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Numero do processo: 10865.900272/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO
O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc.
Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc.
Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96.
COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO
Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE
As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano-calendário.
Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002.
Numero da decisão: 1302-002.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 02 72 /2 00 8- 51 Fl. 3461DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.462 2 Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem sintetizar o processo, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP a seguir transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar Fl. 3462DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.463 3 débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 08/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia as autoridades fiscais diligenciar junto à empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao princípio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que “a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário”; Fl. 3463DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.464 4 Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulando o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, na conformidade da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento afirmou que as estimativas mensais não poderiam caracterizar pagamento a maior passível de compensação, dada a sua Fl. 3464DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.465 5 natureza de mera antecipação. Contudo, entendeu que deveria examinar eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão (2001), já que este poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, firmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação em sua peça impugnatória. Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, da qual tomou ciência em 28/07/2010, a Contribuinte apresentou em 26/08/2010 o recurso voluntário de fls. 95 a 129, com os argumentos abaixo: DOS FATOS Em virtude das antecipações efetuadas a título de imposto de renda durante o anocalendário 2001, ao final do exercício a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, razão pela qual decidiu solicitar a restituição/compensação dos valores pagos a maior, por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação utilizando o indigitado crédito (Doc. 03); DA PROVA Inicialmente, importante destacar a necessidade do conhecimento dos documentos acostados ao presente recurso voluntário que atestam a legitimidade do crédito proveniente da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2001 (Doc. 04 – DARF´s; Doc. 05 DIPJ/2001; e Doc. 06 LALUR/2001), em obediência ao princípio da verdade material que norteia o procedimento administrativo fiscal federal; É imperioso o conhecimento do presente recurso voluntário e a análise dos argumentos expostos, que indubitavelmente acarretarão no reconhecimento integral dos créditos de IRPJ e, por consectário, na extinção dos débitos compensados; Fl. 3465DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.466 6 Ainda que a existência do crédito não tenha sido comprovada quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, em razão da necessidade de se observar o princípio da verdade material, a Recorrente pode fazêlo neste momento sem prejuízos; DO DIREITO DO CRÉDITO PLEITEADO A Recorrente adotava a sistemática de apuração do IRPJ por estimativa mensal, tendo efetuado pagamentos estimados no decorrer do ano calendário de 2001 (vide doc. 04) e, com o fechamento de seu balanço contábil, verificou o pagamento a maior do referido tributo, gerando, desta forma, o denominado saldo negativo (vide doc. 05); Referida sistemática encontra respaldo no artigo 6°, § 1°, inciso II, da Lei n° 9.430/96; Da análise dos documentos fiscais acostados pela Recorrente é possível constatar a apuração do saldo negativo de IRPJ no importe de R$ 140.283,14 vide doc. 05 DIPJ/2001), sendo certo que esse crédito é suficiente para liquidar o débito debatido no presente procedimento administrativo, bem como todos os demais débitos extintos com a utilização do referido saldo negativo através da transmissão de PER/DCOMP's; A Recorrente possuía um crédito no valor de R$ 140.283,14, o qual foi corretamente utilizado para quitar débitos administrados pela Receita Federal do Brasil; Inclusive, remanesceu em favor do Recorrente saldo credor de R$ 40.887,18, mesmo após ter efetuado as compensações supra mencionadas; Em que pese a Recorrente tenha informado nas PER/DCOMP's o valor dos recolhimentos por estimativa, e não o saldo negativo, é certo que esse procedimento não fulmina a existência do seu crédito tributário; Da análise dos documentos fiscais acostados ao recurso, e principalmente da DIPJ/2001 e das guias DARF´s, é visível que todos os recolhimentos mensais Fl. 3466DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.467 7 por estimativa (vide docs. 04 e 05) geraram recolhimentos a maior, os quais são passíveis de compensação; O crédito utilizado pela Recorrente é líquido e certo, não havendo razão para a manutenção do indeferimento da presente compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional e artigo 74 da Lei n° 9.430/96; Diante da comprovação da existência do saldo negativo de IRPJ através da DIPJ anocalendário 2001, não obstante o preenchimento do PER/DCOMP tenha sido efetuado com o valor do IRPJ recolhido por estimativa, não há razão para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado; Um simples vício formal não tem o condão de extinguir o direito da Recorrente, mesmo porque a Receita Federal do Brasil, através de seu banco de dados, tem como verificar os valores efetivamente recolhidos a título de IRPJ; A D. Autoridade Julgadora, por ter todas as informações em seu sistema, poderia ter verificado a sua existência, ou ter intimado a Recorrente a apresentar documentos capazes de comprovar o crédito, não podendo simplesmente indeferir o pleito da Recorrente; A simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito apurado em decorrência dos recolhimentos a maior efetuados pela Recorrente no anocalendário de 2001 a título de IRPJ; Tendo em vista que no caso em tela o crédito pleiteado decorre de recolhimentos efetuados a maior, devidamente comprovados através do saldo negativo apurado no anocalendário 2001 (vide docs. 04 e 05), e compensados dentro do prazo legal, é de rigor o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela Recorrente, com a consequente extinção do débito compensado; DA DECADÊNCIA Fl. 3467DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.468 8 Cabe destacar, ainda, que no caso em tela o crédito de IRPJ apurado no anocalendário 2001 não pode ser objeto de questionamento por parte das autoridades fiscais, em razão da decadência; O saldo negativo apurado em 2001 foi homologado tacitamente em 2007, extinguindose o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional; Sendo o IRPJ um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte apura o valor do tributo, o declara e efetua o pagamento do montante que considera devido, sendo certo que no caso em discussão, a Recorrente ao invés de apurar saldo devedor de IRPJ, no final do exercício de 2001, apurou crédito, o qual foi devidamente discriminado na DIPJ ano calendário 2001; Assim, caberia ao Fisco o dever de fiscalizar os procedimentos adotados pelo contribuinte, e realizar o lançamento das eventuais diferenças apuradas dentro do quinquídio legal; Uma vez que o saldo negativo apurado pela Recorrente nunca foi alvo de contestação pela D. Autoridade Fiscal, é certo que as informações declaradas na DIPJ do anocalendário 2001 encontramse homologados, ainda que tacitamente; O saldo negativo apurado pela Recorrente no ano de 2001 foi tacitamente homologado em 2007, com a consequente ausência do direito da D. Autoridade Fiscal em discordar da compensação efetuada pela Recorrente; A decisão administrativa proferida em 24/04/2008 é manifestamente extemporânea, haja vista que o ano de 2007 o saldo negativo de IRPJ não era mais passível de glosa por parte da D Autoridade Fiscal. Exatamente nesse sentido é a jurisprudência firmada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (decisões transcritas); E nem que se diga que a DIPJ retificadora, transmitida em 08/03/2004, tenha alterado o marco inicial para o decurso do prazo decadencial, haja Fl. 3468DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.469 9 vista que, como consabido, o prazo decadencial não é interrompido ou suspenso. Além disso, a referida declaração não alterou a composição do saldo negativo apurado originalmente no anocalendário de 2001; Contandose o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a apuração do saldo negativo referente ao ano de 2001, utilizado para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, foi tacitamente homologado no ano de 2007, motivo pelo qual, mais uma vez, devem ser reconhecidas como legítimas as compensações efetuadas pela Recorrente; DO PEDIDO A Recorrente solicita seja o presente recurso conhecido e provido para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como para que sejam homologadas as compensações efetuadas. Vindo os autos para julgamento por este Egrégio Conselho, o mesmo foi convertido em diligência para esclarecer os seguintes pontos (349/359), litteris: É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade: 1) junte aos autos cópia integral da DIPJ do anocalendário de 2001; 2) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2001; o valor das estimativas recolhidas referentes a 2001; o valor das retenções sofridas a título deste imposto no mesmo período; as receitas relativas a estas retenções, averiguando se elas foram computadas pela Contribuinte na base de cálculo do imposto; 3) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; Fl. 3469DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.470 10 4) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Baixado os autos em diligência, foi produzido relatório circunstanciado pela Delegacia da Receita Federal de Limeira/SP, aduzindo, resumidamente, o seguinte (fls. 3427/3431): 2 O valor do saldo negativo de IRPJ é de R$ 140.283,14, mas o crédito utilizado pelo contribuinte para compensação limitouse ao valor do pagamento, esclarecendo que não foi utilizado o pagamento de R$ 106,87, feito para o mês de maio de 2001: 3 Não há previsão legal para restituição de ofício. Portanto o crédito original a ser reconhecido na totalidade dos processos não pode ser superior a R$ 94.185,13. Intimada do relatório de diligência, a recorrente pleiteia que seja homologada a sua PERDCOMP tendo em visto o reconhecimento na integralidade do valor do seu saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 140.283,14. É o relatório. Fl. 3470DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.471 11 Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA O presente Recurso Voluntário foi apresentado em conformidade com o que dispõe o art. 33, do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço. Quanto ao argumento da decadência trazido pela recorrente, entendemos que não é aplicável ao caso vertente. É certo que após o transcurso do prazo decadencial, não pode o Fisco realizar procedimento fiscal visando modificar a base de cálculo do tributo, seja para exigir débitos, ou para reverter/reduzir prejuízo fiscal. O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. Por isso a alegação de decadência não tem o efeito pretendido pela recorrente, no sentido de justificar uma restituição automática do alegado direito creditório. Superada essa questão, passamos a análise do mérito propriamente dito. Compulsando a PERDCOMP (33558.81231.150604.1.3.040787) objeto da presente lide, observase que o contribuinte pleiteou a compensação de seu débito tributário com crédito decorrente de pagamento indevido ou maior de IRPJ referente a estimativa do mês de agosto de 2001, senão vejamos: Fl. 3471DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.472 12 Fl. 3472DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.473 13 O despacho decisório não reconheceu o direito creditório da recorrente pelo seguinte motivo (fls.13): Fl. 3473DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.474 14 Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder a apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Da leitura do texto legal podese inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230 do RIR/99. Assim, a pessoa jurídica, ao optar pela apuração do imposto de renda com base no lucro real anual, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete. O tributo calculado com base no lucro real daquele período (janeiro ao mês de levantamento do balanço) será comparado com todo o tributo recolhido sobre as operações de janeiro até mês anterior ao do levantamento do balanço ou balancete. Se a soma dos pagamentos efetuados for maior que o tributo devido apurado com base no balanço ou balancete, a empresa não terá que pagar o tributo relativo ao mês de levantamento do balanço. Se o tributo apurado no balanço ou balancete for maior, a empresa deverá pagar a diferença. Fl. 3474DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.475 15 Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano calendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Passando a análise do mérito do caso em apreço, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto o crédito do tipo "pagamento indevido ou a maior" de IRPJ estimativa mensal de agosto de 2001, código de arrecadação 2362. O relatório de diligência ao analisar de forma pormenorizada o cálculo do Imposto de Renda por estimativa no anocalendário de 2001 afirmou o seguinte: 3 No anocalendário de 2001, o contribuinte apurou os seguintes valores de IRPJ devido por estimativa: Fl. 3475DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.476 16 Fl. 3476DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.477 17 O total de imposto de renda retido na fonte deduzido na apuração do imposto de renda devido por estimativa é de R$ 26.432,29 e para validar o saldo negativo apurado, o contribuinte teria que ter sofrido retenção no valor total de R$ 45.991,14 e ter oferecido a receita correspondente à tributação. A retenção feita pela fonte pagadora Bradesco já comprova a retenção deduzida bem como o valor oferecido à tributação. Assim, o valor do saldo negativo de IRPJ confirmado é de R$ 140.283,14. (...) Fl. 3477DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.478 18 Diante da análise pormenorizada efetuada pela unidade preparadora, não restam dúvidas quanto ao direito creditório do contribuinte. Contudo, andou bem a unidade preparadora ao chamar a atenção deste colegiado que o contribuinte não pleiteou a compensação do seu saldo negativo de IRPJ (R$ 140.283,14), mas sim do pagamento indevido ou a maior por ele pleiteado em suas DCOMP´s, totalizando a quantia de R$ 94.185,13, isto é, o seu direito creditório está limitado a tal montante. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo a compensação efetivada como saldo negativo do IRPJ até o limite do seu direito creditório que totaliza a quantia original de R$ 94.185,13, conforme tabela abaixo enumerada, incidindo correção monetária a partir de 1 de janeiro de 2002. É como voto. Fl. 3478DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.479 19 MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 3479DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.001383/2002-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1998
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.221
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso . Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candid°, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Francisco Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, Relatório Trata-se de recurso especial interposto pelo i. Procurador da Fazenda Nacional (fls. 150/157), em face da decisão da então Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, mediante o acórdão n 30.3-32.495: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - 'TR, RESERVA LEGAL NÃO-INCIDÊNCIA, A falta de averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorréncia do fato gerador, não 6, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do 1TR, devendo-se acatar a área comprovada em laudo técnico Recurso voluntário provido." A Fazenda Nacional interpeie o Especial com espeque no art. 5 0, inciso I, da Portaria n. 55, de 16 de março de 1998: Art. 50- Compete a Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra; I — decisão não unânime de Câmara de Conselho de Contribuintes, quando for contrária a lei ou a evidencia de prova; e II (..,) § I° - No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; § 5° Somente poderá ser objeto de apreciação e seguimento matéria prequestionada, cabendo ao recorrente demonstrá-la, com precisa indicação das peps processuais. O Procurador requer a reforma do acórdão recorrido, alegando contrariedade h legislação tributaria,. Segundo ele, ao prover o recurso voluntário, o acórdão recorrido acabou por malferir o art. 10, § 4°, inciso I, da IN/SRF N'43/1997, com a redação do art 1°, inciso II, da IN/SRF N°67/97, o artigo 1', caput, da Lei n° 9393/96 e os artigos 111 e 114 do CTN. Não obstante ter sido intimado para se manifestar, o Contribuinte restou silente. E o relatório. 2 Processo n° 13116.001383/2002-58 CS RF-12 Acórdão n.° 9202-01.221 Fl 2 Voto Conselheiro Manoel Coelho Ariuda Junior, Relator Atendidos os pressupostos de admissibilidade, passo ao exame do mérito. Devolve-se a esta Camara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - 1TR das Areas rurais de proteção anabiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art, 11. São isentas do imposto as áreas: I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei re 4..771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n0 7.803, de 1989, ) Embora ambas as areas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanta as exigências a serem cumpridas.. Para a Area conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei n° 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de area não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. E o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847194, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art.. 16 da Lei re 4..771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o § 2", com a seguinte redação, in verbis- "Art. 16 §I 0 § 20 A reserva legal, assim entendida a área de, no inininio, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada a margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área " Além da definição, merecem ressaltas os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1227 do Código Civil, verbis: Art. 1.227.. Os direitos reais sabre imóveis constituidos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1. 247)salvo os casos expressos neste Código. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela Area o proprietário se submeta As limitaçties administrativas que the são impostas pela lei, Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303- 34883 de 07/11/2007, da Terceira Cámara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v..g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fux e o RMS 18301 / MG, Min, João Otavio de Noronha, a reserva legal representa uma modalidade de limitação administrativa a propriedade rural. Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não fazer (o corte raso) quanto de fazer (de delimitar a área de reserva e averbá-la junto ao órgão competente). Veja-se a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo São Paulo Atlas. 2003 15' ed , p. 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostor com fundamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar sociaL(destaquei) De se notar, que, para a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restrição administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência "negativa", que exclui as áreas submetidas a restrição do pagamento do ITR.. Com as devidas vênias, portanto, Bic, me filio ao entendimento de que a averbação seria apenas urna mera formalidade, cujo descumprimento implicaria multa administrativa, e so: Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme defi nidas na Lei 4 771/65 (Código Florestal) ) Dc fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia ei isenção de area sob reserva legal, o mero ato de averbação, acessório, complementar na tarefa central de buscar a preservação da area, e que cumpre a finalidade especifica de dar conhecimento erga omnes, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser responsabilizado pelo descumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas com certas características geográficas, ecológicas, 4 Processo n 13116,001383/2002-58 CSRF-12 Acórdão n. 9202-01121 Fl, 3 históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declaratório do fisco ou de qualquer outro órgâo administrativo, A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietá rio, mas a todos, inclusive et administração pública, de preservação de tal área (Recurso Voluntário n" 127 562, de lavra do i Conselheiro Zenaldo Loibman) É uma peculiaridade da reserva legal a eleição pelo próprio proprietário ou possuidor de qual parte da propriedade, não inferior a 20%, será reservada para a proteção ambiental. É a única modalidade que apresenta essa característica, nas demais, por exemplo a area de preservação permanente, a própria lei cuida de delimitá-la. Repito: somente se constitui reserva legal com a averbação da area eleita pelo proprietário/possuidor. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacificou-se nesse mesmo sentido. Transcrevo o resultado de pesquisa realizada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303-34883 de 07/11/2007, da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes): No Pretório Excelso, tal posição firmou-se a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22688-9/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em process() de desapropriação para fins de reforma agrária,. questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a area correspondente a reserva legal deveria ter sido excluida da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, 1V dessa Lei de Reforma Agrária Diz o art HE Art.. 10, Para efeito do que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis:' IV - as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fragdo ideal do mas as áreas identificadas ou identificáveis.. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exempla, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais.. A reserva legal não é uma abstração matemática Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não 6 possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei . florestal prescreve Estou assim ern que, sem a averbagão determinada pelo ,yr 20 do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Nessa mesma linha, o MS 23 370-2/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Mm,, SepUlveda Pertence, DI de 28/04/2000. EMENTA: 1 - Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserva A "reserva legal", prevista no art. 16, § 2' do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraída da área total do imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf L. 8.629/93, art. 10, IV),sem que esteja identificada na sua averbaglio (v. g MS 22.688) Apenas para demonstrar a manutenção desse entendimento jurisprudencial na Excelsa Corte, trago à colação o MS 25186 / DF, Tribunal Pleno, de relatoria do Ministro Carlos Brito, publicado no DI de 02/03/2007 .: Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não de ser subtraida da área total do imóvel para o fim de cálculo da produtividade. Precedente.: MS 22.688. Pego licença para transcrever novamente outro trecho do voto condutor onde tal entendimento fica consignado Relembrando o que observou o Ministro Pertence, uma diferença essencial entre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, é exatamente a ausência de pré-definição de quais são as áreas efetivamente sujeitas a proteção diferenciada. Antes da demarcação, portanto, o efeito invocado no voto condutor resta esvaziado, pois inexis-te área a proteger; apenas a obrigação de se constituir um percentual sujeito a proteção Processo n 3116.001383/2002-58 CSRF-I 2 Acórd n 9202-01121 F1 4 Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF (MS 28.156/DF, de 02/03/2007). Por fim, adverte-se para a vedação prevista no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARE afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Voto pelo provimento do recurso especial nterposto. 7
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Numero do processo: 19515.002088/2003-83
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 22/04/1998
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL.
1. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, e nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
2. Não havendo pagamento e nem confissão do débito de IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa, com fato gerador em 22/04/1998, resta afastada a decadência, e o autos devem ser devolvidos à Turma Ordinária do CARF para que sejam examinadas as demais questões relativas ao cometimento da infração propriamente dita, que em momento anterior foram consideradas prejudicadas.
Numero da decisão: 9101-002.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, e nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. 2. Não havendo pagamento e nem confissão do débito de IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa, com fato gerador em 22/04/1998, resta afastada a decadência, e o autos devem ser devolvidos à Turma Ordinária do CARF para que sejam examinadas as demais questões relativas ao cometimento da infração propriamente dita, que em momento anterior foram consideradas prejudicadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento com retorno dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 88 /2 00 3- 83 Fl. 3068DF CARF MF Processo nº 19515.002088/200383 Acórdão n.º 9101002.703 CSRFT1 Fl. 3 2 autos à turma a quo, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra "decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova", fundamentado no art. 7º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, c/c art. 3º da Portaria MF 343/2015, que aprova o atual Regimento Interno do CARF. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 10709.127, de 12/09/2007, por meio do qual a Sétima Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, decidiu, entre outras questões, por maioria de votos, acolher preliminar de decadência em relação a lançamento de IR/Fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa (lançamento reflexo da fiscalização de IRPJ). O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: MAJORAÇÃO DE CUSTOS. FRAGILIDADE DA PROVA. Não se mantém o lançamento por majoração de custos apoiado apenas em planilha de demonstrativo da composição do valor das compras registrado na DIPJ, sem que a Fiscalização tenha aprofundado as investigações na escrituração da empresa ou intimado a contribuinte a explicar a inconsistência, sendo que, em diligência determinada para esse fim, não foi confirmado o correto valor dos compras no período. APRESENTAÇÃO DOS REGISTROS E ARQUIVOS MAGNÉTICOS. FALTA DE ATENDIMENTO QUANTO À FORMA. MULTA. É devida multa de 0,5% do valor da receita bruta do período, por falta de atendimento quanto à forma em que devem ser apresentados os registros e arquivos magnéticos. Fl. 3069DF CARF MF Processo nº 19515.002088/200383 Acórdão n.º 9101002.703 CSRFT1 Fl. 4 3 DECADÊNCIA IRF A ausência de pagamento do tributo não é razão para que a exação sujeita a lançamento por homologação tenha o prazo de decadência contado pelo art. 173 do CTN, ao invés de adotar o prazo previsto no art. 150, § 4º do mesmo Código, pois o que este dispositivo homologa é a atividade exercida pelo contribuinte. NEGADO provimento ao recurso de oficio e DADO provimento parcial ao recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de oficio interposto pela 3ª TURMA DA DELEGACIA DE JULGAMENTO DA RECEITA FEDERAL EM SãO PAULO/SP I e LOJAS ARAPUÃ S.A. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade e por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Jayme Juarez Grotto (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da exigência a parcela de glosa de custos A PGFN alega que o acórdão recorrido configura decisão nãounânime e contrária à evidencia da prova, no que toca à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os seguintes argumentos: o acórdão recorrido acolheu o entendimento de que se operou a decadência do direito da Fazenda Nacional de efetuar o lançamento dos valores de IRRF relativos ao ano calendário de 1998. Assim o fez por maioria de votos; como se sabe, a decadência relativa aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, de que é exemplo o IRRF, regese pelo previsto no art. 150, §4°, do CTN, segundo o qual, havendo pagamento antecipado, o prazo para Fazenda Nacional homologálo é de 5 anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considerase homologado tacitamente o lançamento e definitivamente extinto o crédito; por outro lado, não havendo o pagamento antecipado do tributo pelo sujeito passivo, tem se firmado o entendimento de que o prazo decadencial deixa de ser aquele previsto pelo art. 150, §4°, do CTN, passando a ser regido pela regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, que estipula que o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário se extingue após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter se efetuado; nesse sentido, confiramse os seguintes julgados, todos proferidos pelo E. STJ (ementas transcritas); na hipótese dos autos, que foi confirmada pelo voto vencido, o contribuinte não efetuou o pagamento antecipado do IRRF incidente sobre os rendimentos que adquiriu em Fl. 3070DF CARF MF Processo nº 19515.002088/200383 Acórdão n.º 9101002.703 CSRFT1 Fl. 5 4 1998, razão por que, na esteira do raciocínio acima expendido, o prazo decadencial aplicável é aquele previsto no art. 173, I, do CTN, e não o previsto em seu art. 150, §4º, conforme decidiu o acórdão recorrido; outro não é o entendimento da jurisprudência do e. Conselho de Contribuintes, inclusive da Câmara Superior de Recursos fiscais (ementas transcritas); sendo assim, o prazo decadencial de 5 anos começou a fluir no exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; in casu, o fato gerador do IR ocorreu em 31/12/98, tendo o prazo decadencial começado a fluir no exercício seguinte, ou seja, em 1º de janeiro de 1999, operandose, portanto, a decadência apenas em 31 de dezembro de 2003; como o contribuinte foi notificado do Auto de Infração em 15 de julho de 2003, não há que se falar em decadência, sob pena de violar, como de fato violou, o art. 173, I, do CTN, razão pela qual deve ser reformado, portanto, o acórdão recorrido; ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que seja dado provimento ao presente recurso, para reformar a decisão recorrida no ponto em que reconheceu a decadência do lançamento dos valores referentes ao IRRF incidente no ano calendário 1998, determinandose o retorno dos autos à Câmara a quo para que seja apreciado o mérito do lançamento de IRRF. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da Sétima Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do Despacho nº DEF107142221_180, exarado em 08/09/2008, admitiu o recurso especial nos seguintes termos: [...] O Acórdão desafiado é no sentido de permitir a preliminar de decadência do direito da Fazenda Nacional de lançar os valores relativos ao IR relativamente ao ano de 1998 com fundamento no art. 150 § 4° do CTN. O Procurador da Fazenda Nacional demonstra que a decisão proferida pela e. Câmara a quo violou o art. 173, I do CTN. Sendo assim, estando atendidos os pressupostos legais de admissibilidade do Recurso Especial e demonstrada a situação definida no §1° do art. 15 do mencionado Regimento, no uso das prerrogativas regimentais que me são conferidas, DOU SEGUIMENTO ao requerido pelo Procurador da Fazenda Nacional. Em 12/05/2009, a contribuinte foi intimada do Acórdão nº 10709.127, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso. Tempestivamente, em 27/05/2009, ela apresentou as contrarrazões ao recurso da PGFN, com os argumentos descritos a seguir: da leitura do apelo fazendário resta claro que sua tese está centrada exclusivamente na ausência de pagamento do tributo, o que, a seu ver, afastaria a aplicação do regime próprio dos lançamentos sujeitos a ulterior homologação; Fl. 3071DF CARF MF Processo nº 19515.002088/200383 Acórdão n.º 9101002.703 CSRFT1 Fl. 6 5 pedindo vênia para ir diretamente ao ponto, mesmo porque essa matéria é recorrente nos julgamentos efetuados por essa Corte, quer dizer a Interessada que a jurisprudência administrativa rechaça por completo a tese defendida no Recurso manejado pela Douta Procuradoria. Por todos, a Interessada pede licença para transcrever os seguintes precedentes exarados por essa Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais (ementas transcritas); essas decisões são de rigor técnico, uma vez que a ausência ou insuficiência do recolhimento não tem o condão de modificar o regime jurídico do lançamento definido pela lei que instituiu o tributo; vale dizer, existe uma regra especifica para os casos de lançamento por homologação, consubstanciada no artigo 150, § 4°, do CTN, sendo irrelevante a existência ou não do pagamento, pois esse elemento não integra os pressupostos do lançamento por homologação, que foi uma escolha do próprio legislador quando institui o tributo; ademais, há que se considerar que o pagamento/recolhimento, por ser uma das formas de extinção do crédito tributário, tãosomente exaure a obrigação tributária principal. Por isso, é elemento de aferição vinculado à extinção da obrigação principal, nada interferindo na definição dos elementos necessários ao lançamento por homologação, eis que o que homologa é a atividade e não o pagamento; desta forma, a pretensão recursal da Douta Procuradoria não pode ser acolhida, sendo de rigor o improvimento do apelo ora contraposto; ante o exposto, a Interessada requer seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso interposto pela Douta Procuradoria, mantendose o v. Acórdão Recorrido na parte atacada, pois bem aplicou o direito ao caso presente. Finalmente, vale registrar que a contribuinte também apresentou o seu próprio recurso especial (no caso, recurso especial de divergência), e que o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF negou seguimento a esse recurso, decisão que foi confirmada em caráter definitivo pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 3072DF CARF MF Processo nº 19515.002088/200383 Acórdão n.º 9101002.703 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito apenas ao reconhecimento da decadência de lançamento de IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa (lançamento reflexo da fiscalização de IRPJ). O IR/Fonte em questão incidiu sobre um pagamento realizado pela contribuinte em 22/04/1998, no valor de R$ 12.082.980,00. O acórdão recorrido aderiu à interpretação de que nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador (CTN, art. 150, §4º), e sustenta que a ausência de pagamento do tributo não é razão para que a exação tenha o prazo de decadência contado pelo art. 173 do CTN. O recurso especial da PGFN voltase exatamente para essa questão, e defende a idéia de que a aplicação do prazo decadencial mais curto, previsto no art. 150, § 4º, do CTN depende sim da existência de pagamento. Considerando que a questão principal nesse momento é definir a regra de decadência a ser aqui aplicada, se a do §4º do art. 150 ou a do inciso I do art. 173 ambos do CTN, cabe registrar que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC firmou o seguinte entendimento: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). Fl. 3073DF CARF MF Processo nº 19515.002088/200383 Acórdão n.º 9101002.703 CSRFT1 Fl. 8 7 Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. No sentido inverso, há duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou confissão parciais mesmo. Até porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou confessado pelo contribuinte. No caso em análise, o acórdão recorrido, ao tratar da decadência das exações fiscais, considerou irrelevante a existência de pagamento, pelo que essa decisão merece ser reformada. Com efeito, está comprometido o seu fundamento, amparado num entendimento já superado, de que o que interessa é a atividade exercida pelo contribuinte, e não a presença ou ausência de pagamento. Como o lançamento ocorreu em 15/07/2003, há diferentes resultados para a decadência do crédito tributário cujo fato gerador ocorreu em 22/04/1998, conforme se aplica o prazo previsto no art. 150, §4º, ou no art. 173, I, ambos do CTN. É que em relação a esse fato gerador, o termo inicial para a contagem da decadência pela regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" seria o dia 01/01/1999, e nesse caso o lançamento realizado em 15/07/2003 deixa de estar fulminado pela decadência. Tratandose de lançamento de IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa, não há dúvida de que não houve recolhimento ou confissão do tributo pela contribuinte, nem mesmo recolhimento ou confissão parciais. Tal conclusão é corroborada pela própria natureza do tributo (porque o IR/Fonte possui fatos geradores individuais e instantâneos, de modo que o pagamento de um débito de IR/Fonte não tem influência na verificação da decadência de outro débito de Fl. 3074DF CARF MF Processo nº 19515.002088/200383 Acórdão n.º 9101002.703 CSRFT1 Fl. 9 8 IR/Fonte); pelo tipo de infração apurada (pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa), e pela própria argumentação da contribuinte, que focou especificamente no entendimento (já superado) de que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, a existência de pagamento é irrelevante para a contagem da decadência. Nesse caso, não havendo pagamento e nem confissão do débito ora em questão, deve ser aplicada a regra do art. 173, I, do CTN, de modo que não há decadência para o crédito tributário de IR/Fonte com fato gerador em 22/04/1998. Revertendose a decadência, os autos devem retornar à Turma Ordinária do CARF para que se dê continuidade ao exame das questões acerca da infração propriamente dita, que em momento anterior foram consideradas prejudicadas. Nestes termos, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para afastar a decadência do lançamento de IR/Fonte, e devolver os autos à Turma Ordinária do CARF para que sejam examinadas as demais questões relativas ao cometimento da infração propriamente dita. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 3075DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007982/2003-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. EXTINÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL
Auto de infração que exige débitos de PIS que foram objeto de pedidos de compensação homologados pela RFB, o que, consequentemente, implica o cancelamento da exigência fiscal retrata no lançamento de ofício.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-003.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida UNIÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. EXTINÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL Auto de infração que exige débitos de PIS que foram objeto de pedidos de compensação homologados pela RFB, o que, consequentemente, implica o cancelamento da exigência fiscal retrata no lançamento de ofício. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o caso, adoto o relatório desenvolvido na resolução n. 3803000.002 (fls. 66/68), o que passo a fazer nos seguintes termos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 79 82 /2 00 3- 89 Fl. 336DF CARF MF 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0615.808 , de 18 de outubro de 2007, da DRJ/Curitiba/PR, fls. 24 a 26, que julgou o lançamento procedente, em face da impugnação, fls. 01. A contribuinte, em sua defesa, informou ter compensado os débitos de PIS lançados, relativos ao segundo e terceiro trimestres de 1998, com crédito que apurara de IRPJ no encerramento do exercício de 1997. Apresentou Pedido de Restituição em 27/11/1997, com que constituiu o processo nº 10980.014976/9779, e em face da demora da autoridade administrativa de prover uma decisão, efetuou Pedidos de Compensação dessas contribuição a partir de 07/05/1998. Em julgamento, a DRJ/Curitiba não identificou a existência dos pagamentos informados na DCTF, relativamente ao segundo trimestre, ao tempo em que consignou que o processo de restituição indicado pela Impugnante dá cobertura a outros débitos. Cientificada da decisão de primeira instância em 21 de novembro de 2007, irresignada, apresenta recurso voluntário, fls. 30, em 14 de dezembro de 2007, por meio do qual apenas corrige sua informação, consignando que todos os débitos lançados foram objeto de compensação no processo administrativo nº 10980.014976/9779, e anexa cópias dos pedidos de compensação recepcionados pela Delegacia da Receita Federal de Curitiba e que cobrem os débitos sob exigência 2. Uma vez pautado para julgamento, a então turma julgadora, acompanhando o antigo Relator do caso, Conselheiro Belchior Melo de Sousa, resolveu baixar o caso em diligência para que fossem tomadas as seguintes providências: (...). Pelo exposto, voto por converter o processo em diligência para que a Delegacia da Receita Federal em Curitiba apresente o conteúdo dos processos (sic) nº 10980.014976/9779 em que teriam sido compensados os débitos do terceiro trimestre, conforme a DCTF (e/ou dos débitos de maio a setembro, segundo a defesa), bem assim o débito de abril/1998, fl. 45. (...) 3. O referido processo administrativo foi anexado aos autos, conforme atesta o termo de apensamento de fl. 332. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10980.007982/200389 Acórdão n.º 3402003.849 S3C4T2 Fl. 337 3 5. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, o que passo a fazer nos seguintes termos. I. Da compensação dos débitos aqui exigidos 6. Tendo em vista a clareza da exposição feita pelo antigo Relator do caso na já citada resolução, emprego suas palavras para melhor detalhar o presente processo, o que passo a fazer nos seguintes termos: (...). As DCTFs da contribuinte, de fato, vinculam: i) pagamento aos débitos declarados referentes aos meses de abril a junho; e ii) o processo administrativo nº 10980.014976/9779, já referido, aos meses de julho a setembro. A busca feita pelo sistema operacional da malha não localizou os pagamentos e identificou este processo com outros débitos, segundo a decisão recorrida. Consta dos autos cópia do pedido de compensação apresentado à DRF para anexação ao dito processo de restituição, referente ao débito de abril de 1998, em data anterior ao seu vencimento, 07/05/1998. Ainda que tenha vindo à tona apenas um pedido de compensação este relativo ao debito de abril de 1998 , fl. 45, como comprovação do alegado, penso que a sua presença nos autos justificaria a conversão do julgamento de primeira instância em diligência, para que a Unidade de origem averiguasse a sua legitimidade, bem como a existência e suficiência do crédito para a extinção do dito débito, mesmo que não solicitasse a confirmação quanto aos demais débitos, pela ausência das cópias. Deixouse conduzir, o colegiado a quo, meramente, pelos informes trazidos pelo sistema de malha que embasaram o lançamento e dele constante, não se curvando a apreciar a prova trazida aos autos. Não há na impugnação informação de que houve pagamento para o segundo trimestre de 1998, diversamente do declarado nas DCTFs. A possibilidade do erro de fato do contribuinte, quanto ao dado consignado nessa confissão de dívida, uma vez que a fiscalização de malha abrangia também outro trimestre, para cujos débitos estava vinculado um processo de compensação, haveria de ter reforçado o encaminhamento pela diligência, com o fito de obterse o conteúdo do aludido processo e do seu desfecho, caso tratasse, de fato, de compensação. Neste recurso, a recorrente apresenta as cópias dos pedidos de compensação no dito processo nº 10980.014976/9779, dando conta do registro, neles, de cada débito objeto do lançamento. No caso presente, vejo que é necessária a prova do conteúdo do dito processo, para se ter a certeza de não ter qualquer pertinência com os aludidos débitos ou a insuficiência de crédito para alcançálos. Fl. 338DF CARF MF 4 (...). 7. Pois bem. Da análise do processo administrativo n. 10980.014976/9779 aqui anexado é possível constatar que, após idas e vindas do pedido de compensação, adveio o despacho decisório retificador de fls. 180/191, que assim decidiu: 8. Em suma, é possível afirmar que, com exceção da compensação com débitos conexos ao processo de parcelamento n. 10980.006907/9296, todas as demais compensações perpetradas pelo contribuinte e retratadas no processo administrativo n. 10980.014976/9779 foram homologadas. 9. Dentre tais compensações homologadas, encontramse aquelas (fls. 27/32 do processo administrativo n. 10980.014976/9779) referentes aos débitos aqui exigidos e que são assim discriminados nos pedidos de compensação: Código tributo/contribuição Período de apuração Vencimento Valor do tributo/contribuição 8109 30/04/98 15/05/98 858,12 8109 31/05/98 15/06/98 845,76 8109 30/06/98 15/07/98 952,64 8109 31/07/98 15/08/98 863,99 8109 31/08/98 15/09/98 904,83 8109 30/09/98 15/10/98 681,13 Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10980.007982/200389 Acórdão n.º 3402003.849 S3C4T2 Fl. 338 5 10. Por sua vez, os débitos aqui exigidos encontramse assim discriminados a fl. 21 do presente processo administrativo: 11. Ao comparar os débitos com compensação homologada no processo administrativo n. 10980.014976/9779 com aqueles aqui exigidos (demonstrativo de fl. 21) é possível constatar uma coincidência na casa dos centavos. Logo, resta claro que os débitos aqui exigidos foram objeto de compensação devidamente homologada pela Receita Federal do Brasil, o que implica o cancelamento da exigência fiscal aqui retratada. Dispositivo 12. Diante do exposto, voto para dar provimento integral ao recurso voluntário interposto, cancelando, pois, a exigência fiscal aqui tratada. 13. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.004251/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMO EMPREGADO NO PROCESSO PRODUTIVO. CARÊNCIA PROBATÓRIA QUANTO À ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Impossibilidade de reconhecimento de crédito presumido de IPI objeto de pedido administrativo de ressarcimento na ausência de material probatório mínimo apto a fundamentar que as operações praticadas pela contribuinte consistiria em industrialização e não simples revenda de mercadoria.
Numero da decisão: 3401-003.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMO EMPREGADO NO PROCESSO PRODUTIVO. CARÊNCIA PROBATÓRIA QUANTO À ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Impossibilidade de reconhecimento de crédito presumido de IPI objeto de pedido administrativo de ressarcimento na ausência de material probatório mínimo apto a fundamentar que as operações praticadas pela contribuinte consistiria em industrialização e não simples revenda de mercadoria.
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E EXP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMO EMPREGADO NO PROCESSO PRODUTIVO. CARÊNCIA PROBATÓRIA QUANTO À ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Impossibilidade de reconhecimento de crédito presumido de IPI objeto de pedido administrativo de ressarcimento na ausência de material probatório mínimo apto a fundamentar que as operações praticadas pela contribuinte consistiria em industrialização e não simples revenda de mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vicepresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rodolfo Tsuboi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 42 51 /2 00 6- 11 Fl. 376DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, fundado nos dispositivos da Lei n° 9.363/96, relativo ao segundo trimestre de 2001, no valor de RS 702.564,21, formulado em 10/02/2005 por meio do programa PER/DCOMP. 2. Reproduzimos, abaixo, pela fidelidade aos fatos, trecho do relatório presente na Resolução n° 20300.918, julgada em sessão de 03/09/2008: "(...) diante da documentação obtida junto à interessada e carreada para o processo, a Seort indeferiu totalmente o pedido por meio de Despacho Decisório por entender que a empresa não realizou operações de industrialização e sim de simples revenda de mercadorias adquiridas no mercado interno. Para assim ter deliberado, fundamentouse nos fatos de que, tanto na DIPJ, quanto nos livros fiscais, não há a indicação de que tenha havido a industrialização, já que os campos próprios de preenchimento das respectivas informações estão zerados, bem como que, tanto nas notas fiscais de aquisição junto aos seus fornecedores, quanto nas suas notas fiscais de saídas para exportação, constava 'madeira serrada'. Além disso, no objetivo social constante do contrato social não consta a atividade de industrialização e tampouco a empresa escritura o Livro de Apuração do IP1. Na Manifestação de Inconformidade, a interessada, inicialmente, argumenta que se trata, sim, de uma empresa industrial exportadora e que opera com a finalidade precípua de industrialização da madeira, atuando, mais especificamente, na etapa final da cadeia produtiva, qual seja, o seu beneficiamento e o seu acondicionamento. Em sede de preliminar, pede a nulidade do Despacho Decisório por ter sido o mesmo elaborado sem que tivesse sido realizada uma diligência fiscal junto ao seu estabelecimento, o que, a seu ver, resultou numa análise superficial e rasteira dos documentos, com fundamentos de decisão neles garimpados e, por isso mesmo, insustentáveis perante os eventos legais e fáticos que amparam a sua pretensão. Outro motivo para justificar o pedido de nulidade se prende ao fato de que o agente julgador deveria ter inscrição no Conselho Regional de Contabilidade. No mérito, inicia transcrevendo dispositivos do Regulamento do IPI nos quais julga que suas atividades estejam subsumidas, as quais descreve em detalhes, para reforçar a ideia de que é uma empresa industrial. Diz ainda a Impugnante que o fato de as notas fiscais de aquisição conterem a expressão "madeira para exportação" não significa que as mesmas não possam vir a receber um processo de industrialização na etapa seguinte, e que, além disso, é norma da Secretaria Estadual de Fazenda fazer tal exigência por conta dos benefícios fiscais que concede aos produtores. Rechaça também o fundamento de que a coincidência de medidas da madeira, quer, na nota fiscal de entrada, quer na nota fiscal de Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10280.004251/200611 Acórdão n.º 3401003.238 S3C4T1 Fl. 377 3 saída, estaria a indicar que não houve realmente a industrialização, visto que não houve a diligência fiscal para validar tal argumento e que o processo produtivo é mais complexo e não se limita a medidas das peças produzidas. Justifica a ausência de escrituração de livros relacionados à apuração do IPI por ter sua atividade voltada para a exportação, bem como pelo fato de seus fornecedores lhe venderem produtos NT. Assim, não lida com créditos nem com débitos do referido imposto, daí entender não se ver obrigado à escrituração. Ademais disso, sua condição de industrial não poderia ser retirada pela falta de cumprimento de mera obrigação acessória. Quanto à ausência de informações que pudessem conduzir ao entendimento que exerce a interessada atividade industrial, quer por conta das omissões na sua DIPJ, nos livros de entrada e de saída de mercadorias, nas notas fiscais de saída, e no seu contrato social, atribui a erros de preenchimento e a um "erro societário", não podendo os mesmos prevalecer sobre a realidade fática. Por fim, pede a Impugnante o reconhecimento também do direito à atualização monetária do crédito ora postulado, bem como a realização de perícia. A 3ª Turma da DRJ em Belém PA, entretanto, não considerou os argumentos da interessada, indeferindoos integralmente em decisão assim ementada: Acórdão DRJ nº 018793, de 2007 Imposto sobre Produtos Industrializados IPI CREDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. O direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, é condicionado à comprovação de que os produtos exportados foram efetivamente industrializados pela empresa, com a utilização dos insumos para tal adquiridos. No Recurso Voluntário a interessada praticamente repete as argumentações postas na sua Manifestação de Inconformidade, enfatizando que o presente caso deve ter como norte a obediência ao princípio da primazia da realidade, ou seja, o que ocorre na prática deve prevalecer sobre os documentos, de sorte que reste caracterizada a sua condição de industrial e não de mero revendedor de mercadorias. Fez ajuntada de um "Laudo Técnico", elaborado por Engenheiro Florestal, segundo o qual fica demonstrado que efetivamente realiza a industrialização dos produtos que exporta. Aduz ainda, para refutar as coincidências de descrição da madeira nas notas fiscais de compra e de venda, que, segundo a TIPI, tanto a madeira simplesmente serrada que adquire e que constitui em sua matéria prima, quanto a madeira beneficiada (classificada, tratada quimicamente, Fl. 378DF CARF MF 4 secada/estufada, refilada, destapada e aplainada), possuem o mesmo código, qual seja '4407.24.10'". 3. O Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, que nos antecedeu na presente relatoria, votou por condicionar o reconhecimento do direito ao ressarcimento a uma nova análise por parte da unidade de origem, convertendo, assim, o julgamento em diligência para nova análise nos cálculos que resultaram no montante pleiteado, nos seguintes termos: "Em face de todo o exposto, da documentação carreada ao processo, dos argumentos trazidos pela Recorrente, bem como do debate que travamos nesta Sessão, reconheço que suas atividades são de industrialização (beneficiamento), porém, condiciono o reconhecimento do direito ao ressarcimento a uma nova análise por parte da Unidade de origem, bem como que sejam procedidas às retificações nos livros Reg. de Entradas e de Saídas, que seja escriturado o Livro Reg. Apuração de IPI, conforme explicitado acima. Assim, fica o presente julgamento convertido em diligência para que a Unidade de origem, caso atendidas as condições acima, proceda a uma nova análise nos cálculos que resultaram no montante ora pleiteado. Nessa análise e a bem da ênfase, poderá a Unidade de origem fazer as considerações que julgar pertinentes acerca do processo produtivo da empresa, caso sua diligência resulte em informação relevante acerca do mesmo. A interessada deverá ser cientificada quanto ao resultado da diligência, podendo, no prazo de trinta dias, se manifestar a respeito". 4. O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém lavrou o termo de início de diligência fiscal, e intimou o contribuinte a apresentar (a) o livro Registro de Entradas dos anos calendário de 2000 e 2001, devidamente retificado e autenticado pelo órgão competente; (b) o livro Registro de Saídas dos anos calendário de 2000 e 2001, devidamente retificado e autenticado pelo órgão competente; e (c) o livro Registro de Apuração do IPI dos anos calendário de 2000 e 2001, devidamente autenticado pelo órgão competente. 5. Entretanto, as tentativas de intimar a contribuinte se mostraram infrutíferas, o que culminou com a expedição de edital eletrônico: “(...) improfícuas as tentativas de localização do contribuinte no seu domicílio fiscal, mesmo por via postal. Constatouse que a PJ encontrase inativa desde o ano calendário de 2009 (vide relação de DIPJ’s em anexo). Por esta razão, a ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal se deu por Edital (Edital Eletrônico nº 000645759, em anexo), em 24/07/2014. 3) Esgotado o prazo concedido ao contribuinte para apresentação do Livro Registro de Entradas (retificado), do Livro Registro de Saídas (retificado) e do Livro Registro de Apuração do IPI, sem que o mesmo tenha se manifestado, consideramos não cumprida a condição para a realização de nova análise dos cálculos do Crédito Presumido do IPI pleiteado, motivo pelo qual deixamos de fazêla”. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10280.004251/200611 Acórdão n.º 3401003.238 S3C4T1 Fl. 378 5 6. Tendo retornado os autos a este Conselho, foi proferida a Resolução n° 3401000.887, julgada em sessão de 28/01/2015 para a finalidade de intimar a contribuinte no endereço de seus sócios. 7. Após restarem infrutíferas as tentativas de intimação postal no endereço dos sócios, foi lavrado o edital eletrônico. Decorrido o prazo legal para que a contribuinte se manifestasse, os autos retornaram. É o Relatório. Voto Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 8. A contribuinte requereu o reconhecimento de sua condição como empresa exportadora, fazendo jus ao benefício fiscal instituído pela Lei nº 9.363/1996, e, em decorrência, que fosse reconhecida a totalidade do crédito pleiteado na PER/DCOMP, devidamente atualizado. 9. O processo de industrialização da recorrente é descrito da seguinte forma: (a) Compra e classificação da matériaprima: aquisição de madeira em bruto dos diversos centros produtores e sua reunião em local único, onde é feita a sua classificação. A classificação consiste em separálas por tipo, tamanho e qualidade, sendo, ao final, remetidas para a planta industrial. (b) Recepção e classificação da matériaprima: descarregamento e estocagem no pátio da indústria. Segunda classificação: as espécies e tamanhos de madeiras são classificadas em consonância com os tipos de pedidos efetuados pelos clientes e empilhadas para direcionamento para a próxima etapa. (c) Secagem: a madeira é colocada em estufas (próprias ou terceirizadas) nas quais é submetida a calor a vapor de modo a se obter o grau de umidade ideal para o produto final, ocorrendo aqui a primeira modificação em relação ao estágio da matériaprima no seu estágio inicial, visto que, nesta etapa, sua concentração de umidade, peso e espessura já não correspondem aos da matériaprima que iniciou o processo produtivo.Pode ser dar também ao ar livre. O tempo de secagem varia em função do tipo de madeira, umidade anterior e umidade desejada, podendo durar dias ou semanas. (d) Beneficiamento: após a secagem, a madeira é transportada para os equipamentos responsáveis pelo beneficiamento, onde sofre: (a.i) refilamento: transformação de uma pela de madeira em duas ou mais; (a.ii) destopo: corte transversal para determinar o comprimento da peça, transformando uma peça em uma ou mais peças com tamanho determinado; (a.iii) aplainamento: retoques em alguns ou em todos os lados do produto. Fl. 380DF CARF MF 6 Nesta fase fica a matériaprima já transformada em produto acabado com largura e comprimento determinado pelo adquirente através de pedido previamente formulado e diferente da matériaprima inicial, inclusive pela aplicação de materiais intermediários. (e) Embalagem: empilhados, embalados e transportados para embarque nos containeres para envio ao porto. 10. Em vista do laudo apresentado, que conta, ainda, com detalhes e fotos que lançam luz sobre o processo produtivo da empresa, associados à verossimilhança das alegações, parecenos inegável que a contribuinte realiza operações de industrialização nos termos da legislação pertinente, em especial, o art. 4º do Decreto nº 2.637/1998 (Regulamento do IPI), em vigor à época dos fatos: Decreto nº 2.637/1998 (Regulamento do IPI) Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: I a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. 11. Esta também foi a mesma conclusão a que chegou o conselheiro que nos antecedeu na presente relatoria, na fundamentação do voto que deu origem à Resolução n° 20300.918, julgada em sessão de 03/09/2008: "Do conjunto das informações e documentos constantes do processo, bem como do confronto do processo produtivo com os dispositivos do RIPI/98 que caracterizam a industrialização, especialmente o inciso II, do artigo 4o , Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10280.004251/200611 Acórdão n.º 3401003.238 S3C4T1 Fl. 379 7 acima reproduzido, me convenci de que as atividades da empresa são efetivamente a de industrialização (beneficiamento), não podendo ser tratada como mera revendedora de madeiras. Com esse entendimento, afasto a motivação dada pela autoridade fiscal para considerar que a empresa não é um estabelecimento industrial, qual seja: a) o fato de o contrato social não dispor sobre a atividade industrial; b) o fato de não possuir ela escrituração do Livro Reg. Apuração do IPI; c) o fato de o Livro Reg. de Entradas e o Livro Reg. de Saídas não conterem registros de operações relacionadas especificamente ao processo produtivo (respectivamente, operações registradas sob o CFOP 1.11 e 2.11, que se referem a compras para industrialização, sob o CFOP 7.11, que sé refere a vendas da produção do estabelecimento para o mercado externo); d) o fato de na DIPJ ter sido informado o valor do custo das mercadorias vendidas e não o custo de produção de fabricação própria, e também ter sido deixado em branco o campo correspondente às aquisições de matériaprima, material secundário e material de embalagem para utilização no processo produtivo; e) o fato de nas notas fiscais de aquisição constar como produto adquirido "madeiras serradas", sendo que idêntica expressão consta das notas fiscais de saída; e f) o fato de as notas fiscais de venda ter sido utilizado o código 7.12, que significa vendas de mercadorias adquiridas de terceiros para o mercado externo, em vez do código 7.11, que significa as vendas da produção do estabelecimento pra o mercado externo. Embora tenha de admitir que a empresa está completamente equivocada ao não seguir a determinação expressa contida no artigo 345 do RIPI/98 no sentido de que, em sendo um estabelecimento industrial, deva preencher corretamente os livros fiscais correspondentes, especialmente o Livro Reg. de Apuração do IPI, não creio que esse e os demais equívocos acima reproduzidos e assumidos pela empresa, possam inviabilizar o seu direito ao aproveitamento dos benefícios trazidos pela Lei nº 9.363, de 1996, caso, realmente, se confirmem procedente os valores pleiteados. Primeiro, porque, na linha do que alega a Recorrente, entendo que deva prevalecer a realidade fática sobre a realidade documental, embora, admita, não se possa ter isso como regra absoluta. Ocorre que neste processo e abstendome de considerar relevantes e prejudiciais os erros, aliás, confessos, da Recorrente, no preenchimento de notas fiscais, de livros, da DIPJ, contrato social etc., os documentos estão a demonstrar claramente quais foram os valores formadores do crédito presumido que ora pleiteia, de maneira que, corrigidos tais equívocos, nada estaria a impedir que seu pedido pudesse ser analisado, desta feita, sob o manto, ou melhor, tendo cumprido as formalidades mínimas exigidas para tal. Assim, não obstante as regras que tratam da concessão do crédito presumido de IPI, quer as estipuladas na própria Lei n° 9.363/96, quer as na IN SRF n" 419, de 10/05/2004 e na IN SRF n° 441, de 11/08/2004, não condicionarem a fruição do benefício à escrituração do RAIPI, por certo, esse procedimento é Fl. 382DF CARF MF 8 o mínimo que se pode esperar de um estabelecimentoque se diz industrial e que deseja se aproveitar dos benefícios legais. Para mim, não vale o argumento trazido pela DRJ de que o artigo 16 da citada IN SRF n° 419, de 2004, conteria a regra para a obrigatoriedade do RAIPI, visto que o referido dispositivo foi direcionado para empresas industriais que possuem mais de um estabelecimento7, o que, até onde se sabe pelos presentes documentos, não é o caso. Por conta desses argumentos, direciono meu voto no sentido de reconhecer que o estabelecimento é industrial, embora deva enfrentar outros argumentos do Fisco mais adiante (...). (...).Tampouco, acrescento, consta de sua razão social. Mas, para mim, isso não se reveste em condição essencial para que determinada empresa seja considerada ou não como executora de operações de industrialização; o que deve prevalecer são os atos que pratica, não os que se dispôs a praticar, embora seja salutar que haja tal coincidência entre ambos. Como dito acima, resta agora deliberar sobre o outro argumento utilizado pela DRF para negar o direito ao crédito presumido, qual seja, o fato de, nas notas fiscais de aquisição de matériaprima (madeira), constar a expressão "para exportação", o que estaria a indicar que o fornecedor não seria contribuinte do PIS/Pasep e da Cofins, e, portanto, não haveria que se falar em restituição de ditas contribuições sob a forma do crédito presumido de IPI em favor da ora Recorrente. Realmente, na totalidade das notas fiscais de aquisição de madeira consta, na descrição dos produtos, a expressão "madeira para exportação". Além disso, também consta no campo "Informações Complementares" das ditas notas fiscais, um carimbo com os dizeres: 'Mercadoria destinada à exportação. Não incidência do I.C.M.S. conforme Lei n](...)'. A Recorrente se defende, primeiro, dizendo que os profissionais que preenchem os documentos fiscais nem sempre são providos de condições para compreender a língua portuguesa, que reputa complexa mesmo para especialistas, de modo que, onde está escrito "madeira para exportação", deve se entender "madeira tipo exportação". Ou seja, não seria a nota fiscal de entrada o fator determinante para se definir se haveria ou não industrialização por parte do adquirente. Divirjo da Recorrente quanto aos seus argumentos, mas, ao final das contas, concluo no mesmo sentido, já que, para mim, o significado daquela expressão "madeira para exportação" é um só, qual seja, tratase, efetivamente, de madeira que, industrializada ou não, terá como destino final o exterior, o que não significa dizer que o fornecedor emitente desta nota estará livre do pagamento do PIS/Pasep e da Cofins, pois, afinal, não terá sido ele o exportador, mas sim o estabelecimento para o qual ele forneceu as madeiras. Em outras palavras, o fornecedor da ora Recorrente, ao lhe vender as madeiras não incorreu numa operação imune à incidência do PIS/Pasep e da Cofins, já que realizou uma venda no mercado interno, e isso pode ser comprovado pela natureza da operação (venda) e o CFOP que inseriu nas suas notas fiscais (5.11, que indica venda no mercado interno). Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10280.004251/200611 Acórdão n.º 3401003.238 S3C4T1 Fl. 380 9 Assim, afasto também o argumento da autoridade fiscal de que as matérias primas adquiridas não sofreram a incidência do PIS/Pasep e da Cofins, podendo, em princípio integrar a base de cálculo para determinação do crédito presumido de IPI." (seleção e grifos nossos). 12. Contudo, ainda que concorde com os argumentos acima formulados, assiste razão à autoridade de primeira instância administrativa na medida em que a descrição do produto nas notas fiscais de entrada e nas notas fiscais de saída é praticamente a mesma, indício de que não teria ocorrido industrialização, mas simples operação de compra e venda, não sendo possível se afirmar, com clareza, se ocorreu uma ou outra. 13. Não havendo certeza sobre os fatos, o reconhecimento do direito ao ressarcimento está condicionado à produção de material probatório mínimo que dê sustentação às alegações formuladas pela recorrente, não sendo possível se afirmar com a clareza necessária nem o crédito a que a contribuinte teria direito, nem se a totalidade das matérias primas indicadas teriam efetivamente passado pelo processo de beneficiamento 14. Neste sentido, principalmente em razão da ausência dos livros Registro de Apuração do IPI e do Registro de Entradas e de Saídas, uma vez que as repetidas tentativas de intimação da contribuinte e da pessoa de seus sócios resultaram infrutíferas, e em que pese reconhecer expressamente a contribuinte como produtora exportadora, não há como reconhecer o crédito por ela pleiteado em virtude de carência de material probatório apto a fundamentar que as operações praticadas pela recorrente consistiram em industrialização e não simples revenda de mercadoria. 15. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000878/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada.
Fez sustentação oral, pelo contribuinte, a advogada Diana Piatti Lobo, OAB/SP nº. 241.582.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, a advogada Diana Piatti Lobo, OAB/SP nº. 241.582. Relatório Em desfavor do contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração de fls. 192 e seguintes, exigindolhe o imposto de renda das pessoas físicas no valor de R$ 713.590,25, acrescido de multa de ofício proporcional de 150% e mais juros de mora, calculados pela taxa Selic. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 87 8/ 20 07 -5 8 Fl. 342DF CARF MF Processo nº 19515.000878/200758 Resolução nº 2202000.729 S2C2T2 Fl. 343 2 A infração referese a 06 depósitos bancários com origem dos recursos não comprovada, nos anos de 2001 e 2002 (fl. 193). Aponta o Auditor Fiscal, em seu Termo de Verificação (fl. 184) que: a) esta ação fiscal é baseada no trabalho da Equipe Especial de Fiscalização, que apoiada na decisão do Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, autorizou a quebra de sigilo bancário de contas mantidas no exterior por Instituições Financeiras que atuavam como prepostos de pessoas físicas e jurídicas representadas por cidadãos brasileiros, relativas ao MTBHUDSON BANK e outros, realizado a partir da CPMI do BANESTADO. O Juízo autorizou o compartilhamento de todos esses dados com a Receita Federal, o Bacen e a Coaf, para instruir as atividades específicas desses órgãos. b) foi iniciada pelo Termo de Início da Ação Fiscal e o contribuinte foi intimado a apresentar, dentre outros, documentos comprobatórios da origem dos recursos movimentados no exterior. Respondeu que fizera várias remessas ao exterior e que não localizara a documentação completa. c) o contribuinte aqui identificado está plena e suficientemente caracterizado como remetente de recursos não declarados ao exterior, sem utilização do Sistema Financeiro Nacional através do Banco Central, e como originário de ordens de pagamento. Contribuinte omitiu rendimentos nas Declarações do Imposto de Renda Pessoa Física Declaração de Ajuste Anual nos anos calendário de 2001 e 2002, e comprovou apenas parcialmente a origem dos valores transferidos para o exterior. d) o contribuinte já havia sido autuado pela constatação de Variação Patrimonial a Descoberto e esta nova ação fiscal tem a Autorização para reexame de período já fiscalizado, doc. de fl. 4. Naquela ação fiscal não foram consideradas as operações destas transações com o exterior, não conhecidas até o final daquele trabalho. e) foi aplicada a Multa Qualificada de 150%, considerando que o contribuinte agiu com dolo, evidente intuito de fraude e simulação, definido nos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64. Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação, na fl. 205, que foi assim tratada pela DRJ em São Paulo/SP II, em resumo, para considerar o lançamento procedente: a) não se cogita nenhuma nulidade no procedimento fiscal e não há que se falar em cerceamento de defesa; b) tratandose de lançamento de ofício, a regra decadencial é aquela do artigo 173, I, do CTN; c) está caracterizada nos autos a omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas poderia refutar a presunção legal; d) configurado o dolo, impõese a aplicação da multa qualificada; e) são devidos os juros de mora com base na taxa Selic. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 19515.000878/200758 Resolução nº 2202000.729 S2C2T2 Fl. 344 3 Cientificado dessa decisão em 10/03/2009, conforme AR na folha 280, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/04/2009, com protocolo na fl. 283. Em sede de recurso, resumidamente, assim expõe suas razões: 1 o contribuinte tomou ciência do termo de início de fiscalização que o intimou a comprovar a origem de recursos movimentados no exterior. A fiscalização juntou documentos com o objetivo de indicar o contexto do qual decorreria a ação fiscal, inclusive extratos de movimentações financeiras que o envolveriam. Os extratos contém expressões em língua estrangeira, sem tradução para o vernáculo. Ademais, nenhum deles aponta o recorrente como beneficiário de quaisquer recursos. 2 as análises realizadas pelos peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC) restringiramse a mídias computacionais que não foram juntadas aos autos. 3 o contribuinte esgotou as providências a seu alcance para demonstrar que não tivera qualquer envolvimento com as movimentações financeiras em questão, o que se pode concluir a partir da análise dos referidos extratos. 4 o lançamento aqui debatido já havia sido atingido pela decadência no momento em que o recorrente foi notificado de sua lavratura. 5 faz longa explanação sobre omissão de rendimentos e as presunções no direito, analisa a presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, para concluir que não foi cabalmente demonstrada a correspondência entre a possibilidade legal e o fato concreto. Seria impossível que fosse beneficiário de qualquer depósito bancário em conta do MTB Hudson Bank, pois nunca possuiu conta naquela instituição. 6 a despeito da impossibilidade da presunção legal de omissão de rendimentos, o Auto de Infração carece de qualquer substância, pois se reporta a situações que não configuram o fato gerador do IRPF. 7 descabe a aplicação da multa de 150%, uma vez que não se pode presumir o dolo específico nem a fraude. 8 impossibilidade de se exigir juros sobre a multa punitiva e ilegalidade dos juros com base na taxa Selic. PEDE o cancelamento integral do auto de infração, ou, alternativamente, a inaplicabilidade da multa qualificada e dos juros sobre a multa de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é aquela existente após a digitalização do processo, transformado em arquivo magnético (arquivo .pdf) Fl. 344DF CARF MF Processo nº 19515.000878/200758 Resolução nº 2202000.729 S2C2T2 Fl. 345 4 No Termo de Início de Fiscalização, cuja cópia está na fl. 06, do qual o contribuinte admite ter sido regularmente intimado, consta uma lista de 08 depósitos realizados nos anos de 2001 e 2002, "através de conta mantida no MTB HUDSON BANK". No Termo de Verificação Fiscal, que consta das fls. 184/5, afirma a fiscalização que "evidenciouse que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior, à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando Operações, remetendo valores ou se beneficiando desses procedimentos. Neles, este contribuinte utilizou essas contas". Transcrevo ainda: 5) Para examinar os fatos e documentos mencionados, foi constituída a Equipe Especial de Fiscalização, nos termos da Portaria SRF n° 463/04. Os trabalhos limitaramse à verificação documental e da mídia eletrônica, compartilhados judicialmente com a Receita Federal, que identificou os contribuintes nacionais participantes das operações. 5.l) Esse trabalho resultou em Representação Fiscal contendo resumos das operações de remessa que contém: a) CPF do contribuinte e identificação do ordenante; b) valor USD, c)data da remessa e número de referência; d) banco e número da conta recebedora beneficiária; e) banco e número da conta originária, entre outras informações, conforme documentos de fls. 18 a 26. 5.2) A Equipe Especial de Fiscalização enviou às unidades locais, através da Representação Fiscal, os seguintes documentos de fls. 41 a 47. a) Os Laudos Periciais Federais denominados “Laudos de Exame EconômicoFinanceiro”: Laudo n° 1258/2004INC, Laudo n° 2.149/2005INC, Laudo n.° 1.284/2005INC, Laudo n.° 2.504/2005 INC e Laudo n° 104/2006INC, elaborados pelo Instituto Nacional de Criminalística da Policia Federal, para cada conta/subconta onde foram localizadas transações (confere com a cópia fornecida pelo Departamento de Policia Federal, Diretoria de Combate ao Crime Organizado, Divisão de Repressão aos Crimes Financeiros, Força Tarefa CC5 CuritibaPR); b) A relação das ordens de pagamento das contas em que este Contribuinte constou como ordenante (confere com a cópia fornecida pelo Departamento de Policia Federal, Força Tarefa CC5); c) Cópias das ordens de pagamento em que este contribuinte constou como ordenante. 6) De acordo com esses elementos compartilhados judicialmente, elaborei os valores que foram objeto da intimação ao contribuinte no Termo de Início de Ação Fiscal, que respondeu declarando desconhecer aquelas transações, que não teriam sido realizadas nem autorizadas por ele. Não apresentou extratos bancários nem outros documentos ou comprovantes. (sublinhei) Bem, nas folhas mencionadas 19 a 27 (18 a 26 na numeração original do papel) não encontro "documentos" fornecidos pela instituição financeira ou pelo Poder Judiciário mas informações compiladas pela própria Receita Federal. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 19515.000878/200758 Resolução nº 2202000.729 S2C2T2 Fl. 346 5 Na folha 42 consta o Laudo nº 1258/04INC (Instituto Nacional de Criminalística) denominado Laudo de Exame Econômico Financeiro onde os peritos fazem referência a mídias eletrônicas. Temos que (fl. 48): ... os Peritos segregaram e consolidaram as operações de transferências de recursos, tanto a débito quanto a credito, das contas e subcontas administradas pela Beacon Hill, esclarecendo que os eventuais relacionamentos e outros detalhes específicos serão objeto de outros laudos periciais, inclusive com a análise de seus dossiês, que serão apresentados individualmente conforme solicitado através do Memo n° 351/04PF/'FT/SR/DPF/PR . Em seu julgamento, a DRJ afirmou que (fl. 267): A relação das ordens de pagamento das contas em que o contribuinte constou como ordenante fornecida pelo Departamento de Polícia Federal, que integra o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 1258/04INC (fls. 41/47) foi gerado pelos peritos do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal de Arquivo eletronicamente autenticado denominado “CDR” (que não permite alterações posteriores), consistindo em prova hábil e válida, com indicação do impugnante como responsável por transferências bancários para o exterior. O impugnante alega, também, que a precariedade instrutória do Auto de Infração acarreta sério cerceamento de defesa ao impugnante e cita julgado do Conselho de Contribuintes, que decide pela nulidade do lançamento no caso de cerceamento do direito de defesa por desconhecimento, pelo sujeito passivo, dos fundamentos materiais da imposição tributária. Esta turma já se manifestou sobre semelhante caso, de movimentação de recursos em contas no MTB Hudson Bank, anteriormente. Vejamos que no Acórdão 2202 003.058, de 09 de dezembro de 2015, o relator, Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, ao analisar a questão da validade das provas e as alegações do contribuinte sobre a não demonstração de ser titular de recursos no exterior, assim dispôs: As mídias digitais das movimentações financeiras foram analisadas pelos Peritos Criminais Federais do Instituto Nacional de Criminalistica INC, órgão técnico do Departamento da Policia Federal, que elaboraram os Laudos de Exame Econômico Financeiros, com o objetivo de trazer elementos de provas necessários a identificar os relacionamentos existentes e consolidar a movimentação financeira para cada conta examinada. Todos os dados obtidos, sejam em papel (dados cadastrais) como em meio digital (movimentação financeira) foram obtidos de forma lícita, mediante autorização judicial da Justiça Federal do Paraná e da Justiça dos Estados Unidos da América. Os dados da movimentação financeira da conta bancária mantida pela empresa (...) S/A foram detalhados no laudo elaborado pelos peritos do INC da Polícia Federal, que possui força probante suficiente para sustentar o presente lançamento de ofício. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 19515.000878/200758 Resolução nº 2202000.729 S2C2T2 Fl. 347 6 Aqui nestes autos, apesar do Auditor Fiscal mencionar no TVF quatro laudos elaborados pelo INC, apenas um encontrase anexado e, de fato, nenhuma referência é feita ao contribuinte recorrente, especificamente. Não se sabe que contas/subcontas teria movimentado (listagem no item 23. fl. 45) e seu detalhamento. Assim sendo, principalmente considerando as alegações do recorrente, desde a fase que precedeu a lavratura do Auto de Infração, de que jamais realizou as operações que lhe são imputadas, entendo ser imprescindível que constem destes autos os laudos periciais completos, onde se possa verificar a relação entre o contribuinte e as contas bancárias, com detalhamento. Além disso, o contribuinte alega que: "Em momento algum a fiscalização apresentou explicações ou esclarecimentos a respeito das rubricas ... indicadas, as quais serviriam de guia para a compreensão das informações contidas na Representação Fiscal". Salutar, para evitar qualquer alegação de cerceamento de defesa, que a fiscalização indique ao contribuinte o significado das seguintes expressões (fl 19 e ss): (i) valor; (ii) currency; (iii) in_out; (iv) value_date; (v) account number; (vi) reference; (vii) originator; (viii) original bank; (ix) instructing bank; (x) beneficiary bank; (xi) beneficiary info; (xii) bene_account_num; (xiii) senders_aba_num; (xiv) senders_name; (xv) receivers_aba_num; (xvi) receivers_name; (xvii) imad_num; (xviii) beneficiary bank 2; (xix) originator bank in; (xx) bank to bank; (xxi) intermediary bank; (xxii) identificados. Em conclusão, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que: a) sejam anexados os laudos elaborados pelos peritos federais, mencionados na alínea a) do item 5.2 do Termo de verificação Fiscal, indicando a discriminação das contas analisadas e vinculando este contribuinte a movimentações financeiras; b) sejam esclarecidos ao contribuinte os significados das expressões contidas na representação fiscal enviada pela Equipe Especial de Fiscalização, conforme fls. 19 a 27, acima especificadas. c) seja dada ciência ao contribuinte do teor desta Resolução e do resultado das diligências, abrindolhe prazo de trinta (30) dias para, querendo, manifestarse. Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 347DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13746.000831/2001-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CTN. NÃO APLICAÇÃO
A regra prevista no artigo 166 do Código Tributário Nacional somente se aplica aos chamados tributos indiretos. O imposto de renda previsto no artigo 35, da Lei nº 7.713, de 1988, é tributo direto, não lhe sendo aplicável a aludida condição por ocasião da apresentação de requerimento de restituição.
É pacífica a jurisprudência do CARF a respeito da legitimidade da empresa que tenha recolhido indevidamente valores a título de ILL para pleitear a restituição do respectivo indébito.
Numero da decisão: 2201-003.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral que negava provimento.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 12/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CTN. NÃO APLICAÇÃO A regra prevista no artigo 166 do Código Tributário Nacional somente se aplica aos chamados tributos indiretos. O imposto de renda previsto no artigo 35, da Lei nº 7.713, de 1988, é tributo direto, não lhe sendo aplicável a aludida condição por ocasião da apresentação de requerimento de restituição. É pacífica a jurisprudência do CARF a respeito da legitimidade da empresa que tenha recolhido indevidamente valores a título de ILL para pleitear a restituição do respectivo indébito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CTN. NÃO APLICAÇÃO A regra prevista no artigo 166 do Código Tributário Nacional somente se aplica aos chamados tributos indiretos. O imposto de renda previsto no artigo 35, da Lei nº 7.713, de 1988, é tributo direto, não lhe sendo aplicável a aludida condição por ocasião da apresentação de requerimento de restituição. É pacífica a jurisprudência do CARF a respeito da legitimidade da empresa que tenha recolhido indevidamente valores a título de ILL para pleitear a restituição do respectivo indébito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral que negava provimento. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 12/04/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 08 31 /2 00 1- 07 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13746.000831/200107 Acórdão n.º 2201003.509 S2C2T1 Fl. 167 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 84/88, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 76/79, que negou provimento à manifestação de inconformidade da RECORRENTE, no sentido de não reconhecer o direito creditório do valor trazido a litígio em razão da sua ilegitimidade para requerer a restituição do ILL pleiteada. A RECORRENTE pleiteou, às fls. 02/06, a restituição do Imposto sobre Lucro Líquido – ILL, relativo aos períodos de 1990 a 1993, anosbase de 1989 a 1992, no valor total de R$ 176.964,82 (à época do pedido). Após a confirmação dos recolhimentos apontados por meio das guias de fls. 32/34, foi proferido Despacho Decisório indeferindo a restituição pleiteada, na medida em que a RECORRENTE não seria a contribuinte do tributo em questão, pois cabialhe, tão somente, a retenção e recolhimento dos valores. De acordo com referido Despacho Decisório, o contribuinte do ILL era o sócio quotista, o acionista ou o titular da empresa (fls. 43/45). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada, a RECORRENTE apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 48/52, alegando, em apertada síntese, que possui legitimidade para pleitear a restituição do ILL, uma vez que a regra estabelecida pelo art. 166 do CTN não se aplica ao caso de restituição de ILL recolhidos indevidamente. No seu entendimento, o ILL se trata de imposto direto, com base na jurisprudência administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 76/79 dos autos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório da RECORRENTE., conforme acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13746.000831/200107 Acórdão n.º 2201003.509 S2C2T1 Fl. 168 3 1990, 1991, 1992, 1993 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. TRANSFERÊNCIA DO ÔNUS FINANCEIRO. A fonte pagadora, na qualidade de sujeito passivo responsável pela retenção e pelo recolhimento do imposto, tem legitimidade para formalizar pedido de restituição de ILL, devido exclusivamente na fonte, desde que comprove haver assumido o ônus tributário ou estar autorizada pelos que o suportaram. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora de primeira instância alegou que “figuram na condição de contribuinte do ILL os beneficiários dos pagamentos efetuados a título da distribuição de lucros – sócios quotistas e titulares de empresas individuais –, e na condição de responsáveis tributários todas as sociedades e empresas individuais que tenham distribuído lucro no períodobase, excetuadas as sociedades constituídas por ações” e que a fonte pagadora “repassa ao beneficiário o valor devido em razão de uma relação obrigacional, descontando o valor do imposto retido” que é recolhido aos cofres da Fazenda Pública. Neste sentido, concluiu que, por se tratar de recolhimento de tributos efetuados pelo responsável tributário, em substituição do contribuinte, em razão de prévia retenção na fonte, o direito à restituição do ILL encontra limitação no comando previsto no art. 166, do CTN. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 02/10/2012, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 83, apresentou o recurso voluntário de fls. 84/88 em 31/10/2012. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE reiterou as afirmações de sua impugnação, no sentido de que possui legitimidade para pleitear a restituição do ILL, não sendo aplicável a regra estabelecida pelo art. 166 do CTN no caso de restituição do ILL (por se tratar de imposto direto), nos termos da jurisprudência da CSRF e das turmas do CARF. Alega a RECORRENTE que, além da distribuição do lucro ser feita após o pagamento do ILL, no presente caso, não houve a distribuição de qualquer parcela dos lucros nos anos de 1990 a 1993, conforme atestam as DIPJs acostadas aos autos (fls. 90/153). Ademais, afirma que a cláusula sétima do contrato social não previa a distribuição automática de lucros (fls. 155/160) Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13746.000831/200107 Acórdão n.º 2201003.509 S2C2T1 Fl. 169 4 Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Inaplicabilidade do art. 166 ao pedido de restituição de impostos diretos. A questão em discussão nestes autos reside em saber se a RECORRENTE possui direito à restituição do ILL pleiteada. Não merece prosperar o entendimento da autoridade julgadora de primeira instância que negou o direito de restituição do ILL pleiteada pela RECORRENTE, tendo em vista a não comprovação da negativa de assunção do ônus do imposto e à falta da autorização dos terceiros que porventura tenham assumido este encargo (art. 166 do CTN). Contudo, o artigo 166 do CTN somente se aplica aos chamados tributos indiretos, em que há transferência do encargo financeiro. Os tributos diretos, a exemplo do imposto de que aqui se trata (ILL), não estão sujeitos ao comando do dispositivo enfocado. No caso do ILL, não há a chamada transferência do encargo financeiro a terceiros, na medida em que referido tributo incidia sobre o lucro líquido das pessoas jurídicas apurado na data de encerramento do período. Ou seja, nos termos do o art. 35, da Lei nº 7.713/88, a incidência do ILL ocorria antes mesmo da distribuição, não havendo que se falar em incidência do ILL sobre valores recebidos pelos sócios. A própria RECORRENTE demonstra por meio de suas DIPJs que não houve distribuição de lucros no período objeto do pedido de restituição e, mesmo assim, foi recolhido o ILL relativo a cada anocalendário. Neste sentido, vide jurisprudência da 2ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1990, 1991, 1992 Ementa: ILL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 166 DO CTN. É pacífica a jurisprudência deste Conselho a respeito da legitimidade da empresa que tenha recolhido indevidamente valores a titulo de ILL para pleitear a Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13746.000831/200107 Acórdão n.º 2201003.509 S2C2T1 Fl. 170 5 restituição do respectivo indébito, não se aplicando ao caso a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional. (processo nº 10510.003375/9975; acórdão nº 2102002.908; julgado em 14/04/2014; 2ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF) CONCLUSÃO Por todo o exposto, meu voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, para o fim de reformar a decisão recorrida e reconhecer o direito à restituição pleiteada pela RECORRENTE. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.007944/2008-00
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - NULIDADE - INOCORRÊNCIA
Não há nulidade sem prejuízo da parte. Se a indicação do nome da empresa incorporada não acarretou qualquer distorção relevante dos fatos narrados no auto de infração, se não suprimiu o exame de nenhum ponto importante para a constituição do crédito tributário, tampouco prejudicou o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório pela empresa sucessora (incorporadora), não há que se falar em nulidade do lançamento. Uma vez revertida a decisão que cancelou o auto de infração de IRPJ, cabe devolver os autos à turma ordinária para julgamento das demais matérias contidas no recurso voluntário, cujo exame restou prejudicado no julgamento anterior.
Numero da decisão: 9101-002.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento para afastar a nulidade do lançamento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - NULIDADE - INOCORRÊNCIA Não há nulidade sem prejuízo da parte. Se a indicação do nome da empresa incorporada não acarretou qualquer distorção relevante dos fatos narrados no auto de infração, se não suprimiu o exame de nenhum ponto importante para a constituição do crédito tributário, tampouco prejudicou o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório pela empresa sucessora (incorporadora), não há que se falar em nulidade do lançamento. Uma vez revertida a decisão que cancelou o auto de infração de IRPJ, cabe devolver os autos à turma ordinária para julgamento das demais matérias contidas no recurso voluntário, cujo exame restou prejudicado no julgamento anterior.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento para afastar a nulidade do lançamento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NULIDADE INOCORRÊNCIA Não há nulidade sem prejuízo da parte. Se a indicação do nome da empresa incorporada não acarretou qualquer distorção relevante dos fatos narrados no auto de infração, se não suprimiu o exame de nenhum ponto importante para a constituição do crédito tributário, tampouco prejudicou o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório pela empresa sucessora (incorporadora), não há que se falar em nulidade do lançamento. Uma vez revertida a decisão que cancelou o auto de infração de IRPJ, cabe devolver os autos à turma ordinária para julgamento das demais matérias contidas no recurso voluntário, cujo exame restou prejudicado no julgamento anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento para afastar a nulidade do lançamento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 79 44 /2 00 8- 00 Fl. 327DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à declaração de nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, e também à identificação da natureza desse erro (vício material ou vício formal). A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1101000.681, de 15/03/2012, por meio do qual a 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por voto de qualidade, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para declarar a nulidade do lançamento. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva abaixo transcritas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. NULIDADE CONFIGURADA POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA PELA INCORPORADA. Extinguindose a incorporada, responde a incorporadora, na qualidade de sucessora, pelos tributos devidos pela sucedida, fato que impõe seja aquela identificada como sujeito passivo na condição de responsável tributário. Portanto, é inadmissível a lavratura de auto de infração contra pessoa jurídica regularmente extinta por incorporação à data da ciência do lançamento. Nulidade reconhecida. Conseqüente cancelamento do Auto de Infração. Recurso voluntário provido. Exonerado crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade de votos, foi ADMITIDA a apreciação da argüição de nulidade apresentada em sustentação oral e em memoriais, e, por voto de qualidade, foi ANULADO o Fl. 328DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 4 3 lançamento, vencida a Conselheira Relatora Nara Cristina Takeda Taga, acompanhada pelos Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, designandose para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Ricardo da Silva. Fez sustentação oral o advogado da recorrente, Dr. Rogério Pires da Silva (OAB nº 111.399/SP). A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto às matérias acima referidas, ou seja, à declaração da nulidade do lançamento e também à identificação da natureza do vício que ensejou essa declaração de nulidade. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS a Egrégia Turma recorrida, acolhendo preliminar, anulou lançamento tributário sob a justificativa de erro na identificação do sujeito passivo (ilegitimidade passiva do contribuinte), tendo em vista que, quando da formalização da exigência tributária, a pessoa jurídica já havia sido extinta, bem como a sua inscrição no CNPJ da Receita Federal estava cancelada; contudo, o acórdão recorrido não conferiu a melhor interpretação jurídica aos fatos e aos dispositivos legais pertinentes; DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL a decisão recorrida está em evidente divergência com decisões da 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes e da 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, cujas ementas seguem abaixo transcritas: Acórdão nº 10194.717 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – A indicação da pessoa jurídica constituída à época dos fatos, com a ciência do lançamento para a sua responsável sucessora, é procedimento regular, que não pode provocar nulidade, pois ausente qualquer prejuízo para o contribuinte, haja vista inexistir cerceamento de defesa. Nesses casos, o formalismo não pode prevalecer. Acórdão nº 10514.234 CSLL – PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA – RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS – LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS – Não configura erro na eleição do sujeito passivo da obrigação principal, a formalização da exigência em nome da sociedade extinta, ainda que a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação tributária principal seja atribuída ao sócio, nos termos do inciso VII, do artigo 134, do CTN. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 5 4 a divergência jurisprudencial resta clara pela simples transcrição das ementas dos acórdãos paradigmas, tendo em vista que a decisão recorrida e os paradigmas indicados adotaram, diante de situações fáticas similares, interpretação jurídica diversa. Com efeito, o acórdão recorrido entendeu ser inviável promover o lançamento contra pessoa jurídica extinta. Diversamente decidiram os paradigmas, os quais se posicionaram no sentido dessa possibilidade; como tese subsidiária a ser enfrentada por esta Colenda Câmara Superior, invocamse ainda como paradigmas os Acórdãos nº 30133.686 e nº 30330.909 que, diversamente da posição adotada pela Egrégia Turma, entenderam que, concluindose pela existência de erro na identificação do sujeito passivo, este é vício de natureza formal que poderia ensejar apenas a nulidade do lançamento, repitase, por vício de forma, mas não a improcedência total da exigência: Acórdão nº 30133.686 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2002 NULIDADE – ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. É nulo, por vício formal, de lançamento constituído mediante auto de infração lavrado em face de sujeito passivo diverso daquele elencado pela norma tributária. Recurso de ofício negado. Acórdão nº 30330.909 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE – VÍCIO FORMAL – ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO. Constatado vício formal, por erro na identificação do sujeito passivo, deve ser declarada, de ofício, a nulidade do auto de infração, por não observância do disposto no art. 142 do CTN. Recurso de ofício a que se nega provimento. logo, ainda que se entenda que houve erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento, na esteira do posicionamento adotado pelos paradigmas, deveria ser anulado, é certo, mas por vício meramente formal, possibilitandose a efetivação de novo lançamento, e não decretada a improcedência total da exigência, como concluiu o acórdão recorrido; sendo assim, diante das teses firmadas nos acórdãos paradigmas, fica patente a divergência jurisprudencial, encontrandose presentes, portanto, os requisitos de admissibilidade do recurso especial, nos termos da legislação de regência; MÉRITO o entendimento de que, em casos como os dos autos, o lançamento deveria recair sobre a pessoa jurídica extinta já foi abordado e confirmado anteriormente por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como visto nos paradigmas acima transcritos; destarte, verificase a inexistência de erro de identificação do sujeito passivo, eis que se trata de autuação do contribuinte do tributo, que sofreu a autuação, nos termos do art. 121, parágrafo único, inciso I, do CTN; Fl. 330DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 6 5 a extinção da sociedade não lhe retira, pois, a condição de contribuinte, nos termos do art. 121 do Código Tributário Nacional. Assim, correto o procedimento da fiscalização que efetuou o lançamento em nome da pessoa jurídica extinta, pois esta é quem compunha a relação jurídica tributária a ensejar a exação sob exame. Nada obstante, as pessoas jurídicas sucessoras respondem pelas obrigações tributárias da pessoa jurídica extinta; conforme leciona Zelmo Denari (Solidariedade e Sucessão Tributária, Saraiva, 1977, pp. 8690), os responsáveis não realizam o pressuposto, o que significa, não são partícipes da relação tributária pressuposta, não se podendo exigir que sejam alcançados pelo lançamento tributário. Contudo, caso não satisfeita a obrigação na via amigável, o responsável tributário (no caso, as empresas recorridas) participará da relação jurídica processual como parte no executivo fiscal. Para tanto, bastará sua citação pessoal no processo de execução como responsável por sucessão, integrando a lide como legitimado passivo; assim, extinta a entidade empresária, não há que se falar na improcedência ou mesmo nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo diante da formalização de exigência em nome da sociedade extinta, consoante corretamente concluíram os acórdãos paradigmas; por fim, mesmo que se entenda pelo erro na identificação do sujeito passivo, ainda assim se impõe a reforma do acórdão para que seja declarada a nulidade do lançamento por vício de natureza meramente formal; o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, estabelece nos artigos 10 e 11 os requisitos que devem fazer parte do auto de infração; pela leitura dos dispositivos mencionados, percebese que os requisitos elencados, entre eles, a qualificação do autuado, possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o lançamento, deve exteriorizarse; com efeito, tal disciplina tem por objetivo uniformizar o procedimento de autuação da fiscalização, de maneira a conferir garantias ao contribuinte, em especial da ampla defesa e do contraditório; um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; a infração tributária resta devidamente evidenciada no Relatório Fiscal da Notificação de Lançamento, este que também se fez acompanhar dos devidos documentos comprobatórios dos fatos ali noticiados, e sequer foi negado pela autoridade julgadora; a propósito, a jurisprudência deste Conselho Administrativo Fiscal é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72 e/ou art. 142 do CTN, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma (ementas transcritas); por tudo, concluise que, caso exista nulidade, esta é de natureza meramente formal, visto que relacionada a elemento de exteriorização do ato administrativo, havendo possibilidade, portanto, de novo lançamento; Fl. 331DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 7 6 DO PEDIDO ante o exposto, nos termos da fundamentação supra, requer a Fazenda Nacional seja conhecido e provido o presente recurso especial para reformar o acórdão atacado e restabelecer o crédito tributário, tendo em vista a inexistência de causa determinante para a nulidade do lançamento. Subsidiariamente, requer a declaração da natureza meramente formal do vício apontado, possibilitando ao Fisco efetuar novo lançamento, corrigindo os vícios apontados. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 02/07/2015, admitiu o recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] A Procuradoria da Fazenda Nacional questiona a declaração de nulidade do lançamento lavrado em face de pessoa jurídica extinta por incorporação e firma a divergência em face dos Acórdãos nº 10194.717 e 10514.234, assim ementados relativamente ao tema sob análise: [...] Consoante relatado no acórdão recorrido, apesar de o lançamento trazer a indicação da contribuinte já extinta por incorporação àquela época, a sucessora dele teve ciência e assim apresentou impugnação. O Colegiado recorrido, porém, entendeu que a pessoa jurídica extinta não poderia ser parte legítima para compor o pólo passivo do auto de infração lavrado. Já no paradigma nº 10194.717, em circunstâncias semelhantes, afirmouse a validade do lançamento, haja vista inexistir cerceamento de defesa. Portanto, a recorrente demonstra o dissídio jurisprudencial no tema abordado. Subsidiariamente a recorrente apresenta os Acórdãos nº 30133.686 e 30330.909 para defender que, caso seja confirmada a nulidade apontada no acórdão recorrido, tal vício seria formal. Os paradigmas estão assim ementados: [...] O acórdão recorrido não declara a natureza do vício que ensejou a nulidade do lançamento, porém a recorrente argumenta que, ainda que se entenda que houve erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento, na esteira do posicionamento adotado pelos paradigmas, deveria ser anulado, é certo, mas por vício meramente formal, possibilitandose a efetivação de novo lançamento, e não decretada a improcedência total da exigência, como concluiu o acórdão recorrido. Por sua vez, em circunstâncias semelhantes, houve a declaração de vício formal no Acórdão nº 30133.686. De fato, em razão de evento de incorporação desconsiderado pela Fiscalização, o lançamento foi formalizado em face de outra pessoa jurídica, e assim restou anulado, porém com a expressa indicação de que o vício seria de natureza formal. Já no paradigma nº 30330.909, sequer há esclarecimento acerca de eventual sucessão entre a pessoa jurídica que constou do lançamento e aquela que Fl. 332DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 8 7 deveria ter constado, mas ainda assim o lançamento foi declarado nulo por vício formal, determinandose, também, a aplicação de ato normativo da Receita Federal que firma a possibilidade de novo lançamento ser promovido no prazo de 5 (cinco) anos contado da data em que a decisão declaratória da nulidade se tornar definitiva na esfera administrativa. Constato, assim, que a recorrente também logra demonstrar divergência relativamente ao tema subsidiário aqui apresentado. Em 21/07/2015, o sujeito passivo foi intimado do Acórdão nº 1101000.681, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso. Tempestivamente, em 31/07/2015, ele apresentou contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: o v. acórdão vergastado não merece reparos, posto que em consonância com a legislação e com o posicionamento pacífico deste E. Conselho Superior; preliminarmente, o recurso especial fazendário não merece conhecimento. É certo que o prequestionamento é um requisito de admissibilidade recursal (pouco isonômico) que se volta apenas ao contribuinte (RICARF, art. 67, §5º). Entretanto, isto não exime o ente fazendário de apontar de forma expressa a legislação tributária que foi interpretada de maneira divergente pelo acórdão recorrido em relação ao aresto paradigma (Dec. 70.235, art. 37, §2º, II), o que não ocorreu no presente caso; a recorrente aduz que inexiste erro na identificação do sujeito passivo pois a sua extinção, ainda que prévia ao lançamento, não lhe retira a condição de contribuinte, nos termos do art. 121 do CTN. Ocorre que o referido dispositivo sequer foi discutido pelo v. acórdão recorrido, sendo inviável afirmar que teria lhe conferido qualquer tipo de interpretação, divergente ou convergente; daí a necessidade de que o tema fosse ao menos ventilado em sede de embargos de declaração pela D. Procuradoria Fazendária para que a Câmara Julgadora fosse instada ao debate do tema sob a ótica daquele normativo, o que também não se verifica no v. Acórdão n° 10194.717, tido como paradigma pela recorrente. De outro bordo, o segundo v. acórdão paradigma apontado (n° 10514.234) demonstra entendimento há muito superado por este E. Conselho, tendo sido prolatado há mais de uma década; ademais, se acaso a recorrente houvesse demonstrado a similitude fática e procedido ao cotejo analítico entre os v. arestos paradigmas e o v. acórdão vergastado, como determina §8º do art. 67 do RICARF, concluiria que aquelas decisões se revelam imprestáveis para a finalidade almejada. Isto porque no presente caso, e diferentemente daqueles, a recorrida reportou que as intimações precedentes ao lançamento deixaram de ser atendidas justamente em razão do equívoco na identificação do sujeito passivo, em prejuízo ao seu direito de ampla defesa e contraditório (CF, art. 5º, LV), fato que não foi considerado pelos arestos paradigmas; no mérito, o dispositivo legal invocado pela recorrente (CTN, art. 121) não infirma a conclusão a que chegou o v. aresto vergastado. O referido dispositivo prevê duas hipóteses de sujeição passiva: a) aquela decorrente da relação pessoal e direta do contribuinte com a situação que constitua o fato gerador e b) aquela advinda da responsabilidade impingida Fl. 333DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 9 8 por lei à pessoa que, a princípio, não se revista da condição de contribuinte. Ao adotar a segunda hipótese, excluise a primeira. Assim, a sociedade extinta não mais se reveste da condição de contribuinte, transferindose este ônus à pessoa jurídica que lhe suceder, a partir de sua extinção (CTN, art. 132), típica hipótese legal a que se refere o inciso II do art. 121 do CTN; a pessoa jurídica extinta não mais pratica atos no mundo jurídico, sendo impossível conferirlhe o caráter de contribuinte postumamente, por isso a lei atribui ao seu sucessor a condição de responsável tributário (CTN, art. 132); diante destas ponderações, o v. acórdão recorrido não poderia adotar outro entendimento senão o de exonerar o crédito tributário em questão. Este é o atual posicionamento desta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais (ementas transcritas); especificamente no que tange à extinção da pessoa jurídica por incorporação (CTN, art. 132), vale conferir os seguintes julgados proferidos no âmbito desta E. Corte: Acórdão n° 1401001.190 e Acórdão nº 140100.359; também não merece melhor sorte a tese subsidiária ventilada pela recorrente, de que se trata de vício de ordem formal, não material. Pretendese garantir aqui o direito de renovar o lançamento, nos termos do art. 173, II, do CTN; preliminarmente, os v. acórdãos apontados como paradigma não se assemelham ao presente contexto; o v. Acórdão n° 30133.686 proferido na Sessão de Julgamento de 28.02.2007 não cuida de lançamento em face de pessoa jurídica extinta, mas de ITR lançado contra exproprietário do imóvel objeto da exação. Por sua vez, o v. aresto de n° 30330.909, proferido na Seção de Julgamento de 10.09.2003, trata de situação em que o auto de infração consignou em seu bojo os dados de imóvel diverso daquele contra o qual de fato recaiu a cobrança do ITR. Assim, também neste tocante o recurso não merece conhecimento, pelo descumprimento do §8º do art. 67 do RICARF; também se equivoca a recorrente no que concerne à natureza jurídica do vício inquinado. O erro na identificação do sujeito passivo recai sobre o critério pessoal da regra matriz de incidência tributária (CTN, art. 142). Tratase, portanto, de erro de direito ou vício material, que não permite a revisão do lançamento (CTN, art. 146 c.c. Súmula 227 do TFR), tampouco a renovação do prazo decadencial (CTN, art. 173, II) após sua anulação; não é outro o entendimento desta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, que recentemente se debruçou sobre o tema, em caso idêntico ao presente, onde a sociedade autuada havia sido incorporada anteriormente à época do lançamento, concluindo tratarse de vício material (Acórdão CSRF n° 9202002.987); deste modo, concluise que o erro na interpretação da regra matriz de incidência no que concerne ao sujeito passivo da obrigação tributária redunda em lançamento nulo por vício material, não se aplicando a regra especial de contagem do prazo decadencial do art. 173, II, do CTN, desmerecendo quaisquer reparos o v. acórdão recorrido; na remota hipótese de acolhimento do recurso especial, o que se admite apenas por amor aos debates, devem os autos retornar à turma julgadora de origem para que se Fl. 334DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 10 9 pronuncie a respeito das demais matérias suscitadas no recurso voluntário (e outras que tenham sido ventiladas ao longo do processo), que deixaram de ser apreciadas em razão do acolhimento da preliminar de erro na identificação do sujeito passivo; assim, pela ocasião do retorno dos autos, a E. 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deverá se pronunciar sobre: a) cerceamento ao direito de defesa da recorrida (CF, art. 5º, LV e Decreto n° 70.235/72, art. 59, II) e conseqüente nulidade do lançamento, pois além do lançamento ter sido realizado em face de empresa há muito tempo extinta por incorporação (erro na identificação do sujeito passivo), é certo que os termos de intimação precedentes à constituição do crédito tributário foram igualmente remetidos àquele destinatário, o que redundou na ausência de atendimento do quanto solicitado pela D. autoridade fiscal por parte do responsável tributário (sucessor); b) no mérito, a inaplicabilidade do limite anual de 30% para utilização do saldo negativo compensável advindo de prejuízos fiscais acumulados no ano calendário (Lei 8.981/95, art. 42 e Lei 9.065/95, arts. 15 e 16), na hipótese de extinção da sociedade, posto que a norma em questão visa à continuidade do fluxo arrecadatório e da atividade empresarial, o que não reflete a situação ora descrita. Ademais, a impossibilidade de aproveitamento integral do saldo negativo no momento da incorporação da sociedade, conquanto não possa ser utilizada pela sociedade incorporadora (Dec. Lei n° 2.341/87) e na medida em que implique num acerto de contas entre o fisco e o contribuinte, ofende os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação ao confisco (CF, 145, §1º e 150, IV); c) ainda que prevaleça o entendimento acerca da aplicabilidade do limite de 30% na compensação dos prejuízos fiscais ao caso em tela, devem ser expurgadas as penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo (CTN, artigo 100, II e parágrafo único e Lei n. 4.502/64, art. 76). A compensação integral dos prejuízos fiscais apurados à época da incorporação foi realizada em consonância com o entendimento do fisco, que, digase de passagem, tornou a prevalecer; quanto à inaplicabilidade do limite anual de 30%, ressaltase o voto vencido proferido pela E. Rel. Conselheira Dra. Nara Cristina Takeda Taga no julgamento do recurso voluntário, que acolheu a tese meritória do sujeito passivo (enquanto os demais conselheiros acolheram a tese preliminar de nulidade), asseverando que "(...) a vedação à compensação integral dos prejuízos fiscais está intimamente ligada à continuidade das atividades do contribuinte de modo a permitir a paulatina compensação. No entanto, nos casos de extinção da pessoa jurídica não deve perdurar a "trava"dos 30% (...)"; vale ressaltar que este é o posicionamento mais recente do E. CARF, conforme se observa do v. Acórdão n° 1103001.058 proferido na seção de julgamento de 7 de maio de 2014, pela 3ª Turma Ordinária / 1ª Câmara da 1ª Seção de julgamento; Diante do exposto, requerse aos Ilmos. Julgadores o não conhecimento do recurso especial fazendário, e, acaso admitido, o seu não provimento, nos termos supramencionados. É o relatório. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ sobre fato gerador ocorrido em 31/12/2004. A autuação fiscal foi motivada pelo fato de a contribuinte ter realizado compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores com o lucro real apurado em 31/12/2004, sem observar nessa compensação o limite legal de 30% do referido lucro real. O problema foi constatado em procedimento de revisão interna da DIPJ apresentada pela contribuinte relativamente ao anocalendário de 2004. Além da compensação integral do lucro real sem observância do limite legal, a referida DIPJ também registrava que em 31/12/2004 a sociedade PEM PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/C LTDA. foi incorporada pela PEM ENGENHARIA S/A (um de seus sócios). Apesar dessa informação registrada na DIPJ, consta dos autos que a situação cadastral da empresa PEM PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/C LTDA, CNPJ n° 65.086.415/000175, continuava como ATIVA no sistema CNPJ até 04/11/2009, não havendo até essa data informação cadastral sobre a incorporação, conforme o Memorando n° 449/2009, de 04/11/2009, e a pesquisa anexa ao mesmo (efls. 10 do vol. 2 do eprocesso). O procedimento de revisão interna da DIPJ e o conseqüente lançamento foram realizados no curso do anocalendário de 2008. Na realização do procedimento de revisão interna da DIPJ, foram enviadas intimações para o endereço cadastral da empresa incorporada, solicitando apresentação de livros, demonstrativos e documentos legais, bem como alguma eventual Decisão Judicial Transitada em Julgado, que lhe garantisse a realização da compensação integral do seu lucro verificado em 31/12/2004, com os saldos dos prejuízos fiscais. Os avisos de recebimento (AR) retornaram assinados, mas as intimações não foram atendidas. A fiscalização, então, glosou a compensação na parte que considerou indevida (parte que ultrapassou o limite legal permitido) e constituiu o crédito tributário a título de IRPJ. A intimação do auto de infração foi inicialmente encaminhada para o mesmo endereço que haviam sido enviadas as intimações. Dessa vez, entretanto, a correspondência foi devolvida ao remetente com a observação "mudouse". Na seqüência, o auto de infração foi encaminhado para João Carlos Alliegro de Lima (que constava como representante da pessoa jurídica que incorreu na infração Fl. 336DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 12 11 tributária) e também para a empresa PEM ENGENHARIA S/A (que era sua sócia e passou a ser sua incorporadora). A empresa PEM Engenharia, na qualidade de sucessora por incorporação de PEM Participações, impugnou a autuação fiscal. O lançamento foi mantido pela decisão de primeira instância administrativa. Apesar de a empresa PEM Participações continuar como ATIVA no sistema CNPJ, conforme noticia o referido Memorando n° 449/2009, de 04/11/2009, a decisão de primeira instância administrativa também foi encaminhada à PEM Engenharia, que apresentou recurso voluntário. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão recorrido), por sua vez, declarou a nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, com o entendimento de que era inadmissível a lavratura de auto de infração contra pessoa jurídica que já estava regularmente extinta por incorporação à data da ciência do lançamento. O recurso especial da PGFN suscita divergência em relação a dois aspectos, ou seja, à declaração da nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo e também à identificação da natureza do vício que ensejou essa nulidade. Em sede de contrarrazões, o sujeito passivo apresenta preliminares de não conhecimento do recurso. Quanto à primeira divergência, ele alega que a PGFN não apontou de forma expressa a legislação tributária que foi interpretada de maneira divergente pelo acórdão recorrido em relação ao aresto paradigma; que o art. 121 do CTN sequer foi discutido pelo v. acórdão recorrido, sendo inviável afirmar que teria havido algum tipo de interpretação, divergente ou convergente em relação a esse dispositivo; e que as decisões paradigmas se revelam imprestáveis para a caracterização de divergência, porque no caso do acórdão recorrido as intimações precedentes ao lançamento deixaram de ser atendidas justamente em razão do equívoco na identificação do sujeito passivo, em prejuízo ao seu direito de ampla defesa e contraditório, fato que não foi considerado pelos arestos paradigmas. A primeira divergência foi admitida nos seguintes termos: Consoante relatado no acórdão recorrido, apesar de o lançamento trazer a indicação da contribuinte já extinta por incorporação àquela época, a sucessora dele teve ciência e assim apresentou impugnação. O Colegiado recorrido, porém, entendeu que a pessoa jurídica extinta não poderia ser parte legítima para compor o pólo passivo do auto de infração lavrado. Já no paradigma nº 10194.717, em circunstâncias semelhantes, afirmouse a validade do lançamento, haja vista inexistir cerceamento de defesa. Portanto, a recorrente demonstra o dissídio jurisprudencial no tema abordado. Está bastante evidente que a mencionada divergência abrange questões referentes à identificação do sujeito passivo (CTN, art. 142) e à nulidade do lançamento (Decreto 70.235/1972, arts. 59/60), questões que foram analisadas diante de circunstâncias bem Fl. 337DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 13 12 semelhantes, presentes nos dois casos cotejados (embora constasse do auto de infração a indicação da sociedade incorporada, a ciência do lançamento foi dada à incorporadora). A caracterização dessa divergência não demanda que os acórdãos cotejados mencionem expressamente os mesmos dispositivos legais, e nem que conste do acórdão recorrido uma análise específica sobre o art. 121 do CTN, dispositivo que apenas foi citado no contexto dos argumentos desenvolvidos pela PGFN. Ainda que as decisões não tenham mencionado expressamente os mesmos dispositivos legais, está claro que diante de situações bem semelhantes, uma decisão deu mais ênfase ao aspecto formal (indicar no auto de infração PJ extinta empresa incorporada), enquanto a outra deu mais ênfase ao aspecto material (ausência de cerceamento do direito de defesa da empresa incorporadora, que é sucessora dos débitos tributários). Também é importante destacar que o fundamento do acórdão recorrido para declarar a nulidade do auto de infração não foi o fato de as "intimações precedentes" ao lançamento terem sido enviadas para o endereço da empresa incorporada e não da incorporadora. Com efeito, a nulidade está fundamentada é no fato de o próprio "lançamento" ter sido efetuado contra pessoa jurídica que estava extinta por incorporação. Embora a contribuinte tenha suscitado questão em relação às intimações que precederam o lançamento, esse argumento não serviu de fundamento adicional para o acórdão recorrido, de modo não há a alegada circunstância específica impedindo o cotejo das decisões para fins de caracterização de divergência. Portanto, a primeira divergência jurisprudencial está mesmo comprovada, e as preliminares devem ser rejeitadas. O recurso especial da PGFN deve mesmo ser conhecido quanto a primeira divergência, conforme já havia concluído a decisão monocrática do Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, que também examinou a admissibilidade do recurso. Quanto ao mérito sobre a nulidade do lançamento, é importante ressaltar que a jurisprudência administrativa no Brasil fez nos últimos tempos um grande aprofundamento nas questões envolvendo a identificação do sujeito passivo já no momento do lançamento fiscal. A responsabilidade tributária, em alguns casos, não é tema fácil, de aplicação automática. Isto porque a sujeição passiva ultrapassa a figura do contribuinte. O sujeito passivo pode estar vinculado à obrigação tributária na condição de contribuinte, mas pode também estar vinculado como responsável por ato ilícito na administração da empresa; como sucessor (pessoa física) na proporção do acervo recebido da pessoa jurídica extinta; como sucessor pessoa jurídica no caso de evento societário de incorporação de empresa; etc. A gravidade do erro na identificação do sujeito passivo e suas conseqüências para o estabelecimento do vínculo obrigacionaltributário variam em cada uma dessas situações jurídicas, e também estão relacionadas aos aspectos fáticos de cada caso. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 14 13 A evolução dos procedimentos fiscais e da jurisprudência administrativa em relação à questão da responsabilidade tributária revela a complexidade do tema. Antigamente, nem mesmo existia a figura do "Termo de Sujeição Passiva Solidária", e a fiscalização passou a adotar esse tipo de procedimento para que a execução judicial dos créditos lançados tivesse mais êxito. Os órgãos julgadores, por sua vez, relutavam em analisar as questões sobre responsabilidade tributária, entendendo que era assunto para o momento da execução fiscal (assunto próprio da PGFN), mas esse entendimento hoje em dia está totalmente superado. O acompanhamento da jurisprudência administrativa revela ainda um outro aspecto interessante: as situações em que a fiscalização lavra os mencionados "Termos de Sujeição Passiva Solidária" são justamente aquelas em que a matéria da responsabilização exige um maior aprofundamento, exige mais informações, que devem estar presentes já no ato de lançamento. Tudo isso está diretamente relacionado à formação do título executivo fiscal contra alguém, e foram justamente as questões sobre esse tema que motivaram a referida evolução dos procedimentos fiscais e da jurisprudência administrativa. Especificamente em relação ao caso sob exame, penso que não há como acolher o entendimento de que enquanto não houver a decadência dos créditos tributários, a PJ (mesmo extinta) mantém sua condição de contribuinte. Essa idéia também está atualmente superada. Mesmo diante da ausência do registro cadastral da incorporação/extinção da PEM Participações, não há como manter a personalidade jurídica dessa empresa com o argumento de que ainda não havia ocorrido a decadência dos tributos. O nascimento/ constituição e a morte/dissolução de uma pessoa jurídica não estão disciplinados e nem condicionados pelo Direito Tributário. Realmente houve um erro no auto de infração, quando se fez constar nele a indicação do nome da empresa incorporada e não da incorporadora (que é sucessora daquela). Mas o que deve pautar esse julgamento é a verificação da gravidade desse erro, e em que medida ele pode ensejar a nulidade do lançamento. Isto porque os requisitos de forma não são um fim em si mesmo. Eles existem para resguardar direitos (p/ ex., o direito ao contraditório e à ampla defesa), e é a violação desses direitos que gera nulidade. É a chamada instrumentalidade das formas. É esse o contexto quando se afirma que não há nulidade sem prejuízo da parte. Nesse sentido, vale trazer à baila as palavras de Leandro Paulsen: Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo Fl. 339DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 15 14 à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011.) Cabe aqui destacar novamente que a empresa PEM Participações continuou como ATIVA no sistema CNPJ pelo menos até 04/11/2009, e que a falta do registro cadastral da incorporação também contribuiu para o erro em questão. Pois bem, como já mencionado, o caso sob exame envolve autuação fiscal motivada pelo fato de a empresa PEM Participações e Empreendimentos S/C Ltda. ter realizado compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores com o lucro real apurado em 31/12/2004, sem observar nessa compensação o limite legal de 30% do referido lucro real. Foi dada ciência do auto de infração para a empresa PEM Engenharia S/A, que incorporou a PEM Participações naquela mesma data (31/12/2004). Desde o início da fase contenciosa, o principal argumento da incorporadora (que é sucessora da incorporada) sobre o mérito da autuação é que a PEM Participações não observou o limite legal para a compensação de prejuízos justamente porque foi incorporada na mesma data pela PEM Engenharia. Essa linha de defesa entende que a chamada "trava" de 30% pressupõe a continuidade das atividades do contribuinte de modo a permitir a paulatina compensação, e que havendo a extinção da pessoa jurídica (no caso, pelo evento de incorporação), o referido limite legal ficaria afastado. Vêse que o fato de constar o nome da PEM Participações no auto de infração não acarretou qualquer distorção relevante dos fatos, não suprimiu o exame de nenhum ponto importante para a constituição do crédito tributário, tampouco prejudicou o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório pela empresa sucessora (incorporadora). Diante disso, cabe aplicar aqui a mesma decisão contida no Acórdão paradigma nº 10194.717, quando se entendeu que "a indicação da pessoa jurídica constituída à época dos fatos, com a ciência do lançamento para a sua responsável sucessora, é procedimento regular, que não pode provocar nulidade, pois ausente qualquer prejuízo para o contribuinte, haja vista inexistir cerceamento de defesa. Nesses casos, o formalismo não pode prevalecer". Embora tenha havido um erro no auto de infração, quando se fez constar nele a indicação do nome da empresa incorporada e não da incorporadora (que é sucessora daquela), esse problema em nada afeta a exigência do crédito tributário em questão. O referido erro não implica na insuficiência ou supressão de qualquer aspecto em torno do crédito tributário, nem mesmo sobre a sujeição passiva. Está bastante esclarecido que a empresa PEM participações foi extinta, após ter sido incorporada pela PEM Engenharia, e esse fato não repercute em nenhuma outra questão além daquela trazida pelo própria PEM Engenharia (sucessora/incorporadora) após ter tomado ciência do auto de infração, que é verificar em que medida a incorporação/extinção de uma empresa afeta a aplicação do limite legal para a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 16 15 Não deixo de perceber que a sucessora também alegou nulidade da autuação fiscal porque as intimações fiscais que precederam o lançamento foram enviadas para o endereço da incorporada e não da incorporadora. Já foi esclarecido que esse argumento não serviu de fundamento adicional para o acórdão recorrido declarar a nulidade do lançamento. Frisamos também que a falta do registro cadastral do evento de incorporação contribuiu para o erro em questão. Mas o que é importante perceber é que esse problema não acarretou nenhum prejuízo ao sujeito passivo. As questões a serem examinadas, caso as intimações tivessem sido enviadas para o endereço da incorporadora, seriam exatamente as mesmas que ora se apresentam. Isto porque não há nenhuma questão envolvendo apuração de fatos, produção de provas, etc. A controvérsia é meramente de ordem jurídica, e, mais uma vez, implica apenas em verificar em que medida a incorporação/extinção de uma empresa afeta a aplicação do limite legal para a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores. Aliás, esse tipo de lançamento pode ser realizado até mesmo sem prévia intimação do contribuinte, porque, em princípio, não abrange apuração de fatos além daqueles que já constam da própria DIPJ (compensação de prejuízos além do limite permitido). Obviamente, se houverem fatos relevantes que não foram considerados pela fiscalização, isso pode fragilizar/comprometer o lançamento, mas não é esse o caso dos presentes autos. Desse modo, não havendo nenhuma distorção relevante dos fatos, nem supressão de aspecto importante para a constituição do crédito tributário, e nem prejuízo ao exercício do direito de defesa e do contraditório pelo sujeito passivo, não deve subsistir a nulidade do lançamento. Uma vez afastada a própria nulidade do lançamento, o exame da segunda divergência, tanto o conhecimento, quanto o mérito (onde se analisaria a espécie do vício de nulidade), fica prejudicado. Em sede de contrarrazões, o sujeito passivo alega que algumas matérias abordadas no recurso voluntário deixaram de ser apreciadas em razão do acolhimento da preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, quais sejam: nulidade do lançamento pelos termos de intimação fiscal terem sido remetidos à incorporada e não à incorporadora; inaplicabilidade da trava de 30% para compensação de prejuízos fiscais, no caso de extinção da pessoa jurídica; não incidência de penalidades, de juros de mora e de atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Observase em relação ao julgamento do recurso voluntário, que o voto vencido da relatora era no sentido de dar provimento ao recurso no tocante ao mérito (cancelando o lançamento pelo afastamento da trava de 30%), mas esse exame ficou prejudicado porque os demais conselheiros decidiram o recurso apenas com o julgamento da preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo. Assim, de fato, realmente o exame das outras matérias referidas acima realmente ficou prejudicado. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 17 16 Portanto, uma vez afastada a nulidade, os autos devem retornar à turma a quo para análise das outras matérias argüidas em sede de recurso voluntário, cujo exame ficou prejudicado em razão do que foi decidido no julgamento daquele recurso. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, relativamente à primeira divergência, para AFASTAR a nulidade do lançamento, DECLARAR prejudicada a segunda divergência e DETERMINAR o retorno dos autos à Turma a quo, para exame das demais matérias. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 342DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912275/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.944
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 27 5/ 20 12 -1 1 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912275/201211 Resolução nº 3402000.944 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912275/201211 Resolução nº 3402000.944 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.912275/201211 Resolução nº 3402000.944 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005346/2008-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-002.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar as preliminares e no mérito, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Cássio Shappo. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Cássio Shappo.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ÔNUS DA PROVA. Ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e apresentar os elementos comprobatórios, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos precisos e convergentes, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena da manutenção do lançamento fiscal. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL POR SER IMPORTADOR DAS MERCADORIAS QUE POSTERIORMENTE REVENDE. Os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, são equiparados a estabelecimento industrial. MULTA CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2). Recurso a que se nega provimento. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar as preliminares e no mérito, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 53 46 /2 00 8- 98 Fl. 1310DF CARF MF 2 Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Cássio Shappo. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Cássio Shappo. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado auto de infração por falta de lançamento do IPI nas saídas de produtos do estabelecimento equiparado a industrial, no montante de R$ 9.802.006,36 (inclusos multa de ofício e juros de mora). O Auditor Fiscal explicitou que o estabelecimento foi equiparado a industrial nos anos de 2004 e 2005 por ser importador das mercadorias que posteriormente revende, conforme Representação Fiscal IRF/SPO. E que, para o cálculo do montante devido, foram aplicadas nas entradas (produtos comprados), para cada classificação fiscal, a alíquota vigente, levantandose o crédito em cada decêndio e, em contrapartida, nas saídas também foram aplicadas as alíquotas vigentes para cada classificação fiscal e, do confronto entre débitos e créditos, foi apurado o valor devido de IPI em cada decêndio. Cientificada da autuação, a contribuinte ingressou com impugnação alegando, em preliminar, a nulidade do auto de infração, por ter sido lavrado sem a observância do procedimento expresso em norma reguladora, em decorrência da qual se dá a extinção do mandado de procedimento fiscal por decurso de prazo, já que o MPF não foi prorrogado após 60 dias. Alegou, ainda, que a infração imputada à impugnante não possui motivação, apenas se limita a dar o enquadramento da conduta, ou seja, a suposta infração a dispositivos do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/2002) e que a cobrança imediata do valor devido afronta o princípio do contraditório e da ampla defesa. Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 19515.005346/200898 Acórdão n.º 3201002.588 S3C2T1 Fl. 1.311 3 No mérito, argumentou que: · Considerase produto industrializado aquele que tenha sido modificado para o consumo, conforme disposição do artigo 46, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. A industrialização, por sua vês (sic), consiste em transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento ou renovação e a empresa não efetuou nenhuma destas operações. · A empresa não era nos anos de 2004 e 2005 contribuinte do IPI, passando a sêlo somente no ano de 2006, pois não se enquadrava na definição de importadora ou industrial, ao contrário do entendimento da fiscalização, certo que não promovia a importação de produtos. · A multa cobrada, além de ser indevida, assume o caráter de abuso do poder fiscal, posto que manifestadamente confiscatória, pois atinge um valor muito elevado, qual seja, de 75% do valor do imposto indevidamente reclamado. Diante das alegações da contribuinte de que somente em 2006 passou a ser equiparada a industrial, o processo foi baixado em diligência para que a autoridade fiscal demonstrasse novamente os fatos que a levaram a considerar a empresa como importadora e, conseqüentemente, equiparada a industrial nas operações e nos períodos que mencionou. Do resultado da solicitação restou constatado que, em diligência anteriormente efetuada no estabelecimento da contribuinte (ano de 2006), restou verificado que a empresa utilizava de interpostas pessoas para a importação dos produtos que vendia e que, por conseqüência, a real adquirente (impugnante) deveria ser equiparada a industrial, conforme determina o inciso IX do artigo 9º do Decreto nº 4.544, 2002 (RIPI/2002) e apurar e recolher o IPI devido nas saídas das mercadorias que vende. Da conclusão de referida diligência a empresa Monalisa obteve cópia (fls. 1.218 a 1.226) e resultou no processo de Representação Fiscal nº 10314.003477/200661, cujas copias encontramse acostadas aos autos. A Representação Fiscal citada acima deu origem ao procedimento fiscal que culminou no lançamento ora combatido. A empresa foi cientificada das conclusões da diligência proposta por esta turma de julgamento e manifestouse, trazendo aos autos os mesmos argumentos anteriormente levantados em sua impugnação: que não promoveu qualquer tipo de industrialização e somente se equiparou à industrial no ano de 2006. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RPO 1426.048, de 09/09/2009, proferido pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2004, 2005 Fl. 1312DF CARF MF 4 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) foi concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal, não atingindo a competência impositiva dos auditores fiscais. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a negação geral é reputada como incontroversa, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O julgamento foi no sentido de afastar as preliminares e julgar improcedente a impugnação. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Registrese que não houve interposição de recurso voluntário pela responsável solidáriaRosa Maria Cordeiro, conforme observação à fl. 1307. Consta intimação à Rosa Maria para ciência do resultado do julgamento da DRJ, à fl. 1249. Consta à efl. 1274, termo de vista do processo, pela Sra. Rosa Maria Cordeiro. O processo foi distribuído a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso (apenas da Verdertur Atibaia) é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente de auto de infração decorrente da falta de lançamento do IPI nas saídas de produtos do estabelecimento equiparado a industrial, nos anos de 2004 e 2005 por ser a empresa, importadora das mercadorias que as revende, conforme Representação Fiscal IRF/SPO. Foram aplicadas nas entradas (produtos comprados), para cada classificação fiscal, a alíquota vigente, levantandose o crédito em cada decêndio e, em contrapartida, nas Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 19515.005346/200898 Acórdão n.º 3201002.588 S3C2T1 Fl. 1.312 5 saídas também foram aplicadas as alíquotas vigentes para cada classificação fiscal e, do confronto entre débitos e créditos, foi apurado o valor devido de IPI em cada decêndio. Inicialmente antes de adentrar ao mérito, tratemos das 1) preliminares arguidas sobre nulidade do processo. 1.1) inobservância do procedimento expresso em norma reguladora, em decorrência da qual se dá a extinção do mandado de procedimento fiscal por decurso de prazo, já que o MPF não foi prorrogado após 60 dias. A recorrente sustenta a nulidade do lançamento, argumentando a extinção do procedimento fiscal, por decurso de prazo, pois passaramse mais de 60 dias sem que fosse exarado outro termo dando continuidade ao procedimento de fiscalização. O MPF constituise um instrumento de controle indispensável à administração tributária e em garantia para o contribuinte, na medida em que este poderá conferir se de fato os AuditoresFiscais que o estejam fiscalizando estão no exercício legal de suas funções. Por outro giro, a própria Receita Federal acompanha o desenvolvimento das atividades realizadas pelos AuditoresFiscais, de modo a verificar, por exemplo, se a fiscalização está sendo realizada de modo adequado ou se os fiscais não estão levando mais tempo do que o necessário para a realização dos trabalhos. Caso, o AuditorFiscal observa que não será capaz, em face das peculiaridades do caso concreto fiscalizado, de concluir os trabalhos em tempo hábil, solicita ao superior hierárquico responsável pela emissão do mandado a sua prorrogação. Logo, não há como possa ser declarado nulo o lançamento regularmente constituído nos termos do art. 142 do CTN, lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal e com todos os requisitos de validade previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972. Registrese que há várias prorrogações do prazo de validade do MPF original (todas dentro do prazo), não tendo havido a sua extinção antes da data da lavratura do auto de infração, em 14/11/2008. Observase trecho da DRJ: De acordo com documentos acostados aos autos, a fiscalização teve origem com o MPFD (diligência) nº 08.19000.2006.01480, em 05 de junho de 2006, que foi prorrogado mensalmente até 22 de outubro de 2008 (fl. 07) e concluído. Das conclusões desta diligência originou o processo de Representação Fiscal nº 10314.003477/200661, apontando infração à legislação e irregularidades quanto à apuração e pagamento do IPI e a autorização para efetuar a autuação, quando foi emitido novo MPF, em 29 de outubro de 2008, agora de Fiscalização, de nº 08.1.24.002008011137, que teve sua vigência estendida até 26 de fevereiro de 2009 (fl. 01). Os autos foram lavados em 14 de novembro de 2008, com ciência na mesma data, portanto, respeitando todas as regras administrativas. Devese esclarecer, ainda, que o MPF nº 08.1.24.002008 011137, foi emitido como complemento do MPF nº 08.1.90.00 2008026490 que estabelecia o procedimento somente para o Fl. 1314DF CARF MF 6 IRRF dos anos 2002 a 2004 (ressalvese que este teve sua validade prorrogada até novembro de 2008). Durante todo este período a empresa foi notificada da continuidade da fiscalização por meio de termos de intimação, termos de reintimação, termo de retenção de documentos, termo de encerramento de diligência (fls.232), e termo de ciência e intimação (pelo qual a contribuinte teve ciência do encerramento do MPFD nº 08.19000.2006.014800 e de que o procedimento fiscal iria continuar no MPFF nº 08.1.90.002008026490). Consta à efl. 09, as diversas prorrogações das MPF. Só para ilustrar e complementar, quanto a essa preliminar levantada, verifica se que o lançamento está sob o abrigo do MPF, à época. Ressaltese, pois, que o Decreto de n° 8.303/2014 e a Portaria RFB n° 1.687/2014 que regula aquele Decreto extinguiu o MPF Mandado de Procedimento Fiscal. Atualmente, o auditor da Receita Federal não mais recebe uma "autorização" para exercer a competência de seu cargo, nos termos do art. 2° do Decreto de n° 70. 235/1972. Em assim sendo, rejeito essa preliminar de nulidade. 1.2) sobre a infração imputada não possuir motivação, apenas se limita a dar o enquadramento da conduta, ou seja, infração e dispositivo do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/2002) Verificase no Termo de Constatação e Verificação Fiscal (o recorrente teve ciência/cópia), que o lançamento é resultado das averiguações na diligência (iniciada em 2006) e que a empresa estava sendo equiparada a industrial em conformidade com o relatado na Representação Fiscal da IRF/SPO. Observase à fl. 270 do citado Termo: ....... Desta forma, constatamos e verificamos que o contribuinte, caracterizado como importador e equiparado a industrial, (pa forma da representação fiscal da IRF/SPO não escriturou o Livro de Registro de Apuração do IPI, não contabilizou nem recolheu o IPI nos mencionados decêndios. Portanto, infringindo o contribuinte os artigos 9°, inciso VIII e IX, 24, inciso III, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, 131, inciso I, alínea "b", inciso II, 199, 200, inciso IV, 202, inciso III, do Decreto n°4.544/02 (RIPI/02), fui incluído no Mandado de Procedimento Fiscal Eletrônico (MPFE) acima mencionado, para a constituição do CRÉDITO TRIBUTÁRIO do IPI em favor da Fazenda Nacional, que será formalizado através de Auto de Infração, no montante de R$9.802.006,36 (nove milhões, oitocentos e dois mil, seis reais e trinta e seis centavos). ....... Da mesma forma, a autoridade julgadora de primeira instância, por conta do alegado em sede de impugnação; solicitou, por meio de diligência, que a fiscalização Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 19515.005346/200898 Acórdão n.º 3201002.588 S3C2T1 Fl. 1.313 7 esclarecesse novamente o motivo de considerar a autuada como equiparada a industrial e que esta fosse cientificada das conclusões, inclusive com reabertura de prazo para manifestação, para apresentar as alegações que achasse necessárias, no entanto, a mesma, até mesmo no recurso voluntário; não acrescentou nada de novo. Em assim sendo, rejeito, também, essa preliminar de nulidade, 1.3) devido processo legal, a ampla defesa e acesso à integralidade de dados, documentos e informações sobre os autos O auto de infração contém todos os requisitos necessários para produzir os efeitos legais a que se destina. A recorrente teve conhecimento da infração cometida, dos fatos alegados e da capitulação legal, tendo exercido plenamente o direito de defesa. Após a ciência do lançamento, teve o prazo de trinta dias para ter vista do inteiro teor do processo no Órgão Preparador e apresentar impugnação escrita, e instruíla com os documentos necessários. Houve ciência da notificação, conforme impugnação, quando se teve acesso a todos os elementos constantes da notificação, fundamentada nos dispositivos legais que a regem, tendo oportunidade de apresentar impugnação, conforme preceitua o art. 15 do Decreto nº 70.235/72. da mesma forma quando da apresentação do recurso voluntário, exercendo, portanto, o seu direito de defesa. Enfim, a recorrente teve ciência de todos os fatos, das diligências e suas conclusões, do procedimento fiscal e da infração que lhe é imputada. Portanto, com a instauração do litígio e formalização do processo administrativo, é assegurado ao contribuinte o direito constitucional do contraditório e da ampla defesa, ou seja, a partir da impugnação/recurso voluntário, o que foi realizado. Inclusive, a empresa teve vista do processo em algumas fases do mesmocom solicitação de cópia de todo o processo. Por tudo que foi exposto, sendo improcedentes os argumentos da recorrente, não se encontrando presente pressuposto algum de nulidade, não havendo, da mesma forma, irregularidade alguma a ser sanada. Mérito Passo à análise do mérito, de acordo com o Termo De Constatação e Verificação Fiscal verifica que a recorrente é importadora e equiparada a industrial, (na forma da representação fiscal da IRF/SPO) e que a mesma não escriturou o Livro de Registro de Apuração do IPI, tampouco contabilizou e nem recolheu o IPI nos mencionados decêndios. Ao constituir o Auto de Infração, a fiscalização verificou que a empresa Monalisa do Brasil Com. Imp. Exp. Cosm e Perf Ltda, conforme Ficha Cadastral da última alteração contratual, arquivada na JUCESP sob o no. 268.450/079, sessão de 03/08/2007, foi incorporada pela empresa VERDERTUR ATIBAIA VIAGENS E TURISMO LTDA, portanto, sucessora da Monalisa do Brasil. Em 24/10/08, foi lavrado Termo de Ciência e Intimação Fiscal junto à Monalisa do Brasil, solicitando cópia do Protocolo de Intenção, das alterações dos contratos sociais registradas na JUCESP, cópia das DIPJs de antes e depois do Evento de Incorporação Fl. 1316DF CARF MF 8 da Monalisa, bem como, cópia da Procuração especifica da Verdertur Atibaia, para atendimento junto à RFB, inclusive com poderes para assinatura de auto de infração. O respectivo auto de infração foi lavrado em 14/11/2008. Observase que o objeto social da empresa, em suas diversas alterações, junto a JUCESP, tem como objeto a importação. Através da diligência efetuada à empresa Monalisa, concluiuse que a empresa Monalisa do Brasil é a real importadora das mercadorias que “compra” da empresa Quimetal Distribuidora e da SAB Company, pois a mesma antecipa os recursos e assume todos os custos e riscos da operação com o exterior e que é a real destinatária das mercadorias importadas. Então, a real adquirente é equiparada a industrial, conforme determina o inciso IX do artigo 9º do Decreto nº 4.544, 2002 (RIPI/2002) e deve apurar e recolher o IPI devido nas saídas das mercadorias que importa. Da mesma forma, foi ratificada, através de outra diligência solicitada pela primeira instância para confirmar se a empresa é a real adquirente e logo equiparada a industrial, o que se confirmou. Com essa conclusão originouse o processo de Representação Fiscal para fins penais de nº 10314.003477/200661, e adianto de pronto, que com base na Súmula CARF n° 28, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a processo administrativo de representação fiscal para fins penais. Verificase, portanto, nos autos que: ...... A interessada firmava contrato de compra e venda com a empresa Quimetal Distribuidora Ltda, no qual se responsabilizava pelo pagamento de todas as despesas, taxas, multas e gastos necessários à contratação e liquidação de obrigações assumidas junto aos fornecedores no exterior e constantes das faturas comerciais emitidas contra a contratada e também todas as despesas com seguro, frete armazenagem, impostos, taxas e outras decorrentes da importação, que por ela (Monalisa) seriam adiantadas via boleto bancário. Além disso, restou contratado que as variações cambiais, em caso de desvalorização, seriam suportadas pela compradora (Monalisa) e que as operações entre as empresas não seriam de compra e venda, uma vez que a empresa Monalisa estaria assumindo todas as responsabilidades inerentes às importações. Também restou verificado que, nas comunicações internas da empresa Monalisa, os fornecedores estrangeiros a caracterizam como a real encomendante das mercadorias a serem importadas e que estes tratavam diretamente com a empresa a respeito do encaminhamento e entrega das mercadorias. Verificouse, ainda, que algumas importações eram feitas por meio de empresa do mesmo proprietário da Monalisa nos USA (Monalisa Import e Export Corp.), que as remetiam para o Brasil em nome da Quimetal Distribuidora Ltda, mas que na verdade eram destinadas a impugnante. Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 19515.005346/200898 Acórdão n.º 3201002.588 S3C2T1 Fl. 1.314 9 Em levantamento por amostragem, restou constatado que dois processos de importação registrados em nome da Quimetal Distribuidora Ltda tiveram como destinatário final das mercadorias a empresa Monalisa e constatouse que as mercadorias foram repassadas a preço de custo e até mesmo abaixo deste. Mesmo procedimento foi adotado com as relações comercias efetivadas com a empresa SAB Company Comércio Internacionanl S/A . ...... Dessa maneira, a norma em vigor à época da ocorrência dos fatos, presumidamente legal e constitucional, assim dispõe: RIPI/2002, Decreto nº 4.544, de 2002: TÍTULO II DOS ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS E EQUIPARADOS A INDUSTRIAL Estabelecimento Industrial Art.8Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4°, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei no4.502, de 1964, art. 3°). Estabelecimentos Equiparados a Industrial Art.9°Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos(Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); II os estabelecimentos, ainda que varejistas, que receberem, para comercialização, diretamente da repartição que os liberou, produtos importados por outro estabelecimento da mesma firma;) ....... IXos estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, observado o disposto no § 2º ( Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 79); e (grifei) TÍTULO VII DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Fl. 1318DF CARF MF 10 CAPÍTULO I DO FATO GERADOR Hipóteses de Ocorrência Art.34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): Io desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou IIa saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial.(grifei) Ressaltese que desta forma, que apesar da operação não ser de industrialização, já os atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos importados por sua conta e ordem, ela equiparase a industrialização por força do disposto no artigo 9º do Regulamento do IPI/2002, e estas vendas (saídas) devem ser tributadas pelo imposto, conforme dispõe o inciso II, do artigo 34 do mesmo regulamento. O estabelecimento, portanto, para estas operações, é contribuinte do IPI e deve destacar e recolher o imposto conforme determina a lei. Por sua vez, a MP nº 2.15835/2001, em seus arts. 77 a 81, representou uma grande evolução normativa em relação à atribuição de responsabilidade às pessoas envolvidas no comércio exterior, ou seja, atribuiu ao adquirente da mercadoria importada por conta e ordem a condição de sujeito passivo, na qualidade de responsável solidário; (enfoque tributário); estabeleceu que o adquirente responderá, conjunta ou isoladamente, por infração, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora (enfoque tributário e sancionatório); bem como equiparou os atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos importados por sua conta e ordem a estabelecimento industrial; (enfoque tributário). Após a edição da MP nº 2.15835/2001, distinguimos as seguintes modalidades de importações e seus respectivos sujeitos passivos: Importações diretas: sujeito passivo é o próprio importador por conta própria; Importações indiretas: sujeito passivo é o importador por conta e ordem (contribuinte) e o adquirente da mercadoria importada por conta e ordem (responsável solidário). Logo, a fiscalização equiparou a empresa Verdertur Atibaia (incoporadora de Monalisa do Brasil) a estabelecimento industrial com base no artigo 79 da MP n° 2.15835/ 2001, in verbis: Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. A recorrente defendese, alegando que não fez qualquer operação de industrialização, transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento ou renovação e que não era contribuinte do IPI, já que na época dos fatos, não se enquadrava na definição de importadora (equiparada a industrial), como desconhecendo totalmente as conclusões levantadas pelo fiscalização. Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 19515.005346/200898 Acórdão n.º 3201002.588 S3C2T1 Fl. 1.315 11 Portanto, a recorrente não enfrenta a matéria em si, apenas alega, que na época dos fatos, não era contribuinte do IPI. Em sendo assim, ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e apresentar os elementos comprobatórios, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos precisos e convergente, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena da manutenção do lançamento fiscal. A recorrente rebate ainda, quanto à alegação que a fiscalização foi realizada por meio de amostragem, o que não se poderia se admitir, ante a ausência de exatidão das informações. Averiguase, contudo, que a fiscalização pode se utilizar da amostragem e não terá qualquer influência no lançamento. O fisco pode perfeitamente verificar se o contribuinte está respeitando a legislação e apurando corretamente o imposto devido por meio de levantamentos por amostragem. No entanto, verificada a infração, o lançamento será efetuado em acordo com o disposto na legislação, verificada a hipótese de incidência da obrigação tributaria, a base de calculo e a alíquota. E, todos os documentos usados para a apuração do imposto constam dos autos, e neste levantamento não houve qualquer presunção. Portanto, diante das provas trazidas ao processo pela fiscalização quanto à simulação das operações de importação e de compra e venda no mercado interno das empresas Monalisa do Brasil, Quimetal Distribuidora e SAB Company, concluise pela interposição de pessoas e que a recorrente é a real importadora das mercadorias e equiparada a industrial e deve recolher o IPI na forma legal, por ser contribuinte deste imposto. Conclusão De todo exposto, com todos os documentos acostados, e explicações dos fatos que levaram a considerar a empresa como importadora e consequentemente, equiparada a industrial nas operações e nos períodos que menciona, logo, o estabelecimento, portanto, para estas operações, é contribuinte do IPI . Cobrança ilegal e abusiva da multa No tocante aos argumentos relativos à multa de ofício, sua aplicação é a de 75% prevista no artigo 44, inc. I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 , pela falta de pagamento ou recolhimento, ou seja, o lançamento foi efetuado, por força desse dispositivo legal, e é devida a multa de ofício no percentual de 75,0 % do crédito tributário lançado e exigido, que assim dispõe, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Pois bem, a avaliação de eventual excesso do legislador ordinário ao fixar o percentual da multa de ofício, punitiva, de forma exorbitante e desproporcional, a ponto de caracterizar o confisco, é tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Ao caso, aplicase a Súmula nº 2, deste Conselho, assim disposta: Fl. 1320DF CARF MF 12 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Diante do exposto, rejeito as preliminares e nego provimento ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Declaração de Voto Conselheiro CÁSSIO SCHAPPO O crédito tributário constituído, objeto de discussão na presente Turma, está relacionado a falta de lançamento de IPI nas notas fiscais de saída de produtos importados, por estabelecimento equiparado a industrial, com inobservância da correta classificação fiscal ou da alíquota do IPI. Em que pese o entendimento da maioria pela manutenção total do lançamento tributário, sou de entendimento de que, mesmo tratandose de estabelecimento equiparado a industrial, a saída do produto importado sem qualquer alteração de seu estado original não constitui fato gerador do imposto (IPI). O Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) é de competência atribuída à União, administrado pela Receita Federal do Brasil e tem sua incidência sobre todos os produtos industrializados, nacionais ou importados, obedecida as especificações constantes da Tabela Incidência do IPI (TIPI/2011), cuja definição de incidência e fato gerador encontramos dispostos nos artigos 1º e 2º da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964: Art. 1º O Imposto de Consumo incide sobre os produtos industrializados compreendidos na Tabela anexa. (Vide Decreto Lei nº 34, de 1966) Art. 2º Constitui fato gerador do imposto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. § 1º Quando a industrialização se der no próprio local de consumo ou de utilização do produto, fora de estabelecimento produtor, o fato gerador considerarseá ocorrido no momento em que ficar concluída a operação industrial. Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 19515.005346/200898 Acórdão n.º 3201002.588 S3C2T1 Fl. 1.316 13 § 2º O imposto é devido sejam quais forem as finalidades a que se destine o produto ou o título jurídico a que se faça a importação ou de que decorra a saída do estabelecimento produtor. Já os artigos 3º e 4º da mesma lei tratam do estabelecimento produtor e da equiparação, (quanto aos produtos importados): Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: Art. 4º Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: I os importadores e os arrematantes de produtos de procedência estrangeira; Em termos conceituais, de acordo com o Regulamento do IPI, caracterizase como sendo industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para o consumo, tal como: a)a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); b)a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); c)a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); d)a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou e)a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Entendese por estabelecimento industrial aquele que executa qualquer das operações consideradas industrialização conforme detalhado acima, das quais resulte produto tributado, ainda que de alíquota “zero”, ou beneficiado com a isenção do IPI. A legislação do IPI não define como fato gerador do tributo a entrada em seu estabelecimento, da matéria prima ou insumo, mas quando da saída de produtos por ele industrializados. Fl. 1322DF CARF MF 14 A fase de incidência de IPI dos produtos importados é o desembaraço aduaneiro. Atribuir nova fase de incidência ao mesmo produto com o título de equiparação, não me parece razoável a luz dos dispositivos acima retratados. O produto importado para o mercado brasileiro nasce, cria forma, quando do desembaraço e é nessa fase que se cobra o IPI, igualandose à produção nacional. Vale destacar ainda, que não incide IPI na revenda de produtos por estabelecimentos industriais, pois a simples revenda (sem que haja nova industrialização) de produtos adquiridos de terceiros por estabelecimento industrial não está sujeita à incidência do IPI, independentemente da sujeição ao imposto nas saídas de produtos por ele industrializados. Cabe aqui mencionar o entendimento firmado pela Primeira Turma do STJ que sabiamente tratou desse tema a luz da legislação antes mencionada, quando do julgamento do EREsp 1.411.749/PR que teve como Relator para o acórdão o Ministro Ari Pargendler, onde decidiu que o fato gerador do IPI ocorre no desembaraço aduaneiro, não sendo viável nova cobrança desse imposto na saída do produto quando de sua comercialização, sob pena de dupla incidência não admitida na legislação de regência. Eis a emenda do referido julgado: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. SAÍDA DO ESTABELECIMENTO IMPORTADOR. A norma do parágrafo único constitui a essência do fato gerador do imposto sobre produtos industrializados. A teor dela, o tributo não incide sobre o acréscimo embutido em cada um dos estágios da circulação de produtos industrializados. Recai apenas sobre o montante que, na operação tributada, tenha resultado da industrialização, assim considerada qualquer operação que importe na alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, ressalvadas as exceções legais. De outro modo, coincidiriam os fatos geradores do imposto sobre produtos industrializados e do imposto sobre circulação de mercadorias. Consequentemente, os incisos I e II do caput são excludentes, salvo se, entre o desembaraço aduaneiro e a saída do estabelecimento do importador, o produto tiver sido objeto de uma das formas de industrialização. Embargos de divergência conhecidos e providos. (EREsp 1411749/PR, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, Rel. p/ Acórdão Ministro ARI PARGENDLER, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/06/2014, DJe 18/12/2014). A Lei nº 4.502/64 definiu em seu art. 3º: “Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeito ao imposto” e o Parágrafo Único diz que: “considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto”. (sublinhei). A mesma Lei nº 4.502/64 tratou em seu art. 4º que os importadores equiparamse, igualamse, a estabelecimento produtor nacional, para todos os efeitos desta Lei, tendo como fato gerador do IPI o desembaraço aduaneiro para os importadores e a saída do estabelecimento para o produtor nacional. Para haver essa equiparação tem que haver industrialização. Uma coisa é equiparar a figura do importador ao produtor nacional, outra coisa é atribuir uma equiparação as margens da Lei do produto importado com aquele de produção nacional. Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 19515.005346/200898 Acórdão n.º 3201002.588 S3C2T1 Fl. 1.317 15 Atribuir incidência de IPI na saída de produto importado do estabelecimento importador, sem que ocorra sobre esses produtos algum dos fatos previstos no Parágrafo Único do art. 3º da Lei 4.502/64, é criar novo fato gerador do tributo sem que o mesmo esteja elencado no art. 2º desta Lei. A equiparação do importador ao produtor não tem esse condão de definir uma terceira via para a cobrança de IPI, ou seja, criar uma nova hipótese de incidência. Com essas considerações voto pelo provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Conselheiro Fl. 1324DF CARF MF
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