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Numero do processo: 10680.915604/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2002
DCTF PRAZO RETIFICAÇÃO
Extingue o direito de retificação da DCTF em 5 anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao qual se refere à declaração (§ 5º do artigo 9º da IN RFB nº 1.110/2010), diante do que o crédito tributário confessado passa a ser definitivo, inexistindo, portanto, direito creditório a pleitear.
RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO.
Numero da decisão: 3101-001.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 56 04 /2 00 9- 41 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.915604/200941 Acórdão n.º 3101001.449 S3C1T1 Fl. 32 2 Segundo o relatório de fls. 23 dos autos emanados da decisão DRJ/POA, por meio do voto do relator Marcio de Lacerda Martins: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 30/11/2002. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou, em 27/05/2009, manifestação de inconformidade de fls. 1 a 4, a seguir resumida. Alega que não há impedimento legal para a compensação de valores pagos a maior ou indevidamente e que os impedimentos estão arrolados no art.74 parágrafo 3° da Lei n° 9.430, de 1996, e que tem o direito de retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Requereu acolhimento de sua Manifestação de inconformidade. A luz do relato feito e da análise do presente processo, verificouse que o indeferimento do pedido, pela DRF de origem, foi motivado pelo fato de o pagamento mencionado no Per/Dcomp ter sido utilizado integralmente na quitação de débito de Cofins relativo a 30/11/2002. O contribuinte informa que providenciou a entrega de DCTF retificadora com o real valor devido de Cofins para o período em questão, gerando, assim, o crédito a ser compensado. De fato, verificouse que na DCTF retificadora, referente ao período de apuração de 30/11/2002, o contribuinte vincula parte do DARF discriminado no Per/Dcomp, restando saldo de crédito suficiente para compensar o débito indicado na declaração de compensação. A DCTF retificadora do período de 30/11/2002 foi transmitida pela empresa em 11/11/2009 e a Dipj retificadora, referente ao ano calendário 2002, foi entregue em 05/08/2009, ambas além do prazo legal, levandose em conta o disposto no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional (CTN). A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0234.839 de fls. 22 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Data do fato gerador: 31/11/2002 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.915604/200941 Acórdão n.º 3101001.449 S3C1T1 Fl. 33 3 Não tendo sido apresentada pelo contribuinte qualquer prova que demonstre a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si só, a DCTF retificadora como sendo instrumento hábil, capaz de conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido” A Recorrente apresentou um longo Recurso Voluntário, manifestando sua inconformidade e requerendo o provimento do seu recurso, para reconhecer que a DCTF enviada e aceita é legitima para validar o procedimento de compensação, gerando, assim o direito creditório e por consequência seja homologada a sua compensação, com o reconhecimento da validade da sua DCTF retificadora transmitida, mesmo como prova indiciária, como direito da contribuinte de excluir os medicamentos sujeitos à alíquota zero da base de cálculo do PIS e COFINS . É o relatório. Voto Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. O crédito objeto da presente compensação não homologada decorre de suposto pagamento a maior a título de COFINS, espécie de tributo sujeito ao lançamento por homologação, e portanto, jungido às regras previstas no art. 150, §§ 1º a 4º do CTN, segundo as quais, compreende como atividade do Contribuinte de apurar o montante do tributo devido e efetuar o recolhimento antecipado. Para estes casos, o crédito tributário propriamente dito constituise com a formalização da obrigação tributária mediante a apuração e entrega pelo sujeito passivo, da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais – DCTF. A DCTF, inicialmente denominada Declaração de Contribuições e Tributos Federais foi instituída pela IN SRF nº 129/1986 para prestação de informações de débitos, e, posteriormente, substituída pela Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais instituída pela já revogada IN SRF nº 126/1998, a qual, na época dos fatos, era regulamentada pela IN SRF nº 695/2006. O efeito de constituição do crédito e confissão de dívida das declarações prestadas pelo Contribuinte está previsto no § 1º do artigo 5º do DecretoLei nº 2.124/84: “Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.915604/200941 Acórdão n.º 3101001.449 S3C1T1 Fl. 34 4 § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.” Corroborando o Decretolei nº 2.341/84, foi editada a IN SRF nº 77/98 que veio justamente confirmar a constituição do crédito pela DCTF, determinando a remessa direta dos débitos declarados e não quitados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa: “Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” Ou seja, a DCTF, ato decorrente do lançamento por homologação, constitui confissão de dívida, tornando líquido e certo o crédito tributário declarado pelo sujeito passivo, cabendo ao Fisco homologar expressa ou tacitamente o lançamento. Assim, partindo do pressuposto de que a DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, tornandoo líquido e certo, por consequência lógica, basta o confronto dos valores constituídos em DCTF com o valor do pagamento para que se apure eventual recolhimento a maior ou indevido passível de restituição/compensação. No presente caso, alega a Recorrente que declarou e efetuou o recolhimento a maior a título de COFINS, cujo indébito surgiria com a retificação da DCTF. Ocorre que a DCTF não foi retificada pela Recorrente em tempo hábil, uma vez que, nos termos do §5º do artigo 9º da IN RFB nº 1.110/2010, a retificada só poderá ser feita dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados a partir do exercício seguinte ao qual deveria ter sido declarado: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.915604/200941 Acórdão n.º 3101001.449 S3C1T1 Fl. 35 5 A regra se coaduna com os prazos prescricionais previstos no CTN. Ora, se o direito creditório pleiteado na DCOMP referese à DCTF de nov/2002, a retificação (surgimento do indébito) poderia ter sido enviada até 31 de dezembro de 2007, o que de fato não ocorreu. A DCTF retificadora foi protocolizada pela Recorrente em 11/11/2009, portanto, foi apresentada após o transcurso do prazo para retificação. De modo que o crédito tributário confessado tornouse definitivo. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 77DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.915604/200941 Acórdão n.º 3101001.449 S3C1T1 Fl. 36 6 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.004614/2010-47
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - DECADÊNCIA - ARTS. 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 150, § 4º do CTN por se tratar de diferenças de recolhimento..
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - Os pagamentos de verbas à título de PLR que cumprem os requisitos previstos na Lei 10.101/2000 não devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias.
JORNADA SUPLEMENTAR - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - Em não havendo o pagamento de remuneração à título de horas extras, não há ocorrência de fato gerador, logo não há que se falar em incidência de contribuições sobre tais verbas.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.077
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos acolher a preliminar de decadência parcial para que sejam excluídos os valores lançados até a competência 02/2005. No mérito por maioria de votos, dar Provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão da negociação.
.
Carlos Alberto Mees Stringari,- Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - DECADÊNCIA - ARTS. 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 150, § 4º do CTN por se tratar de diferenças de recolhimento.. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - Os pagamentos de verbas à título de PLR que cumprem os requisitos previstos na Lei 10.101/2000 não devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. JORNADA SUPLEMENTAR - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - Em não havendo o pagamento de remuneração à título de horas extras, não há ocorrência de fato gerador, logo não há que se falar em incidência de contribuições sobre tais verbas. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos acolher a preliminar de decadência parcial para que sejam excluídos os valores lançados até a competência 02/2005. No mérito por maioria de votos, dar Provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão da negociação. . Carlos Alberto Mees Stringari,- Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECADÊNCIA ARTS. 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 150, § 4º do CTN por se tratar de diferenças de recolhimento.. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Os pagamentos de verbas à título de PLR que cumprem os requisitos previstos na Lei 10.101/2000 não devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. JORNADA SUPLEMENTAR NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Em não havendo o pagamento de remuneração à título de horas extras, não há ocorrência de fato gerador, logo não há que se falar em incidência de contribuições sobre tais verbas. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos acolher a preliminar de decadência parcial para que sejam excluídos os valores lançados até a competência 02/2005. No mérito por maioria de votos, dar Provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão da negociação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 46 14 /2 01 0- 47 Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 . Carlos Alberto Mees Stringari, Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.004614/201047 Acórdão n.º 2403002.077 S2C4T3 Fl. 1.115 3 Relatório Tratase Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, lavrado contra a empresa acima identificada, referentes à contribuição social correspondente à parte dos segurados, no período de 01/2005 a 12/2005, com ciência do contribuinte em 31/03/2010. De acordo com o Relatório Fiscal de fls 38/65, o lançamento teve por fatos geradores: a) Ajuda Alimentação; b) Contribuintes Individuais; c) Previdência Privada; d) o pagamento de Participação nos Resultados em desacordo com a Lei 10.101/2000, pago na competência 08/2005 e e) Levantamento JS Jornada Suplementar Bancário 01/2005 a 12/2005. Sobre a Participação nos Lucros ou Resultados a fiscalização efetuou o lançamento por entender que houve a ausência de participação da entidade sindical da categoria; falta de comprovação de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, bem como a ausência de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado na Convenção Coletiva de Trabalho. Desta forma, considerou as distribuições efetuadas com base naquela CCT como sendo pagamentos efetuados em desacordo com os requisitos legais para exclusão das contribuições previdenciárias, ou seja, mera verba que complementa o salário. Já sobre o levantamento JS, afirma a fiscalização que o fato gerador corresponde a remuneração devida e não paga aos empregados a título de horas extras e respectivo reflexo sobre o descanso semanal remunerado, provenientes da précontratação de horas extras dos bancários, em afronta ao disposto na súmula 199 do Tribunal Superior do Trabalho. Constatou a fiscalização, através da análise das folhas de pagamento e cartões de ponto, que as horas extras foram laboradas de forma continuada, descaracterizando, portanto, a excepcionalidade prevista na referida súmula. Com a apresentação da impugnação, a empresa Banco Rural S/A, reconheceu a procedência com relação aos levantamentos AA Ajuda Alimentação, A2 Ajuda Alimentação 2, Cl Contribuintes Individuais, C2 Contribuintes Individuais 2 e PP Previdência Privada, impugnando tão somente os valores cobrados a título de Participação nos Lucros e Jornada Suplementar. Foram cientificados ainda os seguintes sujeitos passivos solidários: a) Banco Simples S/A, CNPJ 10.995.587/000170; b) Rural Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S/A, CNPJ 17.360.777/000160; c) Investprev Seguros e Previdência S/A, CNPJ 17.479.056/000173; Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 d) Segurança Tratex Ltda, CNPJ 20.402.046/000144; e) Trapézio S/A, CNPJ 21.793.096/000162; f) Banco Rural de Investimentos S/A, CNPJ 32.173.023/000194; g) Banco Rural Mais S/A, CNPJ 33.074.683/000180 e h) Rural Seguradora S/A, CNPJ 42.366.302/000128. Inconformada com Decisão de primeira instância (fls. 436/447), apenas a empresa Banco Rural S/A, apresentou recurso onde alega em apertada síntese: Que deve ser aplicada a decadência qüinqüenal das parcelas relativas às competências 01/2005 e 02/2005, com base no art. 150, § 4º do CTN. Afirma que a Participação nos Lucros e Resultados – PLR, por determinação constitucional, não possui natureza salarial e, portanto, não deve proceder a pretensão fiscal. Cita o art. 7º, inciso XI da Constituição Federal para defender a não incidência de contribuição social sobre o pagamento de valores à título de participação nos lucros, sendo o requisito essencial, a existência de lucros e resultados a serem compartilhados com o empregado e que qualquer outra condição decorrente de legislação ordinária, que torne impeditivo o gozo de direito garantido pela Constituição Federal deve ser entendida como inconstitucional. Colaciona comentários da doutrina e jurisprudência de tribunais para sustentar a desvinculação da PLR da remuneração do trabalhador. Sustenta que o argumento da fiscalização de que não havia comprovação da negociação prévia entre a recorrente e seus funcionários, contrariando requisito inserido na Lei 10.101/00, está equivocado, pois, ao contrário do entendimento fiscal, as necessárias negociações entre empresa e empregados foram, sim, realizadas, conforme se verifica da "Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos" celebrada, para o exercício autuado, com a participação da Federação Nacional dos Bancos e a Confederação Nacional dos Bancários. Afirma que na referida Convenção estão estabelecidos todos os critérios necessários a tal finalidade, em claro atendimento ao disposto na aludida Lei n.9 10.101/00 e a participação foi regularmente disponibilizada às autoridades administrativas responsáveis pela presente autuação, o que se extrai do próprio relatório fiscal. Sobre o levantamento efetuado, denominado Jornada Suplementar, diz ser inaplicável a Súmula 199 do Tribunal Superior do Trabalho ante a inexistência de pré contratação de horas extras. Esclarece os contratos de trabalho celebrados entre a Recorrente e seus empregados, no momento da contratação, estabelecem, expressamente, a jornada de trabalho prevista em lei para os bancários seis horas, o que já seria suficiente para afastar a aplicação da Súmula nº 199 do TST, já que, de acordo com a redação da referida Súmula, é considerada nula a contratação de horas extras quando da admissão do trabalhador bancário. Defende que no momento da celebração do contrato, a jornada prevista e efetivamente cumprida pelos empregados era de 06 (seis) horas. Somente quando havia Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.004614/201047 Acórdão n.º 2403002.077 S2C4T3 Fl. 1.116 5 necessidade e após o término do período de experiência, é que os empregados trabalhavam 08 (oito) horas sendo as 02 (duas) horas suplementares remuneradas como extraordinárias, nos termos da legislação em vigor. Argumenta que, somente resta configurada a précontratação quando as horas extras são pactuadas no momento da admissão do bancário, não se configurando pré contratação a pactuação das horas extraordinárias após a admissão do bancário, logo, indevida a cobrança de contribuição sobre tais verbas. Requer o provimento do recurso cancelando o presente Auto de Infração. É o relatório. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Antes da apreciação da decadência suscitada pela recorrente há alguns aspectos que devem ser previamente analisados. No presente caso o a notificação foi lavrada em março de 2010, conforme se verifica as fls. 02 e as contribuições mantidas pela decisão de primeira instância referemse às competências 01/2005 a 12/2005, o que fulminaria parcialmente o direito do fisco de constituir o lançamento, com base no art. 150, § 4º do CTN, uma vez que houve a cobrança, na presente autuação, de diferenças de recolhimento. Ocorre que, conforme consta no relatório fiscal que serviu de esteio para o entendimento da decisão recorrida, houve a verificação da ocorrência de simulação por parte da recorrente ao realizar contratos aditivos com seus funcionários para fixação de horas suplementares de trabalho. A afirmativa da fiscalização foi baseada na representação administrativa encaminhada pela fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego MTE / Delegacia Regional do Trabalho / MG, mediante a qual aquele órgão noticia indício de ocorrência de fato gerador de contribuições previdenciárias, tendo em vista a constatação de irregularidade na prorrogação da jornada suplementar de seus empregados, em flagrante afronta ao enunciado da Súmula 199 do TST, da qual resultou na Notificação Fiscal para Recolhimento do Fundo de Garantia e da Contribuição Social – NFGC de n°. 506.136.655, bem como o Auto de Infração AI de n°. 014840103, lavrados pela fiscalização do MTE. A auditoria fiscal do Ministério do Trabalho concluiu que houve uma simulação na contratação da jornada suplementar dos empregados do Banco Rural, conforme consta no Relatório Fiscal do AI acima mencionado e que fora transcrito no RF da presente autuação. Logo, deve ser apreciado o lançamento denominado Jornada Suplementar – JS antes de se decidir qual dispositivo do CTN deve ser aplicado na contagem do prazo decadencial, se o art. 173, I ou 150, § 4º. DA JORNADA SUPLEMENTAR JS A fiscalização efetuou o lançamento de valores pagos à título de jornada suplementar por entender que tais pagamentos contrariam o disposto na Súmula 199 do Superior Tribunal do Trabalho uma vez que constatou irregularidade na prorrogação da jornada suplementar dos empregados da recorrente. Em seu recurso, a Recorrente afirma que os contratos de trabalho celebrados entre ela e seus empregados, no momento da contratação, estabelecem, expressamente, a jornada de trabalho prevista em lei para os bancários seis horas, o que já seria suficiente para afastar a aplicação da Súmula nº 199 do TST. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.004614/201047 Acórdão n.º 2403002.077 S2C4T3 Fl. 1.117 7 Vejamos o que diz referida Súmula: “Súmula 199. Bancário. Précontratação de horas extras. I A contratação do serviço suplementar, quando da admissão do trabalhador bancário é nula. Os valores assim ajustados apenas remuneram a jornada normal, sendo devidas as horas extras com o adicional de, no mínimo, 50% (cinqüenta por cento), as quais não configuram précontratação, se pactuadas após a admissão do bancário. II Em se tratando de horas extras précontratadas, operase a prescrição total se a ação não for ajuizada no prazo de cinco anos, a partir da data em que foram suprimidas." De acordo com o relatório fiscal da presente autuação, baseado no entendimento da auditoria fiscal do Ministério do Trabalho que concluiu que houve uma simulação na contratação da jornada suplementar dos empregados do Banco Rural, a fiscalização no item 5.1 do REFISC assim se manifestou: 2.5.1.1 O fato gerador corresponde a remuneração devida e não paga aos empregados a título de horas extras e respectivo reflexo sobre o descanso semanal remunerado, provenientes da précontratação de horas extras dos bancários, em afronta ao disposto na súmula 199 do Tribunal Superior do Trabalho.(grifei). Já a mencionada conclusão da auditoria fiscal do Ministério do Trabalho, em um dos trechos de seu relatório transcrito às fls 69 dos presentes autos, afirma: "Compulsando a documentação apresentada pela instituição financeira constatamos, ainda, que ela não remunerou as horas suplementares laboradas pelos seus empregados, infração esta com reflexos sobre o descanso semanal remunerado, FGTS e contribuição social mensal e outras parcelas contratuais.(grifo nosso) ... Ou seja, ambos relatórios são claros ao afirmar que a autuada não efetuou o pagamento de remuneração sobre as horas extras laboradas por seus empregados. Indiferente da pré contratação ou não da jornada suplementar, para fins previdenciários o presente levantamento não merece prosperar. A Constituição Federal ao tratar do financiamento da seguridade social, traz em seu art. 195, I, “a” a seguinte redação: Art. 195 A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; Da mesma maneira, a Lei 8212/91 define no art. 11, parágrafo único, alínea “a” qual a receita das empresas constitui contribuição social, vejamos: Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço Ora, tanto o texto constitucional quanto o da lei ordinária são claros quando definem que a incidência de contribuição previdenciária ocorrerá quando do pagamento ou crédito de valores aos trabalhadores da empresa. Logo, o fato gerador da contribuição previdenciária é o pagamento, pelo empregador, de valores à pessoa física que lhe preste serviços e, em decorrência disso, ele só surge no momento do recebimento de valores devidos aos segurados em decorrência do trabalho prestado. A jurisprudência majoritária também tem se posicionado no sentido de que o fato gerador da contribuição previdenciária decorre do efetivo pagamento do crédito ao empregado, senão vejamos: AGRAVO DE INSTRUMENTO EXECUÇÃO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FATO GERADOR JUROS DE MORA E MULTA NÃO PROVIMENTO 1 Nos termos da jurisprudência consolidada desta Corte Superior, o fato gerador da contribuição previdenciária é o pagamento do crédito devido ao empregado e não a data da efetiva prestação dos serviços. 2 Recurso de revista obstado pela Súmula nº 333. 3 Agravo de instrumento a que se nega provimento. (TST AIRR 2788/20050310240.3 Rel. Min. Guilherme Augusto Caputo Bastos DJe 21.05.2010 p. 1601) FATO GERADOR DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA E MULTA SOBRE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ÓBICE DA SÚMULA 333 DO TST 1 Consoante a jurisprudência consolidada desta Corte superior, o fato gerador da contribuição previdenciária é o pagamento do crédito devido ao empregado e não a data da efetiva prestação dos serviços, sendo que os juros e a multa moratória incidirão apenas a partir do dia dois do mês seguinte ao da liquidação da sentença (TST AIRR333/20050130340.6, Rel. Min. Lelio Bentes Corrêa, 1ª Turma, DJ de 29/08/08; TSTAIRR3.569/19970161240.3, Rel. Min. Simpliciano Fernandes, 2ª Turma, DJ de 06/02/09; TST AIRR782/20011261541.2, Rel. Min. Carlos Alberto, 3ª Turma, DJ de 13/02/09; TSTRR668/20061141540.4, Rel. Min. Maria Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.004614/201047 Acórdão n.º 2403002.077 S2C4T3 Fl. 1.118 9 de Assis Calsing, 4ª Turma, DJ de 20/02/09; TSTRR729/2002 0220340.1, Rel. Min. Emmanoel Pereira, 5ª Turma, DJ de 17/10/08; TSTRR11/20050291585.5, Rel. Min. Aloysio Corrêa da Veiga, 6ª Turma, DJ de 12/12/08; TSTAIRR 678/20061141540.0, Rel. Min. Caputo Bastos, 7ª Turma, DJ de 03/10/08; TSTAIRR1.404/20051050340.1, Rel. Min. Dora Maria da Costa, 8ª Turma, DJ de 28/11/08). 2 Assim sendo, a decisão recorrida não merece reforma, pois proferida em consonância com o entendimento atual e dominante desta Corte, incidindo, portanto, sobre o recurso de revista o óbice da Súmula 333 do TST. Recurso de revista não conhecido. (TST RR 17130097.2007.5.20 Relª Minª Maria Doralice Novaes DJe 09.04.2010 p. 1712) RECURSO DE REVISTA FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA E MULTA Não há falar na incidência de juros de mora e multa a partir da prestação dos serviços, porquanto o fato gerador da contribuição previdenciária é o pagamento do crédito ao empregado. Precedentes do TST. Recurso de Revista não conhecido. (TST RR 4754/2006153 1500 Relª Minª Maria Cristina Irigoyen Peduzzi DJe 23.10.2009 p. 1429) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FATO GERADOR "Considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos, tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída (CTN, art. 116, II). O recolhimento previdenciário, na hipótese, decorre do montante do acordo homologado, realizado no processo cognitivo, não do período em que vigeu o contrato de trabalho. Portanto, não há falar em aplicação de juros, calculados pela taxa SELIC, acrescidos de multa e correção monetária desde a prestação dos serviços, já que o marco inicial para o referido recolhimento se deu com a celebração do acordo. Não há qualquer fundamento jurídico ou norma legal que autorize a cobrança de juros e de correção monetária anteriormente à constituição do próprio crédito trabalhista". Agravo de petição a que se nega provimento. (TRT02ª R. AP 01296200706902000 (20090314195) 11ª T. Relª Juíza Dora Vaz Treviño DOE/SP 08.05.2009) Ou seja, na legislação previdenciária a incidência de contribuição depende da ocorrência do fato gerador, qual seja, o pagamento de valores caracterizados como de natureza remuneratória. No caso em apreço, conforme se depreende do Relatório Fiscal, não houve o pagamento de remuneração à título de horas extras, logo não há que se falar em incidência de contribuições sobre tais verbas. Tal incidência só ocorreria caso o trabalhador pleiteasse tais verbas junto à Justiça do Trabalho e tivesse êxito na demanda, ocasião em que a contribuição passaria a ser devida: FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COBRANÇA DE OFÍCIO O fato gerador da contribuição Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 previdenciária é o acordo ou a sentença condenatória, quando houve efetiva constituição do crédito trabalhista, que se revela como hipótese de incidência do tributo previdenciário, com a determinação de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as parcelas de condenação ou acordo que as tornaram exigíveis, aplicandose o regime de caixa (a partir da constituição do crédito) e não o regime de competência (a partir da vigência da relação laboral). (TRT02ª R. AP 00462200501302018 (20090333750) 4ª T. Rel. Juiz Ricardo Artur Costa e Trigueiros DOE/SP 15.05.2009) Desta forma os valores cobrados à título de Jornada Suplementar devem ser excluídos do presente lançamento e como não são devidas tais contribuições, também não há que se falar em simulação por parte da recorrente, devendo ser acolhida a preliminar de decadência com base no art. 150, § 4º do CTN. Com o a notificação foi lavrada em março de 2010, devem ser excluídos os valores lançados até a competência 02/2005. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PLR A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; A legislação específica de que trata referido a alínea acima transcrita é a Lei 10.101/2000. No presente caso, transcrevemos os dispositivos da lei que a fiscalização e a DRJ entenderam ter sido infringidos: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.004614/201047 Acórdão n.º 2403002.077 S2C4T3 Fl. 1.119 11 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2 O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art.3º A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) §2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil Tratemos então da análise apartada das razões que levaram o órgão julgador de primeira instância a manter os levantamentos ora combatidos. I –PLR sem a participação dos Sindicatos Discordo da decisão de primeira instância com relação a ausência de representante sindical nos Planos realizados pela recorrente. É certo que tanto a legislação quanto a jurisprudência administrativa são direcionadas no sentido de ser obrigatória a participação do sindicato na negociação de PLR, para que não incida contribuições sobre as parcelas pagas à este título. Este assunto foi tratado no Acórdão nº 920200503, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 09/03/2010, de relatoria do conselheiro Elias Sampaio Freire, que assim tratou a matéria: “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. A teor do art. 7º, XI, da Constituição, constitui direito dos trabalhadores urbanos e rurais a "participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei". Devem set tributadas parcelas distribuídas a título de participação nos lucros ou resultados ao arrepio da legislação federal. Os critérios para a fixação dos direitos de participação nos resultados da empresa devem ser fixados, soberanamente, pelas partes interessadas. O termo usado podendo é próprio das normas facultativas, não das normas cogentes. A lei não determina que, entre tais critérios, se incluam os arrolados nos Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 incisos I (índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa) e II (programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente) do § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00, apenas o autoriza ou sugere. A Constituição reconhece amplamente a validade das convenções e acordos coletivos de trabalho (art. 7º, XXVI) e a função da negociação coletiva é obter melhores condições de trabalho e cobrir os espaços que a lei deixa em branco. O legislador ordinário, procurando não interferir nas relações entre a empresa e seus empregados e atento ao verdadeiro conteúdo do inciso XI do art. 7º da Constituição, limitouse a prever que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. A lei não prevê a obrigatoriedade de que no acordo coletivo negociado haja a expressa previsão fixação do percentual ou montante a ser distribuído em cada exercício. Existe sim, a obrigação de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas. Considerando as cláusulas do acordo coletivo firmado há de se concluir que foram atendidas as exigências de que dos instrumentos decorrentes da negociação entre empregador e empregados constem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo O legislador não fez previsão de exigência no sentido de que as parcelas pagas a título de participação de lucros ou resultados fossem extensivas a todos os empregados da empresa para que houvesse a não incidência de contribuição previdenciária. Para que não haja incidência de contribuições previdenciárias, a PLR paga a empregados deve resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo.(grifei) O enquadramento sindical deve levar em consideração a base territorial do local da prestação dos serviços. Esta regra deve ser ressalvada quando se tornar necessária a observância dos princípios constitucionais que prescrevem a irredutibilidade de salários e do direito adquirido e, ainda, na hipótese de transferência temporária do empregado. (...) Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.004614/201047 Acórdão n.º 2403002.077 S2C4T3 Fl. 1.120 13 No presente caso, a Convenção Coletiva de Trabalho foi celebrada pela Federação Nacional dos Bancos e a Confederação Nacional dos Bancários. Desta forma, ao contrário do que entendeu o Acórdão proferido pela DRJ, entendo que com relação ao à PLR em questão, houve sim a participação sindical, através das entidades representativa das classes. Ao contrário do que entendeu a fiscalização e a decisão de primeira instância, não vejo a necessidade da participação dos sindicatos de todas as regiões onde se localizam as agências da recorrente. Isto aliás, poderia até inviabilizar a realização dos acordos. II – Falta de comprovação de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente e de regras claras e objetivas Com relação a estes aspectos, os argumentos adotados pela Decisão de primeira instância também não devem ser considerados como corretos. Analisando a convenção anexada aos autos, vislumbrase requisitos contendo regras e critérios que possibilitam ao trabalhador a saber quando e quanto poderão receber a título de participação nos lucros. O texto da convenção define percentuais mínimos e máximos de valores a serem pagos a título de participação nos lucros, quem se beneficiará da verba, inclusive aqueles que foram admitidos no decorrer do ano calendário e os que forem dispensados durante o exercício. Vejamos o que diz a cláusula em questão: CLÁUSULA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (P.L.R) Ao empregado admitido até 31.12.2003, em efetivo exercício em 31.12.2004, convencionase o pagamento, pelo banco, até 03.03.2005, de 80% (oitenta por cento) sobre o saláriobase mais verbas fixas de natureza salarial, reajustadas em setembro/2004, acrescido do valor fixo de RS 705,00 (setecentos e cinco reais), limitado ao valor de R$ 5.010.00 (cinco mil e dez reais). PARÁGRAFO PRIMEIRO O percentual, o valor fixo e o limite máximo convencionados no "caput" desta Cláusula, a título de Participação nos Lucros ou Resultados, observarão, em face do exercício de 2004, como teto o percentual de 15% (quinze por cento) e, como mínimo, o percentual de 5% (cinco por cento) do lucro líquido do banco. Quando o total de Participação nos Lucros ou Resultados calculado pela regra básica do "caput'" desta Cláusula for inferior a 5% (cinco por cento) do lucro líquido do banco, no exercício de 2004, o valor individual deverá ser majorado até alcançar 2 (dois) salários do empregado e limitado ao valor de RS 10.020,00 (dez mil e vinte reais), ou até que o total da Participação nos Lucros ou Resultados atinja 5% (cinco por cento) do lucro líquido, o que ocorrer primeiro. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 PARÁGRAFO SEGUNDO No pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser pagos, a esse título, referentes ao exercício de 2004. PARAGRAFO TERCEIRO O empregado admitido até 31.12.2003 e que se afastou a partir de 01.2004, por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, faz jus ao pagamento integral da Participação nos Lucros ou Resultados, ora estabelecido. PARÁGRAFO QUARTO Ao empregado admitido a partir de 01/.2004, com efetivo exercício em 31.12.2004, mesmo que afastado por doença, acidente do trabalho ou licença maternidade, será efetuado o pagamento dc 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido, por mês trabalhado ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. Ao afastado por doença, acidente do trabalho ou auxíliomaternidade fica vedado à dedução do período de afastamento para cômputo da proporcionalidade. PARÁGRAFO QUINTO Ao empregado que lenha sido ou venha a ser dispensado sem justa causa, entre 02.08.2004 c 31.12.2004, será devido o pagamento, até 03.03.2005, de 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido no "caput". por mês trabalhado, ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. PARÁGRAFO SEXTO O banco que apresentar prejuízo no exercício de 2004 (balanço de 31.12.2004) estará isento do pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados. PARÁGRAFO SÉTIMO A participação nos lucros ou resultados prevista nesta Convenção Coletiva de Trabalho referese ao exercício de 2004. atende ao disposto na Lei n° 10.101, de 19.12.2000, não constitui base de incidência de nenhum encargo trabalhista ou previdenciário por ser desvinculada da remuneração, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade, porém tributável para efeito de imposto de renda, conforme legislação em vigor. Ou seja, a lei não define o que seja regra clara e metas específicas, apenas sugere que os trabalhadores devam saber o que deverá ocorrer para o gozo do benefício. Ademais, tratase de um benefício cujo qual vem sendo oferecido aos trabalhadores ao longo dos anos, o que faz com que estes já saibam quais as condições devem cumprir. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO para, acolher a preliminar de decadência parcial para que sejam excluídos os valores lançados até a competência 02/2005 e no mérito Darlhe Provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.004614/201047 Acórdão n.º 2403002.077 S2C4T3 Fl. 1.121 15 Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10950.902902/2009-43
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado
Numero da decisão: 1802-001.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 29 02 /2 00 9- 43 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba – DRJCTA, a qual julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade interposta, não homologando da declaração de compensação número 42767.79730.171007.1.7.044108. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Trata o processo de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n° 42767.79730.171007.1.7.044108, às fls. 01/05, em que foram declarados créditos de pagamento indevido de estimativa de IRPJ (código 2362) do período 04/2005, pago em 31/05/2005, no valor originário de R$ 2.035,55, e debito de estimativa de IRPJ (código 5993) do período 01/2006. 2. Conforme Despacho Decisório emitido pela DRF/Maringá, em 20/04/2009, à fl. 06, a autoridade fiscal não homologou a compensação. Cientificado da decisão em 30/04/2009, conforme informação de fl. 09, tempestivamente, em 01/06/2009, o contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 10/13, acompanhada dos documentos de fls. 14/76, que se resume a seguir: a. Alega que, no ano calendário de 2005, optou pelo lucro real anual, e efetuou, nos períodos de janeiro a agosto, pagamentos de IRPJ por estimativa com base na receita bruta, e a partir de setembro, levantou balancetes de suspensão, pois os valores pagos com base na receita bruta já superavam o IRPJ devido, apurado com base no lucro real; b. Explica que, nos meses de matgo, abril, maio, junho e julho de 2005, os pagamentos por estimativa foram feitos em valores superiores aos devidos com base na receita bruta, e estes excessos não foram utilizados no final do período de apuração, ou seja, em dezembro de 2005, tampouco compuseram o saldo negativo do IRPJ do período, apurado na DIPJ/2006, portanto, sem qualquer sombra de dúvida, tratamse de pagamentos indevidos; c. Esclarece que os valores efetivamente devidos durante o ano calendário de 2005 foram regular e tempestivamente declarados nas DCTFs dos primeiro e segundo semestres, bem como na DIPJ do ano; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10950.902902/200943 Acórdão n.º 1802001.822 S1TE02 Fl. 101 3 d. Afirma que os créditos gerados pelos pagamentos indevidos em questão foram utilizados em compensações através das Per/Dcomps: 10946.60190.121206.1.7.042276, 42767.79730.171007.1.7.044108, 07345.90110.121206.1.7.043360, 21912.97327.121206.1.7.046259 e 31928.77930.121206.1.7.047603, com débitos de IRPJ e CSLL devidos a partir do período de apuração janeiro/2006, portanto, as compensações somente se efetivaram a partir do exercício seguinte; e. Anexa demonstrativo dos pagamentos a maior e das compensações por período de apuração; f. Frisa que a autoridade fiscal não contestou os valores pagos, cujos recolhimentos geraram os créditos, depreendendose serem os mesmos procedentes, e portanto, compensáveis; g. Para a compensação de que houve pagamentos a maior, junta cópia das fichas relativas ao IRPJ da DIPJ/2006, das DCTFs do primeiro e segundo semestres de 2005 e do livro razão do ano 2005, onde se encontram escriturados os valores devidos e efetivamente recolhidos a titulo de IRPJ, bem como os valores pagos indevidamente; h. Reclama que o auditor fiscal não homologou as compensações sob a alegação de se tratarem os créditos de pagamentos por estimativa, os quais só poderiam ser utilizados no mês de dezembro ou para compor o saldo negativo do IRPJ do próprio exercício; i. Reitera que não se tratam meramente de pagamentos por estimativa, mas sim de pagamentos por estimativas indevidos, ou seja, pagos em valores maiores que os devidos por estimativa; j. Acrescenta que no ano 2005, já no mês de agosto, havia pago IRPJ em valor superior ao efetivamente devido com base no lucro real, fato que se repetiu nos meses seguintes; e que na DIPJ não há linhas disponíveis para lançamentos de valores pagos a maior que os devidos por estimativa; k. Questiona se os valores pagos e comprovadamente indevidos não poderão ser compensados com débitos mesmo que de exercícios futuros; I. Aduz que os créditos utilizados nas Per/Dcomps originaramse de pagamentos de tributos federais (IRPJ) a maior ou indevidamente, portanto, passíveis de compensação, conforme preceitua o art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637/2002; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 4 m. Requer a homologação das compensações c anexa documentos. 3. É o relatório.” Em sua decisão, a DRJCTA houve por bem não reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, conforme ementa transcrita abaixo: “COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ OU CSLL. VIGÊNCIA DA 1N/SRF N° 600/2005. IMPOSSIBILIDADE. Na vigência da IN/SRF n° 600/2005, o pagamento indevido de estimativas de IRPJ ou CSLL somente poderá ser utilizado ao final do período, para ser deduzido na apuração do tributo devido, sendo irrelevante a revogação da limitação pela IN RFB n° 900/2008, a qual não retroage, por força da regra de direito intertemporal do tempus regit actus.” Ante a improcedência da Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte, em sede recursal, pleiteia a reforma do julgado, para que seja reconhecido o crédito contido na declaração de compensação submetida e, consequentemente, seja esta última homologada. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho Da Admissibilidade A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 15.10.2011, conforme aviso de recebimento e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 04.11.2011, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Do Mérito Durante a construção da sua tese de defesa, a Recorrente alega que restou comprovado nos documentos apresentados perante a Delegacia Regional de Julgamento a existência do crédito tributário, decorrente do pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJEstimativa (código 2362), do período de 04/2005, recolhido em 31/05/2005, no valor Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10950.902902/200943 Acórdão n.º 1802001.822 S1TE02 Fl. 102 5 original de R$2.035,55, sendo assim, não haveria motivo para não homologação da Per/Dcomp nº 42767.79730.171007.1.7.044108. A decisão da DRJ concluiu que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário. Em seu recurso voluntário, a Recorrente alega que a existência do recolhimento a maior da estimativa mensal de IRPJ, seria suficiente para embasar o pedido de compensação. À época em que a compensação foi processada encontravase em vigor a Instrução Normativa nº 460/2004, que em seu artigo 10 previa a impossibilidade de compensação em caso de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal e, quando do julgamento se encontrava em vigor a Instrução Normativa nº 600/2005, que em seu artigo 10, reproduzia de forma integral o preceito da Instrução Normativa nº 460/2004, também vedando a possibilidade de compensação do pagamento a maior efetuado a título de estimativa. Sobre os mencionados atos normativos deve ser admitida, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Portanto, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: ... Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 6 I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Sobre essa matéria, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula no. 84, em 10.12.2012, com o seguinte teor: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10950.902902/200943 Acórdão n.º 1802001.822 S1TE02 Fl. 103 7 Súmula 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como visto, os fundamentos para o indeferimento do PERDCOMP, por si só, tanto pela DRF, quanto pela DRJ, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário NacionalCTN). Nesse sentido, ante a documentação acostada dos autos, não fora possível aferir qual valor das estimativas levado para compor o ajuste final. Desta forma, tornase inviável, nessa fase processual, a análise quanto ao crédito alegado e conseqüente compensação pleiteada. Porém, a motivação para o indeferimento do pleito tanto pela autoridade administrativa da Receita Federal, quanto pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9430/96. Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado objeto do PERDCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem para análise do PERDCOMP no. 42767.79730.171007.1.7.044108, e, proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se for o caso. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 8 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 10875.902969/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, a advogada Liliane Patrícia Lima, OAB/DF nº. 31.749.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, a advogada Liliane Patrícia Lima, OAB/DF nº. 31.749. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto pela Recorrente contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas que, por unanimidade de votos, não homologou o crédito tributário. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 02 96 9/ 20 08 -4 7 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10875.902969/200847 Resolução nº 3202000.139 S3C2T2 Fl. 263 2 Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela DRJ/Campinas: Tratase de Manifestação de Inconformidade, proposta em razão da expedição de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação Eletrônica ("PER/DCOMP"), cujos dados são os seguintes: ... O Despacho Decisório assim fundamentou a não homologação da compensação pretendida pelo Contribuinte: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, ..., mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado o Despacho Decisório, o Contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade, afirmando que seria detentor do crédito declarado, já que teria realizado recolhimento a maior e que teria, inclusive, retificado a respectiva DCTF, da qual apresenta cópia. Requer o acolhimento da Manifestação de Inconformidade, porque estaria "... demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito". Este é o Relatório. A ementa do acórdão da DRJ/Campinas é a seguinte: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO COMPENSADO Declaração de compensação, sem que o respectivo crédito esteja prévia e devidamente formalizado pelo Contribuinte, segundo os mecanismos institucionais e informatizados de controle da competente Autoridade Administrativa. No âmbito do processo administrativo fiscal, é pressuposto indispensável a efetivação da compensação a comprovação da existência e da demonstração do respectivo crédito. A mera alegação da sua existência, desacompanhada de provas, não basta para sua comprovação, por desatender As disposições do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. É o Relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10875.902969/200847 Resolução nº 3202000.139 S3C2T2 Fl. 264 3 Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão central é fato de a Recorrente ter retificado DCTF após a prolação de despacho decisório, sendo que, com isso, teria realizado recolhimento a maior de tributo. O artigo 9º da IN RFB 1.110/2010 permite a retificação de DCTF a qualquer momento antes da remessa do débito para a PGFN, senão vejamos: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10875.902969/200847 Resolução nº 3202000.139 S3C2T2 Fl. 265 4 II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal Ora, a forma não pode prevalecer sobre a essência. Pelo que consta dos autos, pareceme que o ponto central do litígio decorre da existência ou não do crédito alegado pela Recorrente. Desse modo, converto o julgamento em diligência para que a DRF competente verifique e confirme, à luz da DCTF retificadora apresentada, a existência ou não do crédito alegado pela Recorrente nestes autos. Após a realização da(s) diligência(s), é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 265DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10880.720724/2013-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. ARRECADAÇÃO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Pratica infração a empresa que deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais conforme o disposto na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., "caput" e no Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alinea " a " .
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Na forma do art. 17 do Decreto 70.235, de 1972, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.( Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997).
Também o art. 58 do Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011 tem a mesma exegese.
VALE-TRANSPORTE EM DINHEIRO.
A Advocacia Geral da União, seguindo orientação ditada na decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 478.410/SP, que considerou inconstitucional a tributação previdenciária incidente sobre vale transporte pago em pecúnia, tendo em vista sua natureza indenizatória. Com base nisto, editou a Súmula 60, de 08 de dezembro de 2011, verbis: Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba .
VERBA PARA MANUTENÇÃO DE UNIFORMES.
Os valores entregues aos empregados a título de manutenção dos uniformes providos pela empresa integram o salário-de-contribuição das contribuições previdenciárias, por não constarem do rol das verbas excluídas de incidência. Lei 8.212/91, art. 28.
É procedente alegar que disposições contidas em convenções coletivas de trabalho devem ser respeitadas, entretanto, esses instrumentos de negociação não podem dispor de forma contrária à lei.
ALIMENTAÇÃO "IN NATURA" EM DESACORDO COM O PAT.
No que se refere ao fornecimento de alimentos IN NATURA proporcionado pelo contribuinte aos seus empregados há observar a manifestação da Procuradora-Geral da Fazenda Nacional - PGFN quando no ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 de sua emissão: DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.Desse modo , descabe constituir créditos tributários sob tais fatos.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Na forma do art. 17 do Decreto 70.235, de 1972, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.( Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997).
Também o art. 58 do Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011 tem a mesma exegese:
JUROS. TAXA SELIC.
Conforme a súmula n° 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE VALOR ÚNICO
Trata-se de penalidade de valor único que não se mitiga pelo adimplemento parcial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Ivacir Júlio de Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. ARRECADAÇÃO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Pratica infração a empresa que deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais conforme o disposto na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., "caput" e no Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alinea " a " . MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Na forma do art. 17 do Decreto 70.235, de 1972, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.( Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997). Também o art. 58 do Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011 tem a mesma exegese. VALE-TRANSPORTE EM DINHEIRO. A Advocacia Geral da União, seguindo orientação ditada na decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 478.410/SP, que considerou inconstitucional a tributação previdenciária incidente sobre vale transporte pago em pecúnia, tendo em vista sua natureza indenizatória. Com base nisto, editou a Súmula 60, de 08 de dezembro de 2011, verbis: Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba . VERBA PARA MANUTENÇÃO DE UNIFORMES. Os valores entregues aos empregados a título de manutenção dos uniformes providos pela empresa integram o salário-de-contribuição das contribuições previdenciárias, por não constarem do rol das verbas excluídas de incidência. Lei 8.212/91, art. 28. É procedente alegar que disposições contidas em convenções coletivas de trabalho devem ser respeitadas, entretanto, esses instrumentos de negociação não podem dispor de forma contrária à lei. ALIMENTAÇÃO "IN NATURA" EM DESACORDO COM O PAT. No que se refere ao fornecimento de alimentos IN NATURA proporcionado pelo contribuinte aos seus empregados há observar a manifestação da Procuradora-Geral da Fazenda Nacional - PGFN quando no ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 de sua emissão: DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.Desse modo , descabe constituir créditos tributários sob tais fatos. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Na forma do art. 17 do Decreto 70.235, de 1972, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.( Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997). Também o art. 58 do Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011 tem a mesma exegese: JUROS. TAXA SELIC. Conforme a súmula n° 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE VALOR ÚNICO Trata-se de penalidade de valor único que não se mitiga pelo adimplemento parcial. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente. Ivacir Júlio de Souza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. ARRECADAÇÃO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Pratica infração a empresa que deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais conforme o disposto na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., "caput" e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alinea " a " . MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Na forma do art. 17 do Decreto 70.235, de 1972, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.( Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997). Também o art. 58 do Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011 tem a mesma exegese. VALETRANSPORTE EM DINHEIRO. A Advocacia Geral da União, seguindo orientação ditada na decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 478.410/SP, que considerou inconstitucional a tributação previdenciária incidente sobre vale transporte pago em pecúnia, tendo em vista sua natureza indenizatória. Com base nisto, editou a Súmula 60, de 08 de dezembro de 2011, verbis: “Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba .” VERBA PARA MANUTENÇÃO DE UNIFORMES. Os valores entregues aos empregados a título de manutenção dos uniformes providos pela empresa integram o saláriodecontribuição das contribuições AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 07 24 /2 01 3- 91 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 previdenciárias, por não constarem do rol das verbas excluídas de incidência. Lei 8.212/91, art. 28. É procedente alegar que disposições contidas em convenções coletivas de trabalho devem ser respeitadas, entretanto, esses instrumentos de negociação não podem dispor de forma contrária à lei. ALIMENTAÇÃO "IN NATURA" EM DESACORDO COM O PAT. No que se refere ao fornecimento de alimentos “IN NATURA ” proporcionado pelo contribuinte aos seus empregados há observar a manifestação da ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional PGFN quando no ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 de sua emissão: DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”.Desse modo , descabe constituir créditos tributários sob tais fatos. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Na forma do art. 17 do Decreto 70.235, de 1972, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.( Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997). Também o art. 58 do Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011 tem a mesma exegese: JUROS. TAXA SELIC. Conforme a súmula n° 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” MULTA DE VALOR ÚNICO Tratase de penalidade de valor único que não se mitiga pelo adimplemento parcial. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Ivacir Júlio de Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10880.720724/201391 Acórdão n.º 2403002.176 S2C4T3 Fl. 155 3 Relatório Tendo solicitado retorno para sanear o processo, a Resolução de DILIGÊNCIA de fls. 139, foi atendida na forma do documento de fls.151, e o presente processo de n° 10880.720724/201391, (DEBCAD 37.231.4775), foi aberto em substituição ao nº 19515.003878/200971, vide o abaixo transcrito: “ Processo 19515.003879/200916 e APENSOS 10880.720722/201301, 10880.720721/201358, 10880.720724/201391 e 10880.720725/201336 Interessado NORTH RESTAURANTE E SERVICO LTDA CNPJ 06.051.051/000129 Endereço R FREI CANECA 569 3 PAV SUC 402,403,404 Bairro CONSOLACAO Município SÃO PAULO SP CEP 01307001 Comunicação N º 360/2013 1. Pela presente dáse ciência do Despacho nº 2403000.073 de 21 de junho 2012 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (4ª Câmara/3ª Turma Ordinária), cuja cópia segue anexa. 2. Em atendimento à solicitação do Despacho supracitado, procedemos o desentranhamento dos documentos do processo nº 19515.003879/200916 referentes aos processos nº 19515.003882/200930, 19515.003880/200941, 19515.003878/200971 e nº 19515.003877200927, anteriormente juntados por anexação. 3. Quando juntados por anexação, a numeração dos processos 19515.003882/200930, 19515.003880/200941, 19515.003878/200971 e nº 19515.003877200927 deixou de existir. Por esse motivo, foram criados os COMPROTs nº 10880.720722/201301 (DEBCAD 37.231.4724) em substituição ao nº 19515.003882/200930, 10880.720721/2013 58 (DEBCAD 37.231.4759) em substituição ao nº 19515.003880/200941, 10880.720724/201391 (DEBCAD 37.231.4775) em substituição ao nº 19515.003878/200971 e 10880.720725/201336 (DEBCAD 37.239.7239) em substituição ao nº 19515.003877200927. 4. Os processos 10880.720722/201301, 10880.720721/201358, 10880.720724/2013 91 e 10880.720725/201336 foram apensados ao processo 19515.003879/200916. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 5. Após retorno do AR (Aviso de Recebimento), os processos serão reencaminhados aoCARF para julgamento dos recursos.” Destacado o acima, temse que a Instância a quo produziu o relatório abaixo que li, compulsei com os autos e , com grifos de minha autoria o transcrevi na íntegra: “1. Tratase de Auto de Infração (DEBCAD 37.239.7239) lavrado pela Fiscalização contra a empresa acima identificada, pela violação do disposto no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/91, regulamentada pelo Decreto 3.048/99, uma vez que a Impugnante, conforme Relatório Fiscal da Infração às fls. 08, preparou as folhas de pagamento dos segurados a seu serviço em desacordo com as normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, já que deixou de nelas incluir os valores pagos aos empregados a título de vale transporte e valerefeição, no período de 02 a 12/2004, além das remunerações a prestadores de serviço autônomos, em 06 e 07/2004. 1.1. A multa aplicada para a presente infração foi a prevista no artigo 283, I, alínea "a" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, atualizada nos termos da Portaria MPS/MF n° 48 de 12/02/2009, no valor mínimo de R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), já que não houve a ocorrência de circunstância agravante. 1.2. Conforme termo de juntada às fls. 22, este processo foi apensado ao de n° 19515.003879/200916 em 22/09/2009. DA IMPUGNAÇÃO 2. A Notificada contestou o lançamento através do instrumento de fls. 23/29, alegando em síntese que: 2.1. demonstrou, nas impugnações oferecidas aos Autos de Infração (AI) n° 37.231.4767, 37.231.472.4 e 37.231.4759, a improcedência dos lançamentos de contribuições previdenciárias efetuados sobre o valetransporte, valerefeição e auxílio uniforme, que não têm natureza salarial e, portanto, não poderiam ter sido incluídos em folha de pagamento, impedindo a aplicação da multa ora combatida; 2.2. já houve a aplicação de multa em face da mesma pretensa infração no AI n° 37.231.4732, o que configura inadmissível imposição de duas penalidades sobre a mesma falta; 2.3. baseada em cláusula da Convenção Coletiva firmada entre o Sindicato dos Hotéis, Bares e Similares de São Paulo, ao qual é filiada, e o SINTHORESP, representedos empregados do setor, referente ao período 2004/2006, efetuou o pagamento de vale transporte aos seus funcionários, no ano de 2004, em dinheiro, por causa dos constantes roubos de que eram vítimas seus portadores encarregados de adquirir os correspondentes bilhetes tendo descontado, do valor entregue a cada empregado, o percentual legal de 6% aplicados sobre o respectivo salário, em demonstração da especificidade da verba; Fl. 157DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10880.720724/201391 Acórdão n.º 2403002.176 S2C4T3 Fl. 156 5 2.4. com supedáneo, igualmente, na supracitada Convenção Coletiva, procedeu ao pagamento de verba mensal aos empregados, destinada a indenizálos pela manutenção e lavagem dos uniformes por ela providos, não possuindo a mesma, portanto, natureza salarial; 2.5. sendo um restaurante, fornece alimentação diretamente aos seus funcionários, pelo que não é feito nenhum lançamento a este título nos respectivos contracheques, onde resta consignado apenas o desconto, previsto na Convenção Coletiva, do equivalente a 1% do piso da categoria, na qualidade de participação dos mesmos em tal benefício; a Fiscalização arbitrou o valor aleatório de R$ 116,32 por empregado, resultante da diferença entre R$ 121,00 e o supracitado desconto de 1% (R$ 4,68), sem que tenha havido qualquer pagamento ou crédito pela Impugnante a título de valerefeição. Do Pedido 3. Pelo exposto, requer a Fiscalizada o acolhimento da sua impugnação, com efeito suspensivo, nos termos do art. 151, III, do CTN, face às razões alhures invocadas, para que seja cancelado o AI ora impugnado, excluindose a aplicação da multa que lhe foi injustamente imposta. É o relatório.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.81, a 14ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo – ( SP) DRJ/SP1, em 27 de julho de 2010, exarou o Acórdão n° 1626.122, negando provimento à impugnação. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.95, reiterando alegações que fizera em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Tratase pois de lançamento de obrigação acessória derivado do processo PRINCIPAL de n° 19515.003879/200916 cujas levantamentos originaram o presente. Analisado nesta sessão, o sobredito processo principal teve conclusão que , por economia processual se aproveita neste julgado . Na forma da ementa do voto a quo, enfrentaramse as alegações do contribuinte pertinentes às rubricas abaixo transcritas : “AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Pratica infração a empresa que não comprove o desconto, da remuneração dos empregados e dos contribuintes individuais a seu serviço, da contribuição previdenciária destes, conforme dispõem, respectivamente, a alínea "a" do inciso I do art. 30 da Lei 8.212/91 e o art. 4o da Lei 10.666/03. VALETRANSPORTE EM DINHEIRO. INCIDÊNCIA. O valetransporte fornecido aos empregados em dinheiro contraria a legislação pertinente, integrando o saláriode contribuição das contribuições previdenciárias. Lei 8.212/91, art. 28, § 9o , alínea "f". VERBA PARA MANUTENÇÃO DE UNIFORMES. INCIDÊNCIA. Os valores entregues aos empregados a título de manutenção dos uniformes providos pela empresa integram o saláriodecontribuição das contribuições previdenciárias, por não constarem do rol das verbas excluídas de incidência. Lei 8.212/91, art. 28. ALIMENTAÇÃO "IN NATURA" EM DESACORDO COM O PAT. INCIDÊNCIA. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10880.720724/201391 Acórdão n.º 2403002.176 S2C4T3 Fl. 157 7 A alimentação fornecida aos empregados sem a adesão da empresa ao PAT constitui verba integrante do saláriode contribuição das contribuições previdenciárias. Lei 8.212/91, art. 28, § 9o , alínea "c".” Às fls. 03 no Relatório denominado “ DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL APLICADO” temse que a empresa fora autuada , também, em razão de deixar de arrecadar as contribuições dos segurados contribuintes individuais, verbis : “ Deixar de arrecadar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, inciso I, alínea " a " e/ou dos segurados contribuintes individuais conforme o disposto na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., "caput" e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alinea " a " .” Na impugnação , no item 3 , às fls. 24 a empresa não impugnou e se deteve a fazer defesa das demais matérias , verbis: “ 3 Contudo, o pretenso valor que deveria ter sido arrecadado pela Impugnante se refere às rubricas de refeição, vale transporte pago em dinheiro e uniforme pago em dinheiro.” MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Na forma do art.17 do Decreto 70.235, de 1972, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.( Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997). Também o art. 58 do Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011 tem a mesma exegese: Art. 58. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (do Decreto 70.235, de 1972 , art. 17), com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). VERBA PARA MANUTENÇÃO DE UNIFORMES. No que concerne a ajuda de custo para manutenção dos uniformes dos empregados as alegações interpostas pela empresa, oss valores entregues aos empregados a título de manutenção dos uniformes providos pela empresa integram o saláriodecontribuição das contribuições previdenciárias, por não constarem do rol das verbas excluídas de incidência. Lei 8.212/91, art. 28. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 No caso da recorrente, esta efetuou pagamentos mensais aos empregados, de valores fixos, sob o título de ajuda de custo/uniformes, em desacordo com a legislação de regência. Conforme abaixo destacado, na impugnação alegou que os pagamentos têm respaldo na Convenção Coletiva da categoria: “ Nessa situação, a convenção coletiva da categoria obriga os empregadores a efetuar pagamento de valor mensal aos empregados, à título de manutenção com o referido uniforme, posto que os mesmos tem que ser lavados e mantidos pelos próprios funcionários. Assim, tal verba não é salarial, mas sim indenizatória, posto que destinada à manutenção dos uniformes fornecidos. A cláusula "63! 1" da convenção coletiva vigente em 2004 asseverava: "Cláusula 63" Manutenção dos Fardamentos/Uniformes As empresas que não cuidarem, elas próprias da manutenção e lavagem dos uniformes e fardamentos, pagarão aos empregados uma ajuda de custo no valor de R$ 17,70 (dezessete reais e setenta centavos) mensalmente, para tal finalidade. § Único: A ajuda de custo de que se trata a presente cláusula,não integrará a remuneração do empregado para fins de qualquer direito trabalhista e não se aplica no caso de fornecimento de apenas um avental." 17 Dessa forma, o valor lançado nos recibos de pagamento dos funcionários é mera indenização para que os mesmos mantenham os uniformes já fornecidos pela empresa. Assim, tal valor não possui natureza salarial, não havendo como incidir sobre o mesmo as contribuições previdenciárias de praxe.” Cumpre destacar que quanto a alegação de que deveriam ser respeitadas as disposições contidas em convenções coletivas de trabalho, esses instrumentos de negociação não podem dispor de forma contrária à lei. Assim, a empresa deveria ter efetuado os devidos descontos. Isto posto NEGO PROVIMENTO. DAS VERBAS REFEIÇÃO E VALE TRANSPORTE Na forma do julgado no processo principal, lograram êxito os argumentos da Recorrente: VALETRANSPORTE EM DINHEIRO. A fiscalização entendeu que o valetransporte pago em espécie aos segurados infringiu as regras legais. Entretanto, a Advocacia Geral da União, seguindo orientação ditada na decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 478.410/SP, que considerou Fl. 161DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10880.720724/201391 Acórdão n.º 2403002.176 S2C4T3 Fl. 158 9 inconstitucional a tributação previdenciária incidente sobre vale transporte pago em pecúnia, tendo em vista sua natureza indenizatória, editou a Súmula 60. SÚMULA Nº 60, DE 8 DE DEZEMBRO DE 2011 "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba".( grifos de minha autoria) Portanto, DOU PROVIMENTO no sentido de desconsiderar o crédito tributário constituído referente ao vale transporte ALIMENTAÇÃO "IN NATURA" EM DESACORDO COM O PAT. No que se refere ao fornecimento de alimentos “IN NATURA ” proporcionado pelo contribuinte aos seus empregados, é compulsório observar a manifestação da PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL – PGFN no que diz respeito ao ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 de sua emissão : “ ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. Desse modo , descabendo o lançamento, DOU PROVIMENTO às alegações da Recorrente. DO DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA A multa aplicada para a presente infração foi a prevista no artigo 283, I, alínea "a" e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, atualizada nos termos da Portaria MPS/MF n° 48 de 12/02/2009, no valor mínimo de R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos DA MANUTENÇÃO DA MULTA Fl. 162DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 Aduz que ainda que se observe ocorrido a decadência das competências no período 08/04 e anteriores e tenham prosperado em parte os argumentos da recorrente, a multa não se mitiga posto que o cometimento de apenas um irregular evento faz caracterizar a imputação da penalidade que de valor único não permite flexibilização. CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, conheço do recurso para , NO MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 10783.901509/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
DESISTÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO OU RECURSO ADMINISTRATIVO E RENUNCIA À QUAISQUER ALEGAÇÕES DE DIREITO
A existência de Requerimento expresso, tempestivo e irrevogável de desistência de impugnação ou recurso administrativo e de, renuncia à quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos, na forma estabelecida na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009, para aproveitar as condições de pagamento à vista ou parcelamento em conformidade com as regras estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 27/05/2009, impede o conhecimento do recurso interposto
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-002.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva(Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 15 09 /2 00 8- 21 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP retificadora n° 07283.82880.131006.1.7.040058 (efls. 23 a 27), transmitida em 13/10/2006, referente a débitos de PIS, períodos de apuração relativos a julho e agosto de 2003, com suposto crédito de Cofins, período de apuração de junho de 2003, referente a valor que teria sido supostamente recolhido a maior em 30/07/2003, cujo excedente pretendido seria no valor original de R$ 2.308,61. Eletronicamente foi emitido o Despacho Decisório de fl.21, nº de rastreamento 775478270, por meio do qual, a Autoridade Administrativa da DRF/Vitória homologou parcialmente a compensação declarada, alegando que o saldo original disponível (R$ 1.048,25) seria inferior ao crédito pleiteado (R$ 2.308,61), em virtude de o pagamento do qual tal crédito seria oriundo já ter sido parcialmente utilizado para quitar outro débito da Contribuinte, identificado como a COFINS do próprio período de junho de 2003. Em 30/07/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados (efl. 92). A contribuinte, depois de ser cientificada, apresenta, em 28/08/2008, DCTF retificadora 2º trimestre 2003 nº recibo 3334341448 (efl 28 a 91) e irresignada, apresenta manifestação de inconformidade de fls.eletrônicas 03 a 06, na qual alega em síntese que: ● recolheu e informou em DCTF valor maior que o efetivamente devido a título de Cofins, referente ao mês de junho de 2003. ● o valor inicialmente declarado era de R$ 26.722,19, porém, o real valor devido e já retificado é de R$ 25.461,83, o que mostra de forma inequívoca que o valor de R$ 2.308,61 foi pago a maior. ● os valores que pretende quitar são menores do que o crédito disponível, não havendo qualquer óbice à realização da compensação pleiteada. A 4a Turma da DRJ/RJ2, em sessão de 28 de agosto de 2009, profere o Acórdão nº 1326.209, onde, por unanimidade de votos, decide julgar improcedente a manifestação de inconformidade, segundo se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/07/2003 DCTF. RETIFICAÇÃO. APÓS DECISÃO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. INEFICÁCIA. DCTF retificada após ciência da decisão, que não homologa compensação declarada, não é causa para sua reforma, pois a comprovação da disponibilidade de crédito é aferida no momento da decisão exarada pela autoridade competente. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10783.901509/200821 Acórdão n.º 3302002.296 S3C3T2 Fl. 146 3 A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O relator justificou o seu voto nos seguintes termos: “A impugnante limitouse a alegar, quanto à comprovação de seu direito creditório, que ao preencher a DCTF cometeu equívoco no tocante aos débitos apurados de COFINS de junho de 2003, mas corrigiu o erro por meio de DCTF retificadora transmitida em 28/08/08. De fato, no PER/DCOMP referente a este processo, constante às fls 21 a 25, a contribuinte registra que a origem de seu crédito é o 'pagamento indevido ou a maior', no valor de R$ 27.770,44; efetuado em 30/07/03, a título de COFINS (cód. 2172) referente ao período de apuração de 06/2003, conforme se verifica à fl. 23. Todavia, segundo a tabela constante do Despacho Decisório à fl. 19 teria havido a utilização do referido pagamento para quitar o próprio débito correspondente ao COFINS daquele período de apuração, no montante de R$ 26.722,19. Desta forma, entendeu a Administração que restou saldo de crédito no montante de apenas R$ 1.048,25 para utilização na presente Dcomp, adotando como parâmetro a DCTF então vigente por ocasião do Despacho Decisório, e não, obviamente, a retificadora transmitida após a ciência daquela decisão. Assim, a fim de comprovar a certeza e liquidez, a impugnante, obrigatoriamente, deveria ter instruído sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldassem seu direito, uma vez que a Administração demonstrou que o crédito resultante do pagamento a maior é insuficiente para quitar as compensações pretendidas. Assim, deveria a contribuinte atender o disposto nos Art. 15 e 16 do Decreto n 0 70.235, de 1972, a seguir transcritos: ‘Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.’(Redação dada pelo art. 1" da Lei n." 8.748/93) (gn) Do referido ônus probatório não se desincumbiu o impugnante. Desta forma, assiste razão, portanto, à Administração em homologar parcialmente a compensação declarada, pois a comprovação da disponibilidade do crédito somente pode ser aferida em relação à DCTF vigente no momento da decisão exarada pela autoridade competente.” À fl. 99 consta requerimento protocolado em 25 de fevereiro de 2010, conforme modelo aprovado pela portaria conjunta da PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009, no qual a contribuinte, por meios de seus advogados, solicita a desistência da impugnação, e declara renunciar à quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam suas defesas (impugnação/recurso), nos termos da Lei nº 11941, de 27 de maio de 2009. Não obstante tal desistência e renúncia, a contribuinte foi cientificada em 13/12/2011 (AR efl 114), do Acórdão nº 1326.209 da 4a Turma da DRJ/RJ2, o qual foi proferido em 28 de agosto de 2009, portanto, anteriormente à data de formulação da desistência, e apresenta recurso voluntário no qual efetua seus argumentos de defesa segundo os itens e subitens a seguir mencionados: I DA TEMPESTIVIDADE II DOS FATOS Aqui afirma que: é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destaca a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do "faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo 1o das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 3o, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. Sabendo que tais valores não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo da COFINS e também do PIS, e, tendo em vista a existência de débitos a titulo dos mesmos tributos, a Requerente aproveitou a existência desses créditos, já que foram pagos a maior, para compensálos com tais débitos. Apesar disso, a sua manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, juntamente com o seu pedido de perícia. III DO DIREITO Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10783.901509/200821 Acórdão n.º 3302002.296 S3C3T2 Fl. 147 5 III.a – DA INTERPRETAÇÃO LITERAL DO ART. 1º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003E ART. 3º,§1º DA LEI Nº 9.718/98 Neste subitem do recurso, a contribuinte, efetuando análise literal dos art. 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do Art. 3º,§1º da lei nº 9.718/98, conclui que para que haja a incidência em comento não basta que a pessoa jurídica tenha receitas, entendida esta de acordo com a normatização contábil, mas também, é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas. É imperioso que os valores decorrentes do faturamento tenham efetivamente ingressado nos cofres da Requerente, para composição do seu patrimônio, ou seja, tratase de um conceito jurídico de faturamento, eis que se entende como tal somente aquelas receitas auferidas pela pessoa jurídica. Assim, a interpretação literal dos dispositivos citados é suficiente para perceber que os valores recebidos pela cessão de espaço, pela Requerente, não deveriam integrar a sua base de cálculo da COFINS e também do PIS, já que estes mesmos valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de "mero ingresso" no seu caixa. Cita acórdãos do Conselho de Contribuintes. III.b – DA SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 17, DE 30 DE ABRIL DE 2007, PARECER COSIT Nº 8, DE 18 DE JUNHO DE 2001 Destaca a Solução de Consulta nº 17, de 30 de abril de 2007, da 4a Região Fiscal da Receita Federal do Brasil no sentido de que o desconto devido à agência de propaganda não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS do veículo de divulgação, porque este valor é receita que pertence à agência. III.c – DO CRÉDITO EM RAZÃO DO PAGAMENTO A MAIOR Apesar disso, por uma falha, incluiu tais valores na base de cálculo da COFINS, de forma que, não existem dúvidas de que o montante contribuído a título de COFINS foi muito maior do que o real valor devido, uma vez que os valores recebidos e repassados às agências de publicidade (que não fazem parte do seu faturamento!) foram indevidamente incluídos nesta base de cálculo, restando clara a existência de créditos da ora recorrente perante a d. RFB. III.d – DA COMPENSAÇÃO Efetua análise sobre o instituto da compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário e ressalta que ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP de n° 07283.82880.131006.1.7.040058, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. IV – DA PERÍCIA Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, para a qual nomeará assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos: Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 i. queira o Sr. Perito informar se a Requerente se apropriou integralmente dos valores recebidos no período autuado; e ii. queira o Sr. Perito informar, mediante a análise dos documentos contábeis acostados, se houve repasse às agências de publicidade. Em caso afirmativo, favor informar o valor desse repasse. V – DO PEDIDO (i) Solicita a suspensão do crédito tributário objeto do processo, de acordo com o art. 151 do CTN c/c art. 48, §3º,I da IN SRF nº 600/2005; (ii) A extinção do crédito tributário objeto do presente processo em virtude da compensação realizada, em consonância com o disposto no art. 156, II do CTN. Nos termos do Regimento, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ De acordo com o relatado acima, constatase ocorrência impeditiva de acolhimento do presente recurso voluntário, qual seja: Ocorrência: A existência do Requerimento de desistência de impugnação ou recurso administrativo, consoante consta à efl.99, formulado tempestivamente em 25 de fevereiro de 2010, posto que, de acordo com o disposto no art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009, para aproveitar as condições de pagamento à vista ou parcelamento em conformidade com as regras estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 27/05/2009, na forma tratada na mencionada portaria, em relação aos débitos que se encontravam com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deveria desistir, dentro do prazo estabelecido, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, consoante se demonstra pela transcrição a seguir: Lei nº 11.941, de 27 de Maio de 2009 “CAPÍTULO I DOS PARCELAMENTOS Seção I Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10783.901509/200821 Acórdão n.º 3302002.296 S3C3T2 Fl. 148 7 Do Parcelamento ou Pagamento de Dívidas Art. 1º Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal REFIS, de que trata a Lei n o 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial PAES, de que trata a Lei n o 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional PAEX, de que trata a Medida Provisória n o 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei n o 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei n o 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n o 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados. § 1 o O disposto neste artigo aplicase aos créditos constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive os que foram indevidamente aproveitados na apuração do IPI referidos no caput deste artigo. § 2 o Para os fins do disposto no caput deste artigo, poderão ser pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de 2008, de pessoas físicas ou jurídicas, consolidadas pelo sujeito passivo, com exigibilidade suspensa ou não, inscritas ou não em dívida ativa, consideradas isoladamente, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento, assim considerados: (...); Art. 7 o A opção pelo pagamento a vista ou pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Lei deverá ser efetivada até o último dia útil do 6 o (sexto) mês subsequente ao da publicação desta Lei. (...); Art. 12. A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, no âmbito de suas respectivas competências, editarão, no prazo máximo de 60 (sessenta) dias a contar da data de publicação desta Lei, os atos necessários à execução dos parcelamentos de que trata esta Lei, inclusive quanto à forma e ao prazo para confissão dos débitos a serem parcelados.” Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009 “Seção Dos Débitos com Exigibilidade Suspensa Art. 13. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deverá desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria.( Redação dada pela Portaria PGFN/RFB nº 11, de 11 de novembro de 2009 )” Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 13, de 19 de novembro de 2009 “ Art. 2º Os prazos para desistência de impugnação ou recurso administrativos ou de ação judicial de que tratam o caput do art. 13 e o § 4º do art. 32 da Portaria Conjunta PGFN/RFB Nº 6, de 2009, ficam prorrogados para 28 de fevereiro de 2010.” Da leitura das regras acima postas, denotase que a desistência da impugnação/recurso e a renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais não se vinculam ao deferimento do pedido de adesão ao programa do Parcelamento ou Pagamento de Dívidas estabelecido pela Lei nº 11.941, de 27 de Maio de 2009. Pelo o contrário, o deferimento ao requerimento de adesão ao programa é que está vinculado à desistência expressa e irrevogável da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, à renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais. Assim, não há necessidade de se averiguar, no caso, se o pedido de adesão da contribuinte foi ou não deferido. Ressaltese que a competência para análise e deferimento, ou não, dos requerimentos de adesão aos parcelamentos seria do titular da unidade da PGFN ou da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo, conforme tratassem de débitos administrados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, respectivamente, consoante se demonstra com a transcrição do caput do art. 20 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009a seguir: “Seção VII Das Competências Art. 20. Relativamente aos pagamentos e parcelamentos de que trata esta Portaria, compete ao titular da unidade da PGFN ou da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo, conforme o órgão responsável pela administração do débito, entre outros atos: (...).” CONCLUSÃO Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10783.901509/200821 Acórdão n.º 3302002.296 S3C3T2 Fl. 149 9 Em face das fundamentações acima postas, conduzo o meu voto no sentido de não se conhecer do recurso voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10930.001746/2008-59
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada e Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 17 46 /2 00 8- 59 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10930.001746/200859 Acórdão n.º 2801000.084 S2TE01 Fl. 124 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6ª Turma da DRJ/CTA (Fls. 44), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o processo de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, de fls. 28/32, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual –DAA correspondente ao exercício de 2005, anocalendário de 2004, exigindose R$ 2.738,15 de imposto suplementar, além de multa de ofício de R$ 2.053,61 e juros de mora de R$ 1.076,91, totalizando R$ 5.868,67, em virtude de glosa por dedução indevida de despesas médicas e de contribuições a título de contribuição à Previdência Privada/FAPI, conforme descrito às fls. 30 da Notificação de Lançamento. A Notificação de Lançamento está fundamentada nos dispositivos indicados às fls. 28/32 dos autos. Devidamente cientificada do lançamento, por via postal, fls. 37/38, em 9 de abril de 2008, a Contribuinte protocolizou impugnação tempestiva em 6 de maio de 2008, fls. 1, acompanhada dos documentos de fls. 2/20, alegando, em síntese, que: a) não foi devidamente intimada da notificação, uma vez que não mais residia no endereço Rua Alfredo Nobel, n° 616C, CEP 86063420, Londrina, Paraná, apesar do imóvel ainda lhe pertencer, sendo que acredita que a intimação foi recebida pelo porteiro do prédio, ressaltando que sempre se pautou por atender às solicitações e intimações enviadas pela Instituição, inclusive porque lhe traria enormes prejuízos financeiros; b) junta cópias de comprovantes para fins de comprovação das despesas médicas lançadas, fls. 2/19, cópia do Informe de Rendimentos Financeiros Pessoa Física, fls. 20, cópia da Notificação de Lançamento, fls. 21/23, e cópia autenticada de procuração. Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ALTERAÇÃO. VALIDADE. E válida a intimação efetivada no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo que eventual alteração deve ser comunicada ao sujeito passivo no prazo de 30 dias. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10930.001746/200859 Acórdão n.º 2801000.084 S2TE01 Fl. 125 3 A legislação tributária prevê que a prova das despesas médicas dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual seja feita por meio de documentos originais que demonstrem a efetiva prestação dos serviços e o efetivo pagamento. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. É lícito ao fisco exigir a comprovação e justificação das despesas médicas, cabendo o ônus da prova ao contribuinte. Cientificada em 15/10/2010 (Fls. 53), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 16/11/2010 (fls. 54 a 60), argumentando em síntese: (...) Despesas Médicas Os dispositivos transcritos no relatório constam que o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre limitado a pagamentos especificados e comprovados com indicação do nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem os recebe e com a informação do tratamento e do paciente, ou seja, incumbe ao contribuinte o ônus de provar o preenchimento do suporte fático que autoriza a dedução mediante a apresentação de documentos originais, a fim de comprovar o efetivo pagamento das despesas incorridas pelo contribuinte por tratamento próprio ou de seus dependentes, bem como a efetiva prestação do serviço. De acordo, ainda, com o descrito em relatório, o lançamento relativo às deduções indevidas de despesas médicas foi pela falta de atendimento da intimação para apresentação de comprovantes pela Impugnante, glosandose o valor de R$13.856,33, deduzido indevidamente a título de despesas médicas, uma vez que o Art. 73 do Decreto 3.000, de 1999 (RIR/99) estabelece que todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual DAA, estão sujeitas à comprovação ou justificação. Para o parágrafo acima, a falta de atendimento, foi suprida pela impugnação tempestiva, conforme consta no relatório Intimação entregue em endereço indevido parágrafo 6o fls. 43. Para comprovação das despesas médicas, foram juntados com a impugnação, fls 2/13 e 15/18, cópias não autenticadas de 25 (vinte e cinco) recibos, dentre estes, uma cópia não autenticada de receituário para óculos com anotação de "pgto. De consulta R$80,00, fls. 14 e, uma cópia não autenticada de discriminativo, não assinado, referente a despesas com mensalidade, de farmácia e médico/hospitalar/odontológico, emitido pela Caixa de Assistência, Aposentadoria e Pensões dos Servidores Municipais de Londrina, fls. 19. Justificativa: a) Para o pagamento de R$80,00 referente à consulta descrito no receituário para óculos, concordamos com Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10930.001746/200859 Acórdão n.º 2801000.084 S2TE01 Fl. 126 4 sua glosa, b) Com respeito ao pagamento efetuado para a Caixa de Assistência, Aposentadoria e Pensões dos Servidores Municipais de Londrina, a falta de assinatura é por força de Lei, como acontece com todos os planos de saúde, mas independente disso, juntamos ao Processo cópia devidamente assinada. Neste documento há pagamentos de mensalidades para os filhos: Marcus Vinícius Matos dos Reis e Luana Matos dos Reis, e para o cônjuge José Cezar dos Reis. Os valores pagos neste descritivo NÃO foram utilizados para o abatimento de despesas na Declaração de Ajuste Anual do cônjuge CPF n° 114.988.20930. Os documentos restantes apresentados não foram aceitos por não estarem autenticados, portanto, destituídos de valor probatório para a finalidade pretendida. Justificativa: Quando da entrega da documentação acima, foram apresentados as cópias reprográficas juntamente com os originais. O atendente, por falta de informação, deveria têlos autenticados, uma vez que "todo servidor público tem fé pública". Portanto, não aceitamos que os documentos juntados não têm valor probatório. Foram aceitos e recebidos por um servidor público da Delegacia da Receita Federal, que deveria estar ciente das normas e regulamentos de todos os processos que passam pela divisão. De qualquer modo, estamos juntando os documentos, reprográficos, devidamente autenticados pelo servidor / atendente. (...) E, o inciso III do § 1 o do artigo diz que tal dedução "limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento". Portanto, nos exatos termos da legislação: a comprovação de despesas médicas é feita com documento onde conste nome, endereço e CPF/CNPJ de quem as recebeu. E isto foi efetuado em todos os seus termos. (...) À vista da jurisprudência, e principalmente à vista da legislação, a comprovação da despesa médica é feita através de documento com a indicação do nome, endereço e CPF/CNPJ de quem a recebeu, não sendo lícito aos Fiscais da Receita Federal exigirem qualquer outro documento. Portanto: não pode o Fiscal da Receita exigir mais do que a Lei e a própria Receita. E: recibo é documento comprobatório inequívoco da realização de pagamentos/serviços. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10930.001746/200859 Acórdão n.º 2801000.084 S2TE01 Fl. 127 5 Juntamos, neste momento, todos os recibos correspondente às despesas efetuadas, devidamente autenticados, declarações dos profissionais que executaram o serviço, bem como documentação aos serviços prestados. (...) Anexou em conjunto vários recibos e declarações. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Ante o fato de a contribuinte não haver apresentado a documentação pedida pela fiscalização durante o procedimento administrativo, coube a DRJ a análise da documentação apresentada com a impugnação. Ao manifestarse sobre as despesas médicas, a DRJ entendeu que; in verbis: Além das cópias do receituário e do discriminativo do plano de saúde e do receituário não serem documentos hábeis e idôneos a comprovar os pagamentos realizados, de plano, observase que todos os comprovantes juntados não são originais, como estatui o art. 46 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 6 de fevereiro de 2001. Por não se tratar de documentos originais, são destituídos de valor probatório para a finalidade pretendida. De qualquer modo, mesmo abstraindose não se tratar de comprovantes originais, insta salientar que essas cópias não atendem aos requisitos exigidos pela legislação supracitada, tais como: não informam o nome do paciente (fls. 3/13 e 16/18) ou indica filho não incluído como dependente (fls. 2); não informam o dia da prestação do serviço (fls. 9/10); não especificam qual o atendimento/serviço prestado, apenas indicando, genericamente, tratarse de tratamento dentário/odontológico (fls. 3/7, 1/13), sendo que alguns estão em branco/sem qualquer indicação (fls. 8/9) ou indicam ser tratamento estético/botox (fls. 16/18); não informam o endereço do prestador (fls. 4/7, 9/10 e 12/13); não foi apresentada a nota fiscal dos serviços prestados por pessoas jurídicas (fls. 16/19); não há menção ao local de emissão dos comprovantes (fls. 13/14); algumas cópias se referem a período que não foi objeto da Notificação (anocalendário 2004), referindo a serviços prestados no anocalendário de 200 (fls. 2/3); a cópia do discriminativo de fis. 19 e do recibo de fls. 2 indicam pagamentos a serviços prestados a dependentes que não foram incluídos na DAA. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10930.001746/200859 Acórdão n.º 2801000.084 S2TE01 Fl. 128 6 Extraise dos autos que a Impugnante gastou R$ 13.856,33 com despesas médicas e obteve R$ 33.622,60 de rendimentos tributáveis, ou seja, houve gastos elevados com despesas médicas em relação aos rendimentos da Impugnante. Assim, ponderese que, além da efetiva prestação do serviço, a Impugnante deveria fazer prova também do efetivo desembolso, em conformidade com o art. 11, §§ 3 o e 4o , do DecretoLei n° 5.844, de 1943, c/c o art. 73 e § l°do RIR/99. Temos pois que a DRJ entendeu que os recibos apresentados não atendiam aos requisitos legais e que haveria a necessidade de comprovação do efetivo pagamento e de comprovação das prestações dos serviços. Buscando atender as falhas formais dos recibos apontadas pela DRJ, a contribuinte tratou de apresentar cópias de todos os recibos devidamente autenticados; bem como declarações dos profissionais de saúde relacionados. Contudo, as formalidades dos recibos devem ser analisadas em conjunto com a necessidade de comprovação dos efetivos pagamentos. Dentro deste contexto temos que o litígio trata de comprovação de despesas médicas em que a autoridade fiscal fundamenta na insuficiência dos recibos, sem vinculação do pagamento como forma de comprovação do pagamento, exigindo que, quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento, essas condições devam ser comprovadas por outros meios, cumulativamente com o fato de a contribuinte não ter comprovado o efetivo pagamento de despesas médicas com diversos profissionais. Por sua vez, a contribuinte afirma que a apresentação dos recibos é suficiente para o afastamento das glosas; mas apresenta extrato bancário de conta no Banco do Brasil. Em casos desta natureza, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimar a contribuinte a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Tomo como ponto de partida a imputação feita no lançamento e o julgamento da DRJ e neles vejo apontamento de indícios em desfavor dos documentos apresentados pela recorrente. De fato, verifico que há a evidência de que a contribuinte realizou despesas médicas superiores a trinta por cento dos seus rendimentos; como bem ressaltado pela DRJ: Extraise dos autos que a Impugnante gastou R$ 13.856,33 com despesas médicas e obteve R$ 33.622,60 de rendimentos tributáveis, ou seja, houve gastos elevados com despesas médicas em relação aos rendimentos da Impugnante. (página 50 dos autos) Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10930.001746/200859 Acórdão n.º 2801000.084 S2TE01 Fl. 129 7 Logo, entendo há nos autos elementos que permitiam a fiscalização e à DRJ afastar a idoneidade dos documentos apresentados pela contribuinte para fazer jus às deduções pleiteadas e exigir a comprovação dos efetivos pagamentos. No entanto, apesar da necessidade da comprovação dos efetivos pagamentos, a contribuinte não apresentou provas suficientes neste sentido. Destaco que no extrato bancário apresentado não foi possível identificar os pagamentos relacionados aos recibos apresentados. Razão pela qual correta foi a glosa das despesas médicas. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 129DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10830.913867/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO RETIFICADA EXTEMPORANEAMENTE. PROVA. NECESSIDADE.
O direito creditório deve ser reconhecido, se comprovado o erro na declaração apresentada originalmente.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro na valoração dos créditos.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 24/09/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO RETIFICADA EXTEMPORANEAMENTE. PROVA. NECESSIDADE. O direito creditório deve ser reconhecido, se comprovado o erro na declaração apresentada originalmente. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro na valoração dos créditos. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 24/09/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 38 67 /2 00 9- 54 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D’ Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: Conforme apuração e informações declaradas pela manifestante em DACON e em DCTF, cujos documentos foram juntados aos autos, há saldo de crédito disponível para a compensação feita, tendo em vista que a COFINS apurada e o recolhimento feito via DARF, também anexado aos autos, referemse a pagamento indevido. Desta forma, não prospera a não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP com a fundamentação de inexistência de saldo disponível para compensação. Como a manifestante somente tardiamente constatou que efetuou o pagamento da COFINS indevidamente, a DCTF e a DACON foram posteriormente retificadas e transmitidas, informando à autoridade fazendária o seu montante apurado. Assim sendo houve recolhimento indevido, restando claro o saldo de crédito disponível para a utilização em compensações. Diante do exposto requer que a compensação declarada seja integralmente homologada, e que os efeitos do Despacho Decisório sejam suspensos até julgamento final desta Manifestação de Inconformidade. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP não acolheu a defesa ofertada, conforme Decisão DRJ/CPS n.º 36.336, de 14/12/2011: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10830.913867/200954 Acórdão n.º 3201001.379 S3C2T1 Fl. 108 3 Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. DACON. APURAÇÃO DO CRÉDITO NO MOMENTO DO DESPACHO DECISÓRIO. Consideramse confissões de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento, cuja correção resulte em crédito ao Sujeito Passivo, precisa ser comprovada mediante documentos contábeis e fiscais que justifiquem as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Inexiste pagamento indevido quando o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito compensado foi utilizado para quitar débito apurado em DACON e confessado em DCTF, devendo a aferição da comprovação da disponibilidade de crédito ser considerada no momento da decisão exarada pela autoridade competente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese nestes autos a existência de direito creditório suficiente para validar as compensações pretendidas pela recorrente. Embora o principal fundamento da improcedência da manifestação de inconformidade tenha sido a retificação extemporânea da DACON, o fato é de que o CARF vem relativizando esse entendimento, sempre buscando a chamada verdade material. Entretanto, para que esta busca chegue ao resultado esperado, o contribuinte deve comprovar o erro ocorrido e o seu direito creditório pleiteado. Nesse sentido, há diversos julgados: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 4 DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Na medida em que a recorrente não comprovou nos autos as bases para sua alegação de erro no envio original dos valores devidos, não á como validar o crédito pleiteado. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 20 de agosto 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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Numero do processo: 13706.005706/2008-28
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL. COMPROVAÇÃO
Para serem beneficiados com isenção do imposto sobre a renda, os rendimentos devem ter a natureza de proventos de aposentadoria ou pensão e o contribuinte deve ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecida por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial.
Na hipótese, não se comprovou que, no ano-calendário, o contribuinte sofria de moléstia grave discriminada na lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-002.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 19/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL. COMPROVAÇÃO Para serem beneficiados com isenção do imposto sobre a renda, os rendimentos devem ter a natureza de proventos de aposentadoria ou pensão e o contribuinte deve ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecida por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial. Na hipótese, não se comprovou que, no ano-calendário, o contribuinte sofria de moléstia grave discriminada na lei. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
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ISENÇÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL. COMPROVAÇÃO Para serem beneficiados com isenção do imposto sobre a renda, os rendimentos devem ter a natureza de proventos de aposentadoria ou pensão e o contribuinte deve ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecida por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial. Na hipótese, não se comprovou que, no anocalendário, o contribuinte sofria de moléstia grave discriminada na lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 57 06 /2 00 8- 28 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Leite, Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2006, anocalendário 2005, em razão da omissão de rendimentos de pessoa jurídica, no valor de R$127.673,64, conforme enquadramento legal e descrição dos fatos às fls. 2/4. Discordando da exigência fiscal o interessado, alega que é portador de moléstia grave. A impugnação foi julgada improcedente, sob o seguinte argumento: “O contribuinte comprovou ser aposentado da matricula n°.1338516, Delegado de Policia 1ª classe, em 3 de dezembro de 2002, conforme publicação no Diário Oficial (fl.18). Com relação à moléstia grave, apresentou laudo pericial para fins de mudança de fundamentação legal de aposentadoria de fls. 23 a 25, expedido pela Junta Médica do Departamento de Perícia Medica do Estado do Rio de Janeiro. 0 resultado não unânime da Junta Médica concluiu ser o interessado portador de cardiopatia grave.Tendo sido assinado em outubro de 2007, cabe considerar portador de moléstia grave a partir da emissão do mesmo, tal como disposto na legislação isentiva. Portanto, não foi cumprido os dois requisitos cumulativos e por conseguinte, diante das exposições supra, o contribuinte não faz jus à isenção prevista no inciso XIV do artigo 6°, da Lei n° 7.713/1988 com a redação dada pelo artigo 47 da Lei n° 8.541/1992 e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei n° 9.250/1995 no ano que trata a presente lide.” O contribuinte teve ciência da decisão no dia 19/03/2010 e apresentou recurso voluntário em 19/04/2010 , com os seguintes argumentos: “DO FLAGRANTE ERRO DE FATO 2. 0 voto condutor do Acórdão, ora contestado, mostra que a relatora, de maneira acertada, em relação ao ponto central do presente litígio, concluiu que "há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal." 3. Em relação à natureza jurídica dos rendimentos reconheceu a relatora, de maneira expressa, que o requisito foi cumprido pelo recorrente, conforme confirma o terceiro parágrafo de seu voto, a seguir transcrito nos seguintes termos: "0 contribuinte comprovou ser aposentado da matricula n° 1338516, Delegado de Policia 1a classe em 3 de dezembro de 2002, conforme publicação no Diário Oficial (fl. 18)." Fl. 89DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13706.005706/200828 Acórdão n.º 2802002.531 S2TE02 Fl. 89 3 4. Quanto ao segundo requisito, a prova da existência da moléstia tipificada no texto legal, embora admitida pela relatora nos quarto e quinto parágrafos, acrescentou ela uma ressalva totalmente descabida ao concluir que: "Tendo sido assinado em outubro de 2007 (referindose ao laudo pericial), cabe considerar portador de moléstia grave a partir da emissão do mesmo, tal como disposto na legislação isentiva". 5. Essa ressalva, além de absolutamente descabida, ela representa um flagrante erro de fato por contrariar, de maneira frontal, a verdade processual, vale dizer, as provas contidas nos autos. 0 Laudo Pericial para Fins de Aposentadoria (uma das peças do processo E09/878431170212007, anexado por cópia), emitido pelo serviço médico oficial do Estado do Rio de Janeiro, registra no item V) PARECERES ESPECIALIZADOS, com todas as letras, que o contribuinte foi "revascularizado em 2003". E subsidiando o Laudo Pericial, as fls. 07 e 08 desse mesmo processo E 09/87843/1702/2007, originário do Estado do Rio de Janeiro, reproduzem, respectivamente, (a) a Descrição Cirúrgica da revascularização do miocárdio, realizada, em 07/10/2003, pela equipe comandada pelo conhecido cirurgião• cardíaco Dr. Edson Nunes e (b) o atestado lavrado pelo Dr. Noé Alves da Costa, médico cardiologista do contribuinte, afirmando, textualmente, que "Mário Teixeira Filho, 66 a, é portador de cardiopatia isquêmica grave, tendo realizado cirurgia de revascularização do miocárdio em 2003, e mantém, no momento, controle ambulatorial." 6. Tal erro não pode sequer ser confundido com um erro de direito, decorrente de uma interpretação equivocada do art. 5° da IN SRF n° 15/2001, transcrito, na integra, pela própria relatora logo no inicio de seu voto. 0 § 2º dessas normas complementares deixa claro que as isenções, ali referidas, aplicamse aos rendimentos recebidos a partir de uma das três seguintes datas: · do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; · do mês da emissão do laudo pericial, se a moléstia for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; e · da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. 7. Se "cada palavra vale por si mesma, pelo seu significado nu neste momento" 1 a única conclusão possível é que a isenção, neste caso, aplicase a partir do ano de 2003, gritantemente identificada no LAUDO PERICIAL e nas peças que o complementam constantes da DESCRIÇÃO CIRÚRGICA da Equipe que Fl. 90DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 realizou a cirurgia no Hospital São Lucas e do atestado do médico cardiologista do contribuinte, tudo folhas do mesmo processo, o E 09/87843/1702/2007, constituído para a adequada mudança de fundamento legal da aposentadoria. A rigor, podese afirmar que o LAUDO PERICIAL 6, de fato, tudo o que consta do referido processo, originário do Estado do Rio de Janeiro. 8. Errou, portanto, a relatora porque pelas consistentes provas dos autos, a cardiopatia grave não foi contraída após a concessão da aposentadoria, aplicandose, portanto, a regra do inciso III do § 2° do art. 5° da IN SRF n° 15/2001 e não a do inciso anterior. Dai o flagrante erro de fato que afrontou a verdade processual. DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL versus ERRO DE FATO 9. Errar é humano, já diziam os romanos. 0 Direito não proíbe o ser humano de errar. Ao contrário, o erro é admitido e, por via de conseqüência, admitidos, também, os caminhos para o seu acerto. 11. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional prevê, por exemplo, a correção de oficio do lançamento. A Lei n° 9.784/99, a que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seu artigo 55, determina que "a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vicio de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos". 13. 0 processo administrativo fiscal ainda é mais incisivo quando se trata de erro de fato, ao determinar em seu artigo 32 que: "As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de oficio ou a requerimento do sujeito passivo." 14. 0 Acórdão, ora contestado, contém uma flagrante inexatidão material devida a lapso manifesto, ao desconhecer as provas dos autos que, se levadas em conta, conduziriam a conclusão diametralmente oposta à da relatora. 15. 0 Superior Tribunal de Justiça, através de sua Primeira Turma, decidiu pelo Acórdão n° 2008/01285212, datado de 20 de agosto de 2009, uma questão em tudo semelhante à deste caso, conforme se constata da transcrição abaixo de parte da Ementa: "1. A rescindibilidade advinda do erro de fato decorre da má percepção da situação fática resultante de atos ou documentos da causa dos quais o magistrado não se valeu para o julgamento, a despeito de existentes nos autos." (0 negrito não é do original.) APLICAÇÃO DO ESTATUTO DO IDOSO E DA LEI QUE ASSEGURA PREFERÊNCIA DE JULGAMENTO versus EFEITOS BENÉFICOS MAIS JUSTOS COM A ANULAÇÃO DE DECISÃO DECORRENTE DE ERRO DE • FATO 16. A anulação de oficio do Acórdão em referência, para que outro seja proferido levando em conta todas as provas dos autos, será uma implícita Fl. 91DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13706.005706/200828 Acórdão n.º 2802002.531 S2TE02 Fl. 90 5 prioridade na tramitação, representando uma efetiva simplificação processual e, por decorrência, uma maior celeridade, evitando uma segunda instância de julgamento que somente servirá para retardar o recebimento de uma restituição que fará muita falta ao contribuinte, não só pela sua condição de idoso mas também pela de portador de cardiopatia grave, conforme está demonstrado nos autos, ambas condições que demandam constantes e crescentes despesas com profissionais especializados da área de saúde, com exames especializados periódicos e com o uso permanente de medicamentos. 17. Em resumo, pleiteia o recorrente que se cumpra o que determina o dispositivo abaixo transcrito da Lei 9.784/1999, já acima mencionada, que estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração: "Art. 69A. Terão prioridade na tramitação, em qualquer órgão ou instância, os procedimentos administrativos em que figure como parte ou interessado: (Incluído pela Lei n° 12.008, de 2009).” É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. A matéria ora em litígio é a isenção dos proventos recebidos pelos portadores de moléstia grave tipificada na Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988. O contribuinte afirma tratarse de rendimentos de aposentadoria e que é portador de moléstia grave. Desde 07/10/2003. Ocorre que a autoridade julgadora de primeira instância, apesar de concluir que o contribuinte é portador de cardiopatia grave deixou de reconhecer a isenção de tais rendimentos, por entender que o direito do recorrente se da a partir da assinatura do laudo médico e no presente caso o laudo médico, foi assinado em outubro de 2007. Assim, não há dúvida quanto ao fato de os rendimentos se referirem a proventos de aposentadoria, reforma, ou pensão e que o contribuinte é portador de cardiopatia grave. Resta então analisar se, à época dos fatos, o contribuinte era portador de moléstia grave tipificada no texto legal, atestada por laudo médico oficial. Compulsando os autos, verificase que o contribuinte não trouxe aos autos nenhum novo elemento capaz de modificar o entendimento proferido no voto de primeira Fl. 92DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 instância, ou seja o laudo apresentado nos da conta que o interessado é portador de cardiopatia grave desde outubro de 2007. Assim, NEGO provimento ao recurso. (assinatura digital) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 93DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11020.000108/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 20/03/2003 a 20/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA DE OBJETO
Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Súmula CARF n° 4, de 2009.
MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA
A obrigação tributária principal tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF No. 02.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas. No mérito, negar provimento ao recurso: a) Por voto de qualidade, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa; b) Por unanimidade de votos, quanto às demais matérias.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 20/03/2003 a 20/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA DE OBJETO Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Súmula CARF n° 4, de 2009. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA A obrigação tributária principal tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF No. 02. Recurso Voluntário negado.
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CRÉDITO BÁSICO Recorrente INTRAL S/A INDÚSTRIA DE MATERIAIS ELÉTRICOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/03/2003 a 20/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA DE OBJETO Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Súmula CARF n° 4, de 2009. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA A obrigação tributária principal tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF No. 02. Recurso Voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 01 08 /2 00 8- 46 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.000108/200846 Acórdão n.º 3202000.853 S3C2T2 Fl. 240 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas. No mérito, negar provimento ao recurso: a) Por voto de qualidade, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa; b) Por unanimidade de votos, quanto às demais matérias. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício formalizado através de auto de infração (efls. 1/ss) para a cobrança do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, multa de ofício e juros moratórios, no montante de R$ 220.891,02, pelo uso indevido de crédito básico do imposto referente a insumos adquiridos com isenção, tributados à alíquota zero ou não tributados. Segundo a fiscalização (efolhas 11/ss), o próprio contribuinte informou que os referidos créditos do IPI foram apropriados pela empresa em face de decisão judicial vigente à época da utilização desses créditos, em decorrência do Mandado de Segurança nº 2002.71.07.0016307. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 15/01/2008, referente ao período de 20/03/2003 a 20/12/2003, no valor total de R$ 220.891,02, fls. 03/05, por insuficiência de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Fl. 240DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.000108/200846 Acórdão n.º 3202000.853 S3C2T2 Fl. 241 3 Os enquadramentos legais das irregularidades apuradas, bem assim dos acréscimos legais, estão discriminados nos dispositivos das fls. 04,08 e 09. Conforme Relatório de Verificação Fiscal, o recolhimento a menor de IPI se deu pelo aproveitamento indevido de créditos básicos do IPI provenientes de insumos adquiridos com isenção, tributados à alíquota zero ou não tributados, informados no campo "informações complementares" do Livro de Registro de Apuração do IPI. Relata a fiscalização que o direito a utilização de referidos créditos foi pleiteado no Mandado de Segurança n° 2002.71.07.001630, que encontrase com recurso de Agravo Regimental, interposto pelo contribuinte, pendente de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, permanecendo em vigor a decisão judicial favorável à União, no sentido de considerar inconstitucional, por ofensa ao art. 153, §3, II, da Carta Magna, a admissão do creditamento de IPI, nas hipóteses de produtos favorecidos pela alíquota zero, pela nãotributação e pela isenção (fl. 115). Regularmente cientificado, em 22/01/08, conforme consta do auto de infração, 03, o autuado apresentou impugnação tempestiva em 21/02/2008, fls. 118 a 142, subscrita por procuradores devidamente habilitado nos autos (instrumento de mandato nas folhas 159), na qual, após breve relato dos fatos, alega, em preliminar, o sobrestamento do julgamento do presente processo administrativo até o deslinde da ação judicial (Mandado de Segurança n° 2002.71.07.0016307). No mérito, sustenta que é indevido qualquer valor relativo à multa, pois, embora o crédito tributário não esteja com a exigibilidade suspensa, por força da decisão do Supremo Tribunal Federal que deu provimento ao apelo extremo da União, somente 30 (trinta) dias após O transito em julgado da decisão do mandado de segurança de n° 2002.71.07.0016307, poderiam ser lançados e exigidos valores a título de multa, nos termos do art. 63, § 2o, da Lei n° 9.430/96. Na sequência, diz que o procedimento é nulo em razão da ausência de intimação específica para pagamento do débito, nos termos do art. 47 da Lei n° 9.430/96. Na continuação, se insurge pela cobrança dos juros de mora pela aplicação da Taxa SELIC, dizendo ser ilegal, por afronta ao Código Tributário Nacional e a legislação civil. Ao final, combate a multa aplicada, dizendo ser inconstitucional devido ao seu caráter nitidamente confiscatório É o Relatório. A 3ª Turma de Julgamentos da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre proferiu o Acórdão nº 1034.421, em 23 de setembro de 2011 (e folhas nº 172/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/03/2003 a 20/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO É vedado o sobrestamento do feito, por falta de previsão legal. AUTO DE INFRAÇÃO INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n ° 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade do procedimento administrativo. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.000108/200846 Acórdão n.º 3202000.853 S3C2T2 Fl. 242 4 A exigência da multa de ofício e da taxa SELIC como juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo a autoridade administrativa afastar a sua pretensão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada regularmente cientificada do Acórdão proferido, em 10/10/2011 (efolhas 179), interpôs Recurso Voluntário em 09/11/2011 (efls. 180/ss), alegando, em apertada síntese: a nulidade da decisão recorrida uma vez que não respeitou princípios administrativos e constitucionais que regem os atos administrativos, dentre os quais ausência de motivação, contraditório, ampla defesa e devido processo legal; a nulidade do procedimento fiscal em decorrência da ausência de intimação para pagamento, nos termos do artigo 47 da Lei nº 9.430/96; que é inaplicável a taxa Selic aos supostos débitos como juros de mora; que a multa aplicada é confiscatória; que é indevida a cobrança de juros sobre a multa de ofício. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Preliminares Da nulidade da decisão de primeira instância A alegação de nulidade da decisão de primeira instância suscitada pela Recorrente não deve ser acolhida. Entendo que não houve qualquer afronta a princípios administrativos e constitucionais como alega a Recorrente. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.000108/200846 Acórdão n.º 3202000.853 S3C2T2 Fl. 243 5 O julgador não está obrigado, necessariamente, a se pronunciar sobre a totalidade dos argumentos aduzidos. Isto porque no sistema de livre convencimento motivado, adotado em nosso ordenamento jurídico, permitese que a decisão proferida seja fundamentada com base nos argumentos que o julgador entender cabíveis, o que foi feito no caso concreto. Não houve, portanto, a alegada omissão arguida. No meu entender, o votocondutor apenas não adotou a tese defendida pela Recorrente, pelos fundamentos constantes do próprio voto. Consoante os ensinamentos do Ministro Luiz Fux, em sua obra Curso de Direito Processual Civil, Editora Forense, 2001, pág. 679, o rito a ser seguido em uma decisão é o seguinte: “Ultrapassado o relatório, o juiz inicia a fundamentação de sua sentença, imprimindo ao ato o timbre de sua inteligência acerca dos fatos e do direito aplicável. Tratase de garantia constitucional que impõe ao magistrado motivar a sua decisão, explicitando o itinerário lógico de seu raciocínio de maneira a permitir à parte vencida a demonstração das eventuais injustiças e ilegalidades encartadas no ato.” A decisão sendo devidamente motivada e fundamentada, não há que se falar em cerceamento de defesa, mesmo que não tenham sido abordados todos os pontos trazidos pela defesa. Corroborando esse entendimento, colacionase a ementa da decisão prolatada pelo Egrégio STJ, na qual, o relator, Ministro José Delgado, menciona claramente a desnecessidade de apreciação de matéria que não guarde pertinência e relevância entre os fatos e a decisão. “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. PRETENSÃO DE REVOLVIMENTO DE MATÉRIA MERITAL (PIS SEMESTRALIDADE INTERPRETAÇÃO DO ART. 6º, DA LC 07/70 CORREÇÃO MONETÁRIA – LEI 7.691/88). DESOBEDIÊNCIA AOS DITAMES DO ART. 535, DO CPC. EXAME DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Inocorrência de irregularidades no acórdão quando a matéria que serviu de base à interposição do recurso foi devidamente apreciada no aresto atacado, com fundamentos claros e nítidos, enfrentando as questões suscitadas ao longo da instrução, tudo em perfeita consonância com os ditames da legislação e jurisprudência consolidada. O não acatamento das argumentações deduzidas no recurso não implica em cerceamento de defesa, posto que ao julgador cumpre apreciar o tema de acordo com o que reputar atinente à lide. (...) (EDREsp nº 362.014/SC, DJ de 23/09/2002, pg. 236, Min. Rel. José Delgado). Portanto, conforme se depreende, ainda que o relator do voto de primeira instância não tenha apreciado todos os argumentos aduzidos pela interessada, não se configura, necessariamente, motivo de nulidade da decisão a quo, pois, o órgão julgador não está Fl. 243DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.000108/200846 Acórdão n.º 3202000.853 S3C2T2 Fl. 244 6 obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pela contribuinte se por outros motivos tiver firmado seu convencimento. É certo, também, que não houve qualquer cerceamento ao direito de defesa e ao amplo contraditório, corolários do devido processo legal, haja vista que o Recorrente teve, e está tendo, a oportunidade de insurgir contra a pretensão fiscal, apresentando todos os seus argumentos na esfera administrativa e, também, concomitantemente, na esfera judicial. Deste modo, indefiro o pedido para declarar a nulidade do Acórdão recorrido também quanto a essa matéria. Da nulidade do procedimento fiscal pela ausência de intimação para o pagamento A Recorrente alega que o “o procedimento fiscal que foi impugnado padece de nulidade em razão da ausência de intimação específica para pagamento do débito, nos termos do art. 47 da Lei nº 9.730/96 (sic)”. Não assiste razão à Recorrente também nesta alegação. Como muito bem destacado no voto condutor da decisão recorrida, o artigo 47 da Lei nº 9.430/96 trata da hipótese de pagamento, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo, de tributos e contribuições já declarados, o que não é o caso dos autos, que trata de lançamento de ofício. Deste modo, improcedente a pretensão da Recorrente por ausência de previsão legal. Mérito No mérito, o Recurso Voluntário deve ser conhecido apenas para tratar das matérias não apreciadas no âmbito do Poder Judiciário. Da utilização do crédito básico do IPI em relação a insumos isentos, tributados à alíquota zero e não tributados Em relação à possibilidade de utilização do crédito básico do IPI referente a insumos adquiridos com isenção, tributados à alíquota zero ou não tributados, a questão não pode ser conhecida na esfera administrativa por haver identidade de matéria entre este processo administrativo e o processo judicial impetrado pela Recorrente. É fato incontroverso, fartamente demonstrado nos autos e confirmado pela Recorrente (vide efolhas 19/ss), a existência de ação judicial (Mandado de Segurança nº Fl. 244DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.000108/200846 Acórdão n.º 3202000.853 S3C2T2 Fl. 245 7 2002.71.07.0016307) onde discutese a possibilidade de utilização de crédito básico do imposto referente a insumos adquiridos com isenção, tributados à alíquota zero ou não tributados. A matéria, inclusive, é objeto do RE nº 560196 junto ao STF (efolhas 113/116). Destarte, em face de existência da ação judicial, conforme informado acima, deve prevalecer a opção efetuada pela via judicial, cumprindose o que lá for decidido. Não se conhece, portanto, do Recurso nessa parte na esfera administrativa, ao teor da Súmula CARF nº 01, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Da utilização da taxa Selic Em relação à utilização da taxa Selic como juros moratórios, o argumento apresentado pela Recorrente também não merece ser acolhido. Vejamos. A Lei nº 9.065, de 20/06/1995, que deu nova redação a dispositivos da Lei nº 8.981, de 20/01/1995, dispôs em seu art. 13, que a partir de 1º de abril de 1995, os juros de mora incidentes sobre tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, de que trata o art. 84, inciso I, e §§ 1º, 2º e 3º, da Lei nº 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao do pagamento e a 1% no mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. De igual modo dispõe o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, em relação aos débitos decorrentes de tributos e contribuições administrativos pela SRF cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica. Os juros de mora representam a indenização da mora. Constituem o rendimento que o credor teria se pudesse contar com o principal desde a data do vencimento da obrigação. Seu objetivo é reparar, com pecúnia, o Erário, pelo atraso no recolhimento do débito tributário. Tais juros são calculados sobre o tributo não pago, repitase, a título de ressarcir o Estado pela não disponibilidade do dinheiro, representado pelo crédito tributário. A adoção da taxa de referência SELIC como medida de percentual de juros de mora sobre tributos não pagos nos prazos legais se fez via lei ordinária já reportada, conforme faculta o § 1º do art. 161 da Lei nº 5.172/1966. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.000108/200846 Acórdão n.º 3202000.853 S3C2T2 Fl. 246 8 Convém lembrar que as Leis nº 9.065/1995 e nº 9.430/1996 foram editadas pelo Poder Legislativo e sancionadas pelo Poder Executivo, a quem compete a fiel execução das normas legais. Assim, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicala, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Ademais, cumpre reiterar que a autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar alegações de inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico. Conforme já mencionado, cabe tãosomente verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está ou não conforme a legislação tributária, sem emitir juízo de legalidade ou constitucionalidade das normas jurídicas que embasaram o ato. Em última análise, não existe qualquer vedação legal à instituição da taxa referencial SELIC para fins de utilização no cálculo dos juros de mora devidos pelo contribuinte em mora. Este, inclusive, é o teor da Súmula CARF nº 4, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Do suposto caráter confiscatório da multa aplicada No tocante ao questionamento da Recorrente em relação ao percentual da multa de ofício aplicada, que seria “flagrantemente ilegal e inconstitucional”, entendo que não há como prosperar. Conforme pode ser verificado em demonstrativo anexado aos autos, a multa foi fundamentada no artigo 80, inciso I da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: I Setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; A conduta praticada pela Recorrente está perfeitamente tipificada no dispositivo legal acima transcrito, qual seja a falta de recolhimento do IPI, cabível, portanto, a aplicação da sanção prevista na norma. Como visto, há previsão legal para a cobrança da multa. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.000108/200846 Acórdão n.º 3202000.853 S3C2T2 Fl. 247 9 Em outro giro, quanto ao argumento da Recorrente de que houve ofensa a princípios constitucionais e o suposto caráter confiscatório da multa, entendo que o Contencioso Administrativo não é a instância competente para a discussão dessas matérias. O CARF faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária aos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Este Colegiado pode reconhecer apenas inconstitucionalidades já declaradas, definitivamente, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ou nas demais situações expressamente previstas nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009, condições que não se apresentam no presente caso. Neste sentido, inclusive, foi aprovada a Súmula CARF nº 02, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Quando a cobrança de juros sobre a multa de ofício O Recorrente aduz que a decisão recorrida não pode prevalecer no que tange à manutenção dos juros Selic exigidos sobre a multa de ofício por entender que não há previsão legal para a sua incidência e que encontra respaldo em recente entendimento do CARF. Não concordamos com os argumentos da Recorrente pelos fundamentos que passamos a expor. É preciso mencionar, inicialmente, que a argumentação no sentido de que a incidência dos juros de mora se daria apenas sobre os tributos, é feita a partir de uma interpretação “supostamente” literal do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Convém enunciarmos a redação do dispositivo: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (grifamos) Os defensores da tese da não aplicação de juros sobre a multa salientam a menção do legislador a débitos de “tributos e contribuições”, diferentemente de legislação anterior, que reportava a débitos de qualquer natureza (DecretoLei nº 2.323, de 1987, e Lei nº 8.218, de 1991). Discordamos desta interpretação, até porque esta, na maioria das vezes, é apenas o ponto de partida para a construção dos sentidos da norma a ser aplicada. Não devemos desprezar a expressão “decorrente de”, aposta antes dos vocábulos “tributos e contribuições”, constante do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Deste modo, a interpretação que Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.000108/200846 Acórdão n.º 3202000.853 S3C2T2 Fl. 248 10 se deve dar à expressão “decorrentes de tributos e contribuições”, a meu sentir, referese aos débitos “cuja origem remonta de tributos e contribuições”. A multa de ofício decorre do não pagamento do tributo! Diferente seria se o citado artigo 61 prescrevesse que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterse iam aos juros de mora”. Não foi essa, a meu ver, a intenção do legislador. Não devemos, portanto, interpretar o dispositivo legal desprezando o sentido da expressão “decorrente de”, constante do texto em vigor. E mais, uma interpretação exclusivamente literal dos dispositivos normativos não é a mais adequada como leciona Paulo de Barros Carvalho (in Direito Tributário, Linguagem e Método, 1ª edição, p. 201): “O critério sistemático da interpretação envolve os três planos (sintático, semântico e pragmático) e é, por isso mesmo, exaustivo da linguagem do direito. Isoladamente, só o último (sistemático) tem condições de prevalecer, exatamente porque ante supõe os anteriores. É assim, considerado o método por excelência”. Se fizermos uma interpretação sistemática dos dispositivos do CTN chegaremos à conclusão que os juros moratórios devem incidir sobre a multa de ofício. Vejamos. Não adimplida a obrigação tributária no prazo legal, nasce para o contribuinte o dever de pagar o valor do tributo e mais a multa. Por ocasião da constituição do crédito tributário, pelo lançamento, a multa de ofício correspondente passa a integrar aquele valor, nos termos do que dispõe o § 3º do artigo 113/CTN. Como se observa, a partir do lançamento, o tributo e a multa de ofício são devidos pelo contribuinte, e esse valor será uniformemente corrigido de acordo com a legislação. Não há possibilidade para a segregação das formas de correção deste montante total. Em outras palavras, não é lógico que valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, enquanto que a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo crédito tributário. Como dispõe o artigo 139 do CTN, o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação principal e esta, por sua vez, é composta tanto pelo tributo quanto pela penalidade pecuniária. Após o lançamento, tributo e multa se convolam em crédito tributário, e é sobre essa quantia que os juros deverão incidir. Em outro giro, se fizermos uma interpretação teleológica, pautada na finalidade do dispositivo legal, ressalta sobremaneira a necessidade de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. É preciso ser dito, que as multas encerram em si duas finalidades precípuas: uma finalidade punitiva, em razão da prática de uma conduta reprovada pelo ordenamento jurídico e uma finalidade educativa, na medida em que o contribuinte que cometeu o ilícito tributário, bem como os demais contribuintes, será compelido a não repetir tal conduta juridicamente indesejada. Temse, assim, que afastar a incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício seria frustrar totalmente a finalidade dos dispositivos legais que cominam multa de ofício. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.000108/200846 Acórdão n.º 3202000.853 S3C2T2 Fl. 249 11 Convém, ainda, transcrever julgados do Superior Tribunal de Justiça já decidiram por manter os juros sobre a multa de ofício, verbis: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. MULTA PUNITIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ. 11/05/2010) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, em 14/09/2009) No âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, há diversos julgados do CARF reconhecendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, dentre eles citamos os seguintes: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007; Relator: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora em percentual equivalente ã taxa SELIC. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (Acórdão 10322197, de 07/12/2005; Relator: Aloysio José Percínio da Silva) Entendo que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação esta que harmoniza os diversos dispositivos do CTN. Acrescentese, Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.000108/200846 Acórdão n.º 3202000.853 S3C2T2 Fl. 250 12 ainda, que a legislação ordinária (ex vi artigo 43 e 61, Lei nº 9.430/96) de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de oficio, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário. Concluise, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre a multa de oficio. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, e a lei dispôs de forma diversa, conforme prescreve o artigo 61, parágrafo 3º, da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso posto que presentes os requisitos de admissibilidade, para rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11020.000108/200846 Acórdão n.º 3202000.853 S3C2T2 Fl. 251 13 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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