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Numero do processo: 10882.902144/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL.
Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170-A do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966.
O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.625
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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AÇÃO JUDICIAL. Recorrente CIDADE DE DEUS COMPANHIA COMERCIAL DE PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966. O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 21 44 /2 00 9- 14 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10882.902144/200914 Acórdão n.º 3301004.625 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP, transmitido eletronicamente. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que impetrou o Mandado de Segurança nº 2003.61.00.0023490 com o objetivo de recolher a contribuição ao PIS na forma prevista na Lei Complementar nº 7, de 1970, qual seja, tributo calculado à razão de 5% sobre o valor do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. A liminar pleiteada não foi deferida, mas a decisão de primeira instância foi reformada em sede do agravo de instrumento interposto ao TRF da 3ª Região, decidindose favoravelmente à recorrente. Sustenta que houve erro de fato no recolhimento promovido, na modalidade conhecida como PISrepique e PISdedução. Os valores devidos decorrem da aplicação da alíquota de 5% sobre o valor da estimativa do IRPJ incidente em 15% sobre a receita bruta. Todavia, cada recolhimento foi indevidamente calculado com base em 5% do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – Lucro Real provisionado. Percebido o erro de fato, declarou a compensação objeto do Despacho Decisório combatido. Como, na DCTF original, não ficou evidenciado o recolhimento a menor, noticía ter transmitido DCTF retificadora na qual informou que, do débito apurado a título de PIS, parte estaria extinto por pagamento e o restante estaria com exigibilidade suspensa. Informa que, em 27/11/2007, a tutela concedida foi cassada, o que o levou a promover, dentro do prazo previsto no artigo 63 da Lei nº 9.430, de 1996, o recolhimento da diferença entre as contribuições previstas na Lei nº 10.637, de 2003, e a Lei Complementar nº 7, de 1970. Requer que a DCTF retificadora seja efetivamente processada e que o despacho decisório combatido seja reformado, homologandose a compensação. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10882.902144/200914 Acórdão n.º 3301004.625 S3C3T1 Fl. 4 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão nº 05035.794, sob fundamento de que o pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte: Foi apresentado Recurso Voluntário, no qual a Recorrente apresenta suas razões organizadas nos seguintes tópicos, que serão detidamente analisados no voto: 1 EXISTÊNCIA DO CRÉDITO DIREITO À COMPENSAÇÃO; 2 INAPLICABILIDADE AO CASO DO ARTIGO 170a DO CTN, COMO JÁ RECONHECIDO PELO CARF. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10882.902144/200914 Acórdão n.º 3301004.625 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.611, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900038/200815, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.611): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. 1 EXISTÊNCIA DO CRÉDITO DIREITO À COMPENSAÇÃO Informou a Recorrente que efetuou recolhimento a maior no período de apuração de junho de 2003, deixando de aplicar liminar que lhe era favorável. Apresenta a seguinte tabela: E concluiu que "não resta dúvida de que houve recolhimento a maior no montante de R$ 321.541,27, para o período originário do crédito." Conforme observouse na decisão de piso, para o contribuinte do IRPJ pelo lucro real, no ano de 2003, a norma legal que disciplinava as contribuições para o PIS era a Lei nº 10.637, de 2002. Esta lei instituiu o regime nãocumulativo do PIS. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10882.902144/200914 Acórdão n.º 3301004.625 S3C3T1 Fl. 6 5 No entanto, em mandado de segurança impetrado, a Recorrente requereu que fosse submetida à sistemática da arrecadação do PIS em sua modalidade PISrepique e PISdedução, na forma estabelecida pelo artigo 3º da Lei Complementar nº 7, de 1970. A Recorrente não obteve liminar, mas o o TRF da 3ª Região lhe concedeu a tutela antecipada. Essa tutela foi revogada com a sentença judicial de primeira instância, publicada em 26/10/2007 (conforme extrato constante da decisão recorrida) Posto isto, considerando tudo o mais que dos autos consta, ausentes os pressupostos legais, DENEGO A SEGURANÇA requerida. Honorários advocatícios indevidos nos termos da Súmula n.º 512, do Egrégio Supremo Tribunal Federal. Comuniquese a Excelentíssima Senhora Desembargadora Federal Relatora do Agravo de Instrumento n.º 2003.03.00.0007108, a respeito do teor desta decisão. Após o trânsito em julgado, convertamse os depósitos judiciais em receita a favor da União Federal.Custas e demais despesas ex lege.P. R. I. Oficiese. O contribuinte não logrou êxito em sua apelação, visto que a decisão recorrida foi mantida em 16/10/2008, pelo Tribunal competente (conforme extrato constante da página 67): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. RECEPÇÃO, ART. 239 CF. POSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO VIA DE LEI ORDINÁRIA. LEI 10.637/02. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES. APELAÇÃO DA IMPETRANTE IMPROVIDA. I – A contribuição ao PIS foi expressamente recepcionada pelo art. 239 da CF, a ela não se opondo as restrições constantes dos arts. 154, I e 195, §, 4º da mesma Carta. (STF ADIN MC 14170/ DF, Rel. Min. Octávio Gallotti, Pleno, v. u., j. 02/08/99). II – A contribuição ao Pis pode ser validamente alterada por lei ordinária, não se tratando de contribuição social nova. Ausente hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, mas sim reserva material posta na CF (art. 146) III – Constitucionalidade da Lei 10.637. O tratamento diferenciado no que pertine à alíquotas e bases de cálculo em razão da diversidade quanto às atividades econômicas desenvolvidas pelos contribuintes encontra respaldo no próprio Texto Constitucional, art. 195, §§ 9º e 12. IV – Precedentes (TRF – 3ª Região, AG nº 2003.03.00.0110618, Rel. Des. Fed. Fábio Prieto, j. 16/11/05, p. DJU 08/03/06; TRF – 4ª Região, AMS nº 2005.72.08.0045630, Rel. Des. Fed. Vivian Josete Pantaleão Caminha, j. 13/12/06, p. de 30/04/07; TRF – 2ª Região, AC nº 2003.51.01.0037080, Rel. Des. Fed. Alberto Nogueira, j. 05/09/06, p. DJU 16/11/06) Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10882.902144/200914 Acórdão n.º 3301004.625 S3C3T1 Fl. 7 6 V – Apelação improvida. A decisão desfavorável à Recorrente transitou em julgado em 02/07/2010, segundo informação obtida na página eletrônica do TRF da 3ª Região, o que levou à baixa definitiva dos autos em 10/08/2011. Portanto, verificase que, mesmo no interregno de tempo em que havia liminar favorável à Recorrente, ainda não era ela titular de crédito líquido e certo e não podia, portanto, efetuar a compensação. Em resumo, a Recorrente deixou de recolher nos termos da decisão judicial (tutela antecipada) e recolheu em montante que correspondia ao entendimento do Fisco. Segundo a Recorrente tal recolhimento a maior se deu por "erro de fato". 2 INAPLICABILIDADE AO CASO DO ARTIGO 170A DO CTN, COMO JÁ RECONHECIDO PELO CARF. Defende a Recorrente que a vedação do art. 170A do CTN referese a fatos passados, a pagamentos objeto de ação judicial, ao passo que seu caso se refere ao recolhimento de PIS no transcurso da ação, tendo por objeto efeitos futuros de uma decisão judicial, nos seguintes termos: Ou seja, não se pode aplicar a vedação do art. 170A do Código Tributário Nacional, criada para impedir que contribuintes compensem antes do trânsito em julgado créditos apurados em períodos anteriores e decorrentes de pagamentos indevidos ou seja, crédito já extinto por pgamento indevido utilizado para quitar tributos devidos em períodos posteriores a situações em que e a "compensação" diz respeito à apuração da base de cálculo e, portanto, à constituição do crédito tributário. Seguimos o entendimento da decisão recorrida de não há qualquer direito ao ressarcimento deferido pela decisão judicial e, mesmo que houvesse, esse direito somente poderia operar seus efeitos após o trânsito em julgado de sentença favorável à Recorrente, fato que não ocorreu, ou melhor, houve decisão transitada em julgado desfavorável à Recorrente. De acordo com o art. 170A do CTN, é defeso efetuar compensações de débitos mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial em trâmite, ou seja, ainda não julgado definitivamente. Ou seja, só há crédito oponível à Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao particular da demanda judicial. Colacionase ainda disposição análoga do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ao permitir a compensação de crédito discutido judicialmente apenas após o trânsito em julgado da decisão judicial: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10882.902144/200914 Acórdão n.º 3301004.625 S3C3T1 Fl. 8 7 II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; (grifouse) Conforme se concluiu na decisão recorrida: No caso concreto, mesmo não pretendendo agir deste modo, o contribuinte acabou por pagar tributo com exigibilidade suspensa. Como a validade do tributo estava em discussão, o crédito do contribuinte não pode ser considerado certo, não sendo, por conseguinte, passível de compensação nos termos do artigo 170 do CTN." Situação semelhante, asseverase na decisão recorrida, ocorre com o depósito judicial, o qual, uma vez efetivado em valores suficientes para garantir a extinção do crédito em eventual vitória do Fisco, não pode ser objeto de restituição até o encerramento da lide judicial, nos termos do § 2º do artigo 32 da Lei nº 6.830, de 1980: § 2º. Após o trânsito em julgado da decisão, o depósito, monetariamente atualizado, será devolvido ao depositante ou entregue à Fazenda Pública, mediante ordem do Juízo competente. A planilha juntada aos autos que trata das parcelas que compõem o valor recolhido de R$ 28.846.704,12 indica que o crédito com exigibilidade suspensa relativo ao período de apuração 06/2003 restou recolhido. Deste modo, se recolhimento a maior houve, ele teria ocorrido, quando muito, em 27/11/2007, não em 15/07/2003. Correto, portanto, despacho decisório que considerou não liberado o PIS Dessarte, o direito pretendido com a ação judicial somente será liquido e certo quando a sentença, se favorável ao contribuinte, transitar em julgado e operar seus efeitos. Por outro lado, mesmo que se concordasse com a Recorrente, contrariamente a determinação expressa da legislação, que ela poderia utilizar créditos com fulcro em decisão judicial não transitada em julgado, ela estaria sujeita à habilitação do seu crédito, o que não efetuou. O cumprimento dessa obrigação acessória é imprescindível para que o Fisco tenha conhecimento e controle deste crédito e é condição para o exercício do direito de creditamento. Portanto, ainda que se adotasse este entendimento, defendido pela Recorrente o qual não adotamos deveria ser mantida a glosa. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10882.902144/200914 Acórdão n.º 3301004.625 S3C3T1 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720340/2016-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOA JURÍDICA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER.
Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte principal quanto à a exclusão de terceiros do pólo passivo da obrigação tributária.
DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Tendo o acórdão recorrido enfrentado, ainda que de forma concisa, um a um, todos os argumentos da recorrente, inexiste o cerceamento ou prejuízo à defesa, que pode contrapor em seu recurso todas as objeções em face dos fundamentos adotados na decisão., devendo ser rejeitada a arguição de nulidade.
LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA IDENTIFICAR A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA OU DETERMINAR O LUCRO REAL .
A lei autoriza o Fisco a fixar os lucros tributáveis relativamente ao período fiscalizado mediante arbitramento, quando a escrituração for imprestável para identificar a movimentação financeira ou determinar o lucro real.
ARBITRAMENTO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. CABIMENTO.
Não há na legislação tributária impedimento ao arbitramento do lucro quando a omissão de receitas é apurada com base em uma presunção legal.
OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO EM DUPLICIDADE.
Pelo princípio da prudência, não se pode admitir que, no cálculo do lucro arbitrado, a fiscalização considere como receitas tributáveis os valores das receitas de vendas, levantadas pelas Notas Fiscais emitidas pelo contribuinte, e os depósitos bancários de origem não comprovada, sob pena de se estar tributando em duplicidade a mesma riqueza.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
Cabível a multa de 150% sobre a diferença ou totalidade dos tributos apurados de ofício, se comprovado que o contribuinte agiu com evidente intuito de fraude, deixando reiteradamente de declarar receitas, a fim de ocultar a ocorrência do fato gerador. Considera-se atuação de forma deliberada e intencional o fato de as declarações prestadas à Receita Federal terem sido apresentadas completamente zeradas, bem como não registrar na escrituração sua movimentação financeira.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS.COFINS.
Aplica-se aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1302-002.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer das alegações quanto à responsabilidade do sócio-gerente; em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base apurada no lançamento o montante da receita de vendas apuradas nos livros fiscais, vencidos os conselheiros Maria Lucia Miceli (relatora), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOA JURÍDICA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte principal quanto à a exclusão de terceiros do pólo passivo da obrigação tributária. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo o acórdão recorrido enfrentado, ainda que de forma concisa, um a um, todos os argumentos da recorrente, inexiste o cerceamento ou prejuízo à defesa, que pode contrapor em seu recurso todas as objeções em face dos fundamentos adotados na decisão., devendo ser rejeitada a arguição de nulidade. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA IDENTIFICAR A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA OU DETERMINAR O LUCRO REAL . A lei autoriza o Fisco a fixar os lucros tributáveis relativamente ao período fiscalizado mediante arbitramento, quando a escrituração for imprestável para identificar a movimentação financeira ou determinar o lucro real. ARBITRAMENTO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. CABIMENTO. Não há na legislação tributária impedimento ao arbitramento do lucro quando a omissão de receitas é apurada com base em uma presunção legal. OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO EM DUPLICIDADE. Pelo princípio da prudência, não se pode admitir que, no cálculo do lucro arbitrado, a fiscalização considere como receitas tributáveis os valores das receitas de vendas, levantadas pelas Notas Fiscais emitidas pelo contribuinte, e os depósitos bancários de origem não comprovada, sob pena de se estar tributando em duplicidade a mesma riqueza. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Cabível a multa de 150% sobre a diferença ou totalidade dos tributos apurados de ofício, se comprovado que o contribuinte agiu com evidente intuito de fraude, deixando reiteradamente de declarar receitas, a fim de ocultar a ocorrência do fato gerador. Considera-se atuação de forma deliberada e intencional o fato de as declarações prestadas à Receita Federal terem sido apresentadas completamente zeradas, bem como não registrar na escrituração sua movimentação financeira. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS.COFINS. Aplica-se aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula.
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OMISSÃO DE RECEITA. ARBITRAMENTO. MULTA QUALIFICADA Recorrente DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS SIRO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOA JURÍDICA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte principal quanto à a exclusão de terceiros do pólo passivo da obrigação tributária. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo o acórdão recorrido enfrentado, ainda que de forma concisa, um a um, todos os argumentos da recorrente, inexiste o cerceamento ou prejuízo à defesa, que pode contrapor em seu recurso todas as objeções em face dos fundamentos adotados na decisão., devendo ser rejeitada a arguição de nulidade. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA IDENTIFICAR A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA OU DETERMINAR O LUCRO REAL . A lei autoriza o Fisco a fixar os lucros tributáveis relativamente ao período fiscalizado mediante arbitramento, quando a escrituração for imprestável para identificar a movimentação financeira ou determinar o lucro real. ARBITRAMENTO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 03 40 /2 01 6- 29 Fl. 3935DF CARF MF 2 Não há na legislação tributária impedimento ao arbitramento do lucro quando a omissão de receitas é apurada com base em uma presunção legal. OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO EM DUPLICIDADE. Pelo princípio da prudência, não se pode admitir que, no cálculo do lucro arbitrado, a fiscalização considere como receitas tributáveis os valores das receitas de vendas, levantadas pelas Notas Fiscais emitidas pelo contribuinte, e os depósitos bancários de origem não comprovada, sob pena de se estar tributando em duplicidade a mesma riqueza. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Cabível a multa de 150% sobre a diferença ou totalidade dos tributos apurados de ofício, se comprovado que o contribuinte agiu com evidente intuito de fraude, deixando reiteradamente de declarar receitas, a fim de ocultar a ocorrência do fato gerador. Considerase atuação de forma deliberada e intencional o fato de as declarações prestadas à Receita Federal terem sido apresentadas completamente zeradas, bem como não registrar na escrituração sua movimentação financeira. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS.COFINS. Aplicase aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer das alegações quanto à responsabilidade do sóciogerente; em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base apurada no lançamento o montante da receita de vendas apuradas nos livros fiscais, vencidos os conselheiros Maria Lucia Miceli (relatora), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Fl. 3936DF CARF MF Processo nº 13609.720340/201629 Acórdão n.º 1302002.926 S1C3T2 Fl. 3.936 3 Trata o presente processo de exigência fiscal formulada contra a recorrente acima identificada, por meio dos autos de infração do imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ, de fls. 3567/3581, no valor de R$1.943.329,99 de imposto, da contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, de fls. 3583/3598, no valor de R$885.298,45 de contribuição, da contribuição para o financiamento da seguridade social – Cofins, de fls. 3600/3608, no valor de R$2.459.162,48 de contribuição, e da contribuição para o Pis/Pasep, de fls. 3610/3618, no valor de R$532.818,49 de contribuição, todos acrescidos de multa de ofício no percentual de 150% e de juros de mora. A seguir, reproduzo o relatório do acórdão da DRJ recorrido por bem retratar o lançamento: 2. O procedimento é decorrente de ação fiscal promovida pela Delegacia da Receita Federal em Sete Lagoas/MG e resultou no arbitramento do lucro dos períodos de apuração do ano calendário de 2011, tendo em vista que a) a escrituração contábil digital ECD é imprestável para determinar o lucro real, pois a conta caixa não reflete a veracidade dos fatos ocorridos (art. 530, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000/99 RIR/99) e, b) a escrituração contábil digital ECD não possui a escrituração de sua movimentação bancária, tornandoa imprestável para a apuração do lucro real (art. 530, inciso II, do RIR/99). Além disso, foi apurada a omissão de receitas da atividade em todos os meses do ano calendário de 2011. Parte da receita omitida foi apurada a partir dos valores totais escriturados nos Livros Registro de Saídas nº 03 e 04 da matriz, Livros Registro de Saídas nº 01 e 02 das filiais, e dos Livros Registros de Apuração do ICMS nº 01 e 02 das filiais e 03 da matriz, todos do ano de 2011. Outra parte das receitas omitidas foi apurada a partir de presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários relativamente aos quais a interessada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos valores creditados/depositados em suas contas. A descrição completa dos procedimentos adotados no curso da auditoria fiscal e as conclusões a que chegou a fiscalização, com a apuração e descrição das irregularidades apontadas, consta do Termo de Auditoria Fiscal de fls. 3506/3526 e seus anexos, e é parte integrante dos autos de infração. 3. O enquadramento legal de cada um dos lançamentos segue adiante: 3.1. IRPJ: art. 3º da Lei nº 9.249/95; art. 42 da Lei nº 9.430/96; artigos 530, inciso II, 532 e 537 do RIR/99. 3.2. CSLL: artigo 530, inciso II, do RIR/99; art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90; art. 2º da Lei nº 9.249/95; art. 29, inciso I, da Lei nº 9.430/96; art. 22 da Lei nº 10.684/03; art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08; art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95 com as alterações introduzidas pelo art. 29 da Lei nº 11.941/09. Fl. 3937DF CARF MF 4 3.3. Cofins: Art. 8º da Lei nº 9.718/1998; art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; art. 2º da Lei nº 9.718/98; art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95, com as alterações introduzidas pelo art. 29 da Lei nº 11.941/09; art. 3º da Lei nº 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09. 3.4. PIS/Pasep: Art. 1º da Lei Complementar nº 7/70; arts. 2º, inciso I e 9º da Lei nº 9.715/98; art. 2º da Lei nº 9.718/98; art. 8º, inciso I, da Lei nº 9.715/98; art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95, com as alterações introduzidas pelo art. 29 da Lei nº 11.941/09; art. 79, da Lei nº 11.941/2009; Art. 3º, da Lei nº 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09. 4. Sobre os valores apurados se fez incidir a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, conforme § 1º do art. 44, da Lei n°9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15.06.2007, uma vez que a fiscalização entendeu presente os requisitos de evidente intuito de fraude e sonegação conforme prescrito nos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/1964. 5. Esclarece ainda a fiscalização que foram verificados diversos aspectos que ensejam a atribuição de responsabilidade solidária, constante do art. 135, da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), ao Sr. FERNANDO MOREIRA DA ROCHA, CPF 541.506.47615, sócio gerente da interessada, em virtude de o mesmo ter agido deliberadamente para evitar o conhecimento pela autoridade fazendária do fato gerador, além de agir para retardar ou impedir a ocorrência do mesmo. Em sede de julgamento de 1ª instância, por meio do Acórdão nº 1285.540, de 17 de fevereiro de 2017, a 6ª Turma de Julgamento da DRJ/RJO julgou improcedente a impugnação, consubstanciada na ementa reproduzida a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2012 PERÍCIA DENEGADA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2012 ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA IDENTIFICAR A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA OU DETERMINAR O LUCRO REAL . A lei autoriza o Fisco a fixar os lucros tributáveis relativamente ao período fiscalizado mediante arbitramento, quando a Fl. 3938DF CARF MF Processo nº 13609.720340/201629 Acórdão n.º 1302002.926 S1C3T2 Fl. 3.937 5 escrituração for imprestável para identificar a movimentação financeira ou determinar o lucro real. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei 9.430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL QUANDO EVIDENCIADOS ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO A LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem pessoalmente pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Cabível a multa de 150% sobre a diferença ou totalidade dos tributos apurados de ofício, se comprovado que o contribuinte agiu com evidente intuito de fraude, deixando reiteradamente de declarar receitas, a fim de ocultar a ocorrência do fato gerador. Considerase atuação de forma deliberada e intencional o fato de as declarações prestadas à Receita Federal terem sido apresentadas completamente zeradas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2012 CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Os lançamentos reflexos devem seguir o mesmo entendimento aplicado no julgamento do lançamento principal, se têm como fundamento as mesmas infrações, dada a relação de causa e efeito que os vincula. A recorrente e o responsável solidário, Sr. Fernando Moreira da Rocha, foram intimados do acórdão da DRJ em 03/03/2017, conforme Aviso de Recebimento (fls. 3866 e 3868). Em 21/03/2017, a recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 3880/3922), no qual alega, em síntese que o recurso é tempestivo. em preliminar, que a decisão recorrida é nula por cerceamento do direito de defesa por indeferir a prova pericial. que o lançamento é nulo pela inocorrência de motivação fática e jurídica a respaldar o arbitramento do lucro, baseado em falta de escrituração dos depósitos bancários. Fl. 3939DF CARF MF 6 quanto ao mérito, afirma que há arbitramento do lucro no mesmo período duplicado, ao tributar as operações de venda de mercadorias contabilizadas e escrituradas nos livros fiscais, e também a soma dos depósitos bancários, não contabilizados por simples omissão contábil. a base de cálculo, para efeito de arbitramento do lucro, quando conhecida a receita bruta, está definida no artigo 532 do RIR/99. se aplicado o mesmo percentual sobre os depósitos bancários do mesmo período, está transformandoo em receita conhecida, por óbvio originária das receitas de vendas realizadas, resultando em tributação em duplicidade através do arbitramento do lucro relativamente à mesma receita, maxime considerando que a receita de vendas somaram R$ 40.177.993,08, e os créditos bancários no mesmo período alcançaram R$ 41.807.804,97. para fins de arbitramento do lucro, receita conhecida é aquela alcançável por prova direta, enquanto que o fato indiciário (depósitos bancários) ficaria na dependência de um fato a provar (receita omitida), cujo ônus é do fisco. afirma que o artigo 42 da Lei nº 9.430/96 é inaplicável ao presente caso, sendo certo que o lançamento tributário, como resultado do exercício da atividade administrativa, está subordinado ao princípio da reserva legal. logo, o arbitramento do lucro tendo como base de cálculo prova indiciária (depósitos bancários), além de representar duplicidade de exigência, é indiscutivelmente ilegal. não concorda com a decisão recorrida que sustenta que os valores dos depósitos cuja origem não foi identificada passam a ser considerada receita omitida e também passam a condição de receita conhecida, para efeito da base de cálculo do arbitramento do lucro. o RIR/99 não deixou a critério do julgador estipular a base de cálculo quando não conhecida a receita bruta, mas sim determinou em seu artigo 535, e artigo 51 da Lei nº 8.981/95, que o lucro arbitrado, quando não conhecida a receita, será determinado através de procedimento de ofício, mediante de utilização de uma das alternativas de cálculo previstas no próprio dispositivo. a própria decisão recorrida lança dúvidas quanto à liquidez e certeza da base de cálculo quando concorda com a possibilidade de existir uma tributação em duplicidade. no caso sob análise, não existia nenhum motivo para desconsiderar a contabilidade, não existe autorização legal para transformar receita detectada via presunção em receita conhecida, e, por fim, o próprio órgão julgador declara haver dúvida quanto à duplicidade da base de cálculo arbitrada, situações que impõe a reforma da decisão combatida, já que o pretenso lançamento espelha ato administrativo nulo. contesta a aplicação da multa de ofício qualificada, afirmando que nenhum dos fatos apontados permitem concluir pela ocorrência de intuito de fraude ou sonegação. afirma que a DIPJ jamais foi transmitida com os campos "zerados", devendo ter ocorrido alguma falha no sistema da Receita Federal do Brasil. também não apresentou ECD para o SPED, antes do início da ação fiscal, com faturamento de R$ 1.904.905,86, pois sempre informou corretamente seu faturamento no valor de R$ 40.177.993,08. Fl. 3940DF CARF MF Processo nº 13609.720340/201629 Acórdão n.º 1302002.926 S1C3T2 Fl. 3.938 7 a falta de escrituração financeira, além de guardar perfeita fidelidade com o faturamento do período, não é motivo suficiente para desclassificação da escrituração. não possuía nenhum débito para constar em DCTF, exceto esse pretenso crédito tributário, objeto da presente impugnação, assim como não ocorreu entrega de DACON com os campos zerados, fato que, se ocorrido, deve ser debitado às falhas dos sistemas da Receita Federal. atendeu ao pedido do auditor fiscal para retificar, mediante nova transmissão, os dados da DIPJ e ECD ao SPED, contendo o faturamento de R$ 40.177.993,08. a qualificação da multa não se coaduna com a situação dos autos, já que não existe prova de nenhuma das afirmações fiscais, uma vez que não houve omissão de receita, não houve entrega de declarações zeradas, todas as operações relativas às receitas auferidas foram escrituradas, não existe incompatibilidade entre as receitas auferidas e a movimentação financeira, e, por fim, a contabilidade apresentada pela impugnante continha elementos bastantes à determinação do resultado real do período. quanto à atribuição da responsabilidade solidária, esta se limita a transcrever o artigo 135 do CTN, e afirmar que o Sr. Fernando Moreira da Rocha, na qualidade de sócio gerente, seria responsável pela movimentação financeira. inexiste prova de que o Sr. Fernando Moreira da Rocha teria praticado ato com excesso de poderes, ou infração de lei, contrato social ou estatuto. todas as situações enumeradas no relatório fiscal não vinculam o Sr. Fernando Moreira da Rocha ao suposto fato gerador do imposto, além de serem frutos de ilações do Auditor Fiscal. ademais, a decisão recorrida não rebate as alegações trazidas na peça de ingresso, explicitando os fundamentos para manutenção do lançamento, de sorte que merecem ser consideradas para efeito de apreciação recursal, posto que a recorrente as reafirma. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora. O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Entretanto, deixo de conhecer as alegações acerca da responsabilidade solidária do sócio, em função da falta de representatividade processual da pessoa jurídica para defender interesses de terceiros, ainda que seja seu sócio. Conforme relatado, a recorrente apresenta contestação quanto à responsabilização do sócio gerente Sr. Fernando Moreira da Rocha. Em que pese o recurso voluntário estar assinado pelo Sr. Fernando Moreira da Rocha, é muito claro na peça Fl. 3941DF CARF MF 8 apresentada que ele atua na função de representante da pessoa jurídica, e não como pessoa física, incluída na relação jurídica tributária como sujeito passivo solidário. A falta de legitimidade da pessoa jurídica para defender os interesses dos sócios já foi objeto de julgamento por esta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Primeira Seção do CARF, por meio do Acórdão nº 1302002.570, da lavra do i. Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, do qual transcrevo a ementa acerca da matéria. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOA JURÍDICA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte principal quanto à a exclusão de terceiros do pólo passivo da obrigação tributária. No citado Acórdão, o Conselheiro também cita decisão no STJ, nos autos do Recurso Especial nº 1.347.627 (Rel. Min. Ari Pargendler, DJe 21/12/2013), concluindo pela ilegitimidade da pessoa jurídica para interpor recurso em defesa de interesse dos seus sócios. Abaixo transcrevo parte do voto condutor: Tratouse de julgado conforme o procedimento previsto para os Recursos Repetitivos, na forma do art 543C, do Código de Processo Civil de 1973, o que atrairia o art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, pelo que transcrevo a ementa: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DO DEVEDOR. A pessoa jurídica não tem legitimidade para interpor recurso no interesse do sócio. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08." Fl. 3942DF CARF MF Processo nº 13609.720340/201629 Acórdão n.º 1302002.926 S1C3T2 Fl. 3.939 9 Pelo acima exposto, conheço em parte do recurso voluntário. Em preliminar, a recorrente alega que a decisão recorrida é nula por cerceamento ao direito de defesa por indeferir a prova pericial. Entendo que não assiste razão à recorrente. De fato, em sua impugnação, a então impugnante solicitou o deferimento de prova pericial com a finalidade específica de provar que sua "conta caixa", em momento algum apresentou saldo credor. Ocorre que o presente lançamento decorre de omissão de receitas tendo duas origens: (i) os valores totais escriturados nos Livros Registro de Saídas nº 03 e 04 da matriz, Livros Registro de Saídas nº 01 e 02 das filiais, e dos Livros Registros de Apuração do ICMS nº 01 e 02 das filiais e 03 da matriz, todos do ano de 2011, e (ii) presunção legal com base nos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea. Neste contexto, tem razão a autoridade a quo em indeferir o pedido de diligência uma vez que não há porque despender recursos em busca de comprovação de fatos e situações que não guardam relação de causa e efeito com as matérias e os fundamentos que resultaram no lançamento de crédito tributário. Ademais, as provas necessárias para afastar a presente autuação são, na essência, de natureza documental de forma a demonstrar que não houve omissão de receitas. Cumpre registrar que cabe à recorrente o ônus da apresentação desta prova juntamente com a impugnação, e não pedir perícia para produção da mesma. Pelo exposto, concluo que a alegação de cerceamento ao direito de defesa não tem cabimento, motivo pelo qual afasto a preliminar de nulidade do Acórdão nº1285.540, de 17 de fevereiro de 2017, a 6ª Turma de Julgamento da DRJ/RJO. Quanto à nulidade do lançamento em função da inocorrência de motivação fática e jurídica a respaldar o arbitramento do lucro, esta é um questão de mérito a ser enfrentada posteriormente. No mais, constatase que o lançamento atendeu a todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN, e do artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual também afasto a preliminar de nulidade do lançamento. Quanto ao mérito, inicio por enfrentar se houve ou não a ocorrência fática e jurídica a respaldar o arbitramento, como afirma a recorrente. De acordo com o Relatório Fiscal, foi constatado que: (i) a conta Caixa não reflete a veracidade dos fatos ocorridos, conforme relatado a seguir: • Inicialmente a contabilidade apresentada pela empresa continha um faturamento de R$ 1.904.905,86 e um saldo credor de caixa que totalizava R$ 21.577.550,54 em 31/12/2011, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 02; • Após a citada intimação a empresa apresentou outras duas contabilidades ao SPED; Fl. 3943DF CARF MF 10 • A última contabilidade enviada deixou de apresentar saldo credor de caixa e apresentou uma receita de vendas no valor de R$ 40.177.993,08. Porém, não possui a escrituração da conta bancos; • A conta caixa, passou a ter dois lançamentos contábeis diários com os valores totais das receitas, como exemplo segue o extrato da 1ª quinzena de janeiro: (...) • Os lançamentos citados anteriormente possuem contrapartida na conta contábil 4.1.1.01 – RECEITA BRUTA DE VENDAS. Desta forma, os lançamentos realizados a débito na conta caixa provenientes do faturamento teriam que ser em dinheiro e na data do lançamento. Acontece que em resposta apresentada a fiscalização a empresa informou que “mantém o procedimento de vendas à prazo, garantida por cheques emitidos pelos compradores, vendas essas com prazo entre 07 a 28 dias” e, ainda, esclarece que “Informo para os devidos fins, que a movimentação bancária e financeira dos recursos depositados, foram feitas através de saques em decorrência de cheques emitidos, para cobertura das operações mercantis”. A empresa para justificar sua movimentação bancária, a qual não está escriturada, alega que na conta caixa estão cheques emitidos e que só poderão ser descontados entre 07 a 28 dias. Portanto, estes valores não são discriminados e, provavelmente, ao serem excluídos, resultarão em saldo credor de caixa. (grifei) • Verificando os créditos em conta corrente do contribuinte encontramos diversos lançamentos com histórico de liquidação de cobrança, liberação de cobrança, crédito de cobrança, TED e DOC. Concluímos que a conta caixa não reflete a realidade das operações realizadas pela empresa. (grifei) (ii) não escrituração da movimentação bancária, conforme relatado a seguir: • O contribuinte não escriturou nenhuma de suas movimentações bancárias. Ressaltase que após a conciliação e exclusões realizadas pela fiscalização restou uma movimentação financeira em contas bancárias de R$ 41.807.804,97. • Intimado a apresentar a documentação de origem dos referentes créditos em suas contas corrente limitouse a informar que: “Os valores depositados nas instituições financeiras indicados, são originários de vendas realizadas pela empresa, no período supracitado, devidamente acobertadas por documentos fiscais (notas fiscais e cupons), devidamente escriturados ... Informo mais, que a empresa mantém o procedimento de vendas à prazo, garantida por cheques emitidos pelos compradores, vendas essas com prazo entre 07 a 28 dias, situação que esclarece o fato de diferença em algumas situações depositadas no mês, ser superior ou inferior às vendas realizadas e registradas”. Ora, o artigo 530, inciso II do RIR/99 é bem claro quando determina que as duas situações acima apontadas são impeditivas de apuração pelo lucro real, sendo obrigatório o arbitramento do lucro: Fl. 3944DF CARF MF Processo nº 13609.720340/201629 Acórdão n.º 1302002.926 S1C3T2 Fl. 3.940 11 “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): ................; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; Portanto, diferente da alegação da recorrente, concluo que restou perfeitamente demonstrado, por meio dos fatos e dos dispositivos legais, que o arbitramento do lucro é única alternativa para apuração dos créditos tributários devidos, não havendo qualquer reparo a fazer no lançamento e sequer na decisão ora combatida. Registro que a recorrente teve oportunidade de sanear sua escrituração contábil, tanto que o fez por duas vezes, alterando o faturamento de R$ 1.904.905,86 para R$ 40.177.993,08, bem como eliminando o saldo credor de Caixa no valor de R$ 21.577.550,54. No entanto, se manteve inerte quanto ao registro na sua ECD de sua movimentação financeira, em que pese o montante de R$ 41.807.804,47 de depósitos bancários. Uma vez definida a forma de tributação pelo arbitramento do lucro, cabe determinar a base de cálculo para apuração do crédito tributário. Se a receita bruta é conhecida, devese aplicar o artigo 532 do RIR/99, com a aplicação dos percentuais fixados para a tributação pelo lucro presumido, acrescido de vinte por cento. Aqui reside outro ponto contestado pela recorrente, já que discorda da base de cálculo utilizada pela fiscalização, qual seja: 1) Receita bruta na revenda de mercadorias, no valor total de R$ 40.177.993,08, conforme relata a autoridade fiscal: De acordo com os totais dos Livros Registro de Saídas nº 03 e 04, da matriz e Livros Registro de Saídas nº 01 e 02, das filiais e Livros Registros de Apuração do ICMS nº 01 e 02 das filiais e 03 da matriz, todos do ano de 2011, a fiscalização montou uma tabela com o valor da receita bruta mensal da empresa no ano de 2011. 2) Omissão de receitas por presunção legal depósitos bancários de origem não comprovada, no valor total de R$ 41.807.804,97 O sujeito passivo não escriturou seus depósitos bancários referentes ao ano calendário de 2011 na sua contabilidade enviada ao SPED. A fiscalização, após fazer a conciliação entre as contas e excluir os valores determinados pela legislação, intimou o contribuinte a justificar a origem dos créditos remanescentes por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 04 e seus anexo, o qual individualizou, por conta, data e valor os créditos existentes em seus extratos bancários. Atendo a fiscalização, o contribuinte apenas fez alegações genéricas que sua movimentação financeira era compatível com sua receita e que divergências Fl. 3945DF CARF MF 12 mensais eram provenientes do recebimento de cheques com prazo entre 7 a 28 dias. Posteriormente, a fiscalização emitiu o Termo de Intimação Fiscal nº 06, reintimando o contribuinte a justificar a origem dos créditos e cientificando a mesma que deve ser justificado cada crédito de sua movimentação financeira. Respondendo a fiscalização a empresa, apenas, ratificou a informação já prestada. (...) Portanto, de acordo com o art. 42 da Lei 9.430/96, os valores não escriturados e que o contribuinte regularmente intimado não comprovou a origem serão considerados como omissão de receita, como estabelece a legislação citada abaixo: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Abaixo, tabela que sintetiza os valores mensais das receitas omitidas: Receita Bruta Vendas Receita Bruta Presumida jan/11 R$ 2.296.890,09 R$ 3.122.409,30 fev/11 R$ 2.634.781,67 R$ 2.923.965,57 mar/11 R$ 2.787.367,61 R$ 3.316.899,92 abr/11 R$ 3.486.881,84 R$ 3.132.763,99 mai/11 R$ 3.232.366,50 R$ 3.598.778,20 jun/11 R$ 3.486.311,68 R$ 3.872.777,06 jul/11 R$ 3.759.733,39 R$ 3.655.381,41 ago/11 R$ 3.548.083,37 R$ 4.031.272,47 set/11 R$ 3.486.879,20 R$ 3.933.838,55 out/11 R$ 3.079.727,28 R$ 3.945.940,76 nov/11 R$ 4.391.050,72 R$ 3.217.715,56 dez/11 R$ 3.974.205,88 R$ 3.056.062,18 Totais R$ 40.164.279,23 R$ 41.807.804,97 A recorrente alega que o lançamento está tributando em duplicidade a mesma base de cálculo, afirmando que os depósitos bancários decorrem de vendas realizadas, igualmente tributadas. Ademais, uma vez conhecida a receita bruta, contabilizada nos livros, não é cabível a aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, por ser um fato indiciário, cujo ônus de comprovar que é receita omitida é do fisco. Alega que o RIR/99 determinou em seu artigo 535, e artigo 51 da Lei nº 8.981/95, que o lucro arbitrado, quando não conhecida a receita, será determinado através de procedimento de ofício, mediante de utilização de uma das alternativas de cálculo previstas no próprio dispositivo. Não assiste razão à recorrente, uma vez que a defesa parte de uma premissa equivocada: que, para fins de arbitramento, receita conhecida é aquela alcançável por prova direta, excluindo, portanto, qualquer hipótese de presunção legal de omissão de receita. E, caso não conhecida a receita, só caberia sua determinação conforme definido nos incisos do artigo 535 do RIR. Ou seja, jamais seria possível arbitrar o lucro na hipótese de presunção legal de receita omitida. Totalmente equivocada a premissa, porque não há na legislação tributária Fl. 3946DF CARF MF Processo nº 13609.720340/201629 Acórdão n.º 1302002.926 S1C3T2 Fl. 3.941 13 qualquer limitação ou restrição de forma que a base de cálculo do lucro arbitrado seja obtida apenas por prova direta, ou na forma prevista no artigo 535 do RIR/99. A forma de apuração do lucro não determina como será obtida a receita, se por prova direta ou presunção legal. São conceitos e procedimentos independentes. Portanto, um lançamento cujo lucro é arbitrado pode ter como base de cálculo receita omitida, apurada seja de forma direta ou por presunção legal. E, diferente do que alega a recorrente, no caso do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, é ônus do contribuinte provar que os valores depositados em sua conta corrente não são receitas, e, caso sejam, que foram devidamente tributadas, para afastar a presunção legal de omissão de receita. No presente caso, a falta de registro contábil dos depósitos bancários, assim como os dois lançamentos diários com valores totais de receita na conta Caixa, não colabora com a tese de que seriam os mesmos valores tributados. Uma análise mais detalhada não permite qualquer conclusão segura que há de fato tributação em duplicidade, pela total ausência de coincidência de valores e datas, conforme pequeno demonstrativo a seguir: Data Valores Depositados Lançamento Caixa Data Valores Depositados Lançamento Caixa Data Valores Depositados Lançamento Caixa 03/01/2011 150.000,00 04/01/2011 82.210,27 05/01/2011 75.468,74 03/01/2011 73.572,82 04/01/2011 26.735,00 05/01/2011 29.450,00 03/01/2011 39.167,00 04/01/2011 5.203,23 36.424,19 05/01/2011 10.233,03 38.038,72 03/01/2011 22.001,58 04/01/2011 1.185,32 44.596,49 05/01/2011 8.123,60 150.301,48 03/01/2011 5.214,66 total 115.333,82 81.020,68 total 123.275,37 188.340,20 03/01/2011 4.064,74 39.597,22 03/01/2011 1.791,51 84.193,71 total 295.812,31 123.790,93 Neste contexto, em momento algum a decisão ora recorrida colocou como duvidosa a apuração da base de cálculo do lançamento ao reconhecer a possibilidade de ter ocorrido duplicidade na cobrança. Afinal, caso a recorrente se esforçasse em trazer a documentação que comprovasse a origem dos depósitos, poderseia verificar com segurança se houve de fato a alegada tributação em duplicidade. Assim esclareceu o i. julgador de primeira instância: 10.9. A interessada alega que ao incluir na base de cálculo do arbitramento as receitas declaradas e as presumidamente omitidas em virtude não comprovação dos depósitos bancários, suas receitas estariam sendo tributada duas vezes, o que até é possível de estar ocorrendo. Ocorre que esta prova deveria ser produzida pela interessada, em virtude da inversão do ônus da prova que é característica das presunções legais, como já abordado no presente voto. Além disso, ao efetuar o lançamento a autoridade fiscal deve seguir o que determina a lei, em virtude de ser o lançamento atividade plenamente vinculada. Assim, se o art. 42 da Lei nº 9.430/96 determina que a falta de comprovação da origem dos créditos impõe que os mesmos sejam considerados receitas omitidas, não haveria como a fiscalização excluir tais valores da tributação. (grifei) 10.10. Caberia a interessada afastar a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários não Fl. 3947DF CARF MF 14 comprovados, justificando a origem da cada um dos depósitos a respeito dos quais foi intimada, ou, alternativamente, comprovar que as receitas declaradas na DIPJ retificadora é composta pelos valores dos depósitos bancários em suas contas. Nada disso foi feito. Portanto, não existe prova de que há dupla tributação de suas receitas. Como dito anteriormente, é ônus da recorrente afastar a presunção de receita omitida, para restar, no presente lançamento, como base de cálculo apenas a receita obtida por prova direta. Alegar apenas sem trazer qualquer documento hábil e idôneo que demonstre a origem dos valores depositados em suas contas correntes deixa sua defesa sem consistência. Logo, concluo que não há reparo a ser feito na base de cálculo do presente lançamento. Com relação à multa qualificada, a recorrente afirma que não existe prova de nenhuma das afirmações fiscais, pois não houve omissão de receita, não houve entrega de declarações zeradas, todas as operações relativas às receitas auferidas foram escrituradas, não existe incompatibilidade entre as receitas auferidas e a movimentação financeira, e, por fim, a contabilidade apresentada pela impugnante continha elementos bastantes à determinação do resultado real do período. Mais uma vez não assiste razão à recorrente, pois todos os elementos trazidos pelo auditor fiscal estão comprovados nos autos, e nos permitem concluir que houve a clara intenção de praticar os delitos previsto nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, ou seja, a fraude e sonegação. Com a tecnologia atual desenvolvendo sistemas de controle e comprovantes de transmissão para os contribuintes, não tem cabimento a alegação rasa de que houve falha nos sistemas da Receita Federal para justificar a entrega das declarações com valores zerados, ou a apresentação de ECD com faturamento na ordem de 4,7% do que seria o correto. A recorrente só apresentou as declarações e ECD com o faturamento no valor de R$ 40.177.993,08 após iniciada a ação fiscal. E, ainda por cima, ciente da ação fiscal, não escriturou contabilmente sua movimentação financeira. Concordo, portanto, com a afirmação do fiscal de que "Estes dados citados acima comprovam não se tratar de apenas um erro, mas sim, de uma ação deliberada para evitar o conhecimento da autoridade fazendária do fato gerador ao não prestar, ou prestar incorretamente as informações. Além, de não informar, também, não pagou qualquer valor." Concluo que é correta a aplicação da multa qualificada de 150 % no presente lançamento. Por fim, discordo da afirmação de que a decisão recorrida não teria enfrentado todas as questões trazidas na peça impugnatória. Do cotejo das alegações e do voto proferido pelo nobre julgador de instância, constato que todas as alegações foram rebatidas, de forma fundamentada e consistente. CONCLUSÃO Por todo acima exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário na parte conhecida, com a manutenção no pólo passivo o Sr. Fernando Moreira dos Santos e considerando o lançamento procedente. (assinado digitalmente) Fl. 3948DF CARF MF Processo nº 13609.720340/201629 Acórdão n.º 1302002.926 S1C3T2 Fl. 3.942 15 Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 3949DF CARF MF 16 Voto Vencedor Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias No ponto em que a douta relatora entendeu que não haveria duplicidade na tributação, quando a fiscalização considerou, para fins de cálculo dos tributos devidos, (i) os depósitos bancários e (ii) as vendas realizadas (obtidas da escrituração feita pelo próprio contribuinte), ouso discordar do entendimento exarado. É que, como mencionado e como se observa dos autos, no trabalho realizado, a fiscalização considerou como receita tributável do contribuinte os depósitos bancários em conjunto com as vendas realizadas. Pelo o que se depreende do quadro elaborado pela própria fiscalização, os valores das duas rúbricas são bem próximos. Vejase: Receita Bruta Vendas Receita Bruta Presumida jan/11 R$ 2.296.890,09 R$ 3.122.409,30 fev/11 R$ 2.634.781,67 R$ 2.923.965,57 mar/11 R$ 2.787.367,61 R$ 3.316.899,92 abr/11 R$ 3.486.881,84 R$ 3.132.763,99 mai/11 R$ 3.232.366,50 R$ 3.598.778,20 jun/11 R$ 3.486.311,68 R$ 3.872.777,06 jul/11 R$ 3.759.733,39 R$ 3.655.381,41 ago/11 R$ 3.548.083,37 R$ 4.031.272,47 set/11 R$ 3.486.879,20 R$ 3.933.838,55 out/11 R$ 3.079.727,28 R$ 3.945.940,76 nov/11 R$ 4.391.050,72 R$ 3.217.715,56 dez/11 R$ 3.974.205,88 R$ 3.056.062,18 Totais R$ 40.164.279,23 R$ 41.807.804,97 Não se pode perder de vista, neste ponto, que as receitas de venda foram obtidas, pela fiscalização, através das Notas Fiscais emitidas pelo próprio contribuinte. Este, por sua vez, alegou que a diferença existente entre os depósitos bancários e as receitas de venda seriam por ter realizado vendas a prazo, através de "cheques prédatados com prazo de 5 a 27 dias". Sabese, neste sentido, que, na presunção relativa de receitas por crédito bancário, é dever do contribuinte apresentar provas de que aquele crédito não é receita tributável ou, se for, que os valores já foram oferecidos à tributação. Não o fazendo, presume se como tributável aqueles valores. Contudo, no presente caso, as receitas tributáveis de venda de mercadorias são praticamente as mesmas decorrentes dos depósitos bancários, o que, data venia, demonstra que a fiscalização, ao realizar o cálculo do lucro arbitrado, considerou, a princípio, em duplicidade, as receitas auferidas pelo contribuinte. Pelo princípio da prudência, deveria, a fiscalização, ter adotado a interpretação mais benéfica possível ao contribuinte e considerado apenas aqueles valores que, no mês de apuração, tivessem excedido os valores de receita bruta apurados através das notas fiscais de venda emitidas pelo próprio contribuinte, o que não foi feito. Devese salientar que, como os valores das receitas com as vendas realizadas, que foram obtidos através das Notas Fiscais emitidas pelo contribuinte, são um pouco menores do que os créditos identificados na conta corrente, caberia, ao contribuinte, comprovar que essa Fl. 3950DF CARF MF Processo nº 13609.720340/201629 Acórdão n.º 1302002.926 S1C3T2 Fl. 3.943 17 diferença não se tratava de uma receita tributável, como determina o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, tendo em vista a presunção relativa, que é admitida em nosso ordenamento jurídico. Contudo, não havendo prova convincente nos autos, essa diferença deve compor as receitas tributáveis do Recorrente no período fiscalizado. O que não se pode admitir, como mencionado, é a consideração, como receita tributável, das duas grandezas depósitos bancários e receitas com venda de mercadorias por se configurar em patente duplicidade na tributação. Desta feita, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que reste decotado do cálculo do lucro arbitrado os valores relativos às receita de vendas apuradas no livros fiscais, mantendose, naquele cálculo, apenas os valores relativos aos depósito bancários de origem não comprovada pelo contribuinte (R$ 41.807.804,97) e que englobam, em última análise, aquelas receitas de venda. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 3951DF CARF MF 18 Declaração de Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Acompanhei o voto divergente no sentido de excluir da base apurada no lançamento o montante da receita de vendas apuradas nos livros fiscais, pelos motivos que passo a expor. De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal (fls.3506/3526), o lançamento foi realizado mediante o arbitramento do lucro, tendo em vista que a escrituração contábil do contribuinte apresentava vícios que a tornaram imprestável para a apuração do lucro real, pois a conta caixa não refletia a veracidade dos fatos ocorridos e não possuía a escrituração de sua movimentação bancária. Ressaltou a fiscalização que após a conciliação e exclusões realizadas pela fiscalização restou uma movimentação financeira em contas bancárias de R$ 41.807.804,97 Durante o procedimento fiscal, a autoridade fiscal, de posse dos extratos obtidos junto às instituições financeiras com base em autorização dada pelo contribuinte, intimou à justificar os créditos nas contas bancárias, nos termos do art. 42 da Lei nº 9430/1996. Respondendo ao Termo de Intimação a empresa alegou que os valores depositados nas instituições financeiras, são originários de vendas realizadas pela empresa, no período sob exame, acobertadas por documentos fiscais (notas fiscais e cupons), devidamente escriturados, informando seus valores mês a mês, totalizando R$ 40.177.993,08 no ano. Não obstante a constatação dos valores registrados como receitas e o valor da movimentação financeira bastante próximos, a autoridade fiscal considerou que, como o contribuinte não justificou individualizadamente a origem dos créditos em contas bancárias, a totalidade desses créditos representa omissão de receitas, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, e acresceuas à receita conhecida apurada com base na escrituração fiscal com vistas a determinação do lucro arbitrado. Com a devida vênia, penso que foge à qualquer razoabilidade considerar que nenhum dos valores que ingressaram nas conta bancárias da contribuinte decorrem de suas receitas de vendas reconhecidas e escrituradas. O fato da contabilidade do contribuinte ter vícios que a tornaram insanáveis, em especial a própria falta de escrituração da movimentação bancária, certamente depõem contra o contribuinte, daí a necessidade de sua desconsideração e arbitramento do lucro. Não obstante, a totalidade dessa movimentação bancária foi apurada pela fiscalização a partir dos extratos bancários fornecidos pelas instituições com autorização da contribuinte. Ou seja, não há qualquer indício de que existam outras movimentações bancárias à margem da escrituração, além daquela identificada pela fiscalização. No meu entender, existiam duas ordens de grandeza mediante a qual o Fisco poderia aferir a receita do sujeito passivo, uma vez desconsiderada sua contabilidade. A primeira e mais natural, seria, a receita conhecida apurada com base nos valores registrados nos livros e notas fiscais. Ou, entendendo haver indícios de omissão de receitas, como por exemplo, diferenças significativas entre os valores escriturados como Fl. 3952DF CARF MF Processo nº 13609.720340/201629 Acórdão n.º 1302002.926 S1C3T2 Fl. 3.944 19 receitas e a movimentação bancária, poderia o Fisco optar por apurar a receita com base nesta última. Não me parece nem um pouco razoável somaremse estas duas grandezas. Identifico um claro "bis in idem" no lançamento ao serem eleitas as duas bases para a apuração do lucro arbitrado. Não se trata aqui de desconsiderar o comando legal que determina a identificação da origem dos créditos de forma individualizada, mas sim aplicar a norma levando em conta as circunstâncias do caso concreto, que apontam no sentido de que a movimentação bancária apurada é totalmente compatível com a receita reconhecida pela contribuinte. Assim, a solução que me parece mais correta no caso concreto, é a exclusão da base total tributada na autuação, do valor das receitas escrituradas e declaradas, uma vez que existem claros indícios de que estão contidas no montante total da movimentação bancárias levado à tributação. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base apurada no lançamento o montante da receita de vendas apuradas nos livros fiscais. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 3953DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13931.720036/2012-96
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
EQUÍVOCOS NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DO IRPF.
ÔNUS EXCLUSIVO DO CONTRIBUINTE EM PROVAR O ALEGADO.
Numero da decisão: 2002-000.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 EQUÍVOCOS NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DO IRPF. ÔNUS EXCLUSIVO DO CONTRIBUINTE EM PROVAR O ALEGADO.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
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ÔNUS EXCLUSIVO DO CONTRIBUINTE EM PROVAR O ALEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 1. 72 00 36 /2 01 2- 96 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13931.720036/201296 Acórdão n.º 2002000.207 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls.83/85) contra decisão de primeira instância (fls.74/79), que julgou pela improcedência da impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: O presente processo, trata de autuação contra o contribuinte acima qualificado, conforme Notificação de Lançamento nº 2009/464271595971010, de fls. 05/09, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2009, anocalendário de 2008, no valor de R$ 9.545,21 (nove mil, quinhentos e quarenta e cinco reais e vinte e um centavos), valor já acrescido dos juros de mora e multa de ofício, calculados até 31/05/2012, de acordo com a legislação de regência. O lançamento de ofício decorreu de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, tendo sido constatado Deduções Indevidas de Despesa Médicas, fls. 07, descrição dos fatos e enquadramento lega l da Notificação de Lançamento ora guerreada, onde a repartição de origem glosou o valor de R$ 24.979,44 (vinte e quatro mil, novecentos e setenta e nove reais e quarenta e quatro centavos), deduzidos àquele título. Em 08/06/2012, o contribuinte foi cientificado da exigência tributária. No dia 26/06/2012, foi juntada a impugnação de fls. 02/03, onde, em síntese, alega que: “Foi cometido erro no preenchimento da declaração. O valor não diz respeito a despesas médicas, devendo ser considerado como dedução de outra natureza. O contribuinte confiou o preenchimento de sua declaração ao contabilista Arnaldo do Amaral Júnior, o qual utilizouse, indevidamente, de documentos pertencentes à outra pessoa, preenchendo incorretamente os seguintes campos da declaração:A)DECLARAÇÃO DE BENS: A1)Não possui nem é sócio de estabelecimento comercial (Lanchonete); A 2)Não possui nenhum imóvel B) PAGAMENTOS E DOAÇÕES: B1)Não efetuou pagamentos à Unimed; B2)Não efetuou pagamentos à dentistas; B3) Não efetuou pagamentos à Brasil Prev. C)RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS: C1)Não auferi u nenhum rendimento de pessoas físicas C2)Seu único rendimento recebido foi aposentadoria por invalidez pago pelo INSS.” A repartição de origem reviu o lançamento, tendo si do apreciados a documentação e os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, concluindo pelo indeferimento do seu pleito, nos termos do Despacho Decisório, nº 050/2013, de 28/03/2013, fls. 55/56. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13931.720036/201296 Acórdão n.º 2002000.207 S2C0T2 Fl. 4 3 DESPESAS MÉDICAS. Admitese a dedução dos valores correspondentes aos pagamentos efetuados pelo contribuinte a empresas domiciliadas no país, destinados a cobertura de despesas médicas, odontológicas e de hospitalização a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza, devidamente comprovados através de recibos firmados e pessoalmente reconhecidos pelos profissionais prestadores dos serviços. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi notificado em 29/06/2016 (fl.82); Recurso Voluntário protocolado dia 15/07/2016 (fl.67), assinado pelo próprio contribuinte. Diz o recorrente, que no preenchimento de sua declaração foram cometidos vários equívocos, com relação a pagamentos e doações efetuados; declaração de bens e direito, e por fim Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas. Alega o recorrente que sua Declaração de Imposto de Renda, foi confiada ao contador Arnaldo do Amaral Junior, e que o mesmo não havia examinado a declaração. Cumpre destacar que a responsabilidade é objetiva, pois independe da vontade do agente ou responsável. É o inverso do Direito Penal, onde a imputabilidade está sempre a depender da subjetividade. Destacase também que depois de iniciada a ação fiscal, o requerimento de retificação de rendimentos de sua declaração não o eximirá por isso das penalidades previstas, inteligência do art. 833 do Decreto nº 3.000 de 26 de Março de 1999. Alega o recorrente que na verdade o que ocorreu foi erro de fato no preenchimento da declaração, e que este não é motivo a fim de gerar o imposto de renda. Ainda diz o R.V., que "Podese com facilidade, comprovar o não recebimento de rendimentos de uma determinada pessoa, a dificuldade surge em comprovar o inexistente, o abstrato". Verifico o documento de fl.38 carreado aos autos pelo contribuinte, "Declaração", de parte do contabilista o seguinte: Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13931.720036/201296 Acórdão n.º 2002000.207 S2C0T2 Fl. 5 4 Pois bem, o Sr Arnaldo Amaral Junior, admite que cometeu o erro, apresenta uma série de documentos, que provam que o contribuinte, vive apenas de sua aposentadoria, que não tem plano de saúde, que não é possuidor de imóvel etc,porém não apresenta o nome do contribuinte, que ele se refere como outra pessoa física, cujos documentos estavam em seu poder. Assim sendo, a r. decisão primeira, não carece de reparos. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento, mantendo a r. decisão revisanda. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001816/2008-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/10/2007
COOPERATIVA DE TRABALHO. REPERCUSSÃO GERAL. SUSPENSÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO ATÉ DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA QUE DEVE SER APLICADA AO LANÇAMENTO FISCAL.
O Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do Recurso Extraordinário RE 595.838/SP declarou inconstitucional a contribuição social a cargo da empresa no montante de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, Lei 5.869/73) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF na forma do art. 62, § 1º, II, b, do Regimento Interno, aprovado pela portaria MF Nº 343/2015.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1998 a 31/10/2007 COOPERATIVA DE TRABALHO. REPERCUSSÃO GERAL. SUSPENSÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO ATÉ DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA QUE DEVE SER APLICADA AO LANÇAMENTO FISCAL. O Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do Recurso Extraordinário RE 595.838/SP declarou inconstitucional a contribuição social a cargo da empresa no montante de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, Lei 5.869/73) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF na forma do art. 62, § 1º, II, b, do Regimento Interno, aprovado pela portaria MF Nº 343/2015. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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REPERCUSSÃO GERAL. SUSPENSÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO ATÉ DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA QUE DEVE SER APLICADA AO LANÇAMENTO FISCAL. O Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do Recurso Extraordinário RE 595.838/SP declarou inconstitucional a contribuição social a cargo da empresa no montante de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, Lei 5.869/73) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF na forma do art. 62, § 1º, II, “b”, do Regimento Interno, aprovado pela portaria MF Nº 343/2015. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 18 16 /2 00 8- 81 Fl. 1607DF CARF MF 2 O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.169.0951, datado de 16/05/2008, lavrado contra a empresa supra identificada, no valor total de R$ 175.923,54 (cento e setenta e cinco mil, novecentos e vinte e três reais e cinqüenta e quatro centavos), referente a multa por não inclusão nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), no período de 12/1998 a 10/2007, omitindo: a) a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, cujos valores constam discriminados em folhas de pagamento, no período de 12/2001 a 09/2007; b) remuneração dos membros do Conselho de Administração e Fiscal da empresa através de valores fixos denominados de Células de Presença, pagos por participação em reuniões dos referidos conselhos, no período de 03/2000 a 02/2006; c) os valores brutos, referentes as notas fiscais/faturas emitidas por cooperativa de trabalho (Unimed), conforme lançamentos contábeis na conta n° 5034 — Unimed de Blumenau, no período de 04/2001 a 10/2007; Fl. 1608DF CARF MF Processo nº 13971.001816/200881 Acórdão n.º 9202007.050 CSRFT2 Fl. 3 3 d) diferenças entre os valores calculados e os efetivamente descontados nas contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, obtidas através do processamento das informações entregues em meio digital pela notificada e as calculadas pelo Sistema de Auditoria Digital (AUDIG), no período de 12/98 a 04/2007. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC julgado a impugnação procedente em parte, mantendo o crédito tributário em parte. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 13/03/2012, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 230102.646 (fls. 1.517/1.527), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; b) dar provimento parcial ao recurso, para relevar a multa, considerando a correção parcial do descumprimento da obrigação acessória, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento nesta questão. III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Adriano Gonzáles Silvério”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 30/10/2007 APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. DECADÊNCIA PARCIAL Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplicase, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. COOPERATIVAS A prestação de serviços remunerados pelos cooperados intermediados por cooperativa médica é fato gerador da contribuição previdenciária, e deve ser informada em GFIP pelo contratante dos serviços. MULTA APLICADA No curso do processo a recorrente comprovou a correção da falta parcialmente, razão pela qual deve incidir a relevação parcial da multa, mesmo que dentro uma mesma competência, nos termos do art. 648 da IN 03/2005. Fl. 1609DF CARF MF 4 Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual deve incidir na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente AI calculada nos termos do artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. O processo foi encaminhado à PGFN em 22/10/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.528), para ciência do acórdão em até trinta dias, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010. A intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreria em 22/11/2012. Ainda em 25/10/2012, tempestivamente, portanto, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 1.529/1.540 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.541). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 164, da 3ª Câmara, de 25/02/2014 (fls. 1.555/1.558), considerado o acórdão paradigma nº 240100.127 e nº 20601.782. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212/91, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 230102.646, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 23/03/2015 (Cópia do Aviso de Recebimento AR fl. 1.561), o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 1.584/1.593) e Recurso Especial (fls. 1.563/1.583), ambos em 1º/04/2015, portanto, tempestivos. Em suas contrarrazões, o contribuinte, em síntese, alega que o acórdão recorrido não merece reparo neste ponto, que já há decisão judicial que alberga o entendimento do colegiado a quo. Traz ainda em suas alegações que a Fazenda Nacional em seu recurso teria se equivocado ao analisar as espécies de multa. Vejamos trechos: “6. Ocorre, no entanto, que, na esteira do recurso especial concomitantemente apresentado, o ponto debatido pela União em seu apelo extremo já está superado a favor dos contribuintes (...) 16. Com o devido respeito, o grande equivoco da fazenda foi ter fundido duas espécies de multa (isolada e de ofício), mediante aplicação retroativa da Lei nº 11.941/2009. Enquanto a multa em tese cabível neste processo administrativo decorre da ausência de informações em GFIP, a recorrente busca uma alteração da natureza da penalidade, tratando da multa isolada e da multa de ofício como se fossem uma única coisa, o que não subsiste, frente às regras vigentes ao tempo dos fatos geradores”. Ao Recurso Especial do contribuinte, foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 04/05/2017 (fls. 1.598/1.602), considerado o acórdão paradigma nº 2302003.472 e nº 2403002.792. Fl. 1610DF CARF MF Processo nº 13971.001816/200881 Acórdão n.º 9202007.050 CSRFT2 Fl. 4 5 O recorrente, em suas alegações, requer seja recebido, processado e provido seu recurso, para que seja reformado o acórdão recorrido, sendo declarada a inexigibilidade de declaração em GFIP de pagamentos a cooperativas, por inconstitucionalidade, e conseqüente cancelamento da multa impugnada. Cientificada do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp do contribuinte em 09/05/2017 (Despacho de Encaminhamento – fl. 1.603), a PGFN informou que não apresentaria contrarrazões (fl. 1.604) em 15/05/2017. É o relatório. Fl. 1611DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte são tempestivos e atendem, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 1555 e 1598, respectivamente. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos dos despachos proferidos, passo a apreciar o mérito da questão. Das Preliminares Delimitação dos Recursos Cingese a controvérsia em relação ao Resp da Fazenda Nacional às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Por outro lado, o ponto crucial a ser apreciado no Recurso do Contribuinte, diz respeito ao alcance da declaração de inconstitucionalidade das contribuições sobre a contratação de cooperativas de trabalho. Recurso Especial do Contribuinte Busca o sujeito passivo com seu recurso seja dado total provimento ao presente recurso, para que seja reformado o acórdão recorrido em relação à matéria: multa decorrente da omissão em GFIP de pagamentos efetuados a cooperativas em face do RE 595.838/SP, o que venho a concordar como exposto a seguir. Da Contribuição pela contratação de cooperativas de trabalho Extraise do documento denominado Fundamentação Legal do Débito – FLD (fl. 193), que o lançamento, que tem como fato gerador a prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, está fundamentado no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Confirase o relatório fiscal em relação aos fatos geradores omitidos: · a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, cujos valores constam discriminados em folhas de pagamento, no período de 12/2001 a 09/2007; · remuneração dos membros do Conselho de Administração e Fiscal da empresa através de valores fixos denominados de Células de Presença, pagos por participação em reuniões dos referidos conselhos, no período de 03/2000 a 02/2006; · os valores brutos, referentes as notas fiscais/faturas emitidas por cooperativa de trabalho (Unimed), conforme lançamentos contábeis na conta n° 5034 — Unimed de Blumenau, no período de 04/2001 a 10/2007; Fl. 1612DF CARF MF Processo nº 13971.001816/200881 Acórdão n.º 9202007.050 CSRFT2 Fl. 5 7 · diferenças entre os valores calculados e os efetivamente descontados nas contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, obtidas através do processamento das informações entregues em meio digital pela notificada e as calculadas pelo Sistema de Auditoria Digital (AUDIG), no período de 12/98 a 04/2007. Ao contrário de outros AIOA, em que normalmente não se analisa o mérito do lançamento, mas tão somente a aplicação do resultado do AIOP, no presente lançamento houve por parte do acórdão recorrido a apreciação do mérito, resultando recurso específico em relação ao mérito que teve seguimento. Dessa forma, a apreciação da matéria deve levar em consideração a decisão Plenário do Supremo Tribunal Federal – STF, em decisão unânime, tomada no RE nº 595838/SP, declarou a inconstitucionalidade do citado dispositivo em recurso com repercussão geral. Abaixo a transcrição da ementa do julgado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.ARTIGO 22, INCISO IV, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.876/99.SUJEIÇÃO PASSIVA. EMPRESAS TOMADORAS DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERADOS POR MEIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. BASE DE CÁLCULO. VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. TRIBUTAÇÃO DO FATURAMENTO. BIS IN IDEM. NOVA FONTE DE CUSTEIO. ARTIGO 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Fl. 1613DF CARF MF 8 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO Dje196 DIVULG 07102014 PUBLIC 0810 2014) (Grifei) A Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN apresentou Embargos de Declaração ao RE 595.838/SP, postulando pela modulação dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade, bem como, a manifestação sobre a repristinação da Lei Complementar 84/96, alegando forte impacto ao orçamento da Seguridade Social e nas políticas públicas de saúde, previdência social e assistência social. Deste recurso decidiu o STF, em sessão plenária de 18/12/2014: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO.PEDIDO DE MODULAÇÃO DE EFEITOS DA DECISÃO COM QUE SE DECLAROU A INCONSTITUCIONALIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.876/99. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.AUSÊNCIA DE EXCEPCIONALIDADE. LEI APLICÁVEL EM RAZÃO DE EFEITO REPRISTINATÓRIO.INFRACONSTITUCIONAL. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. 5. Embargos de declaração rejeitados. Como a decisão de inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei 8212/91 na redação da Lei 9.876/99, não transitou em julgado e a ADI 2594, sob relatoria do Min. Teori Zavascki, encontrase liberada pelo relator para julgamento do Plenário do STF desde setembro de 2014, a decisão judicial definitiva do RE 595.838/SP deve ser aplicada ao lançamento fiscal. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543B e 543C do CPC/1973) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF, na forma do art. 62, § 1º, II, “b” do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF343/2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 1614DF CARF MF Processo nº 13971.001816/200881 Acórdão n.º 9202007.050 CSRFT2 Fl. 6 9 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: II – que fundamente crédito tributário objeto de: b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 43C da Lei nº 5.869, de 1973 – Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; Além disso, foi editada a Resolução Senado Federal nº 10/2016, suspendendo a execução do dispositivo legal tido por inconstitucional pela Suprema Corte, senão vejamos: " O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa, nos termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, declarado inconstitucional por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 595.838." Logo, por força das disposições contidas no § 2º do art. 62 do Anexo II do RICARF, tal decisão deve ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, o que impõe cancelar os lançamentos que tenham recursos sobre a matéria pendentes de apreciação. Face ao exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. Recurso Especial da Fazenda Nacional Aplicação da multa retroatividade benigna Embora, a declaração de improcedência da multa em relação a omissão dos pagamentos feitos a cooperativa de trabalho devam ser excluídos pela declaração de inconstitucionalidade da contribuição ali lançada, existem outros fatos geradores omissos e que ensejaram a presente autuação, senão vejamos: · a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, cujos valores constam discriminados em folhas de pagamento, no período de 12/2001 a 09/2007; · remuneração dos membros do Conselho de Administração e Fiscal da empresa através de valores fixos denominados de Células de Presença, pagos por participação em reuniões dos referidos conselhos, no período de 03/2000 a 02/2006; · diferenças entre os valores calculados e os efetivamente descontados nas contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, obtidas através do processamento das informações entregues em meio digital pela notificada e as calculadas pelo Sistema de Auditoria Digital (AUDIG), no período de 12/98 a 04/2007. Fl. 1615DF CARF MF 10 Dessa forma, persistindo ainda parte dos fatos geradores que ensejaram a multa pela omissão em GFIP, persiste lide que enseja a apreciação do recurso especial da Fazenda Nacional, o que faremos a seguir: Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, entendo que razão assiste ao recorrente. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1616DF CARF MF Processo nº 13971.001816/200881 Acórdão n.º 9202007.050 CSRFT2 Fl. 7 11 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição Fl. 1617DF CARF MF 12 devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao Fl. 1618DF CARF MF Processo nº 13971.001816/200881 Acórdão n.º 9202007.050 CSRFT2 Fl. 8 13 lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das Fl. 1619DF CARF MF 14 multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 13971.001816/200881 Acórdão n.º 9202007.050 CSRFT2 Fl. 9 15 I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de Fl. 1621DF CARF MF 16 2009, devendose observar no cálculo final da multa, as obrigações excluídas pela inconstitucionalidade, bem como outros fatos geradores porventura excluídos em outros lançamentos. Conclusão Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial do Contribuinte, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. Já em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, voto por CONHECÊLO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1622DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.900988/2008-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2002
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF.
Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
Numero da decisão: 1301-003.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice de ausência de saldo negativo e desconsideração da DCTF retificadora, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que analise o mérito do pedido, iniciando-se a partir daí o rito processual habitual, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
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POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindose daí o rito processual ordinário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice de ausência de saldo negativo e desconsideração da DCTF retificadora, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que analise o mérito do pedido, iniciandose a partir daí o rito processual habitual, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 09 88 /2 00 8- 62 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10805.900988/200862 Acórdão n.º 1301003.045 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da constatação de que o valor pago foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados em PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo suposto crédito tem origem em pagamento a maior de parcela devida de IRPJ trimestral. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não homologou a compensação pois em seu entendimento para o DARF indicado na PER/DCOMP foram localizados um ou mais pagamentos e integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Quando da transmissão da PER/DCOMP não havia o crédito, já que a DCTF respectiva demonstrava o mesmo débito e crédito. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirma que realizou a retificação da DCTF, sem apresentar outras documentações e comprovações. O Acórdão recorrido entendeu que não estavam preenchidos os requisitos de liquidez e certeza do art. 170, do CTN, levando à improcedência da manifestação de inconformidade. No Recurso Voluntário a recorrente defende que o crédito é legítimo e declarado em época correta, que quando da entrega da DCTF não foi realizada a compensação do IRRF de aplicações financeiras, o que ocorreu quando do preenchimento da DIPJ. Para tanto, apresenta o seu Livro Caixa, com a escrituração do valor devido e do valor recolhido a maior. Apresenta também os informes de rendimentos das respectivas aplicações financeiras, requerendo o reconhecimento do crédito . É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10805.900988/200862 Acórdão n.º 1301003.045 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.043, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10805.901065/2008 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.043): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Alega a recorrente que retificou a DCTF posteriormente ao despacho decisório, e que o erro foi decorrente da não compensação do IRRF de aplicações financeiras, o que levou ao recolhimento a maior. Junta desta feita o livro caixa, DIPJ respectiva e os informes de rendimento de tais aplicações financeiras. A solução da lide reside em determinar se a retificação posterior da DCTF, bem como a apresentação de documentação em sede recursal são suficientes para o preenchimento dos requisitos determinados no art. 170, do CTN, de liquidez e certeza ao crédito pretendido. Em situações semelhantes, temos o entendimento de que a retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impediria o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1ºdo art. 147 do CTN: Art. 147.O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10805.900988/200862 Acórdão n.º 1301003.045 S1C3T1 Fl. 5 4 daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de ausência de saldo negativo e desconsideração da DCTF retificadora. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice de ausência de saldo negativo e desconsideração da DCTF retificadora, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que analise o mérito do pedido, iniciandose a partir daí o rito processual habitual, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.003935/2008-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 03/10/2008 a 09/10/2008
EQUIPAMENTOS MULTIFUNCIONAIS. FUNÇÕES DE IMPRESSÃO, TELERREPRODUÇÃO, COPIAGEM, OUTRAS. PARTES E ACESSÓRIOS. CARTUCHOS DE TONER.
Mercadoria identificada como cartuchos de toner, para ser utilizada como parte/acessório de equipamentos multifuncionais com mais do que uma função (impressão, telerreprodução, copiagem etc) combinadas, classificam-se no código tarifário NCM/TEC 8443.99.39. RGI 1, RGI 3 "c" e RGC 1.
Numero da decisão: 9303-006.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 03/10/2008 a 09/10/2008 EQUIPAMENTOS MULTIFUNCIONAIS. FUNÇÕES DE IMPRESSÃO, TELERREPRODUÇÃO, COPIAGEM, OUTRAS. PARTES E ACESSÓRIOS. CARTUCHOS DE TONER. Mercadoria identificada como cartuchos de toner, para ser utilizada como parte/acessório de equipamentos multifuncionais com mais do que uma função (impressão, telerreprodução, copiagem etc) combinadas, classificam-se no código tarifário NCM/TEC 8443.99.39. RGI 1, RGI 3 "c" e RGC 1.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente CISA TRADING S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 03/10/2008 a 09/10/2008 EQUIPAMENTOS MULTIFUNCIONAIS. FUNÇÕES DE IMPRESSÃO, TELERREPRODUÇÃO, COPIAGEM, OUTRAS. PARTES E ACESSÓRIOS. CARTUCHOS DE TONER. Mercadoria identificada como cartuchos de toner, para ser utilizada como parte/acessório de equipamentos multifuncionais com mais do que uma função (impressão, telerreprodução, copiagem etc) combinadas, classificam se no código tarifário NCM/TEC 8443.99.39. RGI 1, RGI 3 "c" e RGC 1.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 39 35 /2 00 8- 15 Fl. 693DF CARF MF Processo nº 12466.003935/200815 Acórdão n.º 9303006.856 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela CISA TRADING S/A (fls. 585 a 599), com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vigente à época da interposição, buscando a reforma do Acórdão nº 3202001.432 (fls. 566 a 576) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 11/12/2014, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 03/10/2008 a 09/10/2008 PARTES E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC1, os cartuchos de toner e de tinta e demais partes e acessórios de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. JUROS DE MORA Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. Recurso voluntário negado A Recorrente alega divergência com relação à aplicação e interpretação da Regra 3 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado para se determinar a Fl. 694DF CARF MF Processo nº 12466.003935/200815 Acórdão n.º 9303006.856 CSRFT3 Fl. 4 3 correta classificação fiscal a ser atribuída às mercadorias importadas pela Contribuinte descritas como “cartuchos de toner de diversos modelos”. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 3802001.003 e 320100.503. Também houve insurgência quanto à necessidade de afastamento das penalidades, nos termos do art. 100, inciso III e parágrafo único do Código Tributário Nacional – CTN, matéria que, no entanto, não teve prosseguimento por ausência de cumprimento dos requisitos regimentais. Nessa esteira, foi dado seguimento parcial ao recurso especial interposto pela Contribuinte, nos termos do despacho s/nº, de 29/05/2015 (fls. 671 a 676), proferido pelo Ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, confirmado em sede de reexame de admissibilidade (fls. 677 a 678). Para fundamentar o seu pleito, na parte em que foi admitido o recurso, sustenta a Recorrente, em síntese, que para se classificar corretamente uma mercadoria com diversas funções, é necessário apurar qual seria a função principal, conforme Regras 3a e 3b das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado – RGISH, razão pela qual deve ser afastada a Regra 3c. Prevalecendo nas multifuncionais a função de impressão, a mesma regra deve ser aplicada aos seus assessórios, nos termos do art. 92 do Código Civil. Conclui a Recorrente que a posição NCM 8443.99.29 é mais específica do que a posição NCM 8443.99.39, sendo os produtos importados por ela para equipamentos multifuncionais identificados com a função de impressora, pela especificidade não lhes cabe a aplicação da classificação fiscal destinada a peças e equipamentos de máquinas copiadoras. Por fim, requer o provimento do recurso especial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 680 a 691) postulando, preliminarmente, a negativa de seguimento ao recurso especial e, no mérito, o seu não provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 12466.003935/200815 Acórdão n.º 9303006.856 CSRFT3 Fl. 5 4 Ao contrário do que alegado pela Fazenda Nacional em suas contrarrazões, no recurso especial não se está diante de pretensão do revolvimento do conjunto fáticoprobatório, mas sim de divergência jurisprudencial quanto à aplicação da Regra 3 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado para classificação fiscal de mercadorias. O cerne do apelo especial está em se determinar qual o correto enquadramento tarifário de cartuchos de toner utilizados em impressoras multifuncionais, se na posição NCM 8443.99.39 ou 8443.99.29. Além disso, o fato de no acórdão recorrido estarse diante da classificação fiscal de cartuchos para impressoras multifuncionais e no acórdão paradigma a discussão darse em torno do próprio equipamento impressora multifuncional não desnatura a existência da divergência jurisprudencial. Isso porque para se definir a classificação fiscal dos cartuchos de toner necessariamente há de se analisar em qual das posições NCM enquadrase o equipamento multifuncional. Mérito A discussão principal posta nos autos referese à classificação fiscal dos cartuchos de toner para impressoras multifuncionais, se na posição NCM 8443.99.29 ou 8443.99.39. No mérito, pela clareza com que aborda a matéria, adoto, no que couber, o voto da Ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, proferido no Acórdão nº 9303006.252, de 25 de janeiro de 2018, no sentido de dar provimento ao recurso especial da Contribuinte, in verbis: [...] A priori, antes de adentrarmos à essa discussão, importante para clarificar, lembrar que a classificação fiscal é feita por meio do código NCM Nomenclatura Comum do Mercosul, e que tem por base o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) adotado no País por meio do Decreto n° 97.409, de 1988, o qual promulgou à Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias. Para sua composição, O Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai adotam, desde janeiro de 1995, a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que tem por base o Sistema Harmonizado (SH). Assim, dos oito dígitos que compõem a NCM, os seis primeiros são formados pelo Sistema Harmonizado, enquanto o sétimo e oitavo dígitos correspondem a desdobramentos específicos atribuídos no âmbito do MERCOSUL. O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, ou simplesmente Sistema Harmonizado (SH), é um método internacional de classificação de mercadorias, baseado em uma estrutura de códigos e respectivas descrições. Este Sistema foi criado para promover o desenvolvimento do comércio internacional, assim como aprimorar a coleta, a comparação e a análise das estatísticas, particularmente as do comércio exterior. Além disso, o SH facilita as negociações comerciais internacionais, a elaboração das tarifas de fretes e das estatísticas relativas aos diferentes meios de transporte de Fl. 696DF CARF MF Processo nº 12466.003935/200815 Acórdão n.º 9303006.856 CSRFT3 Fl. 6 5 mercadorias e de outras informações utilizadas pelos diversos intervenientes no comércio internacional. A composição dos códigos do SH, formado por seis dígitos, permite que sejam atendidas as especificidades dos produtos, tais como origem, matéria constitutiva e aplicação, em um ordenamento numérico lógico, crescente e de acordo com o nível de sofisticação das mercadorias. Desta forma, a classificação de mercadorias no Mercosul é realizada com base em seis Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (6 RGI/SH) e na Regra Geral Complementar (RGC —1). Regras previstas na Resolução Camex n° 42, de 2001 e também na Instrução Normativa SRF n° 99, de 2001 – sendo a classificação de um produto determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, e pelas demais regras de classificação (Regra Geral n° 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado — RGI 1). A classificação nas subposições de uma mesma posição é determinada pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição correspondentes (RGI 6). Essas mesmas regras aplicamse para o enquadramento de um produto nos itens e subitens de uma subposição (Regra Geral Complementar n° 1 — RGC 1). Clarificada a composição dos códigos, quanto à classificação do produto, importante trazer que a lide versa sobre as máquinas multifuncionais. Sabese que a função principal das multifuncionais seria a de impressão, o que entendo que se deve afastar a incidência da Regra 3c das RGISH, posto haver uma NCM mais específica, conforme Regras 3ª e 3b. Ora, a função de impressão é a que prevalece nas multifuncionais para fins de classificação fiscal – o que torna inegável trazer que os acessórios – o cartucho do toner deve seguir o racional dessa classificação. Em equipamentos multifuncionais sempre deve prevalecer a característica e essencialidade principal – sendo que, nessas máquinas impressoras multifuncionais a atividade de “impressão” é a mais visada e utilizada por consumidores que buscam tais equipamentos. Tanto é assim que em vários estabelecimentos que comportam atividades administrativas e comerciais, todos os computadores, a rigor, devem ser configurados para se vincular à rede corporativa para “imprimir” os trabalhos feitos pelos colaboradores. Uma sociedade dificilmente efetuaria a compra de uma máquina multifuncional para que a principal função fosse copiar/”xerocar” documentos. Incontestável que a principal função/a atividade preponderante das máquinas multifuncionais seja “impressão”. Nesse ínterim, os acessórios importados utilizados nesses equipamentos multifuncionais devem ser claramente identificados em razão da sua aplicação para a realização de impressões, e não de cópias. Como bem trazido pela recorrente – “uma impressora pode exercer a função de uma copiadora, porém uma copiadora jamais exercerá a função de impressão”. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 12466.003935/200815 Acórdão n.º 9303006.856 CSRFT3 Fl. 7 6 Em vista de todo o exposto, considerando que a posição NCM 8443.99.29 é mais específica do que a posição NCM 8443.99.39, devese considerar a mais específica. Para tanto, importante ressurgir que a Regra 3ª traz que a mercadoria na posição em discussão deve ser a mais específica – ou seja, que identifica a mercadoria com descrição mais precisa e completa. E a Regra 3b traz que devese observar para fins de classificação fiscal a característica essencial. Frisese os seguintes entendimentos proferidos à época: “ACÓRDÃO DRJ/SPO Nº 76164, 22 FEVEREIRO 2017 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS DATA DO FATO GERADOR: 2008 CARTUCHO DE TONER CLASSIFICAÇÃO FISCAL. OS PRODUTOS DESCRITOS COMO CARTUCHOS DE TONER PARA IMPRESSORAS CLASSIFICAMSE NO CÓDIGO TARIFÁRIO NCM/TEC 8443.99.29, MEDIANTE A APLICAÇÃO DA RGI 1 E 6, E DA DA RGC 1.” SOLUÇÃO DE CONSULTA DIANA/SRRF07 Nº 76, 30 OUTUBRO 2008 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS CÓDIGO TEC 8443.99.29 CARTUCHO DE TONER, MARCA REGISTRADA RICOH, FABRICADO POR RICOH CORPORTATION¿, NAS CORES PRETO, CIANO, MAGENTA E AMARELO, UTILIZADOS EM EQUIPAMENTOS RICOH, MULTIFUNCIONAIS E/OU IMPRESSORAS A LASER, MODELOS E TIPOS 8105D, 1130D E 1150D, DENOMINADO VULGARMENTE TONER RICOH, TÉCNICOS E CIENTIFICO RICOH TONER PARA IMPRESSÃO E COMERCIALMENTE RICOH TONER, TIPOS 8105D,1130D E 1150D. No mesmo sentido, refletiram as Soluções de Consulta de nºs 84/2008, 83/2008, 82/2008, 81/2008, 80/2008, 79/2008, 78/2008, 77/2008, 75/2008, 74/2008, 72/2008, 71/2008, 68/2008, 50/2008, 47/2008, 300/2007. Portanto, temse que as mercadorias importadas pela Contribuinte devem ser classificadas na posição NCM 8443.99.29, por ser mais específica em comparação à NCM 8443.99.39, por atender à característica essencial dos cartuchos de toner utilizados nas impressoras multifuncionais, cuja função precípua é de impressão. Nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, adotase como razões de decidir os argumentos expostos no Acórdão nº 9303.006.252, acima reproduzido em parte, passando a integrar esta decisão. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 698DF CARF MF Processo nº 12466.003935/200815 Acórdão n.º 9303006.856 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, tenho posição divergente em relação ao mérito da controvérsia. Peço venia para utilizar basicamente o mesmo voto por mim proferido no Acórdão nº 9303.006.252, já citado pela relatora, com pequenas correções, pois as situações são as mesmas do presente processo. Antes de adentrar ao mérito do litígio, quero registrar minha concordância com a i. Relatora do processo no que diz respeito ao preenchimento dos requisitos de admissão do recurso especial. Outrossim, peço vênia para acrescentar que, ao contrário do que alega a Contrarrazoante, não se trata aqui de rediscussão do conjunto probatório do autos, mas de dissenso jurisprudencial quanto à correta aplicação das regras de classificação fiscal de mercadorias, no fito de determinar o correto enquadramento tarifário de cartuchos de toner utilizados em equipamentos multifuncionais. Também pareceme que seja oportuno trazer a lume algumas considerações adicionais sobre o divergência suscitada pela recorrente. Como não é difícil perceber, os dois acórdãos paradigma carreados aos autos decidiram sobre a classificação de equipamentos multifuncionais. Neste processo, contudo, discutese a classificação de cartuchos para serem utilizados nesses equipamentos e não dos equipamentos propriamente ditos. Nos paradigma, entendeuse que a função principal dos equipamentos multifuncionais é a impressão, enquanto que, no recorrido, entendeuse que nenhuma das classificações possíveis para cartuchos era mais específica do que as outras. Por força dessas circunstâncias, a primeira impressão que tive foi a de que as decisões não teriam como ser comparadas. Em primeiro lugar, são mercadorias diferentes. Tanto as características merceológicas são diferentes, quanto o texto das NCM a ser cotejados para classificar um e outro produto o são. Segundo, os paradigmas decidiram com base na função principal, que não Fl. 699DF CARF MF Processo nº 12466.003935/200815 Acórdão n.º 9303006.856 CSRFT3 Fl. 9 8 é um critério definido nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, mas em Nota de Seção. Já o recorrido decidiu, principalmente, com base na especificidade (ou falta dela) do texto do código tarifário (Regra Geral 3a). Assim, a comparação parecia ser entre uma decisão tomada com base na identificação da função principal de um equipamento multifuncional, com uma decisão tomada com base na especificidade do texto do código tarifário escolhido para classificação de partes/acessórios destinados a esses equipamentos. Embora isso, terminei por concluir que o recurso deveria ser, ainda assim, admitido. Com efeito, a leitura do inteiro teor da decisão vergastada não deixa dúvidas de que a escolha da correta classificação dos equipamentos multifuncionais foi uma das razões decisivas na determinação do código tarifário apropriado para os cartuchos de toner. Observe se o excerto a seguir, extraído do voto condutor da decisão recorrida. Importante observar que o critério decisivo e fundamental para a correta classificação, em geral, deve ser buscado nas características e propriedades objetivas da própria mercadoria, tal como definidas nos textos das posições/subposições e nas notas de Seção e de Capítulo (RGI/SH 1 e 6) e, mutatis mutandis, dentro de cada posição e subposição, o item e subitem aplicável (RGC1), e não em elementos subjetivos. Isto implica dizer que não se deve considerar, no caso em tela, a denominação “popular” ou “comercial” atribuída à máquina multifuncional, ou mesmo ao uso mais “comum” dado ao produto, por tratarem se de elementos subjetivos e não determinantes para fins da ciência da merceologia. (grifos meus) E, de fato, como a seguir será demonstrado, não há mesmo como decidir sobre a classificação dos cartuchos importados pela recorrente, sem determinar a classificação do equipamento ao qual estão destinados. Assim, aduzo ao voto as considerações acima para corroborar o entendimento expresso pela i. Relatora do processo no sentido de que o recurso deve ter seguimento. Passo ao mérito. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 12466.003935/200815 Acórdão n.º 9303006.856 CSRFT3 Fl. 10 9 Como se sabe, a classificação fiscal de mercadorias deve observar (i) as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado1, (ii) as Regras Gerais Complementares do Mercosul e (iii) as Regras Gerais Complementares da TIPI. São também levados em consideração os pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Aduanas (OMA), os Ditames do Mercosul, e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh). Releva destacar que as Nesh foram internadas no Brasil por meio do Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992 e, portanto, não têm força legal. Ainda assim, tratamse de orientações e esclarecimentos de caráter complementar de grande importância, constituindose em um instrumento indispensável de apoio na atividade de classificação. Conforme reza a RGI 1, a classificação de mercadorias é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não contrariem a própria RGI 1, pelas RGI subsequentes. No caso em apreço, discutese a correta classificação fiscal da mercadoria identificada na declaração de importação nº 08/16049089 como cartuchos de toner para impressora. A Nota nº 2 Seção XVI da Nomenclatura Comum do Mercosul estabelece que, ressalvada a hipótese de constituíremse em artigos compreendidos em uma posição específica, as partes de máquinas2, quando possam ser identificadas como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina, classificamse na posição correspondente a esta máquina. 2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos Capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artigos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificamse de acordo com as regras seguintes: a) As partes que constituam artigos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 1 Anexo à Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 71, de 11 de outubro de 1988, e promulgada pelo Decreto nº 97.409, de 23 de dezembro de 1988. 2 A expressão "máquinas" aqui, deve ser compreendida em sentido lato. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 12466.003935/200815 Acórdão n.º 9303006.856 CSRFT3 Fl. 11 10 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 84.87, 85.03, 85.22, 85.29, 85.38 e 85.48) incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem; b) Quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas numa mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artigos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificamse na posição 85.17; É incontroverso nos autos que os cartuchos de toner são partes/acessórios de equipamentos que têm a capacidade de exercer diversas funções combinadas impressão, reprodução e telerreprodução. Assim, como já havia antecipado, a primeira definição necessária diz respeito à correta classificação tarifária dessas máquinas multifuncionais nas quais os cartuchos serão utilizados. Pois bem, até o ano de 2007, uma vez que não houvesse um código tarifário específico para os equipamentos multifuncionais do tipo dos que são objeto do presente processo, e considerando que as impressoras se classificavam no capítulo 84; as copiadoras, no capítulo 85; e os faxes no capítulo 90, a classificação tarifária desses equipamentos era feita segundo critério estabelecido na Nota 3 da Seção XVI da Nomenclatura Comum do Mercosul. 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. Desta forma, até então, a controvérsia girava em torno da definição de qual fosse a função primordial desses equipamentos multifuncionais: a impressão, a copiagem ou a Fl. 702DF CARF MF Processo nº 12466.003935/200815 Acórdão n.º 9303006.856 CSRFT3 Fl. 12 11 telerreprodução. Acaso se entendesse que não seria possível determinar uma dentre todas como sendo a função principal, lançavase mão da RGI 3 "c". Em 2007, contudo, a IV Emenda do Sistema Harmonizado determinou a migração dos equipamentos multifuncionais para a reformada posição 84.43, que, à época dos fatos geradores objeto dos autos, tinha a seguinte estrutura: 8443 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadoras (fax), mesmo combinados entre si; 8443.9 Partes e acessórios 8443.99 Outros 8443.99.1 – De telecopiadores (fax) 8443.99.19 Outros 8443.99.2 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.29 Outros 8443.99.3 De máquinas copiadoras 8443.99.39 Outros Assim, como a importação que deu azo à autuação sub judice ocorreu no dia 09 de outubro de 2008, a classificação dos equipamentos multifuncionais aos quais estão destinados os cartuchos de toner já estava pacificada como sendo na posição 8443, não envolvendo mais a discussão sobre qual fosse a sua função principal. Isso significa que a controvérsia do presente litígio reside na escolha do item/subitem no qual os cartuchos, na qualidade de partes/acessórios dos equipamentos multifuncionais, devem ser classificados. No código 8443.99.1, se considerados como destinados aos telecopiadores (fax); no código 8443.99.2, se considerados como destinados às impressoras ou traçadores gráficos (plotters); ou no código 8443.99.3, se considerados como destinados às máquinas copiadoras. Isto posto, se não remanescem dúvidas de que os produtos importadas identificamse como equipamentos multifuncionais, uma vez que desempenhem mais do que uma das funções acima relacionadas, parece mais do que óbvio que nenhum dos três códigos Fl. 703DF CARF MF Processo nº 12466.003935/200815 Acórdão n.º 9303006.856 CSRFT3 Fl. 13 12 acima identifica especificamente as partes e acessórios destinados a esses equipamentos, mas apenas a uma parte/função deles. A curiosa consequência disso, é, por força dessas circunstâncias, se restabelece a antiga controvérsia em torno de qual seria função principal de um equipamento com essas características, já que, à época dos fatos, não havia uma posição específica para as partes e acessórios destinadas aos equipamentos multifuncionais, mas apenas àquelas destinadas às telecopiadoras (fax), às impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) ou às máquinas copiadoras. Quanto a isso, na modesta opinião deste Redator, revelase ingênua a tentativa de definir uma dentre as diversas funções desempenhadas por esses equipamentos multifuncionais como sendo a principal. Se para determinada usuário a função de imprimir é a primordial, para outro, que supostamente pretende utilizar o equipamento basicamente para escanear, haverá de ser secundária. Já para um terceiro, a reprodução por cópias poderá de ser o mais importante, e assim por diante. Mutatis mutandis, essa é, precisamente, a ocorrência identificada na RGI 3 "a" quando trata da circunstância na qual duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte do todo que especifica a mercadoria. a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. A RGI 3 define critérios para classificação da mercadorias quando o classificador deparase como uma situação como essa, nos seguintes termos. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição Fl. 704DF CARF MF Processo nº 12466.003935/200815 Acórdão n.º 9303006.856 CSRFT3 Fl. 14 13 situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. A RGC 1, por seu turno, determina que 1. (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. À luz de todas as considerações até aqui postas, a conclusão insofismável é a de que revelase correta a classificação dos cartuchos de toner na NCM 8443.99.39, tal como entendeu a Fiscalização Federal ao lavrar o auto de infração objeto do vertente litígio, uma vez que seja esse o código situado em último lugar na ordem numérica, dentre os suscetíveis de, validamente, se tomarem em consideração. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 705DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720273/2013-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
Omissão de Receitas. Prova Direta. Documentos Fiscais Emitidos pelo Contribuinte.
São provas diretas da omissão de receitas os documentos fiscais emitidos pelo próprio contribuinte, indicando a prestação de serviços e as respectivas receitas.
Provas Contidas nos Autos. Cerceamento de Defesa. Violação do Devido Processo Legal. Não Ocorrência.
Não ocorre cerceamento do direito de defesa, ou violação do devido processo legal, se as provas da omissão de receita estão nos autos, dos quais o sujeito passivo tem o direito de ter vista e de obter cópia.
Simples Nacional. Multa. Mesmas Disposições Aplicáveis ao Imposto de Renda.
Aplicam-se ao Simples Nacional as mesmas disposições relativas a multas, existentes na legislação do Imposto de Renda.
Juros Moratórios. Incidência sobre Multa. Cabimento.
Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa.
Numero da decisão: 1301-003.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade, e no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram por dar provimento parcial ao recurso, para obstar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010 Omissão de Receitas. Prova Direta. Documentos Fiscais Emitidos pelo Contribuinte. São provas diretas da omissão de receitas os documentos fiscais emitidos pelo próprio contribuinte, indicando a prestação de serviços e as respectivas receitas. Provas Contidas nos Autos. Cerceamento de Defesa. Violação do Devido Processo Legal. Não Ocorrência. Não ocorre cerceamento do direito de defesa, ou violação do devido processo legal, se as provas da omissão de receita estão nos autos, dos quais o sujeito passivo tem o direito de ter vista e de obter cópia. Simples Nacional. Multa. Mesmas Disposições Aplicáveis ao Imposto de Renda. Aplicam-se ao Simples Nacional as mesmas disposições relativas a multas, existentes na legislação do Imposto de Renda. Juros Moratórios. Incidência sobre Multa. Cabimento. Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. DOCUMENTOS FISCAIS EMITIDOS PELO CONTRIBUINTE. São provas diretas da omissão de receitas os documentos fiscais emitidos pelo próprio contribuinte, indicando a prestação de serviços e as respectivas receitas. PROVAS CONTIDAS NOS AUTOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. VIOLAÇÃO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento do direito de defesa, ou violação do devido processo legal, se as provas da omissão de receita estão nos autos, dos quais o sujeito passivo tem o direito de ter vista e de obter cópia. SIMPLES NACIONAL. MULTA. MESMAS DISPOSIÇÕES APLICÁVEIS AO IMPOSTO DE RENDA. Aplicamse ao Simples Nacional as mesmas disposições relativas a multas, existentes na legislação do Imposto de Renda. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA SOBRE MULTA. CABIMENTO. Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade, e no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram por dar provimento parcial ao recurso, para obstar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 02 73 /2 01 3- 83 Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10970.720273/201383 Acórdão n.º 1301003.214 S1C3T1 Fl. 527 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10970.720273/201383 Acórdão n.º 1301003.214 S1C3T1 Fl. 528 3 Relatório Tratase de recurso interposto por BETEL TRANSPORTES DE CARGAS LTDA. EPP, já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 30.020, da 2ª Turma da DRJ Belém, que deu parcial provimento à impugnação da recorrente, apenas para afastar a multa qualificada, mantendo, no mais, o lançamento de crédito tributário por omissão de receita. A Fiscalização apurou omissão de receitas a partir do confronto de notas fiscais e conhecimentos de transporte rodoviário de cargas apresentados pelas empresas que fizeram negócios e contrataram os serviços da recorrente. Consta do Relatório Fiscal de fls. 62 a 67: O contribuinte declarou na DASN 2010 a receita bruta no valor de R$ 1.723.328,71. Da mesma forma, é a soma dos valores contabilizados nas contas cód. 03.01.01.001.00001 Transporte de CanadeAçúcar e cód. 03.01.001.0002 – Prestação de Serviços e lançadas no Livro de Registros de Prestação de Serviços, conforme cópias anexadas ao Auto de infração. Assim, a diferença entre as notas fiscais/CTRC apresentados pelas empresas e a receita bruta declarada somou a importância de R$ 1.829.045,31, que foi considerada por esta fiscalização omissão de receita e utilizada como base de cálculo para lançamento dos correspondentes tributos devidos pelo regime tributário do Simples Nacional. O Anexo I deste Relatório Fiscal demonstra mensalmente as diferenças apuradas. (g.n.) (fl. 64) Foi imposta multa qualificada porque, segundo entendimento da autoridade fiscal, a recorrente tentou postergar e dificultar os trabalhos de auditoria. A contribuinte impugnou a autuação, alegando fatos e fundamentos que foram assim resumidos na decisão recorrida: a) Que o Auto de Infração não pode ser mantido, uma vez que não houve descumprimento à legislação tributária, isto porque a impugnante não está obrigada a entregar os documentos e livros ao fiscal, de acordo com o art 195 do CTN que descreveu; b) que conforme consta no aludido Termo de Início de Procedimento Fiscal, o pedido de juntada da legislação que possibilita a emissão de um único CTRC mensal, de acordo com o art. 449 do RICMS de Minas Gerais, com a redação dada pelo Decreto n° 44.725/2008, que transcreveu; c) Que se a empresa contratante não tem a obrigação sequer de emitir nota fiscal em cada transporte, como poderia a empresa contratada fazêlo, que frisase em razão do regime especial que tornase impossível a emissão do CRTC, na medida que não poderia constar dados essenciais, como valor da mercadoria, peso, etc; d) Que sendo assim não houve a prática de qualquer ato infrator por parte da impugnante, estando tais documentos à disposição da fiscalização para análise; e) Que assim sendo, impossível também a qualificação da multa; f) Alegou cerceamento ao direito de defesa e fez citações doutrinárias, que ao se interpretar uma norma infraconstitucional, não se deve olvidar que seu fundamento encontrase fixado na Constituição Federal; Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10970.720273/201383 Acórdão n.º 1301003.214 S1C3T1 Fl. 529 4 g) Transcreveu o inciso LIV do art. 5º da CF, que trata de que ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; h) Que houve cerceamento ao direito de defesa porque o Auto de Infração foi lavrado com fundamento em depósitos bancários e informações colhidas junto a terceiros, que não houve a apresentação de uma planilha com as contas correntes e os depósitos bancários um a um que foram utilizados como omissão de receitas, que não houve o encaminhamento desta descrição, razão pela qual há cerceamento ao pleno exercício do direito de defesa da impugnante, principalmente quando se inverte o ônus da prova em seu desfavor, que não pode verificar quais foram os depósitos bancários diários utilizados como omissão de receitas; i) Transcreveu decisões emanadas do Conselho de Contribuintes em processos, dos quais o contribuinte não fez parte, que o auto de infração foi lavrado por mera presunção; j) Que não é preciso muito esforço para se aferir que todas as notas fiscais que interessarem ao presente caso, deveriam constar dos autos, sob pena de imprestabilidade da prova e absurda presunção; k) Questionou sobre a obtenção de provas que entendeu ser ilícita, e citou ofensa aos princípios constitucionais do sigilo bancário, que os extratos bancários só poderiam ser obtidos por ordem judicial; 1) Que todo o procedimento fiscal já nasceu Nulo de Pleno Direito porque não observou direitos constitucionais básicos; m) Alegou que a fiscalização não disfarçou de ter se esquecido das despesas, pois em nenhum momento faz alusão a elas; n) Questionou a falta de previsão legal para cobrança de PIS, COFINS, CSLL e outros tributos; o) Transcreveu parte de decisões emanadas do STF e do STJ em processo do qual não fez parte, e questionou a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros e da multa que chamou de confiscatória; (fls. 431 a 432) A DRJ BEL deu parcial provimento ao recurso, apenas para reduzir a multa, em acórdão assim resumido: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10970.720273/201383 Acórdão n.º 1301003.214 S1C3T1 Fl. 530 5 Não resignada, BETEL TRANSPORTES DE CARGAS recorreu da decisão, reproduzindo, em linhas gerais, os argumentos já apresentados na impugnação. Além disso, questionou o caráter confiscatório da multa, a aplicação da taxa Selic e a incidência de juros sobre a multa. Em aditamento ao recurso, a recorrente repisou argumentos já expostos e se insurgiu especificamente contra a penalidade, para a qual não haveria fundamento em lei. Com essas alegações, pugnou pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. O lançamento foi motivado por omissão de receitas, que a autoridade fiscal apurou pelo confronto da receita informada pela recorrente na Declaração Anual do Simples Nacional DASN com os dados constantes de notas fiscais e conhecimentos de transporte por ela mesma emitidos, bem como de dados inseridos em contratos de prestação de serviço. Ressaltese que tanto os contratos, quanto os documentos fiscais foram fornecidos ao Fisco pelos clientes da recorrente, uma vez que esta, mesmo intimada, não se dispôs a fazêlo. A omissão de receitas, portanto, foi comprovada de forma direta por documentos fiscais e contratos, e não por presunção legal baseada em depósitos bancários, muito embora o exame dos extratos das contas tenha confirmado a infração que os documentos fiscais, por si mesmos, revelavam. Cabe frisar que os extratos foram obtidos com observância dos requisitos fixados no Decreto nº 3.724/2001, conforme se constata dos documentos de fls. 108 a 112. Porém, como eles não foram utilizados como elemento de prova da infração, não havia porque estar nos autos. As provas que deveriam ser carreadas aos autos são os documentos fiscais e os contratos, que se encontram às fls. 205 a 331. Portanto, não procede a alegação de cerceamento de direito de defesa, nem de ofensa ao devido processo legal. Igualmente sem fundamento é a assertiva de que a legislação do ICMS, na hipótese em exame, dispensava a emissão de conhecimento de transporte. A infração apurada foi a omissão de receitas, evidenciada exatamente pelo exame de documentos fiscais emitidos Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10970.720273/201383 Acórdão n.º 1301003.214 S1C3T1 Fl. 531 6 pela recorrente. Tais documentos comprovam que serviços foram prestados e que em razão deles receitas foram auferidas. A recorrente alegou que a Fiscalização teria deixado de fazer alusão às despesas. Esse fato não caracteriza vício que comprometa o lançamento. É que, para as empresas enquadradas no Simples Nacional, as despesas não interferem na apuração do crédito tributário, pois este leva em conta apenas as receitas auferidas em cada mês. Quanto à suposta falta de previsão legal para cobrar PIS, Cofins, CSLL e outros tributos, cabe dizer que a recorrente estava, em 2010, no Simples Nacional, que é um "regime único de arrecadação de impostos e contribuições" (art. 146, parágrafo único da Constituição). O Simples compreende tributos com destinações constitucionais diferentes. Por essa razão, o lançamento de omissão de receitas segrega as parcelas do crédito tributário correspondentes a cada tributo abrangido no regime simplificado. Portanto, a recorrente só poderia questionar parcelas referentes a tributo não compreendido no Simples Nacional, o que não se verifica no caso em tela. A recorrente alegou também que a multa carece de fundamento legal, sendo que, no auto de infração, não haveria referência a nenhum dispositivo que desse respaldo à multa aplicada. Sem razão a recorrente. A Lei Complementar nº 123/2006 expressamente adota, quanto às penalidades, as disposições aplicáveis ao Imposto de Renda. Confirase: Art. 34. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional. (...) Art. 35. Aplicamse aos impostos e contribuições devidos pela microempresa e pela empresa de pequeno porte, inscritas no Simples Nacional, as normas relativas aos juros e multa de mora e de ofício previstas para o imposto de renda, inclusive, quando for o caso, em relação ao ICMS e ao ISS. O Comitê Gestor do Simples Nacional editou a Resolução nº 30/2008 que regulamenta, com base nas disposições da Lei Complementar nº 123 e, em especial, na Lei nº 9.430/1996, a aplicação de multas por omissão de receitas. Notese que os autos de infração, além de fazerem referência a dispositivos da Lei Complementar nº 123, se reportam também à Resolução CGSN nº 30/2008. Portanto, temse por atendida a exigência de enquadramento legal da penalidade. O alegado caráter confiscatório da multa é matéria não passível de exame da esfera administrativa, porquanto implicaria controle de constitucionalidade de ato normativo. Por outro lado, a validade do uso da taxa Selic para cálculo dos juros já está pacificada pela Súmula CARF nº 4. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10970.720273/201383 Acórdão n.º 1301003.214 S1C3T1 Fl. 532 7 Por fim, cumpre verifica a incidência de juros de mora sobre a multa aplicada em lançamento de ofício. A matéria já foi diversas vezes trazida à apreciação desta turma ordinária, que sistematicamente vem decidindo pela possibilidade da incidência de juros de mora sobre a chamada multa de ofício. Para tanto, o fundamento legal estaria no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, e nos artigos 161 e 139 ambos do CTN. Nessa linha de interpretação, empresta se um sentido amplo à expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições", constante do art. 61 da Lei nº 9.430, de forma a abarcar nessa categoria tanto o tributo propriamente dito, quanto a multa. Também esse é o entendimento que tem prevalecido na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, do qual é exemplo o Acórdão nº 9101003.369, cuja ementa, na parte relativa aos juros de mora, foi assim redigida: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. Do voto condutor da decisão, sobressaem os seguintes fundamentos: Assim, a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: (...) A teor dos artigos suprarreferidos: a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estado credor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. (...) Do preceito acima invocado (art. 61 da Lei nº 9.430), destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10970.720273/201383 Acórdão n.º 1301003.214 S1C3T1 Fl. 533 8 exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” (grifo do original) Pelas razões acima referidas, as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Firmado nessas razões, indeferese a pretensão da recorrente de obstar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 533DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.001233/2006-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO.
O conceito de receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do imposto, quer incidente sobre o lucro real, quer lucro presumido ou arbitrado, é o que está definido no art. 31 da Lei n ° 8.981/1995, dela excluindo-se apenas as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, dos quais a autuada seja mera depositária.
CSLL. COMPENSAÇÃO DE 1/3 DA COF1NS.
A pessoa jurídica somente poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS, desde que esta tenha sido efetivamente paga até a data do pagamento da CSLL a ser compensada.
BASE DE CALCULO DO PIS E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para analisar inconstitucionalidade de lei. Igualmente não cabe aplicação de decisão judicial baseada em recurso submetido à sistemática dos repetitivos enquanto pendente recurso e inexistente o trânsito em julgado da decisão.
JUROS SELIC - Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1401-002.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga, que davam provimento apenas em relação à exclusão dos valores relativos ao ICMS, da base de calculo do PIS e da COFINS, adotando decisões definitivas do STF, nos moldes do Art. 62 do Regimento Interno do CARF. A Conselheira Lívia De Carli Germano acompanhou a Relatora pelas conclusões. Designado o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. O conceito de receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do imposto, quer incidente sobre o lucro real, quer lucro presumido ou arbitrado, é o que está definido no art. 31 da Lei n ° 8.981/1995, dela excluindo-se apenas as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, dos quais a autuada seja mera depositária. CSLL. COMPENSAÇÃO DE 1/3 DA COF1NS. A pessoa jurídica somente poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS, desde que esta tenha sido efetivamente paga até a data do pagamento da CSLL a ser compensada. BASE DE CALCULO DO PIS E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para analisar inconstitucionalidade de lei. Igualmente não cabe aplicação de decisão judicial baseada em recurso submetido à sistemática dos repetitivos enquanto pendente recurso e inexistente o trânsito em julgado da decisão. JUROS SELIC - Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga, que davam provimento apenas em relação à exclusão dos valores relativos ao ICMS, da base de calculo do PIS e da COFINS, adotando decisões definitivas do STF, nos moldes do Art. 62 do Regimento Interno do CARF. A Conselheira Lívia De Carli Germano acompanhou a Relatora pelas conclusões. Designado o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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O conceito de receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do imposto, quer incidente sobre o lucro real, quer lucro presumido ou arbitrado, é o que está definido no art. 31 da Lei n ° 8.981/1995, dela excluindose apenas as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, dos quais a autuada seja mera depositária. CSLL. COMPENSAÇÃO DE 1/3 DA COF1NS. A pessoa jurídica somente poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS, desde que esta tenha sido efetivamente paga até a data do pagamento da CSLL a ser compensada. BASE DE CALCULO DO PIS E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para analisar inconstitucionalidade de lei. Igualmente não cabe aplicação de decisão judicial baseada em recurso submetido à sistemática dos repetitivos enquanto pendente recurso e inexistente o trânsito em julgado da decisão. JUROS SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 12 33 /2 00 6- 86 Fl. 346DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga, que davam provimento apenas em relação à exclusão dos valores relativos ao ICMS, da base de calculo do PIS e da COFINS, adotando decisões definitivas do STF, nos moldes do Art. 62 do Regimento Interno do CARF. A Conselheira Lívia De Carli Germano acompanhou a Relatora pelas conclusões. Designado o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10183.001233/200686 Acórdão n.º 1401002.682 S1C4T1 Fl. 347 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Terras Altas Agroindustrial Ltda. contra o acórdão de nº 0413.526 2 Turma da DRJ/CGE, que rejeitou as preliminares de ilegalidade e inconstitucionalidade e, no mérito, julgou procedentes os lançamentos do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS. Por bem resumir os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: “A contribuinte acima qualificada sofreu a lavratura de autos de infração, com a exigência de Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor de R$ 2.539.171,88 (fls. 05/17), do PIS, no valor de R$ 872.519,72 (fls. 18/29), da Cofins, no valor de R$ 4.027.017,18 (fls. 30/41) e da CSLL, no valor de R$ 1.461.948,38 (fls. 42/53), totalizando R$ 8.900.657,16 (fl. 04). Os demonstrativos de apuração do PIS e da Cofins e da Situação Fiscal Apurada se encontram as fls. 175/186. O lançamento relativo ao IRPJ decorreu dos fatos contidos na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) às fls. 06/09, dos Demonstrativos “Apuração do PIS/PASEP” (fls. 175/177) e “Apuração da Cofins” (fls. 178/180). Em suma, foi apurada omissão de receitas, em razão de dois motivos: a) a contribuinte encontrava se omissa na entrega da DIPJ desde o ano calendário de 2001; b) foram levantados os valores do faturamento no livro de apuração do ICMS (fls. 79/117 e 130/174) e determinadas as bases de cálculo do IRPJ e seus reflexos; c) os débitos declarados em DCTF foram considerados no auto de infração como “compensação”. Os autos de infração relativos à Contribuição para o PIS, à. Cofins e à CSLL foram lavrados em decorrência da apuração das infrações que ensejaram o lançamento principal. Intimada das autuações em 29/03/2006, conforme fls. 05, 18, 30 e 42, a contribuinte apresentou impugnação em 28/04/2006 (fls. 195/202), alegando, resumidamente, que: a) a autuação fiscal não levou em consideração, quando da determinação da receita bruta para fins de tributação, a não inclusão dos impostos não cumulativos cobrados destacadamente dos adquirentes dos produtos, nos termos do § único do art. 224 do RIR aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999, e inciso I, parágrafo 2°, do artigo 3° da Lei n° 9.718/1998; b) no que tange à CSLL não constam dos autos a compensação prevista no § 1° do art. 8° da Lei n° 9.718/1998; c) imperioso, portanto, que tais valores sejam deduzidos da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, sob pena de ilegalidade dos lançamentos, pugnando, antecipadamente, pela posterior apresentação e comprovação dos valores a serem deduzidos e/ou comprovados; d) a cobrança de juros de mora segundo a variação da taxa Selic é inaplicável às obrigações tributárias, citando jurisprudência. Finaliza requerendo o cancelamento dos autos de infração. Apreciada a impugnação, o lançamento foi mantido em sua integralidade. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário visando a reforma do julgado sob o argumento de que: i) a fiscalização não teria levado em consideração, quando da Fl. 348DF CARF MF 4 determinação da receita bruta para fins de tributação, a não inclusão dos impostos não cumulativos cobrados destacadamente dos adquirentes dos produtos, nos termos do art. 224 do RIR; ii) no que tange à CSLL, não constam nos autos a compensação prevista no parágrafo 1o., do art. 8o. da Lei 9.718/1998, no sentido de que a pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição sobre o Lucro Liquido — CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até 1/3 (um terço) da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo, sendo que tais valores sejam deduzidos da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, sob pena de ilegalidade dos lançamentos, pugnando, antecipadamente, pela posterior apresentação e comprovação dos valores a serem deduzidos e/ou compensados; (iii) inaplicabilidade da Taxa Selic. Apreciados os argumentos do Recurso Voluntário, o colegiado expediu a Resolução n. 11020065 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária e sobrestou o julgamento, nos termos do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, vigente à época, por verificar que as alegações recursais, portanto, dizem respeito à tese que se encontra em julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, qual seja, a possibilidade de exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS, do custo do ICMS sobre as vendas efetuadas, matéria objeto da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade n. 18. Nos termos da Informação Fiscal Secat/DRFCuiabá/MT Nº 0201/2017, de 26 de maio de 2017, os autos retornaram à julgamento, considerando que embora a ADC 18, ainda estivesse pendente de julgamento, no Recurso Extraordinário 574.706/PR o STF – julgando o mérito do mesmo tema com repercussão geral – fixou em 15/03/2017 a tese no sentido de que: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins", sendo prudente o retorno dos autos para julgamento. É o relatório do essencial. Tabela do plano Voto Vencido Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. i) quanto ao argumento da não inclusão dos impostos não cumulativos cobrados destacadamente dos adquirentes dos produtos. Verificase nos autos que a fiscalização utilizouse do livro de registro de apuração do ICMS para apurar as diferenças e o contribuinte. Conforme anotado pela DRJ, a contribuinte, no período fiscalizado, era optante pela tributação com base no lucro presumido (fl. 124). Assim, o Lucro Presumido e o IRPJ foram apurados com base na receita bruta conhecida mediante informação contida na planilha fornecida à fiscalização (fls.70/78), coincidente com a receita bruta lançada no livro de apuração do ICMS (fls. 79/117 e 131/174). Quanto à dedução dos impostos que não se incluem na receita bruta, ao teor do parágrafo único do art. 31 da Lei n° 8.981/1995, são somente os que são cobrados destacadamente do comprador ou contratante, do qual o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Nos impostos incidentes sobre as vendas, o revendedor é o contribuinte, ainda que apenas de direito. Justificase a permissão do legislador, já que o valor do imposto, cobrado destacadamente, deve ser repassado integralmente aos cofres públicos, não integrando suas receitas (do comerciante). Por exemplo: o ICMS, incluso no valor da Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10183.001233/200686 Acórdão n.º 1401002.682 S1C4T1 Fl. 348 5 venda ou dos serviços, não é necessariamente repassado ao Tesouro, haja vista que o valor do ICMS a recolher corresponde ao valor do saldo credor, apurado no período, da conta "conta/corrente do ICMS", pois a modalidade do tributo se rege pelo principio da não cumulatividade. Logo, destaca a DRJ que na determinação do lucro presumido (opção da contribuinte), ou do arbitrado, deve ser incluído, no conceito de receita bruta, o ICMS incidente sobre as vendas. Quanto à alegação de que não integram a receita bruta os impostos que são cobrados destacadamente do comprador ou contratante, do qual o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário, não pode ser acatado, o argumento não foi acolhido, haja vista que cabia à interessada trazer os elementos comprobatórios de que teria impostos não cumulativos passíveis de dedução da base de cálculo, nos termos do art. 31, e parágrafo único, da Lei n° 8.981/1995, bem como os seus montantes. ii) em relação ao argumento de que sobre a CSLL, não consta nos autos a compensação prevista no parágrafo 1o., do art. 8o. da Lei 9.718/1998, no sentido de que a pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição sobre o Lucro Liquido — CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até 1/3 (um terço) da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo, sendo que tais valores sejam deduzidos da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, sob pena de ilegalidade dos lançamentos, pugnando, antecipadamente, pela posterior apresentação e comprovação dos valores a serem deduzidos e/ou compensados. A DRJ considerou que a previsão da compensação da CSLL com um terço da Cofins está prevista no art. 8 °, parágrafo 1 0 da Lei n° 9.718/1998, tratase de uma faculdade a ser utilizada ou não pela contribuinte. No caso, como ela encontravase omissa desde o ano calendário de 2001, verificase que tal opção não foi exercida relativamente aos fatos geradores ocorridos de 01/01/2001 a 31/12/2003, não cabendo, pois, à autoridade autuante, muito menos a este julgador, conceder de oficio tal compensação sem que a intenção tenha sido demonstrada pela contribuinte. Quanto ao pleito, a norma é clara quando autoriza a compensação de "até um terço da COFINS efetivamente paga", desde que o valor de 1/3 da COFINS, tenha sido alvo de comprovação sobre o seu efetivo pagamento para o que fosse objeto da compensação requerida, o que não aconteceu também em sede de recurso voluntário. Ainda em relação ao argumento da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo dos tributos lançados, temos que a partir de 10 de fevereiro de 1999, com a definição de faturamento para efeito da base de calculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, são todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, o pedido foi julgado improcedente, pois o contribuinte nada trouxe comprovando erros na apuração da base de cálculo. Nada mudou com a interposição do Recurso Voluntário, razão pela qual não encontro motivo para reforma da decisão de piso. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 350DF CARF MF 6 Por fim no que se refere à alegação da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e COFINS, verificase nos autos que a fiscalização utilizouse do livro de registro de apuração do ICMS para apurar as diferenças quanto às receitas omitidas. Conforme fls. dos autos, este Conselho determinou a diligência para que os autos ficassem sobrestados até o julgamento definitivo da ADC nº 18/MCDF, que irá tratar da inconstitucionalidade dos valores recolhidos a título de ICMS na base de cálculo das contribuições sociais. Com relação a esta hipótese de exclusão também existe jurisprudência neste conselho, o que pode ser verificado no Acórdão 3401003.261, por exemplo, de maneira que não há necessidade de sobrestar o feito para a decisão definitiva da ADC n.º 18/ MC DF, porque esta irá decidir sobre a incidência do PIS sobre o ICMS, como pode ser verificado no Informativo STF 762, transcrito parcialmente a seguir: "PLENÁRIO Incidência da COFINS sobre o ICMS. O valor retido em razão do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS sob pena de violar o art. 195, I, b, da CF “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: ... b) a receita ou o faturamento”] — v. Informativos 161 e 437. Com base nesse entendimento, o Plenário, em conclusão de julgamento e por maioria, proveu recurso extraordinário. De início, deliberou pelo prosseguimento na apreciação do feito, independentemente do exame conjunto com a ADC 18/DF (cujo mérito encontrase pendente de julgamento) e com o RE 544.706/PR (com repercussão geral reconhecida em tema idêntico ao da presente controvérsia). O Colegiado destacou a demora para a solução do caso, tendo em conta que a análise do processo fora iniciada em 1999. Ademais, nesse interregno, teria havido alteração substancial na composição da Corte, a recomendar que o julgamento se limitasse ao recurso em questão, sem que lhe fosse atribuído o caráter de repercussão geral. Em seguida, o Tribunal entendeu que a base de cálculo da COFINS somente poderia incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços. Dessa forma, assentou que o valor retido a título de ICMS não refletiria a riqueza obtida com a realização da operação, pois constituiria ônus fiscal e não faturamento. Vencidos os Ministros Eros Grau e Gilmar Mendes, que desproviam o recurso. O primeiro considerava que o montante do ICMS integraria a base de cálculo da COFINS por estar incluído no faturamento e se tratar de imposto indireto que se agregaria ao preço da mercadoria. O segundo pontuava que a COFINS não incidiria sobre a renda, e nem sobre o incremento patrimonial líquido, que considerasse custos e demais gastos que viabilizassem a operação, mas sobre o produto das operações, da mesma maneira que outros tributos como o ICMS e o ISS. Ressaltava, assim, que, apenas por lei ou por norma constitucional se poderia excluir qualquer fator que compusesse o objeto da COFINS. RE 240785/MG, rel. Min. Marco Aurélio, 8.10.2014. (RE240785)." Somado a este entendimento, o próprio conceito de faturamento proferido no âmbito do STF (Recursos Extraordinários STF 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840) deixa claro que o PIS e COFINS devem incidir sobre o faturamento, sendo que o faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços, ou seja, o PIS e a COFINS então incidem sobre o ICMS de uma forma geral, porque este não é "faturamento", não é receita e não tem nenhuma conexão com as atividades econômicas do contribuinte, é um mero ingresso transitório que não agrega ao patrimônio do contribuinte. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10183.001233/200686 Acórdão n.º 1401002.682 S1C4T1 Fl. 349 7 Somado ao fato de que o Recurso Extraordinário n.º 240.785, embora pendente de julgamento de embargos de declaração é decisão definitiva (transitada em julgado em 23/02/15), proferida pelo plenário do STF e, portanto, tem aplicação obrigatória neste Conselho conforme disposto no Art. 62 do RICARF3, é importante registrar que em 15/03/17 o Supremo Tribunal Federal decidiu no julgamento do RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, embora pendente de análise de embargos de declaração, que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, portanto, não pode integrar a base de cálculo das contribuições, conforme notícia oficial transcrita a seguir: "Quartafeira, 15 de março de 2017 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins é inconstitucional. Por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em sessão nesta quarta feira (15), decidiu que o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) não integra a base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Ao finalizar o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 574706, com repercussão geral reconhecida, os ministros entenderam que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da seguridade social. Prevaleceu o voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, no sentido de que a arrecadação do ICMS não se enquadra entre as fontes de financiamento da seguridade social previstas nas Constituição, pois não representa faturamento ou receita, representando apenas ingresso de caixa ou trânsito contábil a ser totalmente repassado ao fisco estadual. A tese de repercussão geral fixada foi a de que “O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins”. O posicionamento do STF deverá ser seguido em mais de 10 mil processos sobrestados em outras instâncias. Além da presidente do STF, votaram pelo provimento do recurso a ministra Rosa Weber e os ministros Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello. Ficaram vencidos os ministros Edson Fachin, que inaugurou a divergência, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. O recurso analisado pelo STF foi impetrado pela empresa Imcopa Importação, Exportação e Indústria de Óleos Ltda. com o objetivo de reformar acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) que julgou válida a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Votos O julgamento foi retomado na sessão de hoje com o voto do ministro Gilmar Mendes, favorável à manutenção do ICMS na base de cálculo da Cofins. O ministro acompanhou a divergência e negou provimento ao RE. Segundo ele, a redução da base de cálculo implicará aumento da alíquota do PIS e da Cofins ou, até mesmo, a majoração de outras fontes de financiamento sem que isso represente mais eficiência. Para o ministro, o esvaziamento da base de cálculo dessas contribuições sociais, além de resultar em perdas para o financiamento da seguridade social, representará a ruptura do próprio sistema tributário. Último a votar, o ministro Celso de Mello, decano do STF, acompanhou o entendimento da relatora de que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins é inconstitucional. Segundo ele, o texto constitucional define claramente que o financiamento da seguridade social se dará, entre outras fontes, por meio de contribuições sociais Fl. 352DF CARF MF 8 sobre a receita ou o faturamento das empresas. O ministro ressaltou que só pode ser considerado como receita o ingresso de dinheiro que passe a integrar definitivamente o patrimônio da empresa, o que não ocorre com o ICMS, que é integralmente repassado aos estados ou ao Distrito Federal. Modulação Quanto à eventual modulação dos efeitos da decisão, a ministra Cármen Lúcia explicou que não consta no processo nenhum pleito nesse sentido, e a solicitação somente teria sido feita da tribuna do STF pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Não havendo requerimento nos autos, não se vota modulação, esclareceu a relatora. Contudo, ela destacou que o Tribunal pode vir a enfrentar o tema em embargos de declaração interpostos com essa finalidade e trazendo elementos para a análise." Ainda que não transitada em julgado, esta decisão do Supremo Tribunal federal colocará fim à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, reforçando diversos precedentes judiciais deste próprio tribunal, assim como de Tribunais Regionais Federais, a exemplo os Acórdãos do TRF da 3.ª Região, de n.º 4760892, n.º 4936897 e n.º 4947108. Também não há como completar o lançamento (em dizer que o ICMS está embutido no preço do produto por exemplo) sob a possibilidade de agressão ao critério jurídico adotado no lançamento, seja qual for, não tratou da possibilidade do Pis ou do Cofins incidir sobre o ICMS, o que configuraria o descumprimento do Art. 146 do CTN. Portanto, merece provimento o Recurso Voluntário em toda a matéria de fundo desta lide administrativa, de forma que deve ser cancelada toda a cobrança do ICMS e na base de cálculo do PIS e da COFINS, tomando por base os valores apontados nas operações com débito do imposto descriminadas no Livro de Apuração de ICMS de fls. 74/157, que também foram utilizados como subsídio ao arbitramento do lucro tributável Juros Selic Quanto a possibilidade de incidência de juros moratórios à taxa referencial do sistema SELIC, a Sumúla CARF n. 4, assegura a sua legitimidade. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, dou PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para excluir os valores tributados pelo ICMS da base de calculo do PIS e da COFINS, adotando decisões definitivas do STF, nos moldes do Art. 62 do Regimento Interno deste Conselho. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10183.001233/200686 Acórdão n.º 1401002.682 S1C4T1 Fl. 350 9 Voto Vencedor Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Redator Designado Pedindo a devida venia à ilustre relatora, apresentou neste ponto o voto vencedor relativo à impossibilidade de exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e COFINS que, na opinião da relatora seria possível, mesmo antes do trânsito em julgado do recurso repetitivo em que se discute o tema no âmbito do STJ. Passo ao voto deste ponto. Inconstitucionalidade da inclusão do ICMS nas bases de cálculo do PIS e COFINS Em relação a este ponto, que inclusive motivou a conversão do julgamento em diligência no sentido de aguardar o pronunciamento dos tribunais superiores, verificamos que o STJ, por meio do repetitivo nº RE 574706 PR, pronunciouse no sentido de que não é devida a inclusão, nas bases de cálculo do PIS e COFINS, dos valores relativos ao ICMS incidente sobre as operações. Ocorre, no entanto, que após o julgamento a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso no sentido de que a referida decisão tivesse seus efeitos modulados na sistemática do art. 27, da Lei nº 9.668/99, conforme abaixo: Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Referido recurso ainda encontrase pendente de julgamento, razão pela qual, assim como outros precedentes deste CARF, entendo que não podemos aplicar a referida decisão em recurso repetitivo enquanto não firmado o alcance da decisão em questão. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E PIS. EXCLUSÃO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal, exceto ns casos de substituição tributária, para exclusão dos valores de ICMS da base de cálculo das contribuições para a COFINS e PIS. (Acórdão nº 1301002.746, de 21/02/2018) BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda, na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. (Acórdão nº 3302004.909, de 29/01/2018) Fl. 354DF CARF MF 10 BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão nº 3402004.668, de 27/09/2017) Ante todo o exposto e verificandose que, no caso da pretensão de exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e COFINS, não existe decisão judicial transitada em julgado em sede de recurso repetitivo a amparar o pleito do recorrente, entendo não ser possível a este CARF, na ausência do trânsito em julgado, deferir pleito ante a ausência de previsão legal de sua exclusão. Desta forma, voto no sentido de negar provimento ao recurso neste ponto. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator Designado Fl. 355DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.901086/2008-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1454; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.901086/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.660 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 4 de julho de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente ABDALA CARIM NABUT ADMINISTRACAO DE IMOVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COMPENSAÇÃO ANOCALENDÁRIO 2003 O valor do débito tributário lançado na em DCTF constitui confissão de dívida e somente pode ser alterado mediante a sua retificação. Se esta não ocorrer, prevalece o lançamento original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0340.429, da 2ª Turma da DRJ/BSB, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o despacho decisório que não homologou a Declaraçao de Compensação, transmitida pelo Programa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 10 86 /2 00 8- 16 Fl. 173DF CARF MF 2 PER/DCOMP, 25982.55887.200906.1.7.042041, em 20/09/2006, de crédito relativo a pagamento a maior de IRPJ (Código de Receita 0220) referente ao F.G. 30/09/2003, no montante de R$8.686,43, visando compensar débitos tributários no total de R$7.289,04, em valores originais. Voto A manifestação de inconformidade atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/1972 (PAF), sendo tempestiva, e por isso dela toma se conhecimento. No caso em tela, alega a interessada que, ao verificar o IRPJ apurado para o 2° trimestre de 2003 e devidamente recolhido, constatou que efetuou pagamento a maior. Acosta aos autos os DARF pagos no período, nos valores de R$32.426,43 e R$l5.6l7,62, e cópia da Ficha l2A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, da DIPJ/2004, para demonstrar que o valor correto do IRPJ no período seria de R$38.213,28. Tratase da breve síntese dos fatos. A principio, cabe registrar que a contribuinte, apesar de se referir ao 2° trimestre de 2003, na realidade vem protestar sobre a existência de crédito, referente a pagamento a maior de IRPJ, do 3° trimestre de 2003, conforme pode se verificar nas cópias dos DARF e DIPJ/2004 acostadas aos autos. Por sua vez, apesar de a contribuinte alegar que teria apurado o IRPJ do 3° trimestre incorretamente, e por isso teria efetuado os recolhimentos a maior, não constam nos autos nenhum documento que pudesse comprovar a apuração indevida do tributo. Primeiro, constatase que a DCTF apresentada demonstra o tributo declarado no valor de R$48.044,05, ou seja, precisamente o montante que foi recolhido por meio dos DARF. Segundo, a apresentação da Ficha l2A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, da DIPJ/2004, por si só, não se mostra suficiente para comprovar a ocorrência do O erro invocado. Ou seja, deveriam constar nos autos cópias da escrita contábil e fiscal do interessada, hábeis para demonstrar a apuração do IRPJ referente ao 3° trimestre de 2003, e para deixar o julgador convicto de que efetivamente ocorreu o erro na apuração do tributo que teria resultado no pagamento a maior. Não é ocioso lembrar que, de acordo com o art. 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, os parágrafos que regulam o contraditório ao despacho decisório que não homologar a compensação, incluídos pela Lei n°. 10.833, de 2003, determinam que: Art. 74 § 9° É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7”, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Em outras palavras, à manifestação de inconformidade interposta à DRJ, são aplicáveis, mutadís mutandis, as mesmas condicionantes legais estabelecidas pelo Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10166.901086/200816 Acórdão n.º 1001000.660 S1C0T1 Fl. 3 3 precitado Dec. n°. 70.235, de 1972, em relação à impugnação interposta contra a formalização de exigência de crédito tributário, disciplinadas no art. 16 do mencionado diploma, a saber: Art. 16. A impugnação mencíonará: 111 os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n” 8. 748. de 1993) 4”A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei n"9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a /ato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assim, não tendo a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo trazido qualquer prova documental que proporcione respaldo às alegações expostas, não há reparo a fazer no despacho decisório atacado. Por fim, protesta a impugnante pela produção de todas as provas em direito admitidas. Ocorre que o art. 16, § 4°, do Decreto 11° 70.235, de 1972, transcrito anteriormente, estabelece que as provas documentais devem ser apresentadas por ocasião da impugnação. Caso as provas não sejam apresentadas nessa ocasião, essa faculdade processual fica preclusa. As únicas exceções admitidas ocorrem nos casos em que o contribuinte demonstra, irrefutavelmente, a impossibilidade de apresentação das provas por ocasião da impugnação, por motivo de força maior, ou por se referir a fato ou a direito superveniente, ou ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Caberia, portanto, ao sujeito passivo, demonstrar a ocorrência de qualquer uma das hipóteses descritas acima, para justificar a não apresentação de provas na ocasião da entrega da impugnação. Da análise dos autos, constatase que a requerente elaborou seu pedido baseado apenas em meras alegações, ou seja, não comprovou nenhum dos motivos previstos na legislação que impediriam a apresentação de quaisquer provas, quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Nesse contexto, em relação a novas juntadas de provas na primeira instância de julgamento, entendo que já ocorreu a preclusão processual, nos termos do art. 16, § 4°, do PAF. Assim sendo, pelo exposto, oriento meu voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Fl. 175DF CARF MF 4 Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente alega, basicamente, que: · O crédito utilizado pela Contribuinte para quitação dos débitos é oriundo de pagamento a maior no valor de R$ 48.044,05, quando o valor correto do IRPJ apurado no período, perfaz 0 valor de R$38.213,28. · Em sede de impugnação, a Reclamante informou o erro verificado, demonstrando cabalmente que o valor recolhido era maior do que o devido, por meio de DARF e declarações. Entretanto, o ilustre julgador entendeu que tais documentos não eram suficientes para comprovar o referido crédito. · Assim, complementando sua defesa e auxiliando no julgamento da lide administrativa, a Recorrente apresenta cópias da escrita contábil para extinguir qualquer dúvida sobre a existência do crédito: · .. · A recorrente alega o princípio da Verdade Material para que provas adicionais sejam aceitas, citando o acórdão 10617111, da Sexta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. · Por fim, pleiteia: Ex positís, pleiteia o Recorrente seja conhecido e provido o presente Recurso, de forma a reformar o acórdão proferido pela DRJ/BSB, reconhecendo o direito creditório e homologando a compensação realizada. Protesta, por fim, para que sejam produzidas todas as provas admitidas em direito, inclusive a realização de diligências que os Julgadores entenderem necessárias à elucidação dos fatos, em homenagem ao Princípio da Verdade Real que deve prevalecer no Contencioso Administrativo Tributário. A recorrente, conforme mencionado no acórdão da DRJ, acima transcrito, não procedeu à retificação da DCTF, que teria sido preenchida incorretamente, dela constando o valor original do débito confessado. A recorrente anexou (ao recurso) cópias de DARF, balancete, e demonstrativo, onde apresenta os valores recolhidos e a recuperar e o saldo supostamente a recuperar. No entanto, a DRJ manifestou a sua posição de que a recorrente deveria ter anexado outros documentos contábeis, conforme afirma (peço a devida vênia para reproduzir novamente): Primeiro, constatase que a DCTF apresentada demonstra o tributo declarado no valor de R$62.861,20, ou seja, precisamente o montante que foi recolhido por meio do DARF. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10166.901086/200816 Acórdão n.º 1001000.660 S1C0T1 Fl. 4 5 Segundo, a mera apresentação da Ficha l2A Cálculo do imposto de Renda sobre o Lucro Real, da DIPJ/2004, por si só, não se mostra suficiente para comprovar a ocorrência do erro invocado. Ou seja, deveriam constar nos autos cópias da escrita contábil e fiscal do interessada, hábeis para demonstrar a apuração do IRPJ referente ao 4° trimestre de 2003, e para deixar o julgador convicto de que efetivamente ocorreu o erro na apuração do tributo que teria resultado no pagamento a maior. Inicialmente, entendo que a recorrente deveria ter sido intimada a apresentar a documentação, que fosse requerida, ou que a autoridade determinasse a correspondente diligência, se fosse o caso, proporcionandolhe o direito a ampla defesa. Entretanto, apesar de todos os esforços realizados pela recorrente, o fato de não ter havido a retificação da DCTF, originalmente, entregue, não permite a que os lançamentos sejam considerados nulos, posto que, desde a sua instituição através da Instrução Normativa SRF 120/89, a referida obrigação acessória constitui, na verdade, em confissão de dívida.Veja o que diz o Parecer Normativo COSIT 2/2015: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido.(grifei) 50. A declaração de compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e tem caráter de confissão de dívida (§§2º e 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996). Ocorre, porém, que o débito ali declarado, em regra, teve sua constituição operada por outro meio (lançamento de ofício ou declaração do contribuinte, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, p. ex.). Dessa forma, na hipótese de regular alteração no meio originário que constituiu o crédito tributário – como, p.ex., uma retificação da DCTF –, a redução do valor do débito implicará a necessidade de correção deste valor na Dcomp (já extinto pela própria declaração), que pode se dar tanto por meio de retificação da Dcomp por parte do contribuinte, quando cabível, como por revisão de ofício, caso a matéria já não esteja sob a alçada da DRJ, em virtude de manifestação de inconformidade interposta.(grifei) Portanto, considerando que a DCTF é, de fato, onde o contribuinte confessa seus débitos, não há como se considerar a compensação pleiteada. Assim,nego provimento ao presente recurso, crédito tributário negado. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 177DF CARF MF 6 José Roberto Adelino da Silva Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.901723/2010-77
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
IRRF. COMPROVAÇÃO APENAS PELA NOTA FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
Somente a nota fiscal, desacompanhada de algum registro do recebimento do valor por parte da Empresa, não é suficiente para o aproveitamento do IRRF quando não apresentado o comprovante emitido pela fonte pagadora.
IRRF. APROVEITAMENTO NO AJUSTE. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Comprovado em diligência, por documentação hábil, que a Empresa teve o IRRF descontado é cabível o aproveitamento do valor no ajuste do IRPJ.
Numero da decisão: 1302-002.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, com efeitos infringentes para anular o acórdão proferido anteriormente nesta instância e, no mérito, para dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 IRRF. COMPROVAÇÃO APENAS PELA NOTA FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Somente a nota fiscal, desacompanhada de algum registro do recebimento do valor por parte da Empresa, não é suficiente para o aproveitamento do IRRF quando não apresentado o comprovante emitido pela fonte pagadora. IRRF. APROVEITAMENTO NO AJUSTE. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Comprovado em diligência, por documentação hábil, que a Empresa teve o IRRF descontado é cabível o aproveitamento do valor no ajuste do IRPJ.
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nome_relator_s : CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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secao_s : Primeira Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, com efeitos infringentes para anular o acórdão proferido anteriormente nesta instância e, no mérito, para dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-08-02T17:43:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; Last-Modified: 2018-08-02T17:43:36Z; dcterms:modified: 2018-08-02T17:43:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2018-08-02T17:43:36Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-08-02T17:43:36Z; meta:save-date: 2018-08-02T17:43:36Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-08-02T17:43:36Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; pdf:charsPerPage: 1682; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 403 1 402 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.901723/201077 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302002.920 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria DCOMP SALDO NEGATIVO IRPJ Recorrente PERSONAL SERVICE RECURSOS HUMANOS ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 IRRF. COMPROVAÇÃO APENAS PELA NOTA FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Somente a nota fiscal, desacompanhada de algum registro do recebimento do valor por parte da Empresa, não é suficiente para o aproveitamento do IRRF quando não apresentado o comprovante emitido pela fonte pagadora. IRRF. APROVEITAMENTO NO AJUSTE. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Comprovado em diligência, por documentação hábil, que a Empresa teve o IRRF descontado é cabível o aproveitamento do valor no ajuste do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos, com efeitos infringentes para anular o acórdão proferido anteriormente nesta instância e, no mérito, para dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 17 23 /2 01 0- 77 Fl. 403DF CARF MF 2 Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido por bem descrever os fatos: Versa o presente processo sobre a Declaração de Compensação apresentada através do PER/DCOMP 08742.24937.230206.1.3.025990 por meio do qual a interessada pleiteia compensar crédito que alega possuir decorrente de saldo negativo de IRPJ referente ao 2° trimestre de 2004 com débitos nele declarados. De acordo com o Despacho Decisório n° 880533161 emitido em 06/09/2010 (fl. 13/14) pela DRF Nova Iguaçu/RJ, foi homologada parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP anteriormente relacionado, tendo em vista o crédito reconhecido ter sido insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Consta no referido Despacho que: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 695.591,85 Valor na DIPJ: R$ 695.591,85 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 702.362,45 IRPJ devido: R$ 6.770,60 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) — (IRPJ devido), limitado ao menor valor entre o saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor sera zero. Valor do Saldo negativo disponível: R$ 637.491,97 Cientificada do Despacho em questão em 20/09/2010 (fl. 15), apresentou a interessada, em 19/10/2010, a manifestação de inconformidade de fl. 16/20, juntamente com os documentos de fl. 21/172, na qual alega, em síntese, que: Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10735.901723/201077 Acórdão n.º 1302002.920 S1C3T2 Fl. 404 3 • 0 fundamento para a emissão do Despacho Decisório foi o não reconhecimento integral do saldo negativo, este principalmente formado por retenções de fonte executados por clientes da recorrente, e cuja glosa montou o valor de R$ 58.099,88, conforme consta no Anexo A; • A recorrente vem mantendo rígido controle sistematizado das retenções de fonte, tanto para as contribuições como para o imposto de renda na fonte, somente procedendo a formação do saldo negativo de IRPJ para aquelas retenções efetivamente confirmadas com base nos valores líquidos recebidos; • No referido anexo A, estão informados os contribuintes em que não houve, total ou parcialmente, confirmação das retenções de fonte declaradas pela recorrente, fazendose a composição do valor de R$ 58.099,88; • No Anexo B estão evidenciados os valores retidos informados pela recorrente, considerando os valores de faturamento bruto, retenções de impostos e contribuições, data de emissão das notas fiscais, data de recebimento dos valores faturados, e outros elementos necessários à indicação das operações ocorridas no segundo trimestre de 2004; • Relaciona os casos objeto das glosas, com as informações sobre o IRF que foi retido em cada pagamento de NF por CNPJ; • Conforme pode ser observado, a recorrente mantém controle absoluto sobre todas as retenções de fonte e tem identificado cada um dos valores informados na DIPJ e nas PERDCOMP de saldo negativo, já prevendo falhas de informações das DIRE de seus clientes. Infelizmente, muitas das empresas não apresentam o informe de rendimentos anualmente, principalmente its vinculadas ao setor público, o que prejudica ainda mais esta conciliação prévia; • De qualquer forma, a recorrente faz prova de que de fato tem direito ao crédito integral, indicado na PERDCOMP de saldo negativo de IRPJ, retenções estas que estão demonstradas, devendo esta Secretaria, de posse das informações aqui disponibilizadas, solicitar novas informações sobre as divergências aos CNPJ responsáveis pelas retenções; • Fazse prova também pela apresentação das Notas Fiscais dos eventos demonstrados, as quais estão dispostas no anexo C; • Solicita acatar o pedido de reconsideração pela homologação integral, com a consequente extinção do processo de cobrança. Foram juntadas aos autos por esta Turma de Julgamento cópias do Despacho Decisório n° 880533161 e do Detalhamento do Crédito e da Compensação correspondentes (fl. 175/177). Em sessão realizada em 8 de setembro de 2011, a 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro 1 considerou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, decisão assim ementada: Fl. 405DF CARF MF 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional. IRRF. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. Incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de IRRF que não tenha sido informado em DIRF e, ainda, que não seja confirmado por comprovante de retenção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe acordam os membros da lª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO manifestação de inconformidade para manter o Despacho Decisório n° 880533161 (fl. 13/14), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. No voto condutor do acórdão ficou claro que o único documento apto a comprovar o IRRF é o comprovante de retenção fornecido pela fonte pagadora e, também, restou evidenciado que a Empresa não teria comprovada o oferecimento dos rendimentos à tributação. Cientificada da decisão, a Empresa apresentou recurso voluntário alegando: 1. apesar da minuciosa demonstração das retenções na fonte que elaborou, a DRJ preferiu a forma ao conteúdo, entendendo que apenas as DIRFs e Informe de Rendimentos seriam hábeis a fazer a prova necessária; 2. aduziu que em nenhum momento foi negada a existência do direito creditório e, portanto, sob a égide da Verdade Material deveria ter sido aceita a robustez das provas apresentadas com a manifestação de inconformidade; 3. as DIRFs estão sujeitas a erros, especialmente no caso de contratantes do setor público; 4. a Recorrente não poderia depender de informações apresentadas por terceiros, as quais não tem acesso; Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10735.901723/201077 Acórdão n.º 1302002.920 S1C3T2 Fl. 405 5 5. as notas fiscais apresentadas veiculariam informações sobre o recebimento, data, retenções de tributos e não detêm natureza contábil, porém, fiscal, com reflexos contábeis; 6. não era condição para reconhecimento do direito à compensação do imposto retido na fonte o recolhimento do tributo retido pela fonte pagadora; 7. seja no despacho decisório, ou na decisão da DRJ, não foram invalidadas as informações prestadas na DIPJ referente ao período, não recebeu intimação sobre a sua irregularidade, o valor total das receitas sujeitas a retenções na fonte apresentadas no “anexo B” são compatíveis com as informações apresentadas na DIPJ e com o saldo negativo informado; 8. o art.923/RIR determina que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, de sorte que não prosperaria a alegação de falta de comprovação das retenções, exceto se considerada a inércia e/ou falta de investigação da fiscalização, que não teria contestado as informações da DIPJ; 9. para corroborar as suas alegações, faz referência a diversos julgados dessa Corte Administrativa, em que se entende que a comprovação de retenções na fonte não se limita às DIRFs, sendo possível ao contribuinte demonstrar o seu direito creditório por outros elementos de convicção; 10. afirma que, muito embora entenda que tenha apresentado suficientes provas para lastrear o seu direito, tendo em vista o fundamento inovador da decisão relativo à “tributação de receitas”, e que a efetividade das retenções poderia ser aferida nos seus registros, pugnou pela realização de perícia, formulando três quesitos a serem complementados no curso da demanda e indicando assistente técnico. Em sessão realizada em 6 de dezembro de 2012, a 1ª Turma Especial negou provimento ao recurso voluntário, confirmando a teses da decisão de primeira instância, de que era condição de aproveitamento do IRRF a prova de seu recolhimento e de que a prova apta era o comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora. Além disso consignou a necessidade de prova de que os rendimentos relativos ao IRRF teriam sido oferecidos à tributação. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPROVAÇÃO DE IRRF. A dedução do IRRF condicionase à demonstração de efetivo recolhimento dos valores aos cofres públicos e ao oferecimento das respectivas receitas à tributação. As notas fiscais e planilhas elaboradas pelo contribuinte não são suficientes para a comprovação de liquidez e certeza do direito afirmado. Fl. 407DF CARF MF 6 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação. A Contribuinte, então, entrou com petição requerendo a anulação do julgamento, tendo o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção encaminhado a peça à 1ª Turma Especial para exame de admissibilidade, entendendo que deveria ser recebida como embargos de declaração. Alega que houve cerceamento do direito de defesa, pois não pode acompanhar o julgamento em decorrência de erro de informação no sítio do CARF em relação à Turma em que se realizaria a sessão pertinente. Aduz, ainda, que a Conselheira Relatora não poderia ter proferido o voto nesta Primeira Turma porque vinculada à Primeira Câmara e não à Terceira Câmara, à qual vinculase este colegiado, hierarquicamente. A 1ª Turma Especial, agora tendo como relatora a Presidente da Turma, por maioria, vencidas as Conselheiras Relatora e Carmen Ferreira Saraiva, acolheu os embargos de declaração. Embora não conste no acórdão, é conclusão lógica que a anulação do acórdão anterior se deu por unanimidade, uma vez que as duas Conselheiras vencidas negavam provimento ao recurso voluntário, e que a conversão do julgamento em diligência foi por maioria. Assim consta no decisum: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pela contribuinte.Por maioria de votos, no mérito, converter o julgamento na realização de diligências. Vencidas as Conselheiras Ana de Barros Fernandes (Relatora) e Carmen Ferreira Saraiva, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cláudio Otávio Melchíades Xavier. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez. A diligência foi no seguinte sentido: Por essas sucintas razões, meu voto é para converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil, que jurisdiciona a Recorrente, completar seu relatório, conferindo a idoneidade e a consistência da prova acostada aos autos (notas fiscais, planilhas e tudo mais que julgar conveniente), bem como solicitar, caso entenda necessário, às fontes pagadoras os comprovantes das retenções realizadas, dando, ao final, ciência de tudo à Recorrente, para se manifestar, querendo. A autoridade responsável pela diligência iniciou os trabalhos realizando um novo "batimento" nos sistemas da RFB. Dele resultaram, como valores parcialmente confirmados ou não confirmados, os registrados no quadro abaixo: Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10735.901723/201077 Acórdão n.º 1302002.920 S1C3T2 Fl. 406 7 A autoridade administrativa registra que considerou, em sua análise, a planilha juntada pela Recorrente, além das notas fiscais, em substituição aos comprovantes de retenção que não foram apresentados. Em alguns casos foram considerados os valores constantes da DIRF, quando esses são superiores às notas fiscais. Passou então a detalhar cada um dos CNPJ constantes da tabela acima: O contribuinte informa suposta retenção de 4,8% sob o código de receita 6190. E ainda, não obstante a data de emissão da NF 8285 (acima) em 19/03/2004 (1ª trim), o contribuinte informa na planilha que a data de pagamento foi 02/04/04 (2ª trim). Observase que nas 03 NF não há IR destacado, e o declarante não informou valores em DIRF, tendo o contribuinte como beneficiário das retenções. Não sendo possível, dessa forma, confirmar que o contribuinte efetivamente sofreu as retenções informadas. Fl. 409DF CARF MF 8 Em breve análise da tabela acima, é possível verificar que os valores retidos correspondem a 1% do valor da NF, com exceção da NF 8292 onde não há IR destacado na NF. No entanto, considerando a retenção de 1% do valor da NF, temos R$ 619,33, como informa o contribuinte em planilha, resultando no montante de R$ 4.249,24. Observase, no entanto, que o montante encontrado em DIRF é superior àquele encontrado nas NF, sendo esse o valor considerado. O contribuinte também informou na planilha anexada e em DCOMP, retenções sofridas através das NF a seguir relacionadas, sob o mesmo CNPJ 03.672.347/000179. No entanto, as NF relacionadas são referentes ao CNPJ 33.469.172/000168, como a seguir: Da tabela supra, é possível verificar que o contribuinte, em relação às NF 8645 e 8768, informou valores de retenção superiores àqueles destacados na NF e que correspondem a 1% de seu valor. Nessas, informou aproximadamente 2,82%, ignorando o IR destacado na NF. Ou seja, além de declarar em DCOMP, CNPJ diverso daquele da NF, informa valor superior àquele nela destacado. A NF 8396 não destacou o IR, e também Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10735.901723/201077 Acórdão n.º 1302002.920 S1C3T2 Fl. 407 9 não foi declarada em DIRF, posto que a soma encontrada do IR destacado nas NF (848,78), coincide com a DIRF daquele declarante. Dessa forma, é possível inferir que a NF 8396, cujo IRRF não foi destacado, não foi declarada em DIRF. Analisando a tabela acima, verificase que o contribuinte mais uma vez desconsiderou os valores de IRRF destacados nas NF (8380 e 8626), listando em planilha o IRRF com valores superiores ao das NF. E ainda, no “corpo” da NF 8626, consta que a mesma estaria cancelada. No entanto, considerando os valores confirmados em DIRF, é de se considerar o montante de R$ 2.374,97. Relativamente ao CNPJ supra, verificamos que os valores destacados nas NF e na planilha do contribuinte são coincidentes, inclusive com aquele declarado em DIRF, sendo inferior àquele declarado em DCOMP (R$ 129,88). Em relação ao CNPJ 26.474.056/000171, não foram destacados IRRF nas Notas Fiscais nem foram declarados valores em DIRF. Na tabela abaixo, seguimos o CNPJ que consta na planilha do contribuinte, posto que o CNPJ que consta nas NF (26.474.050/000110) é de empresa não cadastrada. Inferimos, dessa forma, que esteja correto aquele colocado na planilha e na DCOMP. Somente encontrase destacado em NF o IRRF da NF 8501. No entanto, considerando que foi confirmado pelo próprio sistema o montante de R$ 4.186,98, este deve ser considerado. Fl. 411DF CARF MF 10 Em relação ao CNPJ de outra filial, listado na planilha, CNPJ nº 26.474.056/002468, não foram encontrados valores de IRRF destacados na NF, nem em DIRF, como a seguir. Ressaltese ainda que o CNPJ que consta nas NF listadas na planilha não é o mesmo. O CNPJ que consta em NF é o de nº 26.474.986/0024 68, e é de empresa não cadastrada. Na tabela a seguir foram listadas as NF relativas ao CNPJ 28.835.700/000115. Nestas, os valores das NF são coincidentes com aqueles listados na planilha. No entanto, não foram encontrados valores de IRRF na DIRF respectiva. Relativamente ao CNPJ 32.011.637/000170, mais uma vez, os valores listados em planilha pelo contribuinte são superiores àqueles destacados nas NF respectivas. O montante encontrado nas NF coincide com aquele encontrado em DIRF. No que concerne ao CNPJ 34.143.842/000114, não foram destacados em NF valores de IRRF, como a seguir. Também não foram declarados IRRF em DIRF. A NF 8742 foi emitida em data posterior ao pagamento (16/07/2004). O CNPJ das NF também é diferente do que consta em planilha. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10735.901723/201077 Acórdão n.º 1302002.920 S1C3T2 Fl. 408 11 O CNPJ 34.274.233/000102 a seguir relacionado destaca na NF 8563, o valor de R$ 2.128,00, que seria 4,8% (cod 6190) do montante da NF. Em planilha e em DIRF, o valor de R$ 443,33 representa 1% (cod 1708) do montante declarado, devendo ser considerado. A NF 8725 foi emitida em 13/07/04 (3º trim) e, verificouse que consta em DIRF, no mês de julho, o IRRF de 771,15, como listado em planilha pelo contribuinte, o que nos faz inferir que tal NF é referente ao 3º trim/2004. Em relação ao CNPJ básico 42.365.445, foi encontrado em DIRF, o montante de IRRF no valor de R$ 564,21. Desse montante, parte (R$ 184,83) do IRRF foi utilizada na matriz (000115), restando R$ 379,38 disponível. Em planilha, o contribuinte lista (aqui colocado na segunda parte da tabela a seguir), como sendo da filial 000620, mas as NF são da filial 000387. Essa diferença não utilizada pela matriz (379,38), aqui foi utilizada pela filial, como a seguir. Relativamente ao CNPJ 42.540.211/000167, foram encontrados os valores a seguir descritos. Na planilha do contribuinte é possível observar que foram listados valores superiores àqueles Fl. 413DF CARF MF 12 encontrados nas NF. Nestas o IRRF corresponde a 4,8% do valor da NF (6190). O montante encontrado em DIRF sob o código de receita 6190 é de R$ 57.317,39, que proporcionalizado à alíquota de 4,8%, resulta no valor de R$ 29.113,59. Dessa forma o montante de IRRF encontrado nas NF em confronto com aquele declarado em DIRF é de R$ 675.912,86 (R$ 621.790,05 (SCC) + R$ 54.122,81). Destaquese, ainda, que o IRPJ devido, que deve ser deduzido, remonta em R$ 6.770,60, conforme informado em DIPJ. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10735.901723/201077 Acórdão n.º 1302002.920 S1C3T2 Fl. 409 13 Cientificado do relatório de diligência (fl. 400) a Recorrente não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Resolução desta Turma Ordinária em sessão de 10 de julho de 2013 já decidiu pela nulidade do julgamento anterior, haja vista a impossibilidade de acompanhar o julgamento por parte da Recorrente por falta de comunicação, determinando diligência. O Despacho Decisório eletrônico nº de rastreamento 880533161 reconheceu, originalmente, direito creditório no valor de R$637.491,97, tendo em conta que das retenções na fonte confirmadas (R$644.262,57) foi abatido o valor do IRPJ devido (R$6.770,60). Assim, em litígio, a parcela do IRRF não confirmada ou confirmada em parte conforme tabela de folha 23. Essas tabelas registram que dos valores de IRRF: (i) R$598.020,48 foram confirmados; (ii) R$46.242,09 foram parcialmente confirmados, totalizando R$644.262,57; e (iii) R$58.099,88 não foram confirmados. O trabalho da autoridade administrativa responsável pela diligência foi minucioso, todavia entendo que deveria ter partido do "batimento" feito no Despacho Decisório, para analisar as parcelas que nele constam como não confirmadas ou confirmadas em parte. Afora isto, comparando a tabela de folha 23 "Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas" com a tabela elaborada pela Auditora Fiscal responsável pela diligência (fl. 393, in fine), concluímos que: Fl. 415DF CARF MF 14 o único valor de IRRF que não consta da tabela que acompanha o Despacho Decisório, por não ter sido declarado na Dcomp, é o relativo ao CNPJ 33.469.172/000168, cujo valor consta na DIRF e é destacado na NF, no total de R$848,78 e, portanto, será somado ao crédito, embora não conste da Dcomp; o valor de R$473,40, relativo ao CNPJ 28.835.700/000115, que não tinha sido confirmado no DD, foi confirmado pela diligência apenas com base na NF, não constando nenhum valor em DIRF; o valor de IRRF relativo ao CNPJ 35.785.138/000128 foi integralmente confirmado no DD (R$390,30), não podendo esta confirmação ser desfeita na diligência, que confirmou apenas R$311, 42. Assim, prevalece o decidido anteriormente no DD:R$390,30; o valor de IRRF relativo ao CNPJ 42.365.445/000620 de R$67,96, foi inteiramente confirmado em diligência; o valor de IRRF relativo ao CNPJ 42.540.211/000167 teve a parcela confirmada aumentada de R$29.113,59 para R$40.310,71 apenas com base na NF, constando na DIRF os mesmos R$29.113,59; Os valores de IRRF não confirmados na tabela anexa ao DD de folha 23 a seguir elencados não constaram na tabela inicial elaborada pela autoridade responsável pela diligência, decorrente do novo "batimento": CNPJ 00.394.129/006907.....................R$17.854,18 CNPJ 04.102.800/000174.....................R$ 897,40 No início de seus trabalhos a autoridade registra: Os CNPJ/código de retenção que não constam na tabela a seguir foram totalmente confirmados pelo sistema, constando apenas aqueles que foram parcialmente confirmados ou que não foram confirmados automaticamente pelo sistema. Disso podese concluir que os dois valores acima foram, nesse segundo batimento, confirmados pelo sistema. Portanto, deverão ser somados ao crédito reconhecido no DD. Sobre os valores que não constam da DIRF, mas somente nas Notas Fiscais, embora destacados, entendo que somente a NF não é suficiente para permitir o aproveitamento do valor por parte do suposto beneficiário. De fato, algum erro houve, contudo o IRRF não consta da DIRF, o que requer atenção e prova especialmente dedicadas. Não é por outro motivo que a lei estabelece que a prova para o aproveitamento do imposto retido na fonte por parte do beneficiário é documento emitido pela fonte pagadora, pois assim não há margem de erro e a cobrança do valor recolhido a menor ou não recolhido dispensa maiores auditorias por parte do Fisco. As obrigações acessórias são colocadas para facilitar o controle da administração tributária e, nesse caso, a imposição tem esse condão. Por outro lado, a prova do direito creditório é de responsabilidade do declarante e, embora devase atenção permanente à verdade material, há que se impor limite, Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10735.901723/201077 Acórdão n.º 1302002.920 S1C3T2 Fl. 410 15 exigindo o mínimo de segurança para autorizar a utilização de um valor que sequer tem prova de recolhimento. Prevalece, no meu entendimento, os valores constantes da DIRF, nos casos de confronto entre a NF sem outros elementos probantes (comprovação do valor pago, movimentação bancária coincidente, etc), pelo que os valores abaixo não impactarão no reconhecimento do direito creditório: 1) a diferença entre o valor de R$40.310,71, confirmado em diligência apenas com base na NF, e o valor de R$29.113,59, confirmado no DD com base na DIRF, em relação ao IRRF do CNPJ 42.540.211/000167. Assim, deverá ser mantido o crédito reconhecido no DD no valor de R$29.113,59; 2) o valor de R$473,40, relativo ao CNPJ 28.835.700/000115, reconhecido na diligência com base na NF e que não consta em DIRF; Portanto, devem ser somados aos valores de IRRF confirmados: a) o valor de R$848,78, relativo ao CNPJ 33.469.172/000168, que não contou da Dcomp, mas consta da DIRF e é destacado na NF; b) o valor de R$17.854,18, relativo ao CNPJ 00.394.129/006907, que foi validado pelo novo "batimento" realizado pela Auditora Fiscal; c) o valor de R$897,40, relativo ao CNPJ 04.102.800/000174, que foi validado pelo novo "batimento" realizado pela Auditora Fiscal; d) o valor de R$67,96, relativo ao CNPJ 42.365.445/000620, que foi totalmente confirmado na diligência; Feitas essas considerações, conheço dos embargos, acolhendoos com efeitos infringentes para anular o acórdão proferido anteriormente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo um direito creditório no valor original de R$19.668,32 (dezenove mil, seiscentos e sessenta e oito reais e trinta e dois centavos), a ser somado ao já concedido no Despacho Decisório de folhas 14, no valor original de R$637.491,57. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Fl. 417DF CARF MF 16 Fl. 418DF CARF MF
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