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Numero do processo: 10711.722963/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 26/12/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.472
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/12/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo, no que for relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 29 63 /2 01 1- 66 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722963/201166 Acórdão n.º 3302003.472 S3C3T2 Fl. 3 2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar a irregularidade apurada que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita, que entende ser cabível para cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e, apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722963/201166 Acórdão n.º 3302003.472 S3C3T2 Fl. 4 3 embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo integralmente o crédito constituído. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.395, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10711.006561/201030, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.395): 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar 2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato gerador Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados em seu recurso voluntário, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/20081." 1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumpri a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722963/201166 Acórdão n.º 3302003.472 S3C3T2 Fl. 5 4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela afirma ser impossível existir mais de uma penalidade para o mesmo fato, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma: "No caso sob análise não houve uma infração. Examinandose as ocorrências citadas pela fiscalização, verificase que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos. Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações são idênticas, uma vez que são diferente seus objetos materiais." Já em relação ao segundo ponto (aplicação da solução de consulta interna Cosit nº 8/2008), a fiscalização justificou seu afastamento com base nos seguintes argumentos. "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob exame. As informações cujos atrasos na prestação deram ensejo ao lançamento são referentes a importação de mercadorias, enquanto a citada decisão soluciona consulta relativa à exportação. Cada um desses tipos de operações envolve peculiaridades próprias, especialmente no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem na legislação regente e não podem ser desprezadas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos correspondentes conhecimentos eletrônicos (CE). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Pois bem. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que não houve comprovação da existência de duplicidade de cobrança por parte da fiscalização, tampouco argumentos capazes de infirmar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Sequer um demonstrativo analítico, com os registros relativos as operações tratadas em cada processo apontado no recurso foram produzidas pela Recorrente, em total desrespeito ao artigo 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou inexplicavelmente de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte, restando, assim, prejudicado a análise dos demais argumentos por ela suscitado. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722963/201166 Acórdão n.º 3302003.472 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Mérito 3.1. Ilegalidade do Auto de Infração O presente processo administrativo diz respeito a exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional". Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os contribuintes que descumprirem as obrigações acessórias, na forma e nos prazos instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa. Além disso, a obrigação do agente de carga de prestar as informações à Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722963/201166 Acórdão n.º 3302003.472 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722963/201166 Acórdão n.º 3302003.472 S3C3T2 Fl. 8 7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduzse a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto ou arribada. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 5º Os CE de serviço informados até a atracação ou registro do passe de saída serão dispensados dos prazos de antecedência previstos nesta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 6º Para os manifestos de cargas nacionais, as informações a que se refere o inciso II do caput devem ser prestadas antes da solicitação do passe de saída. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal do Brasil (vide artigo 22, da IN 800/2007 e IN 899/2008), passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do artigo 50, a saber: (i) sobre a escala; e (ii) sobre as cargas transportadas, que permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos. Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais obrigações previstas no parágrafo único do artigo 50, sob pena de ensejar a aplicação da multa em comento. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722963/201166 Acórdão n.º 3302003.472 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, considerando que a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação era obrigatória, entendo legítima a penalidade imposto à Recorrente. No mais, destacase que o artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos". Ou seja, referido dispositivo equipara o agente de carga ao transportar para efeitos de aplicação da multa em comento. Este destaque se faz necessário na medida em que a Recorrente suscitou a aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária acessória em apreço que no seu texto normativo prevê a obrigação somente ao transportar distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo referido artigo. Cita a definição de "transportar" e "agente de cargas" do Dicionário Aurélio como fonte de direito privado. O artigo 110 do CTN prevê: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios, para definir ou limitar competências tributária. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, suas razões não merecem respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do Dicionário Aurélio não é fonte de direito privado e, a duas porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados, ou nas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios. Portanto, considerando que o Decreto 37/66 e a IN 800/2007 não alteraram definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de tributo antes da vigência da lei que os instituiu, ao que passo que no presente a discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem. O artigo 3º, do Código Tributário Nacional é claro ao definir tributo como sendo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." 2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722963/201166 Acórdão n.º 3302003.472 S3C3T2 Fl. 10 9 Como se vê, o legislador ao estabelecer que tributo não constitui sanção de ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o fato gerador proveniente de ato ilícito. Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. Ricardo Paulo Rosa Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720238/2011-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.157
Decisão: VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para determinar a apensação dos autos ao processo nº 19515.720671/201180, tendo em vista a ocorrência de conexão entre os mesmos.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), Edwal Casoni De Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto De Andrade Jenier.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para determinar a apensação dos autos ao processo nº 19515.720671/201180, tendo em vista a ocorrência de conexão entre os mesmos. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), Edwal Casoni De Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto De Andrade Jenier.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para determinar a apensação dos autos ao processo nº 19515.720671/201180, tendo em vista a ocorrência de conexão entre os mesmos. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), Edwal Casoni De Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto De Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 23 8/ 20 11 -4 4 Fl. 2793DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.720238/201144 Resolução nº 1301000.157 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os presentes autos de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte contra a decisão exarada pela 4a Turma da DRJ de São Paulo (SP), que, rejeitando as razões aduzidas na impugnação apresentada, manifestouse pela manutenção do lançamento efetivado, em acórdão assim então ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA MOTIVAÇÃO E DA LEGALIDADE. DISPOSITIVOS CAPITULADOS INCOMPATÍVEIS E/OU AUSENTES. A eventual violação do princípio da motivação e/ou da legalidade não é(são) são causa(s) de declaração de nulidade, pois essa avaliação depende de exame do mérito, sendo pacífico que alguma falha na capitulação legal não causa declaração de nulidade, se o fato imputado está descrito com clareza, o que inclui dispositivos sobre postergação do imposto e sobre provisões a adicionar. Preliminares indeferidas. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há que se falar, neste caso, em nulidade por cerceamento do direito de defesa, pois a simples leitura do Termo de Verificação e o exame de seus anexos permite a perfeita compreensão dos fatos imputados. Tampouco é cabível a crítica a critérios da fiscalização, pois não foram adotados, pela fiscalização, quaisquer critérios especiais e/ou subjetivos. Preliminares indeferidas. ILEGALIDADE. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Tal cobrança não faz parte do presente litígio, visto que não consta da autuação, razão pela qual não será examinada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 GLOSAS. LALUR. EXCLUSÕES. Não apontados especificamente quaisquer ajustes indevidos efetuados pela fiscalização, no LALUR, é de se manter a autuação. COMPENSAÇÃO. PREJUÍZOS FISCAIS. PERÍODOS ANTERIORES. Não cabe a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, pois não há certeza desse direito, que depende da decisão definitiva do processo de n.º 19515.720671/201180, no qual foi “zerado” o saldo de prejuízos fiscais acumulados até 30/04/2006. AUTO REFLEXO. CSLL. Os ajustes efetuados para o lucro real aplicamse integralmente à base de cálculo da CSLL, de forma que a esta se aplicam, também, os mesmos exames e o mesmo voto. Impugnação Improcedente Fl. 2794DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.720238/201144 Resolução nº 1301000.157 S1C3T1 Fl. 4 3 Crédito Tributário Mantido Inconformada com os termos daquela decisão, propõe então a contribuinte o presente recurso voluntário, redargüindo as razões de sua inicial defesa, destacando: 1 Nulidade do auto de infração por Vício de Motivação; 2 Nulidade do auto de infração por Cerceamento de Defesa; 3 A natureza das “provisões” registradas pela recorrente; 4 A validade dos procedimentos adotados pela contribuinte; 5 Impossibilidade de glosa sem aprofundamento da Ação Fiscal. Imprecisão do Lançamento. Aplicação do Artigo 112 do CTN; 6 A compensação de prejuízos fiscais de anos anteriores (dependência do processo com o PAF no 19515,720671/201180); 7 O Parecer Normativo 02/96; e 8 A Impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa de ofício. A partir desses argumentos, pretende então a recorrente a reforma da decisão exarada, e, com isso, a integral desconstituição do lançamento. Na essência, é o que se tem a relatar. Passo ao meu voto. Fl. 2795DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.720238/201144 Resolução nº 1301000.157 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Antes mesmo de qualquer consideração a respeito da matéria tratada nos presentes autos, urge destacar que, conforme indicado pela contribuinte, o presente feito guarda íntima e integral relação com o processo de número 19515.720671/201180, devendo, assim, ser com ele então devidamente apreciado, evitandose, com isso, eventuais divergências nos entendimentos a serem proferidos. De acordo com os registros mantidos pelo sistema de controle de processos deste CARF, o referido processo encontrase na 2ªTO/2ª CÂMARA/1ª SEJUL/CARF/MF, aguardando julgamento, razão porque, devem então ser promovidas as diligências necessárias no sentido de possibilitar a união dos feitos, e, assim, o julgamento conjunto dos mesmos. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, no sentido de solicitar a apensação do processo de número 19515.720671/201180 que se encontra na 2ªTO/2ª CÂMARA/1ª SEJUL/CARF/MF a este feito, possibilitando, assim, o seu julgamento em conjunto da forma como decidido pelo Colegiado. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 2796DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 15374.971860/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/05/2003
PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL.
A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.383
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinando-se o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 20/05/2003 PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL. A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinando-se o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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Restituição. Prescrição. Recorrente FÁBRICA CARIOCA DE CATALISADORES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/05/2003 PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL. A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida para compensação de débitos tributários federais com créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 18 60 /2 00 9- 03 Fl. 663DF CARF MF Processo nº 15374.971860/200903 Acórdão n.º 3402003.383 S3C4T2 Fl. 3 2 A compensação não foi homologada pela unidade de origem sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP, apesar de localizado, havia sido integralmente utilizado na compensação de débitos declarados pelo contribuinte, que esgotaram o crédito disponível. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega que recolheu indevidamente o IPI no período de outubro de 2002 a maio de 2003 (aplicou a alíquota de 10%), sobre saídas de produtos cuja alíquota fora reduzida a zero. Em face disso, considera fazer jus à restituição dos valores pagos, e que tais valores podem ser objeto de compensação, com base no art.74 da Lei nº 9.430/96. A manifestação foi julgada improcedente (Acórdão 14054.319), a despeito do reconhecimento da existência do crédito, em razão da verificação de ofício da prescrição do direito do contribuinte de pleitear a restituição. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual repisa a sua impugnação, acrescentando que o prazo prescricional do direito de pleitear a restituição foi interrompido por iniciativa da Recorrente, que ajuizou ação cautelar de protesto, com o fito de interromper o prazo de prescrição nos termos do art.174, parágrafo único, II do Código Tributário, em 05/09/2007, vindo a ser definitivamente efetivada em 21/01/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.367, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 15374.971828/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.367): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. A questão inicial do processo dizia respeito à existência ou não do crédito de IPI decorrente do pagamento indevido, questão esta prima facie superada pelo próprio reconhecimento da decisão a quo da sua existência, com base nos documentos de fls. 111303, analiticamente examinados no "Relatório extrajudicial sobre utilização crédito IPI" de fls. 526661, verbis: Em princípio, observo que a manifestante, aparentemente, trouxe aos autos provas do indevido recolhimento, bem como, a autorização para pedir a restituição do adquirente. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 15374.971860/200903 Acórdão n.º 3402003.383 S3C4T2 Fl. 4 3 O seu exaurimento cognitivo restou prejudicado pela verificação ex officio da prescrição do direito do Recorrente de pleitear a restituição dos créditos, com fundamento no art.168, I c/c art.165, I, ambos do Código Tributário Nacional, concluindo nos seguintes termos: Pois bem, consta dos autos que este processo é o de crédito e que a PERDCOMP foi transmitida em 01/04/2008, sendo que o pagamento indevido foi efetuado em 10/03/2003, ou seja, já em 11/03/2008 o contribuinte tinha perdido o direito de pleitear a repetição do indébito, considerando o disposto no CTN: Pois bem, em seu Recurso Voluntário, o Recorrente apresentou certidão judicial da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls.502503) certificando a propositura, por ela, de uma Ação de Protesto Judicial contra a Fazenda Nacional com o objetivo de interromper o prazo para restituição do IPI recolhido a partir de Outubro de 2002 até o último decêndio de Maio de 2003. Certificou também que a propositura da ação se deu em 05/09/2007, tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015. Em primeiro lugar, há que se enfrentar a questão da preclusão acerca da apresentação de provas sobre o ajuizamento da ação cautelar de protesto pela Recorrente, haja vista tais provas terem sido juntadas apenas com seu Recurso Voluntário. Entendemos ser perfeitamente cabível tal juntada e manifestação específica acerca da questão da prescrição, por se tratar de questão fática e jurídica trazia posteriormente aos autos, ao ser conhecida de ofício na decisão recorrida e que portanto somente pôde ser atacada em seus fundamentos no âmbito do Recurso Voluntário. É a dicção expressa do art.16, §4, "c" do Decreto 70.235/72, verbis: Art.16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Desse modo, é legítima a juntada de documentos após a decisão de 1ª instância com vistas a contrapor matéria conhecida de ofício pelo Colegiado a quo. Superado este ponto, podese enfrentar seguramente o mérito das alegações. De fato, a decisão recorrida está correta ao estabelecer que o dies a quo do prazo prescricional relativo ao direito do contribuinte de pleitear a restituição tem início com o pagamento feito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é essa a dicção clara do CTN: “Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 665DF CARF MF Processo nº 15374.971860/200903 Acórdão n.º 3402003.383 S3C4T2 Fl. 5 4 I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário ; “Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo do tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Desse modo, o art.150, §1º do mesmo Código é claro quanto a eficácia extintiva do pagamento antecipado, sendo a homologação posterior apenas condição resolutória, isto é, exercer seus efeitos desde o momento da sua realização, ficando sujeito a evento futuro e incerto que pode lhe tirar a eficácia: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos desta lei extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.” Para afastar quaisquer dúvidas a respeito da identificação da data de início de contagem do prazo, a Lei Complementar nº 118/2005 trouxe em seu artigo 3º regra interpretativa a esse respeito, aplicandose retroativamente por força do art.106, I do CTN: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Até o presente ponto o raciocínio da decisão recorrida é irretocável. Todavia, olvidou o julgado da existência de causa de interrupção da prescrição do direito à repetição tributária, por não ter sido tal matéria informada desde o início na manifestação de inconformidade. De fato, as causas de interrupção da prescrição são as seguintes: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 15374.971860/200903 Acórdão n.º 3402003.383 S3C4T2 Fl. 6 5 Portanto, o ajuizamento da ação cautelar de protesto, se feito dentro do prazo prescricional, tem o condão de interrompêlo. Nesse sentido, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, consolidado nos votos da lavra do Min. Demócrito Reinaldo, a exemplo do REsp 52.281/DF, julgado em 03/03/1997, no qual consignou o seguinte: Com efeito, o CTN, em seu artigo 174, parágrafo único, inciso II, expressamente elege o protesto judicial como causa interruptiva do prazo prescricional para propor a ação de cobrança do crédito tributário. Face ao princípio da "isonomia processual", idêntico tratamento deve ser dispensado ao contribuinte, nas ações em que postula repetição do indébito. Tal entendimento encontra eco também no REsp nº 82.553/DF, REsp nº 40.365/DF e no REsp 108.866/DF, com a ressalva que neste último se enfrenta especificamente a data em que se inicia a recontagem do prazo prescricional: PROCESSO CIVIL. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. SE A AÇÃO E PRECEDIDA DE PROTESTO JUDICIAL, A PRESCRIÇÃO SE INTERROMPE NA DATA DA CITAÇÃO DESTE (CC, ART. 172). RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE. (REsp 108.866/DF, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/02/1997, DJ 07/04/1997, p. 11098) Nesses termos, a citação da Fazenda Nacional marca o reinício do prazo prescricional, retroagindo a interrupção à data da propositura da ação cautelar de protesto, por força da regra da actio nata, consagrada de longa data pelo Superior Tribunal de Justiça e consentânea com a sistemática do exercício do direito de ação. Por fim, recentemente, cumpre apontar também a decisão do REsp 335942/RS, julgado em 01/10/2009, cuja ementa traz o seguinte: PROCESSUAL CIVIL, ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 1º, 8º E 9º DO DECRETO 20.910/1932. 1. O STJ possui entendimento no sentido de que o prazo prescricional referente ao aproveitamento do créditoprêmio de IPI é de cinco anos contados da aquisição do direito, nos termos do Decreto 20.910/1932. 2. Hipótese que se diferencia da restituição de tributo indevidamente recolhido (art. 168, I, do CTN), pois se trata de pedido relativo a benefício fiscal não reconhecido pelo Fisco a ser creditado pelo interessado. 3. O regime jurídico da prescrição deve ser analisado à luz do Decreto 20.910/1932, que prevê a possibilidade de interrupção por uma única vez, recomeçando o lapso temporal a correr pela metade. 4. Ajuizouse medida cautelar de protesto judicial interruptivo da prescrição (art. 867 do CPC; c/c o art. 202, II, do Código Civil), tendo sido citada a recorrente em 6.12.1984. A ação declaratória que originou o presente recurso foi ajuizada em 9.11.1987, isto é, Fl. 667DF CARF MF Processo nº 15374.971860/200903 Acórdão n.º 3402003.383 S3C4T2 Fl. 7 6 após o transcurso de mais de dois anos e meio do ato interruptivo. Prescrição reconhecida. 5. Recurso Especial provido. (REsp 335.942/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 09/10/2009) A posição atual do STJ é pela aplicação dos arts. 8º e 9º do Decreto nº 20.910/32, que se encontra válido e vigente no ordenamento pátrio e assim prescreve: Art. 8º A prescrição somente poderá ser interrompida uma vez. Art. 9º A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo. Considerando que a propositura da ação se deu em 05/09/2007 e portanto dentro do prazo prescricional e tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015, possui ainda o Contribuinte dois anos e meio para pleitear sua restituição, contados desta data, isto é, até 21/07/2017. Portanto, não há que se considerar a prescrição apontada pela decisão a quo. Superado a preliminar referente à prescrição, verificase que a decisão recorrida pautouse exclusivamente por ela, deixando de analisar o mérito relativo ao crédito pleiteado, razão pela qual esse Colegiado não pode avaliála. Ante o exposto, voto por dar provimento à preliminar de inocorrência de prescrição do direito ao pedido de ressarcimento/compensação, remetendo os autos à DRJ responsável pela decisão a quo para, superada a questão prescricional, se manifeste sobre o mérito do crédito pleiteado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 668DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.971822/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/02/2003
PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL.
A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.397
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinando-se o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Restituição. Prescrição. Recorrente FÁBRICA CARIOCA DE CATALISADORES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/02/2003 PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL. A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida para compensação de débitos tributários federais com créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 18 22 /2 00 9- 42 Fl. 749DF CARF MF Processo nº 15374.971822/200942 Acórdão n.º 3402003.397 S3C4T2 Fl. 3 2 A compensação não foi homologada pela unidade de origem sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP, apesar de localizado, havia sido integralmente utilizado na compensação de débitos declarados pelo contribuinte, que esgotaram o crédito disponível. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega que recolheu indevidamente o IPI no período de outubro de 2002 a maio de 2003 (aplicou a alíquota de 10%), sobre saídas de produtos cuja alíquota fora reduzida a zero. Em face disso, considera fazer jus à restituição dos valores pagos, e que tais valores podem ser objeto de compensação, com base no art.74 da Lei nº 9.430/96. A manifestação foi julgada improcedente (Acórdão 14054.303), a despeito do reconhecimento da existência do crédito, em razão da verificação de ofício da prescrição do direito do contribuinte de pleitear a restituição. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual repisa a sua impugnação, acrescentando que o prazo prescricional do direito de pleitear a restituição foi interrompido por iniciativa da Recorrente, que ajuizou ação cautelar de protesto, com o fito de interromper o prazo de prescrição nos termos do art.174, parágrafo único, II do Código Tributário, em 05/09/2007, vindo a ser definitivamente efetivada em 21/01/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.367, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 15374.971828/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.367): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. A questão inicial do processo dizia respeito à existência ou não do crédito de IPI decorrente do pagamento indevido, questão esta prima facie superada pelo próprio reconhecimento da decisão a quo da sua existência, com base nos documentos de fls. 111303, analiticamente examinados no "Relatório extrajudicial sobre utilização crédito IPI" de fls. 526661, verbis: Em princípio, observo que a manifestante, aparentemente, trouxe aos autos provas do indevido recolhimento, bem como, a autorização para pedir a restituição do adquirente. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 15374.971822/200942 Acórdão n.º 3402003.397 S3C4T2 Fl. 4 3 O seu exaurimento cognitivo restou prejudicado pela verificação ex officio da prescrição do direito do Recorrente de pleitear a restituição dos créditos, com fundamento no art.168, I c/c art.165, I, ambos do Código Tributário Nacional, concluindo nos seguintes termos: Pois bem, consta dos autos que este processo é o de crédito e que a PERDCOMP foi transmitida em 01/04/2008, sendo que o pagamento indevido foi efetuado em 10/03/2003, ou seja, já em 11/03/2008 o contribuinte tinha perdido o direito de pleitear a repetição do indébito, considerando o disposto no CTN: Pois bem, em seu Recurso Voluntário, o Recorrente apresentou certidão judicial da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls.502503) certificando a propositura, por ela, de uma Ação de Protesto Judicial contra a Fazenda Nacional com o objetivo de interromper o prazo para restituição do IPI recolhido a partir de Outubro de 2002 até o último decêndio de Maio de 2003. Certificou também que a propositura da ação se deu em 05/09/2007, tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015. Em primeiro lugar, há que se enfrentar a questão da preclusão acerca da apresentação de provas sobre o ajuizamento da ação cautelar de protesto pela Recorrente, haja vista tais provas terem sido juntadas apenas com seu Recurso Voluntário. Entendemos ser perfeitamente cabível tal juntada e manifestação específica acerca da questão da prescrição, por se tratar de questão fática e jurídica trazia posteriormente aos autos, ao ser conhecida de ofício na decisão recorrida e que portanto somente pôde ser atacada em seus fundamentos no âmbito do Recurso Voluntário. É a dicção expressa do art.16, §4, "c" do Decreto 70.235/72, verbis: Art.16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Desse modo, é legítima a juntada de documentos após a decisão de 1ª instância com vistas a contrapor matéria conhecida de ofício pelo Colegiado a quo. Superado este ponto, podese enfrentar seguramente o mérito das alegações. De fato, a decisão recorrida está correta ao estabelecer que o dies a quo do prazo prescricional relativo ao direito do contribuinte de pleitear a restituição tem início com o pagamento feito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é essa a dicção clara do CTN: “Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 751DF CARF MF Processo nº 15374.971822/200942 Acórdão n.º 3402003.397 S3C4T2 Fl. 5 4 I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário ; “Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo do tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Desse modo, o art.150, §1º do mesmo Código é claro quanto a eficácia extintiva do pagamento antecipado, sendo a homologação posterior apenas condição resolutória, isto é, exercer seus efeitos desde o momento da sua realização, ficando sujeito a evento futuro e incerto que pode lhe tirar a eficácia: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos desta lei extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.” Para afastar quaisquer dúvidas a respeito da identificação da data de início de contagem do prazo, a Lei Complementar nº 118/2005 trouxe em seu artigo 3º regra interpretativa a esse respeito, aplicandose retroativamente por força do art.106, I do CTN: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Até o presente ponto o raciocínio da decisão recorrida é irretocável. Todavia, olvidou o julgado da existência de causa de interrupção da prescrição do direito à repetição tributária, por não ter sido tal matéria informada desde o início na manifestação de inconformidade. De fato, as causas de interrupção da prescrição são as seguintes: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 15374.971822/200942 Acórdão n.º 3402003.397 S3C4T2 Fl. 6 5 Portanto, o ajuizamento da ação cautelar de protesto, se feito dentro do prazo prescricional, tem o condão de interrompêlo. Nesse sentido, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, consolidado nos votos da lavra do Min. Demócrito Reinaldo, a exemplo do REsp 52.281/DF, julgado em 03/03/1997, no qual consignou o seguinte: Com efeito, o CTN, em seu artigo 174, parágrafo único, inciso II, expressamente elege o protesto judicial como causa interruptiva do prazo prescricional para propor a ação de cobrança do crédito tributário. Face ao princípio da "isonomia processual", idêntico tratamento deve ser dispensado ao contribuinte, nas ações em que postula repetição do indébito. Tal entendimento encontra eco também no REsp nº 82.553/DF, REsp nº 40.365/DF e no REsp 108.866/DF, com a ressalva que neste último se enfrenta especificamente a data em que se inicia a recontagem do prazo prescricional: PROCESSO CIVIL. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. SE A AÇÃO E PRECEDIDA DE PROTESTO JUDICIAL, A PRESCRIÇÃO SE INTERROMPE NA DATA DA CITAÇÃO DESTE (CC, ART. 172). RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE. (REsp 108.866/DF, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/02/1997, DJ 07/04/1997, p. 11098) Nesses termos, a citação da Fazenda Nacional marca o reinício do prazo prescricional, retroagindo a interrupção à data da propositura da ação cautelar de protesto, por força da regra da actio nata, consagrada de longa data pelo Superior Tribunal de Justiça e consentânea com a sistemática do exercício do direito de ação. Por fim, recentemente, cumpre apontar também a decisão do REsp 335942/RS, julgado em 01/10/2009, cuja ementa traz o seguinte: PROCESSUAL CIVIL, ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 1º, 8º E 9º DO DECRETO 20.910/1932. 1. O STJ possui entendimento no sentido de que o prazo prescricional referente ao aproveitamento do créditoprêmio de IPI é de cinco anos contados da aquisição do direito, nos termos do Decreto 20.910/1932. 2. Hipótese que se diferencia da restituição de tributo indevidamente recolhido (art. 168, I, do CTN), pois se trata de pedido relativo a benefício fiscal não reconhecido pelo Fisco a ser creditado pelo interessado. 3. O regime jurídico da prescrição deve ser analisado à luz do Decreto 20.910/1932, que prevê a possibilidade de interrupção por uma única vez, recomeçando o lapso temporal a correr pela metade. 4. Ajuizouse medida cautelar de protesto judicial interruptivo da prescrição (art. 867 do CPC; c/c o art. 202, II, do Código Civil), tendo sido citada a recorrente em 6.12.1984. A ação declaratória que originou o presente recurso foi ajuizada em 9.11.1987, isto é, Fl. 753DF CARF MF Processo nº 15374.971822/200942 Acórdão n.º 3402003.397 S3C4T2 Fl. 7 6 após o transcurso de mais de dois anos e meio do ato interruptivo. Prescrição reconhecida. 5. Recurso Especial provido. (REsp 335.942/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 09/10/2009) A posição atual do STJ é pela aplicação dos arts. 8º e 9º do Decreto nº 20.910/32, que se encontra válido e vigente no ordenamento pátrio e assim prescreve: Art. 8º A prescrição somente poderá ser interrompida uma vez. Art. 9º A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo. Considerando que a propositura da ação se deu em 05/09/2007 e portanto dentro do prazo prescricional e tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015, possui ainda o Contribuinte dois anos e meio para pleitear sua restituição, contados desta data, isto é, até 21/07/2017. Portanto, não há que se considerar a prescrição apontada pela decisão a quo. Superado a preliminar referente à prescrição, verificase que a decisão recorrida pautouse exclusivamente por ela, deixando de analisar o mérito relativo ao crédito pleiteado, razão pela qual esse Colegiado não pode avaliála. Ante o exposto, voto por dar provimento à preliminar de inocorrência de prescrição do direito ao pedido de ressarcimento/compensação, remetendo os autos à DRJ responsável pela decisão a quo para, superada a questão prescricional, se manifeste sobre o mérito do crédito pleiteado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 754DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.003204/2009-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 32 04 /2 00 9- 80 Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10320.003204/200980 Acórdão n.º 9202004.657 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10320.003204/200980 Acórdão n.º 9202004.657 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10320.003204/200980 Acórdão n.º 9202004.657 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10320.003204/200980 Acórdão n.º 9202004.657 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10320.003204/200980 Acórdão n.º 9202004.657 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10320.003204/200980 Acórdão n.º 9202004.657 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10320.003204/200980 Acórdão n.º 9202004.657 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10320.003204/200980 Acórdão n.º 9202004.657 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10320.003204/200980 Acórdão n.º 9202004.657 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 463DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.000054/00-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Considera-se tacitamente homologada a compensação declarada pelo sujeito passivo se não lhe foi dada ciência da análise ou quando esta não foi objeto de apreciação pela autoridade competente dentro do prazo de cinco anos, contados do respectivo protocolo.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PRÓPRIO. DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Os pedidos de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros não foram convertidos em Declaração de Compensação quando do advento da Lei nº 10.637/2002, razão pela qual descabe sua apreciação.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar, mediante documentos hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 1201-001.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Considerase tacitamente homologada a compensação declarada pelo sujeito passivo se não lhe foi dada ciência da análise ou quando esta não foi objeto de apreciação pela autoridade competente dentro do prazo de cinco anos, contados do respectivo protocolo. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PRÓPRIO. DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Os pedidos de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros não foram convertidos em Declaração de Compensação quando do advento da Lei nº 10.637/2002, razão pela qual descabe sua apreciação. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar, mediante documentos hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 00 54 /0 0- 28 Fl. 4387DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 3 2 Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir (com grifos no original): Em 13/01/2000, a Interessada protocolizou pedido de RESTITUIÇÃO (fl. 01), cumulado aos pleitos de COMPENSAÇÃO de Crédito com Débitos Próprios (fls. 02, 04, 89 a 97, 105, 107 a 113, 115, 117, 119, 121, 123 e 128) e de Terceiros (fl. 03), objetivando o aproveitamento do “saldo acumulado de Imposto de Renda Fonte, incidente sobre aplicações financeiras e faturamento, relativo ao período base 1998, exercício de 1999”, no valor de R$ 2.511.087,17. 1.1. Em relação aos Pedidos de Compensação de folhas 02 e 04, é de se ressaltar que o “crédito a compensar” referese ao Saldo Negativo de IRPJ originado na declaração IRPJ 1996/1995 (SNIRPJ), enquanto que os demais pedidos fazem referência a este processo (SNIRPJ AC 1998). 1.2. Foram anexados ao presente processo os de número 11831.000685/0029, 11831.000681/0078 e 11831.000676/0038, em que foram solicitadas, à fl. 02 de cada um deles, compensações com Débitos de Terceiros, todas referenciando o processo sob análise. 2. Em 21/02/2005, a DERAT/SPO exarou Despacho Decisório DEFERINDO EM PARTE o pedido da Interessada, a seguir resumido (fls. 171 a 173). 2.1. “Examinandose a DIPJ anexada pelo contribuinte entre as fls. 07 a 69 e o extrato do IRPJCONS (fls. 130 a 132, verificamos na FICHA 13 – Cálculo do imposto de RENDA – Linha 13, que consta a importância de R$ 2.116.385,74 (fls. 23 e 132) como crédito de IRF, já o Sistema IRFCONS às fls. 133 informa um crédito de IRF no montante de R$ 1.650.096,64”. 2.2. Solicitou ao contribuinte que comprovasse os valores de IRFonte, tendo sido acostados aos autos os documentos de fls. 136 a 170 que demonstram, conforme tabelas (fls. 134 e 135), ter o contribuinte comprovado um saldo credor de imposto de renda no montante de R$ 1.713.734,41, concluindo ser este o valor a ser considerado como crédito de IRPJ decorrente de antecipações de Imposto de Renda relativo ao anocalendário (AC) 1998. Fl. 4388DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 4 3 2.3. Assim, RECONHECEU o direito creditório de R$ 1.713.734,41, referente a saldo credor de IRPJ apurado na DIPJ/1999 (AC 1998) para ser utilizado nas compensações solicitadas com débitos próprios e com terceiros, até o limite do crédito reconhecido. 3. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 21/05/2005 (AR, fl. 174verso) e dele recorreu a esta DRJ, em 22/06/2005 (fl. 222), por meio de procurador (fls. 184, 196 e 197), alegando sinteticamente que (fls. 182 a 184): 3.1. O fisco reconhece a existência de retenções na fonte no total de R$ 1.642.008,72, conforme fl. 133. A Requerente deixou de apresentar os informes referentes a retenções conhecidas pelo fisco, no valor de R$ 130.456,30 (agora anexados), não consideradas no despacho decisório. Traz demonstrativo visando esclarecer o assunto. 3.2. Há muitos valores, no total de R$ 272.195,00 correspondentes a retenções sobre o faturamento da Requerente, cujos informes ela não possui, mas que se encontram comprovados mediante a exibição das correspondentes notas fiscais e dos comprovantes dos pagamentos, parte deles em anexo. Cita jurisprudência no sentido de admitilas como comprovação. 3.3. Por essas razões, solicita o reconhecimento de crédito a compensar no montante de R$ 2.116.385,74, acrescidos de juros pela taxa SELIC, e homologação das compensações por ela efetuadas. 3.4. Por último, afirma “estarem extintos os créditos tributários cuja compensação, com créditos da Requerente, não foi admitida, não importando a presente manifestação em reconhecimento desses créditos tributários”. 4. Após análise, em 22/12/2005, esta DRJ encaminhou o presente processo em diligência nos seguintes termos, resumidamente. “5. Compulsando os autos, verificase que segundo informes de rendimentos referentes às Aplicações Financeiras anexados às fls. 136 a 154, obtémse o valor de R$8.967.156,42 de rendimento, e R$ 1.509.666,36 de IRRF. 6. Consultando a DIPJ99/AC98, verificase que na Ficha 07 (Demonstração do Resultado), Linha 23 (Outras Receitas Financeiras), encontrase informado o valor de R$ 7.281.898,32. 7. Os Pedidos de Compensação de fls. 89 a 97, 105, 107 a 113, 115, 117, 119, 121, 123 e 128 (débitos próprios) e fls. 02 dos processos anexados (débitos de terceiros) referenciam o presente processo, o que não se observa nos pedidos de fls. 02, 03 e 04, conforme explicitado abaixo: (...). 7.1. Pedido de Compensação (formulário para “débito próprio”) de fl. 02: Fl. 4389DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 5 4 7.1.1. Titular do Débito: CNPJ 61.095.923/000169. 7.1.2. Direito creditório: Saldo negativo IRPJ; Declaração IRPJ 1996/1995. 7.1.3. Débito: 7.1.3.1. Código: 2172 7.1.3.2. Período de Apuração: 31.12.99 7.1.3.3. Vencimento: 14.01.00 7.1.3.4. Valor: R$ 130.000,00 7.2. Pedido de Compensação (formulário para “débito de terceiro”) de fl. 03: 7.2.1. Titular do Débito: CNPJ 43.102.946/000171. 7.2.2. Direito creditório: não há referência. 7.2.3. Débitos: 7.2.3.1. Código: 2172 7.2.3.2. Período de Apuração: 31.12.99 7.2.3.3. Vencimento: 14.01.00 7.2.3.4. Valor: R$ 130.000,00 7.2.3.5. Código: 8109 7.2.3.6. Período de Apuração: 31.12.99 7.2.3.7. Vencimento: 14.01.00 7.2.3.8. Valor: R$603.000,00 7.3. Pedido de Compensação (formulário para “débito próprio”) de fl. 04: 7.3.1. Titular do Débito: CNPJ 43.102.946/000171. 7.3.2. Direito creditório: Saldo negativo IRPJ; Declaração IRPJ 1995/1996. 7.3.3. Débitos: 7.3.3.1. Código: 2172 7.3.3.2. Período de Apuração: 31.12.99 7.3.3.3. Vencimento: 14.01.00 7.3.3.4. Valor: R$130.000,00 7.3.3.5. Código: 8109 7.3.3.6. Período de Apuração: 31.12.99 Fl. 4390DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 6 5 7.3.3.7. Vencimento: 14.01.00 7.3.3.8. Valor: R$ 603.000,00 7.4. Anexei às fls. 224 a 227 consulta ao Sistema IRPJ/CONS referente ao PIS (código 8109) e à COFINS (código 2172) relativas ao mês de dezembro do anocalendário de 1999, para os dois números de inscrição (NI) no CNPJ citados acima, tendo encontrado os seguintes valores: (...) 7.5. Anexei também consulta ao Sistema DCTF/GER (fls. 228 a 231) em que aparecem os seguintes valores de “débitos apurados”: (...) 7.6. Consulta ao Sistema Sincor/Profisc (fls. 232 a 248) indica que só não consta dos débitos próprios em aberto referentes ao presente processo o referenciado no Pedido de Compensação de fl. 02, e que, em relação ao NI 43.102.946/000171 (fls. 249 a 252), o débito de PIS é de R$ 130.000,00, enquanto que o de COFINS é de R$ 603.000,00 (invertidos em relação aos pedidos de fls. 03 e 04). 8. Em face do exposto, proponho o encaminhamento do presente processo à Derat/Diort/Ecrer/SP para que esta diligencie no sentido de esclarecer junto ao contribuinte, com base em seus livros e documentos contábeis e fiscais: 8.1. qual a composição, discriminadamente, dos rendimentos de aplicações financeiras informados na DIPJ99/AC98 (Linha 23 da Ficha 07), no montante de R$ 7.281.898,32, e dos valores de IRRF correspondentes; 8.2. se os pedidos de fls. 02 e 04 referemse a compensação com débito próprio ou de terceiro; 8.3. se os direitos creditórios relativos aos pedidos de fls. 02 e 04 advêm efetivamente do saldo negativo do IRPJ apurado na DIRPJ96/AC95 (em caso afirmativo, verificar se este saldo não foi objeto de utilização em outro processo administrativo, e qual o seu número), ou se referem ao crédito objeto do Pedido de Restituição de fl. 01; 8.4. qual o direito creditório objeto do “Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiro” de fl. 03; e 8.5. verificar se os valores de PIS e COFINS estão corretamente informados nos pedidos de fls. 03 e 04. 9. Ao final, a autoridade preparadora deverá reabrir prazo de 10 (dez) dias para que a requerente, caso assim deseje, apresente sua alegações (artigo 44 da Lei n° 9.784, de 29/01/1999), retornando, em seguida, o processo, a esta DRJ, para prosseguimento. (...)”. Fl. 4391DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 7 6 5. Após intimação e resposta do contribuinte, a DERAT/SPO assim se pronunciou (fls. 288 a 289), e encaminhou o presente processo de volta a esta DRJ. 5.1. Em relação à composição dos rendimentos de aplicações financeiras no montante de R$ 7.281.898,32, e dos valores de IRRF correspondentes => o contribuinte apresentou a justificativa, em atendimento à intimação de fls. 259, juntada às fls. 260 e acompanhada das fichas do razão às fls. 262 a 272 e planilhas explicativas às fls. 261 e 287. 5.2. Quanto ao questionamento (i) se os pedidos de fls. 02 e 04 referemse à compensação com débito próprio ou de terceiro; (ii) se os direitos creditórios relativos aos pedidos de fls. 02 e 04 advêm efetivamente do saldo negativo do IRPJ apurado na DIRPJ96/95; e (iii) qual o direito creditório objeto do pedido de fls. 03 => em contato com representantes da empresa, constatouse que os autores dos pedidos questionados não trabalham mais na empresa e, por conseguinte, não conseguem explicar o que se segue. 5.2.1. O pedido de compensação de fls. 02 é de fato um pedido de compensação com débito próprio, não se percebe o que possa gerar dúvidas quanto a este simples fato; 5.2.2. já no quesito crédito a compensar, onde se informa IRPJ de 1996/1995, concluise que este pode ter representado o desejo inicial ou meramente um erro, uma vez que ambos datam de 13/01/2000. Não existe nenhum pedido de restituição relativo à este anocalendário e, caso seja desanexado deste processo, ficará órfão. 5.2.3. Por outro lado, o quadro 03 sempre teve uma função auxiliar, a função de facilitador para que os pedidos de compensação, normalmente entregues em momentos distintos do pedido de restituição, se encontrassem. De resto não interfere em mais nada. 5.2.4. O pedido de compensação de fls. 04 repete os débitos do de fls. 03, um equívoco. O contribuinte, na dúvida sobre qual o formulário seria o correto, uma vez que se tratavam de empresas cindidas do mesmo grupo jogou pelo seguro, preenchendo os dois formulários. Neste caso o pedido de fls. 04 deve ser desconsiderado. 5.2.5. O pedido de fls. 03 está correto, pois o crédito é da titular Promon Engenharia, CNPJ 61.095.923/000169 e o terceiro que o aproveita é a Promon Eletrônica, CNPJ 43.102.946/000171. 6. Após receber o presente processo, esta DRJ resolveu encaminhálo novamente, em 20/09/2007, à DERAT/SPO, para que fossem esclarecidos alguns aspectos, nos seguintes termos: “...5.5. verificar se os valores de PIS e COFINS estão corretamente informados nos pedidos de fls. 03 e 04. 6. Em Despacho de 10/04/2007, foram respondidas questões e Fl. 4392DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 8 7 encaminhado o presente processo a esta DRJ. No entanto, verificase que: 6.1. não houve resposta à questão formulada no item 5.5. supra; 6.2. não há relatório conclusivo sobre questões levantadas, nem sobre as planilhas apresentadas, não havendo indicação após consulta às escritas contábeis e fiscais se os valores que constam das planilhas (como, por exemplo, as receitas financeiras) foram efetivamente escriturados no Livro Diário; 6.3. não foi concedido o prazo de 10 dias para permitir que a requerente se manifestasse. (...) 7. Pelo exposto, proponho o encaminhamento do presente processo à Derat/Diort/Ecrer/SP para que aquela delegacia se posicione conclusivamente quanto às questões abordadas, em especial quanto às ressaltadas nos subitens 6.1. a 6.3.”. 7. A DERAT/SPO assim se pronunciou, após intimações e respostas do contribuinte. 7.1. A autoridade administrativa reconheceu parcialmente o crédito, no valor de R$ 1.713.734,41 (fls. 187/189). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 204/206) que foi analisada, e o processo posteriormente encaminhado pela DRJ a esta Equipe para que fosse realizada diligência (fls. 279/282). Foi emitida Informação Fiscal (fls. 315/316), não cientificada ao interessado, considerada incompleta pela DRJ, fato que ensejou novo pedido de diligência (fls.340/342). 7.2. Visando atender ao solicitado pela DRJ foi enviada intimação (fl.367), com solicitação de esclarecimentos sobre a escrituração contábil das receitas financeiras correspondentes ao valor de retenção pleiteada bem como confirmação dos valores dos débitos de PIS e COFINS informados nos Pedidos de Compensação (folhas 03 e 04 do processo). 7.3. Em atendimento à intimação, foram apresentados pelo interessado: resposta à intimação (fls. 370/373), quadro dos rendimentos das aplicações financeiras (Doc.1, fl. 375), cópias dos informes de rendimentos das aplicações financeiras (Doc. 2 e 3, fls. 377/378 e 380/397). 7.4. Em 19/01/2012 foi enviada nova intimação, fls. 366, com solicitação do CNPJ e do contrato do Consórcio Santa Catarina, planilha dos valores dos rendimentos obtidos no período de 1995 a 1997 referentes às aplicações financeiras no banco CCF Brasil e Sogeral e reiteração da confirmação dos valores dos débitos de PIS e COFINS. 7.5. O contribuinte apresentou: resposta à intimação (fl. 405), Acordo de Constituição do Consórcio (fls.416/429), Instrumento de Retificação do Acordo (fls. 430/446), arquivo digital contendo Livro Razão do período de 1995 a 1996 (foram juntados ao processo apenas os arquivos contendo os meses onde poderiam estar registrados os rendimentos financeiros, conforme informe de rendimentos, que são 01/1995, 01/1996, 02/1996 e 11/1996, fls.447/3861); conta receita financeira (fls.3862/3896); conta aplicação financeira (fls. 3897/3906) de 1997 a 1999 do Livro Fl. 4393DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 9 8 Razão; Balancete de dez/1997 (fls. 3984/4006), dez/1998 (fls. 4007/4029) dez/1999 (fls. 4030/4050) e cópias das planilhas de aplicações financeiras dos bancos CCF Brasil e Sogeral (fls. 3930/3983). 7.6. Preliminarmente, por meio da análise da planilha da composição dos rendimentos de aplicação financeira, fl. 286, verificase que a coluna TOTAL CONTABILIDADE apresenta o valor de R$ 7.281.898,00, conforme declarado na linha 23 Outras Receitas Financeiras da Ficha 07 da DIPJ AC 1998 (linha 07/23), fl.138. 7.7. Conforme arquivo digital Livro Razão (jan/97 a dez/99) Receitas Financeiras o valor total confere com o informado na coluna TOTAL CONTABILIDADE da planilha da composição dos rendimentos de aplicação financeira (AC 1998, fl.286), conforme abaixo: Tabela 01 Contas Receita Financeira Valor Conta: 5101.1.001 JUROS RECEBIDOS 2.372.078,33 Conta: 5101.1.002 DESCONTOS OBTIDOS 28.337,28 Conta: 5101.3.007 PTS PROMON TECHNICAL SERVICE 146.489,94 Conta: 5101.3.011 FIQ TRADING MARKETING LTDA 633.598,11 Conta: 5101.3.031 PROMON PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S.A. 1.230.606,49 Conta: 5101.5.001 RECEITAS FINANCEIRAS EM CONSORCIO 2.826.954,13 Conta: 5101.5.002 RECEITA FINANC. IXA4 PE/CARIBA* 18.221,00 Conta: 51C1.3.CC4 PROMON GEOFÍSICA LTDA.* 25.613,CC TOTAL 7.281.898,28 7.8. Os valores dos informes de rendimentos apresentados foram consolidados na planilha abaixo, donde verificase que a retenção na fonte sobre aplicações financeiras pleiteada é de R$ 1.509.666,91 (R$ 113.836,18 + R$ 1.395.830,73), que corresponde a um rendimento total de R$8.957.156,42 (R$ 8.157.198,25 + R$ 799.958,17). Cabe observar que alguns comprovantes de rendimentos apresentam rendimentos e retenções relativos a anos anteriores a 1998. CNPJ FONTE Rend. AC Anteriores IRRF AC Anteriores Rendimento IRRF 48.1C3.C14/CCC167 SUDAMERIS 575.C55,49 86.258,31 ... . . . . . 48.1C3.C14/CCC167 SUDAMERIS TOTAL 651.356,08 97.703,39 1.097.629,27 212.538,67 (...) ( . ) ( . ) (...) ( . ) ( . ) 6C.7C1.19C/CCC1C4 ITAU 1.19C,C5 17,85 6C.7C1.19C/CCC1C4 ITAU 45C,73 6C.7C1.19C/CCC1C4 ITAU 772,24 11,58 TOTAL 2.413,02 29,43 TOTAL GLOBAL 799.958,17 113.836,18 8.157.198,25 1.395.830,73 7.9. Do confronto dos rendimentos informados pelas instituições financeiras, conforme Tabela 02, com os valores da receita registrados na contabilidade (conforme planilha da composição dos rendimentos de aplicação financeira, fl.286), verificouse que há uma grande divergência. Fl. 4394DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 10 9 7.10. Conforme resposta à intimação datada de 24/10/2006 (fls. 285/286), e resposta à intimação datada de 22/11/2012, (fls. 370/373), tal discrepância se deve por dois motivos: (i) registro contábil da receita ocorre conforme o regime de competência enquanto a incidência do IRRF ocorre no momento do resgate; e (ii) o segundo motivo é decorrente da PROMON ter solicitado a restituição em nome dos consorciados para aplicações financeiras do consórcio Santa Catarina, conforme carta de autorização dos consorciados (fls. 298/299). 7.11. Com relação à primeira alegação acima mencionada, observase que constam rendimentos no valor total de R$ 799.958,17 e retenções no total de R$ 113.836,18 referentes a anoscalendário anteriores a 1998 (Sudameris, Lloyds, Barclys e Banespa). Também, a interessada informa na planilha da composição dos rendimentos de aplicação financeira (fl. 286), que as aplicações no Banco CCF BRASIL e SOGERAL referemse a rendimentos obtidos em anos anteriores, conforme abaixo: Tabela 3 CNPJ FONTE ANOCALENDÁRIO RENDIMENTO IRRF 61.533.584/000155 SOGERAL 1995 33.254.319/000100 CCF BRASIL 1995 e1997 60.942.638/000173 SUDAMERIS 1996/1997 651.356,08 97.703,39 33.852.567/000145 LLOYDS 1995 28.248,92 2.824,90 61.146.577/000109 BARCL GAL 1995/1996 116.675,68 12.388,52 61.411.633/000187 BANESPA 1994 3.677,49 919,37 TOTAL 799.958,17 113.836,18 7.11.1. Embora intimado, não foi apresentada planilha dos rendimentos obtidos em cada ano nas aplicações financeiras nos Bancos CCF BRASIL e SOGERAL. Além disso, essa informação não consta nos informes de rendimentos apresentados, o que inviabilizou a verificação de tais receitas no Livro Razão. 7.11.1.1. Cabe ressaltar que foram apresentadas planilhas de aplicações nos dois bancos acima citados (fls. 3930/3959), onde constam atualizações diárias desde 1994 até 30/06/1996 e no final de cada planilha a informação “resgatada” (entendese que o resgate ocorreu em 30/06/1996) bem como os valores de IRRF de cada ano, desde 1994 a 1996. Portanto, tais planilhas não se referem às aplicações aqui verificadas, cujo resgate teria ocorrido em 1998. Também, foram apresentadas planilhas do mês de janeiro e de dezembro de 1998. Contudo, em nenhuma delas consta informação do valor da receita financeira obtida em aplicações nos bancos CCF BRASIL e SOGERAL discriminado por ano calendário (1995/1996/1997) o que impossibilitou a verificação no Livro Diário apresentado. 7.11.1.2. Assim, para efeito de apuração do saldo a restituir/compensar, as retenções sofridas nas aplicações financeiras nos bancos CCF Brasil e SOGERAL foram Fl. 4395DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 11 10 calculadas de forma proporcional aos rendimentos oferecidos à tributação (ver Tabela 04). 7.11.2. Com relação às aplicações nos bancos Sudameris, Lloyds, Barclys e Banespa, apesar de constar, nos informes de rendimentos, de forma discriminada o ano a que se refere o rendimento, tais valores não foram localizados no Livro Razão, portanto os valores retidos relativos a receitas obtidas em anoscalendário anteriores (Sudameris, Lloyds, Barclys e Banespa) serão desconsiderados. 7.12. A segunda alegação da interessada está relacionada à restituição dos valores referentes à retenção sobre o rendimento de aplicação financeira pertencente ao consórcio Santa Catarina. Conforme acordo de constituição, fazem parte do consórcio, além da PROMON, as empresas TELEMONT e MÉTODO ENGENHARIA S. A. 7.12.1. Ocorre que, como líder do consórcio, a PROMON está solicitando a retenção sobre aplicação financeira no valor integral, sob alegação de que foi autorizada pelas demais consorciadas. Afirma, ainda, que já repassou a parte devida à TELEMONT e à MÉTODO ENGENHARIA S. A. 7.12.2. Uma vez que a retenção pleiteada é pelo valor integral, a receita correspondente a ser oferecida à tributação deve ser também pelo valor integral. Não há que se questionar, neste caso, se as demais consorciadas registraram ou não na contabilidade tal receita financeira, pois cabe à PROMON registrar o rendimento correspondente à retenção pleiteada. 7.12.3. Conforme planilha da composição dos rendimentos de aplicação financeira (fl. 286), verificase na coluna “Cons Sta Catarina TK” que o total de R$631.093,00 está incluído no “Total Contabilidade” enquanto os 2/3 (dois terços) restantes, no valor de R$ 1.262.187,00, por relacionarse aos demais consorciados, não foram registrados na contabilidade, motivo pelo qual o valor da retenção dedutível foi calculado de forma proporcional ao valor do rendimento efetivamente escriturado contabilmente, conforme Tabela 04: Tabela 04 FONTE Rend. AC Anteriores IRRF AC Anteriores Rendimento IRRF Receita Contab (Doc 1) IRRF Proporc à Receita* 48.103.014/000167 Sudameris 651.356,08 97.703,39 1.097.629,27 212.538,67 390.059,00 75.528,80 00.000.000/095206 B.Brasil 191.855,71 32.446,68 73.363,00 12.407,17 00.086.413/000130 BNL 730.543,22 141.941,17 737.463,00 141.941,17 60.898.723/000181 BCN 31.297,48 6.259,44 10.432,00 2.086,38 33.852.567/000145 LLOYDS 28.248,92 2.824,90 133.059,71 20.488,62 3.533,00 544,01 33.066.408/000115 Abn Amro 888.413,39 166.740,30 915.292,00 166.740,30 61.472.676/000172 Santander 246.561,81 49.312,26 676.432,00 49.312,26 61.146.577/000109 Barel Galic 116.675,68 12.388,52 229.527,85 45.905,53 124.414,00 24.882,78 33.254.319/000100 CCF Brasil 1.344.499,87 220.443,66 153.777,00 25.213,22 61.411.633/000187 Banespa 3.677,49 919,37 22.337,64 3.275,56 5.483,00 804,02 33.885.721/000179 BANERJ 528,19 80,97 Fl. 4396DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 12 11 33.700.394/000140 Unibaneo 1.575.110,87 262.056,77 840.075,00 139.766,25 61.533.584/000155 Sogeral 1.663.420,22 234.311,67 64.979,00 9.153,03 60.701.190/000104 ITAÚ 2.413,02 29,43 TOTAL GLOBAL 799.958,17 113.836,18 8.157.198,25 1.395.830,73 3.995.302,00 648.379,39 7.13. Pela Tabela 04, o valor total da retenção sobre aplicações financeiras dedutíveis do imposto de renda é de R$ 648.379,39. 7.14. Com relação à retenção sobre os serviços prestados, os valores impugnados foram analisados e constam na tabela abaixo. Apenas foram confirmados os valores constantes na DIRF, portanto o valor total de IRRF sobre prestação de serviços dedutível é de R$ 317.904,65 (valor do IRRF reconhecido, conforme planilha à fl. 143) + R$ 27.937,81 = R$ 345.842,46. Ressaltase que consta informado na Ficha 07 da DIPJ, fl. 138, o valor da receita de prestação de serviços de R$ 105.735.204,10. CNPJ FONTE IRRF Pleiteado IRRF Confirmado Observação Fl. 82.209.351/000160 KV's 6.236,25 6.236,25 Consta na DIRF 4052 61.156.410/019059 CBPO Engenharia 3.000,0O 3.000,0O Consta na DIRF 4052 02.265.790/000162 Dupont 9.436,37 9.436,37 Consta na DIRF 4052 SVP 139,33 DAEE 9.857,16 42.150.391/000170 Copene 10.976,09 9.265,19 Consta na DIRF 4052 42.540.211/000167 Eletrobrás 20.533,75 00.394.502/023004 Centro Tecn. Da Marinha 224.662,32 TOTAL 284.841,27 27.937,81 7.15. Pelo exposto, o valor total de IRRF dedutível é de R$ 994.221,85 (R$ 648.379,39 + R$ 345.842,46). 7.16. Com relação aos débitos de PIS e COFINS, que a interessada pretende ver compensada com o crédito pleiteado, não houve esclarecimento algum nas respostas às intimações enviadas. 8. O contribuinte tomou ciência do relatório da DERAT/SPO, e sobre ele assim se manifestou. 8.1. O Relatório de Diligência aprecia pedido de compensação apresentado pela Requerente em janeiro de 2000 portanto, há mais de 12 anos, e se prende a manifestação de inconformidade contra despacho decisório que reconheceu apenas uma parte, no valor de R$ 1.713.734,41, dos créditos da Requerente, para fins de compensação com débitos tributários. Segundo o Relatório, contudo, os créditos da Requerente seriam ainda menores, não ultrapassando a cifra de R$ 994.221,85. Fl. 4397DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 13 12 8.2. Independente de qualquer outra consideração, o Relatório incorre em dois erros cruciais. O primeiro está em que não é possível o reformatio in pejus. Não se pode piorar a situação de um contribuinte na apreciação da defesa ou recurso por ele apresentado. Portanto, o direito de compensar créditos no valor de R$ 1.713.734,41 não está em causa, pois já está garantido. 8.3. Outro erro do Relatório está em esquecer que o parágrafo 52 do artigo 74 da Lei 9430/96, estipula: “§ 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data de entrega da declaração de compensação.” 8.4. Esse prazo já se encontra mais do que ultrapassado, mormente em relação à parcela que o Relatório pretende subtrair dos créditos já reconhecidos pelo Despacho Decisório, uma vez que a declaração de compensação foi apresentada há 12 anos. 8.5. Mas também quanto ao mérito não são poucos os equívocos cometidos no Relatório. Os créditos que o Relatório julga não serem admissíveis consistem em retenções de imposto de renda na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras e créditos tributários cedidos por outras empresas, consorciadas à Requerente. 8.6. Examinemos inicialmente a questão das aplicações financeiras. 8.6.1. Em janeiro de 1998, foi alterada a tributação na fonte dos rendimentos de aplicações financeiras. Até então, a incidência ocorria somente se houvesse resgate da aplicação. Por força dos artigos 28 e 29 da Lei 9532/97 a incidência passou a se dar na medida em que os rendimentos iam sendo acrescidos ao montante aplicado (o popular come cotas), mesmo se não houvesse qualquer resgate. E sobre os rendimentos já acrescidos anteriormente, a incidência na fonte ocorreu em janeiro de 1998. Nos informes de rendimentos dos bancos, está determinada claramente qual a parte das retenções referentes a rendimentos anteriores a 1998. 8.6.2. Embora no Razão da Requerente apareçam elevados rendimentos de aplicações financeiras anteriores a 1998, segundo o Relatório não se teria comprovado que nesses montantes estavam incluídos os rendimentos oriundos dos bancos mencionados na passagem acima transcrita, já que os lançamentos não indicam os bancos de onde provieram os rendimentos, embora a Requerente mantivesse controles com essa indicação. Em outras palavras, o Relatório acusa a Requerente de haver sonegado as receitas financeiras, anteriores a 1998, oriundas dos referidos bancos. 8.6.3. A Requerente vai tomar como exemplo, para mostrar em que consistiam os controles por ela mantidos, o mês de janeiro de 1998. Como se verifica pela cópia do Razão em anexo (doc. Fl. 4398DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 14 13 1), referente a consórcios de que ela participava estão registradas as receitas de cada consórcio ao fim de cada mês, mas sem indicação dos bancos de onde provieram. Mas, como se disse, eram mantidos à parte demonstrativos de controle com essa indicação. 8.6.4. O demonstrativo de controle referente ao CONSÓRCIO SANTA CATARINA, designado no Razão como TK 1/3, referente ao mês de janeiro de 1998, foi encontrado (doc. 2). Vêse pelo Razão (doc. 1), que, em janeiro de 1998, a Requerente teve rendimentos financeiros, derivados do referido consórcio, nos montantes de R$ 108.275,73, de R$ 29.598,00 e de R$ 666,66, perfazendo o total de R$ 138.540,33. 8.6.5. No demonstrativo de controle, do mês de janeiro de 1998 aparecem relacionados todos os bancos de onde provieram os rendimentos financeiros desse consórcio, e os rendimentos produzidos por cada um deles. Esses rendimentos perfizeram o total de R$ 415.621,00. Dividindose essa importância por três, já que a participação da Requerente no CONSÓRCIO SANTA CATARINA, era de 1/3, obtêmse exatamente os R$ 138.540,33, que aparecem no Razão. 8.6.6. A Requerente entregou cópia integral do razão dos exercícios de 1995, 1996 e 1997 sem no entanto identificar os lançamentos no razão. Para facilitar o exame da questão, a Requerente está anexando cópias do razão das contas de aplicações financeiras e rendimentos financeiros ora identificando os respectivos lançamentos (doc. 4). 8.6.7. Há que se notar que até agosto de 1.995 as contas de aplicações financeiras eram segregadas por banco, tornando fácil a identificação das contas requeridas (SOGERAL e CCF particularmente). Após essa data a conta aplicação financeira engloba vários bancos necessitando dessa forma do demonstrativo de controle acima citado, que infelizmente até a data não foi encontrado. Mas não há duvidas, pelos montantes registrados de rendimentos, que as receitas financeiras estão compatíveis. 8.6.8. Examinemos agora o caso do Banco SOGERAL. Verifica se pelo demonstrativo de controle (doc. 2) que uma aplicação de R$ 1.200.000,00 feita em maio de 1995, subiu para R$ 2.668.852,00 em 31/12/1997. A diferença entre esses dois valores corresponde às receitas financeiras de anos anteriores. E essa importância, mesmo sem ter sido resgatada, sofreu a incidência na fonte em janeiro de 1998, por força da Lei 9532/97, como está claro no informe de rendimentos do banco (doc. 3). 8.6.9. Como se vê, se os demonstrativos de controle, como o de janeiro de 1998, referentes aos meses anteriores fossem encontrados, as dúvidas suscitadas pelo Relatório de Diligência não se colocariam. Pode, contudo, a Requerente ser penalizada pela falta desses controles, exigidos quatorze anos depois dos Fl. 4399DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 15 14 eventos a que eles se referem? A resposta a essa indagação está no parágrafo único do artigo 195 do CTN que estipula: “Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.” 8.6.10. Há muito prescreveram os créditos tributários surgidos anteriormente a 01 de janeiro de 1998. De sorte que a Requerente não estava obrigada a manter livro algum referente a essa época, muito menos, esses controles adicionais, que é tudo o que está faltando. 8.6.11. Por outro lado, a quem cabe o ônus da prova na matéria? A resposta a essa indagação está no artigo 9º do Decreto 70235/72, que estipula: “Art. 99. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito” (sublinhamos) 8.6.12. Para a lavratura de um auto de infração é preciso que o fisco faça a “comprovação do ilícito”. Esse princípio é também aplicável no presente caso, porque resulta do Relatório de Diligência que a Requerente pagou menos imposto do que o devido, e a diferença será cobrada com o indeferimento da compensação. Ou seja, efeitos em tudo similares aos de um auto de infração. 8.6.13. Disso resulta que não tendo o fisco em momento algum feito qualquer prova, ou mesmo tentado fazer, de que as receitas financeiras não foram submetidas à tributação, não tem ele o direito de negar a compensação do imposto na fonte incidente sobre elas. 8.7. Examinemos agora a questão no tocante aos consórcios. 8.7.1. A Requerente pleiteou a compensação, não apenas das retenções incidentes sobre sua parte nos rendimentos das aplicações financeiras do CONSÓRCIO SANTA CATARINA, como também das incidentes sobre as partes de outras duas consorciadas. Segundo o Relatório de Diligência, isso não seria possível pelas razões seguintes: (...). 8.7.2. Mais uma vez o Relatório se equivoca. Na época em que pleiteada a compensação (janeiro de 2000), era possível compensar créditos de terceiros com débitos próprios, por força do artigo 15 da IN 21/97: “Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os Fl. 4400DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 16 15 que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado.” (sublinhamos) 8.7.3. O dispositivo acima transcrito foi revogado pela IN SRF 41, de 07/04/2000. Essa revogação é, contudo, posterior à declaração de compensação de que se está tratando, não lhe sendo pois aplicável. 8.7.4. A hipótese está regida pelo artigo 21 da IN 21/97, razão pela qual é legítima a compensação. E é óbvio que receitas de terceiros não podem ser oferecidas à tributação pela Requerente, de modo que é inteiramente despropositado o que se lê no Relatório de Diligência a respeito do assunto. 8.8. Em síntese, é inteiramente equivocado o Relatório de Diligência, pelas seguintes razões: 8.8.1. Propõe a redução de créditos reconhecidos pelo despacho decisório, o que obviamente é inteiramente descabido. 8.8.2. A totalidade da compensação declarada já está homologada tacitamente, pelo decurso do prazo previsto no § 5º do artigo 74 da Lei 9430/76. 8.8.3. Não pode ser negada a compensação a pretexto de que as receitas sobre as quais incidia o imposto de fonte não foram tributadas, sem a comprovação de que tal infração (a sonegação de receitas) foi cometida. 8.8.4. Na época em que declarada a compensação, era permitido a compensação de créditos de terceiros. 8.9. Quanto a confirmação dos débitos declarados na folha 5 do processo divergentes da DCTF, confirmamos a inversão dos débitos declarados na folha 5, sendo R$ 603.000,00 para COFINS (código de receita 2172) é R$ 130.000,00 para PIS (código de receita 8109), estando, portanto corretas as informações declaradas na DCTF. 8.10. São essas as razões pelas quais pede a Requerente seja acolhia da sua manifestação de inconformidade, homologando se expressamente a totalidade das compensações declaradas ou reconhecendo já estarem elas tacitamente homologadas. Em sessão de 28 de fevereiro de 2013 a 4a Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, para manter o valor reconhecido no Despacho Decisório, de R$ 1.713.734,41 a título de SNIRPJAC 1998 e também reconhecer a ocorrência da homologação tácita da compensação dos débitos informados nas DCOMP de fls. 02, 89, 90 a 97, 107, 108 e 109 (conforme indicado no subitem 14.2.), para proceder à compensação dos débitos informados, até o limite do direito creditório reconhecido. Fl. 4401DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 17 16 Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação, aliados à tese de que a DRJ teria incorrido em erro. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Como visto no relatório, percebese que a decisão de piso manteve o direito creditório que havia sido reconhecido no Despacho Decisório da DERAT/SP, no valor de R$ 1.713.734,41, considerandoo comprovado, muito embora as diligências efetuadas tenham apurado que o valor do IRRF na DIPJ/99 era de R$ 994.221.85. A decisão também reconheceu a homologação tática de algumas compensações. Ainda assim, entende a Recorrente que a homologação tácita se confunde com o instituto da prescrição e que esses débitos, portanto, já estariam extintos. Aduz a Recorrente, em relação ao não reconhecimento integral do seu direito creditório, que: Os créditos que o Relatório entende não serem compensáveis são saldos negativos do IRPJ, gerados por retenções de imposto de renda na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras da própria Recorrente ou de consórcios de que ela participava. O relatório entende que essas receitas não foram oferecidas à tributação, daí não serem compensáveis as retenções na fonte sobre elas incidentes. Vamos examinar primeiro a questão das retenções na fonte sobre aplicações financeiras da Recorrente. No que tange às retenções sobre receitas financeiras, argumenta a Recorrente, na mesma esteira do que havia apresentado na impugnação, que a decisão de piso não reconheceu o direito creditório ante a premissa de não comprovação documental. Alega que mantinha controles paralelos, relativos aos consórcios de que participava, e cita exemplos que corroborariam a sua pretensão. Cumpre destacar, neste ponto, duas situações cruciais para o deslinde da questão: Fl. 4402DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 18 17 a) a própria Recorrente reconhece que alguns dos documentos de seu interesse não foram encontrados e defende que, por se tratarem de fatos relativos a 1998, que não tinha mais a obrigação de mantêlos, por força da prescrição de eventuais créditos deles decorrentes. b) o processo se arrasta há anos e já foram efetuadas duas diligências para verificação do direito creditório da interessada. Em relação ao primeiro argumento devemos ressaltar que o ônus para a comprovação documental de direito creditório pertence ao interessado, dado o requisito de liquidez e certeza dos valores, conforme determina o Código Tributário Nacional: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. e Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Conquanto antes da vigência do artigo 49 da MP n. 66/2002, que alterou o artigo 74 da Lei n. 9.430/06, não havia a necessidade de formalização de procedimento na Receita Federal para as compensações, que poderiam ser feitas diretamente na contabilidade da empresa (com informações em DCTF), tal circunstância nunca significou, para o interessado, a desnecessidade de comprovar, mediante registros hábeis e idôneos, os direitos porventura pleiteados. Como já anotado na decisão de piso, a obrigação de manter escrituração regular e idônea decorre de vários comandos da legislação do Imposto de Renda, com destaque para os artigos 251, 259, 264, 276 e principalmente 923 do Decreto n. 3.000/99: Art.251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas Fl. 4403DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 19 18 atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Art.259. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). §1º A escrituração deverá ser individualizada, obedecendo à ordem cronológica das operações. §2º A não manutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, parágrafo único, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). §3º Estão dispensados de registro ou autenticação o Livro Razão ou fichas de que trata este artigo. Art.264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). §1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). §2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). §3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Art.276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer Fl. 4404DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 20 19 outro elemento de prova, observado o disposto no art. 922 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º). Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). De se notar que em nenhum momento a legislação dispensa ou faculta a manutenção de registros contábeis ou livros de controle; ao contrário, exige a sua correta escrituração para todas as empresas tributadas pelo lucro real. Descabe, portanto, o argumento de que teria ocorrido prescrição ou qualquer fenômeno terminativo do direito de a fiscalização analisar os livros e documentos da Recorrente, que tem a obrigação de guarda e manutenção até o trânsito da decisão na esfera administrativa. Isso porque, em caso de dúvida acerca dos montantes pleiteados para compensação, o ônus de comprovar sua liquidez e certeza recai sobre o interessado e somente a escrituração mantida em observâncias das exigências legais poderá fazer prova em seu favor, como estabelece o artigo 923 do RIR/99. Improcedente, nesse cenário, o primeiro argumento da Recorrente, que não logrou êxito em comprovar, integralmente, o direito creditório alegado. Em relação à compensação com débitos de terceiros, a decisão de piso não conheceu do pedido, por força dos seguintes argumentos (grifaremos): Portanto, temse que: (i) os pedidos de compensação entregues antes da vigência da Lei 10.637/2002 (ainda não apreciados) passaram a ser considerados Declaração de Compensação (DCOMP); e (ii) o prazo para a homologação tácita é de cinco anos contado da entrega da DCOMP. O presente voto não se pronunciará sobre pedido de compensação de crédito com débito de terceiro, visto que não cabe apreciação de tal matéria em sede de julgamento administrativo, conforme se verá. (...) Os Pedidos de Compensação com débito próprio foram convertidos em DCOMP. No entanto, o mesmo não ocorreu com os pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros, uma vez que o caput do artigo 74 em questão só trata de compensação de crédito com “débitos próprios”. Logo, esses pedidos não foram convertidos em DCOMP e, portanto, não cabe sua apreciação na forma prevista no Decreto 70.235/1972, com as posteriores alterações. A despeito do atual instituto de compensação, e partindo do pressuposto de que a compensação com créditos de terceiro afigurase como exceção, vedada expressamente pela legislação Fl. 4405DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 21 20 ora em vigor, e do fato de o sujeito passivo apenas poder contrapor seu crédito líquido e certo ao crédito fiscal, submetendose aos requisitos de condições e garantias estipulados pela lei específica, é de se entender que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 (art. 74) e legislação correlata. Como o caput do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, na sua redação quando da instituição da sistemática das DCOMP, teve como condição que os débitos fossem próprios, os pedidos administrativos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela SRF, não são alcançados pelo novo regramento. O encontro de contas pleiteado deve ser analisado de acordo com as normas anteriores, que previam a utilização de créditos de terceiro, não se aplicando o prazo previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos). Nesse sentido caminha o Parecer PGFN/CDA/CAT Nº 1.499, de 28/09/2005, do qual se extrai o seguinte excerto: “IV – IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO (...) 37. Deste modo, conforme manifestações anteriores da PGFN, a compensação com crédito de terceiro não tem fundamento legal de validade. Por fim, devese ressaltar, mais uma vez, que a sistemática prevista na IN SRF n.º 21/97, aludida no parágrafo anterior ainda era a do ‘pedido de compensação’. (...) V – COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIRO – PEDIDOS PENDENTES DE APRECIAÇÃO NÃO SÃO CONVERTIDOS EM DCOMPS (...) 45. Dito isso, concluise, desde já, que o novel regime da compensação, que é realizada por meio de declaração (DCOMP) prestada à SRF (hoje RFB), não alcança, sob hipótese alguma, os casos de compensação com créditos de terceira pessoa. 46. Não podendo o novo regime instituído para a compensação ser desmembrado, de maneira que apenas alguns de seus postulados sejam cumpridos, em detrimento de outros, é evidente a inaplicabilidade das novas disposições sobre a compensação aos encontros de contas daquela natureza. 47. Resumindo, o encontro de contas pleiteado deve ser analisado de acordo com as normas anteriores, que previam a utilização de créditos de terceiro, não se aplicando, inclusive, a conversão do ‘pedido de compensação’ em ‘declaração de compensação’ (com a extinção automática do crédito tributário), Fl. 4406DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 22 21 e nem mesmo, por conseqüência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos). 48. Não se afigura correto, pois, a conversão dos pedidos de compensação desse jaez (com créditos de terceiros) em declarações de compensação, por total ausência de previsão legal para tanto.” 13.4.8. Destarte, concluise que: (i) não há previsão para esta instância julgadora apreciar pedido de compensação de crédito com débito de terceiro; (ii) ele não foi convertido em DCOMP; e (iii) a ele não se aplica o prazo previsto no § 5º do art. 74, da Lei nº 9.430/96. De se notar que eventual recurso do contribuinte contra Despacho Decisório relativo a este tema (compensação de crédito com débito de terceiro) não segue o rito previsto no Decreto nº 70.235/1972, mas o definido na Lei nº 9.784/1999 (recurso hierárquico), a ser encaminhado à SRRF/8ª RF. 13.4.10. Desse modo, não serão apreciados os pedidos de compensação de fls. 03 e 04 (débitos referentes ao CNPJ 43.102.946/000171; ressaltese que o pedido de fl. 04, embora no formulário “Pedido de Compensação”, foi preenchido pela “Promon Eletrônica LTDA”, CNPJ 43.102.946/000171) do presente processo, e fl 02 de cada um dos seguintes processos apensados: 11831.000685/0029, 11831.000681/0078 e 11831.000676/0038. Entendo que em relação a este tópico não merece reparos a decisão recorrida, de sorte que acolho o raciocínio nela formulado, para não conhecer do pleito da interessada em relação à compensação com débitos de terceiros. No que tange ao IRRF, ressaltese que a decisão de primeira instância entendeu, corretamente, que a compensação não tem como pressuposto a retenção na fonte, mas sim a existência de saldo negativo ao final do período: Como regra, o IRRF é considerado antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração. Em conseqüência, o contribuinte deve deduzir o imposto retido do imposto de renda devido com base no lucro real do período base. Só o saldo negativo de imposto a pagar, que porventura decorra desse confronto na declaração, constitui crédito passível de restituição ou compensação. (...) Observase que os valores relativos ao IRRF que integram a base de cálculo do IRPJ podem ser usados como dedução do Fl. 4407DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 23 22 imposto a pagar ou até mesmo compor o saldo negativo, situação em que os valores pagos somados aos montantes retidos são superiores aos apurados no período; Portanto, temse que se pode solicitar restituição/compensação referente a saldo negativo de IRPJ, e não referente a IRRF (a menos que se comprove que a retenção foi indevida ou em valor maior que o devido, o que não ocorreu in casu). (grifamos) Feita essa advertência, passamos a analisar os valores em litígio, que integram o segundo argumento formulado pela Recorrente. Frisese que as condições para a compensação exigem a apresentação de comprovante da retenção emitido em nome do interessado pela fonte pagadora e a prova de que os valores foram efetivamente oferecidos à tributação, como dispõem os artigos 231 e 943 do Regulamento do Imposto de Renda, a seguir reproduzidos: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, §4º): I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os respectivos limites, bem assim o disposto no art. 543; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto pago na forma dos arts. 222a 230. e Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). §1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, §1º). §2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§1º e2º do art. 7º, e no §1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). (grifamos) Assim, em relação aos montantes pleiteados pela Recorrente, tornase de rigor o atendimento aos requisitos previstos pela legislação. Fl. 4408DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 24 23 Destaquese que o valor reconhecido pela DRJ foi de R$ 1.713.734,41, visto que os julgadores entenderam que não caberia a reformatio in pejus, decorrente de valor menor apurado quando da realização de diligência. Foi mantido, portanto, o valor originalmente reconhecido pelo Despacho Decisório, o que entendo correto, pois a diligência não tem força de decisão, mas de subsídio ao convencimento dos julgadores. Nesse contexto, nada tem a reclamar a interessada, ante a justiça e legalidade da decisão. A DRJ ainda reconheceu a homologação tácita de parte dos pedidos formulados, pois a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 21 de maio de 2005, de sorte que quando da apreciação da matéria pela DERAT já havia transcorrido o prazo fatal de cinco anos, em alguns casos. Portanto, todos os pedidos de compensação formulados pela Recorrente até maio de 2000 foram tacitamente homologados (conforme tabela de fls. 4.267 e 4.268), razão pela qual não merece reparos a decisão de primeira instância. Em relação ao valor do crédito reconhecido, entende a Recorrente fazer jus aos valores retidos pela participação em consórcios. Ocorre que a legislação vigente à época dos fatos (IN 21/97), que permitia a compensação de créditos de terceiros com débitos próprios, impunha algumas condições para sua efetiva utilização, a saber: Art. 1º Os pedidos de restituição, de ressarcimento e de compensação de tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, bem assim os procedimentos administrativos a eles relacionados, serão efetuados de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. (...) Compensação de Crédito de um Contribuinte com Débito de Outro Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário ‘Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros’, de que trata o Anexo IV. § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. Fl. 4409DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 25 24 § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. (...) Art. 18. Nenhum contribuinte poderá solicitar restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de tributos cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outro (IOF e IPI). (...) Art. 25. Ficam aprovados os formulários ‘Pedido de Restituição’, ‘Pedido de Ressarcimento’, ‘Pedido de Compensação’, ‘Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros’ e ‘Documento Comprobatório de Compensação’, constantes dos Anexos I, II, III, IV e V, respectivamente. (grifamos) A análise dos autos nos leva a concluir que esses requisitos não foram cumpridos pela Recorrente, pois inexistem formulários apresentados pelas duas empresas que compõem o consórcio Santa Catarina com a interessada (proporção de 2/3 e 1/3), assim como não se tem notícia de que houve retenção indevida, vale dizer, se o IRRF não era passível de compensação ou restituição caberia naquelas empresas a apuração de eventual saldo negativo a ser utilizado. Penso que descabe o argumento da Recorrente, no sentido de que não lhe caberia comprovar documentos ou valores relativos a outras empresas. Esse não é o ponto em questão e nem foi levantado pela DRJ, que simplesmente entendeu pela não comprovação dos valores pleiteados e também pelo não cumprimento das formalidades legais, como se pode observar do seguinte excerto (grifaremos): Portanto, não atendidos os requisitos definidos na IN SRF 21/97, não há que se falar em aproveitamento, pela Recorrente, de IRRF referente às receitas das duas outra empresas do consórcio. Ademais, nada há nos autos que indique que o IRRF de titularidade das duas outras empresas (outros 2/3) tenha sido retido indevidamente. Assim, conforme subitem 13.5., este valor de IRRF não era passível de restituição/compensação, mas poderia ter sido informado pelas respectivas empresas em suas DIPJ, e o eventual SNIRPJ apurado é que poderia, por elas, ser aproveitado. Além disso, notase que na planilha de composição da linha 07/24 (outras receitas financeiras) da DIPJ/99, apresentada pela Recorrente à fl. 287, foram informados os seguintes consórcios Fl. 4410DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.000054/0028 Acórdão n.º 1201001.477 S1C2T1 Fl. 26 25 (além do “Cons Sta Catarina TK”, analisado acima): “Cons MPE”, “Cons Confab” e “Cons Uruguaiana”, em relação aos quais nada foi trazido de modo a indicar quais empresas deles participavam, e qual o percentual relativo a cada uma delas. (grifamos) Não assiste, portanto, razão à Recorrente. Por fim, no que se refere ao IRRF de aplicações financeiras, a decisão de piso analisou toda a documentação presente nos autos que também foi objeto de duas diligências, como já observado , e entendeu que não foram comprovados os valores pleiteados, embora tenha reconhecido o montante de R$ 1.713.734,41, pela aplicação do princípio que veda a reformatio in pejus. Entendo, a partir do que consta dos autos, que o Recorrente não logrou êxito em comprovar créditos em montante superior ao que já foi reconhecido, razão pela qual não merece reparos a decisão de primeira instância. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 4411DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 10120.005673/2001-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997, 1998
PAGAMENTO INDEVIDO. COISA JULGADA MATERIAL.
A decisão judicial que afasta a exigibilidade da CSLL com base na Lei n. 7.689/88 não se estende aos valores devidos com base na Lei Complementar n. 70/91, que constitui novo fundamento para a cobrança da contribuição.
Numero da decisão: 1201-001.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Luis Fabiano e José Roberto, que lhe davam provimento.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997, 1998 PAGAMENTO INDEVIDO. COISA JULGADA MATERIAL. A decisão judicial que afasta a exigibilidade da CSLL com base na Lei n. 7.689/88 não se estende aos valores devidos com base na Lei Complementar n. 70/91, que constitui novo fundamento para a cobrança da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Luis Fabiano e José Roberto, que lhe davam provimento. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 56 73 /2 00 1- 32 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10120.005673/200132 Acórdão n.º 1201001.511 S1C2T1 Fl. 3 2 Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: Tratase de pedido de Restituição apresentado em formulário (fl. 2) em 11/10/2001, de pagamentos indevidos ou a maior efetuados de 31/01/1997 a 31/08/1998 (fls. 21) no valor de R$ 66.256,95 (sessenta e seis mil, duzentos e cinqüenta e seis reais e noventa e cinco centavos), conforme cópias a fls. 18/48. Conforme despacho de fls. 96/97, a DRF/GOI considerou que a decisão judicial que declarou a inexistência de relação jurídica entre o Fisco e a requerente quanto à exação da CSLL não se estende a exercícios fiscais seguintes, razão pela qual indeferiu o pedido formulado. Essa decisão administrativa, ora recorrida, acolheu a Informação Fiscal nº 9600064563, de fls. 91/95, emitida pela Equipe de Acompanhamento do Crédito Tributário sub judice em virtude de o pedido de restituição decorrer de ação judicial, e da qual extraemse as seguintes conclusões: - O lançamento de CSLL controlado no ePAF nº 10120.003887/200506 referese a períodos de apuração do ano calendário de 2001 e encontrase com sua exigibilidade suspensa em função da ação rescisória, autos nº 2001.01.00.0338162, ajuizada pela Fazenda Nacional para reverter o trânsito em julgado do acórdão que excluiu a interessada da hipótese de incidência da CSLL, instituída pela Lei nº 7.689/88; Referida ação rescisória tornouse dispensável desde o trânsito em julgado do acórdão do STF no RE 146733/SP; No tocante à restituição pleiteada, a partir de 13/4/1993, data do trânsito em julgado do RE 146733/SP, não cabe a restituição de eventuais valores pagos pelas associadas da Acieg a título de CSSL, porque a exação passou a ser devida por elas. Cientificada da decisão em 27/03/2013 (AR a fl. 104), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 105/106, na qual postula pela reforma do despacho recorrido, com base nas alegações abaixo sintetizadas: A decisão ora recorrida afronta a decisão judicial transitada em julgado que deu provimento à apelação nº 1997.01.00.0223840 para excluir a recorrente da sujeição passiva da CSLL, garantindo seus efeitos até os dias atuais, conforme previsto no inciso XXXVI do artigo 5º da CF; Tentando reverter a situação, a Fazenda Nacional ingressou com ação rescisória nº 2001.01.00.0338162, em 27/08/03, que não foi admitida. Em seguida, ingressou com REsp nº 797457, em 02/12/2005, o qual encontrase pendente de apreciação por seu relator; Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10120.005673/200132 Acórdão n.º 1201001.511 S1C2T1 Fl. 4 3 Assim sendo, tratase o pedido de restituição de pagamentos indevidos, conforme disposto no artigo 66, parágrafo 2º da Lei nº 8.383/91. Em sessão de 03 de outubro de 2013 a 5a Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. A decisão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1995 PAGAMENTO INDEVIDO. COISA JULGADA MATERIAL. A decisão judicial que afasta a exigibilidade da CSLL com base na Lei nº 7.689/88 não se estende aos valores devidos com base na Lei Complementar nº 70/91, que constitui novo fundamento para a cobrança da CSLL. Com a ciência do julgado, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da Manifestação de Inconformidade, no sentido de que a decisão judicial em seu favor afasta o entendimento da Receita Federal. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A questão em debate nos autos é de natureza eminentemente jurídica e diz respeito à possibilidade de compensação de créditos relativos a pagamentos de CSLL efetuados em 1997/1998 e considerados indevidos pela Recorrente, por força, segundo seu entendimento, de acórdão transitado em julgado nos autos de ação mandamental ajuizada com o intuito de não se sujeitar à exação em comento após o advento da Lei Complementar nº 70/91. A sequência de decisões judiciais foi bem descrita pelo voto da decisão de piso e é fundamental para a compreensão do alcance da matéria aqui discutida, razão pela qual peço vênia para transcrevêla, com alguns destaques: O Mandado de Segurança individual, processo nº 96.64563, da Sexta Vara Federal em Goiás, em cujos autos transitou em Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10120.005673/200132 Acórdão n.º 1201001.511 S1C2T1 Fl. 5 4 julgado a decisão invocada pela requerente, foi impetrado com base em decisão anteriormente proferida em Mandado de Segurança coletivo (autos nº 89.00038842) impetrado pela ACIEG – Associação Comercial e Industrial do Estado de Goiás, que concedeu a segurança para conferir o direito aos associados da impetrante a não pagar a CSLL instituída pela Lei nº 7.689/88. A requerente também havia sido beneficiada por sentença no Mandado de Segurança nº 95.70286, que permitiu a compensação de créditos correspondentes ao recolhimento indevido da CSLL instituída pela Lei nº 7.689/88, com débitos de COFINS. O Mandado de Segurança individual que releva à presente análise, autos nº 96.64563, foi ajuizado para que não fosse aplicado o entendimento da autoridade impetrada no sentido de que a CSLL seria devida nos exercícios de 1992 em diante, visto que a Lei nº 7.689/88 foi revogada pela Lei Complementar nº 70/91, artigo 11. Nesses autos, a requerente argumentou que o novo dispositivo legal seria referente às instituições financeiras e a ela não se aplicaria. O juízo de primeira instância acatou o argumento da Fazenda, conforme sentença de fls. 38/43, de 09/12/1996, do qual cabe reproduzir o seguinte trecho: “Ao dizer: “... mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas” o artigo 11 deu margem a duas interpretações. De um lado, a Receita entende que a Lei Complementar 70/91 ratificou, e portanto elevou a nível de Lei Complementar todas as disposições da Lei 7.689/88, sanando a pecha de inconstitucionalidade que lhe foi impingida, além de dar novo fundamento para a cobrança, escapando assim, a partir de então, dos efeitos da coisa julgada produzida neste processo. De outro, as empresas requerentes, querendo crer que o art. 11 apenas se referiu às instituições financeiras (§ 1º do art. 11, da Lei 8.212/94) e portanto nada influenciou quanto aos efeitos da coisa julgada produzida neste processo que julgou inconstitucional tal exação. A meu ver, embora pudesse o legislador complementar ter sido mais claro ao formular o citado art. 11, da LC /70, a razão está com a Receita Federal. Não haveria outra razão para que, no final do dispositivo, o legislador deixasse consignada a manutenção das disposições da Lei 7.689/88, senão a de ratificar os termos da referida lei, no seu todo. (...) Desta feita, não há como afastar a cobrança da Contribuição Social obre o Lucro, após a vigência da Lei Complementar nº Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10120.005673/200132 Acórdão n.º 1201001.511 S1C2T1 Fl. 6 5 70/91, que, em seu artigo 11, revitalizou a normatização jurídica a respeito desta exação. (...) Se há débitos relativos a períodos anteriores à LC 70/91, com fundamento na Lei 7.689/88, a Autoridade Impetrada está agindo abusivamente, uma vez que estaria afrontando a coisa julgada. Se os débitos são fundados na Lei Complementar 70, relativos a períodos posteriores a sua vigência, está correta a Autoridade. Ante o exposto, CONCEDO, em parte, a segurança às Impetrantes para determinar que a Autoridade impetrada proceda à emissão pertinente Certidão Negativa de Débito, desde que esteja sendo negada exclusivamente em razão aos débitos da Contribuição Social instituída pela Lei nº 7.689/88, relativos aos períodos não abrangidos pela incidência da Lei Complementar 70/91, conforme fundamentação anterior. A impetrante, ora recorrente, apelou da sentença acima e, em 17/03/1998, o TRF 1ª Região deu provimento à sua apelação, autos nº 1997.01.00.0223840, e negou provimento à remessa oficial, conforme cópias apresentadas a fls. 46 e ss. O argumento da interessada, por fim, fundase no insucesso da ação rescisória interposta pela Fazenda Nacional com o objetivo de reverter o acórdão do TRF da 1ª Região que deu provimento à sua apelação, autos nº 1997.01.00.0223840. No entanto, cumpre analisar detidamente qual o teor do noticiado acórdão transitado em julgado nos autos da apelação nº 1997.01.00.0223840, cuja ementa abaixo se reproduz: TRIBUTÁRIO. COISA JULGADA MATERIAL. LEI 7.689/88. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. I Após o trânsito em julgado da sentença que declarou a inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, o contribuinte tem direito à obtenção de Certidão Negativa de Débito. Precedente. II Conforme dispositivo constitucional, a lei não prejudicará a coisa julgada material (art. 5º, XXXVI). III Apelação a que se dá provimento. IV Remessa improvida. Assim, entende a empresa que a decisão é imutável e perene, não sendo possível alterar os efeitos da relação jurídicotributária negada pela justiça. Aduz, ainda, que as alterações posteriores na legislação não poderiam relativizar os benefícios conferidos pela coisa julgada material em seu favor. Antes de ingressarmos no debate teórico acerca da possibilidade de alteração dos efeitos da coisa julgada, convém analisar exatamente o que restou decidido em prol da Recorrente no Mandado de Segurança que interessa aos autos. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10120.005673/200132 Acórdão n.º 1201001.511 S1C2T1 Fl. 7 6 Como bem destacado pela decisão de piso, o voto do I. Juiz Relator (cuja cópia foi anexada pela DRJ), que foi seguido por unanimidade pela Turma, não se pronunciou a respeito da exigibilidade da CSLL a partir da Lei Complementar nº 70/91, mas apenas garantiu à Apelante os efeitos da coisa julgada material relativa à Lei nº 7.689/88. Nesse contexto, reproduzimos integralmente o teor do voto, para que não remanesçam dúvidas: “O EXMº SR. JUIZ CÂNDIDO RIBEIRO (RELATOR): Reporto me ao precedente julgado pelo Exmo. Juiz TOURINHO NETO: “Nos autos do mandado de segurança n. 89.00038842, impetrado pela Associação Comercial e Industrial do Estado de Goiás em favor de suas associadas, (...) a presente questão foi decidida. Houve remessa (REO n. 89.01.174219/ GO), tendo a 4ª Turma deste Tribunal, relator o eminente Juiz Nelson Gomes da Silva, negado provimento à remessa com base na Argüição de Inconstitucionalidade na AMS n. 89.01.136147MG, reconhecendo a inconstitucionalidade da contribuição social instituída pela Lei n. 7.689, de 1988. Tal decisão transitou em julgado. Temos, deste modo, que a presente demanda já foi decidida, esta lide, na verdade, não pode ser rediscutida. Ocorrência, no caso, da coisa julgada material. Tendo ocorrido o trânsito em julgado da sentença que declarou a inconstitucionalidade da Lei n. 7.689, de 1988, tem direito o contribuinte a obtenção de certidão negativa de débito, não obstante o Supremo Tribunal Federal ter declarado, posteriormente, ser inconstitucional, tão somente, o art. 8º da respectiva norma, pois essa decisão não pode retroagir para alcançar a coisa julgada material.” (AMS 96.01.54548/4/GO, DJ de 15/8/97). Caio Mário da Silva Pereira leciona a respeito da coisa julgada que “encerrada, porém, uma questão, seja principal, seja incidente, por sentença de que já não caiba mais recursos, ou porque todos se esgotaram, ou porque a parte deixou de manifestálos, é inatingível por uma lei posterior, material ou formal.” (Instituições de Direito Civil, vol. I, 18ª ed., p. 105). Também se refere à coisa julgado o doutrinador EDUARDO GABRIEL SAAD explicitando que “coisa julgada material é a eficácia que torna imutável e indiscutível a sentença. Inadmite discutirse, noutro processo, o que já foi decidido naquele em que a sentença foi proferida. Coisa julgada material não é constitutiva de novo direito; impede, apenas, que outro Juiz possa conhecer e julgar o que já se decidiu e se transformou em ‘res iudicata’” (CLT comentada, 29ª ed., p. 569). Por essas razões, dou provimento à apelação e nego provimento à remessa. É como voto.” (grifamos) Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10120.005673/200132 Acórdão n.º 1201001.511 S1C2T1 Fl. 8 7 De se notar, à evidência, que o julgado fixou como limite a Lei n. 7.689/88 e não se manifestou acerca da Lei Complementar n. 70/91, que foi o fundamento utilizado pela Receita Federal para negar o aproveitamento dos créditos, posto que relativos ao ano calendário de 1995. Destaquese, por oportuno, que diversos outros veículos normativos cuidam da CSLL, a exemplo da Lei Complementar n. 70/91, como as Leis n. 7.856/89, n. 8.034/90, n. 8.383/91, n. 8.541/92, n. 8.849/94, n. 8.981/95, n. 9.065/95, n. 9.069/95, n. 9.249/95, n. 9.430/1996, além da Emenda Constitucional 10/96, todas posteriores à norma original. Todas as leis e normas posteriores à Lei n. 7.689/88 foram editadas no sentido de confirmar, ampliar e regulamentar a incidência da CSLL. Não há uma manifestação legislativa sequer que indique a sua desnecessidade ou exclusão. O legislador nacional permanece firme no sentido de manter o tributo, fazê lo incidir e, portanto, alcançar todos os contribuintes a ele sujeitos, nos exatos termos da Constituição, que exige igualdade de tratamento para situações semelhantes. Isso porque a legislação brasileira permite a revisão da coisa julgada nas hipóteses de modificação das circunstâncias de fato e de direito, como já autorizava o artigo 471 (atual artigo 505, que não sofreu alterações) do Código de Processo Civil: Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II nos demais casos prescritos em lei. (grifamos) As chamadas relações jurídicas continuativas cuidam de situações que se renovam e prolongam, por vezes indefinidamente, no decorrer do tempo. No caso em tela, é óbvio que todos os anos, continuamente, a interessada pratica os fatos jurídicos que ensejariam a relação tributária que foi afastada pela decisão do TRF. Aliás, não só a Recorrente faz isso, mas outras milhares de empresas que atuam no mercado brasileiro. Assim, seria de se perguntar: seria razoável que somente um punhado de empresas, entre todas as demais, tivesse o direito permanente e imutável de nunca ser tributado? Parecenos que a questão transcende o conceito de coisa julgada e permeia outros princípios, de suprema importância, como o da igualdade tributária, insculpido no artigo 150, II, da Constituição da República: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10120.005673/200132 Acórdão n.º 1201001.511 S1C2T1 Fl. 9 8 II instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; (grifamos) Entendo que a distinção efetivamente não pode ser mantida, até porque a decisão, nos termos do artigo 471 (atual 505) do CPC, opera efeitos desde que mantida a paridade da cláusula rebus sic stantibus. Como o Acórdão não se manifestou acerca da Lei Complementar n. 70/91 nem das normas supervenientes, pareceme possível, justo e razoável acompanhar a decisão da DRJ. Ademais, esse é o entendimento, entre outros, do Ministro Teori Albino Zavascki, na obra Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional, 2ª edição, Editora RT, pg. 105/106: 4.3 Limites temporais da eficácia da sentença e cláusula rebus sic stantibus Estabelecido que a sentença, nos casos assinalados irradia eficácia vinculante também para o futuro, surge a questão a saber qual é o termo ad quem de tal eficácia. A solução é esta e vem de longe: a sentença tem eficácia enquanto se mantiverem inalterados o direito e o suporte fático sobre os quais estabeleceu o juízo de certeza. Se ela afirmou que uma relação jurídica existe ou que tem certo conteúdo, é porque supôs a existência de determinado comando normativo (norma jurídica) e de determinada situação de fato (suporte fático de incidência); se afirmou que determinada relação jurídica não existe, supôs a inexistência ou do comando normativo, ou da situação de fato afirmada pelo litigante interessado. A mudança da qualquer desses elementos compromete o silogismo original da sentença, porque estará alterado o silogismo do fenômeno de incidência por ela apreciado: a relação jurídica que antes existia deixou de existir, e viceversa. Daí afirmarse que a força do comando sentencial tem uma condição implícita, a da cláusula rebus sic stantibus, a significar que ela atua enquanto se mantiverem íntegras as situações de fato e de direito existentes quando da prolação da sentença. Alterada a situação de fato (muda o suporte fático, mantendose o estado da norma) ou de direito (muda o estado da norma, mantendose o estado de fato), ou os dois, a sentença deixa de ter a força de lei entre as partes, que até então mantinha. A alteração do status quo tem, em regra, efeitos imediatos e autônomos. Assim, se a sentença declarou que determinado servidor público não tinha direito a adicional de insalubridade, a superveniência de lei prevendo a vantagem importará o imediato direito de usufruíla, cessando a partir daí a eficácia vinculativa do julgado, independentemente de novo pronunciamento judicial ou de qualquer outra formalidade. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10120.005673/200132 Acórdão n.º 1201001.511 S1C2T1 Fl. 10 9 Igualmente, se a sentença declara que os serviços prestados por determinada empresa estão sujeitos a contribuição para a seguridade social, a norma superveniente que revogue a anterior ou que crie isenção fiscal cortará a sua força vinculativa, dispensando o contribuinte, desde logo, do pagamento do tributo. O mesmo pode ocorrer em favor do Fisco, em casos em que, reconhecida, por sentença, a intributabilidade, sobrevier lei criando o tributo: sua cobrança pode darse imediatamente, independente de revisão do julgado anterior (grifamos). Concluise, portanto, que os valores recolhidos pela Recorrente em 1997 e 1998 não estavam albergados pelo trânsito em julgado do acórdão proferido no julgamento da Apelação apresentada no MS nº 96.64563 e não são aplicáveis à coisa julgada decidida naqueles autos. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903663/2012-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 06/10/2005
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 63 /2 01 2- 82 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903663/201282 Acórdão n.º 3402003.631 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06046.004, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903663/201282 Acórdão n.º 3402003.631 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903663/201282 Acórdão n.º 3402003.631 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903663/201282 Acórdão n.º 3402003.631 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903663/201282 Acórdão n.º 3402003.631 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 15540.000134/2007-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2002
NULIDADE. EMISSÃO DE INTIMAÇÃO, APÓS LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Não há que se falar em nulidade, posto que o auto de infração foi elaborado exclusivamente com os elementos constantes dos autos e obtidos antes da conclusão do procedimento fiscal.
NULIDADE. CIÊNCIA DADA A EMPREGADO QUE NÃO TINHA PODERES DE REPRESENTAÇÃO
Não há que falar em nulidade, por cerceamento do direito de defesa, posto que todas as questões foram pormenorizadamente enfrentadas pelo contribuinte, nas primeira e segunda instâncias (§ 5° do art. 26 da Lei n° 9.784/99).
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2002
MULTA REGULAMENTAR. PROVA DE QUE HOUVE EMISSÃO DE NOTA FISCAL SEM CORRESPONDENTE SAÍDA DE MERCADORIA.
Não pode prosperar a imposição da multa prevista no inciso II do art. 463 do Decreto n° 2.637/1998 (RIPI/1998), porque a autuante não carreou aos autos prova de que as mercadorias não saíram do estabelecimento da Recorrente.
VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO
Mantém-se o lançamento de ofício, face à não apresentação de provas de que as vendas foram realizadas com o fim específico de exportação.
MULTA QUALIFICADA. PROVA CABAL
Se o contribuinte não comprovou que as vendas, beneficiadas com suspensão do IPI, foram efetivamente realizadas com o fim específico de exportação, é cabível a qualificação da multa de ofício.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Negado.
Crédito tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3301-003.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS - Presidente.
MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS (Presidente), SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, VALCIR GASSEN, JOSE HENRIQUE MAURI, LIZIANE ANGELOTTI MEIRA, MARCELO GIOVANI VIEIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2002 NULIDADE. EMISSÃO DE INTIMAÇÃO, APÓS LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se falar em nulidade, posto que o auto de infração foi elaborado exclusivamente com os elementos constantes dos autos e obtidos antes da conclusão do procedimento fiscal. NULIDADE. CIÊNCIA DADA A EMPREGADO QUE NÃO TINHA PODERES DE REPRESENTAÇÃO Não há que falar em nulidade, por cerceamento do direito de defesa, posto que todas as questões foram pormenorizadamente enfrentadas pelo contribuinte, nas primeira e segunda instâncias (§ 5° do art. 26 da Lei n° 9.784/99). Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2002 MULTA REGULAMENTAR. PROVA DE QUE HOUVE EMISSÃO DE NOTA FISCAL SEM CORRESPONDENTE SAÍDA DE MERCADORIA. Não pode prosperar a imposição da multa prevista no inciso II do art. 463 do Decreto n° 2.637/1998 (RIPI/1998), porque a autuante não carreou aos autos prova de que as mercadorias não saíram do estabelecimento da Recorrente. VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO Mantém-se o lançamento de ofício, face à não apresentação de provas de que as vendas foram realizadas com o fim específico de exportação. MULTA QUALIFICADA. PROVA CABAL Se o contribuinte não comprovou que as vendas, beneficiadas com suspensão do IPI, foram efetivamente realizadas com o fim específico de exportação, é cabível a qualificação da multa de ofício. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Negado. Crédito tributário Mantido em Parte.
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EMISSÃO DE INTIMAÇÃO, APÓS LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se falar em nulidade, posto que o auto de infração foi elaborado exclusivamente com os elementos constantes dos autos e obtidos antes da conclusão do procedimento fiscal. NULIDADE. CIÊNCIA DADA A EMPREGADO QUE NÃO TINHA PODERES DE REPRESENTAÇÃO Não há que falar em nulidade, por cerceamento do direito de defesa, posto que todas as questões foram pormenorizadamente enfrentadas pelo contribuinte, nas primeira e segunda instâncias (§ 5° do art. 26 da Lei n° 9.784/99). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2002 MULTA REGULAMENTAR. PROVA DE QUE HOUVE EMISSÃO DE NOTA FISCAL SEM CORRESPONDENTE SAÍDA DE MERCADORIA. Não pode prosperar a imposição da multa prevista no inciso II do art. 463 do Decreto n° 2.637/1998 (RIPI/1998), porque a autuante não carreou aos autos prova de que as mercadorias não saíram do estabelecimento da Recorrente. VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO Mantémse o lançamento de ofício, face à não apresentação de provas de que as vendas foram realizadas com o fim específico de exportação. MULTA QUALIFICADA. PROVA CABAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 01 34 /2 00 7- 75 Fl. 933DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGU STO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000134/200775 Acórdão n.º 3301003.066 S3C3T1 Fl. 11 2 Se o contribuinte não comprovou que as vendas, beneficiadas com suspensão do IPI, foram efetivamente realizadas com o fim específico de exportação, é cabível a qualificação da multa de ofício. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Negado. Crédito tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Presidente. MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS (Presidente), SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, VALCIR GASSEN, JOSE HENRIQUE MAURI, LIZIANE ANGELOTTI MEIRA, MARCELO GIOVANI VIEIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES Fl. 934DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGU STO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000134/200775 Acórdão n.º 3301003.066 S3C3T1 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de auto de infração lavrado para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI no valor de R$ 923.835,52, além da multa de ofício de R$ 1.385.753,27 (150%, passível de redução), dos juros de mora de R$ 739.522,70 (calculados ate' 31/07/2007), e, ainda, da Multa Regulamentar no valor de R$ 6.168.610,50. Decorreu a autuação, segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 111/113) e Termo de Verificação Fiscal (fls. 122/127), da 'falta de lançamento do imposto pelo estabelecimento industrial em razão de ter dado saída, para o mercado interno, a produtos destinados à exportação”, saídos com suspensão do imposto ITEM 001 do auto de infração; além da constatação da emissão de notas fiscais que “não correspondem às saídas efetivas dos produtos nelas descritas” ITEM 002 do auto de infração. Tais fatos ensejaram a exigência do imposto não destacado nas notas fiscais de saída (em razão da utilização indevida da imunidade/saída com suspensão) acrescido de multa de ofício e juros de mora. (ITEM 001 do auto de infração), bem como da cominação da penalidade de multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal (ITEM 002 do auto de infração). A exigência fiscal, para o ITEM 001 foi fundamentada no art. 39 c/c o art. 40 VI, “a” do RIPI/1998 (elencados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 122/127, parte integrante do auto de infração), além daqueles discriminados na descrição dos fatos e enquadramento legal, do auto de infração. A qualificação da multa tem por fundamento o parágrafo primeiro do art. 44 da Lei n° 9.430/96 (alterado pelo art. 14 da MP n° 351/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 2007). Já o ITEM 002 encontrase arrimado no art. 463, inciso II do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/1998), que tem por matriz legal o art. 83 da Lei n° 4.502/64, com a redação do DecretoLei n° 400, de 30/12/68. Os fatos que culminaram na presente autuação encontramse descritos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 122/ 127, parte integrante do auto de infração, do qual se extrai, em síntese: 1°) a empresa, que tem por atividade econômica a fabricação de fraldas descartáveis, sofreu fiscalização com o intuito de verificar se ao vender produtos de sua fabricação, com finalidade específica de exportação, efetivamente atendeu às exigências para usufruir do beneficio fiscal de vendas de mercadorias com suspensão do IPI; 2°) da análise da DIPJ do ano calendário de 2002, ficha 27, verificouse a informação de vendas no valor total de R$ 14.532.140,73 para a empresa Exportadora Santiago Ltda, CNPJ 00.691.916/000135, localizada em CorumbáMS, valor esse divergente daquele declarado pela Exportadora Santiago no mesmo ano calendário em relação às compras de mercadorias a serem exportadas; Fl. 935DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGU STO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000134/200775 Acórdão n.º 3301003.066 S3C3T1 Fl. 13 4 3°) intimada, em 28/11/2005, por meio do Termo de Intimação de fl. 017, pela DRF/Campo Grande/MS com respaldo no MPF Extensivo de fl. 019, com o fim de subsidiar o procedimento de fiscalização junto à Exportadora Santiago Ltda a apresentar as notas fiscais de vendas emitidas em nome da Exportadora Santiago Ltda, a empresa, em 29/03/2006, apresentou apenas 28 notas fiscais de vendas (fls. 21/49), que totalizaram R$ 827.422,56, e informou não ter como comprovar a efetiva exportação das mercadorias, pois, a comercial exportadora não havia lhe enviado comprovantes de exportação e acrescentou que não foram encontrados os conhecimentos de transporte que atestassem a entrega das mercadorias à Exportadora Santiago; 4°) da análise das citadas notas fiscais verificouse que não havia sido declarado o nome do transportador das mercadorias nem foi encontrada no Livro Diário (da Exportadora), no histórico dos lançamentos, qualquer menção às notas fiscais emitidas pela empresa Aloés; 5°) constatouse, daí, que a empresa Aloés emitiu notas fiscais de vendas de mercadorias à Exportadora Santiago Ltda utilizandose do benefício fiscal da suspensão do IPI, condicionado ao implemento da condição, ou seja, a exportação dos produtos vendidos à exportadora, o que não ocorrera, pois, fiscalizada a exportadora, constatouse não haver registros dos produtos descritos nas notas fiscais emitidas pela Aloés, ou seja, não houve o efetivo recebimento dos produtos pela Exportadora Santiago; 5°) aberto o MPF n° 07.1.02.00.2007002744, em 25/06/2007, para dar início aos procedimentos de fiscalização pela DRF NITERÓIRJ para verificação das operações realizadas entre agosto e dezembro/2002, intimada (fls. 064/065) e reintimada (fls. 070/071) a empresa a comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a efetiva entrega dos produtos à comercial exportadora bem como o efetivo pagamento pela Exportadora Santiago à Aloés pelos produtos a ela vendidos com fim específico de exportação e, ainda, a fornecer a relação dos insumos empregados na industrialização dos produtos vendidos com a finalidade de exportação, a empresa não se manifestou; 6°) assim, em razão do disposto no art. 39 e seu parágrafo primeiro, do RIPI/ 1998, procedeuse ao levantamento das vendas de produtos com finalidade de serem exportados, por decêndio, com base nas notas fiscais de vendas emitidas pela Aloés Indústria e Comércio em nome da Exportadora Santiago Ltda, utilizandose, para apuração do imposto devido, por decêndio, a alíquota aplicável, segundo a posição do produto vendido, na TIPI (planilha fls. 72/78); 7°) tratandose, ainda, de utilização de notas fiscais que não correspondem à efetiva saída das mercadorias nelas descritas, passível de aplicação da multa prevista no art. 463II do RIPI/ 1998 (ou ait. 490II do RIPI/2002), procedeuse ao levantamento das vendas, por datas de ocorrências, conforme planilha de fls. 79/82, na qual se verifica a emissão de notas fiscais, em nome da Exportadora Santiago, no valor de R$ 6.186.610,50; 8°) e por se tratar de situação que se enquadra no parágrafo primeiro do art. 44 da Lei n° 9.430/96 procedeuse à qualificação da multa de ofício vinculada ao imposto; De se registrar, ainda, por pertinente, o Termo de Constatação Fiscal de fls. 139, de 10/08/2007, no qual ficou consignada a ausência do representante legal da empresa para ciência do auto de infração, tendo sido a mesma, então, dada a seu preposto, Sra. Stella Maris dos Santos Leitão, gerente de tributos. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGU STO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000134/200775 Acórdão n.º 3301003.066 S3C3T1 Fl. 14 5 Assinalese que, uma vez demonstrada a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crime de sonegação fiscal e contra a ordem tributária, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, processo n° 15540.000139/200706. Inconformada com o lançamento apresentou a contribuinte, em 10/09/2007, a impugnação de fls. 145/156, na qual, em síntese: 1°) em preliminar alega nulidade do auto de infração em razao dos seguintes fatos: 1.1) após encerramento da ação fiscal e lavratura do auto de infração (em 10/08/2007) foi expedida nova intimação (a de n° 07/2007, de 21/08/2007, fl. 180) solicitando novos livros e documentos, o que se traduz em nulidade absoluta insanável, por implicar cerceamento do direito de defesa; 1.2) ciência do auto de infração dada a funcionária da empresa que não detém poderes de representação, implicando ausência de regular intimação do representante legal e conseqüente cerceamento do direito de defesa; 2°) no mérito, argumenta que as mercadorias foram entregues à Exportadora Santiago Ltda e, se não foram encontrados registros de sua exportação, isso não significa que não foram recebidas pela exportadora, devendo a prova de sua efetiva exportação ser solicitada a ela, a quem compete a responsabilidade pelo pagamento do IPI suspenso; 3°) acrescenta que não está configurada a hipótese de sonegaçao, fraude ou conluio, não havendo se falar em qualificação da multa; 4°) argumenta que não ficou comprovado que as mercadorias não saíram do seu estabelecimento, havendo tão somente presunção nesse sentido em razão da total ausência de documentos fornecidos pela empresa exportadora; 5°) pondera, quanto à multa decorrente da emissão de nota fiscal que não corresponde à saída efetiva dos produtos nela descritas, que houve inversão do ônus da prova, e que caberia ao Fiscal comprovar que as mercadorias nunca saíram do estabelecimento do contribuinte, que, frisese, emitiu nota fiscal e pagou a transportadora, e, acrescenta que a multa somente pode incidir se houver prova de que foi emitida nota fiscal sem a correspondente saída efetiva da mercadoria; 6°) finaliza, mencionando que a única presunção possível é a de que a empresa exportadora recebeu as mercadorias e não comprovou sua exportação, o que, em última análise, isenta a autuada do pagamento de qualquer imposto; 7°) conclui requerendo o cancelamento integral do auto de infração ou, caso assim não entenda, a exclusão da multa prevista no art. 44, § 1° da Lei n° 9.430/96, com alteração dada pelo art. 18 da Medida Provisória n° 351 de 2007 e, ainda, protestando pela apresentação e juntada posterior de documentos suplementares destinados a comprovar as alegações da presente impugnação." A DRJ em Juiz de Fora (MG) julgou a impugnação procedente em parte, cancelando a multa regulamentar de 100% do valor da mercadoria. O Acórdão n° 0919.341 foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 937DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGU STO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000134/200775 Acórdão n.º 3301003.066 S3C3T1 Fl. 15 6 Período de apuração: 10/08/2002 a 30/09/2002 IPI. SUSPENSÃO. Quando não satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão (destinação à exportação) o imposto tomarseá imediatamente exigível, estando o responsável pelo destino diverso do previsto sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a suspensão não existisse. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇAO. Configurada a sonegação e demonstrado o evidente intuito de fraude é cabível a aplicação da multa qualificada. A emissão reiterada de nota fiscal com a suspensão do imposto, sem que tenha sido implementada a condição, de forma justificada, importa sonegação fiscal, uma vez que restou comprovada a intenção de impedir o conhecimento da autoridade fazendária das circunstâncias materiais inerentes ao fato gerador da obrigação tributária principal. MULTA REGULAMENTAR. ART. 463ll do RIPI/1998. A qualificação do ato infracional que impõe a aplicação da penalidade prevista na norma legal, com sanção equivalente a multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, é dado por emitir nota fiscal que não corresponda à saída efetiva de produto nela descrito, o que não é o caso dos autos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/08/2002 a 30/09/2002 PRODUÇÃO DE PROVAS. O momento adequado à produção de provas encerra se com o prazo de impugnação, salvo quando demonstrada a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, O que não se deu no presente caso. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu os argumentos contidos na impugnação e adicionou que conseguiu obter da transportadora a devida comprovação de que as mercadorias foram entregues na comercial exportadora. Anexou os comprovantes e concluiu, requerendo o cancelamento do auto de infração. Houve Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGU STO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000134/200775 Acórdão n.º 3301003.066 S3C3T1 Fl. 16 7 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Os recursos de ofício e voluntário preenchem os requisitos legais de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. A Recorrente trouxe questões prejudiciais, as quais devem ser analisadas, antes de adentrarmos no mérito. Da nulidade absoluta A Recorrente alega que o auto de infração foi lavrado, antes da conclusão do exame da totalidade dos documentos, o que o torna nulo, por cerceamento do direito de defesa, previsto no inciso LV do art. 5° da Constituição Federal. Adicionalmente, alega que não foi regularmente intimada do auto de infração, cuja ciência foi tomada por empregado, que não detinha poderes de representação. Não assiste razão à Recorrente. As alegações foram muito bem enfrentadas pelo colegiado de primeira instância, de cujo Acórdão n° 0919.341 extraio excertos, dos quais faço minha razão de decidir: "Inicialmente suscita a impugnante, em preliminar, a nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, em razão dos seguintes fatos: expedição de nova intimação, após o encerramento da ação fiscal e lavratura do auto de infração e, ainda, ciência do auto de infração dada a funcionária da empresa que não detém poderes de representação. (. . .) A propósito da expedição da intimação n° 07/2007, de 21/08/2007 (fl. 216), depois de encerrado o procedimento fiscal e lavrado o auto de infração, impõese registrar que não merece prosperar o argumento de cerceamento do direito de defesa a eivar de nulidade o auto de infração. Notese que o lançamento foi efetivado tomando por lastro somente os atos e termos expedidos antes da conclusão do procedimento, dentre os quais não se inclui o termo de intimação em comento, o qual, inclusive, nem constava dos autos, tendo sido trazido, posteriormente, pela defendente, quando da apresentação da impugnação. O último termo que deu suporte ao procedimento fiscal foi o de (re)intimação fiscal n° 04/2007 (fl. 070). Portanto, se nenhuma influência gerou no auto de infração o indigitado termo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Razão também não cabe à impugnante quanto à arguição de nulidade pela ciência do auto de infração dada a funcionária da empresa não detentora de poderes de representação. De se destacar, de pronto, o Termo de Constatação de fl. 175, no Fl. 939DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGU STO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000134/200775 Acórdão n.º 3301003.066 S3C3T1 Fl. 17 8 qual ficou registrado o nãocomparecimento do representante legal da empresa para ciência do auto, motivo pelo qual foi dada ciência à Sra. Stella Maris dos Santos Leitão, gerente de tributos, pessoa cujo vínculo com a empresa resta evidente nos autos. Ademais, da leitura das disposições do §5° de art. 26 Lei 9.784/99 (a seguir transcrito para maior clareza, e, cujos preceitos aplicamse subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, nos termos do artigo 69 desse mesmo ato legal,), depreendese que tal fato não implica cerceamento do direito de defesa, haja vista que, tempestivamente, por meio de preposto legal devidamente habilitado (instrumento de procuração anexado à fl. 193), foi oferecida a impugnação de fls. 181/192, na qual a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento de todo o procedimento fiscal bem como a compreensão de todo o seu contexto, tanto que apresentou contestações e questionamentos pormenorizados e bem especificados acerca da matéria. 'Lei n” 9. 784/99 Art. 26. (..) § 5 ° As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade.' Com efeito, resta completamente afastada qualquer pretensão de nulidade do auto de infração." Com base no acima exposto, nego provimento às preliminares de nulidade. MÉRITO Recurso de Ofício A DRJ em Juiz de Fora (MG) decidiu cancelar a multa regulamentar, correspondente a 100% do valor das mercadorias, prevista no inciso II do art. 463 do Decreto n° 2.637/1998 (RIPI/1998), em vigor nas datas de ocorrência dos fatos geradores (setembro a dezembro de 2002), porque a autuante não carreou aos autos prova de que as mercadorias não saíram do estabelecimento da Recorrente. Transcrevo o dispositivo legal: "Art. 463. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): (. . .) II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei nº Fl. 940DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGU STO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000134/200775 Acórdão n.º 3301003.066 S3C3T1 Fl. 18 9 4.502, de 1964, art. 83, inciso II, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª)." (grifo nosso) A Recorrente não logrou êxito em comprovar que as mercadorias foram entregues à empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação, o que a qualificaria à fruição do benefício fiscal da suspensão do IPI, prevista na alínea "a" do inciso VI do art. 40 do RIPI/1998. Por este motivo, foi lançado IPI, com multa de ofício qualificada, o que será tratado no tópico seguinte. Contudo, não consta nos autos que a auditoria fiscal tenha investigado e concluído, com reunião de evidências documentais, que a mercadoria realmente não saiu do estabelecimento industrial (por exemplo, registros contábeis, demonstrando que as mercadorias não foram baixadas das contas contábeis de estoques, ou auxiliares, indicando que as quantidades constantes das notas fiscais de venda não foram lançadas na movimentação de saída dos produtos). Pelo contrário, no corpo do auto de infração, na fl. 198, na "descrição dos fatos" nos quais baseouse para efetuar o lançamento do IPI, o agente fiscal consignou, expressamente, o seguinte: "Falta de lançamento de imposto pelo estabelecimento em razão de ter dado saídas para o mercado interno a produtos destinados à exportação (. . .)" (grifo nosso). E, como vimos no texto legal acima reproduzido, a emissão de nota fiscal sem a correspondente efetiva saída da mercadoria é o fato que enseja a aplicação da multa de equivalente a 100% do valor da mercadoria. Se o fato não foi comprovado, por meio de evidências documentais, não se sustenta a imposição da correspondente penalidade. Assim sendo, nego provimento ao Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Dos documentos supervenientes De acordo com as notas fiscais objetos da auditoria fiscal, a Recorrente promoveu saídas de mercadorias para a empresa Exportadora Santiago Ltda., sob o amparo da suspensão do IPI prevista no § 3° do art. 40 do RIPI/1998: "Dos Casos de Suspensão Art. 40. Poderão sair com suspensão do imposto: (. . .) VI os produtos, destinados à exportação, que saiam do estabelecimento industrial para (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39): a) empresas comerciais exportadoras, com o fim específico de exportação nos termos do § 2º deste artigo (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, inciso I); (. . .) Fl. 941DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGU STO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000134/200775 Acórdão n.º 3301003.066 S3C3T1 Fl. 19 10 § 2º No caso da alínea "a" do inciso VI, consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º). (. . .)" A fiscalização encontrou divergências entre os valores das transações de compra e venda realizadas entre a Recorrente e a Exportadora Santiago Ltda., constantes das suas Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) ano calendário de 2002. A Recorrente foi intimada e reintimada a apresentar documentos que comprovassem a entrega efetiva das mercadorias à empresa Exportadora Santiago Ltda.. Em todas as ocasiões, respondeu que não tinha comprovantes das entregas das mercadorias (declaração do comprador, na própria nota fiscal, datada, atestando que recebera as mercadorias) e tampouco os conhecimentos de transporte. Com efeito, não constava o nome do transportador nas notas fiscais de saída. Por fim, também não comprovou o recebimento dos valores das vendas. Paralelamente, foi deflagrada uma ação fiscal na Exportadora Santiago Ltda.. Cópias do livro diário (fls. 94 a 179 do processo apensado) foram anexadas aos autos. Não foram encontrados registros das entradas das mercadorias descritas nas notas fiscais emitidas pela Recorrente. Diante dos fatos acima narrados, foi lançado de ofício o IPI, acrescido de multa de ofício qualificada de 150% (o tópico seguinte trata especificamente desta penalidade) e juros Selic, em desfavor da Recorrente, com base no inciso II do § 2° do art. 39 do RIPI/1998, a saber: "CAPÍTULO II DA SUSPENSÃO DO IMPOSTO SEÇÃO I Disposições Preliminares (. . .) Art. 39. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. § 1º Se a suspensão estiver condicionada à destinação do produto e a este for dado destino diverso do previsto, estará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a isenção não existisse (Lei nº 9.532, de 1997, art. 37, inciso II). § 2º Cumprirá a exigência: Fl. 942DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGU STO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000134/200775 Acórdão n.º 3301003.066 S3C3T1 Fl. 20 11 I o recebedor do produto, no caso de emprego ou destinação diferentes dos que condicionaram a suspensão; II o remetente do produto, nos demais casos." Como não foi identificado o recebimento dos produtos pela Exportadora Santiago Ltda., contra esta não foi lançado o crédito tributário. Nos moldes do inciso II, do § 2° do art.39 do RIPI/1998, acima reproduzido, a exigência foi dirigida à Recorrente. Na impugnação, a Recorrente alegou, porém sem comprovar, que entregara as mercadorias. E que a obrigação de comprovar ter havido a exportação era da Exportadora Santiago Ltda.. A peça recursal, todavia, iniciase pelo tópico "Dos Documentos Supervenientes". Dispôs que havia encontrado os documentos. E que os anexou ao processo. E afastou eventual contraargumento de que precluíra o direito de apresentar provas (§4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72). Considera que a intempestividade se deu "por motivo de força maior" (alínea "a" do § 4° do Decreto n° 70.235/72), qual seja, o de que dependia da empresa de transporte. De pronto, consigno que concordo plenamente com o agente fiscal. De acordo com os arts. 333 da Lei n° 5.869/1973 (Antigo Código de Processo Civil CPC) e 773 da Lei n° 13.105/2015 (Novo CPC), o ônus de comprovar que tinha o direito à suspensão do IPI era da Recorrente. E, nesta tarefa, restou claro que não logrou êxito. Não foi comprovada a entrega em empresa comercial exportadora. E, à luz do art. 39 do RIPI/1998, acima reproduzido, foi correto dirigir à Recorrente a cobrança do IPI, visto que a mercadoria não chegou à empresa Exportadora Santiago Ltda.. Portanto, irretocável o trabalho da fiscalização. Contudo, na peça recursal, alegou a Recorrente que, finalmente, conseguiu reunir os documentos que atestam que entregou na empresa Exportadora Santiago Ltda. as mercadorias indicadas nas notas fiscais de venda revisadas pelo Fisco. Teríamos, então, de, preliminarmente, enfrentar a discussão acerca da preclusão ou não de apresentação de provas, em sede de recuso voluntário. Contudo, o mesmo não será necessário. Nas fls. 268 a 387, encontramse os documentos anexados ao Recurso Voluntário, quais sejam: a) Romaneios, emitidos pela Recorrente e pela empresa Gomes e Honofre Comercial Ltda., nos quais consta a data do embarque, as marcas das mercadoria embarcadas, a razão social da transportadora e o número das notas fiscais. Não há indicação de que tratavase de transporte de mercadorias da Recorrente para a Exportadora Santiago Ltda.. b) Notas fiscais de exportação, emitidas pela empresa FCE Comércio Exterior Ltda., constando, na maioria delas, informação no corpo da nota fiscal de que a mercadoria fora adquirida da Exportadora Santiago Ltda., e Extratos de Exportação (SISCOMEX), em que figura como exportador a FCE Comércio Exterior Ltda.. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGU STO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000134/200775 Acórdão n.º 3301003.066 S3C3T1 Fl. 21 12 Não foi realizada conciliação dos romaneios com as notas fiscais de venda emitidas pela Recorrente contra a Exportadora Santiago Ltda.. Ademais, também não foi estabelecida qualquer conexão entre os documentos mencionados na letra "b" e as notas fiscais de saída auditadas. Definitivamente, não foram apresentadas as provas necessárias ao cancelamento do lançamento de ofício. Quais seriam estas provas? Declaração prestada pelo comprador (Exportadora Santiago Ltda.) de que recebeu a mercadoria indicada em cada uma das notas fiscais de venda auditadas ou, pelo menos, conhecimentos de transporte, em que tivessem sido citadas a empresa Exportadora Santiago Ltda., na condição de destinatária e adquirente das mercadorias. Diante do foi acima exposto, meu voto é no sentido de negar provimento às alegações contidas no tópico do recurso voluntário titulado "Dos Documentos Supervenientes". "Da ausência de prova da sonegação" Também neste tópico, a Recorrente trouxe os argumentos que já havia apresentado na impugnação. A questão foi muito bem descrita e enfrentada pela i. Relatora Ana Zulmira Chaves de Souza, de cujo voto faço minha razão de decidir: "Quanto à multa de 150%, alega a contribuinte que não está configurada a hipótese de sonegação, fraude ou conluio, não havendo que se falar em qualificação da multa. Pondera que, se houvesse intenção de sonegar ou fraudar, não teria emitido as notas fiscais com os valores integrais das mercadorias e insiste que a intenção era exportar as referidas mercadorias e, para tanto, destinou todas elas para a empresa Exportadora Santiago. A aplicação da penalidade majorada decorreu do fato de ter a contribuinte se utilizado do instituto da suspensão para não destacar o IPI nas notas fiscais, não apresentando documentos comprobatórios sequer de que os produtos foram entregues à comercial exportadora e, por óbvio, da realização da exportação. Acerca da multa, dispõe o art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996: 'Art.44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (. . .) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.' Por seu turno, sobre sonegação e fraude, desta forma disciplina a Lei n° 4.502, de 1964, em seu art. 71: Fl. 944DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGU STO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000134/200775 Acórdão n.º 3301003.066 S3C3T1 Fl. 22 13 'Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; (. . .) Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.' De se destacar que as disposições do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, aplicáveis à época da ocorrência dos fatos geradores, encontramse no parágrafo primeiro do art. 44 da Lei n° 9.430/96, alterado pelo art. 14 da MP n° 351/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 2007, nos seguintes termos: '§ 1 O percentual de multa de que trata o inciso l do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 15 de junho de 2007).' As circunstâncias que exsurgem dos autos revelam que houve nos atos praticados pela contribuinte os crimes de fraude e sonegação. Conforme descrito e documentado nos termos lavrados pela autoridade fiscal, as ações praticadas pela contribuinte promoveram, de forma intencional, modificações nas características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal com o objetivo de impedir a ocorrência do fato gerador. Ao simular uma saída com fim específico de exportação, resta inequívoco o intuito de fraude, pois as operações simuladas de exportação objetivaram impedir a ocorrência do fato gerador, no caso, a saída para o mercado interno. Vale dizer, simulouse a ocorrência de um fato inexistente (a exportação) e ocultouse a existência de um fato efetivamente ocorrido (a saída para o mercado interno). E aí resta também caracterizada a sonegação, na medida em que a receita de vendas para o mercado externo é desonerada do IPI (em razão da imunidade), afetando, assim, as circunstâncias materiais do fato gerador. Assim, a multa de ofício aplicada se adéqua aos autos em questão e encontra se em consonância com as normas anteriormente citadas." Com base no trecho da decisão recorrida acima transcrito, voto por negar provimento às alegações que tinham como objetivo desqualificar a multa de ofício. Conclusão Voto por negar provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGU STO DO COUTO CHAGAS Processo nº 15540.000134/200775 Acórdão n.º 3301003.066 S3C3T1 Fl. 23 14 É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 946DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 12/09/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGU STO DO COUTO CHAGAS
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Numero do processo: 10469.903724/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PROVA. Na apuração de COFINS não-cumulativa, a prova da existência do direito de crédito indicado na PER/DCOMP incumbe ao contribuinte.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Marcelo Giovani Vieira e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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J. Medeiros Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PROVA. Na apuração de COFINS nãocumulativa, a prova da existência do direito de crédito indicado na PER/DCOMP incumbe ao contribuinte. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Marcelo Giovani Vieira e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 37 24 /2 00 9- 18 Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10469.903724/200918 Acórdão n.º 3301003.092 S3C3T1 Fl. 11 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Recife, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra a não homologação do pedido de compensação objeto da PER/DCOMP 23359.86053.270106.1.3.048507. A Recorrente apresentou o PER/Dcomp em 27/04/2006, relativamente ao crédito originário de pagamento indevido ou a maior do código de receita 5856, COFINS não cumulativa. A autoridade competente não homologou a compensação, fundamentandose no fato de o DARF informado no PER/Dcomp (R$ 18.404,01) já ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp objeto do presente processo. Segundo a Recorrente, a explicação para o crédito é que depois de declarar e pagar a COFINS do período de apuração de fevereiro/2006 no montante de R$ 18.404,01, verificou que fizera o cálculo do tributo com base no seu faturamento total, e que, no entanto, considerando que a maior parte dos produtos vendidos não eram tributados (alíquota 0%), o valor devido daquele mês era bem menor do que aquele que foi pago. Alegou, portanto, que calculou a COFINS sobre o faturamento total da empresa, mas como comercializa frutas e verduras no mercado interno, estaria sujeita a alíquota zero, nos termos do art. 28 da Lei 10.865/2004. Quando ciente deste erro de apuração referente a 2005 e 2006, procedeu à reapuração dos tributos devidos, identificando créditos a serem compensados via PER/DCOMP 23359.86053.270106.1.3.048507, todavia não retificou a DCTF. O contribuinte foi notificado em 03/06/2009 do Despacho Decisório e transmitiu a DCTF retificadora do 1º semestre de 2006, posteriormente, apenas em 29/06/2009. Ressaltese que na mesma data da Manifestação de Inconformidade, o contribuinte apresentou essa DCTF retificadora relativa ao primeiro semestre de 2006, na qual vincula o pagamento do DARF, no valor de R$ 18.404,01, e informa um débito apurado de COFINS referente ao período de apuração de fevereiro de 2006, código de receita 217201, no valor de R$ 476,68, para gerar um crédito remanescente de R$ 17.927,33. O crédito no valor total de R$ 18.404,01 seria proveniente de pagamento de COFINS nãocumulativa (Código de Receita 5856), realizado em 15/03/2006, sendo este crédito utilizado nas Declarações de Compensação (PER/DCOMP), abaixo identificadas e elencadas: Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10469.903724/200918 Acórdão n.º 3301003.092 S3C3T1 Fl. 12 3 A 4ª Turma da DRJ/REC, no Acórdão nº 1133.618, por unanimidade de votos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender não terem sido demonstradas a liquidez e a certeza do suposto crédito que a interessada intentava utilizar para a compensação tributária, nestes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 DCOMP. ERRO DE FATO EM DCTF. NÃO COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não comprovado o erro de fato no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, não há que se acatar a retificadora para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Em seu recurso voluntário, a Recorrente reitera seu direito creditório, justificando que nessa oportunidade apresenta as cópias das notas fiscais do período a que se refere a compensação, cópia do livro de registro de notas fiscais de saída, o relatório de vendas feitas no período, por produto e o balancete do mês. Ademais, afirma que no mês de fevereiro de 2006, a empresa efetuou vendas no valor total de R$ 683.020,04, mas que o valor das vendas tributadas pelo PIS e COFINS seria de apenas R$ 27.625,15. Os documentos foram anexados ao recurso voluntário. Estes autos vieram ao CARF para apreciação do recurso voluntário, tendo o feito sido convertido em diligência, Resolução nº 380200.019, da 2ª Turma Especial, nos termos do voto do relator Francisco José Barroso Rios, para que: · A unidade preparadora examinasse a fidedignidade da documentação acostada ao recurso voluntário, isso, frente a eventuais demonstrativos e documentação outra requerida da interessada, porventura necessários à apuração da contribuição efetivamente devida; Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10469.903724/200918 Acórdão n.º 3301003.092 S3C3T1 Fl. 13 4 · Diante dos elementos constantes dos autos, a unidade preparadora, frente à documentação anexada ao processo e demais documentos e esclarecimentos que julgar necessários indagar à suplicante, deveria se manifestar sobre a COFINS efetivamente devida em fevereiro de 2006; · Registrou que este presente processo é um dos 31 processos em nome da interessada que trata do aduzido direito creditório pelo pagamento indevido da COFINS nos anos base de 2005 e de 2006, afirmando que poderão ser elaborados, para fins de atendimento à diligência, relatório e, sendo o caso, planilha demonstrativa única, em que sejam discriminadas as bases de cálculo mensais, a COFINS efetivamente devida e a COFINS paga em cada um dos períodos correspondentes. No cumprimento da diligência, o Termo de Intimação Fiscal nº 001, exigiu da contribuinte a demonstração do faturamento tributado para cada período de apuração em lide, com detalhamento dos produtos vendidos, respectivos valores de venda e indicação dos números das respectivas notas fiscais. Conforme a informação do despacho de diligência, as informações prestadas foram satisfatórias para outros processos, que tratam da COFINS cumulativa, mas não para o período de apuração de fevereiro de 2006, ora analisado, que trata de COFINS nãocumulativa. Por esse motivo foi emitida a segunda intimação, exigindo do contribuinte o detalhamento dos créditos utilizados, relativos a nãocumulatividade do tributo. Para melhor clareza e contextualização transcrevese parcialmente a INTIMAÇÃO 002: (...) Ocorre que no Recurso Voluntário dirigido ao CARF a declarante informa que o faturamento total de fevereiro/2006 foi de R$ 683.020,04 e que o faturamento sujeito à tributação da COFINS era somente de R$ 27.625,15. Ora, como a nova COFINS, pelo regime de tributação NÃO CUMULATIVO informado, é de R$ 476,68, calculado sob a alíquota de 7,6%, inferese que a Base de Cálculo utilizada foi de R$ 6.272,10. Resta saber, então, quais foram os créditos subtraídos do faturamento tributável (como dito acima, de R$ 27.625,15) para chegar à Base de Cálculo efetiva, de R$ 6.272,10. Isto posto, fica a contribuinte intimada a demonstrar a Base de Cálculo da COFINS NÃO CUMULATIVA do período de apuração de fevereiro/2006, detalhadamente e com prova documental, destacando, principalmente, os créditos utilizados na apuração do tributo. Ressaltese que não houve resposta à intimação nº 2. Por isso, o Despacho de diligência concluiu que a interessada não logrou êxito em comprovar o crédito alegado. Por fim, o despacho de encaminhamento atesta que após o prazo regulamentar, não houve aditamento ao Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10469.903724/200918 Acórdão n.º 3301003.092 S3C3T1 Fl. 14 5 Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A não homologação do PER/DCOMP se deu pelo fato de que à época da análise eletrônica da compensação declarada, a interessada ainda não havia entregue a DCTF retificadora e o dito pagamento estava, assim, totalmente apropriado ao débito originalmente declarado. Como relatado, no Recurso Voluntário, a Recorrente informa que o faturamento total de fevereiro/2006 foi de R$ 683.020,04 e que o faturamento sujeito à tributação da COFINS era somente de R$ 27.625,15. Dessa forma, a COFINS nãocumulativa informada e pleiteada pela Recorrente seria de R$ 476,68, calculada sob a alíquota de 7,6%, portanto, a base de cálculo utilizada teria sido a de R$ 6.272,10. Por isso, a Recorrente foi intimada para apresentar e comprovar os créditos subtraídos do faturamento tributável (R$ 27.625,15) para chegar à base de cálculo efetiva, de R$ 6.272,10. Foi comprovada nos autos a ciência dessa intimação, em 29/12/2015, mas o contribuinte não procedeu a essa demonstração. A prova a cargo do contribuinte tem como função especificar quais os produtos vendidos hortifrutigranjeiros (se classificados Capítulos 7 e 8 da TIPI), com seus valores e quantidades e sua destinação ao mercado interno, para que pudesse estar sujeita ao disposto no art. 28, da Lei 10.865/2004: Lei 10.865/2004 Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COF1NS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: (Vide Lei n° 11.727, de 2008) (...) III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI; e Na apuração de COFINS nãocumulativa, a prova da existência do direito de crédito indicado incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração por parte do contribuinte, deve a Fiscalização não efetuar a homologação da compensação. Em regra geral, considerase que o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito: Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10469.903724/200918 Acórdão n.º 3301003.092 S3C3T1 Fl. 15 6 CPC/1973 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor É do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Nesse sentido a lição de Fabiana Del Padre Tomé (A Prova no Direito Tributário. 3ª ed. São Paulo: Noeses, 2011, p. 264): A prova compete a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato afirmado. Por outro lado, se o autor apresenta provas do fato que alega, incumbe ao demandado fazer a contraprova, demonstrando fato oposto. Em processo tributário, por exemplo, se o Fisco afirma que houve determinado fato jurídico, apresentando documento comprobatório, ao contribuinte cabe provar a inocorrência do alegado fato, apresentando outro documento, pois a negativa se resolve em uma ou mais afirmativas. A empresa foi intimada a apresentar os documentos comprobatórios, o que não foi exercido. Sem o atendimento à diligência determinada pelo CARF, não há como comprovar os créditos da nãocumulatividade, porque não foram colocados à disposição para verificação. No caso presente, devese ainda acrescentar que tratase um pedido de iniciativa do próprio contribuinte (ressarcimento), para o qual, necessariamente, o mesmo deve possuir e apresentar as provas correspondentes. Isso porque a compensação tributária somente é possível, se demonstrada a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, conforme a prescrição do art. 170 do Código Tributário Nacional CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10469.903724/200918 Acórdão n.º 3301003.092 S3C3T1 Fl. 16 7 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Enfim, estáse diante da ausência de liquidez e certeza quanto ao suposto crédito contra a Fazenda Nacional, não cabendo a homologação do PER/DCOMP a ele vinculado. Conclusão Em vista disso, a Recorrente não logrou êxito em comprovar o crédito alegado, consequentemente a COFINS devida referente ao mês de fevereiro de 2006 permanece no valor originalmente pago e declarado, de R$ 18.404,01. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Fl. 1106DF CARF MF
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