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Numero do processo: 10746.904176/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.280
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 41 76 /2 01 2- 14 Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10746.904176/201214 Acórdão n.º 3301004.280 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.825, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.550. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10746.904176/201214 Acórdão n.º 3301004.280 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 10746.904176/201214 Acórdão n.º 3301004.280 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 10746.904176/201214 Acórdão n.º 3301004.280 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1053DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729492/2014-04
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
"DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL RETIFICAÇÃO"
RFB nº 1343 de 2013 - Necessidade de documentos que comprovem o rendimento em tal situação. Recurso Conhecido. Negado Provimento. Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2002-000.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 "DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL RETIFICAÇÃO" RFB nº 1343 de 2013 - Necessidade de documentos que comprovem o rendimento em tal situação. Recurso Conhecido. Negado Provimento. Crédito Tributário Mantido.
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Recurso Conhecido. Negado Provimento. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 82/86) contra decisão de primeira instância (fls. 71/74) que negou provimento à impugnação do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 94 92 /2 01 4- 04 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11080.729492/201404 Acórdão n.º 2002000.112 S2C0T2 Fl. 3 2 Foi emitida Notificação de Lançamento de fls 42/45, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2010, em razão da constatação de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. A autuada impugnou o lançamento alegando que não deve ser tributados os rendimentos por tratarse de resgate de reservas financeiras (matemáticas) depositadas pela Caixa Econômica Federal e por ela recebidas em razão de sua aposentadoria, a título de incentivo, entendendo ter caráter indenizatório, posto que assim foi reconhecido por decisão transitada em julgado. Cumpre destacar que na complementação da descrição dos fatos a recorrente, contribuinte, entrou com ação judicial contra a União Federal, versando a respeito da incidência sobre previdência privada, que segundo o Fisco estaria em desacordo com o previsto no art. 4 da IN 1.343/2013. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação, reiterando as alegações da impugnação e, adicionalmente: diz que a ação proposta em Juízo, tem objeto diferente do entendido pelo Fisco; que os valores mensalmente poupados pela autora, mediante recolhimento a FUNCEF, destinados à formação da fonte de custeio para complementação da aposentadoria, sofreram incidência do IR na fonte; que no momento da Restituição da parcela, na forma prevista no novo plano de complementação dos proventos, assim confiada a FUNCEF, não caberia nova incidência do IR sob pena de constituir bitributação; que o cerne da questão centrouse na Restituição do Imposto de Renda Incidente sobre o respectivo percentual de resgate, eis que o único proveito econômico, gerado pela decisão judicial, foi de R$ 28.997,79, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte naquela oportunidade do resgate referido. É o relatório. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator A ação que condenou a União, a pagar à recorrente o valor de R$ 28.990,06, tinha como objeto, a declaração de inexistência de relação jurídica tributária, no que concerne a incidência de imposto de renda, incidente sobre o resgate parcial de sua reserva matemática, relativa à parte proveniente de sua efetiva contribuição. Na referida ação o Procurador da Fazenda Nacional (fls. 109/110), aponta que a parte autora pretende que não incida imposto de renda sobre o resgate parcial de sua reserva matemática relativo a todas as contribuições por ela feitas, ou seja, desde sua adesão ao FUNCEF em 1º de agosto de 1977, regime anterior a Lei 7.713/88. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11080.729492/201404 Acórdão n.º 2002000.112 S2C0T2 Fl. 4 3 Para esclarecer, reserva matemática é constituída com base nas contribuições incidentes sobre os vencimentos da parte autora e aquelas pagas pela patrocinadora. Alega a recorrente que, conforme demonstrativo de proventos previdenciários da autora, por ocasião da restituição de parte da reserva poupada houve a retenção de R$ 36.776,93 a título de imposto de renda na fonte (fl.105). A r. decisão transitada em julgado do processo 5022375782012.404.7.100, restringiu o valor da condenação, ao valor de R$ 28.990,06, em razão de ter considerado o período de vigência da Lei 7.713/88, ou seja, de (01/01/1989 a 31/12/1995). Assim sendo, correta está a r.decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que entendeu, ser o objeto da ação, o questionamento da incidência do Imposto de Renda da Pessoa Física sobre os valores pagos ou creditados por entidade de previdência complementar a título de complementação de aposentadoria, correspondentes às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário, no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, pois ao menos em parte, o resgate parcial de sua reserva matemática contempla, o período do qual a contribuinte seria isenta quando do pagamento da complementação de aposentadoria, tendo a ação, ainda que indiretamente, relação com o tema da IN 1.343/2013, não podendo a contribuinte ter procedido na forma do artigo 3º, sem antes ter desistido da ação judicial que mantinha em curso, conforme determina o artigo 4º da IN 1.343/2013. Pelo exposto, mantenho a r. decisão primeira, por seus próprios e jurídicos fundamentos. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720234/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL.
As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão. Art. 66 do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 2401-005.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, na parte em que foram admitidos. No mérito, por maioria, em acolhê-los, sem efeitos modificativos, para sanar a inexatidão material e alterar o dispositivo do acórdão embargado. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess e Miriam Denise Xavier que negavam provimento aos embargos.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão. Art. 66 do Regimento Interno do CARF.
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INEXATIDÃO MATERIAL. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão. Art. 66 do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 02 34 /2 00 7- 17 Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10530.720234/200717 Acórdão n.º 2401005.424 S2C4T1 Fl. 345 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, na parte em que foram admitidos. No mérito, por maioria, em acolhêlos, sem efeitos modificativos, para sanar a inexatidão material e alterar o dispositivo do acórdão embargado. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess e Miriam Denise Xavier que negavam provimento aos embargos. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10530.720234/200717 Acórdão n.º 2401005.424 S2C4T1 Fl. 346 3 Relatório Cuidase de embargos em face do Acórdão nº 2101002.396, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (fls. 211/229), cuja ementa e dispositivo estão assim redigidos: NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infração estão claramente descritos e adequadamente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa. SUJEIÇÃO PASSIVA. COMPROVAÇÃO DA PROPRIEDADE. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Comprova a propriedade do bem imóvel a Certidão de Matrícula no Cartório de Registro de Imóveis competente. Na hipótese, não ficou comprovado que matrícula do imóvel rural tenha sido cancelada, na forma da lei. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. A diligência ou perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Admitese, para o cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, a exclusão da Área de Reserva Legal, desde que, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, tenha sido averbada à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis competente. Na hipótese, não se comprovou a averbação da área de reserva legal ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para a exclusão da Área de Preservação Permanente declarada da área total do imóvel rural, necessário apresentar Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado junto ao órgão de controle do meio ambiente. Na hipótese, a interessada não logrou comprovar a Área de Preservação Permanente por meio de documento hábil. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS SIPT. UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por Município, constante do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, sem considerar levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura da Unidade Federada ou do Município, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, por contrariar o disposto no artigo 14, § 1.º, da Lei n.º 9.393, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10530.720234/200717 Acórdão n.º 2401005.424 S2C4T1 Fl. 347 4 alegação de nulidade do auto de infração, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para restabelecer o valor da terra nua declarado, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva, que votou por dar provimento ao recurso. O juízo de admissibilidade dos embargos foi feito pelo Presidente da 2ª Seção de Julgamento do CARF, nos termos do despacho de fls. 338/343: [...] a) INEXATIDÃO MATERIAL No v. acórdão, ora embargado, a Conselheira Relatora esclareceu, em seu voto, que a decisão proferida pelo Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia(TJBA) determinou a suspensão do pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural(ITR) correspondente à Fazenda Taboleirinho, objeto do presente processo, registrando que tal decisão deverá ser cumprida pela Receita Federal do Brasil. Confirase: "Salientamos, por fim, que a decisão proferida pelo Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, no processo administrativo n° 000920757.2013.8.05.0000, determinou a suspensão do pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR correspondente aos imóveis cujas matrículas foram bloqueadas, decisão esta que deve ser cumprida pela repartição de origem, nos termos em que foi exarada." (Grifouse; fl. 222) Na ocasião do julgamento do recurso voluntário da ora EMBARGANTE, após ter sido debatida pelos integrantes dessa Ia Turma, a determinação referida acima foi acolhida por todos os Conselheiros. No entanto, tal determinação deixou de constar do respectivo acórdão. Confirase: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a alegação de nulidade do auto de infração, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para restabelecer o valor da terra nua declarado, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva, que votou por dar provimento ao recurso.". b) ERRO DE FATO 01 10.Em seu voto. a Conselheira Relatora afirma que, embora entenda que há indícios veementes da ocorrência de fraude, em razão da constatação da inexistência da matrícula 5817, a qual originou as matrículas 1879 e 1927, a EMBARGANTE ainda Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10530.720234/200717 Acórdão n.º 2401005.424 S2C4T1 Fl. 348 5 teria legitimidade passiva em relação à cobrança dos débitos de ITR lançados por meio da Notificação de Lançamento originária deste Processo Administrativo, pois ainda não haveria uma decisão definitiva da questão. [...] c) ERRO DE FATO 02 16.A respeito da comprovação da inexistência da matrícula 5817, a qual originou as matrículas 1879 e 1927 do imóvel em questão, consta o seguinte do v. acórdão embargado: "Às fls. 204, foi anexada Certidão do Cartório de Registro de Imóveis e Hipotecas do Primeiro Ofício da Comarca de Barreiras (BA), na qual certifica não constar, dos arquivos do Cartório, a ficha da matrícula Rl5817 em 4 de maio de 1983 Protocolo 13.632 de 29 de abril de 1983, em nome de Ahyrton Carvalho Franca. Por ser relevante para este processo, o documento será também considerado na presente análise. [...] O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, no seu artigo 65, prevê a possibilidade dos embargos declaratórios. Transcrevemos. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Do b) ERRO DE FATO 01 e c) ERRO DE FATO 02 O art. 65 do RICARF permite os embargos de declaração quando revelados no acórdão proferido os vícios ali descritos, não se prestando a analisar inconformidade no decisum, a qual deve ser debatida em via própria. Os argumentos carreados informam que o embargante busca juízo de retratação da decisão, com exame de elementos de prova, através de meio que não tem o condão de alcançar esse fim. Assim, temos que não assiste razão ao embargante quanto aos vícios apontados, pois não restou demonstrado que o r. acórdão deixou de se pronunciar sobre alguma questão suscitada pelas partes, tampouco se apontou obscuridade ou contradição entre os fundamentos e a conclusão do julgado. Vejamos jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. ART. 535, I E II, DO CPC/1973. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10530.720234/200717 Acórdão n.º 2401005.424 S2C4T1 Fl. 349 6 AUSÊNCIA. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. DESCABIMENTO. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 535, I e II, do CPC/1973, destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade ou eliminar contradição existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. Não são cabíveis os presentes embargos, haja vista que a real intenção da parte embargante não é sanar alguma omissão, contradição ou obscuridade no acórdão impugnado, e, sim, rediscutir o quanto decidido, buscando efeitos infringentes em situação na qual não são cabíveis. 3. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte. Nesse sentido: STJ, REsp 739.711/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJU de 14/12/2006. 4. Registrese, ainda, que não se pode confundir decisão contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional. Em tal sentido: STJ, REsp 801.101/MG, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJe de 23/4/2008. (...)(EDcl nos EDcl nos EREsp 784394 / RS , DJe 17/08/2016) (Grifouse.) Do que posto, temos que as matérias: b) ERRO DE FATO 01 e c) ERRO DE FATO 02, não são passíveis de análise via embargos de declaração, uma vez que não restou demonstrada nenhuma das hipóteses do art. 65 retro. Quanto ao tópico a) INEXATIDÃO MATERIAL, devem ser admitidos os aclaratórios para sanear a omissão da decisão proferida quanto a suspensão do pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Conclusão Diante do exposto, devese acolher parcialmente os Embargos de Declaração, submetendo os autos novamente à apreciação do Colegiado, com vistas a sanar o vício apontado pelo Embargante, referente à matéria: a) INEXATIDÃO MATERIAL. É o relatório. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10530.720234/200717 Acórdão n.º 2401005.424 S2C4T1 Fl. 350 7 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Tratamse de embargos de declaração (erros de fato 01 e 02) e embargos inominados (inexatidão material), que, nos termos do despacho de admissibilidade, foram apenas acolhidos os aclaratórios para sanar erro material constante na parte do dispositivo do Acórdão nº 2101002.396. Em relação aos Erros de Fato (01 e 02), apontados pelo recorrente, constatou se que não são passíveis de análise via embargos de declaração, uma vez que não restou demonstrada nenhuma hipótese do art. 65 do Regimento Interno do CARF. No tocante a INEXATIDÃO MATERIAL, embargo inominado (art. 66 do RICARF), verificouse a necessidade de sanear a omissão da decisão do Acórdão nº 2101 002.396 (fls. 211/229), quanto a suspensão do pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Compulsando os autos, verificase que sobre a matrícula do imóvel nº 1879 (NIRF nº 5.696.1642), objetos da notificação de lançamento, existe uma questão administrativa judicial a ser decidida no âmbito do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça da Bahia. Neste sentido, é teor do Acórdão no Recurso Administrativo nº 0009207 57.2013.8.05.0000, fls. 191/204. Portanto, devese alterar a parte do dispositivo, para que também seja incluído a informação referente à suspensão do pagamento do ITR, considerando que essa informação já consta dos fundamentos do acórdão referenciado. Onde se lê: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a alegação de nulidade do auto de infração, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva e, no mérito, por maioria de votos, em Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10530.720234/200717 Acórdão n.º 2401005.424 S2C4T1 Fl. 351 8 dar provimento em parte ao recurso voluntário, para restabelecer o valor da terra nua declarado, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva, que votou por dar provimento ao recurso. Leiase Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a alegação de nulidade do auto de infração, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para, restabelecer o valor da terra nua declarado, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva, que votou por dar provimento ao recurso, devendo a unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de jurisdição adotar as providencias cabíveis, nos termos da decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (Acórdão Processo Administrativo nº 000920757.2013.8.05.0000), que suspendeu o pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR. Conclusão Em vista do exposto, voto no sentido de conhecer dos embargos e, no mérito, acolhêlos parcialmente a fim de sanar a INEXATIDÃO MATERIAL no Acórdão nº 2101 002.396, para incluir na parte do dispositivo conforme acima. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 351DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35465.000155/2006-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2013
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL.
As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão. Art. 66 do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 2401-005.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos, com efeitos infringentes, para sanar o vício apontado, para que seja excluído do cálculo da multa os valores relativos aos levantamentos FF2 e PN4.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2013 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão. Art. 66 do Regimento Interno do CARF.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1585; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 930 1 929 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35465.000155/200667 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401005.447 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ASSOCIAÇÃO DESP. DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO ADPM ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2013 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão. Art. 66 do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos, com efeitos infringentes, para sanar o vício apontado, para que seja excluído do cálculo da multa os valores relativos aos levantamentos FF2 e PN4. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 5. 00 01 55 /2 00 6- 67 Fl. 936DF CARF MF Processo nº 35465.000155/200667 Acórdão n.º 2401005.447 S2C4T1 Fl. 931 2 Relatório Cuidase de embargos inominados apresentados pela Chefe Substituta da Equipe de Revisão de Débitos (EREV) da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo contra Acórdão nº 2401002.918 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção. Às fls. 932/934, consta despacho de admissibilidade da Presidente do referido colegiado, do qual transcrevese o seguinte: Dos Embargos Inominados Cientificada da decisão em 22/10/2014, a Chefe Substituta da EREV opôs os Embargos Inominados de fls. 925 e 926, em 19/11/2014, nos termos do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, Anexo II, art. 66, alegando inexatidão material no Acórdão nº 2401002.918, conforme razões a seguir transcritas: 1. Conforme consta nos autos, as fls. 907 a 918, foi proferido Acórdão n.º 2401002.918, que deu provimento parcial ao recurso voluntário da empresa determinando o recálculo da multa se mais benéfico ao contribuinte, conforme o disciplinado no disciplinado no Art. 35A da Lei 8.212, incluído pela Lei nº 11.941/2009. (sic) 2. Verificase através do relatório do Acórdão que o relator transcreveu a resposta à diligência solicitada pelo CARF, (fls.911 a 912) onde consta as informações referentes às NFLD(s) conexas ao presente Auto de Infração. 2.1 No item 7 da Informação Fiscal, consta a informação que os levantamentos PN4 e FF2 deveriam ser excluídos do presente auto de infração, pois este levantamentos estão incluídos nas NLFD(s) conexas, as quais foram baixadas, devendo permanecer no auto de infração apenas os levantamentos correspondentes à NFLD conexa 35.714.693 0. 3. Como o julgamento pelo CARF, do presente auto de infração dependia do desfecho das NFL(s) conexas, em consequência, das informações prestadas pela DERAT, há que se concluir que o Acórdão nº 2401002.918 da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, da Segunda Seção de Julgamento do CARF contém uma imprecisão, pois o Voto foi por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso do contribuinte, determinando apenas o recálculo da multa se mais benéfico ao contribuinte, conforme o disciplinado no disciplinado no Art. 35A da Lei 8.212, incluído pela Lei nº 11.941/2009, ou seja, aplicar o disposto no Art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, sem se pronunciar a respeito dos levantamentos PN4 e FF2 a serem excluídos ou não. (sic) (Negrito no original) Da admissibilidade dos Embargos Da alegada inexatidão matéria Fl. 937DF CARF MF Processo nº 35465.000155/200667 Acórdão n.º 2401005.447 S2C4T1 Fl. 932 3 Conforme se observa no acórdão embargado, de fato, segundo a informação prestada pela DRF de origem (fl. 912), os levantamentos PN4 e FF2 deveriam ser excluídos da multa aplicada: 7. As NFLDs 35.714.6956 e 35.714.6964 foram BAIXADAS POR DECISÃO ADMINISTRATIVA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA em 17/01/2006, e, conforme informações do Sistema de Cobrança, não foram substituídas, portanto, os levantamentos PN4 e FF2 devem ser excluídos do cálculo da multa aplicada. Acontece, porém, que no presente acórdão, tanto em seu dispositivo analítico, quanto no Voto Vencido e no Voto Vencedor, não houve pronunciamento expresso quanto à exclusão dos levantamentos PN4 e FF2, em que pese o Voto Vencedor dizer, ao final de sua conclusão, que devem ser “deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas”. Portanto, restou evidenciada a inexatidão material apontada, a qual deverá ser apreciada e sanada pela Turma. Conclusão Diante do exposto, admitemse os embargos, para que sejam incluídos em pauta de julgamento e apreciada a questão. Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente das questões apresentadas, a qual será procedida quando do julgamento pelo colegiado. É o relatório. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 35465.000155/200667 Acórdão n.º 2401005.447 S2C4T1 Fl. 933 4 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Quanto à admissibilidade dos presentes embargos, entendo que uma questão deve ser analisado, ou seja, a legitimidade do servidor que interpôs os embargos. Conforme documentos às fls. 925/926, a proposição foi assinada pela Chefe Substituta da Equipe de Revisão de Débitos (EREV/PREV) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo. A menos que exista portaria de designação específica, a Auditora Fiscal que interpôs os embargos não possui competência para tal, conforme parágrafo 1º. do arts. 65 e 66 do RICARF (Portaria MF 343/2015), a seguir transcrito. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. [...] Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. No entanto, a inexatidão material do acórdão embargado está constatada e deve o mesmo ser analisado para que seja corrigido. Tendo em vista a economia processual, e, consoante art. 66 do Regimento Interno deste Conselho, proponho que os presentes embargos sejam recepcionados como Embargos Inominados, para viabilizar o procedimento de correção daquele decisium. Nos embargos, questiona a unidade da Secretaria da Receita Federal que os levantamentos PN4 e FF2 deveriam ser excluídos do presente auto de infração, pois este levantamentos estão incluídos nas NLFD(s) conexas, as quais foram baixadas, devendo permanecer no auto de infração apenas os levantamentos correspondentes à NFLD conexa 35.714.6930. Fl. 939DF CARF MF Processo nº 35465.000155/200667 Acórdão n.º 2401005.447 S2C4T1 Fl. 934 5 Os levantamentos referenciados correspondem aos DEBCAD nº 35.714.695 6, de 05/96 a 12/03, contendo o levantamento PN3, com período anterior à GFIP, e o levantamento PN4 e nº 35.714.6964, de 01/94 a 03/04, contendo os levantamentos FF1 anterior à GFIP e FF3 — declarado em GFIP e o levantamento FF2. Consta informação nos autos que os referidos DEBCAD foram baixados por decisão administrativa de primeira instância em 17/01/2006. De fato, observase que tanto no dispositivo bem assim quanto no Voto Vencido e no Voto Vencedor do acórdão embargado não houve pronunciamento expresso quanto à exclusão dos levantamentos PN4 e FF2. Considerando a inexatidão material, devese incluir no acórdão embargado a informação de que os valores apurados nos levantamentos PN4 (DEBCAD nº 35.714.6956) e FF2 (DEBCAD nº 35.714.6964) devem ser deduzidos do cálculo da multa. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de ACOLHER os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para sanar o vício apontado, para que seja excluído do cálculo da multa os valores relativos aos levantamentos FF2 e PN4. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 940DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18019.720102/2014-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2014
INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. PENDÊNCIAS NÃO SOLUCIONADAS.
Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
Constatado que o solicitante incide em hipótese de vedação ao enquadramento, torna-se incabível seu pedido de inclusão.
Numero da decisão: 1001-000.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2014 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. PENDÊNCIAS NÃO SOLUCIONADAS. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Constatado que o solicitante incide em hipótese de vedação ao enquadramento, torna-se incabível seu pedido de inclusão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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PENDÊNCIAS NÃO SOLUCIONADAS. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Constatado que o solicitante incide em hipótese de vedação ao enquadramento, tornase incabível seu pedido de inclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 01 9. 72 01 02 /2 01 4- 15 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 18019.720102/201415 Acórdão n.º 1001000.445 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 35 a 40) interposto contra o Acórdão nº 0131.118, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 25 a 29), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2014 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. PENDÊNCIAS NÃO SOLUCIONADAS. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Constatado que o solicitante incide em hipótese de vedação ao enquadramento, tornase incabível seu pedido de inclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Trata o processo de manifestação de inconformidade da interessada, quanto à sua exclusão do SIMPLES, conforme Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, DRF/CARUARU PE, de 03/01/2014, nº de registro 00.05.99.41.78, de 13/02/2014, fls. 04, onde consta como motivação do indeferimento, o que segue: “ Débito não previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Conforme tela de fls. 6, obtidas no sítio do Simples Nacional, o indeferimento decorreu de : Lista de Debitos Fl. 44DF CARF MF Processo nº 18019.720102/201415 Acórdão n.º 1001000.445 S1C0T1 Fl. 4 3 1)Débito Código da Receita : 5338 Nome do Tributo : DIPJMULTAATRASO/FALTA Número do Processo : 0 Período de Apuração: 01/04/2009 Saldo Devedor : R$ 200,00 Inconformada, em 26/02/2014, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 02), discordando da exclusão, alegando que: 1) Em 03/01/2014, foi realizada a solicitação da opção do Simples Nacional, gerando um relatório de pendências para regularizar até o dia 31/01/2014; 2) A pendência era uma multa referente atraso / falta de apresentação da DIPJ, sendo o seu valor atual de R$ 200,00. O pagamento da mesmo foi realizado no mesmo dia; 3) Por um erro na emissão do DARF, código 5338 , a mesma não foi alocada pelo sistema da Receita Federal no prazo; 4) Somente soube do indeferimento no dia 13/02/2014; 5) Percebendo o ocorrido, foi realizada a transmissão do REDARF para retificação dos dados e para que o valor referente à multa fosse alocado junto à Receita Federal, não havendo débito algum no sistema." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sobre análise apenas reiterando os termos aventados em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Fl. 45DF CARF MF Processo nº 18019.720102/201415 Acórdão n.º 1001000.445 S1C0T1 Fl. 5 4 A questão em foco pautase no reconhecimento, ou não, da possibilidade de ingresso na sistemática de tributação em apreço, uma vez que a situação da interessada junto ao Portal do Simples Nacional na internet é de que existiam situações impeditivas, consoante fls. 02: “ Débito não previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V.” Quanto ao mérito, por oportuno, reproduzimos abaixo o diploma legal ao norte mencionado: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: I que explore atividade de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, gerenciamento de ativos (asset management), compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); II que tenha sócio domiciliado no exterior; III de cujo capital participe entidade da administração pública, direta ou indireta, federal, estadual ou municipal; IV (REVOGADO); V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; [...........................................................]” O artigo 6º da Resolução do Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) nº 94, de 29 de novembro de 2011, assim dispunha: “Resolução CGSN nº 94/2011 Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput ) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5 º . (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput ) Fl. 46DF CARF MF Processo nº 18019.720102/201415 Acórdão n.º 1001000.445 S1C0T1 Fl. 6 5 I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo;” Ora, consoante documento de fls. 04, empresa foi impedida de ingressar no Simples Nacional em decorrência de débito não previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa. Em vista disso, analisando os documentos de fls. 05, 07/08, anexados pelo próprio contribuinte e confirmado pelas telas de fls. 23/24, por mim acostadas aos autos, verifiquei que: 1) O débito foi pago em dois DARFs, o primeiro, em 03/01/2014, no valor de R$ 200,00 (duzentos reais), sem os acréscimos legais portanto; 2) O segundo, que complementaria àquele, somente foi pago em 25/02/2014, após a data limite para o pagamento, portanto. Desta forma, ficou demonstrado que a empresa não poderá ingressar no Simples Nacional em virtude de não haver solucionado as pendências que a impediram de ingressar nessa Sistemática, antes de 31/01/2014. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000556/2004-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
RECURSO ESPECIAL. MATÉRIAS PARA AS QUAIS NÃO SE DEMONSTRA A DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente, sendo que a divergência deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido (art. 67, caput, e §§ 1º e 8º, do RICARF).
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF).
Numero da decisão: 9303-006.280
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RECURSO ESPECIAL. MATÉRIAS PARA AS QUAIS NÃO SE DEMONSTRA A DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente, sendo que a divergência deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido (art. 67, caput, e §§ 1º e 8º, do RICARF). Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RECURSO ESPECIAL. MATÉRIAS PARA AS QUAIS NÃO SE DEMONSTRA A DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente, sendo que a divergência deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido (art. 67, caput, e §§ 1º e 8º, do RICARF). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 05 56 /2 00 4- 05 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11030.000556/200405 Acórdão n.º 9303006.280 CSRFT3 Fl. 179 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 113 a 124), interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 2101000.095, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 102 a 108), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente os insumos que se submeteram à incidência da contribuição na operação de aquisição pelo produtorexportador compõem a base de cálculo do incentivo, situação essa em que não se incluem as aquisições junto a pessoas físicas. Na sua peça recursal, o contribuinte contesta não somente a não inclusão na base de cálculo de aquisições de não contribuintes PIS/Cofins – mais especificamente, de pessoas físicas – mas, no seu bojo, trata ainda: Da não admissão de exportações de produtos simplesmente adquiridos de terceiros, e de produtos “NT”; Da atualização do crédito reconhecido com base na Taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial (fls. 151 a 156), “apenas quanto à matéria relativa à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, das aquisições de não contribuintes do Pis/Cofins”. A PGFN apresentou Contrarrazões (fls. 158 a 162), tratando exclusivamente da matéria admitida no Exame e Reexame de Admissibilidade do Recurso. É o Relatório. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11030.000556/200405 Acórdão n.º 9303006.280 CSRFT3 Fl. 180 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O Acórdão recorrido trata somente da inclusão ou não na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI das aquisições de pessoas físicas. E não só ele: a Ementa da decisão da instância de piso, nele transcrita (fl. 103), só fala que compõem a base de cálculo apenas as aquisições que sofrem a incidência de PIS/Cofins, nas quais não se incluem as feitas a pessoas físicas. Então, somente há que se falar em divergência em relação às aquisições de pessoas físicas, pelo que, a teor do disposto no RICARF, não conheço do Recurso Especial no que tange às demais matérias: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. No que se refere às aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, o tema não é mais passível do discussão no CARF, pois há decisão do STJ admitindo estes créditos, em Acórdão submetido ao regime do art 543C do Antigo CPC (Recursos Repetitivos), no RESp nº 993.164/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, publicado em 17/12/2010. Transcrevo excerto da Ementa do referido Acórdão, no que interessa à discussão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. Por força regimental – Portaria MF nº 343/2015, art. 62, § 2º, a decisão deve ser reproduzida por este relator: Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11030.000556/200405 Acórdão n.º 9303006.280 CSRFT3 Fl. 181 4 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda que: 1) Existe inclusive Súmula do STJ a respeito, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. 2) Antes disto, já havia sido editado o Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN, nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. JURISPRUDÊNCIA: AGRESP 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE RESP 995285/PE, RESP 1008021/CE, RESP 921397/CE, RESP 840056/CE, RESP 767617/CE, todas do STJ. 3) Na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, mas em razão da manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.155/2012 (...) Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11030.000556/200405 Acórdão n.º 9303006.280 CSRFT3 Fl. 182 5 sistemática dos artigos 543B e 543C, do Código de Processo Civil, ... encaminhase a presente nota na qual se acrescenta o item 84 da lista do art. 1º, V, da Portaria PGFN nº 294/2010, correspondente ao Recurso Especial nº 993.164/MG, acrescentado a esta lista na sua última atualização realizada no dia 10 de agosto de 2012. 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, encaminhase o item relativo à delimitação do tema para fins de complementação do anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, com a seguinte redação: 84 – RESP 993.164/MG Relator: Min. Luiz Fux (...) Resumo: o tribunal julgou ilegal a IN RFB Nº 23/97, por ter ela extrapolado os limites da Lei 9.363/96, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, na parte conhecida. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.903043/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO
Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o acórdão recorrido e determinar o retorno à DRJ para apreciação da manifestação de inconformidade da interessada, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flavio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o acórdão recorrido e determinar o retorno à DRJ para apreciação da manifestação de inconformidade da interessada, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flavio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 30 43 /2 01 2- 11 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13851.903043/201211 Acórdão n.º 1302002.644 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o processo de manifestação de inconformidade oposta a despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada via PERDCOMP ao fundamento fático de que "partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP" (conforme descrito no despacho decisório de fl. 7 a 11). O crédito, cuja compensação se postulou na PERDCOMP de nº 36605.12354.240412.1.3.041191, teria origem em pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido no ano de 2009. O contribuinte alega, genericamente, que o indébito decorreria do "alargamento" indevido da base de cálculo da exação tendo em conta, "exemplificativamente" a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos do RE 585.235 ("alargamento" da base de cálculo do PIS e da COFINS). Ao manejar a sua insurgência contra o despacho decisório, sustentou, resumidamente: a) em preliminares: a.1) a nulidade do despacho ante a inexistência de fundamentação fática e jurídica a sustentar o indeferimento do pedido de compensação, insistindo ser, inclusive, impossível saber o que se poderia entender pela expressão "indisponibilidade do crédito"; a.2) nulidade por cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de provas e documentos que pudessem, antes da prolação do despacho, demonstrar a existência, liquidez e certeza do crédito, invocando, inclusive, os preceitos do art. 65 da IN 900 (então vigente); b) no mérito, deduz genericamente a existência do crédito apontando que o pagamento realizado em valor superior ao efetivamente devido teria, como já dito, decorrido da inclusão de grandezas estranhas, "por exemplo", ao conceito de faturamento (tal qual definido pelo STF). Ao fim, pede a produção de prova adicional e, sucessivamente, a anulação ou a reforma do despacho decisório. A DRJ de Ribeirão Preto houve por bem não conhecer da manifestação oposta, mormente por entender que, uma vez informado na aludida manifestação que o crédito cuja compensação se postulava advinha de pretensa discussão judicial, sem que se tenha juntado ao feito quaisquer provas ou documentos que pudessem identificála (a discussão judicial), seria de tomar como "nãodeclarada" a compensação pleiteada (na forma do art. 74, 74, § 12, II, “f”, da Lei n.º 9.430, de 1996). A recorrente teve ciência do resultado do julgamento acima em 09/08/2013 (AR de fl. 48), tendo interposto o seu recurso voluntário em 03/09/2013 (Termo de Solicitação de Juntada de fl. 50), por meio do qual se limitou a reiterar os argumentos despendidos em sua impugnação. Este, o relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13851.903043/201211 Acórdão n.º 1302002.644 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.642, de 15.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13851.903041/201222, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.642): I Da análise do cabimento do RV e de questão de ordem pública prejudicial. Antes mesmo de me pronunciar sobre o cabimento do recurso, é necessário dirimir questão de relevo surgida apenas com o advento da decisão de primeira instância. Tal como descrito no relatório, a DRJRPO não conheceu da manifestação de inconformidade por entender que o crédito, cuja compensação se postulava, decorreria, a seu ver, de discussão judicial, o que, em tese, atrairia, ao caso, a aplicação da regra encartada no artigo 74, § 12, II, “f”, da Lei n.º 9.430, de 1996. Como a decisão primerva considerou como "nãodeclarada" a compensação, entendeu descabida a manifestação de inconformidade já que, nesta hipótese, caberia tão só o recurso hierárquico a que alude o art. 56 da Lei 9.784/96 (por força da determinação constante do art. 39, § 2º, da IN 900/08, vigente à época da transmissão da declaração de compensação). O grande problema, todavia, é que, a teor do art. 74, § 10, da citada Lei 9.430, só caberia recurso a este Conselho para o caso de improcedência da manifestação inconformidade: § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Demais disso, reprisese, que, uma vez considerada como "não declarada" a compensação, como já dito, descabe manifestação de inconformidade e, por conseguinte, recurso voluntário; o rito que se segue, neste passo, é, e apenas, aquele descrito na anteriormente citada Lei 9.784. Ou seja, em tese, não nos seria cabível conhecer do recurso voluntário. Todavia, entendo, particularmente, que a DRJ incorreu, no caso, em dois erros, data venia. Primeiramente, o crédito postulado pelo contribuinte não advinha de decisão judicial ou de alegação de inconstitucionalidade, já que, da DECOMP de nº 15313.50413.240412.1.3.045499, que efetivamente descreve o Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13851.903043/201211 Acórdão n.º 1302002.644 S1C3T2 Fl. 5 4 crédito, a sua origem e natureza, informa, explicitamente, que a pretensão deduzida pelo recorrente não estava fundada em discussão judicial. Insistase, a alegação, por demais, genérica de que haveria ocorrido um indébito em decorrência de eventual discussão judicial ou alegação de inconstitucionalidade de norma adveio, apenas, na manifestação de inconformidade. Por isso, inclusive, que a Unidade de Origem apenas deixou de homologar o pedido da empresa. Como não o fez, à DRJ competia, tão só, se pronunciar sobre a existência ou não do crédito, pena de, inclusive, incorrer em reformatio in pejus (como de fato o fez, já que ao considerar como nãodeclarada a compensação, o órgão Colegiado a quo tornou muito mais gravosa a situação do contribuinte). Vejam bem, a DRF não reconheceu o direito creditório pleiteado porque o contribuinte não cuidou de informálo! Não há, nos autos, notícias de que o recorrente tenha retificado eventuais declarações (DCTF) a fim de permitir à Unidade de Origem inferir a existência de um indébito restituível; tivesse a parte tomado tal providência a DRF cuidaria de intimálo para explicar tal retificação e, apresentadas as considerações constantes da manifestação de inconformidade, aí sim, considerar a aplicação dos preceitos do art. 74, § 12, da Lei 9.430/96. Como tais procedimentos não foram adotados, a DRF, corretamente, deixou de homologar a compensação pela razão já apontada no relatório acima: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Este o limite da atuação da DRJ; este o limite do objeto da manifestação de inconformidade que deveria ter sido observado pela instância a quo. Uma vez que não homologado o pedido de compensação, o cabimento da citada manifestação de inconformidade é decorrência estrita e lógica da Lei 9.430 (art. 74, § 7º,) e cabia à DRJ dela conhecer para, se assim entendesse cabível, julgála improcedente. No entanto, vale o destaque, o recurso voluntário não atacou o fundamento específico da DRJ; o contribuinte, digase, não se insurgiu, por seu apelo, contra o não conhecimento da sua manifestação de inconformidade nem tampouco questionou as razões que levaram ao colegiado de primeira instância a considerar não declarada a sua compensação. O recorrente, pois, não devolveu à este Conselho a matéria (que, na minha concepção, não encerra, neste ponto, o conhecimento de ofício), tendo, pois, se operado a preclusão neste particular (inteligência do art. 33 do Decreto 70.235/72). Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13851.903043/201211 Acórdão n.º 1302002.644 S1C3T2 Fl. 6 5 Resta a análise do segundo equívoco incorrido pela DRJ. E aqui, a discussão ganha um realce bastante diferente. Ainda que não disponha de artigo específico para determinar a competência para a análise das Declarações de Compensação transmitidas à DRF, a Lei 9.430 a todo momento deixa, quando menos, implícita tal competência (vejase, por exemplo, os preceitos do § 4º do art. 74). Nada obstante, a IN 1.300 (que revogou a IN 900, vigente à época da transmissão da DECOMP objeto deste feito), é suficientemente clara ao dispor, em seu art. 46, caput¸ "a autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41". O § 8º, deste mesmo preceito, põe um pedra de toque sobre o assunto: O lançamento de ofício da multa isolada de que tratam os §§ 6º e 7º será efetuado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. A competência, portanto, para considerar não declarada eventual compensação é exclusiva da DRF, cabendo ao Auditor Fiscal o mister de efetuar o lançamento da multa isolada preconizada pelos §§ 6º e 7º. Em linhas gerais, a DRJ não detém competência para considerar nãodeclarada eventual compensação por ventura transmitida pelo contribuinte (até mesmo pelos motivos já suscitados anteriormente, já que as situações descritas no § 12 do art. 74 devem ser apuradas pela Auditoria Fiscal no curso da análise das DECOMP). Atentem, agora, para os preceitos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A luz de tais premissas, temse no caso, hipótese clara e inegável de nulidade do acórdão da DRJ que, inadvertidamente, proferiu decisão sobre matéria que não lhe competia analisar. E a nulidade descrita no art. 59, supra, é, esta sim, matéria de ordem pública conhecível em qualquer grau ou instância, conforme art. 64, §1º, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo por força dos preceitos do art. 15 do mesmo digesto processual civil. Dito isto, a anulação do acórdão ora recorrido é medida que se impõe. II Conclusão. Diante disto, voto por conhecer do recurso voluntário (porque tempestivo) e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13851.903043/201211 Acórdão n.º 1302002.644 S1C3T2 Fl. 7 6 pelas razões expostas anteriormente, determinandose o retorno dos autos à DRJRPO a fim de que proceda à análise do mérito do pedido de compensação objeto desta demanda. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço e dou provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o acórdão recorrido e determinar o retorno à DRJ para apreciação da manifestação de inconformidade da interessada. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.720307/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA DA UNIÃO. RELAÇÃO TRIBUTÁRIA. RENDIMENTOS PAGOS PELOS ESTADOS. PRODUTO DA ARRECADAÇÃO DO IMPOSTO. NORMA DE DIREITO FINANCEIRO.
O imposto de renda é um tributo de competência da União, cabendo-lhe instituir e legislar sobre a referida exação, qualificando-se também como sujeito ativo da relação jurídico-tributária, para fins de exigência do cumprimento das obrigações tributárias. Embora pertença aos Estados o produto da arrecadação do imposto incidente na fonte sobre rendimentos por eles pagos a pessoas físicas, cuida-se de norma de direito financeiro, a qual não altera a relação tributária, permanecendo a incidência do imposto subordinada ao que dispõe a legislação de natureza federal.
FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO. NATUREZA DE ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO RECOLHIMENTO PELO CONTRIBUINTE.
Constatada a falta de retenção pela fonte pagadora do imposto que tenha a natureza de antecipação, após a data de entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física, e não tendo o contribuinte submetido os rendimentos à tributação na declaração, o imposto de renda devido será exigido do beneficiário dos rendimentos, mais os acréscimos legais.
JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO PAGO NO VENCIMENTO.
Independente do motivo determinante da falta, os juros de mora são devidos sobre o crédito tributário não pago no vencimento, salvo quando existir depósito no montante integral.
DIFERENÇAS DE URV. JUROS DE MORA. MESMA NATUREZA DA VERBA PRINCIPAL.
Em regra, incide imposto de renda sobre os juros de mora. À parcela de juros de mora, que faz parte do cálculo do montante recebido a título de diferenças de URV, deverá ser dado o mesmo tratamento dispensado à verba principal, a qual tem natureza de rendimento tributável e está sujeita à incidência da tributação.
MULTA DE OFÍCIO. FONTE PAGADORA. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF Nº 73.
O preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, induzido ao erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
(Súmula Carf nº 73)
Numero da decisão: 2401-005.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir a aplicação da multa de ofício. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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COMPETÊNCIA DA UNIÃO. RELAÇÃO TRIBUTÁRIA. RENDIMENTOS PAGOS PELOS ESTADOS. PRODUTO DA ARRECADAÇÃO DO IMPOSTO. NORMA DE DIREITO FINANCEIRO. O imposto de renda é um tributo de competência da União, cabendolhe instituir e legislar sobre a referida exação, qualificandose também como sujeito ativo da relação jurídicotributária, para fins de exigência do cumprimento das obrigações tributárias. Embora pertença aos Estados o produto da arrecadação do imposto incidente na fonte sobre rendimentos por eles pagos a pessoas físicas, cuidase de norma de direito financeiro, a qual não altera a relação tributária, permanecendo a incidência do imposto subordinada ao que dispõe a legislação de natureza federal. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO. NATUREZA DE ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO RECOLHIMENTO PELO CONTRIBUINTE. Constatada a falta de retenção pela fonte pagadora do imposto que tenha a natureza de antecipação, após a data de entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física, e não tendo o contribuinte submetido os rendimentos à tributação na declaração, o imposto de renda devido será exigido do beneficiário dos rendimentos, mais os acréscimos legais. JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO PAGO NO VENCIMENTO. Independente do motivo determinante da falta, os juros de mora são devidos sobre o crédito tributário não pago no vencimento, salvo quando existir depósito no montante integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 07 /2 00 9- 47 Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10580.720307/200947 Acórdão n.º 2401005.506 S2C4T1 Fl. 391 2 DIFERENÇAS DE URV. JUROS DE MORA. MESMA NATUREZA DA VERBA PRINCIPAL. Em regra, incide imposto de renda sobre os juros de mora. À parcela de juros de mora, que faz parte do cálculo do montante recebido a título de diferenças de URV, deverá ser dado o mesmo tratamento dispensado à verba principal, a qual tem natureza de rendimento tributável e está sujeita à incidência da tributação. MULTA DE OFÍCIO. FONTE PAGADORA. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF Nº 73. O preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, induzido ao erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. (Súmula Carf nº 73) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir a aplicação da multa de ofício. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Fernanda Melo Leal. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10580.720307/200947 Acórdão n.º 2401005.506 S2C4T1 Fl. 392 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), por meio do Acórdão nº 1525.103, de 13/10/2010, cujo dispositivo considerou procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado (fls. 160/167): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte 2. Em face do contribuinte foi lavrado Auto de Infração, decorrente de classificação indevida de rendimentos na Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), relativa aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, incluído juros de mora e multa de ofício proporcional de 75% (fls. 21/30). 2.1 Segundo a descrição do fatos e enquadramento legal, o crédito tributário diz respeito aos rendimentos tributáveis provenientes do Ministério Público do Estado da Bahia a título de diferenças de remuneração quando da conversão de cruzeiro real para Unidade Real de Valor (URV), recebidas pelo contribuinte em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro/2004 a dezembro/2006, em virtude da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 8 de setembro de 2003. 2.2 Com base na documentação fornecida pela fonte pagadora, o contribuinte informou os rendimentos como isentos e não tributáveis, na sua Declaração de Ajuste Anual (DAA). 3. O contribuinte foi cientificado da autuação por via postal, em 19/01/2009, e impugnou a exigência fiscal no dia 03/02/2009 (fls. 31/97). Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10580.720307/200947 Acórdão n.º 2401005.506 S2C4T1 Fl. 393 4 4. Previamente ao julgamento em primeira instância, houve a conversão do feito em diligência, com retorno ao órgão de origem, para a adequação do cálculo do imposto devido, por se tratar de rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anoscalendário anteriores ao recebimento, em que devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, mediante cálculo mensal, e não global do imposto (fls. 137/138). 5. Em atendimento à diligência, a fiscalização providenciou novo cálculo do imposto de renda devido, oportunizada a manifestação do impugnante sobre o resultado (fls. 147/149 e 153/155). 6. Intimado em 06/12/2010, também por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 15/12/2010, em que faz considerações a respeito da validade do acordão recorrido e repisa os argumentos de impugnação, a seguir resumidos (fls. 168/171 e 172/258): (i) o acórdão recorrido é nulo, pois deixou de enfrentar à questão da falta de legitimidade da União para cobrar o imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado da Bahia, assim como omitiuse quanto à análise da alegação de quebra do princípio da capacidade contributiva do contribuinte; (ii) no mérito, defende o caráter indenizatório das diferenças da URV e, portanto, escapando à incidência do imposto de renda; (iii) o agente lançador utilizou, para os anoscalendário de 1994 e 1998, alíquotas incorretas para o cálculo do imposto de renda devido; (iv) o valor expresso no auto de infração está a maior, porquanto o lançamento tributário não levou em conta as deduções cabíveis, às quais o contribuinte tem direito; (v) não foram excluídas da base de cálculo do imposto os valores correspondentes ao décimo terceiro salário e férias indenizadas; (vi) o sujeito passivo da obrigação tributária, na condição de responsável, é a fonte pagadora dos rendimentos; (vii) não houve dolo do recorrente, que simplesmente, observando o princípio da boafé, inseriu a informação fornecida pela fonte pagadora na sua declaração de ajuste, o que afasta a exigência de multa de ofício e juros de mora; Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10580.720307/200947 Acórdão n.º 2401005.506 S2C4T1 Fl. 394 5 (viii) a declaração do recorrente baseouse em informações da fonte pagadora lastreadas na Lei Complementar estadual nº 20, de 2003, ou seja, a conduta do declarante esteve pautada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra no art. 100 do Código Tributário Nacional, impedindo a exigência de qualquer acréscimo legal; e (ix) os juros de mora do cálculo das diferenças de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio, com natureza distinta daquela da verba principal. 7. Por meio do Acórdão nº 210201.591, de 25/10/2011, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar a exigência fiscal, acolhendo a tese de que as verbas recebidas pelo recorrente, em razão da sua natureza jurídica, restavam excluídas da incidência do imposto de renda (fls. 274/283). 8. A Fazenda Pública, por intermédio da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), interpôs recurso especial contra o Acórdão nº 210201.591, de 25/10/2011, o qual foi devidamente admitido, tendo o sujeito passivo apresentado contrarrazões (fls. 289/296, 308/310 e 315/329). 9. Através do Acórdão nº 9202004.203, de 21/06/2016, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, decidindo pela incidência do imposto de renda sobre as diferenças de URV recebidas pelo contribuinte e determinando o retorno dos autos ao colegiado "a quo" para proceder à análise das demais questões deduzidas pelo interessado no recurso voluntário, as quais deixaram de ser confrontadas pela decisão reformada (fls. 361/378). 9.1 Consta que o contribuinte foi cientificado do provimento do recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 385/387). 10. Por fim, levando em consideração que Turma de origem foi extinta, assim como o relator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, realizou se novo sorteio e distribuição deste processo para o julgamento do recurso voluntário no âmbito da Segunda Seção (fls. 388/389). É o relatório. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10580.720307/200947 Acórdão n.º 2401005.506 S2C4T1 Fl. 395 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 11. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Considerações Iniciais 12. Como visto, foi provido o recurso especial da Fazenda Nacional para considerar as verbas percebidas pelo contribuinte, nos anoscalendário de 2004 a 2006, resultantes da diferença apurada na conversão das remunerações da URV para o Real, como de natureza salarial e, portanto, sujeitas à incidência do imposto de renda. Na sequência, determinouse o retorno dos autos à instância "a quo" para julgamento das demais questões objeto do recurso voluntário. 13. Desse modo, superada a natureza indenizatória dos rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, tal como alegada no recurso voluntário, passo ao exame das demais matérias de defesa apresentadas na peça recursal. Preliminar 14. De início, pugna o recorrente pela nulidade do acórdão de primeira instância, pela falta de apreciação de argumentos de defesa contra o lançamento efetuado, pleiteando o retorno dos autos à primeira instância para que outra decisão seja proferida, sob pena de supressão de instância. 15. Nesse sentido, em primeiro lugar, reclama que a decisão combatida não enfrentou, de maneira fundamentada, a alegação de ilegitimidade ativa da União para a cobrança do imposto de renda incidente na fonte sobre rendimentos pagos a servidores estaduais, levando em consideração que o produto da arrecadação do tributo é de titularidade dos Estados, conforme o art. 157 da Constituição da República de 1988. 16. Pois bem. A irresignação não merece acolhimento. O acórdão recorrido atacou a questão deduzida pelo recorrente, na ocasião impugnante, e expôs os motivos que formaram o convencimento do julgador, cuja fundamentação, mesmo que sucinta, é capaz de justificar racionalmente a decisão de piso (fls. 165): Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10580.720307/200947 Acórdão n.º 2401005.506 S2C4T1 Fl. 396 7 (...) É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. (...) 17. Nessa específica questão, quanto à avaliação de mérito, reforço o acerto da interpretação da decisão de piso. Como sabido, o imposto sobre a renda é um tributo de competência da União, cabendolhe instituir e legislar sobre a referida exação, qualificandose também como sujeito ativo da relação jurídicotributária, para fins de exigência do cumprimento das obrigações tributárias (art. 153, inciso III, da Constituição da República de 1988). 18. Por sua vez, segundo já destacado pelo recurso voluntário, o produto da arrecadação do imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos pelos Estados a pessoas físicas pertence ao respectivo ente pagador, nos termos do inciso I do art. 157 da Carta Política de 1988: Art. 157. Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal: I o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem; (...) 19. Não obstante, muito embora pertença aos Estados o produto da arrecadação do imposto incidente na fonte sobre rendimentos por eles pago, cuidase de uma norma de direito financeiro, voltada à repartição constitucional de receitas tributárias, a qual não tem o condão de alterar a relação tributária. 20. A incidência do imposto sobre a renda permanece subordinada exclusivamente ao que dispõe a legislação tributária de natureza federal, a qual mantémse competente para a definição da materialidade do tributo, da sua base de cálculo, das alíquotas, das hipóteses de isenção e/ou não incidência, além dos contribuintes e responsáveis pelo pagamento do imposto, entre outros aspectos. 21. De mais a mais, a tributação dos rendimentos da pessoa física, via de regra, deve ser medida a partir do conjunto da renda auferida durante o anocalendário, em atendimento aos princípios da generalidade, universalidade e progressividade, mesmo que rendimentos com incidência na fonte do imposto e produto da sua arrecadação pertencente aos Estados ou Municípios. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10580.720307/200947 Acórdão n.º 2401005.506 S2C4T1 Fl. 397 8 22. Por tais motivos, as pessoas físicas estão obrigadas a apresentar a DAA, relativamente a cada anocalendário, incluindo nela todos os rendimentos tributáveis, sujeitos ao ajuste na declaração, além dos rendimentos classificados como isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, podendo a União, no prazo legal, proceder à revisão da declaração de rendimentos, sempre que descumprida a legislação tributária federal, exigindo do contribuinte o imposto de renda suplementar, com acréscimos legais, ou reduzir o saldo do imposto a restituir. 23. O recorrente aponta uma segunda omissão na decisão de piso, porque não teria o julgado manifestadose a respeito da quebra da capacidade contributiva, em decorrência do lançamento fiscal, que impõe a cobrança não apenas do imposto de renda, mas de juros de mora e multa de ofício, o que resulta em valor bem maior do que aquele recebido pelo contribuinte. 24. Mais uma vez, carece de razão. O argumento de defesa, embora não debatido de maneira expressa, restou enfrentado pela decisão questionada, na medida em que o acórdão afirmou que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação pelo contribuinte pessoa física implica a exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora (fls. 165). 25. Não se olvide que a decretação da invalidade do ato administrativo, com a determinação de sua reparação, quando viável, é medida de cunho excepcional, a qual exige a demonstração do prejuízo no exercício do seu direito de defesa. 26. Quando o julgador avalia a existência de preceito legal para incidência de acréscimos legais sobre o imposto devido, como se verifica do acórdão de primeira instância, a alegação de violação a principio constitucional, tal como a capacidade contributiva, é matéria inoponível na esfera administrativa, por reclamar o exame de compatibilidade da lei com os preceitos da Constituição, o que encontra óbice na impossibilidade de afastamento ou declaração de inconstitucionalidade sob esse fundamento (art. 26A do Decreto nº 70.325, de 6 de março de 1972). 27. Em outras palavras, o retorno do presente processo à primeira instância, se fosse o caso, para o fim de análise e decisão explícita sobre a questão ventilada na impugnação, é providência que se revela claramente inútil, além de contrária ao princípio da eficiência, haja vista a inviabilidade da produção de efeitos práticos nos moldes que pretende o recurso voluntário. 28. Diante das ponderações feitas, cabe rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Mérito 29. Afirma o recorrente que, nos anos de 1994 e 1998, as alíquotas do imposto de renda que vigoravam eram de 25%, e não de 26,6% e 27,5%, respectivamente, aplicadas no lançamento fiscal. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10580.720307/200947 Acórdão n.º 2401005.506 S2C4T1 Fl. 398 9 29.1 A toda a evidência, a objeção do recorrente é equivocada. Não existe erro no demonstrativo de cálculo elaborado pela fiscalização, que cumpriu o art. 2º da Lei nº 8.848, de 28 de janeiro de 1994, e o art. 21 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, respectivamente, com respeito a tais anoscalendário (fls. 164). 30. Ao contrário das alegações do recorrente, o extrato da tabela progressiva copiado no recurso voluntário, no qual constam as alíquotas do período, longe de contradizer o lançamento fiscal, confirma o acerto do critério utilizado pela fiscalização. 30.1 Com efeito, não se deve confundir o anocalendário com o exercício fiscal a que se refere o crédito tributário. Para o anocalendário de 1994, os dados da tabela progressiva correspondem ao exercício de 1995. Quanto ao anocalendário de 1998, ao exercício de 1999 (fls. 224/225). 31. O recurso voluntário contesta a exigência fiscal porque não teria considerado os rendimentos e as deduções já declarados pelo contribuinte, o que acarretou um excesso de lançamento. Alega, igualmente, que os valores recebidos a título de diferenças de URV eram compostos de correção incidente sobre férias indenizadas e décimo terceiro salário, parcelas indevidamente tributadas por serem, respectivamente, isentas e sujeitas à tributação exclusiva na fonte. 31.1 Sobre tais pontos controvertidos, não havendo novas razões de defesa apresentadas em segunda instância, afasto as alegações do recorrente com base nos próprios fundamentos expostos pela decisão recorrida, que, desde já, adoto como motivação de decidir (fls. 166): (...) Alegouse, também, que as diferenças foram tributadas isoladamente, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, o que resultou em um imposto lançado a maior. Entretanto, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Foi alegado, ainda, que parcelas dos valores recebidos a título de URV se referiam à correção incidente sobre férias indenizadas e 13º salário, e que tais parcelas foram indevidamente tributadas, pois seriam respectivamente isentas e sujeitas à tributação exclusiva. Entretanto, confrontando as planilhas de cálculo da diferença de URV emitida pelo Ministério Público, às fls. 141/144, com o demonstrativo de apuração do imposto de renda elaborado pela fiscalização, às fls. 147, verificase que tais parcelas não foram inclusas no lançamento fiscal. (...) Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10580.720307/200947 Acórdão n.º 2401005.506 S2C4T1 Fl. 399 10 31.2 No que concernente ao décimo terceiro e às férias indenizadas, acrescento que as alegações do recorrente são genéricas e desprovidas de um mínimo esforço no sentido de demonstrar a efetiva inclusão da parcela de correção sobre tais verbas na base de cálculo que representa os rendimentos recebidos. Nem mesmo explicitou os valores que estariam envolvidos. 32. Prosseguindo, constato que os rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte, segundo sua natureza jurídica, não estão sujeitos à sistemática do imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, de acordo com a legislação tributária federal, que possui, nessas situações, hipóteses estipuladas e delimitadas em lei. 32.1 A incidência do imposto na fonte tem a natureza de antecipação do tributo a ser apurado pelo contribuinte, no ajuste anual do anocalendário. Como dito alhures, é indiferente o destino constitucional previsto para o produto da arrecadação do imposto, afeto que está às normas de direito financeiro. 33. A apuração definitiva do imposto de renda será efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual. 33.1 Uma vez constatada a falta de retenção pela fonte pagadora após a data de entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física, como ora se cuida, e não tendo o contribuinte submetido os rendimentos à tributação na declaração de ajuste, o imposto devido será exigido do beneficiário dos rendimentos, acrescido, como padrão, de multa de ofício e juros de mora. 34. Os juros de mora não possuem caráter de penalidade. Os efeitos da mora sobre o crédito tributário são automáticos, bastando a falta de pagamento no vencimento. Nesse sentido, confirase o art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): 1 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (...) 35. Como não incidiu desconto do imposto na fonte, por ocasião do recebimento dos rendimentos, o contribuinte utilizou dinheiro alheio, devendo, sob pena de enriquecimento sem causa, compensar a falta de disponibilidade dos recursos pelo Poder Público, por meio dos juros de mora incidentes sobre o valor do tributo original devido e não pago. Para fins de cobrança dos juros, é indiferente o motivo determinante da ausência do pagamento. 36. O recorrente também menciona o art. 100 do CTN, o qual impede a exigência de acréscimo legal, de caráter punitivo ou não, quando o sujeito passivo agiu em conformidade com atos normativos expedidos por autoridade administrativa: 1 Quanto à incidência dos juros de mora, ressalvase a hipótese de depósito do crédito tributário no montante integral, conforme a Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10580.720307/200947 Acórdão n.º 2401005.506 S2C4T1 Fl. 400 11 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. 36.1 Entretanto, conforme bem realçado pelo acórdão recorrido, os documentos fornecidos ao contribuinte pelo Ministério Público Estadual, na condição de fonte pagadora, com esteio nas disposições da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 8, de 2003, não caracterizam normas complementares da legislação tributária federal. A razão é que a documentação não é dotada de eficácia normativa para produzir efeitos em matéria tributária de competência federal. 37. Quanto aos juros de mora, a regra é a incidência do imposto de renda (art. 16, parágrafo único, Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964). 37.1 Nesse sentido, entendimento mais recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), através do Recurso Especial (REsp) nº 1.089.720/RS, julgado em 10/10/2012, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, levando em consideração o decidido no REsp nº 1.227.133/RS. 37.2 À parcela dos juros de mora, portanto, que faz parte do cálculo do montante recebido pelo contribuinte, deverá ser dado, no caso em apreço, o mesmo tratamento dispensado à verba principal, a qual tem natureza de rendimento tributável e está sujeita à incidência do imposto de renda (o acessório segue o principal). 38. Por derradeiro, quanto à aplicação da multa de ofício, é mister dar razão ao recorrente. A falta de recolhimento do imposto de renda deuse pela natureza da classificação dos rendimentos na declaração de ajuste da pessoa física, com base em informação prestada pela fonte pagadora. 38.1 A documentação fornecida foi decisiva para a conduta da recorrente, que nada mais fez do que declarar os rendimentos de acordo com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora. 38.2 Nesse caso particular, em que pese a falta de recolhimento e/ou declaração do imposto, punível com sanção pecuniária, é cabível a exoneração da multa de oficio em decorrência do erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora à natureza dos rendimentos, na esteira do verbete sumular nº 73 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10580.720307/200947 Acórdão n.º 2401005.506 S2C4T1 Fl. 401 12 prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO a preliminar e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir a aplicação da multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 401DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000614/2010-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/01/2005 a 31/01/2006
IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA QUALIFICADA.
Constatado que o estabelecimento sistematicamente escriturava a maior os créditos do imposto, assim resultando na ocultação do imposto devido, é de se efetuar o lançamento de ofício com a aplicação da multa qualificada.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/2005 a 31/01/2006
Ementa:
PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Rejeita-se a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange a garantia do contraditório e da ampla defesa, não estando caracterizado o cerceamento do direito de defesa.
PEDIDO DE PERÍCIA
A perícia não se presta a suprir omissão do sujeito passivo na produção de provas que tinha obrigação de trazer aos autos.
SUJEIÇÃO PASSIVA. SUCESSÃO. CONTRIBUINTE E RESPONSÁVEL SUBSIDIÁRIO.
Provado que o contribuinte alienou, a qualquer título, o estabelecimento onde se deu a infração e que continuou suas atividades, este responde pela obrigação tributária, cabendo ao sucessor a responsabilidade subsidiária.
RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. MULTA DE OFÍCIO.
As multas estão abrangidas pelo conceito de crédito tributário. Assim, por força do art. 129 do CTN, a sucessora responde pelas multas devidas pela sucedida, independentemente da data do lançamento, desde que relativas a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
Pela conduta do sujeito passivo em retardar total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conduta essa prevista expressamente no artigo 71, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, como espécie de sonegação.
DECADÊNCIA.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, no caso de ausência de pagamentos, assim como na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo para contagem de prazo decadencial é aquele previsto no item I do artigo 173 do CTN.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 31/01/2005 a 31/01/2006
PRELIMINAR DE NULIDADE POR VICIO FORMAL - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
E de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.635
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Negar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/01/2005 a 31/01/2006 IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA QUALIFICADA. Constatado que o estabelecimento sistematicamente escriturava a maior os créditos do imposto, assim resultando na ocultação do imposto devido, é de se efetuar o lançamento de ofício com a aplicação da multa qualificada. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2005 a 31/01/2006 Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Rejeita-se a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange a garantia do contraditório e da ampla defesa, não estando caracterizado o cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA A perícia não se presta a suprir omissão do sujeito passivo na produção de provas que tinha obrigação de trazer aos autos. SUJEIÇÃO PASSIVA. SUCESSÃO. CONTRIBUINTE E RESPONSÁVEL SUBSIDIÁRIO. Provado que o contribuinte alienou, a qualquer título, o estabelecimento onde se deu a infração e que continuou suas atividades, este responde pela obrigação tributária, cabendo ao sucessor a responsabilidade subsidiária. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. MULTA DE OFÍCIO. As multas estão abrangidas pelo conceito de crédito tributário. Assim, por força do art. 129 do CTN, a sucessora responde pelas multas devidas pela sucedida, independentemente da data do lançamento, desde que relativas a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Pela conduta do sujeito passivo em retardar total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conduta essa prevista expressamente no artigo 71, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, como espécie de sonegação. DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, no caso de ausência de pagamentos, assim como na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo para contagem de prazo decadencial é aquele previsto no item I do artigo 173 do CTN. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 31/01/2005 a 31/01/2006 PRELIMINAR DE NULIDADE POR VICIO FORMAL - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. E de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso Voluntário Negado.
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FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA QUALIFICADA. Constatado que o estabelecimento sistematicamente escriturava a maior os créditos do imposto, assim resultando na ocultação do imposto devido, é de se efetuar o lançamento de ofício com a aplicação da multa qualificada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2005 a 31/01/2006 Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange a garantia do contraditório e da ampla defesa, não estando caracterizado o cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA A perícia não se presta a suprir omissão do sujeito passivo na produção de provas que tinha obrigação de trazer aos autos. SUJEIÇÃO PASSIVA. SUCESSÃO. CONTRIBUINTE E RESPONSÁVEL SUBSIDIÁRIO. Provado que o contribuinte alienou, a qualquer título, o estabelecimento onde se deu a infração e que continuou suas atividades, este responde pela obrigação tributária, cabendo ao sucessor a responsabilidade subsidiária. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. MULTA DE OFÍCIO. As multas estão abrangidas pelo conceito de crédito tributário. Assim, por força do art. 129 do CTN, a sucessora responde pelas multas devidas pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 06 14 /2 01 0- 08 Fl. 828DF CARF MF Processo nº 16095.000614/201008 Acórdão n.º 3301004.635 S3C3T1 Fl. 829 2 sucedida, independentemente da data do lançamento, desde que relativas a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Pela conduta do sujeito passivo em retardar total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conduta essa prevista expressamente no artigo 71, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, como espécie de sonegação. DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, no caso de ausência de pagamentos, assim como na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo para contagem de prazo decadencial é aquele previsto no item I do artigo 173 do CTN. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 31/01/2005 a 31/01/2006 PRELIMINAR DE NULIDADE POR VICIO FORMAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. E de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso Voluntário Negado. Fl. 829DF CARF MF Processo nº 16095.000614/201008 Acórdão n.º 3301004.635 S3C3T1 Fl. 830 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, Negar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 830DF CARF MF Processo nº 16095.000614/201008 Acórdão n.º 3301004.635 S3C3T1 Fl. 831 4 Relatório Transcrevo relatório constante da Resolução nº 3301000.159, dessa 1ª Turma Ordinária, fls. 805/809, até aquele ponto: Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Ribeirão Preto que julgou procedente o lançamento, mantendo na íntegra a exigência fiscal. O presente lançamento decorreu dos Ofícios n° 2326/2009 e 97/2010 enviados à Secretaria da Receita Federal do Brasil pelo 7º Distrito Policial Lapa/SP juntamente com o laudo pericial elaborado pelo Instituto de Criminalística extraído dos autos do Inquérito Policial n° 044/2009 Estelionato e Outros e do termo de Constatação do interesse da empresa Probel S/A (CNPJ: 61.079.380/000196), localizada no município de Suzano. Tais documentos informavam que nos estabelecimentos da Probel em Suzano e da Probel situada na Avenida Imperatriz Leopoldina, em São Paulo, teriam ocorrido irregularidades fiscais, sendo que, especificamente no caso do IPI, os créditos lançados no Livro de Entradas eram totalizados em valores superiores aos que efetivamente estavam registrados, transportandose tais valores para o Livro de Apuração e Registro do IPI, reduzindo, assim, o imposto devido, no período de janeiro de 2005 a janeiro de 2006. Constatado pela fiscalização que tal ação seria sistemática, o lançamento do tributo se deu com o regular acréscimo de juros de mora, além da imputação da multa qualificada no percentual de 150% do valor do imposto devido. A fiscalização teria constatado, ainda, que durante o período em que se deu a infração o estabelecimento pertencia à Probel S/A, sendo que o mesmo foi alienado à empresa NOSAG Molas e Fixadores Ltda. (CNPJ: 07.483.511/000150). Por conta disso, entendeu a fiscalização que a Probel S/A (CNPJ: 61.079.380/000196) deveria ser identificada como contribuinte e a NO SAGcomo responsável subsidiário pelo crédito tributário lançado, conforme Termo de fl. 350. Tanto o sujeito passivo identificado como contribuinte, como o identificado como responsável subsidiário impugnaram o lançamento, sendo suas impugnações apresentadas e apreciadas conforme na ordem em que foram juntadas ao processo. A NOSAGMOLAS E FIXADORES, identificada nos autos como responsável subsidiária, alegou, em estreita síntese, que o Termo de Responsabilidade Subsidiária seria nulo de pleno direito, por jamais ter ocorrido sucessão tributária, pois, o nascimento da empresa teria surgido de cisão parcial (com limitação de responsabilidades), com as empresas tomando rumos completamente distintos e que a NOSAGseria apenas uma nova empresa que se estabeleceu no mesmo endereço, jamais tendo sucedido qualquer fundo de comércio. Fl. 831DF CARF MF Processo nº 16095.000614/201008 Acórdão n.º 3301004.635 S3C3T1 Fl. 832 5 Alternativamente, sustentou que jamais poderia constar no lançamento antes de esgotadas todas as possibilidades de cobrança do contribuinte e responder subsidiariamente pela multa, conforme legislação e julgados dos Tribunais Superiores, sendo que, além disso, a multa seria inconstitucional, por ser confiscatória. Alegou, ainda, que o período lançado já estaria decaído, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN e que o crédito tributário teria sido apurado por simples amostragem, que teria desconsiderado documentos fiscais e a possibilidade de simples erro nos lançamentos contábeis, que partiu de laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo, o qual não seria o órgão competente para calcular o valor de tributos, resultando num Auto de Infração lavrado com base em mera e inaceitável presunção. Já a PROBEL S/A, identificada nos autos como contribuinte, sustentou, em resumo, a nulidade do lançamento, tanto porque não lhe teria sido franqueada vistas ao processo, como por irregularidades no MPF, particularmente na sua prorrogação. Alega que deveria ser excluída da sujeição passiva, seja porque a empresa NOSAGa teria sucedido integralmente, seja porque a responsabilidade pela infração seria pessoal desta empresa ou dos ex acionistas da Probel S/A (Srs. Gonzales Urbano e José Ramos Vieira) ou seja por sua denúncia à autoridades policiais, que equivaleria à denúncia espontânea do CTN, o que se comprovaria pela diligência, que requer, nos processos judiciais (criminal e cível). Quanto ao mérito, afirma que foi irregular e errônea a apuração do crédito tributário, inclusive já decaído, pelo disposto no § 4 o do artigo 150 do CTN, pois a fiscalização teria simplesmente transposto os valores do laudo fornecido pela própria Probel, ou daquele expedido pelo Instituto de Criminalística da Polícia do Estado de São Paulo, não tendo sido comprovado qualquer dolo ou intenção dolosa. A DRJ em Ribeirão Preto julgou procedente o lançamento, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2005 a 31/01/2006 PRELIMINAR DE NULIDADE POR VICIO FORMAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. E de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange a garantia do contraditório e da ampla defesa, não estando caracterizado o cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA A perícia não se presta a suprir omissão do sujeito passivo na produção de provas que tinha obrigação de trazer aos autos. IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA QUALIFICADA. Fl. 832DF CARF MF Processo nº 16095.000614/201008 Acórdão n.º 3301004.635 S3C3T1 Fl. 833 6 Constatado que o estabelecimento sistematicamente escriturava a maior os créditos do imposto, assim resultando na ocultação do imposto devido, é de se efetuar o lançamento de ofício com a aplicação da multa qualificada. SUJEIÇÃO PASSIVA. SUCESSÃO. CONTRIBUINTE E RESPONSÁVEL SUBSIDIÁRIO. Provado que o contribuinte alienou, a qualquer título, o estabelecimento onde se deu a infração e que continuou suas atividades, este responde pela obrigação tributária, cabendo ao sucessor a responsabilidade subsidiária. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. MULTA DE OFÍCIO. As multas estão abrangidas pelo conceito de crédito tributário. Assim, por força do art. 129 do CTN, a sucessora responde pelas multas devidas pela sucedida, independentemente da data do lançamento, desde que relativas a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Pela conduta do sujeito passivo em retardar total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conduta essa prevista expressamente no artigo 71, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, como espécie de sonegação. DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, no caso de ausência de pagamentos, assim como na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo para contagem de prazo decadencial é aquele previsto no item I do artigo 173 do CTN. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na sua impugnação. Verificouse, todavia, que o responsável tributário não foi intimado da referida decisão. Em primeira assentada em 23 de outubro de 2012, o colegiado deliberou por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que, confirmando que o responsável solidário NOSAG Molas e Fixadores Ltda. (CNPJ: 07.483.511/000150) não foi intimado do Acórdão 1434.230 da 2ª Turma da DRJ/POR, promova a sua intimação, dandolhe oportunidade para pagar o débito voluntariamente ou apresentar Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias. A Unidade de Origem formalizou a intimação do responsável solidário por meio de Edital (Intimação encaminhada por AR foi devolvida), cuja ciência deuse em 31/01/2014. Expirado o prazo regulamentar sem manifestação, os autos retornaram ao Carf para prosseguimento. Na forma regimental, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Fl. 833DF CARF MF Processo nº 16095.000614/201008 Acórdão n.º 3301004.635 S3C3T1 Fl. 834 7 Voto Conselheiro José Henrique Mauri O Recurso Voluntário preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase do Lançamento de Ofício referente a IPI não recolhido, nem declarado em DCTF como devido, pela redução do valor do imposto, pela utilização de créditos fictícios. Além da Sujeição Passiva atribuída à Probel S/A A (CNPJ: 61.079.380/000196), foi lavrado Termo de responsável subsidiário contra a empresa NOSAG Molas e Fixadores Ltda. (CNPJ: 07.483.511/000150), conforme Termo de fl. 350. A empresa NOSAC Molas e Fixadores Ltda, responsável tributária, regularmente intimada da decisão de primeira instância, não compareceu aos autos para apresentar seu Recurso Voluntário. 1.1 LIMITES DA CONTROVÉRSIA Conforme relatado, o procedimento fiscal originouse de denúncia advinda do Inquérito Policial n° 044/2009 Estelionato e Outros, formalizado pelo 7º Distrito Policial Lapa/SP, dando contas de que a recorrente estaria utilizandose de crédito fictício de IPI A fiscalização, ao término do procedimento fiscal, constatou que os créditos de IPI, lançados do Livro de Entradas, eram totalizados em valores superiores aos valores reais, transportandose tais valores para o Livro de Apuração e Registro do IPI, reduzindo, assim, o imposto devido, no período de janeiro de 2005 a janeiro de 2006. Constatou ainda a fiscalização que tal ação seria sistemática e ardilosa, razão pela qual o lançamento do tributo deuse com imputação da multa qualificada no percentual de 150% do valor do imposto devido, além do regular acréscimo de juros de mora. Quanto ao montante de IPI exigido não há controvérsia. A lide restringese a questões de direito que podem ser sintetizados nos tópicos a seguir, seguindo segregação feita pela Recorrente: 1. DOS PRINCÍPIOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO · Princípio da não submissão ao poder hierárquico · Princípio da legalidade devido processo legal Fl. 834DF CARF MF Processo nº 16095.000614/201008 Acórdão n.º 3301004.635 S3C3T1 Fl. 835 8 · Princípio da segurança jurídica e outros princípios 2. DAS PRELIMINARES · Da tempestividade do recurso · Da nulidade cerceamento de defesa · Da nulidade cerceamento de defesa do prazo para o recurso · Prazo subtraído pela RFB carta de serviços ao cidadão · Devolução do prazo respeito ao contribuinte · Irregularidade do mandado de procedimento fiscal · Autoridade incompetente do auto de infração · Do vínculo de responsabilidade 3. DO MÉRITO · Da fiscalização iniciativa do contribuinte · Da sonegação inocorrência · Do dolo inexistência · Da indispensável diligência · Da extinção do direito de lançamento contagem do prazo · Da inépcia de formalidade do auto de infração · Da baixa da inscrição filial · Da Segurança Jurídica · Da multa de ofício afastamento 4. DO PEDIDO · Dos Requerimentos 1.2 DA NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA DO PRAZO PARA O RECURSO Alega a recorrete cerceamento de defesa em face da redução do prazo para Recurso Voluntário. Aduz que, tendo tomado ciência da decisão de primeira instância em 26/7/2011, requereu vista e cópia do processo no dia 28 seguinte, contudo, não lhe teria sido fornecida cópia da integra do processo, nessa data. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 16095.000614/201008 Acórdão n.º 3301004.635 S3C3T1 Fl. 836 9 Dos autos consta que, na mesma data do pedido, 28/7/2011, foi concedida vista dos autos à representante da Recorrente, Sra. Vilma Pereira Cosiello, conforme Termo à fl. 748 (eprocesso). À princípio, a respectiva cópia é fornecida concomitantemente com a vista aos autos, isso é 28/7/2011, ainda que tal fato não conste, especificadamente, no termo de registro da concessão da vista requerida. Essa é a lógica procedimental. Todavia, na peça recursal, a Recorrente alega que o fornecimento aa cópia solicitada deuse em data posterior ao seu pedido, sem precisar em que data e, mais relevante, não aponta em que, ou como, tal atraso, se de fato tenha ocorrido, prejudicou a apresentação de sua defesa. Ademais, os únicos documentos inseridos nos autos após a Impugnação (pela lógica processual a Recorrente já tinha, ou deveria ter, todas os elementos dos autos até essa fase) foram o Acórdão da DRJ e demonstrativo de débitos, documentos esses entregues no momento da intimação para ciência da decisão daquele colegiado, o que, embora por si só não supre necessidade de fornecimento de cópia de inteiro teor dos autos, demonstra que a presente argumentação tem o condão de mera postergação de julgamento. Portanto, não há elementos que ampare eventual guarida à alegação da Recorrente, razão pela qual, nesse pormenor nego provimento. 1.3 DEMAIS CONSIDERAÇÕES No mais, relativamente ao Sujeito Passivo Principal, Probel S/A, única recorrente, em sede de Recurso Voluntário, 770/801, limitouse a replicar os argumentos da Impugnação, razão pela qual, considerando os bons fundamentos lançados no voto condutor do Acórdão recorrido, com os quais concordo, faço deles os meus fundamentos, transcrevendoos a seguir: IMPUGNAÇÃO DE PROBEL S/A IDENTIFICADA NOS AUTOS COMO CONTRIBUINTE. Inicio apreciando a alegação de cerceamento ao direito de defesa, por ter sido consumido "metade do prazo'" para vista e impugnação pelo trânsito do processo e porque a Agência da SRB não teria aceitado a procuração, nem sua identificação, portanto, requerendo a devolução integral do prazo para defesa. Conforme consta nos autos, o autuado foi cientificado em 01/12/2010 e o processo estava disponível para vista na ARF/Suzano em 15/12/2010, conforme o documento de fl. 593, juntado pela impugnante, e capa do processo, sendo que, conforme consta na declaração do advogado à fl. 602, a petição para vista foi protocolizada em 20/12/2010, com data de 17/12/2010. Ora, ainda que a data da petição pudesse, sem qualquer lógica jurídica ou pelo simples senso comum, retroceder à data que nela consta, ao buscar a vista em 20/12/2010, está provado nos autos que o processo já se encontrava na Agência, antes do dia 17/12/2010 portanto, se só no dia Fl. 836DF CARF MF Processo nº 16095.000614/201008 Acórdão n.º 3301004.635 S3C3T1 Fl. 837 10 20 o representante da Probel buscou vista, não há fundamento para devolução de prazo. Por outro lado, o advogado (Dr. Gilberto Cardoso Lins) primeiro alega, na petição do dia 29/12/2010 (fl.602) que vista foi negada simplesmente porque o processo não se encontrava na Agência para, no dia 30/12/2010 (fl. 601), declarar que a petição para vista foi negada pelo Agente da SRB por portar apenas cópia da procuração e se recusar a fornecer cópia da identidade, por entender que bastaria apresentar a carteira da OAB. Seja como for, a base para a nulidade seria o cerceamento à defesa, contudo, ainda que se creditasse o tumulto acima descrito apenas aos servidores fazendários, o que não parece corresponder à verdade dos fatos, é inconteste que em nada a vista acrescentaria à defesa por estar a impugnante de posse da cópia e originais (Livros Fiscais) de todas as peças juntadas aos autos até a apresentação das impugnações, conforme a própria peça impugnatória reconhece. Aliás, se a vista do que era sabido e conhecido fosse tão fundamental para defesa é de se perguntar o porquê, faltando ainda dez ou nove dias para apresentar a impugnação, dela se desistiu, sem nova tentativa de apresentar no decorrer desse tempo a documentação exigida pelo Agente, para só retornar com os protestos de fls. 601 e 602 nos dias 29 e 30 de dezembro de 2010. Diante disso, tanto porque ainda havia tempo útil para vista, como por ter em seu poder todas as peças formadora do processo em mãos,até a apresentação da impugnação, entendo que não houve qualquer cerceamento à defesa por parte da SRB. Também quer a impugnante que se declare a nulidade do lançamento por supostas irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), quanto à sua prorrogação. Esclareçase que em matéria de processo administrativo fiscal não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos; I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Dessa forma, no caso em análise, sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito de defesa, a preliminar de nulidade não merece ser acolhida. Resta evidente que o auto de infração deve ser instruído com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, com a descrição dos fatos apurados pelo fisco e sua correspondente subsunção à norma jurídica tributária veiculada no enquadramento legal. O relato pelo representante do fisco deve ser completo de modo a não restringir o pleno conhecimento, pelo autuado, dos fatos que motivaram a ação fiscal, para Fl. 837DF CARF MF Processo nº 16095.000614/201008 Acórdão n.º 3301004.635 S3C3T1 Fl. 838 11 que este, tomando ciência do que lhe está sendo exigido, possa se defender adequadamente. Entendo que referida determinação foi respeitada na elaboração do presente auto de infração, haja vista que as irregularidades apuradas são provenientes dos documentos apresentados pela contribuinte em respostas às diversas intimações efetuadas pela fiscalização. Nos demonstrativos elaborados e anexados ao auto de infração, constam os elementos que foram considerados para a lavratura do auto de infração, bem como a respectiva norma jurídica aplicável, inclusive dos acréscimos legais. Ou seja, todos os elementos necessários para eventual contestação quanto ao mérito da autuação. Constam, ainda, os demonstrativos da penalidade aplicada e dos juros de mora, o montante do tributo devido, a identificação do sujeito passivo, o termo de intimação para o seu cumprimento ou oferecimento de impugnação, conforme exigido por lei, a identificação da autoridade fiscal, incluindo sua matrícula funcional. Portanto, o auto de infração contém as condições necessárias para produzir o efeito que lhe compete, qual seja, formalizar o crédito tributário, individualizandoo e dandolhe a condição de exigibilidade, conforme determina o Código Tributário Nacional (CTN), art. 142. Inclusive, cabe assinalar que a competência conferida ao Auditor Fiscal para realizar os lançamentos tributários decorre de expressa previsão legal, nos termos do artigo 7º da Lei n° 2.354/1954, do Decreto lei n° 2.225/1985, do artigo 926 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda) e da Lei n° 10.593/2002, alterada pela Lei n° 11.457/2007. Assim, é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil o agente do Fisco competente para exercer a atividade de lançamento de tributos federais, não podendo dela se eximir, a menos que decorrido o prazo decadencial. Por sua vez, o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O eventual descumprimento das normas que estabelecem as regras de emissão do MPF não retira quaisquer atributos do ato administrativo do lançamento, que são definidos pela lei, mas apenas pode ensejar a aplicação de penalidades disciplinares, se for o caso. Sobre a matéria, mencionese os seguintes julgados do E. Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "PRELIMINAR MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL COMPETÊNCIA DO AFRF. A competência para constituição do crédito tributário é do Auditor Fiscal da Receita Federal, não podendo ser restringida por ato administrativo de menor hierarquia que a lei que lhe atribuiu tal competência" (Acórdão n° 10196616, de 06/03/2008). "MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. Fl. 838DF CARF MF Processo nº 16095.000614/201008 Acórdão n.º 3301004.635 S3C3T1 Fl. 839 12 O Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Port. SRF n° 1.265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mãodeobra fiscal, segundo prioridades estabelecidas pelo órgão central. Não constitui ato essencial à validade do procedimento fiscal de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei (art. 7° da Lei n° 2.354/54 c/c o Dec.lei n° 2.225, de 10/01/85) para fiscalizar e lavrar os competentes termos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao disposto nos arts 950, 951 e 960 do RIR/94. 142 do Código Tributário Nacional (...) " (Acórdão CSRF/0105.330, de 05/12/2005). Posto isto, ainda não logrou a defesa invalidar o regular lançamento de ofício. Também entende a impugnante que deveria ser excluída da sujeição passiva, seja porque a empresa NOSAG a teria sucedido integralmente, seja porque a responsabilidade pela infração seria pessoal desta empresa ou dos exacionistas da Probel S/A (Srs. Gonzales Urbano e José Ramos Vieira) ou seja por sua denúncia à autoridades policiais, que equivaleria à denúncia espontânea do CTN, o que se comprovaria por diligência nos processos judiciais (criminal e cível). Dispõe o CTN: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. A redação desse dispositivo legal reza claramente que o adquirente, a qualquer título, de fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, sem dúvida é sucessor por atos intervivos e responde pelos tributos devidos pelo sucedido. Por outro lado, sua responsabilidade será exclusiva ou integral se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade, e Fl. 839DF CARF MF Processo nº 16095.000614/201008 Acórdão n.º 3301004.635 S3C3T1 Fl. 840 13 subsidiária ou supletiva, se o alienante prosseguir na exploração ou até mesmo iniciar, dentro de seis meses, a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou noutro ramo de comércio, indústria ou profissão. Pois bem, não resta qualquer dúvida nos autos que a infração foi cometida no período em que o estabelecimento localizado na Av Imperatriz Leopoldina era filial da Probel S/A (janeiro de 2005 a janeiro de 2006), não há qualquer dúvida que a empresa NOSAG sucedeu a Probel no referido estabelecimento e a partir de fevereiro de 2006, portanto, a única exclusão possível da Probel S/A como contribuinte seria que ela provesse que havia cessado definitivamente suas atividades, nos termos do inciso I do artigo 133 retrocitado. Com efeito, é cabal, seja pelos contratos sociais, seja pela verificação fiscal no estabelecimento da Probel S/A em Suzano, que esta prosseguiu suas atividade, portanto, respondendo pelos tributos devidos, sendo que alegada a baixa do CNPJ desta filial, simplesmente prova que houve a sucessão e que a Probel continuou ativa com o CNPJ do estabelecimento em Suzano. Quanto ao argumento relativo à responsabilidade pessoal pela infração, na medida que os processos judiciais (criminal e cível) não foram definitivamente julgados e não cabe ao julgador administrativo julgálos ou antecipar, a diligência requerida em tais autos jamais se prestaria como prova da responsabilidade pessoal dos exacionistas da Probel S/A (Srs. Gonzales Urbano e José Ramos Vieira), ou seja, que foram estas pessoas que adulteraram os livros fiscais e se apossaram do imposto que deixou de ser recolhido (dolo específico e/ou elementar do agente). Destarte, há que se observar o princípio da unicidade de jurisdição, de acordo com o qual não cabe à autoridade administrativa pronunciarse sobre o mérito de questão pendente de apreciação definitiva pelo Poder Judiciário, pois, ao final, prevalecerá a decisão da Justiça. Em razão desse princípio constitucional, consagrado no art. 5.°, XXXV da CF/1988, a decisão judicial sempre prevalece sobre a decisão administrativa. Desse modo, a ação judicial tratando de determinada matéria infirma a competência administrativa para decidir de modo diverso, vez que, se todas as questões podem ser levadas ao Poder Judiciário, a ele é conferida a capacidade de examinálas de forma definitiva e com o efeito de coisa julgada. Com efeito, a propositura de ação judicial pelo contribuinte, nos pontos em que haja idêntico questionamento, torna ineficaz o processo administrativo. De fato, havendo o deslocamento da lide para o Poder Judiciário, perde o sentido a apreciação da mesma matéria na via administrativa, do contrário, terseia a absurda hipótese de modificação, pela autoridade administrativa, de decisão judicial transitada em julgado e, portanto, definitiva. Por outro lado, se no período em que se deu a infração, quando o estabelecimento pertencia à Probel S/A, esta se deu por conta de uma, ou mais, determinada(s) pessoa(s), caberia a quem alega provar tal declaração. Fl. 840DF CARF MF Processo nº 16095.000614/201008 Acórdão n.º 3301004.635 S3C3T1 Fl. 841 14 Vale observar que o processo administrativofiscal é informado pelo princípio da concentração das provas na contestação, com o condão de mitigar a aplicação do princípio da verdade material. Ou seja, uma vez que não há a previsão para a realização de uma audiência de instrução, como ocorre no âmbito do processo civil, as provas de fato modificativo, impeditivo ou extintivo da pretensão fazendária, no caso de exigência tributária, e as alegações pertinentes à defesa devem ser oferecidas pelo sujeito passivo na impugnação. Ora, na esfera cível, no que tange ao autor da ação, as provas devem ser indicadas na exordial e apresentadas na audiência de instrução, sendo que o réu também deve indicar as suas provas na contestação para produção na audiência; na seara tributária, conquanto, todas as contraprovas devem ser carreadas aos autos no bojo da peça impugnatória. Da seguinte maneira discorre o Decreto n° 70.235 (PAF), de 1972, art. 16, acerca dos requisitos da impugnação, verbis: "Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis; II omissis; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV— omissis ". (grifei) Em relação ao ônus da prova, assim dispõe o Código de Processo Civil, art. 333: "Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor ". Destarte, o momento processual propício para a defesa cabal da contribuinte é o da apresentação da peça impugnatória, sendo que meras alegações não se contrapõem ao provado pela fiscalização na própria escrituração do contribuinte, nem pedidos de diligência, que se configuram como óbvia inversão do ônus da prova, podem ser admitidos. Portanto, tanto porque o pedido de diligência é obvia tentativa de inversão do ônus da prova, como por deixar de cumprir os requisitos determinados no inciso III, do art. 16, do Decreto n° 70.235/72, impõese seu indeferimento. Tampouco apenas a denúncia da infração às autoridades policiais equivale à denúncia espontânea prevista no CTN, pois, jamais o legislador visaria permitir que, por ato unilateral, o mau contribuinte pudesse fugir ao pagamento da obrigação tributária principal dos juros e das penalidades integrantes da obrigação tributária principal, sob pena de fraudarse o direito do Fisco à percepção de seus créditos legítimos em face da lei. Fl. 841DF CARF MF Processo nº 16095.000614/201008 Acórdão n.º 3301004.635 S3C3T1 Fl. 842 15 Sem embargo, a Secretaria da Receita Federal tomou conhecimento dos fatos que levaram ao lançamento pelas autoridade policiais do Estado de São Paulo e não pela Probel, outrossim, a inexistência de qualquer recolhimento do IPI sonegado, de plano, descaracteriza o instituto da denúncia espontânea tributária, portanto, sem qualquer possibilidade de se afastar a sanção aplicada, muito menos de excluir o autuado da condição de contribuinte do imposto. No que tange ao mérito, não merece prosperar a alegação de que o lançamento seria um simples transposição do laudo fornecido pela própria Probel, ou daquele expedido pelo Instituto de Criminalística da Polícia do Estado de São Paulo. A contribuinte teve ciência do início dos procedimentos fiscais e estes se lastrearam na escrituração do estabelecimento e não em informações de terceiros, embora estas é que tenham desencadeado a fiscalização. De fato, a fiscalização da SRB totalizou os lançamentos contábeis do Livro de Entradas, demonstrou que foram à maior e comprovou que essa diferença foi transportada para o Livro de Registro e Apuração do IPI e disso resultou a artificial redução dos débitos declarados e recolhidos. Com efeito, a fiscalização comprovou que houve a sistemática escrituração de inexistentes créditos do IPI com o óbvio objetivo de reduzir o imposto devido e é exatamente essa sistemática que convence o julgador do intuito doloso, tendo como enquadramento legal da multa o artigo 80, caput e § 6o , inciso II da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96: "Art.80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de oficio de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. § 1º No mesmo percentual de multa incorrem: § 6º 0 percentual de multa a que se refere o caput, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: Iaumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica; II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante, e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. As disposições legais referidas no inciso acima para definição de intuito de fraude têm a seguinte redação: Lei n° 4.502 de 1964: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 842DF CARF MF Processo nº 16095.000614/201008 Acórdão n.º 3301004.635 S3C3T1 Fl. 843 16 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão, dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Art. 73 — Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72. Depreendese dos dispositivos acima transcritos que para aplicar a multa qualificada/agravada é necessário o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraudar ou de sonegar. Segundo Luiz Alberto Ferracini Do Crime de Sonegação Fiscal Ed. de Direito, 1996, pág. 65, Os elementos do dolo para o estudo do crime de sonegação fiscal são os seguintes: consciência da ação e do evento e do nexo causal entre eles é vontade de praticar o fato típico; consciência da ilicitude da conduta e do resultado; vontade de ação e do resultado. Ou seja, há que ficar provada a intenção do agente em praticar os atos culpáveis. De acordo com De Plácido e Silva, em "Vocabulário Jurídico", Editora Forense, o vocábulo "fraudar", derivado do latim fraudare (fazer agravo, prejudicar com fraude), além de significar usar de fraude, o que é genérico, e exprime toda a ação de falsear ou ocultar a verdade com a intenção de prejudicar ou de enganar, possui, na técnica fiscal, o sentido de falsificar ou adulterar, como o de usar de ardil para fugir ao pagamento de uma tributação: fraudar o fisco. E, assim, quer dizer sonegar. Ressaltese que qualquer conduta fraudulenta do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que a conduta fraudulenta se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. Sobre dolo, De Plácido e Silva, in Vocabulário Jurídico, 12a Edição, Vol. II, Forense, 1993, pág. 120, dá a seguinte definição: DOLO. Do latim dolus (artificio, manha, esperteza,) na terminologia jurídica, é empregado para indicar toda espécie de artificio, engano, ou manejo astucioso promovido por uma pessoa, com a intenção de induzir outrem à prática de um ato jurídico, em prejuízo deste e proveito próprio ou de outrem. (...) Fl. 843DF CARF MF Processo nº 16095.000614/201008 Acórdão n.º 3301004.635 S3C3T1 Fl. 844 17 Na acepção civil, o dolo é vício do consentimento, sendo seu elemento dominante a intenção de prejudicar (animus dolandi). É um ato de máfé, razão por que se diz fraudulento, sendo, como é, o intuito da própria fraude, defraudar, pois sem fraude ou prejuízo preconcebido não se terá dolo em seu exato sentido. Como se verifica, o dolo é "animus", vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo. É elemento subjetivo. Entendo que esse "animus" ficou mais que evidenciado e provado nos autos pela sistemática ocultação e redução do imposto devido, alas, digase que o acórdão citado às fls. 587/588 nenhuma relação guarda com a presente lide. Com relação a decadência arguida, esta não merece prosperar porque a regra do § 4º do artigo 150 do CTN é excepcionada nos casos em que ocorra a fraude, o dolo ou a simulação e, no presente caso, a multa qualificada foi aplicada corretamente, diante da cabal prova do intuito doloso. Por outro lado, claro está nos autos que não se trata de lançamento por homologação, nem de lançamento por declaração com confissão de dívida. Tratase do IPI não recolhido, nem declarado em DCTF como devido, pela redução do valor do imposto por créditos indevidos, ou seja, é óbvio caso de lançamento de ofício, cujo prazo decadencial é regido pelo disposto no artigo 1731 do CTN que, aplicado ao presente caso, impõe como termo inicial da contagem decadencial o primeiro dia do exercício seguinte. Tal entendimento é pacífico no Superior Tribunal de Justiça entendimento segundo o qual o lançamento por homologação somente se aperfeiçoa com a realização do pagamento antecipado por parte do sujeito passivo, nos termos do art. 150 do CTN. Inexistindo a antecipação do pagamento, nos termos determinados pela lei complementar, não há que se falar em lançamento por homologação. A jurisprudência pretoriana foi absorvida pelos artigos 124, 125, 127 e 128 II do RIPI/2002. A luz de tais dispositivos, diante da inexistência de pagamento tal como definido nos parágrafos únicos dos dispositivos regulamentares citados, há que se considerar não aperfeiçoado o lançamento por homologação, fato que rende ensejo ao lançamento de ofício, cujo prazo de decadência é regido pelo art. 173,1 do CTN. Outro não é o entendimento do Egrégio Conselho de Contribuintes, como se constata nos seguintes acórdãos: Câmara: SEGUNDA CÂMARA Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Data da Sessão: 15/03/2000 09:00:00 Fl. 844DF CARF MF Processo nº 16095.000614/201008 Acórdão n.º 3301004.635 S3C3T1 Fl. 845 18 Decisão: ACÓRDÃO 20211938 Ementa: IPI FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO Infração comprovada, à vista dos livros e documentos da fiscalizada. Falta de contestação hábil da autuada, quanto ao fato e aos valores apurados. Contestações generalizadas, com fundamento em alegadas inconstitucionalidades, quanto aos consectários (acréscimos legais ) . DECADÊNCIA Aplicável ao caso a norma do art. 173, I, visto que não houve pagamento, hipótese em que o período abrangido é o período anterior a maio de 1998, sendo o lançamento é de 24.05.97. Recurso a que se nega provimento. Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Data da Sessão: 21/08/2001 09:00:00 Decisão: Acórdão 30129903 Ementa: IPI. DECADÊNCIA. O prazo decadencial, no caso de IPI não recolhido antecipadamente pelo contribuinte, se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme dispõe o artigo 61, II, do RIPI/82e 173 do CTN. Por conseguinte, entendo que não ocorreu a decadência arguida, tanto pela ocorrência da fraude, como em razão de que Fisco teria até 31/12/2010 para efetuar o lançamento do IPI não declarado, nem recolhido relativo ao ano de 2005. No que diz respeito às futuras intimações, estas devem ser dirigidas ao domicílio fiscal do sujeito passivo. A Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 127, dispõe sobre a existência do domicílio tributário, havendo, portanto, previsão legal sobre o local para onde devem ser dirigidas as intimações e notificações previstas no Decreto n° 70.235/72, logo, feita a eleição pelo sujeito passivo, não é possível a admissão de domicílio especial para o processo administrativo fiscal, como quer o advogado da parte. Assim, diante do exposto e constatado que o lançamento se deu regularmente, sem macular a legislação e os princípios constitucionais ou que, especificamente, regem o processo administrativo, voto por se julgar a impugnação do contribuinte como improcedente. Assim, adoto como meus os fundamentos constantes da decisão recorrida, suso transcritos, nos termos do art. 50, §1º, da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, c/c art. 57, § 3º, da Portaria MF nº 343, de 2015 (Ricarf), com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. Fl. 845DF CARF MF Processo nº 16095.000614/201008 Acórdão n.º 3301004.635 S3C3T1 Fl. 846 19 2 Dispositivo Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 846DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.722521/2013-73
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
DÉBITOS COM A SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. EFEITOS. MANUTENÇÃO DO TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PELO SIMPLES NACIONAL.
A não regularização de todas as pendências com a Secretaria da Receita Federal, no prazo regulamentar, impossibilita o ingresso da pessoa jurídica no regime especial de tributação Simples Nacional.
INTIMAÇÃO DO PATRONO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE.
É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante, em endereço diverso de seu domicílio fiscal tendo em vista o disposto no § 4º do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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SÚMULA CARF Nº 02. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. Aplicação da Súmula CARF nº 02. DÉBITOS COM A SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. EFEITOS. MANUTENÇÃO DO TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PELO SIMPLES NACIONAL. A não regularização de todas as pendências com a Secretaria da Receita Federal, no prazo regulamentar, impossibilita o ingresso da pessoa jurídica no regime especial de tributação Simples Nacional. INTIMAÇÃO DO PATRONO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante, em endereço diverso de seu domicílio fiscal tendo em vista o disposto no § 4º do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 25 21 /2 01 3- 73 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 18470.722521/201373 Acórdão n.º 1001000.447 S1C0T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 47 a 56) interposto contra o Acórdão nº 1264.784, proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ (fls. 37 a 43), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. DÉBITOS COM A SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. EFEITOS. MANUTENÇÃO DO TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PELO SIMPLES NACIONAL. A não regularização de todas as pendências com a Secretaria da Receita Federal, no prazo regulamentar, impossibilita o ingresso da pessoa jurídica no regime especial de tributação Simples Nacional. INTIMAÇÃO DO PATRONO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante, em endereço diverso de seu domicílio fiscal tendo em vista o disposto no § 4º do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Fl. 60DF CARF MF Processo nº 18470.722521/201373 Acórdão n.º 1001000.447 S1C0T1 Fl. 4 3 Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de manifestação de inconformidade, oposta pelo interessado acima qualificado, contra o ato de indeferimento de opção pelo regime de tributação especial, denominado Simples Nacional (fls. 26/27), registrado em 04/03/2013, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, para o ano calendário 2013, pelo fato de constar nos arquivos eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, débitos de natureza previdenciária e fazendária, relacionados no próprio termo, cuja exigibilidade não estaria suspensa. Da Manifestação de Inconformidade 2. Insurgese o Impugnante contra o Termo de Indeferimento da Opção pelo SIMPLES Nacional, interpondo manifestação de inconformidade em 22/03/2013 (fls. 02/09), alegando que: 2.1. A tempestividade da manifestação de inconformidade; 2.2. alega ter seu direito de defesa cerceado posto que não fora intimada por via postal do Termo de Indeferimento, vindo a tomar conhecimento do mesmo por consulta realizada pela internet; 2.3. alega a inconstitucionalidade do art. 17, inciso V, da Lei Complementar no 123/2006; 2.4. requer a prescrição dos débitos inscritos no Termo de Indeferimento da Opção pelo SIMPLES Nacional; 2.5. requer que os débitos contra si sejam recalculados; 2.6. requer planilha demonstrativa clara e completa demonstrando os débitos, e ainda, prazo especial de 60 dias para análise destes débitos; 2.7. requer seja aplicado o efeito suspensivo após o recebimento desta manifestação; 2.8. pede que as notificações e correspondências sejam encaminhadas ao endereço do patrono: Rua Santo Amaro 234, Campo Grande, Rio de Janeiro, CEP 23.052430, Rio de Janeiro/RJ; ou pelo telefone fax 21 24160709; 2.9. pleiteia ainda que o número do processo seja cadastrado na conta de e mail: alair@maquinez.com.br, previamente cadastrada no sistema push processo/Comprot; 2.10. requer sua manutenção no regime do SIMPLES Nacional." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sobre análise apenas reiterando os termos aventados em primeira instância. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 18470.722521/201373 Acórdão n.º 1001000.447 S1C0T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Da arguição de inconstitucionalidade 5. Quanto às alegações de inconstitucionalidade do art. 17, inciso V, da Lei Complementar no 123/2006, em vigor, cumpre esclarecer que somente ao Poder Judiciário é dado exercer o controle concentrado ou difuso, de caráter repressivo, da constitucionalidade das leis, sendo inadequada a postulação de matéria dessa natureza na esfera administrativa, estando tal vedação atualmente prevista no Decreto nº 70.235/1972, que trata do processo administrativo fiscal, em seu art. 26 A, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, transformada na Lei nº 11.941/2009, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” 6. Portanto, conforme determinam as normas vigentes, tese sobre inconstitucionalidade de lei ou ato normativo que fundamenta o lançamento fiscal não se discute na instância administrativa. 7. Como os dispositivos legais aplicados neste AI não foram declarados inconstitucionais nem por ação direta nem por via indireta (com suspensão de sua aplicação pelo Senado Federal), continuam eles em pleno vigor, restando à Administração Pública, então, aplicálos e, no caso da autoridade fiscal, deve fazêlo sob pena de responsabilidade funcional (CTN, artigo 142, § único). Da mesma forma, continuam em pleno vigor, os atos normativos no que tange à sua legalidade, restando à autoridade fiscal o dever inafastável de cumprilos. 8. Assim, afasto a preliminar de inconstitucionalidade aventada. Das regras do Simples Nacional 9. Inicialmente, cabe esclarecer que o Sistema Simples, que passou a integrar a legislação tributária a partir de 1997 (Lei nº 9.317/1996), dando efetividade aos Fl. 62DF CARF MF Processo nº 18470.722521/201373 Acórdão n.º 1001000.447 S1C0T1 Fl. 6 5 artigos 170, inciso IX, e 179, da Constituição Federal, foi instituído com vistas à simplificação e unificação da sistemática de arrecadação de tributos recolhidos pelas microempresas e empresas de pequeno porte, implicando substancial redução de procedimentos e custos para as empresas beneficiadas. 10. Posteriormente, sobreveio a Lei Complementar nº 123/2006, que revogou a Lei no 9.317/1996 e instituiu o Simples Nacional, onde vários tributos e contribuições passaram a ser recolhidos de forma unificada, abrangendo as três esferas da federação. O referido diploma legal estipulou, em seu art. 17, inciso V, as hipóteses de vedação ao ingresso no referido regime tributário, não admitindo que EPP ou ME devedora de tributos faça a opção e se mantenha neste sistema tributário sem regularizálos, motivo pelo qual foi emitido o referido Termo de Indeferimento da Opção pelo SIMPLES Nacional. 11. Acerca do prazo de que dispõe o interessado, a cada ano, para realizar a opção pelo Simples Nacional, o parágrafo 2º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123/2006 assim dispõe: Art. 16 – A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário. (...) § 2º A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário de opção, ressalvado o disposto no parágrafo terceiro deste artigo. (...) § 6o O indeferimento da opção pelo Simples Nacional será formalizado mediante ato da Administração Tributária segundo regulamentação do Comitê Gestor. 12. O Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial na Resolução CGSN nº 94/2011, cujo artigo 6º assim estabelece: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6 º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, caput ) § 1 º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5 º . (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, § 2 º) § 2 º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, caput ) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; Fl. 63DF CARF MF Processo nº 18470.722521/201373 Acórdão n.º 1001000.447 S1C0T1 Fl. 7 6 (...) Art. 7º A ME ou EPP poderá efetuar agendamento da opção de que trata o § 1 º do art. 6 º , observadas as seguintes disposições: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, caput ) I estará disponível, em aplicativo específico no Portal do Simples Nacional, entre o primeiro dia útil de novembro e o penúltimo dia útil de dezembro do ano anterior ao da opção; II sujeitarseá ao disposto nos §§ 4 º e 6 º do art. 6 º ; III na hipótese de serem identificadas pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, o agendamento será rejeitado, podendo a empresa: a) solicitar novo agendamento após a regularização das pendências, observado o prazo previsto no inciso I; ou b) realizar a opção no prazo e condições previstos no § 1 º do art. 6 º ; (g.n.) (...) DO RESULTADO DO PEDIDO DE OPÇÃO Art. 13. O resultado do pedido de opção poderá ser consultado através do Portal do Simples Nacional. (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, caput ) 13. Após este breve histórico da legislação pertinente ao SIMPLES, passemos a análise do caso concreto. 14. Assim como o Termo de Opção ao Simples Nacional é solicitado eletronicamente, via internet, cabe ao Contribuinte acompanhar, pelo mesmo meio, o caminhar de seu pleito, a teor do art. 13 da Resolução CGSN nº 94/2011. Logo, não pode prosperar a alegação de cerceamento de direito de defesa por desconhecimento dos motivos do indeferimento de sua opção. 15. A Manifestante não se pronuncia acerca da vasta lista de débitos relacionados no Termo de Indeferimento da Opção pelo SIMPLES Nacional (fls. 26/27), tampouco se manifesta acerca das pendências cadastrais e/ou fiscais junto a Prefeitura do Município do Rio de Janeiro e ao estado do Rio de Janeiro, relacionadas na Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional (fls. 29/31). 16. O que se tem, em termos concretos, é que até o último dia útil de janeiro, o Contribuinte não se adequara às condições impostas para a concessão do direito de ingresso ao regime tributário simplificado. 17. Diante do exposto, permanece o óbice ao ingresso da Impugnante no regime tributário diferenciado do Simples Nacional, pois a mesma incorre na vedação prevista no artigo 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, “in verbis”: “Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006 (…) Art.17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: Fl. 64DF CARF MF Processo nº 18470.722521/201373 Acórdão n.º 1001000.447 S1C0T1 Fl. 8 7 (…) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Da notificação ao Patrono 18. No tocante ao pedido para que todas as intimações sejam enviadas em nome do patrono da impugnante e encaminhada a endereço diverso do contribuinte que se encontra em litígio, cabe asseverar que o Decreto nº 70.235/1972 contém as seguintes regras acerca das intimações em processos administrativos fiscais: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)” (grifei) 19. Neste sentido, concluo ser descabida a pretensão da impugnante em receber publicações ou notificações em endereço diverso de seu domicílio fiscal, na pessoa de seu Patrono. Deste modo, apenas e tão somente cópia do presente acórdão pode ser enviada ao subscritor da impugnação, no endereço indicado no subitem 2.8 acima. 20. Neste liame, voto pela IMPROCEDÊNCIA da Manifestação de Inconformidade. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 65DF CARF MF Processo nº 18470.722521/201373 Acórdão n.º 1001000.447 S1C0T1 Fl. 9 8 Fl. 66DF CARF MF
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