Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 16004.720351/2011-00
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÃO ERRO DE CÁLCULO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Rejeita-se a alegação de erro de cálculo no acórdão de primeira instância que não foi objetivamente apontado e por não haver correlação entre a alegação recursal e a realidade dos autos.
DESPESAS MÉDICAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVA NÃO SE CONFUNDE COM INEXISTÊNCIA DA DESPESA, HÁBIL A ENSEJAR A QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.
Não se confunde a insuficiência de prova das despesas médicas, apta a amparar a glosa das respectivas deduções lançadas na Declaração de Ajuste, com a prova da sua inexistência, hábil a ensejar a conclusão pela natureza dolosa da conduta do contribuinte, de modo a justificar a imposição da multa de ofício qualificada.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício no ano-calendário 2008, nos termos do voto do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (relator) e Jaci de Assis Júnior que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Redator designado
EDITADO EM: 20/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÃO ERRO DE CÁLCULO. NÃO COMPROVAÇÃO. Rejeita-se a alegação de erro de cálculo no acórdão de primeira instância que não foi objetivamente apontado e por não haver correlação entre a alegação recursal e a realidade dos autos. DESPESAS MÉDICAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVA NÃO SE CONFUNDE COM INEXISTÊNCIA DA DESPESA, HÁBIL A ENSEJAR A QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Não se confunde a insuficiência de prova das despesas médicas, apta a amparar a glosa das respectivas deduções lançadas na Declaração de Ajuste, com a prova da sua inexistência, hábil a ensejar a conclusão pela natureza dolosa da conduta do contribuinte, de modo a justificar a imposição da multa de ofício qualificada. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16004.720351/2011-00
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5395062
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-003.180
nome_arquivo_s : Decisao_16004720351201100.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 16004720351201100_5395062.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício no ano-calendário 2008, nos termos do voto do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (relator) e Jaci de Assis Júnior que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator designado EDITADO EM: 20/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5694349
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047250451562496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2100; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 208 1 207 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.720351/201100 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.180 – 2ª Turma Especial Sessão de 08 de outubro de 2014 Matéria IRPF Recorrente AMAURI DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÃO ERRO DE CÁLCULO. NÃO COMPROVAÇÃO. Rejeitase a alegação de erro de cálculo no acórdão de primeira instância que não foi objetivamente apontado e por não haver correlação entre a alegação recursal e a realidade dos autos. DESPESAS MÉDICAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVA NÃO SE CONFUNDE COM INEXISTÊNCIA DA DESPESA, HÁBIL A ENSEJAR A QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Não se confunde a insuficiência de prova das despesas médicas, apta a amparar a glosa das respectivas deduções lançadas na Declaração de Ajuste, com a prova da sua inexistência, hábil a ensejar a conclusão pela natureza dolosa da conduta do contribuinte, de modo a justificar a imposição da multa de ofício qualificada. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício no anocalendário 2008, nos termos do voto do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (relator) e Jaci de Assis Júnior que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 03 51 /2 01 1- 00 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Redator designado EDITADO EM: 20/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2007, 2008, 2009 e 2010, anoscalendário 2006, 2007, 2008 e 2009, devido a glosa de despesas médicas (com multa de 150%) e despesas com instrução (multa de 75%). A descrição das razões da autuação constam do Termo de Verificação Fiscal de fls. 78/81. A impugnação foi parcialmente deferida e o valor lançado foi recalculado. Tratase de recurso voluntário que veicula inconformismo em relação à parte do acórdão de primeira instância, exclusivamente, no anocalendário 2008, cujo valor resultante da decisão recorrida foi de imposto de R$2.047,94 com multa qualificada (150%). A ciência do acórdão ocorreu em 23/11/2011 e o recurso voluntário foi interposto no dia 23/12/2011.12 O recorrente concorda com todos os cálculos apurados pela DRJ, exceto em relação ao anocalendário 2008, correspondente ao imposto de R$2.047,94 e multa de 150%, sustenta que o acórdão recorrido acatou o pedido impugnatório, porém cometeu um equívoco ao considerar que o contribuinte já havia recebido o valor da restituição declarado, R$6.003,23, o que alega não ter ocorrido, conforme consulta feita na DRF São José do Rio Preto e junto ao eCAC, nessa última consta que a DIRPF2009 está na situação “Tratamento Manual”. O recorrente requereu (a) o cancelamento do imposto a pagar de R$2.047,94; (b) o restabelecimento no sistema do saldo do imposto a restituir de R$3.955,29, alterando a situação da declaração para “processada”; e (c) cancelamento da multa de ofício qualificada, em virtude de a Declaração de Ajuste Anual ter sido entregue, via internet, em 03/03/2009, antes da vigência do art. 23 da Lei 12.249, de 11/06/2010. O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de julho de 2014. É o Relatório. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 16004.720351/201100 Acórdão n.º 2802003.180 S2TE02 Fl. 209 3 Voto Vencido Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O recorrente sustenta haver erro no cálculo referente ao anocalendário 2008, correspondente ao imposto de R$2.047,94, em virtude de ter sido considerado que o contribuinte já havia recebido o valor da restituição declarado de R$6.003,23. O alegado erro estaria no demonstrativo de fls. 167 (numeração digital 168), onde foi registrada a alteração no demonstrativo do auto de infração (fls. 85). A alegação recursal não encontra respaldo nos autos. A decisão recorrida reduziu o imposto apurado de R$2.708,95 para R$2.047,94, exclusivamente, em razão da alteração da base de cálculo. Não houve qualquer menção a valor de restituição. Ademais, houvesse alguma razão no que alega, o recorrente deveria ter se desincumbido do ônus de apontar objetivamente em que ponto teria sido computada indevidamente a restituição, o que não ocorreu. Outrossim, rejeitamse as alegações acerca do cancelamento da multa de ofício qualificada, em virtude de a Declaração de Ajuste Anual ter sido entregue antes da vigência do art. 23 da Lei 12.249, de 11/06/2010, porque o lançamento não teve esse enquadramento legal. O dispositivo legal apontado pelo recorrente corresponde ao §5º do art. 44 da Lei 9.430/1996 incluído pela Medida Provisória nº 472/2009, com redação dada pela Lei 12.249/2010. Contudo, conforme anotado no auto de infração (fls. 89/90), o lançamento amparase no inciso I e §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 com a redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/2007. Colhese do item 15 do Termo de Constatação Fiscal (fls. 80) o seguinte: “o contribuinte, reiteradamente, utilizouse do expediente de incluir despesas médicas inexistentes nas suas declarações com o único intuito de reduzir a base de cálculo do Imposto de Renda, nos anoscalendário de 2006, 2007, 2008 e 2009, exercícios 2007, 2008, 2009 e 2010.” A utilização de despesas inexistentes para fins de dedução tem um evidente intuito doloso: reduzir a base de cálculo do imposto. Portanto, a qualificação da multa foi correta. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 No acórdão recorrido essa fundamentação foi consignada no item 6.4 e respectivos subitens. Na impugnação (numeração digital fls. 98, item 3) o contribuinte tratou de monstrar sua inconformidade com a existência de dolo, alegando que houve apenas declaração inexata, mas no recurso voluntário não (fls. 175/178). Há um silêncio eloquente. Segundo o inciso III do art. 16 do Decreto 70.235/1972, a impugnação deve mencionar, entre outros requisitos, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta e os pontos de discordâncias. Não há contestação específica em relação aos fatos que levaram à glosa e qualificação da multa, como retratado acima, o recorrente exclusivamente reportase ao enquadramento legal e à ausência de prejuízo ao Erário por não ter resgatado restituição do anocalendário 2008. Desta forma, os fatos que justifcaram a qualificação da multa são incontroversos, a saber: a utilização de dedução baseada em despesas médicas inexistentes. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Voto Vencedor Ronnie Soares Anderson, Redator designado Não obstante as palavras do ilustre Relator, ouso divergir no que tange à qualificação da multa de ofício do anocalendário 2008. É preciso frisar que há contestação específica da multa de ofício na peça recursal, ainda que ventilada sob motivação cujo mérito se reconheceu, em entendimento que aqui se partilha, desprovido de razão. Cabe distinguir, entretanto, a motivação formulada de modo precário da ausência de motivação, sendo então inaplicável o precitado inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. O fato é que com a interposição do recurso foi devolvida à apreciação deste Colegiado a matéria relativa a imputação da qualificação da multa de ofício no anocalendário 2008, estando assim delimitada a extensão do efeito devolutivo da inconformidade, no particular. Por outro lado, o julgador é livre para examinar todos os fundamentos de direito aplicáveis ao caso, como desdobramento do princípio da fungibilidade da forma de fundamento, desde que se atenha ao pedido de revisão formulado pelo recorrente. Tratase, afinal, de aplicação do vetusto brocardo iura novit curia. Na espécie, é possível verificar que o imposição da qualificação contestada deuse unicamente com base na reiteração da conduta de incluir despesas médicas inexistentes nas suas declarações dos anoscalendário 2006, 2007, 2008 e 2009. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 16004.720351/201100 Acórdão n.º 2802003.180 S2TE02 Fl. 210 5 Vejase que para a qualificação da multa, é necessário a constatação, com elevado grau de probabilidade, de que determinado contribuinte tenha pautado sua conduta imbuído de dolo, ou seja, com a consciência da conduta, a consciência do resultado, a consciência do nexo causal entre a conduta e o resultado, e a vontade de atuar no sentido de provocar o resultado infringente das normas juridicotributárias. Também é preciso que não haja verossimilhança minimamente suficiente em eventuais justificativas que, alternativamente, poderiam dar amparo ao proceder do contribuinte sem implicar, necessariamente, em um agir doloso. Nesse contexto, a não apresentação de comprovantes de despesas ou a sua apresentação com vícios de forma não se consubstancia razão suficiente para que a autoridade lançadora tenha chegado à conclusão de que inexistiram as despesas em comento. Para tanto, deveria ter sido aprofundada a fiscalização, realizandose, por exemplo, diligências junto aos prestadores de serviço com o fito de averiguar a materialidade dos dispêndios lançados nas Declarações de Ajuste. Por conseguinte, deve ser reformada a decisão contestada de maneira a afastar a qualificação da multa de ofício com relação à glosa de despesas médicas do ano calendário 2008. No restante, acompanho o Relator. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para fins de afastar a qualificação da multa de ofício no que se refere ao anocalendário 2008. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 212DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.007997/2008-68
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso.
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Assinado digitalmente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir a Silva, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.007997/2008-68
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5393721
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2801-003.585
nome_arquivo_s : Decisao_11080007997200868.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
nome_arquivo_pdf_s : 11080007997200868_5393721.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Assinado digitalmente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir a Silva, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5688660
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047250453659648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1650; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 119 1 118 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.007997/200868 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.585 – 1ª Turma Especial Sessão de 16 de julho de 2014 Matéria IRPF Recorrente JOÃO ALCIDES FLOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Assinado digitalmente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir a Silva, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 79 97 /2 00 8- 68 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/ 08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 11080.007997/200868 Acórdão n.º 2801003.585 S2TE01 Fl. 120 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4a Turma da DRJ/POA (Fls. 84 a 87), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Mediante Notificação de Lançamento às fls. 02 a 05, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 20.531,86, a título de imposto de renda pessoa física suplementar (cód. 2904), adicionado da multa de ofício de 75% e de juros moratórios, referente ao exercício 2005. O crédito tributário apurado é de R$ 44.708,12, calculado até 30.06.2008. A ação da Fiscalização decorreu de revisão da Declaração de Ajuste Anual, Retificadora, exercício 2005, anocalendário 2004, DIRPF/2005, cópia às fls. 51 a 83, quando foram apuradas irregularidades às normas tributárias, conforme relatadas nas "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" fls. 03 e 04 frente e verso, a saber: a) dedução indevida de dependentes no valor de R$ 2,544,00, por falta Ia de comprovação. Enquadramento Legal: art. 8% inciso II, alínea "c", e 35, da Lei n° 9.250/95, arts 1o, 2° e 15 da Lei n° 10.451/2002; art. 38 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001; e arts. 73, 83, e 841, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99; b) dedução indevida com despesa de instrução no valor de R$ 3.996,00, por falta de comprovação. Enquadramento Legal: art. 8% inciso II, alínea "b", e parágrafo 3o da Lei n° 9.250/95; arts. 1o , 2o e 15 da Lei n° 10.451/2002; e arts. 73, 81 e 83, inciso II, do RIR/99; c) dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 2.720,81, por falta de comprovação. Enquadramento Legal: art. 8o inciso II, alínea "a", e parágrafos 2° e 3o, da Lei no 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001; e arts. 73, 80 e 841, inciso II, do RIR/99; d) dedução indevida de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 70.359,15, por falta de comprovação. Enquadramento Legal: art. 8o , inciso II, alínea "f” da Lei n° 9.250/95, arts 49 e 50 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001, e arts. 73, 78 e 83, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99. O contribuinte, inconformado com o lançamento, apresentou impugnação tempestiva à Notificação Fiscal, à fl. 01, contestando as glosas referentes às deduções indicadas, juntando documentos anexados às fls. 07 a 44. Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade, conhece se da impugnação. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/ 08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 11080.007997/200868 Acórdão n.º 2801003.585 S2TE01 Fl. 121 3 Passo adiante, a 4a Turma da DRJ/POA entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: DEDUÇÃO POR DEPENDENTE. Admissível a dedução com dependentes comprovada com documentos hábeis e idôneos. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Cabível a dedução de despesas médicas comprovadas com documentos hábeis e idôneos. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO. Admissível a dedução com educação de seus dependentes comprovada com documentos hábeis e idôneos. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Cabível a dedução parcial a título de pensão alimentícia em cumprimento a acordo homologado judicialmente, comprovada com documento hábil e idôneo. Cientificado em 12/05/2011 (Fls.107), o Recorrente interpondo Recurso Voluntário em 06/06/2011 (fls. 108 a 109), argumentando em síntese: (...) A pensão de R$ 21259,15 descontada em folha pelo ministério da Aeronáutica, não se trata da soma de ambas as pensões. O fato é que pago duas pensões, uma descontada em folha e outra paga através de depósito em conta bancária, diretamente a Angela Maria Bitencourt Viegas, como pode ser comprovada pela declaração de renda da própria pensionista. (...) 11.1 — PRELIMINAR • Equivocadamente os julgadores do recurso anterior entenderam que a pensão de R$ 21259,15 descontada em folha pelo ministério da Aeronáutica, é a soma de ambas as pensões. Assim sendo desconsideraram o pagamento legítimo e comprovado de R$49.200,00 feitos a Angela Maria Bittencourt Viegas, á titulo de pagamento de pensão a nossa filha Marina Viegas Flor. Prova dos fatos expostos é de que a pensionista Angela Maria Bitencourt Viegas, declarou a Receita Federal os valores por ela recebidos, á titulo de pensão de nossa filha Marina Viegas Flor. (...) Anexos: 1 Recibo comprovando o pagamento de R$ 49.200,00 da pensão á Angela Maria Bitencourt Víegas. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/ 08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 11080.007997/200868 Acórdão n.º 2801003.585 S2TE01 Fl. 122 4 2 Comprovante de pagamento da pensão de Maria Aldina Correa Flor e Mariana Correa Flor de R$ 21159,15. 03 Certidão de nascimento de Marina Viegas Flor, filha pensionista. 4 Certidão de nascimento de Mariana Correa . filha, pensionista. ' 5 Os demais documentos que possam se fazerem necessários já foram juntados ao processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, cumpre ressaltar que resta em litígio somente a glosa de pensão alimentícia no valor de R$49.200,00. Entendeu a DRJ que o contribuinte comprovou o pagamento, no valor de R$21.159,15, da pensão alimentícia da menor Mariana Corrêa Flor, decorrente de determinação judicial. Também entendeu a DRJ que não foi comprovado o pagamento da pensão judicial da menor Marina Viegas Flor. Quanto a dedução da pensão alimentícia, de acordo com a legislação, somente são dedutíveis as importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia decorrentes de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente. Assim estabelece a legislação: art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR199, aprovado pelo Decreto 3.000/99 Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita a incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a titulo de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei n°9.250, de 1995, art. 4°, inciso II). Neste ponto, alertado pela DRJ da necessidade de provar que os pagamentos foram realizados, o contribuinte juntou recibo assinado por sua exesposa Ângela Maria Fl. 122DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/ 08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 11080.007997/200868 Acórdão n.º 2801003.585 S2TE01 Fl. 123 5 Bittencourt Viegas; na qual a mesma afirma ter recebido a título de pensão alimentícia da filha Marina Viegas Flor a importância de R$49,200,00 no ano de 2004. Por oportuno esclareço que consta nas páginas 52 a 55 dos autos decisão judicial na qual se homologa acordo em que se fixa a pensão para sua filha Marina Viegas Flor, no valor de R$2.150,00 atualizados semestralmente pelos índices da poupança. Tenho o entendimento de que o recibo faz prova de pagamento; posto que preenche todos os requisitos legais e dá quitação ao pagamento de pensão alimentícia, que, é um dos poucos casos em que pode haver a prisão do alimentante em razão da falta de pagamento. Assim, ante a existência de prova de que os pagamentos se deram em decorrência de acordo homologado judicialmente, deve ser restabelecida a dedução. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Relator Carlos César Quadros Pierre Fl. 123DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/ 08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE
score : 1.0
Numero do processo: 10983.720728/2013-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 15/07/2010, 23/08/2010, 01/09/2010, 22/09/2010, 28/10/2010, 07/12/2010, 13/12/2010, 28/12/2010, 15/06/2011
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ORIGEM DOS RECURSOS. DANO AO ERÁRIO.
A Legislação prevê o dano ao erário, quando se verifica a ocultação do verdadeiro adquirente da mercadoria mediante interposição fraudulenta, hipótese em que a importadora não demonstra a origem, a disponibilidade e a transferência do recurso, presumindo-se, portanto, a fraude.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. AUSÊNCIA DE PROVA.
A ocultação e a fraude levam à aplicação da pena de perdimento e/ou sua conversão em multa proporcional ao valor das mercadorias. Nesse caso, em que há presunção de fraude pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos cabe a Recorrente fazer prova em sentido contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 15/07/2010, 23/08/2010, 01/09/2010, 22/09/2010, 28/10/2010, 07/12/2010, 13/12/2010, 28/12/2010, 15/06/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ORIGEM DOS RECURSOS. DANO AO ERÁRIO. A Legislação prevê o dano ao erário, quando se verifica a ocultação do verdadeiro adquirente da mercadoria mediante interposição fraudulenta, hipótese em que a importadora não demonstra a origem, a disponibilidade e a transferência do recurso, presumindo-se, portanto, a fraude. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. AUSÊNCIA DE PROVA. A ocultação e a fraude levam à aplicação da pena de perdimento e/ou sua conversão em multa proporcional ao valor das mercadorias. Nesse caso, em que há presunção de fraude pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos cabe a Recorrente fazer prova em sentido contrário. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10983.720728/2013-11
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5395613
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-003.171
nome_arquivo_s : Decisao_10983720728201311.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
nome_arquivo_pdf_s : 10983720728201311_5395613.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5698862
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047250472534016
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-10-29T00:26:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-10-29T00:26:29Z; Last-Modified: 2014-10-29T00:26:45Z; dcterms:modified: 2014-10-29T00:26:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:a707bdbf-57ac-4584-97e7-b9518b9e7d69; Last-Save-Date: 2014-10-29T00:26:45Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-10-29T00:26:45Z; meta:save-date: 2014-10-29T00:26:45Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-10-29T00:26:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-10-29T00:26:29Z; created: 2014-10-29T00:26:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2014-10-29T00:26:29Z; pdf:charsPerPage: 1898; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-10-29T00:26:29Z | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 17 1 16 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.720728/201311 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.171 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2014 Matéria IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO Recorrente LIVE ONE IMPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 15/07/2010, 23/08/2010, 01/09/2010, 22/09/2010, 28/10/2010, 07/12/2010, 13/12/2010, 28/12/2010, 15/06/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ORIGEM DOS RECURSOS. DANO AO ERÁRIO. A Legislação prevê o dano ao erário, quando se verifica a ocultação do verdadeiro adquirente da mercadoria mediante interposição fraudulenta, hipótese em que a importadora não demonstra a origem, a disponibilidade e a transferência do recurso, presumindose, portanto, a fraude. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. AUSÊNCIA DE PROVA. A ocultação e a fraude levam à aplicação da pena de perdimento e/ou sua conversão em multa proporcional ao valor das mercadorias. Nesse caso, em que há presunção de fraude pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos cabe a Recorrente fazer prova em sentido contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 07 28 /2 01 3- 11 Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente em face da decisão que julgou procedente o Auto de Infração. O presente processo iniciouse mediante a lavratura de Auto de Infração, de fls. 1129/1169, em 04 de junho de 2013, com valor de R$ 655.476,83, referente à multa prevista no § 3º, artigo 23 do Decreto Lei 1.455/1076, com redação dada pelo artigo 59 da Lei 10.637/02 combinado com artigo 81, inciso III da lei 10.637/03, por interposição fraudulenta em importação. Iniciouse a auditoria para dar ciência do procedimento fiscal ao contribuinte, por meio do TERMO DE INICIO DA AÇÃO FISCAL, por via postal em conformidade ao MPF nº 09252002012002036. A contribuinte LIVE ONE IMPORTAÇÃO LTDA., fora intimada diversas vezes e solicitou prorrogações conforme fls 1147/1152. Conforme a fiscalização constatouse que a empresa LIVE ONE IMPORTAÇÃO LTDA., atuava como importador interposto da NORION INDUSTRIA DE PRODUTOS E TECNOLOGIA LTDA, real adquirente das mercadorias importadas. A fiscalização baseouse na auditoria realizada nas operações comerciais e financeiras das duas empresas. Aplicouse a pena do perdimento das mercadorias importadas nos termos do artigo 23, V, §1 do Regulamento Aduaneiro de 2002, em conformidade ao consumo de bens importados o perdimento foi convertido em multa que se equivale ao valor aduaneiro das mercadorias, nos termos dos § 3º artigo 23(§1º, artigo 618 do RA 2002). A segunda empresa (Norion Industria de Produtos e Tecnologia Ltda) foi autuada solidariamente pelos créditos lançados em fls 1136. Formalizada a representação para fins penais através do processo 10983.720729/201366, seguido dos respectivos elementos de prova conforme decreto 2730 de 10 de agosto de 1998 e artigo 1, § único da Portaria da Secretaria da Receita Federal nº 2439 de 21 de Dezembro de 2010. A contribuinte LIVE ONE IMPORTAÇÃO LTDA. tomou ciência do AUTO DE INFRAÇÃO, fls 1408 e apresentou IMPUGNAÇÃO, fls 1426/1447, em que alegou: Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.720728/201311 Acórdão n.º 3403003.171 S3C4T3 Fl. 18 3 · A inviolabilidade do sigilo bancário e outros previsto no artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal, configurando direito fundamental, não podendo o direito, a intimidade e privacidade ser violado como alega; · As operações da contribuinte, não são fraudulentas, conforme § 2º , inciso V, artigo 23 do Decreto Lei 1455/76, com a ausência de comprovação de origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação ou seja, a aplicação da pena foi sobre fato atípico em descompasso com a legalidade; · A tipificação da infração e a atribuição da penalidade deverá ser interpretada de forma mais benigna quanto a capitulação legal do fato, isso significa que o fato deverá se apresentar claramente tipificado como infração para assim gerar efeitos; · Ainda que os recursos sejam de terceiros, Lei 10637/02, admitese operações de importações dessa forma; ao revés do entendimento da autoridade não atribui a essas transações a condição de irregularidade de modo caracteriza interposição fraudulenta, para tanto se presume que a operação é por conta e ordem de terceiros; · As alegações de ilegalidade atribuídas as operações comerciais não possui base ou fundamento legal; · A autoridade não comprovou que a empresa deixou de comprovar recursos ou a disponibilidade e transferência dos recursos assim como não se provou a ilicitude; alega a fiscalizada que autoridade fiscal só descreveu os indícios que não permitem de forma concreta, a existência ou não de interposição fraudulenta; · Não admite pena de multa vez que inexiste conduta ilícita. Fato este baseado na fiscalização pautarse em indícios, criado pelo órgão fiscalizador sem prova concreta; para tanto não há conduta punível; · O princípio da boa fé não se apresenta em normas penais que autorizam imposição de pena Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 baseada na responsabilidade objetiva e sem que seja aparente um dano ilicito; · Quando recolhido os impostos do processo de importação, declarada a operação, autorizada pelo órgão competente, não se pode falar de dano ao erário público e ainda mais de ato ilícito passível de punição; A empresa solidária NORION INDÚSTRIA DE PRODUTOS E TECNOLOGIA LTDA, ciente do Auto de Infração em 22 de Julho de 2013, fls 1424, apresenta IMPUGNAÇÃO, fls 1453/1462, alegando o se segue: · A empresa atua na área de fabricação de produtos, montagem e venda de peças eletrônicas e de informática para o comércio nacional, mercado privado e órgãos da administração públicas; · O exercício ao direito do contraditório e ampla defesa neste processo administrativo tributário, o litigante deve ter bem evidenciado as informações CLARAS, OBJETIVAS E CORRETAS a respeito de todas as imputações de fato e de direito que lhe estão sendo imputados, assim diminuiria ou anularia a possibilidade do contribuinte manifestarse sobre os fatos, documentos e conclusões apurada pela autoridade fiscal; · A legislação infraconstitucional incidente a espécie, artigo 2º da Lei 9.784/99, assegura ao contribuinte exercer o seu direito de defesa ás acusações de eventual conduta transgressora da autoridade fiscal; · A Norion Industrias de Produtos e Tecnologia Ltda, não teve oportunidade de exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório; · Houve uma única intimação (nº 001/2012 – fls 24), por parte da autoridade fiscal com referência aos pagamentos realizados em favor de LIVE ONE, autuada, para assim saldar, as notas fiscais descritas na tabela 2, o que foi atendida de imediato. E nada mais foi requisitado. · Para que o procedimento fiscal não seja estéril a NORION, a autoridade fiscal deveria ter diligenciado os documentos para prova de Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.720728/201311 Acórdão n.º 3403003.171 S3C4T3 Fl. 19 5 regularidade de suas operações; inclusive o recolhimento de IPI e demais tributos que incidem nas operações de revenda das mercadorias; com relação a este tributo, está a contribuinte sendo injustamente sendo acusada do cometimento de um crime de sonegação sem investigação, no item 5.2.5 do relatório do auto de infração seria afastado do procedimento administrativo; · Desta forma vislumbrase que este Auto de Infração é NULO por violar o inciso LV, do artigo 5º da constituição Federal, como também incide no artigo 119, inciso I, alínea a, do Decreto Lei nº 37/66; · Segundo o relatório que o autor da infração apresenta, a empresa NORION, teria utilizado procedimento fraudulento, a LIVE ONE como empresa interposta; · Não se pode concordar com o Sr. Auditor Fiscal pois se base em mera presunção irregularidade identificada somente na empresa LIVE ON e não condiz com a realidade da NORION; · A autoridade fiscal partiu de uma premissa flagrantemente equivocada que a NORION realizava procedimentos fraudulentos para esquivarse do IPI (fls 32), por esta não ser estabelecimento industrial e por cumprir na integra com suas obrigações principais e acessórias com relação a impostos; · Juntou nota fiscal de venda da NORION para a empresa Franco Comercio e Representações Ltda em 07 de fevereiro de 2011, em que se destaca o IPI; · A NORION desconhece da onde (China, EUA, Índia, São Paulo, etc...) e de quem ( distribuidor ou representante) a LIVE ONE adquiriu tais mercadorias, tais peças são para composição de de equipamentos de informáticas (CPUs, servidores, etc...) · A operação se dava de maneira objetiva, o representante da LIVE ONE, procurava a NORION, apresentava rol de mercadorias a venda ou a NORION contatava o representante Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 para a verificação se possui as mercadorias necessárias para aquisição. Acertado o preço(sempre dentro do valor de mercado), forma de pagamento com ou sem adiantamento e tempo de entrega, efetivasse a compra sempre com emissão de documento fiscal; · É comum empresas que negociam produtos na área de informática negociarem sem que o produto esteja em estoque justamente por esse tipo de produto ter depreciação muito rápida; trinta dias pode ser muito tempo para um lote de motherboard (placas mãe), caso se lance outra com mais tecnologia; · Seria ingenuidade acreditar que revendedor de peças para computadores esperaria que estas chegassem para, só então, sair para vende las, o mercado é muito mais dinâmico que esse procedimento; · A NORION não pode ser incluída na suposta fraude por conta das inúmeras irregularidades fiscais e contábeis que apresenta LIVE ONE, pois aquela não tem ingerência alguma sobre essa, não podendo ser responsabilizada, que te forma transversa por conduta que não realizou e tampouco colaborou; A DRJ assim decidiu: Do PEDIDO DE DILIGENCIA, não se faz necessário, conforme alegado pela impugnante NORION, a investigação extra acerca de ser a mesma a real importadora das mercadorias; afastase a junção de provas em direito admitidas e de juntada de novos documentos em decorrência ao artigo 16 e seu § 4 do Processo Administrativo Fiscal (Decreto Lei 70.235/1972) onde determina que a produção de prova deverá ser realizada na impugnação; neste artigo citado apresentase exceção à regra geral não há nos autos qualquer circunstância que permita a apresentação de elementos probatórios após a impugnação. Assim, a DRJ afastou o pedido de diligência. Da SUJEIÇÃO PASSIVA. Alegou a NORION que não pode ser responsabilizada por conduta que não realizou ou tampouco colaborou. De qualquer forma, decidiu a DRJ, que o artigo 121 do CTN implica conclusão de que o infrator é também contribuinte, se possui relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Ademais, sendo diversos os coautores da infração sujeita a pena de perdimento são todos responsáveis solidários por possuírem interesse jurídico comum no ilícito que dá azo á penalidade pecuniária, nos termos do inciso I, do artigo 124 do CTN. Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.720728/201311 Acórdão n.º 3403003.171 S3C4T3 Fl. 20 7 Ademais, citou a DRJ o artigo 94 do DecretoLei nº 37/1966, que define especificamente as responsabilidade pelas infrações aduaneiras, sendo que segundo tais regras é imputável a infração em tela a importador e adquirente da mercadoria importada, pois ambos atuam conjuntamente. Da BoaFé Alegada. Alegou a LIVE que o princípio da Boa Fé não convive com normas penais que autorizam a imposição de penalidades baseadas na responsabilidade objetiva e sem que seja demonstrada a ocorrência de um ilícito. Nesse sentido, a DRJ cita o artigo 136 do CTN, afirmando que a responsabilidade por infração é objetiva, sendo que a boafé alegada não tem o condão de afastar a responsabilidade por infrações da legislação tributária. Da Ilegalidade da Quebra do Sigilo Bancário. Segundo a DRJ, a Receita Federal, através de seus agentes fiscais, pode solicitar diretamente as instituições financeiras extratos bancários do sujeito passivo sem que se caracterize quebra de sigilo bancário. Este fornecimento é legal, e baseia se nos termos do inciso II do artigo 197 do Código Nacional Tributário; destacase também a Lei 9.311 de 1996, alterada pela Lei 10.174/2001, e a Lei Complementar nº 105/2001. A prestação, por parte das instituições financeiras, em fornecimento de documentos solicitados pela autoridade tributária NÃO É CONSIDERADA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO, é apenas e tão somente transferência de sua responsabilidade a autoridade administrativa solicitante e aos agentes fiscais e aos agentes fiscais que a eles tenham acesso no estrito exercício de suas funções, não podendo violálo salvo as ressalvas do § único do artigo 198 e do artigo 199 do CNT sob pena que incorrerem em infração administrativa e em crime (artigo 198do CNT; artigo 325 do Código Penal – CP). Ainda, de acordo com a DRJ, o objeto da lide é a interposição fraudulenta nas importações da impugnante, prevista no artigo 23, V, §1º do Decretolei nº 1.455/76. Nesse sentido, afirma que a interposição fraudulenta na importação é atividade combatida nas relações de comércio exterior brasileiro, que só tomou contorno jurídico com algumas normas legais e infralegais como a Medida Provisória nº 66 de 29 de Agosto de 2002, nos seus artigos 59, 60 e 66 tal medida deu conformação jurídica autônoma à figura da interposição fraudulenta. O artigo 59 inclui a hipótese de dano ao erário púbico; o artigo 60 alterou o artigo 81 da Lei 9.430/96, permitindo a SRF a declaração de inaptidão da empresa que apresentasse incompatibilidade entre volume transacionado no comércio exterior e sua capacidade econômica financeira. Por sua vez o artigo 66 da MP de 2002, deu a SRF a competência de editar normas complementares permitindo a implementação dos controles referentes a interposição fraudulenta. A Medida Provisória 215835, de 24 de agosto de 2001, em seu artigo 80, traz previsão legal para autuação de pessoa jurídica na condição de importadores por “conta e ordem de terceiros”, vale a pena lembrar que essa medida é anterior a Medida Provisória 66/2002 ou seja já dispunha de dispositivo legal, revisto em lei, para regular atuação dos importadores por conta e ordem; Nessa linha, de acordo com a DRJ, são elementos essenciais para caracterizar a interposição: (i) a presença de um adquirente oculto que negocia com o exportador, qualifica o produto, a quantidade, preço e a arca com o ônus financeiro da operação; e (ii) a presença do Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 8 importador interposto que realiza os tramites do despacho de importação como se estivesse importando por conta própria. Verificando os autos encontramos indícios e provas que apontam a ocorrência de interposição fraudulenta. Da alegada inexistência de interposição fraudulenta de terceiros. A DRJ afirma que tentando não caracterizar a ocorrência da infração, a defesa alegou que as conclusões da autoridade lançadora e o lançamento estavam galgados em frágeis indícios e desprovidos de qualquer comprovação material. E, nesse aspecto, a DRJ menciona que a discussão está focada na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações, e caso não ocorra, resultaria na interposição fraudulenta de terceiros; A autoridade fiscal carreou aos autos elementos (Declaração de Importação, contrato social e suas Alterações, fornecidos pelo sistema RADAR, requisições/informações movimentação financeira – RMF) certificando que a autuada não comprovou origem de seus recursos utilizados nas operações de comercio exterior, ficando assim, sem fundamento, a alegação que o lançamento estaria desprovido de qualquer comprovação material. A DRJ destaca que a Recorrente não respondeu à intimação 9/2013, que trata do questionamento da origem dos depósitos bancários realizados em conta por terceiros ocultos, suspeitos de serem adiantamentos de importações, promovidos por ela como se fosse por conta própria. Entre elas estão as listadas na tabela 1, fls 1137 do Auto de Infração. A Recorrente, observa a DRJ, não esclarece a origem dos recursos empregados nas operações de comercio exterior com isso acabou por dificultar a fiscalização, conforme destacou o fiscal autuante. Ainda que tais elementos apresentem caráter de prova indireta seria necessário que a Recorrente fizesse prova da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados através das razões e provas que possuir. A obrigação de provar é atribuída a quem dela se aproveita; tal mecanismo fora trazido do Código de Processo Civil, artigo 333, e adaptado para o processo administrativo fiscal. A obrigação de provar está atribuída ao autor do procedimento, autoridade fiscal (artigo 9 do PAF), quanto ao contribuinte que contesta o lançamento (artigo 16, III do PAF); Prossegue no seu raciocínio afirmando que a autoridade fiscal não presumiu que tais fatos (origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados) não estavam comprovados, Em verdade, concluir a DRJ, a presunção legal, diante da não comprovação, se deu em relação à caracterização da interposição fraudulenta de terceiros, cabendo destacar que a autoridade lançadora trouxe aos autos elementos que evidenciam a falta de respaldo financeiro para a efetivação das importações, visto que o perfil da empresa mostrouse incompatível com o montante de recursos empregados na importação dos bens, o que implicou necessidade de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Assim, seria plenamente cabível a presunção legal de intervenção fraudulenta de terceiros, que configura dano ao erário e consequente aplicação da pena de perdimento convertida em multa. Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.720728/201311 Acórdão n.º 3403003.171 S3C4T3 Fl. 21 9 Ainda, de acordo com a decisão, a alegação da Recorrente de que seria necessária a comprovação de fraude encontrase presente, uma vez que, em sua visão, a LIVE simulou uma importação direta quando de fato importava para um adquirente oculto/pré determinado. A LIVE ONE apresentou Recurso Voluntário, no qual repete as alegações constantes em sua Impugnação, em que se insurge contra a quebra de sigilo bancário, e defende a inexistência de interposição fraudulenta de terceiros, alegando a presunção da boafé, a atipicidade do ato punível, que os indícios seriam frágeis e também da ausência de dano ao erário e a desproporcionalidade da multa aplicada. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, O processo tem como cerne a ocorrência ou não de interposição fraudulenta por parte da LIVE ONE. Nas razões de seu Recurso Voluntário e na Impugnação da LIVE ONE E NORION, de início, alegam que houve ilegalidade na quebra de seu sigilo bancário. Nesse sentido, as Recorrentes citam um importante precedente do Pleno do Supremo Tribunal Federal, mais especificamente o Recurso Extraordinário nº 389.808PR, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, que foi julgado em 15 de dezembro de 2010 (RTJ 220/540). Importante observar que nesse processo o Supremo Tribunal Federal afastou a aplicação do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. Tal julgado teria como resultado, em meu pensar, a nulidade do auto de infração, pois totalmente apoiado na quebra do sigilo bancário da Recorrente. Contudo, não posso deixar de ressaltar que a decisão havida no Recurso Extraordinário nº 389.808PR ainda não transitou em julgado, eis que a Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com Embargos de Declaração que, infelizmente, ainda não foram julgados, apesar do transcurso de tanto tempo. Por outro lado, pertine mencionar que a questão foi adotada pelo STF como de repercussão geral, por meio do Recurso Extraordinário nº 601.314, o que, no Regimento Interno do CARF, resultaria na suspensão do julgado. Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 10 Porém, tendo em vista a recente revogação dos parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Regimento Interno, o julgamento deve prosseguir, motivo pelo qual não tenho outra alternativa senão afastar a alegação das Recorrentes. Isso porque, como observado anteriormente, a importante decisão plenário do STF não se tornou ainda definitiva, o que me impede de aplicar tal jurisprudência, tornando aplicável o disposto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e o constante na legislação infralegal. Assim, considerando a legislação vigente, e até que se torne definitivo o julgamento pelo plenário do STF ou que o STF venha a decidir a questão colocada em repercussão geral, o procedimento adotado pela Fiscalização presumese válido. Relativamente à boafé presumida, alegada pelas Recorrentes, cabe mencionar que a Fiscalização colheu inúmeras evidências de que a importadora não teria condições financeiras de realizar as suas importações, tendo utilizado recursos de terceiros para tanto, os quais foram depositados no mesmo dia do cumprimento de suas obrigações ou em datas muito próximas. Tendose iniciado o procedimento de fiscalização, diante de tais evidências a Fiscalização intimou a Recorrente LIVE ONE para apresentar justificativas de suas operações, informando a origem dos depósitos em suas contas bancárias, depósitos estes suspeitos de terem sido depositados por terceiros ocultos. Porém, a Recorrente LIVE ONE silenciou a respeito, o que afasta a sua alegada boafé, pois estivesse mesmo agindo com boafé teria apresentado todas as informações quanto aos depositários e, sobretudo, origem de seus recursos. Ou seja, o levantamento da Fiscalização inverteu o ônus da prova, sendo que a ausência de resposta da Recorrente LIVE ONE acabou por, diante dos elementos coligidos, à lavratura do Auto de Infração. E diante da inversão do ônus da prova caberia à Recorrente LIVE ONE, em sua Impugnação, acostar aos autos elementos bastantes para contrariar as conclusões tiradas pela Fiscalização, mas ela não acostou nenhuma prova acerca da verdadeira origem dos recursos por ela empregados na importação. Nesse aspecto, passo a analisar a atipicidade do fato punível e a alegação da fragilidade dos indícios. Ora, me parece que a conduta da Recorrente LIVE ONE se insere na descrição legal, eis que apesar de figurar como importadora, ela não possuía recursos financeiras para fazer frente às suas obrigações, se utilizando de recursos de terceiros, os reais compradores, para tanto. E a Recorrente LIVE ONE foi intimada para se manifestar sobre a comprovação da origem, disponibilidade e transferência de seus recursos, tendo quedado silente, não trazendo em sua impugnação nenhum elemento para refutar o quanto consignado no Auto de Infração. Em outras palavras, a conduta praticada pela Recorrente LIVE ONE se subsume ao tipo constante no parágrafo 2º, do inciso V, do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, abaixo reproduzido: Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.720728/201311 Acórdão n.º 3403003.171 S3C4T3 Fl. 22 11 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Sob outro prisma, não posso deixar de transcrever trecho da decisão da DRJ, que faz referência às fls. 1154 dos autos, e faz referência a tabelas em que constam os valores cujas origens não foram comprovadas e demonstram a ocorrência de depósitos de terceiros na contacorrente da Recorrente, nos seguintes termos: As fls. 1154 descreve a fiscalização: “Em esquemas de ocultação dos reais adquirentes de mercadorias importadas é comum vermos aportes de recursos de terceiros, em conta da importadora interposta nas datas imediatamente anterior ou na própria data de fechamento dos contratos de câmbio, sendo os recursos próprios da importadora insuficientes para honrar seus compromissos de importação. De efeito, este foi exatamente o método adotado pela fiscalizada para promover as importações constantes da Tabela 1. Nas datas em que seus contratos de câmbio venceriam ou no dia imediatamente anterior a fiscalizada recebia de seu adquirente valores que cobririam de forma bastante próxima o contrato de câmbio. Sem estes valores não haveria saldo suficiente próprio da fiscalizada que honrasse seu compromisso com a instituição financeira. Importante notar que os valores recebidos do adquirente têm valor muito próximo ao do contrato de câmbio, representando uma pequena margem de lucro para a importadora. Esta é mais uma evidência que as vendas no mercador interno trataramse na verdade de “serviços de importação” prestados pela fiscalizada e não de reais vendas, que trabalham normalmente com margens muito maiores devido ao risco comercial. A Tabela 5 abaixo demonstra as operações de contratos de câmbio em função das Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 12 importações da Tabela 1, conforme informado pela própria fiscalizada ao responder a intimação inicial. Com base na Tabela 8 apresentada no Anexo I deste relatório, podese compreender como o fiscalizado cobrava de seu cliente, o real adquirente das mercadorias, os valores gastos com o fechamento de câmbio antes mesmo da mercadoria ser embarcada no exterior e portanto, muito antes do desembaraço das mesmas. Tal fato vem a demonstrar claramente a antecipação de recursos por parte deste cliente e comprovar que a mercadoria já havia sido negociada antes mesmo do embarque destas.” Tal levantamento da Fiscalização, longe de consistir em fragilidade de indício, indica claramente e de forma documentada que os recursos da Recorrente decorriam de terceiros, bem como que a Recorrente não teria disponibilidade financeira para realizar a importação. E mais, o levantamento comprova numericamente a identidade ou, quando muito, a proximidade dos valores, de maneira que, diversamente do alegado pela Recorrente, não se trata de frágeis indícios, mas sim de provas relevantes acerca da situação contábil e financeira da Recorrente. Face a todas essas evidências a Fiscalização presumiu, conforme a legislação lhe autoriza, que teria havido a prática de interposição fraudulenta de terceiros, lavrando o auto de infração. A Fiscalização não chegou a essa conclusão destituída de fundamento fático ou jurídico. Pelo contrário, coligiu documentos da própria Recorrente, principalmente documentos de sua movimentação financeira, e os comparou com os documentos de importação para, após questionar a Recorrente sobre a origem dos recursos, concluir que não havia comprovação da origem desses mesmos recursos, nem prova de disponibilidade ou de transferência. E somente após a tomada dessa conclusão, calcada nas tabelas acima mencionadas e em outros documentos, que a Fiscalização enquadrou a conduta na hipótese legal da interposição fraudulenta de terceiros. A respeito da ausência de dano ao erário, devidamente alegada pela Recorrente, tenho para mim que tal responsabilidade não se assenta no artigo 136 do Código Tributário Nacional, quando estabelece que a responsabilidade por infrações teria caráter objetivo, não estando atrelada à vontade do agente. De fato, analisando a operação em si não vejo, de antemão, dano ao erário, uma vez que todos os tributos teriam sido recolhidos. Porém, o próprio tipo legal faz a ressalva sobre o dano ao erário, pressuposto pela legislação que trata da interposição fraudulenta de terceiros. E tal se deve, em minha opinião, porque a regra objetiva evitar a utilização de recursos não contabilizados, recursos ilícitos no pagamento de importações, decorrendo o dano da utilização de tais recursos no pagamento das importações. Justamente por isso, penso, que o dispositivo do Decretolei nº 1.455/1976 dá relevância à comprovação da origem dos recursos e a prova de que a importadora tenha disponibilidade recursos para tanto. Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.720728/201311 Acórdão n.º 3403003.171 S3C4T3 Fl. 23 13 Por essa razão que a interposição fraudulenta de terceiros é relacionada como infração que resulta objetivamente dano ao erário e tem como penalidade a pena de perdimento dos bens, penalidade esta, sim, inegavelmente pesada, consequência própria de uma “fraude”, aplicável ao caso concreto. Ante o exposto, nego provimento aos Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720182/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84
O pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
DCOMP. UTILIZAÇÃO INDEVIDA. SUPERAÇÃO.
Apurando a contribuinte o recolhimento maior que o devido a título de estimativas mensais de IRPJ/CSLL, a ela é autorizada a dedução do montante apurado nos meses seguintes, não sendo para tanto necessária a utilização da sistemática das PER/DCOMPs. Sendo ela (a DCOMP) utilizada de forma equivocada, não pode tal fato ser oposto para o impedimento do exercício do direito, devendo assim ser objetivamente adequado e corrigido pelos agentes da fiscalização.
Numero da decisão: 1301-001.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente Dra. Fernanda Loures de Oliveira, OAB/MG nº 138.921.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 O pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. DCOMP. UTILIZAÇÃO INDEVIDA. SUPERAÇÃO. Apurando a contribuinte o recolhimento maior que o devido a título de estimativas mensais de IRPJ/CSLL, a ela é autorizada a dedução do montante apurado nos meses seguintes, não sendo para tanto necessária a utilização da sistemática das PER/DCOMPs. Sendo ela (a DCOMP) utilizada de forma equivocada, não pode tal fato ser oposto para o impedimento do exercício do direito, devendo assim ser objetivamente adequado e corrigido pelos agentes da fiscalização.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10768.720182/2007-03
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5391325
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1301-001.482
nome_arquivo_s : Decisao_10768720182200703.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
nome_arquivo_pdf_s : 10768720182200703_5391325.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente Dra. Fernanda Loures de Oliveira, OAB/MG nº 138.921. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
id : 5673295
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047250490359808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1958; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.720182/200703 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.482 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de abril de 2014 Matéria Compensação Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 O pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. DCOMP. UTILIZAÇÃO INDEVIDA. SUPERAÇÃO. Apurando a contribuinte o recolhimento maior que o devido a título de estimativas mensais de IRPJ/CSLL, a ela é autorizada a dedução do montante apurado nos meses seguintes, não sendo para tanto necessária a utilização da sistemática das PER/DCOMP’s. Sendo ela (a DCOMP) utilizada de forma equivocada, não pode tal fato ser oposto para o impedimento do exercício do direito, devendo assim ser objetivamente adequado e corrigido pelos agentes da fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente Dra. Fernanda Loures de Oliveira, OAB/MG nº 138.921. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 01 82 /2 00 7- 03 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10768.720182/200703 Acórdão n.º 1301001.482 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Pela simplicidade, adoto o relatório apresentado pela r. decisão de primeira instância, no que destaco: 1. No dia 21.01.2005, a interessada transmitiu para a Secretaria da Receita Federal (SRF), por meio eletrônico, o "Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação" — PER/DCOMP (fls. 3/9) no qual informou que havia compensado débitos de estimativa de IRPJ e CSLL de 2003 com crédito decorrente de pagamento indevido do imposto de renda estimado de março daquele ano. 2. A DIORT/DERAT/RJ elaborou o Parecer Conclusivo n° 500/08 (fls. 36/38), no qual disse, em síntese: 2.1. que a compensação de valores pagos de forma indevida ou maior que a devida está prevista no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996; 2.2. que, contudo, tanto o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004, quanto o art. 10 da que a revogou, a INSRF n° 600, de 2005, dispunham que a pessoa jurídica tributada com base no lucro real anual que efetuasse pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de contribuição a titulo de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor pago na dedução do imposto ou da contribuição devida ao final do respectivo período de apuração; e 2.3. que, assim, em face do flagrante descumprimento da legislação citada, não deveria ser homologada a compensação efetuada. 3. A titular da DERAT/RJ, fundamentada no referido parecer, decidiu então não homologar a compensação (fls. 39). 4. Cientificada do despacho decisório em 17.12.2008 (fls. 46), a interessada manifestou sua inconformidade com ele no dia dezesseis do mês seguinte (fls. 49/87). Alegou, em síntese: 4.1. que o único fundamento da nãohomologação da compensação é a vedação do art. 10 da INSRF n°460, de 2004, vigente à época da apresentação do PERDCOMP e mantida pela INSRF n° 600, de 2005, de se utilizar direito creditório decorrente de imposto estimado antes do encerramento do ano calendário; 4.2. que as referidas instruções regulam a compensação tributária tratada nas Leis n° 8.383, de 1991, n°9.250, de 1995 e n°9.430, de 1996; 4.3. que não vislumbra nessas leis limitação ao direito de compensação, como a que consta nas citadas instruções normativas; 4.4. que, desse modo, o art. 10 da INSRF n° 460, de 2004, é ilegal e viola o principio da hierarquia das normas, uma vez que a lei, fonte primária da ordem jurídica, teve seu âmbito normativo mitigado em função das disposições inovadoras da instrução Fl. 176DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 normativa em questão, ato de inquestionável hierarquia inferior, e é inconstitucional, haja vista que o contribuinte tem o dever de pagar somente aquilo que seja devido nos termos da Constituição Federal; 4.5. que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o AGRADI 365/DF, manifestouse no sentido de que as instruções normativas, quando positivam em seus textos, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, exegeses que possam romper a hierarquia normativa que devem manter com as leis, tratados, convenções ou decretos presidenciais dos quais devem constituir normas complementares, viciarseão de ilegalidade; e 4.6. que, em vista de terem sido as compensações efetuadas a partir do exercício de 2007, a lei que as rege é a n° 9.430, de 1996, em especial o seu art. 74, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004, o qual não impõe limitação alguma ao exercício do direito à compensação. Apreciando as razões da contribuinte, entendeu a douta 6a Turma da DRJ/RJ1 pela IMPROCEDÊNCIA da Manifestação de Inconformidade, em aresto assim então ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2003 PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do tributo devido ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. Compensação não Homologada Regularmente intimada, a contribuinte apresenta então o seu Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese: Que o entendimento majoritário exarado pela douta turma julgadora de primeira instância a respeito da impossibilidade de aplicação retroativa das disposições dos artigos 2o, 4o e 11 da IN SRF no 900/2008 não pode prosperar; Que o entendimento apontado contraria o disposto no art. 105 do CTN; Que tendo a PERDCOMP sido transmitida no ano de 2005, estaria ela pendente de apreciação dos agentes da receita federal, o que só se verificou após a inclusão daquele diploma em nosso ordenamento jurídico pátrio; Que, ademais, o crédito reclamado é perfeitamente existente, não havendo, a esse respeito, qualquer discussão especifica nos presentes autos; Inexiste limitação legal à utilização dos valores recolhidos a título de estimativas. Que as disposições do art. 10 da IN/SRF 460/05 eram ilegais, não podendo ser aplicada após a sua regular modificação pela regulamentação superveniente; Que o STF já se posicionou a respeito dos limites dos atos regulamentares (Instruções Normativas); Fl. 177DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10768.720182/200703 Acórdão n.º 1301001.482 S1C3T1 Fl. 4 5 A par dessas considerações, verificase também a apresentação de Contra razões pelos representantes da PGFN, onde destacam: Que a negativa da homologação pretendida fora embasada na inexistência do pretendido direito creditório. Que, para bem compreender as circunstâncias apresentadas, essas são as informações a serem consideradas a respeito da DCOMP transmitida: • Data da transmissão: 21/1/2005 • Crédito: Estimativa de IRPJ (periodo de apuração março/2003) • Débitos: Estimativas de IRPJ (períodos de apuração abril, maio e julho/2003) e estimativa de CSLL (julho/2003) Que a não homologação apresentada foi baseada na sistemática própria do regime de estimativas aplicado, tendo em vista que, após o encerramento do anocalendário, não se há mais falar em estimativas, mas exclusivamente em saldo de tributo a pagar ou a restituir. Que a discussão a respeito da validade das disposições do Art. 10 da INSRF no 460/2004 é completamente irrelevante para o caso tratado. Que encerrado o períodobase, não há que se falar em estimativa a pagar ou a restituir, mas apenas no saldo negativo ou positivo do IRPJ, como se infere a partir do art. 2°, § 4°, IV, c/c o art. 6°, § 1o , da Lei n° 9.430/96. Que as disposições do art. 11 da INSRF 900/2008 é também, inaplicável ao caso presente. Esse é o relatório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. A questão discutida nos autos, pelo que se verifica, referese à discussão a respeito da possibilidade (ou não) de utilização, pela contribuinte, de suposto “crédito tributário” decorrente do recolhimento a maior de estimativas, em DCOMP, após o encerramento do anocalendário. Em que pese as relevantes considerações apresentadas pela Votovencido na decisão de primeira instância, e, também, nos termos do Recurso Voluntário interposto, ressalta como relevantíssima para a adequada compreensão da matéria aqui debatida, a consideração inicial apresentada nas Contrarazões da PGFN, que, tratando das específicas características da DCOMP apresentada, assim então especificamente destaca: • Data da transmissão: 21/1/2005 • Crédito: Estimativa de IRPJ (período de apuração março/2003) • Débitos: Estimativas de IRPJ (períodos de apuração abril, maio e julho/2003) e estimativa de CSLL (julho/2003) A questão que aqui se mostra relevante, de fato, é a verificação de que, a rigor, os valores recolhidos a título de estimativas mensais (na sistemática do lucro real anual) representam, na verdade, antecipações dos montantes devidos ao final do ano calendário, devendose então verificar, no fim do ano respectivo, a existência de débito ou crédito de imposto/contribuição a ser recolhido/restituído. A respeito da matéria, inúmeros já foram os pronunciamentos de que, após o encerramento do anocalendário, não se há falar, objetivamente, em estimativas recolhidas/pendentes, mas apenas, sendo o caso, a apuração do valor do montante anual devido, sendo certo que, após esse evento, a eventual existência de montantes inadimplidos não mais se mostram passíveis sequer de lançamento pelas autoridades fiscais. A questão a ser então apreciada nos presentes autos referese ao fato de que, com acerto, indica a douta PGFN que a rejeição de homologação da compensação pretendida fundouse no fato de que, após o encerramento do anocalendário, não se há falar em “direito creditório” a ser utilizado em compensação, mas sim, em apuração a ser efetivada em relação ao montante devido em todo o exercício, sendo essa a razão da negativa de homologação apresentada. Ocorre que, pelas mesmas e idênticas razões aduzidas pelos representantes da Fazenda Nacional, verificase que o débito considerado na referida compensação referirseia, também, a parcelas de estimativa do mesmo tributo (IRPJ), referentes, inclusive, aos meses imediatamente posteriores àquele do indicado mês de crédito da contribuinte, o que, também por isso, importa na necessária verificação que, da mesma forma como inexistiam créditos, Fl. 179DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10768.720182/200703 Acórdão n.º 1301001.482 S1C3T1 Fl. 5 7 inexistem também os apontados débitos, devendo ambos, então, ser considerados na apuração do montante anual, o que aqui, por oportuno, não se verifica em discussão. O reconhecimento do direito creditório, nessas circunstâncias, é tema pacífico na jurisprudência desse conselho, destacandose, a esse respeito o seguinte aresto: Número do Processo 10980.914087/200916 Contribuinte DACAR QUIMICA DO BRASIL S/A Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão Relator(a) NELSO KICHEL Nº Acórdão 1802001.784 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ementa Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2005 ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do anocalendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84). Na composição das Sumulas deste CARF, verificamse já diversos enunciados construídos sobre essa matéria, destacandose os seguintes: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 8 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. A partir dessas considerações, o que no caso se apresenta, é a simples utilização equivocada da sistemática da DCOMP para a efetivação de suposta “compensação” entre créditos e débitos de estimativas de IRPJ dentro do mesmo anocalendário (2003), após o seu encerramento, sendo irrelevante, no presente caso, a discussão a respeito da (i)legalidade das disposições das instruções normativas de regência. Para a solução da querela, relevante observar que, de fato, existindo recolhimento a maior naquele mês de referência, persiste, sim, o direito à restituição/compensação pela contribuinte, o que, entretanto, deve ser considerado ante as demais circunstâncias próprias do caso, especificamente referentes às apurações a serem realizadas pelos competentes agentes da fiscalização, no tratamento do pedido de compensação/restituição e a apuração do resultado do exercício. Em face dessas considerações, na linha do entendimento sedimentado da jurisprudência desse conselho, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário da contribuinte, determinando a devolução dos autos à douta DRF de origem para que verifique, no anocalendário em referência, a existência ou não de crédito da contribuinte após a apuração do resultado do exercício, garantindolhe, assim, a restituição ou, ainda, a utilização em ulterior compensação com débitos vincendos. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 181DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10925.722518/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros:Joel Miyazaki (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño. O Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto declarou-se impedido.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10925.722518/2011-91
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5387657
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3201-000.483
nome_arquivo_s : Decisao_10925722518201191.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10925722518201191_5387657.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros:Joel Miyazaki (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño. O Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto declarou-se impedido.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5657431
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047250493505536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1772; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 93 1 92 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.722518/201191 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.483 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de julho de 2014 Assunto RESSARCIMENTO PIS E COFINS Recorrente SADIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros:Joel Miyazaki (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño. O Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto declarouse impedido. Referese o presente processo a pedido de ressarcimento de PIS e Cofins e consectários legais, relativo à aquisição de insumos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase o presente processo de manifestação de inconformidade frente a despacho decisório de indeferiu pedido de ressarcimento de créditos apresentado pela contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .7 22 51 8/ 20 11 -9 1 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10925.722518/201191 Resolução nº 3201000.483 S3C2T1 Fl. 94 2 O pedido de ressarcimento referese a créditos no regime da não cumulatividade da Cofins referente ao primeiro trimestre de 2005, no valor de R$ 7.369.881,65. O indeferimento do pedido de ressarcimento foi motivado pela falta de comprovação da interessada de seu direito creditório. A autoridade fiscal esclarece ter intimado a contribuinte para comprovação da procedência de seu crédito, tendo a interessada solicitado por duas vezes a prorrogação de seu prazo para apresentação dos documentos. Conclui com a informação de que teriam se passado mais de 108 dias da data de ciência da Intimação Fiscal até a formalização do despacho decisório, não tendo sido apresentado nenhum dos documentos probatórios solicitados. A contribuinte, irresignada, apresentou manifestação de inconformidade ao despacho decisório com os argumentos abaixo expostos. Aduz a que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco de questionar as compensações realizadas, pois teria transcorrido o prazo de 5 anos previsto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Baseia seu argumento no fato da notificação da glosa ter sido realizada em 13/02/2012, e o crédito dizer respeito ao 2º trimestre de 2005. Entende que há cerceamento de defesa da impugnante, com conseqüente violação ao devido processo legal administrativo, tendo em vista a glosa decorrer de suposta ausência de comprovação de seus créditos. Argumenta que, diante das circunstâncias específicas do caso concreto, com a fiscalização exigindo documentos referentes a período significativamente antigo, a empresa sendo uma das maiores empresas de alimentos do mundo, e da impugnante ter sofrido em torno de 60 procedimentos de fiscalização por mês, deveria ter o Fisco aguardado mais um período antes de realizar a glosa. Defende ainda que, diante da não comprovação dos créditos, deveria a fiscalização proceder com o lançamento de ofício, e não com a glosa de seu pedido de ressarcimento. Entende ser fundamental a conversão do julgamento em diligência com o objetivo de se confirmar a falta de comprovação ou a legitimidade de seus créditos. Quanto aos juros, entende que estes são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado. Ressaltar a impossibilidade de incidir juros sobre a multa. Argumenta que o valor da multa imputado é de evidente irrazoabilidade e confisco. Requer o reconhecimento da nulidade ou da improcedência do ato decisório. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10925.722518/201191 Resolução nº 3201000.483 S3C2T1 Fl. 95 3 Requer ainda prova pericial destinada à avaliar, especialmente, se os bens, produtos/serviços e materiais adquiridos e glosados pela Fiscalização, diante da peculiaridade da atividade econômica despenhada pela impugnante se enquadram no conceito de insumo de PIS e Cofins, excluindose o critério exclusivo da legislação do IPI. Nomeia como assistente do perito Sérgio Luiz Lazzari, CPF: 423.505.30949. Requer, por fim, a juntada posterior de documentos, laudos, pareceres, perícias, caso seja necessário ao deslinde do presente caso, em cumprimento ao devido processo legal e verdade material. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte a comprovação minudente da existência do direito creditório. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Os atos anteriores a emissão do despacho decisório referemse à investigação fiscal que tem caráter inquisitório e se destina a verificação da situação fiscal da contribuinte, sendo que o contraditório e a ampla defesa referemse a momento posterior à emissão da decisão administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, entendeuse ausente a nulidade do ato administrativo, uma vez que fornecido à contribuinte todas as informações que embasaram a glosa de seus créditos, bem como lhe foi concedido o direito a se defender desta decisão. Sobre a decadência, entendeuse que em relação a pedidos de ressarcimento inexiste previsão específica, sendo incorreto o entendimento da contribuinte, além de que, as Declarações de Compensação, além de que, da sua apresentação até a ciência do despacho decisório à contribuinte, não teria decorrido o prazo estabelecido pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10925.722518/201191 Resolução nº 3201000.483 S3C2T1 Fl. 96 4 Quanto ao ônus probatório, afirma que incumbe ao contribuinte provar fatos impeditivos do nascimento da obrigação tributária ou de sua extinção, ou requisitos constitutivos de uma isenção ou outro benefício tributário. Ademais, não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes. Em sede de recurso voluntário, reiterouse os argumentos iniciais, sendo que o patrono da Recorrente, apresentou nesta data, protocolo de juntada de laudo técnico, no qual se descreveria e demonstraria, a aplicação dos itens em relação aos quais se pleiteia os créditos, protocolado aos presentes autos. É o relatório. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Conforme relatado, parte da controvérsia refere –se à comprovação do direito creditório da Recorrente, por se tratar de matéria profundamente imbricada com a questão probatória, e em sintonia como o posicionamento que vem adotando este E.Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no âmbito do qual se formou jurisprudência que diverge do posicionamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sobre o tema. Nesse contexto, a Recorrente apresenta laudo técnico, de instituição abalizada, que suportaria essas alegações. Ademais, do andamento processual, verificase que , em 31/08/2012, há termo de juntada física aos autos, de CDs que, em tese, conteriam as informações requeridas pela fiscalização, conforme se verifica do teor do documento: Informo que em data de 31/08/2012 foi incluído um ANEXO (Processo Papel) nº. 10925.722.208/201257 para guarda e arquivo de 06 CDR , contendo respostas da Intimação nº. 544 referente ao III trimestre 200 PIS/COFINS em nome da empresa SADIA S.A. Tais arquivos se referem aos processos 10925.722515/201157; 10925.722517/201146; 10925.722516/201100; 10925.722518/201191 E 10925.722519/201135. O posicionamento adotado por essa Relatora é no sentido de prestigiar a Verdade Material, como importante vetor do processo administrativo fiscal, e, por conseguinte, aceitar a juntada, ainda que extemporânea, de documentação que seja relevante para o deslinde da controvérsia. Não obstante, e, especialmente, por se tratar de fase adiantada do rito processual administrativo, essa exceção, deve, da mesma forma, resguardar os interesses fazendários, de sorte que deve ser aberta a oportunidade para que a Fazenda Nacional manifestese, em homenagem ao Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa. Em face do exposto, proponho a conversão do presente processo em diligência, a fim de que a autoridade preparadora disponibilize o conteúdo dos CDs anexados no e processo, para que seja possível analisar o seu conteúdo. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10925.722518/201191 Resolução nº 3201000.483 S3C2T1 Fl. 97 5 Após, seja dada ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional para que, querendo, manifestese, e após, retornem os autos a essa Turma de Julgamento, para o prosseguimento da apreciação do litígio. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 336DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10850.723381/2012-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
ITR. ÁREA COM PRODUTOS VEGETAIS. COMPROVAÇÃO.
Comprovada a existência de área com produtos vegetais, esta deve ser considerada para efeitos de determinação do grau de utilização do imóvel.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2101-002.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Afastada, por maioria de votos, a conversão do julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Maria Cleci Coti Martins, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Realizou sustentação oral a patrona da recorrente Dra. Lígia Regini da Silveira OAB/SP - 174.328.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2008 ITR. ÁREA COM PRODUTOS VEGETAIS. COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência de área com produtos vegetais, esta deve ser considerada para efeitos de determinação do grau de utilização do imóvel. Recurso voluntário provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10850.723381/2012-93
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5400155
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2101-002.621
nome_arquivo_s : Decisao_10850723381201293.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 10850723381201293_5400155.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Afastada, por maioria de votos, a conversão do julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Maria Cleci Coti Martins, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Realizou sustentação oral a patrona da recorrente Dra. Lígia Regini da Silveira OAB/SP - 174.328. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
id : 5731181
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047250495602688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1598; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 920 1 919 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.723381/201293 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.621 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de novembro de 2014 Matéria ITR Recorrente ZELUX AGRÍCOLA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 ITR. ÁREA COM PRODUTOS VEGETAIS. COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência de área com produtos vegetais, esta deve ser considerada para efeitos de determinação do grau de utilização do imóvel. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Afastada, por maioria de votos, a conversão do julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Maria Cleci Coti Martins, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Realizou sustentação oral a patrona da recorrente Dra. Lígia Regini da Silveira OAB/SP 174.328. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 33 81 /2 01 2- 93 Fl. 920DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 620/643) interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) (efls. 608/613), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de efls. 03/08, lavrada em 29 de outubro de 2012, em virtude da falta de comprovação da área de produtos vegetais, verificada no exercício de 2008. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2008 Diligência. Desnecessidade. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese o pedido. Áreas de Produtos Vegetais. O contrato de parceria agrícola por si só não é suficiente para comprovar a exploração do imóvel, sendo necessário também que as Notas Fiscais de produtor, de insumos, certificado de depósito, entre outros documentos, sejam emitidos no ano anterior ao da ocorrência do fato gerador em nome do parceiro outorgado e tenham vínculo com o imóvel em questão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (efl. 608) Não se conformando, o contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 620/643), pedindo a reforma do acórdão recorrido para cancelar o lançamento Em 14 de novembro de 2013 e 21 de agosto de 2014, o Recorrente juntou novos documentos (efls. 653/863 e 865/917), reiterando o pedido formulado no recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator Tratase de notificação de lançamento lavrada em 29/10/2012, por meio da qual o contribuinte foi intimado a recolher crédito tributário de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, exercício de 2008, relativo ao imóvel denominado Fazenda Cruz Alta, em virtude da glosa das áreas apontadas como Área de Produtos Vegetais (APV) e do arbitramento do VTN. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10850.723381/201293 Acórdão n.º 2101002.621 S2C1T1 Fl. 921 3 O contribuinte, devidamente intimado (efl. 19), apresentou cópia autenticada da matrícula atualizada do imóvel (efls. 23/38), laudos de avaliação do imóvel com datasbase de 1º de janeiro de 2008 (efls. 39/173) e 1º de janeiro de 2009 (efls. 174/313), entre outros documentos (efls. 314/398). Na impugnação apresentada (efls. 401/415), o contribuinte juntou aos autos Contrato de Arrendamento firmado com a Guarani, Laudo de Avaliação do Imóvel, comprovante de recolhimento do ITR, declaração de utilização da propriedade rural apresentada pela Guarani, demonstrativo de utilização do imóvel, mapas e fotos, entre outros. No entanto, a 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) entendeu não restarem comprovadas as áreas de produtos vegetais, sob o fundamento de que “o contrato de parceria agrícola por si só não é suficiente para comprovar a exploração do imóvel, sendo necessário também que as Notas Fiscais de produtor, de insumos, certificado de depósito, entre outros documentos, sejam emitidos no ano anterior ao da ocorrência do fato gerador em nome do parceiro outorgado e tenham vínculo com o imóvel em questão.” (efl. 608) Ocorre que o contribuinte apresentou em seu recurso voluntário e em petição posterior (efls. 653/657) outros documentos (efls. 657/863 e 865/917), dentre eles Laudo Técnico emitido pelo engenheiro agrônomo Ary Rodrigues Alves Junior, em consonância com as normas da ABNT (efls. 657/667), que comprova a existência da Área de Produtos Vegetais (APV), e que a área utilizada na atividade rural é de 1.438,87ha, sendo que a área aproveitável corresponde a 1.450,70ha, o que significa um grau de utilização de 99,18% (efl. 666). Devese destacar, ainda, que o aluguel pago pelo arrendatário ao Recorrente foi fixado de acordo com o preço da canadeaçúcar e à produtividade da área arrendada, o que corrobora as informações contidas nos laudos técnicos apresentados. Se isso não bastasse, todos os documentos exigidos pela DRJ são relativos à atividade exercida pela arrendatária, que não deixa de ser concorrente da arrendante, aplicando se, de qualquer forma, o disposto no artigo 10, § 4º, da Lei 9.393/93, segundo o qual: “Para os fins do inciso V do § 1º, o contribuinte poderá valerse dos dados sobre a área utilizada e respectiva produção, fornecidos pelo arrendatário ou parceiro, quando o imóvel, ou parte dele, estiver sendo explorado em regime de arrendamento ou parceria.” Se isso não bastasse, a jurisprudência da Câmara Superior do CARF firmou se no sentido de que o contrato de arrendamento faz prova, sim, da utilização do imóvel, conforme se extrai do Acórdão 9202001614, que teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1997 INSTRUMENTOS PARTICULARES. PROVA. A transcrição de instrumentos particulares no Cartório de Títulos e Documentos e outras formalidades, prevista no art. 128, I da Lei de Registros Públicos, não são imperativas para que eles possam produzir efeitos tributários, eis que a obrigação tributária é ex lege e não decorre diretamente do negócio jurídico celebrado por Fl. 922DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 instrumento particular, mas dos enunciados legais que fazem considerar tal negócio como elemento integrante da hipótese de incidência tributária. O contrato de arrendamento, mesmo que por instrumento particular, pode ser elemento integrante do conjunto probatório dos autos, criando presunção iuris tanto de utilização do imóvel que, se não infirmada pela autoridade fiscal, deve prevalecer. Recurso especial negado.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 923DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10675.907442/2009-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2002
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López (Relatora), que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Ricardo Paulo Rosa - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2002 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10675.907442/2009-46
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5393859
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9303-002.988
nome_arquivo_s : Decisao_10675907442200946.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10675907442200946_5393859.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López (Relatora), que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López - Relatora Ricardo Paulo Rosa - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5689932
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047250497699840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2155; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 270 1 269 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10675.907442/200946 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.988 – 3ª Turma Sessão de 3 de junho de 2014 Matéria PIS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS Recorrente BANCO TRIÂNGULO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2002 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López (Relatora), que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 74 42 /2 00 9- 46 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 271 2 Maria Teresa Martínez López Relatora Ricardo Paulo Rosa Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual lhe foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Consta do relatório da decisão recorrida o que a seguir reproduzo: Tratase de Recurso Voluntário em face da nãohomologação parcial de compensação realizada com créditos de PIS decorrentes da decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, de autoria da Recorrente, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). O despacho decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia – MG que vedou parcialmente o direito ao crédito de PIS da Recorrente, baseouse em manifestação da Equipe de Ações Judiciais – EQAJ daquela DRF, exarada em processo fiscal de acompanhamento do Mandado de Segurança acima aludido (Informação Fiscal n°. 0098/2010/DRF/UBE/EGAJ PAJ 10675.000306/0097), que ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que o Recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras tais como a Recorrente serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias” em geral, o que culminou na apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte. A Manifestação de Inconformidade restou indeferida através do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, que corroborou o Fl. 272DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 272 3 entendimento esposado pela DRF de origem, conforme ementa abaixo transcrita, in verbis: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A fundamentação apontada pelo acórdão da DRF que sustentou a decisão pode ser extraída dos seguintes trechos: Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais , que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. (…) Ora, as chamadas operações bancárias (“spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc.), se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Já os chamados serviços bancários (tarifas de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), são atividades secundárias e acessórias, executadas unicamente para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Portanto, correta a autoridade administrativa ao incluir no faturamento da manifestante as receitas relativas a empréstimos, financiamentos, etc…, que são oriundas do exercício das atividades empresariais, como definido na decisão exarada no Recurso Extraordinário 401.3487Minas Gerais. Inconformada, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, através do qual sustenta possuir direito ao crédito de PIS inicialmente indeferido, porquanto está devidamente amparada por decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, o qual, por sua vez, está em consonância com a decisão do Órgão Plenário do Supremo Tribunal Federal que extirpou do ordenamento jurídico o artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, ao consignar que a base de cálculo do PIS está atrelada ao conceito estrito de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em suma, alega a Recorrente em suas razões recursais que a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das Fl. 273DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 273 4 instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de “faturamento” determinado pelo Supremo Tribunal Federal. À final, requer seja dado provimento ao recurso. Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. A recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. Alega contrariedade à coisa julgada, eis que possue decisão transitada em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS “ é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Na sessão de novembro de 2013, em suposta obediência ao que dispunha o Regimento do CARF, art. 62A (sobrestamento do julgamento) o processo foi suspenso por meio de Resolução, “ até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372).” Em face da revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A do RICARF, o processo retorna em pauta para seguimento do julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. Conforme relatado a recorrente possui decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). Fl. 274DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 274 5 Cabe, no entender desta Conselheira, analisar os efeitos da decisão do STF transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782. I Entende a recorrente que a decisão que transitou em julgado não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS “ é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. II Entende a fiscalização que, ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que a recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias”. 1 A contribuinte tem decisão que transitou em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS como sendo o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. Nem se afirme que dúvidas poderiam existir, para aqueles que ainda não possuem uma decisão do Judiciário, eis que a matéria, envolvendo base de cálculo para as instituições financeiras, ainda (até junho/14) não foi julgada pelo STF. Isto porque, no meu sentir, o conceito fixado pelo Pleno, não pode ser alterado até que uma nova decisão do Pleno venha a alterar o conceito. Explico. Fazse necessária breve explanação histórica da jurisprudência da Corte no que toca ao tema em referência. Em 2005, no julgamento dos recursos extraordinários 346.084 (DJ 01/09/2006 – Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 – Rel. Min. Marco Aurélio), houve amplo debate no Plenário do STF acerca do conceito constitucional de faturamento, para fins de verificação da constitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei 9.718/1998, à luz do artigo 195, inciso I, da Constituição Federal de 1988, no período anterior à Emenda Constitucional 20/1998. Ficou definido que faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, nos termos da seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº. 20, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº. 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para 1 em razão deste entendimento, optei no passado pela escolha da via do sobrestamento do julgamento ao caso de outra financeira, pelo STF. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 275 6 envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. 2 Na ocasião, o Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso, parcialmente vencido no julgamento, reconheceu que a jurisprudência do STF, exposta na ADC 1 (Rel. Min. Moreira Alves, DJ 16.06.95), fixou esse mesmo conceito de faturamento. Ao final de seu voto, porém, entendeu que faturamento deveria ser entendido não só como “receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços”, mas também como a “somas das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”.3 É importante ressaltar que, todavia, esse significado externado pelo referido Ministro não prevaleceu, porque o Plenário entendeu que extrapolava o objeto do recurso. O Exmo. Sr. Ministro Marco Aurélio, redator do acórdão, expressamente consignou que, se houvesse dúvida quanto ao conceito de faturamento para instituições financeiras, seguradoras, ou para outras hipóteses de receitas, a questão deveria ser analisada em recurso próprio: O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO: Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 170.755/PE, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR): Mas, ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa por nossa cabeça. No caso em discussão, a bem da verdade, sob a análise desse mesmo Ministro CEZAR PELUSO, o que se percebe é que a matéria não foi enfrentada. Por outro lado, não houve recurso da Procuradoria Geral da Fazenda. É importante também observar que somente com a alteração ocorrida a partir de 2014, pela edição da Medida Provisória nº 627/2013, art. 49 4 transformada na Lei nº 12.973, de 2014, que alterou a legislação federal – as instituições financeiras terão que recolher PIS e Cofins sobre uma base maior, ou seja, o faturamento incluindo o spread. Se foi preciso alteração da norma é porque antes não era devido a inclusão de receitas sobre o conceito mais largo de Receita. 2 RE 346.084, DJ 01/09/2006, Red. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, Ementa, p. 1. 3 RE 346.084, DJ 01/09/2006, Red. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, Voto Ministro Cezar Peluso, p. 84. 4 altera o art. 12 do DL nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 276 7 Nesse sentido consta da exposição de motivos da MP 627, de 2013 o que a seguir transcrevo: Sublinhamos, ainda, a inovação proporcionada pela alteração do art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, no que se refere a ampliação da base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS ao se tributar, a partir deste momento, as receitas da atividade principal da pessoa jurídica. Assim, além do produto da venda de bens, de serviços e o resultado auferido nas operações de conta alheia, passase a tributar, como fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário, as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica. Merece destaque a lição do i. Prof. Humberto Theodoro Júnior (2002), em seu livro Curso de Direito Processual Civil (38. ed., Ed. Forense, v. 1, p. 485), trazida pelo patrono do recorrente: "A coisa julgada material abrange o deduzido e o deduzível. Por isso, não se podem levantar, a respeito da mesma pretensão, "questões arguidas ou que o podiam ser , se com isso se consiga diminuir ou atingir o julgado imutável e, consequentemente, a tutela jurisdicional nele contida. Com todo o respeito, olvidou a Fiscalização que a Procuradoria da Fazenda Nacional poderia e devia ter embargado a decisão do STF se entendesse que interpretação a ser dada era limitada. Se não o fez á época, o acórdão transitou em julgado sem limitações ao pedido efetuado pela recorrente. Inclusive, durante o curso do processo, a Procuradoria da Fazenda Nacional em nenhum momento suscitou a diferenciação do conceito de faturamento para cada setor da atividade econômica. A despeito da unilateralidade no estabelecimento desse conceito alargado, pois decorrente exclusivamente do “ponto de vista” de um dos julgadores “Ministro César Peluzo”, decisões monocráticas de outros Ministros, 5 algumas já confirmadas pelas respectivas Turmas, utilizaram dessa definição, sempre citando o precedente do atual Presidente do STF, como se fosse aquela estabelecida pelo Plenário da Suprema Corte. Outrossim, no julgamento da Questão de Ordem no RE 585.235 (Repercussão Geral DJ 28.11.08 – Rel. Min. Cezar Peluso), que vislumbrou apenas reafirmar a jurisprudência do STF sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei 9.718/1998, também foi indevidamente inserida a locução “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” no conceito de faturamento. 6 5 várias decisões monocráticas podem ser colhidas para a expressão “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Vg.: RE 631873, Dj 11.02.11, Rel. Min. Celso de Mello; RE 612340, DJ 14.02.11, Rel. Min. Carmen Lucia; AI 716675 AgR, DJ 03.12.10, Rel. Min. Ellen Gracie; AI 592080, DJ 30.11.10, Rel. Min. Joaquim Barbosa; AI 799.767, DJ 25.05.10, Rel. Min. Ricardo Lewandowski; AI 799578, DJ 19.05.10, Rel. Min. Carlos Britto. decisões monocráticas para a expressão “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Vg.: RE 631873, Dj 11.02.11, Rel. Min. Celso de Mello; RE 612340, DJ 14.02.11, Rel. Min. Carmen Lucia; AI 716675 AgR, DJ 03.12.10, Rel. Min. Ellen Gracie; AI 592080, DJ 30.11.10, Rel. Min. Joaquim Barbosa; AI 799.767, DJ 25.05.10, Rel. Min. Ricardo Lewandowski; AI 799578, DJ 19.05.10, Rel. Min. Carlos Britto. 6 O alvo da questão de ordem era legítimo: evitar a subida de recursos extraordinários sobre a controvérsia, já devidamente pacificada pelo Plenário do STF. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 277 8 O objetivo, todavia, não era reabrir o debate acerca do conceito de faturamento, o que sequer seria possível, pois (i) o representativo da controvérsia pretendeu apenas reafirmar a jurisprudência, de modo que não poderia, consequentemente, modificála; e (ii) porque a questão relativa ao conceito de faturamento já estava afetada ao Plenário para apreciação no RE 400.479, que discute o conceito à luz das receitas das instituições financeiras e seguradoras, matéria cuja repercussão geral foi reconhecida, posteriormente, no RE 609.096 (ambos os recursos pendentes de julgamento). Realmente, não teria sentido o STF apreciar os limites do conceito de faturamento e, posteriormente, fazêlo novamente nos RE’s 400.479 e 609.096. No caso em análise, ao analisar a decisão transitada em julgado em favor da recorrente, o respeitável Ministro não ressaltou a locução “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” no conceito de faturamento. É importante reiterar essa observação. Até porque, seria uma decisão em contradição à solução dada pelo Plenário nos leading cases do STF sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9718/98. Assim sendo a decisão que transitou em julgado não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS “ é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. Por último, o voto do Ministro Peluso cita expressamente os Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, nº 358.273RS e nº 390.840MG, informando que a decisão se deu conforme o seu teor, da maneira que se pode ver por meio da abreviatura “cf”. Conforme já visto anteriormente esses Recursos firmaram o entendimento que era inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada, devendose tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Assim, referendou o Ministro o entendimento do próprio STF de que o faturamento se cinge à receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, independentemente de sua posição pessoal, mesmo porque, julgando nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil não poderia têlo feito, se em sentido distinto da jurisprudência dominante do STF. Penso, com todo o respeito àqueles que de mim divergem, que uma vez reconhecido a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, seja a empresa financeira, comercial ou industrial, a revogação da norma se aplica indistintamente para todos os seguimentos. É estranho se pensar que a depender da atividade econômica possa se ter um conceito de receita/faturamento diferente. A base de cálculo deve estar limitada à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação se serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. Considerando isso, quer pela óptica constitucional, quer pela óptica doutrinária ou ainda, pela interpretação primária do próprio voto, tenho que não há como se tomar as intermediações financeiras sujeitas à incidência da contribuição Fl. 278DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 278 9 O fato do STF ter reconhecido a repercussão geral da matéria atinente à base de cálculo do PIS para instituições financeiras (vide RE nº 609.096/RS) reforça o posicionamento de que as coisas julgadas em outros processos decorrentes da aplicação do anterior julgamento da matéria pelo Pleno do STF, como ocorreu no presente caso, têm conteúdo jurídico delimitado, com a definição do conceito estrito de faturamento, vinculado à venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. Reitero. Caso seja alterado o posicionamento do STF, haverá a produção dos efeitos somente para os processos ainda em andamento, não podendo atingir o conteúdo jurídico em ofensa à coisa julgada e à vedação à sua relativização (Súmula 487 do STJ) – às decisões definitivamente proferidas, como é o caso em análise. 7 No caso concreto da recorrente, vejase não ter ocorrido diferenciação do conceito de faturamento por setor econômico. Caso houvesse, o pedido não poderia ter sido julgado totalmente procedente. O resultado seria o de reconhecer a inconstitucionalidade da lei em parte? Ou, seria, constitucional apenas para as instituições financeiras? Seria um contra senso, admitir que a contribuinte foi ganhador na ação judicial, mas perante a Receita, não. Julgarseia procedente um pedido que contrariaria o que foi pedido na exordial. Ademais, se assim o fizesse, o Ministro Cezar Peluso, relator do acórdão, não poderia fazer monocraticamente e muito menos com base no art. 557, § 1°A. Deveria, então, levar o processo novamente para julgamento pelo Pleno, pois poderia haver uma alteração do entendimento já consolidado nos leading cases mencionados. Ao prever os efeitos preclusivos da coisa julgada, o art. 474 do CPC, determina que passada em julgado a sentença de mérito, reputarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido. Para Rodolfo Mancuso, a técnica da eficácia preclusiva acolhida por este dispositivo legal opera como uma válvula de segurança do sistema, de modo a imunizar as questões deduzidas e deduzíveis, mas desde que atinentes ao núcleo do tema decidido, isto é, ao preciso objeto litigioso. 8 Barbosa Moreira entende que há uma relação de instrumentalidade entre os limites objetivos da coisa julgada e a sua eficácia preclusiva, pois enquanto os limites objetivos geram a imutabilidade do julgado, no que tange à parte dispositiva, a eficácia preclusiva consiste no impedimento que surge à discussão e apreciação de questões suscetíveis de influir neste julgado, cobrindo o deduzido e dedutível. Assim, pode suceder que, de fato, não tenham sido exaustivamente consideradas, no processo, as questões que poderiam influir na decisão, sendo vedado que depois de findo o processo se viesse a pôr em dúvida o resultado atingido, acenandose com tal ou qual questão que haja ficado na sombra e que, porventura trazida à luz, teria sido capaz de levar o órgão judicial à conclusão diferente da corporificada na sentença (ressalvados os casos restritos de rescindibilidade do julgado). 9 Na lição de Fredie Didier 10 transitada em julgado a decisão definitiva da causa, todas as alegações e defesas que poderiam ter sido formuladas para o acolhimento ou 7 nesse sentido, vide Acórdão nº 3403001.945, 8 MANCUSO, Rodolfo de Camargo. Jurisdição Coletiva e Coisa Julgada: teoria geral das ações coletivas. São Paulo: RT, 2006, pp. 29,236. 9 BARBOSA MOREIRA, José Carlos. A eficácia preclusiva da coisa julgada material no sistema do processo civil brasileiro. Temas de Direito Processual. 1ª série, São Paulo: Saraiva, 1977, pp. 98103 10 Fredie Didier, in Curso de Direito Processual Civil . Salvador/BA: Editora Juspodivm, vol. II, 4ª ed., 2009, p. 426. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 279 10 rejeição do pedido reputamse arguidas e repelidas; tornamse irrelevantes todos os argumentos e provas que as partes tinham a alegar ou produzir em favor da sua tese. Com a formação da coisa julgada, preclui a possibilidade de rediscussão de todos os argumentos alegações e defesas, na dicção legal que poderiam ter sido suscitados, mas não foram. A coisa julgada torna preclusa a possibilidade de discutir o deduzido e torna irrelevante suscitar o que poderia ter sido deduzido (o dedutível ). CONCLUSÃO Diante do acima exposto, tendo em vista que a recorrente é possuidora de decisão que transitou em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS como sendo o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, VOTO, no sentido de lhe dar provimento, e assim homologar a compensação efetuada. Maria Teresa Martínez López Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator Designado Embora a clareza e proficiência com que a i. Conselheira Relatora do Processo fundamentou a decisão proposta, ouso divergir de suas conclusões pelas razões que a seguir serão expostas. O litígio decorre de declarações de compensação apresentadas pela Requerente visando a compensação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep apurados de acordo com o entendimento que teve de decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.000.7782, que tramitou na 1ª Vara Federal de Uberlândia/MG. Informa a Recorrente que o Mandado de Segurança foi impetrado “em 16 de fevereiro de 2000, com pedido para que fosse concedida a segurança, declarandose a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e reconhecendo o direito de recolher a contribuição ao PIS, a partir de 1°/01/2001, à alíquota de 0,65% sobre seu efetivo faturamento que engloba a receita decorrente da prestação de serviços a seus clientes”. Adiante conclui, No entanto, o Recurso Extraordinário foi não só conhecido como foi integralmente provido o pedido do Requerente, pelo STF: A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim, a noção de Fl. 280DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 280 11 faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE n. 346.084PR, Rei. orig. Min. Ilmar Galvão; RE n. 357.950RS, RE n. 358.273RS e RE n. 390.840MG, Rel. Min. Marco Aurélio, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n. 408, p. 1). Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados Embora o caso em tela envolva provimento jurisdicional específico, a solução da lide, segundo me parece, guarda estreita relação com o entendimento que se tem acerca do evento marcado pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e dos efeitos que lhe são próprios e alcançam os contribuintes de modo geral. Necessário introduzir o assunto. A controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil11. A inconformidade dos contribuintes alcançados pela medida levou o assunto ao Poder Judiciário, onde a matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime de Repercussão Geral, nos seguintes termos. EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco 11 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 281 12 Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso O que se discute nos autos, e o assunto não é novo, diz respeito ao preciso efeito da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, uma vez que, em nenhum momento, as decisões tomadas no âmbito do Supremo Tribunal Federal estenderam esse juízo à alteração introduzida pelo caput do artigo 3º, assim como por todos os demais critérios de apuração especificados nos parágrafos e artigos subsequentes e na legislação superveniente. Com efeito, é de sabença que a Suprema Corte do Pais, na pessoa do Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso, fez expressa menção à constitucionalidade do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, a teor do pronunciamento encontrado, pelo menos, nos Recursos Extraordinários nº. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840. Embora no caso concreto discutase exclusivamente a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, não será demais que aqui se fale também a respeito dos efeitos da modificação legislativa sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, uma vez que sua base de cálculo se tenha também afetado no curso mesmo empreendimento legislativo que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS e tenha sido, tal como a última, submetida a idêntica conformação aos liames constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins tinha base de cálculo definida na Lei Complementar nº 70/91 como sendo o faturamento decorrente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Já as Contribuições para o PIS e para o PASEP contavam com fontes de financiamento advindas de diversas origens, conforme Leis Complementares 07 e 08 de 197012, dentre elas o faturamento das empresas e demais entidades especificadas nas Leis, onde estavam textualmente incluídas as instituições financeiras13. Ao instituir a nova base tributável por meio da Lei 9.718/98, o legislador ordinário, embora tenha mantido o faturamento como definição elementar do fenômeno econômicocontábil gravado pela tributação, especificouo, conforme dito antes, como sendo toda a receita bruta auferida pela pessoa jurídica, irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada, conceito que conflitou com o disposto no inciso I 12 A constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias art. 72, inciso V, destinou uma parcela da Contribuição para o PIS devida pelas instituições financeiras ao Fundo Social de Emergência, fixando alíquotas e definindo a base de cálculo como sendo a receita bruta operacional. A Lei 9.701/98 autorizou determinadas exclusões ou deduções dessa base. 13 § 2.º As instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias participarão do Programa de Integração Social com uma contribuição ao Fundo de Participação de, recursos próprios de valor idêntico do que for apurado na forma do parágrafo anterior. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 282 13 do artigo 195 da Constituição Federal que, antes da Emenda Constitucional nº 20, de 20 de dezembro de 1998, previa o financiamento da seguridade social com base no valor arrecadado pelas contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro14, sem nenhuma menção à receita. É precisamente neste ponto que se encontra a origem de toda a discussão em torno da inconstitucionalidade do conceito insculpido no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, transbordando as delimitações contidas no texto constitucional na data da entrada em vigor da legislação novel. Ainda que, para efeitos tributários, já houvesse uma tendência ao reconhecimento de certa equivalência entre o conceito de faturamento e receita (observese que, muito antes de se falar na EM 20/98, a própria LC 70/91 já especificava a base de cálculo como sendo a receita), a expansão promovida pelo parágrafo primeiro foi para muito além daquilo que estava e ainda está sedimentado na doutrina e na jurisprudência como sendo o possível conceito de faturamento empresarial para fins de incidência tributária. De fundamental importância, neste cenário, observar e compreender com precisão o verdadeiro problema identificado pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal ao acolhimento da nova definição de faturamento introduzida pela Lei 9.718/98. Nos precitados Recursos Extraordinários, tornaramse de amplo conhecimento as considerações feitas sobre o assunto pelo Ministro Cesar Peluso, estabelecendo os limites da definição possível para o conceito veiculado no (constitucional) caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, conforme segue (todos os grifos acrescentados). Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 14 O texto antes e depois da EM 20/98. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, o Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; Fl. 283DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 283 14 (...) Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento.” (...) 6. (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. – grifamos. (...) Uma vez que o Ministro Cezar Peluso tenha sido parcialmente vencido na decisão da causa, se tem criticado o uso de suas manifestações (e as de outros Ministros que também foram total ou parcialmente vencidos) na fundamentação de decisões envolvendo os efeitos da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Quanto a isso, de grande relevo que se situe com clareza a matéria que estava então sub judice na Suprema Corte, as considerações que lhes emprestaram não apenas o Ministro Cesar Peluso mas todos os demais integrantes do Tribunal e em que assunto e aspectos, especificamente, uns e outros se viram vencedores ou vencidos. Analisase um dos precedentes apontados no Recurso Extraordinário nº 585.235 que concedeu Regime de Repercussão Geral à questão: RE 346.0846/PR, da Relatoria do Ministro Ilmar Galvão, Relator para acórdão Ministro Marco Aurélio. O Relatório do Ministro Ilmar Galvão delimita com rapidez e precisão os liames da lide. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ILMAR GALVÃO (Relator) : Recurso que, pela letra a do permissivo constitucional, foi interposto contra acórdão que concluiu pela legitimidade da ampliação da base de cálculo da COFINS até então restrita às “vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” conforme definido pela Lei Complementar n.° 70/91 (art. 2.°), para nela fazer compreender “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”, efetuada por meio de lei ordinária (Lei n.° 9.718/98, art. 3.°, § 1.°), alteração que teve por vigente a partir de 1.° de fevereiro de 1999, como estabelecido no art. 17, I, do referido diploma normativo. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 284 15 Sustenta a recorrente que, ao assim decidir, o acórdão ofendeu o inciso I e o § 4.° do art. 195 e, por conseqüência, o inciso I do art. 154, ambos da CF. Sustenta, ainda, haver a decisão recorrida contrariado, por igual, o § 6.° do mencionado art. 195, por haver considerado que a alteração passou a produzir efeito a partir da edição da primeira medida provisória e não da EC 20, de 15 de dezembro de 1998 , que, a seu ver, não poderia constitucionalizar norma editada com ofensa à Constituição. Regularmente processado, foi o recurso admitido na origem, havendo a douta ProcuradoriaGeral da República, em parecer do Dr. Roberto Monteiro Gurgel Santos, opinado pelo nãoconhecimento. É o relatório. Se bem posso traduzir em poucas palavras o relatório acima transcrito, diria tratarse de um litígio que se travou em torno da constitucionalidade do alargamento da base de cálculo, (i) à luz do conceito de faturamento vigente à época da formulação da exigência fiscal e (ii) da possibilidade de que se reconhecesse a constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em face da modificação introduzida pela Emenda Constitucional nº 20. A ementa do decisum confirma a circunscrição da lide nos termos em que está acima definida. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 32, § l2, DA LEI Na 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Ne 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § Ia DO ARTIGO 3 a DA LEI Na 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional na 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § lº do artigo 3º da Lei na 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Uma vez especificado o que havia por decidir no âmbito do Recurso Extraordinário nº 346.0846, relevante que se observe o conteúdo das decisões parciais proferidas após o Voto de cada um dos Ministros que participaram do processo de formação do Ato Decisório, até o último Extrato de Ata emitido pela Secretaria, em 09 de novembro de 2005. PLENÁRIO EXTRATO DE ATA Fl. 285DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 285 16 RECURSO EXTRAORDINÁRIO 346.0846 PROCED.: PARANÁ RELATOR ORIGINÁRIO: MIN. ILMAR GALVÃO RELATOR PARA O ACÓRDÃO: MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.: DIVESA DISTRIBUIDORA CURITIBANA DE VEÍCULOS S/A ADVDOS.: MARCELO MARQUES MUNHOZ E OUTROS ADV.(A/S): RODRIGO LEPORACE FARRET E OUTROS RECDA.: UNIÃO ADV.: PFN RICARDO PY GOMES DA SILVEIRA Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galvão, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinário, para fixar, como termo inicial dos 90 (noventa) dias, 1º de fevereiro de 1999, pediu vista o Senhor Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pela recorrente., o Dr. Helenilson Cunha Pontes, e, pela recorrida, o Dr. Francisco Targino da Rocha Meto, Procurador da Fazenda Nacional. Presidência do Senhor Ministro Marco Aurélio. Plenário, 12.12.2002. Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galvão, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinário, para fixar, como termo inicial dos 90 (noventa) dias, 1º de fevereiro de 1999, e dos votos dos Senhores Ministros Gilmar Mendes e Presidente, Ministro Maurício Corrêa, que conheciam do recurso, mas negavamlhe provimento, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Cezar Peluso. Não participou da votação o Senhor Ministro Carlos Britto por suceder ao Senhor Ministro limar Galvão que proferira voto anteriormente. Plenário, 01.04.2004. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Cezar Peluso, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo lº da Resolução nu 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência, em exercício, do Senhor Ministro Nelson Jobim, VicePresidente. Plenário, 13.05.2004. Decisão: Após os votos dos Senhores Ministros Cezar Peluso, Marco Aurélio, Carlos Velloso, Celso de Mello e Sepúlveda Pertence, conhecendo e provendo o recurso, nos termos dos seus respectivos votos, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (Vice Presidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º. do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Ilmar Galvão (Relator), Cezar Peluso e Celso de Mello e, integralmente, os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Maurício Corrêa, Joaquim Barbosa, e o Presidente (Ministro Nelson Jobim). Reformulou parcialmente o voto o Senhor Ministro Sepúlveda Pertence. Não participaram da votação os Senhores Ministros Carlos Britto e Eros Grau por serem sucessores dos Senhores Ministros limar Galvão e Maurício Corrêa que proferiram voto. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005;. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Presentes â sessão os Senhores Ministros Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Cezar Peluso, Carlos Britto, Joaquim Barbosa e Eros Grau. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 286 17 ProcuradorGeral da. República, Dr. Antônio Fernando Barros e Silva de Souza. Luiz Tomimatsu Secretário Percebese acima que, o núcleo da discussão até que o Ministro Cezar Peluso pedisse vista dos autos, girava em torno da constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em face da modificação introduzida pela Emenda Constitucional nº 20. Essa circunstância está estampada no excerto a seguir reproduzido, extraído do próprio Voto do Ministro Cezar Peluso. Admitido o recurso, o relator, Min. ILMAR GALVÃO, deulhe parcial provimento, para julgar inconstitucional a majoração da base de cálculo da COFINS, na forma do art. 39 da Lei ne 9.718/98, até a edição da EC ns 20/98, que “veio emprestarlhe o embasamento constitucional de que carecia, ao dar nova redação ao art. 195 da Carta de 88, para dispor que a COFINS passaria a incidir sobre ‘b) a receita ou o faturamento’“. O Min. GILMAR MENDES, em votovista, entendeu constitucional a majoração, pelos seguintes fundamentos: (...) Este entendimento foi acompanhado pelo Min. MAURÍCIO CORREA, que, antecipando voto, julgou constitucional a majoração. Nessa fase do julgamento, foi, então, justamente o Ministro Cezar Peluso que, como se lê nas transcrições acima, abriu a divergência na decisão que vinha sendo proposta à lide, para externar seu entendimento e decidir pela inconstitucionalidade do “parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para ‘toda e qualquer receita’, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social”. Ante tais evidências colhidas dos registros feitos ao longo do julgamento, pareceme impróprio minorar a relevância dos fundamentos do Ministro Cesar Peluso na solução da lide. Foi justamente ele quem primeiro destoou do entendimento, até então prevalente, de que o alargamento promovido pela Lei 9.718/98 havia sido constitucionalizado pela Emenda Constitucional nº 20, determinando novo rumo ao julgamento e à decisão que ao final haveria de ser proposta. Ainda mais, como adiante se pretenderá demonstrar, foi o Ministro Cezar Peluso quem mais fundo foi no estudo da questão posta, tendo sido citado por quase todos os demais Ministros em seus respectivos votos. A redação final do Acórdão não permite saber exatamente em que assunto o Ministro Cezar Peluso ficou vencido, mas, sem margem de dúvida, ele não se refere nem à decisão de considerar inconstitucional apenas o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98, tampouco à dedicada incursão que fez ao significado do vernáculo faturamento15. 15 Interessante observar, inclusive, que o Ministro Carlos Velloso, apontado como vencedor no Acórdão, acompanhou o Ministro Cezar Peluso em usa decisão. "Concluo o meu voto. Com a vénia do eminente Relator, que já não está aqui, acompanho o voto do Ministro César Peluzo. Nos demais recursos extraordinários, com o eminente MinistroRelator, Ministro Marco Aurélio". Fl. 287DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 287 18 Com efeito, de grande importância sublinhar que, ao longo de todo o julgamento, não se logra êxito em encontrar no corpo do decisum qualquer dissonância entre os integrantes da Corte Suprema acerca disponibilidade concedida pela Carta Política ao legislador ordinário para fixação do que deva ser considerado faturamento para fins tributários. Outrossim, identificase ao longo de todo o processo decisório uma única menção, de lavra do Ministro Celso de Mello, propondo a inconstitucionalidade do artigo 3º como um todo. O Ministro, contudo, assim como o Ministro Cezar Peluso, foi, ao final, declarado parcialmente vencido. É de grande interesse conhecer, da leitura dos excertos que seguem, como os Ministros se manifestaram a respeito do conceito de faturamento para fins tributários, assunto a respeito do qual, repitase, não há registro de divergência. Ministro Ilmar Galvão. O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ao contrário do que pretende o recorrente, a Corte rejeitou qualquer tentativa de constitucionalizar eventuais préconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional. O STF jamais disse que havia um específico conceito constitucional de faturamento. Ao contrário, reconheceu que ao legislador caberia fixar tal conceito. E também não disse que eventuais conceitos vinculados a operações de venda seriam os únicos possíveis. Não fosse assim, teríamos que admitir que a composição legislativa de 1991 possuía um poder extraordinário. Por meio da Lei Complementar nº 71, teriam aqueles legisladores fixado uma interpretação dotada da mesma hierarquia da norma constitucional, interpretação esta que estaria infensa a qualquer alteração, sob pena de inconstitucionalidade. Na tarefa de concretizar normas constitucionais abertas, a vinculação de determinados conteúdos ao texto constitucional é legítima. Todavia, pretender eternizar um específico conteúdo em detrimento de todos os outros sentidos compatíveis com uma norma aberta constitui, isto sim, uma violação à força normativa da Constituição, haja vista as necessidades de atualização e adaptação da Carta Política à realidade. Tal perspectiva é sobretudo antidemocrática, uma vez que impõe às gerações futuras uma decisão majoritária adotada em uma circunstância específica, que pode não representar a melhor via de concretização do texto constitucional. (...) Fl. 288DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 288 19 Ministro Gilmar Mendes Nessa breve história legislativa da COFINS percebese, desde logo, que já sob o regime da Lei Complementar de 1991 a acepção de faturamento adotada pelo legislador não correspondia àquela usualmente adotada nas relações comerciais. Ou seja, já sob o império da Lei Complementar n° 70 se verificara o abandono do conceito tradicional de faturamento, especialmente naquela acepção comercialista que se refere, grosso modo, a operações de venda de mercadorias já concluídas e registradas em fatura. Esse conceito técnicocomercial é invocado expressamente pelos recorrentes. Precedentes do STF A discussão quanto à legitimidade dessa perspectiva adotada pelo legislador, de abandono de eventuais préconcepções da expressão “faturamento”, não é estranha para este Tribunal. No RE 150.755, da relatoria do Ministro Carlos Velloso (redator do acórdão o Min. Sepúlveda Pertence), em que se discutia a constitucionalidade da contribuição do FINSOCIAL, tal como fixada no art. 28 da Lei n° 7.738, de 1989, admitiuse como legítima a assimilação do conceito de receita bruta ao de faturamento. Nesse precedente, registra a parte final da ementa: 8. A contribuição social questionada se insere entre as previstas no art. 195, I, CF e sua instituição, portanto dispensa a lei complementar: no art. 28 da L. 7.738/89, a alusão a “receita bruta”, como base de cálculo do tributo, para conformarse ao art. 195, I, da Constituição, há de ser entendida segundo a definição do Dl. 2.397/87, que é equiparável à noção corrente de “faturamento” das empresas de serviço.” Especificamente sobre a alegação de que o tributo previsto art. 28 da Lei n° 7.738 não se enquadraria na definição constitucional de faturamento, assentou o Ministro Sepúlveda Pertence: “(...) 43. Convencime, porém, de que a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento cuja procedência teórica não questiono , não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei. 44. Baixada para adaptar a legislação do imposto sobre a renda à Lei das Sociedades por Ações, dispusera o Dl. 1.598, 26.12.77: (...) O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ministro Eros Grau Fl. 289DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 289 20 “06. No caso, faturamento terá sido tomado como termo de uma das várias noções que existem as noções de faturamento na e com uma de suas significações usuais atualmente. Sabemos de antemão que já não se a toma como atinente ao fato de ‘emitir faturas’. Nós a tomamos, hoje, em regra, como o resultado econômico das operações empresarias do agente econômico, como ‘receita bruta das vendas de mercadorias e mercadorias e serviços, de qualquer natureza’ [art.22 do decretolei n. 2.397/87]. Esse entendimento foi consagrado no RE 150.764, Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, e na ADC n. 1, Relator o Ministro MOREIRA ALVES. 07. Daí porque tudo parece bem claro: em um primeiro momento diremos que faturamento é outro nome dado à receita bruta das vendas e serviços do agente econômico. Essa é uma das significações usuais do vocábulo [i.é., a noção da qual o vocábulo é termo é precisamente esta faturamento é receita bruta das vendas e serviços do agente econômico]. A análise dos precedentes aponta, no entanto – isso é proficientemente indicado em parecer de HUMBERTO ÁVILA no sentido de inversão dos termos: a lei tributária chamou de receita bruta, para efeitos do FINSOCIAL, o que é faturamento; o conceito de receita bruta [ = receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços], na lei, é que coincide com a noção de faturamento, na Constituição. 08 .Ora, o artigo 3º da Lei n. 9.718/98 não diz mais do que isso. Seu § 1º é que vai além, para afirmar que ali e ali não se cogita de faturamento, mas de receita bruta se trata da totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. (...) 10. (...) Eis o que aí se tem, nesse § 1º do artigo 3º e da Lei nº 9.718/98, uma definição jurídica de receita bruta: a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. 11 .Cumpre então indagarmos se a lei poderia ter afirmado essa definição de receita bruta. A Constituição dizia, anteriormente à EC 20/98, que a seguridade social seria financiada, entre outros, mediante recursos provenientes de contribuição social “dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros” art. 195, I). A EC 20/98 alterou o preceito, para afirmar que essa mesma contribuição incidirá sobre a folha de salários e outros rendimentos do trabalho, sobre “a receita ou o faturamento” e sobre o lucro. A lei é anterior à EC 20/98, ao tempo em que o artigo 195, I da Constituição afirmava que a contribuição incidiria “sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros”. 12. A alteração no texto da Constituição aparentemente, mas não necessariamente, indica alteração do campo de incidência da contribuição. A emenda , ao referir “a receita ou o faturamento”, poderia estar a tomar receita como sinônimo de faturamento e faturamento como sinônimo de receita. Anteriormente à EC 20/98 ela incidia sobre a receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços [= receita bruta], que coincidia, qual afirmou esta Corte, Fl. 290DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 290 21 com a noção de faturamento. Após a EC 20/98 ela incide sobre “a receita ou o faturamento”. Ora, se receita bruta [= receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços] coincide, qual afirmou esta Corte, com a noção de faturamento, a inserção do termo de um outro conceito “receita” no texto constitucional há de estar referindo outro conceito, que não o que coincide com a noção de faturamento. Para exemplificar, sem qualquer comprometimento com a conclusão: receita como totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante para a determinação dessa totalidade o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. Temos aí receita bruta, termo de um conceito, e receita bruta, termo de outro conceito. No primeiro caso, receita bruta que é enquadrada na noção de faturamento, receita bruta das vendas e serviços do agente econômico, isto é, proveniente das operações do seu objeto social. No segundo, receita bruta que envolve, além da receita bruta das vendas e serviços do agente econômico isto é, das operações do seu objeto social aquela decorrente de operações estranhas a esse objeto. (grifos meus). Impõese então distinguirmos: de um lado teremos receita bruta/faturamento; de outro, a receita bruta que excede a noção de faturamento, introduzida pela EC 20/98, para a determinação de cuja totalidade são irrelevantes o tipo de atividade que dá lugar a sua percepção e a classificação contábil adotada. 13. Dirseá que a Constituição, ao não definir faturamento, incorporou noção que dele se tinha à época. Na verdade incorporou uma das noções que dele à época se tinha. A Constituição poóleria [sic], mais do que incorporar, poderia ter contemplado uma definição jurídica, de faturamento. Não o tendo feito, prevaleceu um dos entendimentos possíveis, aquele nos termos do qual receita bruta coincide com a noção de faturamento enquanto receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Poderia ter prevalecido outro. E cumpre aqui dedicar especial atenção à fundamentação do voto do Ministro Relator Marco Aurélio, que, ainda que faça menção ao conceito de faturamento como sendo a receita vinculada à venda de mercadorias, serviços ou ambos, conforme explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF (leitura empregada em data muito anterior à Lei 9.718/98), deixa claro que o problema está no conceito veiculado pelo parágrafo primeiro: o passo mostrouse demasiadamente largo, (...) por incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Quer dizer, a norma transgrediu o ordenamento jurídico ao transbordar a noção técnicojurídica possível de faturamento e não ao definilo como sendo resultado de outras operações empresariais além das vendas de mercadorias e serviços ou ambos. Ministro Marco Aurélio (Relator) Examino, então, a problemática referente à Lei nº 9.718/98. Aqui há de se perceber o empréstimo de sentido todo próprio ao conceito de faturamento. Eis o teor da lei envolvida na espécie: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 291 22 Tivesse o legislador parado nessa disciplina, aludindo faturamento sem dar lhe, no campo da ficção jurídica, conotação discrepante da consagrada por doutrina e jurisprudência, terseia solução idêntica à concernente à Lei nº 9.715/98. Tomarse ia o faturamento tal como veio a ser explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF, ou seja, a envolver o conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços. Respeitado estaria o Diploma Maior ao estabelecer, no inciso I do artigo 195, o cálculo da contribuição para o financiamento da seguridade social devida pelo empregador, considerado o faturamento. Em última análise, terseia a observância da ordem natural das coisas, do conceito do instituto que é o faturamento, caminhandose para o atendimento da jurisprudência desta Corte. (...) Não fosse o § lº que se seguiu, terseia a observância da jurisprudência desta Corte, no que ficara explicitado, na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1 1/DF, a sinonímia dos vocábulos “faturamento” e “receita bruta”. Todavia, o § 1º veio a definir esta última de forma toda própria: § 1 Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. O passo mostrouse demasiadamente largo, olvidandose, por completo, não só a Lei Fundamental como também a interpretação desta já proclamada pelo Supremo Tribunal Federal. Fezse incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Essencial que se diga que a questão específica da incidência das Contribuições nas receitas das instituições financeiras terminou por não ser resolvida nas decisões que lastrearam o Recurso Extraordinário 585.235, que outorgou repercussão geral à decisão de extirpar do mundo jurídico o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Isso se vê em diversos dos debates colhidos das notas taquigráficas. Seguese um deles. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Mas, ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa pela nossa cabeça, Fl. 292DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 292 23 O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Mas passa pela cabeça de outros. Já não temos poucas causas, Sr. Ministro, para julgar. Quanto mais claro seja o pensamento da Corte, melhor para a Corte e para a sociedade. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Não pretendo, neste julgamento, resolver todos os problemas que possam surgir, mesmo porque a atividade do homem é muito grande sobre a base de incidência desses tributos. E, de qualquer forma, estamos julgando um processo subjetivo e não objetivo e a única controvérsia é esta: o alcance do vocábulo “faturamento”. E, a respeito desse alcance, temos já, na Corte, reiterados pronunciamentos. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO É o que estou fazendo: esclarecendo meu pensamento sobre o alcance desse conceito. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Senão, em vez de julgarmos as demandas que estão em Mesa, provocaremos até o surgimento de outras demandas, cogitando de situações diversas. (...) No curso do julgamento, o Colegiado chegou inclusive a adentrar à questão (preocupação mais uma vez manifesta pelo Ministro Cezar Peluso) dos demais parágrafos do artigo 3º da Lei 9.718/98, sem, contudo, chegar a uma conclusão a esse respeito. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Presidente, só uma ponderação. Como o artigo 3º não tem um único parágrafo, mas vários, se for declarada a inconstitucionalidade do caput, os outros parágrafos ficarão soltos, perderão o seu objeto de referência. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Ministro, eles ficam soltos e vêm soltos porque se referem ao parágrafo lº: "§ 2º Para. fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta:” Que receita bruta? A que está no § lº. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO O meu receio é de que haja algum parágrafo que, depois, ganhe certa autonomia e gere dificuldade. É isso que me preocupa. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Todos eles são dependentes do § 1º. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE Todos eles regulam a base de cálculo da COFINS. Se estamos entendendo que o conceito básico e a disciplina do COFINS já estão declarados constitucionais pelo Tribunal... O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Estou apenas ponderando quanto ao risco de eventuais incertezas futuras. A SRA. MINISTRA ELLEN GRACIE (PRESIDENTE) Ainda teremos uma sessão de julgamento em que o Ministro Eros Grau trará o seu voto e poderemos eventualmente reajustar. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 293 24 Vêse, sem margem para dúvidas, que se constitui em assunto bastante controvertido, e, por certo, não haverá de, aqui, deixar de sêlo. Com efeito, o alinhamento do entendimento aplicável à matéria depende, em última análise, do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime (já determinado) de Repercussão Geral, do Recurso Extraordinário nº 609096, a partir de quando, pelo menos no contexto atual e na presente instância, as opiniões pessoais cederão à hierarquia da jurisdição. Enquanto não consumado o julgamento do RE pelo Pretório Excelso, cumpre a este Colegiado escolher a interpretação que considera correta e determinar o cumprimento da decisão em âmbito administrativo. Nestas condições, pareceme que, a despeito das reticências que se extraem do debate travado entre Ministros da Suprema Corte, uma vez que não foi declarada a inconstitucionalidade do caput do artigo 3º, necessário distinguir que a base de cálculo, até então adstrita à receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, passou a ser também identificada, simplesmente, como receita bruta. De fato, ao declarar a inconstitucionalidade apenas do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, o Supremo Tribunal Federal não deixou outro caminho, se não o que conduz o intérprete a compreensão de que é constitucional a definição insculpida no caput do artigo. A alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 20/98 teve por escopo justamente permitir que a receita, lato sensu, fosse alcançada pelas contribuições para o financiamento da seguridade social. Como foi observado pelo Exmo. Ministro Carlos Britto, a autorização introduzida pela Emenda autoriza, justamente, a incidência sobre as receitas que estariam especificadas no parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. A conclusão a que se chega é que depois da Lei 9.718/98 e da declaração da inconstitucionalidade do parágrafo 1º de seu artigo 3º, apenas a receita típica da pessoa jurídica e não a totalidade das receitas auferidas por ela poderiam integrar a base de cálculo das Contribuições. Quanto a isso, que se diga que não se desconhecem os diversos Acórdãos do Supremo Tribunal Federal que, depois da decisão pela inconstitucionalidade do parágrafo primeiro, fazem remissão ao conceito de faturamento que parecia pacificado antes da entrada em vigor da Lei 9.718/98, o da Lei Complementar 70/91. Sobre o assunto, imperioso pontuar que emerge inconfundível das manifestações colhidas dos votos dos Ministros que participaram dos leading case do Recurso Extraordinário 585.235, que é nítido o entendimento de que jamais pretendeuse “a constitucionalização de preconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional”, nem o reconhecimento de “um específico conceito constitucional de faturamento16“. A dedução remissiva ao status anterior da base imponível encontrada em muitos acórdãos decorre da destinação das decisões onde eles se encontram, em processos nos quais discutiase o direito do contribuinte de afastar o inconstitucional alargamento da base de cálculo e não a amplitude do conceito de faturamento que, me arrisco dizer, não foi objeto daquelas lides. 16 As duas remissões são à manifestação, antes reproduzida, do Exmo. Ministro Ilmar Galvão. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 294 25 E que se diga, no caso concreto o provimento judicial, embora refirase à venda de mercadorias e prestação de serviços de qualquer natureza, acrescenta, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Isto tudo esclarecido, que se diga, há, ainda, outras questões que merecem ser levadas em consideração. Do parágrafo 2º ao parágrafo 9º do artigo 3º, assim como na MP 2.158/01, encontramse exclusões permitidas da base de cálculo das Contribuições apuradas no Sistema Cumulativo que não fariam nenhum sentido se essa as instituições financeiras continuassem sujeitas à incidência apenas sobre as receitas provenientes da prestação de serviços stricto sensu. Outrossim, resgatando mais uma vez o arcabouço normativo histórico da Cofins, vêse que a Lei Complementar nº 70/91, ao disciplinar de maneira ampla a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, seu raio de alcance e fonte de financiamento das atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social, excluiu as instituições financeiras do pagamento da Contribuição e elevou a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por elas devida. Lei Complementar 70/91 Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Lei 8.212/91 Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; 9 II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. 10 § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. Não somente a Lei 9.718/98, mas outras medidas legislativas que se seguiram, como fazem exemplo a MP 2.158/01 e, mais tarde, as Leis 10.637/03 e 10.833/03, que introduziram o Sistema NãoCumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, Fl. 295DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 295 26 revisaram o Sistema de financiamento da Seguridade Social, incluindo as instituições bancárias no rol de contribuintes sujeitos ao recolhimento da exação fiscal. Vejase. Se o que se discute é a possibilidade de que estejam extirpados do ordenamento jurídico todas as disposições normativas introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/01, então haveria de se estar faltando em exclusão total do pagamento da Cofins, uma vez que a revogação tácita do parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar 70/91 decorre das disposições introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/0117. Já no que concerne à alteração introduzida recentemente pela Lei 12.973/04 e a correspondente exposição de motivos, importante observar que se trata de uma inovação na definição da receita bruta que alcança a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, essas duas últimas, também quando calculadas no Sistema NãoCumulativo de apuração. A exposição de motivos não deixa claro para qual desses tributos e contribuições estarseia passando a tributar fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário. A despeito disso, não há como interpretar que a Lei tenha encerrado a questão da incidência ou não das Contribuições sobre o spread bancário para fato geradores anteriores a sua entrada em vigor. As manifestações colhidas da mais alta instância da jurisdição brasileira mostram que tratase de um assunto em aberto, que será decidido apenas quando com o trânsito em julgado do Recurso Extraordinário nº 609096. De resto, não será demais acrescentar que o vernáculo serviço, cujo produto da venda é base de cálculo das Contribuições, admite múltiplas concepções. No âmbito do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços – GATS, por exemplo, o spread bancário é textualmente incluído no rol de atividades designadas como tal. De fato, não há como afirmar que a inclusão da atividade bancária no conceito de serviços seja uma violação a preceitos constitucionais ou ao ordenamento jurídico pátrio. A palavra serviço amoldase muito bem às mais diferentes atividades. Muito diferente é o que ocorre, por exemplo, com a atividade de locação. Como apontado pelo Ministro Cesar Peluso, justamente no votovista em que propôs a inclusão de todas as receitas decorrentes da atividade típica da pessoa jurídica na base de cálculo das Contribuições, “a Corte julgou inconstitucional a exigência de imposto sobre serviços na ‘locação de bens móveis’, por delirar do conceito de serviços pressuposto pela Constituição na outorga de competência aos municípios. Da ementa consta: RE 116.1213 “TRIBUTO FIGURINO CONSTITUCIONAL. A supremacia da Carta Federal é conducente a glosarse a cobrança de tributo discrepante daqueles nela previstos. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS CONTRATO DE LOCAÇÃO. A terminologia constitucional do Imposto Sobre Serviços revela o objeto da tributação. Conflita com a Lei Maior dispositivo que imponha o tributo considerado contrato de locação de bem móvel. Em direito, os institutos, as expressões e os vocábulos têm sentido próprio, descabendo confundir a locação de serviços com a de móveis, praticas diversas regidas pelo Código Civil, cujas definições são de observância inafastável art. 110 do Código Tributário Nacional.” 17 Como disse antes, faço remissão à Cofins mesmo que o assunto dos autos restrinjase ao PIS. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907442/200946 Acórdão n.º 9303002.988 CSRFT3 Fl. 296 27 Por todo o exposto, meu VOTO é por negar provimento ao Recurso Especial. Ricardo Paulo Rosa Fl. 297DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001833/2005-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
EXERCÍCIO: 2001, 2002, 2003, 2004
GLOSAS DE DESPESAS MÉDICAS.
O restabelecimento da despesas é devida quando inexistentes as razões para a glosa, notadamente nos casos em que o contribuinte apresenta prova do dispêndio e da prestação dos serviços.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO.
Não se conhece de recurso pela falta de discordância com o mérito do lançamento ou com a conclusão da decisão recorrida, pela inexistência de litígio.
Numero da decisão: 2102-002.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para restabelecer a dedução com o plano de Saúde Unimed dos anos-calendários de 2000, 2001 e 2002, nos valores de R$ 472,61, R$ 600,72 e R$51,95, respectivamente. Vencidas a Relatora e a Conselheira Núbia Matos Moura, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Assinado digitalmente
José Raimundo Tosta Santos - Presidente à época da formalização
Assinado digitalmente
Carlos André Rodrigues Pereira Lima - Redator ad hoc do voto vencido
Assinado digitalmente
Carlos André Rodrigues Pereira Lima - Redator do voto vencedor
EDITADO EM: 14-05-2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ACÁCIA SAYURI WAKASUGI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ACACIA SAYURI WAKASUGI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF EXERCÍCIO: 2001, 2002, 2003, 2004 GLOSAS DE DESPESAS MÉDICAS. O restabelecimento da despesas é devida quando inexistentes as razões para a glosa, notadamente nos casos em que o contribuinte apresenta prova do dispêndio e da prestação dos serviços. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Não se conhece de recurso pela falta de discordância com o mérito do lançamento ou com a conclusão da decisão recorrida, pela inexistência de litígio.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10920.001833/2005-82
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5391682
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2102-002.550
nome_arquivo_s : Decisao_10920001833200582.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ACACIA SAYURI WAKASUGI
nome_arquivo_pdf_s : 10920001833200582_5391682.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para restabelecer a dedução com o plano de Saúde Unimed dos anos-calendários de 2000, 2001 e 2002, nos valores de R$ 472,61, R$ 600,72 e R$51,95, respectivamente. Vencidas a Relatora e a Conselheira Núbia Matos Moura, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Assinado digitalmente José Raimundo Tosta Santos - Presidente à época da formalização Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima - Redator ad hoc do voto vencido Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima - Redator do voto vencedor EDITADO EM: 14-05-2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ACÁCIA SAYURI WAKASUGI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
dt_sessao_tdt : Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
id : 5673423
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047250507137024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 140 1 139 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.001833/200582 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.550 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2013 Matéria IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente SILVANO BOING Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF EXERCÍCIO: 2001, 2002, 2003, 2004 GLOSAS DE DESPESAS MÉDICAS. O restabelecimento da despesas é devida quando inexistentes as razões para a glosa, notadamente nos casos em que o contribuinte apresenta prova do dispêndio e da prestação dos serviços. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Não se conhece de recurso pela falta de discordância com o mérito do lançamento ou com a conclusão da decisão recorrida, pela inexistência de litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para restabelecer a dedução com o plano de Saúde Unimed dos anoscalendários de 2000, 2001 e 2002, nos valores de R$ 472,61, R$ 600,72 e R$51,95, respectivamente. Vencidas a Relatora e a Conselheira Núbia Matos Moura, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Assinado digitalmente José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 18 33 /2 00 5- 82 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator ad hoc do voto vencido Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator do voto vencedor EDITADO EM: 14052013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ACÁCIA SAYURI WAKASUGI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório O procedimento fiscal contra o contribuinte SILVANO BOING, CPF nº 812.120.469 00, teve início através do Termo de Inicio de Fiscalização, fls. 15, expedido em 27/05/2005, no qual o contribuinte foi intimado por meio do AR de fls. 16 a apresentar os comprovantes de despesas com instrução, despesas médicas, de contribuições à previdência oficial e à previdência privada e quanto aos seus dependentes, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 2428. Diante do termo de intimação referido, bem como do Termo de Reintimação Fiscal, fls. 19, o contribuinte deixou de se manifestar, decorrendo disto multa por falta de atendimento à intimação, conforme fls. 2123. Em 10/06/2005, foi lavrado Auto de Infração de fls. 3437, no qual o contribuinte foi glosado por dedução indevida de previdência oficial; dedução indevida de dependente; dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de despesas com instrução e dedução indevida de previdência privada/FAPI que lhe exige o recolhimento de crédito tributário nos seguintes termos: IMPOSTO R$ 20.341,00 JUROS DE MORA (calculados até 31/05/2005) R$ 8.115,31 MULTA PROPORCIONAL (Passível de Redução) R$ 22.883,60 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO R$ 51.339,91 O contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 16/06/2005, conforme AR de fls. 40, apresentando manifestação em 15/07/2005, constante as fls. 4144, aduzindo, em síntese: Inicialmente apresenta justificativas pela sua omissão em não receber as intimações, tais como, extravio de documentos e viagens; Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 3 Quanto a Contribuição Previdenciária alega que foram realizadas corretamente, de acordo com o art. 74 do RIR/99, tendo trabalhado para a empresa Tupy Fundição Ltda (até 15/01/2000) e Datasul S/A , a partir desta data até os dias atuais; No que se refere a seus dependentes, aduz que auxilia a irmã Nadia Boing e a mãe Flora Schmitz Boing, bem como a esposa Denise. Quanto às alegações referente acerca das demais glosas, cabe citar relatório feito pela DRJ, uma vez que traz os pontos impugnados pelo contribuinte: “3. Despesas médicas Anocalendário 2000: não foi possível reaver os comprovantes relativos aos pagamentos de Reinaldo Álvares (R$ 1.925,00) e Hospital São José (R$ 2.560,00), no ano calendário de 2000; que o pagamento para Unimed Joinville, no valor de R$ 472,61, encontrase descontado em folha, conforme relatório da empresa, em anexo; Anocalendário 2001: que houve recusa do Sr. Ironildo Ocellame em fornecer segunda via do valor de R$ 3.150,00, tendo conseguido somente de R$ 1.410,00; que o Hospital São José não forneceu 2ª via do valor de R$ 4.870,00; que o pagamento para Unimed Joinville, no valor de R$ 1.600,72, encontrase descontado em folha, conforme relatório da empresa, em anexo; Anocalendário 2002: que houve recusa do Sr. Ironildo Ocellame em fornecer segunda via do valor de R$ 2.960,00, tendo conseguido somente de R$ 150,00; que o Hospital São José não forneceu 2ª via do valor de R$ 4.670,00; que o pagamento para Unimed Joinville, no valor de R$ 1.451,95, encontrase descontado em folha, conforme relatório da empresa, em anexo; Anocalendário 2003: que houve recusa do Sr. Ironildo Ocellame em fornecer segunda via do valor de R$ 950,00; que o Hospital São José não forneceu 2ª via do valor de R$ 3.960,00; apresenta comprovantes dos pagamentos aos profissionais Leila Maria Zimmermann (R$190,00) e Marcelo Possenti Osellame (R$ 460,00); 4. Despesas com educação: que, conforme previsão expressa no artigo 81 do RIR/99, todas as despesas foram lançadas de forma correta, conforme extratos emitidos pelas instituições de ensino, em relação aos anoscalendário de 2000, 2001, 2002 (pós graduação de Silavano Boing e graduação de Nadia Boing) e 2003 (pósgraduação de Denise Hille Boing e Graduação de Nádia Boing); que o lançamento com a despesa com curso de línguas deuse pelo desconhecimento da legislação; 5. Previdência Privada: que não foi possível conseguir a 2ª via do valor lançado em 2000; que o valor lançado no ano de 2003 comprovase com a segunda via anexada. Por fim, requer a improcedência parcial do lançamento e junta os seguintes documentos: recibos de cirurgiõesdentistas (fls. 45/46); recibo de pagamento de mensalidades de curso do INPG — Instituto Nacional de pósgraduação, datado de 05/07/2005 (fl. 65); Extrato financeiro de aluno emitido pela Sociedade Educacional de Santa Catarina (fl. 67); Fichas financeiras emitidas pela Datasul S/A, relativas aos dados cadastrais do impugnante (fls. 68/86); comprovante de rendimentos do ano calendário de 2003, emitido pelas empresas Datasul S/A, CNPJ 03.114.361/000157 e Datasul S/A, CNPJ 79.024.428/000124 (fls. 87/88); Informe de contribuições dos planos de previdência da AGF Brasil Seguros S/A (Anocalendário 2004 — fls. 89/90); Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Extrato de reserva de benefícios a conceder — Itauprev PGBL Master Empresarial (fls. 91/94); Certificados de cursos de pósgraduação realizados pelo impugnante na Fundação Educacional da região de Joinville (1999/2000) e na Fundação Getúlio Vargas (2001/2002) (fls. 95/96); certidão de casamento (fl.97).” A 6ª Turma da DRJ/FNS, Florianópolis/SC, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0713.025 de fls. 115119 e versos, de 27 de junho de 2008, por unanimidade de votos, decidiu considerar procedente em parte o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido no valor de R$ 14.492,41, acrescido de multa no valor de 112,50% e juros de mora, conforme ementa que segue transcrita: “ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anoscalendário: 2000/2001/2002/2003 PREVIDÊNCIA. DEDUTIBILIDADE. Comprovado o efetivo dispêndio com as contribuições vertidas para a Previdência Social, há que restabelecer as deduções pleiteadas a este título. DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO. Para se beneficiar das deduções com dependentes irmãos e/ou pais, a dependência deve ser comprovada, a teor do Regulamento do Imposto de Renda. DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis dos rendimentos tributáveis os valores pagos aos profissionais dentistas, restringindose ao tratamento de saúde do contribuinte ou de seus dependentes. DESPESAS COM EDUCAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não havendo comprovação dos dispêndios com instrução do contribuinte e/ou dos seus dependentes, ou que estes foram efetivamente atribuídos ao contribuinte, não há que restabelecer as deduções pleiteadas. PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUTIBILIDADE. Cumpre restabelecer as deduções requeridas a titulo de previdência privada, quando devidamente comprovadas. Lançamento Procedente em Parte.” O contribuinte tomou ciência da decisão a quo, em 21/07/2008, conforme intimação através do AR de fls. 122, da qual interpôs recurso voluntário em 18/08/2008 (fls. 123125), argumentando, novamente no sentido de que tem a sua irmã e mãe como dependentes, além de sua esposa; cabendo ao fisco averiguar o fato de seus dependentes não possuírem rendimentos. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 5 Quanto às despesas médicas alega que todas foram realizadas pelo próprio contribuinte e que alguns recibos de pagamentos foram extraviados e não disponibilizada segunda via por parte dos prestadores de serviço. Argumenta no sentido de que os descontos feitos em folha de pagamento não se referem ao pagamento de plano de saúde. Reforçando que os valores deduzidos a título de plano de saúde são exatamente aos valores descontos a este título. Quanto à glosa com despesas em educação, aduz que Nadia Boing, sua irmã, é sua dependente e que as despesas com educação dever ser deduzidas. Ao final requereu o recebimento do Recurso Voluntário com a procedência dos pontos alegados. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi, Relatora. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Sendo assim, conheçoo e passo ao exame. No presente caso, não merece qualquer reparo à decisão da DRJ, na qual analisou a perfeição o caso em tela, tendo inclusive o aresto administrativo dado parcial provimento aos argumentos e acatando os documentos juntados pelo ora Recorrente, nos seguintes termos: No concernente as Contribuições Previdenciárias, foi restabelecida as seguintes deduções: i. Anocalendário 2001 – Total a restabelecer: R$ 1.831,60; ii. Anocalendário 2002 – Total a restabelecer: R$ 1.988,89; iii. Anocalendário 2003 – Total a restabelecer: R$ 2.298,19. Foi ainda restabelecido as despesas com dependentes, mais especialmente com a esposa do recorrente (Sra. Denise Hille Boing), sendo que neste ponto repiso a fundamentação do voto do Relator a DRJ: “(...) No caso em concreto, o impugnante não logrou comprovar a regularidade das deduções das dependentes Nádia Boing e Flora Schmitz Boing, mantendose as glosas de deduções nos anoscalendário de 2000, 2001, 2002, 2003. Quanto à dependente Denise Hille Boing, o impugnante comprovou, através da certidão de casamento (fl. 97), que a mesma é legalmente sua esposa. Não constam declarações de rendimentos no CPF da mesma, de acordo com consulta ao sistema SIEF da Receita Federal. Desta forma, e com base no art. 77, I, do Regulamento, entendo que devem ser restabelecidas as deduções em relação A. dependente em comento, conforme discriminado abaixo: Anocalendário 2000 — R$ 1.080,00 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Anocalendário 2001 — R$ 1.080,00 Anocalendário 2002 — R$ 1.272,00 Anocalendário 2003 — R$ 1.272,00 (...) Atinente as glosa de despesas médicas a DRJ também acolheu em parte a impugnação de Silvano Boing restabelecendo as deduções com despesas com aqueles profissionais em que o recorrente conseguiu comprovar de modo cabal as despesas incorridas à luz do art. 80, § 1°,alinea II e III do RIR/99, tendo sido também restabelecidos as o seguinte montante a titulo de despesas médicas: i. Ano calendário 2001 R$ 1.350,00 (Dr. Ironildo); ii. Anocalendário 2002 R$ 150,00 (Dr. Ironildo); iii. Ano calendário 2003 R$ 460,00 (Dr. Marcelo) e R$ 190,00 (Dra. Leila). Sobre as glosas quanto a Previdência Privada a DRJ também restabeleceu as deduções pleiteadas a titulo de Contribuições Previdência Privada e FAPI para o ano de 2003. E, quanto às glosas com educação, o recorrente não logra em comprovar as alegadas despesas nem em sede de impugnação, como não traz nenhum elemento novo ou documentos em sede recursal. É imperioso gizar que mesmo com as alegações do recorrente de que houve o pagamento junto a Unimed Joinville, o qual se encontra descontado em folha de pagamento, cabe asseverar que cabia ao contribuinte a comprovação cabal quanto a tais dispêndios, a exemplo juntar os comprovantes de rendimentos ou ainda requerer juntamente a Unimed fosse entregue o relatório de despesas, efetivamente, suportadas por ele. A juntada de ficha financeira (fls. 68/76) para tal demonstração mostrase não suficiente para este fim, sendo ao meu sentir um documento frágil. De outra sorte, cabe sinalar que a singela alegação de que os documentos comprobatórios das despesas incorridas pelo Recorrente foram extraviadas, não podem ser acolhidas por total falta de impossibilidade técnicajurídica. E finalmente, cabe gizar que não houve qualquer insurgência por parte do Recorrente sobre o agravamento da multa, insculpida no art. 959 do RIR/99. É por oportuno assim, transcrever o disposto no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (alterado pelas Leis nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993, e nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997), arts. 16, III, e 17, que disciplina o processo administrativo fiscal: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifei) Assim, diante da total ausência de outros fatos e documentos comprobatórios é de ser mantida na integralidade a decisão da DRJ. Por todo o exposto, voto por Negar Provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 14 de março de 2013. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 7 Assinado digitalmente Acácia Sayuri Wakasugi Relatora Voto Vencedor Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Redator do voto vencedor Como relatório, sirvome das palavras da conselheira relatora: O procedimento fiscal contra o contribuinte SILVANO BOING, CPF nº 812.120.46900, teve início através do Termo de Inicio de Fiscalização, fls. 15, expedido em 27/05/2005, no qual o contribuinte foi intimado por meio do AR de fls. 16 a apresentar os comprovantes de despesas com instrução, despesas médicas, de contribuições à previdência oficial e à previdência privada e quanto aos seus dependentes, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 2428. Diante do termo de intimação referido, bem como do Termo de Reintimação Fiscal, fls. 19, o contribuinte deixou de se manifestar, decorrendo disto multa por falta de atendimento à intimação, conforme fls. 2123. Em 10/06/2005, foi lavrado Auto de Infração de fls. 3437, no qual o contribuinte foi glosado por dedução indevida de previdência oficial; dedução indevida de dependente; dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de despesas com instrução e dedução indevida de previdência privada/FAPI que lhe exige o recolhimento de crédito tributário nos seguintes termos: IMPOSTO R$ 20.341,00 JUROS DE MORA (calculados até 31/05/2005) R$ 8.115,31 MULTA PROPORCIONAL (Passível de Redução) R$ 22.883,60 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO R$ 51.339,91 Como consta dos autos, da vasta argumentação de defesa, entendo que devem prosperar a dedução com o plano de saúde Unimed dos anoscalendários de 2000, 2001 e 2002, nos valores de R$472,61, R$600,72 e R$51,95, respectivamente. Além disso, a ficha financeira (fls. 68/76) serve para tal demonstração. Ditas despesas nos valores de R$472,61, R$600,72 e R$51,95 estão devidamente comprovadas, através de recibos idôneos, com débitos em folha de pagamento. De outro lado, não há que se falar em exagero das despesas frente às receitas do contribuinte. Além disso, não houve qualquer insurgência por parte do Recorrente sobre o agravamento da multa, insculpida no art. 959 do RIR/99. É oportuno, assim, transcrever o disposto no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (alterado pelas Leis nº 8.748, de 09 de Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 dezembro de 1993, e nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997), arts. 16, III, e 17, que disciplina o processo administrativo fiscal: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifei) Em razão do exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com o plano de saúde Unimed dos anoscalendários de 2000, 2001 e 2002, nos valores de R$472,61, R$600,72 e R$51,95, respectivamente. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 08/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720536/2010-71
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 01/10/2010
LDC. CONFISSÃO ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO ANTERIOR AO AUTO DE INFRAÇÃO. AUTO QUE EXIGE CONTRIBUIÇÃO ACIMA DA MONTANTE DA ÁREA CONSTRUÍDA. FATO GERADOR CONSTANTE DE OUTRO LANÇAMENTO ANTERIOR. IMPROCEDÊNCIA DA NOVA AUTUAÇÃO.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, tendo em vista que há outro crédito lançado sobre o mesmo fato gerador, sendo adimplido.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2005 a 01/10/2010 LDC. CONFISSÃO ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO ANTERIOR AO AUTO DE INFRAÇÃO. AUTO QUE EXIGE CONTRIBUIÇÃO ACIMA DA MONTANTE DA ÁREA CONSTRUÍDA. FATO GERADOR CONSTANTE DE OUTRO LANÇAMENTO ANTERIOR. IMPROCEDÊNCIA DA NOVA AUTUAÇÃO. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10540.720536/2010-71
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5394814
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-003.699
nome_arquivo_s : Decisao_10540720536201071.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10540720536201071_5394814.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, tendo em vista que há outro crédito lançado sobre o mesmo fato gerador, sendo adimplido. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5692247
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047250510282752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1735; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 259 1 258 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10540.720536/201071 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.699 – 3ª Turma Especial Sessão de 08 de outubro de 2014 Matéria CP: OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS TERCEIROS. Recorrente JOSELICE REGINA MARQUES CARNEIRO. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2005 a 01/10/2010 LDC. CONFISSÃO ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO ANTERIOR AO AUTO DE INFRAÇÃO. AUTO QUE EXIGE CONTRIBUIÇÃO ACIMA DA MONTANTE DA ÁREA CONSTRUÍDA. FATO GERADOR CONSTANTE DE OUTRO LANÇAMENTO ANTERIOR. IMPROCEDÊNCIA DA NOVA AUTUAÇÃO. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, tendo em vista que há outro crédito lançado sobre o mesmo fato gerador, sendo adimplido. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 05 36 /2 01 0- 71 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720536/201071 Acórdão n.º 2803003.699 S2TE03 Fl. 260 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.311.7612, que objetiva o lançamento das contribuições destinadas a outras entidades e fundos terceiros, decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, em razão de obra de construção civil, segundo Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 11 a 14, com período de apuração de 08/2005 a 09/2010, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 17. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 06/10/2010, conforme AR, de fls. 18. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, sem data de recepção, estando a peça acostada, as fls. 25 a 30, acompanhada dos documentos, de fls. 31 a 38. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 40. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1530.903 5ª, Turma DRJ/SDR, em 14/09/2012, fls. 44 a 48. No qual a impugnação foi considerada improcedente. A contribuinte tomou conhecimento da decisão da DRJ, em 22/03/2013, conforme AR, de fls. 52. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 55, recebida, em 17/04/2013, com razões recursais, as fls. 56 a 63, acompanhado dos documentos, de fls. 64 a 256. As razões recursais estão a seguir sumariadas. Preliminar. · que a recorrente foi intimada a comparecer à RFB – Agência de Guamanbi – BA, por Carta Convocação, para regularizar obra de construção civil, comparecendo, em 25/05/2010, quando solicitou 45 dias de prazo para providenciar toda a documentação exigida, retornado tão logo providenciada a documentação, a qual foi recebida e protocolizada pela Chefe da Agência, ficando essa de providenciar o cálculo da dívida e convocar a requerente para assinar os termos de confissão de dívida para parcelamento, recebimento e pagamento da primeira parcela; · que foi a recorrente surpreendida com uma abusiva e absurda atuação, lavrada por Auditor Fiscal, referente a obra em sua totalidade e não apenas em relação ao pavimento térreo, com área de 469,44 m², conforme Habitese acostado aos autos fornecido pela Prefeitura de Fl. 260DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720536/201071 Acórdão n.º 2803003.699 S2TE03 Fl. 261 3 Caetité, não podendo a recorrente ser privada de seus bens sem o devido processo legal, devendo ser observado o contraditório, ampla defesa no procedimento administrativo fiscalizatório, pois a 5ª Turma da DRJ/SDR informa em seu decisório, que os documentos apontados pelo recorrente não teriam chegada àquele órgão, porém os dados estão todos nos bancos de dados da receita; · que a autuação é equivocada, pois a recorrente procurou a receita para resolver a situação, não havendo intenção de fraude e apresentando toda a documentação exigida; · que a recorrente foi intimada da autuação em 06/10/2010, porém o Termo de Confissão Espontânea e o Parcelamento da Dívida foram assinados em 01/10/2010, ou seja, antes da fiscalização, sendo nulo o presente processo, uma vez que não remetido à DRJ/SDR o procedimento administrativo existente em Guanambi/BA, que embora físico, manual, deveria estar inserto nos sistemas do fisco; Mérito. · que a recorrente foi intimada da atuação em 06/10/2010, como consta do Acórdão de primeiro grau e a recorrente realizou a confissão da dívida e promoveu o parcelamento em 01/10/2010, ou seja, já havia um procedimento administrativo em andamento, o qual deveria ter acompanhado a impugnação, pois a Chefe da Agência de Guanambi/BA informou, que o procedimento foi manual, ficando ali depositado por falta de ferramenta no sistema, inexistente norma que lhe obrigue a informar o cotidiano de sua agência, aos Auditores de Feira de Santana; · que é evidente a falha de comunicação entre os setores da receita, contudo a contribuinte antes de qualquer intimação do lançamento, buscou o órgão fiscal e iniciou o procedimento de regularização da dívida, com a confissão e parcelamento antes da cientificação do lançamento; · que ao receber o TIPF, em 06/10/2010, solicitando a mesma documentação apresentada na regularização da obra, procurou a agência de Guanambi/BA e foi orientada a desconsiderar a comunicação, pois estava tudo resolvido, sendo ilegítima a renovação da cobrança, por caracterizar bis in idem ; · que a recorrente ficou aguardando a emissão do título de cobrança ou o débito em conta, conforme autorização dada, com abono realizado em 04/10/2010, tudo antes da intimação do procedimento fiscal, mas que tal débito não foi realizado, recebendo a recorrente uma GPS para pagamento da primeira parcela com vencimento em 29/10/2010, porém paga em 15/20/2010, ocorrendo denúncia espontânea, o que torna a autuação ineficaz, estando suspensa a exigibilidade do crédito pelo parcelamento artigo 151, VI, do CTN, devendo imperar o bom Fl. 261DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720536/201071 Acórdão n.º 2803003.699 S2TE03 Fl. 262 4 senso nesse C. CARF, pois parcelada a dívida, que se adimpli regularmente há trinta meses, tanto é assim que a Agência Guanambi emitiu CPDEM; · Dos requerimentos: a) acolhimento do recurso por tempestivo e regular; b) acatamento da preliminar de cerceamento de defesa c) anulação do procedimento fiscalizatório e dos autos de infração. A autoridade preparadora nada falou sobre a tempestividade do recurso. O processo foi remetido ao CARF, fls. 257. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 20/03/2014, Lote 07, fls. 258. É o Relatório. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720536/201071 Acórdão n.º 2803003.699 S2TE03 Fl. 263 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Preliminar. Verifiquei que consta dos autos, as fls. 68, a Carta Convocação referida pela recorrente, entretanto isso não lhe atribui e nem lhe outorga nenhum direito, pois é dever dos contribuintes, nos termos dos dispositivos abaixo transcritos prestarem todas as informações e apresentarem todos os documentos solicitados pelo fisco. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (os destaque são meus). A recorrente não está sendo privada de nenhum de seus bens, pois a intimação do lançamento, apenas lhe comunica a existência de um débito em discussão. O contraditório e a ampla defesa estão sendo desenvolvidos dentro do presente Processo Administrativo Fiscal, pois é a partir da intimação do lançamento, que se oportuniza ao contribuinte o prazo legal para apresentar as suas razões de impugnação, caso queira. De outro lado, ressaltase, também, que o lançamento tributário, na modalidade de ofício, é direito potestativo do fisco e o contribuinte não tem participação em sua produção, assim diz a lei, a jurisprudência e a doutrina, veja as transcrições abaixo. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720536/201071 Acórdão n.º 2803003.699 S2TE03 Fl. 264 6 Lei 5.172/66 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. PIS. OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. ATO FINAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO E NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o sujeito passivo omitese no cumprimento dos deveres que lhe foram legalmente atribuídos, deve a autoridade fiscal proceder ao lançamento de ofício (CTN, art. 149), iniciandose o prazo decadencial de cinco anos no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito (art. 173, I, do CTN). 2. Se a Fazenda Pública notifica o contribuinte do auto de infração no prazo de cinco anos a que alude o art. 173, I, do CTN, não há que se falar em decadência do direito à constituição do crédito tributário. 3. O direito de lançar é potestativo. Logo, iniciado o procedimento fiscal com a lavratura do auto de infração e a devida ciência do sujeito passivo da obrigação tributária no prazo legal, desaparece o prazo decadencial. 4. Súmula TFR 153: "Constituído, no qüinqüênio, através de auto de infração ou notificação de lançamento, o crédito tributário, não há que se falar em decadência, fluindo, a partir daí, em princípio, o prazo prescricional, que, todavia, fica em suspenso, até que sejam decididos os recursos administrativos". 5. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso especial. (EDRESP 200900655845, CASTRO MEIRA, STJ SEGUNDA TURMA, 14/02/2011) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO Fl. 264DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720536/201071 Acórdão n.º 2803003.699 S2TE03 Fl. 265 7 DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Fl. 265DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720536/201071 Acórdão n.º 2803003.699 S2TE03 Fl. 266 8 Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do atrtigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. (AGRESP 201001395597, LUIZ FUX, STJ PRIMEIRA TURMA, 24/11/2010) TRIBUTÁRIO IOF DECADÊNCIA TERMO INICIAL FATO GERADOR DRAWBACK SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE IRRELEVÂNCIA PARA O EXERCÍCIO DO DIREITO POTESTATIVO AO LANÇAMENTO. 1. O IOF não é tributo inerente à atividade de importação/exportação e não integra, em regra, o Termo de Compromisso, forma de constituição do crédito tributário prevista na legislação aduaneira. 2. O fato gerador do IOF na operação de câmbio é a a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este, nos termos do art. 63, II, do CTN. 3. A decadência, direito potestativo, não se interrompe, nem se suspende, de modo que o regime aduaneiro de drawback é irrelevante na fixação do termo inicial do prazo para a constituição do crédito tributário. 4. Recurso especial provido. (RESP 200702726133, ELIANA CALMON, STJ SEGUNDA TURMA, 18/02/2009) xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Para uma melhor compreensão, podese citar o estado de sujeição em que se encontra o contribuinte ao lançamento tributário, não lhe sendo possível impedir o direito de a Fazenda Pública lançar o tributo. Efetuado o lançamento, no entanto, o sujeito passivo poderá simplesmente não realizar o pagamento, frustrando, então, a pretensão da Fazenda. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720536/201071 Acórdão n.º 2803003.699 S2TE03 Fl. 267 9 Nesse caso, o prazo para o Fisco efetuar o lançamento tributário (direito potestativo), segundo essa tese, seria de decadência. Já o prazo para a cobrança do crédito tributário não pago (direito a uma pretensão) de prescrição. 1 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx O processo de determinação e exigência do crédito tributário, ou processo de acertamento, ou simplesmente o lançamento tributário, dividise em duas fase: (a) unilateral ou não contenciosa e (b) bilateral, contenciosa ou litigiosa. Este processo também tem recebido a denominação de ação fiscal. A fase não contenciosa é essencial no lançamento de ofício de qualquer tributo. A fase não contenciosa ou unilateral termina com o termo de encerramento de fiscalização, que será acompanhado de um auto de infração nos casos em que alguma infração da legislação tributária tenha sido constatada. Denominase auto de infração o documento no qual o agente da autoridade da Administração tributária narra a infração ou as infrações da legislação tributária atribuídas por ele ao sujeito passivo da obrigação tributária, no período abrangido pela ação fiscal. 2 (todos os grifos são meus). É dever do contribuinte apresentar junto com a impugnação os documentos, com o quais pretende provar ou fundamentar suas alegações, nos termos do artigo 16, §4º, do Decreto 70.235/72 c/c o artigo 333, II, da Lei 5.869/73. A autuação não se dá, exclusivamente, em razão de fraude, mas pelo contrário a grande maioria das autuações decorrem do simples inadimplemento das obrigações tributárias por parte dos contribuintes, uma vez que detectado o não recolhimento a atividade fiscal é vinculada, artigo 142 e seu parágrafo único, da Lei 5.172/88 c/c o artigo 37, da Lei 8.212/91, pois o fisco tem o dever de cumprir o artigo 37, caput, da CRFB/88 c/c o artigo 116, III, da Lei 8.112/91. Como supramencionado a apresentação de todo a documentação é uma obrigação do contribuinte e não uma faculdade. O que estava e está sendo discutido no presente feito é a regularidade do lançamento, sendo irrelevante a existência de outro procedimento que era desconhecido pelo 1 HABLE, José. Decadência e prescrição no direito civil em confronto com o direito tributário. Jus Navigandi, Teresina, ano 13, n. 1941, 24 out. 2008. Disponível em: http://jus.uol.com.br/revista/texto/11878. Auditor tributário da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, graduado em Agronomia pela UFPR, Administração de Empresas pela FAE e em Direito pela CEUB, pósgraduado em Direito Tributário pelo ICAT, mestre em Direito Internacional Econômico pela UCB, professor de Direito Tributário é autor do livro: "A Extinção do Crédito Tributário por Decurso de Prazo" 2 Machado, Hugo de Brito Curso de Direito Tributário 13 Edição Editora Malheiros 1998, pág. 336 e 337. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720536/201071 Acórdão n.º 2803003.699 S2TE03 Fl. 268 10 agente lançador ou pela instância julgadora, situação que como dito acima devia ter sido informada acompanhada da respectiva documentação probante. A um vetusto axioma que diz “o que não está nos autos no está no mundo” e não há incompatibilidade desse com o princípio da verdade real ou material, pois o julgador não tem como saber quais as provas e situações que existem e onde elas existem, daí o dever da partes de trazêlas aos autos. EMENTA: "HABEAS CORPUS": FRAGILIDADE DE PROVAS DA AUTORIA: ALEGAÇÃO DE TORTURA: FALTA DE PROVA DEPOIMENTO DE TESTEMUNHA PRESTADO NA AUDIÊNCIA SEM A PRESENÇA DO RÉU DEFICIÊNCIA DO PATROCÍNIO DA CAUSA: INEXISTÊNCIA PARA CONFIGURAREM A ANULAÇÃO DA DECISÃO. 1. Confissão do delito na fase do inquérito policial: se seguida da confissão, apurase que na instrução da ação penal há elementos suficientes para a formação do convencimento do Juiz acerca da materialidade do delito, é desse e nesse conjunto probatório que se completa a prova. Alegação de tortura que em nenhum momento se provou não há como poder ser considerada: "o que não está nos autos, não está no mundo". 2. Se o réu intimado não comparece à audiência de oitiva de testemunhas, mas a ela comparece o defensor e nada alega, não há como extrair ofensa ao artigo 564, III, "e", do CPP, a possibilitar a nulidade do ato. Ademais tem a jurisprudência do STF fixado o entendimento de que mera nulidade relativa não tem o condão de elevarse à grandeza tamanha para desconstituir depoimento de testemunha, sobretudo se desse vício não adveio qualquer prejuízo à defesa patrocinada por advogado presente (HC 68.436, RTJ, págs. 715/719). 3. Alegações finais embora apresentadas sucintamente, com os tópicos essenciais da defesa, se respondidos plenamente na sentença, satisfazem o devido processo legal, não se transformando em cerceamento de defesa, delas não subsumindo nenhum prejuízo ao réu. "Habeas Corpus" conhecido, mas indeferida a ordem. (HC 73565, MAURÍCIO CORRÊA, STF.) (promovi o realce). Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade em razão do cerceamento de defesa, pois entendo que esse não ocorreu, uma vez que o contribuinte deixou sua faculdade de produzir prova esvairse. Mérito. Está claro nos autos que a recorrente foi notificada do início do procedimento fiscal por intermédio do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 17; 119; 151; 170, em 06/10/2010, AR, de fls. 18. Todavia, não é menos verdade que a recorrente estava diligenciando junto ARF – Guanambi/BA pela regularização da obra de CEI Nº 32.080.00810/66, antes de 28/07/2010, pois está a data que consta do ARO, de fls. 90 a 91, para a efetivação do seu cálculo, sendo que tal documento foi disponibilizado para a contribuinte, em 10/09/2010, conforme recibo no corpo do próprio ARO. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720536/201071 Acórdão n.º 2803003.699 S2TE03 Fl. 269 11 Podese observar, ainda, que as providências se seguiram, conforme abaixo listado. · Solicitação de Pesquisa de Situação Cadastral e Fiscal, fls. 34; 112; 143, recebida pelo fisco, em 17/09/2010; · Pedido de Parcelamento de Débito – PEPAR, fls. 33;70; 127, recebido pela receita, em 01/10/2010; · Discriminativo de Débito – DIPAR, de fls. 34; 87; 128, recebido pela receita, em 01/10/2010; · Lançamento de Débito Confessado, de fls. 73, consolidado, em 06/10/2010 · Anexo III, de fls. 80 e 81, datado de 13/09/2010 e como Abono realizado, em 04/10/2010; A questão da instrução processual da defesa da contribuinte remetida a DRJ/SDR foi desmistificada alhures é e dever desta juntar aos autos aquilo que entender adequado para a sua defesa, o que não fez. Não há nos autos prova da alegação de que procurou a ARF quando intimada da TIPF, sendo mera alegação desprovida de confirmação e, ainda, que isso tivesse ocorrido a providência foi inadequada, pois se intimada pela DRF – Vitória da Conquista de um lançamento fiscal, a situação só pode ser resolvida no setor competente, conforme consta do TIPF, o que abaixo transcrevo. A contribuinte desatendeu a intimação por sua consta e risco, pois tratase de pessoa esclarecida com nível superior e que exerce a atividade de Advocacia e portanto sabedora do conteúdo da intimação e de seu dever legal. Na visão da fiscalização não houve renovação da cobrança e muito menos bis in idem, pois inexistente qualquer lançamento sobre a respectiva matrícula, até onde conhecia e estava informada da situação a fiscalização da DRF. O simples atendimento à intimação teria solucionado de plano a situação, pois a contribuinte poderia ter prestado todas as informações sobre seus procedimentos antecedentes. No caso sob vergasta a denúncia espontânea não exige a ocorrência do pagamento, haja vista que o artigo 138, deixa claro que o pagamento não é necessário em todas as situações, observese o texto legal. Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, Fl. 269DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720536/201071 Acórdão n.º 2803003.699 S2TE03 Fl. 270 12 quando o montante do tributo dependa de apuração. (realce feito por mim). A contribuição exigida da obra de construção civil em se tratando de pessoa física – particular – exige a apuração por meio da DISO/ARO e só o órgão fiscal tem os meios necessários para promover tal cálculo, assim não se pode falar em exigir pagamento do contribuinte de algo que ele não conhece o quantum debeatur e nem tem meios de apurálo. De mais a mais, nos termos da lei após o lançamento o contribuinte tem trinta dias para efetuar o pagamento. Lei 5.172/66 Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento Ficou claro que o contribuinte confessou a dívida e pediu o parcelamento, em 01/10/2010 Pedido de Parcelamento de Débito – PEPAR, fls. 33;70; 127, desta forma, ainda que o órgão tributário tivesse realizado todas as suas atividades, ainda, no dia 01/10/2010, a contribuinte teria até o dia 30/10/2010, para promover o pagamento. Ou seja, fica claro e evidente que desde antes de ser intimada do procedimento fiscal a contribuinte estava buscando junto ao órgão competente promover a regularização da situação e qualquer atraso nessa regularização em razão da demora do próprio órgão fiscal, não pode agir em malefício da recorrente. Podese verificar que a ARF emitu dois LDC’s em face da recorrente: · LDC 37.308.2932, fls. 73 a 75, consolidado, em 06/10/2010; · LDC 37.308.2975, fls. 131 a 134, consolidado, em 06/10/2010; O primeiro engloba a parte patronal, o SAT/RAT e terceiros, conforme se verifica dos valores do ARO, de fls 89 a 90, e, do próprio LDC, porém o segundo referese exclusivamente a segurados. Consta, dos autos, as fls. 165, extrato do sistema Sicob Consulta Processos Parcelamento Especial, onde informa o parcelamento dos LDC 37.308.2932 e 37.308.2975, na situação ATIVO. Contudo, as fls. 166 a 169, está inserido nos autos a Consulta Extrato de Parcelamento Especial, da primeira a trigésima parcela, estando pagas apenas as parcelas de nº 1 de forma parcial; a de nº 27, com atraso, existindo saldo; e, a de nº 28 e 29 in totum. O contribuinte, também, apresentou os pagamentos listados abaixo. TABELA DE GPS SUPOSTAMENTE PAGAS NO PARCELAMENTO COMPETÊNCIA CÓD. PAGAMENTO VALOR FLS/OBS Fl. 270DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720536/201071 Acórdão n.º 2803003.699 S2TE03 Fl. 271 13 10/2010 2208 468,45 84/86/200 PATRONAL 10/2010 2208 130,12 138/139/201 SEGURADOS 11/2010 2208 131,43 202 – PATRONAL, quitação ilegível 11/2010 2208 473,14 203 1ª PARCELA, quitação ilegível 12/2010 2208 133,80 204 12/2010 2208 481,70 205 01/2010 2208 133,80 206 01/2011 2208 481,70 207 02/2011 2208 134,68 208 SEGURADO 02/2011 2208 485,32 209 SEGURADO 03/2011 4103 135,78 210 03/2011 4103 489,26 211 04/2011 2208 137,14 212 04/2011 2208 494,26 213 05/2011 2208 140,00 214 05/2011 2208 494,26 215 06/2011 2208 502,14 216 06/2011 2208 139,35 217 07/2011 2208 508,00 218 07/2011 2208 144,35 219 08/2011 2208 157,00 220 08/2011 2208 512,00 221 09/2011 2208 516,20 222 09/2011 2208 143,26 223 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720536/201071 Acórdão n.º 2803003.699 S2TE03 Fl. 272 14 10/2011 2208 520,59 224 10/2011 2208 144,60 225 11/2011 2208 145,75 226 11/2011 2208 524,71 227 12/2011 2208 150,75 228 12/2011 2208 529,71 229 01/2012 2208 535,00 230 01/2012 2208 152,25 231 02/2012 2208 153,77 232 02/2012 2208 540,35 233 03/2012 2208 545,75 234 03/2012 2208 155,00 235 04/2012 2208 545,75 236 04/2012 2208 155,00 237 05/2012 2208 156,55 238 05/2012 2208 551,20 239 06/2012 2208 156,55 240 06/2012 2208 551,20 241 07/2012 2208 556,71 242 07/2012 2208 158,11 243 08/2012 2208 158,11 244 08/2012 2208 556,71 245 09/20102 2208 159,15 246 09/2012 2208 552,47 247 10/2012 2208 160,74 248 10/2012 2208 561,56 249 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720536/201071 Acórdão n.º 2803003.699 S2TE03 Fl. 273 15 11/2012 2208 162,34 250 11/2012 2208 567,17 251 30/12/2012 N/C 756,61 252 AVISO DE COBRANÇA 28/02/2013 N/C 763,78 253 AVISO DE COBRANÇA 30/03/2013 N/C 766,83 254 – AVISO DE COBRANÇA 03/2013 4308 666,76 255 Verificase que os parcelamentos concedidos não atendem a ortodoxia preconizada nas normas sobre o assunto, merecendo ajustes para sanear as incongruências, o que deve ser providenciado pelas autoridades locais da ARF ou da DRF em caso de necessidade. Um ponto que merece ser observado é que o LDC leva em conta no cálculo a área de 469,44, conforme, fls. 101 e 123, e, o Auto de Infração lançado pela fiscalização considera a área total, ou seja, 1.356,22 m², o que leva a majoração da tributação, uma vez que segundo as provas dos autos apenas o pavimento térreo estaria concluído, merecendo o auto de infração reparos nesse ponto. Por fim, e mais importante é verificar que está incluso no DEBCAD Nº 37.308.2932, a parte referente a terceiros lançado no Auto de Infração Nº DEBCAD 37.311.7612, basta somar os valores do ARO, de fls. 90 e 91, para ver que R$ 24.017,39, lançado no LDC advém da soma da parte patronal 20%; do SAT/RAT 3% e de Terceiros 5,8%. Com esses esclarecimentos por haver crédito sendo solvido e por estar o presente lançamento baseado em informações inadequadas, entendo ser o mesmo improcedente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento, tendo em vista que há outro crédito lançado sobre o mesmo fato gerador, sendo adimplido. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720536/201071 Acórdão n.º 2803003.699 S2TE03 Fl. 274 16 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002922/2006-33
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/05/2005 a 30/09/2005
CERCEAMENTODODIREITODEDEFESA.INOCORRÊNCIA.
A fundamentação do acórdão recorrido é suficiente, não acarretando nulidade de julgamento por falta de fundamentação, não violando a ampla defesa, contraditório e ao devido processo legal.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo recorrente.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. SÚMULA Nº 02 DO CARF.
Este Conselho não é competente para proceder à análise de constitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 02 do CARF.
TAXA SELIC. SÚMULA Nº 03 DO CARF.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/05/2005 a 30/09/2005 CERCEAMENTODODIREITODEDEFESA.INOCORRÊNCIA. A fundamentação do acórdão recorrido é suficiente, não acarretando nulidade de julgamento por falta de fundamentação, não violando a ampla defesa, contraditório e ao devido processo legal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo recorrente. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. SÚMULA Nº 02 DO CARF. Este Conselho não é competente para proceder à análise de constitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 02 do CARF. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 03 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11020.002922/2006-33
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5398504
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-004.541
nome_arquivo_s : Decisao_11020002922200633.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11020002922200633_5398504.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes
dt_sessao_tdt : Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5714532
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047250515525632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2051; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.002922/200633 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801004.541 – 1ª Turma Especial Sessão de 16 de outubro de 2014 Matéria IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Recorrente INDÚSTRIA DE MÓVEIS RIZZON LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2005 a 30/09/2005 CERCEAMENTODODIREITODEDEFESA.INOCORRÊNCIA. A fundamentação do acórdão recorrido é suficiente, não acarretando nulidade de julgamento por falta de fundamentação, não violando a ampla defesa, contraditório e ao devido processo legal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo recorrente. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. SÚMULA Nº 02 DO CARF. Este Conselho não é competente para proceder à análise de constitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 02 do CARF. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 03 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 29 22 /2 00 6- 33 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 10/1 1/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes Fl. 343DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 10/1 1/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002922/200633 Acórdão n.º 3801004.541 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11020.002922/200633, contra o acórdão nº 1028.365, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que não foi conhecida a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: “Tratase de manifestação de inconformidade contrao despachode fls 214/215, que não reconheceu a_existência de qualquer crédito da empresa referente ao terceiro trimestre de 2005. O relatório de ação fiscal de fls. 212/214v informa que a empresa declarou na PER/DCOMP 22319.62830.241005.1.3.01 1250, crédito de IPI no valor de R$ 33.969,14, sendo R$ 2.928,33 a título de crédito presumido e R$ 31.040,81 referente à crédito básico. Consigna a fiscalização que a empresa não efetua corretamente o cálculo do crédito presumido, após análise da DCP correspondente, por deixar de registrar o valor dos estoques mensais, o que, conclui o fisco, aumenta artificialmente o volume de consumo de insumos nos meses de fev a nov, pois o registro do estoque "0" espelharia no cálculo o consumo total da matéria prima no processo produtivo, e, consequentemente, direito a crédito de todo o montante do estoque existente em 31/12 do na anterior, mais a totalidade das compras do período, desta forma gerando créditos em desacordo com a legislação. A seguir, conclui: devido ao preenchimento incorreto da DCP com a supressão dos estoques mensais o crédito presumido declarado é inexistente, bem como o crédito básico após exclusão dos créditos presumidos do saldo básico, conforme demonstra à fl. 214, aduzindo que os saldos são negativos porque a empresa não estornou os valores de ressarcimento postulados à RFB. Não resignada, a empresa manifestou sua inconformidade contra o r. despacho aduzindo que o fiscal retroabiu c cálculo do crédito presumido a janeiro de 2004. Averba que como as compensações Ja haviam sido homologadas "por decurso de prazo' , "o agente fiscal se utilizou do crédito reconhecido no presente processo para compensar com débitos anteriores, deixando de homologar a compensação nele indicada", alegando que as compensações homologadas tacitamente tiveram o efeito de extinguir o crédito tributário, passando a discorrer acerca da decadência. Conclui que se as compensações já haviam sido homologadas por decurso de prazo, também homologados estariam os créditos e débitos nela Fl. 344DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 10/1 1/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 utilizados, o que tornaria indevido o recálculo do crédito presumido. Por fim, alega que a fiscalização lançou a título de estoque em setembro de 2004 o valor de R$ 1.974.770,63, quando o correto seria R$ 1.936.662,60, o mesmo ocorrendo em dezembro de 2005, quando o correto seria R$ 1.881.111,0.8, enquanto o valor considerado seria 1.940.936,44. A DRJ de Porto Alegre (DRJ/POA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa. ASSUNTO: Imposto sobre Produto Industrializado IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2005 a 31/09/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. CÁLCULO. Devese registrar, para cálculo de crédito presumido, valor dos estoques mensais, na forma da legislação vigente. Refeito o demonstrativo do crédito presumido e não apontado erro específico neste procedimento, considerase correto os ajuste efetuados pela autoridade fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não reconhecido. Inconformada com improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário fl. 288/324, em que expõe: A necessidade de reforma decisão de primeira instância diante da falta de fundamentação, prejudicando o contraditório e a ampla defesa; O reconhecimento do crédito em sua integralidade com a primazia da verdade material, tendo em vista supostos erros de lançamento, bem como o dever de intimar o recorrente no caso de se ter presumido a inexistência do crédito; A inaplicabilidade da multa e da taxa SELIC. É o sucinto relatório. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 10/1 1/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002922/200633 Acórdão n.º 3801004.541 S3TE01 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, deve ser refutado o argumento de que uma vez havendo compensação tácita, homologados estariam os créditos e débitos nela encerrados, pois tratam estes autos de compensação declarada há menos de cinco anos da data do despacho decisório. Logo, não assiste razão tal argumento. Quanto à nulidade da decisão, igualmente esta não se verifica. A decisão está devidamente fundamentada, não havendo assim violação ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo. Também não se verifica violação ao princípio da ampla defesa e contraditório, assim como ao devido processo legal, devendo ser refutada tal alegação. O que foi imputado ao contribuinte, e que se quer foi feito menção na manifestação de inconformidade, ou em recurso voluntário, o cálculo do presumido, refeito pelo auditor (fl.237/243) não foi contraditado, o contribuinte limitouse a informar que os valores por ele atribuídos estariam corretos, ou seja, com a supressão dos estoques mensais. Isto posto, uma vez silente o contribuinte sobre a forma de cálculo do auditor, visto que foi notificado da decisão (fl.284), presumise aceitada a conclusão pela inexistência de crédito. Diante disso, deve ser mantido o acórdão ora recorrido que considerou que eventuais erros nos estoques apontados pelo contribuinte não alteram os cálculos do trimestre em análise, e a conclusão fiscal de que no período não há saldo de crédito presumido. E caso tivessem repercussão na escrita fiscal refeita, seria ônus da empresa demonstrar em que medida eles influíram naquele. Contudo, não foi feita prova nesse sentido. Inviável neste caso a aplicação do princípio da verdade material, pois mesmo ciente a contribuinte de seu dever de trazer aos autos documentação hábil para comprovar seu direito, optou por assim não o fazer. Além disso, sequer realiza a recorrente a impugnação aos argumentos trazidos no acórdão recorrido, devendo ser considerado como matéria não impugnada. Discordase do argumento da Recorrente de que não há como se admitir que os seus argumentos sejam afastados sob o fundamento de que "seria ônus da empresa demonstrar em que medida eles influíram" nos cálculos em análise. Nem há como acompanhar o conceito de princípio da verdade material adotado pela Recorrente de que deveria o Agente Fiscal, antes de presumir a inexistência de qualquer crédito, intimar a ora Recorrente a apresentar os documentos que comprovassem o quanto por ela alegado. Portanto, com fundamento no artigo 333 do CPC e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese considerar correto o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é Fl. 346DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 10/1 1/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho necessário que a contribuinte apresente a documentação adequada e suficiente para provar o que alega. Neste sentido, a jurisprudência está já sedimentada neste Conselho. Desta forma, em especial pela falta de juntada pela contribuinte de documentos hábeis a comprovar o seu direito, assim como não ter impugnado os argumentos do acórdão recorrido, entendo que deve ser negado provimento a presente alegação. Por fim, necessário verificar dois argumentos trazidos pela recorrente: i) insurgência contra a multa confiscatória e ii) não aplicação da taxa Selic ao presente caso. Ocorre que nestes dois argumentos a contribuinte não está se referindo ao crédito que lhe foi negado, mas sim sobre o saldo devedor consequente da negativa de seu crédito, ou seja, o valor que foi sugerido à compensação. Quanto à alegação de caráter confiscatório da multa aplicada, a moratória, em percentual de 20% (vinte por cento), este Conselho não é competente para proceder à análise de constitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 02 do CARF. Diante disso, por se tratar de matéria constitucional, deixo de analisar tal argumento. Quanto a não aplicação da taxa Selic, necessário referir ao julgamento do Superior Tribunal de justiça, quando da apreciação pela Primeira Seção daquele Tribunal do REsp 1.111.175/SP, de relatoria da Ministra Denise Arruda, julgado em 10/06/2009, sob a sistemática prevista no art. 543C do CPC, em que foi entendido pela aplicação da taxa Selic para atualização de débitos tributários. Em igual sentido, possui o CARF a Súmula de nº 03, in verbis: A partir de 1º de abril de1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há que se falar em ilegalidade na aplicação da Taxa Selic em matéria tributária. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 10/1 1/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002922/200633 Acórdão n.º 3801004.541 S3TE01 Fl. 5 7 Em face do exposto, encaminho o voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 07/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 10/1 1/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
