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Numero do processo: 10783.903012/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.
O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa.
A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543-C do CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno.
RESSARCIMENTO DE IPI. CULTIVO DE ÁRVORES. MADEIRA INSUMO. PRODUÇÃO DE CELULOSE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O conceito de insumo na industrialização para fins de creditamento do IPI não abrange os insumos utilizados no cultivo de árvores para produção de madeira, a qual será posteriormente utilizada para a obtenção da celulose.
Embora a madeira seja matéria-prima na produção da celulose, o cultivo das árvores, mesmo que exercido pela própria contribuinte, não é operação de industrialização, mas de agricultura, cujo produto resultante é a madeira, não podendo os produtos empregados nessa etapa, serem considerados como insumos no processo industrial da celulose para fins de creditamento do IPI.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIA-PRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E NÃO CONTRIBUINTES. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE.
No âmbito da Lei nº 9.363/96, é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG), aplicado ao caso, nos termos do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 3402-002.831
Decisão: Recurso Voluntário provido em parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer os créditos decorrentes das aquisições de insumos de pessoas físicas e associações não sujeitas às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, com a consequente homologação das compensações nessa medida. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543C do CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno. RESSARCIMENTO DE IPI. CULTIVO DE ÁRVORES. MADEIRA INSUMO. PRODUÇÃO DE CELULOSE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O conceito de insumo na industrialização para fins de creditamento do IPI não abrange os insumos utilizados no cultivo de árvores para produção de madeira, a qual será posteriormente utilizada para a obtenção da celulose. Embora a madeira seja matériaprima na produção da celulose, o cultivo das árvores, mesmo que exercido pela própria contribuinte, não é operação de industrialização, mas de agricultura, cujo produto resultante é a madeira, não podendo os produtos empregados nessa etapa, serem considerados como insumos no processo industrial da celulose para fins de creditamento do IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIAPRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 30 12 /2 00 9- 28 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 2 NÃO CONTRIBUINTES. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE. No âmbito da Lei nº 9.363/96, é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG), aplicado ao caso, nos termos do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer os créditos decorrentes das aquisições de insumos de pessoas físicas e associações não sujeitas às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, com a consequente homologação das compensações nessa medida. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Trata o processo da DCOMP n° 18695.41543.200308.1.7.017037 (retificadora da DCOMP n° 22582.70044.290104.1.3.014693), transmitida pela contribuinte em 20/03/2008, tendo por lastro crédito originário de Saldo Credor do IPI apurado no 4° trimestre/2003, no valor de R$ 10.125.336,63. Posteriormente, vinculadas a essa DCOMP, foram transmitidas outras DCOMP's para utilização do saldo credor originário da DCOMP inicial. Conforme consta no Relatório Fiscal, no desenvolvimento dos trabalhos iniciados em 12/03/2008, constatouse inadequação no entendimento do contribuinte quanto à conceituação de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) em confronto com a legislação em vigor. Além disso, o contribuinte utilizou no cálculo do crédito presumido valores não admitidos, tais como aquisições de pessoas físicas, Fl. 379DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.903012/200928 Acórdão n.º 3402002.831 S3C4T2 Fl. 379 3 cooperativas, serviço de transporte e de produtos importados diretamente. Assim, a fiscalização procedeu à glosa de valores escriturados a título de créditos básicos e de crédito presumido. As glosas foram assim resumidas no Relatório Fiscal: a) Produtos utilizados na Área florestal, tais como herbicidas, fertilizantes, fungicida, monofosfato de amônia, ácido indolil butirico, nitrato de potássio, vermiculita, isca formicida, etc. Tais insumos não podem ser considerados no cálculo do crédito presumido tendo em vista tratarse de atividade extrativista primária e não de operação industrial de produção de celulose a que se dedica a empresa; b) Produtos utilizados como partes e peças de máquinas e equipamentos, tais como parafusos, porcas, selos mecânicos, arruelas, molas, prendedores, cabo de selagem, etc. Como visto acima, os produtos que se enquadram como parte e peças de máquinas e equipamentos não podem ser caracterizados como MP, PI e ME. Alguns, como molas e amortecedores, além de serem partes e peças de máquinas e equipamentos, não entram em contato direto com o produto, contrariando duas premissas do parecer normativo. Já os parafusos, porcas e arruelas. mesmo quando entram em contato com o produto e possam sofrer desgaste devido a este contato, a função deles não é se desgastar a partir deste contato, mas simplesmente a montagem do equipamento, e assim, este desgaste deve ser considerado como originário de sua utilização normal e não por ação direta sobre o produto, que seria o caso de uma lixa, por exemplo, cuja a função é se desgastar pelo contato direto com o produto; c) Produtos utilizados no picador de casca, tais como, Corrente Estampada, Faca do Picador de Casca, Contra faca, Pente, Peneiras, Correias, Lamina Desgaste Saída, Lâmina arrastadora, Placa de Cobertura da Faca, Segmento Dentado, etc. As cascas da madeira são utilizadas como combustível complementar na fábrica de celulose. Estes itens são utilizados em linha industrial específica que destina estas cascas de madeira para a produção de energia. Como combustível não é considerado no cálculo co crédito presumido, não podem, tampouco, serem considerados os insumos utilizados na sua linha de produção; d) Produtos utilizados para tratamento (desmineralização) da água da caldeira, tais como Triact 1800 Nalco, Resina anionica forte, Resina anionica fraca, etc. A água utilizada na caldeira deve ser tratada quimicamente para retirada de alguns minerais (desmineralização) ou controle do seu PH, caso contrário, pode haver incrustação ou corrosão dos canos da caldeira. Como se observa, o objetivo deste procedimento é meramente de manutenção e aumento de eficiência de um equipamento, não guardando qualquer relação com o processo produtivo da celulose em si; e) Produtos utilizados como combustíveis para caldeira e fornos, tais como Cavacos_APM, Calcário Calcítico, Óleo Fl. 380DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 4 Combustivel Tipo 2 A, Gás Natural, Hidrogênio. Utilização vedada, por se tratar de fonte de energia térmica para o sistema; f) Produtos utilizados no laboratório, tais como, Tisulfato de Sódio, Nitrogênio Ultra Puro 99,99%, etc. Os produtos utilizados nas análises químicas e físicas feitas depois do produto acabado. com intuito de analise de suas propriedades, não fazem parte do processo produtivo da empresa. não se enquadrando assim como MP, PI e ME; g)Produtos que não entram em contato direto com a produção, tais como Rolos, Roletes, Braço Peneira Cavaco, etc. Como visto no parecer normativo , somente podem ser considerados produtos intermediários os produtos que se desgastam devido à ação direta na produção, o que não ocorre no presente caso; h) Produtos com vida útil maior que um ano, tais como Conector Flangeado, Grelha Cilíndrica, etc. Os produtos que possuem vida útil maior que um ano devem ser imobilizados, não podendo ser considerados produtos intermediários na produção: i) Material de consumo e manutenção, tais como Óleo de Corrente de Moto Serra, Calcário Calcítico, etc. Estes produtos têm como função simplesmente a manutenção de maquinas e equipamentos. como lubrificação, limpeza, etc, não se enquadrando no conceito de MP, PI e ME; j) Produtos Importados, tais como Antraquinosa, Pino de Cisalhamento, etc. O art. 10 da Lei n° 9.363196 determina que somente serão utilizados no cálculo do credito presumido os valores correspondentes as aquisições no mercado interno de MP, PI e ME; k) Aquisição de serviço, tais como frete de madeira própria e de fomento. No presente caso. a única coisa que se está adquirindo é o serviço de frete, pois o produto já pertence ao contribuinte , e serviço não pode ser considerado NIP, PI e ME; 1) Aquisições de Pessoa Física e Cooperativas, tais como no caso da Madeira. A utilização de aquisições de não contribuinte de PIS e COFINS é vedada. O contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, conforme consta no Relatório da decisão recorrida: inicialmente argumenta que apesar da dificuldade em identificar exatamente quais insumos tiveram seu crédito presumido glosados, parte por defender os principais insumos consumidos ao longo do seu processo produtivo; acrescenta que optou pelo Processo de Produção Integrado, que consiste no ciclo de produção que se inicia com a seleção de material genético de eucalipto de alta produtividade, o plantio Fl. 381DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.903012/200928 Acórdão n.º 3402002.831 S3C4T2 Fl. 380 5 das melhores espécies, a colheita, o transporte da madeira, a picagem da madeira, o cozimento, o branqueamento, a secagem, a embalagem até terminar com o transporte dos produtos finais; discorre sobre a "natureza de insumos dos bens excluídos pela fiscalização do creditamento de IPI" , argumentando que: ... mesmo aqueles produtos que não integram o novo produto, mas sejam consumidos no processo de produção, podem ser creditados. Dessa forma, resta claro que todos os recursos utilizados na produção do produto final, isto é, os insumos em geral..., são passíveis de creditamento de IPI. Neste contexto, fazse absolutamente necessária a fixação do correto conceito de insumo, posto que dele é que surgem as conclusões sobre a necessidade de reforma do despacho decisório. Entendese por insumo toda e qualquer matéria prima, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final. ressalta que a leitura de Soluções de Consulta da RFB tratando do conceito de insumos na apuração do PIS e Cofins não cumulativos nos remete à conclusão de que "insumo corresponde a tudo aquilo que contribui para o processo produtivo de determinado produto e não somente aquelas MP, PI e ME que se integram ao produto "; encerrada a sua argumentação sobre o que entende deva ser considerado insumo, passa a discorrer nos tópicos seguintes, sobre os "bens que sofrem desgaste direto em face do contato com o produto", "dos produtos utilizados no cozimento da celulose " e "dos insumos utilizados no cultivo das florestas de eucalipto "; sobre os bens que sofrem desgaste direto em face do contato com o produto alega, em resumo, que : ... a produção da celulose como um todo começa com o plantio de árvores, passando pelo seu cultivo, corte, separação da madeira aproveitável, corte e picagem desta, cozimento da madeira picada, depuração e branqueamento, e secagem para, por fim, obterse a celulose. ... para a obtenção do produto final, o processo passa por sub produções dentro da própria empresa que vai desde o plantio das árvores, passando pelo procedimento de corte, de picagem de madeira, de cozimento desta, dentre outras. ... a cadeia produtiva se compõe do (sub) processo de plantio, cujo produto alvo é a madeira advinda da árvore; do (sub) processo de corte e picagem, cujo produto alvo é a madeira picada; do (sub) processo de cozimento cuja intenção é adquirir o extrato, etc. ... sem a utilização do prendedor, não seria possível manter a serra em posição vertical a fim de que essa cortasse as toras em tamanho ideal para o seu cozimento. Ao mesmo tempo, sem o parafuso Pallmann, que fixa as facas do picador de cascas, as facas não Fl. 382DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 6 teriam suporte para executar sua função, a de cortar a madeira para o cozimento para posterior transformação nas placas de celulose. ... é correto afirmar que os elementos utilizados para 'produzir' madeira, 'produzir' madeira picada, 'produzir' o extrato que gerará o produto final, ou qualquer outro produto feito pela Requerente e indispensável à produção da celulose, são matérias primas utilizadas na produção da mesma. ...os produtos que são consumidos em face do desgaste direto, os denominados subprodutos, como por exemplo, a travessa da peneira, que apoia a peneira de cascas que tem contato com a árvore, a porca sextavada ... e todos aqueles relacionados na tabela acima são insumos da celulose, e como tal geram direito ao creditamento em questão. prossegue discorrendo sobre as funções de alguns dos insumos que, no seu entendimento, foram erroneamente excluídos do creditamento: a)Parafuso Pallmann: A referida peça segura a faca que realiza o corte da madeira ... é necessário que o referido parafuso fique em contato direto com a madeira a cada corte realizado. Assim, da mesma maneira que a faca sofre o desgaste corte a corte, o mesmo ocorre com o parafuso... b)Travessa de Peneira para picador de cascas: As travessas dão suporte às peneiras que são essenciais para padronizar o tamanho das cascas consumidas; c)Corrente: tem por junção arrastar resíduos na mesa de cargas e acaba por se desgastar em face do contato com peso da madeira. argumenta que dos exemplos podese delinear o seu desgaste em decorrência do contato direito com o produto e ressalta que os referidos bens excluídos sofrem desgaste periódico, perdem suas funções em decorrência do contato físico com o produto e, não são integrantes do ativo fixo; acrescenta que nem mesmo os Conectores Flangeados e as Grelhas Cilíndricas podem ser consideradas como ativos fixos embora sua vida útil seja minimamente superior a 01 ano pois, por entrar em contato direto com o produto o desgaste a que se submetem é demasiadamente elevado; quanto aos produtos utilizados no cozimento da celulose esclarece que: ...o cozimento consiste em submeter os cavacos (madeira picada) a uma ação química do licor branco forte (soda cáustica mais sulfeto de sódio) e do vapor d'agua no digestor a fim de dissociar a lignina existente entre a fibra e a madeira. As fibras liberadas são, na realidade, a celulose industrial; O digestor é um vaso de pressão, com altura aproximada de 57 metros, onde os cavacos e licor branco forte são introduzidos continuamente pela parte superior. Após a lavagem, a celulose é retirada do digestor, sendo em seguida submetida a outra operação de lavagem dos difusores, para então ser depurada. A depuração consiste em submeter a celulose industrial à ação de peneiramento... Fl. 383DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.903012/200928 Acórdão n.º 3402002.831 S3C4T2 Fl. 381 7 Após essa operação, a celulose, é submetida a um processo branqueamento, que consiste em tratála com peróxido de hidrogênio, dióxido de cloro, oxigênio e soda cáustica em cinco estágios diferentes, com seus respectivos filtros lavadores. ... justamente para o funcionamento das referidas caldeiras é que se faz necessário o uso de elementos químicos para o tratamento da água das caldeiras, bem como o uso de combustíveis. ... para realizar o cozimento, é essencial a utilização da água tratada qaimicamente e de combustíveis. ... é impossível que o processo produtivo da celulose se dê sem a presença dos combustíveis... no mesmo tópico prossegue discorrendo sobre a glosa dos produtos utilizados no laboratório, produtos esses indispensáveis à finalização do processo produtivo da celulose, sendo incontestável a participação de produtos como o Tissulfato de Sódio e Nitrogênio Ultra Pura no processo produtivo da celulose; passando para a análise dos insumos utilizados no cultivo de florestas de eucalipto, argumenta: ... o processo produtivo da celulose, tem em sua fase inicial o cultivo e corte de arvores que serão utilizadas para produção da celulose. ... o processo começa com o plantio de sementes em estufas; ... os adubos e fertilizantes...são matérias primas necessárias para o cultivo de árvores... ... os demais produtos, como herbicidas, iscas para formigas, vermiculitas e outros, tem por função proteger o crescimento das árvores... todos estes produtos são consumidos durante o cultivo das árvores. Demonstrado que o cultivo de árvores é parte do processo produtivo da celulose, as matériasprimas e os produtos intermediários utilizados neste processo também geram créditos de IPI. Mediante o Acórdão nº 0932.653, de 30 de novembro de 2010, a 3ª Turma da DRJ/Juiz de Fora julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI n° 9.363, de 1996. BASE DE CÁLCULO 1.A conceituação de insumos (MP, PI e ME) são as constantes da legislação do IPI e não a definição semântica do termo. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 8 2. Não integram a base de cálculo do crédito presumido sob a forma de insumos utilizados no processo produtivo, uma vez que não revestem a condição de matériaprima ou produto intermediário, nos termos da legislação de regência: as partes e peças de máquinas e equipamentos, inclusive as partes e peças do picador de casca, pois, além de serem partes e peças de máquinas e equipamentos, não entram em contato direto com o produto; os produtos com vida útil maior que um ano, por pertencerem ao ativo permanente; os combustíveis para caldeiras e fornos, uma vez que não se revestem da condição de matériaprima ou produto intermediário; os insumos utilizados no cultivo das florestas, atividade primária que antecedente ao processo de industrialização da celulose; os produtos utilizados para tratamento (desmineralização) da água da caldeira, os produtos utilizados no laboratório para controle de qualidade dos produtos acabados, bem como o material de consumo e manutenção; os produtos importados, por expressa disposição legal; bem como as aquisições de pessoas físicas e de não contribuintes que não sofreram a incidência do PIS e da Cofins. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 I DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferemse os pedidos de diligência quando presentes nos autos e na legislação elementos capazes de formar a convicção do julgador. II MATÉRIA NÃO CONTESTADA Considerase definitiva, na esfera administrativa, a matéria não contestada. O contribuinte foi regularmente cientificado, por via postal, da decisão de primeira instância em 10/02/2011, tendo apresentado Recurso Voluntário, em 14/03/2011, mediante o qual alega, em síntese: a) Da natureza de insumos dos bens excluídos pela fiscalização do creditamento de IPI: A legislação dispõe que mesmo aqueles produtos que não integram o novo produto, mas sejam consumidos no processo de produção, podem ser creditados, de forma que resta claro que todos os recursos utilizados na produção do produto final, isto é, os insumos em geral, e desde que consumidos no processo produtivo, são cabalmente passíveis de creditamento de IPI. Entendese por insumo toda e qualquer matériaprima, cuia utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final. As Soluções de Consulta nºs 176/2007 e 7/2008 não nos remetem à outra conclusão senão a de que insumo corresponde a tudo aquilo que contribui para o processo produtivo de determinado produto e não somente aquelas MP, PI e ME que se integram ao produto. Embora essas Soluções de Consulta digam respeito ao PIS e à COFINS não cumulativos, é preciso lembrar o conceito de insumo não é mutável, do contrário, haveria Fl. 385DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.903012/200928 Acórdão n.º 3402002.831 S3C4T2 Fl. 382 9 desrespeito ao disposto no art. 110 do CTN. Para que sejam enquadrados como insumos, basta que as MP, PI e ME, bem como os demais bens e serviços, sejam consumidos no processo produtivo/industrialização, sendo a exigência de integração ao produto final uma modificação de conceito de direito privado. b) Dos bens que sofrem desgaste direto em face do contato com o produto: Antes da obtenção da celulose existe uma série de processos que são indispensáveis para a consecução do produto final almejado. Sendo assim, a cadeia produtiva se compõe do (sub) processo de plantio, cujo produto alvo é a madeira advinda da árvore; do (sub) processo de corte e picagem, cujo produto alvo é a madeira picada; do (sub) processo de cozimento cuja intenção é adquirir o extrato, etc. (...). Para a execução destes subprocessos, fazse necessária a utilização de uma série de elementos essenciais que, sem os quais, não seria atingido o objetivo final da cadeia produtiva. Assim, por exemplo, sem a utilização do prendedor, não seria possível manter a serra em posição vertical a fim de que essa cortasse as toras em tamanho ideal para o seu cozimento. Ao mesmo tempo, sem o parafuso Pallmann, que fixa as facas do picador de cascas, as facas não teriam suporte para executar sua função, a de cortar a madeira para o cozimento para posterior transformação nas placas de celulose. Todos os produtos e elementos utilizados nestas fases têm por escopo unicamente a viabilização da produção (final) de celulose, constatandose que todos eles fazem parte do processo produtivo. Assim, é correto afirmar que os elementos utilizados para "produzir" madeira, "produzir" madeira picada, "produzir" o extrato que gerará o produto final, ou qualquer outro produto feito pela recorrente e indispensável à produção da celulose, são matérias primas utilizadas na produção da mesma. Igualmente, os produtos que são consumidos em face do desgaste direto, os denominados subprodutos, como por exemplo, a travessa da peneira, que apoia a peneira de cascas que tem contato com a árvore, a porca sextavada que fixa a faca do picador que interage com a madeira, e todos aqueles relacionados na tabela acima são insumos da celulose, e como tal geram direito ao creditamento em questão. Nesse sentido, não há que se falar em exclusão dos referidos produtos trazidos neste grupo do creditamento de IPI, pois, estes sofrem desgaste direto em face do contato com a madeira e devem ser substituídos periodicamente. Repitase que os produtos em questão são todos utilizados no corte e picagem da madeira, e no transporte desta como se comprova da listagem de material da recorrente onde estão determinados os setores nos quais são aplicados cada material e sofrem desgaste decorrente do contato direto com a própria madeira. Foram erroneamente excluídos do creditamento Parafuso Pallman, Travessa de Peneira para picador de cascas e corrente, eis que sofrem desgaste em decorrência do contato direto com o produto. Nesse sentido decidiu o Conselho de Contribuintes no Recurso nº 01196 da 1ª Câmara, concedendo o creditamento do material refratário utilizado em fornos para elaboração de aço. Convém ainda ressaltar que os referidos bens excluídos sofrem desgaste periódico. A bem da verdade, no período de um ano, muitos dos bens glosados precisaram ser repostos inúmeras vezes, pois estes possuem desgaste contínuo e diário. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 10 Ademais, tais bens também não são integrantes do ativo fixo, que em caso de danos, são evidentemente reparados, ao passo que os bens em análise, excluídos erroneamente do creditamento do IPI, perdem suas funções em decorrência do contato físico com o produto, evidenciando ainda mais o desgaste dos mesmos. Os Conectores Flangeados e as Grelhas Cilíndricas podem ser consideradas como ativos fixos. Isso porque, muito embora sua vida útil esteja minimamente superior a 01 (um) ano, por entrar em contato direto com o produto em produção, o desgaste a que estão sujeitas é demasiadamente elevado, sendo impossível procederse a sua reparação, mas tão somente a sua troca. c) Dos produtos utilizados no cozimento da celulose: O processo produtivo da celulose envolve o cozimento da madeira picada. Este cozimento se dá através de caldeiras e, justamente para o funcionamento das referidas caldeiras é que se faz necessário o uso de elementos químicos para o tratamento da água das caldeiras, bem como o uso de combustíveis. O Egrégio CC/MF considera como desgaste não só o desgaste físico, que ocorre no presente caso, mas também o desgaste químico, que tem verificação muito mais complexa que o físico. Ora, é mesmo óbvio que o processo produtivo da celulose não se dá sem o funcionamento das caldeiras, sendo que, para realizar o cozimento, fase essencial da produção da celulose, é essencial a utilização da água tratada quimicamente e de combustíveis. Ainda, é impossível que o processo produtivo da celulose se dê sem a presença dos combustíveis, vez que, para realizar o cozimento é necessário a queima de combustíveis já que não existe outro substituto economicamente viável. Do art. 147 do Decreto n° 2.637/98, que regulamentava o IPI à época dos fatos, extraise que são considerados insumos, para fins de creditamento de IPI, todos os elementos classificados como matériaprima ou como produto intermediário (desconsiderase a hipótese de material de embalagem em face da natureza dos produtos aqui analisados). Quanto a essa questão, o próprio E. CCMF, no REC 116437 1a CAM REL. SERAFIM FERNANDES CORRÊA, já se manifestou que mesmo os elementos (energia elétrica, combustíveis, lubrificantes e gases) que não integram produto são passíveis de crédito presumido do IPI. Além disso, cumpre esclarecer que também não merece guarida a glosa efetuada pela Fiscalização no tocante aos produtos utilizados no laboratório. Com efeito, tais produtos são indispensáveis à finalização do processo produtivo da celulose. Sem eles, fica praticamente inviável a certificação acerca da qualidade do produto. Ocorre que sem a aplicação dos produtos químicos indispensáveis à medição do resultado final do produto não é permitido à recorrente disponibilizar seu produto chave ao mercado, de modo que somente pode se considerar finalizada a etapa produtiva após tal análise, sendo incontestável a participação de produtos como o Tisulfato de Sódio e Nitrogênio Ultra Pura no processo produtivo da celulose. Sendo assim, não há como excluir dos créditos presumidos de IPI aqueles referentes aos gastos no processo de produção da celulose, tendo em vista que os elementos constantes da água da caldeira se consomem no referido processo, bem como pelo fato de que sem os mesmos se tornaria impossível a produção do produto final. d) Dos insumos utilizados no cultivo de florestas de eucaliptos: Fl. 387DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.903012/200928 Acórdão n.º 3402002.831 S3C4T2 Fl. 383 11 A recorrente não utiliza, em sua produção, madeiras que não sejam advindas de cultivo especifico para tal propósito, razão pela qual cultiva em suas terras árvores próprias para o corte e utilização na produção de celulose. Desta forma, o processo produtivo da celulose, realizado por um todo pela recorrente, tem em sua fase inicial o cultivo e corte de árvores que serão utilizadas para produção da celulose. Mais especificamente, o processo começa com o plantio de sementes em estufas, passando pela germinação destas, seguido pelo cultivo de mudas, a plantação destas no solo, o crescimento das árvores, culminando com o corte destas. Neste contexto, quais seriam as matériasprimas necessárias ao cultivo de árvores? Água, luz e o solo como nutrientes necessários ao crescimento do vegetal. Ora, a função dos adubos e fertilizantes em geral é enriquecer o solo. Assim, é indubitável que estes são matériasprimas necessárias para o cultivo de árvores. Também os demais produtos, como herbicidas, iscas para formigas, vermiculitas e outros, tem por função proteger o crescimento das árvores. Convém ressaltar que todos estes produtos são consumidos durante o cultivo das árvores. Assim, é forçoso concluir que estes produtos são produtos intermediários consumidos no processo produtivo. Demonstrado que o cultivo de árvores é parte do processo produtivo da celulose, as matériasprimas e os produtos intermediários utilizados neste processo também geram créditos de IPI. Logo, também a exclusão dos produtos tratados neste tópico deve ser julgada insubsistente. Ao final, requereu a recorrente: i) a reforma da decisão recorrida para a homologação das PER/DCOMP's, cancelandose qualquer débito cobrado em decorrência dessas; e ii) Alternativamente, a conversão em diligência para que todos os equívocos cometidos ao longo do procedimento de fiscalização sejam sanados. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso é tempestivo e foi apresentado por legítimo representante da contribuinte, pelo que dele tomo conhecimento. Passase à análise do recurso voluntário, segundo os tópicos que nele constam. a) Da natureza de insumos dos bens excluídos pela fiscalização do creditamento de IPI: Alega a recorrente que, em conformidade com as Soluções de Consulta nºs 176/2007 e 7/2008, insumo corresponderia a tudo aquilo que contribui para o processo produtivo de determinado produto e não somente aquelas MP, PI e ME que se integram ao produto. No entanto, as Soluções de Consulta citadas, não tratam de IPI, mas das contribuições não cumulativas do PIS e da Cofins, para as quais o conceito de insumo é bastante diverso, baseado em outra legislação. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 12 O conceito de insumo para fins de creditamento do IPI sobre os produtos adquiridos está definido em leis, regulamento e normas complementares, não havendo qualquer lesão ao art. 110 do CTN, vez que a Constituição Federal não utilizou o conceito de insumo para definir ou limitar competências, mas apenas determinou, no art. 153, §3°, ao legislador ordinário que observasse a técnica da não cumulatividade do IPI. Nesse contexto é que dispõe o art. 164, I do RIPI/2002, vigente à época dos fatos geradores (4º trimestre/2003), que os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados podem creditarse do imposto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Também os Pareceres Normativos CST nº 65/79 e nº 181/74, parcialmente transcritos abaixo, que são atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, nos termos do art. 100, I do CTN, auxiliam na determinação do sentido e alcance das normas legais e do regulamento acerca de quais insumos ensejam aproveitamento de créditos do IPI: [Parecer Normativo CST nº 65/79] 1 Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI/79). 2 O artigo 25 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pela alteração 8ª do artigo 2º do Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, repetida “ipsis verbis” pelo artigo 1º do Decretolei nº 1.136, de 7 de setembro de 1970, dispõe: ‘Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuindo do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer’. Como se vê, tratase de norma não autoaplicável, de vez que ficou atribuído ao regulamento especificar os produtos entrados que geram o direito à subtração do montante de IPI a recolher. 3 Diante disto, ressaltese serem ‘ex nunc’ os efeitos decorrentes da entrada em vigência do inciso I do artigo 66 do RIPI/79, ou seja, usando da atribuição que lhe foi conferida em lei, o novo Regulamento estabeleceu as normas e especificações que a partir daquela data passaram a reger a matéria, não se tratando, como há quem entenda, de disposição interpretativa e, por via de conseqüência, retroativa, somente sendo, portanto, aplicável a norma em análise, a seguir transcrita, aos fatos ocorridos a partir da vigência do RIPI/79: ‘Art. 66 Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decretolei nº 3.466, art. 2º, alt. 8ª): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para Fl. 389DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.903012/200928 Acórdão n.º 3402002.831 S3C4T2 Fl. 384 13 emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matérias primas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matériasprimas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, Fl. 390DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 14 consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. (...) 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, alem dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. (grifos desta Relatora) [Parecer Normativo nº 181/1974] (...) 13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, Fl. 391DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.903012/200928 Acórdão n.º 3402002.831 S3C4T2 Fl. 385 15 mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.” [grifos da Relatora] Assim, em consonância aos dispositivos e atos normativos acima mencionados, o aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. De forma que não há como acolher a pretensão da recorrente de ter reconhecido o direito ao crédito do IPI sobre tudo aquilo que contribui para o processo produtivo. Neste mesmo sentido decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508), cujos termos vincula este colegiado consoante regra contida no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015. O RECURSO ESPECIAL Nº 1.075.508 SC (2008/01532905), representativo de controvérsias, nos termos do artigo 543C do CPC, traz a seguinte ementa: EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de Fl. 392DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 16 industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nesta esteira, em julgamento anterior deste Conselho Administrativo, no Acórdão nº 3302002.475, da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária desta Terceira Seção de Julgamento, cuja ementa segue abaixo, foi adotado o entendimento do referido Recurso Especial: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR E DERIVADOS. O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana deaçúcar. O cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. RECURSO REPETITIVO STJ. Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta. Recurso Voluntário Negado. b) Dos bens que sofrem desgaste direto em face do contato com o produto: Insurgese a recorrente neste tópico em face das glosas relativas a produtos que sofreriam desgaste em contato direto com a madeira nos processos anteriores à obtenção da celulose, nos subprocessos de plantio, corte e picagem e no cozimento para adquirir o extrato. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.903012/200928 Acórdão n.º 3402002.831 S3C4T2 Fl. 386 17 Conforme consta na planilha dos itens glosados, os motivos determinantes para todas as glosas foram os seguintes: 1 Florestal, 2 Partes e peças de máquinas e equipamentos, 3 Picador de cascas, 4 Tratamento de água para caldeira (desmineralização), 5 Combustível, 6 Laboratório, 7 Não entra em contato direto com o produto, 8 Vida útil maior que um ano, 9 Material de consumo/manutenção, 10 Importados, 11 Aquisição de Serviço, e 12 Aquisição Pessoa Física/Cooperativa/Permuta. Assim, não foi somente a ausência de contato direto com o produto em fabricação o fato determinante para as glosas, havendo itens que, embora tenham esse contato direto, não dariam o direito ao creditamento em face de outro motivo. Desta forma, a alegação genérica da recorrente de que haveria contato direto com a madeira em fabricação não é elemento suficiente para reforma das glosas relativas aos subprocessos anteriores à obtenção da celulose, havendo que se verificar a situação ensejadora para cada glosa especificamente contestada. Vejamos os itens contestados em caráter específico: i) Prendedor: não consta no Demonstrativo de Produtos Glosados a glosa de qualquer tipo de prendedor. Apenas no Demonstrativo de Produtos Aceitos constam alguns prendedores (itens 2629, 2630 e 30280). ii) Parafuso Pallmann: todo os parafusos que constam no Demonstrativo foram glosados por se tratar de partes e peças de máquinas e equipamentos, não havendo nenhuma referência específica a "Parafuso Pallmann". De todo modo, a fiscalização assim motivou as glosas de parafusos, porcas e congêneres: "mesmo quando entram em contato com o produto e possam sofrer desgaste devido a este contato, a função deles não é se desgastar a partir deste contato, mas simplesmente a montagem do equipamento, e assim, este desgaste deve ser considerado como originário de sua utilização normal e não por ação direta sobre o produto, que seria o caso de uma lixa, por exemplo, cuja a função é se desgastar pelo contato direto com o produto". Na hipótese do referido "Parafuso Pallmann" ter sido glosado como um dos "Produtos utilizados no picador de casca", a glosa fundamentouse no fato de que, se o combustível não deve ser considerado no crédito presumido, não podem, tampouco, serem considerados os bens utilizados na sua linha de produção. Assim, considerando que os referidos entendimentos estão de acordo com o posicionamento do presente Voto, exposto no item "a)" acima, inclusive sob respaldo de recurso repetitivo, de que o desgaste apenas indireto, da ação utilização normal do bem, não gera direito ao creditamento; a glosa deve ser mantida. iii) Porca Sextavada: Consta no Demonstrativo que as porcas sextavadas foram também glosadas por se tratar de partes e peças de máquinas e equipamentos, valendo as mesmas considerações efetuadas acima para os parafusos. iv) Travessa da peneira: este item foi glosado por fazer parte do "Picador de Cascas", tendo em vista que se tratam de produtos utilizados na linha de produção das cascas de madeira, que serão depois utilizadas como combustíveis na fábrica de celulose, sendo que esse não é considerado no cálculo do crédito presumido: Fl. 394DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 18 c) Produtos utilizados no picador de casca, tais como, Corrente Estampada, Faca do Picador de Casca, Contra faca, Pente, Peneiras, Correias, Lamina Desgaste Saida, Lâmina arrastadora, Placa de Cobertura da Faca, Segmento Dentado, etc. As cascas da madeira são utilizadas como combustível complementar na fábrica de celulose. Estes itens são utilizados em linha industrial específica que destina estas cascas de madeira para a produção de energia. Como combustível não é considerado no cálculo co crédito presumido, não podem, tampouco, serem considerados os insumos utilizados na sua linha de produção; Quanto aos combustíveis e à energia elétrica não pairam duvidas de que não integram a base de cálculo do crédito presumido, vez que não são consumidos em contato direto com o produto, nos termos da matéria sumulada pelo Carf (Súmula CARF nº 19), assim, com maior razão ainda, não cabe o creditamento dos bens utilizados na linha de produção das cascas de madeira que serão, posteriormente, utilizadas como combustível na produção da celulose. v) Corrente: No Demonstrativo de Glosas, consta apenas a "corrente estampada", que foi glosada por ter vida útil superior a um ano, sendo ativável, não havendo o direito ao creditamento. No caso, a recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento modificativo quanto a esse aspecto, razão pela qual deve a glosa ser mantida. vi) Conectores Flangeados e Grelhas Cilíndricas: também esses itens foram glosados por serem ativáveis, do que a recorrente nem discorda, mas insiste que perdem suas funções em decorrência do contato físico com o produto, razão pela qual requer o creditamento. No entanto, conforme disposto no art. 164, I do Regulamento do IPI/2002, não há possibilidade de creditamento de itens compreendidos no ativo permanente, o que foi, inclusive, referendado em sede de recurso repetitivo. Assim, não merecem reforma os itens contestados neste tópico, tendo em vista que não são considerados como matériaprima ou material intermediário, os quais deveriam atender aos seguintes requisitos: devem ser consumidos ou sofrerem desbaste, o dano e ou perda de propriedades fisicas ou químicas em decorrência de contato físico com o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida, nos termos do item 11.1 do PN 65, de 1979; não se trate de partes nem peças de máquinas, conforme explicitamente observado no item 13 do PN CST n° 181/1974, e não estejam compreendidos no ativo permanente. Pelos argumentos expostos, as partes e peças de máquinas e equipamentos em geral, e também as partes e peças pertencentes a linha do picador de casca, não se enquadram na situação descrita na legislação, posto que, são partes e peças de máquinas e ainda que algumas não sejam classificáveis no ativo permanente, possuem desgaste natural pelo próprio uso e não pelo contato com o produto industrializado. c) Dos produtos utilizados no cozimento da celulose: Informa a recorrente que o processo produtivo da celulose não se dá sem o funcionamento das caldeiras, sendo que, para realizar o cozimento da madeira picada fase essencial da produção da celulose é necessária a utilização da água tratada quimicamente e Fl. 395DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.903012/200928 Acórdão n.º 3402002.831 S3C4T2 Fl. 387 19 de combustíveis. Alega também que o desgaste químico do bem daria o direito ao crédito, sendo incontestável a participação de produtos como o Tisulfato de Sódio e o Nitrogênio Ultra Pura no processo produtivo da celulose. Com relação aos combustíveis valem as mesmas considerações expostas acima, não sendo cabível o creditamento respectivo, pois não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário nos termos da legislação do IPI. Com relação aos produtos químicos utilizados em laboratório, tais como o Tisulfato de Sódio e Nitrogênio Ultra Pura, eles foram objeto de glosa porque são utilizados nas análises químicas e físicas feitas depois do produto acabado, de forma que não se enquadram no conceito de matériaprima ou produto intermediário, no que nada há a reparar. O direito ao crédito de IPI se dá em relação a matériasprimas e produtos intermediários que passam a compor o produto final, garantindose, também, ao industrial, o direito de se creditar do imposto relativo a insumos que, sem compor a mercadoria final, sejam consumidos em decorrência de contato físico com o produto em fabricação durante o processo produtivo e não se classifiquem contabilmente no ativo permanente. Com relação aos produtos químicos utilizados para tratamento da água da caldeira, a fiscalização assim motivou as glosas: d) Produtos utilizados para tratamento (desmineralização) da água da caldeira, tais como Triact 1800 Nalco, Resina anionica forte, Resina anionica fraca, etc. A água utilizada na caldeira deve ser tratada quimicamente para retirada de alguns minerais (desmineralização) ou controle do seu PH, caso contrário pode haver incrustação ou corrosão dos canos da caldeira. Como se observa, o objetivo deste procedimento é meramente de manutenção e aumento de eficiência de um equipamento, não guardando qualquer relação com processo produtivo da celulose em si; Os referidos produtos químicos não poderiam ser objeto de creditamento em face do consumo, como quer a recorrente, vez que não há contato direto desses com a celulose em fabricação, mas apenas com a água da caldeira. Nesse sentido já foi decidido em outro processo da própria recorrente, conforme trecho abaixo do Voto Vencedor do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, no Acórdão nº 3302002.643– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, acerca de produtos utilizados para tratamento da água da caldeira: (...) Concluise que a decisão no Resp 1.075.508/SC prestigiou o contato direto em contraposição ao desgaste indireto, acolhendo a tese do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Aliado a isto, mencionase a Súmula CARF nº 19, que embora refirase a crédito presumido, incluiu em seu enunciado o contato direto como fundamento, prestigiando o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 20 Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Assim, resta verificar se houve o contato direto. Pela descrição contida no Informação Fiscal, fls. 163 a 164, constatase que estes produtos não acompanham a água que vai para a produção do licor, assim não entrando em contato direto com a celulose: (...) Concluise, portanto, que os produtos utilizados são para tratar a água das caldeiras, e não a água que vai para a produção de licor, portanto não entrando em contato direto com a celulose e, consequentemente, não gerando direito ao creditamento do IPI. (...) De forma que devem ser mantidas as glosas contestadas no presente tópico. d) Dos insumos utilizados no cultivo de florestas de eucaliptos: Alega a recorrente que o cultivo de árvores é parte do processo produtivo da celulose, logo as matériasprimas e os produtos intermediários utilizados neste processo também gerariam créditos de IPI, razão pela qual entende indevidas as exclusões dos herbicidas, dos fertilizantes/adubos, do monofosfato de amônia, da isca formicida e etc. No entanto, embora a madeira seja efetivamente matériaprima na produção da celulose, o cultivo das árvores, mesmo que exercido pela própria contribuinte, não é operação de industrialização e sim uma atividade de agricultura e extrativista (primária), cujo produto resultante é a madeira, não podendo os produtos empregados nessa etapa, serem considerados como insumos no processo industrial da celulose. O processo que envolve o cultivo de árvores não se enquadra no conceito de industrialização estabelecido pelo art. 4º do RIPI/2002. Nesse sentido, não ensejam direito a crédito os insumos da parte agrícola, conforme já decidido no Acórdão nº 3102000.887, da 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2002 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR E DERIVADOS. O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana deaçúcar. Ocorre que o cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.903012/200928 Acórdão n.º 3402002.831 S3C4T2 Fl. 388 21 Recurso voluntário conhecido, mas desprovido. Crédito tributário negado. Por fim requereu a recorrente a conversão do julgamento em diligência para que todos os equívocos cometidos ao longo do procedimento de fiscalização fossem sanados, mas não logrou êxito em demonstrálos, conforme acima exposto, e também não restou nenhuma controvérsia que necessitasse de ser resolvida pela diligência, razão pela qual é de ser indeferido o seu pedido. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento, como no caso presente. Do posicionamento do STJ Quanto à possibilidade de incluir na apuração de crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96, as aquisições de insumos de pessoas físicas, o tema foi objeto de recurso repetitivo do STJ, que consolidou jurisprudência em prol do pleito dos contribuintes, como se verifica da ementa abaixo: A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial n.º 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. (REsp 1241856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013) Esta orientação foi consolidada na Súmula 494/STJ, de seguinte teor: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Consta no Relatório Fiscal deste processo que foram procedidas glosas pela fiscalização nesses casos, conforme abaixo: Desse modo, efetuamos a glosa dos valores de consumo relacionados ao item "Madeira Adquirida de Produtores Rurais PF", por se tratar de aquisição de insumos de pessoa física, além das aquisições efetuadas da Associação Indígena Tupiniquim e Guarani, CNPJ 02.551.517/000102. por se tratar de urna associação que está isenta das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, no item "Madeira Adquirida de Produtores Rurais PJ. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 22 Assim, não obstante essa questão não tenha sido alegada na manifestação de inconformidade dos presentes autos nem no recurso voluntário, tratandose de decisão judicial superveniente de aplicação obrigatória pelo CARF e de processo administrativo ainda em andamento, relevo a definitividade processual do tema e, com base no art. 62, §2º do RICARF, entendo que cabe reconhecer os créditos decorrentes das aquisições de pessoas físicas e associações não sujeitas às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de indeferir o pedido de diligência e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer os créditos decorrentes das aquisições de pessoas físicas e associações não sujeitas às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. É como voto. (assinatura digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 399DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA
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Numero do processo: 10530.723613/2011-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2009 a 30/09/2010
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
É cabível a aplicação de multa isolada de 150%, quando os recolhimentos tidos pelo Contribuinte como indevidos e passíveis de compensação não são comprovados.
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva e Gerson Macedo Guerra que negavam provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Ana Paula Fernandes e Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 29/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva e Gerson Macedo Guerra que negavam provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Ana Paula Fernandes e Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 29/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de multa isolada de 150%, quando os recolhimentos tidos pelo Contribuinte como indevidos e passíveis de compensação não são comprovados. Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva e Gerson Macedo Guerra que negavam provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Ana Paula Fernandes e Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 29/02/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 36 13 /2 01 1- 45 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal, relativo a glosa de valores compensados indevidamente nas competências de 08/2009 a 09/2010, e multa isolada de 150%, nas competências de 10/2009 a 10/2010. Foi lavrado também o Auto de Infração de Obrigação Acessória no Código de Fundamento Legal CFL 30, tendo em vista a falta de apresentação dos documentos solicitados na ação fiscal, quanto à comprovação dos recolhimentos que teriam sido efetuados indevidamente, do Diploma ou Termo de Posse do Gestor, bem como de seu endereço residencial. Impugnado o lançamento, a DRJ em Salvador/BA excluiu da exigência a parcela relativa à multa isolada, o que ensejou Recurso de Ofício. Cientificado, o Contribuinte não interpôs Recurso Voluntário. Em sessão plenária de 09/10/2014, foi julgado o Recurso de Ofício, prolatandose o Acórdão nº 2302003.448, assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2009 a 30/09/2010 Ementa: MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO. A falsidade da declaração, a conduta dolosa do sujeito passivo tem que estar demonstrada no auto de infração para se subsumir ao tipo infracional previsto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91. Recurso de Ofício Negado" A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a exclusão da multa isolada por compensação indevida, frente à falta de caracterização da conduta dolosa do contribuinte." O processo foi encaminhado à PGFN em 14/10/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 481). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 28/11/2014, o que foi feito em 14/11/2014 (fls. 482 a 490), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 491. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10530.723613/201145 Acórdão n.º 9202003.777 CSRFT2 Fl. 501 3 O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a aplicação da multa isolada prevista no § 10, do artigo 89, da Lei nº 8.212, de 1991. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho de Admissibilidade nº 2300424, de 24/11/2014 (fls. 493 a 495). No Recurso Especial, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: o art. 89, § 10, da Lei nº 8.212, de 1991, não exige a presença de elemento subjetivo para a configuração da falsidade, bastando que o crédito a ser compensado se revele inexistente, como ocorreu no caso; outrossim, o art. 136 do CTN estabelece que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato"; noutras palavras, em regra, a responsabilidade por infrações tributárias é de natureza objetiva, não havendo necessidade de qualquer elemento subjetivo para a sua caracterização; no caso, não há nenhuma dúvida de que as GFIP’s entregues pelo contribuinte veicularam informações sabidamente falsas, não havendo que se falar, portanto, em redução/exclusão da penalidade. ressaltese que o Código Tributário Nacional prevê, em seu art. 97, o seguinte, verbis: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades”. assim, ao afastar imotivadamente o referido comando, a e. Câmara terminou por criar hipótese de exclusão de penalidade não prevista em lei, violando, por consequência, o Princípio da Legalidade (cita doutrina de Alexandre de Moraes); Sobre o princípio da legalidade e sua aplicação na Administração Pública, no caso concreto, contudo, não obstante não seja exigível a presença do elemento subjetivo doloso, ele efetivamente ocorre, conforme registra o Relatório Fiscal, no sentido de que foram compensados valores alcançados pela prescrição e sem comprovação de recolhimento, sendo tais condutas, evidentemente, passíveis de aplicação da multa isolada de 150% sobre os montantes compensados; dessa forma, restou amplamente demonstrado o intuito de reduzir o montante a ser recolhido mensalmente, caracterizandose assim a fraude, conceituada nos seguintes termos do art. 72, da Lei Federal nº 4.502/64, in verbis: Fl. 502DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 “Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” diante do acima exposto, não restam dúvidas quanto à presença dos pressupostos para a aplicação da multa isolada prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212, de1991, não havendo dúvidas quanto ao elemento subjetivo doloso do contribuinte, merecendo reforma o acórdão recorrido. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do recurso, reformandose o acórdão e restabelecendose a aplicação da multa isolada do art. 89, § 10, da Lei nº 8.212, de 1991, "tendo em vista a presença irrefutável do elemento subjetivo doloso do contribuinte, não obstante ele seja prescindível". Cientificado do acórdão, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade, o Contribuinte quedouse silente (fls. 499). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O presente Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de aplicação da multa isolada de 150%, tendo em vista a glosa de valores compensados indevidamente nas competências de 10/2009 a 10/2010. A multa foi lançada pela Fiscalização e afastada pela DRJ, o que gerou Recurso de Ofício, ao qual foi negado provimento. A Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009, assim dispõe: "Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10530.723613/201145 Acórdão n.º 9202003.777 CSRFT2 Fl. 502 5 O art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, com a redação da Lei nº 11.488, de 2007, assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Destarte, não resta dúvida no sentido de que a constatação da falsidade da declaração é suficiente para a aplicação da multa isolada de 150%, sem a necessidade de comprovação de existência de dolo, ou de qualquer uma das figuras penais descritas no §1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse passo, a compensação de créditos tributários inexistentes caracteriza a falsidade requerida no dispositivo legal acima transcrito, restando perquirir, no presente caso, qual teria sido a situação que ensejou a glosa das compensações. O próprio relatório do acórdão recorrido especifica as razões que levaram à aplicação da penalidade: "O Relatório Fiscal de fls.14/25, traz que os valores foram compensados sem nenhum respaldo legal nos meses de 08/2009 a 09/2010, e que foram objeto de créditos constituídos no passado e incluídos em Parcelamentos Especiais. Aduz que nas competências 08/2009 a 12/2009, inclusive do décimo terceiro salário, os valores compensados referemse a créditos constituídos com fundamento no Art. 30, inciso VI, da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, objeto das Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n° 32.799.1771, 32.799.1780 e 32.799.1798, que, mediante consulta à base de dados informatizada da RFB, tratase de Lançamento de Débito Confessados (LDC).(...) Os valores compensados nas competências 01/2010 a 05/2010, referemse a crédito constituído através de NFLD, DEBCAD n° 31.336.9674, abrangendo, a juízo do contribuinte, período decadencial de cinco anos. Teria o contribuinte informado não saber com base em que fonte a referida NFLD encontrase baixada por liquidação. Em consulta à base de dados informatizada do Sistema de Cobrança da Receita Federal do Brasil tratase de Confissão de Dívida Fiscal (CDF), assim discriminada: CDF DEBCAD nº 31.336.9674, datado de 30/04/1992, abarcando as competências 03/1988 a 04/1992, na situação Suspenso por Inclusão em Parcelamento Especial. O Relatório diz, por fim, que da glosa de contribuições previdenciárias compensadas em desacordo com o disposto na legislação de regência, porque foram compensados valores alcançados pela prescrição e sem comprovação de recolhimento, decorreu a aplicação da multa isolada de 150% sobre os montantes compensados." (grifei) Fl. 504DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 Assim, constatase que o Contribuinte compensou valores cujo recolhimento não foi comprovado, o que obviamente lhes retira a disponibilidade para compensação e lhes confere o caráter de inexistentes. Ressaltese que o Contribuinte foi autuado por deixar de apresentar os documentos solicitados pela Fiscalização, como registra o relatório do acórdão recorrido: "Referese ainda, ao Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD 37.335.7940, lavrado no Código de Fundamento Legal CFL 30, por ter deixado, o contribuinte, de apresentar documentos devidamente solicitados na ação fiscal através do Termo de Início de Procedimento Fiscal, às fls, 123/124, quanto à comprovação dos recolhimentos efetuados indevidamente, do Diploma ou Termo de Posse do Gestor, bem como de seu endereço residencial." Diante do exposto, não há como afastar a falsidade da declaração levada a cabo pelo Contribuinte, razão pela qual dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 505DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 10166.729722/2012-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
É responsável pelos créditos tributários devidos pela pessoa jurídica o sócio-administrador que tenha agido com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
Numero da decisão: 1201-001.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada).
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COMPROVAÇÃO. A interposição de pessoas no contrato social da pessoa jurídica autoriza a conclusão de que a omissão na declaração dos tributos devidos em DCTF e a omissão na apresentação espontânea da DIPJ não foram fruto de mero erro ou negligência, mas sim da vontade livre e consciente do sujeito passivo em fraudar o Erário Público. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. É responsável pelos créditos tributários devidos pela pessoa jurídica o sócio administrador que tenha agido com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 97 22 /2 01 2- 52 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.729722/201252 Acórdão n.º 1201001.279 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1653.431, exarado pela 2ª Turma da DRJ 1 em São Paulo SP. Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 479 e ss.): A contribuinte acima identificada foi autuada e notificada a recolher o crédito tributário, no valor de R$ 2.061.141,05, referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, Programa de Integração Social – PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, multas e acréscimos legais. DA AUTUAÇÃO Termo de Verificação Fiscal (fls. 316 a 325) relata, em síntese, o seguinte: O procedimento fiscal foi instaurado em virtude de o contribuinte não ter entregue declarações à Receita Federal do Brasil RFB referentes ao anocalendário de 2008 mesmo tendo sido beneficiário de repasses no montante de R$ 5.713.279,10, conforme informações fornecidas pelas fontes pagadoras por meio de suas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). No anocalendário de 2008, a empresa não apresentou Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF não foram informados débitos de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRRF (códigos 0561 e 0568), bem como não efetuou recolhimentos destes tributos. O endereço do contribuinte que consta do cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB é CONDOMÍNIO DIGUINÉIA II CONJUNTO G LOTE 05 LOJA 1 Sobradinho – DF. No endereço cadastrado na RFB foi constatado o funcionamento de um bar. A dona do estabelecimento, Sra. Priscila de Jesus Feitosa, informou que o mesmo está em funcionamento há um ano e meio e que anteriormente funcionava um mercado. Também declarou que não conhece a fiscalizada, mas que, há algum tempo, vem recebendo correspondências em seu endereço para a empresa Fornaziere Construções, as quais são devolvidas aos Correios. O endereço de uma das sócias, constante no cadastro da RFB, Sra. Carmem Rita Pereira, é o mesmo da empresa fiscalizada. Comparecemos ainda ao endereço da outra sócia, conforme cadastro, Sra. Náudia Abadia da Silva, mas lá encontramos Fl. 573DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.729722/201252 Acórdão n.º 1201001.279 S1C2T1 Fl. 4 3 outra pessoa residindo no imóvel, que informou têlo adquirido há cerca de um ano. Em função da impossibilidade de intimar o contribuinte pessoalmente e por via postal, foi publicado o edital DRF/BSA/DF/DIFIS n° 190, de 25 de outubro de 2011, que intimou o sujeito passivo a comparecer no endereço citado no referido edital para tomar ciência do Termo de Início da Ação Fiscal. Este edital foi afixado em 25/10/2011. Através da publicação do edital DRF/BSA/DF/DIFIS n° 214, de 30/11/2011, o contribuinte foi reentimado para tomar ciência do Termo de Início da ação Fiscal. No Termo de Início, a empresa foi intimada a fornecer, entre outros elementos, os arquivos magnéticos referentes a seus registros contábeis do anocalendário 2008, bem como prestar esclarecimentos sobre os rendimentos tributáveis declarados em DIRF, nas quais figura como beneficiária dos mesmos. Contatadas as senhoras Naudia Abadia da Silva e Carmem Rita Pereira, cadastradas como sócias da fiscalizada junto aos cadastros da RFB e no Contrato Social da empresa, registrado na Junta Comercial do DF, elas compareceram à Delegacia e afirmaram em Termos de Depoimento: que nunca foram sócias de fato da empresa; que desconhecem se a empresa encontrase em funcionamento; que “emprestaram” seus nomes a um contador conhecido, Sr. Orion Lourenço; que nunca receberam dividendos/pagamentos da fiscalizada, e nem mesmo efetuaram pagamentos para os antigos sócios ou qualquer outra pessoa, a título de aquisição da empresa; que não conhecem os antigos sócios da empresa. Sendo assim, foram intimados, via postal, os antigos sócios da empresa, Sr. Sérgio Henrique Caixeta Borges e Sr. Gerley Siqueira Silva. As correspondências enviadas ao Sr. Gerley, em seu endereço cadastrado na RFB foram devolvidas com os avisos “não existe o número indicado” e “não procurado”. Entretanto, o Sr. Sérgio compareceu a esta delegacia em 10/02/2012 e solicitou prorrogação de prazo para atendimento do Termo de Início, o que lhe foi concedido. Em 29/02/2012, solicitou novamente prorrogação de prazo por mais 30 dias, sendolhe concedido. Em 28/05/2012 trouxe os Registros Contábeis solicitados no Termo de Início da Ação Fiscal. Por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 01/2012, o contribuinte foi intimado a apresentar a DIPJ 2009, ano Fl. 574DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.729722/201252 Acórdão n.º 1201001.279 S1C2T1 Fl. 5 4 calendário 2008, de acordo com a escrituração apresentada a esta fiscalização, bem como foram devolvidos os livros contábeis para registro nos órgãos competentes. No Termo de Intimação Fiscal n° 02/2012, o contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos sobre as informações prestadas em sua DIRF referentes ao anocalendário 2008. Em 31/07/2012, o Sr. Sérgio trouxe os livros devidamente registrados e informou que a DIPJ do anocalendário foi apresentada e a DIRF relativa ao mesmo período foi retificada. Quanto às infrações, de acordo com os sistemas da Receita Federal do Brasil, a empresa foi beneficiária em DIRF de repasses no montante de R$ 5.713.279,10, além de movimentação financeira em torno de R$ 13 milhões. Entretanto não apresentou DIPJ e não declarou débitos de IRPJ em DCTF para o ano fiscalizado. Tanto a contabilidade quanto a DIPJ foram elaboradas sob ação fiscal. O contribuinte apresentou os registros contábeis solicitados e, intimado, apresentou DIPJ, optando pelo Lucro Presumido. Sendo assim, de acordo com os registros contábeis e DIPJ apresentados, foram lançados o IRPJ devido e não recolhido, bem como seus tributos reflexos (CSLL, PIS e Cofins). Com relação à solidariedade, a empresa não foi encontrada no endereço cadastrado no CNPJ. O endereço definido na última alteração contratual registrada na Junta Comercial do DF é o mesmo do CNPJ. Em diligência ao local, a empresa não foi localizada e, de acordo com os depoimentos de pessoas da vizinhança que foram abordadas, nunca funcionou naquele endereço. O contrato social da empresa, entre outras, apresenta as seguintes alterações: Em 01/10/2003, na terceira alteração de Contrato Social, os sócios Sérgio Henrique Caixeta e Gerley Siqueira Silva, transferem sua sede da cidade de São Paulo para Brasília, no endereço SIG SUL CL, QUADRA 03 BLOCO C, LOJA 46, PARTE SOBRELOJA. A admissão na sociedade das Sras. Náudia Abadia da Silva e Carmem Rita Pereira e a retirada dos sócios Srs. Sérgio e Gerley foram consignadas na Sétima Alteração Contratual e Consolidação, datada de 16/06/2009 e registrada na Junta Comercial do DF em 06/07/2009. Também foi alterado o nome empresarial da sociedade que, de PLENNUS ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO LTDA, passou a FORNAZIERE CONSTRUÇÕES REFORMAS E PAISAGISMO LTDA. Em 25/11/2009, através da nona alteração contratual, a sociedade altera seu endereço para o atualmente cadastrado na Fl. 575DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.729722/201252 Acórdão n.º 1201001.279 S1C2T1 Fl. 6 5 RFB, ou seja, Condomínio Diguineia II, conjunto G, Lote 5, loja 1 Sobradinho DF, onde a empresa nunca funcionou. Tendo sido contatadas as sócias constantes no cadastro da RFB e da última alteração contratual e consolidação registrada na Junta Comercial do Distrito Federal, a Sra. Náudia Abadia da Silva e Sra. Carmem Rita Pereira declararam em depoimento que nunca foram sócias de fato da fiscalizada. De acordo com seus depoimentos, podese verificar que são pessoas de parcos recursos financeiros, declarandose profissionalmente donas de casa e anteriormente exerceram atividades de “governanta, empregada doméstica e serviços de cabeleireira”. Também declararam que apenas emprestaram seus nomes como favor a um amigo, sem conhecimento do que se tratava. Afirmaram que não receberam dividendos/pagamentos da fiscalizada, não efetuaram pagamentos para os antigos sócios ou qualquer outra pessoa, a título de aquisição da empresa, e que nem mesmo conhecem os Srs. Sérgio e Gerley. O Sr. Sérgio prontificouse a atender a intimação desta fiscalização, mas não forneceu detalhes sobre a transferência das cotas da empresa. O negócio jurídico, conforme comprovase pelos fatos relatados, configurouse um artifício societário, ao que tudo indica, com o propósito de reduzir ou não pagar os tributos respectivos. A suposta transferência das cotas, pura simulação, à qual se pretendeu atribuir aparência de uma legítima transação, não pode ser considerada hábil a produzir efeitos. As Sras. Náudia Abadia da Silva e Carmem Rita Pereira jamais ingressaram efetivamente na sociedade. O fato é que a empresa fiscalizada encerrou suas atividades quando da transferência de titularidade, da alteração do nome empresarial e, por fim, da alteração de endereço, sem a devida comunicação aos órgãos competentes e sem proceder à necessária liquidação. Em face de tais constatações, restou demonstrado que o encerramento de fato da empresa ocorreu de maneira fraudulenta, apesar de constar como ativa nos cadastros da Receita Federal, com a intenção de fugir da ação fiscal do Fisco Federal. É certo que constitui obrigação da pessoa jurídica atualizar seu registro cadastral junto aos órgãos competentes, inclusive quanto à sua localização e dissolução, nos termos dos arts. 1.150 e 1.151 do Código Civil c/c o art. 32 da Lei n. 8.934, de 18 de novembro de 1994. Se a pessoa jurídica simplesmente desaparece, sem indicar sua nova localização ou comunicar sua extinção aos órgãos competentes, descumpre os requisitos legais citados, restando Fl. 576DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.729722/201252 Acórdão n.º 1201001.279 S1C2T1 Fl. 7 6 caracterizada a dissolução irregular da empresa. Por sua vez, a infração à lei é motivo de responsabilização de seus representantes legais pelos tributos devidos pela pessoa jurídica, conforme preceitua o art. 135, III do CTN. A empresa que não for localizada em seu endereço ou que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação à SRFB, presumese que a mesma tenha sido dissolvida irregularmente. Verificouse que o contribuinte se encontra em situação fática de pessoa jurídica não localizada, nos termos do art. 37, II e art. 39 da IN RFB nº 1.183/2011. Em face de tal situação foi elaborada Representação Fiscal constante do Processo Administrativo nº 10166.724731/201257 que foi encaminhada ao Delegado da RFB em Brasília para que a inscrição no CNPJ da empresa seja declarada inapta por meio de Ato Declaratório Executivo. Além da dissolução irregular com alteração do endereço da empresa para local em que nunca funcionou, os sócios Sérgio Henrique Caixeta e Gerley Siqueira Silva retiraramse da sociedade incluindo interpostas pessoas. Em resumo, os senhores Sérgio Henrique Caixeta e Gerley Siqueira Silva, ao utilizarem pessoas sem capacidade econômica para figurarem como sócios (laranjas), infringiram o contrato social e a lei, evidenciando o intuito fraudulento de sonegar tributos, configurando o dolo necessário à caracterização de responsabilidade pessoal e solidária prevista no art. 135 do CTN. No tocante à multa aplicada, diante da conduta lesiva do contribuinte, com utilização de interpostas pessoas, além da comprovação de que suas atividades foram encerradas irregularmente, ficou evidenciado o intuito fraudulento de sonegar tributos. Configurando assim o dolo, sobre os tributos lançados de ofício em virtude das infrações relatadas, foi aplicada a multa qualificada de 150 % (art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430/1996). Concomitante à lavratura do auto de infração, foi efetuada a Representação Fiscal para Fins Penais, formalizada sob o Processo n° 10166.729.642/201205, uma vez que as infrações verificadas enquadramse, em tese, nas hipóteses previstas nos artigos 1º e 2º da Lei n° 8.137/1990, que trata dos crimes contra a ordem tributária. (...) DAS IMPUGNAÇÕES Em 06/12/2012 a empresa apresentou impugnação (fls. 375 a 382), alegando, em síntese, que: a imposição da multa de 150% sobre o tributo lançado está equivocada, uma vez que, no Auto de Infração o auditor afirma Fl. 577DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.729722/201252 Acórdão n.º 1201001.279 S1C2T1 Fl. 8 7 que a multa é majorada tendo em vista que “Diante da conduta lesiva do contribuinte (...) ficou evidenciado o intuito fraudulento de sonegar tributos, configurando assim o dolo, sobre os tributos lançados de ofício em virtude das infrações relatadas”; tal descrição não se amolda aos casos de majoração das penas previstos na lei 9.430/96 que remete aos artigos 71 a 73 da lei 4.502/64; o Auto de Infração é claro ao destacar que a base de imposição foi, integralmente, o valor declarado pelo contribuinte, portanto, não há como se falar em omissão de receita, se a autuação tem por suporte a própria contabilidade da empresa; sendo apresentadas ao Fisco as declarações pertinentes ao tributo, além de todos os registros contábeis, verificase uma confissão de que de fato existe a dívida, existem os valores, ou seja, não há nenhum intuito de fraude, quiçá de sonegação. Não houve nenhuma simulação do fato gerador, o tributo devido foi integralmente informado nas declarações pertinentes; cumpriu com suas obrigações acessórias nos termos do art. 113, § 2º do CTN, seus registros contábeis demonstram a lisura de sua escrituração contábil, que em momento algum foi desconsiderada no Auto de Infração, afastando assim o agravamento da pena, pois em momento algum houve a intenção de sonegar. Todas as operações estão registradas e todos os tributos apurados, ou seja, não há sonegação fiscal, não há a intenção de suprimir tributo, portanto, não há que se falar em aumento da multa; a majoração da multa em 150% é inadmissível quando o auto de infração apenas repete as informações contábeis registradas pela Impugnante em sua contabilidade e em suas declarações; no caso dos autos, caso sejam afastados todos os argumentos já prestados, o que se admite apenas ad argumentandum, seria a hipótese de declaração inexata, o que implica na aplicação de multa de 75% e não de 150% conforme posto no presente auto; a alteração do contrato social, após a ocorrência do fato gerador do tributo, já declarado, não pode ser considerada como uma medida com intuito de sonegar tributo, até porque não há qualquer dissimulação no ato, pois a contribuinte, pessoa jurídica, continuou sendo a contribuinte e o imposto devido, continuou sendo o mesmo imposto devido; a aplicação de multa no percentual de 150% é confiscatório e, portanto, inconstitucional. DA IMPUGNAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO SÉRGIO HENRIQUE CAIXETA BORGES Em 06/12/2012, o sujeito passivo solidário, Sr. Sérgio Henrique Caixeta Borges, apresentou impugnação (fls. 386 a 404) Fl. 578DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.729722/201252 Acórdão n.º 1201001.279 S1C2T1 Fl. 9 8 repisando as alegações já citadas quanto à multa agravada e acrescentando que: saiu da sociedade em 29 de maio de 2009, conforme comprova a sétima alteração, a sociedade foi integralmente vendida às Sras. Naudia e Carmen, na oportunidade, a negociação foi intermediada pelo contador da empresa, Sr. Orion Lourenço que justificou o interesse das adquirentes na aquisição da empresa em decorrência das certificações técnicas desta, todas devidamente registradas no CREA/DF; por intermédio do contador da empresa, foi firmada a venda da sociedade às Sras. Carmen Rita Pereira e Naudia Abadia da Silva, sendo o preço avençado, a assunção dos débitos tributários da sociedade pelas sucessoras. Ou seja, as compradoras não pagariam nada aos exsócios, em compensação, regularizariam toda a situação fiscal da empresa, arcando com os tributos devidos, conforme inclusive prevê o próprio CTN; ajustadas as partes, foi efetuada a transferência da sociedade, mediante alteração no contrato social. Posterior a referida transferência, realizada na sétima alteração, as novas sócias ainda alteraram o contrato social da empresa por diversas vezes, já se encontrando este na décima alteração; o Impugnante vendeu suas cotas e não mais constituiu nenhuma nova sociedade, paralisando a atividade empresarial. Desta forma de acordo com o artigo 133 do Código Tributário Nacional a responsabilidade do Impugnante sobre a dívida cessou integralmente, sendo transferida completamente aos atuais sócios; o auditor, alega que a venda da sociedade foi fraudulenta, e que na realidade as adquirentes seriam “laranjas”, contudo faz a referida assertiva fundado exclusivamente no depoimento das adquirentes. Ora, é perfeitamente possível que ao serem chamadas a arcar com o ônus tributário elevado, estas tenham propositadamente faltado com a verdade visando evitar sua responsabilização sobre o débito; não tem como precisar o que ocorreu após a transferência da empresa, nem tampouco, como a operação da sociedade se desenvolveu a partir de então. O fato é que a sociedade foi transferida, mediante a interferência do contador, Sr. Orion, o qual foi o intermediário de todo o negócio, bem como, do fechamento da contabilidade da empresa neste período; a personalidade da sociedade empresária jamais pode ser confundida com a personalidade de seus sócios; um dos fundamentos do Auto de Infração para impor a solidariedade ao Impugnante seria a suposta utilização de “laranjas” e consequente liquidação irregular da empresa, que atrairia em tese a aplicação do artigo 135, III, do CTN por ofensa de dispositivo de lei; Fl. 579DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.729722/201252 Acórdão n.º 1201001.279 S1C2T1 Fl. 10 9 não há no Auto de Infração elementos suficientes a provar que houve uma transferência fraudulenta da empresa a terceiros, ou seja, o uso de “laranjas”. A necessidade da prova das condutas alegadas é requisito legal para validade do auto de infração; a única prova produzida nos autos foi o depoimento das atuais sócias da empresa, o qual não pode ser tido como prova de fraude, já que estas são diretamente interessadas neste resultado, pois restaram desobrigadas do pagamento do tributo; o fato delas terem afirmado que não efetuaram nenhum pagamento e que não conhecem os antigos sócios, está em consonância com o que efetivamente ocorreu, pois como dito, a negociação foi integralmente conduzida pelo contador da empresa, Sr. Orion, e o acertado foi exclusivamente que as compradoras assumiriam os débitos da empresa desonerando os sócios anteriores, este foi o preço acordado. Agora quanto a não terem recebido dividendos, isto não pode ser questionado pelo Impugnante, pois após a sua venda e transferência da gestão, competia às novas sócias a gestão da empresa e de seu faturamento; outra suposta prova de liquidação irregular da empresa, arguida no Auto de Infração, seria o fato da vizinhança não saber precisar se empresa funcionou ou funcionara no local. Esta prova também deve ser desconsiderada, primeiro porque os vizinhos ouvidos afirmaram que estavam no local há 1 ano, e a empresa foi vendida há 3 anos; segundo porque a razão social da empresa não tem, obrigatoriamente, qualquer relação com o seu nome fantasia, portanto a empresa pode ter funcionado no local com um nome fantasia diferente de sua razão social, não sendo assim identificada pela vizinhança; até mesmo a alegação da falta de capacidade econômica das adquirentes não é válida como argumento, já que é uma suposição dos auditores, visto que não foi juntada nenhuma prova disto nos autos, prova inclusive que seria facilmente produzida pela autoridade fiscal, bastava a juntada as autos das DIRPF das sócias da empresa e de seus extratos bancários relativos aos anos de 2009 e 2010. Outrossim, nos moldes da contratação, onde não houve pagamento algum, não havia impedimento para que o negócio se aperfeiçoasse, mesmo sem que os adquirentes tivessem naquele momento disponibilidade econômica; a prova dos fatos arguidos pela fiscalização, competem à autoridade fiscal, conforme artigo 26 do Decreto 7574/11; a autoridade fiscal alega que as 3 alterações contratuais devidamente registradas na Junta Comercial do Distrito Federal, seja, a de retirada do Impugnante e as 2 posteriormente promovidas pelas atuais sócias, são fraudulentas, portanto esta prova deve ser produzida pela autoridade fiscal, não sendo suficientes suposições ou declarações de partes interessadas; Fl. 580DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.729722/201252 Acórdão n.º 1201001.279 S1C2T1 Fl. 11 10 não estando provada a suposta fraude, não há que se falar em ofensa a lei e aplicação do artigo 135 do CTN, pois, neste referido dispositivo somente se possibilita a responsabilização do sóciogerente quando este agir com máfé, sendo essencial a comprovação desta. DA IMPUGNAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO GERLEY SIQUEIRA DA SILVA Em 06/12/2012, o sujeito passivo solidário, Sr. Gerley Siqueira da Silva, apresentou impugnação (fls. 419 a 439) reproduzindo as mesmas as alegações apresentadas pelo Sr. Sérgio Henrique Caixeta Borges e acrescentando que: os auditores encaminharam intimação aos dois exsócios da empresa, porém somente lograram êxito em intimar um deles e não deram continuidade nos esforços de intimação do segundo sócio; diante da resposta negativa à carta de intimação enviada, era obrigatória a intimação do Impugnante por edital, sob pena de nulidade do processo administrativo, o que ocorreu no presente feito; o auto de infração impugnado trata de tributos relativos ao ano de 2008. Acontece que em janeiro de 2006, conforme comprova a 5ª alteração contratual o Impugnante vendeu ao seu antigo sócio, Sr. Sérgio, grande parte de suas cotas sociais, passando a deter apenas 10% do capital social da sociedade e restando o Sr. Sérgio com 90% das cotas. Logo, a partir deste momento, na qualidade de sócio minoritário, obviamente seu poder de gestão foi esvaziado, portanto não é possível atribuir a este a responsabilidade prevista no artigo 135 do CTN; a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é clara ao afirmar que a responsabilidade tributária prevista no artigo 135 do CTN é subjetiva, ou seja, depende da conduta específica do gestor a ser responsabilizado, no caso em tela, no que se refere ao Impugnante não houve sequer sua intimação sobre o início da fiscalização, quanto mais a identificação da sua conduta. Logo, não havendo identificação da conduta ilícita atribuível ao Impugnante, não há que se falar em responsabilidade tributária solidária. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedentes as impugnações. Irresignados, os responsáveis tributários interpuseram os respectivos recursos voluntários onde reproduzem, em síntese, as mesmas razões expostas nas impugnações ao lançamento (fl. 514 e ss. e fl. 531 e ss.). Intimada primeiramente por via postal e, após, por edital, a contribuinte não apresentou recurso voluntário. Voto Fl. 581DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.729722/201252 Acórdão n.º 1201001.279 S1C2T1 Fl. 12 11 Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS Os recursos atendem aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, deles devese tomar conhecimento. 2) DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL Alega um dos antigos sócios, o Sr. Gerley Siqueira da Silva, ser nulo o procedimento fiscal uma vez que dele não foi intimado. Afirma que tendo sido improfícuas as tentativas de intimação pessoal e postal, deveria o auditor ter realizado intimação por edital, a teor do disposto no art. 10, IV, do Decreto nº 7.574/2011. Não assiste razão ao recorrente. O termo de início da ação fiscal e as intimações que se seguiram foram dirigidas à fiscalizada, Fornaziere Construções Reformas e Paisagismo Ltda. Como a pessoa jurídica não foi localizada em seu domicílio tributário, referidas intimações foram enviadas via postal aos domicílios tributários dos antigos sócios (pois a fiscalização concluiu que os atuais sócios eram interpostas pessoas), mas, frisese, sempre em nome da fiscalizada. Uma vez que o outro antigo sócio, o Sr. Sérgio Henrique Caixeta Borges, respondeu as intimações, a fiscalização sobre a pessoa jurídica prosseguiu normalmente, até a lavratura do auto de infração. Tendo em vista que ambos os antigos sócios foram arrolados como responsáveis tributários, aí sim, foram eles intimados a pagar ou impugnar os débitos tributários. Não houve, portanto, qualquer vício de intimação, seja à pessoa jurídica fiscalizada, seja às pessoas físicas dos antigos sócios, ora responsáveis tributários. 3) DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Alegam os responsáveis tributários ser incabível a qualificação da multa de ofício pois não restou comprovada conduta dolosa. Diz ainda que a multa de 150% é confiscatória. Pois bem, ao contrário do alegado pela defesa está mais do que comprovado nos autos do processo que o não pagamento dos tributos devidos pela fiscalizada não foi fruto de mero erro ou negligência contábil, e sim de sua conduta livre e consciente de fraudar os Cofres Públicos (dolo). De fato, apesar de ter sido indicada em DIRFs como beneficiária de pagamentos no montante de R$ 5.713.279,10 no ano de 2008, e de haver realizado movimentação financeira de aproximadamente 13 milhões no mesmo período, a contribuinte: a) não pagou o IRPJ, o PIS, a Cofins e a CSLL devidos ao Fisco ao longo do ano de 2008; b) não informou em DCTF os débitos acima referidos; Fl. 582DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.729722/201252 Acórdão n.º 1201001.279 S1C2T1 Fl. 13 12 c) não apresentou espontaneamente a DIPJ relativa ao ano de 2008, tendoo feito somente após a ciência ao início da ação fiscal; Tais fatos tomados em conjunto indicam claramente a vontade livre e consciente da contribuinte (dolo) em impedir o Fisco de tomar conhecimento da ocorrência dos fatos geradores daqueles tributos (sonegação). Somese a isso o fato, que será melhor abordado no item seguinte deste voto, de que os sócios gerentes da pessoa jurídica no ano de 2008, quais sejam, os Srs. Sérgio Henrique Caixeta Borges e Gerley Siqueira da Silva, encerraram fática e irregularmente a sociedade em 2009 e colocaram em seus lugares como "novos sócios" interpostas pessoas. E fizeram isso com o claro propósito de não serem pessoalmente submetidos à execução fiscal dos débitos da sociedade. Quanto à alegação de que o art. 44 da Lei nº 9.430/96 instituiu multa confiscatória, violando assim o disposto no art. 150, IV, da Constituição da República, resta apenas esclarecer que este Conselho não detém competência para apreciar tal matéria, conforme estabelecem o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e a Súmula CARF nº 2, in verbis: Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 4) DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A autoridade tributária acusa os Srs. Sérgio Henrique Caixeta Borges e Gerley Siqueira da Silva, antigos sócios da autuada, de haverem promovido a dissolução irregular da sociedade e de haverem transferido suas quotas a interpostas pessoas, quais sejam, as Sras. Carmem Rita Pereira e Náudia Abadia da Silva. Em razão disso imputou a eles a responsabilidade pelos tributos devidos pela contribuinte, Fornaziere Construções Reformas e Paisagismo Ltda. Os responsáveis tributários contestam a acusação fiscal sob os seguintes argumentos, em síntese: a) eram sócios da fiscalizada até 29/05/2009, quando transferiram suas quotas na sociedade para as Sras. Carmem Rita Pereira e Náudia Abadia da Silva, em negociação intermediada pelo então contador da empresa, Sr. Orion Lourenço; b) não vieram a conhecer pessoalmente as adquirentes das quotas, mas o Sr. Lourenço informou que estas tinham interesses nas certificações técnicas da empresa registradas no CREA/DF; Fl. 583DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.729722/201252 Acórdão n.º 1201001.279 S1C2T1 Fl. 14 13 c) o preço avençado para alienação das quotas foi "a assunção dos débitos tributários da sociedade pelas sucessoras. Ou seja, as compradoras não pagariam nada aos exsócios, em compensação, regularizariam toda a situação fiscal da empresa..."; d) realizada a transferência das quotas, os recorrentes não mais têm responsabilidade sobre a empresa; e) a única prova contida nos autos de que houve dissolução irregular da sociedade é a declaração das novas sócias, as quais são diretamente interessadas pois ficariam desobrigadas do pagamento dos tributos lançados. Ocorre que, além das confissões feitas pelas próprias Sras. Carmem Rita Pereira e Náudia Abadia da Silva no sentido de que são interpostas pessoas na sociedade autuada (fl. 192 e ss.), há nos autos diversos elementos que corroboram tais declarações e, portanto, contradizem as alegações dos recorrentes. Em primeiro lugar, ao contrário do alegado pela defesa, não há qualquer comprovação de que o "preço" de alienação das quotas tenha sido a assunção, pelas novas sócias, dos débitos tributários da sociedade. De fato, de acordo com o disposto na 7ª alteração do contrato social (fl. 220 e ss.), as quotas da empresa foram cedidas e transferidas às novas sócias sem que tenha sido ali previsto qualquer tipo de pagamento perante os antigos sócios ou mesmo assunção de suas obrigações tributárias. Em outras palavras, as quotas, no valor registrado de R$ 240.000,00, foram cedidas a título gratuito. Em segundo lugar, se o propósito das novas sócias fosse realmente prosseguir com o negócio de construção e reformas, usufruindo assim das certificações técnicas da empresa junto ao CREA/DF, é de se perguntar, então, por que a empresa não mais exerceu qualquer atividade? E por que as adquirentes, que ao contrário dos antigos sócios não são profissionais de engenharia ou arquitetura, tornariamse únicas sócias de uma firma de construções e reformas? Em terceiro lugar, por que o antigo sócio, Sr. Sérgio Henrique Caixeta Borges, assinou pessoalmente os termos de intimação dirigidos à empresa, lavrados ao longo do ano de 2012 (fl. 254; fl. 276; fl. 315), ao invés de explicar à fiscalização, como faz agora em seu recurso, que desde 29/05/2009 não mais tinha qualquer responsabilidade sobre a empresa? Em quarto lugar, por que esse mesmo sócio, além de haver assinado pessoalmente as intimações acima referidas, as atendeu (fls. 249/251; fl. 255), havendo inclusive apresentado o livros Diário (fl. 256 e ss.), o livro Razão (fl. 272 e ss.) e a DIPJ/2009 (fl. 277 e ss.), esta última, digase de passagem, transmitida à RFB apenas após intimação específica para tanto (fl. 276)? Ora, se o Sr. Sérgio Henrique Caixeta Borges não mais era sócio da empresa quando iniciouse a ação fiscal, por que razão ainda estaria de posse dos livros contábeis da pessoa jurídica? Não deveriam ter sido estes entregues às novas sócias? E por que (e como) transmitiria em 27/07/2012 a DIPJ/2009, se a responsabilidade pela pessoa jurídica, tal como alegado no recurso, passou a ser das novas sócias a partir de 29/05/2009? A resposta aos questionamentos acima só pode ser uma, qual seja, que os Srs. Sérgio Henrique Caixeta Borges e Gerley Siqueira da Silva, embora tenham formalmente cedido as quotas da autuada às Sras. Carmem Rita Pereira e Náudia Abadia da Silva, de fato Fl. 584DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.729722/201252 Acórdão n.º 1201001.279 S1C2T1 Fl. 15 14 encerraram as atividades da empresa e transferiram suas quotas a interpostas pessoas. Em outras palavras, planejaram e executaram a dissolução fática e irregular da pessoa jurídica com o claro propósito de não verem seus patrimônios particulares responderem pela sonegação fiscal perpetrada contra o Erário Público. Provada a dissolução irregular da pessoa jurídica, seus débitos tributários passam à responsabilidade dos sócios que levaram à efeito tal ilícito, ou seja, os Srs. Sérgio Henrique Caixeta Borges e Gerley Siqueira da Silva. 5) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de nulidade e, no mérito, por negar provimento aos recursos voluntários. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 585DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.724752/2011-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 2302-003.663
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em acolher parcialmente os Embargos de Declaração para fazer constar no acórdão anterior que: à multa pelo descumprimento de obrigação principal, devem ser aplicadas as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. .
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi, Relator ad hoc
EDITADO EM: 28/07/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Graziela Parisoto, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em acolher parcialmente os Embargos de Declaração para fazer constar no acórdão anterior que: à multa pelo descumprimento de obrigação principal, devem ser aplicadas as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. . (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 47 52 /2 01 1- 92 Fl. 884DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 EDITADO EM: 28/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Graziela Parisoto, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 885DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.724752/201192 Acórdão n.º 2302003.663 S2C3T2 Fl. 885 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, a fls. 876 e seguintes, opostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 2302003.214, a fls. 858 e seguintes, proferido em 16 de julho de 2014 pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento, por meio do qual, decidiuse: por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, devendo a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ato simulado), correspondente à contribuição previdenciária patronal, ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado por meio do AI DEBCAD 37.328.5574. Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liège Lacroix Thomasi, que entenderam pelo não aproveitamento das contribuições recolhidas para o SIMPLES em favor de pessoa jurídica distinta da Recorrente. Segundo a embargante, há obscuridade no acórdão pelo fato de a certidão de julgamento não tratar da aplicação da multa prevista no art. 35 da Lei n. 8.212/91, enquanto que a ementa e a conclusão determinam a aplicação do antigo art. 35 da Lei n. 8.212/91, limitada ao percentual de 75% previsto no novo art. 35A da Lei n. 8.212/91. Cita ainda que fundamentação e a conclusão do voto fazem menção à aplicação do antigo art. 35 da Lei n. 8.212/91, mas nada mencionam sobre limitação ao percentual de 75% previsto no novo art. 35 A da Lei n. 8.212/91, fazendo alusão específica ao inciso II. Em despacho de admissibilidade recursal, este Relator consignou que constou do voto embargado que a multa aplicada (art. 35 na redação anterior) era escalonada “não só em relação ao tempo de mora como também em razão da fase processual ou procedimental (lançamento, inscrição em dívida ativa, ajuizamento da execução fiscal, etc.)”. Assim, a menção específica ao inciso II referese à multa devida após a inclusão em lançamento de ofício, sem embargo de sua progressão ao tempo da mora e da fase processual ou procedimental. Ademais, nos parece óbvio que somente tem sentido a aplicação da regra da retroatividade benigna se houver a limitação à nova multa (75%). Portanto, nesse aspecto particular, deixou de acolher os embargos por entender estar o voto, a ementa e a conclusão do julgado suficientemente claros. Quanto ao outro ponto, de que há obscuridade no acórdão pelo fato de a certidão de julgamento não tratar da aplicação da multa prevista no art. 35 da Lei n. 8.212/91, enquanto que a ementa e a conclusão determinam a aplicação do antigo art. 35 da Lei n. 8.212/91, limitada ao percentual de 75% previsto no novo art. 35A da Lei n. 8.212/91, é inequívoca a omissão, tratada pelo embargante como obscuridade, razão pela qual acolheuse, nessa parte os embargos, para que o acórdão fosse integrado. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 A proposta deste Relator foi acatada pela Presidente da Turma, que solicitou inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.724752/201192 Acórdão n.º 2302003.663 S2C3T2 Fl. 886 5 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator ad hoc No acórdão embargado, não restou consignado como conclusão da Turma que deveria haver a aplicação da multa prevista no art. 35 da Lei n. 8.212/91. Tal posicionamento, no entanto, encontrase estampado na ementa e na conclusão do voto, inclusive com a determinação pela aplicação do antigo art. 35 da Lei n. 8.212/91, limitada ao percentual de 75% previsto no novo art. 35A da Lei n. 8.212/91. E foi o que prevaleceu na sessão de julgamento. Como consta do despacho de admissibilidade, entendo que há omissão na certidão de julgamento quanto a este ponto, razão pela qual os embargos devem ser acolhidos para constar o resultado correto manifestado pela Turma Julgadora. Pelos motivos expendidos, voto por acolher parcialmente os embargos de declaração para fazer constar o resultado correto quanto ao recurso voluntário julgado, que passa a integrar o acórdão anterior: por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, devendo a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ato simulado), correspondente à contribuição previdenciária patronal, ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado por meio do AI DEBCAD 37.328.5574. Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liège Lacroix Thomasi, que entenderam pelo não aproveitamento das contribuições recolhidas para o SIMPLES em favor de pessoa jurídica distinta da Recorrente. Quanto à multa pelo descumprimento de obrigação principal, devem ser aplicadas as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator ad hoc Fl. 888DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Fl. 889DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721461/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de obscuridade na apuração dos valores lançados.
VERBA PAGA A TÍTULO DE DÉCIMO-TERCEIRO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. PREVISÃO LEGAL.
A parcela paga aos segurados a título de décimo-terceiro configura remuneração e não indenização. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Previsão legal (Lei 8.620/93).
JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de obscuridade na apuração dos valores lançados. VERBA PAGA A TÍTULO DE DÉCIMO-TERCEIRO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. PREVISÃO LEGAL. A parcela paga aos segurados a título de décimo-terceiro configura remuneração e não indenização. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Previsão legal (Lei 8.620/93). JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2075; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.721461/201211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.902 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria REMUNERAÇÃO SEGURADOS: PARCELAS FOLHA PAGAMENTO Recorrente PANIFICADORA CHECHEL'S LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de obscuridade na apuração dos valores lançados. VERBA PAGA A TÍTULO DE DÉCIMOTERCEIRO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. PREVISÃO LEGAL. A parcela paga aos segurados a título de décimoterceiro configura remuneração e não indenização. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Previsão legal (Lei 8.620/93). JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 14 61 /2 01 2- 11 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10140.721461/201211 Acórdão n.º 2402004.902 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernente à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros. O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 01/2009 a 13/2011. O Relatório Fiscal (fls. 49/54) informa que o fato gerador decorre da remuneração de diversos trabalhadores que prestaram serviços para a empresa como segurados obrigatórios. Informa que a empresa teve o indeferimento da opção ao Simples Nacional por problemas fiscais, conforme consulta do histórico da empresa no Simples Nacional, em anexo (fls. 118/123). Assim, foram constituídos os seguintes lançamentos: 1. AI DEBCAD 51.008.9259 à relativo às contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre a remuneração de seus empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, e àquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, apuradas nas folhas de pagamentos e recibos de pagamentos; 2. AI DEBCAD 51.008.9267 à relativo às contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas nas folhas de pagamentos e recibos de pagamentos; 3. AI DEBCAD 51.008.9275 à relativo às contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), apuradas nas folhas de pagamentos. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 29/06/2012 (fls. 01 e 02). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 142/172), alegando, em síntese, que não recebeu qualquer tipo de notificação informando a sua exclusão do Simples Nacional, e não estava pagando a contribuição da parte da empresa porque tinha amparo legal, conforme a Lei Complementar 123/2006. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG – por meio do Acórdão 0946.707 da 5a Turma da DRJ/JFA – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e alegando: Fl. 300DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 1. nulidade decorrente de cerceamento ao seu direito de defesa; 2. seja excluída da utilização dos cálculos a Taxa Selic, ante a sua ilegalidade e inconstitucionalidade, e fixar os juros moratórios em percentual não superior a 1% ao mês, conforme determina o art. 161, parágrafo 1o, do CTN e art. 192, parágrafo 39 da CF; 3. determine a adequação da muita à nova ordem econômica, afastando o seu caráter confiscatório, fixandoa em percentual não superior a 2%; e 4. seja afastada dos cálculos a cobrança de contribuições previdenciárias sobre o 13o salário. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande/MS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10140.721461/201211 Acórdão n.º 2402004.902 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço, em parte, do recurso interposto. A Recorrente alega que não houve a devida identificação dos valores lançados e o auto de infração não contém todos os elementos que possibilitem a identificação clara dos fatos. Assim, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo o lançamento fiscal. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão da legislação aplicada e dos valores lançados. Os documentos acostados ao relatório fiscal (fls. 118/123) apontam que houve apenas solicitações de opção pelo Simples Nacional, efetuadas pela empresa, e todas foram indeferidas, conforme Termos de Indeferimento emitidos. Logo, a Recorrente não foi excluída do Simples Nacional, mas, na verdade, ela nunca foi optante desse referido sistema. Diante desse fato, os valores lançados decorrem das remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à Recorrente, constantes em folhas de pagamentos e recibos pagamentos. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/172) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Fl. 302DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 49/54) e seus anexos (fls. 01/48 e 55/172) são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Relatório de Lançamentos (RL); Discriminativo Sindético de Debito (DSD); planilhas de cálculos comparativos da aplicação da multa; dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/172) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Com relação à verba paga a título de décimoterceiro, o STJ tem jurisprudência no sentido de que o recebimento dessa, para efeitos de incidência de contribuição previdenciária, configura remuneração e não indenização. Processo: AgRg no REsp 1477306 RS 2014/02142758. Relator(a): Ministra ASSUSETE MAGALHÃES. Julgamento: 23/10/2014. Publicação: DJe 04/11/2014 Ementa: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, CONFIRMADA NO JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.066.682/SP, E NO MESMO SENTIDO DAS SÚMULAS 207 E 688, DO STF. APRECIAÇÃO DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS, EM Fl. 303DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10140.721461/201211 Acórdão n.º 2402004.902 S2C4T2 Fl. 5 7 ÂMBITO ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DA MATÉRIA RECONHECIDA, PELO STF. INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTO PARA REFORMA DA DECISÃO AGRAVADA. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I O entendimento sufragado pelo Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que deve incidir contribuição previdenciária sobre a gratificação natalina, por possuir esta verba caráter permanente, integrando o conceito de remuneração, foi confirmado no julgamento do Recurso Especial 1.066.682/SP, efetuado pela Primeira Seção, sob o rito do art. 543C do CPC. Precedentes do STJ: AgRg no REsp 1.459.519/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 10/10/2014; AgRg no AREsp 509.719/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 20/06/2014. II A incidência de contribuição previdenciária sobre o décimo terceiro salário foi, inclusive, objeto da Súmula 207/STF ("as gratificações habituais, inclusive a de natal, consideramse tacitamente convencionadas, integrando o salário") e da Súmula 688/STF ("é legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o 13º salário"). III A via especial, destinada à uniformização da interpretação do direito federal, não se presta à análise de dispositivos da Constituição da República, ainda que para fins de prequestionamento. Precedentes do STJ. IV O reconhecimento da repercussão geral da matéria, pela Suprema Corte, não é fundamento suficiente para a reforma da decisão impugnada, até porque sequer enseja o sobrestamento dos recursos especiais que tramitam no Superior Tribunal de Justiça. V Agravo Regimental improvido. ......................................................................................................... Processo: ARE 844340 SC. Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO. Julgamento: 09/12/2014Órgão Julgador: Primeira Turma. Publicação: DJe021 DIVULG 30012015 PUBLIC 0202 2015. Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. É legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o décimo terceiro salário – Verbete nº 688 da Súmula do Supremo. O STF, em sua Súmula 688, entende que “É legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o 13o salário”. Nesse caminhar, após a Lei 8.620/1993, é válida a incidência da contribuição previdenciária em separado sobre a gratificação natalina (décimoterceiro), pois passou a existir a existir previsão legal, a teor de seu art. 7o, § 2o. Por sua vez, o STJ assentou que “a Lei 8.620/93, em seu art. 7o, § 2o, autorizou expressamente a incidência da contribuição Fl. 304DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 previdenciária sobre o valor bruto do 13o salário, cuja base de cálculo deve ser calculada em separado do salárioderemuneração do respectivo mês de dezembro” (REsp 1.066.682, de 09/12/2009). Dessa forma, os valores concedidos aos segurados a título de décimoterceiro configuram uma remuneração vinculada ao salário, nos termos do art. 28, incisos I e III, da Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5°; (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 1999). Com isso, no que diz respeito à verba paga a título de décimoterceiro, a alegação da Recorrente não será acatada, eis que tal verba está sujeita à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, incisos I e III, da Lei 8.212/1991 c/c o artigo 201, §111, da Constituição Federal de 1988, e da jurisprudência dos Tribunais Superiores (STJ e STF). No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização da taxa de juros (taxa SELIC) e da multa aplicada, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 342 da Lei 8.212/1991. 1 Artigo 201, §11, CF/1988: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. 2 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, Fl. 305DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10140.721461/201211 Acórdão n.º 2402004.902 S2C4T2 Fl. 6 9 Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN3, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. 3 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecia os arts. 34 e 354 da Lei 8.212/1991, sem as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação previdenciária descrita acima. Ademais, conforme registramos anteriormente, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: 4 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Fl. 307DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10140.721461/201211 Acórdão n.º 2402004.902 S2C4T2 Fl. 7 11 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10070.002317/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF Nº 1.
A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo as razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário.
(Aplicação da Súmula CARF nº 1)
Recurso voluntário Não conhecido
Numero da decisão: 2301-004.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior - Presidente
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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SÚMULA CARF Nº 1. A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo as razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. (Aplicação da Súmula CARF nº 1) Recurso voluntário Não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 23 17 /2 00 7- 95 Fl. 591DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Tratasede Notificação de Lançamento lavrada em 01/10/2007 (fls. 13/15), contra o contribuinte acima qualificado, relativo ao Exercício 2005, AnoCalendário 2004, para modificar o saldo do imposto a restituir para R$ 544,80. Conforme se depreende da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” à fl. 14, o Fisco, em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, glosou o valor de R$ 1.122,93, indevidamente compensado à título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) informado pela fonte pagadora, qual seja, FUNDAÇÃO PETROBRÁS DE SEGURIDADE SOCIAL PETROS, CNPJ nº 34.053.942/00150, em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), para o titular. Em fl. 15/v. consta ainda na Descrição dos Fatos, Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica no valor de R$ 7.987,14, da mesma fonte pagadora citada acima. Inconformado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o Contribuinte apresentou impugnação fls. 01/02, acompanhada dos documentos de fls. 03/10, alegando, em suma, que foi operado de prostatectomia radical, em 16/09/2003, e que, por falta de informações, só deu entrada no pedido de isenção do desconto de imposto de renda em 14/01/04, razão pela qual passou a não sofrer mais desconto de imposto de renda na fonte na Petros. Ressalta o contribuinte que, com base na Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal n° 15, de 06/02/01, parágrafo 2°, item II, não deveria ter sofrido a retenção do IR fonte de R$ 1.122,93 sobre o benefício de R$ 7.987,14 ( PETROS+INSS) relativamente ao mês de emissão do laudo. Assim sendo, solicita seja considerada a parcela de R$ 7.978,14 como isenta de tributação. A Turma de primeira instância ao examinar a impugnação do contribuinte, por unanimidade de votos, não conheceram da impugnação, tendo em vista a opção pela via judicial. Sobreveio Recurso Voluntário em 10/10/2008 (fl. 41/42), acompanhado da cópia dos documentos do processo (fls. 43 e seguintes), alegando, em síntese, que: “[...] Ora, a decisão exarada pela 2ª Turma de Julgamento baseou na premissa que “..... verificase que tanto o valor do imposto retido na fonte (R$1.122,93) como o rendimento tributável recebido em janeiro de 2004 encontramse depositados judicialmente (o grifo é nosso), ou seja, tratamse e ...... ..” (Anexo 9) . 4 Sobre tal premissa cabem os seguintes comentários: a) ela deixou de considerar a cronologia dos fatos conforme antes linhados e por si só impeditivos de depósito judicial conforme alegado; b) somente por amor a um exercício de lógica, no nosso entendimento a alegação sob ataque por determinar “Impugnação não conhecida” conflita com a própria decisão do encaminhamento da Notificação n° 2005/607400239672087 baseada em suposta “omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica”. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10070.002317/200795 Acórdão n.º 2301004.499 S2C3T1 Fl. 592 3 c) O rendimento denominado de tributável pela 2ª Turma recebido em janeiro de 2004 foi disponibilizado normalmente para o contribuinte naquele mesmo mês (anexo 3) e nunca esteve depositado judicialmente, contrariando a afirmação da 2ª Turma. d) o imposto retido na fonte de R$1.122,93 também consta como recolhido normalmente para os devidos fins (anexo 3), sem nenhuma observação de que tenha sido depositado judicialmente. [...] seja revogada o acórdão da 2ª Turma de Julgamento relativamente ao Processo 10070.002317/200795; seja conhecida a impugnação apresentada pelo Contribuinte relativamente à Notificação 2005/607400239672087; seja considerada isenta de tributação a parcela de rendimento de aposentadoria depositada pela Petros em janeiro de 2004 em nome do Contribuinte.” Em sessão realizada em 12de agosto de 2014, o presente julgamento foi convertido em diligência, Resolução nº 2102000.192, conforme excertos do voto proferido por esta relatora na ocasião: "[...] Requereu o contribuinte que seja reconhecida a isenção dos valores supramencionados, devolvendose o valor retido na fonte de R$ 1.122,93. Nesse sentido, cabe consignar que consta dos autos, laudos médico pericial (fl. 23), o qual comprova que o contribuinte é portador desde 15/08/2003, de doença CID 10 C 61 (Adenocarcinoma Prostático), confirmando que a doença se enquadra no art. 1º da Lei nº 11.052/2004, que deu nova redação ao art. 6º da Lei 7.713/1988. Entretanto, informa a DRJ, que em consulta ao sistema da Receita Federal do Brasil (fl.32), verificou que o valor do imposto de renda retido na fonte (R$ 1.122,93), relativo à janeiro de 2004, encontrase depositado judicialmente, ou seja, tratase de matéria que está sendo discutida na esfera judicial. Por ser assim, a DRJ fundamenta a sua decisão no sentido de que “a conclusão que se impõe é que, com a propositura de ação judicial própria contra a Fazenda Nacional, o contribuinte manifestou recusa à instância administrativa, já que a matéria discutida nesta jurisdição é objeto também de discussão junto ao Poder Judiciário”. No presente recurso, o contribuinte fundamenta suas razões alegando que “o rendimento denominado de tributável pela 2ª Turma recebido em janeiro de 2004 foi disponibilizado normalmente para o contribuinte naquele mesmo mês (anexo 3) e nunca esteve depositado judicialmente, contrariando a afirmação da 2ª Turma”, e que o [...] “o imposto retido na fonte de R$1.122,93 também consta como recolhido normalmente para os devidos fins (anexo 3), sem nenhuma observação de que tenha sido depositado judicialmente”. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Dá análise dos documentos acostados ao recurso, verificase em fls. 48, que o contribuinte juntou andamento processual da Justiça Federal do Rio de Janeiro, pelo qual, em consulta ao processo informado (nº 2005.51.01.0035456 1001), verificase que figura o Recorrente e Luiz de Campos Herdy Silva como autores e a União Federal como ré, em decisão publicada no D.O.E. de 27/06/2006, conforme dispositivo da decisão transcrito abaixo: “Isto posto, julgo procedente em parte o pedido, para declarar a inexistência de relação jurídicotributária entre as Partes, quanto ao Imposto de Renda sobre a parcela do benefício de complementação da aposentadoria em questão correspondente às contribuições para a entidade de previdência privada pagas pelos Autores, no período de vigência da Lei n. 7.713/88, de 01/01/89 até 31/12/95, bem como para condenar a Ré a restituir à parte autora os valores indevidamente recolhidos a tal título, respeitado o prazo de prescrição, na forma da fundamentação supra e com a aplicação de correção monetária integral e de juros, nos moldes dos fundamentos acima expostos. Custas e honorários advocatícios compensados, nos termos do art. 21 do Código de Processo Civil. Sentença sujeita ao duplo grau de jurisdição obrigatório.” Considerando que há divergências nas informações constantes dos autos, vez que o contribuinte alega que não ocorreu depósito judicial dos valores supramencionados, alegando que estes foram disponibilizados e o imposto fora retido normalmente ainda no mesmo mês do alegado depósito, entendo que para o devido deslinde do feito, deve ser diligenciado junto à Petros, a fim de que esta informe sobre o referido depósito judicial. Ante o exposto, converto o julgamento em diligência para que a Secretaria da Receita Federal do Brasil – SRFB, intime a Petros à comprovar se o valor de R$ 1.122,93, relativo a Imposto de Renda Retido na Fonte de janeiro de 2004, foi depositado em juízo, conforme informado em DIRF, caso afirmativo, fazendo a comprovação com documentos judiciais. Ou se assiste razão o recorrente de que estes valores foram normalmente retidos dos respectivos rendimentos, havendo portanto, equívoco na informação constante da DIRF da Petros." A Petros foi intimada da Diligência através de Carta A.R., recebida em 04/03/2015 (fl. 577), e em resposta (fls. 578/581), afirmou que os documentos acostados comprovam o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte, depositado em juízo, no montante de R$ 1.122,93, no anocalendário 2004, referente ao contribuinte autuado. Retornaramse os autos a esta relatora para julgamento do recurso. É o relatório. Passo a decidir. Voto Fl. 594DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10070.002317/200795 Acórdão n.º 2301004.499 S2C3T1 Fl. 593 5 Conselheira Alice Grecchi, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, devendo ser examinadas os demais requisitos para sua admissibilidade. Conforme relatado, há concomitância da questão tratada nos presentes autos com o objeto examinado na esfera judicial, em face de ação ordinária ingressada pelo contribuinte. Observese que o assunto encontrase pacificado no âmbito do julgamento administrativo, consoante Súmula CARF nº 1, nos seguintes termos: Súmula CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial.” Finalmente, verificase que a decisão judicial declarou a inexistência da relação jurídica de direito tributário no tocante ao Imposto de Renda sobre a parcela do benefício de complementação da aposentadoria em questão correspondente às contribuições para a entidade de previdência privada e determinou a restituição às partes dos valores indevidamente recolhidos, assunto do presente processo. Assim, a informação prestada pela Petros através da diligência requerida por esta relatora, a qual confirmou que, efetivamente, o IRRF fora depositado em juízo, não deixa dúvidas de que o contribuinte optou pela via judicial para discutir a questão posta nos autos, de modo que, não merece acolhimento o presente recurso. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Fl. 595DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721000/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO LEGAL.
É intempestivo o recurso protocolado na repartição quando expirado o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-002.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO LEGAL. É intempestivo o recurso protocolado na repartição quando expirado o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso não Conhecido.
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INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO LEGAL. É intempestivo o recurso protocolado na repartição quando expirado o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o Recurso Voluntário, por ser intempestivo. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Em apertada síntese, o caso em tela discute sobre o auto de infração de fls. 02/09, acerca de cobrança de multa regulamentar de que trata o artigo 490, inciso II, do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 10 00 /2 00 9- 18 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 RIPI/2002, aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002, tendo o fisco descrito o motivo da autuação como sendo"da emissão de Notas Fiscais que não correspondem à salda efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente". Intimada para se manifestar, a Fiscalizada apresentou sua impugnação às fls. 353/385, contrapondo integralmente os fatos alinhavados pela fiscalização. A 3ª Turma da DRJ/BEL, nos termos do r. Acórdão nº 0115.801, de 07 de dezembro de 2009, considerou improcedente a impugnação da Fiscalizada, sob os fundamentos conforme ementa da decisão recorrida que a seguir transcrevo, fls. 471/486: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL" "Anocalendário: 2004 " "ÔNUS DA PROVA. DIPJ. ALEGAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO CONTRIBUINTE. SITUAÇÃO PROCESSUAL DESFAVORÁVEL.MULTA. SAÍDA NÃO COMPROVADA DE MERCADORIAS." O ônus da prova cabe a quem alegou o fato e possui meios para tanto. Na hipótese de o contribuinte declarar espontaneamente em sua DIPJ a saída de determinado produto industrializado, deve estar apto a comprovála, mormente se tal encargo probatório revelase de fácil desincumbência. O descumprimento da atividade probatória exigida ao contribuinte acarretalhe uma situação jurídicoprocessual desfavorável. Dessa forma, quando não logra êxito em seu ônus probante, implica na comprovação, naquele processo, de que as notas fiscais emitidas pelo contribuinte não correspondem à saída efetiva dos produtos nelas descritos, o que acarreta a autuação da multa regulada pelo artigo 490, inciso II, do RIPI/2002. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRECEITOS LEGAIS.PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não • possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade/ ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade/legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial, salvo na hipótese de decisões objetivas do Supremo Tribunal Federal (STF), com efeito erga omnes (súmula vinculante ou julgados em sede de ADI e ADC). Fl. 545DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10283.721000/200918 Acórdão n.º 3302002.951 S3C3T2 Fl. 258 3 ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES.VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais DF CARF MF Fl. 471 Impresso em 27/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO CÓPIA Superiores, pois suas decisões, via de regra, não fazem parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo na hipótese de decisões do STF vinculantes para a administração pública federal. De outro lado, a execução de julgados em sede de ADI (ou de ADIMC) devese restringir à sua parte dispositiva, de modo a evitar a usurpação indevida da competência do STF, limitandose objetivamente a excluir (ou suspender) do ordenamento os preceitos legais considerados inconstitucionais. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, quando forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo já contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. REGRA GERAL. Tributo não se confunde com multa isolada por ato ilícito, tendo em vista o 111 artigo 3° do CTN. Em caso de autuação de multa isolada, fica afastada a regra especial do artigo 150, § 4°, do CTN (somente aplicável a tributos), calculandose a decadência pela regra geral do artigo 173, inciso I, do CTN, independentemente da prova de simulação ou fraude. SIMULAÇÃO. CONCEITO. REQUISITOS. A definição de simulação encontrase insculpida no artigo 167, § 1°, inciso II, do Código Civil de 2002. Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; ou os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. FISCALIZAÇÃO. SUJEIÇÃO UNIVERSAL. Todas as pessoas físicas e jurídicas estão sujeitas às medidas fiscalizatórias e eventualmente à imposição de multas. De outro lado possuem o direito a interpor recursos no processo administrativo, visando desconstituir a autuação. 010 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido." Fl. 546DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 Intimada da decisão no dia 02/03/2010 (segundafeira), conforme AR de fls 488. Assim, iniciando o prazo para recurso em 03/03/2010 (terçafeira). A Fiscalizada, discordando do r.Acórdão, interpôs recurso voluntário em 06/04/2010 (segundafeira). É breve o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Sem grandes divagações, o Decreto nº 70.235/72 estabelece em seu art. 33, que o contribuinte pode interpor recurso voluntário no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência de primeira instância. Pois bem. In Casu, a Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 02/03/2010, uma segundafeira, em conformidade com a cópia do Aviso de Recebimento de fls 488. Assim sendo, o prazo para interposição do recurso iniciou no dia 03/03/2010, terçafeira, expirando no dia 01/04/2010, uma quintafeira. Contudo, a peça recursal fora apresentada tão somente no dia 06/04/2010, terçafeira, ou seja, de forma intempestiva, operandose assim os efeitos da preclusão. Dessa forma, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso por sua interposição fora do prazo. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 547DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10530.720879/2014-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
ISENÇÃO. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63).
Numero da decisão: 2301-004.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 08 79 /2 01 4- 89 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0435.564, exarado pela 3ª Turma da DRJ em Campo Grande (fls. 52 a 58 – numeração dos autos eletrônicos) o qual julgou improcedente impugnação contra lançamento de ofício de imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) do exercício 2009, anocalendário 2008, formalizado por notificação de lançamento (fls. 16 a 20), decorrente da revisão de declaração de ajuste anual (DAA), na qual foi apurado imposto suplementar, multa de ofício e juros de mora, totalizando crédito tributário de R$8.787,42. Na descrição dos fatos que deram origem ao lançamento (fl. 18), a autoridade fiscal informou, em suma, que, confrontando o valor dos rendimentos tributáveis informados pelas fontes pagadoras em declaração do imposto sobre a renda retido na fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$42.551,49, recebidos do Banco do Brasil S/A e da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ). No resultado da solicitação de retificação de lançamento (SRL) (fl. 24), consta que houve o indeferimento do pleito, “restando não comprovados os valores informados pelo contribuinte”; em complemento, constou informação de que a legislação condiciona a isenção do IR à verificação cumulativa de três situações: (I) que o contribuinte seja portador de qualquer das doenças relacionadas na legislação; (II) que a comprovação desta condição se dê por laudo médico oficial; (III) que os rendimentos auferidos sejam da inatividade. Na impugnação (fl. 02), o interessado alegou, em síntese, que todos seus rendimentos são isentos por se tratarem de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave, e que o Banco do Brasil incluiu indevidamente nos rendimentos tributáveis seus proventos de aposentadoria, que deveriam ser informados como rendimentos isentos e não tributáveis. A DRJ julgou a impugnação improcedente em acórdão que recebeu a seguinte ementa: DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. São isentos de imposto de renda os proventos de aposentadoria recebidos por portadores de moléstia grave especificada na legislação em vigor. Para o reconhecimento do direito à essa isenção, além da apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial que reconheça ser o contribuinte portador de uma das doenças que permite a isenção do imposto e que indique expressamente a data em que essa foi contraída, há necessidade de comprovar que o rendimento auferido se refere a proventos de aposentadoria. A ciência dessa decisão ocorreu em 12/06/2014 (fl. 61). Em 11/07/2014, foi apresentado recurso voluntário (fls. 62 a 74), no qual foram reiterados, em síntese, os termos da impugnação, e foi pedido o cancelamento da notificação de lançamento e o reconhecimento da isenção por moléstia grave. O processo foi distribuído para este relator em 12/03/2015 (fl. 90). É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.720879/201489 Acórdão n.º 2301004.368 S2C3T1 Fl. 92 3 Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. QUESTÕES DE MÉRITO ISENÇÃO DO PROVENTOS DE APOSENTADORIA DOS PORTADORES DE MOLÉSTIA GRAVE A lide gira em torno de se identificar se os rendimentos do recorrente seriam isentos ou não, por se tratarem de proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave. A matéria é regulada pelo o art. 6º, XIV e XXI da Lei 7.713, de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei 8.541, de 1992 e alterações da Lei 11.052, de 2004: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Grifouse.) A partir do anocalendário 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições do art. 30 da Lei 9.250, de 1995: Art. 30 A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. (Grifouse.) O assunto foi regulamentado pelos incisos XXXI e XXXIII do art. 39 do Decreto 3000, de 1999 (RIR/1999), e §§ 4º e 5º, a seguir transcritos: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo,exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão; (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º); (...) §4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e §1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (Grifouse.) Assim, verificase que a legislação condiciona a isenção em apreço ao cumprimento cumulativo de três requisitos: (1) que o contribuinte seja portador de alguma das doenças especificadas no art. 6º, XIV, da Lei 7.713, de 1988; Fl. 94DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.720879/201489 Acórdão n.º 2301004.368 S2C3T1 Fl. 93 5 (2) que a comprovação dessa condição se dê por laudo médico emitido por serviço médico oficial dos entes federativos (art. 30 da Lei 9.250, de 1995); e (3) que os proventos auferidos advenham da inatividade (aposentadoria, reforma ou pensão) (art. 6º, XIV e XXI, da Lei 7.713, de 1988). Nesse sentido, a Súmula CARF 63: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso em apreço, o contribuinte apresentou laudo médico expedido pela Secretaria Municipal de Saúde de Barreiras/BA, datado de 17/01/2014 (fl. 05). Está atendido o requisito correspondente à formalidade do laudo. Tal laudo descreve ser o contribuinte portador do seguinte quadro clínico: (a) “cardiopatia isquêmica grave CID 10125.1”; (b) “infarto agudo do miocárdio 24 de novembro de 2001” e (c) “angioplastia em 04/12/2001”. A presença de doença especificada no art. 6º, XIV, da Lei 7.713, de 1988, a “cardiopatia grave” é atestada literalmente: “cardiopatia isquêmica grave”. A data de sua manifestação maior – o infarto agudo do miocárdio – também está expressa: 24/11/2001. Resta cumprido, assim, o requisito correspondente à presença de moléstia grave passível de outorgar a isenção requerida, bem como está definido o termo de início de sua manifestação. Resta estabelecer a origem dos rendimentos. Desses, somente serão isentos os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão, sendo tributados os outros. Não há quaisquer dúvidas que o contribuinte foi aposentado pelo INSS em 09/04/2007 (carta de concessão de aposentadoria concedida pelo INSS, fl. 07); não foi esclarecido, porém, se a referida aposentadoria se refere ou não à atividade exercida junto ao Banco do Brasil; ressaltese que a concessão da aposentadoria pelo INSS não impede, em tese, a continuidade da prestação de trabalho ao Banco do Brasil, uma vem que a aposentadoria pode ter sido concedida em relação à outra atividade. O próprio contribuinte afirma e reafirma, em seu recurso voluntário, que a origem dos recursos recebidos do Banco do Brasil é a prestação de salário assalariado (fls. 63, 2º parágrafo e 7071, itens 13 e 14). Segundo o recorrente, os proventos de aposentadoria se referem ao montante recebido da Caixa de Previdência dos Funcionários do Branco do Brasil (fls. 63, 1º parágrafo e 7071, item 14): Desse modo, entendo que deve ser adotada a seguinte solução: (1) em relação ao trabalho assalariado junto ao Banco do Brasil – não há isenção em relação a tais rendimentos, uma vez que não são rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão (art. 6º, XIV e XXI, da Lei 7.713, de 1988), pelo que está correta a glosa dos rendimentos tributáveis, no montante de R$30.503,39 (totalizando Fl. 95DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 R$57.379,43 de rendimentos tributáveis auferidos dessa fonte pagadora, conforme comprovante de rendimentos pagos e de retenção na fonte, fl. 04 e notificação de lançamento, fl. 18); (2) atinente aos rendimentos pagos pela Previ, entendo ter restado comprovado serem os proventos de aposentadoria a que se refere a carta de concessão de aposentadoria emitida pelo Instituto Nacional de Previdência Social (INSS) (fl. 07); em relação a tais rendimentos estão cumpridos os requisitos para a isenção requerida. A data da aposentadoria, 09/04/2007, é comprovada pela referida carta de concessão de aposentadoria (fl. 07); os rendimentos da inatividade lhe são repassados pela Previ, como demonstra o documento pelo qual a Caixa de Assistência do Banco do Brasil (Cassi) informa que encaminha para a Previ, “em resposta a sua requisição de isenção de Imposto de Renda”, “a confirmação do enquadramento de sua patologia dentre aquelas previstas no artigo 5º inciso XII da SRF nº 15 de 06 de fevereiro de 2001 e artigo 1º da Lei 11.052 de 29 de dezembro de 2004” (fl. 45). Desse modo, ficou comprovado que os valores recebidos pela Previ em 2008, R$23.706,56 (fl. 03), são isentos do imposto sobre a renda, sendo irrelevante, para fins da isenção, que a fonte pagadora tenha indicado, em Dirf, tais rendimentos como tributáveis. Assim, deve ser cancelado do lançamento a base de cálculo correspondente aos rendimentos recebidos da Previ, no montante de R$11.948,10 (fl. 18). Por fim, embora não seja questão que se relaciona diretamente com a matéria em julgamento (que diz respeito a lançamento de imposto suplementar apurado em decorrência da alteração do valor do imposto, fl. 36), o contribuinte declara em seu recurso voluntário, sem apresentar documentos comprobatórios, que pagou saldo do IRPF, relativo ao exercício em questão (apurado na DAA/2009, retificada), no total de R$4.069,01 (fl. 64), que corresponde exatamente ao valor do imposto suplementar que lhe está sendo exigido. Não há, no demonstrativo de apuração do imposto devido da notificação de lançamento (fl. 19), registro de tais pagamentos, cuja existência deve ser verificada pela unidade preparadora. Caso comprovado, deve compor o cálculo do imposto suplementar. Nesse caso, se o pagamento foi anterior ao início do procedimento fiscal, deve reduzir o imposto devido de modo que não incida multa de ofício sobre o seu montante. Voto, portanto, por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar do lançamento a base de cálculo correspondente aos rendimentos recebidos da Previ, CNPJ 33.754.482/000124, no montante de R$11.948,10. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 11030.720089/2013-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.619
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MAURICIO DAL AGNOL.
RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 30 .7 20 08 9/ 20 13 -1 6 Fl. 4461DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11030.720089/201316 Resolução nº 2202000.619 S2C2T2 Fl. 4.462 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte MAURICIO DAL AGNOL, foi lavrado o auto de infração do imposto sobre a renda de pessoa física (fls. 3.920 a 3.931), que exigiu um crédito tributário total de R$ 4.802.742,75, incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até 01/2013, tendo sido apuradas infrações relativas ao exercício 2009 (anocalendário 2008). Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 3.932 a 3.978), o fiscalizado é advogado, com escritório profissional à rua Coronel Chicuta, 151, Centro, Passo Fundo/RS, mesmo endereço informado como domicílio tributário da empresa DAL AGNOL & FERNANDES LTDA., CNPJ 06.081.082/000122, optante pelo Simples Nacional, da qual ele detinha participação societária até março de 2008. No decorrer da ação fiscal, a Fiscalização concluiu que MAURICIO DAL AGNOL e DAL AGNOL & FERNANDES LTDA (D&F) nada mais eram que uma mesma unidade econômica voltada à prestação de serviços advocatícios sob a alcunha “DAL AGNOL ADVOCACIA” e que as notas fiscais de emissão da D&F eram, na verdade, honorários advocatícios auferidos pelo contribuinte fiscalizado, que visando reduzir a carga tributária a que estava sujeito, na condição de pessoa física, valeuse da pessoa jurídica, apenas formalmente constituída, mas que se configurou verdadeira interposta pessoa do contribuinte de fato. A Fiscalização também efetuou a glosa de diversas despesas deduzidas a título de livro caixa pelo contribuinte, por entender que não seriam dedutíveis, parte por falta de comprovação e parte por não serem necessárias à percepção da receita. Foram apuradas as seguintes infrações: 1) OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS; 2) OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA; 3) DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA; 4) DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (CARNÊLEÃO) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA. O contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração, com os seguintes argumentos, em síntese: Fl. 4462DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11030.720089/201316 Resolução nº 2202000.619 S2C2T2 Fl. 4.463 3 O Auto de Infração é nulo, pois os AuditoresFiscais que o lavraram não eram contadores legalmente habilitados no CRCRS , não estando aptos a efetuarem auditoria nos livros contábeis; a ausência de intimação da empresa DAL AGNOL & FERNANDES LTDA. importa na suspensão do presente processo ou na sua anulação, pois o impugnante não poderia receber intimações em nome da empresa fiscalizada, por não ser seu representante legal; Os juros na forma em que foram descritos no Auto de Infração impedem que o impugnante possa realizar o seu pagamento, em relação a alguma das infrações, com benefícios de redução da multa, posto que não há qualquer demonstrativo que viabilize a realização de defesa e verificação da real correção dos valores e percentuais aplicados; o impugnante é parte ilegítima para responder sobre os pagamentos realizados sob a descrição de "emolumentos pagos a terceiros", pois se trata de créditos cedidos a terceiros, que não mais integravam seu patrimônio; em nenhum momento a Fiscalização negou a existência da empresa DAL AGNOL & FERNANDES LTDA.; a terceirização de atividades meio é algo comum e legal, tendo o impugnante criado a sua própria empresa de cópias reprográficas; as atividades da empresa foram ampliadas e o que antes era apenas copiadora, passou também a ser digitação e digitalização de documentos, além de outras atividades de controle de processos e de processamento de dados, fossem eles financeiros, organizacionais, administrativos, mas nunca os jurídicos; os serviços de limpeza e segurança também foram terceirizados; a empresa era antes de sua propriedade e depois passou a ser da sra. Márcia Fátima da Silva Dal Agnol, mas nem por isso se retirou a independência na gestão da D&F, na contabilidade, na gestão financeira e de pessoas; não existe necessidade ou exigência de que as empresas terceirizadas sejam de pessoas estranhas; o impugnante é advogado e trabalhava cerca de 14 horas por dia e então terceirizou toda a atividade administrativa; ele e a empresa não são a mesma pessoa, não são um grupo econômico, não possuem a mesma gerência, não possuem a mesma contabilidade, não possuem os mesmos funcionários, não possuem as mesmas contas bancárias e ele não possui poder de mando na administração da D&F; somente as atividades administrativas eram terceirizadas e isso é legal, não se constituindo em fraude; Fl. 4463DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11030.720089/201316 Resolução nº 2202000.619 S2C2T2 Fl. 4.464 4 não se utilizava da D&F para sonegar imposto, pois se assim o fosse, os rendimentos tributáveis de R$ 17.144.404,97 do ano de 2008 seriam faturados pela D&F; os valores pagos pelo impugnante à empresa D & F não poderiam ter sido glosados, pois se trata de serviços efetivamente prestados e pagos; o impugnante era titular de direitos creditórios com origem em honorários advocatícios e os cedeu à empresa D&F, o que o desobrigava de registrar em seu livro caixa; não tem como se defender da omissão de rendimentos recebidos do Estado do Rio Grande do Sul, uma vez que não há especificação do processo onde se deu o suposto pagamento e ele não presta serviços àquele ente. O Fiscal deveria ter intimado o órgão público para prestar tal informação; os pagamentos da Telasul S/A feitos às pessoas físicas foram objeto de cessão de crédito firmado com a empresa D & F; devem ser anuladas as glosas de despesas lançadas na conta caixa da empresa D & F pois essa não foi intimada a produzir defesa; as despesas com segurança privada são necessárias à atividade, tendo em vista a situação em que se encontra a segurança pública; não podem prosperar as glosas de despesas referentes a pagamentos feitos a advogados, porquanto são despesas de custeio necessárias à percepção da receita, por serem percentual de honorários transferidos a advogados parceiros, sem os quais não haveria clientes, pois eram eles que realizavam todos os contatos e solicitavam dos clientes as documentações complementares ao longo da tramitação das ações; a multa de ofício é excessiva e deve ser reduzida para 20%; a multa de 150% deve ser afastada porque não há que se falar em sonegação, fraude, dolo ou simulação; a multa relativa ao carnêleão é improcedente pois todos os valores foram corretamente lançados e pagos, não havendo pendência de pagamento; também devem ser declarados improcedentes os juros, independente do percentual que tenha sido lavrados e sobre que base de cálculo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA) julgou a impugnação procedente em parte, afastando a glosa relativa a serviços de segurança privada. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 Fl. 4464DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11030.720089/201316 Resolução nº 2202000.619 S2C2T2 Fl. 4.465 5 APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO. Contribuinte apresentou documentação, comprovando item integrante da apuração anual do imposto de renda, que altera o lançamento efetuado. UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE PESSOA JURÍDICA. ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA. Caracterizada a utilização de empresa interposta, as operações da empresa tributamse no escritório de advocacia, e correta a tributação das operações na pessoa física, na declaração do contribuinte. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. Para dedutibilidade no livro caixa a discussão de matéria de prova de sobrepõe a possibilidade de deduzir. Há que ser provada a correspondência dos contratos e pagamentos, com detalhamento das operações, com a comprovação financeira. AUDITOR FISCAL. EXAME DA CONTABILIDADE. A competência do Auditor Fiscal para exame da contabilidade da empresa decorre de lei, não estando sujeitando a habilitação em curso superior específico ou ao registro junto ao Conselho de Contabilidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão em 03/10/2013 (fl. 4.272), o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 31/10/2013 (fls. 4.273 a 4.457), no qual reitera as razões da impugnação e enfatiza os seguintes pontos: o Auto de Infração é nulo pois ocorreu cerceamento de defesa, uma vez que a sociedade Dal Agnol & Fernandes Ltda, não foi regularmente cientificada para prestar esclarecimentos e apresentar provas; as autoridades fiscais desconsideraram a pessoa jurídica da empresa referida sem a devida decisão judicial; ao calcular o suposto tributo devido, a Fiscalização não permitiu a dedução de despesas referentes a emolumentos pagos a terceiros, expressamente permitidas pela legislação; são apresentados documentos em anexo que provam os valores pagos como emolumentos a terceiros; tendo em vista o exíguo prazo para apresentação do recurso voluntário, os documentos trazidos são por amostragem, sendo requerida a possibilidade de juntada posterior ou que sejam os autos baixados em diligência para apresentação de tais documentos; a autoridade fiscal não considerou os contratos, recibos e notas apresentados pelo recorrente em relação às parcerias com os advogados, ao contrário do que julgou a DRJ em sua decisão; Fl. 4465DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11030.720089/201316 Resolução nº 2202000.619 S2C2T2 Fl. 4.466 6 em respeito à segurança jurídica, à ampla defesa e ao princípio da verdade material, é imprescindível que o recorrente tenha o direito de juntar provas agora aceitas pela DRJ; além de não considerarem os emolumentos pagos a terceiros como despesas, também não consideraram os tributos pagos pela pessoa jurídica, na apuração do lançamento; não há base legal para incidência dos juros SELIC incidentes sobre a multa de ofício. É o relatório. VOTO O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Observase que a decisão de primeira instância concorda com a argumentação do contribuinte quanto à possibilidade de deduzir os valores pagos a terceiros, porém entendeu que não restou comprovada a correspondência dos contratos e dos pagamentos, uma vez que não se encontravam demonstrados os detalhamentos dos recebimentos. No recurso voluntário, o contribuinte anexou diversos comprovantes e solicitou a juntada de novas provas, alegando que a autoridade fiscal não considerou os contratos, recibos e notas por ele apresentados, contrariamente ao decidido pela DRJ. Reconheço que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Assim, diante das peculiaridades do presente caso, para evitar cerceamento de defesa e em respeito ao princípio da verdade material, bem como para que não reste qualquer dúvida na deliberação do colegiado, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: Fl. 4466DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11030.720089/201316 Resolução nº 2202000.619 S2C2T2 Fl. 4.467 7 1 – Intime o contribuinte a apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias, relatório, preferencialmente em forma de planilha, com a discriminação das despesas glosadas pela Fiscalização, a título de "emolumentos pagos a terceiros", vinculando cada despesa com os correspondentes documentos comprobatórios; 2 Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre a validade das alegações presentes nesse relatório quanto à dedução das despesas a título de "emolumentos pagos a terceiros", indicando as glosas a serem mantidas e dandose vista ao recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Turma para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinatura digital) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 4467DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13056.001020/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Para efeitos de apuração dos créditos do PIS - não cumulativo e da COFINS - não cumulativo, entende-se que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS - não cumulativo e da COFINS - não cumulativo incidente em suas aquisições.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS.
A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando comprovado que é utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes.
Numero da decisão: 3401-003.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto às despesas junto a pessoas físicas e quanto às despesas administrativas e comerciais; por voto de qualidade, negar provimento quanto às despesas de combustíveis com veículos próprios na aquisição de bens, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawa de Araújo Branco; e, por maioria, dar provimento parcial quanto aos gastos gerais, vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando comprovado que é utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 10 20 /2 00 8- 60 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto às despesas junto a pessoas físicas e quanto às despesas administrativas e comerciais; por voto de qualidade, negar provimento quanto às despesas de combustíveis com veículos próprios na aquisição de bens, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawa de Araújo Branco; e, por maioria, dar provimento parcial quanto aos gastos gerais, vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Este processo cuida dos Pedidos de Ressarcimentos e das Declarações de Compensação por meio da qual requer, primeiramente, reconhecimento de créditos da contribuição para a COFINS Mercado Externo, do regime não cumulativo, nos termos do art. 3o da Lei n° 10.833/2003 e, no que couber, Lei 10.637/2002 A contribuinte alega possuir créditos no valor de R$ 477.124,77, no período de apuração 3º trimestre de 2008, referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, valor de crédito, esse, disponível. para efetuar compensações com outros tributos de sua responsabilidade ou solicitar o ressarcimento ao final do período de apuração. A contribuinte requereu o aproveitamento desse valor de crédito, por meio de declarações de compensação (DCOMP), identificadas pelo Despacho Decisório DRF/NHO SEORT 1388/2009 às fls. 111. A auditoria fiscal (Termo e Informações às fls. 109111) propôs glosas, confirmadas pela autoridade administrativa da DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM NOVO HAMBURGO RS, no Despacho Decisório DRF/NHO 2009, que, somadas, resultaram em R$ 282.793,65 e reduziram o pretendido e solicitado pelo contribuinte para o valor de crédito reconhecido E DISPONÍVEL para as compensações para R$ 194.331,12. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001020/200860 Acórdão n.º 3401003.000 S3C4T1 Fl. 3 3 Foram as seguintes as glosas e respectivas justificativas constante dessa decisão da unidade de jurisdição: Bens e serviços adquiridos de pessoas físicas: Valor total da glosa no período R$ 2.175,52. O contribuinte descontou créditos calculados em relação a bens e serviços adquiridos de pessoas físicas. Conforme a legislação de regência o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas. Base legal: artigo 3º, §§ 2º e 3º, incisos I e II, da Lei n.º 10.637/2002, e artigo 3º, §§ 2º e 3º, incisos I e II, da Lei n.º 10.833/2003. Redação dos artigos alterada pela Lei ns 10.865/2004, artigos 21 e 37. Despesas administrativas: Valor total da glosa no período R$ 45.859,41. O Contribuinte descontou créditos calculados em relação a despesas administrativas, cujo aproveitamento não é contemplado pela legislação de regência. Base legal: artigo 3º da Lei n.º 10.637/2002, e artigo 3º da Lei n.º 10.833/2003. Redação dos artigos alterada pela Lei nº 10.865/2004. Despesas com vendas: Valor total da glosa no período R$ 17.948,75. O Contribuinte descontou créditos calculados em relação a despesas com vendas, tais como: comissões, cobranças, feiras, exposições, propaganda e publicidade, cujo aproveitamento não é contemplado pela legislação de regência. Base legal: artigo 39 da Lei na 10.637/2002, e artigo 39 da Lei ns 10.833/2003. Redação dos artigos alterada pela Lei ns 10.865/2004. Gastos gerais de fabricação que não se enquadram no conceito de insumo: São eles, gastos com alimentação, análises e laudos técnicos, assistência médica, combustível empilhadeira, despesas com importação, despesas com transporte, despesas com veículos, indumentária e material de trabalho, laboratório, material de expediente, material de limpeza, material de segurança, pedágio, resíduos industriais, sistema de tratamento da água. Valor total da glosa no período R$ 38.209,36. Dentre os gastos gerais de fabricação, o contribuinte incluiu na composição da base de cálculo para apuração dos créditos despesas que não se enquadram no conceito de insumos. Geram direito ao crédito como insumos, além das matériasprimas e produtos intermediários que se integrem ao produto final, também aqueles que, embora não se integrando a tal produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Considerase "consumo" o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de uma ação diretamente exercida pelo insumo sobre o produto em fabricação ou deste sobre aquele. O que não é o caso de nenhuma das despesas relacionadas nos demonstrativos a seguir, as quais foram integralmente glosadas. Base legal: artigo 39 da Lei n9 10.637/2002, e artigo 3a da Lei na 10.833/2003. Redação dos artigos alterada pela Lei ne 10.865/2004, art. 346; IN SRF ns 247, de 2002, art. 66, inciso I, alínea "b" e seu § 59, inciso I, alíneas "a" e "'" e . 67; IN SRF n9 358, de 2003, art. 19; IN SRF na 404, de 2004, art. 8a, inciso I, alínea "b", seu § 4a, inciso I, alíneas "a" e V, e seu § 98. Despesas com combustíveis não utilizados com insumos: Fl. 405DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 Valor total da glosa no período R$ 31.061,16. O contribuinte descontou créditos calculados em relação a combustíveis. Entretanto, estes não se enquadram como insumos em seu processo produtivo, ficando seu aproveitamento fora do contemplado pela legislação de regência. Base legal: Lei n9 10.637/2002 artigo 35 inciso II, Lei n9 10.833/2003 artigo 39 inciso II, com redação dos artigos alterada pela Lei na 10.865/2004, IN 247 artigo 66 parágrafo 5a inciso I a, IN 404 artigo 8a parágrafo 5a inciso I a. Observação: entre as hipóteses de geração de créditos previstas na legislação, constam os dispêndios com combustíveis e lubrificantes. Entretanto tais aquisições apenas geram créditos das contribuições na hipótese dos combustíveis e lubrificantes serem "utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda", a teor do disposto nas Leis citadas acima. As hipóteses de geração de créditos são exaustivas, não admitindo interpretação exaustiva. De acordo com o disposto nas Instruções Normativas citadas acima, entendese como insumo: "a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e qualquer outro bem que sofra alteração, tal como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação". Para o Dicionário Eletrônico Aurélio Século XXI, matériaprima é: "A substância bruta principal e essencial com que é fabricada alguma coisa". Dai ser fácil concluir que combustíveis e lubrificantes não constituem a substância bruta essencial da qual é feito o curtimento e outras preparações de couro as atividades industriais do contribuinte. Creditamento sobre mercadorias recebidas com fim específico de exportação: Valor total da glosa no período R$ 157.539,45. O Contribuinte descontou créditos calculados em relação a entrada de mercadorias recebidas com fim específico de exportação, na operação em que recebe cujo aproveitamento não é contemplado pela legislação de regência. O Contribuinte apurou em setembro de 2008, créditos em relação a entrada de mercadorias recebidas com fim específico de exportação de Bianchini S/A, CNPJ na 87.548.020/002042 em 25/09/2008, exportandoas no mesmo dia para Larent S.A., sediada em Montevideo, Uruguai, do mesmo porto de onde recebeu as mercadorias, Rio Grande, atuando como comercial exportadora nessa operação. Essa operação não dá direito a aproveitamento de créditos pela legislação de regência. Base legal: artigo 59 da Lei nfi 10.637/2002, e artigos 6a, §4a e 15a, inciso III da Lei n9 10.833/2003. Redação dos artigos alterada pela Lei n9 10.865/2004. A contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade por meio da qual apresentou as seguintes razões para a reforma da decisão, conforme resumo elaborado pelo Julgador de 1º Grau que reproduzo, graças á sua objetividade e suficiência: ... discorda da glosa implementada, defendendo a legitimidade do "direito creditório pleiteado. Afirma que haveria afronta ao princípio da não cumulatividade na vedação ao aproveitamento de insumos adquiridos de pessoas físicas. As vedações impostas pelas leis n° 10.637/2002, n° 10.833/2003 e n° 10.865/2004 não encontrariam fundamento de validade, pois estariam tratando de matéria reservada à Lei Complementar. Discorda do conceito de insumo, entendendo que esse já foi superado pela própria Receita Federal. Alega que os créditos sobre combustíveis e lubrificantes glosados referemse a compras de óleo diesel utilizado para abastecer caminhões que transportam mercadorias compradas pela empresa. Os Julgadores a quo, apreciaram a contestação da contribuinte e demais documentos que instruem o processo e teceram as seguintes considerações e conclusões: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001020/200860 Acórdão n.º 3401003.000 S3C4T1 Fl. 4 5 o não apreciar as alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade; o nem todo custo, despesa ou encargo que concorra para a obtenção do faturamento mensal, base de cálculo da contribuição para o COFINS, poderá ser considerado crédito a deduzir, pois a admissibilidade de aproveitamento de créditos há de estar apoiada, indubitavelmente, nos custos, despesas e encargos expressamente classificados nos incisos do art. 3o da Lei n° 10.833/2003, o apenas os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas darão direito à credito das contribuições. Portanto, os insumos adquiridos de pessoas físicas não podem ser considerados no cálculo dos créditos das referidas contribuições, por vedação legal. o A legislação acima transcrita tampouco contempla a possibilidade de descontar créditos decorrentes de bens e serviços de natureza comercial ou administrativa. o A interessada apurou créditos oriundos de diversos gastos da empresa, inclusive a aquisição le combustíveis consumidos na frota de veículos da empresa,. Nesse caso, conforme dispôs o art. 3o, II, da Lei n° 10.833/2003, (....) o cálculo de créditos está limitado aos bens e serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, no caso, exportados. o o combustível utilizado pela frota da empresa e os demais gastos gerais de fabricação não obedecem ao conceito de insumo estabelecido pela legislação, uma vez que não foram aplicados ou consumidos no processo de fabricação ou produção desenvolvido pela empresa, e, por isso, foram corretamente glosadas. o a contribuinte não se manifestou expressamente quanto á glosa de créditos calculados sobre o valor de mercadorias adquiridas com o fim especifica de exportação, passando a ser considerada matéria não impugnada e definitiva (art. 17 do decreto n. 70.235, de 1972). O Acórdão n.º 10.27.152, proferida pela respeitável 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre em 02/09/2010, ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Necessário que haja previsão legal/normativa para que os custos e ou despesas incorridos pela pessoa jurídica possam gerar créditos de PIS passíveis de ressarcimento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria que não for expressamente contestada tornase definitiva na esfera adminsitrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as razões apresentadas na manifestação de inconformidade, das quais, além das apontadas no resumo anterior deste relatório, reproduzo os seguintes trechos: o os incisos II do art. 3o da Lei n° 10.637/2002 c da Lei n° 10.833/2003 são taxativos ao permitir créditos sobre as aquisições de bens e serviços Fl. 407DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. o O entendimento de que tanto o frete gasto na aquisição de mercadorias, quanto o combustível, considerado custo direto de transporte, pode compor o somatório dos créditos de PIS e COFINS, já foi pacificado pela própria Receita Federal do Brasil, que através de diversas SOLUÇÕES DE CONSULTA; o A jurisprudência do Conselho de Contribuintes também é pacífica no sentido de reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de pessoas físicas para não ferir o princípio da nãocumulatividade na apuração dos valores devidos no regime do PIS e COFINS nãocumulativoS. o Para transportar as matériasprimas adquiridas dos estabelecimentos dos fornecedores até suas instalações industriais, a fiscalizada utilizase tanto de transportadoras contratadas, para as quais paga frete, como dos veículos próprios, pois possui uma frota de caminhões utilizados para este fim. O recurso chegou ao Conselho e foi submetido à sessão de 24/04/2012, quando, por unanimidade o julgamento foi convertido em diligência. Na Resolução n.º 3401 000.453 podemos ver que forma as seguintes as decisões tomadas pelo Colegiado: o No que tange aos insumos adquiridos de pessoas físicas e pelas despesas administrativas e comerciais, não conheço do recurso, uma vez que questões sobre a constitucionalidade das leis é de competência exclusiva do poder judiciário, não sendo a esfera administrativa competente para se pronunciar sobre este ponto. Corrobora este entendimento a Súmula CARF n° 2,..; o quanto às glosas sobre despesas com combustíveis merece êxito a demanda da recorrente, uma vez que a contribuinte defende o aproveitamento de créditos do COFINS para combustíveis e lubrificantes, pois, neste caso, eles utilizados na operação de entrega direta de produtos industrializados e vendidos pelo produtor/vendedor, o merece êxito a demanda da recorrente quanto às despesas com frete arcados pelo recorrente, pois integram o conceito de insumos e geram créditos dedutíveis do COFINS nãocumulativo devido mensalmente, assim, como as despesas com frete suportadas pelo contribuinte. o necessária uma diligência para que se apure o valor alimentação, análises/laudo técnico, assistência médica, combustível, despesas com transporte, despesas com veiculo, indumentária e material de trabalho, material de limpeza, pedágio, resíduos industriais, e sistema de tratamento de água; bem como a apresentação de documentação comprobatória que corrobore com a existência dos créditos pleiteados. Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal informou e propôs: o parte das despesas com alimentação e das despesas com transporte foram descontados dos funcionários em folha de pagamento, a título de vale refeição e vale transporte; a contribuinte não arcou com esses custos, devendo ser deduzida dos créditos relativos a essas despesas. 1º trimestre de 2008 valor descontado com alimentação valor descontado com transporte petição original valor total 48.660,19 15.246,00 parte com ônus da contribuinte 39.955,95 7.069,51 parte com ônus dos funcionários 8.704,24 8.176,49 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001020/200860 Acórdão n.º 3401003.000 S3C4T1 Fl. 5 7 o houve devolução de compra de parte das despesas com Análise e laudo técnico (R$ 81,00) e devolução de compra de parte das despesas com veículos (R$ 111,00), então não ocorreram esses custos e eles devem ser excluídos da base de cálculo dessas despesas, para se apurar os créditos; o parte das despesas com veículos se referem a pagamento do IPVA e licenciamento (R$ 29.244,09), e elas não poderiam gerar crédito uma vez que nelas não estão contidos pagamentos da contribuição; esses pagamento foram feitos a pessoa jurídica de direito público interno; o parte dos pagamentos para obter a prestação de serviços (R$ 31.644,00) foram feitos a pessoa jurídica isenta (Utresa Usina de Tratamento de Resíduos SA), não podendo gerar direito a crédito, consoante o que dispõe o inciso II do § 2º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; o Não foram apresentados documentos comprobatórios das despesas de pedágio (R$ 1.320,00) e despesas com combustíveis e lubrificantes (R$ 630,00), devendo por esse motivo serem glosados na apuração do crédito a partir dessas despesas. A autoridade fiscal conclui com quadro discriminando os valores das despesas, mês a mês, em atendimento à diligência solicitada. A contribuinte foi intimada dessa informação fiscal e das suas proposições, mas nada contestou. O processo retorna a este Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Prolegômenos O sentido de não cumulatividade para o PIS e para a COFINS e a lógica básica para sua apuração A Constituição Federal, em seu artigo 195, estabeleceu contribuições incidentes sobre as receitas ou faturamento do empregador, da empresa ou de entidade equiparada na forma da lei, cuja arrecadação desse tributo se constituiria em recursos a serem destinados a financiar a seguridade social. Ela, em seu § 12, atribuiu ao legislador ordinário a competência para a criação e o disciplinamento do regime de não cumulatividade dessas contribuições. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 A Constituição Federal cria a incidência desses tributos sobre a receita ou a faturamento. Mas, são as Leis n.º 10.637, de 2002, e n.º 10.833, de 2003 que trazem elementos para definir as hipóteses de incidência e as de exclusão ou isenção. Além disso, essas leis, regulam o PIS e a COFINS e pretendem vir ao encontro daquela previsão constitucional de um regime de não cumulatividade. Nesse sentido, elas trazem as regras para a determinação do valor devido dessas contribuições, e, para tanto, prevêem que o cálculo considere a redução por créditos apurados para fatores que concorreram para a obtenção dessa receita ou faturamento. A regra da não cumulatividade estatuída pelo inciso II, § 3º do artigo 153 da CF/1988 para o IPI não corresponde ao regime de não cumulatividade previsto pelo § 12 do artigo 195 da mesma CF. E mesmo as regras das Leis acima citadas, que se apresentam como sob o manto desse regime de não cumulatividade, não correspondem à lógica e regime previsto para o IPI. Mas o uso da mesma expressão pareceme pode causar confusão para os neófitos da matéria. Por isso propugno seja o regime de não cumulatividade do PIS e da COFINS considerado um regime próprio e distinto daquele reservado ao IPI. Para disciplinar o creditamento, que abate o valor devido, essas leis informam e disciplinam o creditamento para, por dedução ou abatimento, se determinar o valor devido dessas contribuições. O creditamento assim estabelecido pretende atender ao regime de não cumulatividade previsto na Constituição Federal e criado através das Leis aqui citadas. E, até o momento, este é um ponto central em minha compreensão a respeito dessa matéria: 1. a materialidade desse tributo está na receita tributável; 2. a materialidade da não cumulatividade está na relação de dependência da receita tributável para com a ocorrência do fator previsto em lei qual seja, corresponda à uma das hipóteses dos §§ e incisos do artigo 3º da Lei em tela; 3. logo, o direito de creditamento está reservado para os fatores em que esteja demonstrado ser ele necessário para a geração da receita tributável. Apesar de mal traçadas, essas breves considerações representam, a meu ver, a lógica da não cumulatividade do PIS e da COFINS expressa na leitura conjugada dos artigos dessas Leis. Não faz sentido que se possa gerar creditamento a partir da ocorrência de fatores que não tenham relação de causação ou de concorrência para com a geração da receita a ser tributada. Contradiz essa lógica ler os incisos e §§ do artigo 3º desconectados dos demais artigos da mesma Lei, principalmente os artigos 1º e 2º. Pressupostos para interpretar e identificar os insumos para o creditamento do PIS e da COFINS: Além dessas considerações gerais, ainda preciso me aproximar de outro aspecto central da matéria: a referência a insumo constante nessas leis. Grande controvérsia se instalou a respeito desse creditamento, especialmente quanto ao inciso II, que traz o seguinte texto: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata Fl. 410DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001020/200860 Acórdão n.º 3401003.000 S3C4T1 Fl. 6 9 o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Principalmente os debates se centram na definição de insumos para efeito dessa regra. Os estudiosos sintetizam relatando a existência de três correntes de interpretação e decisão: 1. a primeira que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do IPI, e constantes nas Instruções Normativas da Receita Federal que tratam do PIS e da COFINS, e circunscrevem insumos a matérias primas, produtos intermediário e material de embalagem; 2. a segunda que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do Imposto de Renda, e identificam e separam os custos e despesas das operações e os custos e despesas não operacionais; insumos seriam toda e qualquer custo ou despesa operacional da pessoa jurídica; 3. a terceira que entende que o PIS e a COFINS deve se pautar por conceitos e definições próprias, que acaba por se afastar da visão estreita da primeira e, também, da visão alargada da segunda. As duas primeiras perspectivas, (1º) para se tratar insumos no PIS e na COFINS a partir da legislação do IPI, malgrado ser a esposada pela Receita Federal em suas normativas, e (2ª) a que se alinha com a legislação do Imposto de Renda, vêm sendo questionadas recorrentemente. Decisões proferidas nas altas cortes administrativas vêm assentando o entendimento da 3ª perspectiva, de que o PIS e a COFINS demandam critérios próprios. Dentre essa decisões destaco o bem fundamentado voto do Ilmo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres na Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão n.º 930301.035: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o Fl. 411DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional.. Por causa dessas considerações que entendo: (a) não se poder limitar o creditamento aos conceitos e critério advindos da legislação do IPI. Os insumos não se limitam às matérias primas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem, e não se limitam à avaliação pela aplicação do critério de consumo/desgaste físico. Essa limitação não encontra sustentação no que dispôs a Constituição Federal e as Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a matéria; (b) não se pode acriticamente transpor para o creditamento do PIS e da COFINS os conceitos e regras da legislação do Imposto de Renda, pois, além de serem de materialidades distintas, essa legislação não se destina a tratar a hipótese de incidência do tributo contemplando a unidade de análise representada pela relação "insumo processoproduto/serviço destinados a venda", como é o caso do PIS e da COFINS. Fazme necessário esclarecer que entendo que produção abrange fabricação; mas o inverso não é verdadeiro: fabricação está contida em produção. E também industrialização está contida em produção. Mas nem fabricação, nem industrialização compreende a totalidade das possibilidades da produção. Quando se industrializa, se produz. Quando se fabrica, se produz. Mas há produções que não são industrialização e que não são fabricação. Produzir, em um sentido lato, é dar existência, gerar, fornecer, fazer, realizar, fabricar, manufaturar. Mas, para o âmbito da Lei em discussão, produzir subentende um agir Fl. 412DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001020/200860 Acórdão n.º 3401003.000 S3C4T1 Fl. 7 11 humano, deliberado e com propósito, e capaz de atrair interesse jurídico. Há criação resultante de um esforço físico e mental. Ainda para o âmbito da Lei em discussão, as atividades de produção de bens, regra geral, não se confundem com outras atividades do empreendimento, tais como: vendas, publicidade, comercialização, finanças, administração, pesquisa e desenvolvimento, projetos, e outras. Muito bem, prosseguindo: a meu ver, essas duas leis informam que dão direito a crédito os bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados a venda. Quando designam insumos, tenho como certo que se referem a fatores de produção, os fatores necessários para que os serviços possam estar em condições de serem prestados ou para que os bens e produtos possam ser obtidos em condições de serem destinados a venda. E quando afirmam que são os utilizados na prestação de serviços e na produção, depreendo que: são os utilizados na ação de prestar serviços ou na ação de produzir ou na ação de fabricar. Para se decidir que um bem ou serviço possa gerar crédito com relação a determinada receita tributada, há que se perquirir em que medida esse bem ou serviço é fator necessário para a prestação do serviço ou para o processo de produção do produto ou bem destinado a venda, e geradores, em última instância, da receita tributada. A meu sentir, não é o caso de restringir a que o bem ou serviço tenha sido utilizado como insumo do próprio produto a ser vendido ou do próprio serviço; ou que ele seja adstrito pelo principio do contato físico, ou do desgaste ou transformação. Embora o serviço prestado ou o produto vendido seja o alfa da obtenção da receita a ser tributada, a lei indica que o bem ou o serviço utilizado como insumo alcança a atividade de prestação do serviço ou a atividade de produção, direta ou indiretamente quanto ao produto vendido. Essa visão conjuga o "processo" e o "produto/serviço resultante do processo". Mas esses processos devem estar inequivocamente ligados ao serviço prestado ou ligados ao produto vendido. Para se justificar o creditamento, não basta demonstrar que os bens e serviços concorreram para o processo de produção, ou de fabricação, ou de prestação do serviço, mas é necessário em adição demonstrar para qual produto ou serviço aqueles fatores de produção ou insumos concorreram. Concluídas essas considerações introdutórias, sintome em condições de propor passar à análise das questões de mérito. Mérito propriamente dito I Da glosa dos bens utilizados como insumos A recorrente é uma empresa agroindustrial que apresenta como sua finalidade e atividade de empreendimento a exploração de peles de gado. Da análise do exposto nos prolegômenos acima, considero "insumos", para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos no tratamento de peles de gado, e que ele constitui processo de produção do qual resultam, principalmente, bens de consumo, feitos com pele de gado (ex.: bolsas, cintos, Fl. 413DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 12 sapatos) e destinado ao comércio, ou peles prontas (curtidas) para serem usadas em novo processo de transformação (ex.: indústrias de sapatos, de bolsas, etc). Também entendo que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tãosomente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo de tratamento das peles de gado. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Mas os dispositivos legais que estabelecem o PIS e a COFINS não invocaram a legislação do IPI ou do IRPJ para subsidiar a determinação do direito de creditamento. Por todas essas considerações feitas, proponho que não deve prevalecer a motivação da autoridade fiscal quando ela aplica apenas os conceitos da legislação do IPI para justificar as glosas. Nesse sentido, as possibilidades para se caracterizar insumos não se limitam a: · quando se tratar de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, bens esses que efetivamente compõem ou se agregam ao bem final da etapa de industrialização; · quando se tratar de outros bens quaisquer, os quais não se agregam ao bem final, desde que sofram alterações, como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em industrialização. · aos bens obtidos por processo industrial. No caso em discussão neste processo, há que se identificar que despesas e custos se referem aos fatores que se ligam comprovadamente a esse processo de produção. As informações presentes neste processo, a meu ver, permitem que formemos convicção a esse respeito. Despesas com combustíveis não utilizados como insumos A autoridade de jurisdição glosou estas despesas por entender que esses combustíveis e lubrificantes não podem gerar direito a crédito, pois não foram "utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda." (inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei n. 10.833, de 2003). A contribuinte explicou que essas despesas se referem a combustíveis que supriram os caminhões que transportaram os produtos por elas adquiridos. Os julgadores a quo entenderam pela manutenção da glosa por que eles não foram aplicados no processo de produção. A meu ver, o combustível e lubrificante usados nos caminhões para transportar os bens adquiridos até a contribuinte não se constitui em atividade do seu processo de produção, não podendo ser considerado insumo e justificar o direito a crédito por esse ângulo. Também não podem ser considerados como despesas relacionadas às vendas. Por isso, proponho não dar provimento ao recurso voluntário neste item. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001020/200860 Acórdão n.º 3401003.000 S3C4T1 Fl. 8 13 Gastos gerais de fabricação que não se enquadram no conceito de insumo: São eles, gastos com alimentação, análises e laudos técnicos, assistência médica, combustível empilhadeira, despesas com importação, despesas com transporte, despesas com veículos, indumentária e material de trabalho, laboratório, material de expediente, material de limpeza, material de segurança, pedágio, resíduos industriais, sistema de tratamento da água. Como pude explicar antes neste voto, os gastos, custos e encargos que podem dar direito a crédito são os relacionados a fatores necessários ao próprio processo de produção. E eles não se circunscrevem à estreiteza das definições hauridas da legislação do IPI, mas também não podem se estender tão largamente quanto as hauridas a partir da legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. A contribuinte se identifica como uma empresa tradicional no ramo da exploração de peles de gado. Depreendese que os gastos de fabricação glosados se referem à exploração de peles. Necessário, então, analisarmos a relação do motivo de cada um desses gastos com o processo de produção que trata as peles de gado, apoiandonos nas informações constantes do processo e no critério que esposamos para reconhecer o direito a crédito. Suponho que um processo de produção que explora as peles de gado compreende uma série de atividades, procedimentos e aplicação de produtos de tratamento das peles. Resumidamente, creio que o processo compreende esfola, conservação com cloreto de sódio, cal e produtos químicos, lavagens (ou remolhos), separação dos tecidos cartilaginoso, dérmico e outros (ex.: descarne, depilação, etc), laminação, purgação, acidificação, curtimento, acabamento, cortes. E que há uso intensivo de vários produtos químicos (ex.: cloreto de sódio, sais de crômio, antissépticos, cal, e outros) e de água. A natureza altamente perecível e deteriorável das peles, e a natureza dos tratamentos usados, justificam a necessidade de uso de indumentárias e equipamentos de segurança para os trabalhadores. A geração de resíduos também justifica que haja tratamento desse resíduos e da água utilizada ao longo desse processo de produção. Com essa breve descrição, concluo que me parece existir uma relação justificável com esse tipo de processo de produção os motivos de gastos representados pelos "laudos técnicos", "combustíveis com empilhadeiras", "indumentárias e materiais de trabalho", "material de segurança", "material de limpeza", "laboratório", "resíduos industriais" e "sistema de tratamento de águas". Para esses, proponho ao Colegiado dar provimento ao recurso voluntário, com os ajustes feitos pela autoridade fiscal em resposta à diligência. A informação fiscal em resposta à diligência solicitada por este colegiado nos dá conta que há uma compra de laudo técnico (R$ 81,00) que não se efetivou por que houve devolução. E também que houve a aquisição de serviços para tratamento de resíduos industriais (R$ 31.644,00) de empresa isenta, que não é contribuinte do tributo aqui em discussão. Em ambos a autoridade de jurisdição comenta que elas deverias ser glosadas da base de apuração do crédito. Concordo com ela, pois, de fato, um desses gastos não constituiu custo efetivo, e o outro se refere a operação isenta, hipóteses prevista na lei como exclusão da base de apuração do crédito. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 14 Entretanto, as demais despesas e gastos, "alimentação", "assistência médica", "despesas com importação", "despesas com transporte", "despesas com veículos", "material de expediente" e "pedágio", não identificoos como fatores do próprio processo de produção. Ademais, a contribuinte não traz aos autos informações que esclareçam como esses fatores se integram no processo de produção. Por exemplo: não há detalhamento de como o transporte e os veículos se integram no processo de tratamento das peles de gado. A contribuinte têm o ônus de provar o que alega, o que, a meu juízo, se aplica ao caso. A contribuinte deixou de instruir seu recurso com o que provaria suas alegações. Assim, por essas razões, com relação a essas despesas e gastos, proponho a este colegiado não dar provimento ao recurso voluntário. II Despesas com aquisição de bens e serviços junto a pessoas físicas: Pareceme que razão assiste à autoridade de jurisdição. O artigo 3º, §§ 2º e 3º, incisos I e II, da Lei n5 10.637/2002, e artigo 3º, §§ 2º e 3º, incisos I e II, da Lei n.º 10.833/2003, com a redação dos artigos alterada pela Lei n.º 10.865/2004, artigos 21 e 37, o direito a crédito se aplica exclusivamente aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas. Ademais, a contribuinte para defender a manutenção dessas despesas argumenta a inconstitucionalidade dessa limitação legal. Os julgadores a quo e este Colegiado, na Resolução anteriormente citada, não conheceram dessas argumentações, face o que dispõe a Súmula CARF 2. Proponho a este Colegiado, com relação a essas despesas pagas a pessoas físicas, não conhecer os argumentos de inconstitucionalidade por força da Súmula CARF 2 e não dar provimento ao recurso quanto aos demais argumentos. III Despesas administrativas e despesas com vendas (comerciais): Pareceme que razão assiste à autoridade de jurisdição. O artigo 3º, da Lei n5 10.637/2002, e artigo 3º da Lei n.º 10.833/2003, com a redação dos artigos alterada pela Lei n.º 10.865/2004, não prevêem o direito a crédito para despesas administrativas e despesas com vendas (comissões, cobrança, feiras, exposições, propaganda e publicidade) , conforme pude explicar anteriormente neste voto. Ademais, a contribuinte para defender a manutenção dessas despesas argumenta a inconstitucionalidade dessa limitação legal. Os julgadores a quo e este Colegiado, na Resolução anteriormente citada, não conheceram dessas argumentações, face o que dispõe a Súmula CARF 2. Proponho a este Colegiado, com relação a essas despesas administrativas e com vendas, não conhecer os argumentos de inconstitucionalidade por força da Súmula CARF 2 e não dar provimento ao recurso quanto aos demais argumentos, por falta de fundamentação na lei. Conclusão Em minha visão, se deve dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos deste voto. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 416DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13056.001020/200860 Acórdão n.º 3401003.000 S3C4T1 Fl. 9 15 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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