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Numero do processo: 15374.917120/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/07/2002
COFINS - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - ERRO DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO - DIREITO À RESTITUIÇÃO E À COMPENSAÇÃO DOM DÉBITOS VENCIDOS OU VINCENDOS.
Diante do reconhecimento em diligência fiscal da existência, liquidez e certeza do valor do crédito de COFINS, recolhido indevidamente por comprovado erro em declaração, impõe-se o provimento do recurso para extinção recíproca dos créditos através da compensação.
Numero da decisão: 3402-002.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Winderley Moraes Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior, Leonardo Mussi da Silva (Suplente)..
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/07/2002 COFINS - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - ERRO DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO - DIREITO À RESTITUIÇÃO E À COMPENSAÇÃO DOM DÉBITOS VENCIDOS OU VINCENDOS. Diante do reconhecimento em diligência fiscal da existência, liquidez e certeza do valor do crédito de COFINS, recolhido indevidamente por comprovado erro em declaração, impõe-se o provimento do recurso para extinção recíproca dos créditos através da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Winderley Moraes Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior, Leonardo Mussi da Silva (Suplente)..
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/2002 COFINS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ERRO DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO DIREITO À RESTITUIÇÃO E À COMPENSAÇÃO DOM DÉBITOS VENCIDOS OU VINCENDOS. Diante do reconhecimento em diligência fiscal da existência, liquidez e certeza do valor do crédito de COFINS, recolhido indevidamente por comprovado erro em declaração, impõese o provimento do recurso para extinção recíproca dos créditos através da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça (Relator), Silvia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 71 20 /2 00 8- 32 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 de Brito Oliveira, Winderley Moraes Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior, Leonardo Mussi da Silva (Suplente).. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 46/55) contra o Acórdão DRJ/RJOII nº 1326.536 de 28/09/09 constante de fls. 37/39 exarado pela 4ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro RJ que, por unanimidade de votos, houve por bem “improver” a Manifestação de Inconformidade de fls. 11/19, mantendo o Despacho Decisório da DERAT da DRF do Rio de Janeiro RJ (fls. 09) que indeferiu o Pedido de Restituição de COFINS no valor de R$ 6.653,37 e declarações de compensação com débitos de CSSLL referentes ao período 08/04 no valor de R$ 9.305,41. Por seu turno, a r. decisão de fls. 37/39 da 4ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro RJ, houve por bem “improver” a Manifestação de Inconformidade de fls. 11/19, mantendo o Despacho Decisório da DERAT da DRF do Rio de Janeiro RJ (fls. 09), aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Solicitação Indeferida” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 46/55) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida tendo em vista que: a) a legitimidade do crédito e da compensação pleiteados conforme demonstrativo da base de cálculo da contribuição referente ao período de apuração que teria feito exsurgir o pagamento a maior, contendo a discriminação das receitas auferidas (receitas isentas e receitas tributáveis, auferidas no mercado interno e no mercado externo), as diferenças apuradas, as respectivas folhas do Livro Razão e um relatório de cotação das taxas de câmbio. Submetido o recurso a julgamento, em sessão de 28/10/10, através da Resolução nº 340100.204 (fls. 98/102) a C. 1ª Turma ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, acolhendo proposta do ínclito Relator (Cons. Odassi Guerzoni Filho), por unanimidade de votos converteu o julgamento em diligência, para que Colegiado fosse “informado pela Fl. 128DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15374.917120/200832 Acórdão n.º 3402002.133 S3C4T2 Fl. 3 3 Unidade de origem, à luz dos documentos trazidos pela Recorrente ao processo, bem como de quaisquer outros pertinentes, acerca da existência do direito postulado no PER/Dcomp em questão, ressalvando que a interessada deverá ser cientificada do resultado do exame para, em desejando, se manifeste sobre ele no prazo de vinte dias”. No atendimento à diligência solicitada, a DIORT da DRF do Rio de Janeiro RJ (fls. 105/111) concluiu que: “(...) CONCLUSÃO Em função do exposto: A) CABE O RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO, RELATIVO A CRÉDITOS DA COFINS APURADOS NO 2º TRIMESTRE DE 2002 RELATIVO AO MÊS DE JUNHO, NO VALOR TOTAL DE R$ 6.653,37; B) CABE A HOMOLOGAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO N° 20993.43981.300904.1.3.041467 Enquadramento Legal: Arts. 147, § 1º e 2º , 156, 165 e 170, da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Art. 5º, II da Lei 10.637, de 30/12/2002 (com a redação dada pelo Art. 37 da Lei n° 10.865, de 30/04/2004), MP n° 1.8586, de 29/06/1999 (atual MP n° 2.15835, de 24/08/2001), em seu art. 14, III, § 1º. Visando a economia processual, considero desnecessário a cientificação da interessada quanto ao resultado de exame, por que totalmente favorável a ela.” É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade e, no mérito merece provimento. Realmente, a diligência solicitada, conclui que: “A) CABE O RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO, RELATIVO A CRÉDITOS DA COFINS APURADOS NO 2º TRIMESTRE DE 2002 RELATIVO AO MÊS DE JUNHO, NO VALOR TOTAL DE R$ 6.653,37; B) CABE A HOMOLOGAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO N° 20993.43981.300904.1.3.041467.” Fl. 129DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Diante da existência, liquidez e incerteza do valor do crédito restituendo de COFINS, reconhecida pela própria d. Fiscalização, é evidente que a Recorrente faz jus ao crédito restituendo e à compensação pleiteados, impondose o provimento do recurso, para reforma da r. decisão recorrida, para extinção dos créditos tributários compensados Isto posto voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, para reformar a r. decisão recorrida nos termos dos direitos reconhecidos na diligência. É como voto. Sala das Sessões, em 25 de julho de 2013 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 130DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 28/08/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 19740.720099/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004, 01/05/2005 a 31/05/2005, 01/06/2005 a 30/06/2005, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/04/2006 a 30/04/2006, 01/06/2006 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006, 01/10/2006 a 31/12/2006
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. EXIGÊNCIA.
Apurado em procedimento de fiscalização débitos de Cofins não declarados ou pagos, correta a exigência destes valores por meio de Auto de Infração.
COFINS. FALTA DE DEPÓSITO JUDICIAL. EXIGÊNCIA.
Apurado em procedimento de fiscalização que débitos de Cofins discutidos judicialmente não foram objeto de depósito judicial, correta a exigência destes valores por meio de Auto de Infração.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-002.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eca, Winderley Morais Pereira, Luiz Carlos Shimoyama, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004, 01/05/2005 a 31/05/2005, 01/06/2005 a 30/06/2005, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/04/2006 a 30/04/2006, 01/06/2006 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006, 01/10/2006 a 31/12/2006 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. EXIGÊNCIA. Apurado em procedimento de fiscalização débitos de Cofins não declarados ou pagos, correta a exigência destes valores por meio de Auto de Infração. COFINS. FALTA DE DEPÓSITO JUDICIAL. EXIGÊNCIA. Apurado em procedimento de fiscalização que débitos de Cofins discutidos judicialmente não foram objeto de depósito judicial, correta a exigência destes valores por meio de Auto de Infração. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eca, Winderley Morais Pereira, Luiz Carlos Shimoyama, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2070; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 629 1 628 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.720099/200971 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.154 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de agosto de 2013 Matéria COFINS Recorrente FC FOMENTO MERCANTIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004, 01/05/2005 a 31/05/2005, 01/06/2005 a 30/06/2005, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/04/2006 a 30/04/2006, 01/06/2006 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006, 01/10/2006 a 31/12/2006 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. EXIGÊNCIA. Apurado em procedimento de fiscalização débitos de Cofins não declarados ou pagos, correta a exigência destes valores por meio de Auto de Infração. COFINS. FALTA DE DEPÓSITO JUDICIAL. EXIGÊNCIA. Apurado em procedimento de fiscalização que débitos de Cofins discutidos judicialmente não foram objeto de depósito judicial, correta a exigência destes valores por meio de Auto de Infração. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 00 99 /2 00 9- 71 Fl. 629DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eca, Winderley Morais Pereira, Luiz Carlos Shimoyama, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. “Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 555 a 562, lavrado pela Deinf/Rio de Janeiro em decorrência de falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de R$ 11.960,44, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 11/2004, 05/2005, 06/2005, 02/2006, 04/2006, 06/2006, 08/2006, 10/2006 a 12/2006 (R$ 5.661,73), à multa de ofício de 75% (R$ 4.246,27) e aos juros de mora calculados até 29/05/2009 (R$ 2.052,44). 2. Relata a auditora, no quadro “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 556, que em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo em epígrafe, foi apurada a falta/insuficiência de recolhimento da Cofins – incidência não cumulativa, conforme Termo de Verificação anexo ao Auto. 3. No citado Termo (fls. 543 a 554) a AFRFB informa que: 3.1 A ação fiscal teve origem na análise no processo de acompanhamento judicial n° 10768.017327/0067 efetuada pela Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário/Deinf/RJ e encaminhada ao Serviço de Programação da Atividade Fiscal/Deinf/RJ, aonde foi verificado que o sujeito passivo em epígrafe impetrou o Mandado de Segurança 2000.51.01.0038459 objetivando ser reconhecida a não incidência da Cofins sobre a receita derivada do deságio na aquisição do direito creditório, alegando que a referida operação, por não se caracterizar como prestação de serviços, não configuraria o fato gerador da contribuição; Fl. 630DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19740.720099/200971 Acórdão n.º 3402002.154 S3C4T2 Fl. 630 3 3.2 Foi aberto procedimento de fiscalização, através do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) 0716600.2008002400, referente ao período compreendido entre 07/2004 a 12/2006, para verificar a correta constituição dos créditos tributários relacionados ao objeto da ação, consistente em absterse da obrigação do recolhimento da Cofins incidente sobre o deságio na compra de direitos creditórios; 3.3 Através da impetração do Mandado de Segurança n° 2000.51.0038459, na 23ª VF/RJ, o contribuinte em epígrafe buscou provimento judicial para ser desobrigado ao recolhimento da Cofins incidente sobre o deságio na compra de direitos creditórios. A liminar foi indeferida em 28/03/2000, autorizado, entretanto, a efetuar os depósitos judiciais (fl. 245). Em 15/01/2002 foi prolatada sentença de 1ª Instância que denegou a segurança e determinou a conversão dos depósitos judiciais em renda da União (fl. 247); 3.4 A Apelação da impetrante foi recebida pelo juízo singular no duplo efeito, com o qual continuou autorizada a realização dos depósitos judiciais (fl. 248). Em 18/12/2007, Acórdão da Terceira Turma Especializada do TRF negou, por unanimidade, provimento ao recurso de Apelação (fl. 264). Em face deste Acórdão, o contribuinte interpôs Recurso Especial e Recurso Extraordinário, que foram admitidos em 15/07/2008 (fls. 268 e 473); 3.5 O procedimento de Auditoria foi iniciado em 14/01/2009, dada ciência ao contribuinte do Termo de Início de Ação Fiscal e do MPF (fls.03/04). Neste termo, foi solicitado ao contribuinte que apresentasse os atos constitutivos da empresa e suas alterações nos últimos cinco anos (item 1), cópia do livro Razão Contábil dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, referente às contas “Cofins nãocumulativa” e “Cofins com exigibilidade suspensa” (item 2), balancetes mensais referentes aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006 (item 3) e cópia dos Termos de Abertura e de Encerramento dos Livros Diário referentes aos períodos de apuração de janeiro a dezembro dos anos calendário de 2004, 2005 e 2006 (item 4); 3.6 Em resposta (fl.07), o contribuinte apresentou os documentos de fls. 8 a 238 e 504 a 538; 3.7 Foram confrontadas as planilhas demonstrativas da base de cálculo apresentadas pelo contribuinte à DICAT/DEINF no processo 10768.017327/0067, e posteriormente fornecidas a esta fiscalização (fls.475/501), com os valores declarados em DCTF (fls.292 a 331) e ainda com os valores depositados/recolhidos e os escriturados. Desta análise observouse o seguinte: 3.7.1 Em relação ao anocalendário de 2004: 3.7.1.1 Apenas no mês de Novembro foram encontradas diferenças a menor, tanto no valor depositado quanto no valor recolhido, respectivamente de R$ 303,80 e R$ 28,58; 3.7.1.2 Nos demais períodos, os valores declarados de Cofins com suspensão em DCTF (fls.292/302), foram corretamente depositados judicialmente (fl.275) e os valores de Cofins sobre a Receita de Serviços efetivamente recolhidos (fl. 280), não havendo, portanto, qualquer providência a ser tomada nestes meses por esta fiscalização; Fl. 631DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 3.7.2 Em relação ao anocalendário de 2005: 3.7.2.1 Excetuandose o mês de junho cujo depósito judicial foi feito a menor em R$ 179,09, verificouse que o contribuinte apesar de ter efetuado os depósitos judiciais (fls.275/276) em conformidade com os valores apresentados em sua contabilidade (fls.09/16), não declarou estes valores em DCTF (fls.306/312), motivo pelo qual serão lançados de ofício, com o objetivo de prevenir a decadência, sem multa de ofício ou juros de mora; 3.7.2.2 Em relação à Cofins incidente sobre a Receita de Serviços, o sujeito passivo deixou de efetuar o recolhimento dos valores devidos nos meses de maio e junho, respectivamente de R$ 318,76 e R$ 747,14; 3.7.3 No que tange à Contribuição referente ao anocalendário de 2006: 3.7.3.1 De janeiro a setembro os valores declarados como suspensos (fls.319/329) foram depositados (fls.276/277). Ocorre que os valores encontrados na contabilidade para as Receitas s/ o Deságio (fls. 17/25) foram maiores que as informadas nas Planilhas da Base de Cálculo (fls.490/498), perfazendo diferenças a serem lançadas. Intimado a esclarecer quais as receitas mensais corretas (fl. 468), o contribuinte não prestou a referida informação. Sendo assim, foram lançados nos meses de fevereiro, abril, junho e agosto, respectivamente, R$ 231,41, R$ 779,23, R$ 143,72, R$ 157,99; 3.7.3.2 Em relação aos meses de Outubro e Novembro, o contribuinte declarou em DCTF com suspensão, tanto a Cofins suspensa, incidente sobre a Receita de Deságio, quanto à Cofins incidente sobre a Receita de Serviços (fls. 329/330), efetuando o depósito judicial de todo o valor (fls.277), motivo pelo qual serão lançados de ofício os valores não recolhidos de Cofins incidente sobre a Receita de Serviços nos meses citados, respectivamente, R$ 891,81, R$ 777,13; 3.7.3.3 Quanto ao mês de dezembro, o contribuinte não efetuou qualquer vínculo na DCTF ao valor declarado como devido de R$ 10.371,46 (Planilha 5). Assim quanto ao valor de R$ 7.973,80, informado na Planilha da Base de Cálculo e confirmado na contabilidade como suspenso, será feito lançamento de ofício para prevenir a decadência. Quanto ao valor devido no mês de dezembro, de R$ 923,92, será lançado de ofício para imediata cobrança; 3.7.3.4 Em relação aos valores de Cofins sobre a Receita de Serviços, excetuandose o mês de fevereiro, que teve uma diferença apurada de R$ 179,15, os valores de Cofins devidos, foram devidamente recolhidos (fls.281/282); e 3.8 Este procedimento Fiscal gerou dois Autos de Infração: 19740.720099/200971 e 19740.720100/200967, este último com exigibilidade suspensa, tendo em vista que os valores depositados judicialmente em 2005 foram lançados unicamente para prevenir a decadência, tendo em vista não terem sido declarados em DCTF. 4. Os dispositivos legais infringidos constam na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 557 do referido auto de infração. 5. Cientificada em 22/06/2009 (fl. 558), a contribuinte, inconformada, apresentou, em 22/07/2009, a impugnação de fls. 565/567, na qual alega que: Fl. 632DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19740.720099/200971 Acórdão n.º 3402002.154 S3C4T2 Fl. 631 5 5.1 Entende ter havido um equívoco no levantamento das diferenças de Cofins a recolher apuradas nas competências e lançadas no Auto de Infração ora impugnado, justamente por não refletirem a realidade da escrita contábil apresentada por ocasião da ação fiscal, conforme demonstrado na tabela a seguir: FATO BASE DE VALOR CRÉDITOS+ VALOR DIFERENÇA GERADOR CÁLCULO DEVIDO RET.FONTE PAGO DEPOSITADO 30/11/2004 87.283,71 6.633,56 586,82 6.120,80 (74,06) 31/05/2005 93.200,94 7.083,27 655,39 7.045,56 (617,68) 30/06/2005 101.010,39 7.676,79 631,18 6.583,20 462,41 28/02/2006 107,246,42 8,150,73 527,63 7.691,55 (68,45) 30/04/2006 78.730,56 5.983,52 459,44 5.845,22 (321,14) 30/06/2006 91.081,58 6.922,20 454,60 7.654,20 (1.186,60) 31/08/2006 93.094,83 7.075,21 491,87 7.916,79 (1,333,45) 31/10/2006 143.966,63 10.941,46 856,13 11.519,03 (1.433,70) 30/11/2006 117.232,08 8.909,64 532,67 11.481,56 (3.104,59) 31/12/2006 123.780,61 9.407,33 509,62 10.371,46 (1.473,75) 5.2 Conforme tabela acima, considerandose os débitos apurados com base na escrita contábil e os efetivamente pagos e/ou depositados em juízo, entende a impugnante não haver quaisquer diferença a recolher a título de Cofins para os períodos relacionados no referido Auto de infração, tendo tal tributo, em vários períodos, sido pago a maior do que de fato seria devido, passível de compensação, conforme disciplina a legislação vigente; e 5.3 Diante do exposto, e demonstrada por meio de fundamentos e provas documentais a insubsistência do Auto de Infração n° 19740.720099/200971, espera e requer a impugnante que seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, tornando sem efeito o referido Auto de Infração. 6. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do montante do lançamento de R$ 5.661,73 decidiu pela procedência parcial da impugnação, exonerando o valor de R$ 4.108,48. A motivação para a exoneração foi justificada no voto condutor daquela decisão, da qual transcrevo o trecho abaixo que detalha o entendimento da turma julgadora a quo. " 22. Assim, no mês de maio de 2005, o valor devido da Cofins incidente sobre a “Receita de Serviços”, corresponde a R$ 294,64 (R$ 12.230,68 x 7,6% () R$ 634,89). Exonerase, portanto, a diferença lançada a maior referente ao mês 05/2005, no montante de R$ 24,12 (R$ 318,76 – R$ 294,64). ... 36. No caso em exame, a autoridade fiscal não conseguiu comprovar qual seria o valor mensal auferido pela contribuinte referente à “Receita de Deságio” nos meses 02/2006, 04/2006, 06/2006 e 08/2006, e à “Receita de Serviços”, no mês 02/2006. Por conseguinte, à mingua de instrução primária que dê os Fl. 633DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 contornos materiais que levaram a fiscalização a impugnar a base de cálculo informada pelo contribuinte, apresentase sem sustentação a imposição fiscal sob exame. ... 42. Diante disso, é de se cancelar, integralmente, os lançamentos efetuados referentes à falta de recolhimento da Cofins sobre “Receita de Deságio” nos meses 02/2006, 04/2006, 06/2006 e 08/2006, e à falta de recolhimento da Cofins sobre “Receita de Serviços”, no mês 02/2006. 43. Cabe observar, também, que, em relação ao lançamento efetuado referente à falta de recolhimento da Cofins sobre “Receita de Serviços”, no mês 02/2006 (R$ 179,15), houve erro na apuração da Cofins devida no bimestre de janeiro/fevereiro. Considerando o valor da receita auferida no bimestre (R$ 25.188,88), o somatório dos valores da Cofins devida nos dois meses seria R$ 867,59 (25.188,88 x 7.6% = 1914,35 ()519,13 () 527,63), conforme apurado pela própria auditora à fl. 485, e não R$ 1.046,76, conforme informado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 552). O somatório dos valores recolhidos referente aos dois meses corresponde a R$ 867,61, ou seja, valor maior que o somatório do devido, o que, no entendimento da auditora, não ensejaria o lançamento. ... 51. Como pode ser observado, com o início da vigência da MP nº 135/2003, fica dispensada a constituição de ofício de débito declarado em DCTF com vinculação indevida, possibilitando a sua exigência imediata a partir dos valores previamente auto lançados pelo contribuinte na DTCF (cf. artigo 5º, § 1º, do Decretolei nº 2.124/84), independentemente da formalização de auto de infração. 52. Como o lançamento em questão foi concluído em 22/06/2009 (fl. 558), ou seja, bem depois do início da vigência da MP nº 135/2003, já sob a égide da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, não poderia ter sido objeto de lançamento de oficio os valores declarados em DCTF com vinculação indevida. 53. Insubsistente, portanto, os lançamentos efetuados dos valores devidos da Cofins incidente sobre a “Receita de Serviços”, nos meses 10/2006 e 11/2006, nos respectivos valores de R$ 891,81, R$ 777,13, devendo esses ser cancelados. 54. Quanto ao valor devido da Cofins incidente sobre a “Receita de Serviços”, no mês 12/2006, no montante de R$ 923,92, cabe observar que o referido débito também foi confessado em DCTF, tendo sido, inclusive, disponibilizado à cobrança. Devido a isso, não poderia ter sido objeto de lançamento de ofício. Insubsistente, portanto, o lançamento efetuado do valor devido da Cofins incidente sobre a “Receita de Serviços”, no mês 12/2006, no valor de R$ 923,92, devendo esse ser cancelado." A decisão da DRJ foi assim ementada. "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004, 01/05/2005 a 31/05/2005,01/06/2005 a 30/06/2005, 01/02/2006 a 28/02/2006, Fl. 634DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19740.720099/200971 Acórdão n.º 3402002.154 S3C4T2 Fl. 632 7 01/04/2006 a 30/04/2006, 01/06/2006 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006, 01/10/2006 a 31/12/2006 FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO E/OU DECLARAÇÃO. A falta ou insuficiência de recolhimento e/ou declaração da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004, 01/05/2005 a 31/05/2005, 01/06/2005 a 30/06/2005, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/04/2006 a 30/04/2006, 01/06/2006 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006, 01/10/2006 a 31/12/2006 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. MATÉRIA TRIBUTÁVEL. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DEVER DA FISCALIZAÇÃO. No momento de se verificar os fatos constitutivos de seu direito de exigir determinada exação fiscal, Fazenda Pública tem o dever de provar o que vier a constituir. Somente se inviabiliza a base de cálculo informada pelo autuado, para substituíla por um montante mais gravoso, mediante a apresentação de provas efetivas que explicitem a origem da diferença. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004, 01/05/2005 a 31/05/2005, 01/06/2005 a 30/06/2005, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/04/2006 a 30/04/2006, 01/06/2006 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006, 01/10/2006 a 31/12/2006 CONFISSÃO DE DÍVIDA. DCTF. O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Os valores nele declarados, antes de iniciado o procedimento fiscal, não são objeto de lançamento de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário alegando que por tratarse de lançamento para prevenir a decadência, não cabe a exigência de multa e juros. Pede a exclusão das diferenças relativas ao pagamento da COFINS sobre receitas de serviços da presente demanda, que trata somente da exigência da contribuição sobre receita derivada do Fl. 635DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 deságio na aquisição do direito creditório, objeto do questionamento judicial. No mérito, questiona a exigência da COFINS sobre o deságio. Finalizando, requer o cancelamento do auto de infração afirmando que a exigência de valores depositados somente pode prosperar após o término da ação judicial. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Em sede preliminar, a Recorrente pede o cancelamento da cobrança de multas e juros por tratarse de matéria em discussão judicial. Neste ponto não assiste razão ao recurso. A Recorrente enganase em seus argumentos, visto que a discussão sobre a exigência da COFINS aconteceu em dois processos distintos, o processos de nº 19740.720100/200967, que trata do lançamento para prevenir a decadência dos valores depositados judicialmente, ao amparo do Mandado de Segurança n.° 2000.51.0038459 e o presente processo, que trata do lançamento de valores devidos da COFINS referentes à receita derivada do deságio na aquisição do direito creditório, que não foram depositadas judicialmente e da COFINS devida sobre receita de serviços, que não foram declaradas ou pagas. Destarte, o argumento que a multa e os juros não poderiam ser exigidos em razão do lançamento tratar de débitos sob discussão judicial não pode prosperar. Nos termos já esclarecidos, o presente processo corresponde a valores devidos da COFINS que não foram declarados ou pagos e nestes casos é devido à multa de ofício e os juros moratórios. Quanto ao questionamento do mérito da exigência da COFINS sobre a receita derivada do deságio na aquisição do direito creditório. Não cabe a discussão da matéria em sede administrativa, a Recorrente discute judicialmente a incidência da COFINS sobre estas receitas no Mandado de Segurança n.° 2000.51.0038459. O código Tributário Nacional exclui da apreciação dos tribunais administrativos, a matéria objeto de ação judicial, em obediência ao principio da unidade de jurisdição, prevalente no País, em que decisões judiciais são soberanas e afastam a possibilidade de apreciação da mesma matéria pela via administrativa. Portanto, no caso em tela, tratandose da mesma matéria. A propositura de ação judicial afasta a apreciação pelos ritos do Processo Administrativo Fiscal. Tal entendimento foi objeto da Súmula nº 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade Fl. 636DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19740.720099/200971 Acórdão n.º 3402002.154 S3C4T2 Fl. 633 9 processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Quanto à alegação que o lançamento somente poderia ocorrer quando da decisão final da demanda judicial e que estaria exigindo valores referentes a outras rubricas, que não aquelas discutidas na ação judicial. Também nestas matérias não assiste razão a Recorrente, conforme já detalhado neste voto, o auto de infração controlado neste processo referese à exigência de COFINS devida e não declarada ou paga. Por fim, a alegação apresentada pela Recorrente, que no procedimento instaurado somente poderia ser exigido débitos referentes à discussão judicial. Aqui também não pode prosperar o recurso. No trabalho de fiscalização, a receita federal identificou a existência de valores da COFINS devidos e nada obsta a realizar este lançamento, que foi feito corretamente, apartado da exigência da COFINS objeto de depósito judicial. Destarte, não vislumbro nenhuma irregularidade no procedimento adotado pela Fiscalização da Receita Federal, e a possibilidade da exigência da COFINS neste processo. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 637DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726386/2011-10
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 86 /2 01 1- 10 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COTRANS LOCAÇÃO DE VEICULOS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Curitiba (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de notificação eletrônica de lançamento (fl. 37) emitida em virtude de entrega intempestiva da DCTF. Alega a impugnante a nulidade da ação fiscal e do auto de infração, capitulação legal equivocada, decadência e cobrança abusiva dos juros de mora. A DRJ CuritibaPR , através do acórdão nº 0640.021, de 27 de março de 2013 (fls. 47/51), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DECADÊNCIA. O prazo para o lançamento da multa por atraso na apresentação da DCTF é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da respectiva declaração. Ciente da decisão em 25/04/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 55), apresentou o recurso voluntário em 21/05/2013, onde pugna pela improcedência do lançamento alegando estar albergada pelo instituto da denúncia espontânea e o caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10980.726386/201110 Acórdão n.º 1803001.867 S1TE03 Fl. 83 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega de DCTF. Alega a recorrente que estaria albergada pelo instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN, pois entregou a DCTF antes de qualquer procedimento fiscal. Alude também quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, o que ensejaria a sua inconstitucionalidade e conseqüente desconstituição do lançamento. Não assiste razão à interessada. As matérias alegadas no recurso voluntário não foram objeto de prequestionamento na impugnação, mas em homenagem ao amplo direito de defesa serão apreciadas no presente voto. Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, temse que é defeso ao colegiado julgador administrativo enveredar na análise da constitucionalidade da lei tributária, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Melhor sorte não colhe a recorrente no que tange ao instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Com efeito, o acolhimento da tese da denúncia espontânea quando presentes seus pressupostos, somente se aplica em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias (multa pelo atraso na entrega de declarações por exemplo). Neste sentido, a Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 13839.003388/2008-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 16/10/2007
ADMISSÃO TEMPORÁRIA. EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. EMBALAGENS. PROCEDIMENTO SIMPLIFICADO. REQUISITOS. EXTINÇÃO DA APLICAÇÃO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO.
Sendo incontroverso que houve descumprimento de prazos tanto para a admissão temporária quanto para a exportação temporária, cabível a aplicação das penalidades legalmente estabelecidas para tais hipóteses (art. 76, I e II da Lei no 10.833/2003), o que não prejudica a aplicação de sanções administrativas (como a advertência), entre outras.
SANÇÃO DE ADVERTÊNCIA. MULTA. INDEPENDÊNCIA MATERIAL, DE RITO E DE COMPETÊNCIA.
As penalidades de multa e advertência são independentes, aplicáveis mediante ritos diferentes, e julgadas em instâncias administrativas diversas, sendo incabível este CARF manifestar-se sobre a sanção administrativa de advertência.
MULTA LEGALMENTE ESTABELECIDA. CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA.
Com fulcro na Súmula CARF no 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei (no caso, a Lei no 10.833/2003, art. 72).
RELEVAÇÃO DE PENALIDADES. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO CARF.
A competência para relevação de penalidades a que se refere o art. 736 do Regulamento Aduaneiro é do Ministro de Estado da Fazenda, não incumbindo ao CARF manifestar-se sobre a matéria.
Numero da decisão: 3403-002.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Ivan Allegretti.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 16/10/2007 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. EMBALAGENS. PROCEDIMENTO SIMPLIFICADO. REQUISITOS. EXTINÇÃO DA APLICAÇÃO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. Sendo incontroverso que houve descumprimento de prazos tanto para a admissão temporária quanto para a exportação temporária, cabível a aplicação das penalidades legalmente estabelecidas para tais hipóteses (art. 76, I e II da Lei no 10.833/2003), o que não prejudica a aplicação de sanções administrativas (como a advertência), entre outras. SANÇÃO DE ADVERTÊNCIA. MULTA. INDEPENDÊNCIA MATERIAL, DE RITO E DE COMPETÊNCIA. As penalidades de multa e advertência são independentes, aplicáveis mediante ritos diferentes, e julgadas em instâncias administrativas diversas, sendo incabível este CARF manifestar-se sobre a sanção administrativa de advertência. MULTA LEGALMENTE ESTABELECIDA. CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA. Com fulcro na Súmula CARF no 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei (no caso, a Lei no 10.833/2003, art. 72). RELEVAÇÃO DE PENALIDADES. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO CARF. A competência para relevação de penalidades a que se refere o art. 736 do Regulamento Aduaneiro é do Ministro de Estado da Fazenda, não incumbindo ao CARF manifestar-se sobre a matéria.
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EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. EMBALAGENS. PROCEDIMENTO SIMPLIFICADO. REQUISITOS. EXTINÇÃO DA APLICAÇÃO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. Sendo incontroverso que houve descumprimento de prazos tanto para a admissão temporária quanto para a exportação temporária, cabível a aplicação das penalidades legalmente estabelecidas para tais hipóteses (art. 76, I e II da Lei no 10.833/2003), o que não prejudica a aplicação de sanções administrativas (como a advertência), entre outras. SANÇÃO DE ADVERTÊNCIA. MULTA. INDEPENDÊNCIA MATERIAL, DE RITO E DE COMPETÊNCIA. As penalidades de multa e advertência são independentes, aplicáveis mediante ritos diferentes, e julgadas em instâncias administrativas diversas, sendo incabível este CARF manifestarse sobre a sanção administrativa de advertência. MULTA LEGALMENTE ESTABELECIDA. CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE ADMINISTRATIVA. Com fulcro na Súmula CARF no 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei (no caso, a Lei no 10.833/2003, art. 72). RELEVAÇÃO DE PENALIDADES. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO CARF. A competência para relevação de penalidades a que se refere o art. 736 do Regulamento Aduaneiro é do Ministro de Estado da Fazenda, não incumbindo ao CARF manifestarse sobre a matéria. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 33 88 /2 00 8- 55 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Ivan Allegretti. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls. 2 a 111) lavrado em 15/07/2008 contra a recorrente, para aplicação de multas pelo descumprimento dos regimes aduaneiros especiais de admissão temporária e de exportação temporária, totalizando R$ 169.259,00. No Relatório Final da Auditoria Fiscal (fls. 13 a 16), narrase que: (a) a empresa era habilitada a utilizar os procedimentos simplificados de admissão e exportação temporária previstos na Instrução Normativa SRF no 115/2001, para as mercadorias relacionadas à fl. 13 (carretéis, suportes de ferro e tubos metálicos), e solicitou, em relação às mesmas mercadorias, habilitação segundo a nova norma que veio a tratar da matéria: a Instrução Normativa SRF no 747/2007; (b) a solicitação foi efetuada extemporaneamente (em 06/11/2007, quando o prazo final era 15/10/2007); e (c) tal fato configura “o descumprimento das condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação dos regimes”, aplicandose ao saldo das mercadorias não reimportadas (do exterior, lá permanecendo) ou reexportadas (ao exterior, aqui permanecendo em estoque) em 16/10/2007, as multas previstas nos incisos I e II do art. 72 da Lei no 10.833/2003, conforme quadro de fl. 16. Cientificada da autuação, a empresa apresenta impugnação em 22/08/2008 (fls. 122 a 130), alegando, em síntese, que: (a) o auto de infração foi lavrado em razão de a recorrente apresentar após o prazo seu pedido de habilitação ao procedimento simplificado de que trata a Instrução Normativa no 747/2007, relativa a reimportação e reexportação de recipientes, embalagens e carretéis; (b) a própria Instrução Normativa dispõe (art. 10) sobre as sanções aplicáveis no caso de descumprimento de suas disposições, sendo que a sanção cabível seria de advertência; e (c) houve, assim, mudança de tipificação na infração, ferindose o princípio da legalidade (e tipicidade), porque a conduta que se está punindo não é descumprimento de regime, mas de prazo para apresentar nova habilitação a procedimento simplificado. Adicionalmente, solicita relevação da pena, nos termos do art. 654 do Regulamento Aduaneiro, por não ter havido dano ao Erário, e estar patente a ausência de dolo, agregando que a multa, se aplicada, teria efeito confiscatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 267DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13839.003388/200855 Acórdão n.º 3403002.455 S3C4T3 Fl. 211 3 No julgamento de primeira instância, em 22/03/2012 (fls. 150 a 156), acorda se unanimemente que houve efetivamente o descumprimento dos regimes, ensejando a aplicação das multas, e que as instâncias julgadoras administrativas não detêm competência para decidir sobre pedido de relevação de penalidade. Cientificada da decisão em 24/04/2012 (AR à fl. 159), a empresa apresenta recurso voluntário em 16/05/2012 (fls. 161 a 175), reiterando a argumentação exposta em sua peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Há que se esclarecer, de início, o tema sobre o qual se está a discutir no presente processo. Da admissão e da exportação temporárias, e das simplificações O regime aduaneiro especial denominado admissão temporária permite a entrada no País de bens estrangeiros que devam aqui permanecer durante prazo fixado, com suspensão do pagamento de tributos, como estabelece o art. 75 do DecretoLei no 37/1966, regulamentado pelo art. 353 do Decreto no 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro). O Regulamento estabelece que incumbe à RFB definir os casos em que fica permitida a admissão temporária (art. 355), podendose citar como exemplos de casos de aplicação as competições desportivas, feiras e eventos realizados no País. Nesses casos, registrase para os bens uma declaração de importação, que permite a estes a permanência no País pelo prazo de concessão do regime, dentro do qual devem (a) retornar ao exterior, sem pagamento de tributos, ou (b) passar por uma das outras formas de extinção da aplicação do regime (despacho para consumo, destruição sob controle aduaneiro, entrega à Fazenda ou transferência de regime). No retorno ao exterior (reexportação), deve ser registrada uma declaração de exportação (em regra, simplificada). O regime aduaneiro especial denominado exportação temporária permite a saída do País, a título temporário, de bens nacionais ou nacionalizados, com suspensão do pagamento do imposto de exportação, como estabelece o art. 92 do DecretoLei no 37/1966, regulamentado pelo art. 431 do Decreto no 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro). De modo semelhante à admissão temporária, o Regulamento estabelece que incumbe à RFB definir os casos em que fica permitida a exportação temporária (art. 432), podendose também citar como exemplos de casos de aplicação as competições desportivas, feiras e eventos realizados fora do País. Nesses casos, registrase para os bens uma declaração de exportação, que permite a estes a permanência no exterior pelo prazo de concessão do regime, dentro do qual devem (a) retornar ao País, sem pagamento dos impostos de exportação e de importação, ou (b) ser Fl. 268DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 exportados definitivamente. No retorno ao País (reimportação), deve ser registrada uma declaração de importação (em regra, simplificada). Ou seja, estamos falando de regimes temporários simétricos, com aplicação iniciada por uma declaração aduaneira (de importação ou exportação), e em regra, extintos por outra declaração aduaneira (de importação, de exportação ou de transferência de regime). Em 1997, a RFB resolveu estabelecer procedimentos mais simplificados ainda para admissão e exportação temporárias de “recipientes, embalagens, envoltórios, carretéis, separadores, racks, clip locks e outros bens com finalidade semelhante”. Assim, a empresa que exporta têxteis, por exemplo, em carretéis retornáveis, ou que exporta peixes em caixas de isopor retornáveis, não teria que a cada entrada ou saída registrar uma declaração exclusivamente para a embalagem retornável. Tais procedimentos simplificados representaram significativo avanço em termos de celeridade no despacho e de redução de custos, e suas normas instituidoras (Instrução Normativa SRF no 50/1997, posteriormente revogada pela Instrução Normativa SRF no 115/2001, vigente no momento da habilitação inicial da recorrente) exigiram das empresas interessadas em obter a simplificação, como contrapartida, uma habilitação junto à RFB. Na solicitação da habilitação, conforme a Instrução Normativa SRF no 115/2001, a empresa deve descrever os bens objeto do regime, seus respectivos valores e quantitativos máximos de cada espécie que se encontrem no País ou no exterior, bem assim a unidade aduaneira na qual serão processados os despachos de admissão e exportação temporárias. E a autoridade competente para habilitar (Superintendente da RFB) estabelece, em Ato Declaratório, quais os quantitativos máximos dos bens (no País e no exterior) que podem ser objeto do procedimento simplificado. Assim, grosso modo, as empresas habilitadas não mais precisariam registrar declarações específicas nas entradas e saídas dos bens objeto dos regimes com procedimento simplificado (dentro dos quantitativos concedidos) acompanhando mercadorias, mas tão somente manter uma espécie de contacorrente com os registros atualizados de entrada e saída. Da matéria inequívoca nos presentes autos A recorrente solicitou sua habilitação aos procedimentos simplificados, obtendoa mediante o Ato Declaratório SRRF/08 no 53, de 28/07/2006, que permitiu os procedimentos simplificados para os bens relacionados no quadro de fl. 13. Em consulta ao sítio da imprensa nacional, localizouse o referido Ato Declaratório (DOU de 02/08/2006, pg. 147), que concede à empresa habilitação para os seguintes bens e quantidades máximas: Bens NCM Valor unitário (US$) Quantidades máximas 1. Carretel de alumínio 7616.99.00 1.500,00 288 2. Suporte de ferro 7326.90.00 200,00 288 3. “Cops” tubo de ferro 7326.90.00 2,00 40.000 4. Carretel de alumínio 21x42 cm, 46 Kg 7616.99.00 75,00 400 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13839.003388/200855 Acórdão n.º 3403002.455 S3C4T3 Fl. 212 5 5. Suporte de ferro grande p/ carretéis (“racks”), 120 Kg 7326.90.00 50,00 50 6. Suporte de ferro pequeno p/ carretéis (“racks”), 50 Kg 7326.90.00 50,00 50 7. Carretel de alumínio 30x42 cm 7616.99.00 900,00 3.000 8. Carretel de alumínio 21x42 cm 7616.99.00 500,00 4.500 9. “Cops” tubo metálico c/ cobertura plástica 7326.90.00 0,25 17.000 A autuação traz os registros de contacorrente para cada um dos nove itens, sendo os sete primeiros estrangeiros (fls. 17 a 20) e os dois últimos nacionais (fls. 22 a 26), conforme se relata na autuação. Em 15/06/2007 é publicada a Instrução Normativa RFB no 747/2007, que revoga a Instrução Normativa SRF no 115/2001. A norma revogadora estabeleceu, em seu art. 15: “Art. 15. Os procedimentos previstos na Instrução Normativa SRF nº 115, de 31 de dezembro de 2001, aplicamse às pessoas jurídicas habilitadas durante a sua vigência, observados os requisitos e condições nela estabelecidos, por cento e vinte dias após a publicação desta Instrução Normativa. § 1º No prazo mencionado no caput, a empresa interessada deverá apresentar novo pedido de habilitação, observado o disposto nesta Instrução Normativa, ou providenciar a comprovação da extinção dos regimes de admissão ou exportação temporária concedidos com base na Instrução Normativa SRF nº 115, de 2001. (...)” (grifo nosso) Assim, teria a recorrente duas possibilidades: (a) apresentar novo pedido de habilitação até 15/10/2007; ou (b) providenciar a comprovação da extinção da aplicação dos regimes concedidos antes de 15/10/2007. Na autuação, informase que a recorrente apresenta seu novo pedido de habilitação em 06/11/2007, portanto, intempestivamente. O documento juntado aos autos à fl. 21 registra o complemento do novo pedido de habilitação em 22/01/2008. Em sua impugnação e em seu recurso voluntário a empresa não contesta a afirmação de que a apresentação do novo pedido de habilitação foi intempestiva, nem questiona as quantidades constantes do contacorrente (mercadorias em admissão temporária que não retornou ao exterior e mercadorias e m exportação temporária que não retornou ao Brasil). Inequívocas, assim, a intempestividade do pedido e a identificação das quantidades de mercadorias que se encontravam pendentes de extinção da aplicação do regime em 15/10/2007. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 Da matéria controversa nos presentes autos Assentadas as premissas fáticas, a discussão nos presentes autos limitase a matéria de direito. Fazse necessário esclarecer, logo de início, que a autuação não é simplesmente pelo fato de a empresa não ter tempestivamente solicitado novo pedido de habilitação (como entende incorretamente a recorrente). Vejase que mesmo sendo intempestiva a solicitação, medida sancionatória alguma poderia ser adotada se a recorrente houvesse providenciado a comprovação da extinção da aplicação dos regimes concedidos antes de 15/10/2007. Ou seja, a simples intempestividade da solicitação de habilitação não motivaria a autuação, que só existe porque além de ser intempestiva a solicitação, não foi providenciada a extinção da aplicação dos regimes de admissão e exportação temporárias. Basta a simples leitura do Relatório Final da Auditoria Fiscal para saber que o enquadramento adotado na autuação é o constante no art. 72, I e II da Lei no 10.833/2003 (descumprimentos dos regimes): “Art. 72. Aplicase a multa de: I – 10% (dez por cento) do valor aduaneiro da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de admissão temporária, ou de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime; e II – 5% (cinco por cento) do preço normal da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, ou de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime. § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A multa aplicada na forma deste artigo não prejudica a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso.” (grifo nosso) Como o prazo final de aplicação tanto da admissão temporária quanto da exportação temporária foi 15/10/2007, qualquer mercadoria estrangeira (itens 1 a 7) que permanecesse no País após tal prazo, ou qualquer mercadoria nacional ou nacionalizada (itens 8 e 9) que deixasse de regressar ao Brasil após tal prazo estaria descumprindo os prazos do regime, impondose a aplicação da penalidade. Assim, tão nítido quanto o descumprimento de prazo do regime é a correta tipificação da penalidade, legalmente estabelecida. Quando se argumenta na impugnação (e no recurso voluntário) que a penalidade constante do art. 10 da Instrução Normativa SRF no 115/2001 deveria ser aplicada, por ser mais específica, incorrese em flagrantes ofensas jurídicas. Vejase o que estabelece o referido art. 10: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13839.003388/200855 Acórdão n.º 3403002.455 S3C4T3 Fl. 213 7 “Art. 10. O descumprimento do disposto nesta Instrução Normativa sujeita o beneficiário às seguintes sanções administrativas: I advertência, na hipótese de descumprimento de norma operacional, prevista nesta Instrução Normativa ou em atos executivos a ela relacionados; (...) § 1º As sanções administrativas serão aplicadas na forma estabelecida no art. 76 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 2º A aplicação das sanções administrativas estabelecidas neste artigo não exime o beneficiário da aplicação de outras penalidades previstas na legislação.” (grifo nosso) Removase desde já a ilusão de que tal penalidade é estabelecida pela Instrução Normativa. É sempre bom recordar que as penalidades devem ser estabelecidas em Lei. Assim, o comando do art. 10 é simplesmente um reflexo do que estabelece a já citada Lei no 10.833/2003, agora em seu art. 76: “Art. 76. Os intervenientes nas operações de comércio exterior ficam sujeitos às seguintes sanções: I advertência, na hipótese de: (...) i) descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, ou para habilitarse ou manter recintos nos quais tais regimes sejam aplicados; ou (...) § 8º Compete a aplicação das sanções: I ao titular da unidade da Secretaria da Receita Federal responsável pela apuração da infração, nos casos de advertência ou suspensão; ou (...) § 9º As sanções previstas neste artigo serão aplicadas mediante processo administrativo próprio, instaurado com a lavratura de auto de infração, acompanhado de termo de constatação de hipótese referida nos incisos I a III do caput. § 10. Feita a intimação, pessoal ou por edital, a não apresentação de impugnação pelo autuado no prazo de 20 (vinte) dias implica revelia, cabendo a imediata aplicação da sanção pela autoridade competente a que se refere o § 8º. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 (...) § 13. Da decisão que aplicar a sanção cabe recurso, a ser apresentado em 30 (trinta) dias, à autoridade imediatamente superior, que o julgará em instância final administrativa. (...) § 15. As sanções previstas neste artigo não prejudicam a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso.” Novamente, a simples leitura dos arts. 72 e 76 da Lei no 10.833/2003 espanca qualquer dúvida sobre a independência (e a possibilidade de cumulação) entre as penalidades, que possuem inclusive ritos diversos. Reparese que ambos os textos legais (arts. 72 e 76) literalmente explicitam a possibilidade de cumulatividade com outras penalidades cabíveis. Na legislação aduaneira, há basicamente três tipos de penalidades cabíveis: perdimento (de bens, de veículos ou de moeda), multa (em percentual do imposto devido; em percentual do valor aduaneiro, do preço ou do valor comercial; e em valor fixo) e sanção administrativa (advertência, suspensão e cassação). Incabível ao julgador, assim, optar entre multa ou advertência, ou substituir uma pela outra. Ademais, entendendo esse tribunal pela inaplicabilidade da multa, isso não afeta em nada a possibilidade de aplicação da advertência, que tem rito próprio, e que não deságua nem nas DRJ nem neste CARF, diante da competência (hierárquica, dos Superintendentes Regionais da RFB) para apreciar recursos de aplicação de advertência pelas unidades da RFB, estabelecida no § 13 do art. 76 da Lei no 10.833/2003 (anteriormente reproduzido). Assim, além de serem as penalidades de multa e advertência independentes, elas são aplicáveis por ritos diferentes, e julgadas em instâncias administrativas diversas. Totalmente incabível, então, manifestarse este CARF sobre a aplicação de sanção administrativa de advertência. Caso a autoridade tenha também lavrado autuação para aplicação da sanção administrativa de advertência (não há nenhuma informação a respeito disso nos autos), tal autuação deve ser apreciada pelas instâncias competentes, e em nada interfere no presente julgamento. Assim, sendo incontroverso que houve descumprimento de prazos tanto para a admissão temporária quanto para a exportação temporária, cabível a aplicação das penalidades legalmente estabelecidas para tais hipóteses (art. 76, I e II da Lei no 10.833/2003), o que não prejudica a aplicação de sanções administrativas (como a advertência), entre outras. E tais multas (de 5% do preço e de 10% do valor aduaneiro dos bens) não violam o princípio constitucional da vedação ao confisco, seja pelos próprios percentuais estabelecidos, seja pelo fato de a vedação ao confisco referirse a tributos (e não a penalidades). Ademais, este tribunal administrativo não detém competência para a análise da constitucionalidade de leis (com destaque para as tributárias), em face da Súmula CARF no 2: Fl. 273DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13839.003388/200855 Acórdão n.º 3403002.455 S3C4T3 Fl. 214 9 “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Resta derradeiramente avaliar a solicitação de relevação da aplicação da pena, nos termos do art. 654 do Regulamento Aduaneiro, sob as alegações de que não houve dolo nem dano ao Erário. A menção é ao Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto no 4.543/2002), mas o texto permanece o mesmo no art. 736 do atual Regulamento Aduaneiro: “Art. 736. O Ministro de Estado da Fazenda, em despacho fundamentado, poderá relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência de recolhimento de tributos federais, atendendo (DecretoLei No 1.042, de 21 de outubro de 1969, art. 4º, caput): I a erro ou a ignorância escusável do infrator, quanto à matéria de fato; ou II a equidade, em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso. § 1º A relevação da penalidade poderá ser condicionada à correção prévia das irregularidades que tenham dado origem ao processo fiscal (DecretoLei nº 1.042, de 1969, art. 4º, § 1º). § 2º O Ministro de Estado da Fazenda poderá delegar a competência que este artigo lhe atribui (DecretoLei nº 1.042, de 1969, art. 4º, § 2º).” (grifo nosso) Neste tópico, não há dúvidas de que a competência é do Ministro da Fazenda. E ele não a delegou ao CARF, mas ao Secretário da Receita Federal, conforme Portaria MF no 370/1979 (alínea “a” do inciso VII do item 1), sendo que hoje a matéria (exceto no que se refere a perdimento), resta subdelegada ao Subsecretário de Aduana e Relações Internacionais (conforme art. 4o da Portaria RFB no 3.559/2011). Assim, carece este tribunal administrativo de competência para analisar o pedido de relevação derradeiramente externado. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 274DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 10 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10183.002146/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2101-000.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
______________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
_______________________________________________
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Francisco Marconi de Oliveira, Célia Maria de Souza Murphy e Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) ______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) _______________________________________________ GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Francisco Marconi de Oliveira, Célia Maria de Souza Murphy e Alexandre Naoki Nishioka.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) ______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) _______________________________________________ GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Francisco Marconi de Oliveira, Célia Maria de Souza Murphy e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2009, consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls. 9/13, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.861,66, mais RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .0 02 14 6/ 20 10 -2 2 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.002146/201022 Resolução nº 2101000.146 S2C1T1 Fl. 100 2 cominações legais, relativo a rendimentos recebidos do Fundo de Previdência Social de Mato Grosso do Sul, CNPJ nº 04.238.585/000133. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: · É aposentada por invalidez, fazendo jus a isenção de imposto de renda, segundo os documentos anexos; · Requer o cancelamento do lançamento. A 4ª Turma da DRJ/CGE julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2009 ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE. SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. Somente são isentos os rendimentos de aposentadoria quando a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e do Distrito Federal ou dos Municípios e essa doença deve estar relacionada como grave para fins de isenção do imposto de renda, segundo a legislação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 16/12/2011 (fl.73), o contribuinte apresenta Recurso Voluntário em 03/01/2012, fl.74 e seguintes, sustentando, essencialmente os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A matéria em debate nos autos é por demais conhecida pelos membros desta Câmara, já que se trata de concomitância entre processo administrativo e judicial. Em diversas ocasiões este Órgão Administrativo já se manifestou, conforme se observa de alguns julgados idênticos ou similares que transcrevo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL COM IDÊNTICO OBJETO AO DO PRESENTE ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF N. 01. Demonstrada a existência de ação judicial já transitada em julgado que reconheceu a não incidência do IRPF sobre os rendimentos objeto do lançamento, tal fato por si só implica em Fl. 100DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.002146/201022 Resolução nº 2101000.146 S2C1T1 Fl. 101 3 renúncia à via administrativa. Recurso não conhecido. (Acórdão nº Acórdão 2802002.074). CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Acórdão nº Acórdão 2201002.089). PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Pública, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, pedido ou causa de pedir, importa em renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, na forma do Par. Único, do art. 38, da Lei n° 6.830, de 1980 e Súmula 01, deste Conselho. (Acórdão nº Acórdão 2201002.137). PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão nº Acórdão 3302002.168). No caso dos autos, consoante Memorando da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, às folhas 96, destinado à DRF/Cuiabá – MT, constatase ação ajuizada pela Recorrente, em face da União, perante o Juizado Especial Federal de Mato Grosso, a qual recebeu o nº 465157.2012.4.01.3600, requerendo a restituição de imposto de renda dos exercícios de 2007 a 2009. A 6ª Vara do referido Juizado, em pedido de antecipação de tutela, indeferiu o pleito, de cujo julgado obtido no sítio do TRF 1ª Região, se extrai o seguinte teor: “Tratase de pedido de antecipação de tutela para compelir a ré a promover a restituição de imposto de renda no valor de R$ 10.044,87. A parte autora alega que, apesar de ter direito à isenção de imposto de renda em razão de aposentadoria por invalidez decorrente de moléstia profissional, houve incidência indevida sobre os seus proventos.” Contudo, considerando que não há nos autos, documentos que identifiquem, com inegável clareza, ser o motivo de pedir no presente processo administrativo, o mesmo Fl. 101DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.002146/201022 Resolução nº 2101000.146 S2C1T1 Fl. 102 4 apresentado na demanda judicial, fato que em sendo confirmado motivará o não conhecimento do recurso, consoante o disposto na Súmula CARF nº 1, voto por converter o julgamento em diligência, a ser realizada pela repartição de origem, com a finalidade de intimar a contribuinte a trazer ao processo os seguintes documentos: a) Cópia da petição inicial alusiva ao processo judicial nº 4651 57.2012.4.01.3600, protocolada no Juizado Especial Federal de Mato Grosso; e b) Certidão de breve relato expedida pelo cartório judicial da vara em que tramita a ação, na qual conste o objeto do pleito e a situação atual do processo. Tal diligência visa, portanto, colacionarmos ambos pedidos (esfera judicial e administrativa) para adequado convencimento. Finda a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, e de tudo deve se dar ciência à contribuinte, para, querendo, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias. Feito isso, os autos devem retornar a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. (assinado digitalmente) _______________________________________________ Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa – Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10380.900665/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/06/2007, 20/07/2007, 20/08/2007, 20/09/2007, 19/10/2001, 20/11/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO
O reconhecimento de parte do crédito financeiro pleiteado no Pedido de Ressarcimento (PER) implica a homologação das compensações dos débitos fiscais declarados nas Dcomps até o limite do valor reconhecido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
Numero da decisão: 3301-001.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Resp 993.164, sob o regime do art. 543C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhecese o direito ao crédito presumido do IPI sobre aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, de pessoas físicas. CASCAS DE CASTANHA DE CAJU (COMBUSTÍVEL). AQUISIÇÕES. Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/06/2007, 20/07/2007, 20/08/2007, 20/09/2007, 19/10/2001, 20/11/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento de parte do crédito financeiro pleiteado no Pedido de Ressarcimento (PER) implica a homologação das compensações dos débitos fiscais declarados nas Dcomps até o limite do valor reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 06 65 /2 01 0- 21 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Belém que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento (PER) de crédito presumido do IPI às fls. 02/12, apurado para o 1º trimestre de 2001, transmitido na data de 03/10/2005, e não homologou as compensações declaradas nas Dcomp nº 37206.25080.170209.1.7.016098 e nº 16505.41995.170209.1.7.018942. A DRF em Fortaleza indeferiu o ressarcimento e não homologou as compensações declaradas sob o fundamento de que todos os créditos apurados pela recorrente foram glosados, conforme despacho às fls. 13. Inconformada com indeferimento do seu pedido e não homologação das compensações declaradas, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 17/25), insistindo no ressarcimento e na homologação das compensações, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “a empresa apresentou, tempestivamente, em 09.09.2010, manifestação de inconformidade (fls. 17/25) na qual, em síntese, defende o seu direito, considerando que o motivo do indeferimento já teria sido ultrapassado na esfera administrativa, não interessando se seus produtos são NT ou se os insumos são adquiridos de pessoas físicas ou cooperativas.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0123.720, datado de 07/12/2011, às fls. 37/40, sob a seguinte ementa: “CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. O crédito presumido relativo a produtos utilizados como insumos na industrialização de produtos exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições em que houve incidência do PIS/Pasep e da Cofins.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 46/57), requerendo a sua reforma a fim de que se defira seu pedido de ressarcimento e homologue as compensações declaradas, alegando, em síntese, que faz ao crédito presumido do Fl. 64DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.900665/201021 Acórdão n.º 3301001.930 S3C3T1 Fl. 64 3 IPI apurado sobre os custos com aquisições de castanha in natura (matériaprima) e de casca de castanha utilizada como combustível em caldeira, adquiridos de pessoas físicas, tendo em vista que a Lei nº 9.363, de 1996, não restringiu esse benefício às aquisições de pessoas jurídicas. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A questão oposta nesta fase recursal se restringe ao direito de a recorrente apurar créditos presumidos do IPI sobre aquisições, no mercado interno, de castanha de caju in natura (matériaprima) de pessoas físicas (produtores rurais) e de casca de castanha de caju utilizada como combustível na caldeira. A Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, que institui o crédito presumido do IPI, assim dispõe: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 4º Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente.” (...). Conforme se verifica do conteúdo do art. 1º dessa lei, o crédito presumido do IPI é o valor do PIS e da Cofins incidente e pago nas respectivas aquisições, sendo que o art. 5º, daquela mesma lei, estabelece que eventual restituição ao fornecedor das contribuições pagas, bem assim a compensação com outros débitos tributários implica estorno do crédito presumido pelo produtor exportador. Assim, não tendo o produtor exportador pagado PIS e Cofins nas aquisições de não contribuintes destas contribuições, não há do que se ressarcir. Ressarcimento implica Fl. 65DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 pagamento na etapa anterior, como não houve pagamento das contribuições não há custos a serem ressarcidos. No entanto, em face do julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no RESP 993.164, decidido sob o regime do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC), e do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62A, os valores dos créditos presumidos do IPI, apurados sobre aquisições de cooperativas e de pessoas físicas, glosados pela autoridade administrativa competente e mantidos pela autoridade julgadora de primeira instância, deverão ser restabelecidos, reconhecendose à recorrente o direito ao ressarcimento do benefício sobre aquisições daquelas pessoas. Quanto aos custos com aquisições de cascas de castanha de caju, utilizadas como combustível, além de não constituir matériaprima nem produto intermediário empregado na industrialização da castanha, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, citado e transcrito anteriormente, tratase de matéria sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), nos termos da súmula nº 19, que assim dispõe: “Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” Dessa forma, em relação à glosa dos créditos presumidos do IPI apurados sobre os custos com cascas de castanha de caju, utilizadas como combustível em caldeiras, aplicase esta súmula, mantendose a glosa efetuada pela autoridade administrativa competente. Já em relação à homologação das compensações declaradas, a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). “§ 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). (...).” Conforme se verifica deste dispositivo legal, a compensação, mediante a entrega e/ ou a transmissão de Dcomp, assim como a sua homologação, depende da certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.900665/201021 Acórdão n.º 3301001.930 S3C3T1 Fl. 65 5 No presente caso, a recorrente faz jus ao ressarcimento de parte dos créditos presumidos do IPI, utilizados nas Dcomps enumeradas no Despacho Decisório às fls. 13, correspondente aos créditos apurados sobre os custos com aquisições de castanha in natura de pessoas físicas, produtores rurais. Assim, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, citado e transcrito anteriormente, o valor do ressarcimento, ora reconhecido, pode ser compensado com os débitos declarados nas referidas Dcomp. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos presumidos do IPI sobre os custos com aquisições de castanhas de caju in natura, de pessoas físicas, efetivamente utilizadas na industrialização dos produtos exportados, cabendo à autoridade administrativa competente apurar o valor total dos créditos e homologar as compensações dos débitos declarados até o limite apurado. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 67DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 16327.911205/2009-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Converteu-se o julgamento em diligência, por maioria de votos, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos o Relator, que deu provimento, e o Conselheiro Belchior Melo de Sousa, que negou provimento. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira (assinado digitalmente)
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente substituto
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani Relator vencido
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente).
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Converteuse o julgamento em diligência, por maioria de votos, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos o Relator, que deu provimento, e o Conselheiro Belchior Melo de Sousa, que negou provimento. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente substituto (assinado digitalmente) Juliano Lirani – Relator vencido (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente). Trata de PER/DCOMP apresentado com a finalidade de compensar crédito de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF, proveniente do recolhimento a maior no valor de R$ R$ 100.450,00, com débito de IRRF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 11 20 5/ 20 09 -1 6 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/ 09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 16327.911205/200916 Resolução nº 3803000.252 S3TE03 Fl. 11 2 Às fls. 23 consta despacho decisório, por meio do qual não foi homologado o pedido de compensação, sob o argumento de inexistência do crédito. Após o despacho decisório o contribuinte apresentou DCTF retificadora às fls.87/90. Já as fls. 01/12 o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e apontou o seguinte em sua defesa: O Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação, vez que o recolhimento indevido no montante original de R$ R$ 100.450,00 não foi demonstrado; Com fundamento no princípio da verdade material, o IOF recolhido a maior deve ser restituído e homologada a compensação; A incidência do IOF ocorreu com fundamento no art. 7º , I, "b", 1. do Decreto n° 4.494/02 em razão de operações de empréstimos a clientes; O Decreto nº 4.494/2002, no art. 7º , § 1º , limitou a incidência do IOF sobre as operações de crédito financiamento ao "valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, multiplicada por trezentos e sessenta e cinco dias" (365 dias x 0,0041%); A recorrente recolheu R$ R$ 100.450,00 indevidamente em razão de erro no sistema, que considerou novamente o IOF em cada prorrogação do prazo da operação, dessa forma não limitou o cálculo do IOF até a alíquota máxima de 0,0041% x 365 dias, conforme Anexos 4 e 5. A requerente efetuou a devolução dos valores indevidamente retidos aos clientes, acrescidos de juros e correção monetária e isso comprova ter assumido o encargo financeiro do recolhimento a maior do IOF indevidamente recolhido, razão pela qual tem direito a sua restituição/compensação, consoante Anexo 6; Às fls. 93/95 sobreveio o acórdão n.º 0532.240 – 3ª a Turma da DRJ/CPS, cuja ementa segue abaixo: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Data do fato gerador: 20/08/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação dos créditos declarados em declaração de compensação está submetida a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Conforme se retira da decisão da DRJ, foi indeferida integralmente a homologação da compensação do crédito pretendido, sob argumento de que na PER/DCOMP à fl. 30 o recorrente indicou um DARF, recolhido em 20/08/2003, no valor de R$ 312.888,32 para constituir o crédito a ser compensado. Entretanto, na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte menciona DARF no valor de RS 659.511,55, afirmando que esse sim seria o correto, conforme se retira do Anexo 7, juntado à fl. 50. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/ 09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 16327.911205/200916 Resolução nº 3803000.252 S3TE03 Fl. 12 3 A DRJ ainda manifesta posicionamento de que a Manifestação de Inconformidade não tem condão de substituir a DCTF, mas sim somente a DCTF retificadora, com fundamento nas Instruções Normativas nº 360/2003, 376/2003, 460/2004, 600/2005 e 900/2008. Em seu recurso voluntário, o contribuinte suscita em sede de preliminar que há a necessidade do presente processo ser julgado conjuntamente com outros 49 processos, tendo em vista tratarse da mesma matéria, com fundamento no art. 6º, do Anexo II do RICARF e no art. 105 do CPC. Quanto ao mérito, o contribuinte alega que o crédito pleiteado decorre de operação de crédito (empréstimo) em razão da qual se recolheu o IOF com valor superior à alíquota máxima prevista na legislação aplicável. O recorrente alega que o motivo do recolhimento a maior do imposto decorreu de que seus sistemas internos consideraram a prorrogação do prazo da operação como novo empréstimo, de forma a não aplicar o referido limite máximo. O contribuinte afirma ter celebrado contrato de mútuo com a empresa Danone, no valor de R$ 14.000.000,00, sendo que este contrato foi prorrogado, em 15.05.2002 e 13.08.2002. O recorrente argumenta ter retido o IOF de sua cliente sem levar em conta o limite anual e por conta disso ocasionou no valor a restituir. O recorrente advoga que em 20.08.2003 recolheu IOF no valor de R$ 206.640,00, sendo que desse valor R$ 100.450,00 representa o crédito e portanto o pagamento indevido do imposto e R$ 106.190,00 o valor devido à Fazenda Nacional. Em sua defesa ainda esclarece que o erro no preenchimento da DCOMP aconteceu quando efetuou o pagamento do IOF e apontou o DARF no valor de R$ 312.888,93 como o referente ao pagamento, quando o correto seria informar o DARF no valor de R$ 659.511,55, conforme segue à fl. 146. Às fls. 140 e seguintes segue em anexo o contrato de empréstimo firmado com a Danone e fl. 145 o extrato da conta bancária de seu cliente comprovando o estorno do valor de R$ 100.450,00 em 26/05/2004 à fl. 148. Assim, considerando que a recorrente constituiu provas em seu favor, cabe agora a Fazenda Nacional demonstrar que o empréstimo não ocorreu e anexa decisão do CARF neste sentido. Além do que, afirma ser irrazoavel ao Fisco exigir o extrato e desconsiderar o conjunto probatório colacionado. Por fim, protesta pela reforma da decisão e pela homologação da compensação. VOTO VENCIDO Conselheiro Juliano Lirani O recurso voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/ 09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 16327.911205/200916 Resolução nº 3803000.252 S3TE03 Fl. 13 4 A preliminar trazida pelo contribuinte deve ser rejeitada, já que não encontra respaldo na legislação federal. Além do que não há prejuízo à ampla defesa a realização do julgamento do presente processo isoladamente. Conforme relatado, a DRJ indeferiu o pedido de compensação em razão de que no seu entendimento o contribuinte não tem direito de substituir a DCTF pela Manifestação de Inconformidade, mas sim somente com a apresentação da DCTF retificadora. Impende destacar que o contribuinte anexou aos autos contrato de mútuo firmado com a Danone, bem como demonstrou ter ocorrido a sua prorrogação e anexou planilhas demonstrando os valores retidos a título de IOF. Outra prova não menos importante consiste no estorno do imposto da conta corrente de seu cliente, conforme se verifica dos autos à fl. 148. Diante desse panorama, restou comprovado o direito do contribuinte na medida em que o contrato de mútuo e as citadas declarações constituem elemento probatório irrefutável e que não pode desconsiderando pela Fazenda. Ademais, conforme consignado na decisão objurgada “...os cálculos demonstrados nas planilhas guardam coerência numérica com as alegações, uma vez que nelas se constata que os valores reivindicados pela interessada são equivalentes àquele excesso”. O art. art. 7º da IN 600 dispõe que os erros materiais podem ser corrigidos pelo contribuinte. Desse modo, fazse necessária a homologação da compensação almejada pelo contribuinte, nos termos da PER/DCOMP apresentada, sob pena da medida fiscal tornarse confiscatória, atentando contra os direitos e garantidas fundamentais do contribuinte, previstos na Constituição Federal. Ante o exposto, conheço do recurso e no mérito doulhe provimento. Juliano Lirani Relator VOTO VENCEDOR Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Destacamos que o contribuinte anexou aos autos contrato de mútuo firmado com a Danone, demonstrou ter ocorrido a sua prorrogação e anexou planilhas demonstrando os valores retidos a título de IOF. Anexou também, estorno do imposto da conta corrente de seu cliente, conforme se verifica dos autos à fl. 148. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/ 09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 16327.911205/200916 Resolução nº 3803000.252 S3TE03 Fl. 14 5 As provas anexadas ao processo necessitam de analise fiscal para que se constate a veracidade das informações bem como a sua coerência no presente processo O art. 18 do decreto no 70.235/72 dispõe acerca da diligência, vejamos: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” No presente processo entendemos necessária a realização de diligência para a correta verificação dos documentos acossados. Pelo exposto voto por converter o julgamento em DILIGENCIA para que a autoridade fiscal ateste a veracidade dos documentos acostados aos autos, bem como sua relação direta com o presente processo (contrato de mútuo, sua prorrogação, planilhas demonstrativas dos valores de IOF retidos e o estorno efetuado na conta corrente do cliente). É como voto. Sala das seções, em 28 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira – Redator Designado Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/ 09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI
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Numero do processo: 10183.001271/2006-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Elias Sampaio Freire, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Célia Maria de Souza Murphy ( suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Recurso especial não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Elias Sampaio Freire, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Célia Maria de Souza Murphy ( suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Susy Gomes Hoffmann.
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Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 12 71 /2 00 6- 39 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Elias Sampaio Freire, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Célia Maria de Souza Murphy ( suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Susy Gomes Hoffmann. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão de n° 2202 01.318, proferido em 23/08/2011, interpõe Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro nos artigos 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, visando a revisão do julgado. Ciente, formalmente, daquele acórdão em 17/10/2011, conforme Intimação constante às fls. 173, o digno representante da Fazenda Nacional protocolizou o Recurso Especial, em 18/10/2011, isto 6, dentro do prazo de 15 (quinze) dias fixado pelo caput do art. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Suscita a recorrente que, nos termos do art. 67 do Regimento Interno, compete CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Em sessão plenária de 23/08/2011, a 2a Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF julgou o Recurso Voluntário s/n°, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão n° 220201.318, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR – ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL– EXCLUSÃO DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. O recorrente foi autuado pelo fato de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente e reserva legal sem prévio ato declaratório ambiental. Quando o contribuinte for intimado e conseguir demonstrar através de provas inequívocas, como por exemplo averbação no registro de imóveis ou laudo de avaliação assinado por profissional competente o que deve prevalecer é a verdade material. No caso dos autos tal fato não foi devidamente comprovado. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.001271/200639 Acórdão n.º 9202002.765 CSRFT2 Fl. 13 3 Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo Recorrente. O recurso está manejado quanto à alegada possibilidade de aceitação do valor arbitrado pelo SIPT — Sistema de Preços da Terra — com base na aptidão da terra agrícola ou com base no valor médio das DITR, em atenção ao seguinte paradigma: 210200.609 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001, 2002 Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃ0 DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃ0 DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste Ultimo caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO. COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE 0 IMÓVEL RURAL, SEGUNDO A NORMA DA ABNT VIGENTE NA DATA DA PRODUÇÃO DO LAUDQ PODE CONTRADITAR 0 VALOR DO SIPT. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na data da produção dele, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Recurso provido em parte Por meio do Despacho n. 220000.838 – 2ª Câmara/2ª Seção [fls. 193 e ss], o i. Presidente daquele Órgão do CARF entendeu pelo seguimento do Especial: [...]Do simples confronto do voto do acórdão recorrido com a ementa e voto do acórdão paradigma, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é a possibilidade de que o VTNm seja apurado com base em dados do SIPT, seja por aptidão agrícola, seja pelo valor médio das DITR. Assim, o mero cotejo do voto condutor do acórdão recorrido com a ementa e voto do acórdão paradigma já caracteriza a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Ou seja, o acórdão recorrido entende que o VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR não pode ser utilizado para fins de arbitramento, ao passo que o acórdão paradigma entende que é possível apurar o VTN médio tanto com base na aptidão agrícola quanto utilizando o valor médio das DITR entregues no município de localização do imóvel. Intimado para se manifestar, o sujeito passivo apresentou contrarazões [fls. 209 e ss] que reitera os argumentos do decisum recorrido. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.001271/200639 Acórdão n.º 9202002.765 CSRFT2 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, ele é tempestivo, restando perquirir acerca dos demais pressupostos de admissibilidade. Em seu Especial, a Fazenda Nacional visa rediscutir a validade do arbitramento do VTN Valor da Terra Nua tendo por base o SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, e não a aptidão agrícola. Como paradigma foi indicado o Acórdão 210200.609. Antes de proceder à análise do paradigma, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando existe identidade fática entre as situações apreciadas no acórdão recorrido e no paradigma indicado. Assim, tornase imprescindível a análise das situações fáticas contidas nos acórdãos recorrido e paradigma, a ver se haveria identidade entre elas. “Incabível a manutenção do. Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996. (...) Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTN das DITR apresentadas para o mesmo município no ano de 2004 e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde está localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. (...) Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte.” Quanto ao paradigma indicado – Acórdão 210200.609– a Fazenda Nacional colaciona o seguinte trecho, visando demonstrar o alegado dissídio jurisprudencial: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 “No caso aqui em debate , para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl. 15), podese arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR , sempre lembrando que o SIPT detém uma média global do valor da terra nua do município . Não há uma avaliação específica do imóvel auditado. Considerando a dupla possibilidade de arbitramento, pela aptidão agrícola ou pelo valor médio da DITR, entendo que se deve utilizar esta última, que detém o valor mais benéfico para o recorrente (VIN de R$ 1.053,04 por hectare no exercício 2001).” (destaques da Recorrente) A leitura dos trechos em negrito, pinçados do voto condutor do aresto, levaria à conclusão de que efetivamente teria sido demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Entretanto, a leitura do julgado paradigma, em sua integralidade, permite conhecer o contexto em que ele foi proferido. Nesse passo, verificase que, além de retratar uma situação distinta daquela analisada no recorrido, não se pode afirmar que nesse paradigma estarseia defendendo a tese de que o SIPT, somente com a média das DITR, seria válido. Confirase os principais trechos da ementa e do voto vencedor desse paradigma: “ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE No caso do acórdão recorrido, a motivação do restabelecimento do VTN declarado pelo Contribuinte foi o fato de a autoridade lançadora ter arbitrado aquele valor com base no VTN médio das DITRs entregues no município, e não na aptidão agrícola. Assim, tal arbitramento não foi aceito, por não ter cumprido as exigências determinadas pela legislação de regência. Confirase o trecho do voto condutor do aresto, na parte em que trata dessa matéria: Em relação ao VTN, a autoridade lançadora arbitrou o valor em R$ 182,82, baseado nos dados do SIPT de fls. 14, uma vez que o Recorrente não apresentou laude técnico de avaliação emitido por profissional habilitado, acompanhado de ART, devidamente anotado no CREA, nos termos da norma de execução COSIT, 003, de 29 de maio de 2006. No que diz respeito ao Valor da Terra Nua para fins de apuração do ITR, o artigo 8°, da Lei n° 9.393, de 1996, determina que ele refletirá o preço de mercado de terras apurado no dia 1° de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e sera considerado auto avaliação da terra nua a prego de mercado. No caso em concreto a autoridade lançadora utilizou os dados constantes no Sistema de Preços de Terra — SIPT, evidenciado nos extratos de fls. 14, uma vez que o contribuinte não apresentou laudo técnico de avaliação para suportar o valor adotado pelo Recorrente. Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, entendeu a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Prego de Terras (SIPT), Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.001271/200639 Acórdão n.º 9202002.765 CSRFT2 Fl. 15 7 instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996. Como visto no relatório, a modificação do Valor da Terra Nua foi realizado com base nos dados cadastrais informados na correspondente DITR/2002, já que não existia um VTN apurado por aptidão agrícola declarado para efeito de comparação, consequentemente, o VTN declarado pelo recorrente, naquela declaração, foi desprezado. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observandose nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizandose como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento, no caso 31 de dezembro de 1999. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a principio, teria amparo no art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do S1PT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito a revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder a formalização do lançamento. [...]Razão pela qual, na opinião deste Relator, se faz necessário verificar qual foi metodologia utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, principalmente, nos casos em que restar comprovado, nos autos do processo, que a mesma foi elaborada tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel. Esta forma de valoração do VTN atenderia as normas legais para se proceder ao arbitramento do VTN a ser utilizado, pela autoridade fiscal, na revisão da DITR? Sem dúvidas, que tal ponto não deixa de ser importante, posto que, em se entendendo que as normas de cálculo utilizadas para a confecção da Tabela SIPT, tomada como base para o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal, não se demonstram adequadas lei, tal situação faria prevalecer o VTN indicado pelo contribuinte em laudo técnico ou de sua Declaração. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à media dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município no ano de 2002 e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da D1TRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996, verbis: [...]Resta claro, que com a publicação da Lei n° 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1 0, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. [...] Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legitimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Por outro lado, é de se levar em conta que é facultado ao contribuinte solicitar a revisão do respectivo VTNm com base em Laudo Técnico de Avaliação emitido por profissional habilitado ou empresa de reconhecida capacitação técnica, que deverá estar acompanhado de ART, devidamente registrada no CREA, além de atender aos requisitos das normas da ABNT, principalmente no que diz respeito as fontes consultadas e a metodologia então utilizada. Estou ciente que a presente matéria sempre gerou polêmica neste Conselho de Contribuintes e ainda vai permanecer ao longo do tempo, pois existem colegas que defendem a tese de que o contribuinte poderia questionar o Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela autoridade fiscal lançadora, mas para tanto seria necessário a apresentação de "Laudo Técnico de Avaliação" emitido por profissional habilitado, acompanhado de ART, devidamente anotada no CREA, que atendesse, ainda, aos requisitos das Normas da ABNT (atual NBR 14.6533), principalmente no que diz respeito à metodologia utilizada e as fontes eventualmente consultadas, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços da data do fator gerador do imposto, além da existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. Ou seja, entendem, que de acordo com a legislação de regência, estes critérios seriam rígidos. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.001271/200639 Acórdão n.º 9202002.765 CSRFT2 Fl. 16 9 Entretanto, particularmente, rejeito esta tese e compartilho com a opinião dos colegas, externada em diversos julgados, que a legislação do ITR não estabeleceu, em lugar algum, a exigência de confecção de laudos técnicos de avaliação de conformidade com a norma da ABNT mencionada, ou em qualquer outra, para fins de pedido de revisão do VTN mínimo sobre determinado imóveis. A lei determinou, isto sim, que o laudo técnico deve ser emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou por profissional devidamente habilitado. Basta, portanto, na opinião dos colegas que compartilham esta tese, que o laudo emitido de conformidade com tal determinação demonstre, de forma inequívoca, as características que diferenciam o imóvel questionado, das demais terras do município envolvido, indicando um valor de terra nua inferior ao mínimo estabelecido para tal município. Entretanto, diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, penso ser irrelevante continuar a discussão da questão do Laudo de Avaliação do VTN, já que compartilho com o entendimento, que nesses casos, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. Portanto, entendo que devemos reestabelecer o VTN declarado pelo Recorrente. Como se pode constatar, no caso do paradigma o contribuinte se insurge contra o arbitramento pelo SIPT, alegando falta de publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como por se referir a preços de terras comercializadas, e não da terra nua. Ao final, pede que, caso seja mantido o arbitramento, que para o exercício de 2001 seja adotado o menor dos valores do SIPT. Assim, no intuito de enfrentar os argumentos de defesa, o Relator assim se manifesta quanto ao SIPT: “No tocante ao pretenso cerceamento do direito de defesa perpetrado pela autoridade fiscal, com a utilização do valor da terra nua constante no SIPT, não assiste razão ao recorrente, já que a possibilidade do arbitramento do preço da terra nua consta especificamente no art. 14 da Lei n° 9.393/96, a partir de sistema a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal. Utilizando tal autorização legislativa, a Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF n° 44712002, instituiu o Sistema de Preços de Terras — SIPT, o qual seria alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem como com os valores da terra nua da base de declarações do ITR. A instituição do SIPT está prevista em lei, não havendo qualquer violação ao princípio da legalidade tributária, sendo certo que, no caso vertente, a autoridade fiscal utilizou o valor da terra nua constante no sistema, conforme tela do SIPT de fls. 15 e 16 (valores informados pela Secretaria Estadual de Agricultura), já que o contribuinte havia utilizado o valor da terra nua para o Fl. 9DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 município de Inhaúma — MG de 1996, valor que teria sido aceito pela Secretaria da Receita Federal quando da expedição da notificação de lançamento do ITR respectivo (conforme declaração prestada pelo próprio autuado nestes autos — fl. 27),e não apresentara o laudo técnico de avaliação da área rural. A informação declarada pelo contribuinte era assaz antiga e justificava o procedimento da autoridade fiscal. No ponto, sem razão o recorrente. A decisão recorrida ratificou o arbitramento perpetrado pela autoridade autuante, já que o Laudo Técnico não tinha seguido a atual norma da ABNT reguladora da avaliação de imóveis rurais (NBR 14.6533) e pela discrepância entre o valor declarado pelo contribuinte e aqueles do SIPT. (...) Primeiramente, os valores da terra nua dos municípios mineiros, dos exercícios 2000 a 2004, foram informados pelo Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, a partir de levantamento dos extensionistas da Emater, como se pode ver pelo Oficio n° 1.036/2004/GAB.SEC, de 30 de novembro de 2004 (cópia deste oficio se encontra no recurso voluntário n° 342.587 — fl. 124 , em pauta nesta mesma sessão de julgamento). Tal oficio referese ao valor da terra nua por hectare e não ao valor de venda dos imóveis. Por outro lado, os formulários da FGV preenchidos pela Emater/MG, referentes aos exercícios 2001 e 2002, do município de Inhaúma, não indicam que os valores se referem ao preço de comercialização do imóvel com benfeitorias, como se pode ver em tais formulários de fls. 291 a 293. Dessa forma, aqui não se acata a defesa de que os valores do SIPT se referiam ao valor total do imóvel. Ainda se deve anotar que o contribuinte não apresentou laudo técnico de avaliação do imóvel rural na forma da Norma ABNT 14.6533, vigente desde 30106/2004, data esta anterior à produção dos laudos acostados ao presente processo. Somente o laudo produzido em conformidade com tal Norma seria meio hábil para contraditar o valor do SIPT. Ademais o valor da terra nua declarado estava defasado, já que o próprio contribuinte confessou que utilizara o mesmo valor de 1996 (para os exercícios 2001 e 2002). Mais uma razão para rejeitar a defesa do recorrente. Por fim, quanto ao pedido para reduzir o valor do exercício 2001 para 1.053,04, o menor dos valores do SIPT, entendo que o contribuinte tem razão. Explico. É de conhecimento de todos que, em arbitramento, havendo possibilidades diversas, utilizase a modalidade que mais favorece ao contribuinte . Inclusive , no âmbito da tributação da pessoa física, tal regra está positivada no art. 6°, § 6°, da Lei n° 8.021/90, verbis: Fl. 10DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.001271/200639 Acórdão n.º 9202002.765 CSRFT2 Fl. 17 11 (...) No caso aqui em debate , para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl. 15), podese arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR , sempre lembrando que o SIPT detém uma média global do valor da terra nua do município . Não há uma avaliação específica do imóvel auditado. Considerando a dupla possibilidade de arbitramento , pela aptidão agrícola ou pelo valor médio da DITR, entendo que se deve utilizar esta última, que detém o valor mais benéfico para o recorrente (VIN de R$ 1.053,04 por hectare no exercício 2001).” (grifei) Destarte, verificase que em momento algum o paradigma defende, de forma genérica, que o arbitramento pelo SIPT pode ser efetuado com base apenas no valor médio das DITR. O que fica claro no voto condutor do aresto é que, naquele caso específico, em que estão presentes os dois critérios de arbitramento pela média das DITR e pela aptidão agrícola não há óbice ao atendimento do pleito do Contribuinte, no sentido de utilizarse o VTN de menor valor que, nesse caso específico, é o VTN apurado pela média das DITR. Assim, as situações fáticas são distintas, a saber: (i) no acórdão recorrido, o arbitramento pelo SIPT foi feito com base apenas no valor médio das DITR, sem levar em conta a aptidão agrícola, e é esta a motivação que levou à sua desqualificação; (ii) no paradigma, o arbitramento pelo SIPT foi feito com base nas duas modalidades média das DITR e aptidão agrícola e em nenhum momento o Relator defende que ele seja levado a cabo apenas com base na média das DITR o que ocorre é que existe um pedido do Contribuinte para que se adote, dentre os diversos valores constantes do SIPT, o menor deles, que no caso é o da média das DITR, daí que nos trechos citados pela Recorrente o Relator tãosomente fundamenta o atendimento a esse pleito. Destarte, o paradigma indicado não se presta a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, já que, diferentemente do que ocorreu no recorrido, o arbitramento não se limitou ao VTN médio das DITR, tampouco houve pedido do Contribuinte, no sentido da adoção de valor específico, até porque, repitase, só havia um valor, qual seja, o da média das DITR. No presente caso, o dissídio interpretativo somente restaria demonstrado, com a colação de acórdão em que, efetuado o arbitramento com base no SIPT, levandose em conta apenas o valor médio das DITR, sem considerarse a aptidão agrícola, dito arbitramento fosse mantido. Com efeito, o paradigma indicado não retrata tal situação fática, portanto não resta demonstrada a alegada divergência jurisprudencial, razão pela qual não conheço do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 DISPOSITIVO Portanto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 12DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 11070.720556/2011-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PEREMPÇÃO
Recurso protocolizado a destempo interdita seu conhecimento. Consumada a perempção.
Numero da decisão: 1103-000.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO conhecer do recurso, por perempto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, André Mendes de Moura, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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E ABATEDOURO E EMBUTIDOS DÖRWICH LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PEREMPÇÃO Recurso protocolizado a destempo interdita seu conhecimento. Consumada a perempção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO conhecer do recurso, por perempto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, André Mendes de Moura, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 05 56 /2 01 1- 70 Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.720556/201170 Acórdão n.º 1103000.843 S1C1T3 Fl. 1.766 2 Relatório DO LANÇAMENTO O presente processo tem origem nos Atos Declaratórios Executivos de nº 26 e 27, de 10/6/2011, expedidos pela DRF de Santo Ângelo, que excluiu a recorrente do regime do Simples Federal, referente ao período de 1º/1/2007 a 31/6/2007, que se deu em função da prática reiterada de infração à legislação tributária (falta de emissão de notas fiscais) e por embaraço à fiscalização (não apresentando livros fiscais), produzindo efeitos a partir de 1º/1/2007, na forma do art. 9º, XII, “f”, da Lei 9.317/96; e do Simples Nacional, referente ao período de 1º/7/2007 a 31/12/2009, que se deu em função da prática reiterada de infração à legislação tributária (ausência de escrituração do Livro Caixa) e falta de comunicação de exclusão obrigatória (faturamento acima do limite), na forma do art. 29, II, V, VIII e XI, da Lei Complementar 123/06. O principal objeto da ação fiscal inicial foi a verificação de sua movimentação bancária, que demonstrava incompatibilidade de valores com aqueles declarados em suas Declarações de Ajuste Anual Simplificadas referentes aos anoscalendário de 2007 a 2009. Por essa razão, a recorrente foi intimada, em 2/6/2010, a apresentar extratos referentes as contas bancárias existentes em seu nome e em nome de seus dependentes, bem como a apresentar seu Livro Caixa ou Diário e Razão do período. Em 1º/7/2010, a recorrente apresentou cópia de seu contrato social e livros de entradas a saídas de nº 5, 6 e 7, referentes a 2007, 2008 e 2009, respectivamente. Em 6/7/2010, a recorrente tomou conhecimento pessoalmente do termo de intimação fiscal nº 1, em que foi solicitada a apresentação dos extratos bancários de 2007 a 2009 e, novamente, dos Livros Caixa ou Diário e Razão do mesmo período. Em resposta à intimação, a recorrente apresentou declaração afirmando não ter realizado nenhuma escrituração contábil no período solicitado pelo fisco e alegou que os extratos bancários não teriam sido fornecidos pelo banco dentro do prazo estipulado. Em 20/8/2010, o responsável da DRF formalizou pedido de RMF, de fls. 17 a 29, junto ao Banco Sincredi S.A., requisitando os dados financeiros da recorrente referente ao período fiscalizado. Com base nos extratos apresentados pelo referido banco foram apurados os créditos líquidos nas contascorrente mantidas pela recorrente. Os valores foram discriminados nas planilhas “Relação de Depósitos/Créditos Bancários a Comprovar”, que seguiram o Anexo I do TIF, em que a recorrente foi intimada pessoalmente a apresentar documentação hábil e idônea a comprovar a origem dos recursos em questão, na forma descrita no termo de intimação e planilha anexa. Foi, ainda, reintimada a apresentar os livros contábeis do período. Em 6/4/2010, foi realizada visita ao domicílio fiscal da recorrente, momento em que se constatou que no local estava em pleno funcionamento a empresa Abatedouro e Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.720556/201170 Acórdão n.º 1103000.843 S1C1T3 Fl. 1.767 3 embutidos Dowïch Ltda.. Não foi encontrado nenhum dos sócios ou administradores da empresa Embutidos Borella Negrello Ltda.. O proprietário da empresa Dowïch, Rainer Dowïch, informou aos fiscais ter adquirido os ativos da empresa Borella entre abril e julho de 2010. Em seguida, facultou aos fiscais da RFB que acessassem os antigos escritórios da Borella, onde estavam abandonados diversos documentos relativos ao movimento da referida empresa. Foram encontradas duas caixas de papelão contendo o movimento financeiro de entradas e saídas de mercadorias, referente ao ano de 2009, bem como controle de compra e abate de bovinos e suínos do mesmo ano; notas fiscais de entrada e saída, referentes aos anos de 2009 e 2010; comprovantes de pagamento de despesas do ano de 2010 e folha de pagamento de pessoal do mês de novembro de 2009, conforme descrito no termo de representação fiscal, à fl. 614. Essa documentação foi retida pelos fiscais da RFB. Após análise da documentação supramencionada verificouse que a recorrente oferecia à tributação de 15 a 20% da receita auferida, conforme sugeriu também sua movimentação contábil, compatível com a apurada através da documentação retida pela fiscalização. À fl. 615 foi apresentado quadro com resumo das transações da recorrente junto aos valores por ela declarados à RFB. A recorrente optou pela tributação de suas atividades, no período de 1º/1/2007 a 31/6/2007, pela sistemática do regime Simples Federal, regido pela Lei 9.317/96. Conforme apurado através da documentação retida pela fiscalização, muitas das operações de compra e venda de mercadorias não foram amparadas pela emissão de documento fiscal, de forma a enquadrar a recorrente no art. 14, V, da Lei 9.317/96. Essa afirmação também pode ser verificada através da análise das notas fiscais de entrada e saída em nome da recorrente que não foram registradas nos livros de entrada e saída da empresa que, aliás, se encontram zerados nos meses em que foram emitidas as notas fiscais em questão. Acrescentouse, por fim, que essas práticas foram realizadas comprovadamente de forma reiterada no período fiscalizado. Ademais, a própria empresa afirmou não ter escriturado Livro Caixa no período fiscalizado e nem forneceu, quando intimada, dados sobre sua movimentação financeira, de modo a se enquadrar na hipótese de exclusão prevista no art. 14, II, da Lei 9.317/96. Já quanto ao período de 1º/7/2007 a 31/12/2009, devido à alteração legislativa, a recorrente passou a efetuar a tributação de suas atividades de acordo com as regras do regime Simples Nacional, oferecendo à tributação apenas 15 a 20% da receita auferida no período. Novamente, diversas operações de compra e venda de mercadorias realizadas pela recorrente não foram amparadas pela emissão de documento fiscal, conforme documentação apreendida pela fiscalização, enquadrando a empresa na hipótese de exclusão prevista pelo art. 29, XI, da LC 123. Essa afirmação também pode ser verificada através da análise das notas fiscais de entrada e saída em nome da recorrente que não foram registradas nos livros de entrada e saída da empresa que, aliás, se encontram zerados nos meses em que foram emitidas Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.720556/201170 Acórdão n.º 1103000.843 S1C1T3 Fl. 1.768 4 as notas fiscais em questão. Ainda, conforme afirmado pela própria recorrente, não houve escrituração do Livro Caixa, de modo a enquadrála na hipótese de exclusão prevista pelo art. 29, VIII, da LC 123. Acrescentouse, por fim, que essas práticas foram realizadas comprovadamente, de forma reiterada, no período fiscalizado, enquadrandoa na hipótese de exclusão descrita no art. 29, V, da LC 123. Pelo exposto, o AFRF propôs a exclusão da recorrente do regime de tributação do Simples Federal no período de 1º/7/2007 a 31/6/2007, e do Simples Nacional no período de 1º/7/2007 a 31/12/2009, mediante expedição de Ato Declaratório Executivo. O lucro da recorrente foi arbitrado na forma do art. 530, III, do RIR/99. Foram lançados valores de principal, juros de mora e multa de ofício, totalizando o valor de R$ 3.172.791,89, sendo: R$ 959.974,36 de IRPJ; R$ 506.818,21 de CSL; R$ 308.932,30 de PIS e R$ 1.427.067,02 de COFINS, acrescidos de multas de ofício com percentuais de 112,5 e 225% e juros de mora. As multas supramencionadas foram agravadas em 50% devido ao fato de a recorrente ter deixado de prestar esclarecimentos em relação a fatos pertinentes aos períodos lançados. E, ainda, por ter deixado de apresentar documentação contábil obrigatória e extratos bancários, dificultando e/ou prejudicando o desenvolvimento da atividade fiscal. Sobre os tributos advindos de omissões de receita decorrentes dos depósitos bancários não justificados foi aplicada multa de ofício com percentual de 75%, prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/96. Sobre aqueles apurados em decorrência da receita operacional omitida foi aplicada a multa de 150%, devido à utilização de “caixa dois”, evidenciando a intenção em praticar conduta definida como sonegação, conforme previsão do art. 71 da Lei 4.502/64. DA IMPUGNAÇÃO Irresignadas, a empresa autuada, Embutidos Borella Negrello Ltda., e a empresa responsabilizada tributariamente por sucessão, Abatedouro e Embutidos Dowïch Ltda., apresentaram de forma conjunta impugnação em 21/9/2011, de fls. 869 a 877, em que aduzem, em síntese, o que segue. Em abril de 2010, através de instrumento de contrato de compra e venda entre as impugnantes, os sócios da empresa Abatedouro e Embutidos Dowïch Ltda., Sr. Rainer Dowïch e Sra. Terezinha Dowïch adquiriram o prédio onde funcionava a empresa Embutidos Borella Negrello Ltda.. Em 2/6/2010, foi iniciado o procedimento de fiscalização no qual foram requeridos documentos e registros fiscais relativos à empresa Embutidos Borella Negrello Ltda., tais como seus Livros Caixa e extratos de movimentação bancária em conta corrente no Banco Sincredi. A referida documentação não pôde ser apresentada porque o Sr. Rainer Dowïch não a possuía, tendo em vista não serem documentos pertencentes a sua empresa. Alegou que sua movimentação financeira foi maior do que o valor declarado devido às tentativas de desenvolver capital de giro que possibilitasse a continuação de suas atividades, tendo em vista que a empresa estava passando por “sérias dificuldades financeiras”. Assim, o valor excedente não declarado à RFB não deveria sofrer tributação pelo fato de não se Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.720556/201170 Acórdão n.º 1103000.843 S1C1T3 Fl. 1.769 5 tratar de auferimento de renda, mas sim de empréstimos que a empresa realizou e sequer chegou a saldar. Esclareceu o método utilizado para captação de recursos afirmando que tomava cheques emprestados de terceiros, responsabilizandose pelo provimento dos fundos, e os apresentava ao Banco Sincredi para troca, realizando operação de factoring. Contudo, em virtude de suas já mencionadas dificuldades financeiras, não foi possível pagar por esses créditos, passando a dever os referidos valores ao banco. Em consequência, entendeu ser indevida a aplicação de multa, tendo em vista a não incidência de tributação. Da mesma forma indevida a aplicação de multa qualificada, uma vez que não houve comprovação de dolo por parte da recorrente por não ter havido auferimento de receita. Ainda se utilizou do mesmo argumento para impugnar a responsabilização dos sócios e administradores, nos termos do art. 135 do CTN. Acerca da majoração das multas de ofício e da majoração em 50%, baseada no art. 44, § 2º, I, da Lei 9.430/96, afirmou não haver relação com a realidade dos fatos, porquanto foram apresentados os esclarecimentos solicitados pela autoridade fiscal na medida do que era possível. Ademais, tal cobrança possui caráter confiscatório, nos termos do art. 150, IV, da CF/88. Com o fito de corroborar suas alegações, juntou às fls. 874 e 875, entendimento doutrinário e julgados proferidos pelo Supremo Tribunal Federal que tratam da matéria. Acrescentou, ainda, que a sanção tributária não pode ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, um “verdadeiro tributo disfarçado”. Assim, não é qualquer atraso no tributo ou “suposta alegação de débito deste” que deve legitimar previsão de multa “no patamar de 150% quando a inflação anual gira em torno de 6%”. Nem mesmo a sonegação de tributo justificaria a aplicação de multa que exproprie o contribuinte de parcela de seu patrimônio desproporcional à infração que lhe foi imputada. Pelo exposto, requereu o cancelamento do débito reclamado. DA DECISÃO DA DRJ Em 24/11/2011, acordaram os julgadores da 5ª Turma da DRJ de Porto Alegre, por unanimidade de votos: a) Julgar procedente em parte a impugnação aos lançamentos do IRPJ, CSL, PIS e COFINS para: a1) Cancelar os seguintes valores originários (totais), conforme demonstrativo constante do voto do relator: IRPJ – R$ 17.794,64; CSL – R$ 8.007,59; PIS – R$ 4.374,50 e COFINS – R$ 20.190,00; a2) Manter os demais valores lançados, incluindose as multas de ofício com percentuais de 112,5% e 225% e juros de mora. Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.720556/201170 Acórdão n.º 1103000.843 S1C1T3 Fl. 1.770 6 b) Ratificar a condição de sujeito passivo responsável da pessoa jurídica Abatedouro e Embutidos Dowïch Ltda. e da pessoa física Humberto Borella Negrello. Inicialmente foram estabelecidos os limites do litígio instaurado. Atentouse ao fato de que a recorrente foi cientificada das exclusões do Simples Federal e do Simples Nacional, conforme os Atos Declaratórios 26 e 27, de fls. 620 e 621. Entretanto não apresentou manifestação tempestiva acerca do assunto, de forma que as exclusões se tornaram definitivas. Acerca do arbitramento do lucro tributável da recorrente, afirmou estar correta a atuação da autoridade fiscal, com base no art. 530, III, do RIR/99. A recorrente foi intimada a prestar esclarecimentos acerca de créditos líquidos apurados em sua conta corrente através da análise dos extratos bancários fornecidos pelo Banco Sincredi. Os referidos esclarecimentos não foram prestados; a recorrente apenas afirmou que não seria possível justificar individualmente os depósitos e movimentos solicitados em virtude do grande volume de lançamentos e pelo fato de o período solicitado se encontrar entre janeiro de 2007 e dezembro de 2009, de forma que não há possibilidade de emissão dos extratos bancários via internet. Assim, sob a égide do art. 42 da Lei 9.430/96, os valores sem comprovação de sua origem foram considerados como receita omitida. À fl. 1734 foi apresentada tabela com as conclusões obtidas através do confronto dos documentos apresentados pela recorrente em sede de impugnação e os valores relacionados no Anexo I, de fls. 239 a 291. À exceção dos documentos de fls. 880 a 885, todos os demais tiveram sua origem comprovada (fls. 887 a 916). Com o fito de comprovar a origem dos créditos em sua conta corrente, que pretendeu justificar através de alegações de realização de operações de factoring, a recorrente juntou inúmeros borderôs de desconto de cheques e duplicatas. Contudo, a recorrente deixou de apresentar outros documentos, como contratos e comprovantes de aquisição de títulos, capazes de sustentar suas alegações. Assim, afirmouse que a recorrente não logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em sua conta corrente, de modo a caracterizar omissão de receitas, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96. Sobre isso, apresentouse a seguinte fundamentação: “O depósito efetivado em conta bancária não constitui, por si só, fato gerador de imposto de renda, conforme definido pelo art. 43 do CTN, mas a omissão de rendimento representada pelos mesmos. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelo qual se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação.” E continua. “Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.720556/201170 Acórdão n.º 1103000.843 S1C1T3 Fl. 1.771 7 satisfatoriamente. Assim, a caracterização da omissão está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários creditados e seu oferecimento à tributação.” Em seguida, colacionou julgado no mesmo sentido, proferido pela 5ª Turma do antigo 1º Conselho de Contribuintes, à fl. 1736. Dessa forma, não comprovada a origem de recursos, a autoridade fiscal tem o poder/dever de considerar os valores creditados como rendimentos tributáveis e omitidos em DIPJs, bem como efetuar o lançamento do tributo correspondente. Até mesmo pela vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, de forma que ao agente público cabe somente a observância da lei vigente. Sobre a omissão de receitas da atividade do anocalendário de 2009, os valores tributáveis foram obtidos por meio de documentos retidos pela fiscalização e não foram impugnados. Acerca das multas de ofício, foi colacionado, à fl. 1736, excerto do Parecer Normativo CST 61/79. Assim, após tecer comentários sobre a distinção entre a multa moratória e a multa punitiva, e traçar o paralelo com a previsão do art. 138 do CTN, afirmouse que, iniciada a ação fiscal, o sujeito passivo será submetido às penalidades do procedimento, inclusive a multa de ofício. No caso ora examinado, a multa de ofício aplicada sobre o imposto e as contribuições apurados é devida, tendo em vista ter restado comprovado que a recorrente efetivou escrituração paralela (caixa dois) no anocalendário de 2009. Ademais, não houve sequer contestação do referido fato pela defesa. Assim restou evidenciada a ocorrência de conduta classificada como sonegação, nos termos do art. 71 da Lei 4.502/64, legitimando a exigência da multa de ofício de 150%. Conforme se depreende da análise dos autos, a recorrente não atendeu satisfatoriamente às intimações do fisco; e, quanto às intimações de fls. 629 e 633, sequer houve apresentação de resposta. Também não houve preocupação de sua parte em dispor das informações necessárias concernentes à atividade de factoring alegada. De acordo com as previsões do art. 44, § 2º, da Lei 9.430/96, correto o agravamento das multas de 75 e 150% para 112,5 e 225%, respectivamente. Para corroborar o entendimento acima mencionado, foram colacionados julgados proferidos pela 1ª Turma Especial, da 1ª Câmara, do antigo 2º Conselho de Contribuintes, bem como pela 8ª Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuintes. Por fim, afirmou não ter ocorrido confisco, conforme alegado pela recorrente, tendo em vista que a vedação constitucional não se refere a multas aplicadas em virtude de atos ilícitos. No que se refere à responsabilidade tributária, a defesa apresentada pela empresa Abatedouro e Embutidos Dowïch Ltda. afirmou não ser possível que seus sócios fossem responsabilizados nos termos do art. 135 do CTN, tendo em vista não ter havido omissão de receitas e por não ter sido comprovado dolo de sua parte. Entretanto, na verdade, a acusação que lhe recaiu foi baseada no art. 133 do CTN, em virtude de ter continuado a exploração da atividade empresarial autuada. Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.720556/201170 Acórdão n.º 1103000.843 S1C1T3 Fl. 1.772 8 Esta imputação, no entanto, não foi impugnada. Sobre o sujeito passivo, responsável tributário solidariamente, Humberto Borella Negrello, após ser intimado, não apresentou manifestação de inconformidade, de modo que sua única contestação foi aquela presente na peça impugnatória apresentada pelas pessoas jurídicas autuadas. Contudo, conforme previsão do art. 16, II, do Decreto 70.235/72, é imprescindível a qualificação do impugnante, que não foi feita no presente caso, de maneira que a manifestação apresentada pelas pessoas jurídicas contra a imputação de responsabilidade de sócios e administradores foi considerada imprópria. Ademais, em análise aos documentos anexos, é possível verificar que somente as pessoas jurídicas autuadas apresentaram procuração outorgada ao advogado que subscreve a defesa. Ausente, portanto, manifestação apresentada em nome da pessoa física dos responsabilizados solidariamente. Por essa razão, não foi conhecida a impugnação. RECURSO VOLUNTÁRIO Em 16/2/2012, as recorrentes interpuseram recurso voluntário de fls. 1753 a 1761, alegando, basicamente, o que alegado em sede de impugnação e acrescentando, em síntese, o que segue. Afirmou que, diversamente do que afirmado na decisão retro, houve, sim, manifestação expressa contra a exclusão da empresa do regime simplificado de tributação, conforme fl. 3 de sua impugnação. Isso porque a suposta falta de declaração dos valores movimentados em sua conta corrente, que teria ensejado sua exclusão do regime simplificado, jamais ocorreu, devendo, por essa razão, ser restabelecida sua inscrição. É o relatório. Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11070.720556/201170 Acórdão n.º 1103000.843 S1C1T3 Fl. 1.773 9 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata A ciência do acórdão a quo se deu em 15/12/11, conforme fl. 1746 (numeração do eprocesso). Por sue turno, o recurso da contribuinte (Embutidos Borella Negrello Ltda.) e da Abatedouro e Embutidos Dörwich Ltda. fora interposto em 16/2/2012 – fl. 1753 (numeração do eprocesso). Registro que não houve irresignação dos responsabilizados solidariamente srs. Humberto Borella Negrello e Roberta Borella Negrello. De tal feito, o recurso manejado é intempestivo, não passando pelo juízo de admissibilidade. Outrossim, não conheço do recurso, e decreto a perempção do feito. É o meu voto. Sala das Sessões, em 10 de abril de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 16327.000153/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
DCTF MENSAL E SEMESTRAL. ATRASO NA ENTREGA.
Incabível a multa pelo atraso na entrega da DCTF mensal quando ausente o requisito para sua apresentação e comprovada a impossibilidade fática de entrega da DCTF semestral pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 1803-001.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ATRASO NA ENTREGA. Incabível a multa pelo atraso na entrega da DCTF mensal quando ausente o requisito para sua apresentação e comprovada a impossibilidade fática de entrega da DCTF semestral pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Roberto Armond Ferreira da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 53 /2 00 9- 51 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório PREVIBOSCH SOCIEDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SÃO PAULO/SP I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de Multa por Atraso na Entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF Mensal — 1.5 referente a Fevereiro de 2007, no valor de R$25.087,16 (fls. 36). Em 26/01/2009, o interessado supra qualificado apresentou a Impugnação, de fls. 01/14, na qual alega: 1) que até o anocalendário de 2006 entregara a DCTF com periodicidade semestral; porém, ao tentar transmitir por via eletrônica a DCTF referente ao 1° semestre de 2007, o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil (RFB) não permitiu a entrega da DCTF semestral, orientandoa pela utilização do "PGD DCTF Mensal" (fls. 39); 2) inconformado com tal situação, em 04/10/2007, formalizou consulta perante a SRRF 8a Região Fiscal, requerendo que se esclarecesse/atestasse que a consulente estava autorizada a entregar a DCTF semestral, que a impossibilidade do envio do arquivo decorria de erro/falha no sistema informatizado do órgão e que a multa por atraso na entrega da DCTF restaria afastada por força da consulta formulada; 3) em 23/11/2008, o contribuinte foi cientificado da resposta à sua consulta (Despacho Decisório SRRF/8° RF/Disit n° 45, de 10/03/2008), que teve a seguinte conclusão: 13. Posto isto declaro a ineficácia da consulta com base no art. 52, 1, c/c art. 46 do Decreto n° 70.235, de 1972, dado não versar sobre a interpretação de dispositivos da legislação tributária, mas sobre a solução de problema concreto encontrado pela consulente para transmissão da DCTF semestral referente ao primeiro semestre do anocalendário de 2007, uma vez que o programa não aceitou o documento, emitindo mensagem de obrigatoriedade de DCTF mensal, aparentemente não aplicável a seu caso, problemática essa que deveria ser solucionada por intermédio dos Centros de Atendimento ao Contribuinte CAC, de sua unidade jurisdição, o qual, se não conseguisse encontrar solução imediata para a situação apresentada, deveria solicitar a intervenção dos órgãos superiores apropriados aos quais se subordina. 14. Quanto às condições a serem observadas para a apresentação da DCTF no ano de 2007, encontravamse claramente estatuídas nos arts. 3° a 5° da IN SRF n° 695, de 2006, não ensejando, em princípio, maiores dúvidas. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000153/200951 Acórdão n.º 1803001.922 S1TE03 Fl. 414 3 4) em face da resposta da Disit/SRRF08, em 23/12/2008, o interessado optou por entregar por via eletrônica as DCTF mensais relativas aos meses de janeiro de 2007 a setembro de 2008, o que ensejou a expedição automática da Notificação de Lançamento da Multa pelo Atraso na Entrega da DCTF ora combatida; 5) entende ser descabida a exigência da multa, uma vez que o contribuinte está devidamente enquadrado na hipótese de entrega semestral da DCTF e do DACON, e foi obrigado a apresentar as DCTF mensais por força de um erro do sistema informatizado da RFB; 6) os seus DACON semestrais foram aceitos pelo sistema, a demonstrar que as DCTF semestrais também deveriam ser aceitas; 7) por ser entidade de previdência privada complementar, para fins de cálculo de receita bruta operacional, as contribuições vertidas para a entidade não são incluídas, estando a reclamante dentro do limite de receita bruta estabelecida no inciso I, do art. 3°, da IN SRF n° 695/2006; 8) e por também não estar enquadrada nas hipóteses dos incisos II e III da IN SRF 695/2006, não estava obrigada a entregar a DCTF mensal; 9) sendo assim, conclui que a presente cobrança deve ser cancelada, devendo a notificação de lançamento ser declarada nula. A DRJ SÃO PAULO/SP I, através do acórdão nº 1637.040, de 30 de março de 2012 (fls. 64/68), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/12/2008 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. OPÇÃO PELA DCTF MENSAL. Ainda que estivesse desobrigado a apresentar a DCTF mensal, seria cabível a multa pelo atraso na entrega. In casu, não restou comprovado que o contribuinte tomou as devidas providências para exercer o seu pretenso direito de entregar a DCTF semestral. Ciente da decisão em 07/05/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 72), apresentou o recurso voluntário em 04/06/2012 fls. 99/116, onde reitera as alegações da inicial. É o relatório. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa pelo atraso na entrega da DCTF Mensal de fevereiro de 2007 (fl. 36). Alega a recorrente em síntese: a) Que “é entidade de previdência complementar fechada, sem fins lucrativos, com personalidade distinta de seus patrocinadores, não tributada pelo lucro real e, ainda, que não aufere receita bruta, já que é mera administradora dos fundos de seus beneficiários.”; b) Que “sempre procedeu a entrega de suas DCTFs na forma semestral, mas que em relação ao 1º semestre de 2007, não logrou êxito na entrega pois o sistema da RFB informou estar sujeita à DCTF mensal”; c) Que “entende estar sujeita apenas a DCTF semestral de acordo com as Instruções Normativas SRF 695/2006 e 786/2007”; d) Que “formulou consulta à Secretaria da Receita Federal e de acordo com a resposta dada em 23.11.2008 foi considerado instrumento inadequado já que não se trata de divergência de interpretação de dispositivos da legislação tributária”; e) Que a decisão de primeira instância merece reforma pois “entendeu equivocadamente que a recorrente não buscou solução adequada para seu problema de entrega das DCTFs e que não comprovou que estava desobrigada à entrega da DCTF mensal.” f) Que “é pessoa jurídica que atua como entidade fechada de previdência complementar não auferindo qualquer tipo de receita. Não possui fins lucrativos, não presta qualquer tipo de serviço e não realiza a venda de mercadorias, limitandose, apenas, à administração dos fundos dos seus beneficiários...”; g) Que “não aufere receitas pois apenas administra os planos de benefícios de natureza previdenciária, devendo ser excluídas da receita bruta das entidades de previdência complementar as contribuições destinadas à constituição de provisões ou reservas técnicas, bem como rendimentos auferidos nas aplicações financeiras de recursos destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates.”; h) Que “conforme atestam as DCTFs de 2005 e 2006, não declarou débitos superiores a R$ 3.000.000,00,...”; Fl. 416DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000153/200951 Acórdão n.º 1803001.922 S1TE03 Fl. 415 5 i) Que “somente apresentou as DCTFs mensais por imposição do sistema da RFB não sendo sua opção tendo entrega normalmente a DACON de forma semestral”; j) Que “a Administração Tributária não encontrou solução para o seu problema considerando indevidamente a consulta ineficaz”; k) Que “no prazo de 30 dias da ciência da solução da consulta formulada, apresentou regularmente as DCTFs mensais, sem no entanto estar obrigada, apenas por imposição dos sistemas da RFB, fato que elide a multa de mora aplicada.” Assiste razão à interessada. Com efeito, deve ser afastada inicialmente a dúvida lançada pela decisão de primeira instância sobre a data da mensagem de erro (fl. 36) impossibilitando a entrega da DCTF semestral. O protocolo da consulta formulada à Administração Tributária (fl. 41) comprova que a mesma está datada de 04/10/2007, dentro portanto do prazo regulamentar para a entrega da DCTF semestral preconizado no art. 8º da Instrução Normativa SRF 695/2006. A solução de consulta foi formulada em 04/10/2007 e teve sua resposta cientificada em 23/11/2008 (fl. 50). Não tem sentido afirmar, portanto, que a contribuinte não comprovou estar impedida de efetuar a entrega da DCTF semestral ou que não buscou de forma legal e transparente a solução para o conflito delineado em qual modalidade (mensal ou semestral) de entrega da DCTF a que estava obrigada nos anos 2007 e 2008. Resta verificar se conforme alega a recorrente, não estava realmente sujeita à entrega da DCTF mensal, fato que afastaria o mérito de suas alegações. Neste sentido cabe verificar as hipóteses de enquadramento delineadas nas Instruções Normativas 695/2006 e 786/2007, que abrangem o período em que deixou de entregar as DCTFs mensais até a ciência da solução de consulta. A Instrução Normativa SRF 695/2006 (já revogada), dispõe: Art. 3 º Ficam obrigadas à apresentação da DCTF Mensal as pessoas jurídicas: I – cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais); II – cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais); ou III – sucessoras, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou Fl. 417DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. Da mesma forma a Instrução SRF 786/2006 (já revogada), dispõe: Art. 3º Ficam obrigadas à apresentação da DCTF Mensal as pessoas jurídicas de direito privado: I cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais); II cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais); ou III sucessoras, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. Conforme a recorrente reiteradamente tem afirmado e comprovado através de seu estatuto (fls. 78/97) e DIPJ (fls. 54/59), tratase de entidade de previdência privada fechada que administra planos de previdência complementar, tendo como patrocinadoras as empresas/associações “Robert Bosch Limitada, Ishida Do Brasil Limitada, Associação Dos Funcionários Da Robert Bosch Do Brasil, Bosch Rexroth Limitada, Robert Bosch Tecnologia De Embalagem Limitada, Associação Dos Funcionários Da Robert Bosch Limitada, ZF Sistemas De Direção Limitada”. Portanto a rigor, exceto pequenas taxas de administração, não tem a entidade receitas pois a quase integralidade de seus ingressos decorrem das contribuições dos planos de previdência e as receitas de aplicações financeiras de suas reservas atuariais, que não lhe pertencem mas sim são geridas em seu nome. As cópias da DACON – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais dos anos 2005 e 2006 (parâmetro para o enquadramento nas modalidades mensal ou semestral) juntadas ao processo 16327.000140/200981 (julgado concomitantemente nesta sessão) e os balancetes de 2005 e 2006 (fls. 122/161), demonstram claramente esta constatação, afastando qualquer dúvida de que as receitas da recorrente estão abaixo do limite anual de R$ 30.000.000,00 de receita bruta. Por outro lado, tampouco atinge a recorrente o limite superior a R$ 3.000.000,00 de débitos declarados nos anos de 2005 e 2006 que a sujeitariam à apresentação da DCTF mensal em 2007 e 2008. Com efeito, conforme atestam as DCTFs fls. 164, 229, 293 e 350, não atinge a contribuinte o limite anual superior a R$ 3.000.000,00 para enquadramento na exigência de DCTF mensal nos anos calendários 2007 e 2008. Estando impedida de apresentar a DCTF semestral por evidente equívoco nos sistemas da RFB e tendo formulado regularmente consulta para solução do seu problema, mesmo sem obter solução satisfatória, não vejo como penalizar a contribuinte com a multa pelo atraso na entrega das DCTFs mensais. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000153/200951 Acórdão n.º 1803001.922 S1TE03 Fl. 416 7 A multa pelo atraso na entrega da DCTF mensal somente seria aplicável se estivesse enquadrada na obrigatoriedade de entrega mensal da DCTF ou tivesse optado voluntariamente (o que não é o caso) pela entrega mensal. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 419DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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