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6143345 #
Numero do processo: 19679.007751/2004-44
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/1994 a 28/02/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, assim considerada a data do pagamento do tributo. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso do lançamento por homologação, a data do pagamento do tributo é o termo inicial para a contagem do prazo em que se extingue o direito de requerer a restituição. PASEP. PRAZO DE PAGAMENTO. O art. 14 do Decreto nº 71.618/72 não dispõe sobre a base de cálculo, mas sim sobre o prazo de pagamento. Desde a edição da Lei n.° 7.691, em 15/12/88, o prazo para pagamento deixou de ser o de seis meses, contados do fato gerador. COMPENSAÇÃO, OBRIGATORIEDADE DE DECLARAÇÃO. O parágrafo primeiro do art. 74 da lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.637/2002, é expresso ao afirmar que a compensação de tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal deve ser efetuada mediante entrega de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e respectivos débitos compensados. Tal obrigatoriedade persiste mesmo se o débito e o crédito objeto da compensação se referirem a um mesmo tributo ou contribuição, conforme frisava a IN SRF 210/2002 em seu artigo 21, parágrafo 6º, incluído pela IN SRF 323/2003.
Numero da decisão: 2102-000.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Josefa Maria Coelho Marques (Presidente), Maurício Taveira e Silva, Walber José da Silva, Fabíola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo d’Eça (Relator), José Antonio Francisco, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19679.007751/2004­44  Acórdão n.º 2102­000.118  S2­C1T2  Fl. 150          2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da  Segunda Seção do CARF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator ad hoc.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros:  Josefa Maria Coelho  Marques  (Presidente),  Maurício  Taveira  e  Silva,  Walber  José  da  Silva,  Fabíola  Cassiano  Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo d’Eça (Relator), José Antonio Francisco, Alexandre  Gomes e Gileno Gurjão Barreto.  Relatório  Na  condição  de  relator  ad  hoc  neste  processo,  reproduzo  o  relatório  elaborado pela DRJ São Paulo I/SP, que muito bem descreve os fatos controvertidos nos autos:  Trata­se de pedido de restituição protocolizado pelo Governo do  Estado  de  SP  em  31/05/2004  no  qual  solicita  a  restituição  de  valores  de  PASEP  recolhidos  entre  21/06/94  e  15/04/96,  períodos  de  apuração ocorridos  entre  05/94  e 02/96,  conforme  planilha  anexa  de  fl.  09  e  cópias  de DARF  às  fls.  11­32,  que,  segundo alegação, foram pagos a maior na forma dos decretos­ leis  (DL)  2.445  e  2.449/88.  Nesse  pedido  solicitou  ainda  compensação com parcelas vincendas da mesma contribuição.  2.  Mediante  Despacho  Decisório  de  fls.  75­78,  a  Diort  da  Derat/SP  indeferiu  a  restituição  pleiteada  por  constatar  que  o  direito  de  pleitear  a  restituição  dos  aludidos  pagamentos  foi  atingido pela decadência conforme artigos 156, 1, 165 e 168, 1  do CTN, artigo 1° da LC 118/2005 e AD SRF 96/99, vez que a  protocolização  do  pedido  somente  ocorreu  em  31/05/2004.  A  Diort  constatou  ainda  que  até  aquela  data  não  constava  no  sistema  PER/DCOMP  nenhum  pedido  de  compensação  eletrônico referente à restituição em tela.  3. Inconformada com o referido Despacho Decisório, do qual foi  regularmente cientificada em 21/05/2007 (AR às fls. 79, verso), a  empresa  protocolizou  em  19/06/2007  a  manifestação  de  inconformidade  de  fls.  80­108,  na  qual  deduz  as  alegações  a  seguir resumidamente discriminadas:  3.1..  Pede  a  reforma  da  decisão  já  que  em  desacordo  com  a  melhor doutrina e jurisprudência dos Tribunais Superiores, pois  o  Pasep  é  urna  contribuição  sujeita  ao  lançamento  por  Fl. 150DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19679.007751/2004­44  Acórdão n.º 2102­000.118  S2­C1T2  Fl. 151          3 homologação.  Apesar  do  pedido  de  compensação  ter  sido  afastado por ocorrência do prazo decadencial de cinco anos, o  STJ interpreta o art.150 do CTN de forma diversa, considerando  como termo inicial para contagem do prazo decadencial a data  do término do prazo previsto nesse art.150 para homologação do  pagamento  antecipado  realizado  pela  requerente.  Colaciona  jurisprudência  do  STJ  a  embasar  sua  tese.  Conclui  que  seu  pedido de compensação não foi atingido pela decadência,  3.2.  Argumenta  que  o  art.3º  da  LC  118/2005  não  pode  ser  considerado  interpretativo  pois  inovou  no  plano  normativo,  negando­lhe  a  aplicação  retroativa  prevista  no  art..  106,  1  do  CTN.  Expõe  .jurisprudência  a  embasar  sua  tese.  Conclui  ser  inadequada  a  aplicação  do  art.  3.°  da  LC  118/2005,  pois  o  pedido  foi  protocolizado  em  31/05/2004,  anteriormente  à  vigência  dessa  LC,  e  essa  não  pode  retroagir  para  alcançar  o  pedido de compensação,  3.3.  Explica  que,  de  acordo  com  o  Decreto  71.618/72,  que  regulamentou  a  LC  8/70,  o  Pasep  era  calculado  com  base  na  receita e transferências apuradas no sexto mês anterior; porém,  quando  da  edição  dos  DL  2.445  e  2.449/88,  a  manifestante  passou a apurar o Pasep com base em receitas e transferências  do  próprio  mês,  deixando  de  observar  o  contido  no  referido  decreto..  Porém,  segue  a  manifestante,  no  julgamento  do  RE  148,754/RJ  tal  alteração  foi  considerada  inconstitucional,  conforme ementa que  transcreve. Expõe que a Resolução 49/95  do  Senado,  por  sua  vez,  suspendeu  a  execução  dos  DL,  conferindo,  assim,  um  efeito  erga  oinnes  à  decisão  do  STF.  Conclui  que  o  Pasep  devido  é  aquele  estipulado  pelo  Decreto  71.618/72,  ou  seja,  com  base  nas  receitas  e  transferências  apuradas  no  sexto  mês  anterior,  sendo  tal  norma  válida  até  02/96,  quando  a  MP  1,212/95  passou  a  produzir  efeitos.  Transcreve  decisões  do  Conselho  de  Contribuintes  e  jurisprudência no mesmo sentido.  3.4. Afirma que os valores recolhidos  indevidamente podem ser  compensados com parcelas vincendas da mesma contribuição a  teor  do  art.66  da  Lei  8.383/91,  que  autorizou  a  compensação  com  tributos  vencidos  e  vincendos  de  mesma  espécie  e  destinação  constitucional,  independente  de  requerimento.  Prossegue  dizendo  que  o  direito  à  compensação  foi  ampliado  pelos  artigos  73  e  74  da  Lei  9..430/96,  autorizando­se  a  compensação,  mediante  requerimento,  com  quaisquer  outros  tributos administrados pela Receita Federal. Portanto, aduz que  possui direito de compensar os aludidos valores com tributos de  mesma espécie independentemente de requerimento, por força do  art,66  da  Lei  8.383/91,  bem  como  direito  à  compensação  com  outros  tributos  administrados  pela  RFB,  por  força  da  Lei  9.430/96, Decreto  2.138/97  e  instruções  normativas  da Receita  Federal.  3.5.  Alerta  que  os  valores  a  restituir  devem  ser  corrigidos  monetariamente pelos índices de inflação, sem qualquer expurgo  Fl. 151DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19679.007751/2004­44  Acórdão n.º 2102­000.118  S2­C1T2  Fl. 152          4 decorrente de planos de  estabilização,  conforme  jurisprudência  que colaciona, e pela Selic.  3.6,  Pelo  exposto  requer  o  acolhimento  de  seu  pedido,  reconhecendo­se  o  direito  à  restituição  sob  a  forma  de  compensação com parcelas vincendas da mesma contribuição.  A decisão da DRJ São Paulo I/SP que indeferiu a solicitação restou ementada  da seguinte forma:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período de apuração: 01/05/1994 a 28/02/1996  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DECADÊNCIA.  O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de  tributo ou  contribuição pago  indevidamente ou em valor maior  que  o  devido,  inclusive  na  hipótese  de  o  pagamento  ter  sido  efetuado  com  base  em  lei  posteriormente  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  em  ação  declaratória  ou  em  recurso  extraordinário,  extingue­se  após  o  transcurso  do  prazo  de  5  (cinco)  anos,  contado  da  data  da  extinção  do  crédito  tributário,  assim  considerada  a  data  do  pagamento do tributo.  LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  No caso do lançamento por homologação, a data do pagamento  do tributo é o termo inicial para a contagem do prazo em que se  extingue o direito de requerer a restituição.  PASEP. PRAZO DE PAGAMENTO.  O art.  14 do Decreto nº 71.618/72 não dispõe  sobre a base de  cálculo, mas sim sobre o prazo de pagamento. Desde a edição da  Lei n.° 7.691, em 15/12/88, o prazo para pagamento deixou de  ser o de seis meses, contados do fato gerador.  COMPENSAÇÃO, OBRIGATORIEDADE DE DECLARAÇÃO.  O parágrafo primeiro do art. 74 da lei 9.430/96, com a redação  dada  pela  Lei  10.637/2002,  é  expresso  ao  afirmar  que  a  compensação  de  tributos  ou  contribuições  administrados  pela  Receita  Federal  deve  ser  efetuada  mediante  entrega  de  declaração na qual constarão informações relativas aos créditos  utilizados  e  respectivos  débitos  compensados.  Tal  obrigatoriedade persiste mesmo se o débito e o crédito objeto da  compensação se referirem a um mesmo tributo ou contribuição,  conforme  frisava  a  IN  SRF  210/2002  em  seu  artigo  21,  parágrafo 6º, incluído pela IN SRF 323/2003.  Solicitação Indeferida  Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou  seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa.  Fl. 152DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19679.007751/2004­44  Acórdão n.º 2102­000.118  S2­C1T2  Fl. 153          5 É o relatório.  Voto             Conselheiro Hélcio Lafetá Reis ­ Relator ad hoc  Considerando  o  teor  da  decisão  final  da  turma  julgadora  constante  da  ata,  encaminho  o  presente  voto,  na  condição  de  relator  ad  hoc,  no mesmo  sentido  da  DRJ  São  Paulo  I/SP,  dispensando­se  a  reprodução,  neste  voto,  do  inteiro  teor  do  voto  condutor  do  acórdão recorrido presente às fls. 116 a 129.  Dessa forma, vota­se por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.  É o voto.  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator ad hoc                              Fl. 153DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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6262678 #
Numero do processo: 10120.912635/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. Reputa-se válido o pedido de compensação quando a alegação de existência de crédito, decorrente de duplicidade de pagamento, resta comprovada. PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL. MERO ERRO MATERIAL NÃO É SUFICIENTE PARA LEGITIMAR A EXAÇÃO. Considerando o poder-dever de agir da Administração Pública, em busca da verdade real, como ampliação do princípio da verdade material que norteia o processo administrativo, as alegações de mero erro material nas declarações fornecidas pelo contribuinte devem ser objeto de devida averiguação, a fim de que seja avaliada a sua veracidade Os registros contábeis do contribuinte, bem como a sua DIPJ, confirmam que os lançamentos efetuados pela fiscalização não encontram suporte, comprovando-se, assim, a tese do mero erro formal.
Numero da decisão: 1301-001.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães- Presidente. (documento assinado digitalmente) RELATOR - Relator. EDITADO EM: 27/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO

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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. Reputa-se válido o pedido de compensação quando a alegação de existência de crédito, decorrente de duplicidade de pagamento, resta comprovada. PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL. MERO ERRO MATERIAL NÃO É SUFICIENTE PARA LEGITIMAR A EXAÇÃO. Considerando o poder-dever de agir da Administração Pública, em busca da verdade real, como ampliação do princípio da verdade material que norteia o processo administrativo, as alegações de mero erro material nas declarações fornecidas pelo contribuinte devem ser objeto de devida averiguação, a fim de que seja avaliada a sua veracidade Os registros contábeis do contribuinte, bem como a sua DIPJ, confirmam que os lançamentos efetuados pela fiscalização não encontram suporte, comprovando-se, assim, a tese do mero erro formal.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES     2 (documento assinado digitalmente)  RELATOR ­ Relator.    EDITADO EM: 27/01/2016  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho  Machado  (suplente  convocado),  Hélio  Eduardo  de  Paiva  Araújo,  Paulo  Jakson  da  Silva,  Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.  Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10120.912635/2009­95  Acórdão n.º 1301­001.876  S1­C3T1  Fl. 151          3 Relatório  EMSA  EMPRESA  SUL  AMERICANA  DE  MONTAGENS  S/A,  já  qualificada  nos  autos,  recorre  da  decisão  proferida  pela  2a  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) ­ DRJ/BSB, que, por unanimidade de votos,  considerou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade mantendo  o  despacho  decisório  que  não  homologou  a  compensação  pleiteada  pelo  contribuinte,  sob  o  argumento  de  que  o  direito creditório alegado não existia.  Consta da decisão recorrida o seguinte relato, do qual ora me valho:  Trata  o  presente  processo  da  Declaração  de  Compensação  nº  22544.24578.290709.1.7.04­0330,  apresentada  pelo  contribuinte  em  epígrafe  por  meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração  de Compensação  ­  PER/DCOMP,  pela  qual  pretende  o  reconhecimento  do  direito  creditório  representado  por  pagamento  indevido  ou  a  maior,  decorrente  de  recolhimento de DARF relativo a lançamento de ofício de CSLL (código de receita  2973),  para  utilização  na quitação  de  débito  tributário  relativo  a  IRPJ,  período  de  apuração 4º trimestre de 2008, no valor total de R$ 273.014,93.  No  despacho  decisório  eletrônico,  emitido  em  07/10/2009,  a  autoridade  tributária não homologou a compensação declarada, sob a alegação de inexistência  do crédito, uma vez que o recolhimento por meio de DARF referente a lançamento  de  ofício  no  montante  total  de  R$  1.737.285,26  e  data  de  arrecadação  em  13/04/2005,  o  qual  informou  o  contribuinte  ser  a  origem  do  crédito  de  R$  1.063.377,54, em razão de pagamento a maior ou indevido, já estaria integralmente  alocado para quitar débito referente ao processo nº 10120.008406/2003­89, o qual,  aliás, é o mesmo a que se refere o contribuinte na DCOMP como origem do crédito  (fl. 19 ­ numeração digital).  Cientificada  da  decisão  administrativa  em  20/10/2009,  a  interessada  apresentou  a manifestação  de  inconformidade  em  10/11/2009. Nesta,  alega  que  o  despacho decisório desconsiderou o pagamento realizado pela manifestante relativo  ao  processo  sob  o  n°  10120.000093/2005­82,  que  contemplava,  entre  outros,  os  valores  devidos  a  título  de  CSLL,  relativos  às  competências  de  março,  junho  e  setembro de 2003, quitados, também, no processo de n° 10120.008406/2003­89.  Nesse  sentido,  alega  que,  premida  pela  constante  necessidade  de  deter  documento comprobatório de sua regularidade fiscal plena junto à RFB, e diante de  indevido  apontamento  de  débito  que  estava  a  obstar  seu  acesso  à  competente  Certidão  de  Quitação  de  Tributos  e  Contribuições  Federais,  não  teve  outra  alternativa  senão  efetuar  o  pagamento  integral  dos  débitos  objeto  dos  processos  administrativos  n°  10120.008406/2003­89  e  10120.000093/2005­82,  no  seu  entendimento, em duplicidade.  Como comprovação de suas alegações, o contribuinte anexa, às fls. 29 e 31,  respectivamente,  um  DARF  com  período  de  apuração  em  08/08/1980,  código  de  receita 2973, vencimento em 13/04/2005, valor principal de R$ 1.279.986,89, juros  de  R$  457.298,37  e  total  de  R$  1.737.285,26,  relativo  ao  processo  nº  10120.008406/2003­89,  e  outro  DARF  com  período  de  apuração  em  08/08/1980,  código  de  receita  2484,  vencimento  em  13/04/2005,  valor  de  principal  de  R$  Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES     4 2.562.876,76,  juros  de  R$  753.030,72  e  total  de  R$  3.315.907,48,  relativo  ao  processo  nº  10120.000093/2005­82.  Demais  disso,  anexa  extratos  relativos  aos  referidos processos.  Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade interposta,  com  conseqüente  cancelamento  da  exigência  do  débito  decorrente  da  decisão  administrativa questionada.  A  2ª  Turma  da  DRJ/BSB,  analisou  os  argumentos  apresentados  pela  impugnante  proferindo  decisão  para  julgar  improcedente  a  dita manifestação,  nos  termos  da  ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO ­ CSLL  Data do fato gerador: 13/04/2005  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO.  Reputa­se  válido  o  despacho  decisório  denegatório  de  compensação  quando  a  alegação  de  existência  de  crédito,  decorrente de duplicidade de pagamento, não resta comprovada.  A  ora  recorrente,  devidamente  cientificada  do  acórdão  recorrido,  apresenta  recurso  voluntário  tempestivo,  onde  repisa  os  argumentos  apresentados  em  sede  de  manifestação de inconformidade, os quais, em resumo, podem ser assim sintetizados:  ­  que  o  simples  exame  dos  documentos  anexados  à  Manifestação  de  inconformidade apresentada evidencia que os valores lançados em sede do Processo Tributário  Administrativo nº 10120.000093/2005­82, em razão da não quitação de débitos declarados em  DCTF,  o  foram  em  bis  in  idem,  eis  que  foram  lançados  sem  que  fossem  considerados  ou  levados em conta aqueles valores lançados de ofício, cobrados em sede do Processo Tributário  Administrativo nº 10120.008406/2003­89, relativos à mesma exação e à mesma competência;  ­  que  a  Recorrente,  na  qualidade  de  associada  da  Associação  Goiana  de  Empreiteiros  ­  AGE,  possuía,  até  março  de  2005,  decisão  judicial  favorável  à  mesma,  no  sentido  de  que  seria  indevida  a  cobrança  da CSLL,  não  tendo  a  recorrida  procedido  com  o  recolhimento  da  referida  exação  em  razão  da  existência  de  decisão  judicial  favorável  neste  sentido;  ­ que no final de 2004 contra a recorrente fora lavrado auto de infração, em  sede do qual, se exigia o pagamento, dentro outros tributos, da CSLL relativa aos três primeiros  trimestres de 2003 (muito provavelmente tais lançamentos se deram com o fim de prevenir que  decaísse o direito da fazenda de lançar tais valores, uma vez que por força de decisão judicial  os mesmos não constavam das declarações apresentadas pelo contribuinte à fiscalização);  ­  após  o  transito  em  julgado  da  ação  judicial  em  que  se  discutia  a  CSLL,  apresentou a ora recorrente DCTF retificadora, por meio da qual a mesma declarava a apuração  da CSLL nos meses em questão (março, junho e setembro de 2003), sem, contudo proceder a  mesma com o desconto daqueles valores que já haviam sido lançados de ofício;  ­  em  função  da  apresentação  da  referida  DCTF  retificadora,  procedeu  a  fiscalização com novo  lançamento de ofício  (sobre o mesmo período de  apuração),  uma vez  que a referida retificação não foi acompanhada dos correspondentes recolhimentos dos tributos  via DARF;  Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10120.912635/2009­95  Acórdão n.º 1301­001.876  S1­C3T1  Fl. 152          5 ­ ou seja, pode­se concluir que ambos lançamentos de ofícios (seja o oriundo  de  fiscalização  própria,  como  àquele que  se  seguiu  à  apresentação  de DCTF  retificadora)  se  referem  ao mesmo período  de  apuração  da CSLL,  não  havendo que  se  falar  em  lançamento  complementar, mas sim de clássico caso de duplicidade;  ­ pugna pela aplicação do princípio da verdade material, para que não se crie  verdade meramente processual, a qual estaria totalmente desassociada da verdade ocorrido no  mundo dos fatos. A fim de comprovar a alegação de duplicidade, junta aos autos cópia da DIPJ  do período em questão para que se chega à conclusão de que os valores  lançados através do  processo  de  nº  10120.000093/2005­82,  não  levaram  em  consideração  os  valores  que  já  lançados por força do outro processo, este de nº 10120.008406/2003­89; uma vez que ambos se  referem ao mesmo tributo (CSLL) e períodos de apuração; e  ­  que  a divergência nominal dentre os valores devidos  à  título de CSLL  se  deu em  função da  correção dos mesmos do ano de 2003 para o  ano de  2005,  ressaltando­se  ainda que parte do crédito total existente, no valor de R$ 1.617.716,25, devidamente corrigido,  foi utilizado para compensar outros créditos tributários, remanescendo, no entanto, em favor da  contribuinte  direito  creditório  residual  no  valor  de  R$  348.873,81,  o  qual,  é  mais  do  que  suficiente para que se homologue as compensações pleiteadas.  Por  fim  pede  que  o  recurso  seja  conhecido  e  provido  para  os  efeitos  de  reformar  o  r.  acórdão  recorrido,  declarando­se  assim  extinta  a  obrigação  tributária  que  se  pretendia ver compensada via PER/Dcomp, relativa a exação IRPJ, relativa ao 4º trimestre de  2008, no valor de R$ 273.014,93, tendo em vista o recolhimento indevido efetuado, o qual fora  devidamente  comprovado  através  de  DARF  e  demais  documentos  que  fazem  parte  deste  processo.  É o relatório.  Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES     6 Voto             Conselheiro Relator  A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BSB e intimada ao  recolhimento dos débitos, cuja compensação manteve­se não homologada, em 09/12/2011 (fls.  64/67), e apresentou em 09/01/2012, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls.  69/146.   Uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº  70.235/72, e sendo o mesmo tempestivo, dele conheço.  A  questão  aqui  posta  para  análise  refere­se  à  processo  da  Declaração  de  Compensação nº 22544.24578.290709.1.7.04­0330, apresentada pelo contribuinte em epígrafe  por meio  do  Programa  Pedido  Eletrônico  de Ressarcimento  ou  Restituição  e  Declaração  de  Compensação  ­  PER/DCOMP,  pela  qual  pretende  o  reconhecimento  do  direito  creditório  representado  por  pagamento  indevido  ou  a  maior,  decorrente  de  recolhimento  de  DARF  relativo a lançamento de ofício de CSLL (código de receita 2973), para utilização na quitação  de débito tributário relativo a IRPJ, período de apuração 4º trimestre de 2008, no valor total de  R$ 273.014,93.  Há que se ressaltar que me parece, pela análise dos documentos juntados aos  autos deste processo, que trata­se de situação clara de pagamento em duplicidade, não havendo,  no meu entendimento, qualquer possibilidade de se adotar  interpretação no sentido de que se  está diante de lançamentos de ofício complementares.  Ouso dizer que o contribuinte, agindo de boa­fé, relança aquilo que já havia  sido lançado de ofício pela fiscalização, através de entrega de DCTF retificadora, sem contudo,  deduzir  da  referida  retificação  aquilo  que  já  havia  sido  objeto  de  lançamento  de  ofício  originário. Digo de boa­fé, porque  improvável que o  fisco procedesse  com nova  fiscalização  sobre a mesma competência a fim de complementar lançamento de ofício já realizado. Ou seja,  o  contribuinte,  ao  retificar  a  suas  DCTFs,  as  quais  já  haviam  sido  objeto  de  fiscalização  e  conseqüente  lançamento  de  ofício,  assim  o  faz  em  total  boa­fé,  haja  vista  que  tais  competências, como já dito, encontravam­se devidamente fiscalizadas e lançadas.  Ao  se  proceder  com  o  cotejo  entre  DCTF  retificadora  e  DIPJ  do  ano­ calendário  de  2003,  constata­se  que  os  valores  declarados  em  sede  de  DCTF  retificadora,  objeto  do  processo  nº  10120.000093/2005­82,  encontram­se  devidamente  declarados  na  apuração da CSLL trimestral do contribuinte, a saber: R$ 749.945,42, relativo à março/03, R$  836.011,87, relativo à junho/03 e R$ 506.477,53, relativo à setembro/03.  Assim,  entendo que os valores originalmente  lançados no bojo do processo  de nº 10120.008406/2003­89, quais sejam, R$ 175.821,42, relativo à março/03, R$ 238.840,47,  relativo  à  junho/03  e  R$  484.584,47,  relativo  à  setembro/03,  podem  ser  considerados  como  tendo sido feitos em duplicidade, uma vez que estas mesmas competências foram retificadas e  substituídas  por  nova  confissão  de  dívida,  e,  por  força  desta  confissão,  novo  lançamento  de  ofício.  A  tese  de  lançamento  complementar  defendida  pelo  órgão  a  quo  não  me  parece se sustentar, uma vez que não há nada na documentação contábil­fiscal apresentada pelo  Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10120.912635/2009­95  Acórdão n.º 1301­001.876  S1­C3T1  Fl. 153          7 contribuinte que confirme tal fato. Ademais, ainda que fartamente alegada pela contribuinte a  tese  da  duplicidade,  não  procedeu  a  fiscalização  com  nenhuma  diligência  no  sentido  de  se  buscar a correta apuração da base de cálculo da CSLL devida nos três primeiros trimestres de  2003. Ou seja, ainda que seja alegada pela fiscalização a tese de que se tratam de lançamentos  de ofício complementares, não há nos autos qualquer comprovação que sustente tal assertiva,  razão pela qual não a entendo como sendo plausível.  A  fundamentação  adotada  pela DRJ/BSB  está  alicerçada  na  tese  de  que  os  débitos são independentes, uma vez que um refere­se a exação CSLL (código de receita 2372)  enquanto o outro refere­se a CSLL Estimativa (código de receita 2484), sendo que o primeiro  foi  oriundo de  ação  fiscal,  enquanto o  segundo de não quitação de débitos declarados  e não  pagos,  conforme  se  depreende  do  excerto  abaixo,  o  qual  fora  extraído  do  voto  contido  no  acórdão a quo, in verbis:  Compulsando­se  os  autos,  verifica­se  que,  no  processo  n°  10120.008406/2003­89,  do  qual  se  originou  o  DARF  de  recolhimento  de  débitos  utilizado para efetivar a compensação declarada, foram lançados de ofício débitos a  título  da  exação  de  CSLL  nos  valores  de  R$  380.740,53,  com  vencimento  em  28/03/2002; R$ 175.821,42, com vencimento em 30/04/2003; R$ 238.840,47, com  vencimento  em  31/07/2003  e  R$  484.584,47,  com  vencimento  em  31/10/2003,  referentes aos períodos de apuração de dezembro de 2001, março de 2003, junho de  2003 e setembro de 2003, respectivamente (fl. 30).  Já  os  valores  objeto  do  processo  nº  10120.000093/2005­82  correspondem  a  débitos  de  estimativa  de  CSLL  (código  de  receita  2484)  nos  montantes  de  R$  53.820,10,  com  vencimento  em  30/11/2001;  R$  19.962,70,  com  vencimento  em  28/12/2001; R$ 123.009,75, com vencimento em 30/04/2002; R$ 749.945,42, com  vencimento  em  30/04/2003;  R$  836.011,87,  com  vencimento  em  31/07/2003;  R$  506.477,53,  com vencimento  em 31/10/2003, R$ 123.009,75,  com vencimento em  30/01/2004; e R$ 150.639,64, com vencimento em 29/09/2004.  Como  já  exposto,  a  manifestante  alega  que  os  valores  devidos  a  título  de  CSLL,  relativos  às  competências  de  março,  junho  e  setembro  de  2003,  foram  exigidos  em  duplicidade  nos  processos  nº  10120.000093/2005­82  e  nº  10120.008406/2003­89.  No  entanto,  consoante  fls.  36  a  40,  foram  declarados  em DCTF  débitos  de  CSLL  (código  2372)  de  R$  749.945,42,  R$  836.011,87  e  R$  506.477,53,  nos  períodos de apuração de 03/2003, 06/2003 e 09/2003, respectivamente.  Do  exposto,  conclui­se,  portanto,  que,  tendo  em  vista  a  não  quitação  dos  débitos declarados em DCTF, o fisco passou à cobrança dos valores ali confessados,  os  quais  foram  controlados  por  meio  do  processo  nº  10120.000093/2005­82  e  quitados por meio do DARF à fl 31.  Além  disso,  em  ação  fiscal,  foi  lavrado  auto  de  infração  que  resultou  no  lançamento de ofício dos valores constantes do processo nº 10120.008406/2003­89,  o qual  foi quitado mediante o DARF acostado à  fl. 29. Tal  fato  resta evidente em  vista do código de receita apresentado (2973) e da origem do débito identificada no  extrato  do  referido  processo  como  sendo  auto  de  infração,  cientificado  ao  contribuinte em 24/12/2003 (fl. 30).  Não me parece minimamente razoável a tese defendida pelo DRJ/BSB, uma  vez  que  se  trata  do  mesmo  tributo,  mesmo  sujeito  passivo  e  mesmas  competências,  quais  Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES     8 sejam, março, junho e setembro de 2003. Ainda que um auto se refira à CSLL, enquanto outro  à CSLL Estimativa, a DIPJ do contribuinte traz como CSLL devida para as competências em  questão apenas o valor declarado em DCTF pelo contribuinte, e não a soma destes dois valores.  Ademais,  se a DIPJ do contribuinte não pudesse  servir de base para o cotejo que ora se  faz,  necessário que  se  instaurasse  fiscalização de ofício do  IRPJ, uma vez que  ambos os  tributos  IRPJ  e  CSLL  partem  de  bases  de  cálculo  muito  semelhantes.  Assim,  se  houvesse  real  necessidade  de  se  proceder  com  lançamento  complementar  a  título  de  CSLL,  conseqüência  lógica  seria  que  a  fiscalização  tivesse  procedido  com  ação  fiscal  no  sentido  de  também  se  lançar a diferença de IRPJ, o que não foi feito ou mesmo alegado.  Portanto,  me  parece  claro  que  se  está  diante  de  erro  material  no  preenchimento da declaração e no cumprimento de obrigações acessórias, não sendo verossímil  a tese defendida pela DRJ/BSB de lançamento complementar.  Assim,  diante  de  todo  o  acima  exposto,  e  principalmente  com  base  nos  valores  declarados  pelo  contribuinte  em DIPJ,  voto  no  sentido  de DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário,  a  fim  de  homologar  as  compensações  pleiteadas  até  o  limite  do  direito  creditório alegado.    Sala de sessões, 19 de janeiro de 2016.    (documento assinado digitalmente)  Relator ­ Relator                              Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES

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Numero do processo: 18186.000156/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A protocolização de Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo pelo Recorrente implica o não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em virtude da perda do seu objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do Recurso Voluntário pela perda do objeto, frente à desistência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator EDITADO EM: 28/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1655; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 2.757          1 2.756  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18186.000156/2007­18  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2302­003.690  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de março de 2015  Matéria  Remuneração de Segurados: Parcelas em Folha de Pagamento  Recorrente  ROSSETTI CONSULTORIA DE MARKETING LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2006  RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.  A  protocolização  de  Termo  de  Desistência  de  Impugnação  ou  Recurso  Administrativo  pelo  Recorrente  implica  o  não  conhecimento  do  Recurso  Voluntário interposto, em virtude da perda do seu objeto.  Recurso Voluntário Não Conhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos  em  não  conhecer  do  Recurso  Voluntário  pela  perda  do  objeto,  frente  à  desistência,  nos  termos  do  relatório e voto que integram o presente julgado.      (Assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício        (Assinado digitalmente)  André Luís Mársico Lombardi, Relator     EDITADO EM: 28/07/2015     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 01 56 /2 00 7- 18 Fl. 2757DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI     2   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Liége  Lacroix  Thomasi  (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes  (Vice­presidente), Arlindo da Costa  e  Silva,  Juliana  Campos  de  Carvalho  Cruz,  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa  e  André  Luís  Mársico Lombardi.    Fl. 2758DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 18186.000156/2007­18  Acórdão n.º 2302­003.690  S2­C3T2  Fl. 2.758          3     Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância  que julgou procedente em parte a impugnação da recorrente, alterando o valor do lançamento  originário de R$ 635.945,62  para R$ 309.994,35,  conforme demonstrado  no  anexo DADR  ­ Discriminativo Analítico do Débito Retificado (fls. 1.328/1.338).  Adotamos  trecho  do  relatório  do  acórdão  do  órgão  a  quo  (fls.  2.680  e  seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos:  Trata­se  de  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  ­  NFLD  DEBCAD  n°  37.086.072­7,  lançada  pela  Fiscalização  contra  a  empresa em epígrafe, de contribuições destinadas à Seguridade Social,  correspondentes  à  parte  da  empresa,  financiamento  dos  benefícios  concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  (RAT),  e  as  destinadas  aos Terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC e SEBRAE).  O montante  lançado originalmente,  incluindo  juros e multa,  foi de R$  991.450,39 (novecentos e noventa e um mil e quatrocentos e cinqüenta  reais  e  trinta  e  nove  centavos),  abrangendo  o  período  de  06/2003  a  06/2004,  08/2004  a  06/2005,  c  09/2005  a  12/2006,  consolidado  em  24/04/2007.O montante lançado originalmente, incluindo juros e multa,  foi  de  R$  490.519,52  (quatrocentos  e  noventa  mil  e  quinhentos  e  dezenove reais e cinqüenta e dois centavos), abrangendo o período de  06/2003  a  06/2004,  08/2004  a  06/2005,  e  09/2005  a  12/2006,  consolidado em 24/04/2007.  O Relatório Fiscal, de fis. 43/46, informa que:  A ação  fiscal refere­se a auditoria por  fato gerador específico, com o  objetivo de  examinar a prática de  remunerar  trabalhadores por meio  de  cartões  de  premiação,  sem  oferecer  estas  remunerações  à  tributação;  O  Contribuinte  contratou  com  a  empresa  SPIRIT  INCENTIVO  &  FIDELIZAÇÃO  Ltda.,  CNPJ  04.182.848/0001­30,  o  fornecimento  de  cartões eletrônicos carregados com créditos, para remunerar serviços  prestados por segurados da Previdência Social, sob o título "Programa  de Marketing de Incentivo":  De acordo com o contrato celebrado entre a fornecedora dos cartões e  a Notificada, esta utilizou­se de sistema de premiação individual para  executar  seus  programas  de  motivação  e  incentivo  para  aumento  de  produtividade;  Segundo  o  parágrafo  Io  do  artigo  457  da  Consolidação  das  Leis  do  Trabalho (CLT), integram o salário as "gratificações ajustadas";  O  ajuste  capaz  de  gerar  o  direito  do  trabalhador  à  premiação  c  a  conseqüente obrigação da  empresa  em concedê­lo.  resulta  da prática  reiterada  do  empregador  que,  concedendo­o,  estabelece  a  presunção  Fl. 2759DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI     4 de  que  contraiu  a  obrigação  de  conferi­lo  se  presentes  as  condições  que costumam subordinar o seu pagamento;  O artigo 28 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991 traz a definição do salário  de contribuição;  A  prática  reiterada  de  a  empresa  empregadora  utilizar­se  desses  cartões  eletrônicos,  com  características  recarregáveis,  aptos  à  reutilização,  para  saldar  a  prestação  dos  serviços  e  a  expectativa  criada aos trabalhadores pela premiação, conferem­lhes propriedades  retributivas  e,  conseqüentemente,  constituem­se  em  elementos  remuneratórios do trabalho;  Em  relação  a  tais  verbas  remuneratórias  a  empresa:  (a)  não  as  consignou na Folha de Pagamento; (b) não as declarou em GFIP; (c)  não  comprovou  o  recolhimento  ou  a  provisão  das  contribuições  previdenciárias correspondentes, na escrita contábil;  Os papéis de trabalho dos valores apurados foram denominados:  "CS1" ­ contribuição de segurados empregados, remunerados por meio  de cartão de premiação, não declarada em GFIP;  "CS2"  ­  contribuição  de  segurados  contribuintes  individuais,  remunerados  por  meio  de  cartão  de  premiação,  não  declarada  em  GFIP;  Os  itens 8 e 9  relacionam todas as alíquotas aplicadas, e o  item 10.1  relaciona todos os elementos que serviram de base para a apuração do  crédito;  Os  fatos  geradores  encontram­se  discriminados  nos  demonstrativos  Anexo  I,  II,  e  III,  e  o  Anexo  IV  contém  cópia  de  folha  do  Razão  Analítico, extraída dos arquivos digitais, a título de exemplo;  A  situação configura,  em  tese,  o  crime de  sonegação de contribuição  previdenciária, previsto no artigo 3 3 7­A,  inciso  I, do Código Penal,  com  redação  dada  pela  Lei  n.°  9.983,  de  14/07/2000,  portanto,  será  este  fato objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS,  com comunicação à autoridade competente para providências cabíveis;  O  item  12  relaciona  os  demais  documentos  emitidos  na  fiscalização:  NFLD  n°  37.086.063­2;  Autos  de  Infração  (Afs)  n"s  37.086.064­0,  37.086.065­9, 37.086.066­7, e 37.086.067­5; e RFFP ­ Representação  Fiscal para Fins Penais;  A  fiscalização  foi  acompanhada  pelo  Sr.  Jezanias  Dias,  analista  de  Recursos Humanos, ao qual foram prestados todos os esclarecimentos  necessários, com relação a origem e natureza do débito.  Complementam  o  Relatório  Fiscal,  e  encontram­se  anexos  à  NFLD:  IPC ­Instruções para o Contribuinte, fls. 02/03; DAD ­ Discriminativo  Analítico  de  Debito,  lis.  04/17;  DSD  ­  Discriminativo  Sintético  de  Débito,  fls.  18/22;  RL  ­  Relatório  de  Lançamentos,  fls.  23/29;  FLD  ­  Fundamentos  Legais  do  Débito,  fls.  30/33;  REPLEG  ­  Relatório  de  Representantes Legais, fl. 34; VÍNCULOS ­ Relação de Vínculos, fl. 35;  Mandado de Procedimento Fiscal ­ MPF, fl. 37; Termos de Intimação  para  Apresentação  de  Documentos  ­  TIAD's,  fls.  38/40;  Termo  de  Encerramento da Auditoria Fiscal  ­ TEAF,  fls. 41/42; Anexo  I  ­Papel  de Trabalho CPI e CP2 ­ NFLD 37.032.072­7, fl. 48; Anexo II ­ Papel  de Trabalho CPI ­ NFLD 37.032.072­7, fls. 49/68; Anexo III ­ Papel de  Trabalho  CP2  ­  NFLD  37.032.072­7,  fls.  69/95;  Anexo  IV,  fl.  96;  Contrato de Prestação de Serviços, fls. 97/99; Notas Fiscais/Faturas de  Fl. 2760DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 18186.000156/2007­18  Acórdão n.º 2302­003.690  S2­C3T2  Fl. 2.759          5 serviços,  fls.  100/103;  Recibos  de  Entrega  de  Arquivos  Digitais,  fls.  104/112.    DA IMPUGNAÇÃO   Tendo sido cientificada da NFLD em 27/04/2007,  fl. 01, a Notificada,  dentro  do  prazo  regulamentar,  conforme  despacho  de  fl.  1.240,  contestou  o  lançamento  de  crédito  através  do  instrumento  de  fls.  118/148,  com  juntada  dos  seguintes  documentos  às  fls.  149/176,  179/373,  376/635,  638/927,  e  930/1.239,  por  cópias  simples/autenticadas:   (...)  DA DILIGÊNCIA FISCAL   Considerando as alegações da empresa, a  juntada de documentos e a  necessidade  de  alguns  esclarecimentos,  os  autos  foram  baixados  em  diligência à Fiscalização, conforme despachos de fls. 1.256 a 1.265.  Como  resultado,  foram  anexados  Mandado  de  Procedimento  Fiscal,  Termo de Início de Procedimento Fiscal, Termo de Intimação Fiscal n°  01,  e  Termo  de  Encerramento  do  Procedimento  Fiscal,  fls.  1.268  a  1.272,  e  foi  emitida  a  Informação  Fiscal  de  fls.  1.273  a  1.278  ,  acompanhada dos Anexos A, B, e C de fls. 1.279 a 1.319.  Na referida Informação Fiscal a Auditora Notificante responde a cada  um dos quesitos formulados pelo Contribuinte no seu requerimento de  perícia contábil, e conclui pela necessidade de retificação da NFLD, de  acordo com os demonstrativos às fls. 1.276/1.277:  “(...)  H. Considerando as colocações do item "F" deste relatório concluímos:  Os segurados, cujos comprovantes de reembolso de despesas não estão  regulares,  tiveram  desconsideradas  os  recibos  e  as  notas  fiscais  não  comprobatórias.  Os  valores  descaracterizados  foram  considerados  remuneração,  e  como  tal,  base  de  cálculo  para  a  contribuição  previdenciária (...)  A  empresa  utilizou  o  cartão  "Spirit  Card"  para  pagamento  de  gratificações  a  seus  segurados,  decorrentes  de  produtividade.  A  própria Nulificada mencionou  este  fato,  no  item  77.  As  gratificações,  fruto  de  produtividade,  não  são  ganhos  eventuais,  mas  a  retribuição  pelo  bom  trabalho  executado,  e,  como  tais,  sofrem  incidência  de  contribuição previdenciária (...) Demonstrativo encontra­se nos anexos  A e B.  Os  valores  lançados  nesta  NFLD  necessitam  de  retificação,  que  está  explicitada a seguir (...) "   DA COMUNICAÇÃO DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA FISCAL  AO  CONTRIBUINTE  E  DA  ABERTURA DE  PRAZO  PARA  SUA  MANIFESTAÇÃO   O  resultado  da  diligência  fiscal  foi  comunicado  à  empresa  pessoalmente, em 04/03/2011 (fl. 1.278), tendo sido aberto o prazo de  10 (dez) dias, a contar da ciência deste, para a sua manifestação.  Fl. 2761DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI     6 DA MANIFESTAÇÃO DA EMPRESA   A  empresa  apresentou  a  manifestação  de  lis.  1.322  a  1.325,  na  qual  apresenta breve relato sobre a NFLD e a diligência fiscal realizada, e  argumenta que.  embora  não  concorde  com a  conclusão  da diligência  fiscal, em relação às gratificações, entende que a matéria é de mérito, e  já foi devidamente abordada quando da apresentação da  impugnação  administrativa, sendo desnecessário apresentar novas considerações.  (i)considerando o resultado da diligência, a retificação da NFLD, com  a  exclusão  dos  valores  que  comprovadamente  correspondem  a  reembolso de despesas; e  (ii)relativamente ao restante do valor, requer que a NFLD seja julgada  improcedente,  porque  foi  demonstrado  anteriormente  que  as  gratificações  pagas  não  atendem  aos  requisitos  legais  para  serem  consideradas remuneração, não podendo servir de base de cálculo da  contribuição previdenciária.  (...)    Como  afirmado,  a  impugnação  apresentada  pela  recorrente  foi  julgada  procedente em parte, sendo alterado o valor do lançamento originário de R$ 635.945,62 para  R$ 309.994,35, conforme demonstrado no anexo DADR ­Discriminativo Analítico do Débito  Retificado (fls. 1.328/1.338).  Cientificada do julgamento, a recorrente apresentou o recurso de fls. 2.709 e  seguintes.  É o relatório.  Fl. 2762DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 18186.000156/2007­18  Acórdão n.º 2302­003.690  S2­C3T2  Fl. 2.760          7 Voto             Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi    Devidamente  intimado  da  decisão  de  1ª  Instância  Administrativa,  o  contribuinte em tela ofereceu tempestivamente Recurso Voluntário requerendo a declaração de  insubsistência do lançamento.  Ocorre,  todavia,  que  aos  31  dias  do  mês  de  janeiro  de  2015,  a  recorrente  protocolizou, na DERAT/CAC Paulista, requerimento de desistência Recurso Administrativo, a  fl. 2.751 e seguintes, para fins de adesão a programa de parcelamento especial.  Assim,  em  razão  de  desistência  expressa  aviada  no  Requerimento  de  Desistência  de  Recurso  Administrativo  acima  citado,  pugnamos  pelo  não  conhecimento  do  recurso voluntário.  Pelos motivos expendidos, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário.    (Assinado digitalmente)  André Luís Mársico Lombardi, Relator                              Fl. 2763DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI

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6130942 #
Numero do processo: 10950.002737/2005-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/02/2005 DCTF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - CONGESTIONAMENTO DE DADOS NO SITE DA RECEITA FEDERAL - RECONHECIMENTO ATRAVÉS DE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CESSAMENTO DA IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES VIA INTERNET. Uma vez que a própria Receita Federal, através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08.04.2005, reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declarações, torna-se não devida a multa haja vista que com relação a data imposta como limítrofe para a entrega, nada lid que comprove que posteriormente a esta não havia mais a impossibilidade de transmissão das declarações via internet. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-35.286
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli

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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-10-08T12:49:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-10-08T12:49:12Z; Last-Modified: 2013-10-08T12:49:12Z; dcterms:modified: 2013-10-08T12:49:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:5aae5ca2-7a19-43f0-842f-614afc6c83b7; Last-Save-Date: 2013-10-08T12:49:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-10-08T12:49:12Z; meta:save-date: 2013-10-08T12:49:12Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-10-08T12:49:12Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-10-08T12:49:12Z; created: 2013-10-08T12:49:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2013-10-08T12:49:12Z; pdf:charsPerPage: 1301; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-10-08T12:49:12Z | Conteúdo => Processo n° Recurso n° Matéria Acórdão n° Sessão de Recorrente Recorrida MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA 10950.002737/2005-02 138.029 Voluntário DCTF 303-35.286 25 de abril de 2008 CRUZ MALTA FOMENTO MERCANTIL LTDA DRJ-CURITIBAJPR CC03/CO3 Fls. 34 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/02/2005 DCTF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - CONGESTIONAMENTO DE DADOS NO SITE DA RECEITA FEDERAL - RECONHECIMENTO ATRAVÉS DE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CESSAMENTO DA IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES VIA INTERNET. Uma vez que a própria Receita Federal, através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08.04.2005, reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declarações, torna-se não devida a multa haja vista que com relação a data imposta como limítrofe para a entrega, nada lid que comprove que posteriormente a esta não havia mais a impossibilidade de transmissão das declarações via internet. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Processo n° 10950.002737/2005-02 Acórdão n.° 303-35.286 CC03/CO3 Fls. 35 ANELISE DAUDT PRIETO Presidente )ITONLJ ARTOLI Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente, Celso Lopes Pereira Neto e Tardsio Campelo Borges. Ausente o Conselheiro Heroldes Bahr Neto. 2 Processo n° 10950.002737/2005-02 Acórdão n.° 303-35.286 CC03/CO3 F1s. 36 Relatório Trata-se de Auto de Infração (fls. 02), referente à multa por entrega de Declaração de Débitos e Créditos Federais — DCTF fora do prazo, referente ao ano - calendário de 2004, fundamentadas no art. 113, § 3° e 160, Lei 5172/66 do CTN, art. 4° e 2° da IN SRF 73/96, art. 6° da IN SRF no 126/98, combinado com o item I da Portaria MF 118/84, art. 5° do DL n°2124/84 e art. 7° da MP 16/01 convertida na Lei 10.426/2002. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação As fls. 01, na qual alega que as DCTF(s) foram apresentadas com atraso por motivos de congestionamento ou de manutenção da rede da internet, impossibilitando a entrega da declaração a partir das 16h. Diante do exposto, requer o acolhimento de suas alegações e cancelamento do lançamento em foco. Instruem a impugnação os documentos de fls. 02/07, 13 e14. Encaminhados os autos A Delegacia da Receita Federal de Julgamento Curitiba (PR), esta indeferiu a solicitação As fls. 17/20, nos termos da seguinte ementa: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/02/2005 DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTill?lOS FEDERAIS - DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A contribuinte que, obrigada a entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal sujeita-se a multa estabelecida na legislação de regência. Lançamento Procedente" Ciente da decisão proferida (AR de fl. 25), o contribuinte apresentou tempestivamente Recurso Voluntário (fls. 28/31), onde reitera os argumentos já apresentados e alega, em suma, que: nos dias seguintes ao prazo final para entrega da DCTF, além de ter entrado em contato via telefone, se dirigiu a Delegacia da Receita Federal para verificação se o problema com a internet tinha sido solucionado e quais procedimentos deveriam ser tomados com relação a este atraso na entrega da DCTF. A resposta era de que continuasse aguardando, que o problema estava sendo solucionado e que ainda não devia transmitir via internet; em 24/02/2005 foi orientado via telefone pela funcionaria Alacir Braz, a entregar a Declaração que faltava via internet e que mesmo fora do prazo, não seria passível de multa; Processo n° 10950.002737/2005-02 Acórdão n.° 303-35.286 CCONC03 Fls. 37 foi surpreendido pelo Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08/04/2005, onde são consideradas entregues dentro do prazo as declarações transmitidas nos dias 16, 17 e 18. E o próprio Delegado da Receita Federal e os funcionários não tinham conhecimento desta prorrogação e tampouco deste Ato Declarató rio. Ante o alegado, requer acolhimento do presente recurso, de forma a cancelar o débito fiscal reclamado. Não efetuado arrolamento de Bens e Direitos, para seguimento do Recurso Voluntário, devido ao valor ser inferior a R$ 2.500,00, aplicando-se assim o disposto no parágrafo 7° do art.2° da IN SRF 264/02. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro em 27/02/2008, em único volume, constando numeração até as fls. 32, penúltima. Desnecessário o encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n°. 314, de 25/08/99. o relatório. Processo n° 10950.002737/2005-02 Acórdão n.° 303-35.286 CC03/CO3 Rs. 38 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Por conter matéria deste E. Conselho, conheço do Recurso Voluntário, tempestivamente, interposto pelo contribuinte. Quanto ao arrolamento de bens e direitos, consigne-se que este não é mais exigido como condição para seguimento do recurso voluntário, haja vista o que dispõe o Ato Declaratório n° 9, de 05/06/07, com fulcro na Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1976 do STF. Ultrapassadas as análises dos requisitos de admissibilidade, passemos ao mérito. Ern inúmeras oportunidades já externei meu entendimento acerca da inaplicabilidade de multa minima por atraso na entrega da DCTF, com respaldo na Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986. Senão, vejamos: Todo ato realizado segundo um determinado sistema de direito positivo, com o fim de nele se integrar, deve, obrigatoriamente, encontrar fundamento de validade ern norma hierarquicamente superior a esta, que, por sua vez, também deve encontrar fundamento de validade ern norma hierarquicamente superior, e assim por diante, até que se encontre o fundamento de validade na Constituição Federal. Nestes termos, qualquer que seja a norma deve-se confrontá-la com a Constituição Federal, pois não estando com ela compatível, não estará compatível com o si sterna. Segundo se verifica, a fonte formal da Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, posteriormente alterada pela Instrução Normativa n° 73, de 19.12.1996, é a Portaria do Ministério da Fazenda n° 118, de 28.06.84, que delegou ao Secretário da Receita Federal a competência para eliminar ou instituir obrigações acessórias. Já o Ministro da Fazenda foi autorizado a eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, por força do Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.84. 0 Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984, encontra fundamento de validade na Constituição Federal de 1967, alterada pela Emenda Constitucional n° 01/69, que em seu art 55, cria a competência para o Presidente da Republica editar Decretos-Leis, ern casos de urgência ou de interesse público relevante, em relação as matérias que disciplina, inclusive a tributária, mas não se refere à delegação de competência ao Ministério da Fazenda para criar obrigações, sejam tributárias ou, não. Afora isto, a antiga Constituição também privilegiava o principio da legalidade e da vinculação dos atos administrativos à lei, o que de piano criaria um conflito entre a norma editada no Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984 e a Lei Maior de 1967 (art. 153, §2°). Processo n° 10950.002737/2005-02 Acórdão n.° 303-35.286 CC03/CO3 Fls. 39 Da análise do artigo 97, inciso V, do Código Tributário Nacional, também não resta dúvida que somente à lei é dada autorização para criar deveres e direitos, não escapando h. regra as obrigações acessórias. Por outro lado, incabível dar ao artigo 100, do mesmo diploma, a conotação de que está aberta a possibilidade de um ato normativo vir a substituir a função da lei, ou por falha da lei cobrir sua lacuna ou vicio. No mais, atos normativos de caráter normativo são assim caracterizados por introduzirem normas atinentes ao "modus operandi" do exercício da função administrativa tributária, tendo força para norrnatizar a conduta da própria administração em face do contribuinte, e em relação as condutas do contribuinte, servem, tão somente, para explicitar o que fora estabelecido em lei. E nesse contexto que os atos normativos cumprem sua função de complementaridade das leis. Ressalte-se que todo ato administrativo tem por requisito de validade cinco elementos: objeto licito, motivação, finalidade, agente competente e forma prescrita em lei. Ocorre que, a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986 cumpriu os designios orientadores da validade do ato administrativo no concernente aos três primeiros elementos, vez que a exigência de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, com o fim de informar à Secretaria da Fazenda Nacional o montante de tributos devidos e suas respectivas bases de cálculo, é de materialidade licita, motivada pela necessidade de a Fazenda ter o controle dos fatos geradores que fazem surgir cada relação jurídica tributária entre o contribuinte e o Fisco, tendo por finalidade o controle do recolhimento dos respectivos tributos. Porém, no que tange ao agente competente, o mesmo não se verifica, uma vez que o Secretário da Receita Federal não tem a competência legiferante, privativa do Poder Legislativo, para criar normas oonstituidoras de obrigações de caráter pessoal ao contribuinte, cuja cogencia é imposta pela cominação de penalidade. Ainda que se admitisse que o Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.1984, fosse o veiculo introdutório para outorgar competência ao Ministério da Fazenda para que criasse deveres instrumentais, o Decreto-lei não poderia autorizar ao Ministério da Fazenda a delegar tal competência, como na realidade não o fez, tendo em vista o principio da indelegabilidade da competência tributária (art. 7° do Código Tributário Nacional) e até mesmo o principio da indelegabilidade dos poderes (art. 2° da CF/88). Assim, se o Ministério da Fazenda não tinha a competência para delegar a competência que recebera com exclusividade do Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.1984, a Portaria MF n° 118, de 28/06/1984, extravasou os limites do poder outorgados pelo Decreto- Lei. Quanto à forma prescrita em lei, a instituição da obrigação de entrega da DCTF, por instrução normativa, também não cumpre o requisito de validade do ato administrativo, uma vez que tal instituição é reservada à Lei. Somente a Lei pode criar um vinculo relacional entre o Fisco e o contribuinte e a penalidade pelo descumprimento da obrigação fulcral desse vinculo. E tal poder é indelegável, com o fim de que sejam garantidos o Estado de Direito Democrático e a Segurança Juridica. 6 Processo n° 10950.002737/2005-02 Acórdão n.° 303-35.286 CC03/CO3 Fls. 40 Ademais, a delegação de competência legiferante introduzida pelo Decreto-Lei no 2.124, de 13.06.1984, não encontra supedâneo jurídico na nova ordem constitucional instaurada pela Constituição Federal de 1988, uma vez que o art. 25 estabelece o seguinte: "Art. 25 — Ficam revogados a partir de cento e oitenta dias da promulgação da Constituição, sujeito este prazo a prorrogação por lei, todos os dispositivos legais que atribuam ou deleguem a órgão do Poder Executivo competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional, especialmente no que tange a: I — ação normativa; II — alocação ou transferência de recursos de qualquer espécie" (Grifei) Assim, a competência de legislar sobre a matéria pertinente ao sistema tributário é do Congresso Nacional, como determina o art. 48 da Constituição Federal, sendo que a delegação outorgada pelo Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984, ato do Poder Executivo auto disciplinado, que ainda que pudesse ter validade na vigência da constituição anterior, perdeu sua vigência 180 dias após a promulgação da Constituição Federal de 1988. Tendo a norma que dispõe sobre a delegação de competência perdido sua vigência, a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, ficou sem fonte material que a sustente e, consequentemente, também perdeu sua vigência em abril de 1989. Quanto à cominação da penalidade estabelecida no próprio texto da Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, Anexo II — 1.1 (e, posteriormente, na Instrução Normativa no 73, de 19.12.1996, que a alterou), entendo que os argumentos retro mencionados são plenamente aplicáveis, isto 6, a imposição de qualquer tipo de multa só poderá ser prevista em Lei. Desta feita, a ausência de perfeita tipicidade na lei de conduta do contribuinte, implica a carência da ação fiscal e, como tais elementos estão ausentes no presente caso, dai também não ser punível a conduta do agente. Tudo isto para dizer que a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986 não constitui o veiculo próprio a criar, alterar ou extinguir direitos, seja porque não encontra em lei seu fundamento de validade material, seja porque inova o ordenamento jurídico extrapolando sua própria competência. Tal assertiva veio a ser confirmada com a edição da Lei n° 10.426, de 25.04.2002 (conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001) que assim dispõe: "Art. 7° 0 sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirt), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não-apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á its seguintes multas: Processo n° 10950.002737/2005-02 Acórdão n.° 303-35.286 CC03/CO3 Fls. 41 — de dois por cento ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3°. Com efeito, a adoção da Medida Provisória n° 16, posteriormente convertida na Lei n° 10.426/02, determinando sanções para a não apresentação, pelo sujeito passivo, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), atesta cabalmente a inexistência de legislação válida até a sua edição, uma vez que não haveria lógica em se editar norma, de caráter extraordinário, que simplesmente repetisse a legislação anterior. Ao adotar Medida Provisória, o Poder Executivo Federal reconheceu a necessidade de disciplinar a instituição de deveres instrumentais e penalidades para seu descumprimento, que até então não se encontrava (validamente) regulada pelo direito pátrio. Assim, após a entrada em vigor da Medida Provisória n° 16/2001, convertida na Lei n° 10.426, de 24.04.2002, surgiu a disciplina válida ou vigente no sistema tributário nacional para o cumprimento do dever acessório de entrega da DCTF, e, consequentemente, para a cominação de sanções para sua não apresentação, vindo a confirmar todo o entendimento exposto com relação à Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986. Assim, consubstanciada na Lei n° 10.426, de 24.04.2002 (conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001), a Instrução Normativa SRF n° 583, de 20.12.2005 (a qual revogou a IN SRF n° 532, de 30.03.2005, que alterou a IN SRF n° 482, de 21.12.2004), validamente, estabelece quanto a multa a ser aplicada, que: "Art. 10. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DCTF no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimada a apresentar declaração original, no caso de não- apresenta cão, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitar-se-á as seguintes multas: I — de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega dessa declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3°; (..) §3 0 .1 multa minima a ser aplicada será de: I — R$200,00 (duzentos reais) tratando-se de pessoa jurídica inativa; II — R$500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (.)" Desta forma, como mencionado anteriormente, atos normativos, tal como a vigente Instrução Normativa SRF n° 583, de 20.12.2005, são para explicitar o que for Processo n° 10950.002737/2005-02 Acórdão n.° 303-35.286 CC03/CO3 Fls. 42 estabelecido em Lei (Lei n° 10.426, de 24.04.2002, conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001), cumprindo, nesse contexto, sua função de complementaridade da Lei. Ocorre que, in casu, tem-se situação em que o contribuinte fora impossibilitado de entregar a DCTF do 4° trimestre de 2004 dentro do prazo, em razão de congestionamento de dados no site da Receita Federal. Tanto é que a própria Receita Federal acabou por reconhecer que houve problemas técnicos nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serpro para a recepção e transmissão de declarações, através do Ato Declaratório Executivo SRF n°24, de 08/04/2005. Em observância a referido ato, a Receita Federal considerou como entregues em 15/02/2005, as declarações apresentadas até 18/02/2005. A controvérsia, no entanto, se estabeleceu pelo fato do contribuinte ter apresentado a DCTF, relativa ao 4 0 trimestre de 2004, somente em 24/02/2005, ou seja, após 18/02/2005. Note-se, primeiramente, que a própria Receita Federal reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos de recepção e transmissão de declarações. Outrossim, embora tenha ampliado a data limítrofe de entrega para 18/02/2005, como se tivessem sido entregues em 15/02/2005, não há nada que comprove que, naquela data (18/02/2005), haviam cessado tais problemas. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, visto que comprovada a impossibilidade de transmissão da DCTF, referente ao 4° trimestre de 2004, no prazo. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2008 TON BARTO I - Relator 9

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Numero do processo: 10580.732687/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Relatório O presente processo foi alvo da Resolução nº 1402-000.259. Repito o relatório contido em tal decisão, complementando-o ao final. Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida até aquela fase processual, complementando-o ao final: Trata o processo em questão de Autos de Infração referentes ao ano-calendário de 2008, para exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ no valor de R$ 14.092.834,55; da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL no valor de R$ 4.235.050,36; da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS no valor de R$ 4.411.510,76, e da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS no valor de R$ 955.827,28 que após sofrerem acréscimos de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazem um total de R$ 50.971.013,79. De acordo com a descrição dos fatos do auto de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, o lançamento foi efetuado sob as seguintes alegações: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, uma vez que não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, banco conta movimento, nem na conta caixa. Enquadramento Legal Art. 530,inciso II, do RIR/99 Infração 01 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - Valor apurado conforme Termo de Verificação anexo. Enquadramento Legal: Arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430/96; arts. 532 e 537 do RIR/99. Em decorrência dos mesmos pressupostos fáticos da infração 01, foram lavrados os autos de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS. Do Termo de Verificação Fiscal. Em síntese, o Termo de Verificação Fiscal esclarece o seguinte: Da analise dos extratos bancários, do contribuinte, selecionamos diversos lançamentos de credito, objetivando obter comprovação das respectivas origens, o que motivou a lavratura dos TERMOS DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 001 a 003, nos quais intimamos, o contribuinte, a informar, por escrito, os números das páginas dos seus livros contábeis em que foram escriturados todos os lançamentos (lançamentos e contrapartidas ) referentes a cada um dos valores creditados, em suas contas bancárias, conforme relação, informando, por escrito, e comprovando, através de documentação hábil e idônea, a origem e tributação dos respectivos recursos; Em resposta aos termos lavrados, o contribuinte apresentou um vasto documental, alegando, dentre outras coisas, que em virtude de peculiaridades de sua atividade empresarial, recebia valores que seriam meros repasses financeiros a serem transferidos a outras empresas, pleiteia que suas receitas sejam consideradas como oriundas de atividade comercial, fatos estes que não consideramos por não encontrarmos respaldo legal para acatá-los. O fiscalizado nos informou que os valores listados abaixo não seriam receitas da atividade, e sim empréstimos bancários, contraídos junto ao Banco Indusval Multistock : O fiscalizado apresentou, como prova dos referidos empréstimos bancários, os seguintes documentos: "CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO - CONTA GARANTIDA", N° 5643, datada de 21/01/2008, vencimento 22/04/2008, valor limite de credito de RS 1.000.000,00; e)"CARTA DE FIANÇA", N° 1815/06, datada de 23/11/2006, vencimento23/11/2007, valor afiançado de R$ 1.000.000,00; "ADITAMENTO A CARTA DE FIANÇA BANCARIA N° 1815/06", emitida em 23/11/2006", de 17/10/2007, prorrogando o vencimento para 24/11/2008, mantendo o valor afiançado de R$ 1.000.000,00 ; "ADITAMENTO A CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO - CONTA GARTANTIDA", N° 4982-2, datado de 21/01/2008, aditando a "CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO N° 49X2" (o número X encontrase ilegível ), datada de 21/01/2008, alterando o vencimento para 22/04/2008, alterando o limite de credito para R$ 2.000.000,00; h)"INSTRUMENTO PARTICULAR PARA CONSTITUIÇÃO DE ARBITRAGEM -COMPROMISSO ARBITRAL N° 6760, datada de 23/07/2008, vencimento 20/11/2008, valor do principal RS 1.000.000,00; i)"INSTRUMENTO PARTICULAR PARA CONSTITUIÇÃO DEARBITRAGEM ( COMPROMISSO ARBITRAL ) " N° 4982-2, datada de 18/01/2008, data do vencimento 22/04/2008, no valor de R$ 2.000.000,00 ; j) Copia de documentos intitulados "Extrato Indusval" referente aos meses de janeiro a julho e de setembro a novembro ; k) Considerando que as informações e os documentos citados nos itens 2 e 3, por si só, não comprovam nenhum dos seus respectivos valores, lavramos o TERMO DE RELNTIMAÇÃO FISCAL N 0001, solicitando as devidas informações e comprovações ; l) Em resposta ao TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL N 0001, o fiscalizado nos apresentou, novamente, os documentos citados no item 3.1 a 3.6 e o extrato bancário do período, documentos estes que, por si só, não demonstram nem comprovam nenhum dos valores questionados ; m) O fiscalizado, regularmente intimado, não comprovou a escrituração, em seus livros contábeis, dos valores creditados, em suas contas bancárias, nem comprovou sua origem como estranha à atividade social da empresa, dos valores listados abaixo : Junta ao Termo de Verificação nas fls. 39 a 249 planilha contendo todos os depósitos bancários, cuja origem não teria sido justificada. n) Diante do exposto, estamos lavrando o presente Auto de Infração, baseado no art. 42 da Lei n° 9.430/96, tendo em vista a cobrança dos respectivos tributos federais, considerando como omissão de receita, os valores listados no item 6, que resumimos em valores mensais e trimestrais: MES MENSAL TRIMESTRAL Janeiro 10.015.461,76 Fevereiro 5.929.605,50 Março 9.058.310,54 25.003.377,80 Abril 10.943.734,67 Maio 10.995.336,57 Junho 11.763.471,86 33.702.543,10 Julho 12.730.727,55 Agosto 10.399.914,13 MES MENSAL TRIMESTRAL Setembro 16.943.485,40 40.074.127,08 Outubro 15.411.157,14 Novembro 14.914.805,41 Dezembro 17.944.349,94 48.270.312,49 Total 147.050.360,47 147.050.360,47 o) Considerando que a escrituração contábil, apresentada pelo fiscalizado, não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, "banco conta movimento", nem na conta Caixa, o lucro do fiscalizado será arbitrado em virtude de sua escrituração encontrar-se imprestável para identificar a efetiva movimentação bancária, ao fulcro do Inciso II, alínea "a", art. 47, Lei n° 8.981/1999. Da Impugnação Cientificada da autuação pessoalmente em 21/11/2012, em 21/12/2012, a autuada contesta o lançamento, apresentando, resumidamente, as seguintes razões: Em cumprimento à intimação, a autuada apresentou, em 19/08/2011, os Livros Fiscais solicitados pela Fiscalização. Entretanto, afirmou o Autuante que não foram entregues as cópias dos extratos bancários, o que ensejou a emissão, pelo Auditor Fiscal, de diversas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMFs) para algumas instituições financeiras, sem a devida autorização judicial, saliente-se. Após as respostas apresentadas pelos Bancos, foram obtidos inúmeros extratos de contas bancárias de titularidade da ora impugnante, os quais consignavam, diversos depósitos recebidos. Em seguida, o i. Fiscal aduziu que "confrontando os extratos bancários, com a escrituração contábil, apresentada pelo fiscalizado, constatamos que a mesma não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem na conta Caixa". Em resposta, a autuada, de boa-fé, apresentou petição, em 24/05/2012 (fls. 991 a 995 dos autos), na qual, inicialmente, explicou que atua no ramo de distribuição e intermediação da venda de recarga pré-paga para telefonia móvel. Salientou, nesta oportunidade, que as principais operadoras de telefonia móvel (TIM, OI, CLARO e VIVO) habilitam diversas distribuidoras, entre as quais a ora autuada, para realizarem a venda dos créditos pré-pagos de telefones celulares, com o objetivo de atingir o maior número e variedade de localidades possíveis, visando alcançar todo o potencial mercado consumidor. Esclareceu que, normalmente, as empresas habilitadas diretamente pelas operadoras de telefonia móvel (chamadas aqui de "primeiras intermediárias") operam em macroregiões e, para otimizar e conferir maior eficiência à distribuição das recargas de celular pré-pago, firmam contratos com outras empresas (chamadas de "intermediárias secundários"), com vistas a organizar o mercado e distribuir os produtos em nichos menos abrangentes. Os "intermediários secundários", por sua vez, contratam os chamados "pontos de venda", que, normalmente, são as padarias, bancas de revistas, farmácias, supermercados, postos de gasolina, pequenas vendas ou mercadinhos de bairro etc, os quais ficam responsáveis pela venda direta das recargas ao consumidor final (clientes de celulares pré-pagos). Explicou a impugnante, em sua petição, que atua neste ramo tanto como "primeira intermediária" (quando é contratada diretamente por uma operadora de telefonia móvel), quanto como "intermediária secundária" (quando é contratada pelas "primeiras intermediárias" e fica responsável por captar e cadastrar os "pontos de venda" e coordenar toda a distribuição para estes das recargas de pré-pago, que, posteriormente, serão vendidos aos consumidores finais). Ao término de um período determinado, cada "ponto de venda" deve prestar contas das operações realizadas e efetuar o pagamento às empresas chamadas de "intermediárias secundárias" dos valores recebidos dos consumidores finais -normalmente, por meio de boletos ou depósitos bancários ou, ainda, por meio de cheques - descontando o valor da sua comissão recebida, que, geralmente, é de 4% a 5% do total auferido. Em outras palavras, os "pontos de venda" repassam às "intermediárias secundárias" toda a receita decorrente da venda das recargas de pré-pago aos clientes, abatendo apenas deste valor o seu percentual de comissão (como dito, 4% a 5%). Em seguida, cada uma das empresas denominadas aqui de "intermediárias secundárias" repassa os valores recebidos dos "pontos de venda" às "primeiras intermediárias", também abatendo o seu percentual de comissão pelas vendas (que gira em torno de 3% a 4%). E por fim, as chamadas "primeiras intermediárias" repassam os valores recebidos às operadoras de telefonia móvel (também descontando o seu percentual de comissão). Importante destacar que estas últimas (as operadoras), por óbvio, recebem a maior "fatia" dos valores decorrentes das vendas de recarga de pré-pago (cerca de 90% de todos os valores auferidos) já que são as prestadoras efetivas do serviço de telecomunicações. Em suma, a ora impugnante deixou bem claro ao ilustre Auditor Fiscal, em sua petição de 24/05/2012, que, muito embora grande parte do produto das vendas de recargas transite em suas contas bancárias, o fato é que um percentual bastante significativo deste montante (mais de 94%) é sempre repassado adiante, seja para as operadoras de telefonia, como a TIM, por exemplo (nas hipóteses em que a impugnante atua como "primeira intermediária") seja para outras empresas chamadas "primeiras intermediárias" (quando a impugnante atua como "intermediária secundária"). Em outras palavras, o resultado de sua atividade empresarial, na qualidade de intermediária na distribuição de recargas, restringe-se apenas à sua comissão (em percentual médio de 4% do total de vendas). Esta é a sua efetiva remuneração. Em seguida, se reportando a planilha disponibilizada pelo i. Auditor contendo os milhares de depósitos efetuados, passou a tratar dos valores creditados em sua conta bancária, esclarecendo que, de acordo com a referida planilha, havia lançamentos em sua conta bancária que totalizaram a quantia de R$149.318.748,01 (cento e quarenta e nove milhões, trezentos e dezoito mil, setecentos e quarenta e oito reais e um centavos). Inicialmente, a autuada esclareceu que, deste montante, R$21.447.546,00 (vinte e um milhões quatrocentos e quarenta e sete mil quinhentos e quarenta e seis centavos) referem-se a empréstimos concedidos por instituições financeiras e movimentações bancárias entre contas da própria autuada, juntando a devida comprovação nos Anexos 03 e 04 de sua petição. Com relação ao montante de R$ 78.331.617,98 (setenta e oito milhões trezentos e trinta e um mil seiscentos e dezessete reais e noventa e oito centavos), explicou que se encontra devidamente registrado em sua contabilidade, conforme comprova a DIPJ do período, bem como o Balanço e Demonstração de Resultados devidamente assinados, juntados no Anexo 05. Por fim, quanto ao valor de R$ 49.529.683,21 (quarenta e nove milhões quinhentos e vinte e nove mil seiscentos e oitenta e três reais e vinte e um centavos), a ora impugnante demonstrou, naquela oportunidade, que tal montante apenas transitou pelas suas contas bancárias, tendo sido repassados às outras empresas intermediárias (nas hipóteses em que a autuada atua com "intermediária secundária"), por se tratar de valores decorrentes da venda de recargas de celulares. Neste sentido, a impugnante apresentou, nos Anexos 06 e 07, os contratos firmados com essas outras empresas (RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.), os recibos emitidos por elas, atestando que receberam as quantias, bem como os comprovantes de depósito e boletos bancários pagos, que demonstram, categoricamente, que esses valores foram efetivamente repassados para elas. Entretanto, completamente alheio a tal realidade (data maxima vénia), o ilustre Auditor Fiscal entendeu por bem ignorar esses fatos e resolveu autuar a empresa, com fundamento no art. 42 da Lei ng. 9.430/96, presumindo como omissão de receitas todos os depósitos efetuados nas contas bancárias da ora impugnante, já que, sob sua ótica, não restou devidamente comprovada pelos documentos apresentados a origem destes depósitos. Como se não bastasse, o Agente Fiscal ainda aplicou um percentual de presunção do lucro de 32% (próprio das atividades de prestação de serviços), sem apresentar um único fundamento legal para justificar tal atitude, já que a atividade desempenhada pela ora autuada é tipicamente uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de 32% (trinta e dois por cento). Além presumir a omissão de receitas e de aplicar tal percentual indevidamente majorado, o ilustre Autuante ainda considerou imprestável a escrituração contábil da ora impugnante, uma vez que, segundo o relatório fiscal, "não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem em conta Caixa", optando por arbitrar o lucro, o que resultou num acréscimo de 20%, tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo do IRPJ, de 38,4% (32% + 20%). Em decorrência disso, foi lavrado o presente Auto de Infração, cobrando o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e seus reflexos - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) - no absurdo valor total (incluindo a multa de 75% e juros de mora) de R$ 50.971.013,79 (cinqüenta milhões novecentos e setenta e um mil treze reais e setenta e nove centavos). Ou seja, para evitar a realização de um longo e trabalhoso procedimento de Fiscalização, optou-se, neste caso, pelo caminho mais simples (e fácil) da presunção de omissão de receita, tendo o Fisco transferido para o contribuinte todo o ônus de se autofiscalizar, impondo-lhe a complicada e difícil missão de comprovar neste processo a origem de, literalmente, milhares de depósitos bancários efetuados em sua conta, sob pena e risco de ter contra si constituído (definitivamente) um crédito tributário absolutamente impagável. E fato que o expediente da presunção de omissão de receitas decorrente de depósitos de origem não comprovada é um instrumento ou uma "arma" extremamente poderosa a que dispõe o Fisco, para coibir e impedir a sonegação tributária que tanto prejudica o País, constituindo, portanto, um grande avanço a sua expressa previsão no art. 42 da Lei n°. 9.430/96. Porém, como tal, há de ser utilizado com muita cautela e parcimônia, a fim de se evitar o cometimento de arbitrariedades e injustiças, como a que ora se verifica. Neste sentido, muito embora reconheça que cometeu um equívoco ao não contabilizar as referidas contas bancárias, a autuada já antecipa que providenciou toda a sua recontabilização referente ao ano de 2008, incluindo todos os lançamentos bancários em sua contabilidade (o que será apresentado neste feito), tendo concluído, ao final deste procedimento, que não restou saldo de imposto a pagar, o que demonstra tratar-se de um erro formal cometido anteriormente, e não de uma intenção de sonegar tributo, já que todo o seu resultado fora devidamente oferecido à tributação, repita-se. Além disso, há de se destacar que a ora impugnante agiu de boa-fé durante todo o procedimento de Fiscalização, tendo respondido às intimações feitas, bem como apresentado todos os documentos que, naquele instante, julgava necessários e suficientes para comprovar a origem dos depósitos bancários. DA DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA -Neste contexto, importa salientar que as principais operadoras de telefonia móvel (TIM, OI, CLARO e VIVO) habilitam diversas distribuidoras para realizarem a venda dos créditos pré-pagos de telefones celulares. E é neste ramo que a ora impugnante está inserida, ou seja, na distribuição e intermediação da venda de recarga pré-paga para telefonia móvel (esta é sua atividade principal, mas não a única, conforme se examinará adiante). 27.DA EMISSÃO DOS DOCUMENTOS FISCAIS PELA AUTUADA - Conforme examinado no tópico anterior, a atividade de venda e distribuição de recarga para celulares pré-pagos é, de certo modo, uma atividade atípica, que apresenta algumas peculiaridades. Explica-se. Muito embora a impugnante realize a venda e distribuição de um bem (que é a "recarga física" ou a "recarga eletrônica"), na realidade, o que se está "vendendo" não é, propriamente, uma "mercadoria" (para fins de incidência do ICMS, por exemplo). 28.Em verdade, o que se está "comercializando" é um meio ou um instrumento que possibilitará, posteriormente, a prestação do serviço de telecomunicações pelas operadoras de telefonia móvel aos consumidores finais (que adquirem as recargas de pré-pago). Em outras palavras, quando o usuário final se dirige a um dos "pontos de venda"cadastrados pela ora impugnante e efetua a recarga do seu crédito de celular pré-pago, ele não está pagando por uma "mercadoria", ou seja, o que ele deseja adquirir não é o cartão físico de recarga ou a recarga eletrônica, pura e simplesmente. Na prática, ele está pagando por um serviço de telecomunicações, que, como dito, será prestado pelas "operadoras de telefonia móvel". Logo, sob uma ótica contábil-fiscal não se pode analisar a atividade desempenhada pela ora impugnante da mesma forma que se examinaria um comerciante atacadista, por exemplo, muito embora ambos realizem a venda de determinados bens (ressalte-se que a palavra "venda" está aqui sendo empregado no seu sentido amplo). Isso porque, no caso do comerciante atacadista (de gêneros alimentícios, por exemplo), cada operação de venda de mercadorias é amparada por uma nota fiscal específica, emitida no ato da venda, em relação à qual o comerciante recolherá, posteriormente, o ICMS (além dos tributos federais). Já no caso da impugnante, apesar de realizar a "venda e distribuição" de recargas de celulares, pré-pagos, sua atividade não está sujeita à incidência do ICMS, uma vez que este imposto é pago apenas pelas operadoras de telefonia móvel, em razão da prestação do serviço de telecomunicações. Atenta a esta realidade, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (estado no qual a impugnante realiza suas operações) editou o Parecer n°. 00292/2007 (inteiro teor anexo -doc. 03), respondendo a uma Consulta Formal formulada por contribuinte. Eis a ementa do referido Parecer: "ICMS. Consulta. Recarga de telefone celular pré-pago. A responsabilidade pela emissão de nota fiscal e recolhimento do imposto é da empresa prestadora de serviço de telefonia. RICMS-BA/97, art. art. 4°, § 2°, c/c o art. 305.". Em conclusão, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia assim consignou: "Da análise da norma transcrita, verifica-se que, na prestação de serviço de telecomunicação através de recarga de telefone celular pré-pago, a responsabilidade pela emissão de nota fiscal e recolhimento do imposto é da empresa prestadora de serviço de telefonia". Na situação apresentada, o ICMS é de responsabilidade da operadora de telefonia móvel. Assim sendo, e considerando que, nas vendas de cartões de recarga de telefone celular pré-pago, a consulente, além de não prestar serviço de telecomunicação, não realiza operação relativa à circulação de mercadorias, o entendimento é de que, nessa operação, não lhe cabe o recolhimento do ICMS, nem o cumprimento de qualquer obrigação acessória relativa ao imposto." Ou seja, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia reconheceu, expressamente, que as empresas que atuam neste ramo de "venda" de recarga de celular pré-pago, não estão sujeitas ao recolhimento do ICMS, muito menos ao cumprimento das obrigações acessórias relativas a este tributo, entre as quais, a emissão de documento fiscal. Saliente-se, ainda, que este entendimento não é restrito ao Fisco do Estado da Bahia, já que, a título meramente exemplificativo, o Paraná também adota o mesmo procedimento. Mas, por óbvio, o fato de não estar obrigada a emitir uma nota fiscal relativamente a cada "venda" de recarga realizada, não impossibilitará a autuada de comprovar a origem dos depósitos em sua conta bancária por outros meios ou formas. Apenas quer deixar claro, desde já, que essa comprovação não será feita por meio da juntada de uma nota fiscal específica para cada valor depositado, mas, sim, por diversos outros documentos idôneos e hábeis para comprovar todas as suas alegações acerca da origem dos recursos. DAS NULIDADES DO PROCEDIMENTO FISCAL ADOTADO - Previamente à análise dos argumentos de mérito da presente defesa, oportunidade na qual a impugnante demonstrará a origem dos valores depositados em sua conta bancária, cumpre, de forma preliminar, suscitar algumas nulidades que macularam o procedimento fiscal realizado. I - DADOS OBTIDOS POR QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL MESMO APÓS O ADVENTO DA LC N° 105/01. RECENTE DECISÃO DO STF. É antiga a querela envolvendo as autoridades fiscais e os contribuintes sobre o tema "quebra do sigilo bancário", especialmente quando se trata dos seus aspectos fundamentais, a saber: as circunstâncias autorizadoras, a competência para permiti-la, os limites impostos quanto ao uso e a finalidade dos dados bancários legalmente obtidos". Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para sua realização. De fato, uma simples leitura da Requisição de Informação de Movimentação Financeira (RMF) permite concluir que a autoridade fiscal requisitante não apresentou nenhum fundamento válido que a justificasse. Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção da medida, vale dizer, qual o comportamento da autuada que se subsumiu ao comando legal. Tal atitude da requisitante, coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não se podendo falar em requisição coercitiva. Como é notório, tais prescrições normativas encontram-se no seio dos direitos e garantias fundamentais, compondo, pois, um núcleo imutável do texto constitucional, ou, na linguagem clássica, cláusulas pétreas, imodificáveis mesmo por intermédio de emenda à Constituição Federal. Por isso, a quebra do sigilo bancário, porquanto representa uma relativização dos direitos fundamentais à intimidade e à inviolabilidade do sigilo de dados, deve ser manejada de forma extremamente cautelosa, sob pena de ferir de morte o desígnio constitucional. Vale dizer, a quebra do sigilo bancário deve respeitar rígidos limites materiais (as circunstâncias que a autoriza) e formais (o procedimento a ser adotado), não sendo necessário dizer que ambos devem se coadunar com os valores coletivos. E é por isso que o procedimento realizado pela Fiscalização foi absolutamente ilegal, ensejando, pois, a nulidade do auto de infração impugnado. Vejamos. Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para sua realização. De fato, uma simples leitura da Requisição de Informação de Movimentação Financeira (RMF) permite concluir que a autoridade fiscal requisitante não apresentou nenhum fundamento válido que a justificasse. Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção da medida, vale dizer, qual o comportamento da autuada que se subsumiu ao comando legal. Tal atitude da requisitante, coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não se podendo falar em requisição coercitiva. A quebra do sigilo, portanto, depende da autorização de órgão imparcial, isento e equidistante, ou seja, pressupõe a intervenção do Poder Judiciário, que é constitucionalmente obrigado a assegurar tal condição. A Receita Federal, por sua vez, não se afigura imparcial neste caso porque possui interesse próprio na produção da prova, consistente em abalizar sua persecução fiscal, tornado-se, em uma só oportunidade, acusador e inquisidor. Pois bem. Confirmando esta linha de raciocínio e consolidando a jurisprudência da Corte, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 389.808, ocorrido em 15 de dezembro de 2010, decidiu, por cinco votos a quatro, que a Secretaria da Receita Federal não tem poder de decretar, por ato próprio, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, mesmo com a edição da LC 105/01. Portanto, o Supremo Tribunal Federal, agora pelo seu Pleno, decidiu definitivamente que a Receita Federal não tem o poder de decretar a quebra do sigilo bancário, pondo fim à discussão que ainda existia. No presente caso, contudo, a requisição das informações bancárias emanou da Receita Federal, atuando sponte própria, o que revela o arbítrio e a ilegitimidade da prova que embasou o auto de infração impugnado. Assim, não resta qualquer dúvida de que o procedimento adotado pela Fiscalização está eivado de vício e deve ser anulado pela própria Administração Pública (Delegacia de Julgamento), conforme Súmula 473 do STF. E se assim é, a impugnante requer a decretação de nulidade absoluta do presente Auto de Infração, pois este fundamentou-se exclusivamente em meio de prova produzido de forma ilícita, decorrente da quebra do sigilo bancário impulsionada exclusivamente pela Receita Federal, sem a interferência de autoridade judiciária. NULIDADE - DEPÓSITO BANCÁRIO INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO "NO ATACADO". No caso in concreto, o dispositivo legal aplicado foi o descrito no art. 42 da Lei n° 9.430/99, o qual, em síntese, estabelece a possibilidade de cobrança de imposto de renda por presunção de omissão de receita sobre os valores havidos em depósitos bancários não justificados. A prescritividade legal mencionada parece ajustar-se com a realidade dos fatos, pois, uma vez não justificada a origem do ingresso de rendimento, é razoável que, por presunção relativa, o Fisco atribua a tal depósito a característica de omissão de receita e efetue o lançamento de cobrança do imposto. Aqui, assim bem como nas duas situações acima exemplificadas, a literalidade do texto legal não se coaduna com o fato verificado e descrito pela Auditora. O texto legal reporta-se a excepcionais depósitos, no sentido esporádico, inusitado, único ou espaçado. Enquanto a situação fática da impugnante descrita e demonstrada menciona a ocorrência de inúmeros (literalmente, milhares de) depósitos realizados ao longo de doze meses, durante o ano calendário de 2008. Não é sem razão que em julgado recente, sobre depósito bancário, o Conselho exigiu a análise individualizada do depósito, não permitindo a tributação "no atacado". (Cita o Acórdão n° 105-17.098 em 26.06.2008. Publicado no DOU em: 06.03.2009). 50.O Auditor se limitou a aplicar o texto literal da lei, de forma acrítica, enquanto seu dever seria o de verificar, na prática, para onde tais valores foram carreados e a que título. Istofaz parte do dever legal da Fiscalização nos termos do art. 142 do CTN. A observação é pertinente, pois foi incluso no rol dos depósitos não comprovados, inclusive, as transferências entre contas da própria autuada. Isto, por si só, já demonstra a total falta de critério na aplicação da norma e a insubsistência das infrações em comento, na linha da jurisprudência do CARF. Diante do exposto, também por este argumento, requer seja decretada a nulidade do lançamento fiscal ora impugnado. III - NULIDADE - INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA DO ART. 42 DA LEI N° 9430/96. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA GENERALIZADA DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NULIDADE. Muito embora tenha absoluta convicção de que, no mérito, pode comprovar a origem dos depósitos bancários, resultando na improcedência da autuação, a impugnante não pode se furtar de suscitar essa preliminar de nulidade, até mesmo como contribuição para que procedimentos fiscalizatórios arraigados de tamanha arbitrariedade não se repitam jamais! Com efeito, a ação fiscal pode ser resumida em três atos: a) solicitação de extratos bancários; b) intimação do contribuinte para comprovar a origem de todos os depósitos bancários: c) a presunção de omissão de receitas, decorrente da falta de comprovação, no entender do auditor, da origem de todos os valores depositados na conta bancária da autuada durante o ano de 2008. A primeira questão que vem à mente é a seguinte: pode a Fiscalização, tendo acesso a toda movimentação bancária do contribuinte, se acomodar na sua intimação para comprovação da origem de todos os recursos, tributando, por presunção, os depósitos de origem supostamente não comprovadas? A resposta é negativa. Esse procedimento inverte a lógica do trabalho fiscalizatório, passando o contribuinte a ter o ônus de se fiscalizar, ou seja, realizar uma verdadeira autofiscalização, sob pena de, não comprovando estar regular, ser tributado por presunção. Essa não foi a intenção do legislador ao criar o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Como se sabe, a Lei n°. 9.430/96 veio colocar uma pá de cal na antiga discussão acerca da tributação dos depósitos bancários. Antes da sua vigência, os depósitos bancários não poderiam ser considerados fatos jurígenos aptos à cobrança do IRPJ, p. ex., pois não representam, por si só, disponibilidade econômica de renda e proventos, entendimento pacificado inclusive no CARF. Mas note-se bem que a Lei n° 9.430/96 não inverteu o dever de fiscalizar. Permanece o Auditor responsável por fiscalizar, investigar a regularidade fiscal do contribuinte, devendo compulsar, para isso, os livros e os respectivos documentos contábeis/fiscais. Mas, ao que parece, a ilustre Fiscalização preferiu autuar, indistintamente, todos os depósitos efetuados em suas contas bancárias, sem entender a atividade empresarial desenvolvida pela autuada e sem sequer investigar a eventual tributação das suas receitas. Sendo assim, resta evidente a nulidade dos lançamentos fiscais, uma vez que a Fiscalização, sem amparo legal, inverteu o encargo fiscalizatório, obrigando o contribuinte a comprovar TODA a sua movimentação financeira de 2008, sob pena de tributação por presunção. O art. 42 da Lei ns 9430/96 não autoriza a presunção indiscriminada. 59.NULIDADE - APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32% DE FORMA GENÉRICA, SEM A DEVIDA OBSERVÂNCIA DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA. NULIDADE. Consignou, também, a autuada que, pela sua peculiaridade, muito embora não sofra a incidência do ICMS, nem esteja obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias próprias deste imposto estadual - já que o que está sendo "comercializado" é um meio ou um instrumento que possibilitará, posteriormente, a prestação do serviço de telecomunicações pelas operadoras de telefonia móvel aos consumidores finais (que adquirem as recargas de pré-pago), este sim tributado pelo ICMS - tal atividade, sem sombra de dúvidas, apresenta todas as feições típicas de uma operação comercial, de venda. Isto porque a autuada adquire os cartões pré-pagos ou as recargas eletrônicas diretamente da "operadora de telefonia" (no caso, a TIM) ou das empresas denominadas de "primeiras intermediárias" (as empresas RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.) e, em seguida, distribui essas "mercadorias" (palavra empregada em seu sentido amplo) para os "pontos de venda", que, por sua vez, realiza a "venda" aos consumidores finais (usuários de celulares pré-pagos). Pode-se dizer que o regime assemelha-se a uma espécie de "venda" por consignação, já que todos os repasses financeiros ao "elo" superior da "cadeia" são efetuados após a "venda" ao usuário final. Além da operação de distribuição e venda de recarga de pré-pago (recarga física OU eletrônica), de onde vinha a maior parte da receita da empresa, a impugnante esclareceu, ainda, que possuía algumas lojas no Estado da Bahia da operadora TIM, na qual vendia diretamente ao consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas, bem como intermediava entre a TIM e os clientes a contratação planos pós-pagos. Nestes casos, a operação consistia, basicamente, em adquirir as mercadorias (celulares, acessórios etc.) e revender aos clientes ("consumidores finais"), obtendo, assim, uma margem pelas vendas. Analisando todo o rol das atividades prestadas pela autuada, talvez a única que apresente alguma feição de serviço seja a de intermediação pela venda de planos pós-pagos, já que a impugnante recebia da TIM uma comissão por este serviço, de acordo com o contrato firmado entre ambas. Entretanto, ao se examinar o Auto de Infração lavrado, observa-se que o ilustre Auditor Fiscal aplicou, indistintamente, para todos os depósitos recebidos em sua conta bancária, o percentual de presunção do lucro de 32% (próprio das atividades de prestação de serviços sem apresentar um único fundamento legal para justificar tal atitude, já que a maior parte das operações realizadas pela ora autuada (talvez, 99%) constitui, tipicamente, uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de 32% (trinta e dois por cento). No caso específico da impugnante, a atividade desenvolvida não constitui uma obrigação de fazer, mas na obrigação de dar (adquire as recargas das operadoras ou das empresas intermediária e distribui para os pontos de venda). Também é importante intermediária e distribui para os pontos de venda). Também é importante consignar que a atividade da impugnante não se confunde com a atividade da própria operadora de telefonia, como exaustivamente tratado nos tópicos anteriores, donde se conclui que ela não presta serviço de telecomunicações. Diante do exposto, não há como se enquadrar a atividade de venda e distribuição de recarga de celulares pré-pagos como uma prestação de serviço, já que esta apresenta todas as feições de uma operação comercial de venda, ainda que sobre ela não haja incidência do ICMS, devido às suas peculiaridades expostas anteriormente. 66.Neste sentido, por não ter realizado qualquer distinção entre os depósitos recebidos naconta bancária da empresa autuada, optando o Auditor Fiscal por aplicar, indistintamente,para todos os depósitos, o maior percentual de presunção possível, qual seja, o de 32%(próprio das atividades de prestação de serviços), sem apresentar, contudo, um únicofundamento legal para tanto, há de ser decretada a nulidade do procedimento realizado,também por este argumento. DO MÉRITO Superadas as alegações de nulidade da autuação, na remota hipótese de não ser acolhido algum dos argumentos acima expostos, o que conduziria à extinção do presente Auto de Infração e, por conseguinte, do crédito tributário nele materializado, passa a autuada à análise dos argumentos de mérito. Desde já, a autuada esclarece que é virtualmente impossível descrever individualmente, nas páginas da Impugnação Administrativa, cada um dos mais de 7.000 depósitos bancários relacionados na planilha apresentada pelo Auditor Fiscal, que possui mais de 215 páginas, cada página contendo dezenas de lançamentos. Entretanto, pretende, aqui, a autuada explicar sobre todos os documentos que estão sendo apresentados juntamente com a Impugnação (que, sem dúvida alguma, é um volume bastante considerável), os quais comprovam efetivamente a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária, durante todo o ano de 2008, elidindo, assim, a malsinada presunção de omissão de receitas contra si aplicada. Operação de recarga física - Tratando, inicialmente, da operação de venda de recarga física, a ora impugnante junta ao processo a cópia dos contratos firmados com os vendedores, a cópia de todas as prestações de contas realizadas no período, bem como os comprovantes de depósito em dinheiro/cheque ou de transferência bancária (Anexo5). Estes documentos comprovam o recebimento de todos os valores decorrentes das vendas realizadas por cada um dos vendedores, os quais foram depositados nas contas bancárias da autuada, por meio de cheque ou dinheiro, bem como aquelas situações em que os vendedores depositavam os valores em suas próprias contas bancárias e, em seguida, realizavam a transferência para as contas da impugnante, prestando contas com a apresentação dos comprovantes de transferência. Operação de recarga eletrônica - Com relação à recarga eletrônica, a impugnante esclareceu, anteriormente, que eram instalados em cada um dos "pontos de venda" um equipamento especial (chamado de "terminal POS", decorrente de Point of Sale), semelhante àquelas máquinas para operações com cartões de crédito, que registravam as vendas e autorizavam a recarga de crédito pré-pago nos celulares dos clientes. Ao final de cada período específico, o sistema informatizado da impugnante emitia um relatório de liquidação dos valores apurados por cada um dos "pontos de venda". Em seguida, era emitido um boleto bancário pela própria máquina "POS", consignando o valor que deveria ser repassado para a impugnante, já abatido o percentual de comissão daqueles, que, como dito, era de 4%, em média. Neste sentido, a impugnante requer a juntada do cadastro dos pontos de venda, de alguns contratos por amostragem, bem como de todos os relatórios de liquidação emitidos durante o ano de 2008 (Anexo), que comprovam os valores. Requer, também, a juntada de todas as notas fiscais de venda de recargas, emitidas pela TIM, durante o ano de 2008 (Anexo), bem como as notas de saídas das recargas da TIM, emitidas pela MEGAGIRO (Anexo), demonstrando que houve efetivo faturamento destes valores. Pleiteia, ainda, a juntada dos comprovantes dos repasses dos valores à TIM, bem como às demais empresas ("primeiras intermediárias", no caso, a RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.) (Anexo), demonstrando, assim, que, dos valores recebidos pelos "pontos de venda", a maior parte era destinada a estas empresas, ficando a impugnante apenas com o percentual correspondente à sua margem, que, como visto, girava entre 2,5% a 7%. Além disso, a autuada está juntando cópia dos contratos firmados Com todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo). Além disso, a autuada está juntando cópia dos contratos firmados com todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo). Operação das Lojas - Esclarece, ainda, a impugnante, que conforme explicado anteriormente, além da operação de distribuição e venda de recarga de pré-pago (recarga física ou eletrônica), possuía, ainda, algumas lojas da operadora TIM, na qual vendia diretamente ao consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas, bem como intermediava entre a TIM e os clientes a contratação de planos pós-pagos. Nestes casos, todas as vendas foram realizadas por meio de notas ou Cupons Fiscai. Requer, portanto, a juntada integral de todas as notas e cupons fiscais emitidos pelas Lojas (Anexo) no período objeto da autuação, que demonstram todo o seu faturamento. Requer, ainda, ainda, a juntada dos extratos emitidos pelas administradoras de cartões de crédito (Anexo), comprovando os valores recebidos pelas vendas feitas nesta modalidade. Importante destacar, neste ponto, que como diversas compras feitas pelos clientes utilizando os cartões de crédito são parceladas, é impossível estabelecer uma conexão exata entre cada operação realizada e o depósito recebido em sua conta bancária. Anexa, também, à presente defesa a cópia das notas fiscais de serviço emitidas no período (Anexo), relativamente aos serviços de intermediação na contratação de planos pós-pagos entre os clientes e a TIM. Transferências entre contas da mesma titularidade - Além dos documentos anteriormente referidos, que tratam da comprovação da sua receita decorrente do exercício da atividade operacional, a autuada requer a juntada de todos os extratos bancários (Anexo), os quais demonstram a inclusão pela Fiscalização de valores decorrentes de transferências entre contas de mesma titularidade, o que denota um grave equívoco cometido pelo Fiscal, contrariando a redação do próprio art. 42, § 32, I, da Lei n° 9.430/96. 82.Contratos de locação com a CEMIG - A autuada esclarece, ainda, que possui umimóvel situado no Estado de Minas Gerais, em relação ao qual firmou contrato delocação com a CEMIG (Anexo) em relação ao qual firmou contrato de locação com a CEMIG (Anexo). Contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda - Ademais, a autuada firmou contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda., os quais estão anexados à presente impugnação (Anexo), demonstrando, assim, a origem dos valores depositados em sua conta bancária. Para facilitar o exame de todos os documentos, a autuada apresenta a planilha anexa (Anexo), que consolida toda a relação de depósitos bancários selecionados pela Fiscalização e informa a origem de cada um deles, indicando em qual documentação poderá ser confirmada. Conclusões - Como se pode observar, a farta documentação ora anexada comprova efetivamente a origem de todos os depósitos realizados em suas contas bancárias. Importa salientar, neste ponto, que a Jurisprudência do CARF é uníssona no sentido de que, uma vez comprovada a origem dos valores, caberá à Fiscalização aprofundar a fiscalização, a fim de verificar se o contribuinte, de fato, recolheu todos os tributos devidos. Entretanto, a autuada reitera, aqui, que todos os valores em questão foram efetivamente, oferecidos à tributação, o que será tratado melhor no tópico seguinte. Sendo assim, comprovada a origem dos valores depositados nas contas bancárias da impugnante, resta elidida a presunção de omissão de receita, razão pela qual o auto de infração é improcedente. DEDUÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA DE TODO O FATURAMENTO TRIBUTADO NO PERÍODO - Entretanto, por eventualidade, na hipótese de se entender que, apesar de todo o esforço da autuada, não restou comprovada a origem dos recursos, requer, ao menos, que seja deduzido da presunção de omissão de receita todo faturamento tributado no período, sob pena de cobrança dos tributos em duplicidade. 88.DA RECONTABILIZAÇÃO REALIZADA PELA AUTUADA - Como já afirmado inúmeras vezes ao longo da presente defesa, a autuada tem absoluta convicção de que não sonegou tributo ao Erário. E, neste sentido, informa que, no curso da Fiscalização que culminou na lavratura da presente autuação, providenciou a recontabilização de todos os seus lançamentos, inserindo em sua contabilidade todos os depósitos realizados em suas contas bancárias, apurando, ao final deste procedimento, que, de fato, toda a sua receita foi oferecida à tributação. Como prova disso, a ora impugnante requer a juntada ao Auto dos seus livros Diário e Razão devidamente recontabilizados (Anexo), nos quais se poderá constatar a inserção de toda a sua movimentação bancária na contabilidade. Ou seja, como já afirmado no início da presente defesa, a autuada não quer evitar ou se furtar à Fiscalização. Muito pelo contrário!!! A ora impugnante deseja ser efetivamente fiscalizada, oportunidade na qual se constatará que todos os valores em questão (que corresponderam à sua efetiva receita), foram devidamente tributados! E se, eventualmente, for apurado algum crédito tributário remanescente, o que, sinceramente, não acredita, que seja cobrado sobre uma base de cálculo correta, justa e razoável. DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA Conforme examinado no tópico anterior, a autuada apresentou na presente defesa todos os documentos de que dispõe, necessários para comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. Entretanto, apesar de tal documentação estar devidamente descrita e explicada, a sua imensa quantidade dificulta sobremaneira o exame pelos nobres Julgadores, justificando, assim, a realização de uma perícia por Auditor independente e estranho ao feito, na forma do art. 16, IV, do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n2. 70.235/1972), a fim de se apurar minuciosamente todas as alegações aqui sustentadas. Apresenta quesitos e indica perito. Ante todo o exposto, entende a impugnante que foram devidamente comprovadas todas as suas alegações, bem como a origem dos depósitos bancários efetuados em suas contas, por meio dos documentos apresentados, devendo ser julgado improcedente este Auto de Infração (caso sejam ultrapassadas as preliminares de nulidade anteriormente deduzidas). Entretanto, na remota hipótese de serem ultrapassados todos os argumentos até aqui sustentados e em homenagem ao princípio da eventualidade, o que não acredita a impugnante, já que representaria o encerramento de suas atividades (ocasionando a demissão de centenas de empregados), vem apresentar seus argumentos finais. I - IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32%. REDUÇÃO PARA O PERCENTUAL DE 8%. - Conforme já explicitado no tópico das NULIDADES, referente à "APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32% DE FORMA GENÉRICA, SEM A DEVIDA OBSERVAÇÃO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA. NULIDADE.", a ora impugnante demonstrou que a maior parte de suas operações realizadas (talvez, 99%) constitui, tipicamente, uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento). 96.II - IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA COM O ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO Expôs, também, a autuada quem além presumir a omissão de receitas e de aplicar tal percentual indevidamente majorado de 32%, o ilustre Autuante ainda considerou imprestável a escrituração contábil da ora impugnante, uma vez que, segundo o relatório fiscal, "não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem em conta Caixa", optando por arbitrar o lucro, o que resultou num acréscimo de 20%, tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo do IRPJ, de 38,4% (32% + 20%). Todavia, há de se consignar que a cumulação destes dois procedimentos ou roteiros de Fiscalização é absolutamente incompatível. Isto porque, ao se presumir a omissão de receita (com base em depósitos de origem não comprovada), o Fiscal não está analisando a contabilidade do contribuinte. Ao contrário disso, está se amparando numa mera presunção da ocorrência do fato gerador. Já o lucro arbitrado tem seu fundamento na dificuldade de identificação do fato gerador, e não na sua presunção. Ou seja, o contribuinte possui a contabilidade, que é analisada pela Fiscalização, mas esta não mereceu fé, por alguma razão, que deve ser justificada. E tal fato conduz ao arbitramento. Ora, se o roteiro de fiscalização utilizado baseou-se, integralmente, numa presunção, não tendo sido sequer analisada a contabilidade da empresa, jamais poderia ter sido aplicada a majoração de 20% decorrente do arbitramento do lucro, pois esta é uma medida imposta para se identificar alguma base de cálculo possível. Deste modo, requer seja excluída a majoração decorrente do arbitramento do lucro, na remota hipótese de ser mantida a autuação fiscal. NÃO INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO -Por fim, requer a impugnante seja afastada a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que, no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a legislação atualmente em vigor não autoriza a exigência de juros sobre multa. DO PEDIDO - Ante o exposto, pleiteia a impugnante pelo acolhimento dos seus argumentos, a fim de que seja julgada nula a presente autuação fiscal. Na hipótese de restarem superadas as preliminares de nulidade suscitadas, requer, no, mérito, seja reconhecida a total improcedência do Auto de Infração sob exame, extinguindo-se, por conseguinte, o débito tributário em questão, uma vez que restou comprovada a origem dos depósitos bancários efetuados nas contas da autuada, tendo sido elidida, portanto, a presunção de omissão de receita. Por fim, em homenagem ao princípio da eventualidade, na remota hipótese de restarem superados todos os seus argumentos anteriormente citados, o que, sinceramente, não se espera, pleiteia a autuada (i) pela redução do percentual de presunção do lucro de 32% para 8%; (ii) pelo afastamento da majoração de 20% decorrente do arbitramento do lucro; e (iii) pela não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. A decisão de origem julgou a impugnação parcialmente procedente, excluindo da quantificação da receita omitida somente os valores referentes a transferências bancárias entre contas do próprio Interessado, a empréstimos efetivamente comprovados. Decidiu-se ainda deduzir da exigência os valores de tributos declarados em DCTF. Em relação à parcela exonerada, recorreu-se de ofício. Intimado da decisão em 10/07/2013 (fl. 29.504), recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 29.506 - 29.576 em 09/08/2013, reafirmando as razões de impugnação, inclusive o pedido de perícia, e discordando das conclusões da DRJ quanto à ausência de comprovação de origem dos depósitos bancários. Pautado o processo, este colegiado converteu o julgamento em diligência. Reproduzo os termos do que foi requerido por bem retratar também o entendimento então firmado pela turma: Conforme exposto, não restam dúvidas quanto à forma de determinação das bases de cálculos e respectiva forma de tributação a ser considerada no presente caso: - em relação às operações com a TIM, os depósitos respectivos devem ser considerados omissão de receita em sua integralidade, tributando-se o montante respectivo para fins de PIS e Cofins, e utilizando-se dos coeficientes de presunção de lucro 9,6% e 12% para determinação das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, respectivamente (lucro arbitrado); - no que tange às operações remuneradas mediante comissão (contratos com Claro, Vivo, Tendência Informação e Sistemas Ltda e RV Tecnologia e Sistemas S/A), os valores a serem considerados como omissão de receitas devem se limitar à comissão percebida, sendo a respectiva receita bruta utilizada para quantificar as bases de cálculo de PIS e Cofins, bem como, mediante utilização dos coeficientes de presunção de lucro de 38,4% e 32%, as bases de cálculo de IRPJ e CSLL, respectivamente (lucro arbitrado). A fim de dar liquidez à exigência, faz-se necessária discriminação e determinação das receitas brutas auferidas nas operações de compra e venda (contrato com a TIM), e também nas operações em que a Recorrente foi remunerada mediante comissão (demais contratos). Para tanto, deverá autoridade fiscal intimar a Recorrente a fim de que essa demonstre, de forma pormenorizada: a) O valor recebido, mensalmente, referente às operações de venda de créditos, cartões telefônicos e aparelhos celulares referentes ao contrato da TIM; b) O valor líquido mensal referente às operações de intermediação de créditos digitais remuneradas mediante comissões (diferença entre os valores percebidos pela Recorrente e aqueles a serem repassados às empresas Claro, Vivo, Tendência Informação e Sistemas Ltda e RV Tecnologia e Sistemas S/A). A Recorrente poderá se utilizar, se assim entender, da escrituração contábil acostada em sede de impugnação/recurso. De qualquer forma, a Recorrente deverá manter à disposição da autoridade fiscal, de forma discriminada e organizada, a documentação que dê suporte a tal escrituração ou demonstrativos elaborados. Esclarece-se que a eventual utilização da nova escrituração apresentada pela Recorrente servirá tão somente, e se for o caso, para a quantificação das receitas efetivamente auferidas pelo contribuinte, nos moldes já esclarecidos no decorrer deste voto, não cominando quaisquer outros efeitos para fins da exigência, notadamente em relação ao resultado auferido e a forma de tributação adotada pela Interessada. Caso a autoridade fiscal divirja dos valores apresentados pela Recorrente, deverá indicar aqueles que entender corretos. Uma vez quantificada as receitas, nos moldes requeridos e nos termos do presente voto, deverá a autoridade fiscal elaborar demonstrativo quantificando os valores de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins incidentes sobre elas, deduzindo os valores já declarados pela Recorrente, demonstrando, por derradeiro, os eventuais saldos de tributos que deixaram de ser declarados à RFB . Ato contínuo, deverá ser elaborado relatório fiscal circunstanciado em que restem demonstradas suas conclusões, tanto em relação às receitas auferidas, quanto em relação aos saldos de tributos por ventura não declarados à RFB. A autoridade fiscal poderá apresentar ainda os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise dos autos. Ao final, a Recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindo-se prazo de 30 dias para que, querendo, manifeste-se sobre seu conteúdo. Os autos retornaram à unidade de origem, requerendo que o contribuinte apresentasse os e esclarecimentos determinados na Resolução prolatada por esta turma. Em 28/07/2014, lavrou-se o termo de intimação fiscal de fls. 29644-29646 requerendo as informações, e os documentos comprobatórios correspondentes, nos termos referidos na Resolução em comento. Houve solicitação de dilação de prazo (fl. 29656) que foi concedida (20 dias - fl. 29652-29653). Em 11/09/2014, o contribuinte informa que entregaria a documentação no dia 17/09/014, conforme já combinado com o responsável pelo procedimento fiscal. Houve nova intimação solicitando novos esclarecimentos (fls. 29650-29652 - ciência em 28/01/2015). O contribuinte apresentou pedido de prorrogação por mais 15 dias, contados da data de vencimento do prazo, dia 09/02/2015 (fl. 29658) Em 20 de março de 2015, a autoridade fiscal responsável pela diligência elaborou relatório sobre a diligência informando que não era possível concluir a diligência em face da ausência da apresentação da documentação necessária (fls. 29984-29987 - ciência em 20/04/2015 à fl. 29989). É o relatório.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Relatório O presente processo foi alvo da Resolução nº 1402-000.259. Repito o relatório contido em tal decisão, complementando-o ao final. Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida até aquela fase processual, complementando-o ao final: Trata o processo em questão de Autos de Infração referentes ao ano-calendário de 2008, para exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ no valor de R$ 14.092.834,55; da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL no valor de R$ 4.235.050,36; da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS no valor de R$ 4.411.510,76, e da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS no valor de R$ 955.827,28 que após sofrerem acréscimos de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazem um total de R$ 50.971.013,79. De acordo com a descrição dos fatos do auto de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, o lançamento foi efetuado sob as seguintes alegações: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, uma vez que não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, banco conta movimento, nem na conta caixa. Enquadramento Legal Art. 530,inciso II, do RIR/99 Infração 01 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - Valor apurado conforme Termo de Verificação anexo. Enquadramento Legal: Arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430/96; arts. 532 e 537 do RIR/99. Em decorrência dos mesmos pressupostos fáticos da infração 01, foram lavrados os autos de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS. Do Termo de Verificação Fiscal. Em síntese, o Termo de Verificação Fiscal esclarece o seguinte: Da analise dos extratos bancários, do contribuinte, selecionamos diversos lançamentos de credito, objetivando obter comprovação das respectivas origens, o que motivou a lavratura dos TERMOS DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 001 a 003, nos quais intimamos, o contribuinte, a informar, por escrito, os números das páginas dos seus livros contábeis em que foram escriturados todos os lançamentos (lançamentos e contrapartidas ) referentes a cada um dos valores creditados, em suas contas bancárias, conforme relação, informando, por escrito, e comprovando, através de documentação hábil e idônea, a origem e tributação dos respectivos recursos; Em resposta aos termos lavrados, o contribuinte apresentou um vasto documental, alegando, dentre outras coisas, que em virtude de peculiaridades de sua atividade empresarial, recebia valores que seriam meros repasses financeiros a serem transferidos a outras empresas, pleiteia que suas receitas sejam consideradas como oriundas de atividade comercial, fatos estes que não consideramos por não encontrarmos respaldo legal para acatá-los. O fiscalizado nos informou que os valores listados abaixo não seriam receitas da atividade, e sim empréstimos bancários, contraídos junto ao Banco Indusval Multistock : O fiscalizado apresentou, como prova dos referidos empréstimos bancários, os seguintes documentos: "CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO - CONTA GARANTIDA", N° 5643, datada de 21/01/2008, vencimento 22/04/2008, valor limite de credito de RS 1.000.000,00; e)"CARTA DE FIANÇA", N° 1815/06, datada de 23/11/2006, vencimento23/11/2007, valor afiançado de R$ 1.000.000,00; "ADITAMENTO A CARTA DE FIANÇA BANCARIA N° 1815/06", emitida em 23/11/2006", de 17/10/2007, prorrogando o vencimento para 24/11/2008, mantendo o valor afiançado de R$ 1.000.000,00 ; "ADITAMENTO A CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO - CONTA GARTANTIDA", N° 4982-2, datado de 21/01/2008, aditando a "CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO N° 49X2" (o número X encontrase ilegível ), datada de 21/01/2008, alterando o vencimento para 22/04/2008, alterando o limite de credito para R$ 2.000.000,00; h)"INSTRUMENTO PARTICULAR PARA CONSTITUIÇÃO DE ARBITRAGEM -COMPROMISSO ARBITRAL N° 6760, datada de 23/07/2008, vencimento 20/11/2008, valor do principal RS 1.000.000,00; i)"INSTRUMENTO PARTICULAR PARA CONSTITUIÇÃO DEARBITRAGEM ( COMPROMISSO ARBITRAL ) " N° 4982-2, datada de 18/01/2008, data do vencimento 22/04/2008, no valor de R$ 2.000.000,00 ; j) Copia de documentos intitulados "Extrato Indusval" referente aos meses de janeiro a julho e de setembro a novembro ; k) Considerando que as informações e os documentos citados nos itens 2 e 3, por si só, não comprovam nenhum dos seus respectivos valores, lavramos o TERMO DE RELNTIMAÇÃO FISCAL N 0001, solicitando as devidas informações e comprovações ; l) Em resposta ao TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL N 0001, o fiscalizado nos apresentou, novamente, os documentos citados no item 3.1 a 3.6 e o extrato bancário do período, documentos estes que, por si só, não demonstram nem comprovam nenhum dos valores questionados ; m) O fiscalizado, regularmente intimado, não comprovou a escrituração, em seus livros contábeis, dos valores creditados, em suas contas bancárias, nem comprovou sua origem como estranha à atividade social da empresa, dos valores listados abaixo : Junta ao Termo de Verificação nas fls. 39 a 249 planilha contendo todos os depósitos bancários, cuja origem não teria sido justificada. n) Diante do exposto, estamos lavrando o presente Auto de Infração, baseado no art. 42 da Lei n° 9.430/96, tendo em vista a cobrança dos respectivos tributos federais, considerando como omissão de receita, os valores listados no item 6, que resumimos em valores mensais e trimestrais: MES MENSAL TRIMESTRAL Janeiro 10.015.461,76 Fevereiro 5.929.605,50 Março 9.058.310,54 25.003.377,80 Abril 10.943.734,67 Maio 10.995.336,57 Junho 11.763.471,86 33.702.543,10 Julho 12.730.727,55 Agosto 10.399.914,13 MES MENSAL TRIMESTRAL Setembro 16.943.485,40 40.074.127,08 Outubro 15.411.157,14 Novembro 14.914.805,41 Dezembro 17.944.349,94 48.270.312,49 Total 147.050.360,47 147.050.360,47 o) Considerando que a escrituração contábil, apresentada pelo fiscalizado, não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, "banco conta movimento", nem na conta Caixa, o lucro do fiscalizado será arbitrado em virtude de sua escrituração encontrar-se imprestável para identificar a efetiva movimentação bancária, ao fulcro do Inciso II, alínea "a", art. 47, Lei n° 8.981/1999. Da Impugnação Cientificada da autuação pessoalmente em 21/11/2012, em 21/12/2012, a autuada contesta o lançamento, apresentando, resumidamente, as seguintes razões: Em cumprimento à intimação, a autuada apresentou, em 19/08/2011, os Livros Fiscais solicitados pela Fiscalização. Entretanto, afirmou o Autuante que não foram entregues as cópias dos extratos bancários, o que ensejou a emissão, pelo Auditor Fiscal, de diversas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMFs) para algumas instituições financeiras, sem a devida autorização judicial, saliente-se. Após as respostas apresentadas pelos Bancos, foram obtidos inúmeros extratos de contas bancárias de titularidade da ora impugnante, os quais consignavam, diversos depósitos recebidos. Em seguida, o i. Fiscal aduziu que "confrontando os extratos bancários, com a escrituração contábil, apresentada pelo fiscalizado, constatamos que a mesma não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem na conta Caixa". Em resposta, a autuada, de boa-fé, apresentou petição, em 24/05/2012 (fls. 991 a 995 dos autos), na qual, inicialmente, explicou que atua no ramo de distribuição e intermediação da venda de recarga pré-paga para telefonia móvel. Salientou, nesta oportunidade, que as principais operadoras de telefonia móvel (TIM, OI, CLARO e VIVO) habilitam diversas distribuidoras, entre as quais a ora autuada, para realizarem a venda dos créditos pré-pagos de telefones celulares, com o objetivo de atingir o maior número e variedade de localidades possíveis, visando alcançar todo o potencial mercado consumidor. Esclareceu que, normalmente, as empresas habilitadas diretamente pelas operadoras de telefonia móvel (chamadas aqui de "primeiras intermediárias") operam em macroregiões e, para otimizar e conferir maior eficiência à distribuição das recargas de celular pré-pago, firmam contratos com outras empresas (chamadas de "intermediárias secundários"), com vistas a organizar o mercado e distribuir os produtos em nichos menos abrangentes. Os "intermediários secundários", por sua vez, contratam os chamados "pontos de venda", que, normalmente, são as padarias, bancas de revistas, farmácias, supermercados, postos de gasolina, pequenas vendas ou mercadinhos de bairro etc, os quais ficam responsáveis pela venda direta das recargas ao consumidor final (clientes de celulares pré-pagos). Explicou a impugnante, em sua petição, que atua neste ramo tanto como "primeira intermediária" (quando é contratada diretamente por uma operadora de telefonia móvel), quanto como "intermediária secundária" (quando é contratada pelas "primeiras intermediárias" e fica responsável por captar e cadastrar os "pontos de venda" e coordenar toda a distribuição para estes das recargas de pré-pago, que, posteriormente, serão vendidos aos consumidores finais). Ao término de um período determinado, cada "ponto de venda" deve prestar contas das operações realizadas e efetuar o pagamento às empresas chamadas de "intermediárias secundárias" dos valores recebidos dos consumidores finais -normalmente, por meio de boletos ou depósitos bancários ou, ainda, por meio de cheques - descontando o valor da sua comissão recebida, que, geralmente, é de 4% a 5% do total auferido. Em outras palavras, os "pontos de venda" repassam às "intermediárias secundárias" toda a receita decorrente da venda das recargas de pré-pago aos clientes, abatendo apenas deste valor o seu percentual de comissão (como dito, 4% a 5%). Em seguida, cada uma das empresas denominadas aqui de "intermediárias secundárias" repassa os valores recebidos dos "pontos de venda" às "primeiras intermediárias", também abatendo o seu percentual de comissão pelas vendas (que gira em torno de 3% a 4%). E por fim, as chamadas "primeiras intermediárias" repassam os valores recebidos às operadoras de telefonia móvel (também descontando o seu percentual de comissão). Importante destacar que estas últimas (as operadoras), por óbvio, recebem a maior "fatia" dos valores decorrentes das vendas de recarga de pré-pago (cerca de 90% de todos os valores auferidos) já que são as prestadoras efetivas do serviço de telecomunicações. Em suma, a ora impugnante deixou bem claro ao ilustre Auditor Fiscal, em sua petição de 24/05/2012, que, muito embora grande parte do produto das vendas de recargas transite em suas contas bancárias, o fato é que um percentual bastante significativo deste montante (mais de 94%) é sempre repassado adiante, seja para as operadoras de telefonia, como a TIM, por exemplo (nas hipóteses em que a impugnante atua como "primeira intermediária") seja para outras empresas chamadas "primeiras intermediárias" (quando a impugnante atua como "intermediária secundária"). Em outras palavras, o resultado de sua atividade empresarial, na qualidade de intermediária na distribuição de recargas, restringe-se apenas à sua comissão (em percentual médio de 4% do total de vendas). Esta é a sua efetiva remuneração. Em seguida, se reportando a planilha disponibilizada pelo i. Auditor contendo os milhares de depósitos efetuados, passou a tratar dos valores creditados em sua conta bancária, esclarecendo que, de acordo com a referida planilha, havia lançamentos em sua conta bancária que totalizaram a quantia de R$149.318.748,01 (cento e quarenta e nove milhões, trezentos e dezoito mil, setecentos e quarenta e oito reais e um centavos). Inicialmente, a autuada esclareceu que, deste montante, R$21.447.546,00 (vinte e um milhões quatrocentos e quarenta e sete mil quinhentos e quarenta e seis centavos) referem-se a empréstimos concedidos por instituições financeiras e movimentações bancárias entre contas da própria autuada, juntando a devida comprovação nos Anexos 03 e 04 de sua petição. Com relação ao montante de R$ 78.331.617,98 (setenta e oito milhões trezentos e trinta e um mil seiscentos e dezessete reais e noventa e oito centavos), explicou que se encontra devidamente registrado em sua contabilidade, conforme comprova a DIPJ do período, bem como o Balanço e Demonstração de Resultados devidamente assinados, juntados no Anexo 05. Por fim, quanto ao valor de R$ 49.529.683,21 (quarenta e nove milhões quinhentos e vinte e nove mil seiscentos e oitenta e três reais e vinte e um centavos), a ora impugnante demonstrou, naquela oportunidade, que tal montante apenas transitou pelas suas contas bancárias, tendo sido repassados às outras empresas intermediárias (nas hipóteses em que a autuada atua com "intermediária secundária"), por se tratar de valores decorrentes da venda de recargas de celulares. Neste sentido, a impugnante apresentou, nos Anexos 06 e 07, os contratos firmados com essas outras empresas (RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.), os recibos emitidos por elas, atestando que receberam as quantias, bem como os comprovantes de depósito e boletos bancários pagos, que demonstram, categoricamente, que esses valores foram efetivamente repassados para elas. Entretanto, completamente alheio a tal realidade (data maxima vénia), o ilustre Auditor Fiscal entendeu por bem ignorar esses fatos e resolveu autuar a empresa, com fundamento no art. 42 da Lei ng. 9.430/96, presumindo como omissão de receitas todos os depósitos efetuados nas contas bancárias da ora impugnante, já que, sob sua ótica, não restou devidamente comprovada pelos documentos apresentados a origem destes depósitos. Como se não bastasse, o Agente Fiscal ainda aplicou um percentual de presunção do lucro de 32% (próprio das atividades de prestação de serviços), sem apresentar um único fundamento legal para justificar tal atitude, já que a atividade desempenhada pela ora autuada é tipicamente uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de 32% (trinta e dois por cento). Além presumir a omissão de receitas e de aplicar tal percentual indevidamente majorado, o ilustre Autuante ainda considerou imprestável a escrituração contábil da ora impugnante, uma vez que, segundo o relatório fiscal, "não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem em conta Caixa", optando por arbitrar o lucro, o que resultou num acréscimo de 20%, tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo do IRPJ, de 38,4% (32% + 20%). Em decorrência disso, foi lavrado o presente Auto de Infração, cobrando o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e seus reflexos - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) - no absurdo valor total (incluindo a multa de 75% e juros de mora) de R$ 50.971.013,79 (cinqüenta milhões novecentos e setenta e um mil treze reais e setenta e nove centavos). Ou seja, para evitar a realização de um longo e trabalhoso procedimento de Fiscalização, optou-se, neste caso, pelo caminho mais simples (e fácil) da presunção de omissão de receita, tendo o Fisco transferido para o contribuinte todo o ônus de se autofiscalizar, impondo-lhe a complicada e difícil missão de comprovar neste processo a origem de, literalmente, milhares de depósitos bancários efetuados em sua conta, sob pena e risco de ter contra si constituído (definitivamente) um crédito tributário absolutamente impagável. E fato que o expediente da presunção de omissão de receitas decorrente de depósitos de origem não comprovada é um instrumento ou uma "arma" extremamente poderosa a que dispõe o Fisco, para coibir e impedir a sonegação tributária que tanto prejudica o País, constituindo, portanto, um grande avanço a sua expressa previsão no art. 42 da Lei n°. 9.430/96. Porém, como tal, há de ser utilizado com muita cautela e parcimônia, a fim de se evitar o cometimento de arbitrariedades e injustiças, como a que ora se verifica. Neste sentido, muito embora reconheça que cometeu um equívoco ao não contabilizar as referidas contas bancárias, a autuada já antecipa que providenciou toda a sua recontabilização referente ao ano de 2008, incluindo todos os lançamentos bancários em sua contabilidade (o que será apresentado neste feito), tendo concluído, ao final deste procedimento, que não restou saldo de imposto a pagar, o que demonstra tratar-se de um erro formal cometido anteriormente, e não de uma intenção de sonegar tributo, já que todo o seu resultado fora devidamente oferecido à tributação, repita-se. Além disso, há de se destacar que a ora impugnante agiu de boa-fé durante todo o procedimento de Fiscalização, tendo respondido às intimações feitas, bem como apresentado todos os documentos que, naquele instante, julgava necessários e suficientes para comprovar a origem dos depósitos bancários. DA DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA -Neste contexto, importa salientar que as principais operadoras de telefonia móvel (TIM, OI, CLARO e VIVO) habilitam diversas distribuidoras para realizarem a venda dos créditos pré-pagos de telefones celulares. E é neste ramo que a ora impugnante está inserida, ou seja, na distribuição e intermediação da venda de recarga pré-paga para telefonia móvel (esta é sua atividade principal, mas não a única, conforme se examinará adiante). 27.DA EMISSÃO DOS DOCUMENTOS FISCAIS PELA AUTUADA - Conforme examinado no tópico anterior, a atividade de venda e distribuição de recarga para celulares pré-pagos é, de certo modo, uma atividade atípica, que apresenta algumas peculiaridades. Explica-se. Muito embora a impugnante realize a venda e distribuição de um bem (que é a "recarga física" ou a "recarga eletrônica"), na realidade, o que se está "vendendo" não é, propriamente, uma "mercadoria" (para fins de incidência do ICMS, por exemplo). 28.Em verdade, o que se está "comercializando" é um meio ou um instrumento que possibilitará, posteriormente, a prestação do serviço de telecomunicações pelas operadoras de telefonia móvel aos consumidores finais (que adquirem as recargas de pré-pago). Em outras palavras, quando o usuário final se dirige a um dos "pontos de venda"cadastrados pela ora impugnante e efetua a recarga do seu crédito de celular pré-pago, ele não está pagando por uma "mercadoria", ou seja, o que ele deseja adquirir não é o cartão físico de recarga ou a recarga eletrônica, pura e simplesmente. Na prática, ele está pagando por um serviço de telecomunicações, que, como dito, será prestado pelas "operadoras de telefonia móvel". Logo, sob uma ótica contábil-fiscal não se pode analisar a atividade desempenhada pela ora impugnante da mesma forma que se examinaria um comerciante atacadista, por exemplo, muito embora ambos realizem a venda de determinados bens (ressalte-se que a palavra "venda" está aqui sendo empregado no seu sentido amplo). Isso porque, no caso do comerciante atacadista (de gêneros alimentícios, por exemplo), cada operação de venda de mercadorias é amparada por uma nota fiscal específica, emitida no ato da venda, em relação à qual o comerciante recolherá, posteriormente, o ICMS (além dos tributos federais). Já no caso da impugnante, apesar de realizar a "venda e distribuição" de recargas de celulares, pré-pagos, sua atividade não está sujeita à incidência do ICMS, uma vez que este imposto é pago apenas pelas operadoras de telefonia móvel, em razão da prestação do serviço de telecomunicações. Atenta a esta realidade, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (estado no qual a impugnante realiza suas operações) editou o Parecer n°. 00292/2007 (inteiro teor anexo -doc. 03), respondendo a uma Consulta Formal formulada por contribuinte. Eis a ementa do referido Parecer: "ICMS. Consulta. Recarga de telefone celular pré-pago. A responsabilidade pela emissão de nota fiscal e recolhimento do imposto é da empresa prestadora de serviço de telefonia. RICMS-BA/97, art. art. 4°, § 2°, c/c o art. 305.". Em conclusão, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia assim consignou: "Da análise da norma transcrita, verifica-se que, na prestação de serviço de telecomunicação através de recarga de telefone celular pré-pago, a responsabilidade pela emissão de nota fiscal e recolhimento do imposto é da empresa prestadora de serviço de telefonia". Na situação apresentada, o ICMS é de responsabilidade da operadora de telefonia móvel. Assim sendo, e considerando que, nas vendas de cartões de recarga de telefone celular pré-pago, a consulente, além de não prestar serviço de telecomunicação, não realiza operação relativa à circulação de mercadorias, o entendimento é de que, nessa operação, não lhe cabe o recolhimento do ICMS, nem o cumprimento de qualquer obrigação acessória relativa ao imposto." Ou seja, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia reconheceu, expressamente, que as empresas que atuam neste ramo de "venda" de recarga de celular pré-pago, não estão sujeitas ao recolhimento do ICMS, muito menos ao cumprimento das obrigações acessórias relativas a este tributo, entre as quais, a emissão de documento fiscal. Saliente-se, ainda, que este entendimento não é restrito ao Fisco do Estado da Bahia, já que, a título meramente exemplificativo, o Paraná também adota o mesmo procedimento. Mas, por óbvio, o fato de não estar obrigada a emitir uma nota fiscal relativamente a cada "venda" de recarga realizada, não impossibilitará a autuada de comprovar a origem dos depósitos em sua conta bancária por outros meios ou formas. Apenas quer deixar claro, desde já, que essa comprovação não será feita por meio da juntada de uma nota fiscal específica para cada valor depositado, mas, sim, por diversos outros documentos idôneos e hábeis para comprovar todas as suas alegações acerca da origem dos recursos. DAS NULIDADES DO PROCEDIMENTO FISCAL ADOTADO - Previamente à análise dos argumentos de mérito da presente defesa, oportunidade na qual a impugnante demonstrará a origem dos valores depositados em sua conta bancária, cumpre, de forma preliminar, suscitar algumas nulidades que macularam o procedimento fiscal realizado. I - DADOS OBTIDOS POR QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL MESMO APÓS O ADVENTO DA LC N° 105/01. RECENTE DECISÃO DO STF. É antiga a querela envolvendo as autoridades fiscais e os contribuintes sobre o tema "quebra do sigilo bancário", especialmente quando se trata dos seus aspectos fundamentais, a saber: as circunstâncias autorizadoras, a competência para permiti-la, os limites impostos quanto ao uso e a finalidade dos dados bancários legalmente obtidos". Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para sua realização. De fato, uma simples leitura da Requisição de Informação de Movimentação Financeira (RMF) permite concluir que a autoridade fiscal requisitante não apresentou nenhum fundamento válido que a justificasse. Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção da medida, vale dizer, qual o comportamento da autuada que se subsumiu ao comando legal. Tal atitude da requisitante, coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não se podendo falar em requisição coercitiva. Como é notório, tais prescrições normativas encontram-se no seio dos direitos e garantias fundamentais, compondo, pois, um núcleo imutável do texto constitucional, ou, na linguagem clássica, cláusulas pétreas, imodificáveis mesmo por intermédio de emenda à Constituição Federal. Por isso, a quebra do sigilo bancário, porquanto representa uma relativização dos direitos fundamentais à intimidade e à inviolabilidade do sigilo de dados, deve ser manejada de forma extremamente cautelosa, sob pena de ferir de morte o desígnio constitucional. Vale dizer, a quebra do sigilo bancário deve respeitar rígidos limites materiais (as circunstâncias que a autoriza) e formais (o procedimento a ser adotado), não sendo necessário dizer que ambos devem se coadunar com os valores coletivos. E é por isso que o procedimento realizado pela Fiscalização foi absolutamente ilegal, ensejando, pois, a nulidade do auto de infração impugnado. Vejamos. Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para sua realização. De fato, uma simples leitura da Requisição de Informação de Movimentação Financeira (RMF) permite concluir que a autoridade fiscal requisitante não apresentou nenhum fundamento válido que a justificasse. Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção da medida, vale dizer, qual o comportamento da autuada que se subsumiu ao comando legal. Tal atitude da requisitante, coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não se podendo falar em requisição coercitiva. A quebra do sigilo, portanto, depende da autorização de órgão imparcial, isento e equidistante, ou seja, pressupõe a intervenção do Poder Judiciário, que é constitucionalmente obrigado a assegurar tal condição. A Receita Federal, por sua vez, não se afigura imparcial neste caso porque possui interesse próprio na produção da prova, consistente em abalizar sua persecução fiscal, tornado-se, em uma só oportunidade, acusador e inquisidor. Pois bem. Confirmando esta linha de raciocínio e consolidando a jurisprudência da Corte, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 389.808, ocorrido em 15 de dezembro de 2010, decidiu, por cinco votos a quatro, que a Secretaria da Receita Federal não tem poder de decretar, por ato próprio, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, mesmo com a edição da LC 105/01. Portanto, o Supremo Tribunal Federal, agora pelo seu Pleno, decidiu definitivamente que a Receita Federal não tem o poder de decretar a quebra do sigilo bancário, pondo fim à discussão que ainda existia. No presente caso, contudo, a requisição das informações bancárias emanou da Receita Federal, atuando sponte própria, o que revela o arbítrio e a ilegitimidade da prova que embasou o auto de infração impugnado. Assim, não resta qualquer dúvida de que o procedimento adotado pela Fiscalização está eivado de vício e deve ser anulado pela própria Administração Pública (Delegacia de Julgamento), conforme Súmula 473 do STF. E se assim é, a impugnante requer a decretação de nulidade absoluta do presente Auto de Infração, pois este fundamentou-se exclusivamente em meio de prova produzido de forma ilícita, decorrente da quebra do sigilo bancário impulsionada exclusivamente pela Receita Federal, sem a interferência de autoridade judiciária. NULIDADE - DEPÓSITO BANCÁRIO INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO "NO ATACADO". No caso in concreto, o dispositivo legal aplicado foi o descrito no art. 42 da Lei n° 9.430/99, o qual, em síntese, estabelece a possibilidade de cobrança de imposto de renda por presunção de omissão de receita sobre os valores havidos em depósitos bancários não justificados. A prescritividade legal mencionada parece ajustar-se com a realidade dos fatos, pois, uma vez não justificada a origem do ingresso de rendimento, é razoável que, por presunção relativa, o Fisco atribua a tal depósito a característica de omissão de receita e efetue o lançamento de cobrança do imposto. Aqui, assim bem como nas duas situações acima exemplificadas, a literalidade do texto legal não se coaduna com o fato verificado e descrito pela Auditora. O texto legal reporta-se a excepcionais depósitos, no sentido esporádico, inusitado, único ou espaçado. Enquanto a situação fática da impugnante descrita e demonstrada menciona a ocorrência de inúmeros (literalmente, milhares de) depósitos realizados ao longo de doze meses, durante o ano calendário de 2008. Não é sem razão que em julgado recente, sobre depósito bancário, o Conselho exigiu a análise individualizada do depósito, não permitindo a tributação "no atacado". (Cita o Acórdão n° 105-17.098 em 26.06.2008. Publicado no DOU em: 06.03.2009). 50.O Auditor se limitou a aplicar o texto literal da lei, de forma acrítica, enquanto seu dever seria o de verificar, na prática, para onde tais valores foram carreados e a que título. Istofaz parte do dever legal da Fiscalização nos termos do art. 142 do CTN. A observação é pertinente, pois foi incluso no rol dos depósitos não comprovados, inclusive, as transferências entre contas da própria autuada. Isto, por si só, já demonstra a total falta de critério na aplicação da norma e a insubsistência das infrações em comento, na linha da jurisprudência do CARF. Diante do exposto, também por este argumento, requer seja decretada a nulidade do lançamento fiscal ora impugnado. III - NULIDADE - INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA DO ART. 42 DA LEI N° 9430/96. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA GENERALIZADA DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NULIDADE. Muito embora tenha absoluta convicção de que, no mérito, pode comprovar a origem dos depósitos bancários, resultando na improcedência da autuação, a impugnante não pode se furtar de suscitar essa preliminar de nulidade, até mesmo como contribuição para que procedimentos fiscalizatórios arraigados de tamanha arbitrariedade não se repitam jamais! Com efeito, a ação fiscal pode ser resumida em três atos: a) solicitação de extratos bancários; b) intimação do contribuinte para comprovar a origem de todos os depósitos bancários: c) a presunção de omissão de receitas, decorrente da falta de comprovação, no entender do auditor, da origem de todos os valores depositados na conta bancária da autuada durante o ano de 2008. A primeira questão que vem à mente é a seguinte: pode a Fiscalização, tendo acesso a toda movimentação bancária do contribuinte, se acomodar na sua intimação para comprovação da origem de todos os recursos, tributando, por presunção, os depósitos de origem supostamente não comprovadas? A resposta é negativa. Esse procedimento inverte a lógica do trabalho fiscalizatório, passando o contribuinte a ter o ônus de se fiscalizar, ou seja, realizar uma verdadeira autofiscalização, sob pena de, não comprovando estar regular, ser tributado por presunção. Essa não foi a intenção do legislador ao criar o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Como se sabe, a Lei n°. 9.430/96 veio colocar uma pá de cal na antiga discussão acerca da tributação dos depósitos bancários. Antes da sua vigência, os depósitos bancários não poderiam ser considerados fatos jurígenos aptos à cobrança do IRPJ, p. ex., pois não representam, por si só, disponibilidade econômica de renda e proventos, entendimento pacificado inclusive no CARF. Mas note-se bem que a Lei n° 9.430/96 não inverteu o dever de fiscalizar. Permanece o Auditor responsável por fiscalizar, investigar a regularidade fiscal do contribuinte, devendo compulsar, para isso, os livros e os respectivos documentos contábeis/fiscais. Mas, ao que parece, a ilustre Fiscalização preferiu autuar, indistintamente, todos os depósitos efetuados em suas contas bancárias, sem entender a atividade empresarial desenvolvida pela autuada e sem sequer investigar a eventual tributação das suas receitas. Sendo assim, resta evidente a nulidade dos lançamentos fiscais, uma vez que a Fiscalização, sem amparo legal, inverteu o encargo fiscalizatório, obrigando o contribuinte a comprovar TODA a sua movimentação financeira de 2008, sob pena de tributação por presunção. O art. 42 da Lei ns 9430/96 não autoriza a presunção indiscriminada. 59.NULIDADE - APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32% DE FORMA GENÉRICA, SEM A DEVIDA OBSERVÂNCIA DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA. NULIDADE. Consignou, também, a autuada que, pela sua peculiaridade, muito embora não sofra a incidência do ICMS, nem esteja obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias próprias deste imposto estadual - já que o que está sendo "comercializado" é um meio ou um instrumento que possibilitará, posteriormente, a prestação do serviço de telecomunicações pelas operadoras de telefonia móvel aos consumidores finais (que adquirem as recargas de pré-pago), este sim tributado pelo ICMS - tal atividade, sem sombra de dúvidas, apresenta todas as feições típicas de uma operação comercial, de venda. Isto porque a autuada adquire os cartões pré-pagos ou as recargas eletrônicas diretamente da "operadora de telefonia" (no caso, a TIM) ou das empresas denominadas de "primeiras intermediárias" (as empresas RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.) e, em seguida, distribui essas "mercadorias" (palavra empregada em seu sentido amplo) para os "pontos de venda", que, por sua vez, realiza a "venda" aos consumidores finais (usuários de celulares pré-pagos). Pode-se dizer que o regime assemelha-se a uma espécie de "venda" por consignação, já que todos os repasses financeiros ao "elo" superior da "cadeia" são efetuados após a "venda" ao usuário final. Além da operação de distribuição e venda de recarga de pré-pago (recarga física OU eletrônica), de onde vinha a maior parte da receita da empresa, a impugnante esclareceu, ainda, que possuía algumas lojas no Estado da Bahia da operadora TIM, na qual vendia diretamente ao consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas, bem como intermediava entre a TIM e os clientes a contratação planos pós-pagos. Nestes casos, a operação consistia, basicamente, em adquirir as mercadorias (celulares, acessórios etc.) e revender aos clientes ("consumidores finais"), obtendo, assim, uma margem pelas vendas. Analisando todo o rol das atividades prestadas pela autuada, talvez a única que apresente alguma feição de serviço seja a de intermediação pela venda de planos pós-pagos, já que a impugnante recebia da TIM uma comissão por este serviço, de acordo com o contrato firmado entre ambas. Entretanto, ao se examinar o Auto de Infração lavrado, observa-se que o ilustre Auditor Fiscal aplicou, indistintamente, para todos os depósitos recebidos em sua conta bancária, o percentual de presunção do lucro de 32% (próprio das atividades de prestação de serviços sem apresentar um único fundamento legal para justificar tal atitude, já que a maior parte das operações realizadas pela ora autuada (talvez, 99%) constitui, tipicamente, uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de 32% (trinta e dois por cento). No caso específico da impugnante, a atividade desenvolvida não constitui uma obrigação de fazer, mas na obrigação de dar (adquire as recargas das operadoras ou das empresas intermediária e distribui para os pontos de venda). Também é importante intermediária e distribui para os pontos de venda). Também é importante consignar que a atividade da impugnante não se confunde com a atividade da própria operadora de telefonia, como exaustivamente tratado nos tópicos anteriores, donde se conclui que ela não presta serviço de telecomunicações. Diante do exposto, não há como se enquadrar a atividade de venda e distribuição de recarga de celulares pré-pagos como uma prestação de serviço, já que esta apresenta todas as feições de uma operação comercial de venda, ainda que sobre ela não haja incidência do ICMS, devido às suas peculiaridades expostas anteriormente. 66.Neste sentido, por não ter realizado qualquer distinção entre os depósitos recebidos naconta bancária da empresa autuada, optando o Auditor Fiscal por aplicar, indistintamente,para todos os depósitos, o maior percentual de presunção possível, qual seja, o de 32%(próprio das atividades de prestação de serviços), sem apresentar, contudo, um únicofundamento legal para tanto, há de ser decretada a nulidade do procedimento realizado,também por este argumento. DO MÉRITO Superadas as alegações de nulidade da autuação, na remota hipótese de não ser acolhido algum dos argumentos acima expostos, o que conduziria à extinção do presente Auto de Infração e, por conseguinte, do crédito tributário nele materializado, passa a autuada à análise dos argumentos de mérito. Desde já, a autuada esclarece que é virtualmente impossível descrever individualmente, nas páginas da Impugnação Administrativa, cada um dos mais de 7.000 depósitos bancários relacionados na planilha apresentada pelo Auditor Fiscal, que possui mais de 215 páginas, cada página contendo dezenas de lançamentos. Entretanto, pretende, aqui, a autuada explicar sobre todos os documentos que estão sendo apresentados juntamente com a Impugnação (que, sem dúvida alguma, é um volume bastante considerável), os quais comprovam efetivamente a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária, durante todo o ano de 2008, elidindo, assim, a malsinada presunção de omissão de receitas contra si aplicada. Operação de recarga física - Tratando, inicialmente, da operação de venda de recarga física, a ora impugnante junta ao processo a cópia dos contratos firmados com os vendedores, a cópia de todas as prestações de contas realizadas no período, bem como os comprovantes de depósito em dinheiro/cheque ou de transferência bancária (Anexo5). Estes documentos comprovam o recebimento de todos os valores decorrentes das vendas realizadas por cada um dos vendedores, os quais foram depositados nas contas bancárias da autuada, por meio de cheque ou dinheiro, bem como aquelas situações em que os vendedores depositavam os valores em suas próprias contas bancárias e, em seguida, realizavam a transferência para as contas da impugnante, prestando contas com a apresentação dos comprovantes de transferência. Operação de recarga eletrônica - Com relação à recarga eletrônica, a impugnante esclareceu, anteriormente, que eram instalados em cada um dos "pontos de venda" um equipamento especial (chamado de "terminal POS", decorrente de Point of Sale), semelhante àquelas máquinas para operações com cartões de crédito, que registravam as vendas e autorizavam a recarga de crédito pré-pago nos celulares dos clientes. Ao final de cada período específico, o sistema informatizado da impugnante emitia um relatório de liquidação dos valores apurados por cada um dos "pontos de venda". Em seguida, era emitido um boleto bancário pela própria máquina "POS", consignando o valor que deveria ser repassado para a impugnante, já abatido o percentual de comissão daqueles, que, como dito, era de 4%, em média. Neste sentido, a impugnante requer a juntada do cadastro dos pontos de venda, de alguns contratos por amostragem, bem como de todos os relatórios de liquidação emitidos durante o ano de 2008 (Anexo), que comprovam os valores. Requer, também, a juntada de todas as notas fiscais de venda de recargas, emitidas pela TIM, durante o ano de 2008 (Anexo), bem como as notas de saídas das recargas da TIM, emitidas pela MEGAGIRO (Anexo), demonstrando que houve efetivo faturamento destes valores. Pleiteia, ainda, a juntada dos comprovantes dos repasses dos valores à TIM, bem como às demais empresas ("primeiras intermediárias", no caso, a RV Tecnologia e Sistemas S/A e a Tendência Informações e Sistemas Ltda.) (Anexo), demonstrando, assim, que, dos valores recebidos pelos "pontos de venda", a maior parte era destinada a estas empresas, ficando a impugnante apenas com o percentual correspondente à sua margem, que, como visto, girava entre 2,5% a 7%. Além disso, a autuada está juntando cópia dos contratos firmados Com todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo). Além disso, a autuada está juntando cópia dos contratos firmados com todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo). Operação das Lojas - Esclarece, ainda, a impugnante, que conforme explicado anteriormente, além da operação de distribuição e venda de recarga de pré-pago (recarga física ou eletrônica), possuía, ainda, algumas lojas da operadora TIM, na qual vendia diretamente ao consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas, bem como intermediava entre a TIM e os clientes a contratação de planos pós-pagos. Nestes casos, todas as vendas foram realizadas por meio de notas ou Cupons Fiscai. Requer, portanto, a juntada integral de todas as notas e cupons fiscais emitidos pelas Lojas (Anexo) no período objeto da autuação, que demonstram todo o seu faturamento. Requer, ainda, ainda, a juntada dos extratos emitidos pelas administradoras de cartões de crédito (Anexo), comprovando os valores recebidos pelas vendas feitas nesta modalidade. Importante destacar, neste ponto, que como diversas compras feitas pelos clientes utilizando os cartões de crédito são parceladas, é impossível estabelecer uma conexão exata entre cada operação realizada e o depósito recebido em sua conta bancária. Anexa, também, à presente defesa a cópia das notas fiscais de serviço emitidas no período (Anexo), relativamente aos serviços de intermediação na contratação de planos pós-pagos entre os clientes e a TIM. Transferências entre contas da mesma titularidade - Além dos documentos anteriormente referidos, que tratam da comprovação da sua receita decorrente do exercício da atividade operacional, a autuada requer a juntada de todos os extratos bancários (Anexo), os quais demonstram a inclusão pela Fiscalização de valores decorrentes de transferências entre contas de mesma titularidade, o que denota um grave equívoco cometido pelo Fiscal, contrariando a redação do próprio art. 42, § 32, I, da Lei n° 9.430/96. 82.Contratos de locação com a CEMIG - A autuada esclarece, ainda, que possui umimóvel situado no Estado de Minas Gerais, em relação ao qual firmou contrato delocação com a CEMIG (Anexo) em relação ao qual firmou contrato de locação com a CEMIG (Anexo). Contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda - Ademais, a autuada firmou contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda., os quais estão anexados à presente impugnação (Anexo), demonstrando, assim, a origem dos valores depositados em sua conta bancária. Para facilitar o exame de todos os documentos, a autuada apresenta a planilha anexa (Anexo), que consolida toda a relação de depósitos bancários selecionados pela Fiscalização e informa a origem de cada um deles, indicando em qual documentação poderá ser confirmada. Conclusões - Como se pode observar, a farta documentação ora anexada comprova efetivamente a origem de todos os depósitos realizados em suas contas bancárias. Importa salientar, neste ponto, que a Jurisprudência do CARF é uníssona no sentido de que, uma vez comprovada a origem dos valores, caberá à Fiscalização aprofundar a fiscalização, a fim de verificar se o contribuinte, de fato, recolheu todos os tributos devidos. Entretanto, a autuada reitera, aqui, que todos os valores em questão foram efetivamente, oferecidos à tributação, o que será tratado melhor no tópico seguinte. Sendo assim, comprovada a origem dos valores depositados nas contas bancárias da impugnante, resta elidida a presunção de omissão de receita, razão pela qual o auto de infração é improcedente. DEDUÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA DE TODO O FATURAMENTO TRIBUTADO NO PERÍODO - Entretanto, por eventualidade, na hipótese de se entender que, apesar de todo o esforço da autuada, não restou comprovada a origem dos recursos, requer, ao menos, que seja deduzido da presunção de omissão de receita todo faturamento tributado no período, sob pena de cobrança dos tributos em duplicidade. 88.DA RECONTABILIZAÇÃO REALIZADA PELA AUTUADA - Como já afirmado inúmeras vezes ao longo da presente defesa, a autuada tem absoluta convicção de que não sonegou tributo ao Erário. E, neste sentido, informa que, no curso da Fiscalização que culminou na lavratura da presente autuação, providenciou a recontabilização de todos os seus lançamentos, inserindo em sua contabilidade todos os depósitos realizados em suas contas bancárias, apurando, ao final deste procedimento, que, de fato, toda a sua receita foi oferecida à tributação. Como prova disso, a ora impugnante requer a juntada ao Auto dos seus livros Diário e Razão devidamente recontabilizados (Anexo), nos quais se poderá constatar a inserção de toda a sua movimentação bancária na contabilidade. Ou seja, como já afirmado no início da presente defesa, a autuada não quer evitar ou se furtar à Fiscalização. Muito pelo contrário!!! A ora impugnante deseja ser efetivamente fiscalizada, oportunidade na qual se constatará que todos os valores em questão (que corresponderam à sua efetiva receita), foram devidamente tributados! E se, eventualmente, for apurado algum crédito tributário remanescente, o que, sinceramente, não acredita, que seja cobrado sobre uma base de cálculo correta, justa e razoável. DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA Conforme examinado no tópico anterior, a autuada apresentou na presente defesa todos os documentos de que dispõe, necessários para comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. Entretanto, apesar de tal documentação estar devidamente descrita e explicada, a sua imensa quantidade dificulta sobremaneira o exame pelos nobres Julgadores, justificando, assim, a realização de uma perícia por Auditor independente e estranho ao feito, na forma do art. 16, IV, do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n2. 70.235/1972), a fim de se apurar minuciosamente todas as alegações aqui sustentadas. Apresenta quesitos e indica perito. Ante todo o exposto, entende a impugnante que foram devidamente comprovadas todas as suas alegações, bem como a origem dos depósitos bancários efetuados em suas contas, por meio dos documentos apresentados, devendo ser julgado improcedente este Auto de Infração (caso sejam ultrapassadas as preliminares de nulidade anteriormente deduzidas). Entretanto, na remota hipótese de serem ultrapassados todos os argumentos até aqui sustentados e em homenagem ao princípio da eventualidade, o que não acredita a impugnante, já que representaria o encerramento de suas atividades (ocasionando a demissão de centenas de empregados), vem apresentar seus argumentos finais. I - IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32%. REDUÇÃO PARA O PERCENTUAL DE 8%. - Conforme já explicitado no tópico das NULIDADES, referente à "APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32% DE FORMA GENÉRICA, SEM A DEVIDA OBSERVAÇÃO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA. NULIDADE.", a ora impugnante demonstrou que a maior parte de suas operações realizadas (talvez, 99%) constitui, tipicamente, uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento). 96.II - IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA COM O ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO Expôs, também, a autuada quem além presumir a omissão de receitas e de aplicar tal percentual indevidamente majorado de 32%, o ilustre Autuante ainda considerou imprestável a escrituração contábil da ora impugnante, uma vez que, segundo o relatório fiscal, "não contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta movimento', nem em conta Caixa", optando por arbitrar o lucro, o que resultou num acréscimo de 20%, tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo do IRPJ, de 38,4% (32% + 20%). Todavia, há de se consignar que a cumulação destes dois procedimentos ou roteiros de Fiscalização é absolutamente incompatível. Isto porque, ao se presumir a omissão de receita (com base em depósitos de origem não comprovada), o Fiscal não está analisando a contabilidade do contribuinte. Ao contrário disso, está se amparando numa mera presunção da ocorrência do fato gerador. Já o lucro arbitrado tem seu fundamento na dificuldade de identificação do fato gerador, e não na sua presunção. Ou seja, o contribuinte possui a contabilidade, que é analisada pela Fiscalização, mas esta não mereceu fé, por alguma razão, que deve ser justificada. E tal fato conduz ao arbitramento. Ora, se o roteiro de fiscalização utilizado baseou-se, integralmente, numa presunção, não tendo sido sequer analisada a contabilidade da empresa, jamais poderia ter sido aplicada a majoração de 20% decorrente do arbitramento do lucro, pois esta é uma medida imposta para se identificar alguma base de cálculo possível. Deste modo, requer seja excluída a majoração decorrente do arbitramento do lucro, na remota hipótese de ser mantida a autuação fiscal. NÃO INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO -Por fim, requer a impugnante seja afastada a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que, no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a legislação atualmente em vigor não autoriza a exigência de juros sobre multa. DO PEDIDO - Ante o exposto, pleiteia a impugnante pelo acolhimento dos seus argumentos, a fim de que seja julgada nula a presente autuação fiscal. Na hipótese de restarem superadas as preliminares de nulidade suscitadas, requer, no, mérito, seja reconhecida a total improcedência do Auto de Infração sob exame, extinguindo-se, por conseguinte, o débito tributário em questão, uma vez que restou comprovada a origem dos depósitos bancários efetuados nas contas da autuada, tendo sido elidida, portanto, a presunção de omissão de receita. Por fim, em homenagem ao princípio da eventualidade, na remota hipótese de restarem superados todos os seus argumentos anteriormente citados, o que, sinceramente, não se espera, pleiteia a autuada (i) pela redução do percentual de presunção do lucro de 32% para 8%; (ii) pelo afastamento da majoração de 20% decorrente do arbitramento do lucro; e (iii) pela não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. A decisão de origem julgou a impugnação parcialmente procedente, excluindo da quantificação da receita omitida somente os valores referentes a transferências bancárias entre contas do próprio Interessado, a empréstimos efetivamente comprovados. Decidiu-se ainda deduzir da exigência os valores de tributos declarados em DCTF. Em relação à parcela exonerada, recorreu-se de ofício. Intimado da decisão em 10/07/2013 (fl. 29.504), recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 29.506 - 29.576 em 09/08/2013, reafirmando as razões de impugnação, inclusive o pedido de perícia, e discordando das conclusões da DRJ quanto à ausência de comprovação de origem dos depósitos bancários. Pautado o processo, este colegiado converteu o julgamento em diligência. Reproduzo os termos do que foi requerido por bem retratar também o entendimento então firmado pela turma: Conforme exposto, não restam dúvidas quanto à forma de determinação das bases de cálculos e respectiva forma de tributação a ser considerada no presente caso: - em relação às operações com a TIM, os depósitos respectivos devem ser considerados omissão de receita em sua integralidade, tributando-se o montante respectivo para fins de PIS e Cofins, e utilizando-se dos coeficientes de presunção de lucro 9,6% e 12% para determinação das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, respectivamente (lucro arbitrado); - no que tange às operações remuneradas mediante comissão (contratos com Claro, Vivo, Tendência Informação e Sistemas Ltda e RV Tecnologia e Sistemas S/A), os valores a serem considerados como omissão de receitas devem se limitar à comissão percebida, sendo a respectiva receita bruta utilizada para quantificar as bases de cálculo de PIS e Cofins, bem como, mediante utilização dos coeficientes de presunção de lucro de 38,4% e 32%, as bases de cálculo de IRPJ e CSLL, respectivamente (lucro arbitrado). A fim de dar liquidez à exigência, faz-se necessária discriminação e determinação das receitas brutas auferidas nas operações de compra e venda (contrato com a TIM), e também nas operações em que a Recorrente foi remunerada mediante comissão (demais contratos). Para tanto, deverá autoridade fiscal intimar a Recorrente a fim de que essa demonstre, de forma pormenorizada: a) O valor recebido, mensalmente, referente às operações de venda de créditos, cartões telefônicos e aparelhos celulares referentes ao contrato da TIM; b) O valor líquido mensal referente às operações de intermediação de créditos digitais remuneradas mediante comissões (diferença entre os valores percebidos pela Recorrente e aqueles a serem repassados às empresas Claro, Vivo, Tendência Informação e Sistemas Ltda e RV Tecnologia e Sistemas S/A). A Recorrente poderá se utilizar, se assim entender, da escrituração contábil acostada em sede de impugnação/recurso. De qualquer forma, a Recorrente deverá manter à disposição da autoridade fiscal, de forma discriminada e organizada, a documentação que dê suporte a tal escrituração ou demonstrativos elaborados. Esclarece-se que a eventual utilização da nova escrituração apresentada pela Recorrente servirá tão somente, e se for o caso, para a quantificação das receitas efetivamente auferidas pelo contribuinte, nos moldes já esclarecidos no decorrer deste voto, não cominando quaisquer outros efeitos para fins da exigência, notadamente em relação ao resultado auferido e a forma de tributação adotada pela Interessada. Caso a autoridade fiscal divirja dos valores apresentados pela Recorrente, deverá indicar aqueles que entender corretos. Uma vez quantificada as receitas, nos moldes requeridos e nos termos do presente voto, deverá a autoridade fiscal elaborar demonstrativo quantificando os valores de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins incidentes sobre elas, deduzindo os valores já declarados pela Recorrente, demonstrando, por derradeiro, os eventuais saldos de tributos que deixaram de ser declarados à RFB . Ato contínuo, deverá ser elaborado relatório fiscal circunstanciado em que restem demonstradas suas conclusões, tanto em relação às receitas auferidas, quanto em relação aos saldos de tributos por ventura não declarados à RFB. A autoridade fiscal poderá apresentar ainda os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise dos autos. Ao final, a Recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindo-se prazo de 30 dias para que, querendo, manifeste-se sobre seu conteúdo. Os autos retornaram à unidade de origem, requerendo que o contribuinte apresentasse os e esclarecimentos determinados na Resolução prolatada por esta turma. Em 28/07/2014, lavrou-se o termo de intimação fiscal de fls. 29644-29646 requerendo as informações, e os documentos comprobatórios correspondentes, nos termos referidos na Resolução em comento. Houve solicitação de dilação de prazo (fl. 29656) que foi concedida (20 dias - fl. 29652-29653). Em 11/09/2014, o contribuinte informa que entregaria a documentação no dia 17/09/014, conforme já combinado com o responsável pelo procedimento fiscal. Houve nova intimação solicitando novos esclarecimentos (fls. 29650-29652 - ciência em 28/01/2015). O contribuinte apresentou pedido de prorrogação por mais 15 dias, contados da data de vencimento do prazo, dia 09/02/2015 (fl. 29658) Em 20 de março de 2015, a autoridade fiscal responsável pela diligência elaborou relatório sobre a diligência informando que não era possível concluir a diligência em face da ausência da apresentação da documentação necessária (fls. 29984-29987 - ciência em 20/04/2015 à fl. 29989). É o relatório.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 29.995            2 Relatório  O presente processo foi alvo da Resolução nº 1402­000.259.  Repito o relatório contido em tal decisão, complementando­o ao final.  Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida até aquela fase  processual, complementando­o ao final:  Trata  o  processo  em  questão  de  Autos  de  Infração  referentes  ao  ano­calendário  de  2008,  para  exigência  do  Imposto  de  Renda  Pessoa Jurídica ­ IRPJ no valor de R$ 14.092.834,55; da Contribuição Social  sobre o Lucro Líquido ­ CSLL no valor de R$ 4.235.050,36; da Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS  no  valor  de  R$  4.411.510,76, e da Contribuição para o Programa de Integração Social ­ PIS  no valor de R$ 955.827,28 que após sofrerem acréscimos de juros de mora e  multa de ofício de 75%, perfazem um total de R$ 50.971.013,79.  De acordo com a descrição dos fatos do auto de infração  do  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ,  o  lançamento  foi  efetuado sob as seguintes alegações:  Arbitramento  do  lucro  que  se  faz  tendo  em  vista  que  a  escrituração  mantida  pelo  contribuinte  é  imprestável  para  determinação  do  Lucro  Real,  uma  vez  que  não  contempla  seu  movimento  bancário,  nem  em  conta  própria,  banco  conta movimento,  nem  na  conta  caixa.  Enquadramento  Legal Art. 530,inciso II, do RIR/99  Infração  01  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO COMPROVADA ­ Valor apurado conforme Termo de Verificação anexo.  Enquadramento Legal: Arts. 27,  inciso I, e 42 da Lei n° 9.430/96; arts. 532 e  537 do RIR/99.  Em  decorrência  dos  mesmos  pressupostos  fáticos  da  infração 01, foram lavrados os autos de infração da Contribuição Social sobre  o Lucro Líquido, da Contribuição para o Programa de Integração Social ­ PIS  e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social ­ COFINS.    Do Termo de Verificação Fiscal.  Em síntese, o Termo de Verificação Fiscal esclarece o  seguinte:  a)  Da  analise  dos  extratos  bancários,  do  contribuinte,  selecionamos  diversos  lançamentos  de  credito,  objetivando obter comprovação das respectivas origens,  o  que  motivou  a  lavratura  dos  TERMOS  DE  CONSTATAÇÃO E DE  INTIMAÇÃO FISCAL N°  001  a  003, nos quais intimamos, o contribuinte, a informar, por  escrito, os números das páginas dos seus livros contábeis  em  que  foram  escriturados  todos  os  lançamentos  Fl. 29995DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 29.996            3 (lançamentos e contrapartidas ) referentes a cada um dos  valores creditados, em suas contas bancárias, conforme  relação,  informando,  por  escrito,  e  comprovando,  através  de  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  e  tributação dos respectivos recursos;  b)  Em  resposta  aos  termos  lavrados,  o  contribuinte  apresentou  um  vasto  documental,  alegando,  dentre  outras  coisas,  que  em  virtude  de  peculiaridades  de  sua  atividade empresarial, recebia valores que seriam meros  repasses  financeiros  a  serem  transferidos  a  outras  empresas, pleiteia que suas receitas sejam consideradas  como  oriundas  de  atividade  comercial,  fatos  estes  que  não consideramos por não encontrarmos respaldo  legal  para  acatá­los.  O  fiscalizado  nos  informou  que  os  valores listados abaixo não seriam receitas da atividade,  e sim empréstimos bancários, contraídos junto ao Banco  Indusval Multistock :  c)  O  fiscalizado  apresentou,  como  prova  dos  referidos  empréstimos bancários, os seguintes documentos:  d)  "CÉDULA  DE  CRÉDITO  BANCÁRIO  ­  CONTA  GARANTIDA",  N°  5643,  datada  de  21/01/2008,  vencimento 22/04/2008, valor limite de  credito de RS 1.000.000,00;  e)  "CARTA  DE  FIANÇA",  N°  1815/06,  datada  de  23/11/2006,  vencimento  23/11/2007, valor afiançado de R$ 1.000.000,00;  f)  "ADITAMENTO A CARTA DE FIANÇA BANCARIA N°  1815/06",  emitida  em  23/11/2006",  de  17/10/2007,  prorrogando o vencimento para 24/11/2008, mantendo o  valor afiançado de R$ 1.000.000,00 ;  g)  "ADITAMENTO A CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO  ­  CONTA  GARTANTIDA",  N°  4982­2,  datado  de  21/01/2008,  aditando  a  "CÉDULA  DE  CRÉDITO  BANCÁRIO N° 49X2" (o número X encontrase ilegível ),  datada  de  21/01/2008,  alterando  o  vencimento  para  22/04/2008,  alterando  o  limite  de  credito  para  R$  2.000.000,00;  h)  "INSTRUMENTO    PARTICULAR    PARA   CONSTITUIÇÃO  DE  ARBITRAGEM ­COMPROMISSO ARBITRAL N° 6760, datada de  23/07/2008, vencimento 20/11/2008, valor do principal  RS 1.000.000,00;  i)  "INSTRUMENTO  PARTICULAR  PARA  CONSTITUIÇÃO  DE  Fl. 29996DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 29.997            4 ARBITRAGEM  (  COMPROMISSO  ARBITRAL  )  "  N°  4982­2, datada de  18/01/2008, data do vencimento 22/04/2008, no valor de R$ 2.000.000,00 ;    j)  Copia  de  documentos  intitulados  "Extrato  Indusval"  referente  aos meses  de  janeiro  a  julho  e  de  setembro  a  novembro ;  k) Considerando que as informações e os documentos citados  nos  itens  2  e 3,  por  si  só,  não  comprovam nenhum dos  seus  respectivos  valores,  lavramos  o  TERMO  DE  RELNTIMAÇÃO FISCAL N 0001, solicitando as devidas  informações e comprovações ;    l)    Em  resposta  ao  TERMO DE  REINTIMAÇÃO  FISCAL  N  0001, o  fiscalizado  nos  apresentou,  novamente,  os  documentos  citados no item 3.1 a 3.6 e o extrato bancário do período,  documentos  estes  que,  por  si  só,  não  demonstram  nem  comprovam nenhum dos valores questionados ;  m)  O  fiscalizado,  regularmente  intimado,  não  comprovou  a  escrituração,  em  seus  livros  contábeis,  dos  valores  creditados,  em  suas  contas  bancárias,  nem  comprovou  sua origem como estranha à atividade social da empresa,  dos  valores  listados  abaixo  :  Junta  ao  Termo  de  Verificação nas fls. 39 a 249 planilha contendo todos os  depósitos  bancários,  cuja  origem  não  teria  sido  justificada.  n)  Diante  do  exposto,  estamos  lavrando  o  presente  Auto  de  Infração,  baseado  no  art.  42  da  Lei  n°  9.430/96,  tendo  em  vista  a  cobrança  dos  respectivos  tributos  federais,  considerando  como  omissão  de  receita,  os  valores  listados no item 6, que resumimos em valores mensais e  trimestrais:    MES  MENSAL  TRIMESTRAL  Janeiro  10.015.461,76    Fevereiro  5.929.605,50    Março  9.058.310,54  25.003.377,80  Abril  10.943.734,67    Maio  10.995.336,57    Junho  11.763.471,86  33.702.543,10  Julho  12.730.727,55    Agosto  10.399.914,13    MES  MENSAL  TRIMESTRAL  Setembro  16.943.485,40  40.074.127,08  Outubro  15.411.157,14    Novembro  14.914.805,41    Dezembro  17.944.349,94  48.270.312,49  Fl. 29997DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 29.998            5 Total  147.050.360,47  147.050.360,47    o)  Considerando  que  a  escrituração  contábil,  apresentada  pelo fiscalizado, não contempla seu movimento bancário,  nem  em  conta  própria,  "banco  conta  movimento",  nem  na conta Caixa, o lucro do fiscalizado será arbitrado em  virtude  de  sua  escrituração  encontrar­se  imprestável  para  identificar  a  efetiva  movimentação  bancária,  ao  fulcro do Inciso II, alínea "a", art. 47, Lei n° 8.981/1999.    Da Impugnação  Cientificada da autuação pessoalmente em 21/11/2012,  em 21/12/2012, a autuada contesta o lançamento, apresentando,  resumidamente, as seguintes razões:  1.  Em cumprimento à intimação, a autuada apresentou, em 19/08/2011, os  Livros  Fiscais  solicitados  pela  Fiscalização.  Entretanto,  afirmou  o  Autuante  que  não  foram  entregues  as  cópias  dos  extratos  bancários,  o  que ensejou a emissão, pelo Auditor Fiscal, de diversas Requisições de  Informações  sobre  Movimentação  Financeira  (RMFs)  para  algumas  instituições financeiras, sem a devida autorização judicial, saliente­se.  2.  Após  as  respostas  apresentadas  pelos Bancos,  foram  obtidos  inúmeros  extratos de contas bancárias de titularidade da ora impugnante, os quais  consignavam,  diversos  depósitos  recebidos.  Em  seguida,  o  i.  Fiscal  aduziu  que  "confrontando  os  extratos  bancários,  com  a  escrituração  contábil,  apresentada  pelo  fiscalizado,  constatamos  que  a  mesma  não  contempla seu movimento bancário, nem em conta própria, 'banco conta  movimento', nem na conta Caixa".  3.  Em  resposta,  a  autuada,  de  boa­fé,  apresentou  petição,  em 24/05/2012  (fls.  991  a  995  dos  autos),  na  qual,  inicialmente,  explicou  que  atua  no  ramo  de  distribuição  e  intermediação  da  venda  de  recarga  pré­paga  para telefonia móvel.  4.  Salientou, nesta oportunidade, que as principais operadoras de telefonia  móvel  (TIM,  OI,  CLARO  e  VIVO)  habilitam  diversas  distribuidoras,  entre as quais a ora autuada, para realizarem a venda dos créditos pré­ pagos de telefones celulares, com o objetivo de atingir o maior número e  variedade  de  localidades  possíveis,  visando  alcançar  todo  o  potencial  mercado consumidor.  5.  Esclareceu que, normalmente, as empresas habilitadas diretamente pelas  operadoras  de  telefonia  móvel  (chamadas  aqui  de  "primeiras  intermediárias")  operam  em  macroregiões  e,  para  otimizar  e  conferir  maior eficiência à distribuição das recargas de celular pré­pago, firmam  contratos  com  outras  empresas  (chamadas  de  "intermediárias  secundários"), com vistas a organizar o mercado e distribuir os produtos  em nichos menos abrangentes.  Fl. 29998DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 29.999            6 6.  Os  "intermediários  secundários",  por  sua  vez,  contratam  os  chamados  "pontos  de  venda",  que,  normalmente,  são  as  padarias,  bancas  de  revistas, farmácias, supermercados, postos de gasolina, pequenas vendas  ou mercadinhos  de  bairro  etc,  os  quais  ficam  responsáveis  pela  venda  direta  das  recargas  ao  consumidor  final  (clientes  de  celulares  pré­ pagos).  7.  Explicou a impugnante, em sua petição, que atua neste ramo tanto como  "primeira  intermediária"  (quando  é  contratada  diretamente  por  uma  operadora de telefonia móvel), quanto como "intermediária secundária"  (quando  é  contratada  pelas  "primeiras  intermediárias"  e  fica  responsável  por  captar  e  cadastrar  os  "pontos  de  venda"  e  coordenar  toda  a  distribuição  para  estes  das  recargas  de  pré­pago,  que,  posteriormente, serão vendidos aos consumidores finais).  8.  Ao  término  de  um  período  determinado,  cada  "ponto  de  venda"  deve  prestar  contas  das  operações  realizadas  e  efetuar  o  pagamento  às  empresas  chamadas  de  "intermediárias  secundárias"  dos  valores  recebidos dos consumidores finais ­normalmente, por meio de boletos ou  depósitos  bancários  ou,  ainda,  por  meio  de  cheques  ­  descontando  o  valor da sua comissão recebida, que, geralmente, é de 4% a 5% do total  auferido.  9.  Em outras palavras, os "pontos de venda" repassam às "intermediárias  secundárias"  toda  a  receita  decorrente  da  venda  das  recargas  de  pré­ pago  aos  clientes,  abatendo  apenas  deste  valor  o  seu  percentual  de  comissão  (como  dito,  4%  a  5%).  Em  seguida,  cada uma  das  empresas  denominadas  aqui  de  "intermediárias  secundárias"  repassa  os  valores  recebidos dos "pontos de venda" às "primeiras intermediárias", também  abatendo o seu percentual de comissão pelas vendas (que gira em torno  de 3% a 4%).  10.  E por fim, as chamadas "primeiras intermediárias" repassam os valores  recebidos às operadoras de telefonia móvel (também descontando o seu  percentual  de  comissão).  Importante  destacar  que  estas  últimas  (as  operadoras), por óbvio, recebem a maior "fatia" dos valores decorrentes  das  vendas de  recarga de pré­pago  (cerca de 90% de  todos os  valores  auferidos)  já  que  são  as  prestadoras  efetivas  do  serviço  de  telecomunicações.  11.  Em suma, a ora impugnante deixou bem claro ao ilustre Auditor Fiscal,  em  sua  petição  de  24/05/2012,  que,  muito  embora  grande  parte  do  produto das vendas de recargas transite em suas contas bancárias, o fato  é que um percentual bastante significativo deste montante (mais de 94%)  é sempre repassado adiante, seja para as operadoras de telefonia, como  a  TIM,  por  exemplo  (nas  hipóteses  em  que  a  impugnante  atua  como  "primeira  intermediária")  seja  para  outras  empresas  chamadas  "primeiras  intermediárias"  (quando  a  impugnante  atua  como  "intermediária secundária").  Fl. 29999DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.000            7 12.  Em  outras  palavras,  o  resultado  de  sua  atividade  empresarial,  na  qualidade  de  intermediária  na  distribuição  de  recargas,  restringe­se  apenas à sua comissão (em percentual médio de 4% do total de vendas).  Esta é a sua efetiva remuneração.  13.  Em  seguida,  se  reportando  a  planilha  disponibilizada  pelo  i.  Auditor  contendo os milhares de depósitos efetuados, passou a tratar dos valores  creditados  em sua conta  bancária,  esclarecendo que,  de  acordo com a  referida  planilha,  havia  lançamentos  em  sua  conta  bancária  que  totalizaram  a  quantia  de  R$149.318.748,01  (cento  e  quarenta  e  nove  milhões, trezentos e dezoito mil, setecentos e quarenta e oito reais e um  centavos).  14.  Inicialmente,  a  autuada  esclareceu  que,  deste  montante,  R$21.447.546,00 (vinte e um milhões quatrocentos e quarenta e sete mil  quinhentos  e  quarenta  e  seis  centavos)  referem­se  a  empréstimos  concedidos por instituições financeiras e movimentações bancárias entre  contas da própria autuada, juntando a devida comprovação nos Anexos  03 e 04 de sua petição.  15.  Com  relação ao montante de R$ 78.331.617,98  (setenta e  oito milhões  trezentos e  trinta e um mil seiscentos e dezessete reais e noventa e oito  centavos),  explicou  que  se  encontra  devidamente  registrado  em  sua  contabilidade,  conforme  comprova  a  DIPJ  do  período,  bem  como  o  Balanço e Demonstração de Resultados devidamente assinados, juntados  no Anexo 05.  16.  Por fim, quanto ao valor de R$ 49.529.683,21 (quarenta e nove milhões  quinhentos e vinte e nove mil seiscentos e oitenta e três reais e vinte e um  centavos), a ora impugnante demonstrou, naquela oportunidade, que tal  montante  apenas  transitou  pelas  suas  contas  bancárias,  tendo  sido  repassados às outras  empresas  intermediárias  (nas hipóteses  em que a  autuada atua com "intermediária secundária"), por se tratar de valores  decorrentes da venda de recargas de celulares.  17.  Neste  sentido,  a  impugnante  apresentou,  nos  Anexos  06  e  07,  os  contratos  firmados  com  essas  outras  empresas  (RV  Tecnologia  e  Sistemas  S/A  e  a  Tendência  Informações  e  Sistemas  Ltda.),  os  recibos  emitidos  por  elas,  atestando  que  receberam  as  quantias,  bem  como  os  comprovantes de depósito e boletos bancários pagos,  que demonstram,  categoricamente, que esses valores foram efetivamente repassados para  elas.  18.  Entretanto, completamente alheio a tal realidade (data maxima vénia), o  ilustre Auditor Fiscal  entendeu  por  bem  ignorar  esses  fatos  e  resolveu  autuar  a  empresa,  com  fundamento  no  art.  42  da  Lei  ng.  9.430/96,  presumindo como omissão de  receitas  todos os depósitos efetuados nas  contas bancárias da ora  impugnante,  já que,  sob  sua ótica,  não  restou  devidamente  comprovada  pelos  documentos  apresentados  a  origem  destes depósitos.  Fl. 30000DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.001            8 19.  Como se não bastasse, o Agente Fiscal ainda aplicou um percentual de  presunção  do  lucro  de  32%  (próprio  das  atividades  de  prestação  de  serviços), sem apresentar um único fundamento legal para justificar tal  atitude, já que a atividade desempenhada pela ora autuada é tipicamente  uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual  de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de 32% (trinta e  dois por cento).  20.  Além  presumir  a  omissão  de  receitas  e  de  aplicar  tal  percentual  indevidamente  majorado,  o  ilustre  Autuante  ainda  considerou  imprestável  a  escrituração  contábil  da  ora  impugnante,  uma  vez  que,  segundo o relatório fiscal, "não contempla seu movimento bancário, nem  em  conta  própria,  'banco  conta  movimento',  nem  em  conta  Caixa",  optando  por  arbitrar  o  lucro,  o  que  resultou  num  acréscimo  de  20%,  tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo do IRPJ, de 38,4%  (32% + 20%).  21.  Em decorrência disso, foi lavrado o presente Auto de Infração, cobrando  o  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  e  seus  reflexos  ­  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL),  Contribuição  ao  Programa  de  Integração  Social  (PIS)  e  Contribuição  para  Financiamento da Seguridade Social (COFINS) ­ no absurdo valor total  (incluindo  a  multa  de  75%  e  juros  de  mora)  de  R$  50.971.013,79  (cinqüenta milhões novecentos e setenta e um mil treze reais e setenta e  nove centavos).  22.  Ou seja, para evitar a realização de um longo e trabalhoso procedimento  de  Fiscalização,  optou­se,  neste  caso,  pelo  caminho  mais  simples  (e  fácil) da presunção de omissão de receita, tendo o Fisco transferido para  o  contribuinte  todo  o  ônus  de  se  autofiscalizar,  impondo­lhe  a  complicada  e  difícil  missão  de  comprovar  neste  processo  a  origem  de,  literalmente,  milhares  de  depósitos  bancários  efetuados  em  sua  conta,  sob pena e risco de ter contra si constituído (definitivamente) um crédito  tributário absolutamente impagável.  23.  E fato que o expediente da presunção de omissão de receitas decorrente  de  depósitos  de  origem  não  comprovada  é  um  instrumento  ou  uma  "arma"  extremamente  poderosa  a  que  dispõe  o  Fisco,  para  coibir  e  impedir a sonegação tributária que tanto prejudica o País, constituindo,  portanto, um grande avanço a sua expressa previsão no art. 42 da Lei n°.  9.430/96.  Porém,  como  tal,  há  de  ser  utilizado  com  muita  cautela  e  parcimônia,  a  fim  de  se  evitar  o  cometimento  de  arbitrariedades  e  injustiças, como a que ora se verifica.  24.  Neste sentido, muito embora reconheça que cometeu um equívoco ao não  contabilizar  as  referidas  contas  bancárias,  a  autuada  já  antecipa  que  providenciou  toda  a  sua  recontabilização  referente  ao  ano  de  2008,  incluindo  todos os  lançamentos bancários  em  sua contabilidade  (o que  será  apresentado  neste  feito),  tendo  concluído,  ao  final  deste  procedimento, que não restou saldo de imposto a pagar, o que demonstra  tratar­se  de  um  erro  formal  cometido  anteriormente,  e  não  de  uma  Fl. 30001DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.002            9 intenção  de  sonegar  tributo,  já  que  todo  o  seu  resultado  fora  devidamente oferecido à tributação, repita­se.  25.  Além  disso,  há  de  se  destacar  que  a  ora  impugnante  agiu  de  boa­fé  durante  todo  o  procedimento  de  Fiscalização,  tendo  respondido  às  intimações  feitas,  bem  como  apresentado  todos  os  documentos  que,  naquele  instante,  julgava  necessários  e  suficientes  para  comprovar  a  origem dos depósitos bancários.  26.  DA DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA AUTUADA ­ Neste  contexto,  importa  salientar  que  as  principais  operadoras  de  telefonia  móvel (TIM, OI, CLARO e VIVO) habilitam diversas distribuidoras para  realizarem  a  venda  dos  créditos  pré­pagos  de  telefones  celulares.  E  é  neste ramo que a ora impugnante está inserida, ou seja, na distribuição e  intermediação da venda de recarga pré­paga para telefonia móvel (esta  é  sua  atividade  principal,  mas  não  a  única,  conforme  se  examinará  adiante).    27.  DA  EMISSÃO  DOS  DOCUMENTOS  FISCAIS  PELA  AUTUADA  ­  Conforme  examinado  no  tópico  anterior,  a  atividade  de  venda  e  distribuição  de  recarga  para  celulares  pré­pagos  é,  de  certo  modo,  uma  atividade  atípica,  que  apresenta  algumas  peculiaridades.  Explica­se.  Muito  embora a impugnante realize a venda e distribuição de um bem (que é a  "recarga física" ou a "recarga eletrônica"), na realidade, o que se está  "vendendo"  não  é,  propriamente,  uma  "mercadoria"  (para  fins  de  incidência do ICMS, por exemplo).  28.  Em  verdade,  o  que  se  está  "comercializando"  é  um  meio  ou  um  instrumento que possibilitará, posteriormente, a prestação do serviço de  telecomunicações pelas operadoras de telefonia móvel aos consumidores  finais  (que  adquirem  as  recargas  de  pré­pago).  Em  outras  palavras,  quando  o  usuário  final  se  dirige  a  um  dos  "pontos  de  venda"  cadastrados  pela  ora  impugnante  e  efetua  a  recarga  do  seu  crédito  de  celular pré­pago, ele não está pagando por uma "mercadoria", ou seja, o  que  ele  deseja  adquirir  não  é  o  cartão  físico  de  recarga  ou  a  recarga  eletrônica, pura e simplesmente.  29.  Na prática, ele está pagando por um serviço de  telecomunicações, que,  como dito,  será  prestado pelas  "operadoras  de  telefonia móvel".  Logo,  sob  uma  ótica  contábil­fiscal  não  se  pode  analisar  a  atividade  desempenhada pela ora impugnante da mesma forma que se examinaria  um comerciante atacadista, por exemplo, muito embora ambos realizem  a  venda  de  determinados  bens  (ressalte­se  que  a  palavra  "venda"  está  aqui  sendo empregado no seu  sentido amplo).  Isso porque, no  caso do  comerciante  atacadista  (de  gêneros  alimentícios,  por  exemplo),  cada  operação  de  venda  de  mercadorias  é  amparada  por  uma  nota  fiscal  específica,  emitida  no  ato  da  venda,  em  relação  à  qual  o  comerciante  recolherá, posteriormente, o ICMS (além dos tributos federais).  Fl. 30002DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.003            10 30.  Já no caso da impugnante, apesar de realizar a "venda e distribuição" de  recargas  de  celulares,  pré­pagos,  sua  atividade  não  está  sujeita  à  incidência  do  ICMS,  uma  vez  que  este  imposto  é  pago  apenas  pelas  operadoras  de  telefonia  móvel,  em  razão  da  prestação  do  serviço  de  telecomunicações.  31.  Atenta  a  esta  realidade,  a  Secretaria  da  Fazenda  do  Estado  da  Bahia  (estado no qual a impugnante realiza suas operações) editou o Parecer  n°.  00292/2007  (inteiro  teor  anexo  ­doc.  03),  respondendo  a  uma  Consulta Formal  formulada por  contribuinte. Eis a  ementa do  referido  Parecer:  "ICMS.  Consulta.  Recarga  de  telefone  celular  pré­pago.  A  responsabilidade pela emissão de nota fiscal e recolhimento do imposto  é da empresa prestadora de serviço de telefonia. RICMS­BA/97, art. art.  4°, § 2°, c/c o art. 305.".  32.  Em  conclusão,  a  Secretaria  da  Fazenda  do  Estado  da  Bahia  assim  consignou:  "Da  análise  da  norma  transcrita,  verifica­se  que,  na  prestação de serviço de telecomunicação através de recarga de telefone  celular  pré­pago,  a  responsabilidade  pela  emissão  de  nota  fiscal  e  recolhimento  do  imposto  é  da  empresa  prestadora  de  serviço  de  telefonia".  33.  Na situação apresentada, o ICMS é de responsabilidade da operadora de  telefonia móvel. Assim sendo, e considerando que, nas vendas de cartões  de  recarga  de  telefone  celular  pré­pago,  a  consulente,  além  de  não  prestar  serviço  de  telecomunicação,  não  realiza  operação  relativa  à  circulação  de  mercadorias,  o  entendimento  é  de  que,  nessa  operação,  não lhe cabe o recolhimento do ICMS, nem o cumprimento de qualquer  obrigação acessória relativa ao imposto."  34.  Ou  seja,  a  Secretaria  da  Fazenda  do  Estado  da  Bahia  reconheceu,  expressamente,  que  as  empresas  que  atuam  neste  ramo  de  "venda"  de  recarga  de  celular  pré­pago,  não  estão  sujeitas  ao  recolhimento  do  ICMS, muito menos ao cumprimento das obrigações acessórias relativas  a este tributo, entre as quais, a emissão de documento fiscal. Saliente­se,  ainda, que este entendimento não é restrito ao Fisco do Estado da Bahia,  já  que,  a  título  meramente  exemplificativo,  o  Paraná  também  adota  o  mesmo procedimento.  35.  Mas,  por  óbvio,  o  fato  de não  estar  obrigada a  emitir  uma nota  fiscal  relativamente a cada "venda" de recarga realizada, não impossibilitará  a autuada de comprovar a origem dos depósitos em sua conta bancária  por outros meios ou formas. Apenas quer deixar claro, desde já, que essa  comprovação  não  será  feita  por  meio  da  juntada  de  uma  nota  fiscal  específica  para  cada  valor  depositado,  mas,  sim,  por  diversos  outros  documentos  idôneos  e  hábeis  para  comprovar  todas  as  suas  alegações  acerca da origem dos recursos.  36.  DAS  NULIDADES  DO  PROCEDIMENTO  FISCAL  ADOTADO  ­  Previamente à  Fl. 30003DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.004            11 análise dos argumentos de mérito da presente defesa, oportunidade na  qual a impugnante demonstrará a origem dos valores depositados em  sua conta bancária, cumpre, de forma preliminar, suscitar algumas  nulidades que macularam o procedimento fiscal realizado.  37.  I  ­  DADOS  OBTIDOS  POR  QUEBRA  DO  SIGILO  BANCÁRIO.  NECESSIDADE  DE  AUTORIZAÇÃO  JUDICIAL  MESMO  APÓS  O  ADVENTO DA LC N° 105/01. RECENTE DECISÃO DO STF. É antiga a  querela  envolvendo  as  autoridades  fiscais  e  os  contribuintes  sobre  o  tema  "quebra  do  sigilo  bancário",  especialmente  quando  se  trata  dos  seus aspectos fundamentais, a saber: as circunstâncias autorizadoras, a  competência  para  permiti­la,  os  limites  impostos  quanto  ao  uso  e  a  finalidade dos dados bancários legalmente obtidos".  38.  Com  efeito,  a  quebra  do  sigilo  bancário  realizada  no  curso  deste  Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar  pela  etérea  fundamentação  apresentada  para  sua  realização.  De  fato,  uma  simples  leitura  da  Requisição  de  Informação  de  Movimentação  Financeira (RMF) permite concluir que a autoridade  fiscal requisitante  não apresentou nenhum fundamento válido que a justificasse.  39.  Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção  da  medida,  vale  dizer,  qual  o  comportamento  da  autuada  que  se  subsumiu  ao  comando  legal.  Tal  atitude  da  requisitante,  coloca  em  cheque  o  pedido  formulado,  bem  como  a  legalidade  das  informações  prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do  sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não  se podendo falar em requisição coercitiva.  40.  Como  é  notório,  tais  prescrições  normativas  encontram­se  no  seio  dos  direitos  e garantias  fundamentais,  compondo, pois, um núcleo  imutável  do  texto  constitucional,  ou,  na  linguagem  clássica,  cláusulas  pétreas,  imodificáveis mesmo por intermédio de emenda à Constituição Federal.  41.  Por  isso,  a  quebra  do  sigilo  bancário,  porquanto  representa  uma  relativização dos direitos fundamentais à intimidade e à inviolabilidade  do sigilo de dados, deve ser manejada de forma extremamente cautelosa,  sob pena de ferir de morte o desígnio constitucional. Vale dizer, a quebra  do  sigilo  bancário  deve  respeitar  rígidos  limites  materiais  (as  circunstâncias que a autoriza) e formais (o procedimento a ser adotado),  não  sendo  necessário  dizer  que  ambos  devem  se  coadunar  com  os  valores coletivos.  42.  E  é  por  isso  que  o  procedimento  realizado  pela  Fiscalização  foi  absolutamente  ilegal,  ensejando,  pois,  a  nulidade  do  auto  de  infração  impugnado. Vejamos. Com efeito, a quebra do sigilo bancário realizada  no  curso  deste  Processo  Administrativo  Fiscal  não  possui  nada  de  legítimo,  a  começar  pela  etérea  fundamentação  apresentada  para  sua  realização. De fato, uma simples leitura da Requisição de Informação de  Movimentação  Financeira  (RMF)  permite  concluir  que  a  autoridade  Fl. 30004DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.005            12 fiscal  requisitante  não  apresentou  nenhum  fundamento  válido  que  a  justificasse.  43.  Não assinalou qual a circunstância específica que autorizaria a adoção  da  medida,  vale  dizer,  qual  o  comportamento  da  autuada  que  se  subsumiu  ao  comando  legal.  Tal  atitude  da  requisitante,  coloca  em  cheque  o  pedido  formulado,  bem  como  a  legalidade  das  informações  prestadas. Afinal, se não está clara a hipótese autorizadora da quebra do  sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público, não  se podendo falar em requisição coercitiva.  44.  A  quebra  do  sigilo,  portanto,  depende  da  autorização  de  órgão  imparcial,  isento  e  equidistante,  ou  seja,  pressupõe  a  intervenção  do  Poder  Judiciário,  que  é  constitucionalmente  obrigado  a  assegurar  tal  condição. A Receita Federal, por sua vez, não se afigura imparcial neste  caso porque possui interesse próprio na produção da prova, consistente  em abalizar sua persecução fiscal, tornado­se, em uma só oportunidade,  acusador e inquisidor.  45.  Pois  bem.  Confirmando  esta  linha  de  raciocínio  e  consolidando  a  jurisprudência  da Corte,  o  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal,  no  julgamento  do  RE  389.808,  ocorrido  em  15  de  dezembro  de  2010,  decidiu, por cinco votos a quatro, que a Secretaria da Receita Federal  não tem poder de decretar, por ato próprio, a quebra do sigilo bancário  do contribuinte, mesmo com a edição da LC 105/01.  46.  Portanto,  o  Supremo  Tribunal  Federal,  agora  pelo  seu  Pleno,  decidiu  definitivamente  que  a  Receita  Federal  não  tem  o  poder  de  decretar  a  quebra do sigilo bancário, pondo fim à discussão que ainda existia. No  presente caso, contudo, a requisição das informações bancárias emanou  da Receita Federal, atuando sponte própria, o que revela o arbítrio e a  ilegitimidade  da  prova  que  embasou  o  auto  de  infração  impugnado.  Assim, não  resta qualquer dúvida de que o procedimento adotado pela  Fiscalização  está  eivado  de  vício  e  deve  ser  anulado  pela  própria  Administração  Pública  (Delegacia  de  Julgamento),  conforme  Súmula  473 do STF. E se assim é, a impugnante requer a decretação de nulidade  absoluta  do  presente  Auto  de  Infração,  pois  este  fundamentou­se  exclusivamente em meio de prova produzido de forma ilícita, decorrente  da quebra do sigilo bancário impulsionada exclusivamente pela Receita  Federal, sem a interferência de autoridade judiciária.  47.  NULIDADE  ­  DEPÓSITO  BANCÁRIO  INEXISTÊNCIA  DE  AUTORIZAÇÃO  LEGAL  PARA  A  PRESUNÇÃO  "NO  ATACADO".  No  caso in concreto, o dispositivo legal aplicado foi o descrito no art. 42 da  Lei  n°  9.430/99,  o  qual,  em  síntese,  estabelece  a  possibilidade  de  cobrança  de  imposto  de  renda  por  presunção  de  omissão  de  receita  sobre os valores havidos em depósitos bancários não justificados.  48.  A  prescritividade  legal  mencionada  parece  ajustar­se  com  a  realidade  dos  fatos,  pois,  uma  vez  não  justificada  a  origem  do  ingresso  de  rendimento, é razoável que, por presunção relativa, o Fisco atribua a tal  Fl. 30005DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.006            13 depósito a característica de omissão de receita e efetue o lançamento de  cobrança do imposto.  49.  Aqui,  assim  bem  como  nas  duas  situações  acima  exemplificadas,  a  literalidade  do  texto  legal  não  se  coaduna  com  o  fato  verificado  e  descrito pela Auditora. O texto legal reporta­se a excepcionais depósitos,  no  sentido  esporádico,  inusitado,  único  ou  espaçado.  Enquanto  a  situação  fática  da  impugnante  descrita  e  demonstrada  menciona  a  ocorrência de inúmeros (literalmente, milhares de) depósitos realizados  ao  longo de doze meses, durante o ano calendário de 2008. Não é sem  razão  que  em  julgado  recente,  sobre  depósito  bancário,  o  Conselho  exigiu a análise individualizada do depósito, não permitindo a tributação  "no atacado". (Cita o Acórdão n° 105­17.098 em 26.06.2008.  Publicado no DOU em: 06.03.2009).    50.  O Auditor  se  limitou  a  aplicar  o  texto  literal  da  lei, de  forma acrítica,  enquanto  seu  dever  seria  o  de  verificar,  na  prática,  para  onde  tais  valores  foram  carreados  e  a  que  título.  Isto  faz parte do dever legal da Fiscalização nos termos do art. 142 do CTN.  51.  A  observação  é  pertinente,  pois  foi  incluso  no  rol  dos  depósitos  não  comprovados,  inclusive,  as  transferências  entre  contas  da  própria  autuada.  Isto,  por  si  só,  já  demonstra  a  total  falta  de  critério  na  aplicação  da  norma  e  a  insubsistência  das  infrações  em  comento,  na  linha  da  jurisprudência  do CARF. Diante do  exposto,  também por este  argumento,  requer  seja  decretada  a  nulidade  do  lançamento  fiscal  ora  impugnado.  52.  III  ­ NULIDADE ­  INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA DO ART. 42 DA  LEI N°  9430/96. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA A PRESUNÇÃO DE  OMISSÃO DE  RECEITA  GENERALIZADA  DE  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  NULIDADE. Muito embora tenha absoluta convicção de que, no mérito,  pode  comprovar  a  origem  dos  depósitos  bancários,  resultando  na  improcedência da autuação, a impugnante não pode se furtar de suscitar  essa  preliminar  de  nulidade,  até  mesmo  como  contribuição  para  que  procedimentos fiscalizatórios arraigados de tamanha arbitrariedade não  se repitam jamais!  53.  Com efeito, a ação fiscal pode ser resumida em três atos: a) solicitação  de  extratos  bancários;  b)  intimação  do  contribuinte  para  comprovar  a  origem de  todos os depósitos bancários:  c) a presunção de omissão de  receitas, decorrente da falta de comprovação, no entender do auditor, da  origem  de  todos  os  valores  depositados  na  conta  bancária  da  autuada  durante o ano de 2008.  54.  A primeira questão que vem à mente é a seguinte: pode a Fiscalização,  tendo  acesso  a  toda  movimentação  bancária  do  contribuinte,  se  acomodar  na  sua  intimação  para  comprovação  da  origem  de  todos  os  recursos,  tributando,  por  presunção,  os  depósitos  de  origem  supostamente não comprovadas? A resposta é negativa.  Fl. 30006DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.007            14 55.  Esse procedimento inverte a lógica do trabalho fiscalizatório, passando o  contribuinte  a  ter  o  ônus  de  se  fiscalizar,  ou  seja,  realizar  uma  verdadeira  autofiscalização,  sob  pena  de,  não  comprovando  estar  regular, ser tributado por presunção.  56.  Essa  não  foi  a  intenção  do  legislador  ao  criar  o  art.  42  da  Lei  n°  9.430/96. Como se sabe, a Lei n°. 9.430/96 veio colocar uma pá de cal  na antiga discussão acerca da tributação dos depósitos bancários. Antes  da sua vigência, os depósitos bancários não poderiam ser considerados  fatos jurígenos aptos à cobrança do IRPJ, p. ex., pois não representam,  por si só, disponibilidade econômica de renda e proventos, entendimento  pacificado inclusive  no CARF.  57.  Mas note­se bem que a Lei n° 9.430/96 não inverteu o dever de fiscalizar.  Permanece  o  Auditor  responsável  por  fiscalizar,  investigar  a  regularidade  fiscal  do  contribuinte,  devendo  compulsar,  para  isso,  os  livros e os respectivos documentos contábeis/fiscais. Mas, ao que parece,  a ilustre Fiscalização preferiu autuar, indistintamente, todos os depósitos  efetuados  em  suas  contas  bancárias,  sem  entender  a  atividade  empresarial  desenvolvida  pela  autuada  e  sem  sequer  investigar  a  eventual tributação das suas receitas.  58.  Sendo assim, resta evidente a nulidade dos lançamentos fiscais, uma vez  que a Fiscalização, sem amparo legal, inverteu o encargo fiscalizatório,  obrigando  o  contribuinte  a  comprovar  TODA  a  sua  movimentação  financeira de 2008, sob pena de tributação por presunção. O art. 42 da  Lei ns 9430/96 não autoriza a presunção indiscriminada.  59.  NULIDADE ­ APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO  LUCRO DE  32% DE FORMA GENÉRICA, SEM A DEVIDA OBSERVÂNCIA DA  ATIVIDADE  DESENVOLVIDA PELA AUTUADA. NULIDADE. Consignou, também,  a autuada  que,  pela  sua  peculiaridade,  muito  embora  não  sofra  a  incidência  do  ICMS, nem esteja obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias  próprias  deste  imposto  estadual  ­  já  que  o  que  está  sendo  "comercializado"  é  um  meio  ou  um  instrumento  que  possibilitará,  posteriormente,  a  prestação  do  serviço  de  telecomunicações  pelas  operadoras de telefonia móvel aos consumidores finais (que adquirem as  recargas de pré­pago), este sim tributado pelo ICMS ­ tal atividade, sem  sombra de dúvidas, apresenta todas as feições típicas de uma operação  comercial, de venda.  60.  Isto  porque  a  autuada  adquire  os  cartões  pré­pagos  ou  as  recargas  eletrônicas diretamente da "operadora de telefonia" (no caso, a TIM) ou  das empresas denominadas de "primeiras  intermediárias"  (as empresas  RV  Tecnologia  e  Sistemas  S/A  e  a  Tendência  Informações  e  Sistemas  Ltda.) e, em seguida, distribui essas "mercadorias" (palavra empregada  em  seu  sentido  amplo)  para  os  "pontos  de  venda",  que,  por  sua  vez,  Fl. 30007DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.008            15 realiza  a  "venda"  aos  consumidores  finais  (usuários  de  celulares  pré­ pagos).  Pode­se  dizer  que  o  regime  assemelha­se  a  uma  espécie  de  "venda" por consignação, já que todos os repasses financeiros ao "elo"  superior da "cadeia" são efetuados após a "venda" ao usuário final.  61.  Além  da  operação  de  distribuição  e  venda  de  recarga  de  pré­pago  (recarga  física OU eletrônica), de onde vinha a maior parte da receita  da empresa, a impugnante esclareceu, ainda, que possuía algumas lojas  no Estado da Bahia da operadora TIM, na qual vendia diretamente ao  consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas,  bem como intermediava entre a TIM e os clientes a contratação planos  pós­pagos.  62.  Nestes  casos,  a  operação  consistia,  basicamente,  em  adquirir  as  mercadorias  (celulares,  acessórios  etc.)  e  revender  aos  clientes  ("consumidores  finais"),  obtendo,  assim,  uma  margem  pelas  vendas.  Analisando  todo  o  rol  das  atividades  prestadas  pela  autuada,  talvez  a  única  que  apresente  alguma  feição  de  serviço  seja  a  de  intermediação  pela  venda  de  planos  pós­pagos,  já  que  a  impugnante  recebia  da  TIM  uma comissão por este serviço, de acordo com o contrato firmado entre  ambas.  63.  Entretanto, ao se examinar o Auto de Infração lavrado, observa­se que o  ilustre Auditor Fiscal  aplicou,  indistintamente,  para  todos  os  depósitos  recebidos em sua conta bancária, o percentual de presunção do lucro de  32% (próprio das atividades de prestação de serviços sem apresentar um  único fundamento  legal para justificar  tal atitude,  já que a maior parte  das  operações  realizadas  pela  ora  autuada  (talvez,  99%)  constitui,  tipicamente,  uma atividade  de  distribuição  e  venda, que  estaria  sujeita  ao percentual de presunção de lucro de 8% (oito por cento), ao invés de  32% (trinta e dois por cento).  64.  No  caso  específico  da  impugnante,  a  atividade  desenvolvida  não  constitui uma obrigação de fazer, mas na obrigação de dar (adquire as  recargas das operadoras ou das empresas intermediária e distribui para  os pontos de venda). Também é importante intermediária e distribui para  os pontos de venda). Também é importante consignar que a atividade da  impugnante não  se  confunde  com a atividade da própria operadora de  telefonia, como exaustivamente tratado nos tópicos anteriores, donde se  conclui que ela não presta serviço de telecomunicações.  65.  Diante  do  exposto,  não  há  como  se  enquadrar  a  atividade  de  venda  e  distribuição de recarga de celulares pré­pagos como uma prestação de  serviço,  já  que  esta  apresenta  todas  as  feições  de  uma  operação  comercial de venda, ainda que sobre ela não haja  incidência do ICMS,  devido às suas peculiaridades expostas anteriormente.  66.  Neste  sentido,  por  não  ter  realizado  qualquer  distinção  entre  os  depósitos  recebidos  na  conta  bancária  da  empresa  autuada,  optando  o  Auditor  Fiscal  por  aplicar,  indistintamente,  Fl. 30008DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.009            16 para todos os depósitos, o maior percentual de presunção possível, qual  seja,  o  de  32%  (próprio  das  atividades  de  prestação  de  serviços),  sem  apresentar,  contudo,  um  único  fundamento  legal  para  tanto,  há  de  ser  decretada  a  nulidade  do  procedimento  realizado,  também por este argumento.  DO MÉRITO  67.  Superadas as alegações de nulidade da autuação, na remota hipótese de  não  ser  acolhido  algum  dos  argumentos  acima  expostos,  o  que  conduziria à  extinção do presente Auto de  Infração e,  por conseguinte,  do crédito  tributário nele materializado, passa a autuada à análise dos  argumentos de mérito.  68.  Desde  já,  a  autuada  esclarece  que  é  virtualmente  impossível  descrever  individualmente,  nas  páginas  da  Impugnação  Administrativa,  cada  um  dos  mais  de  7.000  depósitos  bancários  relacionados  na  planilha  apresentada pelo Auditor Fiscal, que possui mais de 215 páginas, cada  página contendo dezenas de lançamentos.  69.  Entretanto,  pretende,  aqui,  a  autuada  explicar  sobre  todos  os  documentos que estão sendo apresentados juntamente com a Impugnação  (que, sem dúvida alguma, é um volume bastante considerável), os quais  comprovam efetivamente a origem dos depósitos realizados em sua conta  bancária,  durante  todo  o  ano  de  2008,  elidindo,  assim,  a  malsinada  presunção de omissão de receitas contra si aplicada.  70.  Operação  de  recarga  física  ­  Tratando,  inicialmente,  da  operação  de  venda de recarga física, a ora impugnante junta ao processo a cópia dos  contratos firmados com os vendedores, a cópia de todas as prestações de  contas realizadas no período, bem como os comprovantes de depósito em  dinheiro/cheque ou de transferência bancária (Anexo5).  71.  Estes  documentos  comprovam  o  recebimento  de  todos  os  valores  decorrentes das vendas realizadas por cada um dos vendedores, os quais  foram depositados nas contas bancárias da autuada, por meio de cheque  ou  dinheiro,  bem  como  aquelas  situações  em  que  os  vendedores  depositavam os valores em suas próprias contas bancárias e, em seguida,  realizavam  a  transferência  para  as  contas  da  impugnante,  prestando  contas com a apresentação dos comprovantes de transferência.  72.  Operação de recarga eletrônica  ­ Com relação à  recarga eletrônica, a  impugnante esclareceu, anteriormente, que eram instalados em cada um  dos "pontos de venda" um equipamento especial (chamado de "terminal  POS", decorrente de Point of Sale),  semelhante àquelas máquinas para  operações  com  cartões  de  crédito,  que  registravam  as  vendas  e  autorizavam a recarga de crédito pré­pago nos celulares dos clientes.  Fl. 30009DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.010            17 73.  Ao  final  de  cada  período  específico,  o  sistema  informatizado  da  impugnante emitia um relatório de liquidação dos valores apurados por  cada  um  dos  "pontos  de  venda".  Em  seguida,  era  emitido  um  boleto  bancário pela própria máquina "POS", consignando o valor que deveria  ser  repassado para a  impugnante,  já abatido o percentual de comissão  daqueles,  que,  como  dito,  era  de  4%,  em  média.  Neste  sentido,  a  impugnante requer a juntada do cadastro dos pontos de venda, de alguns  contratos  por  amostragem,  bem  como  de  todos  os  relatórios  de  liquidação emitidos durante o ano de 2008 (Anexo), que comprovam os  valores.  74.  Requer,  também,  a  juntada  de  todas  as  notas  fiscais  de  venda  de  recargas, emitidas pela TIM, durante o ano de 2008 (Anexo), bem como  as  notas  de  saídas  das  recargas  da  TIM,  emitidas  pela  MEGAGIRO  (Anexo), demonstrando que houve efetivo faturamento destes valores.  75.  Pleiteia, ainda, a  juntada dos comprovantes dos repasses dos valores à  TIM,  bem  como  às  demais  empresas  ("primeiras  intermediárias",  no  caso,  a  RV  Tecnologia  e  Sistemas  S/A  e  a  Tendência  Informações  e  Sistemas  Ltda.)  (Anexo),  demonstrando,  assim,  que,  dos  valores  recebidos pelos "pontos de venda", a maior parte era destinada a estas  empresas,  ficando  a  impugnante  apenas  com  o  percentual  correspondente à sua margem, que, como visto, girava entre 2,5% a 7%.  Além disso, a autuada está  juntando cópia dos contratos firmados Com  todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo).  76.  Além disso,  a autuada está  juntando cópia dos contratos  firmados  com  todas as empresas com as quais manteve relação comercial (Anexo).  77.  Operação  das  Lojas  ­  Esclarece,  ainda,  a  impugnante,  que  conforme  explicado  anteriormente,  além  da  operação  de  distribuição  e  venda  de  recarga  de  pré­pago  (recarga  física  ou  eletrônica),  possuía,  ainda,  algumas  lojas  da  operadora  TIM,  na  qual  vendia  diretamente  ao  consumidor final aparelhos celulares, assessórios, as próprias recargas,  bem  como  intermediava  entre  a  TIM  e  os  clientes  a  contratação  de  planos pós­pagos.  78.  Nestes  casos,  todas  as  vendas  foram  realizadas  por  meio  de  notas  ou  Cupons Fiscai. Requer, portanto, a juntada integral de todas as notas e  cupons  fiscais  emitidos  pelas  Lojas  (Anexo)  no  período  objeto  da  autuação, que demonstram todo o seu faturamento.  79.  Requer,  ainda,  ainda,  a  juntada  dos  extratos  emitidos  pelas  administradoras de cartões de crédito (Anexo), comprovando os valores  recebidos  pelas  vendas  feitas  nesta  modalidade.  Importante  destacar,  neste ponto,  que  como diversas  compras  feitas pelos  clientes utilizando  os  cartões  de  crédito  são  parceladas,  é  impossível  estabelecer  uma  conexão exata entre cada operação realizada e o depósito recebido em  sua conta bancária.  Fl. 30010DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.011            18 80.  Anexa,  também,  à  presente  defesa  a  cópia  das  notas  fiscais  de  serviço  emitidas  no  período  (Anexo),  relativamente  aos  serviços  de  intermediação na contratação de planos pós­pagos entre os clientes e a  TIM.  81.  Transferências  entre  contas  da  mesma  titularidade  ­  Além  dos  documentos anteriormente referidos, que tratam da comprovação da sua  receita  decorrente  do  exercício  da  atividade  operacional,  a  autuada  requer  a  juntada  de  todos  os  extratos  bancários  (Anexo),  os  quais  demonstram  a  inclusão  pela  Fiscalização  de  valores  decorrentes  de  transferências  entre  contas  de  mesma  titularidade,  o  que  denota  um  grave equívoco cometido pelo Fiscal, contrariando a redação do próprio  art. 42, § 32, I, da Lei  n° 9.430/96.  82.  Contratos de locação com a CEMIG ­ A autuada esclarece, ainda, que  possui  um  imóvel  situado no Estado de Minas Gerais,  em  relação ao qual  firmou  contrato  de  locação com a CEMIG (Anexo) em relação ao qual  firmou contrato de  locação com a  CEMIG (Anexo).  83.  Contratos de empréstimos com a empresa Somamix Distribuidora Ltda  ­ Ademais,  a  autuada  firmou  contratos  de  empréstimos  com a  empresa  Somamix  Distribuidora  Ltda.,  os  quais  estão  anexados  à  presente  impugnação  (Anexo),  demonstrando,  assim,  a  origem  dos  valores  depositados em sua conta bancária.  84.  Para  facilitar o  exame de  todos os documentos, a autuada apresenta a  planilha  anexa  (Anexo),  que  consolida  toda  a  relação  de  depósitos  bancários selecionados pela Fiscalização e informa a origem de cada um  deles, indicando em qual documentação poderá ser confirmada.  85.  Conclusões ­ Como se pode observar, a farta documentação ora anexada  comprova  efetivamente  a  origem  de  todos  os  depósitos  realizados  em  suas  contas  bancárias.  Importa  salientar,  neste  ponto,  que  a  Jurisprudência  do  CARF  é  uníssona  no  sentido  de  que,  uma  vez  comprovada a origem dos valores, caberá à Fiscalização aprofundar a  fiscalização, a fim de verificar se o contribuinte, de fato, recolheu todos  os tributos devidos.  86.  Entretanto,  a  autuada  reitera,  aqui,  que  todos  os  valores  em  questão  foram efetivamente,  oferecidos à  tributação, o que  será  tratado melhor  no  tópico  seguinte.  Sendo  assim,  comprovada  a  origem  dos  valores  depositados  nas  contas  bancárias  da  impugnante,  resta  elidida  a  presunção de omissão de  receita,  razão pela qual o auto de  infração é  improcedente.  87.  DEDUÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA DE TODO  O  FATURAMENTO  TRIBUTADO  NO  PERÍODO  ­  Entretanto,  por  eventualidade,  na  hipótese  de  se  entender  que,  apesar  de  todo  o  esforço  da  Fl. 30011DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.012            19 autuada, não restou comprovada a origem dos recursos, requer, ao menos, que  seja deduzido da presunção de omissão de receita todo faturamento tributado  no período, sob pena de cobrança dos tributos em duplicidade.    88.  DA RECONTABILIZAÇÃO REALIZADA PELA AUTUADA ­ Como já  afirmado inúmeras vezes ao longo da presente defesa, a autuada tem absoluta  convicção de que não sonegou tributo ao Erário. E, neste sentido, informa que,  no  curso  da  Fiscalização  que  culminou  na  lavratura  da  presente  autuação,  providenciou  a  recontabilização  de  todos  os  seus  lançamentos,  inserindo  em  sua  contabilidade  todos  os  depósitos  realizados  em  suas  contas  bancárias,  apurando,  ao  final  deste  procedimento,  que,  de  fato,  toda  a  sua  receita  foi  oferecida à tributação.  89.  Como prova disso, a ora impugnante requer a juntada ao Auto dos seus  livros Diário  e Razão  devidamente  recontabilizados  (Anexo),  nos  quais  se poderá constatar a inserção de toda a sua movimentação bancária na  contabilidade.  90.  Ou seja, como já afirmado no  início da presente defesa, a autuada não  quer  evitar  ou  se  furtar  à  Fiscalização. Muito  pelo  contrário!!!  A  ora  impugnante deseja ser efetivamente fiscalizada, oportunidade na qual se  constatará que todos os valores em questão (que corresponderam à sua  efetiva receita),  foram devidamente tributados! E se, eventualmente,  for  apurado  algum  crédito  tributário  remanescente,  o  que,  sinceramente,  não acredita, que seja cobrado sobre uma base de cálculo correta, justa  e razoável.    DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA  91.  Conforme  examinado  no  tópico  anterior,  a  autuada  apresentou  na  presente  defesa  todos  os  documentos  de  que  dispõe,  necessários  para  comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias.  92.  Entretanto,  apesar  de  tal  documentação  estar  devidamente  descrita  e  explicada,  a  sua  imensa  quantidade  dificulta  sobremaneira  o  exame  pelos nobres Julgadores, justificando, assim, a realização de uma perícia  por Auditor independente e estranho ao feito, na forma do art. 16, IV, do  Regulamento  do  Processo  Administrativo  Fiscal  (Decreto  n2.  70.235/1972),  a  fim  de  se  apurar  minuciosamente  todas  as  alegações  aqui sustentadas. Apresenta quesitos e indica perito.  93.  Ante  todo  o  exposto,  entende  a  impugnante  que  foram  devidamente  comprovadas todas as suas alegações, bem como a origem dos depósitos  bancários  efetuados  em  suas  contas,  por  meio  dos  documentos  apresentados,  devendo  ser  julgado  improcedente  este  Auto  de  Infração  (caso  sejam  ultrapassadas  as  preliminares  de  nulidade  anteriormente  deduzidas).  94.  Entretanto,  na  remota  hipótese  de  serem  ultrapassados  todos  os  argumentos  até  aqui  sustentados  e  em  homenagem  ao  princípio  da  eventualidade, o que não acredita a impugnante, já que representaria o  Fl. 30012DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.013            20 encerramento  de  suas  atividades  (ocasionando a  demissão  de  centenas  de empregados), vem apresentar seus argumentos finais.  95.  I  ­  IMPOSSIBILIDADE  DE  APLICAÇÃO  DO  PERCENTUAL  DE  PRESUNÇÃO  DO  LUCRO  DE  32%.  REDUÇÃO  PARA  O  PERCENTUAL  DE  8%.  ­  Conforme  já  explicitado  no  tópico  das  NULIDADES,  referente  à  "APLICAÇÃO  DO  PERCENTUAL  DE  PRESUNÇÃO DO LUCRO DE  32% DE FORMA GENÉRICA,  SEM A  DEVIDA  OBSERVAÇÃO  DA  ATIVIDADE  DESENVOLVIDA  PELA  AUTUADA. NULIDADE.",  a  ora  impugnante  demonstrou  que  a maior  parte de suas operações realizadas (talvez, 99%) constitui, tipicamente,  uma atividade de distribuição e venda, que estaria sujeita ao percentual  de presunção de lucro de 8% (oito por cento).    96.  II  ­  IMPOSSIBILIDADE  DE  CUMULAÇÃO  DA  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO DE RECEITA COM O ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO  97.  Expôs, também, a autuada quem além presumir a omissão de receitas e  de  aplicar  tal  percentual  indevidamente  majorado  de  32%,  o  ilustre  Autuante  ainda  considerou  imprestável  a  escrituração  contábil  da  ora  impugnante, uma vez que, segundo o relatório fiscal, "não contempla seu  movimento  bancário,  nem  em  conta  própria,  'banco  conta movimento',  nem em conta Caixa", optando por arbitrar o lucro, o que resultou num  acréscimo de 20%, tendo sido aplicado um coeficiente total, para cálculo  do  IRPJ,  de  38,4%  (32% +  20%).  Todavia,  há  de  se  consignar  que  a  cumulação  destes  dois  procedimentos  ou  roteiros  de  Fiscalização  é  absolutamente incompatível.  98.  Isto porque, ao se presumir a omissão de receita (com base em depósitos  de  origem  não  comprovada),  o  Fiscal  não  está  analisando  a  contabilidade  do  contribuinte.  Ao  contrário  disso,  está  se  amparando  numa mera presunção da ocorrência do fato gerador.  99.  Já o lucro arbitrado tem seu fundamento na dificuldade de identificação  do fato gerador, e não na sua presunção. Ou seja, o contribuinte possui a  contabilidade, que é analisada pela Fiscalização, mas esta não mereceu  fé,  por  alguma  razão,  que  deve  ser  justificada.  E  tal  fato  conduz  ao  arbitramento.  100.  Ora,  se  o  roteiro  de  fiscalização  utilizado  baseou­se,  integralmente,  numa  presunção,  não  tendo  sido  sequer  analisada  a  contabilidade  da  empresa,  jamais  poderia  ter  sido  aplicada  a  majoração  de  20%  decorrente  do  arbitramento  do  lucro,  pois  esta  é  uma medida  imposta  para se identificar alguma base de cálculo possível.  101.  Deste  modo,  requer  seja  excluída  a  majoração  decorrente  do  arbitramento  do  lucro,  na  remota  hipótese  de  ser  mantida  a  autuação  fiscal.  102.  NÃO INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE  OFÍCIO  ­Por  fim,  requer  a  impugnante  seja  afastada  a  incidência  dos  juros moratórios  sobre  a multa  de  ofício,  uma  vez  que,  no  âmbito  dos  Fl. 30013DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.014            21 tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal,  a  legislação  atualmente em vigor não autoriza a exigência de juros sobre multa.  103.  DO PEDIDO  ­ Ante o  exposto,  pleiteia a  impugnante pelo acolhimento  dos seus argumentos, a fim de que seja julgada nula a presente autuação  fiscal.  Na  hipótese  de  restarem  superadas  as  preliminares  de  nulidade  suscitadas, requer, no, mérito, seja reconhecida a total improcedência do  Auto  de  Infração  sob  exame,  extinguindo­se,  por  conseguinte,  o  débito  tributário  em  questão,  uma  vez  que  restou  comprovada  a  origem  dos  depósitos bancários efetuados nas contas da autuada, tendo sido elidida,  portanto, a presunção de omissão de receita.  104.  Por  fim,  em  homenagem  ao  princípio  da  eventualidade,  na  remota  hipótese de restarem superados todos os seus argumentos anteriormente  citados,  o que,  sinceramente,  não  se espera, pleiteia a autuada  (i)  pela  redução do percentual de presunção do lucro de 32% para 8%; (ii) pelo  afastamento da majoração de 20% decorrente do arbitramento do lucro;  e (iii) pela não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício.  A  decisão  de  origem  julgou  a  impugnação  parcialmente  procedente,  excluindo  da  quantificação da receita omitida somente os valores referentes a transferências bancárias entre contas do  próprio Interessado, a empréstimos efetivamente comprovados. Decidiu­se ainda deduzir da exigência  os valores de tributos declarados em DCTF. Em relação à parcela exonerada, recorreu­se de ofício.  Intimado  da  decisão  em  10/07/2013  (fl.  29.504),  recorrente  apresentou  recurso  voluntário de  fls. 29.506  ­  29.576 em 09/08/2013,  reafirmando as  razões de  impugnação,  inclusive o  pedido de perícia, e discordando das conclusões da DRJ quanto à ausência de comprovação de origem  dos depósitos bancários.   Pautado o processo, este colegiado converteu o julgamento em diligência. Reproduzo os  termos do que foi requerido por bem retratar também o entendimento então firmado pela turma:  Conforme  exposto,  não  restam  dúvidas  quanto  à  forma  de  determinação das bases de cálculos e respectiva forma de tributação a ser considerada  no presente caso:  ­ em relação às operações com a TIM, os depósitos respectivos devem  ser  considerados  omissão  de  receita  em  sua  integralidade,  tributando­se  o montante  respectivo para fins de PIS e Cofins, e utilizando­se dos coeficientes de presunção de  lucro  9,6%  e  12%  para  determinação  das  bases  de  cálculo  de  IRPJ  e  CSLL,  respectivamente (lucro arbitrado);  ­  no  que  tange  às  operações  remuneradas  mediante  comissão  (contratos com Claro, Vivo, Tendência Informação e Sistemas Ltda e RV Tecnologia e  Sistemas  S/A),  os  valores  a  serem  considerados  como  omissão  de  receitas  devem  se  limitar  à  comissão  percebida,  sendo  a  respectiva  receita  bruta  utilizada  para  quantificar  as  bases  de  cálculo  de PIS  e Cofins,  bem  como, mediante  utilização  dos  coeficientes  de  presunção  de  lucro  de  38,4%  e  32%,  as  bases  de  cálculo  de  IRPJ  e  CSLL, respectivamente (lucro arbitrado).  A  fim  de  dar  liquidez  à  exigência,  faz­se  necessária  discriminação  e  determinação das receitas brutas auferidas nas operações de compra e venda (contrato  com a TIM), e  também nas operações em que a Recorrente  foi remunerada mediante  comissão (demais contratos).  Fl. 30014DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.015            22 Para tanto, deverá autoridade fiscal intimar a Recorrente a fim de que  essa demonstre, de forma pormenorizada:  a) O valor recebido, mensalmente, referente às operações de venda de créditos, cartões  telefônicos e aparelhos celulares referentes ao contrato da TIM;  b) O valor líquido mensal referente às operações de intermediação de créditos digitais  remuneradas  mediante  comissões  (diferença  entre  os  valores  percebidos  pela  Recorrente  e  aqueles  a  serem  repassados  às  empresas  Claro,  Vivo,  Tendência  Informação e Sistemas Ltda e RV Tecnologia e Sistemas S/A).      A  Recorrente  poderá  se  utilizar,  se  assim  entender,  da  escrituração  contábil  acostada em sede de  impugnação/recurso. De qualquer  forma, a Recorrente  deverá manter à disposição da autoridade fiscal, de forma discriminada e organizada,  a documentação que dê suporte a tal escrituração ou demonstrativos elaborados.      Esclarece­se  que  a  eventual  utilização  da  nova  escrituração  apresentada pela Recorrente servirá tão somente, e se for o caso, para a quantificação  das  receitas  efetivamente  auferidas  pelo  contribuinte,  nos moldes  já  esclarecidos  no  decorrer  deste  voto,  não  cominando  quaisquer  outros  efeitos  para  fins  da  exigência,  notadamente em relação ao resultado auferido e a  forma de  tributação adotada pela  Interessada.  Caso  a  autoridade  fiscal  divirja  dos  valores  apresentados  pela  Recorrente, deverá indicar aqueles que entender corretos.  Uma vez quantificada as receitas, nos moldes requeridos e nos termos  do presente voto, deverá a autoridade fiscal elaborar demonstrativo quantificando os  valores  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  Cofins  incidentes  sobre  elas,  deduzindo  os  valores  já  declarados  pela  Recorrente,  demonstrando,  por  derradeiro,  os  eventuais  saldos  de  tributos que deixaram de ser declarados à RFB .  Ato contínuo, deverá ser elaborado relatório fiscal circunstanciado em  que  restem  demonstradas  suas  conclusões,  tanto  em  relação  às  receitas  auferidas,  quanto  em  relação  aos  saldos  de  tributos  por  ventura  não  declarados  à  RFB.  A  autoridade fiscal poderá apresentar ainda os esclarecimentos que julgar necessários à  melhor análise dos autos. Ao  final, a Recorrente deverá ser cientificada do resultado  da diligência, abrindo­se prazo de 30 dias para que, querendo, manifeste­se sobre seu  conteúdo.  Os autos retornaram à unidade de origem, requerendo que o contribuinte apresentasse  os e esclarecimentos determinados na Resolução prolatada por esta turma.  Em 28/07/2014, lavrou­se o termo de intimação fiscal de fls. 29644­29646 requerendo  as informações, e os documentos comprobatórios correspondentes, nos termos referidos na Resolução  em comento. Houve solicitação de dilação de prazo (fl. 29656) que foi concedida (20 dias ­ fl. 29652­ 29653).  Em  11/09/2014,  o  contribuinte  informa  que  entregaria  a  documentação  no  dia  17/09/014, conforme já combinado com o responsável pelo procedimento fiscal.  Houve  nova  intimação  solicitando  novos  esclarecimentos  (fls.  29650­29652  ­  ciência  em 28/01/2015).  Fl. 30015DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.016            23 O contribuinte apresentou pedido de prorrogação por mais 15 dias, contados da data de  vencimento do prazo, dia 09/02/2015 (fl. 29658)  Em  20  de  março  de  2015,  a  autoridade  fiscal  responsável  pela  diligência  elaborou  relatório sobre a diligência informando que não era possível concluir a diligência em face da ausência  da apresentação da documentação necessária (fls. 29984­29987 ­ ciência em 20/04/2015 à fl. 29989).  É o relatório.    Fl. 30016DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.017            24 Voto  Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento.  De igual forma, tendo sido exonerada parcela de crédito tributário superior a R$  1.000.000,00, deve também ser conhecido o recurso de ofício.  RESUMO DA LIDE E REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Conforme já relatado, trata­se de exigência de IRPJ e reflexos, com arbitramento  de  lucros,  em  razão  de  omissão  de  receitas  por  presunção  legal  (depósitos  bancários  supostamente  sem  de  comprovação  da  origem  de  valores  (art.  42  da  Lei  nº  9.430/96).  O  arbitramento  de  lucros  deu­se  em  razão  de  a  movimentação  financeira/bancária  não  se  encontrar devidamente registrada na escrituração da Recorrente.  A  Recorrente  contesta  os  valores  apurados  como  receita  tributável  omitida,  aduzindo, em apertada síntese, que por atuar no ramo de distribuição e intermediação da venda  de recarga pré­paga para telefonia móvel, a maior parte das suas vendas (mais de 94%), apenas  transita  em  suas  contas  bancárias,  sendo  posteriormente  repassada  para  as  operadoras  de  telefonia  ou  outras  intermediárias,  concluindo  ao  final  que  "o  resultado  de  sua  atividade  empresarial, na qualidade de intermediária na distribuição de recargas, restringe­se apenas à  sua comissão (em percentual médio de 4% do total de vendas)”. Contesta ainda a coexistência  de  lançamento  com  base  em  depósito  bancário  e  o  arbitramento  de  lucros,  bem  como  o  coeficiente de presunção de lucro utilizado pela Fiscalização.  Na  primeira  oportunidade  em  que  autos  foram  analisados  por  este  colegiado,  concluiu­se pela necessidade de realização de diligência, nos seguintes termos:  Conforme  exposto,  não  restam  dúvidas  quanto  à  forma  de  determinação  das  bases  de  cálculos  e  respectiva  forma  de  tributação  a  ser  considerada no presente caso:  ­  em relação às operações com a TIM, os depósitos  respectivos  devem ser considerados omissão de receita em sua integralidade, tributando­se  o montante respectivo para fins de PIS e Cofins, e utilizando­se dos coeficientes  de presunção de lucro 9,6% e 12% para determinação das bases de cálculo de  IRPJ e CSLL, respectivamente (lucro arbitrado);  ­  no  que  tange  às  operações  remuneradas  mediante  comissão  (contratos  com  Claro,  Vivo,  Tendência  Informação  e  Sistemas  Ltda  e  RV  Tecnologia e Sistemas S/A), os valores a serem considerados como omissão de  receitas  devem  se  limitar  à  comissão  percebida,  sendo  a  respectiva  receita  bruta utilizada para quantificar as bases de cálculo de PIS e Cofins, bem como,  Fl. 30017DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.018            25 mediante utilização dos coeficientes de presunção de lucro de 38,4% e 32%, as  bases de cálculo de IRPJ e CSLL, respectivamente (lucro arbitrado).  A  fim  de  dar  liquidez  à  exigência,  faz­se  necessária  discriminação  e determinação das  receitas  brutas  auferidas  nas  operações  de  compra  e  venda  (contrato  com  a  TIM),  e  também  nas  operações  em  que  a  Recorrente foi remunerada mediante comissão (demais contratos).  Para  tanto, deverá autoridade  fiscal  intimar a Recorrente a  fim  de que essa demonstre, de forma pormenorizada:  a) O valor recebido, mensalmente, referente às operações de venda de créditos,  cartões telefônicos e aparelhos celulares referentes ao contrato da TIM;  b) O valor líquido mensal referente às operações de intermediação de créditos  digitais  remuneradas  mediante  comissões  (diferença  entre  os  valores  percebidos pela Recorrente  e aqueles a  serem  repassados às  empresas Claro,  Vivo, Tendência Informação e Sistemas Ltda e RV Tecnologia e Sistemas S/A).      A  Recorrente  poderá  se  utilizar,  se  assim  entender,  da  escrituração  contábil  acostada  em  sede  de  impugnação/recurso.  De  qualquer  forma, a Recorrente deverá manter à disposição da autoridade fiscal, de forma  discriminada e organizada, a documentação que dê suporte a  tal escrituração  ou demonstrativos elaborados.      Esclarece­se  que  a  eventual  utilização  da  nova  escrituração  apresentada  pela  Recorrente  servirá  tão  somente,  e  se  for  o  caso,  para  a  quantificação das receitas efetivamente auferidas pelo contribuinte, nos moldes  já esclarecidos no decorrer deste voto, não cominando quaisquer outros efeitos  para fins da exigência, notadamente em relação ao resultado auferido e a forma  de tributação adotada pela Interessada.  Caso  a  autoridade  fiscal  divirja  dos  valores  apresentados  pela  Recorrente, deverá indicar aqueles que entender corretos.  Uma  vez  quantificada  as  receitas,  nos moldes  requeridos  e  nos  termos  do  presente  voto,  deverá  a  autoridade  fiscal  elaborar  demonstrativo  quantificando  os  valores  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  Cofins  incidentes  sobre  elas,  deduzindo  os  valores  já  declarados  pela  Recorrente,  demonstrando,  por  derradeiro,  os  eventuais  saldos  de  tributos  que deixaram de  ser  declarados  à  RFB .  Ato  contínuo,  deverá  ser  elaborado  relatório  fiscal  circunstanciado em que restem demonstradas suas conclusões, tanto em relação  às receitas auferidas, quanto em relação aos saldos de tributos por ventura não  declarados  à  RFB.  A  autoridade  fiscal  poderá  apresentar  ainda  os  esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise dos autos. Ao final, a  Recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindo­se prazo  de 30 dias para que, querendo, manifeste­se sobre seu conteúdo.    Fl. 30018DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.019            26 Ocorre  que  a  resultado  da  diligência  foi  inconcluso  quanto  aos  elementos  mínimos necessários para uma tomada de decisão do colegiado. Se, por um lado, não constam  nos  autos  os  demonstrativos  que  se  requereu  ao  contribuinte  elaborar,  de  outra  banda,  a  manutenção da exação nos termos em que lavrados os autos de infração, a par das premissas  lançadas na solicitação de diligência em questão, implicaria uma exigência desproporcional aos  efetivos ganhos da Recorrente.  Tendo em vista os argumentos expedidos pelo patrono da Recorrente a respeito  das  dificuldades  operacionais  para  se  cumprir  a  contento  a  diligência  naquela  ocasião,  dificuldades  essas  já  solucionadas,  e  considerando  ainda  a  afirmação  de  que  já  possui  os  relatórios  e  demonstrativos  elaborados,  entendo  que  seja  o  caso  de  nova  conversão  do  julgamento  em diligência,  ressalvando, desde  já, que caso os autos  retornem para esta  turma  julgadora sem as conclusões e  informações necessárias para uma melhor  tomada de decisões  por conta da falta de atendimento, ou atendimento deficiente aos termos desta resolução, ou os  esclarecimentos  por  ventura  formulados  pela  autoridade  fiscal  responsável  pela  diligência,  implicará  a  manutenção  integral  da  exigência  em  razão  do  disposto  no  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96 c/c art. 845, inciso II, do Decreto nº 3.000/99.  Nesse  contexto,  voto  por  novamente  converter  o  julgamento  em  diligência. A  fim  de  evitarmos  maiores  transtornos,  repito  os  termos  das  solicitações  anteriores,  acrescentando ainda um requerimento adicional:  ­  A  autoridade  fiscal  responsável  pela  diligência  deverá  intimar  a  Recorrente a fim de que essa demonstre, de forma pormenorizada:  a)  O  valor  recebido,  mensalmente,  referente  às  operações  de  venda  de  créditos,  cartões  telefônicos  e  aparelhos  celulares  referentes  ao  contrato da TIM (coeficiente de lucro arbitrado de 9,6% para IRPJ e 12% para a  CSLL);  b)  O  valor  líquido  mensal  referente  às  operações  de  intermediação  de  créditos  digitais  remuneradas mediante  comissões  (diferença  entre  os  valores  percebidos  pela  Recorrente  e  aqueles  a  serem  repassados  às  empresas Claro, Vivo, Tendência Informação e Sistemas Ltda e RV Tecnologia  e Sistemas S/A – na determinação do lucro arbitrado, coeficiente de 38,4% para  o IRPJ e 32% para a CSLL);  c)  elaborar  demonstrativo  quantificando  os  valores  de  IRPJ,  CSLL, PIS e Cofins incidentes sobre as receitas apuradas conforme itens “a” e  “b”  acima  (considerando­se  que  IRPJ  e  CSLL  deverão  ser  apurados  trimestralmente  com  base  no  lucro  arbitrado  e  PIS  e  Cofins  mensalmente  no  regime  cumulativo),  deduzindo  os  valores  por  ela  já  declarados  à  RFB,  demonstrando, por derradeiro, os eventuais saldos de  tributos que deixaram de  ser declarados à Receita Federal.    ­  A  Recorrente  poderá  se  utilizar,  se  assim  entender,  da  escrituração  contábil  acostada  em  sede  de  impugnação/recurso. De  qualquer  forma,  a  Recorrente  deverá manter  à  disposição  da  autoridade  fiscal,  de  forma  discriminada  e  organizada,  a  documentação  que  dê  suporte  a  tal  escrituração  ou  demonstrativos  elaborados.  Fl. 30019DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.732687/2012­68  Resolução nº  1402­000.349  S1­C4T2  Fl. 30.020            27     ­  Esclarece­se  que  a  eventual  utilização  da  nova  escrituração  apresentada  pela Recorrente  servirá  tão  somente,  e  se  for  o  caso,  para  a  quantificação  das  receitas  efetivamente  auferidas  pelo  contribuinte,  nos  moldes  já  esclarecidos no decorrer deste voto, não cominando quaisquer outros  efeitos para  fins  da  exigência,  notadamente  em  relação  ao  resultado  auferido  e  a  forma  de  tributação  adotada pela Interessada.  ­  Caso  a  autoridade  fiscal  divirja  dos  valores  apresentados  pela  Recorrente, deverá indicar aqueles que entender corretos.  Ato  contínuo,  deverá  ser  elaborado  relatório  fiscal  circunstanciado  em  que  restem demonstradas suas conclusões, tanto em relação às receitas auferidas, quanto em relação  aos saldos de tributos por ventura não declarados à RFB. A autoridade fiscal poderá apresentar  ainda  os  esclarecimentos  que  julgar  necessários  à  melhor  análise  dos  autos.  Ao  final,  a  Recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindo­se prazo de 30 dias para  que, querendo, manifeste­se sobre seu conteúdo.     (assinado digitalmente)  FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO ­ Relator    Fl. 30020DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO

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Numero do processo: 10950.007329/2009-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NAO COMPROVADA. MOVIMENTACAO DE CONTAS DE TERCEIROS EM PROVEITO PROPRIO. Diante da falta de comprovação da origem de depósitos bancários, presume-se que houve omissão de receitas. Quando ficar comprovado que contas bancárias de terceiros foram movimentadas pelo contribuinte em proveito próprio, os recursos devem ser atribuídos a este. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-001.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator. EDITADO EM: 19/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1815; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 1.333          1 1.332  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10950.007329/2009­62  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­001.936  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  01 de março de 2016  Matéria  IRPJ: OMISSÃO DE RECEITAS  Recorrente  PONTAL DO PARANÁ FRIGORÍFICO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005, 2006  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NAO  COMPROVADA.  MOVIMENTACAO  DE  CONTAS  DE  TERCEIROS  EM  PROVEITO  PROPRIO.  Diante da falta de comprovação da origem de depósitos bancários, presume­ se  que  houve  omissão  de  receitas.  Quando  ficar  comprovado  que  contas  bancárias  de  terceiros  foram  movimentadas  pelo  contribuinte  em  proveito  próprio, os recursos devem ser atribuídos a este.  LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%.  Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre  a  totalidade  ou  diferença  do  tributo  que  não  foi  pago  ou  recolhido  quando  demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.      (documento assinado digitalmente)  Wilson Fernandes Guimarães ­ Presidente.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 73 29 /2 00 9- 62 Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES     2   (documento assinado digitalmente)  Hélio Eduardo de Paiva Araújo ­ Relator.    EDITADO EM: 19/03/2016  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha,  Hélio  Eduardo  de  Paiva  Araújo,  Paulo  Jakson  da  Silva  Lucas,  Gilberto  Baptista  (suplente  convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.  Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10950.007329/2009­62  Acórdão n.º 1301­001.936  S1­C3T1  Fl. 1.334          3 Relatório  PONTAL DO PARANÁ FRIGORÍFICO LTDA., já qualificada nos autos,  recorre  da  decisão  proferida  pela  2a  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento em Curitiba (PR) ­ DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente  a manifestação de inconformidade, mantendo o crédito tributário lançado no presente processo.  Consta da decisão recorrida o seguinte relato, do qual ora me valho:  Ao contribuinte estão sendo imputadas duas infrações: a) omissão de receitas  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  cujos  valores  transitaram  por  contas  correntes  pertencentes  a  terceiros  e  b)  omissão  de  receita  operacional.  Constituem a base legal para a exigência o disposto no artigo 27, inciso l e art.  42 da Lei nº 9.430, de 1996 e artigos 532 e 537 do Decreto n° 3.000 de 26/03/1999 ­  RIR/99.  A autoridade fiscal procedeu ao arbitramento do lucro, em conformidade com  as disposições contidas no artigos 530, inciso II, artigos 532 e 537 do RIR/99, tendo  em vista que o sujeito passivo mesmo depois de intimado a refazer sua escrituração,  para  incluir a movimentação financeira que não foi contabilizada e apurar o Lucro  Real, informou que abdicava de qualquer direito neste sentido (fls. 1.170).  Cientificado na pessoa de seu procurador legalmente habilitado,  instrumento  de mandato à fl. 1.184, apresentou, em 01/02/2010, impugnação ao feito, (fls. 1.241  à  1.265),  onde  alega  em  preliminar  a  nulidade  da  exigência  pelas  razões  a  seguir  sintetizadas.  Sustenta que a autuação por arbitramento, utilizou como base de cálculo tão  somente  a  diferença  dos  valores  depositados  em  conta  corrente  bancária,  com  aqueles  declarados  em  sua  escrituração,  sendo  ela  abusiva,  ilegal  e  nula  de  pleno  direito,  porque  não  restou  comprovado qualquer  acréscimo patrimonial,  consoante  determina  o  comando  legal  do  artigo  153,  III  da CF de 1988 e  art.43 do CTN de  1966,  regulamentados  pelos  artigos  218  e 219 do RIR de  1999  e Lei  n°  9.430  de  1996.  Argumenta no  sentido de que  simples depósitos bancários não constituem a  ocorrência  do  fato  gerador  do  imposto,  nos  termos  do  disposto  no  artigo  113  do  CTN e mais, apesar de o lançamento gozar de presunção de legitimidade, este deve  conter  requisitos  essenciais  tendentes  à  correta  verificação  da  ocorrência  do  fato  gerador,  sob  pena  de  nulidade.  Os  elementos  essenciais  do  lançamento  são  a  determinação da matéria tributável, o montante do tributo devido, a identificação do  sujeito passivo e, se for o caso, a penalidade correspondente, porém, da interpretação  do  disposto  no  artigo  142  do  CTN,  constitui  o  elemento  essencial  tipificador  do  lançamento qual seja, a ocorrência do fato gerador que, no presente caso não restou  caracterizado, posto a autoridade fiscal ter presumido a obtenção da renda, fazendo  surgir  a  obrigação  tributária  ao  arrepio  da  finalidade  da  lei,  razoabilidade,  proporcionalidade e capacidade contributiva.  Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES     4 Afirma que em nenhum momento restou comprovada a obtenção de renda ou  acréscimo  patrimonial,;  que  depósitos  bancários  não  podem  ser  considerados  sinônimo  de  renda;  que  a  hipótese  de  incidência  é  o  engrossamento  positivo  do  patrimônio; que  a base de cálculo deve guardar  relação com as  exteriorizações  de  riqueza; que cabe à autoridade fiscal provar a inveracidade dos fatos registrados; que  a  exigência  atenta  contra  o  princípio  da  legalidade;  que  o  lançamento  é  análogo  àqueles  que  deram  origem  à  Súmula  do  extinto TRF  n°  182;  que  a  presunção  de  legitimidade do lançamento não exonera o fisco de provar a ocorrência dos fatos que  afirma;  que  a  autoridade  fiscal,  através  de  depósitos  bancários,  presumiu  o  auferimento de receitas e deu por existência de lucro, sob aferição indireta ou seja,  arbitrando­se,  com  o  que  não  pode  concordar,  ã  falta  de  base  jurídica  para  a  exigência do tributo. Transcreve inúmeras ementas de jurisprudência administrativa  com o fim de desconstituir o lançamento.  O  responsável  pela  autuada,  autorizou  à  Receita  Federal  a  solicitar  a  documentação  bancária  junto  às  instituições  financeiras.  De  posse  dos  extratos,  foram elaborados os Demonstrativos dos Valores Creditados nas Contas Correntes,  onde  foram  relacionados  analiticamente  todos  os  valores  a  serem  comprovados,  consolidados  banco  a  banco,  mês  a  mês.  Os  valores  relacionados  nestes  demonstrativos  se  mostraram  muito  superiores  aos  valores  declarados  na  contabilidade.  Saliente­se que a pessoa jurídica não contesta a imputação de que utilizou as  contas correntes de terceiros para ocultar parte de suas receitas.  A  pessoa  jurídica  foi  constituída  em  02/09/2005  (fls.221­223,  tendo  como  sócios Umberto César Bussadori, CPF 163.855.869­87 e Joelcio Malvezi Filho, CPF  837.235.609­20.  O  objeto  social  declarado  l`oi  exploração  do  ramo  de  abate  e  frigorificação  de  bovinos,  suínos,  ovinos,  caprinos,  industrialização,  comercialização,  importação  e  exportação  de  carnes  bovinas,  suínas,  ovinas  e  caprinas,  seus  derivados  e  subprodutos  inclusive  farinha  de  sebo,  industrialização,  beneficiamento, comercialização, representação, importação e exportação de couros,  peles e serviços de abate por conta de terceiros.  Durante  os  meses  de  setembro,  outubro,  novembro  e  dezembro  de  2005,  período  inicial  de  atividade  do  frigorífico,  parte  da  receita  auferida  circulou  pela  conta corrente de Evelline Soares Correia CPF 027.810.949­79, cônjuge de Joelcio  Malvezzi Filho, um dos sócios da autuada, com quem mantinha contas correntes em  conjunto, no Banco .Bradesco S.A. e Banco do Brasil S.A. (Certidão de casamento a  fl.507). Os valores objeto do  lançamento transitaram pela conta corrente do Banco  Bradesco S.A.  Com  a  primeira  alteração  do  Contrato  Social,  ocorrida  em  01/03/2006  (fls.224­227),  Joelcio  Malvezzi  Filho  retirou­se  da  sociedade  e,  em  seu  lugar,  ingressou  a  empresa  Bussadori  Participações  Societárias  Ltda,  CNPJ  07.813.525/0001.­95.  Esta  situação  permaneceu  inalterada  até  18/03/2009,  quando  Joelcio Malvezzi Filho retornou à sociedade.  Para os fatos ocorridos no ano calendário 2006, a pessoa jurídica utilizou de  (04)  quatro  contas  correntes  em  nome  do  sócio  Umberto  César  Bussadori,  CPF  163.855.869­87,  da  conta  corrente  em  nome  de  Evelline  Soares  Correia,  CPF  027.810.949­79 e, da conta corrente de titularidade de Cláudio Rodrigues de Lima,  CPF  572.636.639­53.  Este  último,  declarou  à  fl.  829,  ter  fornecido  sua  conta  corrente  para  que  fosse  utilizada  pela  empresa  Kamarowski  &  Palumbo,  CNPJ  04.123.582/0001­54,  até  o mês  de  agosto  de  2006  e  que,  a  partir  de  setembro  de  2006, deu permissão de utilização para a Pontal do Paraná Frigorífico Ltda.  Como comprovação de que os valores que transitaram pelas contas correntes  das  pessoas  físicas  pertenciam  ao  sujeito  passivo,  foram  apresentados  diversos  Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10950.007329/2009­62  Acórdão n.º 1301­001.936  S1­C3T1  Fl. 1.335          5 documentos, tais como notas fiscais, transferências entre contas, cópias de cheques,  tudo devidamente analisado pela autoridade fiscal.  A autoridade fiscal intimou a empresa a refazer sua contabilidade de maneira  a registrar todos os fatos contábeis, ao que ela abdicou, procedeu­se ao arbitramento  do lucro da pessoa jurídica, com base no disposto no inciso II do artigo 530 do RIR  de 1999.  A não escrituração das contas correntes bancárias mantidas pela empresa em  nome de terceiros e a não apresentação dos livros contábeis com o registro de toda  movimentação financeira ferem os princípios consagrados pela legislação comercial  e  pela  técnica  contábil,  evidenciando  a  não  confiabilidade  do  lucro  apurado  e  tornando correto o procedimento fiscal de arbitrar o lucro do exercício.  A  autuação  foi  procedida  com  exigência  de  multa  qualificada,  ante  a  comprovação  inequívoca  de  que  o  sujeito  passivo  se  utilizou  de  terceiras  pessoas  para movimentar  valores  a  ele  pertencentes,  e  desta  forma omitir  ao  fisco  parcela  considerável das receitas auferidas no período, configurando, em tese, crime contra a  Ordem Tributária.  Na peça de defesa o sujeito passivo alega em preliminar que o lançamento é  nulo  pois  depósitos  bancários  não  constituem  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  imposto de renda; que também é nulo porque o arbitramento é medida excepcional e  não se aplicaria à presente­situação e, por fim que descabe a qualificação da multa  de ofício, devendo esta ser reduzida a 75%.  A  2ª  Turma  da  DRJ/CTA,  analisou  os  argumentos  apresentados  pelos  impugnantes,  proferindo  decisão  para  julgar  improcedente  as  manifestações  de  inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­IRPJ  Data  do  fato  gerador:  30/09/2005,  31/12/2005,  31/03/2006,  30/06/2006,  30/09/2006, 31/12/2006  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NAO  COMPROVADA.  MOVIMENTACAO  DE  CONTAS  DE  TERCEIROS  EM  PROVEITO  PRÓPRIO.  Diante da falta de comprovação da origem de depósitos bancários, presume­ se  que  houve  omissão  de  receitas.  Quando  ficar  comprovado  que  contas  bancárias  de  terceiros  foram  movimentadas  pelo  contribuinte  em  proveito  próprio, os recursos devem ser atribuídos a este.  ARBITRAMENTO DO LUCRO.  Procedente o arbitramento do lucro dos anos­calendário de 2005 e 2006 em  face  de  a  escrituração  contábil  mantida  pela  contribuinte  estar  com  sua  credibilidade  afetada  em  decorrência  da  [alta  de  escrituração  de  vultosa  movimentação bancária, neste caso caracterizada pela movimentação de parte  de suas receitas em contas correntes de terceiros.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data  do  fato  gerador:  30/09/2005,  31/12/2005,  31/03/2006,  30/06/2006,  30/09/2006, 31/12/2006  Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES     6 NORMAS PROCESSUAÍS. NULIDADE.  Comprovado que o procedimento foi feito regularmente, não se apresentando  nos autos as causas apontadas no artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 1972,  não  há  que  se  cogitar  em  nulidade  processual,  nem  em  nulidade  do  lançamento enquanto ato administrativo.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  APLICAÇÃO  DA  SÚMULA  182  DO  EXTINTO TRF  Inaplicável  a  Súmula  182  do  extinto  Tribunal  Federal  de  Recursos  ­  TRF,  visto que inteiramente superada pela entrada em vigor da Lei n° 9.430/1996,  que  tornou  lícita  a  utilização  de  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  como  meio  de  presunção  legal  de  omissão  de  receitas  ou  de  rendimentos.  A  ora  recorrente,  devidamente  cientificada  do  acórdão  recorrido,  apresenta  recurso  voluntário  tempestivo,  onde  repisa  os  argumentos  apresentados  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade,  finalizando  com  os  seguintes  pedidos,  os  quais  podem  ser  assim resumidos:  a) que seja decretado a nulidade integral do lançamento, uma vez que simples  depósitos  bancários  não  podem  servir  para  constituição  de  crédito  tributário,  especialmente,  porque,  restou  improvado o engrossamento de capital, vertido em exteriorização de  riquezas,  ao mister exigido pelos arts. 43 do CTN e art. 153 CF/88 c/c art. 37 “caput”, art. 55, XIII, art.  846 e art. 923/924 todos do RIR/99;  b) que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só,  não autorizada a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente  intuito  de  fraude  do  sujeito  passivo. Com  efeito,  deve  ser  determinando  o  expungimento  da  multa de 150 %, aplicando, tão somente 75 %, caso haja subsistência do lançamento.  É o relatório.  Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10950.007329/2009­62  Acórdão n.º 1301­001.936  S1­C3T1  Fl. 1.336          7 Voto             Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo  O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço.  Trata o presente processo do auto de infração lavrado pela DRF/RJ2, no qual  consta  a  exigência  de  IRPJ, CSLL,  PIS  e COFINS. Contra  o  contribuinte  são  imputados  os  seguintes fatos:   a) omissão de  receitas  caracterizada por depósitos bancários de origem não  comprovada, cujos valores transitaram por contas correntes pertencentes a terceiros; e   b) omissão de receita operacional.   O recorrente se insurge contra as seguintes matérias, as quais serão analisadas  uma a uma a seguir:  1) Impossibilidade do Lançamento Tributário com Base em Presunção  Alega o recorrentes que a motivação para o lançamento de ofício se deu por  força de valores depositados  em conta­corrente. Contudo, no  seu  entendimento,  os depósitos  bancários em conta­corrente são mera presunção legal, não podendo ser utilizados como base  para imposição de tributos, sem que outros elementos sejam trazidos aos autos (outros sinais de  riqueza).  Quanto a isto, em primeiro lugar é necessário esclarecer que a fiscalizada não  apresentou,  apesar de  intimada os Livros Contábeis obrigatórios para o Fisco Federal  (Livro  Diário e Livro Razão), nem o Livro Caixa. Este foi o motivo pelo qual a fiscalização teve que  realizar  o  lançamento  com  base  no  método  arbitramento,  o  que  não  foi  contestado  pelos  impugnantes,  com  base  no  artigo  503,  inciso  III,  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda,  aprovado pelo Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999 – fls. 1356 a 1358).  Cabe ainda esclarecer que neste método de apuração do lucro, no tocante ao  IRPJ e à CSLL, as receitas omitidas não são tributadas integralmente, mas apenas sobre a base  de  cálculo  encontrada  após  a  aplicação  do  percentual  de  determinação  do  lucro,  conforme  artigos 518, 519 e 532 do RIR/1999 (Termo de Verificação Fiscal).  Percebe­se, então, que o  lançamento de ofício  se deu com base nos valores  verificados  como  tendo  sido  movimentados  em  suas  contas  bancárias,  ou  em  contas  de  terceiros,  valores  estes  que, mesmo  após  intimada  para  esclarecer  e  provar  sua  origem,  não  logrou  a  Recorrente  comprová­los  ou  explicá­los,  razão  pela  qual  foram  tidos  como  receita  omitida e não comprovada.   De  toda  sorte,  os  lançamentos  foram  feitas  com  base  na  aplicação  dos  percentuais previstos na  legislação para a metodologia do Lucro Arbitrado, conforme artigos  do RIR/99.  Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES     8 Ademais,  a  presunção  de  omissão  de  receitas  proveniente  de  depósitos  bancários de origem não comprovada, e sua forma de tributação, estão assim previstas no art.  42, da Lei nº 9.430/96:  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  § 2º Os  valores cuja origem houver  sido  comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:  I  os  decorrentes  de  transferências  de  outras  contas  da  própria  pessoa física ou jurídica;  II  no  caso de  pessoa  física,  sem prejuízo  do  disposto  no  inciso  anterior, os de valor  individual  igual ou  inferior a R$ 1.000,00  (mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ calendário,  não  ultrapasse  o  valor  de  R$  12.000,00  (doze  mil  reais).  § 4º Tratando­se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão  tributados no mês em que considerados recebidos, com base na  tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o  crédito pela instituição financeira.  §  5º  Quando  provado  que  os  valores  creditados  na  conta  de  depósito ou de investimento pertencem a  terceiro, evidenciando  interposição  de  pessoa,  a  determinação  dos  rendimentos  ou  receitas  será  efetuada  em  relação  ao  terceiro,  na  condição  de  efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.  §  6º  Na  hipótese  de  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  ou  de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas  em  separado, e não havendo comprovação da origem dos  recursos  nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  entre  o  total  dos  rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.  É certo que por  se  tratar de presunção  legal,  relativa,  diga­se de passagem,  comporta  prova  em  contrário.  Porém,  de  acordo  com  a  remansosa  jurisprudência  deste  Colegiado, a prova em contrário deve ser produzida pelo interessado. Ou seja, a lei criou uma  presunção  de  omissão  de  receitas  todas  as  vezes  que  verificado  depósitos  bancários  não  Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10950.007329/2009­62  Acórdão n.º 1301­001.936  S1­C3T1  Fl. 1.337          9 escriturados.  Tal  presunção  de  omissão  de  receitas  pode  ser  desconstituída  pela  contribuinte  com a produção de provas hábeis para tanto. O que não ocorreu no caso destes autos.  Assim, não restam dúvidas quanto a correção do procedimento adotado pela  fiscalização, sendo considerados os depósitos efetuados na conta corrente da interessada como  receita  omitida,  em  decorrência  da  presunção  legal,  prevista  no  art.  42,  da  Lei  nº  9.430/96,  razão pela qual não merece nenhum reparo a autuação neste aspecto.  2) Da Qualificação da Multa de Ofício  Quanto à qualificação da multa de ofício (150%), cabe examinar o artigo 44  da Lei nº 9.430/1996, sua base legal:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  II de 50% (cinqüenta por cento), exigida  isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:  a)  na  forma  do  art.  8º  da  Lei  no  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física;  b)  na  forma  do  art.  2º  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.  § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação para:  I ­ prestar esclarecimentos;  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11  a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;  III  ­  apresentar  a  documentação  técnica  de  que  trata  o  art. 38  desta Lei.  (...)  Diante  da  remissão  realizada  pelo  artigo  44  da  Lei  nº  9.430/1996  e  do  enquadramento  legal  apontado  pela  fiscalização  no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  cabe  Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES     10 reproduzir o conteúdo do artigo 71 da Lei nº 4.502/1964, que trata de situações ensejadoras de  aplicação da multa de ofício qualificada em 150%:  Art.  71.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.  Ora, como se vê dos autos, a aplicação da multa qualificada deu­se em razão  de  a  fiscalização  ter  considerado  que  ocorreu  o  evidente  intuito  de  fraude  por  se  tratar  de  utilização de contas bancárias de  terceiros pela pessoa  jurídica  e não de  simples omissão de  receitas como afirmou a defesa.  Quanto  a  descrição  dos  motivos  que  ensejaram  a  aplicação  da  multa  qualificada  encontra­se  no  “Termo  de  Verificação  Fiscal”  de  fls.  1.176­1.183,  que  é  parte  integrante do auto de infração, verbis:  O contribuinte utilizou­se de terceiros para movimentar valores pertencentes ã  pessoa  jurídica  e  apresentou  as  declarações  do  Imposto  de  Renda  para  a  Receita  Federal com valores muito inferiores aos apurados.  O  fato  de  omitir  informação  ou  prestar  declaração  falsa  às  autoridades  fazendárias bem como empregar outra fraude, para eximir­se total ou parcialmente,  de  pagamento  de  tributo  constitui,  em  tese,  crime  contra  a  Ordem  Tributária  conforme definido nos Art. 10 e 2° da Lei 8.137/90, os quais combinados com os  artigos 71, 72 e 74 da Lei 4.502/64 fica sujeito à multa de (150%) cento e cinqüenta  por cento sobre os valores omitidos.  DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS  Foi feita a representação fiscal para fins penais para cumprimento ao disposto  na portaria SRF NO 665 de 24/O4/2008.  No  caso  concreto,  a  fiscalizada  utilizou­se  de  várias  contas­correntes  pertencentes  a pessoas  físicas,  o que demonstra,  de  forma  inconteste,  que houve  intenção de  ocultar do Fisco o conhecimento da ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições.  O  uso  de  contas  correntes  de  terceiros,  pessoas  físicas,  para  encobrir  depósitos bancários mostra a existência do conhecimento prévio da ocorrência do fato gerador  e  o  desejo  de  afastá­lo  da  tributação.  Havendo,  portanto,  a  ocorrência  dos  dois  elementos  formadores do dolo (o cognitivo e o volitivo),  fica caracterizado o evidente  intuito de fraude  estipulado pelo inciso II do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996.  Caracterizado  o  evidente  intuito  de  fraude,  com  a  utilização  de  contas­ correntes  de  terceiros,  a  fim  de  dificultar  à  Autoridade  Fiscal  o  conhecimento  quanto  à  ocorrência  do  fato  gerador,  entendo  presentes  os  requisitos  para  a  qualificação  da multa  de  ofício.  Trago,  para  confirmar  a  fundamentação  acima  adotada,  a  transcrição  da  Súmula CARF nº 34, a qual entendo ser perfeitamente aplicável ao caso tratado nestes autos:  Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10950.007329/2009­62  Acórdão n.º 1301­001.936  S1­C3T1  Fl. 1.338          11 Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão  de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de  origem  não  comprovada,  é  cabível  a  qualificação  da multa  de  ofício,  quando  constatada  a  movimentação  de  recursos  em  contas bancárias de interpostas pessoas.  Assim,  diante  de  todo  o  acima  exposto,  voto  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário.  Sala de sessões, 01 de março de 2016.    (documento assinado digitalmente)  Hélio Eduardo de Paiva Araújo ­ Relator                                Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES

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Numero do processo: 10510.005762/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.016.391-5, CFL 68, em DILIGÊNCIA, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento definitivo da demanda objeto dos Processos Administrativos Fiscais nº 12045.000477/2007-32 (DEBCAD 37.016.388-5), 12045.000484/2007-34 (DEBCAD 37.016.387-7), 12045.000546/2007-16 (DEBCAD 37.016.389-3 e 10510.005770/2007-27 (DEBCAD 37.016.386-9), devendo ser acostadas aos presentes autos cópia das decisões definitivas em apreço. Maria Cleci Coti Martins – Presidente-Substituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-Substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1838; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2.821          1  2.820  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10510.005762/2007­81  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2401­000.474  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  26 de janeiro de 2016  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  PROJEL PLANEJAMENTO, ORGANIZAÇÃO E PESQUISAS LTDA  Recorrida  FAZENDA  NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por  unanimidade  de  votos,  em  CONVERTER  o  julgamento  do  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória  nº  37.016.391­5,  CFL  68,  em  DILIGÊNCIA,  até  que  se  conclua,  no  âmbito  administrativo,  o  julgamento  definitivo  da  demanda  objeto  dos  Processos  Administrativos  Fiscais  nº  12045.000477/2007­32  (DEBCAD  37.016.388­5),  12045.000484/2007­34  (DEBCAD  37.016.387­7),  12045.000546/2007­16  (DEBCAD  37.016.389­3  e  10510.005770/2007­27  (DEBCAD 37.016.386­9),  devendo  ser  acostadas  aos  presentes  autos  cópia das decisões definitivas em apreço.    Maria Cleci Coti Martins – Presidente­Substituta de Turma.     Arlindo da Costa e Silva – Relator.    Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins  (Presidente­Substituta  de  Turma),  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa,  Carlos  Henrique  de  Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e  Arlindo da Costa e Silva.        RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .0 05 76 2/ 20 07 -8 1 Fl. 2822DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10510.005762/2007­81  Resolução nº  2401­000.474  S2­C4T1  Fl. 2.822          2  1.   RELATÓRIO   Período de apuração: 01/01/1999 a 30/03/2006.  Data da lavratura do AIOA: 14/11/2006.  Data da Ciência do AIOA: 22/11/2006.    Tem­se  em  pauta  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Decisão  Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Salvador/BA que julgou improcedente a  impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória  nº  37.016.391­5,  CFL  68,  lavrado  em  decorrência  do  descumprimento da obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91 em  razão da apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as  contribuições  previdenciárias,  conforme  descrito  no  Relatório  Fiscal  da  Infração  a  fls.  2337/2355.  CFL ­ 68   Apresentar  a  empresa  GFIP/GRFP  com  dados  não  correspondentes  aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em  ralação  às  bases  de  cálculo,  seja  em  relação  às  informações  que  alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não  houvesse  isenção  (Entidade  Beneficente)  ou  substituição  (SIMPLES,  Clube  de  Futebol,  produção  rural)  ­  Art.  284,  II  na  redação  do  Dec.4.729, de 09/06/2003.    Informa a Autoridade Lançadora que a deixaram de ser declarados em GFIP os  seguintes fatos geradores:   ·  Código  de  Levantamento  (Papel  de  Trabalho)  ALM  (Alimentação  em  pecúnia):  compreendem  os  valores  pagos  em  dinheiro  pela  empresa  aos  segurados empregados a título de alimentação;  ·  Código de Levantamento (Papel de Trabalho) DCC (Diferença Convenção  Coletiva):  valores  pagos  em  folha  de  pagamento  aos  segurados  empregados,  em  virtude  de  aumentos  salariais  obtidos  por  estes  em  convenção coletiva, que somente vieram a ser implementados após a data  prevista na convenção;  ·  Código  de  Levantamento  (Papel  de  Trabalho)  TRN  (Transporte  em  pecúnia):  compreendem  os  valores  pagos  em  dinheiro  pela  empresa  aos  segurados empregados a titulo de transporte;  ·  Os  valores  pagos  aos  empregados  pela  utilização  de  veículos  de  sua  propriedade na prestação de serviços;  ·  Os valores pagos aos empregados a título de ajuda de custo;  Fl. 2823DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10510.005762/2007­81  Resolução nº  2401­000.474  S2­C4T1  Fl. 2.823          3  ·  O salário indireto sob a forma de plano de saúde;  ·  Os  valores  pagos  a  empregados,  erroneamente  considerados  como  estagiários;  ·  Os  valores  pagos  a  segurados  contribuintes  individuais  (autônomos),  extraídos  dos  lançamentos  contábeis  atinentes  a  serviços  prestados  por  pessoas físicas;  ·  Os valores pagos aos empregados da PROJEL a título de quilometragem;  ·  Os valores pagos a cooperativas de trabalho;  ·  Os valores pagos a segurados caracterizados empregados que, no entanto,  foram contratados pela Projel como prestadores de serviços, por meio de  pessoas jurídicas interpostas (quarterizadas);  ·  A remuneração paga aos segurados empregados em folha de pagamento e  que foi reconhecida pela empresa como base de cálculo das contribuições  previdenciárias, mas que não foi declarada em GFIP.    A  obrigação  principal  decorrente  dos  mesmos  fatos  geradores  objeto  do  vertente  lançamento  houve­se por  formalmente  lançada mediante  as NFLD nº  37.016.387­7,  37.016.388­5,  37.016.389­3  e  37.016.386­9,  lavradas  na  mesma  ação  fiscal,  objeto  dos  Processos  Administrativos  Fiscais  nº  12045.000546/2007­16,  12045.000484/2007­34,  12045.000477/2007­32 e 10510.005770/2007­27.    Irresignado  com  o  supracitado  lançamento  tributário,  o  sujeito  passivo  apresentou impugnação a fls. 2367/2528.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou  Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 15­22.186 ­ 7ª Turma da DRJ/SDR, a fls.  2596/2629, julgando procedente em parte o lançamento, para dele fazer excluir as Obrigações  Tributárias decorrentes dos  fatos geradores atingidos pela decadência,  e  retificando o  crédito  tributário.  O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 08/02/2010,  conforme Aviso de Recebimento a fl. 2634.  Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo,  o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 2635/2770, requerendo ao fim a reforma da  decisão recorrida.  Resolução nº 2301­000.196 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Sessão de  Julgamento do CARF, a fls. 2780/2787, pugnou pela a conversão do julgamento em diligência  para  que  fossem  reunidos  todos  os  processos  que  tratam  de  créditos  tributários  lançados  no  Fl. 2824DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10510.005762/2007­81  Resolução nº  2401­000.474  S2­C4T1  Fl. 2.824          4  mesmo procedimento fiscal e para que estes fossem distribuídos, simultaneamente, ao primeiro  relator que tenha sido sorteado, conforme determina o §7º do art. 49 do RICARF.   Despacho de Devolução a fls. 2794/2795 e 2799/2780 considerou prejudicado o  cumprimento da Diligência requestada, em razão de:  ·  Os  processos  12045.000477/2007­32  e  12045.000484/2007­34  já  se  encontram  definitivamente  julgados  na  esfera  administrativa,  através  dos  acórdãos 206­01.313 e 2402­00.871, respectivamente, ambos proferidos pelo  CARF/MF,  tendo  sido  enviados  posteriormente  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional (PFN) para fins de cobrança executiva.   ·  O  processo  10510.005770/2007­27  encontra­se  em  fase  de  julgamento  de  Recurso Voluntário,  tendo sido encaminhado ao CARF/MF em 26/07/2010,  contendo 52 (cinquenta e dois) volumes.   ·  O processo 12045.000546/2007­16, da mesma forma, encontra­se em fase de  julgamento de Recurso Especial,  tendo sido encaminhado ao CARF/MF em  24/11/2010, contendo 13 (treze) volumes.    Nesse contexto, foram os Autos sorteados a este Conselheiro Relator.    Relatados sumariamente os fatos relevantes.  Fl. 2825DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10510.005762/2007­81  Resolução nº  2401­000.474  S2­C4T1  Fl. 2.825          5  2.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   2.1.  DA TEMPESTIVIDADE  O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no  dia 08/02/2010, Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 10/03/2010, há que se  reconhecer a tempestividade do recurso interposto.  Estando  presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade  do  recurso,  dele  conheço.    3.  DAS PRELIMINARES  3.1.   DEPENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO  O Recorrente alega prejudicialidade em relação aos Processos Administrativos  Fiscais  nº  12045.000477/2007­32  (DEBCAD  37.016.388­5),  12045.000484/2007­34  (DEBCAD  37.016.387­7),  12045.000546/2007­16  (DEBCAD  37.016.389­3  e  10510.005770/2007­27 (DEBCAD 37.016.386­9), requerendo que estes fossem reunidos para  a apreciação conjunta.  Com  efeito,  o  mérito  do  lançamento  referente  às  contribuições  patronais  destinadas  ao  custeio  da  Seguridade  Social,  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre os fatos geradores objetos do vertente  Auto  de  Infração  é  objeto  dos  Processos Administrativos  Fiscais mencionados  no  parágrafo  anterior, não cabendo discussão paralela nos autos do presente processo fiscal, o qual trata, tão  somente, da legalidade do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.016.391­5, lavrado  em desfavor do Recorrente em razão do descumprimento de obrigações acessórias previstas no  inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91.    “Não se tolera, em direito processual, que uma mesma lide seja objeto de mais  de um processo sucessivamente.” (Humberto Theodoro Júnior)     Avulta das circunstâncias do presente caso que o veredictum a ser proferido no  vertente Processo Administrativo Fiscal  depende  visceralmente  do  desfecho  definitivo  a que  alcançar o julgamento dos Processos Administrativos Fiscais acima citados.  A tentativa de reunião e julgamento conjunto de todos os lançamentos conexos,  almejada pela Resolução nº 2301­000.196 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Sessão de  Julgamento do CARF, a fls. 2780/2787, restou frustrada, conforme esclarecido no Despacho de  Devolução a fls. 2794/2795 e 2799/2780.  Por tais razões, como medida de reconhecida prudência e visando a se evitar a  prolação  de  decisões  conflitantes,  pautamos  pela  conversão  do  julgamento  em  Diligência  Fl. 2826DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10510.005762/2007­81  Resolução nº  2401­000.474  S2­C4T1  Fl. 2.826          6  Fiscal,  para  que  se  aguarde  o  Trânsito  em  Julgado  de  todos  os  Processos  Administrativos  Fiscais  nº  12045.000477/2007­32  (DEBCAD  37.016.388­5),  12045.000484/2007­34  (DEBCAD  37.016.387­7),  12045.000546/2007­16  (DEBCAD  37.016.389­3  e  10510.005770/2007­27  (DEBCAD  37.016.386­9),  DEVENDO  A  DILIGÊNCIA  SER  CONCLUÍDA  COM  A  JUNTADA  AOS  PRESENTES  AUTOS  DE  CÓPIA  DA  DECISÃO  DEFINITIVA  PROFERIDA  EM  CADA  UM  DOS  PROCESSOS  ACIMA  MENCIONADOS.    Na sequência, antes de os autos retornarem a esta Corte Administrativa, deve ser  promovida a ciência do resultado da Diligência Fiscal ora requestada ao Sujeito Passivo, para  que este, desejando, possa se manifestar nos autos do processo, no prazo normativo.    4.   CONCLUSÃO:  Pelos  motivos  expendidos,  voto  pela  CONVERSÃO  do  julgamento  em  DILIGÊNCIA, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto  dos  Processos  Administrativos  Fiscais  nº  12045.000477/2007­32  (DEBCAD  37.016.388­5),  12045.000484/2007­34  (DEBCAD  37.016.387­7),  12045.000546/2007­16  (DEBCAD  37.016.389­3  e 10510.005770/2007­27  (DEBCAD 37.016.386­9),  devendo  ser  acostadas  aos  presentes autos cópia das decisões definitivas em apreço.    É como voto.    Arlindo da Costa e Silva, Relator.  Fl. 2827DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS

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6295797 #
Numero do processo: 10380.729799/2013-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a repartição fiscal de origem apresente as informações necessárias para o julgamento do Processo, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2114; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 3.935          1 3.934  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.729799/2013­79  Recurso nº            De Ofício e Voluntário  Resolução nº  3402­000.754  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  23 de fevereiro de 2016  Assunto  PIS  Recorrentes  SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA              FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência  para  que  a  repartição  fiscal  de  origem  apresente  as  informações  necessárias para o julgamento do Processo, nos termos do voto da Relatora.  (assinado digitalmente)  Antônio Carlos Atulim ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Thais De Laurentiis Galkowicz ­ Relatora   Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim,  Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula,  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Diego  Diniz  Ribeiro  e  Carlos  Augusto Daniel Neto.    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  e  de  ofício,  interpostos  em  face  da  decisão  proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP, que  declarou  parcialmente  procedente  a  impugnação  apresentada  pelo  contribuinte  sobre  a  cobrança  de  Contribuição  ao  PIS  não  cumulativa,  consubstanciada  no  auto  de  infração  em  questão.  Tal  autuação  versa,  em  apertada  síntese,  sobre  apropriação  indevida  de  receitas  referentes a contrato a longo prazo, considerada como omissão de receita (mais precisamente,  simulação de contratação de empréstimo bancário, na visão da autoridade fiscal), no importe de     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 29 79 9/ 20 13 -7 9 Fl. 3935DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  3402­000.754  S3­C4T2  Fl. 3.936          2 R$  22.853.237,74,  incluídos  principal,  juros  de  mora  e  multa  qualificada  no  percentual  de  150%.  Por bem consolidar os mais importantes fatos que deram ensejo ao lançamento  tributário  em  questão,  com  riqueza  de  detalhes,  colaciono  os  trechos  mais  importantes  do  Termo de Verificação Fiscal, também destacados pelo Acórdão da DRJ:   [...]  a pessoa  jurídica [...]  opera no setor de  tecnologia das energias  alternativas,  fornecendo a terceiros  seus equipamentos de geração de  energia  eólica  (Aerogeradores).  Essa  atividade,  descrita  resumidamente,  envolve  a  importação,  a  venda  e  os  serviços  de  instalação  dos  equipamentos  nos  parques  eólicos  indicados  pelos  Clientes adquirentes.  Evidentemente que, à vista das dimensões dos equipamentos geradores  eólicos, as  importações eram feitas sob encomenda prévia do Cliente,  de  acordo  com  as  condições  previstas  nas  cláusulas  dos  contratos  celebrados  entre  as  partes.  Isto  significa  que  não  existia  na  operacionalidade  ordinária  da  empresa,  a  importação  de  partes  e  peças  utilizadas  nos  Aerogeradores,  de  modo  que  compusessem  estoques descompromissados, fora das encomendas pré­acertadas com  Clientes.  Diante dessas peculiaridades restou fácil concluir que as operações de  venda  e  instalação  de  parques  eólicos  se  compreendem  nos  denominados pela legislação tributária de "negócios de longo prazo",  com prazos de execução progressivos, quase sempre superiores a um  exercício.  [...]Criada em 2006, a empresa é integralmente controlada por grupo  estrangeiro  indicado  como  SUZLON  WIND  ENERGY  A/S.  Neste  contexto de independência total, sua controladora integral é, também e  simultaneamente, sua própria e única fornecedora dos Aerogeradores  importados que a  empresa brasileira adquire e  vende aqui no Brasil,  para seus Clientes.  [...]Foi nessa concepção peculiar que a SUZLON ENERGIA EÓLICA  DO  BRASIL  LTDA  assina  Contratos  de  Fornecimentos  de  Bens  e  Serviços  com  seus  Clientes  (Rosa  dos  Ventos  Geração  de  Energia  Eólica  S/A  e  SIIF  Cinco  Ltda,  em  2006,  e  Bons  Ventos  Geração  de  Energia S/A, em 2007) para venda e instalação de quase duas centenas  de máquinas Aerogeradoras  nos  diversos  parques  eólicos  designados  pelos adquirentes. O total dos contratos, com cláusulas rígidas em seu  corpo,  ultrapassava  a  cifra  de  R$  1.300.000.000,00  (hum  bilhão  e  trezentos milhões de reais) a serem pagos ao longo dos anos de 2007 a  2009, conforme o progresso da execução.  (...)  Durante  o  período  de  2007  a  2010  (a  SUZLON)  vendeu  e  executou  projetos eólicos no valor de cerca de R$ 1,3 bilhões, que se caracteriza  em  construção  civil  pesada,  ou  seja,  as  receitas  deveriam  ter  sido  reconhecidas proporcional às fases das obras concluídas. No entanto,  a  mesma  tratou  suas  operações  como meras  transações  comerciais  adiando  seus  reconhecimentos  de  receitas  em  cerca  de  três  anos,  Fl. 3936DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  3402­000.754  S3­C4T2  Fl. 3.937          3 adiando também desta forma o recolhimento e pagamento de tributos  como  PIS,  COFINS,  IR  e  CSLL  sobre  todas  as  suas  operações  naquele período, podendo ter causado prejuízos de milhões aos cofres  públicos. Para corroborar a tese de que esta empresa agiu de má­fé, a  mesma  sempre  reconheceu  suas  receitas  em  sua  contabilidade  gerencial através do percentual concluído da obra, mesma forma que  deveria  ter  registrado  suas  receitas  em  seu  LALUR.  Tais  ordens  vinham da alta gerência de fora do Brasil, que deveriam ser acatadas  pela equipe contábil, financeira e fiscal.  (...)  Ao  adentrar  no  corpo  orgânico  da  contabilidade  da  SUZLON,  esta  auditoria se certificou do fato de que era evidente a presença de graves  anormalidades  na  conduta  da  empresa,  naquilo  que  se  referia  ao  cumprimento  das  obrigações  contábeis  e  fiscais,  fato  esse  que  se  estendia desde o ano de 2006 até o último ano do período fiscalizado  (2010).  Uma  vez  constatado  isso,  convinha  averiguar  duas  questões  de  fundamental  importância, a) se o proceder contábil da SUZLON teria  provocado  evidentes  prejuízos  à  Fazenda  Pública,  com  redução  e/ou  omissão  de  recolhimentos  de  tributos  e  contribuições  sociais  administrados  pela  Receita  Federal  do  Brasil;  b)  se  o  proceder  contábil  da  SUZLON  ao  longo  dos  anos  considerados  (visão  panorâmica  da  situação  de  fato  encontrada)  pautou­se  por  conduta  voluntária e consciente, no sentido de auferir vantagens fiscais ilícitas  em  prejuízo  do  Tesouro Nacional.  Nos  trabalhos  de  auditoria  restou  claro,  de  imediato,  que  a  atividade  operacional  da  SUZLON  se  enquadrava na disciplina legal de tributação dos Contratos de Longo  Prazo  de Fornecimento  de Bens  e  Serviços,  com  prazo  de  execução  programada  superior  a  um  ano,  a  preço  certo.  Para  tal  conclusão  foram  solicitados  todos  os  contratos  assinados  com  os  Clientes,  que  envolvessem o fornecimento e instalação de geradores eólicos entre os  anos de 2006 e 2010. Como os contratos dessa natureza se enquadram  em  uma  regra  própria  de  apuração  específica  de  resultados  e  de  tributação  especial  para  o  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica,  a  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e as Contribuições para o  PIS/COFINS,  conforme  legislação  tributária  em  vigor,  restou  constatada uma conduta desidiosa e de absoluto abandono voluntário  e  consciente  das  normas  legais  que  disciplinam  a  Apuração  de  Resultados  dos Contratos de Longo Prazo  (Artigo  10  do Decreto­lei  n°  1.598/78,  Artigo  407  do  RIR/99  e  IN  SRF  n°  021/79)  e  da  incidência das  contribuições  sociais para o PIS e COFINS  (Leis n°  10.632/02 e 10.833/03) nessas operações.  [..]  a  empresa  ora  autuada  resolveu,  por  conta  e  risco  próprio,  enveredar no cálculo de seus resultados e na forma de conceber suas  bases  de  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS/COFINS,  para  um  critério acumulado geral apenas nos anos­calendário de 2009 e 2010,  ignorando de  forma voluntária  e consciente,  os  impactos que deveria  reconhecer  desde  o  ano­calendário  de  2007,  quando,  de  um  lado,  já  incorria  ­  inapelavelmente  ­  em  custos  apropriados  relativos  a  fornecimento  de  bens  e/ou  serviços  referentes  ao  cumprimento  dos  Fl. 3937DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  3402­000.754  S3­C4T2  Fl. 3.938          4 contratos assinados com seus Clientes e, de outro, em faturamento por  conta do igual cumprimento desses contratos.  [...]Desde  o  ano  de  2006  o  governo  brasileiro  já  sinalizava  a  instituição  de  programa  de  incentivo  à  infra­estrutura  no  País.  Sobreveio a Lei n° 11.488/2007 que instituiu os casos de suspensão das  contribuições  para  o  PIS/COFINS  nos  casos  em  que  indica,  embora  condicionasse  o  benefício  a  uma  questão  formal  de  habilitação/co­ habilitação dos credenciados.  Num  outro  flanco,  a  SUZLON  ENERGIA  EÓLICA  DO  BRASIL  LTDA tinha solicitado sua incursão como titular de benefício fiscal na  área da SUDENE, com redução de 75% do Imposto de Renda Pessoa  Jurídica.  No  afã  de  nada  recolher  ao  Tesouro  Nacional,  restava  a  busca  de  estratégia  para  neutralizar  qualquer  incidência  de  tributo  sobre os 25% remanescentes do benefício fiscal de IRPJ e de 100% da  CSLL eventualmente devida pela empresa.  A  técnica  para  tal  foi  "fabricar"  prejuízos  fiscais  de  modo  que  não  houvesse,  a  priori,  base  de  cálculo  positiva  para  aquelas  exações.  Como os contratos assinados com seus Clientes datam de setembro de  2006  e  outubro  de  2007  coube  à  empresa  enveredar  pelo  risco  de  ignorar  as  apurações  de  resultado  parciais  (ano  a  ano  em  que  houvesse custo incorrido) e de ignorar igualmente os faturamentos e/ou  recebimentos de Clientes ao longo da execução dos projetos, com (sic)  incluídos nas bases de cálculo do PIS/COFINS.  Ignorando  tudo  isso,  acumulou  o  resultado  geral  dos  Contratos  celebrados  com  seus  Clientes  apenas  para  os  anos  de  2009  e  2010.  Com dois detalhes cruciais: a) em 2009, reconhecendo parte da receita  total dos Contratos de Longo Prazo,  "fabrica" prejuízo  fiscal,  já com  olho  no  que  viria  a  fazer  (de  forma  irregular)  no  ano  seguinte,  ao  mesmo  tempo  em  que  não  reconhece  qualquer  base  de  cálculo  das  contribuições para o PIS/COFINS; b) já em 2010, ano em que deferido  o  Ato  Declaratório  de  Redução  de  75%  do  IRPJ,  descarrega  todo  o  remanescente dos totais dos Contratos de Longo Prazo, de forma que  se fizesse incluir essa receita no incentivo, que apenas vigeria, a partir  do ano­calendário de 2010. Ou seja, já tendo até 31.12.2009, recebido  e cumprido cerca de 99,99% de todos os Contratos de Longo Prazo, a  SUZLON  ENERGIA  EÓLICA  DO  BRASIL  LTDA  pretendeu  dar  efeito retroativo indevido ao incentivo fiscal, cujo direito a usufruto só  adquirira em 01.01.2010.  Também  ignorando  e  abandonando,  consciente  e  voluntariamente,  o  dever de reconhecer as receitas nos meses em que recebidas a qualquer  título,  de  modo  que  conseguisse  contornar  a  incidência  das  contribuições para o PIS/COFINS, encontrou­se a SUZLON ENERGIA  EÓLICA DO BRASIL LTDA numa situação inusitada e inconseqüente  de liberação geral do dever de recolher tributos no Brasil.  Essa última observação adquire relevo probatório quando a SUZLON  e  alguns  de  seus  Clientes  assinam  Aditivos  ao  Contrato  Principal,  promovendo  um  "enxugamento  do  preço"  dos  produtos  fornecidos,  à  vista  da  superveniência  do  Programa  REIDI,  o  qual  concedia  a  suspensão  de  PIS/COFINS  nos  casos  em  que  indicava.  Ou  seja,  os  preços originários, cujas parcelas deveriam ser recebidas dos Clientes,  Fl. 3938DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  3402­000.754  S3­C4T2  Fl. 3.939          5 mantinham­se  com  as  referidas  contribuições  embutidas, mas mesmo  assim,  a  SUZLON  preferira  ignorar  seu  dever  de  recolhimento  ao  Tesouro Nacional.  Agregue­se  a  tudo  isto,  a  prática  incomum  de  acumulação  pura  e  simples  de  créditos  de  PIS  e  COFINS  na  sistemática  da  não­ cumulatividade, sem qualquer débito relevante a neutralizá­los.  Pois é diante desta realidade fiscal apresentada pela empresa, que esta  auditoria promove todos os lançamentos de acerto da situação, tudo de  acordo com os normativos legais regedores das matérias aqui tratadas.  (...)  Para  a  implementação  destas  providências  o  Fisco  tentou,  por  reiteradas vezes, no Termo de Início de Fiscalização e em seus Termos  de  Intimação  supervenientes,  obter  os  dados  necessários  para  que  pudesse fazer os cálculos das apurações e discriminação das bases de  cálculo  dos  tributos  e  contribuições  não  recolhidos  ao  Tesouro  Nacional.  Certo  e  convicto  de  que a  SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL  LTDA  mantém  esses  dados  em  Planilhas  auxiliares  à  escrituração,  todas  as  Intimações no  sentido  de  conhecê­las  restaram  improfícuas,  por absoluta omissão da empresa em fornecê­las.  Sequer  a  empresa  apresentou  o  LALUR  de  2010,  sendo  que  as  escriturações contábeis dos anos­calendário de 2009 e 2010 só foram  apresentadas em Livros encadernados (escrituração em papel).  Mas,  embora  a  empresa  pudesse  fazer  crer  que  esta  sua  conduta  dificultasse o Fisco de chegar aos resultados tributáveis corretos, nada  disso constituiu­se em obstáculo para o encerramento da auditoria com  os resultados fiscais expostos nos Autos de Infração ora lavrados.  De posse dos dois dados fundamentais (o preço total dos Contratos de  Longo Prazo e os custos totais registrados acumuladamente nos anos  de  2009  e  2010  pela  própria  empresa,  com  seus  próprios  números  e  cifras) foi possível ao Fisco conhecer os custos incorridos ao longo dos  anos de 2007 a 2010  (com base nos principais custos de  importação,  conforme DI's), de modo que pudesse montar, com base na legislação  específica que rege a matéria,  sua própria Planilha de Apuração dos  Resultados dos Contratos de Longo Prazo (desde o ano de 2007 até o  início  do  ano  de  2010,  quando  os  projetos  foram  definitivamente  entregues  e  encerrados),  Planilha  essa  que  vai  anexa  ao  presente  Termo de Verificação.  Como há recebimentos dos Clientes desde o ano de 2007, as bases de  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS/COFINS  foram  retiradas  da  escrituração  da  SUZLON  em  batimento  com  os  valores  informados  pelos Clientes, através das diversas diligências empreendidas em cada  um deles. Planilha do Fisco neste  sentido,  também encontra­se anexa  ao presente Termo de Verificação.  (...)  Fl. 3939DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  3402­000.754  S3­C4T2  Fl. 3.940          6 Com  os  dados  das  importações  de  matéria  prima  (Aerogeradores  e  Torres)  e  de  materiais  secundários  foi  possível  alocar  os  custos  em  cada  ano­calendário.  As  datas  do  desembaraço  aduaneiro  das  Declarações de  Importação  fechadas desde 2007  foram  fundamentais  para a tabulação dos dados ano a ano. Com tal estratégia e utilizando­ se apenas dos números e cifras assentados na escrituração nos anos de  2008,  2009  e  2010,  sendo  que  apenas  em  2009  e  2010  a  SUZLON  registrou de forma acumulada custo total e receita total, foi possível ao  Fisco confeccionar os Quadros Demonstrativos n° 01, 02 e 03 anexos  ao presente Termo de Verificação Fiscal.  O  primeiro  Quadro  alude  ao  Cálculo  da  Receita  Proporcional  Acumulada  até  o  Período­base/Ano  Calendário.  O  Quadro  n°  02  refere­se  ao  Cálculo  da  Receita  Correspondente  a  cada  Ano  Calendário. Já o Quadro Demonstrativo de n° 03 determina o Cálculo  do Lucro Bruto Efetuado de Ofício em cada Ano­ Calendário.  Os  valores  do  Lucro  Bruto  levados  à  tributação  em  cada  ano  são  exatamente aqueles assentados na última coluna do Quadro de n° 03.  Note  que  na  metodologia  apresentada  pela  SUZLON  ENERGIA  EÓLICA DO BRASIL LTDA não há apuração de resultado em 2007 e  em 2008;  em 2009  ela  resolve  levantar DRE de modo a  "fabricar"  o  prejuízo  fiscal  e  a  base  de  cálculo  da  CSLL  para  usufruto  desses  valores negativos no ano de 2010, quando então descarrega quase todo  o  valor  total  dos  contratos  de  longo  prazo,  pelos  motivos  que  explicamos ao descrever o planejamento tributário de natureza evasiva  que visava aplicar um enorme prejuízo ao Tesouro Nacional.  [...]Com  o  mesmo  argumento  que  descrevemos  a  infração  relativa  à  apuração incorreta do resultado dos Contratos de Longo Prazo para o  caso do IRPJ e da CSLL, descreveremos neste tópico as ocorrências de  falta de recolhimento das contribuições para o PIS e o COFINS.  Com fundamento nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 a SUZLON ENERGIA  EÓLICA DO BRASIL LTDA deveria  ter apurado as bases de  cálculo  das  referidas contribuições  e  recolhido nas datas próprias os  valores  das  exações  mensais,  conforme  apropriasse  faturamento  em  decorrência de custos incorridos. Não tendo segregado em nenhum dos  meses faturamento para constituir base de cálculo do PIS/COFINS, tal  como não fizera a apuração correta no caso do IRPJ, cumpriu ao Fisco  extrair as referidas bases de cálculo de ofício.  Como desde o ano calendário de 2007  já havia  custos  incorridos,  os  valores  recebidos  dos  Clientes/adquirentes  das  usinas  eólicas  foram  tomados  como  faturamento  no  mês  em  que  percebidos,  dado  que  representativos de receitas pela execução progressiva do fornecimento  de  bens  e  serviços  previstos  nos  Contratos  assinados  pelas  partes  vendedora  e  adquirente.  Cabe  registrar  que  os  custos  atinentes  à  incidência  do  PIS/COFINS  nãocumulativo,  a  toda  evidência,  foram  embutidos  no  preço  total  dos  Contratos,  de  modo  que,  para  aqueles  Clientes  que  obtiveram  a  habilitação  no  Programa  REIDI  ­  que  garantia  a  aquisição  de  bens  de  capital  em  geral  com  suspensão  do  PIS/COFINS  ­  houve Aditivos  ao Contrato Original,  reamoldando  os  custos totais à referida exoneração tributária daquelas contribuições.  Fl. 3940DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  3402­000.754  S3­C4T2  Fl. 3.941          7 Diante desse quadro normativo­legal disciplinador da situação (norma  de  incidência do PIS/COFINS completamente configurada nos planos  da  existência,  validade  e  eficácia),  e  norma de  incentivo  garantidora  das  operações  com  suspensão  das  contribuições  para  os  Clientes  habilitados  ao  REIDI,  foi  possível  estabelecer  os  critérios  para  a  identificação  efetiva  dos  casos  de  incidência  do  PIS/COFINS,  em  contraste com aqueles que se enquadrem na suspensão prevista em lei  especial.  Todos  os  ingressos  de  numerário  oriundo  dos  Clientes  da  SUZLON  que  se  refiram  a  pagamentos  parciais  do  preço  total  do  Contrato, à vista dos custos já incorridos, deverão ser tidos como base  de  cálculo  das  contribuições  sociais  para  o  PIS/COFINS,  até  o  momento em que o Cliente solvedor tenha se habilitado legalmente no  REIDI.  Isso  significa  que,  não  poderia  se  supor  admissível,  que  a  SUZLON  percebesse  parte  do  preço  total  do  projeto/Contrato  do  Cliente  ao  longo  do  tempo,  que  ­  como  já  dissemos,  estava  impactada  pela  incidência  das  contribuições  sociais  em  questão  ­  e  resolvesse  ­  ela  própria ­ se comportar no sentido de "aguardar futura habilitação no  REIDI do Cliente solvedor".  Evidentemente que a não­incidência como efeito da suspensão induzida  pelo REIDI só pode ser aplicada nos recebimentos de Clientes que já  detenham o status legal de habilitado ao Programa. Em nenhuma outra  situação há previsão legal para que a SUZLON ignorasse a tributação  do PIS/COFINS nas operações com seus Clientes.  Dada  a  sistemática  da  não­cumulatividade,  deve  o  Fisco  garantir  e  respeitar  tãosomente  os  créditos  que  a  SUZLON  legitimamente  escritura, em consonância com a legislação de regência.  Com  todas  essas  considerações  é  imperativo  que  o Fisco  promova  o  lançamento de ofício das contribuições sociais para o PIS/COFINS nos  valores de acordo com o Quadro Demonstrativo das Bases de cálculo  respectivas, por Cliente da SUZLON.  (...)  Outra questão a enfrentar é a conduta da SUZLON ENERGIA EÓLICA  DO  BRASIL  LTDA  em  todo  o  episódio  que  se  circunscreveu  na  apuração irregular do Lucro Bruto, mediante a utilização voluntária e  consciente de critério de apuração não previsto em lei.  Como  já  tivemos oportunidade de discorrer ao  longo deste Termo de  Verificação  Fiscal,  a  concentração  de  receitas  nos  anos  de  2009  e  2010, a despeito de ser irregular frente ao artigo 407 do RIR/99 e IN  SRF n° 021/79, não foi um ato inocente, de mero desconhecimento da  lei tributária.  Foi algo muito maior, conjugado com a "espera" do Programa REIDI,  com  a  igual  "espera"  do  ato  concessivo  de  redução  do  IRPJ,  cumulando com a "fabricação" de prejuízo fiscal e de base de cálculo  negativa de CSLL em 2009, de modo a serem esses valores negativos  usufruídos  para  neutralizarem  a  incidência  dos  25%  tributáveis  remanescentes do IRPJ de 2010, e a incidência da CSLL sobre o lucro  Fl. 3941DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  3402­000.754  S3­C4T2  Fl. 3.942          8 líquido  que  viesse  a  ser  apurado,  conforme  as  conveniências  da  SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA.  Não  resta  dúvida  que  a  SUZLON  ENERGIA  EÓLICA  DO  BRASIL  LTDA se conduziu voluntária e conscientemente no sentido de fazer o  Fisco  não  tomar  conhecimento  dos  fatos  geradores  dos  diversos  tributos  que  lhe  era  devidos  pela  execução  dos  Contratos  de  Longo  Prazo.  Por essas razões, deve ser aplicada a multa qualificada nesta infração.  Uma vez definida a existência de multa qualificada pela constatação de  sonegação  e  fraude  na  conduta  da  SUZLON,  não  há  falar  em  decadência  do  poder  de  lançar  as  contribuições  para  o PIS/COFINS  no ano calendário de 2008. (...)  O  contribuinte,  inconformado  com  o  lançamento  fiscal,  apresentou  a  impugnação de fls. 855/899, na qual alega:   i)  preliminarmente,  a  decadência  de  parte  crédito  lançado,  referente  aos  fatos  geradores ocorridos nos períodos de apuração de janeiro a agosto de 2008, com fulcro no art.  150, §4º do Código Tributário Nacional  (“CTN”), combinado com o  fato de não se verificar  conduta fraudulenta  in casu. Ainda como preliminar,  invoca a nulidade do feito por violação  aos princípios  da  legalidade  e da  tipicidade  estampados nos  art.  142 do CTN,  art.  10, V, do  Decreto nº 70.235, de 1992 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, bem como a ampla defesa.  ii)  no mérito,  o Contribuinte  defende  a  forma  de  contábil  e  fiscal  que  adotou  com  relação  às  operações  de  contratos  de  fornecimento  e  instalação  de  turbinas  eólicas  (reconhecimento contábil das  receitas e custos  somente quando os produtos  fabricados ou os  serviços  prestados  passam  com  todos  os  seus  benefícios  e  riscos  para  a  titularidade  do  adquirente, ou seja, ao fim dos contratos). Subsidiariamente, o Contribuinte reclama não terem  sido  reconhecidos  seus créditos de COFINS pela autoridade  fiscal no momento da  autuação,  tampouco ter sido considerado o benefício fiscal que o REIDI (Regime Especial de Incentivos  para o Desenvolvimento da Infraestrutura) lhe proporciona. Por fim, o Contribuinte opõe­se ao  agravamento  da multa  para  o  patamar  de  150%,  pois  afirma  não  estarem  presentes  os  atos  caracterizadores de evidente intuito de fraude, uma vez que todos os atos foram estruturados na  forma da lei, não havendo qualquer falsidade material ou ideológica.  Em  julgamento  datado  de  07  de  abril  de  2014,  a  DRJ  Ribeirão  Preto/SP  deu  parcial provimento à impugnação do Contribuinte (Acórdão 14­49.621), nos termos da ementa  a seguir colacionada.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010   CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  PRAZO  DECADENCIAL  LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Afastado,  por  inconstitucional,  o  prazo  de  dez  anos  para  o  lançamento  das  contribuições  destinadas  à  Seguridade  Social,  a  contagem do prazo decadencial rege­se pelo disposto no Código  Tributário.  Na  hipótese  em  que  o  recolhimento  não  ocorre  ou  ocorre  em  desconformidade  com  a  legislação  aplicável  e,  por  conseguinte,  procede­se  ao  lançamento  de  ofício,  o  prazo  Fl. 3942DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  3402­000.754  S3­C4T2  Fl. 3.943          9 decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício  seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver  sido realizado.  CONTRATOS  DE  LONGO  PRAZO.  RECONHECIMENTO  DAS  RECEITAS.  A  contribuição  incidente  na  hipótese  de  contratos,  com  prazo  de  execução  superior  a  um  ano  de  fornecimento,  a  preço  predeterminado,  de bens  ou  serviços  será  calculada  sobre  a  receita  apurada  na  proporção  dos  custos  incorridos.  CRÉDITOS  NÃO  CUMULATIVOS.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO. APROVEITAMENTO.  No lançamento de ofício, devem ser aproveitados como desconto  da  contribuição  apuradas,  os  créditos  não  cumulativos  detidos  pelo sujeito passivo.  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Período  de  apuração:  01/01/2008  a  31/05/2010  MULTA  QUALIFICADA.  IMPROCEDÊNCIA.  FRAUDE  NÃO  COMPROVADA.  Não  comprovados  os  elementos  caracterizadores  de  fraude  sonegação e conluio, afasta­se a qualificação da multa de ofício,  reduzindo­se seu percentual.  A  parte  do  crédito  tributário  cancelada  pela  decisão  a  quo  decorre  i)  da  possibilidade  legal de desconto dos  créditos da não cumulatividade que  foram  indicados nos  demonstrativos  entregues  à  Administração  Fiscal  e  que  não  foram  objeto  de  oposição  pela  auditoria (fls 3823 e seguintes), reduzindo o montante do crédito principal lançado nos termos  dos demonstrativos colacionados ao final do acórdão; e ii) da falta de comprovação de dolo na  conduta do contribuinte, de modo que a multa de ofício foi reduzida para 75%.  Ainda irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho.   Depois de esclarecer que há erro no dispositivo do acórdão recorrido ­ no qual  consta que a tese decadência foi acolhida, sendo que, pela leitura dos fundamentos da decisão é  claro que não foi acatada a decadência ­, a Recorrente busca reverter a parte do julgamento em  que restou sucumbente, repisando os argumentos trazidos na impugnação. Ainda, coloca que a  recomposição da base de cálculo da Contribuição ao PIS efetuada pela DRJ está equivocada,  por  deixar  de  reconhecer  receitas  relativas  aos  adiantamentos  recebidos  pelos  clientes  anteriormente  oferecidos  à  tributação,  conforme  declarado  na  DACON,  bem  como  por  não  reconhecer  a  integralidade  do  crédito  da  não  cumulatividade  passível  de  aproveitamento.  Finalmente,  requer  o  julgamento  conjunto  deste  feito  com  o  Processo  Administrativo  n.  10380.729798/2013­24,  relativo  à  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (“COFINS”),  intrinsicamente  relacionados  que  são,  por  decorrerem  dos  mesmos  fatos  no  mesmo período de apuração.  É o relatório.      Fl. 3943DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  3402­000.754  S3­C4T2  Fl. 3.944          10 Voto  A  Recorrente  tomou  ciência  do  Acórdão  da  DRJ  em  30/05/2014  (fls.  3832),  apresentando  Recurso  Voluntário  em  05/06/2014  (fls  3834).  Assim,  o  recurso  voluntário  é  tempestivo, com base no que dispõe o art. 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem  como atende as demais condições de admissibilidade. Assim, dele tomo conhecimento.   Contudo,  antes  de  adentrar  na  argumentação  formalizada  pela  Recorrente,  é  preciso trazer questão prejudicial para o deslinde da presente controvérsia, qual seja, o presente  Processo de n. 10380.729799/2013­79 (PIS), bem como o Processo n. 10380.729798/2013­24  (COFINS)  serem  ou  não  reflexos  de  autuação  fiscal  de  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Jurídica (“IRPJ”). Tal indagação decorre da análise do Termo de Verificação Fiscal (“TVF”), o  qual  traz  minuciosa  descrição  dos  procedimentos  de  auditoria  que  levou  ao  lançamento  tributário,  tornando  possível  perceber  que  as  condutas  jurídico­contábeis  adotadas  pelo  contribuinte  infringiriam  tanto  a  legislação  do  IRPJ  e  da Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido (“CSLL”), como das Contribuições Sociais a cargo da empresa (PIS e COFINS). Veja­ se os extratos retirados do TVF:     (...)    Dá­se  especial  atenção  ao  Capítulo  III  do  TVF,  que  introduz  o  histórico  das  infrações da seguinte forma:     E continua,  Fl. 3944DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  3402­000.754  S3­C4T2  Fl. 3.945          11   (...)  Parecendo claro que a auditoria instaurada para verificação fiscal da Recorrente  no período compreendido entre 2008 e 2010 deu azo a autuações fiscais a título não só de PIS e  COFINS, mas também de IRPJ e CSLL, em busca no sítio eletrônico do CARF pude encontrar  o julgamento do Processo Administrativo n. 10380.729795/2013­91. Cuja ementa segue abaixo  colacionada:   PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO   Processo nº 10380.729795/201391   Acórdão nº 1301001.828 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de 24 de março de 2015 Matéria IRPJ   Recorrente SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA.  Recorrida FAZENDA NACIONAL   ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ¬  IRPJ  Ano­calendário:  2008,  2009,  2010  CONTRATOS DE LONGO PRAZO. APURAÇÃO COM BASE  NOS CUSTOS INCORRIDOS. VALIDADE.   Nos chamados contratos de longo prazo, com prazo de execução  superior  a  um  ano,  a  apuração  dos  resultados  obedecerá  ao  comando  do  artigo  407,  do  RIR/1999,  devendo  ser  aferido  de  duas  formas:  a)  com  base  em  laudo  técnico  de  medição,  com  indicação  da  percentagem  executada  em  função  do  progresso  físico  da  empreitada  ou  da  produção,  ou,  b)  com  suporte  na  relação  entre  custos  incorridos  no  período  base  e  custo  total  estimado da execução da empreitada ou da produção, obedecido o  regime de  competência.  Se  a  autuada  não  adotou  este  critério  e  sua contabilidade não obedeceu a tal comando, cabe à Autoridade  Fiscal,  com  fulcro  nos  livros  e  documentos  da  contribuinte,  apurar os resultados para fins tributários   Como a ementa supratranscrita trata do mesmo contribuinte, mesmo período de  apuração  aqui  abarcado  (2008  a  2010),  mesma  questão  contábil­fiscal  (contratos  de  longo  prazo,  apuração  com base  nos  custos  incorridos)  já  parece mais  robusta  a  suspeita  de que  o  Fl. 3945DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  3402­000.754  S3­C4T2  Fl. 3.946          12 presente  Processo  (PIS),  bem  como  o  Processo  n.  10380.729798/2013­24  (COFINS)  são  reflexos da cobrança do IRPJ, consubstanciada no Processo n. 10380.729795/2013­91.  Efetivamente, da leitura das transcrições  ipsis litteris dos dizeres da autoridade  fiscal  no  TVF  que  foi  feita  no  relatório  do  Acórdão  n.  1301001.828  (Processo  n.  10380.729795/2013­91  ­  IRPJ)  pelo  Conselheiro  Edwal  Casoni  Paula  Fernandes  Junior,  é  praticamente  certo que o TVF que originou este Processo  (PIS) e  igualmente no Processo n.  10380.729798/2013­24 (COFINS) é o mesmo que funda o lançamento de IRPJ.   Inclusive,  no  corpo  do  relatório  do  Acórdão  n.  1301001.828  (Processo  n.  10380.729795/2013­91  ­  IRPJ)  foi  possível  encontrar  diversos  argumentos  levantados  pelo  contribuinte  no  recurso  voluntário  ora  sob  análise,  corroborando  a  menção  expressa  às  autuações reflexas de PIS e COFINS. Veja­se:  De acordo com o que disposto no presente processo administrativo, em  desfavor da  contribuinte acima  identificada  foram  lavrados Autos de  Infração  relativos  aos  anos­calendário  de  2008,  2009  e  2010,  atinentes ao IRPJ e demais reflexos,  incluindo¬se o principal, multa  qualificada de 150% e juros de mora (...)  Os autos de  infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS  foram  lavrados (fls. 2 a 57), com Termo de Encerramento (fls. 1063/1064). A  ciência  da  contribuinte  está  encartada  às  fls.  58  a  59,  tendo  apresentado  Impugnação  (fls.  1069/1145),  juntando  documentos  apensados às fls. 1156 a 3764. (grifei)  Com  efeito,  na  ementa  da  decisão  da  DRJ  referente  ao  lançamento  de  IRPJ,  multa e  juros, no Processo n. 10380.729795/2013­91,  também  transcrita no bojo do  relatório  feito pelo Conselheiro Edwal Casoni Paula Fernandes Junior, temos que:  TRIBUTAÇÃO  REFLEXA.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE  INTEGRAÇÃO  SOCIAL  ­  PIS.  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS.   Na medida  em  que  as  exigências  reflexas  têm  por  base  os mesmos  fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de  mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de  infração decorrentes. (grifei)   Vê­se  que  há  fortes  indícios  de  que  o  presente  Processo  Administrativo  seja  reflexo do Processo Administrativo n. 10380.729795/2013­91, julgado em 24/03/2015, pela 1ª  Turma, 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Tudo faz crer, inclusive, que as  atuações  de  PIS  e  COFINS  reflexas  já  estariam  sendo  resolvidas  no  próprio  Processo  n.  10380.729795/2013­91.  Contudo,  não  há  elementos  suficientes  nestes  autos,  tampouco  na  decisão proferida no PA 10380.729795/2013­91 (disponível no sítio eletrônico do CARF), para  alcançar quaisquer conclusões além dessas.   Com efeito, sabe­se que, em se tratando de recursos a respeito da Contribuição  ao  PIS  e/ou  da  COFINS,  quando  reflexos  do  IRPJ,  formalizado  com  base  nos  mesmos  elementos  de  prova  em um mesmo processo  administrativo  fiscal,  o  artigo  2º,  inciso  IV1  do                                                              1 Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira)  instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...)  Fl. 3946DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  3402­000.754  S3­C4T2  Fl. 3.947          13 Regimento Interno no CARF (“RICARF”) determina que a competência para a apreciação da  questão deixa de ser da Terceira Seção, passando a ser da Primeira Seção de  Julgamento do  Conselho.  Nesse  sentido,  lembre­se  que  o  “reflexo”,  segundo  o  artigo  6º,  §1º,  inciso  III  do  RICARF,  é  aquele  “constatado  entre  processos  formalizados  em  um  mesmo  procedimento  fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos.”  Pois bem. Cabe recordar que o requisito de as cobranças do IRPJ e seus reflexos  estarem “em um mesmo processo administrativo fiscal” para que a competência de julgamento  dos processos reflexos passe a ser da Primeira Seção não existia na anterior redação do artigo  2º, inciso IV do RICARF.2   Parece ser exatamente esta a situação presente, em que o processo principal de  IRPJ  foi  julgado  pela  Primeira  Seção  da  CARF,  ainda  na  vigência  do  antigo  RICARF,  e,  portanto, atraiu a competência para os processos reflexos, no caso, o da Contribuição ao PIS  (10380.729799/2013­79) e o da COFINS (10380.729798/2013­24). Afinal, nessa hipótese, não  era  de  competência  da  Terceira  Seção  do  CARF  o  julgamento  deste  Processo  sobre  a  Contribuição ao PIS, tampouco do Processo n. 10380.729798/2013­24 (COFINS), mas sim da  Primeira Seção.  É necessário que seja confirmada tal situação, seja para acarretar na extinção dos  processos  de  PIS  e  COFINS,  que  já  estariam  julgados  quando  da  apreciação  do  processo  principal  de  IRPJ,  seja  para  aplicação,  no  que  couber,  do  que  ficou  decidido  naquele  julgamento do IRPJ agora no julgamento dos processos referentes ao PIS e a COFINS, por esta  Terceira  Seção  de  Julgamento,  diante  da  nova  norma  estampada  no  artigo  2º,  inciso  IV  do  RICARF.  Do  contrário,  ressalto,  o  CARF  poderia  acabar  por  proferir  decisões  diferentes  relativamente a uma mesma  infração da  lei  tributária, o que se deve evitar a qualquer  custo,  pelo zelo à segurança jurídica.   Assim,  entendo  que  o  julgamento  deste  processo  deve  ser  convertido  em  diligência para a repartição fiscal de origem, a fim de que:  1.  Certifique se os  fatos e elementos de prova que  levaram à  lavratura do  auto de infração que deu origem ao julgamento do IRPJ no Processo n.  10380.729795/2013­91  (aparente  processo  principal,)  são  os  mesmos  que  embasaram  as  cobranças  da  Contribuição  ao  PIS,  Processo  n.  10380.729799/2013­79, e da COFINS, Processo n. 10380.729798/2013­ 24 (aparentes processos reflexos);  2.  Constatando­se  serem  efetivamente  processos  reflexos,  destacar  a  implicação do julgamento do Processo de IRPJ, n. 10380.729795/2013­ 91 (Acórdão n. 1301001.828) na cobrança das Contribuições ao PIS e da  COFINS  aqui  discutidas,  inclusive  se  tal  julgamento  abrange  total  ou                                                                                                                                                                                           IV  ­ CSLL,  IRRF, Contribuição  para o PIS/Pasep  ou Contribuição  para o Financiamento da Seguridade Social  (Cofins),  quando  reflexos  do  IRPJ,  formalizados  com  base  nos  mesmos  elementos  de  prova  em  um  mesmo  Processo Administrativo Fiscal;    2 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância  que versem sobre aplicação da legislação de: (...)  IV ­ demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes  ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu  para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.  Fl. 3947DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  3402­000.754  S3­C4T2  Fl. 3.948          14 parcialmente  o  crédito  tributário  discutido  nos  processos  reflexos  (10380.729799/2013­79 e 10380.729798/2013­24, respectivamente).  3.  Não  sendo  o  caso  de  processos  reflexos,  que  aponte  as  diferenças  nas  citadas  autuações  fiscais  (10380.729795/2013­91,  10380.729799/2013­ 79, 10380.729798/2013­24), no que tange à cobrança da Contribuição ao  PIS e da COFINS.   4.   Queiram verificar: (4.1) de acordo com as regras fiscais e contábeis que  regem  o  tema,  qual  a metodologia  de  apuração  da  base  de  calculo  da  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS  aplicável  aos  Contratos  de  Longo  Prazo  de  fornecimento  de  bens  e  serviços;  (4.2)  a  base  de  cálculo  utilizada pelo agente fiscal na apuração do crédito tributário lançado nos  autos dos PAFs n°s 10380.729798/2013­24 e 10380.729799/2013­79; e  (4.3)  se  a  prática  adotada  pelo  agente  fiscal  no  sentido  de  considerar  como base de cálculo somente o valor reconhecido na conta de passivo  denominada “Adiantamento de clientes”,  ao  longo dos  anos de 2007 a  2010, está de acordo com a metodologia prevista na legislação aplicável  aos Contratos de Longo Prazo.  5.   Queiram verificar  se  o  procedimento  adotado  pela Delegacia Regional  de Julgamento de Ribeirão Preto, de não deduzir os valores do “Crédito  usado como desconto da contribuição apurada na DACON” quando da  elaboração  do  demonstrativo  de  “Aproveitamento  de  Créditos  da  Cofins/PIS  não  Cumulativa”,  está  correta  nos  termos  da  legislação  aplicável.   6.   Queiram verificar  se  o  demonstrativo  de  “Aproveitamento  de Créditos  da Cofins/PIS não Cumulativa” tem equívocos de fórmula do programa  utilizado, conforme alegado pela Recorrente."  É como voto.           Fl. 3948DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ

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Numero do processo: 10768.901827/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 OMISSÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Ademais, embargos de declaração não se reveste em recurso destinado à rediscussão do direito. Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-002.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1915; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 157          1 156  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10768.901827/2006­18  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  3301­002.741  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de janeiro de 2016  Matéria  Embargos de Declaração  Embargante  NUMERAL 80 PARTICIPAÇÕES S.A. (nova denominação de SANTOS  BRASIL S.A.)  Interessado  NUMERAL 80 PARTICIPAÇÕES S.A. (nova denominação de SANTOS  BRASIL S.A.)    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 1998   OMISSÃO  NO  ACÓRDÃO.  INEXISTÊNCIA.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO REJEITADOS.  Rejeitam­se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida  omissão  na  decisão  recorrida,  fundamento  único  do  recurso.  Ademais,  embargos de declaração não se reveste em recurso destinado à rediscussão do  direito.  Embargos rejeitados.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os  embargos  formulados  pelo  sujeito  passivo,  na  forma  do  relatório  e  do  voto  que  integram  o  presente julgado.  (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator.  Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal,  Francisco  José  Barroso  Rios,  José Henrique Mauri,  Luiz  Augusto  do  Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e  Semíramis de Oliveira Duro.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 18 27 /2 00 6- 18 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901827/2006­18  Acórdão n.º 3301­002.741  S3­C3T1  Fl. 0          2 Relatório  Em sessão transcorrida em 23 de julho de 2014, a Segunda Turma Especial  desta Terceira Seção do CARF negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito  passivo, nos termos do acórdão nº 3802­003.343, assim ementado:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 1998  COMPENSAÇÃO  REALIZADA  PELO  SUJEITO  PASSIVO.  INCIDÊNCIA  DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ  VENCIDO NO MOMENTO DA  PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO  DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.  Vencido o  crédito  tributário  incidem sobre o mesmo os  juros de mora e a  multa  de  mora,  que  passam  a  integrar  o  crédito  em  favor  da  Fazenda  Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois,  considerado  na  situação  em  que  é  apresentada  a  declaração  de  compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se  já vencido naquele momento.   DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  DÉBITO  NÃO  QUITADO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO.  Um  dos  pressupostos  essenciais  à  denúncia  espontânea  é  a  quitação  do  débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência.  COMPENSAÇÃO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA  NÃO  DEMONSTRADAS.  IMPOSSIBILIDADE  DE  EXTINÇÃO  DOS  DÉBITOS  PARA  COM  A  FAZENDA PÚBLICA.  A  compensação,  hipótese  expressa  de  extinção  do  crédito  tributário  (art.  156  do CTN),  só  poderá  ser  autorizada  se  os  créditos  do  contribuinte  em  relação  à  Fazenda  Pública,  vencidos  ou  vincendos,  se  revestirem  dos  atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do  CTN.   A  não  comprovação  da  certeza  e  da  liquidez  do  crédito  alegado  impossibilita  a  extinção  do  débito  para  com  a  Fazenda  Pública mediante  compensação.   Recurso a que se nega provimento.  Em  sede  de  embargos  de  declaração,  aduz  a  interessada  que  a  decisão  vergastada  fora  omissa  na  medida  em  que  não  teria  enfrentado  a  "ausência  de  prova  da  existência  do  crédito  reclamado,  não  se  acatam  os  argumentos  do  Recorrente  quanto  à  homologação total da compensação declarada".   Segundo a embargante,   tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário[...]  restou  amplamente  esclarecido  e  comprovado  que  no  DARF  que  fundamentou o PER/DCOMP acima identificado,  foram localizados alguns  pagamentos que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos  da EMBARGANTE não restando crédito disponível para compensação dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  As  evidências  das  razões  alegadas  pela  EMBARGANTE  constam  na  DCTF  retificadora,  através  da  qual  Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901827/2006­18  Acórdão n.º 3301­002.741  S3­C3T1  Fl. 0          3 podemos  observar  um  crédito  correspondente  ao  valor  informado  no  PER/DCOMP, acima descrito.  04.1  ­  Assim,  diante  das  razões  constantes  do  Despacho  Decisório  originário,  fica  claro  que  essa  SRFB  não  reconheceu  o  crédito  que  foi  informado  pela  EMBARGANTE  na  DCTF;  e,  por  conseguinte,  está  considerando  o  valor  total  do  DARF  pago  totalmente  utilizado  na  sua  própria apuração.  05 ­ Na verdade, o que não foi observado tanto no voto quanto no acórdão  nº  3802­003.343,  foi  a  necessidade  de  desoneração  da  multa  moratória,  tendo em vista que houve a efetiva compensação.  Na  sequência,  depois  de  fazer  sua  análise  sobre  os  procedimentos  de  compensação a partir da IN SRF nº 21/97, questiona "como poderia a Requerente protocolar o  PER/DCOMP  na  data  do  vencimento  do  tributo,  se  a  disponibilização  do  programa  e  as  instruções  para  preenchimento  do  Pedido  Eletrônico  de  Restituição  ou  Ressarcimento  e  da  Declaração de Compensação  (PER/DCOMP) somente foi disponibilizada após o vencimento  da  obrigação?".  E  ressalta  que  não  teria  sido  enfrentada  no  acórdão  a  questão  atinente  à  aduzida impossibilidade de a embargante protocolar declaração de compensação com base nas  determinações da IN SRF nº 210/2002. Defende que "na época do vencimento do tributo e do  envio  do  PER/DCOMP  [...]  não  existia  uma  determinação  legal  para  entrega  na  data  de  vencimento do tributo".  Por fim, ressalta a embargante que a Nota Cosit nº 1, de 18/01/2012, decidiu  pela  validade  da  aplicação  dos  efeitos  da  denúncia  espontânea  nas  hipóteses  de  extinção  do  pagamento por compensação tributária.  Diante do exposto, requer a embargante o conhecimento e o provimento dos  presentes  embargos,  com  fulcro  no  "pronunciamento  sobre  as  omissões  expostas  e  sobre  a  denúncia espontânea".   É o relatório.  Voto             A  ciência  da  decisão  recorrida  se  deu  em  13/05/2015  (e­fls.  140).  Por  sua  vez, a petição de embargos de declaração foi protocolizada em 18/05/2015 (e­fls. 143). Assim,  considerando o disposto no artigo 5º, caput e parágrafo único, do Decreto nº 70.235/721, resta  claro que a petição em tela foi apresentada dentro do prazo cinco dias contados da ciência do  acórdão  para  a  interposição  dos  embargos  de  declaração  (artigo  65,  §  1o,  do  Anexo  II  do  RICARF – aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015).  Há, pois, que se conhecer da petição em tela.  Conforme  relatado,  vê­se  que  a  embargante  procura  rediscutir  o  pleito  inerente  ao  pedido  de  compensação  objeto  dos  autos,  alicerçada  em  suposta  omissão  no  acórdão no que concerne à "necessidade de desoneração da multa moratória,  tendo em vista  que  houve  a  efetiva  compensação",  bem  como  quanto  à  questão  atinente  à  aduzida                                                              1 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo­se na sua contagem o dia do início e incluindo­se o do vencimento.     Parágrafo  único. Os  prazos  só  se  iniciam  ou  vencem  no  dia  de  expediente  normal  no  órgão  em  que  corra  o  processo ou deva ser praticado o ato.   Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901827/2006­18  Acórdão n.º 3301­002.741  S3­C3T1  Fl. 0          4 impossibilidade  de  a  embargante  protocolar  declaração  de  compensação  com  base  nas  determinações da IN SRF nº 210/2002.   Não  obstante,  todos  os  argumentos  suscitados  pela  recorrente  foram  devidamente tratados na decisão vergastada, de forma que não há nenhuma omissão passível de  saneamento  mediante  embargos  de  declaração.  Isso  e  válido  também  quanto  à  reclamada  caracterização de denúncia espontânea.  O  seguinte  trecho  do  voto  condutor  da  decisão  recorrida  demonstra  que  as  supostas omissões guerreadas não ocorreram. Confira­se:  O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e  materiais exigidos para sua aceitação.   Conforme  relatado,  vê­se  que  a  contenda  envolve  aduzido  direito  creditório  com  base  no  qual  o  sujeito  passivo  formalizou  declaração  de  compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento  apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para  fins de quitação de débitos da interessada.  Nos autos não está comprovada, minimamente, a existência do crédito  reclamado.  Conforme  consignado  na  decisão  de  primeira  instância,  a  recorrente  não  apresentou  nenhuma  documentação  necessária  à  comprovação  do  reclamado  direito,  situação  que  se  repete  na  presente  instância recursal.  A  compensação,  como  uma  das  formas  de  extinção  do  crédito  tributário  (art.  156  do  CTN),  só  poderá  ser  autorizada  se  os  créditos  do  contribuinte  em  relação  à  Fazenda  Pública,  vencidos  ou  vincendos,  se  revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do  artigo 170 do CTN.   Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser  cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário  mediante compensação. Para tanto, não é suficiente a simples apresentação  de  DCTF  retificadora,  a  menos  que  a  mesma  esteja  lastreada  por  documentação  idônea  comprobatória  do  erro,  o  que  não  foi minimamente  observado nos autos.  A não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos  não poderia  redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública  mediante compensação.   Com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste  processo,  ressalte­se  que  tal  está  previsto  no  §  11  do  artigo  74  da Lei  nº  9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de  que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235,  de 6 de março de 1972, e enquadram­se no disposto no inciso III do art. 151  da Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966 – Código Tributário Nacional,  relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do  artigo  151  do  CTN  estabelece  que  suspendem  a  exigibilidade  do  crédito  tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis  reguladoras do processo tributário administrativo”.  Fl. 161DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901827/2006­18  Acórdão n.º 3301­002.741  S3­C3T1  Fl. 0          5 Consequentemente,  muito  embora,  uma  vez  inadmitida  a  compensação  pleiteada  pela  recorrente,  seja  legítima  a  cobrança  dos  créditos  tributários  que  esta  intentava  extinguir  por  compensação,  a  exigência  permanece  suspensa  até  o  fim  da  presente  demanda  administrativa, por  força do  inciso III do artigo 151 do Código Tributário  Nacional.   No que diz respeito às alegações formalizadas pela interessada sobre  a vigência das instruções normativas que tratavam da matéria e inerente aos  acréscimos legais sobre os débitos em aberto, apresento, abaixo, as razões  pelas  quais  entendo  que  também  no  que  diz  respeito  aos  aludidos  argumentos não merecem ser acolhidas as alegações do sujeito passivo.  Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada  no  DOU  de  30/08/2002),  posteriormente  convertida  na  Lei  nº  10.637,  de  31/12/2002,  o  artigo  74  da  Lei  nº  9.430,  de  30/12/2002,  ganhou  nova  redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes  foram  substituídas  pela  autocompensação  declarada,  efetuada mediante  a  entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar  as  informações  sobre  os  créditos  utilizados  e  os  respectivo  débitos  compensados,  com  efeito  extintivo  do  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória de sua ulterior homologação.   Essa  nova  forma  de  compensação  passou  a  viger  a  partir  de  1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória  nº 66/2002.  A  fim  de  disciplinar  a  nova  sistemática  inaugurada  pela  aludida  Medida  Provisória,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  editou  a  Instrução  Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação  às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no  que é relevante para a presente contenda:  Art.  28.  A  compensação  deverá  ser  efetuada  considerando­se  as  seguintes datas:  I  ­  do  pagamento  indevido  ou  a  maior  que  o  devido,  no  caso  de  restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes;  II  ­  do  ingresso  do  pedido  de  ressarcimento,  quando  destinado  à  compensação com débito vencido;  III  ­  do  vencimento  do  débito,  quando  o  pedido  de  ressarcimento  houver ocorrido antes dessa data;  [...]  (grifo nosso)  A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002  foi alterada  posteriormente  pela  IN  SRF  nº  323,  de  24/04/2003,  vigente  a  partir  de  28/05/2003.  Segundo  a  nova  redação,  “na  compensação  efetuada  pelo  sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios  [...] e  os  débitos  sofrerão  a  incidência  de  acréscimos  moratórios,  na  forma  da  legislação  de  regência,  até  a  data  da  entrega  da  Declaração  de  Fl. 162DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901827/2006­18  Acórdão n.º 3301­002.741  S3­C3T1  Fl. 0          6 Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do  art. 432 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012.  Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a  incidência  dos  encargos  legais  (juros  de  mora  e  multa  de  mora),  a  declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento  do  referido  débito.  Com  efeito,  vencido  o  débito  e  não  quitado  o  mesmo  incidem os  correspondentes  encargos previstos na  lei. A partir de  então o  crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros  de  mora  e  de  multa  de  mora,  não  tendo  a  declaração  de  compensação  apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido  crédito pela exclusão dos encargos.   Ademais,  merece  ser  ressaltado  que  não  existia  nenhuma  impossibilidade  normativa  ou  técnica  que  viesse  impedir  a  suplicante  de  apresentar o pedido de compensação.  De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora  e  IN  SRF  nº  320/2003,  que  introduziu  o  procedimento  eletrônico  de  declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em  14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria  era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega  da declaração em formulário de papel.  Também  comungo  com  as  razões  de  decidir  da  instância  a  quo  em  relação aos pedidos de retificação de DARF e de PER/DCOMP, que devem  ser  dirigidos  à  unidade  jurisdicionante  do  sujeito  passivo,  sendo digno  de  nota o fato de o recolhimento indicado no PER/DCOMP (DARF de filial) já  ter sido alocado, não estando, pois, disponível para compensação.   Por  fim,  no  que  concerne  à  reclamada  caracterização  de  denúncia  espontânea,  tal  argumentação  não  pode  ser  acatada  principalmente  pelo  fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em  tela, qual seja, o pagamento do tributo, como se depreende do disposto no  artigo 138 do CTN, abaixo transcrito:  Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da  infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido  e  dos  juros  de  mora,  ou  do  depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  quando  o montante  do  tributo  dependa  de  apuração.  Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada  após o  início de qualquer procedimento administrativo ou medida de  fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso)                                                              2 Art.  43 .   Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts.  83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de  entrega da Declaração de Compensação.    § 1º A compensação  total ou parcial de  tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na  mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais.    § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos  juros compensatórios na mesma proporção.    § 3º  Aplicam­se à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de  agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica.  Fl. 163DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10768.901827/2006­18  Acórdão n.º 3301­002.741  S3­C3T1  Fl. 0          7 Diante  do  não  pagamento  do  tributo  ou  de  sua  quitação  via  compensação legítima, desnecessário  tecer maiores comentários à respeito  do assunto.  Da conclusão  Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário  interposto pelo sujeito passivo.  Diante  do  que  foi  acima  exposto  vê­se  que  nenhum  dos  argumentos  apresentados pelo sujeito passivo se subsume ao disposto no caput do artigo 65 do anexo II do  Regimento  Interno  do  CARF3,  aprovado  pela  Portaria MF  nº  343,  de  09/06/2015,  uma  vez  demonstrado que o acórdão embargado não padece de "obscuridade, omissão ou contradição",  e que a embargante, com sua argumentação, vislumbra, na verdade, rediscutir o direito, o que é  inadmissível em sede de embargos de declaração.  Da conclusão  Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de  vício  que  justifique  a  oposição  de  embargos  de  declaração,  voto  para  que  seja  rejeitado  o  recurso formalizado pelo sujeito passivo, visto que este carece de pressuposto essencial à sua  legitimação.  Sala de sessões, em 26 de janeiro de 2016.  Francisco José Barroso Rios – Relator                                                              3 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a  decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar­se a turma.                                 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS

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Numero do processo: 13654.001073/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2003 CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL. Restando comprovado que a Recorrente se enquadra como entidade imune/isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual e material para a constituição do crédito tributário. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     2  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material.      Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente e Relator      Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo,  Kleber  Ferreira  Araújo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Marcelo  Oliveira,  Lourenço  Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.  Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.001073/2008­31  Acórdão n.º 2402­004.750  S2­C4T2  Fl. 3          3    Relatório  Trata­se  de  lançamento  fiscal  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  concernente  à  parcela  patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão  do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho  (SAT/GILRAT), para as competências 09/2003 a 12/2003.  O  Relatório  Fiscal  (fls.  34/39)  informa  que  o  lançamento  visa  impedir  a  decadência tributária, nos seguintes termos:  “[...]  A  Entidade  requereu,  perante  o  Conselho  Nacional  de  Assistência Social, o recadastramento e a renovação do CEBAS,  por meio do processo n° 28984.016259/1994­28, sendo que este  Órgão  INDEFERIU,  em  decisão  administrativa  definitiva,  o  pedido  de  renovação  do  Certificado,  com  fundamento  no  Parecer  CJ  n°  1258/98  (cópia  em  anexo).  Este  Parecer  se  baseou no descumprimento, pela Entidade, do disposto no inciso  IV do art. 2° do Decreto n° 752/93, já que ela não comprovou a  aplicação  de  pelo menos  20%  (vinte  por  cento)  de  sua  receita  bruta  em  gratuidade.  Sem  obter  a  renovação  do  CEBAS,  a  Entidade deixou de cumprir o requisito previsto no inciso 11 do  art. 55 da Lei n° 8.212/91.  Atualmente,  a  controvérsia  acerca  do  direito  da  Entidade  à  isenção  da  cota  patronal  das  contribuições  sociais  encontra­se  sub judice na Ação Ordinária n° 1999.38.00.033367­2, proposta  por  ela  contra  o  Instituto  Nacional  do  Seguros  Social  e  originária  da  16°  Vara  Federal  da  Seção  Judiciária  de Minas  Gerais – estando, atualmente, no Tribunal Regional Federal da  1' Região.  Assim,  este AI  destina­se a  impedir  a  decadência  do  direito  de  lançar  o  crédito  previdenciário  em  caso  de  eventual  decisão  judicial  desfavorável  à  Entidade,  razão  pela  qual  ficará  sobrestado até a decisão judicial definitiva. [...]”  Diante da negativa de renovação do CEBAS, a empresa deixou de observar  os preceitos contidos no artigo 55, inciso II, da Lei 8.212/1991, o que afastou a sua condição de  entidade  isenta.  Por  sua  vez,  a  recorrente  propôs  Ação  Ordinária  n°  1999.38.00.0333672,  originária da 16a Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, tendo obtido êxito em sua  empreitada no sentido do reconhecimento da isenção da cota patronal, com decisões favoráveis  em primeira e segunda instâncias, confirmadas pelo STJ, com decisão transitada em julgado, o  que impediu a emissão de Ato Cancelatório, remanescendo tão somente a discussão no âmbito  do STF em face de recurso extraordinário interposto pelo INSS.  A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deu­se em 23/09/2008 (fls.  01 e 46), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR).  Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     4  A  autuada  apresentou  impugnação  tempestiva  (fls.  49/143),  alegando,  em  síntese, que era portadora do CEBAS.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento  (DRJ) em Juiz de  Fora/MG  –  por  meio  do  Acórdão  09­26.560  da  5a  Turma  da  DRJ/JFA  (fls.  150/154)  –  considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade.  A  Notificada  apresentou  recurso,  manifestando  seu  inconformismo  pela  obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição  das alegações de impugnação:  1.  traz  à  colação  quadro  demonstrativo  das  renovações  do CEBAS em  relação  ao  período  de  1999  a  2011,  suscitando  que  em  todo  àquele  lapso temporal a entidade foi detentora de referido Certificado, não se  cogitando  no  descumprimento  do  artigo  55,  inciso  II,  da  Lei  8.212/1991, como pretende fazer crer as autoridades fazendárias;  2.  pretende  sejam  analisadas  todas  as questões  arguidas  em suas peças  impugnatória e recurso voluntário, independentemente do trânsito em  julgado de decisão a ser exarada nos autos do processo  judicial, por  entender  que  o  desfecho  naquela  esfera  não  produzirá  efeitos  necessariamente  neste  processo,  uma  vez  que  no  período  objeto  de  autuação não foi verificado o eventual descumprimento dos requisitos  para  gozo  da  isenção  sob  análise.  Ressalta  que  a  autuação  está  calcada, exclusivamente, na “decisão  administrativa” que encerrou a  Informação  Fiscal  de  Cancelamento  de  Isenção  (v.  docs.  03  e  04,  juntados  com  a  Impugnação  ao  AI).  Esta,  por  sua  vez,  estava  ancorada, exclusivamente, no  indeferimento do pedido de renovação  do CEBAS, com validade para o período de 20/04/1998 a 15/09/1999,  o qual veio a ser reformada pelas instâncias judiciais ordinárias;  3.  infere  que  a  fiscalização  e  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância deixaram de considerar os deferimentos de todos os pedidos  de  renovação  do  CEBAS  para  períodos  posteriores  a  20/04/1998  a  15/09/1999,  formulados  pela  contribuinte,  não  podendo  aquele  primeiro indeferimento produzir efeitos ad aeternun.  4.  contrapõe­se  ao  lançamento  e,  bem  assim,  à  decisão  recorrida,  aduzindo  para  tanto  que  a  entidade  nunca  perdeu  sua  condição  de  isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, consoante se  comprova no fato de não haver sido emitido Ato Cancelatório a partir  de  Informação  Fiscal  que  fora  lavrada  em  face  da  contribuinte.  Acrescenta  que  a  recorrente  já  gozava  de  imunidade  em  relação  às  contribuições sociais a cargo da empresa muito antes da edição da Lei  8.212/91, motivo pelo qual foi exonerado de requerer o benefício, em  razão do disposto no § 1° do art. 55 daquele diploma legal, cabendo  ao Fisco demonstrar que no período fiscalizado a recorrente deixou de  cumprir algum dos pressupostos de aludida benesse fiscal;  5.  por  fim,  requer  o  conhecimento  e  provimento  do  seu  recurso,  para  desconsiderar o Auto e Infração, tornando­o sem efeito e, no mérito,  sua absoluta improcedência.  Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.001073/2008­31  Acórdão n.º 2402­004.750  S2­C4T2  Fl. 4          5  A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG informa que o  recurso  interposto  é  tempestivo  e  encaminha  os  autos  ao  CARF  para  processamento  e  julgamento.  É o relatório.  Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     6    Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Recurso  tempestivo.  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  conheço  do recurso interposto.  O Fisco  afirma que  o Conselho Nacional  de Assistência Social  indeferiu  a  renovação  do CEBAS para  a Recorrente.  Isso  está  consubstanciado  no Relatório Fiscal,  nos  seguintes termos:  “[...]  A  Entidade  requereu,  perante  o  Conselho  Nacional  de  Assistência Social, o recadastramento e a renovação do CEBAS,  por meio do processo n° 28984.016259/1994­28, sendo que este  Órgão  INDEFERIU,  em  decisão  administrativa  definitiva,  o  pedido  de  renovação  do  Certificado,  com  fundamento  no  Parecer CJ n° 1258/98 [...]”.  Pois bem. Após analisar os documentos acostados aos autos, verificar­se, em  sede de preliminar, que o lançamento fiscal deverá ser declarado nulo, eis que os elementos  fáticos probatórios, que o compõem, não registram de forma clara e precisa a fundamentação  legal  ensejadora  da  autuação.  Ou  seja,  pelos  fundamentos  a  seguir  delineados,  a motivação  fática e  jurídica do lançamento fiscal não estão em conformidade com a legislação tributária,  nem com os fundamentos da Constituição Federal de 1988.  Conforme  se  observa  nos  autos, mesmo  tendo  a  autoridade  tributária  à  sua  disposição  todos  os  documentos  pertinentes  à  escrituração  contábil  –  bem  como  os  demais  documentos estabelecidos pelo art. 55, incisos I a V, da Lei 8.212/1991, atualmente revogado  pela  Lei  12.101/2009  –,  limitou­se  a  justificar  a  autuação  apenas  pela  existência  do  indeferimento  do  pedido  de  renovação  do  CEBAS,  com  validade  para  o  período  de  20/04/1998  a  15/09/1999,  o  qual  veio  a  ser  reformado  pelas  instâncias  judiciais  ordinárias.  Contudo,  não  houve  a  emissão  de  qualquer  Ato  Cancelatório  de  Isenção  das  Contribuições  Sociais, conforme previa o § 4o do art. 55 da Lei 8.212/1991, nem a observância se a entidade  cumpria ou não os demais requisitos desse mesmo artigo.  Lei 8.212/1991:  Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e  23  desta  Lei  a  entidade  beneficente  de  assistência  social  que  atenda  aos  seguintes  requisitos  cumulativamente  ((Revogado  pela Lei nº 12.101, de 2009):  I ­ seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual  ou do Distrito Federal ou municipal;  II ­ seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de  Fins  Filantrópicos,  fornecido  pelo  Conselho  Nacional  de  Assistência Social, renovado a cada três anos; (g.n.)  III  ­  promova,  gratuitamente  e  em  caráter  exclusivo,  a  assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a  crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência;  Fl. 202DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.001073/2008­31  Acórdão n.º 2402­004.750  S2­C4T2  Fl. 5          7  IV  ­  não  percebam  seus  diretores,  conselheiros,  sócios,  instituidores  ou  benfeitores,  remuneração  e  não  usufruam  vantagens ou benefícios a qualquer título;  V  ­  aplique  integralmente  o  eventual  resultado  operacional  na  manutenção  e  desenvolvimento  de  seus  objetivos  institucionais  apresentando,  anualmente  ao  órgão  do  INSS  competente,  relatório circunstanciado de suas atividades.  § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata  este  artigo  será  requerida  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS,  que  terá  o  prazo  de  30  (trinta)  dias  para  despachar o pedido. (g.n.)  § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou  entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida  por outra que esteja no exercício da isenção.  § 3° Para os fins deste artigo, entende­se por assistência social  beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem  dela necessitar.  § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social ­ INSS cancelará a  isenção  se  verificado  o  descumprimento  do  disposto  neste  artigo.  §  5°  Considera­se  também  de  assistência  social  beneficente,  para  os  fins  deste  artigo,  a  oferta  e  a  efetiva  prestação  de  serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de  Saúde, nos termos do regulamento.  Do dispositivo  transcrito, verificamos que os  requisitos  referem­se a um rol  exaustivo,  incisos  I  a  V,  para  que  se  possa  gozar  da  imunidade  da  cota  patronal  das  contribuições previdenciárias, prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal.  Dentro  do  quadro  fático  e  jurídico,  verifica­se  que  o  Fisco  não  observou  a  necessidade de prévio cancelamento da imunidade/isenção da entidade, a partir da emissão de  Ato Cancelatório, consoante disposto no § 4o do art. 55 da Lei 8.212/1991 c/c o artigo 305, e  seus  parágrafos,  da  Instrução Normativa  SRP  n°  03/2005,  como  condição  à  constituição  do  crédito previdenciário em epígrafe, maculando, assim, o lançamento fiscal em sua plenitude.  “[...] Instrução Normativa SRP n° 03/2005:  Art.  305.  A  SRP  verificará  se  a  entidade  beneficente  de  assistência social continua atendendo aos requisitos necessários  à manutenção da isenção, previstos no art. 299.  § 1º Constatado o não cumprimento dos  requisitos contidos no  art.  299,  a  fiscalização  emitirá  Informação  Fiscal  IF,  na  qual  relatará  os  fatos,  as  circunstâncias  que  os  envolveram  e  os  fundamentos  legais  descumpridos,  juntando  as  provas  ou  indicando onde essas possam ser obtidas.  § 2º A entidade será cientificada do  inteiro  teor da IF e  terá o  prazo  de  quinze  dias,  a  contar  da  data  da  ciência,  para  apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que  Fl. 203DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     8  deverá  ser  protocolizada  em  qualquer  UARP  da  DRP  circunscricionante do seu estabelecimento centralizador.  §  3º  Decorrido  o  prazo  previsto  no  §  2º  deste  artigo,  sem  manifestação  da  parte  interessada,  caberá  à  chefia  do  Serviço/Seção  de  Arrecadação  da  DRP  decidir  acerca  da  emissão do Ato Cancelatório de Isenção AC.  § 4º Caso a defesa seja apresentada, o Serviço/Seção de Análise  da DRP decidirá acerca da emissão ou não do Ato Cancelatório  de Isenção AC.  §  5º  Sendo  a  decisão  do  Serviço/Seção  de  Análise  da  DRP  favorável à emissão do Ato Cancelatório de Isenção, a chefia do  Serviço/Seção de Arrecadação da DRP emitirá o documento, o  qual  será  remetido,  juntamente  com  a  decisão  que  lhe  deu  origem, à entidade interessada.  §  6º  A  entidade  perderá  o  direito  de  gozar  da  isenção  das  contribuições sociais a partir da data em que deixar de cumprir  os requisitos contidos no art. 299, devendo essa data constar do  Ato Cancelatório de Isenção.  § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias  contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção  para interpor recurso com efeito suspensivo ao CRPS. [...]”  Aparentemente a motivação fática para ensejar o presente lançamento fiscal  seria a não apresentação de requerimento junto ao INSS pela Recorrente, solicitando a isenção  da  cota  patronal  das  contribuições  previdenciárias,  nos  termos  do  art.  55,  §  1°,  da  Lei  8.212/1991. Entende­se que esse requerimento é apenas um elemento formal declaratório para  se estabelecer a imunidade para a Recorrente.  Para o Fisco, a não emissão do Ato Cancelatório se justificaria no fato de a  entidade  possuir  decisão  judicial  reconhecendo  sua  isenção  ou  está  discutindo  a matéria  no  âmbito  judicial, o que não podemos concordar. Pois, da mesma forma que fora constituído o  crédito  previdenciário,  ainda  que  garantida  a  isenção  da  entidade  por  força  de  provimento  judicial,  ficando  sobrestado  o  final  do  trâmite  administrativo  até  decisão  judicial  final  transitada  em  julgado,  deveria  o  Fisco  emitir  o  Ato  Cancelatório,  dando  seguimento  no  eventual  rito  processual  na  esfera  administrativa  e,  sendo  procedente  referido  Ato,  ficaria,  igualmente, sobrestado até o término do processo judicial.  Em  outras  palavras,  a mesma  conduta  adotada  por  ocasião  da  lavratura  da  autuação  sob  análise  deveria  ter  sido  observada  do  procedimento  pertinente  à  Informação  Fiscal emitida e eventual Ato Cancelatório, de maneira a oferecer condições à constituição do  crédito previdenciário que ora se contesta. Assim, não o tendo feito, não há como prosperar o  lançamento fiscal.  Por sua vez, constata­se também que a Recorrente possuía o CEBAS, vigente  à  época  do  período  de  apuração,  conforme documentos  acostados  aos  autos,  bem  como  das  informações constantes das peças de instrução fornecidas pelo Fisco. Com isso, depreende­se  que  a  Recorrente  possuía  o  Certificado  de  Entidade  de  Fins  Filantrópicos,  fornecido  pelo  Conselho Nacional de Assistência Social (CEBAS), atendendo o requisito do inciso II do art.  55 da Lei 8.212/1991.  Fl. 204DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.001073/2008­31  Acórdão n.º 2402­004.750  S2­C4T2  Fl. 6          9  Assim,  ao  realizar  o  lançamento,  o  Fisco  deveria  ter  demonstrado  no  Relatório Fiscal  ou  em Relatório Complementar,  de maneira  clara  e  exaustiva,  a motivação  fática – que foi a ausência do CEBAS, este deveria ser acompanhado do Ato Cancelatório  de Isenção, e a falta de requerimento de isenção junto ao INSS –, bem como a motivação  jurídica, que foi o § 1° do art. 55 da Lei 8.212/1991. Esclareço, ainda, que não há qualquer  registro nos Fundamentos Legais do Debito (FLD) dessa motivação jurídica.  Nesse  passo,  não  existindo Ato  Cancelatório  de  Isenção  das  Contribuições  Sociais,  isso,  por  si  só,  enseja  a  nulidade  do  lançamento  fiscal  por  cerceamento  ao  devido  processo legal.  A  confiabilidade  das  informações  prestadas  pelo  Fisco  por  meio  do  lançamento fiscal, materializado no Relatório Fiscal e seus anexos, é essencial ao atendimento  do princípio constitucional da ampla defesa, bem como da preservação da boa­fé objetiva, que  deve orientar a relação entre o Fisco e o sujeito passivo da relação obrigacional tributária.  Assim  –  na  hipótese  de  entidade  beneficente  que  se  encontrava,  antes  do  lançamento  fiscal,  devidamente  abarcada  pela  imunidade  prevista  no  art.  195,  §7o,  da  Constituição  Federal  e  em  face  de  que  as  normas  de  imunidade  comportam  interpretação  extensiva, consoante decisões do Supremo Tribunal Federal (STF. Plenário. RE 325822/SP. DJ  14/05/2004)  –,  não  é  justificável  ao  Fisco  –  como  órgão  adstrito  à  legalidade  e  à  atividade  vinculada,  ao  realizar  o  procedimento  de  auditoria,  visando  à  apuração  do  crédito  tributário  decorrente da  cota patronal  previdenciária  –  proceder  o  lançamento  fiscal  sem  a  emissão  do  Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, conforme previa o § 4° do art. 55 da  Lei 8.212/1991).  Ao proceder dessa maneira para a apuração dos valores lançados, a auditoria  fiscal  incorreu  em um vício  de motivo,  este  consubstanciado  na  inadequação  do  fato  com  o  pressuposto jurídico da legislação previdenciária que previa a emissão do Ato Cancelatório de  Isenção  das  Contribuições  Sociais.  Essa  inadequação  do  motivo  do  lançamento  fiscal,  ocasionada pela falsidade do pressuposto no mundo fático com a previsão legal, é um desvio de  finalidade do estabelecido pela  legislação  tributária que gera a nulidade pelo cerceamento ao  direito de defesa do sujeito passivo.  No  caso  concreto,  em  entidade  que  preenchia  os  requisitos  previstos  nos  incisos  do  art.  55  da  Lei  8.212/1991,  é  imprescindível  que  o  lançamento  fiscal  que  apura  valores oriundos da cota patronal previdenciária seja devidamente fundamentado, uma vez que  a apuração dessa contribuição previdenciária  se  trata de medida  excepcional que depende de  comprovação  de  requisitos  específicos  da  legislação  previdenciária,  que  davam  eficácia  e  aplicabilidade a imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal.  O trabalho de auditoria fiscal deverá demonstrar, com clareza e precisão, os  motivos  da  lavratura  da  exigência  tributária.  Isso  está  em  consonância  com  o  art.  50  da Lei  9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato, bem  como §1o do mesmo artigo que exige motivação clara, explícita e congruente.  Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do  processo administrativo federal:  Art.  50.  Os  atos  administrativos  deverão  ser  motivados,  com  indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:  Fl. 205DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     10  I ­ neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;  II ­ imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...)  §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo  consistir  em  declaração  de  concordância  com  fundamentos  de  anteriores  pareceres,  informações,  decisões  ou  garantia  dos  interessados.  Claro é que esses requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a  determinação presente na Lei Magna de observação à garantia constitucional da ampla defesa e  do contraditório.  Constituição Federal de 1988:  Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer  natureza,  garantindo­se  aos  brasileiros  e  aos  estrangeiros  residentes  no  País  a  inviolabilidade  do  direito  à  vida,  à  liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos  seguintes: (...)  LV ­ aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos  acusados  em  geral  são  assegurados  o  contraditório  e  ampla  defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;  Não há como ter acesso à defesa e, consequentemente, contraditar a infração  imputada  à  Recorrente,  sem  que  todos  os  requisitos  estejam  presentes  no  procedimento  de  auditoria fiscal realizado pelo Fisco, seja no Relatório Fiscal ou Relatório Complementar, seja  em outros documentos inseridos nos autos.  Diante dos relatos delineados anteriormente, está claro que faltam requisitos  para a validade da presente autuação, requisitos estes que são necessários para o exercício da  ampla defesa e do contraditório da Recorrente. Logo, restou prejudicado o direito de defesa da  Recorrente, pois foi lhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa da motivação fática  e jurídica.  Sobre  o  vício  praticado  entendo  ser  o mesmo  de  natureza material,  pois  o  Fisco delineou uma motivação fática e jurídica de forma equivocada do contexto evidenciado  nos autos e na escrituração contábil da Recorrente, ensejando um lançamento que, conquanto  identifique  a  infração  imputada,  não  atende  de  forma  adequada  a  determinação  da  sua  exigência nos termos da legislação previdenciária.  Tal vício material está nitidamente constatado no momento em que o Fisco,  no  Relatório  Fiscal,  delineou  um motivo  fático  de  forma  inadequada  com  o  pressuposto  de  direito,  caracterizando  uma  motivação  insuficiente.  Isso  está  em  consonância  com  o  estabelecido pelo art. 142 do CTN, que assim dispõe:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Fl. 206DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.001073/2008­31  Acórdão n.º 2402­004.750  S2­C4T2  Fl. 7          11  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional. (g.n.)  Mesmo  entendimento  previsto  no  art.  59,  II,  do  Decreto  70.235/1972,  que  enseja  a  nulidade  dos  atos  manifestado  pelo  Fisco  com  preterição  do  direito  de  defesa  da  Recorrente.  Decreto 70.235/1972:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que  dele diretamente dependam ou sejam conseqüência.  §  2º  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados,  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento ou solução do processo. (g.n.)  Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos  do  lançamento  (no  caso,  a  motivação  fática  e  jurídica  da  incidência  da  lei),  ela  certamente  estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável à incidência da lei, ou à  determinação da matéria tributável), importando na existência de um vício material.  Nesse  sentido,  leciona  Leandro  Paulsen1:  “Vícios  materiais  são  os  relacionados à validade e à incidência da lei.”  Veja­se,  assim,  que  a  ocorrência  do  vício  material  está  diretamente  ligada  com a deformidade do conteúdo do  lançamento, que acaba por exigir  indevidamente  tributos  do  sujeito  passivo,  em  ofensa,  inclusive,  ao  princípio  da  legalidade,  situação  inaceitável  nas  relações do Fisco com o contribuinte.  Nesse sentido, vejamos os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo  lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou:  “VÍCIO MATERIAL ­ Havendo alteração de qualquer elemento  inerente  ao  fato  gerador,  à  obrigação  tributária,  à  matéria  tributável, ao montante devido do  imposto e ao sujeito passivo,  se  estará  diante  de  um  lançamento  autônomo  que  não  se  confunde  com  o  lançamento  refeito  para  corrigir  vício  formal,  nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1°  Conselho,  2ª  Câmara,  Relator  José  Raimundo  Tosta  Santos,  Acórdão n° 102­47829, Sessão de 16/08/2006) (g.n.)  Nessa mesma linha de entendimento, cabe destacar trecho do voto proferido  pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação                                                              1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12.  ed. ­ Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194.  Fl. 207DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     12  do vício  formal e externou seu entendimento para que fosse  reconhecido o vício material do  lançamento. Veja­se:  “Em  suma,  entendo  que  o  vício  formal  pressupõe  que  novo  lançamento,  se  viabilizado,  não  poderá  ultrapassar  os  limites  estabelecidos no  lançamento  primitivo,  relativamente  aos  seus  elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo  lançamento  forçosamente  modificará  a  base  imponível,  com  óbvios  reflexos no  cálculo do montante do  tributo devido,  (...)"  (CARF,  1ª  Conselho,  7ª  Câmara,  Relator  Francisco  de  Sales  Ribeiro  de  Queiroz,  Acórdão  nº  107­06.757,  Sessão  de  22/08/2002) (g.n.)  Por  todo o exposto, em preliminar declaro a nulidade do  lançamento  fiscal,  restando prejudicado as demais preliminares e o exame de mérito.  CONCLUSÃO:  Voto  no  sentido  de CONHECER  do  recurso  e DAR  PROVIMENTO,  para  reconhecer a nulidade do presente lançamento por vício material, nos termos do voto.    Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 208DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO

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