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Numero do processo: 10980.723331/2015-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
Ementa:
ARBITRAMENTO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO
A modificação introduzida de ofício nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução.
Numero da decisão: 1302-002.654
Decisão: Vistos, relatado e discutido os autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 Ementa: ARBITRAMENTO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO A modificação introduzida de ofício nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução.
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decisao_txt : Vistos, relatado e discutido os autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 Ementa: ARBITRAMENTO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO A modificação introduzida de ofício nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Vistos, relatado e discutido os autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 33 31 /2 01 5- 73 Fl. 784DF CARF MF Processo nº 10980.723331/201573 Acórdão n.º 1302002.654 S1C3T2 Fl. 785 2 Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem relatar o processo em comento, adoto o relatório da DRJ/POA, a seguir transcrito (grifos aditados): Fl. 785DF CARF MF Processo nº 10980.723331/201573 Acórdão n.º 1302002.654 S1C3T2 Fl. 786 3 Fl. 786DF CARF MF Processo nº 10980.723331/201573 Acórdão n.º 1302002.654 S1C3T2 Fl. 787 4 Fl. 787DF CARF MF Processo nº 10980.723331/201573 Acórdão n.º 1302002.654 S1C3T2 Fl. 788 5 Fl. 788DF CARF MF Processo nº 10980.723331/201573 Acórdão n.º 1302002.654 S1C3T2 Fl. 789 6 Os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/POA, por unanimidade de votos, julgaram a impugnação procedente, exonerando o crédito tributário, como denota a ementa do Acórdão nº 1057.934, a seguir transcrito: Fl. 789DF CARF MF Processo nº 10980.723331/201573 Acórdão n.º 1302002.654 S1C3T2 Fl. 790 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 ARBITRAMENTO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A modificação introduzida de ofício nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em obediência ao limite de alçada fixado pela Portaria MF n.º 63, de 9 de fevereiro de 2017, a DRJ recorreu de ofício desta decisão. Informa o Despacho de Encaminhamento de fl. 783 que, intimada, a PGFN não apresentou razões ao Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Face à exoneração do crédito tributário pelo acórdão recorrido foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo, em cumprimento às disposições do art. 34, inc. I, Dec. nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97. O recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola o limite fixado por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). Pois bem. Entendo como correta a decisão de primeira instância. Verificase, in casu, ter havido mudança de critério jurídico quanto ao segundo lançamento efetuado pela autoridade fiscal, pois no ano de 2013, no procedimento fiscal atinente ao Processo n.º 12448.729688/201366, a mesma autoridade administrativa examinou os livros e documentos contábeis e fiscais relativos ao ano de 2010, tendo decidido por realizar o lançamento de ofício com base no lucro real. Foi constatado naquele processo, inclusive, que a fiscalização, além de ter tributado a contribuinte com base na opção constante em sua escrituração fiscal – lucro real – referiuse especificamente aos valores registrados nos documentos entregues pelo contribuinte. Portanto, apesar de não atenderem a exigências formais das leis comerciais e fiscais, a autoridade fiscal apurou anteriormente que os dados contidos nos documentos do ano Fl. 790DF CARF MF Processo nº 10980.723331/201573 Acórdão n.º 1302002.654 S1C3T2 Fl. 791 8 calendário 2010 (período fiscalizado) eram compatíveis com a realidade, razão porque efetuou o lançamento pelo lucro real, o que se demonstra plenamente justificável. Logo, a mudança no critério jurídico da apuração do lucro, ou seja, a mudança da tributação pelo lucro real para tributação pelo lucro arbitrado, em relação ao mesmo acervo fáticoprobatório, e em relação ao mesmo sujeito passivo, incorre na vedação prevista pelo art. 146, CTN. Senão, vejamos: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Sendo assim, o arbitramento do lucro, aplicada a um mesmo sujeito passivo, em decorrência dos mesmos elementos fáticoprobatórios anteriormente analisados, constitui se mudança de critério jurídico, imperioso que haja o cancelamento integral do lançamento de ofício realizado com suporte no arbitramento do lucro do sujeito passivo, em atenção ao disposto no art. 146 do CTN. Nessa esteira de raciocínio, transcrevo parte do voto do relator Leomar Wayerbacher, com o qual concordo e entendo suficiente para a anulação do ato administrativo analisado. Vejamos: “No ano de 2013, no curso do procedimento fiscal inaugurado por meio de termo de início de ação fiscal lavrado em 07/02/2013, nos autos do processo nº 12448.729688/201366, a mesma autoridade administrativa examinou os livros e documentos contábeis e fiscais relativos ao ano de 2010, tendo decidido por realizar o lançamento de ofício com base no lucro real. Nesse particular, merece destaque o termo de intimação fiscal lavrado em 15/04/2013, onde a fiscalização solicitou, especificamente, a apresentação dos livros registros de entradas, saídas e de inventário. Por oportuno, transcrevo a seguir imagem do referido termo: Fl. 791DF CARF MF Processo nº 10980.723331/201573 Acórdão n.º 1302002.654 S1C3T2 Fl. 792 9 O livro registro de entradas foi juntado às fls. 262/517 do processo 12448.729688/201366. Já o livro de inventário foi juntado às fl. 518/603 daqueles autos. Notese que a fiscalização não apenas realizou a tributação com base no lucro real – o que significa ter tomado como válida e eficaz a escrita da contribuinte –, como referiuse especificamente, junto ao relatório fiscal, aos valores registrados (i) no livro registro de entradas e (ii) no livro registro de inventário, como se vê das imagens a seguir, extraídas da fl. 75 do processo 12448.729688/201366: Ao analisar os elementos de prova naquela ocasião [em 2013], a autoridade fazendária deparouse com as mesmas circunstâncias de fato que foram objeto de análise junto ao presente lançamento de ofício, quais sejam: a) no livro registro de entradas, não consta assinatura do contador responsável; b) o livro registro de inventário não apresenta qualquer assinatura; Fl. 792DF CARF MF Processo nº 10980.723331/201573 Acórdão n.º 1302002.654 S1C3T2 Fl. 793 10 c) ambos os livros não foram registrados na Junta Comercial. Entretanto, diante dessas mesmas irregularidades de forma, a fiscalização, no âmbito da diversidade de interpretações que o conjunto de normas atinentes ao arbitramento oferece, como se viu acima, entendeu como aplicáveis as normas relativas à apuração do lucro real, o que configura a adoção de um critério jurídico em relação à matéria. Em assim sendo, entendo que tem razão a impugnante quando reclama que a alteração desse critério representa ofensa ao disposto no art. 146 do CTN. Sobre o tema, LEANDRO PAULSEN leciona o que segue: "O art. 146 do CTN positiva, em nível infraconstitucional, a necessidade de proteção da confiança do contribuinte na Administração Tributária, abarcando, de um lado, a impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos que implique prejuízo relativamente a situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade de atos administrativos normativos quando o contribuinte confiou nas normas anteriores”. Ou seja, não vejo como possível que a autoridade fazendária, diante do mesmo arcabouço probatório, sem que haja evidências de que tenha ocorrido erro material ou erro de direito no lançamento anterior, possa vir a modificar o critério jurídico utilizado anteriormente, de maneira a promover alteração no sistema de tributação adotado em relação ao ano de 2010 [lucro real], para fins de apuração do IRPJ e tributos reflexos. Nesse particular, saliento o entendimento professado por OLIVEIRA, em “O princípio da segurança jurídica e a modificação da interpretação da lei tributária no âmbito da Administração Pública Federal”, onde vincula a possibilidade de revisão do lançamento anterior somente diante da hipótese de erro: A simples mudança de interpretação administrativa não enseja maiores discussões acerca da aplicabilidade do artigo 146 do CTN: não há dúvidas de que o lançamento regularmente notificado não pode ser alterado em razão de mudança exegética; os problemas concentramse nas hipóteses de erro de direito e erro na valoração jurídica do fato. A distinção entre mudança de critério jurídico e erro de direito é sustentada por Machado (2009, p. 8688), ao defender que a primeira ocorreria quando a autoridade substituísse uma interpretação possível ou razoável por outra igualmente extraível da lei, enquanto o segundo poderia acontecer nas hipóteses em que a interpretação inicial fosse absurda. O autor sustenta, nessa esteira, que apenas a modificação de critério jurídico impediria a alteração do lançamento; na hipótese de erro de direito, O artigo 146 do CTN seria inaplicável e, por conseguinte, o lançamento poderia ser revisto”. Conclusão Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 793DF CARF MF Processo nº 10980.723331/201573 Acórdão n.º 1302002.654 S1C3T2 Fl. 794 11 Fl. 794DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002214/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 14 /2 01 0- 29 Fl. 167DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 168DF CARF MF Processo nº 19515.002214/201029 Acórdão n.º 2201004.224 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 169DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 19515.002214/201029 Acórdão n.º 2201004.224 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 171DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.006428/2010-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DEDUÇÃO INDEVIDA. DESPESA MÉDICA. IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO. ALTERAÇÃO ENDEREÇO
Conforme artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, a impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada intempestivamente, não há o que ser analisado em sede recursal, vide ausência de lide.
Numero da decisão: 2002-000.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DEDUÇÃO INDEVIDA. DESPESA MÉDICA. IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO. ALTERAÇÃO ENDEREÇO Conforme artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, a impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada intempestivamente, não há o que ser analisado em sede recursal, vide ausência de lide.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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TEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO. ALTERAÇÃO ENDEREÇO Recorrente MIGUEL SALABERRY FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DEDUÇÃO INDEVIDA. DESPESA MÉDICA. IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO. ALTERAÇÃO ENDEREÇO Conforme artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, a impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada intempestivamente, não há o que ser analisado em sede recursal, vide ausência de lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 64 28 /2 01 0- 15 Fl. 113DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 15 a 21), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesa médica indevidamente deduzida. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 1.169,65, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 01 a 56 dos autos, no qual alega efeito confiscatório do lançamento; da constituição do crédito tributário; da dedutibilidade das despesas glosadas; das despesas incorridas com a família; das obrigações com os alimentandos; dos comprovantes originais das despesas médicas apresentados. A impugnação foi apreciada na 19ª Turma da DRJ/RJO que por unanimidade, em 27/05/2015, no acórdão 1276.350, às efls. 76 a 78, julgou a impugnação intempestiva, com base nos seguintes fundamentos: Com efeito, não obstante a alegação defensiva em sentido diverso, o Aviso de Recebimento (AR) de fls. 58 comprova que, em 14/06/2010, foi dada a ciência do lançamento no domicílio tributário eleito pelo interessado. (...) Desta forma, como o interessado foi cientificado em 14/06/2010, e só apresentou a impugnação em 29/07/2010, quando deveria fazêlo até 14/07/2010, verificase que foram ultrapassados os trinta dias da ciência do ato administrativo para a apresentação da respectiva defesa. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, apresentou recurso voluntário, às efls. 86 a 108, no qual alega, em resumo, que: § solicita prioridade na tramitação, fundamentado no Estatuto do Idoso; § que a decisão da DRJ que julgou a impugnação intempestiva não deve prosperar, pois o contribuinte foi intimado em endereço diverso do qual residia, conforme contrato de locação colacionado às efls. 95 a 98. Considerase intimado dia 23/07/2010. § mantém os argumentos apresentados na impugnação, de que o lançamento é efeito confiscatório do lançamento; da constituição do crédito tributário; da dedutibilidade das despesas glosadas; das Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10166.006428/201015 Acórdão n.º 2002000.141 S2C0T2 Fl. 114 3 despesas incorridas com a família; das obrigações com os alimentandos; dos comprovantes originais das despesas médicas apresentados. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 10/06/2015, efls. 83, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 10/07/2015, efls. 86, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A autuação fiscal baseouse na glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação, declarada intempestiva pela DRJ, pois apresentada fora do prazo previsto no artigo 15 do Decreto nº 70.235/72 Art. 15. A impugnação formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada no órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Conforme decisão da DRJ: Com efeito, não obstante a alegação defensiva em sentido diverso, o Aviso de Recebimento (AR) de fls. 58 comprova que, em 14/06/2010, foi dada a ciência do lançamento no domicílio tributário eleito pelo interessado. (...) Desta forma, como o interessado foi cientificado em 14/06/2010, e só apresentou a impugnação em 29/07/2010, quando deveria fazêlo até 14/07/2010, verificase que foram ultrapassados os trinta dias da ciência do ato administrativo para a apresentação da respectiva defesa. Em sede de recurso o contribuinte alega que fora intimado em endereço diverso, juntando contrato de locação, afirmando que não residia mais no endereço SQN, 215, BL. G, APTO. 106, ASA NORTE, BRASÍLIA/DF. Em que pese o contrato de locação tenha sido celebrado em 2010, podendo ter causado algum tipo de dificuldade quando da intimação, é dever do próprio contribuinte informar seu domicílio fiscal à Administração, isto pois a escolha deste é uma prerrogativa do contribuinte, como se vê no artigo 127 do Código Tributário Nacional (CTN Lei 5.172/66): Fl. 115DF CARF MF 4 Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: I quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; II quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior. Ainda, conforme artigo 23 do Decreto nº 70.235/72: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) Ainda, não há o que se analisar nesta instância, já que, conforma artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, a impugnação instaura a fase litigiosa no processo administrativo: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Logo, como não há qualquer comprovação do recorrente de que informou ao Fisco sua alteração de endereço, não há que se falar em qualquer vício na intimação Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Thiago Duca Amoni Relator Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10166.006428/201015 Acórdão n.º 2002000.141 S2C0T2 Fl. 115 5 Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.916306/2011-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-006.432
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1372; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13971.916306/201113 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.432 – 3ª Turma Sessão de 13 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FEY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 06 /2 01 1- 13 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13971.916306/201113 Acórdão n.º 9303006.432 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3402003.930, de 28/03/2017, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Intimada da decisão, a PFN apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados mediante despacho do Presidente da 4ª Câmara. Também interpôs recurso especial, por meio do qual suscita divergência quanto ao conceito de faturamento, especialmente com relação à incidência do PIS/Cofins sobre receitas de aluguéis recebidas por empresa que se dedica à atividade de locação, face à declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3401002.726 e nº 330200.289. O recurso foi admitido por intermédio do Despacho de Admissibilidade do Presidente da 4ª Câmara. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13971.916306/201113 Acórdão n.º 9303006.432 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.426, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 13971.916300/201138, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.426): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Cumpre observar, inicialmente, que o objeto social principal da contribuinte é a exploração das atividades de locação, loteamento e arrendamento de bens próprios, construídos ou a construir, bem como a comercialização de bens móveis e imóveis, abrangendo a compra e venda, permuta, exceto a intermediação, assessoria e orientação técnica em negociações imobiliárias (vide fl. 25). Pois bem. O acórdão recorrido, aplicando decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de PIS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela contribuinte com fulcro em dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98. As receitas que expressamente reconheceu não tributáveis foram as receitas financeiras ("JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL") e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS". O primeiro paradigma, contudo, em flagrante dissenso interpretativo, concluiu o contrário, conforme facilmente comprova a simples leitura de sua ementa: Acórdão nº 3401002.726: LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal (g.n.) No mérito, entendemos assistir razão à Recorrente. Como já é do conhecimento geral e referido no acórdão recorrido, o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificando o entendimento de que o faturamento corresponde apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13971.916306/201113 Acórdão n.º 9303006.432 CSRFT3 Fl. 5 4 Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da CF, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social. No caso ora em exame, a locação de bens integra, conforme demonstrado, a receita decorrente da realização das atividades típicas da contribuinte, de sorte que constitui, parte Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13971.916306/201113 Acórdão n.º 9303006.432 CSRFT3 Fl. 6 5 integrante do seu faturamento – base de cálculo da contribuição. Não, porém, as receitas financeiras. Ante o exposto, com essas considerações, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe provimento, para que, na base de cálculo do PIS, incluamse as receitas com locação de bens." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para que, na base de cálculo das contribuições, incluamse as receitas com locação de bens. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 159DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.720745/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, vencidos o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos e Rodolfo Tsuboi. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan- Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Andre Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Mara Cristina Sifuentes, e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado em substituição a Tiago Guerra Machado, impedido). Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, vencidos o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos e Rodolfo Tsuboi. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Andre Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Mara Cristina Sifuentes, e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado em substituição a Tiago Guerra Machado, impedido). Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .7 20 74 5/ 20 09 -0 5 Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 10840.720745/200905 Resolução nº 3401001.375 S3C4T1 Fl. 2.450 2 Adoto, por fidedigno, o relatório da decisão recorrida, proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) em 26/11/2013: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que não homologou as compensações declaradas, por ser inexistente o crédito utilizado nesta compensação. A empresa apresentou pedido de ressarcimento de crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), apurado no período de abril a junho de 2004, no valor de R$ 1.254.142,99 referentes a créditos de IPI relativos à aquisição de insumos isentos (concentrado), oriundos da Zona Franca de Manaus e elaborados com base em matériaprima agrícola de produtor situado na Amazônia Ocidental, utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI (refrigerantes). A DRF em Ribeirão Preto indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações declaradas por considerar que a) o saldo credor passível de ressarcimento, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, é aquele decorrente de aquisição insumos (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) tributados com aliquota positiva do imposto, cujo IPI tenha sido cobrado na operação de entrada dos insumos e aplicados no processo produtivo (industrialização) de produtos tributados pelo IPI. De acordo com o despacho decisório o Fisco concluiu que a empresa fornecedora de concentrados não dispunha de amparo legal para dar saída aos produtos denominados concentrados para refrigerantes com a isenção do inciso III do artigo 82 do RIPI/2002 e, conseqüentemente, a empresa adquirente dos referidos produtos não tem autorização legal para creditarse do IPI como se devido fosse. Com base nos valores glosados, foi feita a reconstituição da escrita fiscal da empresa, para ajustar os valores dos saldos. Foi lavrado o auto de infração (AI) correspondente ao MPF nº 0810900/00166/09, para cobrar da RECORRENTE valor de IPI recolhido a menor, relativo aos períodos de 10/01/2004 a 28/02/2005 e 30/11/2006 a 31/07/2007. PAF 10840.720752/200907 Regularmente cientificada do indeferimento de seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em resumo, fez as seguintes considerações: a) não poderia ter sido proferida decisão deixando de homologar as compensações realizadas antes da decisão final a ser proferida no AI MPF n° 0810900/00166/09; b) superado o exposto no item acima, o que se admite apenas para argumentar, este processo administrativo deve ser sobrestado até o julgamento final do AI MPF n° 0810900/00166/09; c) a RECORRENTE tem direito aos créditos de IPI objeto do pedido de ressarcimento em questão, uma vez que: Em relação aos créditos relativos da aquisição de insumos isentos (concentrado), oriundos da Zona Franca de Manaus e elaborados com base em matériaprima agrícola de produtor situado na Amazônia Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 10840.720745/200905 Resolução nº 3401001.375 S3C4T1 Fl. 2.451 3 Ocidental, utilizada na industrialização dos seus produtos (refrigerantes) pois: c.1) há coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança Coletivo (MSC) n° 91.00477834 assegurando direito à manutenção desses créditos; c.2) não há previsão legal para glosa desses créditos em razão do principio da nãocumulatividade; c.3) o art. 6°, § 1°, do Decretolei (DL) n° 1.435, de 16/12/1975, assegura o direito ao crédito decorrente da aquisição de produto elaborados com base em matériaprima agrícola de produtor situado na Amazônia Ocidental" (seleção e grifos nossos). A manifestação de inconformidade foi julgada, por unanimidade de votos, improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: “AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. O provimento jurisdicional somente abrange o objeto da demanda judicial, vale dizer, o conteúdo o pedido da petição inicial. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL INFERIOR AO MONTANTE SOLICITADO. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO. O saldo credor ressarcível do trimestrecalendário é resultante do confronto entre créditos e débitos do período na escrita fiscal; se há glosa de créditos em auto de infração, o montante do saldo credor rassarcível deve refletir a reconstituição da escrita fiscal resultante da autuação. A compensação somente pode ser admitida quando os créditos a favor do sujeito passivo forem líquidos e certos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Em suas razões de decidir, o voto condutor entendeu nos termos abaixo transcritos: "Primeiramente, há que se observar que a matéria de mérito quanto aos créditos glosados está sendo discutida nos autos do processo administrativo nº PAF 10840.720752/200907, julgado pela 2ª Turma desta DRJ em 25 de fevereiro de 2010 (Acórdão 1427.732 de 25/02/2010), cuja ementa segue abaixo transcrita: DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN. Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 10840.720745/200905 Resolução nº 3401001.375 S3C4T1 Fl. 2.452 4 AMAZÔNIA OCIDENTAL. DIREITO AO CRÉDITO. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, somente sobre os produtos adquiridos com a isenção concedida aos produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais produzidos por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de administração da Suframa, e empregados como MP, PI e ME na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NO LANÇAMENTO. Em face da comprovação de erro no lançamento de ofício, cancelase a exação para o período em questão. O Acórdão considerou a impugnação procedente em parte para reduzir o imposto de R$ 18.494.093,15 para R$ 17.536.646,32, e da multa de ofício de R$ 11.474.685,18 para R$ 10.756.600,09. No entanto, quanto à matéria em análise, foi mantida a glosa dos créditos considerados indevidos. Quanto à alegação de coisa julgada o Acórdão assim se pronunciou: Pela leitura da citação acima, referente especificamente à petição inicial no Mandado de Segurança Coletivo, temos que trata o pedido de matériaprima utilizada na industrialização de produtos classificados na TIPI sob o código 2202.90 (refrigerantes). O feito judicial é deferido na forma em que proposto, ou seja, abrange somente aquisições de matériaprima utilizada na industrialização de produto sob o código 2202.90, em face do que dispõe o artigo 460 da Lei nº 5.869/73: Art. 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Em consulta a “FICHA 35 Saídas de Produtos/Mercadorias/Insumos”, relativa a DIPJ (exercício 2005/anocalendário 2004) da impugnante, observamos que somente constam saídas de produtos Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 10840.720745/200905 Resolução nº 3401001.375 S3C4T1 Fl. 2.453 5 com as classificações 2101.20, 2106.90, 2202.10, 2203.00 e 3923.10. Temos então que a Ação Judicial não abrange a contribuinte, uma vez que as aquisições da matéria prima isenta oriunda da Zona Franca de Manaus não foi utilizada em produtos classificados na TIPI sob o código 2202.90 (...) Observese que mesmo com as alterações dos valores lançados nos autos, o saldo dos trimestres são devedores. Portanto, inexiste saldo credor a ser utilizado na compensação. (...). Portanto, a compensação somente pode ser admitida quando da existência de certeza e liquidez do crédito a favor do sujeito passivo. Como visto nos autos, e pelas próprias razões de manifestação da requerente, o crédito em comento não é líquido e muito menos detém a certeza necessária para que possa ser admitido em compensação. Ademais, o saldo credor ressarcível do trimestrecalendário é resultante do confronto entre créditos e débitos do período na escrita fiscal; se há glosa de créditos em auto de infração, o montante do saldo credor ressarcível deve refletir a reconstituição da escrita fiscal resultante da autuação. Sendo assim, a própria inexistência de definitividade com referência ao lançamento dos débitos do auto de infração PA nº 10840.002170/200422, faz com que a compensação desejada pela manifestante não possa ser homologada, justamente pela falta de certeza sobre a existência ou não do saldo credor glosado no auto de infração. Devese ter em conta, também que a homologação da compensação traria a conseqüente extinção do débito que se deseja compensar e esta extinção não pode ser efetivada com crédito, cuja existência ainda se discute administrativamente. Assim, em que pesem os argumentos da contribuinte, tenho por correto o despacho decisório. Isto posto, voto pelo indeferimento da manifestação.” Em 15/01/2014, a contribuinte protocolou recurso voluntário, situado às fls. 566 a 582, no qual reiterou as razões de sua impugnação. Em 25/11/2015, foi proferido o despacho de saneamento, na modalidade "prevenção", pelo relator, o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, integrante da 1ª Turma da 3ª Câmara deste Seção, nos seguintes termos: O presente despacho é aplicável aos três processos abaixo listados em face de serem semelhantes entre si. 10840.900312/200923 10840.720745/200905 10840.900311/200989 Transcrevo abaixo trecho do voto do relator constante do acórdão recorrido: (...) Fl. 2453DF CARF MF Processo nº 10840.720745/200905 Resolução nº 3401001.375 S3C4T1 Fl. 2.454 6 Primeiramente, há que se observar que a matéria de mérito quanto aos créditos glosados está sendo discutida nos autos do processo administrativo nº PAF 10840.720752/200907, julgado pela 2ª Turma desta DRJ em 25 de fevereiro de 2010 (Acórdão 1427.732 de 25/02/2010). (...) Do exposto, constatase que o direito creditório do IPI, a que se refere o presente processo, depende efetivamente do que for decidido no processo de auto de infração nº 10840.720752/200907. Considerando que o processo nº 10840.720752/200907 está distribuído ao Conselheiro Júlio César Alves Ramos, 1ª TO da 4ª Câmara/3ª Seção de Julgamento do CARF, na situação "para relatar", proponho que o presente processo seja a ele direcionado para fins de julgamento em conjunto com o processo principal. Em 10/10/2016, foi proferido o despacho de saneamento pelo relator, o Conselheiro Rosaldo Trevisan, nos seguintes termos: Tendo sido a mim distribuído o presente processo, e aderindo à orientação deste tribunal administrativo de fazer triagem prévia dos lotes recebidos em sorteio, na linha do que dispôs o Manual do Conselheiro, item 1.2 (p. 28), aprovado pela Portaria CARF no 120, de 03/10/2016, passo a tecer considerações que culminam na conclusão de que o presente processo não foi corretamente submetido a sorteio. A formação do lote para sorteio parece ter ignorado o Despacho de Saneamento de fl. 2136/21371, de lavra do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, e acolhido pelo presidente da 3a Câmara desta 3a Seção, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (...). O despacho chegou ao então presidente da 3a Seção do CARF, que determinou que o processo fosse distribuído ao relator do processo administrativo no 10840.720752/2009 07, em face da conexão reconhecida (fl. 2137) (...). Em consulta ao sistema "eprocessos" e ao sítio eletrônico do CARF, percebo que o processo administrativo no 10840.720752/200907, foi sorteado, em julho de 2016, ao Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, membro desta 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção do CARF. Assim, entendo que, em face da conexão já reconhecida no âmbito desta Seção, não poderia o presente processo ter sido submetido separadamente a sorteio, na sessão de setembro de 2016, como foi, mas sim distribuído, por conexão, ao relator do processo administrativo no 10840.720752/200907. Assim reza o art. 49, § 5o do Regimento Interno deste colegiado: "Os processos que retornarem de diligência, os conexos, decorrentes ou reflexos e os com embargos de declaração opostos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos em que o relator não mais pertença Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 10840.720745/200905 Resolução nº 3401001.375 S3C4T1 Fl. 2.455 7 ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, mediante sorteio para qualquer conselheiro da turma". (grifo nosso) E adicionese, que, no presente caso, a conexão já foi expressamente reconhecida pelo Presidente de Câmara e pelo Presidente da Seção. Assim, proponho a redistribuição do presente processo ao Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, desta 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção do CARF" (seleção e grifos nossos). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara De Araújo Branco, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Considerando que se trata de pedido de ressarcimento de crédito de IPI, relativo à aquisição de insumos isentos (concentrado), oriundos da Zona Franca de Manaus e elaborados com base em matériaprima agrícola de produtor situado na Amazônia Ocidental, utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI (refrigerantes), e que a matéria de mérito quanto aos créditos glosados foi discutida nos autos do processo administrativo nº PAF 10840.720752/200907, necessário se esclarecer que, em sessão de 26/10/2017, este colegiado proferiu o Acórdão CARF nº 3401004.243 (Processo Administrativo nº 10840.720752/200907), de minha relatoria, com vinculação por conexão reconhecida com o presente processo, em conformidade com o quanto decidido à fl. 2.137, dando provimento ao recurso voluntário interposto, por votação unânime, "(...) acolhendo o que foi decidido em juízo, e em não conhecer do recurso de ofício, em função da não superação do limite de alçada", nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECISÃO JUDICIAL. SEPARAÇÃO DE PODERES. ACOLHIMENTO. COISA JULGADA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EFICÁCIA. ART. 22 DA LEI Nº 12.016/2009. Deve ser acolhida pela Administração a decisão judicial irrecorrível que decidiu pela aplicação, ao caso concreto, do art. 22 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança), que limitou os efeitos da coisa julgada aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante, em detrimento do art. 2ªA Fl. 2455DF CARF MF Processo nº 10840.720745/200905 Resolução nº 3401001.375 S3C4T1 Fl. 2.456 8 da Lei nº 9.494/1997, que restringia tais efeitos à competência territorial do órgão prolator. RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindose valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Não há notícia de oposição de embargos de declaração ou de interposição de quaisquer recursos em data posterior à publicação da decisão até o presente momento, conforme se verifica no extrato de andamento processual abaixo recortado: Na mesma sessão de julgamento, digase, foi proferido o Acórdão CARF nº 3401004.244 (Processo Administrativo nº 10840.723212/201191), também de minha relatoria, dando provimento ao recurso voluntário interposto, por votação unânime, "acolhendo o que foi decidido em juízo", nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas de Administração Tributária Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 10840.720745/200905 Resolução nº 3401001.375 S3C4T1 Fl. 2.457 9 Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DECISÃO JUDICIAL. SEPARAÇÃO DE PODERES. ACOLHIMENTO. COISA JULGADA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EFICÁCIA. ART. 22 DA LEI Nº 12.016/2009. Deve ser acolhida pela Administração a decisão judicial irrecorrível que decidiu pela aplicação, ao caso concreto, do art. 22 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança), que limitou os efeitos da coisa julgada aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante, em detrimento do art. 2ª A da Lei nº 9.494/1997, que restringia tais efeitos à competência territorial do órgão prolator. Tampouco neste caso há notícia de oposição de embargos de declaração ou de interposição de quaisquer recursos em data posterior à publicação da decisão até o presente momento, conforme se verifica no extrato de andamento processual abaixo recortado: Desta forma, voto por conhecer e dar provimento ao recurso voluntário interposto para reconhecer o direito (an debeatur) sobre o qual se funda o pedido de ressarcimento da contribuinte, devendo a unidade local apurar a suficiência dos créditos para a quitação dos débitos pretendidos (quantum debeatur). Fl. 2457DF CARF MF Processo nº 10840.720745/200905 Resolução nº 3401001.375 S3C4T1 Fl. 2.458 10 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Voto vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Nada obstante concordar em boa parte com o voto prolatado pelo i. Relator, divirjo quanto à conclusão por ele apresentada, como passo a expor. Como premissa desse voto, adoto o entendimento externado nos Acórdãos de nºs 3401004.243 e 3401004.244, de 26/10/2017, ambos vinculados ao presente processo, acerca da questão de direito objeto de exame nessa assentada, muito bem apreciada pelo Relator, Cons. Leonardo Ogassawara, valendo reproduzir o seguinte excerto: Com efeito, a decisão judicial passada em julgado é norma individual e concreta, fazendo lei entre as partes, eis que já promovida a subsunção dos fatos às normas gerais e abstratas de regência, por órgão julgador dotado de jurisdição. Segundo dispõem atualmente os arts. 502, 503 e 508 do Código de Processo Civil aprovado pela Lei nº 13.105/15 (correspondentes aos arts. 467, 468 e 474 do CPC/73 – Lei nº 5.869/73), a decisão que julga, total ou parcialmente o mérito, tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida e, uma vez recoberta pelos efeitos da coisa julgada, tornase imutável e indiscutível, considerandose deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que poderiam ser opostas, tanto para o acolhimento quanto para a rejeição do pedido. Nessas situações, ordinariamente, cumpre à instância administrativa dar fiel cumprimento à ordem judicial, nos exatos limites objetivos e subjetivos lá estabelecidos. Portanto, nessa oportunidade, incabível qualquer debate a respeito do fundamento jurídico do direito abstrato ao crédito art. 69, I, seja art. 82, III c/c art. 175, todos do RIPI/02 (Decreto/02) , valendo a decisão passada em julgado no Mandado de Segurança Fl. 2458DF CARF MF Processo nº 10840.720745/200905 Resolução nº 3401001.375 S3C4T1 Fl. 2.459 11 Coletivo nº 91.00477834, com trâmite no TRF 2ª Região e patrocinada pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola (AFBCC), da qual faz parte o recorrente, mesmo porque indigitada matéria já foi abordada na discussão judicial de forma exauriente, como revela o inteiro teor da sentença lançada no mandamus. O direito ao ressarcimento pleiteado, então, deve ser avaliado à luz do provimento judicial expedido, com o exame de suas principais peças e decisões prolatadas. Nesse passo, o pedido formulado na inicial consistia no seguinte: “a) o deferimento, inaudita altera pars, de MEDIDA LIMINAR, para os seus ASSOCIADOS não serem compelidos a estornar o credito do IPI, incidente sobre as aquisições de matériaprima isenta a fornecedor situado na Zona Franca de Manaus (concentrado – código 2106.90 da TIPI) (RIPI, art. 45, XXI), utilizada na industrialização dos seus produtos (refrigerantes – código 2202.90 da TIPI), cuja saída é sujeita ao IPI; dandose ciência aos Delegados da Receita Federal com jurisdição sobre os ASSOCIADOS.” A decisão de primeira de instância judicial denegou a ordem requerida, fazendo explanação entre as isenções do então art. 45, XXI e XXVI do RIPI/82 (Decreto nº 87.981/82), então vigente, concluindo que o direito vindicado, segundo a tese patrocinada pelo impetrante, assentavase no inciso XXI (art. 69, I do RIPI/02) e não no inciso XXVI (art. 82, III do RIPI/02). O TRF – 2ª Região, julgando a apelação, deu provimento ao recurso, argumentando que o crédito requerido configuraria um “créditoprêmio” e que, pela regra da não cumulatividade inserta no art. 49 do CTN, caberia o seu reconhecimento para contraposição aos débitos por saídas tributadas. Inicialmente, a i. Relatora entendeu que o crédito pela aquisição de concentrado deveria excluir a parcela do açúcar e sacarose nele empregados, por força de isenção desses mesmos produtos, como se extrai da seguinte passagem do voto: A conclusão da manifestação é a seguinte: Fl. 2459DF CARF MF Processo nº 10840.720745/200905 Resolução nº 3401001.375 S3C4T1 Fl. 2.460 12 Todavia, após os debates havidos em sessão, a relatora restou vencida nesse ponto, tocante à exclusão da sacarose e do açúcar, como se verifica do dispositivo sentencial, segundo a transcrição fonográfica coligida aos autos: A ementa do acórdão restou vazado nos seguintes termos: Essa foi a decisão de mérito que transitou em julgado, uma vez que o Agravo de Instrumento nº 252.8013, interposto pela Fazenda Nacional, foi monocraticamente desprovido no Supremo Tribunal Federal. Da leitura do aresto resta inconteste que o decisum transitado em julgado garantiu o creditamento do IPI, como se devido fosse, em razão da isenção do imposto, na aquisição (operação anterior), para o “pleno alcance do princípio constitucional da não cumulatividade”. Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 10840.720745/200905 Resolução nº 3401001.375 S3C4T1 Fl. 2.461 13 Entretanto, perguntase: Essa decisão teria o alcance de reconhecer, inclusive, o direito ao ressarcimento de possível saldo credor apurado em função desse creditamento? O contribuinte sustenta que seu direito estaria amparado no art. 11 da Lei nº 9.779/99, contudo, entendo que esse dispositivo apenas garante o ressarcimento aos créditos expressamente previstos em leis, não se estendendo aos créditos fictos conferidos por decisões judiciais, através de criação hermenêutica, como no caso, para os quais deve haver manifestação pontual sobre essa possibilidade no provimento exarado. Demais disso, a própria decisão da i. relatora no TRF – 2ª Região, na parte vencedora (lembrando que a parte vencida abriga apenas a exclusão do açúcar e da sacarose do cálculo), deixa claro que o creditamento se limita à “compensação das parcelas do próprio IPI, em cada operação em que se desenvolve o produto, para somente lhe afastar a cumulatividade tributária.”, verbis: Logo, o crédito pelas aquisições isentas de matériasprimas originárias da Zona Franca de Manaus, em que pese a garantia de registro e abatimento dos débitos subseqüentes do imposto, não confere o ressarcimento de saldo credor porventura apurado. Por outro lado, em verificação do Livro Registro de Apuração do IPI (mod. 8), colacionado aos autos, bem assim, pelas referências do próprio Relatório de Auditoria Fiscal, constatase a existência de lançamentos, no RAIPI, de créditos pela aquisição tributada, a alíquotas “positivas”, de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME), em princípio, não questionadas/glosadas pelas autoridades fiscais. Diante desse panorama, temse créditos fictos, reconhecidos por decisão judicial definitiva e passíveis de utilização exclusiva para contraposição aos débitos por saídas tributadas, e créditos básicos, originários de MP, PI e ME, sendo esses últimos, em tese, abrangidos pelo disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Digo “em tese” porque não é possível afirmar categoricamente que tenham sido aferidos pelas autoridades fiscais, pelo que consta do mencionado relatório de auditoria. Por conseguinte, o saldo credor deve ser reapurado, com a inclusão do crédito pela aquisição de produtos isentos, nos moldes do MSC 91.00477834, que, se remanescente ao final do trimestrecalendário, deve ser o seu ressarcimento limitado ao somatório dos créditos pelas aquisições tributadas de MP, PI e ME, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99. Exemplificando: I) 1ª Situação => Somatório dos créditos de aquisições isentas no trimestre calendário: R$ 1.000.000,00; somatório dos créditos por aquisições tributadas com alíquotas “positivas”: R$ 800.000,00; somatório dos débitos por saídas Fl. 2461DF CARF MF Processo nº 10840.720745/200905 Resolução nº 3401001.375 S3C4T1 Fl. 2.462 14 tributadas: R$ 1.200.000,00 => O saldo credor do período, de R$ 600.000,00, pode ser totalmente ressarcido, porque inferior ao total de créditos passíveis de ressarcimento. 2ª Situação => Somatório dos créditos de aquisições isentas no trimestre calendário: R$ 1.000.000,00; somatório dos créditos por aquisições tributadas com alíquotas “positivas”: R$ 800.000,00; somatório dos débitos por saídas tributadas: R$ 900.000,00 => O saldo credor do período, de R$ 900.000,00, deve ser ressarcido até o limite de R$ 800.000,00, porque superior ao total de créditos passíveis de ressarcimento. Por pertinente, acentuo que a objeção erigida pela decisão de primeira instância administrativa para deixar de aplicar a decisão judicial transitada em julgado, consistente na divergência de código de classificação fiscal entre os produtos constantes da petição inicial no mandado de segurança e nas respectivas notas fiscais de saída, é insubsistente, isso porque, à época da interposição da peça, a TIPI/82 (Decreto nº 97.410/82) enquadrava os refrigerantes no código tarifário 2202.90, passando a TIPI/02 (4.544/02), vigente por ocasião da ocorrência dos fatos geradores, a enquadrar ditos refrigerantes no código 2202.10.00 e reservando o código 2202.90 às bebidas isotônicas, não sendo essa alteração motivo suficiente e justificável para afastamento da coisa julgada, haja vista que os produtos em que aplicadas as matérias primas isentas, como assinalado na petição inicial, continuou a ser refrigerantes. Com essas considerações e por entender que o processo não se encontra em estado adequado para apreciação, proponho a conversão do feito em diligência para que se providencie o que subsegue: 1) Reapuração do saldo credor do contribuinte, pelo restabelecimento dos créditos por aquisições isentas, consoante decisão no MSC 91.00477834, com apuração do valor a ressarcir, até o limite do somatório dos créditos passíveis de ressarcimento pelo art. 11 da Lei nº 9.779/99, como alhures exemplificado; 2) Elaborar relatório circunstanciado dos exames e aferições realizados; 3) Abrir vista ao contribuinte para, querendo, manifestarse, no prazo de 30 (dias) dias. Cumprida a diligência, devolvamse os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Redator designado Fl. 2462DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13053.000052/2007-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
PIS/PASEP E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS ACABADOS. DESPESAS DE MOVIMENTAÇÃO PORTUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
O contribuinte paga de maneira global para execução de diversas despesas de movimentação portuária aí incluída a despesa de armazenagem do produto acabado. Como não há a individualização das despesas de armazenagem das demais despesas, não há possibilidade de seu creditamento. Nem são insumos da atividade fabril e nem compreendem como despesas de armazenagem propriamente dita.
Numero da decisão: 9303-006.719
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para admitir as despesas com frete de produtos acabados, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento, vencidas também, as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que deram provimento integral.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Recorrente MITA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. PIS/PASEP E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS ACABADOS. DESPESAS DE MOVIMENTAÇÃO PORTUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte paga de maneira global para execução de diversas despesas de movimentação portuária aí incluída a despesa de armazenagem do produto acabado. Como não há a individualização das despesas de armazenagem das demais despesas, não há possibilidade de seu creditamento. Nem são insumos da atividade fabril e nem compreendem como despesas de armazenagem propriamente dita. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 00 52 /2 00 7- 97 Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 13053.000052/200797 Acórdão n.º 9303006.719 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para admitir as despesas com frete de produtos acabados, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento, vencidas também, as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que deram provimento integral. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3801005.272, de 18/03/2015, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins não cumulativa. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. Os fretes nas operações de venda somente dão direito a crédito da contribuição se contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM ARMAZENAGEM.. DIREITO A CRÉDITO. Os gastos com armazenagem somente dão direito a crédito da contribuição se identificados e comprovados. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 13053.000052/200797 Acórdão n.º 9303006.719 CSRFT3 Fl. 4 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. O presente processo trata de pedido de ressarcimento de contribuição não cumulativa vinculada à receita de exportação, cujo pedido foi deferido parcialmente pela Unidade de Origem. Pelo que consta dos autos, a empresa produz "cavaco de madeira" e exporta praticamente 100% de sua produção. O objeto do recurso especial é referente à possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nãocumulativas sobre as despesas citadas como fretes e armazenagem. O recurso especial foi admitido mediante despacho de admissibilidade do então Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, solicitando o improvimento do recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.718, de 15/05/2018, proferido no julgamento do processo 13053.000053/200731, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9303006.718): Da admissibilidade "O recurso especial do contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais para o seu conhecimento." Do mérito Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 13053.000052/200797 Acórdão n.º 9303006.719 CSRFT3 Fl. 5 4 (...)1 "Em que pese a excelente tese do Ilustre Relator. Com a devida vênia, divirjo dele na questão relativa ao frete na transferência de produtos acabados. Em homenagem ao princípio da Colegiabilidade, a matéria referente ao direito de crédito de PIS e COFINS em operações de frete na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, foi julgado por esta E. Câmara Superior pela sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do artigo 47 do RICARF, sessão de 17 de maio de 2017, acórdão nº 9303005.132, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, cujo voto acompanhei, de forma que peço vênia para transcrevêlo, o qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica, que passa a fazer parte integrante do presente voto: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. 1 Deixouse de transcrever o voto vencido por não se aplicar à solução do litígio deste processo, uma vez que o entendimento nele expresso resultou vencido. Contudo, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303006.718). Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 13053.000052/200797 Acórdão n.º 9303006.719 CSRFT3 Fl. 6 5 Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 13053.000052/200797 Acórdão n.º 9303006.719 CSRFT3 Fl. 7 6 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse,portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 13053.000052/200797 Acórdão n.º 9303006.719 CSRFT3 Fl. 8 7 Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: ∙ O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” ∙ art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus):“Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima,o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 13053.000052/200797 Acórdão n.º 9303006.719 CSRFT3 Fl. 9 8 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 13053.000052/200797 Acórdão n.º 9303006.719 CSRFT3 Fl. 10 9 RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: ∙ Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 13053.000052/200797 Acórdão n.º 9303006.719 CSRFT3 Fl. 11 10 essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins não cumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste do país; Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 13053.000052/200797 Acórdão n.º 9303006.719 CSRFT3 Fl. 12 11 O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. "Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. Rodrigo da Costa Pôssas". Com essas considerações, dou provimento parcial ao Recurso Especial do Contribuinte, para acatar a possibilidade de creditamento em relação ao frete na transferência de produtos acabados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para admitir o creditamento em relação às despesas com o frete na transferência de produtos acabados. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000447/2007-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 15/03/2004, 31/03/2004, 15/04/2004, 30/04/2004
15/05/2004, 31/05/2004
CRÉDITO-PRÊMIO. TRANSFERÊNCIA
O art. 4º do Decreto s/n.º, de 25/04/91, revogou expressamente o Decreto 64.833/69, o qual autorizava o aproveitamento do Crédito-Prêmio do IPI por meio da transferência entre estabelecimentos.
Recurso Especial do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-006.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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TRANSFERÊNCIA O art. 4º do Decreto s/n.º, de 25/04/91, revogou expressamente o Decreto 64.833/69, o qual autorizava o aproveitamento do CréditoPrêmio do IPI por meio da transferência entre estabelecimentos. Recurso Especial do Contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 04 47 /2 00 7- 91 Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16095.000447/200791 Acórdão n.º 9303006.792 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial do contribuinte (fls. 278/293) contra o Acórdão nº 3802001.422 (fls. 265/269), prolatado em 24/10/2012, que negou provimento ao recurso voluntário seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI CRÉDITOPRÊMIO TRANSFERÊNCIA O art. 4º do Decreto s/nº de 25/04/91 revogou expressamente o Decreto 64.833/69, que autorizava o aproveitamento do CRÉDITOPRÊMIO do IPI através da transferência entre estabelecimentos. O recurso especial do contribuinte foi admitido nos termos do despacho de fls. 318/320. O contribuinte, após discorrer sobre seu título judicial que reconheceu direito a CréditoPrêmio do IPI pela impetrante (matriz) relativo às exportações efetuadas no período de 02/10/1990 até 30/09/1990, alega ele, em suma, que teria direito de transferir o referido crédito para sua filial, ora recorrente, o que foi objeto de glosa, dando azo à lide em análise. Colaciona Acórdão paradigma (3301000.757, de 30/09/2010), no qual era parte, em que lhe foi reconhecido o direito à transferência daquele crédito. Em sua peça recursal, cingese à análise de julgados que entende dar guarida a sua tese no sentido da possibilidade da transferência do crédito obtido judicialmente por uma pessoa jurídica (matriz) para sua outra filial. A Fazenda Nacional, em suas contrarrazões (fls. 322/327), pugna pela improcedência do recurso com fundamento nas próprias razões de decidir do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos em que processado. Sem reparos à decisão recorrida. Cediço que o sepultado incentivo à exportação tinha natureza financeira, e com a edição da Portaria MF nº 89, ficou expressamente vedada sua escrituração nos livros de IPI, passando, a partir de então, a ser creditado em favor do beneficiário em estabelecimento bancário. No processo judicial não se discutiu a possibilidade de transferência do eventual crédito reconhecido pela autora da ação declaratória (a empresa matriz da qual a recorrente é filial). Portanto, a recorrente não tinha título judicial a contrapor os termos da legislação de regência que negava às explícitas a possibilidade de transferência. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 16095.000447/200791 Acórdão n.º 9303006.792 CSRFT3 Fl. 4 3 A recorrente alega que em momento algum foi apresentada nas decisões judiciais qualquer restrição ou limite à utilização do crédito. Em verdade, esse tema sequer foi objeto de análise. O que se vê nas referidas decisões é que somente foi tratada a possibilidade da empresa que efetuou a transferência apropriarse dos créditos, não se podendo inferir que o silêncio presume a possibilidade de utilização dos mesmos de forma contrária às normas vigentes. De fato, inicialmente o Decreto 64.833/1969, que regulamentou o diploma que instituiu a norma que veiculou o chamado CréditoPrêmio à Exportação, o DL 491/69, previa a possibilidade de transferência, nos seguintes termos: Art 3º Os créditos tributários previstos no art. 1º deste Decreto somente poderão ser lançados na escrita fiscal à vista de documentação que comprove a exportação efetiva da mercadoria, atendidas as normas baixadas pelo Ministério da Fazenda. § 1º Os créditos tributários serão deduzidos do valor do imposto sobre produtos industrializados devido nas operações do mercado interno. § 2º Feita a dedução e havendo excedente de crédito, poderá o estabelecimento industrial exportador: a) manter o crédito excedente para compensações parciais e sucessivas, inclusive transferilo, total ou parcialmente, para os exercícios seguintes; b) transferilo, mediante prévia comunicação por escrito ao órgão da Secretaria da Receita Federal a que estiver jurisdicionado para a escrita fiscal: I de outro estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, da mesma empresa; II de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial com o qual mantenha relação de interdependência, atendida a conceituação do artigo 21, § 7º, do Decreto número 61.514, de 12 de outubro de 1967. Ocorre, porém, que esse Decreto foi expressamente revogado pelo Decreto S/Nº, de 25/04/1991, anexo V. Por conseguinte, revogada a norma especial, volta a viger a norma geral, qual seja, a dada pelo regulamento do IPI. Com efeito, na sistemática do IPI impera a autonomia dos estabelecimentos, por força da norma inserta no parágrafo único do artigo 51 do Código Tributário Nacional, nos termos seguintes: Art. 51 omissis Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerasse contribuinte autônomo, qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 16095.000447/200791 Acórdão n.º 9303006.792 CSRFT3 Fl. 5 4 Não destoando do comando dessa norma do CTN, a lei básica do IPI veda a centralização da escrita desses estabelecimentos, de forma que cada um deles deve manter sua própria escrituração, como manda o artigo 217 do RIPI 1982, que reproduz o comando do artigo 57 da Lei 4.502/1964, citese: Autonomia dos Estabelecimentos Art. 217 Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz. Dentre os efeitos práticos gerados pela autonomia acima aludida, temse que cada estabelecimento, seja matriz ou filial, responderá individualmente, no pertinente ao IPI, por todos os atos que praticar, além de serem capazes de contrair direitos e obrigações, como se fossem dissociados dos demais da mesma firma. Pelo que não há que se falar que a decisão obtida em nome e para a matriz possa ser aproveitada pela filial, ora recorrente. No mesmo sentido, precedente desta Corte no Acórdão 9303003.185, julgado à unanimidade em 26/11/2014, de relatoria do Dr. Henrique Pinheiro Torres, assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 31/01/1993 a 30/09/1993 IPI. CRÉDITO PRÊMIO. PROGRAMA BEFIEX. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DISTINTAS. POSSIBILIDADE. DECRETO Nº 64.833/1969. REVOGAÇÃO. Nos termos do art. 1º do Decretolei nº 491/69, o crédito de IPI nele previsto, garantido aos titulares de projetos aprovados no âmbito do programa BEFIEX, seria utilizado na forma estabelecida em regulamento, o que ocorreu com a edição do Decreto nº 64.833/69 que, dentre outras possibilidades, admitia a transferência do crédito entre pessoas jurídicas distintas; contudo, uma vez revogado e inexistindo regramento específico, passou a regular a matéria o Regulamento do IPI (RIPI) aprovado pelo Decreto nº 87.981/82, que não mais previa esta modalidade de transferência de crédito. Recurso Negado DISPOSITIVO Forte no exposto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 332DF CARF MF Processo nº 16095.000447/200791 Acórdão n.º 9303006.792 CSRFT3 Fl. 6 5 Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901651/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 01 65 1/ 20 14 -4 3 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10675.901651/201443 Resolução nº 1201000.459 S1C2T1 Fl. 3 2 Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado tratarse de pagamento de tributo já retido pela fonte pagadora. A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, pelos elementos de prova carreados aos autos, não se observa ter ocorrido pagamento em duplicidade de tributo sujeito à retenção na fonte. O pagamento referese a tributo devido pela sistemática do lucro presumido, regularmente apurado e declarado. No Recurso Voluntário foi alegado: a) que houve prestação de serviços da recorrente e a fonte pagadora efetuou a retenção do imposto; b) a recorrente também recolheu imposto do período, ocasionando o recolhimento em duplicidade; c) foram produzidas provas que comprovam o recolhimento em duplicidade. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.457, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10675.901644/201441, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.457): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, houve pagamento em duplicidade, uma vez a retenção na fonte relativamente aos serviços por ele prestados e, posteriormente, pagamento do imposto desse mesmo período. Ocorre que o valor pago referese ao imposto apurado no período trimestral pela sistemática do Lucro Presumido e, conforme pode ser visto desde o Despacho Decisório, esse pagamento corresponde ao valor apurado e devidamente declarado. Esse o motivo do indeferimento do pleito. Contudo, não consta dos autos a DIPJ do período correspondente, pelo que não é possível verificar se houve ou não a dedução do IRRF na apuração do imposto e, ainda, o resultado dessa apuração. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10675.901651/201443 Resolução nº 1201000.459 S1C2T1 Fl. 4 3 Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ do período e a demonstração do imposto a pagar apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação das retenções do IRRF; c) verificação quanto à dedução do imposto retido; d) que se apure eventual pagamento a maior (crédito passível de utilização). O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 50DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000009/2005-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade local intime o Contribuinte a apresentar cópia idêntica e integral dos memoriais e dos laudos, relatórios e demais provas que lhe instruíram.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade local intime o Contribuinte a apresentar cópia idêntica e integral dos memoriais e dos laudos, relatórios e demais provas que lhe instruíram. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 00 9/ 20 05 -9 1 Fl. 675DF CARF MF Processo nº 16327.000009/200591 Resolução nº 1402000.630 S1C4T2 Fl. 1.551 2 Relatório Tratase de redistribuição do feito, após a prolatação do v. Acórdão nº 9101 002.201, pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 624 a 629), no qual acolheuse os Embargos de Declaração do Contribuinte, oposto contra o v. Resolução nº 9101 00.001 (fls. 548 a 556), determinando, ao final, a devolução dos autos para julgamento da Câmara a quo, porém, esse julgamento só deve ocorrer após a ciência das partes desta decisão, e reabertura de novo prazo para a PGFN se manifestar. Em face da extinção da C. 1ª Câmara do E. Primeiro Conselho de Contribuinte, que proferiu o Acórdão nº 10195.791 (fls. 417 a 433), então anulado pela C. CSRF, por se entender que deveria a D. PGFN ter se manifestado sobre Laudos acostados em fase recursal (a qual, instada a se manifestar, requereu diligência para o pronunciamento técnico da Unidade Local) foram os autos sorteados para este Relator, visando à promoção de novo julgamento do Recurso Voluntário (fls. 311 a 327) após sanados os vícios processuais reconhecidos. Em resumo, o presente processo trata de Autos de Infração, referentes a IRPJ e CSLL, do anocalendário 1999, lavrados em razão de glosa de despesas com recursos humanos, diante da falta de apresentação de planilhas e documentos que demonstrassem o método e os cálculos que teriam sido empregados na apuração de valores rateados, estipulados em Convenio de Rateio de Custos Comuns, firmado entre o Contribuinte e outras empresas contratualmente relacionadas. Tendo em vista já ter havido a apreciação anterior do feito pela C. 1ª Turma da CSRF, adoto a seguir trecho do completo e preciso relatório da I. Conselheira Adriana Gomes Rêgo, constante do v. Acórdão nº 9101002.201, que imediatamente precedeu o presente julgamento, evitandose repetições: Tratamse de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte em face da Resolução nº 910100.001 (fls. 458 e seguintes do volume 3 do processo digitalizado), proferida por esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF em julgamento de Recurso Especial da Fazenda Nacional em sessão realizada em 15/6/2009. O presente processo diz respeito a Autos de Infração de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário 1999, como resultado de glosa de despesas com pessoal, caracterizada pela falta de apresentação de planilhas que demonstrassem os métodos estatísticos e matemáticos Fl. 676DF CARF MF Processo nº 16327.000009/200591 Resolução nº 1402000.630 S1C4T2 Fl. 1.552 3 que teriam sido empregados para a apuração de valores rateados, estipulados em Convenio de Rateio de Custos Comuns (Termo de Constatação Fiscal fls. 138 e ss do volume 1 digitalizado). As exigências foram mantidas pela Turma Julgadora de 1ª Instância, o que levou a contribuinte a apresentar Recurso Voluntário, ocasião em que apresentou pareceres técnicos que relatam a revisão e avaliação dos métodos utilizados no rateio utilizado. A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão realizada em 18/10/2006, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, cuja decisão restou formalizada por meio do Acórdão nº 10195.791 (fls. 363 e ss dos volumes 1 e 2 digitalizados), admitindo a regularidade do procedimento adotado pela contribuinte, entendendo estar devidamente comprovado pelos relatórios de auditoria apresentados, demonstrando que o rateio foi realizado em função da efetiva utilização dos serviços e da necessidade das empresas. A Fazenda Nacional manejou Recurso Especial afirmando que a decisão recorrida, ao admitir como prova pareceres técnicos apresentados pela contribuinte em memoriais de julgamento, oferecidos diretamente à Câmara, foi contrária ao entendimento manifestado por outras turmas, que defenderam a impossibilidade de apresentação de documentos posteriormente a impugnação, salvo se comprovada a impossibilidade de sua apresentação em momento oportuno. Em julgamento realizado em 15/6/2006 a 1ª Turma da CSRF proferiu a Resolução nº 910100.001 (fls. 458 e seguintes do volume 3 do processo digitalizado), determinando, na parte da decisão constante da capa da Resolução: “a devolução dos autos para sanear a admissibilidade”. Cientificada da Resolução que determinava que a PFN se manifestasse sobre os autos, esta apresentou a peça de fls. 464 e ss do volume 2 do processo digitalizado, pugnando, após extenso arrazoado: "1. Seja o processo convertido em diligência, para que a autoridade autuante analise os laudos técnicos, juntados em memoriais de julgamento, e possa verificar se as conclusões ali adotadas se coadunam com o procedimento efetivamente adotado pela contribuinte, quando do rateio das despesas, e; 2. Caso ultrapassado o pleito anterior, que seja negado provimento ao recurso voluntário, mantendose o Auto de Infração, tendo em vista que, ainda que, em tese, o procedimento para o rateio das despesas esteja correto, não há comprovação de que o mesmo vem sendo adotado na pratica, não há provas que permitam auditar os fatores que compõem a formula e os valores praticados pela contribuinte, assim como não ha provas da necessidade, da normalidade e da usualidade da despesa incorrida, o que afasta a possibilidade de sua dedução na apuração do lucro real." A contribuinte também foi cientificada da Resolução nº 910100.001, da CSRF, e, tempestivamente, apresentou Embargos de Declaração (fls. 473 e ss do volume 3 digitalizado), afirmando haver contradição entre o teor da decisão diligência para sanear a admissibilidade do recurso Fl. 677DF CARF MF Processo nº 16327.000009/200591 Resolução nº 1402000.630 S1C4T2 Fl. 1.553 4 especial e a parte final do voto do relator, que prevê novo julgamento pela Câmara recorrida, o que pressuporia anular o acórdão recorrido. Apontou, ainda, erro formal da decisão que assentou que o acórdão foi tomado por unanimidade de votos, quando consta que houve votos vencidos. Pelo Despacho de efls. 600, o Presidente da 1ª Turma da CSRF acolheu os embargos. É o relatório. E estes foram os termos do v. Acórdão proferido, determinando, ao final, retorno dos autos para Turma Ordinária: Inicio por analisar os Embargos da Contribuinte. Alega, a embargante, que a Resolução nº 910100.001, da 1ª Turma da CSRF, padece do vício de contradição, verificada no confronto entre o teor do resultado da Resolução e as conclusões do voto e, ainda, erro formal no quorum da votação. Este é o dispositivo que constou da Resolução nº 910100.001: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, devolver o processo para sanear admissibilidade, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jose Clóvis Alves, Antonio Praga e Karem Jureidini Dias, que superavam a prejudicial e enfrentavam o mérito. Ausente, justificadamente, o Conselheiro José Carlos Passuello. E as conclusões do voto: Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligencia, para que seja cientificada a Fazenda Nacional dos laudos anexados pela Contribuinte com seu Recurso Voluntário, para tenha a oportunidade de sobre eles se manifestar, devendo, após novo julgamento ser proferido pela Câmara recorrida. De fato, verifico haver erro formal na Resolução, passível de retificação, no que toca ao quórum da votação. Se a Turma decidiu de forma unânime, não poderia haver votos vencidos, como constou da parte dispositiva. Desta forma, depreendese que a Turma não votou de forma unânime e que o correto seria: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, devolver o processo para sanear admissibilidade, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jose Clóvis Alves, Antonio Praga e Karem Jureidini Dias, que superavam a prejudicial e enfrentavam o mérito. Ausente, justificadamente, o Conselheiro José Carlos Passuello. Da mesma forma, encontrase caracterizada a contradição entre o dispositivo da resolução e as conclusões do voto, o que se justifica pelo equívoco cometido pelo relator, conforme esclareço. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 16327.000009/200591 Resolução nº 1402000.630 S1C4T2 Fl. 1.554 5 No relatório/voto proferido na Resolução nº 910100.001, em sessão de julgamento do Recurso Especial manejado pela PFN, constou o seguinte: A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, sob o fundamento de (i) impossibilidade de apresentação de documentos posteriormente à impugnação, salvo se comprovada a impossibilidade de sua apresentação em momento oportuno; e (ii) inexistência de prova de que as despesas foram deduzidas com base no critério indicado nos pareceres apresentados, que sequer foram aferidos pela fiscalização. Com relação ao item (i) acima, a contribuinte indicou como paradigma os Acórdãos 105.16003 e 20215439. Da análise dos Acórdãos indicados, observase que, de fato, houve a divergência alegada pela recorrente, qual seja, a possibilidade ou não de apresentação de documentos após a impugnação do sujeito passivo. Desse modo, o recurso preenche os requisitos de admissibilidade em relação a esta matéria. Com relação ao item (ii), relativo à ausência de comprovação do critério utilizado pela contribuinte, com base em laudos periciais, contundo, entendo que não houve a divergência suscitada pela recorrente. Até este ponto da Resolução, notase que o relator admitiu a caracterização da divergência suscitada no item "1" do Recurso Especial da PFN impossibilidade de apresentação de documentos posteriormente à impugnação mas consignou que a divergência aventada no item "2", que diz respeito à ausência de comprovação do critério do rateio de custos utilizado pela contribuinte, com base em laudos periciais, não restou caracterizada. No parágrafo seguinte o relator afirmou: A contribuinte indicou como paradigma o Acórdão 10516.141. Primeiramente, destaco que a divergência em relação a este paradigma não foi objeto do despacho de fls. 439/441. (Sublinhei) Em seguida, passou a analisar a divergência suscitada pela PFN, no item "2" de seu Recurso Especial, concluindo que a comparação entre o acórdão nº 10516.141, indicado como paradigma e o acórdão da Primeira Câmara do Primeiro Conselho não permitiu identificar uma divergência: Observase, dessa maneira, que a questão debatida no acórdão paradigma não corresponde àquela constante no acórdão recorrido. No primeiro, o laudo não foi aceito em razão da impossibilidade de "arbitramento condicional" e da possibilidade de apresentação do laudo (elaborado anteriormente ao lançamento) pelo sujeito passivo à fiscalização, anteriormente ao lançamento; no presente caso, todavia, a motivação adotada foram os princípios da verdade material e formalismo moderado, bem como a impossibilidade de apresentação de tais documentos anteriormente, já que os laudos somente foram elaborados após a impugnação. Desse modo, entendo que, nesse ponto, Fl. 679DF CARF MF Processo nº 16327.000009/200591 Resolução nº 1402000.630 S1C4T2 Fl. 1.555 6 o recurso não atende os requisitos de admissibilidade, razão pela qual não deve ser conhecido. Verificase, portanto, a desnecessidade de retornar os autos, em diligência, para sanear a admissibilidade do Recurso Especial da PFN, no que toca ao item "2" das razões recursais ausência de comprovação do critério do rateio de custos utilizado pela contribuinte, com base em laudos periciais quando o próprio relator já fez esse juízo de admissibilidade, concluindo, pela comparação entre o acórdão recorrido e o paradigma indicado, que a divergência não se caracterizou. Nesse passo, notase que o relator da Resolução nº 910100.001, delimitou a análise das razões recursais da PFN apenas à divergência em relação ao item "1": Por todo o exposto, a questão sob exame cingese à possibilidade de a contribuinte apresentar documentos após a fase impugnatória. Em seguida, passou a analisar a divergência: No presente caso, a contribuinte, a fim de comprovar a regularidade de dedução pretendida, relativa a despesas operacionais (mediante rateio de custos), apresentou pareceres de três empresas de auditoria por ocasião do julgamento de seu recurso voluntário. Conforme entendimento manifestado pela decisão recorrida, os documentos apresentados comprovam a regularidade do procedimento de rateio de despesas adotado pela contribuinte. Desse modo, presentes nos autos os elementos comprobatórios necessários confirmação da regularidade fiscal do contribuinte e inexistindo, portanto, a infração apurada pela fiscalização, deve ser acolhido o novo documento apresentado com o recurso, em respeito ao principio da verdade material. Desse modo, não deve prosperar o lançamento quando constem nos autos documentos que comprovem a regularidade fiscal do contribuinte, ainda que apresentados após o prazo para a impugnação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Ademais, o art. 29 do Decreto n° 70.235/72 determina que, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo inclusive determinar as diligências que entender necessárias, razão pela qual entendo cabível a análise dos documentos apresentados após a impugnação do sujeito passivo. E concluiu: Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligencia, para que seja cientificada a Fazenda Nacional dos laudos anexados pela Contribuinte com seu Recurso Voluntário, para tenha a oportunidade de sobre eles se manifestar, devendo, após novo julgamento ser proferido pela Câmara recorrida. (*) destaquei Observese que no julgamento do Recurso Especial da PFN, em relação à divergência caracterizada em relação ao item "1" das razões Fl. 680DF CARF MF Processo nº 16327.000009/200591 Resolução nº 1402000.630 S1C4T2 Fl. 1.556 7 recursais possibilidade de apresentação de documentos posteriormente à impugnação foi proferido juízo de valor a respeito da admissibilidade da prova naquele momento processual, ou seja, admitiuse que o contribuinte poderia apresentar, em memoriais, por ocasião do julgamento do Recurso Voluntário, os pareceres que indicavam o método do rateio de custos adotados. Mas a decisão da 1ª Turma da CSRF julgou necessário, a fim de evitar o cerceamento do direito de defesa da Fazenda, que a PFN fosse cientificada para se manifestar a respeito do conteúdo dos pareceres, razão pela qual determinouse a realização de um novo julgamento pela Câmara a quo. Na sequência, a PFN se manifestou e o fez solicitando que o processo fosse convertido em diligência para que a Fiscalização, e não ela, se manifestasse sobre os laudos. Como estamos diante de um embargo da contribuinte que nos devolve os autos para sanear uma contradição em uma decisão que determinou que, após a manifestação da PFN, os autos deveriam ser objeto de novo julgamento pela Câmara Ordinária, uma vez saneada essa contradição, devese dar continuidade ao que fora decidido em 2009. Assim, respeitando o que fora na Resolução nº 910100.001, cabe à Câmara a quo avaliar a manifestação da PFN que pede que o processo seja convertido em diligência para que a Fiscalização aprecie os laudos trazidos por ocasião do recurso voluntário. Feitos os necessários esclarecimentos e sanadas as contradições, voto no sentido de ACOLHER os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para determinar a devolução dos autos para julgamento da Câmara a quo, porém, esse julgamento só deve ocorrer após a ciência das partes desta decisão, e reabertura de novo prazo para a PGFN se manifestar. Após a prolatação de tal r. decisório, a D. Procuradoria da Fazenda Nacional manifestouse novamente, retirando seu petitório de fls. 561 a 567, na qual pugnou pela realização de diligência e pela carência probante dos laudos apresentados. Constatada e registrada a extinção da C. 1ª Câmara do E. Primeiro Conselho de Contribuinte, os autos foram distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 16327.000009/200591 Resolução nº 1402000.630 S1C4T2 Fl. 1.557 8 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Como anteriormente já verificado, reiterase que o Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Extraise do relatório supra e do próprio v. Acórdão da C. 1ª Turma da CSRF que a motivação para a anulação do v. Acórdão nº 10195.791, estampada na v. Resolução nº 910100.001 complementada e endossada pelo v. Acórdão nº 9101002.201, foi o reconhecimento do cerceamento do direito de defesa da Fazenda Nacional, na medida que Laudos e documentos fornecidos pelo Contribuinte, em sede de memoriais, foram utilizados como fundamento para dar provimento ao Recurso Voluntário apresentado, sem que houvesse a previa manifestação dos representantes da União. E por tal motivo determinouse o presente novo julgamento, após sanado tal vício processual. Ilustrando e confirmando, confirase o trecho final do voto da I. Conselheira Adriana Gomes Rêgo: Mas a decisão da 1ª Turma da CSRF julgou necessário, a fim de evitar o cerceamento do direito de defesa da Fazenda, que a PFN fosse cientificada para se manifestar a respeito do conteúdo dos pareceres, razão pela qual determinouse a realização de um novo julgamento pela Câmara a quo. Na sequência, a PFN se manifestou e o fez solicitando que o processo fosse convertido em diligência para que a Fiscalização, e não ela, se manifestasse sobre os laudos. Como estamos diante de um embargo da contribuinte que nos devolve os autos para sanear uma contradição em uma decisão que determinou que, após a manifestação da PFN, os autos deveriam ser objeto de novo julgamento pela Câmara Ordinária, uma vez saneada essa contradição, devese dar continuidade ao que fora decidido em 2009. Assim, respeitando o que fora na Resolução nº 910100.001, cabe à Câmara a quo avaliar a manifestação da PFN que pede que o processo seja convertido em diligência para que a Fiscalização aprecie os laudos trazidos por ocasião do recurso voluntário. Fl. 682DF CARF MF Processo nº 16327.000009/200591 Resolução nº 1402000.630 S1C4T2 Fl. 1.558 9 Feitos os necessários esclarecimentos e sanadas as contradições, voto no sentido de ACOLHER os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para determinar a devolução dos autos para julgamento da Câmara a quo, porém, esse julgamento só deve ocorrer após a ciência das partes desta decisão, e reabertura de novo prazo para a PGFN se manifestar. Pois bem, o objeto central da controvérsia sobre o cerceamento de defesa da Fazenda Nacional são os Laudos e documentos acostados pelo Contribuinte, apenas em sede de memoriais. Nesse sentido, a I. Relatora da C. 1ª Câmara do E. Primeiro Conselho de Contribuintes, Sandra Maria Faroni, menciona tal manobra processual em seu relatório e voto. Confira: Na sessão de julgamento em setembro passado, a Recorrente apresentou memorial instruído com documentos objetivando demonstrar a comprovação dos métodos adotados, a saber: a) " Parecer Técnico quanto aos procedimentos contábeis do Banco Itaú, relacionados ao convênio de rateio de custos, elaborado pela Fundação de Estudos e Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI), órgão de apoio institucional ao Departamento de Contabilidade e Atuária da FEA/USP; b) "Relatório de Revisão Especial sobre Convênio de Rateio de Custos Comuns Período de janeiro de 1999 a dezembro de 1999", elaborado por BDO Trevisan;. c) "Relatório de Avaliação dos Métodos Utilizados no Convênio de Rateio de Custos Comuns do Conglomerado Itaú" nos exercícios de 1999 a 2003", elaborado por Moore Stephens Auditores e Consultores. (Relatório fls. 421 e 422) (...) Ocorre que o Recorrente está agora trazendo pareceres técnicos de renomadas entidades, que analisam procedimentos contábeis do Banco Itaú, relacionados ao convênio de rateio de custos, e relatam uma revisão e avaliação dos métodos utilizados no rateio de custos comuns do Conglomerado Itaú nos exercícios de 1999 a 2003. (...) Da análise dos documentos trazidos, a primeira constatação que aflora é de que a possibilidade de verificação do rateio pelo fisco não se resumiria a analisar "planilhas e demonstrativos", exigindo uma auditoria profunda, tal como as feitas, especialmente, pelo FIPECAFI Fl. 683DF CARF MF Processo nº 16327.000009/200591 Resolução nº 1402000.630 S1C4T2 Fl. 1.559 10 e pela Moore Stephens, cujos relatórios se encontram anexados ao memorial. (voto fls. 428) (...) A análise do FIPECAFI contemplou aspectos conceituais e procedimentais relativos ao sistema de custos utilizado pelo Grupo Ita6 e A forma de rateio, a abrangeu o período de 1999 a 2003. Convém pinçar alguns registros contidos no relatório produzido por aquele Instituto. (voto fls. 429) (...) Da mesma forma, a Moore Stephens Auditores Independentes, no item 2 do Relatório de Avaliação dos Métodos Utilizados, descreve as principais características do sistema de custos adotado pelo Grupo Itaú. No item 3, para melhor visualizálo, apresenta dois casos reais, e no item 5 conclui que o sistema atende a diversas e importantes finalidades, uma das quais é a mensuração dos valores devidos pelas empresas do Conglomerado Itaú pelo compartilhamento das estruturas administrativa, operacional e comercial do Itaubanco. Considero que os documentos trazidos, cuja anexação aos autos foi determinada, demonstram que os valores foram rateados tendo em vista a efetiva utilização dos serviços e à necessidade das empresas, não podendo prevalecer a glosa. Dou provimento ao recurso. (voto fls. 433) Esclareçase que quando da Impugnação a Recorrente já havia apresentado um Laudo, da lavra de Boucinhas e Campos Auditores Independentes (fls. 264 a 293), devidamente processado e apreciado, não sendo objeto de celeuma. Contudo, antes de adentrar em qualquer aspecto jurídico da presente demanda, este Conselheiro reporta que, ao analisar diversas vezes os autos, não foram localizados os Laudos, relatórios e documentos mencionados, objeto de controvérsia desde 2006, tampouco os memorais nos quais tal documentação estaria anexada. Naturalmente, a analise do Julgador está sujeita a falhas, mas verificando todas as folhas dos autos, especialmente as fls. 328 a 416 (intervalo entre a última página das razões do Recurso Voluntário e a última folha antes do v. Acórdão nº 10195.791), não foram encontrados tais trabalhos fiscais que fundamentaram a decisão. Igualmente, não existem processos apensos ao presente, onde, por simples e comum lapso, poderiam ter sido juntados. Observase que naquelas folhas específicas, onde estariam, então, os memoriais trazidos em julgamento, apenas foram acostados aos autos petições e documentos de registros Fl. 684DF CARF MF Processo nº 16327.000009/200591 Resolução nº 1402000.630 S1C4T2 Fl. 1.560 11 imobiliários, bem como despachos e atos da Unidade Local, sobre arrolamento procedido (o que até acaba por poluir os autos, digase). É fato que, ao final de seu voto, a I. Relatora do antigo E. Conselho de Contribuintes consigna que considero que os documentos trazidos, cuja anexação aos autos foi determinada, demonstram que os valores foram rateados tendo em vista a efetiva utilização dos serviços e à necessidade das empresas, não podendo prevalecer a glosa. Tal afirmação reforça a possibilidade de que a juntada aos autos de tal documentação tenha sido uma providência determinada durante e (supostamente) procedida após o julgamento. Também frisese que, curiosamente, em nenhuma peça ou decisão mencionase o número das folhas em que estariam tais documentos (vide Recurso Especial, manifestações da PGFN, Embargos de Declaração do Contribuinte, despachos de Conselheiros e r. decisões da C. CSRF). Ainda que exista margem para divergência (um dos motivos pelos quais o presente processo foi submetido a apreciação deste C. Colegiado agora), entendese que o julgamento não deve prosseguir lembrando que o fulcro de toda a demanda, nos últimos 12 anos, foi o conhecimento, a manifestação sobre e a análise, por representante da Fazenda Nacional, desses Laudos, relatórios e demais provas. Certamente, estáse diante da necessidade de diligência para que o Contribuinte acoste cópias de seus memorais, junto da documentação integral que lhe instruía em 2006, mencionada no primeiro julgamento do Recurso Voluntário. Não obstante, em face do valor institucional da celeridade na resolução das demandas que tramitam nesse E. CARF, bem como da necessidade de se racionalizar o processo administrativo fiscal, a presente oportunidade também prestará para, finalmente, promover a analise de tais provas pela Unidade Local, como expressamente requerido pela D. PGFN às fls. 561 a 567, reiterado no início da petição às fls. 631a 640 e, inclusive, mencionado pela I Relatora da 1ª Turma da C. CSRF no seu acórdão então, como medida a ser apreciada por esta C. Turma Ordinária. Este procedimento é há muito adotado por esta C. Turma Ordinária, principalmente como garantia de se evitar violações ao direito de defesa do Fisco, quando da juntada posterior à Impugnação de novas provas ao autos pelo contribuinte litigante. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 16327.000009/200591 Resolução nº 1402000.630 S1C4T2 Fl. 1.561 12 Assim, após tais diligências, restará plenamente assegurado e exercido os direitos de ampla defesa e contraditório das Partes, permitindo o natural e devido deslinde da presente contenda. Diante de todo o exposto, resolvese por determinar a realização de diligência, para que, após remetidos os autos à Unidade Local de fiscalização, primeiro, intimese o Contribuinte para: 1) apresentar cópia idêntica e integral dos memoriais e dos laudos, relatórios e demais provas que lhe instruíam, conforme assim já descritos nestes autos: "memorial instruído com documentos objetivando demonstrar a comprovação dos métodos adotados, a saber: a) 'Parecer Técnico quanto aos procedimentos contábeis do Banco Itaú', relacionados ao convênio de rateio de custos, elaborado pela Fundação de Estudos e Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI), órgão de apoio institucional ao Departamento de Contabilidade e Atuária da FEA/USP; b) 'Relatório de Revisão Especial sobre Convênio de Rateio de Custos Comuns Período de janeiro de 1999 a dezembro de 1999', elaborado por BDO Trevisan;. c) 'Relatório de Avaliação dos Métodos Utilizados no Convênio de Rateio de Custos Comuns do Conglomerado Itaú' nos exercícios de 1999 a 2003", elaborado por Moore Stephens Auditores e Consultores." (vide fls. 421 e 422) 2) Após tal fornecimento de documentos, à luz do Parecer COSIT nº 02/2018, a D. Unidade Local deve proceder ao seu processamento analítico, elaborando com clareza e profundidade Relatório formal, averiguando se o conteúdo desses estudos e documentação constante dos autos fundamenta, satisfatoriamente, as deduções promovidas pelo Contribuinte, afastando ou não a motivação da glosa inicialmente procedida no lançamento de ofício, justificando minuciosamente as conclusões alcançadas. 2.1) Havendo a necessidade de confirmação de informações ou de outros elementos de prova, deverá se proceder à intimação do Contribuinte e/ou de outras empresas para apresentar esclarecimentos e documentos, assim como promover diligências in loco. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 16327.000009/200591 Resolução nº 1402000.630 S1C4T2 Fl. 1.562 13 2.2) Havendo o afastamento parcial ou total da exação, deverá se promover a novo cálculo das exigências fiscais de IRPJ e CSLL. 3) Deverá ser dada ciência ao Contribuinte do Relatório elaborado, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 687DF CARF MF
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Numero do processo: 13854.720085/2017-01
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA. LICENÇA SAÚDE.
A isenção de IRPF por moléstia grave aplica-se a rendimentos de reserva remunerada. Súmula CARF nº 63.
Numero da decisão: 2002-000.097
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para extinguir o crédito tributário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA. LICENÇA SAÚDE. A isenção de IRPF por moléstia grave aplicase a rendimentos de reserva remunerada. Súmula CARF nº 63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para extinguir o crédito tributário, nos termos do voto da relatora. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 72 00 85 /2 01 7- 01 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13854.720085/201701 Acórdão n.º 2002000.097 S2C0T2 Fl. 88 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física nos seguintes valores (fl. 40): Rubrica Valor em reais Imposto 463,67 Multa de ofício 347,75 Juros de mora 166,31 Total à época 977,73 A origem do lançamento foi rendimento de R$ 170.241,96 da fonte pagadora São Paulo Previdência SPPREV, declarado como isento por moléstia grave. A motivação do lançamento foi a apresentação de DO de 16/10/2014 com informações ilegíveis e a não apresentação da cópia da publicação do ato concessivo da reforma ou da aposentadoria (ato emitido na época da reforma/aposentadoria) (fl. 41). Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 2) e tempestividade, haja vista que a contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 24/03/2017 (fl. 45) e protocolou sua peça no dia 29/03/2017 (fl. 2), dentro do prazo de 30 dias1 portanto. Impugnação Em sua impugnação, em síntese, o contribuinte alega que (fl. 4 e ss): conforme previsto na IN RFB 1500/2014, apresentou declaração retificadora requerendo restituição de valores de IRRF incididos sobre seus proventos de inatividade, por ser portador de moléstia grave, cegueira, desde 10/2009 e inativo, militar da reserva remunerada, desde 27/09/2002; o laudo acostado aos autos está em consonância com as normas tributárias, visto que, firmado por órgão público municipal da cidade de Bebedouro SP, vinculado ao serviço médico oficial, devidamente credenciado ao SUS, portanto, válido para fins de isenção; a lei 7.713/88 não faz distinção entre cegueira total ou parcial, assim não podendo o intérprete fazer. E cita o Ato Declaratório Executivo PGFN nº 3 de 30/03/2016 que tem efeito vinculante para a Receita Federal, conforme art. 19, § 5º da Lei 10.522/2002; o Auditor Fiscal argumentou que o contribuinte não apresentou o ato concessivo da reforma ou aposentadoria, concluindo que o sujeito passivo, apesar de ser possuidor de cegueira parcial, não possui direito a isenção de IRPF por estar na reserva militar remunerada e não na condição de militar reformado, contudo, o militar da reserva remunerada é um tipo de aposentado, pois recebe proventos de inatividade, só mudando a nomenclatura; 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13854.720085/201701 Acórdão n.º 2002000.097 S2C0T2 Fl. 89 3 os rendimentos são isentos e cita jurisprudência do STJ e CARF. Por fim, requer: a) que a impugnação seja julgada procedente, reconhecendo o direito a isenção do imposto de renda do recorrente, determinando a imediata restituição dos valores apurados na DAA retificadora, anulandose o lançamento fiscal; b) a prioridade no processamento e julgamento da presente impugnação, nos termos do art. 69A, I e IV da Lei 9.784/99. Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguinte documentos: procuração (fl. 11); laudo pericial (fl. 12); comprovante de rendimentos (fl. 14, 15 e 26, 27); DIRPF (fl. 16); termo de atendimento (fl. 23); termo de recepção de requerimento (fl. 24); termo de intimação fiscal (fl. 25); diário oficial (fl. 28 a 31); acórdão de recurso especial (fl. 32 e ss). Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) julgou a impugnação improcedente (fl. 32 e ss), sob o argumento de que as normas de isenção devem ser interpretadas literalmente e se o conceito de aposentadoria incluísse todas as espécies de rendimentos da inatividade, a norma não especificaria os proventos de reforma. Se especifica, exclui a reserva remunerada, pois a enumeração é exaustiva e não exemplificativa. E cita a Solução de Divergência Cosit nº 3, 04/04/2014 e o Manual de Perguntas e Respostas do IRPF 2014. Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 72) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 27/06/2017 (fl. 71) e protocolou sua peça no dia 30/06/2017 (fl. 72), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Recurso voluntário 2 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13854.720085/201701 Acórdão n.º 2002000.097 S2C0T2 Fl. 90 4 O recurso repete as razões trazidas em sede de impugnação (fl. 74 e ss). Documentos recurso voluntário Não foram juntados documentos junto ao recurso voluntário. Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Prioridade processual Em consulta ao sistema informatizado de processos, verifiquei que os presentes autos já estão previamente marcados como prioritários em razão do Estatuto do Idoso. Assim, considerando que o pedido do recorrente já está antecipadamente atendido, não há o que analisar quanto a esta questão. Mérito A motivação do lançamento foi a falta de comprovação da reforma ou aposentadoria, dessa forma, a controvérsia dos autos cingese à aplicação ou não da isenção de IRPF por moléstia grave aos rendimentos da reserva remunerada. O art. 6º, XIV da Lei 7.713/88, ao tratar da isenção de IRPF por moléstia grave, não fala expressamente em reserva remunerada, mencionando tãosomente os proventos de aposentadoria ou reforma. Tanto os militares da reserva remunerada quanto os reformados encontramse em situação de inatividade3. Os militares da reserva remunerada, no entanto, estão sujeitos à prestação de serviço na ativa, em caso de convocação ou mobilização. Já os reformados estão dispensados, definitivamente, desta possibilidade, a não ser em casos excepcionais de execução de tarefa por tempo certo, conforme regulamentação de cada Força Armada4. A transferência para a reserva remunerada pode se dar à pedido, ao militar que contar, no mínimo, 30 anos de serviço5 ou ex officio quando atingir a idadelimite ou incidir em um dos demais casos da norma6. A reforma, por sua vez, também pode se dar à pedido, sendo neste caso exclusivamente aplicada aos membros do Magistério Militar7. Ou 3 Art. 3º, § 1º, b, I, II e III da Lei 6.880/80 Estatuto dos Militares 4 art. 3º, § 1º, b, I, II e III da Lei 6.880/80 Estatuto dos Militares 5 Art. 96, I c/c art. 97, caput da Lei 6.880/80 Estatuto dos Militares 6 Art. 98 da Lei 6.880/80 Estatuto dos Militares 7 Art. 105 da Lei 6.880/80 Estatudo dos Militares Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13854.720085/201701 Acórdão n.º 2002000.097 S2C0T2 Fl. 91 5 pode se dar ex officio para os militares que atingirem as idadeslimite de permanência na reserva ou incidir em um dos demais casos da norma8. O militar será reformado ex officio quando for julgado definitivamente incapaz para o serviço ativo das Forças Armadas9, sendo que esta incapacidade definitiva pode sobrevir em consequência de tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, lepra, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, mal de Parkinson, pênfigo, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave e outras moléstias que a lei indicar com base nas conclusões da medicina especializada10. O militar reformado por incapacidade definitiva que for julgado apto em inspeção de saúde, poderá retornar ao serviço ativo ou ser transferido para a reserva remunerada11. Considerando as características acima expostas, vemos que tanto a reserva remunerada quanto a reforma são situações de inatividade, contudo, a reserva contém um grau um pouco maior de reversibilidade e a reforma, um grau um pouco maior de definitividade. A meu ver, os dois institutos possuem a mesma natureza, sendo as diferenças entre eles meramente pontuais. Nos dois casos os proventos são de inatividade, dessa forma, não vejo motivo para o tratamento tributário diferenciado entre eles. Contudo, a Solução de Divergência nº 3 Cosit de 4 de abril de 2014 aponta argumentos relevantes que demonstram que os rendimentos da reserva remunerada foram, intencionalmente, excluídos da letra da norma isentiva, pelo legislador. Senão vejamos: 1. a reserva remunerada não aparece na redação do art. 6º, XIV da Lei 7.713/88, más é expressamente mencionada no inciso seguinte, o XV que trata de rendimentos de contribuinte que completa 65 anos de idade; 2. na Exposição de Motivos nº 351/88 que deu origem à referida lei, há manifestação no seguinte sentido: "A enumeração constante do art. 6º do projeto é exaustiva. Significa dizer que todos os rendimentos e ganhos de capital são tributados, excetuados apenas os expressamente ali relacionados"; 3. o art. 111 do Código Tributário Nacional impede a interpretação analógica ou extensiva de normas concessivas de isenção; 4. o Poder Legislativo tem envidado esforços para estender aos militares integrantes da reserva remunerada, portadores da doenças mencionadas, a isenção do Imposto de Renda, como demonstra o Projeto de Lei nº 6.848/2010 apresentado pelo deputado Leo Alcântara e Projeto de Lei nº 470/2009 do senador Roberto Cavalcanti. Assim, apesar de entender que os rendimentos da reserva remunerada deveriam ser contemplados na regra isentiva, as evidências mostram que a lei excluiu intencionalmente este caso, não cabendo ao intérprete incluílo, mas sim ao próprio legislador, por meio de alteração legislativa.Nesse sentido, os rendimentos da reserva remunerada seriam tributáveis. 8 Art. 106 da Lei 6.880/80 Estatuto dos Militares 9 Art. 106, II da Lei 6.880/80 Estatuto dos Militares 10 art. 108, V da Lei 6.880/80 Estatuto dos Militares 11 Art. 112, caput da Lei 6.880/80 Estatuto dos Militares Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13854.720085/201701 Acórdão n.º 2002000.097 S2C0T2 Fl. 92 6 Contudo, a Receita Federal não deverá mais tributar tais rendimentos, devendo rever de ofício os créditos tributários já constituídos, por força do disposto no art. 19, caput, II, c/c § 4º da Lei 10.522/2002 e no Ato Declaratório PGFN nº 1, de 12 de março de 2018. No mais, a Súmula CARF nº 63 contempla os rendimentos de reserva remunerada dentre as hipóteses isentivas do IRPF por moléstia grave. Vejamos: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. De acordo com o art. 72 do RICARF12: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Assim, aplico ao presente caso a súmula em questão por observância das normas do RICARF e nesse sentido acolho a pretensão do recorrente para reconhecer que os rendimentos da reserva remunerada dos portadores de moléstia grave são isentos de IRPF. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento, para extinguir o crédito tributário referente ao rendimento de R$ 170.241,96 da fonte pagadora São Paulo Previdência SPPREV, efetuandose a respectiva restituição após apuração. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo 12 Portaria MF nº 343/2015 Fl. 92DF CARF MF
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