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Numero do processo: 19515.001576/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício: 2006, 2007
FALTA DE COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DO PROCESSO.
Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratando-se
de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-001.944
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
RECONHECER a incompetência desta Turma para processar e julgar o recurso voluntário, pois se trata de matéria de competência das Turmas da Primeira Seção do CARF.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratandose de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento., Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em RECONHECER a incompetência desta Turma para processar e julgar o recurso voluntário, pois se trata de matéria de competência das Turmas da Primeira Seção do CARF. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 07/05/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.001576/200888 Acórdão n.º 210201.944 S2C1T2 Fl. 550 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte, no montante de 18.268.647,3 1, aí incluídos principal, multa de ofício de 150% e juros de mora calculados até 30/05/2008. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, fl. 311, o presente processo trata de infrações de IRRF – Pagamentos sem causa / Operação não comprovada, decorrentes de processo reflexo do IRPJ. Este relato é o bastante para o Voto que segue. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O presente processo trata de infrações de IRRF – Pagamentos sem causa / Operação não comprovada, decorrentes de processo reflexo do IRPJ, senão vejamos: Termo de Verificação Fiscal fl. 311: Optante pelo Lucro . Presumido, iniciou suas atividades em 14/04/1992 e, a partir do Termo de Início de Fiscalização, Intimações e Reintimações posteriores, constatamos, relativamente aos Exercícios de 2007e2006 Anos calendário de 2006 e 2005 irregularidades relativas ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ devidamente consignados no Processo no. 19515.001577/200822, bem como ao Imposto de Renda Retido do na Fonte IRRF, cujos apontamentos descrevemos a seguir relativamente a SERVIÇOS MADOS DE SOCIEDADE CIVIL VINCULADA E/OU LIGADA. (Grifei). Acórdão DRJ/SPO I, fl. 461: Os fatos acima relatados e capitulados nos autos de infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) processo nº 19515.001577/200822, julgado nesta mesma data, e ao Auto de Infração do Imposto de Renda retido na Fonte (IRRF), apontam para o indício de fraude tributária. De outro lado o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf), determina: ANEXO II DA COMPETÊNCIA, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS COLEGIADOS TÍTULO I DOS ÓRGÃOS JULGADORES CAPÍTULO I DA COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DOS RECURSOS Fl. 567DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.001576/200888 Acórdão n.º 210201.944 S2C1T2 Fl. 551 3 (...) Das Seções de Julgamento Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; Posto isso, voto para RECONHECER a incompetência desta Turma para processar e julgar o recurso voluntário, pois se trata de matéria de competência das Turmas da Primeira Seção do CARF, determinando que os presentes autos sejam encaminhados à Secretaria da Câmara para as providências cabíveis de devolução deste processo para que seja redistribuído à Seção de Julgamento competente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000355/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1998 a 30/11/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.039
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª a Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1998 a 30/11/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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E OUTRA Recorrida DRJ-CAMPINAS/SP ; ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS • Período de apuração: 01/06/1998 a 30/11/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÃRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4 3 Câmara / I a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das • contribuições apuradas. • ELIA(1;S PAIO FREIRE - Presidente 21,„_,;11 _ RYCARDS NRIQUE MAGALHÃES DE CL VEIRA — Relator Participaram, do prese te julg ento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira Sou a, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 17546.000355/2007-19 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.039 Fl, 396 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. • No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE FLUA VElCULOS LTDA, a Turma • decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015, assim ementado: • Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. • DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos • previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos • legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei e 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's • es 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fündamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 40j 173, do CTN). • É o relatório. ;l47\ 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELUA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n° 2401-01.015. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas Sala das Sessões, e 24 de fevereiro de 2010 , APPatiã...,.;,,_,......5,4._,À.... RYCARDO EN • 41 E MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relator 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS VÊ.:-7,) QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO_- Processo n°: 17546.00035512007-19 Recurso n°: 162252 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial ri° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.039 Brasi 9 de março de 2010 • PLIAS S • AIO FREIRE • Presidente da Quarta Câmara • Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ Com Recurso Especial (1 Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 12571.000127/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004, 2005
NULIDADE. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA REEXAME. NÃO OCORRÊNCIA.
Ausência de intimação quanto à autorização para segundo exame, referente ao mesmo período, quando lavrada e assinada por autoridade competente não gera nulidade, conforme disposto no art. 906 do RIR/99. A Recorrente não foi prejudicada, já que tinha pleno conhecimento das infrações imputadas em processo administrativo anterior. Não houve afronta às hipóteses contidas no rol do art. 59 do Decreto nº. 70.235/72. Preliminar de nulidade afastada.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004 e 2005
GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADOS.
A comprovação dos custos e despesas contabilizados com seguros,
alimentação e combustíveis deve estar consubstanciada em documentação hábil e idônea, contendo elementos factíveis para demonstração dos gastos relacionados à atividade explorada. Glosa dos custos e despesas operacionais procedentes por falta de comprovação nos termos do art. 923 do RIR/99.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2004 e 2005
GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADOS.
Não havendo a comprovação dos custos e despesas incorridos pela
Recorrente, imperiosa também a manutenção do lançamento referente à CSLL.
Numero da decisão: 1202-000.712
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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FALTA DE INTIMAÇÃO PARA REEXAME. NÃO OCORRÊNCIA. Ausência de intimação quanto à autorização para segundo exame, referente ao mesmo período, quando lavrada e assinada por autoridade competente não gera nulidade, conforme disposto no art. 906 do RIR/99. A Recorrente não foi prejudicada, já que tinha pleno conhecimento das infrações imputadas em processo administrativo anterior. Não houve afronta às hipóteses contidas no rol do art. 59 do Decreto nº. 70.235/72. Preliminar de nulidade afastada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 e 2005 GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADOS. A comprovação dos custos e despesas contabilizados com seguros, alimentação e combustíveis deve estar consubstanciada em documentação hábil e idônea, contendo elementos factíveis para demonstração dos gastos relacionados à atividade explorada. Glosa dos custos e despesas operacionais procedentes por falta de comprovação nos termos do art. 923 do RIR/99. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 e 2005 GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADOS. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 150 2 Não havendo a comprovação dos custos e despesas incorridos pela Recorrente, imperiosa também a manutenção do lançamento referente à CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, André Almeida Blanco, Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Goncalves Bueno. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 140 a 145) interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (“DRJ/CTB”) (fls. 129 a 134), que julgou improcedente a Impugnação (fls.72 a 78) da ora Recorrente, mantendo o crédito tributário em questão. A fiscalização teve início com a autorização para reexame efetuada pelo Delegado Adjunto da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa, no Estado do Paraná, datada de 30/07/2009 (fls. 2), permitindo a reabertura de procedimento fiscal (reexame de períodos já fiscalizados) nos termos do artigo 906 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3000/99 (“RIR/99”). A autorização para reexame (fls. 2) teve por base um processo administrativo anterior, de nº. 16408.000129/200750 (relatório de ação fiscal às fls. 101 a 127), em que a Recorrente foi fiscalizada e autuada por omissão de receitas e glosa de custos e despesas consideradas indedutíveis para determinação do Lucro Real (período referente aos anos calendário 2002 a 2005). O Auditor Final relatou na autorização para reexame que a DRJ/CTB, ao julgar o processo originário (16408.000129/200750) (fls. 25 a 36), deixou de baixálo em diligência, impossibilitando o lançamento de Auto de Infração complementar. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 151 3 Constatouse que as glosas de custos e despesas (referentes aos anos calendário 2004 e 2005) evidenciadas na Decisão da DRJ/CTB que julgou o processo administrativo nº. 16408.000129/200750 (fls. 25 a 36), apesar de terem sido aplicadas no lançamento das multas isoladas discutidas naquele processo administrativo não foram adicionadas no ajuste anual dos exercícios respectivos (2004 e 2005). Assim, em decorrência da autorização de reexame (fls. 2), foi expedido o Mandado de Procedimento Fiscal nº. 09.1.04.002009003601 (“MPFF”), conforme relatado pelo Auditor Fiscal (fls. 20). Por consequência, foram lavrados, em 11/08/2009, os Autos de Infração (fls. 3 a 18) com a exigência complementar de IRPJ e de CSLL adicionando aos ajustes anuais as deduções indevidas (despesas glosadas e não lançadas) que haviam sido constatadas, descontandose ao final o montante já exigido pelo acórdão (nº 0616.155) pronunciado pela DRJ/CTB, conforme abaixo: IRPJ, de fls. 3 a 10, exigindo a adição de R$ 91.410,30 (noventa e um mil, quatrocentos e dez reais e trinta centavos) a título de custos/ despesas indedutíveis e multa de ofício qualificada de 150%, além de acréscimos legais. CSLL, de fls. 11 a 18, exigindo a adição de R$ 22.205,89 (vinte e dois mil, duzentos e cinco reais e oitenta e nove centavos) a título de custos/ despesas indedutíveis e multa de ofício qualificada de 150%, além de acréscimos legais. Os lançamentos fiscais baseiamse na glosa de custos e despesas da Recorrente com seguros (identificadas nos meses de abril a agosto do anocalendário de 2004), alimentação e combustíveis (referentes ao anocalendário de 2005, nos meses de janeiro a dezembro), conforme relatado pelo Auditor Fiscal (fls. 19 a 24) e justificado no Relatório Fiscal anterior do processo administrativo nº 16408.000129/200750 (fls. 106), por serem consideradas desnecessárias à atividade fim da Recorrente. Assim, trata o presente processo de exigências de IRPJ e CSLI decorrentes de glosa de custos e despesas não comprovados com seguros, alimentação e combustíveis, infração esta detectada em procedimento fiscal anterior, nos autos do processo nº 16408.000129/200750, conforme Relatório de Ação Fiscal de fls. 101127, cuja exigência deixou de ser formalizada no lançamento fiscal à época efetuado. A multa de ofício foi aplicada com base no art. 44, I, parágrafo 1º da Lei nº. 9.430/96, com a nova redação dada pela Lei nº. 11.488/2007, com base na omissão de receitas decorrente do processo administrativo nº 16408000.129/200750 (relatório de ação fiscal às fls. 101 a 127), por ter a fiscalização entendido que ficou tipificado o conceito de sonegação consciente e deliberada por parte da Recorrente. Com relação ao lançamento dos tributos houve infração ao art. 249, I do RIR/99, art. 13 da Lei 9.249/95 e art. 37 da Lei nº. 10.637/02, conforme Relatório Fiscal finalizado em 12/08/2009 (fls.19 a 24). Cabe ressaltar que por terem sido identificadas situações que poderiam configurar, em tese, crime contra a ordem tributária (conforme se abstrai da leitura do relatório de ação fiscal de fls. 101 a 127), foi formalizado no presente processo administrativo representação fiscal para fins penais (fls. 23), conforme exposto na Lei nº. 8.137/90. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 152 4 Lavrados os Autos de Infração (fls. 3 a 18) e finalizado o Relatório Fiscal (fls. 19 a 24), foram emitidos em 13/08/2009 os respectivos Autos de Infração para ciência da Recorrente. Em 20/08/2009, foi lavrado o Termo de Ciência do Auto de Infração IRPJ/CSLL (fls. 67), dando ciência a Recorrente dos Autos de Infração lavrados e da descrição das infrações contidas no relatório fiscal (fls. 19 a 24), registrado o recebimento por meio do Aviso de Recebimento às fls. 69 em 24/08/2009. Inconformada com a autuação, a Requerente protocolou em 01/09/2009 Impugnação (fls. 72 a 78), arguindo em sede de preliminar o que segue: (i) Ilegalidade do reexame referente aos anoscalendário 2004 e 2005, pela não observância ao disposto no art. 906 do RIR/99, em que o reexame deverá ser autorizado por ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal; e (ii) Nulidade do lançamento por não ter sido cientificada dessa ordem escrita, conforme art. 59, II, do Decreto nº. 70.235/72. No mérito, alegou em sua defesa, resumidamente, o seguinte: (i) As despesas com seguros, alimentação e combustível, glosadas pela autoridade fiscal, constituem despesas necessárias à manutenção da atividade desenvolvida pela sociedade, na forma do disposto no art. 299, parágrafo 1º do RIR/99; (ii) A autoridade fiscal indicou os valores dos custos e despesas glosadas, mas que em nenhum momento apontou a causa de tais glosas, carecendo de motivação legal e que apenas a menção do art. 249, I, do RIR/99 e art. 13 da Lei nº. 9.249/95 não são suficientes para tanto; (iii) Insurgiuse contra a exigência de multa qualificada, colacionando jurisprudência do Conselho de Contribuintes no entendimento de não ser cabível multa qualificada sem prova do dolo efetivo e sem prova do evidente intuito de sonegação fiscal; (iv) Não houve ação ou omissão dolosa no sentido de impedir, retardar total ou parcialmente o conhecimento do fato gerador por parte da autoridade fazendária; e por fim (v) Requereu o acolhimento da Impugnação com a declaração de improcedência dos Autos de Infração (fls. 3 a 18) contestados. Da análise da documentação acostada junto à Impugnação apresentada (fls. 72 a 78), a Recorrente foi intimada em 09/09/2009 (fls. 79) para apresentar os contratos e alterações societárias, bem como o documento de identificação para comprovação da assinatura do signatário da Impugnação (fls. 72 a 78). Em 17/09/2009 (fls. 81) a Recorrente atendeu por completo a Intimação supracitada, juntando os respectivos documentos às fls. 82 a 97. No mérito, com relação ao Item (ii) supramencionado, houve despacho da DRJ/CTB (fls. 99) solicitando à Sefis da DRJ/Ponta Grossa a juntada ao presente processo da cópia do Relatório Fiscal do processo administrativo nº. 16408.000129/200750. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 153 5 O Relatório Fiscal mencionado foi juntado às fls. 101 a 127, com a devida cientificação da ora Recorrente. Ao realizar o exame da Impugnação (fls. 72 a 78), a DRJ/CTB (fls. 129 a 134) afastou a preliminar de nulidade arguida, julgandoa, no mérito, parcialmente procedente apenas para o fim de desqualificar a multa agravada, afastando a aplicação do parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 e mantendose o restante da autuação. A decisão da DRJ/CTB (fls. 129 a 134) teve a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do lançamento quando o reexame de período já fiscalização [sic] em ação fiscal anterior foi devidamente autorizado pelo Delegado da DRF de jurisdição da contribuinte. Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADOS. Como a escrituração comercial deve estar lastreada em documentação hábil e idônea emitida por terceiros, contendo elementos suficientes para demonstrar estarem os gastos em estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita, procedente é a glosa dos custos e despesas operacionais não comprovados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. A falta de comprovação da prática da fraude ou sonegação desautoriza a aplicação da multa de ofício qualificada. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada 16/11/2009 por meio do AR e inconformada com a Decisão da DRJ/CTB (fls. 129 a 134), a Recorrente interpôs, em 06/12/2009, a este E. Conselho Recurso Fl. 178DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 154 6 Voluntário de fls.140 a 145, reinterando os mesmos argumentos e pedidos aludidos na Impugnação (72 a 78) e em suma requer: Nulidade dos Autos (fls. 3 a 18) por vício de forma e ausência de ciência da autorização de reexame; e Impossibilidade de glosa de custos e despesas por falta de motivação/ fundamentação da fiscalização e por considerar tais despesas/custos como essenciais à atividade desenvolvida pela Sociedade. Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicio pela análise das preliminares suscitadas pela Recorrente. I – PRELIMINAR DE NULIDADE Requer a Recorrente, em sede preliminar, a nulidade dos Autos de Infração (fls. 3 a 18) com base na regra contida no artigo 59, II do Decreto nº. 70.235/72, alegando em sua defesa que: O reexame não se baseou em autorização por escrito de autoridade competente, o que anularia os Autos de Infração (fls. 3 a 18); e Não recebeu intimação da autorização de reexame dos anoscalendários 2004 e 2005 para tomar conhecimento do conteúdo e da autoridade emissora. Entendo não caber razão à Recorrente no que tange à argumentação de que a fiscalização não se baseou em autorização por escrito de autoridade competente. Consta às fls. 2 dos autos “Autorização para Reexame” ordem escrita pelo Delegado Adjunto da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa autorizando o segundo exame relativo ao período já fiscalizado, com fulcro no art. 906 do RIR/99, que determina o seguinte: Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, § 2º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 34). Fl. 179DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 155 7 Há contradição nas alegações preliminares, de modo que a Recorrente aduz, ao mesmo tempo, que não só faltou a autorização para o reexame em tela como também faltou ser intimada de tal autorização. A contradição se percebe pelo fato de que, se realmente faltou autorização, por óbvio que a Recorrente não poderia ter sido intimada. Somente pode haver intimação de fato que existiu, sendo exatamente este o caso dos autos, não podendo se falar em nulidade dos Autos de Infração. No mais, entendo que houve a devida autorização dentro dos ditames legais. Com efeito, é de conhecimento notório que o crédito tributário é constituído pelo lançamento, procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível (art. 142, caput, do Código Tributário Nacional). Por tal razão, a reabertura de ação fiscal com base em autorização do competente Delegado é procedimento correto, não havendo que se falar em nulidade do ato, a exemplo do que já decidiu em diversas ocasiões este E. CARF. Vejamos: IRPF PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL INTIMAÇÕES NULIDADE NÃO OCORRIDA Ainda que se admita que as intimações não tenham sido entregues no endereço diverso do eleito pelo Recorrente, somente se justificaria a declaração de nulidade se tal erro houvesse comprometido seu direito de defesa (art. 59, II, do Decreto 70.235/72). LANÇAMENTO DISCREPÂNCIA ENTRE DESCRIÇÃO DO FATO E FUNDAMENTOS LEGAIS NULIDADE NÃO OCORRIDA Faltou ao Recorrente demonstrar onde está a discrepância apontada. De qualquer sorte, a suposta falha não se configura como nulidade, pois não há de se cogitar de incompetência e de preterição de direito de defesa, o que a remete para o art. 60 da lei processual administrativa. AUTORIZAÇÃO PARA REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO REVESTIDA DAS FORMALIDADES LEGAIS Assentado e pacificamente aceito que a delegação de competência é um dos princípios fundamentais da Administração Federal, válida é a autorização para reexame de período já fiscalizado emitida por autoridade cuja competência é fixada desta forma. (...) Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10245546 do Processo 108200010619925, Data: 19/06/2002) (não grifado no original) REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO REABERTURA DA AÇÃO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO Somente é nulo o lançamento decorrente de segundo exame em relação ao mesmo exercício se ausente a autorização prevista no artigo 906, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, firmada por autoridade competente. A reabertura da ação fiscal, mediante autorização do Delegado da Receita Federal da respectiva jurisdição, não acarreta a nulidade do procedimento. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº Fl. 180DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 156 8 10419974 do Processo 10580008624200134, Data:13/05/2004) (não grifado no original) Assim, após a lavratura do Auto de Infração a Recorrente pode pagar ou impugnar o lançamento tributário, nos termos do artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. Ao impugnálo como no presente caso , compõese, a partir daí, o litígio, momento oportuno para a Recorrente exercer o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Ressaltese, ainda, que o presente processo administrativo é decorrente, embora autônomo, do processo administrativo nº 16408.000129/200750, do qual a Recorrente tinha pleno conhecimento de todos os atos, inclusive da glosa dos custos e despesas considerados indedutíveis pela autoridade fiscalizadora naquele processo administrativo. Dessa maneira, temos que o objetivo do reexame dos anoscalendário 2004 e 2005 é fazer cumprir a adição ao cálculo do IRPJ/CSLL, na sistemática do lucro real, de custos e despesas glosados no processo administrativo nº 16408.000129/200750. Logo, observandose que a Recorrente recebeu o devido Termo de Ciência em 24/08/2009, por meio de AR (fls. 69), sendo devidamente intimada da lavratura dos Autos de Infração (fls. 3 a 18), concluo que a ausência de intimação quanto à autorização de reexame para início da fiscalização não causou prejuízo algum à Recorrente, já que essa tinha plena ciência dos fatos e pôde se defender, como o fez. Dessa forma, não houve nenhuma hipótese da tipificação do artigo 59, II do Decreto 70.235/72, motivo pelo qual afasto a preliminar de Nulidade. Analisadas e julgadas as questões preliminares, passo a analisar o mérito. II – GLOSA DE DESPESAS Alega a Recorrente acerca da impossibilidade de glosa de custos e despesas por falta de motivação/fundamentação da fiscalização, bem como por considerar tais despesas/custos como essenciais à atividade desenvolvida pela empresa. Conforme visto anteriormente, constatouse no reexame que apesar de as glosas de custos e despesas (referentes aos anoscalendário 2004 e 2005) evidenciadas na Decisão da DRJ/CTB terem sido aplicadas no lançamento das multas isoladas discutidas no processo administrativo nº 16408.000129/200750 (fls. 25 a 36), as mesmas não foram adicionadas no ajuste anual dos exercícios respectivos. Assim, a exigência complementar de IRPJ e CSLL com a adição aos ajustes anuais (2004 e 2005) das despesas indevidas (glosadas e não comprovadas com seguros, alimentação e combustíveis) decorrem da infração detectada e comprovada no procedimento fiscal anterior (autos do processo nº 16408.000129/200750, conforme Relatório de Ação Fiscal de fls. 101127), cuja exigência deixou de ser formalizada no lançamento fiscal à época efetuado. Cumpre ressaltar, a esse respeito, que o relatório fiscal (fls. 101 a 127) de referido processo administrativo nº. 16408.000129/200750 traz a descrição da infração citada Fl. 181DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 157 9 pela autoridade fiscal no subitem 3.2.1 e que a Recorrente teve pleno conhecimento deste relatório fiscal (fls. 101 a 127) em 15/03/2007. Além disso, consta ainda daquele relatório fiscal que a Recorrente deixou de atender plenamente à intimação fiscal e deixou de apresentar documentos que comprovassem os custos e despesas contabilizados com seguros, alimentação e combustíveis. Portanto, e conforme já esclarecido na decisão da DRJ/CTB (fls. 133), a escrituração contábil desacompanhada de documentação hábil e idônea, constitui, por si só, prova contrária ao contribuinte, conforme redação do artigo 923 do RIR/99, in verbis: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). (Grifos nossos) Verificase, portanto, que a apresentação de documentação hábil é exigência legal, não se podendo falar em prova inequívoca do alegado na sua falta. Este também é o entendimento deste E. Conselho: IRPJ GLOSA DE DESPESAS As despesas não comprovadas com documentação hábil devem ser adicionadas ao resultado para apuração da base de cálculo do IRPJ. PIS COFINS IR FONTE CSLL DECORRÊNCIA O decidido no lançamento do IRPJ alcançam os lançamentos decorrentes face a íntima relação de causa e efeito entre ambos. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10706040 do Processo 108350004759761, Data:15/08/2000). (não grifado no original) Oportuno se faz transcrever trechos da decisão proferida pela DRJ/CTB, a qual demonstra de maneira elucidativa a legalidade das glosas efetuadas: “a) Despesas com Seguros O demonstrativo abaixo apresenta os valores informados pela fiscalizada (através dos livros fiscais/contábeis) quanto às despesas referentes a seguros: Quadro A1 Ano Calendário Despesas com Seguros (R$) 2002 2.055,31 2003 2.864,47 2004 120.642,14 2005 7.782,04 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 158 10 No anocalendário de 2004, em especial quanto aos meses de abril a agosto, as despesas de seguro atingiram patamares desproporcionais com os demais meses do período averiguado. Intimada a justificar tais despesas a Recorrente atestou somente valores referentes aos meses de abril, julho e agosto com valores irrisórios R$ 131,14 e R$ 154,90, perto do que foi informado em seus livros b) Despesas com Alimentação Do exame aos livros contábeis/fiscais apresentados pelo contribuinte destacouse grande disparidade dos valores relativos a despesas quanto à alimentação no anocalendário de 2005 comparativamente com os demais anos fiscalizados: Quadro B1 Ano Calendário Despesas com Alimentação(R$) 2002 5.472,33 2003 8.523,78 2004 11.237,69 2005 89.345,76 Intimado a comprovar as despesas com alimentação do ano calendário de 2005, o contribuinte apresentou vários cupons de máquina registradora de supermercados (sem discriminação de consumidor) com compras extensas e não condizentes com o quadro funcional da empresa (incluindo itens de uso doméstico e não usual da atividade, bem como produtos de limpeza e higiene); isto posto, efetuouse a glosa desses cupons fiscais simplificados. Concomitantemente, foram glosadas ainda notas fiscais de alimentação sem a constatação devida do consumidor do bem/serviço contraprestado, não constituindo, portanto, documentação hábil para a comprovação. Ressaltese que não foi objeto de discussão se as despesas de alimentação foram fornecidas pela fiscalizada a todos os seus empregados indistintamente (como preconiza a IN SRF nº 11/96, art. 26) face às várias notas fiscais de refeições vultosas, inclusive em locais fora da cidade do contribuinte e até de Estado (Lei n° 9.249/95,art. 13, inciso IV). c) Despesas com combustível Análise quanto às despesas com combustível indicou um aumento incoerente e descabido com a estrutura da empresa fiscalizada no anocalendário de 2005. O Quadro C1 abaixo faz uma correlação entre as 'despesas com combustível' com o ‘número de veículos' (vide Plano de Contas/Ativo Permanente/Ativo Imobilizado/Veículos — constante nos Livros Diário entregues) do contribuinte dentro dos respectivos anoscalendário. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 159 11 Ano calendário Despesas c/ combustíveis Quantidade de Veículos 2002 9.653,54 06 2003 11.537,67 08 2004 11.037,82 09 2005 129.384,82 09 Notese que o número de veículos da empresa fiscalizada entre os anoscalendário de 2004 e 2005 permaneceu o mesmo, apesar do acréscimo desarrazoado de consumo de combustível no ano calendário de 2005. (...) Mesmo assim, foram glosadas apenas as despesas correspondentes a cupons/notas fiscais sem a discriminação do consumidor (no caso, da fiscalizada), bem como os relativos a gastos com diesel, uma vez que a frota da empresa não comporta veículo consumidor desse combustível. Vale destacar ainda que não entrou no mérito a necessidade de indicação das placas dos veículos nas notas fiscais de consumo de combustível (1º Conselho Contribuintes — Ac. 105 1.941/86), caso contrario, efetuarseia a glosa completa das despesas consideradas.” Portanto, em razão do acima exposto, e como a Recorrente não trouxe fatos ou documentos novos, nem fez prova com base em documentação hábil e idônea de que os custos e despesas classificados como indedutíveis para apuração do lucro real são necessários para as suas atividades, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário (fls. 140 a 145), mantendo a decisão da DRJ/CTB (fls. 129 a 134) por seus próprios fundamentos. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 184DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10580.006688/2001-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: COFINS – IMUNIDADE – MANUTENÇÃO INSUBSISTÊNCIA DOS LANÇAMENTOS – Mantida a imunidade da instituição, consequentemente, os lançamentos de ofício decorrentes de ato que anteriormente decretara a sua suspensão, devem ser cancelados.
Numero da decisão: 9101-001.374
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.006688/200109 Acórdão n.º 910101.374 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 448/459), com fundamento no artigo 7°, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, contra o Acórdão n° 10708.785, proferido pela então Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O processo trata de Auto de Infração para a exigência de COFINS relativo aos meses de janeiro de 1998 a dezembro de 1999 (fls. 14/18), decorrente de suposta suspensão de imunidade. Conforme esclarece o Termo de Verificação Fiscal (fls. 18), “demonstrado no Termo de Suspensão de Imunidade para o anocalendário 1995 e, também, no Termo de Suspensão de Imunidade para os anoscalendários de 1996 e 1997, a entidade não cumpriu as exigências legais para o efetivo gozo do benefício fiscal em questão, deixando de atender ao disposto nos incisos I e II do artigo acima mencionado, tendo o Delegado da Receita Federal expedido Ato Declaratório suspensivo do benefício, nos termos da Lei 9.430/96, consubstanciado no Parecer n/° 533/2000PJ, referente o anocalendário 1995 e no Parecer 55012001PJ, referente aos anoscalendários 1996 e 1997, razão pela qual procedemos à lavratura dos respectivos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, em consonância com o artigo 32, parágrafo 6° da lei mencionada, por se tratar de imposto abarcado pela imunidade constitucional definida no artigo 150, inciso VI, alínea "c" da nora Carta Magna.” Impugnado o lançamento, sobreveio acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, o qual julgou o lançamento procedente. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o Acórdão n° 10708.785 (fls. 437/445), o qual, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, nos termos da seguinte ementa: INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO — IMUNIDADE — ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 14 DO CTN SUSPENSÃO — IMPROCEDÊNCIA DO ATO — A suspensão de imunidade de instituição de educação, medida excepcional, somente subsiste para efeitos de permissão de tributação se provado se e enquanto vigente as suas causas determinantes , ofensa ao art. 14 do CTN. COFINS — IMUNIDADE — MANUTENÇÃO INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO — Mantida a imunidade da instituição, consequentemente, o lançamento de oficio decorrente de ato que anteriormente decretara a sua suspensão, deve ser declarado insubsistente. Entendeu o acórdão ora recorrido que, uma vez que o Acórdão n° 10708.773 (Processo Administrativo n° 10580.019491/9919), restabeleceu a imunidade anteriormente Fl. 838DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.006688/200109 Acórdão n.º 910101.374 CSRFT1 Fl. 3 3 suspensa, o julgamento do Recurso no presente processo restou prejudicado, razão pela qual decretouse a insubsistência do lançamento. A Fazenda Nacional interpôs, então, Recurso Especial (fls. 448/459), requerendo seja restabelecida a suspensão da imunidade, por inobservância do artigo 14, III do Código Tributário Nacional. Em Despacho de fls. 461/462 foi dado seguimento ao Recurso Especial. O contribuinte apresentou suas ContraRazões ao Recurso Especial. É o relatório. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.006688/200109 Acórdão n.º 910101.374 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi objeto de despacho de admissibilidade e a ele foi dado seguimento. Primeiramente, cumpre consignar que no Processo Administrativo 10580.019491/9919, discutiuse a suspensão da imunidade da Recorrente para os anos calendário de 1996 e 1997. No referido processo, em sessão 31/08/2010, foi julgado o Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, em face de acórdão que manteve a imunidade da recorrente. O acórdão nº 910100.687, desta Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, entendeu por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendo, portanto, a imunidade. A decisão restou assim ementada: Ementa: INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. IMUNIDADE. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 14 DO CTN. A suspensão de imunidade de instituição de educação, medida excepcional, somente subsiste para efeitos de permissão de tributação se provada ofensa à norma prescrita no artigo 14 do Código Tributário Nacional. IMUNIDADE. SUSPENSÃO. IMPROCEDÊNCIA. A suspensão de imunidade de instituição de educação, para que seja eficaz, deve estar calcada em sólidas provas do desvio de finalidade de que trata o artigo. 14 do Código Tributário Nacional, não se prestando como tais, a acusação de despesas contabilizadas que poderiam ser tomadas como indedutíveis, mas que não representam distribuição de qualquer parcela do patrimônio ou de rendas da entidade. Desta forma, a imunidade da contribuinte restou mantida para os anos calendário de 1996 e 1997. A despeito da autoridade fiscal ter se fundamentado na suspensão da imunidade discutida naquele processo (Processo Administrativo 10580.019491/9919), importa esclarecer que o lançamento de COFINS ora em discussão se refere a período distinto, qual seja, 1998 e 1999. Em seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional repisa os argumentos já apreciados no processo de suspensão da imunidade (10580.019491/9919) e aduz na fundamentação a acusação de que a contribuinte não seria instituição beneficente de assistência social, bem como de que remunera seus dirigentes com salários da ordem de R$ 25.000,00, violando o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, bem como o artigo 14, III do Código Tributário Nacional, o que seria impedimento ao gozo da imunidade. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.006688/200109 Acórdão n.º 910101.374 CSRFT1 Fl. 5 5 Quanto aos argumentos já apreciados no processo de suspensão de imunidade, adoto as mesmas razões de decidir daquele processo, no qual restou mantida a imunidade do contribuinte. De fato, tanto a d. Procuradoria, em seu Recurso, quanto o Termo de Verificação Fiscal, apesar de argumentar que determinadas exigências legais não estariam sendo atendidas para o gozo da imunidade, fundamentam o lançamento no processo nº 10580.019491/9919, de suspensão de imunidade, e nos mesmos Pareceres. Assim, a decisão proferida naquele processo de suspensão de imunidade é causa prejudicial desse. Decretada a insubsistência daquele processo de suspensão da imunidade, deve ser negado provimento ao Recurso Especial da d. Procuradoria. Quanto às demais alegações, o Recurso Especial foi além das acusações do processo de suspensão de imunidade, o que torna tais acusações sem efeito neste processo. Por se tratar de processo decorrente, tais alegações não devem ser, portanto, apreciadas nos presentes autos. Ainda que assim não fosse, não merece reparos o acórdão recorrido na parte em que afastou a acusação do pagamento aos diretores, porquanto nada impede que haja pagamento de salário em remuneração de serviços prestados por executivos. Também não prospera o Recurso Especial da d. Procuradoria quando repisa as alegações do TVF, sem evidenciar a contrariedade à prova analisada no acórdão recorrido, no sentido de que a entidade apresentou uma série de relatórios de atividades de assistência social, inscrição regular no CNAS, além de certificados de fins filantrópicos federal e estadual. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de cancelar o auto de infração objeto do presente processo É como voto. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Sala das Sessões, em 4 de junho de 2012. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13308.000333/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2006
Ementa: DEPÓSITO JUDICIAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS. NÃO INCIDÊNCIA.
Depósitos judiciais realizados à disposição do credor, impedem a fluência dos juros e da multa moratória a partir do implemento do depósito.
Numero da decisão: 2302-001.609
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conhecer parcialmente do recurso, para na parte conhecida conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídos os juros e a multa moratória.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Recorrente PELÁGIO OLIVEIRA SA Recorrida DRJ FORTALEZA CE Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2006 Ementa: DEPÓSITO JUDICIAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS. NÃO INCIDÊNCIA. Depósitos judiciais realizados à disposição do credor, impedem a fluência dos juros e da multa moratória a partir do implemento do depósito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conhecer parcialmente do recurso, para na parte conhecida conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídos os juros e a multa moratória. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior. Relatório Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Os presentes autos tratam de contribuições sociais destinadas à Previdência Social incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de décimo terceiro salário. Conforme relatório fiscal às fls. 50 e 51, o contribuinte mantém questionamento judicial a respeito da legalidade das contribuições patronais incidentes sobre essa parcela remuneratória por meio do Processo n. 97.258955 (6ª Vara da Justiça Federal/CE), sendo que estas contribuições foram integralmente depositadas em juízo. Foi apresentada impugnação conforme fls. 57 a 73. Por meio da decisão às fls. 87 a 93, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza manteve integralmente o lançamento. Não concordando com a decisão do órgão fazendário, a autuada interpôs recurso na forma das fls. 98 a 109. Alega em síntese que: a) não poderia ser instaurada ação fiscal tendo em vista o disposto no art. 62 do Decreto n ° 70.235; b) o objeto da impugnação administrativa é distinto da demanda judicial; c) não é possível imputar multa e juros; d) requer anulação do lançamento; ou que se afaste a incidência de juros de mora e multa sobre os valores depositados em juízo. Por meio da Resolução n 230200053, esta Turma converteu o julgamento em diligência, fls. 132 a 134, para que a fiscalização informasse se os valores foram depositados à disposição da Previdência Social, e em quais datas teriam sido realizados os depósitos. A fiscalização prestou informações às fls. 142. Cientificado do resultado da diligência, a autuada manifestouse às fls. 145. É o relato suficiente. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13308.000333/200719 Acórdão n.º 230201.609 S2C3T2 Fl. 149 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator Pressuposto de admissibilidade já superado por ocasião da deliberação anterior, fls. 132 a 134. Passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Quanto ao argumento de que não poderia ser instaurada ação fiscal tendo em vista o disposto no art. 62 do Decreto n ° 70.235, não assiste razão à recorrente. A exigência do crédito tributário foi suspensa em função dos depósitos judicias, e não em virtude de medida judicial. Dessa forma não houve subsunção ao previsto no art. 62 do Decreto n 70.235, não havendo impedimento à realização da ação fiscal. O prazo para lançamento das contribuições previdenciárias não está sujeito à suspensão ou à interrupção. Desse modo, apesar de o crédito encontrarse com exigibilidade suspensa não há óbice para que o Fisco exerça o direito de efetuar o lançamento tributário. Não se pode esquecer que caso o Fisco não realize o lançamento, há o risco do perecimento do direito em virtude da fluência do prazo decadencial. O impedimento para o Fisco diz respeito à movimentação da ação de execução fiscal para os créditos com exigibilidade suspensa, não impedindo a constituição do mesmo. A recorrente afirma que o objeto da impugnação administrativa é distinto da demanda judicial. Essa afirmação é falsa, pois há argumentos colacionados no processo administrativo que coincidem com os apresentados em juízo. O mérito de serem devidas ou não as contribuições não serão conhecidos por este Colegiado, pois coincide com a demanda judicial. Todavia o argumento quanto à imputação de juros e multa pode ser conhecido por este Conselho. De acordo com o disposto nos arts. 126, § 3º da Lei n ° 8.213/1991 e 38 da Lei de Execução Fiscal (LEF), a propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. O ponto controverso reside na cobrança de juros e de multa moratória sobre os valores depositados judicialmente. Entendo que a partir do depósito judicial não são devidos juros, pois os valores depositados em juízo garantem a instância. Além do que, não se pode falar em inadimplemento do contribuinte, desde que os valores tenham ficado à disposição do órgão previdenciário. No presente caso os valores ficaram à disposição da Previdência Social e foram realizados a tempo, conforme informação fiscal à fl. 142. Dessarte não podem ser cobrados os consectários. O art. 239 do RPS dispõe, nestas palavras: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Art.239. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a: I atualização monetária, quando exigida pela legislação de regência; II juros de mora, de caráter irrelevável, incidentes sobre o valor atualizado, equivalentes a: a) um por cento no mês do vencimento; b) taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia nos meses intermediários; e c) um por cento no mês do pagamento; e III multa variável, de caráter irrelevável, nos seguintes percentuais, para fatos geradores ocorridos a partir de 28 de novembro de 1999: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) a) para pagamento após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: 1. oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) 2. quatorze por cento, no mês seguinte; ou (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) 3. vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) b) para pagamento de obrigação incluída em notificação fiscal de lançamento: 1. vinte e quatro por cento, até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) 2. trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) 3. quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social; ou (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) 4. cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social, enquanto não inscrita em Dívida Ativa; e (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) c) para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: 1. sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13308.000333/200719 Acórdão n.º 230201.609 S2C3T2 Fl. 150 5 2. setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) 3. oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; ou (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) 4. cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) §1º Os juros de mora previstos no inciso II não serão inferiores a um por cento ao mês, excetuado o disposto no §8º. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 2º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o inciso III. § 3º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 4º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 2º. § 5º É facultada a realização de depósito à disposição da seguridade social, sujeito ao mesmo percentual do item 1 da alínea “b” do inciso III, desde que dentro do prazo legal para apresentação de defesa. § 6º À correção monetária e aos acréscimos legais de que trata este artigo aplicarseá a legislação vigente em cada competência a que se referirem. § 7º Às contribuições de que trata o art. 204, devidas e não recolhidas até as datas dos respectivos vencimentos, aplicamse multas e juros moratórios na forma da legislação pertinente. §8ºSobre as contribuições devidas e apuradas com base no §1º do art. 348 incidirão juros moratórios de zero vírgula cinco por cento ao mês, capitalizados anualmente, e multa de dez por cento. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 9º As multas impostas calculadas como percentual do crédito por motivo de recolhimento fora do prazo das contribuições e outras importâncias, não se aplicam às pessoas jurídicas de direito público, às massas falidas e às missões diplomáticas estrangeiras no Brasil e aos membros dessas missões. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 §10. O disposto no §8º não se aplica aos casos de contribuições em atraso a partir da competência abril de 1995, obedecendose, a partir de então, às disposições aplicadas às empresas em geral. (Parágrafo acrescentado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) §11. Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 225, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) Conforme previsto no parágrafo 5º acima transcrito, caso o recorrente efetue o depósito durante o prazo para impugnação, a partir de então não flui a multa moratória, uma vez que o crédito já está garantido. Sendo assim, após o depósito judicial ter sido realizado não há que se cobrar multa moratória, desde que o valor depositado fique à disposição do credor. Na mesma linha de não incidência dos acréscimos moratórios a partir de depósito em dinheiro é o disposto no art. 9º, § 4º da LEF (Lei n ° 6.830/1980). Também há que ser observado, que a multa moratória é devida até que ocorra o implemento da obrigação. Dessa forma, somente poderia ser cobrada multa caso o depósito tivesse sido realizado em momento posterior ao vencimento da obrigação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO PARCIAL do recurso para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO, em relação à parte conhecida. Devem ser excluídas os juros e a multa moratória a partir da efetivação do depósito. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 161DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10120.007022/2001-87
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-Calendário: 1996
AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE: Importa renúncia às instâncias
administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da
constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 1803-001.298
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, por unanimidade NÃO CONHECER o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Sergio Luiz Bezerra Presta
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-Calendário: 1996 AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Recurso não conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 1.376 1 1.375 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.007022/200187 Recurso nº 146.920 Voluntário Acórdão nº 1803001.298 – 3ª Turma Especial Sessão de 08 de maio de 2012 Matéria IRPJ Recorrente INFRACON CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AnoCalendário: 1996 AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade NÃO CONHECER o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10120.007022/200187 Acórdão n.º 1803001.298 S1TE03 Fl. 1.377 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, passo a adotar parte do relato do contido no Acórdão nº 13.511 proferido pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília DF, constante das fls. 152 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Ex vi do art. 835 do RIR/99 (revisão da declaração de ajuste anual do imposto de renda pessoa jurídica do anocalendário 1996, exercício 1997), constatouse as seguintes infrações: a) lucro inflacionário acumulado realizado em valor inferior ao limite mínimo obrigatório (RIR/94 Decreto n°1.041/94, arts. 195, 419 e 420; Lei nº 9.065/95, arts. 5°e 7º); b) compensação a maior do imposto devido com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços/balancetes de suspensão (Lei n° 8.981/95, art. 37, § 3°, d, e § 45); c) omissão de receitas financeiras na declaração do 1RPJ, tendo em vista que a contribuinte declarou nas linhas 04, 06 e 07, da Ficha 06, como receitas financeiras, o valor de R$ 15.303,92, e as fontes pagadoras informaram através de D1RF a importância de R$ 78.343,08 (Lei n° 9.249/95, arts. 11 e 24; Lei n° 8.981/95, art. 76, § 20). Durante o procedimento de fiscalização (fase anterior à lavratura do Auto de Infração), não consta dos autos que a contribuinte tivesse sido intimada para prestar esclarecimentos acerca das infrações mencionadas acima. Em face dessas infrações, em 04/12/2001 foi lavrado o Auto de Infração do IRPJ para exigir o crédito tributário suplementar de R$ 68.372,68, assim discriminado (fls. 01/12): a) IRPJ, no valor de R$ 25.360,79; b) Multa de Ofício (75%), no valor de R$ 19.020,59; c) Juros de Mora (calculados até 31/12/2001), no valor de R$ 23.991,30. O sujeito passivo tomou ciência do Auto de Infração em 07/12/2001, por via postal, conforme cópia do AR (fl. 24). Na sequencia, a autoridade preparadora, em 20/12/2001, juntou aos autos cópia da D1RPJ 1997 e outros documentos, que serviram de base para o lançamento fiscal (fls. 13/26). Em 08/06/2002, o sujeito passivo apresentou impugnação ao lançamento fiscal aduzindo, em apertada síntese (fls. 27/80): I — Quanto ao lucro inflacionário realizado em valor inferior ao limite mínimo obrigatório, lembra que o valor autuado é oriundo do reflexo do recálculo do lucro inflacionário a realizar em 31/12/89 — Diferença IPC/BTNF conforme Lei n°8.200/91; que realmente não ofereceu à tributação a diferença IPC/BTNF, pelo seguinte: a) a Impugnante, desde 02.05.91, é associada do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás — SINDUSCON; Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10120.007022/200187 Acórdão n.º 1803001.298 S1TE03 Fl. 1.378 3 b) que em 07/05/92 o SINDUSCON impetrou mandado de segurança coletivo em face do Delegado da Receita Federal em Goiás, rebelandose contra a aplicação do Inciso II do art. 3° da Lei n° 8.200/91, que estabeleceu novos critérios de apuração do lucro real, relativamente ao períodobase já encerrado em 31/12/1990, pois implicava em majoração do “quantum” do IRPJ e da CSLL já pagos no exercício 1991, relativos ao anobase 1990 (petição inicial do MS consta das fls.99/111); c) da citada petição inicial do MS Coletivo constam os seguintes argumentos, em síntese (Processo Judicial nº 92.00029256): • que da simples leitura daquele dispositivo (Lei n° 8.200/91, art. 3°,II), verificase que está sendo alterado o critério utilizado em 1990, para a apuração do lucro real, uma vez que estaria afastando a aplicação do art. 10 da Lei n° 7.799/89 que determinava a correção monetária das demonstrações financeiras (art. 40, I) com base na variação diária do valor do BTN Fiscal; • quando o inciso II do art. 3° da Lei n° 8.200/91 fala em "saldo Credor" é porque, sendo aplicado o novo índice proposto (IPC), aumentará o lucro real a ser tributado; • ora, se em 1990 o índice de atualização era o BTNF e a Impetrante utilizando esse índice — previsto em lei — corrigiu monetariamente suas demonstrações financeiras, o fez corretamente e dentro da estrita legalidade. E como pagou os tributos naqueles termos, extinto está o crédito tributário pelo pagamento; • se aplicado o disposto no art. 3 0, II, da Lei n° 8.200/91, e sua regulamentação que se deu pelo Decreto n° 332/91, estarseá violando as normas contidas na Constituição Federal e no CTN (princípios violados: da irretroatividade da lei tributária, do direito adquirido e do ato jurídico perfeito); d) em função dos argumentos expendidos na petição inicial, houve a concessão de medida liminar. Além disso, foi prolatada sentença de mérito pela 6ª Vara Federal, Seção Judiciária do Estado de Goiás, dando ganho de causa à Impetrante, em 27/04/1994, cujo teor da decisão, em apertada síntese, é o seguinte: • Alega o Impetrante, em síntese, que até a data de 31 de janeiro de 1991, os bens patrimoniais eram atualizados ou corrigidos monetariamente tomandose por base de cálculo o BTNF, conforme dispunha a Lei n°7.799/99; • Em 28 de junho de 1991, foi editada a Lei n° 8.200, que, regulamentada pelo Decreto n° 332, de 04 de novembro de 1991, estabeleceu novos critérios de atualização patrimonial, relativamente ao anobase de 1990, utilizandose o IPC como indexador; • Aponta a inconstitucionalidade do art. 3°, inciso II, da referida lei, uma vez que importa em majoração do quantum de impostos e contribuição social já pagos em 1991, ferindo frontalmente os princípios da irretroatividade, do direito adquirido e do ato jurídico perfeito; • Requer liminar, por estar caracterizado tanto o "periculum in mora" quanto a relevância do fundamento; • Concedido o provimento liminar; • No mérito, a Autoridade Impetrada requereu a denegação da segurança, por inexistência de violação dos princípios constitucionais; Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10120.007022/200187 Acórdão n.º 1803001.298 S1TE03 Fl. 1.379 4 • Já, o Ministério Público Federal defendeu o cabimento do "writ", inclusive informando que tal dispositivo é objeto de ADIn no STF (ADIn 5430), cuja ação foi proposta pelo ProcuradorGeral da República. No caso, o Relator Ministro Celso de Mello, proferiu despacho, sem suspensão cautelar da vigência do dispositivo, para que fossem primeiro prestadas informações. Nas informações prestadas pelo ConsultorGeral da República, manifestouse a CGR pela procedência do pedido. Eis uni pequeno trecho de suas informações: (...) Induvidoso que as normas impugnadas afrontam o ato jurídico perfeito. E ai não se resuma tão — só o fato gerador, mas, também, ao reconhecimento do tributo nos moldes da legislação própria e pretérita. Em resumo: para a pessoa jurídica, o imposto de renda devido no períodobase de 1990 foi recolhido no exercício seguinte e esses acontecimentos — o fato gerador e seus efeitos pecuniários — alcançaram intangibilidade por força da garantia do ato jurídico perfeito. Impossível cogitar desses mesmos acontecimentos, já consumados, para projetar novos efeitos tributários para o ano de 1993, pois a imutabilidade do fato gerador está, para o contribuinte, na mesma proporção da receita auferida à conta do reconhecimento do tributo devido para o Fiscal. • Suspensa a liminar pelo egrégio T.R.F. • É o relatório. Decido. • "...Realmente é, a meu ver, induvidosa a afronta ao ato jurídico perfeito perfeito perpetrada pela lei em apreço. Foram feridos os princípios da irretroatividade, anterioridade, segurança jurídica e o direito adquirido erigidos pela Constituição Federal de 1988. Por tudo que consta dos autos, CONCEDO A SEGURANÇA..., tudo conforme a inicial." e) que a citada liminar, inicialmente, e a concessão do "writ" (posteriormente) em 27/04/1994, tudo no Processo Judicial do Mandado de Segurança Coletivo n° 92.00029256, asseguram aos filiados o direito de manter processado o balanço patrimonial de seus bens do anobase 1990, pelo indexador vigorante naquela época, ou seja, o BTNF, tudo conforme a inicial. Além disso, contra a decisão do TRF que decidiu pela aplicação do IPC no período citado, foi interposto no STJ, em 16/04/1998, Recurso Especial n° 167.973 — GO pela Fazenda Pública Nacional (Processo n° 1998/00198857). No STJ, em 05/03/2001, o Relatar Ministro Garcia Vieira da 1ª Turma, nos termos do art. 557, § 1°A do CPC, deu provimento ao recurso, afastando a aplicação do IPC, para estabelecer o índice de correção monetária BTNF, decisão favorável aos interesses do SINDUSCON. Não houve agravo da decisão. Os autos foram baixados definitivamente ao TRF/1ª Região, em 23/03/2001 (fls. 61/63); f) em face do exposto, a Impugnante, quanto ao Lucro Inflacionário a Realizar — Diferença de IPC/BTNF do anobase 1989, entende que o credito tributário, quando da lavratura do Auto de Infração em 04/12/2001, já estava com sua exigibilidade suspensa e, então, não caberia, nessa parte, a cobrança da multa de oficio, ex vi do Inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96 2 — Em relação à compensação a maior do imposto devido com base na receita bruta e acréscimos (apuração anual do IRPJ com base no lucro real, com Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10120.007022/200187 Acórdão n.º 1803001.298 S1TE03 Fl. 1.380 5 pagamentos mensais por estimativa), pede o cancelamento do lançamento fiscal, pelo seguinte: a) na declaração do IRPJ 1997 (anobase 1996), por lapso, foi lançado indevidamente na Ficha 08, Linha 16, o montante de R$ 33.710,06, quando o valor correto seria R$ 24.653,61. A diferença de R$ 8.336,07 deveria ter sido lançada na Linha 18 (demais compensações do IR), que corresponde ao 1RRF incidente sobre as Notas Fiscais 390 e 393, recolhido em duplicidade, pois na data de emissão dessas NE foi calculado e reconhecido o IRPJ e, quando do recebimento do valor faturado em 04/02/1997 a fonte pagadora — DAMF/RJ — CNPJ: 00.394.460/0011 13 reteve também os tributos federais inclusive 4,8% de 1RRF, quando o valor correto seria 1,2% (fls. 64/71); b) que procedeu a compensação com base na IN SRF nº 67, de 26.05.92, ADN nº 15, de 30.03.94 e art. 165 do CTN; c) que os valores pagos por estimativa foram atualizados com base no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95, ou seja, pela aplicação da taxa SELIC (fls. 72/80). 3 — No que concerne à omissão de receitas financeiras na declaração do IRPJ 1997 (anobase 1996) que o contribuinte declarou R$ 15.303,92 na Ficha 06, Linhas 04,06 e 07 e, no entanto, as fontes pagadoras informaram através de DIRF pagamentos de receitas financeiras no valor de R$ 78.343,08, entende a Impugnante que, apesar da omissão da receita financeira autuada, não houve falta de pagamento do IRPJ, tendo em vista que as instituições financeiras efetuaram as retenções devidas do IRRF e informaram a SRF via DIRF. Em face das alegações do sujeito passivo, os autos foram baixados para a realização das diligências pertinentes (fls. 83/84). Foram cumpridas as diligências (fis.86/148), conforme Termo de Encerramento de Diligência (fi.149). Quanto ao encerramento das diligências, foi dado ciência ao sujeito passivo em 11/10/2004, por via postal, conforme AR (fl. 150)”. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília DF, na sessão de 11/04/2005, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 13.511 entendendo “por unanimidade de votos, conhecer da impugnação e, no mérito, JULGAR procedente, em parte, o lançamento fiscal para acolher o IRRF de R$ 13.884,43 (fls. 22/23) e, por conseguinte, reduzir o valor do IRPJ de R$ 25.360,79 para R$ 11.476,36, bem assim a multa de ofício e os juros de mora respectivos, nos termos do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado. JULGAR PROCEDENTES EM PARTE as exigências fiscais”, em decisão assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Anocalendário: 1996 Ementa: APURAÇÃO ANUAL DO LUCRO REAL — IRPJ PAGO POR ESTIMATIVA MENSAL. LUCRO INFLACIONÁRIO A REALIZAR EM 31/12/1989 DIFERENÇA IPC/BTNf — NÃO OFERECIMENTO A TRIBUTAÇÃO. COMPENSAÇÃO A MAIOR DO IMPOSTO DEVIDO COM BASE NA RECEITA BRUTA E ACRÉSCIMOS. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10120.007022/200187 Acórdão n.º 1803001.298 S1TE03 Fl. 1.381 6 I — Procede o lançamento do multa de oficio com base no artigo 63 da Lei no 9.430/96, uma vez que não restou provado nos autos que o crédito tributário atinente ao lucro inflacionário não realizado estivesse com a exigibilidade suspensa; II — Mantémse a glosa dos valores compensados a maior do 1RPJ devido com base na receita bruta e acréscimos — IRPJ pago por estimativa mensal, pois não restaram provados pagamentos em duplicidade, e, além disso, quando da entrega da declaração de ajuste anual, é incabível a correção monetária com base na taxa SELIC dos pagamentos do IRPJ — estimativa mensal, para efeito de dedução do imposto devido; III — Procede a exigência fiscal quanto à omissão das receitas financeiras na apuração do lucro real, porém deve ser considerado o crédito do IRRF correspondente, para efeito de redução do imposto, da multa e dos juros de mora respectivos. Lançamento Procedente em Parte”. Cientificada da decisão de primeira instância em 18/05/2005 (AR fls. 170), a INFRACON CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 13.511, recorre em 16/06/2005 (176 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. O presente processo foi distribuído para a 5ª Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuintes, que na sessão de 26/04/2006, através da Resolução nº. 1051.251 (fls. 283 e segs) converteu o julgamento em diligência “para que a DRF do domicílio fiscal da Interessada apure adequadamente a questão, demonstrando a efetiva existência de compensação a maior do imposto devido com base na receita bruta, conforme Auto de Infração que originou o presente processo”. Em 23/06/2006 os autos foram encaminhados a Delegacia da Receita Federal em Brasília – DF (fls. 211); e, no dia 12/07/2006 houve um despacho da Delegacia da Receita Federal em Brasília – DF (fls. 212) devolvendo o processo ao antigo 1º Conselho de Contribuintes, sob o argumento que “a empresa não pertencer à Jurisdição desta DRF/DF”; Em 18/07/2006 os autos foram encaminhados a Delegacia da Receita Federal em Goiânia – GO (fls. 212v); em 18/02/2009 foi lavrado o termo de diligencia (fls. 215 e segs), sendo que a Recorrente foi intimada da lavratura do termo de diligencia em 20/02/2009, (AR fls. 225) . E, a diligencia foi encerrada em 16/03/2009 (fls. 260 e segs), sendo a Recorrente intimada do encerramento da Diligencia no dia 18/03/2009 (AR fls. 261). Em síntese, é o relatório. Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10120.007022/200187 Acórdão n.º 1803001.298 S1TE03 Fl. 1.382 7 Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Depois de uma longa análise nas idas e vindas do presente processo, entendo ser necessário, antes de qualquer coisa, transcrever parte dos argumentos apresentados pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília DF, constantes do Acórdão nº 13.511, “verbis”: “(...)Em 08/06/2002, o sujeito passivo apresentou impugnação ao lançamento fiscal aduzindo, em apertada síntese (fls. 27/80): I — (...) a) a Impugnante, desde 02.05.91, é associada do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás — SINDUSCON; b) que em 07/05/92 o SINDUSCON impetrou mandado de segurança coletivo em face do Delegado da Receita Federal em Goiás, rebelandose contra a aplicação do Inciso II do art. 3° da Lei n° 8.200/91, que estabeleceu novos critérios de apuração do lucro real, relativamente ao períodobase já encerrado em 31/12/1990, pois implicava em majoração do “quantum” do IRPJ e da CSLL já pagos no exercício 1991, relativos ao anobase 1990 (petição inicial do MS consta das fls.99/111); c) da citada petição inicial do MS Coletivo constam os seguintes argumentos, em síntese (Processo Judicial nº 9200029256)(...)”. Fazendo uma pesquisa encontramos o Mandado de Segurança, proc. nº. 92.00.029256, que possui os seguintes dados: Tendo como últimos andamentos: Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10120.007022/200187 Acórdão n.º 1803001.298 S1TE03 Fl. 1.383 8 Diante da notícia acima, trazida pela própria Recorrente, vejo que no caso em tela houve a ocorrência da renúncia à instância administrativa, quando a Recorrente, através da sua entidade de classe, em 07/05/1992, fez parte do pool de empresas que se beneficiaram das decisões do Mandado de Segurança, processo n° 92.00.029256. Diante dessa realidade não resta dúvida que temos no presente caso a situação de concomitância entre as esferas administrativa e judicial. E, este tema já se encontra sumulado no âmbito desta Corte Administrativa: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Assim, em decorrência de ter a Recorrente, como associada do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de GoiásSINDUSCONGO, foi beneficiada das decisões proferidas no Mandado de Segurança, processo n° 92.00.029256, fica configurada a ocorrência de renúncia à instância administrativa. Assim, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário, em decorrência da existência de processo judicial anterior a data da autuação. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
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Numero do processo: 10280.901970/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2007
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR QUE O DEVIDO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
Numero da decisão: 1202-000.675
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência formulada pelo conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, vencido o proponente. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso
voluntário, retornando o processo à repartição de origem para confirmação do crédito compensado.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR QUE O DEVIDO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
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ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência formulada pelo conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, vencido o proponente. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, retornando o processo à repartição de origem para confirmação do crédito compensado. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 146 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 147 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório denegatório da homologação da compensação declarada em PER/DCOMP. A homologação da compensação foi denegada na unidade de origem sob o fundamento de que, em se tratando o crédito de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, este somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte descreveu, inicialmente, os seguintes fatos, in verbis: 0 valor apurado de IRPJ base ago/2004, com base no balancete acumulado do período, foi declarado à SRF , o valor de R$ 465.575,62, através de DCTF retificadora n° 35.30.05.76.7920, transmitida em 03.01.2005, devidamente registrado na contabilidade A época devida, e com alterações posteriores efetuadas até 22.12.2006, em decorrência do Acórdão DRJ/BEL n° 3.795, de 17.03.2005, a sua apuração passou a ser R$ 357.740,77, declarado em DCTF retificadora n° 41.10.33.26.33 03, transmitida em 22.12.2006, passando a existir crédito de pagamento a maior do referido período (darf, no valor total de R$34.813,39, pago em 30.06.2006), utilizado para compensar o IRPJ base jan/05, conforme PER/DCOMP' n° 18357.350120.291206.1.3.04 9453, totalizando R$8.551,67. Pediu a homologação da compensação realizada, invocando o art. 165 do CTN como fundamento principal do direito à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável. Especificou que, no caso em análise, tratase de pagamento a maior de IRPJ devidamente apurado por meio de balancete de suspensão ou redução, havendo a possibilidade de compensação imediata e inexistência de vedação legal, hipótese essa, segundo ele, distinta do simples pagamento a maior de estimativa. Citou o art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.637/2002, para amparar o seu direito à compensação pleiteada, assim como o art. 35 da Lei nº 8.981/95, o qual orientou seu procedimento na apuração do crédito. Aduziu que inexiste vedação legal para a compensação imediata de pagamento a maior de tributo indevidamente apurado por meio de balancete de suspensão ou redução. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 148 4 Criticou a interpretação literal do art. 10 da Instrução Normativa RFB nº 600/2005 dada pela decisão recorrida, aduzindo, em reforço, que a IN RFB nº 900/2008, em seu art. 34, §3º, inciso IX, não proíbe a compensação pretendida. Requereu, subsidiariamente, o afastamento da multa de mora respectiva, em conformidade com o disposto no art. 14 da Lei nº 11.488/2007, e a Medida Provisória n° 303/2006, alterando o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, e com base no Parecer PGFN/CDA n° 777/2008, de 30/04/2008. Juntou cópia do balancete respectivo, dos extratos das DCTF originária e retificadora e da cópia do acórdão referido, a fim de comprovar seu direito. A DRJ/Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade, considerando a impossibilidade de compensar os recolhimentos, calculados segundo os critérios da Lei nº 9.430/1996, efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real durante o anocalendário, por se caracterizarem, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração, não podendo ser considerados, a priori, como pagamentos indevidos ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício. Referiuse a decisão ao art. 10 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e ao art. 10 da IN SRF nº 600, de 28/12/2005, os quais, enquanto vigentes, determinaram que o pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL, a título de estimativa mensal, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manteve também a multa de mora, por se tratar de multa de natureza compensatória, devida em razão do prejuízo causado em virtude de atraso do cumprimento de uma obrigação que lhe é devida. A decisão recorrida teve a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ONUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. COMPENSAÇÃO. DCOMP. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. Descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso, no caso caracterizado pela entrega da DCOMP em data em que o débito já estava vencido. Inconformado com o resultado do acórdão do qual foi cientificado em 09/12/10 (fl.126,v.), o contribuinte apresenta o recurso voluntário ora em julgamento, protocolizado em 06/01/11 (fls.127 e ss), nos mesmos moldes da manifestação de Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 149 5 inconformidade, acrescentando a distinção entre os casos de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento a maior de estimativa (IRPJ e CSLL), sujeita a apuração de saldo negativo passível de compensação somente no final do exercício, dos casos de emissão de balanço acumulado em que o contribuinte apura devidamente o crédito, por meio de balanço acumulado, podendo efetuar a compensação já no mês seguinte, como é o caso. Nos termos do art. 58, §8º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, considerando que se trata de mesma questão jurídica, tendo sido utilizados os mesmos argumentos de defesa e as mesmas razões de decidir pelo colegiado a quo, serão apreciados conjuntamente os processos abaixo relacionados, os quais se referem às respectivas PER/DCOMP: PROCESSO NR.PER/DCOMP 10280901700/200914 29934.96823.291206.1.3.048020 10280900603/200912 25638.24072.211206.1.3.049206 10280901694/200903 25153.57480.211206.1.3.043050 10280901701/200969 18844.26431.291206.1.3.047718 10280901702/200911 42507.08057.291206.1.3.044079 10280901970/200925 18357.35012.291206.1.3.049453 10280901703/200958 26578.95543.291206.1.3.041912 10280901696/200994 32909.17212.291206.1.3.043236 10280901697/200939 16526.67481.291206.1.3.047035 10280901704/200901 00260.91646.291206.1.3.040552 10280901679/201091 08777.71029.310107.1.3.045580 10280901695/200940 20506.00720.291206.1.3.041899 10280901698/200983 28712.11429.291206.1.3.043728 10280901699/200928 11550.04167.230107.1.7.044845 10280901705/200947 09068.21813.291206.1.3.043592 É o relatório. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 150 6 Voto Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso deve ser conhecido. A questão posta em análise resumese à possibilidade ou não de apuração de pagamento indevido ou a maior de tributo recolhido de forma antecipada, consoante a modalidade de tributação pelo lucro real anual, para fins de compensação com outros débitos. Sabese que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 exige que o tributo a ser compensado seja passível de restituição. Resta definir se esse valor pago a maior, como alega a recorrente, pode ser incluído no conceito de indébito passível de restituição. Inicialmente, deve ser bem compreendida a modalidade de tributação pela sistemática das bases estimadas. A pessoa jurídica sujeita à apuração pelo lucro real tem, como alternativa à regra geral de apuração trimestral, a opção pela apuração de IRPJ e CSLL em período anual, ficando obrigada a fazer os recolhimentos de IRPJ e CSLL por antecipação mensal sobre base de cálculo estimada (art. 222, RIR/99). Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º, parágrafo único). A base de cálculo estimada resulta de percentual aplicado sobre a receita bruta mensal, acrescido das demais receitas (art.223, RIR/99), porém, o contribuinte, a cada mês, pode suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido sobre aquela base, desde que demonstre, através de balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo calculado sobre o lucro real do período (art. 230, RIR/99). Art. 223. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observadas as disposições desta Subseção (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). .............. Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 151 7 O contribuinte pode permanecer recolhendo sobre as bases estimadas em função da receita mensal, durante todo o anocalendário e, ao final, apurar o lucro real, ou, visualizando um cenário real de prejuízo ou lucro reduzido, pode elaborar balancete acumulado (o qual deverá refletir a situação contábilfiscal desde o início do ano até o último dia do mês a que se refere), e apurar a base de cálculo real do tributo devido no período. Após comparar os valores recolhidos por estimativa com o que seria efetivamente devido à vista do balancete, o contribuinte tem o direito de suspender o recolhimento do mês, se houver diferença a maior já recolhida, ou reduzir o valor calculado com base na receita bruta até o limite da diferença a menor apurada. No mês seguinte, assim como nos posteriores, caso queira proceder a uma nova suspensão ou redução do tributo devido, a cada mês, com base na receita mensal, o contribuinte deverá efetuar o mesmo procedimento. Nesse sentido dispõe a Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, ainda em vigor, em seu art. 10: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado; II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. Esta é, em suma, a sistemática da tributação pelo lucro real mensal, prevista no art. 2º da Lei nº 9.430/96, cuja opção tem caráter irretratável durante todo o anocalendário, conforme o art. 3º da mesma lei: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ...................................... Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 152 8 Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Por sua vez, a Lei nº 8.981, de 20/01/95, é mais específica quanto ao papel dos balancetes como auxiliares para a determinação, não da base de cálculo para fins de recolhimento no mês, mas do limite do recolhimento com fulcro na base de cálculo estimada: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. [...] § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) (destaquei) Notase que, dentro da sistemática da tributação do lucro real anual, o levantamento de balancete de suspensão/redução acumulado de 1º de janeiro até o último dia de determinado mês serve unicamente para determinar qual o limite do recolhimento do tributo a ser realizado no mês, quando comparado com o tributo devido com base na receita bruta daquele mês. Caso, por exemplo, tenham sido efetuados recolhimentos durante os três primeiros meses do ano e se apure prejuízo fiscal, demonstrado através de levantamento mensal de balancetes acumulados, em todos os meses subsequentes, esses balancetes não servirão de comprovação de indébito em relação aos recolhimentos efetuados anteriormente, já que indébito não há. Por se tratar de fato gerador de natureza complexa, na tributação de IRPJ e CSLL pelo lucro real anual apenas a geração de saldo credor em função de prejuízo fiscal apurado ao final do anocalendário dará ensejo à caracterização do indébito, na forma determinada pela legislação acima referida. Quanto ao reconhecimento da possibilidade de restituição/compensação de indébito gerado a partir de recolhimentos indevidos a título de estimativas, cabe citar a evolução da legislação infralegal editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que, inicialmente, buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, como se vê: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 153 9 jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005) Assim, a Administração apenas admitia a caracterização de indébito, em qualquer hipótese, após a verificação de saldo negativo na apuração anual do tributo, o qual seria atualizado, com juros à taxa SELIC, a partir do mês subsequente ao do encerramento do anocalendário, consoante o disposto no Ato Declatatório Normativo SRF nº 03/2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Desde 30/12/2008, contudo, com a edição da IN RFB nº 900, a restrição à restituição dos recolhimentos a título de estimativa deixou de existir na esfera administrativa: Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Mas, mesmo no período anterior à vigência dessa norma, podese entender pela inexistência de restrição no tocante ao aproveitamento de recolhimentos por estimativa efetuados a maior, caracterizados como indébito, tendo em vista que não caberia ao legislador infralegal criar distinção onde a lei não criou. A interpretação a contrario sensu a norma legal que determina que o valor do imposto pago antecipadamente – na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/96 – deve ser considerado na apuração anual, permite concluir que os excessos de recolhimento, considerando uma receita bruta indevidamente majorada ou um balancete retificado, por exemplo, caracterizamse como indébitos desde o seu nascedouro. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 154 10 Nesse sentido, cabe citar jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. (Acórdão nº 910100406, de 02/10/2009) A especificidade do caso ora analisado traduzse no fato de que, através de PER/DCOMP, a recorrente pleiteia a compensação de valor pago a maior apurado após levantamento de balancete de suspensão/redução, considerando os valores retificados, sendo que o valor originalmente recolhido também havia sido definido após o levantamento de balancete. Embora a recorrente aponte que a simples apuração através de balanço de suspensão/redução lhe daria o direito de compensar o montante recolhido a maior a partir do mês seguinte, a situação verificada nos autos é bem distinta, haja vista que houve retificação da própria base de cálculo do lucro real levantada no período. A recorrente alega que o Acórdão DRJ/BEL n° 3.795, de 17/03/2005, formalizado nos autos do processo nº 10280.005581/200209, juntado por cópia na fase de manifestação de inconformidade, conferiulhe o direito de reduzir a base de cálculo do tributo no período de apuração em questão. À vista de tal decisão, providenciou a retificação da DCTF, reduzindo o montante do tributo devido e, com ele, o aproveitamento do pagamento via DARF, o que resultou, segundo ela, num indébito tributário. Verificase que o acórdão referido pela recorrente como ensejador da alteração do montante apurado tratou de analisar um lançamento destinado à redução de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL apurados no ano de 1998. A parcela da autuação julgada improcedente, referente à possibilidade de dedução de determinadas despesas na apuração do lucro real, transitou em julgado na data da ciência (10/06/2005), porque o crédito tributário exonerado estava abaixo do limite de alçada fixado na legislação de regência, não se sujeitando ao recurso de ofício à instância superior. Disso se depreende, em tese, a justificativa de ter havido redução da base de cálculo do tributo devido por antecipação, ensejadora da retificação da DCTF respectiva, caracterizandose o indébito em função da retificação da base de cálculo do lucro real apurado no período. Como se trata de retificadora entregue em data posterior ao encerramento do exercício, quando já era possível verificar a existência de saldo negativo porventura existente, em que pese a pretensão de compensar crédito de estimativa, teria deixado de existir fundamento para a negativa da restituição/compensação do crédito. Todavia, na verdade, o que está em jogo é a data do início da atualização monetária, a depender do momento de caracterização do indébito: se na data do recolhimento da estimativa mensal ou na data da apuração do saldo negativo (31 de dezembro). Fl. 171DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 155 11 A situação ora analisada, teoricamente, enquadrase na hipótese de caracterização de indébito gerado por recolhimento a maior a título de estimativa, considerando que a recorrente faz expressa referência a DCTF retificadora, onde passou a declarar um débito menor e, proporcionalmente, utilizouse de uma parcela menor do valor recolhido via DARF, gerando um crédito pela parcela recolhida a maior. Ao apresentar a DCTF retificadora, a recorrente desfez uma parte do crédito das estimativas incluído na apuração do saldo final do exercício, pretendendo compensar a parcela excedente com outro débito de estimativa. Conforme consta da impugnação e do recurso voluntário, a recorrente, inicialmente, informou em DCTF a obrigação de antecipar um valor de IRPJ (ou CSLL) no mês, recolheu esse valor e, posteriormente, o recalculou em razão do trânsito em julgado de decisão administrativa parcialmente favorável e informou o valor recalculado em DCTF retificadora. Em que pese não ter juntado a tela da DCTF retificadora em todos os processos analisados em conjunto, a juntada em alguns deles e a expressa referência em todos os recursos indica que foi realizado o mesmo procedimento. Diante disso, deve ser afastado o entendimento restritivo quanto à possibilidade de aproveitamento das estimativas recolhidas a maior, dado pela DRF e confirmado pela DRJ, o que não implica na automática homologação da compensação pretendida. O reconhecimento de direito creditório exige prova de sua liquidez e certeza, cumprindo ao contribuinte fazer prova inequívoca da base de cálculo correta do tributo que teria gerado o crédito. Todavia, no presente caso, em razão da negativa de homologação da compensação por motivo de direito, deixou de ser analisado o aspecto fático do crédito, como a sua existência, suficiência e disponibilidade para fins de homologação da compensação pretendida. A unidade de origem, responsável pela análise da compensação e, a priori, pela sua homologação, após verificar que se tratava de crédito decorrente de recolhimento efetuado a título de estimativa, estancou a análise nesse ponto. Concluindo não haver fundamentação jurídica para o pleito, consequentemente, deixouse de verificar a fundamentação fática no caso. Assim, resta verificar, no caso concreto, a existência de elementos de prova do crédito alegado para fins de homologação da compensação pretendida. Considerando a inexistência de prévia manifestação da autoridade competente sobre a liquidez e certeza do crédito, é de rigor que seja observada a competência original para a análise do crédito, não competindo a este órgão de julgamento em segunda instância manifestarse pela primeira vez sobre os elementos fáticos do processo. Assim, é possível concluir que, embora o direito seja bom, a homologação da compensação pretendida depende da comprovação da liquidez e certeza do crédito. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 156 12 Com tais fundamentos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, determinando o retorno do processo à unidade de origem para apuração da liquidez e certeza do crédito apontado na PER/DCOMP, bem assim a sua suficiência para quitar os débitos compensados, homologando ou não a compensação pretendida. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 15374.004418/2001-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999
Ementa: ARBITRAMENTO — LIVRO DIÁRIO — o arbitramento é medida
extrema. Não é todo vicio de escrituração que conduz à sua desqualificação para a apuração do lucro real. Nada obstante, a falta de registro cronológico diário não pode ser conceituada como um vicio qualquer. Não registrar dia a dia os fatos contábeis, mas apenas no último dia de cada mês, contamina toda a escrituração e inviabiliza a sua auditoria, o que legitima o arbitramento.
Numero da decisão: 1201-000.214
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso de oficio para determinar o retomo dos autos à autoridade julgadora de primeiro grau para apreciar as demais alegações da recorrente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
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I / MINISTÉRIO DA FAZENDA • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 1 .fra\-- PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 15374.004418/2001-12 Recurso n° 167.326 De Oficio Acórdão n° 1201-00-214 — r Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2010 Matéria IRPJ e outros Recorrente 2" Turma/DRJ-Rio de Janeiro/RJ-I Interessado LTM Consultores Associados LTDA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999 Ementa: ARBITRAMENTO — LIVRO DIÁRIO — o arbitramento é medida extrema. Não é todo vicio de escrituração que conduz à sua desqualificação para a apuração do lucro real. Nada obstante, a falta de registro cronológico diário não pode ser conceituada como um vicio qualquer. Não registrar dia a dia os fatos contábeis, mas apenas no último dia de cada mês, contamina toda a escrituração e inviabiliza a sua auditoria, o que legitima o arbitramento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de oficio para determinar o retomo dos autos à autoridade julgadora de primeiro grau para apreciar as demais alegações da recorrente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. CLAUDEMIR ROL) IGUES M./\. LAGUIAS - Presidente. GUILH E ADOLFO D S SANTOS MENDES - Relator. EDITADO EM: 30U p.BR 2071 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Alexandre Barbosa Jaguaribe, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Regis Magalhães Soares Queiroz, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente). Processo n° 15374.004418/2001-12 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-214 Fl. 2 Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Em ação fiscal direta em face do contribuinte em epígrafe, foram lavrados, relativamente ao ano-calendário de 1998, autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, com multa agravada de 112,5%. O sujeito passivo apresentou impugnação às fls. 100 a 108. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa: Trata o presente processo dos autos de infrações lavrados pela DRF/Rio de Janeiro/RI; referentes ao ano-calendário de 1998, através dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica - 1RPJ, no valor de R$ 927.617,00 (fls. 77/81 e termo de verificação à fl. 76), e a contribuição social sobre o lucro líquido — CSLL, no valor de R$ 95.161,80 (fls. 82/85), todos acrescidos da multa de 112,50 % e encargos moratórios. 2- Fundamentou, materialmente, a exação de 1RPJ: arbitramento do lucro visto que os livros razão e diário não estavam escriturados na ordem cronológica e não apresentavam registros individualizados das operações, conforme determinado pelo art. 205, §§1 0 e 2' do R1R/1994. A multa foi majorada para 112,50 %por falta de atendimento às intimações (art. 44, §2", da lei 9.430/1996). O lucro foi arbitrado com base nas receitas Informadas na declaração de imposto sobre a renda. 2.1- Enquadramento legal: arts. 15, §1°, e 16 da Lei 9.249/1995; art. 41, 1 e §§6" a 10°, da EY 93/1997; art. 47, 111, da Lei 8.981/1995; art. 27, 1, da Lei 9.430/1996. 3- CSLL. 3.1- Em decorrência da autuação de IRPJ, lançou-se esta contribuição. 3.2- Enquadramento legal: art. 2' e §§ da Lei 7.689/1988; arts. 19 e 20 da Lei 9.249/1995; art. 29, 1, da Lei 9.430/1996. 4- Ao impugnar as exigências, fls. 100/108, e documentos às fls. 109/4.193, o interessado alega, em síntese, que: - em 1/2001 alterou seu endereço do Rio de Janeiro para São Paulo, fato este informado à SRF; 3 - o autuante procedeu seus trabalhos não no novo endereço, mas no anterior, onde se situa aflua!; - não conseguiu atender, dentro dos prazos exíguos, as intimações, até mesmo parque foram entregues a pessoa que não possuía procuração para assinar em nome do interessado; - a primeira ilegalidade havida reside no fato da autuação ter sido realizada em estabelecimento filial, com débito apurado na matriz,' - junta, por amostragem, documentos que demonstram a regularidade dos lançamentos contábeis e do lucro apurado bem como cópia das folhas de pagamento que demonstram o comprometimento de grande parte da receita bruta com salários, demonstrando a total impropriedade do arbitramento do lucro; - como as intimações foram entregues a pessoas não dotadas de poderes, quer no contrato social, quer por intermédio de procuração, o interessado não foi devidamente cientificado das exigências fiscais; - os exíguos prazos fornecidos pelo autuante não foram suficientes para deslocar a documentação de São Paulo para o Rio de Janeiro; - o art. 151 c/c o art. 161 do Código Tributário Nacional — CTN, nos leva a entender que enquanto se está discutindo a legitimidade e a legalidade da cobrança efetuada, não são devidos juros de mora, uma vez que o crédito tributário está suspenso, não podendo ser exigível; - o crédito tributário só está definitivamente constituído após o encerramento do processo administrativo. Isto nos leva à conclusão de que não se pode fazer incidir juros de mora sobre algo que ainda não existe; - a aplicação da taxa Selic é inconstitucional, à medida que possui natureza remuneratória, incondizente com o caráter (:jA moratória que deve ter a taxa de juros; - requer provar o alegado por todos os meios de prova, inclusive juntando documentos e da realização de diligências. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU E DO APELO OFICIAL A decisão recorrida de oficio (fls. 4.206 a 4.210) deu provimento integral à impugnação nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ORDEM CRONOLÓGICA. INDIVIDUALIZAÇÃO DOS REGISTROS. ARBITRAMEATO DO LUCRO. 4 • Processo n° 15374.004418/2001-12 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-214 Fl. 3 Descabe o arbitramento do lucro se verificado que os registros contábeis foram realizados ao fim de cada mês, de sorte a não prejudicar a apuração do lucro real. Da mesma forma, se somente alguns registros foram feitos sem individualização das operações. A desclassificação da escrituração contábil se dá nas situações em que ficar demonstrado cabalmente a impossibilidade de apuração do lucro real. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 1998 Ementa . LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estende-se ao lançamento reflexo os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. Por ser relativamente sintético, aproveito para transcrever também o voto condutor da decisão: 6- A impugnação é tempestiva, visto ter sido apresentada em 27/12/2001 Ifl. 100) e as ciências dos autos de infração ocorreram em 27/11/2001 07. 99). Além disto, estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dela conheço. 7- Diligência. 8- Nego o pedido de realização de diligência por desatender o disposto no art. 16, IV (formulação de quesitos), do Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal — PAF), além de constar nos autos os elementos necessários a minha convicção. 9- Nulidade do auto de infração. 10- Descabe a alegação de nulidade, pois todos os requisitos do auto de infração, dispostos no art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN, bem como no art.10 do Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal — PAI), foram atendidos. Também não ocorreram as situações previstas no art. 59 do PAF. No que se refere ao local da verificação, apesar do interessado ter comunicado a mudança de endereço de sua matriz, antes do inicio dos trabalhos, conforme documento de fl. 4.205, não há impedimento que os trabalhos se realizem na filial, muito menos que o atendimento se dê por prepostos sem poder de representação. Cabe ao interessado designar pessoa apta a atender a fiscalização. Portanto, não procedem aos argumentos de nulidade do auto de infração. 11-Arbitramento do lucro. 12- O lucro foi arbitrado por falta de obediência à cronologia nos lançamentos e falta de individualização das operações. O 5 autuante não juntou aos autos qualquer prova do alegado. O interessado junta cópias dos livros diário e razão CL 252/643), onde se venfica que os lançamentos são feitos no último dia de cada més e que, de um modo geral, as operações estão individualizadas. 13- O fato de os lançamentos estarem no último dia do mês não fere de morte os registros, nem os livros, de forma a impedir a apuração do lucro real. Aliás, esta prática é comum nas escriturações das empresas, sendo tolerável. O que poderia ocorrer seria o disfarce de saldo credor de caixa, que configura uma infração na legislação do 1RPJ. Mas isto é facilmente detectável, com uma auditoria na conta e nos documentos. 14- Observa-se que de um modo geral os registros são individuais, com exceção de emissão de cheques e recebimentos. Entretanto, caberia ao autuante demonstrar cabalmente que a falta de individualização destas operações prejudicou a apuração do lucro real, de modo a desclassificar a escrituração contábit Neste sentido, a Súmula 76 do TER: "ESCRITURAÇÃO RREGULAR — A desclassificação da escrita só se justifica na ausência de elementos que permitam a apuração do lucro real da empresa". 15- O arbitramento é medida extrema que só deve ser adotado se demonstrado a impossibilidade de se apurar o lucro real, diante da imprestabilidade dos registros contábeis. Portanto, diante da falta de comprovação de que os livros diário e razão não se prestavam para apurar o lucro real, não procede a autuação. 16- CSLL. 17- Em face da vinculação entre o lançamento principal e o reflexo, não havendo nos autos em relação a este argüições de matérias especificas ou adição de quaisquer outros elementos de prova novos, as conclusões extraídas do lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica deve prevalecer na apreciação do mesmo. É o meu VOTO. É o relatório do essencial. 6 Processo n° 15374.00441812001-12 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-214 Fl. 4 VOTO Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes As razões apresentadas pela fiscalização para desqualificar a escrituração da auditada foram assim sintetizadas: "os livros Razão e Diário apresentados não estavam escriturados de acordo com a legislação de regência (...), ou seja, não obedeciam a ordem cronológica e não apresentam registros individualizados das operações". De fato, em razão dos inúmeros registros contábeis ao final de cada mês, podemos inferir que houve individualização dos lançamentos. Ademais, pela leitura de seus termos de intimação, aparenta-me que a própria autoridade fiscal se equivocou na redação do termo de verificação ao afirmar que os registros não estavam individualizados. Abaixo, reproduzo trecho do termo de fl. 64: ...tendo em vista que os livros fiscais apresentados, e acima citados, não obedecem à ordem cronológica das operações [c) Solicito apresentação dos livros auxiliares nos quais estejam os registros individualizados como determina a legislação de regência 11.7 Dessarte, a desqualificação da escrita decorreu da não individualização conforme a legislação, ou seja, com o seu registro preciso no dia a que se refere o fato contábil. Apesar de minha interpretação acerca da acusação fiscal ser diferente da promovida pela autoridade julgadora de primeiro grau, o ponto a ser analisado é o mesmo, qual seja, se a ausência de registro cronológico diário é causa jurídica suficiente para a desqualificação da escrituração e o conseqüente lançamento por meio do lucro arbitrado, uma vez que concordo com a conclusão de que os registros contábeis estão, nos demais aspectos, individualizados. De início, destaco que o atual Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto n° 3.000/99) reserva um dos seus artigos com vários sub-dispositivos exclusivamente para disciplinar no âmbito tributário as formalidades que devem ser atendidas para a confecção do Livro Diário. Abaixo, reproduzo-o: Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obStório o uso de Livro Diário encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (Decreto-Lei n 2 486, de 1969, art. 52,). § Admite-se a escrituração resumida no Diário, poriis que não excedam ao período de um mês relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento desde que utilizados livros auxiliares para registro e conservados os documentos que permitam 7 • sua perfeita verificação (Decreto-Lei 122 486, de 1969, art. 52, § § 22 Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 32 Á pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (Decreto-Lei n2 486, de 1969, art. 52, § 12). § 42 Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no 12, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei n 2 3.470, de 1958, art. 71, e Decreto-Lei n 2 486, de 1969, art. 52, § § 52 Os livros auxiliares, tais como Caixa e Contas-Correntes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. § 62 No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente. (nossos destaques) Na parte destacada da legislação acima citada, a qual é reprodução de textos com hierarquia de lei, impõe-se o registro dia a dia. Essa obrigação só e afastada quando houver livros auxiliares devidamente registrados. No presente feito, contudo, o sujeito passivo, apesar de especificamente intimado para tal, não apresentou ao agente fiscal os referidos livros. Ainda à luz do Regulamento do Imposto sobre a Renda, merece destaque o seu art. 530: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n 2 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 12): 1- o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Podemos já concluir qUe os fatos descritos se enquadram perfeitamente na hipótese acima transcrita de arbitramento, uma vez que o contribuinte não manteve a escrituração na forma das leis fiscais. Processo n° 15374.004418/2001-12 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-214 Ft 5 Contudo, achamos relevante destacar ainda que não houve respeito também às leis comerciais, o que enseja, de igual sorte, o arbitramento do lucro. Ao menos desde 1850 com a edição do Código Comercial há, em nosso ordenamento, a obrigação para o registro cronológico diário das operações. Vejamos: Código Comercial de 1850 Capitulo II Das Obrigações Comuns a Todos os Comerciantes Art. I - Os livros sue os comerciantes são abri . ados a ter indispensavelmen te, na conformidade do artigo antecedente, são o Diário e o Copiador de cartas. Art. 12 - No Diário é o comerciante obrigado a lançar com individuação e clareza toda as suas operações de comércio, letras e outros quaisquer papéis de crédito que passar, aceitar, afiançar ou endossar, e em geral tudo quanto receber e despender de sua ou alheia conta, seja por que titulo1hr, sendo suficiente que as parcelas de despesas domésticas se lancem englobadas na data em que forem extraídas da caixa. Os comerciantes de retalho deverão lançar diariamente no Diário a soma total das suas vendas a dinheiro, e, em assento separado, a soma total das vendas fiadas no mesmo dia. (nossos destaques). Esses artigos, juntamente com todos os demais que compunham a primeira parte do Código Comercial, foram revogados pelo atual Código Civil (Lei n° 10.406/02), mas notadamente em grande parte apenas com o fito de reunir numa única codificação as obrigações das pessoas jurídicas de direito privado, pois a imposição de escrituração do Diário permanece e com a mesma característica cronológica, conforme podemos constatar por meio da leitura dos dispositivos abaixo reproduzidos: CAPÍTULO IV Da Escrituração Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. (.) Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. 9 (.) Art. 1.183. A escrituração será feita em idioma e moeda corrente nacionais e em forma contábil, por ordem crono~ de dia, mês e ano sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as margens. Parágrafo único. É permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, que constem de livro próprio, regularmente autenticado. Art. 1.189. No Diário serão lançadas com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo dia a dia por escrita direta ou reprodução todas as operações relativas ao exercício da empresa. sç V Admite-se a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. Poder-se-ia, contudo, afirmar que as referidas disposições não alcançam o autuado. Primeiro, o Código Comercial disciplina apenas a atividade do comerciante, categoria na qual a "LTM Consultores Associados LTDA" não se enquadra; segundo, apesar de o atual Código Civil impor o dever de escrituração não só aos comerciantes mas às atividades empresárias em geral, sua vigência é posterior aos fatos. Não podemos, porém, deixar de mencionar que o Código Civil de 1916, em seu art. 1.364, já determinava que as sociedades civis que se revestissem das formas das leis comerciais — é o caso das sociedades de responsabilidade limitada — deveriam atender às prescrições comerciais que não comflitassern com suas demais disposições, o que seguramente abarca a disciplina relativa à escrituração. Todavia, mesmo se concluíssemos que a autuada não estava, à luz do direito comercial, obrigada ao registro do livro diário, há a imposição da legislação fiscal, que é suficiente para o enquadramento dos fatos narrados em uma das hipóteses de arbitramento, conforme já sustentamos no inicio desde voto. Apesar de julgarmos que o autuado descumpriu também as imposições de direito empresarial (acepção mais adequada aos dias atuais), nosso principal propósito de investigar com minúcias a legislação não estritamente fiscal foi demonstrar que o registro cronológico dia a dia é um aspecto essencial do Livro Diário, pois presente em todos os diplomas legais de referência. Aliás, não é mera coincidência que essa característica serviu de epíteto do próprio Livro: Livro Diário. Numa certa medida, concordo com a decisão recorrida ao expressar que o arbitramento é medida extrema. Nesse caso, não é todo vicio de escrituração que conduz à sua desqualificação para a apuração do lucro real. Nada obstante, a falta de registro cronológico diário não pode ser conceituada como um vicio qualquer. Ademais, por dois motivos, não é ónus do agente fiscal demonstrar que o referido vicio impossibilita a apuração do lucro real. io Processo n° 15374.004418/2001-12 51-C2T11 Acórdão n.° 1201-00-214 FIL Primeiro, no limite, o lucro real poderia ser determinado ainda que nenhummo escrituração houvesse; bastaria que o fiscalizado disponibilizasse à autoridade fazendária toda. a documentação de seus fatos contábeis e esta, no lugar do contribuinte, confeccionasse os livros, o que — convenhamos — é um absurdo. A autoridade fiscal não tem o dever de promover a escrita contábil. Esse ânus é do sujeito passivo, o qual, não atendido, legitima o arbitramento. O agente público não tom, pois, que demonstrar a impossibilidade de apurar o lucro real. Deve apenas comprovar que o sujeito passivo deixou de cumprir o ônus que a lei lhe impõe. A escrituração realizada segundo as formalidades legais é o que possibilita à autoridade o exercício da atividade contábil que lhe é imposta por lei, qual seja, a de auditoria e não a de registro, e, assim, apontar as incorreções e lançar as eventuais diferenças na apuração do lucro real promovida pelo próprio suje:Sm) passivo. Segundo, o vicio de não se escriturar dia a dia os fatos contábeis contaminei toda a escrituração e inviabilize a sua auditoria. Isso não precisa ser demonstrado peei. autoridade. Na é por mera casualidade que essa exigência consta de todos os diplomas legais; que disciplinam o dever de escrituração. Ademais, é de conhecimento notório, pelo menos paro aqueles que possuem conhecimentos básicos de auditoria, que o registro diário é essencial. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao apelo oficial e parta determinar o retomo dos autos à autoridade julgadora de primeiro grau com o fito de apreciar- as demais alegações da recorrente. Ademais, recomenda-se que a autoridade julgadora de primeiro grau, no case de provimento passível de novo apelo oficial enfrente todas as questões suscitadas pela defesa, ainda que uma das remanescentes seja suficiente. (;) Guilhet-k4-; dolfo dos Santos endes iI ,;
score : 1.0
Numero do processo: 10725.000803/2010-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2006
RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE LAUDO PERICIAL, EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL.
São isentos os rendimentos recebidos a título de aposentadoria ou pensão por portador de moléstia grave especificado no inciso XIV do artigo 6 da Lei nº. 7.713, de 1988, quando há reconhecimento da doença por laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Recurso voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.979
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE LAUDO PERICIAL, EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. São isentos os rendimentos recebidos a título de aposentadoria ou pensão por portador de moléstia grave especificado no inciso XIV do artigo 6 da Lei nº. 7.713, de 1988, quando há reconhecimento da doença por laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram deste julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Nubia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Tratase de recurso contra a notificação de Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2006 (fls. 3/5), que reduziu o valor da restituição, em decorrência da reclassificação dos rendimentos pagos pelo Comando do Exército. A contribuinte impugnou o lançamento, argumentando que os rendimentos são isentos, por tratarse de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave, e que foi emitido o laudo médico pelo Hospital Santa Casa de Misericórdia, credenciado pelo Sistema Único de Saúde, onde é assistida, conforme já analisado pela Receita Federal para o exercício 2008/2007, sendo creditada a restituição em conta corrente em 16 de agosto de 2010. Juntou aos autos a declaração médica da Santa Casa de Misericórdia de Campos (fl. 7) e pesquisa textual do Portal do TCU, que trata da concessão da pensão. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ2, por meio do Acórdão nº 1334.018 (fls. 24/25), julgou improcedente a impugnação. A contribuinte, cientificada da decisão em 18 de abril de 2011, interpôs recurso no dia 15 do mês subsequente. Na sua petição alega que apresentou o Laudo Médico que comprava a deficiência cardíaca e pede o cancelamento do débito fiscal. Aos documentos já anexados aos autos, a recorrente junta uma declaração assinada por médico cardiologista da Clinica Checor Serviços Médicos Ltda (fl. 34), cópia da carteira de portador de marcapasso (fls. 35/36) e um laudo médico emitido pela Fundação Dr. João Barcelos Martins, da Prefeitura de Campos dos Goytacazes (fl. 38). É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10725.000803/201022 Acórdão n.º 210201.979 S2C1T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A exigência fiscal em teve origem em revisão interna de Declaração de Ajuste Anual, na qual a autoridade lançadora entendeu ter havido omissão de rendimentos tributáveis, que a recorrente declarou como isentos. Conforme o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma e pensão percebidos pelos portadores das moléstias, dentre elas a cardiopatia grave. Dispondo sobre tal concessão, o art. 30 da Lei nº 9.250 de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcrito, estabeleceu que, a partir de 1º de janeiro de 1996, para reconhecimento de novas isenções, a doença deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1.996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Dos dispositivos citados, extraíse que os rendimentos devem decorrer de aposentadoria, reforma ou pensão, e o contribuinte deve ser portador de moléstia grave relacionada na Lei nº 7.713, de 1988, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A questão foi assim sumulada neste Colegiado: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Esse é também o entendimento do STJ, como expresso no RE nº 1.286.094 CE: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE PROVENTOS PERCEBIDOS POR PORTADORES DE MOLÉSTIA GRAVE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DOENÇA MEDIANTE LAUDO PERICIAL EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 [...] 3. Recurso especial provido, em parte, tãosomente para determinar a produção da prova pericial. RECURSO ESPECIAL Nº 1.286.094 CE (2011/02415660). MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES. (Grifos nossos) Além das declarações emitidas pelo médico cardiologista da Clinica Checor Serviços Médicos Ltda e da Santa Casa de Misericórdia, a requerente anexou laudo médico da Fundação Dr. João Barcelos Martins, órgão oficial da Prefeitura de Campos de Goytacazes, afirmando que a paciente sofre de cardiopatia, sendo portadora de marcapasso desde o ano de 2001. Ante ao exposto, dou provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10120.011270/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2007
DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO.
A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à
empresa o ônus da prova em contrário.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica.
Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas de fato pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico denominado “grupo composto por coordenação”, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas.
REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL OBRIGATÓRIA.
A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter, além do Livro de Registro de Inventário, escrituração contábil nos termos da legislação comercial, salvo se mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira,
inclusive bancária.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação.
Havendo um documento público com presunção de veracidade não
impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção.
NFLD. MULTA DE MORA COM EFEITO DE CONFISCO.
INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo
em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO.
A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.802
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídos os sócios, pessoas físicas, da responsabilidade solidária passiva.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2007 DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas de fato pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico denominado “grupo composto por coordenação”, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas. REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL OBRIGATÓRIA. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter, além do Livro de Registro de Inventário, escrituração contábil nos termos da legislação comercial, salvo se mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. NFLD. MULTA DE MORA COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Provido em Parte
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AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RSPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas de fato pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico denominado “grupo composto por coordenação”, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas. REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL OBRIGATÓRIA. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter, além do Livro de Registro de Inventário, escrituração contábil nos termos da legislação comercial, salvo se mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. NFLD. MULTA DE MORA COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídos os sócios, pessoas físicas, da responsabilidade solidária passiva. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.699 3 Relatório Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2007. Data da lavratura da NFLD: 23/10/2007. Data da Ciência da NFLD: 31/08/2007. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, a cargo dos segurados e da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores da obra de construção civil Residencial Chateau Du Parc, matricula CEI n° 43.280.0120979, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 587/604 e anexos. Informa a Autoridade Lançadora que os valores lançados na presente notificação foram apurados por arbitramento, de acordo com o art. 33 da Lei nº 8.212/91 e arts. 229, 231, 233, 235, 243, 268 c 274, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, uma vez que foram consideradas insuficientes as contribuições recolhidas pela empresa. Para o arbitramento do custo da obra e da mãodeobra foi utilizada a tabela CUB, calculada pelo SINDUSCONGO, que representa o custo global da construção para as empresas em geral. Constatou a fiscalização a existência de interesses comuns de várias empresas na construção e na situação que constituiu os fatos geradores das obrigações principais das contribuições sociais ora lançadas, situação que caracteriza GRUPO ECONÔMICO. Irresignadas com o supracitado lançamento tributário, a notificada e as empresas arroladas como solidárias, apresentaram impugnação a fls. 638/667; 1091/1099, 1149/1157; 1210/1219; 1257/1267; 1357/1364; 1404/1412; 1446/1455; 1472/1479, 1518/1524 e 1579/1585. Ante as alegações da Impugnante de erro na aplicação do CUB e de que não foram considerados elementos que afetam tanto o enquadramento da obra quanto a apuração da mãodeobra, os autos foram baixados em diligencia para que a fiscalização se manifestasse de forma conclusiva, conforme Despacho a fls. 1656/1664. A Fiscalização manifestouse as fls. 1.669/1.671, informando que o cálculo do saláriodecontribuição foi arbitrado corretamente, de acordo com a norma vigente, no caso a IN/MPS/SRP nº 03/2005. Os devedores principal e solidários foram cientificados da Informação Fiscal em 23 de outubro de 2008, consoante Aviso de Recebimento a fls. 1672, apresentando, ato contínuo, impugnação aditiva a fls. 1674/1678, reiterando integralmente os termos da impugnação inicial. Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão a fls. 1686/1713, julgando procedente o lançamento fiscal em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Devidamente cientificados da decisão de 1ª Instância, conforme Avisos de Recebimento a fls. 1726/1735, inconformados com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, Recorrente e devedores solidários interpuseram recurso voluntário, a fls. 1736/1772, 1777/1784; 1785/1795, 1796/1803, 1804/1815, 1816/1828, 1829/1838, 1839/1851/ 1852/1864, 1865/1874, respaldando suas inconformidades em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Nulidade da NFLD por falta de clareza e precisão; • Que a Declaração de Regularização de Obra (DRO) trouxe em seu bojo valores verdadeiramente ininteligíveis e que foram utilizados na obtenção da sobredita área regularizada; • Cerceamento de defesa; • Nulidade por desatendimento à norma previdenciária; • Inexistência de grupo econômico; • Que a inclusão de sócio em Sociedade por Conta de Participação (SCP) no grupo econômico não pode prevalecer; • Que todos os lançamentos procedidos pela Recorrente estão adequados e de acordo com princípios e convenções aplicáveis às ciências contábeis, tornando descabidas as considerações por parte da autoridade fiscal; • Que deveriam ter sido notificadas as empresas SH SERVIÇOS E CONSTRUÇÕES LTDA (CNPJ 07.147.142/000125); J&J CONSTRUÇÕES E TERRAPLANAGENS LTDA. (CNPJ n°07.142.479/000140); • Que a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, está desobrigada à apresentação da escrituração contábil; • Que a Auditoria Fiscal deveria ter observado os diversos préfabricados utilizados na obra de construção civil, assim como concreto usinado, massa asfáltica e argamassa usinada, como também serviços de terraplanagem, em atenção aos artigos 456 e 448 da IN SRP/MPS n° 3/2005 e outros Instrumentos Normativos; • Que a autuação previdenciária foi consolidada em agosto de 2007 e que o índice divulgado pelo Sindicato da Construção para área residencial era de R$ 778,39 naquele mês, mas foi utilizado o valor R$ 827,26; • Que a fiscalização detalhou inadequadamente os critérios por ela utilizados no arbitramento dos valores, atribuindo, de maneira precária e desproporcional, natureza remuneratória ao Custo Unitário Básico (CUB); Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.700 5 • Que o valor imposto à empresa como penalidade possui caráter excessivo e confiscatório; • Que, dado o volume de documentos envolvidos, a Recorrente juntou documentos a título de amostragem à sua Impugnação, os quais indicam as bases imponíveis bases de cálculo das contribuições sociais já recolhidas. Aduz que a juntada de todo o período certamente inviabilizaria o apensamento aos autos, razão pela qual pugna pela realização de diligência e de perícia; Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 27/03/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 27 de abril do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO. 2.1. DAS ALEGAÇÕES DE NULIDADE. Prega o Recorrente a nulidade da NFLD em julgo por falta de clareza e precisão. Pondera que a Declaração de Regularização de Obra (DRO) trouxe em seu bojo valores verdadeiramente ininteligíveis e que foram utilizados na obtenção da sobredita área regularizada. Reage afirmando que não poderia enfrentar as cogitadas faltas pois o preenchimento do Relatório Fiscal é turvo e há ausência de limpidez nos dados da DRO. Na mesma esteira, alega nulidade do lançamento por desatendimento à norma previdenciária estampada no art. 474 da IN SRP nº 3/2005. A razão não lhe sorri, porém. Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional , ao tratar das obrigações tributárias, já no âmbito infraconstitucional, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No plano infraconstitucional, no que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização das contribuições previdenciárias, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos. Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.701 7 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, nas ocasiões em que tais documentos não registrarem, na conformidade exata da lei, a totalidade dos fatos jurígenos tributário e o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego da aferição indireta, transferido aos ombros do sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Nessa prumada, a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, figura como motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Deve ser trazido à balha que o Código Tributário Nacional reservou de forma privativa a competência do Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil para a constituição do crédito tributário, mediante o lançamento, estatuindo expressamente a possibilidade de a respectiva base de cálculo ser apurada mediante aferição indireta sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Com efeito, o art. 37 da Lei nº 8.212/91, com a redação vigente à época da lavratura do presente lançamento, estabelece que, sendo constatado pela fiscalização o atraso Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.702 9 total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. No caso em apreciação, colhemos do Relatório Fiscal e das provas acostadas aos autos que, durante a construção do edifício Chateau du Parc, a empresa Vaca Brava realizou pagamentos a mais de 45 empresas, listadas a fls. 245/246, por serviços prestados na obra mediante empreitada parcial de construção civil, sem destas exigir as respectivas GFIP com os trabalhadores cedidos, permitindo/facilitando/concordando que os mesmos não fossem informados nas Guias de FGTS e Informações à Previdência SocialGFIP. Desse modo, muitos trabalhadores que construíram a obra não foram incluídos no Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, não lhes sendo garantida a condição de Segurados da Previdência Social, sendo prejudicados no momento e no futuro. No dia 02/05/2007, a fiscalização constatou a presença na obra Chateau du Parc (única obra da empresa Vaca Brava e para a qual já havia sido emitido Habitese) dos seguintes trabalhadores: da empresa EBM: Aleixo, Gerson e Valdeci; da empresa Hidrotel: Reginaldo, Domingos; da ECAB: engenheiro Eduardo; da Solis Alfa: Reginaldo; da Plane: Evandro; da JM Revestimentos: Marivaldo, Joao Carlos e um ajudante; da Mac 3: Reginaldo e um pintor, e da Eficaz: Adonel Fernandes, Urias, Lazaro, Flavio, Cleudivan, Edvaldo Rodrigues Pereira, Divino Fereira Gonçalves, Paulo, Marcia, Izabela, Antonio, Cleonice, Robson, Selma, Divina. Verificouse em 06/08/2007, nos sistemas informatizados da Previdência Social, que NÃO constava GFIP de maio/2007 da empresa Eficaz Prestadora de Serviços Ltda, CNPJ 05.660.885/000179, portanto, não haviam sido informados nenhum dos 15 segurados arrolados no parágrafo anterior, in fine, que foram cedidos, pelo menos, no inicio de maio/2007 para a empresa Vaca Brava, obra Chateau du Parc. Além disso, embora nenhum trabalhador da empresa Marmorarte, CNPJ 00339332/000103 estivesse no início de maio/2007 trabalhando naquela obra, verificou a fiscalização em 31/07/2007, mediante consulta aos sistemas informatizados da Previdência Social, que constava GFIP da Marmorarte de maio/2007 (Nº ControleC3Hb3R3uvhX00003) com 60 trabalhadores vinculados àquela obra da Vaca Brava (fls. 180/213). Após buscar explicação para esta incoerência e informações de trabalhadores de outras obras na GFIP da Vaca Brava, foi a fiscalização informada pela empresa Vaca Brava que aquela GFIP de 05/2007 havia sido reentregue em 14.08.2007, (N.ControleGahmQA9uaj100005), retirando a vinculação de todos segurados da Marmorarte com aquela obra. Também havia sido reentregue em 14.08.2007 a GFIP da Marmorarte de maio/2006, onde constava 65 segurados vinculados à Vaca Brava, N.ControleHSDEoE9zBbB00006, passando a constar 39 segurados vinculados àquela obra, N.Controle DzbFKsVI4ps00009. Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Em relação à empresa SH Serviços e Construções Ltda, CNPJ 07.147.142/000125, apurou a fiscalização, mediante consulta, em 17/08/2007, aos sistemas informatizados da Previdência Social, que nas GFIP desta empresa de julho/2005 a novembro/2005, constava apenas um segurado, Nelson Dimas de Siqueira, período em foi contabilizado despesas no total de R$ 39.169,99, com aquela empreitada parcial para a obra Vaca Brava, conta contábil 2.1.1.1.00.0188, Nota Fiscal de Serviço nos 33, 65, 83, 112, 130. Em 24/11/2005, na conta contábil 3.1.1.30.2004, foi contabilizado cheque 279, c/c nº 29.274 Itau, referente a recibo da empresa SH, no valor de R$ 6.516.00, fls. 489/494, e 387/389, arquivando recibos de pagamento direto a sete trabalhadores da empresa Benildes C. Santos, Veriano Teixeira Marinho, Jose Apolinário de Jesus da Vitória, Sivaldo Batista dos Reis, Josemiro Soares da Silva, Acione Belarmino da Silva. Além disso, consta dos autos, a fls. 362/364, Reclamatória Trabalhista 01177200600118005, Inquérito Civil PRT 18ª Região nº 0936/2005, em que o empregado da empresa SH Serviços e Construções Ltda, Olivio Rodrigues de Carvalho trabalhou como pedreiro na construção do Chateau du Parc (Vaca Brava) no período de 01/2005 a 12/2005, porém não foi informado pela SH em suas GFIP referentes ao citado período. Avulta, que a empresa Vaca Brava realizou pagamentos a empresa SH Serviços e Construções Ltda, por serviços prestados na obra em foco, sem lhe exigir a respectiva GFIP com os trabalhadores cedidos pela empresa SH, permitindo/facilitando/concordando que os mesmos não fossem informados nas GFIP daquela empreitada parcial. Consta nos autos, igualmente, que, apesar de haver realizado recolhimento previdenciários previsto no artigo 31 da Lei 8212/91, referente à retenção de 11% sobre diversos serviços de empreitada na construção do edifício Chateau Du Parc, a empresa Vaca Brava não exigiu da maioria das empreitadas parciais as respectivas GFIP com informações dos trabalhadores cedidos à obra em tela, inviabilizando a sindicância, pelo fisco, da correcção quantitativa e qualitativa da mão de obra cedida à tomadora e, via de consequência, das contribuições previdenciárias devidas pelos contribuintes. Extraise do exame das Notas Fiscais de Serviço a fls. 281 a 333, que estes documentos, apesar de haverem sido emitidos por 17 empresas diferentes, conforme arrolamento a fl. 281, encontramse preenchidos com a mesma caligrafia/letra, circunstância que pode sugerir que a empreiteira não tem autonomia ou capacidade para elaborar e fornecer a sua documentação fiscal ao tomador de seu serviço. Também podem sugerir que se tratam de pagamentos fictícios ou a pessoas jurídicas fictícias. A fiscalização constatou que na contabilidade que existem saldos residuais de pagamentos não realizados a diversas prestadoras de serviço, apesar de haverem sido contabilizadas as despesas pelo valor integral da NFS. Foram apresentados alguns contratos assinados com prestadores de serviço referentes a empreitadas parciais. Não foram apresentados, porém, todos os contratos e aditivos, fls. 245 e 246, como se pode constatar pelos pagamentos contabilizados e pela numeração do contrato e valor total contratado/orçado em “Planilha de Acompanhamento de medição de empreiteiros". Nessa linhada, não foram apresentados quaisquer contratos assinados com as empresas: a) Forte Obra Ltda, CNPJ 05455947/000100, com pagamento contabilizado em janeiro/2006; b) Lazara Soares das Neves, CNPJ 01124980/000184, com pagamentos contabilizados em 10 a 12/06; Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.703 11 c) Dias e Queiroz Ltda, CNPJ 73952293/000180, com pagamentos contabilizados em 12/06 a 01/07; d) F e F Engenharia e Const.Ltda, CNPJ 02668238/000115, com pagamentos de 07/2005 a 09/2006. e) Também, não foi apresentado contrato firmado com engenheiro/empresa que acompanhou a obra, por exemplo, Fundacta S/C Ltda e Construstyle. f) Não foi apresentado contrato com a empresa Incentive Premier, que repassou premiação a engenheiros e outros trabalhadores. Afirma a fiscalização que, pelos contratos apresentados, diversos tipos de serviço de execução de obra foram empreitados a grandes e a pequenos empreiteiros que alteraram suas empresas e CNPJ ao longo da obra. Nos contratos, consta que o pagamento fica vinculado à entrega de GFIP. Porém, as GFIP de poucos prestadores de serviço foram exigidas e arquivadas, conforme listagem a fls.169/171, não sendo observados art. 219 do Decreto 3048/99 e art. 425 da IN/MPS/SRP nº 03/2005. Noticiese que, conforme informação de engenheiros na obra, o grupo EBM exige dos engenheiros, diariamente, o preenchimento do "Diário de Obra" virtual, consistente no repasse de informações, via internet, sobre o andamento da obra, horas trabalhadas e mão deobra utilizada. Contudo, apesar de formalmente intimada a apresentar o "Diário de Obra", fls. 24, a empresa não os apresentou. Notese que, em razão Do elevado grau de fidedignidade das informações prestadas no Diário de Obra com a realidade de mão de obra utilizada no empreendimento em questão, tal documento seria de extrema importância para a sindicância da correção das informações prestadas pelo sujeito passivo e dos recolhimentos por ele ou a seu favor efetuados. Contudo, permanece sem resposta: Porque tal documento não teria sido apresentado? Além das razões suso expendidas, os excertos transcritos a seguir, extraídos do Relatório Fiscal a fls. 593/596, corroboram a constatação de que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, tampouco se encontra coberta de todos os requisitos essenciais e necessários, eis que os documentos contabilizados não propiciam certeza ou integridade aos registros contábeis. 30 Na Reclamatória Trabalhista n.01817200601118004, movida por Antonio Ribeiro da Silva, em face de Ferreira Santos Avelar Ltda (Construtora STAR) e EBM Incorporações, foi requerido valores não pagos em rescisão, com período trabalhado de 11.08.2005 a 20.07.2006 na obra 131, fls.390 a 399. Vide contrato de empreitada iniciado em n 01.08.05 no valor global de R$350.000,00, fls.262 a 272. Verificase nos sistemas informatizados da Previdência Social, que este trabalhador não foi informado em GFIP da Construtora STAR, como também, nenhum outro segurado vinculado à obra do grupo EBM no período 08/2005 a 07/2006. Na ação trabalhista foi pago ao trabalhador, por intermédio da EBM Incorporadora, o valor de R$ 800,00 em 15.12.2006. Foi contabilizado pela Vaca Brava, conta contábil 311303028, recibo da EBM no valor de R$ 800,00 em 15.12.2006, sendo um depósito bancário para Republica Oeste Offices. Fui informada pela equipe de Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 contabilidade que a Republica Oeste Offices é "gestora do grupo EBM", empresa Republica de Gestão de Recursos S/A. 31 Na contabilidade da Vaca Brava, verificamse pagamentos à Construtora STAR de 08/2005 a 04/2006, apesar do trabalhador Antonio Ribeiro da Silva ter atuado até 07/2006. Ainda resta, na data de 31.03.2007, um saldo a pagar para aquela construtora de R$ 14.477,84, referente às NFS contabilizadas até 04/2006. Várias das NFS da Construtora Star arquivadas na Vaca Brava foram preenchidas com a mesma letra/caligrafia utilizada em NFS de várias outras empresas. 32 Na conta Contábil 311303028Custas/Processos Judiciais consta outra despesa no valor de R$ 800,00, em 29.11.2006, referente a depósito bancário para Republica Oeste Offices. Consta no lançamento que se trata de pagamento realizado em nome da EBM Incorporações no Proc. Nº 01665200601118000, 10 VT/GO, por serviços prestados pelo trabalhador na obra 131. No processo Trabalhista, fls. 273 a 280, e 402 a 403, verificase que Joaquim de Jesus trabalhou em obra da EBM de 01.08.05 a 09.08.06, sendo remunerado através da Construtora Star. Nas GFIP da Construtora Star, não consta este trabalhador nem qualquer vinculação com obras do grupo EBM. 33 Na Reclamatória Trabalhista nº 01177200600118005, movida por Olivio Rodrigues de Carvalho, em face de SH Serviços e Construções Ltda e EBM Incorporações, por ter trabalhado na obra 131Chateau du Parc, de 10.01.2005 até 20.12.2005, foi acordado o pagamento de duas parcelas de R$ 550,00, em 21.08.06 e 21.09.06. Porém, foi contabilizada na contacontábil 311303028 Custas/Processo Judicia,. apenas uma parcela de R$ 550,00, em 27.09.06, com o lançamento indevido como Recibo de Dr. Adriano Dias Mizael, fls.361 a 364, e 404 a 405. 34 Na conta contábil 311302004, em 28/01/2005, 24/02/05 e 26/04/05, foram contabilizadas despesas com a empresa J e J Construções e Terraplanagens Ltda, CNPJ 07142479/0001 40, NFS 01, 06 e 11. Foram apresentados contratos firmados em 08.11.04 e 28.11.04, fls. 247 a 261. Verificase nos sistemas informatizados da Previdência Social que esta empreiteira informou GFIP "sem Movimento" de 12/2004 a 06/2005, e não entregou GFIP em 11/2004. Ao não exigir a GFIP e a regularização dos trabalhadores em sua obra, a empresa Vaca Brava não cumpriu cláusula estabelecida em seus próprios contratos de empreitada, além de não observar artigos 31 e 32, inciso IV, da Lei 8212/91, artigo 219, parágrafo 6°, do Decreto 3048/99 combinados com artigos 29 e 337A, inciso I, do Código Penal. 35 Na conta 311303009 Instalações Provisórias, foram realizados lançamentos todos os meses, com despesas até o final da obra. Algumas dessas despesas são documentadas com Recibos de doação para Centro Comunitário Santa Genoveva, no valor de R$150,00 ao mês, fls.365 a 366. 36 Na contabilização de despesas e custos, verificamse vários lançamentos onde consta no histórico REC, como REC Osvaldo Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.704 13 Ioshio Massuda, REC Eduardo Carlos dos Santos, REC Glauco Magalhães, REC Tânia Tome, REC Central de Suprimentos, REC EBM Incorporações. Porém, na documentação desses RECIBOS, são arquivadas diversas Notas Fiscais de empresas, com variados tipos de gastos, como combustível, material, transporte, taxas. As datas das despesas nem sempre são no mesmo mês daquele lançamento de ressarcimento, exemplos às fls. 367 a 386, 438 a 443, 495 a 555. Tais lançamentos ferem princípios contábeis, não são corretos ou claros, pois despesas e custos de obra devem ser contabilizados em contas e datas apropriadas, de modo que, pelas contas, históricos e datas, seja possível a identificação do valor, numeração do documento e do tipo de cada despesa/fornecedor/item, a fim de possibilitar a análise e discriminação dos custos da obra. 37 Para compor o valor a ser pago aos engenheiros da obra, através de NFS de Pessoas Jurídicas, Osvaldo Ioshio Massuda, Eduardo Carlos dos Santos, Glauco Magalhães, vem sendo elaborada uma planilha com os custos mensais das "empresas" daqueles profissionais, fls. 556 a 565. Na "Planilha Calculo Remuneração Engenheiros" constam discriminados itens que compõem o pagamento aos engenheiros, SalárioBase. 13° Salário, Seguro Saúde e Ticket, ou seja, itens característicos de remuneração de pessoas físicas, mas não de pessoas jurídicas. 38 Além dos valores pagos aos engenheiros através de NFS de suas empresas, Massuda Engenharia Ltda, CNPJ 03465624/000172, ECAP Engenharia Ltda, CNPJ 07269248/000100, Esquadro Engenharia Ltda, CNPJ 05129840/000172, foram pagas complementações ou premiações mensais, através de NFS da empresa Incentive Premier Ltda, CNPJ 05310037/000130, fls. 566 a 569. Apesar de notificada para apresentar todos os premiados através das NFS da Incentive Premier, a Vaca Brava não apresentou as listagens mensais daquelas bonificações ou pagamentos complementares às empresas dos engenheiros e a outros trabalhadores na obra. 39 De acordo com despesas lançadas como REC Tânia Tome, em 13.08.04, 08.09.04, 13.09.04 e 27.09.04, fls. 584, a engenheira Tânia Tome atuou na obra, pelo menos durante os meses de agosto e setembro/2004. Porém, não consta nenhum pagamento nesta empresa para sua pessoa física ou jurídica, Construstyle Engenharia Ltda, donde se deduz que seu pagamento/NFS compôs o custo de outra obra do Grupo EBM. Constatamos em visita a três obras do grupo EBM, em maio/2007 e julho/2007, que engenheiros e pessoal de obras em andamento trabalham em outras obras do grupo, principalmente no inicio e conclusão das obras. Exemplo disto é atuação da engenheira Tânia Tome nesta obra, como também, o trabalho do engenheiro Luiz Claudio, CPF 27133431653, da Castor Engenharia Ltda, fone 92219093, trabalhando para outra empresa do Grupo EBM, Sociedade Residencial Oeste Treze S/A, mas que no dia 02.05.07 encontramos trabalhando no Residencial Bela Vista Um S/A, obra Sofisticatto já com Habite Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 se. Portanto, o custo contabilizado para a obra não é completo ou devidamente contabilizado. 40 Lançamentos indevidos documentam ressarcimentos de despesas realizadas por sócios sendo lançadas como REC, RECIBO, o somatório de um conjunto de NF, Recibos, Títulos, guias de tributos, como exemplificado no dia 01.08.2006, conta contábil 311303017 Títulos e Emolumentos, cópia As fls.570 a 575. 41 Também, foram realizadas restituições ou a sócios, sem comprovação do gasto ou despesa, como exemplificado As fls. 576 a 579, dia 15.09.03 ct. ctb 311302004 Serviços contratados p/PJ. 42 Despesas foram indevidamente documentadas, como exemplificado no dia 27.03.2006. depósito bancário de R$ 3.000,00 em favor da "Soc Res Oeste Nove S/A". fls. 580, que foi documentado ou contabilizado como pagamento a Eliane M. M. da Costa. 43 Contabilização em conta indevida, como exemplifica a NF 573 da RC Equipamentos Ltda, que foi lançada despesa com Pessoa Física no dia 01.12.2003 na conta 311302003 Serviços contratados p/PF. 44 Despesa da obra 131 Vaca Brava, foi indevidamente lançada como despesa na contabilidade da obra 132Praça do Sol, em 04.10.2004 ct. ctb. 2114000001, cheque 157899, fls. 581. 45 Na contabilização, não vem sendo observado o principio da COMPETÊNCIA, visto que suas Receitas e Despesas não são lançadas nas datas de suas ocorrências, independentemente de Recebimento e Pagamento. Para a contabilização, vem sendo indevidamente utilizado o "Regime de Caixa", não obedecendo ao "Regime de Competência, não reconhecendo as despesas e receitas na época ou momento em que são realizadas, independentemente da época em que são pagas, recebidas ou informadas ao departamento contábil. Exemplificando, despesa de dezembro/2005 foi contabilizada em 05.01.2006 na conta contábil 311302004, NFS 1707 da Marmorarte no valor de R$19.037,20. O "Regime de Competência é obrigatório para a escrituração do livro Diário, conforme Resolução do CFC n°.750/93 e, também, no parágrafo 13 do artigo 225 do Decreto n°3.048/99, que regulamenta o inciso III do art. 32 da lei n'.8.212/91, além de nos artigos 1179 a 1195 do Código Civil. 46 Não foram apresentados os pagamentos ou valores despendidos com os trabalhos técnicos dos profissionais responsáveis pelos projetos e ART n. 045040022509 e 03159200601513010 no CREA/GO, fls. 582 e 583. 49 Verificouse em contratos de venda e aquisição de apartamentos construídos pela Vaca Brava por outras empresas do Grupo EBM, listagens às fls. 336 a 339, 340 a 351, 353 a 360, 436 a 422, que algumas unidades/apartamentos foram comercializadas por preço abaixo ao valor de mercado e inferior ao valor de outras unidades à mesma época, com mesmo porte e prazo para pagamento. Constatase que os apartamentos Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.705 15 entregues aos proprietários do lote, dirigentes das empresas do grupo ORBX, EBM, Logical/Opus, como pagamento do terreno da obra, são repassados/vendidos a terceiras pessoas por valor inferior ao de outros andares/apartamentos. Isto sugere indicio de sonegação e de contabilização incorreta, es,\c teia empresa Vaca Brava, que recebeu apartamento como parte de pagamento da mesma unidade, reduzindo ou negociando o preço a ser documentado. 50. Verificase que a unidade 1500 do Edifício Gran Reserva, construído no Setor Oeste da Capital por outra empresa do grupo EBM, Residencial Alameda das Rosas S/A, CNPJ 05015602/000136, foi dada como entrada da unidade 25 do Chateau du Parc, fls. 462 a 483, sendo acertado por email, fls. 470, valor inferior ao de mercado e inclusive ao de outros apartamentos, o que apresenta indícios de sonegação. De acordo com documentos a fls. 423 a 437, 462 a 469 e 338, em junho/2003, a unidade 1500 foi vendida pelo sócio da empresa Logical, Dener, para Jose João Batista Stival por RS 160.100,00, em torno da metade do valor das outras unidades. Dois anos após, Jose João B. Stival documentou, pelo mesmo valor, a entrega da unidade 1500 do Gran Reserva para a empresa Vaca Brava, como entrada da unidade 25 do Chateau du Parc. Foi acertado/ajustado o valor da documentação da entrada, RS 160.000,00 e da redução do valor para o novo apartamento, R$590.000,00, fis. 470, sendo reduzido em torno da metade do valor das outras unidades. Em julho/2006. um ano após, Jose João B. Stival, com a anuência da Vaca Brava, vende a unidade 25 para Edcel Silva Morais, pelo mesmo valor reduzido. Copia às fls. 423 a 437. 462 a 483. Valores acertados para contrato. escritura e contabilização demonstram que o Diário e Razão não estão embasados em dados e documentos fidedignos ou de valores reais. 51 A Empresa Vaca Brava, como interveniente cedente, em 20.10.06, fls. 484 a 488 e 334 e 336, assinou escritura de venda, pela Logical para Jaime dos Santos Ferreira, da unidade 20 do Chateau du Parc, pelo valor de R$ 660.000,00. em torno da metade das outras unidades à época. 52 A empresa Vaca Brava vendeu a unidade 7 do Chateau du Parc por valor inferior ao das outras unidades, em 04/2005, fis. 444 a 461 e 334 e 335. Dois anos depois, a unidade foi transferida para outro proprietário por valor similar à primeira 53 Tendo em vista o aqui exemplificado, a contabilização da Sociedade Residencial Vaca Brava Um S/A não atende aos requisitos previstos, não se encontrando devidamente escriturados os fatos envolvidos na execução da sua única obra de construção civil. Consequentemente, a fiscalização previdenciária desconsiderou a escrituração contábil apresentadas de forma deficiente, coma também, os respectivos custos, sendo arbitrado o crédito previdenciário de acordo com a área construída e o padrão de execução da obra de Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 construção civil, como previsto nos parágrafos 3°, 4° e 6° da Lei nº 8.212/91, artigos 229, 233 a 235 e 248 do Decreto nº 3.048/99, nos Artigos 72, 73, 79, 81 a 99, 105 a 110 e 120 da Instrução Normativa INSS/DC n°.69 de 10/05/2002 e nos artigos 413 a 481 da IN SRP nº 3/2005, de 14/07/2005. Dentre esses últimos destacamos os artigos 426. 429, 434. 442 e 473. Os grifos não constam no original. De outro eito, mas vinho de outra pipa, as folhas de pagamento apresentadas não são completas e não atendem aos requisitos legais, eis que não têm sua abrangência estendida aos segurados contribuintes individuais, cuja prestação de serviços à notificada houvese por comprovada mediante análise da contabilidade e das GFIP. Recibo de Pagamento a Autônomos de Paulo Cesar Gomes, transportador autônomo contabilizado na conta 311302005, em 20.01.2006, no valor de R$240.00, não consta na folha de pagamento, como também, nenhum outro pagamento a segurado contribuinte individual. Nessas circunstâncias, as omissões/incorreções perpetradas pelo Recorrente, da estatura das que foram verificadas pela Autoridade Fiscal, frustraram os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação, tais como notas fiscais de prestação de serviços, contratos, títulos diversos da contabilidade, etc. Tivesse a empresa cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, os fatos geradores teriam sido apurados diretamente nas folhas de pagamento, nas GFIP e na escrita fiscal. Mas assim não ocorreu. A não observância da fidedignidade no registro dos fatos geradores e das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos e títulos diversos e genéricos da contabilidade, para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Mostrouse, pois, deficiente a documentação fornecida pelo Recorrente. Ademais, o exame dos livros fiscais apresentados revelou que a contabilidade da empresa não registra o real movimento de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro. Assim, outra alternativa não se abriu à fiscalização que não apurar o montante devido por aferição indireta da base de cálculo, autorizada que estava pelo permissivo legal encartado nos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, transferindose para o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Citese por relevante que no procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.706 17 Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, custo de mão de obra empregada em serviços de construção civil, dentre outros. Alguns desses critérios de aferição indireta a serem empregados pela fiscalização, nas hipóteses autorizadas pela lei, como é o presente caso, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirta se, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Em outros casos, a fiscalização tem que buscar outros parâmetros de aferição os mais diversos imagináveis, de molde a construir hipoteticamente o arcabouço substancial da matéria tributável, tendo por alicerce, muita vez, o principio da razoabilidade. Usualmente, valese a fiscalização de um critério de analogia da empresa fiscalizada com as demais empresas atuantes no mesmo ramo e que se encontram em situações similares. Muitas outras ocasiões, tem a autoridade fiscal que extrair de outras fontes de informações, tais como previsões contratuais, o montante da base de cálculo do tributo, para determinar o montante devido. No caso em apreciação, tratandose os fatos geradores da remuneração paga a segurados obrigatórios do RGPS empregados em obra de construção civil, a autoridade fiscal procedeu à apuração do valor da mão de obra utilizada valendose das tabelas do Custo Unitário Básico, conforme determinação expressa assentada nos artigos 89 e 90 da IN INSS/DC nº 69/2002. Instrução Normativa INSS/DC nº 69, de 10 de maio de 2002 Art. 90. Para apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do CUB, divulgadas mensalmente na internet ou na imprensa de circulação regular pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil (SINDUSCON), da respectiva localidade ou da respectiva unidade da Federação onde esteja localizada a obra. (Redação dada pela Instrução Normativa INSS/DC nº 080, de 27.08.2002). §1° Será utilizada a tabela do CUB publicada no mês de entrega da DISO, referente ao CUB obtido para o mês anterior. §2° A competência das contribuições apuradas será a do mês de entrega da DISO. §3° Será utilizada preferencialmente a tabela do CUB: I da localidade da obra; II da unidade da Federação onde se situa a obra, caso não exista tabela local; III de outra localidade ou de unidade da Federação que apresente características semelhantes às da localidade da obra, caso inexistam as tabelas previstas nos incisos I e II deste parágrafo, a critério da Gerência Executiva circunscricionante do local da obra. Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 §4° Será utilizada a tabela do SINDUSCON a que o município esteja vinculado. §7º O saláriodecontribuição decorrente da mãodeobra relacionada aos custos constantes do Anexo I não poderá ser aproveitado para abater o valor das contribuições aferidas com base no CUB. Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tal montante não condiz com a realidade. Todas as informações postadas no parágrafo precedente encontramse devidamente relatadas no Relatório Fiscal, a fls. 587/604, em cumprimento aos requisitos de precisão e clareza da descrição dos fatos geradores e do período a que se referem. De forma idêntica, guardadas as devidas particularidades, os preceitos normativos que fornecem sustentação jurídica ao lançamento então operado, foram devidamente especificados no corpo dos relatórios fiscais acima desfraldados, permitindo ao autuado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, sendolhe dessarte garantido o exercício do contraditório e da ampla defesa. Não há, portanto, qualquer obscuridade ou dúvida quanto à hipótese de incidência dos tributos objeto deste lançamento. Houve a prestação de serviços remunerados em obra de construção civil de responsabilidade do Recorrente. Restou comprovado que a contabilidade não registrava o movimento real de remuneração dos segurados a serviço da empresa, do faturamento e do lucro. Da mesma forma, a documentação apresentada pela empresa revelouse deficiente, ante a omissão e incorreção das informações relativas aos fatos jurígenos tributários em apuração, circunstâncias que motivaram a apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas mediante aferição indireta, com fundamento jurídico nos artigos 148 do CTN, 33, §§3º e 6º da Lei nº 8.212/91 e art. 90 e seguintes da IN INSS/DC nº 69/2002. Como visto, verificase que a NFLD em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, os fatos geradores objeto do lançamento, o período de apuração, a conduta omissiva que motivou a aferição indireta da base de cálculo, assim como o critério de arbitramento do montante tributável, fazendo constar, nos relatórios que compõem o presente Processo Fiscal toda a fundamentação legal dos procedimentos levados a efeito no curso da ação fiscal. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa à notificada. O Aviso de Regularização de Obra a fls. 162/168 mostra com clareza solar as informações pertinentes à área construída (0,00 m2), a área para cálculo do montante de mão de obra (12.066,42 m2) e à área já regularizada correspondente às GPS relacionadas na Declaração de Regularização de Obra (2.207,55 m2), a qual se encontra arrolada no discriminativo a fls. 163/168, que apresenta, em cada competência, o Salário de Contribuição contido nas GPS recolhidas, o valor do Custo Unitário Básico por metro quadrado de obra, o Salário de Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.707 19 Contribuição total do projeto e a parcela absoluta de área regularizada correspondente ao recolhimento contido nas GPS em foco. O Aviso de Regularização de Obra informa, também, o tipo e uso da obra, o nº de unidades, categoria e padrão, assim como o enquadramento para fins de determinação do Custo Unitário Básico. Quanto à turbidez alegada, a lente de correção passa pelo art. 97 e seguintes da IN INSS/DC nº 69/2002, da qual demonstrou o Recorrente ter acentuado conhecimento. Para tornar mais nítida a visão do cálculo do Salário de Contribuição total do projeto, tomemos como exemplo a competência 12/2003, a fl. 163. Conforme explicitado no Aviso de Regularização de Obra a fl. 162, a área total do projeto é de 12.066,42 m2. De acordo com a tabela tatuada no art. 98 da IN INSS/DC nº 69/2002, nos primeiros 100 m2 de obra de alvenaria, aplicase o percentual de 4%, 8% nos 100 m2 seguintes, 14% sobre a área acima de 200 m2 e inferior a 300 m2, e 20% sobre a área que ultrapassar os 300 m2. Dessarte, no caso presente, conforme assinalado a fl. 162, temos: Área CUB sal. contribuição 100 m2 704,21 2.816,84 100 m2 704,21 5.633,68 100 m2 704,21 9.858,94 11.766,42 m2 704,21 1.657.206,12 Total 12.066,42 m2 1.675.515,58 Para as demais competências arroladas no discriminativo a fls. 163 a 168, basta atualizar o valo do Custo Unitário Básico. Simples assim. Nada mais. Turbidez? Não! Mostramse improcedentes, pois, as alegações de falta de clareza e precisão dos relatórios, ou mesmo turbidez ou ausência de limpidez nos dados da Declaração de Regularização de Obra. Muita vez, a causa de uma visão turva não está na turbidez do objeto, mas, sim, na capacidade do cristalino dos olhos de quem vê de projetar a imagem desse objeto, com precisão, na superfície da retina. Também se mostra improcedente o argumento de que a fiscalização detalhou inadequadamente os critérios por ela utilizados no arbitramento dos valores, atribuindo, de maneira precária e desproporcional a natureza remuneratória ao Custo Unitário Básico (CUB). Conforme já acentuado alhures, o mecanismo para apuração, por arbitramento, da base de cálculo da remuneração da mão de obra utilizada na construção civil seguiu com obstinada atenção os trilhos mandamentais assentados na legislação previdenciária, a saber, IN INSS/DC nº 69/2002, IN INSS/DC nº 100/2003 e IN SRP nº 3/2005. Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 Já se houve por esclarecido anteriormente que, não concordando o sujeito passivo com o cálculo operado pela fiscalização, resultado do procedimento positivado na legislação complementar, compete a ele demonstrar, mediante documentos idôneos, a discrepância entre os valores apurados e aqueles por ele considerados como representativos dos fatos geradores colhidos pela fiscalização. Para tal mister, urge advertir que são necessários mais do que meras alegações fulcradas na fluidez das palavras. Mostrase indispensável a apresentação dos documentos eleitos pela lei para o registro dos fatos geradores em palco, elaborados e constituídos em acordo com as formalidades intrínsecas e extrínsecas requeridas pelo legislador ordinário. Na mesma esteira, a alegada nulidade do lançamento, por desatendimento à norma previdenciária estampada no art. 474 da IN SRP nº 3/2005, não merece a guarida pretendida. Reza o art. 474 do IN SRP nº 3/2005, in verbis: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 474. Na regularização de obra de construção civil, em que a remuneração da mãodeobra utilizada foi apurada com base na área construída e no padrão da obra ou com base na prestação de serviços contida em nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, se constatada a contratação de subempreiteiras, deverão ser constituídos os créditos das contribuições sociais correspondentes, em lançamentos distintos, conforme a sua natureza. §1º Os créditos referidos no caput serão constituídos da seguinte forma: I contribuições referentes à aferição da mãodeobra total; II contribuições referentes à remuneração da mãodeobra própria da empresa fiscalizada; III contribuições apuradas por responsabilidade solidária; IV retenção. §2º No lançamento da base de cálculo da aferição indireta prevista no inciso I, serão deduzidos os lançamentos das bases de cálculo previstos nos incisos II, III e IV, todos do §1º deste artigo, competência por competência, observados os critérios de conversão previstos neste Título. §3º No lançamento por responsabilidade solidária, de que trata o inciso III do §1º deste artigo, não serão cobradas as contribuições devidas a outras entidades ou fundos, as quais deverão ser cobradas diretamente da empresa contratada. O disposto no art. 474 da IN SRP nº 3/2005 tem que ser interpretado em conjunto com o art. 447 da mesma Instrução Normativa em foco, e não isoladamente. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 447. A remuneração relativa à mãodeobra terceirizada, inclusive ao décimoterceiro salário, cujas correspondentes contribuições recolhidas tenham vinculação inequívoca à obra, será convertida em área regularizada, na forma prevista no art. 445, considerandose: Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.708 21 I até janeiro de 1999, a remuneração correspondente às contribuições recolhidas em documento de arrecadação identificado com o CNPJ do prestador, com o endereço da obra, e que traga, no campo "observações", a identificação da matrícula CEI e o número da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços; II a partir de fevereiro de 1999 até setembro de 2002: a) a remuneração declarada em GFIP referente à obra, identificada com a matrícula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", com comprovante de entrega, emitida por empreiteira contratada diretamente pelo responsável pela obra, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira; b) a remuneração declarada em GFIP referente à obra, identificada com a matrícula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", emitida pela subempreiteira contratada, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos pelo contratante com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira ou subempreiteira; c) o valor retido com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira ou subempreiteira contratada, quando não tenha sido apresentada a GFIP da contratada, conforme previsto nas alíneas "a" e "b" deste inciso, observado o disposto no § 2º e no art. 239; III a partir de outubro de 2002, somente serão convertidas em área regularizada as remunerações declaradas em GFIP referente à obra, com comprovante de entrega, emitidas pelo empreiteiro ou pelo subempreiteiro, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos correspondentes. (grifos nossos) §1º Nas obras de pessoa física, poderão ser aproveitadas as remunerações de empresas contratadas, da seguinte forma: I no caso de cooperativa de trabalho, a resultante da divisão da contribuição dos segurados cooperados que trabalharam na obra por zero vírgula trezentos e sessenta e oito, tomandose como base: a) de janeiro de 1999 a março de 2003, as contribuições individuais correspondentes a vinte por cento do salário de contribuição de cada um, efetivamente recolhidas pelos segurados cooperados, desde que estes tenham sido informados na GFIP referente à obra emitida pela cooperativa; b) a partir de abril de 2003, as contribuições individuais descontadas dos segurados cooperados correspondentes a vinte por cento do salário de contribuição de cada um, efetivamente recolhidas pela cooperativa, desde que estes segurados tenham sido informados na GFIP referente à obra emitida pela cooperativa; II no caso de empreiteira ou subempreiteira, a remuneração declarada em GFIP referente à obra, desde que comprovado o recolhimento integral das contribuições constantes dessa GFIP. Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 § 2º Para fins do previsto na alínea "c" do inciso II do caput, o valor da retenção será dividido por zero vírgula trezentos e sessenta e oito para apuração do valor correspondente à remuneração que será convertida em área pelos parâmetros definidos neste Título. § 3º A remuneração relativa ao período decadencial não poderá ser aproveitada para fins da dedução prevista neste artigo. A fiscalização atendeu não somente aos preceitos inscritos no art. 474 da IN SRP nº 3/2005, como, também, àqueles estatuídos no art. 447 da mesma Instrução Normativa, máxime, o seu inciso III. Conforme assentado no Relatório Fiscal, “os valores retidos dos empreiteiros, ou seja, adiantamentos de contribuições previdenciárias dos prestadores de serviço, caso não sejam exigidas as informações dos segurados em GFIP, não serão contribuições definitivas, podendo ser compensadas ou restituídas às prestadoras de serviço, caso seja indevidamente informada GFIP sem movimento ou com valores/segurados inferiores aos utilizados no período de atuação na obra”. Mais adiante, consigna o auditor fiscal notificante: “Portanto, foram consideradas como SaláriosdeContribuição já recolhidos e área já regularizada, as remunerações dos segurados informados em GFIP pela incorporadora, cujas atividades compõem o CUB, fls.168, as GFIP informadas pelos empreiteiros, fls.169 a 171, e o percentual de 5% das NFS de Concreto Usinado, fls.172 a 177, conforme art.107, III, da IN/INSS/DC nº69/2002. art.462, III da IN/INSS/DC nº100/2003, e art. 448, III, da IN/MPS/SRP nº 03/2005”. As provas dos autos revelam, outrossim, que quem não atendeu às determinações legislativas em comento foi a própria empresa recorrente, que deixou de exigir das subempreiteiras as GFIP específicas para cada serviço, como assim determina a legislação previdenciária. Tivesse o Recorrente observado atentamente às obrigações tributárias acessórias a que está obrigado, todos os valores oriundos de retenção seriam computados na edificação do quantum debeatur do procedimento de aferição indireta. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Seção II Obrigações Previdenciárias na Construção Civil Art. 420. Na contratação de empreitada sujeita à retenção prevista nos arts. 140 e 172, a contratada deve destacar na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços o valor da retenção, observando o disposto no art. 154. Parágrafo único. Na hipótese de subcontratação, o destaque da retenção deve observar o disposto no art. 155. Art. 422. A empresa contratada, quando da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, deve fazer a vinculação destes documentos à obra, neles consignando a identificação do destinatário e, juntamente com a descrição dos serviços, a matrícula CEI e o endereço da obra na qual foram prestados. Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.709 23 Art. 423. A empresa contratada deverá elaborar folha de pagamento específica para a obra de responsabilidade da empresa contratante e o respectivo resumo geral, bem como a GFIP com as informações específicas para a obra, relacionando todos os segurados alocados na prestação de serviços, observado o disposto no art. 162. Art. 425. A empresa contratante é obrigada a manter em arquivo, por empresa contratada, em ordem cronológica, durante o prazo de dez anos, as notas fiscais, as faturas ou os recibos de prestação de serviços e as correspondentes GFIP e, se for o caso, as cópias dos documentos relacionados no §2º do art. 155, por disposição expressa no § 6º do art. 219 do RPS. Parágrafo único. Para os fins do caput, a empresa contratante deverá exigir as cópias das GFIP emitidas pelas empresas contratadas, com informações específicas para a obra e identificação de todos os segurados que executaram serviços na obra e suas respectivas remunerações. (grifos nossos) Conforme demonstrado, inexiste qualquer vício na formalização do débito a amparar as alegações de cerceamento de defesa ou de nulidade erguidas pelo Recorrente. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. 2.2. DO GRUPO ECONÔMICO. Sustenta o Recorrente inexistir o grupo econômico apontado pela fiscalização. O apelo acima postado não reflete as provas dos autos. Cumpre neste comenos esclarecer que a responsabilidade direta pelas obrigações decorrentes da vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é da empresa notificada. Ocorre que o inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 dispõe as empresas que integram grupo econômico, de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa Lei. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30 ... IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (grifos nossos) Como é cediço, a solidariedade não se presume. Ela decorre da vontade das partes, ou diretamente de disposição legal, como é o presente caso. Nesse sentido, dispõe a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, sob cuja égide se deu a autuação em exame: Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 Instrução Normativa SRP N° 03, de 14/07/2005: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. §1° Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2° É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do §1° deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. Tal regulamentação não discrepa das disposições encartadas na Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, sendo, aliás, desta, mero espelho normativo. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003 Art. 778. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 779. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. §1º Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2º É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do § 1º deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. No caso ora vertido, em 24.04.2007, a extinta Secretaria da Receita Previdenciária expediu MPF cientificado em 02.05.2007 aos chefes responsáveis pela obra que vinha sendo edificada no endereço da empresa Sociedade Residencial Vaca Brava Um S/A, na Av. T5 esquina c/ av. T66 quadra 131 Lote. 1/16, Setor Bueno, Goiânia/GO. Apesar de em todos os órgãos constar o endereço acima citado na documentação cadastral desta empresa, fls.123 a 125, constatou a fiscalização que, de fato, ela nunca teve seu escritório ou Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.710 25 administração em seu endereço oficial, visto que naquele local apenas havia estrutura ou ambiente para a construção civil. Quando a empresa Vaca Brava foi constituída naquele endereço, o terreno ainda não era de sua propriedade. Apurou a fiscalização que o escritório da empresa Vaca Brava sempre funcionou no endereço da EBM incorporadora S/A . CNPJ03024881/00274, atualmente na Av. 136, n.960, 15/18 andares, ed. Executive Tower, St. Marista, GoiâniaGO, onde a presente ação fiscal foi executada e verificados os documentos apresentados. A Sociedade Residencial Vaca Brava Um S/A que, de fato, nunca teve seu estabelecimento, foi constituída, em 05.06.2003, fls. 42/53, pela EBM Incorporadora S/A, CNPJ 03025881/000193, e pela ORBX Incorporadora S/A, CNPJ 05082800/000112, com prazo de tempo determinado (Sociedade de Propósito Especifico) limitado pela conclusão do objetivo Social, que se realizará após a incorporação, construção, venda e recebimento das unidades imobiliárias do empreendimento, ou seja, da Obra 131, Edifício Chateau du Parc, na Av. T5, esquina com T66, Qd. 131. Lts. 1/16, Setor Bueno, GoiâniaGO. A Sociedade Residencial Vaca Brava Um S/A foi constituída nos mesmos moldes de diversas outras do Grupo EBM, que vem documentando uma Sociedade Anônima de Capital Fechado para cada um de seus empreendimentos, normalmente no mesmo endereço/terreno em que é construída a obra. Cada uma das obras, uma para cada uma das S/A constituídas com esta finalidade especifica, é lançada, vendida e construída sob a responsabilidade da EBM, marca presente nas obras, folders, propagandas e cartazes no topo de cada prédio em construção ou já entregue aos seus compradores. Verificou a fiscalização que, logo no inicio das obras, é assinado contrato da EBM com a nova S/A constituída única e especificamente para aquele empreendimento, possibilitando que a EBM execute a obra. A época da finalização da obra, a EBM vem mudando as novas S/A de endereço, quase sempre para outro estado da federação, documentandoas no mesmo endereço da ORBX, EBM ou de outra de suas empresas. Em 13/02/2004, após a constituição da empresa Vaca Brava, foi concedido o Alvará de Construção possibilitando que a empresa LOGICAL Participações Ltda construísse o Chateau Du Parc, com a mesma área contida em sua matricula na Previdência Social e no Habitese, o qual, também, foi concedido para a Logical Participações Ltda. Apesar de não ter sido apresentada toda a documentação do terreno da obra 131, ou seja, endereço da empresa Vaca Brava, deduzse que o lote foi adquirido pela Logical em data anterior à constituição da empresa Vaca Brava. A empresa Logical Participações Ltda, CNPJ 05.437.233/000170, que é de um dos parceiros ou diretor da EBM, Dener Alvares Justino, fls.128, 146 a 149, teve sua denominação posteriormente alterada para OPUS Incorporadora Ltda. O Capital Social de R$ 200.000.00 é constituído por 90% da empresa ORBX Incorporadora S/A e 10% da empresa EBM Incorporadora S/A. A contabilidade cita outro sócio: Dener Alvares Justino, Diretor da EBM Incorporadora S/A, mas não consta aporte de capital em seu nome. Após a constituição do Residencial Vaca Brava S/A, foi realizada uma doação para o Município de Goiânia de 38 lotes no Setor Estrela Dalva de propriedade de terceiros avaliados em R$ 114.000,00, com a finalidade de adquirir "o direito de transferência Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 26 do direito de CONSTRUIR” em 2.420,00 m2 do lote 01 e 16, da quadra 131, Rua T66 com Avenida T5, Setor Bueno, Goiânia/GO, em favor de Residencial Vaca Brava Um S/A, ficando os lotes doados destinados ao banco de lotes. Em 01.03.2004, representada pelos seus dois sócios, Dener Álvares Justino e Adriano Alvares Justino, a empresa Logical Participações ltda escritura a venda daquele terreno para a Vaca Brava, o terreno em que esta empresa já havia sido constituída, fls.58 a 75, ao preço ajustado de RS 420.000,00 a ser pago com a entrega de 4 apartamentos tipo (316,66 m2 cada) e a cobertura tríplex (794,79 m2), os quais tinham valor orçado bem superior ao do terreno. Conforme estipulado na escritura a fl. 65, as unidades 12, 16, 20, 22 e a Cobertura eram os apartamentos permutados pelo lote. Naquela escritura, consta que cabia exclusivamente à Logical Participações consentir com a venda das frações ou unidades do Chateau Du Parc, a ser construído pela Vaca Brava. Também, em escritura, foi conferido poderes à Logical, sendo nomeada procuradora para alienar as 5 unidades permutadas pelo lote em foco. Através de documentos e informações na contabilidade, "Republica Oeste Offices", e na copia de contrato a fls. 116/119, verificouse que recursos financeiros da EBM vêm sendo movimentados em conta bancária de outra de suas empresas, a Republica de Gestão de Recursos S/A, CNPJ05138866/000187, cadastrada no mesmo endereço da filial goiana da EBM, Av. 136. n° 960. 15° andar, Ed. Executive Tower, S. Marista, Goiânia/GO. Constatouse. também, que o grupo empresarial EBM é composto pelas seguintes pessoas físicas: Bento Odilon Moreira CPF00262617153; Bento Odilon Moreira Filho, CPF44028857104: Elbio Moreira, CPF10108416100; Cleuner Teixeira de Souza, CPF35479655191; Dener Alvares Justino, CPF43899374134; Adriano Alvares Justino, CPF59781059134: Wanderley Borges de Melo, CPF 01149989653; Ana Celia Carvalho de Barros Amorim, CPF49152106187; e João Batista Vieira de Jesus, CPF35488832149. Pintado nessas cores o quadro fático em questão, concluiu a fiscalização que a situação assim retratada caracterizavase grupo econômico de fato, em razão da existência de interesse comum na construção e situação que constituiu os fatos geradores das obrigações principais das contribuições sociais. Consequentemente, além da Sociedade Residencial Vaca Brava Um S/A, o presente débito de contribuições previdenciárias foi lavrado em nome de ORBX Incorporadora S/A, EBM Incorporadora S/A, Opus Incorporadora Ltda (Logical), Dener Álvares Justino, Adriano Alvares Justino, Cleuner Teixeira de Souza, Ana Celia Carvalho de Barros Amorim, Elbio Moreira, Bento Odilon Moreira Filho e Wanderley Borges de Melo, tidos pela fiscalização como responsáveis solidários pelo crédito tributário em questão. No ramo do Direito Tributário, o instituto da solidariedade alicerçou suas sapatas de escoramento no art. 124 do CTN, o qual reconheceu a existências de duas modalidades de solidariedade aplicáveis ao direito tributário, a saber, a solidariedade de fato, verificada entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e a solidariedade legal, a qual se avulta nas hipóteses taxativamente previstas na lei. Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.711 27 II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Em ambos os casos acima ponteados, o CTN honrou estatuir que o instituto da solidariedade tributária não se confunde com o da subsidiariedade, eis que excluiu expressamente, de maneira peremptória, o beneficio de ordem. Nesse diapasão, ao tratar da responsabilidade tributária, o art. 128 do CTN estatuiu que a lei poderia atribuir, de modo expresso, a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo pelo cumprimento total ou parcial da referida obrigação. A caracterização do grupo econômico, por seu turno, decorre da conformação fixada no §2º do art. 2º do DecretoLei n° 5.452/43 CLT. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. (grifos nossos) Nessa mesma toada estatui o art. 748 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, vigente à ocasião da lavratura do lançamento, in verbis: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 28 Registrese, por relevante, que a jurisprudência pátria, hodiernamente, evoluiu de uma interpretação meramente gramatical do §2° do art. 2° da CLT para o reconhecimento do grupo econômico, ainda que não haja subordinação a uma empresa controladora principal. Admite, portanto, mesmo nas ordens do Poder Judiciário, a configuração de grupo econômico, assim denominado "grupo composto por coordenação", em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento independente do controle jurídico, com base apenas na organização comum da atividade econômica, conforme dessai dos julgados a seguir ementados, perfeitamente aplicáveis ao caso em apreciação: GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Consoante a melhor doutrina, a personalidade jurídica é o substrato da autonomia dos sujeitos plúrimos que constituem o grupo empresário, podendose dizer que a autonomia é uma das facetas do grupo econômico, o que, antes de caracterizálo, constituise em nota marcante de sua definição. Quanto à exigência de controle pelo acionista majoritário, tal entendimento encontrase superado pela doutrina e jurisprudência. Admitese, hoje, a existência de grupo econômico independente do controle e fiscalização pela chamada empresa líder. Evoluiuse de uma interpretação meramente literal do artigo 2º, §2º, da CLT, para o reconhecimento do grupo econômico, ainda que não haja subordinação a uma empresa controladora principal. É o denominado "grupo composto por coordenação" em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento. No direito do Trabalho impõese, com maior razão, uma interpretação mais elastecida da configuração do grupo econômico, devendose atentar para a finalidade de tutela ao empregado perseguido pela norma consolidada (artigo 2º, § 2º, da CLT). Grupo Econômico Caracterização. (TRTRO 19827/97 4ª T. Rel. Juiz Ronan Neves Cury Publ. MG 22.07.98)." GRUPO ECONÔMICO. Empresas que embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico, a teor das disposições trabalhistas, sendo solidariamente responsáveis pelos legais direitos do empregado de qualquer delas. (TRT 3ª Região. 2T— RO/1551/86 Rel. Juiz Édson Antônio Fiúza Gouthier). GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. O §2.° do art. 2° da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer, na prática situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.712 29 exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados fartamente, o controle e a direção por determinadas pessoas físicas que, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. (TRT/15ª REGIÃO. Decisão N° 061975/2005PATR., Relatora: MARIANE KHAYAT, publicado em 19/12/2005) O grupo econômico de fato se caracteriza, portanto, pela reunião de várias empresas, cada uma com personalidade jurídica e patrimônio formalmente distintos e próprios, que combinam efetivamente recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. No caso em apreciação, da Ata da Assembleia de Constituição da Sociedade Residencial Vaca Brava Um S/A, extraise que tal sociedade tem como sócios as empresas EBM Incorporações S/A e ORBX incorporadora S/A, sendo por estas dirigida, eis que sua diretoria é exercida, simultaneamente, pelos diretores Ana Célia Carvalho de Barros Amorim e Cleuner Teixeira de Souza, sócios majoritários das empresas EBM e ORBX, respectivamente. Não há como negar a existência de grupo econômico da Notificada com as empresas EBM Incorporações S/A e ORBX incorporadora S/A, figurando estas como responsáveis solidárias pelo crédito tributário objeto do presente lançamento. Citese, por oportuno, que a empresa ORBX incorporadora S/A é controladora da Sociedade Residencial Vaca Brava Um S/A e que esta também se apresenta como empresa coligada à EBM Incorporações S/A. No caso da responsabilidade solidária de fato prevista no inciso I do art. 124 do CTN, assentado que a expressão interesse comum utilizada pelo legislador acomoda um conceito jurídico indeterminado, mostrase alvissareiro procedermos a uma exegese mais atenta do texto legal de molde a se determinar o real conteúdo e o alcance da norma in abstrato. Autores de nomeada de há muito prelecionam que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam os “sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível”. A respeito do tema, o eminente Paulo de Barros Carvalho (in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) fez verter sucintas palavras, não obstante profícuas, conforme se vos seguem: “... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo polo da relação, se e somente se for esse o Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 30 lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador”. Na mesma linha de raciocínio segue o escólio de Rubens Gomes de Sousa sobre a matéria, em sua renomada obra Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3ª ed., pag. 67, in verbis: “São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação". O entendimento acima esposado não se atrita com o magistério do mestre Hugo de Brito Machado (in Curso de Direito Tributário, Ed. Melhoramentos, 27ª edição, 2006, p.165), que preleciona: “... o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação, cuja presença cria a solidariedade, não é um interesse meramente de fato, e sim um interesse jurídico. Interesse que decorre de uma situação jurídica” No caso vertente, avulta existir entre o Notificado e a empresa Logical Participações Ltda, hoje, Opus Incorporadora Ltda, não apenas um mero interesse econômico, mas, com precisão, um interesse jurídico, haja vista ter esta participado ativamente do objeto social daquela. Com efeito, após a constituição da empresa Vaca Brava, foi concedido o Alvará de Construção possibilitando que a empresa Logical Participações Ltda construísse o Chateau Du Parc. Aditese que o Habitese foi concedido em nome da Logical Participações Ltda e não no da Recorrente, em teoria, a dona da obra. Registrese que o lote onde se ergueu o empreendimento foi adquirido pela Logical em data anterior à constituição da empresa Vaca Brava. Em 01.03.2004, a empresa Logical Participações ltda escritura a venda daquele terreno para a Vaca Brava, o terreno em que esta empresa já havia sido constituída, ao preço ajustado de RS 420.000,00 a ser pago com a entrega de 4 apartamentos tipo (316,66 m2 cada) e a cobertura tríplex (794,79 m2), os quais tinham valor orçado bem superior ao do terreno. Naquela escritura, consta que cabe exclusivamente à Logical Participações consentir com a venda das frações ou unidades do Chateau Du Parc, o qual seria construído pela Vaca Brava. Também, em escritura, foi conferido poderes à Logical Participações, sendo nomeada procuradora para alienar as 5 unidades permutadas pelo lote. Em ádito, diga o Contrato Social da Logical Participações ltda que tem por sócios os Srs. Dener Alvares Justino e Adriano Alvares Justino, sócios do grupo empresarial EBM. Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.713 31 Resta evidente que o devedor solidário eleito pela fiscalização mais do que um mero interesse econômico, possuía verdadeiro interesse jurídico, eis que os atores em foco realizaram, de forma conjunta, a situação jurídica que constitui o fato gerador da obrigação principal objeto deste lançamento. Nessas circunstâncias, é solidária a pessoa jurídica que realiza conjuntamente com outra a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação, a teor do inciso I do art. 124 do CTN. Avulta, de forma flagrante uma interligação intensa entre as empresas suso elencadas, tendo sido a Notificada criada, única e exclusivamente, para a execução do empreendimento da controladora e coligada, havendo que ser citado que a Recorrente, além de não possuir autonomia administrativa, nem escritório ou sede possui, sendo consignado como endereço de registro para sua constituição o terreno onde se erigiu Chateau du Parc, que nem de sua propriedade era. A conexão é tão notória que os próprios instrumentos de defesa e de recurso oferecidos pelos responsáveis solidários são, mutatis mutandis, idênticos, fato que evidencia a concentração de comando. A Recorrente argumenta que a inclusão de sócio em Sociedade por Conta de Participação (SCP) no grupo econômico não pode prevalecer. Tal argumento, todavia, não reúne condições de ser analisado, se nos afigurando, inclusive, que tenha sido aqui postado por engano. A uma, porque não se houve por identificado o sócio oculto ao qual o Recorrente se refere. Tal sócio realmente permaneceu oculto. A duas, porque igualmente não indicou o Recorrente a qual sociedade em conta de participação estaria vinculado o oculto sócio oculto. A três, porque dos atos constitutivos das empresas acostados aos autos não nos foi possível extrair tais informações. As atividade metafísicas, por certo, não se encontram incluídas nas atribuições e competências dos membros deste Colegiado. Não concordamos, todavia, com o assentamento de responsabilidade solidária em desfavor das pessoas físicas Dener Álvares Justino, Adriano Alvares Justino, Cleuner Teixeira de Souza, Ana Celia Carvalho de Barros Amorim, Elbio Moreira, Bento Odilon Moreira Filho e Wanderley Borges de Melo, eis que a sua atuação no presente feito, não se ajusta a nenhuma das hipóteses de imputação de responsabilidade solidária prevista em lei. Tal exclusão de responsabilidade solidária, todavia, não implica que as pessoas físicas arroladas no parágrafo precedente sejam excluídas da relação de vínculos a fls. 11/12. Ao revés, elas devem permanecer integrando tal relação, eis que figuram como sócios Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 32 das pessoas jurídicas responsáveis pela satisfação do crédito tributário objeto do presente lançamento. Anotese que a Relação de vínculos suso citada prestase como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional, caso haja a necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, após a preclusão do contencioso administrativo, nas estritas hipóteses em que vingue configurada a responsabilidade pessoal de terceiros pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos estatuídos no inciso III do art. 135 do CTN. Nesse sentido, o art. 2º da Portaria PGFN nº 180, de 25 de fevereiro de 2010, dispõe que, a inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de, ao menos, uma das quatro situações elencadas a seguir: I excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica. Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, os sóciosgerentes e os terceiros não sócios, com poderes de gerência à época da dissolução, bem como do fato gerador, deverão ser considerados responsáveis solidários. De acordo com a citada Portaria, para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional entendese como responsável solidário o sócio, pessoa física ou jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária objeto de cobrança judicial. 2.3. DA NOTIFICAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS PELO DÉBITO Alega o Recorrente ser nulo o lançamento, pois deveriam ter sido notificados todos os responsáveis pelo débito. Aduz que deveriam ter sido notificadas as empresas SH Serviços e Construções Ltda (CNPJ 07.147.142/000125) e J&J Construções e Terraplanagens Ltda. (CNPJ n°07.142.479/000140), dentre outras que não citou. Razão não lhe assiste. Com efeito, devem ser citados todos os responsáveis solidários pela satisfação do crédito tributário, eis que o recolhimento do tributo pode ser exigido, indistintamente, de qualquer um deles, inexistindo qualquer benefício de ordem. Ocorre que os devedores solidários foram todos notificados. Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.714 33 A visão do Recorrente, todavia, permanece turbada. As empresas SH Serviços e Construções Ltda e J&J Construções e Terraplanagens Ltda, por ele elencadas, não figuram neste processo como responsáveis solidárias pela exigência fiscal. Tais empresas tratamse de subempreiteiras, que realizaram no empreendimento imobiliário em realce serviços de construção civil. Os serviços por elas prestados encontramse sujeitos não ao instituto da responsabilidade solidária, como assim viu o Recorrente, mas, sim, ao regime da retenção de contribuições previdenciárias de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.711/98, devendo o contratante, in casu, o Recorrente, proceder ao desconto de 11% sobre o valor bruto das NFS/faturas e recolher o valor arrecadado em nome da prestadora. Nas circunstâncias tangidas no parágrafo precedente, a empresa contratada deve destacar na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços o valor da retenção, fazendo a vinculação destes documentos à obra, neles consignando a identificação do destinatário e, juntamente com a descrição dos serviços, a matrícula CEI e o endereço da obra na qual foram prestados. Deverá, também, elaborar folha de pagamento específica para a obra de responsabilidade da empresa contratante e o respectivo resumo geral, bem como a GFIP com as informações específicas para a obra, relacionando todos os segurados alocados na prestação de serviço. Em relação a tais empresas, deve o Recorrente exigir as cópias das GFIP emitidas pelas empresas contratadas, com informações específicas para a obra e identificação de todos os segurados que executaram serviços na obra e suas respectivas remunerações, documentos esses que, juntamente com as notas fiscais, as faturas ou os recibos de prestação de serviços, devem ser mantidos, obrigatoriamente, em arquivo, por empresa contratada e em ordem cronológica, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Dessai das provas dos autos que o Recorrente não prestou a devida atenção às obrigações acessórias acima referidas, eis que, conforme consignado no Relatório Fiscal, de diversas empresas, inclusive da SH e da J&J, deixou de exigir as cópias das GFIP. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 3.1. DOS PREMOLDADOS Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 34 Alega o Recorrente que a Auditoria Fiscal deveria ter observado os diversos préfabricados utilizados na obra de construção civil. Aduz que a IN SRP/MPS n° 3/2005 traz dispositivo contundente em seu art. 456. Estranhamente, a transcrição do caput do art. 456 em foco não foi completa, omitindo o desfecho de seu dispositivo, consubstanciado no termo “desde que:”. A leitura a ser empreendida pelo Recorrente deveria seguir um pouco mais adiante. Isso porque a redução do valor da remuneração não é incondicionada. Ao revés, deve o Interessado satisfazer às condições necessárias especificadas no próprio art. 456 da IN SRP nº 3/2005. Senão vejamos. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 456. A obra de construção civil que utilize componentes pré fabricados ou prémoldados será enquadrada de acordo com o disposto nos arts. 437 a 440 e terá redução de setenta por cento no valor da remuneração apurada de acordo com o art. 451, desde que: (grifos nossos) I sejam apresentados, conforme o caso: a) a nota fiscal ou fatura mercantil de venda do préfabricado ou do prémoldado e a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, emitidas pelo fabricante, relativas à aquisição e à instalação ou à montagem do préfabricado ou do pré moldado; b) a nota fiscal ou fatura mercantil do fabricante relativa à venda do préfabricado ou do prémoldado e as notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidas pela empresa contratada para a instalação ou a montagem; c) a nota fiscal ou fatura mercantil do fabricante, se a venda foi realizada com instalação ou montagem; II o somatório dos valores obtidos pela divisão, em cada competência, do valor bruto das notas fiscais ou das faturas previstas no inciso I, pelo CUB vigente na data da emissão desses documentos e multiplicados pelo CUB vigente na data da aferição, seja igual ou superior a quarenta por cento do CGO, calculado conforme o art. 442, observado o enquadramento no tipo 11 (alvenaria), previsto no §2º deste artigo. (grifos nossos) §1º Préfabricado ou prémoldado é o componente ou a parte de uma edificação, adquirido pronto em estabelecimento comercial ou fabricado por antecipação em estabelecimento industrial, para posterior instalação ou montagem na obra. §2º O percentual a ser aplicado sobre a tabela CUB para apuração da remuneração por aferição indireta será sempre o correspondente ao tipo 11 (alvenaria). §3º A remuneração da mãodeobra contida em nota fiscal ou fatura relativas à fabricação ou à montagem, de préfabricado ou de prémoldado, não poderá ser aproveitada no cálculo por aferição indireta da mãodeobra. §4º A edificação executada por empresa construtora, mediante empreitada total, com fabricação, montagem e acabamento (instalação elétrica, hidráulica, revestimento e outros serviços complementares), deverá ser regularizada pela própria empresa construtora, para fins de obtenção da CND. Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.715 35 §5º Nos casos em que o préfabricado ou o prémoldado se resumir à estrutura, a obra deverá ser enquadrada no tipo madeira ou mista, não se lhe aplicando o disposto neste artigo. §6º Se a soma dos valores brutos das notas fiscais de aquisição do préfabricado ou do prémoldado e das notas fiscais de serviços de instalação ou de montagem não atingir o valor correspondente ao percentual previsto no inciso II do caput, o enquadramento da obra observará o disposto nos arts. 437 a 441. Compulsando os autos, verificamos que o Recorrente deixou de implementar as condições exigidas pela legislação tributária inscritas no inciso I do art. 456 da IN SRP nº 3/2005, pois que não apresentou, cumulativamente, as notas fiscais referentes à aquisição dos prémoldados e as notas fiscais relativas a sua instalação. Mas não é só. Há mais. Constituise igualmente ônus do Recorrente o cumprimento cumulativo da exigência inscrita no inciso II do mesmo dispositivo legislativo, consistente na comprovação de que o somatório dos valores obtidos pela divisão, em cada competência, do valor bruto das notas fiscais ou das faturas previstas no inciso I do art. 456 em debate pelo CUB vigente na data da emissão desses documentos e multiplicados pelo CUB vigente na data da aferição, seja igual ou superior a quarenta por cento do CGO, calculado conforme o art. 442 da Instrução Normativa em foco, observado o enquadramento no tipo 11 (alvenaria). Nessa perspectiva, não havido sido eficientemente demonstrado o atendimento cumulativo de ambas as condições fincadas nos incisos I e II do art. 456 da IN SRP nº 3/2005, não há como atender ao pedido formulado pelo Recorrente. 3.2. DA CONVERSÃO EM ÁREA REGULARIZADA Pondera o Recorrente que a fiscalização não converteu em área regularizada a remuneração correspondente a 5% do valor de aquisição de concreto usinado, massa asfáltica e argamassa usinada, em atenção aos artigos 448 da IN SRP/MPS n° 3/2005. Não procede. Com efeito, estatui o art. 448 da IN SRP nº 3/2005 que será aproveitada para fins de redução da remuneração de mão de obra total a remuneração correspondente a 5% do valor da nota fiscal ou fatura de aquisição de concreto usinado, de massa asfáltica ou de argamassa usinada, utilizados inequivocamente na obra. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 448. Será, ainda, aproveitada para fins de dedução da RMT, a remuneração: (Redação dada pela IN RFB nº 774, de 29/08/2007) (Vide art. 2º da IN RFB nº 774/2007) I contida em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária; Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 36 II obtida com o resultado da divisão do valor da contribuição recolhida pelo contratante, incidente sobre o valor pago a cooperativa de trabalho, cuja nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços esteja vinculado inequivocamente à obra, por zero vírgula trezentos e sessenta e oito; III correspondente a cinco por cento do valor da nota fiscal ou fatura de aquisição de concreto usinado, de massa asfáltica ou de argamassa usinada, utilizados inequivocamente na obra, independentemente de apresentação do comprovante de recolhimento das contribuições sociais. Parágrafo único. O disposto no inciso III do caput não se aplica à argamassa em pó adquirida para preparo na obra. Conforme informado no item 59 do Relatório Fiscal, foram considerados como Salário de Contribuição já recolhido e área regularizada o percentual de 5% das notas fiscais de concreto usinado a fls. 172/177. Quanto à massa asfáltica e argamassa usinada, apesar de alegado pelo Recorrente, não logramos encontrar nos autos qualquer documento que demonstre, de forma inequívoca, como assim determina a legislação previdenciária, que tais insumos tenham sido utilizados na obra. No que pertine aos serviços de terraplanagem, cabe relembrar que o arbitramento da base de cálculo foi levado a efeito com base na área construída e no padrão da obra, e não com fundamento no valor dos serviços. Reiteramos, de modo a afastar qualquer turbidez de visão, que os serviços de construção civil, isoladamente considerados, não integram o procedimento de aferição indireta com base na área construída e no padrão da obra, o qual cingese aos contornos fixados nos artigos 430 a 471 da IN SRP nº 3/2005. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 429. A aferição indireta da remuneração dos segurados despendida em obra de construção civil sob responsabilidade de pessoa jurídica ou de pessoa física, com base na área construída e no padrão da obra, será efetuada de acordo com os procedimentos estabelecidos no Capítulo IV deste Título. Art. 605. Na prestação dos serviços de construção civil abaixo relacionados, havendo ou não previsão contratual de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços não poderá ser inferior ao percentual, respectivamente estabelecido para cada um desses serviços, aplicado sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. I pavimentação asfáltica: quatro por cento; II terraplenagem, aterro sanitário e dragagem: seis por cento; III obras de arte (pontes ou viadutos): dezoito por cento; IV drenagem: vinte por cento; V demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto manuais, desde que inerentes à prestação dos serviços: quatorze por cento. Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.716 37 Parágrafo único. Quando na mesma nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços constar a execução de mais de um dos serviços relacionados nos incisos do caput e não houver discriminação individual do valor de cada serviço, deverá ser aplicado o percentual correspondente a cada tipo de serviço conforme disposto em contrato, ou o percentual maior, se o contrato não permitir identificar o valor de cada serviço. 3.3. DO VALOR DO CUB Sustenta o contribuinte que a autuação previdenciária foi consolidada em agosto de 2007 e que o índice divulgado pelo Sindicato da Construção para área residencial era de R$ 778,39 naquele mês, mas foi utilizado o valor R$ 827,26. Razão não lhe assiste. De acordo com o informado pela Autoridade Lançadora em sua informação fiscal a fl. 1.670, para o arbitramento da remuneração houvese por utilizado o valor do Custo Unitário Básico referente à competência maio/2007, para o padrão alto, com 03 ou mais quartos, e mais de 20 pavimentos, divulgada pelo Sinduscon/GO, conforme tabelas a fls. 1.665/1668, as quais apontam para o valor de R$ 827,26 na competência maio/2007. O Recorrente alega que o valor correto seria de R$ 778,39, porém não fez coligir aos autos qualquer indício de prova material que de o Custo Unitário Básico na localidade da obra, no padrão indicado, correspondesse a tal valor. Configurandose a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito como um documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do conteúdo. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em sentido contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Recorrente, o qual não logrou afastar a fidedignidade do teor da NFLD em debate. Assim, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Como é cediço, alegar sem nada provar equivale ao nada alegar. 3.4. DA TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO Pondera o Recorrente que a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, está desobrigada à apresentação da escrituração contábil. Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 38 O Recorrente está corretíssimo. A pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, encontrase dispensada da escrituração contábil, desde que mantenha, porém, a escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário, a teor do art. 225, §16 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) §16. São desobrigadas de apresentação de escrituração contábil: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) I O pequeno comerciante, nas condições estabelecidas pelo Decretolei nº 486, de 3 de março de 1969, e seu Regulamento; II A pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, desde que mantenha a escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário; III A pessoa jurídica que optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, desde que mantenha escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário. Ocorre, todavia, que o art. 45 da Lei nº 8.981/95 dispõe que, mesmo a pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deve manter, além do Livro Registro de Inventário, escrituração contábil nos termos da legislação comercial, salvo se mantiver o livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Lei nº 8.981/95 Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Configurandose, portanto, a não escrituração contábil do Livro Diário como uma faculdade da empresa optante pelo regime do lucro presumido, caso esta não se cline a tal Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.717 39 opção, permanecerá obrigada à escrituração contábil nos termos da legislação comercial, para todos os fins e efeitos, como é o caso do Recorrente. 3.5. DA APLICAÇÃO DE MULTA DE MORA COM EFEITO DE CONFISCO Argumenta o Recorrente que o valor imposto à empresa como penalidade possui caráter excessivo e confiscatório. O clamor do Recorrente não merece acolhida. Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 40 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.718 41 vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Conforme articulado, escapa da competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilhando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 42 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Igualmente, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa aplicada nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.6. DA PRODUÇÃO ULTERIOR DE PROVAS E DA PERÍCIA Sustenta a empresa que, dado o volume de documentos envolvidos, foram juntados documentos a título de amostragem à sua Impugnação, os quais indicam as bases imponíveis bases de cálculo das contribuições sociais já recolhidas. Aduz que a juntada de todo o período certamente inviabilizaria o apensamento aos autos, razão pela qual pugna pela realização de diligência e de perícia. A alegação não reúne condições de ser atendida. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina da matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.719 43 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 44 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo fiscal. Tem sim, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a sua apresentação em momento outro – futuro – caso restem caracterizadas as hipóteses autorizadoras excepcionais previstas no §5º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse contexto, não logrando o Recorrente comprovar efetivamente a ocorrência de qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no aludido §5º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, a autorização de juntada de novas provas ou a apreciação de documentos juntados em fase posterior à impugnação representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência à Legislação tributária, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Não tem fundamento o argumento de que a juntada de todo o período certamente inviabilizaria o apensamento aos autos. Ora, sendo as alegações de defesa oferecidas pelos devedores solidários, tanto em sede de impugnação administrativa quanto em grau de Recurso Voluntário, exatamente idênticas em seus fundamentos e oferecidas pelo mesmo causídico, poderiam muito bem ter sido oferecidas conjuntamente, em documento único, circunstância que abriria “espaço” para a juntada do conjunto integral das provas. Por outro viés, o Processo Administrativo Fiscal não limita o volume das provas a serem acostadas pelo impugnando. Exige, sim, que sejam todas, sob pena de preclusão. Quanto à perícia pretendida, cumpre iluminar ao Recorrente que a prova pericial tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos. Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.720 45 Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de assentamentos registrados em documentos e/ou na escrita fiscal do sujeito passivo, cujo teor já é do conhecimento da autoridade lançadora na ocasião da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da autoridade julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Nesse contexto, simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal do contribuinte desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade são tidos, via de regra, como meramente protelatórios. No caso dos autos, a realização de perícia revelase desnecessária pois em nada ira contribuir para o deslinde da questão, eis que o Processo Administrativo Fiscal em julgamento encontra devidamente instruído com todos os elementos necessários e suficientes para a prolação da decisão de mérito. 3.7. DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS Pondera o Recorrente que a decisão recorrida não enfrentou todas as alegações de defesa e, em alguns casos, que o Acórdão recorrido não teria analisado satisfatoriamente os argumentos de defesa. De início, não se mostra verborrágico enfatizar que, consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu no caso presente. Por outro viés, a leitura das razões de fato e de direito dispostas no processo não se presta a satisfazer a tese defendida pelo contribuinte ou pela sua ótica, tampouco àquelas esposadas pelo Fisco, sendo imperioso, outrossim, que o julgador se atenha à mens lege, tão somente. Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 46 Nesse sentido: O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os argumentos elencados pela parte ora agravante, mas apenas decidir as questões postas. Portanto, ainda que não tenha se referido expressamente a todas as teses de defesa, as matérias que foram devolvidas à apreciação da Corte a quo estão devidamente apreciadas. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Ressaltese, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: "Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no REsp nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010). Ou ainda: "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados " (REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídos da responsabilidade solidária as pessoas físicas Dener Álvares Justino, Adriano Alvares Justino, Cleuner Teixeira de Souza, Ana Celia Carvalho de Barros Amorim, Elbio Moreira, Bento Odilon Moreira Filho e Wanderley Borges de Melo, nos termos consignados no item 2.2 supra. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.011270/200718 Acórdão n.º 230201.802 S2C3T2 Fl. 1.721 47 Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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