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Numero do processo: 10675.720611/2012-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
DÉBITOS COM A SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. EFEITOS. MANUTENÇÃO DO TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL.
A não regularização de todas as pendências com a Secretaria da Receita Federal, no prazo regulamentar, impossibilita o ingresso da pessoa jurídica no regime especial de tributação Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: Eduardo Morgado Rodrigues
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EFEITOS. MANUTENÇÃO DO TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. A não regularização de todas as pendências com a Secretaria da Receita Federal, no prazo regulamentar, impossibilita o ingresso da pessoa jurídica no regime especial de tributação Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 06 11 /2 01 2- 31 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10675.720611/201231 Acórdão n.º 1001000.349 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 86 a 89) interposto contra o Acórdão nº 1263.106, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 70 a 76), que, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 DÉBITOS COM A SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. EFEITOS. MANUTENÇÃO DO TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. A não regularização de todas as pendências com a Secretaria da Receita Federal, no prazo regulamentar, impossibilita o ingresso da pessoa jurídica no regime especial de tributação Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase de manifestação de inconformidade, oposta pela interessada acima qualificada, contra o ato de indeferimento de opção pelo regime de tributação especial, denominado Simples Nacional (fl. 03/06), registrado em 28/02/2012, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, para o ano calendário 2012, pelo fato de constar nos arquivos eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, débitos relacionados no próprio termo, cuja exigibilidade não estaria suspensa: Da Manifestação de Inconformidade 2. Insurgese a Impugnante contra o Termo de Indeferimento da Opção pelo SIMPLES Nacional, interpondo impugnação em 01/03/2012 (fl. 2), alegando que: 2.1. em 30/01/2012, conseguiu, junto à Justiça Federal, sentença no bojo da ação no 1432736.2011.4.01.3803, que determina o enquadramento de todos os débitos da Impugnante no parcelamento previsto na Lei 11.941/2009; 2.2. requer sua inclusão no regime do SIMPLES Nacional. Da Sentença 3. Cópia da sentença exarada pela Justiça Federal, em 30/01/2012 (fls. 35/39), determina que a Secretaria da Receita Federal do Brasil retifique a opção de parcelamento da Impetrante, incluindo os débitos parcelados anteriormente, Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10675.720611/201231 Acórdão n.º 1001000.349 S1C0T1 Fl. 4 3 previdenciários e não previdenciários, na modalidade de parcelamento prevista no art. 3o da Lei 11.941/2009, bem como realize a consolidação dos referidos débitos. Do Despacho Decisório 4. É juntado aos autos (fls. 52/53) Despacho Decisório no 0415/2013 DRF/UBL, de 04 de abril de 2013, expedido pela DRF Uberlândia – MG, informando que a regularização da totalidade dos débitos impeditivos ao ingresso no SIMPLES Nacional não se deu dentro do prazo hábil, ou seja, ainda remanesceram débitos com exigibilidade não suspensa, que possivelmente não foram indicados pelo contribuinte para figurar no parcelamento. Informa os débitos descritos às fls. 49/51; 4.1. os débitos informados às fls. 49/51 tratam de: IRPJ – Lucro Presumido, código de receita 2089, com vencimento em 30/10/2007 e pago em 17/05/2012; e CSLL – para PJ que apuram IRPJ com base em Lucro Presumido ou Arbitrado, código de receita 2372, com vencimento em 30/10/2007 e 31/08/2008, pagos em 26/04/2012 e 05/03/2012, respectivamente; 4.2. informa ainda que, apenas posteriormente ao prazo legal de 30 (trinta) dias contados a partir da intimação do termo de indeferimento, a pessoa jurídica providenciou a regularização dessas pendências, extinguindo os créditos tributários através de pagamento. Com este proceder, a regularização das pendências tributárias não foi apta a afastar os efeitos do indeferimento da opção, o que ocorreria apenas se tal regularização se efetivasse até o dia 31 de janeiro de 2012; 4.3. em 24/06/2013 (fls. 55/56) se deu, por via postal, a ciência do Despacho Decisório. Do Pedido de Reconsideração 5. Irresignada a Impugnante apresenta Pedido de Reconsideração, recepcionado em 23/07/2013 (fls. 58/60), alegando que: 5.1. a RFB manteve o indeferimento à opção pelo SIMPLES Nacional porque o débito no 39.065.0668 não estava incluso no parcelamento pleiteado, alegando que o mesmo fora inscrito em dívida ativa m 24/12/2011, após concluídas todas as etapas do parcelamento previsto na Lei 11.941/2009, e após a impetração do Mandado de Segurança no 1432736.2011.4.01.3803, entendimento com o qual não concorda a Impugnante; 5.2. informa que a liminar concedida determina que se restabeleça a condição de optante do parcelamento previsto na Lei 11.941/2009; 5.3. a decisão judicial não especifica quais os créditos tributários devam constar do parcelamento, determinando que todos os débitos deveriam ser incluídos; 5.4. não sabe o por quê de o crédito de no 39.065.0668 não ter sido incluso no dito parcelamento; 5.5. ressalta que, ao seu ver, a não inclusão do referido crédito no parcelamento configura crime de desobediência, conforme previsto no art. 330 do Código Penal; Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10675.720611/201231 Acórdão n.º 1001000.349 S1C0T1 Fl. 5 4 5.6. requer a inclusão do crédito tributário no 39.065.0668 no pedido de parcelamento previsto na Lei 11.941/2009, e a consequente inclusão no regime do SIMPLES Nacional, relativa ao ano de 2012." Inconformada com a decisão de primeiro grau, após ciência, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando que a decisão judicial obtida em seu favor abrangeria todos os débitos existentes, logo todos deveriam ser considerados inscritos em parcelamento, logo, não haveria pendência a impedir o deferimento de sua Opção pelo SIMPLES. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, se faz oportuno relembrar das disposições jurídicas próprias à matéria em análise. Acerca do prazo de que dispõe o interessado, a cada ano, para realizar a opção pelo Simples Nacional, o parágrafo 2º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123/2006 assim dispõe: Art. 16 – A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário. (...) § 2º – A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário de opção, ressalvado o disposto no parágrafo terceiro deste artigo. Por sua vez, O Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) em sua atividade regulamentar exarou a Resolução CGSN nº 94/2011, cujo artigo 6º assim estabelece: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6 º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, caput ) Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10675.720611/201231 Acórdão n.º 1001000.349 S1C0T1 Fl. 6 5 § 1 º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5 º . (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, § 2 º) § 2 º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (g.n.) Retornando ao caso concreto, vêse que a decisão de primeira instância não considerou o débito previdenciário nº 39.065.0668 como impedimento para a opção pelo regime simplificado, vez que entendeu que a sua não inclusão no parcelamento se deveu a falhas de organização e comunicação dos próprios órgãos da administração pública. No entanto, a decisão de piso indeferiu a Impugnação da ora Recorrente, por entender que mesmo com a observação da decisão judicial, ainda havia restado débitos exigíveis que não foram abrangidos pela ordem judicial. Aqui, cabe colacionar o dispositivo da sentença de mérito do Mandado de Segurança (fls. 3539) apresentada pela Recorrente. "Ante o exposto, reconsidero a liminar e concedo a segurança para determinar à Impetrada que retifique a opção de parcelamento da Impetrante, incluindo os débitos parcelados anteriormente, previdenciários e não previdenciários, na modalidade de parcelamento prevista no art. 3º da Lei n.º 11.941/2009, bem como realize a consolidação dos referidos débitos." (grifouse) Conforme se extraí do excerto acima, quando houve a estabilização da segurança por meio da sentença definitiva, a ordem judicial determinava tão somente que fosse permitido a reinclusão dos débitos que já haviam sido objetos do parcelamento anterior, afim de que fosse sanado o vício fático,qual seja, a escolha de modalidade incorreta. A decisão judicial prolatada em sentença não abriu "novo prazo" para que a contribuinte fruísse novamente de todas as benesses do parcelamento trazido no bojo da Lei 11.941/09, apenas visou permitir a correção do erro formal operado no momento em que procedeu a adesão ao mesmo. Seguindo esta linha, a DRJ de origem considerou que os débitos (fls. 4951) apontados pelo Despacho Decisório Despacho Decisório nº 0415/2013DRF/UBL, expedido pela DRF Uberlândia – MG (fls. 52/53) só poderiam ser incluídos no parcelamento, sob determinação da ordem judicial citada, caso já tivessem sido objeto do parcelamento anterior, que fora objeto do Mandado de Segurança. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10675.720611/201231 Acórdão n.º 1001000.349 S1C0T1 Fl. 7 6 Ocorre que, conforme menciona a decisão de piso, não houve qualquer documento que indicasse que os débitos fazendários supracitados integraram qualquer parcelamento antes da decisão judicial, in verbis: "(...) 28. Estranhamente, de modo diverso ao tratamento dispensado aos débitos de origem previdenciária, a Impugnante calase em seu Pedido de Reconsideração quanto aos débitos de origem fazendária, mencionados no Despacho Decisório no 0415/2013DRF/UBL, de 04 de abril de 2013, expedido pela DRF Uberlândia – MG (fls. 52/53). (...) 30. À sentença é clara e determina que se “retifique a opção de parcelamento da Impetrante, incluindo os débitos PARCELADOS ANTERIORMENTE, previdenciários e não previdenciários”, ou seja, que seja modificada a opção, feita anteriormente de maneira errônea, para a opção correta, DAQUELES DÉBITOS CONSTANTES DO PEDIDO DE PARCELAMENTO ANTERIOR. 31. A Impugnante não junta aos autos qualquer prova de que os débitos de origem fazendária, motivadores do Despacho Decisório denegatório, constavam de pedido de parcelamento efetuado pela mesma. 32. Diante do exposto, em face dos débitos de origem fazendária terem sido regularizados após o prazo limite de 31/01/2012, entendo que permanece o óbice ao ingresso da Impugnante no regime tributário diferenciado do Simples Nacional para o anocalendário de 2012. (...)" Portanto, não havendo qualquer indício de que os débitos apontados pelo Despacho Decisório de fls. 5253 não haviam sido previamente parcelados, portanto não abrangidos pela ordem judicial que determinou a reinclusão de débitos no parcelamento da Lei nº 11.941/09; e considerando que os referidos débitos só foram quitados após o prazo legal para a Opção do SIMPLES, entendo que a decisão da DRJ em manter o indeferimento da Opção se deu de forma correta. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10675.720611/201231 Acórdão n.º 1001000.349 S1C0T1 Fl. 8 7 Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907120/2011-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-004.999
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 71 20 /2 01 1- 53 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10930.907120/201153 Acórdão n.º 3302004.999 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF em Londrina, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), a contribuinte alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins, levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexando jurisprudência do STF e do CARF e planilha demonstrando as diferenças pleiteadas. Encaminhado para julgamento, a DRJ em Curitiba não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade e manteve o indeferimento do pedido de restituição. Cientificada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário dirigido ao CARF, onde repete as razões já aduzidas, questiona a necessidade de ser parte em ação judicial questionando a constitucionalidade da incidência do PIS ou da Cofins sobre as receitas financeiras, informa que está apresentando cópia dos livros razão e diário, esclarece que é beneficiária da repercussão geral do RE nº 566.621, e, ao final, pede a reforma do acórdão anteriormente proferido. Ao analisar o recurso, a 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, reconheceu, em face da repercussão geral, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo e deu provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito (análise dos livros diário e razão apresentados). A DRJ em Curitiba julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão nº 06054.119. Intimada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário alegando, em síntese: preliminarmente (i) mudança de critério jurídico e cerceamento de defesa; (ii) decadência do direito de lançar ou revisar; e meritoriamente (iii) que há documentos nos autos que demonstram a origem do crédito apurado. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10930.907120/201153 Acórdão n.º 3302004.999 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.965, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907064/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.965): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 24.12.2015 (fls.112) e protocolou Recurso Voluntário em 26.01.2015 (fls. 114129), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminares II.1 Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todo o DARF havia sido integralmente utilizado para extinguir débito do contribuinte, ao passo que a segunda decisão recorrida motivou o indeferindo do crédito pela não comprovação da origem do crédito através de documentação hábil e idônea. Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10930.907120/201153 Acórdão n.º 3302004.999 S3C3T2 Fl. 5 4 Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Aliás a unidade julgadora ao proferir a segunda decisão nada mais fez do que cumprir a ordem proferida pelo Carf que determinou fosse feita a análise quanto a origem do crédito pleiteado, considerando que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições já havia sido solucionado pelo STF. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e documentos carreados aos autos, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de restituição, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. II.2 Decadência Em síntese apartada, a Recorrente pleiteia a incidência do prazo decadencial do direito do fisco realizar o lançamento de fato gerador ocorrido em 30.06.2001, nos termos do §4º, do artigo 150, do CTN e, subsidiariamente, pede seja admitida a homologação tácita do pedido realizado em 30.06.2005. Em relação ao prazo decadencial, adoto como razão de decidir o voto do i. Julgador Jorge Olmiro Lock Freire, nos autos do processo nº 16327.910550/201157 (acórdão nº 3402004.468), posto : Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10930.907120/201153 Acórdão n.º 3302004.999 S3C3T2 Fl. 6 5 quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10930.907120/201153 Acórdão n.º 3302004.999 S3C3T2 Fl. 7 6 apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. No presente caso, a lide diz respeito apenas em relação ao pedido de restituição formulado pela Recorrente, inexistindo, para este caso aplicação do prazo decadencial pleiteado pelo contribuinte, razão, pela qual, deve ser afastado. III Mérito Inicialmente é imperioso destacar que a matéria em discussão diz respeito a comprovação da origem do crédito, posto que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições, já foi analisada na decisão de fls. 9299, proferida por este Conselho. Pois bem A decisão recorrida, manteve o indeferimento do pedido de restituição apresentada pela Recorrente com base nos seguintes fundamentos: No presente caso, a contribuinte apresentou excertos dos livros diário e razão, e neles consta o lançamento nas contas contábeis nºs 8.01.10.25.74 e 8.01.10.25.86, de valores de PIS e de Cofins que teriam incidido sobre as receitas financeiras do período e que, portanto, no entender da interessada, seriam passíveis de restituição. Compulsandose os autos, no entanto, constatase que neles não há qualquer comprovação acerca das contas contábeis e dos valores que compuseram as bases de cálculo das receitas financeiras consideradas pela contribuinte. Na falta dessa demonstração, apoiada, obviamente, em provas, não há como se verificar se os valores pleiteados realmente têm relação com receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins e, nesse caso, não há como deferir o direito pleiteado. Com todo respeito ao entendimento proferido pela unidade julgadora que, analisou o direito creditório sob análise através dos documentos juntados no primeiro recurso voluntário, entendo que os documentos carreados pela Recorrente, juntados em ambos recursos voluntários demonstram, ainda que parcialmente, a origem do crédito apurado sobre as receitas financeiras, devendo, assim, ser deferido em parte o pedido de restituição sob análise. Isto porque, no entendimento deste relator, tanto as planilhas carreadas às fls. 2829, 155161 e 189, quanto os livros diário e razão carreados as fls. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10930.907120/201153 Acórdão n.º 3302004.999 S3C3T2 Fl. 8 7 5962 e 131154 e, o Documento de Arrecadação de Receitas Federais de fls. 130 documentos juntados nos recursos voluntários interpostos pela Recorrente , demonstram e lastrearam parte do crédito apurado pela Recorrente. Com efeito, o crédito apurado pela Recorrente foi devidamente informado em seu livro razão carreado às fls.147152 e, está amparado pelas planilhas fornecidas pelo contribuinte que demonstram o cálculo do tributo e forma de apuração do crédito (fls.189), inexistindo, assim, ausência de comprovação da origem do crédito. É de se ver que nos documentos carreados às fls.147 e seguintes, especialmente o plano de contas de fls. 165166, há o registro das seguintes receitas financeiras contabilizadas no razão do período sob análise: Descontos Obtidos; Juros Ativos; Rendimentos de Aplicação Financeira e Variação Monetária Ativa. Contudo, os valores registrados pela Recorrente em sua contabilidade são inferiores aos valores objeto do pedido de restituição, justificando, assim, o deferimento parcial do crédito pleiteado. Importante registrar, que o contribuinte não foi intimado à demonstrar a composição das receitas financeiras, sendo que as questões concernentes a prova da origem do crédito foram suscitadas somente na decisão de primeiro grau. Neste caso, havendo dúvida quanto à origem do crédito, deveria a unidade julgadora converter o julgamento em diligência e dar oportunidade ao contribuinte de apresentar outros documentos e, não simplesmente descartar os documentos carreados aos autos para afastar o direito por ausência de provas. Neste cenário, diversamente do que entendeu a unidade julgadora, vejo que os documentos juntados pela Recorrente, se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. IV Conclusão Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dou parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente às valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão de fls. 147 e seguintes. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo os documentos juntados pela Recorrente se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dar parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10930.907120/201153 Acórdão n.º 3302004.999 S3C3T2 Fl. 9 8 financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900686/2006-78
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/05/2003
DILIGÊNCIA. FALTA DE CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A falta de ciência do contribuinte sobre o resultado de diligência realizada implica em cerceamento do direito de defesa e, conseqüentemente, os atos processuais posteriores encontram-se eivados de vício insanável, devendo ser anulados.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Decisão da DRJ anulada.
Numero da decisão: 3002-000.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário e em anular a decisão da DRJ por não ter sido dada ciência ao contribuinte do resultado da diligência realizada, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analisar os documentos acostados e outros que entenda necessários, dando ciência e prazo ao contribuinte para eventual manifestação.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/05/2003 DILIGÊNCIA. FALTA DE CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A falta de ciência do contribuinte sobre o resultado de diligência realizada implica em cerceamento do direito de defesa e, conseqüentemente, os atos processuais posteriores encontram-se eivados de vício insanável, devendo ser anulados. Recurso Voluntário Não Conhecido. Decisão da DRJ anulada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário e em anular a decisão da DRJ por não ter sido dada ciência ao contribuinte do resultado da diligência realizada, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analisar os documentos acostados e outros que entenda necessários, dando ciência e prazo ao contribuinte para eventual manifestação. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente SUPERMERCADO GRICZINSKI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/05/2003 DILIGÊNCIA. FALTA DE CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A falta de ciência do contribuinte sobre o resultado de diligência realizada implica em cerceamento do direito de defesa e, conseqüentemente, os atos processuais posteriores encontramse eivados de vício insanável, devendo ser anulados. Recurso Voluntário Não Conhecido. Decisão da DRJ anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário e em anular a decisão da DRJ por não ter sido dada ciência ao contribuinte do resultado da diligência realizada, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analisar os documentos acostados e outros que entenda necessários, dando ciência e prazo ao contribuinte para eventual manifestação. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 06 86 /2 00 6- 78 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10940.900686/200678 Acórdão n.º 3002000.079 S3C0T2 Fl. 185 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 40/44), transmitido em 26/09/2003, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme despacho decisório (fl. 15), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Após ser intimada da decisão em 25/06/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 2/8), na qual informou que ocorreu erro de fato no preenchimento da DCTF, referente ao 2º trimestre de 2003 e da DIPJ 2004, ano calendário 2003. Apresentou, ainda, tabelas sobre a apuração do PIS com as informações, erradas e corretas, apresentadas, respectivamente, nas declarações originais e nas retificadoras. Ademais, alegou que a ocorrência do erro de fato seria demonstrada por meio das retificadoras, DCTF e DIPJ, já apresentadas à Receita Federal. Por fim, alegou que o erro cometido pela recorrente, ao não retificar a DCTF na época devida, não teria o condão de invalidar a compensação declarada. O sujeito passivo apresenta junto com sua Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: "01cópia do DARF no valor de R$ 1.994,35; 02cópia da fl. 08 do livro registro de apuração do ICMS CNPJ 77.784.189/000185 período de 01 a 30 de abril de 2003; 03cópia da fl. 08 do livro registro de apuração do ICMS CNPJ 77.784.189/000347 período de 01 a 30 de abril de 2003; 04cópia da fl. 08 do livro registro de apuração do ICMS CNPJ 77.784.189/000428 período de 01 a 30 de abril de 2003; 05cópia da fl. 08 do livro registro de apuração do ICMS CNPJ 77.784.189/000509 período de 01 a 30 de abril de 2003; 06cópia do despacho decisório n.° de rastreamento 770245168 n.° do processo 10940 900.686/200678; 07cópia do recibo de entrega n.° 35.60.03.71.87, da DCTF referente ao 2.° trimestre 2003 entregue em 15/08/2003; e folha Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10940.900686/200678 Acórdão n.º 3002000.079 S3C0T2 Fl. 186 3 n.° 11 débito apurado e créditos vinculados ao período de apuração abril /2003 PIS / PASEP ( INCORRETA ) 08cópia do recibo de entrega n.° 20.30.54.57.85, da DCTF (RETIFICADORA ) referente ao 2.° trimestre 2003 entregue em 21/07/2008; e folha n.° 11 débito apurado e créditos vinculados ao período de apuração abril /2003 PIS / PASEP (CORRETA) 09cópia da página 28 e 40 da DIPJ exercício de 2004 ano calendário de 2003 protocolizada em 29/06/2004 sob n.° 22.63.12.12.3031 ( INCORRETA ). 10cópia da página 28 e 40 da DIPJ exercício de 2004 ano calendário de 2003 protocolizada em 21/07/2008 sob n.° 19.05.23.08.4570 ( CORRETA ). llcópia das páginas 16, 17, e 18 período de apuração setembro de 2003 do tributo COFINS, da DCTF referente o 3.° trimestre / 2003 e recibo protocolizado em 14/11/2003, sob n.° 22.62.80.15.83. (INCORRETA) 12cópia das páginas 16, 17, e 18 período de apuração setembro de 2003 do tributo COFINS, da DCTF (RETIFICADORA) referente o 3.° trimestre / 2003 e recibo protocolizado em 21/07/2008, sob n.° 11.02.24.98.20. ( CORRETA) 13cópia da décima primeira alteração contratual datada de 08/05/2008, registrada na Junta Comercial do Paraná, Agência Regional de Irati, em 16/05/2008 sob n.° 41901038249 onde consta o nome do sócio que assina como responsável pela empresa." Em 09/04/2010, o Presidente da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba encaminhou o processo à unidade local da Receita Federal, através do despacho de fl. 46, com a seguinte motivação e propósito: "Em 21/07/2008 a interessada apresentou DCTF retificadora do 2° trimestre/2003 (fls. 1819) e em 21/07/2008 transmitiu a DIPJ 2004 retificadora (fls. 2325) para reduzir o débito de PIS Não Cumulativo do mês de abril/2003 de R$ 1.994,35 (originalmente declarado) para R$ 0,01, cuja diferença alega, na manifestação de inconformidade de fls. 0105, ser decorrente de aproveitamento do crédito de PIS (1,65%) sobre entrada de mercadorias submetidas ao regime de substituição tributária, de produtor e de cigarros. Portanto, solicito à Seort da DRF/Ponta Grossa que confirme a veracidade das informações relativas às operações que deram causa ao alegado crédito de R$ 1.994,35 de PIS Não Cumulativo no mês de abril/2003, fato desconhecido à época em que 0 Despacho Decisório de fl. 14 foi proferido, observandose que as declarações retificadoras da DCTF do 2° trimestre/2003 e da Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10940.900686/200678 Acórdão n.º 3002000.079 S3C0T2 Fl. 187 4 DIPJ 2004, transmitidas após a ciência desse Despacho Decisório, foram aceitas nos sistemas na RFB." (grifo nosso) Assim, em 21/05/2010, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/Ponta Grossa elaborou despacho (fl 47/48) sobre os supostos créditos do contribuinte. Extraise excerto: "Além disso, verificase pelas planilhas apresentadas pelo contribuinte que o mesmo pretende incluir entre as receitas que dão crédito de PIS, aquelas relativas à aquisições com substituição tributária. Contudo, conforme disposto no art. 8°, VII, da Lei 10.637/2002, que instituiu o regime da não cumulatividade do PIS, permanece no regime da cumulatividade as receitas sujeitas à substituição tributária. ......................................................................................................... Dessa forma, entendemos não ser possível a utilização de créditos sobre as receitas alegadas pelo contribuinte." (grifo nosso) Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a DRJ/CTA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA DE SUA ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO. A compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. lnexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10940.900686/200678 Acórdão n.º 3002000.079 S3C0T2 Fl. 188 5 Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 56/63), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que o Acórdão recorrido errou, pois, no caso, não se tratam de créditos sobre a entrada de mercadorias submetidas ao regime de substituição tributária, mas de crédito oriundo de pagamento a maior e, além disso, como já restaria consignado na planilha inserida na Manifestação de Inconformidade apresentada, os créditos de PIS referentes a cigarros foram excluídos da base de cálculo. A ora recorrente alega, ainda, que não procede a afirmação do relator do Acórdão recorrido de falta de provas do crédito pleiteado, pois todos os documentos contábeis e fiscais, que demonstravam a origem e a veracidade dos fatos alegados, já foram apresentados juntamente com a Manifestação de Inconformidade. Ademais, a recorrente alega que a base de cálculo inicialmente utilizada foi de R$ 752.975,56, quando o correto era de R$ 969.220,19, gerando uma base não utilizada de R$ 216.244,63 e, conseqüentemente, gerando um crédito de R$ 3.568,03, referente ao PIS pago a maior. A recorrente protesta pela reforma da decisão, argumentando que deve ser observado o Princípio da Verdade Material, segundo o qual a instrução tem como finalidade a descoberta da verdade material no que toca ao seu objeto com os seus corolários da livre apreciação das provas e da admissibilidade de todos os meios de prova. Por fim, informa que anexou, ao seu Recurso Voluntário, cópia dos seguintes documentos: "DOCUMENTO 01 Notas Fiscais: comprovase por intermédio da NF's que as mercadorias submetidas ao regime de substituição tributária, tais como cigarros, foram excluídas totalmente da base de cálculo do PIS; DOCUMENTO 02 Planilha auxiliar de CFOP de entrada de mercadorias: relaciona as notas fiscais de entrada ICMSST dentro e fora do Estado do Paraná." É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10940.900686/200678 Acórdão n.º 3002000.079 S3C0T2 Fl. 189 6 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade. Entretanto, preliminarmente, devemos nos debruçar sobre uma questão de ordem pública que emerge da leitura do processo ora em análise. Constatase que a DRFPonta Grossa não deu ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência requisitada pela DRJ Curitiba, muito menos, oportunizou prazo para a sua manifestação. Desta forma, a falta da ciência devida acarretou a preterição do direito de defesa da contribuinte. Por conseguinte, todos atos processuais posteriores encontramse eivados de vício insanável, pois implicaram em prejuízo evidente para a parte, conforme o teor do art. 59, II e § 1°, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: ........................................................................................................ II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. ......................................................................................................... Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário e anular a decisão da instância a quo por não ter sido dada ciência ao contribuinte do resultado da diligência realizada, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analisar todos os documentos acostados aos autos e outros que entenda necessários, dando ciência e prazo ao contribuinte para eventual manifestação. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.902462/2008-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento válido para a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento válido para a não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 24 62 /2 00 8- 90 Fl. 159DF CARF MF 2 A Recorrente transmitiu DCOMP, por meio do qual busca compensar crédito a título de estimativa de CSLL relativa ao mês de dezembro de 1999, de R$ 5.816,20, com débitos tributários de sua responsabilidade, no montante de R$ 9.068,62. O Despacho Decisório (fl.55) não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de que, embora localizado o Darf de pagamento indicado na DCOMP, o crédito já teria sido integralmente utilizado para quitação de outro débito, não restando crédito disponível. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1/3). Sustenta que sua DIPJ (fls. 5/51) indica que houve recolhimentos de IRPJ apurados no 2º trimestre de 1999, de R$ 1.499,83, e no 4º trimestre, de R$1.111,91, devidamente compensados com um terço (1/3) da COFINS efetivamente paga, conforme permitias a Lei nº 9.718/98. Aduz que o valor pago de COFINS (de R$ 113.861,26) seria suficiente para compensar toda a apuração da CSLL, razão pela qual toda a CSLL recolhida (R$ 39.450,72), incluído aí o referido crédito de R$ 5.816,20, constitui pagamento a maior passível de compensação. Em Sessão de 10 de junho de 2011, a 2ª Turma da DRJ/BSB, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0343.543 (fls. 89/95), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: LEI Nº 9.718/98, ART. 8º, § 1º. COMPENSAÇÃO. CSLL E 1/3 DA COFINS EFETIVAMENTE PAGA. A compensação da CSLL com até 1/3 da Cofins efetivamente paga, em vigor de fevereiro a dezembro de 1999, está autorizada pelos §§ 1º a 3º do art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998. ESTIMATIVA. IRRETRATABILIDADE DA OPÇÃO DE PAGAMENTO DO IRPJ OU DA CSLL POR ESTIMATIVA. A forma de pagamento do IRPJ ou da CSLL por estimativa será irretratável para todo o anocalendário. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não se admitem no processo administrativo fiscal, para efeitos de impugnação, meras alegações desprovidas de fundamentos. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 99/103). REitera as alegações de defesa e afirma existir tremenda contradição da DRJ, uma vez que a mesma 2ª Turma já teria reconhecido o direito creditório em outro processo que indica e transcreve no item 06, fls. 102. Após encaminhamento dos autos ao E. CARF, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 1801000.078 (fls. 122/125), a qual determinou o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo no final do ano calendário etc. Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal responsável emitiu Termo de Informação Fiscal (fls. 137/141), manifestandose pela insuficiência do crédito solicitado pelo contribuinte. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10166.902462/200890 Acórdão n.º 1201001.961 S1C2T1 Fl. 3 3 Já o contribuinte apresentou Contestação (fls. 146/149). Aduz que a autoridade administrativa, na verdade, julgou a lide; que ela se esqueceu de que, no julgamento anterior, o pagamento da CSLL por estimativa foi considerado erro de fato e que o crédito referente a 1/3 da Cofins pode ser aproveitado também em outra competência. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar débitos lançados em DCTF no mesmo montante, não havendo pagamento a maior ou indevido passível de compensação. Após a diligência requerida, a autoridade fiscal responsável ratificou a insuficiência do crédito, conforme atesta trecho de suas conclusões: 11. Nessa linha, o valor do débito de CSLL para o 4° Trimestre/1999, num total de R$ 21.603,91, apurado em tabela 01 abaixo, são os valores declarados em DCTF (fl.118), que é documento de confissão de dívida e instrumento hábil para a exigência do crédito, consoante preconiza o art. 5° e §§ do DecretoLei n° 2.124/84, diferentemente da DIPJ, que é declaração de natureza informativa à administração tributária. Código Receita Período de Apuração Vencimento Valor (reais) 2484 10/1999 30/11/1999 5.357,71 2484 11/1999 30/12/1999 8.176,94 2484 12/1999 31/01/2001 8.069,11 Total: 21.603,76 TABELA 01 12. Por outro lado, os pagamentos recolhidos a título de COFINS para o 4° Trimestre/1999, extraídos do sistema SIEF (fl. 119), estão relacionados em tabela 02 abaixo: Código Receita Período de Apuração Vencimento Data de Arrecadação Valor (reais) 2171 11/1999 15/12/1999 15/12/1999 11.835,85 2172 11/1999 15/12/1999 15/12/1999 1.765,12 2172 11/1999 15/12/1999 15/12/1999 3.434,30 2172 12/1999 14/01/2000 17/01/2000 3.487,91 2172 12/1999 14/01/2000 17/01/2000 1.205,65 2172 12/1999 14/01/2000 17/01/2000 12.117,09 Total: 33.845,92 TABELA 02 Fl. 161DF CARF MF 4 13. Assim, para o 4° Trimestre/1999, nos termos da Lei 9.718/98, que possibilitou a compensação da CSLL com 1/3 do valor total de COFINS recolhido para o mesmo período de apuração, verificase que 1/3 da COFINS, R$ 11.281,97 (33.845,92/3), poderá ser compensada com os débitos de CSLL. Nesse contexto, como os débitos de CSLL somam um valor total de R$ 21.603,76 (conforme tabela 01), concluise que deve haver um recolhimento efetivo de CSLL, após a dedução de 1/3 de COFINS, no valor de R$ 10.321,79 (21.603,76 11.281,97). Logo, o valor pago a título de CSLL acima de R$ 10.321,79 deve ser considerado pagamento a maior, passível de restituição/compensação. 14. Partese então para verificação dos pagamentos recolhidos sob a rubrica de CSLL. De acordo com o sistema Sief, fl. 120, foram recolhidos, para o 4° Trimestre/1999, R$ 15.481,55, conforme tabela 03 abaixo. Assim, como o valor total de CSLL recolhido para esse período foi de R$ 15.481,55, verificase que R$ 5.159,76 (15.481,5510.321,79) foram recolhidos a maior, e que esse é o valor que a contribuinte tem como direito creditório de pagamento indevido ou a maior de CSLL. Pagamento Código Receita Período de Apuração Vencimento Data de Arrecadação Valor (reais) 01 2484 10/1999 29/10/1999 29/10/1999 411,16 02 2484 10/1999 29/10/1999 29/10/1999 250,31 03 2484 11/1999 30/12/1999 30/12/1999 5.681,21 04 2484 11/1999 30/12/1999 30/12/1999 1.648,47 05 2484 11/1999 30/12/1999 30/12/1999 847,26 06 2484 12/1999 31/01/2000 31/01/2000 5.816,20 07 2484 12/1999 31/01/2000 31/01/2000 1.674,20 15.481,55 TABELA 03 15. Ainda de acordo com o sistema Sief, dos sete pagamentos listados em tabela 03 acima, cinco pagamentos, números 03, 04, 05, 06 e 07, foram utilizados em DCOMPs, conforme tabela 04 abaixo. Em consulta ao sistema Sief, verificouse que o pagamento de número 04, no valor de R$ 1.648,47, já foi totalmente utilizado em compensação, conforme tela de fl.117. Como o crédito a que a contribuinte tem direito é no valor de R$ 5.159,76, resta um saldo credor de R$ 3.511,29. Pagamento Período de Apuração Data de Arrecadação Valor (reais) DCOMP Processo 03 11/1999 30/12/1999 5.681,21 03551.71916.181104.1.3.047449 10166.902486/200849 04 11/1999 30/12/1999 1.648,47 17226.91720.181104.1.3.046478 10166.902505/200837 05 11/1999 30/12/1999 847,26 35300.05293.181104.1.3.043098 10166.902478/200801 06 12/1999 31/01/2000 5.816,20 10902.30899.181104.1.3.040625 10166.902462/200890 07 12/1999 31/01/2000 1.674,20 06546.22682.181104.1.3.049008 10166.902492/200804 TABELA 04 16 Esse saldo credor, no valor de R$ 3.511,29, será vinculado à DCOMP 03551.71916.181104.1.3.047449, referente ao pagamento de n. 03, cujo valor é de R$ 5.681,21. Logo, essa DCOMP possui um crédito parcial de R$ 3.511,29 e as demais DCOMPs, referentes aos pagamentos de n° 05, 06 e 07, não possuem crédito passível de compensação. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10166.902462/200890 Acórdão n.º 1201001.961 S1C2T1 Fl. 4 5 17. Pelo exposto, em razão do direito creditório de pagamento a maior de CSLL, apurado para o 4° Trimestre/1999, no valor de R$ 5.159,76, ter sido totalmente utilizado em DCOMP de n° 03551.71916.181104.1.3.047449 e em DCOMP de n. 17226.91720.181104.1.3.046478, resta comprovada a inexistência de saldo credor referente ao pagamento de R$ 5.816,20 (data de arrecadação 31/01/2000), DCOMP 10902.30899.181104.1.3.040625, que é o objeto de análise deste processo de compensação. A autoridade fiscal demonstrou que realmente o alegado direito creditório não procede. Isso porque o crédito que a contribuinte possui já foi alocado para outras compensações, não possuindo saldo suficiente para liquidar o débito ora exigido. E da leitura do relatório da diligência, percebese que o fisco de fato procedeu com uma apuração rigorosa e explicou no detalhe os motivos quanto à insuficiência do crédito. Considerou corretamente os valores declarados em DCTF (instrumento de confissão de dívida) e, a partir daí, evidenciou todo o "passo a passo" dos créditos e débitos compensados, indicando as respectivas fontes de análise. Já a contribuinte, no seu recurso voluntário, faz menção apenas a alguns argumentos genéricos, sem identificar precisamente sua vinculação direta com a metodologia que foi adotada e sem explicar as razões concretas de onde e como o fiscal teria se equivocado. Alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis e idôneos acerca de sua natureza e efetiva origem, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Conforme restou sedimentado no STJ: "allegare nihil et allegatum non probare paria sunt nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais" ou, ainda, "alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada". Em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, planilhas demonstrativas ou qualquer outro documento pertinente a fazer prova efetiva do crédito que pleiteia. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo, admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, o que não ocorreu. “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Fl. 163DF CARF MF 6 Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). À falta, então, da demonstração cabal e comprovação do crédito informado na DCOMP analisada, o direito alegado milita contra a Recorrente. Nesse sentido, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 164DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.900426/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/08/2002
COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
Numero da decisão: 3201-003.277
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/08/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 04 26 /2 01 1- 15 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10830.900426/201115 Acórdão n.º 3201003.277 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou o seguinte: a) promovera medida judicial e obtivera provimento para o fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigasse a recolher a contribuição (PIS/Cofins) a partir da base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98, no período sob comento, tendolhe sido autorizada a compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor; b) referida decisão judicial veio a ser objeto de recurso de apelação da Fazenda Nacional, o qual foi recebido simplesmente em seu efeito devolutivo; c) a própria PGFN já emitiu orientação para que tal matéria, uma vez submetida ao Poder Judiciário, não fosse mais objeto de contestação/recurso; d) a compensação declarada encontravase amparada em decisão judicial, em conformidade com o art. 170A do Código Tributário Nacional, e, tendo o recurso de apelação interposto pela PGFN sido recebido tão somente no efeito devolutivo, não havia que se falar em trânsito em julgado da decisão, a qual desde o seu nascimento gozava de liquidez e certeza quanto à forma; e) os valores objeto da compensação declarada são de fácil confirmação por parte da Secretaria da Receita Federal, uma vez que inúmeras informações constantes das DIPJs do período informam o montante das receitas operacionais sobre as quais o Contribuinte ou suas incorporadas recolheram indevidamente a título de PIS/COFINS; f) ao confeccionar a PERD/COMP para a devida compensação, deixara de mencionar referida informação, não sendo possível mais retificar a declaração pelo fato de que, quando se insere a informação de que o crédito é decorrente de ação judicial, o sistema entende que o tipo de crédito informado na PERD/COMP retificadora é diferente do tipo de crédito informado na PERD/COMP original, tratandose, portanto, de mero erro de fato. Nos termos do Acórdão nº 05039.387, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão sob o argumento de que a compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença, sem o que se rejeita a extinção de débitos por essa via. Além disso, a Delegacia de Julgamento consignou que o reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ele ser restituído ou utilizado em compensação. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário com os mesmos argumentos de defesa apresentados, aduzindo que a compensação realizada ocorrera em estrita conformidade com a decisão judicial proferida a seu favor. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10830.900426/201115 Acórdão n.º 3201003.277 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.276, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903744/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.276): Como se verifica pelo relato dos fatos, a Recorrente promoveu a compensação de débitos tributários utilizandose de crédito alegadamente decorrente do recolhimento indevido da COFINS nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (alargamento de base de cálculo). Ocorre que, tal compensação, ocorreu antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito de crédito do contribuinte, ou seja, em desconformidade com o art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Nesse aspecto, pontua o acórdão da DRJ: Não obstante, ao contrário do que pretende a contribuinte, tal decisão não lhe garante o direito à compensação administrativa do crédito que entende possuir. Em certo momento de sua manifestação, a contribuinte alega que a decisão judicial teria reconhecido o seu direito à compensação. No entanto, a própria sentença de primeiro grau que reconheceu a inconstitucionalidade condicionou a compensação ao trânsito em julgado. É o que se constata pelos termos da sentença conforme consta do sítio do Tribunal: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, extinguindo o feito com exame de mérito, nos termos do art. 269, I, CPC, para o fim de: a) declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a impetrante a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, devendo, para tais períodos serem observadas as LC 7/70 e 70/91; b) reconhecer o direito líquido e certo da impetrante em compensarse dos indébitos tributários, após o trânsito em julgado, em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, nos períodos supra, com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da fundamentação retro. Outrossim, declaro o direito da impetrante em corrigir monetariamente seus créditos, pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor, relativamente Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.900426/201115 Acórdão n.º 3201003.277 S3C2T1 Fl. 5 4 aos períodos supra. Deverá a impetrante, nos termos do 1º, do artigo 74, da Lei nº 9430/96, quando do procedimento da compensação, efetuar a entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Custas na forma da lei, sem honorários de advogado (Súmula nº 105, STJ). Sentença sujeita ao reexame necessário. Comuniquese ao eminente relator do agravo noticiado nos autos a prolação da presente sentença, para as providências cabíveis. (destaque acrescentado) Com efeito, em que pese a sabida declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, é certo que, na hipótese do contribuinte, detentor de ação judicial, se fazia imprescindível, no momento da transmissão das Declarações de Compensação, o trânsito em julgado da decisão judicial. Desse modo, correto o entendimento da DRJ ao indeferir a compensação nos termos do art. 170A do CTN. Não obstante, há um segundo aspecto a ser considerado na hipótese dos autos. Ainda que ultrapassada a questão instrumental, a Recorrente não logrou demonstrar que os créditos que pretende restituir correspondem, efetivamente, à diferença da COFINS recolhida indevidamente em razão do alargamento da sua base de cálculo: É como assinala o Acórdão da DRJ: Noutra vertente, o crédito também não resta demonstrado, de vez que a contribuinte não consegue evidenciar que, no documento de arrecadação indicado na Declaração de Compensação, haveria alguma parcela indevida e, portanto, haveria crédito passível de utilização. Efetivamente, ainda que se admita a existência de um crédito decorrente de inconstitucionalidade no normativo que presidiu o recolhimento, é imprescindível que a contribuinte comprove a existência e o montante do crédito que reivindica. No caso, a inconstitucionalidade atingiu apenas uma parte do tributo que seria exigível, pelo que a demonstração do montante do crédito reivindicado assume contornos mais importantes. Nesse sentido, não cabe aqui a tentativa da manifestante no sentido de atribuir à Administração Tributária a responsabilidade pela apuração de seu crédito a partir das declarações que teria apresentado. Esta é uma incumbência da contribuinte, proponente original da extinção de débitos pela via da compensação. Nesse sentido, o Tribunal ao reformar parcialmente o provimento de primeira instância no que se refere ao direito à compensação, em decisão dada em 23/07/2012, é explícito ao atribuir à contribuinte o dever de comprovar seu crédito: Por fim, observo, in casu, não merecer acolhida a pretensão formulada pela Impetrante, no sentido de reconhecerse o direito à compensação das parcelas do PIS e da COFINS exigidas com base no art. 3º, § 1º da Lei n. 9718/98, à vista da ausência de documentos que comprovem o efetivo recolhimento do aludido tributo, razão pela qual a sentença deve ser reformada nesse ponto. (destaque acrescentado) Assim, o próprio Poder Judiciário, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, em benefício da contribuinte, não corroborou o pleito de autorização à compensação Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.900426/201115 Acórdão n.º 3201003.277 S3C2T1 Fl. 6 5 pela inexistência de provas do crédito. Tal prova não foi trazida a este processo administrativo pelo que, igualmente, é de ser negada a compensação por falta da prova da materialidade do crédito utilizado. Acrescento que, nesse aspecto, o Recurso Voluntário do Contribuinte restou silente. Seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixou de comprovar a materialidade do crédito que pretende ver reconhecido. Com efeito, ainda que tenha ocorrido o reconhecimento judicial do direito ao crédito, o valor a ser ressarcido deverá necessariamente ser liquidado, ou nos autos da ação judicial, ou por via administrativa. Nesta via, por meio do procedimento próprio de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial, cuja existência não foi sequer noticiada nos autos. Por todo o exposto, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido em sua integralidade, votando por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.721908/2011-08
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL - DEDUTIBILIDADE
Pode ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2001-000.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter apenas a glosa de R$6.000,00 (seis mil reais), conforme indicado no voto, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL - DEDUTIBILIDADE Pode ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter apenas a glosa de R$6.000,00 (seis mil reais), conforme indicado no voto, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL DEDUTIBILIDADE Pode ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter apenas a glosa de R$6.000,00 (seis mil reais), conforme indicado no voto, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 19 08 /2 01 1- 08 Fl. 108DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: Exercício: 2009 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL DEDUTIBILIDADE Somente poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO A validade da dedução de despesas médicas, quando impugnadas pelo Fisco, depende da comprovação do efetivo pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do acórdão de impugnação destacamos as seguintes passagens: Sobre a dedutibilidade de pensão alimentícia judicial, determina o artigo 78, do Decreto nº 3.000/99: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II) O contribuinte apresenta cópia de escritura pública de reconhecimento de paternidade que não é documento hábil para o fim a que se propõe, além de não estabelecer valores para eventual pensão alimentícia. Neste caso, apesar de intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas, o contribuinte não demonstra interesse em demonstralo. Destaquese o fato de que as despesas têm valores elevados, como R$10.000,00 e R$14.000,00, não sendo usual, a não ser que haja uma necessidade casuística, que se transporte valores em dinheiro, até mesmo por segurança. Assim, entendo que o contribuinte não logrou comprovar o efetivo pagamento dos valores pleiteados. Notificação de lançamento indicou a falta de comprovação do pagamento. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10725.721908/201108 Acórdão n.º 2001000.157 S2C0T1 Fl. 3 3 Destacamos abaixo algumas passagens do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, onde se alega que os pagamentos foram realizados, e que não há indicação no lançamento de elementos de irregularidades neles. Fl. 110DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, nos recibos médicos e na declaração de recebimento da pensão judicial, os documentos apresentados são suficientes, em nosso entendimento, para a comprovação do pagamento. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10725.721908/201108 Acórdão n.º 2001000.157 S2C0T1 Fl. 4 5 Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; Fl. 112DF CARF MF 6 IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Para a despesa de médica de R$ 6.000,00, item 6 do recurso voluntário, não há nos autos documentos de comprovação. Assim mantémse a glosa desta dedução. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10725.721908/201108 Acórdão n.º 2001000.157 S2C0T1 Fl. 5 7 Na ausência de fundamentação plausível para a recusa dos documentos usuais de comprovação é indevida a glosa das demais despesas médicas. Examinando as provas apresentadas, entendemos que a pensão alimentícia judicial encontrase comprovada. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo a glosa de R$ 6.000,00 conforme indicado no voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16062.720140/2015-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012, 2014, 2015
ADMINISTRADOR. INFRAÇÃO A LEI. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias somente se resultantes de atos praticados com dolo, excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, III, CTN); se não demonstrado o intuito doloso do presidente da entidade, este deve ser excluído do pólo passivo.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2011, 2012, 2014, 2015
INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. EXCEÇÃO.
Deve-se não conhecer das matérias em sede recursal, fundamentadas em teses totalmente distintas daquelas apresentadas na defesa em vista da flagrante violação ao princípio da dialeticidade e supressão de instância, restando inviável o conhecimento dessas matérias, exceção àquelas matérias de ordem pública.
Numero da decisão: 1201-002.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, e dar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário Sr.Paulo José Leme de Barros.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012, 2014, 2015 ADMINISTRADOR. INFRAÇÃO A LEI. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias somente se resultantes de atos praticados com dolo, excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, III, CTN); se não demonstrado o intuito doloso do presidente da entidade, este deve ser excluído do pólo passivo. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2011, 2012, 2014, 2015 INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. EXCEÇÃO. Deve-se não conhecer das matérias em sede recursal, fundamentadas em teses totalmente distintas daquelas apresentadas na defesa em vista da flagrante violação ao princípio da dialeticidade e supressão de instância, restando inviável o conhecimento dessas matérias, exceção àquelas matérias de ordem pública.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, e dar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário Sr.Paulo José Leme de Barros. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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INFRAÇÃO A LEI. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias somente se resultantes de atos praticados com dolo, excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, III, CTN); se não demonstrado o intuito doloso do presidente da entidade, este deve ser excluído do pólo passivo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2011, 2012, 2014, 2015 INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. EXCEÇÃO. Devese não conhecer das matérias em sede recursal, fundamentadas em teses totalmente distintas daquelas apresentadas na defesa em vista da flagrante violação ao princípio da dialeticidade e supressão de instância, restando inviável o conhecimento dessas matérias, exceção àquelas matérias de ordem pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, e dar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário Sr.Paulo José Leme de Barros. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 06 2. 72 01 40 /2 01 5- 06 Fl. 693DF CARF MF Processo nº 16062.720140/201506 Acórdão n.º 1201002.103 S1C2T1 Fl. 3 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o processo de autos de infração, págs. 2/13, que exigem multas isoladas por falta de pagamento de estimativas mensais de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no total de R$17.147.672,45, referentes aos anos de 2011, 2012, 2014 e 2015; o percentual aplicado foi de 50%, com base na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art.44, II, b, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 2. Foi responsabilizado solidariamente, Paulo José Leme de Barros, CPF nº 111.636.93898, com base no art. 135, III do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, porque: agiu em desacordo com o estatuto da UNIMED PAULISTANA, e em relação a Lei nº 9.430/96, art. 2º. 3. Foram cientificados o contribuinte e o responsável solidário. 4. O contribuinte interpôs impugnação com argumentos contra a autuação, bem como contra a responsabilização solidária de Paulo José Leme de Barros; a impugnação foi objeto do Acórdão nº 1673.570, da DRJ em São Paulo/SP, págs. 592/605, que a considerou improcedente: MULTA ISOLADA. Nos casos de lançamento de oficio será aplicada multa de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre os valores dos pagamentos mensais da CSLL e do IRPJ por estimativa, os quais deixarem de ser efetuados, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido. 1.1.1 Recurso Voluntário. Paulo José Leme de Barros 5. O responsável solidário Paulo José Leme de Barros foi cientificado do Acórdão DRJ/SPO, em 22/07/216, págs. 610 e 617, e apresentou Recurso Voluntário tempestivo em 24/08/2016, págs. 627/642. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 16062.720140/201506 Acórdão n.º 1201002.103 S1C2T1 Fl. 4 3 6. Afirma que nunca foi responsável tributário da Unimed Paulistana; exerceu o cargo de DiretorPresidente até 28/03/2015, quando foi eleito o sr. Marcelo Nunes, sob cuja Presidência a Agência Nacional de Saúde Complementar – ANS, decretou a liquidação extra judicial da operadora, tendo sido nomeado liquidante da autuada o sr. Fabiano Fabri Bayarri; por isso, requer ser excluído do pólo passivo e que o assunto seja tratado com o liquidante ExtraJudicial nomeado. 7. Reitera argumento da impugnação de que não pode prosperar sua responsabilização tributária, dado que não praticou qualquer excesso ou infração à lei ou ato elencado no art. 135, III do CTN. 8. Afirma ser inaceitável que a Fazenda Pública confirme no Acórdão recorrido que o mero descumprimento da obrigação tributária pela pessoa jurídica permitiria a responsabilização de gerentes, diretores, etc, como no caso. 9. Invoca jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – SRJ e a Súmula 430. 10. E como sequer era Presidente quando da decretação da liquidação extrajudicial, requer sua exclusão. 1.1.2 Recurso Voluntário. Unimed Paulistana. 11. A autuada também foi cientificada por meio do sr. Fabiano Fabri Bayarri, liquidante da autuada, em liquidação extrajudicial, págs. 621 e 624, em 02/08/2016 (por via eletrônica), e apresentou Recurso Voluntário tempestivo em 01/09/2016. 12. Descreve que a Unimed Paulistana teve decretada a liquidação extrajudicial; que foi nomeado o sr. Fabiano Fabri Bayarri como liquidante, sendo suas atribuições equiparadas às de síndico de massa falida. 13. Protesta contra a aplicação das multas isoladas: 16 Contudo, consoante é cediço, nõo é possível a cumulação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício a ser imposta em decorrência do não recolhimento do valor referente ao pagamento mensal do IRPJ e da CSLL por estimativa dos anos de 2011, 2012, 2014 e 2015. uma vez que a base de cálculo das multas isoladas está inserida na base de cálculo das multas de ofício. 17 Por esta razão, sob pena de configuração de um "bis in idem", não se mostra exigível a multa isolada em razão da falta de pagamento dos pagamentos mensais da CSLL e do IRPJ por estimativa referente aos anos de 2011. 2012, 2014 e 2015. Vejamos: 18 Citese, neste sentido, o disposto na Súmula n°. 105 do CARF. (...) 14. Também acusa inconstitucionalidade da multa, dada sua natureza confiscatória, porque a legislação tributária não pode exigir prestações pecuniárias de valor excessivo que Fl. 695DF CARF MF Processo nº 16062.720140/201506 Acórdão n.º 1201002.103 S1C2T1 Fl. 5 4 comprometam, ou, até mesmo, aniquilem o patrimônio dos contribuintes, afrontando a CF, art. 5º, LIV; e que a mesma CF, art. 150, inciso IV, impõe vedação; cita jurisprudência: Ementa: “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. PRECEDENTES, de que “1. O princípio da vedação do confisco, previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, também se aplica às multas.” 15. Relata que o art. 2° da Lei n°. 9.430, de 1996, determina que pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação dos percentuais de que trata o artigo 15 da Lei nº. 9.249, de 1995, sobre a receita bruta definida pelo artigo 12 do Decreto lei n°. 1.598, de 1977; que, conforme o art. 15 da Lei n°. 9.249, de 1995, base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta auferida mensalmente, dado que em consequência de o objeto social da “Unimed Paulistana” ser, nos termos de seu estatuto social (fls. 261/290), na prestação de serviços médicohospitalares, não há que se aludir, neste caso específico, sobre a incidência da alíquota de 32%, haja vista a ressalva contida no artigo 15, parágrafo 1°, inciso III, alínea “a” da Lei n°. 9.249, de 1995. 16. E destaca que, se a “Unimed Paulistana”, houvesse recolhido o crédito tributário decorrente da incidência do IRPJ e da CSLL estaria sujeita a incidência de uma alíquota entre 8% sobre a receita bruta auferida mensalmente; mas, senão, então, estaria submetida à imposição da multa isolada no valor de 50% do valor do imposto devido, o que evidencia a desproporção entre o desrespeito à norma tributária e sua consequência jurídica, a multa, evidencia o caráter confiscatório desta penalidade. 17. Pugna pela inexigibilidade do crédito decorrente da imposição de multa em razão dos efeitos da liquidação extrajudicial, porque, a decretação da liquidação extrajudicial da “Unimed Paulistana” (DOC. n°. 01) produzirá, de imediato, a não reclamação de penas pecuniárias por infração de leis penais ou administrativas, nos termos do art. 18, “f”, da Lei n°. 6.024, de 1974, incidente sobre as operadoras de planos de saúde por força do art. 24D da Lei n°. 9.656, de 1998. Art. 18. A decretação da liquidação extrajudicial produzirá, de imediato, os seguintes efeitos: ... d) não fluência de juros, mesmo que estipulados, contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo; ... f) não reclamação de correção monetária de quaisquer divisas passivas, nem de penas pecuniárias por infração de leis penais ou administrativas. Art. 24D. Aplicase à liquidação extrajudicial das operadoras de planos privados de assistência à saúde e ao disposto nos arts. 24A e 35I, no que couber com os preceitos desta Lei, o disposto na Lei no 6.024, de 13 de março de 1974, no DecretoLei no 7.661, de 21 de junho de 1945, no DecretoLei no 41, de 18 de Fl. 696DF CARF MF Processo nº 16062.720140/201506 Acórdão n.º 1201002.103 S1C2T1 Fl. 6 5 novembro de 1966, e no DecretoLei no 73, de 21 de novembro de 1966, conforme o que dispuser a ANS. 18. Também pela não incidência de juros e correção monetária, à vista da decretação da liquidação extrajudicial, nos termos do art. 18, “c”, “d” e “f”, da Lei n°. 6.024, de 1974, incidente sobre as operadoras de planos de saúde por força do artigo 24D da Lei n°. 9.656, de 1998. 19. Conclui que, crédito eventualmente titularizado pela União (Fazenda Nacional) deverá ser habilitado no procedimento da liquidação extrajudicial da “Unimed Paulistana”, conforme a ordem estabelecida no art. 187, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 20. Os argumentos apresentados na impugnação foram, em síntese: a. descaber a responsabilização solidária do sr. Paulo José Leme de Barros porque a autuada deixou de recolher impostos; e que este não praticou atos que o enquadrem no art. 135, III, do CTN, atos que o autuante não descreveu; b. que as multas isoladas dos meses 04/2014 e 01/2015 são indevidas, porque retificou as Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e estes débitos foram extintos mediante encontro de contas; c. as multas isoladas de 03/2011 a 03/2012 são indevidas porque não foram apurados impostos a pagar nesses meses, porque os valores que o fisco considerou não recolhidos correspondem a devoluções, vendas canceladas e descontos incondicionais e que o fisco tampouco deduziu incentivos fiscais, imposto pago ou retido na fonte, e que apresentará documentação a respeito; d. por isso, requer a conversão do julgamento em diligência, em caso contrário, será configurado cerceamento de defesa. 21. A DRJ/SPO considerou a impugnação improcedente, dada a ausência de documentos que comprovassem as alegações e negou a diligência; e manteve a responsabilização tributária do sr. Paulo José Lemes de Barros, por ser sócio da pessoa jurídica 22. No recurso voluntário, o contribuinte não contesta argumentos apresentados na impugnação e julgados pela DRJ/SPO, mas apresenta novos argumentos, anteriormente não apresentados: a. Ilegalidade da cumulação de multa isolada com multa de ofício, e invoca a Súmula nº 105; b. Que a multa de 50% é confiscatória e fere a constituição; c. Que uma vez estando em liquidação extrajudicial, não lhe são exigíveis multas, nem juros, nem correção monetária; Fl. 697DF CARF MF Processo nº 16062.720140/201506 Acórdão n.º 1201002.103 S1C2T1 Fl. 7 6 d. Orienta a RFB que, se mantido o crédito, este deve ser habilitado no concurso dos credores. 23. Citese jurisprudência do CARF: Data da Sessão: 08/08/2017 Nº Acórdão 9101003.003 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL.Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Grifouse.) Data da Sessão 04/07/2017 Nº Acórdão 2401004.928 Ementa(s) INOVAÇÃO RECURSAL. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na manifestação de inconformidade.(...) (Grifouse.) Acórdão nº 3301002.475– CARF 3ª Câmara 1ª Turma Ordinária Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (Grifouse.) 24. Como relatado a Recorrente inova na fase recursal ao apresentar teses não levadas a julgamento de primeiro grau. 25. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal, Decreto nº 72.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 16062.720140/201506 Acórdão n.º 1201002.103 S1C2T1 Fl. 8 7 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 26. O litígio se inicia com a apresentação impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que os argumentos submetidos à primeira instância determinam os limites do litígio. 27. Descabe conhecer, em sede de recurso contra decisão de primeira instância, de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância. 28. Citese porém o seguintes Acórdão do CARF: Data da Sessão 04/07/2017 Nº Acórdão 2201003.720 INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. EXCEÇÃO. Não se conhece das matérias em sede recursal, fundamentadas em teses totalmente distintas daquelas apresentadas na defesa em vista da flagrante violação ao princípio da dialeticidade e supressão de instância, restando inviável o conhecimento dessas matérias. Exceção àquelas matérias de ordem pública. (Grifouse.) Data da Sessão 24/01/2017 Nº Acórdão 9303004.575 Ementa(s) INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.Nos termos dos artigos 16, inciso III, e 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em Impugnação desenvolver todos os fundamentos fático jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria.Recurso Especial do Procurador Provido e Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. (Grifouse.) 29. Tratandose de questão de ordem pública, é passível de conhecimento de ofício. 30. Podese entender que a obediência à Súmula nº 105 do CARF, tratase de matéria que deva ser conhecida de ofício, mesmo em vista da preclusão discutida: Fl. 699DF CARF MF Processo nº 16062.720140/201506 Acórdão n.º 1201002.103 S1C2T1 Fl. 9 8 Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. 31. Porém, não é o caso de se aplicála, dado que os fatos geradores são posteriores à alteração do art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430, de 1996, que determinava a aplicação de multa isolada de 75%, pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, que determinou a aplicação da multa isolada no percentual de 50% e que é a base legal das multas isoladas aplicadas nesta autuação: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. 32. Portanto, não se subsome à citada Súmula. 33. No que tange à inexigibilidade de multa, juros e correção monetária de empresa em liquidação extrajudicial, cabe acatar os argumentos do Acórdão a seguir: "Data da Sessão 22/11/2016 Nº Acórdão 9101002.484 Ementa(s) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 MULTA DE OFÍCIO — PESSOA JURÍDICA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL.A multa de ofício cujo fato gerador ocorreu posteriormente à decretação da liquidação extrajudicial continua exigível em face da referida instituição financeira, por se tratar em verdade de encargo da massa, nos termos do art. 124, do Decretolei nº 7.661/1945, sendo, portanto, inaplicável nesta hipótese o disposto no art. 18, alínea “f”, da Lei nº 6.024/74 (Parecer PGFN/CDA nº 2.281/2006). Além disso, a questão da reclamação de multa das empresas em processo de liquidação extrajudicial diz respeito à fase de execução, onde se examinará o concurso de créditos, não cabendo ao julgador declarála previamente indevida quando configurados os pressupostos legais para sua imposição. (Grifouse) (..) Fl. 700DF CARF MF Processo nº 16062.720140/201506 Acórdão n.º 1201002.103 S1C2T1 Fl. 10 9 Vale transcrever parte do conteúdo do Parecer PGFN/CDA n° 2.281/2006: "PARECER PGFN/CDA N° 2281/2006 Instituição Financeira. Liquidação Extrajudicial. Débitos inscritos em Dívida Ativa da União de responsabilidade de massas liquidandas. Da inexigibilidade da cobrança de multa de oficio de natureza tributária após a decretação de liquidação extrajudicial de instituição financeira. Do artigo 18, alínea "f", da Lei n° 6.024/74. Da extensão do entendimento firmado no Parecer PGFN/CDA n° 181/2006. 1. A Procuradoria da Fazenda Nacional no Paraná, por meio do Memorando n° 180/2005, datado de 04 de março de 2005, submete à apreciação desta CoordenaçãoGeral da Dívida Ativa da União parecer formulado em face de requerimento protocolado junto à referida Unidade da PGFN pelo Banco Bamerindus do Brasil S/A em liquidação extrajudicial, propondo a quitação de seus débitos inscritos em Dívida Ativa da União, desde que excluídos a multa e os juros devidos após a decretação de sua quebra pelo Banco Central do Brasil BACEN. 2. Em resposta ao referido expediente, foi editado o Parecer PGFN/CDA n° 181, datado de 31 de janeiro de 2006, por meio do qual se firmou entendimento no âmbito desta PGFN, em especial, quanto à inexigibilidade da multa fiscal moratória após a decretação de liquidação extrajudicial de instituição financeira, em razão da determinação contida no artigo 18, alínea T, da Lei n° 6.024/74, cuja ementa se reproduz a seguir: "Instituição Financeira. Liquidação Extrajudicial. Débitos inscritos em Dívida Ativa da União de responsabilidade de massas liquidandas. Do artigo 18, "d" e "f" da Lei n° 6.024/74. Ato Declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional n° 15/2002. Extensão de efeitos às liquidações extrajudiciais. Inexigibilidade da cobrança de multa fiscal moratória. Juros de mora. Impossibilidade da cobrança após a decretação da intervenção. Correção monetária. índices aplicáveis. Encargo legal. Manutenção da cobrança. Da revisão de manifestações anteriores no âmbito da PGFN." 3. Considerando que a multa de ofício de natureza tributária consiste em penalidade de natureza administrativa (artigo 18, alínea "f", da Lei n° 6.024/74), a exemplo da multa fiscal moratória, os fundamentos adotados no Parecer PGFN/CDA n° 181/2006, que reproduz o parecer elaborado pela Procuradoria da Fazenda Nacional no Paraná, se aplicam inteiramente ao caso em análise. 4. Por esta razão e a fim de evitar repetições desnecessárias, reproduzse em parte o referido parecer (relatório e fundamentação), que passa a integrar o presente expediente, no Fl. 701DF CARF MF Processo nº 16062.720140/201506 Acórdão n.º 1201002.103 S1C2T1 Fl. 11 10 tocante às orientações nele consignadas, quanto à multa de ofício de natureza tributária, in verbis: [...] 5. Sopesando os argumentos colacionados no r. parecer, acrescentase ainda o seguinte: 5.1. No tocante às multas de ofício de natureza tributária, exigidas em face das entidades em liquidação extrajudicial, é importante registrar que: Primeiro, as alterações introduzidas pela Nova Lei de Falências (Lei n° 11.101, de 09 de fevereiro de 2005), em especial, quanto à exigibilidade das multas tributárias em face da massa falida (artigo 83, inciso VII, da Lei n° 11.101/2005), não se aplicam in casu aos entes sujeitos à liquidação extrajudicial, que continuam, por força do artigo 2o, inciso II, do referido diploma legal, sujeitas ao disposto na Lei n° 6.024/74, com destaque para o contido em seu artigo 18, alínea "f", que continua plenamente vigente. Segundo, em se tratando de multa de ofício, cujo fato gerador ocorreu posteriormente à decretação da liquidação extrajudicial, continuará exigível em face da referida instituição financeira, por se tratar em verdade de encargo da massa, nos termos do art. 124, do Decretolei n° 7.661/1945, sendo, portanto, inaplicável nesta hipótese o disposto no art. 18. alínea "f", da Lei n° 6.024/74. Terceiro, em caso de fraude (artigos 39 a 49, da Lei n° 6.024/74) envolvendo entes sob o regime da liquidação extrajudicial, deverão ser mantidos na correspondente certidão da dívida ativa os encargos multa fiscal moratória, multa de ofício, juros após a quebra e encargo legal incidente sobre estas dada a possibilidade de responsabilização de eventuais coresponsáveis pelo pagamento de tais verbas. [...] 6. Desta forma, em revisão a entendimento anteriormente firmado no âmbito desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e acolhendo a argumentação colacionada no parecer elaborado pela Procuradoria da Fazenda Nacional no Paraná, reproduzido no Parecer PGFN/CDA n° 181/2006, propõese no tocante aos débitos tributários inscritos em Dívida Ativa da União de entidades em liquidação extrajudicial (artigo 1o, da Lei n° 6.024/74) o seguinte: > Em face da instituição financeira, sejam consideradas inexigíveis as multas de ofício de natureza tributária, cujos fatos geradores tenham ocorrido anteriormente à decretação da liquidação extrajudicial daquela, dado o disposto no artigo 18, T, da Lei n° 6.024/1974; > Em face da instituição financeira, sejam consideradas exigíveis as multas de ofício de natureza tributária (acrescidas dos Fl. 702DF CARF MF Processo nº 16062.720140/201506 Acórdão n.º 1201002.103 S1C2T1 Fl. 12 11 encargos correspondentes), cujos fatos geradores tenham ocorrido após a decretação da liguidação extrajudicial daguela. dado o disposto no artigo 124, do Decretolei n° 7.661/1945 (encargos da massa); > Em face dos coresponsáveis das entidades em liquidação extrajudicial, sejam consideradas exigíveis as multas de ofício de natureza tributária (acrescidas dos encargos correspondentes), na hipótese de fraude (artigo 39 a 49, da Lei n° 6.024/1974). De acordo com o art. 60 da lei 9.430/1996. "as entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo".' A multa de ofício, na situação sob exame, é referente a crédito tributario cujo fato gerador ocorreu posteriormente à decretação da liquidação extrajudicial e, por isso, ela continua exigível em face da referida instituição financeira, por se tratar de encargo da massa, nos termos do art. 124, do Decretolei n° 7.661/1945. Além disso, os argumentos trazidos pela PGFN em seu recurso especial também são procedentes. No caso da liquidação extrajudicial, a intervenção é reversível, de modo que não se deve afastar a incidência da multa de ofício durante a fase administrativa de discussão do crédito tributário. A questão da reclamação de multa das empresas em processo de liquidação extrajudicial diz respeito à fase de execução, onde se examinará o concurso de créditos, não cabendo ao julgador declarála previamente indevida quando configurados os pressupostos legais para sua imposição. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN. para fins de restabelecer as multas de ofício que constam do lançamento objeto do presente processo e do lançamento objeto do processo n° 19740.000028/200613 (que está apensado ao presente). "(Negritouse.) 34. Neste processo, os fatos geradores em relação aos quais se exige multa de ofício isolada são de 2011, 2012, 2014 e 01/2015 e a autuação foi cientificada em 16/06/2015; a decretação da liquidação extra judicial foi em 26/01/2016, determinando o Termo Inicial de Liquidação em 01/02/2016, portanto, tanto os fatos geradores como a constituição das multas são todos anteriores à decretação da liquidação extrajudicial; sendo os fatos geradores anteriores, a teor do Parecer PFN transcrito, seriam inexigíveis as multas de ofício de natureza tributária, o que se aplica às multas de ofício isoladas. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 16062.720140/201506 Acórdão n.º 1201002.103 S1C2T1 Fl. 13 12 35. Porém, cabe adotar a conclusão supracitada (negritada) de que no caso da liquidação extrajudicial, a intervenção é reversível (no caso, tal situação ocorreu, voltando a ser revertida a dada continuidade è liquidação extrajudicial, como descreve a recorrente), de modo que não se deve afastar a incidência da multa de ofício durante a fase administrativa de discussão do crédito tributário; e que a questão da reclamação de multa das empresas em processo de liquidação extrajudicial diz respeito à fase de execução, onde se examinará o concurso de créditos, não cabendo ao julgador declarála previamente indevida quando configurados os pressupostos legais para sua imposição. 36. Quanto aos juros, em liquidação judicial, a jurisprudência do CARF, com a qual se concorda, tem sido conforme transcrito a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 01/07/1999 FNDE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. PEDIDO DE EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. RECONHECIMENTO POR PARTE DO RECORRENTE APENAS DO PRINCIPAL DA DÍVIDA. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA E JUROS. HABILITAÇAO DO CRÉDITO FISCAL NO CONCURSO DE CREDORES DA FALÊNCIA. DESNECESSIDADE O FISCO DISPÕE DA AÇÃO EXECUTIVA. Recurso Voluntário Negado. Acórdão: 2202002.958 Data de Publicação: 13/03/2015 Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2000 Ementa: LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL — ACRÉSCIMOS LEGAIS A decretação da liquidação extrajudicial de instituição financeira não exclui, do lançamento de oficio, a imposição de multa e juros, cujas exigências devem ser examinadas na fase de execução. Recurso Voluntário Negado 37. Concluise que descabe a análise das matérias que constituíram inovação em relação à impugnação apresentada, dado que nenhuma delas se afigura como matéria de ordem pública a demandar conhecimento e decisão de ofício do julgador. 2 Responsabilidade Solidária 38. O recurso voluntário de Paulo José Lemes de Barros reitera os argumentos da impugnação. 39. Consta do auto de infração, a seguinte explicação: Portanto uma vez que agiu em desacordo com o estatuto da UNIMED PAULISTANA, e em relação a Lei 9.403/96, Art.2o, fica pessoalmente responsabilizado o presidente da UNIMED PAULISTANA, Paulo José Leme de Barros, CPF: 111.636.938 98, nos termos do CTN, Art.135, III; Fl. 704DF CARF MF Processo nº 16062.720140/201506 Acórdão n.º 1201002.103 S1C2T1 Fl. 14 13 40. A afirmativa supra evidencia que o Autuante formalizou a responsabilidade tributária solidária do presidente da empresa, devido à infração da pessoa jurídica de não pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL. 41. Cabe destacar que a própria autuada declarou os débitos de estimativas mensais em DCTF, conforme relatou o Autuante e cópias acostadas às págs. 14/260, portanto as estimativas seguiram para cobrança administrativa. 42. Não há nos autos elementos que venham a caracterizar dolo, infração aos Estatutos e à Lei pelo diretorpresidente da empresa, a justificar a responsabilização com base no art. 135, III do CTN. 43. Citese Superior Tribunal de Justiça STJ, Embargos De Divergência REsp174.532/PR, cujas conclusões se aplicam ao presente caso: EMENTA TRIBUTARIO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE DE SÓCIOGÉRENTE. LIMITES. ART. 135, III, DO CTN. PRECEDENTES. 1. Os bens do sócio de uma pessoa jurídica comercial nào respondem, em caráter solidario, por dividas fiscais assumidas pela sociedade. A responsabilidade tributária imposta por sócio gerente, administrador, diretor ou equivalente só se caracteriza quando há dissolução irregular da sociedade ou se comprova infração à lei praticada pelo dirigente. 1. Em qualquer espécie de sociedade comercial, é o patrimônio social que responde sempre e integralmente pelas dívidas sociais. Os diretores não respondem pessoalmente pelas obrigações contraídas em nome da sociedade, mas respondem para com esta e para com terceiros solidária e ilimitadamente pelo excesso de mandato e pelos atos praticados com violação do estatuto ou lei (art. 158,1 e II, da Lei n° 6.404/76). 2. De acordo com o nosso ordenamento jurídicotributário, os sócios (diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica) são responsáveis, por substituição, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes da prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art.13555, IH; doCTNN. 3 O simples inadimplemento não caracteriza infração legal. Inexistindo prova de que se tenha agido com excesso de poderes, ou infração de contrato social ou estatutos, não há falarse em responsabilidade tributária do exsócio a esse título ou a título de infração legal. Inexistência de responsabilidade tributária do exsócio. 4> Precedentes desta Corte Superior. 5> Embargos de Divergência rejeitados. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 16062.720140/201506 Acórdão n.º 1201002.103 S1C2T1 Fl. 15 14 44. E finalmente, citese a Súmula 430/STJ 11/07/2017. Tributário. Execução fiscal. Sociedade. Sóciogerente. Responsabilidade solidária. Solidariedade. CTN, art. 135, III. Lei 6.830/80. «O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente.» 3 Conclusão. Voto por NEGAR provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO da autuada e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO do Responsável Solidário Paulo José Leme de Barros, CPF nº 111.636.93898. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 706DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.954388/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/09/2000
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.154
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/09/2000 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 43 88 /2 00 8- 11 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.954388/200811 Acórdão n.º 3401004.154 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório Tratase de declaração de compensação apresentada em meio eletrônico, que restou não homologada face a inexistência de crédito, conforme despacho decisório que integra os autos ora em apreço. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, na qual alegou, em síntese, que: (i) o DARF indicado na DCOMP pela Manifestante como sendo a fonte de seu crédito foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil; (ii) foi identificada também a existência de um pagamento vinculado ao referido DARF; (iii) o crédito utilizado na DCOMP efetivamente existe, tendo sido o Despacho Decisório proferido unicamente em razão de um simples equívoco cometido pela contribuinte, o de se esquecer de retificar a respectiva DCTF no momento em que foi constatado que o pagamento da contribuição havia sido feito a maior; (iv) no caso de não ser acatada a defesa apresentada, prevalecerá o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional em prejuízo de direito liquido e certo da manifestante. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) prolatou o Acórdão DRJ nº 1630.766, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade manejada, de forma a não reconhecer o direito creditório pleiteado. Regularmente notificada desta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.146, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.954389/200866, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Na apreciação de tal processo, o relator (Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) propôs conversão em diligência, rechaçada por todos os demais conselheiros que compõem o colegiado, sendo designado para redigir o voto vencedor em relação à matéria o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira. Vencida a proposta de Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.954388/200811 Acórdão n.º 3401004.154 S3C4T1 Fl. 4 3 diligência, o colegiado, no mérito, foi unânime na negativa de provimento ao recurso voluntário. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.146): "Com as devidas vênias ao entendimento do i. Conselheiro Relator, apresento nas linhas a seguir os motivos pelos quais divergi da proposta de conversão do julgamento em diligência, votando pela apreciação da Recurso Voluntário. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.954388/200811 Acórdão n.º 3401004.154 S3C4T1 Fl. 5 4 destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. Como se verifica pela análise do despacho decisório e da decisão recorrida, o motivo para a não homologação da declaração de compensação foi o equívoco cometido pela Recorrente, de não ter retificado a DCTF referente ao alegado pagamento a maior, qual seja referente ao PIS de Setembro de 2000. Diante disso, as autoridades fiscais constataram uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de PIS naquele período de apuração, não sendo possível a identificação pela Administração Tributária de qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente e ficando claro à Recorrente que tal decisão se deu em razão da ausência de DCTF, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente apenas reitera a afirmação de que teria ocorrido um pagamento a maior e que o excesso em tal pagamento corresponderia ao exato valor objeto da declaração de compensação. Segundo a Recorrente, “foi constatado que o pagamento de PIS realizado em 13/10/2000 havia sido feito a maior, para assim reduzir o valor do débito de PIS relativo ao mês de outubro/2000 de R$ 539.691,85 para R$ 529.519,48, medida essa necessária para evidenciar o direito creditório na importância de R$ 10.172,37”. (fls. 42) Porém, a Recorrente inicia e encerra ali as suas explicações acerca do pagamento a maior que teria realizado. A Recorrente deixa de expor as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida e não apresenta documento algum que Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.954388/200811 Acórdão n.º 3401004.154 S3C4T1 Fl. 6 5 porventura pudesse dar suporte à ocorrência do indébito, como documentos contábeis e notas fiscais, ainda que de modo rudimentar, para indicar um princípio de prova, a ser potencialmente aprofundada em diligência. Nesse cenário, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Ressaltese que esse direito não foi obstado pela ausência de retificação de DCTF, providência que já se afirmou não é entendida por essa Turma como condição para homologação da compensação, mas por carência probatória do direito alegado, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a Recorrente. Ante o exposto, apresento divergência em relação ao Relator, por entender que não é hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória por parte do Recorrente, motivo pelo qual voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo a decisão recorrida e o despacho decisório que não reconheceu a homologação da compensação declarada pela Recorrente. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679813/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1403; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 104 1 103 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.679813/200969 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.325 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de março de 2018 Matéria DCOMP ELETRÔNICO PGIM Recorrente TIM CELULAR S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 13 /2 00 9- 69 Fl. 104DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação formalizada por meio eletrônico e registrada sob o número 07259.24862.180607.1.3.045945, fl. 02 a 04, com a qual o contribuinte extinguiu, nos termos da legislação, débito com a utilização de suposto indébito tributário decorrente de pagamento efetuado a maior ou indevidamente. Tal documento foi analisado pelo Sistema da Controle de Créditos SCC, tendo sido emitido o Despacho Decisório de fl. 05, por meio do qual o Titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo não homologou a compensação declarada, detalhando os motivos que lastrearam tal decisão que, em apertada síntese, seria a inexistência de saldo disponível do suposto pagamento indevido ou a maior, integralmente utilizado para extinguir débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do Despacho Decisório de não homologação em 05/11/2009, fl. 07, não concordando com seus termos, o contribuinte apresentou, em 03/12/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 08 a 22. Os argumentos da defesa foram estruturados nos seguintes tópicos: Preliminar: do efeito suspensivo da presente manifestação de inconformidade; Pleiteia a atribuição de efeito suspensivo nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. da carência de fundamentação do Despacho Decisório. Sustenta a nulidade do Despacho Decisório por entender que a carência de sua motivação ofende aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. Mérito: O mero preenchimento incorreto da declaração não gera direito à crédito em favor da fazenda nacional da necessária observância aos princípios da busca pela verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB. Afirma que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que houve tão somente um erro de preenchimento de declaração. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.679813/200969 Acórdão n.º 2201004.325 S2C2T1 Fl. 105 3 Cita precedentes judiciais e administrativos, além de conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Informa já estar levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF que demonstrará a existência do crédito indicado na DCOMP. Por fim, após ratificar os pedidos de atribuição de efeito suspensivo e de reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório, pugna pela conversão do julgamento em diligência para que seja efetivamente examinada sua escrita fiscal para confirmação do seu direito creditório e a consequente homologação da compensação declarada. Debruçada sobre os termos da manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP consideroua improcedente, nos termos do Acórdão de fl. 43 a 49, cujas conclusões podem ser assim resumidas: (...) Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. (...) A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 03, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. (...) Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. (...) Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP , observase que a contribuinte limitase a declarar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. (...) Alias a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Fl. 106DF CARF MF 4 (...) Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: Cientificado do Acórdão da DRJ em 25/11/2010, conforme AR de fl. 51, e ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 52 a 68, que, em sua essência, reafirma as alegações já produzidas na impugnação, e que serão detalhadas no curso voto abaixo. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. DA CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO Após resumir os fatos, o recorrente contesta a conclusão do Acórdão recorrido de que a motivação do despacho decisório e os demais elementos do mesmo são suficientemente claros. Afirma que tal ato administrativo é absolutamente carente de fundamentação, do que resulta sua nulidade. Alega que, embora o avanço da tecnologia imponha o tratamento de demandas de forma eletrônica, não se pode admitir que sua agilidade viole direitos expressos na Constituição federal, resultando em prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, já que desconhecidas as razões da negativa do crédito pleiteado. Não merecem acolhida as alegações recursais. A análise superficial do Despacho Decisório de fl. 05 não deixa nenhuma dúvida sobre os motivos que levaram à não homologação da compensação declarada. Tal documento indica claramente o número da DCOMP a que se refere, sua data de transmissão, o tipo de crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior), as características do DARF relativo ao suposto recolhimento em excesso, bem assim informa que tal recolhimento teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, indicando código de receita e data do vencimento de tal débito. Diante de tais informações, não há necessidade de nenhuma outra motivação para se concluir pela inexistência de saldo disponível para lastrear a compensação pretendida. Portanto, presentes os elementos necessários ao pleno entendimento das razões que levaram à não homologação da compensação declarada, além de terem sido observados todos os requisitos de validade do ato administrativo, rejeito a preliminar de nulidade arguida. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.679813/200969 Acórdão n.º 2201004.325 S2C2T1 Fl. 106 5 DA VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA ESTRITA LEGALIDADE, DA VERDADE MATERIAL, DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento destas com as informações prestadas via DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos. Afirma que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que não há justificativas válidas para a glosa ora em comento. Aduz que não merece amparo a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do Carf reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte. Cita precedentes administrativos e conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Afirma que a não homologação da compensação ofende ao Principio da Proporcionalidade, que impõe a adequação das medidas restritivas. Destaca que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada. Como é de elementar sabença, no exercício de seu mister, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso ora sob análise, temos que o contribuinte, utilizando de indébito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido, extinguiu débitos de sua responsabilidade, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Fl. 108DF CARF MF 6 § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Dentro do lapso temporal legal, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 05, por identificar que o pagamento que lastreava o crédito utilizado na compensação estaria integralmente comprometido com a liquidação de débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Por sua vez, o recorrente reconhece que houve erro nas informações prestadas na DCTF ativa na data análise da DCOMP, tendo apresentado a impugnação alegando que estaria levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF. Como se vê, pelas palavras do próprio recorrente, o crédito utilizado na DCOMP apresentada em junho de 2007 ainda não havia sido levantado na época da manifestação de inconformidade, em 2009. A DCTF retificadora foi apresentada em 01/12/2009, fl. 85, evidentemente após ciência do inteiro teor do Despacho Decisório ora sob análise. Assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Portanto, considerando que, no momento da ulterior homologação do procedimento compensatório, de fato, os valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência, não deixavam dúvidas da inexistência de crédito passível de restituição ou compensação. A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. Assim, não merece prosperar a alegação da defesa sobre a suposta incapacidade dos sistemas da RFB em cruzar informações. Ora, o sistema foi preciso em suas verificações e as alegações recursais sobre o erro no preenchimento da DCTF apenas corroboram a excelência do trabalho efetuado pelos sistemas da RFB. Afinal, nem mesmo o Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.679813/200969 Acórdão n.º 2201004.325 S2C2T1 Fl. 107 7 contribuinte havia apurado a efetiva existência do seu direito creditório quando da apresentação da DCOMP ou da impugnação. Menos procedente ainda é a argumentação recursal de que o contribuinte deveria ter sido instado a apresentar explicações à Fazenda Nacional. Se assim fosse, em particular nestes casos mais simples, do que teria adiantado a construção de um sistema eletrônico para tratamento de demandas dessa natureza, já que um simples cotejo de informações declaradas daria lugar a um lento e manual procedimento fiscal? Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Veja o que preceitua a Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, caso a retificação tivesse ocorrido antes do procedimento de homologação, decerto que caberia ao Fisco buscar elementos que apontassem eventual impropriedade na alteração para menor do débito anteriormente declarado. Contudo, efetuada a retificação em momento posterior àquele em que o Fisco exerce com precisão o seu direito, passa ser do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Ocorre que o contribuinte limitase a contestar a Decisão recorrida afirmando a ocorrência de mero erro de informação e que estaria providenciando o levantamento do seu crédito e a retificação da DCTF. Ora, não merece prosperar tais conclusões. Não foi trazida aos autos nenhuma documentação que tenha sido produzida em tal levantamento e que pudesse lastrear a alegação de erro. Por outro lado, a DCTF retificadora, ainda que não haja impedimento para que seja apresentada após a não homologação de uma compensação, por si só não se constituiu em elemento capaz de confirmar a correção dos dados nela inseridos. As manifestações doutrinárias e os precedentes administrativos colacionados no recurso não vinculam a presente análise, sendo certo que tantas outras decisões em sentido oposto poderiam ser citadas, com se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 110DF CARF MF 8 Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Quanto à alegação de que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada, bem assim quanto à sugestão para conversão do julgado em diligência, é evidente que não poderia a DRJ suspender o julgamento sobre a procedência de um crédito pleiteado em 2007, quando já deveria ter sido apurada a sua liquidez e certeza, para aguardar o contribuinte a efetuar o levantamento de seu suposto direito. Notase que, mesmo sabendo da necessidade de apresentação de elementos probatórios, do mesmo modo agiu o recorrente ao apresentar seu recurso voluntário, lastreando o suposto direito ao crédito unicamente no erro que teria levado à retificação da DCTF levada a termo após o Despacho Decisório de não homologação, quando já decorridos quase 5 anos do fato gerador que pretende ver alterado. É inegável que, comprovada a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em razão de infração à legislação tributária, ou mesmo negado direito pleiteado pelo contribuinte, pode a Administração, diante do seu dever de auto tutela, reconhecer efeitos de ofício. Contudo, não há nos autos nenhuma evidência da ocorrência de tal erro, que se mostra presente apenas nas alegações do recorrente. Assim, não tendo sido apresentado pelo recorrente elementos que justificassem a conversão do julgamento em diligência ou que comprovassem os supostos erros de fato que levaram à retificação da DCTF em momento posterior à Decisão administrativa, correta a decisão recorrida ao negar a conversão do julgamento em diligência e ao entender improcedente a manifestação de inconformidade. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos Princípios da Estrita Legalidade, da Verdade Material, da Razoabilidade ou da Proporcionalidade. Afinal, todo o procedimento foi efetuado de acordo com os elementos de fato e de direito disponíveis; não foi efetivamente comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Assim, nego provimento ao recurso voluntário neste tema. DO ESCORREITO PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO REALIZADO PELA ORA RECORRENTE Sustenta a defesa que, apresentada a DCTF retificadora, a qual corrigiria equívoco contido na DCTF ativa no momento da análise da compensação declarada, cai por terra qualquer dúvida quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. Afirma que tal equívoco é perfeitamente sanável até mesmo de ofício, já que o fisco que tem livre acesso à escrituração fiscal da recorrente. Por fim, não tendo sido possível apresentar a manifestação de inconformidade com a instrução da documentação acostada ao recurso voluntário, requer sua apreciação. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.679813/200969 Acórdão n.º 2201004.325 S2C2T1 Fl. 108 9 Ao contrário do que quer fazer crer a defesa, mesmo com o recurso voluntário, nenhuma documentação comprobatória do direito pleiteado foi apresentada. Os argumentos em tela foram aqui reproduzidos exclusivamente em respeito ao esforço argumentativo do recorrente, mas não merecem qualquer acolhida, devendo às questões do ônus da prova e do conteúdo probatório contido nos autos serem aplicadas as razões e fundamentos legais citados no item precedente, que adoto com razão de decidir para, da mesma forma, negar provimento ao recurso voluntário no tema em questão. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.900771/2008-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DCOMP. RETIFICAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apresentado o pedido de compensação e indicado o crédito, em sendo este indeferido pela autoridade administrativa, não pode o contribuinte, no mesmo processo, indicar outro crédito para compensar o débito. Tal procedimento importaria em reiniciar, desde a origem, a análise do crédito, situação que não é possível, no mesmo processo, sob pena de eternizarmos a lide. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1402-000.786
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DCOMP. RETIFICAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apresentado o pedido de compensação e indicado o crédito, em sendo este indeferido pela autoridade administrativa, não pode o contribuinte, no mesmo processo, indicar outro crédito para compensar o débito. Tal procedimento importaria em reiniciar, desde a origem, a análise do crédito, situação que não é possível, no mesmo processo, sob pena de eternizarmos a lide. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 106DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900771/200814 Acórdão n.º 140200.786 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório SENDI ENGENHARIA E CONSTRUCOES LTDA., já qualificada nos autos, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (IRPJ) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ – código de receita: 5993). Por intermédio do despacho decisório de fl. 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, em 04/06/2008, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 11/18, acompanhada dos documentos de fls. 19/52, na qual alega, em síntese: a) que compensou IRPJ devido por estimativa, do mês de abril de 2004, com saldo negativo de IRPJ decorrente do anocalendário de 2003; b) juntamente com a PER/Dcomp sob exame apresentou outras PER/Dcomp tendo como origem de crédito saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2003; c) que a presente PER/Dcomp não foi homologada sob argumento de inexistência de crédito, vez que o mesmo já se encontrava vinculado à quitação de débito da requerente; d) no anocalendário de 2003, consoante demonstrado em sua DIPJ, foi gerado um saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 107.434,19, passível de compensação com tributos federais a partir do anocalendário subseqüente; e) que é legal a atualização do saldo negativo de IRPJ pela taxa Selic; f) que ao preencher a PER/Dcomp ocorreu um equívoco, pois informou crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ ao invés de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003; g) ressalta que o crédito existe e pode ser identificado na DIPJ/2004, anobase 2003; h) que em decorrência do preenchimento equivocado efetuou compensação a maior no valor de R$ 5.381,75, que será recolhido, acrescido de multa e juros na forma da lei; i) que as demais PER/Dcomps vinculadas ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2003 devem ser apensadas em um único processo administrativo. Ao final, requer que seja concedido total provimento à presente manifestação de inconformidade a fim de se anular o despacho decisório que não homologou a PER/Dcomp de nº 39514.43274.170504.1.3.040318, extinguindose o saldo devedor objeto da compensação. No voto condutor do aludido acórdão, destacamse os seguintes fundamentos: Fl. 107DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900771/200814 Acórdão n.º 140200.786 S1C4T2 Fl. 0 3 O Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru não qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada nos autos, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP de nº 39514.43274.170504.1.3.040318. Com efeito, no que diz respeito ao crédito de IRPJ (código: 5993), relativo ao mês de agosto de 2003, no valor de R$ 26.790,42, observo que o mesmo foi utilizado integralmente para pagamento de um débito de IRPJ (código: 5993), do próprio mês de agosto de 2003, no valor de R$ 26.790,42. Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 170, dispõe: “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda”. A respeito do tema, cumpre transcrever o disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, mais exatamente os artigos 221 a 232, verbis: (...) Conforme legislação acima, a interessada está obrigada, considerando que é optante pelo lucro real, apuração anual, pagar mensalmente o imposto de renda devido por estimativa com base na receita bruta, com a aplicação de um percentual determinado. Pode também suspender o pagamento desde que proceda aos balancetes mensais, demonstrando que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. No final do ano, o imposto apurado deve ser deduzido dos pagamentos recolhidos sob esta sistemática. Assim, somente o saldo negativo de IRPJ a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações do imposto de renda devido. Diante dessas considerações, esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo do IRPJ e, por conseguinte, o saldo negativo de IRPJ. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900771/200814 Acórdão n.º 140200.786 S1C4T2 Fl. 0 4 Inclusive, por se tratar de contribuinte sujeita ao regime de apuração do imposto com base no lucro real, esta deveria, ao fim de cada períodobase de incidência do imposto, apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, que serão transcritos no Livro de Apuração de Lucro Real (LALUR), nos termos dos artigos 7º e seu § 4º, e 8º, inciso I, ambos do DecretoLei nº 1.598, de 1977, in verbis: (...) Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º)”. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, traz como prova desse crédito cópia da declaração de rendimentos de fls. 36/48, retificada em 03/06/2008, informando a existência de saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 107.434,19, bem como “RAZÃO ANALÍTICO EM REAL DE 01/01/03 ATE 31/12/04” (fl. 52), informando saldo de IRPJ a recuperar no montante de R$ 108.176,01. Dos documentos apresentados pela contribuinte, cabem as seguintes observações: a) na DIPJ original, apresentada em 30/06/2004, não há informação de saldo negativo de IRPJ, ou seja, o imposto a pagar informado foi R$ 0,00 (zero); b) em 03/06/2008, a contribuinte apresentou DIPJretificadora, informando saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 107.434,19; c) não há comprovação do imposto de renda retido na fonte (informe de rendimentos), no valor de R$ 38.506,80, deduzido pela interessada, na linha 13 da ficha 12A da DIPJ/2004, na apuração do saldo negativo do IRPJ (fl. 43); b) o formulário denominado “RAZÃO ANALÍTICO EM REAL DE 01/01/03 ATE 31/12/04”, de fls. 52/53, não apresenta Termo de Abertura, nem Termo de Encerramento. Desta feita, passase à análise dos itens acima expostos. Quanto à DIPJretificadora, externando saldo negativo de IRPJ, cabe observar que a DIPJ tãosomente indicia que a contribuinte teria efetuado pagamento a maior que o devido. Todavia, resumese à esfera do indício, vez que a declaração desacompanhada da escrita, não produz o efeito desejado. Quanto ao IRRF, no valor de R$ 38.506,80, ressaltese que a contribuinte não comprova que os rendimentos sobre os quais incidiu o referido IRRF foram oferecidos à tributação, condição essencial para que este possa ser aproveitado na compensação do imposto apurado no final do período, originando, se for o caso, o saldo negativo de IRPJ. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900771/200814 Acórdão n.º 140200.786 S1C4T2 Fl. 0 5 Quanto ao formulário de fls. 52/53, denominado “RAZÃO ANALÍTICO EM REAL DE 01/01/03 ATE 31/12/04”, não consta Termo de Abertura, nem Termo de Encerramento. Ademais, cumpre observar que a legislação dispensa a autenticação do Livro Razão no caso de regularidade na autenticação do Livro Diário (artigo 14 da Lei nº 8.218/91, redação dada pela Lei nº 8.383, de 30/12/1991). Assim, a ausência do Livro Diário implica na inabilidade do Livro Razão. Por fim, registrese que a contribuinte além de não juntar cópias do livro Diário, devidamente registrado, não apresentou LALUR, dos quais poderia se verificar os balanços/balancetes de redução e demonstrativos da apuração do Lucro Real da empresa para o anocalendário de 2003. Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, o pagamento a maior ou indevido também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. No que diz respeito ao pedido final da contribuinte de apensamento dos processos nº 10825.900300/200814, 10825.900257/200889, 10825.900692/2008 11, 10825.900753/200832, 10825.900722/200881, 10825.900771/200814 e do presente processo, por se tratar de PER/Dcomps vinculados ao mesmo indébito, impende observar que em nada prejudicou a análise do direito creditório pleiteado, tendo inclusive referidos processos sido julgados nessa mesma Sessão de Julgamento. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 5/8/2011(fls. 69 a 75) , no qual contesta repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos. II DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO DE IRPJ Conforme já mencionado, todas as compensações efetuadas com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ, gerado no anocalendário 2003, não foram homologadas sob argumento de inexistência de crédito, vez que o crédito informado nas mesmas, já se encontravam vinculados à quitações de débitos da Requerente. Cabe esclarecer que no anocalendário 2003, consoante demonstrado em sua DIPJ, foi gerado um saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 107.434,19 (cento e sete mil, quatrocentos e trinta e quatro reais e dezenove centavos), passível de Fl. 110DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900771/200814 Acórdão n.º 140200.786 S1C4T2 Fl. 0 6 compensação com débitos de tributos federais, a partir do anocalendário subseqüente ao de que foi apurado. Conforme o artigo 38 da Instrução Normativa — IN SRF n° 210/2002, vigente na época, e o artigo 52 da IN SRF n° 600/2005, vigente hoje, o saldo negativo será atualizado pela taxa SELIC s seguintes moldes: (...) Assim sendo, resta evidente, a legalidade da atualização do saldo negativo de IRPJ e CSLL pela taxa, no caso em tela, a partir do mês de janeiro de 2004, até o mês anterior ao da compensação, acrescido de 1% (um por cento), tendo em vista que a Requerente é tributada pelo Lucro Real Anual. Conforme restou demonstrado, a Requerente realmente possuía saldo negativo de IRPJ passível de compensação. Destarte, a Requerente ao preencher a 0110 Per/Dcomp ocorreuse em equívoco, quando ao completar a ficha de origem do crédito, informou crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, vinculando o Darf recolhido a título de estimativa de IRPJ devido em abril de 2003, com vencimento em 30/05/2003, ao invés de informar saldo negativo total de IRPJ do anocalendário 2003. Devido a este equívoco, acreditamos que a Requerida não identificou o crédito compensado, motivo este que motivou a não homologação da compensação em questão. Por outro lado, importante é ressaltar novamente, que o crédito para satisfazer a compensação existe, e pode ser identificado na DIPJ do exercício 2004, anobase 2003, tendo ocorrido, apenas, um mero engano no preenchimento da Per/Dcomp. Corro brando, podemos observar também, a existência do crédito no LALUR (doc. 02) e do Livro RAZÃO (doc. 03) anexados a este. Em decorrência do preenchimento, equivocado, do crédito, descrevendo pagamento indevido ou a maior, o crédito foi atualizado 7 DRF/BAURU a' =3 Lylian Regina Empke Matr. 25899 como tal, gerando assim, um saldo de compensação a descoberto no montante total de R$ 5.381,75 (cinco mil, trezentos e oitenta e um mil e setenta e cinco centavos), consoante já demonstrado. Isto posto, é importante ressaltar que a Requerente, agindo sempre com a boa fé que lhe é peculiar, reconhece que parte dos débitos foram indevidamente compensados. Insta mencionar, desde já, que todos os pedidos de compensação existentes tendo como base o crédito do exercício de 2003, estão vinculados a este processo administrativo, vez que todos decorrem do mesmo crédito, o saldo negativo de IRPJ gerado no respectivo exercício, fato este que deveria acarretar no apensamento dos autos originados pelas Per/Dcomp's onde foi compensado crédito de IRPJ do ano de 2003. A decisão ora combatida partiu da presunção de que o crédito de IRPJ não existe em face da Requerente, equivocadamente, por ter sido informado crédito de pagamento indevido ou a maior ao invés de saldo negativo de IRPJ, decisão esta que não pode prosperar, visto que a II requerente possui tal crédito, ocorrendose apenas de um erro nos preenchimentos das Per/Dcomp's. Ainda, vale mencionar que a Requerente comprovou por todos os meios possíveis que faz jus ao pleito de compensação, pois possuí junto a Requerida um crédito, o qual restou devidamente comprovado pelos documentos juntados na Manifestação de Inconformidade, bem com os que acompanham o presente recurso. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900771/200814 Acórdão n.º 140200.786 S1C4T2 Fl. 0 7 Insta mencionar ainda, que os documentos não apresentados com a Manifestação de Inconformidade, e frisese a falta foi base para o indeferimento, estão sendo devidamente juntados com o presente. Sendo assim, resta evidente que ocorreu um mero equívoco. III — DO PEDIDO Diante de todo o exposto, requerse respeitosamente que sela concedido TOTAL PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, a fim de se anular o r. Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada na Per/Dcomp n° 04594.38293.300404.1.3.048200, retificandoa de oficio, a fim de regularizar a origem do crédito ali apontado, sendo assim homologada, extinguindose o saldo devedor objeto da compensação. Desta feita, requerse, ainda, o apensamento dos • processos em razão de todos decorrerem do mesmo crédito, ou seja, de compensação utilizando o saldo negativo de IRPJ originado no anocalendário 2003. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900771/200814 Acórdão n.º 140200.786 S1C4T2 Fl. 0 8 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Conforme relatado, o contribuinte apontou na DCOMP um direito creditório relativo a recolhimento de IRPJ que seria indevido. Após a DCOMP não ter sido homologada, apresentou declaração retificadora do IRPJ, dentro do prazo de 5 anos do fato gerador original, para aflorar saldo negativo de recolhimentos (SRN) e na manifestação de inconformidade alegou erro no preenchimento da DCOMP afirmando que este seria a origem do credito. Em que pese as veementes alegações da peça recursal, bem como os elementos de prova apresentados, verificase, de plano, que não se trata de erro de preenchimento da DCOMP. Sobre a DCOMP, dispõe o art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (redação dada pelo art. 49 da lei 10.637/2002:) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (...) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (A redação deste Inciso foi dada pelo Artigo 4º da Lei nº 11.051 de 29.12.2004.) (Grifei). Na prática a pretensão da contribuinte equivale a um novo pedido de compensação, para que o débito seja compensado com outros créditos, até porque na data de apresentação da DCOMP o contribuinte não possuía Saldo Negativo de Recolhimentos do ano Fl. 113DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900771/200814 Acórdão n.º 140200.786 S1C4T2 Fl. 0 9 calendário 2003. Tal procedimento é expressamente vedado pela lei de regência, conforme acima grifado. Uma vez apresentado o pedido de compensação e indicado o crédito, em sendo este indeferido pela autoridade administrativa, não pode o contribuinte, no mesmo processo, indicar outro crédito para compensar o débito. Tal procedimento importaria em reiniciar, desde a origem, a análise do crédito, situação que não é possível, no mesmo processo, sob pena de eternizarmos a lide Outrossim, registro que o contribuinte pode pleitear esse mesmo crédito em outro processo, pois, o prazo para aproveitamento do Saldo Negativo de Recolhimento dos IRPJ é de 5 anos, contado de quanto não mais possa ser utilizado, conforme vem decidindo esse colegiado, a exemplo do acórdão 140200.697 de 5/8/2011. ISSO POSTO, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 114DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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