Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10384.722701/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008
ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, por cerceamento de defesa quando o mesmo regularmente cientifica o sujeito passivo, sendo-lhe concedido prazo para sua manifestação e quando o Auto se utiliza de documento idôneo e oficial, fornecido pela Fonte Pagadora, bem como os demais elementos oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO.
Comprovado por documento fornecido pela própria Fonte Pagadora, no qual há comprovação de que o Contribuinte recebeu, durante o período apurado, diversos valores que acresceram ao seu patrimônio, tratando-se de rendimentos tributáveis, sem o devido recolhimento de imposto de renda, constata-se a ocorrência do fato gerador, sendo devido o lançamento do tributo.
IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. RENDIMENTO RECEBIDO COM HABITUALIDADE E NÃO INDENIZATÓRIO. IMPOSTO DEVIDO.
São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens percebidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. Os valores recebidos pelo Contribuinte sob as rubricas vantagem pessoal; diferença de gratificação de desempenho; diferença de Jeton do Colégio; gratificação de função e abono de férias", ou seja, independentemente da rubrica sobre a qual tais valores foram pagos ao Contribuinte, tais valores ensejam incidência de imposto de renda, sendo devida a cobrança.
DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTES. RESPONSABILIDADE PELO PREENCHIMENTO DO CONTRIBUINTE.
Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
Independente do fato de o Contribuinte ter utilizado documento errôneo fornecido pela Fonte Pagadora, é incumbência do Contribuinte o correto preenchimento da Declaração Anual de Ajustes.
Numero da decisão: 2301-005.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, não reconhecer a decadência do crédito tributário e, nas demais questões, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Antônio Sávio Nastureles e Marcelo Freitas de Souza.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, por cerceamento de defesa quando o mesmo regularmente cientifica o sujeito passivo, sendo-lhe concedido prazo para sua manifestação e quando o Auto se utiliza de documento idôneo e oficial, fornecido pela Fonte Pagadora, bem como os demais elementos oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Comprovado por documento fornecido pela própria Fonte Pagadora, no qual há comprovação de que o Contribuinte recebeu, durante o período apurado, diversos valores que acresceram ao seu patrimônio, tratando-se de rendimentos tributáveis, sem o devido recolhimento de imposto de renda, constata-se a ocorrência do fato gerador, sendo devido o lançamento do tributo. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. RENDIMENTO RECEBIDO COM HABITUALIDADE E NÃO INDENIZATÓRIO. IMPOSTO DEVIDO. São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens percebidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. Os valores recebidos pelo Contribuinte sob as rubricas vantagem pessoal; diferença de gratificação de desempenho; diferença de Jeton do Colégio; gratificação de função e abono de férias", ou seja, independentemente da rubrica sobre a qual tais valores foram pagos ao Contribuinte, tais valores ensejam incidência de imposto de renda, sendo devida a cobrança. DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTES. RESPONSABILIDADE PELO PREENCHIMENTO DO CONTRIBUINTE. Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Independente do fato de o Contribuinte ter utilizado documento errôneo fornecido pela Fonte Pagadora, é incumbência do Contribuinte o correto preenchimento da Declaração Anual de Ajustes.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10384.722701/2011-51
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5926137
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-005.655
nome_arquivo_s : Decisao_10384722701201151.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
nome_arquivo_pdf_s : 10384722701201151_5926137.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, não reconhecer a decadência do crédito tributário e, nas demais questões, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Antônio Sávio Nastureles e Marcelo Freitas de Souza.
dt_sessao_tdt : Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
id : 7511252
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148676497408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2167; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 171 1 170 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.722701/201151 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.655 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de setembro de 2018 Matéria Omissão Imposto de Renda Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica com Vínculo Empregatício Recorrente EMIR MARTINS FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, por cerceamento de defesa quando o mesmo regularmente cientifica o sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação e quando o Auto se utiliza de documento idôneo e oficial, fornecido pela Fonte Pagadora, bem como os demais elementos oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Comprovado por documento fornecido pela própria Fonte Pagadora, no qual há comprovação de que o Contribuinte recebeu, durante o período apurado, diversos valores que acresceram ao seu patrimônio, tratandose de rendimentos tributáveis, sem o devido recolhimento de imposto de renda, constatase a ocorrência do fato gerador, sendo devido o lançamento do tributo. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. RENDIMENTO RECEBIDO COM HABITUALIDADE E NÃO INDENIZATÓRIO. IMPOSTO DEVIDO. São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens percebidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. Os valores recebidos pelo Contribuinte sob as rubricas “vantagem pessoal”; “diferença de gratificação de desempenho”; “diferença de Jeton do Colégio”; “gratificação de função” e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 27 01 /2 01 1- 51 Fl. 171DF CARF MF 2 “abono de férias", ou seja, independentemente da rubrica sobre a qual tais valores foram pagos ao Contribuinte, tais valores ensejam incidência de imposto de renda, sendo devida a cobrança. DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTES. RESPONSABILIDADE PELO PREENCHIMENTO DO CONTRIBUINTE. Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Independente do fato de o Contribuinte ter utilizado documento errôneo fornecido pela Fonte Pagadora, é incumbência do Contribuinte o correto preenchimento da Declaração Anual de Ajustes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, não reconhecer a decadência do crédito tributário e, nas demais questões, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Antônio Sávio Nastureles e Marcelo Freitas de Souza. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte nas fls. 148/166, contra a decisão proferida pela 4ª DRJ/CTA, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendose em parte o crédito lançamento, conforme fundamentação do Acórdão da Impugnação de nº 0653.090, proferido em 14 de julho de 2015 (fls. 136/144), cuja Ementa: Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10384.722701/201151 Acórdão n.º 2301005.655 S2C3T1 Fl. 172 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2007, 2008 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não são normas gerais, razão pela qual seus julgados ficam restritos à ocorrência objeto da decisão. DECADÊNCIA. IRPF. FATO GERADOR. O imposto de Renda da Pessoa Física regese pelo regime de caixa, assim, contagem do prazo decadencial só se inicia a partir da ocorrência do fato gerador que se efetiva no final do ano calendário da percepção dos rendimentos. NULIDADES. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas na legislação vigente. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. FALHAS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE. A falta de entrega ao contribuinte do comprovante de rendimentos ou a inclusão nesse documento de informação equivocada não o exime da obrigação de tributar, na declaração de ajuste anual, os rendimentos por ele auferidos, nem transfere o polo passivo da obrigação tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Conforme consta do Auto de Infração (fls. 3/18), lançado em 14/11/2011, o Contribuinte teve contra si lançado o crédito tributário no valor de R$184.818,83 (R$84.885,47 de imposto; R$36.269,26 de juros de mora; e R$63.664,10 de multa – 75%), por omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas com vínculo empregatício. Segundo consta dos autos, ao contribuinte foi dado Termo de Início do Procedimento Fiscal, lavrado em 03/11/2011, o qual solicitou a apresentação, pelo contribuinte, dos originais/cópias autenticadas dos comprovantes de rendimentos tributáveis recebidos nos anoscalendários de 2006 e 2007 da Fonte Pagadora Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Piauí e extratos bancários do mesmo, no ano calendário de 2008 (fls. 20/22). A resposta do contribuinte foi no sentido de recusa a apresentação dos documentos por violar seu direito constitucional de sigilo bancário (fl. 23). A solicitação da Autoridade Fiscal se baseou nas provas enviadas pelo próprio Ministério Público do Estado do Piauí, constante no processo investigativo de n. 00.00.000.000884/200668 realizado pela Comissão de Auditoria (nomeada pela Portaria n. Fl. 173DF CARF MF 4 CNMP/CONS/FQ 001/2009, que foram enviados à Receita Federal do Brasil para análise e propositura dos procedimentos cabíveis, visto que tais documentos indicavam que houveram pagamentos de verbas diversas a procuradores, promotores e outros servidores, sem que estas verbas fosse devidamente tributadas na fonte, nem incluídas em DIRF. No documento SPHIS2 fornecido pelo Ministério Público (fls. 33/58), constam dos lançamentos dos holerites de todos os pagamentos feitos aos membros e servidores durante junho de 2004 a setembro de 2008, sendo que, ao se comparar tais valores aos valores dispostos na DIRF enviada à Receita Federal (fls. 59/60), houve omissão de rendimentos nos anos calendários de 2006 e 2007, sendo apresentado quadro comparativo dos valores nas fls. 27/31. Novamente intimado para se manifestar sobre o quadro comparativo das fls. 27/31 supramencionado, o Contribuinte alega nas fls. 61/62 sua discordância aos fatos apresentados, visto que os números expostos não condizem com a realidade, que a investigação no âmbito do Conselho Nacional do Ministério Público foi baseada em documentos roubados, falsificados e forjados, visando apurar recebimento de valores não devidos ou não informados a receita; que as planilhas do Conselho não refletem os dados concretos e verdadeiros, que os dados se revestem de natureza ilegal, que todos os processos administrativos foram arquivados por inexistência de provas; e que, confrontando as informações da DAA apresentada pelo Contribuinte com as informações existentes no MPE, visualizase que os valores são equivalentes e, portanto, verdadeiros. Nas fls. 63/74 consta da Declaração de Ajuste Anual completa do exercício de 2007 e 2008. Segundo a Autoridade Fiscal, justificase a autuação, visto que houve a omissão, por parte do Contribuinte, de recebimento da quantia de R$153.973,80 no ano de 2006 e de R$154.700,60 no ano de 2007, valores estes recebidos pelo contribuinte sob as rubricas “vantagem pessoal”; “diferença de gratificação de desempenho”; “diferença de Jeton do Colégio”; “gratificação de função” e “abono de férias”, valores indicados na planilha de fls. 14/18, não tributados inteiramente pelo Ministério Público do Estado do Piauí na fonte, não incluídos nos comprovantes anuais de rendimentos. Nas fls. 80/97 o Contribuinte apresentou Impugnação, pugnando: 1. Erro no procedimento – informações e esclarecimentos deveria ser requerido junto à Fonte Pagadora e não ao Contribuinte, violando a ampla defesa, sendo nulo o lançamento; 2. Não há prova de aferimento de renda a ensejar a exigência fiscal, não confirmou a origem dos documentos que ensejaram o lançamento, que a autoridade fiscal tem acesso ao arquivo digital e o sistema e deveria ter trazido aos autos documentos que comprovam o aferimento da renda; 3. Que os documentos fornecidos pelo MPE são ilegais e violam a garantia constitucional, por serem provas ilícitas; 4. Que o crédito a ser exigido da fonte pagadora é de responsabilidade da fonte pagadora e não do Contribuinte; 5. Decadência do crédito fiscal oriundo do exercício de 2006. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10384.722701/201151 Acórdão n.º 2301005.655 S2C3T1 Fl. 173 5 Nas fls. 136/144 consta do Acórdão da Impugnação, que julgou parcialmente procedente a impugnação, mantendose em parte crédito tributário, considerando decaído o imposto suplementar relativo ao ano calendário de 2006 no valor de R$42.342,80 e mantendo o imposto suplementar, relativo ao ano calendário de 2007, no valor de R$ 42.542,67, a ser acrescido da multa de ofício de 75% e demais encargos legais, visto que: 1. Quanto à alegação do impugnante em relação ao posicionamento dos Tribunais Superiores, necessário se faz esclarecer que as decisões judiciais e administrativas por ele mencionadas não possuem poder vinculante para a Administração Tributária, visto que esta não tem competência para deixar de observar a norma legal expressa, devendo aplicála ainda que existam decisões em contrário; 2. Em se tratando de lançamento por homologação, de acordo com o § 4º do art. 150 do CTN, o termo inicial do prazo de decadência é a data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária respectiva, ou seja, em 31 de dezembro do respectivo ano. Concluise, então, que no Imposto de Renda Pessoa Física, que é tributo sujeito ao lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador e como se trata do exercício de 2007, anocalendário de 2006, o fato gerador da obrigação tributária e termo inicial da contagem do prazo decadencial é 31/12/2006, ocorrendo a extinção do crédito tributário pela decadência em 01/01/2012. O Auto de Infração foi lavrado em 14/12/2011, mas a ciência do contribuinte ocorreu apenas em 05/01/2012, considerase decaído o direito; 3. Sobre a preliminar de nulidade diante que a fonte pagadora é que deveria ter sido chamada a dar explicações a respeito das divergências entre os valores constantes da planilha de pagamentos do MPE/PI e os constantes na DAA do contribuinte, não há como lhe reconhecer razão, visto que os valores utilizados pela autoridade tributária quando do lançamento foram fornecidos pela própria fonte pagadora do contribuinte (MPE/PI), não havendo razoabilidade na solicitação de novas informações ou explicações a respeito dos procedimentos por ela adotados, sendo que o auditor fiscal que lavrou o Auto de Infração é pessoa perfeitamente competente para o ato e que foram concedidas ao contribuinte todas as oportunidade de exercer plenamente sua defesa e trazer argumentações, justificativas e provas ao presente processo. Ressaltese, ainda, que o contribuinte exerceu plenamente suas prerrogativas, manifestandose inclusive previamente ao início da fase litigiosa do processo; 4. Sobre a omissão de rendimentos, esta se deveu diante da discrepância de valores entre a documentação fornecida à RFB pela fonte pagadora do contribuinte e os efetivamente por ele declarados em sua DAA, sendo que o Auto foi lançado com base nas informações prestadas pelo próprio Ministério Público do Estado do Piauí, em Ofício datado de 23/08/2011 e assinado pela ProcuradoraGeral de Justiça, Sra Zélia Saraiva Lima (fl. 33), não havendo como desconsiderar a veracidade Fl. 175DF CARF MF 6 das informações prestadas de forma oficial a não ser que tivessem sido trazidas aos autos provas suficientemente robustas capazes de contrariar as informações ali constantes, não havendo como se acatar as alegações do contribuinte de que o lançamento foi efetuado com base em documentos inautênticos; 5. Sobre a licitude das provas, não há violação de sigilo em relação à divulgação dos recebimentos de servidor público, uma vez que a remuneração destes agentes constitui informação de interesse coletivo, sendo que não houve violação de sigilo bancário, tendo em vista que a RFB não obteve acesso aos dados bancários do contribuinte e, tão somente, às informações relativas aos rendimentos do mesmo, enquanto servidor público, sendo que as provas que embasaram a elaboração do ato foram oriundas do próprio Ministério Público do Estado do Piauí, encaminhados à RFB após solicitação da mesma, através do ofício n°148/2001 DRF/TSA/SAFIS. Desta forma, reputamse lícitas e válidas as informações constantes nos documentos de fls. 33/58 (espelhos dos contracheques do contribuinte), não havendo razão para se considerar inexistente o crédito fiscal, conforme requerido na impugnação. 6. Com relação a afirmação de que os valores constantes do Auto de Infração, em sua integralidade, deveriam ser exigidos da fonte pagadora, tendo em vista que dela seria a responsabilidade pelas informações prestadas erroneamente e pelo imposto de renda não devidamente retido, verificase que tal argumento não possui eficácia jurídica no sentido de afastar a responsabilidade do contribuinte em declarar os referidos rendimentos, visto que sua obrigação de declarar todos os rendimentos percebidos remanesce mesmo quando a fonte pagadora não cumpre a sua obrigação acessória de fornecimento dos comprovantes de rendimentos mensais e anuais; Nas fls. 148/166 consta do Recurso Voluntário, no qual, o Contribuinte pugna pela: 1. Erro no procedimento e nulidade do auto – informações e esclarecimentos a serem requeridos da fonte pagadora e não do contribuinte, sendo indevida a imposição, sendo que nos termos do Art. 842 do RIR/99 deveria a Fonte Pagadora reter o valor de IRPF, cabendo a mesma o ônus pelo recolhimento, havendo violação a ampla defesa e, nos termos do art. 59, II do Decreto 70.235/72, são nulas as decisões com preterição do direito de defesa; 2. Que não há prova de aferimento de renda a ensejar a exigência fiscal, que as provas trazidas são documentos eletrônicos encontrados nos computadores da fonte pagadora e alimentados por pessoas com identidade não conhecida, que o auditor não diligenciou para comprovar a sua veracidade, desrespeitando os Art. 21 e 22 do Decreto 7.574/11, visto que o Autor fiscal deveria ter procedido o exame correto do caso; 3. Que os documentos fornecidos pelo MPE são frutos de violação à garantia constitucional de respeito à intimidade e à vida privada, que a Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10384.722701/201151 Acórdão n.º 2301005.655 S2C3T1 Fl. 174 7 investigação não tinha poderes para devassar o sigilo bancário do Contribuinte, que as provas são ilícitas, desrespeitando o art. 24, §único do Dec. 7.574/11; 4. Que o credito a ser exigido é de responsabilidade integral da fonte pagadora. Este é o resumo dos atos ocorridos no presente processo; Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Conforme constatase nas fls. 147 o Contribuinte foi intimado por AR/MP em 20/07/2015 e apresenta seu Recurso Voluntário em 19/08/2015, sendo, portanto, tempestivo o mesmo. Diante disso, conheço do Recurso e passo à análise de seu mérito. Mérito Tratase de lançamento de ofício realizado pela autoridade fiscal, diante da informação prestada pela Fonte Pagadora de que o Contribuinte foi beneficiário de diversos pagamentos efetuados pela própria Fonte Pagadora, os quais não tiveram recolhidos o Imposto de Renda retido na fonte. Primeiramente, com relação aos julgados colacionados pelo Contribuinte e a Jurisprudência trazida pelo mesmo em suas razões recursais, essas decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, não constituem normas complementares do Direito Tributário, a menos que haja lei que atribua eficácia normativa a estas decisões. Portanto, não podem ser estendidas genericamente a todos os casos, sendo somente aplicado às questões e às partes envolvidas naqueles litígios, nos termos do inciso II do art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; Portanto, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação, a eficácia dos acórdãos dos tribunais limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a sentença, não aproveitando esses acórdãos em Fl. 177DF CARF MF 8 relação a qualquer outra ocorrência senão aquela do objeto da sentença, ainda que de idêntica natureza. Verificase que a extensão dos efeitos de decisões judiciais possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e que tal decisão se refira especificamente à inconstitucionalidade da lei, do tratado ou do ato normativo federal que esteja em litígio. Não é o caso do Contribuinte. Os julgados trazidos dizem respeito apenas às partes do processo. O presente órgão é administrativo e deve respeitar ao princípio da legalidade, aplicandose a legislação, ainda que existam decisões contrárias. Dito isso, passase à análise da preliminar de nulidade do auto de infração por haver suposto erro no procedimento, visto que as informações e esclarecimentos a serem requeridos da fonte pagadora e não do contribuinte, sendo indevida a imposição, sendo que nos termos do Art. 842 do RIR/99 deveria a Fonte Pagadora reter o valor de IRPF, cabendo a mesma o ônus pelo recolhimento, havendo violação a ampla defesa e, nos termos do art. 59, II do Decreto 70.235/72, são nulas as decisões com preterição do direito de defesa. Com relação à nulidade aduzida, determina a legislação (Decreto nº 70.235, de 1972): Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Verificase que, no presente caso, não ocorreu quaisquer dos incisos do artigo 10 que ensejassem a nulidade do auto de infração, ou do artigo 59 que ensejassem a nulidade do procedimento. O auto foi lavrado por servidor competente, havendo a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugná la no prazo legal, a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula, houve o correto respeito ao direito de defesa. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10384.722701/201151 Acórdão n.º 2301005.655 S2C3T1 Fl. 175 9 O Auto teve por base o documento SPHIS2 fornecido pelo Ministério Público (fls. 33/58), o qual consta dos lançamentos dos holerites de todos os pagamentos feitos aos membros e servidores de junho de 2004 a setembro de 2008, sendo que, ao se comparar tais valores aos valores dispostos na DIRF enviada à Receita Federal (fls. 59/60), constatouse a omissão de rendimentos nos anos calendários de 2006 e 2007, sendo apresentado quadro comparativo dos valores declarados pelo Contribuinte e recebidos pela Fonte Pagadora nas fls. 27/31. Este documento é prova idônea oriunda do próprio Ministério Público, cuja veracidade está atestada pela assinatura ProcuradoraGeral de Justiça, Sra. Zélia Saraiva Lima (fl. 33). Não há como se desconsiderar a veracidade das informações prestadas de forma oficial. A Autoridade Fiscal possibilitou ao Contribuinte por 03 vezes trazer documentos idôneos que comprovasse a inveracidade destes documentos, capazes de contrariar as informações ali constantes. Em todas as vezes o Contribuinte se calou, alegando o direito constitucional de não fazer prova contra si mesmo. Portanto, houve cumprimento ao devido processo legal, sendo oportunizado ao Contribuinte o direito de ampla defesa. Não se vislumbra a nulidade do auto de infração, sendo hígido, indeferindo a preliminar arguida. Com relação à alegação de que não há prova de aferimento de renda a ensejar a exigência fiscal, que as provas trazidas são documentos eletrônicos encontrados nos computadores da fonte pagadora e alimentados por pessoas com identidade não conhecida, que o auditor não diligenciou para comprovar a sua veracidade, desrespeitando os Art. 21 e 22 do Decreto 7.574/11, visto que o Autor fiscal deveria ter procedido o exame correto do caso, novamente, constatase que não merece provimento o alegado pelo mesmo. Assim como não merece provimento a alegação de que os documentos fornecidos pelo MPE são frutos de violação à garantia constitucional de respeito à intimidade e à vida privada, que a investigação não tinha poderes para devassar o sigilo bancário do Contribuinte, que as provas são ilícitas, desrespeitando o art. 24, §único do Dec. 7.574/11. Os documentos fornecidos pelo Ministério Público do Estado do Piauí, em Ofício datado de 23/08/2011 e assinado pela ProcuradoraGeral de Justiça, Sra Zélia Saraiva Lima (fl. 33), que instruíram a fiscalização, são documentos oficiais, cuja veracidade somente poderá ser revista por provas contundentes, capazes de invalidar a oficialidade e a veracidade dos mesmos. Não se tratam de documentos particulares, mas sim, públicos, sendo documentos oriundos de um órgão do poder público (instituição) respaldada que é o Ministério Público. Detém presunção de veracidade, sendo lançado ao contribuinte seu ônus de comprovar a inveracidade do documento que lhe imputa o recebimento de rendimentos. O contribuinte, em contrapartida, poderia trazer os extratos bancários, os quais demonstrariam a inveracidade do documento do MPE, mas se manteve silente. Ante ao exposto, o Contribuinte, ao invés de trazer aos autos comprovação do contrário ora lhe imputado, que invalidaria a prova fornecida à Autoridade Fiscal pela própria Fonte Pagadora, que detém presunção de veracidade, continuou a apenas alegar a invalidade da prova. Fl. 179DF CARF MF 10 Houve a concreta disposição da ampla defesa e do contraditório à Contribuinte, entretanto, limitouse, em sua defesa, a fazer alegações sem provas. Alegar e não comprovar é o mesmo que não alegar. Ademais, não houve violação de sigilo bancário, tendo em vista que a RFB não obteve acesso aos dados bancários do contribuinte e, tão somente, às informações relativas aos rendimentos do mesmo, enquanto servidor público, fornecido pela própria Fonte Pagadora. Portanto, as provas que embasaram a elaboração do ato foram oriundas do próprio Ministério Público do Estado do Piauí, encaminhados à RFB após solicitação da mesma, através do ofício n°148/2001 DRF/TSA/SAFIS, sendo lícitas e válidas as informações constantes nos documentos de fls. 33/58 (espelhos dos contracheques do contribuinte), não havendo razão para se considerar inexistente o crédito fiscal. Com relação à alegação de que o credito a ser exigido é de responsabilidade integral da fonte pagadora, não há previsão legislativa para a mudança da responsabilidade tributária, sendo que o Contribuinte tinha conhecimento do quanto recebeu de rendimentos de sua fonte pagadora durante o período apurado, sendo sua responsabilidade, no caso de esta última não reter o imposto de renda na fonte, efetuar o recolhimento quando da apresentação da DAA. Nestes termos, temse o entendimento sumulado deste Conselho: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Portanto, indefiro o pedido. Por fim, verificase que os valores recebidos pelo Contribuinte, individualizados na planilha de fls. 14/18, comprovados pelos holerites assinados pela Fonte Pagadora de fls. 33/58, comprovam que o Contribuinte recebeu valores sob as rubricas “vantagem pessoal”; “diferença de gratificação de desempenho”; “diferença de Jeton do Colégio”; “gratificação de função” e “abono de férias”. Segundo a Jurisprudência consolidada deste Conselho: IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS FÍSICAS — São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens percebidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. (Acórdão n°: 9202 002.451 – 08/11/2012) Portanto, tais valores representam no acréscimo da renda do Contribuinte, sendo rendimento auferido durante o período apurado. Portanto, independentemente da rubrica sobre a qual tais valores foram pagos ao Contribuinte, tais valores ensejam incidência de imposto de renda, sendo devida a cobrança. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10384.722701/201151 Acórdão n.º 2301005.655 S2C3T1 Fl. 176 11 Por esta razão considero constatada a ocorrência do Fato Gerador, sendo devida a cobrança do Imposto de Renda de Pessoa Física, mantendose hígido o crédito lançado e revisto na DRJ. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares, e no mérito, negar provimento, de forma a manter o crédito tributário lançado e revisto na DRJ. É como voto. (assinado digitalmente). Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003789/2006-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido.
Numero da decisão: 1001-000.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.003789/2006-11
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5922626
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.868
nome_arquivo_s : Decisao_10980003789200611.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDUARDO MORGADO RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10980003789200611_5922626.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7492328
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148686983168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1417; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.003789/200611 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.868 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 03 de outubro de 2018 Matéria Exclusão do Simples Recorrente ABC AUTOMAÇAO E MANUTENÇAO ELETROELETRONICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 37 89 /2 00 6- 11 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10980.003789/200611 Acórdão n.º 1001000.868 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 40 a 84) interposto contra o Acórdão nº 0621.675, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (fls. 104 a 112), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES FEDERAL. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnico científico próprio de profissional da engenharia ou tecnólogo, bem o que, a locação de mãodeobra são circunstâncias que impedem o ingresso ou a permanência no Simples Federal." Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Trata o presente processo de manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo n° 183, de 23/11/2006, de lavra do Delegado da Receita Federal em CuritibaPR, que excluiu o contribuinte do benefício do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002, ao argumento de que exerce atividades vedadas, nos termos do disposto na alínea “I” do inciso XII bem como o inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.3l7,de 1996, que rege a sistemática. A ação que culminou com a exclusão da contribuinte ao Simples teve origem em Representação Administrativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), por meio de sua gerência executiva em CuritibaPR. A referida representação foi instruída com os documentos de fls. 02 a 51. Inconformada, apresentou manifestação de inconformidade (fls.74/81), onde afirma que a fundamentação legal do ato declaratório que determinou sua exclusão ao Simples está equivocada uma vez que nos contratos de prestação de serviços inexiste a previsão de locação de mãodeobra; que é uma empresa prestadora de serviços, agindo com independência técnica e recebendo remuneração proporcional aos serviços prestados, sem exigência de continuidade ou sem disponibilizar determinada pessoa. Transcreve dispositivo lega que estabelece o conceito de locação de mãodeobra, bem como manifestação do Conselho de Contribuintes a respeito. Sustenta que os contratos são padrão, elaborados pelas tomadoras de serviços e que contém termos que geram interpretações equivocadas, como no presente caso. Se socorre do conteúdo do Parecer COSIT n° 69, de 10/11/1999 para afirmar que presta um trabalho específico que deve ser concluído em um prazo determinado e menciona Acórdão do TRF da 4” Região sobre prestação de serviços. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10980.003789/200611 Acórdão n.º 1001000.868 S1C0T1 Fl. 4 3 Em relação à vedação do inciso XIII do artigo 9°, entende que suas atividades não encontram guarida em nenhuma daquelas ali elencadas, nem na série de atividades que o fisco pretende lhe imputar, a qual classifica como imprecisa. Afirma que faz reparação, manutenção e conservação de aparelhos eletroeletrônicos e que tais serviços são desenvolvidos por profissional técnico em eletrônica; que nenhum se seus sócios é profissional de engenharia, razão pela qual a tipificação legal não estaria correta. Transcreve uma séria de Ementas proferidas pelo Judiciário e, mais adiante pretende se enquadrar no permissivo do artigo 4° da Lei 10.964, de 2004. Pede a anulação do ato que determinou sua exclusão ao Simples e o retorno ã situação anterior. Junta documento ao processo." O Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância na data de 13/05/2009, conforme declarou no AR de fls. 115. Somente em data de 16/06/2009 (conforme carimbo de protocolo) protocolou o presente Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Conforme se abstrai do relatório, a ora Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário 04 dia após o termo final do prazo de 30 dias legalmente estabelecido pelo art. 33 do Decreto 70.235/72. Desta forma, não tendo a Recorrente apresentado qualquer argumento que justifique este atraso, não resta outra possibilidade que não reconhecimento da intempestividade do recurso. Diante disto, VOTO pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10980.003789/200611 Acórdão n.º 1001000.868 S1C0T1 Fl. 5 4 Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.901532/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE
Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
Numero da decisão: 1301-003.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13005.901308/2009-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13005.901532/2009-12
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5928618
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-003.438
nome_arquivo_s : Decisao_13005901532200912.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 13005901532200912_5928618.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13005.901308/2009-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
id : 7518403
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148700614656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2373; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.901532/200912 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301003.438 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2018 Matéria CSLL PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Recorrente AGRO COMERCIAL AFUBRA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 15 32 /2 00 9- 12 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13005.901532/200912 Acórdão n.º 1301003.438 S1C3T1 Fl. 3 2 sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13005.901308/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da inexistência do crédito alegado para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o erro se deu basicamente na DComp, quando informou como origem do crédito Pagamento Indevido ou a Maior quando o correto seria Saldo Negativo de CSLL, assim, requereu que sua Dcomp fosse retificada ou autorizada sua retificação. O Acórdão recorrido entendeu que na data da transmissão das PerdComps o crédito não era líquido e certo, uma vez que as DCTFs não estavam retificadas, e todo o DARF alocado ao débito estava consumido, sem crédito algum. Ademais, que não possuía competência para autorizar retificação de DComp ou assim determinála de ofício, nem mesmo se manifestar a respeito do indeferimento de pedido de retificação decidido pela Delegacia, por sêla definitiva. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defendese com os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, ademais, destaquese planilhas de cálculo, LALUR e outros documentos. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13005.901532/200912 Acórdão n.º 1301003.438 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.432, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13005.901308/2009 12, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.432): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pago a maior, porém, conforme reconheceu, na realidade tratavase de Saldo Negativo. Segundo o Despacho Decisório, todo o DARF relacionado estava alocado para um débito, de tal forma que não restou nenhum crédito disponível a ser compensado, não homologando a compensação pleiteada. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que na data da transmissão da Perdcomp, o crédito não se encontrava líquido e certo, bem como faltou ao recorrente trazer a prova do indébito tributário. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de Saldo Negativo de IRPJ, porém, ao preencher a PerdComp para realizar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou Indevidamente, gerando a não homologação das respectivas compensações. Apresentou planilha de cálculo, LALUR e DIPJ em sede recursal. O ponto aqui é que a PerdComp apresentada pelo contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pelo recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que documentos sejam analisados a fim de analisar o efetivo erro e consequentemente seu direito de crédito. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13005.901532/200912 Acórdão n.º 1301003.438 S1C3T1 Fl. 5 4 Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de retificação da PerdComp apresentada. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720763/2011-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte ou reconhecido o crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 2001-000.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte ou reconhecido o crédito tributário lançado.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13161.720763/2011-31
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5924902
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.747
nome_arquivo_s : Decisao_13161720763201131.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 13161720763201131_5924902.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7506914
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148709003264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1570; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 78 1 77 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13161.720763/201131 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.747 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente MARIA VERONICA DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte ou reconhecido o crédito tributário lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 07 63 /2 01 1- 31 Fl. 78DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 640,49, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2009. A fundamentação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de não ter sido apresentada discriminação dos valores por beneficiários do plano de saúde. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de apresentação da discriminação dos valores por beneficiário do plano de saúde, como segue: Foi emitida, por Auditor Fiscal da DRF/Dourados MS, a Notificação de Lançamento de fls. 23/27, referente ao imposto de renda pessoa física do exercício 2010. Foi apurado imposto suplementar de R$ 640,49, mais multa de ofício e juros de mora. A Notificação de Lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual – DAA nº 01/26.216.163. Os dados declarados foram alterados em decorrência da seguinte infração: • Dedução Indevida de Despesas Médicas, no valor de R$ 4.887,66, por falta de discriminação dos valores por beneficiários do plano de saúde e recibo sem indicação do ano de emissão. Registrese que não foi contestada parte da dedução indevida de Despesas Médicas (R$ 1.000,00), por isso, conforme previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerase matéria não impugnada. A Unidade preparadora informa que o crédito tributário decorrente foi recolhido, fls. 36/37. (...) Sem razão o pedido para restabelecer as despesas com os planos de saúde Fundação Universidade Estadual e Unimed de Dourados, no montante de R$ 3.887,66. Na descrição dos fatos está anotado que a glosa com referidos planos de saúde foi motivada pela falta de discriminação dos valores por beneficiários (titular e dependente), conforme solicitação feita por meio do Termo de Intimação Fiscal constante da fl. 20. Permanecem as causas apontadas no parágrafo anterior. Os documentos de prova trazidos aos autos, fls. 10/11, não discriminam por beneficiários os gastos com plano de saúde, informação Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13161.720763/201131 Acórdão n.º 2001000.747 S2C0T1 Fl. 79 3 imprescindível para definir o valor que seria permitido deduzir da base de cálculo do imposto de renda, nos termos das exigências legais. Diante do exposto, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da Impugnação, o que resulta em manutenção do crédito tributário impugnado. A Unidade preparadora informa que foi recolhido o imposto suplementar relativo à matéria não impugnada, fls. 36/38. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 583,16, como imposto suplementar, mais acréscimos legais, em vista de ter sido recolhido o valor referente à parte não impugnada. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Vem respeitosamente a presença de Sra. Novamente CONTESTAR a decisão contida nos documentos acima e, IMPUGNAR o ACÓRDÃO 0306929 – 3. Turma da DRJ/BSB, de 29/04/2014, tendo em vista que: O valor R$ 3.887,66, deste, R$ 2.430,58 (Dois mil, quatrocentos e trinta reais, cinquenta e oito centavos), foram pagãos por mim titular, Cadastro n. 06220000031004, a título de Plano de Assistência Médica UNIMEDCNPJ N. 15.395.999/000192, ANO BASE 2009, conforme cópia da Declaração Comprobatória anexa: R$ 1.457,08 (Um mil, quatrocentos e cinquenta e sete reais, oito centavos), foram pagos por mim titular, a título de Plano de Assistência Médica e DespesasOdontoHospitalares, para CASSEMS convênio UEMS CNPJ N. 86.891.363/000180, descontados em folha de pagamento, conforme cópia do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte, Ano Base 2009, Prontuário n. 32575921, campo 06, Informações Complementares DESPESAS MÉDICASODONTOHOSPITALARES; Diante do exposto, solicita a revogação dos lançamentos efetuados por V. Sras. em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2.009, exercício 2.010 e Posterior lançamentos, bem como o cancelamento da cobrança do Demonstrativo de Débito – Intimação n. 128/2014; conforme os documentos apresentados. Segue anexo par subsídio: Cópia da Declaração comprobatória, referente aos pagamentos do Plano de Assistência Médica – UNIMED CNPJ 15.395.999/000192, ano base 2009 e, Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, ano Base 2009 – UEMS – CNPJ N. 86.891.363/000180. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Inexiste controvérsia quanto à glosa de parte das despesas médicas, reconhecida pela Recorrente, tendo inclusive recolhido o valor do tributo correspondente. Assim, a lide fica restrita a comprovação da identificação da Recorrente como beneficiária do plano de saúde. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13161.720763/201131 Acórdão n.º 2001000.747 S2C0T1 Fl. 80 5 V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da Fl. 82DF CARF MF 6 documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. CONCLUSÃO De considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. No presente caso, por ocasião da apresentação do recurso voluntário, a Recorrente fez juntar aos autos declaração da Caixa de Assistência dos Servidores do Estado do Mato Grosso do Sul, com afirmação de que a Contribuinte é a titular e beneficiária do plano de saúde e a ela se referem às contribuições. Assim que, verificase que a Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa médica realizada, correspondendo à comprovação do pagamento das contribuições, sua titularidade e beneficiária do plano de saúde. Por isso, a Contribuinte utilizou tal despesa como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas pagas a esse título. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas referente ao plano de saúde, cancelandose o crédito tributário na sua totalidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.902722/2015-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2013
PERDCOMP - CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF - LIQUIDEZ E CERTEZA - ÔNUS DO CONTRIBUINTE
O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1302-003.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10875.902721/2015-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2013 PERDCOMP - CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF - LIQUIDEZ E CERTEZA - ÔNUS DO CONTRIBUINTE O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10875.902722/2015-50
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5927228
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-003.108
nome_arquivo_s : Decisao_10875902722201550.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 10875902722201550_5927228.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10875.902721/2015-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7513085
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148723683328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1794; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.902722/201550 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.108 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2018 Matéria CSLL COMPENSAÇÃO CRÉDITO INEXISTENTE Recorrente SCR TRANSPORTES ARMAZENAGENS E LOGÍSTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2013 PERDCOMP CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF LIQUIDEZ E CERTEZA ÔNUS DO CONTRIBUINTE O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10875.902721/201513, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 27 22 /2 01 5- 50 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10875.902722/201550 Acórdão n.º 1302003.108 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação aviado pelo recorrente, objetivando o reconhecimento de um crédito decorrente de pretenso pagamento indevido concernente à CSLL, incorrido no anocalendário de 2013, pago, através de DARF específico, em três parcelas. Por meio de despacho decisório a DRF de Guarulhos houve por bem não homologar a citada compensação, fundamentando a sua decisão na inexistência de crédito em decorrência da vinculação de DARF à pagamento, sem qualquer sobra de crédito a compensação. Inconformado, o contribuinte manejou a sua manifestação de inconformidade, informando, de início, ter incorrido em erro no preenchimento da DCTF que teria originado o valor indevidamente pago, promovendo, em seguida, a sua retificação. Passo seguinte, traz longo arrazoado para justificar a possibilidade de se retificar a predita DCTF, mesmo após a prolação de despacho decisório, afirmando, outrossim, ter logrado demonstrar a origem e liquidez de seu direito creditório. Como argumento supletivo, sustentou que a Unidade de Origem não teria promovido a correta atualização do crédito pleiteado que, segundo entende, deveria ser corrigido pela variação da SELIC, acrescido de juros moratórios à ordem 1%, incidentes até a data da efetiva utilização do indébito em processo compensatório.Tendo em conta esta alegada irregularidade, conclui que o despacho decisório seria nulo. Juntou à sua peça de defesa, cópias do comprovante (DARF) de recolhimento da CSLL, das DCTF retificadoras e respectivos recibos de transmissão e da DIPJ/AC2013. Instada a analisar o caso, a DRJ de Recife/PE, houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mormente pela ausência de prova da liquidez e certeza. Após a ciência do acórdão acima, o contribuinte interpôs o seu recurso voluntário, por meio do qual reprisa os argumentos já despendidos em sua impugnação, à exceção de alegação nova concernente à inconstitucionalidade da multa isolada aplicada em razão de violação ao princípio do nãoconfisco. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10875.902722/201550 Acórdão n.º 1302003.108 S1C3T2 Fl. 4 3 1302003.107, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10875.902721/2015 13, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.107): "O recurso é tempestivo e dele conheço em parte. Isto porque, no que toca ao argumento novo trazido com as razões de insurgência já se teria operado a preclusão, à luz dos preceitos do art. 16, III, do Decreto 70.235/72. Considerandose, neste passo, que o recurso devolve apenas a matéria impugnada, por interpretação dos preceitos do art. 33 do citado diploma normativo, e com espeque na regra encartada no art. 1.013 do CPC (aplicado ao processo tributário administrativo de forma supletiva) e, tendo em conta que este argumento não foi suscitado em momento apropriado, não como dele tomar conhecimento, ao menos não nesta instância. I Da prejudicial aventada pelo recorrente. Me permitam aqui inverter a ordem de análise dos argumentos do recorrente para tratar da, aparente, alegação de nulidade do despacho decisório por não aplicar, a seu ver, corretamente os critérios de atualização do crédito oriundo de indébito tributário. Dizse aparentemente porque o contribuinte, efetivamente, diz que o despacho deveria ser considerado insubsistente, única parte do arrazoado apresentado que justificaria, até mesmo, o conhecimento desta matéria. Isto porque, o despacho decisório não promoveu a atualização do crédito pretendido, porque, simplesmente, não reconheceu a sua existência. A alegada nulidade, digase, justificarseia acaso a Unidade Origem tivesse reconhecido parcialmente o direito creditório em decorrência, exclusivamente, de erro de atualização, mas, insistase, este não é o caso. Não há iliquidez, nulidade, insubsitência no despacho por conta de uma alegação etérea e desconectada da realidade dos autos, de que não se teria observado as regras de atualização do crédito postulado, porque, reprisese, a DRF não homologou, em toda a sua extensão, o direito creditório do contribuinte. A DRJ até se deu ao trabalho de esclarecer como se opera a atualização do indébito tributário, justificando a inocorrência de incidência concomitante da incidência de juros de mora 1% e da variação da SELIC... permissa venia, era, pelo que expus acima, de todo desnecessária semelhante explicação, já que o pedido do contribuinte não tem qualquer lógica dentro da estrutura do processo. Assim, voto por afastar esta "prejudicial". Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10875.902722/201550 Acórdão n.º 1302003.108 S1C3T2 Fl. 5 4 II Do mérito. Quanto ao mérito, melhor sorte não aproveita ao contribuinte. Como se extrai do relatório acima, o recorrente, para justificar o pleito compensatório, apresenta, após a manifestação de inconformidade, DCTFs retificadoras, reduzindose o montante do débito a ser pago, ali descrito; não trouxe, todavia, nenhum documento, argumento, dica, sugestão sobre os motivos pelos quais teria incorrido no erro do preenchimento da DCTF original, fazendo com que o direito creditório surgisse espontaneamente. O problema é que, como a origem do crédito está jungida a estes exclusivamente ao citado erro de preenchimento da DCTF, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade (=impugnação), trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação se postulava. Essa, digase, é a mens legis do art. 170, caput, do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação, senão vejamos: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Os pressupostos, pois, do direito creditório a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Toda a alegação concernente à possibilidade de apresentar a DCTF retificadora após o despacho decisório é dispicienda; não me oponho, de forma alguma, à retificação de declarações ou documentos após o início de ação fiscal ou, mesmo, como no caso, após a prolação de despacho que não homologa compensações. Esta possibilidade está explicitada na legislação de regência e a única consequência de sua apresentação extemporânea seria o afastamento da aplicação dos preceitos do art. 138 do CTN. O problema é que não basta retificar a DCTF; por força mesmo do art 170 acima reproduzido, impõese ao contribuinte demonstrar, documentalmente (por meio de livros contábeis e fiscais) os motivos pelos quais teria incorrido em erro, demonstrando, outrossim, a correção dos novos valores informados. E, como já dito, o recorrente não se dignou, nem mesmo, a explicar qual seria, efetivamente, o erro incorrido Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10875.902722/201550 Acórdão n.º 1302003.108 S1C3T2 Fl. 6 5 quando do preenchimento da DCTF original, aliás, como bem pontuado pelo acórdão ora questionado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955520/2008-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-001.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência. Acordam, ainda, em rejeitar a preliminar de nuidade de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.955520/2008-11
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5940291
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-001.035
nome_arquivo_s : Decisao_10880955520200811.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10880955520200811_5940291.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência. Acordam, ainda, em rejeitar a preliminar de nuidade de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7551113
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148735217664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1701; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 160 1 159 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.955520/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.035 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 06 de dezembro de 2018 Matéria PERDCOMP Recorrente BROOKLIN PERFURAÇAO E FIXAÇAO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência. Acordam, ainda, em rejeitar a preliminar de nuidade de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 55 20 /2 00 8- 11 Fl. 160DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declarações de Compensação (PER/DCOMP) eletrônica n° 24380.87000.090107.l.7.034690 (efls. 10/29), transmitida em 09/01/2007, e a retificadora n° 29632.38945.220904.1.3.034006, cujas formalizações visaram declarar a compensação de estimativas mensais de CSLL com crédito proveniente de saldo negativo do mesmo tributo atinente ao anocalendário 1999. A respeito a Autoridade Tributária expediu Termo de Intimação Rastreamento n° 697696755, de 09/01/2007, cientificado por via postal em 15/12/2006 (efl. 08) e n° 654798182, de 07/12/2006, também com ciência postal em 11/10/2007 (efls. 09), através da qual antecipou ao contribuinte divergência entre o valor de saldo negativo e o somatório das parcelas consignadas para fins de demonstração da composição do crédito veiculado nas PER/DCOMP citadas. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório n° 808.284.906, de 24/11/2008 (efl. 02), tendo em vista a impossibilidade de confirmação da apuração do crédito, porquanto a importância informada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não encontrar correspondência com o montante do saldo negativo informado na declaração de compensação que integra o demonstrativo de crédito. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em que alegou que fez constar de maneira errônea somente o valor correspondente ao somatório dos importes dos débitos compensados nas respectivas declarações. A decisão de primeira instância (Acórdão 1626.475 7ª Turma da DRJ/SP1, efls. 79/89) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não apresentou as provas contábeis de seu alegado crédito de saldo negativo de IRPJ para o período de apuração anocalendário 1999; e que o interessado foi alertado e orientado a tomar as providências necessárias a sanear as eventuais irregularidades ligadas às divergências presentes entre as declarações transmitidas à RFB, consoante se observa pelo teor da intimação referida, porém, tal medida denotouse improfícua, porquanto o contribuinte manteve conduta de inércia quanto aos procedimentos a serem adotados no intuito de viabilizar a solução das dissonâncias certificadas pela autoridade administrativa. Asseverou aquela Decisão: No caso em apreço, o manifestante restringe o mérito da controvérsia no sentido de ratificar a existência da integralidade de saldo negativo de CSLL, nos moldes do importe consignado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), atinente à apuração da contribuição no encerramento do anocalendário de 1999, todavia, desprovido do pertinente conjunto probatório essencial para a fiel demonstração da origem, composição e disponibilidade contábil do pretenso crédito. (...) o interessado, subseqüentemente ao processamento eletrônico da DCOMP retificadora, havia sido novamente alertado e orientado a tomar as providências necessárias a sanear as eventuais irregularidades ligadas às divergências presentes entre as declarações transmitidas à RFB, consoante se observa pelo teor Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.955520/200811 Acórdão n.º 1001001.035 S1C0T1 Fl. 161 3 da Intimação N° Rastreamento n° 697.696.755, de 29/08/2007, cientificado por via postal em 10/09/2007 (fls. 3/5 e 7), porém, tal medida denotouse improficua, porquanto o contribuinte manteve conduta de inércia quanto aos procedimentos a serem adotados no intuito de viabilizar a solução das dissonâncias certificadas pela autoridade administrativa... Cientificada da decisão de primeira instância em 30/09/2010 (efl. 92), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 28/10/2010 (efl. 93), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e requer junção de provas contábeis; afirma que nunca foi intimado a apresentar provas e solicita a nulidade da decisão de primeira instância ou alternativamente a realização de diligência: em nenhum momento a Recorrente fora intimada a realizar a prova de sua formação, acarretando a absoluta nulidade da decisão administrativa que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, deixando de homologar a compensação realizada e declarada pelo contribuinte. (...) temos que houve evidente e inaceitável violação da garantia constitucional da ampla defesa e contraditório. (...) o art. 29, na Seção VI que trata do Julgamento em Primeira Instância, do mesmo Decreto n° 70.235/72 também estabelece a possibilidade da autoridade julgadora na apreciação da prova, determinar a realização das diligências necessárias, (...) Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório (concernente a saldo negativo de CSLL atinente ao anocalendário de 1999) contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário comprovar (através dos demonstrativos contábeis) à autoridade tributária ou à autoridade julgadora de primeira instância julgadora a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Observo que o interessado foi alertado e orientado (Termo de Intimação Rastreamento n° 697696755, de 09/01/2007, cientificado por via postal em 15/12/2006 (efl. Fl. 162DF CARF MF 4 08) e n° 654798182, de 07/12/2006, também com ciência postal em 11/10/2007 (efls. 09)) a tomar as providências necessárias a Sanear as eventuais irregularidades ligadas às divergências presentes entre as declarações transmitidas à RFB, mas mantevese inerte quanto aos procedimentos que deveriam ser adotados no intuito de viabilizar a solução das dissonâncias certificadas pela autoridade administrativa na fase inaugural da análise das referidas declarações de compensação, e mesmo após a devida ciência da nãoadmissão do processamento. Ou seja, o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (mesmo quando da apresentação da manifestação de inconformidade, efl. 30) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que não cabe nesta segunda instância recursal diligenciar por eventual demonstrativos contábeis para a apuração do crédito. Conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte deveria apresentar junto com a impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. O § 4º textualmente prevê que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual". Ou seja, não houve cerceamento do direito de defesa na decisão de primeira instância que cobrou justamente as provas correspondentes ao crédito que afirma o Recorrente ser líquido e certo. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram do conhecimento do contribuinte, visto comporem o fundamento da manifestação de inconformidade dirigida à DRJ. Mas não anexou àquele recurso qualquer documentação contábil que corroborasse suas alegações. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.955520/200811 Acórdão n.º 1001001.035 S1C0T1 Fl. 162 5 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. Fl. 164DF CARF MF 6 A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Pelo exposto, voto por indeferir o pedido de diligência, negar a nulidade da decisão recorrida e negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.900956/2012-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE.
Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto.
Súmula CARF 124.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. PREJUDICIALIDADE.
Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic.
Numero da decisão: 9303-007.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto. Súmula CARF 124. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. PREJUDICIALIDADE. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10783.900956/2012-49
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5944400
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-007.732
nome_arquivo_s : Decisao_10783900956201249.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10783900956201249_5944400.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7559978
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148739411968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1696; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 217 1 216 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10783.900956/201249 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.732 – 3ª Turma Sessão de 22 de novembro de 2018 Matéria 40.637.9999 IPI PER/DCOMP Outros Recorrente ROCHA BRANCA MINERACAO COMERCIO E EXPORTACAO EIRELI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto. Súmula CARF 124. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. PREJUDICIALIDADE. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 09 56 /2 01 2- 49 Fl. 217DF CARF MF 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, contra o acórdão 3002000.005 proferido pela 2ª Turma Extraordinátia da 3ª Seção de Julgamento do CARF, cuja ementa e dispositivo encontramse a seguir reproduzidos: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Nos termos do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, a atualização monetária somente é possível sobre os valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa, posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Diego Weis Junior e Maria Eduarda Simões, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Maria Eduarda Simões. Pedido de Ressarcimento e Despacho Decisório Trata o presente processso de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI referente ao 1º trimestre de 2011. A unidade de origem indeferiu o pedido. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando o direito ao crédito presumido pleiteado, sob o argumento de que a Lei n° 9.363, de 1996, não restringe a concessão do crédito a produtos tributados, sendo que, no caso, tratase de Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10783.900956/201249 Acórdão n.º 9303007.732 CSRFT3 Fl. 218 3 exportação de produto de extração mineral (blocos de granito), classificados como não tributados pelo IPI NT. A decisão de primeira instância, consubstanciada no acórdão 0130.786, da DRJ em BelémPA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, entendendo pela impossibilidade do crédito relativamente a produtos classificados como NT. Ainda, a título de obterdictum, no voto condutor da decisão, é colocado que em tese poderia haver possibilidade de aplicação dos juros Selic a valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido de IPI, a partir do 360° (tricentésimo sexagésimo) dia do pedido, quando houver valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa e posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras. Recurso Voluntário e Decisão de Segunda Instância Cientificada da decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário reiterando suas alegações de impugnação. A 2ª Turma Extraordinária da 3ª Seção do CARF negou provimento ao Recurso especial, adotando o entendimento de que: a exportação de produtos classificados como NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n° 9.363, de 1996; e apesar de haver previsão legal para aplicação dos juros Selic a valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido de IPI, a partir do 360° (tricentésimo sexagésimo) dia do pedido, quando houver valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa e posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras, como no caso, não há crédito a ser reconhecido, fica predujicada a discussão acerca dos juros. Recurso Especial do Contribuinte e Contrarrazões da Fazenda Nacional Cientificado da decisão de segunda instância, o contribuinte apresentou recurso especial, para discussão: (1) da matéria principal do processo, crédito em relação a produtos não tributados (NT), e (2) a atualização do crédito pela taxa Selic. Com relação à primeira matéria, apresentou como paradigmas os acórdãos nº 9303001.469 e 3402004.778, argumentando que a Lei n° 9.363, de 1996, que instituiu o crédito presumido em tela, não excluiu a possibilidade de creditamento em virtude de exportação de produtos com classificação NT. Com relação à segunda matéria, apresentou como paradigmas os acórdãso n° 9303001.469 e 3402004.778, argumentando que a atualização monetária do crédito pleiteado seria devida, sob pena de enriquecimento sem causa do fisco. O Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção deu seguimento ao Recurso Especial em relação a ambas as matérias. Fl. 219DF CARF MF 4 Em sede de contrarrazões, a Fazenda Nacional pugna pela negativa de provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, para manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos de admissibilidade, conforme expresso no despacho de análise de admissibilidade do Presidente da Câmara recorrida, portanto dele conheço. No mérito, por uma questão de prejudicialidade, analisarei inicialmente a matéria principal do processo, quanto à possibilidade de crédito em relação a produtos não tributados (NT). Em seguida, passarei à análise da questão subsidiária, da atualização do crédito pleiteado pela taxa Selic. Pois bem, quanto à matéria principal, acompanho o entendimento esposado tanto pela decisão de primeira instância, quanto pela decisão recorrida, de que não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto. Nesse sentido, reproduzo as razões de decidir do voto condutor da decisão recorrida, que aqui adoto: O ponto que se discute neste processo é se o crédito presumido de IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, pode ser concedido em relação a exportações de produto com notação nãotributado (NT) da tabela do IPI. A recorrente é uma empresa que se dedica à exploração de jazidas minerais, beneficiamento (corte em chapas e polimento) e comercialização no mercado interno e externo de pedras tais como mármore, granito e ardósia, segundo informações constantes em seu recurso voluntário e em seu contrato social. Exporta, especificamente, blocos de granito que se classificam no código NCM 2516.12.00, cujo texto diz: granito simplesmente cortado a serra ou por outro meio, em blocos ou placas de forma quadrada ou retangular. A Lei nº 9.363, de 1996, assim dispõe sobre o que interessa a esta discussão: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10783.900956/201249 Acórdão n.º 9303007.732 CSRFT3 Fl. 219 5 material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (grifado) Os artigos, considerados conjuntamente, determinam que o benefício aplicase às empresas e produtos que atendam aos conceitos de estabelecimento produtor, de produção, de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI, ou seja, na Lei nº 4.502, de 1964, e no Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002), vigente à época dos fatos. Da leitura dos dispositivos legais pertinentes, a seguir transcritos, inferese que, para fins de IPI, estabelecimento produtor equivale a estabelecimento industrial, definido como aquele que executa alguma operação de industrialização da qual resulte produto tributado pelo imposto, ainda que de alíquota zero ou isento. Lei nº 4.502, de 1964 Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considera se industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: (...) RIPI/2002 Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: (...) II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); (...) Fl. 221DF CARF MF 6 Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. (grifado) No presente caso, no que diz respeito a suas operações de exportação, a recorrente não se enquadra como estabelecimento industrial do RIPI e nem produz produto tributável pelo IPI. A exigência de a industrialização resultar em produto tributado pelo IPI não é fortuita, mas expressa o alcance do tributo, aponta para as suas hipóteses de incidência. Inicialmente, quando da publicação da Lei nº 4.502, de 1964, constava no Anexo à Lei uma relação que continha apenas os produtos sobre os quais incidia o IPI. Nessa relação não existe a notação NT e não existe a posição 2516, pois a atividade de extração mineral, com o mero corte da pedra, não foi considerado operação de industrialização para fins de tributação pelo IPI. A pedra que tenha sofrido algum trabalho, que pressuponha o aperfeiçoamento de que trata o RIPI, classificase no capítulo 68 ou posterior, esses sim tributados. Posteriormente, quando se decidiu por adotar a relação completa de bens sujeitos ao imposto de importação para fins de construção da TIPI, houve a necessidade de marcar quais bens estavam fora do campo de incidência do IPI, que passaram a ter a notação NT (nãotributados). Tal entendimento é confirmado pelo art. 2º do RIPI/2002, que assim dispõe: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI. Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado). (grifado) A notação NT inclui os produtos com imunidade pela Constituição Federal, como livro e jornal, mas o caso analisado, pedra simplesmente cortada, recebe a notação NT por não sofrer uma operação de industrialização. Assim, o que resta claro é que, uma vez que o art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, determina que se utilize os conceitos de produção/industrialização da legislação do IPI, o crédito presumido por ela instituído somente pode ser concedido quando houver exportação de produtos que estejam sob a incidência desse imposto. A Lei nº 9.363/96 adota a lógica do próprio tributo, inclusive aquela utilizada para a concessão dos créditos básicos e Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10783.900956/201249 Acórdão n.º 9303007.732 CSRFT3 Fl. 220 7 incentivados: a venda de mercadoria NT não gera saldo devedor. Se essa saída não gera saldo devedor para o contribuinte, também não pode gerar saldo credor. Essa limitação não alcança os produtos isentos ou com alíquota 0% porque esses estão dentro do campo de incidência do IPI. Os artigos do RIPI/2002 relativos à escrituração dos créditos básicos demonstram a coerência da interpretação adotada, a ver: Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: (...) § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal . (...) Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I relativo a MP, PI e ME , que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados; (grifado) Contraria qualquer lógica interpretativa defender que um tributo que não incide sobre determinado produto passe a incidir sobre esse mesmo produto somente quando for para gerar crédito. Pior ainda, não incide nem na geração de créditos básicos e incentivados, mas incide apenas quando se tratar do crédito presumido para ressarcimento das contribuições. A Lei nº 9.363, de 1996, em momento algum determinou que se desconsiderasse as hipóteses de incidência ou o fato gerador do IPI. Ao contrário, apontou em seu art. 3º que os conceitos fundamentais do imposto deveriam ser seguidos. Não vislumbro qualquer extrapolação ou restrição indevida na aplicação da lei na interpretação exposta, como alega a recorrente. Tratase apenas de interpretação sistemática, que traz coerência para a aplicação da legislação do IPI. Dessa forma, entendo não ser possível a concessão de Crédito Presumido de IPI no caso. Em face dessa impossibilidade, resta prejudicada a discussão da atualização do crédito pleiteado pela taxa Selic. Aplico a Súmula CARF 124. CONCLUSÃO Fl. 223DF CARF MF 8 Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.725069/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS.
Constitui infração à legislação previdenciária, apresentar a empresa a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas contribuições previdenciárias.
DECADÊNCIA
No caso de lançamento de obrigação acessória a regra decadencial a ser aplicada é a do art. 173, I do CTN, uma vez que não há pagamento parcial de multa por obrigação acessória, de modo que não é aplicável a regra decadencial do no art. 150, § 4º, do CTN ou da Súmula CARF n. 99.
CONEXÃO.
Devem ser julgados em conjunto com o processo principal os processos vinculados por conexão.
Numero da decisão: 2301-005.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não reconhecer a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário; (b) dar parcial provimento ao recurso voluntário para que seja adequada a base de cálculo de acordo com o decidido nos julgamentos dos recursos relacionados às obrigações principais.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Constitui infração à legislação previdenciária, apresentar a empresa a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA No caso de lançamento de obrigação acessória a regra decadencial a ser aplicada é a do art. 173, I do CTN, uma vez que não há pagamento parcial de multa por obrigação acessória, de modo que não é aplicável a regra decadencial do no art. 150, § 4º, do CTN ou da Súmula CARF n. 99. CONEXÃO. Devem ser julgados em conjunto com o processo principal os processos vinculados por conexão.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.725069/2010-71
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5927795
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-005.637
nome_arquivo_s : Decisao_10680725069201071.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ALEXANDRE EVARISTO PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10680725069201071_5927795.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não reconhecer a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário; (b) dar parcial provimento ao recurso voluntário para que seja adequada a base de cálculo de acordo com o decidido nos julgamentos dos recursos relacionados às obrigações principais. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7514354
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148766674944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1672; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.725069/201071 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.637 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2018 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS (CEMIG) E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Constitui infração à legislação previdenciária, apresentar a empresa a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA No caso de lançamento de obrigação acessória a regra decadencial a ser aplicada é a do art. 173, I do CTN, uma vez que não há pagamento parcial de multa por obrigação acessória, de modo que não é aplicável a regra decadencial do no art. 150, § 4º, do CTN ou da Súmula CARF n. 99. CONEXÃO. Devem ser julgados em conjunto com o processo principal os processos vinculados por conexão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não reconhecer a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário; (b) dar parcial provimento ao recurso voluntário para que seja adequada a base de cálculo de acordo com o decidido nos julgamentos dos recursos relacionados às obrigações principais. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 50 69 /2 01 0- 71 Fl. 770DF CARF MF 2 Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) contra o Acórdão n.º 0251.333 da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte (MG), f. 604609, que julgou procedente em parte a impugnação ao Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) lavrado sob o Debcad nº 37.312.2330. De acordo com o relatório fiscal de fl. 711, o AIOA referese à exigência de penalidade por infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º, da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei n.° 9.528, de 10/12/1997, pelo fato de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), no período intermitente de 03/2005 a 12/2006, com omissão dos valores pagos, devidos ou creditados, pela Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), aos empregados e a administradores, diretores e membros de Conselhos, a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. Segundo a fiscalização, não há base legal para exclusão da incidência sobre os pagamentos feitos a este título a administradores, diretores e conselheiros, além disso, os acordos coletivos não abarcam essas categorias de trabalhadores. Quanto aos pagamentos feitos aos empregados, o foram sem que tenham sido estabelecidos objetivos e metas, mais de duas vezes ao ano e com base em acordo coletivo firmado no final do ano. Constam do pólo passivo do lançamento, na condição de contribuinte, a Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), CNPJ 17.155.730/200164, e na condição de responsáveis solidárias integrantes do grupo econômico, com base no art. 30, IX, da Lei 8.212/91, CEMIG Geração e Transmissão S/A, CNPJ 06.981.176/000158 e CEMIG Distribuição S/A, CNPJ 06.981.180/000116. Os sujeitos passivos foram cientificados do lançamento em 21/12/2010 e apresentaram tempestivamente impugnação única. Em 29/10/2012, a DRJ converteu o julgamento em diligência, nos termos do despacho de fls. 578579. Em atendimento ao pedido de esclarecimentos, foi emitido relatório fiscal complementar de fls. 580581. Os pontos controvertidos apresentados na impugnação e o resultado da diligência foram sintetizados no relatório do acórdão recorrido, o qual adoto aqui: Informa que a suposta infração que resultou no auto de infração ora impugnando também embasou os autos de infração 37.312.2284, 37.312.2292 e 37.212.230 6. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10680.725069/201071 Acórdão n.º 2301005.637 S2C3T1 Fl. 3 3 Inicialmente, diz que o auto de infração é nulo, pois o valor da multa aplicada é R$ 97.135,61 e no relatório fiscal de aplicação da multa é apontado como valor da penalidade o montante de R$ 85.907,04, o que resulta no comprometimento do seu direito de defesa. Disserta sobre a metodologia utilizada para aplicação da multa, e afirma que deveria ser aplicado o artigo 32A da Lei 8.212/91, pois a comparação deveria ser entre a multa prevista nos parágrafos 4o e 5o do art. 32 da Lei 8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, com a multa atualmente vigente e que consta no art. 32A da Lei 8.212/91. No mérito, apresenta os mesmos argumentos que constam na defesa do processo principal 10680.725064/201049, Debcad 37.312.2284, ao qual o presente processo está vinculado, lavrado na mesma ação fiscal, cujo conteúdo foi relatado no Acórdão 02 51.330, julgado juntamente com o presente processo, na mesma sessão de julgamento desta turma da DRJ/BHE. Pede: que seja declarado nulo o auto de infração; seja reconhecida a decadência referente às competências anteriores a dezembro de 2005; o cancelamento da multa aplicada; caso seja mantido o lançamento, requer o cancelamento da aplicação da multa de ofício ao caso; seja reconhecida a inexistência de responsabilidade solidária; e o julgamento conjunto com os demais autos de infração conexos. Os autos foram baixados em diligência para manifestação do auditor fiscal autuante sobre a aplicação da multa, conforme despacho de fls. 577/578. Em Informação Fiscal de fls. 579/580 consta que o valor da multa expresso na capa do AI deve ser alterado de R$ 97.135,60 para R$ 85.907,40, conforme anexo 1 de fl.581. O sujeito passivo foi cientificado da Diligência Fiscal em 23/8/13, sendo aberto o prazo de trinta dias para manifestação. Em 23/9/13, o contribuinte apresentou manifestação de fls. 590/599, onde reitera os argumentos e pedidos apresentados na defesa. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte e manteve em parte o crédito tributário, retificando erro de cálculo do valor da multa e excluindo os responsáveis solidários por entender que a responsabilidade solidária não se aplica às multas aplicadas por descumprimento de obrigações acessórias. Foram rejeitados os demais argumentos da defesa, com base nos seguintes fundamentos: a) incide a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, por se tratar de lançamento de ofício; b) os argumentos de mérito são os mesmos do Acórdão 02 51.330, proferido no processo principal 10680.725064/201049. Dessa decisão, o contribuinte e os responsáveis solidários foram intimados em 20/01/2014, fls. 611619. Fl. 772DF CARF MF 4 Em 19/02/2014, Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) interpôs recurso voluntário, fls. 620648, apresentando suas razões, cujos pontos relevantes são: Sustenta que é indevida a exigência de informação em GFIP dos pagamentos feitos a título de PLR, porquanto não são fatos geradores de contribuições previdenciárias. Alega que a Lei 10.101/2000 não prevê obrigatoriedade de que sejam fixados objetivos e metas para se legitimar os pagamentos realizados a título de PLR. Afirma que os acordos coletivos firmados entre a empresa e os sindicatos definem com clareza a forma e o prazo de apuração e pagamento de PLR. Com relação à periodicidade dos pagamentos, explica que foi observada a regra temporal prevista em lei. Acrescenta que os pagamentos feitos em março e julho de 2005 não foram destinados aos mesmos funcionários. Esses pagamentos se referem à PLR 2004 (resultado de 2004) e foram pagos em março/2005, exceto aos empregados que tinham se desligado da empresa ao longo de 2004, que tiveram seus pagamentos em julho/2005 (alíneas “b” e “b.1” da Cláusula Septuagésima Oitava do Acordo Coletivo 2004/2005). Que em novembro e dezembro de 2005 houve o pagamento a titulo de Participação nos Resultados – Distribuição Extraordinária – PRE, decorrente do resultado verificado em 2005 e correspondente a 4 remunerações, dividido em duas parcelas, conforme definido em comum acordo com os Sindicatos (Cláusula Septuagésima Nona do Acordo Coletivo 2005/2006). Que os pagamentos feitos em março e julho de 2006 não foram destinados aos mesmos funcionários. Esses pagamentos decorrem do resultado de 2005, mediante distribuição de 3% do resultado operacional da empresa e foram pagos em março de 2006, exceto aos empregados que haviam se desligado da empresa no decorrer do ano de 2005, que tiveram seus pagamentos em julho de 2006 (alíneas “b” e “b.1” da Cláusula Septuagésima Oitava do Acordo Coletivo 2005/2006). Que os valores pagos em janeiro e maio de 2006 referemse a ajustes e correções: a) janeiro/2006: diferença de PLR devida a 19 empregados que auferiram aumentos salariais com data retroativa a 1o de novembro de 2005 e a empregados que estavam cedidos a outras empresas e voltaram a prestar serviços à recorrente; b) maio/2006: parcela de PLR paga a trabalhadores readmitidos por força de decisão judicial e também para corrigir diferenças decorrentes de aumentos salariais retroativos. Os pagamentos em dezembro de 2006 referemse à Participação nos Resultados – Distribuição Extraordinária – PLRE, decorrente do resultado verificado em 2006 e correspondente a 2,8 remunerações (Cláusula Quinta do Acordo Coletivo 2006/2007). Argumenta que não há respaldo legal para se exigir que o acordo seja firmado antes do início do ano que servirá de base para a distribuição. Sustenta que não incide contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de PLR a administradores, diretores e membros do Conselho, sem vínculo empregatício, com base no art. 7o da Constituição Federal e Lei 101.101/2000, e art. 152 da Lei 6.404/76, não sendo aplicável a limitação do inciso X alínea “a” do inciso V do § 9o do art. 214 do Decreto 3.048/99. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10680.725069/201071 Acórdão n.º 2301005.637 S2C3T1 Fl. 4 5 Entende que, de qualquer modo, caso afastada a sua natureza de PLR, esses pagamentos não integram o salário de contribuição porque são abonos pagos desvinculados do trabalho e sem natureza contraprestativa e sem habitualidade, pois feitos com base na lucratividade da empresa. Alega que a multa mais benéfica é a prevista no art. 32A da Lei 11.941/2009. Pede o cancelamento do crédito tributário exigido, ou, eventualmente, caso mantida a exigência do Processo principal (10680.725064/201049), que seja aplicada a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Em 9 de dezembro de 2015, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF emitiu a Resolução n. 2301000.552 (fls. 742 e seguintes), que converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal prestasse informações acerca da existência ou não de recolhimentos espontâneos do contribuinte, no período de 03/2005 a 11/2005, identificandoos por competência, rubrica e data do pagamento. Na Informação Fiscal (fls. 762 e seguintes), a unidade preparadora se limita a informar que não houve recolhimentos parciais e/ou integrais do contribuinte referentes às contribuições mencionadas incidentes sobre a rubrica Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Embora não tenha sido essa a pergunta feita na Resolução, destaquese que na referida Informação Fiscal consta que houve recolhimentos de contribuições previdenciárias em outros códigos (2119, 2631, 2909 e 2100). É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei 8.212/91, art. 32, inciso IV, § 5o, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c art. 225, inciso IV e § 4o do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. As contribuições incidentes sobre os fatos geradores não declarados em GFIP foram objeto de lançamento no Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) nº 10680/725064/201049 (empresa) e 10680.725065/201093 (segurados), existindo conexão entre os processos de NFLD e o presente processo. O lançamento fiscal referente ao crédito tributário proveniente da obrigação tributária principal deve ser julgado conjuntamente com o presente recurso já que a relação jurídicotributária de seus respectivos fatos geradores é consubstanciada pela homogeneidade Fl. 774DF CARF MF 6 temporal e pela mesma hipótese fática de incidência tributária ou pela mesma hipótese fática na aplicação da multa decorrente do descumprimento da obrigação tributária acessória. Em decorrência, se no julgamento do lançamento relativo às contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos, no mérito, for decidido pela improcedência, não há como prevalecer o auto de infração pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a tais fatos geradores. Decadência A Recorrente alega decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN, aplicável nos casos de lançamento por homologação em que tenha havido pagamento antecipado do tributo, se não configurado dolo, fraude ou simulação. No caso de lançamento de obrigação acessória a regra decadencial a ser aplicada é a do art. 173, I do CTN , de modo que não é aplicável a regra decadencial do no art. 150, § 4º, do CTN ou da Súmula CARF n. 99. Considerando a ciência do auto de infração se deu em 31/12/2010 (fl. 2), não há períodos decaídos no presente caso. Da Impossibilidade de Exigência de Contribuição Previdenciária sobre Valores Pagos a Título de PLR A atividade empresarial pressupõe a combinação dos fatores de produção (terra, capital e trabalho) com o intuito de produzir e comercializar bens e serviços, de modo que as rendas oriundas da atividade empresarial são distribuídas mediante pagamentos aos detentores dos fatores de produção (aluguéis, juros e salários), sendo que a diferença entre os preços de vendas dos produtos e serviços e o custo para a produção de tais produtos e serviços constituirá o lucro da empresa (GUITTON, Henri. Economia Política. Segundo Volume. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1959. p. 51.). A empresa pode ser compreendida como um regime de produção exclusivo do capitalismo, uma vez que somente num regime tal qual o capitalismo onde são assegurados o direito de propriedade e a liberdade de iniciativa, o empreendedor estará apto a exercer a atividade empresarial com seus ônus e bônus. Vale notar que a responsabilidade da produção é do empresário, que emprega os fatores de produção em sua empresa e responderá pelo bom ou mau êxito do empreendimento, ao passo que os fornecedores dos fatores de produção deverão receber a remuneração pelos fatores fornecidos independentemente do êxito da empresa. (ANTUNES, José Pinto. A Produção sob o Regime da Empresa. São Paulo: Saraiva, 1964. Pp. 6264.) Dessa forma, caso a empresa tenha sido lucrativa, o lucro deverá ser repartido entre os empreendedores que investiram no empreendimento. Entretanto, caso a empresa se encontre em prejuízo, a responsabilidade do empresário vai até o limite investido por esses sócios, nos casos de empreendimentos constituídos sob a forma jurídica de sociedades cuja responsabilização é limitada. (ANTUNES, José Pinto. A Produção sob o Regime da Empresa. São Paulo: Saraiva, 1964. Pp. 6264.) A participação nos lucros ou resultados surge exatamente em um contexto em que se incentiva uma maior integração entre o capital e o trabalho, na medida em que parte do lucro que corresponde ao êxito da atividade empresarial é repassado aos titulares do fator de produção trabalho. Nesse sentido, Sérgio Pinto Martins assinala: Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10680.725069/201071 Acórdão n.º 2301005.637 S2C3T1 Fl. 5 7 “Não deixa de ser a participação nos lucros uma forma moderna, decorrente do capitalismo, de integração do trabalhador na empresa, por meio da divisão dos resultados obtidos pelo empregador com a colaboração do empregado. O fundamento da participação nos lucros está em que o empregador e o empregado contribuíram diretamente para que se alcançasse o lucro na empresa, ou seja, o capital e o trabalho participaram diretamente na obtenção do lucro. É uma forma de o trabalhador passar a participar do desenvolvimento da empresa, de maneira a cooperar com empregador no desenvolvimento da atividade deste”. (MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 29ª ed. São Paulo: Atlas, 2013. Pp. 306 307) No âmbito do Direito Positivo, a participação nos lucros ou resultados encontra guarida constitucional no artigo 7º, XI, da Constituição Federal como um dos direitos dos trabalhadores, nos seguintes termos: Art. 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Considerando que o referido dispositivo dispõe que a participação nos lucros é desvinculada da remuneração, o artigo 28, §9º, j, da Lei nº 8.212/91 explicitou que a participação nos lucros não integra o salário de contribuição, nos seguintes termos: Art. 28. Entendese por salário de contribuição: (...) §9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou credita de acordo com lei específica. Cumpre salientar que a participação nos lucros ou resultados não possui natureza de salário, de modo que a previsão do artigo 28, §9º, j, da Lei nº 8.212/91 não estabelece isenção, mas apenas explicita de forma didática uma não incidência. Sobre esse ponto, cumpre ressaltar a doutrina do Direito do Trabalho tão bem exposta nas palavras do exministro do Tribunal Superior do Trabalho, Pedro Paulo Teixeira Manus: “Vêse, tanto no artigo 1º da Medida Provisória n. 794/94, quanto nas subsequentes e no artigo 1º da Lei n. 10.101/00, que o fundamentos de sua reedição é a integração entre o capital e o trabalho e o incentivo à produtividade, isto é, uma tentativa de Fl. 776DF CARF MF 8 procurar contornar o problema do desemprego, já que a Constituição Federal desvincula a participação dos lucros ou resultados da remuneração, desonerando as empresas quanto a eventuais encargos trabalhistas que não incidem sobre esta verba. Buscase assim instituir uma melhoria no padrão de vida dos trabalhadores, sem aumentar sua remuneração. Isso porque do ponto de vista trabalhista as verbas pagas “pelo” trabalho têm sempre natureza salarial. Já aquelas que são pagas “para” o trabalho não têm natureza de salário. Isso significa, por exemplo, que uma gratificação pela assiduidade, ou pela produção tem natureza de salário, pois é instituída pelo trabalho. Já uma verba paga para cobrir despesas comprovadas no exercício de uma função não tem natureza salarial, porque é requisito para desenvolvimento do trabalho, o que não ocorre no primeiro caso. E, guardando natureza salarial, referida verba terá tratamento igual ao dispensado ao salário em sentido estrito, servindo de base de cálculo para todos os haveres trabalhistas. Eis por que o legislador constitucional desvinculou a participação nos lucros ou resultados da remuneração, como forma de evitar tais reflexos e buscando estimular sua instituição por empresas e empregados. (MANUS, Pedro Paulo Teixeira. Direito do Trabalho. 14ª ed. São Paulo: Atlas, 2012. Pp.151152) É interessante notar a distinção entre as verbas pagas “pelo” trabalho e as verbas pagas “para” o trabalho, de modo que o autor reconhece que a Constituição expressamente desvincula a PLR da natureza salarial, sendo que atribuir tal caráter à PLR somente teria o efeito de desestimular sua instituição pelas empresas. Em igual sentido, observa Sérgio Pinto Martins que: “A Constituição de 1988 eliminou o caráter salarial da participação nos lucros, determinando que tal prestação vem a ser totalmente desvinculada da remuneração. O objetivo foi realmente este, de possibilitar que o empregador concedesse a participação nos lucros a seus empregados, mas, em contrapartida não tivesse nenhum encargo a mais com tal ato. O empregador não tinha interesse em conceder um benefício gratuitamente e ainda suportar os encargos sociais sobre tal valor. Foi uma forma de estimular o empregador a conceder a participação nos lucros, pois, se fosse utilizada a orientação da antiga Súmula 251 do TST, que considerava de natureza salarial a referida participação, o empregador não a iria conceder, porque haveria de pagar outros encargos sobre ela, como FGTS, contribuição previdenciária etc.”. (MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 29ª ed. São Paulo: Atlas, 2013. Pp. 308 309) Atualmente, a participação nos lucros ou resultados é regulada pela Lei nº 10.101/00, que assim dispôs: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração Fl. 777DF CARF MF Processo nº 10680.725069/201071 Acórdão n.º 2301005.637 S2C3T1 Fl. 6 9 entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Em primeiro lugar, notese que o artigo 1º regula a PLR dos trabalhadores, sendo que há trabalhadores empregados e trabalhadores não empregados. Ademais, o artigo 2º somente se refere a empregados, de modo que há requisitos a serem cumpridos quando do pagamento para empregados, no entanto, não há requisitos a serem cumpridos quando do pagamento de PLR para trabalhadores não empregados, dentre os quais se incluem os administradores, de forma que ao tratar expressamente somente dos empregados, a referida lei não trouxe requisitos para o pagamento de PLR para administradores. Com relação à PLR dos empregados, cumpre ressaltar que como decorrência do exposto no §1º, não há uma obrigatoriedade de que sejam fixados objetivos e metas para se legitimar os pagamentos de PLR, desde que as regras sejam claras e objetivas. Tanto é assim que o referido parágrafo diz “podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios ou condições”, o que dá margem à adoção de outros critérios, desde que claros e objetivos. Ainda que fosse entendida a necessidade de metas, é importante destacar que há fórmulas para aferição do PLR a ser pago tanto no Acordo Coletivo 2005/2006 (fl. 65) e quanto no Acordo Coletivo 2006/2007 (fl. 79), de modo que verificase tanto uma distribuição igual para todos os trabalhadores de parcela do lucro quanto uma distribuição variável do lucro de acordo com o salário de cada trabalhador. Em outras palavras, se o trabalhador for mais eficiente e tiver um melhor desempenho, conseqüentemente a empresa terá um lucro maior e o trabalhador receberá um montante maior a título de PLR. Fl. 778DF CARF MF 10 No tocante ao momento do pagamento, destaco que entendo que a questão de fixação das regras para distribuição dos lucros para antes do início do ano que servirá de base pode ser flexibilizada, na medida que deve ser privilegiada a integração entre o capital e o trabalho. Nesse sentido, o artigo 2º, §1º, II, da Lei n. 10.101/00 somente diz que os programas de metas, resultados e prazos devem ser pactuados previamente, não definindo se é previamente à assinatura do acordo ou do pagamento da PLR. Ante o exposto, onde o legislador não trouxe distinção, não cabe ao intérprete distinguir, de modo que, ainda que seja entendido que deve ser aplicado o artigo 2º, §1º, II, da Lei n. 10.101/00, houve cumprimento dos referidos requisitos visto que houve programa de metas anterior ao pagamento da PLR. No que tange aos eventuais pagamentos em periodicidade superior a duas vezes por ano, destaquese que os pagamentos não foram efetuados aos mesmos funcionários conforme se observa no Anexo 1 do Auto de Infração, além de se referirem a períodos de competência distintos, sendo que o pagamento em parcelas foi definido em comum acordo com membros do Sindicato através do Acordo Coletivo 2005/2006. Com relação ao pagamento realizado em janeiro de 2006, verificase que o mesmo foi feito de maneira específica para 19 empregados que auferiram aumentos salariais com data retroativa a 1º de novembro de 2005 e empregados cedidos que retornaram à Recorrente. Os pagamentos realizados em maio se relacionam a trabalhadores readmitidos por força de decisão judicial, o que demonstra que não foram pagamentos feitos aos mesmos empregados. Por fim, os pagamentos realizados em dezembro decorrem da cláusula 5ª do Acordo Coletivo 2006/2007. Em que pese a Lei n. 10.101/00 traga dispositivo específico vedando o pagamento de PLR em mais de duas vezes no mesmo ano civil, há que se avaliar o caso concreto para se checar os motivos que levaram a tal pagamento. No caso em tela, entendo ser justificável o argumento de que a parcela de pagamentos apontada pela autoridade fiscal como supostamente efetuada acima da periodicidade fixada em lei decorre de mero ajuste nos pagamentos efetuados aos empregados. Ademais, o mero fato de mais um pagamento do PLR não poderia alterar a natureza da PLR, que não possui natureza salarial, tal qual vem entendendo o TST como no caso do Recurso de Revista nº TSTRR20590062.2003.5.02.0464, em que restou consignado que “a Subseção I da Seção Especializada em Dissídios Individuais pacificou entendimento no sentido de que o pagamento antecipado e parcelado da participação nos lucros, não obstante o comando expresso do art. 3º, § 2º, da Lei n° 10.101/2000, não altera a natureza dessa parcela, transformandoa em verba salarial, em atenção ao disposto nos incisos XI e XXVI do art. 7º da Constituição Federal”. Ainda que fossem desconsiderados os pagamentos de PLR que excederam a semestralidade, não haveria como manter a exigência fiscal aos pagamentos que obedeceram a semestralidade. Também entendo que a questão de fixação das regras para distribuição dos lucros para antes do início do ano que servirá de base pode ser flexibilizada, na medida que deve ser privilegiada a integração entre o capital e o trabalho. Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10680.725069/201071 Acórdão n.º 2301005.637 S2C3T1 Fl. 7 11 Por fim, cumpre citar comentário de Mauricio Godinho Delgado sobre a não natureza salarial da PLR: “É inquestionável, porém, que apenas a real participação nos lucros é que se desveste de natureza salarial: parcela periódica paga pelo empregador sem qualquer relação com os resultados alcançados pela empresa não se afasta da figura jurídica da gratificação habitual. (...) O ônus da prova relativa à fraude é, contudo, do autor da ação, em face da presunção não salarial decorrente do designativo eleito”. (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 16ª ed. São Paulo: LTr, 2017. P. 817.) Conforme se observa, a PLR não possui natureza salarial, de modo que ainda que não sejam cumpridos de forma estrita os requisitos da Lei n. 10.101/00, cabe à autoridade fiscal comprovar o caráter fraudulento do pagamento da PLR, de modo que o conjunto probatório trazido ao longo do presente processo administrativo não é suficiente para que seja demonstrado que os pagamentos de PLR feitos aos empregados são fraudulentos. Com base no exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário no tocante à PLR paga aos Empregados. Da Questão da Multa Nos termos da Súmula CARF nº 119, no caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Dessa forma, nego provimento ao recurso nesse ponto. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe parcial provimento afastando a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a título de PLR. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 780DF CARF MF 12 Fl. 781DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.723001/2015-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA.
Incabível a arguição de decadência quando verificada que o lançamento realizado no processo a título de glosa de dedução de incentivo de redução de IRPJ ocorreu dentro do quinquênio posterior ao fato gerador do lançamento.
MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Descabe a arguição de nulidade por modificação do critério jurídico do lançamento quando comprovado que as modificações do valor da autuação apontadas em diligência determinada pela DRJ decorreram da inclusão de receitas de filiais antes não consideradas pela fiscalização no cálculo e não pela modificação dos critérios de autuação, posto que houve apenas a redução das glosas apontadas originalmente pela fiscalização.
CÁLCULO DO BENEFÍCIO. INCLUSÃO DE RECEITAS INDEVIDAMENTE EXCLUÍDAS DA BASE DE CÁLCULO DO BENEFÍCIO. PROCEDÊNCIA PARCIAL.
Assiste parcial razão ao contribuinte quando se verifica que uma parte das exclusões de receitas das filiais foi indevidamente excluída no calculo do benefício realizado em diligência. Corrige-se o cálculo com a determinação de inclusão do valor das receitas beneficiadas que foram indevidamente excluídas no recálculo da fiscalização.
RECURSO DE OFÍCIO. IMPROVIMENTO.
Nega-se provimento ao recurso quando verificado que a decisão da DRJ acertadamente determinou o recálculo da apuração do benefício.
Numero da decisão: 1401-002.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as arguições de nulidade do Auto de Infração, vencida a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Por unanimidade de votos, afastar a alegação de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para acrescentar ao lucro da exploração o valor de R$154.126.103,74, relativo às transferências de ferro da filial 0370 para a filial 0424. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto. Declarou-se impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, substituída pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Luiz Augusto de Souza e Gonçalves (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para eventuais substituições).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Incabível a arguição de decadência quando verificada que o lançamento realizado no processo a título de glosa de dedução de incentivo de redução de IRPJ ocorreu dentro do quinquênio posterior ao fato gerador do lançamento. MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Descabe a arguição de nulidade por modificação do critério jurídico do lançamento quando comprovado que as modificações do valor da autuação apontadas em diligência determinada pela DRJ decorreram da inclusão de receitas de filiais antes não consideradas pela fiscalização no cálculo e não pela modificação dos critérios de autuação, posto que houve apenas a redução das glosas apontadas originalmente pela fiscalização. CÁLCULO DO BENEFÍCIO. INCLUSÃO DE RECEITAS INDEVIDAMENTE EXCLUÍDAS DA BASE DE CÁLCULO DO BENEFÍCIO. PROCEDÊNCIA PARCIAL. Assiste parcial razão ao contribuinte quando se verifica que uma parte das exclusões de receitas das filiais foi indevidamente excluída no calculo do benefício realizado em diligência. Corrige-se o cálculo com a determinação de inclusão do valor das receitas beneficiadas que foram indevidamente excluídas no recálculo da fiscalização. RECURSO DE OFÍCIO. IMPROVIMENTO. Nega-se provimento ao recurso quando verificado que a decisão da DRJ acertadamente determinou o recálculo da apuração do benefício.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16682.723001/2015-29
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5931304
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.947
nome_arquivo_s : Decisao_16682723001201529.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
nome_arquivo_pdf_s : 16682723001201529_5931304.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as arguições de nulidade do Auto de Infração, vencida a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Por unanimidade de votos, afastar a alegação de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para acrescentar ao lucro da exploração o valor de R$154.126.103,74, relativo às transferências de ferro da filial 0370 para a filial 0424. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto. Declarou-se impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, substituída pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Luiz Augusto de Souza e Gonçalves (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para eventuais substituições).
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7532894
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148849512448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2088; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1493 1 11449922 SS11CC44TT11 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPRRIIMMEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO PPrroocceessssoo nnºº 16682.723001/201529 RReeccuurrssoo nnºº Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 1401002.947 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 16 de outubro de 2018 MMaattéérriiaa IRPJ RReeccoorrrreenntteess VALE S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Incabível a arguição de decadência quando verificada que o lançamento realizado no processo a título de glosa de dedução de incentivo de redução de IRPJ ocorreu dentro do quinquênio posterior ao fato gerador do lançamento. MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Descabe a arguição de nulidade por modificação do critério jurídico do lançamento quando comprovado que as modificações do valor da autuação apontadas em diligência determinada pela DRJ decorreram da inclusão de receitas de filiais antes não consideradas pela fiscalização no cálculo e não pela modificação dos critérios de autuação, posto que houve apenas a redução das glosas apontadas originalmente pela fiscalização. CÁLCULO DO BENEFÍCIO. INCLUSÃO DE RECEITAS INDEVIDAMENTE EXCLUÍDAS DA BASE DE CÁLCULO DO BENEFÍCIO. PROCEDÊNCIA PARCIAL. Assiste parcial razão ao contribuinte quando se verifica que uma parte das exclusões de receitas das filiais foi indevidamente excluída no calculo do benefício realizado em diligência. Corrigese o cálculo com a determinação de inclusão do valor das receitas beneficiadas que foram indevidamente excluídas no recálculo da fiscalização. RECURSO DE OFÍCIO. IMPROVIMENTO. Negase provimento ao recurso quando verificado que a decisão da DRJ acertadamente determinou o recálculo da apuração do benefício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 30 01 /2 01 5- 29 Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 16682.723001/201529 Acórdão n.º 1401002.947 S1C4T1 Fl. 1494 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as arguições de nulidade do Auto de Infração, vencida a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Por unanimidade de votos, afastar a alegação de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para acrescentar ao lucro da exploração o valor de R$154.126.103,74, relativo às transferências de ferro da filial 0370 para a filial 0424. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto. Declarouse impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, substituída pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Luiz Augusto de Souza e Gonçalves (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para eventuais substituições). Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 16682.723001/201529 Acórdão n.º 1401002.947 S1C4T1 Fl. 1495 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1157.291 3ª Turma da DRJ/REC, que por unanimidade de votos julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação, mantendo parte do crédito e tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado excedeu o valor de alçada, houve também Recurso de Ofício. Por bem descrever os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo em parte o relatório da DRJ, naquilo que interessa à solução da controvérsia: Contra a empresa supra qualificada lavrouse, em 11/12/2015, o auto de infração de IRPJ a seguir relacionado, referente ao fato gerador ocorrido no ano calendário de 2010. De acordo com a descrição dos fatos, a redução do imposto efetuada pela contribuinte, fruto do cálculo do Lucro da Exploração realizado, estava incorreta (a maior), no valor de R$ 128.099.712,28, tendo em vista que "O gozo do benefício se dá pela venda da produção do estabelecimento beneficiado1 e a consequente geração de receita para este estabelecimento", para o caso, os estabelecimentos Filial Parauapebas/PA 037074 Minério de Ferro, Filial Paragominas/PA 001550 Bauxita e Filial Serra do Sossego/PA 000901 Concentrado de Cobre. # DA IMPUGNAÇÃO2 Inconformada, a interessada apresentou impugnação, alegando, em apertada síntese: 1. nulidade do auto de infração pela ausência de descrição clara do fato ofensa ao art. 142 do ctn c/c arts. 10 e 59, ii, in fine do decreto 70.235/72 c/c art. 2°, caput e parágrafo único, vii da lei 9.784/99 — ofensa ao contraditório e ampla defesa. 3 2. da regularidade das rubricas relativas ao incentivo declaradas pela impugnante4 3. da ofensa ao princípio da legalidade — ausência de fundamento legal no aiim — arts. 97 do ctn e 2°, caput da lei 9.784/995. 4. da destinação dos incentivos à produção/atividade incentivada abrangência das receitas de vendas efetuadas por filiais da impugnante na área incentivada; (a) finalidade dos incentivos concedidos pela sudam/rfb à impugnante redução das desigualdades regionais, (b) regulamentação legal dos incentivos concedidos à impugnante — ilegalidade da glosa das receitas incentivadas, (c) atendimento da finalidade dos incentivos — regulamentação dos incentivos no âmbito da rfb vendas da produção incentivada efetuada por filiais localizadas na área incentivada e igualmente incentivadas — conduta na conformidade dos arts. 557, g 1° a 30, do rir e 62 da in 267/02 — precedentes rfb e carf. 5. do pleito final6 6. protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, inclusive ajuntada de novos documentos. # DA SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 16682.723001/201529 Acórdão n.º 1401002.947 S1C4T1 Fl. 1496 4 A 3ª Turma da DRJ/REC, por meio do despacho nº 3.8657, de 27 de maio de 2016, divergindo parcialmente da autoridade a quo, quanto à premissa adotada para fruição do benefício fiscal de isenção dos empreendimentos da autuada instalados na área da SUDAM8 9, resolveu baixar o processo em diligência para que a autoridade fiscal competente do domicílio da litigante, com base nos livros e documentos contábeis e fiscais da contribuinte; (i) determinasse as receitas obtidas pelos diversos estabelecimentos situados na área abrangida pelos benefícios com a venda dos produtos beneficiados com a redução do IRPJ dos estabelecimentos Filial Parauapebas/PA 037074 Minério de Ferro, Filial Paragominas/PA 001550 Bauxita e Filial Serra do Sossego/PA 000901 Concentrado de Cobre, (ii) recalculasse o Lucro da Exploração e a redução do IRPJ devida, (iii) desse ciência à interessada, reabrindolhe o prazo para manifestação. # DA DILIGÊNCIA A Demac/RJO, por meio da Informação Fiscal de folhas 1364 a 1369, em atendimento à diligência acima solicitada e com base nos livros e documentos contábeis e fiscais, recompôs o cálculo da redução do imposto de renda sobre o lucro real, da qual a contribuinte tem direito a título de benefício fiscal, calculada sobre o Lucro da Exploração, incluindo as receitas advindas das vendas de produtos de filiais que receberam produtos transferidos pela filial favorecida, resultando num benefício, no anocalendário de 2010, de R$ 759.599.138,91 e, em consequência, apurada uma diferença no valor de R$ 50.942.346,96 em relação ao declarado pela contribuinte. Inconformada, a interessada apresentou impugnação, alegando, em apertada síntese: a. considerações preliminares regularidade das rubricas relativas ao incentivo declaradas pela impugnante11 b. da decadência do direito de cobrança – ofensa aos arts. 156, v e vii e 150, §§1° e 4º, súmula vinculante stf n.° 0812 c. impossibilidade de alteração do critério jurídico inicialmente utilizado pela fiscalização ofensa ao art. 146, ctn 13. d. ofensa aos arts. 145 e 149, ctn – vedação à reformatio in pejus14 e. ofensa ao princípio da legalidade – ausência de fundamento legal no aiim – arts. 97 do ctn e 2º, caput da lei 9.784/9915 f. necessidade de consideração das transferências em remessas às filiais de são luís (042400 e 043473) destinação dos incentivos à produção/atividade incentivada. g. da finalidade e da regulamentação legal dos incentivos concedidos pela sudam/rfb à impugnante – redução das desigualdades regionais e ilegalidade da glosa das receitas incentivadas16. h. regulamentação legal dos incentivos concedidos à impugnante17 i) do pleito final18 i) protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, inclusive a juntada de novos documentos. Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 16682.723001/201529 Acórdão n.º 1401002.947 S1C4T1 Fl. 1497 5 Apreciada a impugnação, afastouse a preliminar de nulidade da autuação, sob o fundamento de que: "De acordo com os referidos dispositivos, localizados na parte do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99, relativa à isenção e redução do IRPJ, especificamente "redução", qualquer incorreção no cálculo do lucro da exploração afeta a apuração do IRPJ. Logo, caso a autoridade fiscal verifique superestimação do Lucro da Exploração e consequente alteração do IRPJ apurado, será a mesma objeto de auto de infração, consoante dispõe o art. 926 do mesmo decreto, o que, a princípio, ocorreu no presente caso". A arguição de decadência, alteração do critério jurídico de lançamento seguido por reforma em prejuízo à Recorrente, foram afastadas, por entender a DRJ que o resultado da Diligência não ensejou novo lançamento, nas palavras dela: "O lançamento continua o mesmo, íntegro, hígido na sua forma original, formalizado pelo auto de infração de fls. 621/625. Não há, inclusive, até o presente momento, sequer alteração do montante do credito tributário inicialmente apurado. A autoridade lançadora em nada alterou o lançamento: nem os valores, nem a fundamentação legal, nem sua motivação. Repisese: nada! Apenas e tão somente, em cumprimento ao despacho de diligência, foram acrescentados ao cálculo inicial do Lucro da Exploração efetivado pela autoridade a quo valores de receitas dos produtos beneficiados advindos das vendas efetuadas pelas filiais, redundando o procedimento em um novo montante do benefício e, consequentemente, em uma nova apuração do IRPJ (montante). Mas, necessário repetir, os valores foram apurados em cumprimento à diligência determinada por este órgão julgador, e não em decorrência de mudança de entendimento da autoridade autuante. Os valores apurados na diligência ainda estão, neste momento, sujeito à apreciação da autoridade julgadora, que poderá aceitálos, recusálos ou modificálos. Enfim, a manutenção ou não dos valores apurados no procedimento de diligência está a cargo do presente julgamento. Deste julgamento é que poderá resultar alteração do auto de infração. De maneira que são inteiramente equivocadas, sem a menor chance de prosperar, as alegações envolvendo decadência, mudança de critério jurídico ou revisão de lançamento, porque todas elas se assentam na fantasiosa premissa de que o resultado da diligência configuraria novo lançamento, o que, como já visto, não tem a mais mínima sustentação. Insistase: só há um lançamento em litígio, qual seja, o formalizado através do auto de infração de fls. 621/625". Quanto ao mérito, a impugnação foi julgada procedente em parte para exonerar, do imposto lançado (principal), o montante de R$ 77.157.365,32 (setenta e sete milhões, cento e cinquenta e sete mil, trezentos e sessenta e cinco reais e trinta e dois centavos), observando que de acordo com a Informação Fiscal (fls. 11941199), tratou a diligência de determinar "as receitas obtidas pelos diversos estabelecimentos situados na área abrangida pelos benefícios fiscais com a venda dos produtos beneficiados com a redução de IRPJ dos estabelecimentos Filial Paraupebas/PA 037074 Minério de Ferro, Filial Paragominas/PA 001550 Bauxita e Filial Serra do Sossego/PA 000901 Concentrado de Cobre". Em relação à parte desonerada houve RECURSO DE OFÍCIO. Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 16682.723001/201529 Acórdão n.º 1401002.947 S1C4T1 Fl. 1498 6 Já o RECURSO VOLUNTÁRIO, traz o inconformismo contra a parcela remanescente da cobrança do IRPJ (2010) em razão de alegada redução indevida do imposto na área incentivada (SUDAM), inicialmente pela exclusão das receitas de vendas efetuadas por filiais da Recorrente da produção de 03 de seus estabelecimentos extratores incentivados minério de ferro (filial 0370 – Parauapebas), bauxita (filial 0015 – Paragominas) e concentrado de cobre (filial 0009 Serra do Sossego) – sob o equivocado fundamento de que somente as receitas destes estabelecimentos produtores seriam incentivadas, apesar de TODAS as filiais serem igualmente situadas na área incentivada as quais funcionam como meros entrepostos comerciais a facilitar a comercialização do minério em localidades mais próximas dos mercados adquirentes – notadamente, para indústrias de gusa. Aduz a Contribuinte Recorrente que após apresentada a 1ª impugnação, o julgamento foi convertido em diligência pela DRJ, que, acolhendo os fundamentos da defesa, determinou fosse recalculada a redução pela DEMAC, com a consideração das vendas das referidas filiais, vez que o entendimento constante do TVF se mostrava em desconformidade com a legislação e mesmo com a jurisprudência da própria RFB (e CARF) – matéria objeto do RO que há de ser desprovido. Esclarece que apesar de substancialmente reduzido pela DRJ o valor do principal inicialmente em cobrança (de R$ 128.099.712,28 para R$ 50.942.346,96) ante a consideração dos valores relativos às vendas pelas filiais da produção dos estabelecimentos extratores incentivados (conforme apurado pela DEMAC por determinação da DRJ/REC), mesmo no tocante ao valor remanescente (relativo ao minério de ferro), a cobrança também não pode prevalecer em razão da: i) decadência do direito de fiscalização do exercício de 2010, no ano de 2017; seja pela ii) impossibilidade de alteração de critério jurídico (art. 146, CTN); seja ainda iii) pela impossibilidade de reformatio in pejus (revisão de lançamento por erro de direito – arts. 145 e 149, CTN); iv) pela ofensa ao princípio da legalidade; ou especificamente quanto ao mérito, por v) ter sido indevidamente desconsiderada a vigência do benefício para o aglomerado da filial de São Luís, desde a implantação do empreendimento, devendo ao menos serem consideradas as transferências entre o estabelecimento extrator de Parauapebas (0370 74) e suas filiais em São Luís (042400 e 043473), visto que configuram saída de produção incentivada, sob pena de anulação de incentivo relativo ao minério de ferro validamente concedido, em favor da Recorrente (art. 178, CTN). É o relatório do essencial. Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 16682.723001/201529 Acórdão n.º 1401002.947 S1C4T1 Fl. 1499 7 Tabela do plano Voto Vencido Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Preliminares: Decadência Inicialmente, a Recorrente levanta questão prejudicial em relação à a extinção do alegado crédito pela decadência, vez que, transcorridos quase 07 anos do período fiscalizado (2010) e a intimação do novo lançamento, com a nova motivação apresentada pela RFB em sua informação fiscal para negativa parcial do incentivo, em 18/04/17. Entendo que para análise da questão levantada, é necessário primeiro refletir sobre a ocorrência ou não de novo lançamento após a lavratura do Auto de Infração de fls. 621/625, principalmente em razão do decidido pelo acórdão recorrido, no sentido de que o argumento da decadência se apóia na "fantasiosa premissa de que o resultado da diligência configuraria novo lançamento". Para concluir pelo argumento do novo lançamento, o Recurso Voluntário traz a seguinte sequência de fatos: 1) Em sua primeira defesa, demonstrou a Recorrente que, diferentemente do (equivocado) raciocínio do TVF inicial, caso efetuada análise mais acurada da jurisprudência atinente ao alcance dos incentivos regionais e da respectiva legislação aplicável, teria a D. Fiscalização chegado à conclusão diversa daquela inicialmente aventada, qual seja: pela ilegitimidade da pretensão, seja i) pela ausência de base legal, seja ii) em razão do pleno atendimento pela Recorrente ao r. art. 557 do RIR (que serviu de suposta base inclusive ao AIIM), seja ainda, iii) pela destinação do incentivo à produção do estabelecimento incentivado/atividade incentivada (independente de a venda ter sido feita por filiais da própria Recorrente, conforme já reconhecido pelo CARF, pela própria RFB e pela legislação regulamentadora. 2) Ao apreciar as razões da primeira Impugnação, por meio do Despacho 3.865, a D. 3ª Turma de Julgamento da DRJ/REC concordou expressamente com a argumentação de mérito esposada pela Recorrente em sua defesa, tendo decidido pela conversão do julgamento em diligência, para que fosse recalculada a redução, dessa feita, com a correta consideração dos valores relativos às vendas das produções dos estabelecimentos produtores da Recorrente (Parauapebas – minério de ferro; Serra do Sossego – cobre; e Paragominas – bauxita): [...] 3) Baixado o processo à DEMAC/RJO, para recálculo da redução, com a consideração das receitas das vendas efetuadas pelas filiais estabelecidas dentro da área incentivada, conforme determinado pela D. DRJ/REC, a D. Fiscalização procedeu à intimação inicial da empresa, por meio do TDPF 07.1.85.002016 001375, para que a mesma apresentasse os atos constitutivos e eventuais alterações Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 16682.723001/201529 Acórdão n.º 1401002.947 S1C4T1 Fl. 1500 8 posteriores, até a data da sua emissão, no que foi devidamente atendida pela empresa, dentro do prazo de 20 dias outorgado. 4) Na sequência, em 18/04/17, a Recorrente foi intimada da informação fiscal que, apesar de ter diminuído substancialmente o valor do principal inicialmente em cobrança pela DEMAC (de R$ 128.099.712,28 para R$ 50.942.346,96), passou a glosar valores relativos a transferências entre as filiais incentivadas, em nítida alteração de critério jurídico (art. 146, CTN), seja sob a alegação de que inexistiria laudo constitutivo para o exercício de 2011, seja porque, notadamente no tocante às transferências do minério de ferro para as filiais São Luís (0424 e 0434 – esta última pelotizadora), as mesmas não poderiam ser consideradas no recálculo, sob pena de duplicidade. Contudo, ao contrário do sustentado pela recorrente EM RELAÇÃO À DECADÊNCIA, a diligência foi determinada justamente para solução das dúvidas levantadas em razão dos argumentos trazidos por ela no momento da impugnação, no sentido de que fosse recalculada a redução, dessa feita, com a correta consideração dos valores relativos às vendas das produções dos estabelecimentos produtores da Recorrente (Parauapebas – minério de ferro; Serra do Sossego – cobre; e Paragominas – bauxita) De maneira que, embora a autoridade fiscal tenha revisto o cálculo originário apresentado no TVF de fls., por ter sido sensibilizada em razão dos argumentos trazidos pelo próprio contribuinte em sua impugnação, não há que se falar que dessa revisão tenha advindo um novo lançamento que pudesse ser impactado pela decadência. Há um único lançamento nos autos e está representado pelo Auto de Infração de fls. 621/625. Razão pela qual, afasto a alegação de decadência. Nulidade por alteração do critério jurídico inicialmente adotado (art. 146) e impossibilidade de "reformatio in pejus" (art. 145 e 149 CTN). O resultado da Diligência Fiscal traz a informação no sentido de que houve, após a diligência uma reconfiguração do crédito a ser exigido da Contribuinte ao expressar que (fl.): "Conforme solicitado, com base nos livros e documentos contábeis e fiscais, foi recalculada a redução de IRPJ, da qual a contribuinte tem direito a título de benefício fiscal, calculada sobre o Lucro da Exploração, incluindose as receitas advindas das vendas de produtos de filiais que receberam produtos transferidos pela filial favorecida. De acordo com os cálculos acima, corroborados pelas planilhas citadas, restou que o benefício no anocalendário de 2010 foi de R$ 759.599.138,91. Sendo apurada uma diferença no valor de R$ 50.942.346,96 em relação ao declarado pela contribuinte". Este valor de R$ 50.942.346,96 foi apresentado como resultado do seguinte cálculo, transcrito do corpo do Relatório da Diligência Fiscal: RECOMPOSIÇÃO DO CÁLCULO DA REDUÇÃO DO IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL TOTAL DA RECEITA LÍQUIDA (A): R$ 51.390.139.999,73 Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 16682.723001/201529 Acórdão n.º 1401002.947 S1C4T1 Fl. 1501 9 LUCRO DA EXPLORAÇÃO (B): R$ 23.031.897.390,40 IMPOSTO ADICIONAL NO PERÍODO (C): R$ 2.135.793.504,36 RECEITA DA ATIVIDADE COM REDUÇÃO DE 75% (D): R$ 8.086.430.744,14 RECEITA DA ATIVIDADE COM REDUÇÃO DE 12,5% (E): R$ 7.962.188.662,56 LUCRO DA EXPL. DA ATIV. COM REDUÇÃO DE 75% (B x D / A): R$ 3.568.472.712,47 Imposto (Alíquota de 15%): R$ 535.270.906,87 Adicional (D x C / A): R$ 330.911.548,91 Subtotal: R$ 866.182.455,78 Redução (75% do Subtotal): R$ 649.636.841,84 LUCRO DA EXPL. DA ATIV. COM REDUÇÃO DE 12,5% (B x E / A): R$ 3.624.155.200,87 Imposto (Alíquota de 15%): R$ 543.623.280,13 Adicional (E x C / A): R$ 336.075.096,45 Subtotal: R$ 879.698.376,58 Redução (12,5% do Subtotal): R$ 109.962.297,07 TOTAL DA REDUÇÃO: R$ 759.599.138,91 VALOR DA REDUÇÃO NA DIPJ: R$ 810.541.485,87 DIFERENÇA: R$ 50.942.346,96 *Fontes: A e B – Ficha 08, DIPJ; C – Ficha 12ª, DIPJ; D e E – Apuração dos incentivos fiscais, tabela acima. Portanto, neste ponto entendo assistir razão à Recorrente, quando aduz que do resultado da diligência determinado pela DRJ, no sentido de "revisar" o valor do crédito contra ela lançado para R$ 50.942.346,96, oriundo da inclusão das receitas advindas das vendas de produtos de filiais que receberam produtos transferidos pela filial favorecida, que não haviam sido consideradas no TVF original, constituiu alteração do critério jurídico do lançamento primário. Da exposição dos fatos foi possível perceber também que o fundamento constante do TVF inicial foi pela desconsideração das vendas efetuadas pelas filiais dos estabelecimentos extratores da Recorrente. Repisese mais uma vez esse trecho do TVF inicial: O gozo do benefício se dá pela venda da produção do estabelecimento beneficiado e a consequente geração de receita para este estabelecimento. Em todos os anos, a VALE adotou o critério estabelecido no parágrafo 3º do artigo 557 do RIR/99, ou seja, a relação entre as receitas líquidas das atividades incentivadas e a receita líquida total da empresa. Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 16682.723001/201529 Acórdão n.º 1401002.947 S1C4T1 Fl. 1502 10 Assim sendo, no caso do produto “Minério de Ferro”, apenas a receita produzida pelo estabelecimento 33.592.510/037074, beneficiário dos laudos expedidos pela SUDAM, é geradora de incentivo fiscal para esse produto. Motivo pelo qual, há que se reconhecer que a razão está com a Recorrente quando aduz que: "numa tentativa de “aproveitar” (indevidamente) o trabalho fiscal formalizado por meio do AIIM original e respectivo TVF, quando da conversão do julgamento em diligência, como também adiantado nos fatos, apesar de reduzida substancialmente a cobrança (pelo acatamento do entendimento da própria COSIT/RFB/DRJ), a D. Fiscalização alterou o critério jurídico inicialmente utilizado, passando a adotar nova motivação para a cobrança em sua informação fiscal, qual seja, pela desconsideração das transferências efetuadas do estabelecimento produtor (0370 – Parauapebas), com destino às filiais de São Luís (042400 e 043473)". Não há como se manter o argumento do acórdão recorrido no sentido inexistiria alteração do critério jurídico, a pretexto que de que apenas e tão somente, em cumprimento ao despacho de diligência, foram acrescentados ao cálculo inicial do Lucro da Exploração efetivado pela autoridade "a quo" valores de receitas dos produtos beneficiados advindos das vendas efetuadas pelas filiais, redundando o procedimento em um novo montante do benefício e, consequentemente, em uma nova apuração do IRPJ (montante). Temse, como bem observado pela Recorrente que além de alterar o critério jurídico, a fiscalização incorreu também em revisão por erro de direito – situação igualmente vedada pelo ordenamento , vez que adotou dois tratamentos distintos para as transferências oriundas dos estabelecimentos produtores da Recorrente (notadamente em relação às remessas de minério de ferro com destino às suas filiais de São Luís), incidindo na vedação da reformatio in pejus (arts. 145 e 149, CTN)1: primeiro ao desconsiderar as referidas remessas, em razão de alegada duplicidade, pela consideração das vendas das filiais; e segundo, pela desconsideração das devoluções, vez desconsideradas as transferências entre filiais, que também não pode ser adminitido. A esse respeito, vejase a jurisprudência do E. CARF pela impossibilidade de inovação, em relação aos critérios adotados pela fiscalização: Ementa FINSOCIAL PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA MUDANÇA DE INTERPRETAÇÃO. Reforma se de decisão de primeiro grau de jurisdição administrativa que aplica retroativamente nova interpretação, à luz do que preceitua o art. 2º, parágrafo único, inciso XII, da Lei 9.784/99 c/c o art. 146 do CTN. Decadência afastada e os autos devolvidos à DRJ para novo julgamento por não ocorrer no coso a situação prevista no art. 515, § 3º do Código de Processo Civil. RECURSO PROVIDO POR MAIORIA (Ac. 30236.430) Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 30/09/2004 MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. HIPÓTESES. ART. 146 DO CTN. A 1 Pela impossibilidade de revisão em casos análogos, v. Acórdão 10417.447 e Acórdão 10418695. Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 16682.723001/201529 Acórdão n.º 1401002.947 S1C4T1 Fl. 1503 11 vedação contida no artigo 146 do CTN somente ocorre se “a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta” ou “quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado” (Machado, Hugo de Brito. Curso de direito tributário, 19ª ed., São Paulo: Malheiros, 2001, p. 145). Se o relatório fiscal e a decisão de primeira instância indicam os mesmos fundamentos de fato e de direito como base para o lançamento, não há que se falar em qualquer modificação de interpretação e, conseqüentemente, de critério jurídico. (Ac. 2302002.941) Nesse seguir voto por reconhecer a preliminar de nulidade da autuação remanescente em cobrança em razão de alteração do critério jurídico do lançamento, sobrevindo aos autos durante a realização da Diligência Fiscal solicitada pela DRJ. Nulidade por ausência de fundamento legal. Em relação a preliminar de nulidade da autuação por ausência de fundamentação legal na autuação eu nego, pois não houve prejuízo a defesa da Contribuinte, que bem compreendeu os fatos durante todo o processo administrativo e teve condições deles impugnar com precisão. Mérito Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reclama a reforma do Acórdão DRJ arguindo a necessidade de consideração das transferências em remessas às filiais de são luís (042400 e 043473) destinação dos incentivos à produção/atividade. Para tanto, aduz que conforme apresentado pela fiscalização às fls. 2 do Relatório Fiscal de Diligência, as vendas de minério de ferro pelas unidades Pindaré Mirim MA (002521), Açailândia MA (041772), Marabá PA (042663) e Bacabeira – MA (0026 02) foram consideradas quando do cumprimento da diligência determinada pela D. DRJ, motivo pelo qual as transferências efetuadas pela unidade extratora (037074) foram desconsideradas, sob pena de alegada duplicidade. Contudo, segundo ela restaria evidenciado da própria tabela apresentada pela fiscalização que não foram consideradas vendas das unidades situadas no Município de São Luis – MA (042400 e 043473), cujas transferências devem ser consideradas, a fim de evitar uma indevida restrição ao benefício incidente sobre a produção incentivada de Parauapebas (037074), sob pena, aí sim, de ofensa, dentre outros, ao art. 178 do CTN. Em termos simples, defende que para o caso da filial 042400, inexiste a duplicidade apontada, porquanto não se atribui qualquer valor pela venda de minério de ferro a partir da mesma, sendo computadas apenas as próprias transferências, como inicialmente Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 16682.723001/201529 Acórdão n.º 1401002.947 S1C4T1 Fl. 1504 12 efetuado pela Fiscalização, situação que não poderia ser revista em prejuízo da Recorrente (notadamente quando efetuada após o prazo decadencial de 5 anos, como visto acima). Quanto à filial 043473, a duplicidade apontada será verificada tão somente se consideradas como válidas as vendas por ela efetuadas do minério aglomerado, o que não ocorreu, como se depreende da própria informação fiscal. Logo, as referidas receitas de transferências para estabelecimentos da mesma PJ também na área incentivada não podem ser excluídas da receita líquida da atividade incentivada para fins de aplicação dos incentivos, notadamente porque a) se trata de receita que advém da atividade incentivada, por ser de interesse para o desenvolvimento regional da Amazônia, qual seja, a mineração, circunstância essa que independe da forma como os produtos são repassados a terceiros; b) porque, de toda sorte, os produtos cuja receita não pôde ser considerada pela fiscalização quando das saídas efetuadas pelas filiais de São Luis – MA (042400 e 043473) tiveram origem na unidade beneficiada de Parauapebas, tendo sido atribuídos valores aos mesmos quando das remessas às filiais, além de terem participado do cálculo das receitas totais da Recorrente, motivo pelo qual devem ser consideradas como receitas incentivadas. Quanto aos argumentos apresentados, entendo assistir parcial razão à Recorrente no que diz respeito a filiais não consideradas pela fiscalização que não considerou acrescentar o valor de R$ 154.126.104, 74 das transferências de ferro da filial 037074 para 042400 que foram excluídas na diligência, acrescentandoo à receita de exploração no cálculo do benefício. No mais, conforme determina a legislação relativa à concessão de incentivos, no caso da Recorrente e do benefício da filial São Luis, a filial começou a operar em 2006. Conforme as normas abaixo, o benefício somente poderia ser usufruído desde o início da operação se o laudo tivesse sido emitido até 31 de março de 2007. MEDIDA PROVISÓRIA No 2.19914, DE 24 DE AGOSTO DE 2001. Art. 1o Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000, as pessoas jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado até 31 de dezembro de 2018 para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste SUDENE e da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia SUDAM, terão direito à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto sobre a renda e adicionais calculados com base no lucro da exploração. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) § 1o A fruição do benefício fiscal referido no caput deste artigo darseá a partir do anocalendário subseqüente àquele em que o projeto de instalação, ampliação, modernização ou Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 16682.723001/201529 Acórdão n.º 1401002.947 S1C4T1 Fl. 1505 13 diversificação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional até o último dia útil do mês de março do anocalendário subseqüente ao do início da operação. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2o Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a data referida no § 1o, a fruição do benefício darseá a partir do ano calendário da expedição do laudo. DECRETO Nº 6.539, DE 18 DE AGOSTO DE 2008. Art. 1o As pessoas jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado a partir do anocalendário de 2000 até 31 de dezembro de 2013 para instalação, ampliação, modernização ou diversificação, enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional nas áreas de atuação da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia SUDAM e da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE, terão direito à redução de setenta e cinco por cento do imposto sobre a renda e adicional, calculados com base no lucro da exploração (Medida Provisória no 2.19914, de 24 de agosto de 2001, art. 1o, caput). ... Art. 5o A fruição da redução do imposto de que trata o caput do art. 1o darseá a partir do anocalendário subseqüente àquele em que o projeto de instalação, de diversificação ou de modernização total, e de ampliação ou de modernização parcial entrar em operação, segundo laudo expedido pelo órgão competente do Ministério da Integração Nacional até o último dia útil do mês de março do anocalendário subseqüente ao do início da operação (Medida Provisória no 2.19914, de 2001, art. 1o, § 1o). § 1o Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a data referida no caput, a fruição do benefício darseá a partir do anocalendário da expedição do laudo (Medida Provisória no 2.19914, de 2001, art. 1o, § 2o). § 2o O prazo de fruição do benefício fiscal será de dez anos, contado a partir do anocalendário de início de sua fruição (Medida Provisória no 2.19914, de 2001, art. 1o, § 3o Considerada a legislação aplicável ao caso, bem como que o laudo de concessão do benefício é posterior a 31 de março do ano seguinte ao do início da atividade então o benefício somente se inicia a partir do anocalendário de emissão do laudo, nesse caso o ano de 2011. Assim, as saídas da filial São Luis não podem ser computadas no benefício. Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 16682.723001/201529 Acórdão n.º 1401002.947 S1C4T1 Fl. 1506 14 Em relação às entradas advindas de Parauapebas também não cabe a concessão do benefício, pois as saídas reclamadas são anteriores ao período da concessão e não sendo as saídas de pelotas beneficiadas com a isenção, não há como se computar parte destas receitas no cálculo da redução, visto que a venda de pelotas não se encontra beneficiada no ano de 2010. RECURSO DE OFÍCIO. Houve recuso de ofício, tendo em vista que foi julgada procedente em parte a impugnação para exonerar, do imposto lançado (principal), o montante de R$ 77.157.365,32 (setenta e sete milhões, cento e cinquenta e sete mil, trezentos e sessenta e cinco reais e trinta e dois centavos), observando que de acordo com a Informação Fiscal (fls. 11941199), tratou a diligência de determinar "as receitas obtidas pelos diversos estabelecimentos situados na área abrangida pelos benefícios fiscais com a venda dos produtos beneficiados com a redução de IRPJ dos estabelecimentos Filial Paraupebas/PA 037074 Minério de Ferro, Filial Paragominas/PA 001550 Bauxita e Filial Serra do Sossego/PA 000901 Concentrado de Cobre". Neste ponto, não encontro motivos para restabelecer a exigência exonerada pela DRJ, tendo ela agido com acerto ao afastar a acusação de redução indevida do imposto na área incentivada (SUDAM), inicialmente pela exclusão das receitas de vendas efetuadas por filiais da Recorrente da produção de 03 de seus estabelecimentos extratores incentivados minério de ferro (filial 0370 – Parauapebas), bauxita (filial 0015 – Paragominas) e concentrado de cobre (filial 0009 Serra do Sossego) – sob o equivocado fundamento de que somente as receitas destes estabelecimentos produtores seriam incentivadas, apesar de TODAS as filiais serem igualmente situadas na área incentivada as quais funcionam como meros entrepostos comerciais a facilitar a comercialização do minério em localidades mais próximas dos mercados adquirentes – notadamente, para indústrias de gusa, conforme constado pelo resultado da diligência fiscal. Ante o exposto, acolho a preliminar de nulidade do lançamento e voto pelo seu cancelamento, conforme acima demonstrado, e uma vez vencida em relação à preliminar de nulidade, no mérito dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para acrescentar o valor de R$ 154.126.104, 74 das transferências de ferro da filial 037074 para 042400 que foram excluídas na diligência, acrescentandoo à receita de exploração no cálculo do benefício e nego provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 16682.723001/201529 Acórdão n.º 1401002.947 S1C4T1 Fl. 1507 15 Voto Vencedor Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Redator Designado Inicio o presente voto pedindo venia à ilustre Conselheira relatora do fundamentado voto do qual discordo de um dos pontos analisados. Minha discordância prendese à análise do ponto relativo à Nulidade por alteração do critério jurídico inicialmente adotado (art. 146) e impossibilidade de "reformatio in pejus" (art. 145 e 149 CTN). Com relação a este ponto alega o recorrente, na descrição apresentada pela relatora que "Portanto, neste ponto entendo assistir razão à Recorrente, quando aduz que do resultado da diligência determinado pela DRJ, no sentido de "revisar" o valor do crédito contra ela lançado para R$ 50.942.346,96, oriundo da inclusão das receitas advindas das vendas de produtos de filiais que receberam produtos transferidos pela filial favorecida, que não haviam sido consideradas no TVF original, constituiu alteração do critério jurídico do lançamento primário."(grifo nosso) A recorrente, em seu recurso, apresentou as seguintes considerações a respeito do tema: .......passou a glosar valores relativos a transferências entre as filiais incentivadas, em nítida alteração de critério jurídico (art. 146, CTN), seja sob a alegação de que inexistiria laudo constitutivo para o exercício de 2011, seja porque, notadamente no tocante às transferências do minério de ferro para as filiais São Luís (0424 e 0434 – esta última pelotizadora), as mesmas não poderiam ser consideradas no recálculo, sob pena de duplicidade (grifo e sublinhado nosso) ........... 21. Vale repisar que, mesmo em relação à nova parcela em cobrança, decorrente da declarada alteração de critério jurídico adotado pela fiscalização, não há como serem desconsideradas na apuração do incentivo as saídas decorrentes de transferências destinadas às filiais de São Luís (0424 e 0434), sob pena de anulação do benefício concedido ao estabelecimento de Parauapebas. É o que veremos no direito a seguir aduzido, dentre outros aspectos que fazem padecer de juridicidade, de igual modo, o novel entendimento da D. Fiscalização.(grifamos) A leitura realizada pelo recorrente e encampada pela relatora é a de que a modificação dos cálculos do benefício de redução fiscal e a consequente redução da autuação, conforme apresentado em relatório de diligência fiscal e admitido pela Delegacia de Julgamento, teriam incidido na modificação do critério jurídico da autuação o que levaria à nulidade da autuação. Discordo deste entendimento. Em primeiro lugar é bom fazer constar que o trabalho da fiscalização que resultou na presente autuação foi o de revisar a base de cálculo do benefício de redução do IRPJ apresentada pela autuada em sua DIPJ. Assim, a apuração realizada pela fiscalização buscava identificar quais as receitas auferidas pela empresa estavam sujeitas ao benefício de redução do IRPJ para fins de cálculo do benefício. Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 16682.723001/201529 Acórdão n.º 1401002.947 S1C4T1 Fl. 1508 16 Ao contrário do que o recorrente alega não há modificação do critério jurídico da autuação. A fiscalização, desde o início dos trabalhos desenvolveu seus atos no sentido de apurar o real valor do benefício de redução do IR em razão do incentivo da empresa. No TVF inicial a fiscalização, equivocadamente, entendeu que o benefício somente existiria para a unidade que teve o CNPJ constante do laudo da SUDAM. A DRJ, atendendo à impugnação da empresa indicou e, assim foi feito, que o benefício fosse calculado com a inclusão nas receitas que servem de base de cálculo dos montantes das vendas das filiais situadas na área beneficiada. Assim foi feito na diligência realizada a pedido da DRJ. Não houve modificação alguma no critério jurídico, posto que o critério jurídico foi, desde o começo, apenas e tão somente um, qual seja, o que de auferir quais receitas auferidas pela empresa estavam enquadradas no benefício de redução de IRPJ. Por isso, a diligência realizada e o recálculo da autuação decorreram não de uma modificação do critério jurídico do lançamento, que permaneceu o mesmo, mas apenas uma correção do cálculo do benefício com a inclusão de outras receitas das filiais que não haviam sido consideradas pela fiscalização quando da lavratura do auto. . Exemplifiquemos: A empresa possui receitas de vendas das filiais 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8. Apenas as filiais de 1 a 3 constam do laudo. As filiais de 4 a 6 estão situadas na área incentivada e as filiais 7 e 8 não estão. A base jurídica do lançamento foi a existência de redução do imposto superestimada pela empresa pela inclusão de receitas que não estavam abrangidas pelo benefício. Ou seja, a empresa calculou a maior o seu beneficio. Com base neste fundamento jurídico, único em todo o auto, a fiscalização utilizou o faturamento apenas das filiais 1, 2 e 3, para o cálculo pois o fiscal não considerava o faturamento das filiais localizadas dentro da área incentivada. No julgamento de 1a instância, com base nos mesmos fundamentos da autuação, a DRJ entendeu assistir razão à empresa em suas alegações de impugnação e determinou que deveriam ser incluídos na base de cálculo do benefício o valor do faturamento das filiais localizadas dentro da área incentivada, independentemente de o CNPJ destes filiais não constar no laudo de concessão. Apenas isso, não modificou nenhum critério jurídico. Apenas, com base no mesmo critério jurídico, determinou o recálculo do benefício com o acréscimo do faturamento de outras filiais da empresa. A modificação da autuação deveuse, unicamente à modificação dos valores de base de cálculo do incentivo e não, como pretende o recorrente, à alteração de fundamento jurídico da autuação, haja vista que a retificação dos cálculos decorreu de pedido do contribuinte, devidamente acatado pela DRJ, no sentido de se incluir na base de cálculo do benefício o valor do faturamento de outras filiais. Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 16682.723001/201529 Acórdão n.º 1401002.947 S1C4T1 Fl. 1509 17 Assim, não se pode considerar que o simples ajuste da base de cálculo do benefício se converta em modificação do critério jurídico da autuação passível de nulidade do lançamento. Por estas razões, neste ponto, entendo não assistir razão ao recorrente, razão pela qual voto por rejeitar também esta preliminar suscitada. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 1509DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.900895/2009-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
INDÉBITO DE ESTIMATIVA DE IRPJ. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Restou pacificado que o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, razão pela qual pode ser objeto de restituição ou compensação. Súmula CARF nº 84.
INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, cabendo ao contribuinte o ônus de prova do indébito que busca utilizar. Assim, uma vez afastado o fundamento que não homologou o pleito da contribuinte, e a fim de não caracterizar supressão de instância, devem os autos retornar à DRF de origem para análise e suficiência do crédito requerido.
Numero da decisão: 1201-002.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar o fundamento da negativa de homologação da PERDcomp e determinar o retorno dos autos à DRF de origem nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10435.900894/2009-20, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 INDÉBITO DE ESTIMATIVA DE IRPJ. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Restou pacificado que o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, razão pela qual pode ser objeto de restituição ou compensação. Súmula CARF nº 84. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, cabendo ao contribuinte o ônus de prova do indébito que busca utilizar. Assim, uma vez afastado o fundamento que não homologou o pleito da contribuinte, e a fim de não caracterizar supressão de instância, devem os autos retornar à DRF de origem para análise e suficiência do crédito requerido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10435.900895/2009-74
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5944984
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-002.654
nome_arquivo_s : Decisao_10435900895200974.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10435900895200974_5944984.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar o fundamento da negativa de homologação da PERDcomp e determinar o retorno dos autos à DRF de origem nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10435.900894/2009-20, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7560886
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148888309760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10435.900895/200974 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201002.654 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2018 Matéria IRPJ ESTIMATIVA COMPENSACAO Recorrente ELO COMUNICACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 INDÉBITO DE ESTIMATIVA DE IRPJ. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Restou pacificado que o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, razão pela qual pode ser objeto de restituição ou compensação. Súmula CARF nº 84. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, cabendo ao contribuinte o ônus de prova do indébito que busca utilizar. Assim, uma vez afastado o fundamento que não homologou o pleito da contribuinte, e a fim de não caracterizar supressão de instância, devem os autos retornar à DRF de origem para análise e suficiência do crédito requerido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar o fundamento da negativa de homologação da PERDcomp e determinar o retorno dos autos à DRF de origem nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10435.900894/200920, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 90 08 95 /2 00 9- 74 Fl. 140DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de DCOMP transmitida pelo contribuinte para fins de compensar pretenso crédito de estimativa de IRPJ com débitos próprios. A Derat, por meio de despacho decisório, não homologou a compensação sob o argumento de que créditos de estimativas de IR e CSLL poderiam ser utilizados apenas na composição do Saldo Negativo do período, conforme previsto no art. 10 da IN SRF 600/2005. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em resumo, que: (i) o crédito é legítimo em face da apuração de prejuízo fiscal no período; (ii) não há base em lei que restringe a compensação; e (iii) os artigos 165 e 170 do CTN garantem o direito de compensar o indébito. A DRJ julgou a manifestação improcedente. Aduz que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal, nos termos da IN 600/2005, realmente somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração ou incluílo na composição do Saldo Negativo do período. A empresa interpôs recurso voluntário contra a decisão, reiterando os argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.652, de 20/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10435.900894/2009 20, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.652): Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10435.900895/200974 Acórdão n.º 1201002.654 S1C2T1 Fl. 3 3 "O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. A compensação objeto de análise não foi homologada em razão da fiscalização e a decisão recorrida entenderem que pagamentos a maior a título de estimativa não seriam passíveis de compensação, em razão de determinação expressa do artigo 10, da IN 600/2005. Ou seja, o montante pago de estimativa somente poderia ser deduzido do IRPJ devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo, não sendo autorizada a "compensação direta", ainda que a estimativa tenha sido recolhida de forma indevida ou a maior. Sobre o tema, vale assinalar que prevaleceu na jurisprudência o entendimento de que estimativas pagas a maior ou indevidamente qualificamse como verdadeiros indébitos na data do recolhimento. Nesse sentido dispõe a Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Cumpre invocar, ainda, os fundamentos do Acórdão da CSRF nº 9101002.003, de 08/06/2017, da lavra do i. Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, que ora transcrevo: Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF nº 84. Mas a questão que deve ser agora analisada é se o acórdão recorrido realmente admitiu uma inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, caracterizadora de ilegalidade. Conforme o despacho de admissibilidade do recurso, contrariamente ao acórdão paradigma, o acórdão recorrido admitiu indiretamente tal situação na medida em que reconheceu a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo da IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado foi pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ. Para o exame da alegada divergência, vale observar que não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados (inclusive pelas DRF e DRJ da Receita Federal) na ótica de sua repercussão Fl. 142DF CARF MF 4 no resultado final do período, como elementos que contribuem para a formação de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado (ainda que somente a partir do ajuste). Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e que embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a perceber que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. Nesse contexto, verificase que a decisão recorrida deve ser reformada, uma vez que foi motivada em entendimento já superado. Isso porque restou assentado que a indicação de direito creditório decorrente de estimativa, ao contrário do que afirma o despacho decisório, gera sim indébito passível de restituição ou compensação. Não obstante, em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Nessa situação particular, a Recorrente apresentou como prova do crédito a sua DIPJ e Darf de recolhimento já em Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10435.900895/200974 Acórdão n.º 1201002.654 S1C2T1 Fl. 4 5 sede de manifestação de inconformidade, mas tais documentos nunca foram apreciados em razão do equivocado fundamento invocado para a negativa do pedido. Assim, uma vez afastado o fundamento que não homologou o pleito da contribuinte, e inclusive para não caracterizar supressão de instância, devem os autos retornar à DRF de origem para análise e suficiência do montante do crédito que foi requerido. Caso a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), e desde que este saldo não tenha sido utilizado em outros pedidos, a compensação deverá ser homologada no limite do crédito que assim for reconhecido. Conclusão Pelo exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar o fundamento da negativa da DCOMP, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para análise do mérito do direito creditório. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar o fundamento da negativa de homologação da PERDcomp e determinar o retorno dos autos à DRF de origem nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
