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Numero do processo: 18088.000058/2008-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/09/2003
MULTA. ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA OU COM INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. PENALIDADE. MENOS GRAVOSA.
A luz do art. 106 do CTN, às infrações tributárias pendentes de decisão definitiva, assim como no direito penal, aplica-se a lei intermediária que, posteriormente à data da infração, estabeleça penalidade mais benéfica à contribuinte, mesmo que essa lei já não esteja mais em vigor por ocasião da sua aplicação. Assim, deve ser observado o disposto no artigo 57 da Medida Provisória nº. 2.158-35/01, com redação atribuída pela Lei n.º 12.766/12, afastando-se os artigos 11 e 12 da Lei n.º 8.212/91, que comina pena mais severa ao Contribuinte que apresentou arquivo magnético com incorreção nas informações ou perdeu o prazo para apresentação dos mesmos.
Numero da decisão: 9303-006.872
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA OU COM INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. PENALIDADE. MENOS GRAVOSA. A luz do art. 106 do CTN, às infrações tributárias pendentes de decisão definitiva, assim como no direito penal, aplicase a lei intermediária que, posteriormente à data da infração, estabeleça penalidade mais benéfica à contribuinte, mesmo que essa lei já não esteja mais em vigor por ocasião da sua aplicação. Assim, deve ser observado o disposto no artigo 57 da Medida Provisória nº. 2.15835/01, com redação atribuída pela Lei n.º 12.766/12, afastandose os artigos 11 e 12 da Lei n.º 8.212/91, que comina pena mais severa ao Contribuinte que apresentou arquivo magnético com incorreção nas informações ou perdeu o prazo para apresentação dos mesmos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 00 58 /2 00 8- 61 Fl. 679DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 169 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3201002.015, de 21 de janeiro de 2016, proferido Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para o cálculo da penalidade ser alterado, adotandose a forma prevista no art. 57, I, da Medida Provisória n.º 2.15835/2001, com a redação dada pela Lei n.º 12.766/2012. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração lavrado contra o Contribuinte, com a exigência de multa regulamentar por falta/atraso na entrega de arquivo magnético, no valor de R$ 1.374.711,19. O Contribuinte apresentou impugnação, alegando em síntese, que: não foi intimado da renovação do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0812200 2007 00354. Desta forma, houve inequívoca afronta ao estabelecido no artigo 7º, §2°, do Dec. 70.235/72; a espontaneidade dos atos praticados, após o fim da validade do Mandado de Procedimento Fiscal que determinou a apresentação dos seus arquivos magnéticos, foi readquirida. Assim, não se pode falar em intempestividade na entrega de tais Fl. 680DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 170 3 documentos, tampouco na imposição de multas por descumprimento da obrigação. Cita decisões do Conselho de Contribuintes sobre o tema; a multa não guarda nenhuma proporcionalidade e adequação à infração supostamente cometida. Com efeito, a apresentação intempestiva dos arquivos magnéticos da empresa, no âmbito de uma fiscalização referente a crédito presumido do IPI não guarda nenhuma relação com o valor da receita bruta da empresa; ressalta a ilegalidade da multa imposta, tendo em vista a sua instituição ter sido realizada por meio da Medida Provisória nº 2.158/2001, veículo normativo inidôneo para a instituição de penalidades, conforme já reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE n.º 254818. Ademais, as medidas provisórias têm que obedecer aos requisitos da urgência e relevância previstos no artigo 62 da Constituição Federal de 1998, o que, evidentemente, não é o caso do dispositivo ora comentado; é evidente a ilegalidade da penalidade criada pela Medida Provisória nº 2.158/2001, razão pela qual deve ser declarada a sua insubsistência ou, apenas a título de argumentação, a sua substituição pela penalidade prevista na redação original do artigo 11 da Lei n.º 8.218/91. O princípio da legalidade não admite que penalidade seja criada através de instrumento jurídico que não a lei em sentido estrito, jamais por medida provisória, decreto ou qualquer outro ato emanado do Poder Executivo; caso todos os argumentos anteriormente não puderem prevalecer, o que se admite apenas a título de argumentação, salientese que a autoridade fiscal autuante computou, no cálculo da multa ora impugnada, o valor das receitas de exportação não incentivadas de produtos, a receita de vendas de produtos no mercado interno, a receita de revenda de mercadorias e a receita de prestação de serviços. Não foi considerada, nesse cálculo, a dedução dos impostos indiretos prevista no parágrafo único do artigo 224 do RIR/99, ao estabelecer o conceito legal de “receita bruta”; somese a isso a fato de o fiscal autuante ter considerado 24 dias de atraso na entrega de documentos, na contagem da multa diária, e não 18 dias, como seria o correto. Senão, vejamos: o prazo inicialmente estabelecido para a apresentação dos referidos documentos expirou, inicialmente, no dia 10/12/2007, data que a impugnante apresentou o pedido de dilação do mesmo por 20 dias. No dia 14/12/2007, no entanto, foi surpreendida Fl. 681DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 171 4 pela intimação do despacho indeferindo a dilação requerida, apenas em relação aos arquivos magnéticos, vindo a apresentálos no dia 03/01/2008; é evidente que a contagem dos dias para cálculo da multa diária, caso ela fosse devida, deveria ter sido iniciada a partir da intimação de indeferimento da dilação de prazo. Apenas a partir desse momento a Impugnante foi cientificada da decisão da autoridade administrativa. Assim, a contagem do prazo deveria ter sido iniciada em 17/12/2007 (tendo em vista que o dia 14/12/2007 foi uma sextafeira) e não no dia 10/12/2007; assim, ainda que, ad argumentandumn tantu, fosse devida a multa ora impugnada, calculada com base no percentual diário de 0,02% sobre a receita bruta da Impugnante, o referido cálculo teria de ser refeito de modo a contemplar as exclusões do conceito de receita bruta definido no supracitado dispositivo legal e a considerar a fluência de apenas 18 dias entre a intimação do indeferimento da dilação e a apresentação dos documentos. Na hipótese de não ser julgado improcedente o AIIM, requer seja determinada a redução da multa, pelas razões expostas: 1) a reaquisição da espontaneidade, nos termos no §2° do artigo 7o do Decreto 70.235/72, em face da ausência de intimação da renovação do MPF; 2) a desproporcionalidade e ilegalidade da multa instituída pela Medida Provisória n.º 2.158/2001 ao alterar a redação da Lei n.º 8.218/1991; e 3) os erros cometidos pelo fiscal autuante no cálculo da referida multa diária, desconsiderando o conceito legal de receita bruta e contando equivocadamente os dias incorridos. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para o cálculo da penalidade ser alterado, adotandose a forma Fl. 682DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 172 5 prevista no art. 57, I, da Medida Provisória n.º 2.15835/2001, com a redação dada pela Lei n.º 12.766/2012, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/09/2003 ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA. INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. O Auto de Infração que formaliza a exigência de penalidade decorrente da conduta de perda do prazo para apresentação de arquivos digitais, fundamentado no artigo 12, III, da Lei nº 8.218, de 1991, em atenção ao previsto no artigo 106, II, do CTN, deve ser recalculado na forma prevista pelo art. 57, I, da MP nº 2.15835, de 2001, com a redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 473 a 484) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito aos efeitos da retroatividade benigna face publicação da Lei n.º 12.766/2012, para o caso em apreço (multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa à escrituração digital). Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de números 1302001.197 e 1302 001.218. A comprovação do julgado firmouse pela transcrição das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 486 a 489. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls.522 a 540, manifestando pelo não provimento do recurso e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 173 6 Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 486 a 489. Do Mérito A questão trazida a debate em Recurso Especial versa sobre à possibilidade de retroação da legislação menos severa em termos de penalidade. O feito foi assim julgado pela turma ordinária em janeiro de 2016, onde os membros do colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso do Contribuinte, in verbis: ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA. INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. O Auto de Infração que formaliza a exigência de penalidade decorrente da conduta de perda do prazo para apresentação de arquivos digitais, fundamentado no artigo 12, III, da Lei nº 8.218, de 1991, em atenção ao previsto no artigo 106, II, do CTN, deve ser recalculado na forma prevista pelo art. 57, I, da MP nº 2.15835, de 2001, com a redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 174 7 Entendo que a luz do art. 106 do CTN, devese afastar a aplicabilidade da norma jurídica posterior desfavorável ao contribuinte, devendo ser observado o disposto no artigo 57 da Medida Provisória nº. 2.15835/2001, com redação atribuída pela Lei n.º 12.766/2012, afastandose os artigos 11 e 12 da Lei n.º 8.212/1991, que comina pena mais severa ao Contribuinte, pelos seguintes motivos: Antes mesmo de adentrar no mérito, vale ressaltar que analisando a justificativa da Medida Provisória n.º 575/2012, para introduzir o artigo 8º a Lei n.º 12.766/2012 e que teve origem na Emenda n.º 65, foi a seguinte: “A emenda ora apresentada visa aperfeiçoar algumas penalidades previstas na legislação tributária, tornando as mais razoáveis e suprimindo lacuna ainda existente. Verificase que um dos objetivos buscados é o de que a aplicação das sanções tributárias leve em consideração o porte do contribuinte e garanta um tratamento mais equânime e justo a todos.” E mais, na justificativa constante no Parecer Final, com a redação alterada da Emenda n.º 65, e que figurava como art. 9º do Projeto de lei de conversão da Medida Provisória n.º 575/2012, era: “Quanto à primeira alteração, é preciso reduzir o desarrazoado valor de R$ 5.000,00 ao mês hoje exigido das pessoas jurídicas, qualquer que seja seu porte, que entreguem com atraso declaração, demonstrativo ou escrituração digital cuja criação foi delegada à RFB pelo art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. A redação proposta ao art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, aperfeiçoada pela Emenda nº 65, conforma os valores da multa ao princípio da proporcionalidade.” Agora adentro no mérito, o auto de infração teve por base a Lei n.º 8.218, de 29 de agosto de 1991, que assim dispõe: Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou Fl. 685DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 175 8 financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §1ºA Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (...) §3ºA Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §4ºOs atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas; III multa equivalente a Cr$ 30.000,00, por dia de atraso, até o máximo de trinta dias, aos que não cumprirem o prazo estabelecido pelo Departamento da Receita Federal ou diretamente pelo AuditorFiscal, para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. O prazo de apresentação de que trata o inciso III deste artigo será de, no mínimo, vinte dias, que poderá ser prorrogado por igual período pela autoridade solicitante, emdespacho fundamentado, atendendo a requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa jurídica. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 176 9 II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (grifos meus) A imposição de penalidade no âmbito do direito tributário está pautada pela regra da tipicidade cerrada. A multa imposta pela Fiscalização ao Contribuinte tem como fundamento a falta ou atraso na entrega dos arquivos: “não cumprir o prazo estabelecido para apresentação de arquivos e sistemas” ou, em termos mais simples, apresentar fora do prazo, em atraso, as informações pretendidas. As penalidades por falta de apresentação de arquivos digitais sofreu significativa alteração com a edição da Lei n.º 12.766/2012, que alterou o art. 57 da Medida Provisória n.º 2.15835/2001. Este artigo tratava de penalidades aplicadas por descumprimento de obrigações acessórias e não tratava até o advindo destas alterações, penalidades por problemas na apresentação de arquivos em meio magnético. Entretanto, com as alterações promovidas pela Lei n.º 12.766/2012 foram incluídos penalidades a serem aplicadas em razão da não apresentação da escrituração digital. Segue a transcrição do art. 57 da Medida Provisória n.º 2.15835/2001 com suas devidas alterações: Fl. 687DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 177 10 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) Fl. 688DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 178 11 b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$ 100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) Fl. 689DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 179 12 a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) b) 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), não inferior a R$ 50,00 (cinquenta reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) § 4o Na hipótese de pessoa jurídica de direito público, serão aplicadas as multas previstas na alínea a do inciso I, no inciso II e na alínea b do inciso III. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) O art. 16 da Lei 9.779/99 referido na norma dispõe que: “Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela Fl. 690DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 180 13 administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável.” Verificase que o regime jurídico das penalidades aplicadas por descumprimento de obrigação tributária acessória foi sensivelmente alterado. Até então, antes da edição da Lei n.º 12.766/2012, não geravam conflitos ou dúvidas quanto a sua aplicabilidade em relação aos do art. 11 e 12 da Lei nº. 8.218/1991. Todavia após a nova redação dada pela Lei n.º 12.766/2012 passou a gerar dúvidas no âmbito da RFB. Diante disto, foi publicado o Parecer Normativo RFB n.º 3, de 10 de junho de 2013 que cuidou de analisar as consequências da nova redação do art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, dada pela Lei n.º 12.766/2012, em relação a atos inerentes da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), principalmente concernentes à fiscalização e ao controle do crédito tributário, e assim concluiu: “4.1. O legislador poderia ter dado nova redação ao art. 72 da MP nº215835, de 2001, o qual deu a atual redação dos arts. 11 e 12 da Lei n.º 8.218, de 29 de agosto de 1991, em vez de ter alterado o art. 57 da MP. Se não o fez, chegase à conclusão que tais dispositivos continuam vigentes, com exceção das situações de incompatibilidade com o novo art. 57. Isso tendo em vista o critério cronológico, já que eles têm o mesmo grau hierárquico e são normas específicas. Analisamse de forma comparada, portanto, os elementos do atual art. 57 da MP nº 215835, de 2001, com os arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991; 4.2. No elemento pessoal, o sujeito passivo da Lei nº 8.218, de 1991, é a pessoa jurídica que utiliza sistema eletrônico de processamento de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. Já a multa da Lei n.º12.766, de 2012, não possui delimitação. É apenas o sujeito passivo, ou seja, qualquer um cuja conduta contrária ao direito enseje a sanção. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 181 14 4.4. Na literalidade do disposto na Lei nº 12.766, de 2012, a multa é para aqueles sujeitos, quaisquer que sejam, que não apresentem ou o façam incorreta ou intempestivamente declaração, demonstrativo ou escrituração digital. Eles não apresentam, mas possuem a escrituração eletrônica. Já a Lei nº 8.218, de 1991, é para aquelas pessoas jurídicas que nem mantêm os arquivos digitais e sistemas à disposição da fiscalização de maneira contínua. Objetivamente a infração ocorre (seu “fato gerador”) com a não apresentação, apresentação incorreta ou intempestiva, mas os elementos materiais são distintos. 4.5. Caso a Fiscalização comprove que a pessoa jurídica não apresentou o demonstrativo ou escrituração digital por não ter escriturado e, concomitantemente, não mantém os arquivos à disposição de maneira contínua à RFB, tal conduta se amolda no aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Ressaltese que a falta de existência de comprovação da falta de escrituração digital de maneira contínua quando seja obrigatória (caso da Escrituração Contábil Digital (ECD), por exemplo) deve ser demonstrada e comprovada. 4.6. Na situação do item 4.5, é importante que a aplicação da multa prevista nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, se coadune com a distinção dos aspectos materiais dela em relação ao novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. A simples não apresentação de documentos sem a comprovação de que faltou a escrituração não pode gerar a multa mais gravosa, mas sim a geral de que trata o novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. Havendo dúvidas quanto a esse fato ou não se conseguindo comproválo, aplicase a multa mais benéfica da Lei nº 12.766, de 2012, em decorrência do que determina o art. 112, inciso II, da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN).” (grifei) (...) Conclusão 10. Em conclusão: a) O aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, na redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, é deixar de apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital; Fl. 692DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 182 15 b) O aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, é deixar de escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal quando exigido o sistema de processamento eletrônico, motivo pelo qual continua em vigência; c) A comprovação da ocorrência do aspecto material da multa dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, deve ser feita de forma inequívoca. A simples não apresentação de arquivo, demonstrativo ou escrituração digital sem outras provas que comprovem que a escrituração não ocorreu se amolda ao aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. O mero indício sem a comprovação da falta da escrituração digital enseja a aplicação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, em respeito ao art. 112, inciso II, do CTN; (...) n) A multa nova mais benéfica retroage para alcançar atos não definitivamente julgados, nos termos do art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. o) A multa de que trata o inciso I do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, é por atraso na entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração digital. Não bastasse, notese que a distinção das tipificações efetuada pelo Parecer Normativo RFB nº 3/2013, conforme analisado acima, deixou de ter sentido com a publicação, em 24 de outubro de 2013, da Lei n.º 12.873/2013, a qual alterou novamente a redação do art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Veja se: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013)” Fl. 693DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 183 16 Com o advento da referida Lei n.º 12.873/2013, o tipo a ser penalizado não é mais “deixar de apresentar”, mas “deixar de cumprir as obrigações acessórias”, a qual é uma tipificação mais ampla do que a anterior. Após a publicação da Lei n.º 12.873/2013, a Receita Federal enfrentou novamente a matéria no Parecer Cosit nº 3, de 28 de agosto de 2015. Onde foram discutidas as questões aqui colocadas, especificamente as penalidades referentes a escrituração digital. Transcrevo abaixo trecho do Parecer que esclarece a penalidade a ser aplicada para os fatos geradores anteriores a edição da Lei n.º 12.766/2012. "6. Dessa forma, sem prejuízo da aplicação do entendimento fixado no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, para as infrações cometidas no período de vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, até 24 de outubro de 2013, com observância do princípio “tempus regit actum” (art. 6º do DecretoLei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro Lindb), e sem olvidar a aplicação do art. 106, II, do Código Tributário Nacional, devem ser feitas as seguintes considerações em decorrência da nova redação do art. 57 da Medida Provisória (MP) nº2.15835, de 2001, tendose em vista, ainda, a atualização de várias normas infralegais já adotadas pela Receita Federal do Brasil, em consonância com esta mais recente alteração legal: (...) 7. Em conclusão: a) Permanece hígido o entendimento fixado no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, para as infrações cometidas no período de vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, até 24 de outubro de 2013, observada a aplicação do art. art. 106, II, do Código Tributário Nacional, quando cabível; Fl. 694DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 184 17 Verificase que a Posição do Parecer COSIT nº 3/2015 caminhou no sentido de manter as posições definidas no Parecer RFB nº 3/2013, com aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do CTN, em razão da multa prevista no art. 57, III, da Medida Provisória n.º 2.15835, com a redação da Lei n.º 12.766/2012 ser menos gravosa que a multa aplicada com base no art. 12, II, da Lei n.º 8.218/91. Não há que se distinguir, a conduta de “deixar de apresentar” e a conduta de “não manter os arquivos”, para fins de aplicação da retroatividade benigna, pois a tipificação dada pela Lei n.º 12.783/2013 é “deixar e cumprir as obrigações acessórias”, o que incluiu tanto a conduta de não apresentar os documentos, quanto a conduta de não manter os arquivos à disposição. Também não há como se distinguir as obrigações acessórias de que tratam o art. 16 da Lei n.º 9.779/99 da escrituração digital (arquivos magnéticos) objeto de regulamentação pela Lei n.º 8.218/91. É incontroverso que a realização e manutenção de escrituração digital são espécies do gênero “obrigações acessórias”, cuja base legal é o citado art. 16 da Lei n.º 9.779/99. Tratase de entendimento positivado pelo próprio legislador federal, por meio da citada Lei n.º 12.766/12, que alterou o art. 57 da Medida Provisória n.º 215835/01. Vale ainda citar a Solução de consulta interna Cosit nº 14, de 05 de julho de 2012, que tem o entendimento que devese aplicar a retroatividade benigna nos caso de penalidade menos severa, senão vejamos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. LEI NOVA, PENALIDADES MENOS SEVERA, ACORDO DE PARCELAMENTO DE DÉBITO CELEBRADO ANTES DE SUA EDIÇÃO. APLICABILIDADE, EXCETO EM RELAÇÃO A CRÉDITO EXTINTO PELO PAGAMENTO DE PARCELAS. Lei nova que comine penalidade menos severa do que a aplicada a débito tributário objeto de parcelamento aplicase a acordos celebrados antes de Fl. 695DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 185 18 sua edição, por força do disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN. Lei nova que comine penalidade menos severa do que a aplicada a débito tributário objeto de parcelamento não se aplica às parcelas já liquidadas, porquanto extinto, ainda que parcialmente, o crédito tributário a elas correspondente, por força do art. 156, I, do CTN. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional. Esse mesmo entendimento vem sendo adotado pelos Tribunais Superiores, como se observa dos julgados assim sintetizados: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA. MULTA. DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENTREGA COM ATRASO. ARTIGO 57 DA MP 2.15835/2001. RETROATIVIDADE. LEI MAIS BENIGNA. LEI Nº 12.766/2012. APLICABILIDADE 1. O artigo 57 da MP nº 2.15835/2001 previu a aplicação da multa de R$ 5.000,00 para a hipótese de informações ou esclarecimentos que devam ser fornecidos no prazo estabelecido, incidindo para cada mês/calendário omitido. A multa aplicada no caso deveria limitarse ao valor de R$ 5.000,00, não podendo esse valor incidir para cada mês de atraso, porque tal interpretação, além de não encontrar respaldo semântico ou sistemático, vai de encontro ao art. 112 do CTN. 2. O artigo 106 do CTN admite a retroatividade, em favor do contribuinte, da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados. multa reduzida para R$1.500,00, nos termos da Lei nº 12.766/2012 (art. 8º). (TRF4, APELAÇÃO CÍVEL Nº 500124079.2013.404.7001, 2ª TURMA, Des. Federal OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, POR UNANIMIDADE, JUNTADO AOS AUTOS EM 17/02/2014) "TRIBUTÁRIO REDUÇÃO DA MULTA EXECUÇÃO FISCAL NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADA APLICABILIDADE. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 186 19 O artigo 106 do CTN admite a retroatividade, em favor do contribuinte, da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados. Recurso provido." (Resp 243188/RS, Relator Ministro Garcia Vieira, DJ de 24042000, p. 41). "TRIBUTÁRIO ART. 106, II, "C", DO CTN RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE POSSIBILIDADE. O CTN, por ter status de Lei Complementar, ao não distinguir os casos de aplicabilidade da lei mais benéfica ao contribuinte, afasta a interpretação literal presente no art. 35, da Lei 8.212/91, que determina a redução do percentual alusivo à multa incidente pelo não recolhimento do tributo, no caso, de 60% para 40%. A redução aplicase aos fatos futuros e pretéritos por força do princípio da retroatividade da lex mitior consagrado na Lei (art. 106, CTN), na jurisprudência predominante e na doutrina. O Superior Tribunal de Justiça tem afirmado a possibilidade de retroatividade de lei que beneficia o contribuinte. Precedentes. Recurso não conhecido." (Resp 330967/SP, Relator Ministro Luiz Fux, DJ de 04/03/2002, p.198). PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. DIFPAPEL IMUNE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. NORMA TRIBUTÁRIA SUPERVENIENTE DE CARÁTER PUNITIVO, PORÉM MAIS BENIGNA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE. I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplicase o Código de Processo Civil de 2015. II É pacífico nesta Corte o entendimento segundo o qual a superveniência de lei tributária punitiva mais benéfica retroage para alcançar fatos pretéritos, a teor do disposto no art. 106 do CTN, posicionamento esse Fl. 697DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 187 20 aplicável ao inadimplemento de obrigação acessória (DIFPapel Imune). Precedentes. III A Agravante não apresenta, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. IV Agravo Interno improvido. (AgInt nos EDcl no REsp 1371305/MG, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/10/2016, DJe 25/10/2016) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973. APLICABILIDADE. EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA MORATÓRIA. PERCENTUAL. ARTS. 35 DA LEI N. 8.212/91, E 35A, INCLUÍDO PELA LEI N. 11.941/09. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA POSTERIOR ESTABELECENDO PENALIDADE MAIS GRAVOSA. APLICAÇÃO DA DISPOSIÇÃO LEGAL ANTERIOR, MAIS BENÉFICA, A TEOR DO DISPOSTO NO ART. 106, II, C, DO CTN. I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplicase o Código de Processo Civil de 1973. II In casu, controvertese acerca do percentual de multa moratória aplicável ao lançamento de ofício após a alteração do art. 35 da Lei n. 8.212/91 pela Lei n. 11.941/09 que, ao incluir o art. 35A naquele diploma normativo, determinou a observância do parâmetro mais gravoso do art. 44 da Lei n. 9.430/96, qual seja, de 75% (setenta e cinco por cento). III Esta Corte possui entendimento segundo o qual deve ser observado o percentual original da multa moratória previsto no art. 35 da Lei n. 8.212/91, porquanto as ulteriores disposições do art. 35A cominam penalidade mais severa, autorizando a aplicação do preceito anterior, mais benéfico, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN. Precedentes. IV Recurso Especial provido. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 188 21 (REsp 1585929/SP, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/04/2016, DJe 26/04/2016) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. ATO DEFINITIVAMENTE JULGADO. ARTS. 111 DO CTN E 515 DO CPC. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. ART. 106, II, DO CTN. LEI BENÉFICA. RETROATIVIDADE NA ESFERA JUDICIAL. 1. Não se conhece da suposta violação quando o recorrente indica o dispositivo legal que teria sido vulnerado sem fundamentar a irresignação. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não se considera ato definitivamente julgado a cobrança do tributo impugnada por embargos à execução. 3. A expressão "ato definitivamente julgado" constante do inciso II do art. 106 não se limita à esfera administrativa, alcança os atos assim considerados no âmbito judicial. Precedentes: REsp 218.895/RS, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 11.10.1999; Resp 183.994/SP, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ 15.05.2000; REsp 216.912/RS, Rel. Min. MiltonLuiz Pereira, DJ 25.03.2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. (Resp 981.251/RS, Rel. Ministro Castro Meira, DJ 08/11/2007). TRIBUTÁRIO. MULTA. REDUÇÃO. LEI MAIS BENIGNA. A expressão "ato não definitivamente julgado" constante do artigo 106, II, letra "c", do Código Tributário Nacional alcança o âmbito administrativo e também o judicial; constitui, portanto, ato não definitivamente julgado o lançamento fiscal impugnado por meio de embargos do devedor em execução fiscal. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, conhecendo se do recurso especial e dandolhe provimento. (EDcl no REsp 181878/RS, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/02/1999, DJ 22/03/1999, p. 176) O CARF ao analisar a questão tem decidido que o art. 57, II da Medida Provisória .nº 2.15835/2001 deve ser aplicado retroativamente, por força do art. 106, II do CTN. Vejase: Fl. 699DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 189 22 Acórdão nº 1103000.844 “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA REGULAMENTAR. ARQUIVOS DIGITAIS. Comprovado, quanto ao anocalendário 2005, que o contribuinte apresentou à fiscalização arquivo digital de livro auxiliar contábil, não se sustenta a penalidade com fundamento na falta de entrega. Recurso de ofício negado. Por força do art.106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplicase retroativamente o disposto no art.57, II, da Medida Provisória nº 2.15835/01, com a redação conferida pelo art.8º da Lei nº 12.766/12, na hipótese de falta de apresentação de livros em formato digital (arquivos digitais).” (grifei) Acórdão nº 1102001.106 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2007 MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS. Comprovado que o contribuinte possuía escrituração digital, mas deixou de apresentar à fiscalização o arquivo magnético solicitado, devese aplicar a penalidade prescrita no art.57, II, da Medida Provisória nº 2.15835/ 01. é de aplicar a multa prevista no não se sustenta a penalidade com fundamento na falta de entrega. Recurso de ofício negado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INTELIGÊNCIA DO ART. 106, II, “c”, do CTN . Por força do art. 106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplicasse retroativamente o disposto no art.57 da Lei nº 12.873, de 2013, para aplicar a multa de R$ 500,00 por mêscalendário do exercício fiscalizado de 2007, na hipótese de falta de apresentação de arquivos digitais. Acórdão nº 1102001.281 Fl. 700DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 190 23 Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2011 Ementa: DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. Rejeitase preliminar de decisão de primeira instância que enfrenta todos os argumentos de defesa aduzidos pelo contribuinte. LANÇAMENTO. NULIDADE. Não é nulo o lançamento que atende aos requisitos formais previstos na legislação de regência. MULTA REGULAMENTAR. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS. Por força do art.106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplicase retroativamente o disposto no art. 57, II, da Medida Provisória nº 2.15835/01, com a redação conferida pelo art.8º da Lei nº 12.873/13, na hipótese de falta de apresentação de arquivos digitais requeridos pela Fiscalização. Recurso voluntário provido em parte Acórdão nº 1801002.193 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2009, 2010 DIMOB. APLICAÇÃO ALTERAÇÕES LEI Nº 12.766/12. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. A lei aplicasse a ato ou fato pretérito, em se tratando de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (artigo 106, inciso II, alínea 'c', do CTN). Acórdão nº 1802002.179 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006, 2007 MULTA PECUNIÁRIA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS DIMOB. INFRAÇÃO FORMAL. MATRIZ LEGAL DA PENALIDADE MP N° Fl. 701DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 191 24 2.15835/ 2001 (ART. 57, I). REDUÇÃO DA PENALIDADE PELA LEI Nº 12.766/2012 (ART. 8º). RETROATIVIDADE BENÍGNA. A multa pecuniária aplicada em concreto, por descumprimento de prazo atinente à Dimob, está prevista, cominada, no art. 57, I, da MP 2.15835/ 2001. Redução da multa por lei ulterior ao lançamento fiscal e tratandose de ato administrativo ainda não definitivamente julgado, aplicase a lex mitior, inteligência do art. 106, II, “c”, do CTN (princípio da retroatividade da lei superveniente que comina penalidade mais branda para a infração apenada). Acórdão nº 3201001.954 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/12/2008 ARQUIVOS MAGNÉTICOS. EXAME. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública fiscalizar os arquivos magnéticos é o prazo previsto no art. 173 do CTN , extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I do CTN. VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPFMandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS COM OMISSÕES E/OU INCORREÇÕES. FATO GERADOR ANTERIOR À Fl. 702DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 192 25 24/10/2013. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 57, III DA MP 2.15835/ 2001, EM ATENDIMENTO A RETROATIVIDADE BENÍGNA DO ART. 106 DO CTN. PARECER RFB Nº 3/2013. PARECER COSIT Nº 3/2015. Comprovado que o contribuinte possuía escrituração digital para o ano de 2008, mas apresentou a escrituração com omissões e/ou incorreções, devese aplicar a penalidade prescrita no art.57, III, da art. 57, III, da MP nº 2.15835, com a redação da Lei nº 12.766/2012. A multa prevista para a apresentação de arquivos digitais com erros e/ou inconsistências para os fatos geradores até a data de 24/10/2013 é aquela prevista no art. 57, III, da MP nº 2.15835, com a redação da Lei nº 12.766/2012 por ser menos gravosa que a multa aplicada com base no art. 12, II, da Lei nº 8.218/91. Esta posição consta do item 4.4 do Parecer RFB nº 3/2013, com aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do CTN. Posição confirmada no item 6 do Parecer COSIT nº 3/2015. Acórdão nº 1201001.419 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 ARQUIVOS DIGITAIS. ATRASO NA APRESENTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. RETROATIVIDADE BENIGNA. A teor do disposto no art. 106, II, "c", do CTN, deve ser aplicada retroativamente a multa estabelecida no art. 57, II, da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, por ser mais benéfica do que aquela imposta com base no art. 12, III, da Lei nº 8.218/1991 para a mesma situação jurídica, qual seja, a apresentação em atraso de arquivos em meio digital. Processo nº 10314.728318/201563 Acórdão nº 1201001.922 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/11/2015 MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVOS Fl. 703DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 193 26 DIGITAIS. Por força do art. 106, II, c, do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, aplicase retroativamente o disposto no art. 57, I, da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, com a redação conferida pelo art. 8º da Lei nº 12.766, de27 de dezembro de 2012, devido ao atraso na entrega de arquivos digitais requeridos pela Fiscalização. Acórdão nº 1201001.418 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS EM MEIO DIGITAL. MULTA REGULAMENTAR. ART 57 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106, II, "c", DO CTN. Por instituir penalidade menos gravosa do que aquela estabelecida nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218/91, o art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, com a redação dada pela Lei nº 12.873/2013, retroage para regular os ilícitos praticados pelo sujeito passivo durante a vigência da lei antiga. Ademais, vale ressaltar que o Contribuinte tinha os arquivos digitais e os mantinha a disposição do fisco, mas apenas atrasou a entrega dos mesmos. Assim considerando que a multa anteriormente lançada, prevista no inciso III do art. 12 da Lei nº. 8.218/91 é mais gravosa que a nova multa prevista no art. 57, II, da Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001, com redação dada pela Lei n.º 12.766/2012, deve esta (nova multa) ser aplicada ao presente processo, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. Art. 106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Assim, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 18088.000058/200861 Acórdão n.º 9303006.872 CSRFT3 Fl. 194 27 É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 705DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12915.001211/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 29/05/2002
Ementa:
MULTA PUNITIVA. LEGALIDADE. ART. 92 DA LEI Nº 8.212/92.
As condutas típicas infracionais tributárias e a cominação das penas correspondentes encontram-se taxativamente previstas na Lei nº 8.212/1991, a qual outorgou ao Poder Executivo a competência para a individualização da penalidade aplicável ao Infrator conforme a gravidade da infração.
LIVROS DIÁRIOS. SOLICITAÇÃO. PRAZO.
O Decreto nº 3.048/1999 estabelece que a fiscalização pode solicitar os livros contábeis a partir de 90 (noventa) dias contados da data do fato gerador. Não é possível impor multa contra Contribuinte que não autenticou seu Livro Diário porquanto solicitado antes do referido prazo.
Numero da decisão: 2202-004.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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LEGALIDADE. ART. 92 DA LEI Nº 8.212/92. As condutas típicas infracionais tributárias e a cominação das penas correspondentes encontramse taxativamente previstas na Lei nº 8.212/1991, a qual outorgou ao Poder Executivo a competência para a individualização da penalidade aplicável ao Infrator conforme a gravidade da infração. LIVROS DIÁRIOS. SOLICITAÇÃO. PRAZO. O Decreto nº 3.048/1999 estabelece que a fiscalização pode solicitar os livros contábeis a partir de 90 (noventa) dias contados da data do fato gerador. Não é possível impor multa contra Contribuinte que não autenticou seu Livro Diário porquanto solicitado antes do referido prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 91 5. 00 12 11 /2 00 8- 00 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 12915.001211/200800 Acórdão n.º 2202004.604 S2C2T2 Fl. 207 2 Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir a multa por descumprimento de obrigação acessória. Intimada, a Contribuinte protocolou impugnação, que foi julgada improcedente. Inconformada, interpôs recurso voluntário, ora levado a julgamento. Feito o resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 29/05/2002 foi lavrado auto de infração para constituir o DEBCAD nº 35.447.6491 (fls. 3/8) em função de a empresa ter apresentado livros contábeis que não atendem às formalidades legais exigidas, CFL 8. Intimada em 14/06/2002 (fl. 17), a Contribuinte protocolou impugnação em 01/07/2002 (fls. 19/25). Foi então proferida a DecisãoNotificação nº 21431/182/02 (fls. 30/37), que manteve o crédito tributário. Intimada em 20/08/2002 (fl. 41), e ainda inconformada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário em 04/09/2002 (fls. 45/51), argumentando, em síntese: · Que o Código Comercial não estabelece prazo para a autenticação do Livro Diário no órgão competente; · Que, estando em fiscalização desde 19/03/2002, teve de disponibilizar todos os seus documentos, inclusive o Livro Diário, o que impossibilitava o seu envio para a Junta Comercial; · Que a Contribuinte costumava autenticar seus livros contábeis no início do ano seguinte, exatamente na época em que iniciou a fiscalização. Prova disso é o fato de que apenas o Livro Diário referente ao exercício de 2001 não foi autenticado; e · Que inexiste previsão legal para a imposição dessa multa. Ante a negativa de encaminhamento dos autos por falta de comprovação do depósito recursal (fls. 52/54), a Contribuinte protocolou petição informando ter impetrado Mandado de Segurança para afastar tal exigência (fls. 59/60) e posteriormente peticionou novamente informando ter transitado a decisão judicial favorável a seu pleito (fls. 183/184). Foram juntados aos autos cópias do MS (fls. 67/76 e 194/196). Ainda de acordo com informações prestadas pela Procuradoria, houve efetivo trânsito em julgado da decisão favorável à Recorrente, devendo os autos ser encaminhados a este CARF (fl. 193). Fl. 207DF CARF MF Processo nº 12915.001211/200800 Acórdão n.º 2202004.604 S2C2T2 Fl. 208 3 É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Da fundamentação legal: Argumenta a Contribuinte que o lançamento não pode subsistir porque a multa teria sido imposta por norma infralegal, desrespeitando o Princípio da Legalidade. Retornando ao AI, constatase que a autoridade lançadora indicou como fundamento legal o art. 33, § 2º, da Lei nº 8.212/1991, além do art. 283 do Decreto nº 3.048/1999. Convém a leitura direta dessas normas: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. e Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nºs 8.212 e 8.213, ambas de 1991, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: Acontece que, apesar de não ter sido expressamente mencionada pela autoridade lançadora, a verdade é que a Lei nº 8.212/1991 estabelece ainda que: Fl. 208DF CARF MF Processo nº 12915.001211/200800 Acórdão n.º 2202004.604 S2C2T2 Fl. 209 4 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. 1 Se é verdade que o art. 33 da Lei nº 8.212/1991 não estabelece em seu próprio corpo a penalidade, impõe a aplicação de uma sanção. A mesma Lei estabelece, no art. 92, a sanção pecuniária aplicável às infrações aos dispositivos dessa Lei, de sorte que a pena do art. 33 é aquela contida no art. 92. Outrossim, é esse artigo 92 quem delega à norma infralegal a regulamentação do montante da pena em cada caso. Portanto, não há que se falar em desrespeito ao Princípio da Legalidade, uma vez que a própria Lei estabelece a multa, impondo os parâmetro em que pode ser aplicada (limites máximos e mínimos). Apenas delega à regulamento o dever de estabelecer as linhas intermediárias. Nesse contexto, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Dos fatos Argumenta a Contribuinte pela inocorrência de infração à Lei. Segundo esclarece, a multa foi imposta pela ausência de autenticação de seu Livro Diário referente ao exercício de 2001. Contudo, explica que autenticava seus livros contábeis no início do ano seguinte, e que tendo sido iniciada a fiscalização em março/2002, não tinha como remeter o documento à Junta Comercial porquanto estava à disposição da fiscalização. Retornando ao AI, a autoridade lançadora impôs a multa ao fundamento de que: "De acordo com o artigo 13. do Código Comercial, todo livro Diário deverá conter, obrigatoriamente: a) termo de abertura; b) termo de encerramento; c) numeração sequencial, tanto dos livros como das folhas; d) encadernação; e) autenticação em todas as folhas, pela Junta Comercial, quando se tratar de sociedade mercantil ou, pelo Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas, quando se tratar de sociedade civil. A empresa apresentou o livro Diário de 2001, nº 27, sem estar devidamente autenticado pela Junta Comercial do Estado de São Paulo ou em cartório de registro civil. 1 Valores atualizados pela Portaria MPAS nº 4.479, de 4.6.98, a partir de 1º de junho de 1998, para, respectivamente, R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) e R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos) Fl. 209DF CARF MF Processo nº 12915.001211/200800 Acórdão n.º 2202004.604 S2C2T2 Fl. 210 5 O livro diário foi devidamente solicitado através do TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, cópia anexa." fl 5. A autoridade julgadora de 1º grau manteve o lançamento ao fundamento de que a tem obrigação de apresentar a documentação solicitada, e que esta deve ser apresentada em conformidade com os requisitos legais. Analisando o caso concreto, esclareceu que fiscalização pode solicitar os documentos a partir de 90 dias, contados do fato gerador, nos termos do art. 225, § 13º, do Decreto nº 3.048/1999. Pois bem. O Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) foi emitido em 15/03/2002 (fl. 11), sendo a Contribuinte sido notificada do início da fiscalização em 19/03/2002 (fls. 9 e 11). A Contribuinte foi intimada do primeiro Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fl. 10) Nessa mesma data de 19/03/2002. Neste termo, a autoridade lançadora solicitou a apresentação de uma série de documentos, inclusive o livro diário, relativos ao período de 01/1994 a 12/2001. Em outras palavras, a fiscalização intimou a Contribuinte para que apresentasse os livros contábeis menos de três meses depois do fim da última competência que buscava fiscalizar. Acontece que, como bem chamou atenção a própria autoridade julgadora de 1º grau, o Decreto nº 3.048/1999 estabelece que Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. (...) Fl. 210DF CARF MF Processo nº 12915.001211/200800 Acórdão n.º 2202004.604 S2C2T2 Fl. 211 6 Em outras palavras, a Contribuinte é obrigada a lançar mensalmente os fatos geradores das Contribuições Sociais Previdenciárias em seus livros contábeis. Nesse sentido, deveriam estar incluídos no seu Livro Diário também os fatos geradores referentes à competência 12/2001. Registrase que essa competência também estava sendo fiscalizada. De outro lado, a autoridade lançadora não pode exigir a apresentação do Livro Diário antes de 90 (noventa) dias contados do fato gerador. Fez bem a norma ao estabelecer um prazo mínimo, de sorte a permitir que o Contribuinte tenha oportunidade de organizar e formalizar a sua contabilidade. Inclusive, para garantir que tenha prazo de levar seus livros contábeis para autenticação perante o órgão competente. Há que se registrar que, como bem chamou atenção a Contribuinte, o Código Comercial não estabelecia expressamente prazo específico para a autenticação do Livro Diário. Mesmo nos dias atuais, o CC/2002 estabelece a obrigação de autenticar os livros, mas não indica o prazo para fazêlo. Tampouco estabelece prazo para a autenticação a Lei nº 8.934/1994. Imagine, por exemplo, que a autoridade lançadora exigisse a apresentação do Livro Diário referente à competência 12/2001 no dia 01/01/2002. Por certo o Contribuinte não teria tempo hábil de preencher os requisitos formais do documento, inclusive e especificamente a autenticação na Junta Comercial. Estaria, nessa hipótese, no primeiro dia em que poderia fazer a autenticação, sujeito à multa por não têla feito? Certo que não. Portanto, uma vez que a exigência do Livro Diário por si mesmo foi indevida naquela data, porquanto temporã, não se pode penalizar a Contribuinte por não ter adimplido a obrigação formal de autenticálo. Não a cumpriu exatamente porque ainda não tinha escorrido o seu prazo para fazêlo. Ratificase essa posição, de que não tinha adimplido a formalidade exatamente em função do prazo, o fato de que a autoridade lançadora questionou a formalidade exclusivamente em relação ao exercício 2001, mesmo tendo solicitados os documentos referentes ao período de 8 (oito) anos. Em outras palavras, nada criticou em relação aos livros diários dos anos anteriores, o que permite supor que estavam devidamente formalizados e autenticados. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13749.720135/2014-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em diligência à Unidade Preparadora para que seja confirmado se o laudo acostado aos autos foi emitido por serviço médico oficial. Vencido o Conselheiro Luis Henrique Dias Lima que entendeu que se devia negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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Resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em diligência à Unidade Preparadora para que seja confirmado se o laudo acostado aos autos foi emitido por serviço médico oficial. Vencido o Conselheiro Luis Henrique Dias Lima que entendeu que se devia negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini. RELATÓRIO Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento para redução do IR a restituir apurado em sua DIRPF/10 de R$ 13.900,16 para R$ 1.524,95. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 49 .7 20 13 5/ 20 14 -0 5 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13749.720135/201405 Resolução nº 2402000.668 S2C4T2 Fl. 3 2 A autuação decorre da constatação da infração a seguir: 1 Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo empregatício. O lançamento resultou do cotejo entre os rendimentos tributáveis declarados pela recorrente e aqueles informados pela respectiva fonte pagadora em DIRF. Regulamente intimado da autuação, apresentou Impugnação, que, como já dito, foi julgada improcedente pela competente Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Em seu Recurso Voluntário de fls. 65/72 aduz, em síntese, que a autuada seria portadora de moléstia grave, a justificar a isenção do IR. É o relatório. VOTO Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 04.03.2015 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 27.03.2015. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. O acórdão recorrido, após discorrer sobre os requisitos para se conceder isenção do IR sobre rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos por portadores de moléstia grave, fez registrar: A requerente juntou o laudo pericial de fls. 11, emitido em 26/07/2013, assinado pelo médico Hélio Pancotti Barreiros, CRM nº 52548541, que atesta que a contribuinte era portadora de doença de Alzheimer – CID F00 desde março de 2002, e que também era portadora de cardiopatia grave com marca passo cardíaco desde 2005. Porém, não consta comprovação efetiva de que tal documento tenha sido emitido por serviço médico da União, estado ou município. Os demais documentos apresentados nos autos, declarações e atestados médicos, também não atendem às exigências previstas em Lei para um laudo médico pericial, as quais estão devidamente esclarecidas nas questões do Manual de Perguntas e Respostas – IRPF anteriormente transcritas, e somente foram emitidos nos anos de 2012 e 2013. De fato, o laudo acostado às fls. 11, além de não ter sido impresso em papel com identificação do órgão emissor, traz, em campo próprio e de forma manuscrita, o CNPJ da Prefeitura de Teresópolis, a identificação do Posto de Saúde (CEMUSA), seu endereço e a matrícula1 do médico que o teria subscrito. Confirase. 1 www.teresopolis.rj.gov.br/arquivosdownloadpmt/1616 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13749.720135/201405 Resolução nº 2402000.668 S2C4T2 Fl. 4 3 Contudo, fazse necessário que as informações encimadas assegurem ao julgador que o documento fora, efetivamente, emitido pelo serviço médico oficial correspondente, com vistas a deixar claro que seu subscritor assim o fez na condição de funcionário público, como definido do artigo 327 do CPB. Nesse sentido, os autos devem retornar à unidade de origem, a fim de que se oficie o serviço médico oficial correspondente para que confirme, a partir de seus assentamentos, a emissão do referido laudo. Ante o exposto, voto por CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA à unidade preparadora, para que seja confirmado se o laudo acostado aos autos foi emitido por serviço médico oficial. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660337/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.740
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 37 /2 01 2- 16 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660337/201216 Acórdão n.º 3401004.740 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660337/201216 Acórdão n.º 3401004.740 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660337/201216 Acórdão n.º 3401004.740 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660337/201216 Acórdão n.º 3401004.740 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660337/201216 Acórdão n.º 3401004.740 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660337/201216 Acórdão n.º 3401004.740 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.996237/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
PUBLICAÇÕES EM NOME DO PATRONO DA RECORRENTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para a realização de publicações relacionadas aos atos do PAF em nome do patrono do contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. PUBLICAÇÕES EM NOME DO PATRONO DA RECORRENTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a realização de publicações relacionadas aos atos do PAF em nome do patrono do contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. PUBLICAÇÕES EM NOME DO PATRONO DA RECORRENTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a realização de publicações relacionadas aos atos do PAF em nome do patrono do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 62 37 /2 00 9- 11 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.996237/200911 Acórdão n.º 3302005.660 S3C3T2 Fl. 155 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário objetivando reformar acórdão da 2º Turma da DRJ/REC, prolatado em 25 de fevereiro de 2013, assim ementado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/02/2007 a 28/02/2007 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO INCOMPROVADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. Procede o despacho decisório que não homologa a compensação de débitos com suposto direito creditório incomprovado pelo sujeito passivo. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal, a exemplo da DCTF, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco (Inteligência da Súmula STJ nº 436). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem, o sujeito passivo apresentou, em 05.06.2007, DCOMP declarando a compensação de crédito de IPI relativo ao último decêndio de fevereiro de 2007, decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior, com débito do mesmo imposto relativo ao 3º decêndio de maio de 2007 (fls. 2 a 6). Em 19.04.2010 sobreveio Despacho Decisório (fl. 7), noticiando ter sido localizado o pagamento declarado, mas que este fora integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformada, a contribuinte apresentou, em 25.05.2010, manifestação de inconformidade, aduzindo em sua defesa: Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.996237/200911 Acórdão n.º 3302005.660 S3C3T2 Fl. 156 3 a) que revisando a DCTF do período constatou que a informação do débito de IPI estava indevida, ocasionando o não reconhecimento da origem do crédito; b) foi retificada a DCTF, declarando o valor real devido do imposto e sanando a pendência notificada pelo Despacho Decisório. Foram anexadas cópias da DCTF retificadora e do DARF pago a maior. A DRJ/REC julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em razão de que: a) a DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a cobrança imediata do débito confessado, nos termos do §1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984; b) não foram comprovados, inequivocamente, por meio de documentos hábeis e idôneos, que o débito inicialmente confessado em DCTF é inexistente, não se mostrando suficiente a mera alegação de erro para ilidir a presunção de legitimidade da obrigação tributária nascida; c) a compensação só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte, em oposição à Fazenda Nacional, estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza, o que não restou comprovado nos autos. Em 09.05.2013 foi disponibilizado na Caixa Postal do contribuinte, no módulo eCAC, o acórdão recorrido, considerandose a ciência ocorrida em 24.05.2013 (sexta feira). Foi interposto Recurso Voluntário tempestivo em 24.06.2013, cujas razões foram: a) houve equívoco na DCTF relativa ao mês de fevereiro de 2007, tendo sido informado um débito de IPI para o 3º decêndio deste mês no valor de R$244.678,10, quando deveria ser sido informado R$229.870,47, conforme se pode verificar no Livro Registro de IPI do período; b) foi retificada a DCTF, corrigindo o valor do débito; c) que a simples alegação de que a retificação ocorreu após o recebimento do despacho decisório não impede o direito creditório, quando demonstrado através de documentação hábil e idônea que o débito confessado é inexistente. Cita jurisprudência do CARF; d) foram apresentados todos os documentos adequados e suficientes para demonstrar que houve o pagamento indevido ou maior, devendo ser reformada a decisão recorrida; Ao fim, pede para que todas as intimações dos atos a serem produzidos no presente feito sejam realizadas em nome das patronas da recorrente. Foram anexados junto ao RV; i) cópia da DCTF original; ii) cópia de folhas do Livro Registro do IPI do período; iii) cópia do DARF pago; iv) cópia da DCTF retificadora. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.996237/200911 Acórdão n.º 3302005.660 S3C3T2 Fl. 157 4 É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a apreciálo. 1 Das Etapas de Verificação do PER/DCOMP e do ônus probatório. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.996237/200911 Acórdão n.º 3302005.660 S3C3T2 Fl. 158 5 homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. Importante destacar ainda que o início da etapa de verificação documental faz com que as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte, nas declarações eletrônicas transmitidas ao fisco, precisem ser comprovadas por outros meios no processo administrativo fiscal. Ou seja, uma vez que as declarações anteriormente apresentadas pelo contribuinte ao fisco não foram suficientes para a homologação da compensação na etapa de verificação eletrônica, não terão elas, quando desacompanhadas de outros documentos que as ratifiquem, força probatória suficiente para atestar a certeza e liquidez do crédito na etapa de verificação documental. No caso em estudo, até a interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte não apresentou qualquer documento que ao menos indicasse que o valor do IPI relativo ao 3º decêndio de fevereiro de 2007 era inferior ao que fora efetivamente recolhido, o que ocasionou o não reconhecimento de seu direito creditório pela DRJ. O art. 373 do CPC/2015 dispõe, com efeito, que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. No mesmo sentido dispõe o §4º do art. 16 do Decreto Lei nº 70.235/1972, ao estabelecer que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, ou, neste caso, junto a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Excepcionalmente, em homenagem ao princípio da verdade material, tem se admitido a juntada de provas documentais em momentos posteriores à manifestação de inconformidade. Ocorre que o único documento distinto das declarações transmitidas ao fisco trazido aos autos foi a cópia de duas folhas do Livro Registro de Apuração do IPI, desacompanhadas dos termos de abertura e encerramento, bem como de quaisquer outros elementos que pudessem ratificar o seu conteúdo, tais como cópias das folhas do livro diário que confirmem o registro correto do valor devido a título de IPI do citado período de apuração, e também cópias das folhas do livro razão relativas as contas de apuração do imposto, sendo que ambos deveriam ainda ser acompanhados de cópias dos termos de abertura e encerramento. As cópias das duas folhas do Livro Registro de Apuração do IPI trazidas aos autos não se mostram suficientes para comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar, razão pela qual não há como reconhecer o direito creditório declarado. 2 Da Publicação de atos e decisões em nome do patrono do recorrente. Por fim, esclareçase que não há previsão legal para sustentar o requerimento de que as intimações dos atos a serem produzidos no presente feito sejam realizadas em nome das patronas da recorrente. Por essas razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.996237/200911 Acórdão n.º 3302005.660 S3C3T2 Fl. 159 6 (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10467.900060/2006-02
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
DCTF. RETIFICAÇÃO.
O direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração.
Numero da decisão: 1001-000.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (relator), vencido também o conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou pela diligência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues (relator) e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 DCTF. RETIFICAÇÃO. O direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (relator), vencido também o conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou pela diligência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues (relator) e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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RETIFICAÇÃO. O direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (relator), vencido também o conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou pela diligência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues (relator) e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 90 00 60 /2 00 6- 02 Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10467.900060/200602 Acórdão n.º 1001000.691 S1C0T1 Fl. 519 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 497 a 507) interposto contra o Acórdão nº 1129.780, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE (fls. 485 a 487), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO: REQUISITOS. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Manifestação de Inconfonidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " A interessada acima qualificada apresentou a Declaração de Compensação DCOMP de fls. 06/11 do processo n° 13449.000037/200533, apenso ao presente processo, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débito de sua responsabilidade. O crédito inicial informado, no valor de R$ 3.340,98, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior relativo ao 4°trimestre do anocalendário 1999. 2. Através do parecer de fls. 02/03, aprovado pelo Despacho Decisório de fl. 04, a Delegacia da Receita Federal em João Pessoa DRF/João Pessoa, após análise da documentação apresentada pela contribuinte, considerou não comprovado o crédito pleiteado, em face do que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. 3. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade (fls. 09/10), alegando, em síntese, que não apurou débito algum de IRPJ no 4° trimestre de 1999 e que o declarou em DCTF por equívoco, tendo retificado a declaração no ano de 2006. Diz que também por equívoco parcelou e quitou o débito, aduzindo estar apresentando a documentação contábil e fiscal a comprovar suas alegações." Sobreveio decisão de primeira instância indeferindo o Recurso Voluntário, em síntese, sob o argumento de que o período dos créditos já haveria sido alcançado pela decadência e que não teria sido cabalmente comprovado o equivoco na DCTF original. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10467.900060/200602 Acórdão n.º 1001000.691 S1C0T1 Fl. 520 3 Inconformada, a Recorrente apresentou o presente Recurso alegando que: (i) não haveria ocorrido a decadência do crédito por ocasião da apresentação da DCOMP, bem como no momento da retificação da DCTF; (ii) reafirma o seu direito a se ressarcir do pagamento indevido realizado; e (iii) aduz que tal situação esta devidamente comprovada nas escriturações contábeis que já trouxe aos autos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, cumprese tratar da questão da decadência. O cerne da questão é o termo inicial para a contagem do prazo decadencial no caso dos tributos sujeitos ao chamado "lançamento por homologação", se a contagem se iniciaria com o pagamento antecipado do tributo ou a partir da homologação tácita. Com o fim de esclarecer definitivamente a questão e alterar o entendimento jurisprudencial dominante que, à época, favorecia a opção pelo prazo mais longo a Lei Complementar 118/05 em seu art. 3º determinou: "a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado". Em que pese tal dispositivo tenha se apresentado como meramente interpretativo, logo deveria ser aplicada a metodologia por ele determinada para todas as situações em curso no momento de sua edição, o Supremo Tribunal Federal, ao se debruçar sob a matéria no bojo do Recurso Extraordinário 566.621/RS, determinou que este permissivo se tratou de verdadeira inovação jurídica. Desta feita, segundo a decisão da Magna Corte, em prestígio da segurança jurídica, ficou determinado que todos os pedidos de repetição de indébitos protocolados antes da entrada em vigor da LC 118/05 continuariam tendo o prazo decadencial de 05 anos contados apenas após a homologação tácita (10 anos a contar do pagamento indevido), enquanto somente as ações ajuizadas posteriormente respeitariam a nova forma. Insta dizer que tal decisão se deu por meio da sistemática da Repercussão Geral, logo, de observação obrigatória por este Colegiado, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, conforme transcrevo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10467.900060/200602 Acórdão n.º 1001000.691 S1C0T1 Fl. 521 4 prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, a conclusão das considerações acima já se encontram devidamente pacificada na jurisprudência deste Conselho, tendo sido objeto da Súmula CARF nº 91, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Destarte, conforme consignado nos autos, o pedido de compensação foi transmitido em 01/09/2003, sujeitandose então ao prazo decadencial de 10 anos. Por sua vez, à época dos fatos, a IN SRF nº 695/06 que regulava a possibilidade de retificação de DCTF não estabelecia prazo específico para tanto, contudo, por coerência com a sistemática e finalidade próprias destas declarações, pareceme apropriado que o prazo coincida com o da extinção do direito à repetição do indébito. Ademais, fazse oportuno trazer a interpretação moderna dada pela autoridade fazendária por meio do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, quanto à possibilidade de retificação de DCTF posterior ao pedido de compensação, nos termos que segue: 22. Por todo o exposto, concluise: (...) b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; (...) Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10467.900060/200602 Acórdão n.º 1001000.691 S1C0T1 Fl. 522 5 e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; (grifouse) Notese que o supracitado Parecer Normativo, em suas conclusões, não só permite a retificação de DCTF posterior ao pedido de compensação, como vai além e permite até mesmo que, na impossibilidade de retificação por restrições da instrução normativa que regula a DCTF, o crédito informado na DCOMP seja comprovado por outros meios. Assim, diante de todas essas premissas, concluo que a retificação da DCTF objeto do direito creditório pleiteado nos presentes autos, realizada em data de 2006, posterior ao pedido da DCOMP deve ser plenamente considerada. Outrossim, ainda que se discorde desse entendimento, em respeito a preponderância do dever de se buscar a realidade material da existência do crédito tempestivamente pleiteado em compensação, bem como em respeito ao próprio "item e" das conclusões do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015supracitado, é inegável que deve ser permitido à Recorrente comprovar seu direito por outros meios idôneos. Nesta linha, citase recente julgado deste Conselho: AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. RECONHECIMENTO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. PROVA INEQUÍVOCA. Apesar de não haver retificação da DCTF por parte do sujeito passivo, há prova inequívoca da existência do crédito, que deve ser reconhecido em virtude do princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. (Processo: 13896.001840/200355. Julgamento: 30/01/2018) Assim, uma vez superada a questão da não ocorrência de decadência, tampouco a existência de qualquer outro óbice procedimental nos autos em epígrafe, a discussão desemboca na existência ou não do comprovado crédito que se pretende compensar. Conforme já relatado, no bojo de sua Manifestação de Inconformidade a ora Recorrente trouxe aos autos vasta documentação contábil visando comprovar a existência do pagamento a maior pleiteado, tais documentos devem ser escrutinados afim de se apurar a existência do pagamento a maior que daria ensejo a compensação pretendida. Desta forma, pelo exposto, VOTO por CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente proceda à análise de todos os documentos trazidos pela Contribuinte (fls. 09461), cotejando com as considerações e explicações oferecidas nos autos, bem como com os demais documentos e informações que entenda pertinente disponíveis nos sistemas da administração pública, podendo ao seu arbítrio intimar a Contribuinte para que ofereça explicações ou documentos complementares. Após, elabore relatório circunstanciado esclarecendo quanto a existência do crédito relativo ao Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10467.900060/200602 Acórdão n.º 1001000.691 S1C0T1 Fl. 523 6 pagamento a maior que a Recorrente alega ter realizado, e quanto a suficiência destes valores para a realização da compensação declarada. Após, a Recorrente deve ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso. Caso esta Turma não me permita a realização da diligência nos termos propostos, VOTO por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar alegação de decadência da retificação da DCTF e determinar a remessa dos autos à unidade de origem para que proceda à nova análise do pedido de compensação considerando a DCTF retificada e os demais documentos disponíveis. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Voto Vencedor Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator do voto vencedor A recorrente declarou em DCTF saldo a pagar de IRPJ apurado no 4° trimestre de 1999 no valor de R$ 3.340,98, tendo sido o débito quitado. Alega que retificou a DCTF, excluindo o débito anteriormente declarado, por entender que o débito fora declarado por engano, pretendendo reaver o pagamento supostamente indevido, utilizando o direito creditório que julgava possuir para compensar débito da mesma natureza apurado em 2001, através de Declaração de CompensaçãoDCOMP. Ocorre que a declaração (DCTF) retificadora foi apresentada a destempo, pois somente foi protocolada em 20/10/2006 (efls. 115/127), quando o período de apuração dos débitos já estava alcançado pela decadência. Conforme já destacado pela decisão de primeira instância, a DCTF retificadora não produz efeitos em relação aos débitos alterados, haja vista que o Fisco, em razão do decurso do prazo decadencial, não mais poderia examinar as retificações e, sendo caso, efetuar o lançamento para exigência de crédito tributário. Desta forma, corroboro com o entendimento da Receita Federal acerca da matéria firmado no Parecer Cosit n. 48, de 7 de julho de 1999, o qual esclarece que "Extinguese em cinco anos o direito do contribuinte de pleitear a retificação da declaração de rendimentos". Em igual sentido, a Solução de Consulta Interna Cosit n° 21, de 16 de agosto de 2005, conclui que o sujeito passivo dispõe do prazo de cinco anos para retificação da declaração. No mesmo sentido a Instrução Normativa n º1110, de 24 de dezembro de 2010, art. 9º, § 5º. Portanto, não cabe diligência para apreciar documentos que pretendem comprovar o crédito que proviria de débito confessado e pago e que não mais poderia ser modificado por DCTF retificadora, conforme se demonstrou neste voto. Pelas mesmas razões, voto, no mérito, por negar provimento ao recurso. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10467.900060/200602 Acórdão n.º 1001000.691 S1C0T1 Fl. 524 7 (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 524DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.000147/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A teor do que afirmam as expressas disposições do art. 113 do CTN, a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A simples indicação de necessidades econômico-financeiras da contribuinte não se apresenta como suficiente para o afastamento das penalidades pecuniárias decorrentes da não apresentação tempestiva das declarações fiscais correspondentes.
Numero da decisão: 1301-001.214
Decisão: Acordam os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A teor do que afirmam as expressas disposições do art. 113 do CTN, a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A simples indicação de necessidades econômico-financeiras da contribuinte não se apresenta como suficiente para o afastamento das penalidades pecuniárias decorrentes da não apresentação tempestiva das declarações fiscais correspondentes.
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A teor do que afirmam as expressas disposições do art. 113 do CTN, a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A simples indicação de necessidades econômicofinanceiras da contribuinte não se apresenta como suficiente para o afastamento das penalidades pecuniárias decorrentes da não apresentação tempestiva das declarações fiscais correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 01 47 /2 00 7- 12 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 2 Relatório A questão tratada nos presentes autos referese à insurgência da contribuinte contra a imputação, pelas respectivas autoridades fiscais, de multa pro atraso na entrega da Declaração Simplificada relativa aos anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, no valor total de R$ 800,00 (oitocentos reais), sob o fundamento de que, naquele período, encontravase a empresa inativa, não possuindo, assim, quaisquer recursos financeiros. A decisão de primeira instância, prolatada pela douta DRJ São Paulo I (SP), concluiu pela procedência do lançamento, rejeitando a manifestação de inconformidade oposta pela contribuinte, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da Declaração Simplificada, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Lançamento Procedente Regularmente intimada a contribuinte no dia 26/09/2009, foi por ela então interposto, em 23/10/2009, o seu respectivo Recurso Voluntário (“Recurso”), renovando as suas alegações apresentadas em impugnação, e, ao final, requerendo a reforma do julgado. É o que se tem a relatar. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso, dele conheço. A questão discutida nos autos referese, tão somente, à insurgência da contribuinte contra a imputação da sanção pecuniária a ela imposta, tendo em vista o atraso na entrega das respectivas Declarações Simplificadas relativas aos exercícios de 2001, 2002, 2003 e 2004, sobre o simples argumento de que tal imposição seria “injusta”, uma vez que, à referidas épocas, encontravase a contribuinte sem recursos financeiros, sendo essa, segundo entende, o argumento necessário e suficiente para o afastamento da imputação da pena pecuniária apontada. Sendo apenas essa a questão aqui debatida, insta, antes de quaisquer considerações, destacar a expressa dicção contida nas disposições do Art. 113 do CTN, que, a respeito das chamadas “obrigações acessórias”, assim específica e diretamente aponta: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 11610.000147/200712 Acórdão n.º 1301001.214 S1C3T1 Fl. 3 3 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A partir da análise dessa disposição, verificase que, a rigor, o descumprimento, pela contribuinte, da respectiva “obrigação acessória” a ela imposta, acarreta, ipso facto, a incidência das respectivas disposições de regência, e, por isso, imediatamente devida a penalidade pecuniária correspondente, constituindose, assim, o crédito tributário correspondente. Em relação ás especificas regras de regência da obrigação de apresentação tempestiva e regular das apontadas Declarações, devese destacar as expressas disposições do Art. 808 do Decreto 3.000/99 (RIR/99), que assim especificamente aponta: "Art. 808 As pessoas jurídicas deverão apresentar, até o último dia útil do mês de março, declaração de rendimentos demonstrando os resultados auferidos no ano calendário anterior (Lei n°8.981, de 1995, art. 56, e Lei n°9.065, de 1995, art. 1o). § I° O disposto neste artigo aplicase às pessoas jurídicas que iniciarem suas atividades no curso do anocalendário anterior. § 2° As microempresas e empresas de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, deverão apresentar, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do anocalendário subseqüente (Lei n°9.317, de 1996, art. 7°). § 3° As pessoas jurídicas isentas, que atenderem às condições determinadas para gozo da isenção, estão dispensadas da obrigação de apresentar declaração de rendimentos, devendo apresentar, anualmente, até o último dia útil do mês de junho, a Declaração de Isenção do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, em formulário próprio." Pelo que se observa, ao contrário do que pretende ver afirmado a contribuinte, a eventual dificuldade financeira por ela enfrentada não autoriza a constituição de “isenção” ou “anistia” à imposição da referida penalidade, sendo, assim, perfeita vê regularmente devida, na linha, inclusive, especificamente apontado pela r. decisão de origem. Diante dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário da contribuinte, mantendo, assim, integralmente, os termos da r. decisão de primeira instância. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 4 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 14/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10314.002359/2008-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
VEDAÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS A APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, restando precluso o direito de a impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna.
Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
REVISÃO ADUANEIRA. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA. VERIFICAÇÃO DA EXATIDÃO DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO IMPORTADOR.
As declarações de importação estão sujeitas ao procedimento de revisão aduaneira objetivando a verificação da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração, em estreita conformidade com o art. 54 do Decreto-Lei nº 37/1966 e pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002.
DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA INFORMADA COM INEXATIDÃO OU DESCRIÇÃO INCOMPLETA. MULTA DE 1% (UM POR CENTO) SOBRE O VALOR ADUANEIRO. INOCORRÊNCIA.
Meras deficiências de qualidade de informação no campo descrição das mercadorias que não impliquem declaração de forma incompleta, inexata ou insuficiente, para fins de classificação fiscal, na declaração de importação, não ensejam a aplicação da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro prevista no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, combinado com os §§ 1º e 2º, III, do art. 69 da Lei nº 10.833/2003.
Numero da decisão: 3401-005.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar provimento parcial para afastar a multa aplicada sobre as DI que se referem a produtos importados sob o código NCM 8501.10.19.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 VEDAÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS A APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, restando precluso o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 REVISÃO ADUANEIRA. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA. VERIFICAÇÃO DA EXATIDÃO DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO IMPORTADOR. As declarações de importação estão sujeitas ao procedimento de revisão aduaneira objetivando a verificação da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração, em estreita conformidade com o art. 54 do DecretoLei nº 37/1966 e pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA INFORMADA COM INEXATIDÃO OU DESCRIÇÃO INCOMPLETA. MULTA DE 1% (UM POR CENTO) SOBRE O VALOR ADUANEIRO. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 23 59 /2 00 8- 05 Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10314.002359/200805 Acórdão n.º 3401005.131 S3C4T1 Fl. 402 2 Meras deficiências de qualidade de informação no campo descrição das mercadorias que não impliquem declaração de forma incompleta, inexata ou insuficiente, para fins de classificação fiscal, na declaração de importação, não ensejam a aplicação da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro prevista no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, combinado com os §§ 1º e 2º, III, do art. 69 da Lei nº 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar provimento parcial para afastar a multa aplicada sobre as DI que se referem a produtos importados sob o código NCM 8501.10.19. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase de auto de infração, lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro, com fundamento no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, combinado com os §§ 1º e 2º, III, do art. 69 da Lei nº 10.833/2003, referente aos períodos de apuração compreendidos entre 01/01/2007 a 31/12/2007, de maneira a totalizar o crédito tributário no valor histórico de R$ 98.193,55. 2. Em conformidade com a descrição dos fatos e enquadramentos legais, a multa se refere aos despachos aduaneiros processados pelas 127 Declarações de Importação (DI), situadas às fls 55 a 238 (Volume 02) de número: 07/00036622, 07/0005120 6, 07/00051460, 07/00061309, 07/00180812, 07/00189623, 07/00189860, 07/00266628 07/00312522, 07/00374900, 07/00477998, 07/00504561, 07/00615509, 07/00672359, 07/00758105, 07/00911957, 07/00944979, 07/00983311, 07/00983451, 07/01273644, 07/01349829, 07/01361390, 07/01372880, 07/01478033, 07/01509419, 07/01556670, 07/01579182, 07/01847179, 07/01888274, 07/01919064, 07/02187261, 07/02266900, Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10314.002359/200805 Acórdão n.º 3401005.131 S3C4T1 Fl. 403 3 07/02357566, 07/02395239, 07/02468376, 07/02559479, 07/02598679, 07/02599900, 07/02694813, 07/02702972, 07/02725425, 07/02760301, 07/02778510, 07/02778537, 07/02839030, 07102877187, 07/02881729, 07/02918207, 07/03029791, 07/03048028, 07/03048974, 07/03069491, 07/03127726, 07/03193508, 07/03274338, 07/03309115, 07/03405351, 07/03489725, 07/03563836, 07/03896754, 07/03945380, 07/03955114, 07/04005527, 07/04050603, 07/04127282, 07/04143474, 07/04173250, 07/04193471, 07/04233813, 07/04462766, 07/04485707, 07/04486355, 07/04687962, 07/04755151, 07/04849326, 07/04853811, 07/05183160, 07/05240660, 07/05434782, 07/05447736, 07/05473443, 07/05546181, 07/05651783, 07/05699832, 07/05859856, 07/05924097, 07/05963696, 07/05964471, 07/05965338, 07/06070288, 07/06941670, 07/07132791, 07/07242023, 07/07249303, 07/07624333, 07/07737596, 07/08005475, 07/08177551, 07/08624647, 07/08983060, 07/09061301, 07/09061883, 07/09667250, 07/09987042, 07/10031488, 07/10212008, 07/10439088, 07/10554839, 07/10608106, 07/10815276, 07/10865532, 07/11131729, 07/11158937, 07/11402234, 07/12086670, 07/12190044, 07/12718545, 07/13799093, 07/14069870, 07/14295293, 07/14761723, 07/15081130, 07/15536413, 07/15676266, 07/15981654, 07/17070322, 07/17120095, em conformidade com a ficha "auditoria e outros procedimentos fiscais de importação", situada às fls. 242, registradas para permitir a fruição do regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado, na modalidade RecofAutomotivo. 3. A contribuinte, apresentou impugnação, na qual argumentou, em síntese, que: (i) houve alteração do critério jurídico em desobediência ao art. 146 do Código Tributário Nacional; (ii) a multa é descabida, uma vez que as informações apresentadas nas DI/Adições estão corretas, bastando observar as informações constantes da posições, sub posições, itens e subitens em que as mercadorias foram posicionadas na NCM para se concluir pela suficiência da descrição do produto; (iii) a multa ofende os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, transbordando o limite de seu patrimônio, sobretudo tendo em vista que todos os tributos foram devidamente pagos e a irregularidade não importou alteração da carga tributária, requerendo, ao final, o cancelamento do auto de infração lavrado; e (iv) protestou pela juntada de provas e documentos. 4. Em 22/05/2014, a 2ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) proferiu o Acórdão DRJ nº 0734.855, situado às fls. 331 a 347, de relatoria do AuditorFiscal Orlando Rutigliani Berri, entendeu, por maioria de votos, julgar procedente em parte a impugnação, rejeitando a preliminar suscitada e mantendo o crédito tributário exigido no valor de R$ 48.783,87, sendo que o AuditorFiscal Juraci Garcia Ferreira votou pelo provimento integral da impugnação apresentada e improcedência do lançamento, com a conseqüente exoneração do crédito tributário, tendo apresentado declaração de voto. Restou assentada a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. Revisão aduaneira consiste em reexame do despacho de importação e não lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita, sendo incabível na espécie argüir mudança de critério jurídico. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10314.002359/200805 Acórdão n.º 3401005.131 S3C4T1 Fl. 404 4 INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS A APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, restando precluso o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, seja por motivo de força maior, por referirse a fato ou a direito superveniente ou quando se destinar a contrapor fatos trazidos posteriormente aos autos. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA. Não compete às instâncias administrativas de julgamento proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria, sob o pretexto de que o montante da multa aplicada é desproporcional à infração supostamente cometida, pois essa atividade compete exclusivamente ao Poder Judiciário. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 REGIME RECOF. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA INFORMADA COM DESCRIÇÃO INCOMPLETA. MULTA DE UM POR CENTO SOBRE O VALOR ADUANEIRO. O importador que descreve a mercadoria de forma incompleta ou insuficiente, para fins de classificação fiscal, na declaração de importação que trata do regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado impede ou dificulta a determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, razão pela qual incorre na multa de um por cento sobre o seu valor aduaneiro. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10314.002359/200805 Acórdão n.º 3401005.131 S3C4T1 Fl. 405 5 5. A contribuinte foi intimada em 18/06/2014 mediante abertura do arquivo contendo o inteiro teor da decisão no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, em conformidade com o termo de abertura de documento situado à fl. 362, e interpôs, em 10/07/2014, recurso voluntário, no qual reiterou as razões de sua impugnação e reiterou a possibilidade do controle de legalidade e de constitucionalidade na esfera administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 6. Antes mesmo do exame de admissibilidade do recurso, a matéria objeto de recalcitrância por parte da contribuinte, conforme se depreende da análise das razões vertidas em seu recurso voluntário, são: (i) constitucionalidade; (ii) protesto por posterior juntada de provas e documentos; (iii) alteração de critério jurídico; e (iv) exame de mérito do cabimento da multa. 7. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais, mas merece ressalva quanto ao conhecimento da alegação de (i) falta de razoabilidade e proporcionalidade, bem como caráter confiscatório da multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro, com fundamento no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, combinado com os §§ 1º e 2º, III, do art. 69 da Lei nº 10.833/2003. 8. As alegações de inconstitucionalidade de leis, como a vedação insculpida no inciso IV do art. 150 da Constituição de 1988, referemse a matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972: Decreto nº 70.235/1972 Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 9. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10314.002359/200805 Acórdão n.º 3401005.131 S3C4T1 Fl. 406 6 10. Assim, por incompetência material desta jurisdição administrativa, não conheço o recurso voluntário interposto neste particular. 11. Quanto aos demais argumentos, deve o recurso voluntário ser conhecido. 12. Quanto à alegação preliminar de (ii) a juntada de provas e documentos em momento posterior à impugnação apenas é possível nas hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 com a redação dada pela Lei nº 8.748/1993, o que não se vislumbra no caso presente. Ademais, o pedido é realizado de maneira genérica e hipotética, pois a contribuinte não realiza juntada de prova ou documento pertinente ao mérito após o momento oportuno. 13. Assim, conheço do recurso voluntário, mas voto pela sua improcedência neste particular. 14. Quanto à alegação preliminar (iii) de alteração do critério jurídico, já conhecida por este colegiado nossa posição a respeito do convívio harmônico dos institutos da revisão fiscal e da revisão tributária do lançamento, como minudentemente externado, e.g., no Acórdão CARF nº 3401004.020, de nossa relatoria, proferido em sessão de 28/11/2017. 15. A revisão fiscal, ou aduaneira, conforme preceptivo normativo do DecretoLei nº 37/1966, tem o escopo de verificar, textualmente: (i) regularidade do pagamento dos impostos e demais gravames; (ii) aplicação de benefício fiscal; e (iii) exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração. Apurase, por meio deste expediente, se os tributos e demais consectários foram pagos, se há aplicação de benefício e em que termos, e se as informações da declaração correspondem às características dos produtos importados. Diante da discrepância entre a mercadoria objeto de importação e a informação prestada, procedese à revisão fiscal. 16. Diversa é a revisão tributária (do lançamento): enquanto na primeira o que se revisa são os fatos que deram ensejo a um vínculo jurídicotributário, nesta o que se reavalia são os critérios do próprio lançamento. Enquanto na revisão fiscal os fatos corretos substituem os incorretos e dão ensejo a um novo lançamento, nesta o que se revisa é, diante dos mesmos fatos, o próprio lançamento que, revolvido em suas entranhas, é reconfigurado. 17. Assim, a revisão fiscal ou aduaneira prevista pelo art. 54 do Decreto Lei nº 37/1966 e pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002 permanece hígida no ordenamento, porém conhece a limitação imposta pelo Código Tributário Nacional, em uma relação de completa compatibilidade. Na dicção do decretolei, o Estado, no exercício da função aduaneira, deverá revisar os erros de fato, as inconsistências, o nãopagamento dos tributos incidentes sobre a importação. O Código Tributário Nacional impõe, como norma geral de matéria tributária, a condição de que não sejam transmudados os critérios jurídicos quanto ao entendimento firmado respeitante aos efeitos tributários dos fatos conhecidos e reputados como fidedignos pela autoridade fiscal. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10314.002359/200805 Acórdão n.º 3401005.131 S3C4T1 Fl. 407 7 18. Recordese: a informação oculta ou falseada pela contribuinte, com o desígnio de iludir a autoridade aduaneira, está sujeita à revisão fiscal, e este é o sentido do art. 54 do DecretoLei nº 37/1966 que converge para a previsão do art. 149 do Código Tributário Nacional: lançase de ofício quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento de declaração obrigatória (inciso IV), ou quando se comprove omissão ou inexatidão por parte da pessoa legalmente obrigada (inciso V), ou diante da ação ou omissão do sujeito passivo (inciso VI), ou quando o sujeito passivo tenha agido com dolo ou simulação (inciso VII), ou deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado na ocasião do lançamento, o (inciso VIII), ou se comprovada fraude ou falta funcional, ou mesmo omissão por parte da autoridade fiscal (inciso IX). Assim, diante de um novo arranjo fático, a revisão (dos fatos) permitirá um novo lançamento (de ofício). Tal situação, como se percebe por meio desta decomposição lógica dos predicados legislativos acima analisados, é em tudo diversa da previsão do art. 146, que se volta à revisão do lançamento original. 19. No caso em apreço, o que se analisa é a exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração, em estreita conformidade com o art. 54 do Decreto Lei nº 37/1966 e pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002, normas especializadas, o que encontra seu símile de lex generali no inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional: a verificação de omissão quanto a qualquer elemento de declaração obrigatória. Não se cogita, portanto, de aplicação da barreira proibitiva insculpida pelo art. 146 da norma de estatura complementar. A análise acerca da exatidão ou não das informações prestadas deve ser transportada, portanto, ao campo da aplicação do direito material ou substancial, pois a decisão implicará, necessariamente, conhecimento de matéria de mérito, e jamais, no caso presente, nulidade do auto de infração lavrado, supedâneo da verificação retificativa que materializa o venire contra factum proprium. 20. Assim, conheço do recurso voluntário, mas voto pela sua improcedência neste particular. 21. Por fim, passandose à análise de mérito, quanto ao (iv) cabimento da multa aplicada, a autoridade fiscal fundamenta sua exigência na insuficiência de descrição de parte das mercadorias internadas ao amparo das DI, argumenta a recorrente que a fiscalização não constatou qualquer irregularidade que acarretasse a alteração da classificação por ela adotada, e as informações prestadas estão corretas, bastando a leitura das informações constantes da posições, subposições, itens e subitens em que as mercadorias foram posicionadas na NCM para se concluir pela suficiência da descrição do produto, inclusive, para fins de controle aduaneiro e de tributação. 22. Deve a análise prosseguir a partir da leitura dos fundamentos de validade da exação, abaixo transcritos: Lei nº 10.833, de 2003 Art. 69 (...). § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10314.002359/200805 Acórdão n.º 3401005.131 S3C4T1 Fl. 408 8 § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. 23. Assim, evidentemente que falta de qualquer uma das informações constantes nos incisos I a IV do §2º ensejarão, objetivamente, a aplicação da multa, independentemente de prejuízo ao bem jurídico tutelado (controle aduaneiro). A autuação em disputa, por seu turno, toma por fundamento o inciso III da norma: "descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial". 24. A leitura do dispositivo de direito sancionador (sançãopunição) é suficiente para constatar que a mera deficiência na qualidade da prestação de informação no campo descrição das mercadorias que não comprometa a sua classificação, ou outros atributos necessários ao controle aduaneiro, não é suficiente para justificar a cominação da multa tipificada nos preceptivos normativos em referência. Assim, é necessário que a acusação fiscal aponte, objetivamente, e de maneira fundamentada, qual foi a informação prestada de forma incompleta, inexata ou insuficiente que dificultou ou impossibilitou, no caso presente, a classificação fiscal da mercadoria. 25. A partir destes elementos que contextualizam a contenda, necessário se transcrever trecho da sólida e merecedora de encômios declaração de voto realizada pelo AuditorFiscal Juraci Garcia Ferreira, cujas razões adoto como fundamento para prover integralmente o recurso voluntário: "Nesse caminho seguiu a auditoria fiscal, pois instalou o processo de revisão aduaneira, visando segundo sua informação “verificar a qualidade do despacho aduaneiro da SIEMENS”, e ali identificou nas declarações efetuados pelo contribuinte “insuficiência de descrição de mercadoria”, focando sua análise nos dados constantes do campo “descrição detalhada da mercadoria”, que faz parte do conjunto de informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Importação(DI) Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10314.002359/200805 Acórdão n.º 3401005.131 S3C4T1 Fl. 409 9 entregue a Receita Federal por ocasião de uma operação de importação. Para se inferir as alegações da auditoria fiscal, contrapostas pelas do autuado que alega ser a sua descrição das mercadorias completa ou suficiente, considerando nestas inclusive o texto que o sistema disponibiliza ao se escolher na tabela do Siscomex (fls. 264/267), o código NCM de cada mercadoria, é necessário analisar o caráter de todas as informações constantes da DI, pois a legislação, sobre a exatidão das informações prestadas pelo contribuinte a Receita Federal, trata a declaração como um todo. A descrição da mercadoria, e sua maior parte, declarada na adição de uma DI é formada por um conjunto de informações, conforme se pode inferir do Anexo Único da IN SRF nº 680, de 2006, dentre as quais o campo “descrição da mercadoria” é parte. Contudo, a “descrição insuficiente” constatada pela auditoria fiscal fundase na análise do campo “descrição da mercadoria” nas adições das DI, estando ausente uma análise mais ampla das informações prestadas pelo contribuinte em sua declaração, ignorando o texto, aceito e declarado pelo contribuinte, que se apresenta nos extratos das adições das DI, à frente do código NCM, de acordo com os dados fornecidos pelo próprio sistema da Receita Federal, pois este também faz parte das declarações do importador. No preenchimento da adição d e uma DI, informado o código NCM, o sistema traz automaticamente um campo com a descrição genérica da natureza da mercadoria que ali se classifica, similar a encontrada na Tarifa Externa Comum(TEC) e, em concordando o contribuinte com a descrição ali dada, fica evidente que este declara o produto de sua importação como sendo o ali descrito no momento do registro da DI, estando sujeito a aplicação da mesma multa de 1% por erro de classificação fiscal. Ao declarar aquele código, o contribuinte declara ao fisco que a sua mercadoria possui as características que se incluem no texto daquele código de classificação preenchida pelo próprio sistema da Receita Federal, diante da regras do Sistema Harmonizado de Classificação e Designação de Mercadorias (SH). Neste caso, a declaração do importador traz ao conhecimento do fisco as informações de forma completa para as mercadorias e suas NCM indicadas neste auto, as quais foram formalmente prestadas pelo contribuinte por ocasião do registro da DI, logo entendo que não há, nos termos da legislação em vigor, descrição incompleta. É inquestionável que o procedimento de revisão aduaneira aplicado pode ser realizado pelo fisco, dentro do prazo previsto na legislação, contudo, nos termos do art. 638 do Decreto nº Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10314.002359/200805 Acórdão n.º 3401005.131 S3C4T1 Fl. 410 10 6.759, de 2009, visa verificar aspectos de regularidade da operação, sejam tributários ou fiscais e também a exatidão das informações prestadas pelo contribuinte. Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. Neste caso, o processo de revisão não constatou, à luz dos seus objetivos, nos termos do art. 638 do Decreto nº 6.759, de 2009, inexatidão das informações prestadas pelo importador e irregularidades nas operações de importação, apenas encontrando algumas deficiências de qualidade de informação no campo descrição das mercadorias, logo concluo que a auditoria não conseguiu provar objetivamente que, à luz do previsto nos §1º e 2º do art. 69 da Lei nº 10.8323, de 2003, as informações sobre as mercadorias, prestadas pelo contribuinte para os despachos relacionados neste auto tenha sido prestadas de forma incompleta ou inexata , logo, não comprovou a conduta infracional identificada como realizada pela autuada" (seleção e grifos nossos). 26. Entendeu a decisão objurgada que os produtos classificados nas NCM nº 8501.10.19 e 8501.10.11 estariam corretos, com informações em suficiência para a sua classificação, mas que, com relação aos demais produtos, compreendidos nas NCM nº (i) 9032.89.29, (ii) 8708.29.99, (iii) 8501.10.19, e (iv) 4811.60.90 as informações teriam sido apresentadas de maneira muito resumida ou genérica. 27. Quanto aos produtos importados sob o (i) Código NCM nº 9032.89.29, a descrição se reserva a apontar para um seriado de siglas e abreviaturas, o que dificulta ou mesmo impossibilita a classificação fiscal da mercadoria: Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10314.002359/200805 Acórdão n.º 3401005.131 S3C4T1 Fl. 411 11 28. Quanto aos produtos importados sob o (ii) Código NCM nº 8708.29.99, a descrição é insuficiente, pois com ela não é possível identificar sequer se o item é utilizado em veículos: 29. Quanto aos produtos importados sob o (iii) Código NCM nº 8501.10.19: a descrição é suficiente, pois a nomenclatura não exige, portanto, uma potência específica abaixo de 37,5W, mas simplesmente que a potência seja inferior a este limite, o que foi efetivamente declarado pela contribuinte; Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10314.002359/200805 Acórdão n.º 3401005.131 S3C4T1 Fl. 412 12 30. Quanto aos produtos importados sob o (iv) Código NCM nº 4811.60.90, a descrição não descreve o tratamento dado ao papel, o que dificulta ou mesmo impossibilita a classificação fiscal da mercadoria: Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10314.002359/200805 Acórdão n.º 3401005.131 S3C4T1 Fl. 413 13 31. Conheço, portanto, do recurso voluntário e voto pela sua procedência neste particular para afastar a multa por inexistência da conduta infracional tipificada nos §§ 1º e 2º do art. 69 da Lei nº 10.8323, de 2003, exceto no caso das seguintes classificações, cuja insuficiência na descrição dificulta ou mesmo impossibilita a classificação fiscal da mercadoria: (i) Código NCM nº 9032.89.29, pois a descrição se reserva a apontar para um seriado de siglas e abreviaturas; (ii) Código NCM nº 8708.29.99, pois com a descrição realizada não é possível identificar sequer se o item é utilizado em veículos; e (iv) Código NCM nº 4811.60.90, pois não descreve o tratamento dado ao papel. Assim, conheço parcialmente do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, dou provimento parcial para afastar a multa aplicada sobre as DI que se referem a produtos importados sob o código NCM/SH nº 8501.10.19. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 413DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720685/2011-56
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS.
Provas incontestáveis dos pressupostos a dedução.
Numero da decisão: 2002-000.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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Provas incontestáveis dos pressupostos a dedução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 06 85 /2 01 1- 56 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.720685/201156 Acórdão n.º 2002000.244 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls.41/48) contra decisão de primeira instância (fls.31/34), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 24/28), referente ao exercício 2009, ano calendário 2008, que alterou o imposto a restituir apurado pela contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual de R$ 6.034,22 para R$ 2.156,72. O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pela contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2009, anocalendário 2008. Valor: R$ 14.100,00. Motivo da glosa: Não há nos recibos apresentados a identificação do nome do paciente e não há comprovação do efetivo pagamento. A ciência do lançamento ocorreu em 25/03/2011 (fls. anexar) e, em 08/04/2011, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 02, acompanhada de documentos, afirmando que anexa declaração da profissional Meiri Teresani, informando o seu nome como paciente e que os pagamentos foram efetuados variavelmente com cheques transferência bancárias e dinheiro. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.720685/201156 Acórdão n.º 2002000.244 S2C0T2 Fl. 4 3 A contribuinte foi cientificada em 22/04/2014 (fl.37); Recurso Voluntário postado em 20/05/2014 (fl.67/68), assinado por procurador legalmente constituído (fl.49). A recorrente foi acusada por, Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas, tendo ocorrido a glosa. A razão que motivou a glosa foi o fato, de ausência de identificação da recorrente, assim como ausência de prova de efetivo pagamento. Para este relator a declaração de fl.11 dos autos, é prova suficiente, que a recorrente agiu dentro da legalidade, eis que a profissional, declara ter recebido os valores lançados, bem como seus préstimos profissionais, foram efetuados com a recorrente. Pois bem, a r.decisão primeira não considerou a declaração julgando pela improcedência da impugnação. Não obstante o ocorrido, a recorrente juntou com o Recurso Voluntário, cópia de todos os cheques, que fez à profissional de saúde, legitimando seu direito de lançar o numerário no título de Despesas Médicas. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito, dáse provimento para cancelar a ação fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13891.000281/2009-00
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
EMENTA. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. LC nº 123/2006, art. 29, VII.
A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1003-000.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. LC nº 123/2006, art. 29, VII. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 00 02 81 /2 00 9- 00 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13891.000281/200900 Acórdão n.º 1003000.002 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário, cuja juntada foi requerida em 10/04/2012, contra o Acórdão nº 0124.347 da 2ª Turma da DRJ/BEL que manteve a exclusão do contribuinte em epígrafe do Simples Nacional, com base nos arts. 3º e 29, inciso VII e § 1°, da Lei Complementar n. 123/2006, com efeitos a partir de 01/08/2009. Em 21/08/2009, foi lavrado Auto de infração de nº 10813.000727/200922 pela DRF de Ribeirão Preto em razão de recebimento pela DRF de Araraquara do Ofício n° 1118/2009 DPF/AQA/SP, datado de 17/06/2009, enviado pelo Primeiro Distrito Policial de Porto Ferreira (Polícia Civil de São Paulo), noticiando a apreensão de mercadorias (33 maços de cigarros) de origem estrangeira sem a comprovação de regularidade de entrada dos produtos no Brasil Inconformado com a exclusão, da qual foi cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 02/02/2010. A DRJ Belém, através do Acórdão 0122.332, de 15 de julho de 2011, anulou o Ato Declaratório Executivo por vício formal. Em razão disso, a Unidade de origem formulou nova decisão, o Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 152, de 08 de dezembro de 2011, que excluiu a empresa contribuinte do Simples Nacional, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, com efeito a partir de 01/08/2009. Cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada pelo Acórdão nº 0124.347 da 2ª Turma da DRJ/BEL, mantendo a exclusão. Inconformada com a manutenção da decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário requerendo a reconsideração da decisão com base nos argumentos ventilados no decorrer do processo. É o relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, visto que atende o prazo regulamentar estabelecido pelo Decreto 70.235/1972, art. 33. No caso em apreço, o contribuinte não negou os fatos descritos no Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 152, de 08 de dezembro de 2011, tendo, inclusive, arguido que os produtos encontrados seriam para consumo próprio. Contudo, tal alegação não restou comprovada nos autos, a qual não voltou a ser declarada em manifestações posteriores do contribuinte. Fundamenta seu recurso voluntário, unicamente, na dificuldade que teria em manter o negócio se for excluído do Simples Nacional. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13891.000281/200900 Acórdão n.º 1003000.002 S1C0T3 Fl. 4 3 Ademais, a impetrante não apresentou qualquer indício de prova de que os cigarros apreendidos não tivessem a origem indicada no auto de infração, vale dizer, de que não tenham sido introduzidos irregularmente no país. No caso concreto, é incontroverso que o contribuinte contrariou o disposto no art. 29, VII, da LC nº 123/2006, que veda a comercialização de produtos associados ao contrabando e ao descaminho, portanto não há falar em ilegalidade na exclusão de ofício do Simples Nacional. De outro lado, quanto ao termo inicial da exclusão, agiu bem a autoridade impetrada ao fixar os efeitos da exclusão a contar de 1º/08/2009, em conformidade com o disposto no art. 29, § 1º, da LC nº 123/2006. Isto posto, conheço do recurso e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 86DF CARF MF
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