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Numero do processo: 10880.962326/2008-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência momentânea de Daniel Mariz Gudiño
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora. JOEL MIYAZAKI - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência momentânea de Daniel Mariz Gudiño
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora. JOEL MIYAZAKI Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência momentânea de Daniel Mariz Gudiño RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 62 32 6/ 20 08 -8 3 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.962326/200883 Resolução nº 3201000.428 S3C2T1 Fl. 196 2 A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação nº 35099.76713.151004.1.3.044413 em 15/10/04 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos de COFINS, com créditos de COFINS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 12/11/99. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, emitido em 11/12/08, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão em 05/01/09 (fls. 04/05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) alegando, em síntese, que: Como se pode observar no demonstrativo da composição das bases de cálculo, o crédito de COFINS utilizado para sua compensação referese à parcela da contribuição indevidamente paga sobre valores relativos às saídas gratuitas (“brindes”) de seus produtos. Se a base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS é constituída pela receita ou pelo faturamento, não há que se falar em ocorrência do fato gerador sobre o valor de notas fiscais de saída de mercadorias, sem que haja de fato ou de direito a correspondente receita ou faturamento. Ao compor a base de cálculo das contribuições, cometeu equívoco de incluir valores que não constituíam sua receita ou faturamento, e deveria ter apresentado retificações de suas declarações para excluir destas bases de cálculos do PIS e da COFINS estes valores. Em determinados casos, suas declarações não foram retificadas, e assim, cometeu erro de fato no procedimento tendente à apresentação desta PER/DCOMP. Tal equívoco não macula seu direito à obtenção dos créditos, de fácil apuração, caso a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal e diligenciado ao estabelecimento da ora requerente, como determina o artigo 24 da IN SRF nº 600/2005. Não procedendo assim, o despacho decisório representa ofensa aos princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar o enriquecimento sem causa da União, ferindo o caput do artigo 37 da Carta Magna, e os artigos 2º, 3º, inciso I, e 50, inciso I da Lei 9.784/99. Requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo seu direito creditório na sua totalidade e homologando a compensação do PER/DCOMP. É o relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.962326/200883 Resolução nº 3201000.428 S3C2T1 Fl. 197 3 O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SP 1 n° 1630.890, de 14/04/2011, proferida pelos membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo /SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ano calendário: 1999 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de indeferimento da manifestação de inconformidade para manter o Despacho Decisório. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Em sede de recurso voluntário, observei que a empresa argumentou, dentre outros: repisa que deve ser decretada a nulidade de Despacho Decisório (811463417) (fl. 18 do pdf); anexa documentos, já que a decisão de primeira instância reputou que o anterior apresentado carecia de elementos mínimos, tais como assinatura do contabilista responsável e registro no CRC, segundo as regras estabelecidas pelas Normas brasileiras de Contabilidade; anexa Notas Fiscais que não deveriam ser incluídas na base de cálculo da COFINS (docs. 05); anexa Livro Registro de Saídas dos respectivas Notas Fiscais (docs. 06), e enfim, que seja dado provimento ao recurso voluntário. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.962326/200883 Resolução nº 3201000.428 S3C2T1 Fl. 198 4 Trata o presente processo de solicitação de compensação através da Declaração de Compensação nº 35099.76713.151004.1.3.044413 em 15/10/04. Ou seja, compensação de débitos de COFINS, com créditos de COFINS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 12/11/99 (saídas gratuitasbrindes). Juntou, inicialmente, aos autos, “Demonstrativo COFINS outubro de 1999” e “balancete” da competência 10/1999. Constam documentação transmitida pela empresa, DCTF referente ao mês de 10/1999 e a DIPJ do anocalendário de 1999, no mês de outubro. Tendo em vista que a recorrente apresenta a seguinte documentação (recurso voluntário): a) docs. 03 e 04documentos anteriormente apresentados, com os elementos exigidos; b) doc 05 demonstrativo de Notas Fiscais que não deveriam ter sido incluídas na base de cálculo da Cofins/valores/CFOP; c) doc. 06cópia do Termo de abertura, do Termo de encerramento e das páginas do livro Registro de Saídas em que referidas notas fiscais foram lançadas. Assim sendo, em atendimento ao princípio da verdade material e da estrita legalidade, entendo pela conversão do feito em diligência para que a Delegacia da Receita Federal se digne: pela análise dos documentos apresentados e trazidos em sede de recurso voluntário. –documentos intitulados 03/04 , as Notas Fiscais referidas nos docs. 05, bem como Livro Registro de Saídas dos respectivas Notas Fiscais (docs. 06). Após a realização das análises solicitadas, profira parecer conclusivo sobre o crédito pretendido e abra vista para que a recorrente se pronuncie, se entender necessário; bem como a Procuradoria da Fazenda NacionalPGFN. Concluída a diligência solicitada, retornem os autos para seguimento no julgamento por esta turma do CARF. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 198DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/10/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721569/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.315
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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decisao_txt : RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 56 9/ 20 11 -0 0 Fl. 772DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.721569/201100 Resolução nº 2401000.315 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Os presentes Autos de Infração de Obrigação Principal – AI e Acessória, lavrados sob os n. 37.293.3513, 37.293.3521, 37.293.3530 e 37.293.3505 em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados, da empresa e a destinada a terceiros, bem como Ai de obrigação acessória pela ausência de informações em GFIP, conforme abaixo descrito. Conforme consta no relatório fiscal, fl. 262 a 268, o presente processo administrativo é constituído por quatro Autos de Infração (AI), lavrados pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, relativos a contribuições sociais e aos Terceiros, nas competências 04/2006 a 12/2008 (inclusive décimo terceiro), a saber: • DEBCAD nº 37.293.3513 AIOP onde foram apurados valores referentes as contribuições devidas à Seguridade Social: parte da empresa e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), previstas no art. 22, incisos I e II , da Lei 8.212/91, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 26.968.958,65 (vinte e seis milhões, novecentos e sessenta e oito mil, novecentos e cinqüenta e oito reais e sessenta e cinco centavos), consolidado em 17/10/2011 • DEBCAD nº 37.293.3521 AIOP onde foram apurados valores referentes a contribuição dos segurados empregados, não descontada pela empresa, incidente sobre a remuneração paga aos empregados. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 1.329.130,27 (um milhão, trezentos e vinte e nove mil, cento e trinta reais e vinte e sete centavos), consolidado em 17/10/2011. • DEBCAD nº 37.293.3530 AIOP onde foram apurados valores referentes às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (Salário Educação, INCRA, SEST/SENAT e SEBRAE)., incidentes sobre a remuneração paga aos empregados O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 3.923.844,97 (três milhões, novecentos e vinte e três mil, oitocentos e quarenta e quatro reais e noventa e sete centavos)consolidado em 17/10/2011 • DEBCAD nº 37.293.3505 (AIOA CFL68), por apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Às fls.25 e 260/261 constam a descrição da infração e o discriminativo de cálculo da multa. O crédito corresponde ao montante de R$ 320.130,30 (trezentos e vinte mil, cento e trinta reais e trinta centavos). 1.1. Para os lançamentos dos créditos tributários foram utilizados os seguintes códigos de levantamento: Fl. 773DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.721569/201100 Resolução nº 2401000.315 S2C4T1 Fl. 4 3 Levantamento FP (Folha de Pagamento): Este levantamento referese aos valores pagos a título de remuneração aos seus segurados empregados (04/ e 05/2006), conforme folha de pagamento apresentada (meio digital) que não foram declarados em GFIP em época própria; (GFIP zerada) Levantamento DF (Diferença FPxGFIP): No período de 06/2006 a 09/2006, foram encontradas divergências, no que tange à remuneração informada, entre os valores que constam em folha de pagamento e aqueles declarados em GFIP , ou seja , foram declarados valores a menor em GFIP; Levantamento GL (Glosa Compensação): No período de 10/2006 a 13/2008, a empresa informou suas GFIPs em conformidade com as folhas de pagamento apresentadas , entretanto, declarou em GFIP, a título de compensação, valores que não puderam ser validados em virtude da falta de documentação comprobatória , conforme termos de intimação e reintimaçao; (glosa de compensação). Levantamento W11 (Salário Educação): No período de 10/2006 a 10/2007, a empresa declarou em suas GFIPS código de terceiros 3138, quando o correto seria 3139. Este erro fez com que não fossem declarados os valores relativos ao salário educação; e Levantamento W21 e W3 (Terceiros não declarados): No período de 11/2007 a 13/2008 a empresa declarou código de terceiros 0000 , quando o correto seria 3139. Este erro fez com que não fossem declarados os valores relativos aos Terceiros. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 17/10/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 26/10/2011. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 276 a 322. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 485 a 513 . ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.º 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias, será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172/66). INCOMPETÊNCIA. INOCORRÊNCIA Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal, conforme determina o art. 2º da Portaria nº11.371/07. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Quando o auto de infração encontra se revestido das formalidades legais, e foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, com Fl. 774DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.721569/201100 Resolução nº 2401000.315 S2C4T1 Fl. 5 4 adequada motivação jurídica e fática, bem como pressupostos de liquidez e certeza, não há que se falar em nulidade. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA. LEGALIDADE. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. ATIVIDADE SUJEITA À RETENÇÃO. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO POR EMPRESA TOMADORA. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. A contribuição previdenciária a cargo da empresa incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados a seu serviço. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. O fato de a empresa prestar serviço sujeito à retenção de valores não a exime da apuração nem do recolhimento da contribuição a cargo da empresa sobre a remuneração de todos os segurados. Para que a empresa tenha direito a compensação de valores retidos, deve demonstrar que efetuou o destaque dos 11% da retenção na nota fiscal e/ ou fatura, com a devida retenção e recolhimento dos valores devidos, ou seja, deve comprovar a origem do seu crédito. MULTA. ARGÜIÇÃO DE CONFISCO. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. A relação apresentada no anexo “Relatório de Vínculos” não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. INEFICÁCIA. A impugnação deve vir acompanhada das provas. As alegações desacompanhadas de prova não produzem efeito em sede de processo administrativo fiscal, sendo insuficientes para ilidir o lançamento de ofício. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. Em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.721569/201100 Resolução nº 2401000.315 S2C4T1 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/09/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INFRAÇÃO CLF 68 .Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. Art. 32, IV, parágrafo 5º, da Lei 8212/91. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 560 a 566 , contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, os quais podemos descrever: 1. Preliminar– Competência/ Inexistência da Materialização do Fato Jurídico Tributável . Aduz que a Defis Delegacia Especial de Fiscalização de São Paulo não tem competência para lavrar o presente lançamento, pois o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, estabelece que a competência para decidir sobre compensação é da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária Derat e não da Defis, conforme artigo 222 do referido regimento; 2. os valores lançados no presente auto de infração estavam todos lançados em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social, COMO COMPENSAÇÃO. Não tendo sido homologada a compensação, o lançamento caberia à DERAT e não à DEFIS, na modalidade de COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA, que ensejaria ao contribuinte o recurso próprio de manifestação de inconformidade. Salienta, a Impugnante, que não se trata no caso presente de hipótese sujeita à auto de infração de oficio, sendo caso específico de COMPENSAÇÃO, tendo a DEFIS usurpado de competência que não lhe é própria; e 3. os fatos jurídicos que se afiguram indispensáveis ao nascimento do liame obrigacional à contribuição do art. 31 da Lei número 8.212/91 não estão presentes nesta notificação fiscal de lançamento de débito. 4. Mérito (Dos Lançamentos/Cessão de Mão de Obra e o Direito à Retenção/ Nulidade do Auto/ Processo nº 2007.61.00.0199560/ Da Retenção/ Da Responsabilidade/Da Coisa Julgada) 5. todos os preceitos legais e constitucionais foram obedecidos e toda a documentação apresentada à fiscalização. Assevera que as Folhas de Pagamento dos Salários e as Guias de Recolhimento do INSS comprovam que a notificada recolheu aos cofres do INSS todas as contribuições cabíveis, tanto dos. empregados, como da empregadora, com também recolheu a taxa de acidente de trabalho exatamente na forma prevista na Lei, e às contribuições devidas a outras entidades, ditas terceiros, utilizandose de compensação de retenção de valores nos moldes do artigo 31 da Lei 8.212/91; 6. inexistem diferenças a serem recolhidas, a não ser que se queiram exigir os pagamentos em duplicidade, o que ocorreria o "bis in idem" ou na verdade, EXCESSO DE EXAÇÃO FISCAL; 7. o Auditor Fiscal aponta no item 4 a Natureza do Débito como contribuições patronais à Seguridade Social devidas pela empresa, incidentes sobre o total das remunerações pagas. Por outro lado, o anexo da FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO DÉBITO FLD, aponta o código 501 COMPENSAÇÃO INDEVIDA, artigo 89 da Lei 8.212/91 com redação da Lei 9.129 de 20.11.1995, além dos artigos 247 a 249, 251 e artigo 219, parágrafos 4 e 9. Assim, ocorre dubiedade no confronto entre o relatório fiscal e o Fundamento Legal do Débito, ou seja, pelo relatório fiscal ocorreu o não pagamento de contribuições devidas pela empresa, fundamento Fl. 776DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.721569/201100 Resolução nº 2401000.315 S2C4T1 Fl. 7 6 legal previsto no artigo 22,I e II da Lei de Custeio e não o artigo 89 apontado pelo Fundamento Legal do Débito; 4.3. o lançamento com Debcad nº 51.001.1268, período 01/2009 a 05/2009, não merece prosperar, pois ao contrário do que consta no relatório fiscal, as GFIP’s no período acima foram entregues corretamente, inclusive com informação de compensação dos valores, como faz prova a documentação ora apresentada, relativo as retenções na forma do art.31 da Lei 8.212/91; 8. todas as informações já estavam declaradas, inclusive com a informação de compensação dos valores devidos, conforme crédito do contribuinte relativo a 11% do valor da fatura, débito da SÃO PAULO TRANSPORTES S.A; 9. no período de 01/2009 a 05/2009, levantamento GL2 – Glosa Compensação, não cabe lançamento de oficio. Salienta que a compensação é modo especial de extinção da obrigação tributária para débito já declarado. Assim, se o débito já estava declarado, não cabe novo lançamento; 10. com relação ao lançamento com Debcad nº 51.001.1276, alega a empresa que com a Lei 11.457/2007, a cobrança para contribuições de entidades e fundos passou a ter as mesmas condições relativas às contribuições previdenciárias, logo, poderão também ser objeto de compensação com créditos relativos a terceiros, caso não sejam estes créditos previdenciários inteiramente absorvidos pelas retenções de 11%, conforme art. 3º, §§ 1º, 2º e 3º de citada lei; 5. com relação a alegação de cessão de mão de obra e o direito a retenção, argumenta a empresa que opera junto à SÃO PAULO TRANSPORTES S/A, sendo que a Procuradoria Geral Federal entende que este serviço se enquadra no artigo 31 da Lei 8.212, redação da Lei 9711 e cabe à SÃO PAULO TRANSPORTES proceder à retenção e recolhimento do percentual de 11% incidente sobre o faturamento. Tal entendimento, segundo a empresa, encontrase comprovado pelos documentos ora juntados, existindo procedimento judicial entre SÃO PAULO TRANSPORTES S/A e UNIÃO FEDERAL para cobrança das contribuições dos prestadores de serviço do transporte público municipal diretamente contra a SÃO PAULO TRANSPORTES S.A; 6. no que toca a nulidade do auto, alega em seu favor que o Município de São Paulo transferiu para a SÃO PAULO TRANSPORTES, que é uma empresa constituída em regime de sociedade de economia mista aquela competência que lhe foi atribuída pela Constituição em relação ao serviço de transportes público, competência de tal forma ampla e irrestrita que inclui também as licitações, contratos e outorga de permissões e autorizações, 11. bem como o controle e a fiscalização dos serviços do Sistema Municipal de Transporte Coletivo de Passageiros. Tudo conforme Lei Municipal 12.328 de 24 de abril de 1997. De acordo com o Estatuto Social da SPTRANS, ela tem por objetivo social "a exploração do serviço público de transporte de passageiros". O Município, portanto, abriu mão dessa atribuição constitucional, através da outorga, tal como também lhe autoriza a própria Constituição. A partir daí, quem responde pelo serviço de transporte público na cidade de São Paulo não é mais o Município, mas a SPTRANS que, por sua vez, poderia desenvolver essa atividade diretamente, mas o faz de forma indireta, vale dizer, através de empresas de ônibus. 12. Hipótese de terceirização, a ensejar a responsabilidade subsidiária inclusive pelas reparações devidas aos trabalhadores das empresas contratadas.; 13. anexa documentos em que a recorrente é coparticipante de um Consórcio juntamente com outras empresas de outros grupos não vinculados aos seus sócios, prestando serviços à Secretária Municipal de Transporte do Município de São Paulo, serviço este que é gerenciado pela SÃO PAULO TRANSPORTES S/A. Entretanto, o contrato de concessão ajustado apenas mascara a realidade contratual, com as empresas de transporte sendo apenas prestadoras de serviço, não têm efetivamente CONCESSÃO do serviço de transportes da Cidade de São Paulo. O contrato não atende ao disposto na Lei nº 8.666/93; Fl. 777DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.721569/201100 Resolução nº 2401000.315 S2C4T1 Fl. 8 7 14. o artigo 71 do mesmo diploma legal, dispõe que o contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. Estabelece o § 1º, que a inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. 15. o § 2o determina que a administração pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. (Redação dada pela Lei n° 9.032, de 1995). A prova de que o contrato não é de concessão e sim prestação de serviços vem da própria PROCURADORIA FEDERAL ESPECIALIZADA DO INSS, que, analisando referido contrato, entendeu que cabia ao TOMADOR DE SERVIÇOS (SÃO PAULO TRANSPORTES) proceder à retenção de 11% incidente sobre a nota fiscal de prestação de serviços, recolhendo os valores em favor das prestadoras. Não o fazendo, foi fiscalizada com lançamento dos débitos relativos aos valores não retidos, sendo que referida PROCURADORIA determinou que os valores lançados fossem creditados nas prestadoras de serviço; 16. no PROCESSO 2007.61.00.0199560. MANDADO DE SEGURANÇA, em que é Autora EXPRESSO URBANO SÃO JUDAS TADEU LTDA, e ré PROCURADOR REGIONAL FEDERAL DE SÃO PAULO DO INSS, foi juntada copias de documentos do processo administrativo anexado aos autos de execução, que estão anexados Nota Técnica 33/2003 da PROCURADORIA FEDERAL ESPECIALIZADA DO INSS, que aprova entendimento de que a RELAÇÃO NEGOCIAL DA SÃO PAULO TRANSPORTES COM AS EMPRESAS QUE EXECUTAM O TRANSPORTE PÚBLICO MUNICIPAL SUBSUMESE PERFEITAMENTE À DISCIPLINA DA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA RADICADA NO ARTIGO 31 DA LEI 8.212/91, CUJO DESCUMPRIMENTO ENSEJA A RESPONSABILIDADE ÚNICA DA SUBSTITUTA, DEVENDO A PROCURADORIA 17. DILIGENCIAR NO SENTIDO DE NâO SUJEITAR AS EMPRESAS CEDENTES DE MãO DE OBRA Á CONTRIBUIÇÃO PATRONAL; 7.1. nos autos do Mandado de Segurança retro mencionado consta cópia do Memorando Circular Conjunto INSS/DIREP/CGTRIJ/CGREC/CGFISC 01/2004 de 04 de maio de 2004, noticiando que a SÃO PAULO TRANSPORTES já foi fiscalizada com lavratura de Notificações Fiscais de Lançamento de Débito relativos à retenção de onze por cento sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, não efetuada pela empresa, determinando RETIFICAÇÃO NOS LANÇAMENTOS DE DÉBITOS DAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. 18. no Sítio da Previdência Social, consta o registro das NFLD’s 35.418.5420 e 35.211.3510, justamente as mencionadas no Memorando retro mencionado, em relação à SÃO PAULO TRANSPORTES. E mais, a Procuradora da AGU Dra. Sofia Mutchnik declara em documento intitulado CONSULTA que: "A nosso ver, portanto, temse que o dever de recolher aos cofres previdenciários a retenção de 11% da Nota Fiscal relativa à cessão de mão de obra é único e exclusivo do tomador, não podendo ser cobrado tal montante do sujeito passivo direito da obrigação tributária (o detentor da filha de salários que cede a mão de obra ao tomador)". Conclui a douta procuradora com a assertiva de que há de se abater todos os débitos lançados nas prestadoras de serviço; 19. no que tange a retenção, o auditor fiscal deixou de apropriar como crédito do IMPUGNANTE no presente lançamento, valores que foram retidos pelo tomador de serviços e que não foram absorvidos no presente lançamento fiscal. Assim, é de se ressaltar que o IMPUGNANTE tem os créditos decorrentes da retenção de 11% sobre o faturamento que não foram alocados e estão demonstrados no cotejo do presente, pelos documentos apresentados. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.721569/201100 Resolução nº 2401000.315 S2C4T1 Fl. 9 8 20. Consoante dispõe a Lei 8.212/91, em seu artigo 31, redação das Leis 9711/98 e 11.941 de 27/05/2009, a empresa prestadora de serviços será obrigada a proceder ao destaque de 11% sobre a fatura de prestação de serviços, podendo utilizar a referida retenção em qualquer estabelecimento da empresa; 21. a IMPUGNANTE não utilizou referida sobra de créditos, assim, os mesmos devem ser alocados durante a ação fiscal em que se procede o lançamento de outros fatos geradores não declarados pelo IMPUGNANTE em sua GFIP. Com o advento da MP 449 convertida na Lei 11.941 de 27 de maio de 2009, as sobras de retenção deverão ser alocadas em todos os estabelecimentos, sendo que os valores não utilizados deverão ser considerados para as competência" seguintes. Este saldo em favor do IMPUGNANTE foi devidamente informado em GFIP; 22. o contrato de Concessão entre a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo e empresa líder do Consórcio já prevê, conforme a cláusula 19.1.25, fls. 29/33, o desconto da parcela da remuneração de cada Concessionária a ser destinada ao pagamento do INSS, cláusula esta suspensa pelo período de transição de 90 dias, contados de 21/07/2003, aplicandose integralmente, portanto, ao período fiscalizado e com lançamento de créditos previdenciários; 23. outro vício do presente auto, referese responsabilidade solidária pelo pagamento do crédito tributário aos sócios e procuradores da empresa, o que não se pode aceitar, conforme estabelecido na Relação de Corresponsáveis que compõe o lançamento fiscal. Jamais poderiam os diretores da ora defendente figurar como corresponsáveis pelo suposto débito. Dessa forma, somente a IMPUGNANTE estaria inicialmente obrigada ao cumprimento desta obrigação tributária, e por conseqüência somente contra ela poderia ser lavrada uma notificação ou auto de infração e também dela serem cobradas as contribuições não recolhidas; 24. as hipóteses onde os sócios e procuradores poderiam ser responsabilizados subsidiariamente pelo pagamento das contribuições em comento estão previstas nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, o que não ocorreu; 25. a Lei nº 11.941/09 trouxe uma importante modificação no que diz respeito à responsabilidade solidária dos sócios e administradores de empresas: o seu artigo 79, revogou o artigo13 da Lei 8.620/93, este artigo foi utilizado como embasamento legal pelo INSS não só para o redirecionamento, mas também para promover a inclusão do nome dos sócios na CDA. Logo, estando expressamente revogado, temos que a referida inclusão tornouse ilegal; 26. no presente caso ocorre o "bis in idem", visto que a Receita Federal do Brasil, através da Procuradoria Geral da União já vem procedendo ao lançamento das contribuições previdenciárias em relação à empresa SÃO PAULO TRANSPORTES S/A, tomadora de serviços do prestador, ora IMPUGNANTE. O fundamento são pareceres no sentido de que a responsabilidade do recolhimento pelas prestadoras é do tomador de serviços, no caso a SÃO PAULO TRANSPORTES S/A. Referida matéria, já foi objeto de julgamento no processo cadastrado no TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA TERCEIRA REGIÃO, processo 200361000035764, em que aquele Tribunal, por unanimidade reconheceu o direito da Receita Federal do Brasil em proceder ao lançamento de contribuições previdenciárias em face da SÃO PAULO TRANSPORTES LTDA, em relação aos prestadores de serviço do transporte coletivo urbano da Cidade de São Paulo, reconhecendo a ocorrência da hipótese prevista no artigo 31 da Lei 8.212/91, redação da Lei 9711/98; e 27. no processo originário da 26a Vara Cível da Capital, a SÃO PAULO TRANSPORTES S/A, obteve julgamento favorável em Ação Ordinária Declaratória no sentido de anular o lançamento relativo a contribuições previdenciárias como tomadora de serviços das empresas prestadoras de serviço de transporte urbano de São Paulo. Dados do processo no site da Justiça Federal da Terceira Região, sede em São Paulo; Fl. 779DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.721569/201100 Resolução nº 2401000.315 S2C4T1 Fl. 10 9 28. DO PEDIDO Ante o exposto, requer o provimento da presente RECURSO, com a declaração de manifesta insubsistência da autuação, e ainda, solicita nos termos do art. 36 da Lei nº 9.789/99 a juntada a estes autos do processo integral de apuração de débitos na São Paulo Transportes, dado a repercussão do mesmo nos lançamentos das prestadoras de serviço, bem como o julgamento conjunto dos processos vinculados a ação fiscal – MPF 0819000.2010.004377, PT 19515.721.570/201126. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.721569/201100 Resolução nº 2401000.315 S2C4T1 Fl. 11 10 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 207. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES DE NULIDADE Primeiro, cumprenos destacar que o AI em tela, referese a obrigação acessória e principais e possui correlação em relação a matéria constante do AI de obrigação principal, lavrado durante o mesmo procedimento, qual seja, processo n. 19515721570201126, cujo julgamento foi no sentido de converter o processo em diligência para que a fiscalização preste esclarecimentos sobre argumentos trazidos pelo recorrente, nos termos abaixo transcritos: Primeiro, basicamente, segundo o recorrente o lançamento encontrase nulo pela incompetência do agente lançador, ou mesmo improcedente uma vez que o recolhimento a menor resulta de compensações realizadas pela própria empresa em GFIP, posto a sua condição de prestadora de serviços de cessão de mão de obra, tendo créditos relativos a retenção de 11% na condição de prestadora. Contudo, antes de apreciar referidas alegações, entendo ser necessário verificar alguns questões meritórias que impedem a continuidade do julgamento. Dentre os diversos argumentos trazidos pelo prestador nos chama a atenção o fato de ter descrito a existência de lavratura de NFLD na tomadora de seus serviços, qual seja SPTRANS, indagando que no tomador foram lavrados créditos, referentes a retenção de 11% NÃO REALIZADA NA ÉPOCA OPORTUNA, tendo inclusive a recorrente sido chamada a pagar o crédito como responsável solidária, por fazer parte do consórcio incluído no polo passivo face a responsabilidade existente. Numa análise superficial, a argumentação trazida pelo recorrente nos deixa alguma indagações, cuja apreciação, com base nos documentos constantes dos autos não é possível. Porém a questão não é tão simples. Argumentou o recorrente, que o consórcio do qual faz parte, foi chamado a responder pelo crédito de forma solidária. Contudo, as indagações apresentadas pelo recorrente mostramse conflitantes, ou mesmo incompatíveis. Até onde sei, o instituto da retenção de 11% veio a substituir a responsabilidade solidária, não existindo lógica, em uma primeira análise nos argumentos trazidos pelo recorrente, de que foram lançados créditos de retenção de 11% na SPTRANS e o mesmo foi chamado como responsável por fazer parte de consórcio. Todavia, para que se afaste qualquer dúvida a respeito do tema, entendo pertinente a manifestação da autoridade fiscal, acerca dos argumentos colacionados no recurso, fls. 289, em relação a Fl. 781DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.721569/201100 Resolução nº 2401000.315 S2C4T1 Fl. 12 11 fiscalização na SPTRANS, mais especificamente sobre os fatos geradores lançados nas NFLD citadas, esclarecendo se os lançamentos correspondem a valores retidos e não recolhidos (o que implicaria a constituição de NFLD de apropriação indébita, o que possui ligação direta com o presente lançamento). Importante, seja também esclarecido, a situação em que se encontram os processos referente ao mesmo período do presente lançamento e se o serviço realizado pela empresa ora autuada encontravase no rol dos lançados. Importante também destacar em que fase encontramse os créditos apurados na SPTRANS, caso entenda a fiscalização guardarem alguma pertinência com a empresa recorrente. Sendo assim, tão logo sejam prestados os esclarecimentos, devem os autos retornarem a este colegiado, devendo apenas observar a cientificação do recorrente para em desejando, manifestarse. Considerando que a matéria objeto de um do AI aqui descritos, no caso o de obrigação acessória (DEBCAD nº 37.293.3505 AIOA CFL68) é idêntica a de outro processo lançado sobre o mesmo tema, deve ser encaminhado em diligência, juntamente com o principal, no intuito de que sejam julgados em conjunto quando do seu retorno a este colegiado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, tendo em vista o resultado análogo do julgamento do AI de obrigação principal n. 19515721570/201126 possuir correlação com o presente AIOA. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 782DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10882.720379/2010-23
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
NULIDADE PROCESSO ADMINISTRATIVO
Somente são nulos os atos praticados pela administração tributária se o contribuinte não tem conhecimento dos elementos que o originou.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI - CORREÇÃO MONETÁRIA
É de ser deferida a correção monetária dos créditos do IPI desde o protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva restituição ou compensação nos termos do entendimento do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo.
Optando o contribuinte, entretanto, pela compensação no mesmo momento em que faz o pedido (Per/Dcomp) não há que se falar em correção monetária por falta de fundamento legal.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3801-002.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos.
Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes, José Luiz Feistauer de Oliveira e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl,- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NULIDADE PROCESSO ADMINISTRATIVO Somente são nulos os atos praticados pela administração tributária se o contribuinte não tem conhecimento dos elementos que o originou. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI CORREÇÃO MONETÁRIA É de ser deferida a correção monetária dos créditos do IPI desde o protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva restituição ou compensação nos termos do entendimento do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo. Optando o contribuinte, entretanto, pela compensação no mesmo momento em que faz o pedido (Per/Dcomp) não há que se falar em correção monetária por falta de fundamento legal. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes, José Luiz Feistauer de Oliveira e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 03 79 /2 01 0- 23 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.720379/201023 Acórdão n.º 3801002.033 S3TE01 Fl. 124 2 (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.720379/201023 Acórdão n.º 3801002.033 S3TE01 Fl. 125 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação, transmitida eletronicamente, vinculada ao Pedido de Ressarcimento eletrônico n.º 07670.86051.290108.1.1.013031, com direito creditório totalmente reconhecido. A Compensação foi não homologada porquanto a totalidade do crédito já havia sido utilizado em outra compensação. Em Manifestação de Inconformidade a Recorrente defendeu que tal direito creditório se refere à atualização monetária do crédito anteriormente concedido, direito este fundamentado na Constituição Federal, legislação julgados que cita. A DRF de Ribeirão Preto manteve a nãohomologação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/071/2005 a 30/09/2005 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC É incabível, por falta de previsão legal, a atualização monetária dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário no qual alega que (a) foi vítima de cerceamento ao seu direito de defesa porque desconhece o teor das decisões que é obrigada a rebater; (b) que considerando a não cumulatividade do IPI e o entendimento da lª Seção do Superior Tribunal de Justiça temse como pacifico o entendimento sobre a possibilidade de correção monetária de créditos escriturais de IPI referentes às operações de matériasprimas e insumos isentos ou beneficiados com alíquota zero. A questão foi julgada sob o rito da Lei dos Recursos Repetitivos (Lei 11.678/08). Que a Seção reiterou que não incide correção monetária sobre os créditos escriturais de IPI, mas ressaltou que a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, posterga o reconhecimento do direito pleiteado tornando legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do fisco. Requer assim a reforma da decisão e o provimento do presente recurso. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.720379/201023 Acórdão n.º 3801002.033 S3TE01 Fl. 126 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Não vislumbro, preliminarmente, qualquer cerceamento de defesa. Dos fatos, decisões e elementos dos autos foi a Recorrente devidamente cientificada tendo sido oportunizada à mesma todas as formas legais para se defender e fazer prova. Nos termos do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/1972 somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; ou os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, certamente não há sequer indício acerca da existência de qualquer ato do qual não teve conhecimento a Recorrente e com relação ao qual não pode a mesma se pronunciar. Quanto ao pedido de compensação da correção monetária decorrente do seu pedido de ressarcimento e considerando que essa matéria já foi pacificada pelo E. Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil), não há muito o que se discutir. O STJ julgou no sentido de não haver correção monetária, em regra, nos créditos escriturais (caso do crédito presumido do IPI), entretanto, caracterizada a resistência do Fisco em aceitar créditos legítimos do IPI, tais créditos deixam de ser escriturais, e passam a sofrer incidência de atualização monetária. Vejamos o entendimento do Tribunal no Acórdão do REsp. 1.035.847 – RS (os negritos são nossos): PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.720379/201023 Acórdão n.º 3801002.033 S3TE01 Fl. 127 5 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. É certo que carece de amparo legal a atualização monetária dos créditos do IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade. São os denominados créditos escriturais, porque lançados pelo próprio sujeito passivo da obrigação tributária em seus livros fiscais. Em termos contábeis o aproveitamento de um crédito escritural (que nada tem a ver com o crédito tributário) dáse pelo seu valor nominal em respeito ao Princípio do Registro pelo Valor Original que determina que os componentes do patrimônio devem ser inicialmente registrados pelos valores originais das transações, expressos em moeda nacional. Corresponde esse, ao valor nominal lançado na contabilidade e insusceptível de correção. Mas quando há a opção de aproveitamento desse crédito não há sentido em negar lhe a correção. O aproveitamento do crédito deixa de ser escritural quando o aproveitamento não é realizado por conta de mera operação contábil, opção do contribuinte. É importante distinguir duas situações: a) aquela em que o aproveitamento do crédito não se deu imediatamente por opção ou por impossibilidade imputável ao próprio contribuinte; e b) aquela em que o contribuinte esteve impedido de efetuar o aproveitamento por oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, considerado ilegítimo ou ainda pela demora na apreciação do seu pedido além do prazo legal. Quanto a segunda questão é preciso reconhecer o direito da contribuinte a corrigir seus créditos, e isto não apenas em homenagem ao princípio da proibição do locupletamento sem causa (ou com base em causa ilegítima), como também por ser forma de dar integral cumprimento ao princípio da nãocumulatividade, ou seja, quando feita a opção efetiva de compensar ou ressarcir o crédito pela contribuinte Fl. 130DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.720379/201023 Acórdão n.º 3801002.033 S3TE01 Fl. 128 6 A atualização monetária é devida porque não advém da permissão legal de compensação, mas do impedimento causado pelo Estado para o lançamento na época própria. Filiome ao entendimento de que demora do fisco em examinar os pedidos de ressarcimento, caracterizam a “resistência do fisco” a ensejar a correção monetária. É de notarse que o sistema de direito positivo estabelece a forma para que um crédito tributário transformese em crédito escritural – por meio do destaque do imposto na nota fiscal de saída e conseqüente ingresso no estabelecimento industrial do adquirente , aquele imposto devido pelo fornecedor passa a ser direito creditório escritural pelo adquirente contribuinte do IPI. Assim é a aquisição de um produto tributado que confere ao industrial submetido à tributação do IPI o direito ao crédito escritural. Da mesma maneira, o sistema de direito positivo estabelece a forma para que um crédito escritural transformese em “crédito tributário” (imposto devido) ou “indébito tributário” (saldo credor de IPI à ressarcir) , ou seja, direito creditório que o contribuinte tem em face do Fisco por acúmulo de saldo credor na conta gráfica: Art. 256. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2º (Lei nº 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento, tributado à alíquota zero, ou ao abrigo da imunidade em virtude de se tratar de operação de exportação, nos termos do inciso II do art. 18, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 268 e 269, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Ora, dado o fato de o contribuinte acumular saldo credor no trimestre, deve ser o direito ao ressarcimento, instrumentalizado pelo pedido de compensação ou pelo pedido de ressarcimento/restituição. Os aspectos temporal, espacial e material da norma de incidência que confere a transformação da natureza jurídica do crédito escritural em direito creditório tributário contra o Fisco, se revelam no exato momento em que o contribuinte protocoliza seu pedido de ressarcimento/restituição/compensação. Nesse instante, aquilo que era crédito escritural passa a ser um dever que o Fisco tem de adimplir: a restituição ou compensação. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.720379/201023 Acórdão n.º 3801002.033 S3TE01 Fl. 129 7 É a partir daí que o dever de restituir impõe ao Fisco as regras gerais das relações jurídicas, inclusive o dever de atualizar e remunerar os valores que congregam suas obrigações de pagar. No âmbito das relações jurídicas, não há como conceberse que alguém que esteja sob a imposição legal do dever de pagar fique livre para exercer essa obrigação quando melhor lhe prouver. O credor de qualquer relação jurídica não pode ficar submetido à vontade do devedor para ver satisfeito seu direito. Evidentemente a opção do contribuinte em manter inalterado o crédito escritural ocorre somente até o momento em que escolhe pedir o seu ressarcimento, após esse momento o crédito passa a ser uma autêntica dívida que depende do reconhecimento pela Receita Federal para que possa ser recebido em dinheiro pelo contribuinte ou compensado — tais créditos deixam de ser escriturais, pois não estão mais acumulados na escrita fiscal para uso exclusivo no abatimento do IPI devido na saída —, a demora no reconhecimento, mesmo que pequena, corresponde a uma resistência injustificada a ensejar a correção monetária. Esse entendimento foi inclusive referendado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp. 1.122.800/RS, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. IPI. CREDITAMENTO DECORRENTE DO ART. 11, DA LEI N. 9.779/99. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. CREDITAMENTO DECORRENTE DO ART. 3º, C/C ART. 5º, §§1º E 2º, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, C/C ART. 6º, §§1º E 2º, DA LEI N. 10.833/2003. PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM DINHEIRO. MORA DA FAZENDA PÚBLICA FEDERAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 411/STJ. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME CRIADO PELO ART. 543C, CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/2008 QUE INSTITUÍRAM OS RECURSOS REPRESENTATIVOS DA CONTROVÉRSIA. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que exaure o tema questionado, muito embora sem fazer uso das teses invocadas pelas partes. 2. O ressarcimento em dinheiro ou a compensação, com outros tributos, dos créditos adquiridos por força do art. 11, da Lei n. 9.779/99 e créditos relativos à nãocumulatividade das contribuições aos Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) art. 3º, c/c art. 5º, §§1º e 2º, da Lei n. 10.637/2002 e para a Seguridade Social (COFINS) art. 3º, c/c art. 6º, §§1º e 2º, da Lei n. 10.833/2003, quando efetuados com demora por parte da Fazenda Pública, ensejam a incidência de correção monetária. Precedentes também de minha relatoria: AgRg no REsp. n. 1082458/RS e AgRg no AgRg no REsp. n. 1088292/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgados em 8.2.2011. 3. Incidência do enunciado n. 411, da Súmula do STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência Fl. 132DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.720379/201023 Acórdão n.º 3801002.033 S3TE01 Fl. 130 8 ilegítima do Fisco" e mudança do ponto de vista do Relator em razão do decidido no recurso representativo da controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009. 4. Precedentes em sentido contrário: REsp. Nº 1.115.099 SC, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 16.3.2010; AgRg no REsp. Nº 1.085.764 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 18.8.2009. 5. Recurso especial parcialmente provido. No referido acórdão o Min. Relator Mauro Campbell Marques reconheceu que o entendimento foi amparado no Recurso Especial 1.135.847 e que seu entendimento, por conta disso, foi alterado e a Turma do STJ reconheceu o direito à correção monetária dos créditos por ressarcimento desde o protocolo dos pedidos administrativos. Aponto, por pertinente o entendimento do Ministro Relator, assim expresso: “Contudo, no presente caso estamos a falar de ressarcimento de créditos, sistemática diversa onde os créditos outrora escriturais passam a ser objeto de ressarcimento em dinheiro ou compensação com outros tributos em virtude da impossibilidade de dedução com débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos (normalmente porque isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), ou até mesmo por opção do contribuinte, nas hipóteses permitidas por lei. Tais créditos deixam de ser escriturais, pois não estão mais acumulados na escrita fiscal para uso exclusivo no abatimento do IPI devido na saída. Nestes casos, o ressarcimento em dinheiro ou compensação com outros tributos se dá mediante requerimento feito pelo contribuinte que, muitas vezes, diante das vicissitudes burocráticas do Fisco, demora a ser atendido, gerando uma defasagem no valor do crédito que não existiria caso fosse reconhecido anteriormente (...) Sendo assim, para efeito de enquadramento do presente caso na jurisprudência do STJ foi necessário questionar se a mora da Fazenda Pública, por si só, configura a chamada "resistência ilegítima", que ensejaria o direito à correção monetária do crédito objeto de pedido de ressarcimento, na conformidade do suso citado enunciado sumular n. 411/STJ. Neste ponto, encontrei na jurisprudência da Primeira Turma, precedente contrário ao pleito dos contribuintes, na forma do seguinte julgado: (...) Há inclusive precedente contrário ao pleito dos contribuintes de minha lavra nesta Segunda Turma, assim ementado: Fl. 133DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.720379/201023 Acórdão n.º 3801002.033 S3TE01 Fl. 131 9 (...) Na ocasião, entendi que a simples demora na apreciação do requerimento administrativo de restituição ou compensação de valores não se enquadra na situação de resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do fisco. No entanto, a análise do julgamento proferido no REsp.nº 1.035.847 RS, submetido ao rito dos recursos representativos da controvérsia, trouxeme nova compreensão do tema, razão pela qual revejo meu posicionamento. (...) A situação fática tratada no recurso representativo da controvérsia é em tudo o que interessa semelhante à presente. Vejase a narrativa do Ministro Relator daquele caso, coletada do julgamento dos embargos de declaração lá interpostos pela Fazenda Nacional, ipsis verbis: Visando ressarcirse de seus créditos de IPI, a Autora protocolou na Secretaria da Receita Federal de Pelotas, pedido de ressarcimento, relativo ao período compreendido entre agosto de 2000 e outubro de 2001, conforme se comprova pela juntada de cópia de tais petições administrativas. (...) Em 12 de dezembro de 2004, foram formalmente reconhecidos pelo Fisco, como legítimos os créditos da autora, referentes ao Imposto sobre Produtos Industrializados, acima identificados, nos valores e respectivas competências, conforme se comprova pela juntada à presente, das cópias da decisões, proferidas nos processos administrativos que analisaram os pedidos, ... (...) Na mesma intimação de reconhecimento de créditos, a ré informou que havia detectado débitos de responsabilidade da Autora, a título de contribuições PIS e COFINS, também administrados pela SRF e, atualmente em cobrança pela Receita Federal de Pelotas,... (...) Ocorre que a Autora manifestouse no prazo legal, naqueles processos administrativos, concordou com a compensação entre créditos e débitos, porém, insurgiuse contra a posição do Fisco naquilo em que corrigiu seus débitos aplicando taxa SELIC, multa e juros e quanto aos créditos contabilizouos pelo seu valor histórico. A lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada "resistência ilegítima". Fl. 134DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.720379/201023 Acórdão n.º 3801002.033 S3TE01 Fl. 132 10 Sendo assim, realinho a minha opinião no sentido de reconhecer o direito à correção monetária dos créditos por ressarcimento desde o protocolo dos pedidos administrativos, devendo ser aplicados os índices que constam do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução 561/CJF, de 02.07.2007, do Conselho da Justiça Federal, inclusive a taxa Selic. Assim, quer seja pelo sentido dado pela jurisprudência, quer em respeito ao artigo 62A do Regimento desse Conselho quando houver demora na apreciação do pedido de ressarcimento é cabível deferirse a correção dos valores pedidos pela SELIC a partir da data do protocolo do pleito ao crédito até o seu efetivo reconhecimento. Entretanto, não foi o que aqui ocorreu, conforme pode ser visto nos autos a contribuinte apresentou juntamente com o pedido de ressarcimento um pedido de compensação o que acabou por antecipar quaisquer perdas decorrentes da demora na análise do pedido de restituição porque o crédito posteriormente reconhecido já houvera sido utilizado no momento em que a contribuinte exerceu a sua opção de pedir o ressarcimento. Nesse sentido, voto por julgar improcedente o presente recurso voluntário. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19994.000176/2008-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1996 a 31/12/1998
AFERIÇÃO INDIRETA. PROVA. INEXISTÊNCIA.
Em se tratando de arbitramento da base de cálculo, cabe à empresa trazer elementos probatórios aptos à reduzir a base arbitrada, sob pena de acatamento da aferição realizada, nos termos do art. 33, parágrafo 6º, da Lei n. 8.212/91.
PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado, a fim de promover condições de convicção favoráveis à sua pretensão, sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2403-002.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para sanear a omissão apontada, e rerratificar a decisão embargada.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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PROVA. INEXISTÊNCIA. Em se tratando de arbitramento da base de cálculo, cabe à empresa trazer elementos probatórios aptos à reduzir a base arbitrada, sob pena de acatamento da aferição realizada, nos termos do art. 33, parágrafo 6º, da Lei n. 8.212/91. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado, a fim de promover condições de convicção favoráveis à sua pretensão, sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 4. 00 01 76 /2 00 8- 18 Fl. 625DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para sanear a omissão apontada, e rerratificar a decisão embargada. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19994.000176/200818 Acórdão n.º 2403002.136 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Embargos Declaratórios opostos pela ELECTRO AÇO ALTONA S/A, em face do Acórdão nº. 2403000.747, de relatoria do Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, no qual foi dado parcial provimento do Recurso Voluntário, para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº. 11.941/2009 ao art. 35, caput, da Lei nº. 8.212/1991, prevalecendo a multa mais benéfica. De acordo com a peça embargatória, fls. 345/347, são apontadas as seguintes omissões: Esta nobre Segunda Seção ao julgar o recurso voluntário interposto pela embargante não verificou a questão do desfecho das ações trabalhistas formuladas pelos Srs. Vilmar Ferreira, Horst Stribel, Fredolino Uhlmann, Estácio Gunchroski, Euclides Iatzac, Horst Harbs e Osni Gonçalves, reputados como empregados da notificada, o que ensejou a notificação para a cobrança de contribuições previdenciárias e multas. (...) Por fim, caso ainda se entenda por manter a notificação, por amor à argumentação, a embargante ainda destaca que o acórdão foi omisso na apreciação do seu pleito no recurso voluntário interposto de que na notificação lavrada não foi descontado o valor recolhido de contribuições previdenciárias pelas empresas destes trabalhadores, cobrandoas mais uma vez duplamente. Também não foi apreciado o pleito de que o arbitramento da base de cálculo com base nas notas fiscais é totalmente absurdo, devendo o mesmo ser com base na retirada dos sócios, descontandose os custos da empresa por eles constituídas com tributos, e outras despesas, como contados, ferramentas, transporte, alimentação, entre outros. Analisados os Embargos de Declaração, foi proferido despacho, fls. 622/624, na qual foi constatada a omissão do julgado quanto ao argumento de que não foi descontado o valor recolhido das contribuições pelas empresas dos trabalhadores mencionados, ensejando cobrança em duplicidade, bem como ao argumento do incorreto arbitramento da base de cálculo. Contudo, no que tange à alegação de não apreciação dos desfechos das ações trabalhistas dos empregados referidos na peça embargatória, não será apreciado, conforme a fundamentação constante no despacho alhures mencionado, in verbis: Fl. 627DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Em que pesa a argumentação de que esta Seção não verificou, na ocasião do julgamento, o desfecho das ações trabalhistas formuladas pelos Srs. Vilmar Ferreira, Horst Stribel, Fredolino Uhlmann, Estácio Gunchroski, Euclides Iatzac, Horst Harbs e Osni Gonçalves, reputados como empregados da contribuinte, ensejando a notificação para cobrança de contribuições previdenciárias e multas, entendo que a tese não merece acolhimento. Isto porque, pretende o sujeito passivo conferir efeitos infringentes aos presentes embargos, o que, em regra, não tem cabimento, suscitando questões que sequer foram levantadas na impugnação, momento oportuno para rebater todos os pontos de discordância, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, bem como, as provas que possui. O decisum guerreado analisou todo o conjunto probatório trazido aos autos, até aquele momento, por ocasião do contraditório e da ampla defesa, não havendo qualquer omissão, obscuridade ou contradição a ser sanada neste ponto. Frisase que a sentença judicial, fl. 369, que homologou o acordo firmado entre a contribuinte e seus exfuncionários (fls. 366/368), data de 27/10/2005, bem como, não reconheceu o vínculo empregatício em razão do pacto assinado pelas partes e somente foi juntada por ocasião dos embargos declaratórios. Ocorre que referido documento deveria ter sido apresentado juntamente com uma petição incidental (a exemplo de memoriais), consoante preceituam os parágrafos 4º e 5º, do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72, para ser analisada por este colegiado, e para contrapor os argumentos levantados pela Seção de Análise de Defesas e Recursos do INSS, mormente quanto à falta de provas da inexistência de vínculo empregatício dos exfuncionários já mencionados mais acima. Portanto, o Acórdão embargado merece parcial reforma para que seja analisados os dois pontos omissos suso mencionados. É o relatório. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19994.000176/200818 Acórdão n.º 2403002.136 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme consta na fls. os Embargos são tempestivos e reúnem os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Primeiramente, a Embargante alega omissão do julgado que analisou a argumentação de que na notificação lavrada não foi descontado o valor recolhido de contribuições previdenciárias pelas empresas, ensejando cobrança em duplicidade. Nas razões recursais, fls. 196/218, entretanto, a então Recorrente trata de fato apenas no seguinte parágrafo, in verbis: “As empresas em questão são todas optantes pelo SIMPLES, e vem recolhendo rigorosamente em dias as contribuições previdenciárias na forma determinada pela legislação pertinente, o que será comprovado através das guias que serão juntadas posteriormente e de certidões negativas de débito expedidas pelo INSS”. Ora, até o momento não houve quaisquer comprovações do adimplemento dessas contribuições previdenciárias, para fins de apropriação dos devidos créditos no processo em epígrafe. Se à auditoria fiscal não foi possível atestar os recolhimentos supostamente efetuados pelas empresas interpostas, caberia ao contribuinte fazer prova da sua existência, para que houvesse a devida apropriação. Isso porque, mesmo em matéria tributária, cabe a ambos, ao Fisco e ao contribuinte, não só alegar, como, precipuamente, produzir provas que ofereçam condições de convicção favoráveis à sua pretensão. Por oportuno, transcrevese as palavras de Marcos Vinícius Neder: “No processo administrativo fiscal, temse como regra que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o contribuinte aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes”. (NEDER, Marcus Vinicius; SANTI, Eurico Marcos Diniz de. FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). A prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010, p. 331) Fl. 629DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Logo, ausentes quaisquer elementos probatórios capazes de atestar que as empresas interpostas efetuaram os recolhimentos, os quais são aludidos na peça recursal, persiste a obrigação acessória, conseguintemente, a imputação da multa aplicada. Quanto ao argumento de que o arbitramento foi feito equivocadamente, eis o alegado pelo Embargante no Recurso Voluntário: É completamente descabido o arbitramento dos valores constantes na notificação levando apenas e tão somente os valores constantes nas notas fiscais de serviços, como se estes fossem representativos da remuneração percebida pelos sócios das empresas prestadoras de serviços. Como até as pedras sabem, qualquer pessoa jurídica regularmente constituída tem uma série de despesas fixas, tais como o pagamento de tributos (no caso em tela ISS e o SIMPLES), contratação de contador para manutenção da escrita, despesas com transporte, alimentação, ferramentas, etc., as quais diminuem bastante os valores os quais podem ser retirados pelos sócios da empresa, sob pena de acúmulo de dívidas e inevitável falência. No entanto, nenhuma destas despesas foi sequer acusada ou descontada pelos senhores fiscais ao arbitrarem o valor da notificação, o que invalida por completo o arbitramento realizado. O arbitramento deveria ter sido realizado levandose em conta as retiradas dos sócios a qualquer título, sejam pró labore, distribuição de lucros, adiantamentos, etc., os quais deverão estar devidamente contabilizados pelas empresas prestadoras de serviços nos livros contábeis das mesmas, que foram verificados pela fiscalização. Os próprios fiscais deixaram claro no relatório da notificação em tela que levaram em conta apenas os valores constantes nas notas fiscais de serviços. Para que tais argumentos fossem passíveis de análise, mister a comprovação das ditas despesas. Explicase. A aferição indireta, em se tratando de contribuições previdenciárias, encontra guarida no art. 33, § 6º, da Lei nº. 8.212/1991, in verbis: § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Portanto, caberia também à empresa fazer prova das ditas despesas para serem analisadas e eventualmente abatidas da base de cálculo. Aqui, também é válido os argumentos acima expostos no que concerne à apresentação da prova. Portanto, não havendo elementos probatórios capazes de quantificar as supostas despesas, bem como, diante na ausência dos comprovantes de recolhimento de contribuições previdenciárias das pessoas interpostas, tenho que as alegações da Embargante carecem de respaldo jurídico que permitam a sua procedência. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19994.000176/200818 Acórdão n.º 2403002.136 S2C4T3 Fl. 5 7 CONCLUSÃO Do exposto, acolho os Embargos de Declaração para sanear a omissão apontada, e rerratificar a decisão embargada. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 631DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13603.003281/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
DESISTÊNCIA DO RECURSO. PAGAMENTO SEM RESSALVAS.
A extinção do débito sem ressalvas, mediante pagamento, implica desistência do recurso e encerra o litígio no âmbito do processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1803-001.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Deve ser observado pela autoridade preparadora o pleito da Recorrente no sentido de se abster a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de cobrar exigência já recolhida (Darf de fls. 36).
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009 DESISTÊNCIA DO RECURSO. PAGAMENTO SEM RESSALVAS. A extinção do débito sem ressalvas, mediante pagamento, implica desistência do recurso e encerra o litígio no âmbito do processo administrativo fiscal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 DESISTÊNCIA DO RECURSO. PAGAMENTO SEM RESSALVAS. A extinção do débito sem ressalvas, mediante pagamento, implica desistência do recurso e encerra o litígio no âmbito do processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Deve ser observado pela autoridade preparadora o pleito da Recorrente no sentido de se abster a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de cobrar exigência já recolhida (Darf de fls. 36). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 32 81 /2 00 9- 51 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13603.003281/200951 Acórdão n.º 1803001.734 S1TE03 Fl. 41 2 (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13603.003281/200951 Acórdão n.º 1803001.734 S1TE03 Fl. 42 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 19): Trata o presente processo da exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, referente ao mês de dezembro de 2008, no valor de R$ 710,49 (com redução), apresentado em 19/08/2009, conforme Notificação de Lançamento de fl. 03. O enquadramento legal do lançamento é o art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Em 18/09/2009, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/02, tendo alegado que, desde outubro/2008, a empresa estava esperando a nova versão do Dacon, superior a 1.3 da época, tendo conseguido verificar a versão 2.1 somente no dia 10/08/2009. Dessa forma, na transmissão do Dacon do mês em questão (transmitido em 19/08/2009), teria o impugnante se surpreendido com a multa pela entrega em atraso, ressaltando ainda que as obrigações constantes do demonstrativo foram recolhidas no prazo. Diante da confusão das versões, o impugnante pede que seja desconsiderada a multa aplicada na entrega do Dacon após 07/08/2009. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 18): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DACON MULTA POR ATRASO A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, com a opção de periodicidade mensal de entrega, após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 09/11/2010 (fls. 24), a tempo, em 01/12/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 25, instruído com os documentos de fls. 26 a 37, nele informando que o valor da respectiva multa foi pago no vencimento, solicitando seja desconsiderada a correspondente intimação. Em mesa para julgamento. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13603.003281/200951 Acórdão n.º 1803001.734 S1TE03 Fl. 43 4 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Em face do recolhimento tempestivo da multa exigida pelo atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), não há qualquer litígio a ser dirimido por este Colegiado. Não obstante, deve ser observado pela autoridade preparadora o pleito da Recorrente no sentido de se abster a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de cobrar exigência já recolhida (Darf de fls. 36). Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002374/2010-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - PROCEDIMENTO FISCAL - GRUPO ECONÔMICO DE FATO - CONFIGURAÇÃO.
Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - SEGURADO EMPREGADO - RECOLHIMENTO - OBRIGAÇÃO DA EMPRESA.
A empresa é obrigada a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados, bem como recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-001.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - PROCEDIMENTO FISCAL - GRUPO ECONÔMICO DE FATO - CONFIGURAÇÃO. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - SEGURADO EMPREGADO - RECOLHIMENTO - OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados, bem como recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
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E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO PROCEDIMENTO FISCAL GRUPO ECONÔMICO DE FATO CONFIGURAÇÃO. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SEGURADO EMPREGADO RECOLHIMENTO OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados, bem como recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 23 74 /2 01 0- 11 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/201011 Acórdão n.º 2403001.812 S2C4T3 Fl. 201 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – TECHPRESS INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA contra Acórdão nº 0723.642 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.231.4040, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 366.020,52. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social devida pelos segurados empregados e contribuintes individuais, como prevista nos artigos 20 e 21, da Lei 8212/91, descontada ou não, porém não declarada nem recolhida regular e tempestivamente aos cofres da Seguridade Social, e calculada pela aplicação da alíquota vigente sobre o saláriodecontribuição mensal de cada segurado (empregado) e pela alíquota de 11% sobre remunerações de prólabore (diretores), nos termos do art. 4o da Lei 10.666/2003, no período de 02/2008 a 12/2009. O Relatório Fiscal, às fls. 25 a 41, informa que constituem fatos geradores das contribuições constantes do presente lançamento às remunerações pagas aos segurados empregados que prestaram serviços à Recorrente e à empresa H W MOLDAGEM E PEÇAS PLÁSTICAS LTDA., dada a unicidade do empreendimento econômico fiscalizado e à conseqüente inexistência de fato da empresa HW: Os fatos adiante expostos que vão demonstrar que, embora operando sob roupagem jurídica distinta da empresa mãe (TECHPRESS), a H W é inexistente de fato pois foi criada no mesmo local, para exercer a mesma atividade, e não tem estrutura industrial própria que lhe permitisse de fato exercer suas atividades industriais, tendo antes, como único propósito, usufruir fraudulentamente de benefícios tributários do regime simplificado e favorecido de tributação (SIMPLES NACIONAL) instituído pela Lei Complementar n° 123/2006 O Relatório fiscal informa, em relação às empresas: 7. Com efeito, tais empresas são sediadas na mesma localidade ainda que ocupando galpões anexos; exercem mesma atividade produtiva, qual seja a produção de peças industriais moldadas em material plástico; são de propriedade de um mesmo grupo familiar envolvendo basicamente o casal Carlos Roberto de Freitas e Patrícia Hammermeister administradores em ambas e seus descendentes ou ascendentes, inclusive menores. 8. O processo produtivo é único e envolve ambas as empresas de forma complementar, na medida em que a TECHPRESS compra os insumos e subcontrata a H W para beneficiálos (moldar as peças plásticas), oferecendo para isso suas próprias instalações e maquinário produtivo, visto que aquela (H W) não detém uma Fl. 99DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 máquina sequer, sendo mera fornecedora de mão de obra, nos termos do contrato de prestação de serviços firmado entre ambas. 9. Questionados da necessidade de mais de uma pessoa jurídica para levar a cabo tão simples processo produtivo, fomos informados, pela Sra. Patrícia Hammermeister (Administradora da H W), que se trata de uma maneira encontrada para economizar com encargos previdenciários sobre folha de pagamentos, visto que a H W é optante do SIMPLES, ao passo que a TECHPRESS já não pode sêlo em função dos limites de faturamento impostos pela legislação. Em relação à empresa TECHPRESS: 10. A TECHPRESS iniciou suas atividades em 02/09/1996, já com o objeto "fabricação e comercialização de peças técnicas em plástico reforçado", com um capital de R$ 20 mil, integralizado paritariamente pelos sóciosgerentes Haroldo Arthidoro Paes de Barros e Carlos Roberto de Freitas. 11. Na segunda alteração contratual, datada de 14/08/1997, o Sr. Haroldo retirase da sociedade para ingresso da Sra. Ana Lúcia de Carvalho Freitas, presumível companheira do Sr. Carlos Roberto de Freitas, haja vista a identidade de domicílio, permanecendo como sócia cotista minoritária até o advento da quarta alteração contratual, levada a registro em 03/12/2007. 12. O instrumento societário que formaliza a retirada da Sra. Ana Lúcia da sociedade, informa também sua mudança de domicílio, que pela primeira vez passa a ser distinto do domicílio do excompanheiro. Este mesmo instrumento formaliza também o ingresso na sociedade da Sra. Patrícia Hammermeister, separada judicialmente, que passa a ocupar aquele mesmo domicílio (nova companheira) e assume parte das cotas da sócia retirante. 13. A partir da quarta alteração contratual, registrada em 03/12/2007, esta empresa passou a operar com sede na Rua José Rafael Reinert n° 109, porém em visita ao local constatamos que aquele galpão é ocupado por uma empresa estranha ao grupo (TECNOFIT; CNPJ 10.234.559/000130) e que suas atividades produtivas atuais são sediadas de fato no galpão de n° 89, que é o endereço oficial da H W, e a administração (de ambas) funciona no galpão de n° 59. 14. Na quinta alteração contratual, registrada em 15/01/2008, formalizase a saída da Sra. Patrícia Hammermeister, remanescendo o Sr. Carlos Roberto de Freitas como único sócio no interstício legal de 180 dias, até que seja identificado novo sócio. 15. Importa aqui ressaltar que a urgência na retirada da Sra. Patrícia Hammermeister da sociedade não é senão pelo fato de, em 03/02/2008, ela passar a figurar como sócia majoritária e administradora da nova empresa (H W) criada para prestar serviços à TECHPRESS e usufruir benefícios tributários do SIMPLES NACIONAL, principalmente a isenção da cota Fl. 100DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/201011 Acórdão n.º 2403001.812 S2C4T3 Fl. 202 5 patronal da Contribuição Previdenciáría sobre folha de pagamentos. Em relação à empresa HW: 17. A H W Tornearia Ltda., foi levada a registro em 24/01/2008, com um capital de R$ 50 mil subscrito paritariamente por Patrícia Hammermeister e Henrique Werner (menor) representado pela mãe, Patrícia Hammermeister, tendo essa empresa sua sede à Rua José Rafael Reinert n° 89 que é galpão anexo à sede original da Techpress. 18. Com a primeira alteração contratual, levada a registro em 28/03/2008, esta sociedade altera a denominação para H W Moldagem de Peças Plásticas Ltda., e também seu objeto social, que passa de "prestação de serviços de tornearia, industrialização por conta de terceiros" para "prestação de serviços de moldagem e pultrusão de peças plásticas efetuadas a terceiros " . 19. Notar que o trabalho de moldagem das peças desenvolvido na H W consiste em mera parte do processo normal de fabricação previamente desenvolvido na TECHPRESS, haja vista seu objeto de "fabricação e comercialização de peças técnicas em plástico reforçado". 20. O Contrato de Prestação de Serviços celebrado entre tais empresas (anexo) prevê datas de pagamentos mensais, porém sequer estipula preços para os serviços a serem pagos nas datas aprazadas (05 e 30 de cada mês) o que é uma situação não compatível com as práticas de mercado. 21. Com efeito, por tais instrumentos a contratante TECHPRESS assume a responsabilidade de pagar pelos serviços a serem prestados pela contratada H W (moldagem de peças) porém os valores ou parâmetros de valoração não constam do contrato firmado, ficando apenas implícito que se trata (o objeto do contrato) do reembolso puro e simples da folha de pagamentos dos empregados, assim entendidos os empregados formalmente registrados na HW, e que efetivamente trabalham para a TECHPRESS como sempre o fizeram. 22. A contabilidade apresentada pela H W para o ano 2008 (livro diário n° 01, com escrituração de janeiro a setembro, e livro diário n° 02, com escrituração de outubro a dezembro) ambos não registrados em Junta Comercial (escrituração simplificada), por lapso de controle, apontam nos termos de abertura e encerramento, o Sr. Carlos Roberto de Freitas como administrador, seguido da ressalva que o administrador correto é Sra. Patrícia Hammermeister (livro diário n° 02; fls.01 e 20). 23. O balancete analítico do último trimestre de 2008 apensado às fls. 15 a 19 do livro diário n° 02, aponta o montante de receita operacional bruta no valor de R$ 481.508,30, sendo que dessa receita, R$ 477.178,30, portanto 99,1%, referese à conta 3111.0004 Industrialização à Vista, que representa Fl. 101DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 exclusivamente os serviços prestados à TECHPRESS como documentado às fls. 11 e 12 do livro razão n°02. 24. O balancete analítico referente ao período janeiro a dezembro de 2009, apensado às fls. 85 a 89 do livro diário n° 03 (igualmente sem registro em cujos termos de abertura e encerramento foram impressos com o nome do Sr. Carlos Roberto de Freitas como administrador, seguido da mesma ressalva em manuscrito) aponta Receita Operacional Bruta de R$ 1.946.168,10, sendo que dessa receita nada menos que, R$ 1.911.328,00, portanto 98,2%, referese à conta 3111.0003 Industrialização à Prazo que representa exclusivamente os serviços prestados à TECHPRESS como documentado às fls. 73 e 74 do livro razão n° 03. 25. Ainda relativamente ao ano 2009, aquele balancete analítico aponta custos totais da ordem de R$ 1.411.174,20, sendo que desses custos apenas R$ 19.400,51 referemse a compras de insumos, e R$ 1.344.704,07 referemse a custos de mãodeobra direta (74,5% da receita operacional líquida) o que configura uma distorção de custos frente às práticas de mercado e comprova a artificialidade das transações registradas contabilmente por ambas as empresas. 26. Com efeito, o balancete analítico da TECHPRESS em dezembro de 2009 (não escriturado pois a empresa não apresentou o livro diário desse exercício) aponta receita operacional bruta de R$ 5.546.540,51 e custos dos produtos vendidos de R$ 3.535.962,13, sendo que desses custos, R$ 2.530.038,53 referemse a compras de insumos e apenas R$ 258.401,60 referemse a salários e ordenados (conta 3318.0010) no grupamento de mão de obra direta. 27. Essa distorção já foi perceptível também na DIPJ do ano calendário 2008 (da TECHPRESS) que aponta receita de venda no mercado interno da ordem de R$ 7.997.620,69 e custos e despesas com pessoal de apenas R$ 694.740,26 (ficha 64 informações previdenciárias). 28. É perceptível, pois, que foi patrocinada uma migração em massa dos empregados da TECHPRESS para a H W no ano 2008, haja vista ainda, por exemplo, as informações de ambas as empresas disponíveis nos sistemas alimentados pela RAIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) relativas àquele ano. O Relatório Fiscal, ás fls. 25 a 41, expõe que a empresa HW é inexistente de fato: 33. À luz dos fatos aqui descritos, concluiuse que a empresa H W é inexistente de fato e foi formalmente constituída apenas para aderir ao regime tributário do SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar n° 123/2006), registrar em seu nome os empregados da empresa TECHPRESS, e, desta forma, fraudulentamente deixar de recolher as contribuições previdenciárias do empregador (cota patronal) sobre as remunerações dos empregados e dirigentes. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/201011 Acórdão n.º 2403001.812 S2C4T3 Fl. 203 7 34. Assim sendo, deve a notificada TECHPRESS, como empresa originária, ser responsabilizada pela remuneração de todos os segurados obrigatórios que indistintamente prestaram serviços a ambas as pessoas jurídicas aqui tratadas, haja vista a unicidade empresarial existente e o fato dessa empresa (TECHPRESS) não ser optante do SIMPLES durante o período fiscalizado. 35. Importa notar que não se desconsiderou a personalidade jurídica de nenhuma dessas duas empresas, as quais, com o registro nos órgãos competentes, adquiriram personalidade jurídica de sociedade comercial, gerando efeitos tais como patrimônio, nome e domicílio próprios. 36. O instituto da desconsideração da personalidade jurídica, que está prevista expressamente no Código Civil, em seu artigo 50, ocorre com o fito de atingir o patrimônio dos sócios, quando a sociedade é por eles utilizada como meio de obter vantagens indevidas, valendose da distinção entre o patrimônio dos sócios e o da pessoa jurídica, em detrimento de terceiros, e decorre de decisão judicial. 37. O que porém concluiu a fiscalização é que a H W, muito embora tenha sido registrada de maneira legal e possua personalidade jurídica, não corre o risco da atividade comercial, não tem sede própria e nem instalações distintas da empresa TECHPRESS ora notificada, sendo assim inexistente de fato. 38. Portanto, no presente caso, a H W não foi reconhecida como a empregadora, posto que, embora presentes os pressupostos para a caracterização do vínculo empregatício (art. 12, I, a, da Lei 8.212/91) reconhecido própria empresa mediante elaboração e apresentação de sua folha de pagamentos à fiscalização, tais vínculos deramse com a TECHPRESS, como a empresa originária do grupo e empregadora de fato. 39. Vejase, por exemplo, nos esclarecimentos prestados por escrito (7b), que o Sr. Carlos Roberto de Freitas (Carlos Roberto), administrador da TECHPRESS, figura como responsável pelas áreas comercial e controle geral do operacional o que implica em subordinação de todos ao seu comando operacional, independentemente da nova empresa para onde tenham sido transferidos. O Relatório Fiscal também relaciona a empresa T.T.P. USINAGEM LTDA. 40. Esta empresa teve seus estatutos registrados em 05/11/2008, para o exercício da atividade (também complementar à TECHPRESS) de Serviços de Usinagem, com sede registrada à Rua José Rafael Reinert n° 59, em galpão anexo às demais empresas já citadas. 41. Os sócios são Vitalina Hammermeister e íris Vaes, sendo que a primeira detém os poderes de administração e é mãe da Sra. Patrícia Hammermeister administradora da H W; a segunda é auxiliar de limpeza naquela empresa (ficha de registro de empregado n° 39). Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 42. Tratase assim da mesma proposta administrativa já adotada com a criação da H W, qual seja, a divisão da TECHPRESS em tantas empresas quantas necessárias para perpetuar o usufruto fraudulento dos benefícios tributários do SIMPLES NACIONAL. 43. Todavia, como esta empresa iniciou atividades apenas em 2009, não houve lançamento de débito em relação à mesma, e apenas a arrolamos como responsável solidária em face da configuração de Grupo Econômico de fato. O Relatório Fiscal caracteriza o grupo econômico de fato: 63. As seguintes empresas já devidamente qualificadas na introdução ao presente relatório, são aqui tratadas como devedoras solidárias e integrantes de GRUPO ECONÔMICO DE FATO, tendo em vista as razões já descritas, notadamente a unicidade dos negócios e o controle das empresas exercido pelo mesmo grupo familiar: . TECHPRESS INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA., CNPJ 01.402.992/000146; . H W MOLDAGEM DE PEÇAS PLÁSTICAS LTDA., CNPJ 09.332.761/000115; . T.T.P. USINAGEM LTDA., CNPJ 10.456.105/000103 67. Quanto à abrangência da conceituação de "grupo econômico", à luz da boa doutrina e da jurisprudência pátria, é relevante ainda esclarecer, que os conceitos contidos no inciso IX do Art.30 da Lei n° 8.212/91 e no § 2o , do art. 2o , da CLT, são bem mais amplos dos que os previstos na Lei 6.404/76. Na legislação trabalhista e previdenciária, basta apenas à existência de poder de mando e controle de uma empresa sobre outra para caracterizar o grupo econômico, independentemente do tipo de empresa ou da natureza de poder. Ou seja, a aplicabilidade do conceito de grupo econômico no direito previdenciário e trabalhista justificase pelo caráter social e não estritamente pelo poder econômico. Observase, em relação ao cálculo das Multas: (i) para o período 02/2008 a 11/2008: o Relatório Fiscal demonstra no quadro comparativo a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte considerandose as alterações trazidas na legislação pela Lei 11,941/2009; (ii) para o período 12/2008 a 12/2009: o Relatório Fiscal aponta a aplicação da multa qualificada (art. 35A, Lei 8212/1991 c/c art. 44, I e § 1º, Lei 9430/1996) em função de ter sido evidenciado faticamente a ocorrência de sonegação, A Recorrente teve ciência do TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, às fls. 19 a 20. Conforme o Relatório Fiscal: Fiscalizamos também a empresa H W MOLDAGEM DE PEÇAS PLÁSTICAS LTDA. (H W), CNPJ 09.332.761/000115, Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/201011 Acórdão n.º 2403001.812 S2C4T3 Fl. 204 9 abrangendo o período de junho/2008 a dezembro/2009, consoante o Mandado de Procedimento Fiscal n° 0920200.2010.00503. Efetuamos ainda diligência para obtenção de documentos e informações junto à empresa T.T.P. USINAGEM LTDA. (T.T.P.), CNPJ 10.456.105/000103, consoante Mandado de Procedimento Fiscal n° 0920200.2010.00549. Ainda assim, conforme a Relação de sujeitos passivos solidários, às fls. 02, foi emitido o Termo de Sujeição Passiva Solidária para a empresa H W MOLDAGEM DE PECAS PLÁSTICAS LTDA, às fls. 42 a 43, bem como o TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal,o Termo de Intimação Fiscal e o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF. Para a empresa TTP USINAGEM LTDA ME foi colacionado nos autos o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF. A Recorrente teve ciência do AIOP em 22.06.2010. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD é de 02/2008 a 12/2009. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: A autuada devidamente intimada, documento de fl. 01, apresentou defesa administrativa, de fls. 46 a 53, fazendo, inicialmente, um relato sobre os fatos e o lançamento a que foi submetida, alegando, em síntese, que: considerandose que as empresas objeto do auto de infração se tratam de pessoas jurídicas autônomas, nos termos do Código Tributário Nacional CTN, cabe a cada uma, individualmente, responder por débitos fiscais que porventura a elas sejam imputadas, o que não ocorre no presente caso; de acordo com a doutrina dominante é inadmissível imputar a responsabilidade solidária a apenas um sujeito passivo, logo, o auto de infração ora combatido é nulo; é imprescindível que as empresas responsabilizadas solidariamente realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos por uma delas. Por fim, a vista do exposto requer o cancelamento da exigência fiscal ora combatida. .A Recorrida, Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC, fls. 186 a 189, analisou a autuação e a impugnação e emitiu o Acórdão nº 0723.642 6a. Turma julgando procedente a autuação, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009 AIOP / DEBCAD : 37.231.4040, de 22/06/2010 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 SIMULAÇÃO . A constatação de negócios simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato, devendo o correspondente tributo ser exigido da pessoa que efetivamente teve relação pessoal e direta com o fato gerador. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO NÃO CARACTERIZADO . A caracterização de grupo econômico, ainda que verificado de fato, no âmbito tributário, visa à responsabilidade de seus integrantes, por solidariedade, não aplicável na simulação, com o fim de redução de tributos, mediante o artifício de constituição de empresa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimados da decisão do órgão julgador “a quo”, apenas a empresa TECHPRESS apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos deduzidos em sede de primeira instância: (i) Da nulidade do Auto de Infração. Da impossibilidade de consideração de grupo econômico para fins de imputação do auto de infração. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/201011 Acórdão n.º 2403001.812 S2C4T3 Fl. 205 11 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme se depreende do encaminhamento ao CARF. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – TECHPRESS INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA contra Acórdão nº 0723.642 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.231.4040, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 366.020,52. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social devida pelos segurados empregados e contribuintes individuais, como prevista nos artigos 20 e 21, da Lei 8212/91, descontada ou não, porém não declarada nem recolhida regular e tempestivamente aos cofres da Seguridade Social, e calculada pela aplicação da alíquota vigente sobre o saláriodecontribuição mensal de cada segurado (empregado) e pela alíquota de 11% sobre remunerações de prólabore (diretores), nos termos do art. 4o da Lei 10.666/2003, no período de 02/2008 a 12/2009. O Relatório Fiscal, às fls. 25 a 41, informa que constituem fatos geradores das contribuições constantes do presente lançamento às remunerações pagas aos segurados empregados que prestaram serviços à Recorrente e à empresa H W MOLDAGEM E PEÇAS PLÁSTICAS LTDA., dada a unicidade do empreendimento econômico fiscalizado e à conseqüente inexistência de fato da empresa HW: Os fatos adiante expostos que vão demonstrar que, embora operando sob roupagem jurídica distinta da empresa mãe (TECHPRESS), a H W é inexistente de fato pois foi criada no Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 mesmo local, para exercer a mesma atividade, e não tem estrutura industrial própria que lhe permitisse de fato exercer suas atividades industriais, tendo antes, como único propósito, usufruir fraudulentamente de benefícios tributários do regime simplificado e favorecido de tributação (SIMPLES NACIONAL) instituído pela Lei Complementar n° 123/2006. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.231.4040 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.231.4040) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) I GFIP, que é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento de confissão de dívida tributária; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), que é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) III Revogado pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008 IV Auto de Infração (AI), que é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e apurado mediante procedimento de fiscalização; e (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) V Notificação de Lançamento, que é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/201011 Acórdão n.º 2403001.812 S2C4T3 Fl. 206 13 instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo do Débito c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); Fl. 109DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 e. TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal; h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.231.4040, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. DO MÉRITO. (i) Da nulidade do Auto de Infração. Da impossibilidade de consideração de grupo econômico para fins de imputação do auto de infração. Analisemos. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/201011 Acórdão n.º 2403001.812 S2C4T3 Fl. 207 15 I. CONFIGURAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO I.1 Aspectos gerais Na alegação do Recurso Voluntário, pretende o contribuinte que seja afastada a coresponsabilização das empresas do Grupo Econômico de fato, assim caracterizado pela autoridade lançadora, sob o argumento de que inexiste qualquer situação fática ou jurídica capaz de suportar tal entendimento, mormente quando a legislação de regência não permite a caracterização ex ofício de Grupo Econômico pelo simples fato de as empresas terem os mesmos sócios, exigindo outros requisitos ausentes na hipótese vertente. A corroborar tal entendimento, a Recorrente infere que os fatos elencados em sua peça recursal rechaçam de plano a pretensão fiscal, uma vez que referidas pessoas jurídicas não se vinculam ao fato gerador, sendo empresas absolutamente independentes e autônomas, inobstante terem possuído o mesmo controle. Em que pesem as razões de fato e de direito ofertadas pelo contribuinte na peça recursal, seus entendimentos não têm o condão de macular a exigência fiscal, senão vejamos. Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 25 a 41, as empresas ali arroladas fazem parte efetivamente de Grupo Econômico de fato, respondendo solidariamente pelo crédito previdenciário que se contesta. I.2 Aplicação dos artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional Como se sabe, a solidariedade previdenciária é legal e obriga os sujeitos passivos do fato gerador da contribuição da seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido. Nesse sentido, os artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: “ Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” (gn) I.3 Aplicação dos artigos da Lei 6.404/1976 Por sua vez, a Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 116, 265 e 267, como segue: “Art. 116. Entendese por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembléiageral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. Art. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 267 O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo Único Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade".” Fl. 112DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/201011 Acórdão n.º 2403001.812 S2C4T3 Fl. 208 17 Entretanto, tem sido cada vez mais freqüente a constatação da existência de empresas controladas direta ou indiretamente pela(s) mesma(s) pessoa(s), sem que estejam formalmente revestidas da condição (nem com os mesmos objetivos) do grupo econômico de que trata a Lei 6 404/76. Estes são os que se podem denominar “grupos econômicos de fato". I.4 Aplicação da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 e da IN RFB 971/2009: Por outro lado, a Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 trata o grupo econômico nos artigos 179, 748 e 749, na redação vigente à época dos fatos geradores, a seguir: Art. 179. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si; (Redação original) I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme previsto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991; (Nova redação dada pela IN MPS SRP nº 20, de 11/01/2007) Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. (gn) Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. No mesmo sentido, a IN RFB 971/2009: Art. 152. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991; Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 Art. 495. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. Não vincula, portanto, a existência de "grupo econômico" ao cumprimento das formalidades da Lei 6.404176, do que se infere, evidentemente, que a Instrução Normativa MPS/SRP n° 3/2005 não se refere apenas e necessariamente aos grupos formalmente constituídos, mas à hipótese geral de "quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas". Para a caracterização e identificação de "grupo econômico", importa, portanto, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram e realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico" da forma da Lei 6.404/76). I.5 Aplicação do o artigo 2º, § 2º, da CLT Em outra via, o artigo 2º, § 2º, da CLT, ao tratar da matéria, estabelece o seguinte: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” (gn) Resta evidente que o artigo 2º, § 2º, da CLT não faz qualquer distinção entre "grupo econômico de fato ou de direito", o que, aliás, pode ser facilmente constatado pelos reiterados julgados da Justiça do Trabalho, vinculando invariavelmente as demais empresas de um grupo econômico, ainda que não formalmente constituído, à reclamatória trabalhista, desde que demonstrada a relação, mesmo informal, entre o empregador direto e demais empresas vinculadas. Assim, a possibilidade (ou mesmo a determinação) legal da vinculação por solidariedade dos integrantes de "grupos econômicos", sejam eles formais ou informais, se justifica em ambos os casos — cobrança de direitos trabalhistas ou de contribuições previdenciárias — pelo relevante interesse social que os casos envolvem. I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato e a utilização da empresa HW como empregadora da mão de obra da empresa TECHPRESS. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/201011 Acórdão n.º 2403001.812 S2C4T3 Fl. 209 19 Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados pelos Auditores fiscais da RFB ao promoverem o lançamento, notadamente quando tratarse de caracterização de Grupo Econômico, o artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria posta nos autos, recomendando a manutenção do feito, in verbis: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;” Anotase que o art. 222 do Decreto 3.048/1999 também trata da matéria acerca de grupo econômico: Decreto 3.048/1999 Art. 222.As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) (gn) No presente caso concreto, ao contrário do entendimento do Recorrente, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato, bem como pela utilização fática da empresa HW como empregadora da mãode obra. Somente a título elucidativo, para não restar dúvidas a propósito do tema, transcreveremos abaixo a síntese das razões que levaram a fiscalização concluir pela existência de Grupo Econômico de Fato bem como pela utilização fática da empresa HW como empregadora da mãodeobra., onde o AuditorFiscal autuante, com muita propriedade/especificidade, demonstrou e comprovou os argumentos da pretensão fiscal, senão vejamos: O Relatório fiscal informa, em relação às empresas: 7. Com efeito, tais empresas são sediadas na mesma localidade ainda que ocupando galpões anexos; exercem mesma atividade produtiva, qual seja a produção de peças industriais moldadas em material plástico; são de propriedade de um mesmo grupo familiar envolvendo basicamente o casal Carlos Roberto de Freitas e Patrícia Hammermeister administradores em ambas e seus descendentes ou ascendentes, inclusive menores. 8. O processo produtivo é único e envolve ambas as empresas de forma complementar, na medida em que a TECHPRESS compra os insumos e subcontrata a H W para beneficiálos (moldar as peças plásticas), oferecendo para isso suas próprias instalações e maquinário produtivo, visto que aquela (H W) não detém uma máquina sequer, sendo mera fornecedora de mão de obra, nos termos do contrato de prestação de serviços firmado entre ambas. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 9. Questionados da necessidade de mais de uma pessoa jurídica para levar a cabo tão simples processo produtivo, fomos informados, pela Sra. Patrícia Hammermeister (Administradora da H W), que se trata de uma maneira encontrada para economizar com encargos previdenciários sobre folha de pagamentos, visto que a H W é optante do SIMPLES, ao passo que a TECHPRESS já não pode sêlo em função dos limites de faturamento impostos pela legislação. Em relação à empresa TECHPRESS: 10. A TECHPRESS iniciou suas atividades em 02/09/1996, já com o objeto "fabricação e comercialização de peças técnicas em plástico reforçado", com um capital de R$ 20 mil, integralizado paritariamente pelos sóciosgerentes Haroldo Arthidoro Paes de Barros e Carlos Roberto de Freitas. 11. Na segunda alteração contratual, datada de 14/08/1997, o Sr. Haroldo retirase da sociedade para ingresso da Sra. Ana Lúcia de Carvalho Freitas, presumível companheira do Sr. Carlos Roberto de Freitas, haja vista a identidade de domicílio, permanecendo como sócia cotista minoritária até o advento da quarta alteração contratual, levada a registro em 03/12/2007. 12. O instrumento societário que formaliza a retirada da Sra. Ana Lúcia da sociedade, informa também sua mudança de domicílio, que pela primeira vez passa a ser distinto do domicílio do excompanheiro. Este mesmo instrumento formaliza também o ingresso na sociedade da Sra. Patrícia Hammermeister, separada judicialmente, que passa a ocupar aquele mesmo domicílio (nova companheira) e assume parte das cotas da sócia retirante. 13. A partir da quarta alteração contratual, registrada em 03/12/2007, esta empresa passou a operar com sede na Rua José Rafael Reinert n° 109, porém em visita ao local constatamos que aquele galpão é ocupado por uma empresa estranha ao grupo (TECNOFIT; CNPJ 10.234.559/000130) e que suas atividades produtivas atuais são sediadas de fato no galpão de n° 89, que é o endereço oficial da H W, e a administração (de ambas) funciona no galpão de n° 59. 14. Na quinta alteração contratual, registrada em 15/01/2008, formalizase a saída da Sra. Patrícia Hammermeister, remanescendo o Sr. Carlos Roberto de Freitas como único sócio no interstício legal de 180 dias, até que seja identificado novo sócio. 15. Importa aqui ressaltar que a urgência na retirada da Sra. Patrícia Hammermeister da sociedade não é senão pelo fato de, em 03/02/2008, ela passar a figurar como sócia majoritária e administradora da nova empresa (H W) criada para prestar serviços à TECHPRESS e usufruir benefícios tributários do SIMPLES NACIONAL, principalmente a isenção da cota patronal da Contribuição Previdenciáría sobre folha de pagamentos. Em relação à empresa HW: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/201011 Acórdão n.º 2403001.812 S2C4T3 Fl. 210 21 17. A H W Tornearia Ltda., foi levada a registro em 24/01/2008, com um capital de R$ 50 mil subscrito paritariamente por Patrícia Hammermeister e Henrique Werner (menor) representado pela mãe, Patrícia Hammermeister, tendo essa empresa sua sede à Rua José Rafael Reinert n° 89 que é galpão anexo à sede original da Techpress. 18. Com a primeira alteração contratual, levada a registro em 28/03/2008, esta sociedade altera a denominação para H W Moldagem de Peças Plásticas Ltda., e também seu objeto social, que passa de "prestação de serviços de tornearia, industrialização por conta de terceiros" para "prestação de serviços de moldagem e pultrusão de peças plásticas efetuadas a terceiros " . 19. Notar que o trabalho de moldagem das peças desenvolvido na H W consiste em mera parte do processo normal de fabricação previamente desenvolvido na TECHPRESS, haja vista seu objeto de "fabricação e comercialização de peças técnicas em plástico reforçado". 20. O Contrato de Prestação de Serviços celebrado entre tais empresas (anexo) prevê datas de pagamentos mensais, porém sequer estipula preços para os serviços a serem pagos nas datas aprazadas (05 e 30 de cada mês) o que é uma situação não compatível com as práticas de mercado. 21. Com efeito, por tais instrumentos a contratante TECHPRESS assume a responsabilidade de pagar pelos serviços a serem prestados pela contratada H W (moldagem de peças) porém os valores ou parâmetros de valoração não constam do contrato firmado, ficando apenas implícito que se trata (o objeto do contrato) do reembolso puro e simples da folha de pagamentos dos empregados, assim entendidos os empregados formalmente registrados na HW, e que efetivamente trabalham para a TECHPRESS como sempre o fizeram. 22. A contabilidade apresentada pela H W para o ano 2008 (livro diário n° 01, com escrituração de janeiro a setembro, e livro diário n° 02, com escrituração de outubro a dezembro) ambos não registrados em Junta Comercial (escrituração simplificada), por lapso de controle, apontam nos termos de abertura e encerramento, o Sr. Carlos Roberto de Freitas como administrador, seguido da ressalva que o administrador correto é Sra. Patrícia Hammermeister (livro diário n° 02; fls.01 e 20). 23. O balancete analítico do último trimestre de 2008 apensado às fls. 15 a 19 do livro diário n° 02, aponta o montante de receita operacional bruta no valor de R$ 481.508,30, sendo que dessa receita, R$ 477.178,30, portanto 99,1%, referese à conta 3111.0004 Industrialização à Vista, que representa exclusivamente os serviços prestados à TECHPRESS como documentado às fls. 11 e 12 do livro razão n°02. 24. O balancete analítico referente ao período janeiro a dezembro de 2009, apensado às fls. 85 a 89 do livro diário n° 03 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 (igualmente sem registro em cujos termos de abertura e encerramento foram impressos com o nome do Sr. Carlos Roberto de Freitas como administrador, seguido da mesma ressalva em manuscrito) aponta Receita Operacional Bruta de R$ 1.946.168,10, sendo que dessa receita nada menos que, R$ 1.911.328,00, portanto 98,2%, referese à conta 3111.0003 Industrialização à Prazo que representa exclusivamente os serviços prestados à TECHPRESS como documentado às fls. 73 e 74 do livro razão n° 03. 25. Ainda relativamente ao ano 2009, aquele balancete analítico aponta custos totais da ordem de R$ 1.411.174,20, sendo que desses custos apenas R$ 19.400,51 referemse a compras de insumos, e R$ 1.344.704,07 referemse a custos de mãodeobra direta (74,5% da receita operacional líquida) o que configura uma distorção de custos frente às práticas de mercado e comprova a artificialidade das transações registradas contabilmente por ambas as empresas. 26. Com efeito, o balancete analítico da TECHPRESS em dezembro de 2009 (não escriturado pois a empresa não apresentou o livro diário desse exercício) aponta receita operacional bruta de R$ 5.546.540,51 e custos dos produtos vendidos de R$ 3.535.962,13, sendo que desses custos, R$ 2.530.038,53 referemse a compras de insumos e apenas R$ 258.401,60 referemse a salários e ordenados (conta 3318.0010) no grupamento de mão de obra direta. 27. Essa distorção já foi perceptível também na DIPJ do ano calendário 2008 (da TECHPRESS) que aponta receita de venda no mercado interno da ordem de R$ 7.997.620,69 e custos e despesas com pessoal de apenas R$ 694.740,26 (ficha 64 informações previdenciárias). 28. É perceptível, pois, que foi patrocinada uma migração em massa dos empregados da TECHPRESS para a H W no ano 2008, haja vista ainda, por exemplo, as informações de ambas as empresas disponíveis nos sistemas alimentados pela RAIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) relativas àquele ano. O Relatório Fiscal, ás fls. 25 a 41, expõe que a empresa HW é inexistente de fato: 33. À luz dos fatos aqui descritos, concluiuse que a empresa H W é inexistente de fato e foi formalmente constituída apenas para aderir ao regime tributário do SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar n° 123/2006), registrar em seu nome os empregados da empresa TECHPRESS, e, desta forma, fraudulentamente deixar de recolher as contribuições previdenciárias do empregador (cota patronal) sobre as remunerações dos empregados e dirigentes. 34. Assim sendo, deve a notificada TECHPRESS, como empresa originária, ser responsabilizada pela remuneração de todos os segurados obrigatórios que indistintamente prestaram serviços a ambas as pessoas jurídicas aqui tratadas, haja vista a unicidade Fl. 118DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/201011 Acórdão n.º 2403001.812 S2C4T3 Fl. 211 23 empresarial existente e o fato dessa empresa (TECHPRESS) não ser optante do SIMPLES durante o período fiscalizado. 35. Importa notar que não se desconsiderou a personalidade jurídica de nenhuma dessas duas empresas, as quais, com o registro nos órgãos competentes, adquiriram personalidade jurídica de sociedade comercial, gerando efeitos tais como patrimônio, nome e domicílio próprios. 36. O instituto da desconsideração da personalidade jurídica, que está prevista expressamente no Código Civil, em seu artigo 50, ocorre com o fito de atingir o patrimônio dos sócios, quando a sociedade é por eles utilizada como meio de obter vantagens indevidas, valendose da distinção entre o patrimônio dos sócios e o da pessoa jurídica, em detrimento de terceiros, e decorre de decisão judicial. 37. O que porém concluiu a fiscalização é que a H W, muito embora tenha sido registrada de maneira legal e possua personalidade jurídica, não corre o risco da atividade comercial, não tem sede própria e nem instalações distintas da empresa TECHPRESS ora notificada, sendo assim inexistente de fato. 38. Portanto, no presente caso, a H W não foi reconhecida como a empregadora, posto que, embora presentes os pressupostos para a caracterização do vínculo empregatício (art. 12, I, a, da Lei 8.212/91) reconhecido própria empresa mediante elaboração e apresentação de sua folha de pagamentos à fiscalização, tais vínculos deramse com a TECHPRESS, como a empresa originária do grupo e empregadora de fato. 39. Vejase, por exemplo, nos esclarecimentos prestados por escrito (7b), que o Sr. Carlos Roberto de Freitas (Carlos Roberto), administrador da TECHPRESS, figura como responsável pelas áreas comercial e controle geral do operacional o que implica em subordinação de todos ao seu comando operacional, independentemente da nova empresa para onde tenham sido transferidos. O Relatório Fiscal também relaciona a empresa T.T.P. USINAGEM LTDA. 40. Esta empresa teve seus estatutos registrados em 05/11/2008, para o exercício da atividade (também complementar à TECHPRESS) de Serviços de Usinagem, com sede registrada à Rua José Rafael Reinert n° 59, em galpão anexo às demais empresas já citadas. 41. Os sócios são Vitalina Hammermeister e íris Vaes, sendo que a primeira detém os poderes de administração e é mãe da Sra. Patrícia Hammermeister administradora da H W; a segunda é auxiliar de limpeza naquela empresa (ficha de registro de empregado n° 39). 42. Tratase assim da mesma proposta administrativa já adotada com a criação da H W, qual seja, a divisão da TECHPRESS em Fl. 119DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 tantas empresas quantas necessárias para perpetuar o usufruto fraudulento dos benefícios tributários do SIMPLES NACIONAL. 43. Todavia, como esta empresa iniciou atividades apenas em 2009, não houve lançamento de débito em relação à mesma, e apenas a arrolamos como responsável solidária em face da configuração de Grupo Econômico de fato. O Relatório Fiscal caracteriza o grupo econômico de fato: 63. As seguintes empresas já devidamente qualificadas na introdução ao presente relatório, são aqui tratadas como devedoras solidárias e integrantes de GRUPO ECONÔMICO DE FATO, tendo em vista as razões já descritas, notadamente a unicidade dos negócios e o controle das empresas exercido pelo mesmo grupo familiar: . TECHPRESS INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA., CNPJ 01.402.992/000146; . H W MOLDAGEM DE PEÇAS PLÁSTICAS LTDA., CNPJ 09.332.761/000115; . T.T.P. USINAGEM LTDA., CNPJ 10.456.105/000103 67. Quanto à abrangência da conceituação de "grupo econômico", à luz da boa doutrina e da jurisprudência pátria, é relevante ainda esclarecer, que os conceitos contidos no inciso IX do Art.30 da Lei n° 8.212/91 e no § 2o , do art. 2o , da CLT, são bem mais amplos dos que os previstos na Lei 6.404/76. Na legislação trabalhista e previdenciária, basta apenas à existência de poder de mando e controle de uma empresa sobre outra para caracterizar o grupo econômico, independentemente do tipo de empresa ou da natureza de poder. Ou seja, a aplicabilidade do conceito de grupo econômico no direito previdenciário e trabalhista justificase pelo caráter social e não estritamente pelo poder econômico. Verificase, portanto, que a AuditoriaFiscal não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ao caracterizálas como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente relacionados acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam. Dessa forma, resta claro que as empresas do Grupo Econômico de fato têm, efetivamente, interesse comum no fato gerador dos tributos ora exigidos, na forma estipulada no artigo 124, inciso I, do CTN, impondo a manutenção do feito em sua plenitude, não se cogitando em ilegalidade e/ou irregularidade na atuação fiscal. Além do que restou comprovado faticamente dos autos que a empresa H W MOLDAGEM DE PECAS PLÁSTICAS LTDA – ME foi utilizada como empresa interposta como empregadora de mãodeobra em função de ser optante pelo SIMPLES., o que diminui o encargo tributárioprevidenciário da Recorrente. Ademais, a jurisprudência do CARF é no sentido de se manter os lançamentos de contribuições sociais previdenciárias contra empresas que se utilizam Fl. 120DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/201011 Acórdão n.º 2403001.812 S2C4T3 Fl. 212 25 indevidamente de empresas interpostas optantes pelo SIMPLES, conforme se depreende dos julgados: Processo 13971.002121/200816, Acórdão 2402001.907, de 23.08.2011; ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1998 a 31/08/2004 REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO O parágrafo 1º do artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972 dispõe que a Administração tem a faculdade de efetuar o lançamento num único processo de impostos, contribuições ou penalidades, desde que em face do mesmo sujeito passivo e comprovados pelos mesmos elementos de prova. O citado dispositivo não obriga a Administração a efetuar o julgamento conjunto dos recursos apresentados contra lançamentos que não foram efetuados num único processo DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE DOLO REGRA GERAL INCISO I ART. 173 De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. EXCLUSÃO DO SIMPLES COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF Cabe à Primeira Seção do CARF analisar recurso contra ato que levou relativa à exclusão de empresa do SIMPLES, bem como a data de início de seus efeitos SUSPENSÃO EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO LANÇAMENTO POSSIBILIDADE As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário, impedem sua cobrança mas não a sua constituição. De igual forma, a suspensão da exigibilidade do crédito não representa óbice ao andamento do contencioso administrativo fiscal. BIS IN IDEM NÃO OCORRÊNCIA Não há que se falar em bis in idem se a empresa que efetuou os recolhimentos pela sistemática do SIMPLES e que foi posteriormente excluída do referido sistema venha sofrer Fl. 121DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 lançamento das contribuições patronais nos moldes das empresas em geral. RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos GRUPO ECONÔMICO DE FATO CARACTERIZAÇÃO Existe grupo econômico de fato quando há unicidade no comando entre empresas. Tal comando pode se dar pela existência em seus quadros societários de pessoa física ou jurídica comuns que detenham o poder de gerir as empresas MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. ENQUADRAMENTO. COMPETÊNCIA. É competente a Primeira Seção do CARF para julgar recursos contra decisão de primeira instância que tenha decidido sobre exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. SIMPLES. RECOLHIMENTOS. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. Eventuais recolhimentos na sistemática do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL devem ser deduzidos das contribuições previdenciárias apuradas na sistemática das empresas em geral, nos percentuais destinados à previdência social, OBSERVADA a isenção pela LC n° 123/2006 das contribuições destinadas a terceiros. Recurso Voluntário Provido em Parte Processo 13971.002970/200771, Acórdão 240200.391, de 02.12.2009. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/201011 Acórdão n.º 2403001.812 S2C4T3 Fl. 213 27 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração . 01/01/2006 a 31/12/2006 INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Principio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara PERÍCIA NECESSIDADE COMPROVAÇÃO REQUISITOS CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO OCORRÊNCIA Deverá restar demonstrado nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA GRUPO ECONÔMICO De acordo com o Inciso IX do art. 30 da Lei n°8.212/1991, as empresas integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si solidariamente, pelas obrigações decorrentes daquela lei ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS ARRECADAÇÃO RECOLHIMENTO OBRIGAÇÃO DA EMPRESA A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher os valores arrecadados no prazo estabelecido pela legislação. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 124DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10880.984330/2009-83
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/04/2005
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE PROVA.
Ineficaz a DCTF retificadora se, havendo juntada somente em sede de recurso, a documentação comprobatória não seja totalmente inteligível pelo julgador, mediante demonstração do fundamento para a retificação do faturamento apurado no período.
Numero da decisão: 3802-001.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pelo Recorrente a Dra. Fernanda Biagioni Barreto, OAB/SP nº 310.838.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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DCTF RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE PROVA. Ineficaz a DCTF retificadora se, havendo juntada somente em sede de recurso, a documentação comprobatória não seja totalmente inteligível pelo julgador, mediante demonstração do fundamento para a retificação do faturamento apurado no período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 43 30 /2 00 9- 83 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pelo Recorrente a Dra. Fernanda Biagioni Barreto, OAB/SP nº 310.838. Relatório Por bem explicitar os fatos e atos processuais ocorridos até o presente momento, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo que assim dispõe: Fl. 181DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.984330/200983 Acórdão n.º 3802001.769 S3TE02 Fl. 112 3 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.984330/200983 Acórdão n.º 3802001.769 S3TE02 Fl. 113 5 A contribuinte STUTTGART SPORTCAR SP VEÍCULOS LTDA, se insurge no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1631.283, proferido em primeira instância pela 11ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO – DRJ/SP, que julgou improcedente a Manifestação de Fl. 184DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Inconformidade apresentada, negando o direito creditório pleiteado e indeferindo a compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo: Irresignado com a decisão, recorre o contribuinte, aduzindo que possui direito ao crédito e acostando farta documentação que indica a retificação da apuração de seu faturamento. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto O presente Recurso Voluntário é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.984330/200983 Acórdão n.º 3802001.769 S3TE02 Fl. 114 7 Tratase de processo destinado a revisão de compensação requerida pelo Recorrente, com base na revisão interna de seus procedimentos, que detectou um problema sistêmico na apuração de seu faturamento. Tal erro sistêmico se deveria ao fato de que, a princípio, o sistema ABC (Activity Based Costing), incluiu o IPI e o ICMSST no valor total da nota fiscal emitida pelo Recorrente. Após realizar a recomposição de seu faturamento no patamar adequado, o Recorrente viuse detentor de créditos decorrentes da tributação a maior de PIS e COFINS. Oferecida a DCOMP, a DRJ, como visto acima, entendeu não haver demonstração da prova da materialidade dos créditos oferecidos pelo Recorrente à compensação, bem como ausência de retificação da DCTF do período considerado. De fato, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificar sua DCTF antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Em que pese a referência do dispositivo legal citado à declaração de prestação de informações indispensáveis ao lançamento, admitese, por analogia, sua aplicação quanto à retificação de débitos apurados pelo sujeito passivo e confessados em DCTF, como assevera LEANDRO PAULSEN, que assim leciona: “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendose em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculados a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o §1º do art. 147, tem sido bastante invocado e aplicado para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata e. a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações” (...) Fl. 186DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 12ª edição, Livraria do Advogado, ESMARFE, Porto Alegre, 2010, p. 1026) Resta claro, portanto, que acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já iteradamente por esta Eg. Turma Especial, em consonância com o CARF. Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. O contribuinte, em suma, busca comprovar a materialidade de seu crédito, não se estendendo muito em argumentos, porém sendo deveras consistente na juntada de prova. Para demonstrar a materialidade de seu crédito, o Recorrente apresenta DCTF retificadora, o livro razão analítico, a decomposição de seus créditos dos diversos períodos nas diversas DCOMP’s que apresentou, bem como a recomposição de sua contabilidade e as notas fiscais de venda do período objeto do presente processo. Ao analisar a documentação, todavia, não pude verificar com precisão o quantum relativo ao crédito oferecido pelo Recorrente. Isso porque os valores totais das notas fiscais correspondem ao seus valores contábeis, e não há um descritivo que indique, com segurança para o julgador, que a variação no faturamento decorre exatamente do percentual de IPI e de ICMS/ST aplicável para os produtos objeto das notas fiscais consideradas. De fato, há uma demonstração de que houve uma variação na apuração da base do PIS e da COFINS. No entanto, não pode ser atribuída ao julgador – até pelo momento processual, em que apenas excepcionalmente seria aceita a juntada de prova, por haver comprovação de plano da materialidade do crédito – a tarefa de (i) verificar a legislação do IPI e do ICMS da UF aplicável a cada Nota Fiscal, e enfim (ii) conferir se a variação do faturamento realmente corresponde à diferença da inclusão/exclusão desses montantes da composição do faturamento do Recorrente. Friso que, diferentemente do que dispõem as leis 9715/98 e a LC 70/91, o regime não cumulativo do PIS e da COFINS não possui disposição legal expressa (seja nas leis 10.637/2002 ou na lei 10.833/2003) afastando o IPI e o ICMS/ST das suas respectivas bases de cálculo. Nesse sentido, vale frisar que o esforço do sujeito passivo em demonstrar a materialidade de seus créditos inclui, além de apenas apresentar toda a documentação probante, explicar sua relevância no contexto do processo de revisão da compensação. Assim sendo, diante da impossibilidade de se verificar cabalmente a procedência dos argumentos do sujeito passivo, não há fundamentos para que excepcionalmente se promova agora a retificação da DCTF e a homologação da compensação promovida pela Recorrente. Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Fl. 187DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.984330/200983 Acórdão n.º 3802001.769 S3TE02 Fl. 115 9 Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 188DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10215.720038/2006-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CHEQUES DEVOLVIDOS. ESTORNOS.
No âmbito da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, os cheques devolvidos e os valores estornados não entram no cômputo dos rendimentos omitidos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. COMISSÃO DE VENDAS. APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL.
Comprovado nos autos que parte dos depósitos efetuados na conta do contribuinte referem-se a venda intermediada pelo contribuinte tributa-se integralmente o valor da comissão recebida, cabendo a ele o ônus de comprovar que a comissão era partilhada com o outro co-titular.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA. PRÓ-LABORE. APURAÇÃO DA OMISSÃO.
Comprovado nos autos que parte dos depósitos efetuados na conta do contribuinte referem-se a pró-labore por ele recebido, cabe tributar como omissão apenas o valor que comprovadamente exceder ao valor do pró-labore declarado no mesmo ano-calendário.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SOCIEDADE CONJUGAL. RENDIMENTOS DO CÔNJUGE.
A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, no âmbito da sociedade conjugal, deve-se considerar como recursos os rendimentos comprovadamente auferidos pelos cônjuges.
GANHO DE CAPITAL. VALOR DE ALIENAÇÃO DO IMÓVEL RURAL. VTN DECLARADO. SUB-AVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO.
A partir do ano-calendário 1997, para fins de apuração do ganho de capital, o valor de alienação, em regra, será o valor do VTN declarado no ano correspondente. Contudo, caracterizada a sub-avaliação pela diferença entre o valor informado na DITR e o informado na DIRPF, ratificado por contrato particular de compra e venda de imóvel rural, autorizado está o fisco em considerar como valor de alienação o preço efetivo da transação.
AJUSTE ANUAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
Na apuração do imposto devido no ajuste anual, a alíquota a ser aplicada dependente do total dos rendimentos auferidos no ano, ou seja, da soma dos valores declarados com as omissões apuradas pela fiscalização.
Numero da decisão: 2202-002.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos, sanando os vícios apontados e atribuindo efeito infringente, excluir da base de cálculo do lançamento, além dos valores já excluídos no acórdão embargado, o valor de R$ 5.046,63, no ano-calendário de 2002, e R$ 87.920,00, no ano-calendário de 2003. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga que dava provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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OMISSÃO. Acolhemse os embargos declaratórios quando demonstrado que no acórdão vergastado houve omissão de ponto sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado, procedendose o devido saneamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CHEQUES DEVOLVIDOS. ESTORNOS. No âmbito da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, os cheques devolvidos e os valores estornados não entram no cômputo dos rendimentos omitidos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. COMISSÃO DE VENDAS. APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Comprovado nos autos que parte dos depósitos efetuados na conta do contribuinte referemse a venda intermediada pelo contribuinte tributase integralmente o valor da comissão recebida, cabendo a ele o ônus de comprovar que a comissão era partilhada com o outro cotitular. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA. PRÓ LABORE. APURAÇÃO DA OMISSÃO. Comprovado nos autos que parte dos depósitos efetuados na conta do contribuinte referemse a prólabore por ele recebido, cabe tributar como omissão apenas o valor que comprovadamente exceder ao valor do prólabore declarado no mesmo anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 00 38 /2 00 6- 34 Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.468 2 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SOCIEDADE CONJUGAL. RENDIMENTOS DO CÔNJUGE. A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, no âmbito da sociedade conjugal, devese considerar como recursos os rendimentos comprovadamente auferidos pelos cônjuges. GANHO DE CAPITAL. VALOR DE ALIENAÇÃO DO IMÓVEL RURAL. VTN DECLARADO. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. A partir do anocalendário 1997, para fins de apuração do ganho de capital, o valor de alienação, em regra, será o valor do VTN declarado no ano correspondente. Contudo, caracterizada a subavaliação pela diferença entre o valor informado na DITR e o informado na DIRPF, ratificado por contrato particular de compra e venda de imóvel rural, autorizado está o fisco em considerar como valor de alienação o preço efetivo da transação. AJUSTE ANUAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Na apuração do imposto devido no ajuste anual, a alíquota a ser aplicada dependente do total dos rendimentos auferidos no ano, ou seja, da soma dos valores declarados com as omissões apuradas pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos, sanando os vícios apontados e atribuindo efeito infringente, excluir da base de cálculo do lançamento, além dos valores já excluídos no acórdão embargado, o valor de R$ 5.046,63, no anocalendário de 2002, e R$ 87.920,00, no anocalendário de 2003. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga que dava provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente e Redator Designado (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior e Rafael Pandolfo. Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.469 3 Relatório Em sessão plenária de 28/11/2011, foi julgado por esta Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF o recurso no 167.617, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão no 220201.475 (fls. 964 a 988), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA 182 DO TFR. INAPLICABILIDADE A Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recurso, não se aplica aos lançamentos efetuados com base na presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42, da Lei no 9.430, de 1996. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CHEQUES DEVOLVIDOS ESTORNOS. No âmbito da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, os cheques devolvidos e os valores estornados não entram no cômputo dos rendimentos omitidos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Classificase como omissão de rendimentos, a oscilação positiva observada no estado patrimonial do contribuinte, sem respaldo em rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, não logrando o contribuinte apresentar documentação capaz de ilidir a tributação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte demonstrar que possui Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.470 4 recursos com origem em rendimentos tributáveis, isentos, ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO IMÓVEL RURAL. VTN DECLARADO. A partir do anocalendário 1997, para fins de apuração do ganho de capital, considerase custo de aquisição do imóvel rural o valor do VTN efetivamente informado na DITR correspondente. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência, relativo ao anocalendário de 2003, o valor de R$ 118.171,40. DOS EMBARGOS Intimado do referido Acórdão, em 23/03/2012 (conforme AR de fl. 1226), o contribuinte, com fundamento no art. 65, §1o, inciso II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010), opôs, em 29/03/2012, os Embargos de Declaração de fls. 1227 a 1229, requerendo que seja suprida a deficiência apontada com novo julgamento e prolatação de novo acórdão. DA DISTRIBUIÇÃO Consoante disposto no §2o do art. 65 do RICARF, os presentes autos foram encaminhados a esta Conselheira para manifestação, vindo digitalizados até à fl. 12301. Importa registrar que não foi anexado ao eprocesso o arquivo correspondente ao volume IV do processo físico. Por meio da Informação em Embargos, anexada às fls. 1231 a 1233, foi proposto o acolhimento dos embargos para que o processo fosse novamente submetido à apreciação dos membros desta Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, o que foi acatado por seu presidente, que determinou sua inclusão em pauta para julgamento (fl. 1234). Antes que os autos retornassem para a Conselheira Relatora, o presidente da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF encaminhouos para a Secretaria da Segunda Câmara da Segunda Seção a fim de fossem tomadas as providências necessárias para o saneamento das incorreções na digitalização do presente processo, conforme despacho de fl. 1235. Regularizado os problemas na digitalização do processo, o mesmo foi disponibilizado para esta Conselheira em 07/05/2013, conforme consulta ao Histórico do e processo. O volume IV do processo físico encontrase digitalizado às fls. 1236 a 1466 (última folha digitalizada no eprocesso). 1 Processo digital. O processo físico foi numerado até a fl. 1046 (fl. 963 da digitalização). Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.471 5 Voto Vencido Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. Primeiramente, constatase a tempestividade do apelo, eis que apresentado dentro do prazo regimental de cinco dias, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de segunda instância, em 23/03/2012 (vide AR de fl. 1226), apresentando os embargos em 29/03/2012. 1 Apreciação dos embargos O embargante alega que o acórdão guerreado foi omisso, uma vez que restou consignado no relatório que o processo veio numerado até a fl. 1046 (última folha digitalizada) e, portanto, não foi apreciado material de defesa protocolizado no Protocolo Geral do CARF, no dia 26/01/2011, juntado ao processo a partir daquela folha. Em análise do argüido, verificase que existe petição do contribuinte (fls. 990 a 994), acompanhada dos documentos de fls. 995 a 1216, que embora tenham sido entregues no Protocolo Geral do CARF em 26/01/2011, antes do julgamento de segunda instância (28/11/2011), só foram recepcionados pela secretaria da Segunda Câmara da Segunda Sessão do CARF em 10/01/2012 e incluídos no eprocesso em 12/01/2012 (vide data da autenticação dos documentos), ou seja, depois de prolatada a decisão ora embargada. Evidenciada assim a omissão em relação aos documentos acostados às fls. 990 a 1216, acolhemse os presentes embargos, para sanar o vício apontado pelo embargante, com fulcro no art. 65 do RICARF. 2 Limites dos embargos Conforme consignado no item “1. Limites do Litígio” do voto condutor da decisão recorrida (fl. 973), das infrações apuradas no Auto de Infração de fls. 819 a 825, apenas as quatro primeiras foram objeto de questionamento por parte do contribuinte: (1) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício (comissão de corretagem); (2) acréscimo patrimonial a descoberto; (3) ganho de capital; e (4) omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários de origem não comprovada. Convém lembrar que, de acordo com o art. 65 do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF2, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (publicada no DOU de 23/ 06/2009):“Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” (grifei) 2 De acordo com o art. 49 da Lei nº11.941, de 27 de maio de 2009, foram tranferidas para o CARF as atribuições e competências do Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e suas respectivas câmaras e turmas. Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.472 6 Importante destacar que o acolhimento dos embargos não significa o reexame de matéria já devidamente apreciada pelo Colegiado de Segundo Grau, restringindose a sanar a omissão em relação aos documentos de fls. 990 a 1216 naquilo que represente, de fato, ponto sobre o qual a Relatora deveria ter se pronunciado e não o fez. Dessa forma, procederseá ao exame de cada um dos argumentos expostos na petição de fls. 990 a 994, protocolizada pelo contribuinte em 26/01/2011 e acompanhada dos documentos de fls. 995 a 1216, a fim de se averiguar pontualmente aqueles que não foram submetidos a apreciação anterior por este Colegiado, sanandose, assim, eventuais omissões. 3 Saneamento das omissões O contribuinte apresentou, em 26/01/2011, a petição de fls. 990 a 994, acompanhada dos documentos de fls. 995 a 1216, na qual apresenta razões requer sejam apreciadas com o Recurso Voluntário anteriormente interposto, as quais podem ser assim sintetizadas: 1. Inicialmente, alega que houve equívoco quanto às considerações arroladas no Recurso Voluntário protocolizado em 20/08/2008, em relação ao ganho de capital, e, por isso, “pedese que seja desconsiderado o inteiro teor dos parágrafos 3o, 4o e 5o da mencionada folha 7 do Recurso” (fl. 990). 2. Receitas não comprovadas 2.1 O contribuinte alega que a fiscalização considerou os lançamentos bancários provenientes de vendas efetuadas à Distribuidora e Empacotadora Curuai Ltda. como receitas não comprovadas, contudo às fls. 454, 455, 456 e 457 encontramse as notas fiscais emitidas pela Mato Grosso Cereais Ltda para Distribuidora e Empacotadora Curuai Ltda., que efetuou o pagamento por meio dos cheques ora juntados, em cujos versos está grafada a palavra “CURUAI”. Requer, assim, que seja excluída do lançamento a quantia de R$17.320,00. Aduz que parte dos cheques depositados nesta operação foram devolvidos e encontramse indicados na relação geral dos cheques devolvidos (Anexo IX destas razões). 2.2 Em relação à comissão de vendas de resíduos de cereais à JAIR LUIZ FACCIO, conforme Nota Fiscal no 089 (item 2, da fl. 344 dos autos), o recorrente junta dois TED de pagamentos, nos valores de R$15.000,00 e R$10.000,00, de 17/03/2003 e 28/03/2003, respectivamente, requerendo a exclusão desses valores. 2.3 O suplicante defende que, na fl. 346 dos autos, “juntou as Notas Fiscais de Produtor Rural no 064 e 073, conforme cópias juntadas no Anexo IV desta defesa, as quais justificam os depósitos nos dias 10/07, 19/09 e 15/12/2003, nos valores respectivos de R$50.000,00; R$50.000,00 e R$30.000,00 na conta corrente n. 31.5212, agência 130 9, do Banco do Brasil S/A, no montante de R$130.000,00, devendo, por isso, ser excluída do lançamento a importância de R$130.000,00” (fl. 991). 2.4 O contribuinte afirma que: 2.4.1 o auditor fiscal considerou como depósitos não justificados efetuados na conta no 31.5212 do Banco do Brasil S/A, os valores de R$1.080,00 e R$2.000,00, em Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.473 7 04/09/2003 e 26/09/2003, contudo tais depósitos foram estornados conforme aviso juntado no Anexo V desta defesa, pugnando pela sua exclusão; 2.4.2 o valor de R$500,00 creditado na conta corrente no 9.3924 do Banco do Brasil, em 05/03/2003, e o valor de R$765,00 creditado na conta corrente no 1.3358 do Banco do Brasil, em 07/03/2003, são oriundos de prólabore, conforme justificativa juntada à fl. 163 dos autos, devendo por isso serem excluídos do lançamento; 2.4.3 o auditor considerou o desbloqueio de R$62.544,00, em 21/07/2003, na conta no 31.5214 do Banco Brasil S/A, como receita comprovada, alegando, contudo, que desse valor foram devolvidos dois cheques de R$11.200,00 e R$7.640,00, totalizando R$18.840,00, conforme comprovantes juntados aos Anexos X e XI desta defesa, os quais foram reapresentados e desbloqueados junto com outros cheques no dia 24/07/2003, no valor total de R$20.035,00, ocasionando tributação em duplicidade. Assim, esses dois cheque devem ser excluídos do desbloqueio de R$20.035,00, de 24/07/2003, por estarem caracterizados como receita comprovada (rendimento de corretagem). 3. Omissão de rendimentos 3.1 O contribuinte alega que o auditor fiscal considerou como omissão de rendimentos, a título de prólabore: 3.1.1 dois depósitos de R$500,00 cada, na conta corrente no 9.3924 do Banco da Amazônia, em 19/04/2002 (fl. 20 do relatório fiscal), quando existe um único depósito, devendose excluir do lançamento a quantia R$500,00; 3.1.2 o valor de R$1.000,00, em 02/01/2003, depositado na conta no 13358, contudo no o mês de janeiro foi dado um adiantamento de R$2.000,00, não recebendo nada no mês seguinte e declarando R$12.000,00, ou seja, R$1.000,00 por mês, razão pela qual entende ser indevido o lançamento da omissão de prólabore nessa situação. 4. Tributação efetuada sobre cheques devolvidos 4.1 O recorrente sustenta que foram lançados indevidamente cheques devolvidos por falta de fundos conforme relatório anexo, no total de R$274.814,45, pugnando pela exclusão desses cheques, conforme Avisos de Lançamentos do Banco do Brasil nos quais estão registrados os desbloqueios dos cheques devolvidos (anexo IX), acompanhados dos lançamentos de débitos de devolução de cheques depositados (anexo IXA). 5. Acréscimo patrimonial a descoberto 5.1 O contribuinte alega que, na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, não foram considerados os seguintes valores: 5.1.1 férias e adiantamento de 13o salário, recebidos no dia 22/07/2002 e no mês 04/2002, respectivamente, nos montantes de R$5.135,02 e R$1.120,05, pertencentes ao cônjuge do recorrente, senhora Lizete Maria P. Casagrande; Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.474 8 5.1.2 a quantia de R$2.908,63, referente ao salário do mês de junho do cônjuge do recorrente, consoante fl. 632 dos autos. 5.2 A DRJ/Belém teria cometido equívoco na apreciação da Impugnação quanto ao valor do patrimônio a descoberto, pois nas fls. 632 a 634 registra R$24.403,29, enquanto que na fl. 916, foi indicado o valor de R$25.200,87, sendo correto o valor menor. 6. Ganho de capital 6.1 O recorrente alega que, pela legislação em vigor na data da ocorrência do fato gerador, o ganho de capital era apurado pela diferença positiva entre o VTN declarado no ano da alienação e o VTN declarado no ano da aquisição, reportandose ao art. 19, parágrafo único, da Lei no 9.393, de 1996. Logo, o ganho de capital seria de R$1.000,00, uma vez que o VTN na alienação é R$1.000,00 e VTN de aquisição R$0,00, conforme fls. 708 e 714 dos autos. 7. Rendimentos omitidos a título de corretagem 7.1 O contribuinte argumenta que a decisão recorrida reconheceu que a tributação deveria incidir sobre 50% dos rendimentos, por se tratar de conta conjunta e, portanto, os valores consignados às fls. 14 e 15 do relatório fiscal devem ser também partilhados ao meio, alterando o valor tributável de R$32.773,49, para R$16.386,75. 8. Rendimento da atividade rural 8.1 O recorrente alega que os rendimentos da atividade rural foram calculados contrariando o disposto no 9o, §§2o, da Lei no 9.250, de 1995, que determina que “A falta de escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo a razão de vinte por cento da receita bruta do ano calendário.” Aduz que em sua impugnação apresentou os demonstrativos de receitas com as notas fiscais de produtor rural e o demonstrativo de despesa, conforme correspondência acostada à fl. 27 dos autos, itens 11 e 12. 8.2 Embora a decisão recorrida afirme que o enquadramento da fiscalização estaria correto, o interessado alega (fl. 993): [...] Enquadrou, mas não obedeceu a legislação quanto a alíquota de 15% incidente sobre a base de calculo e não de 27.5% como consta do lançamento. Aliás, relativo a este item, como consta na documentação acima mencionada, o recorrente declarou, calculou e recolheu o imposto referente ao ano base de 2003, exercício 2004 antes da fiscalização, devendo o cálculo desta exação ser refeito com a aplicação de alíquota de 15%, e do montante apurado descontar o valor de RS169.413,17, já recolhido integralmente ao Fisco. 9. Lançamentos com data de novembro/2005 9.1 Por fim, o recorrente requer que os valores lançados com data de novembro/2005, como receita não comprovada, às fls. 8 e 9 do relatório fiscal, fora do período fiscalizado, sejam excluídos. Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.475 9 Em seguida, passase a análise dos argumentos do contribuinte acima sintetizados, agrupandoos por infração. 3.1 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA 3.1.1 Tributação efetuada sobre cheques devolvidos O recorrente alega que foram lançados indevidamente cheques devolvidos por falta de fundos, o que já havia sido minuciosamente examinado pela decisão recorrida, conforme trecho do voto condutor que a seguir transcrevese (fls. 978 a 984): Por fim, resta analisar os valores dos cheques devolvidos e/ou estornados, que, segundo o recorrente, totalizam R$745.746,50. A decisão guerreada não acatou o pleito do contribuinte sob o argumento de que os cheques devolvidos não guardavam nenhuma conexão com os depósitos feitos (fl. 921). O interessado afirma que, à época, os cheques, além de não serem individualizados, eram depositados em lotes, de maneira que o detalhamento nos extratos só passou a ser feitos após a vigência do Código de Defesa do Consumidor bancário, criado pela Resolução do Banco Central no 2892/08. Em análise do argüido, assiste razão ao interessado, em parte. De fato, os depósitos em cheques eram feitos em lote e, por esse motivo, muitas vezes os cheques devolvidos não guardavam qualquer relação com os valores da liberação dos depósitos bloqueados, a não ser que os valores fossem exatamente iguais, ou seja, todos os cheques de um mesmo lote fossem devolvidos. No que se refere ao estorno, este normalmente corresponde a uma operação inversa de mesmo valor. Além disso, para que se possa chegar a uma conclusão sobre o assunto, deve se analisar cada devolução de cheque e estorno que o contribuinte pretende excluir para verificar se houve no mesmo dia um crédito referente a depósito liberado (ou um crédito, no caso de estorno) em valor igual ou superior e se este foi considerado pela fiscalização para fins de tributação. Os cheques devolvidos e os estornos relacionados pelo contribuinte às fls. 942 a 948 foram examinados confrontandose com os valores tributados pelo fisco como depósitos bancários de origem não comprovada creditados na conta no 31.5214 do Banco do Brasil (fls. 830 a 834) e com os extratos bancários anexados às fls. 73 a 125. O resultado dessa análise encontrase sumarizado na tabela a seguir. Data Cheque Devolvido ou Estorno Valor a Excluir Observação 18/06/03 1.693,00 1.693,00 18/06/03 1.100,00 1.100,00 20/06/03 92,66 0,00 Crédito não tributado 30/06/03 193,74 193,74 16/07/03 10.000,00 10.000,00 21/07/03 11.200,00 0,00 Crédito não tributado 21/07/03 7.640,00 0,00 Crédito não tributado Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.476 10 Data Cheque Devolvido ou Estorno Valor a Excluir Observação 25/07/03 3.400,00 3.400,00 28/07/03 1.110,00 1.110,00 28/07/03 3.145,00 3.145,00 30/07/03 1.110,00 1.110,00 30/07/03 3.145,00 3.145,00 31/07/03 1.150,00 0,00 Crédito não tributado 04/08/03 150,00 150,00 04/08/03 1.600,00 1.600,00 06/08/03 1.428,00 1.428,00 06/08/03 1.683,00 1.683,00 08/08/03 1.600,00 1.600,00 19/08/03 1.394,50 1.394,50 19/08/03 344,00 344,00 21/08/03 27.610,00 0,00 Dois créditos do mesmo valor, só um tributado 25/08/03 344,00 344,00 27/08/03 900,00 900,00 27/08/03 2.520,00 2.520,00 28/08/03 9.380,90 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 29/08/03 205,00 205,00 29/08/03 900,00 900,00 29/08/03 2.520,00 2.520,00 01/09/03 394,00 394,00 01/09/03 780,00 780,00 03/09/03 16.750,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 03/09/03 4.050,00 4.050,00 03/03/03 7.525,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 03/09/03 16.750,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 03/09/03 7.525,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 04/09/03 1.080,00 1.080,00 04/09/03 9.380,90 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 08/09/03 4.050,00 4.050,00 08/09/03 7.525,00 0,00 Crédito não tributado 08/09/03 7.525,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 09/09/03 328,77 328,77 Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.477 11 Data Cheque Devolvido ou Estorno Valor a Excluir Observação 09/09/03 205,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 09/09/03 2.530,00 2.530,00 09/09/03 205,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 10/09/03 288,50 288,50 17/09/03 1.350,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 17/09/03 3.438,50 3.438,50 19/09/03 1.350,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 18/09/03 1.134,25 1.134,25 18/09/03 951,00 951,00 18/09/03 206,00 206,00 19/09/03 1.350,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 19/09/03 408,80 408,80 19/09/03 330,00 330,00 19/09/03 288,50 288,50 19/09/03 3.438,50 3.438,50 19/09/03 2.000,00 2.000,00 24/09/03 408,80 408,80 24/09/03 330,00 330,00 24/09/03 1.134,25 1.134,25 26/09/03 2.000,00 0,00 26/09/03 2.000,00 2.000,00 26/09/03 800,00 800,00 25/09/03 20.500,00 20.500,00 25/09/03 410,00 410,00 02/10/03 927,50 0,00 Crédito não tributado 02/10/03 2.811,80 0,00 Crédito não tributado 02/10/03 1.500,00 0,00 Crédito não tributado 03/10/03 13.019,03 0,00 Crédito não tributado 03/10/03 167,00 0,00 Crédito não tributado 03/10/03 800,00 0,00 Crédito não tributado 03/10/03 800,00 0,00 Crédito não tributado 08/10/03 927,50 927,50 08/10/03 2.811,80 2.811,80 08/10/03 800,00 800,00 08/10/03 500,00 500,00 08/10/03 800,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.478 12 Data Cheque Devolvido ou Estorno Valor a Excluir Observação não tributado 09/10/03 167,00 167,00 13/10/03 15.933,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 14/10/03 4.286,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 14/10/03 2.485,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 14/10/03 2.485,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 15/10/03 5.000,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 15/10/03 5.000,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 17/10/03 4.286,00 4.286,00 17/10/03 2.485,00 2.485,00 17/10/03 2.485,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 21/10/03 3.712,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 21/10/03 2.200,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 21/10/03 2.430,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 21/10/03 2.200,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 21/10/03 2.430,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 23/10/03 2.200,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 23/10/03 2.200,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 24/10/03 600,00 600,00 24/10/03 390,00 390,00 27/10/03 963,00 963,00 27/10/03 76,70 76,70 27/10/03 1.440,00 1.440,00 27/10/03 2.403,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 28/10/03 1.854,00 1.854,00 28/10/03 2.908,00 2.908,00 28/10/03 1.550,00 1.550,00 28/10/03 600,00 600,00 28/10/03 390,00 390,00 28/10/03 603,50 603,50 Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.479 13 Data Cheque Devolvido ou Estorno Valor a Excluir Observação 29/10/03 3.473,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 29/10/03 3.000,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 29/10/03 1.000,00 0,00 Crédito não tributado 29/10/03 1.440,00 0,00 Crédito não tributado 29/10/03 2.440,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 30/10/03 1.854,00 0,00 Crédito não tributado 30/10/03 1.550,00 0,00 Crédito não tributado 30/10/03 76,70 0,00 Crédito não tributado 31/10/03 4.500,00 4.500,00 31/10/03 5.763,96 5.763,96 31/10/03 3.730,00 3.730,00 31/10/03 2.906,00 2.906,00 31/10/03 4.380,00 4.380,00 31/10/03 2.572,00 2.572,00 31/10/03 5.577,00 5.577,00 03/11/03 3.000,00 3.000,00 07/11/03 326,00 326,00 07/11/03 300,00 300,00 10/11/03 200,00 200,00 11/11/03 4.500,00 4.500,00 11/11/03 5.763,96 5.763,96 11/11/03 3.730,00 3.730,00 11/11/S3 2.906,00 2.906,00 11/11/03 4.380,00 4.380,00 11/11/03 2.572,00 2.572,00 11/11/03 5.577,00 5.577,00 11/11/03 326,00 326,00 11/11/03 300,00 300,00 11/11/03 2.550,00 2.550,00 11/11/03 900,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 11/11/03 900,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 12/11/03 1.991,00 1.991,00 12/11/05 1.199,00 1.199,00 12/11/03 900,00 900,00 12/11/03 587,00 587,00 12/11/03 440,00 440,00 Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.480 14 Data Cheque Devolvido ou Estorno Valor a Excluir Observação 12/11/03 100,00 100,00 13/11/03 2.550,00 2.550,00 13/11/03 900,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 13/11/03 24,00 24,00 13/11/03 259,00 259,00 13/11/03 900,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 14/11/03 900,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 14/11/03 200,00 200,00 14/11/03 1.199,00 1.199,00 14/11/03 900,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 14/11/03 440,00 440,00 14/11/03 900,00 900,00 17/11/03 96,63 96,63 17/11/03 100,00 100,00 18/11/03 900,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 18/11/03 24,00 24,00 18/11/03 259,00 259,00 18/11/03 900,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 18/11/03 11.108,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 19/11/03 31.790,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 19/11/03 44.790,00 0,00 Dois créditos do mesmo valor, só um tributado 20/11/03 96,63 96,63 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 21/11/03 40.000,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 21/11/03 1.000,00 1.000,00 21/11/03 42.850,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 21/11/03 42.000,00 0,00 Dois créditos do mesmo valor, só um tributado 21/11/03 1.000,00 1.000,00 24/11/03 6.196,00 0,00 Débito e crédito do mesmo valor, não tributado 26/11/03 40.000,00 40.000,00 26/11/03 1.000,00 1.000,00 26/11/03 1.000,00 1.000,00 Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.481 15 Data Cheque Devolvido ou Estorno Valor a Excluir Observação 25/11/03 11.847,22 0,00 Dois créditos do mesmo valor, só um tributado 26/11/03 42.000,00 0,00 Dois créditos do mesmo valor, só um tributado Total 745.746,50 236.342,79 Em síntese, os cheques devolvidos foram excluídos sempre que, no mesmo dia, existe um valor corresponde a liberação de depósitos bloqueados em montante maior ou igual àqueles e esse crédito foi tributado pela fiscalização. Os estornos foram excluídos sempre que se identificou que o valor do crédito correspondente foi tributado pela fiscalização. Por outro lado, não houve exclusão nas seguintes situações: · “Crédito não tributado”: quando não existe liberação de depósitos bloqueados no mesmo dia ou esta é inferior ao valor do cheque devolvido; · “Débito e crédito do mesmo valor, não tributado”: quando existe um débito e crédito do mesmo valor no dia e esse valor não foi tributado; · “Dois créditos do mesmo valor, só um tributado”: quando existe um débito e dois créditos do mesmo valor no dia e apenas um dos créditos foi tributado. Dessa forma, considerandose que a conta ora analisada é conjunta, devese excluir do valor a ser tributado 50% dos cheques devolvidos ou dos estornos acima indicados, ou seja, R$118.171,40, no anocalendário 2003. Examinandose a “Relação Créditos Tributados com Cheques Devolvidos incluídos e Tributados Integralmente” (fls. 1095 a 1099), a “Relação de Avisos de Lançamentos Dos Desbloqueios” (Anexo IX – fls. 1101 e 1102) e a Relação dos Avisos de Lançamentos de Cheques Devolvidos” (Anexo IXA – fls. 1147 a 1149), verificase que todos os valores neles indicados constam da tabela anteriormente transcrita extraída da decisão recorrida e, portanto, já foram devidamente apreciados pelo Colegiado. Ressaltese que a tabela foi construída a partir dos cheques devolvidos e dos estornos relacionados pelo próprio contribuinte às fls. 942 a 948, na qual para cada débito (cheque devolvido ou estorno) existe um crédito correspondente. Nesse caso, caberia ao contribuinte ter apontado objetivamente alguma omissão, contradição ou obscuridade na análise feita, o que não ocorreu nos presentes embargos (fls. 1228 e 1229), que se limitou a apontar omissão em relação aos documentos de fls. 990 a 1216. 3.1.2 Vendas à Distribuidora e Empacotadora Curuai Ltda O recorrente pugna pela exclusão das vendas efetuadas à Distribuidora e Empacotadora Curuai Ltda, no valor de R$17.320,00, consideradas pela fiscalização como “receitas não comprovadas”, visto que às fls. 454, 455, 456 e 457 encontramse as notas fiscais emitidas pela Mato Grosso Cereais Ltda para Distribuidora e Empacotadora Curuai Ltda., cujo pagamento foi efetuado por cheques cujas cópias foram por ele juntadas aos autos. Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.482 16 Compulsandose os autos, verificase que o contribuinte em resposta à intimação fiscal havia indicado tal operação para comprovar um depósito em valor um pouco superior (R$17.820,00, em 18/09/2003) à fl. 997, o que foi aceito pelo auditor fiscal que excluiu tal depósito dos “Depósitos/Créditos Bancários de Origem não Comprovada” (fls. 829 a 834) e acatou a justificativa de que se trata de comissão sobre vendas e como tal foi tributado (vide fl. 839). Assim, descabe a pretensão do contribuinte neste item. 3.1.3 Comissão de vendas de resíduos O contribuinte alega que os créditos de R$15.000,00 e R$10.000,00, efetuados em 17/03/2003 e 28/03/2003, referemse à comissão de vendas de resíduos de cereais à Jair Luiz Faccio, por meio da Nota Fiscal no 089 (vide item 2 da fl. 344 dos autos), juntando dois TED de pagamentos, nos quais está consignado o nome do suposto adquirente (fls. 1070 e 1071). A referida nota fiscal não foi localizada e tampouco há outra prova de que a operação alegada teria ocorrido de fato. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, a mera indicação do nome do depositante não basta para comprovar a origem dos depósitos. Importa destacar que, quando o art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, exige a comprovação da origem dos recursos utilizados nos depósitos ou créditos feitos nas contas bancárias do contribuinte, esta não se restringe à identificação de quem efetuou o depósito ou crédito, mas também a que título estes valores foram recebidos. É necessário, por isso, ficar claro a natureza da operação envolvida, pois apenas os valores cuja origem for comprovada é que serão excluídos da tributação prevista na presunção legal. Esta concepção da origem dos recursos é que justifica, no meu entender, a existência do §2o do mesmo artigo, determinando que “Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Como saber a que regras um rendimento está submetido se desconheço a sua natureza? Caso se adotasse um entendimento diverso do aqui exposto, bastaria ao contribuinte identificar o emitente de cada cheque depositado ou ordenador de cada crédito efetuado em suas contas bancárias para eximirse do ônus que presunção do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, lhe impõe, o que, a meu ver, não é o que pretendeu o legislador. Destarte, mantémse a tributação dos depósitos questionados neste item. 3.1.4 Depósitos nos dias 10/07, 19/09 e 15/12/2003, nos valores de R$50.000,00, R$50.000,00 e R$30.000,00 Não obstante o contribuinte alegue que teria juntado à fl. 346 as Notas Fiscais de Produtor Rural nos 064 e 073, verdade é que naquela ocasião foi feita apenas a indicação de tais notas fiscais, no valor total de R$126.488,96, que justificariam os depósitos efetuados nos dias 10/07, 19/09 e 15/12/2003, nas quantias de R$50.000,00; R$50.000,00 e R$30.000,00. As Notas Fiscais de Produtor Rural nos 064 e 073 foram juntadas somente com as razões de defesa que ora se aprecia (Anexo IV – fls. 1073 e 1074), tendo como Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.483 17 adquirente a empresa Mato Grosso Cereais Ltda. Contudo, essas mesmas notas fiscais, junto com as Notas Fiscais de Produtor nos 63, 65, 70, 74 e 75 foram indicadas pelo contribuinte para justificar outros sete depósitos, nos valores de R$20.000,00, R$90.000,00, R$12.000,00, R$24.000,00, R$105.000,00, R$299.000,00 e R$20.875,00 (fls. 163), totalizando R$570.875,00, os quais já foram considerados pela fiscalização como rendimentos da atividade rural (fls. 836 e 837). Embora nos TED e no comprovante de depósito anexados às fls. 532, 537 e 535 conste que os créditos bancários em discussão teriam sido efetuados pela Mato Grosso Cereais Ltda, conforme já esclarecido no item anterior, não basta identificar o depositante, é necessário comprovar a natureza da operação para que se considere comprovada a origem dos depósitos e, dessa forma, os mesmos possam ser excluídos da tributação, nos termos do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Destarte, mantémse o lançamento em relação aos depósitos questionados neste item. 3.1.5 Depósitos nos valores de R$1.080,00 e R$2.000,00, efetuados em 04/09/2003 e 26/09/2003 Examinandose com atenção a tabela de fls. 979 a 983, anteriormente transcrita, observase que a decisão embargada já excluiu tais depósitos, não havendo portanto reparos a fazer. Cabe esclarecer que, no dia 26/09/2003, constam do extrato bancário à fl. 103 dois créditos no valor de R$2.000,00 – um “Dep.ch.liberado” e um “Desbloq.depósito” – e dois débitos no mesmo valor – um estorno e um cheque devolvido. Foi tributado apenas um depósito de R$2.000,00 (fl. 832), razão pela qual a decisão recorrida excluiu apenas um valor de R$2.000,00 (fl. 980). 3.1.6 Créditos oriundos de prólabore O recorrente alega que dois depósitos foram indevidamente tributados, pois referemse a créditos oriundos de prólabore: o valor de R$500,00 que, segundo o interessado, teria sido creditado na conta corrente no 9.3924 do Banco do Brasil (na verdade a conta é do Banco da Amazônia), em 05/03/2003; e o valor de R$765,00 creditado na conta corrente no 1.3358 do Banco do Brasil, em 07/03/2003. Além dos extratos bancários, e de informação fornecida por ele próprio, o contribuinte não apresentou documento que comprovasse que tais depósitos eram oriundos de prólabore. Assim, entendo que não restou comprovada a origem desses depósitos. 3.1.7 Cheque devolvido e reapresentado com origem comprovada De fato, o auditor considerou o desbloqueio de R$62.544,00, em 21/07/2003, na conta no 31.5214 do Banco Brasil S/A, como receita comprovada, conforme indicado no Termo de Verificação Fiscal à fl. 839, os quais foram tributados como comissão de corretagem recebida no percentual de 1,5% sobre o valor recebido. Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.484 18 O contribuinte alega que desse valor foram devolvidos dois cheques de R$11.200,00 e R$7.640,00, totalizando R$18.840,00, o que é corroborado pelo Aviso de Lançamento fornecido pela instituição financeira (fl. 1105). Por outro lado, foi tributado no dia 24/07/2003, um desbloqueio de depósito no valor total R$20.035,00, como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (fl. 830). Esse valor referese ao depósito de cinco cheques (fl. 1087), dentre eles os dois cheques anteriormente devolvidos (R$11.200,00 e R$7.640,00) e, portanto, o mesmo valor foi novamente tributado, agora como depósitos bancários de origem não comprovada. Comprovada assim a duplicidade do lançamento em relação aos dois cheques devolvidos e em seguida reapresentados, nos valores de R$11.200,00 e R$7.640,00 e considerandose que a conta ora analisada é conjunta, devese excluir da omissão de rendimentos caracterizada como depósitos bancários de origem não comprovada apurada no anocalendário 2003, 50% desse valor, ou seja, R$9.420,00. 3.1.8 Lançamentos com data de novembro/2005 Quanto aos depósitos com data de novembro/2005 indicados às fls. 8 e 9 do relatório fiscal, tratase de mero erro de transcrição no relatório fiscal (fls. 833 e 834). Compulsandose os elementos que compõe os autos, observase que pelos extratos de fls. 116 a 125, esses depósitos referemse a novembro/2003. Além disso, no Termo de Intimação Fiscal no 1.117, de 29/11/2004 (fls. 135 a 148), por meio do qual o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias as datas foram corretamente indicadas no mês de novembro/2003, assim como os valores foram corretamente lançados no Auto de Infração às fls. 823. Dessa forma, mantémse o lançamento em relação aos depósitos do mês de novembro/2003. 3.2 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO (COMISSÃO DE CORRETAGEM) O contribuinte requer que a omissão de rendimentos decorrente da comissão de corretagem sobre 50% dos rendimentos, por se tratar de conta conjunta conforme reconhecido pela decisão recorrida, alternadose o valor tributável de R$32.773,49 para R$16.386,75. Cabe lembrar que a própria fiscalização, constatando que se tratava de conta conjunta, já tributou apenas 50% da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários (vide fls. 830 a 834), tendo em vista o disposto no art. 42, inciso 6o, da Lei no 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.485 19 [...] § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)No caso de contas conjuntas, em que os titulares apresentem declaração em separado, não basta intimar apenas um deles; todos os cotitulares devem ser intimados a comprovar a origem dos créditos que ingressaram na conta bancária, sob pena de nulidade do lançamento, visto que a omissão apurada será partilhada entre eles. No que diz respeito omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício, a infração foi apurada a partir dos depósitos cuja origem foi identificada como comissão de corretagem, atividade assumida pelo contribuinte à fl. 345, que informou receber 1,5% do valor dos créditos, e, portanto, os depósitos foram excluídos da omissão de rendimentos apurado nos termos do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, e foram tributados como comissão recebida no percentual indicado pelo contribuinte (art. 42, §2o, da Lei no 9.430, de 1996). Ressaltese que não há nos autos nada que indique que essa atividade era partilhada com o outro titular da conta fiscalizada, razão pela qual resta prejudicado o pedido do contribuinte de reduzir a base de cálculo dessa infração em 50%. 3.3 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO (PRÓ LABORE) Inicialmente, cumpre salientar que a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica com vínculo empregatício (prólabore) não foi expressamente contestada no Recurso Voluntário protocolizado em 20/08/2008, razão pela qual a decisão recorrida não se manifestou quanto a esta infração, que foi questionada apenas nas razões de defesa que ora se aprecia. Em análise do argüido, assiste razão ao contribuinte em relação aos dois valores questionados. Em 2002, foram tributados como omissão de prólabore dois depósitos de R$500,00, em 19/04/2002, na conta no 9.3924 do Banco da Amazônia (fl. 845), quando no extrato de fl. 33 existe apenas um depósito, devendose, assim, excluir do lançamento a quantia R$500,00, conforme pleiteado. Em 2003, a fiscalização identificou dois depósitos cuja origem seriam pró labore recebidos pelo recorrente: R$2.000,00, em 02/01/2003, e R$1.000,00, em 03/10/2003 (fl. 846). O contribuinte havia declarado R$12.000,00 de prólabore recebidos em todo o ano calendário (fl. 58). A fiscalização rateou o prólabore recebido pelos doze meses, considerado R$1.000,00 por mês, e tributou como omissão de rendimentos R$1.000,00, em janeiro de 2003. Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.486 20 Por outro lado, o contribuinte alega que teria recebido um adiantamento em janeiro e, no mês seguinte, não houve retida. Considerandose que os depósitos identificados como prólabore (R$3.000,00) são inferiores ao valor anual declarado (R$12.000,00) e que a fiscalização não demonstrou que o recebimento de prólabore em montante superior ao informado na DIRPF, entendo que não restou caracterizada a omissão em janeiro de 2003. Destarte, há que se excluir da omissão de rendimentos recebidos a título de prólabore R$500,00, no anocalendário 2002, e R$1.000,00, no anocalendário 2003. 3.4 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO 3.4.1 Equívoca da DRJ/Belém na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto O contribuinte afirma que o julgador a quo teria se equivocado ao indicar o valor de R$25.200,87 no demonstrativo do acréscimo patrimonial a descoberto à fl. 916, enquanto que a fiscalização teria indicado, em seu demonstrativo (fls. 633), R$24.403,26. De fato, houve o erro de transcrição, porém isso não alterou o resultado final, como demonstrado a seguir. Na decisão de primeira instância foram considerados como origem, os saldos anteriores das contas correntes em 31.12.2001 do cônjuge Lisete Maria Casagrande, informados na respectiva declaração de ajuste anual (fl. 884), assim como os valores por ela recebidos a título de CDC e licença prêmio, indicados pelo contribuinte à fl. 872 (vide fl. 916). Refazendose a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, obtémse o seguinte resultado: Valores Lançados Efeitos Decisão DRJ Mês Recursos Aplicações Variação Patrimonial Recursos Incluídos Variação Patrimonial jan/02 165.102,25 38.389,67 126.712,58 8.117,46 134.830,04 fev/02 47.732,92 18.314,85 156.130,65 164.248,11 mar/02 182.429,04 196.788,32 141.771,37 7.495,79 157.384,62 abr/02 5.791,26 16.390,37 131.172,26 2.464,11 149.249,62 mai/02 9.465,75 158.620,63 (17.982,62) 2.016,09 2.110,83 jun/02 56.407,94 80.811,20 (24.403,26) (22.292,43) jul/02 68.055,99 76.873,79 (8.817,80) (8.817,80) ago/02 36.668,88 75.529,99 (38.861,11) (38.861,11) set/02 309.318,58 119.059,72 190.258,86 1.586,80 191.845,66 out/02 56.972,94 75.125,16 172.106,64 173.693,44 nov/02 68.584,07 55.461,24 185.229,47 186.816,27 dez/02 118.685,47 238.797,99 65.116,95 66.703,75 Como se percebe, o valor dos acréscimos patrimoniais a descoberto apurados acima nos meses de junho, julho e agosto de 2002 correspondem aos indicados na conclusão do voto do acórdão de primeiro grau (fl. 927). Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.487 21 3.4.2 Rendimentos do cônjuge O contribuinte requer que sejam considerados como origem no demonstrativo de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto o valor das férias e adiantamento de 13o salário, recebidos no dia 22/07/2002 e no mês 04/2002, respectivamente, nos montantes de R$5.135,02 e R$1.120,05, por seu cônjuge, senhora Lizete Maria P. Casagrande, bem como a quantia de R$2.908,63, referente ao salário do mês de por ela recebido. Examinandose os cálculos da fiscalização, observase que foram computados os rendimentos líquidos recebidos pelo cônjuge do contribuinte (fl. 302), extraídos da DIRF apresentada pela fonte pagadora (fl. 666). Em regra, foi considerado o rendimento bruto menos imposto retido e deduções. No mês de abril/2002, confrontandose a DIRF (fl. 666) com o espelho do contracheque do mês (fl. 1207), observase que a diferença entre os rendimentos brutos informados, R$2.240,11 e R$3.360,16, corresponde à parcela do 13o salário recebida naquele mês (R$1.120,05) e não considerada pela fiscalização. Não obstante no mês de dezembro/2002 o valor considerado pela fiscalização tenha incluído o 13o salário (fl. 302), nesse mês houve sobra de recursos em montante bem superior (fl. 634) e, portanto, considerandose que o contracheque evidencia a antecipação de R$1.120,05 em abril/2002 (fl. 1208), tal valor deve ser computado no acréscimo patrimonial a descoberto nesse mês. Quanto às férias recebidas pelo cônjuge do contribuinte, foi juntado extrato da fonte pagadora no qual consta as seguintes antecipações recebidas em 22/07/2002 (fl. 1207): · R$2.500,20, referente a adiantamento de salário com reposição em 10 meses, sem indicação de trânsito em folha de pagamento; · R$202,02, a título de antecipação de vantagens de férias, com trânsito na folha de pagamento de setembro/2002; · R$1.708,44, a título de antecipação de proventos de férias, com trânsito na folha de pagamento de agosto/2002; · R$724,36, a título de antecipação de adicional de férias, com trânsito na folha de pagamento de setembro/2002. Como se percebe, os valores recebidos a título de antecipação de vantagens de férias (R$202,02), antecipação de proventos de férias (R$1.708,44) e antecipação de adicional de férias (R$724,36), transitaram na folha de pagamento, o primeiro e o terceiro na folha de setembro e o segundo na folha de agosto, e, portanto, estão incluídos no rendimento bruto do mês correspondente informado na DIRF (fl. 666), já considerados pela fiscalização. Contudo, em relação às verbas que transitaram na folha de setembro/2002, uma vez que nesse mês houve sobra de recursos em montante bem superior (fl. 634) e considerandose que o extrato fornecido pela fonte pagadora evidencia a antecipação desses recursos (R$202,02 – antecipação de vantagens de férias; e R$724,36 – antecipação de adicional de férias), no total de R$926,38 no mês de julho/2002, tal valor deve ser computado no acréscimo patrimonial a descoberto nesse mês. Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.488 22 Da mesma forma, devese considerar o adiantamento de salário com reposição em 10 meses, no valor de R$2.500,20, no mês de julho de 2002, considerandose que no extrato de fl. 1207 não há indicação de que o mesmo tenha transitado em folha de pagamento, o que é corroborado pela comparação entre o rendimento bruto informado na DIRF no mês de julho/2002 com o valor total recebido a título de 13o salário consignado na mesma declaração (fl. 666). Destarte, partindose das alterações introduzidas pelo julgador a quo, o total do acréscimo patrimonial a descoberto no anocalendário 2002 passa de R$69.971,34 para R$65.424,71, conforme abaixo demonstrado: Valores Lançados Efeitos Decisão DRJ Efeitos deste Acórdão Mês Recursos Aplicações Variação Patrimonial Recursos Incluídos Variação Patrimonial Recursos Incluídos Variação Patrimonial jan/02 165.102,25 38.389,67 126.712,58 8.117,46 134.830,04 134.830,04 fev/02 47.732,92 18.314,85 156.130,65 164.248,11 164.248,11 mar/02 182.429,04 196.788,32 141.771,37 7.495,79 157.384,62 157.384,62 abr/02 5.791,26 16.390,37 131.172,26 2.464,11 149.249,62 1.120,05 150.369,67 mai/02 9.465,75 158.620,63 (17.982,62) 2.016,09 2.110,83 3.230,88 jun/02 56.407,94 80.811,20 (24.403,26) (22.292,43) (21.172,38) jul/02 68.055,99 76.873,79 (8.817,80) (8.817,80) 3.426,58 (5.391,22) ago/02 36.668,88 75.529,99 (38.861,11) (38.861,11) (38.861,11) set/02 309.318,58 119.059,72 190.258,86 1.586,80 191.845,66 191.845,66 out/02 56.972,94 75.125,16 172.106,64 173.693,44 173.693,44 nov/02 68.584,07 55.461,24 185.229,47 186.816,27 186.816,27 dez/02 118.685,47 238.797,99 65.116,95 66.703,75 66.703,75 Destarte, há que se excluir do acréscimo patrimonial a descoberto no ano calendário 2002 o valor de R$4.546,63. 3.5 GANHO DE CAPITAL O contribuinte alega que houve equívoco quanto às considerações arroladas no Recurso Voluntário protocolizado em 20/08/2008, em relação ao ganho de capital, requerendo que fosse desconsiderado o inteiro teor dos parágrafos 3o, 4o e 5o da folha 7 do referido recurso. Mais adiante, o recorrente questiona o valor de alienação, argumentando que o ganho de capital seria de R$1.000,00, uma vez que o VTN declarado na DITR no ano da alienação é R$1.000,00 e, no ano da aquisição, R$0,00 (fls. 708 e 714 ), reportandose ao art. 19, parágrafo único, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996. É importo transcrever o dispositivo legal mencionado pela defesa: Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.489 23 venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. De acordo com o artigo acima transcrito, a partir do anocalendário 1997, em regra, o valor de alienação será o valor do VTN declarado no ano correspondente, na forma do art. 8o da Lei no 9.393, de 1996, devendose, contudo observar o disposto no art. 14, da mesma lei, que autoriza, no caso de “subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização.” No caso dos autos, a subavaliação restou caracterizada pela diferença entre o valor informado na DITR (R$1.000,00 fl. 714) e o informado na DIRPF/2004 (R$40.000,00 fl. 15), este último ratificado pelo contrato particular de compra e venda de imóvel rural de fls. 702 e 703 e notoriamente superior àquele constante da DITR. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 851 e 852), o valor de alienação do imóvel denominado “Sítio Santa Maria” foi arbitrado em R$35.000,00, a partir do valor de venda constante do Contrato Particular de Compra e Venda do imóvel rural (fls. 702 e 703), deduzido dos valores das benfeitorias e culturas, tomandose por base o art. 19 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, c/c o art. 123, inciso I, do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99. Assim, caracterizada a subavaliação do VTN informado na DITR no ano de alienação, autorizado estava o fisco a arbitrar o referido valor para fins de apuração do ganho de capital, sendo legítima a utilização do preço efetivo da operação extraído da DIRPF correspondente, corroborado por contrato particular fornecido pelo próprio contribuinte. Destarte, mantémse o ganho de capital apurado pela fiscalização. 3.6 ATIVIDADE RURAL Muito embora o contribuinte alegue que os rendimentos da atividade rural foram calculados contrariando o disposto no 9o, §§2o, da Lei no 9.250, de 1995, verdade é que não foi lançado omissão de rendimentos da atividade rural. Ressaltese que a referência feita pela decisão de primeira instância no sentido de “Parte dos créditos/depósitos tiveram sua origem desvelada pelo próprio Auditor Fiscal, que os enquadrou corretamente como Receita da Atividade Rural, fls. 835/838,[...]” (fl. 921), teve como finalidade esclarecer que parte dos depósitos bancárias tiveram sua origem identificadas como oriundos da atividade rural e, por tanto, foram excluídos da omissão apurada nos termos do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Quanto à alíquota aplicada (15%, como pretende o interessado, e 27,5% indicado no Auto de Infração, no anocalendário 2003), convém lembrar que o percentual Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.490 24 dependente do total dos rendimentos auferidos no ano (declarados e omitidos). O imposto devido para o anocalendário 2003 foi apurado à fl. 858 do Auto de Infração, considerandose corretamente a base de cálculo declarada (R$634.509,32) e deduzindose o imposto devido declarado (R$169.413,16), extraídos da DIRPF correspondente (fl. 11), aplicandose com acerto a alíquota de 27,5%. Dessa forma, mais uma vez não assiste razão ao interessado. 10. Conclusão Diante do exposto, voto por ACOLHER os embargos, saneando os vícios apontados para reratificar o Acórdão no 220201.475, de 28/11/2011, com efeitos infringentes, para excluir da base de cálculo do ajuste anual, além dos valores já excluídos pela decisão embargada, R$5.046,63 e R$10.420,00, nos anoscalendário 2002 e 2003, respectivamente. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.491 25 Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O Recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Fundamentação Divergi do bem articulado voto da i. Relatora apenas quanto à comprovação das origens de 05 depósitos, no anocalendário de 2003, a saber: DATA VALOR(R$) 17/03/2003 15.000,00 28/03/2003 10.000,00 17/07/2003 50.000,00 19/09/2003 50.000,00 15/12/2003 30.000,00 TOTAL 155.000,00 Como se trata de conta conjunta, o valor em discussão neste caso corresponde a 50% deste total, ou seja, 77.500,00. Pois bem, entendeu a Relatora, nestes casos, que não bastava, para que se considerassem comprovadas as origens dos depósitos, a identificação dos depositantes; que seria necessário, ainda, a comprovação das operações que deram ensejo aos depósitos. Com a devida vênia, divirjo desse entendimento. Penso que por origem deve se entender a procedência dos recursos aportados à conta bancária, vale dizer, a identificação do depositante. Com esta informação o Fisco teria elementos suficientes para proceder ao lançamento com base na legislação específica e não com base na presunção. Identificado depositante, poderia o Fisco intimar o Contribuinte a comprovar a natureza da operação que ensejou o pagamento; a ausência de resposta neste caso ensejaria o lançamento por omissão de rendimentos, porém com base na legislação específica. É que o artigo 43 do CTN, inciso II, classifica como proventos de qualquer natureza, cuja aquisição de sua disponibilidade econômica ou jurídica configura fato gerador do imposto, todo acréscimo patrimonial. A comprovação da natureza da operação que ensejou o depósito é apenas um elemento adicional para a classificação específica dos rendimentos. Portanto, comprovadas as origens dos depósitos, aqui compreendidas como a identificação dos depositantes, resta afastada a presunção de omissão de rendimentos com fundamento no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, podendo, se for o caso, ser exigido o imposto com base na legislação específica. Assim, em conclusão, além dos valores já considerados pela decisão embargada e das exclusões acatadas pela Relatora, deve ser excluído da base de cálculo, no anocalendário de 2003, o valor de R$ 77.500,00. Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/200634 Acórdão n.º 2202002.381 S2C2T2 Fl. 1.492 26 Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido ACOLHER os embargos, saneando os vícios apontados para reratificar o Acórdão no 220201.475, de 28/11/2011, com efeitos infringentes, para excluir da base de cálculo do ajuste anual, além dos valores já excluídos pela decisão embargada, R$5.046,63 e R$87.920,00, nos anoscalendário 2002 e 2003, respectivamente. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 11516.000935/2009-49
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
ACÓRDÃO. PARTE EXPOSITIVA E EMENTA. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento e motivação do julgado. São parcialmente cabíveis quando oportunizem o aperfeiçoamento do acórdão em ponto não conexo com a obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos.
Numero da decisão: 3803-004.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ACÓRDÃO. PARTE EXPOSITIVA E EMENTA. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento e motivação do julgado. São parcialmente cabíveis quando oportunizem o aperfeiçoamento do acórdão em ponto não conexo com a obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 35 /2 00 9- 49 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Trata o presente de embargos de declaração interpostos pelo Conselheiro Alexandre Kern, contra o Acórdão nº o Acórdão nº 3803003.884, de 31 de janeiro de 2013, com fulcro no art. 65, I, da Portaria MF nº 256, de 9 de junho de 2009 (RI/CARF), requerendo o saneamento da obscuridade que aponta. A obscuridade diz com a falta de exposição do conceito de insumo no voto condutor, em determinados termos, o que o incompatibiliza com o enunciado que conformou a ementa, transcrita a seguir, não havendo como o Colegiado têla votado conforme ficou assentada. Disse ele: “Compulsando o voto condutor do acórdão, constato que o mesmo não declinou o conceito de insumo, para fim de creditamento de contribuição social não cumulativa, nesses termos, de sorte que não há como o Colegiado ter votado a ementa nos termos em que constou na parte inicial do trecho acima transcrito.”. Os termos são os que destacam o signo “sic” ao final de cada oração. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. [...] Insumo dedutível para efeito de Pis não cumulativo, [sic] são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e afetem as receitas tributadas pela contribuição social. [sic] E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gerem despesas, estas devem ser consideradas insumos. É o relatório. Voto Admissibilidade Reza o art. 65 do RI/CARF[1] , regulamentando o art. 535, caput, I e II, do CPC, que os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou quando há omissão de ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Visa este recurso à inteireza, à harmonia lógica e à clareza da decisão, suprimindo dificuldades e óbices à boa compreensão e eficaz execução do julgado, exercendo, assim, uma função corretiva e integradora. Devese ter presente que o pedido contido nos embargos submetese ao juízo de admissibilidade. Este, por sua vez, deve se ater aos pressupostos recursais, que são objetivos, em face dos quais são examinadas a existência e adequação do recurso, a 1 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: (Redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) [...] III pelo Procurador da Fazenda Nacional; (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Fl. 285DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000935/200949 Acórdão n.º 3803004.509 S3TE03 Fl. 285 3 tempestividade, a motivação e a regularidade procedimental, e subjetivos, que em sua virtude são examinados o interesse e a legitimação para recorrer, bem como a inexistência de obstáculo ao poder de recorrer. O Conselheiro embargante recebeu o processo em 3 de abril de 2013 e na mesma data interpôs os presentes embargos. Portanto, os embargos são tempestivos. O pressuposto de existência vêse na alegação do vício de obscuridade que estaria presente no acórdão embargado, presente na falta de exposição do conceito de insumo no voto condutor o que o incompatibiliza com o enunciado da ementa. O pressuposto da adequação está presente por se ajustar o recurso apresentado à previsão legal para a espécie impugnada, a permitir a sua recepção e o seu desenvolvimento válido e regular. Dessa forma, os embargos devem ser conhecidos. Mérito Segundo Marinoni[2], a obscuridade significa falta de clareza no desenvolvimento das idéias que norteiam a fundamentação da decisão. Representa ela hipótese em que a concatenação do raciocínio, a fluidez das idéias, vem comprometida, ou porque exposta de maneira confusa ou porque lacônica, ou ainda porque a redação foi mal feita, com erros gramaticais, de sintaxe, concordância etc., capazes de prejudicar a interpretação da motivação. No acórdão embargado, a controvérsia que fora deslindada com o provimento do recurso foi o reconhecimento do direito a créditos decorrentes das [...]despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FATMA. No voto condutor o direito a tais créditos foi reconhecido sobre a afirmação do Relator [...]por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público:[...] Esta posição foi arrematada adiante, no voto, na forma como segue: Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela 2 MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz. Processo de Conhecimento. 8. ed., v.2. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2010, p. 556. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja (...) Observese que o conceito de insumo como aquele que está marcado pela essencialidade à própria atividade, sem o qual esta a empresa não goza de licença para desenvolvêla está presente na exposição. Este entendimento assentado no acórdão teve o reforço de precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no bojo do qual dispêndios realizados com indumentárias, exigidas pelo Poder Público para o regular desenvolvimento do processo produtivo na indústria alimentícia, foram considerados insumos inerentes à produção. Está referenciado nos termos abaixo: Questão semelhante já foi analisada pelo CARF no PAF n.º 13053.000112/200518 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740, julgado em 09.11.2011 – 3ª Turma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (grifo) Recurso Especial do Procurador Negado. Notese que o conceito de insumo como aquele que possui inerência, também foi demarcado no voto condutor, com o destaque do negrito na ementa do acórdão paradigma pelo próprio Relator. Ao perscrutar o conteúdo da decisão acima, o Relator colheu o contorno dos insumos que se tornam aptos a gerar creditamento, tendo apontado para a sua sorte de, em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, conforme excerto do seu voto, abaixo: Conforme se extrai do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em Fl. 287DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000935/200949 Acórdão n.º 3803004.509 S3TE03 Fl. 286 5 razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional.[g.n.] Não obstante reconhecer o Relator a distinção da atividade econômica sob análise no acórdão paradigma, indicou a semelhança da causa de decidir naquele com a inclusão na base de cálculo dos créditos dos dispêndios relativos à proteção do meio ambiente realizados por imposição do Poder Público. Neste particular, o Relator destacou, inclusive, a inexigibilidade de conduta diversa por parte da Contribuinte e a essencialidade do serviços contratados, que os habilitam a serem definidos como insumo, que geram crédito. Restou implícita na exposição a consideração do insumo como inerente à produção, uma vez que esta qualificação encontrase no acórdão paradigma e na parte grifada da ementa: Evidentemente que no caso em tela não se está tratando de insumos aplicados na produção alimentícia, conforme o julgado administrativo colacionado, todavia, por outro lado, as despesas com a proteção do meio ambiente são geradas em função de uma imposição do Poder Público e neste caso é inexigível conduta diversa por parte do contribuinte. Além do que, é verdade que sem cumprir ao rígido controle ambiental, por certo que a empresa não estaria autorizada a extrair o carvão mineral, ou seja, estaria impossibilitada de realizar o seu processo produtivo.[inerência] Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, (...) [apócrifo e g.n.] O vício da obscuridade categorizado pela melhor doutrina como falta de clareza no desenvolvimento das idéias que norteiam a fundamentação da decisão, por comprometimento da concatenação do raciocínio, da fluidez das idéias, ou por decisão exposta de maneira confusa ou lacônica, ou ainda, porque a redação foi mal feita, com erros gramaticais, de sintaxe, concordância etc.. capazes de prejudicar a interpretação da motivação, não se compadece com o predicamento que lhe deu o Conselheiro embargante ao termo obscuridade, consistente na ausência do conceito de insumo. Aonde se pode enquadrar o apontamento do vício presente no acórdão embargado no conceito doutrinário – a falta de clareza no desenvolvimento das ideias ou decisão exposta de maneira confusa – este tropeço não existe na exposição que tenha prejudicado a interpretação da motivação. Por estas razões, vejo que o voto condutor foi colmatado sem nebulosidades, tendo justificado com suficiência o encaminhamento ofertado, em específico quanto à matéria objurgada, e acompanhado pela quase integralidade pela turma. A ementa do acórdão embargado está alinhavada com a do acórdão da CSRF, ambas vazadas no bojo de decisões em torno de fatos jurídicos de mesma natureza. A mácula de uma é a da outra. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entrementes, os embargos oportunizam a seguinte consideração: as leis que instrumentalizam a não cumulatividade do PIS e da Cofins (Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003) preceituam em seu art. 3º, II: “Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive (...)” Reparese que ao estipular que bens e serviços creditáveis são os utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda, a norma legal não discriminou o grau de aderência do insumo na atividade exercida pela empresa. Ao interpretar o dispositivo legal, no Resp. nº 1.246.317/MG, em sede de recurso repetitivo que se tornou paradigmático para aplicação pelos conselheiros, nos julgamentos no âmbito do CARF, o Superior Tribunal de Justiça deu a configuração da norma e dispôs que os insumos passíveis de creditamento são tanto os que se ligam ao processo produtivo ou à prestação de serviços como os que os viabilizam, vale dizer, insumos empregados seja direta ou indiretamente na atividade A decisão está projetada no item “5” da ementa como segue: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Terse como referência estas disposições (legal e judicial), levanos a perceber uma imprecisão na ementa do acórdão embargado (assim como na ementa da CSRF): afirmar que o creditamento se dá apenas relativamente aos insumos aplicados diretamente na prestação do serviço ou na produção de bens, ao tempo em que afirma que os dispêndios com o cumprimento das obrigações ambientais (ou da obrigação para uso da indumentária na indústria de alimentos) impostas pelo Poder Público como condição para o funcionamento da empresa devem ser consideradas insumos (ou é insumo inerente à produção da indústria avícola), não é outra coisa senão fixar um conceito errôneo quanto à forma de incidência desse insumo na atividadefim da empresa. Noutra forma de dizêlo: se a lei não discrimina a forma de aderência do insumo na atividadefim; e se o STJ definiu que essa forma pode darse direta ou indiretamente, não é necessário definir o que é indireto como direto para que o insumo seja alvo de creditamento. Nesse diapasão, os dispêndios com o cumprimento de obrigações normativas do Poder Público, que não obstante se os caracterize como essenciais e inerentes –, mas que apenas viabilizem a atividade produtiva sem dela intrinsecamente participarem, são insumos aplicados indiretamente no processo produtivo (seja a proteção ambiental, seja o uso de indumentárias na indústria alimentícia). Fl. 289DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000935/200949 Acórdão n.º 3803004.509 S3TE03 Fl. 287 7 A elucidação acima não se compadece com a balda de obscuridade aplicada ao acórdão segundo a orientação da melhor doutrina representando o termo diretamente, consignado na ementa, não mais que uma imprecisão conceitual que o julgado (também na CSRF) fez advir dos predicados essencialidade e inerência (ao processo produtivo ou prestação do serviço), que são exigidos dos insumos para serem base de cálculo créditos, adequadamente evocados no voto condutor. Por tudo, voto por acolher parcialmente os embargos para retificar a ementa do acórdão, sem efeitos infringentes, nos termos abaixo: REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Sala das sessões, 24 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 290DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10880.724220/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA MICA - IRPF
Exercício: 2010
FÉRIAS NÃO GOZADAS. PAGAMENTO EM DOBRO. ISENÇÃO.
REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62-A.
Em tema de férias não gozadas ou de férias não gozadas em período próprio, tendo sido convertidas em pecúnia e pagas em dobro por forca de decisão judicial, há de se reproduzir o decidido no REsp 1111223/SP, recurso representativo de controvérsia, submetido ao procedimento do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos termos em que dispõe o art. 62-A do Anexo 11 do RICARF.
Numero da decisão: 2201-002.173
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marcio de Lacerda Martins
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