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Numero do processo: 16024.000286/2007-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103-A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal.
DECADÊNCIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OCORRÊNCIA.
O prazo decadencial para o lançamento de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigação acessória conta-se de acordo com o art. 173, inc. I, do CTN.
RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2402-004.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecimento da decadência de parte do período lançado e adequação da multa remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. DECADÊNCIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OCORRÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigação acessória contase de acordo com o art. 173, inc. I, do CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 02 86 /2 00 7- 70 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecimento da decadência de parte do período lançado e adequação da multa remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada. Júlio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 2402004.363 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 19/09/2007 para exigir multa em virtude de ter a Recorrente deixado de informar nas GFIP’s todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. A Recorrente apresentou impugnação pleiteando a total insubsistência da autuação (fls. 153/187). A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou a impugnação improcedente (fls. 191/203), sob os argumentos de que: (i) o prazo para a constituição de créditos previdenciários é de 10 anos; (ii) o lançamento foi devidamente motivado; (iii) não se considera o pedido de perícia quando este é formulado sem os quesitos referentes aos exames desejados e nem indica o perito; e (iv) não houve cerceamento do direito de defesa. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 216/235), alegando que: (i) os débitos se encontram parcialmente decaídos; e (ii) deve ser realizada perícia, pois somente dessa forma seria possível conferir todo o trabalho fiscal, notadamente pelo fato de a fiscalização ter durado mais de dois meses. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Defende a Recorrente, inicialmente, que os débitos se encontram parcialmente decaídos. De acordo com as planilhas de fls. 20/23, verificase que os débitos exigidos se referem ao período de 01/1999 a 12/2003, tendo o presente lançamento sido constituído em 19/09/2007. Em relação ao tema, o Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. Assim, em se tratando de aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, tal como o presente caso, deve ser aplicada a regra geral de decadência prevista no art. 173, inc. I, do CTN1. Considerando que o lançamento foi constituído em 09/2007 (fl. 02), há que se reconhecer a decadência dos débitos relacionados ao período de 01/1999 a 11/2001, razão pela qual deve ser provido o recurso voluntário quanto a esta matéria. No mérito, não há como se dar provimento aos argumentos da Recorrente, porquanto os créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigação principal foram considerados procedentes pela DRJ no julgamento do PAF nº 16024.000283/200736, tendo a decisão dela se tornado definitiva em vista da perda de prazo para interposicao de recurso. 1 A jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é pacífica neste sentido: “MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DECADÊNCIA: O prazo decadencial para realização de lançamento com vistas à cobrança de multa regulamentar somente tem início no primeiro dia do ano seguinte ao da ocorrência da infração.” (CARF, PAF nº 10980.007811/200511, Recurso nº 336.813, 3ª Câmara, Rel. Luis Marcelo Guerra de Castro, Sessão de 27/03/2008) “Multa pelo atraso na entrega da DITR. Decadência. O CTN disciplina o prazo decadencial em dois dispositivos: no artigo 150, § 4o, específico para tributos pagos sem prévio exame da autoridade administrativa; e no artigo 173, inciso I, que alcança o lançamento das penalidades.” (CARF, PAF nº 10680.007018/200416, Recurso nº 334.722, 3ª Câmara, Rel. Tarásio Campelo Borges, Sessão de 23/05/2007) Fl. 244DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16024.000286/200770 Acórdão n.º 2402004.363 S2C4T2 Fl. 4 5 Por fim, cabe esclarecer que o presente caso abrange penalidade não mais vigente em nosso ordenamento, tendo em vista que o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 foi revogado pelo art. 79 da Lei nº 11.941/2009. Com o advento da referida lei, a infração de que trata o presente processo passou a ser regulamentada pelo art. 32A, inc. I, da Lei nº 8.212/19912. Tal norma leva em consideração somente a quantidade de erros formais que o contribuinte comete ao preencher suas declarações acessórias (R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas) e não a aplicação do percentual de 100% sobre o valor devido relativo à contribuição não declarada. Sendo assim, em respeito à retroatividade benigna de que trata o art. 106, inc. II, “c”, do CTN, é mister que a presente multa seja recalculada, a fim de que seja imposta a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Outro não é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “(...) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PENALIDADE GFIP OMISSÕES INCORREÇÕES RETROATIVIDADE BENIGNA. A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituise violação à obrigação acessória prevista no artigo32, inciso IV , da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do §5° ,do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo32A da Lei n° 8.212/91,o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional.Recurso especial provido em parte.” (CARF, CSRF, 2ª Turma, PAF nº 36378.002129/200615, Acórdão nº 920201.636, Red. Des. Gonçalo Bonet Allage, Sessão de 25/07/2011) Ante todo o exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para determinar que os créditos tributários exigidos nas competências de 01/1999 a 11/2001 sejam extintos pela decadência, bem como para que a penalidade remanescente seja recalculada com base no atual art. 32A, inc. I, da Lei nº 8.212/1991 (com redação dada pela Lei nº 11.941/2009), de modo que seja aplicada a 2 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...)” Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 penalidade que for mais benéfica, em vista do instituto da retroatividade benigna previsto no art. 106, inc. II, “c”, do CTN. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 13897.000704/2003-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
PIS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.637/02.
Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos - exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida - é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que davam provimento.
Valmar Fonseca de Menezes Presidente substituto.
Maria Teresa Martínez López- Relatora
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 05/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antonio Lisboa Cardoso (substituto convocado) e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente) e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PIS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.637/02. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos - exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida - é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que davam provimento. Valmar Fonseca de Menezes Presidente substituto. Maria Teresa Martínez López- Relatora NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 05/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antonio Lisboa Cardoso (substituto convocado) e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente) e Susy Gomes Hoffmann.
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INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.637/02. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que davam provimento. Valmar Fonseca de Menezes – Presidente substituto. Maria Teresa Martínez López Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 7. 00 07 04 /2 00 3- 38 Fl. 592DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 05/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antonio Lisboa Cardoso (substituto convocado) e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente) e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em sessão plenária de 5 de fevereiro de 2009, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes julgou o recurso voluntário nº. 155.150, oportunidade em que o Colegiado decidiu, por maioria de votos, em dar parcial provimento à parte conhecida do recurso, para reconhecer o direito ao ressarcimento de créditos de PIS quanto à indumentária. A decisão está consubstanciada no Acórdão nº 20181.736, que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Plano de Integração Social — PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito de PIS/Cofins. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. OUTRAS DESPESAS. Por falta de previsão legal, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins as despesas realizadas ou incorridas que não se enquadrem no conceito de insumo, exceto as previstas na legislação. Recurso voluntário provido em parte. Cientificado da r. decisão, em 20/11/2009 (fl. 496), vem a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em sede de Recurso Especial (art. 40 da Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 2 256, de 22 de junho de Fl. 593DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13897.000704/200338 Acórdão n.º 9303002.218 CSRFT3 Fl. 14 3 2009 RICARF, combinado com o art. 56, inc. II, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n 2 147, de 25 de junho de 2007 RICC, e art. 70, inc. I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 2 147, de 25 de junho de 2007 RICSRF), fls. 499 a 508, protocolado em 23/11/2009 (cópia da R.M. na fl.498), requerer reforma da decisão proferida no recurso voluntário. Em síntese, a PFN entende que, ao reconhecer o direito ao crédito da contribuição sobre a indumentária, sob a consideração de que se trata de insumo de uso obrigatório, o acórdão recorrido ofendeu o art. 3º , inc. II, da Lei n° 10.833, de 2003. Sob o entendimento de estarem cumpridos os requisitos legais (tempestividade e suposta contrariedade à lei), por meio do Despacho de nº 069, de fls. 509/510, o recurso especial foi admitido à esta E. CSRF. A interessada apresentou contrarrazões onde em apertada síntese pede pelo não provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. A matéria diz respeito a se a indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes, insumo indispensável ao processo produtivo, gera ou não, direito a crédito de PIS – regime da não cumulatividade da contribuição. Consta das razões de decidir do voto guerreado os excertos a seguir transcritos: Quanto às despesas com indumentárias, concordo com a recorrente quando afirma que representam produtos intermediários, necessários à produção por força de exigência de autoridade sanitária. A indumentária usada pelos operários na fabricação de alimentos não se confunde com fardamento/uniforme, este é de livre uso e escolha de modelo pela empresa e aquele é de uso obrigatório e deve seguir modelos e padrões estabelecidos pelo Poder Público. Defende, a D. PGFN a aplicabilidade do Parecer Normativo nº 65/79. A jurisprudência atual do CARF, de modo acertada, tem afastado a interpretação restrita do mencionado ato legal ao IPI. A matéria, de interesse inclusive, do mesmo contribuinte, recebeu análise favorável à Doux Frangosul quando em julgamento por esta E. CSRF. Nesse sentido, reporto me aos Acórdãos nºs. 930301.740 (COFINS) e 930301.741 (PIS), julgados na sessão de Fl. 594DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 Novembro de 2011, de relatoria da Conselheira Nanci Gama, cujos excertos do voto reproduzo a seguir: Com efeito, colocase a questão de saber, digase, nada inédita no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, qual o alcance, a extensão, do termo insumo utilizado no artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, de forma a assegurar o contribuinte o seu abatimento no cálculo do montante devido de PIS, diante do regime da nãocumulatividade de referida exação fiscal. Antes, porém, de tratarmos diretamente da questão, entendo pertinente lembrar que o PIS, tal como a COFINS, são tributos que recaem sobre a produção de bens e serviços, o que é facilmente perceptível em decorrência de sua própria base de cálculo: receita bruta de bens e serviços auferida pelos contribuintes. Até a edição da Lei nº 10.637/2002, a contribuição ao PIS revestia natureza cumulativa ou “em cascata”, mediante a qual o tributo pago incorporavase ao custo de produção das pessoas jurídicas situadas nas fases subseqüentes do ciclo produtivo, sem que, fosse possível abater o tributo pago nas etapas antecedentes. Inegável, portanto, que a Lei 10.637/2002, ao introduzir na sistemática da contribuição ao PIS a possibilidade do abatimento de determinados créditos, eliminou ou ao menos abrandou, o caráter então cumulativo de referida contribuição. A Lei nº 10.637/02 adotou, pelo que se constata do já transcrito art. 3º, o método imposto sobre imposto, tax on tax, ao determinar que, na apuração do tributo devido sobre a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, sejam descontados créditos correspondentes ao valor resultante da aplicação da alíquota a certos dispêndios efetuados pelo contribuinte na aquisição de bens e serviços e na realização de custos e despesas afetos à realização da receita tributável. E a meu ver são esses dispêndios, esses custos e despesas, utilizados na produção ou fabricação de bens, que se encontram compreendidos na termo insumo empregado no artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/02, e dão a este o seu correto significado. E quais são esses dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo? Entendo que sejam todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pelas contribuições ao PIS e COFINS. Vejase o texto da Lei: (...) “créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Em minha opinião, o texto do artigo 3º da Lei 10.637/2002, bem assim da Lei 10.833/2003, não poderia ser mais específico ao regrar os créditos suscetíveis de abatimento pelo contribuinte. É evidente que não se tem como enumerar todos os eventos capazes de gerar crédito, mas diante do que dispõe a lei para identificar se o dispêndio é suscetível de abatimento, se o mesmo Fl. 595DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13897.000704/200338 Acórdão n.º 9303002.218 CSRFT3 Fl. 15 5 se consubstancia em insumo, basta verificar se o mesmo corresponde a resposta afirmativa da seguinte indagação: o dispêndio é indispensável à produção de bens ou à prestação de serviços geradores de receitas tributáveis pelo PIS ou pela COFINS não cumulativos? Se sim, o direito de crédito do contribuinte, a meu ver, é inquestionável. A confusão sobre o conceito de insumo empregado no texto da lei que regem o PIS e a COFINS surge com a edição da Instrução Normativa 247/02, na redação da pela IN SRF 358/03, que limitou a extensão do referido termo a interpretação conferida pela legislação do IPI,.como se verifica no artigo 66, parágrafo 5º, segundo o qual: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A impropriedade do conceito de insumo adotado pela Instrução Normativa 247/02 se destaca, na medido que o mesmo, inegavelmente, encontrase associado à materialidade do IPI que é o produto industrializado, e não a receita do contribuinte, como se impõe, tratandose de contribuições incidentes sobre esta realidade e não sobre aquela. Vejase que nos termos da referida Instrução são insumos, geradores de créditos, tão somente os bens que venham a sofrer “alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação”. Neste sentido, Marco Aurélio Grecco muito bem expõe, em parecer publicado pela IOB Thomson, ao dizer: Fl. 596DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 “Não se pode olvidar que estamos perante contribuição cujo pressuposto de fato é a “receita”, portanto, a não cumulatividade em questão existe e deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita. Esta afirmação, até certo ponto óbvia, traz em si o reconhecimento de que o referencial das regras legais que disciplinam a nãocumulatividade de PIS/COFINS são eventos que dizem respeito ao processo formativo que culmina com a receita, e não apenas eventos que digam respeito ao processo formativo de um determinado produto. Realmente, enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos de caráter físico a ele relativos, o processo formativo de um receita aponta na direção de todos os elementos (físicos ou funcionais) relevantes para sua obtenção. Vale dizer, o universo de elementos captáveis pela nãocumulatividade de PIS/COFINS é mais amplo do que aquele, por exemplo, do IPI.” (Não – Cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS, Coordenador Leandro Paulsen, págs. 101/122, ED. IOB THOMSON) Por oportuno ressalto que do mesmo modo que entendo que dão direito ao abatimento, na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, os dispêndios afetos, na linguagem de Marco Aurélio Grecco, ao pressuposto de fato destas contribuições, receitas, não entendo correto adotar o conceito de insumo aplicável ao imposto de renda, cujo pressuposto é daquele distinto. Penso, por exemplo, que os gastos de um contribuinte industrial com material administrativo, papel, canetas, cartuchos de tinta, etc., necessários para o desenvolvimento de seu objeto social, não são dispêndios suscetíveis de abatimento do PIS e da COFINS, eis que não são indispensáveis para a sua produção. Logo, repito, não acolho a definição de insumo para efeito do PIS e da COFINS, o conceito da legislação do imposto de renda, não obstante referidos dispêndios, eventualmente, possam também se encontrar inseridos em referida definição. Feitos esses esclarecimentos, quanto à indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos, tratandose, portanto, de exigência sanitária que deve obrigatoriamente ser cumprida para viabilizar a fabricação de carnes, não vejo como deixar de considerála como insumo inerente à produção da indústria avícola. Vale considerar que, conforme muito bem esclarecido pelo acórdão a quo, “a indumentária usada pelos operários na fabricação de alimentos não se confunde com o fardamento/uniforme”, eis que os uniformes seriam “de livre uso e escolha de modelo pela empresa”, enquanto que a indumentária “é de uso obrigatório e deve seguir modelos e padrões estabelecidos pelo Poder Público”. Ademais, caso a mesma não seja utilizada, a produção pode ser paralisada por ato do poder público, o que a eleva a categoria de dispêndio indispensável à produção. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13897.000704/200338 Acórdão n.º 9303002.218 CSRFT3 Fl. 16 7 Penso equivocado utilizar tão somente os conceitos da legislação do IPI que definem para o imposto os termos matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, espécies do gênero insumo, como paradigma na aplicação da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, quando a legislação própria em momento algum utiliza tais termos. O Parecer Normativo nº 65/79, alterou um posicionamento anterior sobre as regras que tratavam do direito de crédito no âmbito do IPI, em razão da alteração legislativa no RIPI/72 perpetrada pelo Decreto nº 83.263, de 09 de março de 1979 (RIPI/79). Eis o que diz a ementa do referido Parecer Normativo, a saber: “A partir da vigência do RIPI/79, "ex vi" do inciso I de seu art. 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CST nº 181/74.” De acordo com o inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72 (RIPI), o crédito de IPI dependia do consumo imediato e integral do produto. O novo regramento à época (RIPI/79), por sua vez, deixou de prever esta restrição, ampliando o próprio conceito de matériaprima, produto intermediário "stricto sensu", e material de embalagem, para abarcar outros bens equivalentes que sofram alteração no processo de produção. Eis o que diz o Parecer: “10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos "que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em "incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão "consumidos", sobretudo levandose em conta que as restrições "imediata e integralmente", constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida).” É importante novamente ressaltar que o mencionado Parecer Normativo, argüido pela PGFN, diz respeito ao conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem (para efeito de crédito básico), mas não define o conceito de insumo1 . A legislação do IPI estabeleceu apenas uma definição legal dos termos (i) matériaprima, (ii) produto intermédio e (iii) material de embalagem, que pode variar de acordo com a norma legal. Esses termos podem ser estipulados pelo legislador de forma estrita, como no RIPI/72 ou de forma mais ampla, com a alteração do RIPI/79. A definição legal pode, ainda, ser delimitada em razão da aplicação do Direito aos casos concretos, que demandam uma interpretação específica e uma decisão do caso em concreto à luz da nãocumulatividade prevista na Constituição. Como resultante, temse que a depender do bem, a discussão se confere ou não crédito para efeito da nãocumulatividade pode variar. Cada caso deve ser analisado segundo as suas características. No entanto, podese dizer que quando a legislação do IPI utiliza o termo insumo, o faz em substituição aos termos específicos matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. O faz, por exemplo, no artigo 42 do RIPI/10, ao dispor que podem sair com suspensão “as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem destinados à industrialização, desde que os produtos industrializados sejam enviados ao estabelecimento remetente daqueles insumos” (inciso VI). Nesse sentido, penso correto se dizer que matériaprima, produto intermediário e material de embalagem são espécies do gênero insumo, mas daí a dizer que o conceito de insumo restringese apenas àquelas três espécies, é contrariar a natureza das coisas. Não é possível estabelecer uma sistemática de nãocumulatividade similar àquela aplicável ao IPI e ao ICMS, até porque o pressuposto de fato se mostra distinto, como reconhece Marco Aurélio Greco, em brilhante estudo sobre a matéria: "Embora a nãocumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS, a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação das normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e 1 Insumo, segundo o Dicionário Houaiss, constitui “cada um dos elementos (matériaprima, equipamentos, capital, horas de trabalho etc.) necessários para produzir mercadorias ou serviços”. Para o Dicionário Michaellis insumo “designa todas as despesas e investimentos que contribuem para a obtenção de determinado resultado, mercadoria ou produto até o acabamento ou consumo final”. O Dicionário Aulete, o conceitua como “cada um dos elementos ou fatores (como máquinas e equipamentos, energia, trabalho ou mão de obra) envolvidos na produção de mercadorias ou serviços.” Fl. 599DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13897.000704/200338 Acórdão n.º 9303002.218 CSRFT3 Fl. 17 9 c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto de "receita" e não "produto". Além disso, a constatação de que o ponto de partida constitucional é outro implica em o sentido das normas que compõem o subordenamento do PIS/COFINS, ainda que eventualmente utilizem as mesmas palavras utilizadas no âmbito do IPI, serem também diferentes. O significado não é algo que se agregue indissociavelmente à palavra – como já o demonstrou Alf Ross no seu clássico TûTû. O significado é evocado no interlocutor e determinado pelo contexto em que utilizada a palavra. No caso, o significado das palavras utilizadas nas leis examinadas é definido pelo respectivo pressuposto de fato constitucionalmente qualificado. A palavra utilizada num contexto cujo pressuposto de fato é a receita assume sentido e alcance diferente do que resulta do contexto em que o pressuposto de fato é o produto industrializado ou a circulação de mercadoria."(Não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS, p. 108109) É fundamental para se dirimir a questão posta nos autos, utilizar as regras da hermenêutica jurídica que fixam o “instrumento a ser utilizado pelo intérprete para alcançar o núcleo semântico da norma”, de modo a interpretar as normas legais atinentes à não cumulatividade do PIS e da COFINS. A hermenêutica, em apertada síntese, elenca os seguintes métodos interpretativos: o gramatical, que diz respeito à forma do texto e significado das palavras; o lógico, que, pelo raciocínio, busca encontrar o pensamento jurídico subjacente à edição da lei e esclarecer sua finalidade, através da perquirição acerca da sua razão e da sua intenção; o histórico, caracterizado pela investigação de elementos históricos subjacentes à edição da lei, os motivos pelos quais os legisladores editaram a lei; o sistemático, aquele em que se confronta o dispositivo legal com as outras normas, visando à manutenção da unidade do sistema previsto no ordenamento jurídico; e o teleológico, que se caracteriza pela busca da finalidade da norma, ou seja, a finalidade da edição da lei. Esses métodos de interpretação constituem os parâmetros delimitadores da subjetividade do intérprete, de modo a evitar juízos sem a devida fundamentação ou justificativa e, portanto, arbitrários do ponto de vista jurídico, na medida em que afastam, ou melhor, não permitem o controle de sua verossimilhança. Veja que o controle é da verossimilhança e não da verdade, que é estranha ao direito. Buscase o justo e não o verdadeiro, sendo que “o sentido do justo comporta sempre mais de uma solução [Heller]”, daí Eros Grau sustentar que a interpretação do direito é uma prudência, pois, o intérprete pratica a juris prudentia, e não juris scientia. Segundo Eros, o: “intérprete atua segundo a lógica da preferência, e não conforme a lógica da conseqüência [Comparato]: a lógica jurídica é a da escolha entre várias possibilidades corretas. Interpretar um texto normativo significa escolher uma entre várias interpretações possíveis, de modo que a escolha seja apresentada como adequada [Larenz]. A norma não é objeto de demonstração, mas de justificação. Por isso a alternativa Fl. 600DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 verdadeiro/falso é estranha ao direito; no direito há apenas o aceitável (justificável). Mas esta prudência recomenda que seja a interpretação adequada a algumas pautas, assim elencada por Grau: (i) a primeira relacionada à interpretação do direito no seu todo; (ii) a segunda, à finalidade do direito; (iii) a terceira, aos princípios. A primeira das pautas emana que a interpretação leve em consideração o direito como um todo, não de textos isolados, desprendidos. Daí a celebre frase de Eros Grau de que “não se interpreta o direito em tiras, aos pedaços.” Assevera o ilustre Professor paulista que “a interpretação de qualquer texto de direito impõe ao intérprete, sempre, em qualquer circunstância, o caminhar pelo percurso que se projeta a partir dele – do texto – até a Constituição. Um texto de direito isolado, destacado, desprendido do sistema jurídico, não expressa significado normativo algum.” Com essa pauta, alcançaríamos a necessária coerência do ordenamento jurídico, pois, na dicção de Bobbio (1996), “num ordenamento jurídico não devem existir antinomias” 2, como condição de justiça do próprio ordenamento. 3 É certo que existem normas jurídicas incoerentes, mas há regras que visam justamente dirimir os conflitos das leis.5 Portanto, não é dado ao intérprete produzir algo que leve a incoerência do ordenamento. Muito pelo contrário, seu trabalho precípuo é construir conceitos tratando o ordenamento como um sistema harmônico, como uma unidade, pois, o “direito objetivo, de facto, não é um aglomerado caótico de disposições, mas um organismo jurídico, um sistema de preceitos coordenados ou subordinados, em que cada um tem o seu porto próprio, conforme ensina Ferrara (2002) 4 . A coerência não é condição de validade, mas é sempre condição para a justiça do ordenamento. É evidente que quando duas normas contraditórias são ambas válidas, e pode haver indiferentemente a aplicação de uma ou outra, conforme o livrearbítrio daqueles que são chamados a aplicálas, são violadas duas exigências fundamentais em que se inspiram ou tendem a inspirarse os ordenamentos jurídicos: a exigência da certeza (que corresponde ao valor da igualdade). Onde existem duas normas antinômicas, ambas válidas, e portanto ambas aplicáveis, o ordenamento jurídico não consegue garantir nem a certeza, entendida como possibilidade, por parte do cidadão, de prever com exatidão as conseqüências jurídicas da própria conduta, nem a justiça, entendida como o igual tratamento das pessoas que pertencem à mesma categoria. A segunda pauta diz respeito à finalidade. Com arrimo em Von Jhering, diz Eros que “a finalidade é o criador de todo o direito e não existe norma ou instituto jurídico que não deva sua origem a uma finalidade”, concluindo que “a “contemplação, no sistema jurídico, de normasobjetivo importa a introdução, na sua “positividade”, de fins aos quais ele – o sistema – está voltado. A pesquisa dos fins da norma, desenrolada no contexto funcional, tornase mais objetiva; a metodologia teleológica repousa em terreno firme.” A terceira e última pauta da interpretação como prudência, requer que o intérprete esteja vinculado pelos princípios, asseverando Grau que “a interpretação do direito deve ser dominada pela força dos princípios; são eles que conferem coerência ao sistema.” 2 Norberto Bobbio, Teoria do Ordenamento Jurídico. 8. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1996, p. 110 3 Idem, Ibidem, p. 113 4 Francesco Ferrara, Como aplicar e interpretar as leis, trad. Joaquim Campos Miranda – Belo Horizonte: Líder, 2002. p. 37 Fl. 601DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13897.000704/200338 Acórdão n.º 9303002.218 CSRFT3 Fl. 18 11 As regras da hermenêutica e as pautas da interpretação como prudência, que em minha opinião se complementam, dão à interpretação a qualificação de jurídica e a necessária verossimilhança. Mas é importante frisar, para encerrar este tópico, que há limites à interpretação. Celso Bastos ensina que “a interpretação aparece diante do juiz como se fosse um quadro, ou melhor, uma moldura, dentro da qual o intérprete tem a faculdade de exercer a sua escolha, sendo que qualquer que seja a sua opção desde que dentro deste perímetro ela é válida. Todavia, se a escolha recair fora deste quadro, será inválida.” O que delimita a moldura é o texto normativo, como assevera Eros Grau: “Todo intérprete, embora jamais esteja submetido ao “espírito da lei” ou à “vontade do legislador”, estará sempre vinculado pelos textos normativos, em especial – mas não exclusivamente – pelos que veiculam princípios (e faço alusão aqui, também, ao “texto” do direito pressuposto). Ademais, os textos que veiculam normasobjetivo reduzem a amplitude da moldura do texto e dos fatos, de modo que nela não cabem soluções que não sejam absolutamente adequadas a essas normasobjetivo.” Feitas as considerações preliminares acima é importante notar que o crédito de PIS e COFINS não é sobre “insumo”. Em momento algum a norma legal diz isso. O crédito é sobre bens e serviços adquiridos e custos, despesas e encargos incorridos, pagos ou creditados. Basta uma leitura perfunctória pelos dispositivos das Leis 10.637/02 e 10.833/03 para verificar que o crédito sempre está ligado à aquisição de bens e serviços ou de um custo, despesa ou encargo. O § 3º do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, é expresso neste sentido ao explicitar que o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Voltando ao exame do recurso interposto pela D. PGFN, penso acertada a conclusão da decisão recorrida. Vejase que a contribuinte, para atender as exigências contidas na legislação editada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA (conforme IN nº 1, de 11/04/94, da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho), adquiriu vestimentas, calçados, luvas, capacetes e outros itens para a indumentária de seus empregados, na atividade produtiva da empresa. As vestimentas e demais acessórios adquiridos pela ora interessada para o emprego na atividade produtiva da empresa são despesas cujos créditos podem ser descontados, na forma do art. 3 º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Nem se diga que não sofrem notáveis desgastes no processo produtivo, sendo, pois, necessária a reiterada reposição dos mesmos, haja vista se tratar de exigência contida na legislação editada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA. A finalidade condicionante do crédito estipulada pelo legislador foi a de que o bem ou serviço seja utilizado/empregado “como insumo”. No contexto do dispositivo o termo “como” expressa uma equivalência, uma semelhança, tratandose de uma conjunção Fl. 602DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 12 comparativa. Isto que dizer, no contexto, que o bem ou serviço não são necessariamente insumos, mas “utilizados como insumo”. Há uma diferença substancial de ser insumo ou ser utilizado como insumo. O sentido funcional de insumos não discrepa do sentido econômico, constituindo insumos os bens e serviços utilizados na produção de outros bens ou serviços, também denominados de fatores de produção, abarcando as matériasprimas, bens intermediários, uso de equipamentos, capital, horas de trabalho, energia e etc. De acordo com Robert S. Pindyck e Daniel L Rubinfeld, professores, respectivamente, da M.I.T (Massachusetts Institute of Technolog) e da Universidade da Califórnia, em sua festejada obra sobre Microeconomia, asseveram: “Durante o processo produtivo, as empresas transformam insumos, também denominados fatores de produção, em produtos. Os fatores de produção são tudo aquilo que a empresa utiliza no processo produtivo. Em uma padaria, por exemplo, os insumos incluem o trabalho; matériasprimas, como farinha e açúcar; e o capital investido nos fornos, batedeiras e em outros equipamentos necessários à produção de pães, bolos e confeitos. Como se vê, podese dividir os insumos em amplas categorias de trabalho, matériasprimas e capital, podendo cada uma dessas incluir subdivisões mais limitadas. O trabalho abrange os trabalhadores especializados (carpinteiros, engenheiros) e os não especializados (trabalhadores agrícolas), bem como os esforços empreendedores dos administradores da empresa. As matériasprimas incluem o aço, o plástico, a eletricidade, a água e quaisquer outros materiais que a empresa adquira e transforme em produto final. O capital inclui o terreno, as instalações, a maquinaria e outros equipamentos, bem como os estoques.” O conceito jurídico adota o sentido econômico de insumo, consoante Maria Helena Diniz, que diz ser insumo: “1. Despesa e investimentos que contribuem para um resultado, ou para a obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final. 2. É tudo aquilo que entra (input), em contraposição ao produto (output), que é o que sai. 3. Tratase da combinação de fatores de produção, diretos (matériaprima) e indiretos (mãodeobra, energia, tributos), que entram na elaboração de certa quantidade de bens ou serviços. DINIZ, Maria Helena. Dicionário jurídico, vol. 2. São Paulo: Saraiva, 1998, p. 870 Pois bem, os insumos do ponto de vista econômico e jurídico podem ser divididos em várias categorias. Mas o que importa ao presente caso é a divisão de insumos como fatores de produção diretos e indiretos. Os insumos diretos são, por exemplo, as matérias primas, e os indiretos, neste caso, as indumentárias. Os fatores de produção direitos podem ser, por sua própria natureza, tidos como insumo. Os fatores de produção indiretos são insumos, não pela sua natureza, mas sim por equivalência. As indumentárias representam, insumos indiretos os quais são necessários à produção, porém, de forma indireta, não se agregando, sob qualquer forma, ao produto final. De mais a mais, lembrase que a indumentária tratase de requisito básico para a produção dos bens em face de determinação imposta pela legislação da ANVISA. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13897.000704/200338 Acórdão n.º 9303002.218 CSRFT3 Fl. 19 13 Diante do exposto, a exemplo dos precedentes desta E. CSRF, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Maria Teresa Martínez López Fl. 604DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 19647.010631/2006-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2004
DRAWBACK - SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DO REGIME.
Considera-se cumprido o compromisso de exportação quando efetivamente há exportação de produtos na quantidade, qualidade e no prazo pactuado, sendo irrelevantes eventuais falhas e omissões cometidas pelo contribuinte no preenchimento dos registros de exportação.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-003.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan, que apresentaram declaração de voto conjunta.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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COMPROVAÇÃO DO REGIME. Considerase cumprido o compromisso de exportação quando efetivamente há exportação de produtos na quantidade, qualidade e no prazo pactuado, sendo irrelevantes eventuais falhas e omissões cometidas pelo contribuinte no preenchimento dos registros de exportação. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan, que apresentaram declaração de voto conjunta. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 06 31 /2 00 6- 63 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digita lmente em 04/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Tratase de autos de infração com ciência pessoal do contribuinte em 27/11/2006 para exigir o crédito tributário relativo ao II e IPI, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de cumprimento do regime de drawback. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal, a empresa, por meio da DI 04/12946640, de 17/12/2004, submeteu a despacho aduaneiro sob regime de drawback suspensão 16.347,137 toneladas de melaço de canadeaçúcar. Por meio do ato concessório 20040299244, de 30/11/2004, a empresa se comprometeu a exportar 3.818.000,00 litros de álcool etílico de melaço de canadeaçúcar até 05/05/2005. Entretanto a Secex comunicou à Receita Federal o inadimplemento total do regime, conforme documento de fl. 14. Em sede de impugnação, o contribuinte, alegou, em síntese, que com o melaço que importou sob o regime de drawback, produziu 3.760.000 litros de álcool, que foram exportados por meio dos RE 05/0437291 e 05/0644594), que acompanham a impugnação, nos quais alega que foi informado o número do ato concessório. Informou que adquiriu apenas 16.347,137 toneladas de melaço e que cada tonelada dessa matériaprima permite produzir 230 litros de álcool. Assim, os 3.760.000 litros exportados configuram o cumprimento do regime, a teor do que estabelece o art. 159, I da Portaria Secex nº 14/2004. Por meio do Acórdão 36.420, de 21 de março de 2012, a DRJ Recife julgou a impugnação improcedente em julgado que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 17/12/2004 DRAWBACK MODALIDADE SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DOS COMPROMISSOS. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. Sob o regime da tipicidade cerrada, o reconhecimento da isenção decorrente da aplicação do Regime de Drawback exige a comprovação, não apenas do adimplemento do compromisso de exportação, como do cumprimento de todos os requisitos formais estabelecidos na legislação, inclusive aqueles ditados pela Secretaria de Comércio Exterior, que detém a competência para concessão do regime. Regularmente notificado daquele Acórdão em 11/04/2012, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 11/05/2012, no qual reprisou as alegações de impugnação e contestou pontos específicos do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Conforme informação fiscal de fl. 96 a autoridade administrativa informou que o recurso voluntário foi autuado no processo 10480.725946/201222, que foi apensado a este processo. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digita lmente em 04/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19647.010631/200663 Acórdão n.º 3403003.362 S3C4T3 Fl. 6 3 Verificandose a data de protocolo do processo 1048.725946/201222, constatase que o recurso foi apresentado no dia 11/05/2012, o que confirma a sua tempestividade. Considerando que o recurso voluntário preenche os demais requisitos formais de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O ponto central da discórdia é a acusação de inadimplemento do ato concessório 20040299244, informada pelo Secex por meio do documento de fl. 14 nos seguintes termos: O referido comunicado indica o inadimplemento total do regime, com base no art. 162 da Portaria Secex nº 14, de 17/11/2004. A data correta é 17/11/2004 e não 2005, como constou no comunicado. A leitura do referido art. 162 revela que o inadimplemento é total, "quando não houver nenhuma exportação que comprove a utilização da mercadoria importada." Pelos teores da defesa e do acórdão de primeira instância, presumese que a Secex expediu o comunicado acima porque o contribuinte não vinculou o ato concessório aos RE citados na impugnação. Tal inclusão teria sido feita posteriormente e em campo inapropriado para tal fim. Desse modo, a falta de vinculação do RE ao ato concessório impediu o Secex de fazer a "fiscalização eletrônica" pelo sistema. Tivesse o contribuinte efetuado essa vinculação no momento oportuno, este processo fiscal não existiria. Não há como concordar com a decisão de primeira instância. Embora o Secex tenha competência para conceder ou não o regime e para dizer se o regime foi ou não adimplido, estamos diante um processo administrativo fiscal de exigência de crédito tributário de tributos que foram suspensos na importação. E essa matéria a suspensão e a exigência de tributos é que está sendo discutida neste processo. A discussão quanto ao inadimplemento do ato concessório 20040299244 é um antecedente lógico à exigência formulada neste processo. E sendo assim, a Receita Federal e os órgãos administrativos de julgamento devem verificar se o fato que deu origem ao inadimplemento do regime justifica ou não a exigência dos tributos suspensos na importação. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digita lmente em 04/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 O art. 78, II, do Decretolei nº 37/66 estabelece que no drawback suspensão, a suspensão dos tributos na importação está condicionada ao beneficiamento, à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra mercadoria a ser exportada. No mesmo sentido, são os arts. 335 e 336 do RA/2002. Em outras palavras, a condição a ser cumprida pelo contribuinte aplicar a mercadoria importada com suspensão na produção de outra que deverá ser efetivamente exportada. Não existe nenhum dispositivo na lei ou no decreto que diga que a não vinculação do RE ao ato concessório é causa de inadimplemento do regime. Essa falta de vinculação fez com que a Secex presumisse o inadimplemento do regime, pois sem a indicação dos atos concessórios nos RE não foi possível fazer a conferência pelo Siscomex. Mas presumir o inadimplemento por uma omissão do contribuinte ao preencher os formulários no sistema, não significa que as exportações não ocorreram dentro do prazo. E essa verificação, no sentido da aferição das exportações, das quantidades exportadas e do prazo em que foram exportadas, pode ser feita pela fiscalização aduaneira, pois se trata de matéria da sua competência. É para isso que existe a fiscalização aduaneira. No caso concreto, o contribuinte trouxe aos autos os RE averbados no sistema, que constituem a prova da exportação das mercadorias, a teor dos arts. 50 e 51 da IN SRF nº 28/94. O resumo do ato concessório encontrase na fl. 14. Nesse documento verificase que o contribuinte estava autorizado a importar 16.600,00 toneladas de melaço de canadeaçúcar para produzir e exportar, até 05/05/2005, 3.818.000,00 litros de álcool etílico. Esses números permitem apurar que é necessário uma tonelada de melaço de canadeaçúcar para produzir 230 litros de álcool etílico. Nas fl. 18/20 se pode constatar que houve a importação de 16.347,137 toneladas de melaço de canadeaçúcar no dia 17/12/2004. Com 16.347,137 toneladas de melaço é possível produzir 3.759.839,90 litros de álcool, que deveriam ser exportados até o dia 05/05/2005. Na fl. 52 constatase que por meio do RE 05/0437291, registrado em 28/03/2005, foram exportados 3.205.000,00 litros de álcool e na fl. 58, por meio do RE 05/0644594, registrado em 02/05/2005, verificase que foram exportados mais 2.673.173,000 litros, totalizando 5.878.173,000 litros, o que confirma o cumprimento do regime por parte do contribuinte. Os dois RE acima citados estão averbados no sistema, conforme determina o art. 51 da IN SRF nº 28/94. Tendo o contribuinte comprovado que exportou na quantidade e no prazo do ato concessório, não há como se manter o lançamento dos tributos suspensos, com base no comunicado do Secex expedido por via eletrônica. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 102DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digita lmente em 04/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19647.010631/200663 Acórdão n.º 3403003.362 S3C4T3 Fl. 7 5 Declaração de Voto Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan, Cingese a lide à controvérsia acerca do adimplemento do compromisso de exportar, em razão da não vinculação dos atos concessórios Drawbacksuspensão aos respectivos registros de exportação. O voto condutor da decisão julgou suficiente que o contribuinte comprovasse que exportou na quantidade e no prazo do Ato Concessório n° 20040299244 para considerar adimplido o compromisso assumido, ao arrepio da opinião da SECEX, consignada no informe de fl. 14. Entretanto, o Comunicado DECEX n° 21/97, que consolidava as normas do Regime de Drawback, no Capítulo V, que tratava da comprovação desse regime, na modalidade suspensão, item 19.1, já estabelecia que somente seriam aceitos Declaração de Importação e Registro de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drawback. As alterações promovidas pelo Comunicado DECEX n° 2, de 31/01/2000 (D.O.U de 1/2/00, Seção III, pág. 27), ratificaram essa exigência, no item 19.5. Confirase (negritos na transcrição): CAPITULO V – COMPROVAÇÕES TÍTULO 19 Modalidade Suspensão 19.1 Para comprovação do Regime de Drawback, na modalidade suspensão, as empresas utilizarão o Relatório Unificado de Drawback, identificando os documentos eletrônicos registrados no SISCOMEX, relativos às operações de importação e exportação, bem como as Notas Fiscais de venda no mercado interno, vinculadas ao Regime, ficando as empresas dispensadas de apresentar documentos impressos. 19.1.1 A empresa deverá preencher o Relatório Unificado de Drawback conforme modelo constante do Anexo IX desta Consolidação das Normas de Drawback. 19.2 Para eventual verificação pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX), as empresas deverão manter registrados, em seus sistemas eletrônicos, as Declarações de Importação (DI), os Registros de Exportação (RE) e os Registros de Exportação Simplificados (RES), averbados, bem como manter em seu poder as Notas Fiscais de venda no mercado interno, nos casos previstos neste Comunicado, pelo prazo de 5 (cinco) anos. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digita lmente em 04/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 19.3 Para fins de comprovação do Regime, os Registros de Exportação Simplificados (RES) deverão estar emitidos em nome da própria empresa beneficiária do Ato Concessório. 19.3.1 A utilização desse documento poderá ser efetuada por empresa beneficiária de Atos Concessórios cuja soma dos compromissos de exportação não ultrapasse o montante de US$ 120.000,00 (cento e vinte mil dólares norteamericanos) no ano civil. 19.4 Os documentos utilizados nas importações e exportações amparadas pelo Regime de Drawback deverão estar vinculados a apenas um Ato Concessório. 19.5 As Declarações de Importação (DI) e os Registros de Exportação (RE) indicados no Relatório Unificado de Drawback deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório em processo de baixa. 19.6 Não serão aceitos para comprovação do Regime, Registros de Exportação (RE) que possuam um único CNPJ vinculado a mais de um Ato Concessório de Drawback. 19.7 Para fins de comprovação, será utilizada a data de registro da Declaração de Importação (DI), que deverá ser indicada no Relatório Unificado de Drawback. 19.8 Na comprovação do Regime, será levado em conta o resultado cambial da operação. 19.9 O produto exportado em consignação somente poderá ser utilizado para comprovar o Regime após sua venda efetiva no exterior, devendo a empresa beneficiária apresentar a documentação da respectiva contratação de câmbio. 19.10 Não serão aceitas para comprovação de Ato Concessório de Drawback exportações realizadas contra pagamento em moeda nacional. Por fim, a Portaria SECEX n° 14, de 17/11/2004, art. 141 vaticinou: Art. 141. As DI e os RE indicados no módulo específico Drawback do SISCOMEX deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório em processo de comprovação. A jurisprudência administrativa tem afirmado, reiteradamente, a necessidade de anotação de utilização do RAEDrawback suspensão no documento comprobatório da exportação: Ementa: II/IPI VINCULADO. DRAWBACK. SUSPENSÃO.ADIMPLEMENTO. INEXISTÊNCIA. Somente serão aceitos como comprovação do regime "Drawback", Registros de Exportação devidamente vinculado ao Ato Concessório, e que contenham a informação de que se referem a uma operação de drawback. (Inteligência do Comunicado DECEX n° 21/97, item 19.1).Na falta de vinculação dos Atos Concessórios do Registro de Drawback aos Registros de Exportação deverão ser exigidos os tributos suspensos na importação, acrescidos de multa de oficio e dos juros de mora. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digita lmente em 04/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19647.010631/200663 Acórdão n.º 3403003.362 S3C4T3 Fl. 8 7 (Recurso 125233, Processo 10314.005272/9966, Terceiro Conselho de Contribuintes, Primeira Câmara, Sessão de 10/08/2004, rel. Cons. Otacílio Dantas Cartaxo) Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO H.IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI. DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAÇÃO. Registro de Exportação não vinculado a ato concessório não será aceito para fins de comprovação do regime de drawback. Constatado divergência entre o Relatório de Comprovação do Drawback, encaminhado pela SECEX/CACEX à SRF para comprovar o adimplemento, e os dados apurados, eventualmente devidos, acrescidos de multa de oficio e juros de mora. (...) (Recurso 126977, Processo n° 12689.000108/0027, Terceiro Conselho de Contribuintes, Segunda Câmara, Sessão 20/10/2004, rel. Cons. Walber José da Silva) Ementa: DECADÊNCIA O prazo começa a ser contado a partir do momento em que a Fazenda Nacional poderia ter efetuado o lançamento. DRAWBACK". COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO Somente serão aceitos como comprovação do regime "Drawback, Registro e Exportação devidamente vinculados ao Ato Concessórios, e que contenham a informação de que se referem a uma operação de Drawback. "DRAWBACK". REGISTROS DE EXPORTAÇÃO EM DUPLICIDADE Não será considerado para efeito de comprovação de "DRAWBACK os Registros de Exportação utilizados na comprovação de dois Atos Concessórios distintos, nem aqueles que tenham sido considerados em duplicidade na comprovação do mesmo Concessório. (...).(Recurso 122970, Processo n° 13502.000136/0093, Terceiro Conselho de Contribuintes, Segunda Câmara, rel. Cons. Luis Antônio Flora, Sessão de 17/04/2002) Também em decisões mais recentes chegouse à conclusão de que para o adimplemento do regime (e a consequente não exigência do crédito tributário) devem ser cumpridas todas as condições do regime, inclusive a vinculação dos Registros de Exportação aos Atos Concessórios no momento da exportação: (...) REQUISITOS PARA BAIXA DO REGIME O reconhecimento da baixa do regime e da consequente exclusão do crédito tributário que deixou de ser recolhido em razão da aplicação do regime de drawback pressupõem o cumprimento das condições estabelecidas na legislação de regência. O descumprimento de tais condições, inclusive da obrigação de promover a correta vinculação do registro de exportação ao ato concessório, implica a descaracterização do regime e a exigência de tributos suspensos. (...) (Acórdão n. 3102002.015, Rel. Cons. Luis Marcelo Guerra de Castro, unânime em relação ao tema, sessão de 25.set.2013) (grifo nosso) DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO. IRREGULARIDADES NO REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digita lmente em 04/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 CÓDIGO DE OPERAÇÃO. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO ATO CONCESSÓRIO. CONTROLE ADUANEIRO. O tempestivo enquadramento dos Registros de Exportação ao regime especial de drawback suspensão (código 81101) e sua vinculação ao Ato Concessório são requisitos indispensáveis para a fruição do incentivo do Drawback Suspensão, em atendimento à previsão Constitucional de controle aduaneiro. A ausência de alguma dessas informações exclui o benefício do Drawback, em face da impossibilidade de verificação tempestiva das exportações para atendimento do Regime. (Acórdão n. 3101001.584, Rel. Cons. Valdete Aparecida Marinheiro vencida, Red. Designado Cons. Rodrigo Mineiro Fernandes, qualidade, sessão de 26.fev.2014) (grifo nosso) A matéria chegou inclusive à análise da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que endossou os entendimentos aqui expostos: COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. A concessão do regime condicionase ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78 do DecretoLei nº 37/1966). O descumprimento das exigências estabelecidas em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos suspensos relativos às mercadorias importadas sob esse regime aduaneiro especial, acrescidos dos encargos legais. (Acórdão n. 9303002.174, Rel. Cons. Nanci Gama vencida, Red. Designada Cons. Mércia Helena Trajano D’Amorim, qualidade, sessão de 18.out.2012) (grifo nosso) É de se destacar ainda que a matéria já foi analisada mais de uma vez por esta turma recentemente (com colegiado em composição quase idêntica), também se chegando à conclusão pela necessidade de vinculação do RE aos Atos Concessórios para que fosse adimplido o regime e não fosse exigido o crédito tributário: DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente podem ser aceitos para comprovar o efetivo cumprimento dos requisitos exigidos pelo regime aduaneiro especial de drawbacksuspensão registros de exportação (RE) devidamente vinculados ao ato concessório (AC) que o ampare. A inexistência dessa vinculação rende ensejo ao lançamento de ofício para a exigência dos tributos indevidamente suspensos. (Acórdão n. 3403002.415, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, maioria, sessão de 20.ago.2013) (grifo nosso) DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente podem ser aceitos para comprovar o efetivo cumprimento dos requisitos exigidos pelo regime aduaneiro especial de drawbacksuspensão registros de exportação (RE) devidamente vinculados ao ato concessório (AC) que o ampare. A inexistência dessa vinculação rende ensejo ao lançamento de ofício para a exigência dos tributos indevidamente suspensos. (Acórdão n. 3403002.897, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz vencido, Red. Designado Cons. Antonio Carlos Atulim, qualidade, sessão de 27.mar.2014) (grifo nosso) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digita lmente em 04/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19647.010631/200663 Acórdão n.º 3403003.362 S3C4T3 Fl. 9 9 Neste último julgamento (Acórdão de março de 2014), o voto vencedor, de relatoria do Cons. Antonio Carlos Atulim, consignou: A questão que suscitou minha designação para este voto vencedor diz respeito à obrigatoriedade de o contribuinte vincular os registros de exportação aos atos concessórios do regime especial de drawback, para fins de comprovação de adimplemento do regime, ou se esta prova pode ser feita por meio de demonstrativos ou qualquer outro documento que o contribuinte venha a apresentar. O regime aduaneiro especial de drawback, na modalidade suspensão, está previsto no art. 78, II, do Decretolei n° 37/1966, que foi restabelecido pelo art. 1°, I, da Lei n° 8.402/1992 e regulamentado nos arts. 317 a 319 do RA/1985 e nos arts. 338, 340 e 342 do RA/2002. O beneficiário do regime tem direito à suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de insumos, mediante compromisso, firmado na forma da legislação de regência, de aplicálos na fabricação e/ou elaboração de produtos destinados à exportação, nas condições e prazos estipulados nos correspondentes atos concessórios (AC) expedidos pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. A Portaria Secex nº 14, de 17/11/2004, estabelece o seguinte: (...) Art. 141. As DI e os RE indicados no módulo específico Drawback do SISCOMEX deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório em processo de comprovação. (...) 3. É obrigatória a vinculação do RE ao Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão. (...) As mesmas exigências foram mantidas nas Portarias Secex que se sucederam no tempo (Portaria Secex nº 35, de 24/11/2006 e Portaria Secex nº 36, de 22/11/2007), as quais, por economia, abstenhome de transcrever. Assim, ao contrário do alegado pela recorrente, a legislação obriga o beneficiário do regime a vincular os registros de exportação aos respectivos atos concessórios de drawback suspensão, a fim de possibilitar à fiscalização a faculdade de verificar se os insumos importados foram de fato aplicados direta e fisicamente na produção das mercadorias exportadas. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digita lmente em 04/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 A defesa alegou que as provas da vinculação física entre os insumos importados e os produtos exportados foi apresentada à fiscalização em resposta à intimação. Com tal alegação, a defesa se refere aos documentos juntados com a impugnação, os quais se consistem em demonstrativos mencionando os números dos registros de exportação que correspondem a cada ato concessório acompanhados das cópias dos registros de exportação. Em relação aos RE que não indicam a qual ato concessório se referem, a documentação anexada não pode ser admitida como prova da vinculação física entre os insumos importados com suspensão e os produtos exportados, pois essa vinculação está sendo feita por meio dos demonstrativos apresentados fora do sistema Siscomex, o que não é admitido pelas Portarias da Secex acima citadas. A razão dessas Portarias exigirem que cada RE mencione o ato concessório a que se vinculam é impossibilitar que um mesmo RE seja utilizado para a comprovação de mais de um ato concessório. Aceitar que a vinculação seja feita por meio de documentos que estão fora do Siscomex (demonstrativos elaborados pelo contribuinte) significa abrir as portas para a fraude e ignorar ordem escrita constante das Portarias da Secex. Não tendo a recorrente se desincumbido do dever legal de consignar em cada registro de exportação o número do ato concessório para fins de comprovação do adimplemento do drawbacksuspensão, voto no sentido de rejeitar a proposta de diligência formulada pelo relator e, no mérito, por manter a exigência dos tributos ora lançados.” (grifo nosso) E, dando sequência à análise temporal das Portarias SECEX que regulam a matéria, incumbe informar que todas estabelecem a exigência de vinculação do RE aos Atos Concessórios para fins de comprovação do adimplemento do regime. As Portarias Secex no 35, de 24/11/2006, e no 36, de 22/11/2007, como se afirma no citado voto, mantiveram a exigência (respectivamente, em seus arts. 133 e 124, § 1o). E tais Portarias são exatamente as normas vigentes ao tempo dos fatos narrados no presente processo. Em adição, é de se destacar que também as Portarias que as sucederam (Portarias Secex no 25, de 27/11/2008, no 10, de 24/05/2010, e no 23, de 14/07/2011) seguiram o mesmo caminho de necessidade de vinculação de RE ao Ato Concessório (respectivamente, em seus arts. 131, 140 e 145). E a manutenção da exigência tem uma finalidade clara: permitir que a fiscalização tenha acesso e possa verificar os produtos exportados no momento de sua saída, e se realmente são obtidas a partir dos bens importados com “suspensão”. A não vinculação dos Fl. 108DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digita lmente em 04/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19647.010631/200663 Acórdão n.º 3403003.362 S3C4T3 Fl. 10 11 RE aos Atos Concessórios faz com que a operação, aos olhos da Aduana, seja uma exportação comum, que demanda controles e risco em patamares significativamente inferiores. A ausência de vinculação dos RE aos Atos Concessórios, assim, faz com que a fiscalização somente possa verificar se os produtos exportados continham os bens importados com “drawbacksuspensão” quando eles já não mais estão no Brasil. É por isso que várias das Portarias Secex proíbem expressamente a vinculação aos Atos Concessórios após a “averbação dos RE” (v.g. Portarias Secex no 36/2007, art. 124, § 2o; no 25/2008, art. 131, § 4o; no 10/2010, art. 142; e no 23/2011, art. 147). Não se trata, então, de mera formalidade, de importância secundária, a vinculação entre RE e Atos Concessórios, mas de informação que possibilita ao fisco exercer tempestivamente o controle aduaneiro da operação. Adicionese, por fim, que já foi registrada veemente discordância em relação ao argumento de que o drawback é um regime em que basta exportar, sendo as demais condições do regime passíveis de relevação (cf. declarações de voto do Conselheiro Rosaldo Trevisan nos Acórdãos no 3403003.146, no 3403003.159 e no 3403003.162). No presente caso, a recorrente em momento algum logrou comprovar a vinculação entre o Ato Concessório n° 20040299244 e os Registros de Exportação, consoante legislação aplicável à espécie. Por essa razão, discordamos do ínclito relator, Conselheiro Antonio Carlos Atulim, e votamos por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 16 de outubro de 2014 [assinado digitalmente] Rosaldo Trevisan Fl. 109DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digita lmente em 04/11/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10166.721624/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 20/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHAS DE PAGAMENTO SEM A INDICAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente deixou de elaborar a folha de pagamentos sem a inclusão dos valores de remuneração creditados a contribuintes individuais a seu serviço, resta caracterizada a ofensa ao disposto no art. 32, I, da Lei 8.212/91.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA 28 CARF. O CARF é incompetente para se manifestar acerca da representação fiscal para fins penais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 20/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHAS DE PAGAMENTO SEM A INDICAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente deixou de elaborar a folha de pagamentos sem a inclusão dos valores de remuneração creditados a contribuintes individuais a seu serviço, resta caracterizada a ofensa ao disposto no art. 32, I, da Lei 8.212/91. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA 28 CARF. O CARF é incompetente para se manifestar acerca da representação fiscal para fins penais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Igor Araújo Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1556; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 295 1 294 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.721624/200971 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.667 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de setembro de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: DEIXAR DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO Recorrente SERVICO SOCIAL DA INDÚSTRIA DEPARTAMENTO REGIONAL DO DISTRITO FEDERAL. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 20/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHAS DE PAGAMENTO SEM A INDICAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente deixou de elaborar a folha de pagamentos sem a inclusão dos valores de remuneração creditados a contribuintes individuais a seu serviço, resta caracterizada a ofensa ao disposto no art. 32, I, da Lei 8.212/91. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA 28 CARF. O CARF é incompetente para se manifestar acerca da representação fiscal para fins penais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 16 24 /2 00 9- 71 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.721624/200971 Acórdão n.º 2401003.667 S2C4T1 Fl. 296 3 Relatório Tratase de recurso de voluntário interposto por SERVIÇO SOCIAL DA INDUSTRIA SESI DEPARTAMENTO REGIONAL DO DF, em face do acórdão, por meio do qual foi mantida a multa lançada no Auto de Infração n. 37.225.4322, por ter a recorrente preparado folhas de pagamento sem observância das normas legais aplicáveis á espécie. De acordo com o Relatório Fiscal, foi apurado que a recorrente deixou de informar em folhas de pagamento a remuneração devida ou creditada aos segurados contribuintes individuais e segurados empregados referentes a: a) Valores pagos aos segurados empregados, a título de Bolsas de Estudo de cursos de graduação e pósgraduação, tendo em vista que os mesmos não estão previstos nas disposições do art. 28, §9o, alínea “t”, da Lei 8.212/91; b) Valores pagos aos segurados contribuintes individuais em decorrência de prestação de serviços diversos e serviços de frete; O lançamento compreende as competências de 01/2005 a 12/2005, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 31/09/2007 (fls. 01). Em seu recurso, sustenta que os pagamentos não informados relativamente aos contribuintes individuais contemplam pagamentos efetuados a carroceiros contratados para retirada de entulho e grama nas várias unidades do DF, se tratando de pessoas humildes e que sequer possuem inscrição na Previdência Social, não podendo ser enquadrados como trabalhadores avulsos ou contribuintes individuais. Defende, também, amparado em entendimento do TST que o pagamento das bolsas de estudo não se destina a remunerar o trabalho, de modo que sobre tal verba também não incidem as contribuições previdenciárias, se tratando de investimento na educação do empregado. Na assentada de 19 de abril de 2012 o julgamento do recurso fora convertido em diligência, para que viesse aos autos informações acerca do julgamento do lançamento principal, tendo sido informado que se tratava do processo n. 10166.721621/200938, o qual fora provido pela 3a Turma da 4a Câmara deste Eg. Conselho, tendo sido considerados indevidos os lançamentos sobre valetransporte em dinheiro, bolsa de estudos, salário família e incorreta indicação do código FPAS. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, merece conhecimento. Sem preliminares. MÉRITO Conforme já relatado, são dois os pontos de insurgência objeto do presente recurso. O primeiro deles relativamente ao pagamento de bolsas de estudo de cursos de ensino superior (gradução e pósgraduação) a segurados empregados. Sobre o assunto, o relatório fiscal deixou claro que o lançamento se deu exclusivamente em razão de que a concessão de bolsas de ensino superior não está abarcada pela norma de isenção prevista no art. 28, §9, alínea “t”, com redação à época dos fatos, a seguir: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Inicialmente ressalto que o processo n. 10166.721621/200938, indicado pela autoridade fiscal de origem como o lançamento principal vinculado ao presente processo, de fato fora julgado e nele foi considerado como improcedente o lançamento da rubrica relativa a concessão da bolsa de estudos aos segurados empregados. O julgado restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.721624/200971 Acórdão n.º 2401003.667 S2C4T1 Fl. 297 5 VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. CRÉDITO EM CONTA CORRENTE. CARÁTER NÃO SALARIAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO N 478.410/SP. UNANIMIDADE DE VOTOS. CONTROLE DIFUSO. TEORIA DA TRANSCENDÊNCIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. EFEITOS ERGA OMNES. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O valetransporte pago em pecúnia, mediante crédito na conta corrente dos segurados, não afeta a natureza jurídica de ser não salarial, segundo entendimento proferido no Recurso Extraordinário n 478.410/SP por unanimidade de votos. Sendo o recurso extraordinário instrumento de apreciação da constitucionalidade pela via difusa, há de se prevalecer a corrente que defende a Teoria da Transcendência dos Motivos Determinantes, a qual admite que a decisão proferida nessa modalidade de controle tenha efeitos erga omnes, hipótese em que a contribuição previdenciária não incidirá sobre a verba. BOLSA DE ESTUDO. EDUCAÇÃO SUPERIOR. CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL. EXCLUSÃO DE VALORES. Serão excluídos da base de cálculo da contribuição social previdenciária os valores pagos pelos empregadores a título de educação, estando incluídos cursos de graduação, pós graduação, de línguas estrangeiras, tendo em vista que esses estão destinados à capacitação profissional do trabalhador, não retribuindo os serviços prestados por esses. FPAS. REENQUADRAMENTO. Caso seja feito enquadramento incorreto na Tabela de Códigos FPAS, prevista no Anexo III, da IN SRP nº 03/2005, a RFB, por meio de sua fiscalização, fará a revisão do enquadramento efetuado pelo sujeito passivo, observadas as atividades por ele exercidas. Recurso Voluntário Provido. Todavia, mesmo compartilhando do entendimento emanado naquele julgamento acerca da concessão das bolsas de estudo, tenho que existe fundamento que por si só já enseja a necessidade de manutenção da multa objeto do presente lançamento. É que além dos valores pagos a título de bolsa de estudo, a recorrente também deixou de informar em folha de pagamentos aqueles valores creditados aos contribuintes individuais. Conforme alega a próprio recorrente, tais valores destinaramse a remunerar serviços de freteiros para a retirada de entulho, somente não tendo sido informados, tendo em vista que os prestadores não possuíam inscrição na previdência social. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Tal fundamento, a meu ver, não tem o condão de justificar a falta de inclusão dos valores em folha de pagamento, tendo em vista se tratarem de valores destinados a retribuir um trabalho contratado de terceiros, pessoas físicas, na qualidade de autônomos, em conformidade com o que dispõe o art. 28 da Lei 8212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Logo, em se tratando da retribuição por serviço prestado à recorrente, deveria esta ter incluído tais pagamentos em folha. Ademais, não há prova nos autos de tratarem de efetivos carroceiros ou que os contribuintes individuais contratados não possuíam número de inscrição na previdência. Portanto, não tendo a empresa cumprido o disposto no artigo 32, I, da Lei nº 8.212/91 o cometimento da infração em tela restou devidamente caracterizado pelo fiscal.: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Tal motivo, por si só, tem o condão de manter a aplicação da multa objeto do auto de infração, tendo em vista se tratar de multa única, em conformidade com o que dispõe o art. 283, I, “a” do Decreto 3.048/99. Por fim, quanto a representação fiscal para fins penais, este conselho não detém competência para analisar a questão, conforme enunciado da Súmula. 28 do CARF, a seguir: Súmula CARF 28 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para fins Penais Fl. 301DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.721624/200971 Acórdão n.º 2401003.667 S2C4T1 Fl. 298 7 Por tais motivos, conheço de recurso para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13851.000677/96-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1994 a 31/12/1998
Ementa:
RESSARCIMENTO DO IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA.
A legislação não autoriza a correção monetária no ressarcimento de créditos de IPI. A correção apenas se aplicaria na hipótese de o Fisco ilegitimamente negar o direito ao ressarcimento ao Contribuinte (REsp 993164 - Súmula STJ nº 411).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1994 a 31/12/1998 Ementa: RESSARCIMENTO DO IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. A legislação não autoriza a correção monetária no ressarcimento de créditos de IPI. A correção apenas se aplicaria na hipótese de o Fisco ilegitimamente negar o direito ao ressarcimento ao Contribuinte (REsp 993164 - Súmula STJ nº 411). Recurso Voluntário Negado.
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CORREÇÃO MONETÁRIA. A legislação não autoriza a correção monetária no ressarcimento de créditos de IPI. A correção apenas se aplicaria na hipótese de o Fisco ilegitimamente negar o direito ao ressarcimento ao Contribuinte (REsp 993164 Súmula STJ nº 411). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 06 77 /9 6- 11 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente em face de decisão proferida pela DRJ/Ribeirão Preto, que indeferiu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente sob o fundamento de que não haveria dispositivo legal que autorizasse a correção monetária de créditos de IPI. O processos se refere a pedido de ressarcimento de créditos de IPI, pedido este que foi deferido parcialmente com o reconhecimento de parte dos créditos, afastandose a atualização destes pela taxa SELIC. Este pedido baseiase no pedido de ressarcimento de IPI, do 3º decênio de 1996, fls 01, no valor total de R$ 35.241.49. Estava, este processo, sobrestado em função da lide, proveniente de Auto de Infração, Processo nº 13851.000309/9538, versando sobre classificação tarifária e alíquotas na saída do pedido estabelecido. Com a possibilidade do REFIS decidiu a contribuinte, parcelar todos os débitos que suspendeu a anterior paralisação. O Despacho Decisório,de fls 82/85, com base no relatório fiscal, fls 55/79, defere parcialmente o pedido de ressarcimento, no valor de R$ 24.286,98. A manifestação de Inconformidade, fls 105/108, foi tempestiva, alegandose em síntese que há que se recompor o valor a ser ressarcido por correção monetária e aplicação de juros, caso contrário haveria enriquecimento sem causa da Recorrente. A DRJ indeferiu o pedido de Recorrente, mencionando, inicialmente, que a Recorrente não questionou a retificação dos valores apresentados pela fiscalização do valor do credito a ser ressarcido, no importe de R$ 35.241,49 para R$ 24.286,98, o que tornaria a matéria incontroversa. Em analise, portanto, o direito à correção monetária dos créditos da Recorrente pela taxa SELIC, matéria que não possui fundamento legal, entendimento este pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, por meio do RESP 212899/RS. A DRJ aduz que a Administração está sujeito ao Princípio da Legalidade, apenas podendo fazer o que a Lei determina. O ressarcimento do crédito de IPI não se confunde com restituição e sequer com compensação, valendo a pena observar que as Leis nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, artigo 66 e a Lei nº 9.250 de 26 de dezembro de 1995, artigo 39, §4º, apenas se aplica aos casos de tributos indevidos e contribuições federais. A DRJ esclarece que ressarcimento é aproveitamento de incentivo fiscal e a restituição ou repetição de indébito é a devolução, ao contribuinte, de valores pagos indevidamente ou seja valor maior que o devido; Em ambos os casos existe devolução de valores mas com fundamentos diferenciados. Na repetição de indébito ou restituição dáse pela preexistência de pagamento de Fl. 660DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13851.000677/9611 Acórdão n.º 3403003.144 S3C4T3 Fl. 6.143 3 valor indevido; e no ressarcimento, o valor pago fora efetuado pelo sujeito passivo era devido, mas a devolução assentase exclusivamente na renuncia unilateral de valores recebidos licitamente pelo sujeito ativo. Portanto, a Manifestação de Inconformidade foi indeferida, razão pela qual a Recorrente, inconformada, ingressou com Recurso Voluntário repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade em favor da correção monetário no ressarcimento de créditos de IPI, requerendo a correção pela taxa SELIC. É o relatório. Voto Com efeito, no tocante à correção monetária do crédito presumido de IPI, realmente a legislação não a prevê, apenas sendo aplicável quando há aposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco, conforme ementa extraída do julgamento do processo 10950.004313/200817, de Relatoria do Conselheiro Alexandre Kern, da 3ª Turma Ordinária, 4ª Câmara, 3ª Seção: RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ABONO DE JUROS. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Art. 62A do RICARF REsp 993164 Súmula STJ nº 411 No presente caso, portanto, apenas sobre a glosa inicial, não questionada em Manifestação de Inconformidade, caberia a correção monetária, mas a Recorrente se conformou com a diferença e decidiu se insurgir somente em relação à correção monetário no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este Conselho está adstrito à legislação vigente, não podendo conceder o direito à atualização monetário de créditos decorrentes de pedido de ressarcimento de IPI, quando a própria Lei não a autoriza, mas somente em hipóteses de pagamento a maior ou indevido, conforme apontado pela Decisão da DRJ/Ribeirão Preto. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 661DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 Fl. 662DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001496/2002-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, de modo que o julgamento do presente processo seja realizado após o desfecho do processo n 10920.000272/2005-02..
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, de modo que o julgamento do presente processo seja realizado após o desfecho do processo n 10920.000272/2005-02.. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
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TUBOS E CONEXÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, de modo que o julgamento do presente processo seja realizado após o desfecho do processo n 10920.000272/200502.. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 01 49 6/ 20 02 -8 1 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10920.001496/200281 Resolução nº 3403000.565 S3C4T3 Fl. 5 2 RELATÓRIO Tratase de Manifestação de Inconformidade perante Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Joinvile – SC que não homologou o pedido de ressarcimento de IPI. Verifica se no processo que o credito pretendido a compensação referese a saldo credor de IPI, período de arrecadação 01/10/1999 a 31/03/2000, no montante de R$ 3.014.298,78. A DRF originária não homologou a compensação por inexistência de crédito a compensar, sob tais fundamentos: decorre da utilização equivocada de classificação fiscal na saída de produtos nos anos de 2000, 2001 e 2002, no ano1999 não houve auto de infração, mas procedeuse de oficio, a reconstituição do livro fiscal da contribuinte, utilizando alíquotas corretas, houve uma redução de R$ 259.302,07 do saldo credor do IPI (outubro a dezembro /1999), e de R$ 63.290,29 em janeiro de 2000; o saldo em 30/09/1999 do livro RAPI foi reduzido para R$ 1.214.199,93 , devido a procedimentos da SAFIS, resultante da analise de crédito do Processo nº 10920.002020/9973; Em vista dos ajustes o saldo credor de IPI, no período solicitado, passaria a R$ 2.610.443,08; A seção da Fiscalização apurou debito de IPI na coluna “saldo de escrita reconstituído do PA”,todo saldo credor do IPI acumulado em 200, primeiro trimestre, de 2000 foi utilizado no período subseqüente, não havendo saldo credor a ressarcir; Pedido de ressarcimento indeferido e compensações nãohomologadas; Apresentou a Recorrente Manifestação de Inconformidade após cientificada do indeferimento do pedido, alegando o seguinte: os valores dos Autos de Infração já foram reduzidos de forma substancial; não está correta a contagráfica de IPI escriturada pela requerente, mas a SAORT/DRF Joinvile equivocase pois, esses processos encontramse pendentes a julgamento no E. Conselho de Contribuintes, tal fato não serve de parâmetro para justiçar a glosa, tendo valores reduzidos, são ilíquidos e incertos e com exigibilidade suspensa; a autoridade fiscal refez a conta gráfica do IPI não só período auditado mas considerou 30/09/1999, como período para o saldo inicial, o valor apurado originou o Processo nº 1092.00414/0093 representando o valor de R$ 1.186.781,26. Procedimento improcedente, Fl. 381DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10920.001496/200281 Resolução nº 3403000.565 S3C4T3 Fl. 6 3 pois fatos geradores anteriores a fevereiro/2000 já tinha operado a decadência, termos do artigo 150 do CTN, vez que a intimação dos lançamentos ocorreu em 04/02/2005; retroagir a conta gráfica de IPI a set/99 quando o período auditado iniciouse em fev/200 é indevido e não pode prosperar. Assim, requereu a reformulação da decisão da DRF Joinvile por ser nula de pleno direito e seja homologada a compensação. A DRJ indeferiu o pleito, decidindo da seguinte forma: Alega a contribuinte improcedência do valor de R$ 1.186.781,26 por já operar a decadência vez que a a intimação deste lançamento ocorreu em 04 de Fevereiro de 2005. No presente processo não cabe discutir nem correção de classificação adota pelo estabelecimento,nem legalidade nem mesmo a legalidade ou procedência do decidido no processo administrativo que discute o ressarcimento de períodos anteriores. No momento em que houver decidido definitivamente os processos, devese aplicar no presente, pois se questiona o direito creditório a seu favor, e este direito deve estar comprovado tanto no direito como em sua materialidade em seu montante. Se o saldo do IPI é referente a setembro de 1999 e não informado nos livros fiscais, quando apurado pelo fisco em decisão definitiva, adotase o seu valor para todos os fins de direito, mesmo que em processo posterior e de período posterior, independentemente de do tempo de analise.Não há de se falar em decadência.mas sim de direito creditório contra a Fazenda Nacional, direito que de ser liquido e certo frente a rés publica. Há existência de processos que poderão alterar o saldo credor do IPI, não se podendo falar em direito líquido e certo. Não se pode ressarcir qualquer valor a titulo de crédito de IPI enquanto existir procedimento fiscal de exigência de crédito do imposto que pode alterar o valor a ser ressarcido. Infundado o raciocínio da contribuinte. Ademais, verificouse que o saldo de IPI fora totalmente absorvido nos períodos posteriores, não restando valores passíveis de ressarcimento. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que repisa os argumentos constantes em sua Manifestação de Inconformidade e alega que o período do ressarcimento é anterior à Instruções Normativas mencionadas pela Decisão da DRJ. Aduz ainda que o §6º, do artigo 8º da IN nº 21/1997, única que seria aplicada ao caso, segundo a sua visão, dispõe sobre ressarcimento em espécie, que não é a situação constante nos autos, que se refere à compensação. E que as Instruções Normativas nº 210/2002 e 600/2005, citadas pela DRJ, são posteriores às compensações efetuadas, não sendo aplicáveis ao caso em respeito ao princípio da segurança jurídica. É o Relatório. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10920.001496/200281 Resolução nº 3403000.565 S3C4T3 Fl. 7 4 VOTO Pois bem. O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. O presente caso versa sobre pedido de ressarcimento de IPI, com pleito de compensação desse mesmo crédito de IPI. A divergência entre as autoridades fazendárias e a Recorrente incide em dois pontos que, em verdade, tratam do valor do crédito a que faria jus a Recorrente. Isso porque nos autos há a notícia da existência de processo administrativo que versa sobre o saldo anterior de IPI, que pode matematicamente influir no saldo do crédito discutido no presente processo. Como se tal não bastasse, as autoridades fazendárias ainda afirmam, certamente, se sustentando na existência desse processo administrativo, para fins de ponto de partida do saldo credor de IPI, que a Recorrente não teria o saldo pleiteado, pois o teria usado totalmente em períodos posteriores. A existência de processo administrativo versando sobre o crédito de IPI, conforme apontado pelas autoridades fazendárias, impediria, em meu pensar, o próprio conhecimento desse processo administrativo, vez que não se teria certeza sobre o valor do crédito em julgamento. Contudo, quando do presente processo não havia regra específica a impedir o ressarcimento na concomitância de outra discussão, mas tão somente o ressarcimento em espécie, conforme determina o §6º, do artigo 8º da IN nº 21/1997. Ou seja, o obstáculo regulamentar mencionado pelas autoridades fazendárias não se aplica ao presente processo, que é anterior às IN nº 210/2002 e 600/2005, sendo que a IN 21/97 não guarda relação com o presente processo por tratar de ressarcimento em espécie. Por outro lado, no tocante à utilização, por compensação, do crédito mencionado, ela decorreria da reconstituição da escrita fiscal da Recorrente, em decorrência do processo nº 10920.000272/200502, que ainda aguarda julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Dessa forma, não vejo outra alternativa senão converter o presente julgamento em diligência, de modo que o julgamento do presente processo aguarde o desfecho do processo n 10920.000272/200502. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 383DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.724569/2013-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IRPF. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO. EXTINÇÃO.
Descabe a exigência de multa e juros, comprovada a extinção, nos termos do art. 156, inc. I do CTN, do imposto, pelo pagamento antes da data do vencimento.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2102-003.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 IRPF. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO. EXTINÇÃO. Descabe a exigência de multa e juros, comprovada a extinção, nos termos do art. 156, inc. I do CTN, do imposto, pelo pagamento antes da data do vencimento. Recurso de Ofício Negado
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO. EXTINÇÃO. Descabe a exigência de multa e juros, comprovada a extinção, nos termos do art. 156, inc. I do CTN, do imposto, pelo pagamento antes da data do vencimento. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 45 69 /2 01 3- 84 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Tratase de Notificação de Lançamento lavrada em 21/05/2012 (fls. 35/39), contra o contribuinte acima qualificado, relativo ao Exercício 2011, Anocalendário 2010, que exige crédito tributário no valor de R$ 7.861.148,24, acrescida multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, calculados até 31/05/2012. Conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” às fls. 36/37, o Fisco apurou omissão de rendimentos de aluguéis sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 1.741,93, recebidos das Administradoras de Imóveis (A PREDIAL ADMINISTRADORA CEARENCE DE BENS IMOV LTDA – CNPJ nº 07.832.066/000197), bem como glosou o valor de R$ 5.974.583,23, pleiteado indevidamente à título de imposto complementar (mensalão), correspondente à diferença entre o valor declarado R$ 5.974.583,23 e os valores efetivamente recolhidos com o código de receita 0246, conforme informações constantes dos Sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Cientificado da exigência tributária em 22/04/2013 (fl. 43), e irresignado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou impugnação em 22/05/2013 (fls. 2/3), instruída com o documento de fl. 4, qual seja DARF no valor de R$ 5.973.583,22, alegando em síntese, o que segue: O impugnante nunca deixou de recolher o imposto de renda declarado no valor de R$ 13.782.114,62, tendo o feito de maneira regular e antecipada. Como se depreende da análise da Declaração de Ajuste Anual de 2011, o impugnante recebeu, no ano de 2010, o valor de R$21.725.757,18 a título de correção dos valores a receber da fonte pagadora Hypermarcas S. A., CNPJ 02.932.074/000191, pela venda da participação acionária que detinha no Laboratório Neo Química Comércio e Indústria S. A. O rendimento oferecido à tributação foi recebido no último dia útil de dezembro de 2010. Assim, o contribuinte calculou o imposto no valor de R$5.973.583,22 e o recolheu no mês de janeiro de 2011. Efetuou a antecipação do imposto, porém com o código de receita indevido, e o informou como imposto pago em sua declaração. Quando da apresentação da Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL), foi pedida a compensação dos valores, através de REDARF, do código 0246 para 0211, o que não foi atendido. O contribuinte, por haver recolhido espontânea e antecipadamente o valor em pauta, solicita que seja compensado com o valor apurado em decorrência do ajuste anual(código 0211), sem quaisquer acréscimos. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou procedente a impugnação apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO. Descabe a exigência de multa e juros, comprovada a extinção, nos termos do art. 156, inc. I do CTN, do imposto, pelo pagamento antes da data do vencimento. Impugnação Procedente Fl. 71DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.724569/201384 Acórdão n.º 2102003.183 S2C1T2 Fl. 71 3 Crédito Tributário Exonerado” O contribuinte foi cientificado do Acórdão nº 0252.665 da 5ª Turma da DRJ/BHE em 14/02/2014 (fl. 68), e face ao provimento da decisão, deixou de apresentar Recurso Voluntário. Tendo em vista a interposição de Recurso de Ofício, nos termos do artigo 34, I, do Decreto 70.325, de 6 de março de 1972, e de acordo com a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, o processo foi encaminhado para este Egrégio Conselho. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso de ofício ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Compulsando os autos, verificase que o recorrente efetuou o pagamento do imposto em 31/01/2011, no valor de R$ 5.973.583,22, conforme consta em fls. 4 e 58, no entanto, foi utilizado para preenchimento do DARF o código de receita 0246 e o imposto pago foi compensado indevidamente como imposto complementar na declaração relativa ao exercício 2011, anocalendário 2010, tendo em vista que a legislação que rege a matéria prevê que somente poderia ser compensado o imposto se recolhido dentro do mesmo anocalendário (2010). Com efeito, considerase que o imposto pago em 31/01/2011 decorre do recebimento do valor de R$ 21.725.757,18, declarado como recebido de pessoa jurídica no anocalendário 2010, fl. 14, uma vez que esse tem consonância com o imposto devido apurado na declaração de ajuste anual de 2011, no valor de R$5.974.583,23 (fl. 33), e, no DARF à fl. 58, foi indicado como período de apuração 31/12/2010. Ademais, como bem analisou a decisão de primeira instância “não consta dos autos documento que possa indicar que o recolhimento efetuado seja decorrente de pagamento de imposto complementar relativo a rendimento auferido no próprio mês de janeiro de 2011.” Logo, a conclusão que se faz é no sentido de que o código do DARF, deve ser alterado de 0246 para 0211 e a data de vencimento de 31/01/2011 para 29/04/2011, e inclusive, considerando que o recolhimento do imposto no valor de 5.966.874,17 foi efetuado em 31/01/2011, conforme tabela reproduzida abaixo, extraída da decisão a quo: Exercício 2011 Rend. Tributáveis Recebidos de PJ Tit. 21.773.278,48 Rend. Tributáveis Recebidos de PJ Dep. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Rend. Tributáveis Recebidos de PF 1.741,93 Rend. Tributáveis Recebidos do Exterior Atividade Rural Total de Rendimentos Tributábeis 21.775.020,41 Contribuição Previdência Oficial 4.897,39 Cont. à Previdência Privada/FAPI Dependentes (nº) Despesas com Instrução Despesas Médicas 32.600,00 Pensão Alimentícia Judicial Pensão Alimentícia por Escritura Pública Livro Caixa Total das Deduções 37.497,39 Base de cálculo 21.737.523,02 Imposto Calculado 5.969.863,47 Dedução de Incentivo Contrib. Prev. Emp. Doméstico Imposto Devido 5.969.863,47 Imposto de Renda Retido na Fonte 2.989,30 Imposto de Renda Retido na Fonte – Dep. CarnêLeão Imposto Complementar Imposto Pago no Exterior Total do Imposto Recolhido 2.989,30 Imposto a Pagar 5.966.874,17 Imposto a Pagar Declarado Saldo do Imposto a Pagar 5.966.874,17 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.724569/201384 Acórdão n.º 2102003.183 S2C1T2 Fl. 72 5 DARF à fl. 58, Data de Arrecadação 31/01/2011 5.973.583,22 Inclusive, considerando que o recolhimento do imposto no valor de 5.966.874,17 foi efetuado em 31/01/2011, ou seja, anteriormente à data do vencimento, (30/04/2011), não há portanto, sobre ele incidência de multas e juros. Assim, nos termos do art. 156, I, da Lei nº 5.172/1966 Código Tributário Nacional – CTN, resta extinto pelo pagamento o imposto no valor de R$ 5.966.874,17, apurado na Notificação de Lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, tendo em vista que o imposto no valor de R$ 5.966.874,17, foi extinto pelo pagamento por meio da DARF de fl. 120. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 74DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10640.720732/2011-07
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/02/2011
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, TAMBÉM, CONHECIDA COMO DEVER INSTRUMENTAL. AUSÊNCIA DE FORNECIMENTO DE DOCUMENTO. EQUIVOCO NA ALEGAÇÃO DE DEFESA. DOCUMENTOS REFERIDOS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO. NULIDADE. ALTERAÇÃO DOS CRITÉRIOS DE LANÇAMENTO. ERRO DE DIREITO. INEXISTÊNCIA. SOLICITAÇÃO DE MERO ESCLARECIMENTO QUANTO À EXISTÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. VALOR DO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA X VALOR DO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. IRRELEVÂNCIA. SITUAÇÕES QUE PODEM CO-EXISTIR OU EXISTIREM, INDEPENDENTEMENTE, UMA DA OUTRA. GRADAÇÃO DA MULTA. REINCIDÊNCIA GENÉRICA. INOCORRÊNCIA. AUTOS DE INFRAÇÃO DE GFIP ESTÁ FORA DO ROL CARACTERIZADOR DE REINCIDÊNCIA. CORREÇÃO NO VALOR DO AUTO QUE SE FAZ NECESSÁRIA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir da atuação:
I- a não apresentação dos documentos em razão da ação judicial e a não apresentação dos contratos como causa justificadora da infração.
II- excluir a aplicação da reincidência genérica constante do item 5.3, do REFISC, de fls. 42 a 44, tendo em vista que os autos de infração com decisão definitiva no TVAI, de fls. 40, na data da aplicação desse lançamento não eram aptos a produzir a caracterização da reincidência, fixando, assim o valor da autuação no mínimo legal previsto para a espécie R$ 15.235,55. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima quanto à exclusão da aplicação da reincidência genérica.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 17/02/2011 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, TAMBÉM, CONHECIDA COMO DEVER INSTRUMENTAL. AUSÊNCIA DE FORNECIMENTO DE DOCUMENTO. EQUIVOCO NA ALEGAÇÃO DE DEFESA. DOCUMENTOS REFERIDOS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO. NULIDADE. ALTERAÇÃO DOS CRITÉRIOS DE LANÇAMENTO. ERRO DE DIREITO. INEXISTÊNCIA. SOLICITAÇÃO DE MERO ESCLARECIMENTO QUANTO À EXISTÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. VALOR DO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA X VALOR DO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. IRRELEVÂNCIA. SITUAÇÕES QUE PODEM CO-EXISTIR OU EXISTIREM, INDEPENDENTEMENTE, UMA DA OUTRA. GRADAÇÃO DA MULTA. REINCIDÊNCIA GENÉRICA. INOCORRÊNCIA. AUTOS DE INFRAÇÃO DE GFIP ESTÁ FORA DO ROL CARACTERIZADOR DE REINCIDÊNCIA. CORREÇÃO NO VALOR DO AUTO QUE SE FAZ NECESSÁRIA. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrente PARAIBUNA TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/02/2011 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, TAMBÉM, CONHECIDA COMO DEVER INSTRUMENTAL. AUSÊNCIA DE FORNECIMENTO DE DOCUMENTO. EQUIVOCO NA ALEGAÇÃO DE DEFESA. DOCUMENTOS REFERIDOS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO. NULIDADE. ALTERAÇÃO DOS CRITÉRIOS DE LANÇAMENTO. ERRO DE DIREITO. INEXISTÊNCIA. SOLICITAÇÃO DE MERO ESCLARECIMENTO QUANTO À EXISTÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. VALOR DO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA X VALOR DO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. IRRELEVÂNCIA. SITUAÇÕES QUE PODEM COEXISTIR OU EXISTIREM, INDEPENDENTEMENTE, UMA DA OUTRA. GRADAÇÃO DA MULTA. REINCIDÊNCIA GENÉRICA. INOCORRÊNCIA. AUTOS DE INFRAÇÃO DE GFIP ESTÁ FORA DO ROL CARACTERIZADOR DE REINCIDÊNCIA. CORREÇÃO NO VALOR DO AUTO QUE SE FAZ NECESSÁRIA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir da atuação: I a não apresentação dos documentos em razão da ação judicial e a não apresentação dos contratos como causa justificadora da infração. II excluir a aplicação da reincidência genérica constante do item 5.3, do REFISC, de fls. 42 a 44, tendo em vista que os autos de infração com decisão definitiva no TVAI, de fls. 40, na data da aplicação desse lançamento não eram aptos a produzir a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 07 32 /2 01 1- 07 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.720732/201107 Acórdão n.º 2803003.738 S2TE03 Fl. 287 2 caracterização da reincidência, fixando, assim o valor da autuação no mínimo legal previsto para a espécie R$ 15.235,55. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima quanto à exclusão da aplicação da reincidência genérica. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.720732/201107 Acórdão n.º 2803003.738 S2TE03 Fl. 288 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.247.6376 CFL.35 , objetiva a aplicação de multa em razão de deixar a empresa de prestar a Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesma, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários a fiscalização, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, III, e parágrafo 11, com redação da MP nº 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, combinado com o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99., conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 42 a 44. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 21/02/2011, Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA, de fls. 02. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 81 a 92, remetida via postal, em 22/02/2011, conforme envelope, de fls. 80, acompanhada dos documentos, de fls. 93 a 219. Os autos foram baixados em diligência, Despacho N° 112, de 06/06/2011 – DRJ/JFA , de fls 221 a 224. A diligência foi atendida pela Informação Fiscal – IF, de fls. 228. O contribuinte recorrente foi cientificado da diligência e da IF, conforme, AR, de fls. 234, tendo sido concedido trinta dias de prazo para manifestação. A recorrente apresentou sua manifestação, as fls. 235 a 239, acompanhada dos documentos, de fls. 240 a 262. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0942.332 5ª, Turma DRJ/JFA, em 23/01/2013, fls. 264 a 269, no qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 24/04/2013, conforme AR, de fls. 271. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 273, recebida, em 20/05/2013, conforme carimbo de recepção, as fls. 273, e razões recursais, as fls. 274 a 282, desacompanhado de quaisquer documentos. As razões recursais sumariadas estão a seguir expostas. Mérito. · que o documento exigido pela fiscalização não existe, sendo um mero equivoco a sua menção pela recorrente, pois em verdade não existe ação judicial da recorrente em face da Seguradora Generalli do Brasil, Fl. 295DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.720732/201107 Acórdão n.º 2803003.738 S2TE03 Fl. 289 4 mas sim de ação que tem como partes o Sr. Juscélio de Bessa Mansur (diretor presidente da recorrente) e a Sul América Vida e Previdência S/A, em grau de recurso no TJMG; · que ao atender o TIF Nº 001 a recorrente requereu a desconsideração da informação prestada na Impugnação do Auto 32.247.6325, da existência da ação judicial em face da Generalli, sendo que o prazo fornecido para cumprimento da exigência e despropositado e desarrazoado, ainda, que existisse a citada ação, pois normalmente os documentos desse tipo de procedimento ficam com o escritório de advocacia patrono da causa e não com a empresa, bem como tais documentos não se revestem da característica de informação cadastral, financeira e contábil, que justifique a sanção; · que a recorrente, ainda, que de forma parcial atendeu a solicitação do fisco com o fornecimento do número da apólice e da relação de beneficiários; · que houve modificação do lançamento, pois o Despacho nº 122 reconhece a existência de equivoco no critério de lançamento da exação, aplicandose o artigo 146, do CTN, uma vez que segundo consta a gradação da multa fundamentase no artigo 292, VI (sic), do RPS, (porém fazendo transcrição do art. 292, IV), aplicando a multa mínima de R$ 15.235,55, artigo 8º, VI, da PT Interministerial MPS/MF Nº 568/2010, multiplicandoa por dois, contudo no item 4.1.1, do REFISC está explícito, a não configuração das circunstâncias agravantes previstas no art. 490, (sic), do RPS , carecendo de critério e fundamento a aplicação da multa, pois aplicável apenas na presença de agravantes em especial do inciso V, do artigo 290, do RPS; · que o Auto de Infração decorre do não atendimento de intimação em relação ao AI 37.247.6325, no importe de R$ 4.849,81, mas o presente AI lavrado em razão de suposto não atendimento a intimação, tem uma valor de R$ 30.471,10, ou seja, este é seis vezes superior ao da contribuição, demonstrando falta de razoabilidade e de persecução do interesse público, não tendo sido sequer julgado o AI 37.247.6325, sendo que na hipótese de ser sua impugnação provida e cancelado o crédito, será inequívoca a impropriedade, arbitrariedade e desarrazoada esta exigência, nos termos do artigo 2º, da Lei 9.784/99; · que a existência ou não desta ou aquela informação só pode fundamentar a multa se prejudicar a atuação fiscal, mas quando prejudica exclusivamente o contribuinte, não pode ensejar autuação ao contribuinte sob pena de dupla sanção, bem como tendo sido a infração lavrada pela ausência de prestação de informação cadastral, financeira ou contábil, bem como de não prestação de esclarecimentos à fiscalização, mas da leitura dos dispositivos legais referentes a obrigação, verificase que a apresentação de informações está relacionada as questões cadastrais, financeiras e contábeis, não Fl. 296DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.720732/201107 Acórdão n.º 2803003.738 S2TE03 Fl. 290 5 podendo a existência ou não da ação judicial ser considerada informação cadastral, financeira ou contábil, ficando a atuação desprovida de lastro legal; · Pedidos e requerimentos: a) recebimento e conhecimento do recurso; b) com provimento ao final; c) anulandose o acórdão a quo; d) reformandoo em mérito; e) julgando o lançamento insubsistente; f) cancelandose o crédito exigido. A autoridade preparadora não se manifestou quanta a tempestividade do recurso. Os autos subiram ao CARF, fls. 284. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 20/03/2014, Lote 07, fls. 285. É o Relatório. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.720732/201107 Acórdão n.º 2803003.738 S2TE03 Fl. 291 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. A recorrente em suas respostas ao Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF e ao Termo de Intimação Fiscal – TIF, diz que os documentos citados, não existem. E isso parece ter fundamento, pois segundo a própria DRJ/JFA em seu Acórdão, de fls. 264 a 269, informa que a pesquisa empreendida do site do TJMG, sobre o assunto, mostrouse infrutífera, observese a transcrição. Em pesquisa no portal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, na comarca de Juiz de Fora, não consta realmente qualquer processo ativo ou baixado em que uma das partes seja a impugnante e a outra a empresa Generali Seguros. Embora, tal pesquisa parece ter se limitado a comarca de Juiz de Fora, analisada em conjunta com os esclarecimentos da empresa apresentados pelos documentos, de fls. 120 a 144, e considerando a atuação levada a efeito pelo AI DEBCAD 37.247.6325, emitido em ação fiscal anterior, conforme se depreende do trecho a seguir transcrito. Somandose, ainda, o presente auto de infração lançado em procedimento de diligência fiscal, em razão das alegações de defesa da impugnação ao AI DEBCAD 37.247.6325, o trecho abaixo esclarece a questão. Assim, podese concluir o seguinte, na ação fiscal inicial, foi lavrado o auto de infração referente a obrigação principal, pois o contribuinte não comprovou que o seguro de vida era extensível a todos os colaboradores e assim foi tributado. Enquanto, que na diligência fiscal para se comprovar as alegações da recorrente constantes de sua impugnação de primeiro grau, foi lavrado o auto de infração de obrigação acessória (este ora em julgamento), em razão da não apresentação da documentação que o contribuinte dizia possuir e não apresentou no curso da diligência, documentação essa que segundo consta provaria que o seguro seria extensível a todos os colaboradores, deixando de ser base de cálculo da contribuição, o que poderia levar a aniquilação do AI DEBCAD 37.247.6325, obrigação principal. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.720732/201107 Acórdão n.º 2803003.738 S2TE03 Fl. 292 7 Contudo, após devidamente intimada o contribuinte mudou o discurso e disse ter cometido um equivoco e que não existia a tal ação, e, que em verdade havia uma outra ação e razão de outra situação e de outra seguradora, que nada tinha a ver com o que fora dito inicialmente, solicitando, ainda, pelo documento, de fls. 120 e 121, que a alegação fosse desconsiderada da impugnação, dizendo ser verídica sua afirmação e que houve mera menção indevida e equivocada no esclarecimento. A alegação de exiguidade do prazo para a apresentação dos documentos e que estes não ficam com a recorrente, mas com o patrono da ação, caso essa fosse existente, não a socorre e em nada muda a situação, pois o artigo 225, §5º, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99 é claro em dizer que a empresa deve manter a documentação à disposição do fisco. Todavia, a recorrente reconhece que só atendeu à solicitação do fisco de forma parcial, ao dizer em seu recurso, o que a seguir transcrevo. Desta feita, ainda, que se exclua da motivação da autuação a não apresentação dos documentos relacionados à ação judicial em face da Generalli por inexistentes a autuação subsistira por outros motivos, pois o agente fiscal indicou no REFISC, de fls. 42, mais essas infrações, “...porém até a presente data não foram apresentados Contratos e Apólices solicitados...,”. Da simples leitura do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 06 e 07 , e, do Termo de Intimação Fiscal – TIF, de fls. 30, não se verifica a solicitação dos contratos, mas apenas das apólices, mas em relação a essas a autuação tem lastro. TIPF TIF O despacho de diligência nº 122, de fls. 221 a 224, não reconhece equivoco no critério de lançamento, mas apenas indicou a existência de duas informações contraditórias, nos itens 4.1.1 e 4.2, do REFISC pendido para que o agente dizese qual a informação que estava correta, vejamos os itens questionados. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.720732/201107 Acórdão n.º 2803003.738 S2TE03 Fl. 293 8 Não houve mudança de entendimento ou posição jurídica do fisco quanto a questão, o órgão julgador apenas e tão somente solicitou esclarecimento ao agente lançador de qual situação deveria prevalecer, ante a divergência de informação, o que foi resolvido pela Informação Fiscal – IF, de fls. 228, pois o agente lançador diz, o que se segue. Ou seja, o fiscal autuante confirmou a existência da circunstância agravante, qual seja a ocorrência de reincidência genérica, pois de acordo com o Termo de Verificação de Antecedente de Infração – TVAI, de fls. 40, porém o agente lançador não disse em razão de qual dos autos listados no TVAI se deu a reincidência apesar de solicitado na diligência. O fato do auto de infração de obrigação principal ter valor inferior ao auto de infração de obrigação acessória é irrelevante para o deslinde da questão, pois a multa – sanção por descumprimento de obrigação acessória pode existir, ainda, que nada se deva em relação a chamada obrigação principal, observese o que diz o Supremo Tribunal Federal – STF. As questões relativas a acessoriedade não tem no âmbito tributário a relação com que se apresenta na seara cível. O Supremo Tribunal Federal – STF no RE 250.844 – SP posicionouse a esse respeito em voto vista do Ministro Luiz Fux, que acabou acompanhado pelo relator Ministro Marco Aurélio Melo, do qual transcrevo o trecho abaixo. Vêse, assim, que o cumprimento da obrigação tributária acessória nada tem a ver com a existência, concomitante, de certa e determinada obrigação principal, ambas devidas pelo mesmo sujeito. O cumprimento de obrigações acessórias possui relevância externa e independente da relação articulada a partir do dever de pagar certo tributo. Projetase sobre outras relações jurídicotributárias, travadas ou não entre os mesmos sujeitos em torno de exações também idênticas ou não. Em verdade, toda controvérsia sobre a matéria decorre do emprego, pela legislação, de um mesmo rótulo (principal/acessória) para designar realidades distintas nos campos civil e tributário. Daí por que a terminologia “acessória”, vista em abstrato, é equívoca. Melhor seria que as mesmas fossem indicadas, pelo menos no campo justributário, por expressão mais precisa e infensa a ambiguidades, tal como “deveres instrumentais”. Sem embargo, o nomen iuris empregado pelo legislador não tem o condão de alterarlhes a essência, a qual, esta sim, deve informar o regime jurídico aplicável à hipótese. Isso, também, está explicito no artigo 175, parágrafo único, da Lei 5.172/66. Verifiquei que o auto de infração da obrigação principal encontrase arquivado, desde janeiro/2014 e se fosse favorável a empresa essa teria noticiado tal evento no presente feito, mas nada temse aqui sobre a questão. O auto de infração está fundamentado em outras informações que, também, não foram prestadas, o que ficou esclarecido anteriormente. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.720732/201107 Acórdão n.º 2803003.738 S2TE03 Fl. 294 9 Diante, de todo o exposto entendo que a recorrente tem razão a não apresentação dos documentos relativos a ação judicial que a tudo indica serem inexistentes, não pode fundamentar a autuação. Nessa esteira de pensamento os contratos de seguro por não terem sido solicitados no TIPF ou TIF, também, não são fundamentos para a aplicação da autuação. Todavia, a não apresentação das apólices e o fornecimento exclusivamente de seu número como admitido pela recorrente em passagem transcrita, onde, a própria diz que atendeu parcialmente a solicitação é o suficiente para manter a atuação. Mas, não há motivos para que a multa seja majorada – aplicação da reincidência genérica – multiplicação do valor da infração por dois. O Acórdão da DRJ assim se pronúncia sobre a majoração da multa, veja a transcrição. O Termo de Verificação de Antecedente de Infração, de folha 40, dá conta de que o débito 37.006.0776 (cfl 69) teve homologação de relevação em 11/6/2008; o 37.006.0784 (cfl 68) teve emissão de guia para pagamento em 5/8/2008. Há, portanto, reincidência por prática de outra infração (reincidência genérica) tendo em vista a data da presente lavratura, em 21/2/2011. Vêse, por conseqüência, correção da penalidade aplicada. Ocorre, que nem o agente lançador e nem o julgador de primeiro grau lembraramse de observar o que determina §4°, do artigo 482, da IN RFB 971/2009, abaixo transcrito. Art. 482. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: § 4º Nas infrações referidas nos incisos I, II e III do art. 284, no art. 285 e nos incisos I e II do parágrafo único do art. 287 do RPS, a ocorrência de circunstância agravante não produz efeito para a gradação da multa. As infrações referidas nos incisos I, II e III do art. 284, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99 são as relativas as falhas de GFIP, ou seja, na apresentação de GFIP – CFL.67; apresentação de GFIP com ausências de fato geradores CFL.68 e apresentação de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas CFL.69. Logo, as infrações com decisão definitiva constantes do TVAI, de fls. 40, não são aptas a produzirem a reincidência. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.720732/201107 Acórdão n.º 2803003.738 S2TE03 Fl. 295 10 Assim com esses esclarecimentos, excluo do presente auto de infração a não apresentação dos documentos em razão da ação judicial e a não apresentação dos contratos como causa justificadora da infração. De igual, sorte excluo a aplicação da reincidência genérica constante do item 5.3, do REFISC, de fls. 42 a 44, tendo em vista que o autos de infração com decisão definitiva no TVAI, de fls. 40, na data da aplicação deste auto não eram aptos a produção da caracterização da reincidência, fixando, assim o valor da autuação no mínimo legal previsto para a espécie R$ 15.235,55. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito Darlhe provimento parcial, a fim de excluir da atuação: I a não apresentação dos documentos em razão da ação judicial e a não apresentação dos contratos como causa justificadora da infração. II excluir a aplicação da reincidência genérica constante do item 5.3, do REFISC, de fls. 42 a 44, tendo em vista que os autos de infração com decisão definitiva no TVAI, de fls. 40, na data da aplicação desse lançamento não eram aptos a produzir a caracterização da reincidência, fixando, assim o valor da autuação no mínimo legal previsto para a espécie R$ 15.235,55. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Dados do Processo Fl. 302DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.720732/201107 Acórdão n.º 2803003.738 S2TE03 Fl. 296 11 Número : 10640.001958/201016 Data de Protocolo : 02/07/2010 Documento de Origem : AUTOINFPREVIDEN Procedência : DRF JFA SAFIS PREVIDENCIA Assunto : AUTO DE INFRACAO ASSUNTOS PREVIDENCIARIOS Nome do Interessado : PARAIBUNA TRANSPORTES LTDA CNPJ : 20.448.221/000134 Tipo: Digital Sistemas Profisc: Não EProcesso :Sim SIEF:Controlado pelo SIEF Localização Atual Órgão Origem : COORD GERAL ARRECADACAO COBRANCARFBMF Órgão : ARQUIVO DIGITAL ORGAOS CENTRAISRFBMF Movimentado em : 09/01/2014 Sequencia : 0010 RM : 17945 Situação : ARQUIVADO UF : DF Este documento não indica a existência de qualquer direito creditório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11065.722708/2012-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
CARACTERIZAÇÃO COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. ASSOCIADO ELEITO PARA CARGO DE DIREÇÃO EM COOPERATIVA. COOPERATIVA DIRIGIDA POR PESSOA FÍSICA NÃO ELEITA E QUE PRESTA SERVIÇO POR INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA.
O enquadramento como contribuinte individual com base na previsão legal que fundamentou esta autuação, qual seja: alínea f, do inciso V, do art. 12, da Lei 8.212, de 24/07/91, apenas se aplicaria ao associado eleito para cargo de direção em cooperativa.
A Assembleia Geral dos associados é o órgão máximo da cooperativa e que tem o poder de eleger os componentes dos órgãos da administração, conforme expressamente prescrito no art. 38, caput c/c o art. 44, inciso III, da Lei n º 5.764/71.
Ausência de comprovação de vício no processo de eleição.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CARACTERIZAÇÃO COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. ASSOCIADO ELEITO PARA CARGO DE DIREÇÃO EM COOPERATIVA. COOPERATIVA DIRIGIDA POR PESSOA FÍSICA NÃO ELEITA E QUE PRESTA SERVIÇO POR INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. O enquadramento como contribuinte individual com base na previsão legal que fundamentou esta autuação, qual seja: alínea f, do inciso V, do art. 12, da Lei 8.212, de 24/07/91, apenas se aplicaria ao associado eleito para cargo de direção em cooperativa. A Assembleia Geral dos associados é o órgão máximo da cooperativa e que tem o poder de eleger os componentes dos órgãos da administração, conforme expressamente prescrito no art. 38, caput c/c o art. 44, inciso III, da Lei n º 5.764/71. Ausência de comprovação de vício no processo de eleição. Recurso Voluntário Provido.
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ASSOCIADO ELEITO PARA CARGO DE DIREÇÃO EM COOPERATIVA. COOPERATIVA DIRIGIDA POR PESSOA FÍSICA NÃO ELEITA E QUE PRESTA SERVIÇO POR INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. O enquadramento como contribuinte individual com base na previsão legal que fundamentou esta autuação, qual seja: alínea “f”, do inciso V, do art. 12, da Lei 8.212, de 24/07/91, apenas se aplicaria ao associado eleito para cargo de direção em cooperativa. A Assembleia Geral dos associados é o órgão máximo da cooperativa e que tem o poder de eleger os componentes dos órgãos da administração, conforme expressamente prescrito no art. 38, caput c/c o art. 44, inciso III, da Lei n º 5.764/71. Ausência de comprovação de vício no processo de eleição. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 27 08 /2 01 2- 29 Fl. 928DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722708/201229 Acórdão n.º 2401003.496 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Autos de Infração oriundos dos DEBCADs nº 51.014.9448 (parte patronal) e 51.014.9456 (parte segurados), do qual a autuada foi cientificada em 12.06.2012, que objetiva a cobrança das Contribuições Previdenciárias compreendidas no período de 01/2009 a 12/2009. Segundo o relatório fiscal (fls. 21/48), a EQUIPE COOPERATIVA DE SERVIÇOS LTDA interpôs pessoas jurídicas (PJs) na relação de trabalho com os Srs. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira, constituídas apenas para redução das contribuições previdenciárias incidentes sobre os serviços prestados pelas referidas pessoas físicas. De acordo o Fiscal autuante, tais pessoas físicas, antes de constituírem as PJs, eram cooperados que faziam parte da direção da cooperativa. Entretanto, após se desligarem da entidade, criaram pessoas jurídicas e continuaram administrando pessoalmente os negócios da cooperativa. Segundo a Autoridade autuante: · Os sócios cooperados, na verdade, enquadravamse na condição de associados eleitos para o cargo de direção da cooperativa e, embora não tenham sido formalmente eleitos, seriam considerados contribuintes individuais para fins de contribuição previdenciária, nos termos da alínea “f”, inciso V, do art. 12 da Lei nº 8.212/1991; · A Equipe Cooperativa foi investigada pela operação denominada “Operação Solidária” realizada pela Polícia Federal em conjunto com Auditoria da Controladoria Geral da União, que apurou o pagamento de honorários vultosos e superfaturados a empresas ligadas, direta ou indiretamente, com os citados dirigentes da cooperativa; · As provas constantes no Inquérito Policial Federal nº 0236/2009 e que integram o processo judicial n.º 2009.71.12.0016602 foram compartilhados por expressa autorização de decisão judicial; · O Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira (Sr. Cavalheiro) era sócio cooperado desde março de 2001, tendo prestado serviço à cooperativa como contribuinte individual na categoria 17 (Contribuinte Individual – Cooperado que presta serviços a empresas contratantes da cooperativa de trabalho) no período de 04/2003 a 09/2004 e na categoria 13 (Contribuinte Individual – trabalhador autônomo ou a este equiparado) no período de 10/2004 a 01/2005. Durante os períodos indicados acima, o Sr. Cavalheiro teria desempenhado a função de administrador da cooperativa; · Após a constituição da pessoa jurídica, denominada Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira ACCO, em 12/05/2005, a prestação de serviço teria sido mantida com a execução das mesmas tarefas anteriormente desempenhadas; · De acordo com o Inquérito Policial, o Sr. Cavalheiro mantevese na diretoria da Cooperativa entre os anos de 2001 a 2004, permanecendo na direção, em seguida, a sua irmã, Silvia Oliveira, bem como Paulo de Castro, zelador da sua residência; Fl. 930DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 · A empresa criada pelo Sr. Cavalheiro prestava serviço exclusivamente à Equipe Cooperativa, não possuía nenhum empregado, nem sede física e tampouco conta no sistema financeiro, de modo que os montantes vultosos referentes à contraprestação do serviço eram depositados na conta do próprio Sr. Cavalheiro; · O Sr. Cavalheiro adquiriu de sua sobrinha, Camille Oliveira da Silva, a Edusaúde Serviços Administrativos S/A, passando a compor o quadro da cooperativa apenas em 2008. A mencionada empresa também prestava serviço à Equipe Cooperativa, ora Recorrente; · O Sr. Cavalheiro ainda constituiu a Prospectar Serviços Administrativos Ltda., juntamente com sua filha Rafaela Hass Oliveira, que tinha como objeto social a prestação de serviços administrativos, a intermediação de contratos de serviço e a representação comercial. Imediatamente após a sua constituição, também fora contratada pela Equipe Cooperativa e passou a receber consideráveis montantes mensais; · Em paralelo, o Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira (Sr. Sérgio), que também era sócio cooperado da Equipe Cooperativa desde a sua constituição no ano de 2001, prestou serviço à cooperativa como contribuinte individual na categoria 17 (Contribuinte Individual – Cooperado que presta serviços a empresas contratantes da cooperativa de trabalho) no período de 04/2003 a 09/2004 e na categoria 13 (Contribuinte Individual – trabalhador autônomo ou a este equiparado) no período de 10/2004 a 03/2005 e novamente na categoria 17 no período 04/2005 a 10/2007; · O Sr. Sérgio teria criado a pessoa jurídica, Pontal Consultoria Empresarial, com o objetivo de administrar a Equipe Cooperativa, ora Recorrente. Os fiscais ainda afirmaram que, no período compreendido entre 05/2006 a 10/2007, o Sr. Sérgio tanto recebeu remuneração como contribuinte individual quanto pela prestação de serviços através da empresa Pontal Consultoria Empresarial; · Os contratos de prestação de serviço firmados entre a cooperativa e as empresas acima mencionadas, indicam que em todos eles estava presente cláusula contratual estabelecendo que os serviços devessem ser prestados única e exclusivamente pelos sócios e funcionários da contratada, bem como, a existência de cláusula contratual definindo que os serviços seriam prestados nas dependências da contratante; · Identificação de documentos que comprovam a relação do Sr. Cavalheiro e a Cooperativa, como, por exemplo, despesas de cartão de crédito, nos meses de novembro e dezembro de 2009, em nome da fiscalizada contendo o Sr. Cavalheiro como dependente, e o contrato de locação do imóvel, sede da fiscalizada, contendo o Sr. Cavalheiro como fiador. Diante das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 449/2008 e Lei n. 11.941/2009 nas penalidades previstas na Lei nº 8.212/91, a autoridade fiscal efetuou a comparação das penalidades previstas na legislação anterior com as previstas na legislação atual, com o objetivo de identificar a sistemática mais benéfica ao contribuinte, em respeito ao artigo 106, II, ‘c’, do Código Tributário Nacional, concluindo que a sistemática prevista na legislação antiga é mais benéfica e, portanto, deveria ser aplicada até a competência 11/2008, devendo, a partir da competência de 12/2008, ser aplicada a multa de ofício, correspondente a 75%. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722708/201229 Acórdão n.º 2401003.496 S2C4T1 Fl. 4 5 Diante desses argumentos, foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária contra: (i) Antônio Carlos; (ii) Sérgio Pedreira; (iii) Pontal Consultoria Empresarial; (iv) Prospectar Serviços Administrativos; (v) Edusaúde Serviços Administrativos S/A. Impugnação apresentada tempestivamente em 11/07/2012 (fls. 414/440) alegando, em síntese, que: 1. A atuação da cooperativa cresceu consideravelmente, tornandose necessária a profissionalização das suas operações, principalmente nas áreas de gestão e administração; 2. A Cooperativa é livre para a prática de determinados atos de gestão, sendo completamente aceitável que ela contrate empresas para a prestação de serviços. Não há óbice legal para a contratação de empresas compostas por antigos profissionais, nem há norma dispondo sobre o valor pago a título de remuneração; 3. Todas as assembleias da cooperativa foram devidamente realizadas e todos os cooperados foram convocados através de diversos meios, de modo que a publicidade dos atos sempre foi garantida, sendo corrente a participação de parcela significativa dos cooperados nas assembleias; 4. A Recorrente mantevese, ainda, em regularidade com a Organização das Cooperativas do Rio Grande do Sul, cumprindo todas as suas obrigações; 5. Não é crível que 3000 cooperados que desempenhavam funções na cooperativa aceitassem, mesmo que de forma indireta, todas as ilegalidades descritas na peça fiscal, uma vez que eles seriam prejudicados. Tais “ilegalidades” sequer já foram objetos de questionamento por meio dos cooperados, em assembleias ou qualquer outro meio; 6. A alegação de que os Srs. Carvalheiro e Sérgio eram os verdadeiros administradores da Cooperativa não encontra respaldo na realidade, já que é reconhecida a soberania das assembleias nas deliberações mais importantes à sua atuação; 7. A Cooperativa levava a efeito o recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre os vencimentos da direção eleita; 8. A autoridade fiscal levou em consideração somente o valor do montante pago às contratadas. Em nenhum momento avaliouse se essas contratações eram necessárias, e qual a natureza e pertinência delas; 9. A Cooperativa sempre prezou pela excelência das remunerações aos seus cooperativados. Nada mais natural que empresas contratadas para desempenhar tarefas de administração fossem, também, bem remuneradas; Fl. 932DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 10. A peça fiscal menciona que as empresas contratadas estavam regulares perante o fisco, sendo contraditória a alegação de que empresas criadas unicamente para beneficiar pessoas físicas mantiveramse regulares com suas obrigações; 11. A ação fiscal baseiase em meras presunções, indo de encontro às disposições constitucionais e infraconstitucionais; Diante dos argumentos expostos em linhas acima, requereu o afastamento das exigências constantes nos DEBCADs nº 51.014.9448 e 51.014.9456. Foi apresentada também impugnação pela Pontal Consultoria Ltda, Prospectar Serviços Administrativos Ltda, Edusaúde Serviços Administrativos S/A, Antônio Carlos Cavalheiro Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira, às fls. 792/813, tempestivamente em 12/07/2012. Alegaram em apertada síntese que: 1. As empresas autuadas solidariamente são prestadoras de serviço de consultoria, sendo que os pagamentos recebidos pelos serviços de assessoria em nada feriram o ordenamento pátrio, devendo ser vistos como livre exercício da atividade econômica tanto das empresas e pessoas físicas, como da cooperativa; 2. Houve cerceamento de defesa, tendo em vista que a responsabilização solidária foi desprovida de qualquer intimação prévia, sem pedido de esclarecimento, ou notificação para se manifestarem no processo administrativo; 3. Ausência de atuação mediante interposta pessoa, aduzindo que os serviços são prestados pela pessoa jurídica devidamente constituída, sendo o contrato firmado entre as autuantes e a Equipe Cooperativa no âmbito da autonomia privada; 4. As pessoas jurídicas autuadas, paralelamente, prestaram serviços a outras empresas; 5. Não há dispositivo legal infirmando a solidariedade no caso dos autos; 6. É necessário a individualização das condutas das autuadas, no caso de ser mantida a responsabilização solidária, bem como a identificação de quais fatos jurídicos seriam do interesse comum entre devedor principal e solidário. 7. Inaplicabilidade do art. 135, III do CTN, uma vez que os impugnantes não praticaram qualquer ato que constituísse infração a lei, contrato social ou estatuto das empresas. Por fim, requereram que fossem afastadas as exigências constantes nos DEBCADs nº 51.014.9448 e 51.014.9456, afastando a responsabilidade solidária e pessoal dos impugnantes. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722708/201229 Acórdão n.º 2401003.496 S2C4T1 Fl. 5 7 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, julgou a impugnação apresentada nos presentes autos, através do Acórdão nº 1042.792 (fls. 839/853), conforme Ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresas interpostas, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA DE OFÍCIO. A inclusão de contribuições em lançamento fiscal dá ensejo à incidência de multa de ofício, na forma da legislação vigente. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É correta a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tenham interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado do teor do acórdão em 10 de junho de 2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls.870/896) no dia 26 de junho de 2013, reiterando as mesmas alegações trazidas em sede de impugnação, acrescentando apenas apurações levadas a efeito no âmbito do Inquérito Civil nº 00786 00007/2012, pela 2ª Promotoria de Justiça Cível de Guaíba, que teve como escopo a investigação de possíveis práticas de improbidade administrativa na prestação de serviços. Recurso Voluntário apresentado pelos responsáveis solidários, às fls. 904/925, tempestivamente em 26 de junho de 2013, reafirmando o quanto alegado na Impugnação. É o relatório. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente, para possibilitar, de forma sintética, a exata compreensão do objeto e contornos do Auto de Infração ora apreciado, cabe aqui transcrever o item “Resumo da Autuação” constante no Relatório Fiscal que embasou esta autuação (fls. 21 a 48 dos presentes autos): 1. RESUMO DA AUTUAÇÃO 1.1. No procedimento fiscal em curso a fiscalização apurou que a EQUIPE COOPERATIVA DE SERVIÇOS LTDA, no período de 01/2007 a 12/2009, interpôs na relação de trabalho com as pessoas físicas que lhe prestam serviço, pessoas jurídicas constituídas com fins únicos de LOGRAR BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO ILICITAMENTE, deixando de declarar e recolher as contribuições sociais previdenciárias sobre a remuneração paga pelos serviços prestados. 1.2. As PJs interpostas foram constituídas com fins únicos de receber pagamentos realizados pela Equipe pelos serviços de gerenciamento prestados pelos seus titulares ou sóciosadministradores, os quais mantinham vínculos anteriores pessoais de trabalho com a fiscalizada, que foram substituídos por prestações de consultoria administrativa e operacional. 1.4. De acordo com o disposto na alínea “f”, do inciso V, do art. 12, da Lei 8.212, de 24/07/91, o associado eleito para cargo de direção em cooperativa é considerado contribuinte individual, para fins de recolhimento de contribuição previdenciária. Estes associados, embora não eleitos, exerciam de fato, a função de dirigente conforme informações constantes neste relatório fiscal. 1.5. Com a interposição das PJ na relação de trabalho, a fiscalizada é desonerada ilicitamente das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços, pois, na verdade, derivam de uma relação de trabalho fraudulentamente mascarada com a utilização de PJ. Como pode se perceber do resumo acima reproduzido, que sintetiza o caminho percorrido pela Fiscalização para fundamentar a sua autuação, bem como de todo manancial documental colacionado à peça acusatória, a Fiscal autuante considerou os Srs. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira, pessoas físicas que formalmente prestavam serviços de consultoria para a EQUIPE por meio de pessoas jurídicas, como os verdadeiros dirigentes dessa cooperativa. Desse modo, a Fiscalização concluiu que essas pessoas físicas deveriam ser consideradas como contribuintes individuais para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias, em face da previsão contida na alínea “f”, do inciso V, do art. 12, da Lei Fl. 935DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722708/201229 Acórdão n.º 2401003.496 S2C4T1 Fl. 6 9 8.212/91, que estabelece a condição de segurado contribuinte individual ao associado eleito para cargo de direção em cooperativa. Essa conclusão foi respaldada em um trabalho denso realizado pela Fiscal autuante, cujo procedimento fiscal foi motivado por Inquérito Policial que embasa a ação penal proposta em face dos fatos apurados na denominada Operação Solidária, realizada pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal do Brasil. Compulsando os autos, de fato, observamse diversos elementos que conduzem ao convencimento de existência de irregularidades na relação das empresas constituídas pelos Srs. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira com a cooperativa EQUIPE. No entanto, a despeito de reconhecer o criterioso trabalho da Fiscalização e a existência desses elementos de irregularidade, enxergo grave erro cometido pela Fiscal autuante no caminho percorrido para efetuar o lançamento, bem como nos fundamentos utilizados para respaldar a autuação, conforme passo a demonstrar. Como já mencionado acima, todo o procedimento adotado pela Fiscal autuante foi direcionado no sentido de demonstrar que os Srs. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira continuaram sendo os verdadeiros administradores da cooperativa. Vejamos, por exemplo, outra passagem do Relatório Fiscal que demonstra o rumo traçado pela Fiscalização: 3.5.O Inquérito Policial Federal nº 0236/2009 – SR/DPF/RS que embasa a ação penal proposta em face dos fatos apurados na denominada Operação Solidária detalha os elementos que comprovam que o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira continuou sendo o verdadeiro controlador da fiscalizada embora tenha se afastado da direção formalmente, conforme descrevemos nos itens a seguir.(grifamos) De fato, a Fiscal autuante ocupou praticamente todo o seu relatório fiscal buscando mostrar que as citadas pessoas físicas figuravam como verdadeiros representantes da cooperativa, citando diversas passagens do inquérito policial, colhidas por meio de depoimentos e interceptações telefônicas, que dão fortes indícios que, de fato, eles exerciam tal condição. Além disso, a Fiscal autuante buscou demonstrar, através de elementos também colhidos no inquérito policial, a relação pessoal do Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira com as pessoas que ocupavam “formalmente” as funções de dirigentes da cooperativa. Vajamos: À frente da equipe, permaneceu SÍLVIA OLIVEIRA DA SILVA, irmã de CAVALHEIRO, bem como PAULO DE CASTRO GOMES, CPF nº 469.709.83072, este que, conforme ocorrência policial da DP de Xangri lá/RS, datada de 15/04/2004, era o zelador da residência de CAVALHEIRO, localizada na Rua Caxias do Sul, 446, Praia do Remanso, Xangrilá/RS, eis que nessa condição declarouse ao agente policial que lavrou o registro. (fls. 30) Fl. 936DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Ocorre, entretanto, que, a despeito de todo trabalho realizado, a Fiscal autuante deixou de enfrentar QUESTÃO ELEMENTAR para ter a capacidade de enquadrar os Srs. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira como dirigentes da EQUIPE, qual seja: a existência de vícios no processo de eleição dos administradores da cooperativa. Não se pode perder de vista que a Assembleia Geral dos associados é o órgão máximo da cooperativa e que tem o poder de eleger os componentes dos órgãos da administração, conforme expressamente prescrito no art. 38, caput c/c o art. 44, inciso III, da Lei n º 5.764/71, que assim dispõem: Art. 38. A Assembléia Geral dos associados é o órgão supremo da sociedade, dentro dos limites legais e estatutários, tendo poderes para decidir os negócios relativos ao objeto da sociedade e tomar as resoluções convenientes ao desenvolvimento e defesa desta, e suas deliberações vinculam a todos, ainda que ausentes ou discordantes. (...) Art. 44. A Assembléia Geral Ordinária, que se realizará anualmente nos 3 (três) primeiros meses após o término do exercício social, deliberará sobre os seguintes assuntos que deverão constar da ordem do dia: (...) III eleição dos componentes dos órgãos de administração, do Conselho Fiscal e de outros, quando for o caso; Deste modo, para afirmar que Srs. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira eram os verdadeiros representantes da cooperativa, a Fiscalização tinha necessariamente que analisar e demonstrar a existência de vícios no processo de eleição dos administradores, que possibilitassem os supostos “laranjas” dos Srs. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira a ocuparem ilegalmente os cargos de direção da cooperativa. No entanto, não há uma linha sequer do relatório fiscal dedicada ao enfrentamento dessa questão elementar. Sem essa análise e comprovação, não podemos aqui ter a certeza de que os Srs. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira comandavam a cooperativa pelo fato de os dirigentes formais serem seus “laranjas”; se possuíam tal ingerência simplesmente por permissão destes administradores, ou por qualquer outro motivo. A conclusão a que chegou a Fiscal autuante, de que as citadas pessoas eram as verdadeiras dirigentes da cooperativa, foi respaldada basicamente em escutas telefônicas e depoimentos colhidos no inquérito policial, que demonstram uma verdadeira ingerência desses cidadãos na condução dos negócios da cooperativa. No entanto, essa interferência poderia muito bem ser realizada por anuência dos dirigentes formais, seja lá por qual motivo for, que não cabe aqui elucubrar. Se, por ventura, não existirem vícios no processo de eleição dos administradores, tendo sido os mesmos eleitos por deliberação legítima da assembleia geral ordinária da cooperativa, a Fiscal autuante não poderia afirmar, com base nos elementos que estão carreadas aos autos, que os Srs. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira são verdadeiros dirigentes da cooperativa. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722708/201229 Acórdão n.º 2401003.496 S2C4T1 Fl. 7 11 No máximo, poderia concluir que estes controlam os negócios da cooperativa, sob o consentimento dos dirigentes eleitos. Mas isso não os torna “verdadeiros” dirigentes, como faz crer a Fiscalização, pois somente a assembleia geral tem esse poder, independente dos atos que se praticam. E isso faz toda diferença no presente caso, uma vez que o enquadramento como contribuinte individual com base na previsão legal que fundamentou esta autuação, qual seja: alínea “f”, do inciso V, do art. 12, da Lei 8.212, de 24/07/91, apenas se aplicaria ao associado eleito para cargo de direção em cooperativa. No entanto, como demonstrado acima, esse fundamento não poderia ser invocado na hipótese dos autos, pois não se sabe, por falta de análise da autuação, se os dirigentes formais da cooperativa foram legitimamente eleitos em assembleia geral ordinária, em observância aos preceitos legais e estatutários, ou se houve algum tipo de fraude ou vício no processo eletivo, que deixou de escolher os Srs. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira e Sérgio Luiz da Silva Pereira como administradores, mesmo sendo estes os que praticam atos de administração. Deste modo, não tenho como refutar o argumento aduzido pela Recorrente no seu Recurso Voluntário de que não se pode aceitar que, mediante meras presunções, sejam desconsiderados os atos da Cooperativa, todos realizados em observância à lei, ‘’desconstituindo’’ a diretoria eleita, considerandose terceiros, estranhos à relação estabelecida entre cooperativa e cooperados como se fossem cooperados eleitos para cargo de direção, nos termos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Salvo melhor Juízo, entendo que não cabe ao Fisco atribuir a determinado prestador de serviço a condição de administrador eleito de cooperativa, sem percorrer e comprovar a existência de vícios no processo eletivo de administradores da referida cooperativa. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, julgando totalmente IMPROCEDENTE os Autos de Infração DEBCAD n°s 51.014.9448 e 51.014.9456. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15374.923459/2009-59
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
TRIBUTÁRIO - ICMS - INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IPI.
Conforme explicita o art. 47, II, a, do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço da venda], nele já está inserido, de modo que a expressão valor da operação deve ser compreendida com sua inclusão.
Numero da decisão: 3802-002.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 TRIBUTÁRIO - ICMS - INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IPI. Conforme explicita o art. 47, II, a, do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço da venda], nele já está inserido, de modo que a expressão valor da operação deve ser compreendida com sua inclusão.
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Conforme explicita o art. 47, II, “a”, do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo “valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço da venda], nele já está inserido, de modo que a expressão “valor da operação” deve ser compreendida com sua inclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 34 59 /2 00 9- 59 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/JFA, a qual, por unanimidade de votos julgou improcedente o pedido de homologação da compensação relativa à PER/DCOMP nº 33468.69873.090306.1.3.047951, onde se pretendeu a extinção de débitos no montante de R$ 31.495,53, tendo por lastro crédito originário de pagamento a Maior/Indevido do IPI realizado em 08/06/2001, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 08/06/20014 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório, com absoluta clareza, os fatos que ensejaram a nãohomologação da DCOMP e sua correta fundamentação legal, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. PERÍCIA/DILIGÊNCIA Indeferemse as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora as entende desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. BASE DE CÁLCULO.INCLUSÃO DO ICMS Conforme explicita o art. 47, II, “a”, do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo “valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, Conforme já explicitado pelo Parecer CST nº 39/70, como “parte integrante” do valor da operação, se inclui, consequentemente, no valor tributável o IPI. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada e demonstrada nos autos a inexistência do saldo do pagamento supostamente indevido utilizado com lastro da DCOMP, é de ser não homologação a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem, em preliminar, nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa, no mérito, apresenta a tese da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, sob o argumento de que tais impostos não representam receita ou faturamento, segundo os conceitos jurídicos contidos na doutrina e na jurisprudência. Esta tese apresentada pelo recorrente tem como fundamento para excluir o ICMS da base de cálculo do IPI. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15374.923459/200959 Acórdão n.º 3802002.135 S3TE02 Fl. 416 3 É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Preenchidos os requisitos regulares do desenvolvimento positivo do Recurso ora interposto pelo recorrente, voto pelo seu Conhecimento. O recorrente, inconformado com a decisão de primeira instância, interpôs o presente recurso ordinário para que este Órgão analisasse novamente as suas pretensões. E, nesse sentido, a questão central é saber se é possível se incluir na base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI parcela referente ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços pago quando da operação de saída da mercadoria. O artigo 47, II, “a”, do Código Tributário Nacional, estabelece que a base de cálculo do IPI é composta pelo “valor da operação” de que decorrer a saída da mercadoria. Notese que o ICMS, por ser cálculo por dentro do valor da operação, nele já está inserido, de modo que a expressão “valor da operação” deve ser compreendida com sua inclusão. Nesse sentido, a jurisprudência da Segunda Turma do STJ é pacífica no sentido de que o ICMS integra a base de cálculo do IPI. Transcrevese: TRIBUTÁRIO – IPI – BASE DE CÁLCULO – INCLUSÃO DO ICMS. Doutrina e jurisprudência são uníssonas em proclamar a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. Tratase de uma espécie tributária, cujo cálculo é feito com o ICMS embutido e não em destaque, o que só ocorre a partir da primeira operação, como claro está no art. 47 do CTN. Recurso especial improvido (REsp. Nº 610.908 – PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.09.2005). Ainda em reforço ao entendimento aqui noticiado, a doutrina de Misabel Machado Derzi caminha no mesmo sentido: Na questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI, quando a operação configure o fato gerador dos dois impostos, vem prevalecendo a tese da Administração Fazendária Federal (Pareceres Normativos CST nº 39/70 e 341/71). A posição vitoriosa na doutrina e nos tribunais é de que o ICM ou ICMS se inclui na base de cálculo do IPI, sob fundamento de que o montante do imposto estadual sobre operações de circulação integra o produto que saiu do estabelecimento industrial, nesse valor estará computado o imposto pago a título de ICMS. O Tribunal Federal de Recursos assim decidiu por vezes (ver Lex Fl. 107DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Jurisprudência do Tribunal Federal de Recursos, nº 50, p. 54 e nº 57, PP. 9091: AP. Civ. 56.988/SP e 88.101 – Rel. Min. Armando Rollemberg; AP. Civ. 82/299/SP e 85/363/SP – Rel. Min. Torreão Brás; AP. Civ. 92.507/SP – Rel. Miguel Ferrante) (...) a principal argumentação está centrada no fato de que o ICM ou ICMS integra a própria base de cálculo, ou seja, o valor da operação inclui o valor do ICMS, sendo o destaque em documento fiscal destinado à simples controle. Já o IPI é calculado por fora do valor da operação de que resulta a saída pela industrialização. Sendo assim, não há que ser feito nenhum reparo a decisão inferior. A sistemática da cobrança do ICMS desde o Decretolei 406/68 e interpretando literalmente a Constituição Federal brasileira, já previa a inclusão do então ICMS na base de cálculo do imposto na mesma operação, de modo a permitir a dedução nas operações seguintes. Ou seja, a sistemática foi mantida pela LC 87/96 (artigo 2º, § 7º). As outras matérias trazidas aos autos, como cerceamento de defesa, nulidade do despacho decisório e prova pericial, necessário se faz rechaçar tais considerações, já que, como é sabido, para se configurar o cerceamento de defesa, como pretendido pelo recorrente, haveria de existir aquilo que a doutrina chamou de prejuízo, o que não se verificou em nenhum momento na marcha processual administrativa. Insta observar que, no procedimento aqui adotado, foram seguidas as normas inseridas no Decreto nº 70.235/72. Com relação à nulidade apontada, a matéria está regulamentada no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Apreciando os autos de forma detida, chegase a conclusão de que não se apresenta nenhuma das hipóteses legais ali contidas. Portanto, é de se considerar improcedente também tal argumento de defesa. Por último, não há que se falar em prova pericial quando a tese apontada pelo recorrente é de direito, apenas: Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Notese que o recorrente aplicou a tese ao seu bel prazer, excluindo o valor do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, o que, pelo seu raciocínio, resultaria em parcela indevida do IPI recolhido por meio do DARF indicado na DCOMP. Portanto, não há que se falar em prova pericial. Nesse sentido, CONHEÇO do recurso ora interposto e NEGOLHE provimento para manter em sua integralidade a decisão a quo, que não reconheceu o direto creditório e não homologou a compensação requerida. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15374.923459/200959 Acórdão n.º 3802002.135 S3TE02 Fl. 417 5 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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