas contribuições. E esse entendimento, sabidamente, por determinação regimental, deve ser replicado nos julgamento deste Conselho. Em apertada síntese, nos referidos julgados, por unanimidade, o que raro em matéria tributária, o plenário do STF manifestou o entendimento que: a) a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins submetemse ao mesmo regime jurídico, porquanto aplicável a mesma ratio quanto à definição dos aspectos da hipótese de incidência, em especial o pessoal (sujeito passivo) e o quantitativo (base de cálculo e alíquota), e que havia sim incidência das referidas contribuições sobre atos ou negócios jurídicos praticados por cooperativa prestadora de serviço com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas; b) a Lei 5.764/1971 foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 com o status de lei ordinária e que o seu artigo 79 apenas definia o que seria ato cooperativo, sem nada definir quanto ao regime de tributação das cooperativas; c) a alegação de que as sociedades cooperativas não possuíam faturamento, nem receita e, por essa característica, não estavam sujeitas à incidência de qualquer tributo sobre suas atividades principais e acessórias, levava ao mesmo resultado prático de se conferir a elas, sem expressa autorização constitucional, imunidade tributária; d) o tratamento tributário adequado ao ato cooperativo era questão política que deveria ser resolvida na esfera competente, Fl. 720DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 690 10 logo eventual insuficiência de normas não poderia ser tida por violadora do princípio da isonomia; e e) não havia hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, consequentemente, seria possível que uma lei formalmente complementar, mas materialmente ordinária, fosse revogada por lei ordinária, o que teria ocorrido no caso da revogação da isenção veiculada na Lei Complementar 70/1991 pela Medida Provisória 1.859/1999 e reedições seguintes, até a redação definitiva dada pela Medida Provisória 2.15835/2001, que validamente operaram a derrogação da norma concessiva de isenção da Cofins para as sociedades cooperativas. Para mais detalhes sobre entendimento esposado pelo STF nos referidos julgados, seguem reproduzidos, respectivamente, os enunciados das ementas dos citados RREE 598.085/RJ e 599.362/RJ: RE 598.085/RJ: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. COOPERATIVA DE TRABALHO. SOCIEDADE COOPERATIVA PRESTADORA DE SERVIÇOS MÉDICOS. POSTO REALIZAR COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (NÃO COOPERADOS) VENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS SUJEITASE À INCIDÊNCIA DA COFINS, PORQUANTO AUFERIR RECEITA BRUTA OU FATURAMENTO ATRAVÉS DESTES ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS. CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE “ATO NÃO COOPERATIVO” POR EXCLUSÃO, NO SENTIDO DE QUE SÃO TODOS OS ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (COOPERADOS), EX VI, PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS TOMADORAS DE SERVIÇO. POSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL (ISENÇÃO DA COFINS) PREVISTO NO INCISO I, DO ART. 6°, DA LC Nº 70/91, PELA MP Nº 1.8586 E REEDIÇÕES SEGUINTES, CONSOLIDADA NA ATUAL MP Nº 2.15835. A LEI COMPLEMENTAR A QUE SE REFERE O ART. 146, III, “C”, DA CF/88, DETERMINANTE DO “ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO ATO COOPERATIVO”, AINDA NÃO FOI EDITADA. EX POSITIS, DOU PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. As contribuições ao PIS e à COFINS sujeitamse ao mesmo regime jurídico, porquanto aplicável a mesma ratio quanto à definição dos aspectos da hipótese de incidência, em especial o pessoal (sujeito passivo) e o quantitativo (base de cálculo e alíquota), a recomendar solução uniforme pelo colegiado. 2. O princípio da solidariedade social, o qual inspira todo o arcabouço de financiamento da seguridade social, à luz do art. 195 da CF/88, matriz constitucional da COFINS, é mandamental com relação a todo o sistema jurídico, a incidir também sobre as cooperativas. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 691 11 3. O cooperativismo no texto constitucional logrou obter proteção e estímulo à formação de cooperativas, não como norma programática, mas como mandato constitucional, em especial nos arts. 146, III, c; 174, § 2°; 187, I e VI, e 47, § 7º, ADCT. O art. 146, c, CF/88, trata das limitações constitucionais ao poder de tributar, verdadeira regra de bloqueio, como corolário daquele, não se revelando norma imunitória, consoante já assentado pela Suprema Corte nos autos do RE 141.800, Relator Ministro Moreira Alves, 1ª Turma, DJ 03/10/1997. 4. O legislador ordinário de cada pessoa política poderá garantir a neutralidade tributária com a concessão de benefícios fiscais às cooperativas, tais como isenções, até que sobrevenha a lei complementar a que se refere o art. 146, III, c, CF/88. O benefício fiscal, previsto no inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, foi revogado pela Medida Provisória nº 1.858 e reedições seguintes, consolidada na atual Medida Provisória nº 2.158, tornandose tributáveis pela COFINS as receitas auferidas pelas cooperativas (ADI 1/DF, Min. Relator Moreira Alves, DJ 16/06/1995). 5. A Lei nº 5.764/71, que define o regime jurídico das sociedades cooperativas e do ato cooperativo (artigos 79, 85, 86, 87, 88 e 111), e as leis ordinárias instituidoras de cada tributo, onde não conflitem com a ratio ora construída sobre o alcance, extensão e efetividade do art. 146, III, c, CF/88, possuem regular aplicação. 6. Acaso adotado o entendimento de que as cooperativas não possuem lucro ou faturamento quanto ao ato cooperativo praticado com terceiros não associados (não cooperados), inexistindo imunidade tributária, haveria violação a determinação constitucional de que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, ex vi, art. 195, I, b, da CF/88, seria violada. 7. Consectariamente, atos cooperativos próprios ou internos são aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados) na busca dos seus objetivos institucionais. 8. A Suprema Corte, por ocasião do julgamento dos recursos extraordinários 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 15082006, e 346.084/PR, Relator Min. ILMAR GALVÃO, Relator p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 01092006, assentou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços. 9. Recurso extraordinário interposto pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), com fulcro no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal de 1988, em face de acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, verbis: TRIBUTÁRIO. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 692 12 MANDADO DE SEGURANÇA. COOPERATIVA. LEI Nº. 5.764/71. COFINS. MP N°. 1.858/99. LEI 9.718/98, ART. 3°, § 1° (INCONSTITUCIONALIDADE). NÃOINCIDÊNCIA DA COFINS SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS. 1. A Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998 (DOU de 16/12/1998) não tem força para legitimar o texto do art. 3°, § 1°, da Lei nº. 9.718/98, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação, em 28 de novembro de 1998. 2. É inconstitucional o § 1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG) 3. Prevalece, no confronto com a Lei nº. 9718/98, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins o disposto no art. 2° da Lei n° 70/91, que considera faturamento somente a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. 4. Os atos cooperativos (Lei nº. 5.764/71 art. 79) não geram receita nem faturamento para as sociedades cooperativas. Não compõem, portanto, o fato imponível para incidência da Cofins. 5. Em se tratando de mandado de segurança, não são devidos honorários de advogado. Aplicação das Súmulas 512 do STF e 105 do STJ. 6. Apelação provida. (fls. 120/121). 10. A natureza jurídica dos valores recebidos pelas cooperativas e provenientes não de seus cooperados, mas de terceiros tomadores dos serviços ou adquirentes das mercadorias vendidas e a incidência da COFINS, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”, são temas que se encontram sujeitos à repercussão geral nos recursos: RE 597.315RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 02/02/2012, Dje 22/02/2012, RE 672.215RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 29/03/2012, Dje 27/04/2012, e RE 599.362RG, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Dje13122010, notadamente acerca da controvérsia atinente à possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.15833, originariamente editada sob o nº 1.8586, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de 1998. 11. Ex positis, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela recorrida com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. Ressalvo, ainda, a manutenção do acórdão recorrido naquilo que declarou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta. (RE 598085, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe027 DIVULG 09022015 PUBLIC 10 022015) Grifos não originais. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 693 13 RE 599.362/RJ: EMENTA Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de Fl. 724DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 694 14 forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. (RE 599362, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe027 DIVULG 09022015 PUBLIC 10022015) Grifos não originais. Em suma, da leitura dos referidos enunciados, extraise que, diferentemente do alegado pela recorrente, para a firme jurisprudência do STF os atos cooperativos (próprios ou internos) são aqueles realizados pela cooperativa com os seus próprios associados (cooperados) na busca dos seus objetivos sociais, e que as receitas provenientes dos atos (negócios jurídicos) praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviço integram o campo de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Especificamente no que tange à receita auferida pelas cooperativas médicas, operadoras de plano de saúde, decorrentes da venda de plano de saúde a terceiros não cooperados, a matéria foi objeto de julgamento, sob regime de repercussão geral, no âmbito do referenciado RE 598.085/RJ, e a decisão foi no sentido de que tais receitas integravam a base de cálculo das referidas contribuições, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. [...] 2) Da natureza jurídica da operação de venda de planos de saúde pelas cooperativas operadoras de plano de saúde. [...] [...]. Nos termos do caput do art. art. 79 da Lei 5.764/1971 os atos cooperativos são somente aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados e entre as cooperativas Fl. 725DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 695 15 associadas entre si, para a consecução dos objetivos sociais da correspondente cooperativa. Logo, os atos ou negócios praticados pelas cooperativas com terceiros não são atos cooperativos. Assim, os atos praticados entre as cooperativas médicas e terceiros adquirentes de planos de saúde, por ser ato não cooperativo, caracterizase como operação de mercado, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, em decorrência, as receitas auferidas da realização dos referidos negócios integram o campo de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Ainda sobre assunto, cabe ressaltar a evolução porque passou a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, inicialmente, afastou a referida definição legal de ato cooperativo, e adotou definição de sentido e alcance ampliado defendido por parte relevante da doutrina, de que o ato cooperativo deve abarcar o conjunto de atos praticados pela entidade cooperativa com os associados (cooperados) ou não, que se revelem imprescindíveis para a consecução de seus objetivos sociais, conforme se infere do excerto extraído do voto condutor do REsp 903.699/RJ1, que segue transcrito: Extraise do raciocínio jurídico do ilustre Professor, portanto, que o conceito legal de ato cooperativo deve abarcar o conjunto de atos praticados pela entidade cooperativa em nome dos cooperados, e em benefício desses, com pessoas físicas ou jurídicas não–associadas, sem intuito de lucro nem receita, que se revelem imprescindíveis para a consecução de seus objetivos sociais, que é o de auxiliar os associados, organizando e planejando suas operações coletivas, ainda que tais atos se apresentem, aparentemente, atípicos. Nesse diapasão, não destoa do conceito de ato cooperativo a venda de bens ou serviços dos associados por intermédio da cooperativa, pois em conformidade com o seu mister, sendo certo que o resultado positivo obtido nessa operação não importa em receita da sociedade, pois transferido, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. Porém, atualmente, a jurisprudência do STJ firmouse no sentido de que ato cooperativo é somente aquele praticado entre a sociedade cooperativa e associados (cooperados) ou entre cooperativas associadas, para a consecução dos objetivos sociais. Portanto, em consonância com os termos da definição veiculada no caput do art. 79 da Lei 5.764/1971. A título de exemplo citase o acórdão proferido no REsp 829.458/MG, de onde se extrai a parte relevante do enunciado da ementa que segue transcrito: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PIS SOBRE FATURAMENTO E SOBRE FOLHA. INCIDÊNCIA. COOPERATIVAS MÉDICAS. UNIMED. REPASSES PELOS SERVIÇOS PRESTADOS POR PROFISSIONAIS COOPERADOS E NÃO COOPERADOS À Fl. 726DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 696 16 CLIENTELA DA OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. RECEITAS DAS PRÓPRIAS ENTIDADES E NÃO DOS PROFISSIONAIS. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DESPROVIMENTO DO RECURSO. [...] REPASSES AOS MÉDICOS NÃO COOPERADOS: INCIDÊNCIA 18. Como já dito em tópico anterior, a fundamentação integral do Min. Castro Meira e parte dos argumentos da Min. Eliana Calmon estavam centrados no entendimento de que os arts. 2º e 3º, § 9º, III, da Lei 9.718/1998 veiculariam base legal de dedução de valores no que se refere aos repasses aos médicos da base de cálculo do PISFaturamento. 19. Sabese que atos não cooperativos são tributados normalmente. A própria recorrente afirma em sua inicial, a saber: "Em decorrência da natureza sui generis das sociedades cooperativas, estas sempre tiveram um regime tributário próprio, no qual o ato cooperativo não sofre a incidência de tributos, e os atos não cooperativos são submetidos normalmente à tributação" (fl. 5). 20. Isso, aliás, está previsto expressamente no art. 2º, § 1º, da Lei 9.715/1998, a saber: "§ 1º As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada na forma do inciso I, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados" (grifo nosso). 21. O STJ, por sua vez, sempre decidiu que os serviços prestados por cooperativas médicas a terceiros (não associados) são passíveis de incidência de PIS, justamente porque aí se tem ato não cooperativo, conforme os seguintes julgados: a) REsp 746.382/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 12.9.2006, DJ 9.10.2006, p. 279; b) AgRg no AREsp 170.608/MG, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 9.10.2012, DJe 16.10.2012; c) AgR nos EDcl no REsp 84.75/MG, 1ª Turma , Rel. Min. Teori Albino Zavscki , DJe 16.3.2011; d) AgRg no Ag 1386385/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 2.6/2011, DJe 9.6.2011. 22. Em relação à própria Unimed, na condição de operadora de plano de saúde, a Segunda Turma decidiu na mesma linha acima: "O fornecimento de serviços a terceiros não cooperados e o fornecimento de serviços a terceiros não associados inviabiliza a configuração como atos cooperativos, devendo ser tributados normalmente" (AgRg no REsp 786.612/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 17.10.2013, DJe 24.10.2013). 23. Presente esse contexto, interpretar o art. 3º, § 9º, III, da Lei 9.718/1998 como benefício fiscal (dedução da base de cálculo) Fl. 727DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 697 17 em favor dos repasses feitos pela Unimed aos médicos não cooperados seria contrariar o longo histórico de precedentes do STJ sobre a matéria. A discussão sempre foi saber se os valores recebidos pela Unimed de clientes e repassados a médicos cooperados seriam passíveis de incidência do PIS, ou não. Não as quantias referentes aos não cooperados. 24. Além disso, se o STJ entender pela exclusão da base de cálculo dos valores repassados aos não associados, com espeque no art. 3º, § 9º, III, da Lei 9.718/1998, estará incidindo em flagrante contradição. É que soa ilógico admitir a tributação do valor que vai ser repassado ao médico cooperado, conforme esta própria Segunda Turma está decidindo, inclusive com base em julgados do STF, e afastar a tributação do que for transferido ao médico não cooperado. 25. Se o STJ e STF se posicionaram no sentido de que os valores recebidos das cooperativas médicas dos seus clientes são receitas das próprias entidades e não dos médicos associados, com mais razão ainda os valores que serão repassados aos não associados. 26. Recurso Especial desprovido. (REsp 829.458/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, Rel. p/ Acórdão Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/04/2015, DJe 24/11/2015) grifos não originais Não é demais esclarecer que esta mudança de entendimento na jurisprudência do STJ decorreu dos recentes julgados do STF, proferidos em regime de repercussão geral, nos RREE 599.362/RJ e 598.085/RJ, em que decidido que as sociedades cooperativas médicas têm suas receitas brutas submetidas à incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins, na forma do ordenamento em vigor, sobre os atos praticados por cooperativas com terceiros tomadores de serviços dos cooperados, conforme explicitado no tópico precedente. Dessa forma, em consonância com a atual jurisprudência consolidada do STF e do STJ, temse que os valores das mensalidades recebidos pelas cooperativas médicas dos seus clientes beneficiários, provenientes da venda de planos de saúde, são receitas das próprias entidades cooperativas e não dos médicos que lhe são associados, como entende a recorrente. Ademais, tais receitas não são provenientes de atos cooperativos, como defende a recorrente, mas de atos não cooperativos, porque não são provenientes de atos ou negócios realizados entre a cooperativa e terceiros, que não os associados (cooperados) ou cooperativas associadas, conforme definição veiculada no caput do art. 79 da Lei 5.764/1971. Dada essa condição, os valores das mensalidades pagas pelos filiados ao plano de saúde, induvidosamente, representam receita bruta da recorrente proveniente de atos não cooperativos e, nessa condição, integram a base de cálculo das referidas contribuições, nos termos art. 2º, combinado com o caput do art. 3º, ambos da Lei 9.718/1998, porém, fica assegurado às entidades cooperativas médicas, operadoras de plano de saúde, Fl. 728DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 698 18 as deduções gerais, previstas no § 2º, e as deduções específicas, previstas no § 9º, ambos do art. 3º da Lei 9.718/1998." De fato, existem quatro recursos extraordinários sobre o tema: RREE 598.085/RJ, 599.362/RJ, 597.315/RJ e 672.215/CE, sendo que o RE 598.085/RJ e RE 672.215/CE versam especificamente sobre cooperativas de trabalho médico, enquanto os outros dois sobre outras cooperativas de trabalho. Os RREE 597.315/RJ e 672.215/CE não possuem decisão de mérito, enquanto o RE 598.085/RJ está em julgamento de embargos opostos pelas partes, ao passo que o RE 599.362/RJ transitou em julgado em 25/11/2016, no qual restou assentado a incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre as receitas decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros, nos termos da seguinte ementa: EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Artigo 146, III, c, da CF/88. Possibilidade de tributação do ato cooperativo. Cooperativa. Contribuição ao PIS. Receita ou faturamento. Incidência. Fixação de tese restrita ao caso concreto. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. 1. A norma do art. 146, III, c, da Constituição, que assegura o adequado tratamento tributário do ato cooperativo, é dirigida, objetivamente, ao ato cooperativo, e não, subjetivamente, à cooperativa. 2. O art. 146, III, c, da CF/88, não confere imunidade tributária, não outorga, por si só, direito subjetivo a isenções tributárias relativamente aos atos cooperativos, nem estabelece hipótese de não incidência de tributos, mas sim pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo, dispondo que lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. 3. O tratamento tributário adequado ao ato cooperativo é uma questão política, devendo ser resolvido na esfera adequada e competente, ou seja, no Congresso Nacional. 4. No contexto das sociedades cooperativas, verificase a materialidade da contribuição ao PIS pela constatação da obtenção de receita ou faturamento pela cooperativa, consideradas suas atividades econômicas e seus objetos sociais, e não pelo fato de o ato do qual o faturamento se origina ser ou não qualificado como cooperativo. 5. Como, nos autos do RE nº 672.215/CE, Rel. Min. Roberto Barroso, o tema do adequado tratamento tributário do ato cooperativo será retomado, a fim de se dirimir controvérsia acerca da cobrança de contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, incidentes, também, sobre outras materialidades, como o lucro, tendo como foco os conceitos constitucionais de “ato cooperativo”, “receita de atividade cooperativa” e “cooperado” e, ainda, a distinção entre “ato cooperado típico” e “ato cooperado atípico”, proponho a seguinte tese de repercussão geral para o tema 323, diante da Fl. 729DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 699 19 preocupação externada por alguns Ministros no sentido de adotarmos, para o caso concreto, uma tese minimalista: “A receita ou o faturamento auferidos pelas Cooperativas de Trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se inserem na materialidade da contribuição ao PIS/Pasep.” 6. Embargos de declaração acolhidos para prestar esses esclarecimentos, mas sem efeitos infringentes. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, sob a presidência do Senhor Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade de votos e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 323 da repercussão geral, em acolher os embargos de declaração para prestar esclarecimentos, sem efeitos infrigentes, fixando tese nos seguintes termos: “A receita auferida pelas cooperativas de trabalho decorrente dos atos (negócios jurídicos). firmados com terceiros se insere na materialidade da contribuição ao PIS/PASEP”. Brasília, 18 de agosto de 2016. MINISTRO DIAS TOFFOLI Relator Verificase que os ministros deixaram a controvérsia sobre a distinção entre atos típicos e atípicos, bem como a possibilidade de incidência das contribuições sobre o ato cooperativo para o julgamento do RE 672.215/CE. Não obstante, a decisão proferida no RE 599.362/RJ deve ser reproduzida nas decisões deste Conselho, de acordo com o artigo 62 do Anexo II do RICARF. Destarte, entendo que as receitas decorrentes das vendas de planos de saúde a terceiros não cooperados é sujeita à incidência das contribuições, admitidas as exclusões previstas em lei. Pontuese, ainda, que o STJ julgou o REsp nº 1.164.716/MG, transitado em julgado em 22/06/2016 e submetido à sistemática de recursos repetitivos, na qual restou decidido que os atos cooperativos não implicam operações de compra e venda e não se sujeitam à incidência de PIS/Pasep e Cofins, conforme ementa abaixo transcrita: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, Fl. 730DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 700 20 que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin. Sustentaram, oralmente, a Dra. HERTA RANI TELES, pela recorrente, e o Dr. JOÃO CAETANO MUZZI FILHO, pela interessada: ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB Brasília/DF, 27 de abril de 2016 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR Assim, embora, aparentemente, contraditória com o julgado no RE 598.085/RJ, tal decisão deve ser reproduzida nos julgamentos proferidos por este Conselho, de Fl. 731DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 701 21 acordo com o artigo 62 do Anexo II do RICARF, pois aquele recurso extraordinário ainda não é definitivo. O fato é que a decisão final sobre o tema, aparentemente, ocorrerá no julgamento do 672.215/CE. Enquanto isso, devem ser aplicadas as decisões proferidas no RE 599.362/RJ e REsp 1.164.716/MG. Concluindo, as receitas de vendas de planos de saúde a terceiros não cooperados são atos não cooperativos e devem compor a base de cálculo das contribuições. Porém, é de se reconhecer que não compõem a base de cálculo as receitas de vendas de planos de saúde aos próprios cooperados, as parcelas previstas no §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, as exclusões previstas nos incisos I a IV do §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/19982 e as sobras destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fates (art. 28 da Lei 5.764/71), de que trata o §2º do artigo 1º da Lei nº 10.676/2003. Destarte, todas as receitas auferidas com a venda de planos de saúde a não cooperados são consideradas atos não cooperativos e sujeitos à tributação para o PIS/Pasep e Cofins. No caso, a recorrente, para janeiro de 2000 a novembro de 2001, aduziu que as receitas proporcionais aos eventos com cooperados e Unimeds possuíam a natureza de atos cooperativos, excluindo grande parte das receitas da conta 3.01.01, o que está em desacordo com as decisões proferidas pelo STF e STJ acima mencionadas. Assim, não há que se falar em rateio de eventos para se definir a natureza do ato relativo às receitas auferidas no plano, mas sim se a receita foi auferida com cooperado ou com outra cooperativa ou com terceiro. A recorrente informou em diligência fiscal, efl. 655, que não efetuou venda de planos de saúde a cooperados, razão pela todas as receitas denominadas "atos cooperativos principais" decorrentes das vendas de planos de saúde são sujeitas à incidência das contribuições, em todo o período, tendo em vista a definição estrita do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971. Concernente aos intercâmbios eventuais decorrentes dos atendimentos de outras Unimeds, defluise que tratam de atos praticados entre as cooperativas quando associadas entre si, nos termos dos artigos artigos 7º, 8º e 9º da Lei nº 5.764/1971: Art. 7º As cooperativas singulares se caracterizam pela prestação direta de serviços aos associados. Art. 8° As cooperativas centrais e federações de cooperativas objetivam organizar, em comum e em maior escala, os serviços econômicos e assistenciais de interesse das filiadas, integrando e orientando suas atividades, bem como facilitando a utilização recíproca dos serviços. Parágrafo único. Para a prestação de serviços de interesse comum, é permitida a constituição de cooperativas centrais, às 2 I as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 702 22 quais se associem outras cooperativas de objetivo e finalidades diversas. Art. 9° As confederações de cooperativas têm por objetivo orientar e coordenar as atividades das filiadas, nos casos em que o vulto dos empreendimentos transcender o âmbito de capacidade ou conveniência de atuação das centrais e federações. No caso, as Unimeds pertencem ao Sistema Cooperativo Unimed, agrupadas em federações estaduais ou regionais, as quais estão filiadas à Confederação Nacional das Cooperativas Médicas (https://www.unimed.coop.br/home/sistemaunimed/aunimed). A matéria foi tratada por esta turma no Acórdão nº 3302003.257, proferido em 20/07/2016, no qual restou decidido que o intercâmbio eventual entre as Unimeds associadas era ato cooperativo típico, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF As receitas decorrentes das operações realizadas entre cooperativas associadas constituem, nos termos do Recurso Especial Nº 1.164.716, ato cooperativo típico, não devendo incidir sobre elas a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. O excerto do voto condutor esclarece o ponto: "No caso concreto, há que se reconhecer que as receitas decorrentes de intercâmbio eventual entre a Unimed São Gonçalo Niterói e outras Unimedes associadas constituemse em uma das hipóteses destacadas no Recurso Especial Nº 1.164.716 como sendo ato cooperativo típico, no caso, aqueles que são praticado pelas cooperativas entre si quando associadas. Tratandose, portanto, de ato cooperado, conforme entendimento firmado naquela Corte, não poderá sobre a receita dele decorrente incidir nem a Contribuição para o PIS/Pasep nem a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins." Destarte, os intercâmbios eventuais praticados entre as Unimeds estão abarcados pela definição de atos cooperativos prevista no artigo 79 da Lei nº 5.764/71, Fl. 733DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 703 23 devendo as receitas deles decorrentes, discriminadas no relatório de diligência de efls. 660, serem excluídas da base de cálculo. Ainda quanto à base de cálculo autuada com fundamento no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, procede a impugnação da recorrente quanto às receitas financeiras, pois referido parágrafo teve a inconstitucionalidade reconhecida nos leading cases RREE nº 346.084/PR; nº 357.950/RS; nº 358.273/RS; e nº 390.840/MG, e assentada no RE 585.235 1/MG, com repercussão geral reconhecida, nos termos da seguinte ementa: EMENTA. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Tal decisão deve ser reproduzida nos julgamentos administrativos no âmbito deste Conselho, conforme disposto no §2º do artigo 62 do Anexo II do atual RICARF, aprovado pela Portaria MFnº 343/2015. Assim, devem ser excluídas as receitas financeiras escrituradas nas contas 3.02.01.01 para o ano de 2000, conta 3.4 para o ano de 2001, 2002 e 2003. Quanto às exclusões do artigo 15 da MP nº 2.15835/2001, a recorrente não demonstrou qualquer exclusão a tal título em cumprimento da diligência. Já em relação às exclusões de que trata o §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, a recorrente pugnou pelas exclusões de valores das contas 4.1 EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS e 4.4.1.3.6.0.01.0.0.1 CUSTOS CONGÊNERES USUÁRIOS DE FORA. A respeito, foi introduzido o §9ºA no artigo 3º da Lei nº 9.718/98: Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) [...] § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 734DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 704 24 III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) (grifos não originais) Esta modificação alterou o entendimento dado até então pela RFB, nos termos do artigo 106, inciso I do CTN3, pois enquanto esta entendia que as indenizações por eventos efetivamente pagos se restringia aos efetuados em beneficiários de outra operadora de plano de saúde, o novo parágrafo dispôs que a expressão referese ao total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, alargando a possibilidade de deduções permitidas. Os eventos ocorridos efetivamente pagos estão representados pelas seguintes grupos constantes dos planos de contas das operadoras de planos de saúde, conforme Resolução de Diretoria Colegiada RDC nº 38/2000, Resolução Normativa RN nº 3/2002 e Resolução Normativa RN nº 27/2003: grupo 411 Eventos Indenizáveis diminuído do grupo 412 () Recuperação de eventos indenizáveis e do grupo 413 () Recuperação de despesas com eventos indenizáveis, conforme abaixo descritos: 4 DESPESA 41 EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS 411 EVENTOS INDENIZÁVEIS 4111 EVENTOS CONHECIDOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICOHOSPITALAR 41111 Consultas e Honorários Médicos – Pessoal Próprio/Assalariado 411111 PréPagamento 411112 Demais Modalidades de Pagamentos 41112 Consultas e Honorários Médicos Cooperados 411121 PréPagamento 411122 Demais Modalidades de Pagamentos 41113 Consultas e Honorários Médicos – Conveniados 411131 PréPagamento 411132 Demais Modalidades de Pagamentos 41114 Exames e Terapias – Rede Própria 411141 PréPagamento 3 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (grifei) Fl. 735DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 705 25 411142 Demais Modalidades de Pagamentos 41115 Exames e Terapias – Rede Conveniada 411151 PréPagamento 411152 Demais Modalidades de Pagamentos 41116 Demais Despesas Assistenciais – Rede Própria 411161 PréPagamento 411162 Demais Modalidades de Pagamentos 41117 Demais Despesas Assistenciais – Rede Conveniada 411171 PréPagamento 411172 Demais Modalidades de Pagamentos 41118 Sistema Único de Saúde (S.U.S.) 41119 Operações com o Exterior 4112 EVENTOS CONHECIDOS DE ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA 41121 Consultas e Honorários Odontológicos – Pessoal Próprio/Assalariado 411211 PréPagamento 411212 Demais Modalidades de Pagamentos 41122 Consultas e Honorários Odontológicos Cooperados 411221 PréPagamento 411222 Demais Modalidades de Pagamentos 41123 Consultas e Honorários Odontológicos – Conveniados 411231 PréPagamento 411232 Demais Modalidades de Pagamentos 41124 Exames e Terapias – Rede Própria 411241 PréPagamento 411242 Demais Modalidades de Pagamentos 41125 Exames e Terapias – Rede Conveniada 411251 PréPagamento 411252 Demais Modalidades de Pagamentos 41126 Demais Despesas Odontológicas – Rede Própria 411261 PréPagamento 411262 Demais Modalidades de Pagamentos 41127 Demais Despesas Odontológicas – Rede Conveniada 411271 PréPagamento 411272 Demais Modalidades de Pagamentos 41128 Sistema Único de Saúde (S.U.S.) 41129 Operações com o Exterior 4113 DESPESAS COM EVENTOS CONHECIDOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICOHOSPITALAR 41131 Despesas Diretamente Ligadas ao Ato Assistencial 411311 PréPagamento 411312 Demais Modalidades de Pagamentos 41133 Operações com o Exterior 41138 Outros 4114 DESPESAS COM EVENTOS CONHECIDOS DE ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA 41141 Despesas Diretamente Ligadas ao Ato Assistencial 411411 PréPagamento 411412 Demais Modalidades de Pagamentos 41142 Operações com o Exterior 41148 Outros 4115 EVENTOS EM CORESPONSABILIDADE ASSUMIDA DE ASSIST. MÉDICOHOSPITALAR 41151 Consultas e Honorários Médicos – Pessoal Próprio/Assalariado 411511 PréPagamento 411512 Demais Modalidades de Pagamentos 41152 Consultas e Honorários Médicos Cooperados Fl. 736DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 706 26 411521 PréPagamento 411522 Demais Modalidades de Pagamentos 41153 Consultas e Honorários Médicos – Conveniados 411531 PréPagamento 411532 Demais Modalidades de Pagamentos 41154 Exames e Terapias – Rede Própria 411541 PréPagamento 411542 Demais Modalidades de Pagamentos 41155 Exames e Terapias – Rede Conveniada 411551 PréPagamento 411552 Demais Modalidades de Pagamentos 41156 Demais Despesas Assistenciais – Rede Própria 411561 PréPagamento 411562 Demais Modalidades de Pagamentos 41157 Demais Despesas Assistenciais – Rede Conveniada 411571 PréPagamento 411572 Demais Modalidades de Pagamentos 41158 Sistema Único de Saúde (S.U.S.) 4116 EVENTOS EM CORESPONSABILIDADE ASSUMIDA DE ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA 41161 Consultas e Honorários Odontológicos – Pessoal Próprio/Assalariado 411611 PréPagamento 411612 Demais Modalidades de Pagamentos 41162 Consultas e Honorários Odontológicos Cooperados 411621 PréPagamento 411622 Demais Modalidades de Pagamentos 41163 Consultas e Honorários Odontológicos – Conveniados 411631 PréPagamento 411632 Demais Modalidades de Pagamentos 41164 Exames e Terapias – Rede Própria 411641 PréPagamento 411642 Demais Modalidades de Pagamentos 41165 Exames e Terapias – Rede Conveniada 411651 PréPagamento 411652 Demais Modalidades de Pagamentos 41166 Demais Despesas Odontológicas – Rede Própria 411661 PréPagamento 411662 Demais Modalidades de Pagamentos 41167 Demais Despesas Odontológicas – Rede Conveniada 411671 PréPagamento 411672 Demais Modalidades de Pagamentos 41168 Sistema Único de Saúde (S.U.S.) 412 ()RECUPERAÇÃO DE EVENTOS INDENIZÁVEIS 4121 ()RECUPERAÇÃO/RESSARCIMENTO DE EVENTOS INDENIZADOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICOHOSPITALAR 41211 Consultas e Honorários Médicos – Pessoal Próprio/Assalariado 412111 PréPagamento 412112 Demais Modalidades de Pagamentos 41212 Consultas e Honorários Médicos Cooperados 412121 PréPagamento 412122 Demais Modalidades de Pagamentos 41213 Consultas e Honorários Médicos – Conveniados 412131 PréPagamento 412132 Demais Modalidades de Pagamentos 41214 Exames e Terapias – Rede Própria Fl. 737DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 707 27 412141 PréPagamento 412142 Demais Modalidades de Pagamentos 41215 Exames e Terapias – Rede Conveniada 412151 PréPagamento 412152 Demais Modalidades de Pagamentos 41216 Demais Despesas Assistenciais – Rede Própria 412161 PréPagamento 412162 Demais Modalidades de Pagamentos 41217 Demais Despesas Assistenciais – Rede Conveniada 412171 PréPagamento 412172 Demais Modalidades de Pagamentos 41218 Sistema Único de Saúde (S.U.S.) 41219 Operações com o Exterior 4122 ()RECUPERAÇÃO/RESSARCIMENTO EVENTOS INDENIZADOS DE ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA 41221 Consultas e Honorários Odontológicos – Pessoal Próprio/Assalariado 412211 PréPagamento 412212 Demais Modalidades de Pagamentos 41222 Consultas e Honorários Odontológicos Cooperados 412221 PréPagamento 412222 Demais Modalidades de Pagamentos 41223 Consultas e Honorários Odontológicos – Conveniados 412231 PréPagamento 412232 Demais Modalidades de Pagamentos 41224 Exames e Terapias – Rede Própria 412241 PréPagamento 412242 Demais Modalidades de Pagamentos 41225 Exames e Terapias – Rede Conveniada 412251 PréPagamento 412252 Demais Modalidades de Pagamentos 41226 Demais Despesas Odontológicas – Rede Própria 412261 PréPagamento 412262 Demais Modalidades de Pagamentos 41227 Demais Despesas Odontológicas – Rede Conveniada 412271 PréPagamento 412272 Demais Modalidades de Pagamentos 41228 Sistema Único de Saúde (S.U.S.) 41229 Operações com o Exterior 4123 ()RECUPERAÇÃO DE EVENTOS EM CORESPONSABILIDADE DE ASSISTÊNCIA MÉDICOHOSPITALAR 41231 Consultas e Honorários Médicos – Pessoal Próprio/Assalariado 412311 PréPagamento 412312 Demais Modalidades de Pagamentos 41232 Consultas e Honorários Médicos Cooperados 412321 PréPagamento 412322 Demais Modalidades de Pagamentos 41233 Consultas e Honorários Médicos – Conveniados 412331 PréPagamento 412332 Demais Modalidades de Pagamentos 41234 Exames e Terapias – Rede Própria 412341 PréPagamento 412342 Demais Modalidades de Pagamentos 41235 Exames e Terapias – Rede Conveniada 412351 PréPagamento 412352 Demais Modalidades de Pagamentos Fl. 738DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 708 28 41236 Demais Despesas Assistenciais – Rede Própria 412361 PréPagamento 412362 Demais Modalidades de Pagamentos 41237 Demais Despesas Assistenciais – Rede Conveniada 412371 PréPagamento 412372 Demais Modalidades de Pagamentos 41238 Sistema Único de Saúde (S.U.S.) 4124 ()RECUPERAÇÃO DE EVENTOS EM CORESPONSABILIDADE DE ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA 41241 Consultas e Honorários Odontológicos – Pessoal Próprio/Assalariado 412411 PréPagamento 412412 Demais Modalidades de Pagamentos 41242 Consultas e Honorários Odontológicos Cooperados 412421 PréPagamento 412422 Demais Modalidades de Pagamentos 41243 Consultas e Honorários Odontológicos – Conveniados 412431 PréPagamento 412432 Demais Modalidades de Pagamentos 41244 Exames e Terapias – Rede Própria 412441 PréPagamento 412442 Demais Modalidades de Pagamentos 41245 Exames e Terapias – Rede Conveniada 412451 PréPagamento 412452 Demais Modalidades de Pagamentos 41246 Demais Despesas Odontológicas – Rede Própria 412461 PréPagamento 412462 Demais Modalidades de Pagamentos 41247 Demais Despesas Odontológicas – Rede Conveniada 412471 PréPagamento 412472 Demais Modalidades de Pagamentos 41248 Sistema Único de Saúde (S.U.S.) 4128 ()OUTRAS DEDUÇÕES DE EVENTOS CONHECIDOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICOHOSPITALAR 41281 Descontos Obtidos 412811 PréPagamento 412812 Demais Modalidades de Pagamentos 4129 ()OUTRAS DEDUÇÕES DE EVENTOS CONHECIDOS DE ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA 41291 Descontos Obtidos 412911 PréPagamento 412912 Demais Modalidades de Pagamentos 413 ()RECUPERAÇÃO DE DESPESAS COM EVENTOS INDENIZÁVEIS 4131 ()RECUPERAÇÃO/RESSARCIMENTO DE DESPESAS C/EVENTOS INDENIZADOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICOHOSPITALAR 41311 Coobrigações dos Beneficiários 413111 PréPagamento 413112 Demais Modalidades de Pagamentos 41312 Reembolso de Custo Operacional 413121 PréPagamento 413122 Demais Modalidades de Pagamentos 41318 Outros 413181 PréPagamento 413182 Demais Modalidades de Pagamento Fl. 739DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 709 29 4132 ()RECUPERAÇÃO/RESSARCIMENTO DE DESPESAS C/EVENTOS INDENIZADOS DE ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA 41321 Coobrigações dos Beneficiários 413211 PréPagamento 413212 Demais Modalidades de Pagamentos 41322 Reembolso de Custo Operacional 413221 PréPagamento 413222 Demais Modalidades de Pagamentos 41328 Outros 413281 PréPagamento 413282 Demais Modalidades de Pagamentos Quanto aos custos com congêneres conta 4.4.1.3.6.0.01.0.0.1, por atendimento de beneficiários de outras Unimeds, a recorrente informou na efls. 487, em resposta à diligência determinada pela Resolução nº 20100.762, que não firmou nenhum contrato de transferência de responsabilidade com outras operadoras de planos de saúde, razão pela qual tais custos não estão abarcados na interpretação autêntica dada pelo §9ºA do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 cuja parte final dispõe que são dedutíveis os custos assistenciais com beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida: § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) Assim, tais custos não podem ser dedutíveis. No que tange à alegação da natureza confiscatória e de ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, reiterase a impossibilidade de conhecimento por este Conselho de argüições de inconstitucionalidade, a teor da Súmula CARF nº 2 e que a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% decorre da falta de recolhimento do tributo devido, conforme as disposições do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, sendo sua aplicação atividade vinculada e obrigatória por parte da autoridade fiscal, nos termos do artigo 1424 do CTN. Por fim, sobre a legitimidade da taxa Selic como juros moratórios, previstos no artigo 61, §3º5 da Lei nº 9.430, de 1996, descabem maiores considerações, conforme 4 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 5 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Fl. 740DF CARF MF Processo nº 13971.002379/200499 Acórdão n.º 3302006.557 S3C3T2 Fl. 710 30 decidido no REsp 879.844/MG, julgado em 11/11/2009 (recursos repetitivos), e no RE 582.461/SP, submetido à repercussão geral, julgado em 18/05/2011, e de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto para conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, para lhe dar provimento parcial para excluir da base de cálculo as receitas financeiras escrituradas nas contas 3.02.01.01 para o ano de 2000, conta 3.4 para o ano de 2001, 2002 e 2003, as receitas de intercâmbios eventuais segregados e os eventos indenizáveis líquidos do grupo 4.1. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède ... § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 741DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.005530/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
NULIDADE. FALTA DE INDICAÇÃO DA CSLL NO MPF.
DESNECESSIDADE. Se as infrações apuradas, em relação a tributo ou
contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com
base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa.
LUCROS NÃO DECLARADOS. RECEITAS OMITIDAS E NÃO DECLARADAS. GLOSA DE DESPESAS. REDUÇÃO DA BASE IMPONÍVEL POR DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Não afeta a exigência a mera alegação de que o lucro tributável seria anulado pela depreciação incentivada de bens do ativo imobilizado, dissociada de qualquer demonstração acerca da efetiva existência de bens passíveis de depreciação nos períodos autuados, e dos montantes ainda dedutíveis.
ATIVIDADE RURAL. ABATE DE AVES. No âmbito da incidência do
Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, não se caracteriza como atividade rural, o abate, resfriamento, congelamento, despojamento, corte e embalagem de aves, realizados com a utilização de equipamentos e maquinários automatizados, não usualmente empregados pelos criadores nas atividade rurais.
OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. AUMENTO DE CAPITAL EM MOEDA CORRENTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DO EFETIVO INGRESSO. A falta de comprovação da origem e do efetivo ingresso dos suprimentos de caixa efetuados por sócios, a título de aumento de capital, autoriza a presunção de utilização de recursos mantidos à margem da contabilidade e justifica o lançamento de ofício para
cobrança do imposto devido.
GLOSA DE CRÉDITOS DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS EM SISTEMÁTICA CUMULATIVA. RECONSTITUIÇÃO DO CUSTO DO PERÍODO FISCALIZADO. AUSÊNCIA DE PROVA. A mera alegação de que os créditos glosados em outro procedimento fiscal teriam reduzido o custo do período fiscalizado não autoriza sua dedução do lucro tributável apurado em lançamento de ofício. Os créditos são deduzidos na apuração não-cumulativa
no momento da aquisição dos insumos, ou até mesmo em períodos subseqüentes se não forem absorvidos de imediato, ao passo que os
insumos adentram ao estoque, e somente configuram custo quando as
mercadorias são vendidas. Inadmissíveis ajustes no lucro tributável se não demonstrada a repercussão dos créditos glosados no resultado dos períodos de apuração autuados, mormente considerando que o sujeito passivo não concordou com a glosa e permanece discutindoa
administrativamente.
MULTA DE OFÍCIO. Legítima a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência.
Numero da decisão: 1101-000.926
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em: 1) por unanimidade de votos,
REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à caracterização da atividade rural, votando pelas conclusões os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva;
3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à omissão de receitas presumida a partir de suprimentos de numerário; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao erro na apuração de base de cálculo; e 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. FALTA DE INDICAÇÃO DA CSLL NO MPF. DESNECESSIDADE. Se as infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. LUCROS NÃO DECLARADOS. RECEITAS OMITIDAS E NÃO DECLARADAS. GLOSA DE DESPESAS. REDUÇÃO DA BASE IMPONÍVEL POR DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Não afeta a exigência a mera alegação de que o lucro tributável seria anulado pela depreciação incentivada de bens do ativo imobilizado, dissociada de qualquer demonstração acerca da efetiva existência de bens passíveis de depreciação nos períodos autuados, e dos montantes ainda dedutíveis. ATIVIDADE RURAL. ABATE DE AVES. No âmbito da incidência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, não se caracteriza como atividade rural, o abate, resfriamento, congelamento, despojamento, corte e embalagem de aves, realizados com a utilização de equipamentos e maquinários automatizados, não usualmente empregados pelos criadores nas atividade rurais. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. AUMENTO DE CAPITAL EM MOEDA CORRENTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DO EFETIVO INGRESSO. A falta de comprovação da origem e do efetivo ingresso dos suprimentos de caixa efetuados por sócios, a título de aumento de capital, autoriza a presunção de utilização de recursos mantidos à margem da contabilidade e justifica o lançamento de ofício para cobrança do imposto devido. GLOSA DE CRÉDITOS DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS EM SISTEMÁTICA CUMULATIVA. RECONSTITUIÇÃO DO CUSTO DO PERÍODO FISCALIZADO. AUSÊNCIA DE PROVA. A mera alegação de que os créditos glosados em outro procedimento fiscal teriam reduzido o custo do período fiscalizado não autoriza sua dedução do lucro tributável apurado em lançamento de ofício. Os créditos são deduzidos na apuração não-cumulativa no momento da aquisição dos insumos, ou até mesmo em períodos subseqüentes se não forem absorvidos de imediato, ao passo que os insumos adentram ao estoque, e somente configuram custo quando as mercadorias são vendidas. Inadmissíveis ajustes no lucro tributável se não demonstrada a repercussão dos créditos glosados no resultado dos períodos de apuração autuados, mormente considerando que o sujeito passivo não concordou com a glosa e permanece discutindoa administrativamente. MULTA DE OFÍCIO. Legítima a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à caracterização da atividade rural, votando pelas conclusões os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à omissão de receitas presumida a partir de suprimentos de numerário; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao erro na apuração de base de cálculo; e 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
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FALTA DE INDICAÇÃO DA CSLL NO MPF. DESNECESSIDADE. Se as infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. LUCROS NÃO DECLARADOS. RECEITAS OMITIDAS E NÃO DECLARADAS. GLOSA DE DESPESAS. REDUÇÃO DA BASE IMPONÍVEL POR DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Não afeta a exigência a mera alegação de que o lucro tributável seria anulado pela depreciação incentivada de bens do ativo imobilizado, dissociada de qualquer demonstração acerca da efetiva existência de bens passíveis de depreciação nos períodos autuados, e dos montantes ainda dedutíveis. ATIVIDADE RURAL. ABATE DE AVES. No âmbito da incidência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, não se caracteriza como atividade rural, o abate, resfriamento, congelamento, despojamento, corte e embalagem de aves, realizados com a utilização de equipamentos e maquinários automatizados, não usualmente empregados pelos criadores nas atividade rurais. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. AUMENTO DE CAPITAL EM MOEDA CORRENTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DO EFETIVO INGRESSO. A falta de comprovação da origem e do efetivo ingresso dos suprimentos de caixa efetuados por sócios, a título de aumento de capital, autoriza a presunção de utilização de recursos mantidos à margem da contabilidade e justifica o lançamento de ofício para cobrança do imposto devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 55 30 /2 00 8- 24 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 3 2 GLOSA DE CRÉDITOS DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS EM SISTEMÁTICA CUMULATIVA. RECONSTITUIÇÃO DO CUSTO DO PERÍODO FISCALIZADO. AUSÊNCIA DE PROVA. A mera alegação de que os créditos glosados em outro procedimento fiscal teriam reduzido o custo do período fiscalizado não autoriza sua dedução do lucro tributável apurado em lançamento de ofício. Os créditos são deduzidos na apuração nãocumulativa no momento da aquisição dos insumos, ou até mesmo em períodos subseqüentes se não forem absorvidos de imediato, ao passo que os insumos adentram ao estoque, e somente configuram custo quando as mercadorias são vendidas. Inadmissíveis ajustes no lucro tributável se não demonstrada a repercussão dos créditos glosados no resultado dos períodos de apuração autuados, mormente considerando que o sujeito passivo não concordou com a glosa e permanece discutindoa administrativamente. MULTA DE OFÍCIO. Legítima a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à caracterização da atividade rural, votando pelas conclusões os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à omissão de receitas presumida a partir de suprimentos de numerário; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao erro na apuração de base de cálculo; e 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório AGRO INDUSTRIAL PARATI LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 24/09/2008, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 11.588.240,57. A autoridade julgadora de 1a instância resumiu as infrações apontadas nos lançamentos de IRPJ e CSLL nos seguintes itens: 3.1. diferença entre o lucro líquido apurado na Demonstração do Resultado do Exercício e o resultado tributável declarado no 4º trimestre/2004, além da falta de declaração em DCTF do imposto de renda correspondente ao resultado tributável constante da Demonstração do Resultado do Exercício dos anoscalendário de 2006 e 2007, conforme descrito no item 1 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 2123), com infração ao disposto nos arts. 249, 250, 251, 275 e 926 do RIR de 1999: . anocalendário de 2004 – 4º trimestre....................R$ 1.441.935,30 . anocalendário de 2006 – anual.............................R$ 3.904.241,21 . anocalendário de 2007 – anual.............................R$ 8.111.336,67 3.2. omissão de receita caracterizada pela falta de comprovação da efetiva entrega e da origem de numerários fornecidos por sócios para aumento de capital, conforme descrito no item 2 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 2123), com infração ao disposto no art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e arts. 249, II, 251, parágrafo único, 279, 282 e 288 do RIR de 1999: . anocalendário de 2005 – 4º trimestre...................R$ 250.000,00 3.3. omissão de receita correspondente à diferença entre a receita bruta escriturada nos livros Registro de Saídas e Registro de Apuração do ICM e os valores contabilizados no Livro Diário, conforme descrito no item 3 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 2123), com infração ao disposto nos arts. 249, II, 251, parágrafo único, 278, 279, 280 e 288 do RIR de 1999: . anocalendário de 2005 – 1º trimestre..................R$ 652.574,38 . anocalendário de 2005 – 2º trimestre.................R$ 810.970,99 . anocalendário de 2005 – 3º trimestre.................R$ 826.004,84 . anocalendário de 2005 – 4º trimestre.................R$ 32.438,83 3.4. glosa de despesas com arrendamento de bens em face da falta de comprovação do pagamento e da efetividade da despesa, conforme descrito no item 4 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 2123), com infração ao disposto nos arts. 249, I, 251, parágrafo único, 299 e 300 do RIR de 1999: . anocalendário de 2006 – anual..........................R$ 1.680.000,00 A omissão de receita caracterizada pela falta de comprovação da efetiva entrega e da origem de numerários supridos por sócios ensejou, também exigências reflexas de Contribuição ao PIS e COFINS. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 5 4 Impugnando a exigência, a contribuinte apresentou os argumentos por ela assim sintetizados: a) A nulidade do lançamento da exigência fiscal relativo à CSLL, ante a ausência de Mandado de Procedimento Fiscal especifico para a apuração das irregularidades apontadas. b) A inexistência de lucro não declarado, eis que o Fisco desconsiderou as despesas com depreciação acelerada que deveriam ter sido deduzidas na apuração do lucro real/prejuízo fiscal efetivo da contribuinte; c) A ilegalidade do lançamento decorrente da desconsideração dos registros contábeis relativos ao aporte de capital no valor de R$ 250.000,00, porque não existe na lei autorização para a utilização de presunção na hipótese vertente. d) Erro na apuração da Base de Cálculo do IRPJ e da CSLL nos anos de 2005 e 2006, porque a autoridade administrativa desprezou as glosas dos créditos do PIS e da COFINS procedidas pelo Fisco (Proc. Adm. 10950.005533/200868), que deveriam ter sido deduzidas da base de cálculo dos referidos tributos. c) A improcedência da exigência de multa de oficio de 75%, eis que o Lucro considerado pelo Auditor Fiscal como não declarado em relação ao anocalendário de 2007, foi devidamente informado pela Recorrente na DIPJ correspondente apresentada em 30/06/2008, ou seja, no prazo para a sua apresentação e antes da inclusão desse período no Mandado do Procedimento Fiscal (09/07/2008). A Turma julgadora rejeitou estes argumentos. O acórdão que apreciou a impugnação está assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DIRETA. DIFERENÇA ENTRE O LUCRO LÍQUIDO APURADO NAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E O RESULTADO TRIBUTÁVEL DO IMPOSTO DECLARADO EM DIPJ/DCTF. Constitui prova direta de omissão de receita a constatação de diferença entre o lucro líquido, antes da dedução do IRPJ e da CSLL, apurado nas demonstrações financeiras elaboradas pela interessada e o resultado tributável correspondente ao imposto declarado em DIPJ/DCTF. ATIVIDADE RURAL. ABATE DE AVES. O abate de aves para ser enquadrado como atividade rural deve ser feito pelo próprio produtor rural, com equipamento e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matéria prima produzida na unidade rural explorada, e não com utilização de máquinas e equipamentos típicos da atividade industrial. ATIVIDADE RURAL. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. DEPRECIAÇÃO INTEGRAL NO PRÓPRIO ANO DE AQUISIÇÃO. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 6 5 Somente os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão se depreciados integralmente no próprio ano de aquisição. OMISSÃO DE RECEITA. VALORES SUPRIDOS POR SÓCIOS PARA AUMENTO DE CAPITAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DO EFETIVO INGRESSO. A falta de comprovação da origem e do efetivo ingresso dos suprimentos de caixa efetuados por sócios, a título de aumento de capital, autoriza a presunção de desvio de receitas da contabilidade e justifica o lançamento de ofício para cobrança do imposto devido. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL. DEDUÇÃO DO PIS E DA COFINS NÃO CUMULATIVOS LANÇADOS DE OFÍCIO. Como a contribuinte não reconheceu a procedência dos valores exigidos a título de PIS e Cofins em autuação, constante de processo fiscal diverso, decorrente de glosa de créditos no regime nãocumulativo, enquanto persistir controvérsias a respeito desses lançamentos descabe cogitar da dedução de tais valores da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Legítima a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. Tratandose de tributações reflexas de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constantes do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao PIS, à Cofins e à CSLL. Cientificada da decisão de primeira instância em 17/12/2008 (fl. 406), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 14/01/2009 (fls. 409/435), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Reafirma a nulidade do lançamento de CSLL por vício formal, dado que consoante o disposto no art. 2o do Decreto nº 3.724/2007, a Fiscalização não estava autorizada a auditar tributos não objeto do mandado de procedimento fiscal que lhe foi outorgado. Transcreve doutrina acerca da indispensabilidade do MPF, e pede o cancelamento da exigência. Opõese à imputação de lucro não declarado, porque teria sido indevidamente desconsiderada a depreciação acelerada. Defende seu direito independentemente da declaração da depreciação acelerada em sua DIPJ, consoante lhe autoriza o art. 314 do RIR/99. Aponta a existência de saldo de imobilizado operacional no valor de R$ 15.023.113,08, passível de dedução na base tributável, e passa a demonstrar que desenvolve atividade rural. Em suas palavras: A Recorrente produz aves em regime de parceria rural, que compreende a remessa pela empresa aos integrados (produtores rurais pessoas físicas) de "pintosdeum dia", rações, medicamentos e demais insumos necessários à produção dos frangos de corte; os quais permanecem nas instalações destes para a cria e engorda por um período médio de 45 dias e, posteriormente, são encaminhados para as instalações da empresa. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 7 6 Desta forma, produz cortes de frangos para a alimentação humana, desenvolvendo processos de beneficiamento (abate e corte), acondicionamento (embalagem dos cortes) e novo beneficiamento (resfriamento, congelamento e destinação ao mercado). Entende que a atividade de criação, engorda e posterior abate desses frangos constitui atividade tipicamente rural, nos termos do art. 2o, inciso IV da Lei nº 8.023/90. Observa que a atividade de transformação também caracterizase como atividade rural, para afirmar que a definição do produto industrializado da legislação do IPI é imprestável para caracterizar ou não certa atividade como rural. Acrescenta que: 1) o volume do abate e as condições em que são abatidas as aves não altera a natureza rural da atividade; 2) não transforma frangos em produto novo, mas apenas beneficia e acondiciona sua carne; 3) a transformação exigiria a produção de derivados da carne; 5) a sofisticação no procedimento ou o porte da empresa não lhe retiram o caráter de atividade rural; 6) o abate de aves exige instalações adequadas, com equipamentos padronizados; 7) o aprimoramento tecnológico em benefício da higiene e sanidade dos produtos deve estar presente em quaisquer abatedouros; 8) a legislação do IPI não serve para se buscar o verdadeiro sentido e alcance da Lei nº 8.023/1990; 9) a classificação de processos é diferenciada por tributo, como se vê, por exemplo, na legislação previdenciária (art. 247 da Instrução Normativa SRP nº 03/2005); 10) as normas que regulam a Contribuição Social Rural – CSR também confirma que o beneficiamento e o acondicionamento não retiram a condição de produto rural dos mesmos (art. 25, §3o da Lei nº 8.870/94 e art. 25, §3o da Lei nº 8.212/91). Subsidiariamente aduz que mesmo se considerado como de transformação o processo pelo qual passam os francos produzidos e comercializados pela Recorrente, ainda assim sua atividade seria rural, com fundamento no art. 2o, inciso V da Lei nº 8.023/90. Reportase a entendimento neste sentido veiculado nos Acórdão nº 10194.540 e 10194.191, do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes. Enfatiza o comparativo histórico da definição de atividade rural traçado nestes acórdãos, demonstrando que este conceito foi ampliado na legislação vigente, e novamente reportase às exigências sanitárias para sua atividade, citando a Portaria nº 210/98, do Secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, bem como à exposição de motivos da Lei nº 8.023/90. Conclui que sua atividade é inequivocamente rural pois, sob o enfoque da Lei nº 8.023/90, a recorrente: a) desenvolve inequivocamente a atividade de avicultura produzindo sua matéria prima; b) beneficia e acondiciona o frango sem alterar sua composição e características naturais, apenas viabiliza o seu consumo; c) o abate é feito por ela mesma (que cria o frango) com utensílios próprios da atividade avícola, exclusivamente de matériaprima de sua produção. Ou seja, não abate aves de terceiros nem presta esse tipo de serviço para terceiros; d) o abate de frangos equivale à conversão da laranja em suco, com acondicionamento, pois esta atividade, igualmente se vale de processos máquinas modernas de processamento sem desnaturar a atividade rural Prossegue opondose à presunção de omissão de receitas asseverando que a desconsideração dos registros a titulo de aumento de capital da Recorrente é totalmente indevida, eis que, na realidade, não encontra amparo nem na lei e nem tampouco no decreto que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Fl. 528DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 8 7 renda e proventos de qualquer natureza. Invoca o princípio da legalidade expresso na Constituição e no art. 97 do CTN, e assevera que o Fisco não pode lançar mão de presunções simples (não amparadas em lei), sem se desincumbir do dever de provar a efetiva ocorrência do fato gerador do tributo. Em seu entendimento, a administração fazendária desvirtua os fatos com o objetivo de enquadrálos nas hipóteses legais de presunção, sem que estas realmente tenham se verificado ou sem demonstrar de forma objetiva a sua ocorrência, o que não lhe é autorizado. Cita doutrina contrária à presunção de omissão de receitas a partir de suprimentos não comprovados, e concluiu que a Fiscalização não produziu a prova necessária, consoante exige a interpretação extraída dos arts. 3o, 112 e 142 do CTN, reportandose a julgados administrativos neste sentido. Novamente afirma a existência de erro na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, defendendo que caso os autos de infração, relativos as contribuições ao PIS e a COFINS, correspondentes aos meses de competência de fevereiro/2005 a dezembro/2006, reunidos no processo administrativo n° 10950.005533/200868, sejam mantidos devem ser deduzidos da presente impugnação. Menciona que o referido lançamento decorre da glosa de créditos na apuração nãocumulativa daquelas contribuições, observa que os créditos são contabilizados como redutores do custo da mercadoria, e assim aumentam o lucro. Logo, se os créditos são glosados, a redução do custo é indevida, assim como também o é o aumento que produziram no lucro. Opõese à aplicação da multa de ofício sobre a exigência pertinente ao ano calendário 2007, vez que o correspondente lucro foi devidamente informado pela Recorrente na DIPJ correspondente apresentada em 30/06/2008, ou seja, no prazo da sua apresentação e antes da inclusão desse período no Mandado de Procedimento Fiscal (09/07/2008). Invoca o disposto no art. 44, inciso I, e no art. 61, §2o, ambos da Lei nº 9.430/96, para concluir que somente é possível a aplicação da multa moratória em tais casos. Complementa, nos termos do art. 7o, §1o do Decreto nº 70.235/72, e da doutrina que cita, que há perda da espontaneidade apenas se a fiscalização tiver relação com a infração cometida. Nestes termos, pede o cancelamento integral da exigência. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 9 8 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente com referência à argüição de nulidade do lançamento referente à CSLL, consoante já exposto pela autoridade julgadora de 1a instância, tendo sido consignado no MPFFiscalização nº 09.1.05.00.2008001840 (fl. 342) que o procedimento fiscal alcançou o IRPJ dos anoscalendário de 2004 a 2007, assim como o PIS e a Cofins do período de janeiro/2005 a dezembro/2006, não há que se falar em ausência de MPF específico autorizando a fiscalização da CSLL, em face de o artigo 9º da Portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007, estabelecer que na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. Deve ser rejeitada, portanto, a preliminar de nulidade do lançamento. Passando ao mérito, a contribuinte aborda conjuntamente as seguintes infrações: · Lucros não declarados: o resultado do período adotado como ponto de partida para as adições e exclusões que conduziriam ao lucro real e à base de cálculo da CSLL no 4o trimestre de 2004 (R$ 65.381,70) é inferior ao lucro líquido do exercício, espelhado na demonstração de resultado correspondente (R$ 1.507.317,09). De forma semelhante, nos anoscalendário 2006 e 2007, a demonstração de resultado do exercício e as demonstrações de lucro real e de base de cálculo da CSLL apontam lucros tributáveis de R$ 3.904.241,21 e R$ 8.111.336,67, referências para IRPJ e CSLL devidos que não foram declarados em DCTF nem recolhidos. · Receitas não contabilizadas: divergências entre as receitas escrituradas nos livros fiscais e no Livro Diário, estas consolidadas nos balancetes de fls. 41/45, relativamente aos quatro trimestres de 2005; · Glosa de despesas de arrendamento de bens, contabilizada em 31/12/2006 e não justificada pela contribuinte. A recorrente se opõe à base de cálculo apurada aduzindo que foram desconsideradas as despesas com depreciação acelerada que deveriam ter sido deduzidas na apuração do lucro real/prejuízo fiscal efetivo da contribuinte. Defende que o art. 314 do RIR/99 autoriza o aproveitamento instantâneo da despesa de depreciação no próprio ano de aquisição do bem, mediante exclusão do valor correspondente na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Aponta a existência de imobilizado operacional equivalente a R$ 15.023.113,08, e discorre longamente sobre a caracterização de sua atividade como rural. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 10 9 Inicialmente cumpre ter em conta que, relativamente ao lucro não declarado no 4o trimestre de 2004, a autoridade julgadora de 1a instância bem observou que a divergência apurada decorria de majoração dos custos dos produtos vendidos na apuração da base tributável, também estampada na DIPJ, quando comparada com a demonstração de resultado do exercício. Vejase: Em relação ao valor tributável do 4º trimestre/2004, do confronto entre a Demonstração de Resultado do ExercícioDRE do período de 01/10/2004 a 31/12/2004 (fl. 24) e a Ficha 06A (Demonstração do Resultado – PJ em Geral) do 4º trimestre/2004 da DIPJ 2005 (fl. 53), verificase que a diferença de R$ 1.441.935,30 originase de divergência no valor do custo dos produtos vendidos, cujo valor na DRE corresponde a R$ 14.802.882,84, enquanto na DIPJ 2005 foi informado R$ 16.244.818,14. Analisandose a Ficha 04A (Custo dos Bens e Serviços Vendidos – PJ em Geral) do 4º trimestre da DIPJ 2005 (fl. 49), verificase que o custo dos produtos de fabricação própria vendidos foi assim apurado: CUSTO DOS PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA VENDIDOS: 01. Estoques no início do período de apuração......................R$ 2.684.763,25 02. Compras de insumos à vista..............................................R$ 0,00 03. Compras de insumos a prazo ............................................R$ 16.709.681,95 04. Remuneração a dirigentes da indústria ............................R$ 0,00 05. Custo do pessoal aplicado na produção ...........................R$ 553.920,96 06. Encargos Sociais ...............................................................R$ 233.327,65 07. Alimentação do trabalhador .............................................R$ 0,00 08. Manutenção e reparo de bens aplicados na produção .....R$ 0,00 09. Arrendamento mercantil....................................................R$ 0,00 10. Encargos de depreciação, amortização e exaustão ..........R$ 0,00 11. Constituição de provisões .................................................R$ 0,00 12. Serviços prestados por PF sem vínculo empregatício.......R$ 0,00 13. Serviços prestados por pessoa jurídica.............................R$ 0,00 14. Royalties e assistência técnica – país................................R$ 0,00 15. Royalties e assistência técnica – exterior..........................R$ 0,00 16. Outros custos.....................................................................R$ 166.396,45 17. () Estoques no final do período de apuração...................R$ 4.103.272,12 18. Custo dos produtos de fabricação própria vendidos ........R$ 16.244.818,14 Logo, é totalmente irrelevante a alegação de ter direito à depreciação acelerada incentivada de 100% sobre os bens para uso da atividade rural no próprio ano de aquisição, porquanto no 4º trimestre/2004 a interessada não informou parcela alguma de depreciação de bens aplicados na produção, seja na ficha 04A (Custos dos bens e Serviços Vendidos – PJ em Geral), seja na ficha 09A (Demonstração do Lucro Real – PJ em Geral), observandose que na primeira ficha deveria constar o encargo de depreciação dos bens da atividade calculado à taxa normal, enquanto na segunda constaria o complemento para atingir o valor integral do bem, que constitui exclusão para fins de determinação do lucro real da atividade rural a ser controlada na parte “B” do Lalur. Salientese que a partir do período de apuração seguinte ao de aquisição dos bens, o encargo de depreciação normal que vier a ser registrado na escrituração comercial deveria ser adicionado ao resultado líquido correspondente à atividade rural desses períodos subseqüentes, efetuandose a baixa do respectivo valor no saldo da depreciação incentivada controlado na parte “B” do Lalur, conforme determina o art. 14 da IN SRF nº 257, de 2002, mas reversão alguma foi efetuada na Demonstração do Lucro real das DIPJ 2006, 2007 e 2008. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 11 10 Ademais, da análise da Ficha 04A da DIPJ 2005 denotase que a diferença de R$ 1.441.935,30 no custo dos produtos vendidos do 4º trimestre/2004 somente poderia decorrer de registro a maior das compras de insumos a prazo (R$16.709.681,95) ou subavaliação do estoque final de produtos (R$ 4.103.272,12), mas justificativa alguma nesse sentido não foi apresentada pela impugnante. De outro lado, o benefício fiscal invocado pela recorrente está assim previsto no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99: Art. 314. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 5º). Logo, tratase de opção a ser exercida pela contribuinte em sua apuração. E tratandose de incentivo fiscal, seu registro não se dá na contabilidade, mas sim mediante exclusões do lucro líquido. Neste sentido é a Instrução Normativa SRF nº 257/2002: Art. 14. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição. § 1 º O encargo de depreciação dos bens, calculado à taxa normal, será registrado na escrituração comercial e o complemento para atingir o valor integral do bem constituirá exclusão para fins de determinação da base de cálculo do imposto correspondente à atividade rural. § 2 º O valor a ser excluído, correspondente à atividade rural, será igual à diferença entre o custo de aquisição do bem do ativo permanente destinado à atividade rural e o respectivo encargo de depreciação normal escriturado durante o período de apuração do imposto, e deverá ser controlado na Parte B do Lalur. § 3 º A partir do período de apuração seguinte ao da aquisição do bem, o encargo de depreciação normal que vier a ser registrado na escrituração comercial deverá ser adicionado ao resultado líquido correspondente à atividade rural, efetuandose a baixa do respectivo valor no saldo da depreciação incentivada controlado na Parte B do Lalur. § 4 º O total da depreciação acumulada, incluindo a normal e a complementar, não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem. § 5 º No caso de alienação dos bens, o saldo da depreciação complementar existente na Parte B do Lalur, será adicionado ao resultado líquido da atividade rural no período de apuração da alienação. § 6 º Não fará jus ao benefício de que trata este artigo, a pessoa jurídica rural que direcionar a utilização do bem exclusivamente para outras atividades estranhas à atividade rural própria. § 7 º No período de apuração em que o bem já totalmente depreciado, em virtude da depreciação incentivada, for desviado exclusivamente para outras atividades, deverá ser adicionado ao resultado líquido da atividade rural o saldo da depreciação complementar existente na Parte B do Lalur. § 8 º Retornando o bem a ser utilizado na produção rural própria da pessoa jurídica, esta poderá voltar a fazer jus ao benefício da depreciação incentivada, excluindo do resultado líquido da atividade rural no período a diferença entre o custo de aquisição do bem e a depreciação acumulada até a época, fazendo os devidos registros na Parte B do Lalur. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 12 11 Idênticas orientações constam no art. 104 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004. Nestes termos, o fato de a contribuinte dispor de significativo montante em seu ativo imobilizado é insuficiente para afetar a exigência, pois, ao deixar de promover as exclusões no momento da aquisição dos bens, a contribuinte passou a depreciálos contabilmente segundo o prazo de sua vida útil, não podendo valerse duplamente daqueles valores para reduzir a base aqui autuada e o resultado de períodos posteriores. Acrescentese, ainda, a possibilidade de itens de imobilizado terem sido baixados, assim representando custo na apuração de ganho de capital em momento futuro. Além disso, o valor de ativo imobilizado por ela apontado aproximase daquele indicado em seu balanço patrimonial ao final do anocalendário 2007, ao passo que as exigências questionadas reportamse às apurações iniciadas desde o 4o trimestre de 2004. Por sua vez, apenas a parcela de R$ 8.804.138,72 daquele montante existia no início do ano calendário 2007, e dentre ela estão computados terrenos, não alcançados pela depreciação incentivada. Assim, para pretender a depreciação incentivada, além de defender o seu direito a ela, a recorrente deveria demonstrar materialmente as parcelas correspondentes a bens adquiridos desde o período autuado, e que não se sujeitaram a depreciações ou baixas posteriores, para assim serem passíveis de dedução do lucro tributável. Não lhe basta aventar a possibilidade de uma dedução para afastar a base tributável erigida a partir de infrações claramente evidenciadas em seus registros contábeis e fiscais. Ainda, observase que mesmo a argumentação jurídica da recorrente acerca da caracterização de sua atividade como rural está dissociada de provas. A afirmação de que promove, apenas, o abate, corte, resfriamento/congelamento e a distribuição das aves não está demonstrada por qualquer documento juntado aos autos. De outro lado, o contrato social que instrui a impugnação aponta como objeto social de seus diversos estabelecimentos, além do abate, preparação e comércio de aves, também a fabricação de conservas e subprodutos de aves e pequenos animais; indústria, comércio e preparação de rações para aves e pequenos animais; preparação e comércio de produtos de carne e de pescado; fabricação de conserva de peixes, crustáceos e moluscos, dentre outros. Recordese que o benefício fiscal em questão em princípio não foi aproveitado pela contribuinte em sua escrituração – em suas DIPJ (fls. 46/124) nenhum resultado é destacado como decorrente de atividade rural – e seu debate somente veio aos autos porque veiculado em impugnação, depois de constatadas outras infrações que resultaram em lucro tributável nos períodos fiscalizados. Assim, para pretender o cancelamento integral da exigência, incumbiria à interessada a prova de que teria, de fato, direito ao benefício fiscal, em montante suficiente para excluir o lucro tributável decorrente de quaisquer das atividades por ela exercidas. De toda sorte, tem razão a autoridade julgadora de 1a instância ao concluir que a contribuinte não teria direito a referido incentivo, na medida em que utilizaria máquinas e equipamentos com elevado grau de elaboração industrial. Em suas palavras: A definição de atividade rural consta do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, com a redação dada pelo art. 17 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, in verbis: Fl. 533DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 13 12 “Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas." (Grifouse) Logo, considerase atividade rural tanto a exploração da avicultura como a transformação de produtos decorrentes dessa atividade, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada. Cumpre destacar que a produção em larga escala, com utilização de maquinário moderno e métodos apurados, está mais caracterizando uma produção industrial que uma atividade rural, pois a exploração da atividade da avicultura prevista na Lei 8.023, de 1990, se restringe tãosomente a criação e comércio de aves, vivas ou abatidas pelo próprio criador, de forma artesanal, sem a utilização de máquinas e equipamentos típicos da atividade industrial. O objetivo do legislador foi beneficiar aquele produtor rural que produz em uma escala de produção dentro dos limites permitidos com o emprego de equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, obtendo uma margem de lucro inferior à dos que possuem máquinas e equipamentos com elevado grau de elaboração industrial. Assim, empresas nas mesmas condições que a autuada, não podem se beneficiar de um incentivo que efetivamente não lhes foi direcionado. Dessa forma, uma vez constatado que a interessada não exerceu atividade rural, é forçoso concluir que não poderia, de qualquer forma, excluir do lucro real os valores decorrentes da depreciação acelerada incentivada de 100% do valor dos bens do ativo permanente imobilizado adquiridos no ano. Como se vê, é a lei que restringe o conceito de atividade rural à exploração de avicultura, assim concebida como cultura de aves, mas admite a transformação do produto decorrente desta atividade (aves e ovos), desde que não alterada sua composição e suas características in natura, e apenas se feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais. Ou seja, admite que as aves não sejam necessariamente vendidas vivas, mas também abatidas e em partes, desde que este processamento seja feito pelo próprio agricultor ou criador, em instalações rurais. A recorrente busca equiparar sua situação àquela analisada no Acórdão nº 10194.540, consistente na atividade desenvolvida por Frangosul S/A Agro Avícola Industrial. Todavia, do voto vencido do I. Conselheiro Valmir Sandri extraise abordagem que sustenta o mesmo entendimento veiculado pela autoridade julgadora de 1a instância: Fl. 534DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 14 13 Primeiramente, podendo citar texto acostado pela própria Recorrente (fls. 199/202), a produção em larga escala, com utilização de maquinário moderno e métodos apurados, obriga a caracterizar a atividade que aquela exerce como de natureza evidentemente industrial. Nos termos definidos no texto acima mencionado, inclusive, poderseia chamála "avicultura industrial", em que, tomando por base atividade rural (cultura de aves), fazse uso da produção industrial para explorála com melhores resultados. Portanto, conceitualmente, não se poderia caracterizar a atividade exercida pela Recorrente por rural, mas sim, como industrial, no caso, indústria extrativa animal, que não mais faz parte do rol das atividades beneficiadas pela Lei n. 8.023/90. Destarte, satisfeito o aspecto material da discussão, há que se debater sobre a possibilidade de aplicar este entendimento sob o pálio da legislação de regência, vez que, como argumenta a Recorrente, não haveria esta definição em lei, o que levaria a excluir parecer emitido em processo de consulta sem haver modificação no fundamento legal. Todavia, este entendimento não deve prosperar, pois que, de fato, houve mudança no enquadramento legal da situação, no que acompanho argumento utilizado pela autoridade a quo, a seguir transcrito: "Agora, o art. 2° do referido diploma (Lei n° 8.023/90) não inclui a atividade industrial extrativa vegetal ou animal entre as atividades rurais, mesmo admitindo a transformação de produtos agrícolas e pecuários, sendo expresso, no inciso V, o afastamento de atividade que "configure procedimento industrial", ainda que haja alguma forma de transformação. Não se pode interpretar que a exclusão da palavra indústria (utilizada na legislação anterior), ao referirse à extração vegetal e animal, seja inócua. A nova lei aumentou o leque de atividades consideradas rurais, por um lado, mas, por outro, afastou procedimentos industriais deste leque, o que ficou claramente expresso no inciso V". De fato, os dispositivos revogados excluíam expressamente do conceito de atividade rural, pelas empresas, as atividades de transformação de seus produtos ou subprodutos, ao passo que a Lei n. 8.023/90, não mais restringiu para efeito do conceito de atividade rural a transformação de produtos agrícolas ou pecuários, desde que não alteradas a composição e as características do produto in natura e não configure procedimento industrial feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada. Isto significa dizer que, além dos benefícios fiscais decorrentes da atividade específica da agricultura e da pecuária, poderiam ainda, beneficiarse como atividade rural, as atividades de transformação destes produtos (agrícolas e pecuários), desde que não alteradas a composição e as características do produto in natura e não configurasse procedimento industrial. Por outro lado, a Lei nova ao ampliar o conceito de atividade rural, incluiu expressamente a avicultura como decorrente da atividade rural, mas não incluiu no conceito de atividade rural a transformação deste produto, conforme o fez para os produtos agrícolas ou pecuários, mesmo que não alteradas a composição e as características do produto in natura, e não configure procedimento industrial. A conclusão a que se chega é que, a exploração da atividade da avicultura prevista na Lei 8.023/90, se restringe tãosomente a criação e comércio de aves, vivas ou abatidas pelo próprio criador, de forma artesanal, sem a utilização de máquinas, equipamentos e utensílios industriais. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 15 14 Prova disto está no art. 17, da Lei nr. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que veio alterar o inciso V, art. 2°., da Lei 8.023/90, para incluir, além da atividade de agricultura e pecuária, as demais atividades rurais enumeradas nos incisos I a IV do referido artigo, ali incluída a atividade da avicultura, em que é admitida a transformação, sem que sejam alteradas a composição e as características do produtos in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador. Ainda, compulsando aos autos, verificase que a criação de aves abatidas pela Recorrente é feita por diversos avicultores, sob a forma de parceria rural avícola, conforme modelo de contrato às fls. 146/152 dos autos, em que a contribuinte fornece aos avicultores os lotes de pintos, ração e medicamentos necessários para o desenvolvimento das aves, e estes, se comprometem a entregar as aves criadas para abate, tendo direito a uma participação nos resultados, de acordo com o desempenho apresentado em cada lote, ou seja, a Recorrente compra o quinhão do criador, pela performance apresentada naquele lote. Disto, defluise que a atividade desenvolvida pela Recorrente não caracterizase como atividade rural, porquanto, não preenchido o requisito da Lei nr.8.023/90, qual seja, a avicultura, atividade do setor primário da economia, sobre o qual não podem concorrer procedimentos de características industriais para a obtenção de seus produtos. Para corroborar o entendimento acima, verificase às fls. 303/304 dos autos que a Recorrente há tempo vem requerendo junto a Secretaria da Receita Federal restituição e/ou compensação de créditos de I.P.I., referente à aquisição de mercadorias e material de embalagens, como também, a incentivos fiscais estabelecidos no DL 1.136/70, relativo à aquisição de máquinas, aparelhos e equipamentos de fabricação nacional, destinado à instalação, ampliação ou modernização, por considerarse estabelecimento industrial fabricante de produto não tributado. Neste sentido, a própria Recorrente, por ocasião do Recurso Voluntário interposto perante o Conselho de Contribuintes, no Processo n. 13053000047/9407 (matéria I.T.R. e CONTAG), se qualifica como tendo sua atividade voltada "para o beneficiamento de produtos avícolas, tarefa essa de industrialização e jamais rural" (fl. 309 dos autos). Da mesma forma, alega naquele processo que seus empregados estão vinculados ao sistema geral da Previdência Social, ex vi do artigo 7°., caput da Constituição Federal/88, e que seus sindicatos são também urbanos, quais sejam, o dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação e Técnicos Agrícolas de Nível Médio do RS, conforme se verifica à fl. 309 também dos autos. Ora, o que não pode é, num determinado processo se declarar perante a mesma Instituição como industrial para fazer jus aos benefícios decorrentes de crédito de I.P.I. na exportação e de incentivos fiscais, como também para eximirse do pagamento do I.T.R. e CONTAG, para em outro processo que exige tributos com base na atividade industrial anteriormente declarada, afirmar que exerce exclusivamente atividade rural, com o fito de se beneficiar dos incentivos tributários oferecidos para este tipo de atividade. Desta forma, e por tudo o mais que consta dos autos, entendo que não merece qualquer reforma a bem fundamentada decisão recorrida em relação à matéria ora questionada, a qual peço vênia para adotála, integralmente, como se minha fosse, ou seja, considerar a atividade exercida pela Recorrente excluída dentre aquelas com benefícios fiscais, constante na Lei n° 8.023/90, não havendo, portanto, o que se falar em "interpretação personalíssima" da fiscalização, conforme alega a Recorrente, pois que se trata exclusivamente de determinação legal. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 16 15 Importante observar que este entendimento não prevaleceu no acórdão recorrido, em razão de a maioria da Câmara firmar a prevalência de decisão em processo de consulta formulado pela recorrente, mas na vigência da legislação anterior à Lei nº 8.023/90, na medida em que a alteração decorrente da revogação dos dispositivos anteriores não alteraria substancialmente o contexto que justificou a resposta dada à consulente. É certo que o voto vencedor ataca também outros fundamentos do voto vencido, inclusive assim afirmando: não dá para concordar com as assertivas feitas pelo nobre Relator: a uma, porque o abate de aves, seu resfriamento, o corte e a embalagem, não têm sua caracterização como atividade rural, vinculada ou da dependência do número de animais sacrificados; a duas, porque nada existe no texto legal que autorize a interpretação restritiva dada à regra jurídica sob análise; a três, porque não é a produção em maior ou menor escala, muito menos a substituição da mãodeobra por métodos mais modernos de abate, despojamento, corte, resfriamento e embalagem das aves abatidas, que têm o condão de dar classificação à atividade industrial. Todavia, é possível, sim, concluir que o abate de aves, seu resfriamento, o corte e a embalagem encontra limitações legais para se caracterizar como atividade rural. Isto porque estas atividades não se incluem na avicultura em si – como dito, cultura, ou produção, de aves e ovos – mas sim caracterizam transformação de produto decorrente desta atividade, sem alteração da composição e das características do produto in natura, a qual somente é admitida como atividade rural na forma do inciso V do art. 2o da Lei nº 8.023/91, ou seja, quando feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais. Está patente que a lei, ao falar em transformação de produtos sem alteração da composição e das características deste em natura, não adotou o conceito da legislação de IPI, como defende a recorrente. A transformação, naqueles termos, necessariamente deve importar na obtenção de espécie nova, conseqüência expressamente afastada pela lei. Assim, se alguma equiparação pode ser feita entre a legislação do IPI e o conceito de transformação da Lei nº 8.023/90, ela se dá, justamente, nas atividades de beneficiamento e acondicionamento, que a contribuinte afirma realizar, e assim o faz em larga escala, consoante evidências dos autos. De fato, o próprio balanço patrimonial da autuada, juntado à sua impugnação, denota o perfil de sua atividade: em 2007 foram investidos R$ 4.363.601,99 na aquisição de máquinas e equipamentos, R$ 1.451.024,80 em veículos e R$ 1.716.567,15 em imobilizações em andamento, correspondentes a construção de matrizeiro, ampliação de frigoríficos e de incubatórios, bem como de fábrica de ração, além de aviários. Evidente sua atividade industrial, totalmente distante da atividade rural, esta possivelmente exercida apenas pelos parceiros rurais que cultivam as aves posteriormente destinadas à indústria para abate. Registrese, ainda, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, apreciando recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 101 94.540, adotou o entendimento exteriorizado no voto vencido do Conselheiro Valmir Sandri, e aqui adotado. O correspondente Acórdão no 9101001.234 está assim ementado: ATIVIDADE RURAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Para efeitos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, não se caracteriza como atividade rural, definida pelo art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990, o abate, resfriamento, congelamento, despojamento, corte e embalagem de aves, realizados com a Fl. 537DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 17 16 utilização de equipamentos e maquinários automatizados, não usualmente empregados pelos criadores nas atividade rurais. Não caracterizada a atividade rural, contemplada com o benefício fiscal da Lei nº 8.023/1990, o resultado da atividade deve ser tributado de acordo com as regras válidas para as pessoas jurídicas que desenvolvem atividades não incentivadas.A recorrente argumenta que a sofisticação do procedimento seria decorrente das exigências sanitárias impostas à sua atividade, e aplicável a abatedouros de qualquer porte. Isto, porém, só induz a conclusão de que estes abatedouros de menor porte também não exerceriam atividade rural. Outras comparações ainda são promovidas na defesa, com vistas a demonstrar a imprecisão da legislação tributária acerca da caracterização da atividade rural e da conceituação de produto rural, mas não se pode olvidar que, consistindo o benefício fiscal em questão em antecipação de despesas e conseqüente redução do lucro tributável antes do momento em que tal redução seria contabilmente admissível, há clara dispensa de encargos moratórios pela postergação de recolhimento dos tributos, impondose a aplicação do art. 111, inciso I, do CTN: interpretase literalmente a legislação tributária que disponha, dentre outros, sobre a exclusão do crédito tributário. Considerando, assim, que a contribuinte não demonstrou jurídica ou materialmente ter direito à depreciação incentivada prevista para as atividades rurais, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário neste ponto, mantendo as exigências decorrentes da constatação de lucros não declarados, de receitas não contabilizadas e de glosa de despesas de arrendamento. Na seqüência, a contribuinte questiona a presunção de omissão de receitas que lhe foi imputada, em razão da falta de comprovação da efetiva entrega dos numerários ao caixa da empresa, bem como da origem dos recursos correspondentes aos valores escriturados como suprimentos de caixa a título de aumento de capital social, pelos sócios. A contribuinte foi intimada a produzir esta prova conforme documento de fl. 4, e ausente resposta, a autoridade fiscal concluiu pela ocorrência de omissão de receitas, com fundamento nos arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 282, e 288, do RIR/99. Especialmente o art. 282 do RIR/99 assim dispõe: Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Às fls. 125/126 consta a alteração contratual apontando a integralização das parcelas de R$ 250.000,00 (Célio Batista Martins) e de R$ 2.500,00 (sócia Tânia Mara Nuvoli Pauka) em moeda corrente nacional. A recorrente argumenta que a desconsideração dos registros a titulo de aumento de capital da Recorrente é totalmente indevida, eis que, na realidade, não encontra amparo nem na lei e nem tampouco no decreto que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Diz Fl. 538DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 18 17 que o Fisco não pode lançar mão de presunções simples (não amparadas em lei), sem se desincumbir do dever de provar a efetiva ocorrência do fato gerador do tributo. Todavia, a presunção adotada pela Fiscalização está prevista em lei, e decorre do que normalmente ocorre em casos reais, nos quais os sócios que aportam capital em espécie na pessoa jurídica, mas não conseguem provar a origem e a efetiva integra destes valores à sociedade, estariam, na verdade, integrando à contabilidade da pessoa jurídica os recursos mantidos à sua margem. Diz a recorrente, com base em doutrina que transcreve, que os suprimentos de caixa somente se prestariam a arbitrar o valor das receitas omitidas quando a escrituração do sujeito passivo denotasse a movimentação de recursos não estribados em receitas ou passivos legítimos. Este, porém, não é o entendimento esposado pela vasta jurisprudência administrativa, consoante ementas de acórdãos a seguir transcritos: IRPJ – SUPRIMENTO – Se o supridor, sócio da pessoa jurídica, não comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com o numerário suprido, a origem externa à empresa destes mesmos valores, há presunção júris tantum de que houve omissão de receita, pois, se a origem do numerário não for externa, evidentemente a fonte do dinheiro utilizado é a própria empresa. (Acórdão nº 10175.653, sessão de 21 de janeiro de 1985). IRPJ – OMISSÃO DE RECEITA – Os suprimentos de Caixa efetuados por sócios de sociedade não anônima, titular de firma individual ou administrador da companhia cuja origem e efetiva entrega do numerário utilizado nas operações deixarem de ser comprovados através de documentação hábil e idônea, com coincidência de datas e valores, estarão sujeitos à tributação como receita omitida pela pessoa jurídica. Irrelevante, no caso, a capacidade econômica e financeira retratada na declaração de rendimentos do supridor. (Acórdão nº 10179.006, sessão de 15 de agosto de 1989). SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO – Presumese omissão de receitas as importâncias supridas pelo sócio à pessoa jurídica, quando esta não logra comprovar a origem e a efetiva entrega dos recursos supridos. (Acórdão nº 101 84.749, sessão de 17 de fevereiro de 1993). SUPRIMENTOS DE CAIXA Os suprimentos de caixa efetuados pelos sócios e os aumento de capital em dinheiro desde que restem incomprovados a origem e o efetivo ingresso dos recursos no patrimônio da pessoa jurídica,geram a presunção de omissão de receitas que cabe a empresa afastar. (Acórdão nº 10191.024, sessão de 13 de maio de 1997). OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE CAIXA POR SÓCIOS — Os suprimentos de numerário atribuídos a sócios da pessoa jurídica, cujos requisitos cumulativos e indissociáveis de efetividade de entrega e origem dos recursos não forem devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea,coincidente em datas e valores, devem ser tributados como receitas omitidas pela empresa. (Acórdão nº 10194.489, sessão de 29 de janeiro de 2004). IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS — SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. O fato de constar na escrituração da empresa que houve suprimento de numerário por sócio, implica na obrigação da mesma comprovar, a efetiva entrega do numerário bem como sua origem, para que não fique caracterizada a omissão de receitas. A não comprovação por parte da contribuinte autoriza a presunção, nos termos do art. 282 do RIR/99, de que esses valores se originaram de recursos da pessoa jurídica, provenientes de receitas mantidas à margem da tributação. Tratase de presunção Fl. 539DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 19 18 legal, em que cabe à contribuinte o ônus da prova. (Acórdão nº 10708.405, sessão de 25 de janeiro de 2006). OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Os aumentos de capital integralizados pelos sócios, em forma de recursos ao caixa da empresa, devem ter sua origem e efetiva entrega comprovados por documentação hábil, sob pena de configurar omissão de receita. (Acórdão nº 10322.892, sessão de 28 de fevereiro de 2007). SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO — O suprimento de valores pelos sócios da pessoa jurídica se sujeita à comprovação de requisitos essenciais, cumulativos e indissociáveis, no tocante à origem e à efetividade da entrega dos recursos, que deverão ser coincidentes em datas e valores. Somente infirmam a presunção de omissão de receitas as provas concomitantes da origem dos recursos utilizados e da efetividade de sua entrega à pessoa jurídica. A ausência tãosomente de uma delas já é bastante suficiente para autorizar a presunção legal de omissão de receitas. Não elide essa presunção legal se o supridor, in casu, tãosomente comprovar a origem externa à empresa destes recursos e não conseguir comprovar a efetiva entrega dos mesmos. (Acórdão nº 140100.097, sessão de 27 de agosto de 2009). SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Caracteriza omissão de receita o suprimento de numerário por sócio, não comprovada a efetividade da entrega dos recursos ou, ainda que comprovada a efetividade da entrega, a não comprovação de sua origem. (Acórdão nº 1302000.890, sessão de 12 de setembro de 2012). Tanto o é que as ementas de julgados administrativos referidos pela recorrente apenas abordam a impossibilidade de lançamento fundando em presunções simples, que ensejam dúvida acerca dos fatos por meio delas afirmados. Assim, ausente qualquer prova da origem e da efetiva entrega do numerário destinado pelos sócios a aumento de capital da autuada, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário e mantida a imputação de omissão de receitas. Quanto ao alegado erro na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, pretende a recorrente que caso os autos de infração, relativos as contribuições ao PIS e a COFINS, correspondentes aos meses de competência de fevereiro/2005 a dezembro/2006, reunidos no processo administrativo n° 10950.005533/200868, sejam mantidos devem ser deduzidos da presente impugnação. Menciona que o referido lançamento decorre da glosa de créditos na apuração nãocumulativa daquelas contribuições, observa que os créditos são contabilizados como redutores do custo da mercadoria, e assim aumentam o lucro. Logo, se os créditos são glosados, a redução do custo é indevida, assim como também o é o aumento que produziram no lucro. A autoridade julgadora de 1a instância rejeitou o pleito da interessada argüindo que os valores exigidos a título de Contribuição ao PIS e COFINS estariam com a exigibilidade suspensa, motivo pelo qual seria indedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL nos períodos fiscalizados, a teor do art. 344, §1o do RIR/99. Todavia, em que pese o valor envolvido possa, em algumas circunstância, ser o mesmo, a pretensão da recorrente não é deduzir os tributos lançados, mas sim considerar, por inteiro, o custo de mercadoria vendida que teria sido minorado por conta do desconto de créditos utilizados na apuração não cumulativa daquelas contribuições. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 20 19 É possível, na sistemática nãocumulativa, que a contribuição seja calculada sobre o faturamento seja contabilizada por inteiro como despesa, e os créditos que reduzem seu recolhimento sejam descontados das contas de custos e despesas correspondentes. Neste sentido, inclusive, foram as orientações do Conselho Federal de Contabilidade no Comunicado Técnico no 01/2003: Lei nº 10.637/2002 PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO – FORMA DE CONTABILIZAÇÃO Com o advento da lei supra epigrafada, a contribuição para o PIS e PASEP tornaramse contribuições nãocumulativas. Neste sentido, deve ser adotado, quanto a estas contribuições, a mesma sistemática conferida à Contabilização do ICMS, uma vez que estas geram créditos em relação a operações anteriores . Em conta específica (Recuperação de PIS) deve ser contabilizado o crédito valendo como redutor do custo da mercadoria ou da despesa na prestação de serviços. Quando da venda da mercadoria ou da prestação do serviço, o valor do PIS, contabilizado em conta específica redutora da Receita. [...] Caso assim proceda o contribuinte, o resultado do exercício, ao longo do tempo, é reduzido, apenas, pelo valor da contribuição líquida devida. Portanto, o lançamento de ofício daquelas contribuições, em razão da glosa de crédito indevidamente descontados na apuração nãocumulativa, não ensejariam novas despesas tributárias a serem contabilizadas, mas poderiam, sim, permitir a reconstituição de custos e despesas antes reduzidos pelo desconto daqueles créditos. Contudo, para ter direito à reversão desta alegada redução de custos, a contribuinte minimamente deveria demonstrar que, de fato, promoveu o desconto daqueles créditos com efeitos na apuração do lucro tributável do período correspondente. Relevante destacar, aliás, a impropriedade da contribuinte ao resumir a questão a uma redução de custos, pois sendo sua atividade industrial, como antes demonstrado, os créditos seriam descontados no momento em que os insumos são adquiridos e destinados a estoque de matériasprimas ou de produtos para revenda. Na sequência, só no momento da venda dos produtos haveria, de fato, efeito no resultado do período. Isto é o que se conclui do disposto na legislação que disciplina a apuração nãocumulativa: a) Lei nº 10.637/2002 e alterações (Contribuição ao PIS): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao Fl. 541DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 21 20 concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] b) Lei nº 10.833/2003 e alterações (COFINS): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1o do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; [...] Assim, a glosa de créditos em apuração nãocumulativa das Contribuições ao PIS e da COFINS não repercutiria necessariamente na apuração do lucro tributável correspondente ao período de apuração no qual foram utilizados. Seria necessário que a apuração de custos fosse reconstituída de modo a demonstrar em que momento o desconto de créditos, se efetivamente promovido no registro de estoques, minorou os custos computados na apuração do lucro tributável. Acrescentese, ainda, a possibilidade de a contribuinte não ter dado aos valores glosados tratamento de crédito escritural, na medida em que na incidência não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS os créditos não têm propriamente esta natureza, como têm os créditos na apuração nãocumulativa do IPI e do ICMS. Em tais condições, os insumos e despesas seriam registrados por seu valor integral, e inexistiria a repercussão aventada pela recorrente. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 22 21 Ademais, a recorrente deveria demonstrar que os créditos glosados correspondem, efetivamente, a parcelas dos custos e despesas, e não a créditos presumidos, que não mantêm esta vinculação com elementos integrantes do resultado do período. Considerese, ainda, a permissão legal de que o crédito não aproveitado em determinado mês possa sêlo nos meses subseqüentes, de modo que a glosa fiscal pode sequer corresponder ao período de apuração no qual o crédito foi descontado do insumo adquirido. Por fim, para pretender a recomposição do lucro tributável, a contribuinte deveria concordar com a glosa de créditos que foi promovida, o que não se verificou, posto que o correspondente litígio aguarda apreciação na 3a Seção de Julgamento deste Conselho. Diante do exposto, resta claro que também aqui a contribuinte apenas faz alegações, sem qualquer suporte fático que se preste a desconstituir a base tributável apurada pela autoridade fiscal. Por estas as razões, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário quando a este aspecto. E, quanto aos questionamentos dirigidos contra a aplicação da multa de ofício, a autoridade julgadora de 1a instância muito propriamente demonstrou que a contribuinte não praticou qualquer ato espontâneo que pudesse afastála. Assim, são adotadas aqui as razões de decidir expostas pelo I. Julgador Ney Kazuo Kusakariba: Protesta contra a multa de ofício de 75%, ao argumento de que a exigência da multa punitiva em relação ao anocalendário de 2007 seria totalmente indevida, posto que a multa moratória poderia ter sido aplicada; que o lucro considerado pelo auditorfiscal como não declarado em relação ao anocalendário de 2007 foi devidamente informado na DIPJ correspondente, apresentada tempestivamente em 30/06/2008, antes da inclusão desse período no MPF; que assim, não há que se falar em ausência de declaração do lucro, mas sim em mero atraso, motivo pelo qual apenas poderia ser exigida multa de mora de 20%; que como a auditoria em relação ao anocalendário de 2007 foi incluída no MPF após a apresentação da DIPJ, não há que se falar em perda da espontaneidade. Contudo, cabe destacar que desde a instituição da Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF pela IN SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998 (cujos termos básicos foram mantidos pelas diversas instruções normativas que a sucederam, estando em vigor nos anoscalendário de 2006 e 2007 as IN SRF nºs 583, de 20 de dezembro de 2005, e 695, de 14 de dezembro de 2006), a declaração da pessoa jurídica – que passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa JurídicaDIPJ (instituída pela Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998) – não constitui mais instrumento de confissão de dívida, passando a ser apenas uma obrigação acessória, razão pela qual os valores do IRPJ e da CSLL nela informados não mais podem ser enviados para a inscrição em Dívida Ativa da União. Como a DCTF é desde então o instrumento hábil para inscrição de débitos em dívida ativa e cobrança judicial, os saldos de, respectivamente, R$ 2.003.834,17 e R$ 730.020,30 de IRPJ e CSLL a pagar do exercício de 2008, informados na DIPJ 2008 (fls. 117 e 119v), cujos débitos deveriam ter sido pagos em quota única até o último dia útil do mês de março/2008, deveriam obrigatoriamente ter sido confessados na DCTF mensal relativa a março/2008 (apresentada em 08/05/2008, às fls. 376380). Como a interessada deixou de confessálos nessa DCTF, devem ser exigidos por intermédio de auto de infração com o acréscimo da multa de lançamento de ofício. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 23 22 Por conseguinte, correta está a aplicação da multa de ofício de 75% prevista no art. 44, I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, in verbis: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...)” (Grifouse) Dessa forma, verificase que são descabidas as alegações de defesa apresentadas pela interessada, porquanto a multa de ofício de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é de aplicação obrigatória para a exigência formalizada em lançamento de ofício. Diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 544DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 24 23 Fl. 545DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10865.910600/2011-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 13/10/2000
JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA. POSSIBILIDADE.
Possibilidade de juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória.
Numero da decisão: 3201-005.083
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, superada a questão enfrentada no voto, os autos retornem à unidade preparadora para que prossiga na análise do pedido
(assinado digiltamente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA. POSSIBILIDADE. Possibilidade de juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, superada a questão enfrentada no voto, os autos retornem à unidade preparadora para que prossiga na análise do pedido (assinado digiltamente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 91 06 00 /2 01 1- 22 Fl. 156DF CARF MF 2 Relatório Trata o processo de Pedido de Restituição(PER) que restou indeferido pela DRF de jurisdição, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão, a recorrente apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual alega que o direito creditório pleiteado tem origem na inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Anexa demonstrativos e DIPJ. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do acórdão nº 06052.114. Irresignado com r. julgado, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde sustenta: a) a inconstitucionalidade do alargamento da base de calculo do §1º, art. 3º da Lei 9.718/98; b) com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; c) carreou documentos – demonstração de resultados e livro razão; d) que deve se aplicado princípio da verdade material; É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.079, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10865.910592/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.079): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é fato incontroverso que a DRJ adotou entendimento exarado pelo Supremo Tribunal Federal: No presente caso, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, manifestandose sobre o julgamento proferido pelo STF no RE 585.235, delimitou a matéria ali decidida nos seguintes termos: “O PIS/Cofins deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/Cofins as receitas não operacionais. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10865.910600/201122 Acórdão n.º 3201005.083 S3C2T1 Fl. 3 3 Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira).” Contudo, os documentos colacionados não foram suficiente para reconhecer a existência de pagamento a maior, vejamos: Apesar desse entendimento, o pedido não pode ser acatado. Isso porque não existem provas cabais nos autos de que teria havido pagamento a maior do que o devido, relativamente aos recolhimentos confirmados e que já estariam integralmente alocados. De fato. Embora a interessada argumente que os documentos anexados comprovariam que as outras receitas que não as decorrentes do faturamento têm origem nas receitas financeiras, variação cambial ativa, atualização monetária, descontos obtidos e recuperação de custos e despesas, não é isso que se verifica ao analisar os documentos trazidos à lide. Nessa esteira, conclui: Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, além de outros elementos de prova. Na minha ótica, a verdade material é protagonista no Processo Administrativo Fiscal podendo ser apreciada por este CARF, mesmo que não colacionada na instauração do devido processo legal administrativo. Apenas no Acórdão da DRJ o Contribuinte tomou ciência de quais documentos seriam necessário para apuração do seu crédito. Nesse sentido dicção do art. 16, §4º do Dec. 70.235/72, vejamos: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Deste modo o contribuinte apresentou o livro razão no primeiro que exigido, ou seja, apenas no Recurso Voluntário, Fl. 158DF CARF MF 4 assim, sendo prova hábil de seu possível crédito, devendo esse, ser apurado pela unidade de origem. Concluo, o voto é no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que à unidade superada à ausência de documentos hábeis para comprovação do crédito, analise o direito ao crédito do contribuinte, podendo, intimar para apresentar demais documentos caso entenda necessário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que a unidade de origem, superada a ausência de documentos hábeis para comprovação do crédito, analise o direito creditório do contribuinte, podendo intimálo para apresentar demais documentos que entenda necessários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
