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Numero do processo: 11080.006581/2004-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1999
REFIS. INDEFERIMENTO. AJUSTES FINANCEIROS. LUCRO INEXISTENTE.
Com o indeferimento do ingresso no Refis, os ajustes financeiros decorrentes da reversão de acréscimos legais (multas e juros) realizados pelo contribuinte não mais se justificam, não podendo ser utilizados pela fiscalização como base para a autuação fiscal.
Numero da decisão: 1401-001.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso .
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 05/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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Fabrica de Talheres Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 REFIS. INDEFERIMENTO. AJUSTES FINANCEIROS. LUCRO INEXISTENTE. Com o indeferimento do ingresso no Refis, os ajustes financeiros decorrentes da reversão de acréscimos legais (multas e juros) realizados pelo contribuinte não mais se justificam, não podendo ser utilizados pela fiscalização como base para a autuação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso . ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 05/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 65 81 /2 00 4- 07 Fl. 690DF CARF MF 2 Relatório Tratase de exigência de CSLL referente ao 4º trimestre do anocalendário de 1999, acrescida da multa de 75% e juros SELIC. No ano de 1999 a empresa optou pelo lucro real trimestral. Por ocasião das verificações obrigatórias, a fiscalização constatou, pelo LALUR, que a empresa apurou IRPJ e CSLL a pagar, porém apenas informou tais tributos na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, sem o correspondente lançamento na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Segundo a autoridade autuante, a partir do ano calendário de 1999, com as INs 126/1998 e 127/1998, que instituíram respectivamente a DCTF e a DIPJ, a DCTF passou a ser considerada o documento hábil de declaração e confissão de dívida tributária, atribuindose à DIPJ um papel de cunho meramente informativo. Tais alterações justificariam, assim, a exigência do lançamento de ofício da CSLL neste processo, bem como do IRPJ, nos autos do processo 16152.000065/200906. Em resposta à intimação para esclarecer os débitos em aberto, a empresa alegou que os valores haviam sido incluídos no REFIS. Entretanto, o Relatório de Auditoria Fiscal constata que tal afirmativa não se confirmou, pois o pleito foi indeferido pelo Comitê Gestor do Programa de Recuperação Fiscal através do Parecer n° 034, de 31 de maio de 2004 (fls. 22/24), contido no processo n° 11080.009781/200241. O lançamento foi cientificado à contribuinte em 16 de setembro de 2004 e a empresa apresentou impugnação tempestiva. Segundo a empresa, em decorrência de sua opção pelo REFIS, os impostos e contribuições vencidos até 31 de dezembro de 1999 puderam ser quitados, a partir de março de 2000, à razão de 1,2% sobre o faturamento mensal. Assim, ao fechar o balanço do 4o trimestre de 1999, teve que optar entre duas alternativas: a) 'Regra geral' ditada pela Receita Federal: Manter o valor nominal do passivo tributário, acusando prejuízo no exercício neste caso os tributos ora exigidos seriam indevidos, eis que o ganho estimado seria realizado apenas nos exercícios subsequentes. b) Prática contábil 'especial' autorizada pela CVM: Lançar o débito levando em consideração o benefício decorrente da adesão ao REFIS (ie., a redução contábil do exigível de longo prazo por via da adoção do critério de 'valor presente'), resultando em 'lucro ficto', dependente de condições futuras, quais sejam: b.1 a companhia se manter no REFIS por todo o período do parcelamento, estimado em 170 anos; e b.2 o ganho financeiro previsto para igual período vir a se concretizar através da redução real do débito. A empresa então teria optado pela alternativa b, submetendo o 'lucro ficto e condicionado' à tributação do IRPJ e da CSLL, lançandoo de uma única vez no resultado do 4o trimestre de 1999. Embora o REFIS tenha sido inicialmente deferido, posteriormente, verificando erro nos códigos dos tributos quanto à periodicidade (indicou apuração anual Fl. 691DF CARF MF Processo nº 11080.006581/200407 Acórdão n.º 1401001.800 S1C4T1 Fl. 671 3 quando deveria constar apuração trimestral), a contribuinte solicitou a respectiva retificação, tendo recebido como resposta tanto o indeferimento da retificação sob a justificativa de que o prazo de inclusão de novos tributos havia se exaurido , quanto o presente lançamento de ofício. Em sua impugnação a empresa alega, basicamente (i) inexistência do fato gerador, pois a redução condicional do passivo tributário não é passível de incidência tributária; (ii) ainda que houvesse fato gerador, este deve ser diferido, pois o ganho financeiro previsto no balanço apenas será materializado ao final do prazo de parcelamento, só sendo exigível mês a mês de modo proporcional aos pagamentos; (iii) o auto de infração configura bis in idem, pois os tributos em questão foram declarados, consolidados e parcelados no âmbito do REFIS, prevalecendo este sobre os novos lançamentos; (iv) o tributo é inexigível ante a inexistência de ciência formal da "teórica" nãohomologação dos tributos no REFIS. Requereu, então, perícia contábil, para atestar a ocorrência de prejuízo no 4o trimestre de 1999, além do impacto mensal resultante do diferimento do tributo. Em 11 de maio de 2005, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou a impugnação improcedente (fls. 162167), em acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999 Ementa: PERÍCIA. OMISSÃO DO NOME PERITO. Desconhecese do pedido de perícia em que a autuada não aponta o nome, endereço e qualificação profissional de seu perito. REFIS. COMITÊ GESTOR. COMPETÊNCIA. Cabe ao Comitê Gestor do Refis decidir sobre a inclusão nesse programa de determinado crédito tributário, não sendo possível revolver essa matéria em sede de impugnação . Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 1999 Ementa: DIPJ E DCTF. EFICÁCIA. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Apenas a DCTF tem eficácia de confissão de dívida, cabendo à DIPJ papel meramente informativo. DIPJ. MATÉRIA TRIBUTÁVEL OBJETO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. Não se admite a retificação de DIPJ para alterar matéria tributável objeto de lançamento de oficio. Lançamento Procedente Cientificada em 25 de maio de 2005, a empresa apresentou recurso voluntário em 21 de junho de 2005, alegando, em síntese: (i) nulidade do acórdão recorrido, ante o não enfrentamento da questão da inexistência do fato gerador ou da inexigibilidade imediata da totalidade do tributo em virtude da realização diferida do lucro ao longo parcelamento. (ii) ao exercer a opção pelo REFIS a contribuinte parcelou o débito de modo integral, independentemente da exatidão do código informado na Declaração do REFIS até Fl. 692DF CARF MF 4 porque, por força do art. 20. da Lei n. 9.964/00, a consolidação abrange "todos os débitos existentes em nome da pessoa .jurídica, na condição de contribuinte ou responsável, constituídos ou não, inclusive os acréscimos legais referentes a multa, de mora ou de ofício, a juros moratórios e demais encargos, determinados nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores". Assim, A DCTF era dispensável, sendo irrelevante a circunstância de a DIPJ ter ou não natureza informativa, quando, a rigor, o contribuinte confessou o débito de modo irrevogável e irretratável ao exercer a opção pelo REFIS. Em 18 de outubro de 2006 a então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes resolveu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução 101 02.568 (fls. 240252): De acordo com as informações prestadas pela Recorrente, a presente exação originouse das "receitas extraordinárias REFIS", da ordem de R$ 151.855.000,00, decorrente da redução do exigível de longo prazo (passivo tributálo vencidos até 31 de dezembro de 1999), absorvidos pelo programa do REFIS, utilizando o método de "valor presente" para determinar a importância necessária na data do fechamento do balanço para adimplir o débito no curso do parcelamento. Por outro lado, ao analisar a ficha 07A de sua Declaração de Rendimentos do anocalendário de 1999, constatase que a Recorrente informou na linha 29 : Outras Receitas Operacionais , a importância de R$ 134.187.632,52, portanto, divergente do valor acima informado. Por seu turno, a Recorrente não carreou aos autos quaisquer documentos demonstrando que os valores acima apontados efetivamente decorrem dos procedimentos por ela efetuado para determinar o valor presente dos débitos confessados no REFIS. Dessa forma, entendo que o processo não se encontra devidamente saneado para que esta Colenda Câmara possa proferir com segurança e certeza decisão acerca dos fatos aqui mencionados. Neste sentido, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal: a) intime a Recorrente a demonstrar de forma pormenorizada os procedimentos adotados quanto às supostas "receitas extraordinárias REFIS oferecidas à tributação no 4o trimestre de 1999, inclusive em relação aos registros contábeis; b) proceda a uma análise de todos os procedimentos adotados pelo Recorrente que originou a suposta receitas extraordinárias REFIS, na importância de R$ 151.885.000,00, tecendo comentários que acha necessário para o bom deslinde da questão, e c) após, intime a Recorrente acerca do resultado e conclusão da presente diligência, para, se querendo, venha aos autos contraditála. No Relatório de Diligência Fiscal de fls. 491 a 494, datado de 24 de setembro de 2007, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre/RS afirma que "a resposta à Fl. 693DF CARF MF Processo nº 11080.006581/200407 Acórdão n.º 1401001.800 S1C4T1 Fl. 672 5 intimação, acompanhada de farta documentação, muito esclarecedora sobre o requerido, foi prestada em 23 de agosto de 2007 (fl. 215 a 426)". E continua: "Quanto à determinação para que esta fiscalização efetue comentários acerca "dos procedimentos adotados pelo Recorrente que originou a suposta receitas extraordinárias REFIS, na importância de R$ 151.885.000,00" (fI. 206. letra "b"), frisese, primeiramente, que a demanda requerida não se insere no contexto da autuação, uma vez que o procedimento fiscal restringiuse ao simples lançamento da CSLL, no exato valor do apurado pela empresa. Neste contexto, na ocasião, embora superficialmente, foram analisados os ajustes de adições e exclusões ao lucro líquido contábil, determinados ou autorizados pela legislação para fins de apuração da base de cálculo da contribuição em tela. Todavia. talvez em vista da análise superficial. não foram constatadas quaisquer impropriedades passíveis de lançamento, à exceção da própria contribuição, apurada pela empresa. mas não lançada por esta em DCTF." (...) Quanto aos lançamentos contábeis implementados pela empresa em decorrência do que se convencionou chamar de "Ajuste a Valor Presente", é de lembrar que estes foram aprovados pelo Conselho de Administração da Sociedade (fI. 276 e 277), foram auditados pela conceituada empresa de auditores independentes ARTHUR ANDERSEN (fls. 276 e 277), conformandose, assim, certamente, às determinações das normas contábeis vigentes, especialmente às disposições da Instrução CVM 346/2000 (fI. 427), que trata especificamente desta contabilização. Neste panorama, esta fiscalização não vislumbrou qualquer improcedência que merecesse restrições por ocasião do procedimento fiscal, mesmo porque o escopo desse trabalho não era o de reorientar decisões contábeis voltadas à reestruturação da empresa, mesmo porque estas foram implementadas pelas instâncias superiores da empresa e avalizadas por renomada empresa de auditoria. Ademais, conforme já decidiu o Conselho de Contribuintes "a ciência contábil é formada por uma estrutura única composta de postulados e orientada por princípios. Sua produção deve ser a correta apresentação do patrimônio, com apuração de suas mutações e análise das causas de suas variações. A apuração contábil observará as três dimensões na qual está inserida e as quais deve servir: comercial a Lei 6.404/1976; contábil Resolução 750/1992 e fiscal, que implica em chegar ao cálculo da renda, obedecendo a critérios constitucionais com fins tributários. A regência da norma jurídica originária de registro contábil tem a sua natureza dupla: descrever um fato econômico em linguagem contábil sob forma legal e um fato jurídico imposto legal e prescritivamente. Feito o registro contábil, como determina a lei, tornase norma jurídica individual e concreta, observada por todos, inclusive a administração, fazendo prova a favor do sujeito passivo. Caso contrário, faz prova contra". (1° Conselho Fl. 694DF CARF MF 6 de Contribuintes 8a Câmara 1 Acórdão 10807.816 em 13.05.2004. Publicado no DOU em: 19.07.2004). No âmbito da escrituração fiscal, segundo o disposto no art. 249 e 250 do RIR/99, cujas determinações são também aplicáveis à CSLL, somente podem ser acolhidos os ajustes por adição, exclusão ou compensação expressamente autorizados por Lei. Desta forma, eventuais realinhamentos de projeções efetuadas no âmbito contábil, devem ser resolvidos na esfera desta. (...)" Intimada a se manifestar sobre o relatório de diligência fiscal, a empresa autuada ressaltou o caráter inconclusivo do documento, observando que em vista disso nada havia que ser contraditado. Pediu, então, remessa doa autos ao Conselho de Contribuintes para que se prosseguisse o julgamento (fls. 497498). Distribuído no âmbito da Primeira Câmara do então Conselho de Contribuintes, em agosto de 2008 o processo foi devolvido por despacho, sob a seguinte justificativa "por se tratar de processo decorrente daquele que se encontra na DRF em Porto AlegreRS (PA n. 11080.006582/200443), sugiro devolver o presente a Secretaria desta E. Câmara, para que aguarde a subida do referido processo e sua inclusão em pauta, para só então, ser novamente a mim entregue, para inclusão em pauta." (fl. 502). Em novembro de 2013, sob a justificativa de que novos advogados foram constituídos pela empresa para atuar no processo, a empresa apresentou petição ressaltando a alegada existência de matérias de ordem pública: I aplicação ao caso do relatório de diligência e do acórdão proferidos no processo administrativo nº 11080.006580/200454, porque as autuações em ambos os processos "decorreram do mesmo fato gerador e da mesma ação fiscal". Nesse ponto, relata que, em 2003, a mesma autoridade administrativa levou a efeito fiscalização nas empresas do Grupo Mundial, o que resultou em 4 autos de infração (processos nº 11080.006580/200454; 11080.006581/200407; 11080.006582/200443 atualmente reconstituição de autos 16152.000065/200906 e 11080.006583/200498 atualmente reconstituição de autos 15374.000575/200906). Assim, requer seja dado provimento ao recurso sob exame assim como ocorrido no processo administrativo 11080.006580/200454, não podendo persistir mais qualquer dúvida no sentido de que ".. os ganhos obtidos pela contribuinte ... foram decorrentes exclusivamente de ajustes financeiros e não houve acréscimo patrimonial da contribuinte que justifique a incidência do IRPJ e da CSLL, mas lançamento fiscal equivocado, razão pela qual deve ser cancelado o ... lançamento". II inexistência de pedido da contribuinte para inclusão de novos débitos no REFIS, premissa aqui totalmente equivocada e que foi invocada, pelo fiscal para justificar a lavratura do auto de infração sob exame. Tratase da afirmação constante do relatório de diligência fiscal de que "... A empresa alegou que valores ... haviam sido incluídos no REFIS (mas) Entretanto, tal afirmativa não se confirmou, pois o pleito foi indeferido pelo Comitê Gestor do Programa de Recuperação Fiscal ... ". Sobre isso, a empresa alega que o pedido ao Comitê Gestor do REFIS e que foi indeferido jamais abordou ou pretendeu a inclusão de novos débitos no REFIS, mas sim teve como único e exclusivo propósito a Fl. 695DF CARF MF Processo nº 11080.006581/200407 Acórdão n.º 1401001.800 S1C4T1 Fl. 673 7 correção de erro material constante dos códigos dos tributos preenchidos nas planilhas alteração do código de "apuração anual" para "apuração trimestral". III falta de certeza e clareza em relação à identificação, pela autoridade tributária, dos exatos fatos geradores que deram origem ao lançamento de ofício e à consequente autuação sob exame. IV aplicação ao caso do instituto da prescrição intercorrente. De volta a este CARF, o processo foi distribuído ao Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Matos, então integrante desta Turma, o qual, por meio da Resolução 1401 000.295, de 11 de fevereiro de 2014 (fls. 615616), consignou existirem fortes indícios de que a decisão proferida no processo nº 11080.006580/200454, que trata da exigência de IRPJ referente ao mesmo período, também devesse se aplicar ao presente processo. Assim, naquela oportunidade foi proposta a realização de diligência para que as autoridades competentes da unidade de origem comparassem o presente processo com o de no. 11080.006580/200454 e elaborassem parecer conclusivo acerca da provável relação de causa e efeito existente entre eles. Em 4 de maio de 2016, a Delegacia Especial da Receita Federal de Fiscalização de Comércio Exterior DELEX/SPO elaborou tal parecer (fls. 629642), afirmando que deixou de analisar o processo 11080.006580/200454 por concluir que na verdade este processo guardaria melhor correspondência se julgado conjuntamente com o de no. 16152.000065/200906, relativo ao IRPJ, in verbis: O processo 16152.000065/200906 foi então apensado ao presente em 4 de maio de 2016 (fl. 643). Todavia, nesta mesma data, tal processo foi desapensado (fl. 644) não há indicação da justificativa para o desapensamento. O despacho de encaminhamento de fls. 646, datado de 5 de maio de 2016, observa: Foi determinado pelo Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator (fls.616) que o processo 11080.006580/200454 (contribuinte Mundial S/A Produtos de Consumo IRPJ) deveria ser apensado ao processo 11080.006581/200407 (CSLL Hércules S/A Fábrica de Talheres). Informo que este procedimento não pode ser feito em virtude de serem CNPJ´s distintos. Destarte, foi feita a vinculação dos processos, e Tendose cumprido o determinado pelo TDPFD e efetivada a ciência pessoal do contribuinte, através de sua representante Fernandan Boldarini Spolador, do Termo de Ciência de Informação Fiscal e do Termo de Fl. 696DF CARF MF 8 Encerramento de Diligência, em 04/05/2016, solicito o encaminhamento deste PAF ao Arquivo Geral. Conforme despachos de fls. 647 e 649, de maio de 2016, o presente processo foi então encaminhado ao CARF para prosseguimento, tendo sido devolvido para novo sorteio face ao término do mandato do Conselheiro Relator, e sendo então a mim distribuído. Em 3 de junho de 2016 a contribuinte apresentou manifestação (fls. 651687) sobre a notificação recebida em 4 de maio de 2016 (isto é, sobre o parecer conclusivo da DELEX/SPO de fls. 629642). Nesta, após repetir argumentos já expostos em manifestações anteriores, traz documentos para demonstrar que (i) o valor do IRPJ objeto da autuação do processo administrativo 11080.006582/200443 encontrase dentro daquele anterior parcelamento levado a efeito no REFIS (conforme Ficha 2 da "Declaração REFIS", que apresenta anexa); (ii) o valor objeto da autuação no presente processo administrativo (11080.006581/200407) encontrase dentro do parcelado no REFIS (conforme Ficha 4 da Declaração REFIS, que apresenta anexa). Dentre tais documentos está o Termo de Ciência de Informação Fiscal e de Encerramento de Diligência de 4 de maio de 2016, resultado da conversão em diligência efetuada nos autos do processo 16152.000065/200906, relativo ao IRPJ cobrado para o mesmo período ora analisado. Importa destacar os seguintes trechos deste Termo (fls. 682683 e 687): (...) Solicitei a distribuição do 16152.000065/200906, tendo em vista o presente ser reflexo daquele, no entanto embora deferida a distribuição não foi realizada pelo setor responsável deste CARF. É o relatório. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 11080.006581/200407 Acórdão n.º 1401001.800 S1C4T1 Fl. 674 9 Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. No caso em questão, por ocasião de seu ingresso no Refis em 1999, a Recorrente reconheceu contabilmente o benefício decorrente de tal adesão (correspondente à redução do exigível de longo prazo em vista da adoção do critério de valor presente), o que resultou em um lucro dependente de condições futuras, quais sejam: (i) a empresa se manter no REFIS por todo o período do parcelamento; e (ii) o ganho financeiro previsto para igual período vir a se concretizar através da redução real do débito. Posteriormente, a Recorrente foi excluída do REFIS. A autuação não restou suficientemente clara, razão pela qual o julgamento foi convertido em diligência em duas oportunidades. Em ambas, conforme relatado acima, a ora Recorrente apresentou todos os documentos solicitados. Não obstante, as autoridades fiscais se furtaram a responder os quesitos então colocados, colocando em questionamento e em franca desobediência ao determinado nas resoluções emanadas por este Conselho ora afirmando que "a demanda requerida não se insere no contexto da autuação" (Relatório de Diligência Fiscal de fls. 491 a 494, datado de 24 de setembro de 2007) ora que se deixaria de analisar o processo solicitado (o de no. 11080.006580/200454) por concluir que este processo guardaria melhor correspondência se julgado conjuntamente com o de no. 16152.000065/200906 (parecer da DELEX/SPO 4 de maio de 2016). Percebese que, conquanto as respostas às diligências fossem relevantes ao deslinde da presente questão, as autoridades fiscais não foram capazes de esclarecer aspectos relacionados ao lançamento fiscal ora combatido, pretendendo, em vez de proceder às investigações requeridas, realizar trabalho próprio das autoridades julgadoras. A conclusão a que se chega é de que há dúvidas quanto ao âmbito da presente autuação fiscal, as quais não lograram ser esclarecidas pelas autoridades competentes nas oportunidades em que o presente julgamento foi convertido em diligência, por franca recusa destas em as solucionarem. Diante deste cenário em que temos um lançamento fiscal não suficientemente claro, proceder a uma nova (terceira) conversão do julgamento em diligência seria beneficiar o fisco de sua própria torpeza, e punir o contribuinte com uma extensão desse processo que já dura mais de 12 anos. Assim, passo a julgar com base nas informações dos autos. O fato é que, tendo a Recorrente sido excluída do REFIS, o lucro futuro declarado, relacionado a ajuste das dívidas a valor presente (ajuste este efetuado exatamente em razão da opção pelo REFIS) não se verifica, razão porque deve ser o presente lançamento cancelado. Conforme relatado, restou esclarecido na diligência efetuada nos autos do processo 16152.000065/200906 (fls. 682687) que (i) não existiu o "ganho futuro" inicialmente reportado na contabilidade da Recorrente; e (ii) não foram distribuídos lucros aos Fl. 698DF CARF MF 10 acionistas relacionados a tal "ganho futuro". Interessa destacar a conclusão deste Termo, in verbis: "Desta forma entende esta fiscalização que o ganho oferecido à tributação em dezembro de 1999 só se torna concreto com a inclusão da interessada no parcelamento especial do RESIS, e, e, razão do ajuste financeiro (AVP) da multa e juros incidentes sobre os débitos parcelados. Havendo a exclusão do REFIS não há que se mencionar qualquer ganho financeiro e, portanto, de fato gerador de crédito tributário a este título." Por fim, vale mencionar que a presente autuação fiscal ocorreu no mesmo contexto daquela objeto do processo administrativo 11080.006580/200454, relativo à empresa Mundial S.A. Produtos de Consumo. As razões de decidir do acórdão proferido em tais autos, com as quais concordo, transcrevo abaixo: Voto O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. No caso em questão, o procedimento adotado pela contribuinte foi motivado por seu ingresso no Refis. De fato, no caso de ingresso no Refis, o ganho decorrente dos ajustes financeiros são tributáveis pelo IRPJ e pela CSLL. Consoante relatado no Termo de Informação Fiscal, às fls. 465, o resultado positivo auferido no anocalendário decorre justamente dos ajustes financeiros realizados no período, decorrente da reversão de acréscimos legais (multas e juros) devidos pela contribuinte. Ocorre que, com o indeferimento do ingresso da contribuinte no Refis, os ajustes por ela realizados não mais se justificam. Frisese que a legislação tributária não permite a reversão de encargos legais relativos a débitos que não foram objeto de parcelamento, de modo que o resultado apurado na DIPJ é baseado em lançamentos realizados à margem da legislação. Em decorrência, os ganhos obtidos pela contribuinte que, conforme apurado pela própria autoridade fiscal no Termo de Informação Fiscal, foram decorrentes exclusivamente de ajustes financeiros, motivados por equivoco da contribuinte, não podem ser acatados pela fiscalização. Não houve acréscimo patrimonial da contribuinte que justifique a incidência do IRPJ e da CSSL, mas lançamento fiscal equivocado, razão pela qual deve ser cancelado o presente lançamento. Isto posto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO Assim, voto por dar provimento ao presente recurso voluntário. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 11080.006581/200407 Acórdão n.º 1401001.800 S1C4T1 Fl. 675 11 Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Fl. 700DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900345/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO
O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc.
Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc.
Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96.
COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO
Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE
As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano-calendário.
Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002.
Numero da decisão: 1302-002.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 45 /2 00 8- 12 Fl. 3293DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.294 2 Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Por bem sintetizar o processo, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP a seguir transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação Fl. 3294DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.295 3 (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 06/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia as autoridades fiscais diligenciar junto à empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao Fl. 3295DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.296 4 princípio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que “a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário”; Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulando o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, na conformidade da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.297 5 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento afirmou que as estimativas mensais não poderiam caracterizar pagamento a maior passível de compensação, dada a sua natureza de mera antecipação. Contudo, entendeu que deveria examinar eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão (2001), já que este poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, firmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação em sua peça impugnatória. Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, da qual tomou ciência em 28/07/2010, a Contribuinte apresentou em 26/08/2010 o recurso voluntário de fls. 48 a 65, com os argumentos abaixo: Fl. 3297DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.298 6 DOS FATOS Em virtude das antecipações efetuadas a título de imposto de renda durante o anocalendário 2001, ao final do exercício a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, razão pela qual decidiu solicitar a restituição/compensação dos valores pagos a maior, por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação utilizando o indigitado crédito (Doc. 03); DA PROVA Inicialmente, importante destacar a necessidade do conhecimento dos documentos acostados ao presente recurso voluntário que atestam a legitimidade do crédito proveniente da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2001 (Doc. 04 – DARF´s; Doc. 05 DIPJ/2001; e Doc. 06 LALUR/2001), em obediência ao princípio da verdade material que norteia o procedimento administrativo fiscal federal; É imperioso o conhecimento do presente recurso voluntário e a análise dos argumentos expostos, que indubitavelmente acarretarão no reconhecimento integral dos créditos de IRPJ e, por consectário, na extinção dos débitos compensados; Ainda que a existência do crédito não tenha sido comprovada quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, em razão da necessidade de se observar o princípio da verdade material, a Recorrente pode fazêlo neste momento sem prejuízos; DO DIREITO Fl. 3298DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.299 7 DO CRÉDITO PLEITEADO A Recorrente adotava a sistemática de apuração do IRPJ por estimativa mensal, tendo efetuado pagamentos estimados no decorrer do ano calendário de 2001 (vide doc. 04) e, com o fechamento de seu balanço contábil, verificou o pagamento a maior do referido tributo, gerando, desta forma, o denominado saldo negativo (vide doc. 05); Referida sistemática encontra respaldo no artigo 6°, § 1°, inciso II, da Lei n° 9.430/96; Da análise dos documentos fiscais acostados pela Recorrente é possível constatar a apuração do saldo negativo de IRPJ no importe de R$ 140.283,14 vide doc. 05 DIPJ/2001), sendo certo que esse crédito é suficiente para liquidar o débito debatido no presente procedimento administrativo, bem como todos os demais débitos extintos com a utilização do referido saldo negativo através da transmissão de PER/DCOMP's; A Recorrente possuía um crédito no valor de R$ 140.283,14, o qual foi corretamente utilizado para quitar débitos administrados pela Receita Federal do Brasil; Inclusive, remanesceu em favor do Recorrente saldo credor de R$ 40.887,18, mesmo após ter efetuado as compensações supra mencionadas; Em que pese a Recorrente tenha informado nas PER/DCOMP's o valor dos recolhimentos por estimativa, e não o saldo negativo, é certo que esse procedimento não fulmina a existência do seu crédito tributário; Fl. 3299DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.300 8 Da análise dos documentos fiscais acostados ao recurso, e principalmente da DIPJ/2001 e das guias DARF´s, é visível que todos os recolhimentos mensais por estimativa (vide docs. 04 e 05) geraram recolhimentos a maior, os quais são passíveis de compensação; O crédito utilizado pela Recorrente é líquido e certo, não havendo razão para a manutenção do indeferimento da presente compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional e artigo 74 da Lei n° 9.430/96; Diante da comprovação da existência do saldo negativo de IRPJ através da DIPJ anocalendário 2001, não obstante o preenchimento do PER/DCOMP tenha sido efetuado com o valor do IRPJ recolhido por estimativa, não há razão para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado; Um simples vício formal não tem o condão de extinguir o direito da Recorrente, mesmo porque a Receita Federal do Brasil, através de seu banco de dados, tem como verificar os valores efetivamente recolhidos a título de IRPJ; A D. Autoridade Julgadora, por ter todas as informações em seu sistema, poderia ter verificado a sua existência, ou ter intimado a Recorrente a apresentar documentos capazes de comprovar o crédito, não podendo simplesmente indeferir o pleito da Recorrente; A simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito apurado em decorrência dos recolhimentos a maior efetuados pela Recorrente no anocalendário de 2001 a título de IRPJ; Fl. 3300DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.301 9 Tendo em vista que no caso em tela o crédito pleiteado decorre de recolhimentos efetuados a maior, devidamente comprovados através do saldo negativo apurado no anocalendário 2001 (vide docs. 04 e 05), e compensados dentro do prazo legal, é de rigor o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela Recorrente, com a consequente extinção do débito compensado; DA DECADÊNCIA Cabe destacar, ainda, que no caso em tela o crédito de IRPJ apurado no anocalendário 2001 não pode ser objeto de questionamento por parte das autoridades fiscais, em razão da decadência; O saldo negativo apurado em 2001 foi homologado tacitamente em 2007, extinguindose o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional; Sendo o IRPJ um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte apura o valor do tributo, o declara e efetua o pagamento do montante que considera devido, sendo certo que no caso em discussão, a Recorrente ao invés de apurar saldo devedor de IRPJ, no final do exercício de 2001, apurou crédito, o qual foi devidamente discriminado na DIPJ ano calendário 2001; Assim, caberia ao Fisco o dever de fiscalizar os procedimentos adotados pelo contribuinte, e realizar o lançamento das eventuais diferenças apuradas dentro do quinquídio legal; Fl. 3301DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.302 10 Uma vez que o saldo negativo apurado pela Recorrente nunca foi alvo de contestação pela D. Autoridade Fiscal, é certo que as informações declaradas na DIPJ do anocalendário 2001 encontramse homologados, ainda que tacitamente; O saldo negativo apurado pela Recorrente no ano de 2001 foi tacitamente homologado em 2007, com a consequente ausência do direito da D. Autoridade Fiscal em discordar da compensação efetuada pela Recorrente; A decisão administrativa proferida em 24/04/2008 é manifestamente extemporânea, haja vista que o ano de 2007 o saldo negativo de IRPJ não era mais passível de glosa por parte da D Autoridade Fiscal. Exatamente nesse sentido é a jurisprudência firmada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (decisões transcritas); E nem que se diga que a DIPJ retificadora, transmitida em 08/03/2004, tenha alterado o marco inicial para o decurso do prazo decadencial, haja vista que, como consabido, o prazo decadencial não é interrompido ou suspenso. Além disso, a referida declaração não alterou a composição do saldo negativo apurado originalmente no anocalendário de 2001; Contandose o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a apuração do saldo negativo referente ao ano de 2001, utilizado para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, foi tacitamente homologado no ano de 2007, motivo pelo qual, mais uma vez, devem ser reconhecidas como legítimas as compensações efetuadas pela Recorrente; Fl. 3302DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.303 11 DO PEDIDO A Recorrente solicita seja o presente recurso conhecido e provido para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como para que sejam homologadas as compensações efetuadas. Vindo os autos para julgamento por este Egrégio Conselho, o mesmo foi convertido em diligência para esclarecer os seguintes pontos (180/190), litteris: É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade: 1) junte aos autos cópia integral da DIPJ do anocalendário de 2001; 2) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2001; o valor das estimativas recolhidas referentes a 2001; o valor das retenções sofridas a título deste imposto no mesmo período; as receitas relativas a estas retenções, averiguando se elas foram computadas pela Contribuinte na base de cálculo do imposto; 3) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 4) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Fl. 3303DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.304 12 Baixado os autos em diligência, foi produzido relatório circunstanciado pela Delegacia da Receita Federal de Limeira/SP, aduzindo, resumidamente, o seguinte (fls. 3258/3262): 2 O valor do saldo negativo de IRPJ é de R$ 140.283,14, mas o crédito utilizado pelo contribuinte para compensação limitouse ao valor do pagamento, esclarecendo que não foi utilizado o pagamento de R$ 106,87, feito para o mês de maio de 2001: 3 Não há previsão legal para restituição de ofício. Portanto o crédito original a ser reconhecido na totalidade dos processos não pode ser superior a R$ 94.185,13. Intimada do relatório de diligência, a recorrente pleiteia que seja homologada a sua PERDCOMP tendo em visto o reconhecimento na integralidade do valor do seu saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 140.283,14. É o relatório. Fl. 3304DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.305 13 Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA O presente Recurso Voluntário foi apresentado em conformidade com o que dispõe o art. 33, do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço. Quanto ao argumento da decadência trazido pela recorrente, entendemos que não é aplicável ao caso vertente. É certo que após o transcurso do prazo decadencial, não pode o Fisco realizar procedimento fiscal visando modificar a base de cálculo do tributo, seja para exigir débitos, ou para reverter/reduzir prejuízo fiscal. O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. Por isso a alegação de decadência não tem o efeito pretendido pela recorrente, no sentido de justificar uma restituição automática do alegado direito creditório. Superada essa questão, passamos a análise do mérito propriamente dito. Compulsando a PERDCOMP (24367.64831.130504.1.7.041854) objeto da presente lide, observase que o contribuinte pleiteou a compensação de seu débito tributário com crédito decorrente de pagamento indevido ou maior de IRPJ referente a estimativa do mês de junho de 2001, senão vejamos: Fl. 3305DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.306 14 Fl. 3306DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.307 15 O despacho decisório não reconheceu o direito creditório da recorrente pelo seguinte motivo (fls.7): Fl. 3307DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.308 16 Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder a apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Da leitura do texto legal podese inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230 do RIR/99. Assim, a pessoa jurídica, ao optar pela apuração do imposto de renda com base no lucro real anual, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete. O tributo calculado com base no lucro real daquele período (janeiro ao mês de levantamento do balanço) será comparado com todo o tributo recolhido sobre as operações de janeiro até mês anterior ao do levantamento do balanço ou balancete. Se a soma dos pagamentos efetuados for maior que o tributo devido apurado com base no balanço ou balancete, a empresa não terá que pagar o tributo relativo ao mês de levantamento do balanço. Se o tributo apurado no balanço ou balancete for maior, a empresa deverá pagar a diferença. Fl. 3308DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.309 17 Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano calendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Passando a análise do mérito do caso em apreço, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto o crédito do tipo "pagamento indevido ou a maior" de IRPJ estimativa mensal de junho de 2001, código de arrecadação 2362. O relatório de diligência ao analisar de forma pormenorizada o cálculo do Imposto de Renda por estimativa no anocalendário de 2001 afirmou o seguinte: 3 No anocalendário de 2001, o contribuinte apurou os seguintes valores de IRPJ devido por estimativa: Fl. 3309DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.310 18 Fl. 3310DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.311 19 O total de imposto de renda retido na fonte deduzido na apuração do imposto de renda devido por estimativa é de R$ 26.432,29 e para validar o saldo negativo apurado, o contribuinte teria que ter sofrido retenção no valor total de R$ 45.991,14 e ter oferecido a receita correspondente à tributação. A retenção feita pela fonte pagadora Bradesco já comprova a retenção deduzida bem como o valor oferecido à tributação. Assim, o valor do saldo negativo de IRPJ confirmado é de R$ 140.283,14. (...) Fl. 3311DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.312 20 Diante da análise pormenorizada efetuada pela unidade preparadora, não restam dúvidas quanto ao direito creditório do contribuinte. Contudo, andou bem a unidade preparadora ao chamar a atenção deste colegiado que o contribuinte não pleiteou a compensação do seu saldo negativo de IRPJ (R$ 140.283,14), mas sim do pagamento indevido ou a maior por ele pleiteado em suas DCOMP´s, totalizando a quantia de R$ 94.185,13, isto é, o seu direito creditório está limitado a tal montante. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, reconhecendo a compensação efetivada como saldo negativo do IRPJ até o limite do seu direito creditório que totaliza a quantia original de R$ 94.185,13, conforme tabela abaixo enumerada, incidindo correção monetária a partir de 1 de janeiro de 2002. É como voto. Fl. 3312DF CARF MF Processo nº 10865.900345/200812 Acórdão n.º 1302002.028 S1C3T2 Fl. 3.313 21 MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 3313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.000015/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PENSÃO DECORRENTE DE FALECIMENTO DE EX-COMBATENTE DA FEB. ISENÇÃO LIMITADA AOS CASOS EXPRESSAMENTE PREVISTOS EM LEI.
Somente são isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF as pensões decorrentes de falecimento de ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira - FEB, pagas de acordo com os Decretos-Leis nº 8.794 e nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, a Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, o art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963 e o art. 17 da Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ISENÇÃO LIMITADA AOS CASOS EXPRESSAMENTE PREVISTOS EM LEI. Somente são isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF as pensões decorrentes de falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira FEB, pagas de acordo com os DecretosLeis nº 8.794 e nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, a Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, o art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963 e o art. 17 da Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 00 15 /2 00 9- 01 Fl. 126DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10725.000015/200901 Acórdão n.º 2402005.599 S2C4T2 Fl. 127 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I – DRJ/RJ1 (fls. 102/106), que julgou improcedente impugnação apresentada em face da Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, relativa ao ano calendário 2003 / exercício 2004, a qual resultou em imposto suplementar no valor de R$ 340,87 (trezentos e quarenta reais e oitenta e sete centavos), acrescido de juros de mora e multa de ofício. De acordo com a Notificação de Lançamento (fls. 12/18), o crédito foi constituído em vista de i) omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica pelo sujeito passivo, R$ 24.564,00 (vinte e quatro mil e quinhentos e sessenta e quatro reais ); ii) compensação indevida de Imposto Retido na Fonte IRRF, R$ 129,67 (cento e vinte e nove reais e sessenta e sete centavos) e iii) dedução indevida de previdência oficial, R$ 1.006,00 (um mil e seis reais). Por meio de sua impugnação (fls. 5/8), a Recorrente alega, em síntese, que os rendimentos reputados como omitidos referemse à pensão de excombatente da Força Expedicionária Brasileira – FEB, isenta do imposto de renda. Conforme informado no relatório da decisão recorrida: 3. Às fls. 50/51, 62, 76 diligências (foram) determinadas pela autoridade julgadora, com a finalidade de esclarecer o fundamento jurídico da pensão militar concedida à interessada, especialmente no que diz respeito à opção pela pensão prevista no inciso III do art. 53 do ADCT CF/88. Em consequência foram juntados diversos documentos aos autos, relevando destacar o Ofício nº 279SIP/ PENS – 56º BI, que é categórico em afirmar que a interessada não efetuou a opção pelo referido dispositivo constitucional; bem como o Ofício nº 129PENSSIP/ 56º BI, de fls. 82, comprovando que a pensão concedida à interessada tem fundamento no título de pensão 630/79, concedida ao ex combatente Benício Ramos, com fundamento nas disposições da Lei nº 4.242, de 1963, bem como, indicando que a pensão estaria em consonância com o art. 53, inciso III do ADCT CF/88. Assim, embora a interessada não tenha feito a opção referida, verificase que, quando da concessão da pensão, esta já teve fundamento no referido dispositivo constitucional. Cientificada, às fls. 89, a interessada manifestouse, às fls. 92 e seguintes, reafirmando que os rendimentos seriam isentos, por se tratarem de pensão de excombatente. Após discorrer sobre as inúmeras normas editadas com vistas à concessão de pensões e vantagens a excombatentes da FEB, a DRJ/RJ1 concluiu, consoante Ofício nº 129 PENSSIP/56º BI (fl. 82), que a pensão de 2º Tenente usufruída pela interessada tem fundamento nas disposições do inciso III do art. 53 dos ADCT CF/1998 de modo que não encontrase albergada pela regra relativa à isenção a qual relaciona exclusivamente as pensões Fl. 128DF CARF MF 4 amparadas nas seguintes normas: DecretosLeis nº 8.794/46 e 8.795/46, Lei nº 2.579/55, e art. 30 da Lei nº 4.242/63. Por ocasião do Recurso Voluntário, a Recorrente detevese a repisar as razões apresentadas na impugnação. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10725.000015/200901 Acórdão n.º 2402005.599 S2C4T2 Fl. 128 5 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Convém ressaltar, de início, que o objeto da presente lide se resume à verificação da existência ou não do direito da Recorrente ao benefício legal previsto no inciso XII do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, o qual dispõe: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XII as pensões e os proventos concedidos de acordo com os DecretosLeis, nºs 8.794 e 8.795, de 23 de janeiro de 1946, e Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, e art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, em decorrência de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira; [...] O Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR), acrescenta a esse rol de normas sancionadoras de isenção, por meio do inciso XXXV de seu art. 39, os rendimentos relacionados a proventos e pensões decorrentes de reforma ou falecimento de excombatente da FEB, concedido por força do art. 17 da Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990. Ressaltese que referido dispositivo se prestou tãosomente a resguardar direito previsto no revogado art. 30 da Lei nº 4.242/1963, não trazendo qualquer inovação no que respeita a regra referente ao favor legal. Importa esclarecer ainda que a isenção definida XII do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, não acode de forma generalizada os excombatente da FEB e suas respectivas pensionistas, mas se volta exclusivamente a situações consideradas especiais pelo legislador ordinário. Senão vejamos cada uma dessas situações, conforme já retratado na decisão recorrida: a) Decretolei nº 8.794/1946: regula vantagens a que têm direito os herdeiros dos militares da FEB desaparecidos, falecidos em virtude de ferimentos e moléstias adquiridas ou agravadas na zona de combate, de acidente em serviço e de quaisquer outros motivos, desde que no teatro de operações da Itália; b) Decretolei nº 8.795/1946: regula as vantagens a que têm direito os militares da FEB incapacitados fisicamente; Fl. 130DF CARF MF 6 c) Lei nº 2.579/1955: concede amparo aos exintegrantes da FEB julgados inválidos ou incapazes definitivamente para o serviço militar; e d) art. 30 da Lei nº 4.242/1963 e art. 17 da Lei nº 8.059/1990: concede pensão aos excombatentes da 2ª Guerra Mundial que se encontrem incapacitados, sem prover os próprios meios de subsistência, bem como a seus herdeiros. No caso concreto, restou consignado na decisão a quo que o expediente de fl. 82, emitido pelo 56º Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro esclarece que a pensão paga a Recorrente está fundada no inciso III do art. 53 dos ADCT CF/1998 e não em quaisquer das normas relacionadas no XII do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, ou mesmo no art. 17 da Lei nº 8.059/1990. Desse modo, considerando o disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional – CTN, o qual estabelece que se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção, concluo que os valores recebidos a título de pensão pela Recorrente não se enquadram nas disposições contidas na norma isentiva. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 131DF CARF MF
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Numero do processo: 13637.001015/2008-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/01/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 - CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - SENAR - INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF
Não houve, no âmbito do RE 363.852/MG, apreciação dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei no. 8.212, de 2001. O fato de constar no resultado do julgamento inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97 não respalda a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, uma vez considerada a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. A Lei no. 10.256, de 2001, conferiu legitimidade à cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física. Ainda, a sistemática de subrrogação e recolhimento das contribuições pela aquisição da produção rural de pessoas físicas encontra respaldo também no inciso III do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, permanecendo incólume ainda que se adotasse a argumentação de declaração de inconstitucionalidade do art. 30, IV.
Numero da decisão: 9202-005.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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LEI Nº 10.256/2001 CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF Não houve, no âmbito do RE 363.852/MG, apreciação dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei no. 8.212, de 2001. O fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não respalda a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, uma vez considerada a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. A Lei no. 10.256, de 2001, conferiu legitimidade à cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física. Ainda, a sistemática de subrrogação e recolhimento das contribuições pela aquisição da produção rural de pessoas físicas encontra respaldo também no inciso III do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, permanecendo incólume ainda que se adotasse a argumentação de declaração de inconstitucionalidade do art. 30, IV. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 00 10 15 /2 00 8- 16 Fl. 216DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2403001.052, prolatado pela 3a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 08 de fevereiro de 2012 (efls. 172 a 182). Ali, por unanimidade de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/01/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA INCONSTITUCIONALIDADE Considerando que a fundamentação legal para a exação em questão está prevista no art. 25, incisos I e II da Lei n 8.212/91 e que esses dispositivos foram reconhecidos como inconstitucional pelo STF no RE 596.177/RS, a responsabilidade da empresa adquirente de produção rural adquirida de pessoa física também desaparece, razão pela qual o AIOP não poderá prosperar. Recurso Voluntário Provido Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Enviados os autos à PGFN, para fins de ciência do Acórdão, em 27/03/2012 (efl. 183), esta apresentou, inicialmente embargos de efls. 184 a 186, rejeitados consoante despacho de efl. 189 a 191 Enviados novamente os autos para ciência em 07/01/2015 (efl. 192), a Fazenda Nacional apresentou, também em 07/01/2015 (efl. 204), Recurso Especial (efls. 193 a 203), com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara deste CARF, através do Acórdão 2302001.599, prolatado em 19 de janeiro de 2012, e, ainda, em relação ao decidido pela 2a. Turma Ordinária da 4a. Câmara deste CARF, através do Acórdão 2402001.724, prolatado em 11 de maio de 2011, de ementas e decisões a seguir transcritas: Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13637.001015/200816 Acórdão n.º 9202005.309 CSRFT2 Fl. 217 3 Acórdão 2302001.599 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 02/02/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art.12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº10.256/2001. GFIP. COOPERATIVA. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA.COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, na condição de subrogadas nas obrigações do produtor rural pessoa física e do segurado especial, são responsáveis pelo recolhimento das contribuições a que se refere o art. 25 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei nº10.256/2001, e são responsáveis também pela informação em GFIP/SEFIP da receita da comercialização da produção no campo Comercialização daProdução Pessoa Física. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE. São devidas à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. IMUNIDADE. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. A imunidade prevista no §2º do art. 149 da CF/88, relativa às receitas oriundas de operações de exportação, direcionase apenas às chamadas exportações diretas, situação em a Fl. 218DF CARF MF 4 produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. RELAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos sócios na Relação de Corresponsáveis CORESP não tem o condão de inserilos no polo passivo da relação jurídica tributária. Prestase apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32ADA LEI Nº 8212/91.RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91.Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. DIREITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por maioria de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II da Lei nº 8.212/91, que na conversão à Lei nº 11.941/2009, foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212/91. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que votou pela procedência total do recurso. Acórdão 2402001.724 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE RECEITA BRUTA PRODUÇÃO RURAL. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. SUBROGAÇÃO. Na qualidade de responsável tributário na condição de sub rogado, a empresa é obrigada a recolher as contribuições decorrentes da receita bruta de comercialização da produção rural em que foram retidas e não recolhidas à Previdência Social. RECEITA AUFERIDA PELO PRODUTOR RURAL ANTES DA EXPORTAÇÃO REALIZADA PELA COOPERATIVA. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13637.001015/200816 Acórdão n.º 9202005.309 CSRFT2 Fl. 218 5 Sem condição suspensiva, a subsunção do fato à norma de tributação é definitiva, sendo irrelevante para a relação jurídicotributária ocorrida a existência de fato superveniente alcançado pela imunidade constitucional. CONTESTAÇÃO JUDICIAL DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PREVIDENCIÁRIA. DIREITO Á COMPENSAÇÃO. NÃO PERMITIDO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a arguição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.Decisão: JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado n° 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado. Decisão: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda: a) apenas foi abordada no julgamento realizado no âmbito do RE n° 363.852/MG a constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei n° 8.212, de 1991 conferida pela Lei n° 8.540, de 1992 e 9.528, de 1997. Noutros termos, a Lei n° 8.540, editada em 1992, e a Lei n° 9.528, de 1997, alteraram o artigo 25 da Lei n° 8.212, de 1991. Modificouse a contribuição devida pelo empregador rural pessoa física, substituindo as contribuições incidentes sobre a folha de pagamento por aquela incidente sobre a comercialização da produção rural. Apenas esse arcabouço, assim, foi objeto da decisão proferida no RE n° 363.852/MG, fundamento da decisão ora recorrida, tendo decidido o Supremo Tribunal Federal pela sua inconstitucionalidade. Ocorre que a Suprema Corte não se pronunciou sobre a atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212, de 1991 a qual, hodiernamente, dá suporte para a cobrança da contribuição. Portanto, atualmente, a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é recolhida com base na redação do art. 25 da Lei n° 8.212 conferida pela Lei n° Fl. 220DF CARF MF 6 10.256, de 2001 cuja constitucionalidade não foi apreciada pelo STF, tanto que foi reconhecida como matéria de Repercussão Geral no RE nº 718.874/RS, ainda pendente de julgamento. Em assim sendo, não compete ao e. Colegiado a quo o pronunciamento da inconstitucionalidade da Lei nº 10.256/2001, por força do enunciado nº 2 da Súmula do CARF; b) Nos termos do RE n° 363.852/MG, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC n° 20 de 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física, em nada afetando o segurado especial. Com a edição da Lei n° 10.256, no ano de 2001, sanouse o referido vício, já tendo sido este último diploma considerado constitucional, consoante jurisprudência emanada do Tribunal Regional Federal da 4a. Região, citada nos autos; c) Como é possível perceber da leitura do citado acórdão proferido pela Suprema Corte, a subrogação em si mesma considerada, prevista no art. 30, IV da Lei no. 8.212, de 1991, não foi declarada inconstitucional. O referido dispositivo continua tendo utilidade prática em relação aos tributos recolhidos pelos segurados especiais e dos empregadores rurais depois da edição da Lei no. 10.256, de 2001, que adequou a técnica de tributação à nova redação constitucional; Requer, assim, o conhecimento do Recurso e seu provimento para reformar o acórdão recorrido. O recurso foi admitido, consoante despachos de efls. 206 a 210. Encaminhados os autos ao autuado para fins de ciência, ocorrida em 25/04/16 (efl. 214), o contribuinte quedou inerte quanto à apresentação de contrarrazões e/ou Recurso Especial de sua iniciativa. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, bem como a caracterização de divergência interpretativa, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, assim, dele conheço. Tratase de processo de crédito com exigência de obrigação principal, pelo fato de não terem sido arrecadadas contribuições previdenciárias sobre a comercialização de produção rural adquirida de pessoa física. Necessário, assim, que se analise, inicialmente, o mérito do lançamento, mais especificamente quanto à ocorrência dos fatos geradores relacionados à tal aquisição (obrigação principal), à luz da possível inconstitucionalidade discutida nos autos. Da contribuição do sobre a receita bruta de comercialização e SAT/RAT A propósito, reproduzse, a seguir, os dispositivos legais da Lei no. 8.212, de 1991, de relevância para o caso em questão, com a redação aplicável a data dos fatos geradores em análise: Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13637.001015/200816 Acórdão n.º 9202005.309 CSRFT2 Fl. 219 7 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual:(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) VII como segurado especial: o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais, o pescador artesanal e o assemelhado, que exerçam essas atividades individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos maiores de quatorze anos ou a eles equiparados, desde que trabalhem, comprovadamente, com o grupo familiar respectivo.(Redação dada pela Lei n° 8.398, de 7.1.92). Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01 Vigência a partir de 01/11/01) I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento;(Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97, vigência até 22.01.07) Fl. 222DF CARF MF 8 IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento;(Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) (...) O cerne da questão que remanesce nos presentes autos reside na delimitação do alcance da decisão emanada do STF no âmbito do RE 363.852/MG, de ementa abaixo: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Naqueles autos, discutese a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212, de 1991, com redação dada pelas Leis no. 8.540, de 1992 e 9.528, de 10 de dezembro de 1997, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, tendo como contribuinte o empregador rural e o produtor rural Pessoa Física, citados nos incisos V, "a" e VII do art 12 da referida Lei n° 8.212, de 1991 . Uma excelente digressão bastante abrangente acerca do tema foi realizada pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no âmbito do Acórdão CSRF 9.202 003.707, de 23 de janeiro de 2016, à qual acedo integralmente, verbis: " (...) É sabido que a Constituição da República de 1988 estabeleceu a tributação incidente sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar (art. 195, § 8° da CR). Em face disso, a Lei n° 8.212/91, art. 25, originariamente determinava que apenas os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13637.001015/200816 Acórdão n.º 9202005.309 CSRFT2 Fl. 220 9 regime de economia familiar) passariam a contribuir de forma diversa, mediante a aplicação de uma alíquota sobre a comercialização da produção. Todavia, com a edição das Leis n. 8.540, 9.528, que alteraram a redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91, passouse a exigir tanto do empregador rural pessoa física como do segurado especial a contribuição com base no valor da venda da produção rural. Quanto a este ponto o Supremo Tribunal Federal manifestouse pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar, conforme prevê o § 4° do art. 195 da Constituição da República. Impende saber se este modelo previdenciário trazido pela atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212 (introduzida pela Lei 10.256 e demais dispositivos já mencionados) se amoldaria aos preceitos constitucionais previstos no art. 195 da Constituição Federal. Portanto, de pronto, podemos concluir que a exigência de contribuições sobre a aquisição da produção rural de pessoas físicas até a edição da lei 10.256/2001, ou seja, para lançamentos que envolvem competências até a edição da referida lei, encontrase abarcada pelo manto da inconstitucionalidade conforme decisão proferida pelo STF, acima transcrita. Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. (...) Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97, razão pela qual compete a este Conselho, em observância ao art. 62A determinar a improcedência dos lançamento envolvendo períodos anteriores. Confirmando, ainda mais o posicionamento a ser adotado o referido precedente RE 363.852 foi ao depois aplicado em regime de repercussão geral por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil), cuja ementa encontrase abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI Fl. 224DF CARF MF 10 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL –MÉRITO, DJe165 de 29082011) Vale também transcrever posição do Dr. Rafael de Oliveira Franzoni, Procurador da Fazenda Nacional, que em seu artigo: “A CONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA: Análise da jurisprudência do STF e do TRF da 4ª Região”, assim conclui acerca das decisões proferidas no âmbito do STF: (...) Ou seja, o que era apenas um precedente tornouse um posicionamento consolidado no âmbito do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária prevista no art. 25 da Lei nº 8.212/1991, inclusive com as alterações decorrentes das Leis nºs 8.540/1992 e 9.528/1997, no que atine ao empregador rural pessoa física. Sendo assim, em face da força persuasiva especial e diferenciada proveniente dos julgamentos proferidos sob a nova sistemática da repercussão geral, é muito provável que seja tal entendimento seja seguido pelos demais órgãos do Poder Judiciário, independentemente da não existência de efeito vinculante a qualificar o controle difuso de constitucionalidade. Vale registrar, por oportuno, que a contribuição previdenciária do segurado especial, também regulada pelo art. 25 da Lei nº 8.212/1991, não foi afetada pela decisão da Suprema Corte no Recurso Extraordinário nº 596.177/RS, haja vista que o seu fundamento constitucional é distinto e independente da exação incidente sobre o empregador rural pessoa física. O daquela reside ele no § 8º; ao passo que o desta, no inciso I, ambos do art. 195 do Texto Magno. Se assim é, a declaração de inconstitucionalidade de que se cuida foi parcial, isto é, apenas parte da norma contida no texto do já citado art. 25 foi julgada nula e, portanto, extirpada do ordenamento jurídico. Mas este ponto será mais amiudemente examinado em tópico apartado. Assim, até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável, o que macula a contribuição criada com base na receita da comercialização. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13637.001015/200816 Acórdão n.º 9202005.309 CSRFT2 Fl. 221 11 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Alinhome, assim, aos que entendem que a inconstitucionalidade decretada no âmbito do RE 363.852/MG limitase: a) aos fatos geradores ocorridos antes da Lei no. 10.256, de 2001, e b) à contribuição devida pela comercialização da produção do empregador rural pessoa física, não abrangendo o caso do segurado especial previsto no art. 12, VII, da Lei no. 8.212, de 1991, visto que, neste último caso, a contribuição devida foi instituída com fulcro no art. 195, § 8o. da CRFB e não com fulcro no art. 195, I do Texto Maior, conforme muito bem esmiuçado em outro ponto do mesmo artigo citado de lavra do Dr. Rafael de Oliveira, verbis: (...) Anteriormente, foi aqui afirmado que a inconstitucionalidade de que se cuida foi apenas parcial. E por que parcial? Porque o art. 25 da Lei nº 8.212/1991, na redação atualizada até a Lei nº 9.528/1997, continha em seu bojo duas normas exacionais claramente divisíveis: uma que tinha como contribuinte o empregador rural pessoa física; e outra, o segurado especial. Vejamos: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea “a” do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada a Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II – 0,1 % (um décimo por cento) da recita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho; [...] Fl. 226DF CARF MF 12 E com efeito, como bem ensina o Ministro Gilmar Mendes, “o Tribunal somente deve proferir a inconstitucionalidade daquelas normas viciadas, não devendo estender o juízo de censura às outras partes da lei, salvo se elas não puderem subsistir de forma autônoma.” Logo, não havendo fundamento para afastar do mundo jurídico a contribuição incidente sobre o segurado especial, haja vista que a sua tributação encontra respaldo no art. 195, § 8º, da Constituição da República, o resultado dos Recursos Extraordinários nºs 363.852/MG e 596.177/RS foi uma declaração de inconstitucionalidade parcial com redução de texto. A técnica da declaração de inconstitucionalidade com redução de texto ocorrerá “quando for possível, em virtude da redação do texto impugnado, declarar a inconstitucionalidade de determinada expressão, possibilitando, à partir dessa exclusão de texto, uma interpretação compatível com a Constituição Federal”, como assinala Alexandre de Moraes . De tal modo, o Judiciário expurga do ato normativo apenas e tão somente o que dele for incompatível com a Constituição, preservando o que puder ser preservado, desde que esse resíduo também seja conforme a vontade do constituinte e do legislador infraconstitucional. Nessa linha, por exemplo, o Supremo Tribunal Federal já excluiu apenas a palavra desacato do texto do § 2º do art. 7º da Lei nº 8.906/1994 (Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil), julgada inconstitucional por conflitar com a autoridade do magistrado na condução da atividade jurisdicional. O restante do texto e da norma foi mantido em respeito à presunção de constitucionalidade das leis. Nesse quadro, em razão dos seus fundamentos de decidir, e em que pese não pronunciada expressamente pelo Supremo, a redução do texto do art. 25 da Lei nº 8.212, julgado parcialmente inconstitucional foi a seguinte: Art. 25. A contribuição do segurado especial referido no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada a Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II – 0,1 % (um décimo por cento) da recita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho; [...] Destarte, o exato limite da inconstitucionalidade declarada foi este: a supressão no texto do caput do art. 25 da expressão “[...] do empregador rural pessoa física e [...] referidos, respectivamente, na alínea “a” do inciso V [...]”. Preservouse no dispositivo, portanto, texto e norma suficiente para não ferir a contribuição social do segurado especial, arrimada no art. 195, § 8º, da Lei Maior. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13637.001015/200816 Acórdão n.º 9202005.309 CSRFT2 Fl. 222 13 Por outro lado, embora tenha havido a redução parcial do texto da cabeça do dispositivo inquinado, a declaração de inconstitucionalidade relativamente aos incisos I e II, entretanto, ocorreu sem redução de texto alguma. Isso para que o texto legislativo permanecesse íntegro para com relação à norma exacional incidente sobre o segurado especial. E aqui vale fazer a distinção entre texto e norma. Segundo os ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho, texto é o conjunto de símbolos linguísticos marcados em papel ou outro suporte, expostos em termos prescritivos e em forma técnica; já norma é “o juízo (ou pensamento) que a leitura do texto provoca em nosso espírito”. A norma é a significação do texto. Dito de outro modo, embora a redação dos incisos não tenha sido ferida pela declaração de inconstitucionalidade, como ocorreu com a cabeça, a norma que ali residia o foi, dela se expurgando a contribuição do empregador rural pessoa física. (...) De se notar, ainda, que, perfeitamente em linha com tal posicionamento, o RE 596.177/RS, dotado de repercussão geral e, assim, de obrigatória obediência por parte deste CARF, limitase ao caso do empregador rural pessoa física (cuja contribuição foi instituída com fulcro no art. 195, I da CRFB) para fatos geradores ocorridos antes da Lei no. 10.256, de 2001, não havendo que se falar de qualquer violação ao regimento interno deste CARF em seu art. 62A ao se adotar a tese acima delineada de inconstitucionalidade parcial, antes da vigência da Lei no. 10.256, de 2001, à qual, conforme já mencionado, me alinho integralmente. Já para fatos geradores ocorridos posteriormente à vigência da Lei nº 10.256, de 2001, que deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, segue a Conselheira tecendo as seguintes considerações, às quais também acedo aqui integralmente, adotandoas como razões de decidir para o presente caso: (...) a partir da referida lei, existiria respaldo para o lançamento de contribuições, conforme acima descrito e consolidado tal entendimento por decisão proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa no julgamento do RE 585684, senão vejamos (grifei): No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. [grifo nosso] (RE 585684, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado no DJe038 de 25/02/2011) Isto posto, com a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional nº 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas Fl. 228DF CARF MF 14 de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei nº 10.256/01. Ou seja, removida, através da Emenda Constitucional no. 20, de 1998, seguida da edição da Lei no. 10.256, de 2001, a inconstitucionalidade formal que embasou a decisão prolatada no âmbito do RE 363.852/MG, de se manter incólume a exação (contribuição sobre a comercialização da produção de empregadores rurais pessoas físicas), para quaisquer fatos geradores ocorridos na vigência da citada Lei no. 10.256, de 2001. Cita a Conselheira, ainda, a seguinte jurisprudência acerca do tema respaldando seu posicionamento, também aqui adotado: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10). Ainda a propósito, de forma consistente com o posicionamento acima, entendo que a melhor interpretação do decisum prolatado no âmbito do RE 363.852/MG, remete à conclusão de que, em nenhum momento, a sistemática da subrrogação foi declarada como inconstitucional pela Corte, conforme muito bem delineado pelo Conselheiro Arlindo da Costa e Silva no âmbito do Acórdão 230202.445, de 18.04.2013, verbis: "(...) Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis: “Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto ora para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Olhando com os olhos de ver, o Min. Marco Aurélio não declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13637.001015/200816 Acórdão n.º 9202005.309 CSRFT2 Fl. 223 15 nº 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, “deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91”. (...) Ora, caros leitores, o fato de o art. 1º da Lei nº 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea ‘a’ do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91, nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas ‘b’, ‘c’ e ‘d’ do mesmo inciso V acima citado para ‘c’, ‘d’ e ‘e’, respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Aliás, o vocábulo “subrogação” assim como a referência ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91” somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. (...)" Como fundamentação adicional, também comungo do entendimento de que, ainda, que a bem do debate, se entendesse ter sido declarada a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, para fatos geradores abrangidos pela vigência da Lei no. 10.256, de 2001, restaria incólume a responsabilidade de recolhimento prevista no art. 30, III Fl. 230DF CARF MF 16 da Lei no. 8.212, de 1991, conforme muito bem delineado também pelo Conselheiro Arlindo da Costa e Silva no Acórdão citado, verbis: "(...) A quatro, porque a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91 foi determinada ao adquirente, ao consignatário e à cooperativa, expressamente, pelo inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91, o qual não foi igualmente atingido, sequer de raspão, pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE nº 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa física após a publicação da Lei nº 10.256/2001, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. (...) É certo que o disposto no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91 já seria bastante e suficiente para impingir ao adquirente, consumidor, consignatário e à cooperativa o dever jurídico de recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização de produção rural. Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo: Isolou, propositadamente, no inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a obrigação tributária do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa de recolher a contribuição de que trata o art. 25 dessa mesma lei, no prazo normativo, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, outorgando ao Regulamento da Previdência Social a competência para dispor sobre a forma de efetivação de tal obrigação acessória. Acomodou no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, de maneira genérica, a subrogação do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa nas demais obrigações, de qualquer naipe, do empregador rural pessoa física e do segurado especial decorrentes do art. 25 desse Diploma Legal, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Da análise dos dispositivos legais acima selecionados, restou visível que a obrigação da empresa adquirente, consumidora, consignatária e a cooperativa pelo recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, mas, sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo legal, em atenção ao princípio jurídico da especialidade na solução dos conflitos aparentes de normas jurídicas, que faz com que a norma específica prevaleça sobre aquela editada de maneira genérica, princípio eternizado no brocardo latino “lex specialis derogat generali”. (...)" Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13637.001015/200816 Acórdão n.º 9202005.309 CSRFT2 Fl. 224 17 Feita tal digressão e, agora, atendose mais especificamente ao caso em questão, verifico se estar, nos presentes autos, diante de litígio acerca de fatos geradores que ocorreram já sob o período de vigência da Lei no. 10.256, de 2001 (o auto referese às competências de 02/2004 a 01/2007). Assim, com base na fundamentação acima disposta, não há que se falar em improcedência do lançamento decorrente da alegada inconstitucionalidade (visto que não abrangida pela decisão prolatada no âmbito do RE 363.852/MG e nem no âmbito do RE 596.177/RS), mantendose incólume a obrigação principal sob análise. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 232DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.722559/2009-39
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL DA PGFN. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Se o acórdão recorrido encontra fundamento em circunstâncias específicas relevantes que não foram tratadas pelos acórdãos paradigmas, e que nem mesmo estavam presentes no contexto dos fatos examinados por essas outras decisões, fica prejudicada a caracterização de divergência na interpretação da lei. Além disso, se o acórdão recorrido encontra fundamento em dispositivo legal que nem mesmo existia no contexto dos acórdãos tidos como paradigmas, não há como cotejar essas decisões para fins de comprovação de divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9101-002.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Adriana Gomes Rego, que conheceu parcialmente do recurso, quanto à ausência de divergência. Ausente, momentaneamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado).
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Jose Eduardo Dornelas Souza.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECURSO ESPECIAL DA PGFN. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Se o acórdão recorrido encontra fundamento em circunstâncias específicas relevantes que não foram tratadas pelos acórdãos paradigmas, e que nem mesmo estavam presentes no contexto dos fatos examinados por essas outras decisões, fica prejudicada a caracterização de divergência na interpretação da lei. Além disso, se o acórdão recorrido encontra fundamento em dispositivo legal que nem mesmo existia no contexto dos acórdãos tidos como paradigmas, não há como cotejar essas decisões para fins de comprovação de divergência jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Adriana Gomes Rego, que conheceu parcialmente do recurso, quanto à ausência de divergência. Ausente, momentaneamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado). (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 25 59 /2 00 9- 39 Fl. 5801DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 3 2 Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Jose Eduardo Dornelas Souza. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à definição dos regimes de tributação para IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS). A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1103001.048, de 06/05/2014, por meio do qual a 3a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, com a finalidade de cancelar o lançamento de ofício contido nestes autos, a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS). O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PRELIMINARMENTE. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AFRONTA AO ART. 42, DA LEI Nº 9.430/96. Legítimo o trabalho fiscal apurado com base em relatório individualizado da movimentação financeira. MÉRITO. OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Há que ser realizado o lançamento por arbitramento, quando a contabilidade do contribuinte é imprestável para a determinação do lucro real (art. 530, II, “b”, RIR/99) e as receitas omitidas, em face as especificidades da atividade econômica do contribuinte, não refletem a sua receita bruta. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, aplicase às exigências reflexas (CSLL, COFINS e PIS/Pasep), o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. PROVA PERÍCIA. É incabível a realização de prova pericial sobre contabilidade que se prova imprestável. CUMULAÇÃO DAS MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. Fl. 5802DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 4 3 É ilegal a cumulação de multa isolada (art. 44, II, “b”, Lei nº 9.430/96), com a multa de ofício (art. 44, I, Lei nº 9.430/96), sobre a mesma base tributável. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto ao cancelamento do lançamento de IRPJ e tributos reflexos, com o argumento de que teria havido erro nos regimes de tributação adotados. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o v. acórdão recorrido adotou entendimento divergente daquele que prevaleceu no antigo Conselho de Contribuintes, no que toca à necessidade de empregar o procedimento de arbitramento em caso de omissão de receitas, bem como no que concerne à consideração como receita bruta o montante integral dos valores omitidos, o que autoriza a interposição de recurso especial; DA DIVERGÊNCIA EM RELAÇÃO À NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO, NO CASO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. no presente caso, em relação ao decidido acerca do emprego do arbitramento, há nítida divergência entre o que restou decidido no v. acórdão recorrido e o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 10186.382, proferido pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, cuja ementa se reproduz em sua integralidade: Acórdão nº 10186.382 OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS Legítima a tributação fundamentada em depósitos bancários efetuados em conta corrente em nome da empresa, mantida fora dos registros contábeis, quando a autuada, intimada a esclarecer a origem da diferença entre tais valores em confronto com as receitas de vendas registradas no livro Diário, não logra fazêlo. ARBITRAMENTO DE LUCRO O arbitramento de lucro é procedimento reservado aos casos de inexistência ou imprestabilidade da escrituração contábil e aplicável apenas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI do artigo 399 do RIR/80, entre as quais não se inclui a existência de valores mantidos à margem da contabilidade, quando os mesmos são devidamente quantificados e tributados como omissão de receitas. (Grifos nossos) no aresto recorrido, a conclusão pela imprestabilidade dos registros contábeis do contribuinte é conseqüência da própria omissão de receitas, referente aos depósitos bancários, cujo montante, ao ser comparado com a totalidade das receitas auferidas, no entender dos i. julgadores, tornaria inservível a contabilidade da empresa; da leitura do julgado, extraise que a existência de omissão em montante considerado significativo constituiu premissa para que a Turma a quo julgasse imprestável a contabilidade da empresa, e, por conseqüente, concluísse pela inadequação dos procedimentos Fl. 5803DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 5 4 de apuração adotados pelo fiscal autuante, que não promoveu arbitramento das receitas omitidas; em sentido diverso ao entendimento esposado no aresto recorrido, firmou posicionamento o acórdão paradigma, segundo o qual a omissão de receitas não constitui, per se, fator a viciar os registros contábeis e, se for possível apurar a receita omitida, cabível o lançamento mediante sistemática do lucro real; patente, portanto, a divergência jurisprudencial no que toca à caracterização da imprestabilidade dos registros contábeis para o fim de se determinar o uso do arbitramento do lucro. Enquanto o acórdão recorrido entendeu que o montante omitido basta para viciar a contabilidade e configurar situação ensejadora do arbitramento, o aresto paradigma posicionou se no sentido de que a omissão de receita não é condição suficiente para tornar imprestáveis os registros contábeis e impor o arbitramento, sendo imprescindível, para tanto, que se constate a impossibilidade de promover a apuração do tributo devido por meio dos registros disponíveis; dessarte, podese concluir que o arbitramento de lucro é procedimento excepcional reservado aos casos de inexistência ou imprestabilidade da escrituração contábil e aplicável apenas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI do artigo 399 do RIR/80, entre os quais não se inclui a existência de valores mantidos à margem da contabilidade, quando os mesmos são devidamente quantificados e tributados como omissão de receitas; comprovada a divergência, deve ser dado seguimento ao recurso especial nesta parte; DA DIVERGÊNCIA EM RELAÇÃO À CONSIDERAÇÃO DE CUSTOS NO LANÇAMENTO RELATIVO À OMISSÃO DE RECEITAS. em relação à parte do acórdão recorrido que considerou distante do permissivo legal considerar como receita bruta o montante integral dos valores omitidos, sem considerar custos, referido entendimento divergiu dos Acórdãos 10183.760 e 10319994 do antigo Conselho de Contribuinte, cujas ementas seguem abaixo: Acórdão nº 10183.760 OMISSÃO DE RECEITAS Notas Calçadas Inconteste e admitida a caracterização de procedimento de utilização do conhecido expediente de emissão de notas fiscais calçadas, com comprovado desvio de receitas, impõese a tributação respectiva com a multa agravada de 150%. CUSTOS DE VENDAS OMITIDAS Acrescenta se ao lucro real, para efeito de tributação, o valor da venda realizada e não escriturada, sem se cogitar dos custos e despesas correspondentes, os quais, só poderão ser cotejados com a receita dentro de um regime regular de apuração do resultado, através de escrituração feita com observância das normas legais. Acórdão nº 10319994 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RECEITAS – PROCEDÊNCIA Acrescentase ao lucro real o valor das vendas realizadas e não escrituradas, sem se cogitar dos custos e despesas correspondentes, Fl. 5804DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 6 5 a não ser que a pessoa jurídica faça prova inconteste da existência e do valor das quantias a serem deduzidas. com relação aos créditos para apuração do PIS e da COFINS decorrente da omissão de receitas, repitamse os argumentos relativos aos custos, feitos acima, para apuração do IRPJ e da CSLL; com efeito, diversamente do acórdão recorrido, o qual desconsiderou lançamento fiscal com base na omissão de receitas, pois não se consideraram custos, os acórdãos divergentes proferiram entendimento de que se tratando de omissão de receita detectada em procedimento fiscal, a base de cálculo do imposto deve ser o valor da receita omitida adicionada ao resultado devidamente apurado (lucro real) constante da escrituração, haja vista que os custos e despesas correspondentes só poderão ser cotejados com a receita dentro de um regime regular de apuração do resultado, por meio de escrituração feita com observância das normas da legislação comercial e fiscal; por conseqüente, fica autorizada a interposição do presente recurso especial também neste ponto; DOS FUNDAMENTOS PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO tratase de lançamento de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL em virtude de omissão de receitas e tributação reflexa; a exigência tem como fundamento a presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996; o ponto controvertido neste recurso circunscrevese a determinar se o procedimento de apuração empregado pelo fiscal autuante está de acordo com a Lei ou se deveria ter promovido o arbitramento; para dirimir a lide, superando a controvérsia, cumpre definir se os registros contábeis da empresa continham vícios a importar sua imprestabilidade e, portanto, impunham o lançamento mediante arbitramento ou se permitiam a apuração do lucro real; da leitura do acórdão recorrido, bem como das alegações vertidas pelo contribuinte, depreendese que os supostos vícios a macular a contabilidade corresponderiam ao montante das receitas omitidas e à distorção da base de cálculo decorrente da magnitude da omissão; com a devida vênia, ditas circunstâncias não se subsumem às hipóteses ensejadoras do arbitramento de lucros; inicialmente, há que se estremar os requisitos para o arbitramento da base de cálculo do tributo. Com efeito, apesar de o arbitramento se fundar na identificação de inexatidões contábeis, não é qualquer irregularidade na escrita que permite a autoridade fiscal efetuálo; nos termos dos incisos I e II do art. 539 do RIR/94, a pessoa jurídica que, obrigada a tributação com base no lucro real não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela lei fiscal; ou ainda, mantiver escrituração com vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável Fl. 5805DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 7 6 para determinar o lucro real, ou revelar evidentes indícios de fraude, está justificando o arbitramento da base de cálculo dos tributos; antes do arbitramento, todavia, importa à autoridade fiscal, em cumprimento à norma legal, apurar o lucro real, a renda efetiva da pessoa jurídica. Tanto que, consoante iterativa jurisprudência deste e. Conselho de Contribuintes, o arbitramento não é punição, mas forma de apurar o lucro; as autoridades autuantes, ao analisarem os registros contábeis do recorrido, verificaram que, apesar da omissão de receitas, estavam em boa ordem e mantidos segundo as normas contábeis, e, portanto, seria possível determinar o lucro real, que foi, in casu, a base de cálculo para o lançamento; o ilícito que originou o lançamento resumese na manutenção de quantias à margem da contabilidade do recorrido e dita irregularidade, como já dito, não autoriza o arbitramento. As anormalidades que impõem o arbitramento encontramse na própria escrita contábil, que, produzida sem a observância das normas técnicas (contábeis e fiscais), obstam de forma incontornável a averiguação fiscal; esta conclusão também é corroborada pelos demais julgamentos sobre o assunto, a exemplo daqueles documentados nos acórdãos 10304.792, 10173.288 e 101 73.033, proferidos, respectivamente, pelas e. Terceira e Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que em conjunto estipulam de forma muito didática os requisitos para o arbitramento; a escrita contábil com irregularidade substancial é aquela incapaz de informar com exatidão os dados que se propusera, por erro de técnica ou por utilização de códigos (letras, números, etc.) incompreensíveis; a escrita imprestável, portanto, é aquela que nada informa à fiscalização, ou que informa de maneira tão incompreensível, tão errônea, que não é possível corrigila, restando apenas arbitrar a base de cálculo dos tributos devidos; não há nos autos prova alguma que a escrita contábil do contribuinte fosse incompreensível, inexistente, com irregularidades substanciais, produzida em desacordo com as normas técnicas universalmente aceitas, etc. Com a devida vênia, as objeções à auditoria fiscal levantadas pelo r. acórdão recorrido não infirmam em momento algum a presunção de que as autoridades fiscais optaram pela forma de tributação condizente com os dados da escrituração contábil do contribuinte; destarte, antes de concluir pela imprestabilidade dos registros contábil com base em suposto lucro excessivo, imprescindível que se investiguem outras possíveis causas; em verdade, como bem colocado no julgamento de primeira instância, o supostos excesso no lucro decorre de questão probatória: o contribuinte não comprovou os custos alegados, não obstante instado a fazêlo; a conclusão no sentido de que o contribuinte dispôs de seu direito à dedução tornase irrefutável ante a constatação de que teve oportunidade de produzir prova acerca das despesas eventualmente incorridas e não o fez; Fl. 5806DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 8 7 entender de outra maneira a eventual ausência de custos na contabilidade do contribuinte é inadmissível por esbarrar na principiologia básica do ordenamento; no caso, o contribuinte omite receita, mas mantém registros contábeis que permitem sua apuração com base no lucro real, embora não lance todos os custos e despesas nesses registros; a Administração Tributária, ao se deparar com o quadro de omissão de receitas, verificando que os registros contábeis permitem identificar adequadamente a receita omitida, promove a apuração do tributo e faculta ao contribuinte a produção de provas de eventuais custos ou despesas não registrados; o contribuinte recusase a produzir dita prova, o que resulta em suposta distorção nos lucros auferidos, para, em seguida, alegar a imprestabilidade do registros contábeis em decorrência dessa distorção por si provocada, e, assim, forçar o cancelamento do crédito por erro na apuração da base tributável; ao admitir que o contribuinte pode, ao dispor de seu direito, dar ensejo a cancelamento de lançamento, afrontase o princípio básico de que ninguém pode se aproveitar da própria torpeza; no caso, o contribuinte confessou a omissão de receitas, mas, em seguida, negoua e com base, tãosó, na alegada distorção dos resultados apurados, buscou forçar o cancelamento do lançamento sob o fundamento de que este deveria ter sido realizado mediante arbitramento; no controle de legalidade do processo administrativo fiscal, devese repudiar qualquer solução por meio da qual aquele que deu causa à nulidade, aufira dela benefícios, que é justamente a situação de que aqui se trata; por derradeiro, neste ponto, cumpre destacar que o posicionamento adotado pela Delegacia Regional de Julgamento encontra fundamento na jurisprudência deste e. Conselho; ainda que haja custos não contabilizados pelo contribuinte, não poderia o Fisco, do mesmo modo, abatêlos da receita omitida, a menos que o contribuinte provasse tais custos, e demonstrasse que são inerentes às receitas tributadas, obedecendo ao princípio do emparelhamento de receitas e despesas, um dos fundamentos do regime de competência; e, mais, fica subentendido no referido julgamento que a ausência destes custos não inquina de nulidade os registros do contribuinte; dado que: (i) os registros do contribuinte são regulares, permitindo a apuração do lucro tributável, (ii) o lançamento de custos e despesas encontrase na esfera de disponibilidade do contribuinte, e, portanto, eventual ausência não macula os registros correspondentes; (iii) o contribuinte teve oportunidade de sanar eventual omissão de seus registros mas escolheu não fazêlo, forçoso concluir pela estrita legalidade do lançamento, que deve ser mantido em sua integralidade; em suma, o arbitramento de lucro é procedimento excepcional reservado aos casos de inexistência ou imprestabilidade da escrituração contábil e aplicável apenas nas Fl. 5807DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 9 8 hipóteses previstas nos incisos I a VI do artigo 399 do RIR/80, entre os quais não se inclui a existência de valores mantidos à margem da contabilidade, quando os mesmos são devidamente quantificados e tributados como omissão de receitas; ademais, no caso de omissão de receita detectada em procedimento fiscal, a base de cálculo do imposto deve ser o valor da receita omitida adicionada ao resultado devidamente apurado (lucro real) constante da escrituração, haja vista que os custos e despesas correspondentes só poderão ser cotejados com a receita dentro de um regime regular de apuração do resultado, por meio de escrituração feita com observância das normas da legislação comercial e fiscal. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1101 331, exarado em 24/10/2014, reconheceu a existência das divergências suscitadas e deu seguimento ao recurso especial, nos seguintes termos: [...] I Matéria objeto do recurso especial A Procuradoria diverge quanto ao arbitramento aplicado em decorrência de omissão de receitas comprovada por depósitos bancários. Afirma que arbitramento é procedimento excepcional, não sendo cabível quando os valores mantidos à margem da contabilidade são devidamente quantificados e tributados como omissão de receitas. Insurgese, ainda, quanto à desconsideração de custos no lançamento referente à omissão de receitas. [...] III Análise da admissibilidade do Recurso Especial 1 – Da divergência quanto ao arbitramento por omissão de receitas, comprovada por depósitos bancários. A Recorrente trouxe ao dissídio o acórdão cuja ementa traz: [...] Como se constata, no paradigma adotouse o entendimento de que a omissão de receitas não se constitui em elemento suficiente para invalidar os registros contábeis e aplicar o arbitramento. De outro modo, o acórdão recorrido considerou que tais fatos são suficientes para a imposição dessa medida. Pelo exposto, considero comprovada a divergência argüida pela Fazenda Nacional. 2 – Da divergência quanto à consideração de custos no lançamento decorrente de omissão de receitas. Quanto a essa matéria, foram ofertados os Acórdãos nºs. 10183.760 e 10319.994, cujas ementas estão abaixo reproduzidas: [...] Fl. 5808DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 10 9 Confrontado as decisões, verificase que, enquanto na decisão recorrida o lançamento fiscal com base em omissão de receitas foi afastado por não terem sido considerados os custos; nos paradigmas adotouse o entendimento de que no caso de omissão de receita constatada em procedimento fiscal, para se apurar a base de cálculo do imposto devese adicionar o valor bruto da receita omitida ao resultado apurado. Ante a diferença de entendimentos adotada no julgado combatido e nos paradigmas, entendo estarem presentes os argumentos divergentes necessários à admissibilidade do recurso especial, capazes de ensejar a subida dos autos ao exame da Câmara superior de Recursos Fiscais. Em 29/08/2014, após pedir cópias do processo, e antes mesmo de ser cientificada do despacho que deu seguimento ao recurso especial da PGFN (até porque esse despacho só foi exarado em 24/10/2014), a contribuinte apresentou contrarrazões, com os argumentos descritos a seguir: antes de abordar o mérito recursal, quando se demonstrará serem despropositadas as razões do recurso, insta suscitar questões preliminares que, concessa venia, obstam o conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, restando negarlhe seguimento; PRELIMINARMENTE PRIMEIRA DIVERGÊNCIA: IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. CONTEXTO FÁTICO E FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO SÃO DISTINTOS DAQUELES VERIFICADOS NA DECISÃO PARADIGMA (ACÓRDÃO N° 10186.382). ao contrário do que afirma a Fazenda Nacional, o acórdão recorrido não utilizou a omissão de receitas como único fundamento para chegar à conclusão pela imprestabilidade da contabilidade do contribuinte; no voto condutor do acórdão recorrido (transcrito inclusive nas razões recursais da Fazenda Nacional), o relator é categórico ao expor que: "da leitura do 'Relatório de Fiscalização' concluise que a contabilidade da recorrente não registra a sua movimentação de bancos e também o seu registro contábil não é seguro quanto às despesas incorridas nas suas operações"; resta evidenciado que o relator invocou duas premissas distintas para concluir pela imprestabilidade da contabilidade do Contribuinte. Além das falhas no registro contábil da movimentação bancária, ficou consignado, em seu voto, que não é confiável o registro quanto às despesas incorridas, viciando assim a contabilidade; inviável, portanto, o recurso especial baseado em paradigma cujo entendimento adotado não é suficiente para reformar o acórdão recorrido. Com efeito, uma vez que, no caso concreto, os fundamentos pela imprestabilidade da contabilidade vão além da omissão de receita, temse que o acórdão paradigma é insuficiente para caracterizar a divergência e, portanto, resultar reforma do acórdão recorrido. Nesse sentido, é o entendimento dessa CSRF: Fl. 5809DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 11 10 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. REQUISITOS. O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem como requisito a demonstração da divergência entre a interpretação do acórdão recorrido e de outros casos que envolvam quadrante fático idêntico ou similar para o qual a mesma questão de direito foi decidida de maneira diversa. O conhecimento do recurso especial de divergência exige que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido. (CSRF, Processo n° 12971.000999/200854, Recurso Especial do Procurador, Acórdão n° 9202003.191, 2ª Turma, sessão de 08 de maio de 2014) por outro lado, é importante observar que o paradigma indicado pela Fazenda Nacional (Acórdão n° 10186.382) foi julgado em 1994, em momento anterior, portanto, à edição da Lei n° 9.430/96, cujo art. 42 fundamentou o lançamento cassado pelo acórdão ora recorrido; claro está que as soluções encontradas no acórdão recorrido e no paradigma não se baseiam nas mesmas razões de fato e direito e, portanto, não apresentam também por esse motivo, a indispensável similitude para caracterização da divergência; de acordo a descrição dos fatos da infração do acórdão paradigma, o crédito tributário teve origem na omissão de receitas, caracterizada pela falta da comprovação da origem de depósitos bancários em favor da contribuinte. A base de cálculo utilizada para a tributação correspondeu aos valores creditados em conta de titularidade da contribuinte; a luz do regime jurídico então aplicável (anterior à Lei n° 9.430/96), essa CSRF decidiu que, para que houvesse a possibilidade do arbitramento das receitas com base em depósitos bancários, o Fisco deveria comprovar a correlação ou a vinculação entre os depósitos bancários com as operações praticadas pelo sujeito passivo, através de sinais exteriores de riqueza e a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte (Acórdão n° 910100.158); o acórdão paradigma, além de não retratar o mesmo regime jurídico aplicável ao lançamento, perfilhou entendimento superado por essa CSRF, que afastou a tributação baseada em simples presunção (anteriormente à Lei n° 9.430/96), revelandose, portanto, inteiramente inaplicável ao caso concreto; em razão do exposto, demonstrado que o Acórdão n° 10186.382 é imprestável para demonstração da primeira divergência, porquanto baseado em contexto fático e regime jurídico diversos daqueles verificados no caso contrato, bem como entendimento jurisprudencial superado, requerse preliminarmente o não conhecimento do recurso especial quanto à matéria que lhe é pertinente; AINDA PRELIMINARMENTE. SEGUNDA DIVERGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO ENTRE OS ACÓRDÃOS PARADIGMAS E A DECISÃO RECORRIDA. Fl. 5810DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 12 11 a Fazenda Nacional fundamenta também seu recurso especial em uma putativa segunda discrepância de interpretação. Segundo o apelo ora combatido, "em relação à parte do acórdão que considerou distante do permissivo legal a consideração como receita bruta o montante integral dos valores omitidos, sem considerar custos; referido entendimento divergiu dos acórdãos 10183.760 e 103199994 do Antigo Conselho de Contribuintes"; o Recurso Especial contra razoado deixou de demonstrar analiticamente os pontos dos paradigmas colacionados que divergem de pontos específicos do acórdão recorrido; com efeito, na peça recursal da Fazenda Nacional, apenas são transcritas ementas de julgados proferidos pelo antigo Conselho de Contribuintes, sem que seja feita qualquer demonstração mais analítica/detalhada dos pontos de discrepância. Para fins de expor a divergência, o recurso especial, à fl. 09, limitase a tecer ilações de que os acórdãos paradigmas encartam entendimento contrário ao do caso concreto; conforme entendimento firmado no âmbito dessa CSRF, a simples confrontação das ementas dos paradigmas, em sede de recurso especial, não é suficiente para demonstrar divergência de interpretação, inviabilizando o conhecimento do apelo, conforme decidido no acórdão abaixo transcrito: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1992 Ementa: RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA — CONHECIMENTO — PRESSUPOSTOS — No caso de Recurso Especial de Divergência, o conhecimento do apelo requer o atendimento a todos os pressupostos processuais, inclusive a demonstração de dissídio jurisprudencial, caracterizado pela adoção de soluções diversas, em face de situações idênticas. (CSRF, Processo n° 10875.003189/200146, Recurso n° 148.485 Especial do Procurador, Acórdão n° 9101001.901 1ª Turma, Sessão de 20 de março de 2014) importante registrar que a Fazenda Nacional, na sua própria peça recursal, adotada dois procedimentos distintos: em relação à demonstração da suposta primeira divergência (enfrentada no tópico anterior), procurou fazer o cotejo analítico do acórdão recorrido com trechos do acórdão paradigma, destacando os pontos supostamente similares e divergentes; por outro lado, em relação à segunda divergência, a Fazenda Nacional não expõe quais as similaridades fáticas e jurídicas entre o acórdão recorrido e os paradigmas invocados que autorizariam a apreciação da divergência no âmbito dessa Corte; MÉRITO no caso concreto, o relator do acórdão ora recorrido concluiu pela imprestabilidade da contabilidade da recorrida ante a deficiência no registro da sua movimentação bancária e na ausência de confiabilidade quanto às despesas incorridas, impondose a obrigatoriedade de aplicação do arbitramento, o que não ocorreu na espécie. Dessa forma, restou maculado o lançamento tributário; a ora recorrida tem como única atividade a representação da TIM Nordeste (operadora de telefonia celular), inscrita no CNPJ sob o nº 06.132.293/000147, para a Fl. 5811DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 13 12 "prestação de serviços de distribuição e comercialização de cartões prépagos, Timmy Service Virtual, Tim Chip PréPago, PIN Number e Recarga On Line", conforme Cláusula Primeira do "Contrato de Prestação de Serviço Intermediação e Distribuição de Recarga e habilitação de Chip PréPago" (anexo); de acordo com a Cláusula Quinta do contrato firmado com a TIM Nordeste (juntado aos autos), a remuneração da Contribuinte ocorria da seguinte forma: (i) comissão pela venda do cartão PréPago, PIN Number e Recarga ON Line; e (ii) vantagem na comercialização Tim Chip PréPagos e do Timmy Service Virtual, consistente na estipulação de margem de lucro na venda desses produtos, a ser realizada por preço prédeterminado pela TIM; como prova do alegado, a Contribuinte apresentou nos autos: (i) o contrato de prestação de serviços, que discrimina (a) a remuneração (por comissão) recebida na comercialização e distribuição do cartão PréPago, PIN Number e Recarga ON Line; e (b) a margem de lucro na comercialização de Tim Chip PréPagos e do Timmy Service Virtual; e (ii) os comprovantes de transferências bancárias realizadas da conta corrente da Contribuinte para a contratante, TIM Nordeste, no valor de RS 19.427.547,49 (juntados aos autos); conforme página 10 do Relatório Fiscal, em que pese a própria autoridade fiscal reconhecer que a recorrida prestava unicamente serviços à TIM NORDESTE, desconsiderou que os valores repassados (receita de terceiros) COMPROVADAMENTE POR DOCUMENTOS BANCÁRIOS por força do contrato de comissão, e reputou como suposta omissão de receita toda a movimentação bancária não escriturada. Contudo, a quase totalidade dos depósitos bancários jamais pertenceu à Contribuinte, e isto está cabalmente demonstrado nos autos, pois a ela pertenciam apenas as comissões; conforme destacado pelo Ilmo. Relator, no acórdão recorrido, a inexatidão da contabilidade do contribuinte (no tocante às suas receitas e custos/despesas), impossibilitou a apuração do lucro real, implicando o dever de a autoridade fiscal promover o lançamento por meio do lucro arbitrado; ao contrário do que alega a Fazenda Nacional, o legislador não "almeja privilegiar a apuração do lucro real". Na verdade, a aplicação da regra contida no art. 24 da Lei 9.249/1995, segundo a qual a omissão de receita deve ser tributada "de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão", que no caso da recorrida era o lucro real, merece ponderações; isso porque de acordo com o art. 47, II, "b", da Lei 8.981/1995, o lucro da pessoa jurídica deverá ser arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte se demonstrar imprestável para determinação do lucro real; uma vez demonstrado, como ficou nos autos, que (i) o valor da receita omitida é muito superior àquele registrado na sua contabilidade e que (ii) as despesas incorridas igualmente não estão registradas, as margens de lucratividade supostamente obtidas pela recorrida são inconsistentes para o negócio, evidenciandose a imprestabilidade da escrituração e a impossibilidade de apuração do lucro real. Nesse sentido, já decidiu o CARF: ARBITRAMENTO. CONDIÇÕES Uma vez demonstrado, como ficou no feito, que o valor omitido de receita é muito superior àquele registrado na sua contabilidade e, desse modo, ao ser cotejado com os elementos Fl. 5812DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 14 13 negativos do resultado, como custos e despesas, resulta em margens impraticáveis para qualquer negócio, evidenciase a imprestabilidade da escrituração, o que legitima o arbitramento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Com o advento da Lei 9.430/96, a presunção de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários adquiriu status legal e só é infirmada pela apresentação de documentação específica para cada depósito. (CARF, 10950.006845/200970, Recurso n° 887.363 Voluntário, Acórdão n° 120100.621 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 24 de novembro de 2011) acaso tivesse prevalecido o lançamento, na forma pretendida pela Fazenda Nacional, a movimentação bancária da recorrida, que compreendia, além da sua (reduzida) receita de comissão de intermediação de vendas, a parcela que foi repassada à TIM NORDESTE (correspondentes aos serviços de telefonia que a operadora prestou aos usuários finais e os ofereceu à tributação), a contabilidade da recorrida demonstraria uma lucratividade extraordinária e irreal de tão elevada para o tipo de atividade que exerce; segundo o critério adotado pelo lançamento de tributar toda a movimentação bancária não escriturada pelo lucro real, sem considerar qualquer custo ou despesa inerente torna a receita passível de tributação, na ora recorrida, superior à da própria operadora de telefonia, assim como a própria lucratividade. E evidente que o procedimento adotado, de tentar apurar lucro real considerando apenas as receitas, e desconsiderando os custos/despesas inerentes à receita, é providência descabida, que revela ilegalidade; com efeito, a fiscalização, ao verificar a movimentação bancária não registrada, para considerála como receita tributável e desconsiderar os repasses feitos à TIM Nordeste, reconheceu a imprestabilidade da contabilidade; nesse contexto, tornouse necessária a apuração dos tributos com base no lucro arbitrado (ao invés do lucro real), o que contudo não ocorreu na espécie, inquinando o lançamento (do tributo principal e dos reflexamente apurados) de vício insanável. Sobre o tema, já se manifestou o CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 LUCRO REAL. GLOSA DA TOTALIDADE DOS CUSTOS E DESPESAS POR INOBSERVÂNCIA DOS PRESSUPOSTOS PARA SUA APURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A glosa da quase totalidade dos custos e das despesas operacionais, por falta de comprovação com documentação hábil e idônea, denota que a contabilidade do contribuinte é imprestável para se apurar o lucro real, devendo ser aplicado o regime do arbitramento. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Verificada a inocorrência do saldo credor de caixa apontado pela fiscalização, uma vez que o saldo é devedor, não tem respaldo a autuação. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Em não subsistindo o lançamento principal, de igual sorte colhem os lançamentos reflexos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele. (CARF, Número do Processo 18471.000646/200448 Contribuinte SOTENERGY TECNOLOGIA LTDA, RECURSO DE OFÍCIO, Data da Fl. 5813DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 15 14 Sessão 09/11/2010, Relator(a) Nereida de Miranda Finamore Horta, N° Acórdão 1202000.418 ) OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO REAL X LUCRO ARBITRADO A apuração de omissão de receitas em elevada proporção, desacompanhada dos custos/despesas correspondentes, prejudica a apuração do IRPJ pelo lucro real. A tributação de praticamente toda a receita auferida pela empresa como se lucro fosse desfigura a própria hipótese de incidência do IRPJ, que sempre mira o lucro das empresas. Pelo art. 47, II, "b", da Lei 8.981/1995, o lucro da pessoa jurídica deverá ser arbitrado quando a escrituração contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. [...] (CARF, Processo n° 10830.005610/200846, Recurso n° 943.981, Acórdão n° 180201.363, 2ª Turma Especial, Relator: José de Oliveira Ferraz, Sessão de 12 de setembro de 2012) no mesmo sentido das decisões proferidas pelo CARF, são vários os precedentes do ainda Conselho de Contribuintes que impõe o arbitramento quando a imprestabilidade da contabilidade torna impossível a apuração do lucro real (ementas transcritas); consoante reconheceu recentemente a CSRF, segundo o voto proferido pela então Sra. VicePresidente do CARF, Suzy Gomes Hoffmann, no Acórdão n° 9101001.563, "nos casos em que a receita é conhecida de forma indireta (omissão de receita) por valores de depósitos bancários não declarados pelo contribuinte não há a identificação da natureza dessas receitas. Ante esse fato, caberia ao contribuinte provar a natureza delas (o que não ocorreu no presente caso), sob pena de ter o lucro tributável arbitrado, de acordo com as regras antes comentadas"; as conclusões adotadas no julgado dessa CSRF, conforme ementa acima, amoldamse ao caso concreto, uma vez que a recorrida não logrou, segundo a fiscalização, demonstrar a natureza das receitas auferidas; demonstrado assim que o acórdão ora recorrido está em consonância com a orientação firmada no âmbito dessa CSRF, impõese o não provimento do recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 5814DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 16 15 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2005. O lançamento de IRPJ/CSLL foi realizado pela sistemática do lucro real, e o de PIS/COFINS, pelo regime não cumulativo. É importante fazer uma breve síntese do trabalho fiscal. De acordo com o "Relatório de Fiscalização", a ação fiscal foi motivada por indício de movimentação financeira incompatível com a receita declarada na DIPJ. Durante os trabalhos de auditoria, foi constatado que parte da movimentação bancária não estava registrada na contabilidade da contribuinte. Os depósitos bancários não escriturados somavam o valor de R$ 8.933.967,21. Em resposta às intimações recebidas, a contribuinte informou à Fiscalização que vendia recargas físicas e eletrônicas para celulares adquiridos junto à operadora de telefonia Tim Telecomunicações S/A; que as compras e vendas dos produtos virtuais não foram lançados nos livros Diário e Razão, porque não foram faturadas pela operadora Tim Nordeste S/A para a Link Celulares; mas que o valor de R$ 357.194,95, constante na DIPJ, era o valor do faturamento total menos os custos de compras das mercadorias. Levando em conta os depósitos bancários escriturados na contabilidade, a Fiscalização concluiu que o valor total da Receita Bruta escriturada era de R$ 11.680.370,84, considerando R$ 11.656.730,84 do total da conta "Diversos" do livro Razão da contribuinte, somado a R$ 23.640,00 do total de entradas no "Caixa" referente a vendas realizadas. Ainda de acordo com a Fiscalização, a própria contribuinte informou que seus estoques escriturados no Razão não reportavam corretamente a realidade. Em razão disso, para apurar o CMV, a Fiscalização considerou a conta do passivo "TIM", uma vez que a contribuinte apenas trabalhava com aquela operadora, e que os valores daquela conta coincidiam com os estoques da contribuinte. O total do CMV considerado foi de R$ 9.805.636,74. As compras mensais registradas na conta "TIM" do passivo também foram utilizadas para calcular os créditos de PIS e COFINS da contribuinte, que totalizaram R$183.066,47 e R$ 843.215,26, respectivamente. Foram, então, apuradas as seguintes infrações: Fl. 5815DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 17 16 1 omissão de receitas apuradas com base nos depósitos bancários não contabilizados, no montante de R$ 8.933.967,21; 2 insuficiência de recolhimento/declaração do IRPJ e dos tributos reflexos. Nesse caso, a fiscalização refez a apuração dos tributos, levando em conta os valores indicados nas contas "Diversos" e "Caixa" do Livro Razão (no montante de R$ 11.680.370,84), contas estas cujo somatório anual se aproximava do valor total dos depósitos bancários escriturados. Essas duas contas foram consideradas como base para a apuração da Receita Bruta escriturada. Conforme já mencionado, na apuração do Lucro Real foi considerado um CMV de R$ 9.805.636,74, e este valor também serviu de base para o cálculo dos créditos de PIS e COFINS. 3 multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL. A apuração da multa levou em conta os valores encontrados como Receita Bruta na escrituração do contribuinte e nos depósitos bancários não escriturados. O lançamento foi mantido na primeira instância administrativa. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão recorrido), por sua vez, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte, com a finalidade de cancelar o lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS), por entender que houve erro nos regimes de tributação adotados pela Fiscalização. De acordo com o acórdão recorrido, "há que ser realizado o lançamento por arbitramento, quando a contabilidade do contribuinte é imprestável para a determinação do lucro real (art. 530, II, “b”, RIR/99) e as receitas omitidas, em face as especificidades da atividade econômica do contribuinte, não refletem a sua receita bruta". Também de acordo com o acórdão recorrido, "no que se refere às contribuições ao PIS e à COFINS, deverseia aplicar o regime cumulativo, conforme mandamento da Lei nº 10.637/02, art. 8º, II, e Lei nº 10.833/03, art. 10, II, em vista do arbitramento. Este fato não ocorreu no caso dos autos, razão pela qual o lançamento reflexo também deve ser anulado". Com seu recurso especial, a PGFN suscita divergência jurisprudencial quanto ao cancelamento dos lançamentos, atacando o acórdão recorrido na parte que ele entende que houve erro nos regimes de tributação adotados pela Fiscalização. A PGFN sustenta que a existência de omissão de receita em montante considerado significativo constituiu premissa para que a Turma a quo julgasse imprestável a contabilidade da empresa; que os supostos vícios a macular a contabilidade corresponderiam ao montante das receitas omitidas e à distorção da base de cálculo decorrente da magnitude da omissão; e que, com a devida vênia, ditas circunstâncias não se subsumem às hipóteses ensejadoras do arbitramento de lucros. O recurso especial traz duas linhas de argumentação (duas divergências). Com os paradigmas apresentados, a PGFN procura demonstrar que a omissão de receitas não se constitui em elemento suficiente para invalidar os registros contábeis e aplicar o arbitramento, e que o lançamento fiscal com base em omissão de receitas não poderia ser afastado por não terem sido considerados os custos. Fl. 5816DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 18 17 Embora a decisão monocrática do Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF tenha dado seguimento ao recurso especial, constato a presença de alguns problemas que inviabilizam a caracterização da alegada divergência jurisprudencial, e, conseqüentemente, o conhecimento do recurso. O acórdão recorrido entendeu que a escrituração da contribuinte era imprestável para a apuração do lucro real. Ocorre que a análise da gravidade dos erros de uma escrituração normalmente envolve exame de prova, e a dimensão desse tipo de problema pode variar de um caso para outro (aliás, é o que normalmente acontece). A própria PGFN sustenta em seu recurso que "não há nos autos prova alguma que a escrita contábil do contribuinte fosse incompreensível, inexistente, com irregularidades substanciais, produzida em desacordo com as normas técnicas universalmente aceitas, etc." Esse já é um primeiro aspecto negativo para a admissibilidade do recurso especial sob exame. Não deixo de perceber que o que a PGFN procura questionar é uma linha de interpretação que ela entende ter sido adotada pelo acórdão recorrido. De acordo com a PGFN, a omissão de receitas e a desconsideração de custos não poderiam ser tomados como elementos suficientes para inviabilizar a apuração do lucro real, para invalidar os registros contábeis e para tornar necessário o arbitramento dos lucros. Penso que na medida em que haja semelhança entre os contextos fáticos cotejados, o problema do puro reexame de provas fica diminuído. O que ganha destaque é a questão jurídica, de interpretação de norma, que pode ser objeto do recurso especial de divergência. Nesse passo, é importante verificar, então, se realmente a decisão do acórdão recorrido de cancelar o lançamento pelo lucro real (entendendo que era caso de arbitramento de lucros) foi motivada por fatos semelhantes aos examinados nos acórdãos paradigmas, e, depois, verificar se o acórdão recorrido entendeu mesmo que a omissão de receitas e a desconsideração de custos eram, por si só, elementos suficientes para inviabilizar a apuração do lucro real. Em seu recurso a PGFN sustentou que a existência de omissão em montante considerado significativo constituiu premissa para que a Turma a quo julgasse imprestável a contabilidade da empresa, mas é necessário registrar que o caso em questão não retrata propriamente aquelas situações em que o julgador, constatando que a proporção da receita omitida é muito elevada, cancela o lançamento pelo lucro real por entender que a Fiscalização tributou a própria receita bruta e não a renda/lucro (que é a base do IRPJ/CSLL). Aliás, é mais relevante ainda deixar claro que nem mesmo os paradigmas trataram desse tipo de situação. O paradigma sobre a omissão de receitas (primeira divergência), Acórdão nº 10186.382, tratou de situação em que a Fiscalização apurou que a contribuinte não registrava corretamente o movimento bancário; que a contribuinte fazia somente no final do período os lançamentos para apurar o saldo de bancos, usando como contrapartida a conta "Caixa"; e que Fl. 5817DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 19 18 essa conta "Caixa" não registrava no decorrer do período nenhum movimento (depósitos, cheques, avisos de débitos/créditos). Na sequência dos trabalhos, a Fiscalização constatou que os depósitos efetuados nos bancos (excluídos as transferências entre os mesmos) eram maiores que as receitas de vendas declaradas mês a mês, e essa "diferença" entre os depósitos bancários e a receita declarada, por não ter sido justificada pela contribuinte, foi considerada como receita omitida. Foi ainda realizado o arbitramento dos lucros sobre toda a receita (receita declarada + receita omitida) com o argumento de que "ficou comprovado que a empresa não registrava seu movimento bancário e tampouco comprovou que a diferença havida entre os depósitos bancários e as receitas de vendas estivesse registrada na sua escrituração". O referido paradigma entendeu que o correto era lançar pelo lucro real, e cancelou o arbitramento dos lucros afirmando que não eram causas justificadoras da medida extrema nem a falta de registro do movimento bancário, e nem a falta de comprovação, pela contribuinte, da origem das diferenças desse movimento bancário em valor superior à receita refletida nos registros contábeis. Como será esclarecido adiante, na vigência do RIR/80, que consolidava a legislação tributária aplicada pelo paradigma, a falta de registro do movimento bancário realmente não figurava entre as hipóteses legais de arbitramento (o que passou a ocorrer somente com a legislação consolidada pelo RIR/99, e que foi aplicada pelo acórdão recorrido). Além disso, a constatação de omissão de receita, pura e simples, nunca foi mesmo causa de arbitramento. É importante destacar novamente que a omissão de receita foi apurada apenas pela diferença entre os depósitos bancários e a receita declarada, sendo que o referido paradigma não registra em nenhum momento, nem mesmo no seu relatório, que essa omissão de receita teria ocorrido em elevada proporção, ou algo semelhante. Desse modo, o que o primeiro paradigma realmente diz é que nem a falta de registro de movimento bancário nem a omissão de receita (pura e simples) são causas de arbitramento de lucro. Os outros dois paradigmas, apresentados em relação à segunda divergência, Acórdãos nºs. 10183.760 e 10319.994, por sua vez, mantiveram a tributação de receita omitida pelo simples acréscimo dela ao lucro real, entendendo que não era necessário cogitar dos custos e despesas correspondentes, a não ser que a pessoa jurídica fizesse prova inconteste da existência e do valor das quantias a serem deduzidas. Mas da mesma forma como ocorreu com o outro paradigma já analisado, em nenhum momento há menção de que a omissão de receita teria ocorrido em elevada proporção e que, ainda assim, seria cabível a tributação pelo lucro real. O que esses outros dois paradigmas dizem é que a omissão de receita deve ser tributa pelo seu simples acréscimo ao lucro real, sem necessariamente ter que se cogitar dos custos e despesas correspondentes, a não ser que a pessoa jurídica faça prova inconteste da existência e do valor das quantias a serem deduzidas. Fl. 5818DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 20 19 Já se pode perceber, então, que os paradigmas não servem para confrontar o suposto entendimento consignado no acórdão recorrido, de que a existência de omissão de receita em montante considerado significativo constituiu premissa para que se desclassifique a contabilidade da empresa. Levando em conta a argumentação desenvolvida pela PGFN, teríamos de um lado o acórdão recorrido cancelando o lançamento pelo lucro real em razão do montante significativo das receitas omitidas, e de outro, os paradigmas validando o lançamento de omissão de receita (pura e simples) pelo lucro real, mas sem indicar que essa omissão teria ocorrido em elevada proporção. A diferença desses contextos comprometeria a caracterização da divergência jurisprudencial. Com efeito, a divergência só restaria demonstrada se os paradigmas tivessem mantido o lançamento pelo lucro real mesmo diante de uma omissão de receita cujo montante tivesse sido considerado significativo. Mas para piorar o problema, conforme mencionado anteriormente, nem mesmo a acórdão recorrido trata daquelas situações em que o julgador, constatando que a proporção da receita omitida é muito elevada, cancela o lançamento pelo lucro real por entender que a Fiscalização tributou a própria receita bruta e não a renda/lucro (que é a base do IRPJ/CSLL). No presente caso, a Fiscalização não autuou apenas a omissão de receitas com base nos depósitos bancários não escriturados, desconsiderando completamente os custos/despesas da empresa. Conforme relatado no início deste voto, a Fiscalização refez toda a apuração do lucro real, considerando os depósitos escriturados e os não escriturados, e também os custos/despesas da empresa (CMV). E o que o acórdão recorrido entendeu é que: "a inexatidão da contabilidade do contribuinte, que impossibilita a apuração do lucro real, implica no dever da autoridade fiscal de promover o lançamento por arbitramento"; "que a contabilidade da recorrente não registra a sua movimentação de bancos e também o seu registro contábil não é seguro quanto às despesas incorridas nas suas operações", e que, por isso, "a contabilidade da recorrente é imprestável para a determinação do lucro real". Vêse, portanto, que o acórdão recorrido não cancelou o lançamento por entender que a existência de omissão de receita em montante considerado significativo constitui premissa para que se desclassifique a contabilidade da empresa, e muito menos por entender que a omissão de receitas e a desconsideração de custos/despesas, por si só, são elementos suficientes para inviabilizar a apuração do lucro real. Aliás, é importante esclarecer que o problema em relação às despesas incorridas atinge as duas infrações autuadas, mais até a primeira que a segunda. Como mencionado no início deste voto, a primeira infração, que está relacionada aos depósitos não escriturados no valor de R$ 8.933.967,21, trazia nos seus contornos, desde a fase de auditoria, a alegação da contribuinte de que as compras e vendas dos Fl. 5819DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 21 20 produtos virtuais não tinham sido lançadas nos livros Diário e Razão porque não foram faturadas pela operadora Tim Nordeste S/A para a Link Celulares. A questão da falta de registros contábeis, portanto, não envolve somente as vendas, mas também as compras (CMV) das recargas eletrônicas. A decisão de primeira instância não deixou de perceber essa questão, e tratou dela nos seguintes termos: [...] Importante ressaltar que em atendimento aos esclarecimentos solicitados pela fiscalização a empresa informa que: “as compras e vendas dos produtos virtuais não foram lançadas nos livros Diário e Razão”, fl. 711, porque não foram faturadas pela operadora TIM Nordeste S/A para a Link Celulares e indica os valores de custos não lançados, R$ 8.076.338,25, sendo despesas operacionais não lançadas a importância de R$ 376.046,71 e faturamento não lançado o montante de R$ 8.469.914,95. Através do Termo de Solicitação de Esclarecimentos nº 0003, fl.195/196, AR à fl. 193, a contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos créditos (diminuídos das exclusões cabíveis) conforme demonstrativo às fls. 197 a 241. Informou que os valores depositados em suas contas bancárias e não escriturados tiveram origem na revenda de produtos adquiridos à TIM para seus clientes. No presente caso, o principal argumento de defesa é que os créditos em suas contas bancárias englobam receitas outras que não apenas as suas, em razão de receber, pelas suas transações comerciais, exclusivas com a TIM, apenas uma comissão pela distribuição de créditos virtuais recebidos em consignação. Comissão esta em montante fixado pela própria TIM tanto para ela, distribuidora, quanto para o varejista. Por outro lado, argumenta que assim como não escriturou as receitas advindas dessa atividade específica, também não escriturou os custos, portanto, considera imprópria a não consideração dos custos pela autuante. Para comprovação de suas alegações foram anexados contratos realizados entre a autuada e a TIM, entre a autuada e os varejistas, fls. 1697 a 2581, DRE para o anocalendário 2005, documentos informando alteração de política comercial indicando os percentuais de comissão, cópia da DIPJ/2006, requerimento ao Secretário da Fazenda Estadual de Pernambuco para fornecimento do arquivo eletrônico das Notas Fiscais de Serviço de Telecomunicações emitidas pela TIM referentes ao ano calendário 2005; cópias do Convênio ICMS 126/98 e Convênio ICMS 57/95, extratos bancários do BRADESCO e Banco do Brasil, correspondência do BRADESCO fornecendo cópias de 345 documentos comprobatórios de depósitos feitos pela Link a favor da TIM para quitação de duplicatas, no montante de R$ 11.234.463,08 e do Banco do Brasil fornecendo cópias autenticadas de 209 documentos comprovantes de TEDs e DOCs a favor da TIM, no total de R$ 5.461.111,26, balancetes e DARFs pagos, cópias de guias do FGTS e Previdência Social, cópias de Acórdãos do Conselho de Contribuintes e do Tribunal Regional Federal. De todos os elementos fornecidos, apenas os contratos contém os elementos confirmatórios de parte do alegado com relação aos percentuais Fl. 5820DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 22 21 de comissão e suas mudanças, mas esses contratos, sem registro e não apoiados por qualquer documento comprobatório não fazem prova. É imprescindível, no caso, os comprovantes da origem de cada deposito efetuado nas contas bancárias da autuada, conforme demonstrativo às fls. 197 a 241, no montante de R$ 8.933.967,21. A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece que, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos nas contas bancárias serão analisados individualmente. Ou seja, no caso de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não identificada, a caracterização da infração ocorre pelo o exame dos créditos (depósitos) individualmente. A empresa tanto durante os procedimentos de fiscalização como por ocasião da impugnação traz aos autos correspondências do Banco do Brasil e do Bradesco informando a ocorrência de pagamentos efetuados a TIM por meio de TED, DOC etc., fls. 3041 a 3045 (Bradesco) e fls. 3426 a 3430 (Banco do Brasil), portanto se reportando a débitos efetuados em suas contas bancárias. Logo, não atende ao que determina o comando legal em análise, enquanto a defesa tenta provar pagamentos efetuados à TIM através de débitos ocorridos em suas contas bancárias (TED, DOC etc.), a lei determina seja feita a comprovação da origem de créditos individualizados e registrados em suas contas. Para afastar a presunção legal, a defesa deveria provar, para cada depósito bancário, que o crédito teve origem na distribuição e/ou venda de crédito virtual de recarga para celulares efetuada pela empresa autuada. Embora haja indícios de que a contribuinte seja comissionada pela venda de créditos virtuais adquiridos da TIM e distribuídos aos varejistas, não trouxe ela nenhuma prova da origem dos depósitos bancários, ou seja, não demonstrou de onde vieram tais créditos em suas contas. Ao contrário, admite a não contabilização dos valores referentes a distribuição e venda de créditos virtuais de recarga de celulares que transitaram em suas contas bancárias. Portanto, acertadamente, foi feito o lançamento lastreado no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, considerando que o valor de R$ 8.933.967,21, relativo aos créditos registrados nas contas bancárias (Banco do Brasil e Bradesco) da empresa, que não tiveram suas origens esclarecidas, não foram devidamente contabilizados nem oferecidos à tributação. Vêse que a decisão de primeira instância administrativa, ao examinar essa questão relativa ao cômputo de custos/despesas em relação à primeira infração, tratou do problema mais na perspectiva da comprovação da origem dos créditos bancários. A contribuinte já havia informado à Fiscalização que "os valores depositados em suas contas bancárias e não escriturados tiveram origem na revenda de produtos adquiridos à TIM para seus clientes". O que ela reivindicava desde o início era que não fossem computadas apenas os ingressos bancários (receitas) na apuração do lucro real, mas também os valores repassados à TIM (despesas) correspondentes a essa comercialização de recargas eletrônicas. Fl. 5821DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 23 22 E foi examinando essa mesma questão que o acórdão recorrido entendeu que o registro contábil da contribuinte não era seguro quanto às despesas incorridas nas operações autuadas, especialmente aquelas no valor de R$ 8.933.967,21 (primeira infração). No caso, o que o acórdão recorrido considerou para cancelar o lançamento não foi o montante significativo das receitas omitidas (como alega a PGFN), e sim a falta de segurança quanto às despesas computadas no lançamento, tendo em vista o tipo de atividade desenvolvida pela contribuinte. Mas o acórdão recorrido não viu problemas apenas em relação ao cômputo das despesas incorridas. Mais que isso, essa decisão ainda apontou outro problema a respeito do que deveria ser considerado como receita "em face das especificidades da atividade econômica do contribuinte": E, ainda que válida a contabilidade, o montante das receitas que transitaram na conta bancária da recorrente não teriam, na sua totalidade, natureza de receita. [...] Consta dos autos que os valores recebidos, por força do contrato firmado com a TIM, a comissão por ela recebida, varia, dependendo da operação comercial, de 7,5%, 8%, 15% e 16,27%, como se verifica do “Termo de Verificação Fiscal”: [...] Ensina José Luiz Bulhões Pedreira, que nas operações de conta alheia, como as desenvolvidas pela recorrente, “a receita bruta operacional não é constituída pelo preço dos bens ou serviços vendidos por conta de terceiros, mas da comissão ou remuneração que a empresa aufere”. (Imposto de renda. Rio de Janeiro: Justec, 1971. p. 67). Ou seja, os valores que transitam pela conta bancária não refletem a sua receita bruta. Nesse passo, como bem exposto no brilhante voto exarado pelo Conselheiro Marcos Shigueo Takata, nos autos do Proc. nº 10909.003278/200824, se deve considerar para fins da apuração do lucro real apenas os valores que integram a sua receita bruta: [...] Nessa linha de raciocinar, o lançamento de ofício que considerou receita bruta o montante integral dos valores omitidos se distancia do permissivo legal. Ao considerar a totalidade das receitas que transitaram pela conta da recorrente como receita operacional bruta, exigiuse da recorrente tributo em valor superior ao permitido por lei . Portanto, não se vislumbra outro caminho que não seja a declaração de nulidade do lançamento de ofício sob julgamento. [...] Fl. 5822DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 24 23 (grifos acrescidos) O acórdão recorrido, portanto, identificou problemas na própria composição das receitas apuradas pela Fiscalização, matéria que também motivou o cancelamento do lançamento objeto deste autos, e que é totalmente estranha aos paradigmas. Por último, é preciso retomar o que se disse anteriormente sobre o fato de o RIR/80, que consolidava a legislação tributária aplicada pelos paradigmas, não prever a falta de registro de movimento bancário como hipótese legal para o arbitramento dos lucros. Os acórdãos paradigmas trataram de crédito tributário de IRPJ relativo aos exercícios de 1988 e 1989, buscando fundamento nas disposições contidas no Regulamento do Imposto de Renda de 1980 ("RIR/80"), que guardam algumas diferenças com o cenário atual do RIR/99 (em que está baseado o acórdão recorrido). Vale transcrever e cotejar as hipóteses de arbitramento previstas nestes regulamentos, com a indicação de suas respectivas bases legais: DECRETO Nº 85.450/1980 (RIR/80) HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO Art. 399. A autoridade tributária arbitrará o lucro da pessoa jurídica, inclusive da empresa individual equiparada, que servirá de base de cálculo do imposto, quando (DecretoLei n° 1.648/78, art. 7°): I o contribuinte sujeito à tributação com base no lucro real não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras de que trata o art. 172; II o contribuinte autorizado a optar pela tributação com base no lucro presumido não cumprir as obrigações acessórias relativas à sua determinação; III o contribuinte recusarse a apresentar os livros ou documentos da escrituração à autoridade tributária; IV a escrituração mantida pelo contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real ou presumido, ou revelar evidentes indícios de fraude; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto na alínea a do parágrafo único do art. 270; VI o contribuinte, na situação referida no inciso I e não autorizado a optar pela tributação com base no lucro presumido, espontaneamente apresentar declaração de rendimentos. DECRETO Nº 3000/1999 (RIR/99) HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO Art. 529. A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá as disposições previstas neste Subtítulo. Fl. 5823DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 25 24 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Vêse que há muitas semelhanças entre as regras anteriores e as atuais, no que diz respeito às hipóteses de arbitramento. Mas também há algumas diferenças, e, para este caso, há uma diferença fundamental, que diz respeito à impossibilidade de "identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária" (alínea "a" do inciso II, acima transcrita), hipótese que não estava prevista no regramento anterior, e que foi expressamente mencionada no acórdão recorrido, quando se afirmou que "a contabilidade da recorrente não registra a sua movimentação de bancos [...]". A PGFN, no desenvolvimento dos seus argumentos, e seguindo a trilha dos paradigmas, também fez menção ao "RIR/80". Fez ainda menção a disposições do RIR/94, mas nenhum destes regulamentos é aplicável ao caso sob exame, que abarca fatos geradores do ano calendário de 2005, submetidos às regras contidas no RIR/99 (acima transcritas). Assim, se o acórdão recorrido encontra fundamento em dispositivo legal que nem mesmo existia no contexto dos acórdãos tidos como paradigma, não há como cotejar essas decisões para fins de comprovação de divergência jurisprudencial. Com efeito, o fato de a escrituração ser imprestável "para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária" não figurava entre as hipóteses de arbitramento na legislação que foi aplicada pelos paradigmas. Foi justamente por essa razão que o Acórdão paradigma nº 10186.382, o único a tratar expressamente da questão do arbitramento, cancelou o lançamento referente ao Fl. 5824DF CARF MF Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 9101002.752 CSRFT1 Fl. 26 25 exercício de 1988 com o argumento de que a falta de registro do movimento bancário não era causa justificadoras da medida extrema. E realmente não era. Somente passou a ser a partir da Lei nº 8.981/1995. Esse aspecto, por si só, já seria suficiente para comprometer a caracterização da divergência suscitada, mas ainda há todas as outras questões já apontadas anteriormente sobre a admissibilidade do recurso especial. O que se percebe é que o acórdão recorrido encontrou fundamento em várias circunstâncias específicas relevantes que não foram tratadas pelos acórdãos paradigmas, e que nem mesmo estavam presentes no contexto dos fatos e das normas examinadas por essas outras decisões, de modo que fica prejudicada a caracterização de divergência a ser sanada por processamento de recurso especial. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 5825DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720009/2013-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DESCONTOS INCONDICIONAIS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF NO JULGAMENTO DO RE Nº 567.935 PELO REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. DEDUÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO (VTM). POSSIBILIDADE.
A inclusão dos descontos incondicionais na base de cálculo do IPI foi declarada inconstitucional pelo plenária do STF no julgamento do RE 567.935, sob regime de repercussão geral, logo, por ter a mesma ratio decidendi, a referida decisão também se aplica na apuração do VTM, definido no art. 15, I, da Lei 4.502/1964.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DILIGÊNCIA/PERÍCIA PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO DO PEDIDO. POSSIBILIDADE.
Se nos autos há elementos probatórios adequados e suficientes para a formação da convicção do julgador quanto às questões de fato, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de diligência.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE VÍCIO DE OMISSÃO. INTEGRAÇÃO COM EFEITO INFRINGENTE. CABIMENTO.
Uma vez demonstrada a existência de vício de omissão, em relação a este ponto, acolhe-se os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para integrar e retificar o acórdão embargado.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para que seja excluída da base de cálculo o valor correspondente aos descontos incondicionais. Parcialmente vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator, e a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo, que rejeitavam os Embargos. Designada para redigir o voto vencedor, a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Esteve presente o Dr. Luiz Henrique Barros de Arruda - OAB 85746 - RJ.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
(assinado digitalmente)
Lenisa Rodrigues Prado - Redatora Designada.
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DESCONTOS INCONDICIONAIS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF NO JULGAMENTO DO RE Nº 567.935 PELO REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. DEDUÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO (VTM). POSSIBILIDADE. A inclusão dos descontos incondicionais na base de cálculo do IPI foi declarada inconstitucional pelo plenária do STF no julgamento do RE 567.935, sob regime de repercussão geral, logo, por ter a mesma ratio decidendi, a referida decisão também se aplica na apuração do VTM, definido no art. 15, I, da Lei 4.502/1964. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DILIGÊNCIA/PERÍCIA PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO DO PEDIDO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há elementos probatórios adequados e suficientes para a formação da convicção do julgador quanto às questões de fato, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de diligência. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE VÍCIO DE OMISSÃO. INTEGRAÇÃO COM EFEITO INFRINGENTE. CABIMENTO. Uma vez demonstrada a existência de vício de omissão, em relação a este ponto, acolhe-se os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para integrar e retificar o acórdão embargado. Embargos Acolhidos em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para que seja excluída da base de cálculo o valor correspondente aos descontos incondicionais. Parcialmente vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator, e a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo, que rejeitavam os Embargos. Designada para redigir o voto vencedor, a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Esteve presente o Dr. Luiz Henrique Barros de Arruda - OAB 85746 - RJ. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado - Redatora Designada. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DESCONTOS INCONDICIONAIS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF NO JULGAMENTO DO RE Nº 567.935 PELO REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. DEDUÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO (VTM). POSSIBILIDADE. A inclusão dos descontos incondicionais na base de cálculo do IPI foi declarada inconstitucional pelo plenária do STF no julgamento do RE 567.935, sob regime de repercussão geral, logo, por ter a mesma ratio decidendi, a referida decisão também se aplica na apuração do VTM, definido no art. 15, I, da Lei 4.502/1964. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DILIGÊNCIA/PERÍCIA PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO DO PEDIDO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há elementos probatórios adequados e suficientes para a formação da convicção do julgador quanto às questões de fato, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de diligência. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE VÍCIO DE OMISSÃO. INTEGRAÇÃO COM EFEITO INFRINGENTE. CABIMENTO. Uma vez demonstrada a existência de vício de omissão, em relação a este ponto, acolhese os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para integrar e retificar o acórdão embargado. Embargos Acolhidos em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 00 09 /2 01 3- 71 Fl. 2374DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para que seja excluída da base de cálculo o valor correspondente aos descontos incondicionais. Parcialmente vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator, e a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo, que rejeitavam os Embargos. Designada para redigir o voto vencedor, a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Esteve presente o Dr. Luiz Henrique Barros de Arruda OAB 85746 RJ. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Redatora Designada. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Embargos de Declaração e Embargos Inominados (fls. 2284/2312), opostos com a finalidade de suprir omissões, dirimir obscuridades, eliminar contradições e corrigir lapsos manifestos supostamente contidos no acórdão nº 3302003.026, de 27 de janeiro de 2016 (fls. 2253/2275), proferido por este Colegiado, em que, por maioria de votos, foi negado provimento ao recurso voluntário, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas a seguir transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. VENDAS PARA ESTABELECIMENTO ATACADISTA INTERDEPENDENTE EXCLUSIVO. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. PREÇO MÉDIO DE VENDA NO ATACADO DO ADQUIRENTE. POSSIBILIDADE. Na falta de outros adquirentes, ou melhor, na remessa para estabelecimento atacadista interdependente que seja o único comprador do produto, o valor tributável não poderá ser inferior ao preço de venda no atacado do adquirente atacadista exclusivo para os seus clientes. DEDUÇÃO DA BASE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2375DF CARF MF Processo nº 16682.720009/201371 Acórdão n.º 3302003.361 S3C3T2 Fl. 2.375 3 É expressamente vedada a dedução da base de cálculo do IPI dos valores dos descontos incondicionais, nos termos do art. 131, § 3º, do RIPI/2002. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL CONTADO A PARTIR DA DATA DO FATO GERADOR. CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO DENTRO DO PRAZO QUINQUENAL. INOCORRÊNCIA. 1. Se o contribuinte realizou o pagamento antecipado do IPI, relativo ao período de apuração mensal do imposto, o prazo quinquenal de decadência do direito de lançar parcela do imposto, apurada de ofício, não paga ou confessada pelo contribuinte, tem início no dia da ocorrência do fato gerador, que corresponde ao último dia do mês do período de apuração do imposto. 2. No caso, como a ciência do auto de infração ocorreu no dia 16/1/2013, em relação ao período de apuração iniciado em 1º de janeiro de 2008 e encerrado em 31 de janeiro de 2008, não houve a decadência do direito de lançar a parcela do saldo devedor do imposto apurada pela fiscalização. Recurso Voluntário Negado. Em 14/3/2016, a embargante foi cientificada do referido acórdão (fls. 2280/2281). Tempestivamente, em 21/3/2016, apresentou os referidos embargos, em que alegou vícios de obscuridade, contradição e omissão, bem como lapso manifesto, com base nos argumentos de que o acórdão embargado: a) era obscuro e omisso ao discorrer sobre os motivos pelos quais fora recusado o Valor Tributável Mínimo (VTM), calculado pela embargante; b) era omisso ao não indicar a margem de lucro que deveria ter sido adotada pela embargante; c) era omisso porque não se pronunciara sobre a alegação da embargante sobre a impossibilidade de considerar como praça, para fins da legislação do IPI, uma região metropolitana; d) incorrera em lapso manifesto e, em consequência, era omisso e obscuro, ao tomar o PN CST 89/1970 como fundamento para manter a autuação e não reconhecer que o citado parecer era nulo e estava revogado; e) era contraditório e obscuro, pois, ao mesmo tempo em que considerara praça sinônimo de região metropolitana, computara no cálculo do VTM vendas efetuadas fora da região metropolitana do Rio de Janeiro e por único estabelecimento; Fl. 2376DF CARF MF 4 f) era contraditório ao aduzir que o entendimento constante da Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit 08/2012 não implicava alteração de critério jurídico e omisso ao não se pronunciar sobre o argumento de não ter a citada SCI entrado em vigor por falta de publicidade; e g) era omisso ao não aplicar o entendimento do STF sobre a não inclusão dos descontos incondicionais no VTM, uma vez que, no julgamento do RE nº 567.935, submetido ao regime de repercussão geral, tal questão havia sido decidida pelo plenário da citada Corte, logo, por força do disposto no art. 62, § 2º, do RICARF/2015, tal decisão deveria ser reproduzida por este Conselho, nos julgamentos dos recursos submetidos à sua apreciação. Em 1/6/2016, com respaldo nos fundamentos exarados no despacho de fls. 2319/2334, o Presidente desta Turma, no uso da competência estabelecida no art. 65, § 3º, do Anexo II do RICARF/2015, admitiu parcialmente os presentes embargos, para que fossem supridas as omissões quanto a: ii) a falta de reprodução no julgado embargado da decisão do plenário do STF, proferida no julgamento do RE nº 567.935, que trata da inclusão dos descontos incondicionais na base de cálculo do IPI (alínea "g"), suscitada pela embargante; e (ii) a ausência de apreciação do pedido de diligência formulado pela recorrente no recurso voluntário, suscitada pelo Conselheiro designado. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Inicialmente, cabe esclarecer que, em razão da admissibilidade parcial dos presentes embargos, aqui serão apreciadas apenas as omissões atinentes (i) à falta de reprodução no julgado embargado da decisão do plenário do STF, proferida no julgamento do RE nº 567.935, e (ii) à ausência de apreciação do pedido de diligência, formalizado no recurso voluntário. Da não reprodução da decisão do STF exarada no RE nº 567.935. A recorrente alegou que a decisão embargada fora omissa quanto ao não cumprimento da regra prevista no artigo 62, § 2º, do RICARF/2015, que estabelece a obrigatoriedade da reprodução, pelos julgadores deste Conselho, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo plenário do STF nos julgamentos, sob regime de repercussão geral. Em relação a esse ponto, previamente, cabe consignar que, no âmbito do recurso voluntário, a recorrente não suscitou a aplicação do entendimento esposado no RE nº 567.935. Entretanto, por força do referido preceito regimental, de ofício, a citada decisão deveria ter sido reproduzida nos fundamentos do voto condutor do acórdão embargado, o que não ocorreu. Assim, para suprir tal omissão, previamente, cabe reproduzir o inteiro teor do enunciado da ementa do referido RE: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS VALORES DE DESCONTOS INCONDICIONAIS BASE DE CÁLCULO INCLUSÃO ARTIGO 15 DA LEI Nº 7.798/89 INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL LEI COMPLEMENTAR EXIGIBILIDADE. Fl. 2377DF CARF MF Processo nº 16682.720009/201371 Acórdão n.º 3302003.361 S3C3T2 Fl. 2.376 5 Viola o artigo 146, inciso III, alínea “a”, da Carta Federal norma ordinária segundo a qual hão de ser incluídos, na base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, os valores relativos a descontos incondicionais concedidos quando das operações de saída de produtos, prevalecendo o disposto na alínea “a” do inciso II do artigo 47 do Código Tributário Nacional.1 Para uma melhor compreensão do alcance da referida decisão, especialmente, em relação ao preceito legal atingido pela mácula da inconstitucionalidade formal, cabe transcrever o teor do dispositivo do julgado: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e negou provimento ao recurso, declarando a inconstitucionalidade do § 2º do art. 14 da Lei 4.502/1964, com a redação dada pelo art. 15 da Lei 7.798/89, apenas quanto à previsão de inclusão dos descontos incondicionais na base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). [...]. (grifos não originais). Da simples leitura do dispositivo do referido RE, extraise que o preceito legal, parcialmente, declarado inconstitucional (apenas na parte que trata dos descontos incondicionais) foi o § 2º do art. 14 da Lei 4.502/1964, com a redação dada pelo art. 15 da Lei 7.798/1989, a seguir transcrito: Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) [...] II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) [...] § 2º. Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) [...]. (grifos não originais) Porém, na presente autuação, a base de cálculo do IPI não foi calculada com base no valor total da operação, previsto no art. 14, II, da Lei 4.502/1964, mas com base no VTM, definido no art. 15, I2, do mesmo diploma legal, que segue transcrito: 1 BRASIL. STF. TRIBUNAL PLENO. RE 567935, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/09/2014, DJe 216 DIVULG 03112014, PUBLIC 04112014. 2 Na data das operações objeto da presente autuação, o referido preceito legal encontravase regulamentado no art. 136, I, do Decreto 4.544/2002 (RIPI/2002), a seguir reproduzido: "Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: Fl. 2378DF CARF MF 6 Art . 15. o valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, quando o produto fôr remetido a outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica ou a estabelecimento de terceiro incluído no artigo 42 e seu parágrafo único; (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) [...] Portanto, diferentemente do alegado pela recorrente, o fundamento da decisão consignada no citado RE, não se aplica à autuação em apreço, pois o enquadramento legal da base de cálculo da autuação foi feito em preceito legal distinto do que fora declarado inconstitucional no citado RE. Por essa razão, não se acata a presente alegação suscitada pela recorrente. Da omissão da análise do pedido de diligência. No âmbito do recurso voluntário colacionado aos autos, na eventualidade de a decisão recorrida não ser reformada, diante da impossibilidade de anexar as milhares de notas fiscais de vendas a consumidores, de venda a destinatários localizados fora da praça da autuada e de vendas com descontos incondicionais, emitidas pela empresa atacadista exclusiva L’ORÉAL BRASIL, a embargante pleiteou que o julgamento fosse convertido em diligência, para que fosse a identificação, nos arquivos magnéticos fornecidos à fiscalização pela citada empresa atacadista, das mencionadas notas fiscais, ou, caso preferisse, fosse requerido à referida pessoa jurídica os arquivos magnéticos que permitissem tal identificação, para que os cálculos efetuados pela fiscalização fossem refeitos. Por não conter os quesitos a serem respondidos, com base no levantamento solicitado, o referido pedido de diligência não atende os requisitos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/1972, e por uma razão óbvia, se não há dúvida acerca da matéria fática controvertida, por conseguinte, a conversão do julgamento em diligência revelase de todo prescindível. No caso, ao pleitear que a fiscalização faça a identificação das mencionadas notas fiscais nos supostos arquivos magnéticos da empresa atacadista, em vez de esclarecimentos de dúvidas, o que a recorrente almeja é que a fiscalização faça produção de prova em seu favor, com a finalidade exclusiva de provar as alegações por ela suscitadas na peça impugnatória e reiterara no presente recurso. Logo, tratase de pretensão que, certamente, não pode ser atendida, porque implicaria inversão do ônus da prova e, portanto, afronta direta ao disposto no art. 363 da Lei 9.784/1999 e no art. 3734, I e II, do novo Código do Processo Civil (CPC), instituído pela Lei 13.105/2015, que se aplicam subsidiariamente ao processo administrativo fiscal e determinam, expressamente, que o ônus da prova recai sobre a parte que alegou o fato, seja este constitutivo do seu direito, seja este impeditivo, modificativo ou extintivo do direito. I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 5ª); [...]". 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...]. Fl. 2379DF CARF MF Processo nº 16682.720009/201371 Acórdão n.º 3302003.361 S3C3T2 Fl. 2.377 7 Em consonância com os referidos preceitos, determina o art. 375 da Lei 9.784/1999, somente no caso excepcional de o interessado declarar que os fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, é que o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias, o que não se vislumbra no presente caso. Com efeito, ao contrário da exceção prevista no citado preceito legal, no caso em tela, conforme asseverado pela própria recorrente, a prova documental, em papel ou formato digital, encontrase nos arquivos da empresa interdependente, logo, cabia à recorrente apresentála com a peça impugnatória, conforme exige o art. 16, III, do Decreto 70.235/1972. Em decorrência, ao não exercer o ônus probatório no momento e na forma adequados, restou devidamente configurada a preclusão consumativa, estabelecida no § 4º do citado art. 16, o que, impossibilita a recorrente de produzir tal prova na presente fase de julgamento. Assim, se na atual fase processual, não é permitido à recorrente apresentar provas que deveriam ter sido apresentadas com a peça impugnatória, com muito razão, revela se de todo descabida a sua pretensão de que a fiscalização produza provas em seu favor na atual fase processual, em confronto com a vedação estabelecida no citado preceito legal. Enfim, cabe consignar ainda que não procede a alegação da recorrente de que deixara de anexar as milhares de notas fiscais emitidas no ano de 2008 pela empresa atacadista à peça impugnatória e ao presente recurso, porque tais documentos pertenciam a outra pessoa jurídica, haja vista que a recorrente detém total controle da citada pessoa jurídica, por ser a proprietária de 99,99% das quotas do seu capital social. Ademais, há nos autos a confirmação de que foi franqueado à autuada pleno acesso aos arquivos das notas fiscais da atacadista exclusiva interdependente, pois, se a título de exemplo, trouxe à colação dos autos às cópias das notas fiscais de fls. 1910/1922, emitidas pela citada empresa, certamente, não havia qualquer impedimento para carrear aos autos as demais. Com base nessas considerações, com respaldo no art. 18 do Decreto 70.235/1972, propõese o indeferimento do pedido de diligência formulado na peça impugnatória e reafirmado no recurso voluntário colacionado aos autos. Da conclusão. Por todo o exposto, votase pelo indeferimento do pedido diligência/perícia formulado e acolhimento parcial dos presentes embargos, sem efeitos infringentes, para integrar o acórdão embargado, retificar a respectiva ementa e ratificar a decisão nele consignada. (assinado digitalmente) 5 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 2380DF CARF MF 8 José Fernandes do Nascimento Voto Vencedor Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, Redatora Designada. Pedi vista dos autos do processo sob julgamento na reunião de agosto/2016 em razão dos inúmeros argumentos elencados pelos advogados da contribuinte no memorial entregue. Após o estudo mais meticuloso dos autos, ouso divergir do brilhante relator, pelos motivos que passo a esclarecer. Os embargos de declaração opostos pelo contribuinte foram parcialmente admitidos, de modo que nos compete reanalisar tão somente: (i) a alegada omissão perpetrada por esta Turma, na oportunidade do julgamento do recurso voluntário, sobre o precedente exarado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n. 567.935, e; (ii) a alegada omissão no que concerne o pedido de diligência formulado oportunamente pelo recorrente. O Conselheiro José Fernandes reconhece a omissão a respeito da ausência de replicação do conteúdo da decisão proferida pela Suprema Corte, em sede de repercussão geral. Ao reproduzir o conteúdo do acórdão exarado nos autos do RE n. 567.935 o relator conclui que este não se amolda ao caso em tela, já que: "a base de cálculo do IPI não foi calculada com base no valor total da operação, previsto no art. 14, II, da Lei n. 4.502/1964, mas com base no VTM, definido no art. 15, I, do mesmo diploma legal. Portanto, diferentemente do alegado pela recorrente, o fundamento da decisão consignada no citado RE, desenganadamente, não se aplica ao caso em tela". Para a solução do caso em tela é imprescindível relembrar o que decidiu a Suprema Corte no julgamento do paradigma de repercussão geral. Naquele julgamento a Corte assentiu com as premissas apresentadas pelo relator do apelo extremo, Min. Marco Aurélio Mello, que assim se manifestou: "Sob a ótica jurídicocontábil, os descontos incondicionais são parcelas redutoras dos prelos de compra e venda, outorgados independentemente de evento posterior, devendo figurar no corpo da nota fiscal emitida. Esse tipo de abatimento, também conhecido como 'desconto comercial', normalmente utilizado para atrair clientela, repercute necessariamente no preço final praticado, ou seja, no 'valor da operação'. Uma vez concedido, o valor correspondente não será pago pelo adquirente do produto, não fazendo parte do preço praticado em definitivo. Sendo 'o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria' a base de cálculo do imposto, tal como definida na alínea 'a' do inciso II do artigo 47 do Código Tributário Nacional a norma complementar exigida pela alínea 'a' do inciso III do artigo 146 da Constituição , revelase, a toda evidência, que a legislação ordinária, ao impossibilitar a dedução do desconto incondicional, como se este compusesse o Fl. 2381DF CARF MF Processo nº 16682.720009/201371 Acórdão n.º 3302003.361 S3C3T2 Fl. 2.378 9 preço final cobrado, acabou por disciplinar de forma inovadora a base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ampliando o alcance material desse elemento da obrigação tributária para além do previsto na norma complementar competente o Código Tributário Nacional. Assim dispondo, o legislador ordinário incorreu, desenganadamente, em inconstitucionalidade formal, por invadir a área reservada à lei complementar pelo artigo 146, inciso III, alínea 'a', da Carta da República. Sob o pretexto de disciplinar a base de cálculo quando da instituição do imposto, veio a extrapolar as balizas quantitativas possíveis versadas no Código Tributário, como se tratasse de normas gerais, cabendo reconhecer a pecha". (grifos nossos) A Lei n. 4.502/1964 (vigente até a presente data) traz em seu artigo 14 a receita para auferirse o valor tributável mínimo: Art. 14. Salvo disposições em contrário, constitui valor tributável: (...) II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado ao industrial (Redação dada pela Lei n. 7.798, de 19890) § 1º O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. § 2º Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente. § 3º Será também considerado como cobrado ou debitado pelo contribuinte, ao comprador ou destinatário, para efeitos do disposto no § 1º, o valor do frete, quando o transporte for realizado ou cobrado por firma coligada, controlada ou controladora (Lei n. 6.404) ou interligada (DecretoLei n.1.950) do estabelecimento contribuinte ou por firma com a qual este tenha relação de interdependência, mesmo quando o frete seja subcontratado. § 4º Será acrescido ao valor da operação o valor das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, nos casos de remessa de produtos industrializados por encomenda, desde que não se destinem a comércio, a emprego na industrialização ou no acondicionamento de produtos tributados, quando esses insumos tenham sido fornecidos pelo próprio encomendante, salvo se se tratar de insumos usados.(grifos nossos) Fl. 2382DF CARF MF 10 Percebese que a redação contida no § 2º acima transcrito é exatamente o objeto da declaração de inconstitucionalidade relatada pelo Ministro Marco Aurélio, já que mantém na base de cálculo do imposto valores que não integram a operação tributada. Não é razoável admitir que a decisão tomada em repercussão geral não se aplica ao caso em concreto, por este ser a respeito da inclusão ou não dos descontos em valor tributável mínimo. Isso porque a ratio decidendi aplicada e preconizada no julgamento do recurso extraordinário representativo da repercussão geral, em tudo se amolda ao que aqui se discute. Ademais, a interpretação harmoniosa dos artigos 14 e 15, inciso I, da Lei n. 4.502/1964 resultam na evidente conclusão que o valor tributável mínimo deve refletir o valor real da operação (inciso II do art.14), sendo este aquele em que se deduz os valores debitados pelo contribuinte ao comprador ou destinatário (§ 1º do art. 14). Ao conceder descontos incondicionais o vendedor está, logicamente, deduzindo a sua margem de lucro, o que requer seja apurada a verdade material nas operações, já que o artigo 15 insere o elemento da margem de lucro auferida pelo contribuinte à receita para se chegar ao valor tributável mínimo. Sobre o segundo item omissão acerca do pedido de perícia , o Conselheiro relator nega provimento aos embargos de declaração ao esclarecer que: "Porém, ainda que a previsão de exclusão dos descontos incondicionais fosse aplicável ao caso em tela, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não assistiria à recorrente, uma vez que, seja com a peça impugnatória, seja com recurso voluntário em apreço, ela não trouxe aos autos qualquer documento que comprovasse a existência dos referidos descontos, nem apresentou demonstrativo algum com os valores dos alegados descontos incondicionais concedidos nas vendas realizadas pela empresa interdependente L’OREAL BRASIL, o estabelecimento atacadista exclusivo dos produtos da recorrente". E continua: "Esse pedido de diligência, além de não atender os requisitos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/1972, o que se demonstra suficiente para rejeitálo, nos termos do § 1º do citado art. 16, ele ainda revelase totalmente prescindível, haja vista que há, nos autos, elementos probatórios suficientes para o julgamento da lide e, ademais, a recorrente não se dignou apresentar qualquer dado ou documento que suscitasse qualquer dúvida a cerca das questões fáticas objeto do presente litígio. No caso, como se trata de apresentação de prova meramente documental, cabia à recorrente, por força do disposto no art. 16, III, do Decreto 70.235/1972, apresentála com a peça impugnatória. Porém, ao não exercer o ônus probatório na fase processual pertinente, em razão da preclusão determinada no § 4º do citado art. 16, a recorrente não poderá mais fazêlo". Sem embargo a posição do relator, é importante destacar que em impugnação, a contribuinte questiona a inserção dos descontos incondicionais à base de cálculo do IPI. Segue transcrição do fragmento pertinente: Fl. 2383DF CARF MF Processo nº 16682.720009/201371 Acórdão n.º 3302003.361 S3C3T2 Fl. 2.379 11 "7.2. Agreguese à coleção de defeitos irremediáveis do auto de infração a adição feita pela fiscalização, aos valores de venda por ela levantados para determinar as bases de cálculo do IPI dos descontos que a L'OREAL concedeu incondicionalmente aos seus clientes. 7.2.1. Isso é o que se verifica tomando como exemplo as notas fiscais de vendas do produto 118100 (GA Armani Mania Femme EDP 30 ml) efetuadas pela L'OREAL no mês de janeiro de 2008. 7.2.2. Observem V.Sas., que aquelas vendas se processaram pelas notas fiscais 530252, 531468, 536623, 538203, 539190, 540109, 540493 e 535540 (doc. 12), sendo que, nas de números 530252, 531468, 536623, 539591, 540109 e 535540 estavam lançados descontos incondicionais ignorados no cálculo da média ponderada, como se constata na planilha anexa (doc.13) e se confirma às fls. 374 (4ª linha) do processo, onde o cálculo efetuado pelo autor do feito está estampado. (...) 7.2.4.Vale dizer, se legalidade houvesse em considerar como valor tributável mínimo pelo IPI nas vendas efetuadas pela IMPUGNANTE para a L'ORÉAL a média ponderada dos preços das vendas efetuadas pela própria L'ORÉAL no mês anterior, inevitável seria considerar como preços dessas vendas os efetivamente praticados, sem neles computar os descontos concedidos nas notas fiscais, não sujeitos a condição, o que não foi feito pelo autuante que, diferentemente adicionais tais descontos àqueles preços, desprezando não somente a lei de regência do imposto, como também a jurisprudência pacífica daquela Corte Superior, o que não pode ser aceito no julgamento do litígio ora instaurado". (fls. 1.763/1.766 grifos nossos). Percebese que o pedido de diligência foi tempestivamente apresentado e que as provas já estavam acostadas aos autos. Ademais, como reconhecido pela Suprema Corte, os descontos incondicionais devem estar descritos nas notas fiscais emitidas pelas contribuintes, refletindo a realidade da operação de venda. Na verdade, as notas fiscais foram o objeto de investigação pelos auditores que lavraram o auto de infração em testilha, não sendo possível falar que as provas necessárias não foram acostados aos autos. Com razão a embargante esclareceu que as notas fiscais emitidas pela L'ORÉAL não estão e nunca estiveram sob sua guarda e responsabilidade, motivo pelo qual seria indispensável a concessão da perícia reclamada. Segue pedido final da impugnante: "8.1. Por derradeiro, na eventualidade, que se reputa remotíssima, de V.Sas. não declararem a improcedência do auto de infração por efeito dos erros de direito cometidos pela fiscalização ao interpretar as normas por ela mesmo invocadas como fundamentos do seu ato, a IMPUGNANTE, evocando a impossibilidade de anexar a esta petição as milhares de notas fiscais emitidas no ano de 2008 pela L'ORÉAL relativas a vendas a consumidores, a vendas para destinatários localizados Fl. 2384DF CARF MF 12 fora da praça da IMPUGNANTE, seja qual for o conceito de praça que se adote, e a vendas com descontos incondicionais concedidos, até porque são documentos pertencentes a outra pessoa jurídica, requer, com fulcro no art. 16, inciso IV, do Decreto n. 70.235/1972, seja realizada diligência nos arquivos magnéticos fornecidos pela citada empresa à fiscalização, identificandose naqueles arquivos as notas fiscais em que estão presentes essas situações, ou, caso assim o preferiam, seja requerido daquela pessoa jurídica arquivos magnéticos que permitam esses levantamentos, para que os cálculos efetuados pela fiscalização sejam refeitos, para atender ao disposto nos subitens 7.1.3. a 7.1.3.4., 7.1.3.4., 7.1.4 a 7.1.4.2 e 7.2. a 7.2.4." (fls. 1.766 a 1.767 grifos nossos) Para afastar qualquer dúvida sobre a existência das notas fiscais nos autos, trago a colação a manifestação do auditor no Termo de Verificação Fiscal: "7.5. Convém informar que, conforme esclarecimento prestado por meio do Termo de Intimação Fiscal n. 07/07499, o procedimento de cálculo da média ponderada mensal foi efetuado da seguinte forma: para cada produto adquirido do FISCALIZADO, realizouse o somatório dos valores totais registrados em todas as notas fiscais de saída (CFOP 5102, 6102, 6403 e 6110) do ATACADISTA em um determinado mês (multiplicação entre valores unitários de cada produto e quantidades de itens) e dividiuse esse total pelo somatório das quantidades de itens de todas as notas fiscais do mês considerado. Ressaltese que foram utilizados os valores correspondentes às linhas de cada item, e não o valor total de nota que considera frete e tributos. 7.6. Pelos motivos já expostos nos itens anteriores deste Termo, os valores obtidos no demonstrativo de apuração das médias de preços praticados nas saídas do ATACADISTA (CNPJ 30.278.428/000595) devem ser utilizados para determinação dos valores tributáveis mínimos a serem observados pelo FISCALIZADO. Portanto, faz parte do presente Termo o 'Demonstrativo de Apuração da Média Ponderada de Preços Unitários de Produtos', que serviu de base para elaboração do demonstrativo citado no parágrafo seguinte, bem como a relação informativa de notas fiscais consideradas na apuração da média ponderada "(fls. 1.646/1.647 grifos nosso). No entanto, entendo que a perícia requerida é dispensável, já que as notas fiscais estão nos autos e as informações nelas contidas são suficientes para apuração do valor tributável mínimo, este correspondente ao valor da operação subtraído os descontos incondicionais concedidos. Conclusão: Assim, por tudo que foi exposto, divirjo do brilhante relator e voto por acolher parcialmente os embargos de declaração e darlhes efeitos infringentes, para determinar a exclusão do montante correspondente aos descontos incondicionais concedidos do valor tributável mínimo. (assinado digitalmente) Fl. 2385DF CARF MF Processo nº 16682.720009/201371 Acórdão n.º 3302003.361 S3C3T2 Fl. 2.380 13 Lenisa Rodrigues Prado Fl. 2386DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.901531/2010-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS.
O reajuste pelo IGP-M não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.542
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO PELO IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA DE GERACAO TERMICA DE ENERGIA ELETRICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 15 31 /2 01 0- 75 Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11080.901531/201075 Acórdão n.º 9303004.542 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF n.º 527, de 2010, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão n.º 3302002.909, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: CONTRATO A PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO. IGPM. POSSIBILIDADE. As receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços, permanecem sujeitas às normas da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep vigentes anteriormente à Lei 10.637/02, mesmo quando o valor do contrato sofre reajustado baseado em índice de correção nele previsto, reconhecido no mercado como sendo de adoção consagrada no segmento correspondente e destinado à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do mesmo. Recurso Voluntário Provido. A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão do entendimento de que a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM não desnaturaria o requisito de “preço predeterminado” estatuído no art. 10, XI, “b” da Lei n.º 10.833/2003, condição necessária para manutenção da contribuinte no regime cumulativo do PIS/COFINS. Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos de números 202 19.497 e 3301002.196. Por intermédio do Despacho de Exame de Admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso da Fazenda. A Fazenda Nacional alega que o reajuste de preços pelo IGPM descaracteriza o caráter de "preço predeterminado" previsto no art. 10, XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, mesmo entendimento assentado nos acórdãos paradigmas. Já a contribuinte, em contrarrazões, defende a decisão atacada com base em seus próprios fundamentos e nos argumentos lançados na manifestação de inconformidade e no Recurso Voluntário, acrescentando que cabia ao Fisco comprovar que as variações decorrentes da aplicação do IGP M seriam superiores às variações previstas no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, para não aceitar o regime de cumulatividade no presente caso, o que não ocorreu. É o relatório. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 11080.901531/201075 Acórdão n.º 9303004.542 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.538, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.928334/200960, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.538): "Não há preliminares a respeito da admissibilidade do recurso especial a serem apreciadas. A divergência está bem demonstrada e o recurso especial da Fazenda nacional deve ser conhecido. Passo à discussão da matéria, em relação a qual foi comprovada e demonstrada a divergência de interpretação da norma tributária, que se resume à questão sobre a descaracterização de preço predeterminado pela utilização do IGPM em contrato de energia elétrica, para fins de aplicação do regime cumulativo ou nãocumulativo na incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. Precedentes recentes da CSRF Observo que fui o redator do voto vencedor de um dos acórdãos paradigmas da divergência, o de número 3301002.196 (PAF 16349.720019/201136). Este acórdão foi objeto de recurso especial da contribuinte, que foi provido em julgamento realizado em 24/2/2016, logo, após a data de interposição do recurso especial da Fazenda Nacional, ora em julgamento. Eis a ementa do Acórdão 9303003.470 (PAF 16349.720019/201136), por meio do qual se reformou a decisão paradigma: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS." Apesar de a decisão paradigma ter sido reformada, a razão que levou esta 3ª Turma da CSRF a proceder à reforma não se encontra presente nos autos de que ora se cuida. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11080.901531/201075 Acórdão n.º 9303004.542 CSRFT3 Fl. 5 4 Naquele processo, relatado pelo então Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, encontravase Laudo Técnico que comprovava que o índice de atualização monetária, naquele caso, fora inferior ao aumento de custos. Na ocasião, foram utilizadas como razões de decidir as que constaram do voto de outro Acórdão desta Turma, o de número 9303 003.373 (PAF 19515.722154/201145), de 11/12/2015, relatado pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cuja ementa ficou assim redigida: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Para comprovação da divergência jurisprudencial, o recorrente deve demonstrar que outro colegiado do CARF tenha julgado situação análoga à versada no acórdão vergastado e tenha decidido a questão de forma distinta da que decidiu o colegiado recorrido, o que é o caso sob exame. "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.(grifei) (...) No Acórdão nº 9303003.373 ficou claro que o IGPM não poderia ser aceito como índice da variação do custo da produção da energia elétrica ou do custo dos insumos empregados nessa produção. Para assim concluir, o Colegiado tratou do conceito de "preço predeterminado", reconhecendo especial importância às instruções normativas, notas técnicas e pareceres da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB e da Procuradoria Geral da Fazenda NacionalPGFN1, em detrimento de notas técnicas e resoluções da Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, pois, a esta compete a regulação de questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas, enquanto que à RFB e à PGFN compete o pronunciamento sobre questões tributárias. Naquele Acórdão, reconheceuse que a interpretação dada pela Administração Tributária, em especial por meio da Instrução Normativa SRF nº 658, de 2006, estava de acordo com as leis: art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995; art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. 1 IN SRF nº 658, de 4/7/2006; Nota Técnica Cosit nº 1, de 16/2/2007; Parecer PGNF/CAT nº 1.610, de 2007. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 11080.901531/201075 Acórdão n.º 9303004.542 CSRFT3 Fl. 6 5 Rendome às conclusões do Ilustre Conselheiro Gílson, no voto proferido no Acórdão nº 9303003470, quando o colegiado decidiu por acatar o recurso especial do contribuinte, no sentido de que apesar de o IGPM não representar a variação das custos de produção da energia elétrica, estando comprovado nos autos que sua utilização resultou em reajuste inferior à variação desses custos, penso que não há razão para retirar do contrato a característica de "predeterminado" que exige a Lei para permanência do contribuinte no regime cumulativo. Nesse sentido transcrevo o seguinte trecho do citado acórdão: (...) Por derradeiro, gostaria de pontuar que não vejo problemas na utilização de índices propostos em contrato, como por exemplo o IGPM, para correção do preço. Contudo, se o contribuinte optasse por se manter no regime cumulativo, caberia a demonstração de que a correção pelo índice eleito levaria a um resultado igual ou menor do que o resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (...) No presente caso, a contribuinte não provou que o resultado da correção pelo IGPM seria igual ou menor do que obtido pelo reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos do insumos utilizados. À luz do que determina o art. 333 do Código de Processo Civil, caberia à contribuinte, e não ao Fisco, esta prova, pois é ela que está a alegar um direito, ainda mais quanto se está diante de pedido de restituição e compensação, para o quê se exige a certeza e liquidez do crédito pleiteado, conforme arts. 165 e 170 do CTN Observese que no voto condutor da decisão de primeira instância administrativa, o Acórdão nº 1039.971, da DRJ/POA, constou que a contribuinte não apresentou qualquer comparação entre o percentual de reajuste autorizado pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005 (repetido na IN SRF nº 658/2006), e a variação do IGPM. Vejase com grifos meus, fls. 430/431: "A interessada entende que a utilização do IGPM se refere tão somente à correção monetária dos preços do produto fornecido (energia contratada), preservando seu valor originalmente acordado. Tal fato não está em discussão, não havendo qualquer vedação a cláusula de reajuste dos valores fixados em contrato para fins de atualização monetária. No entanto, a IN/SRF nº 658/06 ressalva da descaracterização do preço predeterminado, em caso de qualquer alteração de preços, apenas a utilização de índice de reajuste que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, ou, ainda, da própria variação dos custos de produção. Tal condição não se comprova no presente caso, visto tratarse o IGPM, como já dito, de índice geral, e não específico para os insumos utilizados no fornecimento prestado pela empresa. Além disso, ressaltese que a exceção contida no § 3º diz respeito apenas ao reajuste de preços efetuado em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação do índice. Desta forma, ainda que considerássemos Fl. 668DF CARF MF Processo nº 11080.901531/201075 Acórdão n.º 9303004.542 CSRFT3 Fl. 7 6 admissível a utilização do IGPM para fins do disposto naquele dispositivo, caberia à impugnante demonstrar que o reajuste efetuado não ultrapassa o limite nele fixado, o que também não foi feito, não tendo sido trazida aos autos qualquer comparação entre o percentual de reajuste e a variação do IGPM no período." Na linha dos precedentes mais recentes desta Câmara Superior, não vejo razões para mudar meu entendimento, expresso no voto vencedor do Acórdão nº 3301002.196, que repito a seguir: 'O voto de nosso eminente Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, na análise de mérito, foi direto ao único assunto controverso que é se a utilização do IGPM, como índice de correção dos contratos firmados pela recorrente, descaracteriza ou não estes contratos como de preços predeterminados. A sua conclusão é que a “utilização do IGPM ou de qualquer índice, como IGPDI, INPC, INCC, não retira do contrato a natureza de “preço predeterminado”, vez que esses índices expressam tão somente a variação do padrão monetário nacional, medida essa indispensável para a garantia do equilíbrio contratual”. Com todo respeito ao ilustre relator, ouso discordar de sua conclusão. Inicialmente vejamos o que dispõe o inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Ou seja, da letra clara da lei, somente poderia continuar no regime de apuração cumulativa os contratos que fossem firmados em data anterior a 31/10/2003 e que respeitasse as condições cumulativas constantes da alínea “b”, acima transcrita. No caso dos presentes autos a única controvérsia é se a aplicação do IGPM descaracterizaria a condição de terem sido firmados a preço predeterminado. Oportuno ressaltar que todas as conclusões a serem aqui estabelecidas abrangem também o PIS por força do disposto no art. 15 deste mesmo diploma legal. Posteriormente, como bem alinhavado pelo relator e pela recorrente, foi editado o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, que assim dispôs: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o Fl. 669DF CARF MF Processo nº 11080.901531/201075 Acórdão n.º 9303004.542 CSRFT3 Fl. 8 7 reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. (grifei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. O dispositivo legal deixou claro que a utilização de reajuste de preços em função do custo de produção, ou de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não descaracteriza o preço predeterminado de que trata a alínea “b” do inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Observese aqui que o dispositivo legal não fez referência a qualquer índice que reflita a variação do padrão monetário nacional como concluiu o relator e como pretende a recorrente. Poderia têlo feito mas não o fez. Deixou expressamente detalhado que o índice utilizado, para não descaracterizar o preço predeterminado, teria que ser em função do custo de produção ou que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. O IGPM, como informado pela própria recorrente em sua manifestação de inconformidade e no seu recurso voluntário, não tem esta característica. Transcrevo abaixo o item 53 da Manifestação de Inconformidade e 59 do Recurso Voluntário: “Nesse sentido, vale destacar que o IGPM é meramente um índice de correção monetária. Tratase de uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). É medido pela FGV e registra a inflação de preços desde matériasprimas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.” (grifei) Por oportuno transcrevo abaixo trecho da Nota Técnica Cosit nº 01/2007, a qual utilizo como razão de decidir, pois concordo com as suas conclusões: 27. A fim de esclarecer qualquer dúvida, fazse necessário distinguir “índices de preços setoriais” de “índices de custos setoriais”. Índice de preços setoriais reflete a inflação a que foi submetido um determinado setor. Já índice de custos setoriais, como o próprio nome indica, reflete os custos envolvidos na atividade de um dado setor. 29. Segundo informações constantes do sítio da FGV na internet (www.fgv.br), o IGPM, principiou a ser calculado a partir de junho de 1989, por solicitação de um grupo de entidades de classe do setor financeiro, liderado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras, em decorrência das constantes mudanças ocorridas nos indicadores da correção monetária e da inflação oficial. Esse índice originase da média ponderada do Índice de Preços por Atacado (IPAM; 60%), do Índice de Preços ao Consumidor (IPCM; 30%) e do Índice Nacional de Custos da Construção (INCCM; 10%). Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11080.901531/201075 Acórdão n.º 9303004.542 CSRFT3 Fl. 9 8 30. É desnecessário apresentar maiores detalhes acerca das características do IGPM para verificar que este não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” – a sua própria denominação e a dos índices que o compõem é suficientemente elucidativa.' Sobre os fundamentos do acórdão recorrido. No excelente voto condutor do acórdão recorrido, o Ilustre Conselheiro Ricardo Paulo Rosa abordou o art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, o art. 2º da lei nº 10.192, de 2001, parecer da Câmara Permanente de Licitações e Contratos da Procuradoria Geral Federal/AGU, o Parecer nº 04/2013/CLPC/DEPCONSU/PGF/AGU, e manifestação da Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, para concluir que nos contratos que "já estavam indexados pelo IGPm antes da entrada em vigor da Lei nº 11.196, de 2005, deveria ser reconhecida a manutenção da condição de preço predeterminado do valor contratado, mesmo depois de implementado o reajuste/correção com base no IGPm", fl. 567. Diz também o voto vencedor, com base na IN SRF nº 658, de 2006, que esta, em nenhum momento, "vinculou a condição de preço determinado à revisão dos valores feita com base na elevação da carga tributária, apenas à alteração de preço decorrente da aplicação de regra de reajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro", fl. 568. Com isto, pretendeuse afastar um segundo fundamento da Nota Técnica Cosit nº 1/2007 e do Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007, o de que o critério prefixado de reajuste do valor de contrato levava em consideração também eventual alteração da carga tributária incidente na operação específica, fl. 567. Em resumo, o Acórdão recorrido fundamentase no entendimento de que o conceito de "preço determinado" não exclui a possibilidade de o preço ser reajustado com base em outros índices que não os admitidos pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, em especial pelo IGPM, e que isto está de acordo com as disposições constitucionais que preservam o ato jurídico perfeito, pois, como dito naquele voto condutor, fl. 562: "Se as partes haviam pactuado um negócio em determinadas bases, como obrigálas a revêlo, modificando encargos tributários e, corolário, o preço pactuado?" Entendo que nenhum dos fundamentos lançados no voto condutor do acórdão recorrido ou nas peças apresentadas pela contribuinte afastam o entendimento exposto na seção precedente. Nestes autos e em outros que cuidam do mesmo assunto, temse reconhecido que não há um conceito técnico e determinado do que seja "preço predeterminado". Por causa disto, procurase elucidar este conceito, às vezes recorrendo a atos, normativos ou não, expedidos por agências reguladoras das atividades desempenhadas pelas contribuintes, às vezes a pareceres expedidos por órgãos incumbidos de tratar de processos de licitação e de contratos celebrados com a Administração Pública, às vezes, recorrendo aos atos expedidos pela RFB e pela PGFN. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 11080.901531/201075 Acórdão n.º 9303004.542 CSRFT3 Fl. 10 9 Por estarmos diante de questão tributária, os atos emanados dos órgãos competentes para tratar desta matéria devem ser os guias para a elucidação que se pretende. Resoluções ou notas técnicas da ANEEL ou mesmo pareceres e orientações normativas da AGU que tratem de preços contratados e das variações de preços admitidas na formalização dos contratos com a Administração Pública não têm primazia sobre as normas tributárias emanadas da RFB e da PGFN, órgãos competentes para tratar de matérias tributárias. Não obstante isto, para a solução da divergência jurisprudencial que se apresenta, não é necessário grande esforço hermenêutico. Não é necessário encontrar ou construir uma definição para a expressão "preço prederminado", pois para se decidir se o reajuste com base no IGPM descaracteriza a condição do preço predeterminado, basta que se analise com cuidado os dispositivos legais em discussão. A interpretação da norma legal, disposta no art. 10, inc. XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, combinada com o art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995, tal como exposta na seção precedente, é suficiente para assentar que se enquadram no conceito de "preço predeterminado", para os fins de incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, nos casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, as situações em que o reajuste de preço seja em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos insumos utilizados. Admitindose que a lei não contém palavras inúteis, a existência do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, só se justifica se, sem ele, o conceito de "preço predeterrminado" ficasse descaracterizado pelo reajuste de preços baseado no custo de produção ou na variação que refletisse a variação ponderada dos insumos utilizados. Esta variação é a mais razoável a se considerar como capaz de retratar a variação efetiva do custo do objeto contratual: é a que mais se aproxima de um índice setorial ou específico. Apesar disto, destaquese, apesar de ser a variação mais próxima de um índice setorial ou específico para os casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, foi necessária uma disposição legal específica para que este caso não descaracterizasse o "preço predeterminado". Diante disto, não se pode admitir que outro índice de reajuste de preços qualquer, que não guarde esta proximidade com o índice setorial ou específico, não descaracterize o "preço predeterminado", sem que haja disposição legal específica neste sentido. Assim, a Instrução Normativa SRF nº 650, de 2006, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 2007, limitaramse a regular o que já estava previsto em lei. Não houve modificação do conceito de "preço predeterminado" por estes atos infralegais. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 11080.901531/201075 Acórdão n.º 9303004.542 CSRFT3 Fl. 11 10 Conforme afirmamos acima o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, nem expressa a variação específica dos custos de sua produção. A este respeito, vejamse os seguintes excertos do voto vencedor do Acórdão nº 9303 003.373, já citado acima, que aprovo e adoto neste voto: 'Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM),que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matériasprimas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. Veja, a seguir, a estrutura desse índice. (...) De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção.' Fl. 673DF CARF MF Processo nº 11080.901531/201075 Acórdão n.º 9303004.542 CSRFT3 Fl. 12 11 Quanto ao ato jurídico perfeito, protegido pela Constituição Federal de 1988, este não foi violado, uma vez que o art. 109 da Lei nº 11.196 de 2005, resguarda a possibilidade de reajuste do preço contratado, sem que isto descaracterize o preço predeterminado. E o faz, definindo o limite da variação de preço aceitável, que deve guardar correspondência com os custos dos insumos e da produção. Por outro lado, a proteção ao ato jurídico perfeito não assegura à contribuinte um direito a não ser tributada, de modo a permitirlhe que não sofra incidência tributária regularmente instituída por lei, em obediência às regras de competência e de vigência e às limitações para imposição tributária, previstas constitucionalmente. Conclusão. Por todo exposto, em especial, por entender que o reajuste pelo IGP M não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado; que a contribuinte não comprovou que o resultado da variação pelo IGPM foi igual ou inferior ao resultado da variação em função do custo de produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que o ônus da prova recai sobre quem alega um direito, por aplicação do art. 333 do CPC; concluo que no presente caso a Contribuição para o PIS/Pasep deve incidir no regime nãocumulativo, motivo pelo qual voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O que foi decidido aqui tem validade também para os processos da Cofins, com os mesmos fundamentos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 674DF CARF MF
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Numero do processo: 18108.000357/2007-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-005.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 03 57 /2 00 7- 30 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 18108.000357/200730 Acórdão n.º 9202005.009 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 18108.000357/200730 Acórdão n.º 9202005.009 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 18108.000357/200730 Acórdão n.º 9202005.009 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 132DF CARF MF Processo nº 18108.000357/200730 Acórdão n.º 9202005.009 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 18108.000357/200730 Acórdão n.º 9202005.009 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 134DF CARF MF Processo nº 18108.000357/200730 Acórdão n.º 9202005.009 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 18108.000357/200730 Acórdão n.º 9202005.009 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 136DF CARF MF Processo nº 18108.000357/200730 Acórdão n.º 9202005.009 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 18108.000357/200730 Acórdão n.º 9202005.009 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 138DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003794/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 18/04/2007
IMUNIDADE. ART. 195, § 7º DA CF/88. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8212/91. CUMPRIMENTO. NECESSIDADE.
A imunidade estatuída no art. 195, § 7º da CF/88, para sua fruição, exige o cumprimento cumulativo dos requisitos enumerados no art. 55, III da Lei nº 8.212/91, como prevê o art. 17 da MP 2.158-35/2001, dentre eles, que a entidade seja portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - CEBAS, condição sine qua non para seu gozo.
CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NATUREZA.
O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - CEBAS apresenta natureza declaratória, no tocante ao preenchimento dos requisitos para sua concessão, e constitutiva, quanto à deflagração dos efeitos legais que lhe são inerentes, a teor do art. 3º, §§ 2º e 3º do Decreto nº 2.536/98, vigente por ocasião dos fatos sob julgamento.
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO MENSAL. FRACIONAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Consoante art. 2º da Lei Complementar nº 70/91, o fato gerador da Cofins é o faturamento mensal da pessoa jurídica, de maneira que não é possível fracionar o fato jurídico tributável com o objetivo de exigir o tributo proporcionalmente aos dias em que se verificou a infração, sob pena de descaracterização dos aspectos material e temporal da regra matriz de incidência tributária.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-003.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário interposto e, de ofício, excluir o fato gerador abril/2007, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que convertiam o julgamento em diligência.
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1991; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003794/201071 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.295 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2017 Matéria COFINS Recorrente ESCOLA ANTONIETTA E. LEON FEFFER (atual denominação de ESCOLA BRASILEIRA ISRAELITA CHAIM BACHMAN BIALIK) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 18/04/2007 IMUNIDADE. ART. 195, § 7º DA CF/88. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8212/91. CUMPRIMENTO. NECESSIDADE. A imunidade estatuída no art. 195, § 7º da CF/88, para sua fruição, exige o cumprimento cumulativo dos requisitos enumerados no art. 55, III da Lei nº 8.212/91, como prevê o art. 17 da MP 2.15835/2001, dentre eles, que a entidade seja portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, condição sine qua non para seu gozo. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NATUREZA. O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS apresenta natureza declaratória, no tocante ao preenchimento dos requisitos para sua concessão, e constitutiva, quanto à deflagração dos efeitos legais que lhe são inerentes, a teor do art. 3º, §§ 2º e 3º do Decreto nº 2.536/98, vigente por ocasião dos fatos sob julgamento. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO MENSAL. FRACIONAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Consoante art. 2º da Lei Complementar nº 70/91, o fato gerador da Cofins é o faturamento mensal da pessoa jurídica, de maneira que não é possível fracionar o fato jurídico tributável com o objetivo de exigir o tributo proporcionalmente aos dias em que se verificou a infração, sob pena de descaracterização dos aspectos material e temporal da regra matriz de incidência tributária. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 37 94 /2 01 0- 71Fl. 996DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário interposto e, de ofício, excluir o fato gerador abril/2007, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que convertiam o julgamento em diligência. Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O processo em referência versa sobre lançamento de Cofins, na modalidade cumulativa, relativo ao período de apuração 01/01/2007 a 18/04/2007, ante a ausência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) no interregno, a garantir a fruição da imunidade prevista no art. 195, § 7º da CF/88. Em impugnação o contribuinte asseverou o direito à imunidade, por cumprir todas as exigências previstas no art. 14 do CTN, MP 2.15835/2001 e Lei nº 10.833/2003; que possuiria o CEBAS para o triênio 2007/2009; que não possuiria fins lucrativos ou econômicos; que exercia assistência social e educacional; que as disposições do art. 195, § 7º da CF/88 deveriam ser reguladas por lei complementar, como exige o art. 146 do mesmo diploma; que os requisitos aplicáveis deveriam ser apenas aqueles previstos nos art. 9º e 14 do CTN; que a MP 2.15835 e Lei nº 10.833/03 trariam requisitos inconstitucionais para fruição da imunidade; que o art. 55 da Lei nº 8.212/91 violaria a o art. 14 do CTN, padecendo de inconstitucionalidade; que todas as receitas da entidade estariam abrigadas no conceito de “receitas próprias da atividade”, nos termos do art. 14 da MP 2.15835/2001, razão porque a autuação seria improcedente; e, que os dirigentes e exdirigentes da instituição não poderiam ser responsabilizados pelo crédito tributário. A DRJ São Paulo I/RJ, julgou improcedente a impugnação, mediante decisão assim ementada: “FALTA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO. A falta de declaração e recolhimento da contribuição torna indispensável o lançamento de oficio, a fim de constituir o crédito tributário devido. IMUNIDADE TRIBUTARIA. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO. O sujeito passivo não faz jus ao beneficio da imunidade tributária no período em que deixou de cumprir uma das condições legais necessárias ao seu gozo. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA Fl. 997DF CARF MF Processo nº 19515.003794/201071 Acórdão n.º 3401003.295 S3C4T1 Fl. 11 3 Não compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. CITAÇÕES DE JURISPRUDÊNCIA No julgamento de primeira instância, a autoridade julgadora observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada ao entendimento firmado pelo órgão julgador de segunda instância nem tampouco à jurisprudência judicial existente sobre a matéria. RELAÇÃO DE CORESPONSAVEIS. INEXISTÊNCIA. Tratase de documento inexistente nos autos, cujo escopo, de qualquer forma, é apenas esclarecer a composição societária da pessoa jurídica para respaldar eventual execução judicial do crédito tributário lançado. DILIGÊNCIA O art. 18 do decreto n° 70.235/72 (PAF) confere à autoridade julgadora de primeiro grau a faculdade de determinar, de oficio ou a pedido, a realização das diligências que julgar imprescindíveis, podendo denegar a solicitação da defesa, quando a diligência requerida se lhe afigurar desnecessária à instrução processual ou a interessada não houver formulado os quesitos relativos aos exames pretendidos. APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL APÓS A IMPUGNAÇÃO. A apresentação de novos documentos após a protocolização da impugnação está sujeita às restrições previstas nos parágrafos 4° e 5° do artigo 16 do Decreto no 70.235/72, acrescidos pela Lei no 9.532/97.” Em recurso voluntário o contribuinte insistiu na inaplicabilidade da Lei nº 8.212/91 ao caso, aduzindo que a regulamentação do art. 195, § 7º da CF/88 exigiria lei complementar; que os requisitos a serem observados para fruição da imunidade seriam aqueles assinalados pelo art. 14 do Código Tributário Nacional, por ele atendidos integralmente; que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) possuiria natureza declaratória, porque certificaria uma situação preexistente, motivo pelo qual a concessão para o triênio 2007/2009 abarcaria o período, em tese, desacobertado; por fim, requereu subsidiariamente a conversão em diligência para verificação do cumprimento das condições legais para imunidade. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Antecede o julgamento do recurso o esclarecimento que os argumentos envolvendo o questionamento da constitucionalidade de normas legais não serão conhecidos, Fl. 998DF CARF MF 4 pois consabido que este conselho administrativo não dispõe de poder de jurisdição a tal desiderato, por expressa vedação legal do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/09, verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).” O preceito em comento foi reproduzido no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/15. Como não bastasse, a matéria encontrase sedimentada na Súmula CARF nº 2, consoante a qual o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nessa ordem de ideias, não serão enfrentadas as alegações de inconstitucionalidade da MP 2.15835/2001 e da Lei nº 8.212/91, tampouco a exigência de lei complementar para regulamentação do disposto no art. 195, § 7º da CF/88, restando prejudicado, por via reflexa, o cabimento exclusivo das condições impostas pelo art. 14 do Código Tributário para fazer jus à pretendida imunidade. Fl. 999DF CARF MF Processo nº 19515.003794/201071 Acórdão n.º 3401003.295 S3C4T1 Fl. 12 5 Assim, o exame do lançamento se fará à luz da legislação válida e vigente por ocasião do fato jurídico tributável, como determina o art. 144 do CTN. Feitas as considerações iniciais, passase ao mérito. Narra a acusação fiscal que o motivo do lançamento foi a ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) para o período 01/01/2007 a 18/04/2007, a amparar a imunidade da Cofins, eis que o certificado emitido abrangeu o período 19/04/2007 a 18/04/2010, em razão da intempestividade do pedido de renovação, conforme histórico de renovação de fls. 364/366. Portanto, não é objeto do julgamento em curso a qualificação do recorrente como entidade beneficente de assistência social, papel atribuído ao Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS e não ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, mas tãosomente se atende ou não às exigências do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Conforme preceitua o art. 17 da MP 2.15835/2001, as entidades filantrópicas e de assistência social, para a finalidade de gozar da imunidade para a Cofins, prevista no art. 195, § 7º da CF/88, devem se submeter às disposições do art. 55 da Lei nº 8.212/91. O art. 55 da Lei nº 8.212/91, por seu turno, elenca os seguintes requisitos cumulativos para gozo da “isenção” (rectius imunidade): “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; Fl. 1000DF CARF MF 6 V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001).” Dentre as exigências figura ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos (inciso III). Acentuese, ser portador, não bastando o atendimento das exigências para sua concessão ou o direito subjetivo ao certificado, mas sim o documento efetivamente emitido. No caso vertente, em razão da intempestividade do requerimento de renovação, houve um hiato documental no período de 01/01/2007 a 18/04/2007, onde o recorrente não era portador do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), ainda que preenchesse os requisitos para sua concessão, não atendendo a uma imposição do art. 55 da Lei nº 8.212/91, razão pela qual o lançamento mostrase providência acertada. Respeitante à pretensa natureza declaratória do indigitado certificado, não assiste razão ao recorrente, tendo em vista a redação dos parágrafos 2º e 3º do art. 3º do Decreto nº 2.536/98, então vigente, que dispunha sobre a concessão do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, nestes termos: “Art. 3º Faz jus ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente:(Redação dada pelo Decreto nº 4.499, de 4.12.2002) Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 19515.003794/201071 Acórdão n.º 3401003.295 S3C4T1 Fl. 13 7 I estar legalmente constituída no País e em efetivo funcionamento nos três anos anteriores à solicitação do Certificado;(Redação dada pelo Decreto nº 4.499, de 4.12.2002) II estar previamente inscrita no Conselho Municipal de Assistência Social do município de sua sede se houver, ou no Conselho Estadual de Assistência Social, ou Conselho de Assistência Social do Distrito Federal; III estar previamente registrada no CNAS; IV aplicar suas rendas, seus recursos e eventual resultado operacional integralmente no território nacional e manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais; V aplicar as subvenções e doações recebidas nas finalidades a que estejam vinculadas; VI aplicar anualmente, em gratuidade, pelo menos vinte por cento da receita bruta proveniente da venda de serviços, acrescida da receita decorrente de aplicações financeira, de locação de bens, de venda de bens não integrantes do ativo imobilizado e de doações particulares, cujo montante nunca será inferior à isenção de contribuições sociais usufruída; VII não distribuir resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob nenhuma forma ou pretexto; VIII não perceberem seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores ou equivalente remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; IX destinar, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, o eventual patrimônio remanescente a entidades congêneres registradas no CNAS ou a entidade pública; X não constituir patrimônio de indivíduo ou de sociedade sem caráter beneficente de assistência social. XI seja declarada de utilidade pública federal. (Inciso incluído pelo Dec 3.504, de 13.06.2000) § 1º O Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos somente será fornecido a entidade cuja prestação de serviços gratuitos seja permanente e sem qualquer discriminação de clientela, de acordo com o plano de trabalho de assistência social apresentado e aprovado pelo CNAS. § 2º O Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos terá validade de três anos, a contar da data da publicação no Diário Oficial da União da resolução de deferimento de sua concessão, permitida sua renovação, sempre por igual período, exceto quando cancelado em virtude de transgressão de norma que regulamenta a sua concessão. Fl. 1002DF CARF MF 8 § 3º Desde que tempestivamente requerida a renovação, a validade do Certificado contará da data do termo final do Certificado anterior. (...)” (destacado) Conjugando o art. 55, III da Lei nº 8.212/91 com o art. 3º, §§ 2º e 3º do Decreto nº 2.536/98, temse que é necessário para o gozo da imunidade que a entidade seja portadora do CEBAS, que teria validade de 03 (três) anos, a contar da data da publicação no DOU, permitida a sua renovação, contandose a sua validade da data do termo final do certificado anterior, desde que requerida tempestivamente. Da leitura dos dispositivos inferese que o certificado é declaratório, quanto ao cumprimento das exigências, porém, constitutivo, quanto à deflagração dos efeitos legais, dentre eles o tributário, de maneira que a imunidade somente se verifica a partir da publicação no diário oficial da concessão do CEBAS e somente enquanto a entidade possuir o referido documento. Por esse motivo, inclusive, é despiciente a requerida conversão do julgamento em diligência, ex vi do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, pois, como dito alhures, não se questiona o direito subjetivo ao certificado, através do cumprimento das exigências regulamentares, mas o fato objetivo de ser portador do CEBAS no período lançado, o que já esta fartamente demonstrado nos autos como inocorrente. Desse modo, não há como acolher o pleito de improcedência do lançamento. Entretanto, revendo a quantificação do crédito tributário, verificase que a autoridade fiscal incluiu no lançamento o faturamento integral do mês de abril/2007, cujo desamparo da imunidade verificouse apenas até o dia 18/04/2007, sendo que a partir de 19/04/2007 o recorrente retomou o direito à imunidade. Mostrase equivocada, assim, a inclusão do período de apuração abril/2007, ainda que proporcionalmente aos dias em que a recorrente não atendia ao art. 55, III da Lei nº 8.212/91, isto porque, segundo o art. 2º da Lei Complementar nº 70/91, que instituiu a Cofins, o tributo tem como fato gerador o faturamento mensal, que somente se configura com o encerramento do mês civil, não sendo possível o fracionamento do critério temporal realizado pelo lançamento, sob pena de desfigurar a regra matriz de incidência tributária, criandose a estranha figura do “faturamento semanal” ou “faturamento diário”, em clara violação à norma instituidora do tributo. Neste diapasão, sendo o faturamento quantificado pela receita bruta da entidade, apurada no final do mêscalendário, por ocasião da efetiva ocorrência do fato jurídico tributável, 30/04/2007, a imunidade da Cofins, conferida desde 19/04/2007, já impedia a incidência da norma de tributação, de modo que a autuação deve alcançar apenas os períodos de apuração de janeiro/2007 a março/2007. Em face de todo o acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto e, de ofício, excluir o fato gerador abril/2007. Robson José Bayerl Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 19515.003794/201071 Acórdão n.º 3401003.295 S3C4T1 Fl. 14 9 Declaração de Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, Peço licença para apresentar a justificativa para minha proposta de conversão em diligência, mesmo em face de tão fundamentado voto do relator, o Ilustre Conselheiro Robson José Bayerl. Em minha visão, estamos diante de um auto de infração que exige contribuição social, considerando que a contribuinte deixou de estar protegida pela imunidade apenas no período entre 01/01/2007 e 18/04/2007. A única base para essa conclusão fiscal reside na falta do certificado CEBAS vigente nesse período. Nenhum outro elemento é apresentado ou discutido. Essa abordagem analítica é formalista, e afirma que o desatendimento de um único requisito legal, no caso o item II do artigo 55 da Lei n. 8.212./1991, é suficiente para afastar a previsão de imunidade. Data vênia do entendimento exposto pelo Ilustre Conselheiro, confesso que não posso me afiliar a essa abordagem. E procurarei explicar nas próximas linhas minhas razões, embora pretenda fazêlo de forma objetiva e resumida, por respeito à limitação de tempo para uma sessão com uma pauta tão sobrecarregada. A meu ver, há uma diferença entre imunidade e isenção. Essa é concedida e reconhecida pela autoridade administrativa, aquela é concedida pela Constituição, mas pode ser afastada pela autoridade administrativa. Para ser afastada a imunidade entendo que a autoridade administrativa deve demonstrar a impossibilidade material da pessoa continuar imune. O STF e o STJ vêm expressando um entendimento compreensivo e menos formalista a respeito da imunidade e dos cuidados probatórios a esse respeito. A seguir duas, dentre várias decisões que refletem essa orientação superior: STF Ag. REG. no Agravo de Instrumento Ai n. 742.230SP Data de publicação: 02/05/2013 Ementa: EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. Imunidade tributária da entidade beneficente de assistência social. Imprescindibilidade de o imóvel estar relacionado às finalidades essenciais da instituição. Interpretação teleológica das normas de imunidade tributária, de modo a maximizar o seu potencial de efetividade. 1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal vem flexibilizando as regras atinentes à imunidade, de modo a estender o alcance axiológico dos dispositivos imunitórios, em homenagem aos intentos protetivos do constituinte originário. 2. A Corte já reconhece a imunidade do IPTU para imóveis locados e lotes não edificados. Nesse esteio, cumpre reconhecer a imunidade ao caso em apreço, sobretudo Fl. 1004DF CARF MF 10 em face do reconhecimento, pelo Tribunal de origem, do caráter assistencial da entidade. 3. Agravo regimental não provido. STF Ag. REG. no Agravo de Instrumento Ai n. 807.831SP Data de publicação: 30/01/2015 Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMUNIDADETRIBUTÁRIA. ENTIDADE ASSISTENCIAL. NÃO COMPROVAÇÃO. REEXAME DO ACERVO PROBATÓRIO CONSTANTE DOS AUTOS. SÚMULA 279. O reconhecimento da imunidade tributária prevista no art. 150 , VI , c , da Constituição Federal exige a comprovação de que a entidade efetivamente presta serviços de caráter assistencial. Para chegar a conclusão diversa daquela estabelecida pelo Tribunal de origem, necessário seria o reexame do acervo probatório constante dos autos, providência vedada nesta fase processual (Súmula 279/STF). Agravo regimental a que se nega provimento. Certamente não será simplesmente a ausência do CEBAS o critério suficiente a comprovar que a pessoa não é imune. Pareceme notória a natureza meramente declaratória do certificado (ao invés de ter uma natureza constitutiva). Como disse antes, o certificado não confere à pessoa a imunidade. Mas as causas que justificam a emissão do certificado são as mesmas que justificam não afastar a imunidade. Por isso, por respeito ao contraditório, à Verdade Material e aos princípios que regem os atos da administração pública, é que entendo o julgamento deve ser informado do atendimento da contribuinte dos outros requisitos que concorrem para constatarmos a materialidade do direito da contribuinte a essa imunidade. A diligência concorreria a esse desiderato. Alternativamente, caso entendam ser ela desnecessária, seria imperioso reconhecer que os certificados o anterior ao período e o posterior ao período em discussão devem ser indicadores de que a pessoa tinha e continuou a ter as condições para ser imune. Ou seja, não há razão para uma solução de continuidade episódica da imunidade. Eloy Eros da Silva Nogueira. Fl. 1005DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.720196/2011-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão no acórdão de ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
PEDIDO DE PERÍCIA. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO.Será indeferido o pedido de perícia formulado sem o requisito de indicação do perito, de acordo com o inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972.
PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o pedido de perícia para suprir a ausência de apresentação de provas, cujo ônus cabia ao contribuinte.
Embargos acolhidos em Parte.
Credito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-004.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão no acórdão de ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. PEDIDO DE PERÍCIA. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO.Será indeferido o pedido de perícia formulado sem o requisito de indicação do perito, de acordo com o inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Será indeferido o pedido de perícia para suprir a ausência de apresentação de provas, cujo ônus cabia ao contribuinte. Embargos acolhidos em Parte. Credito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão no acórdão de ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. PEDIDO DE PERÍCIA. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO.Será indeferido o pedido de perícia formulado sem o requisito de indicação do perito, de acordo com o inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Será indeferido o pedido de perícia para suprir a ausência de apresentação de provas, cujo ônus cabia ao contribuinte. Embargos acolhidos em Parte. Credito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 01 96 /2 01 1- 92 Fl. 2030DF CARF MF Processo nº 13830.720196/201192 Acórdão n.º 3302004.082 S3C3T2 Fl. 2.031 2 Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de créditos tributários relativos de IPI, no período de janeiro/2006 a dezembro/2008. A autuação ocorreu sob três infrações apuradas, a saber: 1. Omissão de receitas por depósitos bancários não comprovados, por recursos movimentados à margem da contabilidade, em contas bancárias de interposta pessoa; 2. Dar saídas para comerciais exportadoras com suspensão de IPI devido a fim específico de exportação, sem contudo cumprir o requisito da remessa direta para embarque de exportação ou recinto alfandegado, por conta e ordem da comercial exportadora; 3. Dar saídas fictícias a título de bonificação quando a real operação tratou de venda de mercadorias. A Segunda Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 14 39.998, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A existência de depósitos bancários sem comprovação faz presumir a ocorrência de omissão de receitas; caracterizada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. FALTA DE LANÇAMENTO. VENDAS SEM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DE SUSPENSÃO. Somente é considerada como venda com o fim específico de exportação a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. FALTA DE LANÇAMENTO. BONIFICAÇÕES NAS VENDAS. As bonificações concedidas nas vendas, verdadeiros descontos Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 13830.720196/201192 Acórdão n.º 3302004.082 S3C3T2 Fl. 2.032 3 incondicionais, compõem o valor da operação e integram a base de cálculo do imposto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. INÉPCIA E PRESCINDIBILIDADE. Indeferese, como inepto ou não formulado, além de prescindível, o pedido de perícia que não contenha a formulação de quesitos e a indicação do perito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as razões deduzidas em impugnação. Na sessão de 19/07/2016, esta turma proferiu o Acórdão nº 3302003.255, negando provimento ao recurso voluntário, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 ISENÇÃO. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. A contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram parcialmente admitidos, para sanar omissão de apreciação de pedido de perícia, conforme despacho de efls. 2029. Na forma regimental, o processo foi remetido a este relator para inclusão em pauta. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Os embargos de declaração foram parcialmente admitidos para sanar a omissão de apreciação de pedido de perícia formulado em recurso voluntário. Fl. 2032DF CARF MF Processo nº 13830.720196/201192 Acórdão n.º 3302004.082 S3C3T2 Fl. 2.033 4 Na peça recursal, a embargante discorreu sobre as garantias constitucionais e os princípios do contraditório e da ampla defesa, pedindo, ao final, a realização de perícia, com o "escopo de se determinar se o valor do faturamento arbitrado pela fiscalização era técnica e comercialmente possível de ser alcançado, diante da real capacidade produtiva instalada e do real nicho mercadológico da recorrente". Inicialmente, destacase que o pedido de perícia deve ser formulado de acordo com o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, a seguir transcrito: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Observase, de plano, que o pedido de perícia não possui o requisito de indicação do nome, do endereço e a qualificação profissional do perito, o que seria suficiente ao seu indeferimento. Nestes termos, citamse os Acórdãos nº 2402005.184, nº 2301003530 e nº 1302001.556, respectivamente: PEDIDO DE PERÍCIA. FALTA DE CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS. INDEFERIMENTO. Será indeferido o pedido de perícia formulado sem que sejam mencionados os quesitos acerca da matéria controvertida e feita a indicação do perito (Ac. nº 2402005.184). PERÍCIA INDEFERIMENTO Não será conhecido o pedido de perícia que deixar de indicar os quesitos referentes aos exames desejados, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. (Ac. 2301003.530) PROVA PERICIAL. O pedido de realização de perícia deve atender ao disposto do inc. IV, do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72 e vim acompanhado dos quesitos, do nome, endereço e qualificação do perito, sob pena de indeferimento.(Ac. 1302 001.556) No mérito, também razão não assiste à recorrente. Primeiro esclareçase que não houve arbitramento de valores de receita pela autoridade fiscal como alega a embargante, mas a constatação de existência de depósitos bancários movimentados em conta bancária de Fl. 2033DF CARF MF Processo nº 13830.720196/201192 Acórdão n.º 3302004.082 S3C3T2 Fl. 2.034 5 terceiros e à margem da contabilidade, cuja origem não foi comprovada, incidindo, pois, a presunção legal de omissão de receitas prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. Como é cediço, tal presunção é relativa e a embargante não logrou êxito em afastála, seja durante a ação fiscal na qual se manteve silente quanto à origem dos créditos, seja no julgamento do processo administrativo fiscal principal de nº 13830.720277/201192, relativo ao IRPJ, que se encerrou com decisão definitiva no âmbito administrativo, confirmando a caracterização da omissão de receitas, seja nestes autos, nos quais a embargante não trouxe qualquer elemento que pudesse afastar a presunção legal. Atentese que caberia à embargante o ônus de produzir tais provas para afastar a presunção legal relativa e definir o faturamento que alegou auferir, e que, para tanto, não seriam necessários conhecimentos específicos a ensejar a realização de perícia, mas, em regra, conhecimentos contábeis ou jurídicos para apreciar eventuais documentos que deveriam ser apresentados em impugnação, comprovando que os depósitos bancários mantidos à margem da contabilidade não se referiam a receitas. Destarte, entendo que o pedido de perícia é incabível. Diante do exposto, voto para acolher, parcialmente, os embargos de declaração para sanar a omissão alegada, e, no mérito, indeferir o pedido de realização de perícia, mantendo o resultado proferido no Acórdão nº 3302003.255. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 2034DF CARF MF
score : 1.0
