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Numero do processo: 12457.004401/2007-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/08/2005
INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO E CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA.
Constitui infração às medidas de controle fiscal a venda, o depósito ou a circulação comercial no país de mercadoria estrangeira sem documentação comprobatória de sua importação regular, sujeitando-se o infrator à multa específica prevista na legislação aduaneira.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-006.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/08/2005 INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO E CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. Constitui infração às medidas de controle fiscal a venda, o depósito ou a circulação comercial no país de mercadoria estrangeira sem documentação comprobatória de sua importação regular, sujeitando-se o infrator à multa específica prevista na legislação aduaneira. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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Constitui infração às medidas de controle fiscal a venda, o depósito ou a circulação comercial no país de mercadoria estrangeira sem documentação comprobatória de sua importação regular, sujeitandose o infrator à multa específica prevista na legislação aduaneira. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 7. 00 44 01 /2 00 7- 34 Fl. 58DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 508.400,00, referente à multa exigida por infração às medidas de controle fiscal relativas a cigarro de procedência estrangeira. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração do presente processo e do auto de infração com apreensão de mercadorias n° BB04402 bem como dos demais documentos existentes nos autos, nos quais se baseou que, no interior do veículo tipo ônibus, placas BYA5922, foram encontrados 254.200 maços de cigarros, sem que houvesse prova da regular introdução no território nacional. A abordagem foi efetuada pela Polícia Rodoviária Estadual, na Rodovia PR 495, entre Missal e Santa Helena – PR, em 30/08/2005.. Lavrado o auto de infração com vistas a aplicar a pena de perdimento aos cigarros apreendidos, a fiscalização lavrou o presente auto de infração (fl. 01) para exigência da multa prevista no art. 3º, parágrafo único do Decretolei nº 399/1968, com a redação dada pelo artigo 78 da Lei nº 10.833/2003. Cientificado, via postal (AR fl. 21), o interessado apresentou impugnação de folhas 22 a 23, anexando os documentos de folhas 24 a 34. Em síntese apresenta as seguintes alegações: Que, o veículo foi vendido anteriormente à ocorrência dos fatos; Requer seja extinta a infração imposta. Ato contínuo, a DRJFLORIANÓPOLIS (SC) julgou a Impugnação do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/08/2005 MULTA REGULAMENTAR. CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. TRANSPORTE. Constitui infração às medidas de controle fiscal a aquisição, o transporte ou a posse de cigarros de procedência estrangeira sem documentação probante de sua regular importação, sujeitandose o infrator à multa legal, além da aplicação da pena de perdimento dos cigarros apreendidos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 12457.004401/200734 Acórdão n.º 3402006.002 S3C4T2 Fl. 59 3 Em seu Recurso Voluntário, a Empresa suscitou apenas questões de mérito, apresentando as mesmas argumentações da sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Cuida o presente processo de auto de infração lavrado para a constituição de credito tributário no valor de R$ 508.400,00 referente a multa exigida por infração as medidas de controle fiscal relativas a cigarro de procedência estrangeira, nos termos previstos no art. 3º, parágrafo único do Decretolei nº 399/1968, com a redação dada pelo artigo 78 da Lei nº 10.833/2003. A apreensão de mercadorias foi realizada pela Policia Rodoviária Estadual em 30/08/2005. Aduz a Recorrente que à época da ocorrência dos fatos delitivos, em 30/08/2005, não seria o proprietário do veículo tipo ônibus que transportava as mercadorias apreendidas, isso porque em data anterior ao ocorrido, em 13/05/2005, teria efetuado a venda do veículo a um terceiro que seria o real responsável pela infração cometida. Para provar o fato alegado, juntou aos autos cópia do Termo de Acordo lavrado que, segundo seu entendimento, comprovaria a venda do veículo efetuada para um terceiro de nome Ronner Fabiano do Amaral Silva, bem como apresentou cópia de Representação Criminal por crime de apropriação indébita feita contra este último as autoridades policiais. Temse que a única matéria trazida a discussão no recurso diz respeito â identificação do sujeito passivo responsável pela infração. Como se sabe, se o Fisco efetua o lançamento fiscal fundado nos elementos apurados na ação de repressão ao contrabando e descaminho, cabe ao autuado, na sua contestação, apresentar provas inequívocas de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de tal direito do Fisco. No presente caso, observase que as provas apresentadas não se mostraram hábeis suficientes para comprovar as alegações de transferência de propriedade do veículo a um terceiro, isso porque, embora o documento de venda apresentado tenha data anterior a apreensão, não há certeza se ele foi realmente lavrado antes da apreensão das mercadorias. Primeiro, porque o referido documento não teve o seu registro efetuado em cartório de registro de documentos em data anterior a apreensão. Em segundo lugar, não foram reconhecidas por cartório as assinaturas das partes constantes no Termo de Acordo em data anterior ao cometimento da infração fiscal. Temse, assim, que o Termo de Acordo.juntado não possui os requisitos formais mínimos necessários para ser aceito como prova válida no processo administrativo fiscal visando lastrear as alegações da Recorrente. Fl. 60DF CARF MF 4 Da mesma forma, a Representação de ocorrência de apropriação indébita e a comunicação as autoridades policiais também foram feitas em data posterior aquela em que ocorreu a apreensão dos cigarros (fls.31 a 33). Assim, não tendo a Recorrente trazido aos autos elementos de provas hábeis capazes de comprovar a venda do veículo antes da ocorrência da infração, por consequência, não conseguiu infirmar a acusação que recai sobre si de ser o responsável pelas mercadorias apreendidas no interior de veículo da sua propriedade. Com efeito, sendo o Sr. José Alberto Pamponet de Lima o proprietário do veículo à época de ocorrência do fato, cabível imputar a ele a infração ocorrida e a penalidade correspondente, uma vez que no seu veículo foram encontrados cigarros estrangeiros sem comprovação de sua importação regular, nos termos previstos no art.2º e no parágrafo único do artigo 3º, do DecretoLei nº 399/1968, com a redação dada pelo artigo 78 da Lei nº 10.833/2003, in verbis: Art 2º O Ministro da Fazenda estabelecerá medidas especiais de controle fiscal para o desembaraço aduaneiro, a circulação, a posse e o consumo de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira. Art 3º Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuírem ou consumirem qualquer dos produtos nele mencionados. Parágrafo único. Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perdimento da respectiva mercadoria, a multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos. (negritos nossos) Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900139/2008-78
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-001.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar proposta de diligência suscitada pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva. Votou também pela diligência o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar proposta de diligência suscitada pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva. Votou também pela diligência o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 01 39 /2 00 8- 78 Fl. 214DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declarações de Compensação n° 33409.90752.241106.1.7.02 7852 e 36584.68153.1.7.027953 (efls. 10/13 e 23/28), através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de Crédito de Saldo Negativo de IRPJ ano calendário 1999 no valor original de R$ 48.590,26. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 754359192 (efl. 50), que analisou as informações e não reconheceu o direito creditório justificando que "constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período da apuração do saldo negativo Informado no PER/DCOP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 48.590,26. Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00." O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 22/23), em que a empresa alegou que é optante pelo Lucro Presumido e possui como atividade a construção civil; que de janeiro de 1999 a junho de 2003 recolheu a titulo de IRPJ o equivalente a 15% sobre a base de cálculo de 32% sobre o faturamento bruto, inclusive sobre as receitas em que houve emprego de materiais; que conforme o ADN Cosit n° 6 de 1997, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% quando houver emprego de materiais; que com base nessa legislação foram retificadas todas as DCTFS compreendidas no período do 1° trimestre de 1999 ao 2° trimestre de 2003 para corrigir o valor dos débitos de IRPJ, onde foram considerados base de cálculo de 32%. A manifestação de inconformidade foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 1625.733 2ª Turma da DRJ/SP1, efls. 82/85). A decisão de primeira instância entendeu que o contribuinte não trouxe aos autos as provas contábeis que comprovassem a disponibilidade integral do crédito o crédito: A interessada alega que efetuou pagamento a maior ao aplicar o percentual de 32% sobre a receita bruta para a apuração da base de cálculo do lucro presumido, sendo que para o caso em que diz se enquadrar (atividade de prestação de serviço de construção civil com emprego de materiais) o percentual a ser utilizado é de 8%. Dessa forma, a controvérsia fica restrita à existência ou não do direito creditório da interessada. Quanto a esta questão, a pleiteante nada apresentou para comprovar a existência, liquidez e certeza do crédito utilizado para a compensação dos débitos informados em DCOMP. Para qualquer reconhecimento de direito creditório, a requerente Fl. 215DF CARF MF Processo nº 16327.900139/200878 Acórdão n.º 1001001.103 S1C0T1 Fl. 408 3 deverá fazer prova inequívoca da existência e veracidade do direito creditório (artigo 170 do CTN) sem a qual nada pode ser deferido de oficio pela autoridade fiscal. Nenhuma documentação foi apresentada para comprovar que naquele período a interessada prestou serviço de construção civil com emprego de materiais. Tal circunstância deve ser comprovada por meio dos contratos de execução dos serviços juntamente com a escrita contábil. Dessa forma, por não haver comprovação da veracidade das alegações da interessada quanto à existência de direito creditório (falta de liquidez e certeza), fica mantido o Despacho Decisório proferido nos presentes autos. (...) Cientificada da decisão de primeira instância em 23/07/2010 (efl. 89) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 19/08/2010 (efl. 90), em que repete os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade e anexa cópias que seriam de sua escrita contábil e de Notas Fiscais Fatura de Serviços (NFFS) emitidas no período de outubro a dezembro de 2000 e respectivas notas fiscais de compra de materiais anexados. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Nesse sentido o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com base no artigo citado o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Fl. 216DF CARF MF 4 Observo que no ato de recurso a esta segunda instância o recorrente alega anexar agora documentos que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Mas tal tentativa não pode socorrelhe. Isto porque, conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade para a primeira instância, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 16327.900139/200878 Acórdão n.º 1001001.103 S1C0T1 Fl. 409 5 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a solicitação de compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.901894/2011-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.477
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não atendimento do pleito do contribuinte na extensão por ele pretendida (Declaração de Compensação DComp), em razão do fato de que o pagamento informado não fora suficiente à quitação do débito informado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, alegando que apenas não procedera à retificação da DCTF, mas que possuía direito à compensação e que não se enquadrava em nenhuma das vedações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 18 94 /2 01 1- 89 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10166.901894/201189 Acórdão n.º 3302006.477 S3C3T2 Fl. 3 2 previstas no § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Juntou a solicitação de retificação da DCTF, demonstrativo da base de cálculo da contribuição, DCTF retificadora não transmitida e cópia do DARF objeto do pedido de restituição. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 03052.704, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando que o crédito era decorrente da venda de medicamentos sujeitos à alíquota zero, de acordo com o art. 2º da Lei nº 10.147/2000, que haviam sido indevidamente tributadas pelo Recorrente. Para comprovar, juntou demonstrativo da base de cálculo. É o relatório. Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.476, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 10166.901895/201123, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.476): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente trouxe alegações de direito sobre a natureza do suposto direito creditório, porém, como prova, juntou apenas o demonstrativo de base de cálculo, indicando os valores de faturamento, os créditos da não cumulatividade, e os valores que seriam devidos, protestando pela posterior juntada do Livro Razão. A recorrente possui como objeto social a prestação de serviços hospitalares, conforme cópia abaixo de seu estatuto social: Não há indicação de revenda de medicamentos em seu objeto social. Ressaltase que a redução a zero é aplicada sobre a revenda de medicamentos especificados nos códigos NCM do artigo 1º da Lei nº 10.147/2000, pelas pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador, conforme abaixo: Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10166.901894/201189 Acórdão n.º 3302006.477 S3C3T2 Fl. 4 3 Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.548, de 2002) I – dois inteiros e dois décimos por cento e dez inteiros e três décimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos referidos no caput; Art. 2o São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples. Todavia, tal redução não se aplica aos medicamentos utilizados como insumos na prestação de serviços, mas apenas na atividade comercial de revenda dos medicamentos especificados. Para tanto, a recorrente deveria ter demonstrado a existência de receitas auferidas com a revenda, o que, por seu estatuto social, não é possível deduzir tal situação. Destacase que a base de cálculo apresentada no demonstrativo de efl. 227 referese à apuração nãocumulativa do PIS/Pasep, o que demandaria, para as receitas, ao menos, os balancetes analíticos como ponto de partida. Ademais, a redução a zero é específica para as posições e códigos mencionados no caput do artigo 1º e não para todos os medicamentos. Porém, não há demonstrativo de notas fiscais, com referência às NCM dos produtos vendidos, com alguma amostragem das referidas notas. Além disso, quanto aos créditos, também seriam necessárias, ao menos, planilhas demonstrativas, com amostragem de documentos e cópias do Livro Razão, demonstrando os valores os custos dos serviços prestados e das despesas contábeis incorridas. Ressaltase, ainda, que quanto aos honorários médicos, não é possível a tomada de créditos da não cumulatividade em pagamentos de mãodeobra a pessoa física, conforme §2º1 do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, como foi considerado no demonstrativo. Ressaltase, mais uma vez, que a mera apresentação de um demonstrativo não é prova suficiente para a certificação do direito líquido e certo que está pleiteado. De fato, a decisão recorrida deixou expresso a necessidade de se apresentar documentos hábeis e idôneos, lastreados em escrituração contábil e fiscal para se comprovar o direito requerido, a saber: 1 § 2o Não dará direito a crédito o valor de mãodeobra paga a pessoa física. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10166.901894/201189 Acórdão n.º 3302006.477 S3C3T2 Fl. 5 4 "Assim, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração." Em suma, não houve qualquer preocupação em juntar documentos contábeis e fiscais de modo a comprovar o direito creditório alegado, apesar de sua necessidade ter sido ressaltada pela decisão recorrida, não se desincumbindo, a recorrente, do ônus que lhe cabia, a teor do artigo 333, inciso II do anterior Código de Processo Civil, atual artigo 373, inciso II da Lei nº 13.105/2015 (novo CPC) e do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Contribuição para o PIS, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.905151/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2004
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
Numero da decisão: 3201-004.457
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ATP CONSTRUTORA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 51 51 /2 00 9- 72 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10580.905151/200972 Acórdão n.º 3201004.457 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP com lastro em pagamento indevido ou a maior de Cofins. A DRF/Salvador emitiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento foi integralmente utilizado na quitação de débito declarado da empresa, não restando direito creditório disponível. Após ser cientificado do referido despacho decisório o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Alegou, em síntese, que: a) o recolhimento a maior da contribuição decorre do fato de a variação monetária passiva ter sido maior que a receita; b) o Dacon e a DCTF retificadores indicam o valor real da apuração das contribuições, restando comprovada a existência do crédito; c) não efetuou a errata informando a transmissão da retificadora, porque o sistema da RFB não aceita proceder à retificação de Per/Dcomp que já tenha sido objeto de decisão administrativa; d) em respeito ao princípio da verdade material, não se pode negar a existência do direito creditório comprovado por Dacon/DCTF retificadores, que indicam todos os recolhimentos efetuados e os débitos do período para compor o saldo; e) existem nos autos elementos de prova que demonstram o erro cometido pela contribuinte em sua declaração. Após exame da defesa apresentada a DRJ/Belo Horizonte proferiu o acórdão 02058.192, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/03/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10580.905151/200972 Acórdão n.º 3201004.457 S3C2T1 Fl. 4 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.446, de 27/11/2018, proferido no julgamento do processo 10580.905139/200968, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.446): "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relato dos fatos, a questão controvertida consiste na existência ou não de provas acerca de erro incorrido pelo contribuinte na prestação de declarações à RFB. Alega a Recorrente que o crédito postulado por meio de PER/DCOMP decorre de pagamento indevido ou a maior de PIS não cumulativo em decorrência de variação monetária passiva superior à receita do período. Embora, inicialmente, tenha informado a existência de débito no período, posteriormente, em procedimento de revisão, constatou a inexistência do referido débito e apresentou DACON e DCTF retificadoras. Assim, insiste, em sede recursal, que as declarações retificadoras são prova fidedigna do erro incorrido, devendo as informações nelas constantes serem tidas por verdadeiras na análise do indébito. Não assiste razão, contudo, à Recorrente. Como se verifica pelo exame dos autos, a retificação da DCTF foi promovida pela Recorrente posteriormente à ciência do despacho decisório que deixou de reconhecer o crédito postulado. Desse modo, compete à Recorrente fazer prova do direito postulado. Não se nega, a rigor, que o erro no preenchimento de declarações ao Fisco podem ser corrigidos em sede de contencioso administrativo, em face do que propugna o princípio da verdade material. Contudo, tal correção imprescinde de comprovação do erro alegado, devendo esta ser feita por meio dos documentos contábeis do contribuinte e não meramente pela retificação das declarações prestadas. E, na hipótese dos autos, não existe qualquer documentação hábil para a comprovação do erro alegado. Ademais, ressalta a decisão DRJ que, não obstante a retificação da DCTF e da DACON realizadas posteriormente à ciência do despacho decisório, a DIPJ retificadora Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10580.905151/200972 Acórdão n.º 3201004.457 S3C2T1 Fl. 5 4 apresentada informações divergentes. Logo, nem mesmo a DIPJ do contribuinte poderia ser invocada como comprovação do erro incorrido. Nesse sentido, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: Quando a DRF nega o pedido de compensação com base em declaração apresentada (DCTF) que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. À obviedade, documentos comprobatórios são documentos que atestem, de forma inequívoca, o valor, a origem e a natureza do crédito, visto que, sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Assim, não tendo sido apresentada pelo contribuinte qualquer prova que demonstre a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si sós, as declarações retificadoras como sendo instrumentos hábeis, capazes de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. A título informativo, cumpre esclarecer que não seria possível a informação da transmissão das declarações retificadoras em Per/Dcomp retificador. Como o contribuinte retificou suas declarações somente após a ciência do despacho decisório segundo afirma, para informar a correta apuração da contribuição , cabia a ele, conforme já exaustivamente exposto, trazer aos autos os documentos que demonstrassem e comprovassem a nova apuração. Pelo exposto, não obstante a alegação de erro no preenchimento das declarações prestadas à RFB, a Recorrente não logrou a devida comprovação por meio de documentos hábeis, razão pela qual não há como se reconhecer o direito creditório postulado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003445/2007-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SEM ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO.
No caso de tributo lançado por homologação, não havendo antecipação de pagamento, conta-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997.
A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. O valor cuja origem restar comprovada na impugnação deve ser excluído do lançamento.
Numero da decisão: 2402-006.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, considerar válida a segunda intimação do lançamento e nula a primeira intimação. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Denny Medeiros da Silveira. Por voto de qualidade, reconhecer a ocorrência da decadência em relação aos anos-calendário de 2002 e 2003. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator) que reconheceram a ocorrência da decadência também em relação ao ano-calendário de 2004. Por unanimidade de votos, excluir do lançamento os depósitos referentes (i) às transferências da conta investimento para a conta corrente, (ii) aos valores relativos a cheques devolvidos e (iii) ao valor decorrente de mútuo tomado junto ao Sr. Caio Mário Paes de Andrade. Designado para redigir o voto vencedor, em relação à decadência, o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
Julgado na sessão de 4/12/18, com início às 14h, a pedido do contribuinte e com anuência do presidente da Turma.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente MAURO SERGIO BERTAGLIA e FAZENDA NACIONAL Recorrida MAURO SERGIO BERTAGLIA e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SEM ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. No caso de tributo lançado por homologação, não havendo antecipação de pagamento, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. O valor cuja origem restar comprovada na impugnação deve ser excluído do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 45 /2 00 7- 54 Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.786 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, considerar válida a segunda intimação do lançamento e nula a primeira intimação. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Denny Medeiros da Silveira. Por voto de qualidade, reconhecer a ocorrência da decadência em relação aos anoscalendário de 2002 e 2003. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator) que reconheceram a ocorrência da decadência também em relação ao anocalendário de 2004. Por unanimidade de votos, excluir do lançamento os depósitos referentes (i) às transferências da conta investimento para a conta corrente, (ii) aos valores relativos a cheques devolvidos e (iii) ao valor decorrente de mútuo tomado junto ao Sr. Caio Mário Paes de Andrade. Designado para redigir o voto vencedor, em relação à decadência, o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Julgado na sessão de 4/12/18, com início às 14h, a pedido do contribuinte e com anuência do presidente da Turma. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício e Redator designado. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 3ª Tuma da DRJ/SPOII, consubstanciada no Acórdão nº 1745.156 (fls. 1614/1637), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 490 a 500, referente aos anoscalendário de 2002 a 2005, para a constituição do crédito tributário no montante de R$ 11.129.205,36, sendo R$ 5.229.144,71 a título de imposto suplementar, R$ 3.921.858,52, de multa de oficio, e R$ 1.978.202,13, de juros de mora, calculados até 31/10/2007. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 497 a 499) que foi apurada a seguinte infração: omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Enquadramento legal: art. 849 do Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.787 3 Decreto n° 3.000/1999 RIR/1999 e artigo 10 da Medida Provisória n° 22/2002, convertida na Lei n° 10.451/2002. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 486 a 489, que integra o auto de infração, consignouse o que segue, em síntese: em razão da apuração de expressiva movimentação financeira (conforme Tabela n° 1), foi o contribuinte intimado a apresentar seus extratos bancários e a comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados nas referidas contas, bem como a demonstrar a correta tributação desses valores (fls. 26 e 27); não atendida a intimação, foi lavrada nova intimação, reiterandose a solicitação, cuja ciência se concretizou por meio de Edital (fls. 29 a 34), visto que a correspondência retornou com a anotação de que o destinatário "mudouse"; não tendo havido manifestação do fiscalizado, expediuse a Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira de fl. 37 ao Banco Safra S/A, que forneceu cópia dos extratos bancários do contribuinte (fls. 39 a 454); foi então lavrado o Termo de Intimação tf' 02/2007, de fl. 458 (com ciência por via postal, fl. 485, em razão de alteração de domicílio do contribuinte), para, novamente, interpelálo acerca da demonstração, por meio de documentação hábil e idônea, da origem dos recursos creditados nas contas bancárias de sua titularidade, em consonância com o anexo Demonstrativo de Apuração dos Créditos Bancários (fls. 459 a 482) e, também, do oferecimento à tributação dos valores creditados; tal intimação também não foi atendida, configurandose a hipótese prevista no caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996; a Tabela n° 2 (fl. 488) consolida, por mês, os valores omitidos, já expurgados os créditos decorrentes de transferências entre contas do próprio fiscalizado (art. 2, § 3°, inciso I, da Lei n° 9.430/1996), os de estornos de lançamento, os de cheques depositados e posteriormente devolvidos, os de resgates de aplicação financeira (já submetidos à tributação exclusiva na fonte), os de empréstimos bancários e os de outros valores já tributados, identificados na planilha de fls. 459 a 482. Uma vez devolvida pelos Correios a correspondência contendo o auto de infração (fl. 506), com a anotação de "Endereço Insuficiente FALTOU INDICAR BLOCO", a ciência foi efetuada por meio do Edital n° 4/2008 (fl. 510), afixado em 14 de janeiro de 2008 e desafixado em 30 de janeiro de 2008. Transcorrido o prazo para impugnação, sem a manifestação do sujeito passivo, o processo foi remetido à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para inscrição do débito em Dívida Ativa da União. Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.788 4 Pelo oficio juntado por cópia à fl. 524, a Delegacia de origem informou a PFN quanto à existência de decisão judicial que deferiu ao contribuinte a possibilidade de discussão da exigência na esfera administrativa, no estado em que se encontra o processo administrativo (fls. 527 a 529), e solicitou o retorno do presente feito para cumprimento da determinação judicial. Em 13 de maio de 2010 (fls. 534 e 552), foi o contribuinte intimado a apresentar "defesa para possibilitar a discussão na via administrativa, conforme dispõe medida judicial expedida pela 23" Vara da Justiça Federal/MG, em 08/05/2009". Em 14 de junho de 2010, o interessado apresentou a petição de fls. 553 a 618, por intermédio de procuradores (fls. 619 e 625 a 628), acompanhada dos documentos de fls. 623 a 1559. Alega, preliminarmente, o que segue, em síntese: o contribuinte não foi corretamente notificado do lançamento, só tendo tomado conhecimento de sua existência ao tentar alienar imóvel de sua propriedade, por terse deparado com a existência de débito relativo à Secretaria da Receita Federal; socorreuse do Poder Judiciário para que lhe fosse concedida a reabertura de prazo para a apresentação da impugnação administrativa, tendo sido deferida, nos autos da Ação Ordinária n°2009.38.00.0118192, a antecipação dos efeitos da tutela (fls. 630 a 648); foi intimado em 13 de maio de 2010 a apresentar impugnação administrativa ou recolher o débito discutido (fls. 649 a 651); resta patente a tempestividade da impugnação, amparada em provimento jurisdicional que lhe garantiu o direito à ampla defesa e ao contraditório, apresentada dentro do prazo estabelecido no artigo 15 do Decreto n° 70.235/1972; os depósitos ocorridos entre janeiro de 2002 e abril de 2005 foram atingidos pela decadência, por se aplicar, ao caso em tela, o prazo estabelecido no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, eis que o contribuinte efetuou recolhimentos de IRPF durante todos os anos que foram objeto do lançamento (fls. 652 a 662); devese, ao menos, reconhecer a decadência quanto aos anos calendário de 2002 a 2004, caso se entenda que o fato gerador do IRPF, em casos de omissão de receitai considerase ocorrido no dia 31 de dezembro do respectivo anocalendário. Quanto ao mérito, afirma que os depósitos identificados em sua conta corrente referemse às seguintes operações: i) alienação de participações societárias, carros e imóveis, cujo ganho de capital já teria sido devidamente tributado; ii) transferências entre contas de mesma titularidade e empréstimos bancários; iii) cheques devolvidos (sem fundos) da conta corrente; iv) resgates de investimentos em renda fixa e liquidação de swap já Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.789 5 tributados definitivamente pela fonte pagadora; v) empréstimos tomados de pessoas físicas e retorno de recursos disponibilizados no exterior; vi) devolução de mútuos e desconto de cheques realizados entre o impugnante e pessoas de seu convívio pessoal próximo. Aponta, ainda, a existência de valores considerados em duplicidade pela Fiscalização. Acrescenta que obteve um aumento substancial de seu patrimônio com a alienação de participação societária da empresa Protocoloweb Participações Ltda., o que lhe teria possibilitado desenvolver diversas atividades comerciais durante o período autuado, inclusive, emprestar recursos a pessoas de seu convívio pessoal próximo. Nas razões das págs. 11 a 60 da peça de defesa (fls. 563 a 614), busca detalhar os fatos que, no seu entender, comprovariam a natureza dos créditos em sua conta bancária, os quais não representariam acréscimo patrimonial ou não seriam sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual, pois sua tributação seria definitiva ou exclusiva na fonte. Por fim, requer o cancelamento do auto de infração e, ainda, o encaminhamento das intimações e notificações relativas ao presente feito ao seu procurador, com envio de cópia ao contribuinte. Protesta por todos os tipos de provas admitidas em direito. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1745.156 (fls. 1614/1637), cuja ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Nas hipóteses em que inexistir pagamento antecipado, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento deixa de ser regida pelo disposto no artigo 150, § 40, do Código Tributário Nacional e passa a ser disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Não subsiste o lançamento relativamente aos créditos cuja origem restou evidenciada nos autos. Impugnação Procedente em Parte Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.790 6 Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 1651/1700, reiterando os termos da impugnação apresentada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. De igual modo, o Recurso de Ofício interposto pela Unidade de Origem em face da exoneração parcial do crédito tributário deve ser conhecido, eis que presentes os respectivos pressupostos de admissibilidade. Neste contexto, considerando que a análise de mérito da procedência (ou não) do recurso de ofício tangência a análise de mérito do recurso voluntária, estas serão feitas simultaneamente quando a matéria a ser julgada for comum aos dois recursos. Da Decadência (objeto apenas do Recurso Voluntário) Aduz o Recorrente, em sede de preliminar, a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário referente aos depósitos bancários compreendidos no período de janeiro de 2002 a abril de 2005, à luz do art. 150, § 4º do CTN. Neste ponto, esclarece o Recorrente, desde a impugnação apresentada, que não foi corretamente notificado do presente Auto de Infração, só tendo tomado conhecimento de sua existência ao tentar realizar a alienação de imóvel de sua propriedade, momento em que se deparou com a existência do débito em aberto relativo à Secretaria da Receita Federal, constante na Certidão de Dívida Ativa ("CDA") n° 60.1.08.00042093. Prossegue o contribuinte elucidando que ao procurar obter informações sobre o procedimento administrativo que teria dado origem à referida CDA, apurou que não havia sido corretamente intimado pela Secretaria da Receita Federal sobre o procedimento fiscalizatório e o Auto de Infração que o originara. Neste contexto, interpôs, o Autuado, a Ação Ordinária n° 2009.38.00.0118192 (fls. 635), para que lhe fosse concedida a reabertura de prazo para a apresentação da Impugnação administrativa. Verificando os pressupostos para a concessão do provimento antecipatório, o MM. Juízo da 23 Vara da Justiça Federal de Belo Horizonte — MG, em 08 de maio de 2009, concedeu a antecipação dos efeitos da tutela (fls. 651), assegurando a discussão na via administrativa por meio da reabertura do prazo para apresentação de Impugnação. Em virtude da concessão do referido provimento jurisdicional, foi reaberta discussão na via administrativa, tendo o Autuado sido intimado a apresentar Impugnação administrativa ou recolher o débito discutido em 13 de maio de 2010 (comprovante dos correios às fls. 654), data considerada pelo Recorrente como marco inicial do lustro decadencial. Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.791 7 A DRJ, por seu turno, destacou que a correspondência contendo o auto de infração e seus anexos foi remetida por via postal, para o endereço do contribuinte então constante do cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), ou seja, a R. Maria Elizabeth Pessoa, 200, Ap. 205, Belo Horizonte/MG — CEP 30660050, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 504 e consulta de fl. 507. A postagem ocorreu em 12 de novembro de 2007, segundo consulta de fl. 504. Todavia, a referida correspondência foi devolvida em 07 de janeiro de 2008 com a informação "Endereço Insuficiente FALTOU INDICAR BLOCO" anotada em carimbo dos Correios no verso do envelope de fl. 506. Por ter resultado improfícua a tentativa de intimação por via postal, foi lavrado o Edital n° 4/2008 (fl. 510), afixado em 14 de janeiro de 2008 e desafixado em 30 de janeiro de 2008. Assim, a ciência do lançamento efetivouse em 29 de janeiro de 2008, ou seja, 15 (quinze) dias após a publicação do edital, em conformidade com o previsto no artigo 23, § 2°, inciso IV, do Decreto n° 70.235/1972, acima reproduzido. Neste ponto, o Recorrente destaca que o endereço consignado pela SRF no momento da intimação estava incompleto. Após esta tentativa frustrada, a SRF afixou em sua unidade localizada em São Paulo SP, o Edital n° 04/2008, na tentativa de intimar o Recorrente, durante o período de 14 a 30 de janeiro de 2008, contrariando o disposto no art. 23, § 1°, inciso II c/c §4° do Decreto n° 70.235/72, que assim preceitua: Art. 23. Farseá a intimação: § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; Neste contexto, possuindo o contribuinte domicílio tributário em Belo Horizonte – MG e tendo a fiscalização publicado o Edital de intimação acerca da lavratura do auto de infração objeto do presente processo na DRF localizada em São Paulo – SP, a referida intimação editalícia restou sem efeito. Tanto que, nos dizeres do Recorrente, o Poder Judiciário decidiu nos autos da Ação Ordinária acima mencionada, a reabertura de prazo a fim de ser possível a discussão na esfera administrativa, visto o Recorrente, ao não ter tido em nenhum momento a ciência do referido processo de fiscalização, ter sido privado do exercício ao seu direito de defesa. Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.792 8 Dessa forma, não tendo servido para o fim ao qual se destinava o Edital nº 04/2008, tanto que o Poder Judiciário determinou a reabertura da discussão na esfera administrativa, outra não pode ser a conclusão senão a de que a ciência do Auto de Infração pelo Recorrente se deu apenas e tão somente em 13 de maio de 2010. Fixada esta premissa, impende esclarecer ainda que, sobre a matéria em análise, o CARF possui o entendimento firme de que o fato gerador do imposto sobre a renda, nos casos de omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, como no caso concreto, considerase ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário. Esta é, inclusive, uma matéria sumulada por este Conselho. Vejamos o teor da Súmula CARF nº 38: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Assim, e sem mais delongas, como o caso vertente tem por objeto o IRPF referente aos AnosCalendários de 2002, 2003, 2004 e 2005, o fato gerador mais antigo é, pois, aquele datado de 31/12/2002, nos termos da Súmula CARF nº 38 em destaque. Pois bem!! Para os rendimentos sujeitos ao ajuste anual, a Lei 9.250/95, art. 7º e art. 13, parágrafo único, dispõem que: Art. 7º A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano calendário subsequente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. Art. 13. O montante determinado na forma do artigo anterior constituirá, se positivo, saldo do imposto a pagar e, se negativo, valor a ser restituído. Parágrafo único. Quando positivo, o saldo do imposto deverá ser pago até o último dia útil do mês fixado para a entrega da declaração de rendimentos. Tais dispositivos legais conferem ao imposto sobre a renda os contornos de um lançamento por homologação, aplicandose então, para se apurar a decadência, o comando do CTN, art. 150, § 4º. No presente caso, tendo o contribuinte apurado rendimento com tributação exclusiva / definitiva, conforme se infere das cópias das Declarações de Ajuste Anual acostadas aos autos a partir das fls. 5, bem como efetuado o pagamento do imposto apurado sobe ganhos de capital, resta indubitável a aplicação do comando inserto no susodito art. 150, § 4º do CTN, pelo que resta configurada a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento objeto do presente processo, conforme tabela a seguir: Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.793 9 Ano Calendário Fato Gerador Termo Inicial (da decadência) Termo Final (da decadência) Ciência do Lançamento Decaído? 2002 31/12/2002 31/12/2002 31/12/2007 13/05/2010 Sim 2003 31/12/2003 31/12/2003 31/12/2008 13/05/2010 Sim 2004 31/12/2004 31/12/2004 31/12/2009 13/05/2010 Sim 2005 31/12/2005 31/12/2005 31/12/2010 13/05/2010 Não Assim, voto por acolher, em parte, a preliminar de decadência suscitada, declarando extinto o crédito tributário referente aos anoscalendários de 2002, 2003 e 2004. Do Mérito No que tange ao mérito, observese que o lançamento foi motivado pela falta de comprovação da origem dos créditos em contas bancárias do contribuinte, com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. O contribuinte aduz, em síntese, que os depósitos identificados em sua conta corrente referemse às seguintes operações: i) alienação de participações societárias, carros e imóveis, cujo ganho de capital já teria sido devidamente tributado; ii) transferências entre contas de mesma titularidade e empréstimos bancários; iii) cheques devolvidos (sem fundos) da conta corrente; iv) resgates de investimentos em renda fixa e liquidação de swap já tributados definitivamente pela fonte pagadora; v) empréstimos tomados de pessoas físicas e retorno de recursos disponibilizados no exterior; vi) devolução de mútuos e desconto de cheques realizados entre o impugnante e pessoas de seu convívio pessoal próximo e vii) a existência de valores considerados em duplicidade pela Fiscalização. Vejamos, então, cada uma das situações apontadas pelo Recorrente, ressaltando, mais uma vez que, considerando que a análise de mérito da procedência (ou não) do recurso de ofício tangência a análise de mérito do recurso voluntária, estas serão feitas simultaneamente quando a matéria a ser julgada for comum aos dois recursos. Dos valores decorrentes de alienação de participação societária (objeto apenas do Recurso de Ofício) O Recorrente afirma que os créditos abaixo identificados são decorrentes da alienação da participação societária que detinha na empresa Protocoloweb Participações Ltda., CNPJ n° 03.645.812/000182: Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.794 10 Conforme constatado pela DRJ, os documentos apresentados pela defesa, de fls. 668 a 840, dão conta de que o contribuinte detinha participação de 25% (vinte e cinco por cento) na referida sociedade e que firmou, juntamente com os demais sócios, contrato de cessão da totalidade das cotas para a empresa Intemet Group do Brasil Ltda., CNPJ n° 03.368.522/000139, o qual sofreu sucessivos aditamentos e foi objeto de questionamento judicial e finalmente, de reconvenção. Os três primeiros valores acima foram pagos por força do disposto na Cláusula Segunda, item "2.1 (v)" do Sétimo Aditamento ao contrato citado (fls. 741 a 761), conforme comprovantes de depósito de fls. 762 a 764. O valor de R$ 2.737.901,00 referese à parcela especificada no item "2.1 (vi)" da referida Cláusula Segunda, que foi paga em razão da cassação da liminar que concedera a antecipação da tutela nos autos da Ação Ordinária, Processo n° 03.0709911, proposta pela empresa adquirente com vistas à anulação do negócio ou a redução do preço (fis. 792 a 833). O valor de R$ 5.500.000,00 corresponde à parte que coube ao contribuinte do saldo devedor fixado por acordo, cuja homologação pôs fim à demanda (fls. 834 a 840). O recebimento das importâncias citadas foi informado nos Demonstrativos da Apuração dos Ganhos de Capital integrantes das declarações de ajuste anual dos respectivos exercícios (fls. 13, 17 e 23). Portanto, os valores constantes da tabela acima devem, de fato, ser excluídos do lançamento, por restar comprovado que foram auferidos em decorrência de alienação de participação societária, pelo que se nega provimento ao recurso de ofício neste ponto. Dos valores decorrentes de alienação de imóveis (objeto apenas do Recurso de Ofício) Neste ponto, aduz o contribuinte que os créditos abaixo identificados se referem a valores recebidos em decorrência da alienação de imóveis de sua propriedade: O Instrumento Particular de Promessa de Cessão de Direitos sobre Imóvel, juntado por cópia às fls. 865 a 871, referese ao imóvel localizado à R. Femandes de Abreu, 159, apto. 1701, em São Paulo/SP. De acordo com a Cláusula Segunda do referido contrato, o preço da cessão seria pago em quatro parcelas, nos valores de R$ 200.000,00, R$ 300.000,00, R$ 388.608,94 e R$ 419.697,66, nas datas de 25/03/2004, 15/04/2004, 15/07/2004 e 15/01/2005, respectivamente, mediante crédito na conta corrente n° 285.9055, mantida pelo cedente na agência n° 112 do Banco Safra. Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.795 11 Segundo o interessado, foram descontadas das duas primeiras parcelas as importâncias de R$ 40.000,00 e R$ 50.000,00, respectivamente, a título de corretagem. A referida operação foi informada nos Demonstrativos da Apuração dos Ganhos de Capital de fls. 22 e 28, anexos às declarações de ajuste anual dos exercícios de 2005 e 2006. A cópia da Escritura Pública de Venda e Compra de fls. 875 a 877 comprova que o contribuinte, por intermédio de procurador, recebeu o valor de R$ 200.000,00, em 14/07/2004, pela alienação de um imóvel situado na R. Desembargador Plínio Guerreiro, na cidade de Salvador/BA. A escritura de fls. 880 a 883, relativa à anterior aquisição do imóvel pelo contribuinte, demonstra que a referida rua passou a ser denominada Waldemar Falcão e que foi paga na operação a importância de R$ 200.000,00. A declaração de bens e direitos que integra a declaração de ajuste anual do exercício de 2005 informa que não houve ganho de capital na alienação (fl. 20). Portanto, os valores constantes da tabela acima devem, de fato, ser excluídos do lançamento, pelo que se nega provimento ao recurso de ofício neste ponto. Das transferências entre contas correntes de titularidade do contribuinte (objeto apenas do Recurso de Ofício) Neste ponto, o contribuinte sinalizou inicialmente uma divergência entre o valor da movimentação financeira relativa ao anocalendário de 2003, de R$ 3.454.326,33, sobre o qual incidiu a CPMF, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, à fl. 486, e o montante utilizado como base de cálculo do imposto lançado por presunção de omissão de rendimentos, de R$ 4.806.981,04, correspondente ao mesmo período. Tal inconsistência seria indicativa da existência de transferências entre contas de mesma titularidade, nas quais não era cobrada a CPMF, bem como da inclusão indevida dos respectivos valores na base de cálculo do imposto. O Contribuinte aduziu que os valores constantes nas tabelas das páginas 23 e 24 da sua peça impugnatória correspondem a transferências entre contas correntes das quais era titular. Junta as cópias dos extratos de fls. 889 a 1105, que demonstram o débito na conta de origem e o crédito na conta de destino, nas mesmas datas e valores. Neste ponto, a DRJ concluiu que: Cabe observar, todavia, que o crédito no valor de R$ 7.300,00, de 28/09/2005 ("doc. 26.69", fls. 1090 e 1091), efetuado na conta n° 011.2017, não foi computado na determinação da receita omitida, de acordo com o Demonstrativo de Apuração de Créditos Bancários, à fl. 481. Ressaltese, ainda, que há erro no somatório dos créditos indicados na tabela elaborada pela defesa (fl. 576), pois o total de R$ 769.479,14 foi apurado antes da inserção dos dois últimos créditos, de R$ 9.000,00 e R$ 4.316,00. Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.796 12 Assim, devem ser excluídos do lançamento os valores a seguir, totalizados mês a mês, conforme prevê o artigo 42, § 3°, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, que estabelece que não serão considerados, na apuração da omissão de rendimentos, os créditos decorrentes de transferência de outras contas do próprio contribuinte: Analisandose os documentos acostados aos autos e citados pelo órgão julgador de primeira instância, verificase que não há reparos a serem feitos naquele Acórdão em relação à matéria ora em análise, pelo que se nega provimento ao recurso de ofício neste ponto. Das transferências da conta investimento para a conta corrente (objeto apenas do recurso voluntário) O interessado alega que os créditos discriminados na tabela da pág. 26 da peça de defesa (fl. 583) seriam relativos a transferências de sua conta de investimento n° 801.3115, decorrentes de liquidações de títulos, que seriam tributadas exclusivamente na fonte, nos moldes do disposto no artigo 10 da Lei n° 11.033/2004, que trata da tributação dos rendimentos de aplicações ou operações financeiras de renda fixa ou de renda variável. A DRJ manteve o lançamento neste ponto, aduzindo, em síntese, que: De acordo com os extratos da conta corrente n° 285.9055, de fls. 147 a 159, todos os créditos em referência apresentam o histórico "Lib. Vinculada", diversamente do informado na tabela de fl. 578 e na declaração do Banco Safra S/A, à fl. 881. Segundo a declaração mencionada, os referidos créditos têm, ainda, a seguinte descrição: "Transf da Conta n° 801.3115 — Liq. Títulos". O histórico e a descrição citados não são suficientes para se concluir que se trata de liquidação de operação financeira ou de transferência entre contas do próprio contribuinte. Assinalese Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.797 13 que o interessado não apresenta o extrato da conta n° 801.3115 ou os documentos relativos à aludida liquidação de títulos. Ademais, não foi evidenciado nos autos que as aludidas liquidações de títulos sofreram retenção na fonte, como alega a defesa. Em sua peça recursal, o contribuinte esclareceu inicialmente que a declaração emitida pelo Banco Safra SM (doc. 25 da Impugnação e 01 do Recurso), instituição financeira em que o Recorrente mantinha a conta corrente n° 285.9055, evidencia trataremse de valores decorrentes de contas investimento, na medida em que apresenta no histórico dos valores depositados a seguinte descrição: "Transf. de C/I". Neste ponto, observese o seguinte trecho da tabela constante na referida declaração emitida pelo Banco Safra: Observese, ainda, em outro lançamento referente à transferência da conta nº 801.3115, possui o seguinte histórico: “Transf. da Conta”. Registrese, pela sua importância, que o referido histórico foi aceito pela DRJ em relação às operações de transferências entre contas de mesma titularidade. Ademais, com vistas a afastar a premissa do órgão julgador de primeira instância, o Recorrente trouxe aos autos extratos bancários da referida conta nº 801.3115 (fls. 1.710 a 1.173), os quais evidenciam que tal conta era do Recorrente, pelo que os valores tidos como depósitos pela fiscalização se referem a movimentações entre contas de mesma titularidade. Verificase por meio dos referidos extratos que os valores abaixo lançados pela Fiscalização constantes na conta corrente nº 285.9055, objeto da autuação, coincidem em datas e valores com aqueles da referida conta investimento: Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.798 14 Assim, dou provimento ao recurso voluntário neste ponto, para excluir do lançamento os valores acima identificados, por se tratarem de créditos decorrentes de transferência de outras contas do próprio contribuinte. Dos valores decorrentes de empréstimos concedidos pelo Banco Safra S/A (objeto apenas do recurso de ofício) Quanto aos créditos efetuados na conta n° 011.2017, nos valores de R$ 50.000,00, R$ 30.000,00, R$ 65.000,00 e R$ 4.500,00 e nas datas de 23 e 24 de janeiro e 28 e 29 de maio de 2003, respectivamente, temse que estes se referem a transferências das contas garantidas nº 6570084 e 6564645, de acordo com a declaração do Banco Safra S/A, às fls. 886 e 887. O contribuinte destacou que tais transferências têm a natureza de empréstimos de curto prazo, para cobertura de saldo negativo na conta corrente dos clientes, os quais podem ser quitados a qualquer momento, com a incidência de juros e taxas administrativas. Destacou, ainda, que os dois primeiros valores foram quitados em 31 de janeiro de 2003, no montante de R$ 80.838,53, e os dois últimos, em 28 de julho de 2003, no total de R$ 72.462,46, o que se comprova pelos extratos de fls. 335 e 344, cujos lançamentos a débito indicam, no campo "Num. Docto.", as contas garantidas citadas. Diante dos esclarecimentos e documentos apresentados, a DRJ concluiu que restou comprovada a alegada natureza dos créditos, devendo o montante de R$ 149.500,00 ser excluído do lançamento relativo ao anocalendário de 2003. Inexistindo reparos a serem feitos na decisão de primeira instância neste particular, negase provimento ao recurso de ofício neste ponto. Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.799 15 Dos valores tributados exclusivamente na fonte (objeto apenas do recurso de ofício) Na tabela da pág. 31 da peça de defesa (fl. 588), o contribuinte relaciona diversos créditos identificados no extrato bancário com o histórico "Liquidação Swap". Apresenta os "Demonstrativos de Liquidação SWAP" de fls. 1113 a 1123, relativos à maioria dos créditos. Observa o interessado que as referidas operações foram tributadas na fonte, conforme prevê o artigo 5° da Lei n° 9.779/1999, combinado com o artigo 1° da Lei n° 11.033/2004. A DRJ, examinando os documentos à luz do art. 770, § 2º, inciso II do Decreto 3.000/99, concluiu que devem ser excluídos do lançamento os créditos relativos às liquidações de operações de swap, que totalizam R$ 43.319,70 no anocalendário de 2004 e R$ 8.223,04 no anocalendário de 2005. Ainda neste ponto, o contribuinte destacou a existência do crédito no valor de R$ 649.500,64, efetuado em 30 de janeiro de 2003 na conta n° 011.2017, identificado no extrato de fl. 335 com o histórico "Ordem Crédito". O "Demonstrativo Pagto. de Resgate de Títulos de Renda Fixa" de fl. 1129 evidencia que se trata de resgate de aplicação financeira, operação essa também tributada de forma definitiva, nos termos do dispositivo legal acima mencionado. Dessa forma, concluiu o colegiado de primeira instância que cabe ainda excluir do lançamento o valor correspondente à referida operação. Analisandose os documentos apresentados pelo contribuinte, concluise pela exatidão do r. Acórdão neste particular, pelo que se nega provimento ao recurso de ofício neste ponto. Dos valores relativos a depósitos lançados em duplicidade (objeto apenas do recurso de ofício) Nos termos da decisão de piso, temse que: O interessado afirma que os créditos de R$ 1.140,00 e R$ 7.262,25, de 20/05/2005, foram considerados em duplicidade pela Fiscalização. De acordo com o Demonstrativo de Apuração de Créditos Bancários, às fls. 477 e 478, foram relacionados créditos nesses valores como ocorridos nas contas nº 285.9055 e 13286.3281. Todavia, não há créditos nos valores e data citados na conta n° 286.3281, conforme extrato de fl. 55, devendo ser excluídos do lançamento. Assim, mantémse incólume a decisão de primeira instância neste ponto pelos seus próprios fundamentos, negandose, por conseguinte, provimento ao recurso de ofício neste item. Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.800 16 Dos valores relativos a cheques devolvidos (objeto tanto do recurso voluntário, quanto do recurso de ofício) Aduz o Recorrente que, entre os equívocos cometidos pela Fiscalização, destacase a exigência do IRPF relativo a depósitos de cheques considerados como crédito bancário, os quais tiveram seus valores estornados diante da ausência de fundos disponíveis na conta corrente dos sacados. Neste sentido, a r. decisão de 1' instância houve por bem cancelar as exigências relativas a 58 cheques, restando mantidas a autuação no que tange a 13 deles. Às fls. 1.632, a DRJ colacionou a tabela abaixo, aduzindo suas razões para a manutenção da cobrança em face destes cheques: O Contribuinte, por meio de sua peça recursal, aduziu em síntese que a DRJ se limitou a verificar tão somente o dia que o Recorrente mencionou em sua impugnação e, de forma objetiva, apresentou a tabela abaixo com as razões para o cancelamento da exigência fiscal: Analisandose os extratos bancários de fls. 123, 126, 128, 131, 133 e 143, bem como o Demonstrativo de Apuração de Créditos Bancários (a partir das fls. 463), conclui se que: Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.801 17 Ref. Data Valor Razão para o Cancelamento (conf. Recorrente) Alegação Procedente? Extrato Bancário às fls: 2 09/08/2004 5.500,00 O cheque foi depositado em 09/08/04 e devolvido no dia seguinte, 10/08/04 Sim 123 4 22/09/2004 2.756,00 O cheque foi depositado em 22/09/04 e devolvido no dia seguinte, 23/09/04 Sim 126 5 22/10/2004 2.756,00 O cheque foi depositado em 22/10/04 e devolvido no dia útil seguinte, 25/10/04 Sim 128 6 24/11/2004 2.756,00 O cheque foi depositado em 24/11/04 e devolvido no dia seguinte, 25/11/04 Sim 131 7 08/12/2004 5.500,00 O cheque foi depositado ern.08/12/04 e devolvido no dia seguinte, 09/12/04 Sim 133 9 23/03/2005 2.756,00 O cheque foi depositado em 23/03/04 e devolvido no dia seguinte, 24/03/04 Sim 143 10 09/05/2005 4.900,00 O cheque foi depositado em 06/05/05 e devolvido no dia útil seguinte, 09/05/05 Não 11 11/05/2005 4.900,00 O cheque foi depositado em 10/05/05 e devolvido no dia útil seguinte, 11/05/05 Não 12 23/05/2005 13.300,00 O cheque foi depositado em 20/05/05 e devolvido no dia útil seguinte, 23/05/05 Não 13 09/06/2005 4.900,00 O cheque foi depositado dia 08/06/05 e devolvido no dia útil seguinte, 09/06/05 Não Analisandose o Demonstrativo de Apuração de Créditos, verificase que tais valores não foram considerados pela fiscalização, seja na data do depósito do cheque, seja na data da sua devolução. A rigor, não houve, portanto, lançamento em relação a tais valores No que tange aos cheques que tiveram a sua devolução confirmada – referências 2, 4, 5, 6 e 7 da tabela supra – observese, a título meramente exemplificativo, o extrato constante às fls. 128 dos autos, referente ao mês de out/2004: Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.802 18 Já em relação aos valores que não fazem parte do lançamento, observese o seguinte trecho do levantamento fiscal, referente ao mês de maio/2005, evidenciando que não há, ao contrário do que sustenta o recorrente, qualquer lançamento no valor de R$ 4.900,00, seja no dia 06/05, seja no dia 09/05: Neste contexto, voto por negar provimento ao recurso de ofício neste ponto e dar provimento ao recurso voluntário, excluindose do levantamento fiscal os valores abaixo identificados, por se tratarem de depósitos em cheque posteriormente devolvidos: Ref. Data Valor Razão para o Cancelamento (conf. Recorrente) Alegação Procedente? Extrato Bancário às fls: 2 09/08/2004 5.500,00 O cheque foi depositado em 09/08/04 e devolvido no dia seguinte, 10/08/04 Sim 123 4 22/09/2004 2.756,00 O cheque foi depositado em 22/09/04 e devolvido no dia seguinte, 23/09/04 Sim 126 5 22/10/2004 2.756,00 O cheque foi depositado em 22/10/04 e devolvido no dia útil seguinte, 25/10/04 Sim 128 6 24/11/2004 2.756,00 O cheque foi depositado em 24/11/04 e devolvido no dia seguinte, 25/11/04 Sim 131 7 08/12/2004 5.500,00 O cheque foi depositado ern.08/12/04 e devolvido no dia seguinte, 09/12/04 Sim 133 9 23/03/2005 2.756,00 O cheque foi depositado em 23/03/04 e devolvido no dia seguinte, 24/03/04 Sim 143 Dos valores decorrentes de retomo de recursos mantidos no exterior (objeto apenas do recurso voluntário) No que tange à matéria em questão, temse como prejudicada a sua análise de mérito, em face do reconhecimento da decadência em relação aos anoscalendário de 2002 e 2003. Dos valores decorrentes de mútuos tomados junto aos Srs. Maurício Montano Silva Meismith e Caio Mário Paes de Andrade (objeto tanto do recurso voluntário, quanto do recurso de ofício) Neste ponto, esclareceu o contribuinte, por meio de sua impugnação, conforme tabela da pág. 43 (fls. 545) que os referidos créditos seriam decorrentes de mútuos tomados de pessoas físicas. A DRJ julgou este item procedente em parte, nos seguintes termos: Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.803 19 É entendimento assente na esfera administrativa que o empréstimo deve ser comprovado por meio de documentação hábil e idônea da efetiva transferência do numerário, coincidente em datas e valores, que deverá ser compatível com os rendimentos e disponibilidades financeiras declaradas pelo mutuante à data do empréstimo realizado. Também é fato que tanto o mutuário quanto o mutuante têm a obrigatoriedade de informar o empréstimo na declaração de rendimentos, por sua repercussão na variação patrimonial. No caso concreto, no cotejo do extrato da conta nº 285.9900, de titularidade do Sr. Maurício Montano Silva Meismith, de fls. 1150, 1169 e 1171, com o extrato da conta n° 285.9055, da qual o interessado era titular (fls. 111, 147 e 149), confirmase a transferência dos valores de R$ 291.353,00, R$ 100.000,00, e R$ 200.000,00, respectivamente, nas datas de 11/03/2004, 31/05/2005 e 10/06/2005, da primeira para a segunda conta, uma vez que os lançamentos a débito indicam a conta de destino. Em consulta às declarações de ajuste anual do Sr. Maurício, constatouse que foram informados os saldos em 31/12/2004 e 31/12/2005, relativos aos mútuos concedidos ao contribuinte, nos mesmos valores por este declarados como dívidas e ônus reais, de R$ 750.000,00 e R$ 1.978.254,00, respectivamente (fl. 22). Verificouse, ainda, que o mutuante possuía capacidade financeira para os desembolsos. Por ter sido comprovada a efetividade dos empréstimos tomados do Sr. Maurício Montano Silva Meismith, devem os respectivos valores ser excluídos do lançamento. Quanto ao crédito no valor de R$ 50.000,00, de 29/12/2005, que seria decorrente de mútuo tomado do Sr. Caio Mário Paes de Andrade, o contribuinte faz menção à transferência da conta corrente do suposto mutuante, mas não apresenta qualquer prova dessa alegação. Uma vez que a comprovação de que os recursos se originaram do patrimônio do mutuante é indispensável para evidenciar a efetividade do mútuo, remanesce a exigência no que tange ao referido crédito. Como se vê, a DRJ, tendo concluído que restou comprovada a efetividade dos empréstimos tomados do Sr. Maurício, mediante análise dos extratos bancários e da DAA deste, excluiu do levantamento fiscal os respectivos valores. Já em relação ao Sr. Caio, não tendo o Recorrente trazido aos autos qualquer meio de prova, a DRJ manteve a autuação. Neste contexto, com vistas a elidir a acusação fiscal, o contribuinte logrou trazer aos autos cópia da DAA Exercício 2006, AC 2005, do Sr. Caio Mario Paes de Andrade (fls. 1.738), na qual consta expressa a informação do empréstimo em análise: Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.804 20 Assim, tendo o Recorrente a real existência do empréstimo em referência, voto por negar provimento ao recurso de ofício neste ponto e dar provimento ao recurso voluntário para excluir da autuação o montante de R$ 50.000,00, referente ao mútuo obtido junto ao Sr. Caio Mario Paes de Andrade. Dos valores decorrentes de quitação de mútuos concedidos pelo contribuinte e operações de desconto de cheques (objeto tanto do recurso voluntário, quanto do recurso de ofício) Neste ponto, à luz do disposto no § 3º do art. do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, adoto as conclusões da decisão de primeira instância por seus próprios fundamentos, nos seguintes termos, in verbis: Pugna o interessado pela exclusão de todos os demais créditos em sua conta corrente da base de cálculo do imposto ora exigido, ainda que não individualmente conciliados em datas e valores, uma vez que seriam referentes a devolução de mútuos e desconto de cheques realizados entre o contribuinte e os Srs. Thiago Cauzim Rivera e Jorge Camasmie Neto, com os quais tinha um convívio pessoal próximo. Argumenta que possuía apenas um controle informal de tais quantias, não encontrado em virtude do tempo transcorrido, e que, por ser uma pessoa física, não possui o rigor contábil no controle de suas operações, tal como o existente em uma pessoa jurídica. Quanto aos mútuos que teriam sido concedidos ao Sr. Thiago Cauzim Rivera, alega que emprestara inicialmente a quantia de R$ 152.000,00, por meio da entrega de cheques de sua conta corrente, conforme instrumento particular de fl. 1173 a 1177, e que teria sido devolvido pelo mutuário o valor de R$ 102.000,00, mediante a entrega de cheques recebidos dos clientes da Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.805 21 empresa Thiago Cauzim Rivera EPP, CNPJ n° 04.630.466/0001 21, remanescendo um saldo devedor de R$ 50.000,00. Posteriormente, teria sido concedido à referida pessoa um segundo empréstimo, no valor de R$ 213.720,00, de acordo com o contrato de fls. 1178 a 1182, que teria sido disponibilizado pelo interessado por meio de três cheques, tendo sido localizados dois deles, conforme cópia de fls. 1183 e 1184, sendo que o cheque no valor de R$ 158.720,00 foi entregue ao próprio mutuário e o cheque no valor de R$ 50.000,00 teria sido utilizado para pagamento de fornecedor da empresa mencionada. Alega que as devoluções dos empréstimos eram realizadas mediante a entrega de cheques de clientes da empresa individual do Sr. Thiago Rivera e que efetuava, ainda, o desconto de cheques de terceiros como forma de adiantamento de recursos para a citada empresa, fatos esses confirmados por declaração dessa pessoa (fls. 1185 e 1186). Entende que as aludidas circunstâncias explicariam a grande quantidade de cheques depositados em sua conta corrente e o crescimento exponencial da dívida do Sr. Thiago Rivera entre os anos de 2002 a 2005, conforme informado na declaração de ajuste anual do interessado. Considera, ainda, que o grande número de devoluções de cheques ocorridas em sua conta corrente corroboraria a alegação de que os recebimentos de cheques de terceiros decorrem de quitação parcial de mútuo. Entretanto, os elementos de fls. 1173 a 1184, acima referidos, quando muito, caracterizariam indícios de transferência de recursos do patrimônio do contribuinte para o do Sr. Thiago Rivera. Todavia, o que está em questão é a comprovação da origem de recursos que ingressaram no patrimônio do interessado por meio de créditos bancários, que deve ser feita pela apresentação de documentos hábeis, coincidentes em datas e valores, com a importância creditada. Assim, não é suficiente para elidir a tributação em foco a mera alegação de que os créditos correspondiam a cheques de clientes da empresa da qual o Sr. Thiago Rivera era titular, descontados pelo contribuinte ou a ele entregues como pagamento de mútuos. Destaquese que a declaração da referida pessoa, de fls. 1185 e 1186, além de ter sido firmada em data recente, não é hábil a comprovar fatos que repercutem no patrimônio de pessoa jurídica, tais como o desconto de títulos e o pagamento de mútuos, ainda que por meio de cheques de clientes, que devem ser registrados na contabilidade da empresa. Desse modo, não logrou o interessado demonstrar que os valores em litígio tiveram origem na atividade comercial de terceiros. Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.806 22 No que tange aos empréstimos que teriam sido tomados pelo Sr. Jorge Camasmie Neto, assevera a defesa que foram concedidos no intuito de fomentar as atividades das empresas Tinturaria Industrial de Tecidos Ltda. e Indústria e Comércio Jorge Camasmie Ltda.. Apresenta cópia do Instrumento Particular de Confissão de Dívida e Garantia Hipotecária datado de 02 de agosto de 2003 (fls. 1187 a 1193), correspondente ao empréstimo no montante de R$ 711.014,35, além de cópias de notas promissórias que seriam vinculadas ao contrato citado (fls. 1194 a 1207). O referido negócio jurídico é confirmado pela cópia do processo judicial de fls. 1283 a 1559, relativo à Ação de Execução movida contra as empresas mencionadas, cuja petição inicial dá conta de que os devedores não efetuaram o pagamento das parcelas de números 4 (quatro) a 19 (dezenove) estabelecidas no contrato, razão pela qual foi requerida a penhora dos bens dados em garantia. Pela exata coincidência de valores entre os créditos datados de 02/10/2003 e 23/10/2003, ambos no valor de R$ 37.173,69, com as primeiras parcelas do contrato em referência (fl. 1285), aliada à informação de que foram pagas três parcelas, cabe excluir tais créditos da autuação. O contribuinte alega, ainda, que teria concedido outros empréstimos ao Sr. Jorge Camasmie, mediante transferências eletrônicas documentadas (TED) para a empresa Tinturaria Industrial de Tecidos Ltda. (fls. 1208 a 1250), recebendo, em contrapartida uma quantia a título de duplicatas, conforme descrito nos aditamentos ao instrumento de confissão de dívida de fls. 1251 a 1262. Assevera que a quitação do restante do mútuo teria sido realizada mediante a entrega de cheques de terceiros e descontos de duplicatas de valores futuros a serem recebidos de clientes da referida empresa. Afirma que muitos dos cheques utilizados para quitação da dívida foram devolvidos por falta de fundos e que muitas das duplicatas foram protestadas por falta de pagamento, de acordo com os "Avisos de Instruções/Ocorrências sobre Títulos" de fls. 1263 a 1282. Os "Aditamentos do Instrumento de Confissão de Dívida de 02 de Agosto de 2003" de fls. 1251 a 1262, não podem ser aceitos como prova da entrega de duplicatas pela empresa Tinturaria Industrial de Tecidos Ltda., por diversas razões: não há evidências de que os mencionados aditamentos tenham sido formalizados à época neles indicada, tais como o registro ou o reconhecimento de firmas (nem sequer foi aposta a firma do contratado ou de testemunhas); a petição inicial da Ação de Execução acima citada não menciona a existência de aditamentos ao contrato; não foram discriminadas as duplicatas entregues. Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.807 23 Outrossim, em nenhum dos "Avisos de Instruções/Ocorrências sobre Títulos" de fls. 1263 a 1282 consta a empresa Tinturaria Industrial de Tecidos Ltda. Como "Cedente/Sacador". Assim, a entrega de duplicatas pela referida empresa deveria ser comprovada, no mínimo, pela apresentação de cópia das duplicatas e do registro da amortização de mútuo e do desconto de títulos na contabilidade da pessoa jurídica. Quanto às alegações de repasse ao contribuinte de cheques de clientes das empresas da qual o Sr. Jorge Camasmie era sócio, não podem ser aceitas pelas razões já expostas no tocante ao suposto empréstimo tomado pelo Sr. Thiago Rivera. Registrese, pela sua importância, que o próprio Recorrente reconhece, na sua peça recursal, que os depósitos em análise não possuem sua origem efetivamente comprovada. É o que se infere, pois, do Item III – Das Conclusões, alínea c), do Recurso Voluntário, na qual o Recorrente lista todas as operações cujos depósitos lançados se encontram comprovados, com exceção, justamente, das operações referentes às devoluções de mútuos concedidos e descontos de cheques, em relação às quais o Recorrente, por meio da alínea e) do susodito Item III – Das Conclusões, expressamente afirma que a vasta documentação apresentada evidencia a concessão e devolução de empréstimos realizados pelo Recorrente a pessoas de seu convívio social Neste contexto, voto por negar provimento aos recursos voluntário e de ofício neste particular. Da intimação do Advogado Por fim, no que tange ao pedido do Recorrente para que todas as intimações e notificações a serem feitas, relativamente às decisões proferidas neste processo, sejam encaminhadas aos seus procuradores, todos com escritório nesta Capital do Estado de São Paulo, na Rua Padre João Manoel, n.° 923, 8° andar, em atenção ao DR. MIGUEL PEREIRA NETO, tratase de matéria sumulada por esse Egrégio Conselho, pelo que se indefere o referido pedido, nos à luz da Súmula CARF nº 110, in verbis: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Conclusão Por todo o exposto, concluo o voto no sentido de: a) conhecer e negar provimento ao recurso de ofício; e b) conhecer o recurso voluntário, para: b.1) acolher, em parte, a preliminar de decadência, declarando extinto o crédito tributário referente aos anoscalendários de 2002, 2003 e 2004; Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.808 24 b.2) no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para, nos termos deste voto, excluir do levantamento fiscal os depósitos referentes: i) às transferências da conta investimento para a conta corrente, ii) aos valores relativos a cheques devolvidos, e iii) ao valor decorrente de mútuo tomado junto ao Sr. Caio Mário Paes de Andrade. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Com a maxima venia, divirjo do Ilustre Relator quanto aos anoscalendário atingidos pela decadência. O Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66, traz a seguinte regra geral quanto à decadência, em seu art. 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, há regra específica disposta no art. 150, caput e § 4°, do CTN, in verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.809 25 Pois bem, tendo em vista que o Imposto Renda Pessoa Física (IRPF) se constitui em tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo previsão legal para a antecipação do pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, o prazo de decadência para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos, a contar do fato gerador; salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que atrai a regra do art. 173 do CTN, por força da própria parte final do § 4° do art. 150 do CTN. Não havendo antecipação de pagamento, independente da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, contandose o prazo decadencial de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ademais, em relação ao IRPF, a ocorrência do fato gerador se dá com a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza (vide artigo 43 do CTN), sendo que tais rendimentos, ao teor do artigo 7º da Lei nº 9.250, de 1995, estão sujeitos a ajuste anual. Dessa forma, o fato gerador do IRPF se apresenta como periódico ou complexivo de periodicidade anual, pois se realiza ao longo de um intervalo de tempo, e só se completa em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. No caso em tela, o lançamento diz respeito aos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, e foi cientificado ao Contribuinte em 13/5/10 (conforme decidido por este Colegiado, por maioria de votos), porém, segundo as Declarações de Ajuste Anual (DAAs) de fls. 5 a 25, não houve antecipação de pagamento. Logo, deve ser aplicada a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Vejamos, então, qual era o prazo decadencial para cada um dos anos calendário em análise: Ano‐Calendário Último dia para lançar 2002 31/12/2008 2003 31/12/2009 2004 31/12/2010 2005 31/12/2011 Desse modo, como o lançamento ocorreu em 13/5/10, restaram atingidos pela decadência apenas os anoscalendário de 2002 e 2003. Conclusão Isso posto, voto por reconhecer a ocorrência da decadência apenas em relação aos anoscalendário de 2002 e 2003. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1809DF CARF MF
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Numero do processo: 14485.001441/2007-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2006
VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIROS. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA.
As contribuições sociais destinadas a terceiros não incidem sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia. Aplicação do entendimento da Súmula CARF nº 89.
Numero da decisão: 9202-007.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. As contribuições sociais destinadas a terceiros não incidem sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Aplicação do entendimento da Súmula CARF nº 89. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 14 41 /2 00 7- 12 Fl. 996DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD (Debcad nº 35.566.6162) relativa a contribuições destinadas ao Fundo Aeroviário, incidente sobre vale transporte pago em pecúnia. Em sessão plenária realizada em 30/01/2007, a Segunda Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social julgou o Recurso Ordinário do Contribuinte, prolatando o Acórdão nº 00091 (fls. 783/790), tendo adotado a seguinte decisão: Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Segunda Câmara de Julgamento do CRPS: por Unanimidade em CONHECER DO RECURSO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL POR MAIORIA, de acordo com o voto divergente do Representante do Governo, Mário Humberto Cabus Moreira, e sua fundamentação. Vencido o Relator. Especificamente sobre a matéria objeto do presente Recurso Especial, os argumentos do sujeito passivo foram rejeitados, consoante se depreende dos seguintes trechos do voto vencido que, neste ponto, reflete o entendimento do Colegiado recorrido: Algumas parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja pela sua natureza ou por isenção, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, verbis: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97): (...) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria;. (...) A parte final alínea “f” é clara. Para que seja isenta, a parcela do vale transporte deve ser paga em conformidade com a legislação que disciplina o benefício. Tratase da Lei n° 7.418/85 regulamentada pelo Decreto n° 95.247/87. Seguem transcrições dos dispositivos que criam restrições para sua concessão, verbis: (...) A conclusão que se extrai da conjugação da norma previdenciária com a legislação específica do valetransporte é que, uma vez descumprindo as exigências desta, a empresa não se beneficia da isenção concedida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei n° 8.212, de 24/07/91. A contribuinte teve ciência do acórdão do Recurso Ordinário, juntamente com o Acórdão nº 240201.049, que não conheceu dos embargos por ela apresentados, em 11/12/212 (Termo de Vistas e Ciência de Processos de fl. 887) e, em 12/12/2012, interpôs o Recurso Especial de fls. 901/912 (vide carimbo da Unidade Preparadora, aposto na primeira folha do recurso), com fundamento no inciso II do art. 64 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, Fl. 997DF CARF MF Processo nº 14485.001441/200712 Acórdão n.º 9202007.494 CSRFT2 Fl. 3 3 visando rediscutir a matéria incidência de contribuições sociais sobre vale transporte pago em pecúnia. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 101/2014, de 18/09/2013 (fls. 966 a 968). A contribuinte apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: quanto à inclusão do valor relativo ao valetransporte pago em dinheiro na base de cálculo das contribuições previdenciárias, cumpre destacar que a matéria foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 478.410/SP; Diante da decisão Plenária do STF, a Advocacia Geral da União publicou a Súmula de número 60, de 09/12/2011: SÚMULA N° 60, DE 8 DE DEZEMBRO DE 2011 (*) Publicada no DOU Seção I, de 09/12/2011 "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia , considerando o caráter indenizatório da verba". a Procuradoria da Fazenda Nacional fez mencionar na “Lista de Dispensa de Recorrer” a dispensa da incumbência de apresentação de Recurso Especial e Extraordinário no caso dessa matéria; este Conselho encontrase, por disposição Regimental (art. 62, parágrafo único, Inciso I e art. 62A do Regimento Interno) submetido às decisões definitivas do STF, pelo que, requer seja acolhido o Recurso Especial e provido para afastar a exigência de contribuição ao Fundo Aeroviário, incidente sobre o vale transporte pago em pecúnia. Cientificada do Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial em 28/05/2014 (Despacho de Encaminhamento de fl. 987), a Fazenda Nacional, em 05/06/2014 ofereceu as Contrarrazões de fls. 988/993 (Despacho de Encaminhamento de fl. 994), alegando, em síntese, o que segue: de acordo com o previsto no art. 28 da Lei nº 8.212/91, para o segurado empregado, entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades; existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91; a única previsão expressa em lei para exclusão da verba valetransporte da base de cálculo para fins de incidência de contribuição previdenciária, é a alínea “f” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991; para estar excluída da base de cálculo é imprescindível que a parcela recebida pelos trabalhadores esteja de acordo com a legislação específica e não apenas com a lei que rege a matéria; a isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, inciso I; Fl. 998DF CARF MF 4 onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia; o recorrente pagou tal verba sem efetuar o desconto de 6% (seis por cento), no molde previsto pela legislação, o que implica no malferimento das disposições do art. 9º do Decreto nº 95.247/87; o Relatório Fiscal e a própria ausência de argumentos no recurso do contribuinte refutando essa prática constatam tal fato com clareza solar; a verba auxíliotransporte paga em desacordo com a legislação possui inegável natureza remuneratória; ao deixar de gastar com tal utilidade, o trabalhador obteve um ganho indireto; esse ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à empresa recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho; como se verifica na última parte do inciso I do art. 28, da Lei nº 8.212/91, as convenções ou acordos coletivos de trabalhos ou até mesmo as sentenças normativas podem prever a inclusão de parcelas no conceito do saláriode contribuição; assim, sequer o fato de ser previsto em acordo ou dissídio coletivo, pode desvirtuar a natureza da verba, para fins de incidência de contribuições previdenciárias; mesmo porque, se assim o fosse, acordos ou convenções coletivas poderiam alterar a legislação previdenciária, fazendo o papel de leis isentivas, o que é vedado nos termos do art. 150, § 6º, da Constituição de 1988; estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme analisado acima, deve persistir o lançamento. Requer que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto, mantendose a decisão proferida pela 2ª Câmara do CRPS. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O Recurso e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, convém salientar que, a despeito do que afirma a Fazenda Nacional, inexiste nos autos evidências quanto a ocorrência ou não do desconto de 6% (seis por cento) sobre a remuneração dos empregados em relação à parcela paga pela recorrente a título de vale transporte. Assim, não há como considerar tal assertiva. Por outro lado, essa questão foi pacificada neste Conselho a partir da edição da Súmula CARF nº 89. Confirase: Fl. 999DF CARF MF Processo nº 14485.001441/200712 Acórdão n.º 9202007.494 CSRFT2 Fl. 4 5 Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. É certo que Súmula CARF nº 89 diz respeito a contribuições previdenciárias e o lançamento em questão referese a contribuição para o Fundo Aeroviário. Contudo, as decisões que suscitaram a edição da referida Súmula fazem menção à jurisprudência, sobretudo do STF, no sentido de que tais valores têm natureza indenizatória. Senão vejamos a ementa de um Acórdão 240102.093, que encontrase entre os precedentes que fomentaram a elaboração da Súmula: VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça,os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual. Assim, tendo em vista que a contribuição para terceiros, inclusive para o Fundo Aeroviário, tem base de cálculo idêntica à das contribuições previdenciárias, aplicase também a elas o entendimento consubstanciado na Súmula CARF nº 89. Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial para, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1000DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.002269/2002-39
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3003-000.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Relatório
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator. Marcos Antonio Borges - Presidente. Vinícius Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 02 26 9/ 20 02 -3 9 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11610.002269/200239 Resolução nº 3003000.006 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo, em parte, o relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração eletrônico decorrente do processamento da DCTF do anocalendário 1997, lavrado em 11/11/2001, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 147.121,37, discriminado em Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, multa de ofício vinculada e juros de mora, relativo a falta de recolhimento de débitos do 1º e 2º trimestres de 1997 (PA 0103/97 e 0106/97), posto que não localizados os pagamentos informados, sendo a infração enquadrada nos dispositivos legais indicados no demonstrativo de efls. 23. Os valores exigidos estão relacionados no Anexo III do Auto de Infração (efls. 26), a seguir reproduzido: Cientificada do auto de infração, a contribuinte apresentou a impugnação de efls. 03/05, acompanhada de documentos. Alega, em síntese, que os débitos foram pagos, conforme DARFs cujas cópias juntou à impugnação e nela relacionou. Em análise preliminar, a autoridade do domicílio tributário da contribuinte, mediante revisão de ofício, excluiu integralmente o valor relativo ao período de apuração março/1997 e parcialmente o relativo a junho/1997, conforme o quadro a seguir reproduzido: A 11ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu decisão nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 DÉBITO DECLARADO EM DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Mantémse a exigência fiscal dos valores declarados em DCTF, cujos pagamentos não tenham sido comprovados. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11610.002269/200239 Resolução nº 3003000.006 S3C0T3 Fl. 4 3 Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de pagamentos não comprovados, apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, pugnando, em síntese, que o tributo objeto da autuação mantida pela decisão recorrida foi devidamente pago, tendo juntado, já à época da impugnação, os documentos de arrecadação para comprovar a improcedência de cada período da autuação. Em recurso voluntário, a recorrente apresenta quadro (fls. 55) 1 no qual relaciona, para cada período de autuação, o valor que foi recolhido e a indicação, nos autos do processo, de seu respectivo documento de arrecadação (DARF). É o relatório. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. A controvérsia se restringe à autuação atinente ao período de junho de 1997, no valor original de R$ 7.219,02, cujo pagamento, segundo consta do acórdão recorrido, a contribuinte não conseguiu demonstrar. Como já assinalado no relatório, parte da autuação foi afastada, pois em procedimento de revisão do auto de infração, a própria unidade de origem concluiu que parte dos pagamentos a título de COFINS, dos trimestres 0103/97 e 0106/97, havia realmente sido realizada, restando, tão somente, a referida parcela de R$ 7.219,02, de junho de 1997 vale registrar que, no acórdão recorrido, já havia sido afastada a multa vinculada à falta de recolhimento deste período, em face da retroatividade benigna. Compulsando os autos, podese verificar que a recorrente trouxe, em fase própria de impugnação, documento de arrecadação à fl. 20, no valor de R$ 7.219,02, atinente à COFINS do período de apuração de junho de 1997. Tal valor corresponde precisamente ao valor do débito de COFINS objeto do presente litígio. 1 Neste voto, as referências às folhas processuais seguem a numeração do eprocesso. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11610.002269/200239 Resolução nº 3003000.006 S3C0T3 Fl. 5 4 Ademais, analisando os autos, verificase a existência de extrato retirado do sistema RFBSIEF à fl. 60, no qual há a indicação de quitação de débito de COFINS, do período de apuração 06/1997, no valor de R$ 7.219,02, por meio de pagamento com DARF. Examinando o despacho decisório e a decisão recorrida, não há qualquer explicação sobre a razão da improcedência do suposto pagamento vinculado ao DARF à fl. 20. Teria o pagamento sido utilizado para quitação de outro débito? O pagamento não teria sido localizado? O extrato do sistema SIEF, à fl. 60, não seria suficiente para demonstrar que houve pagamento do débito de COFINS do período 06/1997, fato que afastaria a autuação? À luz do princípio da verdade material e considerando que a recorrente apresentou, em momento processual adequado, documentos robustos para demonstrar seu pleito, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de Origem tome as seguintes providências: 1. Verificar a consistência do pagamento referente ao DARF à fl. 20, período de apuração de 06/97, tributo COFINS, no valor de R$ 7.219,02, adotando todos os procedimentos cabíveis à confirmação de sua arrecadação, e analisando, em especial, sua disponibilidade para a quitação da autuação objeto do presente litígio. 2. Apresentar relatório com parecer conclusivo, justificando a razão do documento de arrecadação apresentado pela recorrente (fl. 20) não ter sido suficiente para afastar a autuação se for, obviamente o caso. O relatório deverá ser minucioso e fundamentado, devendo conter todos os elementos e documentos que esclareçam a consistência da autuação vide demonstrativo à fl. 44, sobretudo em face dos documentos apresentados pela recorrente, do extrato do sistema RFBSIEF à fl. 60 e de outros elementos que a autoridade tributária entender como necessários. A diligência deverá esclarecer, em suma, se o débito de R$ 7.219,02, atinente à COFINS do período 06/1997, objeto da autuação questionada nos autos, já havia sido pago, considerando, entre outros elementos, o referido documento de arrecadação (fl. 20) e o próprio extrato do sistema RFBSIEF (fl. 60) que parece comprovar o fato de ter havido pagamento da COFINS, período de 06/1997, antes da autuação fiscal. 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Vinícius Guimarães Relator Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 13906.720193/2017-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR.
A incidência da tributação exclusivamente na fonte prevista no art. 12-A da Lei nº 7.713/88 somente passou a englobar os rendimentos recebidos acumuladamente pagos por entidades de previdência complementar com a publicação da Medida Provisória nº 670/15, que deu nova redação ao artigo.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Apura-se o imposto incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano calendário em exame com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias, observando-se o valor auferido mês a mês pelo contribuinte (regime de competência)
A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 2002-000.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo do imposto de renda devido sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, no montante apurado de R$ 75.392,37 (e-fls. 38), com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que estes eram devidos, observando-se a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. A incidência da tributação exclusivamente na fonte prevista no art. 12-A da Lei nº 7.713/88 somente passou a englobar os rendimentos recebidos acumuladamente pagos por entidades de previdência complementar com a publicação da Medida Provisória nº 670/15, que deu nova redação ao artigo. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Apura-se o imposto incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano calendário em exame com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias, observando-se o valor auferido mês a mês pelo contribuinte (regime de competência) A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo do imposto de renda devido sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, no montante apurado de R$ 75.392,37 (e-fls. 38), com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que estes eram devidos, observando-se a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. A incidência da tributação exclusivamente na fonte prevista no art. 12A da Lei nº 7.713/88 somente passou a englobar os rendimentos recebidos acumuladamente pagos por entidades de previdência complementar com a publicação da Medida Provisória nº 670/15, que deu nova redação ao artigo. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Apurase o imposto incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano calendário em exame com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias, observandose o valor auferido mês a mês pelo contribuinte (regime de competência) A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo do imposto de renda devido sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, no montante apurado de R$ 75.392,37 (efls. 38), com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que estes eram devidos, observandose a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 6. 72 01 93 /2 01 7- 13 Fl. 122DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 36/46) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2013 (efls. 20/29), onde se apurou: Omissão de Rendimentos do Trabalho e Número de Meses Relativo a Rendimentos Recebidos Acumuladamente Indevidamente Declarado – Tributação Exclusiva. O contribuinte apresentou defesa (efls. 03/04) alegando, em síntese, que não houve omissão de rendimentos, uma vez que estes foram recebidos acumuladamente e tributados exclusivamente na fonte, e que o número de meses declarado está correto, conforme documentos acostados. A impugnação foi julgada improcedente pela 4ª Turma da DRJ/CGE (efls. 53/55), a qual manteve o crédito tributário exigido no lançamento. Cientificado da decisão de piso em 09/05/2018 (efls. 58), o interessado ingressou com recurso voluntário em 23/05/2018 (efls. 62/65), acompanhado de documentos (efls. 66/117), com os argumentos resumidos através dos excertos a seguir. Primeiramente, cumpre destacar que o auto de infração lavrado tem como Objeto a suposta omissão de rendimentos do trabalho, recebido em Ação Trabalhista da 03a Vara do Trabalho de MaringáPR. Tratase de caso rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) e da divergência de interpretação do Fisco e dos contribuintes, referendados pelo Judiciário, em relação a redação do artigo 12 da Lei n° 7.713/88, recentemente sepultada pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 614.406/RS, já adotada na jurisprudência deste CARF. [...] Para a Receita Federal do Brasil (RFB), quando, por qualquer fato, determinada pessoa física auferia rendimentos acumuladamente, provenientes do trabalho e de benefícios previdenciários, dentre eles a aposentadoria, em detrimento ao Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13906.720193/201713 Acórdão n.º 2002000.606 S2C0T2 Fl. 123 3 pagamento mensal, maneira usual, para fins de incidência do IRPF, adotariase o regime de caixa, tributando o montante global, independentemente da divisão do valor total pelos meses em que as parcelas seriam devidas. Por óbvio, os contribuintes insurgiramse em face de tal entendimento, acionando o Poder Judiciário que, à luz dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, isonomia e da capacidade contributiva, a incidência do IRPF deve considerar as datas e alíquotas vigentes em que de fato a verba seria devida, respeitando o regime de competência, já que não se pode transferir o ônus tributário ao contribuinte pessoa física, por exemplo, por dificuldade financeira da fonte pagadora. Obviamente que tais decisões, até o RE 614.406/RS, sempre foram concedidas individualmente aos contribuintes, gerando efeito entre as partes, jamais erga omnes. Contudo, com a decisão da Suprema Corte, cabe a este CARF aplicar a ratio decidendi ali exposada. [...] Considerando ainda que os rendimentos recebidos acumuladamente submetidos à tabela progressiva, quando correspondentes aos anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, por força da alteração do art. 12A da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, promovida pela Lei n° 13.149, de 21 de julho de 2015. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do exame da Notificação de Lançamento verificase que a autoridade fiscal apurou a omissão dos rendimentos recebidos acumuladamente através da Caixa Econômica Federal, os quais haviam sido declarados pelo contribuinte como tributáveis exclusivamente na fonte, por consistirem em complementação de previdência privada (efls. 36/46). A decisão recorrida manteve o lançamento conforme razões a seguir reproduzidas (efls. 54/55): Analisando os documentos apresentados pelo contribuinte (fls. 17 a 20), podemos concluir que houve decisão judicial, a qual resultou em pagamento de complementação de aposentadoria, no valor total de R$ 115.992,89. O artigo 12A da Lei nº 7.713/1988 estabelece que: Fl. 124DF CARF MF 4 Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Como pode ser observado acima somente os valores de aposentadorias pagas pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando pagas de forma acumulada, poderão ser tributadas exclusivamente na fonte. No presente caso os valores foram pagos pelo Itaú Unibanco S/A estando sujeitos, portanto, à tributação no mês de recebimento, mediante a aplicação da tabela progressiva do imposto de renda da pessoa física. Considerando que o contribuinte não ofereceu à tributação tais rendimentos, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos. Impõese observar, inicialmente, que o art. 12A da Lei nº 7.713/88, acrescido pela Medida Provisória nº 497/10, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/10, alterou a sistemática de tributação dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA, quando correspondentes a anos calendário anteriores ao do recebimento. Tais rendimentos passaram a ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos, e o imposto calculado mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Cumpre ressaltar, contudo, que, no ano calendário em exame, a incidência da tributação exclusivamente na fonte tinha um alcance limitado, não englobando os rendimentos pagos pelas entidades de previdência complementar, mas apenas os rendimentos do trabalho e os rendimentos provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, tal como exposto na decisão de piso. Somente com a publicação da MP nº 670/15, depois convertida na Lei nº 13.149/15, que deu nova redação ao art. 12A da Lei nº 7.713/88, a restrição quanto à natureza dos rendimentos recebidos acumuladamente foi extinta, passando a abranger qualquer verba percebida. Correto, portanto, o entendimento da DRJ quanto à inaplicabilidade da sistemática do art. 12A da Lei nº 7.713/88 no caso concreto. No entanto, assiste razão ao recorrente quanto à alegação de que o cálculo do imposto deve considerar as tabelas e alíquotas das épocas próprias. Sobre o assunto, o art. 12 da Lei nº 7.713/88, vigente à época do fato gerador, assim estabelecia: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13906.720193/201713 Acórdão n.º 2002000.606 S2C0T2 Fl. 124 5 judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Ocorre que no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, o Plenário do Supremo Tribunal Federal STF afastou a aplicação do art. 12 da Lei n° 7.713/88, consolidando o entendimento de que o imposto de renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve observar o regime de competência, com a utilização das alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido recebidos, mês a mês, e não a alíquota relativa ao total satisfeito de uma única vez. A decisão foi assim ementada: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Nesse ponto, importa observar que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 2015. Assim, o imposto incidente sobre os rendimentos decorrentes de complementação de aposentadoria recebidos acumuladamente no ano calendário 2012 deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem, ou seja, pelo regime de competência, afastandose a aplicação do art. 12 da Lei 7.713/88. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso, para, no mérito, darlhe parcial provimento, determinando o recálculo do imposto de renda devido sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, no montante apurado de R$ 75.392,37 (efls. 38), com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que estes eram devidos, observandose a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 13975.000062/2003-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1995
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO, DECADÊNCIA
Diante da interpretação dada pela Corte Especial do STJ na Arguição de Inconstitucionalidade nos EREsp 644,7.36-PE, em 6 de junho de 2007, e sobretudo em face do julgamento, pela 1" Seção do Superior Tribunal de Justiça, do REsp 1,002,932-SP, sob o rito de recurso repetitivo, de 6 de junho de 2009, forçoso se reconhecer a pacificação da questão no STJ Nesse sentido, aos pagamentos indevidos antes de 9 de junho de 2005 o prazo para
o direito à repetição é de cinco mais cinco anos, contados da data do fato gerador, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da Lei Complementar 118/05. Com a não consumação da decadência os autos devem retornar à DRF de origem para a apreciação do mérito.
Numero da decisão: 1103-000.152
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para devolver os autos à DRF de origem para exame do mérito, vencidos os Conselheiros José Sérgio GOMES (Relatar) e Gervásio Nicolau Recketenvald, Designado para
redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Shigueo Takata, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: José Sergio Gomes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1995 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO, DECADÊNCIA Diante da interpretação dada pela Corte Especial do STJ na Arguição de Inconstitucionalidade nos EREsp 644,7.36-PE, em 6 de junho de 2007, e sobretudo em face do julgamento, pela 1" Seção do Superior Tribunal de Justiça, do REsp 1,002,932-SP, sob o rito de recurso repetitivo, de 6 de junho de 2009, forçoso se reconhecer a pacificação da questão no STJ Nesse sentido, aos pagamentos indevidos antes de 9 de junho de 2005 o prazo para o direito à repetição é de cinco mais cinco anos, contados da data do fato gerador, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da Lei Complementar 118/05. Com a não consumação da decadência os autos devem retornar à DRF de origem para a apreciação do mérito.
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Recorrida 3" TUR.MA/DR.I-FLORIANOPOLIS/SC ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1995 RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA Diante da interpretação dada pela Corte Especial do STJ na Arguição de Inconstitucionalidade nos EREsp 644.736-PE, em 6 de .junho de 2007, e sobretudo em face do julgamento, pela 1" Seção do Superior Tribunal de Justiça, do R.Esp 1,002,932-SP, sob o rito de recurso repetitivo, de 6 de junho de 2009, forçoso se reconhecer a pacificação da questão no STJ. Nesse sentido, aos pagamentos indevidos antes de 9 de junho de 2005 o prazo para o direito à repetição é de cinco mais cinco anos, contados da data do fato gerador, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da Lei Complemental 118/05 Com a não consumação da decadência os autos devem retornar à DRE de origem para a apreciação do mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para devolver os autos a DIU de origem para exame do mérito, vencidos os Conselheiros Jose Sergio Gomes (Relator) e Gervásio Nicolau Recketenval& Designado para redign o voto vencedor o Conselheiro Marcos Shigueo Takata, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado EDITADO EM - lo 10 V 2010 HIGUE0 TAKATA Redator Designado MAR Participar am do presente julgamento, os Conselheiros Aloysio José Per cinio da Silva (Presidente), José Sérgio Gomes (conselheiro substituto), Marcos Shigueo Takata, Gervásio Nicolau Recketenvald, Hugo Correia Sotero, Erie Moines de Castro e Silva, 2 Processo n" 13975 000062/2003-05 SI-CI T.3 Aceirckio n " 1103-00152 H 124 Relatório Em foco recurso voluntário contra a decisão da 3" Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis/SC que negou provimento à solicitação de reforma do despacho decisório do Chefe da Seção de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC que, poi sua vez, indeferiu a compensação de apontado saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), apurado pelo contribuinte no ano-calendário de 1995, com débito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Turidica (IRPJ) afeto a estimativa (antecipação) do mês de janeiro de 2003 A declaração de compensação foi protocolada em 26/02/2003, fazendo-se acompanhada de cópias da Declaração de Rendimentos (DIRPJ) do exercício de 1996 e do contrato social. Analisando-a, decidiu a Delegacia da Receita Federal em Blumenau pela ocorrência da decadência do direito de pleitear a restituição/compensação em vista de exaurido o prazo qüinqüenal ditado pelo artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), cujo inicio de contagem, em razão da contribuinte ter optado pelo regime de apuração pelo lucro real anual, se deu em de janeiro de 1996, mês seguinte ao encerramento do ano-calendário, conforme estipulado pelo artigo 5" da Instrução Normativa SRF n" 460, de 18 de outubro de 2004. Inconformada, a contribuinte ingressou corn manifestação de inconformidade argüindo, em síntese, que o prazo prescricional para repetir tributos sujeitos ao lançamento por homologação 6 de 10 (dez) anos, segundo entendimento pacificado do Superior Tribunal de Justiça (SD) e de alguns Tribunais Regionais Federais, afora recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. 01-04,988). Assim, como a Requerente *moil o recolhimento da CSLL no ano de 1995, a homologação tácita ocorreu somente em 2000, e a partir clai conta-se cinco anos par a o prazo prescricional, ou seja, a prescrição irá ocoi el somente em 2005. Aquela .3" Turma de Julgamento admitiu o inconformismo e concluiu pelo acerto da decisão da autoridade -fiscal, isto 6, ratificou o entendimento de que o prazo para o contribuinte pleitear a restituição de saldo negativo da CSLL extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de Meer): amento do período de apuração, qual seja, o da extinção do crédito tributário, que se (Id com o pagamento, consoante interpretação trazida pelo artigo 3' da Lei complementar n" 118, de 2005. Ciente do decisório em 26 de novembro de 2007, II 72, a contribuinte apresentou em 26 do mês seguinte o recurso voluntário e documentos de tis 73/120 colacionando julgados (inclusive deste Conselho) no sentido de ser decenal o prazo para repetição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Discorreu, também, acerca da inaplicabilidade das disposições da Lei Complementar n" 118, de 02 de fevereiro de 2005, pot ferir os princípios da segurança jurídica e da irretroatividade. Ao final, requereu que lhe seja reconhecido r direito e homologada a compensação efetuada. E o relatório, em apertada síntese_ 3 Voto Vencido Conselheiro JOSE SÉRGIO GOMES Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintidio legal Assim sendo, dele tomo conhecimento. Firmo entendimento de que ao formular o pedido de restituição indireta (compensação) em 26/02/2003 almejando a repetição de saldo negativo de CSLL ocorrente em 31/12/1995 a contribuinte já decaira do direito repetitório, pois transcorrido o prazo quinquenal a que alude o artigo 168, I, do CTN, cuja contagem se inicia na data do efetivo pagamento, modalidade extintiva do credito tributário, e não da homologação do lançamento ditada pelo ti go 150, § 4" desse codex.. O Código Tributário Nacional disciplina o direito à repetição do indébito tributário em confirrmidade com as regras que se seguem: "Art 16,5 0 sujeito passivo lain clii eito, independentemente de évio pio/es/o, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade cio .seu pagamento, iessalvado o disposto no S 4" do at 162, nos seguintes casos I cob, angel ou pagamento espontâneo de ti ibuto indevido ou maio, que o devido em face da legislação ti ibutária aplicável, ou da natureza ou circunstancias materials do fat° gerador efetivamente ocorrido, Art 168 0 direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de .5(cinco) anos, contados I - nas hipatere,s dos melros I e II do art 165, da data da extinção do crédito tributário, Embora o Superior Tribunal de Justiça tenha sufragado a tese almejada pela defésa, no sentido de que dito marco é contado após os cinco anos fixados para o Fisco homologar o lançamento a que alude o artigo 150 do CTN (a tese dos cinco mais cinco), impera o fato de que o legislador complemental veio lançar a pá de cal nesta questão, a ver pelo artigos 3" e 4" da Lei Complementar n" 118, de 9 de fevereiro de 2005. Referidos dispositivos assim se expressam: "Ai 1 150 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cl//a legislação attibua ao .rujeito passim o clever de antecipar o pagamento rein prévio cyanic da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a i eferida auto; idade, tomando conhecimento da atividade assim obi igado, expres.samente a homologa eve; cicia pelo 4 COMES JOSE ões, VOTO pelo improvimento do recurso voluntário Co Processo n" 13975 000062 12003-05 SI-C1T3 Acónirto n " 1103-00_152 Fl 125 I" 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo ex-tingue o ciédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento s 4" Se a lei não /1 vai prazo a homologação, será ele de cinco alms, a contar da ocorrência do lino gerador,- expirado esse prow sem que a Fazenda Publica se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente estinto o crédito, calvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." "Art 3' Para eleito de interpretação do inciso 1 do art 168 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a estinção do crédito tributário ocm re, no caso de tributo sujeito a lançamento por hoinologagão, no momento do pagamento antecipado de que (rota o I' do art 150 dar*ritia Lei Art 4' Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3'2, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n" 5 172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional "(ênfase acrescida)" Como visto, o artigo 3" fixa que o prazo para a Fazenda Pública homologar lançamento derivado de pagamento antecipado não se confunde corn o prazo, igualmente qüinqüenal, de contagem de decadência do direito de repetir.. Referida norma é suficientemente objetiva e não deixa dúvida quanto ao requisito temporal de admissibilidade do pedido de reconhecimento do direito creditorio, estipulando que o contribuinte tern um prazo de cinco anos contados da data em que o pagamento configurou-se como indevido para formalizar a solicitação de sua restituição junto A unidade administrativa_ Os pronunciamentos jut isprudenciais trazidos pela defesa, aos quais rendo respeito, tam força de lei somente entre as partes nos limites das lides e das questões decididas (CTN, art. 100)„ No que diz respeito A afirmativa de que o reconhecimento da decadência está amparada em legislação que fere institutos e princípios constitucionais e infraconstitucionais, cabe esclarecer que estas matérias não são oponíveis na esfera administrativa, pois o controle jurisdicional da constitucionalidade das leis compete exclusivamente aos órgãos do Poder Judiciário„ 5 Voto Vencedor Conselheiro MARCOS SHIGUEO 'TAKATA, Redator Designado Peço vênia ao nobre relator, para dissenso quanto à questão do prazo decadencial para a repetição de indébito. Particularmente, minha interpretação 6 a de que o direito à repetição ou compensação de "pagamento" indevido (em geral, recolhimento indevido) ou a maior 6 fulminado pela decadência com O decurso de cinco anos da data do "pagamento" indevido ou maior Isso porque o pagamento extingue a obrigação tributária, sob condição resolutiva. Alias, pagamento 6 forma de extinção de obrigação poi excelência . Embora o art. 150 do CTN use a expressão "pagamento antecipado", o próprio § 1" reconhece que se cuida de pagamento simples, ao reconhecer que se extingue a obrigação tributária sob condição resolutiva da ulterior não homologação do pagamento (malgrado a literalidade tale em "ulterior homologação do lançamento", evidente a erronia: o que resolve o pagamento é a ulterior não homologação). Como o CTN se aferia à indispensabilidade do lançamento, ele constrói a figura da homologação tácita do pagamento ao termo de cinco anos da ocorrência do fato gerador.. Mas, se o pagamento já extingue a obrigação tributária sob condição resolutiva, o corolário lógico e inescapavel 6 o de que a chamada homologação tácita opera a decadência do direito de lançar. Isto 6, não ha mais como resolver o pagamento (que extingue a obrigação), corn o decurso de certo tempo + a inércia da autoridade tiscalizadora: para não ficar sem lançamento, na construção feita pelo CTN, chama-se a isso de homologação tacita. Não se poder resolver o pagamento (que extingue a obrigação) é decair do direito de lançar; decadência que tem o mesmo suporte fritico da chamada homologação tácita Pode-se, pois, dizer que essa tem como sua contraface a decadência. Exegese diversa coaompe a lógica e o sentido do art. 150 do CTN. Pot outro lado, o STJ assentou a seguinte inteligência, por sua Corte Especial, no julgamento da Arguição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Intlingência no Recurso Especial (AI nos EREsp) 644.736/PE, de 6/06/07 1 . 0 art. 3" da Lei Complemental 118/05 só pode ter eficácia prospectiva, porquanto não se trata de norma interpretativa, de modo que seu comando só é aplicável "sobre situações que venham a ocorrer a partir de sua vigência": após 120 dias da publicação da Lei - Complementar 118/05, isto 6, a pattir de 9/06/05. Nesses moldes, a segunda parte do art, 4' da Lei Complemental: 118/05 não passa pelo teste de validade E isso porque o STF, em recurso extraordinário em face do "decisum" prolatado nos autos dos EREsp 644 736/PE, reconheceu a ofensa ao art 97 da CF (principio da reserva de plenário), com a consequente inconstitucionalidade daquele acórdão Dai a 1" Seção do ST1 impor o processamento, perante a Corte Especial do SD, de incidente de inconstitucionalidade do art 4" da Lei Complementar 118/05 6 Process° n" 13975 00006212003-05 SI -C113 Acórd5o n° 1103•0152 Fl 126 Ou seja, conforme a interpretação assentada pelo ST1, por - sua Corte Especial, no julgamento por unanimidade da Al nos EREsp 644.736/PE: a) solne pagamentos indevidos antes de 9/06/05, permanece o entendimento de que o prazo "prescrieional" para repetição de indébito tributário é de cinco anos mais cinco anos, contados da data do fato gerador, limitado, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da nova lei; b) sobre pagamentos indevidos a partir de 9/06/05, o referido prazo "prescricional" é de cinco anos contados da data do pagamento indevido. E a inconstitucionalidade foi declarada pelo orgao especial do STJ, em conformidade com o art. 97 da CF 2 , e em consonância com a Súmula Vinculante n" 10 do Supremo Tribunal Federal 3 Ainda, mais recentemente, a 1" Seção do STJ julgou, em sede de procedimento de recurso especial repetitivo, nos termos do art 543-C do CPC, o REsp 1,002..932-SP, em 25 de novembro de 2009. No julgamento desse REsp afetado em procedimento de recurso repetitivo, consagrou-se derradeiramente a interpretação dada no julgamento da Al nos EREsp 644.736/PE: a) solme os pagamentos indevidos antes de 9/06/05, o prazo "prescricional" para repetição de indébito tributário é de cinco mais cinco, limitado ao pi azo maxim° de cinco anos a contar da vigência da nova lei; b) sobre pagamento indevidos a partir de 9/06/05, o prazo "prescricional é de cinco anos contados da data do pagamento indevido. Como .já disse, não comungo com tal intelecção pelas razões adrede colocadas. Entretanto, diante do . julgamento do REsp 1 .002.932-SP, sob o rito de recurso repetitivo, forçoso se reconhecer - a pacificação da matéria no STE. Outrossim, v.g,, no REsp 1.096.288-RS, julgado em 9/12/09, no Agravo Regimental (AgRg) no Agravo de Instrumento I 056,899-SP, julgado em 15/12/09, no AgRg no REsp 1.045.690-SP, julgado em 15/12/09, em todos esses julgamentos se fez expressa remissão a interpretação consagrada no regime repetitivo no R.Esp 1.002.932/SP.. Embora discorde desse entendimento do STI, ern face do quadro posto curvo- me a afetação da interpretação do ST.1, para reconhecer o prazo decadencial (ou "prescricional" como quer o STJ) dos cinco mais cinco anos, limitado a cinco anos a contar da vigência da nova lei (Lei Complementar 118/05) Sob o manto dessas razões, reconheço inexistir a consumação do fenômeno decadencial, Art 97 Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público Sumula n" 10 Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgãO fracionário de Tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo clo poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte Nessa ordeal de considerações, dou provimento ao recurso, para que os presentes autos sejam devolvidos à DRE de origem para a apreciação do mérito. o meu voto. MAR FUGUE() TAKATA O
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Numero do processo: 10880.929603/2008-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/04/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência, em conformidade com as regras estabelecidas pelos arts. 33 e 5o do Decreto no 70.235/1972.
Numero da decisão: 3401-005.479
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal apresentada.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos (relator original), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/04/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência, em conformidade com as regras estabelecidas pelos arts. 33 e 5o do Decreto no 70.235/1972. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal apresentada. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos (relator original), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 96 03 /2 00 8- 46 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.929603/200846 Acórdão n.º 3401005.479 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Versa o presente sobre o DCOMP, indeferida por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em sua Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) é prestadora de serviços a pessoa jurídica residente no exterior, isenta de recolhimento da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP sob a receita de serviços, conforme MP no 2.15835/2001 (at. 14, III e § 1o); e (b) recolheu indevidamente a COFINS, lançando a débito em DCTF, que retificou antes do despacho decisório. A decisão de primeira instância foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, por carência probatória a cargo da postulante (não comprovação do erro apontado, que teria ensejado a retificação da DCTF). Após ciência da decisão da DRJ, em 23/01/12, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 05/03/2012, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando cópia de documentos e livros. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.473, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.925640/200885, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.473): "Conforme relatado a recorrente tomou ciência da decisão da DRJ no dia 23 de janeiro de 2012, através de carta postal com aviso de recebimento. Vejase: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.929603/200846 Acórdão n.º 3401005.479 S3C4T1 Fl. 0 3 Diante de seu inconformismo a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 05 de março de 2012, conforme carimbo constante na capa do recurso, a seguir exposto: O prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência. Ademais, a Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é estabelecida pelos arts. 33 e 5º, do Decreto nº 70.235/72. Oportuno mencionar sobre o Princípio da Continuidade, segundo o qual, iniciada a contagem, incluemse os finais de semana e feriados (não se contam apenas os dias úteis). Diante das considerações explanadas e que a recorrente foi cientificada no dia 23/01/2012, terçafeira, temse que o prazo iniciou no dia 24/01/2012 e encerrou 30 (trinta) dias depois, em 22/02/2012, quartafeira. Portanto, o recurso da recorrente é intempestivo, pois foi interposto apenas no dia 05 de março de 2012, 12 (doze) dias após o término do prazo, sem nenhuma justificativa. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.929603/200846 Acórdão n.º 3401005.479 S3C4T1 Fl. 0 4 Ante o exposto, voto por não conhecer da peça apresentada a título de Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a apresentação da defesa encontrase intempestiva, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer da peça apresentada a título de Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 97DF CARF MF
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