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Numero do processo: 11065.002769/2006-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/11/2004
LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não padece de nulidade o lançamento que observa os requisitos formais do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, bem assim, como espécie de ato administrativo, a regularidade de seus elementos constitutivos (sujeito, forma, objeto, motivo e finalidade).
CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto quanto ao tema submetido à apreciação judicial. Súmula CARF nº 1.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/11/2004
COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. RE 606.107/RS. REPERCUSSÃO GERAL.
O Supremo Tribunal Federal decidiu, no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, com efeito erga omnes e trânsito em julgado em 10/12/2013, que a cessão de créditos de ICMS a terceiros, decorrente de operações de exportação, não se sujeita à incidência das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, por força da imunidade do art. 149, § 2º, I da CF/88, sendo essa manifestação de observância impositiva no âmbito do CARF, ex vi do art. 62, § 2º do seu regimento interno, aprovado pela Portaria MF 343/15.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-005.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da autuação os valores relativos à cessão de créditos de ICMS a terceiros.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/11/2004 LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não padece de nulidade o lançamento que observa os requisitos formais do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, bem assim, como espécie de ato administrativo, a regularidade de seus elementos constitutivos (sujeito, forma, objeto, motivo e finalidade). CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto quanto ao tema submetido à apreciação judicial. Súmula CARF nº 1. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 25/11/2004 COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. RE 606.107/RS. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal decidiu, no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, com efeito erga omnes e trânsito em julgado em 10/12/2013, que a cessão de créditos de ICMS a terceiros, decorrente de operações de exportação, não se sujeita à incidência das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, por força da imunidade do art. 149, § 2º, I da CF/88, sendo essa manifestação de observância impositiva no âmbito do CARF, ex vi do art. 62, § 2º do seu regimento interno, aprovado pela Portaria MF 343/15. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 27 69 /2 00 6- 28Fl. 241DF CARF MF 2 Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da autuação os valores relativos à cessão de créditos de ICMS a terceiros. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Relatório Cuidase de lançamentos de Cofins, decorrente de ressarcimento indevido, tendo em vista erro na apuração dos saldos credores, pela não inclusão, como receita, dos valores referentes à cessão de créditos de ICMS a terceiros, bem assim, apropriação de créditos por encargos de depreciação de bens adquiridos no exterior e insumos não utilizados na produção (devolução de compras). A impugnação sustentou que os créditos de ICMS transferidos a terceiros não se conformariam ao conceito de receita e/ou faturamento, passando a discorrer sobre o assunto; que o conceito de faturamento veiculado nas Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03 ofende a Constituição Federal de 1988, arrolando as razões para tal inferência; que a a taxa selic é inaplicável aos tributos; e, que haveria vício formal no lançamento, por não indicar o dispositivo legal que amparou a pretensão fiscal. A DRJ Porto Alegre/RS manteve o lançamento em decisão assim ementada: “BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7 1, 8° e 90 da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis.” Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 242 3 O recurso voluntário ratificou a impugnação, destacando a nulidade do lançamento pela ausência de indicação do dispositivo em que fundada a exigência. No mérito, defendeu que a cessão de créditos de ICMS não constitui receita tributável pela Cofins; que o alargamento do conceito de faturamento ditado pelas Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10833/03 é inconstitucional, havendo interposição de ação judicial (Ação Ordinária nº 2005.71.08.0079376 – TRF 4ª Região) para discussão dessa questão. Ainda, inovando a argumentação, asseverou que haveria vício formal na apuração do quantum debeatur, uma vez que os créditos foram glosados sem lavratura de auto de infração, como decidido no Acórdão 380300.253; e, que, por aplicação da retroatividade benigna, deverseia considerar as alterações promovidas pela Lei nº 12.058/09 nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminarmente, quanto à propalada nulidade, por suposta ausência de indicação dos dispositivos legais que embasam o lançamento, não assiste razão ao recorrente, porquanto o auto de infração, no quadro denominado “Enquadramento Legal” (efls. 33/34), aponta o seguinte fundamento legal: “Arts. 1º, 3º, 5º e 6º da Lei nº 10.833/03. Art. 44, § 4º da Lei nº 9.430/96”. Além do que, a fundamentação jurídica é bem objetiva e precisa, indicando claramente as pretensas infrações cometidas, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa ou prejuízo ao contraditório. Ainda em sede preambular, quanto à argüição de vício formal no levantamento do quantum debeatur, temse que a questão não foi objeto de contestação no recurso inaugural, em princípio, ocorrendo a preclusão consumativa e o impedimento de se retomar tal discussão em momento ulterior, nos termos dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, todavia, há uma peculiaridade neste caso, ao passo que o processo mencionado como jurisprudência – PA 13055.000078/200472 –, na verdade julgou o processo de ressarcimento que resultou neste auto de infração, como atesta o relatório de autuação de efl. 33, de maneira que, a despeito da preclusão consumativa, mas no intuito de evitar a prolação de decisões incompatíveis, tendo em conta a vinculação entre ambos, extraordinariamente conheço da matéria levantada extemporaneamente. Nesse passo, sendo a presente autuação clara decorrência do recálculo promovido no pedido de ressarcimento formulado no PA 13055.000078/200472, necessariamente as decisões lá exaradas influenciarão este feito, cumprindo registrar que as teses jurídicas lá estampadas e encampadas não vinculam os membros desse Colegiado, ou sequer, sejam aqui compartilhadas. A 3ª Turma Especial/3ª SEJUL/CARF/MF, através do Acórdão 380300.253, de 19/10/2009, decidiu o seguinte: Fl. 243DF CARF MF 4 “COFINS NO REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS GERADOS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS COM OUTROS TRIBUTOS FISCALIZAÇÃO PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO MESMO PERÍODO. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. A sistemática de creditamento da COPINS do PIS nãocumulativos não permite que, em pedido de compensação, seja sumariamente subtraída, do montante ressarcir, diferença de valores que Fiscalização considerar como recolhidos menor, decorrentes da revisão da apuração da base de cálculo da contribuição. Se fiscalização entende que valores como de transferências de créditos de ICMS devem sofrer incidência da Contribuição, tem de promover sua exigência necessariamente por meio de lançamento de oleio, não podendo lazer subtração sumária do crédito que contribuinte utilizou para pagamento de outros tributos, que ficariam descoberto.” Essa decisão, entretanto, alcança apenas e tãosomente o acréscimo, na base de cálculo da Cofins, da cessão de créditos de ICMS a terceiros, nada mencionando sobre os créditos glosados (apropriação indevida de créditos por encargos de depreciação de bens adquiridos no exterior e insumos não utilizados na produção (devolução de compras), que não foram alvo de julgamento naquela assentada, como se verifica do relatório do aresto: “Tratase de declaração de compensação apresentada pelo contribuinte em 30/06/2004, na qual utiliza créditos de COFINS nãocumulativa apurados no 2º trimestre de 2004 (fls. 01/02). A DRFNovo Hamburgo/RS reconheceu a existência do crédito pleiteado pelo contribuinte, mas recusoulhe o direito de aproveitamento integral, entendendo por bem reduzir este saldo, fazendoo a titulo de ‘irregularidade fiscal’, por ter verificado que ‘nos meses de fevereiro a .setembro de 2004, a fiscalizada efetuou cessão de créditos do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Circulação (ICMS) a terceiros’ e que ‘a fiscalizada não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dessas cessões de crédito de ICMS. Tais operações equiparamse a verdadeira alienação de direitos a título oneroso e originam receitas tributáveis, devendo, portanto, compor a base de cálculo da Cofins, cm conformidade com o art. 1º, §§ 1ºe 2º da Lei nº 10. 833/2003.’ (fls. 72/80). Assim, a DRF apurou o valor que entendeu que seria devido de COFINS em relação à receita. de venda de créditos de ICMS, e reduziu este valor do saldo de créditos apresentado na declaração de compensação. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 83/102) argumentando que a glosa seria indevida porque não foi feita como preceitua o artigo 142 do CTN, que seu direito de crédito decorre da sistemática não cumulativa e que não pode haver a incidência da COFINS sobre a venda de créditos de ICMS, visto que a sua incidência deve ser limitada às receitas das vendas de bens e serviços, conforme doutrina e jurisprudência que cita. (...)” Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 243 5 Nada obstante divergir do posicionamento meritório adotado pela e. Turma Julgadora, em respeito à harmonia processual, ante a imbricação entre os autos, entendo que a cessão de créditos de ICMS a terceiros deve ser excluída do lançamento sub examine, como lá decidido, mesmo porque, a análise de direito acerca da incidência da contribuição sobre esta verba aproveita ao recorrente, como adiante se exporá. Na seqüência, invertendo a ordem de enfrentamento das questões devolvidas ao Colegiado, atinente às alegações de inconstitucionalidade, acentuo que é entendimento assente neste sodalício, inclusive com edição de súmula de jurisprudência, que às instâncias administrativas não compete se manifestar sobre o tema, prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, que detém o monopólio da jurisdição. Nesse sentido, a súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Esta situação ficou ainda mais evidente com a edição da Lei nº 11.941/09, que, alterando o Decreto nº 70.235/72, incluiu o art. 26A, cuja redação é a seguinte: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Como não bastasse, o próprio recorrente noticia a propositura de ação judicial perante a Justiça Federal objetivando debater a (in)constitucionalidade do conceito de faturamento apresentado pelas Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 245DF CARF MF 6 Nesse passo, em consulta ao sítio virtual do TRF 4ª Região verifiquei que a Ação Ordinária nº 2005.71.08.0079376/RS, patrocinada por Móveis Kappesberg Ltda., transitou em julgado em 17/12/2007, inclusive com liquidação de execução de sentença (repetição de indébito), sendo baixada definitivamente em 18/12/2007. A decisão proferida na fase de conhecimento, em primeira instância, é a seguinte: “AÇÃO ORDINÁRIA (PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO) Nº 2005.71.08.0079376/RS AUTOR : MOVEIS KAPPESBERG LTDA ADVOGADO : LILIANA ROSA FERREIRA RÉU : UNIAO FEDERAL SENTENÇA 1. RELATÓRIO: Tratase de ação ordinária em que a autora se insurge contra a exigência de PIS e COFINS sobre a totalidade das suas receitas auferidas. Refere que as alterações da Lei 9718/98, essencialmente no ponto em que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS (art. 3º, I), conflita com o texto constitucional. Em síntese, sustenta haver necessidade de lei complementar para a alteração da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois a inovação trazida pela referida norma deve ser entendida como criação de novo tributo, já que antes da EC 20/98 as exações somente poderiam incidir sobre o faturamento e não em relação à receita bruta, tal com determinado pela legislação questionada. Postula o reconhecimento do indébito e a sua restituição ou compensação, após o trânsito em julgado da lide. Junta documentos. Na contestação, a União suscitou em preliminar a prescrição do pedido de repetição do indébito, nos termos indicados pela Lei Complementar 118. No mérito, abordou a evolução legislativa da matéria, alegando que o termo faturamento inscrito no texto constitucional não teve a intenção de restringir o conceito, ao contrário, indica que as contribuições sociais dos empregadores deverão incidir sobre a receita bruta da atividade exercida pela sociedade. Salientou que a Lei 9.718/98 não introduziu uma nova conceituação, somente veio esclarecer um conceito já utilizado pela jurisprudência. Disse ainda que a inovação só produziu efeitos quando já vigorava a Emenda Constitucional nº 20, que colocou um ponto final na controvérsia acerca da base de cálculo das contribuições sociais, deixando claro que estas podem incidir sobre a receita das pessoas jurídicas, sem qualquer restrição quanto à sua abrangência. Argumentou que a exigência de lei complementar como instrumento legislativo para instituição e/ou modificação diz respeito às novas contribuições sociais, ou seja, às residuais, que não é o caso da lide. Tratandose exclusivamente de matéria de direito, vieram os autos conclusos para sentença. É o relatório. Decido. 2. FUNDAMENTAÇÃO: Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 244 7 O Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 346.084, considerou inconstitucional a base de cálculo do PIS/COFINS definida no §1º do art. 3º da Lei 9718/98 porque a Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, que alterou o art. 195 da Carta Magna, permitindo a instituição da contribuição social sobre a receita ou faturamento, foi superveniente à publicação da Lei 9718, ocorrida em 28 de novembro de 1998, e jamais poderia ter o efeito de constitucionalizála pelo simples fato de que ela, no ponto referente à base de cálculo, era uma autêntica natimorta. Logo, em relação à COFINS, a alíquota de 3% definida pela Lei 9718/98 (art. 8º) deverá incidir sobre a base de cálculo prevista no art. 2º da LC 70/91. No que tange ao PIS, o tributo deverá ser apurado com a alíquota de 0,65% (art. 8º da Lei 9715/98), incidente sobre a base de cálculo prevista no art. 3º da Lei 9715/98. Tudo que tiver sido pago de maneira diversa comporta restituição ou compensação. De outra parte, deve ser observado que a compatibilização da base de cálculo do PIS/COFINS pelas Leis 10637/02 (art. 1º) e 10833/03 (art. 1º) , respectivamente, ocorreu apenas em relação às empresas que estão sujeitas ao regime nãocumulativo das citadas contribuições. De fato, o art. 8º da Lei 10637/02 dispõe que ‘permanecem sujeitas às normas da legislação para o PIS/PASEP, vigente anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º....as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado’. No caso da COFINS, o art. 10 da Lei 10833/03 repete disposição idêntica, estabelecendo ‘permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º....as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado’. As Leis 10637/02 e 10833/03 instituíram o sistema nãocumulativo para a cobrança do PIS e da COFINS, tal como dispõe o Capítulo I que as encabeça. O sistema nãocumulativo não se aplica para todas as pessoas jurídicas, mas apenas para aquelas que operam pelo lucro real. As optantes pelo lucro presumido ou sujeitas ao lucro arbitrado continuam recolhendo as contribuições para a COFINS e o PIS com base na Lei 9718/98, não tendo havido modificação legislativa superveniente a esta lei. Quer dizer, devem ser diferenciadas duas situações: a) Para as empresas optantes pelo lucro real e que recolhem as contribuições pelo regime nãocumulativo, os pagamentos indevidos a título de COFINS abrangem o período de 01 de fevereiro de 1999 (art. 17 da Lei 9718/98) até 30 de janeiro de 2004, quando passou a vigorar a Lei 10833/03, resultado da conversão da MP 135, de 30 de outubro de 2003. No caso do PIS, os recolhimentos indevidos vão de 01 de fevereiro de 1999 (art. 17 da Lei 9718/98) até 30 de novembro de 2002, quando compatibilizada a base de cálculo pela MP 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei 10637/02. b) As optantes pelo lucro presumido ou arbitrado têm direito à restituição ou compensação dos valores que foram ou continuam sendo indevidamente pagos, uma vez que não se lhes aplicam as disposições das Leis 10637/02 e 10833/03. Portanto, observadas as distinções supramencionadas, os valores indevidamente pagos a tal título comportam compensação ou restituição, a critério da autora por ocasião da execução e após o trânsito em julgado da sentença. A compensação deverá se dar com quaisquer tributos administrados pela SRF, Fl. 247DF CARF MF 8 devendo a autora submeter o procedimento ao disposto no art. 74 da Lei 9430/96. Em qualquer caso, os créditos deverão ser apurados a partir de cada recolhimento indevido, ficando sujeitos à incidência da taxa SELIC, nos termos do art. 39 da Lei 9250/95. Quanto à prescrição, tenho que prevalece a sistemática dos 5+5, ou seja, de dez anos, a contar dos respectivos fatos geradores. Como as contribuições são lançadas por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre cinco anos depois do fato gerador (art. 150, §4º do CTN), quando há a homologação tácita. Extinto o crédito, o contribuinte tem o prazo de cinco anos para rever o indébito (art. 168, I do CTN). Afastase, na hipótese dos autos, o prazo de cinco anos, a contar do pagamento indevido, nos termos do disposto no art. 3º da LC 118/05: Art. 3º. Para efeito da interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172. de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. A respeito do tema, escrevi no livro Curso de Direito Tributário, publicado pela editora Verbo Jurídico em 2005, págs. 290/291: ‘Tais entendimentos jurisprudenciais acerca do momento da extinção do crédito tributário nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação certamente passarão por acirradas discussões, frente ao disposto nos artigos 3° e 4° da LC 118/05. É que o art. 3° desta lei, para efeito de interpretação do art. 168, I, do CTN, fixou a data do pagamento antecipado como o momento em que ocorre a extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação. E o art. 4° mandou que fosse observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, I, do CTN. Ou seja, o legislador acabou com o entendimento dos "cinco mais cinco" e atribuiu à norma que considera extinto o crédito tributário no momento do pagamento, nos tributos lançados por homologação, um caráter meramente interpretativo. Com isto, pretende que o dispositivo alcance os pagamentos anteriores à data da vigência da LC 118/05, cujos efeitos vigorarão a partir de junho de 2005 (art. 4°). Em princípio, a Constituição Federal não proíbe a edição de leis retroativas. A proibição alcança apenas as normas que vulnerem a coisa julgada, o direito adquirido e o ato jurídico perfeito (art. 5°, XXXVI). O Supremo Tribunal Federal tem admitido a chamada retroatividade das leis interpretativas, desde que permaneçam intangíveis as situações juridicamente consolidadas. O Min. OROSIMBO NONATO, em 1950, no julgamento do RE 10039/SP, já dizia que a Constituição impunha um efeito limitador da aplicação retrooperante das leis interpretativas. Segundo ele, "o problema da retroatividade da lei interpretativa, que é uma anomalia, como observa Capitant, e traduz 'una mala política legislativa', na observação de Salvat é considerado diversamente pelos D.D.". Depois de fazer referência ao magistério de Bento de Faria, esclarecia o Ministro que "a chamada retroatividade da lei puramente interpretativa seria de simples aparência. Como argumenta lucidamente Gaston Jèze se a lei nada encerra de novo é pura superfluidade. E o que rege o passado é a lei antiga repetida ociosamente. Se contém algo de novo, é lei nova. E, então, quando é constitucional a vedação da retroatividade, não poderá ela ter projeção retrooperante". No caso, o CTN já dispunha acerca do momento da extinção do crédito tributário nos tributos lançados por homologação. De fato, o art. 156, VII estabelece Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 245 9 que extingue o crédito tributário o pagamento antecipado e a homologação do lançamento, nos termos do disposto no art. 150 e seus §§1° e 4°. Nos tributos lançados por homologação o pagamento antecipado nunca foi uma causa de extinção do crédito tributário. E não havia extinção justamente por causa da necessidade de homologação, expressa ou tácita, da Fazenda Pública ao pagamento efetuado pelo contribuinte. O art. 3° da LC 118/05 não é uma norma simplesmente interpretativa, de maneira a alcançar pagamentos anteriores à data da sua vigência. É uma lei nova que não poderá reger o passado para vulnerar situações jurídicas concretizadas de acordo com a norma então vigente. "Exige o Código Tributário Nacional", diz BERNARDO RIBEIRO DE MORAES, "para tal aplicação seja a norma 'expressamente interpretativa' (art. 106, I). Portanto, a lei tributária expressamente interpretativa, isto é, lei com cláusula de retroatividade, retroage ao dia em que entrou em vigor a lei interpretada. Em verdade, afirma Limongi França, as leis interpretativas não retroagem no sentido próprio do termo, pois 'o que se dá é a aplicação da própria lei interpretada, a partir da sua entrada em vigor'. Em verdade, a lei interpretativa não inova a ordem jurídica, não cria e nem altera relações inexistentes (caso contrário não seria interpretativa), mas apenas oferece novo entendimento à norma interpretada". Logo, entendemos que apenas os pagamentos efetuados a partir do momento em que passar a vigorar a LC 118/05 é que se submeterão à nova modalidade de extinção do crédito tributário. Ou seja, os tributos lançados por homologação somente poderão ser considerados extintos pelo pagamento quando este ocorrer após a entrada em vigor da LC 118/05. Nesta situação, o contribuinte terá o prazo de cinco anos, a contar do pagamento, para postular a restituição’. Acerca da retroatividade das leis interpretativas, escreveu o Ministro Carlos Velloso no RE 120.446PB, DJU 13.12.96: ‘ A questão das leis interpretativas costuma envolver juristas em equívocos, principalmente aqueles que lêem autores cujos sistemas jurídicos não dão ao princípio da irretroatividade das leis status constitucional. No Brasil, o princípio da irretroatividade das leis, em obséquio ao direito adquirido, embasase na Constituição. É por isso que Baleeiro, lembrei em trabalho doutrinário que escrevi – ‘ A Irretroatividade da Lei Tributária Irretroatividade e Anterioridade Imposto de Renda e Empréstimo Compulsório", em "temas de Direito Público", Del Rey Editora, 1994, pág; 298 comentando o art. 106, I, CTN, que estabelece que a lei interpretativa se aplica a ato ou fato pretérito, leciona que, " nos países, como o nosso (CF/69, art. 153, §§ 3º, 16, 36), em que a irretroatividade da lei em relação às situações jurídicas definitivamente constituídas assume caráter de direito e garantia individuais do Estatuto Político, a interpretação autêntica há de ser limitada à sua função específica: esclarecer e suprir o que foi legislado, sem arrogarse a jus novum, mais oneroso para o cidadão. Lei que interpreta outra há de ser retroativa por definição no sentido de que lhe espanca as obscuridades e ambigüidades. Mas contaminarseá de inconstitucionalidade se, em matéria fiscal, criar tributos, penas, ônus ou vexames que não resultavam expressa ou implicitamente do texto interpretado. Tais inovações só alcançam para o futuro.’ (Aliomar Baleeiro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Forense, pág. 428). O Ministro também faz referência pertinente à lição de Pontes de Miranda: ‘ em sistemas jurídicos, que têm o princípio da legalidade, da irretroatividade das leis e da origem democrática da regra jurídica, não se pode pensar em regra Fl. 249DF CARF MF 10 jurídica interpretativa, que, a pretexto da autenticidade da interpretação, retroaja.’ (Temas de Dir. Público", pág. 229). Em decorrência disso, como todos os pagamentos indevidos remontam ao ano de 1999 e ação foi proposta em 08 de agosto de 2005, não existem créditos que tenham sido atingidos pela prescrição. 3. DISPOSITIVO: Pelo exposto, julgo procedente o pedido para condenar a União na restituição, ou compensação, dos valores indevidamente pagos, nos termos supramencionados. Condeno a União no pagamento de honorários advocatícios de 10% sobre o valor atualizado da causa e na restituição das custas adiantadas pela autora, ambos atualizados pelo IPCAE. Sentença sujeita ao reexame necessário. Publiquese. Registrese. Intimese. Novo Hamburgo, 15 de fevereiro de 2006.” Diante da apelação apresentada pela União Federal e pela remessa necessária, o TRF 4ª Região assim se pronunciou: “APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.71.08.0079376/RS RELATOR :Des. Federal JOEL ILAN PACIORNIK APELANTE :UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO :Simone Anacleto Lopes APELADO :MOVEIS KAPPESBERG LTDA/ ADVOGADO :Liliana Rosa Ferreira e outro REMETENTE :JUÍZO FEDERAL DA 01A VF DE NOVO HAMBURGO EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. LC 118/2005. CORREÇÃO MONETÁRIA. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. 1. O Supremo Tribunal Federal, em recente decisão prolatada no julgamento dos Rext 357950/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, e RExt 346084/PR, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, em sessão realizada no dia 09.11.2005, rematou a controvérsia declarando a inconstitucionalidade do alargamento da definição de faturamento como base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pelo §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. 2. Cuidandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para pleitear a restituição inicia a partir da data em que ocorrer a homologação do lançamento. Diante Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 246 11 da homologação tácita, dispõe o contribuinte do prazo de dez anos para postular a restituição, a contar do fato gerador, cinco dos quais relativos à homologação tácita e os outros cinco ao prazo prescricional propriamente dito. 3. O e. Superior Tribunal de Justiça, em julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial nº 327043, decidiu, por unanimidade, que se aplica o prazo do referido art. 3º da LC 118/2005 somente às ações ajuizadas a partir de 09 de junho de 2005, o que não é o caso dos autos. 4. A restituição dos valores indevidamente recolhidos tem assento no art. 165 do CTN, que assegura ao contribuinte o direito à devolução total ou parcial do tributo, seja em decorrência de pagamento indevido ou a maior. 5. Na forma da Lei nº 8.383/91, é possível a compensação dos valores pagos indevidamente com prestações vincendas das próprias contribuições, extinguindose o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação (art. 150, § 1º, do CTN). Saliento, entretanto, que relativamente aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, admitese a compensação com débitos oriundos de quaisquer tributos e contribuições administrados por este órgão, de acordo com a nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dada pela Lei nº 10.637, de 30122002. 6. Cuidandose de tributo objeto de contestação judicial, para que a compensação tenha o condão de operar a extinção do crédito tributário, deve ser efetivada depois do trânsito em julgado da decisão. 7. A Lei nº 9.430/96 não derrogou o art. 66 da Lei nº 8.383/91, no que se refere aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, podendo o contribuinte escolher o regime de compensação que lhe convier. 8. Optando o contribuinte pelo regime da Lei nº 8.383/91, deve compensar o crédito com prestações vincendas de tributo da mesma espécie e destinação constitucional, a partir do trânsito em julgado, extinguindose o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação. 9. Se o contribuinte escolher pelo sistema da Lei nº 9.430/96, pode compensar com qualquer tributo ou contribuição arrecadado pela Receita Federal, porém deve apresentar declaração na via administrativa e submeterse às regras postas na Lei, inclusive a que proíbe a utilização do crédito antes do trânsito em julgado da sentença. 10. O provimento judicial limitase a declarar o direito do contribuinte a realizar a compensação, seja nos moldes da Lei nº 8.383/91, seja de acordo com a Lei nº 9.430/96, sem que isso implique antecipação ou substituição do juízo administrativo. Fl. 251DF CARF MF 12 11. A correção monetária deve incidir sobre os valores desde a data do pagamento indevido por aplicação do entendimento assentado pela Súmula nº 162 do STJ com incidência da taxa SELIC, aplicável a partir de 01/01/96, excluindose qualquer índice de correção monetária ou juros de mora (art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95). 12. Em havendo sucumbência recíproca, compensamse os honorários advocatícios, cada parte arcando com a verba honorária de seus respectivos patronos. 13. Apelação desprovida e remessa oficial provida em parte. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento à apelação e dar provimento parcial à remessa oficial, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 27 de setembro de 2006. RELATÓRIO Móveis Kappesberg Ltda. ajuizou ação ordinária pretendendo a declaração de inexigibilidade do PIS e da COFINS nos moldes das bases de cálculo introduzidas pelas Leis nºs 9.718/98, 10.637/2002 e 10.833/2003, com o reconhecimento do direito à compensação/restituição dos valores recolhidos indevidamente a esse título a partir de fevereiro de 1999. Alegou que a Lei nº 9.718/98 incluiu na base de cálculo do PIS e da COFINS outras receitas que não aquelas integrantes do conceito de faturamento previsto nas respectivas LC nº 07/70 e LC nº 70/91. Referiu que a EC nº 20/98 não tem o condão de retroagir e convalidar vícios da Lei nº 9.718/98, sendo esta inconstitucional desde sua edição. Argumentou que as alterações da base de cálculo das contribuições em apreço promovidas pelas Leis nºs 9.718/98, 10.637/2002 e 10.833/2003 contrariam os conceitos de direito privado, em violação ao art. 110 do CTN, bem como a definição de faturamento já explicitada pelo STF. Sustentou a impossibilidade de uma lei ordinária modificar dispositivo de lei complementar, por afronta ao princípio da hierarquia das leis estampado no art. 59 da CF. Regularmente processado o feito, sobreveio sentença, às fls. 105110, julgando procedente o pedido para declarar o direito da requerente à restituição ou compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de contribuição ao PIS e à COFINS, com base no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, a ser a compensação efetuada com tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal, devendo a autora submeter o procedimento ao disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, corrigidos monetariamente pela taxa SELIC, condenada a União à restituição das custas adiantadas pela demandante e ao pagamento dos honorários advocatícios, estes fixados em 10% sobre o valor da causa. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 247 13 A União Federal interpôs recurso de apelação, às fls. 113122, alegando, primeiramente, a ocorrência da prescrição qüinqüenal prevista na LC nº 118/2005. Sustentou, em breve relato, que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 permanece vigente, uma vez que foi objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo STF somente pela via difusa, com efeitos inter partes, sendo que apenas após a resolução do Senado Federal é que surtirá efeitos perante todos. Com contrarazões (fls. 125140), subiram os autos a esta Corte, ainda, por força da remessa oficial. É o relatório. Peço dia. VOTO A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, §1º, ao estabelecer a base de cálculo do PIS e da COFINS, ampliou a definição de faturamento, considerandoo como a ‘... totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas’. De fato, não se desconhece que, após ampla e reiterada discussão sobre a inovação introduzida pelo referido dispositivo, este Tribunal firmou posicionamento, em julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nº 1999.04.01.0802741/SC, pela constitucionalidade da modificação da base de cálculo do PIS e da COFINS introduzida pela Lei nº 9.718/98, porquanto inserida no conceito de receita bruta. Ocorre, contudo, que o Supremo Tribunal Federal, em recente decisão prolatada no julgamento dos Rext 357950/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, e RExt 346084/PR, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, em sessão realizada no dia 09.11.2005, rematou a controvérsia declarando a inconstitucionalidade do alargamento da definição de faturamento como base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pelo §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. A propósito, vale transcrever o texto extraído do Informativo do STF nº 408, in verbis: Concluído julgamento de uma série de recursos extraordinários em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, cujo art. 3º, § 1º, define o conceito de faturamento ("Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.") v. Informativos 294, 342 e 388. O Tribunal, por unanimidade, conheceu dos recursos e, por maioria, deulhes provimento para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Entendeuse que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF. Ressaltouse que, a despeito de a norma constante do texto atual do art. 195, I, b, da CF, na redação dada pela EC Fl. 253DF CARF MF 14 20/98, ser conciliável com o disposto no art. 3º, do § 1º da Lei 9.718/98, não haveria se falar em convalidação nem recepção deste, já que eivado de nulidade original insanável, decorrente de sua frontal incompatibilidade com o texto constitucional vigente no momento de sua edição. Afastouse o argumento de que a publicação da EC 20/98, em data anterior ao início de produção dos efeitos da Lei 9.718/98 o qual se deu em 1º.2.99 em atendimento à anterioridade nonagesimal (CF, art. 195, § 6º) , poderia conferirlhe fundamento de validade, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação (28.11.98), portanto, 20 dias antes da EC 20/98. Reputouse, ademais, afrontado o § 4º do art. 195 da CF, se considerado para efeito de instituição de nova fonte de custeio de seguridade, eis que não obedecida, para tanto, a forma prescrita no art. 154, I, da CF ("Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;").RE 357950/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio (RE357950).RE 346084/PR, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, 9.11.2005. (RE346084). Malgrado outro tenha sido o entendimento deste Tribunal sobre a matéria, a discussão perde relevância ante a nova orientação dada pela Suprema Corte, órgão máximo para resolver as questões relativas à compatibilidade formal e material das leis frente à Constituição Federal, no sentido de ser inconstitucional a exigência do PIS e da COFINS nos termos da base de incidência trazida pela Lei nº 9.718/98. Deixo, portanto, de argüir a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 ao Plenário desta Corte, em atendimento ao art. 481, parágrafo único, do CPC. Com efeito, as subseqüentes Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, resultado da conversão das respectivas Medidas Provisórias nº 65 e 135, mantiveram a base de cálculo do PIS e da COFINS definida anteriormente pela Lei nº 9.718/98, assim compreendida como o resultado da totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil, mas instituíram a cobrança nãocumulativa dessas contribuições, permitindo o abatimento de vários créditos. Contudo, foram excluídas dessa nova sistemática de cálculo as instituições financeiras, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado, as optantes pelo Simples, as imunes a impostos, dentre outras pessoas jurídicas e grandezas econômicas mencionadas no art. 8º da Lei nº 10.637/2002 e art. 10º da Lei nº 10.833/2003, que devem permanecer sujeitas às normas da legislação vigente anteriormente a essas Leis. Ressaltese, outrossim, que não há falar em ilegalidade ou inconstitucionalidade na ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, visto que promovida posteriormente à nova redação dada ao art. 195, I, b, da CF, dada pela EC nº 20/98, que consignou serem a receita ou o faturamento expressões equivalentes. Não prospera, igualmente, o argumento de que uma lei ordinária não tem o condão de modificar uma lei complementar. É posição pacífica nesta Corte que a LC nº 07/70 foi recepcionada como se fosse lei ordinária, bem como que a LC nº 70/91, na verdade, é materialmente lei ordinária, necessitando para a sua alteração de normas da mesma hierarquia. Não há falar, na hipótese, em inconstitucionalidade formal da lei ordinária modificadora, porquanto as matérias para as quais se reclama a veiculação por lei complementar encontram previsão no próprio texto Constitucional, não estando as contribuições ao PIS e a COFINS enquadradas nessa exigência. Forçoso destacar, por oportuno, que o STF já se pronunciou no sentido de que a eficácia do provimento judicial em controle concentrado, entendimento que pode ser aplicado ao controle concreto, por analogia, passa a valer a partir da publicação, no DJU, da ata de julgamento, e não do trânsito em julgado do Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 248 15 acórdão. Nesse sentido, imperioso transcrever trecho do voto do Min. Celso de Mello, em que foi Relator na Rcl 3309, pub. DJU de 4.8.2005, no qual cita precedentes da Suprema Corte que serviram de fundamento para sua decisão: ‘(...) O extremo relevo que assumem as conseqüências jurídicas decorrentes da suspensão cautelar da aplicabilidade de atos normativos, quando impugnados em sede de controle concentrado de constitucionalidade, impõe que se defina o "dies a quo" a partir do qual a decisão desta Suprema Corte passa a ter eficácia. Cabe relembrar, neste ponto, que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao apreciar questão de ordem suscitada na ADI 711/AM, Rel. Min. NÉRI DA SILVEIRA, definiu, como termo inicial da plena instauração de eficácia da medida cautelar concedida em ação direta, a data em que publicada, no Diário da Justiça da União, a ata da sessão do respectivo julgamento, ressalvadas as hipóteses excepcionais indicadas no precedente referido: "Ação Direta de Inconstitucionalidade. Medida cautelar deferida. Questão de Ordem. 2. A decisão que concede medida cautelar, em ação direta de inconstitucionalidade, possui eficácia, 'ex nunc'. Com a concessão da liminar, o ato normativo impugnado fica com sua eficácia suspensa, até o julgamento final. (...) 4. O deferimento da medida cautelar produz seus efeitos a partir da data da publicação da ata de julgamento no Diário da Justiça da União.(...)." (grifei) (...) Não foi por outra razão que esta Suprema Corte, ao julgar a Rcl 2.576/SC, Rel. Min. ELLEN GRACIE, reiterou essa orientação, assinalando, então, que se revela "Desnecessário o trânsito em julgado para que a decisão proferida no julgamento do mérito em ADI seja cumprida", sendo de aplicarse, ainda, "(...) o critério adotado por esta Corte, quando do julgamento da Questão de Ordem, na ADI 711, em que a decisão, em julgamento de liminar, é válida a partir da data da publicação no Diário da Justiça da ata da sessão de julgamento" (grifei) (...). Concedida a medida cautelar (que se reveste de caráter temporário), a eficácia ex nunc (regra geral) 'tem seu início marcado pela publicação da ata da sessão de julgamento no Diário da Justiça da União (...)(ADIn 711AM (Questão de Ordem), Rel. Min. NÉRI DA SILVEIRA) (...)." (RTJ 164/506509, Rel. Min. CELSO DE MELLO, Pleno) (...) Esse mesmo entendimento é também perfilhado pelo eminente Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI ("Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional", p. 67, item n. 3.4, 2001, RT),(...) "O termo inicial da eficácia da liminar é, em regra, o da data da publicação, no Diário de Justiça da União, da ata da sessão de julgamento em que a medida foi deferida, ressalvada decisão expressa em outro sentido." (grifei) (...). Vê se, desse modo, considerada a orientação jurisprudencial acima referida, que a eficácia da decisão plenária do Supremo Tribunal Federal, tal como proferida na ADI 2.409MC/ES (eficácia "ex nunc"), passou a operar somente a partir do dia 20/03/2002, data em que foi publicada, no DJU, a ata pertinente à sessão de julgamento daquele processo de fiscalização abstrata de constitucionalidade, o que permite reconhecer que a prática dos atos ora reclamados não se pôs em conflito com o acórdão que deferiu a medida cautelar na já mencionada ADI 2.409MC/ES (...). Prescrição Ante a natureza tributária das contribuições ora enfocadas (PIS e COFINS), não se aplica a prescrição qüinqüenal prevista no Decreto nº 20.910/32. A regra especial prevalece sobre a geral, incidindo as disposições específicas do Código Tributário Nacional sobre prescrição e decadência. Neste passo, cuidase, na espécie, de tributo sujeito a lançamento por homologação, no qual o contribuinte antecipa o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa; somente depois de feito o recolhimento é que o Fisco Fl. 255DF CARF MF 16 constatará a sua regularidade, dependendo a extinção do crédito de posterior homologação do lançamento (art. 150, caput e § 1º, do CTN). Não havendo a homologação expressa, considerase definitivamente extinto o crédito no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, ocorrendo o que se denomina de homologação tácita (art. 150, § 4º, do CTN). Assim, o prazo de cinco anos para pleitear a restituição, contado da extinção do crédito tributário (art. 168, I, do CTN), inicia a fluir a partir da data em que ocorrer a homologação do lançamento. Diante da homologação tácita, dispõe o contribuinte do prazo de dez anos para postular a restituição, a partir do fato gerador, cinco dos quais relativos à homologação tácita e os outros cinco ao prazo prescricional propriamente dito. Neste sentido, há farta jurisprudência do Colendo STJ, expressa no REsp nº 171.999/RS (Rel. Min. Demócrito Reinaldo, DJU 1412 98), Embargos de Divergência no REsp nº 54.3809/PE (Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJU 070895), REsp nº 134.732/RS (Rel. Min. Hélio Mosimann, DJU 181196), REsp nº 120.939/RS (Rel. Min. Peçanha Martins, DJU 201097). No caso, ajuizada a demanda em 08 de junho de 2005, não há parcelas atingidas pela prescrição. Por outro lado, descabe a invocação da Lei Complementar nº 118/2005, já que, examinando a matéria, a Primeira Seção do e. Superior Tribunal de Justiça, em julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial nº 327043, decidiu, por unanimidade, que se aplica o prazo do referido art. 3º somente às ações ajuizadas após 09 de junho de 2005, o que não se verifica na hipótese dos autos. Repetição do indébito A modalidade de restituição dos valores indevidamente recolhidos tem assento no art. 165 do CTN, que assegura ao contribuinte o direito à devolução total ou parcial do tributo, seja em decorrência de pagamento indevido ou a maior. Assim, tanto a compensação como a restituição via precatório são modos de se efetuar a repetição do tributo declarado indevido. Todavia, considerando que nesta fase processual o provimento jurisdicional limitase ao reconhecimento do direito à repetição do indébito pretendido, bem como em traçar os parâmetros para apuração do montante a ser devolvido, nada impede que, quando da execução do julgado, seja facultado ao contribuinte optar pela forma de restituição por meio de precatório ou compensação, de acordo com o que lhe for mais favorável, consoante o disposto no §2º do art. 66 da Lei nº 8.383/91. Compensação A compensação, segundo o art. 170 do CTN, constitui modalidade de extinção do crédito tributário, na qual o contribuinte obrigado ao pagamento do tributo é credor da Fazenda Pública. Os principais regimes de compensação são estabelecidos pelo art. 66 da Lei nº 8.383/91 e pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, com características, requisitos e efeitos próprios. O contribuinte não pode criar um regime misto, em que combine apenas os aspectos que lhe são mais favoráveis. Regime da Lei nº 8.383/91 A Lei nº 8.383/91, no art. 66, autorizou a compensação de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciários, pagos indevidamente ou a maior, mesmo quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, no recolhimento da importância correspondente a períodos subseqüentes, condicionando, no § 1º, que seja feita entre tributos e contribuições da mesma espécie. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 249 17 Cuidase de uma compensação de futuro crédito tributário (logo, de crédito não constituído ainda) com um crédito que tem o contribuinte perante a Fazenda em virtude de pagamento indevido de tributo. Da mesma forma que o pagamento antecipado, a compensação referida no art. 66 da Lei nº 8.383/91 extinguirá o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação, conforme art. 150, § 1º, do CTN. O sujeito passivo da relação tributária compensa os créditos por sua conta e risco, assumindo a responsabilidade de seu ato. Uma vez que não é necessário provocar a via administrativa, o contribuinte deve informar o procedimento compensatório na DCTF, GFIP ou documento equivalente. Se o Fisco constatar irregularidade, deve realizar lançamento de ofício, dentro do prazo legal (CTN, art. 150, § 4º), pois não há falar em confissão de dívida quanto ao débito quitado através da compensação. A condição imposta no § 1º do art. 66 da Lei deve ser entendida como tributos e contribuições com a mesma espécie e destinação constitucional, porquanto o encontro de contas farseá perante o ente responsável pela arrecadação, fiscalização e lançamento do tributo. Há outra razão de ordem financeira: se o tributo que for compensado tiver destinação diversa daquele que já foi pago indevidamente, não se estará mantendo o equilíbrio das receitas tributárias, imprescindível para a distribuição destas receitas. Nesse regime, somente pode haver a compensação de prestações vincendas, isto é, posteriores ao pagamento indevido, desde que não se trate, obviamente, de crédito tributário constituído na forma da lei. O art. 170A do CTN, acrescentado pela Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001, que veda a compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença, é aplicável a sentenças proferidas após a vigência deste dispositivo. Quando o pedido fundamentase na invalidade de dispositivo de lei, é necessário que o crédito seja determinado quanto ao seu objeto e certo quanto à sua existência, condição esta alcançada tãosomente por ocasião da chancela do Poder Judiciário sobre a tese defendida pelo contribuinte. Regime da Lei nº 9.430/96 O art. 74 da Lei nº 9.430/96 aplicase apenas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, admitindo a compensação com débitos oriundos de quaisquer tributos e contribuições administrados por este órgão. A Lei nº 10.637/2002 alterou significativamente o regime legal, que, embora seja em alguns pontos semelhante ao da Lei nº 8.383/91, difere substancialmente em outros. Transcrevo o inteiro teor do dispositivo, com as modificações supervenientes, destacando as diferenças: ‘Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 257DF CARF MF 18 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física;(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 258DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 250 19 § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3º deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)’ Enfatizo que, mesmo na vigência da Lei nº 10.637/2002, é imprescindível a declaração de compensação, por meio de procedimento administrativo adequado (DCOMP). A mera informação na DCTF, portanto, não equivale à Declaração de Compensação, devendo o contribuinte submeterse ao crivo da Secretaria da Receita Federal. A principal diferença em relação ao regime da Lei nº 8.383/91, porém, diz respeito aos efeitos da compensação. Caso não seja homologada a compensação e o contribuinte não manifeste inconformidade, a Receita pode inscrever em dívida ativa o que foi declarado e cobrar o débito, sem prévio lançamento, pois a declaração de compensação constitui confissão de dívida. Além disso, o § 12 do art. 74 enumera várias situações em que a compensação será considerada não declarada, ou seja, sequer haverá decisão posterior não homologatória; o fisco simplesmente vai ignorar a declaração. Insta mencionar que o art. 170A do CTN também é aplicável à compensação prevista na Lei nº 9.430/96, permitindose ao contribuinte valerse de seus créditos depois do trânsito em julgado da sentença. A Lei nº 9.430/96 não derrogou o art. 66 da Lei nº 8.383/91, no que se refere aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. O contribuinte pode escolher o regime que lhe convier, pois, inexistindo antagonismo entre ambos, sua coexistência é admissível. O que é absolutamente vedado é mesclar elementos dos dois. O provimento judicial, portanto, limitase a declarar o direito do contribuinte a realizar a compensação, seja nos moldes da Lei nº 8.383/91, seja de acordo com a Lei nº 9.430/96, sem que isso implique antecipação ou substituição do Fl. 259DF CARF MF 20 juízo administrativo. Obviamente que, optando o contribuinte pelo regime da Lei nº 8.383/91, deve compensar o crédito com prestações vincendas de tributo da mesma espécie e destinação constitucional, a partir do trânsito em julgado. Se escolher pelo sistema da Lei nº 9.430/96, pode compensar com qualquer tributo ou contribuição arrecadado pela Receita Federal, porém deve apresentar declaração na via administrativa e submeterse às regras postas na Lei, inclusive a que proíbe a utilização do crédito antes do trânsito em julgado da sentença. Correção monetária Prosseguindo, anoto que os valores deverão ser corrigidos monetariamente desde a data do pagamento indevido por aplicação do entendimento assentado pela Súmula nº 162 do STJ com incidência da taxa SELIC, índice aplicável a partir de 01/01/96, excluindose qualquer outro indicador de correção monetária ou juros de mora (art. 39,§ 4º, da Lei nº 9.250/95). No particular, aponto, ainda, que a partir do advento da Lei nº 9.250/95, legalmente estabelecido que a atualização dos valores compensados segundo a sistemática do artigo 66 da Lei nº 8.383/91 observará a forma do citado artigo 39, § 4º. Honorários advocatícios Esclareço, inicialmente, que a sentença foi de parcial procedência e não de procedência total do pedido como consignado às fls. 105110, haja vista que o pedido da autora de declaração de inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo do PIS e da COFINS promovido pelas respectivas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não foram reconhecidos pela r. decisão monocrática. Portanto, merece reparos a condenação da União ao pagamento dos honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor atualizado da causa. Considerando que, na hipótese, as partes foram reciprocamente sucumbentes, os honorários advocatícios hão de ser compensados, sendo que cada litigante deve arcar com a verba honorária devida aos seus correspondentes patronos, em atendimento ao art. 21, caput, do CPC. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento à apelação da União e dar provimento parcial à remessa oficial para ressaltar que a compensação do indébito deve aguardar o trânsito em julgado, em atendimento ao art. 170A do CTN, bem como para reconhecer a sucumbência equivalente das partes, tudo nos termos da fundamentação precedente.” (grifos no original) Reproduzidas integralmente as decisões judiciais proferidas na ação em comento, constatase que, de fato, a inconstitucionalidade in genere do conceito de faturamento trazido pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, que interessam ao deslinde da celeuma aqui presente, foi lá deduzida, manifestandose o Poder Judiciário, em decisão definitiva, pela sua higidez, isto é, que o conceito de faturamento nelas veiculados não ofende a Constituição Federal de 1988. Cumpre registrar que a opção pela via judicial configura renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, na esfera administrativa, quanto à questão submetida à apreciação daquela instância, como se extrai do art. 1º, § 2º do DecretoLei nº 1.737/79, in verbis: “Art 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: I relacionados com feitos de competência da Justiça Federal; Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 251 21 II em garantia de execução fiscal proposta pela Fazenda Nacional; III em garantia de crédito da Fazenda Nacional, vinculado à propositura de ação anulatória ou declaratória de nulidade do débito; IV em garantia, na licitação perante órgão da administração pública federal direta ou autárquica ou em garantia da execução de contrato celebrado com tais órgãos. § 1º O depósito a que se refere o inciso III, do artigo 1º, suspende a exigibilidade do crédito da Fazenda Nacional e elide a respectiva inscrição de Dívida Ativa. § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto.” (destcado) Não discrepa, quanto a substância, o art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/80: “Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.” (destacado) Desta Casa, cito o verbete da súmula CARF nº 1 (Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial) e o art. 78, § 2º, in fine do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/15: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (...)” (destacado) Portanto, a inconstitucionalidade do conceito de faturamento previsto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 não serão examinadas nesta oportunidade, em vista das Súmulas CARF nºs 1 e 2. Assim, considerando que a autuação abarca o período de abril a junho/2004, quando vigente a Lei nº 10.833/03, com apuração da Cofins no regime não cumulativo, a Fl. 261DF CARF MF 22 incidência se dá sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, assim entendida a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, a teor do art. 1º, § 1º do diploma em referência, o que, em tese, albergaria a receita com a cessão de créditos de ICMS a terceiros. No entanto, essa matéria foi alvo de manifestação do Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, com efeito erga omnes, no RE 606.107/RS, de 22/05/2013 e trânsito em julgado em 10/12/2013, plenamente aplicável ao caso vertente, porque não deduzido esse assunto, in specie, na ação judicial proposta pelo recorrente: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X , “a”, da CF) . Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11065.002769/200628 Acórdão n.º 3401005.058 S3C4T1 Fl. 252 23 subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificam se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” Consoante art. 62, § 2º do RICARF/15 (Portaria MF 343/15), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, de maneira que a parcela referente à cessão de créditos de ICMS, ainda que não fosse a decisão prolatada no PA 13055.000078/200472, deveria ser excluída da autuação por força desse aresto. Por derradeiro, ainda que despiciente, mas a título de registro, o emprego do instituto da retroatividade benigna, pela superveniência dos arts. 15, 16 e 17 da Lei nº 12.058/2009 (?), como pugnado pelo recorrente, não se aplica à situação dos autos, pois nada prevêem sobre a exclusão das transferência onerosas de ICMS das bases de cálculo do PIS/Pasep e Cofins, papel esse que coube à Lei nº 11.945/09, que através de seu art. 17, deu nova redação ao art. 1º, § 3º da Lei nº 10.833/03, que rege a Cofins não cumulativa, para inserir, dentre as exclusões da base de cálculo, as receitas “decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996”, entretanto, segundo a própria Lei nº 11.945/09, esse dispositivo somente passou a produzir efeitos a partir de 01/01/2009 (art. 33). Fl. 263DF CARF MF 24 Logo, prevendo as disposições legais data futura para deflagração de seus efeitos, logicamente, não se está diante de norma expressamente interpretativa, como exige o art. 106, I do Código Tributário Nacional, a atrair a retroatividade benigna. Outrossim, como antecipado, as glosas pela apropriação de créditos por encargos de depreciação de bens adquiridos no exterior e insumos não utilizados na produção (devolução de compras) não foi contestada em seu mérito, mas tãosomente por via reflexa, mediante preliminar de nulidade formal do lançamento, já devidamente rechaçada. Com essas considerações, voto por dar parcial provimento ao recurso para excluir da autuação os valores relativos à cessão de créditos de ICMS a terceiros. Robson José Bayerl Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.901105/2014-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO.
Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original.
Numero da decisão: 1402-003.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO. Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 11 05 /2 01 4- 31 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11040.901105/201431 Acórdão n.º 1402003.090 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, denegando a existência do crédito declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que teria havido recolhimento a maior de IRPJ e CSLL, fato este que teria sido percebido apenas após auditoria contábil externa. Assim, procedeu a Contribuinte a inúmeras compensações, valendose de tal valor. A Recorrente também esclarece que não foi reconhecida a existência do crédito pela Unidade Local pois apenas veio a retificar sua DCTF após a prolatação r. decisório de piso, corrigindo, então, suposto erro na declaração originalmente transmitida. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória, estando ausente nos autos qualquer demonstração ou prova de erro que justificaria a retificação procedida na DCTF. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, repetindo as suas alegações da Manifestação de Inconformidade, apontando expressamente para os motivos de reforma do v. Acórdão recorrido, afirmando ter constituído prova eficaz do seu direito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11040.901105/201431 Acórdão n.º 1402003.090 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.112, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11040.901104/2014 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.112): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ausentes alegações preliminares, passase ao mérito da demanda. Como relatado, a Recorrente alega ter recolhido valores de IRPJ e CSLL maiores do que aquilo efetivamente devido no período. Uma vez constatado tal excesso no adimplemento fiscal, prontamente procedeu a compensações via DCOMP. Contudo, apenas veio a retificar a DCTF correspondente posteriormente à prolatação do r. Despacho Decisório, motivo pelo qual a Autoridade Fiscal não teria reconhecido a existência de tal crédito naquela oportunidade. Restou firmado no v. Acórdão da DRJ que, ainda que retificada a DCTF, validando o cálculo da monta da pretensão creditícia da Contribuinte, não houve a comprovação da existência de erro na primeira declaração ou a prova de qualquer outro motivo que justificasse tal alteração. Em Recurso Voluntário a Recorrente afirma que possui a plena prerrogativa de proceder à retificação da sua DCTF e o fez regularmente, em momento adequado, dentro do prazo concedido pelas normas que regem a matéria em tela. Alega que denegar o crédito implicaria em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ora, é certo que a Contribuinte tem a prerrogativa de retificar suas declarações, inclusive a DCTF. Todavia, os efeitos de tal correção não são automáticos e absolutos, para todos os fim tributários, quando envolvida a percepção de crédito em favor do contribuinte após tal manobra. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11040.901105/201431 Acórdão n.º 1402003.090 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse sentido, a Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, aplicável ao presente caso, é clara ao regular o tema em seu artigo 9º: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11040.901105/201431 Acórdão n.º 1402003.090 S1C4T2 Fl. 6 5 fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; ehttp://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutro s.action?idArquivoBinario=0 II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (destacamos) Extraise de tal dispositivo que, promovida a alteração após a prolatação de r. Despacho Decisório, deveria a Contribuinte ter trazidos prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original, demonstrando que os valores originalmente inseridos na declaração primeiramente transmitida não refletiam os fatos e eventos efetivamente apurados na mensuração das obrigações lá constituídas. Sobre isso, a Recorrente alegou que teria trazido aos autos sua DIPJ, dando o necessário respaldo probante ao seu direito. Ocorre que apenas foram juntadas Fichas isoladas da DIPJ do período. Nenhum elemento de prova material, relacionado à contabilidade ou mesmo às atividades da Contribuinte, foi acostado ao processo. Frisese que a DIPJ, ainda que integralmente considerada, regularmente preenchida e transmitida, tem caráter informativo, sendo confeccionada unilateralmente pelo contribuinte, sem a necessidade de instrução direta com documentos. Assim, mesmo que as informações inseridas na linhas das Fichas da Declaração acostada guardassem identicidade com aquilo trazido na DCTF retificadora, tal encontro de dados guarda valor probante extremamente relativo, não se revestindo de prova inequívoca. Nos casos referente a restituição e compensação, regulados pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, o ônus probatório do crédito alegado recai sobre contribuinte. Por fim, o entendimento acima professado possui pleno respaldo na jurisprudência atual desse E. CARF. Ilustrando, confirase o Acórdão nº 1301002.103, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa mesma 1ª Seção, de relatoria do I. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11040.901105/201431 Acórdão n.º 1402003.090 S1C4T2 Fl. 7 6 Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, publicado em 23/08/2016: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE Não há impedimento para que a DCTF seja retificada após o despacho decisório, desde que sejam respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010, e alterações posteriores. Necessidade de análise das restrições através do exame de documentação juntada ao processo, o que foi impossível, ante a não juntada de documentos pela interessada, sendo seu dever o ônus de provas. INDÉBITO.COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A comprovação da certeza e liquidez dos créditos deve ocorrer pelo exame de documentação hábil e apta, cujo ônus de juntar a documentação pertinente pertence a parte que requer o reconhecimento do direito creditório. Ainda, na mesma esteira decidiuse no Acórdão nº 3402 004.849, prolatado pela C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção dessa C. Corte Administrativa, de relatoria do I. Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, publicado em 02/02/2018: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 29/07/2005 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11040.901105/201431 Acórdão n.º 1402003.090 S1C4T2 Fl. 8 7 PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o v. Acórdão recorrido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.726001/2011-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
O direito à compensação, previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, está condicionado à existência de certeza e liquidez do credito utilizado pelo contribuinte na DCOMP. Não atendidos esses requisitos, não subsiste o direito creditório e incabível a homologação da compensação realizada.
Numero da decisão: 3002-000.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. O direito à compensação, previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, está condicionado à existência de certeza e liquidez do credito utilizado pelo contribuinte na DCOMP. Não atendidos esses requisitos, não subsiste o direito creditório e incabível a homologação da compensação realizada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. O direito à compensação, previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, está condicionado à existência de certeza e liquidez do credito utilizado pelo contribuinte na DCOMP. Não atendidos esses requisitos, não subsiste o direito creditório e incabível a homologação da compensação realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 60 01 /2 01 1- 91 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10680.726001/201191 Acórdão n.º 3002000.144 S3C0T2 Fl. 181 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto ao Acórdão de nº 0651.384, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA, em sessão de 25 de março de 2015, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 25/04/2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ UTILIZADO. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem, o contribuinte apresentou, em 25.04.2007, as Declarações de Compensação DCOMP´s de nº 40495.35895.250407.1.7.099046 e 41488.80565.250407.1.7.090013, objetivando a compensação de saldo remanescente de créditos de COFINS de empresa incorporada, relativos ao 1º e 2º trimestre de 2004, oriundos dos processos 10680.009339.200455 e 10680.014124/200456, respectivamente, com débito de CSLL do mês de maio/2005. (fls. 15 a 22) Em 22.08.2007, em cumprimento ao MPF nº 06.1.01.002007006861, teve início ação fiscal para análise dos processos de pedido de ressarcimento/compensação de créditos de PIS e COFINS não cumulativos do período de 12/2002 a 12/2005 da empresa Anglogold Ashanti Mineração Ltda., CNPJ 42.138.891/000197, incorporada pela fiscalizada. Tal procedimento fiscal analisou os Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação dos processos de nº 10680.009340/200480, 10680.009339/200455, 10680.014124/200456, 10680.004794/200545, 10680.010186/200570, 10680.010187/2005 14, 10680.017536/200529 e 10680.017537/200573, que totalizavam solicitações de ressarcimento/compensação de créditos de contribuições não cumulativas no montante de R$5.419.401,93. Assim, os créditos relativos a todos os processos acima mencionados foram objeto de análise nos autos do processo de fiscalização, de nº 10680.004042/200746. A fiscalização identificou a existência de outros pedidos de ressarcimento de créditos de contribuições não cumulativas apuradas nos mesmos períodos de apuração envolvidos no processo em estudo. Portanto, parte do crédito das contribuições ao PIS e a COFINS a que a empresa tinha direito foi objeto de ressarcimento naqueles processos e o restante foi abordado nos autos do processo originado pela fiscalização. Os agentes fiscais concluíram pelo reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado, deferindo a existência de crédito no montante de R$3.897.178,23 e indeferindo (glosando) o montante de R$1.522.223,70, conforme resumo abaixo. CRÉDITOS PROCESSO 10680.004042/200746 TRIBUTO PA VALOR SOLICITADO VALOR DEFERIDO VALOR INDEFERIDO Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10680.726001/201191 Acórdão n.º 3002000.144 S3C0T2 Fl. 182 3 PIS 3ª TRIM/2003 24.377,87 18.241,12 6.136,75 PIS 4º TRIM/2003 52.580,98 47.870,15 4.710,83 PIS 1º TRIM/2004 103.441,09 81.207,47 22.233,62 PIS 2º TRIM/2004 146.195,87 91.729,97 54.465,90 PIS 3ª TRIM/2004 82.415,12 34.840,97 47.574,15 PIS 4º TRIM/2004 70.186,12 70.186,12 PIS 1º TRIM/2005 178.070,19 160.823,32 17.246,87 PIS 2º TRIM/2005 179.831,19 140.017,77 39.813,42 PIS 3º TRIM/2005 201.788,87 149.766,54 52.022,33 COFINS 1º TRIM/2004 199.190,12 120.321,55 78.868,57 COFINS 2º TRIM/2004 673.417,58 422.544,35 250.873,23 COFINS 3ª TRIM/2004 379.678,78 160.549,42 219.129,36 COFINS 4º TRIM/2004 323.351,17 323.351,17 COFINS 1º TRIM/2005 820.263,43 740.823,28 79.440,15 COFINS 2º TRIM/2005 1.055.096,86 645.006,29 410.090,57 COFINS 3º TRIM/2005 929.516,69 689.898,74 239.617,95 TOTAIS 5.419.401,93 3.897.178,23 1.522.223,70 As linhas destacadas na tabela acima indicam os créditos reconhecidos e glosados pela fiscalização nos períodos de apuração dos créditos utilizados nas DCOMP´s em discussão nestes autos. O contribuinte declarou, tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, concordância com as glosas realizadas pela fiscalização no processo 10680.004042/200746. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte DRF/BHE, por meio do Despacho Decisório de nº 1347, datado de 04.10.2011, cientificou o contribuinte da não homologação das compensações realizadas, informando ter sido exaurido todo o crédito reconhecido pela fiscalização em outras compensações declaradas pelo sujeito passivo, anexando os demonstrativos de fls. 25 a 37. Cientificado do conteúdo do Despacho Decisório em 19.10.2011, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 18.11.2011, aduzindo, em síntese, que: a) O Despacho Decisório 1347 deve ser analisado em conjunto com o Despacho Decisório 1348; b) Apresentou, em 2004 (sic), PER/DCOMP´s com valor a restituir de R$598.029,92 e R$259.462,92, perfazendo um total de R$857.492,84 proveniente de crédito de COFINS referente ao 1º e 2º trimestre de 2004; c) Verificou em seus controles que deixou de lançar, em época própria, em sua escrita, as retenções na fonte referentes às contribuições efetuadas em notas fiscais emitidas em maio/2004, no valor de R$5.981,87; junho/2004, no valor de R$9.133,99; totalizando, R$15.115,86; d) Em razão do equívoco, providenciou, em 25/04/2007, a retificação das PER/DCOMP´s originais, somando ao valor do crédito inicialmente declarado o montante das retenções sofridas, perfazendo um novo montante de crédito de R$872.607,70; Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10680.726001/201191 Acórdão n.º 3002000.144 S3C0T2 Fl. 183 4 e) Situação análoga teria ocorrido com a DCOMP 14950.62166.250407.1.7.099866 (Despacho Decisório 1348); f) Em 2007 foi iniciada ação fiscal para analise dos processos de pedido de ressarcimento/compensação de créditos de PIS e COFINS não cumulativos, referentes ao período de dezembro de 2002 a dezembro de 2005; g) Finalizada a ação fiscal, foi emitido, nos autos do processo de nº 10680.004042/200746, o parecer fiscal datado de 28/05/2008, glosando parcialmente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo, com os quais a impugnante concordou; h) Os créditos vinculados às DCOMP´s 40495.35895.250407.1.7.099046 e 41488.80565.250407.1.7.090013 (Despacho Decisório 1347), e DCOMP 14950.62166.250407.1.7.099866 (Despacho Decisório 1348) totalizavam R$1.252.286,48, tendo recaído sobre eles glosas no valor total de R$548.871,16, remanescendo créditos totais de R$703.415,32; i) O crédito foi utilizado para compensar débitos: I) de IRPJ da competência de junho/2004, no valor de R$500.436,27; II) de IRPJ da competência de outubro/2004, no valor de R$464.524,94 e; III) de CSLL da competência outubro/2004, no valor de R$237.667,21, totalizando R$1.202.628,42; j) Em conseqüência das glosas realizadas e aceitas, restou saldo devedor de IRPJ a pagar, no valor de R$523.920,09 (sic) inscrito em Dívida Ativa, com nº de inscrição 60 2 09 00251341; k) Aderiu ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 REFIS, incluindo dentre os débitos parcelados, aqueles inscritos em Dívida Ativa da União sob o nº 60 2 09 00251341, anexando documentos comprobatórios; l) Apesar da adesão ao parcelamento, a União ajuizou ação de Execução Fiscal, que recebeu o nº 007471803.2010.8.13.0188, suspensa posteriormente por requerimento da própria União, tendo em vista o parcelamento; m) O débito de IRPJ, resultante da glosa efetuada pela fiscalização e aceita pelo contribuinte, foi incluído em parcelamento da Lei nº11.941/2009, devendo, por tal razão, ser cancelada a cobrança realizada através do despacho decisório nº 1347 DRF/BH; n) Ainda remanesce saldo credor de R$24.706,96, oriundo do Processo 10680.009339/200455 Despacho Decisório nº 1347. Em sessão de 25 de março de 2015, a 3ª Turma da DRJ/CTA decidiu, em acórdão de nº 0651.384, pelo não acolhimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela recorrente, sob o fundamento que: a) Os créditos declarados nas DCOMP´s em comento, relativos aos processos administrativos nº 10680.009339/200455 e 10680.014124/200456 foram integralmente utilizados em outras compensações, não havendo saldo disponível para compensar o débito de CSLL de 05/2005, conforme pretendido nestes autos; Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10680.726001/201191 Acórdão n.º 3002000.144 S3C0T2 Fl. 184 5 b) Os débitos incluídos no parcelamento da Lei 11.941/2009 (inscrição nº 60.2.09.00251341), são de IRPJ e referemse aos períodos de apuração de 12/2004 e 11/2005, conforme se comprova pelas fls. 105 dos presentes autos, enquanto que os débitos cobrados por meio do despacho decisório 1347 referemse à CSLL do período de 05/2005 e não estão incluídos em parcelamento algum. Cientificada da decisão em 10.04.2015 e não se conformando com seu conteúdo, a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08.05.2015, no qual ratifica as alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Muito embora os valores mencionados no relatório e no voto sejam superiores ao limite da competência especial das Turmas Extraordinárias, o saldo do crédito discutido neste processo é inferior a 60 (sessenta) salários mínimos (fl. 16). Sendo assim, passo à analise do Recurso Voluntário. A 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, entendeu que "É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado." No curso do presente processo, foram produzidas provas suficientes para analisar a existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Vejamos. Os créditos de COFINS referentes aos 1º e 2º trimestres de 2004, declarados nas DCOMP´s transmitidas pelo contribuinte em 25.04.2007 (fls. 15 a 22), somavam R$872.607,70, conforme detalha a tabela abaixo. DCOMP PROCESSO ADMINISTRATIVO CRÉDITO DECLARADO FLS. 40495.35895.250407.1.7.099046 10680.009339/200455 R$ 604.011,79 15 a 18 41488.80565.250407.1.7.090013 10680.014124/200456 R$ 268.595,91 19 a 22 TOTAL R$ 872.607,70 A ação fiscal consubstanciada no processo 10680.004042/200746, iniciada em 22.08.2017 (posterior ao envio das DCOMP´s), concluiu pela glosa de parte dos créditos declarados pelo contribuinte, nos termos do Parecer Fiscal de fls. 03 a 12 destes autos. Em relação aos créditos de COFINS dos 1º e 2º trimestres de 2004, as glosas foram: Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10680.726001/201191 Acórdão n.º 3002000.144 S3C0T2 Fl. 185 6 CRÉDITOS PROCESSO 10680.004042/200746 TRIBUTO PA VALOR SOLICITADO VALOR INDEFERIDO VALOR DEFERIDO COFINS 1º TRIM/2004 199.190,12 78.868,57 120.321,55 COFINS 2º TRIM/2004 673.417,58 250.873,23 422.544,35 TOTAL 872.607,70 329.741,80 542.865,90 O Contribuinte declarou, tanto na Manifestação de Inconformidade, quanto no Recurso Voluntário, concordância com as glosas realizadas pela ação fiscal. Finalizada a ação fiscal, foi emitido o PARECER FISCAL PROCESSO Nº 10680.004042/200746 datado de 28.05.2008, considerando glosas, com as quais a impugnante concordou. (fls. 48 e 124) O "Demonstrativo Analítico de Compensação" evidencia que o crédito de COFINS, no valor de R$542.865,90, relativo aos 1º e 2º trimestres de 2004, foi integralmente consumido, por compensação, com débitos de IRPJ e CSLL, não tendo o contribuinte apresentado qualquer prova em sentido contrário. CRÉDITO DÉBITO TRIBUTO PA VLR CRÉDITO TRIBUTO PA VALOR COMPENSADO FL. COMP. Nº IRPJ nov/05 26.629,09 33 32 COFINS 1º TRIM/2004 R$ 120.321,55 IRPJ jun/04 93.692,46 34 33 IRPJ jun/04 117.192,66 34 34 CSLL jun/04 289.551,15 34 35COFINS 2º TRIM/2004 R$ 422.544,35 IRPJ out/04 15.800,54 34 36 TOTAL CRÉD. R$ 542.865,90 TOTAL DÉB. 542.865,90 A "Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes" (fl. 26) comprova que todos os créditos vinculados aos processos relacionados à compensação em discussão nestes autos foram consumidos, não havendo nenhum outro documento ou prova em sentido oposto. Não merece prosperar a pretensão do contribuinte, no sentido de analisar e utilizar neste processo créditos que estão sendo discutidos em outros autos, vez que é ônus do contribuinte comprovar o direito creditório utilizado em cada compensação, individualmente. Contudo, em homenagem aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, analisamos tal alegação e, ainda que fosse ela considerada, não haveria saldo de crédito remanescente para a compensação declarada nestes autos. Vejamos: CRÉDITOS PROCESSO 10680.004042/200746 TRIBUTO PA VALOR SOLICITADO VALOR INDEFERIDO VALOR DEFERIDO COFINS 1º TRIM/2004 199.190,12 78.868,57 120.321,55 COFINS 2º TRIM/2004 673.417,58 250.873,23 422.544,35 COFINS 3º TRIM/2004 379.678,78 219.129,36 160.542,49 TOTAL 1.252.286,48 548.871,16 703.415,32 Tais créditos, foram integralmente utilizados em compensação com débitos de IRPJ e CSLL, conforme demonstrativo abaixo: CRÉDITO DÉBITO TRIBUTO PA VLR CRÉDITO TRIBUTO PA VALOR COMPENSADO FL. COMP. Nº IRPJ nov/05 26.629,09 33 32 COFINS 1º TRIM/2004 R$ 120.321,55 IRPJ jun/04 93.692,46 34 33 IRPJ jun/04 117.192,66 34 34COFINS 2º TRIM/2004 R$ 422.544,35 CSLL jun/04 289.551,15 34 35 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10680.726001/201191 Acórdão n.º 3002000.144 S3C0T2 Fl. 186 7 IRPJ out/04 15.800,54 34 36 COFINS 3ª TRIM/2004 R$ 160.549,42 IRPJ out/04 160.549,42 34 37 TOTAL CRÉD. R$ 703.415,32 TOTAL DÉB. 703.415,32 No que diz respeito à alegação de que o débito cobrado por meio do Despacho Decisório 1347 (CSLL 05/2005) encontrase incluído no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, restou comprovado, por meio da CDA constante das fls. 84 a 91, que os débitos vinculados à inscrição nº 60 2 09 002513, objeto do aludido parcelamento, são de IRPJ relativo aos meses de 12/2004 e 11/2005. Não há nos autos qualquer documento que comprove o parcelamento da CSLL de maio/2005. O direito à compensação, estampado no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, origina se a partir da existência de crédito tributário líquido e certo, o que definitivamente não se comprovou nestes autos. Ao contrário, todas as provas trazidas ao processo, inclusive aquelas carreadas pelo próprio contribuinte, evidenciam que a totalidade do crédito homologado pela fiscalização, nos autos do processo 10680.004042/200746, cuja parcela pretendia o contribuinte utilizar nas DCOMP´s que originaram o recurso em análise, já foi consumido em outras compensações realizadas pelo sujeito passivo, não remanescendo saldo disponível para a compensação pretendida nestes autos. Diante de todo o exposto, e levando em conta as provas e alegações produzidas, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12278.720413/2014-47
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
Numero da decisão: 2001-000.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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score : 1.0
Numero do processo: 11444.000953/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/07/2008
AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
Numero da decisão: 1301-003.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2007 a 31/07/2008 AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 09 53 /2 00 9- 11 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 11444.000953/200911 Acórdão n.º 1301003.015 S1C3T1 Fl. 82 2 Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 1431.114, proferido pela 6ª Turma da DRJ/RPO, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, com a manutenção do crédito tributário constituído. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Auto de Infração de obrigação principal A1/DEBCA1) n° 37.203.9146 que constitui contribuições devidas às outras entidades ou fundos, ditas "terceiros* (Salário Educação, INCRA, SESC e SEBRAE) incidentes sobre o total das remuneração pagas, devidas ou creditada aos segurados empregados apuradas pelo exame das folhas de pagamento e das declarações feitas pela empresa em GFIP's Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. A autuação foi lavrada em face do contribuinte acima identificado em decorrência de sua exclusão do regime de tributação conhecido como SIMPLES através do Ato Declaratório Executivo n° 23 datado de 22/05/2009, com os eleitos da exclusão nele estabelecidos, pelo exercício de atividade vedada (ensino médio). O crédito tributário assim constituído importa em R$ 27.003.28 (Vinte e sete mil. três reais e vinte e oito centavos), consolidado em 02/09/2009. composto pelo principal acrescido de juros e multa de mora. A empresa autuada interpôs impugnação ao lançamento fiscal fundada nos seguintes argumentos, em síntese: i) Da necessidade de julgamento do presente em apenso ao processo administrativo n° 11444.000438/200931 Informa que a empresa autuada era partícipe do regime tributário do SIMPLES NACIONAL à época dos fatos, razão pela qual não era obrigada ao pagamento das contribuições aqui vertidas, tendo sido excluída desse regime através do ADE DRF/MRA n° 23/2009, do qual recorreu apresentando suas razões cm Manifestação de Inconformidade que, caso acolhida, tornará insubsistente os créditos tributários constituídos, de maneira que postula pelo julgamento do presente em conjunto com os daqueles autos de exclusão de n° 11444.000438/200931, Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11444.000953/200911 Acórdão n.º 1301003.015 S1C3T1 Fl. 83 3 reiterando os argumentos contrários à exclusão ali alinhavados e postulando pela a anulação do presente auto. ii) Da multa moratória Postula pela aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, a qual deverá ser limitada ao percentual de 20% consoante seu parágrafo 2o . uma vez que a Lei n° 11.941/09, resultante da conversão da MP 449/08, alterou as disposições legais sobre a qual se fundamentou a aplicação, ao inovar a redação do art. 35 da Lei n° 8.212/91. em conformidade com o art. 106, II. ' c ' do CTN. Posta nestes argumentos requer o recebimento da defesa, o julgamento em apenso àquele em que se estabelece a exclusão das interessadas do SIMPLES com a decorrente desconstituição integral do auto de infração em tela ou para apreciação sobre a flagrante cobrança de valores em excesso a título de multa de mora. E o essencial. Na seqüência, foi proferido o acórdão recorrido, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido. Após intimada, a empresa autuada apresenta seu Recurso, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão posteriormente analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Antes de qualquer outra verificação do recurso interposto, um questão preliminar requer averiguação; I. DA INCOMPETÊNCIA DESTA 1ª SEJUL Analisando os autos, verifico que ao cabo de uma única auditoria, a autoridade encarregada formalizou seis processos administrativos. No caso, tratase de lançamento, onde é exigido crédito tributário de contribuições previdenciárias devidas às outras entidades ou fundos, ditas 'terceiros' (Salário Educação, INCRA, SESC e SEBRAE) incidentes sobre o total das remuneração pagas, devidas ou creditada aos segurados empregados apuradas pelo exame das folhas de pagamento e das declarações feitas pela empresa em GFIP's Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, em decorrência da exclusão do regime simplificado denominado de SIMPLES. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11444.000953/200911 Acórdão n.º 1301003.015 S1C3T1 Fl. 84 4 Assim, embora o presente processo seja decorrente do Ato da exclusão do Simples da recorrente, a exigência das contribuições previdenciárias baseiase em remunerações de seus empregados. Sobre a competência desta Seção de Julgamento, transcrevo o inciso IV, artigo 2º do Anexo II, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (G.N) De acordo com tal norma, no que aqui nos interessa, apenas recursos que versem sobre aplicação da legislação relativa à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta atrairiam a competência para esta Seção de Julgamento, e só se a exigência fosse formalizada com base nos mesmos elementos de provas de eventual lançamento de IRPJ/CSLL. No caso, não se trata de lançamento de Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta. Dispõe ainda o mesmo diploma no art. 3º, IV, que: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; (G.N) A distribuição de competência entre as três Seções de Julgamento do CARF consiste em repartição jurisdicional em razão funcional, para atender o interesse público. Como tal, não é passível de modificação, devendo eventual incompetência ser conhecida de ofício. Assim, tendo em vista que o presente caso trata de exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações de seus empregados, resta claro que ele está fora do âmbito de competência de julgamento desta 1ª Seção, devendo ser remetido à 2ª Seção, que tem a efetiva competência para o julgamento. Conclusão Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11444.000953/200911 Acórdão n.º 1301003.015 S1C3T1 Fl. 85 5 Diante do exposto, voto por declinar da competência para julgamento do recurso em favor da Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.900596/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 0350.440, de 31 de janeiro de 2013, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 93 a 100), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. O presente processo cuida da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 00702.41857.191007.1.3.042309 (fls. 24 a 29), por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade referente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativo ao período de apuração de setembro de 2007, no valor total de R$ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 00 59 6/ 20 11 -4 1 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10746.900596/201141 Resolução nº 1302000.595 S1C3T2 Fl. 213 2 2.712,29, com crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior relativo a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O crédito em questão, no valor de R$ 2.067,45, originarseia de pagamento efetuado em 28/07/2005, no montante de R$ 2.839,65; e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 16, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Cientificado, o sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 2 a 15, na qual sustentou que, por equívoco, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário de 2005, e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao segundo trimestre do citado ano calendário, informou débito a título de CSLL, regime de apuração baseado no Lucro Presumido, calculado a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta. Contudo, em decorrência da sua atividade, estaria sujeito à CSLL, sobre o Lucro Presumido, calculada com base na aplicação da alíquota de 12% sobre a sua receita bruta. Invocou o princípio da verdade material e apresentou elementos que, no seu entender, comprovariam o erro de fato e o indébito em questão (DIPJ retificadora, cópias parciais dos livros Diário, Razão e Registro de notas fiscais de serviços prestados, bem como cópias das notas fiscais do período). Relatou, ainda, haver procedido à retificação da DIPJ referente ao ano calendário de 2005, e apresentou diversas decisões de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento que respaldariam o crédito pleiteado. Em dezembro de 2012, o sujeito passivo apresentou o documento de fls. 91 e 92, intitulado "Resumo do Manifesto de Inconformidade P.J.", no qual, além de reiterar os termos da sua Manifestação Inconformidade, esclarece que deixou de retificar a DCTF do 2º trimestre de 2005, uma vez que, no momento em que constatou a necessidade de tal retificação, já se teria operado a decadência do seu direito de alterar o referido documento. A decisão de primeira instância (fls. 93 a 100) considerou que a Recorrente não havia apresentado documentação suficiente capaz de "demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 12%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95", de modo que o alegado indébito não se revestiria da liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN. Registrou, ainda, que as decisões administrativas colecionadas pela pessoa jurídica não possuíam caráter de normas complementares, nem efeitos vinculantes. Deste modo, não reconheceu o direito creditório do sujeito passivo. Após a ciência, comprovada às fls. 101/102, foi interposto o Recurso de fls. 104 a 114, por meio do qual a Recorrente, após reiterar as razões contidas na Manifestação de Inconformidade, sustenta que tem como cliente contratante, na maioria dos serviços prestados, o Poder Público, sendo a prática e costume os contratos de obras públicas serem formalizados sob a sistemática da empreitada global. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10746.900596/201141 Resolução nº 1302000.595 S1C3T2 Fl. 214 3 Aduz que os documentos já apresentados, em especial as notas fiscais de serviço, são elementos hábeis a demonstrar se tratar de serviços prestados com fornecimento de material. Invoca a aplicação do princípio in dúbio pro contribuinte (calcado no art. 112, inciso II, do CTN) ou, ainda, a realização de diligência para juntada aos autos dos contratos de prestação de serviço. Contudo, com base no art. 16, §4º, alínea c, do Decreto nº 70.235, de 1972, combinado com o §5º do referido dispositivo, já traz aos autos os mencionados contratos de prestação de serviço, que comprovariam o direito pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação (DComp) referente a pagamento efetuado, em 28/07/2005, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativo ao 2ª trimestre do anocalendário de 2005. O crédito compensado decorreria do fato de a Recorrente haver confessado na DCTF e recolhido a CSLL, apurada sob o regime de apuração baseado no Lucro Presumido, a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta, quando, em decorrência da receita se referir à atividade de construção civil com fornecimento de material, o percentual aplicável para a determinação do Lucro Presumido ser o de 12%, conforme art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995. O direito creditório invocado não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 16, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Por outro lado, a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo foi julgada improcedente por se considerar que os elementos juntados aos autos não são suficientes para comprovar que os serviços prestados pela Recorrente incluem o fornecimento de todo o material necessário à sua realização. Nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, a base de cálculo da CSLL devida pelas pessoas jurídicas que apuram o IRPJ com base no Lucro Presumido, corresponderá a doze por cento da receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15 daquele diploma legal, dentre as quais se inclui a prestação de serviços em geral, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. O citado art. 15 foi interpretado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, que esclareceu que, para a determinação da base de cálculo do IRPJ mensal, a construção por empreitada com emprego de qualquer quantidade de materiais se sujeitaria ao percentual de 8% (oito por cento), enquanto incidiria o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita das atividades de construção por empreitada unicamente de mãodeobra. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10746.900596/201141 Resolução nº 1302000.595 S1C3T2 Fl. 215 4 A Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, tratava do assunto, nos mesmos moldes do ADN mencionado. Aquele entendimento vigorou até a edição da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que definiu como "construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra". (Destacouse) No caso sob exame, tratandose do anocalendário de 2005, aplicase, portanto, o entendimento que exige o fornecimento de todos os materiais, para a aplicação do percentual favorecido na determinação da base de cálculo da CSLL. A questão que se põe, portanto, é saber se as provas documentais apresentadas pelo sujeito passivo são (ou não) suficientes para comprovar que as receitas tributadas no trimestre em questão se referem a serviços de construção civil prestados com o fornecimento de material. Ocorre que, previamente à apreciação do Recurso, fazse necessário esclarecimento. É que, dentre os contratos apensados ao Recurso, constatase a existência de instrumentos firmados com a mesma Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178 (fls. 153/159, 163/168, 188/197 e 201/206). Por outro lado, os Aditivos de fls. 160/161, 198/199 e 207/208, aos contratos de fls. 153/159, 188/197 e 201/206, respectivamente, são firmados com a própria Recorrente. Do mesmo modo, vêse que notas fiscais são emitidas pela Recorrente, em relação aos contratos firmados com a Construtora Monte do Carmo Ltda, e que os valores das referidas receitas estão contabilizadas nos Livros contábeis e fiscais juntados pela Recorrente, e foram considerados na apuração da CSLL devida no período em questão. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/PalmasTO), para que: a) intime o sujeito passivo a esclarecer a existência de notas fiscais e contratos referentes à Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178, na base de cálculo utilizada para a determinação da CSLL relativa ao 2º trimestre do anocalendário de 2005 e do indébito de que trata o presente processo; b) informe os valores efetivamente recolhidos pela Recorrente, a título de CSLL, em relação ao referido período de apuração, detalhando a eventual utilização/disponibilidade dos pagamentos efetuados; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, bem como se manifestando em relação aos esclarecimentos prestados pelo sujeito passo, que deve ser cientificado do resultado, com a concessão de prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10746.900596/201141 Resolução nº 1302000.595 S1C3T2 Fl. 216 5 (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003897/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO.
São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. Verificada a omissão no julgado necessário a análise da decisão e o acolhimento dos embargos para julgamento do ponto.
Numero da decisão: 2401-005.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos Embargos Declaratórios e, no mérito, acolhê-los, para suprimir as inexatidões constatadas, mantendo-se a decisão anterior
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO. São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. Verificada a omissão no julgado necessário a análise da decisão e o acolhimento dos embargos para julgamento do ponto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 38 97 /2 00 9- 98 Fl. 1630DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos Embargos Declaratórios e, no mérito, acolhêlos, para suprimir as inexatidões constatadas, mantendose a decisão anterior (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 10640.003897/200998 Acórdão n.º 2401005.386 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, às fls. 1.473/1.476, em face do Acórdão nº 2302003.581, da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, contextualizado às fls. 1.437/1.449, de relatoria do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi. Alega a embargante a existência de omissões no acórdão embargado, conforme razões a seguir: (i) Da omissão quanto à possibilidade de retificação do lançamento pelo julgador de primeira instância – Alega que o v. acórdão sobrou omisso quanto a alegação, em recurso voluntário, de violação ao artigo 142 do CTN, o qual prevê que “compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível”, pelo que a DRJ jamais poderia ter feito as vezes de autoridade fiscal para, após a apresentação de impugnação pela Embargante, ter determinado a retificação da matéria tributável constante do lançamento, sem deixar de reconhecer a nulidade material da integralidade do auto de infração por violação ao referido dispositivo. (ii) Da omissão quanto à preliminar de ilegitimidade passiva suscitada no Recurso Voluntário – conforme consta no recurso, foi suscitada preliminar de ilegitimidade passiva da ora Embargante, em razão do disposto no artigo 24, inciso II, da IN INSS/DC nº 89/2003, o qual, em seu § 1º prevê que quando o contribuinte individual presta declaração informando que já sofreu desconto sobre o valor máximo do salário de contribuição (como ocorreu nos presentes autos), o mesmo tornase responsável pelo recolhimento da contribuição até o valor máximo fixado. Não obstante o seu direito de ter a referida preliminar devidamente apreciada pela C. Turma, a mesma sequer passou pela análise do referido ponto, caracterizandose omissão. Submetido à análise de admissibilidade, os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, o admitindo para que sejam sanadas as omissões constatadas acórdão embargado, com devolução do processo para relatoria e inclusão em pauta de julgamento (fls. 1.618/1.620). Distribuídos os presentes Embargos, ad hoc, a esta Relatora já com Despacho de acolhimento e determinação de inclusão em pauta, consoante Despacho encimado, assim o faço. É o relatório. Fl. 1632DF CARF MF 4 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos Embargos de Declaração, passo ao exame do mérito (artigo 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 2. DO MÉRITO 2.1 Da ilegitimidade passiva Compulsando o Recurso Voluntário interposto, verificase que a Embargante suscitou a sua ilegitimidade passiva ao fundamento de que “nos termos do artigo 24, inciso II, da IN INSS/DC nº 89/2003, quando o contribuinte individual presta referida declaração, o mesmo tornase responsável pelo recolhimento da contribuição até o valor máximo fixado, conforme se infere do § 1º desse mesmo artigo.”. Acrescentou que, tendo recebido as declarações prestadas na forma do inciso II do artigo 24 da mencionada instrução normativa, a Recorrente “deixa de ser responsável por qualquer retenção ou recolhimento das parcelas ou diferenças de contribuição previdenciária em referência, sendo, portanto, ilegítima para figurar no polo passivo da exigência em comento” (fls. 1.349/1.350) Sobre a preliminar acima arguida, observase que, de fato, o acórdão embargado não se pronunciou sobre o tema, caracterizandose, assim, a omissão apontada, de modo que os embargos devem ser acolhidos para sanar o vício. Pois bem, tratase de Auto de Infração, no qual se exige crédito referente às contribuições previdenciárias dos segurados contribuintes individuais correspondentes à parte não descontada dos segurados e de responsabilidade da Empresa, destinadas ao financiamento do Fundo do Regime Geral de Previdência Social RGPS, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos Segurados Empregados e, também, sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados Contribuintes Individuais que prestaram serviços para a Empresa. Sobre o tema, a contribuição do segurado encontra limite no máximo do salário de contribuição definido, periodicamente, pelo Ministério da Previdência Social, conforme descrito no artigo 216, §26 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 10640.003897/200998 Acórdão n.º 2401005.386 S2C4T1 Fl. 4 5 Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: [...] § 26. A alíquota de contribuição a ser descontada pela empresa da remuneração paga, devida ou creditada ao contribuinte individual a seu serviço, observado o limite máximo do saláriodecontribuição, é de onze por cento no caso das empresas em geral e de vinte por cento quando se tratar de entidade beneficente de assistência social isenta das contribuições sociais patronais. Caso o contribuinte individual preste serviços a mais de uma empresa ou, concomitantemente, exercer atividade como segurado empregado, quando o total das remunerações recebidas no mês for superior ao limite máximo do salário de contribuição, deve este informar à fonte pagadora para que não seja retido em montante superior ao devido (artigo 81 da Instrução Normativa SRP 3/2005). No caso dos autos, após reexame, a Fiscalização identificou que alguns segurados contribuintes individuais já haviam contribuído sobre o teto, considerando o lançamento para esses contribuintes indevidos (fls. 1.250/1.255). Por outro lado, foram consideradas devidas as contribuições indicadas na planilha de fls. 1.256/1.257. É justamente essa parte mantida que afasta a alegada ilegitimidade passiva da Recorrente. Isso porque, vale destacar, que o desconto da contribuição do segurado, sempre se presume feito oportuna e regularmente pelo contribuinte a isso obrigado, não sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo, conforme disposto no § 5º do artigo 33, da Lei n°. 8.212/91. E mais, para se eximir da responsabilidade quantos às contribuições que sobraram mantidas, caberia à Recorrente exigir do contribuinte individual que presta serviços a mais de um tomador comprovar que este já sofreu desconto de contribuição de outro tomador, ou que já efetuou recolhimentos, de tal sorte a não ultrapassar a contribuição correspondente ao limite máximo do salário de contribuição. Na inexistência de comprovação de que teria havido outros descontos e recolhimentos, o Fisco deve efetuar o lançamento com base nos valores recebidos no tomador sob ação fiscal, observando apenas o limite máximo, o que restou observado na espécie. Assim, impõese afastar a ilegitimidade passiva arguida pela Recorrente. Fl. 1634DF CARF MF 6 2.2 Da possibilidade de retificação do lançamento pelo julgador de primeira instância. Alega a Embargante, que o v. acórdão sobrou omisso quanto à argumentação, em recurso voluntário, de violação ao artigo 142 do CTN, o qual prevê que “compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível”, pelo que a DRJ jamais poderia ter feito as vezes de autoridade fiscal para, após a apresentação de impugnação pela Embargante, ter determinado a retificação da matéria tributável constante do lançamento, sem deixar de reconhecer a nulidade material da integralidade do auto de infração por violação ao referido dispositivo. Sem razão o Recorrente. Conforme constatase do Despacho nº 526 da 5ª Turma da DRJ/JFA (fl.1.214), os autos foram convertidos em diligência nos seguintes termos: “Tratase de lançamento por fatos geradores decorrentes de exercícios de atividades de contribuintes individuais na empresa. O impugnante apresenta, às folhas 356 a 928, diversas declarações de contribuintes individuais pleiteando o não desconto pela razão de j á ter sido descontado no teto em outros vínculos. Observese que tais declarações não vieram autenticadas ou conferidas com originais. Compulsandose os autos, não nos foi possível encontrar, nos documentos juntados pela auditoriafiscal, elementos para se verificar os valores lançados com as declarações fornecidas. Assim, fazse necessário o encaminhamento dos autos à Safis/DRF/JFA para verificação se os documentos apresentados alteram o lançamento e em que medida.” A fiscalização manifestouse nos termos da informação de fl. 1.228. Do resultado da diligencia, foi dado vistas ao Recorrente que juntou a peça de folhas 1.241/1.243. Em seguida, após as manifestações apresentadas, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora determinou nova diligência no sentido de verificar a correção do lançamento (fl. 1.247). Do resultado da diligencia consubstanciado no despacho de folha 941, foi dado vistas ao impugnante que juntou peça de folhas 953 a 955. Nesse arrazoado, demonstra, com os exemplos de folha 954 e 955, a incorreção dos lançamentos ao considerar como base de cálculo segurados que já contribuíam sobre o teto. Considerando que o despacho de folha 941 é peremptório no sentido de que os documentos juntados já foram objeto de análise e não dizem respeito ao Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 10640.003897/200998 Acórdão n.º 2401005.386 S2C4T1 Fl. 5 7 presente auto de infração, fazse necessário nova diligência no sentido de se verificar a correção do procedimento de lançamento. Solicitase, portanto, e à vista dos exemplos oferecidos pela peça impugnatória, justificativa do lançamento relativamente aos segurados cujas declarações tenham sido corretamente juntadas ou informações para a correção do lançamento. Solicitase também, se possível, a juntada do anexo F em arquivo digital, para fins de facilitar futuras e eventuais verificações. Dessa forma, conforme já exposto anteriormente, após reexame, a Fiscalização identificou que alguns segurados contribuintes individuais já haviam contribuído sobre o teto, considerando o lançamento para esses contribuintes indevido (fls. 1.250/1.255). Por outro lado, foram consideradas devidas as contribuições indicadas na planilha de fls. 1.256/1.257. Devidamente intimado sobre o resultado da diligência referida acima, o Recorrente não apresentou manifestação (fl. 1.266). Por fim, quando do julgamento de primeira instância administrativa, verifica se do inteiro teor do Acórdão nº 0941.383, que 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, cancelando os lançamentos relativos até a competência 10/2004 e alterando os demais relativos ao excesso de base de cálculo e redução da multa qualificada imposta, nos termos do voto do relator. Observase que não houve alteração da fundamentação legal do lançamento, mas tão somente a correção dos cálculos que, por sua vez, não foram majorados, e sim reduzidos. Na previsão do § 3º, do artigo 18, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício, a realização de diligência quando, em exames posteriores realizados no curso do processo, foram verificadas incorreções ou alteração da fundamentação legal da exigência. Já na forma do artigo 32 do sobredito decreto, na decisão, e não no lançamento, os erros de escrita ou de cálculos poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Confirase: “Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo.” No caso em apreço, verificase que não houve nenhuma espécie de violação ao artigo 142 do CTN, mas, repito, tão somente a procedência parcial da impugnação do contribuinte recorrente, de modo a afastar os segurados contribuintes individuais que já haviam contribuído sobre o teto, considerando o lançamento para esses contribuintes indevido. Fl. 1636DF CARF MF 8 Portanto, não há que se cogitar de nulidade conforme pretende a Recorrente. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO dos Embargos Declaratórios para no mérito, DARLHE PROVIMENTO para suprir a omissão apontada, sem, contudo, atribuirlhes efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1637DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901903/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.956
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 19 03 /2 00 8- 19 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13884.901903/200819 Acórdão n.º 3401004.956 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.635, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13884.901903/200819 Acórdão n.º 3401004.956 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13884.901903/200819 Acórdão n.º 3401004.956 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13884.901903/200819 Acórdão n.º 3401004.956 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13884.901903/200819 Acórdão n.º 3401004.956 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003717/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Na hipótese de pluralidade de sujeitos passivos, decorrente de responsabilidade tributária solidária, o reconhecimento da decadência em relação a um deles não aproveita aos demais, quando intimados da constituição do crédito tributário antes de escoado o prazo decadencial previsto em lei.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INEXISTÊNCIA. ENUNCIADO N° 30 DO CRPS.
Em se tratando de responsabilidade solidária, o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços, mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE.
O contratante de qualquer serviço executado mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.032/95.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO. INOCORRÊNCIA.
A responsabilidade solidária do contratante com o executor de serviços prestados mediante cessão de mão de obra somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal o fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura.
Para os efeitos da elisão da solidariedade em tela, o cedente da mão de obra deve elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento.
AFERIÇÃO INDIRETA
Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Numero da decisão: 2401-005.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. Por voto de qualidade, afastar a decadência. Vencidos o relator e as conselheiras Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. Na hipótese de pluralidade de sujeitos passivos, decorrente de responsabilidade tributária solidária, o reconhecimento da decadência em relação a um deles não aproveita aos demais, quando intimados da constituição do crédito tributário antes de escoado o prazo decadencial previsto em lei. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INEXISTÊNCIA. ENUNCIADO N° 30 DO CRPS. Em se tratando de responsabilidade solidária, o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços, mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. O contratante de qualquer serviço executado mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.032/95. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO. INOCORRÊNCIA. A responsabilidade solidária do contratante com o executor de serviços prestados mediante cessão de mão de obra somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal o fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. Para os efeitos da elisão da solidariedade em tela, o cedente da mão de obra deve elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. AFERIÇÃO INDIRETA Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
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RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. Na hipótese de pluralidade de sujeitos passivos, decorrente de responsabilidade tributária solidária, o reconhecimento da decadência em relação a um deles não aproveita aos demais, quando intimados da constituição do crédito tributário antes de escoado o prazo decadencial previsto em lei. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INEXISTÊNCIA. ENUNCIADO N° 30 DO CRPS. Em se tratando de responsabilidade solidária, o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços, mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. O contratante de qualquer serviço executado mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.032/95. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO. INOCORRÊNCIA. A responsabilidade solidária do contratante com o executor de serviços prestados mediante cessão de mão de obra somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal o fatura AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 37 17 /2 00 8- 49 Fl. 411DF CARF MF 2 correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. Para os efeitos da elisão da solidariedade em tela, o cedente da mão de obra deve elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. AFERIÇÃO INDIRETA Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 18050.003717/200849 Acórdão n.º 2401005.322 S2C4T1 Fl. 412 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. Por voto de qualidade, afastar a decadência. Vencidos o relator e as conselheiras Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 413DF CARF MF 4 Relatório COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA COELBA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Salvador/BA, Acórdão nº 1518.703/2009, às efls. 350/360, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, decorrente da aferição da remuneração da mãodeobra contida em notas fiscais de serviços prestado a recorrente, em relação ao período de 07/1998 a 12/1998, conforme Relatório Fiscal e demais documentos que instruem o processo. Mediante Termo de Intimação para Apresentação de Documentos ~ TIAD (fls. 20/22) a empresa notificada foi intimada a apresentar documentação necessária ao desenvolvimento dos trabalhos de Auditoria Fiscal. Dentre outros documentos, solicitaramse Atas de Assembléias/Estatutos; livros Diário e Razão; Plano de Contas; Contratos, Notas Fiscais, GRPS/GPS decorrentes da prestação de serviços executados através de empreitada de mão de obra e/ou cessão de mão de obra e trabalho temporário. Conforme Relatório da Notificação Fiscal (fls. 30/33), 0 lançamento decorre da aferição da remuneração da mãodeobra contida em notas fiscais de serviços prestados pela empresa ELETROSERV LTDA à contratante CIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA (COELBA), uma vez que esta não comprovou a elisão da responsabilidade solidária, prevista na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. Ressalta o mencionado relatório que os serviços de construção e manutenção de rede elétrica, executados pela empreiteira, fazem parte do Anexo III, 45.322, da Instrução Normativa n° 69, de 10/05/2002. Em função da falta de comprovação da elisão de responsabilidade solidária, foram aferidas remunerações de mãodeobra contidas em notas fiscais de prestação de serviço, mediante aplicação do percentual de 40% sobre o valor bruto das referidas notas fiscais. A responsabilidade da Coelba com relação aos serviços prestados por terceiros está disciplinada no art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212, de 1991, combinado com o art. 43 do Regulamento da Organização e Custeio da Seguridade Social (ROCCS), aprovado pelo Decreto n° 2.173, de 05 de março de 1997. Encaminhado o processo ao então Serviço de Análise de Defesas e Recursos, que concluiu, em 28/O3/2005, pela necessidade de baixar os autos em diligencia fiscal (fls. 75/77), para que se elucidassem alguns pontos, dentre os quais, os seguintes: a) descrever a fundamentação legal para a utilização da aferição indireta como meio de apuração da base de calculo das contribuições sociais; b) observar que a correta fundamentação para utilização do percentual de 40% encontrase na IN n° 69, de 2002, conforme determina o seu art.58, parágrafo 5°, e esclarecer o fundamento fático de se ter utilizado o percentual de 40% em todo período do lançamento. c) explicar legislação norte da elisão da responsabilidade solidária (cita o art. 43, §§ l° e 2°, do ROCSS); Fl. 414DF CARF MF Processo nº 18050.003717/200849 Acórdão n.º 2401005.322 S2C4T1 Fl. 413 5 d) acostar aos autos as notas fiscais que serviram de base para o lançamento; e) elaborar Relatório Fiscal Substitutivo, encaminhar uma cópia aos solidários, abrindo prazo para se manifestar a respeito; Í) acostar aos autos comprovante de ter cientificado a empresa contratada da notificação ora em julgamento. Em resposta a solicitação de diligência fiscal, foi elaborado Relatório Fiscal Complementar (fls. 244/246), elucidando questionamentos levantados pela autoridade julgadora. Foram acostados aos autos cópias dos contratos de prestação dos serviços e cópias de notas fiscais (fls. 76/241), bem como tabela elucidativa (fls. 242). Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 366/379, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, preliminarmente pugna pela decretação da decadência, tendo em vista que reconhecida a decadência quanto à empresa prestadora de serviço, assim também deve ser considerada para a empresa tomadora de serviço. Quanto ao mérito, alegou a existência do litisconsórcio necessário por solidariedade, isso porque, somente diante da incapacidade de comprovação do recolhimento pela prestadora, e, conseqüentemente, da confirmação da existência de débito, é que poderia se cogitar em imputação de responsabilidade solidária à COELBA, a qual se funda exclusivamente, ressaltese, no inadimplemento aferido. Contudo, o que se vê, no caso em tela, é que a autuação deveuse ao simples fato de não dispor, a recorrente, no momento da fiscalização, das cópias de guia de recolhimento, o que, por absurdo, entendeu o Autuante, seria definitivo para comprovar que não teria havido o recolhimento. No entanto, tal documentação fora apresentada, devendo ser cancelado o lançamento por violação à ampla defesa. Argumenta também que a fiscalização restringiuse a autuar a tomadora dos referidos serviços, lançando sobre ela o ônus de arcar com a referida obrigação, antes mesmo de que fosse averiguado o seu cumprimento por quem a lei prevê como principal obrigada, qual seja a empresa prestadora dos serviços. Desta forma, reitera a recorrente o seu requerimento para que sejam examinados os documentos já, e mais uma vez, colacionados, que demonstram o efetivo recolhimento das contribuições, porque a configuração da coresponsabilidade somente se dará na inadimplência do principal obrigado, deixando de ocorrer em virtude da inexistência de débito do mesmo, hipótese essa que se enquadra na presente situação. Sendo assim, uma vez que a solidariedade do dono da obra (tomador) se dá em virtude da inadimplência da prestadora de serviço, não havendo débito, não há que se falar em inadimplência como sequer, por conseqüência, em responsabilidade nela fundada. Fl. 415DF CARF MF 6 Diante da inequívoca comprovação do recolhimento, que se deu nos autos com a juntada das folhas de pagamento, GFlP, GRPS ou GPS, não subsiste o débito imputado, e, portanto, não há que se falar em responsabilidade já que esta está diretamente vinculada a eventual inadimplência da prestadora, o que, definitivamente, não corresponde ao caso em concreto. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência do lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 18050.003717/200849 Acórdão n.º 2401005.322 S2C4T1 Fl. 414 7 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DECADÊNCIA DEVEDOR SOLIDÁRIO – APROVEITAMENTO AOS DEMAIS RESPONSÁVEIS Ainda preliminarmente, sustenta que a decadência reconhecida em face de um dos solidários aproveita aos demais, razão pela qual se a prestadora de serviço fora desonerada do presente crédito tributário em face do instituto da decadência, o mesmo entendimento deve prevalecer para a tomadora de serviços, ora recorrente. Em que pesem as substanciosas razões de decidir do ilustre julgador de primeira instância, constatase que o insurgimento da contribuinte merece acolhimento, no sentido de “aproveitar” a decadência reconhecida em face do responsável solidário. Com efeito, muito embora seja matéria longe de remansosa conclusão, com a devida vênia àqueles que sustentam o contrário, nos filiamos à tese de que o crédito tributário é uno, gerando obrigações mútuas aos coobrigados/responsáveis solidários, bem como beneficiando a todos nos casos de ocorrência das hipóteses de extinção do crédito tributário, insculpidos no artigo 156 do Códex Tributário, que assim prescreve: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; Fl. 417DF CARF MF 8 X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Como se observa, a decadência, tal qual o pagamento e outras hipóteses legais, é causa de extinção do crédito, inexistindo razão para estabelecer distinção entre ambos, como ocorrera no Acórdão recorrido, o qual, reconheceu a extinção do crédito, em virtude de ultrapassado o lapso decadencial, somente em relação a prestadora, que não fora cientificada na notificação original. Aliás, não é novidade que o pagamento do crédito, para efeito da extinção do débito, aproveita a todos os responsáveis solidários. É o que determina o artigo 125, inciso I, do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; [...] Ora, se o pagamento de um solidário aproveita aos demais, inexiste razão para a decadência reconhecida para um solidário não alcançar a todos, sobretudo por serem causas de extinção do crédito tributário. Não bastasse isso, mister registrar que a unicidade do crédito tributário não oferece condições de fatiálo de maneira a considerálo decaído para um sujeito passivo e não para outro. Em verdade, há de se considerar que o lançamento somente se aperfeiçoa com a ciência do último responsável, oportunidade em que passa a produzir efeitos no mundo jurídico. A propósito da matéria, cabe invocar os ensinamentos do renomado tributarista LEANDRO PAULSEN, em sua obra “DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, pág. 863/864, in verbis: Motivação lançamento. Requisitos de regularidade formal. [...] Importa ressaltar, ainda, que o lançamento só terá eficácia após notificado ao sujeito passivo [...] Notificação. Condição de eficácia. A notificação ao sujeito passivo é condição para que o lançamento tenha eficácia. Tratase de providência que aperfeiçoa o lançamento, demarcando, pois, a constituição do crédito que, assim, passa a ser exigível do contribuinte [...] A notificação está para o lançamento como a publicação está para a lei [...] (grifamos) Na hipótese dos autos, no lançamento original, a prestadora de serviços fora cientificada via edital em 04/04/2007. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 18050.003717/200849 Acórdão n.º 2401005.322 S2C4T1 Fl. 415 9 Observese, somente após a cientificação do último coresponsável operaria o termo final da decadência, com base no artigo 34 da Portaria MPS nº 520/2004, vigente à época, que regulamentava o processo administrativo no âmbito do INSS, nos seguintes termos: Art. 34 A intimação dos atos processuais será efetuada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado, sem sujeição a ordem de preferência. § 1º Quando frustrados os meios indicados no caput deste artigo, a intimação será efetuada por meio de edital e também no caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido. § 2º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. § 3º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II nos demais casos do caput, na data do recebimento ou, se omitida a data, quinze dias após a data da postagem da intimação, se utilizada a via postal, ou da expedição se outro for o meio; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. a) o edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial ou afixado em dependência franqueada ao público do órgão encarregado da intimação; b) a afixação e a retirada do edital deverá ser certificada nos autos pelo chefe do órgão encarregado da intimação. § 4º No caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado. Na esteira desse entendimento, consoante preceitua o dispositivo legal supra, para efeito da contagem do prazo decadencial, o termo final será a data da ciência do último coobrigado. Isto porque, a intimação somente considerarseá concretizada perfeitamente a partir de tal data, oportunidade que o ato administrativo do lançamento se aperfeiçoará definitivamente. A propósito da matéria, o ilustre Conselheiro Marcelo Oliveira dissertou com muita propriedade ao elaborar o voto vencedor condutor do Acórdão n° 240200.389, de onde peço vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir: [...] Questão a ser analisada referese a data a ser contada como ciência do lançamento, na questão da solidariedade, pois, Fl. 419DF CARF MF 10 como no presente caso, o contribuinte foi cientificado em data diversa do solidário. No presente lançamento, período compreendido entre 10/1996 a 12/1998, a ciência dos sujeitos passivos solidários ocorreram em 10/2003 para o solidário (tomador do serviço), e em 09/2006 para o contribuinte (prestador do serviço), fls. 0305. Buscando referências sobre a questão, encontramos determinação na Portaria do Ministro de Estado da Previdência Social n°520, de 19 de maio de 2004, que disciplinava, à época, os processos administrativos decorrentes de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, Auto de Infração e, no que couber, ao pedido de isenção da cota patronal, de restituição ou de reembolso de pagamentos e à Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção, quando instaurado o contencioso. [...] Portanto, como podemos verificar, o lançamento só se constitui com a devida ciência do(s) sujeito(s) passivo(s) e o contencioso só se inicia com a regular ciência do(s) sujeito(s) passivo(s). Assim sendo, chegase a conclusão que as datas, no Procedimento Administrativo Fiscal, são idênticas. Nesse sentido, quando a Portaria Ministerial 520/2004 determina, no contencioso administrativo, que no caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado, chegase, também, a conclusão que a data de constituição do lançamento, no caso de solidariedade, somente ocorre com a ciência da intimação do último coobrigado. Ponto de extrema importância a ressaltar é que a própria administração, após a apresentação de defesa pela solidária, ressalta a necessidade de intimação da empresa contribuinte prestadora, fls. 0145, 0302, 0304. Medida tomada pelo Fisco, fls. 0305. Já há muito que há a determinação de ciência de todos os coobrigados para o início do contencioso administrativo fiscal, pois sem a ciência de todos há o cerceamento de defesa e o desrespeito ao devido processo legal. [...] Portanto, o devido processo legal pressupõe uma imputação acusatória certa e determinada, permitindo que o réu, conhecendo perfeita e detalhadamente a acusação que se lhe pesa, possa exercitar a sua defesa plena. Destarte, concluise que a data de lançamento só ocorreu com a ciência do último coobrigado, 09/2006, e como o período do lançamento referese a fatos geradores ocorridos nas competências 10/1996 a 12/1998, todas as competências, pela aplicação do Art. 173 do CTN, devem ser excluídas do presente lançamento. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 18050.003717/200849 Acórdão n.º 2401005.322 S2C4T1 Fl. 416 11 Outro ponto a salientar, e que não devemos olvidar, é que a solidariedade é uma situação que ocorre na responsabilidade tributária: ela ocorre quando há mais de um sujeito passivo (devedor) de uma mesma obrigação tributária cada qual obrigado à parte da dívida, ou à divida toda. No CTN, a responsabilidade tributária está regulada no Capítulo V (Responsabilidade Tributária), do Titulo II (Obrigação Tributária), abrangendo do Art.128 ao 138. O contribuinte, no caso o prestador do serviço, é o sujeito passivo direto da obrigação tributária. Ele tem obrigação direta pelo pagamento do tributo. Sua capacidade tributária é objetiva, pois decorre da lei, não de sua vontade. Esta capacidade independe de sua capacidade civil e comercial Não pode haver convenções particulares modificando a definição legal de sujeito passivo. Assim, o contribuinte é a pessoa física ou jurídica que tem relação direta com o fato gerador. O responsável, no caso o tomador do serviço, é o sujeito passivo indireto da obrigação tributária. Ele não é vinculado diretamente com o fato gerador, mas, por imposição legal, é obrigado a responder pelo tributo. Há responsabilidade solidária quando existe mais de um sujeito passivo responsável pela obrigação tributária. A solidariedade decorre da lei. Característica da solidariedade é que ela não comporta beneficio de ordem. Efeitos da solidariedade são a) o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita os demais; b) a isenção ou remissão de crédito exonera todos os coobrigados, salvo quando o beneficio for concedido em caráter pessoal, substituindo, nesse caso, a solidariedade dos demais pelo saldo remanescente; c) a interrupção da prescrição em relação a um dos obrigados favorece ou prejudica os demais. Assim, poderíamos chegar a conclusão ilógica que a extinção do crédito, pela .decadência, não seria aproveitada por todos os coobrigados, inclusive penalizando àquele coobrigado que com mais celeridade recebeu a intimação sobre o lançamento efetuado. Portanto, no nosso entender, no caso de solidariedade deve se conceituar, pelos motivos expostos, como efetivado o lançamento na intimação do último coobrigado. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame do mérito, já que o lançamento foi atingido pelo prazo decadencial. (2a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF – Processo n° 13502.000107/200812) Fl. 421DF CARF MF 12 Na esteira do entendimento acima, é de fácil conclusão que o aperfeiçoamento do lançamento somente ocorrera devidamente com ciência a empresa solidária, termo final do prazo decadencial, extinguindo, portanto, o lançamento em face da decadência total da exigência fiscal, sob qualquer fundamento que se pretenda aplicar, artigo 150, § 4°, ou 173, inciso I, do CTN. Cabe, por fim, somente a título de reflexão, suscitar que a autoridade fazendária incorre em evidente incoerência ao fatiar o crédito tributário, reconhecendo a decadência somente a um responsável solidário. Muito embora aludida matéria seja de mérito, convém frisar que o Fisco se utiliza de “dois pesos, duas medidas” ao tratar do tema. De um lado, entende que a responsabilidade solidária inscrita no artigo 30, inciso VI e 31 (na redação original), da Lei n° 8.212/91, possibilita o lançamento em face do tomador de serviços e do prestador de serviços por solidariedade. De outro, não adota como termo final da decadência da totalidade da exigência fiscal e para todos os solidários, a data da ciência do último coobrigado/responsável, na linha do sustentado acima. Por todo o exposto, estando a Notificação Fiscal em dissonância com as normas de direito, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame do mérito, já que o lançamento foi atingido pelo prazo decadencial, de acordo com os fatos e fundamentos acima delineados. Feitas essas considerações, reconhecida/admitida a decadência total da exigência fiscal acobertando todos os solidários, uma vez vencido em nosso entendimento, passamos a contemplar as demais questões de mérito. MÉRITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA BENEFÍCIO DE ORDEM Conforme relatado acima, o crédito foi lançado com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de contrato de cessão de mão de obra, de acordo com o artigo 31 da Lei n. 8.212/91, com redação vigente à época do fato gerador, pela empresa prestadora de serviços. A CRPS editou o Enunciado n° 30 (Resolução n° 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007), abaixo transcrito: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Ainda assim, a recorrente entende que outras exigências de cruzamento de informações deveriam ter sido cumpridas. Todavia, sem amparo na legislação vigente à época dos fatos geradores. Vejamos. A Lei nº 8.212/91, em seu artigo 31, na redação vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, fixou de forma taxativa a responsabilidade solidária do contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, com o executor, pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Fl. 422DF CARF MF Processo nº 18050.003717/200849 Acórdão n.º 2401005.322 S2C4T1 Fl. 417 13 Seguridade Social, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). (grifos nossos) §1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. §2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). §3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032/95). (grifos nossos) §4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032/95). No mesmo sentido apontam as normas inscritas no art. 42 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 612/92, vigente à data de ocorrência dos fatos geradores. Decreto nº 612, de 21 de julho de 1992. Art. 46. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor destes serviços pelas obrigações decorrentes deste regulamento, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto às contribuições incidentes sobre faturamento e lucro, conforme o disposto no art. 28. Fl. 423DF CARF MF 14 §1° Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações. §2º A responsabilidade solidária pode ser elidida desde que seja exigido do executor o pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, conforme definido pelo INSS. §3° Entendese como cessão de mãodeobra a colocação, à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos cujas características impossibilitem plena identificação dos fatos geradores das contribuições, independentemente da natureza e da forma de contratação. §4° Enquadramse na situação prevista no §3° as seguintes atividades: a) construção civil; b) limpeza e conservação; c) manutenção; d) vigilância; e) segurança e transporte de valores; f) transporte de cargas e passageiros; g) outras atividades definidas pelo MTA. A Lei de Custeio da Seguridade Social, ao estabelecer a hipótese de solidariedade em seu art. 31, culminou por atribuir ao contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra a obrigação acessória de auxiliar o Fisco na fiscalização das empresas prestadoras dessa modalidade de serviços, fazendo com que aquele exija deste cópias autenticadas das individualizadas guias de recolhimento e respectivas folhas de pagamento, acenando, inclusive, com a possibilidade de retenção das importâncias devidas pelo executor para a garantia do cumprimento das obrigações previdenciárias. Destarte, ao não exigir da empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão de obra as cópias autênticas dos documentos a que se refere o §4º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação que lhe foi dada, de berço, pela Lei nº 9.032/95, o Contratante se sujeita, ex lege, automaticamente, à solidariedade pelo adimplemento das contribuições previdenciárias devidas pelo executor, relativas aos serviços contratados. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, lançando definitivamente uma pá de cal nessa infrutífera discussão, consoante se depreende do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 2002/00892216, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado: Processo AgRg no Ag 463744 / SC Fl. 424DF CARF MF Processo nº 18050.003717/200849 Acórdão n.º 2401005.322 S2C4T1 Fl. 418 15 AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2002/00892216 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador TI PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 20/05/2003 Data da Publicação/Fonte DJ 02.06.2003 p. 192 Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇOS PELO RECOLHIMENTO DOS VALORES DEVIDOS PELO PRESTADOR DE SERVIÇOS. AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTOS PARA INFIRMAR A DECISÃO AGRAVADA. DESPROVIMENTO. I. O artigo 31 da Lei 8.212/91 impõe ao contratante de mãode obra a solidariedade com o executor em relação às obrigações de recolhimento das contribuições previdenciárias, bem como outorga o direito de regresso contra o executor, permitindo, inclusive, ao tomador a retenção dos valores devidos ao executor para imporlhe o cumprimento de suas obrigações. 2. Para a empresa tomadora de serviços isentarse da responsabilidade pelo não pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela prestadora de serviço, é necessário que demonstre o efetivo recolhimento destas contribuições. 3. O Agravante não trouxe argumento capaz de infirmar o decisório agravado, apenas se limitando a corroborar o disposto nas razões do Recurso Especial e no Agravo de Instrumento interpostos, de modo a comprovar o desacerto da decisão agravada. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Nesse panorama, verificando o auditor fiscal a ocorrência de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, não restando elidida a responsabilidade solidária pela via estreita fixada pela lei, estabelecese definitivamente a solidariedade em estudo entre prestador e tomador, podendo o fisco, ante a inexistência do beneficio de ordem, efetuar o lançamento do crédito tributário em face do contribuinte (o executor), ou diretamente em desfavor do responsável solidário (o contratante), ou contra ambos, sendo certo que o pagamento efetuado por um aproveita o outro. Portanto, não assiste razão à recorrente. CESSÃO DE MÃO DE OBRA Em relação à cessão de mãodeobra, cumpre esclarecer que se trata apenas da aplicação da lei ao caso concreto. Neste sentido, o parágrafo 2°, do artigo 31, da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei n. 9.528/97, conceituava cessão de mão de obra, como sendo: Fl. 425DF CARF MF 16 a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Já constou da decisão a quo que, pela análise da documentação apresentada pela empresa contratante, durante a ação fiscal, os Auditores notificantes constataram a existência de serviços prestados mediante cessão de mão de obra pela contratada, nos moldes do art. 31, § 2°, da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei n° 9.528/97. Verificase, no presente caso, que a cessão de mãodeobra referese a serviços elencados na Tabela de fls. 09 e 10, prestados pela empresa Eletroserv. Os contratos relacionados tiveram suas cópias juntadas aos autos. Consta nos mencionados contratos (como por exemplo, fls. 89, item “j”; 91, item 5.3; 97, item 3.18) que os materiais foram fornecidos pela empresa contratante (CIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA). O serviço em tela se enquadra perfeitamente no conceito de cessão de mão de obra previsto na legislação, bastando para tanto a verificação das descrições dos serviços prestados nas cópias das notas fiscais. Observese que o mesmo art. 42 do ROCSS, aprovado pelo Decreto n° 2.173, de 1997, em seu parágrafo 5° assim dispunha: Art. 42 (..)§ 5° Enquadramse na situação prevista no § 43, dentre outras, as seguintes atividades: a) construçao civil; b) limpeza e conservação; c) manutenção; d) vigilância; e) segurança e transporte de valores; f) transporte de cargas e passageiros; g) serviços de informática. (g.n.) É evidente a existência de cessão de mão de obra, não havendo elementos na peça recursal que infirmem os fatos relatados ou os fundamentos jurídicos do lançamento. AFERIÇÃO INDIRETA A fundamentação legal para o procedimento adotado Aferição Indireta encontrase na no artigo 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91. Confirase: art. 33: Parágrafo 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Departamento da Receita Federal (DRF) podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 18050.003717/200849 Acórdão n.º 2401005.322 S2C4T1 Fl. 419 17 (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Em análise atenta a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD em questão, notase claramente que esta se encontra dentro das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com a legislação vigente PAGAMENTO PELO PRESTADOR E ELISÃO Quanto à alegação de que houve o pagamento pelo prestador, as guias apresentadas pela recorrente em sua defesa são genéricas, não atendem às disposições legais capazes de elidir o lançamento. A Lei n° 9.032 de 1995, ao acrescentar o § 3° ao art. 31 da Lei 8.212, de 1991, no caso da cessão de mão de obra, disciplinou a possibilidade de elisão desta responsabilidade solidária, mediante o prévio recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída na Nota Fiscal de Prestação de Serviços, quando da quitação da referida nota. A mesma Lei n° 9.032, de 28 de abri de 1995, acrescentando o § 4° ao art. 31 da Lei 8.212/91, determinou que o tomador de serviços deveria exigir do prestador, quando da quitação da Nota Fiscal, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada. A Ordem de Serviço INSS/DAF n° l76, de 05 de dezembro de 1997, vigente à época dos fatos geradores disciplinava como deveria ser feito o preenchimento da GRPS Guia de Recolhimento da Previdência Social: 10 A empresa prestadora de serviço mediante cessão de mão deobra deverá preencher GRPS distintas para cada empresa tomadora, ou, alternativamente, para cada estabelecimento desta, conforme 0 “Manual da GRPS ", com as seguintes adaptações; Campo 8.' a) número de segurados colocados à disposição da tomadora; b) saláriodecontribuição dos segurados empregados, segundo a folha de pagamento; c) número, data de emissão e valor da nota fiscal, fatura ou recibo; d) matrícula (CGC/CEI) e nome ou razão social da empresa tomadora. Fl. 427DF CARF MF 18 10.2 A contribuição relativa ao pessoal da administração da própria empresa prestadora de serviço será recolhida em guia distinta daquela referente a segurado objeto de cessão de mão deobra. Assim, no presente feito, as guias apresentadas não atenderam aos dispositivos acima citados. Já a ocorrência do fato gerador estava comprovada pelas informações constantes nos contratos e nas notas fiscais apresentadas. A empresa tomadora não apresentou os documentos necessários à elisão da solidariedade. Diante da não apresentação dos documentos, as contribuições foram lançadas adotandose os mesmos critérios que deveriam ter sido adotados pela empresa tomadora caso pretendesse se elidir da responsabilidade solidária. Isto porque, entre as formas de elisão da solidariedade, as normas que disciplinam o custeio da Seguridade Social sempre colocaram como opção à empresa tomadora, a exigência de recolhimento das contribuições de acordo com os percentuais utilizados pelo INSS para aferição indireta. Neste sentido, o art. 42 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n° 2.173, de 05/03/ 1997, assim determinava: Art. 42. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor destes serviços pelas obrigações decorrentes deste Regulamento, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto às contribuições incidentes sobre faturamento e lucro, de que trata o art. 28. § I” Fica ressalvado o direito regressiva do contratante contra o cedente de mãodeobra e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações. § 2° A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo cedente de mãodeobra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, na forma e percentuais estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS. § 3° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o cedente de mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do cedente de mãodeobra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Neste aspecto, melhor sorte não resta a contribuinte. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 18050.003717/200849 Acórdão n.º 2401005.322 S2C4T1 Fl. 420 19 Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento sub examine em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 429DF CARF MF 20 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para divergir do seu voto quanto à "extinção" do crédito tributário lançado de ofício pela ocorrência da decadência. Tratase de crédito tributário constituído com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de contrato de cessão de mão de obra, de acordo com o artigo 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação vigente à época dos fatos (fls. 03/19 e 33/36). Além da responsabilidade tributária do tomador de serviços, a legislação aplicável aos fatos estabelecia o vínculo de solidariedade entre contratante e executor pela obrigações de recolhimento das contribuições previdenciárias. A solidariedade não é, a rigor, espécie de responsabilidade autônoma, mas sim uma forma de garantia do cumprimento da obrigação tributária, regulando o grau de responsabilidade das pessoas eleitas para compor o polo passivo, que, nesse caso, não comporta benefício de ordem. Via de regra, no procedimento de lançamento, cabe ao agente fazendário identificar a hipótese de pluralidade de sujeitos passivos para o fim de satisfação do crédito tributário. Isso porque, como dito, concede garantia adicional ao cumprimento da obrigação pecuniária. A legislação impõe, no interesse do credor, a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação tributária sem benefício de ordem, hipótese em que não existe devedor principal, todos respondendo pelo total da dívida. Não só os atos de cobrança do crédito tributário não comportam benefício de ordem, como a própria constituição do crédito tributário, a qual tem a função de declarar a ocorrência do fato gerador e a existência de obrigação tributária inadimplida. Pensamento diferente, com a devida licença, tem o condão de enfraquecer o instituto da solidariedade no âmbito tributário. Em outras palavras, é possível ao Fisco, sem que isso dê razão à decretação de nulidade do ato administrativo, por cerceamento de defesa e/ou desrespeito ao devido processo legal, formalizar o lançamento de ofício em face do executor dos serviços mediante cessão de mão de obra, diretamente em desfavor do tomador, eleito pelo legislador como responsável tributário, ou contra ambos, sendo a última hipótese a mais recomendável. Como bem destacou o I. Relator, a decadência foi incluída no rol de formas de extinção do crédito tributário, assim como o pagamento (art. 156, incisos I e V, do Código Tributário Nacional CTN). Fl. 430DF CARF MF Processo nº 18050.003717/200849 Acórdão n.º 2401005.322 S2C4T1 Fl. 421 21 Porém, a toda a evidência tal classificação na lei não é a mais adequada à natureza jurídica do instituto da decadência, na medida em que o esgotamento do prazo decadencial, como sabido, impede a própria constituição do crédito tributário. Não se extingue algo que não existiu. No pagamento, há prévio crédito tributário, constituído pelo sujeito passivo ou, mediante o ato de lançamento, pela administração tributária, Na decadência, por outro lado, deixase de constituir o crédito tributário. Em pese o CTN considerálos como causas de extinção do crédito, é inviável a acolhimento do raciocínio sobre a equivalência, em qualquer caso, dos seus efeitos. Por intermédio do art. 125, o CTN regula alguns dos efeitos tributários da solidariedade a favor ou contra os devedores. Em todos as hipóteses enumeradas, há vinculação com a existência de um crédito tributário, através do pagamento, concessão de isenção ou remissão e da prescrição da cobrança. Em vista disso, não é possível inferir, por analogia ao art. 125 do CTN, que a decadência reconhecida em face de um dos solidários aproveita aos demais. De mais a mais, também não é verdade que o lançamento somente se aperfeiçoa com a ciência do último responsável. Com respeito à tomadora de serviços, ora recorrente, a ciência válida do lançamento deuse antes do termo final do prazo decadencial. Tratase de um ato perfeito e acabado, nos termos da legislação processual, que não está sujeito à condição do que ocorre ou ocorrerá com relação aos demais coobrigados. O lançamento efetuado contra a tomadora, devidamente cientificado ao sujeito passivo, constituiu o crédito tributário em seu nome e declarou a existência da obrigação tributária. Já no que concerne à prestadora de serviços, o ato de lançamento, com referência a esse sujeito passivo, não se aperfeiçoou no tempo ofertado pela lei tributária, porque realizado posteriormente ao termo final do prazo decadencial. Caso a ciência do lançamento tivesse acontecido antes de ultrapassado o lapso decadencial, o mesmo crédito tributário, derivado da mesma obrigação tributária, seria exigido do prestador e do tomador. De maneira alguma é afetada a unidade do crédito tributário, assim como da obrigação tributária, ao considerálo decaído para um sujeito passivo e não para o outro. A ocorrência da decadência impossibilita tão somente a prática do ato constitutivo do crédito tributário em nome da prestadora de serviços, não havendo que se cogitar, por tal razão, de fatiamento da obrigação tributária. Por outro lado, a ideia de um crédito tributário único não significa a indivisibilidade do conjunto de responsáveis tributários. Inclusive, cabe recordar que o termo inicial é apenas um, assim como o termo final do prazo decadencial, considerando o momento do nascimento da obrigação tributária, independentemente do sujeito passivo que será intimado do lançamento fiscal. Por fim, quanto à Portaria MPS nº 520, de 19 de maio de 2004, que disciplinava o contencioso administrativo fiscal, claramente estabelece normas de natureza processual, e não material: Art. 1º O Contencioso Administrativo Fiscal no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social regerseá segundo as normas contidas nesta Portaria. Fl. 431DF CARF MF 22 (...) Art. 34 A intimação dos atos processuais será efetuada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado, sem sujeição a ordem de preferência (...) § 4º No caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado. Com efeito, o § 4º do art. 34, que deve manter harmonia com o "caput", preceitua o termo inicial para a contagem do prazo para prática de atos no processo administrativo fiscal quando há pluralidade de sujeitos passivos, que se dava a partir da ciência da intimação do último coobrigado. Tratandose a decadência de um instituto de direito substantivo, o dispositivo infralegal é inaplicável para efeito de contagem de prazo decadencial, cujo período de tempo, uma vez iniciado, não se suspende nem se interrompe, sendo o mesmo para todos os coobrigados. Ao corroborar a conclusão da decisão de piso, rejeito, portanto, a preliminar de decadência quanto à empresa recorrente. É como voto (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 432DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.729853/2013-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2008
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.152
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 98 53 /2 01 3- 23 Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11080.729853/201323 Acórdão n.º 3402005.152 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.857, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11080.729853/201323 Acórdão n.º 3402005.152 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.729853/201323 Acórdão n.º 3402005.152 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.729853/201323 Acórdão n.º 3402005.152 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.729853/201323 Acórdão n.º 3402005.152 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.729853/201323 Acórdão n.º 3402005.152 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.729853/201323 Acórdão n.º 3402005.152 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.729853/201323 Acórdão n.º 3402005.152 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.729853/201323 Acórdão n.º 3402005.152 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 372DF CARF MF
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