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Numero do processo: 10830.003186/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração, 01/03/2003 a 31/03/2004
Ementa:
BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO. TRAFEGO MÚTUO.
É incabível a exclusão da base de cálculo da Cofins dos valores pagos a terceiros em razão da operação denominada "tráfego mútuo", que consiste na permissão do transporte ferroviário que ultrapasse os limites da malha própria.
BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE EMPREGADOS.
As receitas decorrentes da da cessão de empregados, de forma onerosa, a terceiros por força de concessão para exploração de malha ferroviária compõem a base de cálculo da Cofins, assim como os valores decorrentes.
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. SUBCONCESSÕES
As subconcessões para exploração e desenvolvimento de trechos da malha ferroviária na prestação de serviço de transporte ferroviário de cargas caracterizam transferências de direito e sobre a receita proveniente dessas transferências não incidem a contribuição para o PIS e a Cofins, no período em que a cobrança dessas contribuições estava regida pela Lei n° 9.718, de 1998.
NÃO- CUMULATIVIDADE.. CRÉDITOS. CONDIÇÕES.
A apuração de créditos na sistemática não-cumulativa de apuração está condicionada ao seu envolvimento no processo produtivo da sociedade. Uma vez comprovado a participação no processo produtivo, é devido o creditamento.
Numero da decisão: 3402-001.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente aos juros de mora sobre a multa de ofício, em virtude da preclusão. Na parte conhecida, em negar provimento, pelo voto de qualidade, em relação ao tráfico mútuo e a locação de mão de obra. Vencidos JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR e FRANCISCO MAURICIO RABELO de ALBUQUERQUE SILVA que davam provimento e FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA em relação ao tráfego mútuo dava provimento e em relação à locação de mão de obra considerava que tais valores não integram o faturamento nos termos da Lei n º 9718/98. Por maioria de votos, em dar provimento parcial para afastar a tributação sobre as receitas provenientes das subconcessões no período da vigência da lei nº 9718/98. Vencidos GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA que negavam provimento. Por unanimidade de votos, em dar provimento para reconhecer o direito ao crédito de arrendamento de bens e equipamentos. Por unanimidade de votos, em negar provimento quanto à espontaneidade. Designada conselheira SILVIA DE BRITO OLIVEIRA pra redigir o voto vencedor quanto à matéria de subconcessões.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Redatora Designada
EDITADO EM: 01/08/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. O Presidente Substituto da Turma assina o presente acórdão em face da impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração, 01/03/2003 a 31/03/2004 Ementa: BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO. TRAFEGO MÚTUO. É incabível a exclusão da base de cálculo da Cofins dos valores pagos a terceiros em razão da operação denominada "tráfego mútuo", que consiste na permissão do transporte ferroviário que ultrapasse os limites da malha própria. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE EMPREGADOS. As receitas decorrentes da da cessão de empregados, de forma onerosa, a terceiros por força de concessão para exploração de malha ferroviária compõem a base de cálculo da Cofins, assim como os valores decorrentes. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. SUBCONCESSÕES As subconcessões para exploração e desenvolvimento de trechos da malha ferroviária na prestação de serviço de transporte ferroviário de cargas caracterizam transferências de direito e sobre a receita proveniente dessas transferências não incidem a contribuição para o PIS e a Cofins, no período em que a cobrança dessas contribuições estava regida pela Lei n° 9.718, de 1998. NÃO- CUMULATIVIDADE.. CRÉDITOS. CONDIÇÕES. A apuração de créditos na sistemática não-cumulativa de apuração está condicionada ao seu envolvimento no processo produtivo da sociedade. Uma vez comprovado a participação no processo produtivo, é devido o creditamento.
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Recorrida DRJ CAMPINAS (SP) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração, 01/03/2003 a 31/03/2004 Ementa: BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO. TRAFEGO MÚTUO. É incabível a exclusão da base de cálculo da Cofins dos valores pagos a terceiros em razão da operação denominada "tráfego mútuo", que consiste na permissão do transporte ferroviário que ultrapasse os limites da malha própria. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE EMPREGADOS. As receitas decorrentes da da cessão de empregados, de forma onerosa, a terceiros por força de concessão para exploração de malha ferroviária compõem a base de cálculo da Cofins, assim como os valores decorrentes. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. SUBCONCESSÕES As subconcessões para exploração e desenvolvimento de trechos da malha ferroviária na prestação de serviço de transporte ferroviário de cargas caracterizam transferências de direito e sobre a receita proveniente dessas transferências não incidem a contribuição para o PIS e a Cofins, no período em que a cobrança dessas contribuições estava regida pela Lei n° 9.718, de 1998. NÃO CUMULATIVIDADE.. CRÉDITOS. CONDIÇÕES. A apuração de créditos na sistemática nãocumulativa de apuração está condicionada ao seu envolvimento no processo produtivo da sociedade. Uma vez comprovado a participação no processo produtivo, é devido o creditamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 31 86 /2 00 7- 14 Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 205 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente aos juros de mora sobre a multa de ofício, em virtude da preclusão. Na parte conhecida, em negar provimento, pelo voto de qualidade, em relação ao tráfico mútuo e a locação de mão de obra. Vencidos JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR e FRANCISCO MAURICIO RABELO de ALBUQUERQUE SILVA que davam provimento e FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA em relação ao tráfego mútuo dava provimento e em relação à locação de mão de obra considerava que tais valores não integram o faturamento nos termos da Lei n º 9718/98. Por maioria de votos, em dar provimento parcial para afastar a tributação sobre as receitas provenientes das subconcessões no período da vigência da lei nº 9718/98. Vencidos GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA que negavam provimento. Por unanimidade de votos, em dar provimento para reconhecer o direito ao crédito de arrendamento de bens e equipamentos. Por unanimidade de votos, em negar provimento quanto à espontaneidade. Designada conselheira SILVIA DE BRITO OLIVEIRA pra redigir o voto vencedor quanto à matéria de subconcessões. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto (assinado digitalmente) SILVIA DE BRITO OLIVEIRA – Redatora Designada EDITADO EM: 01/08/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. O Presidente Substituto da Turma assina o presente acórdão em face da impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Tratase de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e da contribuição para o Programa de Integração SocialPIS,. fls. 798/860, que Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 206 3 constituíram o crédito tributário total de R$ 44.381.626,80, somados o principal, multa de oficio agravada e juros de mora calculados até 30/04/2007. Após relatar o andamento do procedimento de auditoria, a autoridade fiscal assim descreve as infrações imputadas à contribuinte: 001 — Cofins — Exclusões Indevidas da Base de Cálculo — Despesas com tráfego mútuo 58. A origem da presente infração tem como fundamento interpretação equivocada da fiscalizada em relação a legislação que versa sobre a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), na prestação desses serviços quando necessária a utilização de linhas férreas de terceiros para concretizar o transporte de cargas da origem até o destino contratado. 59. A fiscalizada expõe que de acordo com o disposto no art. 6° do Decreto 1.832/96, que Regulamenta o Transporte Ferroviário: "As Administrações Ferroviárias são obrigadas a operar em tráfego mútuo ou, no caso de sua impossibilidade, permitir o direito de passagem a outras operadoras". 60. A Resolução n° 44, da Agência Nacional de Transportes Terrestres — ANTT assim define o termo "tráfego mútuo": "é a modalidade de operação que se dá em decorrência de contrato firmado entre as concessionárias, para permitir o transporte ferroviário que ultrapasse os limites geográficos de uma malha". 61. O modelo de funcionamento das ferrovias no Brasil impõe a existência de tráfego mútuo, determinando, através do ajuste SINIEF n° 19/89 (Legislação do ICMS) a emissão de um único despacho de Cargas quer para o tráfego próprio (em linhas férreas de propriedade da concedente) quer para o tráfego mútuo. 62. É emitida, em decorrência do transporte de cargas, uma única Nota Fiscal (refletindo o faturamento) pela empresa responsável pela contratação do transporte da carga de sua origem até o seu destino, a qual é regularmente fornecida ao contratante dos serviços. 63. Cabe acrescentar, que esse faturamento comporá as receitas da empresa de transporte contratada, que poderá estar na origem, nos trechos intermediários pelo qual a carga transitará ou mesmo no trecho final, no qual ela será entregue. 64. Podese dizer que a prestação de serviço de transporte ferroviário de cargas pressupõe a existência do tráfego mútuo, considerando a necessidade de otimizar a infraestrutura existente, visando a permitir o amplo trânsito de cargas entre as diversas malhas férreas. Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 207 4 65. Decorrente disso, no caso concreto da fiscalizada, a prestação de serviços de transporte de cargas contratadas por outras empresas: FSA (ALL), MRS Logística, Ferrovia Novoeste, Ferrovia Centro Atlântica (FCA), CVRD e CFN (Nordeste) transitam pelas malhas férreas concedidas à fiscalizada sob a modalidade "tráfego mútuo" e este trânsito gera receitas operacionais de exploração desses trechos para a fiscalizada. 66. Por outro lado, cargas de responsabilidade da fiscalizada também transitam pelas malhas férreas de outras concessionárias, fazendo com que a fiscalizada tenha que arcar com custos a titulo de "trafego mútuo" para concretizar os serviços contratados por seus clientes. 67. Assim sendo, embora o contratante do transporte de cargas pague um único preço pelo serviço, muitas vezes a fiscalizada é obrigada a arcar com custos adicionais pela passagem dessas cargas pelas malhas férreas de responsabilidade de outras concessionárias, com a finalidade de completar o serviço contratado, levando a carga da origem a seu destino. 68. A exclusão dos valores abaixo das bases de cálculo da Cofins na modalidade cumulativa, para o período de 01/2003 a 01/2004 (inclusive), fere o regime de tributação dessa contribuição que define que a receita é tributada nas empresas de maneira cumulativa, não podendo ser utilizado o valor pago em uma prestação de serviços para abater o devido nas fases subseqüentes. 69. O fundamento legal para o lançamento da presente infração cingese a identificação do alcance do conceito de receita de serviços para fins de incidência da Cofins. A base de cálculo das contribuições para a Cofins, durante o período citado, não se restringe a receita decorrente de remuneração pela participação direta da fiscalizada na prestação do serviço de transporte de cargas, mas vai além, açambarcando toda a receita decorrente do faturamento pela venda do serviço de transporte de cargas de sua origem até seu destino, além de outras receitas operacionais, por ventura, auferidas pela fiscalizada. 70. As pessoas jurídicas de direito privado estão obrigadas a efetuarem os recolhimentos da contribuição para a Cofins, calculados com base no faturamento (receita bruta) mensal, depois de efetuadas as exclusões e deduções legalmente admitidas. Essa regra decorre das disposições contidas nos arts. 2° e 3º da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001 (...) [segue a transcrição da legislação citada] 72. Como se vê, o pagamento efetuado pelas concessionárias de serviços de transporte de cargas por malhas ferroviárias a outras congêneres a titulo de "trafego mútuo", não está relacionado entre as hipóteses admitidas de exclusões e Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 208 5 deduções da base de cálculo da Cofins a alíquota de 3% (três por cento). 73. Sobre esse tema, vale lembrar que o conteúdo, sentido e alcance dos termos "receita" e "faturamento" já foram objeto de exaustivos debates tanto na doutrina como na jurisprudência. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal, desde antes da Emenda 20/98, já vinha adotando, para efeitos fiscais, o conceito de faturamento como idêntico ao da receita bruta (cf a titulo ilustrativo o Acórdão do RE 150.7551 e da ADC 1). 74. A Corte Constitucional, ao interpretar o texto do art. 195, I, da Carta Política, entende faturamento ou receita bruta como o conjunto de todas as receitas da empresa, englobando as operacionais e as não operacionais. Assim, a receita bruta é entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. 75. Esse posicionamento, aplicado a questão objeto da infração, implica inclusão dos valores faturados pela fiscalizada, mesmo que as cargas tenham transitado por malhas ferroviárias de empresa congênere durante prestação dos serviços. 76. Haverá incidência das contribuições por ocasião do faturamento da concessionária ao cliente, neste incluído o "trafego mútuo" devido a outra empresa que tenha participado do trânsito da carga. 77. A possibilidade de exclusão de receitas de serviços já faturadas está sob reserva da lei formal. Com efeito, qualquer redução de base de calculo deve observar os limites impostos pelo art. 150, § 6°, da Constituição Federal (..). 78. Assim sendo, deve ser ressaltado que, em matéria de exclusão e dedução da base de cálculo, a interpretação deve ser estrita, afastandose a possibilidade de uma interpretação que permita, por via de uma abordagem mais restritiva do conceito de receita bruta, excluir valores da base de calculo não expressamente autorizados por lei. 79. Logo, analisada a legislação transcrita que trata da matéria sob exame, chegase ao entendimento de que não há qualquer dispositivo legal que autorize as concessionárias prestadoras de serviços ao usuário demandante a excluir ou deduzir de seu faturamento (receita bruta) mensal, base de cálculo da contribuição para a Cofins, os valores pagos a outras concessionárias, pela "coparticipação" na prestação dos serviços. 80. Desta forma, concluise que o legislador entendeu que os valores pagos pela "coprestação de serviços", nada mais são que despesas/custos das concessionárias que prestam serviços para o usuário final, uma vez que se não fossem utilizados os serviços de outras concessionárias para a conclusão do serviço solicitado, a fiscalizada teria que possuir instalações próprias, Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 209 6 equipamentos, empregados, etc., nas diversas localidades para executar o serviço requerido pelo usuário do sistema, o que implicaria, sem dúvida alguma, para a operadora que atendeu o seu cliente, incorrer em novos custos e despesas próprios para a obtenção daquela mesma receita. () 82. Diante do exposto, temse que os valores abaixo, pagos pela fiscalizada, concessionária de serviço de transporte de cargas por malhas ferroviárias, a outras congêneres, a titulo de "tráfego mútuo", por serem considerados despesas/custos, não podem ser excluídos do faturamento (receita bruta) mensal, base de calculo da contribuição Cofins. 002 — Cofins — Outras Receitas Operacionais Não Computadas na Base de Cálculo, Decorrentes de Cessão de Empregados Próprios para Terceiros 83. A fiscalizada forneceu o serviço de empregados registrados a terceiros (empresas ALL e FCA) tendo reconhecido por essa cessão valores a titulo de "ressarcimento", os quais embora representem ingressos de receitas, foram registrados indevidamente em sua contabilidade como sendo redutores de suas despesas/custos. 84. Esse fornecimento de mãodeobra foi embasado em contratos particulares denominados "Acordos de Operação", segundo os quais a fiscalizada entregou as empresas ALL e FCA o direito de exploração de parte da Malha Ferroviária Paulista obtida através da licitação de que trata o Edital PND 02/98/RFFSA. Esses Acordos também estabeleciam em seu bojo a cessão onerosa de pessoal especializado para operar as referidas malhas cedidas. 85. Considerandose a definição de faturamento/receita bruta dos arts. 2º e 3º da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, procedemos aos ajustes das bases de cálculo da fiscalizada, adicionando os valores abaixo, registrados como "ressarcimentos", sobre os quais deveria ter sido recolhida a Cofins e o PIS. 003 — Cofins — Outras Receitas Operacionais Não Computadas na Base de Cálculo — Receitas Decorrentes de "Sub concessões" e "SubArrendamentos de Trechos Ferroviários a ALL e a FCA 86. Tendo se sagrado vencedora da licitação pública para a concessão de exploração e desenvolvimento do serviço público de transporte ferroviário de carga na Malha Paulista, nos termos do Edital n° PND/02/98/RFFSA, no âmbito do Programa Nacional de Desestatização, regido pela Lei n° 9.491/98, a Ferroban celebrou com a União Federal, por meio do Ministério dos Transportes, "Contrato de Concessão", firmado em 30 de dezembro de 1998. Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 210 7 87. A Ferroban tornouse, assim, titular do direito de exploração e desenvolvimento desse serviço público na malha ferroviária paulista. 88. A FCA e a ALL são, respectivamente, concessionárias do serviço de Transporte ferroviário de carga na Malha Centro Leste e Sul, áreas contíguas aquelas operadas pela Ferroban. 89. A Ferroban e a Ferrovia Sul Atlântico S.A., antecessora da ALL, celebraram um Acordo Operacional por meio do qual foi transferida a operação da Malha Paulista nos trechos compreendidos entre (i) Pinhalzinho (SP) e Iperó (SP) e (ii) Presidente Epitacio (SP) e Rubido Júnior (SP). 90. Com relação à Ferroban e FCA, firmouse um Acordo de Operação por meio do qual esta ficou responsável por prestar com exclusividade os serviços de operação ferroviária no trecho entre Araguari e Vale Fértil, posteriormente estendido a Boa Vista (Nova). 91. Assim, sendo, a Ferroban, ao lograr êxito em vencer a licitação para operação da malha ferroviária paulista, por interesse próprio e de suas parceiras ALL e FCA, celebrou contrato de "subconcessão" com as mesmas, através do qual a primeira cedia às duas outras a operação de trecho ferroviários, ficando a ALL e a FCA obrigadas ao pagamento regular de taxas denominadas de concessão e arrendamento por esses trechos. 92. A fiscalizada deixou de computar nas bases de cálculo do PIS e da Cofins os valores abaixo decorrentes de arrendamento e concessão, cobrados pela fiscalizada das empresas ALL (FSA) e FCA pela "subconcessão" de trechos ferroviários a ela atribuídos pela União Federal através de Contrato de Concessão (...). 93. Esses montantes, apontados em suas respostas datadas de 26/04/2006, 10/08/2006, 01/12/2006 e 04/04/2007 representaram ingressos de receitas para a fiscalizada e devem ser tributados pelo PIS e pela COFINS na forma da sua legislação de regência. 004 — COFINS — Diferença Apurada Entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago. 94. Durante o procedimento de verificações obrigatórias por amostragem foram efetuadas as conferências dos valores declarados pelo próprio contribuinte como decorrentes de seu faturamento e os valores constantes em seus livros e documentos contábeis e fiscais. 95. Foram constatadas divergências entre os montantes calculados com base nos faturamentos declarados pela empresa fiscalizada em suas respostas formais (...) e os valores efetivamente declarados por esta em DCTF e pagos mediante DARF. Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 211 8 96. No caso da apuração NÃO CUMULATIVA do PIS e da COFINS, foram concedidos à fiscalizada a totalidade dos créditos por esta pleiteados em DACON — Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (anoscalendário 2003 a 2005) e em sua resposta formal datada de 04/04/2007( ano calendário 2006). 97. Após a consideração das insuficiências geradas pelas infrações praticadas pelo contribuinte (vide Anexo VIII), restou constatado que houve também falta de recolhimento dos valores abaixo arrolados, decorrentes de insuficiência de declaração ou recolhimento da COFINS e do PIS incidentes sobre o faturamento regularmente declarado, conforme demonstrado nos Anexos VII e VIII. O lançamento referente à contribuição para o Programa de Integração SocialPIS tem os mesmos fundamentos do itens 02, 03 e 04 transcritos acima. Cientificado do lançamento em 04/06/2007, o sujeito passivo apresentou impugnação em 03/07/2007, fls. 910/943, alegando, em síntese: a) é inconstitucional o § 1°, do art. 3º da Lei no 9.718, de 1998. Assim, em relação à COFINS cumulativa permanece vigente o artigo 2º da Lei Complementar n° 70/91, o qual estabelece que faturamento é 'a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza'. O critério material do PIS e da COFINS, no regime da não cumulatividade, é auferir faturamento, o qual corresponde à receita bruta. É o que estabelecem respectivamente, os artigos 1° da Lei n° 10.637/2002 e 1° da Lei n° 10.833/2003; b) Receita é uma das espécies do gênero entradas ou ingressos de dinheiro, valores ou bens em determinado patrimônio. Disso resulta que a receita 'pressupõe a ocorrência de um ato ou fato jurídico de alteração do patrimônio liquido ou uma entrada que se incorpora ao patrimônio daquele que a aufere, como elemento novo, ao passo que o ingresso reflete apenas um fluxo neutro de recursos financeiros'; c) No âmbito das ferrovias é corriqueira a situação em que o transporte de carga utiliza a malha de mais de uma concessionária. Tal situação é disciplinada pelo Regulamento dos Transportes Ferroviários, aprovado pelo Decreto n° 1.832/96. Nas hipóteses de tráfego mútuo, cada concessionária presta o serviço de transporte no trecho que integra a sua concessão, utilizando equipamentos e pessoal próprio. Em outras palavras, no tráfego mútuo o transporte é realizado por diferentes prestadores. A ferrovia na qual tem inicio o transporte, por força de imposição regulamentar, emite um único documento, designado de Despacho de Cargas de Lotação — DCL, o qual ampara todo o transporte. Na seqüência, são emitidos (a) relação despachos e (b) a Nota Fiscal de Prestação de Serviços de Transporte — NFPST, modelo 7, na qual consta o valor total do frete. No caso de tráfego mútuo, o valor total do Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 212 9 frete, que consta da NFPST, engloba a remuneração de mais de uma concessionária. O valor total do frete é pago a concessionária que emitiu a NFPST, sendo que parte do referido valor é repassado as demais concessionárias que também prestaram o serviço. Na autuação, o agente fiscal, valendose de jurisprudência superada, entendeu que faturamento corresponde ao conjunto de todas as receitas (operacionais e não operacionais). Além disso, equivocouse o agente fiscal quando entendeu que constituem faturamento da FERROBAN os valores relativos ao tráfego mútuo devidos às outras concessionárias que participaram do transporte de carga. Conforme acima se viu, somente constitui receita e, portanto, faturamento o ingresso em dinheiro ou bens capazes de ocasionar uma alteração positiva no patrimônio liquido, sem reservas, condicionamentos ou correspondências no passivo. Ora, o próprio fiscal reconhece (item 76., fls. 814) que parte do frete recebido nos casos de tráfego mútuo destinase a remunerar as concessionárias responsáveis pela prestação do serviço nos trechos subseqüentes. Disso resulta que o referido valor não modifica positivamente o patrimônio liquido da impugnante, haja vista a existência de uma correspondência no passivo (repasse para as outras concessionárias), com o que não configura receita. Tratase, na verdade, de mero ingresso financeiro que apenas transita na contabilidade da FERROBAN por conta da imposição regulamentar de emissão de um único documento fiscal. Tais valores são cobrados por conta e em favor de terceiros — as concessionárias que operam os trechos subseqüentes — e, portanto, são receita destes, o que é expressamente reconhecido pela Norma de Procedimento Contábil (NPC) nº 14 emitida pelo Instituto Brasileiro dos Auditores Independentes (IBRACON). Tal fato também foi reconhecido pela SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL no Ato Declaratório n° 07/2000, que dispõe sobre procedimento semelhante ao tráfego mútuo nos serviços públicos de transporte urbano de passageiros. A exigência de COFINS da FERROBAN, utilizando como base de cálculo a remuneração dos serviços prestados pelas concessionárias que operam os trechos/subseqüentes importa em bis in idem, pois o mesmo serviço está sendo tributado duas vezes: a) pela FERROBAN que, em virtude da emissão do documento fiscal, recebeu e repassou os valores relativos ao tráfego mútuo; e b) pelas concessionárias que efetivamente prestaram o serviço nos trechos subseqüentes; d) DA CESSÃO DE EMPREGADOS. A impugnante não prestou nenhum serviço à ALL e à FCA. A ALL e a FCA exploram, respectivamente, as malhas ferroviárias Sul e CentroLeste, as quais são contíguas malha da FERROBAN. Por tal razão cedeu a elas a operação de certos trechos e ainda, equipamentos e pessoal. Cumpre ressaltar que tais acordos foram celebrados tendo por escopo posterior transferência definitiva de parte da concessão. Assim, em 13.01.2000 as concessionárias solicitaram ao órgão competente autorização para promover a cisão parcial da FERROBAN (fls. 140/154), a fim de que os referidos trechos Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 213 10 passem a integrar as malhas da ALL e da FCA. Após a autorização dos órgãos competentes, a FERROBAN transferiu os empregados inicialmente cedidos. Em relação a ALL tal providência ocorreu em 01.06.2001 e em relação à FCA em 01.12.2005, dados que podem ser verificados nos respectivos CAGED's — Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados. Portanto, no período abrangido pelo presente Auto de Infração não havia cessão de empregados para a ALL. No que diz respeito aos funcionários cedidos para a FCA, esta era responsável pelo pagamento dos salários e dos encargos sociais. Todavia, considerando que os contratos de trabalho foram firmados, previamente, pela FERROBAN (na data de assinatura dos Contratos de Concessão e Arrendamento entre FERROBAN e RFFSA — Rede Ferroviária Federal S.A.) e aguardavam autorização expressa da ANTT para a sua respectiva transferência para a FCA, o pagamento de tais empregados e seus encargos trabalhistas, até 30.11.2005, eram efetuados pela FERROBAN, a qual era reembolsada pela FCA. Com isso, ocorria tão somente um reembolso das despesas de responsabilidade da FCA e que, por falta de autorização prévia da ANTT, ainda estavam registrados na folha de pagamentos da FERROBAN. Tão logo foi obtida a referida autorização a FERROBAN e a FCA assinaram um Protocolo de Justificação da Operação de Cisão Parcial da FERROBAN (..) sendo que no Anexo 5, há a relação de empregados inicialmente alocados na FERROBAN e que prestavam serviços à FCA. A cessão de empregados não gera nenhuma receita para a Impugnante. Tanto é verdade que os valores relativos aos salários e encargos, os quais eram reembolsados pela FCA, não eram registrados como despesas. Tais valores foram contabilizados no Ativo como um direito a receber, sendo que por ocasião do reembolso promoviase a baixa do crédito e os recursos voltavam para o caixa. Ou seja, tratavase de fato permutativo, o qual não afetou o patrimônio. Disso resulta que os valores objeto de reembolso não são aptos a alterar positivamente o patrimônio liquido da impugnante, na medida em que há uma correspondência no passivo (pagamento de salários e encargos). Tratase, na verdade, de ingressos financeiros, os quais não integram a base de cálculo (receita) do PIS e da COFINS. Além disso, a jurisprudência pacificou o entendimento de que na intermediação de mãodeobra os valores destinados ao pagamento dos salários e encargos não integra o preço do serviço e, consequentemente, não constitui receita; e) DAS PARCELAS TRIMESTRAIS DEVIDAS A UNIÃO E A RFFSA (CONCESSÃO E ARRENDAMENTO) Novamente equivocouse a autoridade fiscal. Após vencer a licitação, a FERROBAN celebrou contrato de concessão (fls. 94/117), no qual foi ajustado o pagamento de parcelas trimestrais para o Poder Concedente. Também foi celebrado contrato de arrendamento de bens vinculados à prestação do serviço público (fls. 749/761), no qual foram previstos pagamentos trimestrais para a Rede Ferroviária Federal S/A — RFFSA. A FERROBAN cedeu a operação de parte da malha para a ALL e para a FCA Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 214 11 tendo por objetivo ulterior transferência definitiva de tais trechos, mediante cisão parcial. Tanto nos acordos de operação, como nos instrumentos de cisão, a ALL e a FCA assumiram a responsabilidade pelo pagamento de parcela dos valores devidos à União (pela concessão) e a RFFSA (pelo arrendamento). Conforme acima se disse, encontrase em trâmite na ANTT processo para alteração dos contratos de concessão e arrendamento. Enquanto o referido processo não for finalizado, a FERROBAN é obrigada, por força das regras contábeis, a registrar em seus livros os valores referentes ao percentual das parcelas trimestrais devidas pela ALL e pela FCA. A cessão dos trechos (..), da mesma forma que a cessão de funcionários, não gera nenhuma receita para a impugnante. O percentual das parcelas trimestrais devidas à União e à RFFSA pela ALL e pela FCA não é contabilizado com despesa pela impugnante. Tais valores são registrados no Ativo como direito a receber. Quando a ALL e a FCA promovem o pagamento diretamente à União e à RFFSA, ou repassam os valores para que a FERROBAN efetue tal pagamento, promovese a baixa do crédito (fato permutativo, o qual não afeta o patrimônio); f) Todavia, se esse não for o entendimento desta Delegacia de Julgamento, com o que desde já não se concorda, ainda assim a exação não merece prosperar. Os artigos 3º da Lei n° 10.637/2002 e 3º da Lei n° 10.833/2003 asseguram â impugnante o direito de deduzir do PIS e da COFINS não cumulativos as importâncias pagas à União e RFFSA. Considerando a cessão ocorrida, a FERROBAN contabilizou como despesa somente a parte (50,45%) das parcelas trimestrais por ela efetivamente paga. Assim, apenas o referido montante (50,45%) foi deduzido do PIS e da COFINS, conforme se verifica na DIPJ e na DACON (cópias nos anexos I e II). Ora, a partir do momento em que o fiscal entendeu que os valores pagos e/ou repassados pela ALL e pela FCA constituem receita da impugnante, a integralidade dos pagamentos efetuados à União e à RFFSA (e não apenas o percentual de 50,45%) passam a constituir despesa da FERROBAN e, consequentemente, devem ser deduzidos do PIS e da COFINS. Dessa forma, impõese a revisão do lançamento para efeito de ser deduzido do PIS (em todas as competências) e da COF1NS (a partir de fevereiro/2004), o valor total das parcelas trimestrais pagas à União e à RFFSA; g) quanto às insuficiências de recolhimento, verificadas da comparação entre DIPJ, DCTF e DACON equivocouse o agente fiscal. Na DCTF (fls. 16, 17, 18, 67, 68 e 69 do anexo I) foram informados os valores que a impugnante deveria recolher, já deduzidas as importâncias retidas na fonte informadas na DIPJ (fls. 163, 164, 165, 186, 187 e 188 do anexo I). Cofins devida (DIPJ) R$ 384.039,81 Retenção Fonte (DIPJ) R$ 39.826,10 Cofins a recolher (DIPJ) R$ 344.213,71 Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 215 12 Cofins a recolher (DCTF) R$ 344.213,71 Disso resulta que o agente fiscal desconsiderou as importâncias retidas na fonte, sendo os valores supostamente recolhidos a menor em 2004 na verdade correspondem às referidas retenções, com que improcedente o Auto de Infração. Já no que diz respeito ao ano calendário de 2006, a impugnante recolheu as diferenças apontadas no Auto de Infração, conforme comprovam os documentos ora anexados. Evidente que a impugnante recolheu espontaneamente o PIS e a COFINS devidos no exercício de 2006, razão pela qual faz jus aos benefícios previstos no artigo 138 do Código Tributário Nacional, com o que improcedente o Auto de Infração; h) O agente fiscal agravou a multa de oficio de 75% para 112,5%, sob o fundamento de que a impugnante deixou de prestar esclarecimentos. Conforme se verifica nos anexos I, IV, V, VI e VII, o Auto de Infração foi lavrado com base nos dados apresentados pela Impugnante. Disso resulta que a impugnante prestou as informações e entregou os documentos solicitados pela fiscalização, com o que não houve nenhum prejuízo à lavratura do Auto de Infração. Assim, a multa não pode ser agravada. Examinados os autos e confrontados os fundamentos do lançamento e os argumentos da impugnante nesta Delegacia de Julgamento, foi o julgamento transformado em diligência por meio da Resolução n° 1.850, da Primeira Turma de Julgamento, fls. 1.429/1.431. Diz o relator: O que se conclui da análise dos autos é que o auditor fiscal teria utilizado dois critérios diferentes quanto aos créditos de PIS e Cofins não cumulativos referentes à concessão. Primeiro, aceitou os valores informados pela impugnante na Dacon e na resposta datada de 04/04/2007, o que incluiria os créditos relativos a parcela de 50,45% do valor da concessão, paga por ela própria à União. Depois, tendo considerado como receita da autuada os valores pagos pelas 'subconcessionárias', não teria deduzido na apuração das contribuições devidas os créditos relativos a parcela de 49,55% da concessão, a qual, então, deve ser considerada como tendo sido paga também pela própria impugnante. Observese que o auditor fiscal não se referiu expressamente a essa questão na Descrição dos feitos, embora na resposta datada de 04/04/2007 (fls. 698/707) a contribuinte já houvesse se reportado a ela nos seguintes termos ( fls. 706): Se o valor que a ALL e a FCA pagaram em nome da Ferroban, fosse contabilizado em conta de receita, seria base de cálculo na Apuração do PIS x Cofins, como também seria base a conta de despesa, na composição dos créditos, pelo item Aluguel — Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 216 13 Arrendamento, previsto no Inciso IV, art. 3°, da lei 10.637, anularia assim o mesmo valor. Em face do exposto, proponho o retorno do presente processo a DRF de origem para que o auditor fiscal esclareça o procedimento adotado no que tange aos créditos do PIS e da COFINS não cumulativos relativos a parcela paga referente a 49,55% da concessão e para que apure o total desses créditos não considerados e sua repercussão no lançamento de oficio. A autoridade responsável levou a efeito os procedimentos de diligência e relatou os resultados na Informação Fiscal n° 129/2009/043, 1.571/1.584, e assim concluiu: Não foram encontrados na legislação de regência fundamentos legais embasadores para conceder a empresa diligenciada créditos ainda não concedidos na autuação relacionados ao PIS e a COFINS não cumulativos. Para fundamentar suas conclusões, expõe a autoridade: A FERROBAN tornouse, assim, titular intransferível do direito de exploração e desenvolvimento desse serviço público na malha ferroviária paulista. (...) (...) a FERROBAN (...), por interesse próprio e de suas parceiras ALL e FCA, celebrou contrato com as mesmas, através do qual a primeira cedia às duas outras a operação de trechos ferroviárias, ficando a ALL e a FCA obrigadas ao pagamento regular de taxas de arrendamento por esses trechos. (...) (...) considerandose como prova a escrituração contábil do contribuinte, ao efetuar a quantificação das bases de cálculo da Contribuição para o PIS e da COFINS, foram tomados os valores reconhecidos segundo o Principio da Competência, de acordo com seu registro contábil nas contas ativas de direitos e não o Regime de Caixa, que refletiria o recebimento dos valores de terceiros no momento em que foram recebidos. Os seguintes fatos, relacionados às taxas pagas pela concessão (..) foram considerados na autuação e devem ser sopesados na atribuição de novos créditos relativos ao PIS e a COFINS não cumulativos a autuada. O poder concedente de operação do transporte ferroviário é a União Federal, portanto, os valores a ela direcionados não geram direito a créditos com relação ao PIS e à COFINS apurados na forma da não cumulatividade devido à imunidade constitucional concedida ao beneficiário dessas verbas (inciso II do §2º do art. 3° da Lei 10.833, de 30/12/2003); Somente a União Federal pode efetuar a concessão do direito de operação do transporte ferroviário (..). Ou seja, à FERROBAN Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 217 14 não existe a possibilidade legal de subconceder o direito que a ela foi incumbido. Os valores cobrados pela FERROBAN da ALL e da FCA a título de concessão, em verdade caracterizamse como receitas de arrendamento e por isso devem integrar suas receitas. O arrendatário dos bens cedidos a FERROBAN para a consecução de suas atividades foi a Rede Ferroviária Federal S/A, empresa pública de economia mista extinta através do Art. 1° da Lei 11.483, de 31/05/2007. (...) Esse valor de arrendamento também foi cobrado pela FERROBAN da ALL e da FCA. Essa cobrança teve como fundamento a utilização de bens de responsabilidade da FERROBAN que estavam disponíveis à ALL e à FCA nos trechos que lhe foram cedidos e por isso integram as receitas de subarrendamento apurados para fins de lançamento; O conceito legal, entre aqueles previstos em lei para serem beneficiados com o crédito da Contribuição para o PIS e COFINS não cumulativos, que mais se aproxima da situação jurídica do arrendamento seria o de locação, definido no Art. 565 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002. No entanto, analisandose o Contrato de Arrendamento encartado nas folhas 749 a 761 (..), fica claro que o negócio jurídico que possibilitou à diligenciada utilizar todos os bens e direitos que eram de propriedade da RFFSA e anteriormente da FEPASA, representa muito mais que uma simples locação. Uma análise mais detida dos contratos de concessão e de arrendamento revela que foi transferida para a exploração da FERROBAN uma coisa infungível, pois única em existência (.). Levandose em consideração esses fatos arrolados acima, temos que a concessão de créditos do PIS e da COFINS não cumulativos relativamente ao arrendamento de bens do ativo operacional da empresa e dos elementos subjetivos intrínsecos a ele não se encontra expressamente previsto em lei. Conforme informado na confecção do Auto de Infração (folhas 880 e 884...), os critérios adotados (...) quanto à concessão de créditos relacionados ao PIS e à COFINS não cumulativos foram os seguintes: os valores de créditos (...) não foram objeto de auditoriafiscal, tendo sido concedidos plenamente os valores pleiteados pelo próprio contribuinte (...). A FERROBAN celebrou contrato de arrendamento com a Rede Ferroviária Federal S/A. Como se tratava de pagamento a ser feito pela FERROBAN a pessoa jurídica sujeita ao pagamento da Contribuição para o PIS e da COFI1VS, temse que a Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 218 15 FERROBAN teria direito ao crédito (...) proveniente de despesas decorrentes (...) Ressaltaremos a seguir alguns pontos que impedem a utilização dos créditos calculados sobre essas despesas pleiteadas por parte da empresa autuada. O cálculo de créditos (....) que levariam em conta as despesas de arrendamento obrigatórias pela vitória do Edital de Concessão não foram previstas na legislação de regência das referidas contribuições (...) com relação a despesas com arrendamento de bens e direitos operacionais da empresa não utilizados por estar em seus objetivos sociais. (...) através do Art. 8° da Lei n°11.483/2007, a partir de 22 de janeiro de 2007 os bens que geraram as despesas de arrendamento que deveriam ter sido pagas pela FERROBAN foram transferidos à União Federal, passando a integrar o patrimônio do Departamento Nacional de InfraEstrutura de Transportes — DNIT. Assim sendo, a sucessora para todos os efeitos da lei (...) é a União Federal, a qual não está sujeita ao recolhimento (...) conforme imunidade prevista constitucionalmente. As despesas pleiteadas pelo contribuinte foram depositadas judicialmente em atraso (...). Esse atraso gerou pesadas multas moratórias que não dão direito ao crédito (...), mas que foram incluídas para efeito de cálculos nos pleitos da empresa, principalmente no que concerne aos créditos gerados pelas despesas de arrendamentos derivadas da operação do próprio trecho ferroviário operado diretamente pela diligenciada. Vide documentos de folhas 762 a 779. Facultada à contribuinte a apresentação de novas razões acerca dos resultados da diligência, este o fez por meio do documento de fls. 1.592/1.606. Diz lá o sujeito passivo: a) celebrou contratos de concessão e de arrendamento, com a União e com a RFFSA, respectivamente, e a doutrina equipara arrendamento a locação. Disso, concluise que os pagamentos feitos a titulo de locação de bens constituem aluguéis, os quais geram créditos a serem deduzidos da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme inciso IV do artigo 3° das leis n° 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; b) os contratos de concessão e arrendamento são negócios jurídicos distintos. A concessão abrange a transferência de tecnologia de operação, dos projetos de engenharia, do plantel de clientes e da relação de fornecedores. O contrato de arrendamento tem por objeto única e exclusivamente a locação dos bens necessários para a prestação do serviço público. Cumpre ressaltar que os aluguéis que geraram os créditos ora pleiteados decorrem de trechos que integram o objeto social da impugnante, sendo que tais trechos foram operados por sua conta e responsabilidade. E tais aluguéis, por força do previsto Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 219 16 no contrato de arrendamento, também são de responsabilidade da impugnante; c) não está questionando o valor das parcelas do arrendamento, muito menos alega que estas não são devidas. Apenas e tão somente consignou os valores em juízo, haja vista a existência de uma série de reclamatórias trabalhistas ajuizadas contra a RFFSA; d) a extinção da RFFSA em 22.01.2007 não tem o condão de alterar a titularidade dos créditos de arrendamento que venceram até 31.12.2006; e) dos créditos apurados pela fiscalização no procedimento de diligência, concorda com uma parte e entende que outra deva ser desconsiderada por já ter sido incluída na determinação do crédito lançado no Auto de Infração. Assim encerra: Ante o exposto, reitera a impugnação de fls. 910 e seguintes, bem como requer que os créditos decorrentes do valor total das parcelas de arrendamento dos anos de 2003 a 2006 sejam deduzidos do PIS e da COFINS, nos termos do restou decidido por esta Colenda DRJ (Resolução n° 1850). A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas (SP) julgou procedente em parte a impugnação nos termos do Acórdão nº 0527888, cuja ementa abaixo reproduzo verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO. TRAFEGO MÚTUO. É incabível a exclusão da base de cálculo da Cofins dos valores pagos a terceiros em razão da operação denominada "tráfego mútuo", que consiste na permissão do transporte ferroviário que ultrapasse os limites da malha própria. BASE DE CÁLCULO. SUBCONCESSÃO. SUB ARRENDAMENTO. CESSÃO DE EMPREGADOS. As receitas decorrentes de subconcessão ou subarrendamento de direitos e obrigações por força de concessão para exploração de malha ferroviária compõem a base de cálculo da Cofins, assim como os valores decorrentes da cessão de empregados, de forma onerosa, a terceiros. CONTRIBUIÇÃO. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. CONDIÇÕES. A apuração de créditos na sistemática nãocumulativa de apuração está condicionada à expressa permissão legal e nos Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 220 17 seus estritos termos. O pagamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos somente gera créditos se os bens e equipamentos estiverem relacionadas diretamente às atividades da empresa. CONTRIBUIÇÃO. DIFERENÇAS EM DECLARAÇÕES. JUSTIFICAÇÃO. Demonstrado nos autos que as diferenças apuradas pela fiscalização decorreram de desconsideração de valores retidos na fonte e consignados em declarações entregues à Administração Tributária, afastase a infração imputada. MULTA. AGRAVAMENTO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. NÃO CARACTERIZADA. A dilação no atendimento das intimações para apresentação de documentos e esclarecimentos não serve de fundamento fático para o agravamento da multa por falta de atendimento, mormente nos casos em que a fiscalização concedeu várias prorrogações de prazo no curso da auditoria. O contribuinte não atendeu prontamente às intimações, mas o fez em momento posterior. Aplicase, pois, a multa de oficio nos patamares normais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO. TRAFEGO MÚTUO. É incabível a exclusão da base de cálculo da Cofins dos valores pagos a terceiros em razão da operação denominada "tráfego mútuo", que consiste na permissão do transporte ferroviário que ultrapasse os limites da malha própria. BASE DE CÁLCULO. SUBCONCESSÃO. SUB ARRENDAMENTO. CESSÃO DE EMPREGADOS. As receitas decorrentes de subconcessão ou subarrendamento de direitos e obrigações por força de concessão para exploração de malha ferroviária compõem a base de cálculo da Cofins, assim como os valores decorrentes da cessão de empregados, de forma onerosa, a terceiros. CONTRIBUIÇÃO. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. CONDIÇÕES. A apuração de créditos na sistemática nãocumulativa de apuração está condicionada à expressa permissão legal e nos seus estritos termos. O pagamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos somente gera créditos se os bens e equipamentos estiverem relacionadas diretamente às atividades da empresa. CONTRIBUIÇÃO. DIFERENÇAS EM DECLARAÇÕES. JUSTIFICAÇÃO. Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 221 18 Demonstrado nos autos que as diferenças apuradas pela fiscalização decorreram de desconsideração de valores retidos na fonte e consignados em declarações entregues à Administração Tributária, afastase a infração imputada. MULTA. AGRAVAMENTO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. NÃO CARACTERIZADA. A dilação no atendimento das intimações para apresentação de documentos e esclarecimentos não serve de fundamento fático para o agravamento da multa por falta de atendimento, mormente nos casos em que a fiscalização concedeu várias prorrogações de prazo no curso da auditoria. O contribuinte não atendeu prontamente às intimações, mas o fez em momento posterior. Aplicase, pois, a multa de oficio nos patamares normais.. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual repisa os argumentos utilizados na impugnação de que os valores relativos ao tráfego mútuo, ao reembolso dos salários e encargos dos funcionários cedidos e às parcelas trimestrais (concessão e arrendamento) repassadas pela ALL e pela FCA não constituem receitas, mas apenas ingressos financeiros. Sua petição recursal inova quanto as seguintes matérias: a) A insuficiência de recolhimentos do anocalendário de 2006: Alega que efetuou recolhimentos em 09/04/2007 quando já havia transcorrido mais de 60 dias da intimação feita em 14/11/2006, razão pela qual fica caracterizada hipótese de espontaneidade, em que não é possível a exigência de multa, nos termo do art. 138 do CTN. b) Impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício: Alega a ilegalidade e impossibilidade da multa de ofício ser atualizada pela taxa Selic. c) Créditos relativos ao arrendamento: Alega que além do contrato de concessão firmado com a União Federal, também celebrou contrato de arrendamento com a Rede Ferroviária Federal S/A (fls. 749/759), no qual foi ajustado (cláusula terceira) o pagamento de R$ 230.160.300,83 (duzentos e trinta milhões, cento e sessenta mil, trezentos reais e oitenta e três centavos). O contrato firmado com a RFFSA trata da locação de bens pelo prazo de 30 anos. Dessa forma, os pagamentos efetuados pela recorrente em decorrência de tal contrato constituem aluguéis, os quais geram créditos a serem deduzidos da base de cálculo do PIS e da COFINS não cumulativa, a teor do que estabelecem os artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Alega que o agente fiscal equivocouse ao tratar os contratos de concessão e de arrendamento como se fossem um único instrumento. Pelo contrato de concessão, firmado com a União Federal, foi outorgada, de maneira onerosa, a exploração do serviço público de transporte ferroviário de carga. Já o contrato de arrendamento tem por objeto única e exclusivamente a locação dos bens necessários para a prestação do serviço público. Nada mais. Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 222 19 Termina seu recurso voluntário requerendo o integral provimento, para fins de exonerar o contribuinte do pagamento dos tributos lançados. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, argumentando, em síntese, que: a) Os valores referentes ao tráfego mútuo, ao reembolso dos salários e encargos dos funcionários cedidos e às parcelas trimestrais (concessão e arrendamento) repassadas pela ALL e pela FCA não poderiam ser excluídos pelo contribuinte uma vez que se enquadram no conceito legal de receita conforme definição apresentada pelo próprio Recorrente uma vez que alteram de forma positiva o patrimônio da empresa; b) Em nenhum momento o procedimento de fiscalização quedouse inerte, motivo pelo qual não há que se falar em reaquisição de espontaneidade como pretende a recorrente; e c) Por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão se não a de que o crédito tributário engloba o tributo e a multa. Logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa deve incidir juros, como determina o § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional. A turma da DRJ recorreu de ofício ao CARF em virtude de ter diminuído o percentual da multa de 112,5% para 75%, por não vislumbrar a presença do tipo permissivo para o agravamento previsto no § 2º, I, do art.44 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício apresenta todos os requisitos de admissibilidade, sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A matéria devolvida pela delegacia de Julgamento a este Colegiado trata exclusivamente da aplicação do agravamento previsto no § 2º, I, do art.44 da Lei n° 9.430/96. Entendo que o tipo previsto na dicção acima mencionada caracterizase como um ilícito de mera conduta, sem a necessidade de um resultado naturalístico. Explico: nestes casos o legislador só descreve o comportamento a ser observado pelo indivíduo, no caso, prestar esclarecimentos ao fisco sempre que provocado, uma vez descumprida a regra, cabe o agravamento, independentemente de dano ao erário público. Fl. 2318DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 223 20 No caso dos autos, segundo voto da primeira instância, a autoridade fiscal não aponta que algo do conjunto solicitado não tenha sido entregue, ainda que após dilações de prazo. Ora, se o agravamento só é permitido para os casos em que o contribuinte não presta esclarecimentos quando provocado pelo fisco e o próprio fisco afirma que todas as intimações foram respondidas, mesmo que extemporaneamente, não cabe o agravamento proposto pela Autoridade Fiscal. Diante dessas circunstâncias, nego provimento ao recurso de ofício para manter a multa no percentual de 75%. RECURSO VOLUNTÁRIO A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade passo a analisar. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO O recorrente requer o afastamento dos juros de mora sobre a multa de ofício, sob o fundamento de falta de previsão legal. Sabemos que é na impugnação que surge a lide. Também não é surpresa que, pelo principio da congruência, é neste momento que se delimita a matéria a ser discutida, a famosa pretensão resistida. Para passarmos a análise de mérito da matéria delimitada no momento da impugnação, devese investigar se foi observado os requisitos mínimos impostos por lei, cuja ausência implica a pronta inadmissão da peça recursal, sem que se investigue ser procedente ou improcedente a própria irresignação veiculada no recurso. As atividades do julgador direcionadas para aferição da presença desses pressupostos recebem o nome de juízo de admissibilidade. Esse juízo antecede lógica e cronologicamente um outro subseqüente juízo, qual seja o juízo de mérito, no qual é analisada a pretensão recursal. O professor Barbosa Moreira observa que a questão relativa à admissibilidade é, sempre e necessariamente, preliminar à questão de mérito. A apreciação desta fica excluída se àquela se responde em sentido negativo. Os requisitos viabilizadores do exame do mérito recursal são divididos pelo professor Barbosa Moreira em duas categorias: “requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer) e requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercêlo)”. Alinhamse no primeiro grupo o cabimento, a legitimidade para recorrer, o interesse recursal e a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. O segundo grupo é composto pela tempestividade, a regularidade formal e o preparo. Temos a consciência de que nem todos os requisitos de admissibilidade devem ser observados no âmbito do processo administrativo. Contudo, ao examinar a possibilidade de seguimento do recurso, o julgador administrativo deve estar atento para alguns dos requisitos, a saber: o interesse recursal, a legitimidade, a inexistência de fato impeditivo ou Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 224 21 extintivo do poder de recorrer, a regularidade formal e a tempestividade. Atendidos todos eles, fica permitida a análise do meritum causae. Retornando aos autos, identifico que o recorrente traz essa matéria apenas nesta fase processual. Na impugnação, momento que inaugura o litígio e delimita as matérias que serão debatidas nas instâncias administrativas, o recorrente não trouxe a baila este ponto. Logo, não houve apreciação pela primeira instância e, por consequência, não houve sucumbência por parte do sujeito passivo, condição imprescindível para a existência do interesse recursal. Posta assim a questão, como não há uma única menção sobre a impossibilidade de aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, sintome obrigado a não conhecer desta matéria em vista da falta de interesse recursal. Quanto às demais matérias, identifico os pressupostos de admissibilidade de forma que tomo conhecimento e passo à análise. RECEITA O recorrente colima excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores referentes às receitas com tráfego mútuo, com a cessão de empregados próprios para terceiros e com as subconcessões e subarrrendamento, sob o pretexto de se caracterizam como ingressos financeiros e não como receitas. Esse tema já foi enfrentado pela antiga Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuinte, cujo brilhante voto foi ratificado pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 930301714, de 07 de novembro de 2011, tendo como recorrente a própria Ferroban. Por essas razões, peço vênia ao Conselheiro Julio César Alves Ramos para reproduzir suas razões de decidir e utilizálas para fundamentar meu voto, verbis: RECEITA de TRÁFEGO MÚTUO Das disposições estatutárias da autuada vêse que ela realiza a prestação do serviço de transporte ferroviário de cargas em trechos da malha paulista mediante concessão do poder público e utilizando o material rodante e as estradas de ferro de propriedade da RFFSA que lhe foram arrendadas. Essa prestação, que implica levar uma determinada carga entre dois pontos A e C, desdobrase por sua vez, em pelo menos três atividades normalmente realizadas em conjunto pela própria concessionária, mas que podem ser desmembradas. A primeira consiste nas operações de carga, descarga e transbordo, que podem ser terceirizadas. A segunda, que constitui o núcleo mesmo do serviço é a operação efetiva da composição — locomotiva e vagões — com a carga entregue pelo cliente, e o terceiro, associado ao anterior, é a utilização das estradas de ferro que ligam A a C. A obrigação da prestadora envolve todo o trajeto contratado, pelo que ela é remunerada de forma única e em montante que cubra as três operações nele implicadas, ainda que em sua Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 225 22 execução conte com a interveniência de terceiros por ela contratados. E assim ocorre na figura aqui discutida. De fato, não possuindo a operadora determinados trechos de estrada de ferro entre os pontos A e C contratados vêse obrigada a contratar a outra operadora a passagem de suas composições por aquelas estradas de ferro. Obviamente, tem de remunerar a outra concessionária por isso. Em contrapartida, vêse também obrigada a permitir que composições de outras concessionárias façam o mesmo pelas suas, o que gera pagamentos e recebimentos. Entende a concessionária que somente é receita sua a parcela do preço do serviço que remunera a passagem pelos seus trilhos e o valor que recebe de outras concessionárias a esse título. A parcela "transferida" a outras concessionárias, que apenas "transita" pelo caixa da empresa não seria receita, nos termos das lições dos celebrados Aliomar Baleeiro e Ayres Barreto. Quando muito, se receita fossem, caberia a aplicação do comando do inciso III do § 2° do art 3° da Lei n° 9.718/98, como é hoje admitido em outras hipóteses de "transferência" de receitas. Não concordo com esse entendimento, como já tive oportunidade de expor em outras ocasiões. É que à hipótese não tem aplicação a lição dos eminentes professores citados. É que ambos, ao discutirem a diferença entre ingressos e receitas, enfatizam a necessidade de os valores ingressados serem da plena propriedade da entidade que os recebe. Costumase apegar à idéia de definitividade mencionada pelo primeiro como se apenas valores que nunca mais viessem a sair do patrimônio pudessem configurar receitas. Ora, se assim fosse nada seria, pois a toda receita corresponde um custo para sua obtenção. O que se agrega de forma definitiva ao patrimônio é o resultado líquido — receita menos custos e despesas — de cada operação. Portanto, o que os doutrinadores estão a dizer é que não se pode considerar receita tudo aquilo que ingressa no caixa da empresa. Pois aí também ingressam valores que são de terceiros. E exatamente por serem deles, por eles podem ser e serão exigidos. Estes, que constituem os passivos da entidade, vinculamse, sempre, à obrigação de devolução, mais ou menos remota, a quem os disponibilizou à entidade ou os pôs sob sua guarda. Não se incluem ai quaisquer parcelas que integrem o preço cobrado para a prestação do serviço, mesmo que, desde o inicio, a prestadora já saiba que deverá "repassar" a terceiro. E mesmo que seja um tributo, como é o ICMS. Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 226 23 Logo se vê que é esse o caso da receita em discussão. O valor integral recebido pela empresa em virtude do contrato firmado com o cliente remuneraa pela prestação contratada. Por outro lado, para prestálo tem de assumir custos, entre os quais a contratação de pessoal para carga e descarga, maquinistas para operação das composições e o direito de passagem dos seus trens pelas estradas de ferro de terceiros. A natureza configuradora do custo está na contratação feita entre a empresa prestadora do serviço e a possuidora da linha. Não há qualquer vínculo entre o cliente da contratante e a outra concessionária. Por isso, a analogia adequada não é com o caso abaixo, mas sim com os valores pagos, a título de pedágio e semelhantes, pelas transportadoras por rodovia: embora elas incluam no seu preço o que sabem terão de pagar às concessionárias das estradas ou balsas etc, não deixa de ser esse valor receita sua e o repasse custo seu. Por isso mesmo, sendo, como são, custos, não se pode sequer cogitar de dar aplicação ao comando do inciso III do § 2° do art 3° da Lei n° 9.718/98 que cuida de "receitas transferidas", ainda que se considerasse o aplicável mesmo sem a regulação que ele próprio previu. Como já disse em outras oportunidades', não existe na ciência contábil o conceito de "transferência de receitas", mas da experiência prática podese tentar inferir que o legislador tenha querido se referir às hipóteses em que dada entidade seja obrigada a arrecadar determinada receita para repassála a quem nenhum serviço lhe prestou. Exemplo disso é o caso do transporte coletivo municipal em que se prevê um "fundo de compensação tarifária" para ressarcir empresas obrigadas a operar a preço inferior ao devido. Nesses casos, para equalizar a tarifa, as empresas que recebem mais do que deveriam, são obrigadas a repassar a diferença — legalmente definida — para as que operam abaixo do "custo". Nesses casos, obviamente, nenhum vínculo prestacional se estabelece entre a repassante e a recebedora. A primeira, por disposição legal, recebe mais do que o seu "preço", excesso que é obrigada, por disposição do ente concedente, a repassar às deficitárias. Nesse último sentido, não socorre a autuada o fato de o "tráfego mútuo" ser uma obrigação legal. A regulamentação do setor ferroviário apenas impede que uma concessionária bloqueie a passagem por suas linhas férreas de trens de outras concessionárias. O que essa obrigação quer evitar, portanto, é o abuso do poder econômico oriundo do monopólio natural que é obtido com a construção da estrada. Evita, assim, que dado serviço não possa ser executado na forma que o cliente quer contratar. Mas não estabelece nenhuma obrigação de "repasse" àquele por algo que ele não prestou. A analogia ficaria perfeita se a empresa contratada de fato somente realizasse o transporte até o ponto em que detém concessão, digamos um ponto B entre A e C. Daí, e até C, o transporte (as três operações acima indicadas) seriam realizadas pela outra concessionária. E, repitase, somente se Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 227 24 poderia excluir essa receita se admitisse desnecessária a regulamentação do dispositivo legal já mencionado. Sua necessidade, porém, decorre exatamente da falta de definição legal do que seja a transferência. O que está exposto acima é mera opinião quanto a um critério que poderia ser adotado numa eventual regulamentação. Mas nem de longe é isso o que ocorre. Há sim uma prestação de serviço por parte da segunda concessionária à primeira. Vale aduzir, porém, que ele não é um novo serviço de "transporte": envolve apenas a terceira das operações que o constituem. E por configurar receita da segunda concessionária deve também ser incluído na sua própria base de cálculo da contribuição. Em conseqüência, na primeira, também é receita o que ela recebe a título de tráfego mútuo. Em suma, o mesmo valor é tributado em duas empresas distintas. Isso, porém, longe de configurar bitributação, nada mais é do que a conseqüência da tributação cumulativa a que estiveram sujeitas as contribuições até o advento das Leis nº 10.637 e 10.833. Ela bem enfatiza o caráter injusto dessa forma de tributação, mas nada há a fazer se ela decorre da lei. Com essas considerações, acompanho integralmente o voto do acórdão recorrido quanto a essa matéria e voto por negar provimento ao recurso nesse ponto. DAS DEMAIS RECEITAS Os outros três pontos da autuação resumemse à definição de receitas. Socorrese, novamente, a empresa nas já contestadas afirmações de que seriam meros ingressos. Assim, porém, não penso e pelos mesmos motivos já acima apontados. Com efeito, celebrou com outras empresas contratos por meio dos quais repassoulhes o direito concedido pelo Poder Público. Por esse repasse recebe daquelas mensalmente valores que coincidem exatamente com os que ela por sua vez tem de repassar ao Poder concedente. Ora, a mera coincidência dos valores nada afeta sua natureza econômica e jurídica. Os recebidos são receitas porque acrescem o patrimônio da autuada, pois sobre eles não há nenhuma obrigação de devolução. Os que paga são parte dos seus custos de operação, decorrente da concessão obtida. Sobre os valores que as subconcessionárias lhe pagam, têm a natureza econômica de renda de monopólio, que decorre da concessão original a favor da autuada. Portanto, sem alongarme mais, reitero as argumentações já aqui aduzidas para afastar a doutrina citada pela recorrente e faço minhas as palavras do acórdão recorrido para votar pelo não provimento do recurso no que tange as receita de sub concessões. Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 228 25 E igual sorte hão de ter as "recuperações de despesas" originadas do repasse da mãodeobra operadora dos serviços repassados. E que há de se distinguir esse repasse do anterior, visto que a operação dos trechos transferidos não requeria a transferência também dos funcionários; poderia se dar por mão deobra das próprias subconcessionárias. No entanto, acordaram que continuaria a ser pelo quadro de pessoal da recorrente. Ora, nessa operação, o que há é uma cessão onerosa de mãodeobra, atividade que é própria de empresas de locação de mãodeobra. Também aqui o que se pretende é descaracterizar a natureza de receita dos valores pagos pelas "subconcessionárias" porque eles serão integralmente "repassados" aos empregados, ou seja, só constituiriam receitas valores que eventualmente superassem aqueles, e que no caso inexistem. Sobre isso já me manifestei em autuação sobre empresa de locação de mãodeobra temporária (EPT). Reproduzo pequeno trecho, tãosomente acrescendo que o fato de a cedente da mão deobra aqui não ter nisso sua principal atividade nada muda na coisa: “No período coberto pela autuação a COFINS era devida sobre a receita da prestação de serviços de pessoas jurídicas. O cerne da discussão é qual a receita de prestação de serviços da EPT. Para facilitar o entendimento, talvez seja útil especular o que fará a contratante com o trabalho que lhe foi disponibilizado. Admitamos, para começar, que ela o utilize para produzir alguma mercadoria de cuja venda obtenha uma receita. Esta será integralmente tributada pela COFINS, independentemente de quem pague os custos da mãodeobra, que não serão deduzidos em qualquer hipótese. Se, ao invés destes custos, ela recorrer a uma EPT, a esta caberão tais custos, e àquela os custos pelo serviço de seleção, treinamento e colocação prestado pela EPT. Certamente que estes últimos serão maiores, pois deverão incluir uma parcela de lucro da EPT. A contratação da EPT por conseguinte, transfere os custos da mãodeobra, necessários em qualquer caso, para outra empresa que não a tomadora do serviço. A contratante, por seu turno, arcará com o custo decorrente da contratação da EPT; custo para aquela, receita para esta. É certo que incluílos também na tributação da EPT constitui uma "tributação cumulativa", na medida em que já estarão embutidos no preço cobrado pela tomadora pelos seus bens. Não é menos certo, todavia, que é isto exatamente que constitui a natureza mesma da COFINS até o advento da sistemática da nãocumulatividade. E não se alegue que não são custos da EPT porque os trabalhadores estão cedidos, não prestando a ela os serviços. O contrato celebrado com os trabalhadores dá à EPT o direito de servirse do seu trabalho como melhor lhe aprouver: aprouve lhe cedêlos onerosamente a terceiros. Assim, a possibilidade de Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 229 26 apropriação dos resultados econômicos do trabalho, que caracteriza a natureza do trabalho assalariado nas economias capitalistas, consumase, para a EPT, com a cessão dele, da qual extrai a receita que a remunera. A natureza de custos resulta da obrigatoriedade de registrar os trabalhadores em seu nome, assumindo, ademais, todas as obrigações trabalhistas disto decorrentes, consoante expressa disposição da Lei (arts. 4°e 11 da Lei 6.019/74 e 8°e 17 a 20 do Decreto 73.891). É ela que terá de pagar aos trabalhadores, e é por causa dessa obrigação assumida que adquire o direito de cedêlos e cobrar por isso. A conclusão não muda se o trabalho temporário contratado for aplicado "improdutivamente", isto é, em alguma função não geradora de mercadoria. Neste caso, não haveria receita dele diretamente decorrente para tributar na contratante; com muito mais razão ainda, deva ser ela tributada na EPT. E para finalizar, repito que a denominação de "recuperação de despesas" nada muda, seja porque a própria Lei n° 9.718 já dispôs que a classificação contábil adotada para a receita não interfere na sua inclusão ou não na base de cálculo das contribuições — para isso bastando que sejam de fato receitas — seja porque a Lei n° 4.506/64 já considerava tais "recuperações"como integrantes da Receita Operacional Bruta das entidades, conforme seu art. 44 abaixo transcrito: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Com isso, voto por negar provimento ao recurso também quanto aos dois itens restantes da autuação. Agora digo eu. Como já mencionado, até janeiro de 2004 a recorrente recolheu a Cofins com base na Lei nº 9.718/98. Alega que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário n. 9 346.084/PR, declarou a inconstitucionalidade do art. § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, assim em relação a esses períodos de apuração aplicável é a Lei Complementar nº 70/91. Concordo com o recorrente, devemos aplicar o conceito de receita como sendo produto da venda de mercadorias ou prestação de serviço. Contudo, na linha do entendimento acima exposto, os valores referentes às receitas com tráfego mútuo, com a cessão de empregados próprios para terceiros e com as subconcessões e subarrrendamento são Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 230 27 oriundo da prestação de serviço da recorrente, devendo fazer parte da base de cálculo da Cofins. Ao entender que os valores acima descritos constituem receitas para a Lei Complementar nº 70/91, que restringe ao máximo o seu conceito, com mais certeza afirmo que todos os valores discutidos neste recurso estão enquadrados no conceito de receita previsto nos arts. 1º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, senão vejamos: Pela LC nº 70/91, o valor da Cofins incidirá sobre o faturamento, considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Já para os artigos que introduziram a nãocumulatividade do PIS e da Cofins, as exações tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil. Portanto, resta claro e evidente que sendo faturamento nos termos da LC nº 70/91, muito mais obvio que será para o regime nãocumulativo. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para afirmar que tanto no regime cumulativo como no regime nãocumulativo, os valores referentes às receitas com tráfego mútuo, com a cessão de empregados próprios para terceiros e com as subconcessões e subarrrendamento devem fazer parte da base de cálculo do PIS e da Cofins. CRÉDITOS PELO REGIME NÃOCUMULATIVO O recorrente alega que o agente fiscal equivocouse ao tratar os contratos de concessão e de arrendamento como se fossem um único instrumento. Pelo contrato de concessão, firmado com a União Federal, foi outorgada, de maneira onerosa, a exploração do serviço público de transporte ferroviário de carga. Já o contrato de arrendamento tem por objeto única e exclusivamente a locação dos bens necessários para a prestação do serviço público. Ou seja, afirma que não foram levados em conta os créditos referentes ao arrendamento dos bens utilizados para prestação de serviço. A matéria a ser enfrentada referese à interpretação das Leis que instituíram o PIS e a Cofins nãocumulativos. A celeuma que embasa a maior parte dos processos envolvendo o tema diz respeito ao alcance do termo “insumo” para fins de obtenção do valor do crédito das exações a serem compensadas/ressarcidas. O Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, no processo nº 16707002127/2005 65 de sua relatoria, enfrentou o tema com maestria, profundidade e didática, de sorte que reproduzo seu voto para embasar minha razão de decidir, in verbis: O tema em questão enseja as maiores polêmicas acerca do PIS e Cofins não cumulativos em decorrência do termo “insumo” utilizado pelo legislador, sem a devida definição de sua amplitude, ou seja, se o insumo a ser considerado deva ser somente o “direto” ou se o termo deve abarcar, também, os insumos “indiretos”. Nesse contexto, tornase necessária uma maior reflexão sobre o tema. Os arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 231 28 “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. Nesse sentido, na doutrina preconizada por Fábio Pallaretti Calcini , a não cumulatividade vinculada ao produto (IPI) ou mercadoria (ICMS) não se presta a fundamentar a não cumulatividade do PIS e da Cofins, cujo pressuposto é a receita, ensejando, assim, uma maior amplitude para a obtenção dos créditos. A falta de pertinência se evidencia em se tratando de prestador de serviços. As restrições legalmente impostas cingemse ao art. 3º, § 2º, incisos I e II, das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, que tratam de vedação de crédito decorrente de mão de obra paga a pessoa física e aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Releva observar, em conformidade com o art. 3º, § 3º, incisos I e II, dos mesmos diplomas legais, a necessidade de que, tanto os bens e serviços adquiridos, como também os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados, tenham como destino pessoa jurídica domiciliada no País. Desse modo, proclama o referido autor; vez que as restrições, com caráter de excepcionalidade, estão expressamente consignadas em lei, os demais dispositivos normativos não poderiam ser elaborados de forma restritiva. Conforme assevera Natanael Martins, levando em consideração o fato de que no caso das contribuições para o PIS e para a Fl. 2327DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 232 29 Cofins pelo regime não cumulativo a materialidade é a receita e não somente a atividade fabril, mercantil ou de serviços, constata que há a eleição de ‘outras hipóteses creditórias desvinculadas da atividade desenvolvida pelo contribuinte como é o caso das despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil’48, razão pela qual constata que, diante deste contexto, a noção de insumo ‘erigido pela nova sistemática do PIS e da Cofins não guarda simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS, visto não estar limitado apenas a operações realizadas com mercadorias ou produtos industrializados, sendo, inclusive, aplicado aos prestadores de serviços. Nessa linha registra Pallaretti Calcini que as limitações à utilização do crédito são exaustivamente descritas nas duas leis, não comportando acréscimos. Assim, sustenta que a expressão insumo deve estar vinculada aos dispêndios relizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribuam para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comércio ou serviços) visando à obtenção de receita. Logo, os parâmetros trazidos pela Receita Federal seriam claramente restritivos, não se coaduando com o disposto nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. No âmbito do CARF as decisões têm caminhado no sentido de se flexibilizar o entendimento acerca do que deva ser considerado como insumo. Nesse contexto, relevantes as considerações do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no voto condutor, na CSRF, do acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, conforme se observa de sua transcrição: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 233 30 “Destarte, aplicada à legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: (...) As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no país, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional”. Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 234 31 Mais recentemente fora prolatado o acórdão nº 320200.226, em 08/12/2010, processo nº 11020.001952/200622, de relatoria do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior que, após fazer diversas referências e citações doutrinárias, além de colacionar decisões administrativas, todas no sentido de que o conceito de “insumo” deve ser entendido em sentido menos restritivo do que o preconizado pelas normas editadas pelo Fisco Federal, arremata: É de se concluir, portanto, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação de IPI). No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo. Em virtude doa argumentos expostos, em que pese o respeito pela I. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), ao não admitir a apuração de créditos sobre os bens adquiridos pela Recorrente, entendo que tal glosa não deve prosperar, uma vez que os equipamentos adquiridos caracterizamse como despesas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades, sendo certo o direito ao crédito sobre tais valores para desconto das contribuições para o PIS e COFINS. Em relação ao tema, o referido acórdão restou assim ementado: [...] REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulativìdade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Feitas estas colocações, passo a expressar meu posicionamento acerca da matéria. Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 235 32 Conforme dito anteriormente, o cerne da questão reside no significado e abrangência do termo “insumo” consignado nos arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, cuja semelhante redação assim dispõem: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (destaquei) Em que pese a judiciosa motivação apresentada pelo conselheiro relator em seu brilhante voto condutor do aresto precitado, ouso discordar de sua conclusão assinalada na ementa, como segue: “O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulativìdade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ...” Travase aqui, a mesma discussão do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, ou seja, se o insumo deve ser compreendido em seu sentido lato, abrangendo, portanto, toda e qualquer matériaprima e produto intermediário, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, ou não. O art. 290 do RIR/99 mencionado no acórdão referencia o método de custeio por absorção o qual apropria todos os custos de produção dos bens, sejam diretos ou indiretos, variáveis ou fixos. Assim, o custo de produção dos bens ou serviços deverá compreender o custo de aquisição das matériasprimas e secundárias, o custo de mão de obra direta e indireta e os gastos gerais de fabricação, inclusive os custos fixos tais como os encargos de depreciação dos bens utilizados na produção. Já o art. 299, também do RIR/99, trata das despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real como sendo as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas. Suas matrizes legais são: DecretoLei nº 1.598/77, art. 13, §§ 1º e 2º (art. 290 do RIR/99), que assim dispõe: Art. 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o Fl. 2331DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 236 33 estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; b) o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; c) os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; d) os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; e) os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. § 2º A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda de 5% do custo total dos produtos vendidos no exercício social anterior, poderá ser registrada diretamente como custo. Por outro lado, o art. 299 do RIR/99 tem como matriz legal o art. 47, §§ 1º e 2º, da Lei nº 4.506/64, com o seguinte teor: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Tendo em vista a extensa redação levada a efeito no caso do Imposto de Renda, não posso compreender que o simples termo “insumo” utilizado na norma tenha a mesma amplitude do citado imposto. Acaso o legislador pretendesse tal alcance do referido termo teria aberto mão deste vocábulo, “insumo”, assentando que os créditos seriam calculados em relação a “todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Dispondo desse modo o legislador, sequer, precisaria fazer constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Creio que o termo “insumo” foi precisamente colocado para expressar um significado mais abrangente do que MP, PI e ME, utilizados pelo IPI, porém, não com o mesmo alcance do IRPJ que possibilita a dedutibilidade dos custos e das despesas Fl. 2332DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 237 34 necessárias à atividade da empresa. Precisar onde se situar nesta escala é o cerne da questão. De se registrar que o próprio fisco vem flexibilizando seu conceito de insumo. Como exemplo temse que, em relação ao citado acórdão, o qual tratou de créditos de aquisições de materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, a própria administração tributária já havia se manifestado favoravelmente à utilização de tais créditos, por meio da Solução de Divergência nº 35/08. Nela a Cosit registra a desnecessidade de contato direto com os bens que estão sendo fabricados, conforme segue: 17. Isso posto, chegase ao entendimento, de que todas as partes e peças de reposições utilizadas em máquinas e equipamentos diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, aqui descritos ou exemplificados, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida em todo o processo de produção ou de fabricação, independentemente, de entrarem ou não contato direto com os bens que estão sendo fabricados destinados à venda, ou seja, basta que referidas partes e peças sejam incorporadas às máquinas e equipamentos que estejam atuando no processo de fabricação ou produção dos referidos bens, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que não estejam escriturados no ativo imobilizado. (grifei) Em conclusão a Solução registra: 18.Diante do exposto, solucionase a presente divergência dandose provimento ao recurso interposto, orientando à recorrente que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, e a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Destarte, entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que Fl. 2333DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 238 35 este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Com base nas brilhantes linhas traçadas pelo Conselheiro Mauricio Taveira, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a não cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Feita essas considerações, retornando aos autos, identifico que a autoridade fiscal admitiu todos os créditos declarados pelo sujeito passivo e que o processo baixou em diligência para apurar a base de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS no regime da não cumulatividade. Da análise contábil, constatouse que os créditos de arrendamento pleiteados pelo recorrente não poderiam ser deduzidos, pois não foi ele quem operou o "trecho ferroviário ao qual estão vinculadas as despesas de arrendamento sobre as quais está pleiteando créditos”. Quem operou foram as parceiras ALL e FCA que tinham contratos de subconcessão”. Contudo, como as receitas pelas subconcessões e subarrendamentos fazem parte da receita tributável pelo PIS e pela Cofins, nada mais razoável que aceitar o creditamento dos valores referentes às despesas de arrendamento de bens e equipamentos umbilicalmente ligados a essas receitas, pois mesmo não sendo utilizados pela recorrente, caracterizase insumos nos termos das linhas acima traçadas. Portanto, uma vez que os créditos discutidos neste recurso perfazem o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins nãocumulativos, dou provimento parcial para que sejam aproveitados os valores referentes ao arrendamento de bens e equipamentos por ele pleiteados. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Segundo a recorrente, a autoridade fiscal, após comparar as informações constantes da DCTF, da DIPJ e da DACON, apontou insuficiência no recolhimento do PIS e da COFINS nos anos calendários de 2003, 2004, 2005 e 2006. O Acórdão recorrido afastou a exigência do PIS e da COFINS do ano calendário de 2004. Já no que diz respeito ao ano calendário de 2006 a DRJ entendeu que o sujeito passivo já não dispõe do benefício da denúncia espontânea. Conforme reconheceu a DRJ, a intimação da recorrente relativa às contribuições do ano calendário de 2006 ocorreu em 14.11.2006. Tal intimação, nos termos do § 2º do supracitado artigo, afasta os benefícios da denúncia espontânea pelo prazo de 60 dias. A recorrente efetuou os pagamentos em 09.04.2007, quando já havia transcorrido mais de 60 dias da intimação de 14.11.2006, razão pela qual resta caracterizada hipótese de espontaneidade, em que não é possível a exigência de multa, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Mais uma vez a recorrente se equivocou ao interpretar a legislação tributária, senão vejamos: O art. 138 do Código Tributário Nacional prevê o instituto da denúncia espontânea, verbis: Fl. 2334DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 239 36 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Nos termos do professor Aliomar Baleeiro, o recurso à denuncia espontânea libera o contribuinte da situação de infrator, uma vez que o leva a abrir mão do “proveito da infração” Eximindose da condição de infrator, o sujeito passivo não mais se sujeita ao pagamento de multa de ofício. Contudo, para fazer jus ao instituto, o beneficiário deve se movimentar antes de qualquer procedimento administrativo relacionado à infração que será por ele denunciada. O art. 7º do Decreto nº 70.235/72 disciplina o instituto da denuncia espontânea: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. O caput do artigo supra e seus incisos identificam os atos que configuram o inicio do procedimento fiscal. O parágrafo 1º define que o inicio do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo. O parágrafo 2º apresenta o prazo de validade da exclusão da espontaneidade e como ele se prorroga. Pela simples leitura do parágrafo segundo, concluise que qualquer ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos fiscais prorroga a exclusão da espontaneidade. Retornando aos autos, consta que foram expedidos diversos “termos de intimação” entre o termo de início de fiscalização, em 14/11/2006, e a data em que a recorrente afirma ter efetuado o recolhimento das diferenças, em 09/04/2007. Destaco apenas os termos nº 031/2006, ciência em 04/12/2006, nº 032/2006 com ciência em 26/01/2007 e o termo nº Fl. 2335DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 240 37 036/2007 com ciência em 08/03/2007. Fazendo uma simples conta matemática, observamos que em nenhum momento o contribuinte se encontrava espontâneo, após o início da fiscalização, de sorte que mantenho a multa aplicada de 75%, afastando o benefício previsto no art. 138 do CTN. Ex positis, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao desconto de créditos sobre os pagamentos feitos pela recorrente a título de arrendamento de bens e equipamentos. É como voto. Sala das Sessões, em 26/06/2012 Gilson Macedo Rosenburg Filho Voto Vencedor Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Redatoradesignada Divirjo do Conselheiro Relator quanto à incidência da contribuição para o PIS e da Cofins sobre os ingressos decorrentes das subconcessões de direitos, no período em que a cobrança de tais contribuições foi regida pela Lei n° 9.718, de 1998, e passo a expor as razões condutoras dessa divergência. Inicialmente, esclareçase que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da precitada lei, nos autos do Recurso Extraordinário nº 390.840MG, cujo Acórdão transitou em julgado em 5 de setembro de 2006, o PIS e a Cofins, na vigência da Lei n° 9.718, de 1998, devem incidir sobre o faturamento, entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Em face disso, é necessário perquirir sobre a natureza das receitas provenientes das subconcessões feitas pela recorrente a terceiros para operação de trechos da malha ferroviária de que detém a concessão, obtida em processo licitatório, para exploração e desenvolvimento do serviço de transporte ferroviário de carga. Ora, a recorrente, ao firmar o contrato de concessão, tornouse titular do direito de explorar e desenvolver a malha ferroviária objeto desse contrato, com acesso à infraestrutura para prover o serviço de transporte ferroviário de cargas em nome do poder concedente, nos termos contratados. Destarte, sendo titular de um direito, observadas as disposições legais e contratuais do processo licitatório, poderá transferilo a terceiros, por meio de subconcessões, a título oneroso e os pagamentos recebidos por essas subconcessões não advém da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, mas, sim, da transferência de um direito. Fl. 2336DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 241 38 Por outras palavras, o contrato de concessão não está caracterizado como um contrato de execução de serviço específico, mas espelha a aquisição do direito de explorar e desenvolver, por prazo determinado, o objeto da concessão. Dessa forma, as suboncessões desse direito configuram, a meu ver, transferências de ativo intangível e os recurso recebidos como pagamento por essas transferências não podem ser alcançados pela incidência do PIS e da Cofins, no período em que regidos pela Lei n° 9.718, de 1998, em virtude da inconstitucionalidade do seu art. 3°, § 1°, declarada pelo Pleno do STF. Pelas razões expostas, voto pelo provimento parcial do recurso para, além do parcial provimento dado pelo Relator destes autos, excluir também da incidência dos PIS e da Cofins as receitas provenientes das subconcessões. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Fl. 2337DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO
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Numero do processo: 10830.900329/2008-19
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE PROVA.
Ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado.
Numero da decisão: 3802-001.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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DCTF RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE PROVA. Ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 03 29 /2 00 8- 19 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o conselheiro Solon Sehn. Relatório Por bem explicitar os fatos e atos processuais ocorridos até o presente momento, adotase o relatório elaborada pela autoridade julgadora a quo que assim dispõe: “Tratase de Declaração de Compensação DCOMP, com base em suposto crédito de Cofins do período de apuração 05/2003, no montante de R$ 6.817,26 (DARF recolhido em 13/06/2003, no montante de R$ 73.951,54). A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando (n° de rastreamento 757865900 fl. 20): Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 6.817,26 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho em 30/04/2008, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 02/06/2008, referenciando os Despachos Decisórios n° 757865913, 757865944, 757865900, 757865935, 757864958, 757865927, 757895961, alegando: DOS FATOS A requerente recebeu despacho decisório pelo motivo de não localização de créditos informados em PER/DCOMP nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais referentes ao Io e 2o trimestres de 2003. DA PRELIMINAR Informamos que diante destas notificações efetuamos as devidas retificações das DCTF's em 26/05/2008 sob recibos de entrega n° 3144095668 e 3354076946, respectivamente. DO MÉRITO. Segue anexo, cópia do Processo e Petição devidamente protocolada, onde fica esclarecido que tais retificações foram efetuadas e que de fato os créditos utilizados são verídicos. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10830.900329/200819 Acórdão n.º 3802001.467 S3TE02 Fl. 6 3 A CONCLUSÃO A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelándose o débito fiscal reclamado e a não inscrição em Dívida Ativa da União para cobrança executiva. Na fl. 01 a DRF de origem informa que a referida manifestação de inconformidade foi formalizada originalmente nos autos de n° 10830.005175/200850 indevidamente, pois que a interessada deveria ter efetuado protocolos auxiliares aos processos que controlam cada DCOMP, apontado no Despacho Decisório. Diante disso, procedeu aquela unidade à instrução com originais e cópias da manifestação original aos processos, e ao arquivamento do de n° 10830.005175/200850.” A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Campinas/SP, em acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas documentais devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não têlo feito naquela oportunidade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. O erro do valor do débito apontado na DCTF, de cuja retificação resulte crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovado mediante apresentação de documentos hábeis para tanto, tal como o é a escrituração contábil, ou os documentos que a subsidiam. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Irresignado com a decisão, recorre o contribuinte, aduzindo que a manifestação de inconformidade apresentou sim a prova suficiente para comprovar a materialidade do crédito, bem como que, caso a DRJ entendesse que a prova não era suficiente, caberia a ela “determinar maiores esclarecimentos”. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. O contribuinte, em suma, busca comprovar a materialidade de seu crédito mediante apresentação de DCTF retificadora, bem como junta à sua manifestação de inconformidade cópias do “livro razão parcial”. No seu entender, referida documentação é suficiente para demonstrar a existência do seu crédito. A simples transmissão da DCTF retificadora com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é documentação hábil para legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor de COFINS efetivamente devido é aquele consignado na retificadora. Assim, ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo venha para ilidir a detecção, em sede de despacho decisório, que o crédito pleiteado já houvera sido integralmente utilizado para extinção anterior de débito confessado pelo contribuinte, sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. Nesse sentido, destaco o seguinte excerto do voto condutor do Acórdão da DRJ, que precisamente dispôs: “As cópias simples "Razão Parcial, período 01/04/2003 a 31/07/2003" (cópias extraídas do processo n° 10830.900337/200865, juntadas a estes autos às fls. 28/46), nada comprovam em favor da interessada. Como ela não explicita em sua manifestação de inconformidade de que forma esse documento evidenciaria seu suposto direito ao crédito, a análise limitouse à leitura do documento de forma a identificar se constavam claramente escriturados os valores apurados e pagos para o período, bem como o registro do indébito. Contudo, aquelas cópias apenas demonstram os valores registrados nas contas "IRRF a recolher", "PIS a recolher" e "Cofins a recolher", e nelas a interessada assinala os registros que supostamente (já que não está claro que o seja) se referem ao pagamento dos Darfs. Observese que, em se tratando de uma relação processual probatória, os procedimentos de compensação exigem do sujeito passivo a comprovação do direito que entende possuir. Não existe, propriamente, a obrigação de provar, senão com o risco de que, em não se cumprindo o ônus probatório, venha a se ter a nãohomologação das compensações efetuadas.” De fato, a interessada não anexou ao processo qualquer documentação hábil e idônea para comprovar a existência e disponibilidade do crédito reclamado. As cópias do “livro razão parcial” não são oponíveis ao fisco, por si só, como elementos comprobatórios da materialidade do crédito do sujeito passivo, devendo ser acompanhadas de outros documentos que confirmem as informações ali aduzidas – documentos fiscais, cópia do Dacon, DARF contendo o valor indicado na DCTF retificadora etc. Sem essa documentação, resta precária a comprovação da materialidade do crédito. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10830.900329/200819 Acórdão n.º 3802001.467 S3TE02 Fl. 7 5 Assim sendo, tendo disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento devido, limitandose a Recorrente em trazer arguições perfunctórias e destituídas de validade jurídica para fins de apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, da compensação declarada, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10880.679892/2009-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 08/03/2007
PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É válido o despacho decisório exarado por servidor competente, com respeito ao direito de defesa do administrado e baseado em dados presentes nos sistemas internos da Receita Federal, estes alimentados com os pagamentos efetuados e as declarações entregues pelo sujeito passivo.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados fornecidos pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-004.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório exarado por servidor competente, com respeito ao direito de defesa do administrado e baseado em dados presentes nos sistemas internos da Receita Federal, estes alimentados com os pagamentos efetuados e as declarações entregues pelo sujeito passivo. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados fornecidos pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 92 /2 00 9- 16 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679892/200916 Acórdão n.º 3803004.420 S3TE03 Fl. 182 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 18 de junho de 2007, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da CofinsImportação, no valor de R$ 24.055,01, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 5/11/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o seu recebimento com efeitos suspensivos, a declaração de nulidade do despacho decisório ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para exame de sua escrita fiscal, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) a partir de meados de 2006, constatara que havia efetuado o recolhimento a maior de inúmeros impostos e contribuições incidentes sobre remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos; b) um mero equívoco no preenchimento de declarações não poderia gerar débitos fiscais, conforme entendimento do CARF e do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sendo premente a observância dos princípios da verdade material, da capacidade contributiva, da formalidade moderada, da vedação ao enriquecimento ilícito, da razoabilidade e da proporcionalidade; c) carência de fundamentação do despacho decisório, com violação dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, dada a precária análise de seu pedido; d) estaria sendo providenciado um levantamento interno de toda a documentação probante que demonstraria a plena existência do crédito declarado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e do despacho decisório. A DRJ São Paulo I/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, decidindo por afastar a nulidade do despacho decisório arguida, pelo fato de que tal documento teria sido assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterição do direito de defesa do contribuinte. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679892/200916 Acórdão n.º 3803004.420 S3TE03 Fl. 183 3 Arguiu o julgador de piso que o despacho decisório se encontrava em conformidade com os dados declarados em DCTF e com a guia de recolhimento do tributo e que a alegação de erro não se fez acompanhar dos elementos probantes de sua efetiva ocorrência. Ainda segundo o julgador, a DCTF retificadora entregue após a emissão do despacho decisório não poderia ser acolhida como argumento de defesa, em razão da ausência de indicação dos alegados erros cometidos na análise do crédito pleiteado, assim como da falta de apresentação da escrituração contábilfiscal comprobatória do direito reclamado. Ressaltou, também, que, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), não seria cabível a formulação de pedido genérico de futura juntada de documentos, sem a indicação da hipótese legal que o fundamente, pois, nos termos do art. 16, III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, as provas devem ser apresentadas na manifestação de inconformidade, precluindo o direito do contribuinte de fazêlo em outra oportunidade. Por fim, considerou desnecessária a realização de diligência, considerando que, no presente caso, estarseia diante de documentos que se encontravam sob a guarda da pessoa jurídica interessada em sua apreciação. Cientificado do acórdão da DRJ São Paulo I/SP em 28 de janeiro de 2011, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 1º de março de 2011, e reiterou seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo ressaltado o que se segue: a) o seu direito de defesa fora violado de duas formas distintas: a primeira, em razão da não exposição das razões da negativa do crédito pleiteado, o que lhe teria impedido a sustentação plena de seu direito; e a segunda, em decorrência do fato de que a Delegacia de Julgamento teria ultrapassado a nulidade arguida “sem qualquer análise digna das atribuições da d. Autoridade Fiscal”, acarretando indevida supressão de instância, por trazer o caso de forma prematura e despreparada para a análise deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); b) se lhe tivesse sido dada a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia o precioso tempo deste Conselho com cobranças infundadas como a presente, uma vez que qualquer agente fiscal da Receita Federal do Brasil que analisasse com a mínima cautela a situação exposta na Manifestação de Inconformidade teria notado que houvera tão somente um erro no preenchimento da declaração, o que não justificaria a glosa ora em comento; c) “é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte.” d) os erros de preenchimento da DCTF seriam equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, uma vez que ele teria livre acesso a toda a escrituração fiscal do Recorrente. Junto a sua peça recursal, o Recorrente traz aos autos aos autos cópias de documentos societários, do acórdão da Delegacia de Julgamento, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679892/200916 Acórdão n.º 3803004.420 S3TE03 Fl. 184 4 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange ao pedido de suspensão de quaisquer atos tendentes ao seguimento da cobrança dos valores objeto do PER/DCOMP, até ulterior decisão definitiva em contrário, temse que, nos termos do contido no art. 151, III, do Código Tributário Nacional (CTN), as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário, independentemente de pedido da parte nesse sentido. I. Preliminar de nulidade do despacho decisório. Quanto à preliminar de nulidade do despacho decisório, devese ressaltar, de pronto, que a decisão proferida pela repartição de origem, por meio eletrônico, se dera com base nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo quando da entrega do PER/DCOMP e da DCTF original. Todas as informações necessárias à formalização da decisão já se encontravam disponíveis então, todas elas fornecidas pelo próprio sujeito passivo, quais sejam: (i) o pagamento efetuado (DARF), (ii) o Pedido de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) e (iii) a DCTF contendo os dados relativos a débitos e créditos. A DCTF retificadora, conforme apontou o julgador de piso, somente veio a ser entregue pelo interessado após a ciência do despacho decisório, não se podendo, por conseguinte, impingir a este o vício da nulidade, pois que exarado em conformidade com os dados então disponíveis. No Recurso Voluntário, o contribuinte alega que a DCTF retificadora teria sido transmitida em 5/3/2009, data essa anterior à da emissão do despacho decisório. Contudo, para comprovar tal afirmativa, ele traz aos autos cópia da DCTF retificadora mensal, na versão 1.7 (fls. 83 a 85), enquanto que a ficha contendo os dados do processamento da declaração, em que se informa a data de 5/3/2009, se refere à DCTF Mensal, versão 1.6, constatação essa que denota tratarse de duas declarações distintas, o que não comprova a alegação do Recorrente de prévia retificação da DCTF. Quando a Administração tributária encontrase em condições de lavrar os atos de sua competência com base nas informações fornecidas pelo sujeito passivo e alimentadas em seus sistemas informatizados, inexiste necessidade de se proceder a novas coletas, ao contrário do alegado pelo Recorrente. Dito em outras palavras, quando todos os dados necessários à análise já se encontram disponíveis, ao agente público não é deferido o direito de procrastinar a sua atividade vinculada e obrigatória, sob pena de violação dos princípios da legalidade, da eficiência e da oficialidade. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679892/200916 Acórdão n.º 3803004.420 S3TE03 Fl. 185 5 Não se pode perder de vista que a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal (PAF) iniciase com a Impugnação, que corresponde à fase de Manifestação de Inconformidade nos processos relativos à compensação tributária, por força do contido no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 e no art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, de sorte que, durante a fase que antecede o litígio, dispondo a Administração dos dados necessários à produção do ato administrativo, não se exigem intimações prévias, salvo quando imprescindíveis, o que não corresponde ao presente caso. Outro não é o entendimento que se extrai do contido na súmula CARF nº 46, em que consta que “[o] lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Ainda que o presente processo não se refira à constituição de crédito tributário, a intelecção que se obtém da súmula pode muito bem ser a ele estendida, pois se para lançar de ofício um tributo a intimação prévia pode ser dispensada, muito mais isso poderá ocorrer nos casos de apreciação de pedidos do contribuinte, cujo direito pleiteado compete a ele comprovar. Dessa forma, não se vislumbra neste processo qualquer cerceamento ao direito de defesa do Recorrente, pois, desde o seu início, ele tem se manifestado na defesa do direito de que se acha detentor, não tendo lhe sido negadas quaisquer das garantias asseguradas pela legislação processual. Foilhe assegurado o direito de se valer do contencioso administrativo, em duas instâncias, para se contrapor às decisões da Administração tributária, inclusive apresentando, na defesa do seu direito, outras informações e documentos ainda não apreciados pela Fazenda Pública. Quanto à alegada violação dos princípios da verdade material, da capacidade contributiva, da formalidade moderada, da vedação ao enriquecimento ilícito, da razoabilidade, da proporcionalidade e da legalidade estrita, há que se ressaltar que a decisão combatida fora exarada em conformidade com os dispositivos legais e regulamentares que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), este disciplinado em especial pelo Decreto nº 70.235, de 1972, dispositivos esses válidos e vigentes, de observância obrigatória por parte dos agentes administrativos, sob pena de responsabilidade funcional. Teria havido, sim, violação de tais princípios se tivessem sido ignorados pela Administração tributária eventuais documentos comprobatórios do direito alegado, como a escrituração contábilfiscal, que porventura tivessem sido trazidos aos autos pelo Recorrente e desconsiderados pelos agentes fiscais competentes – documentos esses aptos à apuração da contribuição devida no período –, mas não foi isso que ocorreu neste processo. Por fim, destaquese que, em conformidade com o contido art. 59 do PAF, somente são considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses essas que, conforme já apontado, não se coadunam com a tramitação e a realidade fática deste processo. Diante do exposto, afasto a preliminar de nulidade arguida. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679892/200916 Acórdão n.º 3803004.420 S3TE03 Fl. 186 6 II. Mérito. Compensação. Existência do indébito. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchido da DCTF. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Nada há nos autos que demonstre esses fatos alegados pelo Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada violação do princípio. Em processos da espécie ao ora analisado, não cabe a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa busque as provas do direito alegado, provas essas, repitase, que se encontram sob sua guarda, não se podendo imputar ao Fisco o dever de coletálas, em face da inércia do interessado. A não apresentação de provas dos fatos apontados e a alegação de inoperância do Fisco por falta de diligência encontramse em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19721, que regula o Processo 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679892/200916 Acórdão n.º 3803004.420 S3TE03 Fl. 187 7 Administrativo Fiscal (PAF), e com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Não se pode perder de vista que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679892/200916 Acórdão n.º 3803004.420 S3TE03 Fl. 188 8 prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal no momento da emissão do despacho decisório. Nesse contexto, voto por AFASTAR a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 15983.001212/2010-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 83 .0 01 21 2/ 20 10 -4 5 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15983.001212/201045 Resolução nº 2401000.285 S2C4T1 Fl. 119 2 Relatório Insurgiuse o sujeito passivo contra o Acórdão n.º 0534.640 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRJ em Campinas (SP), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra o Auto de Infração – AI n.º 37.316.429 7. A lavratura em questão diz respeito à aplicação de multa em razão da conduta da autuada de deixar de autenticar o Livro Diário na Junta Comercial, bem como lançar em folha de pagamento a remuneração paga ao administrador nãosócio Mário Rodrigues Vasques. Apresentada a impugnação, fls. 35/46, a DRJ decidiu declarar a impugnação procedente em parte, afastando a infração relativa a falta de lançamento da remuneração do administrador, todavia, mantendo a falta decorrente da omissão na no registro do livro contábil. Mesmo mantendo a multa, o órgão a quo chamou atenção para que, no cumprimento do seu decisório, fosse observado o resultado do julgamento de recurso da empresa contra o indeferimento da sua inclusão no regime tributário do Simples no exercício de 2008, tratado no processo n.º 12670.001973/200818. No seu recurso voluntário a empresa insiste pela sua manutenção no regime tributário do Simples Nacional desde 2008 e afirma que a questão ainda se encontra pendente de decisão definitiva na seara administrativa. Afirma que prestou todas as declarações e recolheu os tributos na condição de optante do regime simplificado, não sendo crível que os seus administradores tivessem requerido a sua saída do Simples Nacional. Defende que o Livro Diário foi devidamente apresentado pela Fiscalização e que não há que se falar em falta de registro na Jucesp, pois esta obrigação não é aplicável às empresas optantes do Simples Nacional. Afirma ser abusiva a multa aplicada. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15983.001212/201045 Resolução nº 2401000.285 S2C4T1 Fl. 120 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Necessidade de sobrestamento do feito Verifico na espécie que o deslinde da presente contenda reclama a solução de um outro processo administrativo que sabemos ainda não foi concluído. Tratase do processo n.º 12670.001973/200818, em que o sujeito passivo recorreu ao CARF para contestar a sua exclusão do Simples Nacional, o qual se encontra pendente de julgamento na 1.ª Turma Especial da 3.ª Câmara da 1.ª Seção de Julgamento do CARF, conforme consulta realizada no sítio do CARF nesta data. Ao contrário do entendimento firmado na decisão da DRJ, vislumbramos que, tendose em conta o caráter de prejudicialidade do mencionado processo frente o AI que ora se julga, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, para que os autos retornem à origem e somente suba para apreciação por esse colegiado, quando se tenha o trânsito em julgado do processo em que se discute a situação da recorrente perante o regime simplificado de recolhimento. Conclusão Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000525/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/04/2007
NULIDADE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO FATO GERADOR.
É nulo o auto de infração carente de comprovação, pelo Fisco, da ocorrência do fato gerador, por incorrer em vício material.
Numero da decisão: 2301-003.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento pela existência de vício, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal.
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/04/2007 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO FATO GERADOR. É nulo o auto de infração carente de comprovação, pelo Fisco, da ocorrência do fato gerador, por incorrer em vício material.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento pela existência de vício, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Marcelo Oliveira - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO FATO GERADOR. É nulo o auto de infração carente de comprovação, pelo Fisco, da ocorrência do fato gerador, por incorrer em vício material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento pela existência de vício, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 25 /2 01 0- 15 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13864.000525/201015 Acórdão n.º 2301003.471 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata se de Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Principal lavrado em face de TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS, SERVIÇOS E TECNOLOGIA S/A, referente às contribuições sociais incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados ao seu serviço, destinadas ao SENAC e SEBRAE, pertinentes ao período de 01/2007 a 12/2007, quanto aos estabelecimentos 0002 a 0007. Nos termos do Relatório Fiscal, a Recorrente (a) informou código FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social 566, quando deveria ter sido 515 e, por conseqüência, informou código de Terceiros 0099, quando o correto seria 0115. Em virtude de tal conduta, a Recorrente teria deixado de recolher valores a título de contribuições previdenciárias destinadas ao SENAC e ao SEBRAE, pelo lhe foi imputado o pagamento no montante de R$ 471.397,25 (quatrocentos e setenta e um mil trezentos e noventa e sete reais e vinte e cinco centavos), referente aos referidos tributos. Ciente da autuação em 22/12/2010, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva em 21/01/2011. Entretanto, foi mantida a autuação pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Exercício: 2007 As empresas de teleatendimento devem contribuir para o SENA (FPAS 515), por serem prestadoras de serviços que não se enquadram em quaisquer das atividades relacionadas na redação original do anexo II da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005. A previsão expressa da atividade de call center no FPAS 515 pela Instrução Normativa RFB nº 785, de 19 de novembro de 2007, não tem o condão de alterar a determinação legal vigente, mas tãosomente orientar os contribuintes sobre como deve ser interpretada a lei tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, interpôs Recurso Voluntário em 11/10/2011, sob exame, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) No exercício a que se refere a autuação recorrida, qual seja, o ano de 2007, a cobrança da contribuição de terceiros era regulamentada pela Instrução Normativa da SRP nº 3 de 14/07/2005, que previa que o enquadramento no Código FPAS era efetuado pela própria empresa, considerandose, para tanto, a atividade econômica por ela exercida, de acordo com a Tabela de Códigos FPAS constante da referida IN; Fl. 274DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13864.000525/201015 Acórdão n.º 2301003.471 S2C3T1 Fl. 4 3 2) A IN RFP nº 785/2007, por sua vez, trouxe nova Tabela de Códigos FPAS, alterando significativamente a forma de enquadramento das empresas nos respectivos Códigos FPAS, uma vez que vinculou o referido Código FPAS ao Código CNAE da empresa, de modo que a atividade de teleatendimento desenvolvida pela Recorrente não somente passou a ser expressamente listada na Tabela de Códigos FPAS, como também passou a ser enquadrada no Código FPAS 515; 3) A alteração acima mencionada, contudo, só entrou e vigor em 02 de janeiro de 2008, portanto, não havia menção expressa à atividade desenvolvida pela Recorrente no ano de 2007, tendo a própria empresa realizado seu enquadramento e procedido ao recolhimento das contribuições em questão seguindo as alíquotas indicadas para o Código FPAS 566; 4) No exercício de 2007, enquanto vigente a IN SRP 03/2005, não havia qualquer outro enquadramento possível para a atividade da Recorrente, senão aquele realizado, sob Código FPAS 566; 5) A aplicação da IN RFP nº 785/2007 a fatos ocorridos antes de sua entrada em vigor implica em violação ao art. 106 do CTN, que apenas permite a retroatividade de lei mais benéfica ou quando se tratar de lei meramente interpretativa; 6) É evidente a impossibilidade de aplicação retroativa de novo critério de enquadramento na Tabela de Códigos FPAS, sob pena de violação ao principio da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. 7) A autuação recorrida é nula em razão de não demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador, com a descrição do fato e a sua comprovação, no que diz respeito ao enquadramento da atividade realizada pela Recorrente ao Código FPAS 515 vigente no ano de 2007. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13864.000525/201015 Acórdão n.º 2301003.471 S2C3T1 Fl. 5 4 Preliminarmente Da nulidade da autuação Afirma a Recorrente que, em 2007, período de apuração do presente auto, o enquadramento no código FPAS era efetuado pela própria empresa, a qual, por sua vez, considerando a atividade exercida, escolheu o código 566. Aduz ainda que, apenas com versão da Tabela de Códigos FPAS trazida pela IN RFP nº 785/2007, houve alteração significativa na forma de enquadramento das empresas nos respectivos Códigos FPAS e, a partir de 02 de janeiro de 2008, a atividade de teleatendimento passou a ser expressamente listada na tabela de Códigos FPAS, seguindo o código 515. Ocorre que, à época, o enquadramento no FPAS era de fato designado à responsabilidade da empresa. Contudo, a Recorrente optou pelo código 566, código este que a excluía da obrigação de recolher determinadas contribuições, a exemplo das destinadas ao SENAC e SEBRAE. Ora, o FPAS tem como finalidade precípua a de indicar as obrigações tributárias das empresas, de modo que a informação ao Fisco do número correspondente já indica as diversas obrigações principais e acessórias a que a empresa está submetida, permitindo, inclusive, apurar o valor da contribuição devida. Ainda que coubesse à empresa escolher o FPAS, evidentemente que esse número não poderia ser aleatório, pois a empresa teria a seu favor um “cheque em branco” para se submeter ao regime jurídico que bem entendesse. Nesse caso de inexistência de previsão expressa da atividade da empresa no rol dos FPAS, caberia a esta identificar aquele em que seu regime jurídico se enquadraria, o que, segundo o Fisco, foi feito pela empresa de forma equivocada, levandoa a ser autuada. Ocorre que, conforme se observa do procedimento fiscal, em momento algum se verifica a fundamentação da autoridade fiscal para o enquadramento da atividade da Recorrente no código 515, ao invés do código 566 adotado pela empresa. Destaquese que, quando se trata de ato administrativo, como o lançamento tributário, por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. Assim, é formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. [1] Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: auto deinfração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando à consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma”, esta não se confunde com o “conteúdo” material. A materialidade é um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a Fl. 276DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13864.000525/201015 Acórdão n.º 2301003.471 S2C3T1 Fl. 6 5 realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização”, devese concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Com isso, temse que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados, aquele prescrito em lei. Ademais, nas relações de direito público, a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. *** O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... Fl. 277DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13864.000525/201015 Acórdão n.º 2301003.471 S2C3T1 Fl. 7 6 (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Outrossim, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN. Por fim, o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. Nesse mesmo sentido, o Decreto n.º 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, traz em seu artigo 38, §1º, a determinação de que o fato motivador da exigência deve ser comprovado: “Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 9º, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). §1º Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência.” Ainda, o Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina, em seu inciso II, do art. 59, que são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa, o que ocorreu no caso em exame, uma vez que, por não saber o que levou o Fisco a entender por enquadramento diverso daquele por ela realizado, não pode a Recorrente contraditar devidamente esse entendimento. Desta feita, comprovado está que a falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores que ensejaram a autuação, incorrendo o presente lançamento flagrante em vício material. No caso em apreço, basta uma análise perfunctória do descrito no Relatório Fiscal de fls. 36, para que não pairem dúvidas acerca da fragilidade deste, que não permite um correto entendimento do Recorrente, para sua defesa, tampouco do julgador, que não possui parâmetros concretos para se basear em seu julgamento. Por outro lado, a consulta mencionada no relatório fiscal aos órgãos “competentes”, que no entender da Fiscalização seria outro meio formal de verificação do FPAS devido, permitindo que a dúvida fosse sanada, o que poderia impedir o presente lançamento, ressaltese contudo, que a ausência de consulta prévia, pelo contribuinte, não ilide o Fisco da responsabilidade de fundamentar a autuação, demonstrando e comprovando os motivos pelos quais a atividade exercida deveria ter sido enquadrada no código FPAS 515, ao invés do 566, tampouco seria obrigação da Recorrente ter efetuado qualquer consulta, mas sim que essa obrigação, quanto a possível ilicitude do enquadramento realizado, seria do Fisco ao fiscalizálo e discordar do enquadramento, fundamentar e motivar as suas razões, assim não fazendo deve ser anulado por vício material o presente lançamento. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13864.000525/201015 Acórdão n.º 2301003.471 S2C3T1 Fl. 8 7 Por todo o exposto, não vislumbro outra possibilidade, senão anular o presente Auto de Infração, por vício material. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para votar por ANULAR o lançamento por estar este eivado de vício material, diante da ausência de motivação adequada do fato gerador da obrigação tributária em questão. É como voto. Sala das Sessões, em 17 de abril de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 279DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 13161.720116/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.
Numero da decisão: 2201-001.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal declaradas e reduzir o VTN, nos termos do voto do relator.
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente em exercício.
(assinatura digital)
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator.
(assinatura digital)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Margareth Valentini (suplente convocada). Ausente justificadamente o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.
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A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal declaradas e reduzir o VTN, nos termos do voto do relator. PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente em exercício. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 01 16 /2 00 7- 42 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Margareth Valentini (suplente convocada). Ausente justificadamente o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão 0419.159 – 3ª Turma da DRJ/CGE que julgou improcedente a impugnação apresentada em face da Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 07 a 11, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2003, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, totalizando o crédito tributário de R$ 355.398,28, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Bera Rio, com área total de 3.256,2 ha., NIRF 3.095.7630, localizado no município de Navirai/MS. Em razão dos fatos relatados, foram glosadas a área de preservação permanente e de reserva legal, esta última integrante da area de utilização limitada, e alterado o valor da terra nua do imóvel com base no SIPT — Sistema de Preços de Terra da Receita Federal (fls, 06). Instruíram o lançamento os documentos de fls. 01 a 06. A cientificação do lançamento realizouse por via postal em 28/12/2007 (fls. 12), e o interessado apresentou a impugnação de fls. 15 a 29, em 15/01/2008, onde argumentou, em suma, o que segue: 1) Houve violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, visto que recebeu um Termo de Intimação em 2005 onde não constava a exigência de apresentação de laudo de avaliação do imóvel, sendo nula a Notificação de Lançamento, por violação ao art. 5 0, inciso LVI, da Constituição Federal; para ilustrar seu entendimento quanto ao direito A ampla defesa e ao contraditório transcreveu textos doutrinários e jurisprudência judicial; 2) Seguindo o disposto nos artigos 1 0, 80 e 11 da Lei n.° 9.393/1996, apresentou a Declaração Anual do ITR informando área total do imóvel de 3.256,2 ha., preservação permanente de 859,0 ha. e reserva legal de 951,8 ha., dados que não foram considerados na autuação; 3) 0 fato gerador do ITR está expresso no art. 29 do CTN; a apuração e pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, como expresso no art. 10 da Lei n.° 9.393/1996; o valor da terra nua atribuído pelo Erário ao imóvel não pode prevalecer visto que esse encontrase em situação diversa dos demais imóveis rurais da regido, por possuir áreas baixas de várzeas, sujeitas a alagamentos e seu tipo de solo é diferenciado dos demais; em eventual valorização da terra nua, haverá aumento do valor das benfeitorias, culturas e pastagens, devendo ser mantido o valor declarado. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 13161.720116/200742 Acórdão n.º 2201001.531 S2C2T1 Fl. 107 3 4) Consta da matricula do imóvel averbação de reserva legal no percentual de 20% da área total, que equivale a 651,24 ha.; em processo retificatório, o Incra reconheceu a existência de reserva legal, com a constatação "in loco", a legislação especifica prevê a averbação da reserva legal no cartório de Registro de Imóveis, mas não estipula prazo para a averbação; 5) Existe no imóvel Lea de preservação permanente de 859,02 ha., constatada pelo mera, conforme laudo emitido por funcionário desse órgão; 6) Não havia obrigatoriedade de entrega do ADA ao Ibama devido à dificuldade que esse órgão ambiental teve para normatizar e implementar a exigência contida na Instrução Normativa 67/1997; transcreveu jurisprudência judicial buscando amparar seu entendimento quanto ã falta de prazo para averbação da reserva legal e desnecessidade de entrega do ADA ao Ibama; 7) Pelos dados apresentados, apurase grau de utilização da terra superior a 80% , devendo recolher o tributo com a aliquota de 0,3%, o que fez no prazo legal. A DRJ rejeitou as alegações proferindo acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 NULIDADE. Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n.° 70.235/72 e cumpridos os requisitos contidos no art. 11 do mesmo Decreto, além de ter sido dado ao contribuinte o direito de apresentar a impugnação, instaurando o contraditório, não prospera a alegação de nulidade do lançamento. AREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Por expressa determinação legal, para a exclusão da tributação do ITR sobre áreas de preservação permanente, reserva legal e outras é necessária a comprovação da existência efetiva dessas areas e cumprimento da exigência legal de entrega do ADA ao Ibama. VALOR DA TERRA NUA. A base de calculo do imposto sell o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado o Contribuinte recorre juntando novos documentos. É o relatório do necessário Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Conheço do recurso por ser tempestivo. Inicialmente rejeito a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Isso porque a notificação de início de ação fiscal foi realizada na forma editalícia em razão da ineficácia da vai postal. Ademais, o contraditório administrativo fiscal se instaura com a apresentação da impugnação, antes disso o que há é a fase inquisitiva. No mérito parcial provimento merece o presente recurso. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR tem como hipótese de incidência tributável a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º da Lei nº 9.393/96). A base de cálculo dessa exação, por sua vez, é resultado de operação por meio da qual se aplica sobre o Valor da Terra Nua Tributável – VTNt determina alíquota prevista no anexo da Lei nº 9.393/96, que varia em função da área total do imóvel e do seu Grau de Utilização – GU (art. 11º, da Lei nº 9.393/96). O VTNt é obtido por meio da multiplicação do Valor da Terra Nua – VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total do imóvel (art. 10º, §1º, III, da Lei nº 9.393/96), sendo que o VTN corresponde ao valor do imóvel, devidamente declarado pelo contribuinte, deduzido dos valores correspondentes a: a) construções, instalações e benfeitoras; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; e d) florestas plantadas. A área tributável do imóvel, por sua vez, corresponde à área total do imóvel com exclusão das seguintes: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Fl. 109DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 13161.720116/200742 Acórdão n.º 2201001.531 S2C2T1 Fl. 108 5 b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Alínea acrescentada pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (NR) (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.727, de 23.06.2008, DOU 24.06.2008). Tratase, nos termos da legislação em vigor, de tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo sua apuração e recolhimento de responsabilidade do contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, sujeitandose a posterior homologação como explicitado no art. 10º, da Lei nº 9.393/96. Entendo estarem presentes os requisitos para a fruição da dedução da área de Reserva Legal da base de cálculo do tributo em questão, é que na matrícula está averbada uma área de 20% totalizando 651,24 hectares de Reserva legal nos seguintes termos: Procedese a esta averbação a requerimento do proprietário, datado de 22 de setembro de 1.997, para constar no imóvel objeto desta matricula, a existência da reserva legal de 20%, onde nao e permitido o corte raso ou estando desmatada, destinase a reposição florestal na conformidade das Leis n 2 4.771, de 15 de setembro de 1.965 e n 2 7.803, de 18 de julho de 1.989. 0 referido e verdade e dou fé. Navirai, 22 de setembro de 1.997. Neste termos é a jurisprudência desta turma: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE 6 (Processo nº 10540.000033/200357 – Relator Gustavo Lian Haddad) ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DE TERMO DE COMPROMISSO COM EFEITOS ASSEMELHADOS. Quando a averbação de Termo de Compromisso com o órgão ambiental, ainda que não formalmente intitulada de reserva legal, impuser à área restrições parelas com aquelas previstas para a reserva legal, caracterizase como de utilização limitada e deve ser aceita sua exclusão da área tributável. MULTA DE OFÍCIO – INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). (Processo nº 13971.002054/200597 – Relator Gustavo Lian Haddad) Por outro lado, para o gozo do benefício de exclusão da base decálculo da área de preservação permanente não se faz necessária a apresentação do ADA, desde que comprovada a sua existência. No caso em apreço o documento emitido pelo INCRA demonstra a existência da APP, a apresentação do ADA é requisito dispensável, o que não ocorre com a averbação em cartório para a Reserva Legal. Contudo, há averbação de 20% da área a título de reserva legal, conforme averbação nº 3 (fls 41). O Recorrente questiona, ainda, o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal. Sustenta, como relatado anteriormente, que a SRF não obteve, junto aos órgãos competentes, as informações previstas em lei como necessárias sobre preços de terras para alimentar o SIPT trazendo como comprovação os documentos de fls. 34 (fls.,37 do PDF). O art. 14, caput e §1o, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autoriza, no caso de subavaliação, o arbitramento do VTN, assim estabelece: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE Processo nº 13161.720116/200742 Acórdão n.º 2201001.531 S2C2T1 Fl. 109 7 §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II , da Lei no 8.629/93, cuja redação vigente à época da edição da Lei no 9.393/96 dispunha: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado.” O arbitramento do valor da terra nua, expediente legítimo, nos art. 148 do CTN, para as situações em que não mereçam fé as informações prestadas pelo sujeito passivo, deve observar os parâmetros previstos pelo legislador e acima referidos, inclusive capacidade potencial da terra, informados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios. No caso em exame, o arbitramento se baseou nas informações prestadas pelo Município e não exclusivamente nas informações do SIPT, como se verifica do extrato da tela do sistema da Receita Federal do Brasil de fls. 06. Entretanto, deixou de considerar que parte da área é composta por várzea e que para este tipo de área o valor da terra nua é diferente. A existência desta área de várzea, ao meu ver, está devidamente comprovado pelo documento de fls 36, emitido pelo INCRA. Assim entendo que não foram atendidos os requisitos previstos em lei para a realização do arbitramento, razão pela qual deve ser recalculado o VTN arbitrado e considerado no cálculo a área de 854,66ha de várzea ao valor de R$ 353,00/ha. Por tais razões dou parcial provimento ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal declaradas e reduzir o VTN linha 17 do demonstrativo de apuração em R$ 1.649.548,50. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE 8 É como voto. Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MA SSET LACOMBE
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Numero do processo: 12466.000795/97-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/08/1994 a 30/12/1996
AUSÊNCIA DE PROVA DO ILÍCITO. FIXAÇÃO DE ALÍQUOTA PONDERADA PELA FISCALIZAÇÃO.
Compete o titular de o procedimento fiscal produzir as provas suficientes para esclarecer e imputar o ilícito tributário, no caso concreto fazia-se necessário demonstrar a necessidade do ajuste aduaneiro aos preços praticados pelo contribuinte, ausente impõe em cancelar o lançamento. A Administração fiscal deve exigir o tributo nos termos da legislação em vigor, não detém o condão de fixar alíquotas, principalmente, quando essa é determinada por média aritmética.
Numero da decisão: 3403-002.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Ausente o Conselheiro Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente o Dr. Daniel Lacasa Maya, OAB nº 163.222/SP.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti (ausente) e Marcos Tranchesi Ortiz.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/08/1994 a 30/12/1996 AUSÊNCIA DE PROVA DO ILÍCITO. FIXAÇÃO DE ALÍQUOTA PONDERADA PELA FISCALIZAÇÃO. Compete o titular de o procedimento fiscal produzir as provas suficientes para esclarecer e imputar o ilícito tributário, no caso concreto faziase necessário demonstrar a necessidade do ajuste aduaneiro aos preços praticados pelo contribuinte, ausente impõe em cancelar o lançamento. A Administração fiscal deve exigir o tributo nos termos da legislação em vigor, não detém o condão de fixar alíquotas, principalmente, quando essa é determinada por média aritmética. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Ausente o Conselheiro Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente o Dr. Daniel Lacasa Maya, OAB nº 163.222/SP. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti (ausente) e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 07 95 /9 7- 19 Fl. 3838DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício da decisão que cancelou o crédito tributário constituído decorrente de suposta declaração a menor do valor aduaneiro pela importação de veículos referentes ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI e do Imposto de Importação – II dos fatos geradores dos períodos de apuração de 30.08.1994 a 30.12.1996. Com vista uma apresentação sistemática e abrangente deste feito, aproveita se o relatório da decisão recorrida. “Relatório. 0 presente processo trata dos Autos de Infração de fls. 01/35 lavrados para a exigência do Imposto de Importação, juros de mora e multa de oficio no valor de R$9.489.803,29, e do Imposto sobre Produtos Industrializados, juros de mora e multa de oficio no valor de R$2.922.695,64, totalizando um crédito tributário no valor de R$12.412.498,93. A empresa Suzuki do Brasil foi intimada da autuação como responsável solidária. Segundo relato da fiscalização a autuação foi originada da constatação de declaração de valor aduaneiro a menor nas importações realizadas pela importadora acima qualificada nos anos de 1994 e 1995, embora o período fiscalizado, de acordo com as intimações feitas (fls. 61,48, 49, 55, 69), tenha abrangido os anos de 1993 a 1997. A importadora realizou importações de veículos da marca Suzuki e a autoridade aduaneira, suspeitando que existisse vinculação com o exportador que influenciasse o preço da transação, intimou à autuada e a empresa Suzuki do Brasil para prestar informações e comprovar que os valores aduaneiros atendiam aos preceitos do Acordo de Valoração Aduaneira. A operação comercial consistia em a empresa Suzuki do Brasil determinar a introdução dos veículos de sua marca através da importadora Coimex. Após a importação, as mercadorias eram vendidas aos revendedores autorizados da Suzuki conforme disposto em contrato, sendo que a empresa Suzuki do Brasil cobrava destas revendedoras uma diferença entre o preço de venda determinado para as revendedoras e o valor faturado pela Coimex a titulo de "consultoria técnicoadministrativa". Pelas informações prestadas pelas interessadas foi afastada a hipótese de vinculação entre importador e exportador, todavia a fiscalização concluiu que deveria ser ajustado o valor aduaneiro nos termos do art. 8. °, parágrafo 1. 0, do Acordo de valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto n.° 92.930/86 com o acréscimo dos valores de prestação de serviços cobrados da Suzuki do Brasil As revendedoras por serviços de assessoria técnica administrativa, com base no exame dos seguintes contratos e documentos: Contrato entre a Coimex e a Suzuki do Brasil: comprova que a transação era feita entre a Suzuki do Brasil e seus revendedores, atuando a Coimex como mera intermediária para obtenção dos Fl. 3839DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 12466.000795/9719 Acórdão n.º 3403002.463 S3C4T3 Fl. 15 3 benefícios do FUNDAP. A Coimex agia sempre por conta e ordem da Suzuki do Brasil (fls. 91/117). Contratos entre a Suzuki do Brasil e os revendedores da Suzuki: a primeira se declara como única e exclusiva importadora e distribuidora de veículos Suzuki e aparecem clausulas em que o poder de citar preços é sempre da primeira (fls. 77/90). Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria Técnica Administrativa: firmado entre a Suzuki do Brasil e as revendedoras cobrando a diferença entre o preço real de venda e o faturado pela Coimex (fls. 118/121). Notas fiscais de serviços prestados emitidos pela Suzuki do Brasil para seus revendedores onde são cobradas importâncias a titulo de "Assessoria Técnica Administrativa". Termo de Diligência realizada na empresa Suzuki do Brasil as fls. 70/71. Com base nestas provas, a fiscalização buscou os valores correspondentes as referidas prestações de serviços que constavam em notas fiscais de serviços emitidas pela Suzuki do Brasil para seus diversos revendedores e os listou como valor tributável do Imposto de Importação as fls. 09/10 e do IPI as fls. 26, todas do Auto de Infração. As fls. 74/76 constam relações com os valores mensais de faturamento de serviço apurados em diligência fiscal realizada na empresa Suzuki do Brasil nos anos de 1994, 1995 e 1996, bem como a demonstração da alíquota de IPI obtida através da média ponderada dos modelos importados no período. Livro Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados da empresa Suzuki do Brasil e notas fiscais de serviços prestados foram juntados as fls. 128/196. A responsabilidade pelas obrigações tributárias foram atribuída importadora Coimex e a Suzuki do Brasil com base no art. 31 do DecretoLei n.° 37/66 e art. 124, I, do Código Tributário. Atribui responsabilidade à empresa Coimex por infração ao Regulamento do IPI, Decreto n.° 87.981/82, e considera a empresa Suzuki também responsável pelo tributo por entender que esta promoveu a entrada dos veículos no território nacional. Intimadas da autuação, as interessadas apresentaram impugnações, alegando o que segue: COIMEX: 1 A impugnante é empresa comercial denominada de "trading company" e comercializa vários produtos importados, a destacar os veículos da marca Suzuki. A partir do mês de junho de 1996 foi intimada várias vezes pela Receita Federal a apresentar documentos e esclarecimentos quanto à possível vinculação da Fl. 3840DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 mesma com o exportador que afetasse o valor das importações. Foi comprovada a inexistência de vinculação e que o valor das transações não foi afetado. Todavia a fiscalização entendeu proceder aos ajustes previstos no art. 8. ° do Acordo de Valoração. 2 Preliminarmente protesta pela nulidade do Auto de Infração pelas seguintes razões: 2.a) 0 Auto de Infração, como ato administrativo de lançamento deve conter os pressupostos de validade que lhe são intrínsecos, identificando além do fato descrito em lei como gerador da obrigação tributária e o estabelecimento de vinculo entre esse fato e determinada pessoa, é imperativo que o lançamento quantifique o montante devido, determinando a base de cálculo e alíquota aplicada à espécie. No entanto com base em presunção os agentes fiscais concluíram que a cobrança de consultoria técnica administrativa por parte da empresa Suzuki do Brasil era uma complementação de preço justificando os ajustes do valor da importação declarado pela impugnante por ocasião do desembaraço aduaneiro. Na elaboração do auto, com base nestas suposições, foram colhidos os valores de prestação de serviços lançados pela Suzuki sem análise, já que dentre os lançamentos efetuados constam serviços de assistência técnica e de reparos nos veículos de propriedade de pessoas físicas. Junta cópia das notas fiscais as fls. 377/389. Além disto, para obtenção das alíquotas de IPI foi elaborada uma média ponderada das alíquotas vigentes de IPI para cada tipo de veiculo importado a cada ano calendário. Depreendese, disto tudo, que o processo previsto no Acordo de Valoração Aduaneira foi completamente desprezado, pois não foi sequer verificada a correspondência entre o preço de compra e venda dos veículos praticados pela impugnante e os dos serviços prestados pela empresa Suzuki do Brasil. Não existem provas nos autos desta correspondência, obrigando a impugnante a fazer prova negativa, o que não se admite, em regra, no direito brasileiro. Tal procedimento contraria o parágrafo 3 •0 do art. 8.° do referido Acordo. Não é permitido ao Agente Fiscal, na elaboração do lançamento, extrapolar os limites da lei que regula a atividade administrativa. A criação de uma alíquota média de IPI demonstra desrespeito ao principio da legalidade. 2. b) 0 lançamento não pode ser revisto sendo nos termos dos arts. 145 e 149 do CTN e nenhuma das hipóteses ali descritas ocorreu no caso em apreço. Nos termos também do art. 447 do Regulamento Aduaneiro a eventual exigência de crédito tributário deve ser formalizada até cinco dias contados do término da conferência. Defende o ato de homologação expressa do lançamento no momento do desembaraço aduaneiro. 3 No mérito alega que não há vinculação entre a impugnante e o exportador. A fiscalização de maneira confusa menciona que a empresa Suzuki do Brasil é a importadora, todavia é inquestionável que a impugnante é a importadora, estando indicada em todos os documentos da importação. A fiscalização afirma que a interessada é mera intermediária, no entanto não existe contrato de intermediação com o exportador. 0 fato é que Fl. 3841DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 12466.000795/9719 Acórdão n.º 3403002.463 S3C4T3 Fl. 16 5 a impugnante importa e comercializa os veículos da marca Suzuki sob licença da empresa Suzuki do Brasil que é a detentora dos direitos de importação desses produtos. Relata a atividade operacional das importações por ser uma empresa fundapeana. 4 As situações determinantes de ajustes descritas no art. 8. ° do Acordo não se identificam com a forma de realização das operações efetivamente praticadas. Assim devem ser adicionados ao valor de transação os montantes pagos direta ou indiretamente pelo importador ao exportador, ou seja, os valores despendidos pelo importador em função da aquisição da mercadoria, mesmo que a titulo de direitos por uso de marca, participação nos resultados, etc. No entanto estes encargos são exclusivamente aquela intrínseca importação e efetivamente suportados pelo importador. Os fiscais cometeram equívocos atribuindo aos revendedores autorizados à condição de importadores dos veículos e em outros momentos afirmam que a Suzuki do Brasil é a importadora. 5 As inclusões no valor da transação determinadas pelo Acordo de Valoração Aduaneira são aquelas exclusivamente inerentes à importação. Sendo a base de cálculo o meio de dimensionamento do aspecto material da hipótese do imposto e deve ser relacionado ao fato legalmente previsto como gerador da obrigação tributária. Neste sentido inadmissível que os valores pagos pelos concessionários da marca à Suzuki do Brasil, em contraprestação de serviços prestados pela segunda aos primeiros, enquadrarseiam em uma das situações determinantes de ajuste do valor aduaneiro nos moldes do art. 8. °. A fiscalização não pode estabelecer qualquer vinculo entre as vendas dos automóveis pela impugnante e a prestação de serviços pela Suzuki do Brasil. Ademais se cada cobrança a titulo de serviços fosse referente a cada unidade de veiculo vendido, seria injustificável a adoção de uma alíquota de IPI determinada por média ponderada. 6 A impugnante trata também dos fatos geradores do H e IPI e o principio • da legalidade a que deve se ater a administração tributária. 7 Foi também indevidamente aplicada à penalidade prevista no art. 44, I, da Lei n.° 9.430/96, prevista somente para casos de prática de condutas ilícitas, de natureza punitiva e não moratória. No entanto a infração praticada alegada no Auto de Infração consiste em mero pagamento de tributos fora do prazo. 8 Ao final, requer o cancelamento do Auto de Infração. SUZUKI DO BRASIL: 1 A impugnante é distribuidora exclusiva de automóveis da marca Suzuki no Brasil, sendo, por conseqüência, a única detentora dos direitos de uso dessa marca, bem como dos direitos de importação e comercialização desses produtos. Contratou a importadora Coimex, por questões logísticas e Fl. 3842DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 operacionais, para importação de veículos. A impugnante tinha o encargo de adotar as providências necessárias ao incremento das vendas de veículos desta marca, o que abrange a determinação, coordenação e apoio A. implementação de estratégias administrativas, técnicas e publicitárias, uniformes em todo o território nacional, necessárias ao aumento da participação desses produtos no mercado. Para tanto cobrava dos revendedores o preço da prestação de seus serviços de assessoria e consultoria técnico administrativa, através de notas fiscais fatura. 2 Preliminarmente alega os seguintes argumentos: 2. a) Ilegitimidade passiva: a impugnante executa atividades e cobra pelos serviços de assistência técnica, administrativa e comercial, na medida em que cabe a ela o incremento das vendas de veículos da marca Suzuki. Já a empresa Coimex é a responsável pela importação dos veículos cobrando dos revendedores varejistas o preço dos veículos por ela vendidos. A fiscalização baseada nas suposições de que os valores cobrados pela impugnante dos revendedores fosse um complemento dos valores aduaneiros, colheu os valores das prestações de serviços que constavam nos livros fiscais municipais para, sobre eles, calcular os tributos que entenderam devidos. Com base nestas mesmas suposições entenderam que a impugnante teria interesse comum nas importações dos veículos efetuadas pela Coimex e, por esta razão, também seria contribuinte e responsável pelas obrigações tributárias. No entanto a impugnante não procedeu à importação dos veículos nem determinou como estas importações se realizariam. Sua função era apenas de indicar as quantidades, modelos e os lapsos de tempo em que os produtos seriam absorvidos pelos consumidores, controlando o estoque destes produtos para prejudicar a todos os envolvidos na distribuição. Não pode a autoridade aduaneira exigir tributos sobre fatos e de pessoas não expressamente descritas em lei. Os atos administrativos devem estar estritos ao principio da legalidade. São inaplicáveis os arts. 128 e 14, I do CTN. 0 art. 82 do RA caracteriza as situações de interesse comum. 2. b) Protesta pela inexistência dos pressupostos de validade do lançamento e da impossibilidade de revisão do lançamento utilizando os mesmo argumentos trazidos pela importadora Coimex em sua impugnação e transcritos nos itens 2.a) e 2.b) acima. 3 No mérito aborda as mesmas questões trazidas pela impugnante Coimex, acrescentando, ainda, a interpretação da Decisão COSIT n.° 14 e 15, ambas de 15/12/1997, que tratam da constituição de acréscimo ao valor aduaneiro de valores pagos pelas concessionárias As detentoras do uso da marca no pais pelos serviços efetivamente contratados e prestados no Brasil, desde que estas comissões sejam assumidas pelo exportador. 4 Contesta, pelos mesmos argumentos que a Coimex, a aplicação da multa de oficio. Junta notas fiscais de serviços prestados As fls. 467/478. Fl. 3843DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 12466.000795/9719 Acórdão n.º 3403002.463 S3C4T3 Fl. 17 7 0 processo foi encaminhado A DRJ/Rio de Janeiro, competente para julgamento A época da impugnação, a qual converteu o julgamento em diligência conforme despacho de fls. 487/488, onde solicita que a autoridade lançadora esclareçam os motivos pelos quais 1.0) recusaram como "valorcritério" do Acordo de Valoração, a lista de preços de fabricantes estrangeiros que a Coimex informou ter apresentado, 2. °) concluíram que os valores pagos pelas concessionárias A Suzuki do Brasil constituíam comissões pela importação, indicando como elementos probatórios serviços de assistência técnico administrativa que não tenham sido efetivamente contratados e prestados e 3.0) apuraram o IPI mediante aplicação de alíquota média sobre os valores mensais da receita de serviços da Suzuki, ao invés de aplicar a alíquota própria de cada modelo de veiculo sobre o valor do serviço correspondente. Solicita também que se pronunciem sobre as manifestações das impugnantes acerca dos valores que correspondem à prestação de serviços de assistência técnica e reparos de veículos de propriedade de pessoas físicas e jurídicas que os adquiriram de revendedores autorizados, especialmente em relação às notas fiscais de fls. 376/388. A autoridade lançadora, então, intimou as autuadas a prestarem informações acerca dos serviços de assistência técnica, cálculo do rateio das despesas destes serviços, dos valores de venda dos veículos, entre outros esclarecimentos referentes a estas despesas e valores de importação. As impugnantes forneceram às respostas As fls. 494/495, 538/539, 542/546, informando, basicamente, que não possuem documentos contábeis com o citado rateio, reforçando os argumentados apresentados nas impugnações quanto aos procedimentos de venda e dos serviços prestados. Após estas respostas fornecidas pelas impugnantes, a fiscalização junta à informação de fls. 547/548, esclarecendo o que segue: 1) que a lista de preços não foi aceita pois se enquadram em nenhuma das hipóteses elencadas no art.8, § 2, b, do Acordo de valoração Aduaneira. 2) os valores foram considerados como "comissão de importação" porque são despesas suportadas pelo comprador e se tratam de comissões cobradas diretamente e ligadas com a importação do veiculo. Não há evidências de que os serviços foram realmente prestados, a não ser as notas fiscais em que nada ficou constatado. 3) não identificaram na contabilidade valores que pudessem ser ligados diretamente a despesas de assistência técnica e reparos das concessionárias. Não existem condições de se saber se as despesas de fls. 376/388 foram executadas e reembolsadas através das notas de serviço, pois não há explicação na contabilidade sobre o assunto. Fl. 3844DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 4) os tributos foram apurados pela média, porque se aplicassem a alíquota de IPI para cada importação e depois efetuassem a soma, teriam o mesmo valor se usassem a média. A média é neutra e as impugnantes não demonstram o contrário. Com estas informações e tendo em vista a mudança de competência das Delegacias de Julgamento, o processo foi encaminhado a esta DRJ/Florianópolis para julgamento. Em sessão de 26/04/2002 o presente processo foi julgado, tendo sido exarado o Acórdão n.° 770, que encontrase as fls. 551/590, cujo resultado foi à manutenção do lançamento, nos termos das seguintes ementas: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/08/1994 a 30/12/1996 Ementa: NULIDADE DA AÇÃO FISCAL. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto no 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Estando o procedimento fiscal realizado em estrita observância as suas normas de regência, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas a observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 30/08/1994 a 30/12/1996 Ementa: SOLIDARIEDADE PASSIVA Caracterizase a solidariedade passiva tributária entre o representante exclusivo para comercialização de veículos de determinada marca e terceiro importador (mandatário para os efeitos legais), quando este terceiro, ainda que seja uma trading, realiza em nome próprias importações e revendas de veículos dessa marca. Contratos firmados entre a representante exclusiva e diversas concessionárias, mencionando a intervenção desse terceiro nas transações comerciais reforçam a comprovação da solidariedade. PRAZO DECADENCIAL. VALOR ADUANEIRO. FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA. Nos lançamentos por homologação, o direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos relativos aos tributos aduaneiros extinguese depois de cinco anos, contados do fato gerador. Fl. 3845DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 12466.000795/9719 Acórdão n.º 3403002.463 S3C4T3 Fl. 18 9 0 Valor Aduaneiro encontrase no escopo das matérias atinentes ao despacho aduaneiro passíveis de revisão por parte da autoridade fiscal. 0 prazo de cinco dias para a liberação da mercadoria anteriormente ao desembaraço, tratase de período de tempo procedimental, relativo somente ao despacho aduaneiro, não se constituindo em prazo decadencial de formalização da exigência tributária. REVISÃO DE OFÍCIO. Agindo o contribuinte em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, por dever de oficio, deve proceder à revisão e se for o caso, exigir, por meio do lançamento, os tributos que deixaram de ser pagos, além dos demais acréscimos legais cabíveis. MULTA DE OFICIO. É cabível a exigência da multa de oficio, quando constatado a não recolhimento de tributos após o seu vencimento. Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 30/08/1994 a 30/12/1996 Ementa: VALOR ADUANEIRO. AJUSTES AO VALOR DE TRANSAÇÃO. ACRÉSCIMO. CABIMENTO. Integram o valor aduaneiro, as parcelas cobradas das concessionárias, sempre vinculadas à revenda de veículos importados, tendo por objeto a prestação de serviços pela representante da exportadora no Pais a essas concessionárias, relativos às atividades comerciais de concessão comercial de veículos automotores de vias terrestres, notadamente, ao licenciamento do uso diversificado da marca, expressões e sinais de propaganda dentre outros. INCIDÊNCIA DO IPI NA IMPORTAÇÃO. MAJORAÇÃO DA BASE DE CALCULO. FATO GERADOR. 0 fato gerador do IPI na importação constitui o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira, cuja base de cálculo é o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo dos tributos aduaneiros, por ocasião do despacho de importação, acrescido do montante desses tributos e dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis. Uma vez majorado o valor de transação de mercadoria importada, em decorrência dos ajustes previsto no AVA, resta exigir de oficio a diferença do respectivo crédito tributário. As fls. 599/836 as interessadas apresentaram recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes repisando os argumentos de suas impugnações, acrescentando, ainda, contra a decisão de 1.a instancia, as seguintes alegações: Fl. 3846DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 10 i) a autoridade julgadora se pronunciou sobre pontos que não foram alegados pela defesa, tais como cerceamento de defesa e não cumulatividade do IPI; ii) deixou de se manifestar sobre pontos fundamentais ao deslinde da questão tais como falta de previsão legal para fixação de alíquota média de IPI e o acréscimo ao valor de transação de valores pagos por outras pessoas em razão de serviços de assistência técnica e de reparo em veículos; iii) apesar de ter afastado o motivo determinante da lavratura do auto de infração, vinculação entre exportador e importador, manteve a exigência fiscal. 0 Conselho de Contribuintes, em sessão de 25/01/2005, exarou o Acórdão n.° 30236.621, rejeitando a preliminar de nulidade, dando provimento ao recurso impetrado pelas interessadas, com base nas Decisões Cosif n.'s 14 e 15/97 (fls. 933/973). A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial contra esse acórdão a Câmara Superior de Recursos Fiscais alegando contrariedade a evidência das provas e violação do art. 8. °, 1, d, do AVA, requerendo o restabelecimento do acórdão de primeira instancia (fls. 975/981). A empresa Coimex apresentou as ContraRazões as fls. 990/1002. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 25/02/2008, proferiu o Acórdão n.° 302128.097, acolhendo a preliminar de nulidade dos atos processuais a partir da decisão de primeira instancia, para que outra seja proferida, desta vez abordando todas as questões trazidas nas impugnações, em especial as questões referentes à falta de previsão legal para fixação de alíquota média de IPI, o acréscimo ao valor de transação de valores pagos a Suzuki por outras pessoas que não as concessionárias, determinando, ainda, a ciência das interessadas da diligência efetuada, devendo ser reaberto prazo para impugnações complementares (acórdão As fls. 1027/1033). Cientificadas as atuadas, as mesmas apresentaram as impugnações de fls.1042/1074, salientando o descabimento do argumento da fiscalização quanto A base legal para a recusa do valor critério, artigo 1, § 2.b, do AVA, quando este dispositivo se aplica somente se houver vinculação entre exportador e importador, fato este afastado pela própria fiscalização. Repisam, também, os argumentos referentes Às comissões que não estão vinculadas As importações e da utilização de alíquota média para cálculo do IPI. Salientam que nos autos constam documentos contábeis relativos À emissão de fatura, cópias de folhas de pagamento referentes os prestadores de serviço (contratados, exatamente, para sua execução) e balancetes analíticos, oferecendo, portanto, documentação suporte eficiente para evidenciar a prestação de serviços, contrariando as alegações a fiscalização quanto À falta de prova da prestação de serviços. A empresa Suzuki do Brasil junta os seguintes Fl. 3847DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 12466.000795/9719 Acórdão n.º 3403002.463 S3C4T3 Fl. 19 11 documentos: balancete, demonstrativo de resultado, fichas de empregados, folhas de pagamento e DIPJ's, As fls. 1075/1620. E o relatório”. Sobreveio decisão da DRJ, ora recorrida de ofício, cancelando o lançamento em decorrência de: “Há que se ressaltar que é dever da autoridade lançadora instruir os autos com todos os elementos de prova que entender necessários à comprovação do ilícito tributário, não competindo À autoridade julgadora substituir o papel daquela autoridade preenchendo as lacunas da autuação. Por estas razões já entendo que são improcedentes os lançamentos dos tributos exigidos, e por conseqüência, dos acréscimos legais. Mas ainda há que destacar a total ilegalidade da eleição de alíquota média de IPI, obtida por média ponderada das alíquotas de IN incidentes sobre determinados modelos de veículos em determinados intervalos de tempo. Ora, muito não há o que se dizer sobre tal procedimento, totalmente equivocado da fiscalização. Pelo principio basilar da legalidade, a autoridade fiscal deve exigir a obrigação tributária, no caso o IPI, nos termos da legislação em vigor, fazendo incidir sobre o valor aduaneiro da mercadoria importado a alíquota aplicável para cada produto, em função justamente da seletividade deste tributo. A fiscalização não comprovou, e nem poderia visto inexistir, o fundamento legal para aferição de média ponderada de alíquotas de IPI. Finalmente, por entender que não houve a competente demonstração da necessidade de ajuste do valor aduaneiro dos veículos importados, que, destaquese, sequer foram relacionados com as importações efetuadas, e ainda pela ilegalidade da aplicação de alíquota média de IPI, julgo IMPROCEDENTE os lançamentos a que se referem os autos de infração do presente processo”. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Impõe o conhecimento do presente recurso porque presentes estão os pressupostos de admissibilidade, constatado que o valor desonerado ultrapassa o valor fixado para efeitos de alçada. Fl. 3848DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 12 Acusação inicial motivadora do auto de infração é de que a Cia Importadora e Exportadora Coimex ao importar veículos da marca Suzuki tivesse vinculação com o exportador capaz de influenciar no preço da transação. Face os contratos de representação dos veículos no Brasil pela Suzuki do Brasil foi arrolada como devedora solidária. As empresas intimadas a prestar informações demonstraram e comprovaram que os valores aduaneiros atendiam os preceitos do Acordo de Valoração Aduaneira. Posteriormente, a mesma Autoridade Atuante abandonou acusação de vinculação do importador com o exportador e concluiu que deveria ser ajustado o valor aduaneiro nos termo do art. 8º, parágrafo 1º, do Acordo de Valoração aduaneira, promulgado pelo Decreto nº 92.930/86, acrescendo os valores referentes à prestação de serviços cobrados pela Suzuki do Brasil das revendedoras por serviços de assessoria técnica administrativa com base nos contratos e o livro de registro de prestação de serviços. Acolheuse a preliminar de nulidade do auto de infração. A meu sentir andou bem o Julgador de Piso, como restou assentado na decisão. Assim, a decisão deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, que também adoto: “E ainda mais inconsistente é a análise da fiscalização no que diz respeito ao próprio valor aduaneiro que se pretende ajustar. Sequer a fiscalização individualizou e correlacionou os veículos importados com os respectivos serviços que integrariam, ou deveriam integrar, a base de cálculos dos tributos devidos na importação. 0 lançamento deve conter os pressupostos legais, no fiel cumprimento do art. 142 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Ainda que se pudesse admitir a tributação dos valores que não foram acrescidos ao valor de transação, ou seja, calculando os tributos somente pela diferença do valor acrescido, a exigência da obrigação tributária deve se dar dentro da legalidade, atendendo aos demais critérios para a constituição do crédito tributário. Estou me referindo, inicialmente, ao fato gerador dos tributos. No caso do Imposto de Importação, a data do registro da DI, nos termos do art. 19 do CTN combinado com o art. 23 do DecretoLei n.° 37/66, a data considerada como tendo ocorrido o fato gerador para efeitos de cálculo do tributo é a data do registro da declaração. No relatório fiscal estão relacionados diversos valores agrupados por mês, valores estes, como já disse, retirados do livro de registros de serviços prestados pela Suzuki do Brasil. Além de que estes valores de serviços não foram devidamente relacionados com os respectivos valores aduaneiros dos veículos Fl. 3849DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 12466.000795/9719 Acórdão n.º 3403002.463 S3C4T3 Fl. 20 13 importados, não houve, também, a indicação da data destas importações. Conseqüentemente o lançamento não foi devidamente constituído no que diz respeito À demonstração da matéria tributável correspondente ao fato gerador da obrigação tributária. Há que se ressaltar que é dever da autoridade lançadora instruir os autos com todos os elementos de prova que entender necessários à comprovação do ilícito tributário, não competindo à autoridade julgadora substituir o papel daquela autoridade preenchendo as lacunas da autuação. Por estas razões já entendo que são improcedentes os lançamentos dos tributos exigidos, e por conseqüência, dos acréscimos legais. Mas ainda há que destacar a total ilegalidade da eleição de alíquota média de IPI, obtida por média ponderada das alíquotas de IN incidentes sobre determinados modelos de veículos em determinados intervalos de tempo. Ora, muito não há o que se dizer sobre tal procedimento, totalmente equivocado da fiscalização. Pelo principio basilar da legalidade, a autoridade fiscal deve exigir a obrigação tributária, no caso o IPI, nos termos da legislação em vigor, fazendo incidir sobre o valor aduaneiro da mercadoria importado a alíquota aplicável para cada produto, em função justamente da seletividade deste tributo. A fiscalização não comprovou, e nem poderia visto inexistir, o fundamento legal para aferição de média ponderada de alíquotas de IPI. Finalmente, por entender que não houve a competente demonstração da necessidade de ajuste do valor aduaneiro dos veículos importados, que, destaquese, sequer foram relacionados com as importações efetuadas, e ainda pela ilegalidade da aplicação de alíquota média de IPI, julgo IMPROCEDENTE os lançamentos a que se referem os autos de infração do presente processo”. Sendo assim, voto no sentido de manter a decisão recorrida e negar provimento ao recurso. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 3850DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 14 Fl. 3851DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10283.720639/2011-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2008, 2009
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. JIPES.
A partir do advento do Decreto nº 783/93 inexiste óbice à concessão da isenção prevista no art. 9º do Decreto-Lei nº 288/67 aos jipes classificados na posição 8703 da TIPI.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-002.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente a Dra. Mary Elbe Queiroz, OAB/PE nº 25.620.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ISENÇÃO. JIPES. A partir do advento do Decreto nº 783/93 inexiste óbice à concessão da isenção prevista no art. 9º do DecretoLei nº 288/67 aos jipes classificados na posição 8703 da TIPI. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente a Dra. Mary Elbe Queiroz, OAB/PE nº 25.620. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 06 39 /2 01 1- 09 Fl. 723DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 04/07/2011, lavrado para exigir o IPI, multa de ofício e juros de mora em relação à falta de lançamento do imposto nos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009. A empresa autuada está localizada na Zona Franca de Manaus e é fabricante dos veículos da marca comercial MAHINDRA SUV 4X4. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal, a fiscalização constatou o seguinte: 1) a empresa monta veículos no Polo Industrial de Manaus; 2) a empresa deu saída da Zona Franca de Manaus a produtos classificados na posição 8703.3310 da NCM, conforme a planilha CÁLCULO DO IPI POR DECÊNDIO ANO 2008 E 2009; 3) essa classificação se refere a automóveis de passageiros, para os quais não se aplica a isenção do IPI prevista no DecretoLei nº 288/67. Regularmente notificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, alegando, sem síntese, o seguinte: 1) Nulidade do auto de infração, pois a fiscalização indicou uma classificação fiscal (8703.3310) que corresponde a produto não fabricado pela recorrente. O projeto industrial e os documentos de venda do produto (doc. 11), indicam que se trata de veículo utilitário “Jipe”, com capacidade para até 7 pessoas, classificado no código 8703.3390 da NCM; 2) Ao contrário do afirmado no auto de infração, o produto fabricado pela recorrente desde 2007 é um “Jipe” enquadrado no código 8703.3390 e atende aos requisitos estabelecidos no Ato Declaratório Normativo nº 32, de 28 de setembro de 1993, da Cosit, que estabelece quais as características que um veículo deve conter para ser classificado como jipe na NCM; 3) Em razão do enquadramento como jipe, a SUFRAMA expediu o Laudo de Operação 363/2007 e o Laudo de Produção 55/2007, com prazo de validade indeterminado, atestando o direito da impugnante à produção do VEÍCULO UTILITÁRIO JIPE, de acordo com o Processo Produtivo Básico estabelecido no Anexo XIII do Decreto nº 783/93, bem como a fruição dos incentivos fiscais previstos nos arts. 7º e 9º do DecretoLei nº 288/67; 4) Ao expedir o Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito – CAT nº 2.834/08 (Doc. 13), o Denatran, levando em consideração o disposto no ADN 32/93, deixou claro que se trata de um veículo de uso misto, tipo utilitário, carroçaria jipe; 5) Em períodos anteriores ao ano de 2007 houve discussão sobre o enquadramento dos veículos na posição indicada pela fiscalização no auto de infração, mas a SUFRAMA emitiu o Parecer 611/2005COJUR/PROJU (Doc. 17), que ratificou a validade da Resolução SUFRAMA nº 281/2002, confirmando que se trata de um veículo utilitário, apto a gozar de todos os benefícios fiscais do Decretolei nº 288/67; 6) Invocou a seu favor o Parecer Normativo nº 02, de 24/03/1994 (Doc. 18), que determina que se um veículo de passageiros puder ser enquadrado como “jipe” e como “veículo de uso misto”, deverá ser classificado como veículo de uso misto, em razão dos códigos de veículos de uso misto estarem em ordem numérica superior aos dos jipes (RGI3C), o que confirma a correção da classificação adotada pela recorrente no código 8703.3390; Fl. 724DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10283.720639/201109 Acórdão n.º 3403002.192 S3C4T3 Fl. 3 3 7) Com a Resolução 166/2009 a SUFRAMA aprovou o Projeto Industrial de Atualização da recorrente, na forma do Parecer Técnico de Projeto 128/2009, tendo sido ratificado o direito à fruição dos benefícios fiscais previstos nos arts. 7º e 9º do Decretolei nº 288/67; 8) A competência para a concessão do incentivo é da SUFRAMA. Todos os atos emitidos pela SUFRAMA integram a legislação tributária. O contribuinte realizou as operações com os Jipes amparado nos atos específicos da SUFRAMA, devendo ser excluído o crédito tributário e as penalidades impostas; 9) Sustentou a possibilidade de discutir a inconstitucionalidade das leis na esfera administrativa, impugnou a multa e os juros de mora com base na taxa Selic e requereu perícia técnica. Posteriormente à impugnação, o contribuinte juntou aos autos parecer jurídico elaborado pelo Prof. Ives Gandra da Silva Martins, Relatório Técnico nº 39/2011 e o Ofício 6808/SPR/CGAPI/COPIN da SUFRAMA. Por meio do Acórdão nº 24.583, de 29 de março de 2012, a 3ª Turma da DRJ – Belém, julgou a impugnação improcedente. Foi rejeitada a preliminar de nulidade do auto de infração, pois a recorrente entendera o alcance da imputação que lhe foi feita. Não foram conhecidas as alegações de inconstitucionalidade, em razão da incompetência da autoridade administrativa. Foi rejeitado o pedido de perícia, em face da providência ter sido considerada desnecessária. No mérito, entendeu a DRJ que o Decretolei nº 340/67, posteriormente alterado pelo Decretolei nº 355/68, esclareceram que os automóveis de passageiros excluídos do beneficio previsto no Decretolei nº 288/67 seriam os compreendidos na posição 87.02, incisos 1 e 2 da tabela anexa à Lei nº 4.502/64, com as alterações introduzidas pelo Decretolei nº 34/66. Na referida posição estariam enquadrados os automóveis de uso misto. Posteriormente, quando da criação da NBM pelo Decretolei nº 1.154, de 1º de janeiro de 1971, a Receita Federal, por meio da IN 40/72, atualizou a relação de veículos que estariam compreendidos na expressão “automóveis de passageiros”, na qual constava expressamente o código NBM 8702.0100 (veículos tipo ‘jipe”, com trações nas 4 rodas, com ou sem polia para transmissão de força). Nessa linha, considerando a classificação fiscal das mercadorias na TEC, segundo a Resolução nº 43, de 22 de dezembro de 2006, da Câmara de Comércio Exterior, e na TIPI aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, concluiu a DRJ que as exceções previstas na legislação da ZFM, quando se referem a “automóveis de passageiros”, abrangem os veículos classificados na posição 8703. Assim, ainda que haja projeto aprovado pela SUFRAMA, o Decretolei expressamente veda a concessão de tal benefício para os veículos de uso misto. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 20/04/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/05/2012, no qual além de atacar os fundamentos do acórdão de primeira instância, reprisou e reforçou os argumentos oferecidos na impugnação. É o relatório. Voto Fl. 725DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Com base no art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72 deixo de apreciar as nulidades alegadas e passo direto ao exame do mérito. Versa o caso concreto sobre o direito à isenção do IPI em relação aos veículos fabricados e saídos da Zona Franca de Manaus nos anos de 2008 e 2009. Verificase nos autos que a SUFRAMA reconheceu em 2006 o direito à isenção do IPI à MOTOREX –INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA por meio da Portaria nº 439/2006 (fl. 165), e que, posteriormente, a autarquia expediu a Portaria nº 45/2007 por meio da qual concordou com a incorporação da MOTOREX pela ora recorrente e também com a transferência de todos os direitos e obrigações referentes aos projetos aprovados pela SUFRAMA (fl. 164). Assim a BRAMONT MONTADORA INDUSTRIAL E COMERCIAL S/A passou a produzir os veículos MAHINDRA SUV 4X4, sendo beneficiária dos incentivos fiscais previstos no Decretolei nº 288/67 por sucessão da MOTOREX – INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VEÍCULOS. Na parte em que interessa ao deslinde deste processo, os fatos geradores ocorreram sob a égide do art. 9º, §§ 1º e 2º, combinado com art. 3º, § 1º do DecretoLei nº 288/67, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 8.387/91. O referido dispositivo legal isentou do IPI todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do território nacional, excetuadas as mercadorias referidas no art. 3º, § 1º. Entre as exceções expressamente relacionadas encontramse os automóveis de passageiros. A questão que se apresenta é determinar se os jipes estão ou não estão incluídos na vedação contida no art. 3º, § 1º do DecretoLei nº 288/67. Tratandose de isenção do Imposto Sobre Produtos Industrializados, a investigação a respeito do que se considera “automóvel de passageiros” necessariamente deve passar pelo exame da respectiva Tabela de Incidência, a teor do disposto no art. 130 do RIPI/2002. Nesse passo, o cotejo entre o Laudo Técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (fls. 443 a 457), que efetuou a análise do veículo MAHINDRA SUV 4X4, e as características estabelecidas pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 32/93 revela que se trata de um veículo de passageiros que preenche os requisitos para ser enquadrado na TIPI como jipe. Tanto isso é verdade, que o Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito – CAT nº 2.834/2008 expedido pelo Denatran enquadrou o veículo como sendo da espécie misto, do tipo utilitário e com carroçaria jipe (fl. 223). Portanto, tratase de um veículo de uso misto, ou seja, que segundo a acepção das Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado (NESH), se presta tanto ao transporte de Fl. 726DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10283.720639/201109 Acórdão n.º 3403002.192 S3C4T3 Fl. 4 5 pessoas, quanto ao transporte de mercadorias e que possui características tais como altura do solo, ângulos de ataque e de saída, tração nas quatro rodas e câmbio com marchas normais e reduzidas, que lhe permitem operar em terrenos “fora de estrada”, inacessíveis aos veículos denominados “de passeio”. É cediço que os veículos automotores são classificados no Capítulo 87 da Tabela de Incidência do IPI aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28/12/2006 (TIPI/2006). A Regra Geral nº 1 para Interpretação do Sistema Harmonizado estabelece que a classificação deve ser feita com base nos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Pois bem, o exame dos textos das posições do Capítulo 87 não oferece outra alternativa de classificação para o veículo em questão que não seja a posição 8703, uma vez que se trata de um veículo preponderantemente utilizado para o transporte de passageiros. O critério determinante para a classificação dos veículos no Capítulo 87 não é ser jipe ou veículo de passeio, mas sim ser veículo destinado ao transporte de pessoas ou ao transporte de mercadorias. Se for destinado ao transporte de dez ou mais pessoas a classificação ocorre na posição 8702. Se for destinado ao transporte de até 9 pessoas a classificação ocorre na posição 8703. E se for destinado ao transporte de mercadorias a classificação se dá na posição 8704. Partindo da premissa de que o veículo está classificado na posição “8703 – Veículos de passageiros e outros veículos automóveis principalmente concebidos para o transporte de pessoas (exceto os da posição 8702), incluídos os veículos de uso misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida”, entenderam a autoridade administrativa e a DRJ Belém que o veículo MAHINDRA SUV 4x4 estaria excluído da isenção prevista no art. 9º do Decretolei nº 288/67, por força do disposto no art. 3º, § 1º do mesmo decreto, em razão de o veículo estar enquadrado em uma posição da TIPI destinada a veículos de passageiros. Realmente, como bem apontou a DRJ – Belém, o DecretoLei nº 340/67, com a redação que lhe foi dada pelo DecretoLei nº 355/68, estabeleceu expressamente que a isenção prevista nos arts. 3º e 9º do DecretoLei nº 288/67 não se aplicava aos produtos da posição 87.02, incisos 1 e 2 da Tabela de Incidência do IPI anexa à Lei nº 4.502/64, com as alterações introduzidas pelo DecretoLei nº 34/66. A referida posição englobava os veículos passageiros e os veículos de uso misto. Entretanto, a interpretação vertida no acórdão de primeira instância não pode ser aplicada ao caso concreto, que versa sobre fatos geradores ocorridos durante os anos de 2008 e 2009. Isto porque o art. 3º, § 2º do DecretoLei nº 288/67 estabelece que o rol de exceções à isenção do § 1º pode ser alterado por decreto. E com base nessa autorização legal, o Decreto nº 783, de 25 de março de 1993, estabeleceu o processo produtivo básico para os produtos industrializados na Zona Franca, constantes dos seus anexos I a XV. No anexo XIII do Decreto nº 783/93 se pode verificar que existe a previsão do processo produtivo básico para jipes. Na observação nº 4 do Anexo XIII consta expressamente que “(...) Para os efeitos deste decreto, os veículos automóveis para transporte de mercadorias são exclusivamente os compreendidos na Posição 8704 e os jipes são exclusivamente os compreendidos na Posição 8703 da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM/SH); (...)”. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 O Decreto nº 783/93 revogou as disposições em contrário e teve vigência e eficácia a partir da data de sua publicação (DOU de 26/03/1993, Seção I, pág. 3791/3796). Concluise que a partir de 26/03/1993, o Decreto nº 783 tornou juridicamente possível a concessão da isenção do IPI prevista no art. 9º do Decretolei nº 288/67 aos veículos de passageiros, desde que possam ser classificados como jipes na posição 8703 da TIPI. Considerando que o veículo MAHINDRA SUV 4X4 atende aos requisitos do ADN Cosit nº 32/93 para ser enquadrado como jipe da posição 8703 e tendo em vista as Portarias de fls. 165 e 164 expedidas nos anos de 2006 e 2007 pela SUFRAMA, concluise que a ora recorrente é beneficiária de ato administrativo de efeito concreto que regularmente reconheceu a isenção do IPI prevista no art. 9º do Decretolei nº 288/67 para os jipes MAHINDRA SUV 4X4. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reformar o acórdão de primeira instância e determinar o cancelamento do auto de infração. Antonio Carlos Atulim Fl. 728DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13056.000173/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PERDA DO INCENTIVO. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito presumido de IPI não tem natureza jurídica de redução ou isenção, razão pela qual não se lhe aplica a penalidade prescrita no art. 59 da Lei 9.069/1995.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-001.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Luiz Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Helder Kanamaru e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PERDA DO INCENTIVO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido de IPI não tem natureza jurídica de redução ou isenção, razão pela qual não se lhe aplica a penalidade prescrita no art. 59 da Lei 9.069/1995. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PERDA DO INCENTIVO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido de IPI não tem natureza jurídica de redução ou isenção, razão pela qual não se lhe aplica a penalidade prescrita no art. 59 da Lei 9.069/1995. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Luiz Marcelo Guerra de Castro Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Helder Kanamaru e José Fernandes do Nascimento. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 01 73 /2 00 9- 71 Fl. 892DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente s Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender incabível o reconhecimento do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI, quando constatada a prática, no anocalendário, de ato que configure crime contra a ordem tributária. A ora Recorrente solicitou o ressarcimento de crédito básico e presumido do IPI, referente ao 2º trimestre de 2009, no valor total de R$ 409.302,02, por meio do PER/DCOMP nº 15740.58500.170709.1.1.015530, transmitido em 17 de julho de 2009. Na mesma data, transmitiu o PER/DCOMP nº 27049.98737. 170709.1.3.01.9101, pleiteando o aproveitamento, mediante compensação, da parcela de R$ 17.006,58. Foi realizada auditoria para analisar a legitimidade desse crédito, bem como do crédito objeto do PER/DCOMP nº 88864.57289.201009.1.1.011600, relativo ao 3º trimestre de 2009 (processo administrativo nº 13056.000286/200976), no qual a autoridade fiscal concluiu o seguinte (relatório de fls. 329 a 337): foram detectados indícios de inclusão indevida de gastos com prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido, o que motivou a realização de fiscalização previdenciária que resultou em lavratura de auto de infração, objeto do processo 11065.001584/201082 e formalização de duas representações fiscais para fins penais, a primeira, pela constatação da prática de fato considerado crime, em tese, de sonegação fiscal previdenciária art. 337A, I, do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 1940, com alterações da Lei 9.983, de 14/07/2000; e a segunda, por crime, em tese, contra a ordem tributária, Lei nº 8.137, de 1990, art. 1°, I. o relatório da ação fiscal relativa às Contribuições Previdenciárias está reproduzido às fls. 277 a 325, onde consta em resumo, o entendimento da fiscalização no sentido de que as empresas do mesmo grupo Calçados Laesa Ltda., Calçados Joice Ltda. e Calçados Siberia Ltda., optantes do Simples, foram criadas com o objetivo de reduzir os tributos incidentes sobre a folha de pagamentos da requerente, sendo os empregados destas empresas, de fato, funcionários de Calçados Status Ltda.; tendo em vista que o art. 59 da Lei nº 9.069, 29 de junho de 1995 determina a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária aos contribuintes que praticarem atos que configurem crimes contra a ordem tributária, a Fiscalização da DRF em Novo Hamburgo propôs o deferimento parcial do pedido, com o indeferimento do ressarcimento de crédito presumido de IPI, no valor de R$ 407.726,93 e o reconhecimento do direito ressarcimento de créditos básicos do mesmo imposto, com fundamento no art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, no valor de R$ 1.575,09: em decorrência, foram emitidos os Despachos Decisórios de fls. 341 e 353, que deferiram parcialmente o pedido de ressarcimento formalizada no PER/DCOMP nº 15740.58500.170709.1.1.015530 e homologaram até o limite do Fl. 893DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13056.000173/200971 Acórdão n.º 3102001.948 S3C1T2 Fl. 12 3 deferimento a compensação declarada no PER/DCOMP nº 27049.98737.170709.1.3.019101. Irresignado, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos, alegando, preliminarmente, a nulidade do ato administrativo, por não trazer as informações suficientes à formulação da sua defesa, uma vez que o Despacho Decisório da DRF em Novo Hamburgo e a Intimação não teriam mencionado os motivos que levaram ao indeferimento parcial do pedido de ressarcimento, sendo necessário dirigirse à repartição para solicitar cópia de todo o processo para entender o ocorrido. Quanto ao mérito, alega inicialmente que, em virtude do princípio da “presunção de inocência” a que se refere o art. 5º, inc. LVII, da Constituição Federal, a Administração não poderia ter aplicado o art. 59 da Lei nº 9.069, de 1995, deixando de reconhecer o direito creditório, antes que o Poder Judiciário houvesse proferido sentença penal condenatória sobre o fato apontado como crime pela Fiscalização. Por outro lado, entende que não cabe à Administração Tributária, integrante do Poder Executivo Federal, julgar se houve, ou não, prática de ato criminoso contra a ordem tributária, a teor do disposto no inc. XXXVII do mencionado dispositivo constitucional. No seu entendimento, a configuração da prática de crime, de qualquer tipo, só se daria o trânsito em julgado de decisão criminal na esfera judicial, tendo a autoridade administrativa usurpado a competência do Poder Judiciário, ao aplicar sanções sem o devido processo legal. Sustenta também que, de acordo com o princípio da tipicidade cerrada, que norteia o Direito Tributário Nacional, a pena aplicada aos que forem condenados pela prática de crimes contra a ordem tributária seria a perda dos incentivos fiscais de redução ou isenção, hipótese em que não se enquadraria o crédito presumido, o qual seria o ressarcimento econômico do custo dos tributos como forma de viabilizar as exportações. Prossegue afirmando que o art. 59 da Lei nº 9.069, de 1995 seria aplicável apenas ao Imposto de Renda, pois está inserida no art. 618 do Regulamento do referido Imposto (Decreto nº 3.000, de 1999). Tal determinação não se aplicaria ao IPI, pois não há qualquer menção no Regulamento do mesmo imposto, devendose considerar que sua aplicação a hipóteses que nela não estão previstas teria decorrido do uso da analogia, o que é inaceitável por violar o princípio da tipicidade cerrada e da legalidade estabelecidos pela ordem jurídica vigente. Anexa cópia da impugnação interposta nos processos administrativos nº 11065001.582/201093, 11065001.583/201038, 11065001.584/201082, 11065001.585/ 2010 27 e 11065001.586/201071, informando que deseja considerar seus argumentos como transcritos na presente impugnação. A DRJ em Porto Alegre julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentadas, nos seguintes termos: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PERDA DO INCENTIVO. Incabível o reconhecimento do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI, quando constatada a prática, no ano calendário, de ato que configure crime contra a ordem tributária. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, o cerne da presente controvérsia gira em torno da definição se o caso concreto preenche os requisitos necessários para a aplicação da penalidade prescrita no art. 59 da Lei n° 9.069/95. Para tanto, colocase uma questão prejudicial, que é justamente definir se o crédito pleiteado pela Recorrente se qualifica como “incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária”. Afinal, sendo negativa a resposta a esta indagação, fica prejudicada a análise acerca da necessidade ou não de sentença penal transitada em julgado reconhecendo a prática de crime contra a ordem tributária ou mesmo de decisão administrativa definitiva também nesse sentido. Pois bem. A ora Recorrente teve seu pedido de ressarcimento indeferido, sob o argumento de que seria incabível o reconhecimento do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI, quando constatada a prática, no anocalendário, de ato que configure crime contra a ordem tributária, nos termos do art. 59 da Lei 9.069/95, o qual preserve o seguinte: Art. 59 A prática de atos que configurem crime contra a ordem tributária (Lei n° 8.137 de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão a pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Como é possível perceber da simples leitura do texto acima transcrito a hipótese de incidência prevista é a prática, pelo contribuinte de "atos que configurem crimes contra a ordem tributária". Já a consequência corresponde à “perda de incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação”. Ocorre que o crédito presumido de IPI regulado pela Lei nº 9.363/96 não tem natureza jurídica de incentivo ou benefício de redução ou isenção previsto na legislação. De fato, não se verifica nesses casos o desconto, via redução ou isenção, do imposto devido. Pelo contrário, o mecanismo estabelecido pelo legislador corresponde à outorga de um crédito, figura esta, por óbvio, totalmente oposta à isenção ou redução do imposto. Por conseguinte, tendo o legislador determinado a perda apenas dos incentivos e benefícios relacionados à redução ou isenção dos tributos e verificandose que o caso concreto envolve incentivo de outra natureza (creditícia), não se sustenta a decisão recorrida. Ao enfrentar o presente tema no Recurso Especial nº 222.242, o Conselheiro Henrique Torres chegou à idêntica conclusão. Nas suas palavras: Fl. 895DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13056.000173/200971 Acórdão n.º 3102001.948 S3C1T2 Fl. 13 5 Desta feita, nos casos de incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária, a restrição trazida no art. 59 transcrito linhas acima aplicase, independentemente, de haver ou não condenação penal daquele beneficiário que tenha praticado atos que configurem crime contra a ordem tributária. Todavia, no caso dos autos, a natureza jurídica do crédito presumido de IPI não se enquadra corno incentivo e beneficio de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Vejase que o legislador restringiu a aplicação da norma aos casos de incentivos e benefícios ligados à redução ou isenção tributária. O crédito presumido, não se enquadra nem como redução, nem como isenção, é incentivo creditício. Por conseguinte, a norma inserta no art. 59 da Lei 9.069/1995 não o alcança. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que seja reconhecido o direito da ora Recorrente ao ressarcimento de eventuais créditos presumidos do IPI, devidamente corrigidos pela Taxa SELIC a partir da data da transmissão do pedido de ressarcimento/compensação, homologando a compensação até o limite dos valores dos créditos apurados. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 896DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720844/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO.
É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO. É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO. É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 08 44 /2 01 0- 01 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, inciso I e parágrafo 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 02/2006, 05/2006, 07/2006, 08/2006 e 10/2006. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 18/19), a empresa deixou de incluir em folha de pagamentos remunerações pagas a segurados empregados que lhe prestaram serviço, constante do Anexo I. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 19) informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei 8.212/1991, c/c art. 283, inciso I e alínea “a”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. O valor da multa aplicada foi de R$1.410,79, atualizada por meio da Portaria Interministerial MPS/MF n° 350, de 30/12/09, publicada DOU de 31/12/2009. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 28/04/2010 (fl.01). A Autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 26/55) – acompanhada de anexos de fls. 56/129 –, alegando, em síntese, que: 1. Em preliminar, afirma que é nulo o Auto de Infração lavrado por agente do Fisco que executa trabalho de auditoria ou revisão contábil sem ser contador habilitado junto ao Conselho Regional de Contabilidade; 2. No mérito, argumenta não incidir contribuição previdenciária sobre os fatos geradores que deram origem ao presente lançamento. Cita a Constituição Federal (CF), artigos 149 e 195, a Lei 8.212/1991, artigo 28, inciso I, e aduz que somente há incidência de contribuição previdenciária sobre as parcelas remuneratórias pagas ao empregado em razão da contraprestação de trabalho desempenhado por este. Cita a CLT, artigos 457 e 458, e entende que a remuneração comporta o salário e as gorjetas; 3. o abono assiduidade é gratificação e não integra o salário de contribuição por se tratar de um prêmio. Cita jurisprudência. Acrescenta que era pago de modo eventual, fato que impede a incidência de contribuição previdenciária. Cita doutrina; 4. o abono assiduidade foi feito uma única vez para alguns funcionários. Diz que o mesmo raciocínio deve ser aplicado ao pagamento de premiação trimestral. Quanto ao pagamento do abono de férias CCT, afirma também não haver incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. Cita a Lei 8.212/91, artigo 28, §9o, alínea “e”, item 6, Fl. 234DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.720844/201001 Acórdão n.º 2402003.623 S2C4T2 Fl. 3 3 e a CLT, artigos 143 e 144. Diz ter pago o abono de férias conforme previsto em Convenções Coletivas de Trabalho e que jamais ultrapassou o limite de vinte dias do salário de cada empregado. Cita jurisprudência; 5. a ajuda de custo paga a empregados e contribuintes individuais, cita doutrina e afirma que tem o objetivo de proporcionar condições para execução do serviço, não se tratando de valores pagos pela contraprestação dos serviços; 6. quanto as diárias de viagem, diz serem pagamentos ligados à viagem feita pelo empregado para prestação de serviços ao empregador. Cita a CLT, artigo 457, jurisprudência e doutrina. Conclui que agiu corretamente; 7. a autoridade fiscal se enganou quanto à incidência de contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a titulo de abono CCT e indenização CCT, pois são desvinculadas do salário e foram pagas de forma eventual. Cita a Lei 8.212/91, artigo 28, §9° , alínea “e”, item 7, e jurisprudência; 8. com relação à multa aplicada de 75%, diz ser improcedente, e afirma que deveria ser de 20% com base na Lei 9.430/96, artigo 61, §2°. Cita a CF, artigo 150, e diz que a multa aplicada é confiscatória. Cita jurisprudência. Diz ser improcedente a aplicação de juros pela SELIC. Disserta sobre a matéria; 9. requer o reconhecimento da insubsistência do Auto de Infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0233.843 da 8a Turma da DRJ/BHE (fls. 133/134) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, com a manutenção total do crédito tributário exigido, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que as verbas pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais teriam natureza indenizatórias. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Belo Horizonte/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente deixou de preparar as folhas de pagamento sem a discriminação individualizada: (i) dos segurados empregados, seu cargo, função ou serviço prestado; e (ii) as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais. Tais segurados foram devidamente delineados no Anexo I, com a discriminação da competência, base de cálculo, nome do segurado, código e a descrição da conta que não foi oferecida à incidência da contribuição previdenciária. Assim, a Recorrente deixou de incluir em sua folha de pagamento as remunerações dos segurados dos empregados que lhe prestaram serviços, constantes do Anexo I (fls. 18/20). Nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos/Termos de Intimação Fiscal (TIAD/TIF), constatase a intimação para a apresentação das folhas e recibos de pagamentos do período de 01/2006 a 12/2006. Posteriormente, houve também a emissão do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), atestando o encerramento do procedimento fiscal. A sua apresentação deficiente motivou a lavratura deste auto de infração. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (grifos nossos) Esse art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o destaque, em folha de pagamento, de discriminar o nome dos segurado, de agrupar os segurados por categoria e das parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais, conforme preceitua o seu art. 225, § 9o e incisos I a V, in verbis: Art. 225. A empresa é também obrigada a: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.720844/201001 Acórdão n.º 2402003.623 S2C4T2 Fl. 4 5 I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9o. A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. (g.n.) Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não apresentar ao Fisco as folhas de pagamento contendo as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço (empregados), de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 02/2006, 05/2006, 07/2006, 08/2006 e 10/2006 – incorreu na infração disposta no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, § 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Da mesma forma, enganase a Recorrente ao alegar a não observação ao princípio da tipicidade, uma vez que a Lei 8.212/1991 delimita o valor, prevê sua atualização e remete ao regulamento a fixação do mesmo: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, determina: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; (...) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente, referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência. Posteriormente – conforme dispôs a Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102, e o Regulamento da Previdência Social (RPS), artigos 283 e 373, todos susomencionados –, a Portaria Interministerial MPS/MF n° 350, de 30/12/09, publicada DOU de 31/12/2009, reajustou os valores da multa aplicada. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.720844/201001 Acórdão n.º 2402003.623 S2C4T2 Fl. 5 7 § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Assim, constatase que as demais alegações expostas na peça recursal reproduzem os mesmos fundamentos esposados na defesa relativa ao lançamento da obrigação previdenciária principal, constituída nos Autos dos processos: 10680.720842/201011 (AIOP 37.262.8460) e 10680.720843/201058 (AIOP 37.270.9435). Após essas considerações, informo que as conclusões acerca dos argumentos da peça recursal – concernente ao descumprimento da obrigação acessória, no que forem coincidentes, especificamente com relação às verbas pagas a título de abonos, ajuda de custo e premiação trimestral –, foram devidamente enfrentadas, quando da análise dos processos da obrigação principal. Assim, passarei a utilizar o conteúdo assentado na decisão dos processos da obrigação principal para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto. Isso está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) Esses processos de constituição da obrigação principal assentaram em sua ementa os seguintes termos: “[...] VERBAS PAGAS A TÍTULO DE ABONOS ASSIDUIDADE, FÉRIAS E CCT. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. As parcelas pagas aos empregados a título de Abono Assiduidade, Abono Férias CCT e Abono CCT, em desacordo com a legislação previdenciária, integra o salário de contribuição. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 As importâncias recebidas à titulo de ganhos eventuais e abonos não integram o salário de contribuição somente quando expressamente desvinculados do salário por força de lei. AJUDA DE CUSTO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Integra o salário de contribuição a ajuda de custo concedida de forma fixa e contínua aos segurados empregados e contribuintes individuais. REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO TRIMESTRAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo (premiação trimestral) aos segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Por depender do desempenho individual do trabalhador, a verba paga a título de premiação trimestral tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado. VERBA PAGA A TÍTULO DE DIÁRIAS. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente não incidência da contribuição social. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.720844/201001 Acórdão n.º 2402003.623 S2C4T2 Fl. 6 9 Recurso Voluntário Provido em Parte. [...]”. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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