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Numero do processo: 18471.000746/2004-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
DEPÓSITO BANCÁRIO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária.
Numero da decisão: 2201-004.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA Recorrente ANTONIO CARLOS BRAGA LEMGRUBER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 DEPÓSITO BANCÁRIO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 07 46 /2 00 4- 74 Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.402 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 677/699, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro II/RJ, de fls. 663/674, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 422/426, lavrado em 2/12/2004, relativo ao anocalendário 2001, com ciência do RECORRENTE em 7/12/2004, conforme assinatura do procurador do RECORRENTE no próprio auto de infração (fl. 422). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, no valor de R$ 4.631.004,36, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF, acostado às fls. 415/421, constatase que o lançamento decorreu da análise da quebra do sigilo bancário determinado pela sentença judicial prolatada em 23/8/2002 pela 7ª Vara Federal Criminal no Rio de Janeiro no processo judicial nº 2002.51015105630. Durante a fiscalização, o contribuinte foi intimado para comprovar a origem dos recursos creditados nas contas correntes 1684 e no 4926 do Banco Liberal/Bank of América; nº 2675951 do Banco Citibank. O RECCORRENTE informou que “alienou progressivamente a partir de janeiro de 1998, as ações representativas do controle acionário das instituições financeiras Liberal Banking Corporation Limited (LBCL), e do Banco Liberal (BL) ao Bank of América (BofA); que o Liberal International Limited (LIL) vendeu ao BofA o Controle acionário do LBCL, do qual o contribuinte possuía 1/6 do total e que esta transação comercial possibilitou que o LIL provesse o contribuinte e seus familiares com expressivos recursos financeiros, enviados ao País por esta instituição”. Acrescentou que os depósitos são provenientes de salários; gratificações ou dividendos e pela compra e venda de cavalos de corrida e prêmios recebidos em competições profissionais. Contudo, deixou de juntar qualquer documentação comprobatória de suas alegações. Ademais, no que diz respeito aos salários depositados em sua conta, a fiscalização esclareceu que tais créditos eram descritos nos extratos do Banco Liberal/Bank of America como PROVENTOS, e não foram incluídos nos créditos as serem comprovados (fl. 408). Sobre as possíveis gratificações e dividendos, afirmou que elas não foram identificadas nem mesmo relacionadas ou provados o seu recebimento pelo contribuinte. Acerca dos prêmios por ganhos em corridas de cavalos profissionais, informou que tais valores não foram depositados no Banco Liberal ou mesmo no Citibank, mas sim no Banco Unibanco, conforme teria declarado o Jockey Club Brasileiro. A ação fiscal continuou para investigação de depósitos efetuados em outras contas bancárias do contribuinte, especificamente no Unibanco (contas nº 134983, nº 210977 e Fl. 1402DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.403 3 nº 102276), no Banco Real (nº 1704835) e no Banco de Boston (nº 19152101). O RECORRENTE foi intimado a comprovar a origem dos valores depositados nas citadas contas, conforme termos abaixo discriminados: Após reintimação, o contribuinte comprovou a origem de parte dos recursos depositados na conta corrente nº 134983 do Banco Unibanco, efetuados pelo Jockey Club Brasileiro, título de pagamento de saldo de prêmios. Ademais, afirmou que as contas do Unibanco eram mantidas em cotitularidade com sua esposa. Após diligências perante o Jockey Club Brasileiro e da análise de documentação trazida pelo RECORRENTE (fls. 143/380), a autoridade fiscal considerou como comprovadas as origens dos depósitos relacionadas à fl. 401 (algo em torno de R$ 400.000,00), já que a tributação destes recursos foi feita de forma exclusiva pela fonte pagadora (Jockey Club Brasileiro), conforme documentação enviada pelo depositante. A fiscalização também localizou e excluiu os depósitos que representavam transferências entre contas do próprio RECORRENTE (fls. 396, 404/405 e 407), conforme cópias de cheques acostadas aos autos, enviadas pela 7ª Vara Federal Criminal. A relação de depósitos mensais sem origem comprovada encontrase às fls. 397, 398/400, 402/403, 406, 409/410, 411, 412 e 414. Desta forma, considerando que o RECORRENTE não logrou em comprovar a origem de vários depósitos bancários recebidos, foi efetuado o lançamento do crédito tributário sobre os seguintes valores mensais, consolidados com base nas relações de depósitos individuais já apontadas, relativos aos créditos cuja origem não foi comprovada: Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.404 4 Ademais, a fiscalização esclareceu que, a despeito de várias contas bancárias serem do tipo conjunta entre o RECORRENTE e sua a esposa, estes apresentaram declaração expressa (fls. 391/392), na qual afirmam que os recursos e movimentações financeiras pertencem na totalidade ao cônjuge varão, ora RECORRENTE. Assim, após consulta à Divisão de Tributação Disit da Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal, a fiscalização efetuou o lançamento na sua totalidade em face do RECORRENTE, por ser ele o titular dos recursos. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 430/460. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ no Rio de Janeiro II/RJ, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Em 07/12/2004, o Contribuinte, por meio de seu procurador, tomou ciência do Auto de infração e de seus anexos, apresentando, em 03/01/2005, a impugnação de fls. 425 a 455, instruída com documentos de fls. 456 a 651, onde apresenta as alegações a seguir sintetizadas. Preliminarmente, suscita a nulidade do lançamento em função da quebra ilegal de seu sigilo bancário. Aduz que a utilização dos extratos bancários, obtidos de forma ilícita, macula todo o trabalho fiscal, na forma do artigo 5°, inciso LVI da Constituição Federal. Defende que a Lei nº 105/01 permite que o Poder Judiciário, e apenas ele, promova a quebra do sigilo bancário e, ainda assim, na sua visão, os dados só poderão ser utilizados para os fins específicos do processo judicial e pelas partes nele arroladas. Reproduz jurisprudência do STF e doutrina acerca de quebra de sigilo, garantias constitucionais e nulidades processuais. Discorre sobre a competência das instâncias de julgamento administrativa, transcrevendo jurisprudência administrativa e doutrina sobre o assunto. Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.405 5 Ao fim desse tópico, requer seja reconhecida a nulidade do auto de infração, cabendo a análise, inclusive, da legalidade dos atos jurídicos. Em seguida, faz um relato sobre a venda de participações societárias no Banco Liberal e no Liberal Banking Corporation Limited. Alega que não mantém relacionamento com os sucessores, o que dificulta a obtenção de documentos e de informações' relacionados aos recursos ingressados em suas contas bancárias. Afirma que nos autos dos processos 18471.002740/200351, 18471.000290/200442 e 18471.000541/200499 restou esclarecido que os créditos ocorridos em suas contas bancárias decorreram da alienação das ações, de salários, de gratificações e de dividendos. Diz que é lógico supor que a origem dos recursos não comprovados está relacionada à venda de suas participações societárias. Nesse contexto, alega que a comprovação da origem dos créditos somente pode ser feita a partir do exame dos documentos internos das instituições financeiras, sendo imprescindível a realização de diligência. Passa a questionar a viabilidade das pessoas físicas atenderem às exigências da legislação, considerando que as mesmas não têm escrituração , mercantil, ou livrocaixa. Defende que está se exigindo do Contribuinte a produção de prova impossível. Defende que o fato de ser sócio de diversas empresas, inclusive de instituições fmanceiras, não o obriga a conhecer a origem de todo e qualquer crédito ingressado em suas contas bancárias. Invoca o princípio da ampla defesa para sustentar a possibilidade da apresentação extemporânea de documentos, bem como para protestar pela produção de todos os meios de prova admitidos em Direito. Ressalta que o valor do crédito tributário lançado deve ser revisto, já que a Autoridade Fiscal não deduziu os rendimentos tributáveis, os isentos e os tributados exclusivamente na fonte, informados na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2001: Aduz que cabe à fiscalização o ônus de provar que os rendimentos declarados não estão entre os depósitos bancários lançados. Por fim, alega que a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic é ilegal. Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.406 6 Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ no Rio de Janeiro II/RJ julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 663/674). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese pedido de diligência quando o objetivo é suprir ausência de provas das alegações trazidas na • impugnação. As diligências e Perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para suprir a ausência de provas que já poderia a parte ter juntado à impugnação ou para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n2 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo que tenha sido intimado a fazêlo. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal relativa regularmente estabelecida. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.407 7 O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 18/11/2008, conforme AR de fl. 676, apresentou o recurso voluntário de fls. 677/699 em 18/12/2008. Em suas razões, pleiteia a nulidade do acórdão da DRJ por ausência de manifestação sobre os argumentos de nulidade do auto de infração, bem como reforça o pedido de diligência para obter a documentação necessária para comprovar a origem dos depósitos. Em ambos os argumentos, reiterou as alegações de defesa apresentadas em sede de impugnação. Destacase que o Recurso Voluntário não questiona a legalidade da atualização monetária com base na taxa SELIC. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Nulidade do lançamento Aduz o RECORRENTE que o lançamento foi nulo, pois tomou como base as informações obtidas através da quebra de sigilo bancário determinada judicialmente pela 7ª Vara Federal Criminal no Rio de Janeiro, em processo cuja Receita Federal não era parte interessada. Contudo, entendo que não merece prosperar o inconformismo do RECORRENTE. Alega, em sua defesa, que o acesso aos dados bancários estaria restrito às partes do processo judicial de onde originou a quebra do seu sigilo bancário, conforme art. 3º da Lei Complementar nº 105/2001: “Art. 3º Serão prestadas pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas instituições financeiras as informações ordenadas pelo Poder Judiciário, preservado o seu caráter sigiloso mediante acesso restrito às partes, que delas não poderão servirse para fins estranhos à lide.” Ocorre que o mencionado processo judicial nº 2002.51015105630 foi uma medida cautelar que teve justamente como finalidade a quebra do sigilo bancário do RECORRENTE (fl. 705) para fins de apuração de ilícito tributário. Tanto que foi acostada, à fl. Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.408 8 703, decisão judicial proferida no processo nº 2002.51015105630 autorizando o MPF a extrair cópias de documentos dos autos para fins de envio à Receita Federal, e esta tinha o dever de conferir tratamento sigiloso a eventual delito. Ou seja, a finalidade da lide judicial era a apuração de ilícitos tributários, o que, consequentemente, incluía a participação da Receita Federal para a apuração do crédito tributário devido pelo contribuinte. Diferente seria se a quebra de sigilo bancário tivesse sido originada em um processo de natureza civil (ação de cobrança, por exemplo), movida entre particulares, onde o juiz da causa, para ver satisfeito o cumprimento da ação pelo devedor, determinasse a quebra de seu sigilo bancário para constatar a existência de valores a fim de adimplir a condenação. Esta quebra de sigilo bancário jamais poderia ser utilizada por outra parte estranha ao processo (seja outro particular que estivesse executando o mesmo devedor em outro processo, ou até mesmo a Receita Federal), já que a quebra do sigilo não pode servir para fins estranhos à lide. Assim, cada credor deve apresentar em seu respectivo processo as razões para que haja a quebra do sigilo bancário do devedor. Contudo, a hipótese acima não se aplica ao presente caso, já que a própria finalidade da quebra do sigilo bancário do RECORRENTE foi, repitase, a apuração de ilícitos penais fiscais, o que envolve a participação da Receita Federal para que seja apurado e cobrado o crédito tributário devido, já que a atividade de lançamento é vinculada e privativa da autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Em sede de impugnação, o RECORRENTE afirma que a quebra do sigilo bancário foi deferida no processo judicial nº 2002.51015105630 (o qual se tratou de uma medida cautelar, conforme exposto) e que “posteriormente, em 17.05.2003, o MPF ofereceu denúncia criminal em face do IMPUGNANTE, iniciando a ação penal n° 2002.51.01.510950 7”. Consta dos autos a denúncia do MPF para o início da ação penal n° 2002.51.01.5109507 (fl. 466) assim como a decisão judicial recebendo referida denúncia (fls. 467/468). Note que o MPF requereu fosse “autorizada a extração de cópias para remessa à Receita Federal, a fim de instruir ação fiscal requisitada pelo MPF” (item 5 da Denúncia de fl. 466), o que foi deferido pelo magistrado (fl. 468). Assim, não há que se falar em qualquer acesso ilegal, por parte da Receita Federal, aos dados bancários do RECORRENTE, já que a finalidade da quebra do sigilo foi, além da investigação criminal em decorrência de ilícito fiscal, a cobrança do crédito tributário Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.409 9 devido. Tanto que desde o princípio da Denúncia, o MPF requisita a instrução de ação fiscal, o que exige a participação da Receita Federal. Portanto, afastase a preliminar de nulidade levantada pelo RECORRENTE. Do Pedido de Diligência Entendo como correta a decisão da DRJ de indeferir o pedido de diligência. Conforme exposto no Relatório, o RECCORRENTE informou que “alienou progressivamente a partir de janeiro de 1998, as ações representativas do controle acionário das instituições financeiras Liberal Banking Corporation Limited (LBCL), e do Banco Liberal (BL) ao Bank of América (BofA); que o Liberal International Limited (LIL) vendeu ao BofA o Controle acionário do LBCL, do qual o contribuinte possuía 1/6 do total e que esta transação comercial possibilitou que o LIL provesse o contribuinte e seus familiares com expressivos recursos financeiros, enviados ao País por esta instituição”. Ademais, afirmou que os depósitos seriam também provenientes de salários; gratificações ou dividendos e pela compra e venda de cavalos de corrida e prêmios recebidos em competições profissionais. Assim, o RECORRENTE solicita pedido de diligência para comprovar a conexão entre os recursos por ele auferidos e os créditos bancários sem origem comprovada. Ocorre que, a finalidade da realização de diligências é elucidar questões comprometidas, e não produzir provas em favor do interessado. Nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora pode indeferir a realização de perícias e diligências se entendêlas desnecessárias para solução da lide, desde que fundamentada a decisão nos termos do art. 28 também do Decreto nº 70.235/1972. No caso, o RECORRENTE sequer junta aos autos comprovação de que tentou obter diretamente, junto às instituições financeiras por ele indicadas, o comprovante de que os recursos são provenientes da supracitada alienação de participação societária, limitando se a alegar que não possui relação com os novos adquirentes das ações alienadas (sucessores). Mesmo diante da ausência de documentação por parte do RECORRENTE, poderseia converter o julgamento em diligência, em respeito ao princípio da verdade material, caso fosse constatada a verossimilhança das alegações da defesa e restasse demonstrada a dificuldade do contribuinte obter a documentação, ante a recusa ou demora das instituições financeiras, por exemplo. Foi o que ocorreu em outros processos movidos em face do RECORRENTE. Mediante pesquisa no site do CARF, este Relator verificou que nos processos nº 18471.000541/200499 e nº 18471.002740/200351, originários da mesma ação fiscal do presente caso, o CARF converteu o julgamento em diligência para atender ao pleito do contribuinte, no sentido de diligenciar junto ao Banco Liberal e seus sucessores (Bank Of America Liberal) solicitando “informações, bem assim cópia de documentos, quanto aos valores e a forma de pagamento das vendas das participações societárias indiretas do Sr Antonio Carlos Braga Lerngruber nas empresas LBCL e Banco Liberal” (trecho extraído do voto de ambos os processos citados). As Resoluções de diligência são as de nº 10202.353 de Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.410 10 26/04/2007 (processo nº 18471.000541/200499) e n° 10202.318 de 08/11/2006 (processo nº 18471.002740/200351). Contudo, as diligências restaram infrutíferas nos dois casos, pois a instituição financeira alegou não dispor de documentos relativos às operações indicadas pelo contribuinte. Sendo assim, é desnecessário e vai de encontro ao princípio da economia processual a determinação de nova diligência para a tentativa de obtenção dos mesmos documentos, já que os mesmos não foram encontrados pelas instituições financeiras apontadas pelo RECORRENTE. Neste sentido, a fim de embasar esta decisão, cito trechos dos votos proferidos nos mencionados processos administrativos: Processo nº 18471.000541/200499 (voto proferido na sessão de 12/04/2010): (...) (...) (...) Processo nº 18471.002740/200351 (voto proferido na sessão de 19/08/2010): De fato, em que pese a necessária comprovação, por parte do Recorrente, da origem e natureza dos valores depositados em sua conta bancária, limitouse a consignar, inicialmente, de forma absolutamente genérica e sem qualquer comprovação, que diversos depósitos decorreriam da alienação das quotas sociais detidas no Liberal Banking Corporation Limited (LBCL) e no Banco Liberal (BL). Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.411 11 (...) É preciso frisar, outrossim, que, não obstante a inexistência de qualquer suporte probatório para sustentar a tese defendida pelo Recorrente, as diligências determinadas pelo Primeiro Conselho de Contribuintes igualmente restaram infrutíferas, razão pela qual não merece guarida a argumentação expendida. No que atine, por fim, à alegada percepção de rendimentos do Bank of America Liberal, sem qualquer demonstração de sua causa ou natureza, ou mesmo do oferecimento de tais verbas à tributação nos anoscalendário em espeque pelo contribuinte, igualmente não merece prosperar. De todo modo, a execução da diligência requerida pelo contribuinte, com a conseqüente intimação do Bank of Arnerica para prestar esclarecimentos, também não logrou demonstrar a natureza ou mesmo a efetiva disponibilização dos recursos ao contribuinte, o que se infere do seguinte trecho, extraído da resposta à intimação oferecida pela referida instituição financeira: "Ainda, não obstante nossos maiores esforços e o fato destes documentos se referirem a fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos, declaramos que não encontramos os documentos que fora nos solicitado como: a) informações e cópias de documentos referentes aos valores e à forma de pagamento das vendas das participações societárias indiretas do Sr. Antonio Carlos Braga Lerngruber nas empresas LBCL e Banco Liberal (item ri° 03). b) informações e documentos quanto aos valores pagos a título de prólabore, salários, gratificações ou dividendos, nos anos de 1998 e seguintes, ao Sr. Antonio Carlos Braga Lemgmber (item n° 04)" (fl. 580). Pelas razões expostas, não há como prosperar a irresignação do Recorrente, devendose manter, quanto aos pontos suscitados, o teor do decisum a quo. Portanto, desnecessário a realização da diligência requisitada, pois as anteriores restaram infrutíferas e, ademais, é dever do contribuinte comprovar que os depósitos efetuados em sua conta não correspondem a um acréscimo patrimonial, em razão da presunção legal de omissão de rendimentos estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, conforme exposto adiante. MÉRITO Depósitos Bancários sem Origem Comprovada Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.412 12 Em princípio, devese esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." A presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza o lançamento quando a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato previsto, não sendo necessária a comprovação do consumo dos valores. A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Portanto, ao contrário do que defende a RECORRENTE, é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário, o que não aconteceu no presente caso. A única forma de elidir a tributação é a comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas correntes mediante documentação hábil e idônea. Para afastar a autuação, o RECORRENTE deveria apresentar comprovação documental referente a cada um dos depósitos individualizadamente, nos termos do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. O art. 15 do Decreto nº 70.235/72 determina que a defesa do contribuinte deve estar acompanhada de toda a documentação em que se fundamentar: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência." Deveria, então, o RECORRENTE comprovar a origem dos recursos depositados na sua conta bancária durante a ação fiscal, ou quando da apresentação de sua impugnação/recurso, pois o crédito em seu favor é incontestável. Sobre o mesmo tema, importante transcrever acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1998 Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.413 13 (...) IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI Nº 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. (...) Recurso voluntário provido em parte. (1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Esclareçase, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do já citado art. 142 do CTN. Desta forma, o RECORRENTE deveria ter apresentado suas justificativas de maneira individualizada, não sendo suficiente a alegação genérica de que os recursos creditados em suas contas correntes têm como origem salários, gratificações ou dividendos, valores relativos a compra e venda de cavalos de corrida e prêmios recebidos em competições, ou ainda valores decorrentes da venda das “ações representativas do controle acionário das instituições financeiras Liberal Banking Corporation Limited (LBCL), e do Banco Liberal (BL) ao Bank of América (BofA)”. Ora, ainda que os recursos tivessem a origem apontada pelo RECORRENTE, ad argumentandum tantum, era seu dever ter feito a relação apontando qual documento justifica qual depósito, devendo o documento apontado possuir identidade de data e valor com o depósito apontado, o que não foi feito no presente caso. Desta feita, entendo que o RECORRENTE não logrou em atender a disposição constante no §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que impõe a necessidade de apresentar comprovação documental referente a cada um dos depósitos individualizadamente. Portanto, ainda que os depósitos fossem provenientes da alienação de ações, de salários, de dividendos, de prêmios de corridas e competições, como alega o contribuinte, deveria o contribuinte ter apontado qual depósito é proveniente de cada justificativa, e comprovar, mediante documentação hábil e idônea. Da mesma forma, deveria comprovar o nexo causal dos depósitos com valores decorrentes de venda de ações de instituições financeiras. Neste último caso, o RECORRENTE, em seu recurso voluntário, sequer tenta justificar a origem dos recursos, apenas requer o pedido de diligência para comprovar a conexão entre os recursos por ele auferidos e os créditos bancários sem origem comprovada. Contudo, repiso que o pedido de diligência foi rejeitado em razão da desnecessidade de sua realização, já que, em outros processos, as instituições financeiras apontadas alegaram não possuir documentos relativos à operação citada pelo RECORRENTE. Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.414 14 Quanto à alegação de que a operação de venda de ações da instituição financeira teria ocorrido, conforme reporta o documento de tradução juramentada relativo ao mencionado acordo (fls. 470/657), entendo que o mesmo, por si só, não comprova a origem ou a natureza dos depósitos tidos como não comprovados. Sobre o tema, utilizo como razões de decidir o voto proferido pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no processo nº 18471.002740/200351 (acórdão nº 100.693), movido em face do RECORRENTE: “De fato, em que pese a necessária comprovação, por parte do Recorrente, da origem e natureza dos valores depositados em sua conta bancária, limitouse a consignar, inicialmente, de forma absolutamente genérica e sem qualquer comprovação, que diversos depósitos decorreriam da alienação das quotas sociais detidas no Liberal Banking Corporation Limited (LBCL) e no Banco Liberal (BL). Compulsandose os elementos acostados aos autos, verificase que, muito embora tenha o contribuinte juntado a tradução juramentada do suposto acordo, o que demonstraria, em seu entender, a percepção da valores decorrentes da alienação do controle acionário das sociedades a partir de janeiro de 1998, deixou o Recorrente de demonstrar, em coincidência de datas e valores, a vinculação entre os depósitos bancários objeto do presente recurso e a suposta alienação mencionada em sua defesa. Não obstante haver deixado de acostar a prova da conexão entre os depósitos e os supostos ganhos oriundos da suposta alienação de sua participação acionária, é preciso frisar, igualmente, que, consoante se infere do próprio documento acostado pelo contribuinte, não houve, com a assinatura do contrato em referência, o fechamento da negociação inicialmente entabulada, sendo certo que, consoante se extrai da referida tradução juramentada "a consumação das ações e transações previstas pela Subcláusula 23 (o "Fechamento") ocorrerá no escritório do Rio de Janeiro (..)" a depender, neste esteio, da consumação de condições suspensivas previstas pelas partes contratualmente (tis, 200 e seguintes). Nesse sentido, extraise que, havendo, à época da assinatura do contrato em referência, condições suspensivas de sua eficácia, podese concluir, já neste primeiro momento, a inexistência de comprovação sequer da efetiva alienação das ações em referência. Na esteira deste entendimento, fazse mister verberar, igualmente, que não há, nas declarações de ajuste do contribuinte nos anoscalendário de 1998 e 1999, qualquer baixa do investimento feito nas referidas sociedades pelo Recorrente, mantendose, nos dois períodos, os valores de R$ 1,197.447,91 e de R$ 92344,88, respectivamente no Banco Liberal S/A e no Liberal Bank International Limited (fis, 06/09), Ao contrário do alegado, verificase, inclusive, que, já no próprio anocalendário de 2000, igualmente objeto desta fiscalização, o valor patrimonial de investimento nas referidas Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.415 15 pessoas jurídicas aumentou, o que não permite a conclusão de que efetivamente tenha havido a alienação asseverada (fl. 11). Ressaltese, por oportuno, que não acostou o contribuinte qualquer prova aos autos de que o suposto ganho de capital decorrente da alienação da participação societária tenha sido objeto de tributação pelo IRRF, na forma do art. 21 da Lei n.º 8,981/95, o que também corrobora a argumentação aqui exposta.” Em meio ao pedido de diligência, o RECORRENTE pleiteia que sejam deduzidos da base de cálculo apurada os rendimentos declarados em DAA, sob pena de se considerar como omissão de receita rendimentos já tributados: “3.24. O art. 42 da Lei n° 9.430/96, fundamento legal do AUTO, apenas autoriza o lançamento sobre depósitos bancários Cuja a origem não seja identificada pelo contribuinte. Isto o ônus da prova apenas recai para o contribuinte sobre a parte dos depósitos que ele não tenha conseguido provar a sua origem e, portanto, na parte que exceda aos rendimentos devidamente declarados à Receita Federal. Admitindose o contrário, estar seia permitindo o fisco considerar "Omissão de receita" rendimentos já declarados, pelo contribuinte, o que seria um absurdo. 3.125. Em outras palavras, caberia a fiscalização, e não ao RECORRENTE, o ônus de provar que os rendimentos por ele declarados não constavam dentre os depósitos bancários objeto do AUTO; não tendo ele feito tal prova; impossível seria não deduzir os rendimentos já declarados da totalidade dos depósitos bancários nãocomprovados.” Conforme relatado, a fiscalização já excluiu diversos depósitos da relação de créditos bancários apontados como não comprovados. Note que as relações de depósitos mensais sem origem comprovada encontramse às fls. 397, 398/400, 402/403, 406, 409/410, 411, 412 e 414. A autoridade fiscal já excluiu da base de cálculo os depósitos que representaram transferências entre contas do próprio RECORRENTE (fls. 396, 404/405 e 407). A fiscalização teve a atenção de identificar os valores recebidos como PROVENTOS pelo contribuinte. Assim, por entender que eles já fizeram parte do rendimento tributável declarado, os excluiu da base de cálculo do presente lançamento. As relações dos proventos excluídos estão acostadas à fl. 408 (Banco Liberal) e à fl. 413 (Banco Real), que somam R$ 340.172,97, ao passo que a totalidade dos rendimentos tributáveis declarado naquele anocalendário de 2001 foi de R$ 476.370,00 (fl. 07). De igual forma, a autoridade fiscal já considerou como comprovadas as origens dos depósitos feitos no Unibanco, c/c nº 134983, pelo Jockey Club Brasileiro, com a tributação realizada de forma exclusiva pela fonte pagadora. Referidos depósitos constam da relação de fl. 401 (algo em torno de R$ 400.000,00), ao passo que o RECORRENTE declarou em DAA o montante de R$ 576.593,64 como rendimento sujeito à tributação exclusiva. Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.416 16 Portanto, notase que a grande parte dos rendimentos declarados pelo RECORRENTE já foi excluída da base de cálculo que compõe o presente lançamento. Pois bem, é de conhecimento que a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais admite a exclusão em bloco dos rendimentos informados nas declarações de ajuste anual da pessoa física da base de cálculo do lançamento, desde que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não comprovada, pois nesse caso seriam excluídos pela própria fiscalização. Isto porque ao somar aos valores já declarados os rendimentos provenientes de depósitos sem origem comprovados, a fiscalização incorre na presunção de que todos os valores que transitaram pelas contascorrentes do RECORRENTE não foram informados na declaração, o que implica dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. Contudo, no presente caso, grande parte dos valores declarados pelo RECORRENTE (rendimentos tributáveis e tributáveis exclusivamente na fonte) já foram identificados e excluídos da relação de depósitos de origem não comprovada (base de cálculo do lançamento). No caso concreto, em peculiar, entendo que não se pode excluir da base de cálculo a diferença entre os rendimentos declarados e os valores já admitidos pela fiscalização, pois há elementos nos autos que apontam não terem sido investigadas todas as contas bancárias do RECORRENTE (ou, ao menos, as contas onde foram creditados recursos pertencentes ao RECORRENTE). Neste sentido, cito o Termos de Intimação Fiscal nº 16 (fl. 384), através do qual a autoridade fiscal intimou o contribuinte para: “3. Informar a titularidade das contas correntes do UNIBANCO n.°s 102.4467 e 120.0174 e do ABNAMRO BANK REAL n.° 37186360, tendo em vista que os prêmios recebidos por V.S. a do Jockey Club Brasileiro foram depositados nestas Contas”. Referidas contas bancárias não fazem parte do rol de contas investigadas neste lançamento (vide fls. 396/414) e, portanto, não se pode afirmar de maneira inequívoca que todos os recursos do contribuinte foram objeto de fiscalização. Ora, se alguns prêmios pagos pelo Jockey Club Brasileiro (cuja tributação é feita de forma exclusiva pela fonte pagadora, conforme exposto) foram depositados em outras contas não investigadas pela fiscalização, então significa que tais prêmios também são parte do rendimento sujeito à tributação exclusiva declarado pelo contribuinte (R$ 576.593,64), em conjunto com o montante aproximado de R$ 400.000,00 depositado na conta nº 134983 do Unibanco (relacionado à fl. 401). Ademais, a exclusão em bloco somente pode ocorrer em relação ao rendimento tributável e não em relação ao rendimento sujeito a tributação exclusiva, pois neste último caso o contribuinte deve comprovar que o depósito foi tributado exclusivamente na fonte, assim como ocorre com os rendimentos isentos. Por tudo exposto, entendo como não comprovada a origem dos valores objetos do presente processo administrativo, mantendo a tributação incidente sobre a presunção legal de omissão de rendimentos. Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.417 17 CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, conforme razoes acima apresentadas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 1417DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904444/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/1999
CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE.
Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF.
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência.
INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF.
FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS.
O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.954
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/1999 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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(SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/1999 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 44 44 /2 01 1- 31 Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10280.904444/201131 Acórdão n.º 3402005.954 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, consoante argumentos plasmados no Acórdão nº 14041.271 Inconformada com esta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual defende o direito ao crédito pleiteado. Na apreciação deste recurso, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 3402001.062, para que a Unidade de Origem realizasse o seguinte levantamento: i) Apurar a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes; ii) Elaborando Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá los com o recolhido; iii) Apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10280.904444/201131 Acórdão n.º 3402005.954 S3C4T2 Fl. 0 3 Em cumprimento à Resolução foi apresentada a Informação Fiscal que concluiu pela existência de recolhimento a maior, sendo possível o reconhecimento parcial do crédito para a compensação requerida. Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente argumentou que o raciocínio adotado pela fiscalização sobre a natureza dos valores escriturados em algumas das contas contábeis não merece prevalecer, fundamentando acerca da natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas e, com isso, reiterando o pedido de provimento do recurso voluntário interposto e reconhecimento integral do direito ao crédito postulado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.949, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.900097/201259, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.949): "Pressupostos legais de admissibilidade Como já observado pela Resolução nº 3402001.052, o Recurso Voluntário de fls. 73 a 90 é tempestivo, uma vez que a intimação do Acórdão nº 1441.254 ocorreu via postal na data de 11/06/2013 (fls. 71), com interposição da defesa em data de 08/07/2013 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 72). Por atender aos pressupostos legais de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido por este Colegiado. Do pedido preliminar para reunião dos processos Preliminarmente a Recorrente argumenta que os seguintes processos têm o mesmo objeto do caso em análise, referente ao questionamento sobre a restituição de crédito decorrente do recolhimento indevido da COFINS, pautado na inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98: Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10280.904444/201131 Acórdão n.º 3402005.954 S3C4T2 Fl. 0 4 Considerando que não há fatos jurídicos tributários idênticos, uma vez que os processos têm períodos de apuração diversos, não há vinculação que torne obrigatória a aplicação do artigo 6º do RICARF. Ademais, o presente recurso foi distribuído como paradigma, seguindo a sistemática dos recursos repetitivos, conforme regulamentação do artigo 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Conforme informado em Termo de Intimação Fiscal nº 01 SAORT/DRFSJR de fls. 241 a 242, a diligência foi realizada em cumprimento às Resoluções de nºs 3402001.050 a 3402 001.067, proferidas por este Colegiado, resultando na análise do crédito pleiteado nos seguintes processos: 10280.900096/201212, 10280.900095/201260, 10280.900097/201259, 10280.900106/201210, 10280.904424/201161, 10280.904437/201130, 10280.904438/201184, 10280.904439/201129, 10280.904440/201153, 10280.904441/201106, 10280.904442/201142, 10280.904443/201197, 10280.904444/201131, 10280.904445/201186, 10280.904446/201121, 10280.904447/201175, 10280.904971/201146, 10280.904972/201191, 10280.904973/201135, 10280.904974/201180, 10280.905315/201161, 10280.905316/2011 13,10280.905317/201150, 10280.905318/201102, 10280.905319/201149, 10280.905320/201173, 10280.905321/201118, 10280.905322/201162, 10280.905323/201115, 10280.905325/201104, 10280.905326/201141, 10280.905328/201130, 10280.905329/201184, 10280.905330/201117, 10280.905331/201153, 10280.905332/201106, 10280.905333/201142, 10280.905334/201197, 10280.905781/201146, 10280.905782/201191, 10280.905784/201180, 10280.905785/201124, 10280.905786/201179, 10280.905787/201113, Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10280.904444/201131 Acórdão n.º 3402005.954 S3C4T2 Fl. 0 5 10280.905790/201137, 10280.905803/201178 e 10280.905804/201112. Portanto, resta prejudicada a preliminar invocada no Recurso Voluntário em análise. Do mérito Pede a Recorrente pelo reconhecimento do direito à restituição da Contribuição para o PIS/PASEP calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, explanando sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e necessária incidência do artigo 62. § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF. Para tanto, pugna pela aplicação da Verdade Material, uma vez que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, configurando a decisão recorrida em formalismo exagerado. Pede, ainda, pela complementação da produção probatória necessária para lastrear a existência de seu crédito. Como já relatado, tanto o reconhecimento da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62, § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF, bem como o pedido de produção de prova complementar, restaram superados através da Resolução nº 3402001.052 (fls. 234238), pela qual este Colegiado converteu o julgamento do recurso em diligência com a seguinte determinação: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. A matéria suscitada sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585.235/MG, resultando na aplicação do artigo 62, § 2do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10280.904444/201131 Acórdão n.º 3402005.954 S3C4T2 Fl. 0 6 Portanto, neste ponto dou provimento ao recurso, com a produção de prova já realizada através da diligência acima mencionada. Do resultado da diligência Em sequência, dando cumprimento ao artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011, a Recorrente manifestouse sobre o resultado da diligência às fls. 338351, sustentando sobre a natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas. Em síntese, alega a Recorrente que ".... as bonificações não são receitas da recorrente, mas apenas recuperação do custo de aquisição dos bens adquiridos por ela para revenda. Como a recuperação de custos realmente aumenta o lucro bruto da recorrente, eis que diminuem o custo da mercadoria vendida, mas, por outro lado, não interferem nas receitas da recorrente, eis que o valor das vendas não é alterado, não havendo qualquer interferência desses valores na receita da recorrente, passível de tributação pela contribuição ao PIS e pela COFINS." A questão atinente às verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas foi objeto de análise por esta Turma Ordinária no PAF nº 10280.900096/201212, de relatoria da Eminente Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula e cujo julgamento ocorreu em data de 25 de setembro de 2018. Com isso, como solução deste litígio, adoto o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.569, pelo qual foi aplicado o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506/19641, bem como as Soluções de Consulta Cosit nºs 291/20172 e 34/20133. 1 Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 2 Solução de Consulta nº 291 Cosit Data 13 de junho de 2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária), incidindo a Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10280.904444/201131 Acórdão n.º 3402005.954 S3C4T2 Fl. 0 7 Para tanto, transcrevo a fundamentação que embasa a decisão em referência, a qual cita trechos extraídos da respectiva Informação Fiscal, reproduzindo os mesmos termos constantes do resultado da diligência realizada neste processo, motivo pelo qual deve ser considerada como embasamento do presente voto: "Quanto ao mérito, valem aqui as considerações já expedidas na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, a seguir transcritas: Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal. Assim, em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, relativamente ao alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aplicado neste julgamento o entendimento do Supremo Tribunal Federal proferido em regime de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. (...) Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. 3 Solução de Consulta nº 34 Cosit Data 21 de novembro de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS CONDICIONAIS E INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais consideramse parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Dispositivos Legais: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), arts. 373 e 374; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.2. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10280.904444/201131 Acórdão n.º 3402005.954 S3C4T2 Fl. 0 8 Como bem esclareceu a fiscalização na diligência, devem ser excluídos do conceito de faturamento os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa: 7. No anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 30/08/2012, está delimitado o julgado pelo STF no RE n° 585.235, nos seguintes termos: “DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. (...)” 8. A delimitação da matéria decidida é também fruto dos julgados do STF, que entendem que o conceito de faturamento abrange a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços das empresas, e todas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esta é a interpretação dada pelo RE n. 371.258 AgR (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 03.10,2006), pelo RE n. 400.4798/RJ ( Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 10.10,2006) e pelo RE n 527.602/SP (Tribunal Pleno, Rel Min Eros Grau, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 05.08.2009), sendo que neste último ficou estabelecido que somente são excluídos do conceito de faturamento “os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa”. Assim, o faturamento corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Com efeito, adotando tal entendimento, a fiscalização excluiu do faturamento, para fins de incidência das contribuições, as receitas que não se enquadravam como operacionais, resultando num recolhimento a maior, passível de reconhecimento de crédito para compensação no valor mencionado no relatório acima. Não obstante tenha sido devidamente intimada, a recorrente não se manifestou em face do resultado da diligência, pelo que se pressupõe que com ele concordou. Ademais, na diligência foram acolhidos, em grande parte, os demonstrativos/memórias de cálculo elaborados pela própria contribuinte em resposta à intimação da fiscalização, ressalvadas poucas divergências, quanto às receitas originadas das bonificações recebidas e das recuperações de despesas, como se vê nos seguintes trechos da Informação fiscal: 9. Concorda o contribuinte, conforme seus demonstrativos, que devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as seguintes receitas operacionais (líquidas das devoluções/deduções): vendas de veículos novos (de fev/03 e mar/03), vendas de veículos usados, instalação e vendas de peças e acessórios, instalação e vendas de Kits de conversão Gás, prestação de serviços da oficina, vendas de outras mercadorias e outras prestações de serviços (outras atividades). Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10280.904444/201131 Acórdão n.º 3402005.954 S3C4T2 Fl. 0 9 10. Também devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as bonificações recebidas das montadoras, mesmo que em mercadoria (contas 37201.00001 Bonificação MBB Veículos, 37201.00002 Bonificação MBB Sprinter e 37202.00001 Bonificação MBB Peças e Motores) e a recuperação de despesas com veículos e peças em garantias (contas 37202.00009 Recup. Desp. c/ Garantia e 37204.00009 Recup. Desp. c/ Garantia), pelo que segue. Nada há a reparar no entendimento da fiscalização no sentido de que as "recuperações de despesas também constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.5061, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999)", sobre as quais há a incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Quanto às bonificações, embora em algumas situações específicas elas possam configurar descontos incondicionais, o que, se fosse o caso, poderia ensejar a exclusão de tais receitas do conceito de faturamento, nos termos das Soluções de Consulta Cosit nºs 291/2017 e 34/20132, não há qualquer argumentação da recorrente nesse sentido, no recurso voluntário ou na diligência do presente processo, razão pela qual deve ser mantido o resultado do direito creditório apurado na diligência com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que é o mérito do recurso voluntário e do pedido de restituição da interessada. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência, determinando a homologação das compensações vinculadas na medida correspondente." Portanto, deve imperar o resultado da diligência que corretamente refez a apuração do PIS do período de Novembro de 2002, com base no demonstrativo e registros contábeis apresentados pela Contribuinte. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos." Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10280.904444/201131 Acórdão n.º 3402005.954 S3C4T2 Fl. 0 10 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu o Recurso Voluntário e julgouo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, §2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 338DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917121/2013-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2013
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO
É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório.
ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO.
É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.364
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 71 21 /2 01 3- 19 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.917121/201319 Acórdão n.º 3302006.364 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de homologação apenas parcial da compensação declarada, pelo fato de que os pagamentos informados já haviam sido parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, limitandose a alegar a nulidade da decisão, sob o argumento de ausência de fundamentação. Questionou o então Manifestante a validade da decisão eletrônica, não submetida ao crivo de um Auditor Fiscal, e discorreu acerca do instituto da nulidade dos atos administrativos, trazendo aos autos farta doutrina e jurisprudência. Pugnou, também, pela posterior produção de provas, considerando a ausência de motivação da decisão a impossibilitar o conhecimento prévio da prova a ser produzida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1451.413, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, declarando a validade do Despacho Decisório, sob o argumento de que o documento, ainda que eletrônico, possuía todos os elementos legalmente exigidos, proferido por autoridade competente e motivado pela verificação dos valores objeto de outras declarações. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.361, de 13/12/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.917118/201397, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.361): Sinteticamente, a Recorrente questiona a validade do Despacho Decisório por meio do qual foi denegado o pedido de compensação de tributos, sob o argumento de que ele limitouse a afirmar. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.917121/201319 Acórdão n.º 3302006.364 S3C3T2 Fl. 4 3 "A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 1.248,99 Valor do crédito original reconhecido: 114,34 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2013. (...) Para detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereçowww.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008." Em sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente não traz aos autos qualquer prova documental e para a dilação de sua entrega invoca o artigo 16, § 4º, a), do Dec. 70235 sob o argumento de que "... demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por força maior." eis que ao seu ver "... a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas." Já no Recurso Voluntário também sustenta tratarse de um ato vinculado que, portanto, necessita ser realizado em conformidade com o ordenamento jurídico. Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.917121/201319 Acórdão n.º 3302006.364 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitandose a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917145/2013-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2013
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO
É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório.
ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO.
É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.388
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 71 45 /2 01 3- 60 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.917145/201360 Acórdão n.º 3302006.388 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de homologação apenas parcial da compensação declarada, pelo fato de que os pagamentos informados já haviam sido parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, limitandose a alegar a nulidade da decisão, sob o argumento de ausência de fundamentação. Questionou o então Manifestante a validade da decisão eletrônica, não submetida ao crivo de um Auditor Fiscal, e discorreu acerca do instituto da nulidade dos atos administrativos, trazendo aos autos farta doutrina e jurisprudência. Pugnou, também, pela posterior produção de provas, considerando a ausência de motivação da decisão a impossibilitar o conhecimento prévio da prova a ser produzida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14051.437, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, declarando a validade do Despacho Decisório, sob o argumento de que o documento, ainda que eletrônico, possuía todos os elementos legalmente exigidos, proferido por autoridade competente e motivado pela verificação dos valores objeto de outras declarações. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.361, de 13/12/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.917118/201397, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.361): Sinteticamente, a Recorrente questiona a validade do Despacho Decisório por meio do qual foi denegado o pedido de compensação de tributos, sob o argumento de que ele limitouse a afirmar. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.917145/201360 Acórdão n.º 3302006.388 S3C3T2 Fl. 4 3 "A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 1.248,99 Valor do crédito original reconhecido: 114,34 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2013. (...) Para detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereçowww.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008." Em sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente não traz aos autos qualquer prova documental e para a dilação de sua entrega invoca o artigo 16, § 4º, a), do Dec. 70235 sob o argumento de que "... demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por força maior." eis que ao seu ver "... a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas." Já no Recurso Voluntário também sustenta tratarse de um ato vinculado que, portanto, necessita ser realizado em conformidade com o ordenamento jurídico. Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.917145/201360 Acórdão n.º 3302006.388 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitandose a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004726/2010-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO.
Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições.
RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS.
Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos.
Numero da decisão: 3201-004.528
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. Recorrente SOCIEDADE COOPERATIVA UNIÃO AGRÍCOLA CANOINHAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO. Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS. Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 47 26 /2 01 0- 73 Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10920.004726/201073 Acórdão n.º 3201004.528 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) amparado em crédito decorrente da Contribuição para o PIS/Pasep Mercado Interno, utilizado para a extinção de créditos tributários próprios por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação (DCOMPs). Reproduzo, em parte, o relatório da primeira instância administrativa: Importante mencionar a existência do Mandado de Segurança de nº 500392024.2010.404.7201, impetrado pela manifestante tendo por fundamento o art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, que estabelece o prazo de 360 dias para que o autoridade administrativa profira a decisão pertinente aos documentos por ela apresentados, prazo que teria transcorrido sem que a providência houvesse sido adotada, motivo com base no qual requereu a decretação, por parte do Poder Judiciário, da análise imediata da questão. Em decisão datada de 10/11/2010, (...), deuse a concessão parcial da segurança, sendo determinada a apreciação da questão no prazo de 60 (sessenta) dias. Os Pedidos de Ressarcimento a serem analisados e deliberados pela unidade jurisdicionante da pessoa jurídica, a DRF Joinvile/SC, referemse ao PIS/Pasep Mercado Interno e à Cofins Mercado Interno dos fatos geradores compreendidos entre o 3º Trimestre/2004 e o 4º Trimestre/2008, conforme a seguir detalhado: Processo Tributo PERDCOMP PA 10920.004711/201013 Cofins 17455.71035.310709.1.5.112060 3° Trimestre/2004 10920.004723/201030 PIS/Pasep 30642.26493.290709.1.5.107959 3° Trimestre/2004 10920.004710/201061 Cofins 28375.24544.310709.1.5.116324 4° Trimestre/2004 10920.004724/201084 PIS/Pasep 29897.60316.290709.1.5.104505 4° Trimestre/2004 10920.004709/201036 Cofins 15328.79211.310709.1.5.116830 1° Trimestre/2005 10920.004725/201029 PIS/Pasep 25689.76192.290709.1.5.102921 1° Trimestre/2005 10920.004708/201091 Cofins 30424.34979.310709.1.5.115072 2° Trimestre/2005 10920.004726/201073 PIS/Pasep 39774.00532.290709.1.5.100185 2° Trimestre/2005 10920.404707/201047 Cofins 23790.46725.310709.1.5.116148 3° Trimestre/2005 10920.004728/201062 PIS/Pasep 02417.08395.290709.1.5.100094 3° Trimestre/2005 10920.004706/201001 Cofins 37964.06050.310709.1.5.114270 4° Trimestre/2005 10920.004727/201018 PIS/Pasep 21861.29156.290709.1.5.106247 4° Trimestre/2005 10920.004705/201058 Cofins 06970.81145.310709.1.5.111410 1° Trimestre/2006 10920.004729/201015 PIS/Pasep 28541.03638.310709.1.5.104332 1° Trimestre/2006 10920.004716/201038 Cofins 07960.33360.310709.1.5.111850 2° Trimestre/2006 10920.004732/201021 PIS/Pasep 22249.79328.310709.1.5.107100 2° Trimestre/2006 10920.004717/201082 Cofins 19624.55898.310709.1.5.112757 3° Trimestre/2006 10920.004733/201075 PIS/Pasep 31301.78029.050308.1.1.101768 3° Trimestre/2006 10920.004718/201027 Cofins 36617.64721.060308.1.1.115747 4° Trimestre/2006 10920.004730/201031 PIS/Pasep 42697.96779.050308.1.1.108306 4° Trimestre/2006 10920.004712/201050 Cofins 15943.22182.060308.1.1.116378 1° Trimestre/2007 10920.004731/201086 PIS/Pasep 35701.48279.060308.1.1.107085 1° Trimestre/2007 10920.004715/201093 Cofins 28956.87473.060308.1.1.116300 2° Trimestre/2007 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10920.004726/201073 Acórdão n.º 3201004.528 S3C2T1 Fl. 4 3 10920.004734/201010 PIS/Pasep 22709.19031.130308.1.1.109949 2° Trimestre/2007 10920.004714/201049 Cofins 41188.20386.060308.1.1.114335 3° Trimestre/2007 10920.004735/201064 PIS/Pasep 21497.17327.130308.1.1.102500 3° Trimestre/2007 10920.004713/201002 Cofins 19868.38705.060308.1.1.112304 4° Trimestre/2007 10920.004736/201017 PIS/Pasep 14116.48037.130308.1.1.106736 4° Trimestre/2007 10920.004719/201071 Cofins 32429.08130.130109.1.1.114306 1° Trimestre/2008 10920.004737/201053 PIS/Pasep 07150.17502.290709.1.5.102770 1° Trimestre/2008 10920.004720/201004 Cofins 39665.94856.310709.1.5.119731 2° Trimestre/2008 10920.004738/201066 PIS/Pasep 01050.62515.310709.1.1.109626 2° Trimestre/2008 10920.004721/201041 Cofins 03226.66128.310709.1.1.110966 3° Trimestre/2008 10920.0047391201042 PIS/Pasep 12003.75662.310709.1.1.100828 3° Trimestre/2008 10920.004722/201095 Cofins 39583.82165.310709.1.1.11 4456 4° Trimestre/2008 10920.004740/201077 PIS/Pasep 40010.52467.310709.1.1.100090 4° Trimestre/2008 Os créditos presentes nos Pedidos de Ressarcimento suprarrelacionados foram utilizados pela pessoa jurídica em numerosos procedimentos compensatórios, com base nos quais extinguiu créditos tributários de sua responsabilidade. Sentença datada de 14/12/2010 confirmou a liminar, na parte que determinou a apreciação dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação no prazo de 60 (sessenta) dias, e declarou o direito de a impetrante “ver aplicada correção monetária aos créditos de PIS/COFINS objeto dos referidos requerimentos, a partir do dia imediatamente posterior ao vencimento do prazo previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, até a data do crédito na contacorrente da empresa, à variação da taxa selic”, (...). Objetivando dar cumprimento à determinação judicial, a autoridade administrativa responsável pelos trabalhos emitiu a Intimação Fiscal (...), tendo a pessoa jurídica sido instada a apresentar os balancetes mensais que contêm a demonstração das receitas e despesas declaradas nos DACONs dos períodos alcançados pela auditoria fiscal; a relação dos produtos revendidos pela sociedade cooperativa, com as respectivas classificações NCM; a relação dos clientes adquirentes dos produtos comercializados; a fundamentação legal utilizada para considerar que todas as receitas são isentas, não alcançadas pela incidência das contribuições, com suspensão ou sujeitas à alíquota zero; cópias de todas as faturas de energia elétrica informadas nos DACONs; cópias dos contratos e a comprovação dos pagamentos dos aluguéis de prédios locados pela pessoa jurídica, informados nos DACONs; e a cópia do contrato/estatuto social da SOCIEDADE COOPERATIVA UNIÃO AGRÍCOLA CANOINHAS, além da documentação de identificação da pessoa natural responsável pela pessoa jurídica. (...) Concluído o procedimento fiscal, deuse a edição de Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o crédito postulado e homologou também de forma parcial as compensações manejadas pela pessoa jurídica, (...). O contribuinte considerou que todas as receitas auferidas, sejam decorrentes dos atos cooperativos, sejam da atividade com não Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10920.004726/201073 Acórdão n.º 3201004.528 S3C2T1 Fl. 5 4 cooperados, ensejavam direito ao ressarcimento o que, segundo a autoridade fiscal, não tem cabimento. Nas palavras do AFRFB, “o contribuinte considera que tanto as exclusões da base de cálculo das contribuições como as receitas de vendas com alíquota zero configuram hipótese em que é autorizado o ressarcimento e a compensação do saldo credor com outros débitos”. Ainda que o efeito sobre o valor apurado das contribuições sociais seja o mesmo, “legalmente são sujeições distintas e inconfundíveis, não se permitindo atribuir os efeitos de uma a outra, por analogia”. Discorreu, em seguida, sobre a Lei nº 5.764, de 1971, que trata do regime jurídico das sociedades cooperativas. Os atos cooperativos não são operações de compra e venda, mas atos praticados entre a sociedade cooperativa e seus cooperados, voltados para seus interesses e suas necessidades como, por exemplo, a entrega da produção à cooperativa para que a comercialize em condições mais favoráveis, e o fornecimento ao cooperado de insumos adquiridos pela cooperativa em melhores condições que a compra individual. Pode, outrossim, a cooperativa atuar como uma empresa comercial qualquer, adquirindo bens de terceiros não associados e os revendendo a clientes não pertencentes ao seu quadro social. Também é possível que atue como prestadora de serviços de armazenagem e beneficiamento prestados a terceiros não associados. Tais operações devem ser contabilizadas em separado dos atos cooperativos e seu resultado deve ser oferecido à tributação. No caso fiscalizado, a pessoa jurídica exerce ambas as atividades. Pratica atos cooperativos além de comprar e vender bens e serviços a não cooperados. Em vista do disposto no art. 87 da Lei nº 5.764, de 1971, contabiliza separadamente as operações com terceiros, como observado nos balancetes apresentados. Assim, “às receitas decorrentes do ato cooperativo [...] aplicase a legislação específica, ao passo que às demais receitas decorrentes de operações com terceiros não cooperados aplica se o regramento geral da nãocumulatividade das contribuições pois aí a cooperativa atua como uma empresa comercial comum. É dizer, quando as receitas forem decorrentes do ato cooperativo são exclusões da base de cálculo das contribuições (ainda que os produtos entregues estejam sujeitos à alíquota zero no mercado em geral)”, conforme disposto pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, medida que também é assegurada pelo art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, que além da exclusão dos valores relativos aos atos cooperativos admite a exclusão adicional dos custos agregados ao produto agropecuário aos associados, quando da sua comercialização. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10920.004726/201073 Acórdão n.º 3201004.528 S3C2T1 Fl. 6 5 A RFB editou a Instrução Normativa nº 635, de 2004, regulamentando o PIS/Pasep e a Cofins das sociedades cooperativas. O art. 11 da norma lista as exclusões e define “custos agregados ao produto agropecuário dos associados como os dispêndios pagos ou incorridos com [...] locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento [...] bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado (§ 8º). Portanto, além das receitas do ato cooperativo, os custos da cooperativa para praticálos também são exclusões da base de cálculo das contribuições”. Como verificado nos DACONs transmitidos e nas memórias de cálculo apresentadas à fiscalização, “as despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete foram consideradas pelo contribuinte simultaneamente como exclusão da receita bruta e como base de cálculo de créditos da nãocumulatividade, em claro equívoco”. Ainda segundo informado nos DACONs, “não houve contribuição devida sobre receitas em nenhum mês, informação que diverge dos balancetes, onde constam PIS e COFINS devidos sobre receitas auferidas com não associados”. Decidiu então a autoridade fiscal “desconsiderar todas as informações prestadas nos DACONs e apurar os montantes de créditos passíveis de ressarcimento com base nos balancetes. Para tanto, e por não ter o interessado contabilidade de custos integrada, fazse necessário separar do total de receitas aquilo que é decorrente do ato cooperativo, estabelecendo uma proporção para rateio das despesas comuns (energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete) entre o que é custo agregado ao produto agropecuário e o que é vinculado às demais operações com não associados”. Sobre as despesas vinculadas aos atos com não associados calculou os créditos nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, procedendo ao rateio proporcional de acordo com a sua vinculação às receitas tributadas à alíquota normal da nãocumulatividade e às receitas sujeitas à alíquota zero, neste último caso passível de ressarcimento após o desconto da contribuição devida, conforme disposto pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, e 17 da Lei nº 11.033, de 2003. Apresentou, em seguida, planilhas em que segregou as receitas a partir de informações constantes dos balancetes apresentados pela cooperativa em Receitas de revenda de mercadorias (A), Receitas de vendas a não associados (B) e Receitas de serviços prestados a terceiros (C), chegando ao percentual de receita decorrente do ato cooperativo [A / (A + B +C)]) e ao percentual de receita auferida com não associados [(B + C) / (A + B + C)]. No que tange às receitas auferidas com não associados (B + C), promoveu a distinção entre receitas tributadas à alíquota normal (obtidas pela divisão dos valores de PIS/Pasep e de Cofins contabilizados pela pessoa jurídica, informados em seus balancetes, pelas alíquotas respectivas de cada uma desta Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10920.004726/201073 Acórdão n.º 3201004.528 S3C2T1 Fl. 7 6 contribuições = L) e as receitas sujeitas à alíquota zero [N = (B + C) – L]. Prosseguindo, aplicou sobre os valores de despesas informados nos DACONs (P) os percentuais de receita do ato cooperativo (H) e de receitas auferidas com não associados (J), obtendo o valor do Custo agregado ao produto agropecuário (Q) e a Parcela vinculada às demais receitas (R), sendo este último valor entendido como aquele passível apurar o desconto de crédito a que tem direito o contribuinte. Sobre a Parcela vinculada às demais receitas (R), tida como a base de cálculo para a apuração dos créditos, aplicou as alíquotas de 1,65% para o PIS/Pasep (S) e de 7,6% para a Cofins (V). Sobre estes dois últimos valores fez incidir o percentual de receita tributada à alíquota normal (M) e o percentual de receita tributada à alíquota zero (N), chegando aos valores de crédito vinculados à receita normal, não passíveis de desconto (T e X) e os valores de crédito vinculados à receita sujeita à alíquota zero, estes sim, passíveis de desconto (U e Y). Concluindo o procedimento, dos créditos considerados como passíveis de desconto deduziu os valores de PIS/Pasep e de Cofins apurados pelo contribuinte e constantes de seus balancetes chegando, finalmente, aos valores de crédito a serem reconhecidos pela autoridade fazendária competente. Registrou que a apuração do PIS/Pasep e da Cofins devidos em cada mês não fez parte de seu trabalho, em que apenas considerou o valor constante dos balancetes de verificação disponibilizados pela interessada. Quanto ao Mandado de Segurança de nº 5003920 24.2010.404.7201, em cuja Sentença foi determinada a incidência de juros Selic a partir do dia imediatamente posterior ao vencimento do prazo de um ano previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, até a data do crédito em contacorrente da impetrante, registrou que na lista de documentos constantes da decisão além dos Pedidos de Ressarcimento existem também Declarações de Compensação (as chamadas DCOMPs) em relação às quais a decisão judicial não encontra aplicabilidade. Tendo o contribuinte optado por compensar a integralidade do crédito consignado nos Pedidos de Restituição, afirmou o representante fazendário que a requerente “já se aproveitou do crédito pleiteado muito antes do vencimento do prazo de 360 dias para apreciação do pedido”. (...) Em 01/02/2011, a sociedade cooperativa foi notificada do Despacho Decisório que reconheceu de modo parcial o crédito informado no Pedido de Ressarcimento e do Despacho da SAORT/DRF Joinvile/SC que relacionou os créditos tributários decorrentes das compensações não homologadas, (...). No dia 02/03/2011 a pessoa jurídica apresentou a sua manifestação de inconformidade, (...). Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10920.004726/201073 Acórdão n.º 3201004.528 S3C2T1 Fl. 8 7 No entendimento da litigante, a decisão da autoridade fiscal mostrase “assaz confusa e obscura”, já que o procedimento por ela adotado, na apuração dos créditos em pauta, tem por sustentáculo o comando legal inserto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e até mesmo em ato infralegal constante do art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 635, de 2006, norma que expressamente admite a apuração de créditos em relação à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da sociedade cooperativa e aos aluguéis de prédios utilizados nas atividades da sociedade cooperativa, dentre outras possibilidades. Ao contrário do afirmado pelo Auditor Fiscal, pouco importa a discussão sobre a “exclusão ou não de crédito tributário”, já que existe norma permitindo a manutenção do crédito, como antes dito. No caso concreto, o desconto de crédito referente às despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciação e frete possui permissão legal expressa no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, como também na Lei nº 10.865, de 2004. O art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, assegura que uma vez apurado saldo credor em favor da insurgente, tal quantia poderá ser utilizada para a quitação de outros débitos de sua responsabilidade, procedimento por ela adotado, ou então requerido em ressarcimento. O entendimento da autoridade fiscal, atinente à desconsideração dos créditos de PIS/Pasep e Cofins relacionados às despesas incorridas, na proporção dos atos cooperativos e não cooperativos, representa procedimento arbitrário pois praticado ao arrepio da lei, devendo ser corrigido pela autoridade julgadora de primeira instância. Importante observar que a decisão do Senhor AFRFB carece de fundamentação pois em nenhum momento apresentou o dispositivo legal que o levou a glosar parcialmente os créditos referentes às despesas incorridas. Sem disposição legal que impeça o desconto do crédito, este é admissível, tratandose de raciocínio decorrente do princípio de legalidade tributária (art. 150, inc. I da Constituição Federal). O ato administrativo atacado carece de motivação, o que também o fulmina de nulidade. Assegurou o agente fazendário ser de “fácil percepção que às receitas decorrentes do ato cooperativo (afora não se tratarem de operações de compra e venda) aplicase a legislação específica”. Todavia, deixou de esclarecer qual seria a tal da “legislação específica”. Não bastasse a ilegalidade apontada, a decisão ora contraditada atenta contra o princípio da isonomia na medida em que em situação absolutamente idêntica, tratada no processo nº 13984.001478/200919, a autoridade fazendária conferiu integralmente o crédito pleiteado pela Cooperativa Agrícola Frutas de Ouro, (...). Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10920.004726/201073 Acórdão n.º 3201004.528 S3C2T1 Fl. 9 8 Até mesmo a DRF Joinvile, em situação absolutamente idêntica, reconheceu o direito pleiteado em decisão proferida no processo nº 10920.000414/201091, (...). Sendo a norma vinculada, deve atentar para a estrita legalidade, não sendo admitido que os agentes públicos a interpretem de forma discricionária, de modo a aplicála de modo diverso em relação a fatos absolutamente idênticos. O art. 150, inc. II da Constituição Federal representa um verdadeiro corolário do princípio constitucional da isonomia, o que veda o tratamento diferenciado para situações idênticas, como ocorre no caso presente. Demonstrado o flagrante equívoco promovido pelo AFRFB responsável pelo procedimento fiscal, pugna a requerente pela reforma da combatida decisão fiscal, determinandose a baixa dos autos em diligência a fim de que seja apurada a forma correta dos créditos referentes aos insumos adquiridos pela requerente. Também existe equívoco da autoridade fiscal, no que se reporta à determinação judicial de valoração do crédito pela taxa Selic a partir da extrapolação do prazo determinado pelo art. 24 da Lei nº 11.457, de 2011, o que deve ser corrigido por essa instância julgadora. Em abono ao princípio da economia processual e para evitar o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório, bem como para evitar julgamentos descompassados em relação a matérias pertinentes, requereu a reunião ao presente dos demais processos da requerente que dizem respeito a créditos de outros fatos geradores, assinalando a existência de provas documentais existentes no processo nº 10920.004716/201038 que devem ser consideradas em todos os demais processos. Finalizando, requereu que a presente manifestação de inconformidade seja declarada procedente, possibilitando ao contribuinte o ressarcimento dos valores de PIS/Pasep e de Cofins glosados, devidamente atualizados pela taxa Selic, o que redundará nas homologações das compensações vinculadas ao crédito em comento. A DRJ/Fortaleza/CE, por meio do Acórdão 08036.348, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. COMPENSAÇÃO. Os créditos do PIS/Pasep apurados em relação a custos, despesas e encargos que não puderem ser aproveitados na dedução de débitos da própria contribuição social poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10920.004726/201073 Acórdão n.º 3201004.528 S3C2T1 Fl. 10 9 ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, desde que vinculados à receita de exportação. Quanto ao saldo credor acumulado em virtude de vendas efetuadas no mercado interno, somente poderá ser utilizado em procedimento compensatório na hipótese de as vendas haverem sido efetivadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição social em apreço, ex vi o determinado pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. APROPRIAÇÃO DIRETA OU RATEIO PROPORCIONAL. REQUISITOS PARA ELEIÇÃO DA METODOLOGIA ADOTADA. A pessoa jurídica sujeita à cobrança nãocumulativa do PIS/Pasep que aufira receitas no mercado interno vinculadas a operações tributadas e a operações não tributadas (sujeitas à suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência), no caso de existirem custos, encargos e despesas vinculados a ambas as espécies de receitas a apuração do valor do crédito passível de ressarcimento ou de compensação será determinada pelo método da apropriação direta se existir sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, adotandose o método do rateio proporcional, em caso contrário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário, a cooperativa reforça os argumentos de defesa. Circunscreve o litígio assim: “Cumpre lembrar que a presente discussão se circunscreve basicamente ao aproveitamento de créditos alusivos à energia elétrica, alugueis, armazenagem e fretes que, no entendimento da fiscalização, somente poderiam ter sido aproveitados de forma proporcional às vendas realizadas para terceiros à alíquota zero.” Deixa de argumentar quanto à atualização dos créditos. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10920.004726/201073 Acórdão n.º 3201004.528 S3C2T1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.507, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 10920.004705/201058, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.507): "O recurso é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente é cooperativa de produção agrícola, tendo efetuado atividades com cooperados e não cooperados. Pede ressarcimento das contribuições que restaram com saldos credores ao final do trimestre. Remanescem no Recurso Voluntário duas matérias em litígio: 1 – Direito de crédito sobre os custos e despesas vinculados à parcela das receitas excluída da base de cálculo das cooperativas de produção, conforme art. 15 da MP 2.15835/2001 e artigo 17 da Lei 10.684/2003 O Fisco glosou os créditos incidentes sobre a parcela dos custos, despesas e outros dispêndios, proporcionais à parcela das receitas que foram excluídas da base de cálculo da cooperativa, excluídas por comando do artigo 15 da MP 2.15835/2001, e artigo 17 da Lei 10.684/2003. Transcrevo trechos do Despacho Decisório pertinentes ao exame em foco (fl. 135 e seguintes “...é de fácil percepção que às receitas decorrentes do ato cooperativo (afora não se tratarem de operações de compra e venda) aplicase a legislação específica, ao passo que às demais receitas decorrentes de operações com terceiros não cooperados aplicase o regramento geral da nãocumulatividade das contribuições pois aí a cooperativa atua como uma empresa comercial comum. É dizer, quando as receitas forem decorrentes do ato cooperativo são exclusões da base de cálculo das contribuições (ainda que os produtos entregues estejam sujeitos à alíquota zero no mercado em geral), nos termos do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001: (...) A Lei nº 10.684/2003 também traz hipótese de exclusão [art. 17]: (...) Portanto, além das receitas do ato cooperativo, os custos da cooperativa para praticálos também são exclusões da base de cálculo das contribuições. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10920.004726/201073 Acórdão n.º 3201004.528 S3C2T1 Fl. 12 11 Segundo as informações das fichas de apuração dos créditos dos DACONS e as memórias de cálculo entregues em meio digital, as despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete foram consideradas pelo contribuinte simultaneamente como exclusão da receita bruta e como base de cálculo de créditos da não cumulatividade, em claro equívoco. (...) Para tanto [calcular os créditos passíveis de ressarcimento], e por não ter o interessado contabilidade de custos integrada, fazse necessário separar do total de receitas aquilo que é decorrente do ato cooperatibvo, estabelecendo uma proporção para rateio das despesas comuns (energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete) entre o que é custo agregado ao produto agropecuário e o que é vinculado às demais operações com não associados (§§7º e 8º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, também rateados proporcionalmente de acrodo com a vinculação às receitas tributadas à alíquota normal da nãocumulatividade e a vinculação à receitas sujeitas à alíquota zero, este último passível de ressarcimento após o desconto da contribuição devida, nos termos dos artigos 16 da Lei nº 11.116/2005 e 17 da Lei nº 11.033/2003:” A glosa é correta. Os dispêndios relatados, energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete, encontram previsão legal de direito de crédito, para as pessoas jurídicas em geral, nos termos do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. No caso de regimes tributários diferenciados, convivendo dentro de uma mesma pessoa jurídica, os créditos somente podem ser apropriados quando vinculados ao regime não cumulativo, nos termos do §7º do mesmo artigo: § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. A parcela dos dispêndios proporcional aos atos cooperativos, também é ato cooperativo, isto é, faz parte da atividade cooperativista, e não se sujeita à tributação. O STJ, no âmbito do REsp 1.164.716, sob o rito dos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 22/06/2016, decidiu que a tributação de Pis e Cofins somente incide sobre atos nãocooperativos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda ,em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10920.004726/201073 Acórdão n.º 3201004.528 S3C2T1 Fl. 13 12 autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Portanto, essa parcela não pode gerar créditos, posto que os créditos somente podem ser calculados em relação à parcela das receitas submetidas ao regime não cumulativo. A parcela das receitas fora do campo da tributação, os atos cooperativos, não gera créditos. O art. 17 da Lei 11.033/2004 somente se aplica às receitas e despesas adstritas ao regime não cumulativo das contribuições, o que não é o caso das receitas e despesas vinculadas aos atos cooperativos. 2 – Direito de ressarcimento total dos créditos, sem limitação à proporcionalidade com as receitas exportadas, ou vendidas no mercado interno com isenção, alíquota zero ou não incidência. A recorrente pretende o ressarcimento integral, com compensação, dos créditos apurados. Regra geral, em operações normais, nunca haveria saldos credores de Pis e Cofins não cumulativos, pois cada operação comercial agrega valor aos produtos, e portanto, a saída tem valor maior que a entrada, resultaNdo em saldos devedores de tributos não cumulativos. Desse modo, a lógica básica dos tributos não cumulativos é que se compensem créditos, da entrada, e débitos, na saída, e recolhase a diferença, via de regra, maior. Todavia, há casos em que determinadas operações são tributariamente incentivadas, com isenções, alíquota zero, ou não incidência. Nesses casos, a operação resultará, eventualmente, em saldos credores de tributos, posto que aproveitam créditos na entrada e não incidem débitos na saída. Assim, os benefícios permaneceriam sem utilidade se não pudessem ser ressarcidos em dinheiro, porque não teriam débitos para compensar. O ressarcimento em dinheiro pode, ainda, ser compensado com outros tributos diferentes, tal como organiza toda a legislação pertinente, em especial o artigo 74 da Lei 9.430/96. Desse modo, o ressarcimento é exceção à regra geral, e deve ser expressamente previsto na legislação para que possa ser aplicado. A referência que a recorrente faz às MP´s 552/2012 e 556/2012 não têm pertinência ao caso, pois tratase de permissão de ressarcimento de créditos presumidos, desonerados à saída, por exportação, isenção, não tributação ou alíquota zero. Aqui, se nega o ressarcimento a créditos vinculados a saídas tributadas com alíquotas positivas. Portanto, os dispêndios vinculados aos atos não cooperativos geram crédito, porém as receitas tributadas a alíquotas positivas não se subsumem ao disposto no artigo 17 da Lei 11.033/2004, e os créditos vinculados a essas receitas tributadas com alíquotas positivas somente podem ser compensados com eventuais débitos da mesma contribuição, apurados pela cooperativa, no próprio mês ou em meses subsequentes, conforme artigo 3º, §4º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, e não podem ser ressarcidos ou compensados com outros tributos. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10920.004726/201073 Acórdão n.º 3201004.528 S3C2T1 Fl. 14 13 Conclusão Pelo exposto, voto negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 284DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.902707/2016-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.565
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro BezerraPresidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. RELATÓRIO Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade solicitando a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 02 70 7/ 20 16 -5 9 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13851.902707/201659 Resolução nº 3402001.565 S3C4T2 Fl. 3 2 Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, face a ausência de provas capazes de comprovar a ocorrência do pagamento indevido ou a maior. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. .VOTO Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.553 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902626/201659, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.553): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se infere do Relatório, o caso trata de pedido de compensação de indeferido pela Autoridade Tributária porque a empresa não apresentou provas suficientes para demonstrar a existência do seu direito creditório. Na Impugnação, embora a empresa tenha trazido aos autos cópias da DCTF e DACON retificadores demonstrando que nenhum valor de COFINS era devida no período, a Autoridade Julgadora entendeu que para poder se aceitar o valor indicado na DCTF e no Dacon retificadores, o Contribuinte deveria provar a correção das informações retificadas com base em documentação hábil e idônea. Informa ainda que as provas adequadas a comprovar a correção da retificação efetuada devem ser feitas com base na escrituração contábil e fiscal da empresa. No Recurso Voluntário, a Recorrente informa que atua no comércio de produtos alimentícios em embalagens fechadas, comercializando massas preparadas para pizzas, não recheadas, denominadas “Crock Pizza" ou "Wrap Crock”. Ainda informa que tais produtos, classificados na posição NCM 1902, estão sujeitos a alíquota zero para a contribuição à COFINS, conforme determina o art., 1°, inciso XVIII, Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004. Além disso, juntou aos autos várias notas fiscais eletrônicas de venda das mercadorias citadas (fls.33 a 134). Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13851.902707/201659 Resolução nº 3402001.565 S3C4T2 Fl. 4 3 Como se sabe, no caso de processos de compensação, restituição ou ressarcimento, cabe ao Contribuinte provar o direito creditório que alega. Ele deve trazer aos autos os elementos probatórios correspondentes que demonstrem a liquidez e certeza do crédito. Isso é o que se conclui do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...]No entanto, apesar da legislação atribuir a recorrente a prova do seu direito, no caso ora analisado, constatase que o problema identificado nas notas fiscais de entrada da empresa pode ter se dado não por culpa sua, mas de um terceiro, no caso o seu fornecedor, que inclusive admitiu o equívoco cometido. Dessa forma, não seria justificável a empresa arcar com as consequências de um possível equívoco que não teve culpa. No presente caso, com a juntada das notas fiscais de vendas, há indícios fortes de que as receitas de vendas da empresa estão sujeitas à alíquota zero, entretanto as provas juntadas ainda não são suficientemente hábeis para se atestar que todas as receitas da empresa se sujeitam a esse benefício fiscal, necessitando, por isso, uma verificação adicional a fim de conferir se a empresa não possui outras receitas de natureza diferente daquelas constantes nas notas fiscais apresentadas. Assim, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, converto o presente julgamento em diligência, de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13851.902707/201659 Resolução nº 3402001.565 S3C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15471.000030/2006-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. ÓRGÃO OFICIAL. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO.
De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física.
In casu, constatando-se que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo a contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, corroborado por outros documentos, ser portadora de doença presente no rol da legislação, impõe-se admitir a isenção pretendida.
Numero da decisão: 2401-005.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IRPF. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. ÓRGÃO OFICIAL. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO. De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física. In casu, constatando-se que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo a contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, corroborado por outros documentos, ser portadora de doença presente no rol da legislação, impõe-se admitir a isenção pretendida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
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ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. ÓRGÃO OFICIAL. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO. De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física. In casu, constatandose que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo a contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, corroborado por outros documentos, ser portadora de doença presente no rol da legislação, impõese admitir a isenção pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 00 30 /2 00 6- 41 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 15471.000030/200641 Acórdão n.º 2401005.941 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório NEIDE LIMA RICARDO RIBEIRO, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 2a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 323.873/2019, às efls. 49/52, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, em relação ao exercício 2003, conforme peça inaugural do feito, às fls. 06/10, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 23/05/2006, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: Omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica ou Física, decorrente do trabalho com vínculo empregatício Corrigido conforme informação da fonte pagadora: Banco Banerj S.A. Rendimento: R$ 45.884,76 Inconformada com a Decisão recorrida que julgou improcedente a impugnação, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à efl. 55, procurando demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Solicita a restituição do imposto de renda depositado indevidamente no Banco do Brasil, haja vista ter informado conta do Banco Itaú. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 15471.000030/200641 Acórdão n.º 2401005.941 S2C4T1 Fl. 4 3 Pugna pela analise do laudo, pois este foi emitido por cardiologista do SUS e atesta sua condição de portadora de cardiopatia desde 1999. Anexa ofício da Rio Previdência declarando sua isenção desde 1992. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Como relato encimado, a contribuinte teve contra si o crédito tributário lançado devido a constatação de omissão de rendimentos. Conforme observase do Recurso Voluntário a contribuinte além de questionar a infração que lhe fora imputada, insurgese quanto a restituição depositada indevidamente no Banco do Brasil. Relativamente a este questionamento, deve ser impetrado na DRF de origem, não cabendo ao CARF proceder referida retificação, uma vez que tratase de matéria estranha a lide. DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS ISENÇÃO De conformidade com a peça vestibular do feito, a lavratura da presente notificação de lançamento se deu em virtude da contribuinte ter considerado como isentos os rendimentos recebidos do Banco Banerj S.A., sem contudo comprovar ser portadora de moléstia grave e o valor ser proveniente de aposentadoria, reforma ou pensão. Desde a impugnação, a notificada informou ser portadora de moléstia grave, trazendo à colação diversos laudos (particulares e oficiais) e comprovante de aposentadoria. Por sua vez, ao analisar a impugnação e documentos ofertados pela contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter a integralidade da ação fiscal, sob o argumento de que: Analisandose toda documentação contida nos autos, constatase que os documentos de fls. 09 a 12, 23 e 37 são particulares, não servindo, portanto, como instrumento hábil para comprovação de moléstia isentiva nos tennos da legislação supracitada. Em relação aos instrumentos públicos de fls. 08, 24 e 42, é mister salientar que tais documentos referemse aos anoscalendário de 2004, 2006 e 2007, respectivamente. Os citados comprovantes não fazem menção de que a impugnante teria moléstia grave no anocalendário de 2002, ou seja, ano objeto do presente lançamento. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 15471.000030/200641 Acórdão n.º 2401005.941 S2C4T1 Fl. 5 4 Portanto, não restou comprovado que a autuada era portadora de moléstia isentiva no ano calendário de 2002. Quanto ao outro requisito, ou seja, a natureza dos rendimentos, tomase prescindível a sua análise, haja vista a falta de comprovação da moléstia suscitada. Ainda irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, ora objeto de análise, reafirmando as alegações da impugnação, suscitando que são considerados isentos os proventos de aposentadoria, haja vista ser portadora de moléstia grave, colacionando aos autos novo documento comprobatório. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria. A isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052/2004, nos termos abaixo: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Acerca do tema, o Decreto n° 3000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4° do mesmo artigo, assim dispõe: Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º); Fl. 78DF CARF MF Processo nº 15471.000030/200641 Acórdão n.º 2401005.941 S2C4T1 Fl. 6 5 A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Ao interpretar a legislação acima transcrita, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. O primeiro reportase à natureza dos valores recebidos, devendo ser proventos de aposentadoria ou reforma ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. In casu, o ponto nodal da demanda se fixa em definir se o laudo e atestado médico apresentados pela contribuinte obedecem os pressupostos egidos na legislação e se os rendimentos são decorrentes de aposentadoria, pensão ou reforma. Não obstante as razões de fato e de direito das autoridades fazendárias autuante e julgadora de primeira instância, o pleito do contribuinte merece acolhimento, como passaremos a demonstrar. De início, cabe ressaltar que o lançamento encontrase escorado em pura e simples presunção da autoridade lançadora, sem qualquer comprovação da imputação fiscal, o que por si só, no entendimento deste Conselheiro, já é capaz de rechaçar a exigência fiscal. Nesse ponto, vale lembrar que, o artigo 30 da Lei n° 9.250 versa sobre a necessidade da moléstia está comprovada por laudo emitido por serviço médico oficial, entendimento já exarado diversas vezes por este Conselheiro e este Tribunal, o laudo oficial não tem uma forma específica, podendo ser um atestado, um laudo propriamente dito, uma declaração, entre outras formas de manifestação médica, desde que emitido por médico oficial. Dos documentos acostados aos autos, especialmente o laudo de efl. 51, resta claro que a contribuinte é portadora de Cardiopatia Isquêmica Espástica Grave (CID I 25.5), desde novembro de 1999. Com relação ao laudo médico ser oficial ou não, a contribuinte anexou o laudo encimado, emitido pelo Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro, ou seja, serviço médico oficial do Estado, suprindo a exigência da legislação acima transcrita e rechaçando a acusação fiscal. Já no que concerne a origem dos valores, resta claro tratarse de proventos de aposentadoria, conforme extrai dos documentos de efls. 35 e 43. Logo, os proventos de aposentadoria são rendimentos isentos, nos termos do disposto no art. no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 15471.000030/200641 Acórdão n.º 2401005.941 S2C4T1 Fl. 7 6 Como se observa dos autos, está mais que provado ser a recorrente portadora de moléstia grave comprovada por laudo médico oficial e ter seus rendimentos provenientes de aposentadoria, cumulando assim os dois requisitos legais para fazer jus a isenção pleiteada. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para considerar como isentos os rendimentos provenientes de aposentadoria, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903379/2008-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF RETIFICADORA. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ E DACON.
Para que ocorra a comprovação do crédito pleiteado é necessário que ocorra a devida retificação da DCTF e do DACON e o equívoco que gerou a retificação deve ser restar comprovado. A DIPJ possui natureza meramente informativa. O DACON não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal.
Numero da decisão: 3401-005.520
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF RETIFICADORA. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ E DACON. Para que ocorra a comprovação do crédito pleiteado é necessário que ocorra a devida retificação da DCTF e do DACON e o equívoco que gerou a retificação deve ser restar comprovado. A DIPJ possui natureza meramente informativa. O DACON não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF RETIFICADORA. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ E DACON. Para que ocorra a comprovação do crédito pleiteado é necessário que ocorra a devida retificação da DCTF e do DACON e o equívoco que gerou a retificação deve ser restar comprovado. A DIPJ possui natureza meramente informativa. O DACON não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 79 /2 00 8- 42 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10882.903379/200842 Acórdão n.º 3401005.520 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Versa o presente sobre o DCOMP indicando como crédito pagamento indevido ou a maior de PIS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em sua Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) embora tenha recolhido DARF de PIS e tenha declarado esse mesmo valor em DCTF, o valor a pagar no período era ZERO (conforme declarado em DIPJ e DACON); (b) após a entrega da DCTF identificou que possuía diversos créditos não aproveitados em razão do então recéminstituído regime não cumulativo; e (c) deve a fiscalização tomar em conta todas as declarações da empresa. Requereu ainda provar o alegado por todos os meios em direito admitidos. A decisão de primeira instância foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, por carência probatória a cargo da postulante (não comprovação do erro apontado), e por não se revestirem a DIPJ e o DACON de instrumentos de confissão de dívida. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.488, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.903377/200853, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.488): "A recorrente interpôs Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no prazo de 30 dias, de acordo com a Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal, a qual é estabelecida pelos arts. 33 e 5º, do Decreto nº 70.235/72. Portanto, dele tomase conhecimento. Segundo o Despacho Decisório, ao comparar o pagamento indicado na DCOMP com a informação de débito Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10882.903379/200842 Acórdão n.º 3401005.520 S3C4T1 Fl. 0 3 constante da DCTF ativa à época, constatase que o valor recolhido via DARF, informado na DCOMP, estava integralmente utilizado para quitação do débito declarado em DCTF, não restando créditos passíveis de compensação. Sustenta a recorrente que, depois de ter apresentado a DCTF, apurou créditos do regime nãocumulativo do PIS e da COFINS, motivo pelo qual refez a apuração do PIS e COFINS e que, por conseguinte, concluiuse que o valor devido naquele período, janeiro de 2004, era zero e não R$ 26.785,48, como havia consignado em DCTF. Diante de tal fato, procedeu à correta declaração em DIPJ e DACON, fato que, segundo a recorrente, gerou crédito de R$ 26.785,48, o qual pretende compensar. Pois bem. Inicialmente é de bom grado ressaltar que cabe ao contribuinte comprovar a existência do crédito que pretende utilizar para compensar com o débito, art. 373, I, do CPC, e à Administração Tributária verificar e validar o referido crédito. Por conseguinte, confirmado o direito creditório, sobrevém a homologação, a qual extingue os débitos objeto da compensação. Assim, para que seja possível a homologação da DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. Registrese que, nos termos do art. 170 do CTN, a compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública. Nesse sentido, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decreto Lei nº 2.124/84, e Instruções da RFB que dispõem sobre a DCTF). Para comprovar que o débito declarado em DCTF e recolhido via DARF era indevido, a recorrente teria que provar que o que havia declarado, confessado e recolhido não era condizente com a realidade, e mais, que outro valor traduziria o realmente devido, ante a legislação tributária aplicável. Denotase que a recorrente se limitou às declarações (DACON e DIPJ), as quais são instrumentos onde o contribuinte fornece à Administração Tributária informações referentes a apuração de impostos e contribuições federais. Indubitavelmente, para que seja constada a veracidade das informações consignadas nas declarações é preciso que estas estejam acompanhadas, no mínimo, dos documentos/registros contábeis e fiscais da declarante. In casu, a recorrente trouxe aos autos, com o viés de comprovar o seu crédito, a DACON e da DIPJ com informações diferentes da DCTF originária e, por conseguinte, arguiu incoerência entre as declarações prestadas. Ou seja, não há Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10882.903379/200842 Acórdão n.º 3401005.520 S3C4T1 Fl. 0 4 prova nos autos; apenas declarações e argumentos, que não têm força de comprovar que o alegado reflete a verdade dos fatos. Oportuno citar o disposto no art. 147, § 1º do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifei) Ressaltase que este Egrégio CARF possui entendimento pacífico no que tange ao objeto da presente controvérsia. Veja se: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Se a razão do pagamento indevido ou a maior foi o equívoco em relação ao regime de apuração da contribuição (cumulativo ou nãocumulativo), tal fato deve restar comprovado. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF e do DACON para a devida comprovação do crédito pleiteado. (CARF – Acórdão 3401005.333, de 25/09/2018 – grifei) [...] VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferilo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2004 DIPJ E DACON. NATUREZA JURÍDICA. A DIPJ possui natureza meramente informativa. A Dacon não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por expressa inexistência de disposição legal. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10882.903379/200842 Acórdão n.º 3401005.520 S3C4T1 Fl. 0 5 O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O nãoatendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a nãohomologação da compensação declarada. (CARF – Acórdão 3001000.544 de 17/10/2018 – grifei) Por fim, reiterase o disposto no acórdão recorrido, no sentido de que a recorrente devia possuir consigo as provas necessárias para a comprovação de seu crédito, uma vez que toda documentação de respaldo à escrituração contábil deve ser mantida em boa ordem e conservada sob a responsabilidade do sujeito passivo para que possa ser colocada à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil enquanto não ocorrida a decadência ou a prescrição dos créditos tributários vinculados aos fatos a que se refiram (art. 195, § único do CTN e art. 264, caput e § 3º, do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999). Ante o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 184DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721311/2014-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
DESPESAS DE PATROCÍNIO. PROPAGANDA. DEDUTIBILIDADE.
As despesas incorridas com patrocínio, como forma de publicidade e marketing da marca do contribuinte, podem ser deduzidas como despesas operacionais, desde que esteja diretamente relacionadas com a atividade explorada pela empresa, respeite o regime de competência, seja escriturada destacadamente em conta própria e tenha como beneficiada empresa registrada no CNPJ e que mantenha escrituração regular.
DESCONTOS CONCEDIDOS EM RENEGOCIAÇÃO DE RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. DEDUTIBILIDADE.
Os descontos e abatimentos concedidos na renegociação de créditos de Instituições Financeiras são perdas definitivas, desde que documentalmente comprovados.
JUROS REMUNERATÓRIOS DO CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. LIMITE TEMPORAL. OBRIGATORIEDADE DE OBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. EXERCÍCIOS ANTERIORES. INADMISSIBILIDADE.
A observância do regime de competência é condição para a dedutibilidade dos valores de juros pagos ou creditados aos seus respectivos beneficiários a título de remuneração do capital próprio. A interpretação da legislação tributária torna patente a vedação da dedutibilidade de valores classificados indevidamente sob esta conotação caso mensurado com base no Patrimônio Líquido levantado em períodos pretéritos e reconhecidos contabilmente em oposição ao regime de competência.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009, 2010
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplicam-se aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos.
Numero da decisão: 1301-003.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância e dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer as deduções de despesas decorrentes de patrocínios desportivos e de descontos em empréstimos e financiamentos, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild votaram para dar provimento parcial em maior extensão para restabelecer também a dedução de despesas com juros sobre o capital próprio. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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PROPAGANDA. DEDUTIBILIDADE. As despesas incorridas com patrocínio, como forma de publicidade e marketing da marca do contribuinte, podem ser deduzidas como despesas operacionais, desde que esteja diretamente relacionadas com a atividade explorada pela empresa, respeite o regime de competência, seja escriturada destacadamente em conta própria e tenha como beneficiada empresa registrada no CNPJ e que mantenha escrituração regular. DESCONTOS CONCEDIDOS EM RENEGOCIAÇÃO DE RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. DEDUTIBILIDADE. Os descontos e abatimentos concedidos na renegociação de créditos de Instituições Financeiras são perdas definitivas, desde que documentalmente comprovados. JUROS REMUNERATÓRIOS DO CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. LIMITE TEMPORAL. OBRIGATORIEDADE DE OBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. EXERCÍCIOS ANTERIORES. INADMISSIBILIDADE. A observância do regime de competência é condição para a dedutibilidade dos valores de juros pagos ou creditados aos seus respectivos beneficiários a título de remuneração do capital próprio. A interpretação da legislação tributária torna patente a vedação da dedutibilidade de valores classificados indevidamente sob esta conotação caso mensurado com base no Patrimônio Líquido levantado em períodos pretéritos e reconhecidos contabilmente em oposição ao regime de competência. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 11 /2 01 4- 77 Fl. 1194DF CARF MF 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicamse aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância e dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer as deduções de despesas decorrentes de patrocínios desportivos e de descontos em empréstimos e financiamentos, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild votaram para dar provimento parcial em maior extensão para restabelecer também a dedução de despesas com juros sobre o capital próprio. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Trata o presente processo de autos de infração para a cobrança de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, em razão dos seguintes fundamentos, descritos no TVF de fls. 640 e seguintes: a) Ano calendário 2009 I) Despesas operacionais não necessárias glosa de despesas Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 16327.721311/201477 Acórdão n.º 1301003.676 S1C3T1 Fl. 3 3 Glosa de despesas com patrocínio TEAM BRASIL R$ 3.527.777,40: foram glosadas despesas com finalidade de patrocínio do piloto Felipe Lopes Guimarães – participação em competições A1GP World Cup of Motorsport 20082009 – custeando parcialmente as despesas relacionadas a equipe e outras e treinamento e competições pela associação A1 TEAM BRAZIL (associação sem fins lucrativos). Despesas com patrocínio incentivo fiscal da Lei Mendonça R$ 55.633,07: glosa de despesas relacionadas ao restauro da fachada do edifício SULACAP, para fruição ed incentivo fiscal sobre o ISS previsto na Lei Mendonça; Descontos concedidos e descontos sobre financiamento R$ 9.060.726,09 e R$ 2.612.576,08: Glosa da dedução do lucro real e da BC da CSLL as despesas decorrentes de descontos de juros e principal relativos ao pagamento de parcelas mensais de contratos de crédito firmados com seus clientes. Outras despesas operacionais R$ 177.678,70: Perdas relacionadas a "Empréstimos Consignados" cujos contratantes faleceram no curso do pagamento do contrato. b) Ano calendário 2010 I) Excesso de juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio: O contribuinte deduziu na apuração do lucro real do anocalendário de 2010, a título de Juros sobre o Capital Próprio, o montante de R$ 60.650.000,00, conforme DIPJ 2011, fazendo uma adição na apuração do Lucro Real, a título de "Excesso de JCP pago ou creditado", no valor de R$ 3.499.569,26. A fiscalização constatou, através da análise da memória de cálculo, que a despesa apropriada a título de JCP no valor de R$ 60.650.000,00, abrange a parcela de R$ 15.972.102,30 relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008. Além disso, recalculou o limite de dedutibilidade dos JCP pagos ou creditados (memória de fl. 657), chegando a uma parcela indedutível de R$ 19.751.848,18: Cientificado, o Contribuinte apresentou tempestiva Impugnação, na qual aduziu, em síntese: Fl. 1196DF CARF MF 4 a) Preliminarmente, aduz a nulidade dos AIs por ausência de formalização de lançamento e de intimação para Impugnação, pois o auto teria apenas formalizado os ajustes nas bases de cálculo dos tributos; b) Todas as despesas glosadas seriam necessárias, nos termos do Parecer Normativo CST nº 32/81, e foram devidamente comprovadas; b.1) Despesas com patrocínio: as despesas de patrocínio se enquadrariam, em rigor, em despesas com propaganda e marketing, nos termos do art. 366 do RIR/99. Menciona também o Parecer Normativo CST nº 236/74, relativo à promoção de marcas empresariais em agremiações desportivas, e a Solução de Consulta COSIT nº 203/2014, que trata de publicidade através de clubes de futebol; b.2) Despesas com descontos sobre financiamentos: aduz o Contribuinte que a concessão de descontos é instrumento necessário para a liquidação de créditos gerados em operações que são seu objeto principal de atividade. Desse modo, os descontos seriam despesas necessárias para a consecução de seu objeto social. Não seria liberalidade, por estarem condicionando o recebimento do pagamento dos empréstimos concedidos, evitando o inadimplemento. Cita precedentes do CARF. Aduz também que dentre as despesas glosadas pelo Fiscal, constam valores de juros que decorrem de erro do sistema de controle das operações de crédito, pois ele computou acréscimos moratórios sobre parcelas vencidas em dias não úteis, o que se afigura indevido, de modo que o estorno de tais valores não pode ser considerado perdão de dívida. b.3) Outras despesas operacionais: O falecimento do devedor em empréstimo consignado torna impossível o seu adimplemento e também a sua cobrança para o recebimento do crédito, o que qualificaria a situação como perda no recebimento de créditos decorrentes da atividade da pessoa jurídica. c) Dedutibilidade integral das despesas com JCP: Aduz o contribuinte que não há óbice legal ao pagamento de JCP de exercícios anteriores em exercício posterior, e que não haveria como traçar uma relação direta entre a receita e a despesa, nesse caso, razão pela qual o reconhecimento contábil deve se dar no momento em que a despesa foi incorrida. As pessoas jurídicas poderiam deliberar, ao seu alvitre, quando pagar JCP, devendo nesse exercício reconhecer a despesa dedutível. Cita precedentes do CARF e do STJ. Aponta que os valores de JCP pagos em 2010, referentes a exercícios anteriores, estavam dentro dos limites correspondentes aos anos que foram imputados, de modo que não haveria qualquer ganho tributário anormal para o Contribuinte, tampouco havendo postergação do IRPJ ou da CSLL. d) Restrições à dedução de despesas do IRPJ não seriam aplicáveis no âmbito da CSLL, por terem bases de cálculo distintas. Ofensa à legalidade tributária. e) Afastamento da cobrança de juros sobre multa de ofício. A DRJ julgou integralmente improcedente a impugnação, em acórdão de fls. 988 e ss. Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 16327.721311/201477 Acórdão n.º 1301003.676 S1C3T1 Fl. 4 5 Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 1051 e ss., repisando as razões de sua Impugnação. Posteriormente, apresentou petição de fls. 11891193 reforçando a argumentação no tocante a despesas de propaganda/marketing. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. Por razões de organização, as questões serão analisadas na ordem em que foram expostas no relatório. I) Preliminar de nulidade dos Autos de Infração e da decisão de 1ª instância O argumento central do Recorrente encentrase no conteúdo da folha de rosto das autuações, sob o pretexto de inconsistência na formatação da estrutura, gerando pretensa ambigüidade de interpretação quanto ao teor do lançamento tributário promovido pela AuditoraFiscal. Com a devida vênia, a alegação não pode prosperar. O exame da íntegra do Termo de Verificação Fiscal (que é parte integrante do Auto de Infração) mostra que o autuante pautouse em exposição de fato e de direito desenvolvidas com inquestionável clareza, na medida em que as infrações reportadas pela autoridade lançadora certificou que tais eventos foram determinantes para ilegítima redutibilidade das bases imponíveis do IRPJ e da CSLL. O montante tributável se encontra perfeitamente descrito e discriminado na autuação, não havendo qualquer dúvida sobre a base de cálculo utilizada, tampouco dos fundamentos utilizados para a sua apuração. Ademais, o procedimento atendeu a todas as disposições legais da legislação de regência, não se verificando quaisquer das causas de nulidade previstas no art. 59 do Decreto 70.235/72. Da mesma forma, não há que se falar em nulidade da decisão de 1ª instância por não ter analisado a preliminar arguida, como se depreende da sua leitura: Por sua vez, o exame da íntegra do Termo de Verificação Fiscal mostra que o autuante pautouse em exposição de fato e de direito desenvolvidas com inquestionável clareza, na medida em que as infrações reportadas pela autoridade lançadora certificou que tais eventos foram determinantes para ilegítima redutibilidade das bases imponíveis do IRPJ e da CSLL. Fl. 1198DF CARF MF 6 Inequivocamente a matéria foi abordada, não devendo prosperar a preliminar arguida. Desse modo, voto por rejeitar as preliminares arguidas. II) Das glosas de despesas necessárias Na apuração do Lucro Operacional, para as empresas sujeitas à apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime do Lucro Real, devese subtrair do resultado das atividades que constituam o objeto da pessoa jurídica (lucro bruto) as despesas que, não computadas nos custos da atividade econômica, são necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora, nos termos do art. 299 do RIR/99, que dispõe, reproduzindo o conteúdo do art. 47 da Lei nº 4.506/64, verbis: Art.299.São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. §2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. §3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. A despesa a que se refere esse artigo é aquela não vinculada ao processo produtivo de bens ou serviços do contribuinte não computável como custo da produção , mas que represente um dispêndio necessário para a realização das operações da empresa (mesmo que esse gasto não necessariamente traga benefício para a empresa, como no caso das multas de trânsito), e que seja tenha usualidade ou normalidade em relação ao tipo de atividade realizada. Há, ademais, uma condição negativa para a dedutibilidade de uma despesa, que é a inexistência de previsão específica da legislação tributária que vede a dedutibilidade na determinação do lucro real, nos termos do art. 6º, §2º, "a", do DecretoLei nº 1.598/77, ou que estabeleça uma restrição quantitativa (restrição do montante que poderá ser deduzido) ou temporal (dedução do valor deverá ser feita em mais de um exercício) para a sua dedução. No âmbito da fiscalização, as definições de necessidade e usualidade são habitualmente hauridas do texto do Parecer Normativo CST nº 32/1981, que aduz: 4. Segundo o conceito legal transcrito, o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. 5. Por outro lado, despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito de "usualidade" deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio. Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 16327.721311/201477 Acórdão n.º 1301003.676 S1C3T1 Fl. 5 7 Ademais, exigese também que as despesas dedutíveis sejam comprovadas, como forma de atestar a sua efetiva ocorrência, evitando assim uma redução fraudulenta do montante do tributo devido. Feitas essas brevíssimas considerações, passemos à análise das glosas. a) Despesas com "patrocínio". A fiscalização glosou despesas com "patrocínio esportivo" em favor do piloto Felipe Lopes Guimarães e a Equipe Team Brasil para custeio de despesas em participação de competição de automobilismo na temporada 20082009. O recorrente aduziu, em contrário, que se tratavam de despesas de propaganda institucional da empresa, para divulgação da marca no exterior. Subsidiariamente, argumento que a dedutibilidade de patrocínios esportivos celebrados com o intuito de divulgação da marca empresarial encontram respaldo em interpretação do próprio órgão. Reforça sua tese com a citação do Parecer Normativo CST nº 236, de 13/11/1974 e SCI COSIT nº 203, de 11/07/2014. O cerne da discussão é, portanto, se estamos diante de uma despesa de patrocínio ou de uma despesa de propaganda. Aliás, há que se ponderar se as duas figuras são necessariamente contrapostas, o que nos parece não ser uma assunção verdadeira. O Vocabulário Jurídico de De Plácido e Silva (14ªed, p. 650) define propaganda como: “PROPAGANDA. De propagar, do latim propagare (multiplicar, espalhar, disseminar, difundir), entendese a difusão ou a vulgarização de alguma coisa. É assim que, na técnica mercantil, propaganda entendese a soma de meios de publicidade utilizados pelo comerciante, para que divulgue ou torne vulgarizados ou conhecidos suas mercadorias ou produtos. (...) Quando a propaganda é propriamente realizada por meio de anúncios insertos nos jornais, por meio de cartazes ou qualquer outro material escrito ou desenhado, é denominada de publicidade.” Juridicamente, a Lei nº 4.680/1965 estabeleceu em seu art. 5º que "Compreendese por propaganda qualquer forma remunerada de difusão de idéias, mercadorias ou serviços, por parte de um anunciante identificado". Patrocínio, por sua vez, esta definido no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa: “patrocínio s.m. (...) 1 ato ou efeito de amparar; auxílio, ajuda, proteção 2 m.q. PATRONAGEM 3 PUB custeio total ou parcial de um espetáculo artístico ou desportivo, de programa de rádio ou televisão etc. com objetivos publicitários; chancela 4 PUB MKT apoio, ger. financeiro, concedido, como estratégia de marketing, Fl. 1200DF CARF MF 8 por uma organização a determinada atividade artística, cultural, científica, comunitária, educacional, esportiva ou promocional; chancela 5 m.q. MECENATO (‘apoio financeiro’) (...)” Como se vê, a própria definição de patrocínio já abrange a possibilidade de uma finalidade publicitária, por parte do patrocinador. Não há, como colocado pela fiscalização, uma oposição entre patrocínio e propagando, pelo contrário, um pode ser meio para o outro. A fiscalização invocou, em favor da sua tese, a Lei nº 11.438/2006, cuja aplicação não abrange o presente caso, haja vista que ela se trata de patrocínios concedidos para projetos desportivos e paradesportivos que não tenha caráter profissional, conforme vedação expressa de ser art. 2º, §2º, verbis: art. 2º (...) § 2o É vedada a utilização dos recursos oriundos dos incentivos previstos nesta Lei para o pagamento de remuneração de atletas profissionais, nos termos da Lei no 9.615, de 24 de março de 1998, em qualquer modalidade desportiva. Pois bem. Compulsando os documentos de fls. 904 e seguintes, podese verificar que o Contribuinte utiliza há bastante tempo o patrocínio de equipes esportivas, especialmente no campo automotivo, como instrumento de marketing e de divulgação de sua marca, logrando, com isto, relacionar o seu nome a grandes nomes do esporte brasileiro, como Christian Fittipaldi: A documentação acostada aos autos (fls. 904 e ss.) comprova a massiva inserção do nome do Contribuinte em publicações relacionadas ao automobilismo não se trata de um patrocínio isolado, mas de um amplo modelo de promoção da marca "BANCO SOFISA". Se para quem recebe, o montante é um patrocínio, não há como se negar que para que paga há uma nítida e incontestável finalidade de propaganda e marketing. No documento que corresponde à "carta" da Project Racing Group, na qual convida o patrocinador a investir valores, verificase que há menções expressas e objetivas à divulgação da marca por meio da Internet, Rádio, Televisão e publicações especializadas, se comprometendo com a Recorrente em divulgar o nome da empresa. Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 16327.721311/201477 Acórdão n.º 1301003.676 S1C3T1 Fl. 6 9 A situação é absolutamente análoga aos patrocinadores de times de futebol, que pagam determina valor aos times para que seu nome seja estampado na camisa durante toda uma temporada, possuindo uma nítida finalidade de divulgação da marca. Nesse sentido, entendeu pela dedutibilidade de tal dispêndio a Solução de Consulta COSIT nº 203/2014, verbis: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ EMENTA: PATROCÍNIO A CLUBE DE FUTEBOL PROFISSIONAL. DIVULGAÇÃO DA MARCA COMERCIAL. DESPESAS DE PROPAGANDA. DEDUTIBILIDADE. Atendidos todos os requisitos previstos na legislação, as despesas realizadas a título de patrocínio a um clube de futebol profissional, para divulgação da marca comercial do patrocinante, podem ser consideradas como despesas de propaganda, sendo, portanto, dedutíveis da base de cálculo do IRPJ. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 4.680/1965, art. 5º; Lei nº 7.450/1985, art. 54; Lei nº 11.438/2006, art. 3º, inciso I; Decreto nº 3.000/1999, Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, art. 366; PN CST nº 236/1974. A Lei nº 7.450/1985, em seu art. 54, estabelece que as despesas de propaganda são dedutíveis, para efeito de apuração do lucro real, nas condições estabelecidas pela Lei nº 4.506/64, segundo o regime de competência: Art 54 As despesas de propaganda são dedutíveis nas condições estabelecidas pela Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, segundo o regime de competência. Por sua vez, o RIR/99 estabeleceu em seu art. 366 o que pode se enquadra como despesa de propaganda, e determina as condições de enquadramento: Art.366. São admitidos, como despesas de propaganda, desde que diretamente relacionados com a atividade explorada pela empresa e respeitado o regime de competência, observado, ainda, o disposto no art. 249, parágrafo único, inciso VIII (Lei nº 4.506, de 1964, art. 54, e Lei nº 7.450, de 1985, art. 54): I os rendimentos específicos de trabalho assalariado, autônomo ou profissional, pagos ou creditados a terceiros, e a aquisição de direitos autorais de obra artística; II as importâncias pagas ou creditadas a empresas jornalísticas, correspondentes a anúncios ou publicações; III as importâncias pagas ou creditadas a empresas de radiodifusão ou televisão, correspondentes a anúncios, horas locadas ou programas; IV as despesas pagas ou creditadas a quaisquer empresas, inclusive de propaganda; V o valor das amostras, tributáveis ou não pelo imposto sobre produtos industrializados, distribuídas gratuitamente por laboratórios químicos ou farmacêuticos e por outras empresas Fl. 1202DF CARF MF 10 que utilizem esse sistema de promoção de venda de seus produtos, sendo indispensável: a) que a distribuição das amostras seja contabilizada, nos livros de escrituração da empresa, pelo preço de custo real; b) que a saída das amostras esteja documentada com a emissão das correspondentes notas fiscais; c) que o valor das amostras distribuídas em cada anocalendário não ultrapasse os limites estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, tendo em vista a natureza do negócio, até o máximo de cinco por cento da receita obtida na venda dos produtos. §1º Poderá ser admitido, a critério da Secretaria da Receita Federal, que as despesas de que trata o inciso V ultrapassem, excepcionalmente, os limites previstos na alínea "c", nos casos de planos especiais de divulgação destinados a produzir efeito além de um anocalendário, devendo a importância excedente daqueles limites ser amortizada no prazo mínimo de três anos, a partir do anocalendário seguinte ao da realização das despesas (Lei nº 4.506, de 1964, art. 54, parágrafo único). §2º As despesas de propaganda, pagas ou creditadas a quaisquer empresas, somente serão admitidas como despesa operacional quando a empresa beneficiada for registrada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica e mantiver escrituração regular (Lei nº 4.506, de 1964, art. 54, inciso IV). §3º As despesas de que trata este artigo deverão ser escrituradas destacadamente em conta própria. Desse modo, podemos elencar quatro características básicas para a dedutibilidade de despesas com propaganda: a) estar diretamente relacionadas com a atividade explorada pela empresa; b) respeitar o regime de competência; c) ser escrituradas destacadamente em conta própria; d) ter como beneficiada empresa registrada no CNPJ e que mantenha escrituração regular. Parecenos que no caso concreto todos esses requisitos foram atendidos, visto que a marca divulgada era da própria empresa, houve o respeito ao regime de competência, a empresa mantinha esses gastos em conta contábil própria (gastos com patrocínio destinados à Team Brasil Conta nº 8.1.7.42.00.2 425.0), e a empresa que recebia os valores era possuía CNPJ regular. Friso que no tocante às despesas com patrocínio no restauro da fachada do Edifício SULACAP, – Projeto 069/08 e razão da conta 8.1.7.42.00.2 425.0 – Desps. c/ Patrocínio, tal matéria não foi objeto do Recurso Voluntário, visto que na fl. 1075 delimita precisamente o pleito às despesas de patrocínio tratadas no tópico, é dizer, aquelas relacionadas ao patrocínio desportivo: Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 16327.721311/201477 Acórdão n.º 1301003.676 S1C3T1 Fl. 7 11 Desse modo, entendo que tais despesas são dedutíveis como despesas de propaganda. b) Descontos em financiamentos dedutibilidade A Recorrente aduz também que é necessária e usual para sua atividade a concessão de descontos em operações de empréstimos e financiamentos, ao passo que a fiscalização entende que se trataria de uma liberalidade do credor, não fazendo jus à dedutibilidade. Novamente, entendemos que a razão reside com o Recorrente. Conforme o contrato social da Recorrente, seu objeto social consiste na prática de operações ativas, passivas e acessórias inerentes às carteiras autorizadas, quais sejam comercial, de investimento, de arrendamento mercantil e de crédito, financiamento e investimento. Seu principal campo de atuação é na realização de operações de crédito (Empréstimos e Financiamentos), e na posição de credora, seu interesse final é na liquidação do crédito, com a possibilidade de maximização do lucro ou, pelo menos, a minimização do prejuízo nessa liquidação. Via de regra, se uma empresa possui crédito contra outra, não se poderia dizer que o desconto nesse crédito seria uma despesa operacional entretanto, em se tratando de uma empresa cujo objeto social consiste exatamente na realização de operações de crédito, a concessão de descontos se torna, em muitos casos, condição sine que non do efetivo recebimento da prestação devida, ainda que em valor menor que o inicialmente pactuado. Não se trata, diferentemente do que aduziu a fiscalização, de mera liberalidade do credor, mas sim uma necessidade do negócio, para garantir o recebimento parcial do valor devido. Ninguém que empresta um valor, o faz pensando em receber menos do que seria o devido, e se recebe, o faz premido pelas circunstâncias e pelo risco do inadimplemento como diz o ditado "é melhor um pássaro na mão do que dois pássaros voando". Se o credor dá o desconto para o recebimento do crédito, essa despesa não pode ser considerada provisória, como pretendeu a fiscalização ao reconduzir a situação fática ao contexto de aplicação do art. 9º da Lei nº 9.430/96, que exige i) a comprovação do transcurso de um período de tempo e ii) a tentativa de prévia cobrança administrativa ou ajuizamento de ação judicial, buscando reaver o crédito devido, para que o contribuinte credor possa deduzir essas perdas provisórias. Fl. 1204DF CARF MF 12 Com exceção da hipótese de insolvência do devedor, na qual podese considerar a perda como definitiva, não há dúvidas que as hipóteses do art. 9º não se aplicam ao presente caso, por se referir a perdas provisórias e contingentes. A definitividade da perda implica no seu reconhecimento imediato como despesa operacional do exercício, e não como provisão para crédito de liquidação duvidosa. Nesse sentido é o preciso voto da Conselheira Sandra Faroni, no Acórdão CARF nº 10195.469, verbis: “As disposições dos §§ 8º e 9º do artigo 43 da Lei 8.981/95 e do art. 9º da Lei 9.430/96 dizem respeito as perdas provisórias, isto é, a créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor, mas que já estejam vencidos há um ou dois anos, ou para os quais tenham sido esgotados os meios legais de cobrança. Não se compreendem, aí, os créditos já liquidados (perdas definitivas). De fato, o § 7º do artigo 43 da Lei 8.981/95 determina que os prejuízos realizados no recebimento de créditos serão obrigatoriamente debitados à provisão e o eventual excesso verificado será debitado a despesas operacionais. Portanto, não há qualquer condição para a dedução das perdas definitivas. Apenas, eram elas debitadas à provisão antecipadamente constituída para suportálas, sendo debitadas a despesas em caso de a provisão ser insuficiente para suportálas. O parágrafo 8º do art. 43 permitia o débito de perdas provisórias, isto é, de créditos vencidos há um ou dois anos (conforme o valor), mas para os quais o credor não deu quitação ao devedor. Da mesma forma, o § 1º do art. 9º da Lei 9.430/96 trata das condições para dedução de perdas não definitivas, mas que em certas circunstâncias relacionadas com a existência de garantia e o tempo decorrido desde o vencimento, já podem ser consideradas perdas”. Portanto, a fiscalização equivocouse a remeter essa situação fática ao regime jurídico do art. 9º da Lei nº 9.430/96. Fixada a sua natureza de despesa operacional, resta saber do atendimento aos requisitos de necessidade e habitualidade. Ora, não há dúvidas que a concessão de descontos, muitas vezes, é o único meio de conseguir algum retorno do empréstimo ou financiamento tratase de estratégia óbvia, sob uma perspectiva de escolhas econômicas: o retorno de negócio deve ser calculado levando em conta não apenas o retorno estimado, mas também a probabilidade desse retorno efetivamente ocorrer. É racional que se opte por um retorno de R$ 100,00 com 90% de probabilidade, do que um retorno de R$ 200,00 com 20% de probabilidade e as instituições que realizam operações de crédito se baseiam exatamente nesse raciocínio para determinar a concessão de descontos para a liquidação de créditos. Tratase, portanto, de providência inerente ao modelo de negócios, dotada, portanto, das características necessárias para a sua dedutibilidade. Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 16327.721311/201477 Acórdão n.º 1301003.676 S1C3T1 Fl. 8 13 Este Colegiado, em composição um pouco distinta, entendeu por unanimidade nesse mesmo sentido, como disposto no Acórdão CARF nº 1301002.606: DESCONTOS CONCEDIDOS EM RENEGOCIAÇÃO DE RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. DEDUTIBILIDADE. Os descontos e abatimentos concedidos na renegociação de créditos de Instituições Financeiras são perdas definitivas, desde que documentalmente comprovados. Da mesma forma, há diversos precedentes no mesmo sentido, no âmbito deste conselho. Nesse sentido, entendo que a referida glosa também deve ser revertida. c) Outras despesas Na rubrica "outras despesas" a Recorrente registrou as perdas decorrentes de contratos de "Empréstimos Consignados", nos quais o devedor faleceu durante o curso do contrato, registrando o valor remanescente como perda. No empréstimo consignado, a garantia do pagamento do credor é o fluxo de recursos para o patrimônio do devedor, normalmente por folha de pagamento ou por meio de aposentadoria, com a cobrança do valor "na fonte". Entretanto, com o falecimento do devedor, não resta impossibilitada a cobrança dos valores devidos, como já consignado na jurisprudência do STJ: DIREITO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. CONTRATO DE CRÉDITO CONSIGNADO EM FOLHA DE PAGAMENTO. FALECIMENTO DA CONSIGNANTE. EXTINÇÃO DA DÍVIDA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. ART. 16 DA LEI 1.046/50. REVOGAÇÃO TÁCITA. JULGAMENTO: CPC/73. 1. Embargos à execução de contrato de crédito consignado opostos em 11/04/2013, de que foi extraído o presente recurso especial, interposto em 29/04/2014 e atribuído ao gabinete em 25/08/2016. 2. O propósito recursal é dizer sobre a extinção da dívida decorrente de contrato de crédito consignado em folha de pagamento, em virtude do falecimento da consignante. 3. Pelo princípio da continuidade, inserto no art. 2º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro LINDB, excetuadas as hipóteses legalmente admitidas, a lei tem caráter permanente, vigendo até que outra a revogue. E, nos termos do § 1º do referido dispositivo, a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare (revogação expressa), quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior (revogação tácita). 4. A leitura dos arts. 3º e 4º da Lei 1.046/50 evidencia que se trata de legislação sobre consignação em folha de pagamento Fl. 1206DF CARF MF 14 voltada aos servidores públicos civis e militares. 5. Diferentemente da Lei 1.046/50, a Lei 10.820/03 regula a consignação em folha de pagamento dos empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho CLT e dos titulares de benefícios de aposentadoria e pensão do Regime Geral de Previdência Social. 6. Segundo a jurisprudência do STJ, houve a abrogação tácita ou indireta da Lei 1.046/50 pela Lei 8.112/90, pois esta tratou, inteiramente, da matéria contida naquela, afastando, em consequência, a sua vigência no ordenamento jurídico. 7. Malgrado a condição da consignante se servidora pública estatutária ou empregada celetista; se ativa ou inativa não tenha sido considerada no julgamento dos embargos à execução opostos pelo espólio, tal fato não impede o julgamento deste recurso especial, porquanto, sob qualquer ângulo que se analise a controvérsia, a conclusão é uma só: o art. 16 da Lei 1.046/50, que previa a extinção da dívida em virtude do falecimento do consignante, não está mais em vigor, e seu texto não foi reproduzido na legislação vigente sobre o tema. 8. No particular, a morte da consignante não extingue a dívida por ela contraída mediante consignação em folha, mas implica o pagamento por seu espólio ou, se já realizada a partilha, por seus herdeiros, sempre nos limites da herança transmitida (art. 1.997 do CC/02). 9. Em virtude do exame do mérito, por meio do qual foi rejeitada a tese sustentada pela recorrente, fica prejudicada a análise da divergência jurisprudencial. 10. Recurso especial conhecido e desprovido. (REsp 1498200/PR, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 05/06/2018, DJe 07/06/2018) Desse modo, voto pela manutenção da glosa nesse ponto. Quanto ao pedido para a aplicação dos efeitos da postergação da despesa, entendo que como o lançamento foi realizado no ano de 2014, antes do encerramento do ano exercício, seria impossível o fiscal apurar essa postergação, pois não teria transcorrido o prazo de cinco anos para que a perda seja considerada definitiva. Ademais, frisese que se aplicam aos lançamentos de CSLL, tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos. Nesse sentido, adoto os fundamentos da decisão recorrida: Finalmente, cumpre instar que a decisão pertinente ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ deve nortear as inferências correlatas aos autos de infração decorrentes, os quais, no presente caso, foram lavrados para fins de constituição da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) tendo em vista que derivam de elementos de prova idênticos e mantêm íntima relação de causa e efeito. Destarte, compete acentuar que tais inferências encontram fundamento legal, plenamente em vigor, nos termos do art. 9º, Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 16327.721311/201477 Acórdão n.º 1301003.676 S1C3T1 Fl. 9 15 caput e §1º, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995, segundo o qual se contextualiza a negativa de dedução de despesas incorridas a título de Juros sobre o Capital Próprio (JSCP) que não atendam aos critérios normativos de natureza condicional, ensejando a incidência da tributação do imposto de renda sobre as quantias indevidamente computadas na apuração do Lucro Real do períodobase a que se referir a parcela indedutível. Neste compasso, de acordo com o § 11º do art. 9º, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995, denotase irrepreensível a admissibilidade da aplicação do preceito legal para fins de determinação da base imponível da CSLL que vise a respectiva constituição de lançamento. Reforçando tal entendimento, destaquese que admissibilidade de tributação reflexiva encontra respaldo em vários dispositivos a saber, o art. 6° da Lei n° 7.689, de 15/12/1988, o art. 57 da Lei n° 8.981, de 20/01/1995; o art. 28 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, consolidados na redação do art. 3° da Instrução Normativa SRF n° 390, de 30/01/2004, abaixo transcrito: “Art. 3° Aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e, no que couberem, as referentes à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação da CSLL.” Assim sendo, impõese manter a eficácia da autuação reflexa correlata às CSLL. III) Do excesso de juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio. O último ponto diz respeito à dedutibilidade das bases do IRPJ e CSLL dos valores imputados como excesso de JCP, computadas na apuração do Lucro Real do exercício. O motivo do excesso se deu em razão do pagamento de JCP levandose em conta a apuração havida em exercícios anteriores. A figura dos JCP é uma figura tipicamente brasileira uma "jabuticaba", como dizem às coisas que só são encontradas por aqui , criada pela Lei nº 9.249/95, conforme a regulamentação trazida em seu art. 9º, abaixo reproduzido: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. Adentrando em suas principais características, sobretudo em razão da relevância do Direito Contábil para fins de determinação do tratamento societário do tema, cujo impacto sobre a regulamentação tributária também será analisado posteriormente, tornase Fl. 1208DF CARF MF 16 necessário interpretar os fatos contábeis à luz das diretrizes dos art. 177 e 178, caput da Lei das S/A: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. Art. 178. No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia. Pois bem, sob a perspectiva societária, temos estas como suas principais características1, 1. O efetivo pagamento ou crédito dos JCP fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. 2. O montante máximo dos JCP, passível de dedução como despesa operacional na apuração do IRPJ e CSLL, limitase ao menor valor entre duas alternativas: a) valor decorrente da aplicação da TJLP pro rata die sobre o patrimônio líquido; ou b) o maior valor entre 50% do lucro apurado ou 50% do somatório dos lucros acumulados e reservas de lucros; 3. Os JCP, pagos ou creditados ao beneficiário, na maioria dos casos, fica sujeito à alíquota de 15% do IRRF; 4. Os JCP podem ser imputados ao valor do dividendo obrigatório de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404/76. 5. Apenas sócios e acionistas da sociedade poderão ser remunerados através dos JCP. Sobre o tema, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis elaborou a Interpretação Técnica ICPC 08 (R1), que trata da contabilização do pagamento de JCP, onde se aduziu: Juros sobre o capital próprio (JCP) 10. Os juros sobre o capital próprio – JCP são instituto criado pela legislação tributária, incorporado ao ordenamento societário brasileiro por força da Lei 9.249/95. É prática usual das sociedades distribuiremnos aos seus acionistas e imputaremnos ao dividendo obrigatório, nos termos da legislação vigente. 11. Assim, o tratamento contábil dado aos JCP deve, por analogia, seguir o tratamento dado ao dividendo obrigatório. O valor de tributo retido na fonte que a companhia, por obrigação da legislação tributária, deva reter e recolher não pode ser considerado quando se imputam os JCP ao dividendo obrigatório. Esse era exatamente o mesmo tratamento que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) dava ao instituto desde o seu nascimento, com a Deliberação CVM nº 207/96, ao determinar que os JCP fossem contabilizados diretamente à conta de Lucros 1 Manual de Contabilidade Societária, 3ªed. São Paulo: Atlas, 2018, p.406. Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 16327.721311/201477 Acórdão n.º 1301003.676 S1C3T1 Fl. 10 17 Acumulados, sem afetar o resultado do exercício2. Essa deliberação atualmente se encontra revogada pela Deliberação CVM nº 683/2012, que aprovou o ICPC 08 (R1), tornando obrigatória a sua observância para as companhias. Interessanos, nesse ponto, identificar quando nasce o direito do sócio ou acionista ao recebimento dos JCP. Parecenos que há duas possibilidades, em regra, para o nascimento desse direito do acionista: i) a existência de previsão expressa no Estatuto Social, que determine o pagamento do JCP ao término de todos os exercícios, cabendo apenas a apuração precisa do montante devido, à luz da metodologia estabelecida pelo próprio ato normativo; ou ii) a atribuição de poderes à Assembleia Geral (ou a outro órgão) para que delibere sobre o pagamento dos JCP. A distinção é relevante para fins de observância do regime de competência, à luz do que determina o art. 177 da Lei das S/A e, mormente no campo tributário, as determinações do art. 6 do DecretoLei nº 1.598/77. O nascimento do direito ao recebimento dos JCP é o marco de estabelecimento do exercício no qual essa despesa deve ser considerada nascida e ex vi legis dedutível na apuração do IRPJ e CSLL. Na primeira hipótese, em que o Estatuto Social determina a metodologia de cálculo do JCP e impõe a sua aplicação automática, ao final do exercício social, poderseia falar que a despesa dedutível nasceria ano a ano, por força da vinculatividade que as determinações do estatuto tem sobre a empresa. Na segunda hipótese, entretanto, na qual o nascimento do direito aos JCP se dá apenas com a deliberação de determinado órgão da empresa, o nascimento da despesa se dará apenas no exercício correspondente à deliberação, e apenas naqueles em que existir a referida decisão. Como pontuado por Ricardo Mariz de Oliveira, se referindo ao nascimento da obrigação de pagar JCP, conforme parecer citado no Acórdão CARF nº 1402001.178: sua fonte remota é a norma legal do art. 9º da Lei n. 9249, que autoriza e regula as possíveis relações jurídicas a serem estabelecidas com a função de remunerar seus acionistas pelo capital social, lucros acumulados e reservas mantidas na empresa (exceto a de reavaliação não realizada); sua fonte mediata é a norma estatutária que permite aos órgãos diretivos efetuar o pagamento dos juros, sem prefixar tempo, valores, termos ou condições; sua fonte imediata é a deliberação do órgão interno competente, que autoriza a distribuição de JCP e estabelece valores e demais condições do respectivo pagamento. Naturalmente, a hipótese tratada naquele caso se referida aos JCP dependentes de deliberação do órgão social, e não aquela decorrente de disposição expressa do Estatuto que deixe prefixado o tempo, valores, termos e condições de pagamento. 2 I Os juros pagos ou creditados pelas companhias abertas, a título de remuneração do capital próprio, na forma do artigo 9º da Lei nº 9.249/95, devem ser contabilizados diretamente à conta de Lucros Acumulados, sem afetar o resultado do exercício. Fl. 1210DF CARF MF 18 De fato, na linha posta pelo Recorrente, o artigo 9º, da Lei no 9.249/95, não estabelece um limite temporal à distribuição e/ou dedutibilidade dos JCP, tampouco que o período ao qual se refere a variação da TJLP seja aquele em que as despesas são deduzidas e nem precisaria, pois tal determinação emana das regras já mencionadas anteriormente, que impõem a observância do regime de competência no reconhecimento de despesas, inclusive de JCP. Nesse sentido, o art. 29 da IN SRF nº 11/96 corretamente determinou: Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a Com a devida vênia ao entendimento da Recorrente, o pagamento da JCP se submete, sim, ao regime de competência: o reconhecimento do direito do sócio ou acionista aos JCP deve estar parelho ao reconhecimento da despesa dedutível. Há que se ter em mente, sempre, que não se pode confundir a possibilidade do pagamento de JCP referente a exercícios anteriores, em momento posterior, com o tratamento fiscal, é dizer, a dedutibilidade, que deverá ser dispensado a esses juros pagos, pois o regime tributário é balizado por regras específicas, que estabelecem limites quantitativos para a utilização desses dispêndios na redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (Imposto de Renda das Empresas, 5ª edição, São Paulo: Atlas, 2008, pág. 265);. Como posto pelo Conselheiro Rafael Vidal no Acórdão CSRF nº 9101 003.684: não existe óbice para a assembléia, em exercício posterior, deliberar sobre a remuneração do capital dos sócios na forma que melhor lhe aprouver. Como já foi visto, os critérios trazidos pela Lei n° 9.249/95 dizem respeito apenas aos efeitos fiscais, ou seja, à dedução do lucro real para fins de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica. Logo, a empresa pode determinar o pagamento de juros sobre o capital próprio até mesmo acima dos limites trazidos pela Lei n° 9.249/95. Tratase de um direito exercido com base nos princípios da livre iniciativa e da autonomia privada; porém, a parcela dedutível deve sempre obedecer aos requisitos indicados na legislação. Um dos critérios trazidos pela norma tem natureza quantitativa, a parcela dedutível limita se ao maior valor entre: a) 50% do lucro líquido do período de apuração antes da dedução desses juros, após a dedução da CSLL e antes da provisão para o IRPJ, ou b) 50% do somatório dos lucros acumulados e reservas de lucros; Ao estabelecer esses limites, a lei pretendeu impedir que o lucro da empresa fosse integralmente distribuído na forma de JCP, erodindo completamente a base de cálculo dos tributos sobre a renda. Havendo a deliberação do destino dos lucros anteriormente, o mesmo será alocado nas formas possíveis, não havendo disponibilidade para pagamento posterior de juros, em exercícios futuros. Esse situação é diferente da situação em que o sujeito passivo ratifique o seu balanço de anos anteriores e recolha o IRRF com os acréscimos cabíveis, caso em que há uma alteração do balanço para reconhecer contabilmente, no exercício passado, o direito dos sócios ou acionistas ao pagamento de JCP. Há diversas situações práticas, mas independente das peculiaridades, o marco para o nascimento da despesa é a deliberação social (ou data determinada no Estatuto). Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 16327.721311/201477 Acórdão n.º 1301003.676 S1C3T1 Fl. 11 19 Poderseia falar que houve a deliberação e o pagamento se deu apenas em exercício posterior, pretendendo deduzir essa despesa no exercício que foi efetivamente realizada, mas tal circunstância é esdrúxula, pois institui um regime de caixa onde não existe previsão para tanto a regra é a da competência. O art. 9º, §1º da Lei nº 9.249/96 é muito clara em aduzir que não é necessário o pagamento para que se computem os JCP no resultado, mas apenas o seu crédito, deixando muito claro a necessidade de observar o parelhamento nesse caso. Para os efeitos fiscais, a parcela dedutível deve observar os critérios e limites trazidos pela legislação no período em que a despesa foi considerada incorrida. Nesse caso, devese aplicar a TJLP sobre as contas do patrimônio líquido no qual ocorreu a decisão de se remunerar o capital investido; como a despesa somente será considerada incorrida quando houver a deliberação. Não faz sentido defender a aplicação de TJLP sobre o saldo de contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores, haja vista que sequer nasceu para os sócios ou acionistas o direito aos JCP, por ausência de qualquer deliberação social nesse sentido, não sendo possível trazer para o presente a dedução de juros que levam em conta os saldos de contas do PL de exercícios passados. Como aduz Edmar Andrade: é impossível, do ponto de vista lógico e jurídico, a imputação, a exercícios passados, dos efeitos produzidos por uma decisão societária atual porque o Balanço, depois de aprovado pelos sócios ou acionistas, constitui ato jurídico perfeito e que só pode ser validamente modificado se demonstrada a anterior ocorrência de erro, dolo ou simulação. Apenas se constatado erro, dolo ou simulação, com posterior retificação do balanço, que essa situação poderia ser alterada. No sentido contrário, menciono a seguinte decisão do STJ: MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. I Discutese, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2002, relativo aos anoscalendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em Fl. 1212DF CARF MF 20 que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV "O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíquoa, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976". V Recurso especial improvido. (REsp 1086752/PR, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 11/03/2009) Com a devida vênia, a tese sustentada pelo Ministro é a de que o reconhecimento da despesa do JCP deveria se dar pelo regime de caixa sem qualquer base legal para tanto, e contra previsão expressa do reconhecimento do JCP mesmo sem o pagamento efetivo, mas mero crédito. A premissa adotada na decisão é grosseiramente equivocada, sob uma perspectiva contábil, à luz do art. 6º do DecretoLei nº 1.598/77 e à luz da legislação de regência do instituto, razão pela qual não merece acolhida. Senão vejamos os arts. 1º e 4º da IN SRF nº 41/98: “Art. 1º Para efeito do disposto no art. 9º da Lei No 9.249, de 26 de dezembro de 1995, considerase CREDITADO, individualizadamente, o valor dos juros sobre o capital próprio, QUANDO A DESPESA FOR REGISTRADA, NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DA PESSOA JURÍDICA, em contrapartida a conta ou subconta de seu passivo exigível, representativa de direito de crédito do sócio ou acionista da sociedade ou do titular da empresa individual. Art. 4o Na hipótese de beneficiário pessoa jurídica, o valor dos juros creditados ou pagos deve ser escriturado como receita, observado o regime de competência dos exercícios.” A única situação que nos parece que a dedução do JCP se dê no momento do seu pagamento, em exercício posterior, é nos casos em que, apesar da deliberação para o pagamento dos juros, contabilmente não se reconheceu integralmente a despesa, vindo a reconhecêla em exercício posterior, hipótese esta em que estaremos diante de uma antecipação do tributo devido, desde que o procedimento não gere nenhuma redução indevida no lucro real. Passemos ao caso concreto. Aduz o Recorrente que o JCP pago em 2010 seria composto da seguinte forma: Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 16327.721311/201477 Acórdão n.º 1301003.676 S1C3T1 Fl. 12 21 Argumenta que os valores imputados a exercícios anteriores estariam dentro do limite de dedutibilidade, razão pela qual a dedução deveria ser reconhecida no exercício de 2010. Com a devida vênia, não procede o argumento. O limite quantitativo é um parâmetro legal para restringir a dedutibilidade fiscal dos JCP pagos no exercício. Não se estabelece assim um direito do contribuinte ao "crédito de limite de dedutibilidade" para ser utilizado em exercícios posteriores, como pretendeu o contribuinte. No exercício de 2010, o limite de dedução dos juros deverá ser calculado nos termos do art. 29, §3º da IN 11/96: § 3º O valor do juros pagos ou creditados, ainda que capitalizados, não poderá exceder, para efeitos de dedutibilidade como despesa financeira, a cinqüenta por cento de um dos seguintes valores: a) do lucro líquido correspondente ao períodobase do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou b) dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores. Referese, portanto, os juros pagos ou creditados na deliberação do exercício. Tampouco procede o argumento de que não haveria prejuízo ao Erário, pois a dedução acima do limite legal implicaria em redução indevida do lucro real, incorrendo, sim, em redução do tributo. Desse modo, entendo correto o procedimento da fiscalização, razão pela qual nego provimento ao Recurso Voluntário nesse ponto. IV) Juros sobre multa de ofício Sobre essa matéria, há muito me manifesto no sentido de reconhecer a não incidência de juros sobre multa de ofício. Entretanto, a matéria se encontra hoje sumulada pelo CARF, através da Súmula nº 108: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 1214DF CARF MF 22 Desse modo, em observância à determinação regimental, aplico a súmula CARF para negar provimento ao pleito do contribuinte. V) Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de despesas decorrentes de patrocínios desportivos e descontos em empréstimos e financiamentos. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 16327.721311/201477 Acórdão n.º 1301003.676 S1C3T1 Fl. 13 23 Declaração de Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. Com a devida vênia, ouso discordar do i. Relator na análise da matéria relativa ao "excesso de juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio", por compreender que a cobrança tributária em questão ofende as normas que tutelam a matéria, especialmente aquelas que decorrem do art. 9º da Lei nº 9.249/95. Como ressaltado, em relatório, o tópico controvertido diz respeito à dedução de despesas incorridas pela recorrente quanto à parcela considerada excessiva pela fiscalização na distribuição de JCP, no anocalendário de 2010, no montante de R$ 19.751.848,18. Na análise da matéria, enfatizou o Relator que o procedimento adotado pelo contribuinte violaria o princípio da competência e, conseqüentemente, a dedutibilidade da despesa, mantendo a glosa, nesta parte. Pois bem. Como se sabe os JCP foram instituídos como forma de remunerar o capital dos sócios ou acionistas da pessoa jurídica, em conformidade com o que dispõe o artigo 9º da Lei nº 9.249/95. De acordo com a lei, a pessoa jurídica que realiza pagamentos ou creditamentos dos JCP, poderá deduzilos diretamente à conta de lucros acumulados da companhia, com a proporcional redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, e a parte beneficiária dos JCP (sócio da pessoa jurídica) sujeitase à tributação de imposto de renda na fonte à alíquota de 15% na data de seu pagamento ou creditamento. A base jurídica para a apuração e identificação das conseqüências tributárias dos JCP consiste no artigo 9º da Lei nº 9.249/95, que passou por alterações ao longo dos anos. O artigo 9º da Lei 9.249/95, à época dos fatos, possuía a seguinte redação, verbis: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; Fl. 1216DF CARF MF 24 II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. § 9º (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 10º (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) De acordo com este dispositivo legal, as pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro Real podem deduzir, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, as importâncias pagas ou creditadas aos sócios ou acionistas a título de remuneração pelo capital investido, como os JCP, calculados com base nas contas integrantes do patrimônio líquido da pessoa jurídica e limitados à variação, pro rata dia, da TJLP. (art. 9º, caput, da Lei nº 9.249/95) Como limites quantitativos à dedutibilidade dos JCP, o seu valor deve ficar adstrito a um dos seguintes montantes: (i) 50% do lucro líquido do período em que for realizado o seu pagamento/crédito ou; (ii) 50% dos lucros acumulado e das reservas de lucros de períodos anteriores (art. 9º, §1º, da Lei nº 9.249/95). O exame desse dispositivo revela que a norma traz uma única limitação temporal: prescreve que os JCP serão dedutíveis apenas sobre o período que o acionista mantiver o seu capital investido na pessoa jurídica, devendo o seu cálculo ser realizado "pro rata dia". Por outro lado, tal dispositivo não faz nenhuma restrição temporal acerca do pagamento de juros sobre o capital próprio. Ora, se não faz, não há como prosperar a iniciativa da fiscalização de atribuir um prazo para pagamentos dos JCP, sob pena de inobservância ao princípio da legalidade. Não há que considerar que a ausência de deliberação dos JCP em exercícios anteriores conduziria à caducidade do direito à dedução do valor do lucro real, em virtude da ausência de fundamento legal que ampare esse raciocínio. Isso porque, a deliberação de pagamentos dos JCP é uma faculdade dos acionistas. Por sua vez, a caducidade extingue o direito pelo fato de seu titular quedarse inerte Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 16327.721311/201477 Acórdão n.º 1301003.676 S1C3T1 Fl. 14 25 e não exercer seu direito dentro do prazo legal ou convencional. Ora, se a lei não define prazo para seja exercida a faculdade atribuída ao contribuinte, também não se pode dizer que haveria perda do direito por decurso de prazo que não foi limitado ou fixado pela lei. Logo, não merece prosperar o argumento de preclusão temporal, vez que esse instituto não é aplicável à perda de direito material e tampouco existe previsão legal de prazo para deliberação de pagamentos dos JCP. Um outro argumento que deve ser abordado é a alegação de que a lei consagra o princípio da competência no tratamento contábil de despesas e que, portanto, se não se deliberou na época própria o pagamento ou creditamento dos juros, a conclusão é a de que houve renúncia ao direito facultado pela lei. Penso que a renúncia a direitos sempre deve ser expressa, não presumida por eventual não exercício de uma faculdade, salvo nos casos em houver expressa previsão legal que, definitivamente, não é a hipótese dos autos. De acordo com o artigo 114 do Código Civil, incluso no Capítulo das Disposições Gerais do Negócio Jurídico, cuja redação alerta: "os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretamse estritamente". Assim, não havendo previsão legal sobre a configuração de renúncia de direito no caso de ausência da deliberação dos pagamentos dos JCP, não vejo como o silêncio do acionista/cotista ser interpretado como ato volitivo de abdicação de direito, gerando efeitos tributários! Ademais, com a devida vênia, não se deve entender que os JCP foram tratados pelo legislador como uma despesa propriamente dita, a qual pressupõe, para sua dedutibilidade, contribuição para a manutenção das atividades da pessoa jurídica. Tratase, na verdade, de forma de remuneração do capital próprio investido pelos sócios na pessoa jurídica, dedutíveis, portanto, diretamente dos lucros destas, não se sujeitando, no meu sentir, às regras ordinárias aplicáveis às despesas em geral. De acordo com o diploma legal já transcrito, o legislador elegeu o efetivo pagamento como evento relevante para a incidência da norma de JCP (Lei nº 9.249/95, art. 9º, caput). Assim, o nascimento do direito à dedutibilidade dos JCP pagos e a obrigação tributária do sócio que o recebe se dá, nessa hipótese, pelo regime de caixa. Porém, o legislador também elegeu o creditamento como evento relevante para a incidência da norma tributária de JCP (Lei nº 9.249/95, art. 9º, caput). Assim, o nascimento do direito à dedutibilidade da empresa que credita os JCP e a obrigação tributária do sócio que é creditado, se dá nessa hipótese, por um regime de competência, embora com distinções relevantes em relação ao princípio contábil da competência. Veja, neste particular, pelas regras do regime de competência "puro", a partir da deliberação da assembleia da companhia para que sejam pagos JCP aos acionistas, poderia se considerar a "despesa" como "incorrida", o que autorizaria a pessoa jurídica deduzílas. A Lei nº 9.249/95, contudo, não autoriza a dedutibilidade dos JCP meramente incorridos, exigindo, ao menos, o aperfeiçoamento de seu "creditamento". Fl. 1218DF CARF MF 26 RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA3, analisando essa questão, pontuou: "Realmente, apesar de a obrigação já ter sido constituída desde a deliberação, o parágrafo º do artigo 9º da Lei 9.249 somente pemite a dedução fiscal a partir do momento em que ela for cumprida no âmbito do direito privado mediante a efetivação do pagamento ou do crédito em conta individualizada do sócio ou acionista. Isso explica porque o regime de competência se constitui na regra geral acima descrita, mas nosso sistema legal relativo ao IRPJ e à CSLL contem várias regras relacionadas à dedutibilidade de determinadas despesas ou custos, as quais estão inseridas no ordenamento jurídico a par da regra geral do regime de competência, sendo que algumas delas excepcionam, condicionam ou complementam tal norma geral. Assim, ao lado das regras que existem para declarar a indedutibilidade de determinadas despesas ou curso, ou para limitar o valor dedutível, ou para condicionar a dedução a esta ou àquela circunstância, há outras que, excepcionalmente, estabelecem o momento da dedução em momento distinto daquele em que o encargo já está incorrido". Assim, entendo que o legislador não incorporou em sua integralidade o principio contábil da competência, pois, se tivesse realmente incorporado, os valores em questão já deveriam ser reconhecidos desde a realização da assembleia geral da companhia em que os pagamentos dos JCP fossem aprovados. Tratase de um regime de competência "ajustado". Desse modo, se pode afirmar que a Lei nº 9.249/95 adotou o regime de caixa e um regime de competência ajustado para estabelecer o momento em que os JCP se tornam dedutíveis à empresa e o respectivo rendimento tributável em relação aos sócios, o que significar dizer, então, que os JCP pertencem ao período em que o seu pagamento ou creditamento primeiro ocorrer. Em outro giro, apenas para argumentar, mesmo considerando os JCP "despesa" e que ocorreu desobediência do "regime de competência", como alega o I. Relator, não seria o caso de prosperar o lançamento. Isso porque, o RIR/99 disciplina em seu artigo 273 como e quando deve ser realizado o lançamento no caso de inobservância do regime de competência. Confirase a redação do citado dispositivo: Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou 3 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 324. Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 16327.721311/201477 Acórdão n.º 1301003.676 S1C3T1 Fl. 15 27 II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). Da leitura desse dispositivo, extraise a seguinte norma jurídica: somente constitui fundamento para o lançamento de imposto ou diferença de imposto (inclusive adicional, correção monetária e multa), se da inobservância do regime de competência resultar postergação de seu pagamento para exercício posterior ao em que seria devido ou redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. Entretanto, o pagamento retroativo de JCP não se enquadra nessa hipótese, justamente porque há a antecipação e não postergação do imposto devido, na medida em que a pessoa jurídica opta por deduzir em exercícios subsequentes despesas financeiras que já poderia reduzilas do lucro tributável dos anoscalendário anteriores, caso tivesse optado pela deliberação do pagamento do JCP naquela época. Por fim, de acordo com Pronunciamento CPC nº 25 passivo "é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recurso da entidade capazes de gerar benefícios econômicos." Logo, a obrigação de pagamento de JCP somente se torna "obrigação presente" quando da deliberação pelos sócios. A razão é simples: é apenas por meio da deliberação que nasce para a pessoa jurídica a obrigação de remunerar o capital dos sócios. Assim, antes da deliberação societária no sentido de que se efetue o pagamento de juros sobre o capital próprio não há de se falar em direito subjetivo dos sócios ou acionistas ao seu recebimento e muito menos em despesa incorrida, não se podendo cogitar antes disso em observância ao regime de competência, posto que não há ato jurídico tornando a empresa devedora dos referidos juros. Não existe nos instrumentos normativos que regulam a matéria qualquer imposição de que a dedução dos JCP deva ser realizada no mesmo exercício financeiro em que realizado o lucro da empresa. O período de competência é, portanto, marcado pelo momento da deliberação dos sócios pelo seu creditamento ou pagamento, não havendo qualquer objeção legal à distribuição acumulada de JCP. O pagamento retroativo e acumulado de JCP é pautado exclusivamente pelos critérios de conveniência financeira da pessoa jurídica e dos seus sócios, cabendolhes a Fl. 1220DF CARF MF 28 faculdade de deliberar ou não pelo seu pagamento no mesmo ano em que apurado o lucro ou nos exercícios subseqüentes, não havendo que se falar em renúncia ou preclusão temporal desse direito, como já se disse. Entender o contrário, com a devida vênia, é violar o princípio do livre exercício da atividade econômica, pois o Fisco, além de não ter respaldo legal para impedir a dedução retroativa do pagamento dos juros sobre capital próprio, também não tem o direito de interferir na gestão dos negócios da empresa. Tratandose a CSLL de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula. Em razão do exposto, divirjo do I. Relator, para votar, quanto à matéria em exame, pelo provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 1221DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.019786/2008-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial quando o resultado do julgamento mostra-se favorável à Recorrente, em virtude da falta de interesse recursal.
Numero da decisão: 9202-007.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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RECURSO ESPECIAL. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial quando o resultado do julgamento mostrase favorável à Recorrente, em virtude da falta de interesse recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD (Debcad nº 37.053.9672) relativa a contribuições sociais destinadas aos denominados terceiros (Salário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 97 86 /2 00 8- 09 Fl. 172DF CARF MF 2 Educação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE), incidentes sobre alimentação sem adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT e não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Em sessão plenária de 30/09/2011, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403000.806 (fls. 11 a 19), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MÉRITO. VALORES PAGOS A TÍTULO DE ALIMENTAÇÃO. SALÁRIO IN NATURA. INSCRIÇÃO NO PAT. FORMALIDADE EXACERBADA. NÃO IMPEDIMENTO.EXCLUSÃO.VERBA NÃO REMUNERATÓRIA. O fornecimento de alimentação pelo empregador, por ser espécie de salário in natura, impede que a contribuição previdenciária venha a incidir sobre tal parcela, mesmo que a empresa fornecedora não esteja inscrita no PAT, tendo em vista que o descumprimento dessa exigência constitui mera irregularidade que não desvirtua o caráter não remuneratório da verba. Recurso Voluntário Provido. O processo foi encaminhado à PGFN em 11/01/2012 (Despacho de Encaminhamento de fl. 135) e, em 17/01/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 136/144 (Despacho de Encaminhamento de fl. 145), com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, visando rediscutir a matéria incidência de contribuições previdenciárias sobre valores pagos aos empregados a título de auxílioalimentação, pagos em desacordo com o PAT. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 070/2013, datado de 15/01/2013 (fls. 147 a 149). A Fazenda Nacional apresentou os seguintes argumentos: o presente apelo objetiva esclarecer que os valores fornecidos em pecúnia aos empregados a título de auxílioalimentação integram o saláriode contribuição, já que pagos em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT); de acordo com o previsto no art. 28 da Lei nº 8.212/91, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades; a recompensa em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais. Porém, existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991; conforme disposto na alínea “c”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição a parcela “in natura” recebida de acordo com os programas de alimentação Fl. 173DF CARF MF Processo nº 15504.019786/200809 Acórdão n.º 9202007.501 CSRFT2 Fl. 3 3 aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/1976; para fins de beneficiarse da não incidência da contribuição previdenciária, deve o contribuinte satisfazer determinados requisitos exigidos na legislação de regência, dentre eles a comprovação da participação em programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, mediante a sua inscrição no PAT, o que não foi cumprido pelo contribuinte; inexistindo comprovação de participação do contribuinte no PAT, é inequívoco que a verba paga a título de auxílioalimentação não está incluída na hipótese legal de isenção, prevista na alínea “c”, § 9º, art. 28, da Lei nº 8.212/1991; a isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I: ao se admitir a não incidência da contribuição previdenciária sobre tal verba, paga aos segurados empregados em afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teria que ser dada interpretação extensiva ao art. 28, § 9º, e seus incisos, da Lei nº 8.212/1991, o que vai de encontro com a legislação tributária; onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de se violar os princípios da reserva legal e da isonomia; caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela paga em pecúnia referente ao auxílioalimentação teria feito menção expressa na legislação previdenciária, mas, ao contrário, fez menção expressa de que apenas a parcela paga de acordo com as regras do PAT não integra o saláriodecontribuição; a Lei n ° 10.243/2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica; o art. 458 da CLT referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriode contribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes; as parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991; a prova mais robusta de que a verba para efeito previdenciário não coincide com a verba para incidência de direitos trabalhistas, é fornecida pela própria Constituição Federal; conforme o art. 195, § 11 da Carta Magna, os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei; pela singela leitura do texto constitucional é possível afirmar que para efeitos previdenciários foi alargado o conceito de salário; não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, deve persistir o lançamento; Fl. 174DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. De pronto, convém esclarecer que o texto da ementa da decisão recorrida está em desacordo com o que fora decido pelo Colegiado Ordinário. Reza a ementa que: o fornecimento de alimentação pelo empregador, por ser espécie de salário in natura, impede que a contribuição previdenciária venha a incidir sobre tal parcela, mesmo que a empresa fornecedora não esteja inscrita no PAT, tendo em vista que o descumprimento dessa exigência constitui mera irregularidade que não desvirtua o caráter não remuneratório da verba. Contudo, a decisão atacada foi registrada nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza, relator, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato na questão da tributação sobre o AuxílioAlimentação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Recorrendose ao voto do Relator, observase que, de fato, seu posicionamento era exatamente aquele refletido na ementa. Ocorre que esse posicionamento restou superado por ocasião do julgamento do feito. Em virtude disso, foi designado redator para elaborar o voto vencedor e sua conclusão foi no sentido de que “durante o período a que se refere o lançamento a recorrente não estava inscrita no programa (PAT) e, portanto, o lançamento está correto”, ou seja, o posicionamento que prevaleceu foi pela negativa de provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Vejase que o texto da ementa de determinado julgado, analisado isoladamente, não é suficientemente apto a estabelecer divergência em relação a decisão prolatada por outra Turma de Julgamento, conforme preleciona o Regimento Interno do CARF – RICARF. Para determinar se houve a ocorrência ou não da controvérsia jurisprudencial, faz se necessário o exame da decisão no seu inteiro teor, pois somente assim será possível constatar se, em face de contextos fáticos similares, foram adotadas decisões dissonantes. Além do que, tanto o acórdão recorrido quanto os paradigmas são no sentido de que o pagamento de valores a título de auxílio alimentação, sem inscrição no PAT, dão ensejo à incidência das contribuições previdenciárias, isto é, a suscitada divergência não se estabeleceu. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 15504.019786/200809 Acórdão n.º 9202007.501 CSRFT2 Fl. 4 5 Por fim, como o recurso voluntário do contribuinte foi improvido na sua inteireza, carece a Fazenda Nacional de interesse processual, visto que a decisão atacada foi favorável à sua pretensão. Conclusão Ante o exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 176DF CARF MF
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