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Numero do processo: 12326.004552/2009-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AÇÃO JUDICIAL.
Estando claramente evidenciadas em planilha de cálculos elaborada por perito judicial, devidamente homologada pelo juízo, é devida a tributação dos rendimentos segundo a natureza dos rendimentos lá apontadas.
Numero da decisão: 2201-004.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a omissão de rendimentos identificada na autuação de R$ 55.760,02 para R$ 38.622,01.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AÇÃO JUDICIAL. Estando claramente evidenciadas em planilha de cálculos elaborada por perito judicial, devidamente homologada pelo juízo, é devida a tributação dos rendimentos segundo a natureza dos rendimentos lá apontadas.
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AÇÃO JUDICIAL. Estando claramente evidenciadas em planilha de cálculos elaborada por perito judicial, devidamente homologada pelo juízo, é devida a tributação dos rendimentos segundo a natureza dos rendimentos lá apontadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a omissão de rendimentos identificada na autuação de R$ 55.760,02 para R$ 38.622,01. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório Trata o presente da Notificação de Lançamento nº 2008/665597668464624, fl. 05 a 09, a qual teve origem em procedimento de Revisão de Declaração de Rendimentos da Pessoa Física relativa ao exercício de 2008, anocalendário de 2007. A Autoridade Fiscal identificou infração à legislação tributária, em particular omissão de rendimentos no valor de R$ 55.760,02, relativo a diferença entre o declarado e o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 45 52 /2 00 9- 40 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 12326.004552/200940 Acórdão n.º 2201004.576 S2C2T1 Fl. 236 2 efetivamente recebido pelo contribuinte por meio de reclamatória trabalhista objeto do processo judicial nº 00049.1993.049.01.00.1, tudo conforme Descrição dos Fatos de fl. 07. Ciente do lançamento, inconformado, o contribuinte, tempestivamente, apresentou a Impugnação de fl. 3 e 4, na qual buscou demonstrar parcialmente a regularidade dos valores declarados. Afirma que apenas 48% do montante recebido no processo judicial correspondem a rendimentos tributáveis e que, diante de incorreções iniciais informadas em sua declaração, o valor a restituir correto seria de R$ 6.306,82, resultado da diferença dentre o valor do imposto devido (R$ 6.815,47) e aquele retido na fonte (R$ 13.122,29). No julgamento de 1ª Instância, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I exarou o Acórdão de fl. 37 a 40, onde julgou improcedente a impugnação, por entender: "não se tem nos autos qualquer planilha ou outro elemento de prova, discriminador dos valores liberados em alvará que permita a verificação da natureza tributária destas verbas. Desta maneira, não sendo possível tal diferenciação, a integralidade das verbas deverá ser tributada na Declaração de Ajuste Anual". Ciente do Acórdão da DRJ de forma pessoal, em 23 de janeiro de 2013, fl. 41, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 45 a 47, em que apenas reitera os argumentos da impugnação sobre a proporcionalidade dos valores tributáveis em relação ao todo recebido em juízo, junta cópia de peças do processo judicial e requer o cancelamento da exigência. Submetido ao Colegiado de 2ª Instância Administrativa, foi exarado o Acórdão de fl. 182 a 190, que deu provimento ao recurso, nos termos do dispositivo abaixo: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente e Relator) que aplicavam aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ser adimplidos. Cientificada, a representação da Fazenda Nacional impetrou Recurso Especial que foi objeto do Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais de fl. 198 a 206, que, dando provimento ao recurso da Fazenda, determinou a manutenção do auto de infração, apenas determinando a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressiva vigentes à época da aquisição dos rendimentos, devendose porém retornar o feito à autoridade julgadora a quo, para fins de nova manifestação acerca dos pontos recursais não enfrentados pelo recorrido, considerado o anterior prevalecimento, naquele, da tese de anulação do lançamento por vício material. Cientificado da Decisão, em fl. 218, o contribuinte informa não haver óbice ao recálculo e requer prioridade em razão do que dispõe o Estatuto do Idoso. É o relatório necessário. Voto Fl. 236DF CARF MF Processo nº 12326.004552/200940 Acórdão n.º 2201004.576 S2C2T1 Fl. 237 3 Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator. Inicialmente, definida a necessidade de recálculo do tributo nos termos da Decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, resta à presente análise tratar do argumento do contribuinte de que apenas 48% dos valores recebidos na reclamatória trabalhistas correspondem a rendimentos tributáveis. Nestes termos, é certo que não caminhou bem a defesa, já que limitouse a apresentar razões genéricas e a juntar cópias de peças do processo judicial sem, pontualmente, apresentar elementos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito da fazenda publica constituir o crédito tributário mediante lançamento. Não obstante, é inequívoco que os rendimentos dos quais resultaram o lançamento em questão está diretamente relacionado à lide judicial cujas cópias constam nos autos a partir de fl. 48. Dentre tais documentos, é possível identificar que, após o desencontro de opiniões entre os litigantes sobre os corretos valores devidos em razão da Sentença de fl. 52/56, foi determinado o recálculo, pelo reclamante, dos valores devidos, o que se deu nas planilhas de fls. 125 a 130, as quais foram consideradas em consonância com a Sentença e o Acórdão, bem assim acolhidos pela Juíza do Trabalho Dra. Cláudia Regina Vianna M. Barrozo, fl. 131. Em fl. 133 a 137, constam os cálculos do FGTS relativo ao período de outubro de 1970 a fevereiro de 1988, perfazendo um total calculado de R$ 20.427,31; em fl. 138 a 141, constam novos cálculos de FGTS para o mesmo período, perfazendo um total adicional de R$ 12.179,97; em fl. 142 a 144, consta atualização dos valores devidos ao reclamante, importando em outro montante de R$ 120.464,87, aparentemente relativo às demais verbas recebidas, aí incluídas diferenças de comissões devidas, repouso semanal remunerado, salário fixo em dobro, 13º salário e proporcional, férias vencidas, 1/3 de férias e aviso prévio. O que se pode afirmar é que o somatório dos três valores citados no parágrafo precedente alcança a quantia de R$ 153.072,15, exatamente o valor homologado pela Autoridade Judicial em fl. 144, o qual foi deduzido do montante recebido pelo recorrente no anocalendário em comento. Assim, embora, como bem pontuou o Relator do voto vencido no julgamento em Câmara baixa neste Conselho Administrativo, fl. 184, pelos elementos juntados aos autos, não haja como identificar o percentual de rendimento tributável informado pelo suplicante em seu apelo, entendo que é possível afirmar que, pelo menos, 21,30% [(20.427,31 + 12.179,97) /153.072,15] do numerário recebido no processo trabalhista em questão se referem a rendimentos isentos e não tributáveis (FGTS e Multa de 40% s/FGTS). Conclusão Assim, por tudo que consta dos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, conheço do recurso voluntário e, no mérito, doulhe parcial provimento para reduzir o valor do rendimento considerado omitido de R$ 55.760,02 para R$ 38.622,01 [(80.460,17 * 0,787) 24.700,151], devendo a apuração do tributo devido levar em 1 Valor declarado em DIRPF. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 12326.004552/200940 Acórdão n.º 2201004.576 S2C2T1 Fl. 238 4 consideração a decisão exarada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais objeto do Acórdão de fl. 198 a 206. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723077/2015-52
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
EXCESSO DE RECEITA BRUTA.
Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema.
Constatado que a administração da pessoa jurídica foi transferida para a figura de administrador, que administra todas as empresas de um mesmo grupo, com características de grupo de fato, atuando como longa manus de todas elas, como sócio administrador, ainda que de direito não conste dos quadros societários, é possível que sejam somadas as receitas brutas do grupo para fins de apuração do limite legal de opção.
PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema. Constatado que a administração da pessoa jurídica foi transferida para a figura de administrador, que administra todas as empresas de um mesmo grupo, com características de grupo de fato, atuando como longa manus de todas elas, como sócio administrador, ainda que de direito não conste dos quadros societários, é possível que sejam somadas as receitas brutas do grupo para fins de apuração do limite legal de opção. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema. Constatado que a administração da pessoa jurídica foi transferida para a figura de administrador, que administra todas as empresas de um mesmo grupo, com características de grupo de fato, atuando como longa manus de todas elas, como sócio administrador, ainda que de direito não conste dos quadros societários, é possível que sejam somadas as receitas brutas do grupo para fins de apuração do limite legal de opção. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 30 77 /2 01 5- 52 Fl. 655DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/FNS n° 296, de 11 de novembro de 2015, que excluiu o contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), com efeitos a partir de 01/01/2011 (efl. 555), "por ter sido constatada prática reiterada de infração e excesso de receita do grupo econômico sob unicidade administrativa, fatos que importam a exclusão de ofício do Simples Nacional, com fundamento nos artigos 3º, § 4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006....". O ADE fixou os efeitos a partir 01/01/2011, e vedou a opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anoscalendário seguintes, nos termos do art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123/2006. Os fatores que inicialmente indicaram que as empresas componentes do grupo formado pela Recorrente e por Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, Tubarão Confecções Ltda ME, KCS Confecções Ltda. EPP, J. R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda, Empório Duhomem Indústria, Comércio e Serviços Ltda EPP, Eduardo Decorações Ltda. EPP, Costaesmeraldino Confecções Eireli EPP e New Modas Comércio de Confecções Ltda. ME incidiam no disposto no artigo 3º, § 4º, inciso V da Lei Complementar n° 123/2006 foi a existência de procurações públicas (efls. 66/139 e 140/163), emitidas por todas as empresas envolvidas, outorgando totais poderes de administradores (inclusive de movimentação bancária) aos senhores Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari (pai, irmã, esposa e filho). Mas o conjunto de elementos colhidos e descritos na Representação para Exclusão do Simples Nacional (efls. 02/26) mostraram que as empresas citadas formavam também grupo econômico de fato, valendose de unicidade gerencial e confusão patrimonial e financeira, o que reforçou a subsunção das optantes pelo Simples Nacional na hipótese legal de exclusão. Por bem descrever o litígio reproduzo a seguir o Relatório da decisão recorrida: Relatório Tratase de exclusão da Interessada (Calegari Comércio de Decorações EPP) do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, efetuada por meio do Ato Declaratório Executivo nº 296, de 11 de novembro de 2015, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC (fl. 555), “por ter sido constatada prática reiterada de infração e excesso de receita do grupo econômico sob unicidade administrativa, fatos que importam a exclusão de ofício do Simples Nacional, com fundamento nos artigos 3º, § 4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar nº 123/2006”. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 11516.723077/201552 Acórdão n.º 1001000.682 S1C0T1 Fl. 656 3 A Interessada, segundo descrito na representação administrativa que resultou na emissão do ato de exclusão (fls. 02 a 26), compõem grupo econômico de fato juntamente com as empresas KCS Confecções Ltda – EPP, Tubarão Confecções Ltda ME, Eduardo Decorações Ltda – EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda – ME, New Modas Comércio de Confecções Ltda – ME, Empório Duhomem Indústria, Costa Esmeraldino Confecções Eireli EPP e Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, visto que todas elas, além de serem controladas e administradas por pessoas da mesma família (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), atuam de forma integrada e coordenada, constituindo na realidade uma única empresa (na acepção de empreendimento). A conclusão de que existiu, no período de 2009 a 2015, grupo econômico de fato, está amparada, em síntese, de acordo com o auditorfiscal que emitiu a representação administrativa de fls. 02 a 26, pelas seguintes constatações e elementos de prova: a) a constatação de que as empresas exercem a mesma atividade ou atividades correlatas (indústria e comércio de confecções); b) a constatação de que o comando administrativo e financeiro das empresas é exercido pelo mesmo grupo de pessoas com laços familiares (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), seja devido a participação delas no quadro societário da empresa como sócio administrador, seja por força de procuração; c) a constatação de que funcionários e até mesmo sócios de uma das empresas, além de se identificarem em carimbos como funcionários do “Grupo Nandi”, prestavam serviços de forma indistinta para as outras empresas; d) o fato da empresa Nacale Com. de Tecidos e Confecções Ltda ter atestado sua participação no grupo econômico ao declarar na ficha de abertura de contas bancárias que seu nome de fantasia é uma das marcas utilizadas pelos componentes do referido grupo econômico (Casa Nandi); e) a constatação de que existia Programa de Relacionamento (Fidelidade) que englobava todas as empresas; f) a constatação de que as empresas eram representadas pelas mesmas pessoas perante a Justiça do Trabalho; Fl. 657DF CARF MF 4 g) a constatação de que o próprio Sr. Rafael Nandi Calegari se apresenta na rede social linkedin como “Gerente de Marketing do Grupo Nandi”; h) a constatação de que o Sr. Rafael Nandi Calegari é o proprietário de todos os sites utilizados pelas empresas e da marca “Clube Maiores Lojistas”, que se refere ao programa de relacionamento que engloba todas as empresas. A autoridade fiscal que emitiu a mencionada representação administrativa ressalta, ainda, que a receita bruta global da Interessada e das outras empresas que compõem o grupo econômico de fato ultrapassou, nos anos de 2010 a 2014, o limite de que trata o inciso II do caput do artigo 3º da Lei Complementar nº 123/2006, conforme demonstrado na tabela abaixo: Diante destas constatações, a autoridade fiscal que emitiu o ato de exclusão, assim como a que emitiu a representação administrativa de fls. 02 a 26, entenderam que restou configurada a hipótese de vedação ao usufruto do Simples Nacional prevista no artigo 3º, § 4º, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, assim como a prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar nº 123/2006 (artigo 29, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006). A exclusão, conforme registrado no Ato Declaratório Executivo nº 289, de 11 de novembro de 2015, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, “surtirá efeitos a partir 01/01/2011, sendo vedada a opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anoscalendário seguintes, nos termos do art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123/2006”. Devidamente intimada da emissão do mencionado Ato Declaratório Executivo em 09/12/2015 (fl. 558), a Interessada apresentou tempestivamente (fl. 606), nos autos do processo 11516.723411/201578 (processo onde constam autos de infração lavrados em decorrência da emissão do ato de exclusão), a impugnação de fls. 579 a 590, instruída com os documentos reproduzidos às fls. 591 a 600, trazendo argumentos tanto para contestar o ato de exclusão como outros pontos específicos relativos a autos de infração que foram lavrados em decorrência deste (ato de exclusão). Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11516.723077/201552 Acórdão n.º 1001000.682 S1C0T1 Fl. 657 5 Ressalta que a presente impugnação, por força do disposto no artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, suspende a exigibilidade do crédito tributário. Lembra que o artigo 75, § 3º, da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94, de 29 de novembro de 2011, determina que “na hipótese de a ME ou EPP impugnar o termo de exclusão, este se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte”. Assevera que a impugnação ao termo de exclusão do Simples Nacional obsta a realização do lançamento e a exclusão do regime diferenciado, tendo ainda o contribuinte o direito de obter certidão positiva de tributos com efeitos de negativa, a teor do disposto no art. 206 do Código Tributário Nacional. No ponto, aduz ainda que a impugnação ao termo de exclusão do Simples Nacional possui o condão de sustar, mesmo que provisoriamente, a exigibilidade do crédito, inibindo assim, o Poder Público de inscrever a dívida e socorrerse do Judiciário para cobrála coativamente. Afirma que entendimento diverso do exposto nos dois parágrafos acima acarretaria em afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Alega que carece de qualquer sentido a alegação de que integra grupo econômico. Diz que, consoante o previsto no §2º do artigo 2º da Consolidação das Leis Trabalhistas, a constituição de grupo econômico de fato pode ser definida quando duas ou mais empresas estão sob a direção, controle ou administração de outra, compondo, assim, grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Frisa que o artigo 494 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009 adota o mesmo conceito de grupo econômico da lei trabalhista, pois preceitua que “caracterizase grupo econômico quando (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica”. Aduz que a lei é clara ao dispor que o requisito essencial para o reconhecimento de grupo empresarial é a relação de subordinação entre uma empresa principal e as demais, o que, no seu entendimento, não se caracterizou no presente caso. Diz que eventual parentesco entre os sócios de duas empresas não possui o condão de estabelecer relação de grupo econômico entre as mesmas. Cita julgado do Superior Tribunal de Justiça (REsp 824667) onde restou asseverado que a redação do §2º do artigo 2º da CLT é “clara ao exigir, para a configuração do grupo econômico a existência de uma ou mais empresas que estejam sob a direção, controle ou administração de outra empresa principal”. Diz que para a configuração de grupo econômico não basta a demonstração da unidade de comando na pessoa de um sócio ou administrador, pois, o que se exige é a subordinação empresarial que, no caso dos autos, não restou demonstrada. Afirma que o Tribunal Superior do Trabalho, em decisão Fl. 659DF CARF MF 6 unânime e transitada em julgado no processo nº 191700 17.2007.5.15,0054, entendeu que a mera existência de sócios em comum e de relação de coordenação entre as empresas não constitui elemento suficiente para caracterização de grupo econômico. Cita julgado da Subseção I Especializada em Dissídios Individuais do TST onde restou asseverado que “para a configuração de grupo econômico, não basta a mera situação de coordenação entre as empresas”; que para tal configuração“é necessária a presença de relação hierárquica entre elas, de efetivo controle de uma empresa sobre as outras”; e que “o simples fato de haver sócios em comum não implica por si só o reconhecimento do grupo econômico”. Assevera que a autoridade fiscal não indicou qual seria a empresa principal no suposto grupo econômico que alega existir. Frisa que a existência de grupo econômico pressupõe uma relação de subordinação, onde duas ou mais empresas estão sob a direção, controle ou administração de outra. Aduz que as empresas relacionadas pela autoridade fiscal não compõem “grupo composto por coordenação”, este também definido como uma espécie de “grupo econômico”, pois todas as empresas citadas se encontram estabelecidas em endereços diversos, possuindo sede e administração próprias. Assevera que não há qualquer relação entre as empresas em questão, uma vez que prestam atividades diversas e as exercem de maneira totalmente independente entre si. Cita o endereço e o objeto social das empresas KCS Confecções Ltda – EPP, Calegari Comércio de Decorações Ltda – EPP, Empório Duhomem – Indústria, Comércio e Serviços Ltda – ME, Eduardo Decorações Ltda – EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda – ME, New Modas Comércio de Confecções Ltda – ME, Tubarão Confecções Eireli – ME, Costa Esmeraldino – Confecções Eireli e Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP. Alega que a página da internet em que consta o perfil de “Rafael Nandi” no Linkedin, como gerente de Marketing do grupo Nandi, não faz prova da existência de grupo econômico, visto que tal perfil não pertence ao Sr. Rafael Nandi Calegari, administrador da empresa Tubarão Confecções, mas sim de Rafael Nandi Marcelino, que é gerente de marketing da “Casa Nandi” e não do “grupo Nandi”, e que não tem qualquer relação de administração com qualquer das empresas em questão. Afirma que, diante do exposto, resta claro que deve ser afasta a responsabilidade solidária, pois não se encontra caracterizada a situação prevista no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Diz que mesmo que o grupo econômico em questão estivesse, de fato, constituído, tal fato não ensejaria por si só a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas componentes do grupo, vez que a solidariedade tributária se encontra pautada Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11516.723077/201552 Acórdão n.º 1001000.682 S1C0T1 Fl. 658 7 em critérios objetivos, motivo pelo qual não se admite presunções. Cita julgado do Superior Tribunal de Justiça onde restou asseverado que “o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN”. Assevera que “eventual caracterização de grupo econômico em relação a outras empresas não faz presumir que todas empresas de um grupo familiar pertençam ao mesmo grupo econômico, pois, conforme já salientado, não se admite presunções em sede de responsabilidade solidária tributária”. Diz que a sua exclusão do Simples Nacional carece de razão, pois não restaram preenchidos os requisitos ensejadores da configuração de grupo econômico ou empresarial. Requer, por fim, a sua manutenção no Simples Nacional e a declaração de improcedência do lançamento efetuado. Requer, ainda, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário durante o processamento da presente impugnação. Em 04 de abril de 2016 (fls. 578 e 606), a Interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 564 a 577, onde basicamente reitera as alegações já apresentadas na impugnação de fls. 579 a 590 contra o Ato Declaratório Executivo nº 289, de 11 de novembro de 2015, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC. Em 26 de abril de 2016, a Interessada apresentou o requerimento de fls. 604/605, endereçado ao auditorfiscal titular (Delegado) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, solicitando que fosse informada via sistema que, a partir de 01/01/2015, a empresa é optante do Simples Nacional. É o relatório. A decisão de primeira instância (Acórdão n° 0740.302 6ª Turma da DRJ/FNS, efls. 609/635) julgou a Manifestações de Inconformidade improcedente, entendendo, em resumo, que os fatos enquadramse na hipótese de exclusão consignada no 3º, § 4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006 e confirmando os efeitos a partir 01/01/2011 e a vedação de nova opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anos calendário seguintes, nos termos do art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123/2006. Isto porque as referidas empresas constituem grupo econômico de fato sob unicidade administrativa, e, assim consideradas, o somatório da receita bruta do grupo extrapolou o limite legal de permanência no Simples Nacional, tendo a impugnante usufruído indevidamente da tributação favorecida do Simples Nacional. Confirmou que a impugnação do ato de exclusão obsta a sua efetividade, todavia, sendo mantida a exclusão, deverão ser observados os efeitos fixados no ADE. Cientificada da decisão de primeira instância em 06/09/2017 (efl. 637) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 06/10/2017 (efl. 651), em aduz: Fl. 661DF CARF MF 8 O Decreto n° 70.235/72, (que regula o PAF) determina que o RECURSO VOLUNTÁRIO suspende a exigibilidade do crédito tributário; e suspende a fluência do prazo prescricional para propositura da execução fiscal. O procedimento fiscal está eivado de vícios formais, razão pela qual deve ser anulado. Ressaltase que durante a fiscalização a autoridade autuante em nenhum momento solicitou documentos que seriam úteis e favoráveis ao contribuinte, e apenas enxergou o que lhe era conveniente, o que reforçava a sua tese e não a verdade dos fatos. Basta notar que não desqualificou a contabilidade, e sequer desconsiderou a personalidade jurídica de cada empresa. Também, de forma flagrante, violou o que está previsto no Código Tributário Nacional, relativo ao prazo de fiscalização (início e prazo máximo). 2.4 A autoridade fiscal não obedeceu ao que está previsto na legislação, não individualizou o procedimento para cada empresa, e assim agindo, partiu do principio (equivocado) de que estava diante de grupo econômico, e sempre tentando provar a sua tese, e portanto, deixou de ser imparcial. 2.5 Também sequer colheu assinatura dos contribuintes de forma individualizada, e por isso deve ser anulado o procedimento. 2.6 Deixou de solicitar documentos importantes e que provariam que sua tese (de grupo econômico) estava equivocada, e tudo em flagrante violação ao CTN, artigo 197. 2.7 E atuando deste modo, deixou de considerar os acordos comerciais e de rateios entre as empresas, que certamente deixaria evidente NÃO SE TRATAR DE GRUPO ECONÔMICO. 2.8 O fiscal deveria descaracterizar o imposto de renda das pessoas físicas e jurídicas, sequer provou que ocorreu confusão patrimonial ou financeira entre estas. 3 DO MÉRITO 3.1 Como o dito anteriormente, não poderia o fiscal, partindo de sua tese de grupo econômico, sem, contudo, individualizar o procedimento de fiscalização para cada empresa, e se realmente acreditou estar diante de um grupo, deveria desconsiderou a personalidade jurídica de cada uma. 3.2 Outro ponto, relativo à caracterização do grupo econômico, o CARF, até mesmo em caso de participação societária não considerou tratarse de grupo econômico, conforme a ementa abaixo... 3.2 Importante ressaltar que em momento algum ficou provado o comando único capaz de caracterizar o grupo econômico, tampouco se constatou a formação de caixa único. 3.4 A relação entre a recorrente e a autoridade fiscal, se dá na medida em que o mesmo tem a autoridade para retificar o Fl. 662DF CARF MF Processo nº 11516.723077/201552 Acórdão n.º 1001000.682 S1C0T1 Fl. 659 9 lançamento, e ou mediante ato vinculado promover novo lançamento. 3.5 É evidente que a Magna Carta não deu a autoridade fiscal uma carta em branco, esse exercício de competência se faz mediante ato administrativo, vinculado e motivado. Não basta a vontade da autoridade para lançar é necessário que a conduta esta prevista em norma hipotética. 3.6 Logo o que se assiste na intenção da autoridade fiscal, e mantida pelo julgador é realizar o arbitramento, sem base legal que o sustente. 3.7 A produção de prova poderia inclusive ser realizada pelo julgador, ainda que a legislação que regula o processo o permita: (...) 3.8 Como se percebe a sede de arrecadar é bem maior do que construir a verdade dos fatos, pelos meios legais previstos nos texto, a tal ponto de se desprezar toda e qualquer construção de meio probante previsto em lei. 3.9 A obrigação tributária não nasce da presunção ficcional, onde se pretende transladar a obrigação quando a mesma possui como nexo causal, o fato de ser o mesmo despachante. Somente a Lei pode isso fazer, é o que se conclui na leitura do Código Tributário Nacional:(...) 3.10 O exercício da fiscalização, é antes de mais nada, um exercício de competência legal, logo a ação fiscal é um direito dever, do agente público, é evidente que isso não é uma carta branca, mas muitas vezes a autoridade acaba por construir alguma arbitrariedade, sempre com o pretexto de seguir o que é melhor para fiscalização. (...) Em nome da eficiência, o agente fiscal não pode se distanciar também da razoabilidade, do ato administrativo, sob pena de viciar o lançamento. (...) À vista de todo o exposto, demonstrada que a ação fiscal merece ser anulada, por vícios formais do procedimento fiscal, espera e requer /.a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, com a reforma da decisão atacada e a manutenção/retorno da recorrente ao SIMPLES NACIONAL. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 663DF CARF MF 10 O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Tratase de Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 296, de 11 de novembro de 2015, que excluiu a Recorrente do Simples Nacional a contar de 01/01/2011, motivado pela constatação de excesso de receita através da formação de grupo de fato com outras empresas, sob unicidade administrativa, hipótese de exclusão prevista e regulada no artigos 3º, §4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006. A princípio cabe rejeitar a sugestão da Recorrente de que há nulidade no procedimento, tendose em vista que não se evidenciou nos autos a ocorrência da hipótese dos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972. Ou seja, não houve cerceamento do direito de defesa, tendose em vista que as fases do contencioso foram todas cumpridas, razão pela qual o próprio contribuinte trouxe à discussão todos os argumentos de defesa. Mesmo antes de apresentar a manifestação de inconformidade, quando ainda não havia litígio e contencioso, e a fiscalização ainda estava em curso, a empresa ora recorrente foi intimada de forma individualizada a apresentar sua escrita contábil e fiscal, conforme Termo de Início de Fiscalização de 10/07/2015 (efls. 53/54) e Termo de Intimação de 01/09/2015 (efls. 55/56). Cientificada do ADE em 09/12/2015 (efl. 558) teve a oportunidade de apresentar todos os documentos adicionais que julgasse suficientes para afastar a imputação contida nestes autos. Desta forma, repito, não houve cerceamento do direito de defesa. Adianto que a Representação para Exclusão do Simples Nacional é resultado da fiscalização sobre contribuições previdenciárias tendose em vista que estes tributos são costumeiramente inadimplidos através do uso indevido da adesão ao Simples, como se comprovou nestes autos. Desta forma não vislumbro conteúdo arrecadatório ou desproporcional do procedimento, como afirma a Recorrente, mas cumprimento do dever legal, como previsto no art. 142 do CTN. Adianto também que não se versou nesta Representação citada sobre "desconsideração de pessoa jurídica", como sugere a Recorrente, mas sobre a exclusão da pessoa jurídica Recorrente do regime simplificado citado. É claro que sendo a apuração concernente a averiguação de formação de grupo de fato por diversas empresas sob unicidade administrativa, as diligências nestas outras tornaramse indispensável, como se deu. Determina o art. 196 do CTN que a legislação aplicável fixará prazo máximo para a conclusão da fiscalização. Neste sentido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, que delimita a fiscalização, segundo a Portaria RFB nº 1.687/2014, terá o prazo máximo de validade de 120 (cento e vinte) dias, sendo que a prorrogação deste prazo poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, segundo a mesma norma. Desta forma, e considerandose as datas das intimações acima, não houve excesso de prazo, como sugeriu a Recorrente. Determina ainda o art. 196, parágrafo único, que os termos devam ser, preferencialmente, lavrados num dos livros obrigatórios do fiscalizado. Na impossibilidade, prevê supletivamente o CTN que o termo seja lavrado em papel separado (como se deu), notificando se o fiscalizado, mediante entrega de cópia. Esta exigência de formalização dos diversos atos recebe detalhamento no art. 7º do Dec. 70.235/72. Protesta a Recorrente pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário e da fluência do prazo prescricional para propositura da execução fiscal. A respeito do litígio destes autos, nos termos do §3º do art. 75 da Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional (RCGSN) nº 94, de 29 de novembro de 2011, a impugnação do ato de exclusão do Simples Nacional tem efeito suspensivo, com as ressalvas do art. 76. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11516.723077/201552 Acórdão n.º 1001000.682 S1C0T1 Fl. 660 11 Os fatores que inicialmente indicaram que as empresas (componentes do grupo formado por Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, Empório Duhomem Industria, Comércio e Serviços Ltda – EPP, KCS Confecções Ltda. EPP, Tubarão Confecções Ltda. ME, Calegari Comércio de Decorações Ltda. EPP, Eduardo Decorações Ltda. EPP, Costaesmeraldino Confecções Eireli EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda e New Modas Comércio de Confecções Ltda. ME) incidiam no disposto no artigo 3º, § 4º, inciso V da Lei Complementar n° 123/2006 foi a existência de procurações públicas, emitidas por todas as empresas envolvidas, outorgando totais poderes de administradores aos senhores Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari (pai, irmã, esposa e filho). Mas o conjunto de elementos colhidos e descritos na Representação para Exclusão do Simples Nacional (efls. 02/26) mostraram que as empresas citadas formavam efetivamente grupo de fato, valendose de unicidade gerencial e confusão patrimonial e financeira, o que reforçou a subsunção na hipótese de exclusão das optantes pelo Simples Nacional (artigos 3º, §4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006). Neste mesmo sentido decidiu a decisão de piso, razão pela qual pedimos vênia para reproduzir as razões correspondentes descritas naquela: No presente caso, verificase da análise dos autos que, em que pese as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade/impugnação de fls. 579 a 590, não há como se negar que a Interessada (Calegari Comércio de Decorações Ltda EPP), juntamente com as empresas KCS Confecções Ltda – EPP, Tubarão Confecções Eireli –ME, Comércio e Serviços Ltda – ME, Eduardo Decorações Ltda – EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda – ME, New Modas Comércio de Confecções Ltda – ME, Empório Duhomem Indústria, Comércio e Serviços Ltda EPP, Costa Esmeraldino Confecções Eireli EPP e Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, compõem grupo econômico de fato, visto que todas elas, além de serem controladas e administradas por pessoas da mesma família (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), atuam de forma integrada e coordenada, constituindo na realidade uma única empresa (na acepção de empreendimento). Entre as provas coletadas e as constatações efetuadas pela autoridade fiscal que demonstram que as referidas empresas compõem grupo econômico de fato, devese destacar as seguintes: a) a constatação de que as empresas exercem a mesma atividade ou atividades correlatas (indústria e comércio de confecções); b) a constatação de que o comando administrativo e financeiro das empresas é exercido pelo mesmo grupo de pessoas com laços familiares (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), seja devido a participação delas no quadro societário da empresa como sócio administrador, seja por força de Fl. 665DF CARF MF 12 procuração, conforme demonstrado nos seguintes excertos da representação administrativa de fls. 02 a 26: 4. DA DOCUMENTAÇÃO ANALISADA 4.1. Documentos obtidos junto ao 1° Tabelionato de Notas e Protestos de TuharãoSC. 4.1.1. Em atendimento aos Oficios Sefis/DRF/FNS nº 059 de 09/03/2015 e nº 076 de 23/04/2015 (Doc. 16), o Iº Tabelionato de Notas e Protestos apresentou os seguintes documentos: a) Certidões de registros de procurações emitidas pelas empresas abrangidas pela auditoria, outorgando aos senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari total poder para gerir e administrar as empresas auditadas (Doc. 17); b) Certidões de registros de procurações emitidas por empresas abrangidas pela auditoria, outorgando ao senhor Rafael Nandi Calegari e às senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari, total poder para gerir contascorrentes bancárias de propriedade das empresas outorgantes (Doc. 18). (...) 5.1. Da referida análise, foram extraídas informações, as quais foram compiladas nos quadros a seguir, com as conclusões pertinentes: Dos documentos obtidos junto ao 1º Tabelionato de Notas e Protestos de TubarãoSC (Item 4.1.): • Quadro 1A Das certidões de registros de procurações emitidas pelas empresas abrangidas pela auditoria, outorgando aos senhores Eraldo Nandi Calegari, Rafael Nandi Calegari, Raquel Martins Farias e Márcia Calegari, total poder para gerir c administrar as empresas auditadas: (...) • Quadro 1B Das certidões de registros de procurações emitidas por empresas abrangidas pela auditoria, outorgando ao senhor Rafael Nandi Calegari e às senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari, total poder para gerir contascorrentes bancárias de propriedade das empresas outorgantes. Percebese, nas procurações acima listadas, no que diz respeito às que outorgam poderes de total gerência e administração (Quadro 1A acima), cujas cópias são aqui anexadas (Doc. 17), que os Senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari e as Senhoras Márcia Calegari e Raquel Martins Farias, além de serem contratualmente, os titulares de uma ou mais empresas do grupo aqui caracterizado, são também procuradores, com todos os poderes para gerir e administrar as demais Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11516.723077/201552 Acórdão n.º 1001000.682 S1C0T1 Fl. 661 13 empresas componentes do mesmo grupo, fato que os equipara a administradores das mesmas, caracterizando a existência de grupo econômico de fato, com unicidade gerencial c poder de decisão centralizado. No que diz respeito às procurações que outorgam poderes de movimentação de contas bancárias de propriedade das empresas outorgantes (Quadro 1B acima), cujas cópias seguem em anexo (doc. 18), estas reforçam a constatação da existência de grupo econômico de fato, uma vez que delegam poderes de gerenciamento financeiro às pessoas do Sr. Rafael Nandi Calegari e Senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari. Constatase assim, que a gerência administrativa e financeira das empresas componentes do grupo econômico aqui caracterizado, fica a cargo do grupo familiar composto pelo Senhor Evaldo Nandi Calegari, sua esposa a Senhora Raquel Martins Farias, seu filho o Senhor Rafael Nandi Calegari e sua irmã a Senhora Márcia Calegari. Este comando é mais intenso a partir do ano de 2008, com os Senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari. Em um tópico mais adiante, perceberemos que a supremacia da família aqui citada, se dá também de forma contratual, através da análise da movimentação contratual e da titulação societária (Quadro 2A). Constatase também, que os mesmos administram as referidas empresas desde o ano de 2007 até os dias atuais, conforme discriminado nas planilhas abaixo. Discriminamos abaixo, as empresas e os períodos em que os membros da família Nandi Calegari são nomeados por procuração e as empresas e períodos em que constam como administradores através de contrato social: Evaldo Nandi Calegari: Atuou como administrador, conforme contratos sociais e alterações, na empresa Eduardo Decorações Ltda. EPP nos períodos de 08/1999 a 11/2000 e 08/2005 a 05/2010. (...) Rafael Nandi Calegari: Atuou como administrador, conforme contratos sociais e alterações, na empresa Eduardo Decorações Ltda. EPP nos períodos de 02/2001 a 08/2005 c 10/2011 a 01/2013 e na empresa Empório Duhomem Ind. Com. e Serviços Ltda. EPP no período de 07/2006 a 02/2008. (...) Fl. 667DF CARF MF 14 Raquel Martins Farias: Atua como administradora, conforme contrato social e alterações, na empresa New Modas Com. De Confec. Ltda. ME desde 05/2007. (...) Márcia Calegari: Atuou como administradora, conforme contratos sociais e alterações, na empresa Nacale Com. de Tec. e Confec. Ltda EPP, no período de 10/1991 a 03/2005, na Empresa Costa Esmeraldino Confecções Eireli EPP nos períodos de 06/1998 a 08/1999 e 07/2010 a 09/2015, na empresa JR Dandolini Artigos do Vest. Ltda. ME desde 04/2013 e na empresa Tubarão Confecções Ltda. EPP desde 12/201 Devese atentar para o fato que, em algum momento da existência do grupo econômico ora analisado, o Senhor Rafael Nandi Calegari, a Senhora Raquel Martins Farias e a Senhora Márcia Calegari, que compõem o grupo familiar acima citado, fizeram parte da sociedade de uma das empresas do grupo econômico, como sócios administradores. De maneira que denota o forte vínculo existente entre as empresas que compõem o grupo econômico, uma vez que os mesmos, gerenciam financeiramente, com total poder de movimentação de contas bancárias, empresas das quais não fizeram e nem fazem parte do quadro social. A delegação de total poder de gerenciamento e administração, por procuração pública, aos senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari, e a maneira como são distribuídos, também por procuração pública, os cargos de gerenciamento financeiro, com total poder de movimentação das contas bancárias, ao senhor Rafael Nandi Calegari e às senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari, demonstra o claro objetivo de criação de um grupo de empresas, no intuito de obter melhores resultados econômicofinanceiros. Esta união entre as empresas com objetivos sociais iguais ou correlatos, caracteriza a existência de grupo econômico de fato com unicidade gerencial e comando centralizado. (...) Dos documentos apresentados pelas empresas abrangidas pela auditoria (item 4.2.). • Contratos e alterações contratuais registrados na JUCESC (Doc. 19 a Doc. 27): Dos contratos sociais e alterações, devidamente registradas na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina JUCESC extraímos as informações inseridas no resumo denominado Movimentação Contratual e no quadro denominado Titulação Societaria: MOVIMENTAÇÃO CONTRATUAL A seguir um resumo da movimentação contratual do sujeito passivo e demais pessoas jurídicas abrangidas, conforme atos constitutivos e alterações contratuais Fl. 668DF CARF MF Processo nº 11516.723077/201552 Acórdão n.º 1001000.682 S1C0T1 Fl. 662 15 levadas ao registro perante a Junta Comercial do Estado de Santa Catarina — JUCESC (cópias cm anexo). (...) • Quadro 2A – TITULAÇÃO SOCIETÁRIA (...) Percebese, a partir da análise do resumo da movimentação contratual e do Quadro 2A Titulação Societária, que a família Nandi Calegari, sempre esteve a frente do comando das empresas abrangidas por esta auditoria. Este comando era oficializado por contrato social devidamente registrado na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, porém a partir dos anos 2007 e 2008, com surgimento de novas empresas, novos membros da família eram incluídos nas administrações, o poder, então, passou a se concentrar em quatro membros da família, quais sejam, os Senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari e as Senhoras Márcia Calegari e Raquel Martins Farias. Formase assim, o grupo familiar que comanda, até os dias atuais o grupo econômico de fato, de cunho familiar, composto pelo senhor Evaldo Nandi Calegari, juntamente com sua irmã, a senhora Márcia Calegari, seu filho o senhor Rafael Nandi Calegari e sua esposa Senhora Raquel Martins Farias. Com já comentado anteriormente, o poder de comando é oficializado por contrato social e/ou delegado por procurações aos membros da família Nandi Calegari aqui citados, e conforme se constata nos quadros acima, há um revezamento de comando entre os mesmos, permanecendo esta supremacia ate os dias atuais, conforme quadro resumo abaixo: (...) Fl. 669DF CARF MF 16 Como já foi dito, o quadro acima demonstra que o poder de administrar está concentrado nas pessoas dos Senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari, estabelecido através de contrato social e/ou de procurações públicas, iniciandose o grupo econômico no ano de 2007 e existente ate os dias atuais. Verificase ainda, analisando a movimentação contratual, os quadros que relacionam as procurações públicas, denominados de “Quadro 1A” e “Quadro 1B”, o “Quadro 2ATitulação Societária” que, a cada mudança no quadro social, através de alterações contratuais, com introdução de um novo sócio administrador, este novo sócio administrador, em ato contínuo, delega através de procuração pública, totais poderes de gerir e administrar, aos senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari. Este fato torna clara a existência do grupo econômico de fato de cunho familiar, sem qualquer sombra de dúvida. c) a constatação de que funcionários e até mesmo sócios de uma das empresas, além de se identificarem em carimbos como funcionários do “Grupo Nandi”, prestavam serviços de forma indistinta para as outras empresas, conforme demonstrando nos seguintes trechos da representação administrativa de fls. 02 a 26: • Notas Fiscais de Entrada de Mercadorias (Doc. 40) Foram apresentadas, pelas empresas abrangidas pela auditoria, notas fiscais de entrada de mercadorias, das quais, anexamos cópias, por amostragem. Das referidas notas fiscais extraímos as seguintes informações, que comprovam nossa constatação, ou seja, da existência de grupo econômico de fato, senão vejamos: a) em diversas notas fiscais de compra de mercadorias para revenda, cujas empresas compradoras são Tubarão Confecções Ltda. ME, Empório Duhomem Ind. Com. e Serv. Ltda. EPP, KCS Confecções Ltda. EPP, JR Dandolini Art. do Vestuário Ltda. ME, consta a rubrica identificada como sendo do senhor Wagner de Souza Nunes, atestando o recebimento/lançamento das mercadorias relacionadas, no corpo das notas. Devese atentar para o fato de que o senhor Wagner de Souza Nunes, foi sócio administrador da empresa Calegari Com. De Decorações Ltda. EPP, empresa esta, componente do grupo econômico em questão, no período de 01/2011 a 11/2012 e que o mesmo também foi empregado da empresa Empório Duhomem Ind. Com. E Serv. Ltda. EPP no período de 01/06/2009 a 21/03/2013, sendo que as notas fiscais aqui referidas e anexadas por amostragem referemse ao ano de 2011; b) na nota fiscal de compra de material e equipamentos, NFe nº 4.666 Serie 1 de 14/04/2011, da fornecedora Nautec Eletrônica Ltda., consta como responsável pela compra, o Senhor Jose Roberto Dandolini, que a assina e em cujo carimbo consta que o mesmo é administrador do Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11516.723077/201552 Acórdão n.º 1001000.682 S1C0T1 Fl. 663 17 Grupo Nandi trazendo ainda o endereço de email “dandolini@casanandi.com.br. Neste caso, o senhor Jose Roberto Dandolini, que naquela data, era sócio administrador da empresa Tubarão Confecções Ltda ME, atesta em seu carimbo, a existência do Grupo Nandi e, conforme endereço eletrônico (email) resta comprovado a utilização da marca “Casa Nandi”. (...) Da documentação apresentada pelo Sindicato dos Comerciários de TubarãoSC. (Item 4.4). Em atendimento ao Ofício Sefis/DRF/FNS nº 111 de 31/08/2015 (Doc. 30), o Sindicato dos Comerciários de TubarãoSC, apresentou os seguintes documentos: a) documentos referentes à homologações de rescisões contratuais de empregados das empresas componentes do Grupo Nandi (Doc. 31, 32 e 33); b) correspondências por carta, solicitando abertura das lojas do grupo Nandi em horário especial (Doc. 34); c) correspondências por emails enviados pelo Grupo Nandi comunicando o evento de Feirões com listagem das lojas participantes (Doc. 35). A documentação apresentada pelo sindicato, confirma a existência de grupo econômico, pois comprova que empregados administrativos de uma empresa componente do grupo, são utilizados indistintamente, por duas ou mais empresas. Estes empregados são identificados como prepostos de duas ou mais empresas, chefes de RH do Grupo Nandi ou Supervisores do Grupo Nandi, como veremos nos documentos aqui anexados e relatados, por amostragem a seguir: a) Documentos referentes a homologações de rescisões contratuais: a.1) Cartas de prepostos (Doc. 31) — Tratase de Cartas de Prepostos emitidas pelas empresas envolvidas na auditoria componentes do grupo econômico, em que se percebe que os prepostos nomeados, representam ao mesmo tempo as diversas empresas aqui citadas, sendo funcionários de apenas uma delas, conforme demonstrado no quadro a seguir: (...) Percebese, no quadro acima, que as funcionárias Karla Konig Leal e Priscila Ramos Marcos, embora estejam registradas como empregadas da empresa Empório Duhomem Ind. Com. e Serv. Ltda. são nomeadas Fl. 671DF CARF MF 18 representantes de diversas empresas. Ou seja, um total de 7 (sete) empresas, nomeiam duas funcionárias registradas em uma delas, representantes de todas, perante o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio. Desta forma, fica claro que as diversas empresas relacionadas no quadro acima, estão unidas, no intuito de minimizar custos e obter melhores resultados, caracterizandose assim como grupo econômico de fato. a.2) Aviso Prévio do empregador para dispensa do empregado (Doc. 32) Tratase de avisosprévios de empregador para dispensa de empregado, os quais compõem a documentação de homologação de rescisão contratual, apresentada ao Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Tubarão/SC. Da análise destes documentos, retirase as seguintes informações: 1) são avisosprévios de dispensa de empregados, emitidos pelas empresas KCS Confecções Ltda.. Empório Duhomem Ltda, Tubarão Confecções Ltda ME, Calegari Com. Dec. Ltda EPP, Costaesmeraldino Ltda Nacale Com. Confec. Ltda. e J.R. Dandolini Ltda., em diversos meses dos anos de 2010 e 2011; 2) todos os documentos foram assinados pela senhora Karla Konig Leal, que fora nomeada representante, através de carta de preposto, por todas as empresas componentes do grupo econômico; e 3) em alguns desses avisosprévios de dispensa de empregado, a senhora Karla Konig Leal, além de assinar, apõe seu carimbo de identificação, onde se lê o seu nome e os termos “Recursos Humanos” e “Grupo Nandi”, ficando claro que se trata de uma funcionária que representa, não só as empresas do grupo, como também o setor de Recursos Humanos do Grupo Nandi. Resta comprovado, também aqui, sem nenhuma dúvida, a existência de grupo econômico de fato, denominado pelos próprios como Grupo Nandi. a.3) Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho (Doc. 33) Foram apresentadas também, pelo Sindicato dos Comerciários, cópias de Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho devidamente homologadas, sendo que destes documentos, extraímos as seguintes informações: 1 ) são Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho, referentes a exempregados das empresas KCS Confecções Ltda., Empório Duhomem 2) os termos foram assinados pelas senhoras Karla Konig Leal e Priscila Ramos Marcos, as quais foram nomeadas representantes, através de carta de preposto, por todas as empresas componentes do grupo econômico; e 3) em um desses termos de rescisão do contrato de trabalho, a senhora Karla Konig Leal, além de assinar, apõe seu carimbo de identificação, onde se lê o seu nome e os termos “Recursos Humanos” e “Grupo Nandi”, Fl. 672DF CARF MF Processo nº 11516.723077/201552 Acórdão n.º 1001000.682 S1C0T1 Fl. 664 19 ficando claro que se trata de uma funcionária que representa, não só as empresas do grupo, como também o setor de Recursos Humanos do Grupo Nandi. Mais uma vez, sem qualquer sombra de dúvida, comprova se a existência de grupo econômico de fato, denominado pelos próprios como Grupo Nandi. b) Correspondências por carta, solicitando abertura das lojas do grupo Nandi em horário especial e por emails, enviados pelo Grupo Nandi comunicando o evento de Feirões com listagem das lojas participantes: b.1) Cartas com solicitação de abertura em horário especial (Doc. 34) Foram apresentadas pelo Sindicato dos Comerciários de TubarãoSC cópias de cartas em que as empresas do Grupo Nandi, informam sobre a realização de “feirões de vendas”, com aberturas das lojas em horários especiais. Na planilha abaixo, relacionamos os documentos enviados: (...) Dos documentos acima relacionados e anexados à presente representação, extraímos as seguintes informações: 1) todas as empresas remetentes das cartas, fazem parte do Grupo Nandi, conforme já mencionado anteriormente: 2) todas as correspondências foram assinadas pelo senhor José Roberto Dandolini, sócio gerente, à época, de outra empresa do grupo, denominada Tubarão Confecções Ltda. ME; 3) o senhor Jose Roberto Dandolini assina todas as correspondências e, se identifica, logo abaixo de sua assinatura, como Supervisor Grupo Nandi, representando todas as empresas remetentes; e 4) percebese que, desde o ano de 2009, todas as empresas do grupo, fazem uso das marcas NANDI, EMPÓRIO DUHOMEM e LOJÃO VITÓRIA. As informações extraídas, comprovam mais uma vez e existência de fato, do grupo econômico, denominado pelos seus componentes de GRUPO NANDI, desde o ano de 2009. c) Emails enviados pelo Grupo Nandi comunicando a execução de Feirões (Doc. 35) Também através de e mails, o Grupo Nandi comunica ao Sindicato dos Comerciários, a execução de feirões, com abertura das lojas cm horários especiais. Das cópias de emails analisados, e aqui anexados, extraímos as seguintes informações: Fl. 673DF CARF MF 20 I) O remetente dos emails, datados de 23 de março de 2009 e 24 de julho de 2009, é o senhor José Roberto Dandolini, identificado ao pé dos emails como Supervisor do Grupo Nandi, utilizando um endereço de email corporativo do Grupo Nandi (dandolini@casanandi.com.br). Vale lembrar novamente que o senhor José Roberto Dandolini era sócio gerente, à época, de outra empresa do Grupo Nandi, denominada Tubarão Confecções Ltda. ME; e 2) no corpo dos emails, o supervisor do Grupo Nandi informa sobre o evento denominado Feirão e lista por nome de fantasia, as lojas do grupo que participarão do feirão. Abaixo relacionamos as lojas listadas no corpo dos emails, pelo nome de fantasia, respectiva razão social e número de CNPJ: (...) Toda a documentação apresentada pelo Sindicato dos Comerciários de TubarãoSC, aqui comentada, comprova a existência de um grupo econômico de fato, na medida em que um grupo de empresas, utilizamse de funcionários, umas das outras, indistintamente, denotando unicidade gerencial, na área de recursos humanos, ou seja, a existência de um organismo administrativo único para todas as empresas analisadas, não deixando qualquer dúvida quanto a existência do grupo econômico de fato. d) o fato da empresa Nacale Com. de Tecidos e Confecções Ltda ter atestado sua participação no grupo econômico ao declarar na ficha de abertura de contas bancárias que seu nome de fantasia é uma das marcas utilizadas pelos componentes do referido grupo econômico (Casa Nandi), conforme exposto no seguinte excerto da representação administrativa de fls. 02 a 26: • Contratos de Abertura de Contacorrente (Doc. 41). O contribuinte apresentou contratos de abertura de contacorrente. Nestes contratos firmados entre a empresa Nacale Com. de Tecidos e Confecções Ltda. e o Banco do Brasil S/A e a Caixa Econômica Federal, a empresa atesta sua participação no grupo econômico de fato aqui caracterizado, ao declarar na ficha de abertura de contas que seu nome de fantasia é “Casa Nandi”, sendo esta uma das marcas utilizadas pelos componentes do referido grupo econômico. Mais uma vez resta comprovado, através da documentação apresentada pelas empresas auditadas, a existência de grupo econômico de fato. e) a constatação de que existia Programa de Relacionamento (Fidelidade) que englobava todas as empresas, conforme exposto no seguinte trecho da representação administrativa de fls. 02 a 26: Fl. 674DF CARF MF Processo nº 11516.723077/201552 Acórdão n.º 1001000.682 S1C0T1 Fl. 665 21 Dos documentos obtidos junto ao Oficio de Registros das Pessoas Naturais e Interdições e Tutelas das Pessoas Jurídicas e de Títulos e Documentos da Comarca de Tubarão/SC (Item 4.3). Em atendimento ao Ofício Sefis/DRF/FNS nº 066 de 30/03/2015 (Doc. 28), o Ofício de Registros Civis das Pessoas Naturais e de Interdições e Tutelas das Pessoas Jurídicas e de Titulos e Documentos da Comarca de Tubarão/SC, forneceu a esta auditoria cópia do Regulamento do Programa de Relacionamento Clube Maiores Lojas (Doc. 29). O referido documento trata da criação de um programa de fidelidade, para clientes em compra em lojas que pertencem ao grupo de empresas que constituem o grupo econômico de fato, ora comprovado. O regulamento do programa de relacionamento foi rubricado e assinado pelo senhor Rafael Nandi Calegari, representando todas as empresas componentes do grupo econômico, e registrado no cartório em 19/03/2010, no livro B158, folha 104 do Ofício de Registros Civis das Pessoas Naturais e de Interdições e Tutelas das Pessoas Jurídicas e de Títulos e Documentos da Comarca de TubarãoSC. A criação do programa de relacionamento, a citação do grupo econômico, com a listagem das empresas que o compõe, a assinatura do senhor Rafael Nandi Calegari, exercendo o poder que lhe é delegado pelas procurações citadas no Quadro 1A acima, representando todas as lojas do “Clube Nandi”, não deixa qualquer dúvida quanto a real existência do grupo econômico de fato. f) a constatação de que as empresas eram representadas pelas mesmas pessoas perante a Justiça do Trabalho, conforme exposto no seguinte trecho da representação administrativa de fls. 02 a 26: Dos documentos obtidos junto à Justiça do Trabalho (Item 4.5). Foram obtidos, junto à Justiça do Trabalho de Santa Catarina, primeira e segunda varas do trabalho de TubarãoSC, cópias de partes de processos trabalhistas (Doc. 36), em que figuram como partes, empresas abrangidas por esta auditoria, dos quais extraímos as informações que corroboram com a caracterização de grupo econômico de fato, conforme quadro a seguir (...) g) a constatação de que o próprio Sr. Rafael Nandi Calegari se apresenta na rede social linkedin como “Gerente de Marketing Fl. 675DF CARF MF 22 do Grupo Nandi”, conforme exposto no seguinte trecho da representação administrativa de fls. 02 a 26: b) Perfis de pessoas físicas relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria: Na rede social “linkedin” https://www.linkedin.com), o senhor Rafael Nandi Calegari se identifica como “Gerente de Marketing do Grupo Nandi” (Doc. 38). Neste documento estão relacionadas as marcas utilizadas pelas empresas componentes do Grupo Nandi (Lojão Vitória, Casa Nandi, Empório Duhomem e Nandi Decorações). Isto comprova a existência do Grupo Econômico Nandi e a estrutura organizacional que se utiliza de um gerente de marketing para todo o grupo de empresas. h) a constatação de que o Sr. Rafael Nandi Calegari é o proprietário de todos os sites utilizados pelas empresas e da marca “Clube Maiores Lojistas”, que se refere ao programa de relacionamento que engloba todas as empresas, conforme exposto no seguinte excerto da representação administrativa de fls. 02 a 26: Da documentação e Informações obtidas através da rede mundial de computadores (Internet) (Item 4.6) Em pesquisa junto a rede mundial de computadores, obtivemos informações e documentos, que representam evidências e provas da existência do grupo econômico de fato, com unicidade gerencial e comando centralizado. Dentre as informações e documentos obtidos relacionamos as seguintes: a) páginas iniciais de sites na internet e informações relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria (Doc. 37); b) perfis de pessoas físicas relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria (Doc. 38); c) Whois Registro de Domínios (Doc. 39): e d) INPI (registro de marcas) (Doc. 42). a) Páginas iniciais de sites na internet e informações relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria: Na rede mundial de computadores, encontrase a página “http://www.lojaovitoria.com.br/cartão”. Esta é a página de divulgação do programa de relacionamento “Clube Maiores Lojas”, citado no item 4.3, onde novamente é citado o “Clube Nandi” como administrador do programa (Doc. 37). Nesta divulgação aparecem exemplos de cartões do programa de relacionamento com os logotipos das empresas com as marcas Lojão Vitória, Empório Duhomem e Casa Nandi. Estas são as marcas usadas pelas empresas componentes do grupo econômico denominado “GRUPO NANDI”. Fl. 676DF CARF MF Processo nº 11516.723077/201552 Acórdão n.º 1001000.682 S1C0T1 Fl. 666 23 (...) c) Informações através do “Whois” (Protocolo para consulta sobre domínios (sites) na internet): Com a utilização do “WHOIS”, que funciona como protocolo para consulta sobre propriedade de domínios (sites) na rede mundial de computadores, localizamos os registros dos sites “casanandi.com.br” criado em 24/03/1998, “lojaovitoria.com.br” criado cm 27/07/2000, “lojasnandi.com.br” criado em 09/08/2011, “emporioduhomem.com.br” criado em 20/01/2009, “nandidecorações.com.br” criado em 20/01/2009 e “clubemaioreslojas.com.br” criado em 30/11/2009 (Doc. 39). Todos os domínios aqui citados, são amplamente usados pelas empresas componentes do grupo econômico e por seus funcionários, fato facilmente comprovado em qualquer busca efetuada na rede mundial de computadores. Nos registros dos referidos domínios, que constam no site “registro.br”, está identificado como proprietário dos referidos sites, o senhor Rafael Nandi Calegari, ou seja, mais uma comprovação que o senhor Rafael Nandi Calegari é o proprietário destes sites e os mesmos são utilizados pelas empresas componentes do Grupo Nandi, sem qualquer ônus, o que caracteriza confusão patrimonial e usufruto coletivo por empresas componentes do grupo econômico aqui identificado. Importante salientar que o senhor Rafael Nandi Calegari é o administrador, por procuração, das empresas aqui mencionadas. d) Registro de Marcas INPI Instituto Nacional de Propriedade Industrial: Junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial, foram encontrados documentos de registro de uso de marcas (Doc. 42), os quais nos fornecem as seguintes informações: 1) as marcas “NANDI” e “LOJÃO VITÓRIA” são utilizadas pelas empresas componentes do grupo econômico de fato, aqui caracterizado, tanto de maneira formal quanto informal, conforme fartamente comprovado: e 2) a marca “CLUBE MAIORES LOJAS” que da nome ao programa de relacionamento referido no item 4.3, é de propriedade do senhor Rafael Nandi Calegari, sendo que o mesmo, é administrador por força de contrato social e/ou por procuração, de todas as empresas componentes do grupo econômico ora caracterizado, conforme amplamente demonstrado no decorrer da presente representação. Percebemse aqui, mais uma vez, claras evidências da existência de grupo econômico de fato, pela constatação Fl. 677DF CARF MF 24 da unicidade gerencial, implícita na divulgação na internet, de um programa de fidelidade chamado “Clube maiores Lojas” em que participam diversas empresas componentes do grupo econômico aqui caracterizado, pela divulgação do próprio perfil, divulgado também na rede mundial de computadores, pelo Senhor Rafael Nandi Calegari, em que o mesmo se intitula “Gerente de Marketing na Grupo Nandi” e pela constatação que o Sr. Rafael Nandi Calegari, procurador das empresas do Grupo Nandi, é o titular dos domínios “lojasnandi.com.br” e “lojaovitoria.com.br” que são os endereços eletrônicos (emails) utilizados pelas empresas que compõem o referido grupo econômico. Como se vê, a análise conjunta das provas e constatações discriminadas acima não deixa dúvidas de que a Interessada (Calegari Comércio de Decorações Ltda EPP), juntamente com as empresas KCS Confecções Ltda – EPP, Tubarão Confecções Ltda ME, Eduardo Decorações Ltda – EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda – ME, New Modas Comércio de Confecções Ltda – ME, Empório Duhomem Indústria, Comércio e Serviços Ltda – ME, Costa Esmeraldino Confecções Eireli EPP e Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, compõem grupo econômico de fato, visto que todas elas, além de serem controladas e administradas por pessoas da mesma família (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), atuam de forma integrada e coordenada, constituindo na realidade uma única empresa (na acepção de empreendimento). Cabe observar que esses elementos de prova e constatações, se forem analisados individualmente, podem até não demonstrar, por si só, a existência de grupo econômico de fato, no entanto, quando apreciados todos em conjunto, comprovam que foi correta a análise da autoridade fiscal, uma vez que demonstram que a todas as empresas citadas no parágrafo anterior, além de serem comandadas pelo mesmo grupo familiar, atuam de forma integrada e coordenada. É importante frisar que todas as alegações apresentadas pela Interessada na tentativa de demonstrar a falta de força probatória dos elementos de prova e constatações enumeradas acima não procedem. De fato, a relação de parentesco entre sócios de empresas diferentes, por si só, não é suficiente para comprovar a existência de grupo econômico de fato. Sucede que a participação societária de integrantes do grupo familiar Nandi Calegari em diversas das empresas citadas é apenas um dos diversos elementos de prova que, quando analisados em conjunto, não deixam dúvida a respeito da caracterização de grupo econômico de fato. Já o fato das empresas terem endereços próprios, ao contrário do que entende a Interessada, não tem o condão de comprovar a incorreção das conclusões das autoridades fiscais, porquanto tal fato, além de não contradizer nenhum dos elementos de prova ou Fl. 678DF CARF MF Processo nº 11516.723077/201552 Acórdão n.º 1001000.682 S1C0T1 Fl. 667 25 constatações arroladas, não é incompatível com a existência de grupo econômico de fato. A alegação de que as empresas prestam atividades diversas e as exercem de maneira totalmente independente entre elas não condiz com a realidade, conforme demonstrado pelas autoridades fiscais. A alegação de que o perfil na rede social Linkedin a que faz referência o documento de fls. 512/513 é do Sr. Rafael Nandi Marcelino e não do Sr. Rafael Nandi Calegari, por sua vez, não pode ser aceita, visto que não foi apresentada nenhuma prova que a ampare. Cabe ressaltar, porém, que mesmo que o referido perfil fosse de Rafael Nandi Marcelino, o que não foi provado, tal fato não tiraria a força probatória de tal documento, já que o mesmo faz expressa menção ao grupo econômico de fato, pois registra a existência do cargo de Gerente de Marketing do “Grupo Nandi”. Diante de todo exposto, portanto, entendo que as autoridades fiscais agiram corretamente ao considerar a existência de grupo econômico de fato nos anos de 2009 a 2015 para fins de apuração da ocorrência da hipótese de vedação ao usufruto do Simples Nacional prevista no artigo 3º, § 4º, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, que assim preceitua: (...) Fica evidente, portanto, que, ao contrário do que alega a Interessada, restou plenamente configurada a ocorrência da hipótese de vedação ao usufruto do Simples Nacional prevista no artigo 3º, § 4º, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, nos anos de 2010 a 2014, já que a receita bruta global das empresas, nesses anos, ultrapassou o limite máximo previsto na legislação, conforme demonstrado na tabela abaixo: (...) Por fim, prevê o §1° do art. 29 que nas hipóteses previstas nos incisos II a X do caput a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. No caso discutido nestes autos há subsunção dos fatos a dois incisos do art. 29 (I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória e V tiver sido constatada prática reiterada de infração), razão pela qual confirmamos o impedimento de adesão para os três anos posteriores. Adicionese que as autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e no mérito negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 679DF CARF MF 26 Fl. 680DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660410/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.811
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 10 /2 01 2- 41 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660410/201241 Acórdão n.º 3401004.811 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660410/201241 Acórdão n.º 3401004.811 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660410/201241 Acórdão n.º 3401004.811 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660410/201241 Acórdão n.º 3401004.811 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660410/201241 Acórdão n.º 3401004.811 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660410/201241 Acórdão n.º 3401004.811 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10813.000297/2010-82
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.
A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dá-se quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva.
Numero da decisão: 1003-000.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2009 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dá-se quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 89, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 3. 00 02 97 /2 01 0- 82 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10813.000297/201082 Acórdão n.º 1003000.122 S1C0T3 Fl. 60 2 06.05.2010, fl. 25, com efeitos a partir de 01.06.2009, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: O Delegado da Receita Federal do Brasil de Ribeirão PretoSP, no uso das suas atribuições e tendo em vista o disposto no inciso VII do art. 29 da Lei Complementar n° 123 de 14 de dezembro de 2006 e no § 1° do art. 4° da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 e do que consta no Processo Administrativo rf 10813.000297/201082, determina: 1 A exclusão da empresa RENAN VERALDI CALDEIRA BENEVELLI ME, CNPJ n° 10.563.510/000120, situada na Avenida Rui Barbosa, n° 609, bairro Centro, Viradouro/SP, do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. 2 A exclusão surtirá efeito a partir de 01/06/2009. 3 Poderá a empresa, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência deste ADE, manifestarse por escrito, sua inconformidade relativamente ao procedimento acima, ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição, nos termos do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. (grifos do original) Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado nos excertos da ementa e do voto condutor do Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1440.573, de 27.02.2013, efls. 3538: SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 26.03.2013, efl. 41, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 24.04.2013, efls. 4354, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. A respeito do motivo do ato de exclusão esclarece que: A questão posta em julgamento não é das mais complexas e deve ser analisada de forma concreta, devendo o julgador, com amparo no princípio da inocência, olvidarse das deduções prejudiciais à recorrente e que foram à toda evidência feitas, data vênia, pela 9ª Câmara da DRJ/RPO. Conforme já explanado, a recorrente foi acusada de incorrer na infração prevista no art. 29, VII, da Lei Complementar n°. 123, de 2006, [...]. Da simples leitura e interpretação literal da norma transcrita, extraise que o legislador teve o intento de punir, tão somente, quem comercializasse mercadorias que tenham sido objeto de contrabando ou descaminho. [...] Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10813.000297/201082 Acórdão n.º 1003000.122 S1C0T3 Fl. 61 3 Percebese que a norma excludente das empresas que estejam enquadradas no SIMPLES nacional possuem três elementos: (a) comercializar; (b)mercadoria; (c) contrabando ou descaminho. [...] E no presente caso, só teria a recorrente incorrido na norma do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar n°. 123, de 2006, se tivesse comercializado mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. A recorrente não tem demanda bastante para realizar compras de cigarros de vulto que ensejasse uma importação do produto, razão pela qual adquire toda a mercadoria que revende no mercado nacional. Dada a negociação simples de compra e venda de mercadoria nacional, não haveria sequer de cogitar de obrigações ou responsabilidades da recorrente com quaisquer regras atinentes a operações de importação, nem mesmo relacionadas às questões tributárias a ela inerentes. [...] A conduta da recorrente não divergiu daquela que a grande maioria dos comerciantes de pequeno porte praticam, ou seja, comprar no mercado de atacado nacional e revender no mercado de varejo, também nacional. Em razão disso, se alguma irregularidade foi praticada pelas fornecedoras da recorrente, essa é de responsabilidade única e exclusiva delas. A relação que existiu entre as fornecedoras de cigarros e a recorrente foi temporária e não passou de negociações de compra e venda de mercadoria fabricada no Brasil, de modo que nunca entrou em pauta, quando de suas negociações, assuntos voltados a operações de importação de mercadorias. [...] Para a recorrente, a mercadoria que foi apreendida em seu estabelecimento tem origem nacional; pelo menos nunca realizou operação de importação de mercadorias para colocálas à venda em seu estabelecimento, daí a afirmação. Mas independentemente da afirmação, e tendo em vista que que a ninguém é dado alegar o desconhecimento da lei, necessário seria, para penalizar a recorrente, que os autos comprovassem que as mercadorias apreendidas eram/são objeto de contrabando ou descaminho, o que não foi feito, já que a fiscalização sequer diligenciou para a realização de laudo pericial para atestar o local da fabricação do produto apreendido, mas a 9a Turma da DRJ/RPO deduziu que sua fabricação é estrangeira. A mesma sistemática deve ser analisada sobre o prisma do elemento "comercializar" incrustrado na norma do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar n°. 123, de 2006, já que a prova da comercialização é o mínimo que deveria a fiscalização ter produzido, mas também não o fez. Diante da notória falta de provas para a adequação deste caso concreto à previsão em lei, é que não se pode admitir a exclusão da recorrente do regime do SIMPLES nacional. Como se não bastasse a falta de provas contra a recorrente, fato impeditivo para a sua exclusão de SIMPLES nacional, há ainda que se respeitar o princípio da presunção de inocência. [...] O que se pode afirmar é que os autos constituemse de meras impressões obtidas pela fiscalização e materializadas em papéis, sem qualquer prova para tanto, Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10813.000297/201082 Acórdão n.º 1003000.122 S1C0T3 Fl. 62 4 em contramão do que estatui o artigo 9º do Decreto n. 70.235, de 6 de março de 1972. [...] Como tudo indica, notadamente pela ausência de provas em contrário, deve ser desconstituído o Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP n°. 89, de 6 de maio de 2010. Mas ainda que a irregularidade imputada à recorrente existisse, haveria de se descartar qualquer punição para tanto em razão de ser perfeitamente invocado, in casu, o princípio da insignificância da conduta. Observe que a mercadoria apreendida consistiu poucos maços de cigarros, cujo valor de comércio do produto não ultrapassava os R$ 200,00 (duzentos reais), valor esse considerado ínfimo frente àquele que o artigo 20 da Lei 10.522/02, com redação dada pela Lei 11.033/04, tem como parâmetro para o ajuizamento de execuções fiscais, ou seja, R$ 10.000,00 (dez mil reais). [...] Em resumo, seja por ausência de provas, seja pelos princípios da presunção de inocência e da insignificância, não há elementos concretos para manter hígido o Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP n°. 89, de 6 de maio de 2010, sob pena de incorrer esse Conselho de Contribuintes em incabida dedução prejudicial à recorrente. [...] À guisa de conclusão, vale repetir que nenhum dos elementos da norma disposta no inciso VII do art. 29 da Lei Complementar n°. 123, de 2006 foram comprovados. A recorrente é uma pequena empresa, cumpridora de suas obrigações junto à Receita Federal do Brasil, que ajuda no aquecimento da economia do Município de Viradouro, gera empregos, e certamente não poderá se manter se for excluída do SIMPLES nacional. Não retrataria, portanto, uma situação ponderada e razoável, a exclusão da recorrente do SIMPLES nacional, pois ato dessa dimensão(exclusão do SIMPLES nacional) só deveria ser praticada em caso de também tamanha dimensão. Rogase, portanto, para que este Conselho de Contribuintes contemple em sua decisão a razoabilidade que se espera de qualquer órgão julgador. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Em face ao todo exposto, dadas as razões acima, a recorrente RENAN VERALDI CALDEIRA BENEVELLI ME requer seja dado provimento ao presente recurso voluntário para que seja desconstituído o Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP n°. 89, de 6 de maio de 2010 e, por consequência, mantida a recorrente no regime do SIMPLES nacional. É o Relatório. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10813.000297/201082 Acórdão n.º 1003000.122 S1C0T3 Fl. 63 5 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, observado o disposto no § 3A do art. 4º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, em relação aos efeitos da exclusão de ofício. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Atinente à questão está literalmente firmado na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; [...] Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: [...] II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou [...] Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; [...] Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10813.000297/201082 Acórdão n.º 1003000.122 S1C0T3 Fl. 64 6 Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. Porém a optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal1. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva (inciso VII do art. 29 e inciso II do art. 30 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Podese entender que a prática de contrabando consiste na importação ou exportação de mercadoria proibida, atentando contra a saúde pública e administração pública. Por sua vez, a prática de descaminho é a ilusão do pagamento do tributo de mercadoria permitida, ofendendo a ordem tributária2. Porém, está pacificado no Supremo Tribunal Federal que "Não há razão para discriminação entre contrabando e descaminho, [...], quando o art. 334 do C.P. os considera sinônimas". 3 As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais4. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). A legislação de regência da matéria determina as consequências da exclusão do Simples Nacional, no sentido de que a 1 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. 2 BALTAZAR JUNIOR, José Paulo. Crimes Federais. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. p.386. 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 35341/DF. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Antônio Martins Vilas Boas. Julgado em: 18 out. 1957. Publicado no DJ em: 12 dez.1957. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=10&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 4 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10813.000297/201082 Acórdão n.º 1003000.122 S1C0T3 Fl. 65 7 pessoa jurídica sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas e art. 32 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta na Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional, fl. 01 02, cujos fundamentos são adotadas nessa segunda instância de julgamento: INTRODUÇÃO Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em RIBEIRÃO PRETO, Tendo lavrado o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810900/00319/10, constante do processo administrativo n° 10813000.295/2010 93, ficou demonstrada a ocorrência de fatos que configuram infração punível com a exclusão do Simples Nacional, nos termos do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006. [...] DESCRIÇÃO DOS FATOS CARACTERIZADORES DO ILÍCITO A Delegacia de Polícia de Viradouro SP, da Polícia Civil de São Paulo, encaminhou à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão Preto SP, o Ofício 31/2009, datado de 25/01/2010, acompanhado do Boletim de Ocorrência n° 517/2009, datado de 18/06/2009 e Auto de Exibição e Apreensão. O conjunto probatório produzido nos autos corroboram a conduta da Recorrente de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, quais sejam, cigarros de procedência estrangeira, conforme Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810900/00319/10, Ofício n° 31/2009, Boletim de Ocorrência n° 517/2009 e Auto de Exibição e Apreensão, fls. 0308. Especificamente no que se refere ao Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810900/00319/10 temse que houve "Apreensão de cigarros, ou charutos ou fumo de procedência estrangeira por encontrarse desprovida de documentação comprobatória de sua introdução regular no País." Assim, este procedimento foi formalizado no processo 10813.000295/201093 e segue rito próprio e especial previsto no DecretoLei nº 1.455, de 07 de abril de 1976, DecretoLei nº 399, de 30 de dezembro de 1968, Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009 e DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Restou comprovado que houve apreensão, efetuada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, de cigarros estrangeiros, objeto de contrabando ou descaminho, no estabelecimento comercial da Recorrente, fato que conformase com atividade mercantil destes produtos. Demonstrado que a mercadoria foi apreendida no estabelecimento comercial da Recorrente ressai nítida a sua condição de sujeito passivo da obrigação tributária e evidencia o caráter comercial da atividade, independentemente da quantidade de itens e o modo como estão expostos à venda. Ademais, a instância judiciária penal é independente da instância administrativa. 5 Por conseguinte, há autonomia entre o trânsito em julgado da decisão judicial 5 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 33136/PR. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Nelson Hungria. Julgado em: 09 jun 1954. Publicado no DJ em: 19 set. 1954. Disponível em: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10813.000297/201082 Acórdão n.º 1003000.122 S1C0T3 Fl. 66 8 relativa ao crime de contrabando ou descaminho e a verificação de circunstância legal de exclusão do Simples Nacional na esfera administrativatributária. Especificamente sobre o princípio da insignificância, temse que deve ser analisado em conexão com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Estado em matéria penal – tem o sentido de excluir ou de afastar a própria tipicidade penal, examinada esta na perspectiva de seu caráter material 6. Vale transcrever excertos de ementas de orientações firmadas no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que firmaram o entendimento no sentido de que a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando ou descaminho, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância: 2. Este Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que a introdução clandestina de cigarros, em território nacional, em desconformidade com as normas de regência, configura o delito de contrabando, ao qual não se aplica o princípio da insignificância, por tutelar interesses que transbordam a mera elisão fiscal. 7 2. Esta Corte de Justiça vem entendendo, em regra, que a importação de mercadorias de proibição relativa, como cigarros ou medicamentos, configura crime de contrabando. 8 4. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, o crime de contrabando de cigarros não comporta aplicação do princípio da insignificância, haja vista o elevado grau de reprovabilidade da conduta, que ofende a saúde e a segurança públicas. 9 1. Nos termos da pacífica orientação da Terceira Seção desta Corte, a importação não autorizada de cigarros constitui o crime <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=11&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 6 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Habeas Corpus nº 98.152/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministro Celso de Mello. Julgado em 19 mai.2009. Publicado no DJe em 05 jun. 2009. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%2898152%29&pagina=5&base=baseAc ordaos&url=http://tinyurl.com/ybhv4wnta>. Acesso em 05 jun. 2018. 7 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1116451/MT. Órgão Julgador: Sexta Turma. Relator: Ministro Nefi Cordeiro. Julgado em: 19 abr. 2018. Publicado no DJe em: 02 mai. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 8 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706471/PR. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Joem Ilan Paciornik. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 04.abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 9 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1226987?RJ. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 02 abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10813.000297/201082 Acórdão n.º 1003000.122 S1C0T3 Fl. 67 9 de contrabando, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância. 10 2. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, não se aplica o princípio da insignificância ao contrabando de cigarros. Tal entendimento decorre do fato de a conduta não apenas implicar lesão ao erário e à atividade arrecadatória do Estado, como na hipótese de descaminho. De fato, outros bens jurídicos são tutelados pela norma penal, notadamente a saúde pública, a moralidade administrativa e a ordem pública. 11 É assente na jurisprudência desta Corte que o trancamento de ação penal ou de inquérito policial, em sede de habeas corpus, constitui medida excepcional, somente admitida quando restar demonstrado, sem a necessidade de exame do conjunto fático probatório, a atipicidade da conduta, a ocorrência de causa extintiva da punibilidade ou a ausência de indícios suficientes da autoria ou prova da materialidade. Precedentes. Consoante já assentado pelo Supremo Tribunal Federal, o princípio da insignificância deve ser analisado em correlação com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Direito Penal, no sentido de excluir ou afastar a própria tipicidade da conduta, examinada em seu caráter material, observandose, ainda, a presença dos seguintes vetores: (I) mínima ofensividade da conduta do agente; (II) ausência total de periculosidade social da ação; (III) ínfimo grau de reprovabilidade do comportamento e (IV) inexpressividade da lesão jurídica ocasionada (HC n. 84.412/SP, de relatoria do Ministro Celso de Mello, DJU 19/4/2004). Na espécie, inferese que o acórdão recorrido encontrase alinhado à jurisprudência desta Corte, no sentido de que a introdução de cigarros em território nacional é sujeita a proibição relativa, sendo que a sua prática, fora dos moldes expressamente previstos em lei, constitui o delito de contrabando, o qual inviabiliza a incidência do princípio da insignificância. Isto porque o bem juridicamente tutelado vai além do mero valor pecuniário do imposto elidido, pois visa a proteger o interesse estatal de impedir a entrada e a comercialização de produtos proibidos em território nacional, bem como resguardar a saúde pública. 12 10 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706397/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.fev. 2018. Publicado no DJe em: 28.fev. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 11 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHCnº 89755/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Ribeiro Dantas. Julgado em: 05 out.2017. Publicado no DJe em: 11.out. 2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 12 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHC nº 82276/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20 jun. 2017. Publicado no DJe em: 30 jun.2017. Disponível em: Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10813.000297/201082 Acórdão n.º 1003000.122 S1C0T3 Fl. 68 10 1. A tipicidade penal não pode ser percebida como exame formal de subsunção de fato concreto à norma abstrata. Além da correspondência formal, para a configuração da tipicidade é necessária análise materialmente valorativa das circunstâncias do caso, para verificação da ocorrência de lesão grave e penalmente relevante do bem jurídico tutelado. 2. Impossibilidade de incidência, no contrabando ou descaminho de cigarros, do princípio da insignificância. 13 1. O princípio da insignificância não incide na hipótese de contrabando de cigarros, tendo em vista que, além do valor material, os bens jurídicos que o ordenamento jurídico busca tutelar são os valores éticosjurídicos e a saúde pública. Precedentes: HC 120550, Primeira Turma, Relator Min. Roberto Barroso, DJe 13/02/2014; ARE 924.284 AgR, Segunda Turma, Relator Min. Gilmar Mendes, DJe 25/11/2015, HC 125847 AgR, Primeira Turma, Relator Min. Rosa Weber, DJe 26/05/2015, HC 119.596, Segunda Turma, Relator: Min. Cármen Lúcia, DJe 26/03/2014. 14 O ato declaratório executivo foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa de vedação emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A notificação do ato administrativo, em regra, pode ser efetivada pessoalmente, por via postal ou por meio eletrônico (art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim a intimação do ato administrativo está regular, pois foi efetivada observando as determinações legais. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. Consta no Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1440.573, de 27.02.2013, efls. 3538, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Conforme consta no Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias, acompanhado do respectivo Boletim de Ocorrência da Polícia Civil, foram apreendidos vinte e seis maços de cigarro da marca Eight, no estabelecimento comercial em epígrafe. Em conseqüência da apreensão dessa mercadoria, foi emitido o devido Ato Declaratório Executivo, excluindo a empresa do Simples nacional, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 13 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 131205/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministra Cármen Lúcia. Julgado em: 06 set. 2016. Publicado no DJe em: 22 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 14 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 129382/PR. Órgão Julgador: Primeira Turma. Relator: Ministro Luiz Fux. Julgado em: 23 ago. 2016. Publicado no DJe em: 16 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10813.000297/201082 Acórdão n.º 1003000.122 S1C0T3 Fl. 69 11 descaminho, de acordo com o disposto na Lei Complementar 123/2006, art. 29, inc. VII. Em relação à alegação de que não foi comprovado o crime de contrabando ou descaminho, esclarecese que a comprovação de prática de tais crimes poderá ser discutida ou não em ação distinta no Poder Judiciário. No entanto, a LC nº 123/2006 não exige a instauração de eventual ação penal para exclusão da empresa do Simples Nacional, quando a mesma comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. O contribuinte pode exercer o seu direito constitucional da ampla defesa e do contraditório no processo do Auto de Infração de Apreensão de Mercadoria, no entanto não apresentou impugnação, conforme Despacho na folha 13. Em relação à alegação de que a mercadoria apreendida era para consumo próprio, a mesma não se sustenta, uma vez que a mercadoria (cigarros) foi encontrada dentro de estabelecimento comercial que se destina à comercialização desse tipo de produto, conforme o Boletim de Ocorrência da Polícia Civil de São Paulo, anexo aos autos. Ainda com relação à destinação comercial das mercadorias apreendidas, esclarece Maria Helena Diniz, em seu Dicionário Jurídico1, que comercializar é: 1: Colocar algo no comércio; 2: Criar objeto com possibilidade de ser explorado comercialmente, de ser vendido, fabricado ou exposto, de modo que possa render dinheiro. Vislumbrase que o conceito do termo ‘comercializar’ abrange não só o produto efetivamente vendido ao consumidor, mas também aquele produto criado com essa finalidade. Dessa forma, o fato das mercadorias serem apreendidas no estabelecimento comercial da manifestante já é suficiente à demonstração do caráter comercial envolvido na situação, não devendo ser acolhidas as alegações apresentadas pela defesa desprovidas de qualquer elemento probatório em sentido contrário. Em relação às alegações a respeito do valor estabelecido pela Lei nº 11.033/2004 e MP nº 449/2008 como limite para execução fiscal e dívida de pequeno valor; que não há interesse em punição penal, nem cobrança fiscal; que deveria ser aplicado o princípio da insignificância, esclarecese que a inclusão/exclusão de micro empresas e empresas de pequeno porte do Simples Nacional é tratada exclusivamente pela LC nº 123/2006. a qual não estabelece valor mínimo da mercadoria comercializada objeto de contrabando ou descaminho para exclusão das mesmas do Simples Nacional. Constatada, dessa forma, a efetiva incidência do contribuinte na situação prevista no inciso VII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/06, deve ser mantida a exclusão do Simples Nacional. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos, nos termos legais. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10813.000297/201082 Acórdão n.º 1003000.122 S1C0T3 Fl. 70 12 recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas 15. O enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca s demonstrar de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência (149 do Código Tributário Nacional). Por essa razão a Recorrente foi corretamente excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 89, de 06.05.2010, fl. 25, com efeitos a partir de 01.06.2009. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. As circunstâncias de caráter privado não podem ser consideradas, pois "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", salvo disposição de lei em contrário (art. 136 do Código Tributário Nacional). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade16. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). 15 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 16 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10813.000297/201082 Acórdão n.º 1003000.122 S1C0T3 Fl. 71 13 Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.907225/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 20/01/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
I - A manifestação de inconformidade instaura (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 14) e delimita (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III, e 17) a lide administrativa. II - A competência do Conselho Administrativo de Recuros Fiscais limita-se ao julgamento de recursos de ofício e voluntário contra decisão de primeira instância (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 25, II). III - Não se conhece de recurso volutário que pretenda a apreciação de motivos de fato e de direito, pontos de discordância e razões não mencionados na manifestação de inconformidade e, por conseguinte, não submetidos à primeira instância administrativa.
Numero da decisão: 2401-005.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Declarou-se impedido de votar o conselheiro Matheus Soares Leite.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado em substituição ao impedimento do conselheiro Matheus Soares Leite) e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. I A manifestação de inconformidade instaura (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 14) e delimita (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III, e 17) a lide administrativa. II A competência do Conselho Administrativo de Recuros Fiscais limitase ao julgamento de recursos de ofício e voluntário contra decisão de primeira instância (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 25, II). III Não se conhece de recurso volutário que pretenda a apreciação de motivos de fato e de direito, pontos de discordância e razões não mencionados na manifestação de inconformidade e, por conseguinte, não submetidos à primeira instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Declarouse impedido de votar o conselheiro Matheus Soares Leite. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 72 25 /2 00 9- 98 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13603.907225/200998 Acórdão n.º 2401005.629 S2C4T1 Fl. 112 2 Filho (suplente convocado em substituição ao impedimento do conselheiro Matheus Soares Leite) e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU compensação utilizando pretenso "Pagamento Indevido/a Maior" no valor de R$ 110.973,91 (cód 0561, PA 31/12/2008), veiculado na PER/DCOMP 10992.03171.060309.1.3.047804, em razão de o pagamento ter sido utilizado na extinção de débitos declarados em DCTF. Intimado do Despacho Decisório em 20/10/2009, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 19/11/2009 alegando, em síntese: a) Ao processar eletronicamente a declaração, sem qualquer diligência fiscal, intimação ou pedido de esclarecimentos, considerouse que o crédito não estaria disponível por ter sido utilizado integralmente na liquidação de débito de IRRF, a inviabilizar a presente compensação. O DARF em questão também ensejou a PER/DCOMP 21203.33658.060309.1.3.047742, analisada no PTA n. 13603.908377/200916 e cuja apreciação conjunta se apresenta pertinente. Ocorre que, em 24/10/2009, a Requerente apresentou DCTF retificadora indicando que o débito de IRRF apurado seria de R$ 2.318.879,96 e não o valor de R$ 2.905.103,18 inicialmente declarado e considerado no Despacho Decisório. Para liquidar o débito de R$ 2.318.879,96, utilizouse compensação no valor total de R$ 927.319,52 e pagamentos no valor total R$ 1.391.560,44 (DARFs: R$ 117.212,89, R$ 156.110,01, R$ 270.165,19, R$ 420.344,41 e R$ 427.727,94). Logo, o DARF de R$ 265.696,55 deixou de estar vinculado ao débito de IRRF apurado na DCTF original, a restar comprovada a necessidade de reformulação do Despacho Decisório. b) A DCTF retificadora tem a mesma natureza da original e a substitui integralmente, não estando preenchido o suporte fático do § 2° do art. 11 da IN RFB n° 903, de 2008. Na DCTF referente a fevereiro de 2009, foi apontada a compensação declarada no PER/DCOMP, antes da emissão do Despacho Decisório. De todo modo, o princípio da verdade material exige a consideração da retificação e existência do crédito pleiteado, conforme ensinamentos doutrinários e jurisprudência administrativa. Assim, comprovada a existência do crédito, não há como se negar a homologação da compensação, sob pena de afronta ao princípio da verdade material. c) Pede o conhecimento e provimento da manifestação de inconformidade para se reformar o Despacho Decisório, sendo reconhecido o crédito de R$ 265.696,55 e homologada de forma integral a compensação do PER/DCOMP 10992.03171.060309.1.3.047804 e indicadas em anterior PER/DCOMP. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13603.907225/200998 Acórdão n.º 2401005.629 S2C4T1 Fl. 113 3 Subsidiariamente, requer diligência para obtenção de maiores esclarecimentos ou documentos. Requer ainda a apreciação conjunta dos PTAs n 13603.908377/200916 e 13603.907226/200932. Em 21/07/2010, foi prolatado Acórdão de primeira instância do qual, em síntese, se extrai: a) O crédito utilizado na DCOMP não foi reconhecido pela DRF em função das informações prestadas na DCTF original. b) Em face do disposto nos arts. 10 e 11 da IN RFB n° 903, de 2008, a declaração retificadora substitui integralmente a original, contudo os valores informados estão sujeitos à verificação do fisco, especialmente quando os valores alterados dão origem a possíveis créditos utilizados em DCOMP. A manifestação de inconformidade não apresentou qualquer comprovação da alteração efetuada. As DIRF's corroboram o valor do IRRF05561 informado na DCTF original. Além disso, tanto no período anterior novembro/2008, quanto no período posterior janeiro/2009, o valor do IRRF0561 informado pelo contribuinte na DCTF é inferior à soma dos valores retidos informados pelo contribuinte na DIRF correspondente. Concluise pela inexistência de pagamento indevido. c) Os demais processos mencionados pelo impugnante são analisados nesta mesma data. Indeferese protesto genérico para produção de provas em razão da preclusão e o pedido de diligência por ser tal providência desnecessária diante dos elementos constantes dos autos. Cientificado em 10/09/2010, o contribuinte interpôs em 11/10/2009 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) O Acórdão recorrido não reconheceu o direito à repetição do indébito em razão de a retificação da DCTF ter se dado após o procedimento fiscal. Esse entendimento se baseia em interpretação equivocada da sistemática da DCTF retificadora. b) Na DCTF original, apontouse o IRRF de R$ 2.905.103,18 liquidado por compensações no valor de R$ 927.319,52 e recolhimentos de R$ 1.977.783,66, a incluir o DARF de R$ 265.696,55. Na impugnação, demonstrouse o equívoco da inclusão desse DARF e já se indicou que a DCTF havia sido retificada para se liberar tal DARF. b1) Posteriormente, contudo, a recorrente verificou que havia desconsiderado em sua retificação outra compensação efetuada em 13/01/2009 e no valor de R$ 1.434.295,57 e processada por meio da PER/DCOMP 01609.50585.130109.1.3.015239. Assim, da nova DCTF retificadora passou a constar como devido a título de IRRF R$ 2.905.103,18 liquidado por duas compensações nos valores de R$ 927.319,52 e R$ 1.434.295,57 e pagamentos no valor total de R$ 543.488,09. b2) Não obstante essa nova retificação, inegável que o pagamento do DARF de R$ 265.696,55 efetivamente apresentase como indevido. Essa Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13603.907225/200998 Acórdão n.º 2401005.629 S2C4T1 Fl. 114 4 situação já se verificava em janeiro de 2009, mas somente agora restou devidamente indicada em DCTF e por isso o apontou na PER/DCOMP 10992.03171.060309.1.3.047804. c) A DCTF retificadora tem a mesma natureza da original e a substitui integralmente. O princípio da verdade material exige a consideração da retificação e existência do crédito pleiteado, conforme ensinamentos doutrinários e jurisprudência administrativa. d) Pede a reforma da decisão recorrida para que seja reconhecido o direito à restituição de R$ 265.696,55 e homologada de forma integral a compensação indicada no PER/DCOMP. Requer ainda a apreciação conjunta dos PTA Requer ainda a apreciação conjunta dos PTAs n 13603.908377/200916 e 13603.907226/200932.. É o Relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro A confrontação entre a manifestação de inconformidade e as razões do recurso voluntário revela inovação dos motivos de fato e de direito e abandono dos pontos de discordância veiculados na manifestação de inconformidade. Segundo a manifestação de inconformidade, haveria recolhimento a maior em razão de o monante devido de IRRF0561PA31/12/2008 não ser de R$ 2.905.103,18, como constara da DCTF original, mas de R$ 2.318.879,96 conforme DCTF retificadora. O Acórdão da DRJ considerou que não foi apresentada prova alicerçando a retificação e que a DIRF corrobora o valor de R$ 2.905.103,18. Assim, sendo devido o valor de R$ 2.905.103,18, as razões apresentadas na manifestação de inconformidade para a configuração do recolhimento indevido não se sustentariam. No recurso, o contribuinte abandona o ponto de discordância de o valor devido de IRRF0561PA31/12/2008 não ser de R$ 2.905.103,18 e inova os motivos de fato e de direito presentes na manifestação de inconformidade ao sustentar que o recolhimento indevido decorre do fato de ter quitado parte substancial do débito de IRRF0561 PA31/12/2008 mediante compensação e que teria reconhecido tal situação fática em nova DCTF retificadora. Assim, substituiuse integralmente a causa de pedir ao se alegar que o indébito decorre da quitação por compensação não considerada e não em razão de o montante devido de IRRF0561PA31/12/2008 ser de R$ 2.318.879,96, ganhando relevo questões probatórias até então não cogitadas nos autos. Por exemplo, se houve ou não homologação da compensação em tela e cuja alegação e início de prova foram trazidos aos autos tão somente com as razões de recurso. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13603.907225/200998 Acórdão n.º 2401005.629 S2C4T1 Fl. 115 5 Notese ainda que, em relação a causa de pedir original, não foi apresentado qualquer inconformismo acerca da apreciação empreendida pelo Acórdão de piso. O contribuinte acabou por reconhecer o cabimento da rejeição integral da causa de pedir veiculada na inicial ao apresentar nas razões de recurso nova causa de pedir. Destaquese que o argumento de a DCTF retificadora ser dotada da mesma eficácia da original em razão de o princípio da verdade material determinar a prevalência dos fatos alegados e provados diante do conjunto probatório produzido no processo administrativo não autoriza a substituição em sede de recurso voluntário da causa de pedir veiculada na manifestação de inconformidade. A manifestação de inconformidade instaura (Lei n° 9.430, art. 74, §11; e Decreto n° 70.235, de 1972, art. 14) e delimita (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III, e 17) a lide administrativa e a competência do Conselho Administrativo de Recuros Fiscais limitase ao julgamento de recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 25, II), logo não há como se conhecer de recurso que pretenda a apreciação de motivos de fato e de direito, pontos de discordância e razões não mencionados na manifestação de inconformidade e não submetidos à primeira instância administrativa. Assim, operouse a preclusão consumativa e a apreciação por esse Conselho da matéria não deliberada pela DRJ ensejaria ofensa aos dispositivos legais citados em evidente supressão de instância1 e violação do princípio da congruência2. O entendimento aqui esposado alinhase à iterativa, notória e atual jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como bem ilustram as seguintes ementas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso na matéria inovada. (Processo n° 13942.720005/201478, Acórdão nº 1002000.193 – Turma Extraordinária / 2ª Turma / 1ª Seção de Julgamento, Sessão de 10 de maio de 2018) MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. 1 Lei n° 5.869, de 1973, art. 515; e Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15 e 1.013. 2 Lei n° 5.869, de 1973, arts. 128, 183, 294 e 460; e Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15, 141, 223, 329 e 492. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13603.907225/200998 Acórdão n.º 2401005.629 S2C4T1 Fl. 116 6 Conhecese do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedouse preclusa. (Processo n° 10410.721335/201239, Acórdão nº 2301005.165 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária/ 2ª Seção de Julgamento, Sessão de 4 de outubro de 2017) MATÉRIA ESTRANHA À LIDE OU SUSCITADA SOMENTE EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matéria que não tenha qualquer tipo de relação com o auto de infração e nem daquelas que, mesmo relacionadas à lide tributária, não tenha sido objeto de impugnação e nem se preste a contrapor razões trazidas na decisão recorrida. (Processo n° 14485.000203/200871, Acórdão nº 2402006.121 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/ 2ª Seção de Julgamento, Sessão de 4 de abril de 2018) Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900103/2006-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2000
JULGAMENTO STJ. SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO. VINCULAÇÃO.
A decisão do STJ na sistemática do recurso repetitivo é de observância obrigatória dos Conselheiro do CARF.
DELIMITAÇÃO DA LIDE
Restringindo-se os fundamentos do não-reconhecimento do direito creditório ao conceito de "serviços hospitalares", nada sendo tratado em relação à segregação as receitas, no caso de haver atividade distintas, não cabe, em sede de julgamento de Recurso Voluntário, inovar sobre a causa.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2000
Ementa:LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadrando-se a Recorrente no conceito legal de "serviços hospitalares", conforme tese firmada no julgamento do leading case do tema/repetitivo 217, deve ser corrigido o coeficiente de determinação do lucro presumido para o percentual de 8%.
Numero da decisão: 1302-002.983
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2000 JULGAMENTO STJ. SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO. VINCULAÇÃO. A decisão do STJ na sistemática do recurso repetitivo é de observância obrigatória dos Conselheiro do CARF. DELIMITAÇÃO DA LIDE Restringindo-se os fundamentos do não-reconhecimento do direito creditório ao conceito de "serviços hospitalares", nada sendo tratado em relação à segregação as receitas, no caso de haver atividade distintas, não cabe, em sede de julgamento de Recurso Voluntário, inovar sobre a causa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2000 Ementa:LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadrando-se a Recorrente no conceito legal de "serviços hospitalares", conforme tese firmada no julgamento do leading case do tema/repetitivo 217, deve ser corrigido o coeficiente de determinação do lucro presumido para o percentual de 8%.
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INSTITUTO BAURUENSE DE RESSONANCIA MAGNETICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2000 JULGAMENTO STJ. SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO. VINCULAÇÃO. A decisão do STJ na sistemática do recurso repetitivo é de observância obrigatória dos Conselheiro do CARF. DELIMITAÇÃO DA LIDE Restringindose os fundamentos do nãoreconhecimento do direito creditório ao conceito de "serviços hospitalares", nada sendo tratado em relação à segregação as receitas, no caso de haver atividade distintas, não cabe, em sede de julgamento de Recurso Voluntário, inovar sobre a causa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2000 Ementa:LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadrandose a Recorrente no conceito legal de "serviços hospitalares", conforme tese firmada no julgamento do leading case do tema/repetitivo 217, deve ser corrigido o coeficiente de determinação do lucro presumido para o percentual de 8%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 01 03 /2 00 6- 25 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10825.900103/200625 Acórdão n.º 1302002.983 S1C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Empresa apresentou DComp eletrônica pleiteando a compensação de crédito pagamento a maior ou indevido de IRPJ. O fundamento seria a errada utilização do percentual de presunção de 32%, aplicada aos serviços em geral, quando devia ter aplicado o percentual de 8%, uma vez que se considera no rol dos prestadores de "serviços hospitalares". Despacho Decisório (DD) da autoridade competente negou o direito creditório sob a alegação de que a atividade exercida não se enquadrava em "serviços hospitalares", estando correta a aplicação do percentual de lucro presumido de 32% sobre a receita bruta. É de se destacar que a discussão sobre o conceito de atividade hospitalar é empreendida em tese, não sendo discutidos outros temas que não a aplicação ou não do percentual de presunção reduzido, ou, mesmo, perquiridas outras provas ou peculiaridades inerentes à Sociedade. A Empresa apresentou manifestação de inconformidade alegando que sua atividade é sim hospitalar e que deve aplicar o percentual de 8%, fazendo citação a decisões do CARF e da justiça que assim entenderam, além de vários atos normativos da Receita Federal. A Delegacia de Julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade, enfatizando a necessidade de o prestador do serviço atender aos requisitos do artigo 27 da Instrução Normativa 480, de 2004, com a alteração introduzida pela Instrução Normativa nº 539, de 2005, quais sejam: a) desempenhar uma ou mais das atribuições do inciso I, do art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 12 da IN SRF nº 539, de 2005, ou, no caso da atribuição "Prestação de Atendimento de Apoio ao Diagnóstico e Terapia", exercer uma ou mais das atividades descritas nos itens 4.1 a 4.14, da RDC n2 50, de 2002, da Anvisa; Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10825.900103/200625 Acórdão n.º 1302002.983 S1C3T2 Fl. 4 3 b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com a Parte II Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde, item 3 Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes, da RDC n2 50, de 2002, da Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC n2 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n2 189, de 18 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n2 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil; d) que os estabelecimentos hospitalares (em regime de atendimento de urgência ou não), sigam os dispositivos emanados no ADI n° 19 de 10/12/2007, aqui para efeito de cálculo do percentual reduzido de IRPJ, a ser utilizado por empresas prestadoras de tais serviços, nas condições previstas nas leis e dispositivos sobre o assunto. Assim, considerou que a empresa não comprovou o atendimento aos requisitos apontados. Insatisfeita com a decisão daquela Turma, a Sociedade apresentou Recurso Voluntário renovando os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade e acrescentando que o Superior Tribunal de Justiça já pacificou o conceito de "serviço hospitalar" para fins tributários, privilegiando o aspecto objetivo (que tipo de serviço é prestado), em detrimento do subjetivo (quem presta o serviço). Assim, em sede de recursos repetitivos, decidiu favoravelmente ao entendimento da Recorrente, pelo que requer o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação pleiteada. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.978, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10825.900104/2006 70, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10825.900103/200625 Acórdão n.º 1302002.983 S1C3T2 Fl. 5 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.978): "O Recurso é tempestivo e a representação é regular, pelo que conheço do Recurso Voluntário. A lide é imitada à discussão em tese do conceito de "serviços hospitalares" constante do artigo 15, § 1º, inciso III alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, vigente à época, abaixo transcrito: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Nesta seara, discutese: a atividade desenvolvida pela Recorrente é "serviço hospitalar" nos termos da lei vigente à época? O Contrato Social da Empresa informa que o objeto social é a prestação de serviços em ressonância magnética, tomografia computadorizada e raio x. Mesmo com a riqueza de argumentação e ainda que este Relator entenda que a interpretação envolve abordagem subjetiva, em função dos custos envolvidos nos serviços de internação de pacientes, fato é que Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o REsp 1116399 Bahia, na sistemática do artigo 543C do CPC, atual artigo 1.041 no NOVO CPC, com trânsito em julgado em 3 de novembro de 2010, formulou a seguinte tese: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10825.900103/200625 Acórdão n.º 1302002.983 S1C3T2 Fl. 6 5 Na ação, em resposta a embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, assim se manifestou o colegiado: 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a", da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. Cumpre destacar que a referida alínea "a" acima transcrita sofreu alargamento do conceito de "serviço hospitalar", com a alteração promovida pela Lei nº 11.727, de 2008: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (...) Fato é que a interpretação dada pelo julgado tem uma abordagem objetiva da norma, referente ao tipo de atividade desenvolvida e não ao sujeito da ação. A tese classifica como "serviços hospitalares" aqueles se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10825.900103/200625 Acórdão n.º 1302002.983 S1C3T2 Fl. 7 6 diretamente à promoção da saúde. Quanto ao local de prestação afirma que são prestados dentro dos hospitais, em regra, mas não necessariamente. Sob a ótica da tese, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, como se vê do artigo 62 § 2º do Anexo II do RICARF, não há como negar que a atividade desenvolvida pela recorrente enquadrase no conceito de "serviços hospitalares". Como nenhum outro aspecto do direito creditório foi alvo de questionamento no Despacho Decisório, nada há que impeça o seu reconhecimento. Feitas a considerações pertinentes, dou provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado e homologando a compensação até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado e homologando a compensação até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000918/2005-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano-calendário: 2003
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO.
INTEMPESTIVIDADE.
Tendo sido a contribuinte regularmente intimada no dia 10/06/2009 (AR fls. 402), a partir dessa data deve ser contado o trintídio para a interposição do recurso voluntário, verificandose,
no presente caso, a completa intempestividade do recurso interposto.
Numero da decisão: 1301-000.943
Decisão: Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos do relatório e voto do Relator.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano-calendário: 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Tendo sido a contribuinte regularmente intimada no dia 10/06/2009 (AR fls. 402), a partir dessa data deve ser contado o trintídio para a interposição do recurso voluntário, verificandose, no presente caso, a completa intempestividade do recurso interposto.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Tendo sido a contribuinte regularmente intimada no dia 10/06/2009 (AR fls. 402), a partir dessa data deve ser contado o trintídio para a interposição do recurso voluntário, verificandose, no presente caso, a completa intempestividade do recurso interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos do relatório e voto do Relator. (Assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Por bem retratar a realidade contida nos autos, adoto o relatório apresentado pela r. decisão recorrida, apresentado nos seguintes termos: O presente processo versa acerca de Autos de Infração (fls. 293/295, 300/302, 307/309, 314/316, 321/323), lavrados em 15/04/2005, atinentes ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Contribuição para a Seguridade Social (INSS), relativo aos fatos geradores dos meses de janeiro a dezembro do anocalendário de 2003, com o crédito tributário total de R$ 122.554,74, composto de principal, multa de ofício de 75% e de juros de mora vinculados, calculados até 31/03/2005, apurados nos moldes do regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Os referidos Autos de Infração decorreram de ilícito caracterizado em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias perante o sujeito passivo em epígrafe, segundo o qual restou configurado, mediante exame dos de Livros de Registro de Saída, Extratos Bancários e Comprovantes de Repasses Recebidos de Administradoras de Cartões de Crédito fornecidos pela própria entidade, em atendimento às demandas requisitadas pela autoridade fiscal por intermédio do Termo de Início de Fiscalização, cientificado em 15/04/2005 (fls. 4/5), II, que o montante das receitas omitidas, apuradas por presunção legal baseada em ingressos constatados em movimentação financeira de contas de bancárias em nome da sociedade cotejadas com extratos de repasses recebidos de empresas administradoras de cartões de crédito, representamse em valor superior aquele informado na Declaração Anual Simplificada transmitida pelo sujeito passivo, conseqüentemente, demonstrando a omissão e/ou a insuficiência na apuração dos impostos e contribuições devidos, ocasionados pela redução indevida na base de cálculo dos tributos, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais encontramse detalhados no corpo dos mencionados lançamentos, aditados e pormenorizados pelo Termo de Constatação (fls. 272/274), ora integrante e indissociável dos autos de infração. Acompanha o presente processo que controla os autos de infração em litígio, os autos do Processo Administrativo n° 19515. 001195/200556, que versa acerca de Representação Fiscal de Exclusão do Simples, constituída para fins de amparar a exclusão de ofício do regime tributário simplificado, cujo procedimento incorreu na emissão do Ato Declaratório Executivo Dicat/Derat/SPO n° 34, de 06/06/2005 (fl. 68), em face de constatação da situação excludente pertinente ao excesso ao limite de receita bruta no anocalendário de 2003, com efeito a partir de 31/12/2003. Cientificado pessoalmente do lançamento em 15/04/2005 (fl. 324), o contribuinte apresentou impugnação em 16/05/2005 (fls. 328/351), na qual requer o cancelamento do auto de infração e anulação do procedimento que visa instaurar a exclusão do SIMPLES, em síntese, apoiandose nas seguintes alegações de fato e de direito: 1) Inicialmente, após uma breve exposição dos fatos, reclama que a autoridade fiscal não efetuou nenhum pedido para que efetuasse a juntada de documentos para a elaboração da suas convicções. Questiona a procedência do procedimento Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000918/200508 Acórdão n.º 1301000.943 S1C3T1 Fl. 2 3 administrativo, haja vista que a lavratura do auto de infração pautouse em meras presunção de ocorrência de omissão de receita; 2) Amparada em doutrina tributária, assevera que a autoridade fiscal não esclareceu ao contribuinte as motivações que o levaram a concluir pela autuação das importâncias inseridas como base de cálculo do lançamento, limitandose a considerá las para fins constituir os autos de infração sob a forma de presunções relativas e discricionárias; 3) Reclama que os valores identificados não consistem em situação de incidência tributária, visto que representam valores que somente transitaram pela empresa, porém se referem a operações praticadas pela sócia de fato, com o intuito de favorecer terceiros não vinculados à empresa e com total desconhecimento dos proprietários de direito. Acrescenta, inclusive, que o AFRF não intimou o contribuinte para a apresentação de instrumentos que comprovariam as operações não tributárias e as praticadas por terceiros, assim como os esclarecimentos acerca da adoção do regime de competência ou de caixa; 4) Pautado em doutrina tributária, decisões administrativas proferida pelo Conselho de Contribuintes e jurisprudência forenses prolatadas pelos Tribunais Superiores, reclama que a tributação foi realizada mediante arbitramento da base de cálculo, desconsiderando as exclusões previstas em lei para os serviços prestados e produtos comercializados, evidenciando o excesso na apuração da presunção; 5) Questiona, ainda, que deveria ser pronunciada a nulidade do auto de infração referente à Contribuição para Seguridade Social — INSS (SIMPLES), por fazer oposição aos termos do art. 15 da Lei n° 9.779, de 1999, demonstrando um conflito de competência, em razão do auditorfiscal representar agente incompetente para promover a lavratura de auto de infração relativa à contribuição previdenciária; 6) Acrescenta que a multa de oficio, incidente sobre os impostos e contribuições constituídos por meio dos autos de infração em comento, representam penalidades incompatíveis, atribuindo uma finalidade de caráter confiscatório. Atesta que a exigência caracteriza afronta aos princípios da legalidade e que veda o confisco no âmbito tributário, consoante previsto no art. 150, inciso IV, da CF188. Ampara suas contrarazões mediante citação de excertos de decisões administrativas proferidas pelo Conselho de Contribuintes e jurisprudências forenses; 7) Finalmente, caso mantida a exigência fiscal e a anulação dos efeitos da exclusão do SIMPLES, requer a redução da multa aplicada no auto de infração frente o caráter confiscatório da sanção. Ato continuo, a autoridade preparadora encaminha os autos à DRJ/SPOI para julgamento da impugnação. A par das considerações apresentadas, promove então a douta DRJ de origem a análise dos fundamentos apresentados pela contribuinte, concluindo pela PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO, em acórdão que, inclusive, assim restara ementado: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 PRELIMINAR. NULIDADE. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIALINSS. COMPETÊNCIA A Secretaria da Receita Federal é competente para executar as atividades de arrecadação, cobrança, fiscalização e tributação dos impostos e contribuições pagos em conformidade com a legislação de regência do Simples Federal, aplicandose as normas relativas ao imposto de renda em relação aos processos de determinação e exigência dos créditos tributários. SIMPLES FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA BRUTA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. PRESUNÇÃO LEGAL APURADA EM EXTRATOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA EM DESFAVOR DO CONTRIBUINTE. É legitima a lavratura de lançamento mediante aplicação da presunção legal de omissão de receita fixada pelo dispositivo legal previsto no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, nas hipóteses em que o sujeito passivo titular de conta bancária, regularmente intimado, não apresenta prova em contrário por intermédio de documentação hábil e idônea, visando esclarecer a origem dos recursos financeiros creditados em conta de depósito ou de investimento. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. EFEITO CONFISCATÓRIO. A aplicação da multa de ofício, decorrente de infrações identificadas no transcurso de procedimento de fiscalização, provém de vinculação ao princípio da legalidade que se encontra adstrita à Administração Tributária Federal, cabendo restritamente à autoridade administrativa, imputála na forma da legislação de regência, sendo inadmissível atenuála em razão de pretensa afronta de princípios constitucionais ou com fundamento em jurisprudências dos tribunais. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. DOS ARGUMENTOS DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe ao órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo aquelas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as súmulas e/ou sentenças prolatadas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não vinculam as instâncias julgadoras, restringindose às matérias e às partes envolvidas no litígio. SIMPLES FEDERAL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS, CSLL e INSS SIMPLES. A decisão pertinente ao lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ SIMPLES) deve nortear as inferências correlatas aos autos de infração de contribuições sociais e previdenciária, tendo em vista que provêm receita omitida Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000918/200508 Acórdão n.º 1301000.943 S1C3T1 Fl. 3 5 decorrente de aplicação de presunção legal idêntica, mantendo íntima relação de causa e efeito. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. Caracterizada a omissão de receita, denotando a conseqüente superação do limite de receita admissivel na sistemática do SIMPLES FEDERAL, seguese a exclusão da contribuinte constatada no curso de procedimento de fiscalização, estendendose os efeitos da exclusão a partir do anocalendário seguinte, quando a interessada sujeitar seá às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Lançamento Procedente Conforme informações constantes no autos, verificase que, no dia 10/06/2009 (AR fls. 402), fora recebido pela contribuinte (E.K.J. COMERCIO DE GAMES LTDA ME) a intimação do inteiro teor da decisão proferida, constando ainda dos autos que, no dia 08/07/2009 (AR fls. 403 verso), fora recebida a intimação pessoal encaminhada ao Sr. ELIAS KHALIL JUNIOR. A par dessas informações, verificase, então, às fls. 413 e ss., o Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte, cujo comprovante de postagem, constante ás fls. 441, indica envio no dia 05/08/2009, redargüindose, ali, todos os termos e fundamentos antes apresentados na impugnação, pretendendo, assim, a reforma do julgado. Na essência, esse é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER. A partir das informações apresentadas no relatório, verificase que, em relação à intimação encaminhada à contribuinte, esta foi por ela recebida no dia 10/06/2009 (AR fls. 402), e não no dia 08/07/2009, como equivocadamente apontado nas disposições do recurso oferecido. Na verdade, a intimação recebida no dia 08/07/2009 foi aquela direcionada ao responsável, Sr. ELIAS KHALIL JUNIOR, sendo esta completamente diversa e apartada daquela inicialmente referenciada. Tais apontamentos, aqui, apresentamse relevantes, tendo em vista a análise primária a respeito do atendimento dos requisitos de admissibilidade do recurso voluntário pretendido, sendo certo que, em relação ao prazo especificamente estabelecido por lei para a sua interposição, assim se destacam das disposições do Decreto 70.235/72: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 6 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A partir das informações destacadas dos autos, verificase que, tendo sido intimada a contribuinte a respeito do inteiro teor da decisão proferida pela d. DRJ de origem no dia 10/06/2009, o esgotamento do trintídio legal para a interposição do recurso voluntário teria ocorrido no dia 10/07/2009, verificandose, nos presentes autos, de forma insofismável, a efetiva e inarredável intempestividade do recurso interposto. Diante dessas considerações, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário interposto, por intempestivo, nos termos e fundamentos aqui especificamente apresentados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10665.721417/2011-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Constatada obscuridade no acórdão embargado, é de se admitir os embargos para sanar o vício. Neste sentido a ementa e dispositivo do acórdão embargado passa a ter a seguinte redação.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Nessa linha de entendimento não é possível o aproveitamento de créditos em relação 1)insumos utilizados na fase agrícola, bem como os insumos utilizados na produção de carvão vegetal - insumos de insumos; e 2) despesas incorridas na manutenção de frota própria do contribuinte, ressaltando que os veículos são utilizados em todas as atividades da empresa, não tendo aplicação específica direta no processo industrial do ferro gusa.
EFEITOS DA CONSULTA FISCAL EM JULGAMENTOS REALIZADOS PELO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS- CARF. INDEPENDÊNCIA.
Como os representantes da Fazenda no CARF não estão jungidos às diretrizes emanadas da RFB, mas sim à legalidade, atuam com independência técnica. Por outro lado, dentro dos limites do exercício de sua função pública, eles se subordinam administrativamente ao CARF.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. COFINS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Nessa linha de entendimento não é possível o aproveitamento de créditos em relação 1)insumos utilizados na fase agrícola, bem como os insumos utilizados na produção de carvão vegetal - insumos de insumos; e 2) despesas incorridas na manutenção de frota própria do contribuinte, ressaltando que os veículos são utilizados em todas as atividades da empresa, não tendo aplicação específica direta no processo industrial do ferro gusa.
EFEITOS DA CONSULTA FISCAL EM JULGAMENTOS REALIZADOS PELO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS- CARF. INDEPENDÊNCIA.
Como os representantes da Fazenda no CARF não estão jungidos às diretrizes emanadas da RFB, mas sim à legalidade, atuam com independência técnica. Por outro lado, dentro dos limites do exercício de sua função pública, eles se subordinam administrativamente ao CARF.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento parcial, para restaurar as glosas referentes (i) aos créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas relacionadas à formação de florestas de eucalipto e produção de carvão vegetal (ii) aos serviços de transporte em frota própria na atividade industrial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal."
Numero da decisão: 9303-006.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, para sanar a obscuridade apontada, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Constatada obscuridade no acórdão embargado, é de se admitir os embargos para sanar o vício. Neste sentido a ementa e dispositivo do acórdão embargado passa a ter a seguinte redação. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Nessa linha de entendimento não é possível o aproveitamento de créditos em relação 1)insumos utilizados na fase agrícola, bem como os insumos utilizados na produção de carvão vegetal - insumos de insumos; e 2) despesas incorridas na manutenção de frota própria do contribuinte, ressaltando que os veículos são utilizados em todas as atividades da empresa, não tendo aplicação específica direta no processo industrial do ferro gusa. EFEITOS DA CONSULTA FISCAL EM JULGAMENTOS REALIZADOS PELO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS- CARF. INDEPENDÊNCIA. Como os representantes da Fazenda no CARF não estão jungidos às diretrizes emanadas da RFB, mas sim à legalidade, atuam com independência técnica. Por outro lado, dentro dos limites do exercício de sua função pública, eles se subordinam administrativamente ao CARF. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. COFINS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Nessa linha de entendimento não é possível o aproveitamento de créditos em relação 1)insumos utilizados na fase agrícola, bem como os insumos utilizados na produção de carvão vegetal - insumos de insumos; e 2) despesas incorridas na manutenção de frota própria do contribuinte, ressaltando que os veículos são utilizados em todas as atividades da empresa, não tendo aplicação específica direta no processo industrial do ferro gusa. EFEITOS DA CONSULTA FISCAL EM JULGAMENTOS REALIZADOS PELO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS- CARF. INDEPENDÊNCIA. Como os representantes da Fazenda no CARF não estão jungidos às diretrizes emanadas da RFB, mas sim à legalidade, atuam com independência técnica. Por outro lado, dentro dos limites do exercício de sua função pública, eles se subordinam administrativamente ao CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento parcial, para restaurar as glosas referentes (i) aos créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas relacionadas à formação de florestas de eucalipto e produção de carvão vegetal (ii) aos serviços de transporte em frota própria na atividade industrial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal."
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OBSCURIDADE. Constatada obscuridade no acórdão embargado, é de se admitir os embargos para sanar o vício. Neste sentido a ementa e dispositivo do acórdão embargado passa a ter a seguinte redação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Nessa linha de entendimento não é possível o aproveitamento de créditos em relação 1)insumos utilizados na fase agrícola, bem como os insumos utilizados na produção de carvão vegetal insumos de insumos; e 2) despesas incorridas na manutenção de frota própria do contribuinte, ressaltando que os veículos são utilizados em todas as atividades da empresa, não tendo aplicação específica direta no processo industrial do ferro gusa. EFEITOS DA CONSULTA FISCAL EM JULGAMENTOS REALIZADOS PELO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. INDEPENDÊNCIA. Como os representantes da Fazenda no CARF não estão jungidos às diretrizes emanadas da RFB, mas sim à legalidade, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 14 17 /2 01 1- 19 Fl. 2213DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.981 CSRFT3 Fl. 3 2 atuam com independência técnica. Por outro lado, dentro dos limites do exercício de sua função pública, eles se subordinam administrativamente ao CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. COFINS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Nessa linha de entendimento não é possível o aproveitamento de créditos em relação 1)insumos utilizados na fase agrícola, bem como os insumos utilizados na produção de carvão vegetal insumos de insumos; e 2) despesas incorridas na manutenção de frota própria do contribuinte, ressaltando que os veículos são utilizados em todas as atividades da empresa, não tendo aplicação específica direta no processo industrial do ferro gusa. EFEITOS DA CONSULTA FISCAL EM JULGAMENTOS REALIZADOS PELO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. INDEPENDÊNCIA. Como os representantes da Fazenda no CARF não estão jungidos às diretrizes emanadas da RFB, mas sim à legalidade, atuam com independência técnica. Por outro lado, dentro dos limites do exercício de sua função pública, eles se subordinam administrativamente ao CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento parcial, para restaurar as glosas referentes (i) aos créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas relacionadas à formação de florestas de eucalipto e produção de carvão vegetal (ii) aos serviços de transporte em frota própria na atividade industrial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2214DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.981 CSRFT3 Fl. 4 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, para sanar a obscuridade apontada, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de embargos de declaração oposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 9303006.344, de 21/02/2018, o qual foi proferido com a seguinte ementa com destaque ao ponto que interessa ao deslinde da questão colocada em embargos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Nessa linha de entendimento não é possível o aproveitamento de créditos em relação 1)insumos utilizados na fase agrícola insumos de insumos; e 2) despesas incorridas na manutenção de frota própria do contribuinte, ressaltando que os veículos são utilizados em todas as atividades da empresa, não tendo aplicação específica direta no processo industrial do ferro gusa. EFEITOS DA CONSULTA FISCAL EM JULGAMENTOS REALIZADOS PELO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. INDEPENDÊNCIA. Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.981 CSRFT3 Fl. 5 4 Como os representantes da Fazenda no CARF não estão jungidos às diretrizes emanadas da RFB, mas sim à legalidade, atuam com independência técnica. Por outro lado, dentro dos limites do exercício de sua função pública, eles se subordinam administrativamente ao CARF. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. COFINS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Nessa linha de entendimento não é possível o aproveitamento de créditos em relação 1)insumos utilizados na fase agrícola insumos de insumos; e 2) despesas incorridas na manutenção de frota própria do contribuinte, ressaltando que os veículos são utilizados em todas as atividades da empresa, não tendo aplicação específica direta no processo industrial do ferro gusa. EFEITOS DA CONSULTA FISCAL EM JULGAMENTOS REALIZADOS PELO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. INDEPENDÊNCIA. Como os representantes da Fazenda no CARF não estão jungidos às diretrizes emanadas da RFB, mas sim à legalidade, atuam com independência técnica. Por outro lado, dentro dos limites do exercício de sua função pública, eles se subordinam administrativamente ao CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento parcial, para restaurar as glosas referentes (i) aos créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas relacionadas à formação de florestas de eucalipto e (ii) aos serviços de transporte em frota própria na atividade industrial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Os embargos, após síntese dos fatos relacionados com a lide, inquina a decisão do vício de obscuridade. Explica que, segundo o que consta no voto vencedor do julgado, a 3a Fl. 2216DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.981 CSRFT3 Fl. 6 5 Turma decidiu pela impossibilidade do creditamento de gastos efetuados na fase que antecede à produção do ferro gusa. Nada obstante, no tópico dos insumos dos insumos, o acórdão incorreria no vício alegado, na medida em que restaurou apenas a glosa das despesas relacionadas à formação das florestas de eucalipto, nada referindo em relação aos gastos com a produção do carvão vegetal, incorridos em fase anterior à produção do ferro gusa. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. Os embargos são tempestivos e por isso deles tomo conhecimento. Como visto, os embargos opostos pela Fazenda Nacional acusa o acórdão embargado de estar obscuro no sentido de que afastou a possibilidade de apropriar de créditos de PIS e Cofins, no regime da nãocumulatividade, em relação aos denominados insumos dos insumos, mas teria quedado silente em relação à possibilidade de créditos quanto aos insumos utilizados na produção de carvão vegetal, o qual seria insumo para a produção do ferro gusa. Com razão a embargante. Embora na fundamentação do voto vencedor, há menção expressa à impossibilidade de aproveitamento de créditos em relação aos insumos utilizados na produção do carvão vegetal, isto não ficou devidamente claro na ementa e no dispositivo do acórdão embargado. Veja trecho da fundamentação do voto vencedor: (...) O acórdão recorrido e o nobre relator entenderam ser possível o aproveitamento de créditos dos seguintes bens/serviços: aquisição de mudas, fertilizantes, calcário, fosfato natural, produtos químicos utilizados na preparação do solo das mudas, aluguel de máquinas e equipamentos pagos a pessoas jurídicas, como trator, confidor, caminhões, contratação de serviços de pessoas jurídicas, serviço ao combate às formigas, de capina, limpeza da área de plantio de colheita, manutenção de máquinas e equipamentos, máquinas e bens incorporados no ativo imobilizado, adquiridos para utilização da produção de lenha, frete, relacionado as aquisições de insumos e bens do ativo imobilizado, bem como partes e peças, a serem utilizados na produção da lenha e do carvão vegetal. (...) Se a empresa produz e vende somente o ferro gusa não é possível que ela se aproprie de créditos de adubos, defensivos, etc utilizados para a produção de Fl. 2217DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.981 CSRFT3 Fl. 7 6 eucalipto. Evidente que adubos, defensivos agrícolas e outros bens e serviços atinentes à fase agrícola não são insumos utilizados diretamente no processo produtivo do ferro gusa. De fato, estabeleceuse a obscuridade, uma vez que não se pode confundir a fase de produção de carvão vegetal como integrante da fase agrícola. Porém como o voto foi claro no sentido de que não existe base legal para apropriação de créditos dos chamados insumos de insumos, na medida em que se delimitou a possibilidade de crédito em relação aos insumos utilizados diretamente na fabricação do produto destinado à venda, no caso o ferro gusa, correta é a conclusão de que foi dado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional também em relação a esta matéria. Diante do exposto, voto no sentido de admitir os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a obscuridade apontada, passando a ementa da decisão e o dispositivo do acórdão para a seguinte redação: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Nessa linha de entendimento não é possível o aproveitamento de créditos em relação 1)insumos utilizados na fase agrícola, bem como os insumos utilizados na produção de carvão vegetal insumos de insumos; e 2) despesas incorridas na manutenção de frota própria do contribuinte, ressaltando que os veículos são utilizados em todas as atividades da empresa, não tendo aplicação específica direta no processo industrial do ferro gusa. EFEITOS DA CONSULTA FISCAL EM JULGAMENTOS REALIZADOS PELO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. INDEPENDÊNCIA. Como os representantes da Fazenda no CARF não estão jungidos às diretrizes emanadas da RFB, mas sim à legalidade, atuam com independência técnica. Por outro lado, dentro dos limites do exercício de sua função pública, eles se subordinam administrativamente ao CARF. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.981 CSRFT3 Fl. 8 7 Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. COFINS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Nessa linha de entendimento não é possível o aproveitamento de créditos em relação 1)insumos utilizados na fase agrícola, bem como os insumos utilizados na produção de carvão vegetal insumos de insumos; e 2) despesas incorridas na manutenção de frota própria do contribuinte, ressaltando que os veículos são utilizados em todas as atividades da empresa, não tendo aplicação específica direta no processo industrial do ferro gusa. EFEITOS DA CONSULTA FISCAL EM JULGAMENTOS REALIZADOS PELO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. INDEPENDÊNCIA. Como os representantes da Fazenda no CARF não estão jungidos às diretrizes emanadas da RFB, mas sim à legalidade, atuam com independência técnica. Por outro lado, dentro dos limites do exercício de sua função pública, eles se subordinam administrativamente ao CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento parcial, para restaurar as glosas referentes (i) aos créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas relacionadas à formação de florestas de eucalipto e produção de carvão vegetal (ii) aos serviços de transporte em frota própria na atividade industrial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. É como voto. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.981 CSRFT3 Fl. 9 8 Fl. 2220DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.721809/2015-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título.
LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS - CSLL, PIS, Cofins, CPP, ICMS e ISS
O decidido em relação ao IRPJ aplica-se às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes.
Numero da decisão: 1201-002.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS CSLL, PIS, Cofins, CPP, ICMS e ISS O decidido em relação ao IRPJ aplicase às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 18 09 /2 01 5- 43 Fl. 1014DF CARF MF 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Por economia processual e considerar pertinente adoto o Relatório da decisão recorrida (efls.983/991) que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de impugnação ao auto de infração de fls. 02 e seguintes, referente ao Simples Nacional, período de apuração 01/2012 a 12/2012, com exigência do valor de R$ 76.618,84 a título de impostos e contribuições devidos na sistemática do Simples Nacional, multa de 150% no valor de R$ 105.408,41 e juros calculados até setembro de 2015, no valor de R$ 22.915,09, totalizando o crédito tributário de R$ 204.942,34. As infrações que motivaram o lançamento foram: a) omissão de receitas apurada com base em depósitos ou investimentos em instituições financeiras cuja origem não foi comprovada, b) diferença de base de cálculo na competência fevereiro de 2012 (receita escriturada mas não declarada) e c) diferenças de alíquota. Os fundamentos legais que embasam o lançamento são (fls. 08): Arts. 3º, § 1º, 13, 18, 25, 26, inciso II e § 2º, e 34 da Lei Complementar nº 123/2006 e atualizações. Arts. 9°, 13, 14, inciso I, da Resolução CGSN nº 30, de 7 de fevereiro de 2008. Art. 42 da Lei n° 9.430/96. Art 287 do RIR/99. Arts. 3º, § 1º, 13, 18, 25, 26, inciso II e § 2°, da Lei Complementar nº 123/2006 e alterações. Arts. 1º, 2º, 3º, 4º, 5º § 1°, 6° e 18, da Resolução CGSN nº 51/2008 e alterações. Arts. 13, 14, inciso II, da Resolução CGSN nº 30/2008. Arts. 3º, § 1º, 13, 18, e 25, da Lei Complementar nº 123/2006 e alterações . Arts.1º, 2º, 3º, 4º, 5º, e 18 da Resolução CGSN nº 51/2008 e alterações. Arts. 13 e 14, inciso III, da Resolução CGSN nº 30/2008. A AuditoriaFiscal relata detalhadamente o procedimento de que resultou a autuação no termo de fls. 76 e seguintes, com os valores discriminados na planilha de fls. 87. Os créditos bancários não comprovados estão discriminados na planilha de fls. 88 e seguintes, enquanto que os comprovados estão relacionados na planilha de fls. 102 e seguintes. IMPUGNAÇÃO A interessada apresentou impugnação de fls. 741 e seguintes, argüindo, em síntese: Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 10660.721809/201543 Acórdão n.º 1201002.233 S1C2T1 Fl. 3 3 i. Sua contabilidade integra contas bancos e caixa, a qual centraliza o movimento financeiro. Todos os cheques emitidos são contabilizados como entradas na conta caixa e os depósitos como saídas, conciliadas com os extratos bancários, razão pela qual a conta caixa, que nunca fica credora, justifica a origem de todos os depósitos bancários; ii. Por essa razão, os depósitos bancários tem sua origem conhecida, qual seja, as disponibilidades mantidas na conta caixa, razão pela qual devem ser excluídos da tributação, assim como o depósito de n° 380; iii. Admite que ocorreram falhas de conciliação e que “(...) havia necessidade de melhor esclarecer a origem (...) depósitos identificados a seguir (...) números 397, 404, 425, 429, 436, 438, 439, 442, 451, 457, 461, 462, 467, 469, 470, 478, 575, 592, 603” iv. Quanto à insuficiência de recolhimento, estará extinta com o acolhimento das razões contra a omissão de receita com base em depósitos bancários; v. Sobre o agravamento da multa, aponta a existência da Súmula CARF n° 25, justificando a redução da multa aplicada para 75%. Por fim requer a exclusão de toda a receita omitida os depósitos bancários cuja origem esteja vinculada a transferências entre as contas caixa e bancos, com o decorrente reflexo na infração de insuficiência de recolhimento decorrente de agravamento das alíquotas do Simples Nacional; e a exclusão da multa de 150%. A interessada aditou a impugnação, fls. 975, apontando que o Supremo Tribunal Federal deu efeito de repercussão geral ao RE 855.649/RS, relativo à constitucionalidade do art. 42 da Lei 9.430/96. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS (2ª Turma da DRJ/CGE) julgou parcialmente procedente a Impugnação para afastar a multa qualificada, reduzindo seu percentual de 150% para 75%, em decisão proferida no Acórdão nº 0440.647, de 26 de abril de 2016, assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Tributase como omissão de receita os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. Os valores dos depósitos cuja origem houver sido comprovada e que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente. Fl. 1016DF CARF MF 4 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. É devido valores lançados decorrentes de insuficiência de recolhimento em razão de mudança de patamar de receita bruta total obtida a partir da soma da receita declarada mais a omitida detectada em procedimento fiscal. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e a legalidade dos atos normativos infralegais. MULTA QUALIFICADA. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. A interessada tomou ciência da referida decisão, conforme o Aviso de Recebimento, efls.1001, em 18/05/2016 e, interpôs Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), efls.1003/1010, em 09/06/2016, conforme envelope selado pelos Correios em 06/06/2016 e recepcionado pela DRF/Varginha/MG, conforme carimbo datado de 09/06/2016 (fl. 1010) juntado ao Recurso Voluntário. A Recorrente no Recurso Voluntário repisa, no essencial, os mesmos argumentos despendidos na impugnação, o que torna desnecessário repetilos, nos tópicos: OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS, e, INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. É o relatório Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Importa lembrar que a decisão proferida no predito Acórdão nº 0440.647, de 26 de abril de 2016, da qual não cabe recurso de ofício, afastou a multa qualificada, reduzindo seu percentual de 150% para 75%. Assim, a lide cingese às matérias: OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS, e, INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Os argumentos apresentados em sede de recurso voluntário serão examinados na ordem em que apresentados pela Recorrente. OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS Inicialmente a Recorrente apontando que o Supremo Tribunal Federal deu efeito de repercussão geral ao RE 855.649/RS relativo à constitucionalidade do art. 42 da Lei Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 10660.721809/201543 Acórdão n.º 1201002.233 S1C2T1 Fl. 4 5 9.430/96, que fundamentou a autuação, solicita aos Egrégios Conselheiros que acolham a questão suscitada quanto à constitucionalidade do art. 42 da Lei 9.430/1996 como uma preliminar de nulidade absoluta, impeditiva da análise de mérito do lançamento efetuado pelo fisco, devendose suspender o julgamento do presente Recurso Voluntário até que o STF se pronuncie de forma definitiva sobre a matéria. Nesse ponto, cabe esclarecer que, de acordo com o artigo 62 da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprova o Regimento Interno do CARF, em consonância com o art. 26A do Decreto 70.235/72, resta vedado aos membros das turmas de julgamento desse órgão, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo se tiver sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; ... Portanto, o afastamento do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, encontra óbice no mencionado dispositivo regimental, e, não se tendo conhecimento de decisão definitiva do STF em relação ao alegado, incabível o sobrestamento do julgamento do presente Recurso Voluntário, como pretende a Recorrente. Quanto a omissão de receita caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a Recorrente insiste nos mesmos argumentos aduzidos na impugnação em sede de 1ª instâncias, argüindo, em síntese, que: Sua contabilidade integra contas bancos e caixa, a qual centraliza o movimento financeiro. Todos os cheques emitidos são contabilizados como entradas na conta caixa e os depósitos como saídas, conciliadas com os extratos bancários, razão pela qual a conta caixa, que nunca fica credora, justifica a origem de todos os depósitos bancários; Por essa razão, os depósitos bancários têm sua origem conhecida, qual seja, as disponibilidades mantidas na conta caixa, razão pela qual devem ser excluídos da tributação, os depósitos relacionados a seguir, identificados pelo número com que são citados na "Planilha 2 DOS CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS": Ano calendário de 2012: números 397, 404, 425, 429, 436, 438, 439, 442, 451, 457, 461, 462, 467, 469, 470, 478, 575, 592, 603 Diz que, para comprovar que sua contabilidade atende a todos os preceitos e princípios estabelecidos pela legislação societária, com observância dos princípios contábeis Fl. 1018DF CARF MF 6 geralmente aceitos, razão pela qual merecem fé os lançamentos contábeis integrantes da mesma, fazendo prova a favor do sujeito passivo, foram anexados o Livro Diário e o Livro Razão referentes ao período fiscalizado. A análise dos argumentos trazidos pela Recorrente encontrase bem explicitada no acórdão recorrido (fls.988/989), vejamos: No caso em exame, a interessada foi intimada a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas em instituições financeiras, após análise procedida pela autoridade fiscal segundo os critérios legais e regulamentares apontados. Dos esclarecimentos e documentos apresentados, a Auditoria Fiscal deduziu as planilhas demonstrativas dos créditos em contas mantidas em instituições financeiras, indicando os que foram comprovados e os não comprovados, separadamente. Com a impugnação nenhuma comprovação adicional foi apresentada, salvo a alegação de que a contabilização conjunta das contas caixa e bancos justificaria a origem dos depósitos. Por esse raciocínio, os créditos em contas bancárias seriam justificados pelo saldo da conta caixa. Ora, a técnica contábil adotada não afasta o pressuposto fático para a presunção legal em tela, qual seja, o ingresso de recursos em conta mantida em instituição financeira. Ordinariamente, a justificativa de origem se faria com a indicação de correspondência entre os valores e a atividade da empresa, por exemplo, o recebimento por vendas ou prestação de serviços devidamente escrituradas e declaradas ao Fisco. Nesse caso, como o depósito corresponde a uma transação submetida à incidência tributária, nada mais haveria a se exigir de seu titular. Nos casos contrários, em que inexiste uma justificativa para os ditos depósitos, ocorre subsunção à hipótese legal do artigo 42 da Lei 9.430/96, e a conseqüente tributação deve ser mantida, já que com a impugnação não foram apresentados documentos e/ou esclarecimentos hábeis para afastar a presunção legal. Como se vê apesar dos fundamentos da decisão recorrida, que também adoto como razão de decidir, a Recorrente em sua contestação apenas repete o que já dissera na impugnação e enumera depósitos ditos que são citados na "Planilha 2 DOS CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS", porém não há qualquer demonstração e/ou comprovação da inexistência dos depósitos ou exclusão/devolução de depósitos efetuados. Com efeito, as justificativas trazidas pela defendente não devem prevalecer sobre a presunção de omissão de receita a partir dos depósitos bancários. Sobre a matéria, a Lei 9.430/96 (art.42 e §§) disciplina o tratamento tributário conferido à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 10660.721809/201543 Acórdão n.º 1201002.233 S1C2T1 Fl. 5 7 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; ... Como se vê, caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. O dispositivo legal, inverteu o ônus da prova ao atribuir ao contribuinte o ônus de provar que valores creditados não se referem a receitas omitidas. A presunção criada a favor do fisco não afasta a tese de que, em princípio, depósitos bancários não representam, por si só, disponibilidade econômica de rendimentos. Faz mister, porém, um mínimo de esclarecimento com provas por parte do contribuinte e, na espécie, a Recorrente deixou transcorrer em branco a oportunidade a ele concedida para tanto, por meio do Termo de Intimação nº 4, cientificado à fiscalizada em 19/12/2014, conforme o Termo de Verificação Fiscal, efls.76/86, no qual consta que "a fiscalizada não apresentou nenhum documento comprobatório da origem dos recursos." Conforme relatado, a AuditoriaFiscal relata detalhadamente o procedimento de que resultou a autuação no termo de fls. 76 e seguintes, com os valores discriminados na planilha de fls. 87. Os créditos bancários não comprovados estão discriminados na planilha de fls. 88 e seguintes, enquanto que os comprovados estão relacionados na planilha de fls. 102 e seguintes. A Recorrente argúi que, o acórdão recorrido, ao não acolher que os depósitos bancários em moeda corrente, identificados pelo número do caixa automático dos bancos e/ou realizados pelo próprio favorecido, que constituem a imensa maioria dos valores incluídos na "Planilha 2 DOS CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS" tem origem conhecida, Fl. 1020DF CARF MF 8 sendo provenientes do depósito nas contas bancárias de disponibilidades mantidas no "Caixa" da empresa, devendo ser excluídos da tributação, na prática, estabelece a imprestabilidade da contabilidade da empresa, decidindo contra as provas dos autos, uma vez que a fiscalização não demonstra a imprestabilidade da escrituração da recorrente, limitandose a criticar os históricos utilizados. Ora, não se trata de imprestabilidade da escrituração pois a autuação decorre de presunção legal, onde a lei determina que, ocorrida a situação fática (créditos em conta de depósito sem comprovação de origem), podese presumir, até prova em contrário (esta a cargo do contribuinte), a ocorrência do fato a ser provado (omissão de receita). Vêse que apesar de a defendente argumentar que merecem fé os lançamentos contábeis integrantes da mesma, fazendo prova a favor do sujeito passivo, foram anexados o Livro Diário e o Livro Razão referentes ao período fiscalizado, subsiste a obrigação de a Recorrente fazer prova da origem e natureza dos créditos efetuados em suas contas correntes bancárias, por meio da apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores para sustentar seus argumentos e infirmar a autuação. É preciso salientar que a Lei nº 9.430/96, ao contrário do procedimento aventado pela interessada/Recorrente, permite à autoridade fiscal perquirir junto ao contribuinte qual a origem daqueles depósitos ou investimentos existentes em suas contas bancárias sendo que a ausência da comprovação de sua origem faz presumir tratarse de omissão de receitas próprias da atividade da pessoa jurídica. As receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, são considerados, por presunção, como receita bruta da pessoa jurídica. Assim, intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos utilizados em relação aos valores creditados nas contas bancárias discriminadas no Termo de Verificação Fiscal e, na ausência de tal comprovação foram os mesmos valores tributados como receita omitida, em consonância com o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Enfim, considerando serem insuficientes os argumentos da Recorrente para afastar com segurança a autuação, haja vista que o contribuinte não apresentou documentos, no caso, da origem dos recursos, oportunizado, mais uma vez, ao contribuinte trazer aos autos a prova a ele incumbida por força do art.42 e §§ da predita Lei nº 9.430/96, não cabe a autoridade julgadora, por presunção, suprir o dever do contribuinte. Não tendo a autuada comprovado a origem dos recursos utilizados nos depósitos, é de se manter a autuação ao concluir que os depósitos tiveram origem em recursos mantidos à margem da escrituração, portanto, considerados como omissão de receitas, razão pela qual deve ser negado provimento ao recurso voluntário, mantendo incólume os lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, CPP, ICMS e ISS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Quanto à insuficiência de recolhimento, a Recorrente aduz que a infração estará extinta com o acolhimento das razões contra a omissão de receita com base em depósitos bancários. A insuficiência de recolhimento apurada pela fiscalização decorreu do incremento das alíquotas do Simples Nacional pela inclusão na base de cálculo das receitas omitidas apuradas na auditoria fiscal. Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 10660.721809/201543 Acórdão n.º 1201002.233 S1C2T1 Fl. 6 9 Como explicitado no tópico anterior, a autuação restou mantida em virtude da caracterizada omissão de receitas por não haver a autuada comprovado a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários. Desse modo, razão não há para ser afastada a autuação por insuficiência de recolhimento conforme descrito no auto de infração, razão pela qual deve ser negado provimento ao recurso voluntário, mantendo incólume os lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, CPP, ICMS e ISS. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 1022DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.010958/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA. SUJEIÇÃO PASSIVA.
Mera Solução de Consulta não possui o condão de trazer para o pólo passivo da relação jurídico-tributária terceiro não-contribuinte do tributo lançado, mormente não tendo sido esse terceiro o consulente.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. IPI. FABRICANTE DE BEBIDAS. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS.
O estabelecimento industrial (in casu, o fabricante de bebidas) continua sendo o único sujeito passivo da relação jurídica tributária instaurada com a ocorrência do fato imponível consistente na operação de industrialização de produtos (artigos 46, II, e 51, II, do CTN). O "contribuinte de fato" (in casu, distribuidora de bebida) não integra a relação jurídica tributária pertinente.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IPI. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. LANÇAMENTO.
Salvo se houver expressa determinação judicial, é incabível auto de infração de IPI contra distribuidora de bebida que não se subsume à definição legal de contribuinte desse tributo.
Numero da decisão: 3302-005.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad, que davam provimento para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA. SUJEIÇÃO PASSIVA. Mera Solução de Consulta não possui o condão de trazer para o pólo passivo da relação jurídico-tributária terceiro não-contribuinte do tributo lançado, mormente não tendo sido esse terceiro o consulente. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. IPI. FABRICANTE DE BEBIDAS. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. O estabelecimento industrial (in casu, o fabricante de bebidas) continua sendo o único sujeito passivo da relação jurídica tributária instaurada com a ocorrência do fato imponível consistente na operação de industrialização de produtos (artigos 46, II, e 51, II, do CTN). O "contribuinte de fato" (in casu, distribuidora de bebida) não integra a relação jurídica tributária pertinente. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IPI. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. LANÇAMENTO. Salvo se houver expressa determinação judicial, é incabível auto de infração de IPI contra distribuidora de bebida que não se subsume à definição legal de contribuinte desse tributo.
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SOLUÇÃO DE CONSULTA. SUJEIÇÃO PASSIVA. Mera Solução de Consulta não possui o condão de trazer para o pólo passivo da relação jurídicotributária terceiro não contribuinte do tributo lançado, mormente não tendo sido esse terceiro o consulente. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. IPI. FABRICANTE DE BEBIDAS. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. O estabelecimento industrial (in casu, o fabricante de bebidas) continua sendo o único sujeito passivo da relação jurídica tributária instaurada com a ocorrência do fato imponível consistente na operação de industrialização de produtos (artigos 46, II, e 51, II, do CTN). O "contribuinte de fato" (in casu, distribuidora de bebida) não integra a relação jurídica tributária pertinente. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IPI. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. LANÇAMENTO. Salvo se houver expressa determinação judicial, é incabível auto de infração de IPI contra distribuidora de bebida que não se subsume à definição legal de contribuinte desse tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 09 58 /2 00 7- 74 Fl. 823DF CARF MF Processo nº 10830.010958/200774 Acórdão n.º 3302005.540 S3C3T2 Fl. 3 2 Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad, que davam provimento para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Sinteticamente, tratase de Auto de Infração lavrado contra a recorrente pelo fato dela, na condição de contribuinte de direito, por força de decisão proferida em processo judicial do qual não é parte, haver promovido a saída de produtos sem que exigisse do contribuinte de fato, o valor que deveria ter recolhido na operação, qual seja a venda de bebidas submetidas ao regime monofásico. Com a revogação da liminar que determinava a venda das mercadorias sem o recolhimento do tributo, a Fazenda Nacional passou a exigir da Recorrente, vendedora e contribuinte de direito, os impostos que por ela não foram recolhidos por força de determinação judicial, repitase, proferida em processo no qual não é parte. Pela minúcia com que trata os fatos ocorridos nos autos, transcrevo o Relatório redigido pela DRJ. "Tratase de Auto de Infração de fls.07/09 e Demonstrativos de fls.10/14, lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor do principal de R$979.917,04 acrescido de juros de mora e da multa de ofício, totalizando o crédito tributário no valor de R$2.327.810,07, em razão de o estabelecimento industrial ter promovido a saída de produtos tributados sem o devido lançamento do imposto na nota fiscal (10/06/2003 a 31/12/2003), conforme descrição contida no Termo de Verificação Fiscal de fls.17/27, e constatação de que houve Fl. 824DF CARF MF Processo nº 10830.010958/200774 Acórdão n.º 3302005.540 S3C3T2 Fl. 4 3 saldo devedor em todos os períodos observados, conforme Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal de fl.32. O enquadramento legal inclui infração aos seguinte dispositivos: arts. 24, inciso II, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea “b” e inciso II, alínea “c”, 127, 139, §§1º e 2º, 140, 142, 143, 199, 200, inciso IV, e 202, inciso II, do Decreto n°4.544, de 26 de dezembro de 2002, que aprova o RIPI/02 e art.142 do Código Tributário Nacional CTN. À fl.34 foi anexada a cópia da Representação Fiscal da SAFIS/Volta Redonda, datada de 01/06/2005, no qual o chefe da fiscalização ressalta que em procedimento fiscal nº0710500/00089/2005 instaurado contra o contribuinte Cervejarias Cintra Indústria e Comércio Ltda de CNPJ 02.125.403/000192 foi constatado que a filial Mogi Mirim de CNPJ 02.125.403/00516 emitiu diversas notas fiscais de venda sem o destaque do IPI, por força de liminar concedida nos autos da ação ordinária nº2002.50.01.0098943, aos estabelecimentos da empresa Italian Comercial e Distribuidora Ltda de CNPJ 04.932.008/000570 e 04.932.008/000813, que questionavam a validade do regime de tributação estabelecida por ato normativo do Secretário da Receita Federal relativo ao valor de pauto mínimo, desobrigando as empresas a suportar o valor do IPI incidente sobre os produtos adquiridos. Após perda da liminar, as distribuidoras apresentaram a seguinte informação no sistema CNPJ: cancelada. Os valores tributáveis constam do Anexo I ao Termo de Verificação Fiscal, fls. 28/31, este, elaborado a partir do demonstrativo de “Notas Fiscais de Saídas não tributadas de IPI em função de Liminar – Unidade Mogi Mirim”, referente ao ano de 2003, constante da representação fiscal do processo administrativo 17883.000057/200536 (folhas 32/46) e a partir do demonstrativo “Notas Fiscais Saídas com Liminar de IPI/Cervejarias CintraMogi Mirim” referentes ao ano de 2003 (folhas 67/77) apresentadas pelo contribuinte em 03/05/2007 (folhas 65/66). O valor de pauta de IPI foi calculado com base na Nota Complementar 222 da TIPI/2002 (Decreto nº4.542, de 26/12/2002). Aos autos foram anexados os elementos que serviram de base à autuação (sentenças, decisão proferida no processo 2002.50.01.0098943, partes processuais, determinando que não fosse destacado o IPI nas compras feitas pela empresa Italian Auto Gás Ltda, com base nos valores predeterminados, nas chamadas “pautas fiscais”, fls.252/323, 324/408 e Agravo de Instrumento às fls.411/436. Anexada ainda aos autos, a cópia do processo na ação de Mandado de Segurança nº2005.51.84.0014546, impetrado pelas Cervejarias Cintra Indústria e Comércio Ltda, às fls.437/457, contra ato do Delegado da Secretaria da Receita Federal de Volta Redonda, requerendo em caráter preventivo, para não ser autuada pela ausência de destaque e cobrança do IPI com base nas pautas Fl. 825DF CARF MF Processo nº 10830.010958/200774 Acórdão n.º 3302005.540 S3C3T2 Fl. 5 4 fiscais, na medida em que esta se encontrava proibida de fazêlo por força de decisão judicial. Além disso, foram anexadas as cópias da Decisão Liminar às fls. 458/460, Requerimento da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional de fls.461/464, Sentença de fls. 465/490, movimentação processual de fls.491/494. cópia do Livro Registro de Apuração de IPILAIPI (fls.495/559). No Termo de Encerramento de fl.560 foi esclarecido que estava sendo encerrada a verificação do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IPI do período de 02/2003 a 12/2003, prosseguindo a ação fiscal quanto ao período de 01/2004 a 12/2005. A contribuinte, cientificada do lançamento em 18/12/2007, fl.561, apesar de ter apresentado pedido de prorrogação do prazo de defesa, fl.565, apresentou em 17/01/2008, às fls.580/602, sua impugnação, alegando que: • o Fisco está exigindo o pagamento do IPI, juros de mora e a penalidade do art. 80, I da Lei 4.502/64, na redação do art. 45 da Lei 9.430/96 contra a ora Impugnante, em razão da falta de destaque do IPI, decorrente do cumprimento de ordem judicial, por força de antecipação de tutela obtida pela Italian Comercial e Distribuidora Ltda (empresa Distribuidora dos produtos da Impugnante), em ação ordinária no processo nº2002.50.01.0098943, da qual a impugnante não é parte, posteriormente confirmada por sentença objeto de apelação da Fazenda Nacional, ora pendente de julgamento perante o E. Tribunal Regional Federal da 2ª Região; • se no momento da ocorrência dos fatos geradores abrangidos no presente auto de infração, a empresa Italian Comercial e Distribuidora Ltda. estava se beneficiando de ordem judicial cujo comando incidia sobre a Impugnante apenas e tão somente para que não realizasse a cobrança e destaque do valor do IPI sobre as operações travadas com aquela empresa, parece claro que quem deverá arcar com os ônus decorrentes de eventual reversão da decisão é exatamente a empresa que se beneficiou da decisão, que não é a Impugnante; a Impugnante estava apenas obedecendo ao comando judicial efetuado em ação da qual sequer foi parte, apenas respondendo quanto aos seus efeitos. Este é também o entendimento manifestado na Solução de Divergência COSIT n° 27, de 29.10.2002 Processo 10580.009660/200204, no sentido de que "os efeitos da sentença em ação judicial movida pelo contribuinte de fato contra a União Federal não se estendem ao contribuinte de direito se este não participou da demanda"; • sendo o IPI um imposto não cumulativo, cujo encargo financeiro recai sobre o consumidor final, a responsabilização da Impugnante por fatos geradores ocorridos no passado, quando ela não deu causa ao não recolhimento do imposto, já Fl. 826DF CARF MF Processo nº 10830.010958/200774 Acórdão n.º 3302005.540 S3C3T2 Fl. 6 5 não pode mais juridicamente repassálo aos adquirentes de seus produtos, implicaria frustrar essa sistemática constitucional do tributo e penalizar a Impugnante transformandoa a um só tempo em contribuinte de direito e de fato do IPI, o que torna a presente exigência, além de ilegal e inconstitucional, absolutamente injusta; • o Conselho de Contribuintes também tem entendimento no sentido de que a responsabilidade do substituto tributário é exonerada pela ação do substituído, pois, ao promover a ação judicial contra o recolhimento da contribuição pelo substituto tributário, o contribuinte assume os riscos de exonerar o substituto da condição de sujeito passivo da obrigação tributária e tornarse o único responsável pelo recolhimento do tributo; • como se não bastasse o fato de a Impugnante não ter sido parte no Processo n° 2002.50.01.0098943 movido pela distribuidora de bebidas, não pode vir a sofrer as conseqüências das decisões judiciais ali proferidas nos termos da legislação processual em vigor, devendo eventual prejuízo causado à União Federal/Fazenda Nacional pela execução das medidas judiciais ser reparado por aqueles que as requereram, conforme disposição dos artigos 472 e 811, do CPC; • a responsabilização de terceiro, que não figurou como parte no processo judicial, ofende o disposto no art. 5º, inc. LIV e LV, da Constituição Federal, pela privação do exercício do contraditório e da ampla defesa, e pela ausência do devido processo legal; • ao mesmo tempo em que exige o presente crédito tributário da Impugnante, a União Federal/Fazenda Nacional também tenta responsabilizar as distribuidoras pelos eventuais prejuízos sofridos na Ação Ordinária n° 2002.50.01.0098943, eis que tenta reverter a sentença ali prolatada, cujo efeito será, por óbvio, a responsabilização da Autora da ação concomitantemente ao presente procedimento; • na referida Ação Ordinária n° 2002.50.01.0098943 promovida pela ITALIAN COMERCIAL E DISTRIBUIDORA LTDA., está sendo discutido o mérito da exigência feita por meio deste Auto de Infração, de modo que a decisão final nele proferida prevalecerá sobre a presente autuação nesta parte, pois se a Autora for desobrigada de arcar com o IPI apurado conforme pautas fiscais, evidentemente não poderá o Fisco pretender que a Impugnante seja responsabilizada pelo mesmo imposto que por lei poderia recuperar das distribuidoras; • a prevalecer a presente exigência da Impugnante estaria ela sendo penalizada por ato atribuível à própria União Federal, por sua atuação enquanto Estado Juiz, pois para atender a ordem judicial, que como visto, é norma individual, teria sido obrigada a desatender a outra norma geral de destacar e Fl. 827DF CARF MF Processo nº 10830.010958/200774 Acórdão n.º 3302005.540 S3C3T2 Fl. 7 6 recolher o IPI. Assim, caso a ordem judicial venha a não prevalecer, impõese a responsabilização do Estado pelos prejuízos causados à Impugnante, nos termos do disposto no art. 37, § 6º, da Constituição Federal; • o fiscal autuante, no Termo de Verificação Fiscal, faz referência à sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança preventivo n° 2005.51.04.0014546 impetrado em 11/05/2005 pela Impugnante contra ato a ser praticado pelo Senhor Delegado da Secretaria da Receita Federal de Volta Redonda. Referida impetração decorreu do fato de ter a Impugnante recebido em 19/04/2005 Termo de Intimação Fiscal daquela autoridade administrativa para apresentar no prazo de sete dias "planilha, por períodos, dos tributos que não foram pagos pela empresa em função de liminar” e planilha, por produtos, referentes aos produtos isentos (cód. 22021000)", o que lhe deixou receosa de que viesse a ser autuada em razão justamente do cumprimento de medida judicial proferida nos autos da AO n° 98.00073302 proposta por seus clientes e da qual não foi parte; • referido "mandamus" tinha como destinatário ato a ser praticado por outra autoridade coatora, de outra jurisdição administrativa, diferente da DRF Campinas, ficando já por isso absolutamente prejudicada qualquer tentativa de se atrelar aquele Mandado de Segurança aos presentes autos, eis que aqui se trata de uma situação concreta diversa da ocorrida; • ainda que assim não se entenda, porém, é de se salientar que a presente impugnação tem objeto mais amplo e argumentos outros além daqueles expostos no referido mandado de segurança, inclusive à luz das decisões judiciais proferidas especificamente no processo judicial relativo às saídas objeto da presente autuação, o que evidentemente não poderia ter sido apreciado naquele feito, que tratou da matéria em tese; • exatamente por esta razão, aliás, a própria juíza que sentenciou o feito expressamente ressalvou na parte final da sentença o fato de que a decisão proferida não impede a Impetrante de discutir, em cada caso concreto, a higidez do lançamento; • como se verifica do Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de infração lavrado, o próprio auditor fiscal expressamente reconheceu que o lançamento efetuado tem por objetivo evitar os efeitos da decadência, assim a exigência da multa de ofício de 75% sobre os valores lançados é flagrantemente indevida, tendo em vista o disposto no artigo 63 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela MP n° 2158, de 24/08/2001, além de violar a letra expressa da lei consubstancia ainda verdadeira afronta à decisão judicial; Fl. 828DF CARF MF Processo nº 10830.010958/200774 Acórdão n.º 3302005.540 S3C3T2 Fl. 8 7 • dúvida não remanesce acerca da total improcedência da aplicação de multa de ofício no caso presente, tendo em vista o disposto no artigo 63 da Lei 9.430/96, bem como quanto à necessidade da suspensão da cobrança dos valores lançados, se devidos fossem, enquanto vigente a tutela antecipada concedida nos autos da AO n° 2002.50.01.0098943; ainda que fosse possível exigir o IPI no caso, o que se admite para argumentar, seria incabível a exigência de correção monetária, juros de mora e multa, porque a Impugnante jamais esteve em mora, nem praticou qualquer ato violador da legislação tributária, porque ao dar saída de produtos sem destaque do IPI que agora o Fisco está exigindo, o fez em cumprimento de decisão judicial e jamais teve contestado este procedimento até a presente data; • não se mostra possível exigir da Impugnante juros de mora desde as datas dos respectivos fatos geradores exatamente porque ausente o seu pressuposto, que é a mora do contribuinte, ou seja, o não recolhimento do imposto no prazo assinalado, situação de fato que no caso não ocorreu, porque jamais lhe fora feita qualquer exigência até a presente data, e, ainda, eventual exigência de imposto foi suspensa por força da tutela antecipada concedida na Ação Ordinária referida, tudo conforme artigo 151, V do CTN; • jamais esteve em mora, porque jamais foi notificada de qualquer exigência de imposto até a presente autuação, portanto nada pode ser cobrado dela a este título, muito menos os juros pretendidos; • não praticou qualquer "falta" que pudesse ensejar a aplicação de multa punitiva tipificada no art. 80 da Lei 4.502/64, na atual redação, pois seu procedimento foi determinado por decisão judicial; • admitindose apenas para argumentar que fosse cabível no caso a exigência de qualquer valor a título de multa e juros, de qualquer modo a exigência de juros sobre a multa não tem suporte legal, assim já se decidiram as câmaras do Primeiro e Segundo Conselho de Contribuintes, doc. 04, na própria dicção do art.161 do CTN e 61 da Lei nº9.430, de 1996; • o artigo 43 da Lei n° 9.430/96, vem evidenciar ainda mais que o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 prevê a cobrança de juros unicamente sobre o valor dos tributos e contribuições; • os juros de mora no caso presente jamais poderiam ser exigidos na dimensão pretendida pela ilustre autoridade fiscal, porque estão sendo calculados com base em percentual equivalente à taxa SELIC acumulada mensalmente, a qual além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Fl. 829DF CARF MF Processo nº 10830.010958/200774 Acórdão n.º 3302005.540 S3C3T2 Fl. 9 8 Poder Executivo e, ainda, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN; • pede e espera a Impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de reconhecer a insubsistência do auto de infração lavrado, pelas razões acima expostas, como medida de Direito e de Justiça. Tendo em vista a determinação contida na Portaria RFB/Sutri nº3.188, de 29 de julho de 2011, o processo foi transferido em 01/08/2011, para esta DRJ, para julgamento, conforme despacho de encaminhamento de fl.664." Quando da apreciação da questão pela DRJ, ela inadmitiu o recurso sob os seguintes fundamentos: Que no bojo do Mandado de Segurança Preventivo n. 2005.51.040014546 o juizo autorizou que a Fazenda Nacional procedesse o lançamento para prevenir a decadência e que o lançamento é ato vinculado sob pena de responsabilidade funcional, não cabendo a ela decidir se é oportuno ou conveniente praticar o fato gerador. Que a Fazenda Nacional não pode exigir o tributo do "contribuinte de fato", eis que a sua relação jurídica é legalmente estabelecida com a Recorrente, "contribuinte de direito". Que as decisões judiciais não modificam a qualidade e a responsabilidade dos sujeitos passivos envolvidos na relação tributária, em especial pelo caráter de provisoriedade de que se revestem os provimentos antecipatórios de tutela, razão pela qual entende que não há reparo a ser feito no lançamento que constitui o lançamento relativo ao IPI não destacado e recolhido pela contribuinte. Quanto à Multa de Ofício, a DRJ entendeu que não é cabível, embora tenha aplicado juros de mora a partir do vencimento dos tributos, sob o argumento de são de que são decorrentes da impontualidade do recolhimento dos tributos. No que diz respeito às discussões envolvendo as inconstitucionalidades arguidas na impugnação, a DRJ aplicou a Súmula Carf. n. 02, segundo a qual o colegiado não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário às fls. 693 e seguintes onde alega: Que não pode ser responsabilizada pelo IPI não recorrido por força de determinação judicial que teve que cumprir mas que sequer é parte na ação. Que a própria solução de divergência COSIT n. 27, de 29.10.2002 processo 10580.009660/200204 estabelece que " os efeitos da sentença em ação judicial movida pelo contribuinte de fato contra a União Federal não se estendem ao contribuinte de direito se este não participou da demanda", reconhecendo que a consulta gera efeitos entre as partes mas que sua inteligência não pode ser olvidada. Que a responsabilidade do substituto tributário é exonerada pela ação do substituído. Fl. 830DF CARF MF Processo nº 10830.010958/200774 Acórdão n.º 3302005.540 S3C3T2 Fl. 10 9 Que em razão do mandamento jurisdicional a questão não mais pode ser decidida simplesmente à luz da legislação tributária, mas também da relação processual formada entre as distribuidoras e a Fazenda Nacional. Que não são devidos correção monetária e juros por entender que jamais esteve em mora É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. 1. Admissibilidade. O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto 70.235/72 e a matéria é de competência deste colegiado. 2. Preliminar de Ilegitimidade Passiva Irresponsabilidade da Recorrente pelo IPI não destacado em virtude de decisão judicial proposta em ação judicial proposta por terceiros. Tratase de pretensão, da Fazenda Nacional, de exigir da Recorrente tributos que deixou de recolher em razão de mandamento judicial que vedou que o fizesse, impedindo que esta, contribuinte de direito, calculasse e exigisse da contribuinte de fato os valores que deveria recolher aos cofres públicos. Não é demais destacar que dente as dezenas de sistemáticas existentes naquilo que Alfredo Augusto Becker denominou de "manicômio tributário" há a figura do contribuinte de direito, que possui o dever jurídico de recolher o tributo cujo ônus recai sobre o contribuinte de fato. Neste caso concreto, o Poder Judiciário, exercendo a sua jurisdição, ou seja, dizendo o direito, em autos de processo do qual não participava a Recorrente, determinou que esta, quando vendesse para a impetrante, não deveria computar o tributo, ou seja, deveria venderlhe a mercadoria sem que do valor da nota constasse o valor equivalente à carga tributária, inclusive afirmando que eventual cobrança do tributo não poderia recair sobre a Recorrente. É verdade que a relação jurídica legalmente prevista é entre o contribuinte de direito e o fisco, e a figura do "contribuinte de fato" não passa, ou melhor, não deveria passar de uma faceta econômica de um fenômeno jurídico. Ocorre que o próprio Código Tributário Nacional permitiu (merecendo destaque o artigo 166) que esta figura econômica fosse alçado à condição de contribuinte, possibilitando que ele discutisse uma relação da qual não é parte sob o aspecto jurídico, mas sob o aspecto econômico. Fl. 831DF CARF MF Processo nº 10830.010958/200774 Acórdão n.º 3302005.540 S3C3T2 Fl. 11 10 Assim, estabelecida esta estranha relação pelo próprio CTN, e a partir do momento que o Poder Judiciário permite que alguém que não integra a relação jurídica (o contribuinte de fato) possa questionar um determinado tributo do qual não participa juridicamente, mas participa economicamente, admitese que o Judiciário alargou a relação jurídica, permitindo que este contribuinte de fato nela ingressasse. Simultaneamente, quando o Judiciário impede, veda, proíbe que a Recorrente, contribuinte de direito, componha o preço do seu produto levando em consideração o tributo que deverá receber para recolher ao fisco, ocorre algo que, a grosso modo, equiparase a um caso fortuito ou força maior. Em outras palavras, o Poder Judiciário, Estado Juiz, vedou que a Recorrente recebesse do contribuinte de direito os valores que deveria recolher aos cofres públicos. Agora o Poder Executivo, Estado Administração, exige que a Recorrente recolha aos cofres da União aquilo que o Estado Juiz impediu que recebesse. Tal raciocínio encontra respaldo na inteligência da Própria Receita Federal que em parecer (fls. 803), teceu afirmação em sentido análogo: " AÇÃO DECLARATÓRIA PROPOSTA PRO CONTRIBUINTE DE FATO DO IPI. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. EFEITOS QUANTO AO CONTRIBUINTE DE DIREITO. Admitido judicialmente o direito de ação em declaratória proposta pela compradora de produtos industrializados em face da União, onde se questiona a validade do regime de tributação imposto pela legislação, sem que a contribuinte industrial integre a lide, não cabe a esta suportar qualquer prejuízo decorrente de processo que não provocou. Deferida a antecipação de tutela no sentido de impedir a indústria tratada como pessoa estranha à lide de promover o destaque e o recolhimento do IPI, o eventual insucesso da autora quando da decisão definitiva deve ser por esta suportado, sendo lhe exigíveis os valores devidos e consectários moratórios ou punitivos." 3. Mérito 3.1. Da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. A legislação prevê a incidência da taxa Selic, que no caso equivale a aplicação de juros de mora, sobre a impontualidade do pagamento, mas não em relação à multa. Assim, já decidiu este Colegiado: JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não existe amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. (Acórdão no 3403001.541, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unanimidade em relação ao tema, sessão de 24.abr.2012) Nesse sentido, deve ser retirada a incidência do juros de mora sobre a multa de ofício por falta de fundamento legal. Fl. 832DF CARF MF Processo nº 10830.010958/200774 Acórdão n.º 3302005.540 S3C3T2 Fl. 12 11 4. Conclusões. Conclusivamente, pelas razões já expostas é de dar provimento integral ao Recurso Voluntário.. Pois tais motivos, dou provimento ao presente Recurso Voluntário. Raphael Madeira Abad Fl. 833DF CARF MF Processo nº 10830.010958/200774 Acórdão n.º 3302005.540 S3C3T2 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Redator designado. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO As razões recursais focalizam precipuamente questões relativas ao erro na identificação do sujeito passivo, salientandose que o fato gerador do IPI, lançado e descrito no TVF, foi a saída de bebidas de estabelecimento industrial para distribuidora, sendo o estabelecimento industrial que promoveu a saída do produto industrializado do seu estabelecimento o contribuinte do imposto, definido pelo art. 24, inc. II, do RIPI/2002, com fulcro no art. 35, inc. I, alínea “a”, da Lei nº 4.052/64. Sobre a sujeição passiva envolvendo contribuinte de fato (distribuidora de bebidas) e contribuinte de direito (estabelecimento industrial fabricante de bebidas), o Superior Tribunal de Justiça STJ manifestouse por meio do REsp nº 903.394/AL, submetido a sistemática dos recursos repetitivos: EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DISTRIBUIDORAS DE BEBIDAS. CONTRIBUINTES DE FATO. ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM . SUJEIÇÃO PASSIVA APENAS DOS FABRICANTES (CONTRIBUINTES DE DIREITO). RELEVÂNCIA DA REPERCUSSÃO ECONÔMICA DO TRIBUTO APENAS PARA FINS DE CONDICIONAMENTO DO EXERCÍCIO DO DIREITO SUBJETIVO DO CONTRIBUINTE DE JURE À RESTITUIÇÃO (ARTIGO 166, DO CTN). LITISPENDÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULAS 282 E 356/STF. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. APLICAÇÃO. 1. O "contribuinte de fato" (in casu, distribuidora de bebida) não detém legitimidade ativa ad causam para pleitear a restituição do indébito relativo ao IPI incidente sobre os descontos incondicionais, recolhido pelo "contribuinte de direito" (fabricante de bebida), por não integrar a relação jurídica tributária pertinente. [...] 12. Malgrado as Turmas de Direito Público venham assentando a incompatibilidade entre o disposto no artigo 14, § 2º, da Lei 4.502/65, e o artigo 47, II, "a", do CTN (indevida ampliação do conceito de valor da operação, base de cálculo do IPI, o que gera o direito à restituição do indébito), o estabelecimento industrial (in casu, o fabricante de bebidas) continua sendo o único sujeito passivo da relação jurídica tributária instaurada com a ocorrência do fato imponível consistente na operação de industrialização de produtos (artigos 46, II, e 51, II, do CTN), sendo certo que a presunção da repercussão econômica do IPI pode ser ilidida por prova em contrário ou, caso constatado o repasse, por autorização Fl. 834DF CARF MF Processo nº 10830.010958/200774 Acórdão n.º 3302005.540 S3C3T2 Fl. 14 13 expressa do contribuinte de fato (distribuidora de bebidas), à luz do artigo 166, do CTN, o que, todavia, não importa na legitimação processual deste terceiro. Inferese do decidido que o "contribuinte de fato" (in casu, distribuidora de bebida) não integra a relação jurídica tributária pertinente ao fato gerador do IPI, sendo que o estabelecimento industrial (in casu, o fabricante de bebidas) continua sendo o único sujeito passivo da relação jurídica tributária instaurada com a ocorrência do fato imponível consistente na operação de industrialização de produtos (artigos 46, II, e 51, II, do CTN). Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: (...) II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; [...] Art. 51. Contribuinte do imposto é: (...) II o industrial ou quem a lei a ele equiparar; Importante ressaltar que não se trata aqui de questionarse a existência de prova de documento (ofício) que determinava o não destaque do imposto, como no precedente do processo n° 10830.011820/200873 (Acórdão nº 3302002.532), nestes autos, perquirese a existência de expressa determinação judicial para lavratura de auto de infração contra distribuidora de bebida que não se subsume à definição legal de contribuinte desse tributo, ao contrário, constatase a existência de permissivo judicial (MS n º2005.51.04.0014546) à constituição do crédito contra o fabricante contribuinte de direito, ainda que para prevenção da decadência. Assim sendo, nesse ponto, adotando e repisando as razões de decidir da decisão recorrida, apesar da existência da apontada Solução de Divergência COSIT nº 27, de 29/10/2002, ratificando que disciplinam apenas os procedimentos atinentes às empresas que realizaram a consulta, entendo que: "Não há amparo legal para constituir o crédito tributário no adquirente do produto, nem como contribuinte de direito e tampouco como contribuinte de fato pois a distribuidora não é sujeito passivo da obrigação.", somente podendo ser constituído e exigido do contribuinte de direito do imposto, no caso, a autuada. Corroborando esse entendimento, a conclusão exarada na apreciação do MS nº 2005.51.04.0014546 (fls.467/490), que denegou a segurança à autuada: Em síntese, entendo que a circunstância de ter havido decisões judiciais que, durante um certo período, impediram o recolhimento do tributo, pelo contribuinte de direito, não é óbice a que a União (sujeito ativo na relação jurídicotributário) busque, uma vez reformadas tais decisões, seu recebimento por meio de regular lançamento fiscal, em face do contribuinte de direito, não configurando o resultado da consulta fiscal impedimento para tanto. O entendimento defendido pela impetrante teria por conseqüência conferir às decisões antecipatórias de tutela proferidas nos autos das ações movidas pelas distribuidoras um caráter de definitividade (e irreversibilidade) que não é compatível com a própria natureza de tais decisões e que, consoante entende a impetrante, impediria a Fl. 835DF CARF MF Processo nº 10830.010958/200774 Acórdão n.º 3302005.540 S3C3T2 Fl. 15 14 cobrança, ao menos em face do contribuinte de direito a impetrante mesmo após reformadas as decisões. Assim, penso que inobstante proferidas decisões judiciais impedindo a impetrante de efetuar destaques do valor do IPI nas notas fiscais de saída, tal circunstância não tem o condão de excluir sua qualidade de contribuinte de direito do tributo, nem de excluir o direito de a União, enquanto sujeito ativo, proceder a seu lançamento e cobrança, mormente se tais decisões judiciais não mais' vigoram, inclusive no tocante ao que nelas se dispunha acerca da atribuição de responsabilidade exclusiva às distribuidoras pelo pagamento do tributo, na hipótese de eventual insucesso das demandas. Notar que não há nenhuma decisão judicial, na Ação Ordinária nº 2002.50.01.0098943 ou no Mandado de Segurança nº 2005.51.04.0014546, com ordem expressa para alterar o sujeito passivo da obrigação tributária, não podendo a autoridade lançadora caracterizar a distribuidora de bebidas como tal, sendo incabível auto de infração de IPI contra distribuidora de bebida que não se subsume à definição legal de contribuinte desse tributo, ao contrário, a Fazenda Nacional foi autorizada a constituir créditos tributários referentes aos valores de IPI não recolhidos pela ora recorrente, ainda que com o fim de prevenir a decadência dos referidos tributos (fl. 466). A despeito do art. 811, inc. I 1, da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil CPC, fundamento legal do entendimento, inclusive explicitado em soluções de consulta, para excluir a responsabilidade dos fabricantes, caso o lançamento do crédito tributário fosse feito contra as distribuidoras que propuseram a ação judicial, com vista a afastar o destaque do IPI em notas fiscais e o seu conseqüente recolhimento, haveria um evidente erro na “identificação jurídica” do sujeito passivo da obrigação tributária, um típico “erro de direito”, residente no plano da interpretação e aplicação das normas jurídicas ao caso concreto, na valoração jurídica dos fatos: constituir crédito tributário face a contribuinte de fato (distribuidora) como se de direito (indústria) o fosse; clara incorreção dos critérios jurídicos que lastreiam o lançamento quanto ao aspecto pessoal da regramatriz de incidência tributária, conforme ensinamentos extraídos do Parecer PGFN/CAT nº 278/2014. Suficientes as razões expostas, ratificando a decisão recorrida, entendo que: "...inexiste reparo a ser feito no lançamento que constituiu o lançamento relativo ao IPI não destacado e não recolhido pela contribuinte." Pelo exposto, quanto ao erro na identificação do sujeito passivo, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO A recorrente também alega que não podem ser exigidos juros sobre a multa de ofício lançada. A incidência de juros de mora sobre o crédito tributário, composto pelo tributo e/ou penalidade pecuniária, guarda consonância com o CTN e leis ordinárias. 1 Art. 811. Sem prejuízo do disposto no art. 16, o requerente do procedimento cautelar responde ao requerido pelo prejuízo que Ihe causar a execução da medida: I se a sentença no processo principal Ihe for desfavorável; Fl. 836DF CARF MF Processo nº 10830.010958/200774 Acórdão n.º 3302005.540 S3C3T2 Fl. 16 15 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Além do CTN afirmar que o crédito tributário decorre da obrigação tributaria principal de pagamento de tributo, penalidade pecuniária ou ambos; e que, o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora; a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, após o seu vencimento, está prevista pelos art.43 (multa isolada) e art.61, § 3º (débitos para com a União), da Lei nº 9.430/96. Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, tem plena previsão legal a incidência, ex lege, independente de lançamento, de juros moratórios sobre a multa aplicada, visto que se trata de débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Também nesse ponto, quanto à não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Redator designado Fl. 837DF CARF MF
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