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Numero do processo: 16004.000963/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1994 a 30/09/1994, 01/10/1994 a 31/10/1994, 01/12/1994 a 31/12/1994
DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8.
O prazo decadencial para constituição da contribuição previdenciária é de cinco anos.
Numero da decisão: 2301-005.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1994 a 30/09/1994, 01/10/1994 a 31/10/1994, 01/12/1994 a 31/12/1994 DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O prazo decadencial para constituição da contribuição previdenciária é de cinco anos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto e João Bellini Júnior (Presidente).
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SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O prazo decadencial para constituição da contribuição previdenciária é de cinco anos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de contribuições previdenciárias, NFLD Debcad nº 37.132.1700, relativo aos períodos de 2/1994 a 9/1994, 10/1996 e 12/1996, devidas por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 09 63 /2 00 7- 98 Fl. 270DF CARF MF 2 responsabilidade solidária em razão de cessão de mãodeobra, cuja ciência se deu em 12/11/2007 (efl. 86). Consta do processo (efls. 230 e 231) que o lançamento em questão substituiu a NFLD Debcad nº 35.781.9861, de 20/09/2005, que foi anulada por vício formal e que, por sua vez, também substituía a NFLD nº 35.781.7834, de 21/12/2004, também anulada. A Recorrente apresentou impugnação (efls. 90 a 102) em que alegou a decadência quinquenal. A DRJ de origem, por meio do Acórdão nº 14.24.667 (efls. 226 a 236), de 18/06/2009, entendeu que não se aplicaria, ao caso o disposto na Súmula Vinculante nº 8 e, portanto, a decadência seguiria a regra do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991. No recurso voluntário (efls. 247 a 258), a Recorrente reafirmou estarem decaídos os períodos lançados. É o suficiente relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço. A única questão sob litígio é decadência. Alega a Recorrente que os períodos lançados já haviam sido atingidos pela decadência quinquenal. A decisão a quo apreciou a matéria e assim se pronunciou (efls. 235 e 237): Portanto, não restaram alcançados pela decadência os lançamentos anteriormente efetuados posto realizados em conformidade respectivamente com os incisos I e II do artigo 45 da Lei 8.212/91, submetendose a presente NFLD em decorrência da alteração no dispositivo legal aplicável advinda da publicação da Súmula Vinculante 08 do STF ao prazo decadencial cominado no artigo 173, II do CTN o qual foi regularmente observado pela autoridade lançadora. O entendimento do colegiado recorrido é que, por ter havido três lançamentos, sendo que os dois primeiros foram anulados, o prazo decadencial passaria a contar da anulação do ato administrativo, nos termos do in. II do art. 173 do CTN1. No entendimento da decisão de origem, se o lançamento original se aperfeiçoou antes do advento da Súmula Vinculante nº 8, a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, estaria correta, porquanto era a norma vigente ao tempo do lançamento. Entenderam, os julgadores de primeira instância, que a alteração no dispositivo legal aplicável promovida pela decisão do STF não alcançaria os lançamentos perfeitamente constituídos. 1 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 16004.000963/200798 Acórdão n.º 2301005.480 S2C3T1 Fl. 271 3 Ainda que seja respeitável o entendimento do colegiado precedente, com ele não posso concordar. Eis que a declaração de inconstitucionalidade não implica na simples alteração do dispositivo legal tido por inconstitucional, mas em extirpálo do mundo jurídico desde o seu surgimento, pelo menos enquanto regra geral. A Súmula Vinculante nº 8 deve ser interpretada para além do seu enunciado, sendo importante conhecer seus fundamentos. O STF foi chamado a dirimir a controvérsia a partir de reiteradas decisões quanto à prevalência das regras decadenciais do CTN sobre as que constavam dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça assim havia decidido na Arguição de Inconstitucionalidade em Recurso Especial nº. 616.348/MG: Nos termos do art. 146, III da Constituição Federal, a Lei Complementar deve estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária. Dentre esses temas de normas gerais estão a decadência e a prescrição, que somente podem ser veiculadas por instrumentos normativos próprios. Daí se conclui, ao menos nesses exame preliminar, que o art. 45 da Lei 8.212, que instituiu o plano de custeio da Previdência Social, padece de vício de inconstitucionalidade ao dispor de prazo de 10 anos para que o INSS lance os tributos sob sua administração. Ora, sendo o CTN materialmente lei complementar e considerando que decadência é norma geral de direito tributário, cuja regulação somente pode se dar por lei complementar2, não poderia o legislador, em 1991, instituir a decadência por lei ordinária. Este é o fundamento da Súmula Vinculante nº 83. É certo que os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 foram modulados, nos termos do art. 27 da Lei nº 9.868, de 19994, para aplicar efeitos ex nunc à decisão apenas às repetições de indébitos ajuizadas após 11/06/2008. Para qualquer outra circunstância, a decisão vinculante retroage ao advento da norma atingida, como se ela sequer houvesse existido. Portanto, ao contrário do que sustentou a decisão recorrida, Súmula Vinculante nº 8 é de aplicação obrigatória no presente caso. Nos autos consta que o lançamento contempla contribuições de 1994 e de 1996 e se completou, originariamente, em 21/12/2004 com a NFLD nº Debcad 35.781.7834, que foi anulada por vício insanável e substituída pela NFLD Debcad 35.781.9861, de 20/09/2005, também anulada e substituída pela NFLD Debcad 37.132.1700, que é a matéria deste litígio. Ora, o primeiro lançamento, a despeito de ter sido anulado, já estava atingido pela decadência; tanto pela aplicação do art. 173, I, quanto do art. 159, § 4º do CTN. Assim, os fatos 2 Art. 146. Cabe à lei complementar: ................................................................................ III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: ................................................................................ b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; 3 Precedentes representativos do STF: RE 556.664 e RE 559.943. 4 Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Fl. 272DF CARF MF 4 subsequentes não poderiam ter o condão de restabelecer o crédito tributário que já se encontrava extinto. Conclusão Voto por conhecer do recurso e DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.721722/2016-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014
PRELIMINAR. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INSUBSISTÊNCIA
Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação.
As razões do lançamento estão claramente expostas no Relatório Fiscal. A demonstração de apuração do crédito tributário e o demonstrativo de multa e juros encontram-se consignados nos autos do processo, tendo sido assegurado ao contribuinte a ampla oportunidade de defesa, com apresentação de impugnação e Recurso Voluntário.
PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DO NÃO CONFISCO. MULTA ABUSIVA. NÃO OCORRÊNCIA
O lançamento é atividade vinculada e obrigatória, sendo dever da Autoridade Lançadora proceder ao lançamento e aplicar as penalidades estabelecidas em Lei. A Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN).
INTENÇÃO DO AGENTE. DOLO
A infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2401-005.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 PRELIMINAR. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INSUBSISTÊNCIA Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação. As razões do lançamento estão claramente expostas no Relatório Fiscal. A demonstração de apuração do crédito tributário e o demonstrativo de multa e juros encontram-se consignados nos autos do processo, tendo sido assegurado ao contribuinte a ampla oportunidade de defesa, com apresentação de impugnação e Recurso Voluntário. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DO NÃO CONFISCO. MULTA ABUSIVA. NÃO OCORRÊNCIA O lançamento é atividade vinculada e obrigatória, sendo dever da Autoridade Lançadora proceder ao lançamento e aplicar as penalidades estabelecidas em Lei. A Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN). INTENÇÃO DO AGENTE. DOLO A infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional.
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NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INSUBSISTÊNCIA Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação. As razões do lançamento estão claramente expostas no Relatório Fiscal. A demonstração de apuração do crédito tributário e o demonstrativo de multa e juros encontramse consignados nos autos do processo, tendo sido assegurado ao contribuinte a ampla oportunidade de defesa, com apresentação de impugnação e Recurso Voluntário. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DO NÃO CONFISCO. MULTA ABUSIVA. NÃO OCORRÊNCIA O lançamento é atividade vinculada e obrigatória, sendo dever da Autoridade Lançadora proceder ao lançamento e aplicar as penalidades estabelecidas em Lei. A Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN). INTENÇÃO DO AGENTE. DOLO A infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 17 22 /2 01 6- 16 Fl. 484DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC (DRJ/FNS), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o Crédito tributário, conforme ementa do Acórdão nº 0738.767 (fls. 416/423): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 LANÇAMENTO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial de contribuições sociais previdenciárias, não declaradas em GFIP, o auditor fiscal da Receita Federal do Brasil efetuará o lançamento do crédito tributário. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO I, DA LEI Nº 8.212/1991. Constitui infringência ao artigo 32, inciso I, da Lei nº 8.212/91, deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO ARRECADAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DE Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10320.721722/201616 Acórdão n.º 2401005.543 S2C4T1 Fl. 3 3 SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E DE SEGURADOS EMPREGADOS. Constitui infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições sociais previdenciárias dos segurados empregados e dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS. NATUREZA FORMAL. ARTIGO 136 DO CTN. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Os órgãos julgadores de primeira instância do processo administrativo fiscal federal (Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento) não são competentes para se pronunciar sobre controvérsias referentes a processo administrativo de representação fiscal para fins penais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de três Autos de Infração, lavrados em 22/08/2016, relativos ao período de 01/2013 a 12/2014, inclusive 13º salário, tendo como fato gerador os pagamentos a segurados empregados, a segurados contratados e a contribuintes individuais não informadas em GFIP, e os valores pagos ou creditados a segurados empregados não considerados como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Os Autos de Infração lançados correspondem ao seguinte: · Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador (fls. 10/24): Valor total de R$ 13.511.280,81, já incluso multa e juros, referentes às contribuições relativas à parte patronal que incidem Fl. 486DF CARF MF 4 sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e segurados contribuintes individuais e às contribuições para os Riscos Ambientais do Trabalho – RAT. Foram constatadas as seguintes infrações: a) Valores Pagos ou Creditados a Contribuintes Individuais Não Oferecidos à Tributação; b) Salários, Ordenados, Vencimentos e Subsídios a Empregados Não Oferecidos à Tributação; c) Rubricas a Segurados Empregados Não Oferecidos à Tributação; d) GILRAT Sobre Salários, Ordenados, Vencimentos e Subsídios a Empregados Não Oferecidos à Tributação; e) GILRAT Sobre Rubricas de Empregados Não Oferecidos à Tributação. · Contribuição Previdenciária dos Segurados (fls. 25/33): Valor total de R$ 4.235.667,92, já incluso multa e juros, referentes às contribuições relativas à parte dos segurados empregados e segurados contribuintes individuais que incidem sobre as remunerações recebidas por eles, não declaradas em GFIP e nem descontadas ou descontadas, mas não integralmente repassadas na época própria à Seguridade Social. Foram constatadas as seguintes infrações: a) Valores Pagos ou Creditados a Contribuintes Individuais Não Oferecidos à Tributação; b) Salários, Ordenados, Vencimentos e Subsídios a Empregados Não Oferecidos à Tributação; c) Rubricas a Segurados Empregados Não Oferecidas à Tributação. · Multas Previdenciárias (fls. 34/37): Valor total de R$ 4.286,08, referentes às multas por descumprimento de obrigações acessórias. Foram constatadas as seguintes infrações: a) Não Lançamento em Títulos Próprios de Sua Contabilidade, de Forma Discriminada, os Fatos Geradores de Todas as Contribuições, o Montante das Quantias Descontadas, as Contribuições da Empresa e os Totais Recolhidos; b) Falta de Arrecadação Pela Empresa das Contribuições dos Segurados Empregados e Trabalhadores Avulsos e do Contribuinte Individual a Seu Serviço. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 02/08): 1. Os créditos apurados referemse às contribuições relativas à parte dos segurados empregados e/ou segurados contribuintes individuais, Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10320.721722/201616 Acórdão n.º 2401005.543 S2C4T1 Fl. 4 5 incidentes sobre as remunerações constantes em folhas de pagamento ou em recibos de pagamentos; 2. As contribuições foram arrecadadas, mediante descontos incidentes sobre as remunerações desses segurados e não integralmente repassadas na época própria à Seguridade Social; 3. Para grande parte dos segurados contratados e contribuintes individuais, a Prefeitura Municipal não os declarou em GFIP, nem efetivou os descontos das suas contribuições previdenciárias devidas, conforme dispõe, desde 04/2003, a Medida Provisória nº 83/2002, convertida na Lei nº 10.666/2003 (alíquota de 11% sobre a remuneração, respeitado o teto para cada competência); 4. O Auditor Fiscal confeccionou planilhas que discriminam a origem e os valores das remunerações apuradas como base de cálculo dos Autos de Infração; 5. Foi emitido Representação Fiscal para Fins Penais; 6. Foram aplicadas Multas por descumprimento de obrigações acessórias. Em 27/04/2016 o Contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração lavrados (AR fl. 388) e, em 27/05/2016, tempestivamente, apresentou sua impugnação de fls. 389 a 401, instruída com os documentos de fls. 402 a 413. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/FNS para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0738.767, em 28/07/2016 a 6ª Turma, decidiu pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO mantendo os créditos tributários exigidos nos Autos de Infração. Em 20/09/2016 o Contribuinte tomou ciência do Acordão (AR – fl. 429) e, em 20/10/2016, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 430 a 442, onde faz um breve relato dos fatos para, em seguida: 1. Preliminarmente, argumenta sobre o Princípio Constitucional da Vedação do Confisco para rebater as multas aplicadas que, por serem maiores que 50% do lançamento, perdem seu caráter punitivo e passa a ter um caráter confiscatório; 2. No Mérito: a. Afirma que as GFIPs foram enviadas, como se encontravam, dentro do prazo estabelecido por lei para evitar prejuízo à municipalidade; b. Assevera que as GFIPs seriam retificadas, procedimento este previsto em lei, mas antes de poder fazer tais retificações se iniciou o procedimento fiscal; Fl. 488DF CARF MF 6 c. Argumenta que a fiscalização poderia ter dado um prazo para que as GFIPs fossem retificadas evitando o Auto de Infração de R$ 17.751.234,81, uma vez que a fiscalização não é apenas punitiva, mas de orientação; d. Diz que não houve dolo, houve imprudência, negligencia e imperícia da Municipalidade, mas algo que não resulte em um crédito tributário de R$ 17.751.234,81; e. Assevera que a aplicação de multa em patamar superior a 50% do valor da contribuição previdenciária devida é desarrazoada e que vai em desencontro aos preceitos constitucionais. Cita jurisprudência do STF nesse sentido; f. Argumenta que a prática adotada no processo de fiscalização e arrecadação descrito na segunda parte do art. 7º, do CTN, não foi observado; g. Afirma que a ampla defesa e o contraditório foram afrontados porque os valores de multa e juros moratórios nas fls. 20 a 24 e 31 a 33 não estão expressamente individualizados. Conclui seu RV requerendo que seja reconhecida a improcedência da autuação, com o cancelamento integral da exigência fiscal, por haver infringência aos Princípios Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório, infringência aos Princípios da Vedação de Confisco e da Razoabilidade, infringência ao Princípio da BoaFé Objetiva. No dia 21/10/2016 o Contribuinte apresentou um segundo Recurso Voluntário de fls. 457 a 468, de forma intempestiva, subscrito por outro advogado, no qual se insurge contra os lançamentos efetuados e a decisão de primeira instância (Acórdão nº 07 38.767). A PGFN foi informada através do dossiê 10040.000014/101622 e não apresentou contrarrazões. É o relatório Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10320.721722/201616 Acórdão n.º 2401005.543 S2C4T1 Fl. 5 7 Preliminar O Recorrente pleiteia a nulidade do lançamento alegando falta de motivação e ofensa aos princípios da ampla defesa e contraditório. Entendo que não assiste razão ao Recorrente. Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação. Com efeito, em face do procedimento de fiscalização o contribuinte foi intimado a apresentar documentação e prestar esclarecimentos quanto às diferenças de folhas de pagamento e GFIP´s (fls. 39/ 44). Com base nas informações prestadas e cruzamento de dados, foi efetuado o levantamento fiscal ora combatido, respeitando os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação tributária e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. As razões do lançamento estão claramente expostas no Relatório do Processo fiscal às fls. 2/9, e a demonstração de apuração do crédito tributário e o demonstrativo de multa e juros encontramse consignados às fls. 14/22, 28/32, tendo sido assegurado ao contribuinte a ampla oportunidade de defesa, com apresentação de impugnação e Recurso Voluntário. Verificase que não existem quaisquer vícios insanáveis previstos no Processo Administrativo Fiscal que possam acarretar nulidade do lançamento, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 e em consonância com o artigo 142 do Código Tributário Nacional, CTN. Com base no exposto, afasto a nulidade pretendida pelo contribuinte. Mérito A insurgência do Município se restringe à alegação de afronta ao princípio da razoabilidade e do não confisco. Aduz que não lhe foi concedida a oportunidade para retificações nas GFIPs, que desconhece todos os valores lançados e que não houve dolo e nem qualquer interesse em sonegar. Assevera abusiva a aplicação da multa. Entendo que não assiste razão ao Recorrente. Consoante se percebe da leitura da peça recursal acostada às fls. 457/468, o Município se opõe de maneira genérica ao ato administrativo de lançamento, deixando de contestar, de forma pormenorizada, a sua insurgência contra o levantamento tributário, ou mesmo a comprovação da sua insubsistência. O Recorrente não apresenta justificativas e/ou documentos relevantes objetivando contraporse à acusação fiscal. Assevera na peça recursal que a multa ultrapassa o limite da razoabilidade, por ser exorbitante e ilegítima. Fl. 490DF CARF MF 8 No entanto, é cediço que o lançamento configura uma atividade vinculada e obrigatória, motivo porque é dever de a Autoridade Lançadora constituir o crédito tributário e aplicar as penalidades estabelecidas em Lei. A Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN). Destaquese ainda que a aplicação da multa e juros se encontra devidamente descrita no Relatório Fiscal com a adequada previsão nos dispositivos da legislação tributária, explicitada nos fundamentos legais do auto de infração. Cabe ainda registrar que a infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim, a análise da existência de intenção do agente é totalmente inócua para fins tributários, visto que a configuração das infrações tributárias apuradas nas autuações segue a regra geral do artigo 136 CTN. Dessa forma, deve ser mantida a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, rejeito a preliminar apontada e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 491DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720005/2016-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2012
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA.
O artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, deixa à faculdade da autoridade julgadora a determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerá-las prescindíveis, não configurando, assim, o seu indeferimento em cerceamento ao direito de defesa.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2012
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Na legislação fiscal, as presunções legais relativas de omissão de receitas, como todas, têm um efeito próprio: elas invertem o ônus da prova, deixando-o sob responsabilidade exclusiva do contribuinte autuado.
SALDO CREDOR DE CAIXA.
A lei autoriza a presunção de omissão de receitas, quando verificado o saldo credor de caixa.
CUSTOS INDEDUTÍVEIS.
A legislação fiscal exige que a determinação do lucro real não pode prescindir de documentação hábil e idônea que confira ao registro contábil a garantia mínima dos seus efeitos tributários. Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 1401-002.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro e Silva, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2012 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA. O artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, deixa à faculdade da autoridade julgadora a determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerá-las prescindíveis, não configurando, assim, o seu indeferimento em cerceamento ao direito de defesa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2012 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. OMISSÃO DE RECEITAS. Na legislação fiscal, as presunções legais relativas de omissão de receitas, como todas, têm um efeito próprio: elas invertem o ônus da prova, deixando-o sob responsabilidade exclusiva do contribuinte autuado. SALDO CREDOR DE CAIXA. A lei autoriza a presunção de omissão de receitas, quando verificado o saldo credor de caixa. CUSTOS INDEDUTÍVEIS. A legislação fiscal exige que a determinação do lucro real não pode prescindir de documentação hábil e idônea que confira ao registro contábil a garantia mínima dos seus efeitos tributários. Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2012 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA. O artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, deixa à faculdade da autoridade julgadora a determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerálas prescindíveis, não configurando, assim, o seu indeferimento em cerceamento ao direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2012 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. OMISSÃO DE RECEITAS. Na legislação fiscal, as presunções legais relativas de omissão de receitas, como todas, têm um efeito próprio: elas invertem o ônus da prova, deixando o sob responsabilidade exclusiva do contribuinte autuado. SALDO CREDOR DE CAIXA. A lei autoriza a presunção de omissão de receitas, quando verificado o saldo credor de caixa. CUSTOS INDEDUTÍVEIS. A legislação fiscal exige que a determinação do lucro real não pode prescindir de documentação hábil e idônea que confira ao registro contábil a garantia mínima dos seus efeitos tributários. Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 00 05 /2 01 6- 98 Fl. 3230DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro e Silva, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementandoo a seguir: Tratase de processo formalizado para tratamento dos Autos de Infração (AI) resultantes de procedimento fiscal realizado junto à DIALLI DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. O referido procedimento foi amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 0910200.2014.006090 e teve início em 11/06/2014. As autuações tiveram por base a verificação das obrigações pertinentes ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2012, tendo sido apuradas infrações referentes a (i) omissão de receitas / saldo credor de caixa e (ii) despesas não necessárias / indedutíveis. Além do AI de IRPJ, três outros autos de infração foram lavrados como reflexos: AI da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), AI da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e AI da Contribuição para o PIS/Pasep (PIS). Os valores lançados encontramse fundamentados e detalhados nos Autos de Infração de fls. 2/34 e no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 35/55, acrescidos das correspondentes parcelas relativas à multa de ofício de 75% e aos acréscimos legais. O TVF veio acompanhado dos documentos e planilhas contábeis de fls. 56/2349. Também foram juntados aos autos, às fls. 2350/2976, outros documentos comprobatórios tais como: termos entregues, comprovantes de movimentação bancária, notas fiscais, recibos de pagamento e contratos. Reproduzo, do TVF, os seguintes trechos: I – DOS PROCEDIMENTOS Fl. 3231DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.231 3 A empresa foi intimada a apresentar, por meio do Termo de Início de Ação Fiscal datado de 11/06/2014, fotocópia dos atos constitutivos e alterações posteriores (últimos cinco anos) e; extratos bancários de todas as contascorrentes movimentadas pela empresa no período de 01/01/2012 a 31/12/2012. Em 30/06/2014, a empresa solicitou prorrogação de prazo (vinte dias) para atendimento ao Termo de Início. Em 25/07/2014, a empresa foi reintimada a apresentar os documentos relacionados no referido Termo. Tendo em vista a não apresentação dos extratos bancários, em 13/08/2014, a empresa foi reintimada a apresentálos, sendo alertada de sua imprescindibilidade na fiscalização em curso e, que caso não apresentassem, os extratos bancários seriam requisitados por este órgão diretamente às instituições financeiras (Lei Complementar nº 105/2001). [...] Os extratos foram encaminhados pelas instituições financeiras. Em 05/02/2015, a empresa foi intimada a apresentar: documentos que embasaram os lançamentos contábeis efetuados pela empresa no Livro Razão (Conta 94100330000000006 SERVIÇOS TERCEIROS PJ) relacionados no Anexo I, bem como apresentar os respectivos comprovantes de pagamentos e; documentos que embasaram os lançamentos contábeis efetuados pela empresa no Livro Razão (Conta 10000010000000005 – CAIXA) relacionados no Anexo II (comprovantes de saques e respectivos pagamentos). Em 27/02/2015, a empresa solicitou prorrogação de prazo (trinta dias) para atendimento à intimação. Em 31/03/2015, a empresa apresentou parte da documentação solicitada. Em 13/04/2015, a empresa foi intimada a apresentar: documentos fiscais (notas fiscais) que embasaram os lançamentos contábeis efetuados pela empresa no Livro Razão (Conta 94100330000000006 SERVIÇOS TERCEIROS PJ) relacionados no Anexo I da intimação de 05/02/2015, bem como comprovar/informar a natureza jurídica dos serviços prestados (contratos). A empresa já havia apresentado essa documentação em 31/03/2015. Tendo em vista o atendimento parcial à intimação de 05/02/2015, em 08/05/2015, a empresa foi reintimada a apresentar demais documentos que embasaram os lançamentos contábeis efetuados pela empresa no Livro Razão (Conta 10000010000000005 – CAIXA) relacionados no Anexo II da referida intimação. Fl. 3232DF CARF MF 4 Em 01/06/2015, a empresa atendeu parcialmente à intimação. Informou ainda, que aquele era o atendimento final da mesma. [...] II – DAS INFRAÇÕES APURADAS II.1 OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA ... a administração da sociedade cabe ao sócio ADELINO FAVORETO JÚNIOR CPF: 659.127.80953. A empresa, no anocalendário de 2012, optou pela forma de tributação sobre o Lucro Real Anual (IRPJ e CSLL), estando dessa forma, obrigada a entrega da escrituração contábil digital (SPED Contábil). Da análise efetuada, por amostragem, na escrituração contábil digital da empresa (extraída do Sistema Público de Escrituração Digital SPED) no anocalendário de 2012, verificouse a prática de efetuar os lançamentos relativos aos pagamentos realizados, mediante a utilização da Conta 10000010000000005 – CAIXA, não obstante efetuar os referidos pagamentos por meio de instituição financeira. Em diversos lançamentos contábeis efetuados, constatouse que, embora a empresa faça pagamentos por intermédio da rede bancária, adota o critério de computar a transferência dos recursos das instituições financeiras para a Conta Caixa, para então lançar os pagamentos via Conta Caixa. No entanto, constatouse também, que muitos pagamentos/transferências efetuados (via rede bancária) não são contabilizados a crédito da conta Caixa, não dando, assim, a devida saída do recurso transferido da instituição financeira. Como os valores debitados e creditados não acompanharam necessariamente a realidade dos fatos, o saldo da Conta Caixa foi, indevidamente, aumentando com o passar dos meses, conforme demonstrado na escrituração da referida conta efetuada pela empresa. É fato que, o critério de escrituração contábil a ser utilizado é de livre escolha da pessoa jurídica, todavia não é demais lembrar que deve ser feito com observância das leis comerciais e fiscais e conservação em boa ordem dos livros, documentos e papéis relativos a sua atividade e que serviram de base para a escrituração comercial e fiscal (artigos 251 e 264 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000 de 26.03.1999). Os recursos transferidos das instituições financeiras lançados a débito da Conta Caixa, devem ter seu correspondente registro a crédito dessa conta, ou seja, devem ser contabilizadas as saídas de recursos do Caixa para pagamentos de gastos na mesma data. Não foi o que ocorreu com a empresa fiscalizada. No decorrer da análise, constatouse lançamentos contábeis (Razão contábil da conta Caixa) que não espelharam de fato a movimentação do Fl. 3233DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.232 5 Caixa da empresa, conforme exemplos a seguir, corroborados pelos documentos apresentados pela empresa: [Seguem mais de 6 páginas contendo exemplos desses lançamentos contábeis, todos com valores expressivos variando de R$ 11.000,00 a R$ 249.000,00 aproximadamente.] Como pode se verificar (documentos juntados ao presente), muitos lançamentos efetuados a débito da Conta Caixa tiveram outras finalidades, gerando assim, um saldo devedor fictício. Diante disso, todos os lançamentos efetuados na Conta Caixa no anocalendário de 2012 foram ordenados diariamente (primeiro os débitos, depois créditos) para refletir os fatos ocorridos (Planilha Conta Caixa Fiscalização). Os valores debitados a Conta Caixa Histórico Saque/Saque para Caixa, que na realidade foram pagos via rede bancária e não contabilizados na Conta Caixa, resultando em um saldo devedor indevido foram excluídos . Os valores debitados a Conta Caixa – Histórico Saque/Saque para Caixa, que foram objeto de intimação e que não ficaram comprovadas as saídas dos recursos da Conta Caixa também foram excluídos. Após essa reconstituição da Conta Caixa (baseada na documentação apresentada pela empresa), resultou em Saldo Credor de Caixa em vários períodos do anocalendário de 2012 conforme Planilha Anexa (Conta Caixa BC IRPJ/CSLL). A legislação do Imposto de Renda (artigo 281, I do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março de 1999) dispõe que se caracteriza como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência de saldo credor de caixa em sua escrituração. [...] Haja vista as alterações já mencionadas, resultou na apuração do maior saldo credor (omissão de receitas) no último dia do anocalendário de 2012 no valor de R$ 9.869.718,80 (nove milhões, oitocentos e sessenta e nove mil, setecentos e dezoito reais e oitenta centavos). Desta forma, face ao exposto, o valor omitido será acrescentado à base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL. [...] Do mesmo modo, a constatação de omissão de receitas ensejará o acréscimo às bases de cálculo das Contribuições para o Programa de Integração Social – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, conforme determina o artigo 24, § 2º da Lei 9.249/95 e as diferenças Fl. 3234DF CARF MF 6 apuradas neste procedimento, serão cobradas de ofício, acrescidas de multa, também de ofício e juros de mora, conforme enquadramentos legais constantes dos autos de infração e seus demonstrativos, observando que em relação àquelas contribuições foram considerados os saldos credores mensais, tendo em vista os fatos geradores ocorrerem mês a mês. Na reconstituição da conta Caixa, no anocalendário de 2012, nos meses em que foram verificados saldos credores, os saldos iniciais de cada mês foram zerados, para não serem tributados novamente em períodos subsequentes os saldos credores apurados em períodos anteriores (Planilha Conta Caixa BC PIS/COFINS). [...] Cumpre esclarecer que, os saldos de prejuízos fiscais/bases negativas da CSLL apurados em anos anteriores, foram totalmente compensados neste procedimento, não restando assim saldo a compensar nos anoscalendário posteriores ao ano calendário de 2012. II.2 DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS (INDEDUTÍVEIS) Da análise efetuada, por amostragem, na escrituração contábil digital da empresa (extraída do Sistema Público de Escrituração Digital SPED) no anocalendário de 2012, verificouse lançamentos relativos a pagamentos efetuados para as empresas FAVORETO & SAMPAIO LTDA – CNPJ: 12.452.879/000191, FORÇA LOGÍSTICA COMERCIAL LTDA – CNPJ: 13.193.561/000104 e FLEX LOGÍSTICA COMERCIAL LTDA – CNPJ: 09.129.815/000140 mediante a utilização da Conta 94100330000000006 SERVIÇOS TERCEIROS PJ. Esses dispêndios foram contabilizados pela empresa como despesas administrativas e, assim deduzidos do lucro bruto da empresa, conforme Demonstração do Resultado do Exercício (extraído do Sistema Público de Escrituração Digital SPED). Intimada a apresentar os documentos que embasaram os lançamentos contábeis efetuados pela empresa no Livro Razão (Conta 94100330000000006 SERVIÇOS TERCEIROS PJ), bem como apresentar os respectivos comprovantes de pagamentos, a empresa apresentou três documentos denominados “INSTRUMENTO PARTICULAR DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E LOGÍSTICA COMERCIAL” (um para cada empresa prestadora do serviço). Apresentou também as notas fiscais das empresas relativas aos referidos serviços prestados (PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE APOIO ADM E LOGÍSTICA COMERCIAL). A empresa FLEX LOGÍSTICA COMERCIAL LTDA, no Contrato de Prestação de Serviços de 02/01/2008, é representada pelo Sr. ADRIANO FAVORETO– CPF: 792.951.93920 (irmão do Sr. Adelino sócio da empresa Dialli). Hoje seu sócioadministrador é o Sr. MARCELO DE CASTRO LUZ – CPF: 040.041.68910 (contador da empresa Dialli). Fl. 3235DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.233 7 A empresa FAVORETO & SAMPAIO LTDA, no Contrato de Prestação de Serviços de 01/09/2010, é representada pelo SR. ADRIANO FAVORETO – CPF: 792.951.93920 (irmão do Sr. Adelino sócio da empresa Dialli). A empresa FORÇA LOGÍSTICA COMERCIAL LTDA, no Contrato de Prestação de Serviços de 01/03/2011, é representada pela SRA. MONICA ELID ORTENZI DE CARVALHO FAVORETO (esposa do Sr. Adelino sócio da empresa Dialli). [...] De acordo com o artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda/99, são operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. As despesas necessárias são as pagas ou incorridas e que sejam usuais e normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Para que a despesa seja dedutível na apuração do lucro real e do lucro líquido, é necessário que haja elementos convincentes da efetividade da operação, especialmente no caso prestação de serviços. No caso de serviços tem que haver a informação da natureza dos mesmos, além da essencialidade, com elementos incontestáveis de que o serviço foi realmente prestado. Com o objetivo de verificar a efetividade dos serviços prestados, as empresas FLEX LOGÍSTICA COMERCIAL LTDA (TDPF Diligência 09102002015 005713), FAVORETO & SAMPAIO LTDA (TDPFDiligência 09102002015005721) e FORÇA LOGÍSTICA COMERCIAL LTDA (TDPFDiligência 0910200 2015005730), foram intimadas a informar, por escrito e assinado pelo representante legal da empresa, a descrição pormenorizada dos serviços prestados para a empresa DIALLI DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA – CNPJ: 02.611.870/000122 no anocalendário de 2012, bem como informar o(s) nome(s) da(s) profissionais/funcionários que executaram os referidos serviços e; apresentar todos os documentos comprobatórios referentes as despesas/custos envolvidos na execução dos referidos serviços prestados. Em 11/05/2015, as empresas solicitaram prorrogação do prazo para atendimento à intimação por mais trinta dias. Em 03/06/2015, novamente, as empresas solicitaram prorrogação de prazo para atendimento à intimação, dessa vez de vinte dias. Entretanto, as empresas não atenderam à intimação de 08/05/2015, ou seja, não informaram a descrição pormenorizada dos serviços prestados para a empresa DIALLI DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA – CNPJ: 02.611.870/000122 no anocalendário de 2012; não informaram o(s) nome(s) da(s) profissionais/funcionários que executaram os referidos serviços e; também não apresentaram os documentos comprobatórios referentes as despesas/custos envolvidos na execução dos referidos serviços prestados. Fl. 3236DF CARF MF 8 Em 02/09/2015, as empresas foram informadas, via postal em seus endereços cadastrais, de tal fato. Ora, as empresas prestadoras de serviços, pertencentes a membros da família do sócio da empresa fiscalizada, confeccionam um “INSTRUMENTO PARTICULAR DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E LOGÍSTICA COMERCIAL”, em que contratam entre si “PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE APOIO ADM E LOGÍSTICA COMERCIAL” (notas fiscais apresentadas), e pronto, está comprovada a despesa operacional. A legislação tributária dispõe que as despesas devem ser necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Como já dito, deve ser comprovada também, a sua essencialidade. Sempre, com documentos hábeis e usuais, que não restem dúvidas quanto a sua efetividade. Contudo, nenhuma das referidas disposições foram comprovadas na presente fiscalização. Isto posto, as despesas contabilizadas na Conta 94100330000000006 SERVIÇOS TERCEIROS PJ e deduzidas do Lucro Real pela empresa no anocalendário de 2012, não tiveram a sua necessidade e a sua essencialidade, devidamente comprovadas. Diante disso, os valores a seguir relacionados serão glosadas e, serão acrescentados à base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL. [...] III CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, procedi ao lançamento de ofício do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos (PIS, COFINS e CSLL), do anocalendário de 2012, lavrandose o respectivo Auto de Infração, nos termos do artigo 926 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, juntamente a multa de ofício de que trata o artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96 e juros de mora, conforme artigo 61, parágrafo 3º da Lei nº 9.430/96. O presente Termo faz parte integrante do Auto de Infração – IRPJ e Reflexos, Processo Administrativo Fiscal nº 11634.720.005/201698. Neste procedimento fiscal foi apurado o crédito tributário no valor total de R$ 9.540.933,77 (nove milhões, quinhentos e quarenta mil, novecentos e trinta e três reais e setenta e sete centavos). [...] Regularmente cientificada do resultado, a Interessada protocolou sua Impugnação de fls. 2999/3046, que veio acompanhada de procuração e da sua Décima Segunda Alteração Contratual (fls. 3047/3058). Em sua peça de defesa, a DIALLI alega em síntese que : I DAS PRELIMINARES Fl. 3237DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.234 9 I.I Pedido de Apresentação de Relatório Pericial, Art. 16, IV, Decreto nº 70.235/72 Tendo vista a ausência a fiscalização do exercício de 2012, requerse a concessão para apresentação de relatório pericial, cujo dados e quesitos oportunamente apresentados; Conforme preceito normativo esculpido no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, a apresentação do relatório pericial elaborado por perito contador é indispensável à real e correta apuração dos fatos, in verbis: [...] Partindo da premissa de que o contribuinte apresentou respostas as solicitações da Auditoria Fiscal, de que teve sua documentação (contabilidade) apreendida pela Receita Federal, conforme já informado durante os procedimentos fiscalizatórios; A análise dos relatórios periciais fazse indispensável tendo em vista que não houve aceitação da prestação de serviços, bem como não aceitaram as comprovações e documentos apresentados, prejudicando a verdade real, sendo que não ocorreu o aumento do lucro, com majoração do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS; [...] Conforme preceito do inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72, apresenta os quesitos que serão adotados para elaboração dos relatórios pericias, juntamente com a identificação do perito contador, conforme abaixo: [...] II DOS FATOS O contribuinte fiscalizado exerce uma gama de atividades afins e toda documentação foi apresentada ao fisco. Houve desconsideração de muitos documentos, o que não procede, especialmente porque as empresas contratadas para prestação de serviço, de vínculo familiar, possuía confiança absoluta para exigência de outros comprovante desnecessários. De modo que houve rigor excessivo na exigência de documentação pelo fisco, não acatando justificativas e documentos, sequer orientando para sanar eventuais incoerências. [...] Com o extraise do Auto de Infração, os trabalhos da Auditoria Fiscal fundamentaramse tão somente, e nada mais que isso, em apurar tributos com base em movimentação bancária do contribuinte, partindo da premissa de que todo ingresso de numerário corresponde à receita não declarada, abrindo mão do dever de realmente apurar os fatos e ao final, se for o caso, lançar o tributo ... [...] Fl. 3238DF CARF MF 10 Tudo isso presumido, eis que não se acatou documentos e informações dadas pelo contribuinte, majorando a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, sequer analisando exclusões e compensações. Quanto as despesas alegadas como não necessárias ou indedutíveis, se contrapõe a tese do fisco, eis que os contratos de prestação de serviços de transporte e logística são suficientes para demonstrar a necessidade do transporte pra recebimento e entrega de mercadorias. [...] No caso destes dispêndios com a prestação de serviços por terceiros que estão embasadas através de contratos entre as partes, sendo perfeitamente lógico e razoável a sua necessidade. [...] Todos os valores pretendidos pelo fisco estão fundamentados simplesmente em movimentações bancárias, não somente contrariando todo ordenamento legal, a sólida jurisprudência, assim como as súmulas 14, 25 e 67 do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e sobre os indevidos valores, aplicouse a multa de ofício de 75% (Setenta e Cinco Por Cento) como seguem: Súmula CARF nº 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. [...] Conforme se demonstrará, tal exação pretendida pelo fisco no Auto de Infração não pode prosperar, pois se assim for, estará o fisco legislando sobre norma de tributação, alterando a verdade dos fatos e criando fato gerador de tributos, além de afrontar direito constituições, tais como, da ampla defesa, do contraditório e da capacidade contributiva. [...] III DO DIREITO DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O ordenamento jurídico pátrio, elenca os casos de nulidade e de ato nulo de pleno direito. Contudo o fisco que julga seus Fl. 3239DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.235 11 próprios atos o faz com interesse. Geralmente o interesse de arrecadar e suprir a falta de numerários do cofre público, motivo pelo qual se faz necessário relembrar a norma legal. [...] Diante da interpretação e aplicação de todos estes princípios constitucionais, verificase que não há respaldo legal suficiente para penalizar a Autora, eis que não se pode olvidar os princípios constitucionais e a interpretação favorável a mesma. [...] Flagrante, portanto, a irregularidade constante dos autos de infrações dos quais se pretendem a sua invalidade. Estamos diante de um ato administrativo que, como já dissemos, não observa preceitos legais, devendo ser declarado nulo pelo judiciário. O ato administrativo deve ser revestido das características perfeição, validade e eficácia para fazer surtir seus efeitos no ordenamento jurídico de forma consistente. [...] Com base no disposto acima, verificase claramente que o ato ora impugnado padece de vício profundo, estando o ato de lançamento visceralmente comprometido, como já dissemos alhures. Assim, requerse a invalidação/nulidade do ato viciado, gerando tal nulidade efeitos ex tunc, conforme manda nosso sistema positivo. DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL [...] Por qualquer ângulo que se analise a questão, portanto, resta absolutamente indene de dúvidas que não houve oportunidade de defesa e, via de consequência, não se observou o devido processo legal na lavratura dos autos aqui versada. Eis aí mais um vício insanável que torna a sanção aplicada nula de pleno direito. III.I Da Indispensabilidade da Apresentação de Perícia Contábil em Respeito à Ampla Defesa e ao Contraditório Conforme os fatos apresentados e comprovados, os trabalhos da Auditoria Fiscal fundamentamse simplesmente em considerar que os valores ingressados em contas bancárias do contribuinte são receitas omitidas, não fazendo prova de suas alegações, por mais simples que sejam. Para elaboração da defesa do contribuinte, a apresentação de relatório contábil por perito contador mostrase indispensável, pois nada mais justo que mostrar a verdade dos fatos, buscandose a verdade real, sem Fl. 3240DF CARF MF 12 ainda lembrar de em caso dúvida, aplicase "o prócontribuinte". Em resumo, é o fisco quem deve provar suas alegações!... [...] III.II Do Respeito à Ampla Defesa e ao Contraditório sob pena de Cerceamento de Defesa Verificouse a ocorrência de várias solicitações ou mesmo procedimentos que não condizem com a matéria pertinente. Não há consonância alguma em nosso ordenamento positivista, em que o fisco solicita o que quer, da forma que lhe convir... [...] Ao ter sua documentação contábil apreendida pela Receita Federal prejudicou a defesa, e mesmo assim, prefere não conceder prazo minimamente razoável para que proceda a devida e requerida recontabilização, lançando mão de medida de arbitramento, medida esta que não é forma de tributação, é claramente desrespeito ao contraditório e à ampla defesa. Este princípio está diretamente ligado ao direito de defesa, que o contribuinte tem de manifestarse contra atos da administração. De regra, para cada ato da Fazenda Pública, caberá um por iniciativa do particular: [...] III.III O Ônus da Prova Cabe ao Fisco A Auditoria Fiscal partiu da premissa de que todo numerário que ingressou em contas bancárias da empresa no período de 01/01/2012 a 31/12/2012 é receita omitida, exorbitando no seu direito de presunção de legitimidade, ao presumir que tais ingressos são receitas e sobre estas apurouse tributos e com a improcedente aplicação da multa de ofício. [...] ...O fisco deve provar suas alegações no sentido de ter ocorrido omissão de receita: Súmula CARF nº 67: [já reproduzida na peça de defesa]... Súmula CARF nº 25: [idem]... Súmula CARF nº 14: [idem]... [...] A fiscalização deve apresentar provas robustas sobre a natureza da eventual receita omitida. Assim, se os indivíduos indicarem que houve omissão de receitas decorrentes da venda de bens ou serviços, cabe à autoridade fiscalizadora provar quem teria sido o adquirente dos bens ou tomador dos serviços eventualmente prestados... [...] Fl. 3241DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.236 13 Qualquer circunstância que autorize a exasperação de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. [...] Falta de Anexação de Provas e Nulidade do Auto de Infração ou Notificação de Lançamento não só a ausência dos requisitos previstos no art. 10 são causas de nulidade do auto de infração ou da notificação de lançamento. A norma do art. 9º, que prevê a anexação de todos os documentos, no caput referidos, é impositiva, e a desobediência a esse mandamento (...deverão estar instruídos com todos os...) implica a nulidade do auto de infração... [...] Por fim, se o processo fiscal homenageia o princípio da verdade material, qual seja, de dar as provas aqui contidas na impugnação o peso e a veracidade comprobatória dos fatos alegados e se necessário abrir a prova pericial. III.IV Da Capacidade Contributiva do Contribuinte [...] A capacidade contributiva é ter o contribuinte auferido renda, e este ato de auferir, está previsto em norma e por consequência a previsão da exação tributária, e não a simples presunção de que auferiu renda. [...] No caso em debate, não há previsão legal de que a movimentação bancária (créditos em conta) por si só, o contribuinte passou a ter a capacidade contributiva e portanto deve sofrer a tributação sobre tais valores (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). A capacidade contributiva deve ser em primeiro lugar, fato previsto em lei e que seja tributável, assim como, os adiantamentos recebidos em contratos que não foram realizados, pois em ambas situações, não há norma que permita tais exações pretendidas pela Auditoria Fiscal, mesmo tendo o contribuinte provado a origem de todos os valores. III.V Do Fato Gerador Toda obrigação tributária decorre de ato ou fato que ocorre ou ocorreu, e sobre o ato/fato existe a previsão legal da tributação. Na ausência de previsão legal, não pode o fisco ao seu bel prazer tributar movimentação bancária... [...] 1. Ressaltandose novamente que o impugnante apresentou contratos de prestação de serviços que foram realizados e eram necessários, portanto não havendo ocorrência do fato gerador, os contratantes realizaram a prestação de serviços. Fl. 3242DF CARF MF 14 Os contratos de prestação de serviços que foram apresentados tempestivamente à Auditoria Fiscal e que o valor que supera em muitas vezes o apontado pelo fisco. III.VI Dos Regimes de Tributação Adotados, Fato Gerador do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS III.VI.I Dos Regimes de Tributação Adotado no Ano Calendários 2012 Para elucidação do caso em apreço, fazse imprescindível apresentação das bases de cálculos do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, sendo indispensável ressaltar que as DIPJs entregues pelo contribuinte referentes aos anos calendários fiscalizados, 2012, respectivamente adotouse os regimes de tributação, Lucro Real. Da regra inicial e irrefutável, de que os regimes de tributação adotados nos anos calendários de 2011 e 2012 foram respectivamente o Lucro Real e o Lucro Presumido, a Auditoria Fiscal, deveria, em caso de que se tivesse havido receita, tais regimes deveriam obrigatoriamente ser acatados... [...] III.VI.II Fato Gerador do IRPJ, Base de Cálculo e Alíquota [...] ...Para análise do caso em apreciação, em se tivesse havido receita/faturamento, para o ano calendário de 2011 o regime de tributação seria o Presumido e para o calendário de 2012 seria o Real. Seriam, pois em nenhum exercício ocorrera tais bases. III.VI.III Fato Gerador da CSLL, Base de Cálculo e Alíquota [...] Conforme exaustivamente já explanado, o contribuinte nos anos calendários não auferiu receita/faturamento, e consequentemente é impossível obterse lucro e portanto não houve base a ser tributada. III.VI.IV Fato Gerador do PIS e Alíquota Para tal contribuição, o fato gerador será a receita auferida, é o que prevê o art. 1º da Lei 10.637/2002... [...] Ressaltandose que no caso da nãocumulatividade (Lucro Real) o contribuinte apropriase de créditos sobre as despesas realizadas inerentes à atividade no mesmo percentual indicado no art. 2º da Lei nº 10.637/2002. III.VI.V Fato Gerador da COFINS e Alíquota O fato gerador da COFINS é o mesmo indicado ao PIS, tanto no regime cumulativo como no nãocumulativo... III.VII Do Indevido Arbitramento Por Ausência de Requisitos Fl. 3243DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.237 15 O arbitramento não é modalidade de lançamento. Constitui, isso sim, técnica auxiliar do lançamento de ofício, utilizável para a avaliação contraditória de preços, bens, serviços ou atos jurídicos, quando os documentos ou declarações do contribuinte sejam omissos e não mereçam fé. Mostrase a medida do arbitramento mais que "arbitrária", demonstrase por total desrespeito aos direitos constitucionais do contribuinte, além da falta de cuidado no labor por parte da Auditoria Fiscal em desconsiderar todas as informações prestadas e documentos apresentados, e frontalmente ignorando os preceitos do art. 142 do CTN. Bem por isso, a jurisprudência administrativa e judicial já firmou o entendimento de que não justificam o arbitramento o atraso ou a falta de escrituração de livros e documentos obrigatórios, quando suprível por outros livros ou por documentos idôneos, e a existência de irregularidades formais que não impeçam a apuração do lucro real, devendose, num e noutro caso, conceder ao contribuinte prazo para a regularização dos defeitos... [...] ...Veja ilustríssimo julgador, o Auto de Infração deve ser obrigatoriamente fundamentado, pois se assim não for, e conforme se apresenta, o contribuinte esta sofrendo cerceamento de defesa, por total ausência de fundamentação, no quesito majoração da multa de ofício. A falta de fundamentação ao tentar majorar a multa de ofício em 50%, acaba por derradeiramente à conclusão, de que se fosse possível a aplicação da multa, a sua majoração esta impossibilitada, por não haver base legal indicada [...] A Auditoria Fiscal ao não fazer a fundamentação da majoração, acaba desrespeitando a ampla defesa e ao contraditório, pois é impossível defenderse de acusação que não há a indicação precisa da infração, restando se a total improcedência. DO PRINCÍPIO DA NÃO CONFISCATORIEDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA [...] No entanto, o valor cobrado apresenta nitidamente efeito confiscatório. Devese levar em conta que os princípios traçados em nosso ordenamento jurídico servem como garantia constitucional ao cidadão contribuinte, que não pode ser compelido a arcar com uma carga tributária que esgote sua fonte de riqueza tributável, que destrua seu patrimônio. Caso o argumento da ré fosse aceito, estaria se admitindo que cobranças abusivas pudessem permanecer no sistema, sem sequer observar se estaria ou não prejudicando o contribuinte e, em contraposição, acarretando em enriquecimento sem causa da Administração Pública. Fl. 3244DF CARF MF 16 [...] Concordar com todo o exposto nessa peça é aplicar os fundamentos da dignidade da pessoa humana, não submetendo qualquer cidadão brasileiro a humilhações e constrangimentos materiais e morais; é dar valor social ao trabalho, pois a cobrança de tamanho vulto financeiro, digase de passagem no mínimo demasiadamente desmensurado, impedirá a continuação da atividade empresarial, gerando várias demissões e aumentará o caos social. [...] Nada disso ocorrerá se a Administração Pública pautarse dentro dos princípios, fundamentos e objetivos da Constituição Federal. O que se quer, portanto, é a atuação correta do setor administrativo público, ou seja, a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários aqui guerrilhados com a reforma da decisão. DA INCOERÊNCIA [...] Desta forma, pela arbitrariedade cometida na cobrança do tributo, provocando um bis in idem, ferindo princípios de toda a ordem jurídica, a mesma deve ser desconsiderada, seguindo a mesma sorte a multa e juros lançados, pois nulo de pleno direito o auto de infração aqui impugnado. Não pretende a autuada esquivarse de suas obrigações tributárias perante o fisco, eis que sempre se manteve em dia com seus compromissos fiscais. No entanto, não pode aceitar pacificamente uma cobrança advinda de meios que não obedecem as garantias constitucionais do cidadão contribuinte. [...] O auto de infração deve, assim, ser declarado nulo de pleno direito, por não observar princípios informativos de nosso ordenamento jurídico e ser totalmente agressor da esfera jurídica do cidadão/contribuinte. DA AUSÊNCIA DE DOLO [...] Não havendo dolo, não poderia arbitrar multa, como fora estipulado 75% sobre o valor dos impostos. IV DO PEDIDO Anulação total de todos os valores apurados e consequentemente dos autos de infrações lavrados, tendo em vista o cerceamento do direito de defesa, pelo fato que a Auditoria Fiscal embora tendo recebido todos os documentos e esclarecimentos para a real análise do ano calendário 2012 e mesmo assim não procedeu/acatou; Ocorrendo o flagrante equívoco em não acatar o pedido anterior, solicita os seguintes procedimentos: Fl. 3245DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.238 17 Em não sendo anulado totalmente o Auto de Infração, que seja recebido e acatado o pedido de apresentação de relatório pericial... Que seja de imediato retirada a inaptidão lançada indevidamente no CNPJ do contribuinte, ou que seja concedido o prazo de 30 (Trinta) dias previsto no § 1º do art. 24 da Instrução Normativa RFB nº 1.183/2011 para que promova a alteração cadastral; [...] Após apreciação do relatório pericial, ou não, e entendo Vossa Senhoria, que houve receita/faturamento nos anos calendários de 2011 e 2012, que seja desconstituído o arbitramento... Em caso de não apreciação do laudo pericial, que seja concedido o prazo mínimo de 30 (Trinta) dias para que o contribuinte refaça sua contabilidade, tendo em vista que tivera a mesma apreendida pela Receita Federal; Que seja declarada a inaplicabilidade do lucro arbitrado, tendo em vista que o contribuinte apresentou todos os esclarecimentos e documentos [...] e se em remota possibilidade, Vossa Senhoria entender possível, os regimes que deveriam ser adotados seriam respectivamente o Lucro Real e o Presumido; Que enquanto pendente de total análise, em cumprimento aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, que todo e qualquer débito apurado no combatido Auto de Infração, permaneça sob efeito suspensivo, conforme determina o art. 151, inciso III do CTN; Que toda e qualquer manifestação referente à presente impugnação seja enviada ao procurador. Por fim, sejam atendidas todas as solicitações com fito de que possa produzir a devida JUSTIÇA. Quando do julgamento pela DRJ, a decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 SALDO CREDOR DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza omissão no registro de receita a ocorrência de saldo credor de caixa na escrituração, ressalvada à contribuinte a prova da improcedência da presunção. Conforme previsão legal, o valor omitido será acrescentado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como ensejará acréscimo às bases de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Fl. 3246DF CARF MF 18 DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS OU INDEDUTÍVEIS. LUCRO REAL. GLOSA. Para que sejam dedutíveis na apuração do lucro real, as despesas administrativas devem ser necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, cabendo à contribuinte comprovar, com elementos convincentes e incontestáveis, que o serviço foi realmente prestado. Caso não atendidos os requisitos legais, as despesas serão glosadas e acrescentadas à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. INCONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. Os percentuais da multa de ofício exigíveis em lançamento de ofício são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a inconstitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Está afastada a hipótese de nulidade do lançamento quando o auto de infração, lavrado por pessoa competente, atende a todos requisitos legais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE MOTIVOS E PROVAS. Aplicamse as regras processuais previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, à impugnação, a qual deve mencionar os pontos de discordância e os motivos de fato e de direito em que se fundamentam esses pontos, além das razões e provas que possuir. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA ESTRANHA AO LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Deve ser não conhecida a manifestação de inconformidade quanto aos argumentos expendidos acerca de créditos e compensações discutidos em processos específicos, nos quais é facultado ao interessado o exercício do direito de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de alguma das hipóteses excepcionadas pela legislação. Fl. 3247DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.239 19 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Falece competência à autoridade julgadora para apreciação de aspectos relacionados com a inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas tributárias, devendo, no julgamento de primeira instância, serem observadas as normas legais e regulamentares, assim como o entendimento da Receita Federal expresso em atos normativos. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. INTIMAÇÃO E CIÊNCIA. ESCRITÓRIO DO PROCURADOR. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo fiscal, a intimação e a ciência de despachos, termos e decisões obedecem a disposições estabelecidas em normas processuais específicas, devendo, quando por via postal, ser endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Quando da interposição do Recurso, foram repisados praticamente os mesmos argumentos da impugnação que são em síntese: I Preliminar cerceamento de defesa em pedido de apresentação de relatório pericial art. 16, Decreto nº 70.235/76 II Mérito 2.1 Saldo credor. Presunção legal. Omissão de receitas 2.2 Despesas não necessárias ou indedutíveis. Lucro real. Glosa 2.3 Multa de ofício, percentual. Inconstitucionalidade 2.4 AI, nulidade e cerceamento de defesa. Inocorrência III Dos fatos Citação novamente das súmulas CARF nº 67, 25 e 14 3.1 Do direito Cita vasta legislação Fl. 3248DF CARF MF 20 3.2 Nulidade do Auto de Infração 3.3 Do princípio da legalidade 3.4 Do devido processo legal. Indispensabilidade da apresentação de perícia contábil em respeito à ampla defesa e ao contraditório 4 Ônus da prova cabe ao fisco 5 Dos regimes de tributação adotados, fato gerador do IRPJ, da CSL, do PIS e da COFINS. Dos regimes de tributação adotados no anocalendário de 2012. 06 Fato gerador da COFINS e alíquota Do indevido arbitramento por ausência de requisitos 07 Do caráter confiscatório da multa 08 Da ilegalidade do juros selic 09 Do princípio não confiscatório e da capacidade contributiva 10 Da ausência de dolo Esse é o relatório do essencial. Voto Conselheiro Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Como se percebe do relatório supra, a Recorrente não se insurgiu especificamente contra nenhum ponto da decisão da DRJ/CTA, repetindo basicamente os termos da impugnação e contestando apenas o procedimento de fiscalização. Por tal motivo, em alguns trechos deste voto farei referência literal aos fundamentos da decisão recorrida, conforme autoriza o artigo 57, § 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização intimou o contribuinte por diversas vezes a apresentar documentos e esclarecimentos, atendendo aos diversos pedidos de prorrogação de prazo. Contudo a recorrente apenas alega princípios genéricos de direito tributário sem atacar especificamente nenhuma ponto ou apresentar qualquer prova capaz de ilidir a pretensão fiscal. I Preliminar cerceamento de defesa Fl. 3249DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.240 21 Quanto à preliminar arguida sobre a falta de apresentação de relatório pericial, não cabe qualquer razão à recorrida. Isso porque quando da sua impugnação não demonstrou a contribuinte o que se pretende comprovar com a perícia. A Recorrente expõe que postulou pela produção de prova pericial, atendendo aos requisitos legais com a indicação de quesitos e perito. Pleiteia pelo cerceamento de defesa, pois entende que a prova pericial é imprescindível e que sem ela o direito ao contraditório estaria prejudicado. Em relação ao deferimento da perícia, este não se mostra obrigatório em todos os casos que são pleiteados pelos contribuintes. Importante analisar o que a legislação prevê em relação à perícia: Decreto nº 70.235/1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Ora, o próprio texto legal deixa à faculdade da autoridade julgadora a determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerálas prescindíveis. Ademais, não há qualquer documentação hábil a comprovar os fatos por ela alegados, sendo, portanto desnecessária a realização de perícia. Nesse sentido, ao analisar os autos, observase que não há necessidade de realização de perícia, vez que os próprios elementos contidos nos autos são suficientes para o julgamento da lide, portanto, rejeitase a preliminar de nulidade suscitada. II Mérito Quanto ao mérito, a recorrente confunde várias matérias e não rebate diretamente os pontos que são essenciais à decisão. Tratase de presunção legal de omissão de receitas oriunda de saldo credor de caixa. Eis a legislação de regência: RIR/99: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º e Lei n* 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa: II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.(grifei) Fl. 3250DF CARF MF 22 Tratase, por óbvio, de presunção relativa que pode ser desfeita por prova em contrário, mas que a Recorrente não logrou êxito em fazêlo. Por oportuno, cabe observar que o direito pátrio adotou o princípio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, mas também ao réu a comprovação da sua versão no que tange à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. É o que se depreende do transcrito do artigo 16, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. As alegações trazidas pela Recorrente em relação a esses itens são vazias e estéreis e, ao meu ver, foram bem refutadas pelas primeira instância, não trazendo em fase recursal nenhuma tréplica que enfraquecesse os argumentos da DRJ, pelo contrário, a recorrente cingiuse a tecer as mesmas considerações já tecidas na peça impugnatória ignorando o arrazoado da DRJ. Vejase a decisão: Em outras palavras, desde que os documentos e demais fatos e informações coletados na auditoriafiscal sejam suficientes e indispensáveis para comprovação do ilícito, não é necessário instruir o processo com todos os documentos (apenas todos os indispensáveis). Por outro lado, a autuada pode se contrapor aos lançamentos, desde que o faça dentro dos prazos e regras do processo administrativo fiscal. Caberia à Interessada a apresentação de prova em contrário, o que não aconteceu até o presente momento, em que pesem as muitas oportunidades que teve. Dessa forma, confirmase que as autuações se encontram revestidas de suas formalidades essenciais e em estrita observância aos ditames legais, e, como já se disse, falece competência à autoridade julgadora para apreciação de aspectos relacionados com a inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas tributárias. DA INFRAÇÃO REFERENTE ÀS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS / INDEDUTÍVEIS A autuação com base na glosa de despesas não necessárias/indedutíveis baseouse na escrituração contábil da DIALLI, extraída do Sistema Público de Escrituração Digital SPED, e nos demais documentos obtidos. As irregularidades foram observadas na Conta 94100330000000006 SERVIÇOS TERCEIROS PJ e se referem aos pagamentos efetuados para as empresas FAVORETO & SAMPAIO LTDA, FORÇA LOGÍSTICA COMERCIAL LTDA e FLEX LOGÍSTICA COMERCIAL Fl. 3251DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.241 23 LTDA, contabilizados como despesas administrativas e deduzidos do lucro bruto da empresa. Para que a despesa seja dedutível na apuração do lucro real e do lucro líquido, é necessário que haja elementos convincentes da efetividade da operação, especialmente no caso da prestação de serviços. É essencial informar a natureza dos mesmos e a sua relação com as operações exigidas pelas atividades da empresa, com elementos incontestáveis de que o serviço foi realmente prestado. Merece registro o fato de que os valores pagos nestas prestações de serviço são relevantes. Conforme Anexo I do Termo de Intimação entregue em 05/02/2015 (fls. 2390/2392), os valores pagos pela DIALLI às três empresas mencionadas somam mais de R$ 3,8 milhões em 2012. Os contratos particulares de prestação de serviço e as notas fiscais apresentadas pela Interessada não são suficientes, por si sós, para comprovar a necessidade e a essencialidade dos serviços. Ademais, as três empresas prestadoras de serviços em tela (administradas por parentes próximos do sócio administrador da DIALLI ou por pessoas a ele ligadas), mesmo intimadas e reintimadas, não apresentaram a descrição pormenorizada dos serviços prestados à DIALLI no ano de 2012 nem informaram os nomes dos profissionais/funcionários que os executaram. O que se observa, mais uma vez, é que a DIALLI, ao apresentar alegações a respeito da improcedência das autuações, não fornece prova da alegada inconsistência dos valores lançados com base na glosa de despesas não necessárias ou indedutíveis, a despeito das prorrogações concedidas, das oportunidades de defesa que teve e do prazo de 1 (um) ano entre o recebimento da intimação referente às despesas em questão e a ciência dos autos de infração. Portanto, mostrase correta a autuação com base na infração apurada a partir da glosa de despesas contabilizadas na Conta 94100330000000006 SERVIÇOS TERCEIROS PJ, que foram acrescentadas à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Das demais alegações Com relação às demais alegações da peça recursal, elas não guardam relação com a defesa e repetem a impugnação. Da SELIC Quanto à incidência de juros selic sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, a matéria já se encontra sumulada nesse Conselho conforme exposto abaixo: JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SUMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 3252DF CARF MF 24 Conclusão Pelo acima exposto conduzo meu voto no sentido de julgar improcedente tanto a preliminar quanto recurso voluntário. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 3253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.922999/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.400
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as provas disponibilizadas pela recorrente ou requerendo outras que entender pertinentes, e verifique a certeza e liquidez do crédito.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/FOR, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte buscou via PER/DCOMP a compensação de débito de PIS/Pasep (cód. 8109) do período de apuração 02/2012 no valor de R$ 607,49 com crédito de COFINS por recolhimento a maior que o devido, via DARF, do período de apuração 31/01/2012, arrecadado na data de 24/02/2012. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 22 99 9/ 20 12 -3 3 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10680.922999/201233 Resolução nº 3401001.400 S3C4T1 Fl. 3 2 Do Despacho Decisório A DRF de Belo Horizonte em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 05/12/2012, pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito de COFINS da competência 01/2012. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, justificando o ocorrido da seguinte forma: a) que efetuou o recolhimento via DARF da COFINS de 01/2012 no valor de R$ 61.201,30 na data de 24/02/2012, quando o correto seria R$ 59.619,54; b) que a diferença no valor de R$ 1.581,76 pelo pagamento a maior que o devido foi objeto de regular pedido de compensação, PER/DCOMP 06878.68333.210312.1.3.040706 e PER/DCOMP 07224.62880.210312.1.3.040516; c) constatou ausência de DCTF retificadora, mas que tão logo tomado conhecimento desse fato providenciou o envio dessa declaração na data de 28/12/2012, informando os dados corretos e juntando cópia nos autos; d) tendo em vista às correções adotas, requer a acolhida da presente manifestação; Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/BHE, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sintetizando entendimento de que não se admite compensação com crédito que não se comprova existência. A apresentação de DCTF retificadora após ciência do despacho decisório não produz efeitos para reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, repisando os argumentos da manifestação de inconformidade e juntando, além de todos os documentos anteriormente citados, a DACON retificadora. Diante da evidência de inexistência de débitos para o CNPJ da recorrente, espera acolhimento de seu recurso voluntário. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A questão que se discute nestes autos apresentase da seguinte forma: (i) Houve a declaração de compensação de tributo federal via PER/COMP cujo crédito pleiteado, pelo Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10680.922999/201233 Resolução nº 3401001.400 S3C4T1 Fl. 4 3 pagamento indevido ou a maior via DARF, não foi reconhecido por ter sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte; (ii) Cientificado dessa situação, a interessada procedeu a análise dos fatos e constatou que havia erro na DCTF ativa para o período e tratou de imediatamente corrigila, com o envio de DCTF retificadora indicando o valor correto da COFINS para o mês de janeiro/2012, resultando numa diferença a seu favor, que confere com o valor do crédito utilizado na compensação praticada; (iii) A decisão de piso traz em seu voto condutor, como premissa para o não reconhecimento do direito creditório, a perda da espontaneidade do sujeito passivo quanto a correção pretendida do débito declarado através de DCTF retificadora após ser cientificado do despacho decisório. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. Esse fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10680.922999/201233 Resolução nº 3401001.400 S3C4T1 Fl. 5 4 inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo, por exemplo, os livros contábeis e fiscais, DIPJ e DACON, que de acordo com as razões recursais foram parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Merece aqui ser reproduzido, por oportuno, parte com destaque dos fundamentos do acórdão nº 9303005.095, de 16/05/2017, proferido em Recurso Especial pela 3ª Turma da CSRF: A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10680.922999/201233 Resolução nº 3401001.400 S3C4T1 Fl. 6 5 Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. A DCTF retificadora nada mais representa, conforme argumentado nos autos, do que o repasse ao fisco dos corretos valores devidos de COFINS do período antes mencionado. Caso a unidade julgadora de primeiro grau tivesse remetido os autos a unidade de origem para que promovesse a análise da DCTF retificadora, talvez o deslinde do litígio tivesse outro rumo. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: Confirmar se os valores dos débitos de COFINS constantes da DCTF Retificadora referente à Janeiro/2012, entregue em 28/12/2012, recibo número 03.08.87.31.44 24 correspondem aos efetivos valores de COFINS devidos nesta competência. Confrontar os débitos de COFINS confirmados no item 1 com os pagamentos efetuados em DARF na competência Janeiro/2012 referente a COFINS. Após o confronto do item 2, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP nº 07224.62880.210312.1.3.040516. Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. Por fim, dêse ciência do relatório a recorrente concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse. Retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.002156/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ALEGAÇÃO.
A legislação que rege o processo administrativo fiscal exige que impugnação seja instruída com os documentos em que se fundamentar, rejeitando-se a alegação não comprovada.
Numero da decisão: 2402-006.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmetne)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmetne) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
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IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fáticojurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ALEGAÇÃO. A legislação que rege o processo administrativo fiscal exige que impugnação seja instruída com os documentos em que se fundamentar, rejeitandose a alegação não comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 21 56 /2 00 9- 32 Fl. 279DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmetne) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10670.002156/200932 Acórdão n.º 2402006.283 S2C4T2 Fl. 280 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, de fls. 266/272, voltado contra Acórdão da 6ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, de fls. 254/258, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendo, in totum, o crédito tributário exigido no DEBCAD 37.228.4752. Está assim lançado o relatório da r. decisão em testilha: "Conforme Relatório Fiscal (fls. 74/78), tratase de crédito no valor R$ 1.497.562,12 (um milhão, quatrocentos e noventa e sete mil, quinhentos e sessenta e dois reais e doze centavos) relativo a contribuições sociais previdenciárias, parte dos segurados, incidentes sobre remunerações a servidores, subsídios e diárias a prefeito e viceprefeito, remunerações a contribuintes individuais, inclusive transportadores autônomos. Notificado da autuação em 18/11/2009, o município autuado apresentou impugnação em 18/12/2009, alegando, em resumo, nulidade da autuação: por ausência de descrição do fato e da fundamentação legal que originou o valor lançado; bem como inexistência de qualquer irregularidade, tendo em vista que o Município impugnante procedeu ao respectivo desconto da contribuição devida incidente sobre a remuneração de seus servidores, subsídios e diárias do prefeito e videprefeito, atendendo a legislação em vigor." No apelo, aponta que a gestão do exprefeito foi feita de modo totalmente improbo, não podendo o município arcar com tais obrigações. Desse modo, e com arrimo no art. 137, incs. I e II do Código Tributário Nacional, aponta no sentido de que há a necessidade de confirmação da responsabilidade do exdirigente da prefeitura." Afia, às fls. 270: "Em análise ao disposto, numa interpretação literal dos enunciados, fica a ponderação de que o agente é excluído da responsabilidade pessoal, somente e só, quando em exercício regular da administração. Ora, impróprio e até mesmo imoral seria admitir que um atuante de governo, ao agir de modo negligente, quando sabia estar agindo; uma vez que não pode arguir o contrário, pois os atos são dirimidos por lei, estaria atuando em exercício regular!" Assim, requer a declaração de responsabilidade do Sr. João Ferreira Lima para responder pelo pagamento do crédito ora perseguido. No mérito, alega que teria procedido aos devidos descontos questionados no Relatório Fiscal e reitera o que alegado em sua Impugnação (fls. 238/244), no sentido de que houve total respeito ao que posto na legislação em vigor Fl. 281DF CARF MF 4 Requer, portanto, que seja acolhida a preliminar de ilegitimidade ou, alternativamente, que seja tornado insubsistente o presente auto, eis que totalmente improcedente o débito reclamado. É o relatório. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10670.002156/200932 Acórdão n.º 2402006.283 S2C4T2 Fl. 281 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Quando da análise de admissibilidade do Recurso Voluntário verificamos estarem presentes os pressupostos os intrínsecos (legitimidade, cabimento, interesse e inexistência de fato impeditivo ou extintivo), entretanto, quantos aos elementos extrínsecos restam atendidos apenas parcialmente, eis que, apesar da regularidade formal, verificamos a articulação de novas razões preliminares, erigidas apenas em sede recursal, portanto, em momento onde a preclusão já havia se operado. Assim, antes de adentrar nas questões intrínsecas da lide será necessário delimitar seu âmbito de conhecimento, uma vez que, conforme se demonstrará a seguir, parte dos fundamentos erigidos pelo Recorrente só foram desenvolvidos em âmbito recursal. Ao proceder à uma comparação entre a peça impugnatória e a peça recursal é possível concluir que o recorrente inova em suas fundamentos preliminares. Na impugnação verificamos que o Recorrente apresenta como preliminar a "Nulidade do Auto de Infração alegando em essência que na "descrição do Auto de Infração n°. 37.228.4752 a ausência da descrição do fato e da fundamentação legal que originou o exorbitante valor da multa imposta, não sendo possível ao ora autuado a elaboração de sua defesa técnica." (sic).(fls. 240) A peça Recursal por seu turno apresenta como preliminar a "Responsabilidade pessoal do exchefe do executivo" alegando que "Ante a narrativa dos fatos e em vista ao período de apuração das supostas infrações, resta notório que a data consta de negligências remanescentes à outra gestão administrativa, no qual tinha por seu chefe do executivo o Sr. João Ferreira Lima, uma vez que seu mandato iniciou em janeiro de 2005." e que "resta indubitável que o exprefeito, admitiu para si, ora, a responsabilidade pessoal da infração imputada ao Município, agindo de maneira ímproba" (fls. 268/270) Como tais fundamentos não têm natureza jurídica afeta a ordem pública [não sujeitas a preclusão e passíveis de cognição oficiosa por esta instância julgadora ordinária] e não decorrem de pontos trazidos pela Decisão objurgada, não há razão para o seu conhecimento. Os Recursos, regra geral, devolvem ao órgão ad quem o conhecimento daquilo que tenha sido expressamente impugnado no órgão a quo dado o seu efeito tantum devolutum quantum appellatumm, estando o conhecimento de seus termos, salvo pelas matérias de ordem publica ou alegadas em decorrência direta da própria decisão, limitados aquilo que expressamente constou da impugnação. Fl. 283DF CARF MF 6 Tal entendimento, no âmbito do PAT, tem assento normativo no que prevê o art. 161, inciso III do Decreto nº 70.235/71 que impõem ao contribuinte o ônus de, em sua impugnação, trazer todos os fundamentos relevantes para o julgamento da lide administrativa. Desse modo, não tendo sido aventada tal matéria em sede de impugnação e não se tratando de questão de ordem pública ou decorrência lógica das articulações da própria decisão recorrida, restaria precluso tal direito sendo vedado seu conhecimento por este colegiado, sob pena de haver a inoportuna supressão de instância conforme se extrai do Art. 172 do mesmo Decreto sobredito. Ante ao exposto votamos por não conhecer das preliminares erigidas de modo inovador por ocasião do Recurso. 2. MÉRITO. Tratase de Recurso Voluntário lançado contra a constituição de crédito no valor de R$ 1.497.562,12 (hum milhão, quatrocentos e noventa e sete mil, quinhentos e sessenta e dois reais e doze centavos) relativo a contribuições sociais previdenciárias, parte dos segurados, remunerações a contribuintes individuais, inclusive a transportadores autônomos no período de 01/01/2005 a 31/12/2006. No mérito, a Recorrente se limita a fazer referência aos argumentos da impugnação sem articular as razões recursais propriamente ditas e naquilo que esboçou o fez de modo extremamente superficial. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 2 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10670.002156/200932 Acórdão n.º 2402006.283 S2C4T2 Fl. 282 7 Não há questões de direito a desafiar aquilo que foi posto por ordem do Acórdão recorrido e, nas questões de fato, limitase a negar a ocorrência das situações geradoras das obrigações tributárias objeto de lançamento sem apresentar qualquer elemento probatório ou articulação lógica capaz de abalar, ainda que de modo ínfimo, aquilo que consta dos autos de infração. Como bem asseverou o Relator da Decisão objurgada: O Relatório Fiscal de fls. 74/78 descreve de forma clara e precisa os fatos geradores das contribuições sociais previdenciárias dos segurados lançadas nestes autos, que incidiram, em síntese, sobre remunerações a servidores segurados empregados, subsídios e diárias a prefeito e vice prefeito e remunerações a contribuintes individuais, inclusive transportadores autônomos. Os mencionados pagamentos são fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias nos termos da legislação minuciosamente descrita nos autos, no anexo "Fundamentos Legais do Débito" (fls. 30/31) e no já citado Relatório Fiscal de fls. 74/78. Quanto ao argumento inexistência da irregularidade apontada pela fiscalização, o sujeito passivo não trouxe aos autos documentos capazes fazer prova de sua alegação. Isto posto e considerando que, nos termos do art. 15 do Decreto 70.235/72, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, o argumento da defendente não pode ser acolhido. O lançamento e decisão recorrida, por sua vez, estão lastrados em fundamentos adequados e provas da materialidade dos fatos geradores das obrigações previdenciárias minuciosamente identificadas e regularmente quantificadas. Logo, não há como acolher os inconformismos da Recorrente. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.911771/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato.
Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabe a devolução do saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabe a devolução do saldo negativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabe a devolução do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 17 71 /2 00 9- 16 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10983.911771/200916 Acórdão n.º 1301003.058 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase do Recurso Voluntário contra o Acórdão da 3ª Turma da DRJ/Florianópolis que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente ao deixar de homologar a compensação tributária informada na DCOMP objeto dos autos. Primeiro, o Despacho Decisório da unidade local da RFB denegou o direito creditório pleiteado pela contribuinte com fundamento no art. 10 da IN SRF 600, de 2005. Vale dizer, o direito creditório utilizado no PER/DCOMP não foi reconhecido, por se tratar de mera antecipação de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, caso em que o recolhimento a maior ou indevido somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devidos no final do anocalendário ou para compor respectivo saldo negativo. Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, aduzindo, em síntese, nas suas razões: que tem direito à restituição e compensação imediata do pagamento indevido da estimativa mensal, à luz da legislação de regência; que o pagamento a maior ou indevido do IRPJ ou CSLL decorreu de erro de fato na base de cálculo, pela inclusão indevida na receita bruta de valores da: a) Conta Consumo de Combustível — CCC; e, b) Conta de Desenvolvimento Energético — CDE; que a Conta Consumo de Combustível — CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético — CDE têm como objetivo subsidiar a energia elétrica gerada nas usinas termoelétricas, de forma que a tarifa da energia elétrica fosse equalizada com a dos consumidores servidos por geração hidráulica, sobretudo nos instantes de baixa "hidraulicidade" dos sistemas interligados (em que a energia produzida pelas hidroelétricas estavam com capacidade baixa); que a inclusão de valores dessas Contas pela Agência Nacional de Energia Elétrica — ANEEL no cálculo da conta dos consumidores situados nas regiões Sul, Sudeste, CentroOeste e Nordeste , mediante incremento nas tarifas das concessionárias distribuidoras, e repassados à Eletrobrás que administra esses recursos , não configura receita da impugnante; que muito embora a cobrança da Conta Consumo de Combustível — CCC e da Conta de Desenvolvimento Energético — CDE possam, em tese, caracterizar como receitas das empresas distribuidoras de energia, de forma peculiar, para impugnante, que é Geradora de Energia Elétrica interligada ao sistema, tais rubricas não são receitas. Isto porque a geradora está impossibilitada de auferir qualquer recurso dessas fontes como "receita" própria ou como "faturamento", conforme as prescrições da ANEEL. Ou seja, por meio da Nota Técnica n° 116, de 24 de março de 2006, e Despacho n° 657/2006, a ANEEL Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10983.911771/200916 Acórdão n.º 1301003.058 S1C3T1 Fl. 4 3 orientou as alterações introduzidas no Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, para equacionar a distorção decorrente da inadequada contabilização dos valores da CCC/CDE como "Receitas de Subvenção" pelas concessionárias geradoras como a impugnante; que a ANEEL esclareceu que os valores, outrora contabilizados como "Receitas de Subvenção CCC/CDE", deveriam ser contabilizados como "Recuperação de Custos", em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos, pois jamais integraram a receita de concessionárias geradoras, como a impugnante; que os valores da Conta Consumo de Combustível — CCC e da Conta de Desenvolvimento Energético — CDE não representam propriedade e, conseqüentemente, incremento patrimonial da impugnante, já que somente são repassados para que se propicie o pleno funcionamento do Sistema Elétrico Nacional, tendo, inclusive, a sua aplicação passível de auditoria pelo Tribunal de Contas da União. Por último, a DRJ, assim como ocorrera no Despacho Decisório da unidade de origem da RFB, também denegou o direito creditório pelo mesmo fundamento declinado no referido Despacho Decisório, ou seja, que o valor pago indevidamente ou a maior de IRPJ ou de CSLL, a título de estimativa mensal, no âmbito do regime de tributação pelo lucro real anual, não pode ser objeto de compensação, pois esse valor só pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido, ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que efetuou o pagamento a maior ou indevido do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e da contribuição social sobre o lucro líquido a título de estimativa mensal, por erro de fato; que efetuou imediata compensação tributária, utilizando como crédito os valores pagos indevidamente do imposto e contribuição federais através de declaração de compensação, via sistema PER/DCOMP; que, tanto o Despacho Decisório da unidade de origem da RFB, quanto o Acórdão recorrido, com mesmo fundamento, denegaram o crédito pleiteado, conforme já mencionado anteriormente; que o pagamento indevido é feito à margem da lei e, portanto, não se subsume a qualquer regime de repetição que não aquele previsto no art. 165, do CTN, ou seja, o direito a repetição surge de forma imediata; que o pagamento por regime de estimativa é previsto em lei, na forma dos §§ 2° e 3°, da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e, deste modo, qualquer pagamento a maior do que o fixado no dispositivo legal é considerado indevido, e não adiantamento; que o disposto no art. 10 da Instrução Normativa n.° 600, de 2005, na parte atinente ao pagamento a maior, tão somente objetiva protelar o pagamento dos juros devidos a partir da ocorrência do pagamento indevido, e, assim prevendo, colide com o disposto no §4°, do art. 39, da Lei nº 9.250/95, de modo a tornálo inaplicável, pois cediça a regra de que o Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10983.911771/200916 Acórdão n.º 1301003.058 S1C3T1 Fl. 5 4 conteúdo e o alcance dos decretos restringese aos das leis em função das quais sejam expedidos (CTN, art. 99), ou seja, para fiel cumprimento da lei (CF, art. 84, IV); que citou precedente do CARF pelo afastamento, inaplicabilidade, do art. 10 da Instrução Normativa n° 460/04, reiterado na IN nº 600/05, que vedava a compensação de pagamento à maior das estimativas mensais do IRPJ ou da CSL, antes de findo o período de apuração; que o direito a repetição do pagamento indevido ou a maior de tributo surge no momento de sua efetivação à margem da lei, e evidente, pois, a possibilidade de compensação imediata do pagamento indevido da estimativa mensal. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.049, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.911762/2009 17, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.049): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade; por isso, dele conheço. A recorrente rebelase contra a decisão recorrida que denegou o direito creditório pleiteado e não homologou a DCOMP objeto dos autos. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo diretamente à análise do mérito. Direito de repetição do indébito tributário ou de compensálo com outro débito vencido ou vincendo. O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10983.911771/200916 Acórdão n.º 1301003.058 S1C3T1 Fl. 6 5 Nacional, ou seja, encontro de contas informado na declaração de compensação informada. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal (processo de compensação tributária), compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional, utilizado para encontro de contas com débito próprio vencido ou vincendo objeto da DCOMP, para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. O momento da apresentação das provas, sua produção, está previsto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois ainda dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não, no prazo legal de até cinco anos. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação. No caso, a recorrente alegou nos autos: que efetuara pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal do IRPJ ou CSLL por erro de fato na base de cálculo, pela inclusão indevida na receita bruta de valores relativos a Conta Consumo de Combustível — CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético — CDE; que valores cobrados dos clientes consumidores a título dessas rubricas não seriam receitas, mais sim mera "Recuperação de Custos", conta retificadora dos custos; que, nesse sentido, invocou esclarecimento da ANEEL, conforme atos normativos citados no relatório, que os valores outrora contabilizados como "Receitas de Subvenção para Custeio CCC/CDE", devem ser contabilizados como "Recuperação de Custos", em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos, pois valores repassados a título dessas rubricas não seriam receitas. Ocorre que a questão do erro de fato alegado, se existente ou não, na apuração da base de cálculo do IRPJ ou da CSLL, por conta dos registros contábeis dos valores repassados à recorrente nas rubricas Conta Consumo de Combustível — CCC e Conta de Desenvolvimento Energético — CDE remete a outra questão não resolvida nos autos, ou seja: os valores auferidos a título das referidas rubricas são tributáveis ou não? Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10983.911771/200916 Acórdão n.º 1301003.058 S1C3T1 Fl. 7 6 A contribuinte alega, invocando a ANEEL, que seriam meros repasses a título de "Recuperação de Custos" para registro em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos. Esses pontos controvertidos, portanto, não foram enfrentados, no mérito, pela decisões anteriores nestes autos, pois se limitaram a denegar o direito creditório com base no óbice do art. 10 da IN SRF 460/04, reiterado pela IN SRF nº 460/05. Ocorre que o óbice do art. 10 da Instrução Normativa n° 460/04, reiterado na IN nº 600/05, ficou superado a partir da edição da IN SRF 900/2008 que suprimiu a vedação do da repetição imediata, aproveitamento ou utilização em compensação tributária de pagamento a maior ou indevido de estimativas mensais do IRPJ ou da CSLL antes de findo o período de apuração, desde que reste comprovado, de forma cabal, o erro de fato na apuração da base de cálculo ou pagamento totalmente desvinculado da base de cálculo que deu origem ao crédito pleiteado. No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 84, cujo verbete transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, a comprovação do erro de fato é condição sine qua non para configuração do pagamento indevido das estimativas mensais e repetição imediata. Caso contrário, tratase mero antecipação de pagamento do IRPJ e da CSLL na forma da legislação de regência, podendo somente ser utilizada na declaração de ajuste anual, para dedução do débito apurado ou para formação do saldo negativo. No caso, não há como prosseguir na análise de mérito nesta instância de julgamento para evitar prejuízo à defesa, ou seja evitar supressão de instância de julgamento, pois as questões do alegado erro de fato e da natureza das receitas, valores repassados à recorrente nas rubricas Conta Consumo de Combustível — CCC e Conta de Desenvolvimento Energético — CDE não foram enfrentadas, no mérito, pelas decisões anteriores nestes autos. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84; e, b) para evitar prejuízo à defesa, ou seja, supressão de instância de julgamento, devolver os autos à unidade de origem da RFB, no caso, a DRF/Florianópolis para que proceda análise Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10983.911771/200916 Acórdão n.º 1301003.058 S1C3T1 Fl. 8 7 de mérito do direito creditório pleiteado pela contribuinte, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.907217/2008-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF.
À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide.
Numero da decisão: 3802-003.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1523; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 80 1 79 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.907217/200865 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.425 – 2ª Turma Especial Sessão de 20 de agosto de 2014 Matéria DCOMP ELETRÔNICO CSRF Recorrente ITAÚ SEGUROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 72 17 /2 00 8- 65 Fl. 80DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I – SP (fls. 28/31), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 11/02/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa haja vista que o despacho decisório consigna de forma clara e concisa o motivo da não homologação da compensação. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.PAGAMENTO UTILIZADO PARA QUITAR DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Considerase confissão de dívida o débito declarado em DCTF, descabendo à autoridade administrativa a sua retificação de ofício mormente se o contribuinte não comprova a existência do erro material alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 23/11/2012, o Recorrente foi cientificada da decisão (ciência eletrônica fl. 35). Nas razões apresentadas em seu recurso voluntário protocolado em 21/12/2012 (fls. 37/42), alega ter recolhido indevidamente valores referente a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), nos pagamentos efetuados a outras pessoas jurídicas prestadoras de serviços, argumentando que, na época, existiam algumas situações em que dos prestadores de serviços eram dispensados ou não exigida a referida retenção. Pelo que se vê, o recorrente supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 13/18 (PER/DCOMP nº 36490.49912.170105.1.7.04 5628), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de RETENÇÃO de CONTRIBUIÇÕES PAGAMENTO DE PJ a PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS CSRF (cód. receita 5952), relativo ao período de apuração encerrado em 07/02/2004. É o que basta, no presente momento, para a análise restrita a ser feita por este colegiado. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 16327.907217/200865 Acórdão n.º 3802003.425 S3TE02 Fl. 81 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Conforme relatado, constatase que o processo em epígrafe diz respeito a pedido de compensação cujo crédito em que se alicerça a interessada é relativo a alegado recolhimento a maior de RETENÇÃO de CONTRIBUIÇÕES sobre PAGAMENTO DE PJ a PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS, denominada CSRF (cód. receita 5952), relativo ao período de apuração encerrado em 07/02/2004. De acordo com o artigo 7°, § 1º e § 3º, Inciso I, combinado com o art. 2º, inciso II e VII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009) – RICARF, temos que: Art. 7º... § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção” (grifei). § 3º Na hipótese do § 1º, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ). I Da Primeira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ). No caso presente, o assunto em debate se enquadra na hipótese de que trata o inciso II e VII do artigo 2o do Anexo II do RICARF: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I – ...; II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Esta Terceira Seção do CARF, portanto, não pode se manifestar sobre o mérito do litígio, uma vez que a competência para o seu exame é da Primeira Seção deste Conselho, como demonstrado. Da Conclusão Fl. 82DF CARF MF 4 Por todo o exposto, e considerando a falta de competência material desta Terceira Seção do CARF para o exame da contenda, voto para não conhecer do recurso voluntário interposto pela interessada, devendo os autos ser encaminhados à Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. Sala de Sessões, em 20/08/2014. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003206/2003-23
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
SIMPLES FEDERAL. ASSISTÊNCIA TÉCNICA.
A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula CARF nº 57).
SIMPLES FEDERAL. PROCESSAMENTO DE DADOS.
A prestação de serviços de processamento de dados, não se equipara a serviços profissionais prestados por programadores ou analistas de sistemas e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
Numero da decisão: 1003-000.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 SIMPLES FEDERAL. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula CARF nº 57). SIMPLES FEDERAL. PROCESSAMENTO DE DADOS. A prestação de serviços de processamento de dados, não se equipara a serviços profissionais prestados por programadores ou analistas de sistemas e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
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ASSISTÊNCIA TÉCNICA. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula CARF nº 57). SIMPLES FEDERAL. PROCESSAMENTO DE DADOS. A prestação de serviços de processamento de dados, não se equipara a serviços profissionais prestados por programadores ou analistas de sistemas e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 32 06 /2 00 3- 23 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10830.003206/200323 Acórdão n.º 1003000.033 S1C0T3 Fl. 205 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade (consignando "solicitação indeferida") apresentada contra o Despacho Decisório (folha 31, numeração em papel) que indeferiu o pedido de inclusão no Simples Federal com data retroativa a 01/01/1999, bem como determinou a emissão do Ato Declaratório Executivo nº 029, de 13 de dezembro de 2007 (folha 32), que excluiu a empresa do Simples Federal a partir de 01 de janeiro de 2006, em razão de ter restado evidenciado, por constar do ato constitutivo à folha 02, o exercício de atividade econômica impeditiva, "prestação de serviços de assistência técnica, manutenção e reparação industrial", por caracterizar atividade profissional de engenheiro ou assemelhados, conforme previsto no art. 9º, inciso XIII da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. O acórdão de primeira instância (folhas 159/160) afastou o exercício das atividades constantes do ato constitutivo, em razão do teor dos documentos trazidos aos autos pela impugnante, mas concluiu que as atividades que a contribuinte demonstrou exercer, "processamento de dados, gestão e operação de equipamentos de processamento de dados pertencentes a terceiros e serviços de CPD", corresponderiam a prestação de serviços profissionais de programador, analista de sistema ou assemelhados, o que recairia nas mesmas vedações à opção pelo Simples Federal constantes do art. 9º, inciso XIII da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. A recorrente alega, em síntese: I Que é firma individual, baseandose em conhecimentos técnicos adquiridos com a prática e no convívio com pessoas atuantes na mesma área, pois o titular não possui curso universitário a nivel superior, não correspondendo, portanto, os serviços prestados a serviços profissionais que necessitem de habilitação regida por lei; II Que a prestação de serviços consiste em processamento de dados, não havendo desenvolvimento de programas ou sistemas, nem comercialização dos mesmos. A contribuinte explica pormenorizadamente a diferença entre as atividades de processamento de dados, análise de sistemas e programação e demonstra, anexando trechos de manuais do Simples Federal e jurisprudência administrativa, que a atividade de processamento de dados não é impeditiva da opção pelo regime. É o relatório. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10830.003206/200323 Acórdão n.º 1003000.033 S1C0T3 Fl. 206 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. De início, é fundamental registrar que a razão para negativa de inclusão e para exclusão do Simples Federal constante do Despacho Decisório que originou a lide, exercício de atividade econômica supostamente impeditiva, "prestação de serviços de assistência técnica, manutenção e reparação industrial", é invalidada pela Súmula CARF nº 57, a seguir: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Observase, ainda, que o acórdão de primeira instância inovou na fundamentação da negativa de inclusão e da exclusão, ao afastar o exercício, pela interessada, das atividades que fundamentaram, equivocadamente, os referidos Despacho Decisório e Ato Declaratório Executivo, e atribuirlhe o exercício das atividades de "processamento de dados, gestão e operação de equipamentos de processamento de dados pertencentes a terceiros e serviços de CPD", que ensejariam a negativa de inclusão e a exclusão. Tal inovação de fundamento poderia ensejar a nulidade do acórdão, por supressão de instância e, conseqüentemente, preterimento do direito de defesa, conforme art. 59 do PAF. No entanto, a nova razão para negativa de inclusão e para exclusão do Simples Federal também se mostrou equivocada no mérito, já que, conforme bem argumentou a contribuinte, processamento de dados não se assemelha a programação, nem a análise de sistemas, não sendo atividade vedativa ao ingresso no Simples Federal. Desta forma, tendo em vista que, ao longo deste longevo processo, não foi levantada nenhuma hipótese legal ou regulamentarmente válida para indeferir a inclusão e para excluir a contribuinte do Simples Federal, entendo que deve ser reconhecido o direito da recorrente de optar, no período em questão, pelo referido regime tributário. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723239/2013-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS. RETROATIVIDADE. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL.
Ainda que existente Livro-Caixa ou conta correspondente em Livro-Razão, a verificação da ausência de registro de movimentações bancarias do contribuinte se amolda à previsão objetiva do inciso VIII do art. 29 da Lei Complementar 123/2006, dando margem à exclusão de ofício do SIMPLES Nacional. Os efeitos temporais da exclusão em tal hipótese se operam na forma como prevista no §1º do art. 29 da Lei Complementar 123/2006.
LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REVOGAÇÃO TÁCITA DO ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. INOCORRÊNCIA.
É improcedente a alegação de que, a partir da vigência da Lei Complementar nº 105/2001, caberia ao Fisco o ônus da prova da origem dos depósitos bancários, pois estaria revogado tacitamente o art. 42 da Lei nº 9.430/96.
A norma veiculada no §4º do art. 5º da referida Lei Complementar versa especificamente sobre prerrogativas das Autoridades Fiscais diante de questões de sigilo bancário, não estando a validade e a vigência da presunção de omissão de receitas condicionadas aos meios e à autonomia do poder de fiscalização do Fisco.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO VÁLIDA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA.
A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados.
Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil, com teor diretamente relacionado aos créditos constituídos.
Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NÃO DECLARADA E REGISTRADA. REGRA DO ART. 530 RIR/99. LEGALIDADE.
O arbitramento não é espécie de sanção fiscal e tampouco uma prerrogativa ou uma faculdade do contribuinte quando autuado. Trata-se de modalidade de apuração do lucro tributável, aplicável quando verificadas concretamente as suas hipóteses legais de adoção.
Quando constatado pela Fiscalização que o contribuinte não procedeu a nenhum registro de movimentação financeira/bancária no período da infração, é cabível o arbitramento, nos termos da alínea "a" do inciso II do art. 530 do RIR/99.
DIREITO ADQUIRIDO E NÃO CONFISCO. ART. 29 LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. ABUSO E CONFISCATORIEDADE DA MULTA DE OFÍCIO. ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.
É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA.
Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora, calculados sob a Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional.
Numero da decisão: 1402-003.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer das matérias de cunho constitucional, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que a conhecia e, na matéria conhecida, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS. RETROATIVIDADE. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. Ainda que existente Livro-Caixa ou conta correspondente em Livro-Razão, a verificação da ausência de registro de movimentações bancarias do contribuinte se amolda à previsão objetiva do inciso VIII do art. 29 da Lei Complementar 123/2006, dando margem à exclusão de ofício do SIMPLES Nacional. Os efeitos temporais da exclusão em tal hipótese se operam na forma como prevista no §1º do art. 29 da Lei Complementar 123/2006. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REVOGAÇÃO TÁCITA DO ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. INOCORRÊNCIA. É improcedente a alegação de que, a partir da vigência da Lei Complementar nº 105/2001, caberia ao Fisco o ônus da prova da origem dos depósitos bancários, pois estaria revogado tacitamente o art. 42 da Lei nº 9.430/96. A norma veiculada no §4º do art. 5º da referida Lei Complementar versa especificamente sobre prerrogativas das Autoridades Fiscais diante de questões de sigilo bancário, não estando a validade e a vigência da presunção de omissão de receitas condicionadas aos meios e à autonomia do poder de fiscalização do Fisco. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO VÁLIDA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados. Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil, com teor diretamente relacionado aos créditos constituídos. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NÃO DECLARADA E REGISTRADA. REGRA DO ART. 530 RIR/99. LEGALIDADE. O arbitramento não é espécie de sanção fiscal e tampouco uma prerrogativa ou uma faculdade do contribuinte quando autuado. Trata-se de modalidade de apuração do lucro tributável, aplicável quando verificadas concretamente as suas hipóteses legais de adoção. Quando constatado pela Fiscalização que o contribuinte não procedeu a nenhum registro de movimentação financeira/bancária no período da infração, é cabível o arbitramento, nos termos da alínea "a" do inciso II do art. 530 do RIR/99. DIREITO ADQUIRIDO E NÃO CONFISCO. ART. 29 LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. ABUSO E CONFISCATORIEDADE DA MULTA DE OFÍCIO. ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora, calculados sob a Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer das matérias de cunho constitucional, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que a conhecia e, na matéria conhecida, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
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FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS. RETROATIVIDADE. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. Ainda que existente LivroCaixa ou conta correspondente em LivroRazão, a verificação da ausência de registro de movimentações bancarias do contribuinte se amolda à previsão objetiva do inciso VIII do art. 29 da Lei Complementar 123/2006, dando margem à exclusão de ofício do SIMPLES Nacional. Os efeitos temporais da exclusão em tal hipótese se operam na forma como prevista no §1º do art. 29 da Lei Complementar 123/2006. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REVOGAÇÃO TÁCITA DO ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. INOCORRÊNCIA. É improcedente a alegação de que, a partir da vigência da Lei Complementar nº 105/2001, caberia ao Fisco o ônus da prova da origem dos depósitos bancários, pois estaria revogado tacitamente o art. 42 da Lei nº 9.430/96. A norma veiculada no §4º do art. 5º da referida Lei Complementar versa especificamente sobre prerrogativas das Autoridades Fiscais diante de questões de sigilo bancário, não estando a validade e a vigência da presunção de omissão de receitas condicionadas aos meios e à autonomia do poder de fiscalização do Fisco. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO VÁLIDA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 32 39 /2 01 3- 91 Fl. 655DF CARF MF 2 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados. Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil, com teor diretamente relacionado aos créditos constituídos. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NÃO DECLARADA E REGISTRADA. REGRA DO ART. 530 RIR/99. LEGALIDADE. O arbitramento não é espécie de sanção fiscal e tampouco uma prerrogativa ou uma faculdade do contribuinte quando autuado. Tratase de modalidade de apuração do lucro tributável, aplicável quando verificadas concretamente as suas hipóteses legais de adoção. Quando constatado pela Fiscalização que o contribuinte não procedeu a nenhum registro de movimentação financeira/bancária no período da infração, é cabível o arbitramento, nos termos da alínea "a" do inciso II do art. 530 do RIR/99. DIREITO ADQUIRIDO E NÃO CONFISCO. ART. 29 LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. ABUSO E CONFISCATORIEDADE DA MULTA DE OFÍCIO. ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora, calculados sob a Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer das matérias de cunho constitucional, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que a conhecia e, na matéria conhecida, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 656 3 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 657DF CARF MF 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 580 a 645) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis/SC (fls. 537 a 559) que negou provimento à Impugnação e à Manifestação de Inconformidade apresentadas (fls. 298 a 529), mantendo a exclusão do Contribuinte do SIMPLES Nacional (ADE às fls. 237), bem como as Autuações sofridas (fls. 241 a 296). A Contribuinte era optante pelo SIMPLES Nacional e, como se verifica do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 217/2013, a sua exclusão de tal sistema especial de arrecadação motivouse em face da constatação de (i) falta de escrituração do livrocaixa, de modo a não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária e que (ii) a infração de omissão de receitas estendeuse pelo período de 12 (doze) meses (de janeiro a dezembro de 2010), configurando prática reiterada: Em relação ao lançamento de ofício perpetrado, exigise no presente feito créditos de IRPJ, CSLL (calculados mediante o Arbitramento do Lucro), PIS e COFINS, referentes apenas ao anocalendário de 2010, acrescidos de multa de ofício na monta de 75%, sob a mencionada acusação de omissão de receitas, diante da constatação da existência de depósitos bancários, não informados ao Fisco, cuja origem e natureza também não foram comprovadas, com arrimo legal no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Por bem resumir a contenda, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Por meio dos Autos de Infração às folhas 241 287, foram exigidas da contribuinte acima qualificada as importâncias de R$ 73.594,13 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, de R$ 43.664,27 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, de R$ 26.090,77 de Contribuição para o PIS/Pasep e de R$ 120.443,93, a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, acrescidas de Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 657 5 multa de ofício de 75% e encargos legais devidos à época do pagamento, referentes a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2010, sob as regras do Lucro Arbitrado. Em consulta à “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, verificase que a autuação se deu em razão de “Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte, excluído do SIMPLES NACIONAL, notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, no regime de tributação do Lucro real ou Presumido, conforme Termo de Intimação Fiscal 3, deixou de apresentálos.” [Enquadramento legal:art.530, inciso III do RIR/99] e, também, “Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte, é imprestável para determinação do Lucro Real...”. [Enquadramento legal: art.530, inciso II do RIR/99] O arbitramento teve como base a receita bruta conhecida, no caso por omissão de receitas por conta de depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art.42 da Lei 9.430/96, consignado no Auto e detalhadamente descrito no Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento do Procedimento Fiscal, item 3.1.2. Depósitos bancários de origem não comprovada. Do referido Termo extraise que o contribuinte foi excluído do SIMPLES, por não haver em seu Livro Caixa a escrituração da movimentação financeira e, como não mantinha a documentação de suas operações e nem os livros de registro obrigatório, teve seu lucro arbitrado relativamente ao anocalendário de 2010. Eis o relato fiscal: 3. INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA O presente procedimento fiscal foi motivado em face do flagrante descompasso, evidenciado ainda na fase de análise e programação, entre a movimentação financeira e as receitas declaradas/tributadas. Consoante levantamento então realizado, os créditos/depósitos informados pelas instituições bancárias, atinentes ao ano de 2010, registram montante na ordem de R$ 7.039.213,00, enquanto que a contribuinte registrou na respectiva DIPJ que havia auferido como receitas tributáveis a quantia de R$ 242.641,00. Prosseguindo o feito fiscal, visitamos o escritório de contabilidade, responsável pela escrita da contribuinte, onde buscamos esclarecer as divergências. O contador nos forneceu as copais do livro Razão, dos extratos bancários e também do Livro Registro de Saídas. Analisando estes documentos, verificamos que os valores registrados como receitas operacionais estão muito aquém dos movimentados nas suas contas correntes bancárias. Também verificamos que a contribuinte não registrou no Livro razão a movimentação bancária. Desta feita cumprindo os ditames da legislação pertinente, caracterizouse a pratica reiterada de infração a legislação tributária. Fl. 659DF CARF MF 6 Tal fato culminou com a exclusão da contribuinte do SIMPLES NACIONAL. Por conseguinte inferimos que a empresa omitiu grande parte dos valores das receitas operacionais do ano calendário de 2010. Desta feita as receitas operacionais emitidas caracterizam bases imputáveis não submetidas ao gravame dos impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. As verificações fiscais empreendidas, norteadas pelas regras de tributação do Lucro Arbitrado em face das circunstâncias retro anotadas, culminaram na caracterização das infrações que se passa a explicitar, ora imputadas ao sujeito passivo pelas normas do lançamento de ofício. 3.1.1. Arbitramento do lucro: Receita Bruta Escriturada/Declarada Sob as Regras do Simples Nacional [...] Pelas normas de regência do Lucro Arbitrado, e considerando o ramo de atividade efetivamente explorado (comércio), a base imputável do imposto de renda é fixada na percentagem de 9,6% da receita, em conformidade com o disposto no artigo 532 do RIR/99. [...] 3.1.2. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Analisando os extratos bancários, detectamos diferenças entre as receitas declaradas pela empresa e os valores depositados na suas contas bancárias, no ano calendário sob fiscalização. Sendo assim foi o contribuinte instado a justificar a origem dos recursos que ingressaram nas suas contas correntes bancárias. Ressaltamos que a contribuinte declarou que os depósitos foram feitos pela contribuinte, porém silenciou quanto a origem dos recursos movimentados nas suas contas bancárias, o que levou esta fiscalização a considerar que todos os valores são receitas operacionais, abaixo planilhados. [...] A contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade contra a exclusão do SIMPLES NACIONAL e impugnação aos lançamentos, nas quais expõe suas razões de irresignação que a seguir se resume: Da Exclusão do Simples Nacional; nos termos norteadores do Ato Declaratório Executivo DRF/FPOLIS/SC n.217, emitido em 09 de outubro de 2013, a fiscalização fundou a exclusão da impugnante do Simples Nacional na suposta prática reiterada de infração à legislação tributária e na ausência da escrituração da movimentação bancária; Da suposta caracterização de prática reiterada de infração à legislação tributária; Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 658 7 que causa estranheza o fato do agente fiscal considerar como reiteração da prática infracional, desconsiderando que é a primeira vez em que foi supostamente constatada a realização de ato em descordo com a legislação; reitera significa repetição de um ato, renovar, fazer pela segunda vez, reincidência na infração (transcreve conceito do art.63 do Código Penal), para arrematar que “se em determinado ano supostamente ficou constatada qualquer infração, obrigatoriamente deveria ser aberto processo administrativo para apurar os fatos, e se a decisão administrativa transitada em julgado fosse no sentido de caracterizar infração, somente no ano subsequente, se acaso houvesse nova infração, poderia a impugnante ser excluída em razão da prática reiterada. Portanto, a prática só se torna REITERADA quando efetivamente a empresa já foi penalizada pela mesma infração fiscal, o que não se observa no presente caso.”; que, apenas por desejo à discussão, destacase que houve alteração na Lei complementar 123/2006, incluída pela LC 139/2011, acerca do conceito de prática reiterada, alteração totalmente ilegal; Da ausência de registro de Movimentação Bancária; que o fato da impugnante não ter lançado na escrituração comercial a movimentação bancária, não pode servir de subsídio para a exclusão do Simples Nacional, haja vista que a forma de tributação optada não diz respeito ao lucro obtido com a atividade e sim o faturamento declarado; que a ausência da escrituração bancária não trouxe qualquer prejuízo para a fiscalização, posto que foi apresentado todos os extratos; portanto, como o lançamento se pautou pela presunção de omissão de receitas, não restando provas concretas da situação alegada, deveria o fiscal lançar a notificação que entendesse coerente e adequada sem impor a exclusão do Simples Nacional, posto que possuía os documentos necessários para análise, não sofrendo qualquer prejuízo na sua atuação pela ausência da movimentação bancária não escriturada no livro da impugnante; Da impossibilidade dos efeitos da exclusão retroativos à 01/01/2010 que conforme mostrado que não existem as razões apontadas para exclusão do Simples Nacional, “[...] deve ser aplicado ao caso o princípio geral da ciência dos atos, no qual os efeitos só se iniciam a partir da notificação do contribuinte...”.; conclui que não se pode pretender que os efeitos maléficos de uma exclusão tributa´ria sejam suportados pela impugnante antes mesmo da sua própria ciência; que a pretensão dos efeitos retroativos da desqualificação como optante do Simples fere também os princípios constitucionaistributários da anterioridade, irretroatividade e da não surpresa tributária. Da impugnação aos autos de infração; Fl. 661DF CARF MF 8 que não obstante a apresentação de defesa quanto ao Ato Declaratório que questiona a exclusão do Simples Nacional, a Impugnante foi informada acerca da exigência dos tributos em autos de infração; que de acordo com levantamento fiscal, a Impugnante supostamente teria omitido receitas, deixando de lançar em sua contabilidade a movimentação bancária; assim, o fiscal desconsiderou a escrita contábil arbitrando a receita (sic), tanto a supostamente omitida quanto a já declarada e tributada; ocorre que o auto de infração apresenta vários vícios que maculam sua legalidade; Da revogação do art.42 da Lei n. 9.430/96 em razão de antinomia jurídica com o art.5º, §4º da LC 105/01; que o art.42 da Lei n. 9.430/96 foi revogado tacitamente devido à antinomia jurídica com o art.5º, §4º da LC 105/01; pois se a Receita Federal pode requisitar os documentos que entender necessários (extratos bancários, cfe. LC 105/01) para a apuração adequada dos fatos, como conseqüência será tributada a real e efetiva omissão de rendimentos provada pelo órgão, tornando ilegal a tributação com base na presunção do art.42 da Lei 9.430/96, o qual considera os depósitos bancários de origem não comprovada como omissão de receita, cabendo ao contribuinte realizar prova negativa; devido à revogação tácita do art.42 da Lei 9.430/96 em face do advento do art.5º, §4º da LC 105/01, o Auto de Infração impugnado é ilegal, eis que não vige mais a presunção legal de omissão de receita; Da desproporcionalidade do auto de infração: que a tributação efetuada viola o princípio da proporcionalidade, descrito pela doutrina como o conjunto de três subprincípios: adequação, necessidade e proporcionalidade; (i) que a exigência deve estar de conformidade ou adequação entre meios e fins (adequação) e no caso em questão, a mera situação de depósitos sem origem explicada não pode levar à conclusão da existência de fato gerador de tributos; (ii) o subprincípio da necessidade traduz o direito do sujeito à menor restrição possível de seu direito; no caso o meio usado para averiguar a presunção do art.42 foi a intimação para apresentação de documentos, mas a autoridade já dispunha de outros meios, desde o advento da LC 105/01; (iii) que o ônus da prova recaiu totalmente sobre o Impugnante, parte mais fraca da relação de tributação; Do lançamento com base nos extratos bancários – da utilização da movimentação financeira como parâmetro para configuração de receita; que nem todas as operações de entradas em banco podem ser consideradas como uma receita do titular da conta/ a movimentação financeira é mero indício de riqueza, sendo necessário, para a caracterização da receita e conseqüente exigência do tributo, prova cabal que relacione os depósitos a elementos concretos; Fl. 662DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 659 9 a argumentação de que, após o advento da Lei 9.430/96, cabe ao fisco somente a evidenciação da existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada, não tendo a necessidade de estabelecer um nexo de causalidade entre os depósitos e os fatos concretos ensejadores do ilícito é um tanto frágil;estaria dando poderes ilimitados ao fisco, cabendo ao contribuinte fazer prova negativa da situação; em síntese, é imprescindível a comprovação de vínculo entre fatos materiais e os indícios bancários que, juntos, formem o nexo causal entre o fato gerador descrito na norma e a efetiva obrigação tributária a ser lançada de ofício; sem isso, carece totalmente de legitimidade o auto de infração; por esse motivo, resta totalmente incoerente a exigência do IRPJ e seus reflexos com base nos extratos bancários, presumidos como se receita fosse; Do arbitramento da receita conhecida e Do erro na base de cálculo; que seria equivocado o percentual lançado na Notificação Fiscal em comento do acréscimo de 20% (lucro arbitrado), haja vista que o Agente Notificante tinha por referência de receita o total movimentado em conta corrente e conhecia a tributação da contribuinte; nesse caso, se entendesse que a Impugnante tivesse perdido o direito à tributação diferenciada, poderia, no máximo, lançar o valor com base no Lucro Presumido, sem o devido arbitramento; No item 7. Da Exclusão do Simples Nacional, a Impugnante repete os argumentos já relatados em sua manifestação de inconformidade. Continuando com a impugnação: Da Multa Excessiva (neste tópico, argumenta que a CF/88 veda a utilização de qualquer tributo com efeito confiscatório) Da ilegalidade da aplicação da Taxa SELIC para o cálculo dos Juros de mora (neste tópico, alega que a taxa SELIC não pode ser utilizada no cálculo crédito tributário, que sua aplicação é ilegal e fere princípios constitucionais); Processadas as Defesas, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ de Florianópolis o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, tanto de Manifestação de Inconformidade, como de Impugnação, mantendo a exclusão do Contribuinte do SIMPLES Nacional e integralmente os lançamentos de ofício procedidos: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 663DF CARF MF 10 Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010 Exclusão. Prática Reiterada de Infração à Legislação. Omissão de Receita.Exclusão de Ofício. Efeitos. Créditos bancários sem origem justificada caracteriza omissão de receita, por força de presunção legal, e se constitui em prática reiterada de infração à legislação tributária se tal situação se verificou por doze meses e em valores bem superiores as receitas declaradas. Ocorrida esta situação, os efeitos da exclusão já se notam na data da infração, por expressa previsão legal. Exclusão. Ausência de escrituração de Movimentação Financeira/Bancária. As microempresas e as empresas de pequeno porte deverão manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária, sendo que a ausência deste registro implica na exclusão do Simples Nacional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010 Presunções Legais Relativas. Distribuição do ônus da Prova. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Lançamento de Ofício. Multa Aplicável As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Juros de Mora. Aplicabilidade da Taxa SELIC. Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência de juros com base na taxa Selic. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC. Súmula CARF n° 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 660 11 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010 Depósitos Bancários. Origens. Presunção Legal. Omissão de Receita. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lucro Arbitrado. O imposto devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, com a inclusão de toda a movimentação financeira, no caso da opção pelo lucro presumido. Receita Bruta Conhecida. Base de Cálculo. Lucro Arbitrado. Quando a receita bruta conhecida for utilizada como base de cálculo do Lucro Arbitrado, ao coeficiente de presunção aplicável deve ser acrescido o percentual de vinte por cento (20%). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010 Argüições de Inconstitucionalidade e Ilegalidade da Legislação Tributária. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PIS. COFINS. CSLL. Lançamentos Decorrentes. Efeitos da decisão relativa ao lançamento principal (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 665DF CARF MF 12 Diante de tal revés, foi oposto singular Recurso Voluntário, versando sobre a exclusão do SIMPLES Nacional e sobre as exigências dos lançamentos de ofício, trazendo as mesmas alegações de Impugnação e Manifestação de Inconformidade, bem como atacando diretamente as razões do v. Acórdão recorrido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 661 13 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Exclusão do SIMPLES Nacional Inicialmente, passase a apreciar a matéria referente ao Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 217/2013, que promoveu a exclusão da Recorrente do SIMPLES Nacional, a partir de 1º janeiro de 2010. Conforme relatado, são dois os fundamentos para a exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional: (i) a falta de escrituração do livrocaixa ou por não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária e (ii) por ter sido constatada prática reiterada [de infração] à Lei Complementar nº 123/2006, fatos que importam na sua exclusão de ofício do Simples Nacional, com fundamento no art. 29, inciso V e VIII, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 (vide fls. 237). Posto isso, primeiramente, passase a analisar o primeiro motivo de exclusão, referente à falta de escrituração do livrocaixa ou por não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária¸conforme previsto no inciso VIII, do art. 29, da Lei Complementar nº 123/2006. No caso concreto, como se verifica dos autos, após intimar e receber da ora Recorrente seu Livro Razão do anocalendário de 2010, foi constatado que contrariando a legislação[...] a conta "CAIXA" não contempla a escrituração da movimentação bancária da empresa, e no qual não há qualquer escrituração de qualquer conta onde tal movimentação tenha sido registrada (fls. 3). Sobre tal fato, a Recorrente, em suma, alega que, apesar de realmente não ter sido registrada no seu Livro Razão a movimentação bancária existente (reconhecendo a veracidade de tal fato), posteriormente colhida pelo Fisco, existiria toda documentação apta a subsistir esta exigência, assim como, sendo optante pelo SIMPLES Nacional, só teria Fl. 667DF CARF MF 14 relevância o registro contábil de seu faturamento propriamente dito, sendo este o elemento adequado para a base tributável dessa sistemática. Também acrescenta que tal postura não acarretou em dificuldade ou impedimento para o exercício da fiscalização Pois bem, não obstante as afirmações da Contribuinte, é certa existência de dispositivo que objetivamente prevê tal falha de contabilidade como motivação para a exclusão do SIMPLES Nacional: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; A redação do dispositivos é incisiva e clara, não deixando margens interpretativas que socorram às alegações da Recorrente. Certamente, subsumise à hipótese legal acima colacionada o fato verificado pela Fiscalização, ao passo que a conta Caixa do Livro Razão, ainda que efetivamente mantido pela Empresa autuada, não trazia o fluxo financeiro bancário da Empresa, o que perfeitamente se revela como não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Não há na referida norma nenhuma ressalva ou mesmo previsão para a retificação dos Livros de forma a mitigar a ocorrência dessa hipótese de exclusão dos contribuintes, diante da sua verificação concreta pelas Autoridade Fiscais. Mais importante é que a mesma Lei Complementar nº 123/2006 obriga o optante, constituído e operando na modalidade societária e empresarial da Contribuinte, a manter, especificamente, esse registro contábil: Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: I emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com instruções expedidas pelo Comitê Gestor; II manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não decorrido Fl. 668DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 662 15 o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. §1º O MEI fará a comprovação da receita bruta mediante apresentação do registro de vendas ou de prestação de serviços na forma estabelecida pelo CGSN, ficando dispensado da emissão do documento fiscal previsto no inciso I do caput, ressalvadas as hipóteses de emissão obrigatória previstas pelo referido Comitê. § 2o As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária (destacamos). Posto isso, revelase correta e procedente a exclusão da Recorrente do SIMPLES Nacional, nos termos do art. 29, inciso VIII, da Lei Complementar nº 123/2006, não merecendo qualquer reforma nesse ponto o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 217/2013. Em relação ao segundo motivo da exclusão promovida, referente à constatação de prática reiterada [de infração] à Lei Complementar nº 123/2006, este Conselheiro entende ser improcedente tal fundamento, vez que não configuradas as circunstâncias que implicam em prática reiterada inclusive nos termos da própria Lei Complementar nº 123/2006. Contudo, tal constatação e entendimento não guarda relevância jurisdicional em relação à exclusão da Contribuinte, vez que já demonstrada a ocorrência eficaz da hipótese do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006. Apenas registrando e esclarecendo, mas de forma breve (considerando a ineficácia dessa posição), primeiro temos que a constatação de omissão de receitas no presente caso deuse com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, diante da ausência de informação ao Fisco de depósitos bancários contidos em sua movimentação financeira. Frisese que para a constatação de tal infração tributária, a falta de registro contábil é irrelevante. Incorreria a Contribuinte na mesma infração presumida se apenas deixasse de declarar tais valores, mesmo tendo lançado a movimentação bancária na conta Caixa de seu Livro Razão. Devese considerar que os contribuintes optantes pelo SIMPLES Nacional, mesmo devendo promover recolhimentos mensais, estão sujeitos à apresentação de Declaração anual, na qual consolidamse todas as informações e eventos de relevância fiscal do ano calendário. Fl. 669DF CARF MF 16 Assim, o critério de sazonalidade mensal não é absoluto para apuração definitiva dos tributos devidos pela sistemática do SIMPLES Nacional, vez que sujeito a uma declaração anual de suas informações fiscais. Primeiro porque a infração em tela não abrange nenhuma postura ativa, comissiva mas apenas a conduta omissiva em relação a informar sua movimentação financeira, sendo, por causa de tal silêncio, considerados os depósitos colhidos pela Fiscalização como receita omitida tributável (e ausente também, mas já em fase fiscalizatória, justificativa considerada apta para elidir a presunção legal aplicável). Temse aqui já que a definitividade (digase, até impropriamente, aperfeiçoamento) da ocorrência de tal infração esteve, na verdade, condicionada à apresentação da mencionada Declaração, referente a todos os meses do anocalendário, sem tais informações bancárias (o que, de fato, ocorreu no presente caso). Tanto assim é que a própria Fiscalização instrui os autos com cotejo direto das informações prestadas na Declaração de rendimentos da Contribuinte para confirmar e apontar a ausência de declaração da movimentação bancária colhida: (fls. 2) Considerando o acima exposto, denotase que o ciclo de ocorrência eficaz (e, consequentemente, apuração) da infração de omissão de receitas, com base na ausência de informação de depósitos bancários, considerados de natureza e origem não comprovada, e nos termos presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é anual. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 663 17 Frisese que não existe qualquer menção sobre a ocorrência da mesma infração em anoscalendário anteriores. Dessa forma, a reiteração na prática dessa infração dependeria pelo menos da sua ocorrência eficaz, em mais um período do anocalendário de 2011, colhida após a apresentação da Declaração de rendimentos desse outro exercício. E, independentemente disso, após a edição da Lei Complementar nº 123/2006, em face da previsão de seu art. 29, § 9º, a prática reiterada deixou de ser um conceito indeterminado e passou a ter conteúdo claramente delineado: § 9º Considerase prática reiterada, para fins do disposto nos incisos V, XI e XII do caput: I a ocorrência, em 2 (dois) ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada em relação aos últimos 5 (cinco) anoscalendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento; ou II a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. No presente caso temos situação em que: a) a reiteração não foi suportada com base em infração anterior formalizada por auto de infração ou notificação de lançamento e b) não existe acusação de emprego de ardil, artifício ou fraude, além da simples postura omissiva da Contribuinte. E tanto assim é que a infração de omissão de receitas no presente caso deuse de forma presumida, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 (o termo utilização pressupõe conduta específica, comissiva, ativa, para perpetrar a infração fim). Além disso, a multa aplicada foi de ofício, não havendo sua qualificação. Não obstante, o próprio teor das Súmulas CARF nº 14 e 25 deixam claro que a simples omissão de receitas não se confundo com fraude, dolo ou simulação. Desse modo, entendese e aqui registrase que não restou configurada a ocorrência de prática reiterada, nos termos da própria Lei Complementar nº 123/2006, merecendo reforma o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 217/2013 nesse ponto, mas sem implicar no afastamento da exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional ou redução de qualquer exação. Fl. 671DF CARF MF 18 Ainda, a Recorrente combate os efeitos retroativos da sua exclusão, os quais tiveram início em 1º de janeiro de 2010. Para isso, em suas razões, primeiro reitera a improcedência da sua exclusão, repetindo os argumentos de invalidade do ADE. Depois, afirma que a previsão do §1 art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006 ferem seu direto adquirido e configura confisco, expressamente apontando violação ao art. 5 º, inciso XXXVI e art. 150, inciso IV, da Constituição da República de 1988. Logo, aqui é incidente o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como a Súmula nº 2 deste E. CARF, não se podendo conhecer das alegações exclusivamente fundamentadas em dispositivos constitucionais. Por fim, pugna no sentido que, de acordo com os cálculos da Fiscalização, a omissão de receitas apurada apenas fez superar o limite à época do SIMPLES Nacional (de R$ 2.400.000,00) em setembro de 2010, mas mesmo assim nos termos da Lei Complementar nº 123/2006 vigentes à época dos fatos geradores, somente poderia ter sido excluída dessa sistemática especial de arredação a partir do anocalendário subsequente. Não assiste razão à Recorrente. Como já decidido, é incidente ao caso a hipótese do inciso VIII, do art. 29, da Lei Complementar nº 123/2006, que, por sua vez, implica na exclusão do contribuinte a partir do próprio mês em que ocorrida a hipótese apurada, como previsto no § 1º daquele mesmo artigo. É irrelevante, ao presente caso, o momento ou mesmo a ocorrência do extrapolamento do limite de receita bruta máxima previsto para a permanência no SIMPLES Nacional. Na mesma esteira, a argumentação conhecida sobre o tema não é capaz de afastar a cogência das normas veiculadas no art. 29 da referida Lei Complementar e seus efeitos. Logo, não só a exclusão apresentase como correta e lícita, como também o início de seus efeitos em 1º de janeiro de 2010. Autuações A primeira alegação preliminar da Recorrente no que tange à improcedência das exações é da suposta ocorrência de revogação tácita do art. 42 da Lei nº 9.430/96, diante da sua antinomia jurídico com norma posterior veiculada no art. 5º, § 4º, da Lei Complementar nº 105/2001. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 664 19 Para a Contribuinte, diante das novéis prerrogativas do Fisco atinentes ao acesso a informações bancárias sem a necessidade de autorização judicial, empregandoas normalmente na atividade fiscalizatória, teria se tornado ilegal a presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Não assiste razão à Recorrente nesse ponto. Tal dispositivo da Lei Complementar nº 105/2001 referese efetivamente a questões de sigilo bancário quando da fiscalização de operações financeiras, concedendo à Autoridade Fiscal a faculdade de requerer diretamente ao contribuinte e ser lhe diretamente fornecidos informações e documentos sobre tais transações, sem o aval do Poder Judiciário. Não há qualquer coincidência na jurisdicização de fatos e hipóteses tratados nas normas em que se afirma existir antinomia. A criação de meios para investigar e constatar, direta e concretamente, a omissão de receitas não tem o condão de revogar a modalidade presuntiva da mesma infração, regularmente prevista em Lei, de modo plenamente vigente e inalterado. Podese, seguramente, afirmar que tal matéria hoje é pacífica no entendimento desse E. CARF, não se justificando um maior aprofundamento da alegação. Muito recentemente, esta mesma 2ª Turma Ordinária enfrentou o tema, afastando a posição agora defendida pela Recorrente, por unanimidade, como ilustra trecho a ementa do Acórdão nº 1402.002.957, de relatoria deste mesmo Conselheiro, publicado em 27/04/2018: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CARÊNCIA DE PROVAS. PRESUNÇÃO. POSSIBILIDADE E VALIDADE. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante Fl. 673DF CARF MF 20 documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REVOGAÇÃO TÁCITA DO ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. INOCORRÊNCIA. É improcedente a alegação de que, a partir da vigência da Lei Complementar nº 105/2001, caberia ao Fisco o ônus da prova da origem dos depósitos bancários, pois estaria revogado tacitamente o art. 42 da Lei nº 9.430/96. A norma veiculada no §4º do art. 5º da referida Lei Complementar versa especificamente sobre prerrogativas das Autoridades Fiscais diante de questões de sigilo bancário, não estando a presunção de omissão de receitas condicionada aos meios e à autonomia do seu poder de fiscalização. O mesmo entendimento também foi adotado no Acórdão nº 1401001.373, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária dessa mesma 4ª Câmara, de relatoria do I. Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, publicado em 04/09/2015: ÔNUS DA PROVA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PODER DE INVESTIGAÇÃO DO FISCO. É insustentável a tese segundo a qual, a partir da Lei Complementar n° 105/2001, cabe ao fisco o ônus da prova da origem dos depósitos bancários, em vista da amplitude de poderes conferidos às autoridades fazendárias, eis que: a) trata se de presunção legal, que não foi derrogada; b) a presunção não se encontra condicionada ao poder de fiscalização do fisco; c) a aceitação da tese implicaria a revogação de todas as demais presunções legais de omissão de receitas, uma vez que o fisco sempre dispôs da prerrogativa de examinar livros e documentos de qualquer contribuinte. Diante disso, afastase tal alegação preliminar de nulidade do lançamento. Na sequência, a Recorrente afirma que o lançamento violou o princípio da razoabilidade, no sentido de que o Auto de Infração revelase desproporcional, considerando os depósitos bancários, por si só, como receita, sem amparo nos demais elementos configuradores do conceito efetivo de rendimentos, como sinais externos de riqueza. Tratouse de aplicação irrazoável e desproporcional da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 (...). Ainda que arrimando tal alegação principiológica em doutrina de notórios constitucionalistas e Min. do E. Supremo Tribunal Federal, afirma a Recorrente ser permitido o Fl. 674DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 665 21 seu conhecimento por este E. CARF, vez que o art. 2º1 da Lei nº 9.784/99 prevê sua observância pela Administração Tributária. Traz ainda, no tópico subsequente, matéria relacionada diretamente a tal alegação, pugnando que não se poderia proceder a lançamento de ofício com base apenas em depósitos bancários, vez que esses não revelam a disponibilidade econômica como base de cálculo dos "impostos" devidos pela Recorrente. Complementa que, per si, não há nexo causal direto entre depósitos bancários e a infração de se omitir as receitas tributáveis, realmente auferidas. Primeiro temos que a suposta violação ao princípio da razoabilidade, ainda que possa ser desdobrado em regras de conteúdo determinado e menos abstrato, não se presta como motivação exclusiva para o cancelamento do crédito tributário, apurado, então, pela aplicação, de forma direta e dentro da vinculação da atividade administrativa fiscal, das prescrições do art. 42 da Lei nº 9.430/96, assim como de outras normas referentes à quantificação e formalização dos Autos de Infração. Nesse sentido, à luz da supremacia da constituição e legalmente reforçado pelo teor do art. art. 2º da Lei nº 9.784/99 é certa a necessidade de observância das Autoridades Fiscais de toda a principiologia invocada em tal dispositivo. Contudo, tal prescrição dirigise, de forma mais eficaz e pragmática, aos atos que apresentam graus de discricionariedade ou mesmo natureza decisória. Ainda que a Contribuinte afirme que tratouse de aplicação irrazoável e desproporcional da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, não é apresentado especificamente nenhum desvio ou abuso na sua adoção e, tampouco, é demonstrada a suposta forma alternativa, então devida e correta, de sua aplicação (diversa daquilo, então, procedido pela Fiscalização). Tudo aquilo que se apontou como irrazoável nas exações combatidas é fruto ordinário e objetivo do seu próprio conteúdo e resultado dos efeitos jurídicos da presunção veiculada em tal dispositivo. Por consequência, o que claramente se revela aqui é que, na verdade, questiona a Contribuinte a razobilidade da própria norma jurídica, veiculada no art. 42 da Lei nº 9.430/96. 1 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; Fl. 675DF CARF MF 22 Desse modo, essa abordagem na construção postulatória e alegações são inadequadas para afastar, no contencioso administrativo fiscal, a validade e a procedência das Autuações fiscal, ficando limitado ao Julgado ao conteúdo normativo de hierarquia legal. Já em relação ao fato de os depósitos bancários não demonstrarem a disponibilidade econômica referente aos tributos exigidos, não podendo considerálos integralmente como elemento tributável, pois não haveria demonstração concreta da infração de omitirse receitas, mais uma vez, não procede tal arguição. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 está validamente inserido no sistema tributário nacional, veiculando presunção iuris tantum da omissão de receitas quando devidamente colhidas e comprovadas pela Fiscalização as condutas e ocorrências legalmente arroladas, justificada, inclusive, pela praticabilidade tributária. O efeito de tal disposição é a inversão do ônus da prova sobre a ocorrência da infração de omissão de receitas, diante da devida fundamentação para a sua aplicação, dentro das hipóteses previstas. Logo não se trata de tributação fundada diretamente em movimentação bancária, mas, sim, em disposição legal expressa, presente há mais de duas décadas na legislação federal da tributação sobre a renda, que valese de corriqueira técnica jurídica de abstração. Não existe violação ao conceito legal de receita tributável. Há muito a legitimidade jurídica de tal dispositivo não representa celeuma neste E. CARF, não procedendo os supostos conflitos conceituais aventados pela Recorrente. Também, cabível aqui a dicção da Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Dessa forma, afastase tais alegações. Mais adiante, opõese a Contribuinte ao arbitramento de receita conhecida e, consequentemente, alegase erro na base de cálculo. Fl. 676DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 666 23 Contudo, a Recorrente afirma diversas vezes que era optante pelo Lucro Presumido, como quando, por exemplo, alega que a correta interpretação aplicável ao caso é que o arbitramento só deve ser promovido no caso de não haver segurança na apuração das bases segundo o regime ordinário de tributação do sujeito passivo (Lucro Presumido). E defende que deviria ser aplicado o mesmo regime de tributação o qual esta submetido a Recorrente, nos termos do art. 288 do RIR. Assim, não deve prevalecer o entendimento do Fisco quanto do acórdão recorrido de que é correto o arbitramento do lucro da empresa Recorrente, ante ao descumprimento às normas do regime de tributação a que se submeteu, qual seja: lucro presumido. Ou seja, a maior parte das razões e a conclusão da Contribuinte sobre tema são alheias aos fatos da presente demanda, o que até justificaria delas não conhecer. Como exaustivamente visto no presente voto, a Recorrente era optante pelo SIMPLES Nacional e de tal sistemática foi excluída, desde o início do anocalendário de 2010, período em que foram lançadas as exações em tela, sob a acusação de omissão de receitas. Uma vez excluída regularmente de tal regime, não se poderia proceder às exigências nos moldes do SIMPLES Nacional, em atenção exclusiva, isolada e indevida ao disposto art. 288 do RIR/992 (que se revela regra geral). Além disso, tal assunto (ausência de escrituração de movimentação financeira) é precisa e especialmente tratado no art. 530 do RIR (art. 45 da Lei nº 8.981/95), que deve ser interpretado e aplicado de maneira sistemática em relação às demais normas que disciplinam a apuração do imposto sobre a renda e os procedimentos para o lançamento de ofício. Nessa esteira, é fato incontroverso que os depósitos bancários e toda a movimentação financeira em referência, colhidos pela Fiscalização, que deram base para a quantificação das infração, não estavam registrados nas Livros da Contribuinte. Sem a necessidade de maiores aprofundamentos, está claro que a hipótese in casu se amolda ao previsto no art. 530 do RIR/99: 2 Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. Fl. 677DF CARF MF 24 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou (destacamos) O arbitramento não é espécie de sanção fiscal e tampouco uma prerrogativa ou uma faculdade do contribuinte quando autuado. Tratase de modalidade de apuração do lucro tributável, aplicável quando verificadas, concretamente, as suas hipóteses legais de adoção. Desse modo, mostramse procedentes as Autuações no que tange à adoção do regime do Lucro Arbitrado. Ainda, alega a Recorrente ser abusiva e confiscatória a percentagem de 75% da multa de ofício aplicada, literalmente afirmando existir violação ao art. 150, inciso IV, da Constituição da República vigente. Inclusive traz julgado de E. Supremo Tribunal Federal. Todavia, mais uma vez, observase que a única base legal de seu argumento é o art. 150, inciso IV, da Constituição da República de 1988. Desta feita, é também incidente aqui o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como a Súmula nº 2 deste E. CARF, não se podendo conhecer dessa alegação. Por fim, a Recorrente alega ser ilegítima e inconstitucional a adoção de juros, indexados pela Taxa SELIC, que violaria tanto seu direito constitucionalmente garantido, como aspectos legais do sistema tributário nacional. Nesse tema, em relação à alegada violação do art. 150, inciso I, da Carta Magna de 1988, incide o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como a Súmula nº 2 deste E. CARF, não se podendo conhecer dessa alegação Fl. 678DF CARF MF Processo nº 11516.723239/201391 Acórdão n.º 1402003.269 S1C4T2 Fl. 667 25 Além disso, abrangendo a matéria infraconstitucional arguida, esta C. 2ª Turma, acompanha o atual entendimentos da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, que professa ser devida tal postura fiscal, inclusive com a correta eleição da Taxa SELIC. Ilustrando tal posição, confirase trecho da ementa do recente Acórdão nº 9101003.222, da C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como voto vencedor do I. Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, publicado em 05/03/2018: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. (...) Por fim, especificamente ainda em relação à taxa adotada, incide ao caso o claro teor da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O mesmo entendimento foi adotado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.073.846/SP, de 25/09/2009, de relatoria do Exmo. Min. Luiz Fux, sob a dinâmica do art. 543C do Código de Processo Civil vigente à época. Diante do exposto, voto por não conhecer da matéria constitucional alegada e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose a exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional, bem como as Autuações lavradas. (assinado digitalmente) Fl. 679DF CARF MF 26 Caio Cesar Nader Quintella Fl. 680DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.905752/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE.
Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
Numero da decisão: 3402-005.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 52 /2 00 8- 91 Fl. 571DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000428 (fls. 155/157), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10980.905752/200891 Acórdão n.º 3402005.372 S3C4T2 Fl. 572 3 3. Referida diligência foi cumprida, gerando o relatório fiscal, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. I. Do crédito compensado 6. Em suma, o contribuinte apresentou pedido de compensação (DCOMP) alegando que recolheu valores que não eram devidos a título de PIS, ao fundamento que na operação perpetrada haveria incidência monofásica da tributação, nos termos da lei n. 10.485/02. 7. Em sede de diligência fiscal, assim apurou a unidade preparadora: (...). 6. A planilha elaborada por esta fiscalização levou em conta que: 6.1 – A tabela apresentada pelo contribuinte relacionando os produtos que vende, e respectiva classificação TIPI, não abrange todos os produtos que vende, conforme acima já se referiu e exemplificou. 6.2 Há produtos listados pelo contribuinte com cuja classificação TIPI não se concorda, mas que, ainda assim, se enquadram em classificação da TIPI cujo código também se encontra entre os que são beneficiados com a alíquota zero. Outros (pneus e câmaras de ar) que, não relacionados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, ainda assim fazem jus à alíquota zero do PIS, conforme previsto no parágrafo único, art. 5°, daquela mesma Lei. 6.3 Levouse em conta, também, que o contribuinte, tal como consta na trigésima alteração de seu Contrato Social (fls. 134 a 138), Cláusula Terceira, tem por objeto social a exploração do ramo de comércio de peças e acessórios, serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos auto motores, locação de automóveis sem condutor (49.3.02/0100), transporte de pessoal e pequenos volumes, e estacionamento para veículos e congêneres. 6.3.1 Ou seja, usando de bomsenso, considerouse que, se o contribuinte faturou uma mercadoria com o nome “borracha”, e esta designação, pura e simples, seja insuficiente para saber do que exatamente se trata, que, ainda assim, deve tratarse de Fl. 573DF CARF MF 4 produto para aplicação em um carro, ou seja, que não se trata de “borracha escolar”, por exemplo, embora também a possa vender. 6.4 O fato de se ter chegado à conclusão que determinado produto não se enquadra entre os listados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, a isso se limita. Não se considerou necessário determinar em que código da TIPI tal produto se enquadra. A decisão se deu por exclusão – se o produto não se enquadra entre os previstos nos referidos Anexos, não é relevante determinar em qual se enquadra. Cabe ao contribuinte, isso sim, em não concordando com tal conclusão, indicar em que código da TIPI, previsto naqueles Anexos I e II, se enquadraria o produto, fazendo sua exata descrição, não se admitindo descrição como, por exemplo, sikaflex (NF n° 10349 – Proc. 10 980.905727/200816), que outra coisa não é que não uma marca de produto, embora por ele se presuma tratarse de produto da linha “selantes e correlatos”, que não é peça para automóvel, e, portanto, também não faz jus à alíquota zero do PIS. 6.5 A planilha abrange todas, e tão somente, as notas fiscais em face das quais o contribuinte identificou produtos contemplados com a alíquota zero, por ele demonstradas na relação, de fls. 141 a 148. Não se faz qualquer observação em relação àquelas sobre as quais não se observou divergência de entendimento quanto ao valor beneficiado pela alíquota zero ou não, só o fazendo em relação àquelas cujo valor não beneficiado com a alíquota zero fosse maior que o encontrado pelo contribuinte, neste caso referindo, na coluna “produtos não beneficiados c/ alíq. 0”, o nome dos produtos cuja classificação TIPI não corresponde a nenhuma daquelas constantes nos Anexos I e II da Lei 10.485/2002, para que o contribuinte, querendo, possa refutar o entendimento desta fiscalização, porém, identificando o produto com a correta nomenclatura, o código TIPI em que o considera enquadrado, bem como a defesa/esclarecimento de assim considerar, tal como já alertado no subitem precedente. 7. Dado o acima exposto, confirmase que o crédito utilizado na compensação em causa neste processo está restrito ao valor de R$ 1.088,29 (item 5 e seus subitens, acima). (...) (grifos nosso). 8. Referida diligência foi conclusiva no sentido de que, diante da análise perpetrada pela unidade preparadora, o contribuinte possuía algum crédito de PIS em razão de um indevido pagamento em operações ora sujeitas à monofasia ora subordinadas à alíquota zero, o que redundou em parte do crédito utilizado na presente compensação e glosado pela fiscalização. 9. Logo, há que se reconhecer como válido parte do crédito tomado pelo contribuinte, nos exatos termos em que constatado no sobredito relatório fiscal. Dispositivo Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10980.905752/200891 Acórdão n.º 3402005.372 S3C4T2 Fl. 573 5 10. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte no montante de R$ 1.088,29, nos exatos termos do relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora. 11. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 575DF CARF MF
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