Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11080.730241/2016-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. ÔNUS DA PROVA. SUMULA CARF Nº 38
A presunção legal de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte aclarar a origem de tais valores mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco.
Comprovada a origem dos valores depositados em conta bancária, não tendo estes sido levados ao ajuste anual, devem ser submetidos às normas de tributação específica, não mais havendo que se falar da presunção legal de omissão de rendimentos capitulada no art. 42 da lei 9.430/96. Contudo, é dever do contribuinte apontar a natureza dos pagamentos.
REGISTROS CONTÁBEIS. MÚTUO.
Mútuo se caracteriza por uma operação de crédito entre pessoas, pela qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos à primeira ao cabo de prazo determinado ou indeterminado. Assim, não merecem fé os contratos formalizados quando não se comprove que a essência dos fatos correspondam aos parcos aspectos formais que revestiram as operações.
Numero da decisão: 2201-004.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. ÔNUS DA PROVA. SUMULA CARF Nº 38 A presunção legal de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte aclarar a origem de tais valores mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. Comprovada a origem dos valores depositados em conta bancária, não tendo estes sido levados ao ajuste anual, devem ser submetidos às normas de tributação específica, não mais havendo que se falar da presunção legal de omissão de rendimentos capitulada no art. 42 da lei 9.430/96. Contudo, é dever do contribuinte apontar a natureza dos pagamentos. REGISTROS CONTÁBEIS. MÚTUO. Mútuo se caracteriza por uma operação de crédito entre pessoas, pela qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos à primeira ao cabo de prazo determinado ou indeterminado. Assim, não merecem fé os contratos formalizados quando não se comprove que a essência dos fatos correspondam aos parcos aspectos formais que revestiram as operações.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.730241/2016-26
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5911750
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.702
nome_arquivo_s : Decisao_11080730241201626.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
nome_arquivo_pdf_s : 11080730241201626_5911750.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo
dt_sessao_tdt : Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7438794
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870795468800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2.484 1 2.483 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.730241/201626 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.702 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2018 Matéria IRPF Recorrente ALBERTO DAVI MATONE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. ÔNUS DA PROVA. SUMULA CARF Nº 38 A presunção legal de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte aclarar a origem de tais valores mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. Comprovada a origem dos valores depositados em conta bancária, não tendo estes sido levados ao ajuste anual, devem ser submetidos às normas de tributação específica, não mais havendo que se falar da presunção legal de omissão de rendimentos capitulada no art. 42 da lei 9.430/96. Contudo, é dever do contribuinte apontar a natureza dos pagamentos. REGISTROS CONTÁBEIS. MÚTUO. Mútuo se caracteriza por uma operação de crédito entre pessoas, pela qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos à primeira ao cabo de prazo determinado ou indeterminado. Assim, não merecem fé os contratos formalizados quando não se comprove que a essência dos fatos correspondam aos parcos aspectos formais que revestiram as operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 02 41 /2 01 6- 26 Fl. 2484DF CARF MF Processo nº 11080.730241/201626 Acórdão n.º 2201004.702 S2C2T1 Fl. 2.485 2 Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relatório Trata o presente de recurso voluntário formalizado em face do Acórdão nº 0443.046, de 26 de maio de 2017, exarado pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS, fl. 2449 a 2456, que assim relatou a lide administrativa: Lançamento: Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada através de auto de infração de imposto de renda pessoa física, resultante de procedimento de fiscalização, no anocalendário de 2011, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 26.718.953,54. Segundo a descrição dos fatos no auto de infração, a autuação decorre de: 1) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. “Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instltuição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. 2) GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. OMISSÃO/APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA DE VALORES. “Omissão/apuração incorreta de ganhos de capital auferidos na alienação de ações ou quotas não negociadas em bolsa de valores, conforme Termo de Verificação Fical – TVF.” Os principais fatos e situações observados e constatados durante o procedimento fiscal estão relatados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 2.266 a 2.376. Impugnação: Fl. 2485DF CARF MF Processo nº 11080.730241/201626 Acórdão n.º 2201004.702 S2C2T1 Fl. 2.486 3 O sujeito passivo, por meio de seu procurador, impugnou, tempestivamente, a exigência, cujos principais pontos, resumidamente, relatamos abaixo: A) Fatos e Institutos Jurídicos: 1) não existe previsão legal que estabeleça um formalismo para os contratos de mútuo, e a ausência de registro público não tem a capacidade de invalidálo; 2) a existência ou não de garantia não tem o efeito de dar validade ou eficácia ao contrato; 3) a declaração ou recolhimento do IOF e/ou do IRRF também não é condição que qualifica um contrato como sendo de mútuo ou não; 4) as ponderações da fiscalização sobre o contrato de linha de crédito são manifestamente especulativas, sem qualquer conteúdo jurídico; 5) a chancela bancária dá veracidade presuntiva relativa ao fato retratado no documento bancário, podendo tal veracidade ser comprovada por outros meios. B) Nulidade da autuação – Legalidade das operações que geraram os créditos bancários: 1) o autuado informou que os depósitos efetuados nas suas contas correntes se tratam de mútuos contratados junto às empresas do grupo; 2) ao não considerar tal argumento a autuação padece de nulidade pois a autoridade fiscal não verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, isto é, não lhes atribuiu a natureza jurídica que julgasse mais adequada, realizando o enquadramento correto para fins de tributação; 3) ao contrário do procedimento adotado pela fiscalização, o artigo 42, § 1º da Lei nº 9.430/96 comporta unicamente o caso de não comprovação da origem; 4) as operações de mútuo realizadas entre o autuado e terceiros e sucessivamente com empresas do grupo Matone foram documentalmente demonstradas e comprovadas; 5) incabível, portanto, a alegação da fiscalização de que não foi comprovada a origem dos recursos; 6) em outros contratos de mútuos firmados com terceiros a fiscalização os desqualificou, alegando faltarem uma série de requisitos formais, no entanto, efetuou o lançamento com base na presunção do artigo 42, § 1º da Lei nº 9.430/96; 7) os documentos juntados aos autos comprovam a amortização do débito mediante o repasse das dívidas entre o autuado e as empresas e, eventualmente também entre estas; Fl. 2486DF CARF MF Processo nº 11080.730241/201626 Acórdão n.º 2201004.702 S2C2T1 Fl. 2.487 4 8) se a autuação não ficou satisfeita com as explicações formuladas e desqualificou os contratos, ela deveria darlhes a natureza que julgasse mais adequada; 9) a origem restou comprovada com os documentos apresentados pelo autuado, não sendo cabível o lançamento com base na presunção do artigo 42, § 1º da Lei nº 9.430/96. Ao final requereu a improcedência do lançamento. É o relatório. Debruçada sobre os termos da impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS exarou o Acórdão ora recorrido. em que considerou improcedente a impugnação, lastreada nas conclusões que podem ser assim resumidas: O interessado não impugnou a infração relativa a ganhos de capital na alienação e bens e direitos. (...) Assim, a impugnação apresentada é parcial. FORMALISMO DOS CONTRATOS Ao contrário do que alega o impugnante tanto no Direito Civil quanto no Direito Comercial estão estabelecidos ritos formais disciplinando a elaboração de contratos, estando previstos requisitos, forma, conteúdo e aplicabilidade. Contratos que não atendam a estas formalidades não podem ser considerados válidos. O registro público traz transparência e publicidade aos contratos, enquanto que a existência de garantias reais, principalmente em contratos que envolvam valores expressivos, traz a credibilidade necessária perante terceiros, principalmente em relação ao Fisco. (...) COMPROVAÇÃO DO ALEGADO (...) Portanto, estabelecida a presunção legal de que especificamente se trata, caberia ao sujeito passivo afastála pela apresentação dos documentos e esclarecimentos suficientes para elidir a pretensão fiscal. Se assim não procede, qualquer que seja a razão, dá ensejo à exigência decorrente do fato tributário presumido – disponibilidade econômica ou jurídica de renda – a partir do fato indiciário – movimentação financeira não justificada. (...) Para elidirse de tal presunção, cabe ao sujeito passivo demonstrar que a movimentação bancária é meramente patrimonial, ou corresponde a rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. Ausente a prova favorável configurada está a ocorrência da hipótese de omissão rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 2487DF CARF MF Processo nº 11080.730241/201626 Acórdão n.º 2201004.702 S2C2T1 Fl. 2.488 5 (...) Quando o artigo 42 da Lei 9.430/96 disciplina que a origem dos recursos deve ser comprovada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, não está se restringindo à apresentação do documento que informa a origem do depósito/crédito, mas sim definindo critérios para demonstração, detalhamento, comprovação e motivação de todas as operações contábeis/financeiras que tenham resultado na movimentação financeira realizada. E esta atribuição é, sem sombra de dúvida, do contribuinte. Isto posto concluise pela inexistência de qualquer nulidade ou impropriedade que possa macular o procedimento fiscal realizado. Cientificado do Acórdão de 1ª Instância, em 26/06/2017, conforme AR de fl. 2464, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fl. 2467 a 2477, em que reitera os argumentos apresentados na impugnação, os quais serão melhor detalhados no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por atender às demais condições de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Após breve síntese da celeuma administrativa, o recorrente passa a abordar, separadamente, os fundamentos fáticos e jurídicos que amparam a defesa, os quais serão a seguir tratados na mesma sequência em que se apresentam na peça recursal. As empresas do Grupo Matone Inicia informando que, embora não figure como acionista, é controlador indireto do Grupo Matone, em razão do controle da Matone Empreendimentos Imobiliários, que controlava o Banco Matone até 2010, quando foi alienado, passando a denominarse Banco Original. A autuação está baseada em opiniões do fisco sobre os fatos e os institutos jurídicos e a decisão recorrida convalidou tais ilações. Alega que o art. 107 do Código Civil estabelece a regra geral de que contratos não dependem de forma especial, razão pela qual entende que mesmo que formalizado de maneira oral, não haveria prejuízo à natureza de um contrato de mútuo, suas prorrogações e aditivos. Contesta o argumento da autuação e da Decisão recorrida de que os contratos de mútuo deveriam ser levados a registro público para ter validade perante terceiros e que o art. 221 do Código Civil não fala em validade do contrato, mas dos seus efeitos perante terceiros. Fl. 2488DF CARF MF Processo nº 11080.730241/201626 Acórdão n.º 2201004.702 S2C2T1 Fl. 2.489 6 Afirma que o auto lançamento ou o recolhimento do IOF também não são condições que qualificam um contrato como sendo de mútuo ou não e que, portanto, ao contrário do que pretende a autuação, se há mútuo e não houve recolhimento do IOF, configurase a situação de inadimplência e não de inocorrência do fato gerador. |Mesmo raciocínio que se aplica ao IRRF, cujo recolhimento ou não em nada se confunde com a ocorrência ou não do fato gerador. Sustenta que o pagamento de juros não é condição para a existência de mútuo, que pode, inclusive, se dar em caráter gratuito. Do mesmo modo, não se confunde a "restituição da coisa" com a efetiva devolução. A previsão de restituição é condição que desqualifica a operação como doação ou compra e venda. Alega que o contrato de "linha de crédito" (ou abertura de crédito) é contrato pelo qual alguém (mutuante) se obriga a colocar à disposição de outrem (mutuário) uma determinada quantia soma em dinheiro, mas que só se confirma quando da entrega efetiva do recurso, aproximandose mais de uma promessa de mutuo do que de um mútuo propriamente dito. Aduz que a autuação se descola da técnica jurídica e opina sobre o tema que não lhe compete, circunstância que não foi corrigida pela Decisão recorrida. Já que o valor do contrato (elevado ou não) diz respeito exclusivamente às partes envolvidas, não tendo a RFB competência legal ou autoridade para adentrar nessa seara. Por fim, neste tema, questiona a afirmação da Autoridade lançadora de que é a autenticação bancária que confere validade ao documento, questão sobre a qual a decisão recorrida teria silenciado. Resumidas as alegações da defesa neste tema, constatase que, inicialmente, a defesa ataca as conclusões da Autoridade lançadora relacionadas aos aspectos formais dos documentos apresentados no curso do procedimento fiscal. Filiome à corrente de pensamento que considera menos importante os aspectos formais dos instrumentos de mútuo, prestigiando a essência das operações, em particular quando estas ocorrem entre pessoas próximas, justificandose, vez ou outra, alguma medida de informalidade. A Solução de Consulta Cosit nº 50/15 estabelece que, para a configuração do mútuo, são irrelevantes os aspectos formais mediantes os quais a operação se materializa e a natureza da vinculação entre as parte, é certo que afirma que: Mútuo é espécie do gênero empréstimo. Nos termos do art. 586 do Código Civil de 2002 (CC), no mútuo, uma parte cede a outra coisa fungível, tendo a outra parte a obrigação de restituir igual quantidade de bens do mesmo gênero e qualidade. Não se discute o momento do nascimento da obrigação tributária, em particular em relação ao Imposto sobre Operações Financeiras incidente sobre operações de crédito, já que a Lei 5.172/66, em seu art. 631, é clara sobre o tema. 1 Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: Fl. 2489DF CARF MF Processo nº 11080.730241/201626 Acórdão n.º 2201004.702 S2C2T1 Fl. 2.490 7 Entendo que não há dúvidas de que mutuante e mutuário são absolutamente livres para estabelecer taxas, prazos e valores das operações, não cabendo ao Fisco avaliar os ajustes a partir de tais aspectos. Não obstante, não se pode desconsiderar que o papel do autor do procedimento fiscal é coletar elementos que lhe permitam formar um juízo sobre o caso concreto. Assim, é natural que aponte todo e qualquer indício que robusteça suas conclusões, sejam eles indícios materiais ou formais, ainda que, tais elementos, isoladamente, pudessem levar o mesmo Agente a conclusões diversas. Portanto, ainda que este Conselheiro não concorde com algumas das conclusões da Autoridade lançadora quanto aos aspectos formais não verificados nas operações, tal fato não é suficiente para evidenciar a improcedência do lançamento, já que apenas constituem indícios que, juntamente com tantos outros, contribuíram para a formação da convicção do Agente Fiscal. Feitas tais considerações, entendendo que as questões formais citadas pela defesa não justificam, por ora, a alteração do lançamento ou da decisão recorrida. Assim, concluindo que não há nada a prover neste tema, passase à análise das demais questões tratadas no recurso voluntário. Nulidade da autuação: as operações que geraram os créditos originários de Matone Patricipações S/A, Matone Investimentos S/A, Matone Holding S/A e ADM Investimentos S/A — subitens IV.I a IV.VI. Afirma a defesa que informou à Fiscalização que os depósitos efetuados em suas contas bancárias seriam decorrentes de mútuos contratados junto às empresas do Grupo, argumento que foi desconsiderado pelo autor do procedimento fiscal em razão da carência de aspectos formais que qualificassem tais instrumentos como mútuo, não havendo, portanto, prova hábil e idônea da origem dos recursos, já que, para a comprovação da origem, não basta identificar quem fez o depósito, mas demonstrar a natureza da operação. Tal conclusão foi corroborada pela Decisão recorrida, que entendeu que o art 42 da Lei 9.430/96 exige comprovação da origem e da motivação de todas as operações que geraram as movimentações financeiras avaliadas. O contribuinte contesta tal conclusão, alegando que se trata de uma interpretação extensiva do preceito legal, que atribui ao contribuinte a obrigação de demonstrar a origem dos recursos ingressados em sua conta bancária, mas não a natureza. Nesta esteira, suscita a nulidade da decisão, por não ter o Agente Fiscal verificado a efetiva ocorrência do fato gerador, da obrigação tributária, conforme determina o art. 142 do CTN. Resumidas as razões da defesa neste tema, constatase que a insurgência do autuado está restrita ao binômio origem/natureza dos valores creditados em sua conta bancária, por entender que, para afastar a presunção legal contida no art. 42 da lei 9.430/96, seria suficiente a indicação da origem dos valores recebidos. I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; Fl. 2490DF CARF MF Processo nº 11080.730241/201626 Acórdão n.º 2201004.702 S2C2T1 Fl. 2.491 8 Depreendese da leitura do Relatório Fiscal produzido no curso da Fiscalização, que parte dos valores considerados omitidos tem origem identificada, mas não sua natureza, o que levou o Agente Fiscal a considerar como omissão de rendimentos. Neste ponto, convém trazer à balha o teor do art. 42 da Lei 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Grifouse. Como se vê, os valores cuja origem foram comprovadas no curso do procedimento fiscal devem ser submetidos às normas de tributação específicas às respectivas natureza, pois, havendo a comprovação da origem e não tendo sido computados tais rendimentos na base de cálculo do tributo, não mais há que se falar da presunção de omissão de rendimentos de que trata o citado art. 42, mas de efetiva omissão de rendimentos. Não compartilho do entendimento de que a palavra "origem" constante do caput do art. 42 apresente significado mais abrangente do que efetivamente tem. Origem é o lugar de onde provém alguém ou alguma coisa, é a fonte, é a procedência. Parece evidente que o espírito da norma é evitar que o titular da movimentação financeira, que é quem teria a maior facilidade de indicar a fonte dos recursos, deixasse para o fisco toda a tarefa de identificar a origem dos créditos em suas contas bancárias. Assim, a lei inverteu o ônus da prova, atribuindo ao titular da conta bancária o dever de aclarar a origem dos valores. Feito isto, não há mais que se falar em presunção legal de omissão de rendimentos, devendo a tributação, se for o caso, considerar as normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Não obstante, a comprovação da origem não desobriga o contribuinte de comprovar a natureza dos rendimentos, em particular para que possa o Agente Fiscal aplicar as normas de tributação específicas. Tal obrigação está prevista no Decreto 3.000/99 (RIR), expressamente indicado no Termo de Início do Procedimento Fiscal de fl. 4, e assim dispõe: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações Fl. 2491DF CARF MF Processo nº 11080.730241/201626 Acórdão n.º 2201004.702 S2C2T1 Fl. 2.492 9 tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal. O mesmo Regulamento prevê, ainda: Art. 845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79): I arbitrandose os rendimentos mediante os elementos de que se dispuser, nos casos de falta de declaração; II abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios; III computandose as importâncias não declaradas, ou arbitrando o rendimento tributável de acordo com os elementos de que se dispuser, nos casos de declaração inexata. Analisando o Auto de Infração de fl. 2391 a 2399, constatase que a Autoridade lançadora indicou expressamente a fundamentação legal do lançamento, apontando para o art. 42 da Lei 9.430/96, mas apontou, também, outros fundamentos, dentre os quais merece destaque os seguintes artigos do já citado Regulamento do Imposto de Renda: Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). Parágrafo único. Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66). Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 11080.730241/201626 Acórdão n.º 2201004.702 S2C2T1 Fl. 2.493 10 Como se vê, os artigos acima constituem a regra geral de tributação do Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza. Naturalmente, há rendimentos específicos que não são alcançados pela tributação do IR, como os expressamente elencados no art. 39 do mesmo regulamento, bem assim os que estão sujeitos a tributação diferenciada, a exemplo daqueles tributados exclusivamente na fonte, como os decorrentes de 13º salário ou de Participação nos Lucros ou Resultados. Contudo, tendo em vista que a regra, no caso de pessoa física, é a tributação na Declaração de Ajuste Anual, a necessidade de que o contribuinte demonstre não apenas a origem de seus rendimento é para que tenha a oportunidade de demonstrar a natureza dos valores recebidos para que, sendo estes isentos, não haja qualquer incidência tributária ou, sendo estes submetidos à tributação diferenciada, sejam aplicadas as respectivas normas tributárias. Desta forma, ainda que o Agente fiscal tenha manifestado seu entendimento de que o lançamento se deu com base no art. 42 da Lei 9.430/96, não indicou expressamente em sua conclusão de que se tratava de presunção de omissão de rendimentos. Veja o texto utilizado pelo Agente Fiscal ao final de todos os tópicos do Relatório Fiscal (são exemplos os itens 251, 285, 296, 299, 313, 321, 326, 331, etc): Desse modo, fazse mister efetuar o lançamento do imposto devido com base no art. 42 da Lei 9.430/96. Como destacado acima, o citado art. 42 trata da incidência de normas específicas nos casos em que restar comprovada a origem do rendimento, o que evidencia a correção do procedimento fiscal ao indicar outros fundamentos para a exigência no corpo do Auto de Infração. Ainda que o Agente Fiscal manifeste entendimento divergente deste Relator em relação à sua interpretação da palavra "origem" no contexto da presunção legal em tela, ao final nossas conclusões são as mesmas, já que deve o contribuinte aclarar não apenas de onde veio o numerário, mas demonstrar a natureza do crédito, de modo que se possa aferir a regra tributária aplicável. Desta forma, pelo Princípio da instrumentalidade das formas, temos que a existência do ato processual não é um fim em si mesmo, mas instrumento utilizado para se atingir determinada finalidade. Assim, ainda que com algum vício, se o ato atinge sua finalidade sem causar prejuízo às partes, não se declara sua nulidade. Assim, não vislumbro mácula no lançamento que seja capaz de impor o reconhecimento de sua nulidade, já que não houve qualquer prejuízo ao recorrente, que, de tudo, foi cientificado e teve plenamente franqueada a possibilidade de demonstrar a natureza de tais rendimentos. Portanto, não procedem os argumentos da defesa, não tendo ocorrido qualquer fato que importasse mácula à essência do lançamento a que alude o art. 142 da Lei 5.172/66 (CTN), ou que cerceasse a defesa do sujeito passivo. Assim, neste tema, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 2493DF CARF MF Processo nº 11080.730241/201626 Acórdão n.º 2201004.702 S2C2T1 Fl. 2.494 11 Créditos recebidos de Matone Holding S/A (item IV.I) e Matone Participações S/A (item IV.II). Prova da origem. Alega a defesa que o valor lançado decorre de créditos devidamente lançados em sua DIRPF e coincidente com os registros contáveis da empresa. Sustenta que firmou contrato de mútuo com terceira pessoa (Banco BVA s/a), que creditou o valor diretamente à Matone Holding, que, posteriormente, cedeu os créditos à Matone Participações, que restou devedora do recorrente. Afirma, ainda, que firmou contrato de mútuo com Davijocia Ltda, relativo a uma abertura de crédito no valor de R$ 20.000.000,00, valor também repassado à Matone Participações. Aduz que os documentos comprobatórios estão nos autos e, mais uma vez, ressalta que contratos de mútuo não demandam forma específica, podendo até mesmo ser pactuado de forma oral e que, se valores a ele emprestados foram creditados diretamente na conta da Matone Holding ou da Matone Participações, restou credor de tais empresas. Afirma que, se a fiscalização, após circularizar terceiros, reconheceu o trânsito financeiro de valores, de onde vieram e para onde foram, concluindo que tais terceiros são empresas sobre a qual o recorrente possuía "grande poder de influência", não pode simplesmente autuar com base no art. 42, § 1º, da Lei 9.430/96. Não pode a fiscalização adotar o caminho mais fácil, alegando tudo se tratar de ausência de origem. Por fim, a respeito de depósitos sobre os quais o contribuinte "não lembra a origem" e "não logrou identificar e localizar a documentação", entende que não podem ter o mesmo tratamento dispensado àqueles em que a fiscalização simplesmente não admitiu a explicação fornecida pelo autuado. No item em questão, que consta do Relatório Fiscal a partir de fl. 2302, o Agente do Fisco afirma que, em relação créditos que especifica, cujo total é de R$ 8.264.183,18, o autuado teria informado trataremse de recebimentos de créditos que possuía com a Matone Participações (atual Matone empreendimentos Imobiliários), tendo apresentado livro Razão e demonstrativos. O Razão identifica lançamentos coincidentes com os créditos sob análise, além de outros lançamentos referentes à liquidação de ações sem beneficiário identificado e transferências de saldos ao próprio fiscalizado, cujos esclarecimentos não foram prestados pelo sujeito passivo ou pela empresa. Reconhece que, para o ano de 2011, há coincidência entre valores informados na DIRPF do ora recorrente e os registros do Razão, mas ressalta que a referida conta envolve outros lançamentos. Que o sujeito passivo, ao ser intimado a esclarecer e comprovar a natureza da operação que deu causa ao crédito, informou que os recursos tiveram origem em mútuos obtidos junto ao Banco BVA e à empresa Davijocia Ltda. Entretanto, não apresentou nenhum documento relacionado à operação entre ele e a Matone Participações S/A. Em relação aos contratos com a BVA (dois, no valor de 10 milhões cada um), que foram emitidos em 30/06/2010, confirmou o Agente que houve crédito recebido do fiscalizado, no mesmo dia, pela Matone Holding S/A, no valor de 20 milhões. Fl. 2494DF CARF MF Processo nº 11080.730241/201626 Acórdão n.º 2201004.702 S2C2T1 Fl. 2.495 12 Em relação aos contratos com a Davijocia, sustenta o Fisco que não foram registrados, não contam com reconhecimento de firma dos signatários, não identificam a pessoa que assina pela mutuante, não conta com avalistas ou garantias, não tem previsão de pagamento da dívida, não apresentando, de maneira razoável, os requisitos mínimos necessários que se espera de um documento que formalize uma operação de valores tão consideráveis. Para averiguar a alegada operação entre o autuado e a Matone Participações, a Fiscalização diligenciou para que esta informasse se o fiscalizado faria parte do seu quadro societário ou se atuou como seu responsável legal e, ainda, para apresentar todas as transferências de valores para o sujeito passivo no ano de 2011, indicando data, valor, conta bancária e a que título ocorreram tais transferências. Em resposta, a Matone Participações informou que, em 2011, ora recorrente detinha participação societária na ordem de 90,40% do Capital Social e que não era o responsável legal da empresa, passando a esta condição a partir de 2012. Quanto às transferências, detalha débitos e créditos no período, indicando um total de repasse na ordem de R$ 11.638.185,00 (valores maiores que os que constavam na intimação) e informa que os repasses partiram de orientação da Diretoria para que tivessem o fiscalizado como intermediário. A Fiscalização, em razão da indicação de que o autuado era intermediário em tais operações, elaborou nova intimação ao sujeito passivo para prestar esclarecimentos sobre a que título ocorreram tais operações com a Matone Participações S/A. Em resposta, afirmou que a maioria das movimentações de seu patrimônio era feita por terceiros colaboradores e que não se lembrava das razões do mútuo, além daquelas que constavam dos próprios documentos e que não tinha mais informações ou esclarecimentos além daqueles já prestados. Com isso, questionamentos como tipo de mútuo, período de vigência, valores efetivamente recebidos e pagos (amortização da dívida) à Matone Participações, encargos (juros e IOF e IRRF) ficaram sem respostas. Diante de tal cenário, a Autoridade Lançadora concluiu que a simples identificação do depositante ou a apresentação de documentos sem os devidos esclarecimentos, sem comprovação da efetividade da operação, não são suficientes para comprovála, não se podendo afirmar se os créditos são decorrentes de mútuo ou se o sujeito passivo serviu de intermediário em outra operação ou se dentre esses créditos, por exemplo, há valores referentes a venda de ações, dentre outros. Em síntese, as mesmas considerações sobre as conclusões do lançamento acima dispostas se repetem em relação no item IV.I do relatório fiscal, que trata de operação idêntica, com alteração apenas de valores, mas envolvendo créditos originários da Matone Holding S/A. Resumidas as ponderações da defesa e da autuação fiscal, passo às mesmas ponderações relacionadas aos item subsequentes, que, em síntese, são semelhantes e podem se tratados em conjunto, de forma a tornar mais célere e racional a análise por parte deste Relator. Mútuo com ADM Investimentos S/A (item IV.III), Mútuo com Matone Holding S/A (item IV.IV), Matone Investimentos S/A (item IV.V) e Matone Participações S/A (item IV.VI). Prova da origem. Fl. 2495DF CARF MF Processo nº 11080.730241/201626 Acórdão n.º 2201004.702 S2C2T1 Fl. 2.496 13 Alega a defesa que apresentou documentos comprovando ter realizado operações de mútuo com as empresas citadas no título, no valor de R$ 2.000.000,00, R$ 8.800.000,00, R$ 20.960.000,00 e R$ 32.975. 000,00, os quais se encontram também refletidos na DIRPF e na contabilidade das mutuantes e que a própria autuação qualifica os créditos em conta corrente como mútuos, questão que teria sido abordada na defesa, mas sem manifestação por parte da decisão recorrida. Que tais contratos foram desqualificados por falta de requisitos formais, levando ao lançamento com base na presunção ao art. 42, § 12, da Lei 9.430/96. Sustenta que apresentou documentos informando o repasse das dívidas entre as empresas e documentos informando a amortização delas, mas a autuação entendeu que eles vieram "desacompanhados dos esclarecimentos necessários". Que tais documentos totalizam o repasse de dívidas de R$ 860.867,84, (fls. 23172320), R$ 646.374,24 (fls. 23292931), R$ 25.924.725,56 (fls. 23422345) e R$ 50.743.706,19 (fl. 23552360), perfazendo um total de R$ 78.175.673,83, contra um valor total mutuado de R$ 64.735.000,00 e que, somando esse valor ao relativo ao tópico antecedente, a soma é R$ 86.218.798,21. A partir de tais conclusões, o recorrente entende que os documentos juntados aos autos, que comprovam a amortização do débito mediante o repasse das dívidas entre o defendente e as empresas, são consistentes, já que há R$ 78.175.673,83 em pagamentos de um total de depósitos de R$ 86.218.798,21, se considerados os mútuos dos tópicos IV.I a IV.VI. Alega que a questão do repasse de dívidas é simples, já que configurava apenas uma troca de credor, em que Alberto era devedor da Matone Participações S/A, por exemplo. Para amortizar a dívida com aquela empresa, ele pagava uma despesa de R$ 1.000,00 daquela empresa com um crédito que mantinha em outra empresa, como a Matone Investimentos S/A, por exemplo. Assim, a dívida com Matone Participações S/A diminuía, mas a dívida com Matone Investimentos S/A aumentava. O impacto econômicofinanceiro no recorrente era nulo, pois a dívida era apenas repassada para outra empresa. Em outras hipóteses, uma terceira empresa, Matoneinvest Holding S/A, pagava uma despesa de uma das empresas (Participações, Holding, ADM), de modo que a dívida de Alberto com tais empresas diminuía em contrapartida do aumento da sua dívida com a Matoneinvest. Aduz que comprovou a origem dos depósitos, cabendo à Fiscalização dar lhes a natureza que julgasse mais adequada, não sendo obrigação da recorrente tal prova, já que não há essa obrigatoriedade na Lei 9.430/96. Portanto, se a autuação não ficou satisfeita com as explicações formuladas e desqualificou os contratos, ela deveria usar da faculdade prevista no art. 116, § único, do CTN, e não simplesmente usar o argumento da presunção como se o contribuinte não tivesse dado satisfação alguma à fiscalização. O Relatório Fiscal produzido no curso da fiscalização indica os procedimentos e as conclusões da Autoridade Lançadora, que podem ser assim resumidas: Item IV.III (Mútuo com ADM Investimentos S/A Fl. 2496DF CARF MF Processo nº 11080.730241/201626 Acórdão n.º 2201004.702 S2C2T1 Fl. 2.497 14 O fiscalizado foi intimado a comprovar a origem de crédito na ordem de R$ 2.000.000,00, para o quê apresentou contrato de mútuo não registrado, sem reconhecimento de firma dos signatários, sem identificação de quem assina pela empresa mutuante, sem avalistas, sem garantia e sem previsão para pagamento, afirmando apenas tratarse de uma linha de crédito de R$ 15.000.000,00 a contar de outubro de 2011. Que intimado a apresentar maiores informações sobre a tal operação de mútuo, o autuado informou ter sido contabilizado o respectivo IOF, bem assim que houve amortização total do contrato, juntando cópia do livro Razão e de aviso de lançamento. Que tal livro Razão identifica lançamento a débito coincidente com o depósito sob análise, mas que há registro de outras operações referentes a IOF sob a retirada e atualização do contrato de mútuo. Não obstante, tal IOF não teria sido informado em DCTF, além de evidenciar saldo divergente daquele informado pelo autuado em DIRPF. Ademais, que o citado aviso de lançamento não conta com autenticação bancária da transação Diligenciada, a Matone Investimentos S/A, incorporadora da ADM Investimentos S/A, informou que o sujeito passivo fiscalizado detinha, em 2011, 95,67% do Capital Social, não era o representante legal da empresa, recebeu transferências em 2011 em razão de contrato de mútuo, que não ocorreu pagamento dos mútuos em 2011 e que os repasses partiram de orientação da diretoria, para que os mesmos tivessem o Diretor Presidente, Sr. Alberto Davi Matone, como intermediário. Elenca uma série de documentos apresentados pelo fiscalizado para comprovar a amortização parcial da dívida em tela, na ordem de R$ 860.867,84, que em sua maioria seriam recibos assinados pelo próprio fiscalizado representativos de repasses decorrentes de pagamento de débitos. Entendendo não comprovada a amortização da dívida, intimou o sujeito passivo a esclarecer de forma mais detalhada a operação, intimação que foi respondida após reintimação, em que alegou que a movimentação de seu patrimônio era feita por colaboradores, que não se lembrava das razões do mútuo e que lamentava não ter mais informações ou esclarecimentos além daqueles já prestados. Com isso, questionamentos como tipo de mútuo, período de vigência, valores efetivamente recebidos e pagos (amortização da dívida) à Matone Participações, encargos (juros e IOF e IRRF) ficaram sem respostas. Diante de tal cenário, a Autoridade Lançadora concluiu que a simples identificação do depositante ou a apresentação de documentos sem os devidos esclarecimentos, sem comprovação da efetividade da operação, não são suficientes para comprovála, não se podendo afirmar se os créditos são decorrentes de mútuo ou se o sujeito passivo serviu de intermediário em outra. Item IV.IV (Mútuo com Matone Holding S/A Neste item, toda o cenário contido no Item IV.III se repete, com algumas pequenas particularidades, a saber: O razão registra operação de reclassificação de saldo que não foi esclarecida; houve apresentação de PERDCOMP para demonstrar a extinção do débito de IOF; houve mais de um aviso de lançamento, mas todos sem a autenticação bancária; não havia participação direta do autuado no capital social da empresa Matone Holding Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 11080.730241/201626 Acórdão n.º 2201004.702 S2C2T1 Fl. 2.498 15 Item IV.V (Mútuo com Matone Investimentos S/A Item IV.V (Mútuo com Matone participações S/A Nestes itens, todo o cenário contido no Item IV.III se repete, unicamente com mudança da participação societária detida pelo fiscalizado na empresa mutuante. Itens IV.VII a V. Neste item, a defesa apenas alega que a origem dos valores restou comprovada com os documentos apresentados, cabendo à fiscalização, com base no seu dever poder, estabelecer a natureza jurídica que julgasse mais adequada. Logo, também aqui se apresenta a violação ao art. 142, do CTN. Conclusões do Relator Pontuadas as considerações da defesa e da Autoridade Fiscal, notase um emaranhado de operações em valores bastante razoáveis, cujos registros, ainda que, individualmente e em algum momento possam coincidir, não se sustentam no conjunto. Conforme já dito alhures, não se discute que mutuante e mutuário são absolutamente livres para estabelecer taxas, prazos e valores das operações, não cabendo ao Fisco avaliar os ajustes a partir de tais aspectos. Ressalto mais uma vez que considero que a essência das operações deve se sobrepor aos seus aspectos formais. Contudo, não se pode compreender como valores tão significativos, em transações envolvendo instituições formalmente estabelecidas, inclusive financeiras, pudessem ocorrer com tal nível de informalidade. Como crer que, diante dos atores envolvidos, mútuos sejam formalizados sem qualquer preocupação com a forma? Será que tais instituições operam deste modo com todos os seus clientes ou apenas com quem detenha algum tipo de influência relevante em sua administração? Sendo com todos os seus clientes, não se pode esperar que tenham vida longa. Por outro lado, se tal modo de operação está restrito aos seus administradores mais influentes, decerto que é conduta que pode ser considerada reprovável pelas demais partes interessadas, como sócios minoritários, credores, etc. Como também dito acima, não se pode desconsiderar que o papel do autor do procedimento fiscal é coletar elementos que lhe permitam formar um juízo sobre o caso concreto. Assim, é natural que aponte todo e qualquer indício que robusteça suas conclusões, sejam eles indícios materiais ou formais, ainda que, tais elementos, isoladamente, pudessem levar o mesmo Agente a conclusões diversas. Afinal, estamos falando de quantias que são expressas em números, cujo controle pode e deve se dar nos detalhes, em particular em casos como estes, em que os valores envolvidos montam dezenas de milhões de reais. Não é possível crer que alguém movimente quantia tão expressiva sem qualquer preocupação com controle efetivo, principalmente quando há que se prestar contas posteriormente, seja ao fisco, seja às demais partes interessadas. Como se viu no relatório fiscal, créditos são disponibilizados em conta pessoal do fiscalizado e, a partir daí, verificase uma sequência de transações mal ou não Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 11080.730241/201626 Acórdão n.º 2201004.702 S2C2T1 Fl. 2.499 16 explicadas, sem rigor formal nenhum, envolvendo transferências de operações que não se justificam objetivamente. Assim, diante de movimentações financeiras sem explicação razoável, não restando evidenciada a sua real natureza, está correto o Agente Fiscal em lançar o tributo devido, já que, conforme pontuado em item anterior, a regra de tributação é a estabelecida no art. 37 e 38 do Decreto nº 3.000/99, fundamentação expressamente contida no auto de infração guerreado. No que tange às conclusões manifestadas pelo Agente Fiscal sobre seu entendimento de que o lançamento se deu com base no art. 42 da Lei 9.430/96, adoto aqui, como razão de decidir, integralmente, as razões e fundamentos legais indicadas para o mesmo tema tratado no item Nulidade da autuação, tudo para, da mesma forma, negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 2499DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.725398/2013-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso voluntário interposto depois de esgotado o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 1302-003.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário interposto depois de esgotado o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10166.725398/2013-84
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5918775
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-003.100
nome_arquivo_s : Decisao_10166725398201384.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 10166725398201384_5918775.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
id : 7475499
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870815391744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 289 1 288 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.725398/201384 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.100 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2018 Matéria IRPJ. GLOSA DEDUÇÃO IRRF. Recorrente CENTRAIS ELETRICAS BRASILEIRAS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário interposto depois de esgotado o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 53 98 /2 01 3- 84 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10166.725398/201384 Acórdão n.º 1302003.100 S1C3T2 Fl. 290 2 Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 02053.778 da 2ª Turma da DRJ/BEL, cuja ementa assim dispõe: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. Rejeitase a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do lançamento. SALDO NEGATIVO. GLOSA SUPERIOR AO CRÉDITO PLEITEADO. Se houver glosa das parcelas do saldo negativo em montante superior ao crédito pleiteado, é licito à Administração Tributária efetuar o lançamento da parcela não recolhida do IRPJ. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A recorrente tomou ciência do Acórdão nº 02053.778 em 14/03/2014 (AR a fls. 180) e interpôs recurso voluntário em 16/04/2014, no qual alega, em síntese, que: a) o procedimento fiscal que resultou na cobrança equivalente a R$ 223.318.824,17 tem como fato gerador a não homologação das compensações realizadas com crédito do saldo negativo do IRPJ verificada no ano base de 2008 no valor de R$ 51.793.424,90, nos autos do PAF 10166.901.787/201312, sendo que a manifestação de inconformidade foi parcialmente provida e o recurso voluntário encontrase pendente de julgamento; b) que o §11 do art. 74 da Lei 9.430/96 não deixa dúvida sobre o caráter impugnatório da manifestação de inconformidade e, por conseguinte, da sua qualidade de suspender a exigibilidade nos termos do art. 151, III, do CTN; c) é insubsistente o auto de infração bem como sem efeito qualquer exigibilidade creditícia, cobrança, lançamentos ou inscrição em dívida decorrente deste processo nº 10166.725.398/201384 ou dos Processos nºs 10.166902.073/201321, nº 10.166 901.988/201310 e nº 10,166902.074/201376; e Processo nº 10166.721.911/201368 até decisão final a ser proferida no processo administrativo acima mencionado nº 10.166.901.787/201312 relativo à manifestação de inconformidade. Na Sessão de Julgamento de 01 de março de 2016, esta Turma converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução 1302000.405 (a fls. 249 e segs.), tendo o Relator Alberto Pinto Souza Junior restado vencido, pois dava provimento parcial ao recurso voluntário. A Conselheira Edeli Bessa assim exarou a parte dispositiva da Resolução: “Frente a tais circunstâncias, necessária também se faz a conversão do presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal informe, nestes autos, a repercussão das constatações resultantes das providências requeridas para aferição do saldo negativo em debate nos autos do processo administrativo nº 10166.901787/201312. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10166.725398/201384 Acórdão n.º 1302003.100 S1C3T2 Fl. 291 3 cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa.”. A fls. 259 destes autos, foi juntada a Informação Fiscal nº 0565/2016, datada de 13/05/2016 na qual informa que "concluise o resultado da diligência requerida para o processo nº 10166.901787/201312 não foi conclusivo em relação ao reconhecimento ou não do direito creditório pleiteado pela contribuinte, tão somente se limitou a responder os questionamentos ali solicitados". Na sessão de 11 de abril e 2017, este colegiado, por meio da Resolução nº 1302000.486, resolveu converter novamente o julgamento em diligência para cumprimento de ponto não observado no cumprimento da diligência determinada anteriormente, verbis: No entanto, como, nesta mesma assentada, determinamos o retorno dos autos do PAF nº 10166.901.787/201312 à DRF/Brasília para cumprimento de ponto não observado em resolução determinada naqueles autos, voto por converter o presente julgamento em diligência para que: a) a autoridade fiscal informe, nestes autos, a repercussão das constatações resultantes das providências requeridas para aferição do saldo negativo em debate nos autos do processo administrativo nº 10166.901787/201312; b) ao final dos trabalhos, a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando à interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. A autoridade preparadora proferiu a Informação Fiscal Diort/DRF Brasília/DF nº 0306/2018, de 12/06/2018, na qual observa, verbis: De acordo com os itens acima, não se exigiu desta Autoridade Tributária, nesta diligência, mais do que analisar a repercussão das constatações do processo n° 10166.901787/201312, o processo de análise sobre o total de glosas das parcelas do saldo negativo, sobre o lançamento efetuado. Contudo, não há como analisar esta repercussão, pois as constatações da diligência efetuada no processo n° 10166.901787/201312 configuram apenas subsídio para decisão a ser emanada pelo colegiado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Além disso, a glosa do saldo negativo foi composta por mais de uma parcela de composição, portanto analisar a repercussão no lançamento sem saber quais parcelas serão consideradas ou não na decisão final, demandaria considerar várias possibilidades fáticas, talvez dezenas delas. Não é incomum que análises efetuadas em diligências tenham decisões contrárias pelo colegiado do Carf. Por fim, mesmo que houvesse já uma decisão final do Carf sobre o processo n° 10166.901787/201312, entendese que não haveria necessidade de baixar este processo n° 10166.725398/201384 em diligência paras se analisar a repercussão sobre o lançamento, em virtude que uma simples operação matemática solucionaria a questão. Desta forma, entendese que, por não se saber ainda a decisão final sobre a glosa das parcelas de composição do saldo negativo, não há como se analisar a repercussão da diligência do processo n° 10166.901787/201312 neste processo de lançamento. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10166.725398/201384 Acórdão n.º 1302003.100 S1C3T2 Fl. 292 4 Na sequência, os autos foram devolvidos a este Conselho para julgamento, tendo sido redistribuído a este relator, por sorteio, tendo em vista que o Conselheiro Relator que proferiu o voto na resolução referida não compõe mais os quadros do CARF. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10166.725398/201384 Acórdão n.º 1302003.100 S1C3T2 Fl. 293 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Impõese, preliminarmente, suscitar preliminar que impede o conhecimento do recurso pelo colegiado em face da intempestividade na sua interposição. Ocorre que, não obstante, tenham sido proferidas, no presente processo, três resoluções (nº 1301000.278, de 25/03/2015 fls. 244/247; nº 1302000.405, de 01/03/2016 fls. 249/257; e, nº 1302000.486, de 11/04/2017 fls. 280/282), nas quais restou consignado que o recurso voluntário apresentado seria tempestivo, examinando os documentos de ciência e de protocolo do recurso, constato que incorreu em equívoco o colegiado ao preferir aquelas decisões. A recorrente afirma no início de seu recurso que teve ciência da decisão de primeiro grau em 17/03/2014, mas não é o que registra o comprovante de entrega postal. Com efeito, de acordo com o Aviso de Recebimento Postal (fls. 179/180), o contribuinte teve ciência do acórdão da DRJ em 14/03/2014. Por outro lado, de acordo com o carimbo do Protocolo/SAMF/SPOA/SE/MF/ED.ÓRGÃO REGIONAIS aposto na primeira página da petição recursal (fls. 181), o recurso foi interposto em 16/04/2014. Considerandose que a ciência do acórdão de primeiro grau ocorreu na sexta feira (dia 14/03/2014), o dies a quo para a contagem do prazo de 30 dias, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, observado o disposto no art. 23 do mesmo decreto, é o dia 17/03/2014 (segundafeira) e o dies ad quem o dia 15/04/2016 (terçafeira), um dia antes da data em que o recurso foi protocolizado. Não identifiquei no calendário oficial de feriados nacionais, estaduais e municipais (no caso, distrital, pois a contribuinte tem sede em BrasíliaDF) a ocorrência de feriados nos dias de início e final da contagem do prazo, que pudessem deslocar o prazo final para outra data. Ante ao exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.005212/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/01/2006, 15/07/2006, 15/08/2006
EMBARGOS. OMISSÃO.
Identificada na decisão embargada a contradição entre o desenvolvimento do voto e as respectivas conclusões, tal vício há de ser sanado.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não cabe a este conselho se manifestar sobre matéria que não compõe a lide. Crédito não glosado não pode ser objeto de recurso administrativo.
Numero da decisão: 3301-005.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios com efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/01/2006, 15/07/2006, 15/08/2006 EMBARGOS. OMISSÃO. Identificada na decisão embargada a contradição entre o desenvolvimento do voto e as respectivas conclusões, tal vício há de ser sanado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não cabe a este conselho se manifestar sobre matéria que não compõe a lide. Crédito não glosado não pode ser objeto de recurso administrativo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13971.005212/2009-94
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5917900
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-005.006
nome_arquivo_s : Decisao_13971005212200994.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13971005212200994_5917900.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios com efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7472163
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870840557568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.844 1 1.843 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.005212/200994 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301005.006 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de agosto de 2018 Matéria COFINS PAGAMENTO A MAIOR PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Embargante BUNGE ALIMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/01/2006, 15/07/2006, 15/08/2006 EMBARGOS. OMISSÃO. Identificada na decisão embargada a contradição entre o desenvolvimento do voto e as respectivas conclusões, tal vício há de ser sanado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não cabe a este conselho se manifestar sobre matéria que não compõe a lide. Crédito não glosado não pode ser objeto de recurso administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios com efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 52 12 /2 00 9- 94 Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3301005.006 S3C3T1 Fl. 1.845 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório do Despacho s/nº – 3ª Turma, nos seguintes termos (fls. 1841/1842): Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pelo contribuinte, em face do Acórdão nº 3403003.164, sob os pressupostos de omissão e contradição. Segundo a embargante, teria ocorrido omissão no julgado quanto à apreciação do alegado motivo de força maior, o qual renderia ensejo à produção serôdia de documentos comprobatórios. O relator não teria enfrentado a contento os argumentos desenvolvidos pela defesa para sustentar a ocorrência do motivo de força maior, que consistiram, em síntese, no exíguo prazo de 30 dias para que a defesa pudesse analisar uma enorme de quantidade de documentos digitais. Acrescentou a embargante que existe omissão e contradição em relação à glosa do item "fretes internos no transporte de insumos importados executados por pessoa jurídica". Embora o colegiado, por maioria de votos, tenha dado provimento para reconhecer o direito do contribuinte a esses créditos, ao receber a intimação do Acórdão o contribuinte alegou ter recebido também uma informação da fiscalização dando conta de que essas glosas não teriam ocorrido neste caso concreto. A fiscalização alega que o equívoco teria sido provocado pelo próprio contribuinte que teria apresentado uma defesa única para todos os processos. A defesa alega que se trata de um fato novo que requer apreciação da Turma de julgamento, principalmente em face das consequências advindas dessas novas informações. Foram admitidos parcialmente os embargos, nos seguintes termos: Com relação ao primeiro fundamento dos embargos, não vejo a omissão alegada pela embargante. A meu ver a fundamentação adotada pelo relator originário e que foi chancelada pelo colegiado atende ao princípio da persuasão racional do julgador e não rende ensejo à interposição do recurso ora manejado pela defesa. Entretanto, em relação ao segundo argumento, compulsando os autos verifiquei que realmente existe uma informação da fiscalização nas fls. 1766/1767 dando conta de que o acórdão teria reconhecido o direito a créditos em relação aos quais não houve glosa. Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3301005.006 S3C3T1 Fl. 1.846 3 Entendo que tal fato, ao contrário do que alega a embargante, não caracteriza omissão ou contradição, mas caracteriza omissão de ponto sobre o qual a Turma deveria ter se pronunciado (art. 65 do RICARF), fato que rende ensejo aos embargos de declaração, uma vez que o colegiado não pode reconhecer um direito ao contribuinte se esse direito não foi sequer questionado pela fiscalização. Entendo que a aferição do que foi alegado pela fiscalização nas fls. 1766/1767 deve ser feita por um colegiado do CARF e não de forma monocrática neste despacho. Se foi um colegiado que supostamente reconheceu um direito que não foi questionado, cabe a um colegiado aferir se de fato esse equívoco ocorreu ou não e sanálo, se for o caso. Com esses fundamentos, e considerando não só o fato da extinção da turma de julgamento, mas também o fato de o redator designado para o voto vencedor nessa parte, Conselheiro Ivan Allegretti, ter deixado o CARF por força do Decreto nº 8.441, de 2015, opino no sentido de que este processo seja incluído lote para sorteio a um novo relator no âmbito da 3ª Seção do CARF, conforme preceitua o art. 4º, § 2º, I , da Portaria CARF nº 29, de 23/06/2015. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Relatora. Dessa forma, a análise dos embargos se limita aos limites da admissão, ou seja, se o acórdão teria reconhecido o direito a créditos em relação aos quais não houve glosa, caracterizandose "omissão de ponto sobre o qual a Turma deveria ter se pronunciado (art. 65 do RICARF)" O ponto fulcral são os fretes internos no transporte de insumos importados executados por pessoa jurídica. A decisão embargada foi no sentido de reverter as glosas relativas a esse título. Contudo, conforme Informação Fiscal (fl. 1766/1767), a glosa revertida por este CARF sequer ocorreu, nos seguintes termos: 2. O citado acórdão proferido pelo CARF (de fls. 1728 a 1759 dos autos), entretanto, dá provisão parcial ao recurso do contribuinte relativamente a glosa que não foi perpretada por esta fiscalização, culminando por, em tese, reestabelecer ao contribuinte valores de créditos que, repetimos, não foram objeto de glosa no período objeto do presente processo. 3. Melhor explicamos. O referido acórdão do CARF, à fl. 1730 dos autos, começa a elencar as glosas efetuadas pela fiscalização nos créditos apurados no período. Isso é feito a partir da seguinte frase: Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3301005.006 S3C3T1 Fl. 1.847 4 "Em razão da análise fiscal empreendida, procederamse às seguintes glosas(cfe. Relatório de Auditoria Fiscal RAF,fls. 853 a 871):" 4. Na fl. seguinte (1731), elenca as diversas glosas referentes aos créditos decorrentes dos fretes contratados, como se segue: "c) Glosas dos Fretes: i. Fretes internos em importações (após desembaraço), correspondentes a operações com CFOP de importação; ii. Fretes em aquisições com CFOP indicativo de fim específico de exportação (CFOP 1.501/2.501); iii. Fretes correspondentes a operações de devolução de vendas ou de compras de mercadorias; iv. Fretes em transferências de bens entre estabelecimentos BUNGE; v. Fretes correspondente a fretes em remessas para armazéns gerais; vi. Fretes em aquisições a pessoas físicas de bens para revenda, vii. Fretes de aquisições sem direito a créditos – correlação das mercadorias transportadas com os correspondentes fretes; viii. Falta de comprovação dos fretes, por falta de apresentação de documentos fiscais comprobatórios do crédito; ix. Frete relativo à aquisições a pessoas físicas de insumos para industrializaçâo que foram posteriormente revendidos/exportados, não gerando créditos, de forma que as despesas com os respectivos fretes são glosadas na mesma proporção daqueles estornos." 5. Ocorre que o Relatório Fiscal citado pelo próprio Acórdão (fls. 853 a 871 dos autos), não trata da glosa indicada na alínea "i" (transcrita no item anterior da presente Informação Fiscal), que ora repetimos: "i. Fretes internos em importações (após desembaraço), correspondentes a operações com CFOP de importação;" 6. O Relatório Fiscal, a fls. 860, inicia o trato das glosas dos fretes, com breve introdução às mesmas; em seguida, já a fls. 861, começa a detalhar cada um dos subtipos das glosas dos fretes, iniciando por "Glosa correspondente a fretes em aquisições de mercadorias com FEX". Não é tratada (por não ter sido efetuada no período) a tal glosa dos fretes internos em importações. 7. Sendo ainda mais claro, a glosa cujo recurso teve provimento simplesmente não foi efetuada pela fiscalização no período de referência do presente processo. 8. Tal incongruência de objetos certamente tem sua origem na Manifestação de Inconformidade encaminhada pelo contribuinte, com protocolo de 31/01/2013, de fls. 1496 a 1611 dos autos. Muito embora a peça de inconformidade apresentese, dentro do presente processo, identificada como sendo relativa ao mesmo, tratase em realidade de peça que foi construída para manifestar inconformidade contra glosas de diversos períodos analisados, glosas estas tratadas em relatórios fiscais de diversos períodos e Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3301005.006 S3C3T1 Fl. 1.848 5 correspondentes a diversos processos. Criouse, com tal procedimento, um equívoco, de o contribuinte manifestar inconformidade contra fato que não foi objeto de glosa no período de referência do processo ao qual a manifestação é juntada. E foi exatamente o que ocorreu, como comprovamos pelo cotejo entre Relatório Fiscal e Acórdão do CARF. 9. Inaugurado o equívoco, porém, instituiuse, dentro deste processo, o contencioso relativo a essa glosa, como demonstram o Acórdão da DRJ (fls. 1618 a 1647, mais especificamente a fls. 1621, 1626, 1641 e 1643 a 1645); o Recurso Voluntário (fls. 1650 a 1721, mais especificamente fls. 1709 a 1713); e por fim o Acórdão do CARF, já citado, o qual deu provimento ao recurso do contribuinte, em relação a essa glosa. 10. Feitas todas as explicações, reiteramos que não há, no presente processo, qualquer alteração de ordem prática ou valorativa, uma vez que a glosa a cujo recurso o CARF deu provimento, simplesmente não foi perpretada por esta fiscalização, não tendo gerado, portanto, quaisquer reduções nos créditos. 11. Concluímos, portanto, no sentido de que ficam mantidas, integralmente, as conclusões do Relatório Fiscal (fls. 853 a 871) e da Informação Fiscal (fls. 872 a 874) juntados aos presentes autos, sem que o Acórdão proferido pelo CARF tenha produzido qualquer alteração concreta nos mesmos, como demonstrado. Alega a embargante que se houve equívoco, não foi também verificado pela Delegacia de Julgamento nem por este CARF. Defende também que em sua defesa não houve equívoco, que foi feita na forma possível. Cumpre transcrever o entendimento constante do voto vencedor, o qual trata especificamente da questão em pauta: O presente voto trata da questão jurídica em relação à qual o acórdão da DRJ concluiu que “Os gastos com o frete incorrido a partir do local onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro e com a armazenagem, decorrentes de importação de matériaprima, relativos a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, não geram crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep apurada no regime nãocumulativo” (fl. 1618). Entendo que não tem razão a DRJ, devendo ser provido o recurso do contribuinte para reconhecerlhe o direito de crédito quanto aos fretes de insumos. Entendo que deve ser reconhecido o direito de crédito nos casos em que o pagamento de frete qualificase como aquisição de serviço – pois frete é prestação de serviço de transporte – necessário para a produção, ou seja, o frete exclusivamente de insumos. Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3301005.006 S3C3T1 Fl. 1.849 6 É preciso diferenciar as hipóteses dos incisos I e II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, cujo texto vale a pena relembrar: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Uma situação é a do frete que integra o custo de aquisição dos bens adquiridos para a revenda, quando então se estará tratando da hipótese do inciso I. Mas outra é o pagamento do frete enquanto aquisição de um serviço, enquanto insumo da atividade produtiva. Se a aquisição deste serviço é pertinente e necessária à atividade produtiva, deve gerar direito ao crédito de PIS nãocumulativo, com fundamento no art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002. Inclusive porque tal insumo foi onerado pela mesma contribuição na etapa anterior. Vale lembrar que em relação a todos os bens e serviços utilizados como insumo na produção, apenas há crédito na proporção das receitas submetidas à incidência da contribuição no regime não cumulativo: § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. É assim que se dá cumprimento à nãocumulatividade das contribuições em relação à atividade produtiva: apurase a Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3301005.006 S3C3T1 Fl. 1.850 7 proporção entre as receitas submetidas aos regimes cumulativo e nãocumulativo e, então, transportase esta mesma proporção para apurar o direito de crédito em relação aos bens e serviços utilizados na produção. Ou seja, o frete que o contribuinte paga é um serviço que deve ser considerado em separado. O frete deve se referir ao transporte de um produto que configure insumo, mas não se exige que este produto transportado seja tributado. É a mesma situação apreciada por esta Turma no seguinte julgado: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. Impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição.(Acórdão nº 3403001.938, PA nº 10950.003052/200656, Relator Conselheiro ROSALDO TREVISAN, j. 19/03/2013) Por esta razão, voto pelo provimento parcial do recurso para reconhecer ao contribuinte o direito de crédito em relação aos fretes de bens que configuram insumos. Tendo em vista que o voto vencedor trata exclusivamente do seguinte ponto: "Os gastos com o frete incorrido a partir do local onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro e com a armazenagem, decorrentes de importação de matéria Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3301005.006 S3C3T1 Fl. 1.851 8 prima, relativos a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, não geram crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep apurada no regime nãocumulativo" e que esse ponto não foi objeto de lançamento no Auto de Infração e, portanto, não há nesse aspecto litígio, proponho que seja alterado o voto no sentido de não conhecer dessa matéria porque não é objeto de controvérsia no presente processo. Diante desse contexto, proponho que os embargos sejam providos, com efeitos infringentes, para não conhecer da matéria relativa a "Os gastos com o frete incorrido a partir do local onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro e com a armazenagem, decorrentes de importação de matériaprima, relativos a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País aos gastos". A ementa passa a ter a seguinte redação: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005, 01/12/2005 a 31/12/2005 Ementa: INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As perícias técnicas e as diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005, 01/12/2005 a 31/12/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3301005.006 S3C3T1 Fl. 1.852 9 Para fins de créditos na aquisição de insumos, a despesa é considerada incorrida quando ocorre o consumo do bem ou do serviço, independentemente do pagamento. COMPRA DE INSUMOS. REMESSAS FUTURAS. COMPLEMENTO DE PREÇO. DIREITO DE CRÉDITO. Em operações de compra de insumos com preço a fixar, não se admite a tomada de crédito sobre os complementos das remessas que não geravam direito aos créditos, seja porque feitas no regime da cumulatividade, seja porque, embora remetidas no regime da nãocumulatividade, não se caracterizaram como insumos passíveis de gerarem crédito. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (insumos, produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da contribuição social não cumulativa. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. OPERAÇÕES DE AQUISIÇÕES DE PRODUTOS PARA REVENDA. IMPOSSIBILIDADE Inexiste previsão legal para a tomada de créditos sobre as despesas de frete nas aquisições de produtos a pessoas físicas, destinados à revenda. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para formação de lote de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE NA AQUISIÇÃO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste norma que autorize desconto de crédito em relação a fretes nas aquisições, por empresas comerciais exportadoras, de mercadorias com fim específico de exportação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não cabe a este conselho se manifestar sobre matéria que não compõe a lide. Créditos não glosado não pode ser objeto de recurso administrativo. Recurso Voluntário Negado Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 13971.005212/200994 Acórdão n.º 3301005.006 S3C3T1 Fl. 1.853 10 Em face do exposto, voto no sentido de conhecer dos embargos de declaração, por serem tempestivos e por se configurar o erro ou a omissão, e lhes dar efeitos infringentes para reformar a decisão embargada no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 1853DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.901239/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RESULTADO DA INFORMAÇÃO FISCAL. ACATAMENTO.
Acolhe-se o resultado da Informação Fiscal que constatou a existência dos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3401-005.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo o resultado da diligência.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marco Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RESULTADO DA INFORMAÇÃO FISCAL. ACATAMENTO. Acolhe-se o resultado da Informação Fiscal que constatou a existência dos créditos pleiteados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.901239/2009-19
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5912359
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.297
nome_arquivo_s : Decisao_11080901239200919.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANDRE HENRIQUE LEMOS
nome_arquivo_pdf_s : 11080901239200919_5912359.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marco Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7441691
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870858383360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1282; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 260 1 259 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.901239/200919 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.297 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2018 Matéria COFINS Recorrente CORAG COMPANHIA RIO GRANDENSE DE ARTES CRÁFICAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RESULTADO DA INFORMAÇÃO FISCAL. ACATAMENTO. Acolhese o resultado da Informação Fiscal que constatou a existência dos créditos pleiteados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marco Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 12 39 /2 00 9- 19 Fl. 260DF CARF MF 2 Relatório Adoto o relatório do acórdão do CARF de piso (efls. 133 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, nos quais não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. A interessada contesta a decisão administrativa alegando que no Despacho Decisório os valores pagos pelo DARF foram alocados para os valores informados em DCTF como devidos do tributo, não havendo valores para serem utilizado para a compensação pleiteada, mas que estes valores informados em DCTF estariam errados e foram retificados após a ciência do ato decisório, estando mencionado também na DIPJ, devendo a retificação da DCTF ser aceita e homologada a compensação pleiteada. A DRJ em Porto Alegre (RS), julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls.52/54, no qual alega , na essência, que o valor declarado como crédito no PERDCOMP, no montante de R$ 17.991,04, não seria um pagamento indevido ou a maior mas sim, o total de retenções na fonte que determina a Lei 9430/96 art.64 que foram aplicadas por ocasião do recebimento de receitas junto a órgãos públicos e praticadas durante o ano de 2004. Alega ainda ter declarado em sua DIPJ 2005, original, a compensação deste valor em dezembro/2004, que apresenta o valor de R$ 94.555,68 como líquido de COFINS devido para esta competência, cujo pagamento efetuado em 14/01/2005 foi de R$ 112.546,72.Tal fato restaria configurado a partir dos respectivos lançamentos contábeis e da retificação da DCTF, apresentada após tomar ciência do Despacho Decisório. Por unanimidade de votos o julgamento foi convertido em diligência para que a DRF de origem: a) Anexe cópia da DCTF retificadora/ativa e da DACON referente ao 4º trimestre de 2004 e do comprovante de pagamento da COFINS cód 5856 PA 31/12/2004; b) apure o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), período de apuração de Dez/2004, Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11080.901239/200919 Acórdão n.º 3401005.297 S3C4T1 Fl. 261 3 com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil; c) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Na seqüência a DRF de origem juntou as seguintes informações: 7. Assim, tendo a Resolução nº 3801000.490 da 1º Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais solicitado a devida apuração do débito de Cofins, período de apuração dezembro de 2004, informo que o valor apurado no livro Razão, fl 46, alcançou o montante de R$ 112.546,72 (cento e doze mil, quinhentos e quarenta e seis reais, setenta e dois centavos). Na Ficha 07 do Dacon retificado, fl 229, o contribuinte declarou este valor no mês de dezembro de 2004, quando descontamos os créditos oriundos de incidência não cumulativa (Linha 28) da Cofins apurada a alíquota de 7,6% (Linha 28). 8. Já o valor a pagar de Cofins alcançou R$ 94.555,68 (noventa e quatro mil, quinhentos e cinqüenta e cinco mil, sessenta e oito centavos), conforme declarado pelo contribuinte no DACON e na DCTF retificados. Este valor foi calculado deduzindose da Cofins devida menos os créditos de incidência nãocumulativa o montante de Cofins pago antecipadamente por meio de retenções sofridas na fonte durante o anocalendário de 2004, conforme d 3° do art 64 da Lei 9430, de 1996. 9. Esclareçase que o montante de R$ 17.991,04 (dezessete mil, novecentos e noventa e um mil reais, quatro centavos) deduzido a título de retenções de Cofins sofridas na fonte foi confirmado por meio das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte transmitidas pelas fontes pagadoras (fls 231 a 254). Verificouse também que o contribuinte não utilizou esses valores na dedução da Cofins apurada nos 1°, 2° e 3° trimestres do anocalendário de 2004 (fls 194 a 220). 10. Tendo sido respondido o item b.) da Resolução nº 3801 000.490, informo, por fim, que os documentos solicitados no item a.) constam anexados a este processo às fls 139 a 193 e 222 a 230. 11. De acordo com o item c) da Resolução nº 3801000.490, da 1º Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais intimo o contribuinte a tomar ciência desta Informação Fiscal em conjunto com a Resolução nº 3801000.490 para que no prazo de 10 (dez dias), contados a partir da ciência destes, encaminhe manifestação, caso julgue necessário. Prestadas as informações conforme determinado, foi intimado o Recorrente, em 14.06.2017 (efls. 257), não tendo este se manifestado quando ao resultado da diligência, voltaram os autos para análise. É o relatório. Fl. 262DF CARF MF 4 Voto Conselheiro André Henrique Lemos, Relator O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 26.06.2012 (efls. 30 e 31), interpondo seu voluntário em 25.07.2012 (efl. 32), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais de Cofins competência 12/2004, no valor de R$ 17.991,04, objeto de DCOMP. Do Recurso Voluntário – efls. 32/34 se deduz que os fundamentos da Recorrente quanto a correição do crédito apresentado DCOMP são, resumidamente: a) Em 14.01.2005 a Recorrente pagou a título de Cofins o valor de R$ 112.546,72, referente a competência 12.2004 – fls.130. Todavia, deveria ter pago R$ 94.555,68. b) Foram recolhidos a maior o montante de R$ 17.672,41, declarados na Dcomp, como crédito a ser compensado. c) O recolhimento a maior corresponde ao montante de Cofins retido na fonte no transcorrer do ano de 2004. A retenção se deu, conforme determinação da Lei 9.430/96, art. 64, por ter a Recorrida auferido receitas junto a órgãos públicos. Todavia, no momento da apuração para o pagamento da competência de 12.2004, por equívoco, deixou tal valor de ser computado como crédito, o que originou o pagamento do valor de Cofins maior que o devido. d) Conforme DIPJ/2005 transmitida em 15/06/2005 efl.114 e pelos lançamentos contábeis na Ficha Razão da conta contábil código reduzido 906 classificação 01.1.3.7.08Cofins a recuperar às efl. 588 do Livro Razão Ativo Janeiro a Junho de 2005, com cópia à efl.51. Houve a declaração da Cofins retida e sua subtração dos valores apurados a título de Cofins em dezembro/2004, resultando em um valor a pagar de Cofins de R$ 94.555,68. e) Foi apresentada a DCTF retificadora, após ter conhecimento do despacho decisório, referente ao período do 4º trimestre de 2004, para que a compensação dos valores retidos se desse em dezembro de 2004 – informação efl. 02. Apesar de a Recorrente ter deixado de juntar aos autos alguns dos elementos comprobatórios como a DCTF retificadora e a DACON referentes ao período de apuração em discussão, com base no art. 37 da Lei 9.784 e no princípio da verdade material, esta Câmara converteu o processo em diligência para a Delegacia de origem para que fossem tomadas as seguintes providencias (efls. 135 a 137): a) anexação da DCTF retificadora/ativa e da DACON referente ao 4ª trimestre de 2004 e do comprovante de pagamento da COFINS cód. 5856 PA 31/12/2004; b) apure o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), período de apuração de Dez/2004, com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil; Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11080.901239/200919 Acórdão n.º 3401005.297 S3C4T1 Fl. 262 5 Em resposta, foram prestadas informações pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária – SEORT (efls .254/ 255): a) a apuração do débito de Cofins, período de apuração dezembro de 2004, informo que o valor apurado do livro Razão, efl. 46, alcançou o montante de R$ 112.546,72. Na Fischa 07 da Dacon retificado, efl. 229, o contribuinte declarou este valor no mês de dezembro de 2004, quando descontamos os créditos oriundos de incidência nãocumulativa (Linha 28) da Cofins apurada a alíquota de 7,6% (Linha 28). b) Já o valor a pagar de Cofins alcançou R$ 94.555,68, conforme declarado pelo contribuinte no DACON e na DCTF retificados. Este valor foi calculado deduzindose da Cofins devida menos os créditos de incidência nãocumulativa o montante de Cofins pago antecipadamente por meio de retenções sofridas na fonte durante o anocalendário de 2004, conforme §3º do art.64 da Lei 9.430 de 1996; c) Esclareçase que o montante de R$ 17.991,04 deduzido a título de retenções da Cofins sofridas na fonte foi confirmado por meio das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte transmitidas pelas fontes pagadoras (efls. 231 e 254). Verificouse também que contribuinte não utilizou esses valores na dedução da Cofins apurada no 1º, 2º e 3º trimestres do anocalendário de 2004 (efls. 194 a 220). d) que constam às efls. 139 a 193 e 222 a 230 os documentos constantes no item “a” ou seja DCTF retificadora/ativa, DACON referente ao 4º trimestre de 2004 e do comprovante de pagamento da COFINS cód. 5856 PA 31/12/2004. Denotase que as diligências providenciadas confirmaram que as alegações trazidas no Recurso Voluntário conferem com a sua realidade contábil e fiscal, sendo correto o crédito indicado na DCOMP, no montante de R$ 17.991,04 (dezessete mil, novecentos e noventa e um reais e quatro centavos). Ante o exposto, voto por conhecer e dar provimento ao presente recurso voluntário, para que haja a homologação da DCOMP 29195.59841.130705.1.3.042589. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.912040/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.777
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13839.912032/2011-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13839.912040/2011-56
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5912460
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-000.777
nome_arquivo_s : Decisao_13839912040201156.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13839912040201156_5912460.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13839.912032/2011-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7441850
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870861529088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1668; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.912040/201156 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.777 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de julho de 2018 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente THYSSENKRUPP METALURGICA CAMPO LIMPO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13839.912032/201118, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior RELATÓRIO Trata o presente processo administrativo de pedido de restituição realizado através de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. A unidade de origem proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 12 04 0/ 20 11 -5 6 Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13839.912040/201156 Resolução nº 3301000.777 S3C3T1 Fl. 3 2 Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade para instaurar o contencioso administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/1972, juntando documentos para subsidiar a existência de seu crédito. Em síntese, a contribuinte afirmou: O recolhimento a maior no período de apuração decorre de uma revisão de seus lançamentos, onde identificou um crédito de tributo em virtude da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, nos termos do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, antes da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF. Em razão da consolidação do entendimento do STF pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo, afirma que a Administração Pública tem o dever de devolver o que restou recolhido indevidamente, em obediência aos princípios garantidos na Constituição Federal (art. 37). Transcreveu o art. 1º do Decreto nº 2346/1997, e sustentou que cabe aos órgãos administrativos aplicar o entendimento firmado pelo STF, no exercício de sua competência de apreciar a constitucionalidade das leis. Requer a aplicação do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual dispõe expressamente sobre a obrigação de seus julgadores afastarem a aplicação de lei julgada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo Plenário do STF. Quanto ao crédito, argumentou que no mês de apuração em foco, considerando a original vigência da Lei nº 9.718, de 1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo, conforme comprova a sua DIPJ do período, anexada aos autos. Apresenta relatórios contábeis detalhando o crédito pleiteado, afirmando que decorre exclusivamente das receitas financeiras. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Em suas razões de voto, a DRJ trouxe os seguintes argumentos: A declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no controle difuso somente obriga a Administração Tributária em relação aos autores das ações em que foram prolatadas e não em relação aos demais contribuintes, mesmo nos casos, como o do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em que a inconstitucionalidade foi reconhecida pela Suprema Corte inclusive sob o rito do art. 543B, do CPC (RE nº 585.235), que trata da repercussão geral de recursos com fundamento em idêntica controvérsia. Não foi expedido o ato da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, e, além disto, as decisões proferidas pelo STF sobre a questão não têm efeitos erga omnes. O Despacho Decisório em exame não homologou a compensação pretendida, mediante a justificativa de inexistência de saldo disponível em favor do contribuinte, uma vez Fl. 321DF CARF MF Processo nº 13839.912040/201156 Resolução nº 3301000.777 S3C3T1 Fl. 4 3 que o recolhimento da contribuição, ora examinado, está integralmente vinculado a débitos do contribuinte. Quando da interposição da manifestação de inconformidade, o contribuinte tem o dever de apresentar as provas em torno da pertinência da restituição, total ou parcial, do pagamento espontaneamente efetuado. A DIPJ e o demonstrativo de cálculo da composição da referida receita, denominado "Referência Contábil", elaborado pelo próprio contribuinte, não é meio legítimo, por si só e independentemente dos necessários elementos comprobatórios, para justificar o direito à restituição. Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário que ora se analisa, repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, acrescentando: A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em março de 2010 a Portaria nº 294/2010, autorizando os Procuradores da Fazenda Nacional a não apresentar contestação e não interpor recursos, bem como desistir dos já interpostos, para os casos em que se discute o alargamento da base de cálculo perpretada pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista a decisão do Plenário do STF, no julgamento do RE nº 585.235, julgado sob o rito da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC, que reconheceu a inconstitucionalidade do dispositivo. Ainda, para demonstrar a liquidez do crédito, junta aos autos balancetes contábeis para complementar os demonstrativos contábeis (memória de cálculo) e a DIPJ trazidos com a manifestação de inconformidade. Invocando a verdade material, requer a realização de diligência para verificação das receitas financeiras auferidas no período de apuração em referência para fins de constatar o crédito pleiteado pela Recorrente. É a síntese do necessário VOTO Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.768, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.912032/201118, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.768): "O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição. Realizada a suma adrede, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13839.912040/201156 Resolução nº 3301000.777 S3C3T1 Fl. 5 4 informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos; iii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 12/2000. Desta feita, o montante pago foi utilizado para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não há impedimento para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Este entendimento vem sendo adotado em sede de Recurso Voluntário pelo E. CARF, conforme se destaca das ementas abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13839.912040/201156 Resolução nº 3301000.777 S3C3T1 Fl. 6 5 O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo 10283.902681/200913. Relator WALBER JOSE DA SILVA. Data da Sessão 21/05/2013. Nº Acórdão 3302002.104) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2001 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente, diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235 QORG. (Número do Processo 10280.905792/201126. Relatora SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA. Data da Sessão 27/07/2017. Nº Acórdão 3302004.623) (grifo não consta do original) Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrada por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13839.912040/201156 Resolução nº 3301000.777 S3C3T1 Fl. 7 6 (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO.Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301 004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. Análise a ser realizada a seguir. II) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no mês de apuração em foco (12/2000), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. Para demonstrar o montante de crédito a que tem direito, juntou aos autos a sua DIPJ do exercício 2001 (fls. 68201), onde se constata em fls. 90, na ficha 19A, correspondente ao cálculo da contribuição ao PIS, a informação presente no tem 02 o montante de R$ 1.665.065,93 a título de receitas de variações cambiais, que corresponde exatamente ao montante de R$ 10.822,93 se aplicada a alíquota de 0,65% sobre esta base de cálculo. Também juntou em fls. 67 um demonstrativo contábil referente ao mês de dezembro/2000, onde consta este mesmo montante discriminado como "receitas financeiras líquidas". A r. decisão proferida pela d. DRJ afirmou que tais documentos são meramente informativos, não sendo capazes de informar a origem e veracidade do crédito. No entanto, a DIPJ, por ser uma obrigação acessória exigida pela legislação, constitui sim importante elemento de prova, com forte indício de veracidade das informações ali constantes. Em que pese a d. DRJ não ter aceitado a DIPJ como prova suficiente para dar liquidez e certeza ao crédito pleiteado pela Recorrente, é de se observar que as informações constantes nesta mesma DIPJ foram, na época, utilizadas para formar a base de cálculo da contribuição ao PIS e calcular o montante de imposto devido para ser informado na DCTF. Depreendese de fls. 90 (DIPJ) a informação contida no item 15, informandose o montante total das receitas auferidas no período, somandose o faturamento com as receitas financeiras, correspondendo à base de cálculo da contribuição. Sobre este montante total de R$ 83.720,52, incluindose as receitas financiras, foi declarado em DCTF e pago o montante de PIS respectivo via guia DARF (fls. 56). Assim, estas informações prestaram para subsidiar a declaração acerca do montante de tributo devido, mas, segundo a DRF, não se prestam a informar o montante de tributo recolhido a maior. Não faz sentido. As informações presentes na DIPJ, é verdade, possui caráter meramente informativo, assim como qualquer outra prova. A declaração prestada neste documento revela uma presunção de que os valores nela prestados corresponderiam ao fato gerador materializado. A Recorrente apresentou, com seu Recurso Ordinário, balancetes do exercício do ano 2000 para trazer mais elementos de prova a fim de subsidiar a liquidez e certeza do crédito pleiteado (fls. 265277). No entanto, o valor informado a título de receitas financeiras na DIPJ (fls. 90) é maior do que o valor informado no balancete de dezembro/2000 (fls. 274). Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13839.912040/201156 Resolução nº 3301000.777 S3C3T1 Fl. 8 7 Na DIPJ resta informado um total de R$ 1.665.065,93 a título de receita financeira, o que representa o valor de R$ 10.822,93 de PIS, valor este pleiteado no PER/DCOMP. Por sua vez, tanto no demonstrativo de cálculo apresentado nas razões do Recurso Voluntário (fls. 218219), quanto nos balancetes referidos, a Recorrente afirma que o valor das receitas financeiras auferidas é de R$ 1.572.443,97, cujo montante de contribuição ao PIS representa R$ 10.220,89. Em outros termos, o montante de crédito decorrente do pagamento de PIS a maior sobre suas receitas financeiras demonstrado no recurso voluntário é um pouco inferior ao crédito pleiteado no PER/DCOMP. Não restam dúvidas, portanto, da existência de recolhimento de PIS sobre receitas financeiras no período em análise. Entretanto, apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF e em virtude do princípio da verdade material, acolho os balancetes juntados com o Recurso Voluntário para fins de complementação do acervo probatório. III) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição ao PIS sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira. Sobre este assunto, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manisfestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria. E esta conduta já é adotada mesmo antes da decisão da d. DRJ proferida nestes autos, inobstante a afirmação lá contida no sentido de que não existia ato oficial da PGFN. Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado em Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13839.912040/201156 Resolução nº 3301000.777 S3C3T1 Fl. 9 8 repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/193, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Preenchese as três hipóteses do Regimento Interno do CARF (RICARF) este caso de alargamento da base cálculo das contribuições PIS/COFINS intentada pelo disposto no art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998. Neste sentido: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002, 01/07/2003 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS E VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME CUMULATIVO DO PIS. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Sendo "receitas" não operacionais e variações cambiais ativas, e, portanto, não se tratando de "faturamento" vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços, não há como incidir o PIS. (Número do Processo 13502.000463/200585. Nº Acórdão 3201 003.681. Data da Sessão 22/05/2018) Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Como o período de apuração em que se discute o pagamento indevido é 12/2000, em tal momento aplicavase para a Recorrente o regime de tributação previsto na Lei 9.718/1998. Entretanto, apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF e em virtude do princípio da verdade material, como os balancetes foram juntados com o recurso voluntário e, ainda, os valores demonstrados nestas provas são inferiores aos valores pleiteados no PER/DCOMP e informados na DIPJ, tendo em vista, ainda, sua possibilidade de influência no julgamento da causa, submeto estes documentos para apreciação da Recorrida, em diligência para confirmação dos créditos, para posterior retorno para julgamento. Isto posto, uma vez comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição ao PIS no período em referência, e uma vez comprovada a liquidez e certeza do crédito a restituir declarado pelo contribuinte, será de rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. No entanto, a liquidez e certeza do crédito ainda não está clara, diante da divergência entre os valores informados no PER/DCOMP e DIPJ e os valores Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13839.912040/201156 Resolução nº 3301000.777 S3C3T1 Fl. 10 9 informados nos balancetes a título de receitas financeiras auferiras. Por isso, é necessária a conversão do feito em diligência pra fins de: 1. verificação dos balancetes juntados com o recurso voluntário, confrontandoos com os valores demonstrados e pleiteados no PER/DCOMP e DIPJ; 2. elaboração de relatório discriminando as receitas financeiras do período; 3. a identificação do montante de PIS indevidamente recolhido, se houver receitas financeiras no período; 4. Em seguida, dêse vista ao contribuinte, para manifestação sobre o resultado da diligência em 30 dias. 5. posterior retorno para julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para fins de: 1. verificação dos balancetes juntados com o recurso voluntário, confrontando os com os valores demonstrados e pleiteados no PER/DCOMP e DIPJ; 2. elaboração de relatório discriminando as receitas financeiras do período; 3. a identificação do montante de PIS/COFINS indevidamente recolhido, se houver receitas financeiras no período; 4. Em seguida, dêse vista ao contribuinte, para manifestação sobre o resultado da diligência em 30 dias. 5. posterior retorno para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 328DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.005381/2007-22
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do Fato Gerador: 27/07/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do Fato Gerador: 27/07/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10283.005381/2007-22
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5903957
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-007.033
nome_arquivo_s : Decisao_10283005381200722.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10283005381200722_5903957.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7428907
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870866771968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.005381/200722 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.033 – 2ª Turma Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAMSUNG ELETRONICA DA AMAZONIA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do Fato Gerador: 27/07/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 53 81 /2 00 7- 22 Fl. 290DF CARF MF 2 Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 230201.444, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente, em razão da não inclusão em GFIP de valores pagos a segurados diretores e a pessoas físicas que lhes prestaram serviços na condição de segurados contribuintes individuais, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 23/24 e Demonstrativos a fls. 25/45 Devidamente intimadas, a Câmara e a Prefeitura Municipal apresentaram impugnação. O sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 68/82. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa materializada no Acórdão a fls. 101/115, julgando procedente em parte a presente autuação, fazendo corrigir o valor mínimo de referência para fins de estabelecimento do limite máximo da multa a ser aplicada em cada competência, retificando o valor do crédito tributário objeto do presente Auto de Infração. Às fls. 118/132, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese: que a Autoridade Julgadora de 1ª Instância asseverou (sic) o valor da multa aplicada, invadindo competência da autoridade administrativa fiscalizadora; pugnou pela incidência da retroatividade benigna; ao fim, requereu a extinção do crédito tributário e o consequente arquivamento do Auto de Infração. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 159/173, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, devendo ser excluídas do lançamento as obrigações tributárias ocorridas até a competência novembro/2001, inclusive as referentes ao 13º salário desse mesmo exercício fiscal, eis que fulminadas pelo instituto da decadência tributária. Outrossim, deve a penalidade administrativa objeto do presente Auto de Infração ser recalculada tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91, inserido pela Medida Provisória nº 449/2008, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10283.005381/200722 Acórdão n.º 9202007.033 CSRFT2 Fl. 10 3 Data do Fato Gerador: 27/07/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial parte das obrigações tributárias apuradas pela fiscalização. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 175 e ss., a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, em relação à regra aplicável à retroatividade benigna. Consignou que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que ora se reporta. Isso porque o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração, por descumprimento de obrigação acessória em que também se lavrou NFLDs em decorrência da mesma ação fiscal. Naquela ocorrência, consignou se que o dispositivo legal a ser aplicado passa a ser o art. 35 A da Lei 8.212/91, que nos remete ao art. 44, I, da Lei 9.430/96, e não o art. 32 A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a e. Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo (NFLDs), a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35 A, da Lei 8.212/91, sob pena de bis in idem. Às fls. 224/227, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre a retroatividade benigna. Cientificado à fl. 231, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, às fls. 234/241, arguindo que a tese esposada pelo paradigma estaria superada diante de recentes decisões administrativas colacionadas, relacionadas ao tema. Citou o Acórdão 2403001.466, bem assim a necessidade de aplicação da Solução de Consulta Cosit no. 14, que referendariam a aplicação na forma realizada pelo recorrido para o art. 106, II, "c", do CTN, que estabelece a retroatividade benéfica. Na seção de 13/12/2017, esta Colenda Turma decidiu, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para (i) identificação de todos os processos de obrigações principal e acessórias, originados na ação Fl. 292DF CARF MF 4 fiscal que deu azo ao presente lançamento, associandoos às respectivas NFLDs e AIs, bem como de seu atual estágio processual; (ii) informação ao CARF, para juntada dos processos por apensação e apreciação conjunta dos recursos, se possível. Às fls. 285/287, a Unidade de Origem, em cumprimento à diligência, relacionaram todos os processos de obrigações principal e acessórias, originados na ação fiscal, conforme Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF às fls. 22, bem como, informaram o estágio processual de cada NFLD/AI, vindo novamente os autos conclusos para julgamento. Foi ainda informado que os processos em papel que estavam arquivados, foram desarquivados, digitalizados e apensados ao presente processo. São eles os de nº 10283.005375/200775, 10283.005679/200732, 10283.005680/200767 e 10283.005689/200778. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes – Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente, em razão da não inclusão em GFIP de valores pagos a segurados diretores e a pessoas físicas que lhes prestaram serviços na condição de segurados contribuintes individuais, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 23/24 e Demonstrativos a fls. 25/45 Devidamente intimadas, a Câmara e a Prefeitura Municipal apresentaram impugnação. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante a retroatividade benigna. O presente processo trata de obrigação acessória vinculada AI68 ao Processo de Obrigação Principal. Considerando o grande número de autuações sofridas pela Contribuinte, as quais originaram diversos autos de infração, houve dúvida razoável acerca do andamento processual de tais processos, o que prejudicava o julgamento deste. Sendo assim o processo foi baixado em diligência e través desta pode ser confirmado que todos os processos de obrigação principal tiveram a questão de mérito mantida em todo ou em parte, e somente dois autos foram baixados por improcedência conforme informações anexadas as fls. 285/287 dos autos. O último processo que se encontrava pendente de julgamento restou julgado por este colegiado na sessão de dezembro de 2017, autos Nº. 10283.005373/200786, acórdão do Conselheiro Heitor De Souza Lima Júnior, Nº. 9202006.313. Deste modo, superada a questão da prejudicialidade do julgamento, passo ao mérito da questão. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10283.005381/200722 Acórdão n.º 9202007.033 CSRFT2 Fl. 11 5 RETROATIVIDADE BENIGNA – APLICAÇÃO DE MULTA Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, Fl. 294DF CARF MF 6 tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10283.005381/200722 Acórdão n.º 9202007.033 CSRFT2 Fl. 12 7 Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 296DF CARF MF 8 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10283.005381/200722 Acórdão n.º 9202007.033 CSRFT2 Fl. 13 9 multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no Fl. 298DF CARF MF 10 momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10283.005381/200722 Acórdão n.º 9202007.033 CSRFT2 Fl. 14 11 Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.959861/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/10/2004
COFINS. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada.
INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE.
É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicilio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4° do art. 23 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-004.074
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que se reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerando-se a DCTF retificadora como original para análise e prolação de novo despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 18/10/2004 COFINS. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicilio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4° do art. 23 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.959861/2009-38
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5912205
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-004.074
nome_arquivo_s : Decisao_10880959861200938.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10880959861200938_5912205.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que se reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerando-se a DCTF retificadora como original para análise e prolação de novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7441178
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870874112000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1848; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.959861/200938 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201004.074 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente HUAWEI DO BRASIL TELECOMUNICACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/10/2004 COFINS. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicilio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4° do art. 23 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que se reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora como original para análise e prolação de novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 98 61 /2 00 9- 38 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.959861/200938 Acórdão n.º 3201004.074 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação de créditos da Cofins, decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que efetuara pagamento a maior da Cofins, tendo, por equívoco, informado na DCTF original valor incorreto, decorrendo daí a apresentação de declaração retificadora, em data anterior à da prolação do despacho decisório. A Delegacia de Julgamento, por meio do acórdão nº 1633.734, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por ausência de comprovação da certeza e liquidez do indébito. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a reforma da decisão de primeira instância, repisando os argumentos de defesa, sendo arguida a nulidade do acórdão a quo por violação aos princípios da verdade material, da proporcionalidade e da razoabilidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.069, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.919993/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.069): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Em apertada síntese, a essência da lide está na apresentação da DCTF retificadora antes do despacho decisório que denegou a compensação do pagamento de COFINS. De fato, a DCTF retificadora data de 23/3/2009 (e fls. 66 a 70), enquanto o despacho decisório denegando a PER/DCOMP data de 25/3/2009 (efl. 4). Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.959861/200938 Acórdão n.º 3201004.074 S3C2T1 Fl. 4 3 A fundamentação do despacho decisório denegatório seria a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 617.278,60. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (efl. 4) Da leitura dos autos, percebese que, muito provavelmente, a DCTF analisada quando do despacho decisório foi a DCTF original e não a DCTF retificadora. O sistema informatizado de processamento da DCTF fez, portanto, uso de um dado desatualizado. A IN RFB nº 903/2008 dispõe em ser art. 11 e parágrafos sobre a natureza da DCTF retificadora, ensinando que a mesma substitui integralmente a declaração original, servindo para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir, os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. IN RFB nº 903/2008 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) A substituição da DCTF original pela DCTF retificadora é vedada apenas nos casos previstos no § 2º, onde há participação da PGFN para inscrição em DAU e quando a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. O presente caso enquadrase, portanto, na hipótese geral, onde a DCTF retificadora substitui integralmente a DCTF original. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.959861/200938 Acórdão n.º 3201004.074 S3C2T1 Fl. 5 4 O julgamento da manifestação de inconformidade em primeira instância se ateve a questões de certeza e liquidez, bem como à falta de elementos de prova que deveriam ser apresentados pela recorrente. Logo, acabou por julgar improcedente a manifestação do direito creditório. Ora, tendo em vista a regulamentação constante da IN RFB nº 903/2008, para que a DCTF retificadora substitua integralmente a DCTF original, ficaria dispensada a questão dos elementos de prova. Ocorre que o julgamento em primeira instância deveria ter efetuado uma análise mais detalhada assegurando a prevalência da verdade material. Sobre a importância da verdade material no julgamento em primeira instância em caso semelhante, reproduzo trecho do Acórdão 3403002.456 do relator Rosaldo Trevisan, decidido por unanimidade. Acórdão 3403002.456 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, o julgador de primeira instância tem um papel especial, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado na DCTF original com o pago, ignorando a existência de retificação efetuada tempestivamente, dentro das regras estabelecidas pelo próprio Fisco. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação, seja pela autoridade lançadora, seja pelo julgador a quo. (efl. 193) A realidade da DCTF retificadora que passou a ser a original precisa ser avaliada pela autoridade fiscal. No presente caso, a DCTF retificadora parece ter sido ignorada no processamento eletrônico, bem como colocada em segundo plano no julgamento em primeira instância. Em casos semelhantes, o posicionamento deste CARF tem sido o de anular o processo ab ovo, ou seja, desde o princípio. Acórdão 3403002.456 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária / 25 de setembro de 2013 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ANTES DO DESPACHO DECISÓRIO. ACEITAÇÃO. A DCTF retificadora espontaneamente apresentada antes da veiculação do despacho decisório, nos casos normativamente permitidos, substitui a DCTF original em relação aos débitos e vinculações declarados. Acórdão nº 3403002.223 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária / 22 de maio de 2013 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada. Finalmente, quanto ao requerimento de que todas as intimações sejam enviadas inclusive ao Patrono e encaminhadas a endereço diverso do contribuinte que se encontra em litígio, cabe informar da limitação contida Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.959861/200938 Acórdão n.º 3201004.074 S3C2T1 Fl. 6 5 no comando do §4º, do art. 23 do Decreto 70.235/72 que dispõe sobre o endereço fornecido para fins cadastrais a SRF. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora como original para análise e prolação de novo despacho decisório. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para reexame do pleito (PER/DCOMP), considerandose a DCTF retificadora como original na análise e prolação de novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.001922/2007-09
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA.
Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal.
Numero da decisão: 1003-000.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10768.001922/2007-09
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5911714
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.182
nome_arquivo_s : Decisao_10768001922200709.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SERGIO ABELSON
nome_arquivo_pdf_s : 10768001922200709_5911714.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7438747
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870876209152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1200; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 131 1 130 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.001922/200709 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.182 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 12 de setembro de 2018 Matéria MULTA DE MORA Recorrente TELELISTAS REGIÃO 2 LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 19 22 /2 00 7- 09 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10768.001922/200709 Acórdão n.º 1003000.182 S1C0T3 Fl. 132 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 42/45, numeração em papel) que julgou procedente o lançamento efetuado mediante o Auto de Infração às folhas 25/26, com anexos às folhas 27/36, correspondente a multa de mora paga a menor relativa a débitos do terceiro trimestre de 2002, no valor de R$ 10.000,49. A recorrente alega, em síntese, que os pagamentos por ela efetuados se deram acompanhados de juros de mora, tendo havido denúncia espontânea da infração e sendo incabível a aplicação de multa de mora conforme art. 138 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. A questão sob julgamento é saber se a denúncia espontânea tem o condão de alcançar a multa de mora. Conforme mostram os anexos ao auto de infração, os débitos tributários em questão foram recolhidos em 30/08/2002, em seu valor principal e juros de mora, e, conforme consta do próprio auto de infração, a DCTF foi apresentada em 27/10/2004. Destarte, restou evidenciado nos autos de que o contribuinte declarou o crédito tributário posteriormente ao pagamento, sendo o auto de infração lavrado unicamente em razão de entender a fiscalização de que a denúncia espontânea não alcança a multa de mora. A questão relativa à denúncia espontânea nos casos de tributos recolhidos espontaneamente com atraso, foi submetida pelo Superior Tribunal de Justiça ao rito do recurso repetitivo (art. 543C, do Código de Processo Civil), por meio do REsp 1.149.022, com decisão proferida em 09/06/10 (publicada em 24/06/10) e trânsito em julgado ocorrido em 30/08/10, sendo oportuno transcrever a ementa do respectivo julgado: “RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE: BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO: SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR: PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10768.001922/200709 Acórdão n.º 1003000.182 S1C0T3 Fl. 133 3 NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano base 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10768.001922/200709 Acórdão n.º 1003000.182 S1C0T3 Fl. 134 4 forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Pelo exposto, resta caracterizada a denúncia espontânea, que exclui a incidência da multa de mora nos casos em que houve o recolhimento com atraso de tributos que ainda não haviam sido declarados à Receita Federal do Brasil, como ocorre nos casos em que o pagamento extemporâneo de tributos declarados em DCTF, entregue após o citado pagamento. Por oportuno, depreendese importante salientar que diante da abordagem definitiva da matéria pelo STJ, foi editada a Nota Técnica da CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal do Brasil com o objetivo de orientar as unidades daquele órgão a interpretar as consequências decorrentes dos Atos Declaratórios PGFN nº 4/2011 e 8/2011, sendo que este último autorizou a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nos casos alcançados pela decisão proferida no Resp 1.149.022. Assim, devese afastar a multa de mora em face da ocorrência de denúncia espontânea nos moldes do artigo 138 do CTN. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10215.900539/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para: (i) que seja dado conhecimento à autoridade requisitante da existência dos arquivos digitais transmitidos à RFB conforme documentos de fls. 133 a 136 e que tal autoridade confirme ciência aos respectivos documentos (Recibo de Entrega de Arquivos Digitais); (ii) que o AFRFB responsável faça a análise dos arquivos digitais (item "i"), conjuntamente com todas as provas documentais carreadas aos presentes autos, sobre a procedência e o direito ao crédito de PIS/PASEP relacionado; e (iii) após atendimento do item "ii", a unidade da RFB identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10215.900539/2012-41
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5919791
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-001.493
nome_arquivo_s : Decisao_10215900539201241.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CASSIO SCHAPPO
nome_arquivo_pdf_s : 10215900539201241_5919791.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para: (i) que seja dado conhecimento à autoridade requisitante da existência dos arquivos digitais transmitidos à RFB conforme documentos de fls. 133 a 136 e que tal autoridade confirme ciência aos respectivos documentos (Recibo de Entrega de Arquivos Digitais); (ii) que o AFRFB responsável faça a análise dos arquivos digitais (item "i"), conjuntamente com todas as provas documentais carreadas aos presentes autos, sobre a procedência e o direito ao crédito de PIS/PASEP relacionado; e (iii) após atendimento do item "ii", a unidade da RFB identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7480991
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870882500608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2092; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10215.900539/201241 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.493 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de setembro de 2018 Assunto RESSARCIMENTO DE PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO EXPORTAÇÃO Recorrente JUA INDUSTRIA E COMERCIO DE MADEIRAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para: (i) que seja dado conhecimento à autoridade requisitante da existência dos arquivos digitais transmitidos à RFB conforme documentos de fls. 133 a 136 e que tal autoridade confirme ciência aos respectivos documentos (Recibo de Entrega de Arquivos Digitais); (ii) que o AFRFB responsável faça a análise dos arquivos digitais (item "i"), conjuntamente com todas as provas documentais carreadas aos presentes autos, sobre a procedência e o direito ao crédito de PIS/PASEP relacionado; e (iii) após atendimento do item "ii", a unidade da RFB identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Versam os autos sobre PER/COMP nº 41423.98603.110808.1.1.082907, que trata do pedido de ressarcimento de crédito de PIS/PASEP nãocumulativo – exportação, no valor de R$ 53.384,70 referente aos meses de outubro, novembro e dezembro do ano de 2005 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 15 .9 00 53 9/ 20 12 -4 1 Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10215.900539/201241 Resolução nº 3401001.493 S3C4T1 Fl. 3 2 (4º trimestre), envolvendo pedido de compensação através do PER/DCOMP nº 24903.02302.290110.1.3.085606. A DRF de Santarem/PA ao analisar o pedido da interessada emitiu Termo de Intimação, nº de Rastreamento 019863498 (fls.5), cientificado em 14/04/2012, com o seguinte teor: Na data de 05/11/2012 foi lavrado Despacho Decisório, Rastreamento nº 040118484 (fls.7), indeferindo o pedido: Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.9), sustentando seu direito ao crédito requerido por preencher todos os requisitos que a lei determina e em preliminar combate o despacho decisório afirmando: Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10215.900539/201241 Resolução nº 3401001.493 S3C4T1 Fl. 4 3 Dizse, ainda, prejudicada em seu amplo direito de defesa e ao contraditório, em face da fiscalização amparar em mera presunção o despacho decisório; que não há nos autos nenhum elemento de convicção do fisco, nada foi narrado ou juntado que levasse a conclusão pelo indeferimento do direito ao crédito; questiona, também, a legalidade das normas elencadas pelo fisco e desrespeitadas pela contribuinte, INSRF 88/2001 e o ADE 15/2001, quando o crédito pleiteado foi instituído pela Lei 10.833/2003 (Pis Não Cumulativo); Quanto ao mérito entende incontestável o direito que assiste a impugnante, de conformidade com a realidade fática, as disposições legais de regência, bem como a orientação jurisprudencial e doutrinária sobre a matéria. Devendo se acrescentar o direito a atualização monetária, frente a inércia da administração tributária. Ao final de sua manifestação a contribuinte faz juntada de toda a documentação e livros fiscais do período a qual se refere o pedido, dentre eles, as fls.133 a 136, cópia de recibo de arquivos digitais com carimbo de protocolo datado de 30/04/2012. Encaminhado os autos à 16ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 INTIMAÇÃO DESATENDIDA. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10215.900539/201241 Resolução nº 3401001.493 S3C4T1 Fl. 5 4 O processo não pode culminar em decisão favorável ao sujeito passivo quando o mesmo se furta a atender plenamente a intimação fiscal tendente à certificação da liquidez e certeza do crédito alegado. O postulante de direito creditório deve apresentar arquivos digitais validados/autenticados e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório reivindicado, sob pena de ter contra si decisão de caráter denegatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de diligências, quando entendelas necessária, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticável. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.329) contra a decisão de primeiro grau, requerendo sua procedência e ao final seja reformado tanto o despacho decisório quanto a decisão ora recorrida, reconhecendo a totalidade do crédito tributário pleiteado. Repisa todos os fatos e argumentos de sua manifestação de inconformidade, para os quais pede deferimento. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Salvo melhor juízo, merece acolhida os argumentos da recorrente, quanto a análise de seu pleito, relacionado ao Despacho Decisório. Não se discute nestes autos questão de mérito, embora a interessada tenha sido incisiva em seu direito. O pedido da contribuinte trata do reconhecimento de crédito de PIS não cumulativo, sobre operações de exportação, do período 4º trimestre de 2005. A autoridade fiscal responsável pelo caso entendeu necessário colher informações junto ao requerente e lavrou Termo de Intimação (fls.5) para que fosse transmitido arquivos eletrônicos previstos na INSRF nº 86/2001, em conformidade com o ADE Cofis nº 15/2001, alterado pelo ADE Cofis nº 25/2010 e faz a seguinte observação: “2. Para a validação e transmissão das informações solicitadas deve ser utilizado o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais – SVA, disponível no sítio da Internet da RFB (www.receita.fazenda.gov.br)”. De acordo com afirmações da Recorrente essa intimação foi atendida e comprovada às fls. 133 a 136. A seguir faço a reprodução de um deles, de fls.134: Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10215.900539/201241 Resolução nº 3401001.493 S3C4T1 Fl. 6 5 Certo é que estamos diante de um Despacho Decisório (fls.7) eletrônico, que atesta o indeferimento do crédito requerido, resumido, estritamente, nos seguintes termos: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a existência do crédito indicado, pois o contribuinte, mesmo intimado, não apresentou Arquivos Digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração acima indicado”. Ressaltase que a citação “no documento acima identificado”, não pode ser outro do que a PER/DCOMP nº 41423.98603.110808.1.1.082907. Nenhuma menção foi feita pela autoridade fiscal em seu Despacho Decisório quanto a existência ou não dos arquivos objeto do Termo de Intimação. Merece, inclusive, ser observado que na parte final do Recibo de Entrega de Arquivos Digitais, acima reproduzido, consta que o AFRFB Requisitante deverá receber o arquivo, confirmar seu código de identificação, datar e assinar. Em que momento o AFRFB Requisitante deveria atestar o recebimento e validado o arquivo, se no ato da entrega ou em momento posterior, não se tem notícia. Entendo que o contribuinte cumpriu com sua parte, se houve negligência essa se restringe a parte interna da administração tributária. A autoridade julgadora de primeiro grau entende de forma contrária e assim defende a validade do Despacho Decisório (fls.323): Ora, se o Auditorfiscal não validou, conforme o documento juntado pela interessada, não ocorreu atendimento à intimação, que exigia os Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10215.900539/201241 Resolução nº 3401001.493 S3C4T1 Fl. 7 6 arquivos em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01. E foi esta justamente a motivação do Despacho Decisório. Existe, portanto, um fato que coloca em dúvida a validade do Despacho Decisório, face ao desconhecimento pela autoridade fiscal da entrega dos arquivos digitais pela intimada e precisa ser esclarecido. Correta a colocação apresentada pela recorrente, se estamos diante da prova da entrega dos arquivos digitais e o indeferimento do benefício do crédito é relativo a pretensa falta da apresentação desses arquivos, representa evidente o vício de motivação contido no Despacho Decisório, tornandoo nulo de pleno direito. Não reconhecer essa realidade é tolher do sujeito passivo seu inderrogável direito de defesa, garantido nos expressos termos do art. 5º, Inciso LV da CF. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem tomar as seguintes providências: 1 que seja dado conhecimento ao AFRFB Requisitante da existência dos arquivos digitais transmitidos a RFB conforme documentos de fls. 133 a 136 e que tal autoridade confirme ciência aos respectivos documentos (Recibo de Entrega de Arquivos Digitais); 2 que o AFRFB responsável faça a análise dos arquivos digitais (item 1), conjuntamente com todas as provas documentais carreadas aos presentes autos, sobre a procedência e o direito ao crédito de PIS/PASEP relacionado; 3 após atendimento do item "2", a unidade da RFB identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 414DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900382/2008-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/05/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-007.062
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/05/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10865.900382/2008-12
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5911964
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.062
nome_arquivo_s : Decisao_10865900382200812.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10865900382200812_5911964.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
id : 7440794
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870888792064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1862; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10865.900382/200812 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 9303007.062 – 3ª Turma Sessão de 10 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida INDÚSTRIA CERÂMICA FRAGNANI LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/05/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 82 /2 00 8- 12 Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10865.900382/200812 Acórdão n.º 9303007.062 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3401001.954, que, na parte de interesse ao presente julgamento, possui a seguinte ementa: (...) BASE DE CÁLCULO. SAÍDAS DE PRODUTOS EM BONIFICAÇÃO NÃO DEPENDENTES DA IMPLEMENTAÇÃO DE QUALQUER CONDIÇÃO. EXCLUSÃO PERMITIDA. PAGAMENTO A MAIOR CONFIRMADO PARCIALMENTE. Equiparamse aos “descontos concedidos incondicionalmente” a que alude a exclusão legal permitida da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins as “bonificações” perfeitamente identificadas com as notas fiscais de venda a que se referiram, ainda que não tenham constado desta, mas, sim, em outro documento fiscal apartado. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente recurso. Aduz divergência de interpretação da legislação tributária referente à conceituação de desconto incondicional. Para comprovar a divergência apresentou o acórdão nº 20403.303. Mediante despacho de exame de admissibilidade o Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do especial interposto. Alternativamente, caso o Colegiado entenda pelo conhecimento do recurso, requer lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10865.900382/200812 Acórdão n.º 9303007.062 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.055, de 10/07/2018, proferido no julgamento do processo 10865.900236/200897, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.055): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. In caso, tratase de processo que retorna de julgamento em face da conclusão da diligência deliberada pelo Colegiado a quo por meio da Resolução nº 340100.083,de 27/10/2010. Após a conclusão de diligência, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP indeferiu os termos da Manifestação de Inconformidade por entender que: “As bonificações concedidas em mercadorias configuram descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta para efeito de apuração da base de cálculo da Cofins, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento”. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10865.900382/200812 Acórdão n.º 9303007.062 CSRFT3 Fl. 5 4 Com efeito, a 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3º Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, por entender que as bonificações para serem excluídas da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, há de serem caracterizadas como descontos incondicionais concedidos, assim definidos na INSRF n° 51, de 1978, devendo atender duas condições: constar em nota fiscal de venda dos bens, e não depender de evento posterior à emissão desse documento. A partir do resultado de diligência empreendida por requisição do Colegiado recursal, constatou que, não obstante as bonificações não tenham constado do corpo das notas fiscais de venda, uma parte delas teve a sua emissão na mesma data, ao mesmo cliente, com numeração seqüencial imediata, envolveu o mesmo transportador e as mesmas placas dos veículos transportadores. Sob essas condições, concluiu que a operação não dependia de evento posterior à emissão da nota fiscal de venda, concluindo que as mercadorias recebidas em bonificação configuravam descontos incondicionais concedidos”, considerando ainda irrelevante, porquanto não fundada em lei, o preenchimento da condição de que constem da própria nota fiscal de venda e não de um documento em separado desta. Por sua vez, a Fazenda Nacional aduz divergência à respeito da conceituação de desconto incondicional. Visando comprovar o dissenso aponta como paradigma, o Acórdão nº 204.03.303, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2003. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES RECEBIDAS. DESCARACTERIZAÇÃO. Somente se configura o recebimento de bonificação em mercadorias, cujo valor não é computado como receita para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins na forma definida na Lei n 9.718/98, quando constem discriminadas na própria nota fiscal de venda das mercadorias sobre a qual se concedeu a bonificação. Mercadorias recebidas gratuitamente, em nota fiscal própria, configuram doações, cuja contrapartida é obrigatoriamente registrada a conta de receita e tributada pelas contribuições na vigência daquela Lei. Recurso Voluntário Negado Relatório Em Termo de Verificação Fiscal de fls. 09 e 10 dos autos, a autoridade fiscal esclarece a divergência ocorrida entre os meses de fevereiro de 1999 e dezembro de 2000: "não inclusão das demais receitas auferidas" e não inclusão da totalidade das mercadorias recebidas em bonificação. No termo não há qualquer esclarecimento acerca das divergências verificadas nos demais meses, limitandose a autoridade a afirmar que os créditos utilizáveis pelo contribuinte na sistemática nãocumulativa já estavam considerados no lançamento.A ele se seguem planilhas demonstrativas da composição da base de cálculo adotada pela fiscalização, Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10865.900382/200812 Acórdão n.º 9303007.062 CSRFT3 Fl. 6 5 mês a mês, desde fevereiro de 1999. Delas, percebese que as contas adicionadas são as mesmas, seja na sistemática cumulativa, seja na nãocumulativa. A DRJ em Ribeirão Preto/SP houve por bem determinar a realização de diligência na qual a autoridade fiscal promovesse a juntada de cópias dos livros contábeis (razão e diário) que demonstrassem a contabilização das operações com mercadorias recebidas em bonificação e destinadas à revenda, "... ou seja, (das contas) de "Mercadorias Bonificadas e Mercadorias para revenda, bem como das respectivas contas de encerramento (contas para as quais foram transferidos os saldos daquelas)...verificando, na oportunidade, se os valores contabilizados são iguais aos tributados". Não houve determinação expressa para novos procedimentos, nem mesmo para ciência da interessada. Em suma, procurou demonstrar que as bonificações aqui tributadas não atenderiam às exigências constantes nos diverSos atos da SRF sobre o assunto (inclusive a publicação "perguntas e respostas citada pela impugnante em sua peça de defesa) para que possam ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins, qual seja a de figurarem nas notas fiscais de vendas, quais descontos incondicionais, como redutores do preço cobrado. No caso em discussão, seriam mercadorias recebidas por meio de notas fiscais próprias com a inserção do código fiscal de operações 5.99. Em que pese o exame de admissibilidade ter reconhecido o dissenso, pelo confronto entre as razões de decidir do acórdão recorrido e o excerto do voto condutor do paradigma, não se comprova divergência. A decisão recorrida deu provimento ao Recurso Voluntário, com base em perguntas e respostas da Receita Federal do Brasil (RFB) reconhecendo a existência de pagamento a maior no recolhimento da Contribuição, advindo da inclusão na base de cálculo do valor das mercadorias recebidas em bonificação. Já o acórdão paradigma apontado pela Fazenda Nacional, o qual foi objeto de Embargos de Declaração, acolhido com efeito infringente ( acórdão nº 220200.124) tendo o Colegiado excluído o valor das bonificações da base de cálculo das contribuições por entender que á luz da inconstitucionalidade declarada pelo STF ao disposto pelo parágrafo 1º do artigo 3º da lei nº 9718, em que essa cobrança, não caberia tributação do PIS e da COFINS. Como se vê, o paradigma apresentado, não demonstra nenhuma divergência, a tese encampada pela Fazenda Nacional, demonstra entendimento favorável a Contribuinte, pois prestam à demonstrar dissenso favorável, considerando a tributação do PIS/COFINS sobre bonificações concedidas, independente de seu enquadramento em "desconto incondicional". No acórdão recorrido, foi conferido a Contribuinte o direito de excluir as bonificações em que estivesse caracterizado o desconto incondicional, ou seja, mesmo não sendo as bonificações objeto da mesma nota fiscal, nas quais, em diligência, restou comprovada a emissão conjuntamente á nora fiscal de venda, estaria reconhecido o direito de excluir o montante correspondente ás bonificações de cálculo das contribuições. O paradigma, por meio dos Embargos de Declaração entendeu que a Contribuinte tinha o direito de excluir toda e qualquer receita "bonificação", visto que esta não se enquadra no conceito de faturamento ( base de cálculo constitucionalmente eleita para o PIS e COFINS) conforme entendimento do STF. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10865.900382/200812 Acórdão n.º 9303007.062 CSRFT3 Fl. 7 6 Deste modo, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Dispositivo Ex positis, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução de divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional não foi conhecido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 514DF CARF MF
score : 1.0
