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Numero do processo: 18470.732599/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
Ementa:
NULIDADE DA AUTUAÇÃO
Não há nulidade a ser reconhecida da autuação. A previsão legal de omissão presumida de passivo fictício impõe, ao contribuinte, o dever de comprovar a efetividade das suas contas de passivo sob pena de legitimar a autoridade para realizar o lançamento com base em presunção legal.
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA
A denegação motivada de pedido de diligência não torna nula a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-001.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade para NEGAR provimento ao recurso. A Conselheira Lívia de Carli Germano apresentará Declaração de Voto.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 Ementa: NULIDADE DA AUTUAÇÃO Não há nulidade a ser reconhecida da autuação. A previsão legal de omissão presumida de passivo fictício impõe, ao contribuinte, o dever de comprovar a efetividade das suas contas de passivo sob pena de legitimar a autoridade para realizar o lançamento com base em presunção legal. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA A denegação motivada de pedido de diligência não torna nula a decisão recorrida.
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A previsão legal de omissão presumida de passivo fictício impõe, ao contribuinte, o dever de comprovar a efetividade das suas contas de passivo sob pena de legitimar a autoridade para realizar o lançamento com base em presunção legal. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA A denegação motivada de pedido de diligência não torna nula a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade para NEGAR provimento ao recurso. A Conselheira Lívia de Carli Germano apresentará Declaração de Voto. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 25 99 /2 01 2- 15 Fl. 6358DF CARF MF 2 BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório Acusação fiscal O presente feito tem por objeto os autos de infração de fls. 4825/4851, mediante os quais foram lançados PIS e Cofins, relativamente aos anos de 2008 a 2010, no valor total de R$ 42.119.428,45, incluídos juros e multa de 75%. A autuação decorreu da auditoria feita na conta de passivo nº conta 2401 – Adiantamento de Clientes. Por meio de minuciosa análise em relação a cada uma das subcontas representativas dos clientes (termos de verificação de fls. 46794753 e 47544824), a autoridade fiscal concluiu que parte significativa dos valores lá registrados representariam receitas que deixaram de ser registradas como tal no momento oportuno. Para tal, a autoridade fiscal utilizou informações prestadas pelo contribuinte, os contratos com os clientes e informações prestadas pela ANEEL. Assim, identificou duas infrações: (i) omissão de receitas por passivo fictício e (ii) postergação relativamente a valores que foram, posteriormente, oferecidos à tributação com a respectiva baixa do valor do passivo. Impugnação e demais atos preparatórios do julgamento de primeiro grau Preferimos relatar a acusação fiscal com a nossa própria letra por considerar, demasiadamente extenso, o relatório da instância julgadora de primeiro grau. O mesmo, contudo, não se diga dos termos daquela peça quanto às demais partes, as quais adotamos na integralidade, ou seja, o relato da impugnação, da decisão que baixou o feito em diligência e do resultado da diligência. Segue, abaixo: Cientificada em 10/12/2012, folha 4852, em 09/01/2013, a contribuinte apresentou impugnação, às folhas 4857/4879, na qual alega que: CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE A EMPRESA E A DINÂMICA DE SUA ATIVIDADE ECONÔMICA a empresa é prestadora de serviços de engenharia mecânica, realizando projetos e confeccionando diversos equipamentos para usinas hidroelétricas; a atividade da DENGE restou clara e inequívoca para a fiscalização; Fl. 6359DF CARF MF Processo nº 18470.732599/201215 Acórdão n.º 1401001.709 S1C4T1 Fl. 6.359 3 dada a especificidade do negócio, a empresa fabrica os equipamentos sob medida para cada cliente, e nesse sentido, não há equipamentos préfabricados em estoque para uma eventual pronta entrega; como pôde ser constatado em todos os contratos apresentados à autoridade autuante, os valores dos equipamentos ultrapassam a casa dos milhões de reais, o que exige adiantamentos por parte do cliente para a compra de insumos, como chapas de aço e outros componentes, sem os quais, a DENGE Engenharia não teria como viabilizar sua fabricação; rigorosamente todos os contratos são para fabricação e instalação de equipamentos específicos e sob medida em usinas hidroelétrica, e os clientes contratantes realizam adiantamentos de valores para a compra de insumos; a autoridade autuante produziu relatório sem discutir as peculiaridades desse tipo de contratação e serviço o que dificulta o real entendimento da questão; a própria confusão do relatório que, por vezes confunde clientes contratantes com as usinas onde serão ou foram instalados os equipamentos já demonstra não ter a autoridade compreendido, de fato, a questão debatida; DO CERNE DA QUESTÃO DEBATIDA a autoridade autuante não conseguiu compreender (ou não quis), apesar das inúmeras explicações fornecidas pela empresa, que por força da dinâmica das contratações, todos os recebimentos iniciais da empresa não se configuram receita, mas mero adiantamento dos clientes, e que tratarseia, na verdade, de um faturamento antecipado, e não uma venda para entrega futura; o tratamento tributário e também contábil a ser dispensado às operações de faturamento antecipado e venda para entrega futura é, sem dúvida, um ponto normalmente causador de dúvidas, não obstante serem bastante diferentes em sua essência; as vendas para entrega futura, em regra, representam vendas efetivamente concluídas, porém por conveniência ou necessidade do adquirente as mercadorias serão efetivamente entregues em data posterior; para fins contábeis a receita deve ser reconhecida no momento da transação em conta de Receita Bruta de Vendas, em que pese à transferência da posse se dar ulteriormente; o faturamento antecipado, por sua vez, trata de vendas paras as quais o vendedor ainda não dispõe das respectivas mercadorias em função destas ainda virem a ser produzidas ou adquiridas; Fl. 6360DF CARF MF 4 esta é a diferença essencial, pois na venda para entrega futura a mercadoria fica a disposição do adquirente, enquanto no faturamento antecipado isto não ocorre; portanto, na primeira hipótese devese reconhecer a receita de imediato, pois houve a transmissão da propriedade, entretanto na segunda a vendedora apenas assumiu um compromisso de disponibilizar o produto futuramente, sob pena de declinar a operação; a figura do faturamento antecipado normalmente é utilizada para documentar adiantamentos efetuados pelo cliente, pois a receita somente será realizada quando houver a transmissão do produto. Assim, contabilmente os valores recebidos nestas circunstancias devem ser tratados como adiantamentos de clientes, no passivo; na seara tributária, temos que nas vendas para entrega futura a receita é reconhecida para fins de tributação no ato da emissão da nota fiscal; nas hipóteses de faturamento antecipado, a receita será reconhecida para fins de tributação quando da efetiva entrega do bem; a leitura de qualquer dos contratos da DENGE Engenharia deixa claro que em seu ramo de atuação trabalhase com faturamento antecipado, registrandoos na conta "adiantamento de clientes" no passivo circulante; nesse sentido, o CARF tem diversas decisões em Soluções de Consulta que pacificam o assunto: (...); em nenhum momento, a autoridade autuante demonstrou não ser possível a utilização de faturamento antecipado, ou ainda, demonstrou que os valores recebidos pela DENGE não eram, de fato, provenientes de adiantamento de clientes, limitandose a considerar que os valores contabilizados em subcontas patrimoniais "Adiantamento de Clientes" deveriam estar oferecidas a tributação; se o CARF considera possível a utilização do faturamento antecipado, deveria a fiscalização justificar porque no caso concreto da empresa DENGE, isso não se fazia possível. DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO: AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIAS PELA BUSCA DA VERDADE REAL é inaceitável, já que cabia a autoridade autuante exercer a fiscalização tributária em busca da verdade material, e seguramente, isto não é condizente com uma postura de, apenas, buscar formas de autuação; conforme leciona MACHADO SEGUNDO, a Administração pública não pode agir apenas em presunções. A verdade material ou real decorre do próprio princípio da legalidade por que o efetivo conhecimento dos fatos é indispensável a que haja a correta observância das leis que lhes são aplicáveis. Presumindo a ocorrência de um fato que na verdade não Fl. 6361DF CARF MF Processo nº 18470.732599/201215 Acórdão n.º 1401001.709 S1C4T1 Fl. 6.360 5 ocorreu, a Administração termina por aplicar ao caso uma lei que, a rigor, sobre ele não incidiu, não lhe sendo aplicável. Praticase, em outras palavras, uma ilegalidade em face do desconhecimento da verdade; AURELIO PITANGA SEIXAS FILHO afirma que o princípio da verdade material impõe às autoridades administrativas o dever de investigar as circunstâncias em que determinado fato ocorreu, a fim de verificar se o mesmo é relevante para fins jurídicos; nesse sentido, tinha a autoridade autuante, primeiro, a obrigação de verificar a possibilidade de utilização da escrituração de faturamento antecipado, depois, investigar se, de fato, a empresa procedeu corretamente, mas a AFRFB não o fez; ALBERTO XAVIER conclui que a força do princípio da verdade material é tão grande que o dever de investigar do Fisco só cessa na medida e a partir do limite em que o exercício se tornou impossível, em virtude do não exercício ou do exercício deficiente do dever de colaboração do particular em matéria de escrituração mercantil; a DENGE ENGENHARIA não só escriturou todos os procedimentos realizados como forneceu cópia de todos os contratos firmados com seus clientes, onde, vale ressaltar, não se trata de serviços de pequeno porte, com clientes e operações de difícil verificação, pois a empresa fabrica equipamentos para hidroelétricas; assim, na lição de MACHADO SEGUNDO, o princípio da verdade material impõe ainda que, não pode o agente fiscal deixar de realizar diligências probatórias necessárias pela natureza ínsita do objeto fiscalizado; sobre a matéria o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda assim se manifestou: (...); toda a imensidão de páginas do relatório que lastreia a autuação fiscal limitase a calcular o imposto devido por ter a empresa omitido/postergado faturamento. Mas onde está a comprovação de que, de fato, a empresa não poderia operar com faturamento antecipado ou, de fato não o fez? toda a apuração parte de uma premissa inicial equivocada, precipitada e sem qualquer investigação mínima lastreada na documentação apresentada; por desdobramento desses fatos, a mera alegação de que os valores escriturados em adiantamento de clientes deveriam ter sido levados entregues à tributação, a autoridade autuante feriu frontalmente o princípio do dever de fundamentação, que nada mais é do que uma decorrência da necessária motivação dos atos administrativos; Fl. 6362DF CARF MF 6 como as decisões proferidas no âmbito dos processos, tanto administrativos como judiciais, exigem fundamentação, e como a questão da presunção da validade do ato administrativo possui implicações diretas na fundamentação dessas decisões, especialmente no deferimento e na valoração das provas, a base fundante de toda a investigação fiscal deveria apresentar suporte probatório consistente e a correlata e adequada fundamentação; corroborando, novamente decisão do Conselho de Contribuintes: (...); SERGIO ANDRÉ R. G. DA SILVA, conclui, nesse sentido que, o aspecto mais importante relacionado ao princípio da verdade material consiste no dever da Administração Pública, não podendo, como regra geral, a aplicação da regra jurídica pela autoridade administrativa ter fundamento em mera presunção ou ficção da ocorrência de sua hipótese de incidência; merece ainda destaque para a lição de Paulo de Barros Carvalho: (...); quando de cada entrega parcial dos equipamentos, a DENGE sempre emitiu a nota fiscal correspondente, e recolheu os tributos devidos; esse fato pode ser facilmente constatado pela emissão das notas fiscais correspondentes, sendo certo que a AFRFB teve acesso as notas fiscais e guias de recolhimentos nos prazos devidos; ainda assim, junta novamente CD's com os arquivos das Notas Fiscais agrupadas por empresa/contrato de forma a viabilizar a correta apuração fiscal, onde certamente, se comprovará que o faturamento antecipado teve posterior emissão de notas com recolhimento de tributos. DOS CONTRATOS AINDA NÃO CONCLUÍDOS a autoridade autuante parte de uma premissa equivocada quando conclui que determinados contratos da DENGE estariam concluídos, por ter a ANEEL informado que determinadas usinas encontravamse em funcionamento; a DENGE não é uma empresa de engenharia construtora de barragens ou estruturas de alvenaria das Usinas hidroelétricas; por fabricar equipamentos específicos para cada usina/cliente, é perfeitamente possível, e habitual, que a usina entre em operação sem que a DENGE tenha necessariamente entregue todos os equipamentos contratados; exemplos simplórios podem elucidar a questão: um equipamento que não está diretamente relacionado com a geração da usina, por exemplo, o pórtico rolante da Tomada D'água, uma máquina limpa grades, jogos adicionais de comportas enceradeiras, etc. que podem ser fornecidos em datas posteriores à geração; Fl. 6363DF CARF MF Processo nº 18470.732599/201215 Acórdão n.º 1401001.709 S1C4T1 Fl. 6.361 7 outro exemplo seria uma usina com 5 turbinas pode estar em pleno funcionamento com 4, e a Denge pode ter sido contratada para entregar equipamentos destinados quinta turbina; assim, a autoridade autuante deveria ter sido diligente no sentido de intimar e solicitar informações dos clientes, já que possuía os termos contratuais, sempre na busca da verdade material. DO REIDI REGIME ESPECIAL DE INCENTIVOS PARA O DESENVOLVIMENTO DA INFRAESTRUTURA a DENGE presta serviços para diversos clientes enquadrados e habilitados no REIDI e nesse sentido, houve a regular desoneração quanto ao PIS e a COFINS; ressaltese que a informação quanto à habilitação no REIDI é de responsabilidade da CONTRATANTE e que a DENGE deixou de considerar os valores de PIS/COFINS segundo tais informações. DO ERRO MATERIAL NA EMISSÃO DE DCTF eventuais erros claros na confecção das DCTF's não poderiam gerar mera tributação por arbitramento, sobretudo, quando os recolhimentos tributários do período já haviam sido feitos e era de conhecimento da AFRFB; na lição de MACHADO SEGUNDO, que o já debatido princípio da verdade material impõe ao Fisco que o arbitramento seja realmente a última solução para o cálculo de um tributo. O arbitramento não pode ser visto como uma "penalidade" pelo mero descumprimento de deveres acessórios irrelevantes ou pouco importantes. DA METODOLOGIA DE CÁLCULO não restou claro à interessada a metodologia de cálculo utilizada pela autoridade autuante, sobretudo por não computar adequadamente os valores de todas as notas fiscais emitidas pela DENGE e não contrastar com os lançamentos contábeis de adiantamentos de clientes. DO PEDIDO DAS PROVAS protesta produção de prova suplementar, em especial, prova documental suplementar para melhor instruir os autos, sobretudo, garantir a ampla defesa e propiciar a juntada de documentos que não puderam ser apresentados no prazo exíguo inicial de 30 dias, alegando nesse sentido, o §4°, "a" do decreto 70.235, com a (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) combinado com o §5°, e com o art.16, IV do decreto 70.235, com a (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993); Fl. 6364DF CARF MF 8 requer diligências para apurar junto aos contratantes, a forma e a realização parcial ou total dos contratos firmados junto a DENGE para apurar a veracidade da alegação de faturamento antecipado, e a não ocorrência de postergação ou omissão de receitas, tudo na forma do art.16, IV do decreto 70.235, com a (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993). requer ainda o depoimento testemunhal da autoridade autuante que efetuou os lançamentos, para, garantindo o direito de ampla defesa, oferecer esclarecimentos sobre a metodologia de apuração dos fatos, e não somente dos cálculos apresentados, fundamental para o deslinde da questão, invocando desde já o disposto no art.59, II do decreto 70.235. DO MÉRITO: ao final, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para que sejam anulados os autos de infração em razão dos procedimentos contábeis da impugnante estar em conformidade com a legislação e a jurisprudência consolidada do CARF. Em 12/07/2013, este Relator converteu o julgamento em diligência para que a autoridade autuante esclarecesse os quesitos formulados e instruísse novamente os autos com os documentos Denge Postergações, às folhas 3910/3989, Cálculo IRPJ e CSLL, às folhas 3990/4062, que encontramse ininteligíveis com a instrução eletrônica que tinha sido efetuada no sistema eprocesso. Os quesitos foram os seguintes: 1 Apresentar planilha que corresponda a imagem de folhas 3910/3989, denominada “Denge Postergacoes”, tendo em conta que não é possível a analise ou conversão do documento constante do eprocesso para planilha (exemplo de como consta dos autos: POSTERGAÇÕES (Receitas) #######; Postergações (Despesas) #######; 2 Esclarecer a metodologia e demonstrar a forma de calculo da postergação de imposto/contribuição, notadamente se foi considerada imputação proporcional ou linear de pagamentos de imposto/ contribuição; 3 Apresentar planilha que corresponda a imagem de folhas 3990/4062, denominada “Calculo IRPJ e CSLL”, tendo em conta que não e possível a analise ou conversão do documento constante no eprocesso para planilha (exemplo de como consta nos autos: JANEIRO FEVEREIRO MARCO ABRIL Cliente $ 39.448,00 $ 39.479,00 $ 39.508,00 1 TRI 2008 $ 39.539,00 ##### ######.” 4 Apresentar planilha que corresponda a imagem de folhas 3990/4062, denominada “Base de Calculo”, em formato excel, tendo em conta que não e possível a analise ou conversão do documento cosntante no eprocesso para planilha (exemplo de como consta nos autos: 2008 Omissao de Receitas Base de Fl. 6365DF CARF MF Processo nº 18470.732599/201215 Acórdão n.º 1401001.709 S1C4T1 Fl. 6.362 9 Calculo Lucro Real IRPJ e Adicional Base de Calculo (*) Redução Indevida DIPJ Lucro Real Causada Postergações (**) Janeiro $ 1.441.306,62 Fevereiro Marco $ 3.561.517,17 #### $ 81.392,14);” 5 Esclarecer se foram ou não computadas nos valores lançados, as notas fiscais emitidas pela autuada, notadamente, as notas fiscais apresentadas na impugnaçãoo, as folhas 4377/5674.” 6 Esclarecer se os lançamentos foram ou não contrastados com os lançamentos de adiantamento de clientes da contribuinte; 7 Demonstrar a forma de calculo dos valores lançados como omissão de receita – passivo fictício. Em 23/09/2013, a autoridade autuante exarou o Relatório de Diligência, de folhas 5723/5764, tendo consignado que: Em relação ao quesito 1, apresenta planilha como parte integrante do Termo de Diligência; Em relação ao quesito 2, a autoridade afirma que a contribuinte declarava os seguintes valores nas linhas “Outras Contas” do Passivo Circulante, e, diante da manutenção sistemática, de saldos substanciais em contas patrimoniais passivas esta fiscalização procedeu a analise comapartiva dos saldos das Receitas Declaradas (x) Lucro Real Declarado (x) IRPJ/DIPJ (x) CSLL/DIPJ (x) DCTF para os tributos em tela; A partir da analise comparativa dos saldo declarados pelo contribuinte, anteriormente listados, esta fiscalização iniciou a auditoria contábil fiscal – com analise minuciosa dos seguinte items, dentre outros: Livro Diário, Livro Razão, LALUR, Contratos e aditamentos (Período contractual, Modalidade contractual, Cronogramas fisicofinanceiros, Marcos contratuais – etapas contratadas, Eventos Contratuais Marcos Contratuais: efetiva prestação do serviço e aceite de etapa por parte do cliente da fiscalizada, recebimentos de numerários, por parte da fiscalizada – alocandoos por fato contábil, cronograma físicofinanceiro, aceites de marcos contratuais, analise individualizada porem agrupados por cliente/obra por subconta contábil passiva. Diante do resultado da analise efetuada, confrontouse a metodologia contábil aplicada pelo contribuinte, relativamente a cada fato contábil com aquela apurada pela fiscalizaçãoo, especialmente em relação aqueles valores contabilizados em subcontas patrimoniais 2401 – “Adiantamento de Clientes”; As paginas 09 a 120, fls 4077 a 4198 do Termo de Verificação Fiscal, fls 4077 a 4151, 4156 a 4226 descrevem, minuciosamente, cada subconta do passivo analisada por esta fiscalização tendo sido ali compiladas, mensalmente, os saldos passivos declarados pela contribuinte em subcontas do passivo Fl. 6366DF CARF MF 10 e nas colunas seguintes “Variação Passivo” indicação dos montantes que deveriam estar apropriados em conta de resultado no período de apuração a que pertencem “Data Apropriação Postergacao” período e data debito em conta patrimonial passiva “Omissão de Receitas” valores que ainda permaneceram em conta patrimonial passivo, indicando o período de apuração em que deveria estar apropriadas; Assim, demonstrouse, por subconta passiva, o momento em que: a) ocorreu a omissão de rendimentos tributáveis, e b) quando valores – apurados pela fiscalização já não poderiam fazer parte de subcontas patrimonial passivas e as datas em que o fiscalizado procedeu aos débitos. Ainda, esta fiscalização procedeu a Circularização junto a ANEEL – Agencia Nacional de Energia Elétrica que informou datas de inicio de operação de cada cliente bem, como a geração energia e volume gerado. Tal informação é pública e encontrase também no web site da ANEEL. Para recomposição do lucro liquido do exercício de cada período, assim como para detalhamento e informação de como foram realocados os valores que estavam reupouzando (sic), de forma indevida, no passivo da empresa, bem como as despesas correspondentes, que se encontravam no ativo do fiscalizado foram elaboradas, de forma individualizada, por subconta contábil a planilha denominada “Denge Postergação”. Assim, “Denge Postergação” vem consolidar os valores que foram individualmente discriminados por conta contábil (Termo de Verificação ate a pagina 121) por mêscalendário. Nesta planilha a fiscalização realoca valores das receitas apuradas adicionandoas ao mês a que realmente pertencem e concomitantemente subtraindoas daqueles contabilizados pelo fiscalizado, para que não houvesse duplicidade, relativamente ao mesmo fato contábil, de valores em períodos de apurações distintos; assim os valores com sinais negativos, inseridos na planilha “Denge Postergacoes” foram realocados, com sinal positivo nos períodos de apuração ao que realmente pertenciam. Os valores indicados na coluna final da planilha como “Omissão de Receitas” indicam aqueles já discriminados e apurados, individualmente, no Termo de Verificação Fiscal – indicados por subconta contábil. Assim, na Planilha “DENGE POSTERGACOES” “Denge Postergação” – Aba “ Postergações” • Coluna A – “Cliente” • Coluna B a BM: i) Esta fiscalização adicionou, individualmente, valores que deveriam estar apropriados em Receita, no respectivo mês correspondente, postergados para períodos futuros. Fl. 6367DF CARF MF Processo nº 18470.732599/201215 Acórdão n.º 1401001.709 S1C4T1 Fl. 6.363 11 ii) Os mesmos valores foram subtraídos, por esta fiscalização, dos períodos em que o fiscalizado os apropriou em conta de resultado • Coluna BN: iii) Valores considerados, por esta fiscalização, como omissão de receitas – uma vez que não foram postergados para períodos posteriores. Não incluídos nas colunas B a BM. Em seguida a planilha“Denge Postergação” – Aba “Calculo IRPJ e CSLL” (...), que se refere ao reajuste das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL em decorrência dos ajustes efetuados pela autoridade autuante conforme o já exposto acima. Assim, a planilha “Denge Postergacao” demosntra a forma de imputação para apuração do lucro liquido do exercício de cada período base. O contribuinte, a epoca, verbalmente, informou estar sob o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra estrutura – Reidi; débitos de PIS e COFINS informados na DACON foram compensados com créditos referentes a compras e informados em DCTF saldos após esta compensação. Para a apuração da postergação a fiscalização seguiu o determinado pelo artigo 273 do RIR. Em relação ao quesito 5, a autoridade consignou que: Sim, as notas fiscais apresentadas pelo contribuinte a esta fiscalização foram levadas em consideração, relativamente as bases de cálculo apuradas. Durante esta diligência, por amostragem, foram comparadas as notas fiscais apresentadas em impugnação com aqueles fornecidas pelo contribuinte durante a fiscalização e computadas nos valores lançados. A Denge informou, estar amparada, para alguma de suas receitas da atividade, quando o cliente e habilitado, pelo REIDI – Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura, relativamente ao PIS e a COFINS, com base os artigos 1º a 5º da Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, artigo 16º do decreto nº 6.144 , de 3 de julho de 2007, e na alínea “b” e “c”, rtigo 2º da Instrução Normativa RFB nº 758, de 25 de julho de 2007. A fiscalizada forneceu cópias dos Atos Declaratórios Executivos da RFB que habilitaram alguns de seus clientes ao REIDI (ADEs em anexo), bem como Notas Fiscais de serviços ou venda que os vinculam ao regime. Quanto ao quesito 6, a autoridade consignou que Sim, individualmente por cada subconta contábil do passivo e individualmente por lançamento contábil, uma vez que a Denge Fl. 6368DF CARF MF 12 vinha, sistematicamente contabilizando valores em subcontas patrimoniais 2401 “Adiantamento de Clientes”. Confrontouse com contratos, aceites pelo cliente do fiscalizado, recebimentos efetivos pela prestação de servicos, notas fiscais emitidas pelo fiscalizado e ainda informação da ANEEL – Agencia Nacional de Energia Elétrica – diligencia – pelo inicio de operação das usinas e geração. Quanto ao quesito 7, a autoridade consignou que: Metodologia e forma de cálculo detalhada na resposta ao quesito 2. Resumidamente, referemse aos valores de receitas apuradas pela fiscalização relativamente a valores que permanecem em contas patrimoniais passivas – conforme livros e balancetes em anexo ao presente processo. Valores Inseridos na Planilha Excel “Denge Postergação” – Sub Planilha “Postergação” Coluna“BN” – detalhamento da formação do lucro líquido do exercício apurado, lucro real apurado, impostos a pagar, valores informados em DCTF. Assim, os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro liquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro liquido ou a ele adicionados, respectivamente. No caso da Denge, a inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, custo correspondente ou de reconhecimento de lucro, constituiu fundamento de lançamento de imposto, correção monetária e multa, pois dela resultou: a) postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que deveria ser devido “E” b) redução indevida do lucro real, uma vez que só há em se falar em postergação no pagamento do imposto quando o sujeito passivo“efetivamente” paga o imposto no período subseqüente. Se no período seguinte o imposto não foi pago, não há que se falar em postergação do pagamento do imposto e, neste caso, a totalidade da receita deve ser tributada dentro de seu período de competência, como procederá esta fiscalização. O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções foi feito pelo valor liquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período base a que o contribuinte tiver direito. Por outro lado, nos casos em que , nos períodosbase subseqüentes ao de início do prazo da postergação até o término deste, a pessoa jurídica não houver apurado imposto e contribuição social devidos, em virtude de prejuízo fiscal ou de base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, o lançamento deverá ser efetuado para exigir todo o imposto e contribuição social apurado no período base inicial, apurado no Fl. 6369DF CARF MF Processo nº 18470.732599/201215 Acórdão n.º 1401001.709 S1C4T1 Fl. 6.364 13 períodobase inicial, com os respectivos encargos legais, tendo em vista que, segundo a legislação de regência, as perdas posteriores não podem compensar ganhos anteriores. Após a lavratura do Termo de Diligência Fiscal, de folha 5766, a contribuinte foi cientificada em 25/09/2013 às 20:29h, conforme Termo de Abertura de Documento, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Ccontribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/intimações. À folha 5768, foi lavrado pela DICAT/EQPEJP JURÍDICA DRFRJII o “termo de ciência por decurso de prazo”, segundo o qual, a contribuinte foi cientificada por decurso de prazo de 15 dias a contar a disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. A disponibilização na Caixa Postal foi em 25/09/2013 e a ciência por decurso de prazo foi em 10/10/2013. Por fim, importa destacar que após a ciência da contribuinte do Termo de Diligência Fiscal não houve aditamento à impugnação inicialmente apresentada. Decisão de primeiro grau A decisão de primeiro grau (fls. 6.2236.256) negou provimento à impugnação, nos termos da sua ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 NULIDADE Afastase a preliminar de nulidade do auto de infração, quando este for lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DEPOIMENTO DE AUTORIDADE AUTUANTE. DESCABIMENTO Indeferese, por falta de previsão legal e normativa, o pedido do impugnante para o depoimento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA Descabe a realização de diligência, quando todos os elementos de prova que necessita o julgador para elucidar os fatos que ensejaram o lançamento já se encontram nos autos. Fl. 6370DF CARF MF 14 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009, 2010 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO Caracteriza passivo fictício e, por conseguinte, omissão de receita a manutenção, no passivo como se adiantamento de clientes fossem receitas de vendas e serviços que deveriam ter sido oferecidas à tributação no correspondente período de apuração. CONTRATOS DE CURTO PRAZO. FATURAMENTO ANTECIPADO. Nos contratos de curto prazo, em decorrência do princípio da competência, como não se tem o produto, o valor recebido como adiantamento de cliente está vinculado à obrigação de produzir o mesmo, só reconhecendose a receita quando o produto ficar pronto e disponível para o comprador, caracterizandose o faturamento antecipado. CONTRATOS DE LONGO PRAZO Na apuração do resultado de contratos, com prazo superior a um ano, de construção por impreitada (sic) ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, serão computados em cada período de apuração: o custo de construção ou de produção dos bens ou serviços incorridos durante o período de apuração, ou, parte do preço total da empreitada, ou dos bens ou serviços a serem fornecidos, determinada mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato do da produção executada no período de apuração. A percentagem do contrato será determinada com base na relação entre os custos incorridos no período de apuração e o custo total estimado da execução da empreitada ou da produção, ou, com base em laudo técnico de profissional habilitado, segundo a natureza da empreitada ou dos bens ou serviços, que certifique a percentagem executada em função do progresso físico da empreitada ou produção. REIDI. BENEFÍCIO ANTES DA HABILITAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE O termo inicial para contagem do prazo de 05 anos para fruição do benefício do REIDI é a data da publicação no D.O.U do respectivo ato de habilitação ao regime emitido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As aquisições e importações de bens e serviços em data anterior à habilitação ao REIDI não são alcançados pelo benefício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO Fl. 6371DF CARF MF Processo nº 18470.732599/201215 Acórdão n.º 1401001.709 S1C4T1 Fl. 6.365 15 Caracteriza passivo fictício e, por conseguinte, omissão de receita a manutenção, no passivo como se adiantamento de clientes fossem receitas de vendas e serviços que deveriam ter sido oferecidas à tributação no correspondente período de apuração. CONTRATOS DE CURTO PRAZO. FATURAMENTO ANTECIPADO. Nos contratos de curto prazo, em decorrência do princípio da competência, como não se tem o produto, o valor recebido como adiantamento de cliente está vinculado à obrigação de produzir o mesmo, só reconhecendose a receita quando o produto ficar pronto e disponível para o comprador, caracterizandose o faturamento antecipado. CONTRATOS DE LONGO PRAZO Na apuração do resultado de contratos, com prazo superior a um ano, de construção por impreitada (sic) ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, serão computados em cada período de apuração: o custo de construção ou de produção dos bens ou serviços incorridos durante o período de apuração, ou, parte do preço total da empreitada, ou dos bens ou serviços a serem fornecidos, determinada mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato do da produção executada no período de apuração. A percentagem do contrato será determinada com base na relação entre os custos incorridos no período de apuração e o custo total estimado da execução da empreitada ou da produção, ou, com base em laudo técnico de profissional habilitado, segundo a natureza da empreitada ou dos bens ou serviços, que certifique a percentagem executada em função do progresso físico da empreitada ou produção. REIDI. BENEFÍCIO ANTES DA HABILITAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE O termo inicial para contagem do prazo de 05 anos para fruição do benefício do REIDI é a data da publicação no D.O.U do respectivo ato de habilitação ao regime emitido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As aquisições e importações de bens e serviços em data anterior à habilitação ao REIDI não são alcançados pelo benefício. Recurso voluntário O contribuinte apresentou, às fls. 6.3226.330, recurso voluntário tempestivo, mediante o qual aduziu as seguintes razões: 1) Fabrica equipamentos de valor elevado e que são construídos em função das peculiaridades de cada cliente, o que exige o adiantamento de valores por parte destes. Fl. 6372DF CARF MF 16 Assim, a autoridade fiscal não compreendeu a sua operação ou não quis compreender e produziu relatório sem considerar as peculiaridades de cada operação; 2) as suas operações são de faturamento antecipado, quando ainda não fabricou os bens; e não de venda para entrega futura, quando já possuiria os bens, mas, por conveniência do comprador, a entrega é postergada; 3) a autuação seria nula em razão da ausência de diligências para a busca da verdade material; 4) protestou, na impugnação, pela produção de prova suplementar para melhor instruir os autos e a juntada de documentos que não puderam ser carreados em função do exíguo prazo de 30 dias. Pediu, especialmente, a realização de diligência junto aos contratantes para demonstrar não ter ocorrido omissão de receita; 5) Haveria ainda contratos não concluídos. O fato de a ANEEL ter informado que as usinas já se encontrariam em funcionamento não provam que os contratos já estariam concluídos, pois o contribuinte não é uma empresa construtora de barragens; 6) Aduz que requereu o depoimento pessoal testemunhal da autoridade fiscal para elucidar os fatos; 7) O acórdão recorrido violou o contraditório e a ampla defesa. O contribuinte, de fato, compreendeu a tese da acusação, mas não a apuração fática documental. Assim, deveria ter sido anulada a autuação. Ao não fazêlo, a decisão de primeiro grau maculou o seu direito de defesa e o contraditório. Isso está comprovado em razão da própria diligência determinada pela autoridade julgadora. Também maculou o seu direito ao não determinar a diligência requerida, nem o depoimento da autoridade autuante; 8) Os cálculos são tão obscuros que o julgador, Sr. Marcus Vinicius de Lacerda Amorim, divergiu da decisão para afirmar que pairam dúvidas sobre os valores. 9) Por fim, requer a nulidade da decisão de primeiro grau ou o auto de infração. Abaixo, reproduzo o teor do pedido na sua integralidade: Pelo exposto requer: Seja anulada a decisão de primeira instância para se determinar que se procedam as diligências requeridas pela Recorrente quando de sua impugnação, em respeito ao Direito de Ampla Defesa e o contraditório; Ou, alternativamente, Considerando as alegações da Recorrente, acolhida a tese defensiva, seja anulado o auto de infração, objeto da impugnação. É o relatório. Fl. 6373DF CARF MF Processo nº 18470.732599/201215 Acórdão n.º 1401001.709 S1C4T1 Fl. 6.366 17 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes O presente feito corresponde ao lançamento decorrente de PIS/Cofins sobre os mesmos fatos que ensejaram autuação de IRPJ e CSLL nos autos do processo nº 18470.732118/201271. O referido processo foi julgado por esta Turma em 3 de maio de 2016. Naquela oportunidade, proferi o seguinte voto: De início, cumpreme delimitar o teor da lide, conformada pelo pedido formulado. O recorrente pede a nulidade da decisão de primeiro grau e, alternativamente, a nulidade do lançamento. Não há nenhum pedido quanto ao mérito, em si, da autuação. Pois bem, iniciaremos com o pedido de nulidade do auto de infração. Entendemos que esse pedido é totalmente improcedente. Mesmo se considerássemos o que aduzimos apenas para fins de encadeamento de raciocínio que parte dos valores lançados não estariam suficientemente embasados, há valores constituídos pela autoridade fiscal com base na própria informação do sujeito passivo de que concluiu os contratos e, como tal, os montantes que permaneceram registrados em conta de passivo foram autuados como omissão de receita por passivo fictício. É o caso, por exemplo, do Cliente Rio Palmeiras, em que a conclusão da obra ocorreu em 2006, mas houve a manutenção do valor no passivo; uma evidente situação de passivo fictício. Vale também destacar o registro de valores na conta “Clientes a identificar”, em relação aos quais, o contribuinte, intimado a esclarecer sua ocorrência, informou não ser possível fazêlo. É outro evidente caso de passivo fictício a ensejar a omissão presumida de receita. No recurso voluntário, o contribuinte alega que a autoridade não provou a impossibilidade de o contribuinte operar com faturamento antecipado. Nas suas palavras, "Mas onde está a comprovação de que, de fato, a empresa não poderia operar com faturamento antecipado ou, de fato não o fez?". Ora, é contribuinte que, diante da intimação fiscal, deveria ter feito a prova da efetiva existência do passivo. Não podemos perder de vista que a previsão legal de omissão presumida de passivo fictício impõe, ao contribuinte, o dever de comprovar a efetividade das suas contas de passivo sob pena de legitimar a autoridade para realizar o lançamento com base em presunção legal. Foi o que houve no presente feito. Na verdade, a autoridade fiscal foi ainda além. Com esmero na execução do seu trabalho, ao verificar e realizar de postergação (oferecimento do valor à tributação em data posterior à Fl. 6374DF CARF MF 18 ocorrência do fato gerador), promoveu o seu cálculo com o fito de reduzir o valor da exigência ao patamar legal. O contribuinte, no seu recurso, dá exemplos de situações em que o funcionamento de usinas não significa a execução do contrato, como equipamentos que não guardam relação com a geração e usinas que entram em operação com um menor número de turbinas. Ora, estes não são exemplos de situações reais, mas sim hipóteses, meras conjecturas levantadas pela contribuinte, mas sem qualquer elemento de prova, nem sequer indiciárias, de que situações como as conjecturadas teriam ocorrido. Aqui, cumpreme repetir, diante do passivo registrado, caberia à contribuinte ter feito essa prova de que tais valores, realmente assim se caracterizariam. Com relação ao pedido de nulidade da decisão recorrida, melhor sorte não deve ter o recurso. O pedido para a realização de diligência é absolutamente genérico e não fundamentado. É genérico, uma vez que não especificou quais clientes deveriam ser intimados. Afinal, mais uma vez, não podemos perder de vista que, em muitos casos, foi o próprio contribuinte, na fase fiscalizatória, que afirmou ter concluído o contrato e, portanto, neste caso não faria qualquer sentido promover qualquer busca. É desmotivado, porque cabe ao contribuinte promover a referida prova do que alega, como já reiteradamente aduzimos. Assim, deveria demonstrar a razão de não ser capaz de produzila. Não faz sentido que, diante de quase cinco dezenas de clientes, o contribuinte não tenha tido êxito ele mesmo, já que o ônus é seu , em obter as informações que pleitearia. A diligência baixada pela autoridade julgadora de primeiro grau não legitima dizer que o contribuinte teria razão à diligência requerida pela simples razão de que elas possuíam objeto distintos. Enquanto a diligência pleiteada pela defesa visava obter informações de seus clientes relativamente à execução dos contratos, a diligência requisitada pela autoridade julgadora decorreu, principalmente, da sua dificuldade de verificar os cálculos efetuados pela autoridade fiscal, uma vez que foram apresentados em formato de imagem. O resultado da diligência, contudo, não foi contestado pela defesa; nem na oportunidade franqueada pelo julgador de primeiro grau e nem em sede de recurso voluntário. A defesa não se deu ao trabalho de redigir uma só linha para contestar com um mínimo de especificidade o minucioso trabalho fiscal. É evidente que os valores são complexos no caso de postergações, o que pode levar, como levou, a devolução do feito para outras elucidações, mas isso não dá azo a nulidade do lançamento, nem da decisão de primeiro grau que denegou o pedido de diligência formulado pela defesa. Mais uma vez é relevante destacar que o pedido é pela nulidade da autuação ou da decisão de primeiro grau. Não há pedido alternativo de redução da exigência. Diante de elementos Fl. 6375DF CARF MF Processo nº 18470.732599/201215 Acórdão n.º 1401001.709 S1C4T1 Fl. 6.367 19 lançados com base no próprio reconhecimento do contribuinte de ter concluído o objeto contratado e da sua absoluta incapacidade de desferir um único golpe especificamente dirigido a algum dos inúmeros fatos aduzidos pela autoridade fiscal, tudo me leva à conclusão da correção do trabalho fiscal. Com relação ao pedido de depoimento testemunhal, também não merece razão o pleito da defesa pela nulidade da decisão de primeiro grau por denegar. Além de não haver previsão legal para tal, o rito do julgamento de primeiro grau não é presencial sequer para o contribuinte, o que não tornaria esta prova inútil. Ademais, a autoridade fiscal está na posição de acusador e não de testemunha. Seria o mesmo que pedir o depoimento testemunhal do ministério público na ação penal. Por fim, estamos tratando de fatos contábeis, que exigem prova escrita, e não de ocorrências físicas, cuja prova poderia ser realizada por meio de testemunho ocular. O recurso tem a aparência de possuir apenas o caráter protelatório da exigência do crédito tributário. Voto, pois, por rejeitar as preliminares suscitadas nulidade da autuação e da decisão de primeiro grau e, assim, já que não houve pedido específico de mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Não há qualquer particularidade no presente feito cujas exigências foram aqui constituídas em decorrência do lançamento do IRPJ. A mesma conclusão, pois, deve ser alcançada. Voto, pois, por rejeitar as preliminares suscitadas nulidade da autuação e da decisão de primeiro grau e, assim, já que não houve pedido específico de mérito, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Declaração de Voto Conselheira Livia De Carli Germano Pedi vista dos autos para compreender a conclusão do ilustre relator quando este limita a sua análise aos pedidos de nulidade da decisão de primeiro grau e do auto de infração, entendendo não haver pedido quanto ao mérito da autuação. Fl. 6376DF CARF MF 20 De fato, na literalidade, os pedidos da Recorrente referemse apenas à "nulidade": Pelo exposto requer: Seja anulada a decisão de primeira instância para se determinar que se procedam as diligências requeridas pela Recorrente quando de sua impugnação, em respeito ao Direito de Ampla Defesa e o contraditório; Ou, alternativamente, Considerando as alegações da Recorrente, acolhida a tese defensiva, seja anulado o auto de infração, objeto da impugnação. Sem embargo, entendo que a conclusão sobre o conteúdo do pedido não deve se limitar à literalidade de tal capítulo da peça, mas ao conteúdo da peça recursal. Neste sentido, o Código de Processo Civil atualmente em vigor estabelece, no art. 322, §2o, que "A interpretação do pedido considerará o conjunto da postulação e observará o princípio da boa fé." Acontece que, mesmo após análise do conjunto da postulação no recurso apresentado, chego à mesma conclusão do ilustre relator. Embora a Recorrente tenha aberto um capítulo específico intitulado "DO MÉRITO" em sua peça recursal, todos argumentos ali aventados, se procedentes, levariam à conclusão pela nulidade, ou do auto de infração ou da decisão recorrida, eis que ali as afirmações estão restritas a matérias como a ausência de análise pormenorizada e a obscuridade dos cálculos. Diante disso, e por também concordar com o relator quanto à conclusão subsequente, acompanhoo integralmente. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 6377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727224/2009-89
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 72 24 /2 00 9- 89 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727224/200989 Acórdão n.º 9202004.175 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 511DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727224/200989 Acórdão n.º 9202004.175 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 513DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727224/200989 Acórdão n.º 9202004.175 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 515DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727224/200989 Acórdão n.º 9202004.175 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 516DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 517DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10240.721299/2013-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Dec 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010, 2011
DANO AO ERÁRIO. APLICAÇÃO DA MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
Considera-se dano ao Erário a interposição fraudulenta na operação de importação, quando a escrita contábil não serve para comprovação da origem dos recursos, infração punível com multa equivalente ao valor aduaneiro, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-003.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010, 2011 DANO AO ERÁRIO. APLICAÇÃO DA MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a interposição fraudulenta na operação de importação, quando a escrita contábil não serve para comprovação da origem dos recursos, infração punível com multa equivalente ao valor aduaneiro, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 12 99 /2 01 3- 93 Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 10240.721299/201393 Acórdão n.º 3402003.662 S3C4T2 Fl. 1.867 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da r. decisão, vazado nos seguintes termos: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02/06, acompanhado do Relatório de Fiscalização de fls. 1489/1519, lavrado para exigência da multa prevista no art. 23, V, § 3.º do DecretoLei n.º 1.455/76, no valor de R$ 5.543.152,04, por não comprovação da origem dos recursos utilizados nas importações nos anos de 2010 e 2011. Segundo relato da fiscalização (fls. 1486/1519), o objetivo da sociedade, dentre outras atividades, é a importação por conta própria e por conta e ordem de terceiros de máquinas de costura, peças acessórios, rolamentos e mercadorias em geral, comercialização no atacado e distribuição de máquinas de costura, peças, acessórios e mercadorias importadas em geral, comércio varejista de peças, acessórios e rolamentos para máquinas. Em 26/04/2010, a empresa alterou seu endereço para a cidade de Porto Velho/RO, tendo sido constituída em 26/07/1995 na cidade de São Paulo. A fiscalizada importou por conta própria, no ano de 2007, R$ 152.846,74 em máquinas de costuras, peças e acessórios. Em 2008 a empresa realizou duas operações de importação, totalizando o valor de R$ 180.016,00 e em 2009, somente uma importação, no valor de R$ 2.661,33. A partir de 2010, observase que a fiscalizada passou a intermediar operações no âmbito do comércio exterior, passando a registrar, além de importações por conta própria, importações por encomenda. A planilha “Relação das Declarações de Importação registradas em 2010 e 2011” (fls. 42/86) demonstra os valores importados por conta própria e por encomenda. Todas as operações registradas como encomenda possuem como adquirente a empresa “Sun Special Comércio e Representação Ltda”. Intimada, a sócia administradora prestou esclarecimentos e apresentou documentos, declarando que: 1) A atividade econômica principal da Golden Sew nos anos de 2010 e 2011 era o comércio atacadista de máquinas de costura; 2) Os principais clientes da Golden Sew, no que se refere às encomendas de importação e ou revendas de máquinas de costura, bem como suas partes e peças, seriam as empresas Sun Special Comércio e Representação Ltda, Sister Comércio e Importação de Máquinas de Costura Ltda, H.S Comércio de Máquinas de Costura e Líder Máquina de Costura Ltda; 3) As importações das máquinas de costura da marca FENIX foram realizadas para atender ao cliente Sister Comércio e Importação de Máquinas de Costura Ltda, dono da marca, que também autorizava a revenda de produtos da marca para outros clientes, embora não tenha sido celebrado nenhum ajuste formal de encomenda prévia com a Sister; 4) A Golden Sew recebia a maior parte das encomendas dos clientes e apenas posteriormente negociava as aquisições de mercadorias no exterior; 5) A Golden Sew bancava as operações de importação e os pagamentos de tributos, não recebendo antecipadamente os recursos dos clientes encomendantes. Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 10240.721299/201393 Acórdão n.º 3402003.662 S3C4T2 Fl. 1.868 3 Da análise das declarações de importações registradas pela fiscalizada nos anos calendário de 2010 e 2011 e das notas fiscais de entrada e saída disponíveis no Sistema Público de Escrituração Digital, a fiscalização verificou que a Golden Sew Importação e Exportação Ltda importou R$ 5.544.538,99 em máquinas de costura e suas partes e peças, durante esse período. Desse montante, R$ 1.179.828,63 referemse a operações declaradas como importação por conta própria e R$ 4.364.710,36 referemse a importações por encomenda da empresa Sun Special Comércio e Representação Ltda. Durante o período analisado, as mercadorias importadas foram revendidas para as seguintes empresas: Sun Special Comércio e Representação Ltda, Sister Comércio e Importação de Máquinas de Costura Ltda, Maqshop Comércio de Máquinas de Costura Ltda, HS Comércio de Máquinas de Costura Ltda e Verymak Comércio de Maquinas Ltda. Analisando os Livros Razão relativos aos anos de 2010 e 2011, bem como as notas fiscais emitidas pela empresa durante esse período, foi verificado que praticamente toda a receita contabilizada referese a vendas de máquinas de costura e peças correlatas. A análise dos livros Razão demonstrou que a fiscalizada contabilizou suas operações de compra e venda lançando a saída das mercadorias importadas (não importando se na modalidade de importação por conta própria ou por encomenda) a débito na conta clientes e crédito na conta receita. Já o recebimento dos pagamentos é contabilizado como débito na conta bancos e crédito na conta clientes. Os lançamentos efetuados na conta clientes foram realizados de forma genérica. Somente pela análise da contabilidade não foi possível vincular a operação de venda (nota fiscal) ao lançamento de débito na conta clientes. Também não foi possível identificar os pagadores, nem relacionar os valores pagos (lançamentos a débito em bancos e crédito na conta clientes) às notas fiscais de saída. Diante dessa situação, a fiscalizada foi intimada a comprovar a origem dos recursos recebidos a título de pagamento de clientes, em 2010 e 2011. Da análise dos documentos apresentados, a autoridade fiscal chegou às seguintes conclusões: Vendas para a empresa Sun Special: A fiscalizada apresentou planilha com as declarações de importação por encomenda, registradas em 2010 e 2011, as notas fiscais correspondentes às vendas dessas mercadorias importadas, os valores de vendas e os valores pagos. O montante das importações por encomenda totalizou R$ 4.364.710,36. As vendas ocorreram entre dezembro de 2010 a novembro de 2011, e totalizaram R$ 7.180.189,80. De todo valor vendido, a fiscalizada alega ter recebido somente R$ 532.937,80. A planilha de fls. 1494/1496 apresenta todas as vendas das mercadorias que foram importadas por encomenda. De fato, no extrato bancário da conta corrente 690007, cuja titular é a Golden Sew Importação e Exportação Ltda, constam duas transferências realizadas pela empresa Sun Special, nos valores de R$ 500.000,00 e R$ 535.617,80, nas datas de 15/02/2011 e 12/04/2011, respectivamente. Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 10240.721299/201393 Acórdão n.º 3402003.662 S3C4T2 Fl. 1.869 4 Segundo a fiscalizada, os valores transferidos, além de quitar parcialmente as vendas correspondentes às notas 8, 9, 10, 39 e 47, quitaram parte das vendas de mercadorias importadas por conta própria pela Golden Sew e que também foram revendidas para a empresa Sun Special (notas fiscais nº 11, 46 e 47). Conforme abordado, todas as vendas da empresa são contabilizadas como vendas a prazo, ou seja, lançamento a crédito em “Receita de Vendas” e lançamento a débito em “clientes”. Pressupôs a fiscalização, então, que no momento do recebimento, o lançamento contábil deveria ser feito da seguinte forma: débito em “bancos ou correspondente” e crédito em “clientes”. Todavia, no caso em questão, essa lógica não foi aplicada. Os valores transferidos pela Sun Special, (R$ 1.035.617,80), foram contabilizados como débito – bancos e crédito – transferência entre empresas do grupo. Esse método de escrituração provoca uma distorção na conta Clientes, uma vez que valores já recebidos permanecem escriturados como direitos a receber, permitindo que recursos de origem desconhecida ingressem como recebimento de vendas a prazo. Também numa operação de venda a prazo se espera que o total das prestações perfaça o montante da nota fiscal de venda e que cada prestação tenha sido efetivamente recebida pelo vendedor. Essas condições não estão presentes neste caso. A empresa relaciona as duas transferências bancárias efetuadas pela compradora a pagamentos parciais de vendas ocorridas em datas diferentes, e ainda, vendas de naturezas distintas, pois algumas delas seriam referentes a mercadorias importadas por encomenda e outras seriam mercadorias oriundas de importação por conta própria. Além disso, o recebimento em relação ao total das vendas é muito pequeno. Ressaltese que a inadimplência da Sun Special iniciase com a ausência de pagamento de mercadorias adquiridas em dezembro 2010, e, apesar disso, a Golden Sew continua a revender mercadorias importadas à cliente inadimplente durante todo o ano de 2011. Vendas para a empresa Sister: Para cada nota fiscal de saída cuja destinatária foi a empresa Sister Comércio e Importação de Maquinas de Costura Ltda, a fiscalizada relacionou uma série de recebimentos que se encontram contabilizados a crédito na conta clientes. São valores referentes a cheques compensados. Alega que atua em tipo de mercado onde se trabalha muito com cheques de terceiros, daí a justificativa para uma operação de venda ser paga com um volume tão grande de cheques. Ocorre que o valor da nota não reflete o montante dos cheques. A partir do demonstrativo apresentado pela autuada a fiscalização constatou que do somatório das notas fiscais de saída emitidas em 2010 e 2011 (R$8.580.979,03), R$ 8.400.123,72 referemse a vendas realizadas para as empresas Sun e Sister. Desse montante, a fiscalizada afirma ter recebido somente R$152.718,96 da empresa Sister e R$ 1.035.617,80 da empresa Sun, sendo que os pagamentos efetuados pela Sun não transitaram pela conta clientes (ou seja, esses pagamentos não tiveram como contrapartida a conta clientes). Apesar disso, a contabilidade da empresa demonstra que o total de recursos ingressados a título de pagamento de clientes, em 2010 e 2011, equivale à R$ 2.347.675,65. Também levanta dúvidas sobre a origem dos recebimentos contabilizados na conta clientes o fato de que, ao relacionar esses recebimentos com as notas fiscais das vendas Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 10240.721299/201393 Acórdão n.º 3402003.662 S3C4T2 Fl. 1.870 5 realizadas em 2011, a fiscalizada deixou de mencionar os valores recebidos a titulo de vendas a prazo entre 01/01/2011 a 07/01/2011. A alegação de que os recursos corresponderiam a operações de vendas ocorridas em 2010 também não pode ser aceita haja vista que toda a receita contabilizada em 2010 (R$1.845.303,00) referese a vendas efetuadas para a empresa Sun Special (notas fiscais 8,9,10,11,14,17,21,22,23,24,25,27,28,29) e, conforme já dito, esses recebimentos não transitaram pela conta clientes. Logo, não existem operações de vendas nos anos de 2010 e 2011 que justifiquem o ingresso de recursos contabilizados como recebimento de clientes, durante o período de 01/01/11 a 07/01/2011. Discrepância entre os valores vendidos e recebidos nos anos de 2009 e 2010: No ano calendário de 2009 a empresa contabilizou R$ 432.852,09 de receita de vendas, sendo que recebeu a título de vendas a prazo o valor de R$ 4.255.159,15. No ano calendário de 2010, os recebimentos das vendas do ano, conforme já visto, não transitaram pela conta clientes (o recebimento das vendas realizadas em 2010, no valor de R$ 1.845.303,00 foi contabilizado com débito em bancos e crédito em transferência entre empresas do grupo). Apesar disso, a empresa recebeu a título de vendas a prazo R$ 1.969.256,83. Tendo em vista a discrepância entre os valores declarados de vendas a prazo e os recebimentos de clientes e a falta de transparência dos lançamentos contábeis, os quais não relacionam as operações de vendas aos recebimentos, apesar da quantidade de cheques recebidos a titulo de pagamento, a fiscalizada foi intimada a apresentar planilha contendo a relação entre todos os recebimentos referentes aos pagamentos de clientes ocorridos em 2010 e as respectivas operações de vendas correspondentes. Da análise das informações apresentadas concluiuse que os valores que ingressaram nas contas da empresa, contabilizados como recebimentos de clientes, não se referem às operações de vendas indicadas. Uma prática detectada é que inúmeras vezes no demonstrativo apresentado pela fiscalizada pode se observar que as vendas ocorreram antes do suposto recebimento (em alguns casos quase dois anos antes), e o somatório das notas não totalizaram os valores dos cheques compensados. Além disso, é totalmente descabido que um único cheque possa quitar várias vendas ocorridas há 02 anos, cujos compradores são pessoas distintas, que não possuem relação entre si. Também as transferências indicadas não justificaram a origem. Às fls. 1500/1504 a fiscalização analisa os valores recebidos, a contabilidade, concluindo que não é possível identificar uma operação na qual o valor de venda corresponda exatamente ao montante recebido. E considerando que a escrituração contábil da fiscalizada é genérica e que não permite a identificação da origem dos ingressos de recursos, a fiscalização concluiu que a contabilidade da Goldew Sew Importação e Exportação Ltda não reflete a realidade das operações. Os valores contabilizados como recebimento de clientes, não se referem, de fato, a essa atividade. Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 10240.721299/201393 Acórdão n.º 3402003.662 S3C4T2 Fl. 1.871 6 Saldo Credor de Caixa: A análise dos livros Razão Analítico, anos 2009, 2010 e 2011 evidencia saldos credores na conta caixa durante os meses de janeiro, fevereiro, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2009, março, abril, maio, junho, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2010. O saldo credor da conta "Caixa" indica que o contribuinte efetuou pagamentos com recursos não contabilizados, decorrentes de operações anteriormente realizadas e também não contabilizadas (receitas mantidas à margem da escrituração). Portanto, essa irregularidade contábil demonstra que a fiscalizada utilizou se de recursos cuja origem é desconhecida para efetuar diversos pagamentos. Não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior: No decorrer desses dois anos, a fiscalizada importou R$ 5.544.539,43, sendo que desse total existem operações por conta própria e por encomenda. Os contratos de câmbio e outras despesas referentes às importações foram liquidados por meio da conta corrente 690007 (Banco do Brasil). Análise feita pela fiscalização às fls. 1507/1508 demonstra que parte dos recursos recebidos sem origem comprovada foi utilizada em operações de comércio exterior, durante os anos de 2010 e 2011. Às fls. 1509/1510 a fiscalização apresenta uma planilha com todas as declarações de importação registradas pela empresa nos anos de 2010 e 2011, os valores e as datas de liquidação dos contratos de câmbio referentes a cada declaração de importação e a conta bancária de onde saíram os recursos para a liquidação desses contratos. Para a liquidação de grande parte dos contratos de câmbio e de outras despesas relacionadas ao comércio exterior, a empresa realiza transferências bancárias de valores depositados nas contas correntes 213853, 384375, e 472441 para a conta corrente 690007 (transferências destacadas em amarelo). Já a análise da movimentação bancária das contas 213853, 384375 e 472441 nos mostra que grande parte dos recursos ingressados nessas contas nos anos de 2009 a 2011 não possui origem comprovada. De acordo com a escrituração contábil da fiscalizada, seriam recursos referentes ao recebimento de vendas realizadas a prazo. Todavia, da análise dos documentos fiscais, bancários e contábeis da empresa concluiuse a inexistência de relação entre as vendas realizadas pela empresa e esses recebimentos. Ou seja, os valores ingressados nessas contas bancárias, contabilizados como recebimentos de clientes, e posteriormente utilizados para liquidar contratos de câmbio e despesas relacionadas à importação, não correspondem às operações de vendas realizadas pela empresa. Às fls. 1511/1514 a fiscalização apresenta planilha com parte da escrituração da autuada onde demonstra os depósitos feitos nas contas bancárias que tiveram como contrapartida o lançamento a crédito na conta clientes. Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 10240.721299/201393 Acórdão n.º 3402003.662 S3C4T2 Fl. 1.872 7 Alguns contratos de câmbio foram liquidados por meio de recursos provenientes de transferências bancárias contabilizadas como Transferência entre empresas do grupo (débitobancos e créditotransferências entre empresas do Grupo). Analisandose a contabilidade da empresa, verificase que a conta “Transferência entre empresas do grupo” é uma conta de natureza credora, presente da escrituração contábil de 2011, de natureza extremamente genérica. A disponibilidade de recursos para as operações de comércio exterior realizadas pela empresa não é objeto de questionamento. De acordo com os livros contábeis e os documentos bancários referentes ao período de 2009 a 2011, a empresa em questão: recebeu o montante de R$ 6.869.639,87, os quais foram contabilizados como recebimentos de vendas a prazo; movimentou durante o período quatorze contas bancárias; é titular de diversas aplicações bancárias, as quais apresentaram saldos de R$20.288.000,00 em 31/12/10 e de R$ 14.960.363,00 em 31/12/2011 (somatório de todas as aplicações). Por estas razões, a fiscalização entende que as situações demonstradas evidenciam que os recursos utilizados nas operações de comércio exterior, realizadas pela fiscalizada nos anos de 2010 e 2011, possuem origem desconhecida. Conclusões da fiscalização: A partir de todos os dados apresentados e documentos que acompanham o auto de infração, a fiscalização chegou às seguintes conclusões: 1) Os recursos que ingressaram nas contas correntes da empresa nos anos de 2010 e 2011 a título de recebimento de clientes não correspondem às operações de vendas da empresa, retratadas pelas notas fiscais de saída. 2) A contabilidade da fiscalizada funciona como uma cortina de fumaça, impedindo a identificação das operações que justificam a entrada dos recursos. Além disso, observase claramente que o saldo da conta clientes não retrata a realidade, já que o recebimento de valores relativos a operações que foram anteriormente contabilizadas como vendas a prazo, não tiveram como contrapartida o lançamento a crédito na conta clientes. 3) Foi evidenciado saldo credor na conta caixa em diversas ocasiões no decorrer do período fiscalizado, o que indica que a contribuinte efetuou pagamentos com recursos não contabilizados, decorrentes de operações anteriormente realizadas e também não contabilizadas (receitas mantidas à margem da escrituração). 4) Confrontando as notas fiscais de vendas da empresa e os extratos bancários com as tabelas de pagamentos apresentadas pela fiscalizada, tornase claro e inegável que as tabelas trazem dados simulados, ou seja, os valores recebidos em 2010 e 2011 não refletem as operações de vendas apontadas. 5) Recursos de origem desconhecida, ou que transitaram à margem da contabilidade, foram utilizados em atividades relacionadas ao comércio exterior. 6) Os exemplos analisados suportam inequívoca determinação do modus operandi do contribuinte fiscalizado quanto às importações realizadas. Podese afirmar, com vasta fundamentação, que os recursos utilizados nas operações de comércio exterior realizadas nos anos de 2010 e 2011 não possuem origem comprovada. Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 10240.721299/201393 Acórdão n.º 3402003.662 S3C4T2 Fl. 1.873 8 7) É vinculada, portanto, a aplicação da penalidade prevista no art. 23, § 1o do DecretoLei nº 1.455/76. Uma vez que as mercadorias já foram revendidas, aplicase a multa equivalente prevista no § 3o do mesmo artigo; 8) A tabela “DEMONSTRATIVO DE MULTA DE VALOR EQUIVALENTE” (fls. 1484) apresenta o cálculo da multa devida. Nela constam os números das declarações de importação registradas em 2010 e 2011, o valor aduaneiro das mercadorias e as notas fiscais de saída que comprovam a revenda das mesmas. Lavrado, então, o auto de infração em apreço. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1531/1544, alegando o que segue: 1) a fiscalização descartou todas as operações da empresa, deixando de forma implícita que todos os valores que ingressaram e que ingressam na empresa não são advindos de sua atividade principal. Ora, não se pode concordar que, por maiores problemas contábeis que uma empresa possua, ela seja enquadrada na chamada "IN 228". Isso porque, os problemas contábeis na empresa foram noticiados no início da fiscalização, onde a peticionária contratou uma empresa especializada para rever toda a contabilidade da empresa. 2) Da forma de escrituração da empresa: toda a argumentação fiscal tem relação com a forma de contabilização da empresa. Como verificado pela fiscalização, a peticionária apura impostos segundo o sistema conhecido como lucro presumido que, em apertada síntese, é uma forma simplificada de apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas. As regras da mencionada forma de apuração vêm previstas entre os artigos 516 e 528 do Regulamento do Imposto de Renda, onde, especificamente, denotamse, no artigo 527, as regras atinentes às obrigações acessórias da empresa. Nesse sentido, a forma de apuração sintética efetivada pela empresa encontrase dentro dos padrões contábeis previstos na legislação nacional, motivo pelo qual não poderia a fiscalização, por tal motivo, desconsiderar todos os lançamentos ali presentes para fins de aplicação dos efeitos da IN 228. Esclarece a interessada que esta foi a forma que a empresa contratada entendeu como possível de refazer a contabilidade da empresa, em tempo hábil para atender a fiscalização. O mais importante de tal situação é de que tal escolha não é vedada pela legislação e, por tal motivo, não poderia a fiscalização concluir de que não é possível identificar a origem de recursos apenas pelo fato de se utilizar uma forma sintética de apuração, afastando os comprovantes de pagamento acostados aos autos. 3) SUN ESPECIAL: Foi comprovado junto à fiscalização, mediante contratos e comprovante de pagamento em conta, que foram importadas R$ 4.364.710,36 em mercadorias, sendo revendidas no importe de R$ 7.180.189,80. Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 10240.721299/201393 Acórdão n.º 3402003.662 S3C4T2 Fl. 1.874 9 De tais valores, a peticionária efetivamente comprovou o recebimento de R$ 500.000,00 e R$ 535.617,80, ou seja, cerca de R$ 1.035.617,80. Conforme comprova a documentação acostada aos autos, efetivamente o lançamento dos valores supramencionados foram equivocadamente lançados na conta "transferência entre empresas do grupo". Tal erro é constatado inclusive pela empresa prestadora de serviço que, conforme comprova documentação acostada a presente defesa, assume que o lançamento deveria ter sido efetivado a crédito na conta de clientes e a débito na conta de bancos. Mas o fato é que tal vício não tem o condão de fazer com que a origem desse valor seja desconsiderada pela fiscalização. A origem dos valores foi efetivamente comprovada, sendo os valores depositados em conta da empresa fiscalizada em contra partida de processos de encomendas de mercadorias, devidamente registrados e comprovados. Assim, o mero erro escritural não tem o condão de fazer valer a presunção de que tais valores não tiveram a origem comprovada. Outra questão posta pela fiscalização é quanto à dívida existente entre as empresas. No entanto a mesma foi confessada e parcelada, devendo as parcelas serem computadas no valor próximo a R$ 500.000,00 a partir de 2014. Neste ponto se vê que a fiscalização foi além de sua competência, posto que é de exclusiva responsabilidade dos gestores da empresa a forma como devem conduzir seus negócios. Nada impede na legislação vigente que credores negociem melhores condições para seus clientes em dificuldade. Assim, também esse ponto levantado pela fiscalização deve ser rechaçado, não podendo também levar a conclusão de que há algum tipo de irregularidade capaz de gerar dano ao erário. 4) SISTER: Novamente a fiscalização tece notas sobre a empresa SUN SPECIAL, já combatida no item anterior. No que efetivamente concerne a empresa SISTER a autoridade autuante indica que a peticionária recebeu apenas R$152.718,96, o que seria pouco dentro de R$8.400.123,72 que teria a receber das vendas feitas a essa empresa e à empresa Sun Special. A fiscalização acusa a autuada de deixar de mencionar os valores recebidos a título de vendas a prazo entre 01/01/2001 a 07/01/2001. Ora, inicialmente indicase que o corte feito pela fiscalização é ínfimo perto do todo, uma vez que checa apenas e tão somente seis dias e cerca de R$ 12.000,00. Nesse cenário é completamente frágil afirmar que uma verificação num intervalo de seis dias de lançamento da empresa, no importe de R$ 12.000,00, seja suficiente para levantar dúvidas sobre a origem dos recebimentos. A interessada alega que as receitas contabilizadas são decorrentes de operações de anos anteriores, como 2009, 2008 etc... e lembra que a empresa tem mais de 10 anos de operação e que o ápice de suas atividades ocorreu exatamente no passado, onde atingiu faturamento superior a R$ 20.000.000,00. Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 10240.721299/201393 Acórdão n.º 3402003.662 S3C4T2 Fl. 1.875 10 Nesse sentido, sabedores que a empresa opera basicamente com operações a prazo, é natural que existam pagamentos em determinado ano que são decorrentes de vendas de anos anteriores. Para comprovar, junta as GIAs e livros razão da empresa de períodos anteriores, onde se verifica que a empresa detinha cerca de R$ 6.449.203,55 em contas a receber de seus clientes. Logo a conclusão da fiscalização que não existem operações de vendas nos anos de 2010 e 2011 que justifiquem o ingresso de recursos contabilizados como recebimento de clientes, durante o período de 01/01/2011 a 07/01/2011, é completamente falso. Outro ponto mencionado e comprovado no curso da fiscalização é que a empresa SISTER basicamente não mais opera no mercado, há anos. Assim, os valores em aberto junto a essa empresa certamente não serão quitados, tendose notícia de que o sócio responsável encontrase em situação muito complicada. É por esse motivo que alguns valores recebidos de cheques de terceiros realmente não coincidem, tendo em vista que a peticionária priorizou algum recebimento, do que nenhum. Nesse tocante, a empresa aceitou receber alguns cheques, dar baixa em determinados créditos e perder parte do valor, figura próxima a um desconto, para que pudesse receber o máximo possível. Assim, mais uma vez notase que não poderia a fiscalização afastar os valores recebidos da empresa SISTER para indicar que não houve comprovação de origem dos valores. 5) DOS PAGAMENTOS COM CHEQUES: Conforme indicado, nesse tipo de mercado, qual seja, venda de máquinas de costura, muitas costureiras recebem os pagamentos de suas clientes e endossam os cheques para pagamento de suas dívidas. Também conforme constatado nos autos da fiscalização, a peticionária tentou junto a instituição financeira competente levantar o micro filme dos cheques apresentados, o que foi negado pelo mencionado órgão. Assim demonstrou claramente que não detinha nenhum medo ou receio de apurar os cheques apresentados, tendo em vista que recebeu em detrimento de vendas regulares da empresa. Nesse sentido, desconsiderar todo o valor apenas e tão somente pela forma de contabilização sintética da empresa é completamente absurdo. A contabilidade da empresa, apesar de ter melhorado, ainda apresentou alguns pequenos problemas após o término da fiscalização. Entretanto, considerar que tais pequenos equívocos possam de alguma forma permitir que nenhum dos recebimentos da empresa nos anos de 2010 sejam considerados como "com origem" é completamente absurdo. 6) CAIXA CREDOR: Apurando a conta caixa após a verificação da fiscalização, denotouse que existiram valores ali indicados de forma equivocada, o que fez com que a situação de caixa credor existisse novamente. Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 10240.721299/201393 Acórdão n.º 3402003.662 S3C4T2 Fl. 1.876 11 Assim, não é que houve em algum momento pagamento com recursos não contabilizados decorrentes de operações anteriormente realizadas, mas sim, houve a apuração de lançamentos indevidos na mencionada conta, fazendo que a mesma ficasse credora. Mais especificamente o cheque 486607 de 19/01/2010 de R$ 70.000,00 foi escriturado erroneamente na conta adiantamento à sócia quando o correto seria saque para a conta caixa, conforme comprova o livro razão 2010 (fls. 1581) e a conta caixa anexa, demonstrando assim saldo suficiente para a realização dos pagamentos feitos no mesmo período. Outro ponto importante é que a empresa opera no mercado há muitos anos, sendo a prática de pagamento com cheques de terceiros muito comum e não vedada pela legislação vigente. Os clientes enviam cheques pelo correio ou mesmo pessoalmente, sendo depositados nas datas dos vencimentos, via malote, com um lançamento de crédito em conta na data do depósito no valor total da somatória de todos os cheques somados. Assim, um lançamento é capaz de quitar mais de uma nota fiscal. 7) DO PAGAMENTO DE CLIENTES COM RECURSOS PRÓPRIOS: Outro ponto passível de esclarecimento é o recebimento em 20/01/2010 na CC 472441 de R$ 47.670,00 (fls. 1590). A mencionada conta foi migrada do bairro Luz para o centro devido a um arranjo gerencial do banco Bradesco. Entretanto, os malotes com os mencionados cheques não foram alterados, ou seja, continuaram a ser entregues junto à agência "Luz". Assim, o banco faz o lançamento como transferência entre agências, mas a origem de tal valor é de cheque de cliente. Isso é confirmado pelo fato que não existe contrapartida, ou seja, débito em outra conta da empresa, justificando a alegação da fiscalização. Nesse sentido, a operação e o lançamento contábil da empresa encontramse corretos. 8) DA AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO E DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA IN 228: A fiscalização não logrou êxito em comprovar o dano ao erário por nenhumas das hipóteses previstas na legislação, uma vez que, em nenhum momento foi ocultado o sujeito passivo da relação, ou o real vendedor ou o real comprador ou mesmo o responsável pelas operações. Igualmente, foi comprovada a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Lembrase que se trata de uma empresa com mais de 10 anos, que chegou a faturar cerca de 50 milhões de reais no ano de 2007, cerca de 20 milhões no ano de 2008. Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 10240.721299/201393 Acórdão n.º 3402003.662 S3C4T2 Fl. 1.877 12 Conforme o livro razão da empresa, para o ano de 2009 a empresa tinha um contas a receber e clientes da ordem de R$ 6.449.203,55, que foi totalmente "esquecido" pela fiscalização. Assim, sabendo que a empresa vende 99% de suas mercadorias a prazo, é natural que parte dos valores vendidos em 2008 e 2009, tenham sido entre 2009 a 2012. Outro ponto importante é que a fiscalização de forma absurda desconsiderou valores com origem efetivamente comprovada, pelo simples fato de haver vícios contábeis de lançamento. Assim, não pode a fiscalização preferir a formalidade dos lançamentos contábeis a provas da origem do valor. No processo administrativo, vale o princípio da primazia da realidade, ou em outra linguagem, princípio da realidade material. Não se trata de presunção, mas sim de prova de que a origem dos valores recebidos decorre de sua atividade principal, podendo estes ser utilizados nas operações de comércio exterior da empresa. É nesse sentido que se entende que inaplicável o inciso II, do artigo 11 da IN 228 tendo em vista que a empresa comprovou que tinha capital para as operações e que, muito embora tenha alguns vícios de lançamento contábil, conseguiu comprovar que todo o valor recebido e aplicado nas operações decorreu de recebimento de seus principais clientes. A 1ª Turma da DRJ Florianópolis, em 13/08/2014, julgou improcedente a impugnação (fls. 1789/1804). Não resignada com a r. decisão, foi interposto recurso voluntário (fls. 1812/1831), no qual, em suma, são repisados os argumento trazidos na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Como relatado, versam os autos lançamento de auto de infração para exigência da multa prevista no art. 23, V, § 3º, do Decretolei 1455/76, por não comprovação da origem dos recursos utilizados nas importações nos anos de 2010 e 2011. Com a devida vênia, a recorrente não conseguiu refutar em nada o lançamento, muito menos os fatos que o encetaram. A contabilidade da fiscalizada não teria permitido a identificação das operações que justificassem a entrada dos recursos. O saldo da conta clientes não retrata a realidade, já que o recebimento de valores relativos a operações que foram anteriormente contabilizadas como vendas a prazo, não tiveram como contrapartida o lançamento a crédito na conta clientes. A confrontação das notas fiscais de vendas da empresa e os extratos bancários com as tabelas de pagamentos apresentadas pela autuada fez a fiscalização concluir que as tabelas trazem dados simulados, ou seja, os valores recebidos em 2010 e 2011 não refletiriam as operações de vendas apontadas. A recorrente ao alegar que apura impostos sobre a forma de lucro presumido, parece querer afirmar que os registros contábeis podem ser infiéis à realidade negocial fática, o Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 10240.721299/201393 Acórdão n.º 3402003.662 S3C4T2 Fl. 1.878 13 que é um despropósito. Não é verdade, como afirmado pela recorrente, que sua contabilidade encontrase dentro dos padrões contábeis previstos na legislação nacional. O que temos é que a empresa comprou, em tese, com recursos próprios mercadorias que importou diretamente ou como encomendante da empresa Sun Special Comércio e Representação Ltda. Em 2010 e 2011, foram gastos R$ 1.179.828,63 referente às operações declaradas como importação por conta própria e R$ 4.364.710,36 referente à importações por encomenda da empresa Sun Special Comércio e Representação Ltda, cujos custos, por tratarse de operação por encomenda, foram bancados integralmente pela autuada. Contudo, nos termos do extenso relatório, ao qual me reporto, restou demonstrada a impossibilidade de vincular a origem dos valores que perpassaram por sua contabilidade. E, não tenho dúvida, a precária contabilidade e inespecificidade da conta clientes tinha exatamente esse desidério. Justifica os lançamentos feitos referentes às vendas às empresas Sun Special e Sister, com pagamentos feitos através de cheques de diversos clientes, a inexistência de saldo credor de caixa e sim erro na escrituração contábil que já teria sido corrigido e os lançamentos feitos como transferência entre agências que na verdade seriam pagamentos de clientes. Singela tal afirmação tratandose de negócios milionários. Ao contrário do que alega a recorrente, a escrituração contábil, mesmo no caso de opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido, deverá retratar fielmente as operações financeiras. Conforme dispõe o Decreto n.º 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica): Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Alem disso, as vendas das suas importações diretas foram, quase no todo, ou para esta empresa ou para a empresa Sister Comércio e Importação de Máquinas de Costura Ltda. Assim, não resta menor dúvida que seria perfeitamente rastreável o valor das entradas de receita e sua vinculação ao pagador. Mas o que se deflui do conjunto probatório é que a contabilidade da autuada, em que pese o procedimento fiscal lhe dar oportunidade para se explicar, é imprestável e faz prova contra a recorrente, indubitavelmente. A própria recorrente Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 10240.721299/201393 Acórdão n.º 3402003.662 S3C4T2 Fl. 1.879 14 declara que foram importadas mercadorias por encomenda para a Sun Special no valor de R$ 4.364.710,36, tendo ela provado o recebimento de "cerca de R$ 1.035.617,80". Essa afirmação é confissão de que não houve a comprovação da origem dos valores que deram azo às importações. Esse fato por si só, já ensejaria o lançamento em comento. No extrato bancário da conta corrente 690007, de titularidade da autuada, constam duas transferências realizadas pela empresa Sun Special, nos valores de R$ 500.000,00 e R$ 535.617,80. Além dos valores transferidos pela Sun Special (R$1.035.617,80) não corresponder ao total das vendas, ainda o lançamento contábil deveria ter sido feito da seguinte forma: débito em “bancos ou correspondente” e crédito em “clientes”. Mas o lançamento feito pela fiscalizada como crédito foi na conta genérica “transferência entre empresas do grupo”. A dívida existente entre as duas empresas foi admitida pela própria recorrente que afirma, inclusive, que concedeu um parcelamento de aproximadamente R$500.000,00, a serem pagas a partir de 2014. Inconcebível que parte do recebimento dessas vendas feitas em 2010 e 2011 somente seria recebida a partir de 2014, o que invalida completamente a escrituração existente, que demonstravam a existência de recebimentos de vendas para justificar os recursos para pagamento de parte de importações. Portanto, não é mero erro formal o lançamento a crédito na conta “transferência entre empresas do grupo” ao invés de creditar à conta “clientes”. Equivocase em alegar que mero erro escritural não tem o condão de fazer valer a presunção de que tais valores não tiveram a origem comprovada. Igualmente foi constatada pela fiscalização a existência de saldo credor na conta caixa em diversas ocasiões no decorrer do período fiscalizado, o que indicaria que o contribuinte efetuou pagamentos com recursos não contabilizados, decorrentes de operações anteriormente realizadas e também não contabilizadas (receitas mantidas à margem da escrituração, como afirmado no proficiente relato fiscal). Com relação às vendas feitas à empresa Sister, a fiscalizada relacionou para cada nota fiscal vários recebimentos que corresponderiam ao pagamento das mesmas. Do somatório das notas fiscais de saída emitidas em 2010 e 2011, R$ 8.400.123,72 referemse a vendas realizadas para as empresas Sun e Sister. Desse montante, a fiscalizada recebeu somente R$ 152.718,96 da empresa Sister e R$ 1.035.617,80 da empresa Sun, sendo que os pagamentos efetuados por esta não transitaram pela conta clientes (ou seja, esses pagamentos não tiveram como contrapartida a conta clientes). Apesar disso, a contabilidade da empresa demonstra que o total de recursos ingressados a título de pagamento de clientes, em 2010 e 2011, equivale à R$ 2.347.675,65. A recorrente tenta fazer parecer que as receitas contabilizadas são decorrentes de operações de anos anteriores, como 2009 e 2008. Mas estas demonstrações não são feitas e a contabilidade apresentada e examinada pela fiscalização no auto de infração não permitiu essas constatações. Como bem pontuado pela fiscalização, a constatação não é a falta de recursos e sim a não comprovação da origem dos mesmos, motivação do lançamento tributário. A questão é que não basta que se apresentem documentos que demonstrem apenas o volume de entrada de recursos. As contas contábeis são a demonstração do caminho do recurso, desde sua origem até sua destinação. Se as contas não transparecem as operações verdadeiras, ou ainda não demonstram a vinculação dos recebimentos com as vendas Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 10240.721299/201393 Acórdão n.º 3402003.662 S3C4T2 Fl. 1.880 15 efetivadas, não há como insistir em montar um “quebracabeça” com valores oriundos de vários cheques de clientes não identificados, em datas sem correspondência com as vendas, para tentar relacionar vendas com recebimentos. A fiscalização faz uma demonstração de valores transferidos de outras contas bancárias para a conta 690007 de onde saíram os recursos para liquidação de contratos de câmbio (fls. 1507/1510). Para a liquidação de grande parte dos contratos de câmbio e de outras despesas relacionadas ao comércio exterior, a empresa realizou transferências bancárias de valores depositados nas contas correntes 213853, 384375, e 472441 para a conta corrente 690007 (destacadas em amarelo no relatório fiscal). Já a análise da movimentação bancária das contas 213853, 384375 e 472441 nos mostra que grande parte dos recursos ingressados nessas contas nos anos de 2009 a 2011 não possui origem comprovada. De acordo com a escrituração contábil da fiscalizada, seriam recursos referentes ao recebimento de vendas realizadas a prazo. Todavia, da análise dos documentos fiscais, bancários e contábeis da empresa concluiuse a inexistência de relação entre as vendas realizadas pela empresa e esses recebimentos. Ou seja, os valores ingressados nessas contas bancárias, contabilizados como recebimentos de clientes, e posteriormente utilizados para liquidar contratos de câmbio e despesas relacionadas à importação, não correspondem às operações de vendas realizadas pela empresa. A justificativa da interessada para a origem dos recursos existentes nestas contas bancárias não pode ser acatado, pois além de não comprovar a origem dos depósitos, ainda argumenta que se trata de cheques de terceiros e que não conseguiu o micro filme dos cheques apresentados junto à instituição financeira. No auto de infração há demonstração dos lançamentos contábeis utilizados pela autuada, sendo que os argumentos trazidos nas peças impugnatória e recursal são genéricos, no máximo citando um lançamento específico, como um lançamento errôneo no valor de R$ 70.000,00 para afastar o saldo credor de caixa (fls. 1540) ou então um lançamento feito pelo banco a título de transferência entre agências no valor de R$ 47.670,00 (fls. 1541) para tentar justificar a origem destes recursos. Todavia a simples declaração de erro na contabilidade, sem apresentação de documentos que comprovem o equívoco, não se presta para sustentar a tese da interessada no sentido de que todos os recursos são originários das vendas. Ainda mais que tais valores são ínfimos diante do montante das importações. Desta forma, examinandose as demonstrações feitas no auto de infração a partir da contabilidade da interessada, que detalham várias operações de venda, recebimentos, lançamentos bancários e contas contábeis, e analisando os argumentos e provas apresentadas pela recorrente, a mim não resta dúvida que ela não se desincumbiu de demonstrar a origem dos recursos aplicados nas importações nos anos de 2010 e 2011. E, nos termos do § 2º, do inciso V, do art. 23 do DL 1.455/76, não comprovada a origem dos recursos no comércio exterior, no caso importação, há presunção legal de interposição fraudulenta nas importações analisadas pelo Fisco no anoscalendários de 2010/2011. Forte em todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Fl. 1880DF CARF MF Processo nº 10240.721299/201393 Acórdão n.º 3402003.662 S3C4T2 Fl. 1.881 16 Jorge Olmiro Lock Freire relator Fl. 1881DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.903673/2012-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 24/10/2005
COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 73 /2 01 2- 18 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903673/201218 Acórdão n.º 3402003.640 S3C4T2 Fl. 3 2 Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de COFINS IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06046.013, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903673/201218 Acórdão n.º 3402003.640 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903673/201218 Acórdão n.º 3402003.640 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903673/201218 Acórdão n.º 3402003.640 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903673/201218 Acórdão n.º 3402003.640 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722478/2008-20
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 24 78 /2 00 8- 20 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722478/200820 Acórdão n.º 9202004.067 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 340DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722478/200820 Acórdão n.º 9202004.067 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 341DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722478/200820 Acórdão n.º 9202004.067 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 342DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722478/200820 Acórdão n.º 9202004.067 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722478/200820 Acórdão n.º 9202004.067 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722478/200820 Acórdão n.º 9202004.067 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 345DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13807.005089/2004-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente Substituto), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente Substituto), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente Substituto), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 122 em face da decisão de primeira instância neste procedimento administrativo fiscal da DRJ/SP de fls. 109 que indeferiu a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte de fls. 93, restando indeferido o pedido de restituição e não homologada a compensação com créditos de CSLL, PIS e Cofins. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 07 .0 05 08 9/ 20 04 -0 7 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por PEDRO RINALDI DE OL IVEIRA LIMA Processo nº 13807.005089/200407 Resolução nº 3201000.708 S3C2T1 Fl. 249 2 Como é costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório da decisão de primeira instância, segue para apreciação: "A contribuinte qualificada em epígrafe apresentou manifestação de inconformidade em face de indeferimento do Pedido de Restituição formulado e conseqüente não homologação das compensações vinculadas ao presente processo. 0 Pedido de Restituição foi recepcionado em 12/07/2004 (fl. 01), referindose A multa moratória em razão de atrasos nos recolhimentos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS (código 2172), contribuição para o PIS/PASEP (sobre faturamento — código 8109, e não cumulativo — código 6912), efetuados no período de 30/09/1999 a 22/12/2003, conforme planilha anexada A fl. 18 e DARF (cópias As fls. 19 a 66). Vinculado ao presente processo foi apresentado o PER/DCOMP de n° 42738.02658.190704.1.3.042709, informando a compensação dos seguintes débitos (fls. 69 a 72): Tributo Código Vencimento Valor pleiteado Cofins 2172 15/08/2001 3.566.154,40 PIS/PASEP 8109 15/08/2001 899.945,17 Cofins 2172 13/07/2001 952.892,96 Analisando o pleito, a Autoridade Administrativa proferiu o Despacho Decisório de fls. 74 a 82, indeferindo o pedido de restituição e não homologando as compensações declaradas, conforme sintetizado abaixo: Trata o presente processo de Pedido de Restituição no montante de R$ 8.905.928,50, referente As multas de mora e juros dos pagamentos de PIS, Cofins e CSLL, referentes aos períodos de apuração de julho/1999 a outubro/2003, recolhidos em atraso. Com base nos créditos que pleiteia, busca a extinção dos débitos relativos a tributos administrados pela SRF, relacionados em Declaração de Compensação eletrônica de n° 42738.02658.190704.1.3.042709, transmitida A Receita Federal em 19/07/2004. A requerente entende que a multa de mora foi paga indevidamente, uma vez que a exclusão da responsabilidade por infrações, em virtude de denúncia espontânea, a que alude o art. 138 do CTN, atingiria a multa de mora. 0 art. 138 do CTN integra a Seção IV (Responsabilidade por Infrações) e guarda uma relação lógica com os dois artigos precedentes (136 e 137), que tratam das responsabilidades objetiva e pessoal do agente. Tais dispositivos dizem respeito somente A multa punitiva, decorrente de infração A legislação tributária. 0 art. 161 do CTN estabelece que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, sejam elas de natureza moratória ou penal. 0 art. 138 do CTN dispõe que a denúncia espontânea exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela infração, ficando o fisco Fl. 249DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por PEDRO RINALDI DE OL IVEIRA LIMA Processo nº 13807.005089/200407 Resolução nº 3201000.708 S3C2T1 Fl. 250 3 impedido de lançar a multa de oficio (multa de natureza penal), mantendose, no entanto, a obrigação de pagar a multa moratória (multa de natureza indenizatória), devida desde o dia seguinte ao do vencimento do cumprimento da obrigação principal. No ordenamento jurídico vigente, o legislador criou a multa de mora para coibir o descumprimento dos prazos legais para pagamento dos tributos. A interpretação de que o art. 138 do CTN impede a aplicação da multa de mora retiraria toda a imperatividade da norma que fixa prazos para recolhimento de tributos/contribuições. 0 vigente art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Os artigos 161 e 134, do CTN, evidenciam que o próprio Código Tributário Nacional tratou da multa moratória, sendo incongruente interpretar que o art. 138 a exclui na hipótese em que esta é cabível. 0 art. 138 faz parte do Capitulo V (Responsabilidade Tributária) do Titulo II (Obrigação Tributária), referindose ao chamado arrependimento eficaz, em que se dispensa a penalidade pecuniária quando o pagamento do tributo/contribuição desfaz a irregularidade. Tratandose de multa de mora, a irregularidade é o descumprimento do prazo, e esta não de desfaz com o pagamento extemporâneo. A doutrina, consoante entendimentos expressos por consagrados tributaristas, como Paulo de Barros Carvalho (in Curso de Direito Tributário, 2a ed., São Paulo, Saraiva, 1986, p. 322/3) e Fábio Fanucchi (Curso de Direito Tributário Brasileiro, 4a ed., Resenha Tributária, p. 453), temse pronunciado no sentido de ser de natureza indenizatória a multa de mora, cabível nos pagamentos efetuados em atraso. 0 instituto da denúncia espontânea exclui a responsabilidade por infrações, afastando a penalidade aplicável ao contribuinte infrator, por este ter agido espontaneamente, não se aplicando à multa de mora, que não tem a natureza jurídica de penalidade. Os julgados administrativos, do Conselho de Contribuintes (Acórdãos de n's 10807268, de 30/01/2003, 10244873, de 20/06/2001, 105 13378, de 10/11/2000, 10512822, de 13/05/1999, 10610930, de 23/09/1998, 10512478, de 16/07/1998), e também o Judiciário (decisão proferida no MS de n° 96.03.0768286, DJ2, de 30/10/1996, p. 82911), têm confirmado este entendimento. Diante do exposto, indeferese o pedido de restituição e não se homologa a declara o de compensação n° 42738.02658.190704.1.3.042709. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por PEDRO RINALDI DE OL IVEIRA LIMA Processo nº 13807.005089/200407 Resolução nº 3201000.708 S3C2T1 Fl. 251 4 Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 15/02/2008 (fl. 83, verso), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 86 a 90), em 14/03/2008, com as seguintes alegações, em síntese: Em face de diversos julgados emitidos pelo Superior Tribunal de Justiça, bem como decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda requereu restituição, nos termos da Instrução Normativa da SRF n° 210, de 2002, dos valores pagos a maior em virtude de cobrança de multa moratória, em discordância expressa ao que reza o artigo 138 do Código Tributário Nacional. A liquidez e certeza do direito da requerente decorrem da norma expressa no artigo 138 do CTN. A doutrina e a jurisprudência têm respaldado uma interpretação teleológica do art. 138 do CTN, sempre direcionada ao estimulo do saneamento das irregularidades no plano fiscal por meio da atuação do próprio sujeito passivo da obrigação tributária, antecipando o recolhimento aos cofres públicos. Como já decidiu o E. Superior Tribunal de Justiça, estabelecer penalidades em denúncia espontânea, no caso em tela, a exigência de multa moratória e o acréscimo financeiro, seria "desconsiderar o voluntário saneamento da falta, malferindo o fim inspirado da denúncia espontânea e animando o contribuinte a permanecer na indesejada impontualidade, comportamento prejudicial A arrecadação da receita" (RESP no 9.421 — PR). A outorga da possibilidade do recolhimento espontâneo do tributo devido, sem incidência de penalidades, antes de qualquer procedimento fiscal, muito se assemelha A figura do arrependimento eficaz previsto no art. 15 do Código Penal. Ao propiciar o recolhimento do tributo e de seus consectdrios legais sem imposição de penalidades, o art. 138 do CTN estimula o adimplemento voluntário da obrigação tributária sem qualquer prejuízo A Fazenda Pública Federal, A medida que o tributo é recolhido devidamente corrigido e acrescido de juros moratórios. Desgarrada das finalidades do art. 138 do CTN, a Fazenda Pública Federal ainda sustenta diferença de tratamento, sob a ótica desse dispositivo, entre a multa moratória e a punitiva, como se aquela não correspondesse também a uma sanção pela violação do dever de pagar pontualmente o tributo, tal como a penalidade imposta pelo acréscimo financeiro decorrente da impontualidade. Não lid como distinguir a multa moratória de outros tipos de multa para fins de sua exclusão do âmbito do artigo 138, A medida que o vocábulo infração, nele inserido, é suficientemente amplo para abranger todo e qualquer tipo de violação da lei tributária ao qual se vincula. 0 pagamento fora do prazo imposto pela norma tributária importa na sua infringência, havendo, pois, uma infração pela qual responde o contribuinte se não efetuar a sua denúncia espontânea com as providências previstas no mesmo artigo 138 do CTN. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por PEDRO RINALDI DE OL IVEIRA LIMA Processo nº 13807.005089/200407 Resolução nº 3201000.708 S3C2T1 Fl. 252 5 Na doutrina essa questão tem sido muito debatida, entendendose inexistir distinção, para fins de incidência desse dispositivo legal, entre as multas moratórias e as indenizatórias. Dentre os tributaristas que versaram a matéria destacase Sacha Calmon Navarro Coelho (Comentários ao Código Tributário Nacional, 2a edição, Forense, 1998, p. 335), Aliomar Baleeiro (Direito Tributário Brasileiro, p. 261) e Fábio Fanucchi (Curso de Direito Tributário Brasileiro, p. 438). Outra não é a orientação da jurisprudência, como na decisão do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário n° 106.068 — SP, relatado pelo Ministro Rafael Mayer, e em inúmeras decisões do E. Superior Tribunal de Justiça, cujas ementas transcreve. Conclui pelo acolhimento do pedido de restituição e requer a total reforma da decisão que o indeferiu." A Ementa deste Acórdão foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/07/1999 a 31/10/2003 MULTA DE MORA INCIDENTE EM RECOLHIMENTOS EFETUADOS COM ATRASO. CABIMENTO NOS DÉBITOS RECONHECIDOS ESPONTANEAMENTE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. O recolhimento de tributo efetuado após o vencimento deve ser acrescido da multa moratória, por expressa determinação legal. E incabível a restituição da multa moratória recolhida e, em conseqüência, não se homologam as compensações declaradas em DCOMP eletrônica, vinculada ao crédito pleiteado. Solicitação Indeferida" Após o protocolo do Recurso Voluntário, os autos foram distribuídos e pautados nos termos do Regimento Interno deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Conforme a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresento e relato o seguinte Voto. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por PEDRO RINALDI DE OL IVEIRA LIMA Processo nº 13807.005089/200407 Resolução nº 3201000.708 S3C2T1 Fl. 253 6 Por conter matéria estranha à esta 3.ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, está ausente o requisito de admissibilidade da competência, portanto não conheço do Recurso Voluntário. Conforme Art. 2.º e 4.º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho pode se verificar a competência da primeira e da terceira seção para julgar os tributos em questão (CSLL, PIS e Cofins), conforme segue: "Anexo II Seção I Das Seções de Julgamento. Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (...) Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: I Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, inclusive quando incidentes na importação de bens e serviços;" Não somente a presença do tributo estranho à 3.ª Seção deste Conselho (CSLL) pode ser verificada no próprio relatório transcrito neste voto, da decisão de primeira instância, como pode ser verificado que o contribuinte solicita crédito de CSLL em fls. 2 a 77, assim como no despacho da autoridade de origem de fls. 79 e demais peças e documentos dos autos. Considerando que o presente litígio trata de indeferimento de pedido de restituição e compensação com créditos de PIS, Cofins e CSLL, temos, portanto, no presente lançamento, infrações a serem julgadas por duas Seções deste Conselho. Nesse contexto e com referência à entendimentos anteriores desta Turma, a exemplo a Resolução 3201000695, entendese que o presente julgamento deva ser convertido em diligência, a fim de que a unidade preparadora formalize um novo processo administrativo, para o qual deverá ser transferido o crédito tributário decorrente apenas da CSLL, devendo permanecer nos autos os demais créditos de PIS e COFINS. Ao término do procedimento, ambos os processos administrativos devem ser devolvidos a esta turma para prosseguimento no julgamento. É o voto. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 253DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por PEDRO RINALDI DE OL IVEIRA LIMA
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Numero do processo: 10711.722967/2011-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 26/12/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.474
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/12/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo, no que for relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 29 67 /2 01 1- 44 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722967/201144 Acórdão n.º 3302003.474 S3C3T2 Fl. 3 2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar a irregularidade apurada que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita, que entende ser cabível para cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e, apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722967/201144 Acórdão n.º 3302003.474 S3C3T2 Fl. 4 3 embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo integralmente o crédito constituído. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.395, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10711.006561/201030, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.395): 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar 2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato gerador Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados em seu recurso voluntário, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/20081." 1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumpri a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722967/201144 Acórdão n.º 3302003.474 S3C3T2 Fl. 5 4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela afirma ser impossível existir mais de uma penalidade para o mesmo fato, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma: "No caso sob análise não houve uma infração. Examinandose as ocorrências citadas pela fiscalização, verificase que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos. Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações são idênticas, uma vez que são diferente seus objetos materiais." Já em relação ao segundo ponto (aplicação da solução de consulta interna Cosit nº 8/2008), a fiscalização justificou seu afastamento com base nos seguintes argumentos. "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob exame. As informações cujos atrasos na prestação deram ensejo ao lançamento são referentes a importação de mercadorias, enquanto a citada decisão soluciona consulta relativa à exportação. Cada um desses tipos de operações envolve peculiaridades próprias, especialmente no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem na legislação regente e não podem ser desprezadas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos correspondentes conhecimentos eletrônicos (CE). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Pois bem. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que não houve comprovação da existência de duplicidade de cobrança por parte da fiscalização, tampouco argumentos capazes de infirmar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Sequer um demonstrativo analítico, com os registros relativos as operações tratadas em cada processo apontado no recurso foram produzidas pela Recorrente, em total desrespeito ao artigo 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou inexplicavelmente de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte, restando, assim, prejudicado a análise dos demais argumentos por ela suscitado. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722967/201144 Acórdão n.º 3302003.474 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Mérito 3.1. Ilegalidade do Auto de Infração O presente processo administrativo diz respeito a exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional". Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os contribuintes que descumprirem as obrigações acessórias, na forma e nos prazos instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa. Além disso, a obrigação do agente de carga de prestar as informações à Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722967/201144 Acórdão n.º 3302003.474 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722967/201144 Acórdão n.º 3302003.474 S3C3T2 Fl. 8 7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduzse a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto ou arribada. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 5º Os CE de serviço informados até a atracação ou registro do passe de saída serão dispensados dos prazos de antecedência previstos nesta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 6º Para os manifestos de cargas nacionais, as informações a que se refere o inciso II do caput devem ser prestadas antes da solicitação do passe de saída. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal do Brasil (vide artigo 22, da IN 800/2007 e IN 899/2008), passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do artigo 50, a saber: (i) sobre a escala; e (ii) sobre as cargas transportadas, que permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos. Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais obrigações previstas no parágrafo único do artigo 50, sob pena de ensejar a aplicação da multa em comento. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722967/201144 Acórdão n.º 3302003.474 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, considerando que a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação era obrigatória, entendo legítima a penalidade imposto à Recorrente. No mais, destacase que o artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos". Ou seja, referido dispositivo equipara o agente de carga ao transportar para efeitos de aplicação da multa em comento. Este destaque se faz necessário na medida em que a Recorrente suscitou a aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária acessória em apreço que no seu texto normativo prevê a obrigação somente ao transportar distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo referido artigo. Cita a definição de "transportar" e "agente de cargas" do Dicionário Aurélio como fonte de direito privado. O artigo 110 do CTN prevê: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios, para definir ou limitar competências tributária. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, suas razões não merecem respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do Dicionário Aurélio não é fonte de direito privado e, a duas porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados, ou nas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios. Portanto, considerando que o Decreto 37/66 e a IN 800/2007 não alteraram definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de tributo antes da vigência da lei que os instituiu, ao que passo que no presente a discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem. O artigo 3º, do Código Tributário Nacional é claro ao definir tributo como sendo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." 2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722967/201144 Acórdão n.º 3302003.474 S3C3T2 Fl. 10 9 Como se vê, o legislador ao estabelecer que tributo não constitui sanção de ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o fato gerador proveniente de ato ilícito. Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. Ricardo Paulo Rosa Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 17883.000187/2010-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 28/02/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 01 87 /2 01 0- 36 Fl. 245DF CARF MF Processo nº 17883.000187/201036 Acórdão n.º 9202004.747 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 17883.000187/201036 Acórdão n.º 9202004.747 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 17883.000187/201036 Acórdão n.º 9202004.747 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 248DF CARF MF Processo nº 17883.000187/201036 Acórdão n.º 9202004.747 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 17883.000187/201036 Acórdão n.º 9202004.747 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 250DF CARF MF Processo nº 17883.000187/201036 Acórdão n.º 9202004.747 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 17883.000187/201036 Acórdão n.º 9202004.747 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 252DF CARF MF Processo nº 17883.000187/201036 Acórdão n.º 9202004.747 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 17883.000187/201036 Acórdão n.º 9202004.747 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003212/2010-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2009
VÍCIO NO LANÇAMENTO. NATUREZA.
Em se verificando a existência de vício na aplicação da regra matriz de incidência, trata-se de vício de natureza material, não podendo subsistir o lançamento efetuado. Já em situações onde há vício no procedimento de produção da norma individual e concreta que aplica a regra matriz de incidência, trata-se de vício de natureza formal.
Numero da decisão: 9202-004.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para intimação do contribuinte para apresentação de documentos relativos a ações trabalhistas e criminais relacionadas aos fatos objeto do presente auto de infração. Vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que entenderam ser necessária a diligência. Por unanimidade de votos, acordam em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para considerar como formal o vício apontado na descrição da infração relativa ao pagamento de valores não registrados em folha de pagamentos, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2009 VÍCIO NO LANÇAMENTO. NATUREZA. Em se verificando a existência de vício na aplicação da regra matriz de incidência, tratase de vício de natureza material, não podendo subsistir o lançamento efetuado. Já em situações onde há vício no procedimento de produção da norma individual e concreta que aplica a regra matriz de incidência, tratase de vício de natureza formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para intimação do contribuinte para apresentação de documentos relativos a ações trabalhistas e criminais relacionadas aos fatos objeto do presente auto de infração. Vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que entenderam ser necessária a diligência. Por unanimidade de votos, acordam em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para considerar como formal o vício apontado na descrição da infração relativa ao pagamento de valores não registrados em folha de pagamentos, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 32 12 /2 01 0- 09 Fl. 8023DF CARF MF Processo nº 10920.003212/201009 Acórdão n.º 9202004.642 CSRFT2 Fl. 8.023 2 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2401002.598, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 15 de agosto de 2012 (efls. 7758 a 7840). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO DE EMPRESA INTERPOSTA PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Não se faz necessário caracterizar os requisitos de empregado, quando o vínculo original com terceira empresa já se dava nessa condição, bastando a configuração de gerenciamento único, ou seja, subordinação jurídica para que se redirecione o vínculo de emprego para efeitos previdenciários. A simples prestação de serviços em atividade meio sem a demonstração da subordinação jurídica dos contratantes com os prestadores de serviço não é suficiente para demonstrar o vínculo empregatício com a empresa PL Contábil. Da mesma forma a irregularidade na constituição de seu patrimônio serve como indício, mas não efetivamente como prova de subordinação jurídica, razão porque deve ser excluído por vício formal o levantamento. Fl. 8024DF CARF MF Processo nº 10920.003212/201009 Acórdão n.º 9202004.642 CSRFT2 Fl. 8.024 3 ARBITRAMENTO DE PAGAMENTO POR FORA PERCENTUAL DE 15% EXTENSÃO A TODOS OS TRABALHADORES DA EMPRESA. Mesmo que constatado pagamento por fora em relação a alguns empregados, deve a autoridade fiscal bem fundamentar a extensão de dita base por arbitramento a totalidade dos empregados. A ausência de indícios torna nulo o levantamento pela falta de elementos de convicção para a extensão da base de forma uniforme. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES PELA SRF. INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. INAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA. O ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório. No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91 e artigo 8º da Lei nº 10.593/2002, c/c Súmula nº 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa Auditor da Receita Federal do Brasil , constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. Fl. 8025DF CARF MF Processo nº 10920.003212/201009 Acórdão n.º 9202004.642 CSRFT2 Fl. 8.025 4 O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. In casu, constatouse a ocorrência de simulação, razão porque a decadência, mesmo na existência de pagamentos antecipados deixa de ser aplicada a luz do art. 150, § 4º, do CTN, passando a decadência a ser apreciada pelo art. 173, I do CTN. INCERTEZA QUANTO A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Quanto a descrição do fisco não permite à Autoridade Julgadora formar a plena convicção sobre a ocorrência do fato gerador, devese invalidar o lançamento por improcedência. Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: I) Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento pela não emissão do ato declaratório de exclusão do SIMPLES. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que arguiu de ofício a referida nulidade. II) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento suscitada pelo contribuinte; b) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e c) declarar a decadência até a competência 11/2004. III) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o levantamento referente a empresa PL contábil e os levantamentos 41 ao 56 e o 62. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que anulava os referidos levantamentos por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Declarouse impedido o conselheiro Igor Araújo Soares. Enviados em 03/12/2012 os autos à Fazenda Nacional para ciência do Acórdão (efl. 7841), a PGFN apresentou, em 06/12/2012 (efl. 7927), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 7842 a 7866). Alegavase, no pleito, divergência passível de apreciação por esta Turma em três diferentes matérias, restando, todavia, somente duas delas sido admitidas, na forma de exame de admissibilidade de efls. 7929 a 7937, a saber: a) Quanto à exclusão dos levantamentos em que houve a aferição indireta dos salários pagos "por fora": Fl. 8026DF CARF MF Processo nº 10920.003212/201009 Acórdão n.º 9202004.642 CSRFT2 Fl. 8.026 5 Alega a recorrente divergência em relação ao decidido, em 17/09/2002, pela 5a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 10513.892, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 10513.892 PROCESSO ADMINSITRATIVO FISCAL LANÇAMENTO DE OFÍCIO NULIDADE O lançamento, por constituirse em um ato administrativo de formalização do crédito tributário, como previsto no art. 142 do CTN, Lei n° 5.172/66, c/c o art. 10 do PAF, Decreto n° 70.235/72, exigiu o legislador, obrigatoriamente, certos requisitos intrínsecos e extrínsecos, que são concorrentes e cumulativos à sua eficácia. A inobservância de tais exigibilidades concorre para a sua nulidade, mormente quando a descrição dos fatos motivadores da exação não contempla a totalidade das matérias nele consignadas, em atendimento ao princípio da unicidade do ato de lançamento. Decisão: Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar suscitada (de nulidade), para cancelar o lançamento, por constatação de vício formal na sua constituição, dando provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Verinaldo Henrique da Silva, que rejeitava a preliminar argüida. Em linhas gerais, argumenta a recorrente em sua demanda quanto a esta primeira matéria que: a.1) é cediço que os acórdãos citados (recorrido e paradigma) dão, em face de uma situação fática semelhante, interpretações distintas da legislação tributária. Enquanto o primeiro defende que a ausência de descrição completa do fato gerador no auto de infração implica a improcedência do lançamento, o segundo entende que não. O acórdão paradigma, em primeiro lugar, trata a matéria como preliminar de nulidade. Em seguida, ressalta que tal ausência é um vício formal e, portanto, passível de ser superado. Observase inclusive que o paradigma estriba sua conclusão no mesmo dispositivo citado pelo voto vencedor do acórdão recorrido: no artigo 142 do Código Tributário Nacional; a.2) Segue a Fazenda Nacional que não há razões para julgar improcedente o lançamento. Em primeiro lugar, cumpre tratar a matéria como preliminar de nulidade e não como propriamente o mérito a ensejar a improcedência do lançamento. Ressalta que o próprio voto condutor não chega a afirmar que os fatos geradores não ocorreram, circunstância que esta sim demandaria o cancelamento da exigência. a.3) Entende que, tal como afirmado no voto vencido, “No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização”. Ocorre que pela situação discutida nos autos, alega a Fazenda Nacional que desde logo podese entender que o fato gerador do tributo efetivamente ocorreu e, se falha houve, essa foi na motivação do ato, na exposição dos motivos que levaram ao lançamento; a.4) Cita os artigos 59 e 60 do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972, e jurisprudência desta Câmara Superior, para defender que não se vislumbra, na situação fática sob analise, prejuízo à defesa do contribuinte, tendo o autuado demonstrado ter pleno Fl. 8027DF CARF MF Processo nº 10920.003212/201009 Acórdão n.º 9202004.642 CSRFT2 Fl. 8.027 6 conhecimento dos termos da autuação e dele se defendeu, não havendo, assim, qualquer vício no lançamento a ensejar sua improcedência ou nulidade; a.5) Entende que uma eventual insuficiência na descrição dos motivos que ensejaram o lançamento não pode ser considerada como vício a macular todo o lançamento, devendo ser aplicado o princípio de conservação dos atos. A questão é que o fato gerador ocorreu, em que pese poder se considerar como insuficientemente descrito; a.6) Ressalta que, mesmo que vício houvesse, não há que se falar em improcedência da autuação, mas sim em sua nulidade por vício formal. A decisão ora recorrida julgou improcedente o lançamento, porque entendeu que a hipótese fática do fato gerador da obrigação principal não foi devidamente delineada de forma clara e precisa nos autos, mas em nenhum momento afirmou a nãoocorrência do fato gerador, ou seja, a ausência do motivo do lançamento. Na hipótese em apreço, a ausência de motivação, vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarsea afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu. a.7) Assim, se se cogitar de vício no lançamento, devese ter como vício formal (na formalização do ato do lançamento), tendo em vista que a suposta falha ocorreu tão somente na exteriorização do ato do lançamento, cabível a convalidação no mesmo, na forma do art. 55 da Lei no. 9.784, de 1999, que se harmoniza com os arts. 59 e 60 do Decreto no. 70235, de 1972, já anteriormente citados. Conclui no sentido de que não houve o vício proclamado pela decisão recorrida e, se vício houve no lançamento, o que se admite apenas por amor ao debate, este seria de natureza formal a ensejar a nulidade do lançamento e não sua improcedência. b) Quanto à caracterização do vínculo empregatício: Alega a recorrente divergência em relação ao decidido, em 02/12/2009, no Acórdão 2302000.308, de lavra da 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 230200.308 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/07/2006 CARACTERIZAÇÃO EMPREGADO, VÍCIO NO RELATÓRIO FISCAL, INCOMPLETO. Não se pode confundir o órgão fiscalizador com o julgador. Cabe à Receita Federal fiscalizar e lançar os tributos, e cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF a tarefa de verificar a regularidade da decisão de primeira instância, e não efetuar ou complementar o lançamento.A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vicio formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n 70,235). A Fl. 8028DF CARF MF Processo nº 10920.003212/201009 Acórdão n.º 9202004.642 CSRFT2 Fl. 8.028 7 descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo.Auto de infração anulado. Crédito Tributário Exonerado. Decisão: por unanimidade de votos, em anular o auto de infração, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior acompanhou o relator somente nas conclusões. Entendeu que se configurou o vicio material. Quanto à matéria, alega a Fazenda Nacional recorrente que, em se tratando da ausência de demonstração do pressuposto da subordinação jurídica para a caracterização do vínculo empregatício, acórdão recorrido e paradigma divergiram: enquanto a decisão hostilizada entendeu que, por se tratar de mácula na descrição do fato gerador, tal vício ensejaria a improcedência da autuação, o paradigma a tratou como preliminar de nulidade e, prosseguindo, entendeu que tal vício renderia ensejo à nulidade do lançamento por vício formal. Cabíveis aqui, ainda, os argumentos constantes dos itens "a.3" a "a.7" supra. Requer assim, o conhecimento do recurso e seu provimento, a fim de que seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Subsidiariamente, caso não acatado o pedido formulado no item antecedente, seja anulado o lançamento por vício formal. Encaminhados os autos à contribuinte para fins de ciência, ocorrida em 29/09/14, esta apresenta, em 06/10/14, contrarrazões de efls. 7964 a 7975, onde: a) Entende que em nenhum momento o voto do Acórdão recorrido acena com a decretação de vício no lançamento, mas sim com a improcedência do lançamento, daí que a distinção da natureza entre vício formal e material não pode ser legitimamente convocada a sustentar divergências para fins de processamento do recurso especial, Entende que no Acórdão recorrido não há reconhecimento de deficiência na caracterização do vínculo ou na demonstração dos supostos pagamentos por fora, mas sim que não há provas de suas ocorrências, não havendo tributo posto que demonstrada a ocorrência da hipótese de incidência; b) Ressalta que não há similitude de razões de decidir, daí a Fazenda Nacional não ter caracterizado analiticamente a divergência, argumentando, ainda, se tratar a argumentação da Fazenda Nacional de tese superada, na forma do art. 10 do art. 67 do anexo II do Regimento Interno deste CARF. c) No mérito, pugna pela fragilidade da acusação fiscal no que tange à caracterização do vínculo de emprego entre os empregados da PL Consultoria e os supostos pagamentos por fora. Entende que a PFN quer convencer essa turma da CSRF a reconhecer que a falta de comprovação do fato gerador, na hipótese, não seria caso de improcedência, mas sim de nulidade, pretendendo que uma relação jurídica que nunca existiu ou nunca se estabeleceu, Fl. 8029DF CARF MF Processo nº 10920.003212/201009 Acórdão n.º 9202004.642 CSRFT2 Fl. 8.029 8 posto não provada no auto de infração, possa ser ressuscitada por meio de um novo lançamento; d) Reconhece que, quando houver falhas na formalidade do lançamento de ofício, em face do art. 173 acima, o mesmo lançamento poderá ser produzido, apenas com a correção do erro formal detectado. No entanto, vicio formal não se confunde com a ausência de materialidade da infração apontada pela autoridade responsável pelo lançamento. O ato de constituição do crédito tributário deve sempre decorrer, ainda que de forma presumida, da demonstração da hipótese que gera o dever de pagar o tributo exigido. Sem essa exposição, como já se disse em linhas volvidas, não há relação jurídica que possa conduzir a qualquer dever tributário válido, o que nos leva a concluir que a deficiência em se provar ou demonstrar a razão do nascimento da obrigação tributária não agride a forma, mas sim a essência do lançamento, inapto a irradiar qualquer espécie de efeito. Requer, assim que não seja conhecido o Recurso Especial interposto, seja por similitude, seja por que a tese nele trazida encontrase superada e, caso venha a ser conhecido, que no mérito lhe seja negado provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende a estes requisitos de admissibilidade. Quanto aos pontos levantados pelo contribuinte em sede de contrarrazões, faço notar que: a) Nítido, a partir dos trechos abaixo do voto vencedor do recorrido que, para as situações para as quais se deu provimento ao Recurso Voluntário, não se convenceu o Colegiado a quo da ocorrência dos fato geradores em litígio, devido à deficiência na descrição daqueles, verbis: (...) Tenho entendido que os vícios situados nos pressupostos e condições do lançamento acarretam em declaração de vício formal do mesmo ou no seu saneamento, caso possível. Nessas situações, o ato pode ser refeito, sem alteração nos seus aspectos substanciais, posto que a falha localizase em elemento exterior ao lançamento. Ao contrário, quando a mácula situase nos requisitos do lançamento, devese fulminálo por vício material, quando a autoridade julgadora esteja convencida de que efetivamente ocorreu o fato gerador, todavia, houve falha na sua descrição, no cálculo do tributo ou na identificação do sujeito passivo. Fl. 8030DF CARF MF Processo nº 10920.003212/201009 Acórdão n.º 9202004.642 CSRFT2 Fl. 8.030 9 (...) Nas duas situações, portanto, estamos diante de mácula em requisito do ato de lançamento, qual seja na descrição do fato gerador, a qual não trouxe ao julgador a convicção quanto à ocorrência dos fatos geradores. Assim, tomando como referência os aspectos teóricos acima apresentados, posicionome pela invalidade parcial do lançamento da mesma forma que a Relatora, todavia, não por vício formal, mas por improcedência parcial das contribuições lançadas. Ou seja, se trata, aqui no recorrido, a descrição dos fatos geradores como elemento necessário à convicção da ocorrência daqueles fatos geradores, resultando de mácula naquela descrição, além de uma mera falha, a improcedência quanto aos valores em litígio. No caso do primeiro paradigma (Acórdão no. 10513.892), o que se tem é a completa ausência da descrição dos fatos geradores, à qual se atribuiu a natureza de vício formal, daí podendo se depreender que também no caso em questão, repitase, fundamentada, pelo recorrido, a não convicção da ocorrência dos fatos geradores pela mácula na descrição dos fatos geradores, também estabelecesse o Colegiado paradigmático a mesma consequência, qual seja, a decretação de nulidade por vício formal e não sua improcedência parcial. Daí plenamente caracterizada a divergência interpretativa quanto à primeira matéria admitida (improcedência do lançamento quanto aos valores pagos por fora), uma vez que, enquanto no paradigma se estabelece o critério jurídico de atribuir à ausência de descrição do fato gerador a consequência de decretação de nulidade por vício formal, no recorrido se estabeleceu, a partir de mácula em tal descrição, a improcedência do lançamento referente à empresa PL Contábil e aos levantamentos 41 a 56 e 62. Ainda, agora quanto aos segundos paradigma e matéria em análise (Acórdão no. 230200.308, o referido decisum é bastante claro em estabelecer que, no caso de falta de existência de motivo (ali estabelecido como sinônimo de ocorrência do fato gerador), a consequência jurídica seria a nulidade do auto por vício formal e não a improcedência do lançamento (vide último parágrafo de fl. 2 do referido Acórdão). Daí nitidamente caracterizada a diferença de critérios jurídicos também quanto à matéria de caracterização de vínculo empregatício; b) Quanto ao requisito de demonstração analítica da divergência, o posicionamento esposado por esta Turma é no sentido de conhecer do Recurso Especial, seja ele do contribuinte ou da Fazenda Nacional, sempre que se possa depreender a divergência arguída a partir do teor da argumentação recursal, o que se observa nos presentes autos; c) A superação da tese para fins de eventual não seguimento de Recurso Especial só se dá através da edição de Súmula deste CARF contrária àquela tese, consoante art. 65, §3o. do anexo II ao Regimento Interno deste CARF em vigor, não se encontrando, porém, a questão em litígio na situação acima. Assim, não se trata a argumentação da recorrente de tese superada simplesmente por haver julgados no âmbito desta CSRF, em outros autos, em sentido contrário ao ali esposado. Fl. 8031DF CARF MF Processo nº 10920.003212/201009 Acórdão n.º 9202004.642 CSRFT2 Fl. 8.031 10 Assim, conheço do Recurso Especial e passo à análise de mérito, quanto às matérias admitidas. Inicialmente, faço notar que, quanto à distinção entre vício formal e material, alinhome aqui à corrente que os distingue baseado nas noções de norma introdutora e norma introduzida, de lição de Paulo de Barros Carvalho e muito bem resumida pela Conselheira Celia Maria de Souza Murphy, no âmbito do Acórdão 2101002.191, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 1a. Cãmara da 2a. Seção de Julgamento e datado de 15 de maio de 2013, expressis verbis: "(...) O tema dos vícios material e formal está intrinsecamente relacionado com o processo de positivação do direito. Tomamos por premissa que o direito positivo é um sistema de normas, regidas por um princípio unitário, no qual normas jurídicas, seus elementos, relacionados entre si, são inseridas e excluídas a todo instante. As normas jurídicas são inseridas no sistema do direito positivo de acordo com regras que o próprio sistema produz. É uma norma que estipula qual é o órgão autorizado a inserir normas no sistema do direito positivo e qual o procedimento para que isso se faça. Toda norma jurídica introduzida no sistema do direito positivo o é por meio de uma norma introdutora. As normas sempre andam aos pares: norma introdutora e norma introduzida, tal como leciona Paulo de Barros Carvalho. A norma introdutora espelha o seu próprio processo de produção; a introduzida regula a uma conduta (que pode ser, inclusive, a produção de outra norma). Nesse sentido, seguindo os ensinamentos de Kelsen, são de direito formal as normas que cuidam da organização e do processo de produção de outras normas; de direito material são as normas que determinam o conteúdo desses atos, isto é, regulam o comportamento humano propriamente dito. O lançamento, norma jurídica que é, não foge à regra: compõese de norma introdutora e norma introduzida. Na norma introdutora fica demonstrado o procedimento que o agente público, autorizado a inserir no ordenamento jurídico a norma individual e concreta que aplica a regramatriz de incidência tributária, seguiu para produzila. A norma introduzida é a própria aplicação da regramatriz. A primeira norma trata da forma; a segunda, da matéria. No lançamento, a norma introdutora tem a ver com o procedimento ao qual alude o artigo 142 da Lei n.° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e as normas de Direito Administrativo, que se completa com a norma introduzida, que efetivamente aplica a regramatriz de incidência. Feitas essas considerações, resta analisar em que ponto se identifica o vício do lançamento perpetrado no presente Fl. 8032DF CARF MF Processo nº 10920.003212/201009 Acórdão n.º 9202004.642 CSRFT2 Fl. 8.032 11 processo, se no processo de produção do ato administrativo do lançamento ou se na aplicação da regramatriz de incidência tributária. Se na norma introdutora, tratase de erro formal; se na norma introduzida, é erro material. (...) A regramatriz de incidência, como ensina Paulo de Barros Carvalho, é norma jurídica em sentido estrito que institui o tributo, e compõese de antecedente e conseqüente. No antecedente, temos os critérios material, espacial e temporal. No conseqüente, os critérios pessoal (sujeitos ativo e passivo) e critério quantitativo (base de cálculo e alíquota). Analisamos, a seguir, a aplicação de cada um deles no lançamento em debate. (...)" Aplicando tais considerações ao caso em tela, verifico que: a) Quanto à exclusão dos levantamentos em que houve a aferição indireta dos salários pagos "por fora" (efls. 4778 e seguintes): A partir da análise dos elementos de efls. 6644 a 6661 (em especial os indícios de efls. 6646 a 6661), verifico ter sido produzida, nos autos, robusta prova indiciária acerca da praxe da empresa de realização de pagamentos "por fora" da contabilidade, em adição à remuneração paga pela autuada, inexistindo qualquer dúvida quanto à correta aplicação da regra matriz de incidência em seus critérios material, espacial, temporal e pessoal. Especificamente quanto ao critério quantitativo, ressalto que, quanto à utilização do percentual de 15%, foi muito feliz o auditor em respaldar o procedimento como amplamente favorável ao contribuinte, na forma de excerto de efls. 6659 a 6661, verbis: 855. Pois bem, uma vez constatado e comprovado que a empresa TRANSMAGNA TRANSPORTES LTDA não registrou em sua contabilidade, nem na contabilidade que elaborou em nome das supostas "empresas" fictícias relacionadas neste relatório fiscal, o movimento real das remunerações pagas aos segurados a seu serviço, restou a esta auditoria aplicar o § 6°, do Artigo 33, da Lei 8.212/91, com vistas a apurar por meio de aferição indireta o montante das contribuições previdenciárias efetivamente devidas pelo sujeito passivo. 856. Assim, para aferição dos valores das remunerações oficiosamente pagas foi estabelecido pela autoridade fiscal o percentual de 15% sobre os valores de todas as remunerações formalmente informadas pela empresa TRANSMAGNA TRANSPORTES LTDA nos documentos elaborados em seus CNPJ e/ou nos CNPJ das "empresas" fictícias relacionadas no presente relatório fiscal. 857. Portanto, o percentual de 15%, acima mencionado, foi aplicado sobre os valores das remunerações inseridas pela empresa nas GFIP elaboradas em seus CNPJ, bem como, nos CNPJ das supostas "empresas" fictícias. Na ausência destes documentos em determinada competência e/ou CNPJ, e existindo Fl. 8033DF CARF MF Processo nº 10920.003212/201009 Acórdão n.º 9202004.642 CSRFT2 Fl. 8.033 12 folhas de pagamento correspondentes, o referido percentual foi aplicado sobre os valores inseridos nestes documentos. E finalmente, na ausência de GFIP(s) e folhas de pagamento, o percentual de 15% foi aplicado sobre os valores inseridos pela empresa nas RAIS. 858. Cabe esclarecer que o percentual de 15% sobre os valores das remunerações oficiais pagas pela empresa TRANSMAGNA TRANSPORTES LTDA, utilizado por esta auditoria como parâmetro de aferição indireta das remunerações oficiosas pagas pela mencionada empresa, foi adotado pela ausência, no caso concreto, de outro critério que esta autoridade julgasse mais e apropriado, sendo ele, digase de passagem, extremamente conservador. 859. De fato, a experiência de muitos anos de trabalho deste Auditor Fiscal habilitao a afirmar com absoluta tranqüilidade que determinada empresa, ao decidir trilhar pelo caminho da evasão fiscal através da pratica freqüente e continua (modus operandi) do pagamento de remuneração oficiosa ao segurados a seu serviço, nunca o faz em percentual inferior ao que esta Auditoria adotou como parâmetro de aferição. 860. Ademais, vimos que nos casos concretos identificados na presente ação fiscal, os pagamentos de remunerações oficiosas atingiram percentuais bem superiores a 100% da remuneração oficialmente declarada, quando o seu destinatário era umdos gerentes de filial da TRANSMAGNA, utilizados fraudulentamente como "sócioslaranjas" nas "empresas" fictícias. 861. Contudo, em situação outrora relatada, no qual a Justiça reconheceu o pagamento "por fora" envolvendo um funcionário ocupante do cargo de motorista, o percentual reconhecido pelo Poder Judiciário é ainda relevante, mas cai para pouco mais de 40% do salário oficialmente declarado (vide página 310 deste relatório). 862. Realmente, na pratica, é comum a redução gradativa do percentual de remuneração oficiosa paga aos segurados em relação as respectivas remunerações oficialmente registradas, à medida que o nível do cargo na estrutura da empresa decresce, não podendo se descartar até mesmo a possibilidade de que alguns cargos (normalmente os cargos da base das tabelas remuneratórias) nem recebam os chamados salários "por fora". 863. Mas enfim, ainda que haja situações extremas, isto é, cargos que recebam percentuais exorbitantes de salários oficiosos e cargos que não recebam tal tipo de remuneração, esta auditoria tem plena convicção de que o percentual de 15% aplicado sobre os valores totais das remunerações oficialmente informadas, com vistas a aferir indiretamente o valor total das remunerações oficiosamente pagas, considerando, então, um cargo pelo outro, é muito coerente e porque não dizer, bastante conservador. Fl. 8034DF CARF MF Processo nº 10920.003212/201009 Acórdão n.º 9202004.642 CSRFT2 Fl. 8.034 13 864. A propósito, a pegar pela média dos casos concretamente identificados e comprovados, este percentual seria muito mais elevado. Contudo, esta auditoria não crê que este fosse o caminho mais acertado e justo para resolver a questão. Não temos dúvida, pois, que o § 6°, do artigo 33, da Lei 8.212/91, deve ser mesmo e indiscutivelmente aplicado, sempre que a contabilidade da empresa não registre o movimento real das remunerações, mas sempre cuidando para que haja razoabilidade. 865. Os valores das remunerações oficialmente registradas, bem como das remunerações oficiosas aferidas indiretamente por esta auditoria, constam dos quadros correspondentes aos doc. CCL)000/11, CCLJOO(VIII e CCLXXXIX, anexos, e também do Relatório denominado "DISCRIMINATIVO DO DÉBITO" (doc. III), consoante será melhor abordado no capitulo VII — "DO LEVANTAMENTO DO DÉBITO". A propósito, estabelece o art. 33, §6o. da Lei no. 8.212, de 24 de junho de 1991: Lei 8.212/91 Art. 33 (...) (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Tratase aqui, assim, da fixação do percentual em 15% de utilização, pela autoridade fiscal, de prerrogativa legalmente estabelecida, de forma correta (vide, em detalhes, efls. 4779 e seguintes), a partir de existência de robustas provas indiciárias, não havendo que se falar, aqui, em vício na aplicação da regra matriz de incidência (norma introdutora), sendo de se descartar, assim, a ocorrência de vício material. A propósito, ainda, que, notese, entenda este Conselheiro não ter se observado nos autos qualquer cerceamento do direito de defesa do contribuinte quanto à matéria, em especial a partir da detalhada fundamentação acima reproduzida (estabelecido legalmente, ainda caber, in casu, à empresa o ônus da prova em contrário), entendo que a possível inexistência de vício gerador de nulidade não mais se encontra em litígio, uma vez rejeitada a admissibilidade quanto à primeira matéria apresentada pela Recorrente em seu pleito, fazendo com que a nulidade por cerceamento de defesa constatada pelo Colegiado a quo se trate de matéria transitada em julgado. Destarte, adoto aqui como razão de decidir a conclusão de efl. 7836, do voto vencido da Relatora do recorrido, para concluir, quanto aos levantamentos abrangendo os pagamentos "por fora", pela existência de nulidade por vício formal, verbis: "(...) Fl. 8035DF CARF MF Processo nº 10920.003212/201009 Acórdão n.º 9202004.642 CSRFT2 Fl. 8.035 14 Quanto a este ponto entendo que restou constatado a prática de pagamentos por fora, porém entendo que o auto de infração carece de mais elementos que pudessem, primeiramente atribuir com certeza o percentual desse pagamento por fora, em relação a todos os empregados da empresa TRANSMAGNA, inclusive em relação aos trabalhadores originalmente vinculados as empresas fictícias e que por ocasião do procedimento fiscal, acabaram por vinculados na condição de empregados para efeitos previdenciários a empresa TRANSMAGNA. Com isso não estou atribuindo razão ao recorrente no sentido de que os pagamentos não existiram, posto o indício trazido pelo auditor, mas que entendo que que o arbitramento de 15% da base de cálculo paga a todos os empregados não encontrase devidamente demonstrada, ensejando o cerceamento do direito de defesa, razão porque excluo do lançamento os levantamentos 41 ao 56 e 62 por vício formal na constituição do lançamento, pela falta da devida indicação dos argumentos para extensão do arbitramento a totalidade de empregados. (...)" Assim, quanto à matéria, dou provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para declarar a nulidade por vício formal do lançamento no que diz respeito à tributação referente aos levantamentos 41 a 56 e 62. b) quanto à exclusão dos valores de remuneração dos empregados da empresa PL Contábil ( por não caracterização de subordinação jurídica): Entendo que, aqui, dependeria a correta aplicação da regra matriz de incidência em questão (art. 22, I da Lei no. 8.212, de 24 de junho de 1991) da caracterização (ainda que através de provas indiciárias) de subordinação jurídica dos empregados da empresa PL Contábil à autuada, de forma a que, uma vez comprovado o liame empregatício, se pudesse caracterizálos como empregados da autuada, dando azo à aplicação do art. 22, I da Lei no. 8.212, de 1991. Quanto a tal caracterização, acedo aqui ao mesmo posicionamento do voto vencido do recorrido, de efls. 7831, verbis: (..) Contudo, nesse ponto não concordo com a ilustre autoridade fiscal em determinar o vínculo dos empregados da empresa PL contábil a empresa TRANSMAGNA, pelo simples fato que não foi possível identificar subordinação jurídica dos empregados da PL com a empresa notificada. Analisei de forma detalhada a narrativa da autoridade fiscal, quanto ao patrimônio da empresa PL, porém faltou quanto a este ponto, identificar o direcionamento gerencial contínuo da empresa TRANSMAGNA em relação a empresa PL, posto tratarse de atividade meio, em sede diversa da empresa notificada, sem que restasse demonstrada a “confusão de prestação de serviços” tão bem demonstrada pelo auditor em relação a todas essas empresas fictícias de serviços de transporte. Dessa forma, entendo deva ser excluído do lançamento o levantamento referente aos empregados formalmente vinculados a empresa PL contábil. Fl. 8036DF CARF MF Processo nº 10920.003212/201009 Acórdão n.º 9202004.642 CSRFT2 Fl. 8.036 15 Verifico que, ainda que os indícios descritos pela autoridade fiscal em seu relatório de fls. 4750 e seguintes produzissem robusta prova indiciária no sentido de se tratar a PL contábil de empresa cujo patrimônio é de procedência duvidosa, tais indícios são insuficientes para que se possa estabelecer se tratarem os empregados daquela empresa, em realidade, de empregados da Transmagna Transportes Ltda. Ainda a propósito, mas agora contrariamente ao estabelecido naquele mesmo voto vencido, entendo que, em não havendo tal comprovação do requisito de subordinação jurídica (requisito necessário à caracterização de segurado empregado da autuado), nem mesmo através de provas indiciárias, restou desrespeitado, quanto aos valores de remuneração de empregados da PL contábil. o critério material da hipótese de incidência prevista no art. 22, I da Lei no. 8.212, de 1991, bem assim seu critério pessoal (uma vez que não demonstrado que o sujeito passivo aqui objeto de lançamento se revestia da qualidade de empregador), daí caracterizado, em meu entendimento, vício material no lançamento quanto a tais valores. Ou seja, a partir das considerações acima, julgo se estar, quanto aos valores de remuneração dos empregados da empresa PL Contábil, na seara de incorreção na norma introduzida, ou seja, na aplicação da regra matriz de incidência, uma vez que não se identifica, nos autos, elementos capazes de estabelecer a subordinação jurídica dos empregados daquela empresa à Transmagna Transportes Ltda., e, assim, me posiciono que houve, nos autos, quanto a tais valores, nulidade decorrente de vício de natureza material, acarretando a insubsistência (improcedência) do auto de infração. Diante do exposto, quanto a esta segunda matéria conhecida, me posiciono no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Conclusão: Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito, darlhe provimento parcial, para declarar a nulidade por vício formal do lançamento referente aos levantamentos 41 a 56 e 62 da NFLD em análise. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Concordando integralmente com o voto do ilustre relator, que ao meu ver, conseguiu de forma muito objetiva e eficiente destacar as diferenças entre vício material e vício Fl. 8037DF CARF MF Processo nº 10920.003212/201009 Acórdão n.º 9202004.642 CSRFT2 Fl. 8.037 16 formal, a presente declaração tem por objetivo, apenas, esclarecer minha mudança de posicionamento quando a ter excluído no acórdão recorrido o levantamento "PL Consultoria" por vício formal e, agora, ter concordado com a aplicação da tese de tratarse de vício material. Na verdade meu posicionamento acerca do que entendo ser vício formal ou material mantémse o mesmo, qual seja, entendo que a falta da descrição pormenorizada no relatório fiscal levaria a anulação da NFLD por vício formal, por se tratar do não preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo, conforme destaco abaixo em trecho já presente no meu voto vencido do acórdão recorrido: No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. Como exemplo nas contribuições previdenciárias: se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas com as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no pressupostos de fato e de direito. Agora, se houve lançamento como empregado, mas o relatório fiscal falhou na caracterização; entendo que haveria falha na motivação; devendo o lançamento ser anulado por vício formal. A autoridade julgadora deverá analisar a observância dos requisitos formais do lançamento, previstos no art. 37 da Lei n ° 8.212. Nessa concepção, no eu entender, o vício material confundise com o próprio provimento do recurso, posto que a fiscalização, com as informações constantes do autos não conseguiu provar a ocorrência do fato gerador, ou seja, no caso concreto não foram apresentados elementos suficientes para determinar a vinculação dos empregados da PL com a empresa Transmagna, razão pela qual deve ser anulado esse ponto por vício material, como encaminhou o relator. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Viera Fl. 8038DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.000696/2003-84
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social é de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento, na forma do artigo 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 9303-004.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SERVIÇO DE NAVEGAÇÃO DA BACIA DO PRATA S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social é de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento, na forma do artigo 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 06 96 /2 00 3- 84 Fl. 561DF CARF MF 2 Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional em face do Acórdão n.º 340200.554, referente aos Embargos de Declaração que reconheceu a decadência do direito a constituição do crédito tributário, relativo a PIS/PASEP (janeiro e fevereiro 1998), na forma do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. O colegiado entendeu que o prazo de que dispõe a Fazenda Pública para constituir o crédito tributário é de 5 anos, a contar da data do fato gerador. Dessa maneira, considerando que o contribuinte foi notificado do lançamento em 31/03/2003, estaria consumada a decadência em relação ao período referente a janeiro e fevereiro de 1998. Em sua peça Recursal alega que o pressuposto primordial para a aplicação da regra de decadência constante do art. 150, §4°, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN, é o pagamento antecipado parcial do tributo exigido, e que, diante da inexistência de qualquer pagamento, o prazo decadencial para a cobrança dos tributos sujeitos a lançamento por homologação é aquele constante do art. 173, I, do CTN, nos exatos termos do decidido no RESP 973.733 SC. Salienta que, no caso dos autos, somente há noticias que de recolhimentos parciais entre julho de 2001 a setembro de 2002, o que resultaria na aplicação da regra do artigo 173, I para as demais competências. O Contribuinte não efetuou qualquer antecipação de pagamento das contribuições relativas ao períodos de janeiro e fevereiro de 1998, razão pela qual a regra a ser utilizada para a contagem do prazo decadencial é a constante do artigo 173, I, do CTN, e não a do artigo 150, §4°, do mesmo diploma legal. O sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 542 Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10140.000696/200384 Acórdão n.º 9303004.253 CSRFT3 Fl. 565 3 É o relatório. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Depreendendose da análise do Recurso interposto pela Fazenda Nacional é de se conhecêlo, o que concordo com o entendimento manifestado em Despacho de Admissibilidade de fls. 533. Passo a analisar a questão trazida em recurso, qual seja, analisar se o termo inicial dos 5 anos previstos no CTN considera a da data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, § 4º ou o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I. Para a solução da presente lide, merece ser colacionada a jurisprudência do STJ no REsp 879.058/PR (DJ 22.02.2007, 1ª Turma): "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º).PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. omissis Fl. 563DF CARF MF 4 2. omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." Mais uma vez a 1ª Turma do STJ pronunciouse sobre o tema: “EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10140.000696/200384 Acórdão n.º 9303004.253 CSRFT3 Fl. 566 5 (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplicase também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp nº 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa” e "operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar Fl. 565DF CARF MF 6 do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, tratase de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); I Nas demais situações: a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Vêse, então, que essa discussão não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. Destarte, se o STJ decidiu que o pagamento antecipado ou declaração de débito são relevantes para caracterizar o lançamento por homologação, importante discorrer se no presente caso ocorreu efetivamente o pagamento ou a declaração do tributo em discussão. Sendo assim, depreendendose da análise dos autos, foi lavrado Auto de Infração para a exigência da PIS referente período de fevereiro/1998 a dezembro/2002. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10140.000696/200384 Acórdão n.º 9303004.253 CSRFT3 Fl. 567 7 Após diligencia realizada (fls.489), foi constatado que a partir da folha 151 e até a folha 165 juntou a autoridade fiscal extratos do sistema gerencial que controla os valores declarados em DCTF. Tais documentos dão a entender que não teria sido confessado nenhum valor a titulo de PIS nos de janeiro e fevereiro de 1998. Em vista de todo o exposto, como não houve pagamento ou declaração é de se aplicar para fins de contagem do prazo decadencial para a autoridade efetuar o lançamento a regra preceituada no art. 173, I, do CTN. Considerando todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo os meses de janeiro e fevereiro de 1998. É como voto. Érika Costa Camargos Autran Relatora Fl. 567DF CARF MF
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