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Numero do processo: 10865.902970/2008-91
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO DE DÉBITO. CRÉDITO COMPROVADO.
Estando comprovada a existência do direito creditório, e também sua suficiência para a quitação do débito compensado, deve ser homologada a Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 1802-002.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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CRÉDITO COMPROVADO. Estando comprovada a existência do direito creditório, e também sua suficiência para a quitação do débito compensado, deve ser homologada a Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 29 70 /2 00 8- 91 Fl. 692DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902970/200891 Acórdão n.º 1802002.110 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1433.022, às fls. 51 a 58: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLLestimativa, código de arrecadação 2484), concernente ao período de apuração 01/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que o despacho decisório recorrido conteria equívoco em relação aos valores expressos no quadro “Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PER/DCOMP”, os quais não corresponderiam aos efetivamente declarados. Os valores do alegado crédito apropriados nos PER/DCOMP n.° 17482.92249.031103.1.3.048560 e n.° 26081.87384.041103.1.3.043191 seriam, respectivamente, R$ 20.532,99 e R$ 58.933,18, e não os valores de R$ 22.773,04 e R$ 299.036,96 que constam no despacho decisório; que considerados tais valores, somados aos valores utilizados em PER/DCOMP relacionado(s) na impugnação, em cotejo com o montante do alegado direito creditório, de R$ 321.810,00, estaria evidenciada a procedência do valor do crédito original, e a existência de saldo suficiente para a compensação requerida. Ao final requer seja reconhecido, conforme documentação anexa, “que nada é devido em relação à PER/DCOMP não homologada, improcedendo o valor constante no DARF encaminhado e vinculado ao Processo Administrativo em referência”. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902970/200891 Acórdão n.º 1802002.110 S1TE02 Fl. 4 3 Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/05/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/06/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS dispõe a legislação que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada; assim procedeu a Recorrente, tendo recolhido as estimativas mensais do IRPJ e da CSLL durante todo o anocalendário; todavia, em virtude de problemas em sua escrituração contábil, a Recorrente recolheu aleatoriamente (posto que sem uma apuração efetiva da receita bruta auferida) mas de boafé, a fim de não se inserir em mora, a estimativa/guia embatida (período de apuração: 01/2003), a qual, inclusive, se mostra em “valores exatos” (R$ 300.000,00), corroborando o alegado; outrossim, após a devida correção de sua escrituração contábil, constatouse que o valor efetivamente devido desta estimativa seria de R$ 89.364,68, o qual fora quitado da seguinte forma: Fl. 694DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902970/200891 Acórdão n.º 1802002.110 S1TE02 Fl. 5 4 · R$ 34.438,97 mediante compensação por meio do DComp 21298.07778.21050.31304.9740; · R$ 54.925,71 mediante compensação por meio do DComp 26081.87384.04110.31304.3191, com parte do crédito decorrente desta mesma guia já homologada. observese que do valor total recolhido em 19/03/2003 (ou seja, R$ 321.810,00), foi utilizado/compensado para esta estimativa apenas o valor de R$ 54.925,71, restando assim um saldo/crédito no valor de R$ 266.884,29, o qual fora utilizado em outras compensações; desta forma, se verifica que o valor da guia embatida não foi utilizado integralmente para a quitação da estimativa mensal de 31/01/2003 e, portanto, corresponde ao crédito que a Recorrente possui junto a este órgão, tendo sido objeto de compensação com outros débitos, inclusive do exercício de 2003 (o recurso traz uma tabela relacionando outras compensações realizadas a partir deste mesmo crédito); o Despacho Decisório apenas consignava insuficiência do crédito apontado, tendo a Recorrente demonstrado o equívoco dos números constantes no referido despacho, o que foi acatado pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto; contudo, a DRJ manteve a decisão de nãohomologação da compensação sob outro fundamento, extrapolando os limites da discussão a que lhe fora submetida e, conseqüentemente, sua esfera de competência, posto que o processo deveria ter retornado à Fiscalização para nova decisão quanto à homologação ou não da compensação declarada, devido ao fato da Autoridade Julgadora haver afastado o único óbice apontado pela Fiscalização; tal situação acarretou supressão de instância em face da Recorrente, posto que lhe foi cerceado seu direito à ampla defesa (apresentação de razões e juntada de documentos contábeis que se fizessem necessários, em virtude do novo fundamento utilizado), visto que sua Manifestação de Inconformidade não abrangeu a situação apontada no v. acórdão combatido, posto que esta era inexistente; em que pese o acima exposto e apenas para que não paire qualquer dúvida acerca da existência do crédito, destacase que o atual fundamento para a nãohomologação das compensações apenas apontaria um equívoco de interpretação quanto ao “Tipo do Crédito” a ser preenchido no Per/Dcomp, posto que ao invés de ter preenchido “Pagamento Indevido ou a Maior” defende que deveria a Recorrente ter escolhido a opção “Saldo Negativo da CSLL” (anocalendário de 2003); todavia, o crédito é legítimo, não podendo eventual equívoco quanto ao “tipo de crédito” informado ser óbice ao direito da Recorrente de ter ressarcido valores recolhidos indevidamente, a título de CSLL, razão pela qual junta aos autos toda a documentação contábil pertinente à demonstração do Saldo Negativo do período, assim como demonstrou em planilha como fora utilizado aludido crédito; por derradeiro, se coloca à inteira disposição para o fornecimento de quaisquer outros documentos que se fizerem necessários, requerendo, desde já, se necessário, Fl. 695DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902970/200891 Acórdão n.º 1802002.110 S1TE02 Fl. 6 5 diligência fiscal para a apuração do alegado, sendo medida de justiça a homologação das compensações efetuadas; DA DECADÊNCIA conforme dito no item anterior, a Fiscalização não homologou as compensações declaradas sob o fundamento (ÚNICO) de que o crédito era insuficiente, posto que já utilizado para o pagamento de outros débitos, demonstrando o alegado com números equivocados e distorcidos do efetivamente declarado; em face desta situação, a Recorrente apresentou suas razões de defesa, demonstrando a incorreção do apontado pela Fiscalização e juntando documentos hábeis a comprovar a matéria objeto de discussão; a incorreção foi ratificada pela 5ª Turma da Delegacia de Julgamento, a qual reconheceu o erro da Fiscalização, acatando as razões de defesa da ora Recorrente; contudo, para total surpresa da Recorrente, a DRJ decidiu não homologar as compensações por novo fundamento, apontando que o tipo do crédito informado não seria passível de ressarcimento; caberia à DRJ julgar a controvérsia instaurada e não substituir a Fiscalização para o fim de homologar ou não a compensação declarada, sob fundamento diverso do apontado; se o óbice apontado no v. acórdão fosse causa de nãohomologação pela Fiscalização, esta deveria ter consignado também este fundamento no r. Despacho Decisório, posto que seria devidamente conferido ao Contribuinte a oportunidade de apresentar todas as suas razões de defesa já na Manifestação de Inconformidade, assim como juntar os documentos contábeis necessários à comprovação do alegado. Entretanto, isto não ocorreu; tal fato foi apenas apontado no v. acórdão e, assim, o seu acatamento culminaria em verdadeira supressão de instância, posto que não seria possível contestar algo de que ainda não se tinha ciência; se a fiscalização não apontou o “Tipo do Crédito” como óbice à compensação, não poderia a autoridade julgadora fazêlo, pois esta matéria não era objeto de discussão, não tendo sequer sido conferida a oportunidade ao Contribuinte de insurgirse em face dela; aos nobres Julgadores caberia apenas afastar o óbice apontado pela Fiscalização e, assim, eventualmente e na mais otimista das hipóteses, retornar os autos à DRF para nova análise acerca da homologação ou não da compensação; outrossim, tendo sido afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. despacho decisório, bem como já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para que o Fisco pudesse, eventualmente, não homologar a compensação declarada por novo fundamento, é medida de justiça a reforma parcial do v. acórdão para o fim de afastar a decisão de não homologação sob fundamento diverso do apontado pela Fiscalização; DA COMPENSAÇÃO Fl. 696DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902970/200891 Acórdão n.º 1802002.110 S1TE02 Fl. 7 6 a compensação efetuada se encontra em perfeita sintonia com as normas legais vigentes, tendo ocorrido, eventualmente, apenas um equívoco quanto ao preenchimento do campo “tipo do crédito”; o não reconhecimento dos créditos decorrentes dos valores “pagos a maior” (estimativa), sob a rubrica de imposto sobre a “renda” ou contribuição social sobre o “lucro líquido”, o que se cogita por mera argumentação, caracterizaria tributação de fato que não corresponde ao conceito de renda, nem tampouco ao de lucro líquido; desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Recorrente, conforme demonstra a farta documentação contábil anexada à presente, seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional; portanto, é medida de justiça o reconhecimento do crédito informado pela Recorrente na íntegra, sendo homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; DO PEDIDO dado o fato de a 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto haver afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. Despacho Decisório e já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para um eventual novo despacho de nãohomologação, sob outro fundamento, requer, respeitosamente, seja parcialmente reformado o v. acórdão, para o fim de afastar a “decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização”, considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; caso assim não entendam V. Sas., o que se cogita por mera argumentação, requer, respeitosamente, a análise da documentação contábil ora apresentada, a qual demonstra a existência do crédito informado, não podendo eventual equívoco quanto ao tipo do crédito ser óbice ao legítimo direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito e, assim, ao final, seja julgada totalmente procedente o recurso interposto, homologandose as compensações declaradas em sua integralidade, por ser esta medida de justiça. Em 08/10/2013, esta turma julgadora exarou a Resolução nº 1802000.330, às fls. 668 a 679, demandando realização de diligência pela unidade de origem. Cumprida a resolução, o processo retornou ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 685 a 689, para prosseguimento do julgamento do recurso voluntário. Este é o Relatório. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902970/200891 Acórdão n.º 1802002.110 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 05/11/2003 (fls. 2 a 6), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente à estimativa de CSLL do mês de janeiro/2003, no valor total de R$ 321.810,00 (principal mais acréscimos). A compensação abrange débito de COFINS referente ao mês de setembro/2003, com data de vencimento em 15/10/2003, no valor de R$ 3.913,94. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 321.810,00 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos da Contribuinte, que estariam especificados em outros PER/DCOMP, conforme as numerações e valores discriminados no Despacho Decisório de fls. 7. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, demonstrando que os valores apropriados nestes outros PER/DCOMP eram diferentes daqueles informados no despacho decisório, e que estas outras compensações não teriam consumido todo o crédito, ao contrário do alegado pela Delegacia de origem. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) reconheceu que os valores dos débitos objeto dos outros PER/DCOMP eram diferentes (e bem menores) que aqueles mencionados pelo despacho decisório que não homologou a presente compensação e, superando esse óbice, deu prosseguimento ao exame do reivindicado direito creditório. Nesse contexto, a DRJ consignou que os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário não seriam pagamentos passíveis de compensação, e que, assim, caberia examinar a eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo no período em questão. Contudo, diante do que havia nos autos, concluiu a DRJ que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, nos seguintes termos: [...] Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902970/200891 Acórdão n.º 1802002.110 S1TE02 Fl. 9 8 Assim, ao final do anocalendário, caso a contribuinte apure saldo negativo do tributo, resta então configurado o pagamento indevido ou a maior, este sim passível de restituição ou compensação, daí porque, inclusive, o marco inicial de contagem de decadência para repetição ou para o lançamento se dá no último dia do exercício e não nas datas em que realizadas as antecipações. Certo, por outro lado, que a diferença de antecipação realizada a maior pode ser deduzida do imposto relativo aos períodos de apuração mensais subseqüentes ao longo do anocalendário em curso, mas assim se permite justamente porque envolvidas parcelas de antecipação da mesmo natureza, sem incidência de qualquer índice de correção. [...] Por tudo isso, concluise que os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não são pagamentos a maior passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos no art. 170 do CTN e no art. 74, parágrafo 3º, da Lei 9.430/96, vez que a lei permite a compensação de valor pago de tributo ou contribuição, quando este se referir à modalidade de extinção de obrigação tributária, o que não abrange o recolhimento por estimativa, por não significar extinção de obrigação tributária, mas tãosomente antecipação a ser computada, ao final do período, na apuração de eventual saldo negativo passível de repetição. No caso em questão, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto suposto crédito do tipo “pagamento indevido ou a maior” de CSLLestimativa mensal, código de arrecadação 2484. Sendo o objeto do pedido incompatível com a legislação de regência, como acima demonstrado, há que se examinar a eventual apuração, pela contribuinte, de saldo negativo de CSLL no período em questão, que poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Em casos da espécie, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurada no final de cada período, uma vez que os recolhimentos do imposto por estimativa são considerados pela Lei como antecipações da contribuição devida (CSLL). E tal demonstração se dá em função dos valores declarados e efetivamente comprovados pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos, os pagamentos por estimativa mensal e os informes de retenção apenas elementos indicativos da apuração do tributo. Como corolário do exposto, esta 5ª Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de CSLL com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento das premissas seguintes: 1ª) a constatação dos Fl. 699DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902970/200891 Acórdão n.º 1802002.110 S1TE02 Fl. 10 9 pagamentos a título de estimativas mensais; 2ª) a apuração do indébito, fruto do confronto com o valor da contribuição devida e, 3ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em outras compensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anoscalendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos, inclusive no que se refere à correta apuração desses saldos negativos anteriores e adequado tratamento contábil/fiscal. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pela postulante, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo de CSLL a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte dever levantar balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução; a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo. Em suma, caberia à recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis comprobatórios da apuração de saldo negativo de CSLL, no período em questão, especialmente por se tratar de pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7º do Decretolei n° 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. E, no presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou tais elementos, limitandose às alegações acima referenciadas. As cópias de PER/DCOMP juntadas à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante de todo o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. (grifos acrescidos) Fl. 700DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902970/200891 Acórdão n.º 1802002.110 S1TE02 Fl. 11 10 Contra essa decisão foi apresentado recurso voluntário, que foi inicialmente examinado por esta turma julgadora do CARF em 08/10/2013, data em que foi exarada a referida Resolução nº 1802000.330, demandando realização de diligência pela unidade de origem. Naquela ocasião, esclarecemos que não mais subsistia o argumento contido na decisão recorrida defendendo restrições para restituição ou compensação de recolhimentos indevidos ou a maior a título de estimativas mensais. A matéria inclusive já foi sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Deste modo, registramos que não havia óbice para que a Contribuinte buscasse a compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa. Não havia dúvidas de que o crédito reivindicado correspondia a pagamento a maior de estimativa, e não a saldo negativo do período. A própria data de apresentação do PER/DCOMP, 05/11/2003, evidenciava isso, porque a compensação foi realizada antes mesmo da data para o ajuste anual (31/12/2003). Naquela mesma ocasião, fizemos várias considerações sobre a composição do ônus da prova nos processos que tratam de compensação/restituição de indébito. Esclarecemos também que foi essa dinâmica de produção de prova que orientou a evolução do presente processo, não obstante a decisão recorrida tenha defendido restrições preliminares quanto à compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa. O que ocorreu é que no caminhar do processo, a Contribuinte foi se insurgindo contra os óbices apontados pela Administração Tributária, no que toca à existência e à disponibilidade de seu direito creditório. Registramos, assim, que essa formação gradativa da prova é comum aos processos de restituição/compensação, não havendo que se falar em inovação nos fundamentos da negativa, nem na necessidade de elaboração de novo despacho decisório, nem em situação que poderia dar ensejo ao reconhecimento da homologação tácita da compensação, etc. A conclusão foi no sentido de que, nessa fase processual, a medida correta seria examinar os documentos que a Contribuinte juntou aos autos com o recurso voluntário, em razão das considerações contidas na decisão recorrida sobre a necessidade de comprovação do indébito. Nesse contexto, a referida resolução foi assim finalizada: [...] Procurando comprovar a existência e a disponibilidade de seu direito creditório, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário: Demonstrativo de todas as compensações realizadas com o Fl. 701DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902970/200891 Acórdão n.º 1802002.110 S1TE02 Fl. 12 11 crédito ora examinado; Demonstrativo da composição da receita bruta mensal abrangendo o período em questão; Lançamentos realizados na conta “1.1.34.1.2.234CSLL2003DARF Rec Indevido”; DIPJ do anocalendário 2003; DCTF´s trimestrais referentes ao anocalendário 2003; Balancetes Analíticos de 2003; cópia do Livro Diário contendo Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício e Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos no Período, referentes aos anos de 2003 a 2005; e LALUR de maio/2003 em diante. Pela ficha 16 da DIPJ, e também pela DCTF, o valor da estimativa de janeiro/2003 seria de R$ 89.364,68. As estimativas foram apuradas com base na “receita bruta e acréscimos” até o mês de abril, e a partir do mês de maio a apuração das estimativas se deu mediante balancetes de suspensão/redução. De acordo ainda com a DIPJ, a Contribuinte apurou prejuízo em 2003, e todas as antecipações ao longo do ano, a título de recolhimento de estimativa (R$ 140.275,65), converteramse em saldo negativo nesse mesmo montante. Esse saldo negativo englobou apenas o valor de R$ 89.364,68 como estimativa de janeiro. A indicação, portanto, é de que houve recolhimento a maior para a referida estimativa, e de que o excedente não foi aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a sua disponibilidade para as compensações realizadas pela Contribuinte, nos termos da Súmula CARF nº 84. Contudo, a solução do presente processo demanda uma instrução complementar. Embora a indicação seja da existência e disponibilidade do alegado excedente referente à estimativa de janeiro/2003, há outras compensações que afetam este processo. A quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, está vinculada a outras compensações. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz da documentação contábil e fiscal da Contribuinte: 1) verifique e informe: a base de cálculo e a respectiva CSLLestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; Fl. 702DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902970/200891 Acórdão n.º 1802002.110 S1TE02 Fl. 13 12 a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF nº 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. A resolução foi atendida, e o processo devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 685 a 689. No atendimento à diligência, a Delegacia de origem esclareceu: que a Contribuinte apresentou vários PER/DCOMP utilizando partes do mesmo crédito, o que resultou na formalização de vários processos, incluindo o presente, conforme tabela abaixo: Per/Dcomp Processo 17482.92249.031103.1.3.048560 10865.901253/200841 26081.87384.041103.1.3.043191 10865.902966/200822 09485.96361.041103.1.3.045595 10865.902967/200877 12702.93357.041103.1.3.043072 10865.902968/200811 22780.66384.041103.1.3.045184 10865.902969/200866 30373.86184.051103.1.3.043782 10865.902970/200891 37376.39487.11103.1.3.049987 10865.902971/200835 22441.80946.181103.1.3.044641 10865.902972/200880 40509.82954.031203.1.3.044861 10865.902973/200824 21088.80598.101203.1.3.042047 10865.902974/200879 que realmente houve erro no despacho decisório relativo ao segundo PER/DCOMP apresentado, quanto à evolução do saldo do direito creditório, o que acabou comprometendo todos os despachos decisórios seguintes; que alguns dos processos envolvendo o mesmo crédito já foram examinados pelo CARF, entre eles o de nº 10865.902974/200879; que o processo nº 10865.902974/200879 é referente à ultima declaração de compensação encaminhada, e que nele foi apurado o saldo disponível após o processamento de cada declaração de compensação, conforme quadro a seguir: Fl. 703DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902970/200891 Acórdão n.º 1802002.110 S1TE02 Fl. 14 13 Declaração de Compensação Origem Crédito Valor Saldo Pleiteado Utilizado Disponível 17482.92249.031103.1.3.048560 Dcomp 321.810,00 20.532,99 301.277,01 Processamento 321.810,00 22.773,04 299.036,96 26081.87384.041103.1.3.043191 Dcomp 301.277,01 58.933,18 242.343,83 Processamento 301.277,01 65.431,39 233.605,57 09485.96361.041103.1.3.045595 Dcomp 242.343,83 75.052,09 167.291,74 Processamento 242.343,83 0 0 Valor Correto 242.343,83 88.234,17 145.371,40 12702.93357.041103.1.3.043072 Dcomp 167.291,74 23.743,30 143.548,44 Valor Correto 167.291,74 27.798,85 117.572,55 22780.66384.041103.1.3.045184 Dcomp 143.548,44 26.726,13 116.822,31 Valor Correto 143.548,44 31.394,90 86.177,65 30373.86184.051103.1.3.043782 Dcomp 116.822,31 3.487,43 113.334,88 Valor Correto 116.822,31 3.709,78 82.467,87 37376.39487.111103.1.3.049987 Dcomp 113.334,88 50.006,44 63.328,44 Valor Correto 113.334,88 50.006,43 32.461,44 22441.80946.181103.1.3.044641 Dcomp 63.328,44 22.030,77 63.328,44 Valor Correto 63.328,44 22.030,77 10.430,67 40509.82954.031203.1.3.044861 Dcomp 41.297,67 2.042,92 39.254,75 Valor Correto 41.297,67 2.042,92 8.387,74 21088.80598.101203.1.3.042047 Dcomp 39.254,75 39.254,75 0 Valor Correto 39.254,75 8.387,74 0 que a maior parte dos débitos que foram compensados já estavam vencidos quando as declarações de compensação foram entregues; que a Contribuinte não computou corretamente os acréscimos legais sobre esses débitos que já estavam vencidos na data de apresentação do PER/DCOMP, fazendo com que o crédito pleiteado não fosse suficiente para a homologação integral de todas as compensações, remanescendo parcialmente em aberto a última delas, conforme indica a tabela acima, e que é objeto de outro processo; mas que o crédito reconhecido é suficiente para homologar o PER/DCOMP nº 30373.86184.051103.1.3.043782, objeto destes autos. Restou, portanto, comprovada a existência do direito creditório, e também a sua suficiência para a quitação do débito compensado. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.902970/200891 Acórdão n.º 1802002.110 S1TE02 Fl. 15 14 Deste modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para homologar a declaração de compensação objeto destes autos. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 705DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 19647.008664/2006-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001,2002, 2003, 2004
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. LIMITE DE COGNIÇÃO NA INSTÂNCIA ESPECIAL.
O recurso especial é destinado à eliminação de divergências na aplicação da legislação tributária entre colegiados, em casos semelhantes. No caso, não está comprovada divergência quanto a critérios jurídicos de dedutibilidade de despesas, que pacificamente devem ser comprovadas quanto à sua efetividade, caracterizada, assim, situação fática diversa dos paradigmas colacionados pela recorrente.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 13/03/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator EDITADO EM: 13/03/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1542; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 340 1 339 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19647.008664/200643 Recurso nº 159.637 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202003.045 – 2ª Turma Sessão de 12 de fevereiro de 2014 Matéria IRPF Recorrente RUTE DE ALBUQUERQUE FRANCO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001,2002, 2003, 2004 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. LIMITE DE COGNIÇÃO NA INSTÂNCIA ESPECIAL. O recurso especial é destinado à eliminação de divergências na aplicação da legislação tributária entre colegiados, em casos semelhantes. No caso, não está comprovada divergência quanto a critérios jurídicos de dedutibilidade de despesas, que pacificamente devem ser comprovadas quanto à sua efetividade, caracterizada, assim, situação fática diversa dos paradigmas colacionados pela recorrente. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 86 64 /2 00 6- 43 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19647.008664/200643 Acórdão n.º 9202003.045 CSRFT2 Fl. 341 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 13/03/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão n° 380400.010, da 2a Turma Ordinária da 4a Turma Especial da 3a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 213 a 220), julgado na sessão plenária de 18 de março de 2009, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário da contribuinte, transcrevendose a seguir a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 DECADÉNCIA CONTAGEM DO PRAZO DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. A contagem do prazo decadencial, em caso de dolo, fraude ou simulação, se faz nos moldes previstos no art. 173, I, do CTN, iniciandose no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DESPESAS MÉDICAS APRESENTAÇÃO DE RECIBOS SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tãosomente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Preliminar rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de decadência argüida pelo Relator. Vencidos os Conselheiros Júlio Cezar da Fonseca Furtado (Relator) e Marcelo Magalhães Peixoto. Por unanimidade votos, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao Fl. 295DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19647.008664/200643 Acórdão n.º 9202003.045 CSRFT2 Fl. 342 3 recurso. Vencido o Conselheiro Júlio Cezar da Fonseca Furtado (Relator), que provia integralmente o recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende. Cientificada do acórdão em 08/11/2010 (fl. 228), a contribuinte apresentou, em 23/11/2010, recurso especial de divergência (fls. 231 a 245), para questionar a procedência do lançamento mantido, uma vez que, na forma ali alegada, nunca restou comprovada pela autoridade lançadora a inidoneidade dos comprovantes de pagamentos apresentados para fins de dedução das despesas em questão. Para comprovar a divergência jurisprudencial, apresentou os seguintes paradigmas, transcritos na parte de interesse à discussão: Acórdão no 10246.991: DESPESAS ODONTOLÓGICAS A míngua de indícios em contrário, a idoneidade de documentos formalmente corretos deve ser presumida, cabendo a quem aproveite a declaração de sua falsidade o ônus de provála. Nesse sentido, não cabe a glosa de recibos apenas porque os procedimentos realizados não foram pormenorizadamente discriminados ou porque a forma de pagamento não foi atestada por meio de outros documentos. Acórdão no 10420.605: DOCUMENTO COMPROBATÓRIO DE DESPESA ODONTOLÓGICA IDÔNEO — APRESENTAÇÃO VÁLIDA NA FASE IMPUGNATÓRIA — É de se julgar idôneo o documento juntado pelo contribuinte para a comprovação da despesa médica quando cumpridos estão os requisitos constantes da alínea V do art. 11 da Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 269 a 271. Cientificada a Fazenda Nacional do acórdão e do recurso especial da contribuinte em 15/07/2011 (fl. 271), seu representante apresentou, em 18/07/2011, contrarrazões ao pleito recursal (fls. 273 a 279), onde afirma que “(...) a fragilidade dos documentos apresentados pelo contribuinte e os indícios quanto à veracidade das provas constatados pela Fiscalização, autorizaram o Fisco a requerer do sujeito passivo elementos mais conclusivos que atestassem as suas despesas. Não tendo sido fornecidos tais elementos, a validade da glosa é irrefutável.” A título informativo, consta o auto de infração objeto do presente processo formalizado (acompanhado de seus demonstrativos) às fls. 01 a 11 do presente. Impugnação do contribuinte constante às fls. 130 a 148, com decisão de 1a instância às fls. 167 a 181 e posterior Recurso Voluntário a este CARF constante das fls. 187 a 199. É o relatório. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19647.008664/200643 Acórdão n.º 9202003.045 CSRFT2 Fl. 343 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso especial é tempestivo. Preliminarmente, da análise dos paradigmas trazidos aos autos pela recorrente, verifico que: a) No primeiro paradigma reproduzido (Acórdão no 10246.991, de fls. 247 a 261), está a se tratar de situação onde há nítida ressalva à idoneidade de recibos formalmente corretos no caso de presença de indícios em contrário, na forma da parte inicial do referido julgado, "A míngua de indícios em contrário, (...) (g.n.)". A propósito, verifico que, no caso sob análise, além da não comprovação satisfatória por parte da autuada quanto à efetividade dos serviços prestados e à realização de pagamentos às respectivas prestadoras, também as ações fiscais levadas a cabo contra tais profissionais que emitiram os recibos, de relatórios de Fls. 73 a 96 e 97 a 117 (as quais levaram, inclusive, á lavratura de auto pela conclusão de não prestação dos serviços) são provas indiciárias robustas que militam pela inidoneidade dos recibos apresentados. A propósito, reproduzse aqui os itens de número 51 e 52 da decisão de 1a. instância (fl. 179), os quais entendo como cristalinos, caracterizando de forma inequívoca a situação fática aqui sob litígio, verbis: “ (...) 51. No caso presente, ficou evidenciado nos autos, por meio de vários indícios convergentes colhidos pela fiscalização, que a contribuinte utilizou despesas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda, que não existiram, sendo o mais relevantes desses, a falta de apresentação das provas cabais, perante a fiscalização, tanto por parte das profissionais que emitiram os recibos, quanto por parte da contribuinte, da real existência dos serviços indicados nos recibos e dos pagamentos desses, sendo constatado através da leitura dos Relatórios de Ação Fiscal de fls. 73 a 96 e 97 a 116 e das cartas resposta da contribuinte à fiscalização fls. 33 e 52/53 afora as informações contraditórias das profissionais e dos contribuintes que utilizaram os tais recibos, tais como a apontada no item 31, subitem II.3, do presente Voto, sobre a falta de documentação comprobatória, por parte de 100% das pessoas que utilizaram os recibos precitados, da efetiva transferência dos valores declarados como pagos à Sra. Luciana Badaró Cruz, o que contrasta com a afirmação desta, de que sacava os valores diretamente nas entidades financeira, além da informação também contraditória da Sra. Sandra Lins e da contribuinte, apontada no item 31, subitem I.7. 52. Além do mais, há o agravante de que a presente ação fiscal é apenas parte de uma ação maior que resultou na lavratura de Fl. 297DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19647.008664/200643 Acórdão n.º 9202003.045 CSRFT2 Fl. 344 5 diversos Autos de Infração, todos com a correspondente representação fiscal para fins penais, face à existência de indícios veementes de nãoprestação dos serviços consignados nos respectivos recibos emitidos por diversos profissionais da área médica na cidade do Recife. (...) b) Notese também que, no âmbito do segundo paradigma (fls. 262 a 268), não se nega, no voto vencedor, a possibilidade de questionamento pela autoridade fiscal acerca da efetiva prestação dos serviços e comprovação dos pagamentos, a fim de que se aceite a dedutibilidade de despesa odontológica, ainda que estejam os recibos de pagamento apresentados formalmente corretos. Entendo ter, ali, se limitado a discussão à presença ou não dos requisitos formais elencados na alínea "c" do art. 11 da Lei 8.383, de 30 de Dezembro de 1991, por não haver outras provas carreadas aos autos pela autoridade fiscal quando do lançamento que não a ausência de atendimento à solicitação de esclarecimentos por parte do contribuinte e a utilização de recibo cujo número de telefone do profissional continha um algarismo a mais do que o esperável à época de sua emissão. Todavia, repito que, no caso em questão, entendo que as ações fiscais realizadas junto às prestadoras e a inexistência de provas materiais do pagamento sob a forma de cheque nominal às prestadoras, ao contrário de ambos os casos paradigmáticos acima, se constituem, em conjunto, em prova indiciária robusta da inidoneidade dos recibos, devidamente carreada aos autos pela autoridade fazendária. Assim, não há critérios jurídicos diferentes, mas situações fáticas diferentes caracterizadas por elementos de prova diferentes. Há, no caso sob análise, ausência de comprovação de pagamento e indícios robustos de não efetividade da prestação dos serviços, diversamente das situações em questão nos acórdãos paradigma, onde, ressaltese, também não se nega a possibilidade de utilização de tais indícios para fins de caracterização daquela não efetividade, considerada esta efetividade como requisito de dedutibilidade conforme posição pacífica deste colegiado, ainda que os recibos de pagamento possuam as características formalmente elencadas pela Lei no 8.383, de 1991, em seu art. 11, alínea “c”. Destarte, não havendo similitude fática entre o recorrido e os paradigmas, não pode haver divergência comprovada, e assim, voto por não conhecer do recurso da contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 298DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19647.008664/200643 Acórdão n.º 9202003.045 CSRFT2 Fl. 345 6 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003532/2006-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO
Somente são nulos os atos praticados pela administração tributária se o contribuinte não tem conhecimento dos elementos que o originou.
COFINS NÃO INCIDÊNCIA SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS - ART. 79 DA LEI 5.764/71 - LEI DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS
A revogação do inciso I, do art. 6º, da LC 70/91, em nada altera a não incidência da COFINS e do PIS sobre os atos cooperativos. O parágrafo único, do art. 79, da Lei 5.764/71, não esta revogado por ausência de qualquer antinomia legal conforme entendimento pacífico do STJ. A tributação dos valores decorrentes dos atos cooperativos não podem ser objeto de incidência do PIS e da COFINS em razão de disposição legal que coloca os atos cooperativados fora do mercado, não constituindo esses valores receita ou faturamento, estando, portanto, a margem da regra matriz destes tributos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 12/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO Somente são nulos os atos praticados pela administração tributária se o contribuinte não tem conhecimento dos elementos que o originou. COFINS NÃO INCIDÊNCIA SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS - ART. 79 DA LEI 5.764/71 - LEI DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS A revogação do inciso I, do art. 6º, da LC 70/91, em nada altera a não incidência da COFINS e do PIS sobre os atos cooperativos. O parágrafo único, do art. 79, da Lei 5.764/71, não esta revogado por ausência de qualquer antinomia legal conforme entendimento pacífico do STJ. A tributação dos valores decorrentes dos atos cooperativos não podem ser objeto de incidência do PIS e da COFINS em razão de disposição legal que coloca os atos cooperativados fora do mercado, não constituindo esses valores receita ou faturamento, estando, portanto, a margem da regra matriz destes tributos. Recurso Voluntário Provido.
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COFINS NÃO INCIDÊNCIA SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS ART. 79 DA LEI 5.764/71 LEI DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS A revogação do inciso I, do art. 6º, da LC 70/91, em nada altera a não incidência da COFINS e do PIS sobre os atos cooperativos. O parágrafo único, do art. 79, da Lei 5.764/71, não esta revogado por ausência de qualquer antinomia legal conforme entendimento pacífico do STJ. A tributação dos valores decorrentes dos atos cooperativos não podem ser objeto de incidência do PIS e da COFINS em razão de disposição legal que coloca os atos cooperativados fora do mercado, não constituindo esses valores receita ou faturamento, estando, portanto, a margem da regra matriz destes tributos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 35 32 /2 00 6- 17 Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 12/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.003532/200617 Acórdão n.º 3801003.009 S3TE01 Fl. 1.720 3 Relatório Por bem descrito tomo o relatório apresentado na decisão da DRJ às fls. 1210 e seguintes: 1. Contra o contribuinte em epígrafe foram lavrados, em 20 de Novembro de 2006, dois Autos de Infração: um representado pelo crédito tributário da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 577.572,24 (fls. 263 a 282), Fato Gerador 30/09/2001 a 30/06/2006; e outro da Contribuição para o PIS/Pasep de R$ 125.139,68 (fls. 283 a 302), Fato Gerador 31/09/2001 a 30/06/2006, em razão de insuficiência de declaração das contribuições devidas, não declaradas em DCTF, conforme explicitado no Termo de Encerramento e Verificação Fiscal (fls. 255/262); 2. As incorreções foram fundamentadas da seguinte forma. PIS/Pasep: art. 1° e 3° da Lei Complementar n° 7/70, arts. 2°, Inciso I, 8°, Inciso I e 9°, da Lei n° 9.715/98, arts. 2°, 30 , 8º e 69 da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99, e suas reedições; arts. 2°, Inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02, Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 15, Lei nº 10.676, de 2003, Lei nº 10.684, de 2003, art. 17, IN SRF nº 247, arts. 23 e 33, alterada pela IN SRF n° 358, de 2003; COFINS: art. 10 da Lei Complementar n° 7/70, arts. 2°, 3°, 8°, 69, da Lei no 9.718/98, com alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99, e suas reedições; arts. 2°, Inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524, de 2002, Medida Provisória n° 2.158 35, de 2001, art. 15, Lei n° 10.676, de 2003, Lei n° 10.684, de 2003, art. 17, IN SRF n° 247, de 2002, arts. 23 e 33, alterada pela IN SRF n° 358, de 2003; 3. No Termo de Encerramento e Verificação Fiscal o autor do procedimento fiscal conduz a descrição dos fatos imputados como irregulares conforme a seguir: 3.1 Foi constatado que a sociedade cooperativa somente recolheu PIS sobre a Folha de Pagamento, ficando os demais valores faturados a margem da tributação e, também, não declarados em DCTF; 3.2 Aduz no termo que, com o advento da Lei n° 9.718, de 1998 e da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999 e reedições posteriores, as sociedades cooperativas de maneira geral passaram a contribuir para a COFINS com base na receita bruta, ou seja, independente da classificação contábil e do tipo de atividade exercida, no caso em tela, a base de cálculo passou Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 a ser o total de prestação de serviços somadas as receitas financeiras; 3.3 Ademais, a partir de 1° de Novembro de 1999, as sociedades cooperativas passaram a ficar sujeitas a Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, de acordo com a sistemática introduzida pela Medida Provisória n° 1.858, de 1999 e suas reedições. A isenção relativa aos atos cooperativos foi expressamente revogada pelo art. 23 da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, permitindo as exclusões de valores referentes aos atos cooperativos próprios deste tipo societário. Estas regras foram disciplinadas pela Instrução Normativa SRF n° 145, de 1999, e as deduções especificas foram introduzidas pelo art. 17 da Lei n° 10.684, de 2003, e Instrução Normativa SRF n° 247, de 2002, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 358, de 2003; 3.4 Importa acrescentar que a sociedade cooperativa impetrou o Mandado de Segurança, como litisconsorte, em ação de n° 99.80.02951, em 15 de outubro de 1999, na Seção Judiciária da Cidade de Criciúma SC. Em 18 de outubro de 1999, por aquela Seção Judiciária julgouse incompetente, sendo que o processo foi remetido ao Juízo Federal da 3ª Vara Federal de Florianópolis onde tramitou sob o número 99.00.093674. Em 10 de fevereiro de 2000 foi indeferido o pedido de liminar, e em 15 de agosto de 2001, foi prolatada a sentença que denegou a segurança. Portanto, além da impetrante não ter sido beneficiada por decisão que a amparasse a sua pretensão de ver afastada a cobrança da COFINS, regulamentada pela Lei n° 9.718, de 1998 e da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, ficou confirmado que a mesma é contribuinte da referida contribuição; 3.5 Fundamenta o procedimento fiscal trazendo os dispositivos legais infringidos sobre a matéria questionada, que são fontes referenciais para a constituição do crédito tributário das contribuições sociais para o PIS/Pasep e da COFINS, com a multa de oficio e juros de mora regulamentares sobre os valores não declarados e não recolhidos; DA IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO 4. Inconformada coma exigência fiscal apresentou, em 21 de Dezembro de 2006, por intermédio de seu representante legal (fls.351), a impugnação (fls. 304 a 345), instruída com os documentos e a jurisprudência administrativa e judicial (fls. 346 a 1206). A Defesa, após sínteses dos fatos relacionados, combate a exação fiscal com as razões discriminadas na continuação; 4.1. A Defesa resume o procedimento fiscal. De inicio apresenta os argumentos de cerceamento de defesa por não saber como o procedimento fiscal apurou o “demonstrativo de receita tributável”, assim como, indaga aonde foram buscados os “custos” que servem de exclusão para tributação da base de calculo das contribuições para o PIS/Pasep e da COFINS. Questiona a Defesa por que não foram incluídas as contas (custos) do setor administrativo, do setor de pessoal, e ainda, pelo demonstrativo não saberia dizer se foi observado o art. 17 Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.003532/200617 Acórdão n.º 3801003.009 S3TE01 Fl. 1.721 5 da Lei n° 10.685, de 2003, que manda descontar “os valores repassados ao associado”, sem distinção; 4.2 Argui a Defesa o tratamento tributário adequado ao ato cooperativo, nos termos e condições previstos no art. 146, Inciso III da Constituição Federal, com a citação de vários doutrinadores, concluindo que a sociedade cooperativa de eletrificação rural restringese a prestar serviços, não possuem resultados e não têm receitas, logo, não auferem renda, nem faturam, nem obtém receita para si, todos os ingressos se incorporam ao patrimônio dos próprios cooperados; 4.3 A sociedade cooperativa de eletrificação rural desenvolvendo suas atividades de distribuição e comercialização de energia elétrica, nos termos da Lei n° 5.764, de 1971, Decreto n° 62.655, de 1968 e Lei n° 9.074, de 1995, é caracterizada como um grupo de pessoas que reciprocamente se obrigam em contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro permissionárias de Serviço Público Federal; 4.4 Assinala que é uma sociedade cooperativa e é regida igualmente por legislação do setor cooperativo e elétrico no ramo da infraestrutura, ou seja, são cooperativas que têm por função primordial prestar coletivamente serviços, e o quadro social necessita (luz, telefone, água — infraestrutura), sem objetivo de lucro, acompanhado da prestação de serviço público de energia elétrica a consumidores urbanos e rurais, através dos serviços de distribuição, administração e comercialização; 4.5 Colaciona ampla disposição da jurisprudência sobre a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, incluindo a posição do STF no julgamento do REs n° 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, onde foi apreciada a questão da abrangência do conceito de faturamento; 4.6 A Defesa afirma que não há base material, nem legal para imposição do ato infracional pelo fisco às sociedades cooperativas de eletrificação rural, pela inaplicabilidade do conceito de faturamento — receita ao ato cooperativo; primeiro, porque se trata do ato cooperativo art. 79, da Lei nº 5.764, de 1971; segundo, pela jurisprudência do STJ sobre o conceito de receita faturamento; terceiro, pelo caráter nãolucrativo das sociedades cooperativas — art. 4° da Lei n° 5.764, de 1971; quarto, os chamados atos nãocooperativos, previstos na Lei n° 5.764, de 1971, arts. 85, 86 e 87, não se enquadram nesses conceitos e são tributados, normalmente, conforme a detenção do art. 111, e os ingressos adquirem uma nova feição e padrão; e quinto, a Lei Complementar n° 70, de 1971, deu tratamento tributário adequado, via lei complementar, ao ato cooperativo; 4.7 A Defesa conclui pela não aplicabilidade sobre a base imponivel da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, face as peculiaridades e amparadas na Lei n° 10.684, de 2003, Instruções Normativas nºs. 358, de 2003 (247, de 2002) e 635, de 2006. Reputa como importante as atividades de distribuição, Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 administração e comercialização de energia definição do custo do serviço prestados; 4.8 Traça considerações sobre a interpretação da Instrução Normativa SRF n° 635, de 2006, principalmente, no tocante ao custos dos serviços prestados, e procura diferenciar as terminologias empregadas no texto normativo de “valores” repassados e de “custos” tomando como referencia a apuração da base de cálculo das contribuições sociais as sociedades cooperativas agropecuárias, contempladas no mesmo dispositivo legal; 4.9 Acrescenta nos argumentos a indagação de como são repassados aos associados os valores dos serviços prestados numa sociedade cooperativa de eletrificação rural, identificando como uma questão legal. Repete que na sociedade cooperativa não haverá o lucro como objetivo e, sim, cálculos de custos que formarão o preço do serviço, materializado na fatura de energia elétrica; 4.10 Diante de todos os argumentos apresentados o contribuinte, preliminarmente, solicita que seja julgado nulo o Auto de Infração, ante o cerceamento de defesa presente no “Demonstrativo de Receita Tributável”, e ainda, se o entendimento seja diverso, requer sucessivamente: a) julgada procedente a impugnação na totalidade para que seja declarada nulidade do Auto de Infração, ante a não incidência sobre o ato cooperativo, por ausência de faturamento ou receita bruta, que constituem a base imponivel das contribuições sociais (PIS/Pasep e COFINS), nas operações de comercialização de Energia Elétrica a associado; b) excluídos todos os valores — ingressos — oriundos da cobrança de tarifa energia elétrica, levantados na “Demonstrativo da Receita Tributável”, anexo ao Auto de Infração; c) nulidade do ato fiscal por erro na base de cálculo da contribuição do PIS/Pasep e da COFINS, por não atender as disposições da Instruções Normativas SRF n° 145, de1999, 358 de 2003 e 635 de 2006, por contemplar algumas reduções de custos, e outros não, conforme critérios aleatórios; d) sejam aplicados os Pareceres Normativos CST n° 77 de 1976 e 66 de 1986, para excluir da base de cálculo os valores advindos do ato cooperativo, como elucidam os referidos atos da própria Receita Federal, que levaria a exclusão dos ingresso da tarifa de energia elétrica tanto para o PI/Pasep como para a COFINS; e) sejam excluídos a venda de bens a associados, vinculados às atividades destes, art. 12, II da Instrução Normativa SRF n° 635, de 2006, através da chamada “Receita Fornecimento de Energia”, ante a conceituação legal (art. 83 do CC) que classifica a energia elétrica como bem imóvel, por disposição legal; Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.003532/200617 Acórdão n.º 3801003.009 S3TE01 Fl. 1.722 7 O seja aplicado ao Ato de Infração o entendimento contido na Solução de Consulta n° 352, de 2004, da 9ª Região Fiscal que interpretando o art. 17 da Lei n° 10.684, de 2003 e Instrução Normativa SRF n° 358 de 2003, determina a exclusão da base imponível do PIS/Pasep e COFINS os custos relativos As áreas de recursos humanos, financeira, comercialização, compras, centro de processamento de dados, contabilidade, jurídica , assistência técnica, etc. A DRJ julgou improcedente a impugnação apontando em ementa os seguintes motivos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não há fundamento na alegação de impossibilidade de identificação das contas contábeis consideradas na base de cálculo, quando basta examinar os balancetes fornecidos pela própria autuada para verificar que os valores que serviram de base para a autuação foram dali extraídos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 INCIDÊNCIA. SOCIEDADES COOPERATIVAS. A contribuição para o PIS/Pasep devida pelas sociedades cooperativas deve ser calculada com base no faturamento mensal, que corresponde à receita bruta conforme definida no art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, permitindose, estritamente, as exclusões previstas na legislação vigente à época dos fatos geradores. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. CUSTOS DOS SERVIÇOS PRESTADOS. COOPERATIVA DE ELETRIFICAÇÃO RURAL. Os custos dos serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção, distribuição e comercialização de energia elétrica, quando repassados aos associados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. CUSTOS DOS SERVIÇOS PRESTADOS. COOPERATIVA DE ELETRIFICAÇÃO RURAL. Os custos dos serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural abrangem os gastos de geração, transmissão, Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 manutenção, distribuição e comercialização de energia elétrica, quando repassados aos associados. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente apresenta Recurso Voluntário às fls. 1.230/1.295 requerendo que seja julgado nulo o Auto de infração por conta da ausência de elementos essenciais à caracterização do fato imponível e, caso não seja acatado tal argumento, que seja reconhecido o direito da Recorrente de excluir da base de cálculo os custos operacionais (custos relativos às áreas de recursos humanos, financeira, comercialização, compras, centro de processamento de dados, contabilidade, jurídica, assistência técnica, etc.) e os homologados pela ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica, bem como reduzir a base imponível para que atinja somente as receitas auferidas em razão das operações da contribuinte. Requer, por fim, que seja declarada a nãoincidência (2001 a 2006) do PIS e da Cofins, nos Termos do artigo 79 da Lei Cooperativista: já que todo faturamento advém das faturas pagas pelos associados. Pleiteia, finalmente, o cancelamento do débito constante do auto. É o que importa relatar. Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.003532/200617 Acórdão n.º 3801003.009 S3TE01 Fl. 1.723 9 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Preliminarmente, é preciso analisar a alegação de nulidade do auto de infração. No processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são aquelas constantes do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nenhuma das hipóteses se amolda ao presente caso, em especial no que tange à preterição ao direito de defesa, que foi amplamente garantido à contribuinte. Como se denota dos autos lavrados, todos os requisitos do artigo 10 do Decreto n.º 70.235/72 são plenamente identificáveis e de fácil compreensão. Em especial quanto a sua fundamentação, é perfeitamente aferível do campo “descrição dos fatos e enquadramento(s) legal(s) a razão pela qual foi o contribuinte autuado. A Recorrente, por sua vez, em razão dos argumentos delineados nas suas defesas demonstra ter total conhecimento dos fatos e se defendeu de modo pleno. Assim, entendo não haver nulidade que implique em cerceamento à defesa. No mérito, o objeto do presente processo está delimitado ao exame da incidência ou não das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS sobre a receita oriunda dos atos cooperativos típicos da Cooperativas, à luz do disposto no artigo 79, parágrafo único, da Lei n.º 5.764/1971. Assim, antes de examinarmos o regime específico das Cooperativas de Eletrificação Rural é preciso entender o regime comum de incidência das Contribuições sobre as cooperativas em geral. Com efeito, à luz da definição trazida pelo regime jurídico das entidades cooperativas (artigo 79, da Lei n.º 5.764/71), os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. O parágrafo único, do aludido dispositivo legal, ressalta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Vejamos: Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 10 Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria Deveras, o artigo 15, da Medida Provisória 2.15835/2001, ao determinar o recolhimento para a COFINS e PIS em relação às cooperativas, autorizou a exclusão, da base de cálculo, dos atos cooperativos próprios, assim considerados: (i) os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por ele entregues à cooperativa; (ii) as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; (iii) as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; (iv) as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; e (v) as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Nesse segmento, não há falar em tributação de atos cooperativos propriamente ditos. Aliás, esse é o entendimento sufragado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça no trato das questões inerentes às cooperativas, notadamente quanto à incidência tributária sobre os atosfim da entidade. Em sede pátria, a doutrina especializada não discrepa da jurisprudência e é unânime ao afirmar a necessidade de um tratamento diferenciado às sociedades cooperativas. Neste sentido, destaca o exMinistro do Supremo Tribunal Federal e exProcurador Geral da República, A. Gonçalves de Oliveira, no artigo intitulado “A Cobrança do ICM das Cooperativas de Consumo e a Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal”, in Cadernos de Direito Tributário, Revista de Direito Público n.° 23, págs. 228/229: A tributação aqui prevista, com efeito, não poderia atingir as cooperativas nos seus fornecimentos de bens e serviços aos próprios associados, pelo conceito mesmo de cooperativa, tal como definida na lei cooperativista. Assim é que se poderiam interpretar as normas do Código Tributário, Decretolei n° 406, Ato Complementar n° 27, ao referirse a tributação de cooperativas, na conjunção dessas normas com a lei cooperativista e a natureza de suas operações com seus associados.” Outro não é o entendimento do ilustre Professor Carlos Ervino Gulyas, Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas e as Sociedades Cooperativas, in Revista de Direito Tributário n.° 17, pág. 25: “A receita originada pela venda desses bens ou serviços de associados, por sua vez, não pode constituir receita da cooperativa porque esta nada adquiriu daqueles, a quem, aliás, devem ser transferidas as vantagens da venda, mesmo que com prévia dedução dos encargos correspondentes aos gastos da prestação do serviço.” Adiante, e utilizando a doutrina de Luciano Pereira, citado por Fábio Luz Filho, o Professor Carlos Ervino, ob. cit. pág. 26, assim assentou: Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.003532/200617 Acórdão n.º 3801003.009 S3TE01 Fl. 1.724 11 “A operação é feita, na realidade, por estes, representados pela cooperativa, como simples mandatária. Assim, quando ela coloca, no mercado consumidor uma partilha de produtos, quem o faz é o próprio produtor e não ela cooperativa, que não age por conta própria, mas pelo do associado, mediante um pequeno desconto no preço da venda, que não pode ser considerado comissão mercantil porque não é lucro, pois que se destina ao custeio dos serviços da cooperativa, distribuindose os excessos pelos associados, na proporção das respectivas entregas de produtos.” Finalizando sua intervenção, o Professor Gulyas conclui quanto à impossibilidade de se classificar as operações realizadas pelas cooperativas como produtoras de receitas (base de cálculo da COFINS e do PIS): “Pelas suas características peculiares, principalmente seu papel de representante dos associados, os valores que ingressam, como os decorrentes da conversão do produto (bens ou serviços) do associado em dinheiro ou crédito nas de alienação em comum, ou os recursos dos associados a serem convertidos em bens e serviços nas de consumo (ou, neste último caso, a reconversão em moeda após o fornecimento feito ao associado), não devem ser havidos como receitas da cooperativa.” (GULYAS, Carlos Ervino. ob. cit. pág. 30) Analisando situação semelhante ao dos presentes autos, nãoincidência da COFINS sobre atos cooperativos, assim se manifestou o Professor José Antônio Minatel: “É possível colocar as sociedades cooperativas como contribuintes da COFINS, tendo como parâmetro, para a apuração da base de cálculo, os gastos realizados pela cooperativa com os chamados atos auxiliares? Resposta: Não, uma vez que as sociedades cooperativas não auferem receitas quando praticam o verdadeiro ato cooperativo.” (Não Incidência da COFINS na Prática do Ato Cooperativo. Revista Dialética de Direito Tributário n.º 64, p. 144) No campo da exação tributária com relação às cooperativas, a aferição da incidência do tributo impõe distinguir os atos cooperativos através dos quais a entidade atinge os seus fins e os atos não cooperativos; estes extrapolantes das finalidades institucionais e geradores de tributação; diferentemente do que ocorre com os primeiros. A cooperativa prestando serviços a seus associados, sem interesse negocial, ou fim lucrativo, goza de completa isenção, porquanto o fim da mesma não é obter lucro, mas, sim, servir aos associados. Os atos cooperativos stricto sensu não estão sujeitos à incidência do PIS e da COFINS, porquanto o artigo 79 da Lei n.º 5.764/71 (Lei das Sociedades Cooperativas) dispõe que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 12 Não implicando o ato cooperativo em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, a revogação do inciso I, do art. 6°, da Lei Complementar n.º 70/1991, em nada altera a não incidência da COFINS sobre os atos cooperativos. O parágrafo único, do art. 79, da Lei 5.764/71, não está revogado por ausência de qualquer antinomia legal. A Lei n.º 5.764/1971, ao regular a Política Nacional do Cooperativismo, e instituir o regime jurídico das sociedades cooperativas, prescreve, em seu artigo 79, que constituem 'atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais', ressalva, todavia, em seu artigo 111, as operações descritas nos artigos 85, 861 e 88, do mesmo diploma, como aquelas atividades denominadas 'não cooperativas' que visam ao lucro. Dispõe a lei das cooperativas, ainda, que os resultados dessas operações com terceiros 'serão contabilizados em separado, de molde a permitir o cálculo para incidência de tributos (art. 872), o que faz entender que somente essas – as feitas com terceiros, não associados – são sujeitas à tributação, não aquelas, que não são destinadas a mercado. É princípio assente na jurisprudência que: “Cuidandose de discussão acerca dos atos cooperados, firmouse orientação no sentido de que são isentos do pagamento de tributos, inclusive da Contribuição Social sobre o Lucro”. (Min. Milton Luiz Pereira, REsp n.° 152.546, DJU 03/09/2001, unânime). A doutrina, por seu turno, é uníssona ao assentar que pelas suas características peculiares, principalmente seu papel de representante dos associados, os valores que ingressam, como os decorrentes da conversão do produto (bens ou serviços) do associado em dinheiro ou crédito nas de alienação em comum, ou os recursos dos associados a serem convertidos em bens e serviços nas de consumo (ou, neste último caso, a reconversão em moeda após o fornecimento feito ao associado), não devem ser havidos como receitas da cooperativa. Incidindo o PIS e a COFINS sobre o faturamento/receita bruta, impõese aferir essa definição à luz do artigo 110 do Código Tributário Nacional, que veda a alteração dos conceitos do Direito Privado. Consectariamente, faturamento é o conjunto de faturas emitidas em um dado período ou, sob outro aspecto vernacular, é a soma dos contratos de venda realizados no período. Conseqüentemente, a cooperativa, posto não realizar contrato de venda, não se sujeita à incidência do PIS ou da COFINS. O raciocínio mais elementar para o exame do caso em questão implica na impossibilidade de tributação dos atos cooperativados por conta de disposição legal que os colocam fora do mercado. A Lei Complementar n.º 70/91, em face do mandamento constitucional, instituiu a COFINS a incidir sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A Lei n.º 9.718/98, no artigo 3º, parágrafo 1º, definiu que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica e que o conceito de receita bruta é a totalidade 1 Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. 2 Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do “Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social” e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.003532/200617 Acórdão n.º 3801003.009 S3TE01 Fl. 1.725 13 das receitas auferidas, sendo irrelevante o tipo de atividade e classificação contábil adotada para as receitas. O Supremo Tribunal Federal, em sessão de 09.11.2005, ao julgar os Recursos Extraordinários n.ºs 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, considerou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, ao tempo em que reconheceu a constitucionalidade do artigo 8º, caput, do mesmo diploma legal. Com tal decisão restou definido que o conceito de receita bruta não poderia ter sido ampliado pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, devendo permanecer o conceito definido pela legislação anterior (art. 2º da LC n.º 70/91), que considera como faturamento a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Verificado, por definição legal (art. 79 da Lei n.º 5.764/71), que o ato cooperativo não implica em operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, consignase que não há incidência do PIS e da COFINS sobre tais atos. É desnecessária e fora da competência desse Conselho a apreciação acerca da constitucionalidade da norma legal discutida uma vez que o STF já realizou o mencionado controle, declarando a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º do referido diploma legal. Assim, visto pelo aspecto geral, não pode incidir sobre o total de prestação de serviços somadas as receitas financeiras, como aqui ocorreu. Apenas para fins de informação é preciso apontar que o entendimento desse Conselho também é nesse sentido, a saber: COFINS NÃO .INCIDÊNCIA SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS – ART. 79 DA LEI 5.764/71 LEI DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS A revogação do inciso I, do art. 6º, da LC 70/91, em nada altera a não incidência da COFINS e do PIS sobre os atos cooperativos. O parágrafo único, do art. 79, da Lei 5.764/71, não esta revogado por ausência de qualquer antinomia legal. A tributação dos valores decorrentes dos atos cooperativos não podem ser objeto de incidência do PIS e da COFINS em razão de não constituírem receita ou faturamento, estando, portanto, a margem da regra matriz destes tributos. Ac. 330200.489 — 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/3ª Seção Tomo, ainda, a liberdade de citar trecho do voto do Ministro Teori Albino Zavascki no Resp. 825.648/RS, assim expresso: “o ato cooperativo não gera faturamento para a sociedade. O resultado positivo decorrente desses atos pertence, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. Inexiste, portanto, receita que possa ser titularizada pela cooperativa e, por conseqüência, não há base imponível para o PIS. Já os atos não cooperativos geram faturamento à sociedade, devendo o resultado do exercício ser levado à conta específica para que possa servir de base à tributação (art. 87 da Lei n.º 5.764/71); Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 14 qualquer que seja o conceito de faturamento (equiparado ou não a receita bruta), tratandose de ato cooperativo típico, não ocorrerá o fato gerador do PIS por ausência de materialidade sobre a qual possa incidir essa contribuição social.” Tenho que o trecho por si só é esclarecedor. Cobrar tributos sobre “receita” de atos cooperativados seria a mesma coisa de que cobrar de cada uma das famílias tributos sobre o rateio do custo da manutenção da casa ou das refeições servidas na entidade familiar. Vale, entretanto, seguir o entendimento aqui exposto e examinar a especificidade das Cooperativas de Eletrificação Rural, como a Recorrente. Com relação a elas a Instrução Normativa SRF n.º 635, de 24 de março de 2006, além das exclusões genéricas, autoriza às sociedades cooperativas de eletrificação rural a excluir da base de cálculo, a partir de 1º de novembro de 1999 essas “receitas”, vejamos (os destaques são nossos): Art. 12. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de eletrificação rural, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I dedução dos custos dos serviços prestados aos associados, observado o disposto no § 2º; II exclusão da receita referente aos bens vendidos aos associados, vinculados às atividades destes; III dedução das sobras líquidas apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. §1º Os custos dos serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural, referidos no inciso I do caput, abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção, distribuição e comercialização de energia elétrica, quando repassados aos associados. §2º Quando o custo dos serviços prestados for repassado a prazo, a cooperativa poderá deduzir da receita bruta mensal o valor correspondente ao pagamento a ser efetuado pelo associado, em cada período de apuração. §3º A sociedade cooperativa de eletrificação rural, nos meses em que fizer uso de qualquer das exclusões ou deduções previstas nos incisos I a III do caput, deverá, também, efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários, conforme disposto no art. 28. §4º A dedução e a exclusão previstas, respectivamente, nos incisos I e II do caput: I ocorrerão no mês da emissão da nota fiscal correspondente a venda de bens e e/ou prestação de serviços pela cooperativa; e Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.003532/200617 Acórdão n.º 3801003.009 S3TE01 Fl. 1.726 15 II terão as operações que as originaram contabilizadas destacadamente, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor, da espécie e quantidade dos bens, ou serviços vendidos. §5º As disposições dos incisos I a III do caput aplicamse aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de novembro de 1999. §6º As sobras líquidas, apuradas após a destinação para constituição dos fundos a que se refere o inciso III do caput, somente serão computadas na receita bruta do cooperado pessoa jurídica, para fins de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando a ele creditadas, distribuídas ou capitalizadas. §7º A dedução de que trata o inciso III do caput poderá ser efetivada a partir do mês de sua formação, devendo o excesso ser aproveitado nos meses subseqüentes. Art. 13. Considerase sociedade cooperativa de eletrificação rural aquela que realiza a transmissão, manutenção, distribuição e comercialização de energia elétrica de produção própria ou adquirida de concessionárias, com o objetivo de atender à demanda de seus associados, pessoas físicas ou jurídicas. O AIIM foi expresso a informar que a apuração da Base de Cálculo do PIS e da COFINS se deu do seguinte modo para o lançamento do tributo (fls. 261) (os destaques são nossos): Partimos do total do faturamento apresentado pelo contribuinte, composto pelas receitas de fornecimento de energia elétrica, outras receitas de serviços e receitas financeiras e deduzimos os custos que trata a Instrução Normativa n° 358 de 09.09.2003, ou seja, os custos da energia elétrica e o custo de distribuição, deduzimos ainda as sobras que trata a IN acima citada. Os valores apurados como Base de Cálculo para o PIS e para a Cofins são os apresentados nas planilhas de fls. 253/254 constantes da linha Receita Tributável. A manutenção das “receitas” de (i) fornecimento de energia elétrica e outras receitas de serviços (sob a denominação de Rec. de Fornecimentos Energia e Serviços às fls. 253/254) são excluídas da base imponível porque se encaixam nas disposições dos incisos I e II, supra transcritos — dedução dos custos dos serviços prestados aos associados, observado o disposto no § 2º; e, na exclusão da receita referente aos bens vendidos aos associados, vinculados às atividades destes — e (ii) as receitas financeiras não são tributáveis, por expressa declaração de sua inconstitucionalidade, eis que as cooperativas estão sujeitas ao regime da Lei n.º 9.718/1998, consoante o disposto no inciso X do artigo 8º da Lei n.º 10.637/2002 e inciso VI do artigo 10 da Lei n.º 10.833/2003. Não há notícia, por outro lado, no Auto de Infração, de que houve transação com nãoassociados. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 16 Relativamente a esta hipótese de exclusão da base de cálculo, importante a transcrição do § 1º do artigo 15 da Medida Provisória n.º 2.15835, que dispõe sobre o aproveitamento da regra de exclusão: “Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: (...) II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; (...) III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; (...) § 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa.” Ora, a atividade desenvolvida pela cooperativa é adquirir, junto ao mercado, energia e repassála a seus cooperados, que, por sua vez, têm o dever estatutário de adquirir energia da cooperativa, utilizandoa para o exercício de sua atividade, no caso a atividade Rural. O inciso III, acima citado, somente reforça o entendimento de que, para as Cooperativas cuja atividade é a prestação de serviços especializados aplicáveis na atividade rural — e não somente as cooperativas agropecuárias (não sendo possível aplicar o disposto para cooperativas que desempenham atividades urbanas) — a aplicação do serviço é o que importa para fins de exclusão. Assim, independentemente do prisma analisado, as “receitas” lançadas não constituem base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS. Nesse sentido voto por julgar procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.003532/200617 Acórdão n.º 3801003.009 S3TE01 Fl. 1.727 17 Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10980.900704/2009-98
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Borges (Relator) e Paulo Sérgio Celani que negavam provimento ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl Relator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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BANCO MULTIPLO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Borges (Relator) e Paulo Sérgio Celani que negavam provimento ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 00 70 4/ 20 09 -9 8 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado d igitalmente em 07/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.900704/200998 Resolução nº 3801000.611 S3TE01 Fl. 95 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) de nº 06267.29625.220605.1.3.047829, por meio da qual a contribuinte em epígrafe, utilizouse de crédito de R$ 19.593,05, oriundo do DARF de CPMF, 5869, recolhido em 15/06/2005, do período de apuração de 08/06/2005, no valor total de R$ 24.008.138,75, para extinguir o(s) débito(s) nela informado(s). Em 18/02/2009 foi emitido Despacho Decisório de homologação parcial, pelo fato de o DARF discriminado na Dcomp estar sendo utilizado para extinção de débito de mesmo tributo e período de apuração, não possuindo saldo credor suficiente para a compensação pleiteada. Cientificada em 04/03/2009, a Recorrente apresentou em 03/04/2009 Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte. Diz que o referido crédito foi originado em razão de retenções indevidas da CPMF de clientes, no montante total de R$ 19.593,05. Informa que demorou a restituir os valores cabíveis aos clientes, que somente foi realizada em mês subsequente. Afirma que tal estorno na conta do cliente, originou o crédito que foi utilizado na Dcomp em epígrafe. Argumenta, porém, que em virtude do sigilo bancário, a Recorrente não pode apresentar os extratos bancários que comprovam a realização do débito indevido da CPMF e de seu estorno. Aduz ainda que Despacho Decisório está equivocado, sendo que tal equívoco deveuse a erros cometidos pela Recorrente no momento do preenchimento da DCTF. Afirma que tal erro foi corrigido em 09/03/2009 com o envio de DCTF retificadora, gerando o crédito utilizado na Dcomp de n°. 06267.29625.220605.1.3.047829. Argumenta, por fim, que em atenção ao princípio da verdade material a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes “há muito já consolidou o entendimento de que devem ser acolhidas as alegações devidamente comprovadas de equívocos cometidos na prestação de informações no preenchimento de declarações”, devendo, portanto, ser acolhida a DCTF retificadora. Requer a homologação da compensação. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado d igitalmente em 07/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.900704/200998 Resolução nº 3801000.611 S3TE01 Fl. 96 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/06/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado. RETIFICAÇÃO DA DCTF. REDUÇÃO DO VALOR DO DÉBITO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde (art. 147, § 1º, do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado d igitalmente em 07/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.900704/200998 Resolução nº 3801000.611 S3TE01 Fl. 97 4 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da CPMF, do período de apuração de 08/06/2005, que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, devendo ser considerada como elemento de prova a DCTF retificadora mesmo apresentada a destempo, aliada aos demais documentos comprobatórios. No entanto, com exceção de correspondência eletrônica interna colacionada ao recurso voluntário, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Conforme já salientado, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado d igitalmente em 07/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.900704/200998 Resolução nº 3801000.611 S3TE01 Fl. 98 5 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 98DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado d igitalmente em 07/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.900704/200998 Resolução nº 3801000.611 S3TE01 Fl. 99 6 Voto Vencedor Sidney Eduardo Stahl, Em que pesem os argumentos do relator, ouso dele discordar. Tenho que no presente caso o que importa para fins se deferir ou não a presente compensação é se averiguar se a Recorrente efetivamente fez o estorno dos créditos para a empresa Grief Embalagens Industriais Ltda. (CNPJ 59.320.820/000103). Para tanto os documentos nos autos são indícios suficientes para que se investigue o ocorrido. Entendo que, por força do princípio da verdade material, não se pode negar o direito à verificação do direito da contribuinte. A contribuinte juntou DARFs e informações com o seu pedido preliminar o que, a princípio pode ser indício probatório de seu direito. Tenho que o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto em diversas normas legais, apontamentos doutrinários e construções jurisprudenciais. Negar o direito do contribuinte ao aproveitamento de seu crédito e deixar de averiguar a sua real existência configuraria mais que enriquecimento sem causa do Estado, rompimento do mais basilar princípio da moralidade. Não estou, ao dizer isso, desprezando tais regras. Apenas considero que o julgador deve, sempre que possível, empreender esforços no sentido de buscar a verdade material, até em decorrência do princípio da legalidade. Neste ponto, estou de acordo com os ensinamentos de Marcus Vinicius Neder de Lima e Maria Tereza López Martinez, que, em sua obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado1, que dizem: “O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente do alegado e provado. Odete Medauar preceitua que 'o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelos contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente 1 Dialética, 2ª Ed., 2004, págs. 74 e 75. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado d igitalmente em 07/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.900704/200998 Resolução nº 3801000.611 S3TE01 Fl. 100 7 postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. No mais, é a própria Lei que fixa o dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, retornar esse processo a essa turma para julgamento. Ante ao exposto, voto no sentido de afastar a prejudicial ante existente e converter o presente julgamento em diligência para que: a) Examine a Delegacia de origem os documentos existentes, a escrita fiscal da interessada e outros elementos que demonstrem que a Recorrente arcou indevidamente com a CPMF objeto da compensação requerida e apure se a contribuinte dispunha de crédito para efetuála calculando o seu montante. b) Abra prazo para a contribuinte se manifestar. c) Retorne esse processo a esse Conselho para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator Designado 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado d igitalmente em 07/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000758/2009-24
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÕES NÃO COMPROVADAS. ÔNUS DA PROVA. GLOSAS MANTIDAS.
É de se manter as glosas de deduções não comprovadas por documentação hábil.
Recurso improvido.
Numero da decisão: 2802-002.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello. - Relator.
EDITADO EM: 25/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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DEDUÇÕES NÃO COMPROVADAS. ÔNUS DA PROVA. GLOSAS MANTIDAS. É de se manter as glosas de deduções não comprovadas por documentação hábil. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Relator. EDITADO EM: 25/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 07 58 /2 00 9- 24 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Relatório Contra o contribuinte foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física (fls.01 e ss.), referente ao exercício 2007, anocalendário de 2006, em razão de suposta omissão de rendimentos do trabalho, respectivamente com e sem vínculo empregatício. Impugnou o lançamento (fls. 23 e ss.) ao fundamento de que esteve enfermo, impossibilitado de apresentar sua DIRPF no exercício em questão, apresentando documentos relativos a deduções diversas que pleiteia. Em julgamento, a 9ª Turma da DRJ/BHE, em sessão realizada no dia 07/11/2011, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, aos seguintes fundamentos: que é matéria não impugnada a omissão de rendimentos, pois não afirma não tê los recebido, mas apenas ter ficando impossibilitado de apresentar a DIRPF, em razão de enfermidade; que não foi comprovado o efetivo pagamento de pensão alimentícia a exesposa Esmeralda Costa Faria; que não restou comprovada a relação de dependência de companheira e dos filhos mencionados pelo contribuinte, bem como de despesas de instrução relativas a um deles; que acatamse as deduções de valores pagos a previdência complementar e relativos a Plano de Saúde, do próprio e da exesposa, de vez que comprovados os pagamentos e constante da decisão judicial de divórcio que o cônjuge continuaria arcando com o plano de saúde da ex esposa; Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 67 , o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 68 e ss., atacando a decisão exarada pela DRJ, alegando que não se considera obrigado a comprovar pagamento de pensão alimentícia de vez que já juntou aos autos a decisão judicial que dá suporte à obrigação e que a mesma foi considerada suficiente para que a DRJ reconhecesse a dedução do pagamento de plano de saúde a exesposa; que os valores foram pagos por depósito em conta corrente, mas os comprovantes emitidos em impressora térmica se apagaram com o tempo; que a companheira Eliana Aparecida de Souza deve constar como dependente, pois com a mesma mantém união estável, como comprova por declaração nos autos; que traz aos autos certidões de nascimento dos filhos; que os pagamentos com instrução da filha Thamara Resende de Souza já não pode ser comprovado por recibos originais, que se perderam em mudança, mas apresentando declarações da instituição de ensino e diplomas, considera que resta provado o pagamento. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, nos limites de seu objeto, isto é, no pedido de reconhecimento de deduções diversas não acatadas pela DRJ. Conheço dos documentos trazidos aos autos com o recurso voluntário, em homenagem ao princípio do formalismo moderado, na esteira da jurisprudência desta Turma. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10665.000758/200924 Acórdão n.º 2802002.655 S2TE02 Fl. 93 3 Quanto à união estável com Eliana Aparecida de Souza, é de se observar que a declaração de fls.82, firmada pelo contribuinte, dá conta de que com a mesma mantém tal união desde o ano de 2005, sendo que a Lei 9.250/95 estabelece em seu artigo 35, II, que poderá ser considerado dependente o companheiro, desde que haja vida em comum por mais de 5 anos ou por menor período se da união houver filhos. Como as certidões de nascimento trazidas aos autos (fls.8485) comprovam apenas a existência de dois filhos de Eliana Aparecida de Souza cujo pai não é o contribuinte, considerando que no anocalendário a união, da qual não resultaram filhos, não alcançava cinco anos, não há de se a considerar para fins de dependência em DIRPF. Isto posto, também não se podem considerar dependentes os filhos da companheira, razão pela qual excluídas também as deduções com despesas de instrução dos mesmos. Quanto ao pagamento de pensão alimentícia, indispensável que se demonstre que a mesma foi paga, o que não logrou o contribuinte fazer, para que seja a mesma dedutível, pois dedutível é o que foi efetivamente pago. Não procede a alegação de que, em relação ao plano de saúde, que por decisão judicial deve ser pago à exesposa, pelo contribuinte, o Fisco aceitou a mera exibição da sentença, sem comprovante de efetivo pagamento, de vez que o comprovante de pagamento emitido pelo plano de saúde encontrase a fl.35. Desta forma, sou por negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10840.720874/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL.
Quando cumpridas todas as formalidades previstas na Instrução Normativa n. 16/84 quanto ao Livro Diário, devidamente registrado e autenticado pelo órgão competente, e quando a contribuinte demonstra por meio de demonstrativo de mutação patrimonial da empresa, por ocasião do encerramento do exercício, que já possuía lucros acumulados passíveis de distribuição, aplica-se aos rendimentos a isenção do imposto de renda distribuídos à pessoa física.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO.
A partir da edição da Lei n.º 9.430, de 1996, em se verificando depósitos bancários sem origem comprovada, e em não havendo o contribuinte logrado êxito em demonstrar sua origem, gravita em prol do Fisco presunção relativa preceituada no artigo 42. Excluem-se da presunção apenas os valores devidamente comprovados.
DEPÓSITO BANCÁRIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA CO-TITULAR.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29).
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO NÃO JUSTIFICADO. IMPOSTO DE RENDA COMPLEXIVO. LANÇAMENTO NA DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTE.
O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de prova em contrário composta de documentação hábil que não deixe margem a dúvida.
Como regra geral, o fato gerador do imposto de renda pessoa física é complexivo e tem seu marco temporal apenas no dia 31 de dezembro de cada ano-calendário. A omissão de rendimentos decorrente da variação patrimonial a descoberto, apurada mensalmente, na forma prevista na legislação de regência, é tributada no ajuste anual, tomando-se por base o fato gerador do tributo ocorrido em cada mês do ano-calendário.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MEIOS DE PROVA.
A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador na apreciação das provas.
DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTE. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA DA SUFICIÊNCIA DOS RECURSOS.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Não sendo comprovada a suficiência de recursos há de se manter o lançamento tributário.
LANÇAMENTO DE OFICIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2101-002.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento em parte ao recurso, para: (a) cancelar o item relativo a omissão de rendimentos decorrentes de distribuição de lucro presumido excedente ao escriturado e (b) excluir da base de cálculo do imposto o valor total de R$ 62.815,15. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (relator), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage, que votaram por cancelar também os itens relativos a: (i) acréscimo patrimonial a descoberto e (ii) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Redator Designado, Francisco Marconi de Oliveira.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
Voto Vencedor
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Goncalo Bonet Allage, Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira e Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Quando cumpridas todas as formalidades previstas na Instrução Normativa n. 16/84 quanto ao Livro Diário, devidamente registrado e autenticado pelo órgão competente, e quando a contribuinte demonstra por meio de demonstrativo de mutação patrimonial da empresa, por ocasião do encerramento do exercício, que já possuía lucros acumulados passíveis de distribuição, aplica-se aos rendimentos a isenção do imposto de renda distribuídos à pessoa física. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. A partir da edição da Lei n.º 9.430, de 1996, em se verificando depósitos bancários sem origem comprovada, e em não havendo o contribuinte logrado êxito em demonstrar sua origem, gravita em prol do Fisco presunção relativa preceituada no artigo 42. Excluem-se da presunção apenas os valores devidamente comprovados. DEPÓSITO BANCÁRIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA CO-TITULAR. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO NÃO JUSTIFICADO. IMPOSTO DE RENDA COMPLEXIVO. LANÇAMENTO NA DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTE. O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de prova em contrário composta de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. Como regra geral, o fato gerador do imposto de renda pessoa física é complexivo e tem seu marco temporal apenas no dia 31 de dezembro de cada ano-calendário. A omissão de rendimentos decorrente da variação patrimonial a descoberto, apurada mensalmente, na forma prevista na legislação de regência, é tributada no ajuste anual, tomando-se por base o fato gerador do tributo ocorrido em cada mês do ano-calendário. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador na apreciação das provas. DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTE. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA DA SUFICIÊNCIA DOS RECURSOS. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Não sendo comprovada a suficiência de recursos há de se manter o lançamento tributário. LANÇAMENTO DE OFICIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento em parte ao recurso, para: (a) cancelar o item relativo a omissão de rendimentos decorrentes de distribuição de lucro presumido excedente ao escriturado e (b) excluir da base de cálculo do imposto o valor total de R$ 62.815,15. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (relator), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage, que votaram por cancelar também os itens relativos a: (i) acréscimo patrimonial a descoberto e (ii) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Redator Designado, Francisco Marconi de Oliveira. (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Voto Vencedor Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Goncalo Bonet Allage, Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira e Alexandre Naoki Nishioka.
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SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Quando cumpridas todas as formalidades previstas na Instrução Normativa n. 16/84 quanto ao Livro Diário, devidamente registrado e autenticado pelo órgão competente, e quando a contribuinte demonstra por meio de demonstrativo de mutação patrimonial da empresa, por ocasião do encerramento do exercício, que já possuía lucros acumulados passíveis de distribuição, aplicase aos rendimentos a isenção do imposto de renda distribuídos à pessoa física. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. A partir da edição da Lei n.º 9.430, de 1996, em se verificando depósitos bancários sem origem comprovada, e em não havendo o contribuinte logrado êxito em demonstrar sua origem, gravita em prol do Fisco presunção relativa preceituada no artigo 42. Excluemse da presunção apenas os valores devidamente comprovados. DEPÓSITO BANCÁRIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA CO TITULAR. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO NÃO JUSTIFICADO. IMPOSTO DE RENDA COMPLEXIVO. LANÇAMENTO NA DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTE. O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 08 74 /2 01 1- 18 Fl. 2645DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10840.720874/201118 Acórdão n.º 2101002.318 S2C1T1 Fl. 3 2 mediante a apresentação de prova em contrário composta de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. Como regra geral, o fato gerador do imposto de renda pessoa física é complexivo e tem seu marco temporal apenas no dia 31 de dezembro de cada anocalendário. A omissão de rendimentos decorrente da variação patrimonial a descoberto, apurada mensalmente, na forma prevista na legislação de regência, é tributada no ajuste anual, tomandose por base o fato gerador do tributo ocorrido em cada mês do anocalendário. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador na apreciação das provas. DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTE. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA DA SUFICIÊNCIA DOS RECURSOS. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Não sendo comprovada a suficiência de recursos há de se manter o lançamento tributário. LANÇAMENTO DE OFICIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento em parte ao recurso, para: (a) cancelar o item relativo a omissão de rendimentos decorrentes de distribuição de lucro presumido excedente ao escriturado e (b) excluir da base de cálculo do imposto o valor total de R$ 62.815,15. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (relator), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage, que votaram por cancelar também os itens relativos a: (i) acréscimo patrimonial a descoberto e (ii) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Redator Designado, Francisco Marconi de Oliveira. (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 2646DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10840.720874/201118 Acórdão n.º 2101002.318 S2C1T1 Fl. 4 3 (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Voto Vencedor Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Goncalo Bonet Allage, Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira e Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 2647DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10840.720874/201118 Acórdão n.º 2101002.318 S2C1T1 Fl. 5 4 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 2203/2274) interposto em 12 de setembro de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 2169/2197), do qual a Recorrente teve ciência em 11 de agosto de 2011 (fl. 2201), que, por unanimidade de votos, julgou procedente, em parte, o auto de infração de fls. 03/10, lavrado em 05 de abril de 2011, em decorrência de acréscimo patrimonial a descoberto e de omissão de rendimentos, verificados no anocalendário de 2007. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 ILEGALIDADE DO ART. 42 DA LEI 9.430/96. As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não são competentes para se pronunciar sobre a ilegalidade de lei tributária, em especial do art. 42, da Lei 9.430/96 em face dos arts. 42 e 143 do Código Tributário Nacional. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS SÓCIOS PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO BALANCETES TRIMESTRAIS NECESSIDADE. A distribuição de lucros com isenção do imposto de renda pessoa física em valor acima do lucro presumido deduzidos os tributos e contribuições só é possível quando a empresa demonstrar, por meio de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo para o qual houver optado. Para que o sócio possa se beneficiar dessa isenção ao longo de períodobase não encerrado é necessário o levantamento de balanços trimestrais para a apuração do resultado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, somente quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. No caso, tendo ocorrido a comprovação da origem de parte dos depósitos considerados no lançamento, a base de cálculo do imposto deve ser alterada para retirar de seu cômputo esses rendimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA EXCLUSÃO DE DEPÓSITOS DE VALOR INFERIOR A R$ 12.000,00. Para efeito de determinação da receita omitida, no caso de pessoa física, apenas não serão considerados os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), quando o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapassar o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). OMISSÃO DE RENDIMENTOS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Restando comprovado nos autos o acréscimo patrimonial a descoberto cuja origem não tenha sido comprovada por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte, ou sujeitos a tributação exclusiva, é autorizado o lançamento do imposto de renda correspondente. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte (fls. 2169/2170). Fl. 2648DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10840.720874/201118 Acórdão n.º 2101002.318 S2C1T1 Fl. 6 5 Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (2203/2274), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. Inicialmente, alega que o acórdão recorrido não excluiu da autuação o valor referente a uma infração já quitada, atinente ao pagamento, pela Luzeiro Agroindustrial Ltda., de despesas com o leasing de veículos em favor da Recorrente. Assevera que, não obstante a instância de origem tenha reconhecido o pagamento integral deste item do auto de infração, não houve a exclusão da respectiva quantia do valor total consubstanciado no auto. Traz aos autos a Recorrente documentação objetivando comprovar a inexistência de variação patrimonial a descoberto no anocalendário de 2007. Junta balanços trimestrais objetivando comprovar a existência de lucro contábil suficiente na empresa Luzeiro Agroindustrial Ltda. para suportar as distribuições efetuadas à Recorrente durante o período apurado. Requer, por conseguinte, sejam anulados os valores das infrações atinentes aos depósitos bancários sem comprovação de origem, sob o argumento de haver impossibilidade em tributar os mencionados depósitos utilizandose para tanto a presunção relativa, o que ainda seria corroborado pela documentação já trazida aos autos. Requer, portanto, a “correta aplicação do artigo 42, §3º, inciso II, da Lei 9.430/96”, de forma a resultar no cancelamento dos valores cobrados relativos aos depósitos bancários sem comprovação de origem. Por fim, em caso de haver a manutenção de algum dos valores cobrados neste procedimento fiscal, requer não haja a incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício eventualmente lançada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, necessário se faz esclarecer que, relativamente à omissão de rendimentos decorrentes de despesas pagas pela Luzeiro Agroindustrial com leasing de veículos em favor da Recorrente, o tributo foi pago, conforme demonstram os DARFs de fls. 1483/1484. No que se refere ao acréscimo patrimonial a descoberto, este teria decorrido de aquisição de participação societária na empresa Valencia SARL, em março de 2007, pelo valor de R$ 23.961.354,41. A descrição dos fatos contida na decisão recorrida é bastante elucidativa nesse sentido: O demonstrativo de variação patrimonial (fls. 13/14) indica acréscimo não justificado no mês de março de 2007, decorrente da falta de comprovação de origem na aquisição Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10840.720874/201118 Acórdão n.º 2101002.318 S2C1T1 Fl. 7 6 de participação societária na Valência SARL Luxemburgo, no valor de R$ 23.961.354,41. Em sua defesa, a impugnante alega que, em 04/02/2007, a Luzeiro Agroindustrial Ltda cedeulhe um crédito, no valor de R$ 23.961.354,41, que detinha contra a empresa Paranapanema Ltda e que, em contrapartida, comprometeuse a pagar a quantia referida em um prazo máximo de 15 anos. Ainda, segundo sua alegação, em 28/02/2007, a Destilaria Paranapanema aumentou o capital social em R$ 23.961.354,41, com a criação de novas quotas, as quais foram totalmente subscritas e integralizadas pela única sócia e ora impugnante, Viviane Maria B. Carolo. No mesmo ato, a Paranapanema foi transformada de companhia Ltda para sociedade anônima. Em março de 2007, em razão de aquisição de participação societária no exterior da Valencia SARL, foi considerado no demonstrativo de evolução patrimonial o dispêndio no valor de R$ 23.961.354,41. Conforme a impugnante alega, teria sido utilizada a participação societária na Destilaria Paranapanema S.A para a integralização do capital da Valencia SARL. O impugnante sustenta, assim, que a origem dos recursos para a aquisição das participações societárias na Destilaria Paranapanema e, posteriormente, na Valencia SARL, seria o crédito cedido pela Luzeiro Agroindustrial cujo pagamento deveria ser efetuado em até 15 anos” (fl. 2193). Após analisar os argumentos apresentadas pela Recorrente em sua impugnação, a Recorrida não reconheceu o crédito cedido pela Luzeiro Agroindustrial, basicamente por dois motivos: (a) não teria sido comprovada a data da assinatura do contrato, pois o reconhecimento da firma dos signatários do contrato e o próprio registro foram realizados apenas após o início da ação fiscal e (b) a existência do próprio crédito cedido não teria sido provada. Concluiu, portanto, que: Na impugnação, em nenhum momento, essa questão é tratada. Não há como atribuir ao Instrumento Particular de Cessão de Crédito documento desprovido de toda e qualquer formalidade força probatória suficiente para estabelecer a existência de um crédito devido e certo de R$ 23.961.354,41. Assim, correta a autoridade fiscal em não considerar tal numerário como origem na apuração do acréscimo. A autoridade fiscal considerou no demonstrativo patrimonial o dispêndio como ocorrido em março de 2007, em razão de a aquisição da Valencia SARL ter ocorrido nessa data. O impugnante sustenta que a aquisição teria acontecido em 04/02/2007, data da assinatura do Instrumento de Cessão de Créditos. Aduz, ainda, que a alteração do mês do dispêndio no demonstrativo consistiria em inovação ao lançamento, fato que acarretaria sua nulidade. Com base nos documentos juntados, verificase que o dispêndio não ocorreu em 04/02/2007, como alega, mas sim em 28/02/2007, data da aquisição de quotas da Destilaria Paranapanema Ltda e transformação para Sociedade Anônima (fls. 1.490/1.499). Considerando o gasto ocorrido em fevereiro e não em março, o demonstrativo de evolução patrimonial, sofre a seguinte modificação. Ou seja, a Recorrida reconheceu, ao mesmo tempo, que (a) não houve acréscimo patrimonial a descoberto por ocasião da aquisição da participação societária na Valencia SARL, como constou do auto de infração, (b) o acréscimo patrimonial a descoberto teria ocorrido no momento da integralização do aumento do capital social da Destilaria Paranapanema Ltda. e (c) o crédito que teria sido utilizado pela Recorrente para integralizar esse último aumento da capital não existe. A simples leitura da decisão recorrida é suficiente para demonstrar a improcedência do auto de infração, seja porque reconheceu que não houve o acréscimo Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10840.720874/201118 Acórdão n.º 2101002.318 S2C1T1 Fl. 8 7 patrimonial a descoberto apontado pela fiscalização, seja porque, ainda que se admitisse, para argumentar, que não teria havido novo lançamento, há manifesta contradição entre as afirmações contidas nas letras “b” e “c” do parágrafo anterior. De fato, se o crédito com o qual foi integralizado o aumento de capital da Destilaria Paranapanema não existe, também é inexistente o aumento de capital que teria originado o acréscimo patrimonial a descoberto. Se esse aumento também não existe, inexistente também é o acréscimo patrimonial a descoberto, motivo pelo qual o recurso deve ser provido quanto a este específico aspecto. No que tange à distribuição de lucro presumido excedente ao escriturado, também entendo que o recurso deva ser provido. Isto porque, conforme reconheceu expressamente a Recorrida, a Recorrente cumpriu todas as formalidades previstas na Instrução Normativa n. 16/84 quanto ao Livro Diário, que contém os termos de abertura e de encerramento e está devidamente registrado e autenticado pelo órgão competente. A impugnação só não foi acolhida porque a Recorrente não apresentou demonstrações contábeis ao longo dos trimestres do anocalendário, apenas no final do ano. Ocorre, todavia, que, conforme demonstrou a Recorrente, por meio de demonstrativo de mutação patrimonial da empresa, quando do encerramento de 2006, a Luzeiro já possuía um valor de lucros acumulados passíveis de distribuição no valor de R$ 4.384.380,80 (docs. 13 e 14A a 14F da impugnação). Assim, ainda que o Livro Diário apresentado pela Recorrente não servisse para comprovar os lucros distribuídos, o que se admite apenas para argumentar, os lucros acumulados passíveis de distribuição seriam suficientes para afastar a autuação. Finalmente, quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada, é pacífico na jurisprudência deste Conselho, desde 1997, após a edição da Lei n.º 9.430/96, em se verificando depósitos bancários sem origem comprovada, e em não havendo o contribuinte logrado êxito em demonstrar sua origem, gravita em prol do Fisco presunção relativa. Nesse sentido, conforme preceitua o artigo 42 da Lei n.º 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Na realidade, instituiu o referido dispositivo autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindoo ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutála. Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10840.720874/201118 Acórdão n.º 2101002.318 S2C1T1 Fl. 9 8 Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando se diretamente o fato indiciário, temse, por conseguinte, a formação de um juízo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Ainda, não há que se falar em ausência dos requisitos indispensáveis ao ato administrativo de lançamento, haja vista que foi garantido ao contribuinte o direito de apresentar suas razões, não tendo se desincumbido do ônus que a ele cabia. Notese, ainda, que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), segundo a qual seria insuficiente para comprovação da omissão de rendimentos a simples verificação de movimentação bancária, consubstancia jurisprudência firmada anteriormente à edição da Lei n.º 9.430/96, motivo pelo qual não deve ser aplicada. A 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, da qual esta 1ª Turma Ordinária teve origem, por sua vez, já consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n.º 9.430/96, é válida a presunção em referência, sendo ônus de o Recorrente desconstituíla com a apresentação de provas suficientes para tanto. É o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 158.817, Relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10840.720874/201118 Acórdão n.º 2101002.318 S2C1T1 Fl. 10 9 (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 141.207, Relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 22/02/2006) Nesse sentido, verificase, dos presentes autos, que parte dos valores relacionados pela Recorrente em seu recurso foi comprovados: R$ 3.196,20 (reembolso da companhia aérea por extravio de bagagem) R$ 17.012,00 (doação do pai da Recorrente ao filho da Recorrente) Além desses valores, devem ser excluídos os valores depositados na conta corrente conjunta 60404, em virtude da aplicação da Súmula CARF 29 (R$ 25.548,85), os valores de R$ 5000,00 e R$ 5000,00 (08.08.2007 e 10.09.2007), decorrentes de transferência de contas de mesma titularidade e R$ 7.058,10 (conta 60205, de 08/06/2007), já excluído pela DRJ, mas que constou erroneamente ao final do acórdão. Finalmente, quanto à aplicação da taxa SELIC sobre a multa de ofício, tenho entendido que esta não se aplica na hipótese. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento em parte ao recurso para (a) cancelar o item relativo a acréscimo patrimonial a descoberto, (b) cancelar o item relativo à omissão de rendimentos decorrentes de distribuição de lucro presumido excedente ao escriturado, (c) excluir da base de cálculo do imposto o valor total de R$ 62.815,15 e (d) afastar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (ASSINADO DIGITALMENTE) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Conselheiro Relator Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10840.720874/201118 Acórdão n.º 2101002.318 S2C1T1 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira, Relator Designado Em que pese o merecido respeito a que faz jus o ilustre Relator, divirjo do seu posicionamento em relação aos itens “a” e “d” das conclusões de seu voto, a despeito dos argumentos de que não há, respectivamente, o acréscimo patrimonial a descoberto, pelo fato de inexistir o crédito com o qual teria sido integralizado o aumento de capital da Destilaria Paranapanema e a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Acréscimo patrimonial a descoberto A divergência tratada neste item referese unicamente à variação patrimonial a descoberto decorrente do excesso de aplicações sobre origens, não respaldados por rendimentos declarados/comprovados, assim descrita no Auto de Infração: 001 – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme informado no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de 10/03/2011, ao qual decorrido o prazo regulamentar estipulado a contribuinte apresentou os contratos referentes às dívidas declaradas não acatadas pela fiscalização, devidamente registrados no Cartório de Registro de Títulos e Documentos do Cartório de Sertãozinho SP sob os nºs. 42661,42662,42669,42671 e 42670, respectivamente, na data de 31/03/2011. A recorrente insiste em alegar que não ocorreu a variação patrimonial objeto do lançamento, reprisando os argumentos apresentados na impugnação de que as operações estariam alicerçadas nos contratos particulares de assunção de dívidas, cessão de créditos e outras avenças e compensações recíprocas de créditos, gerados entre as partes desde no período de 2003 a 2007. Aduz que esses contratos estariam devidamente registrados no Cartório de Registro de Títulos e Documentos do Cartório de Sertãozinho (SP). Tais contratos, discriminados por ela, são: (i) Instrumento Particular de Assunção de Dívidas, Compensação recíproca de crédito e outras avenças entre Destilaria Paranapanema Ltda., Companhia Albertina Mercantil Industrial e Luzeiro Agro Industrial Ltda. (como interveniente anuente), celebrado em 01/02/2007; (ii) Instrumento Particular de Cessão de Crédito e Outras Avenças entre Companhia Albertina Mercantil Industrial, Luzeiro Agro Industrial Ltda. e Destilaria Paranapanema Ltda. (como interveniente anuente), celebrado em 03/02/2007; (iii) Instrumento Particular de Cessão de Crédito entre Luzeiro AgroIndustrial Ltda. e a Recorrente, sendo a Destilaria Paranapanema Ltda. interveniente anuente, celebrado em 04/02/2007; (iv) Instrumento Particular de Assunção de Dívida, Compensação recíproca de crédito e outras avenças entre Luzeiro Agro Industrial Ltda., Companhia Albertina Mercantil Industrial, São Miguel Agropecuária Ltda. e Ventura Energética Ltda., sendo estas duas últimas como interveniente anuente, celebrado em 30/04/2007; e (v) Instrumento Particular de Assunção de Dívida, Compensação recíproca de crédito e outras avenças entre a Recorrente, Luzeiro Agro Industrial Ltda. e São Miguel Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10840.720874/201118 Acórdão n.º 2101002.318 S2C1T1 Fl. 12 11 Agropecuária Ltda., sendo Ventura Energética Ltda. como interveniente anuente, celebrado em 30/04/2007. Além dos contratos, a contribuinte reapresenta na fase de recurso voluntário os seguintes documentos: (i) cópias de extratos de conta corrente do Banco Real, do Banco Fibra S A, Banco Safra, Banco Industrial do Brasil, Bradesco e do BMC referentes à Companhia Albertina Mercantil Industrial; (ii) extrato consolidado do Banco Itaú da empresa B2B Açúcar e Álcool S/C Ltda compreendendo o período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2007; (iii) folhas do livro diário da empresa Luzeiro Agroindustrial Ltda que continham os balancetes trimestrais e o balanço patrimonial de 2007; (iv) comprovante de rendimentos e de retenção na fonte da pessoa física Paulo Avelino de Souza Costa emitido pela empresa B2B Açúcar e Álcool S/C Ltda; (v) planilha de indicação de correspondência de depósitos bancários na empresa B2B Açúcar e Álcool S/C Ltda; (vi) nota fiscal de serviço de táxi aéreo; (vii) boletim de alta e internação e de ciência médica expedido pelo Hospital São Lucas; (viii) cópias não registradas de razão contábil da Companhia Albertina Mercantil Industrial; (ix) XX as notas fiscais de nºs 83209 a 83213, 83217, 83228, 83232, 83233 e 83238 emitidas pela Companhia Albertina Mercantil Industrial referentes a vendas efetuadas para a Destilaria Paranapanema Ltda. Com base no Termo de Constatação Fiscal e noutros elementos juntados aos autos, destaco as seguintes informações relacionadas às partes envolvidas nas operações de troca de créditos: a) Luzeiro Agro Industrial Ltda., que teria cedido o crédito à recorrente de no valor de R$ de R$ 23.961.354,41 – 99,99% do capital social da empresa pertence à recorrente (o restante do capital pertence à Companhia Albertina Mercantil Industrial, também de propriedade da recorrente); apresenta três funcionários, sendo um a recorrente; a movimentação bancária contida no extrato do Bradesco referese a operações de recebimento de valores da Companhia Albertina Mercantil Industrial; o imobilizado da empresa representa em sua maioria “cultura de cana de açúcar”, praticamente exaurida, não possuindo área rural própria; seu patrimônio é composto de moveis, utensílios e veículos de baixo valor agregado; não apresenta no demonstrativo de resultado o custo de utilização da terra para a produção da cana de açúcar; não há nitidez contábil, misturandose débitos efetivos e não efetivos; há lançamentos nos livros fiscais sem o suporte documental; apura os impostos na forma de lucro presumido, com custos operacionais irrisórios, representando apenas 9% (nove por cento) das receitas, pois a maioria das despesas é apropriada por outras empresas do grupo; no balancete de dezembro de 2006, o Passivo Total contábil era de R$ 2.278.272,45, sendo R$ 505.500,00 de Capital Social e R$ 709.329,94 de Lucros Acumulados (fl. 1.523), e no Balancete de dezembro do ano seguinte, de 2007, o saldo da conta Passivo Total era de R$ 22.147.466,84. b) Destilaria Paranapanema Ltda. – a recorrente possuía 0,01% do capital, sendo o restante de propriedade da Gorgulho Mercantil Agropecuária, pertencente a um dependente da recorrente, cuja participação na Destilaria Paranapanema Ltda. foi alienada por R$ 1,00, passando a contribuinte a deter 100% do capital da empresa ao custo nominal de R$ 101,00. Em seguida, o capital social da empresa passou para R$ 25.454.749,59, mediante a criação Fl. 2655DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10840.720874/201118 Acórdão n.º 2101002.318 S2C1T1 Fl. 13 12 de 2.396.135.441 ações subscritas e integralizadas pela recorrente. Após a operação de câmbio, participação social da recorrente foi reduzida a zero. c) Companhia Albertina Mercantil Industrial – participação social de 99,995% da recorrente; assim como nas demais empresas, há imprecisões na escrita fiscal e lançamentos contábeis sem suporte documental. d) São Miguel Agropecuária Ltda – há operações contábeis desconectadas das despesas efetivas; apresenta extratos de contras bancárias que não constam nos balancetes mensais; não apresenta custos operacionais; não possui funcionários, sendo o prólabore da sócia a única despesa com pessoal; e apresenta as mesmas imprecisões contábeis já relatadas na empresa Luzeiro AgroIndustrial Ltda.. e) Valencia SARL – data da abertura do CNPJ no país em oito de março de 2007. Em 28 de fevereiro de 2007, conforme “Ata de Reunião da Transformação da sociedade limitada Destilaria Paranapanema Ltda. em sociedade anônima, sob denominação de Destilaria Paranapanema S.A.”, protocolado na Jucesp sob nº 0987654321/072, o capital social da empresa passou de R$ 1.493.395,18 para R$ 25.454.749,59, mediante a criação de 2.396.135.441 ações subscritas e integralizadas pela recorrente. É indiscutível que houve o aporte financeiro suficiente para dar a suporte às operações envolvendo as empresa Destilaria Paranapanema Ltda., no Brasil, e Valência SARL, no exterior, realizada por meio dos contratos de câmbio nº 07/001971 e nº 07/001970, ambos de 13 de março de 2007. A DAA retificadora do exercício 2008, entregue em 28 de abril de 2010 (fl. 860), após a ciência do Termo de Inicio da Ação Fiscal, zerou os valores de doação às filhas constante na declaração anterior, entregue tempestivamente em 30 de abril de 2008 (fl. 1.604), redefinindo as quantias como empréstimos no campo “declaração de bens e direitos”, e incluiu no campo “dívida e ônus reais” as dívidas para a Luzeiro Agroindustrial Ltda., no valor de R$ 21.001.354,41, e para Ventura Energética Ltda, no valor de R$ 1.400.000,00. Nas DAA dos anos anteriores ao exercício 2007 não há dívidas ou ônus reais declarados com valores significativos: apenas nos exercícios 2004 (anocalendário 2003) e 2006 (anocalendário 2005) constam, respectivamente, R$ 32.043,09 e R$ 84.000,00. Nas DAA dos exercícios seguintes, 2008 a 2010, entregues em 28 de abril de 2010 (fl. 1.047 a 1.086), as dívidas e ônus reais permanecem com valor próximo ao declarado em 2007. Ressaltaas que, com exceção da redução dos R$ 60.000,00, segundo registro no razão como antecipação do pagamento de cana, a dívida com a Luzeiro Agro Industrial Ltda. continua inalterada. Foi declarado R$ 2.061.354,41 em 2008 e R$ 2.001.354,41 nos exercícios 2009 e 2010. Ou seja, não houve qualquer acerto nos anos posteriores ao dos contratos. Analisandose os documentos juntados ao recurso voluntário, observase que são incompletos desconexos e insuficientes para comprovar a origem da dívida exigida pela autoridade fiscal: a cópia do livro razão do livro razão da Companhia Albertina Mercantil Industrial emitido em seis de setembro de 2011 encontrase desprovido de qualquer suporte contábil e, isoladamente, não serve como elemento de prova, assim como a cópia dos extratos Fl. 2656DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10840.720874/201118 Acórdão n.º 2101002.318 S2C1T1 Fl. 14 13 bancários que, além de não conter a totalidade das transações entre as partes, não apresenta a discriminação necessária da origem e aplicação dos recursos, nem as razões de tais transferências, de forma a justificar as dívidas entre as empresa, e entre estas e a recorrente; as cópias das folhas do livro diário da empresa Luzeiro Agroindustrial Ltda. estão incompletas; e as notas fiscais emitidas pela Companhia Albertina Mercantis Industriais referentes a vendas efetuadas de equipamentos de informática para a Destilaria Paranapanema Ltda. não são suficientes para comprovação de dívida. Chama a atenção o contrato particular de assunção de dívidas, cessão de créditos e outras avenças e compensações recíprocas de créditos no valor de R$ 23.961.354,41, assinado em 4 de fevereiro de 2007, que, apesar de representar significativo montante ao patrimônio dos envolvidos, somente foi apresentado para registro cartorário em 31 de março de 2011, no curso da ação fiscal que se iniciou em abril de 2010 (ciência por AR em doze de abril de 2010, folha 66). O mesmo procedimento foi adotado aos demais contratos com data de assinatura nos meses de fevereiro e março de 2007. Os comprovantes de rendimentos e de retenção na fonte da pessoa física Paulo Avelino de Souza Costa, emitido pela empresa B2B Açúcar e Álcool S/C Ltda, a planilha de indicação de correspondência de depósitos bancários na empresa B2B Açúcar e Álcool S/C Ltda, a nota fiscal de serviço de táxi aéreo e o boletim de alta e internação e de ciência médica expedido pelo Hospital São Lucas não têm correspondência com os créditos aqui tratados; Inicialmente cabe esclarecer que, quando a questão é de direito, o julgador baseia sua decisão nas leis e nos princípios basilares que as fundamentam. Entretanto, quando o fato necessita de comprovação, o Direito, isoladamente, não é suficiente. É necessário verificar a ocorrência dos fatos jurídicos baseados no conjunto probatório, com o objetivo de se descobrir as circunstâncias em que tais fatos aconteceram. Nesse caso, como se extrai das lições de NEDER (2010), o Direito opera por meio dos indícios ou vestígios deixados pelos eventos, sendo o voto do julgador embasado pela “a qualidade do conjunto probatório”1: O Direito depende fundamentalmente de questões vinculadas a fatos e provas, na medida em que devem ser alegados como causa das pretensões ou fundamento das defesas deduzidas pelas partes. A justiça da decisão, portanto, passa por um apropriado exame das questões fáticas, que representam o momento central do processo. Os sujeitos elaboram argumentos, indicam fatos e exibem provas tendentes a comprovar suas alegações de modo a possibilitar a demonstração da verdade. [...] Provar não significa apenas juntar documentos, mas apresentar elementos válidos e suficientes para formar a convicção do julgador quanto aos fatos trazidos à sua apreciação, para que decida com base no que é aduzido pelas partes. Analisando os diversos documentos apresentados no curso da ação fiscal, na impugnação e no recurso voluntário, verificase que há imprecisões contábeis, falta de conexão e indícios de que algumas das provas foram levantadas extemporaneamente, com retificação ou registros em períodos posteriores ao de referência do crédito informado, quando a contribuinte já estava sob a ação fiscal, o que reforça a opção da fiscalização de não admitir o valor das operações de troca de crédito e do empréstimo a longo prazo da empresa Luzeiro Agroindustrial Ltda. para a recorrente. 1 NEDER, Marcos Vinicius. Aspectos formais e materiais do Direito Probatório. IN: NEDER, Marcos Vinicius; SANTIS, Eurico Marco Diniz (Coordenadores). A prova no processo tributário. 8ª ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 1315 Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10840.720874/201118 Acórdão n.º 2101002.318 S2C1T1 Fl. 15 14 Os elementos constantes nos autos levam a conclusão de que a reorganização societária da Destilaria Paranapanema Ltda. e, por consequência, do investimento na empresa Valencia SARL, visavam mascarar ganho de capital. Com base na metodologia da troca de créditos, com objetivo de subsidiar a operação de reorganização societária pretendida, montou se uma complexa operação que envolveu as empresas do grupo empresarial para o aumento de capital da Paranapanema que teve seu custo inflado, em seguida, ter seu capital dividido em ações e negociado por meio da troca das ações da recorrente com o investimento no exterior. Assim, a análise do processo como um todo, composto por uma série de operações que escapam à lógica de negócios jurídicos usuais, suporta a conclusão de se tratar de planejamento tributário visando ao aumento artificial do capital da Destilaria Paranapanema Ltda e, por conseguinte, do patrimônio da autuada, a quem caberia, nos termos do art. 150 do CTN, comprovar a veracidade dos fatos ou da informação declarada. Desta forma, diante da evidência da artificialidade da operação de permuta de crédito e empréstimo para suportar o negócio, não poderia o Fisco admitila para o cálculo do ganho de capital, seja por ocasião do aumento de capital da Destilaria Paranapanema Ltda., seja no momento do processo de transferência de seu controle para a Valencia SARL, sediada no exterior, devendo ser mantido o lançamento de ofício efetuado pela Administração Tributária. Aliás, a data da ocorrência do fato gerador do ganho de capital também integra as alegações da recorrente. Para ela, a data correta não seria 28 de fevereiro de 2007, como informado pela DRJ, nem março de 2007, como apontado no fluxo de caixa elaborado pela autoridade fiscal, e sim quatro de fevereiro, Porém, o fato de a DRJ ter considerado o lançamento ocorrido em fevereiro, e não em março como mencionado no lançamento fiscal, implicaria nulidade do auto de infração. Entretanto, também não se pode acolher esta pretensão. O lançamento está corretamente fundamentado nos art. 1º, 2º e 3º, e §§, da Lei nº 7.713/1988; arts. 1º e 2º da Lei nº 8.134/1990; arts. 55, inciso XIII, e parágrafo único, e arts. 806 e 807 do RIR/1999; e art. 1º da Lei nº 11.482/2007. O fato gerador consiste na situação material descrita pelo legislador como capaz de suscitar a obrigação tributária. No caso do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, o fato gerador é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; e de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda (Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966, art. 43). Como regra geral, o fato gerador do IRPF é complexivo e tem seu marco temporal apenas ao final de cada anocalendário. Isso se aplica, inclusive, ao acréscimo patrimonial a descoberto, uma vez que os rendimentos omitidos ou presumidamente omitidos pelo contribuinte, quando submetidos a lançamento de ofício, embora apurados mensalmente, conforme previsão do artigo 2° da Lei n° 7.713/1988, sujeitamse à Declaração de Ajuste. O fato de a fiscalização ter considerado a ocorrência de variação patrimonial em março e de a DRJ entender que teria ocorrido em fevereiro, não traz qualquer prejuízo à contribuinte. Ao considerar a variação patrimonial ocorrida no mês de março, a fiscalização aproveitou no fluxo de caixa os recursos recebidos até aquele mês, o que foi benéfico ao Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10840.720874/201118 Acórdão n.º 2101002.318 S2C1T1 Fl. 16 15 contribuinte. Não cabe a alegação da recorrente de que os rendimentos não se submetem ao ajuste, pois se assim fosse as sobras financeiras de abril a dezembro também teriam sido aproveitadas. Ocorre que se pode gastar ou aplicar no mês seguinte os recursos financeiros ganhados em meses anteriores, porém o inverso é impraticável, pois não se pode gastar ou aplicar os que ainda não se dispõe. Juros de mora sobre a multa de ofício A questão sob exame diz respeito à possibilidade da incidência de juros sobre a multa de ofício cobrados com base na taxa Selic. Pelo que dispõe o art. 161 do CTN, chegase à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal (tributo), mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1 Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2 O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Vale ressaltar que, nos termos do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (art.139, que tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art.113). A Lei nº 9.430, de 1996, ao tratar da formalização da exigência de crédito tributário composto exclusivamente por multa ou a juros de mora, diz expressamente no parágrafo único do art. 43 que incidirão juros de mora à taxa Selic, conforme se observa a seguir: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos nossos) Ademais, o entendimento de se considerar legítima a incidência de juros de mora sobre a multa fiscal punitiva, encontra sustentação na com a jurisprudência da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), que recentemente reiterou o entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, seguindo a linha adotada pela Segunda Turma do STJ (REsp nº 1.129.990/PR, em 1/9/2009). Também, no âmbito do CARF, destacamse as seguintes decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10840.720874/201118 Acórdão n.º 2101002.318 S2C1T1 Fl. 17 16 O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. (Segunda Turma, Acórdão nº 920201.806, de 24/10/2011, Redator designado Cons. Elias Sampaio Freire) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Primeira Turma, Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) JUROS DE MORA .MULTA DE OFICIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Quarta Turma, Acórdão nº 0400.651, de 18/09/07, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Pelas razões acima, considerase legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, calculados pela variação da taxa Selic. Assim, diante dos elementos presentes no processo e por considerar, nas questões objeto da divergência, irretocável o lançamento, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 4/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FRANCISCO MAR CONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Numero do processo: 10805.723392/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/08/2008
LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE.
Com a revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória (MP) n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratando-se de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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FATOS GERADORES Recorrente MUNICÍPIO DE MAUÁ PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/08/2008 LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE. Com a revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória (MP) n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratandose de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 33 92 /2 01 2- 19 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10805.723392/201219 Acórdão n.º 2402004.052 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997 e redação da Medida Provisória (MP) 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas, nas competências 01/2008 a 08/2008. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (Termo de Verificação Fiscal, fls. 6/33), a empresa apresentou as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s), contendo informações incorretas ou omissas referentes aos seguintes fatos geradores: “[...] 19. Da análise dos dados apresentados, restaram as rubricas a seguir elencadas, as quais entendemos como sujeitas à incidência das contribuições previdenciárias e que, comprovadamente, não foram integradas à base de cálculo pelo contribuinte: 19.1. Hora Extra: foi constatada a rubrica 202 – MEDIA H. EXTRA 13º, sobre a qual, tratandose de reflexo de horas extras no 13º salário, ... 19.2. Alimentação: são diversas as rubricas que se relacionam com o pagamento de verbas a título de alimentação, ... 19.3. Transporte: sob as seguintes rubricas são percebidos valores a título de Auxílio Transporte, ... 19.4. Bônus Mérito: sob as rubricas abaixo, consignamse valores pagos a título de vantagem pecuniária relacionada à freqüência do servidor ... 19.5 Bônus Merecimento: similar ao Bônus Mérito, distinguindose basicamente pelo fato de em legislação específica e em pagamento único, ... 19.6 Abono Salarial: valores pagos, por meio das rubricas abaixo elencadas, a título de vantagem pecuniária por prazo determinado, ... 19.7 Prêmio: sob as rubricas abaixo, consignaramse valores correspondentes a prêmio instituído pela Lei Municipal ... 19.8. Reposição e Diferença Salariais: foram constatadas as rubricas a seguir discriminadas sobre as quais, tratandose de verbas salariais, não resta dúvida de que sejam integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias, ... Fl. 117DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 20. As declarações em GFIP, ... informam, como valores devidos, as contribuições previdenciárias incidentes sobre a base de cálculo considerada pela auditada, a qual não inclui as rubricas supracitadas. [...]” O Termo de Verificação Fiscal informa ainda que: i) tanto a alimentação como o transporte foram fornecidos em pecúnia; ii) o bônus mérito e/ou bônus merecimento foi pago em conformidade com a frequência do servidor e o valor recebido sempre proporcionalmente à jornada de trabalho, sendo que posteriormente essa verba foi incorporada à remuneração do servidor; iii) o abono salarial foi pago como vantagem salarial em caráter geral, por prazo determinado, mas que foi incorporado aos vencimentos; iv) o prêmio foi pago em atendimento à lei municipal; v) foi informado nas GFIP a alíquota para apuração das contribuições destinadas a financiar os benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (RAT) de 1% (um por cento), quando o correto é 2 %; vi) observouse a compensação irregular – eis que deixou de atender a diversos requisitos exigidos pelas normas pertinentes – do valor de R$ 233.573,62, na competência de 09/2008, relativo ao recolhimento indevido de contribuições sobre as remunerações pagas aos exercentes de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, no período de 02/1998 e 09/2004; vii) a Municipalidade propôs ação judicial (nº 2009.61.26.0052673) com o objetivo e compensar as contribuições recolhidas indevidamente; viii) o valor compensado indevidamente, objeto de glosa, foi lançado diretamente como valor devido, incidindo sobre ele tão somente juros e multa de mora; ix) na aplicação das multas foram observados o seguinte: “[...] 73. Para o período até 11/2008, fezse necessária a adoção de dois critérios: 73.1. para as competências 02 a 07 e 09 a 11/2008, cuja declaração em GFIP deuse antes da publicação da referida MP, anteriormente, seria lançado Auto de Infração isolado por descumprimento de obrigação acessória com fulcro no art. 32 da Lei nº 8.212/90, cujo valor corresponderia a 100% (cem por cento) do valor devido, até os limites ali definidos, cujos cálculos seguem demonstrados na PLANILHA DE CÁLCULO DO AI CFL 68 (ANEXO III), sendo devidamente comparadas as multas incidentes conforme a legislação em seus modelos anterior e atualmente vigentes, consoante demonstrado no relatório SAFIS – Comparação de Multas (ANEXO IV), demonstrandose mais onerosa a aplicação da multa pela legislação atual; e 73.2. As GFIP das competências 01 e 08/2008 foram retificadas respectivamente em 15 e 16/09/2009, já na vigência da nova legislação. Assim, cometendose a infração de declarar com erro Fl. 118DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10805.723392/201219 Acórdão n.º 2402004.052 S2C4T2 Fl. 4 5 ou omissão sob um legislação enquanto que o fato gerador deu se por outra, foi aplicada a multa de mora no lançamento (legislação antecedente) e, pelo descumprimento de obrigação acessória, multa isolada prevista pela legislação atual, conforme PLANILHA DE CÁLCULO DO AI CFL 78 (ANEXO III). 74. A multa de ofício, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, foi então aplicada apenas nas competências 12 e 13/2008. (...) 77. Em face disto, como já relatado no item 73.1 e com lastro no art. 32, §5° da Lei n° 8.212 , de 24/07/1991 e no art. 284, inciso II, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, foi aplicado o AI DEBCAD nº 37.347.7520, calculado conforme demonstrado na PLANILHA DE CÁLCULO DO AI CFL 68 (ANEXO III), no valor de R$ 703.447,20 (setecentos e três mil quatrocentos e quarenta e sete reais e vinte centavos), calculado em 100% do valor da contribuição previdenciária não declarada, respeitado o limite máximo, por competência, com referência de atualização na Portaria Interministerial nº 2 de 2012. 78. Já no caso das competências 01 e 08/2008, infringiu o contribuinte, por apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32, inciso IV da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941 , de 27/05/2009. 79. Desta forma, conforme já relatado no item 73.2,e com fulcro no art. 32A, caput, inciso I e §§ 2º e 3º da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, incluídos pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, foi aplicado o AI DEBCAD nº 51.024.4300, calculado a R$ 20,00 (vinte reais para cada grupo dez informações incorretas ou omitidas, conforme demonstrado na PLANILHA DE CÁLCUL DO AI CFL 78 (ANEXO III), no valor de R$ 21.280,00 (vinte e um mil duzentos e oitenta reais). [...]” x) foram lavrados os seguintes Autos de Infração: nº 37.376.4308 em face das contribuições patronais; nº 37.347.7522 pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei 8.212/1991, nas competências de 02 a 07 e 09 a 11/2008; e nº 51.024.4300 pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Medida Provisória – MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, nas competências de 01 e 08/2008. xi) o presente Auto de Infração (nº 51.024.4300), correspondente ao Processo nº 10805.723392/201219, encontrase apensado ao Processo nº 10805.723391/2012 74 (Autos de Infração nº 37.376.4308 e nº 37.347.7522). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 09/11/2012 (fls. 01 e 43). Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 48/63), alegando, em síntese, que: 1. a jurisprudência é uníssona em afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre a parcela recebida a título de alimentação, ainda que paga em pecúnia A legislação municipal se adéqua à interpretação jurisprudencial, como se observa da Lei Complementar Municipal nº 01/2002; 2. o Supremo Tribunal Federal já decidiu pela inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre o auxílio transporte pago em dinheiro; 3. assim como os auxílios, sobre os valores pagos a título de abonos (de mérito e salarial) e prêmio não há a incidência da contribuição previdenciária, por possuírem natureza indenizatória, como se observa da legislação municipal; 4. a alteração da alíquota da contribuição, destinada a financiar os benefícios decorrentes de acidente do trabalho, se verificou mediante Decreto, em afronta ao Princípio da Legalidade; 5. relativamente à compensação, considerando que a situação encontra se sub judice, não poderia ter ocorrido o lançamento; 6. o fiscal aplicou erroneamente dois critérios na imposição da multa, de forma a ignorar o princípio da irretroatividade da lei mais benéfica, preceituado no artigo 106 do Código Tributário Nacional; 7. não houve omissão de fatos geradores nas declarações realizadas pela impugnante, visto que as verbas apontadas são indenizatórias. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão 0540.399 da 9a Turma da DRJ/CPS (fls. 581/596) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10805.723392/201219 Acórdão n.º 2402004.052 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à autuação do ente público na vigência do art. 41 da Lei 8.212/1991, competências até 10/2008, entendo que há impossibilidade de aplicação retroativa da multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Inicialmente, quanto ao descumprimento da obrigação acessória, no que tange a órgão ou entidade da administração pública, a redação original do art. 41 da Lei 8.212/1991 atribuía a responsabilidade pela prática de tal infração ao seu dirigente, não recaindo sobre a pessoa jurídica qualquer responsabilidade, em virtude de infração dessa natureza, cometida por seus agentes. Posteriormente, com a edição da Medida provisória (MP) n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, o art. 41 supracitado foi revogado e, por consectário lógico, a responsabilidade pela infração à legislação previdenciária no âmbito da administração pública deixou de ser do dirigente. Para tais infrações, passou a ser aplicada a regra geral, ou seja, a partir da vigência da MP supracitada, a pessoa jurídica na qual está inserido o órgão público ou o próprio ente da administração é quem deve responder pelas infrações perpetradas contra a legislação previdenciária. Vejamos o artigo 65, I, da referida MP n° 449, de 04 de dezembro de 2008: Art.65. Ficam revogados: I os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 4º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do art. 80, o art. 81, os §§1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89, e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 (grifos nossos); Vejamos também o art. 79 da Lei 11.941/2009, de 27 de maio de 2009: Art. 79. Ficam revogados: I os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 (grifos nossos); Era exatamente o preceito estabelecido no art. 41 da Lei 8.212/1991 que permitia ao Fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos pelas infrações à legislação previdenciária, que assim dispunha: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Sabemos que o procedimento administrativo do lançamento, em regra, deve se reportar sempre a lei vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, conforme dispõe art. 144 do Código tributário Nacional (CTN). Contudo, há situações em que o próprio CTN, especificamente em seu art. 106, autoriza excepcionalmente que fatos pretéritos sejam regulados pela legislação futura, tratandose de retroatividade benigna (retroatividade benéfica). Vejamos as disposições do art. 106 do Códex: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: (a) quando deixe de definilo como infração; (b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; (c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(g.n.) Assim, em consonância com os incisos I e II do art. 106 do CTN, veemse as hipóteses que estipulam, no plano da hermenêutica, a retroação para uma lei interpretativa e para uma lei mais benéfica ao sujeito passivo tributário, respectivamente. Por sua vez, o inciso II do art. 106 do CTN, aproximandose do campo afeto às sanções tributárias, permite que se aplique retroativamente a lei nova, quando mais favorável ao sujeito passivo, comparativamente à lei vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Na realidade, o CTN consagra a regra da retroatividade da Lei mais favorável, autorizando assim que a penalidade seja readequada para seguir o tratamento mais benéfico ao contribuinte. Com a referida mudança legislativa, a questão que se levanta é a possibilidade de aplicála a infrações cometidas em período anterior a sua vigência. Em razão de se tratar de legislação tributária, sua interpretação deverá ser orientada pelo art. 106 do CTN, susomencionado. Com a revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, pela MP n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Esta nova regra, entretanto, deve ser aplicada às infrações ocorridas a partir do início da sua vigência, ou seja, para as infrações ocorridas após a MP n° 449, de 04 de Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10805.723392/201219 Acórdão n.º 2402004.052 S2C4T2 Fl. 6 9 dezembro de 2008. Tratandose de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa, a qual somente deverá ocorrer nas hipóteses específicas do art. 106 do CTN, retromencionado. No presente Auto, a multa foi aplicada em razão de infração cometida nas competências 01/2008 a 08/2008, conforme Relatório Fiscal (Termo de Verificação Fiscal, fls. 6/33), que registrou o seguinte: “78. Já no caso das competências 01 e 08/2008, infringiu o contribuinte, por apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32, inciso IV da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941 , de 27/05/2009”. A infração em tela consumase no momento em que a empresa apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas, até o dia 07 (sete) do mês seguinte àquele a que se referirem as informações (conforme o art. 225, inciso IV e § 2o, do Regulamento da Previdência Social RPS). Sendo assim, resta claro que a infração relativa às competências 01/2008 a 08/2008, ocorreu em período anterior à vigência da MP n° 449, ocorrida em 04/12/2008. Logo, a responsabilidade pela multa não poderia ter sido atribuída ao órgão público, pois isto implica dar eficácia retroativa à revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, operada pela MP n°449/2008. Diante desse contexto fático e jurídico, entendo que a multa aplicada deverá ser excluída, eis que os entes públicos passaram a responder pelas infrações decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, previstas na legislação previdenciária, somente após a vigência da MP n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, para reconhecer que sejam excluídos, em sua totalidade, os valores da multa aplicada, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10925.905128/2012-35
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2004
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 51 28 /2 01 2- 35 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905128/201235 Acórdão n.º 3801002.910 S3TE01 Fl. 61 2 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905128/201235 Acórdão n.º 3801002.910 S3TE01 Fl. 62 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905128/201235 Acórdão n.º 3801002.910 S3TE01 Fl. 63 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905128/201235 Acórdão n.º 3801002.910 S3TE01 Fl. 64 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905128/201235 Acórdão n.º 3801002.910 S3TE01 Fl. 65 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905128/201235 Acórdão n.º 3801002.910 S3TE01 Fl. 66 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13851.900210/2008-96
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel..
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 00 21 0/ 20 08 -9 6 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900210/200896 Resolução nº 1802000.461 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo seu direito creditório. Por meio do Pedido Eletrônico de Restituição PER nº 18966.11144.280604.1.3.045083, transmitido em 28/06/2004, a ora Recorrente pretende compensar débitos de CSLL (cód: 2484 PA: janeiro e fevereiro de 2003) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL: 2484; PA 28/02/2001) (fls. 02/06). Em 24/04/2008, por intermédio do despacho decisório de fl. 07, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado pois “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débito declarado, com as seguintes características: “Db: cód 2484 PA 28/02/2001”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade (fls.10/16), alegando, em síntese, que: a) informou indevidamente “pagamento indevido ou a maior” na PER/DCOMP, os quais não foram localizadas pela Receita Federal; b) de fato o crédito não é oriundo de pagamento indevido ou a maior, mas sim de “saldo negativo de CSLL”, o que se prova pelo exame da DIPJ/2002, retificadora entregue em 10/06/2003; c) apresenta um quadro de compensações que teriam sido efetuadas com o pretenso saldo negativo (fl. 12); d) que a luz do disposto no art. 156 II, do CTN, e art. 26, § 1º, da IN nº 600/2005, a compensação efetuada pelo sujeito passivo extinguiu devida e tempestivamente o crédito tributário tendo a informação do procedimento ao Órgão natureza de obrigação acessória. Ao final requereu a reforma da decisão para que seja homologada a Compensação. A DRJ de Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 28/06/2004 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900210/200896 Resolução nº 1802000.461 S1TE02 Fl. 4 3 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar parcelas da contribuição devidas nos períodos posteriores àqueles abrangidos no pedido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/06/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 06/09/2012, a Contribuinte solicitou a juntada de seu recurso voluntário em 02/10/2012 que foi analisado pela DRF de Araraquara. No Recurso alega em apertada síntese: 1 – que apurou saldo negativo de CSLL a utilizar em períodos subsequentes no montante de R$ 71.357,08, valor este que utilizou parcialmente para extinguir a CSLL apurada nos períodos de janeiro e fevereiro de 2003; 2 – que apresentou tal ocorrência dna DIPJ de 2002 retificadora e no recurso voluntário através da apresentação dos razões contábeis e de DARF’s; 3 – que o inciso II do art. 156 do CTN dispõe sobre a liquidação de créditos através da compensação; 4 – Ao fim pede provimento. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900210/200896 Resolução nº 1802000.461 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Por meio do Pedido Eletrônico de Restituição PER nº 18966.11144.280604.1.3.045083, transmitido em 28/06/2004, a ora Recorrente pretende compensar débitos de CSLL (cód: 2484 PA: janeiro e fevereiro de 2003) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL: 2484; PA 28/02/2001) (fls. 02/06) no valor de R$ 48.510,71. A DRF em Araraquara não homologou o pedido da ora Recorrente alegando que: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 35.635,10 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PEFt/DCOMP” De forma sintética a DRJ manteve a decisão de 1º instância por considerar que as provas trazidas pela Recorrente não foram suficientes para a comprovação do direito creditório do contribuinte, sendo que seria dele a responsabilidade pelo ônus da prova. Ciente do que seria suficiente para a comprovação de seu direito creditório, eis que até o momento do acórdão da DRJ não havia sido feita qualquer intimação a contribuinte, com a apresentação do Recurso Voluntário foram acostados: o plano de contas; os DARF’s recolhidos que montam o saldo negativo apresentado na DIPJ; os razões contábeis. Me permito discordar desse entendimento da DRJ. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. É necessário que ela seja cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., para que se busque a verdade material da Recorrente. Isto porque o que interessa é saber se no presente caso houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900210/200896 Resolução nº 1802000.461 S1TE02 Fl. 6 5 O dito princípio da verdade material é muito bem abordado pelo ilustre doutrinador James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Negar o direito creditório da Recorrente baseado em supostos erros materiais apresentados, sem qualquer análise do crédito, afronta aos princípios basilares de Justiça. Com a devida vênia, ao contrário da análise feita pela DRJ, o julgador sempre que possível deve buscar a solução mais justa para depois dar uma roupagem jurídica. Para a solução desta questão caberia ao contribuinte juntar ao seu pedido a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento das declarações. Ocorre que essa opção na presente sistemática de compensação não é facultada ao Contribuinte. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP, que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução de um pagamento que entendia ter realizado indevidamente. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900210/200896 Resolução nº 1802000.461 S1TE02 Fl. 7 6 Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento mencionou que a Contribuinte não apresentou as provas necessárias a comprovação do seu direito creditório. Não atentou portanto, nem tampouco diligenciou a DRF para que intimasse ao contribuinte que apresentasse os documentos comprobatórios de seu direito. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Assim, o que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo e em um determinado período de apuração e isto não pode resultar apenas da admissibilidade de um crédito na leitura da DCTF. Pode e deve o contribuinte fundamentar através de outros elementos, como livros Diário e Razão, balancetes do período e outros documentos que achar necessários de forma a dar suporte àquilo que consta declarado na DIPJ, a fim de comprovar seu direito creditório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900210/200896 Resolução nº 1802000.461 S1TE02 Fl. 8 7 Entendo que as informações foram prestadas com forte aparência de que comprovam as alegações efetuadas. A DIPJ/2002, anocalendário 2001, retificada foi entregue em 10/06/2003 e consta, na ficha 17. na linha 41 (CSLL pagar), o valor de R$ 71.357.08, como saldo negativo de CSLL, oriundo dos pagamentos da Contribuição Social, conforme demonstrado abaixo: Composição do Saldo Negativo da Contribuição Social Item Descrição Valor 1 CSLL 2484 Janeiro/Fevereiro 21.703,90 Fl. 28 2 CSLL 2484 Fevereiro/Março 51.450,86 Fl. 28 Total dos Pagamentos 73.154,76 Ficha 17 Sendo assim, passamos a esclarecer cada um dos itens acima, embasado no plano de contas da Recorrente (Doc. 02). vejamos: DARF relativo a Contribuição Social (2484), referente ao período de apuração janeiro de 2001 e pago em 28/02/2001. conforme contabilização (Doc 03.1 e 5): DARF relativo a Contribuição Social (2484), referente ao período de apuração fevereiro de 2001 e pago em 30/03/2001, conforme contabilização (Doe. 04.1 e 5); Os rendimentos obtidos pela Recorrente foram contabilizados pelo regime de competência e aparentemente integraram a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, nos termos da legislação vigente, como consta da DIPJ/2002. ano calendário 2001. Portanto os pagamentos da Contribuição Social de janeiro e fevereiro de 2001 aparentemente geraram um total de antecipações no valor de R$ 73.154,76, tendo sido deduzido da Contribuição Social devida, somente o valor de R$ 1.797,68 (ficha 17. linha 34), gerando ao final um saldo negativo da Contribuição Social no valor de R$ 71.357.08. conforme transcrito abaixo: Ficha 17 Cálculo cia Contribuição Social sobre Lucro Liquido (DIPJ) 36 Base de Cálculo da CSLL 1 797.68 Fl. 27 38 () CSLL PAGO POR ESTIMATIVA 73.154,76 Fl. 27 42 CSLL a Pagar 71.357,08 Fl. 27 Saldo Negativo Original 31.12.2001 71.357,08 Fl. 29 Selic até fevereiro/02 2,78% Fl. 29 Saldo Atualizado 73.340,81 Fl. 29 Compensação fevereiro/02 5.253,19 Fl. 29 Saldo Negativo Original 66.233,52 Fl. 29 Selic até outubro/02 14,38% Fl. 29 Saldo Atualizado 75.757,90 Fl. 29 Compensação Outubro/02 30.468,80 Fl. 29 Saldo Original 39.443.05 Fl. 29 Selic até junho/04 45,96% Fl. 29 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900210/200896 Resolução nº 1802000.461 S1TE02 Fl. 9 8 Saldo Atualizado 57.571,07 Fl. 29 Compensação junho/04 48.510,71 Fl. 29 Saldo Negativo Original 6.207,43 Fl. 29 Do mesmo modo foi apresentada a escrita fiscal que aparentemente comprovam os lançamentos contábeis efetuados, conforme podese observar as fls. 74 a 125. Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a DRF de origem esclareça: a) se os rendimentos obtidos pela Recorrente integraram a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, nos termos da legislação vigente a época, como consta da DIPJ/2002. ano calendário 2001; b) se houve saldo negativo apurado pela Recorrente, passível de restituição / compensação e em qual valor; c) se o crédito arguido pela Recorrente não foi utilizado para a quitação de outro(s) débito(s). Concluída a diligência fiscal, a delegacia de origem deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados e intimar o contribuinte do resultado da diligência para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 136DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10935.904545/2012-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/05/2008
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 45 /2 01 2- 41 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904545/201241 Acórdão n.º 3801002.346 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904545/201241 Acórdão n.º 3801002.346 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904545/201241 Acórdão n.º 3801002.346 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904545/201241 Acórdão n.º 3801002.346 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
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